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5960408 #
Numero do processo: 19647.007857/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Inexiste previsão legal para se excluir o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) faturado da base de cálculo da Cofins.
Numero da decisão: 3301-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Mônica Elisa de Lima que propuseram baixar os autos em diligência à unidade de origem. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Paulo César França da Silva, OAB/PE nº 22.772. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Mônica Elisa de Lima, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 mediante  a  apresentação  de  documentos  fiscais  e/  ou  contábeis,  de  que  decorreram da revenda de tais produtos.  BASE  DE  CÁLCULO.  ICMS  FATURADO.  EXCLUSÃO.  FALTA  DE  PREVISÃO LEGAL.  Inexiste  previsão  legal  para  se  excluir  o  valor  do  Imposto  sobre Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) faturado  da base de cálculo do PIS.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO.  As  diferenças  entre  os  valores  da  contribuição,  declarados  nas  respectivas  DCTF,  e  os  efetivamente  devidos,  apurados  com  base  na  escrita  fiscal  e  contábil do sujeito passivo, estão sujeitas a lançamento de ofício.  RECEITAS. ALÍQUOTA ZERO. PROVAS.  A redução a zero da alíquota da contribuição  incidente sobre o faturamento  mensal,  para  os  revendedores  de  produtos  sujeitos  à  tributação monofásica  pelo  industrial e/ ou  importador de  tais produtos, depende da comprovação,  mediante  a  apresentação  de  documentos  fiscais  e/  ou  contábeis,  de  que  decorreram da revenda de tais produtos.  BASE  DE  CÁLCULO.  ICMS  FATURADO.  EXCLUSÃO.  FALTA  DE  PREVISÃO LEGAL.  Inexiste  previsão  legal  para  se  excluir  o  valor  do  Imposto  sobre Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestação  de  Serviços  de  Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) faturado  da base de cálculo da Cofins.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003  MULTA DE OFÍCIO.  No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário,  é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente.  JUROS DE MORA À TAXA SELIC.  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes sobre débitos  tributários administrados pela Secretaria da Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  Relator.  Vencidos  os  conselheiros  Antônio  Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Mônica Elisa de Lima que propuseram baixar os autos  Fl. 455DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.007857/2006­87  Acórdão n.º 3301­002.207  S3­C3T1  Fl. 455          3 em  diligência  à  unidade  de  origem.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  o  advogado  Paulo  César França da Silva, OAB/PE nº 22.772.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Mônica  Elisa  de  Lima,  José  Adão  Vitorino  de  Morais,  Antônio  Lisboa  Cardoso,  Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra a decisão da DRJ em Recife  (PE)  que  julgou  improcedente  a  impugnação  interposta  conta  os  lançamentos  das  Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS), com incidência não cumulativa, e  para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), com incidência cumulativa, referentes aos  períodos de competência de janeiro a dezembro de 2003.  As  parcelas  lançadas  e  exigidas  decorreram  de  diferenças  entre  os  valores  declarados/pagos e os efetivamente devidos, apurados com base na escrita fiscal e contábil da  recorrente, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto de infração e  Termo de Constatação Fiscal às fls. 185/187 (fls. 193/195­proc. digital).  Inconformada com os lançamentos, a recorrente impugnou­os (fls. 199/209),  alegando razões assim resumidas por aquela DRJ:  PRELIMINAR DE NULIDADE  I­ aduz que a denúncia não está tipificada, pois consta no Auto de Infração um  "amontoado" de dispositivos legais, dentre os quais, a defendente não sabe de qual  se defender e nem aquele que disciplina a matéria que serviu de objeto dos autos de  infração;  II­  alerta  que,  assim,  se  não  foi  tipificado  adequadamente  é  porque  inexiste  obrigação prevista em lei a ser cumprida e enumera uma série de conseqüências que  considera inevitáveis, entre elas a nulidade dos atos e a desobediência aos princípios  norteadores  do  lançamento  inscrito  no  art.  142  do  CTN,  que  é  a  clareza  na  proposição do lançamento.  INCLUSÃO  DO  ICMS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  COFINS  –  PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA  I­ aduz que improcede a denúncia fiscal de que foram recolhidas a menor as  contribuições  da  Cofins  e  do  PIS,  visto  que  a  suposta  diferença  encontrada  pela  fiscalização, através do confronto entre as bases de cálculo declaradas e as bases de  cálculo  levantadas  nos  seus  Livros  de  Apuração  de  ICMS,  ocorreu  porque  os  mesmos não excluíram da receita bruta do ICMS;  Fl. 456DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     4 II­ esclarece que ela, a contribuinte, nas vendas  realizadas a contribuinte do  ICMS, está obrigada a recolher o ICMS normal decorrente da operação de venda, e  ainda o ICMS sobre o valor presumido de futuras vendas a serem realizadas pelos  compradores  dos  seus  produtos.  Portanto,  recolhe  o  ICMS  substituto  antes  de  ocorridas as operações;  III­  cita decisão do Plenário do STF,  tendo como Relator o Ministro Marco  Aurélio, segundo o qual descabe incidência do ICMS na base de cálculo da Cofins, e  por analogia, do PIS, tendo em vista a mesma base de cálculo, conforme Informativo  n° 437 que transcreve;  IV­  tece  considerações  sobre  os  conceitos  de  faturamento  e  entende  que,  sendo esta a palavra citada no art. 195 da Constituição, não pode ser interpretada de  forma vaga e imprecisa;  V­ tece ainda considerações sobre o art.2º da LC n° 70/91 para concluir que  no  caso  do  ICMS  não  ocorreram  as  operações  e  nem  tampouco  prestação  de  serviços, posto que o imposto é pago antecipadamente;  VI­ entende que se existe jurisprudência pacífica do STF e do STJ quanto à  inconstitucionalidade da norma,  impede a  fiscalização  federal  de  autuar,  conforme  estatuído  no  art.  19  da  Lei  n°  1.022/2002  (sic)  e  transcreve  os  §§4°  e  5°  do  dispositivo legal citado, acrescentado que o art. 2° da Lei n° 9.784/99 determina que  cabe ao administrador público obedecer ao princípio da legalidade;  VII­  pondera  que  outro  ponto  de  destaque  é  que  na  denúncia  fiscal  consta  ainda que grande parte das mercadorias comercializadas estão sujeitas à sistemática  da  substituição  tributária,  ou  seja,  produtos  à  alíquota  zero  de  PIS  e  Cofins  nas  saídas subseqüentes da indústria, estando tais mercadorias devidamente descritas nas  Notas  Fiscais  de  vendas  de  n°  8542  a  91365,  ou  seja,  82.823  notas,  as  quais,  conforme já asseverado à autoridade fiscalizadora, pelo exíguo espaço de tempo, não  foi  possível  a  apresentação  de  tão  elevado  número  de  notas,  razão  porque  pugna  desde  já  pela  juntada  posterior  das  referidas  notas,  trazendo  aos  autos,  por  amostragem, 35 dessas notas fiscais, pois se referem a vendas de produtos de beleza  listados nas posições 3303.00 a 3707.90.00 da TIPI;  VII­ conclui, após a transcrição de trecho do voto emitido no Resp 501628 da  Ministra  Eliana  Calmon  que,  embora  todo  o  faturamento  seja  receita,  nem  toda  receita é faturamento, como observa o Ministro Cezar Peluso no Voto­Vista no RE  346­084­6­PA. E  que,  ademais,  deve  ser  subtraído  o  ICMS que  está  embutido  no  valor da fatura o que não pode de maneira nenhuma se equiparar a faturamento;  MULTA  CONFISCATÓRIA  E  INAPLICABILIDADE  DA  TAXA  SELIC  COMO JUROS DE MORA  I­ considera ilegal e inconstitucional a aplicação da multa de oficio de 75%,  alegando  ser  esta  confiscatória,  bem  como  a  aplicação  dos  juros  de  mora  à  taxa  Selic, por força do que dispõe o art.161 do CTN, o qual determina que só se pode  cobrar  juros  de  mora  (originado  do  retardo  e  impontualidade  contratual),  não  admitindo o percentual superior a 1% (um por cento).  [...].  Analisada  a  impugnação,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente,  conforme  acórdão nº 11­23.270, datado de 30/07/2008, às fls. 371/392, sob as seguintes ementas:  “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS   Fl. 457DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.007857/2006­87  Acórdão n.º 3301­002.207  S3­C3T1  Fl. 456          5 A  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  da  Cofins  constitui  infração  que  autoriza  a  lavratura  do  competente  auto  de  infração, para a constituição do crédito tributário.  COFINS.  BASE  DE  CÁLCULO.  EXCLUSÃO  DO  ICMS.  EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.  Não  é permitida a  exclusão  do  ICMS,  cobrado  na  condição  de  contribuinte,  da  base  de  cálculo  da  COFINS  por  falta  de  previsão legal. O ICMS integra a base de cálculo a ser tributada  pela contribuição em tela.  INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS   A  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  do  PIS  constitui  infração  que  autoriza  a  lavratura  do  competente  auto  de  infração, para a constituição do crédito tributário  ARGÜIÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAR.  Não  se  encontra  abrangida  pela  competência  da  autoridade  tributária  administrativa  a  apreciação  da  inconstitucionalidade  das  leis,  uma  vez  que  neste  juízo  os  dispositivos  legais  se  presumem  revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois,  na hipótese, negar­lhe execução.  LANÇAMENTO  DE  OFICIO.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA. LEGALIDADE. TAXA SELIC. Legitima a  aplicação da  taxa Selic, para a cobrança dos juros de mora, a partir de 1° de  abril de 1995 (art. 13, da Lei n° 9.065/95)  TRIBUTOS E MULTA  ­ CONFISCO. A  vedação  constitucional  quanto  à  instituição  de  exação  de  caráter  confiscatório  dos  tributos,  se  refere  aos  tributos  e  não  às  multas  e  se  dirige  ao  legislador, e não ao aplicador da lei.  MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO  CONFISCATÓRIO.  As  multas  de  oficio  não  possuem  natureza  confiscatória,  constituindo­se  antes  em  instrumento  de  desestímulo  ao  sistemático  inadimplemento  das  obrigações  tributárias,  atingindo,  por  via  de  conseqüência,  apenas  os  contribuintes  infratores,  em  nada  afetando  o  sujeito  passivo  cumpridor de suas obrigações fiscais.  DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS.  A  extensão  dos  efeitos  das  decisões  judiciais,  no  âmbito  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  possui  como  pressuposto  a  existência  de  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal  acerca  da  inconstitucionalidade  da  lei  que  esteja  em  litígio  e,  ainda  assim,  desde  que  seja  editado  ato  específico  do  Sr.  Secretário  da  Receita  Federal  nesse  sentido.  Não  estando  enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem  efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando  nem prejudicando terceiros.”  Fl. 458DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     6 Cientificada  dessa  decisão,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  (fls.  406/423),  requerendo,  em  preliminar,  a  nulidade  da  decisão  recorrida,  sob  a  alegação  de  cerceamento do seu direito de defesa sob o argumento de que consta dos autos de infração uma  série de dispositivos, dispostos de forma genérica, que não indicam claramente a que infração  se refere; e, no mérito, que parte das mercadorias comercializadas está sujeita à alíquota zero,  por estarem sujeitas ao regime de  tributação monofásico; e, ainda, que o  ICMS faturado não  integra a base de cálculo das contribuições. Contestou, ainda, o lançamento da multa de ofício,  sob o argumento de que sua exigência, no percentual de 75,0 % das parcelas das contribuições  lançadas, implica confisco do seu patrimônio; e a exigência de juros de mora à taxa Selic, em  percentual superior a 1,0 %, afronta a lei de usura (Dec. Nº 22.626/33)  Para fundamentar seu recurso discorreu, expendeu extenso arrazoado sobre:  “1. Preliminar: 1.1. Cerceamento ao amplo direito de defesa: 2. No mérito; 2.1. Da inclusão na  base de cálculo de produtos sujeitos ao regime monofásico (substituição tributária) – artigo 2º  da lei 10.147/00: 2.2. Da Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS: 2.3. Da  multa  confiscatória  de  75%:  2.4.  Dos  juros  de  mora  –  Inaplicabilidade  da  taxa  SELIC,  concluindo  ao  final,  em  preliminar,  que  a  decisão  recorrida  é  nula;  e,  no  mérito,  requereu  diligência e, se indeferida, que se julgue improcedente os lançamentos.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O  recurso  voluntário  apresentado  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço.  I – Preliminar  A  suscitada nulidade da decisão  recorrida por  cerceamento de defesa  sob a  alegação  de  que  consta  dos  autos  de  infração  uma  série  de  dispositivos  que  não  indicam  claramente a que infração se refere e, ainda, dispostos de forma genérica, não tem amparo legal  e não merece prosperar.  Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente  os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito  de defesa, assim dispondo:  Art. 59 ­ São nulos:  [...];  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.”  No  presente  caso,  a  decisão  recorrida  foi  proferida  pela  2ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  Recife  (PE),  colegiado  competente  para  julgar  a  impugnação  interposta.  Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida.  II – Mérito  Fl. 459DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.007857/2006­87  Acórdão n.º 3301­002.207  S3­C3T1  Fl. 457          7 II­1 – Diligência/perícia  A  recorrente  solicitou  a  baixa  dos  autos  à  autoridade  preparadora  para  a  realização de perícia, visando apurar se: “1­ As mercadorias comercializadas pelo Recorrente são  sujeitas a contribuição para PIS e COFINS ou tem mercadoria com alíquota zero? 2­ As notas fiscais  juntada na Impugnação são sujeitas a contribuição do PIS e COFINS?”  No presente caso, entendo que não há necessidade de perícia para responder  ambas as questões feitas pela recorrente.  Caberia à recorrente comprovar o valor  total mensal das vendas decorrentes  de produtos sujeitos à alíquota zero, mediante a apresentação de relatório e/ ou demonstrativo,  acompanhado  de  cópias  dos  livros  fiscais,  notas  fiscais  e  livro  Razão  contendo  os  valores  lançados no demonstrativo.  Além  disto,  o  deferimento  de  pedido  de  perícia  está  condicionado  ao  atendimento do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe:  “Art. 16. A impugnação mencionará:  [...];  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnaste pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;  §  1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.  [...].  Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será  também  julgado  o  mérito,  salvo  quando  incompatíveis,  e  dela  constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência  ou perícia, se for o caso.”  A recorrente atendeu, em parte, os requisitos elencados no inciso IV, citado e  transcrito acima, indicando apenas os quesitos. Contudo, não expôs os motivos nem indicou o  nome do perito e sua qualificação profissional.  Assim rejeita­se o pedido de diligência/perícia.   II­2 – Os lançamentos  Segundo o Termo de Constatação Fiscal às  fls. 185/187 (fls. 193/195, proc.  digital), parte integrante dos autos de infração, os lançamentos decorreram de diferenças entre  os valores das contribuições declarados/pagos e os efetivamente devidos apurados com base no  livro Registro de Apuração do ICMS.  Ainda, segundo aquele termo, cientificada das diferenças apuradas e intimada  a  justificá­las,  a  recorrente  informou  “que  tais  divergências,  referem­se  as  vendas  com  Fl. 460DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     8 substituição  Tributária,  ou  seja,  produtos  com  alíquotas  zero  de  COFINS  e  PIS  nas  saídas  subsequentes  da  indústria.  Esclarece  ainda  que  estes  valores  estão  lançados  em  relatórios  que  tiveram embasamento nas notas fiscais de Vendas de Nº. 8542 a de Nº. 91365, emitidas no período  de janeiro a dezembro de 2003”. Em face desta justificativa, foi intimada, por diversas vezes, a  apresentar os  relatórios  demonstrando os produtos  e  respectivas  receitas de venda,  sujeitos  à  alíquota zero. Contudo, as intimações não foram atendidas. Em suas respostas, a recorrente se  limitou  a  informar  que  foram  extraviados,  conforme  depoimentos  exaustivos  feitos  pelo  seu  contador, Senhor Pimentel.  Ora,  ainda  que  tivessem  sido  extraviados,  a  recorrente  dispunha  de  documentos  fiscais  (notas  fiscais  e  livros  fiscais)  e  contábeis  (Razão  e  Diário)  que  lhe  permitiam elaborar novos relatórios, demonstrando os produtos revendidos por ela e sujeitos à  alíquota  zero. Contudo, não o  fez. Assim,  em  face da  recusa da  recorrente  em apresentar os  relatórios,  foram  lavrados  os  autos  de  infração  para  a  constituição  dos  respectivos  créditos  tributários,  com  fundamento  no Decreto  nº  4.524,  de  2002,  com matriz  na  Lei  nº  9.718,  de  27/11/1998,  para  a  Cofins,  e  na  Lei  nº  10.637,  de  2002,  para  o  PIS,  com  incidência  não  cumulativa, assim dispondo:  Decreto nº 4.524, de 2002:  “Art.  2º  As  contribuições  de  que  trata  este  Decreto  têm  como  fatos geradores  (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art.  2º,  e Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001,  art. 13):  [...];  II ­ na hipótese da Cofins, o auferimento de receita pela pessoa  jurídica de direito privado.  [...].  Art.  3º  São  contribuintes  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as  que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda,  observado  o  disposto  no  art.  9º  (Lei  Complementar  nº  70,  de  1991, art. 1º, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60,  Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de  25 de novembro de 1998, art. 2º, Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º, e  Lei nº 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6º, inciso II).  [...].  Art. 22. Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata  este  capítulo,  observado  o  disposto  no  art.  23,  podem  ser  excluídos  ou  deduzidos  da  receita  bruta,  quando  a  tenham  integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º):  [...];  IV  ­  do  Imposto  sobre  Operações  relativas  à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de  Comunicação  (ICMS),  quando  destacado  em nota  fiscal  e  cobrado  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário;  [...].”  Fl. 461DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.007857/2006­87  Acórdão n.º 3301­002.207  S3­C3T1  Fl. 458          9 Lei n º 10.637, de 2002:  “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação ou classificação contábil.  §  1o  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende  a  receita  bruta  da  venda  de  bens  e  serviços  nas  operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas  auferidas pela pessoa jurídica.  §  2o  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput.  § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo,  as receitas:  I  ­  decorrentes  de  saídas  isentas  da  contribuição  ou  sujeitas  à  alíquota zero;  [...].”  Estes dois diplomas disciplinam a exigência da Cofins cumulativa e do PIS  não cumulativo sobre o faturamento decorrente das receitas de vendas de mercadorias em geral  e da prestação de serviços.  Para  determinados  produtos,  foi  criado  um  regime  especial  de  tributação  dessas contribuições, com a cobrança de toda a cadeia tributária concentrada na pessoa jurídica  que  procedeu  à  industrialização  e/  ou  a  importação,  nos  termos  da  Lei  nº  10.147,  de  21/12/2000:  “Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social  e de Formação do Patrimônio do Servidor Público ­ PIS/Pasep e  a  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins,  devidas  pelas  pessoas  jurídicas  que  procedam  à  industrialização ou à importação dos produtos classificados nas  posições  30.01,  30.03,  exceto  no  código  3003.90.56,  30.04,  exceto  no  código  3004.90.46  e  3303.00  a  33.07,  nos  itens  3002.10.1,  3002.10.2,  3002.10.3,  3002.20.1,  3002.20.2,  3006.30.1  e  3006.30.2  e  nos  códigos  3002.90.20,  3002.90.92,  3002.90.99,  3005.10.10,  3006.60.00,  3401.11.90,  3401.20.10  e  9603.21.00,  todos  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI,  aprovada  pelo  Decreto  nº  4.070,  de  28  de  dezembro  de  2001,  serão  calculadas,  respectivamente,  com  base  nas  seguintes  alíquotas:  (Redação  dada pela Lei nº 10.548, de 13.11.2002)  I  –  dois  inteiros  e  dois  décimos  por  cento  e  dez  inteiros  e  três  décimos  por  cento,  incidentes  sobre  a  receita  bruta  decorrente  da venda dos produtos referidos no caput;   [...].  Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  incidentes  sobre  a  receita  bruta  Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     10 decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso  I  do  art.  1o,  pelas  pessoas  jurídicas  não  enquadradas  na  condição de industrial ou de importador.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  não  se  aplica  às  pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento  de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de  Pequeno Porte – Simples.”  A  recorrente  alega  que  as  diferenças  tributadas  decorreram  de  vendas  de  produtos  sujeitos  à  alíquota  zero,  classificados  nas  posições  relacionadas  no  art.  1º  citado  e  transcrito acima e por ter excluído o ICMS faturado das bases de cálculo das contribuições.  No  entanto,  conforme  demonstrado  anteriormente,  intimada  e  reeintimada  pelo autuante a apresentar os  relatórios que, segundo ela própria, demonstraria os produtos e  respectivas receitas, não atendeu às intimações.  Também  nas  fases  de  impugnação  e  de  recurso  voluntário  não  apresentou  quaisquer  documentos  comprovando  que  as  receitas  tributadas  decorreram  da  revenda  de  produtos sujeitos à alíquota zero.  Tanto na impugnação como recurso voluntário, insistiu na alegação de que o  ICMS  faturado  não  integra  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Contudo,  conforme  demonstrado  anteriormente,  ao  contrário  do  seu  entendimento,  as  diferenças  apuradas  não  decorreram da tributação do ICMS faturado e sim de receitas não oferecidas à tributação destas  contribuições.  Do exame das  notas  fiscais  carreadas  aos  auto,  verifique que  realmente  ela  revende produtos  sujeitos à alíquota zero  e  também a alíquotas positivas. Como a recorrente  utiliza uma mesma nota fiscal para as vendas de produtos sujeitos à alíquota zero e às alíquotas  positivas,  deveria  ter  apresentado  os  relatórios  que,  segundo  ela  própria,  demonstraria  as  vendas e respectivas receitas discriminadas.  Assim,  não  tendo  a  recorrente  comprovado  que  as  diferenças  tributadas  decorreram de vendas de produtos sujeitos à alíquota zero, não há amparo legal para retificar e  ou cancelar os lançamentos em discussão, em relação a tais vendas.  II.3 ­ exclusão do ICMS.  Ao  contrário  do  entendimento  da  recorrente,  o  ICMS  faturado  compõe  a  receita operacional bruta da pessoa jurídica e, portanto, integra o seu faturamento, nos termos  da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, que trata do regime cumulativo do PIS e da Cofins, e da Lei nº  10.637, de 2002, que instituí o regime não cumulativo para o PIS, citadas e transcritas no item  anterior  Ora,  segundo  aqueles  dispositivos  legais  transcritos,  a  base  de  cálculo  das  contribuições  é  o  faturamento  mensal  da  pessoa  jurídica,  assim  entendido  o  total  de  suas  receitas  independentemente  de  suas  naturezas  e  classificação  contábil  adotada,  deduzidos  os  valores  expressamente  discriminados.  A  exclusão  do  valor  do  ICMS  faturado  não  foi  contemplada.  O ICMS faturado, incluso no preço das mercadorias vendidas e dos serviços  prestados, integra o faturamento das pessoas jurídicas. Não há dispositivo legal que permita a  exclusão desse tributo da base de cálculo da contribuição para o PIS.   Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19647.007857/2006­87  Acórdão n.º 3301­002.207  S3­C3T1  Fl. 459          11 É  pertinente  registrar  que  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  sumulou  o  entendimento de que o ICMS integra a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmula nº 68).  Também, a título de esclarecimento, cabe informar que a constitucionalidade  da  Cofins  sobre  o  faturamento  foi  expressamente  declarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF), na ADC nº 1, de 1º de dezembro de 1993, cuja ementa é a seguinte:  “AÇÃO  DECLARATÓRIA  DE  CONSTITUCIONALIDADE.  ARTIGOS 1, 2, 9  (EM PARTE), 10 E 13  (EM PARTE) DA LEI  COMPLEMENTAR  N.  70,  DE  30.12.91.  COFINS.  ­  A  DELIMITAÇÃO DO OBJETO DA AÇÃO DECLARATÓRIA DE  CONSTITUCIONALIDADE  NÃO  SE  ADSTRINGE  AOS  LIMITES  DO  OBJETO  FIXADO  PELO  AUTOR,  MAS  ESTES  ESTÃO  SUJEITOS  AOS  LINDES  DA  CONTROVÉRSIA  JUDICIAL  QUE  O  AUTOR  TEM  QUE  DEMONSTRAR.  ­  IMPROCEDÊNCIA  DAS  ALEGAÇÕES  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91 (COFINS).  AÇÃO  QUE  SE  CONHECE  EM  PARTE,  E  NELA  SE  JULGA  PROCEDENTE,  PARA  DECLARAR­SE,  COM  OS  EFEITOS  PREVISTOS  NO  PARÁGRAFO  2º  DO  ARTIGO  102  DA  CONSTITUIÇÃO  FEDERAL,  NA  REDAÇÃO  DA  EMENDA  CONSTITUCIONAL  N.  3,  DE  1993,  A  CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1, 2. E 10, BEM  COMO  DAS  EXPRESSÕES  "A  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  FATURAMENTO DE QUE  TRATA  ESTA  LEI  NÃO  EXTINGUE  AS  ATUAIS  FONTES  DE  CUSTEIO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  "CONTIDAS  NO  ARTIGO  9,  E  DAS  EXPRESSÕES  "ESTA  LEI  COMPLEMENTAR  ENTRA  EM  VIGOR  NA  DATA  DE  SUA  PUBLICAÇÃO,  PRODUZINDO  EFEITOS A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO MÊS SEGUINTE  NOS  NOVENTA  DIAS  POSTERIORES,  AQUELA  PUBLICAÇÃO,..."CONSTANTES DO ARTIGO 13, TODOS DA  LEI  COMPLEMENTAR  N°  70,  DE  30  DE  DEZEMBRO  DE  1991.”  Como o PIS tem a mesma base de cálculo da Cofins, aplica­se também a ele,  esse entendimento do STF.  Assim,  corretas  as  autuações,  nos  termos  dos  diplomas  legais  citados  e  transcritos anteriormente.  II.3 – Multa de ofício  Trata­se  de  penalidade  pecuniária  que  atinge  o  seu  objetivo  por  meio  do  confisco  de  parte  do  patrimônio  do  infrator.  Seria  uma  incoerência,  portanto,  aplicar­se  o  princípio de vedação ao confisco à penalidade pecuniária. Tal princípio somente se aplica aos  tributos, e não à multa punitiva, como está claro no texto constitucional.  O seu lançamento teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I,  que assim determina:  Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     12 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas, calculadas sobre a  totalidade ou diferença de  tributo ou contribuição:  I ­ de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento  ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento  do  prazo,  sem  o  acréscimo  de  multa  moratória,  de  falta  de  declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do  inciso seguinte;  […].”  Assim,  a  multa  de  ofício,  calculada  sobre  o  valor  de  tributo  não­ declarado/pago, lançado e exigido de oficio, está em consonância com a legislação de regência,  sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, em âmbito administrativo,  reduzi­lo ou alterá­lo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade.  Considerações  sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram  sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei,  não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório.  II – Juros de mora   A exigência de juros de mora, à taxa Selic, constitui matéria sumulada pelo  Conselho Administrativo de Recursos (CARF), nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe:  “Súmula  nº  4.  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Assim,  por  força  no  disposto  no  §  4º  do  art.  72,  do Regimento  Interno  do  CARF (RICARF), obrigatoriamente, adota­se para este caso aquela súmula, reconhecendo­se a  legalidade da exigência de juros de mora à taxa Selic.  Em  face  do  exposto,  rejeito  a  suscitada  preliminar  de  nulidade  da  decisão,  indefiro o pedido de diligência/perícia e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                              Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 19991.000149/2009-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. ÔNUS DA PROVA DA ATIVIDADE DE PRODUÇÃO. Não tendo a Recorrente comprovado que realizou as atividades agroindustriais sobre o café cru adquirido, para posterior exportação, não é possível admitir o desconto de crédito presumido previsto no art. 8º, da Lei n° 10.925/2004. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do julgamento os Conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. ÔNUS DA PROVA DA ATIVIDADE DE PRODUÇÃO. Não tendo a Recorrente comprovado que realizou as atividades agroindustriais sobre o café cru adquirido, para posterior exportação, não é possível admitir o desconto de crédito presumido previsto no art. 8º, da Lei n° 10.925/2004. Recurso Voluntário Negado.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     2 Participaram,  ainda,  do  julgamento  os Conselheiros MARIA APARECIDA  MARTINS  DE  PAULA,  FERNANDO  LUIZ  DA  GAMA  LOBO  D  ECA,  ALEXANDRE  KERN,  FRANCISCO  MAURICIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA  e  ELAINE  ALICE  ANDRADE  LIMA,  Chefe  da  Secretaria,  a  fim  de  ser  realizada  a  presente  Sessão  Ordinária.  Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000149/2009­48  Acórdão n.º 3402­002.679  S3­C4T2  Fl. 1.318          3   Relatório  Versa  este  processo  de  Pedido  de  Ressarcimento  eletrônico,  visando  o  ressarcimento  de COFINS  exportação  não­cumulativos,  referentes  ao  1º  trimestre  do  ano  de  2007, no valor originário de R$ 202.017,51, onde se pretende compensar um total de tributos  no valor de R$ 189.618,60.  DRF/Poços  de  Caldas/MG,  com  base  no  Termo  de  Constatação  Fiscal  integrante  dos  autos  (fls.  1181/1205),  indeferiu  os  pedidos  de  ressarcimento,  por  meio  do  Despacho Decisório nº 0702/2009 (fls. 1207/1208), por entender que a Recorrente não faz jus  aos créditos pleiteados, não se enquadrando nos pressupostos legais para a fruição do benefício  fiscal do crédito presumido agroindústria, nos termos da legislação vigente.    DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  despacho  decisório  em  14/10/2009,  conforme  AR  de  fls.  1213,  o  contribuinte  apresentou Manifestação  de  Inconformidade  (fls.  1215/1232),  aduzindo  que “o inciso VI do § 3 o do artigo 74 da Lei 9.430/96 não poderia ser aplicado na presente  situação, uma vez que se refere à impossibilidade de entrega de novo pedido de compensação  de  crédito  já  indeferido,  ou  seja,  não  há  dispositivo  que  determine  a  não  homologação  de  compensação  já  pendente  de  julgamento,  quando  o  pedido  de  ressarcimento  é  indeferido  posteriormente  e  ainda  passível  de  recurso”;  que  “a questão  da  idoneidade  de  empresas  está  pendente  de  julgamento  no  procedimento  administrativo  n°  13656.000021/200666;  desse  modo,  as  respectivas  compensações  com  os  referidos  créditos  se  encontram  com  a  exigibilidade suspensa”; e que “a decisão dos pedidos de ressarcimento encontrasse suspensa e  posterior  ao  pedido  de  compensação;  o  julgamento  da  compensação  deve  ser  suspenso  por  absoluta prejudicialidade, a teor do disposto no art. 265, IV, "a", do Código de Processo Civil,  aplicável subsidiariamente ao caso”.    DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA  Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Juiz  de  Fora/MG  (DRJ/JFA), houve por bem em considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido  Acórdão nº. 0934.752, ementado nos seguintes termos:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2007   SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE   Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     4 Não  há  previsão  legal  para  o  sobrestamento  do  julgamento  de  processo  administrativo,  dentro  das  normas  reguladoras  do  Processo Administrativo Fiscal, tendo a administração pública o  dever de impulsionar o processo até sua decisão final.  CRÉDITO BÁSICO   Comprovado  que  a  empresa  adquiriu  a  mercadoria  de  produtores  rurais  (pessoas  físicas),  ela  não  faz  jus  ao  crédito  básico da contribuição.  CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA   Para  fazer  jus  ao  crédito  presumido  agroindústria,  a  empresa  precisa  produzir  ela  própria  o  café  que  revende,  considerando  como  tal  o  exercício  cumulativo  das  atividades  previstas  na  legislação de regência.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido    Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entende que não há  previsão  legal  para o  sobrestamento  dos  autos,  e  também que,  tendo o Recorrente  adquirido  mercadoria  de  produtores  rurais,  não  faz  jus  ao  crédito  presumido  da  contribuição,  especificando  que  deveria  ela  produzir  o  café  que  revende,  configurando  o  exercício  cumulativo de atividades, que é requisito da legislação vigente.    DO RECURSO  Cientificado  do  Acórdão  supracitado  em  31/05/2011,  conforme  AR  de  fls.  1262, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1265/1284) em 28/06/2011, repisando  os mesmos  argumentos  já  levantados  em  sede  de Manifestação  de  Inconformidade,  que  por  respeito à brevidade, não os repetirei.    DA DILIGÊNCIA DO CARF  Em 27/09/2012, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção entendeu  por  meio  da  Resolução  nº  3402­000.466,  converter  o  processo  em  diligência,  ficando  sobrestado até que haja  julgamento  final do Processo Administrativo nº 13656.000021/2006­ 66, de relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.    DO DESPACHO DA SAORT DA DRF DE POÇOS DE CALDAS – MG  Após o Acórdão proferido pelo CARF, com pedido de diligência para haver o  sobrestamento do processo, a SAORT da DRF de Poços de Caldas – MG, através da Auditora  Fiscal Alzira Maria Zucareli Rosa, proferiu despacho de fls. 1302­1303, alegando entender que  o presente processo não tem relação nenhuma com o processo de nº 13656.000021/2006­66.  Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000149/2009­48  Acórdão n.º 3402­002.679  S3­C4T2  Fl. 1.319          5 Afirma  ainda  que,  “com  relação  a  execução  da  diligência  solicitada  pelo  CARF,  não  houve  solicitações  de  providencias  a  serem  tomadas,  entendendo  assim,  que  o  relator  já  decidiu  a  questão  quando afirmou que:  ‘É  dizer:  reconhecida  a  inidoneidade  dos  fornecedores afirmada pela Administração e negada/questionada pelo contribuinte, realmente  não  subsistirão  créditos  em  favor  do  sujeito  passivo.  Por  outro  lado,  afastada  a  fraude  e  inidoneidade,  o  efeito  será  contrário,  mantendo­se  os  créditos  com  as  consequências  pertinentes.”  Foi ainda, anexado ao resultado da diligência, o Acórdão Final proferido no  processo 13656.000021/2006­66, cuja ementa restou assim consignada:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003, 2004, 2005  Ementa:   ESTIMATIVAS.  PAGAMENTO  A  MAIOR  OU  INDEVIDO.  RESTITUIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO.  IMPUGNAÇÃO.  ALEGAÇÃO SEM PROVAS.  O Recurso Voluntário apresentado pela recorrente, deve conter  os motivos de fato e de direito em que se fundamenta. Os pontos  em  discordância  devem  vir  acompanhados  dos  dados  e  documentos de forma a comprovar os fatos alegados.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  negar  provimento ao recurso nos termos do voto do relator.  JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente.  Fernando Marques Cleto Duarte Relator.  Por  fim,  propôs  o  retorno  dos  autos  ao CARF  para,  se  for  o  caso,  proferir  nova resolução.  DA DISTRIBUIÇÃO  Tendo  o  processo  sido  distribuído  a  esse  relator  por  sorteio  regularmente  realizado,  vieram  os  autos  para  relatoria,  por  meio  de  processo  eletrônico,  em  07  (sete)  Volumes,  numerado  até  a  folha  1316  (mil  trezentos  e  dezesseis),  estando  apto  para  análise  desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF.  É o relatório.    Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     6   Voto             Conselheiro João Carlos Cassuli Junior – Relator.    Inicialmente,  constato  que  o  Recurso  preenche  os  pressupostos  de  admissibilidade e desenvolvimento válido e eficaz, de modo que dele tomo conhecimento.  Emerge dos autos que a contenda estabelecida neste processo diz  respeito a  tomada  de  créditos,  pela  Recorrente,  perante  diversos  contribuintes,  sendo  que  parte  deles  foram  considerados  inaptos conforme Termo de Constatação Fiscal SARAC (folhas 1191v e  seguintes  –  ne.),  e  os  demais  fornecedores  já  haviam  sido  considerados  inidôneos  conforme  procedimento  fiscal  que  culminou no Termo de Constatação  Fiscal  acostado  as  fls.  1182v  a  1190,  para  os  quais  as  provas  inerentes  àquela  fiscalização  foram  todas  colacionadas  no  Processo  n°  13656.000021/2006­66,  já  julgado  definitivamente  por  este  Conselho  conforme  constatado pela Diligência realizada.  Desta feita, inicialmente consigno apenas que deixo de apreciar a preliminar  suscitada  pelo  contribuinte  em  suas  razões  de  recurso,  vez  que  a  Resolução  3402­000.465  atendeu ao objetivo pleiteado pela mesma, determinando que este processo fosse sobrestado até  decisão  final  nos  autos mencionados  acima,  não  ocorrendo  assim,  nenhuma nulidade  que  se  possa considerar. Rejeita­se, portanto, a preliminar suscitada.  Para fins de centralização da contenda, nos termos do que dos autos se colhe,  os fornecedores que foram considerados inidôneos no Termo de Constatação Fiscal acostado as  fls.  1182v  a  1190,  objeto  de  julgamento  definitivo  nos  autos  do  Processo  n°  13656.000021/2006­66, foram os seguintes:  1.  Empresa  Chico  Bóia  Comércio  e  Representação  de  Café  LTDA,  CNPJ  04.568.269/0001­20;   2. Empresa Izonel da Silva, CNPJ 04.461.584/0001 ­53;   3. Empresa Souza Sul Comércio de Café LTDA ME, CNPJ 02.884.361/0001­73;   4. Empresa J. Braga Comércio de Café, CNPJ 24.041.592/0001­58;   5. Empresa Cerealista Carmo Sul LTDA, CNPJ 04.439.727/0001­20;   6. Empresa MCM Comércio de Café LTDA, CNPJ 05.884.612/000108;   7. Empresa Comércio de Café Rio Grande LTDA, CNPJ 05.333.558/0001­02.    E existiram ainda outros 31 Fornecedores que foram considerados inidôneos  relativamente  ao Termo  de Constatação  Fiscal  SARAC  (folhas  1191v  e  seguintes  –  ne.),  os  quais  encontram­se  listados  e  cujos  fundamentados  de  cada  uma  das  desconsiderações  de  aptidão encontram­se igualmente consignados no referido Termo.    Com  efeito,  a  míngua  de  provimento  quanto  ao  Processo  n°  13656.000021/2006­66, bem assim, ante à total ausência de questionamento de mérito, quanto  aos  31  Fornecedores  que  foram  arrolados  nestes  autos,  não  é  possível  adentrar  à  análise  da  efetiva  legitimidade  dos  créditos  integrais  descontados  pela  Recorrente,  sendo,  portanto,  Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000149/2009­48  Acórdão n.º 3402­002.679  S3­C4T2  Fl. 1.320          7 matéria  sob  o  manto  da  “coisa  julgada  administrativa”  e  da  “preclusão”,  ou  ainda,  da  “ausência” de oposição na Manifestação de Inconformidade, por parte do contribuinte.    O que pretende o sujeito passivo, desde sua manifestação de inconformidade,  é que se reconhecesse, ao menos, o direito ao crédito presumido decorrente das aquisições de  cooperativas e pessoas físicas, pois que se as pessoas jurídicas foram consideradas inidôneas, a  aquisição  ocorrera  perante  pessoas  físicas,  e,  como  tal,  deveria  ser  concedido  o  direito  ao  crédito previsto no art. 8º, da Lei n° 10.925/2004. Do mesmo modo, as aquisições de pessoas  físicas  diretamente  por  ela  realizadas,  igualmente  lhe  deveria  assegurar  o  citado  crédito  presumido.    Referido  direito  foi  negado  pela  DRJ/JFA,  ao  fundamento  de  que  a  Recorrente  não  desenvolveria  atividade  agroindustrial,  pois  que  não  realizaria  atividade  de  agroindústria, simplesmente revendendo o café que adquiria de seus fornecedores, sejam eles  pessoas físicas ou jurídicas.    Assim  sendo,  a  matéria  em  debate  diz  respeito  unicamente  ao  direito  ao  crédito  presumido  das  agroindústrias  de  café,  na  aquisição  de  produto  de  pessoas  físicas  (diretamente  ou  através  de  empresas  posteriormente  consideradas  inidôneas)  ou  de  cooperativas, na forma prevista no art. 8º da citada Lei n° 10.925/2004, que assim dispõe:  Art.  8º.  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias  de  origem  animal  ou  vegetal,  classificadas nos  capítulos 2,  3,  exceto os produtos vivos desse  capítulo,  e  4,  8  a  12,  15,  16  e  23,  e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins,  devidas  em  cada  período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor  dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro  de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado  pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  1º  O  disposto  no  caput  deste  artigo  aplica­se  também  às  aquisições efetuadas de:  I  ­  cerealista  que  exerça  cumulativamente  as  atividades  de  limpar,  padronizar,  armazenar  e  comercializar  os  produtos  in  natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01  a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,  todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  II ­ pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de  transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e  III  ­  pessoa  jurídica  que  exerça  atividade  agropecuária  e  cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei  nº 11.051, de 2004)  Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     8 § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §  1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no  mesmo  período  de  apuração,  de  pessoa  física  ou  jurídica  residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º  do  art.  3º  das  Leis  n°s  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  §  3º O montante  do  crédito  a  que  se  referem o  caput  e  o  §  1º  deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor  das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:  I ­ 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis  n°s  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  para  os  produtos  de  origem  animal  classificados  nos  Capítulos  2  a  4,  16,  e  nos  códigos  15.01  a  15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de  óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e  II ­ 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das  Leis n°s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de  dezembro de 2003, para os demais produtos.  § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a  III do § 1º deste artigo o aproveitamento:  I ­ do crédito presumido de que trata o caput deste artigo;  II  ­ de crédito  em  relação às  receitas de vendas  efetuadas com  suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo.  § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e  o  §1º  deste  artigo,  o  valor  das  aquisições  não  poderá  ser  superior  ao  que  vier  a  ser  fixado,  por  espécie  de  bem,  pela  Secretaria da Receita Federal.   §  6º  Para  os  efeitos  do  caput  deste  artigo,  considera­se  produção,  em  relação  aos  produtos  classificados  no  código  09.01  da  NCM,  o  exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar,  beneficiar,  preparar  e misturar  tipos  de  café  para  definição  de  aroma  e  sabor  (blend)  ou  separar  por  densidade  dos  grãos,  com  redução  dos  tipos  determinados  pela  classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)  §  7º  O  disposto  no  §  6º  deste  artigo  aplica­se  também  às  cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído  pela Lei nº 11.051, de 2004) ­ grifou­se.    Com efeito, a solução do litígio depende da aferição se a Recorrente efetiva  as atividades de produção de mercadorias, ou meramente revende os produtos que adquire, ou  ainda, se se conforma ao conceito de “cerealista”, nos termos do inciso I, do §4º, ou ainda, se  esta  atividade,  para  a  particularidade  do  café,  preenche  o  conceito  de  “produção”  delineado  pelo  §6º,  do  mesmo  preceito  legal  (“...exercício  cumulativo  das  atividades  de  padronizar,  beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por  densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”).    Neste sentido, colhe­se do Termo de Constatação Fiscal:    Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000149/2009­48  Acórdão n.º 3402­002.679  S3­C4T2  Fl. 1.321          9 “...  No  caso  em  concreto  em  análise,  a  empresa  Itaporanga,  conforme  se  depreende  das  notas  fiscais  acostadas  nos  autos,  não realiza as operações de beneficiamento previstas no art. 8°,  da  Lei  10.925/2004,  pois  tais  operações  são  em  verdade  realizadas  em  armazéns  gerais  de  terceiros,  como  se  pode  constatar  na  quase  totalidade  das  notas  fiscais,  insertas  nos  autos,  onde,  regra  geral,  o  local  de  entrega  do  café  adquirido  são  armazéns  gerais  (empresas  terceiras)  e  não  a  própria  Itaporanga, ou seja, a empresa Itaporanga não é, nos termos do  art. 8º da Lei n° 10.925/2004, empresa agroindustrial, logo, não  faz  jus  ao  crédito  presumido  nas  aquisições,  seja  de  pessoa  física, seja de cooperativas.” (grifos no original)    Por seu turno, em sua manifestação de inconformidade (o que é reiterado no  Recurso  Voluntário),  a  Recorrente  afirma  que  “...se  vale  do  beneficiamento  exigido  pela  legislação,  ainda  que  tal  produção  seja  por  via  de  terceiros,  pois  como  a  própria  decisão  recorrida  reconhece as  operações de beneficiamento  são  realizadas por armazéns gerais de  terceiros.”  (fls.  1224 – ne.). E mais  adiante  arremata: “Assim,  é  inequívoco  que  o  benefício  fiscal  é  concedido  às  produtoras  (industrialização  por  encomenda)  e  exportadoras  de  mercadorias nacionais”.  Portanto,  a  afirmação  da  Recorrente  é  que  desenvolve  as  atividades  agroindustriais  através  da  remessa  para  industrialização  por  encomenda  em  armazéns  gerais,  terceirizando  a  industrialização,  o  que,  no  entanto,  não  a  desqualificaria  como  empresa  produtora e exportadora, para os efeitos legais.  Porém, analisando o inteiro teor da decisão de Primeira Instância, constata­se  que a mesma decidiu a questão controvertida pelo viés do que restara decidido, igualmente em  primeira  instância,  no  Processo  n°  13656.000021/2006­66,  transcrevendo  neste  processo  a  íntegra do que lá se decidiu, a qual, por sua vez, assim se manifestou:  “...  Não  resta  dúvida  de  que,  diferentemente  do  que  afirma  a  manifestante,  para  fazer  jus  ao  crédito  presumido  ­  agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que  revende,  considerando  como  tal  o  exercício  cumulativo  das  atividades previstas no comando legal acima transcrito.  Importante  frisar  que  como  se  trata  de  benefício  fiscal,  a  interpretação  da  legislação  deve  ser  literal,  não  podendo  prosperar  a  argumentação  da  empresa  de  que  ´o  direito  de  crédito previsto na legislação não é restringido mesmo quando a  atividade é exercida por terceiro, em sua conta e ordem´.   Assim,  não  pode  ela  usufruir  do  crédito  básico,  visto  que  as  aquisições,  como  demonstrado  acima,  foram  efetuadas  de  pessoas físicas, nem do crédito presumido já que pela diligência  efetuada,  restou  comprovado que a  empresa não produz o café  que  revende,  nos  termos  da  legislação  pertinente.”  (grifos  no  original)  Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR     10   Neste  particular,  tenho  que  a  primeira  parte,  atinente  na  realização  da  produção ela própria, merece reparos, pois que a atividade de industrialização por encomenda  é  inteiramente  regulamentada  e  se  efetivada  concretamente,  equipara  o  estabelecimento  remetente a estabelecimento produtor, nos termos do art. 4º, da Lei n° 4.502/64:  Art. 4º Equiparam­se a estabelecimento produtor, para todos os  efeitos desta Lei:  ...  III  ­  os  que  enviarem  a  estabelecimento  de  terceiro,  matéria­ prima,  produto  intermediário,  moldes,  matrizes  ou  modelos  destinados à industrialização de produtos de seu comércio.  Já no que diz respeito ao segundo ponto, qual seja, do exercício cumulativo  das  atividades  de  padronizar,  beneficiar,  preparar  e misturar  tipos  de  café  para  definição  de  aroma e  sabor  (blend), ou ainda, de  separar por densidade dos grãos, com redução dos  tipos  determinados pela classificação oficial (§6º, do art.8º, da Lei n° 10.925/2004), ele poderia até  ser objeto de análise a partir do cotejo entre as Notas Fiscais de aquisição de “café cru”, que  trazem  a  descrição  de  tratarem­se  de  “café  beneficiado  cru  em  grãos”  (ilustrativamente:  fls.  860, 668 e 970), ou “café em coco” (ilustrativamente: fls. 963, 964 e 965 ou ainda “café cru em  grãos” (ilustrativamente:  fls. 966 a 969, 971 a 982)  ­ o que respalda o Demonstrativo de  fls.  375  e  seguintes;  com  as  Notas  Fiscais  de  Venda,  estas  quais  parte  indicam  a  revenda  de  “resíduo”  ou  do  próprio  “café  cru”  no mercado  interno  nos  termos  da Relação  de  fls.  72  e  seguintes,  e,  fundamentalmente,  com as denominadas  “Exportações Diretas”,  relacionadas  às  fls. 74 dos autos.  Para estas “Exportações Diretas”, constam dos autos “Extrato de Declaração  de Despacho” (fls. 274 e ss) contendo informações do SISCOMEX, acerca das exportações. No  entanto,  estes  documentos  –  ainda  –  dão  conta  de que  referidas  exportações  foram  do  “café  cru”,  não  existindo  documento  que  assegure  ou  demonstre  ter  referido  produto  passado  por  processo de produção de qualquer das maneiras constantes da legislação de regência, ainda que  tenha  aduzido  o  contribuinte,  que  beneficiou  o  produto  exportado,  pois  que,  tal  afirmativa  carece  de  prova  concreta  nos  autos.  Deste  modo  que  torna­se  impossível  aquilatar  que  o  mencionado produto tenha cumprido a determinação legal para concessão do crédito.   Ainda, a detida análise dos autos dá conta de que não houve a produção de  prova das “remessas para industrialização”, da cobrança pelos serviços de industrialização por  encomenda pelo terceirizado o que impossibilita aferir se a atividade da Recorrente atende ao  preceito legal do §6º, do art.8º, da Lei n° 10.925/2004.  Desta  forma,  embora  entenda  que  há  direito  ao  crédito  decorrente  de  industrialização por encomenda, e que não se pode confundir o crédito de PIS e de COFINS  com  o  crédito  presumido  de  IPI  da  Lei  n°  9.363/96,  ou  seja,  de  que  não  é  requisito  para  usufruto do crédito que seja o próprio contribuinte que efetive a produção, esta qual pode ser  terceirizada,  no  caso  em  concreto,  é  inafastável  que  é  ônus  do  contribuinte  demonstrar  seu  enquadramento na hipótese legal que lhe garantiria o direito pleiteado.  Não tendo a Recorrente desincumbido­se de seu dever de provar que realizou  as  atividades  agroindustriais  sobre  o  café  cru  adquirido  para  posterior  exportação,  não  é  possível  admitir  o  desconto  de  crédito  presumido,  restando  prejudicada  a  análise  de  outras  questões desta decorrentes.  Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19991.000149/2009­48  Acórdão n.º 3402­002.679  S3­C4T2  Fl. 1.322          11 Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário.    (assinado digitalmente)  João Carlos Cassuli Junior ­ Relator.                                      Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR

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Numero do processo: 10805.907524/2009-68
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.
Numero da decisão: 1803-002.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, pelo provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva, Meigan Sack Rodrigues, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: FERNANDO FERREIRA CASTELLANI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS. REQUISITOS ESPECÍCOS. PROVA. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSICIONAMENTO JUDICIAL SUJEITO Á SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. VINCULAÇÃO DA ESFERA ADMINISTRATIVA. 1. Os percentuais de lucro presumido, no imposto sobre a renda e na contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados à hospitalares, para exercícios anteriores à 2009, independem de comprovação de requisitos específicos, limitado a exigência do objeto próprio da atividade. 2. Possibilidade de reconhecimento de crédito pleiteado, se o conjunto probatório e as condições especiais da demanda justifiquem a relativização do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2053; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE03  Fl. 77          1 76  S1­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10805.907524/2009­68  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1803­002.606  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de março de 2015  Matéria  PERD/COMP   Recorrente  LAB HORN ­ Laboratório Especializado em dosagens hormonais Ltda  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2002  LUCRO  PRESUMIDO.  PERCENTUAIS.  REQUISITOS  ESPECÍCOS.  PROVA.  INTERPRETAÇÃO  DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  POSICIONAMENTO  JUDICIAL  SUJEITO  Á  SISTEMÁTICA  DOS  RECURSOS  REPETITIVOS.  VINCULAÇÃO  DA  ESFERA  ADMINISTRATIVA.   1.  Os  percentuais  de  lucro  presumido,  no  imposto  sobre  a  renda  e  na  contribuição social sobre o lucro líquido, definidos para serviços equiparados  à  hospitalares,  para  exercícios  anteriores  à  2009,  independem  de  comprovação  de  requisitos  específicos,  limitado  a  exigência  do  objeto  próprio da atividade.   2.  Possibilidade  de  reconhecimento  de  crédito  pleiteado,  se  o  conjunto  probatório  e  as  condições  especiais  da  demanda  justifiquem  a  relativização  do formalismo processual, com base no princípio da verdade real.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  pelo  provimento do recurso voluntário, com reconhecimento do direito creditório.  (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente   Composição  do  colegiado.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Sérgio  Rodrigues  Mendes,  Roberto  Armond  Ferreira  da  Silva,  Meigan  Sack  Rodrigues,  Ricardo  Diefenthaeler,  Fernando  Ferreira  Castellani  e  Carmen  Ferreira  Saraiva.    AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 75 24 /2 00 9- 68 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 78          2 Relatório  A  Recorrente  formalizou  o  Pedido  de  restituição  (PER/DComp)  04752.29061.310708.1.3.044655, em 31.07.2008, fls. 02­08, com base em pagamento a maior  de  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica  (IRPJ),  código  2089,  referente  ao  período  de  apuração de dezembro de 2001, apurado pelo lucro presumido.   No despacho decisório,  proferido  em 23/10/2009,  fls.  10,  foi  identificada  a  utilização  do  valor  integral  da  DARF  de  referência  do  pedido  de  restituição,  qual  seja,  R$  13.112,72, não existindo, dessa forma, qualquer crédito a ser restituído.   Cientificada,  a  Recorrente  apresentou  manifestação  de  inconformidade.  Esclarece,  inicialmente,  tratar­se  de  empresa  que  desenvolve  atividades  de  análises  clínicas,  laboratoriais, patologia clínica e ultrassonografia. Seu objeto, em seu contrato, é descrito como  “prestação de sérvios de laboratórios de análises e medicina diagnóstica”.   Alega,  a  recorrente,  que  é  optante  do  regime  de  tributação  pelo  lucro  presumido,  tendo  recolhido,  regularmente,  IRPJ  e  CSLL  a  partir  de  bases  de  cálculo  presumidas  correspondentes  aos  percentuais  de  32%. Após  a  edição  da  Instrução Normativa  IN/SRF  nº 539/2005  e  da  resposta  de  consulta  realizada  pela  recorrente,  anexada  aos  autos,  entendeu ter realizado recolhimentos a maior, durante o período de 30/10/2000 a 28/07/2005,  na medida em que poderia ter utilizado as bases presumidas reduzidas, respectivamente em 8%  e 12%.   Por  força  de  sua  interpretação,  apresentou  inúmeros  pedidos  de  restituição,  mediante PER/DCOMP, para cada DARF mensal recolhido a maior, assim como os posteriores  pedidos de compensação com os valores futuros, mediantes novos PER/DCOMP.   Defende,  a  recorrente,  que  após  a  edição  da  IN/SRF  539/2005,  suas  atividades de análises laboratoriais foram equiparadas a serviços hospitalares, de forma que a  tributação  nos  patamares  elevados  de  32%  de  lucro  presumido  é  ilegal,  devendo­se  aplicar,  retroativamente, as alíquotas diminuídas.   Em suas palavras temos que:    Com a edição da IN/SRF nº 539/2005, em 25/04/2005, que deu nova redação  ao  artigo  27,  da  IN/SRF  nº 480/2004,  a  interessada  foi  equiparada  a  “serviços  hospitalares”.   Sendo  assim,  a  interessada  começou  a  apurar  o  seu  IRPJ  e  a  CSLL  pela  alíquota de 8% e de 12%, respectivamente.   Os  impostos  e  as  contribuições  já  pagas  e  declaradas  em  DCTF  foram  recalculadas e  se verificou que a  interessada pagou à maior os  tributos. Assim, o  contribuinte  providenciou o  pedido  de  restituição  eletrônica através  do  programa  PER/DCOMP.   Uma  vez  que  a  IN/SRF  nº 539/2005  atribuiu  nova  interpretação  à  lei  em  vigor, o entendimento deve retroagir no espaço e surtir os efeitos desde a vigência  da lei em questão.   Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 79          3 O recorrente, ainda, explica que realizou o pagamento dos DARF conforme  lançamentos  em  DCTF,  de  acordo  com  a  apuração  pelo  lucro  presumido  com  base  nos  patamares majorados de 32%. Isso implicou na impossibilidade de identificação, pelo sistema  de  mero  cruzamento  dos  dados,  dos  valores  indevidamente  recolhidos.  Defende  que  a  fiscalização deveria examinar a aplicação da nova interpretação, recalculando, a partir de cada  DCTF,  o  valor  a  maior  constante  em  cada DARF.  Esclarece  que  o  decurso  do  prazo  legal  impediria a retificação das DCTF’s.   Salienta,  ainda,  que  foi  realizada  consulta  formal  e  específica  pelo  contribuinte,  acerca  da  aplicação  das  alíquotas  reduzidas,  devendo  ser  adotada,  obrigatoriamente, a solução, pela fiscalização.   Acusa  que  o  único  elemento  analisado  pela  autoridade  fiscal,  para  fundamentar  o  despacho  decisório  de  indeferimento,  foi  a  correspondência  de  valores  constantes  de  DCTF  e  DARF. Ressalta  a  inaplicabilidade  dos  efeitos  da  IN/SRF  nº 791,  de  10/12/2007,  que  revoga  a  IN/SRF  nº 539/2005,  por  tratar­se  de  regra  prejudicial  ao  contribuinte.   Continua  sua  argumentação,  demonstrando,  contabilmente,  invocando  os  dados  informados  em DIPJ  2004,  a  apuração  efetivamente  realizada,  assim  com os  cálculos  necessários  para  a  identificação  do  seu  crédito.  Basicamente,  refaz  os  cálculos  do  imposto  devido, alterando a base presumida de 32%, para os 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). Anexa planilhas  de cálculo. Conclui, ao final, requerendo a procedência do pedido de restituição.   Junta,  ao  processo,  contrato  social,  solução  de  consulta  citada,  planilha  demonstrativa  do  cálculo  do  IRPJ  com  base  presumida  de  32%,  de  apuração  do  IRPJ  no  período,  de  novo  cálculo  do  IRPJ  com  base  presumida  de  8%,  assim  como  nova  apuração,  demonstrativa do crédito recolhido a maior (fls. 28 a 49).   Está  registrado  como  ementa  do  Acórdão  da  4ª  TURMA/DRJ/BSB  nº  03­ 54.205,  de  22/08/2013,  fls.  54­61,  decisão,  por  unanimidade,  de  improcedência  da  manifestação de inconformidade, nos termos em que segue:    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2002  PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO  PRESUMIDO. REQUISITOS.  Para  serem  considerados  serviços  hospitalares,  as  atividades  dos  contribuintes  que  desejem usufruir  do  benefício  legal  de  redução  de  alíquota,  em  face da legislação tributária de regência e orientação traçada pela Administração  tributária,  devem  atender  cumulativamente  todas  às  exigências  e/ou  requisitos  previstos  nos  normativos,  devidamente  comprovada  mediante  documento  competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal.    Manifestação de Inconformidade Improcedente  Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 80          4 Direito Creditório Não Reconhecido    A  Delegacia  de  Julgamento  utiliza  como  fundamento  de  sua  decisão,  inicialmente,  a  faculdade,  e  não  obrigatoriedade,  da  administração  tributária  intimar  o  contribuinte para esclarecimentos ou realizar diligencias diretas. Nos termos da decisão, temos:   De início, cabe esclarecer que o despacho decisório foi formalizado com base  nas informações prestadas pela contribuinte em Per/Dcomp e DCTF apresentadas a  Receita Federal. Eventual  intimação  para prestar  esclarecimentos  ou  realização  de  diligência  fiscal  é  uma  faculdade  da  autoridade  fiscal  competente,  haja  vista  ela  dispor das  informações prestadas em declarações, não havendo, assim, se  falar em  nulidade do ato questionado.   Continua,  a  decisão,  argumentando  que  o  procedimento  de  compensação,  nos termos do art. 170 do Código tributário nacional, exige a existência de créditos líquido e  certo  do  sujeito  passivo.  No  caso  em  tela,  não  existiria  crédito  a  ser  compensado,  já  que  a  totalidade do valor  constante da DARF está  alocada para  a quitação de  IRPJ  confessado em  DCTF.   Nos termos da decisão da DRJ, temos:   Nos  termos  do  art.  170  do  Código  Tributário  Nacional,  a  compensação  de  crédito  tributário  somente  poderá  ser  autorizada  com  crédito  líquido  e  certo  do  sujeito passivo. O crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é  líquido  quando  é  conhecido  o  seu  exato  valor.  Sendo  líquido  e  certo  o  crédito  (premissa básica à compensação), proceder­se­á ao encontro das contas devedora e  credora.  In  casu,  a  compensação  realizada  na  DCOMP  04752.29061.310708.1.3.044655,  não  foi  homologada  por  inexistência  do  crédito  compensado,  haja  vista  o  pagamento  relativo  ao  DARF  ali  discriminado,  foi  integralmente utilizado para quitar débito de IRPJ do PA 31/12/2002, confessado em  DCTF, conforme consta no despacho decisório.    Analisa,  ainda,  sequencia  de  normas  que  regulam  a  aplicação  da  alíquota  diferenciada de presunção de  lucro para os  serviços hospitalares, demonstrando os  requisitos  para sua aplicação. Vejamos:   Como se nota no dispositivo acima, na vigência dos referidos normativos, a  definição  de  serviços  hospitalares  abrange  aqueles  prestados  por  empresário  ou  sociedade empresária que exerça uma ou mais das atribuições previstas no art. 23 da  IN SRF 360/2003; aqueles que atendam ao requisito do art. 27 da IN SRF n.º 480, de  2004, e aos requisitos implementados pela alteração do art. 27 da IN 480/2004, dada  pela IN SRF n.º 539, de 2005.  Vale consignar que no exame de matéria controvérsia relativa à aplicação da  legislação  tributária,  o  julgador  administrativo  deve­se  ater  aos  exatos  limites  da  norma, não podendo ser extensiva para não alcançar exação não prevista em lei ou  fazer  desonerações  ou  estender  benefício  sem  previsão  legal.  Daí,  a  sábia  Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 81          5 inteligência  do  legislador  complementar  ao  prever  a  interpretação  restritiva  da  legislação tributária.  Portanto,  para  serem  considerados  serviços  hospitalares,  as  atividades  dos  contribuintes  que  desejem  usufruir  do  benefício  legal  de  redução  de  alíquota,  em  face  da  orientação  traçada  pela  Administração  tributária,  devem  atender  cumulativamente todas às exigências e/ou requisitos previstos nos atos normativos,  transcritos  em  linhas  pretéritas,  devidamente  comprovada  mediante  documento  competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal.  Destaca,  ainda,  que  mesmo  que  cumpridos  os  requisitos  para  a  eventual  utilização  da  alíquota  diferenciada,  o  procedimento  correta  para  isso  seria  a  retificação  das  DCTF e DIPJ.   De  outro  lado,  cumprida  todas  exigências/requisitos,  para  ter  direito  a  eventual  direito  creditório,  a  manifestante  antes  de  apresentar  os  Per/Dcomp,  nas  hipóteses  em  que  admitidas  pela  legislação  tributária  de  regência,  deveria  ter  retificado em tempo hábil suas declarações (DCTF e DIPJ), cuja competência para  apreciá­las é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo.    Concluiu,  ao  final,  que  a  consulta  anexada  pelo  recorrente  não  autoriza  a  aplicação  da  alíquota  diferenciada  pelo  recorrente,  limitando­se  a  indicar  os  requisitos  necessários para isso. Destaca, por fim, a ausência de força vinculante das decisões judiciais e  administrativas citadas pelo recorrente.   Notificada,  a  Recorrente  apresentou  o  recurso  voluntário  em  04.12.2013.  Discorre  sobre  o  procedimento  fiscal  contra  o  qual  se  insurge.  Reitera  todos  os  argumentos  apresentados  na manifestação  de  inconformidade,  destacando  que  o  único  argumento  para  a  improcedência,  pela  Delegacia  de  Julgamento,  refere­se  ao  suposto  não  preenchimento  dos  requisitos  necessários  para  a  aplicação  da  equiparação  a  serviços  hospitalares.  Inova,  tão  somente, ao trazer uma série de documentos dos órgãos de vigilância, atestando sua condição  de estabelecimento equiparado a hospitalar, como forma de justificar a utilização das alíquotas  reduzidas de  lucro presumido. Conclui alegando que a divergência  resume­se, nessa etapa, a  mera comprovação da situação de fato.   Vale dizer, ainda, que existem, ao  todo, sessenta e seis  recursos voluntários  do  contribuinte,  versando  sobre  o  mesmo  assunto,  relativos  a  totalidade  das  PER/DCOMP  apresentadas na mesma oportunidade, relativa aos 60 meses anteriores a percepção da alteração  da interpretação da norma, em suposto respeito às regras de decadência tributária.   Toda  numeração  de  folhas  indicada  nessa  decisão  se  refere  à  paginação  eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada.  De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente  decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos da Portaria MF  nº 430, de 01.07.2015, DOU de 02.07.2015 e do art. 17 e do art. 18, do Anexo II do Regimento  Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015.  É o Relatório.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 82          6 Voto             Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc  O  recurso  voluntário  apresentado  pela  Recorrente  atende  aos  requisitos  de  admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de  março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art.  151 do Código Tributário Nacional.  A  discussão  do  caso  em  tela  refere­se  ao  reconhecimento  de  crédito  tributário, decorrente de aplicação retroativa de interpretação acerca da legislação tributária, no  tocante aos diferentes percentuais de presunção de lucro. Mais que isso, versa acerca da prova  dos requisitos para tal aplicação, além da regularidade da própria via eleita, qual seja, pedido  de restituição de créditos não identificáveis na escrituração, diante de ausência de retificação.   A análise do presente caso, engloba, assim, três diferentes pontos: i. sujeição  ou  não  do  recorrente  às  alíquotas  diferenciadas  de  lucro  presumido;  ii.  Comprovação  dos  requisitos; iii. Adequação da via eleita.   Passemos aos pontos.   Inicialmente, vale dizer, que o contribuinte, laboratório de análises, pode ser  beneficiado pelo sistema de percentuais reduzidos do lucro presumido, aplicável as atividades  hospitalares. Alerte­se para o  fato de que não  tratarei,  ainda,  da  comprovação dos  requisitos  fáticos para tal sujeição, mas apenas seus aspectos normativos.   Durante os exercícios de 2000 a 2005, o recorrente ofereceu a tributação seus  resultados  com  base  na  presunção  de  32%,  regra  geral  para  os  prestadores  de  serviços.  Em  2005,  com  a  edição  da  IN/SRF  nº 539/2005,  norma  que  alterou  a  IN/SRF  480/2004,  efetivamente  explicitou­se  a  possibilidade  de  aplicação  do  percentual  de  8%  e  12%,  respectivamente, para o IRPJ e a CSLL, para as instituições de assistência de saúde, auxiliares  das hospitalares, dentre elas os laboratórios de análises estruturados empresarialmente.   IN/SRF 480, com redação dada pela IN/SRF 539/2005:  (...)  Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços  hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata  o  subitem 2.1 da Parte  II  da Resolução de Diretoria Colegiada  (RDC) da Agência  Nacional de Vigilância Sanitária n  º  50,  de 21 de  fevereiro de 2002,  alterada pela  RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de  2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais  das:  I ­ seguintes atribuições:  a) prestação de  atendimento  eletivo de promoção e  assistência  à  saúde  em  regime  ambulatorial e de hospital­dia (atribuição 1);  b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 83          7 c)  prestação  de  atendimento  de  assistência  à  saúde  em  regime  de  internação  (atribuição 3);  II  ­  atividades  fins  da  prestação  de  atendimento  de  apoio  ao  diagnóstico  e  terapia  (atribuição 4).    Vale dizer que esse diploma foi posteriormente alterado pela IN RFB nº 791,  de 2007, passando a ter nova redação.     Art. 27. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços  hospitalares  aqueles  prestados  por  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde  que  dispõem  de  estrutura  material  e  de  pessoal  destinada  a  atender  a  internação  de  pacientes,  garantir  atendimento  básico  de  diagnóstico  e  tratamento,  com  equipe  clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por  médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao  paciente,  durante  24  horas,  com  disponibilidade  de  serviços  de  laboratório  e  radiologia, serviços de cirurgia e/ou parto, bem como registros médicos organizados  para a rápida observação e acompanhamento dos casos.   Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para os fins desta  Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas:   I ­ prestadoras de serviços pré­hospitalares, na área de urgência, realizados por meio  de UTI móvel,  instaladas  em  ambulâncias  de  suporte  avançado  (Tipo  "D")  ou  em  aeronave de suporte médico (Tipo "E"); e   II  ­  prestadoras  de  serviços  de  emergências médicas,  realizados  por meio  de UTI  móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que  possuam  médicos  e  equipamentos  que  possibilitem  oferecer  ao  paciente  suporte  avançado de vida.   A norma em questão, por sua própria natureza, tem nítido viés interpretativo,  na medida em que não poderia, de forma alguma, alterar conteúdo de lei tributária. Não poderia  definir  nova  hipótese  de  incidência,  ou  mesmo  modifica­la  em  qualquer  aspecto.  As  duas  situações dependem da observância da estrita legalidade. Por exclusão, portanto, somente resta  à  instrução  normativa,  no  contexto  do  presente  caso,  a  possibilidade  de  mero  conteúdo  interpretativo.   Assim,  a  norma  inserida  na  IN  SRF  539/2005  é  norma  interpretativa,  regulada pelo mandamento expresso no art. 106, I do Código Tributário Nacional. Em outras  palavras, sujeita­se ao efeito retroativo no tempo.   Desta forma, correta a interpretação do contribuinte de que se sujeitaria, em  tese,  aos  percentuais  diminuídos  de  presunção  do  lucro  e,  com  isso,  seria  credor  de  valores  recolhidos indevidamente aos cofres públicos.   No  que  tange  a  existência  de  consulta  formal  à  administração,  acerca  da  aplicação  das  alíquotas  reduzidas  ao  contribuinte,  vale  dizer  que  sua  conclusão,  pela  forma  extremamente  reticente  e  pouco  objetiva,  nada  atesta.  Não  afirma,  confirma  ou  infirma  a  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 84          8 aplicação da norma ao contribuinte consulente. Apenas explicita o critério legal, dizendo quais  os  requisitos  que  devem  ser  satisfeitos. Com  isso,  ela  nada  conclui, mas  apenas  direciona  a  discussão para a análise fática de seus requisitos.   Vejamos  o  teor  da  resposta  a  consulta,  comunicada  ao  contribuinte  pela  Comunicação SEORT nº 831/2006, fls 37 a 45.   CONCLUSÃO  19. Diante do  exposto  e  com base nos  atos  legais  citados,  soluciona­se  a presente  consulta informando à consulente o seguinte:   19.1.  à prestação de  serviços hospitalares  aplicam­se  os percentuais de 8% e 12%  sobre  a  receita  bruta  para  fins  de  determinação  das  bases  de  cálculo  do  Imposto  sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido,  respectivamente.   19.2.  serviços  hospitalares  são  aqueles  prestados  por  empresário  ou  sociedade  empresária que exerça uma ou mais das atribuições elencadas pelo art. 27 da IN SRF  nº 480, de 2004, na redação dada pela IN SRF nº 539, de 2005, tratadas pela RDC  nº 50, de 2002, e que possua estrutura física condizente com o disposto no item 3 da  Parte II da retro citada resolução, devidamente comprovados por meio de documento  competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal;   19.3.  não  se  consideram  serviços  hospitalares  aqueles  prestados  exclusivamente  pelos sócios da pessoa  jurídica ou referentes unicamente ao exercício de atividade  intelectual, de natureza científica, dos profissionais envolvidos, ainda que envolvam  o concurso de auxiliares ou colaboradores, e, também, quando a sua pessoa jurídica,  prestadora do serviço, não possuir estrutura física condizente para desempenhar suas  atividades. Neste caso, para a tributação com base no lucro presumido, aplicar­se­á o  percentual de 32% (trinta e dois por cento) para a determinação das bases de cálculo  do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro  Líquido.     Reafirma­se,  então,  que  a  solução  da  consulta  citada  pelo  contribuinte  não  soluciona  a  questão  concreta.  Apenas  indica  a  necessidade  de  preenchimento  de  alguns  requisitos para a subsunção aos termos da lei. Nada mais.   Houvesse  cumprido,  a  consulta,  seu  dever  normativo,  restaria  claro  a  que  norma estaria sujeito o contribuinte.  Não  bastassem  esses  argumentos,  vale  ressaltar  que  o  STJ  pacificou  seu  entendimento acerca do assunto, por  intermédio do Recurso Especial 1.116.399,  sujeito a  sistemática  dos recursos repetitivos, com a seguinte ementa:   DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  VIOLAÇÃO  AOS  ARTIGOS  535  e  468  DO  CPC.  VÍCIOS  NÃO  CONFIGURADOS.  LEI  9.249/95.  IRPJ  E  CSLL  COM  BASE  DE  CÁLCULO  REDUZIDA.  DEFINIÇÃO  DA  EXPRESSÃO  "SERVIÇOS  HOSPITALARES".  INTERPRETAÇÃO  OBJETIVA.  DESNECESSIDADE  DE  ESTRUTURA  DISPONIBILIZADA  PARA  INTERNAÇÃO.  ENTENDIMENTO  RECENTE  DA  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 85          9 PRIMEIRA  SEÇÃO.  RECURSO  SUBMETIDO  AO  REGIME  PREVISTO  NO  ARTIGO 543­C DO CPC.  1.  Controvérsia  envolvendo  a  forma  de  interpretação  da  expressão  "serviços  hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota  do  IRPJ  e  da CSLL. Discute­se  a  possibilidade  de,  a  despeito  da  generalidade  da  expressão contida na lei, poder­se restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito  de  "serviços  hospitalares"  apenas  aqueles  estabelecimentos  destinados  ao  atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral.  2.  Por  ocasião  do  julgamento  do  RESP  951.251­PR,  da  relatoria  do  eminente  Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que,  para  fins  do  pagamento  dos  tributos  com  as  alíquotas  reduzidas,  a  expressão  "serviços  hospitalares",  constante  do  artigo  15,  §  1º,  inciso  III,  da  Lei  9.249/95,  deve  ser  interpretada  de  forma  objetiva  (ou  seja,  sob  a  perspectiva  da  atividade  realizada  pelo  contribuinte),  porquanto  a  lei,  ao  conceder  o  benefício  fiscal,  não  considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo),  mas  a  natureza  do  próprio  serviço  prestado  (assistência  à  saúde).  Na  mesma  oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal  referentes  aos  dispositivos  legais  acima mencionados  não  poderiam  exigir  que os  contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade  de  manter  estrutura  que  permita  a  internação  de  pacientes)  para  a  obtenção  do  benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar  tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal  intento as disposições constantes em atos regulamentares".  3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às  atividades  desenvolvidas  pelos  hospitais,  voltados  diretamente  à  promoção  da  saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior  do estabelecimento hospitalar, excluindo­se as simples consultas médicas, atividade  que não  se  identifica  com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos  consultórios  médicos".  4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam  às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução  de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa  contribuinte  genericamente  considerada,  mas  sim  àquela  parcela  da  receita  proveniente  unicamente  da  atividade  específica  sujeita  ao  benefício  fiscal,  desenvolvida  pelo  contribuinte,  nos  exatos  termos  do  §  2º  do  artigo  15  da  Lei  9.249/95.  5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta  serviços médicos  laboratoriais  (fl.. 389), atividade diretamente  ligada à promoção  da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes  hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo  pelo  qual,  segundo  o  novel  entendimento  desta  Corte,  faz  jus  ao  benefício  em  discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de  12%  (doze  por  cento),  no  caso  de  CSLL,  sobre  a  receita  bruta  auferida  pela  atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais).  6.  Recurso  afetado  à  Seção,  por  ser  representativo  de  controvérsia,  submetido  ao  regime do artigo 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ.  7. Recurso especial não provido.  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 86          10 Percebe­se,  portanto,  que  a  exigência  das  licenças  e outros  requisitos  são,  a  rigor,  irrelevantes,  bastando,  portanto,  o  mero  enquadramento  pela  descrição  do  objeto  social.  A  eventual  desconsideração de sua natureza depende de construção de prova robusta de elementos concretos para  caracterizar eventual simulação e fraude (falsidade de objeto social).  Desta  forma,  no  primeiro  aspecto  de  análise  do  presente  voto,  de  viés  estritamente  normativo,  concluo  absolutamente  correta  a  pretensão  do  contribuinte  de  enquadrar­se na aplicação dos percentuais de 8% e 12%, adrede citados, pela equiparação aos  serviços hospitalares. A retroatividade no tempo, da interpretação, encontra respaldo em nosso  sistema normativo.   Passemos  a  análise  do  preenchimento  dos  requisitos  necessários,  agora  em  sua dimensão fática, à equiparação pleiteada.   O  recorrente  é  pessoa  jurídica  da  espécie  sociedade  limitada,  regularmente  constituída segundo as leis de regência. Para o enquadramento pleiteado, precisa cumprir uma  série  de  exigências  de  prestação  de  serviço  de  forma  específica,  com  natureza  empresarial.  Esse requisito, ainda, depende de confirmação pela autoridade sanitária a qual esteja vinculada.  Preenchidos esses requisitos, possível a equiparação.   O  recorrente  preenche  os  requisitos  exigidos  pela  lei.  De  fato,  como  bem  alertado,  a  r.  decisão  da  Delegacia  de  Julgamento  tem  por  principal  fundamento  a  não  comprovação de existência de atestado da Vigilância Sanitária acerca do preenchimento de tais  requisitos. Em sede de recurso voluntário do contribuinte, foram juntados diversos documentos  para  a  comprovação  dessa  condição,  tais  como  as  licenças  sanitárias  das  Prefeituras  de  São  Bernardo do Campo, de Santo André e do Órgão Federal  responsável  (SIVISA – Sistema de  informação em vigilância sanitária), além de contratos de prestação de serviços com diversas  instituições.   A  rigor,  essas  licenças  sanitárias  somente  são  concedidas  aos  estabelecimentos  que  preenchem  os  requisitos  mínimos  descritos  na  legislação  de  regência,  com especial atenção à Resolução – RDC nº 50, de 2002, emitida pela Diretoria da Agência  Nacional de Vigilância Sanitária, com o objetivo de aprovar o Regulamento Técnico destinado  ao  planejamento,  programação,  elaboração,  avaliação  e  aprovação  de  projetos  físicos  de  estabelecimentos  assistenciais  de  saúde,  a  ser observado  em  todo  território  nacional,  na  área  pública e privada.   Em assim sendo, fica presumivelmente comprovado em favor do contribuinte  o requisito exigido pela legislação, em função dos documentos carreados aos presentes autos.  Afasto,  assim,  este  específico  impeditivo  lembrado  pela  Delegacia  de  Julgamento  para  o  reconhecimento do crédito pleiteado.   Desta forma, entendo que o contribuinte traz prova da presença dos requisitos  necessários para a aplicação dos percentuais de 8% e 12% aqui aludidos, equiparado à unidade  hospitalar.   Resta, por fim, analisar se a existência do direito de crédito pleiteado pode ser  reconhecida  pelo  instrumento  jurídico  utilizado,  assim  como  seu  manejo  no  caso  concreto.  Trata­se, exatamente, do último ponto de análise.   Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 87          11 O  recorrente  utilizou­se  de  pedido  de  restituição  eletrônica  de  crédito  (PER/DCOMP).  O  crédito  apontado  decorre  de  incorreta  interpretação  e  aplicação  da  legislação  tributária,  já  que  trata­se  de  recolhimentos  de  tributos  sujeitos  à  sistemática  do  lançamento por homologação, ou seja, pelo contribuinte definidos e apurados.   Dessa  forma,  por  evidente,  a  “contabilidade  fiscal”  do  sujeito  passivo  não  identificaria,  de  imediato,  a existência do  crédito. O caminho natural  para  a  identificação de  tais créditos pela administração tributária seria a retificação das declarações (DIPJ ou DCTF), o  que geraria nova apuração, a menor do que os recolhimentos realizados. O confronto, posterior,  com os valores recolhidos (DARF), mostraria o crédito.   Optou, contudo, o recorrente, pela utilização direta do pedido de restituição,  eletrônico,  indicando,  em  sede de manifestação  de  inconformidade,  a origem de  seu  crédito,  tanto no aspecto interpretativo (fundamento), como operacional (apresenta planilhas de calculo  do valor devido e recolhido a maior).   Há de se entender que o contribuinte não optou pela melhor via.   A administração tributária negou a restituição, tanto pelo despacho decisório,  quanto pelo v. acórdão da D. Delegacia de Julgamento, basicamente, pela  impossibilidade de  identificação  do  crédito,  pelo  simples  confronto  dos  dados  da  contabilidade  fiscal  do  recorrente. Em sede de  análise da manifestação,  inclusive, alerta o  julgador ser  faculdade da  administração realizar  intimações ou mesmo diligenciar pela busca da verdade dos fatos. Por  força disso, o pleito foi simplesmente indeferido.   Assim,  uma  primeira  impressão,  formalista,  concluiria  pela  improcedência,  também, do recurso voluntário, já que inadequado o procedimento.   Contudo, o presente caso merece análise mais detalhada.   Entendo que as  regras do processo administrativo não podem ser  ignoradas  ou flexibilizadas de maneira inconsequente. Regras formais e processuais existem para atingir  determinadas  finalidades  e  não  por  mero  capricho  do  legislador.  As  regras  processuais  não  guardam um fim em si mesmas. Devem ser, em regra, cumpridas e observadas.   O  rigor  formal,  contudo,  no  processo  administrativo,  pode  e  deve  ser  pontualmente adequado as demandas específicas, de forma a permitir que ao contribuinte não  lhe seja negado seu direito.   De  maneira  muito  mais  perceptível  do  que  no  processo  judicial,  a  esfera  administrativa  pode  analisar  as  diferentes  situações,  tentando  identificar  graus  de  desvio  de  forma, passíveis ou não de relevação, em confronto com o direito pleiteado e sem afronta às  normas  de  competência.  Certamente,  existirão  desvios  de  forma  ou  de  procedimento  contornáveis, e outros, contudo, incontornáveis.   De qualquer  forma,  o  rigor  da dinâmica  administrativa processual  deve  ser  pautado,  sempre,  no  princípio  da  verdade  real  e  em  suas  implicações  para  o  resguardo  do  direito  material.  Em  assim  sendo,  a  negativa  da  administração  de  diligenciar  a  busca  da  verdade material, ou mesmo permitir, ou exigir, a comprovação do preenchimento do requisito  formal  (documentos  da  vigilância  sanitária)  parece  incompatível,  ou,  ao  menos,  muito  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10805.907524/2009­68  Acórdão n.º 1803­002.606  S1­TE03  Fl. 88          12 inadequada, frente aos princípios norteadores do processo administrativo fiscal e aos objetivos  que tais princípios perseguem.  O  caso  em  tela  envolve  situação  que,  a  rigor,  a  administração  poderia  ter  solucionado com diligência, já na instância inicial. A busca da verdade real, especialmente em  situações  em  que  o  contribuinte  pleiteia  sua  verificação,  não  são  mera  faculdade  da  administração;  ao  contrário,  são  obrigações,  ainda  que  não  explicitadas  em  norma  de  competência funcional, mas decorrentes das regras processuais e das garantias do contribuinte.   Some­se o fato de que o tempo decorrido, no presente caso, entre o pedido de  restituição e o despacho decisório negativo, inviabilizou a retificação das obrigações acessórias  respectivas,  pelo  decurso  do  prazo  legal  de  5  anos.  Fosse  despachado  em  prazo  razoável  a  negativa de crédito pela inexistência de linguagem adequada (DIPJ/DCTF) para demonstrá­lo,  poderia  o  contribuinte  atender  aos  desígnios  da  administração  e  o  presente  processo  sequer  chegaria a este Corte. A demora da administração tributária não pode implicar em cerceamento  do exercício do direito de crédito do contribuinte.   Desta  forma,  por  todo  o  exposto,  entendo  que  o  sujeito  passivo  está  abrangido pela regra da incidência do percentual de lucro presumido reduzido, comprovou os  requisitos  necessários  e,  apesar  da  evidente  inadequação  formal  inicial,  pode  ter  seu  pleito  atendido, em claro equilíbrio entre o rigor formal e a verdade material.   Procedente,  assim,  em  sua  totalidade  o  recurso  voluntário  e,  em  consequência, reconhecido o direito creditório. É como voto.   (assinado digitalmente)  Carmen Ferreira Saraiva                              Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 02/07/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA

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Numero do processo: 10580.720634/2008-18
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O Mandado de Procedimento Fiscal-MPF de que trata o Decreto nº 6.104/2007, regulamentado pela Portaria nº 4.066, de 02 de maio de 2007 e Portaria nº 11.371, de 12 dezembro de 2007, tem apenas a função de planejamento e controle interno da Administração Tributária e não tem o condão de modificar a competência legal, privativa, do Auditor-Fiscal de efetuar o lançamento de ofício (CTN, art. 142 e Lei nº 10.593/2002, art. 6º, com redação dada pela Lei nº 11.457/2007). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi prorrogado sem lapso temporal, e com a regular cientificação do sujeito passivo, inocorrendo pois qualquer vício ou irregularidade. Mesmo que houvesse ocorrido o vencimento do prazo do MPF, sem sua regular prorrogação, isso não constituiria hipótese legal de nulidade do lançamento, visto que o MPF é instrumento de planejamento, controle interno da atividade de fiscalização da Administração Tributária e de informação ao contribuinte de que está sendo objeto de fiscalização pela RFB. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SIMPLES FEDERAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO DO SIMPLES SEM MOVIMENTO. PERDA DA ESPONTANEIDADE PARA EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A microempresa e a empresa de pequeno porte inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada. A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: I - Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II -Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano-calendário; III - todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos referidos livros. O contribuinte perde a espontaneidade fiscal para efeito de exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária quanto aos fatos geradores ocorridos antes da ciência do início do procedimento de fiscalização, ainda que concedida pelo fisco, - no curso do procedimento de fiscalização -, dilação de prazo pleiteada pelo contribuinte para elaboração da escrituração contábil dos livros obrigatórios quanto aos períodos de apuração pretéritos abarcados pela investigação fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. PEDIDO GENÉRICO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazê-las aos autos, se de fato existissem. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: Nelso Kichel

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO NA EXECUÇÃO DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O Mandado de Procedimento Fiscal-MPF de que trata o Decreto nº 6.104/2007, regulamentado pela Portaria nº 4.066, de 02 de maio de 2007 e Portaria nº 11.371, de 12 dezembro de 2007, tem apenas a função de planejamento e controle interno da Administração Tributária e não tem o condão de modificar a competência legal, privativa, do Auditor-Fiscal de efetuar o lançamento de ofício (CTN, art. 142 e Lei nº 10.593/2002, art. 6º, com redação dada pela Lei nº 11.457/2007). O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) foi prorrogado sem lapso temporal, e com a regular cientificação do sujeito passivo, inocorrendo pois qualquer vício ou irregularidade. Mesmo que houvesse ocorrido o vencimento do prazo do MPF, sem sua regular prorrogação, isso não constituiria hipótese legal de nulidade do lançamento, visto que o MPF é instrumento de planejamento, controle interno da atividade de fiscalização da Administração Tributária e de informação ao contribuinte de que está sendo objeto de fiscalização pela RFB. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. TRANSFERÊNCIA DE DADOS, INFORMAÇÕES FINANCEIRAS DIRETAMENTE AO FISCO PELAS INSTITUIÇÕES BANCÁRIAS MEDIANTE REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA - RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LC Nº 105/2001, ART. 6º E DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO E ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS - EXTRATOS BANCÁRIOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01. É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). SIMPLES FEDERAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS. ENTREGA DE DECLARAÇÃO DO SIMPLES SEM MOVIMENTO. PERDA DA ESPONTANEIDADE PARA EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A microempresa e a empresa de pequeno porte inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada. A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: I - Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II -Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano-calendário; III - todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos referidos livros. O contribuinte perde a espontaneidade fiscal para efeito de exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária quanto aos fatos geradores ocorridos antes da ciência do início do procedimento de fiscalização, ainda que concedida pelo fisco, - no curso do procedimento de fiscalização -, dilação de prazo pleiteada pelo contribuinte para elaboração da escrituração contábil dos livros obrigatórios quanto aos períodos de apuração pretéritos abarcados pela investigação fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação, por presunção legal, da infração omissão de receitas (fato probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja, a existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando). A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo. A presunção legal tem caráter relativo, podendo ser elidida, afastada, por prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas. PEDIDO GENÉRICO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazê-las aos autos, se de fato existissem. A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Considera-se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não atender aos ditames do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Aplicação da inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA. A multa de ofício aplicada está cominada na lei de regência vigente, com presunção de constitucionalidade, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação, por falta de competência. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.(Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL-SIMPLES, PIS -SIMPLES, COFIN- SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - INSS-SIMPLES. Aplica-se ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica-se aos lançamentos decorrentes, o mesmo tratamento ou entendimento dispensado ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.055          2 RMF, SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL  (LC Nº  105/2001, ART.  6º E  DECRETO Nº 3.724/2001). ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO SIGILO  BANCÁRIO  E  ILEGALIDADE  DAS  PROVAS  OBTIDAS  ­  EXTRATOS  BANCÁRIOS.  INEXISTÊNCIA  DE  VÍCIO.  PRELIMINAR REJEITADA.   O  art.  6º  da  Lei  Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentado  pelo  Decreto  nº  3.724/01,  autoriza  a  autoridade  fiscal  a  requisitar  informações  ou  dados  acerca  da  movimentação  financeira  do  contribuinte nas instituições financeiras mediante RMF, desde que instaurado  previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja  indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação.   O acesso a informações junto a instituições financeiras, para fins de apuração  de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo  bancário,  desde  que  cumpridas  as  formalidades  exigidas  pela  Lei  Complementar nº 105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01.  É lícito ao fisco requisitar dados bancários mediante RMF, sem autorização  judicial (art. 6º da LC 105/2001), quando configurada situação definida como  caracterizadora da indispensabilidade do respectivo exame.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula CARF nº 2).  SIMPLES  FEDERAL.  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO  DOS  LIVROS  OBRIGATÓRIOS.  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  DO  SIMPLES  SEM  MOVIMENTO.  PERDA  DA  ESPONTANEIDADE  PARA  EXCLUSÃO  DA  RESPONSABILIDADE  POR  INFRAÇÃO  À  LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  inscritas  no  SIMPLES  apresentarão, anualmente, declaração simplificada.  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas  de  escrituração  comercial  desde  que  mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações  que lhes sejam pertinentes:  I  ­  Livro Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua movimentação  financeira, inclusive bancária;  II  ­Livro  de Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques existentes no término de cada ano­calendário;  III  ­  todos  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para  a  escrituração dos referidos livros.  O  contribuinte  perde  a  espontaneidade  fiscal  para  efeito  de  exclusão  da  responsabilidade  por  infração  à  legislação  tributária  quanto  aos  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  ciência  do  início  do  procedimento  de  fiscalização, ainda que concedida pelo fisco, ­ no curso do procedimento de  fiscalização ­, dilação de prazo pleiteada pelo contribuinte para elaboração da  escrituração contábil dos livros obrigatórios quanto aos períodos de apuração  pretéritos abarcados pela investigação fiscal.  Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.056          3 DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  PRESUNÇÃO  LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito,  poupança  e/ou  investimento,  junto  à  instituição  financeira,  em  relação aos quais o  titular, pessoa  fisica ou  jurídica,  regularmente intimado,  não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos  utilizados nessas operações.  Para  imputação,  por  presunção  legal,  da  infração  omissão  de  receitas  (fato  probando) basta que o fisco comprove a ocorrência do fato indiciário, ou seja,  a  existência  de  extratos  bancários  de  conta  corrente  cuja  movimentação  financeira  bancária  não  foi  registrada  na  escrituração  contábil/fiscal  e  a  pessoa  jurídica  jurídica,  embora  intimada,  não  comprove  a  origem  dos  recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.  A partir do fato indiciário ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não comprovada (fato conhecido) ­ presume­se a ocorrência ou existência de  omisssão de receitas à margem da tributação (fato probando).  A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova.  O ônus probatório da não ocorrência do fato probando ­ omissão de receitas ­  é do sujeito passivo.  A  presunção  legal  tem  caráter  relativo,  podendo  ser  elidida,  afastada,  por  prova em contrário da não ocorrência da infração omissão de receitas.   PEDIDO  GENÉRICO  DE  DILIGÊNCIA  OU  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  Indefere­se  o  pedido  de  diligência  ou  perícia,  cujo  objetivo  é  instruir  o  processo  com  as  provas  que  o  recorrente  deveria  produzir  em  sua  defesa,  juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado  que o mesmo poderia trazê­las aos autos, se de fato existissem.  A perícia técnica se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram  conhecimentos  especializados  para  deslinde  do  litígio,  não  se  justificando  quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos.  Considera­se inexistente o pedido de diligência e perícia técnica, quando não  atender  aos  ditames  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  70.235/72.  Aplicação  da  inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.  Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de  diligência  considerada  desnecessária,  prescindível  e  formulado  sem  atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.  MULTA  DE  OFÍCIO  APLICADA.  ARGUIÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE.  NO  MÉRITO  MATÉRIA  NÃO  CONHECIDA.  A multa  de  ofício  aplicada  está  cominada  na  lei  de  regência  vigente,  com  presunção  de  constitucionalidade,  não  sendo  permitido  ao  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais negar vigência ou afastar sua aplicação,  por falta de competência.  Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.057          4 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.(Súmula CARF nº 2).  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL­SIMPLES, PIS ­SIMPLES, COFIN­  SIMPLES E CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ­ INSS­SIMPLES.  Aplica­se ao  lançamento  tido como reflexo as mesmas razões de decidir do  lançamento  matriz,  em  razão  de  sua  íntima  relação  de  causa  e  efeito,  na  medida  em  que  não  há  fatos  ou  elementos  novos  a  ensejar  conclusões  diversas.  Inexistindo razão fática e/ou jurídica para decidir diversamente, aplica­se aos  lançamentos  decorrentes,  o mesmo  tratamento  ou  entendimento  dispensado  ao lançamento principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os  vincula.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR as preliminares  suscitadas  e,  no mérito,  em NEGAR provimento  ao  recurso,  nos  termos do voto do Relator.    (documento assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Correa ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros:  José  de  Oliveira  Ferraz Correa, Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão,  Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.    Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.058          5 Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  de  e­fls.  1020/1032  contra  decisão  da  3ª  Turma da DRJ/Fortaleza (e­fls. 969/1012) que manteve, em parte, o crédito  tributário quanto  aos autos de infração do Simples Federal do ano­calendário 2004.  Quanto aos  fatos,  consta que a  fiscalização da RFB, em 19/05/2008,  lavrou  contra a recorrente, Microempresa do Simples:  a) autos de  infração do Simples  (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição  para  Seguridade  Social  ­  INSS),  ano­calendário  2004,  imputando  a  infração Omissão  de  Receitas  ­  valor  tributável R$ 930.157,87, com  imposição de multa qualificada de 150%  sobre  os  tributos  lançados.  A  infração  omissão  de  receitas  está  assim  narrada  no  auto  de  infração do IRPJ­Simples (e­fls. 762/802), in verbis:  (...)  001  ­  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  RECEITAS  NÃO  ESCRITURADAS   Valores  apurados  conforme  extratos  bancários   do  contribuinte,  para  o  ano­calendário  2004 , referentes  a  créditos  efetuados  em  contas   dos   Bancos  Bradesco,  Brasil,   Unibanco  e  Sudameris,os  quais  não  tiveram  suas  origens  comprovadas  pelo  contribuinte.     O  fato  está  detalhado  minuciosamente  no  Relatório  Fiscal ,  parte  integrante deste  auto de infração.  (. . .)   Valor tributável  – Omissão de Receitas,  ano­calendário 2004 :        Mês    Bradesco     Bco Brasil    Unibanco    Sudameris    Total Mensal (R$)  JANEIRO   9.868,18    34.293,91   0,00   2.909,33   47.071,42  FEVEREIRO   10.557,93   14.699,92   0,00   14.696,38   39.954,23  MARÇO   54.034,77   22.403,00   0,00   8.186,26   84.624,03 = (32.974,35 +  51.649,68)  ABRIL   24.524,22   41.661,97   0,00   4.500,15   70.686,34  MAIO   31.131,58   28.801,41   0,00   3.160,22   63.093,21  JUNHO   28.782,44   16.059,66   0,00   17.225,68   62.067,78  JULHO   86.402,81   36.033,27   0,00   41.176,35   163.612,43  AGOSTO   21.948,63   18.227,16   0,00   7.737,74   47.913,53  Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.059          6 SETEMBRO   36.441,38   60.819,01   0,00   20.443,11   117.703,50  OUTUBRO   27.032,68   55.906,56   365,50   162,04   83.466,78  NOVEMBRO   22.062,85   27.521,44  10.466,49   0,00   60.050,78  DEZEMBRO   44.404,78  43.925,61  83,45   1.000,00   89.913,84   TOTAL   930.157,87  Obs:    ( i )  No caso da Microempresa (ME) auferir, no decorrer do ano­calendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00  (cento  e vinte mil  reais),  sujeitar­se­á a partir,  inclusive, do mês em que  foi verificado o excesso de  receita,  ao  pagamento dos impostos e contribuições de acordo com os percentuais aplicáveis às Empresas de Pequeno Porte  (EPP),  em  relação  aos  valores  excedentes,  conforme  Relatório  Fiscal  (e­fl.  753).  Sendo  ass im,   até   o   montante  de  bruta   acumulada  de  R$  120.000,00  –  l imi te   para  Microempresa  ­  não   houve   lançamento   do  IRPJ   e  da  Contr ibu ição  para  o   PIS.  A  CSLL  foi   lançada  a   par i t ir   do  PA  Fevere iro /2004,   tudo  conforme  demons tra t ivo   de  cálculo  e   eqnuadramento  legal   (e­ f l s .   762/768) e   r espect ivos autos de  infração.   ( i i)   Os  valores  transcritos  acima  constam  do  Demonstrativo  dos  autos  de  infração  (e­fl.  762/766),  do  Demonstrativo de créditos  de  or igem  não  comprovada   –Conso lidado   –   Ano­calendár io   2004  (e ­ f ls .355/376)  e   do   Demonstrat ivo  de   Base  de  Cálcu lo  do  Impos to  Mensa l   –   Consol idado  –   Ano­calendár io 2004,  anexo ao  Rela tór io  Fiscal   (e­ f ls .  747/761).   ( i i i )   A  recei ta   bruta  mensal   e   anua l   do  ano­calendár io  2004   fo i   apurada  com  base   nos   extra tos   bancários  (depósi tos  a   créd i to   em  suas  contas  correntes  bancárias  não  escr i turados   e  de  or igem não comprovada) .   ( iv)   A  contr ibuinte  –   quando  da  ciência  do  início  do  procedimento   de   fiscal ização  –  não   t inha  escri turação  contábi l   formal izada   ( l ivro   Caixa  e   l ivro  Regist ro   de  Inventário   não   esc ri tuados) ,   embora  obr igatór ios   para  contr ibuin te  do   S is tema  de  Tributação  SIMPLES  (Lei  nº   9 .317 ,   ar t .7º ,   §   1º ,   a l íneas  a   e   b) .   A  fa lta  de   escr ituração  contábil   e   f i sca l   está   conf igurada   no  Pedido  de   Dilação   de  prazo   por  noventa  d ias   da   contr ibuinte,   para   apresentação  dos   l ivros,   haja  v ista  que  o  Contador  anterior  da   empresa  não   efetuou  os   lançamentos  contábeis.   Pedido  recebido  pe la  f iscal ização  em  19/09 /2007   (e ­fl .   24)   Além  disso,   ta l   s i tuação  constatada   pe la  f isca l ização  es tá   narrada  no  Re la tório   Fi sca l ,   parte   in tegrante  dos  autos   de  infração  (e­ f l s .   747/761)  e   corroborada  pela  Declaração   do   Simples  do  ano­calendário  2004,   pois,   mui to  tempo  antes  da  c iência   do  iníc io  da  f iscal ização,   a   contr ibuinte  j á   havia   informado  ao   F isco  –   na   Declaração   do  Simples   do  ano­calendár io   2004  –  rece ita   bru ta  mensa l   e   anual   zeradas  (0,00) ,   ou  seja ,   sem  movimento   (e­ f ls .   06 /23) ,   fa to  que ,  desde o   início,  chamou a  atenção  do  fisco.   (v)   Foi   apurado  pe la  f isca l ização,   a inda ,   que  a   cont r ibuinte   efe tuou  pagamentos   avulsos ,   com  cód igo   de  rece ita   do  Simples  do   ano­calendár io  2004  sobre  recei ta   bruta   anual   de   R$   59.978,54 .  Extra to  de  r ecolhimentos  ( e­ fls .   317 /328),   e   tabela  resumo  –  demonstrat ivo  dos   recolhimentos  constante  do Rela tório  Fi sca l   (e ­ f l .  752).   b)  auto  de  infração  Simples  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória (e­fls.  799/800), in verbis:   (. . .)   001  ­  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÕES  ACESSÓRIAS.  FALTA/ATRASO  NA  PRESTAÇÃO  DE INFORMAÇÕES OU ESCLARECIMENTOS   O contribuinte não  forneceu, no prazo  estabelecido à  Receita  Federal   do  Brasil ,   a  informação  de  que  estaria  excluído  do  SIMPLES  na  condição  de  microempresa,  nos  moldes  do  §  3 o   do  art .   13  e   do  Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.060          7 art.  21 da Lei  n° 9.317/96,  f icando sujei to à  multa de  10% do total  dos impostos e  contribuições devidos no  mês que anteceder o início dos efei tos da exclusão.  Data Valor  Multa Regulamentar    01/02/2005 R$ 159,82    (. . .)   Em  complemento  à  descrição  dos  fatos,  consta  do  Relatório  Fiscal,  parte  integrante do lançamento de ofício (fls.747/761):  (...)  I) DOS FATOS  (...)  A  empresa  fiscalizada,  uma  sociedade  empresária  limitada  que  atua no comércio varejista de materiais de iluminação, elétricos  e  de  telecomunicações,  apresentou,  no  ano­calendário  2004,  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  (PJSI  2005)  na  condição de Microempresa, com sistemática de apuração do  SIMPLES. Na mencionada declaração informou, para todos os  meses do ano, não ter auferido nenhuma receita decorrente da  prestação  de  serviços  ou  do  comércio  de  bens.  O  responsável  pelo  preenchimento  da  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica foi o Sr. Wagner Andrade Souza, CPF n° 803.850.605­ 72,  sócio  da  fiscalizada  que  detinha  90%  do  capital  social;  o  outro sócio, Sr. Werner Andrade Souza, CPF n° 018.209.325­59,  era detentor dos 10% remanescentes do capital social.  (...)  O início da ação fiscal no contribuinte supracitado se deu em 24  de  agosto  de  2007  com  a  ciência  do  Termo  do  Início  de  Fiscalização,  dada  por  via  postal  com  Aviso  de  Recebimento  (AR),  conforme  comprovante  anexo  aos  autos.  Nesta  data  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  ao  fisco,  em  20  (vinte)  dias  contados  da  ciência,  sua  escrituração  contábil  (Livro  Caixa e Livro de Registro de Inventário) e fiscal para o ano de  2004,  incluindo  os  extratos  bancários  das  contas  correntes  movimentadas pela empresa naquele ano e o contrato social da  empresa, com suas alterações.  Em  19  de  setembro  de  2007  o  contribuinte  dirigiu­se  ao  fisco,  (...), para requerer dilação do prazo  (...), de mais 90  (noventa)  dias, contados da data do protocolo da solicitação. A alegação  apresentada  fora  de  que  o  contador  anterior  da  empresa  não  escriturou os lançamentos contábeis como obrigado estava, por  lei  (art.  7o,  §1°  da  Lei  n°  9.317/96),  a  fazer.  Nesta  data,  nenhuma  comprovação  fora  exibida  ao  fisco  de  providência  adotada  junto  aos  bancos  para  a  obtenção  dos  extratos  bancários exigidos.  Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.061          8 Analisada  a  solicitação  do  contribuinte,  lavrei  Termo  de  Constatação Fiscal n° 001, de 20/09/2007, por mim assinado e  pelo representante do contribuinte, o qual concedeu prorrogação  de  prazo  de  mais  20  (vinte)  dias,  para  a  entrega  da  documentação.  Salientou  o  Termo  de  Constatação  que  a  prorrogação  concedida  alcançou  a  apresentação  do  Livro  Caixa,  Livro  de  Registro  de  Inventário,  contrato  social  e  alterações e eventuais documentos auxiliares. Com relação aos  extratos bancários, primeiramente solicitados ao contribuinte e  por  ele  não  apresentados,  sem  manifestação  de  providências  adotadas  para  tanto,  o  fisco  afastou  o  sigilo  bancário  do  contribuinte,  haja  vista  haver  ação  fiscal  em  curso  e  ser  imprescindível o acesso à movimentação financeira do mesmo  para a auditoria em curso, conforme hipóteses previstas no art.  33, inciso I e § 5o da Lei n° 9.430/96 e no art. 3o, inciso VII do  Decreto n° 3.724/2001.  Em  24  de  outubro  de  2007  o  contribuinte  compareceu  ao  Serviço de Fiscalização desta Delegacia da Receita Federal do  Brasil  para  apresentar  o  contrato  social  e  suas  alterações  e  grande volume de Notas Fiscais  (Entrada e Saída,  inclusive de  anos não objeto da fiscalização, como 2003 e 2005), documentos  sem  nenhuma  repercussão  fiscal  na  sistemática  do  SIMPLES  (recibos  de  correio,  comprovantes  de  pagamentos  de  título  e  restaurantes,  contas  de  luz  e  água,  correspondências  internas,  etc);  todos  os  documentos  encontravam­se  desordenados  e  as  notas fiscais incompletas, sem abrangência de todos os meses de  2004. Apresentou também extratos de alguns meses de algumas  contas  bancárias  movimentadas  em  2004,  os  quais  não  permitiam uma auditoria completa. Ressalte­se que, apesar do  prazo  concedido  e  dilatado,  para  entrega  dos  documentos,  o  contribuinte  deixou  de  apresentar,  em  24/10/2007,  o Livro  de  Registro de Inventário (no qual deveriam constar registrados os  estoques existentes no término de cada ano­calendário, conforme  determina  o  art.  7°,  §  1º  alínea  "b"  da  Lei  n°  9.317/2006). O  Livro­Caixa  apresentado  naquela  data,  por  sua  vez,  não  fora  assinado pelo responsável legal do contribuinte, não possuindo,  portanto, nenhum valor legal.  Em  03/01/2008  o  contribuinte  fora  novamente  intimado  a  comparecer ao fisco para receber Termo de Intimação Fiscal n°  002, no qual  fora reintimado a apresentar,  em 05  (cinco) dias  úteis daquela data, o Livro de Registro de Inventário e intimado,  no  mesmo  prazo,  a  apresentar  o  Livro  Caixa  devidamente  assinado e as Notas Fiscais de Saída ordenadas, expurgando­se  aquelas  que  não  se  referiam  ao  período  fiscalizado.  Assinou  o  Termo mencionado o bacharel Bernardo Miranda Fontes, CPF  n° 071.012.525­91, cuja outorga de poderes para representar o  contribuinte  já  havia  sido  concedida  em  20/07/2007. O mesmo  recebeu, através do Termo de Devolução de Documentos n° 003  o Livro Caixa sem assinatura, as Notas Fiscais de Entrada e de  Saída  e  os  extratos  bancários  apresentado  sem  ordem  cronológica  e  sem corresponder à  totalidade dos  com os  quais  manteve movimentação financeira. Apesar de declarar no Termo  de  Constatação  Fiscal  n°  004,  de  03/01/2008,  que  possuía  Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.062          9 contabilidade  organizada,  e  que  forneceria  os  livros  Diário  e  Razão, estes nunca fooram entregues.  Em  15/01/2008  foi  protocolizada  correspondência  dirigida  ao  fisco  informando  o  contribuinte  que  não  apresentaria  Livro  de  Registro de Inventário, por não existir contabilidade do período  fiscalizado.  (...)  Finalmente, após analisar os extratos bancários enviados pelas  quatro  (quatro)  instituições  financeiras  com  as  quais  o  contribuinte  transacionou  em  2004  (Bancos  Unibanco,  Sudameris,  Bradesco  e  do  Brasil),  constatou­se  uma  movimentação  financeira  que  ultrapassou  hum  milhão  de  reais.  Após  se  efetuar  a  conciliação  das  contas  bancárias  envolvidas,  expurgando­se  lançamentos  entre  contas  da mesma  titularidade,  o  contribuinte  fora  intimado,  em  16/01/2008,  através  do  Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  005,  a  justificar  a  origem dos créditos efetuados na contas n° 7235411 da agência  872  do  Banco  Unibanco,  n°  0235653000  da  agência  520  do  Banco  Sudameris,  n°  809­5  da  agência  3326­0  do  Banco  Bradesco e n° 6739 da agência 2976 do Banco do Brasil.  (...)  II) DA SISTEMÁTICA DO "SIMPLES"  (...)  Consulta  às  bases  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (Sistema  SINAL05  ­  Consulta  Pagamento)  evidenciou  que  o  contribuinte  efetuou  recolhimentos  mensais,  no  ano  de  2004,  vinculados  ao  código  de  receita  6106,  que  corresponde  ao  pagamento  do  Simples.  A  última  parcela  paga,  em  12/01/05,  referente ao mês  de  dezembro de  2004,  informa ao  fisco uma  receita  bruta  acumulada  de  RS  59.978,54,  o  que  acarretou  pagamentos mensais  à  alíquota mínima  de  3%  sobre  a  receita  bruta.   Frise­se  que  os  valores  de  receita  bruta  mensal  acumulada  utilizados pelo contribuinte para os cálculos dos Darf divergem  completamente  daqueles  informados  na  DIPJ  2005,  na  qual  a  receita anual informada é nula. Abaixo apresentamos os valores  mensais recolhidos a título de Simples.  (...)  DAS INFRAÇÕES DETECTADAS   01)  Depóstios  bancários  não  contabilizados  ­  Depósitos  bancários de origem não comprovada.  Embora  o  contribuinte  fiscalizado  não  possuísse  os  livros  e  documentos  exigidos pela  legislação,  nos  termos  do art.  47 da  Lei  8.981/95,  por  falta  de  amparo  legal,  é  incabível  o  arbitramento  do  lucro  no  caso  de  empresa  optante  pelo  Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.063          10 SIMPLES,  antes  da  formalização  da  exclusão  da  mesma  naquele  regime  de  tributação  simplificado,  uma  vez  que  neste  regime  não  se  apura  lucro.  Desta  forma,  esta  fiscalização  conduziu a constituição do crédito tributário de acordo com os  percentuais  de  tributação preconizados  pela Lei  9.317/96,  que  dispõe  sobre  o  regime  tributário  das  microempresas  e  das  empresas de pequeno porte optantes pelo SIMPLES.  A exigência tributária decorreu do confronto entre os dados da  movimentação  financeira  do  contribuinte  e  os  dados  informados  na  sua  Declaração  Anual  Simplificada,  ano­ calendário  2004,  o  qual  constatou  grande  divergência  de  valores.  A  autuação  teve  como  pressuposto  a  constatação  de  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  pelo  contribuinte,  mediante  intimação,  com  documentação  hábil  e  idônea.  Observe­se  que  todas  as  contas  auditadas  foram  previamente conciliadas, expurgando­se os créditos decorrentes  de transações entre contas de mesma titularidade, bem como dos  estornos  de  encargos  e  de  CPMF.  Os  créditos  de  origem  não  comprovada  foram  corroborados  pelas  Notas  Fiscais  apresentadas  ao  fisco,  mediante  intimação,  contabilizadas  no  Livro Caixa, elaborado por exigência fiscal.  (...)  Pise­se que o contribuinte,  em  todo o ano de 2004, declarou à  Receita Federal como nulas suas receitas (na PJSI) e recolheu a  título de SIMPLES, à alíquota de 3%, o  correspondente a uma  receita bruta de R$ 59.978,54. (Obs: a contribuinte apresentou ao  fisco  a  Declaração  Simplificada  do  Simples  –  PJSI  2005,  ano­ calendário  2004  ­  com  valores  zerados  (fls.  06/23),  porém  fez  pagamentos  de  tributos  no  Simples  de  forma  avulsa  sobre  faturamento – receita bruta anual – de R$ 59.978,54)    (...)  No  presente  caso,  em  virtude  da  não  comprovação  da  origem  dos recursos recebidos pelo contribuinte, a fiscalização lançou  de  ofício,  a  título  de  omissão  de  receita,  todos  os  depósitos  bancários  não  contabilizados  e  identificados  nas  contas  correntes da mesma, nos termos dos artigos 42 da Lei 9430/96 e  do artigo 199 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99).  Estendeu­se à fiscalizada todas as presunções legais de omissão  de  receitas  existentes  na  legislação  vigente  para  os  impostos  e  contribuições  abrangidos  pelo  SIMPLES,  procedendo­se  à  recomposição  do  resultado  do  período  e  à  tributação  do  valor  apurado  como  omitido,  de  acordo  com  os  percentuais  progressivos fixados em relação à receita bruta acumulada.  (...)  02) Falta de comunicação da exclusão da empresa no Sistema  SIMPLES   Os  trabalhos  fiscais  demonstraram  que  a  microempresa  ultrapassou,  durante  o  ano­calendário  de  2004,  o  limite  de  Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.064          11 receita  bruta  acumulada  de  R$  120.000,00  (cento  e  vinte  mil  reais),  e  não  efetuou,  como  lhe  era  obrigação  acessória  fazer,  nos moldes dos art.  13,  inciso  II,  parágrafos 2o  e 3o,  da Lei n°  9.317/96,  até  o  último  dia  útil  do  mês  de  janeiro  de  2005,  a  comunicação  de  sua  exclusão  no  SIMPLES  na  condição  de  Microempresa. Como conseqüência, e conforme determina o art.  21  do  já  mencionado  diploma  legal,  foi  aplicada  uma  multa  correspondente  a  10%  (dez  por  cento)  do  total  dos  impostos  e  contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês  que  antecedeu  o  início  dos  efeitos  da  exclusão,  valor  este  que  não poderia ser inferior a R$ 100,00 (cem reais).  "Art.  21°  A  falta  de  comunicação,  quando  obrigatória,  da  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  SIMPLES,  nos  prazos  determinados no § 3o  do  art.  13,  sujeitará a pessoa  jurídica a  multa  correspondente  a  10%  (dez  por  cento)  do  total  dos  impostos  e  contribuições  devidos  de  conformidade  com  o  SIMPLES  no  mês  que  anteceder  o  início  dos  efeitos  da  exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de  redução".  (...)  No  caso  em  tela,  o  contribuinte  deixou  de  enquadrar­se  como  Microempresa  no  mês  de  março  de  2004,  quando  sua  receita  acumulada totalizou R$ 171.649,68. Isto posto, conclui­se que a  multa  isolada  cabível,  pela  falta  de  comunicação  pela  pessoa  jurídica,  de  sua  exclusão  do  SIMPLES,  na  condição  de  Microempresa, conforme determina o art. 21 da Lei n° 9.317/96,  é de 10% sobre o imposto devido no mês de fevereiro de 2004.  (...)  IV)  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS  ­  MULTA QUALIFICADA   O lançamento de ofício  implicou  também a aplicação de multa  de 150%, conforme disposto no art. 957 do RIR/99, in verbis:  (...)  Este  fisco  defrontou­se  com  o  evidente  intuito  de  fraude  de  impedir,  ou  no  mínimo  retardar,  o  conhecimento  da  Receita  Federal do Brasil da ocorrência de  fato gerador decorrente da  percepção  das  receitas  não  oferecidas  à  tributação,  receitas  estas  provenientes  de  diversas  contas  bancárias,  conforme  atestam  as  inúmeras  notas  fiscais  apresentadas  pelo  contribuinte. Nenhuma  receita  fora declarada pelo  contribuinte  na sua declaração do SIMPLES. Assim, tendo sido constatado o  intuito  doloso  de  sonegar,  inconteste  é  a  aplicação  da  multa  qualificada. (Obs: os grifos não constam dos orginal)  (...)    Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.065          12 O crédito tributário lançado de ofício, quanto ao ano­calendário 2004, perfaz  o montante de R$ 178.048,54, assim discriminado por exação fiscal:  Auto de Infração  Principal  Juros de Mora  (calc. até  30/04/2008)  Multa de 150%  Total  IRPJ – Simples   4.039,32   2.001,26   6.058,96  12.099,54  PIS – Simples   4.039,32   2.001,26   6.058,96  12.099,54  CSLL – Simples   8.591,15   4.380,63  12.886,71  25.858,49  Cofins­Simples  18.509,03   9.540,13  27.763,52  55.812,68  Contr. INSS – Simples  23.950,39  12.142,54  35.925,54  72.018,47  Simples – Multa  Regulamentar   ­  ­  ­   159,82  TOTAL   ­  ­  ­  178.048,54  O  sujeito  passivo  tomou  ciência  pessoalmente  dos  autos  de  infração  e  do  Relatório  Fiscal  em  29/05/2008,  por  intermédio  de  seu  representante  legal,  conforme  Termo  de  Ciência  de  Auto  de  Infração  nº  0008  (e­fl.  804).  Vide  ainda  despacho  de  encaminhamento do processo (e­fl. 807).   A  impugnação  foi  apresentada  pelo  sujeito  passivo  em  30/06/2008  (e­ fls.808/825), cujas razões, em síntese, são as seguintes:  1 ­ Preliminar de nulidade do lançamento fiscal:  a) que  foi extrapolado o prazo 120 dias para a conclusão dos  trabalhos  do MPF; que a prorrogação por escrito, por mais 60 dias, ocorreu intempestivamente;  b) que houve quebra  ilegal  do  sigilo bancário  sem ordem  judicial;  que,  após ciência do termo de início de fiscalização, em razão da falta de escrituração contábil/fiscal  do ano­calendário 2004, pediu dilação de prazo de 90 (noventa) dias para fazer a escrituração  contábil/fiscal,  e  assim  atender  à  intimação  fiscal  (fls.  24/25);  que  a  fiscalização  concedeu  dilação  de  prazo  (outros  vinte  dias),  conforme  Termo  de  Constação  Discal  nº  001,  de  20/09/2007 – fl. 28; porém, antes que houvesse a entrega dos registros contáveis (Livro Caixa,  Livro Inventário e documentos de suporte dos registros contáveis), houve pelo fisco a emissão  da  Requisição  de  Movimentação  Financeira  –  RMF  para  as  instituições  financeiras,  em  03/10/2007 (fls. 30/41); que, por fim, o fisco não considerou os registros contábeis escriturados  (efetuados  após  ciência  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização);  que  houve  precipitação  da  fiscalização em obter os extratos bancários.  2 ­ Mérito:  2.1 – Juntada de documentos:  ­ que o cerne da autuação fiscal se funda na presunção de omissão de receitas  sobre  depósitos  a  crédito  em  contas  correntes  da  impugnante,  apesar  de  contabilizados  e  justificados durante o procedimento de fiscalização;  ­  que  os  créditos  decorreram,  simplesmente,  de  empréstimos  e  financiamentos  bancários,  bem  como  de  contrato  de  mútuo  entre  empresas  pertencentes  ao  mesmo grupo econômico conforme instrumento de contrato social de fls. 828/830 e 833/834;  Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.066          13 ­  que  prestou  esclarecimentos/justificativas  à  fiscalização  em  duas  oportunidades,  em  20/02/2008  e  27/03/2008,  quanto  à  origem  dos  créditos  em  suas  contas  correntes bancárias (fls. 331/352 e 837/838);  ­  que,  entretanto,  a  fiscalização  não  acolheu  suas  explicações  e  os  documentos apresentados;  ­ que, por conseguinte, na ocasião da apresentação da impugnação, juntou aos  autos tais documentos já exibidos à fiscalização (fls. 826/955), ou seja:  a) cópias de extratos bancários (fls. 841/871 e 872/896);  b)  registros  contábeis,  demonstrando  o  conta  corrente,  extraídos  do  livro  razão da autuada (fls. 897/954);  c) cópia do instrumento de contrato de mútuo (fls. 839/840);  2.2­ Quanto ao valor da omissão de receitas:   a)  que  devem  ser  expurgados  das  contas  correntes  (Banco  do  Brasil,  Unibanco, Sudameris e Bradesco) os créditos de transferência eletrônica (on line) no montante  de R$ 377.977,98, ano­calendário 2004, que decorreram de aportes financeiros realizados pela  empresa  interligada  ENERGY  SAVER  DO  BRASIL  LTDA  ­  ME,  inscrita  no  CNPJ:  05.198.240/0001­66,  respaldados  em  contrato  de  mútuo  –  suprimento  de  numerário  (conta  corrente  entre  as  empresas  ligadas).  Juntou  cópia  de  instrumento  de mútuo,  válido  por  dois  anos, celebrado em 03/03/2003 (fls.839/840). Em relação à exclusão pleiteada, juntou planilha  de  fl.  820  (impugnação),  listando,  identificando,  todos  os  créditos  feitos  na  conta  mantida,  especificamente,  no  Bradesco  que  entende  provenientes  do  dito  mútuo,  no  total  de  R$  101.367,70; que durante o procedimento de fiscalização já havia prestado informações ao fisco,  nesse sentido (fls. 331/354);  a1)  que  os  valores  de  transferências  entre  empresas  interligadas  devem,  portanto, ser expurgados da base de cálculo do crédito tributário perseguido pelo fisco;   a2) que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme o Código Tributário  Nacional: (i) é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido,  como  o  produto  do  capital,  do  trabalho  ou  da  combinação  de  ambos;  (ii)  de  proventos  de  qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais;   a3) que,  portanto,  o  valor  de  tais  transfêrencias  entre  empresas  interligadas  (contrato  de  mútuo,  conta  corrente)  não  pode  ser  considerado  como  acréscimo  patrimonial,  uma  vez  que,  em  algum momento  futuro,  será  devolvido  ao mutuante,  não  se  enquadrando,  assim, na hipótese de incidência da norma tributária;  ­  a4)  que,  da  simples  análise  dos  extratos  bancários  das  sociedades,  se  constata  existência  de  coincidência  de  data  e  valores  de  transferências  entre  as  contas  das  empresas ligadas; que, destarte, se faz necessário conciliar as contas bancárias, para exclusão  dos valores a título de empréstimo e devolução de empréstimo;   ­ b) que empréstimos bancários, a exemplo de financiamento para Capital de  Giro, além de estorno de cheques não pagos, absurdamente foram considerados como entrada  Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.067          14 de  receita  tributável  pela  auditoria,  apesar  de  justificados  pela  contribuinte;  que  as  incongruências podem ser facilmente detectadas. Senão veja­se:  ­  b1)  que,  no  extrato  da  conta  no  Banco  Brasdesco,  se  verifica,  por  amostragem, que no dia 21/01/04 existe um lançamento de crédito automático da Energy Saver  através de DOC no valor de R$ 4.990,00 e o mesmo foi considerado pelo fisco como omissão  de receitas;  ­ b2) no dia 22/01/08, houve um crédito irregular na conta do Bradesco de R$  125,00 e no mesmo dia foi estornado pelo próprio banco;  ­b3) que, no sentido de comprovar operação de mútuo entre empresas ligadas,  consta  do  extrato  Bradesco  que  ingressou  a  crédito  na  conta  corrente  da  impugnante  R$  5.000,00  em  06/02/2004  proveniente  da  Energy  Saver;  que,  entretanto,  no  dia  03/03/2004,  houve lançamento a débito, na mesma conta bancária de R$ 3.600,00 (transferência) – destino  Energy  Saver;  que  está  nítido  que  as  transferências  ocorreram  licitamente,  respaldadas  em  contrato de mútuo, onde há lançamento a débito e a crédito entre as empresas do mesmo grupo,  sem, contudo, ensejar qualquer mácula de fraude à legislação tributária;  ­  c)  que  a  indicação  de  receitas  nulas,  na  Declaração  Anual  Simplificada,  ano­calendário  2004,  decorreu  da  precariedade  das  informações  contábeis  a  que  esteve  submetida  durante  aquele  ano,  apesar  de  ter  pago  os  tributos,  os  quais  foram  perfeitamente  reconhecidos pela Auditora­Fiscal;  ­  d)  que,  como  a  contabilidade  da  impugnante  estava  desorganizada  e,  por  isso, não confiável,  teria o mesmo efeito de informar receita nula ou qualquer outro valor. A  intenção da contribuinte, naquele momento, não foi prestar informação falsa ao fisco, mas tão­ somente  cumprir  com a  sua obrigação acessória,  fugindo da multa pela  não  apresentação da  Declaração Simplificada do Simples;  ­e)  que,  posteriormente,  a  impugnante  sentiu  a  necessidade  de  organizar  melhor a sua contabilidade, momento que a regularizou;  ­  f)  que  os  créditos  foram  totalmente  contabilizados  pela  impugnante  e  levados os livros a registro na JUCEB, o que derruba a tese de omissão de receitas;  ­  g) que  as  origens  dos  recursos,  por  seu  turno,  também  foram plenamente  comprovadas através de extratos bancários, de livros contábeis e de justificativas apresentadas  pelo contribuinte durante a ação fiscal, contudo não aceitas pela Auditora­Fiscal;  ­  h)  que  em  face  da  presunção  de  omissão  de  receitas,  o  fisco  penaliza  triplamente a impugnante: (i) por considerar tributáveis recursos oriundos de empréstimos, seja  bancário ou de mútuo; (ii) por qualificar a multa de ofício para 150%, ao capitular a deficiência  administrativa da impugnante em norma mais severa; (iii) por representar fiscalmente para fins  penais os sócios da impugnante;  i) que, não obstante a  impugnação apresentada e em homenagem ao debate,  considera  incontroverso,  em  relação  ao  principal  lançado  do  ano­calendário  2004,  apenas  o  valor de R$ 16.873,28, conforme cópia de parte de suposta declaração retificadora – Ficha 4A  (fls.  955/966),  em  relação  à  Declaração  Simplificada  PJSI  2005,  ano­calendário  2004,  Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.068          15 transmitida com valores nulos (zerados). Não juntou aos autos compovante de entrega de que  tal declaração retificadora tivesse sido, eventualmente, transmitida eletronicamente.  2.3 – Multa Qualificada (150%):   ­ que o fisco não comprovou dolo de fraude na conduta da impugnante.  Por fim, com base nessas razões, a contribuinte, pediu:  a)  preliminarmente,  a  nulidade  dos  autos  de  infração,  por  vícios  formais,  materiais (vício na execução do MPF e quebra do sigilo bancário sem ordem judicial);  b)  no  mérito,  caso  seja  vencida  na  preliminar  suscitada,  a  exclusão  das  transferências  entre  empresas  ligadas  que  transitaram  pelas  suas  contas  bancárias  e  dos  empréstimos  bancários  obtidos  (refazer  a  conciliação  bancária  para  expurgo  das  parcelas  de  origem comprovada);  c) que seja reconhecido, como devido, tão­somente o principal do Simples no  valor de R$ 16.873,28;  d) que seja desconsiderada a representação fiscal para fins penais, e afastada  a multa qualificada de 150%, pela falta de comprovação de dolo de fraude.  A  3ª  Turma  da  DRJ/Fortaleza,  em  face  das  razões  suscitadas  pela  contribuinte  em  sua  defesa,  julgou  a  impugnação  procedente  em  parte  (e­fls.  969/1012),  ou  seja:  a)  reduziu  o montante das  receitas  omitidas  de R$  930.157,87  para R$  906.639,39;  b)  deferiu  o  aproveitamento  dos  créditos  (os  recolhimentos  efetuados  espontaneamente a título do Simples do ano­calendário 2004);  c) reduziu a multa ofício de 150% para 75%;  d)  exonerou  o  crédito  tributário  da  multa  regulamentar  aplicada  por  descumprimento de obrigação acessória do Simples.  A propósito, a decisão a quo tem a seguinte ementa (e­fls.969/971), in verbis:  (...)  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2004   MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  PRORROGAÇÃO DA VALIDADE ­ REGULARIDADE   Os  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  foram  prorrogados  sem  lapso  temporal  entre  eles,  e  com  a  regular  cientificação  do  sujeito  passivo,  inocorrendo  pois  qualquer  irregularidade. Mesmo que  houvesse  ocorrido  o  vencimento  do  prazo  do  MPF,  sem  sua  regular  prorrogação,  isso  não  Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.069          16 constituiria hipótese legal de nulidade do lançamento, visto que  o MPF é instrumento de controle administrativo e de informação  ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado  de Procedimento Fiscal  não  são  causa  de  nulidade  do  auto  de  infração.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  FINANCEIRA  ­  INTIMAÇÃO  DO  CONTRIBUINTE  ­  FALTA  DE  ATENDIMENTO   A  Administração  Tributária  pode  requisitar  informações  bancárias  do  contribuinte  às  Instituições  Financeiras  quando  este,  após  regular  intimação,  deixa  de  apresentá­las  espontaneamente.  A  requisição  de  informações  bancárias  do  contribuinte não configura quebra de sigilo financeiro, posto que  as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL  PARA  FINS  PENAIS  ­ MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE  ­  APRECIAÇÃO ­INCOMPETÊNCIA DAS DRJ   As  Delegacias  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  ­  DRJ  não  detêm  competência  legal  para  apreciação  de  manifestações  de  contribuintes  contra  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais  lavrada  por  AFRFB,  no  exercício  das  suas  funções.  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ­ REVISÃO DA ATIVIDADE  DE LANÇAMENTO   Incumbe  à  autoridade  julgadora  efetuar,  de  ofício,  eventuais  reparos  no  lançamento  tributário  maculado  por  vícios  de  legalidade, de modo a fazer coincidir a atividade estatal com os  ditames  da  lei  tributária,  se  desses  reparos  não  resultar  agravamento, inovação ou alteração da fundamentação legal da  exigência.  ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS  E CONTRIBUIÇÕES  DAS MICROEMPRESAS  E  DAS EMPRESAS DE  PEQUENO PORTE ­ SIMPLES   Ano­calendário: 2004   DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  ­ OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL   Incumbe  ao  titular  da  conta  bancária,  regularmente  intimado,  demonstrar,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos valores ali creditados. Na falta dessa comprovação, incide a  presunção legal de omissão de receita estatuída no artigo 42 da  Lei n° 9.430/96.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  EMPRÉSTIMOS  COMPROVADOS  PELO  HISTÓRICO DA TRANSAÇÃO ­ INAPLICABILIDADE DA PRESUNÇÃO  LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS   Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.070          17 Os créditos em conta bancária cujo histórico revela operação de  empréstimo  contratada  pelo  respectivo  titular  junto  ao  próprio  banco  não  podem  ser  tratados  como  depósitos  de  origem  não  comprovada,  para  fins  de  aplicação  da  presunção  legal  de  receita estatuída no artigo 42 da Lei n° 9.430/96.  CRÉDITOS BANCÁRIOS ­ VALORES ESTORNADOS, COMPROVADOS  PELO  HISTÓRICO  DA  TRANSAÇÃO  ­INAPLICABILIDADE  DA  PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS   Os  créditos  em  conta  bancária  estornados  pelo  próprio  banco,  conforme  histórico  aposto  no  extrato  bancário,  não  podem  ser  tratados  como  depósitos  de  origem  não  comprovada,  para  fins  de  aplicação da  presunção  legal de  receita  estatuída  no  artigo  42 da Lei n° 9.430/96.  ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL ­ VALOR PROBANTE   A escrituração mantida com observância das disposições legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou  assim  definidos  em  preceitos  legais.  A  falta  da  documentação  hábil e  idônea em que estariam suportados os fatos registrados  na contabilidade exclui desta o valor probante.  OMISSÃO  DE  RECEITA  ­  ESCRITURAÇÃO  DAS  OPERAÇÕES  ­ AUTENTICAÇÃO  DO  LIVRO  DIÁRIO  NA  JUNTA  COMERCIAL  ­ EFEITO   O  fato  de  levar  a  registro  na  Junta  Comercial  o  Livro Diário  contendo  a  escrituração  das  operações  com  base  nas  quais  a  fiscalização  apurou  omissão  de  receitas  não  opera  o  jurídico  efeito  de  excluir  a  infração  em  que  a  contribuinte  incorreu.  A  competência  legal  para  apuração  de  infrações  tributárias  e  lançamento de ofício do respectivo crédito é privativa do Auditor  Fiscal da Receita Federal do Brasil.  QUALIFICAÇÃO  DA  MULTA  LANÇADA  DE  OFÍCIO  ­EVIDENTE  INTUITO DE FRAUDE ­ SÚMULA CARF N° 25   A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por  si  só,  não  autoriza  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  sendo  necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72  e  73  da  Lei  n°  4.502/64  (Súmula  CARF  n°  25).  Se  a  lei  estabelece  uma  gradação  de  penas  para  a  mesma  infração,  é  lógico que a conduta sancionada com pena mais rude deve ter,  em  relação  à  conduta  mais  brandamente  apenada,  uma  diferença qualitativa relevante, sobretudo se a diferença entre as  multas cominadas é de 100%.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  ­  VALORES  RECOLHIDOS  PELO SUJEITO PASSIVO ­ DEDUTIBILIDADE   A  autoridade  fiscal  deve  considerar  os  valores  de  impostos  e  contribuições  referentes  ao  período  de  apuração  fiscalizado,  Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.071          18 recolhidos  pelo  sujeito  passivo,  lançando  apenas  as  diferenças  apuradas.  MULTA REGULAMENTAR  ­  FALTA DE COMUNICAÇÃO  DE  EXCLUSÃO  DO  SIMPLES  ­  EXCESSO  DE  RECEITA  BRUTA   A  falta  de  comunicação,  quando  obrigatória,  da  exclusão  da  pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados, sujeita a  contribuinte  a multa  correspondente  a  10%  (dez  por  cento)  do  total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com  o  SIMPLES  no  mês  que  anteceder  o  início  dos  efeitos  da  exclusão, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), insusceptível de  redução. No  caso  de  a  pessoa  jurídica  incorrer  em  excesso  de  receita  bruta  que  a  descaracterize  legalmente  como  microempresa,  a multa  pela  falta  de  comunicação  incide  sobre  os impostos e contribuições relativos ao mês de dezembro do ano  em  que  registrado  o  dito  excesso,  uma  vez  que  os  efeitos  da  exclusão  só  se  operam  a  partir  do  primeiro  dia  do  ano  subseqüente.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte   (...)  Inconformada com esse decisum (na parte que restou vencida) do qual tomou  ciência  em  22/11/2010  (e­fl.  1019),  a  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  em  22/12/2010 de e­ fls. 1020/1032, cujas razões, em síntese, são as seguintes:  ­ Reiterou  as  preliminares  de  nulidade  do  lançamento  fiscal  suscitadas  na instância a quo, por vício na execução do MPF e por quebra ilegal do sigilo bancário sem  ordem judicial;  ­ No mérito, mediante pedido de diligência fiscal/perícia contábil, reiterou  pretensão  pela  exclusão,  em  relação  ao  valor  tributável  da  infração  omissão  de  receitas,  de  todos as parcelas a título de empréstimos bancários ou mútuo entre empresas ligadas que  transitaram pela conta bancária e que foram lançados equivocadamente como receitas omitidas;  que  é  necessário  proceder  ajustes  no  valor  tributável  da  infração  imputada,  pois,  a  título  de  exemplo, em relação à conta corrente mantida ou movimentada no Bradesco,  identificou, por  amostragem,  operações  de mútuo  (entre  empresas  ligadas)  computadas,  indevidamente,  no  valor tributável da infração imputada, conforme planilha apresentada (e­fl. 1029).  Em 07/08/2012, está 2ª Turma Especial da 1ª Seção do CARF,  sobrestou o  presente  processo,  o  julgamento  da  lide,  conforme  Resolução  1802­000.088  –2ª  Turma  Especial (e­fls. 1034/1052), em face do Regimento Interno do CARF (art.62­A, §§1º e 2º, do  Anexo II da Portaria MF 256/2009) e da Portaria CARF nº 001/2012 (art. 2º, § 3º).  Em  29/01/2014,  os  autos  do  processo  foram  devolvidos  pela  SECAM/2ª  Câmara, ou seja, retornaram ao Relator para prosseguimento de julgamento (inclusão em Pauta  de Julgamento), pois a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º  do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, ­ Regimento Interno  Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.072          19 do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF),  não  se  justifiando  mais  o  sobrestamento do processo, conforme despacho (e­fl. 1053) que transcrevo, in verbis:  (...)  DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO   A Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os  §§ 1º e 2º do art. 62­A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22  de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF).Tendo  em  vista  a  edição desse ato normativo devem ser  incluídos  em pauta para  julgamento  os  processos  referentes  às  matérias  que  estão  em  repercussão  geral  no  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  sem  trânsito  em  julgado,  de  acordo  com  o  rito  do  art.  543­B  do  Código de Processo Civil (CPC).Em vista do exposto, o presente  processo deve retornar, para prosseguimento do julgamento, em  conformidade  com  as  normas  do  Decreto  nº  70.235,  de  06  de  março de 1972.   (...)  É o relatório.  Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.073          20 Voto             Conselheiro Nelso Kichel, Relator.    O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de  admissibilidade, merece ser conhecido. Logo, dele conheço.  Conforme relatado, os autos tratam da exigência do crédito tributário atinente  aos  autos  de  infração  do  Simples  Federal  do  ano­calendário  2004  (IRPJ­Simples,  PIS­ Simples,  Cofins­Simples,  CSLL  –  Simples  e  Contrib.  Prev­  INSS­Simples),  em  face  da  imputação  pela  RFB  da  infração  Omissão  de  receitas  –  depósitos  bancários  não  escriturados e de origem não comprovada.  O objeto do recurso restringe­se à matéria que a recorrente restou vencida na  instância a quo.  Vale  dizer,  na  primeira  instância  de  julgamento,  a  3ª  Turma  da  DRJ/Fortaleza julgou a impugnação procedente em parte (e­fls. 969/1012), ou seja:  a) reduziu o valor tributável da infração Receitas Omitidas de R$ 930.157,87  para R$ 906.639,39;  b) deferiu o aproveitamento dos créditos de pagamentos avulsos do Simples  (os recolhimentos efetuados espontaneamente a título do Simples do ano­calendário 2004);  c) afastou a qualificadora da multa, ou seja, reduziu a multa ofício de 150%  para 75%;  d)  exonerou  o  crédito  tributário  da  multa  regulamentar  aplicada  por  descumprimento de obrigação acessória do Simples.  Portanto,  nesta  instância  recursal  a  recorrente  busca  a  reforma  da  decisão  recorrida, na parte que restou vencida na instância a quo, reiterando as preliminares e máteria  de mérito.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  FISCAL.  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF. INOCORRÊNCIA DE VÍCIO NA  EXECUÇÃO DO MPF. PRELIMINAR REJEITADA.  A  recorrente  suscitou,  em  sede  de  preliminar,  a  nulidade  do  lançamento  fiscal, argumentando (e­fls. 1022/1024), in verbis:  (...)  Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.074          21 a) Extrapolado o prazo 120 dias para a conclusão dos trabalhos  e  a  prorrogação  por  escrito  de  +  60  dias  se  deu  intempestivamente.  A fiscalização iniciou­se no dia 24 de Aaosto de 2007 através da  ciência  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  do  MPF  0510100/00467/2007 e concluiu suas atividades em 29 de maio  de  2008,  conforme  termo  de  encerramento  das  atividades  fiscalizatórias (Doc. 1).  Passaram­se,  portanto  9  meses  para  conclusão  dos  trabalhos,  muito  embora  o  MPF  –  Mandado  de  Procedimento  de  Fiscalização – tenha sido prorrogado, tal prorrogação se deu em  07 de abril de 2008, quando o contribuinte teve ciência formal de  sua prorrogação, mediante Termo de Ciência e de Continuação  de Procedimento Fiscal n° 0007 (Doc. 3), ou seja, somente após  quase  8  meses  (240  dias)  do  início  dos  trabalhos  o  MPF  foi  prorrogado.  (...)  Portanto, a  fiscalização que  teve  início em 24.08.2007, expirou  seu prazo de fiscalização em 24.12.2008, ou seja, 120 dias após  seu início. No entanto, somente em 07.04.2008 o contribuinte foi  cientificado da  prorrogação do MPF,  conclui­se,  portanto,  que  durante  o  período  de  25.12.2008  até  07.4.2008,  a  auditoria  prosseguiu  sem qualquer  tipo de prorrogação  formal  sem que o  contribuinte tivesse sido notificado de qualquer ato da Secretaria  da Receita Federal do Brasil prorrogando o prazo fiscalizatório,  por mais 60 dias, após os 120 dias iniciais.  Logo, a partir do 120° dia após o início da fiscalização sem que  houvesse  prorroaacão  formal  do  prazo  do  MPF,  a  Auditora  Fiscal  se  tornou  incompetente  para  o  exercício  daquela  fiscalização, pelo decurso do prazo estipulado no artigo 12, I, da  norma administrativa. Observe­se, por oportuno, aue o caput do  artiao 12 refere­se a "prazo máximo" de validade.  O contribuinte deve ter ciência por escrito do ato administrativo  prorrogando a  fiscalização por tempo igual a 60 dias,  tão logo  expire o prazo inicial de 120 dias.  Assim, como não foi cumprida tal determinação normativa, não  pode prosperar este auto de infração.  (...)  Rechaço, de plano, a preliminar suscitada, pois não houve vício na execução  do MPF.  Quando  da  ciência  da  intimação  do  Termo  de  Inicío  de  Fiscalização  em  29/08/2007,  a  contribuinte  recebeu,  ainda,  cópia  do  MPF  para  execução  da  atividade  de  fiscalização em 120 (cento em vinte) dias, no qual consta, de forma expressa (e­fls. 2 e 5),  in  verbis:  (...)  Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.075          22 CÓDIGO DO PROECEDIMENTO FISCAL: 73493363  A exatidão das informações contidas neste Mandado poderá ser  verificada  na  internet,  mediante  a  utilização  do  código  acima  informado, no endereço http://www.receita.fazenda.gov.br.  (...)  A questão da prorrogação era tratada da seguinte forma na Portaria RFB nº  4.066/2007 (art. 13), em vigor no início do procedimento de fiscalização, in verbis:  Art. 13. A prorrogação do prazo de que  trata o artigo anterior  poderá  ser  efetuada  pela  autoridade  outorgante,  tantas  vezes  quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de  sessenta  dias,  para  procedimentos  de  fiscalização,  e  de  trinta  dias, para procedimentos de diligência.  §  1º A  prorrogação  de  que  trata  o  caput  poderá  ser  feita  por  intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  cuja  informação  estará  disponível  na  Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII.  §  2º  Na  hipótese  do  §  1º,  o  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  fornecerá  ao  sujeito  passivo,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício  praticado  junto  ao  mesmo  após  cada  prorrogação,  o  Demonstrativo  de  Emissão  e  Prorrogação,  contendo  o  MPF  emitido  e  as  prorrogações  efetuadas,  reproduzido a partir das  informações apresentadas na  Internet,  conforme modelo constante do Anexo VI.  Porém, a Portaria RFB nº 11.371, de 12/12/2007, deu novo disciplinamento  às prorrogações do MPF (art. 20, I).   Ou seja: a nova Portaria estabeleceu que, em relação à matéria fazendária, os  MPF  em curso  restaram prorrogados  automaticamente,  quando não  fosse  necesário  proceder  alteração diversa da prorrogação de prazo.   Senão vejamos:  Portaria RFB nº 11.371, de 2007:  Art. 4ºO MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e  assinado  pela  autoridade  outorgante,  mediante  a  utilização  de  certificado  digital  válido,  conforme  modelos  constantes  dos  Anexos de I a III desta Portaria.  Parágrafo  único.  A  ciência  pelo  sujeito  passivo  do  MPF,  nos  termos do art. 23 do Decreto nº70.235, de 6 de março de 1972,  com  redação  dada  pelo  art.  67  da  Lei  nº9.532,  de  10  de  novembro  de  1997,  dar­se­á  por  intermédio  da  Internet,  no  endereço  eletrônico  www.receita.fazenda.gov.br,  com  a  utilização  de  código  de  acesso  consignado  no  termo  que  formalizar o início do procedimento fiscal.  (...)  Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.076          23 Art.  20.  Os  procedimentos  fiscais  iniciados  antes  da  vigência  desta Portaria que não forem concluídos até 31 de dezembro de  2007,  com  ciência  do  sujeito  passivo,  terão  o  seguinte  tratamento:  I  ­  em  relação  à matéria  fazendária,  poderão  ter  continuidade  com  base  no  MPF  em  vigor,  desde  que  não  seja  necessário  proceder a alteração diversa da prorrogação de prazo;  (...)  Como  visto,  para  simples  prorrogação  de  prazo  permaneceu  válido  o MPF  original. A prorrogação do MPF foi automática pela Portaria.  A propósito, a matéria  já foi enfrentada adequadamente pela decisão a quo,  conforme voto condutor cujos fundamentos transcrevo, em parte (e­fls. 987/988), in verbis:  (...)  De  qualquer  forma,  no  caso  concreto  sequer  se  configura  a  impropriedade alegada pela interessada.  Deveras,  a  Portaria  nº  4.066,  de  02  de  maio  de  2007,  que  disciplinava  o MPF  à  época  do  início  do  procedimento  fiscal,  prevê,  em  seu  art.  13,  que  a  prorrogação  do  mandado  será  efetuada tantas vezes quantas necessárias e poderá ser feita por  intermédio  de  registro  eletrônico  efetuado  pela  respectiva  autoridade  outorgante,  cuja  informação  estará  disponível  na  Internet; posteriormente,  quando  do  primeiro  ato  de  ofício  da  autoridade administrativa, esta deve entregar ao sujeito passivo  o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPF.  Registre­se também que, em 20/12/2007, portanto ainda no curso  da  fiscalização,  cujo  encerrramento  se  deu  em  29/05/2008,  foi  publicada a Portaria 11.371, de 12 de dezembro de 2007, que,  em  seu  art.  4º,  passou  a  prever  a  emissão  de  MPF  exclusivamente  em  forma  eletrônica,  com  ciência  pelo  sujeito  passivo por intermédio da Internet, inclusive quanto a eventuais  prorrogações. No que pertine aos procedimentos iniciados antes  da vigência da referida Portaria, foi estabelecido, em seu art. 20,  que em relação à matéria fazendária, poderão ter continuidade  com  base  no  MPF  em  vigor,  desde  que  não  seja  necessário  proceder a alteração diversa da prorrogação de prazo.  Como se vê, mesmo sob o regime da Portaria nº 4.066/2007, que  vigia  à  época  da  emissão  do  MPF  relativo  ao  presente  caso,  inexistia  previsão  legal  determinando  que  a  prorrogação  do  MPF devia ser cientificada ao contribuinte antes de expirado o  prazo. Ao contrário, observa­se que a legislação, ao dispor que  a  prorrogação  do  MPF  poderia  ocorrer  por  intermédio  de  registro eletrônico efetuado na Internet, dispensava a ciência do  sujeito  passivo  para  que  restasse  prorrogado  o  mandado,  bastando  que  este  fosse  notificado  em  momento  posterior.  Lembre­se,  ademais,  que  a  interessada  tem  acesso  a  tais  informações  a  qualquer  momento,  bastando  utilizar­se  do  Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.077          24 número  que  lhe  foi  fornecido  quando  da  ciência  do  MPF  original.  A  própria  interessada  afirma,  no  seguinte  trecho  de  sua  Impugnação, às fls.811, que  foi cientificada da prorrogação do  MPF:  “No  entanto,  somente  em  07.04.2008  o  contribuinte  foi  cientificado da prorrogação do MPF (...)”  Como  visto  acima,  não  há  norma  que  condicione  a  imediata  validade da prorrogação do MPF à cientificação da fiscalizada.  A  disciplina  administrativa  da matéria  apenas  demanda  que  a  contribuinte  seja  notificada  da  prorrogação,  em  ato  de  ofício  praticado após a prorrogação. E, no caso vertente, a impugnante  admite o recebimento da reclamada notificação.  Bem se vê, então, que ainda que coubesse, para fins de apuração  de  eventual  nulidade,  o  cotejamento  do  procedimento  de  fiscalização de que resultou o Auto de Infração impugnado com  as normas administrativas que tratam de emissão e prorrogação  do  MPF,  restaria  vencido  o  argumento  esgrimido  pela  interessada.  (...)  Assim, diversamente do alegado pela recorrente, a prorrogação do MPF deu­ se na forma da legislação de regência, bem como a respectiva ciência desse ato ocorreu pela  internet, no site da RFB.  A eventual não entrega do demonstrativo de prorrogações, no primeiro ato de  ofício  praticado  junto  ao  contribuinte  após  cada  prorrogação  do  MPF,  não  configura  vício  insanável, mas mera irregularidade de somenos importância, pois a ciência da contribuinte dos  atos administrativos de prorrogação do MPF deu­se por  ficção  legal pela  internet, no site da  RFB, consoante legislação de regência.  Ademais,  a  respeito  do  MPF,  cumpre  observar  que  se  trata  de  mero  instrumento  interno  de  planejamento,  controle  e  gerência  das  atividades  de  fiscalização,  disciplinado  por  portarias  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  não  têm  o  condão  de  alterar  a  competência atribuída ao Auditor­Fiscal, nem o desoneram da atividade obrigatória e vinculada  do lançamento.  O  art.  142  do Código  Tributário Nacional  ­  CTN  expressamente  confere  à  autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. A  referida autoridade, nos  termos do artigo 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a  redação  dada pelo artigo 9º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, é o Auditor ­Fiscal da Receita  Federal do Brasil – AFRFB.   Logo,  verificada  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  principal,  ou  o  descumprimento  de  uma  obrigação  tributária  acessória,  o  Auditor­Fisal  tem  o  poder­dever  indeclinável de promover o lançamento.    Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.078          25 Em  relação  ao  sujeito  passivo,  o  MPF  permite­lhe  assegurar­se  da  autenticidade da ação fiscal contra si  instaurada, dando­lhe conhecimento do  tributo que será  objeto  de  investigação,  dos  períodos  a  serem  verificados,  do  prazo  para  a  realização  do  procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização.  Neste sentido, cabe trazer à baila precentes do CARF:  Acórdão 203­13579 (Sessão de 06/11/2008)  Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADES. MANDADO DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  NÃO  INDICAÇÃO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  PRAZO  DE  VALIDADE  VENCIDO.  NÃO  OCORRÊNCIA. Não é nulo o procedimento fiscal que, seja por  meio  de  indicação  expressa  no MPF,  seja  por meio de  teor  de  Termo de Intimação, deixou claramente evidenciado o escopo da  ação fiscal. Da mesma forma, não procedente a alegação de que  o  MPF  se  encontraria  com  seu  prazo  de  validade  vencido  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração.  Mas,  ainda  que  estivesse,  não  seria  isso  motivo  suficiente  para  anular  o  lançamento, dado o caráter de mero controle administrativo de  que se reveste o MPF.  Acórdão 105­17262 (Sessão de 15/10/2008)  Ementa: NORMAS PROCESSUAIS ­ MPF ­ REGULARIDADE ­  Os  Mandados  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  foram  prorrogados  sem  lapso  temporal  entre  eles,  inocorrendo  qualquer  irregularidade.  Mesmo  que  houvesse  ocorrido  o  vencimento  do  prazo  do  MPF,  isso  não  constituiria  hipótese  legal de nulidade do lançamento ou teria o condão de devolver a  espontaneidade ao sujeito passivo.  Acórdão 108­09719 (Sessão de 18/09/2008)  Ementa:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  NULIDADES  ­  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  (MPF)  ­  VALIDADE  ­  No  processo  administrativo  fiscal  da  União as nulidades são aquelas definidas no art. 59 do Decreto  nº  70.235/72,  quais  sejam,  os  atos  praticados  por  pessoa  incompetente ou com preterição do direito de defesa, quaisquer  outras  irregularidades  não  implicam  em  nulidade  e  devem  ser  sanadas,  exceto  se  o  sujeito  passivo  lhes  tenha  dado  causa. O  Mandado de Procedimento Fiscal ­ MPF ­ é instrumento interno  da  repartição  fiscal  de  gerenciamento,  controle  e  acompanhamento  da  ação  fiscal  e  eventuais  inobservâncias  de  suas  normas  resolve­se  no  âmbito  do  processo  administrativo  disciplinar; que não aproveita ao sujeito passivo e nem implica  nulidade do auto de infração, observadas, ainda, as disposições  do caput do art. 195 do Código Tributário Nacional.  Acórdão 104­23400 {Sessão de 07/08/2008)  Ementa:  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  VÍCIOS  NO  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  ­  MPF  ­  INOCORRÊNCIA  ­  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  é  instrumento interno de planejamento e controle das atividades de  Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.079          26 fiscalização.  Mesmo  no  caso  de  eventuais  falhas  nesses  procedimentos, estas, por si sós, não contaminam o lançamento  decorrente da ação fiscal.  (...).  Acórdão 105­16427 (Sessão de 26/04/2007)  Ementa: IRPJ ­ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ­ MPF  ­  AUSÊNCIA  DE  NULIDADE  ­  O  MPF  ­  Mandado  de  Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e  de informação ao contribuinte.  Eventuais  omissões  ou  incorreções  no  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  não  são  causa  de  nudidade  do  auto  de  infração.  Acórdão 107­07268 (Sessão de 13/08/2003)  Ementa:  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL  – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento  Fiscal  (MPF)  não  tem  o  condão  de  limitar  a  atuação  da  Administração  Pública  na  realização  do  lançamento.  Não  é  o  mesmo  sequer  pressuposto  obrigatório  para  tal  ato  administrativo,  sob  pena  de  contrariar  o  Código  Tributário  Nacional, o que não se permite a uma Portaria.  Acórdão 107­06820 (sessão de 16/10/2002)  MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ­ MPF ­ A atividade  de  seleção  do  contribuinte  a  ser  fiscalizado,  bem  assim  a  definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a  execução  do  procedimento,  são  atividades  que  integram  o  rol  dos  atos  discricionários,  moldados  pelas  diretrizes  de  política  administrativa  de  competência  da  administração  tributária.  Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão  da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida  para  a  execução  do  trabalho  de  auditoria  fiscal,  b)  atende  ao  princípio  constitucional  da  cientificação  e  define  o  escopo  da  fiscalização  e  c)  reverencia  o  princípio  da  impessoalidade.  Questões  ligadas  ao  descumprimento  do  escopo  do  MPF,  inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no  âmbito  do  processo  administrativo  disciplinar  e  não  têm  o  condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos  ditames do art. 142 do CTN.  Acórdão 201­76449 (Sessão 19/09/2002)  NORMAS  PROCESSUAIS  ­  VÍCIO  A  ENSEJAR  A  DECRETAÇÃO  DA  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  ­  O  vencimento  do  prazo  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  não  se  constitui  hipótese  legal  de  nulidade  do  lançamento.  Recurso  de  ofício  provido,  determinando  que,  ultrapassada  a  preliminar  de  nulidade  do  lançamento,  deve  a  autoridade  julgadora  a  quo  continuar  o  julgamento  do mesmo  quanto ao seu mérito.  Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.080          27 (...)  Portanto,  ainda  que  inexistisse  prorrogações  do Mandado  de  Procedimento  Fiscal, tal situação não teria o condão de nulificar o lançamento fiscal, pois a competência para  lançamento fiscal decorre da lei, e não de mera Portaria (ato infralegal).  Por conseguinte, rejeito a preliminar suscitada.  NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. ANO­CALENDÁRIO 2004.  SIGILO  BANCÁRIO.  ACESSO  DIRETO  DO  FISCO  AOS  DADOS  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  BANCÁRIA  SEM  ORDEM  JUDICIAL,  MEDIANTE  REQUISIÇÃO  DE  MOVIMENTAÇÃO  FINANCEIRA  –  RMF.  OBTENÇÃO  DOS  EXTRATOS  BANCÁRIOS  DE  CONTAS  CORRENTES.  VÍCIO  NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.  Nesta  instância  recursal,  a  recorrente  suscitou  preliminar  de  nulidade  do  lançamento fiscal, por quebra ilegal do sigilo bancário, aduzindo as seguintes razões:  a)  que  tomou  ciência  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  em  24/08/2007,  juntamente com intimação, para apresentar os livros Caixa, Inventário e extratos bancários, em  20 (vinte) dias;  b)  que,  em  razão  da  falta  de  registro  dos  lançamentos  contábeis  noz  livros  Caixa e Inventário, o prazo para apresentá­lo, bem como os outros documentos, ficou exíguo,  sendo  difícil  a  escrituração  do  período  de  um  ano,  em  apenas  vinte  dias,  o  que  motivou  o  pedido de dilação do prazo por noventa dias;  c)  que,  em  nenhum  momento,  a  recorrente  se  negou  a  apresentar  os  documentos solicitados, apenar requereu prazo maior para atender plenamente as exigências do  fisco;  d)  que  não  houve  má  vontade  ou  intenção  em  dificultar  o  trabalho  da  fiscalização;  e)  que  não  houve  motivo  para  a  quebra  prematura  do  sigilo  bancário  da  recorrente;  que  tal  procedimento  do  fisco  denota  abuso  de  poder  e  arbitrariedade,  ou  seja,  violação de princípios constitucionais (CF, art. 5º, incisos X e XII);  f)  que  a  quebra  do  sigilo  bancário  é  medida  excepcional,  e  só  deve  ser  decretada quando existentes fundados elementos (indícios idôneos de prática delituosa contra o  fisco), que não é caso;  g) que a quebra do sigilo bancário, de forma unilateral pelo fisco, sem ordem  judicial, foi ilegal e inconstitucional;  h)  que,  após  deferir  a  dilação  de  prazo  para  escrituração  do  livro  Caixa  e  apresentação  de  documentos,  o  fisco  não  aguardou,  não  esperou  o  prazo  fluir  e,  de  forma  autoritária e unilateral, afastou o sigilo bancário;  i)  que  o  fisco  utilizou  os  dados  de  movimentação  financeira  a  partir  dos  extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras;   Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.081          28   j) que houve quebra ilegal do sigilo bancário, sem autorização judicial;   k) que o sigilo bancário é um direito amparado constitucionalmente;   l) que houve violação dos  inciso X e XII do art. 5º da CF; e que as provas  (extratos bancários) foram obtidos de forma ilegal;   m)  que  o  lançamento  dever  ser  declarado  nulo,  pois  respaldado  em  provas  viciadas, colhidas ilicitamente (extratos bancários fornecidos pelas instituições financeiras).  Data venia,  não merece prosperar a  irresignação  da  recorrente,  por  falta de  plausibilidade fático­jurídica.  Quanto  ao  prazo  para  atender  à  intimação  fiscal,  consta  que  foi  solicitado  pela RFB na intimação fiscal, ciência da contribuinte de 24/08/2007, a apresentação de livros e  documentos de sua escrituração contábil/fiscal, no prazo de vinte dias (e­fl. 05). Neste caso, a  legislação determina prazo de cinco dias úteis, nos termos do art. 71 da Medida Provisória n°  2.158­35,  de  24  de  agosto  de  2001,  que  deu  nova  redação  ao  disposto  no  art.  19  da  Lei  n°  3.470, de 1958; porém, a fiscalização deu prazo de vinte dias, ou seja, prazo bem maior.   Em 19/09/2007, entretanto, a contribuinte pediu dilação de prazo de noventa  dias para apresentação dos livros Caixa e Inventário e documentos de suporte dos lançamentos,  haja vista que o Contador anterior da empresa  fiscalizada não escriturou  referidos  livros,  ou  seja,  não  efetuou  os  lançamentos  contábeis  do  ano­calendário  2004,  conforme  reconheceu  a  própria  empresa  fiscalizada  (e­fl.  24).  O  fisco  deferiu  dilação  de  prazo  de  vinte  dias  para  escrituração dos livros contábeis/fiscais, conforme Termo de Constatação nº 01, de 20/09/2007  (e­fls.  28/29),  porém  não  deferiu  dilação  de  prazo  para  apresentação  dos  extratos  bancários,  pois,  ante  a  inexistência  de  escrituração  dos  livros  contábeis/fiscais  e  ante  a  transmissão  da  Declaração do Simples do ano­calendário 2004 sem movimento, com todos os campos zerados,  inclusive de receita bruta mensal e anual (e­fls. 06/23), restou evidente, de plano, situação de  fato subsumida no art. 3º, VII, do Decreto 3.724/2001 e art. 33 da Lei nº 9.430/96, ensejadora  do pedido de expedição de RMF­ Requisição de Movimentação Financeira bancária.  Quanto à expedição da RMF:   Diversamente do alegado pela recorrente, o acesso direto do fisco aos dados  de  movimentação  financeira  bancária  da  recorrente  está  devidamente  fundamentado  pela  autoridade fiscal. Senão vejamos:  A contribuinte  transmitiu pela  internet a declaração anual do Simples 2005,  ano­calendário  2004,  com  todas  as  fichas  zeradas,  ou  seja,  sem  movimentação  econômico­ financeira e bancária (e­fls. 06/23).  Em 24/08/2007, a contribuinte do SIMPLES Federal tomou ciência do início  do procedimento de  fiscalização quanto  ao  ano­calendário 2004 e  intimação para apresentar,  em vinte dias, o livro Caixa, no qual deveria constar toda a movimentação financeira, inclusive  bancária,  extratos  bancários  das  contas  movimentadas  em  quatro  instituições  financeiras  nominadas e demais livros e documentos (e­fls. 02/03 e 05).  Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.082          29   Em 19/09/2007, a contribuinte pediu dilação de prazo de noventa dias para  fazer  sua  escrituração  contábil,  pois  o  Contador  anterior,  responsável  pela  escrituração  contábil, não realizara os lançamentos contábeis, e ainda não apresentou os extratos das contas  correntes bancárias.  A  propósito,  transcrevo  na  íntegra  o  pedido  da  contribuinte  de  dilação  de  prazo, reconhecendo a inexistência ou falta de escrituração contábil (e­fl. 24):  (...)  COMPACT  LIGHT  ILUMINAÇÃO  LTDA,  inscrita  no  CNPJ:05.249.892/0001­82,  por  seu  advogado  infrafirmado,  em  face  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  n°  0510100/00467/2007,  requer  de V.  Sa  dilação  do  prazo  em 90  [noventa) dias, contados desta data, para que seja apresentada a  lista dos documentos solicitados, haja vista o contador anterior  da  empresa  não  ter  escriturado  os  referidos  lançamentos  contábeis,  fato  que  ocasionou  a  mudança  do  profissional,  destarte,  o  novo  contador,  Sr.  Paulo  César  Silva  Santos,  CRC/BA 16.307/O necessita do prazo solicitado para que sejam  preparados os documentos solicitados por V.Sa.  (...)  Em  20/09/2007,  foi  deferida  dilação  de  prazo  pela  autoridade  fiscal  e  constatada  a  situação  ensejadora  para  pedido  de  expedição  da  RMF  –  Requisição  de  Movimentação Financeira , nos seguintes termos, conforme Termo de Constatação Fiscal nº 01  (e­fls. 28/29) e Informação Fiscal (e­fls. 28/29):  (...)  Diante do prazo inicialmente concedido, de 20 (VTNTE) dias, e  das  alegações  do  contribuinte,  concedi  prorrogação  de  prazo  por  mais  20  (vinte)  dias,  contados  de  01/10/2007,  data  de  vencimento  do  prazo  inicial,  uma  vez  que  o  contribuinte  fora  intimado sucessivamente em 24/08/07 e 03/09/2007.   (...)  A prorrogação concedida alcança os itens "a" a "d" do Termo de  Inicio  de  Fiscalização  (apresentação  de  Livro­Caixa,  Livro  de  Registro  de  Inventário,  Documentos/Papéis  de  Trabalho  Auxiliares e Contratro Social, com posteriores alterações). Com  relação  aos  extratos  bancários  solicitados  (itens  "e",  "f"  e  "g"),  os  mesmos  serão  obtidos  diretamente  das  instituições  financeiras  envolvidas,  face  à  não  apresentação  pelo  contribuinte  e  à  não  comprovação  da  adoção  de  providências  para obtê­los, dentro do prazo fixado.  Uma vez existindo.ação fiscal em curso e sendo imprescindível o  acesso  à  movimentação  financeira  do  contribuinte  para  se  proceder  à  auditoria  necessária,  configuraram­se  as  hipóteses  previstas no art 33 da Lei n° 9. 430/96 e no inciso VII do art 3o  Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.083          30 do Decreto n° 3.724/2001, que autorizam o afastamento do sigilo  bancário  do  contribuinte  pela  via  administrativa,  pelo  fisco  federal.  (...)  Como demonstrado, restaram configuradas as condições para a expedição da  RFM, ou seja:  a)  a  contribuinte  transmitiu  eletronicamente  (entregou  ao  fisco) Declaração  do  Simples  sem  movimentação  financeira  e  bancária,  ou  seja,  não  informou  receita  bruta  mensal  e  anual  (todos os  campos  zerados das  fichas da Declaração do Simples) para o  ano­ calendário 2004 (declaração sem movimento) (e­fls. 06/23);  b)  a  contribuinte  reconheceu  a  falta  de  escrituração  dos  livros  Caixa  e  Inventário (pediu dilação de prazo para fazer os registros contábeis) (e­fl. 24);   c) não entregou cópia dos extratos bancários no prazo de vinte dias, quanto à  intimação constante do Termo de  Início de Fiscalização e não comproveou que  tivesse, pelo  menos, solicitado os extratos junto às instituições financeiras (e­fls. 24 e 28/29);  d)  existência  de  procedimento  de  fiscalização  instaurado,  em  curso  (e­fls.  28/29).  Assim,  a  autoridade  administrativo­fiscal  responsável pelo procedimento de  fiscalização  reuniu  as  condições  indispensáveis  para  pedir  ao  Delegado  da  DRF/Salvador  a  emissão  da  Requisição  de  Informações  sobre  Movimentação  Financeira  –RMF,  conforme  Termo de Constatação nº 01 (e­fls. 28/29).  Em  03/10/2007,  à  luz  do  da  LC  105/2001  (art.  6º)  ,  houve  a  emissão  das  RMF pelo Delegado (a) da DRF/Salvador por ser indispensável ao andamento do procedimento  de fiscalização em curso, nos termos do art. 4º, § 6º, do Decreto 3.724/2001 e enviadas as RMF  às instituições financeiras, via postal (e­fls. 30/41).  Por  conseguinte,  o  ato  administrativo  de  expedição  das  RMF  está  devidamente fundamentado quanto à sua indispensabilidade.  Na  sequência,  os  extratos  bancários  da  recorrente  foram  fornecidos  pelas  instituições financeiras nos termos da legislação de regência ­LC nº 105/2001 (art 6º) e Decreto  nº 3.724/2001 (art. 4º, §6º) (e­fls. 64/304).  Quanto à alegação de que acesso direto do fisco aos dados de movimentação  financeira  bancária  (transferência  dos  dados  pela  instituições  ao  fisco  via  RMF)  seria  inconstitucional, a questão, no mérito, foge à alçada deste Conselho Administrativo, inclusive,  essa falta de competência está sumulada:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Na  esfera  administrativa  não  há  controle  de  legalidade  das  leis  (a  competência é do Poder Judiciário!), mas sim o controle de legalidade do ato administrativo de  lançamento fiscal, se foi produzido de acordo com a legislação de regência.  Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.084          31 No  caso,  os  extratos  bancários  foram  obtidos  em  estrita  observância  da  legislação de regência.  É  vedado  ao  julgador  administrativo  deixar  de  aplicar  ou  negar  vigência  á  legislação  vigente  sob  pena  de  responsabilidade  funcional,  pois  ela  tem  presunção  de  legitimidade  e  constitucionalidade,  enquanto  não  retirada  do  ordenamento  jurídico,  ou  enquanto não houver suspensão de sua eficácia pelo Poder Judiciário.  Apenas  para  argumentar,  a  jurisprudência  dos  Tribunais  Pátrios,  em  sua  maioria,  admite  como  legal  e  constitucional  o  acesso  direto  do  fisco  aos  dados  de  movimentação financeira bancária do contribuinte­correntista, mediante expedição da RMF.  Nesse sentido, cabe trazer à colação precedentes jurisprudenciais do Tribunal  Regional Federal da 4ª Região (TRF/4ª Região), do TRF/3ª Região, e do Superior Tribunal de  Justiça  ­ STJ,  o  qual  é  guardião  da  norma  infraconstitucional,  reconhecendo  a  legalidade  da  legislação de regência do acesso do fisco aos dados de movimentação financeira bancária dos  contribuinte,  mediante  RMF  dirigida  às  instituições  financeiras,  dispensada  autorização  judicial.  Quanto à decisão do TRF/4ª Região,  transcrevo a ementa do Acórdão da 1ª  Turma, de 02/05/2002, verbis:  “TRIBUTÁRIO.  REQUISIÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  BANCÁRIAS.  LC  nº  105/01.  PROCEDIMENTO  DE  FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.   1. A Lei nº 10.174/01, que deu nova redação ao § 3º do art. 11  da  Lei  nº  9.311,  permitindo  o  cruzamento  de  informações  relativas  à  CPMF  para  a  constituição  de  crédito  tributário  pertinente  a  outros  tributos  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si,  e  não  os  fatos  econômicos  investigados,  de  forma  que  os  procedimentos  iniciados  ou  em  curso  a  partir  de  janeiro  2001  poderão  valer­se  dessas  informações,  inclusive  para  alcançar  fatos  geradores  pretéritos,  (CTN,  art.  144,  §  1º).  Trata­se  de  aplicação  imediata  da  norma,  não  se  podendo  falar  em  retroatividade.   2. O  art.  6º  da  Lei Complementar  nº  105,  de  10  de  janeiro  de  2001,  regulamentada  pelo  Decreto  nº  3.724/01,  autoriza  a  autoridade  fiscal  a  requisitar  informações  acerca  da  movimentação  financeira  do  contribuinte,  desde  que  já  instaurado  o  procedimento  de  fiscalização  e  o  exame  dos  documentos  seja  indispensáveis  à  instrução,  preservado  o  caráter sigiloso da informação.   3. O acesso a informações junto a instituições financeiras, para  fins  de  apuração  de  ilícito  fiscal,  não  configura  ofensa  ao  princípio  da  inviolabilidade  do  sigilo  bancário,  desde  que  cumpridas  as  formalidades  exigidas  pela  Lei  Complementar  nº  105/01 e pelo Decreto nº 3.724/01” (Ac. 1ª Turma do TRF da 4ª  R  –  mv  –  ag  2002.04.01.003040­0/PR  –  Rel.  Des.  Fed. Maria  Lúcia Luz Leiria –  j  02.05.02  – Agte.:  Joaquim Costa; Agdas.:  União Federal/Fazenda Nacional – DJU 2 05.06.02, p 164.)  Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.085          32 No que concerne ao TRF/3ª Região,  transcrevo a seguinte ementa da Sexta  Turma, relatora Juíza Consuelo Yoshida, DJU de 25/11/2002, pág. 603, verbis:  CONSTITUCIONAL  E  TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA. DIREITO À PRIVACIDADE E À  INTIMIDADE.  SIGILO  BANCÁRIO.  QUEBRA.  IRRETOATVIDADE  DA  LEI.  CONSTITUCIONALIDADE.  1. O alegado SIGILO bancário não pode ser interpretado como  direito  absoluto,  desvinculado  de  outras  garantias  constitucionais,  havendo  de  compatibilizar­se,  pois,  com  os  demais princípios, voltados à consecução do interesse público.  2.É  plenamente  legítimo  que  a  AUTORIDADE  competente  (Fisco),  uma  vez  detectados  indícios  de  falhas,  incorreções,  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito  FISCAL,  requisite  as  informações e documentos de que necessita para consecução de  seu dever legal de constituir crédito tributário.  3. Não há que se falar em ofensa ao princípio da irretroatividade  da lei tributária, porquanto a Lei Complementar nº 105/01, bem  como  a  Lei  nº  10.174/01  não  criaram  novas  hipóteses  de  incidência,  a albergar  fatos  econômicos pretéritos, mas  apenas  dotaram  a  Administração  Tributária  de  instrumentos  legais  aptos  a  promover  a  agilização  e  o  aperfeiçoamento  dos  procedimentos fiscais.  4.Precedentes desta Turma.  5. Apelação improvida.  Quanto  ao Superior Tribunal  de  Justiça  ­  STJ,  há  vários  precedentes,  cujas  ementas transcrevo a seguir, verbis:  RECURSO ESPECIAL ALÍNEA  'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO  DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS  DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  AO  CONTRIBUINTE  RELATIVAS  AO  ANO­BASE  DE  1998,  A  PARTIR  DE  DADOS  INFORMADOS  PELOS  BANCOS  À  SECRETARIA  DA  RECEITA  FEDERAL  SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS  RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01  E  11,  §  3°, DA LEI N.  9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA  LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO  CTN.  À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, infere­se que as  normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliando  os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas',  aplicam­se  ao  lançamento  do  tributo,  mesmo  que  relativas  a  fato  gerador  ocorrido antes de sua entrada em vigor.   Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo,  de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores  Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.086          33 ocorridos após o  inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria  Nacional Comentado”). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São  Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566).   Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6°  da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada  pela  lei  n.  10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da  CPMP  pelo  Fisco  para  a  apuração  de  eventuais  créditos  tributários  relativos  a  outros  tributos  são  normas  adjetivas  ou  meramente  procedimentais,  acerca  das  quais  não  prevalece  a  irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo.   É de se observar, tão­somente, o prazo de que dispõe a Fazenda  Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6°  da  Lei  Complementar  105/2001,  quanto  o  art.  1°  da  Lei  10.174/2001,  por  ostentarem  natureza  de  normas  tributarias  procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art.  144,  §  1°  do  Código  Tributário  Nacional,  permitindo  sua  aplicação, utilizando­se de informações obtidas anteriormente à  sua  vigência'  (REsp  506.232/PR,  Relator  Min.  Luiz  Fux,  DJU  16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min.  Francisco  Falcão,  DJU  24/05/2004.  Recurso  especial  provido  para  denegar  a  segurança  requerida"  (Segunda  Turma  ­  REsp  505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJU de 08.11.04);  TRIBUTÁRIO.  NORMAS  DE  CARÁTER  PROCEDIMENTAL  APLICAÇÃO  INTERTEMPORAL.  UTILIZAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA  CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A  OUTROS  TRIBUTOS.  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART. 144, § 1° DO CTN.  1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao  tempo  dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela  Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que  foi  recepcionada  pelo  art.  192  da  Constituição  Federal  com  força  de  lei  complementar,  ante  a  ausência  de  norma  regulamentadora  desse  dispositivo,  até  o  advento  da  Lei  Complementar 105/2001.  2. O art. 38 da Lei 4.595/64,  revogado pela Lei Complementar  105/2001,  previa  a  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  apenas por decisão judicial.  3.  Com  o  advento  da  Lei  9.311/96,  que  instituiu  a  CPMF,  as  instituições  financeiras  responsáveis  pela  retenção  da  referida  contribuição,  ficaram  obrigadas  a  prestar  à  Secretaria  da  Receita  Federal  informações  a  respeito  da  identificação  dos  contribuintes  e  os  valores  globais  das  respectivas  operações  bancárias,  sendo  vedado,  a  teor  do  que  preceituava  o  §  3°  da  art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para  a constituição de crédito referente a outros tributos.  4.  A  possibilidade  de  quebra  do  sigilo  bancário  também  foi  objeto  de  alteração  legislativa,  levada  a  efeito  pela  Lei  Complementar  105/2001,  cujo  art,  6°  dispõe;  "Art.  6°  As  Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.087          34 autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da  União,  dos  Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive  os  referentes  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente."  5.  A  teor  do  que  dispõe  o  art.  144,  §  1°  do Código  Tributário  Nacional,  as  leis  tributárias  procedimentais  ou  formais  têm  aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só  alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência.  6.  Norma  que  permite  a  utilização  de  informações  bancárias  para  fins  e  apuração  e  constituição  de  crédito  tributário,  por  envergar  natureza  procedimental,  tem  aplicação  imediata,  alcançando mesmo fatos pretéritos.  7. A  exegese  do  art.  144, §  1°  do Código Tributário Nacional,  considerada  a  natureza  formal  da  norma  que  permite  o  cruzamento  de  dados  referentes  à  arrecadação da CPMF para  fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz  à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei  Complementar  105/2001  e  1°  da  Lei  10.174/2001  ao  ato  de  lançamento  de  tributos  cujo  fato  gerador  se  verificou  em  exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde  que  a  constituição  do  crédito  em  si  não  esteja  alcançada  pela  decadência.  8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios  tributários,  máxime  porque,  enquanto  não  extinto  o  crédito  tributário  a  Autoridade  Fiscal  tem  o  dever  vinculativo  do  lançamento  em  correspondência  ao  direito  de  tributar  da  entidade estatal.  9.  Recurso  Especial  desprovido,  para  manter  o  acórdão  recorrido"  (Primeira Turma  ­ REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz  Fux, DJU de 20.06.05).  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  DEFICIÊNCIA  RECURSAL.  ALEGAÇÃO  GENÉRICA.  SÚMULA  284/STF.  UTILIZAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  OBTIDAS  A  PARTIR  DA  ARRECADAÇÃO  DA  CPMF  PARA  A  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO  REFERENTE  A  OUTROS  TRIBUTOS.  ARTIGO  6°  DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÂO  DADA  PELA  LEI  N°  10.174/2001.  NORMAS  DE  CARÁTER  PROCEDIMENTAL.  APLICAÇÃO  RETROATIVA.  POSSIBILIDADE.  INTERPRETAÇÃO  DO  ARTIGO  144,  §  1°  DO CTN.  1.  Não  enseja  conhecimento  a  pretensão  recursal  sem  a  indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a  exposição  dos  motivos  pelos  quais  pugna  pela  reforma  do  julgado,  ante  o  disposto  na  Súmula  284  do  Supremo  Tribunal  Federal.  Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.088          35 2. O  artigo  38  da  Lei  n°  4.595/64  que  autorizava  a  quebra  de  sigilo  bancário  somente  por  meio  de  requerimento  judicial  foi  revogado pela Lei Complementar n° 105/2001.  3. A Lei n° 9.311/96  instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11,  determinou  que  as  instituições  financeiras  responsáveis  pela  retenção  dessa  contribuição  prestassem  informações  à  Secretaria  da  Receita  Federai,  especificamente,  sobre  a  identificação  dos  contribuintes  e  os  valores  globais  das  respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a  utilização  desses  dados  para  constituição  do  crédito  relativo  a  outras contribuições ou impostos.  4.  A  Lei  10.174/2001  revogou  o  §  3°  do  artigo  11  da  Lei  n°  9.311/91,  permitindo  a  utilização  das  informações  prestadas  para a  instauração de procedimento administrativo­fiscal a  fim  de  possibilitar  a  cobrança  de  eventuais  créditos  tributários  referentes a outros tributos.  5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de  sigilo  bancário,  foi  veiculada  pela  o  artigo  6°  da  Lei  Complementar 105/2001.  6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas  tributárias  procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário  daquelas  de  natureza  material  que  somente  alcançariam  fatos  geradores ocorridos durante a sua vigência.  7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF  pelo  Fisco  para  apuração  de  eventuais  créditos  tributários  referentes  a  outros  tributos  são  normas  procedimentais  e  por  essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das  leis,  ou  seja,  incidem  de  imediato,  ainda  que  relativas  a  fato  gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes.  8.  Ressalvado  o  prazo  que  dispõe  a  Fazenda  Nacional  para  a  constituição do crédito tributário.  9.  Recurso  especial  conhecido  em  parte  e  provido.  RECURSO  ESPECIAL  N°  757.956  ­  RS  (2005/0095707­4),  RELATOR:  MINISTRO CASTRO MEIRA, 2ª Turma.  Destarte, a requisição, o acesso e o uso dos dados relativos à movimentação  financeira das contas bancárias do sujeito passsivo, deu­se em consonância com a legislação de  regência. De modo que não há que se cogitar de utilização de prova ilícita. Ou seja, as provas  utilizadas – extratos bancários da contribuinte – foram obtidas de forma lícita.  Por  fim,  diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  o  Supremo  Tribunal  Federal  ­  STF  ainda  não  apreciou  de  forma  definitiva,  pelo  Pleno,  a  constitucionalidade  da  transferência  dos  dados  de  movimentação  financeira  bancária,  diretamente  ao  fisco,  pelas  instituições financeiras, mediante RMF.      Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.089          36 Apenas para argumentar, a questão foi levada para Sessão de Julgamento do  Pleno do STF, no dia 20/12/2010.  Ou seja, nessa data, o Pleno do STF se reuniu para julgar, especificamente, o  RE 389.808 –PR contra decisão do TRF/4ª Região.  O  RE  citado  tratava  de  questionamento  da  constitucionalidade  do  repasse  direto  pelos Bancos  de  dados  de movimentação  financeira  de  correntista  ao  Fisco, mediante  RMF (sem autorização judicial).  Quanto ao resultado do julgamento, por maioria de votos dos presentes (5x4),  os Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deram provimento ao Recurso Extraordinário  (RE 389.808­PR) em que a empresa GVA Indústria e Comércio S/A questionava o acesso da  Receita  Federal  a  informações  bancárias  da  empresa,  sem  fundamentação  e  sem  autorização  judicial.  Vale  dizer,  restou  decidido  que  somente  autoridades  judiciárias  e  CPI  podem  requisitar  informações  bancárias  às  instituições  financeiras.  Deram  provimento  ao  RE  os  Ministros Marco Aurélio  (relator), Gilmar Mendes, Celso  de Mello, Cezar Peluso  e Ricardo  Lewandowski. Os Ministros Dias Toffoli, Ellen Gracie, Ayres Britto e Cármen Lúcia ficaram  vencidos. Joaquim Barbosa não votou, não estava presente na Sessão, e ainda havia um cargo  vago, na época, em face da aposentadoria do Ministro Eros Grau.  Porém, essa decisão do Pleno do STF não teve caráter erga omnes, pois não  se atingiu a maioria absoluta de votos dos seus membros (CF, art.97 e Lei nº 9868/99, art. 23).  Na sequência, jamais foi possível repetir a mesma bancada para conclusão da votação, em face  de  aposentadoria  de  membro(s)  que  já  havia(m)  votado.  Por  conseguinte,  a  decisão  valeu  apenas para as partes do processo no citado RE.  Portanto,  a  questão  da  constitucionalidade  do  acesso  direto  do  Fisco  aos  dados de movimentação financeria de contribuintes (transferência de dados dos bancos para o  Fisco,  mediate  RFM)  ainda,  oportunamente,  será  enfrentada  pelo  Pleno  do  STF  (pela  nova  composição/formação),  em  face  do  nº  infindável  de  Recursos  Extraordinários  pendentes  de  julgamento que tramitam pela Corte Suprema, e pelo fato da declaração ou reconhecimento do  caráter de repercussão geral à matéria pelo STF (RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo  Lewandowski, submetido ao Pleno e que se encontra pendente de julgamento).  Enquanto isso não ocorrer (julgamento dessa matéria pelo Pleno do STF), a  legislação  de  regência  do  acesso  direto  do  Fisco  aos  dados  de  movimentação  financeria  bancária,  via  RMF,  persiste  vigente,  com  presunção  de  legitimidade,  legalidade  e  constitucionalidade.  Por  tudo  que  foi  exposto,  rejeito  a  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  recorrente.          Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.090          37 ANO­CALENDÁRIO  2004.  SIMPLES  FEDERAL.  FALTA  DE  ESCRITURAÇÃO  DOS  LIVROS  OBRIGATÓRIOS.  DECLARAÇÃO  DO  SIMPLES  SEM  MOVIMENTO.  PERDA  DA  ESPONTANEIDADE.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  ESCRITURADOS  E  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA.  OMISSÃO  DE  RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI 9.430/96, ART 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA  PROVA.   Nas razões do recurso, a recorrente aduziu:  ­  que,  segundo  consta  do  Relatório  Fiscal  parte  integrante  dos  autos  de  infração, o procedimento de fiscalização foi instaurado em função de demanda originada pela  Divisão de Fiscalização da 7ª Região Fiscal, a qual apresentou uma relação de contribuintes da  5ª Região Fiscal  que  realizaram operações  econômico­financeiras  com empresas  fiscalizadas  pela 7ª Região Fiscal;  ­  que,  no que  se  refere à  transmissão da Declaração Anual Simplificada do  Simples  2005,  ano­calendário  2004,  com  receitas  zeradas  (R$  0,00)  (declaração  sem  movimento)  (e­fls.  06/23),  decorre  da  precariedade  das  informações  contábeis  desse  ano,  apesar  de  ter  pago,  de  forma  avulsa,  os  tributos  do Simples,  fato  inclusive  reconhecido  pela  fiscalização;  ­  que  sua  intenção,  naquele  momento,  não  foi  prestar  informação  falsa  ao  fisco, mas tão­somente cumprir com sua obrigação acessória;  ­  que,  posteriormente,  em  época  anterior  ao  início  da  fiscalização,  sentiu  a  necessidade de organizar melhor sua contabilidade, momento que a regularizou;  ­  que,  não  obstante,  a  fiscalização  focou  seu  trabalho,  precipuamente,  nas  movimentações financeiras bancárias do ano­calendário 2004;  ­  que,  após  alguns  meses  de  fiscalização  pela  RFB,  em  19/05/2008  foi  surpreendida  pela  aplicação  dos  autos  de  infração  do  Simples  Federal,  quanto  ao  ano­ calendário 2004;  ­  que  a  infração  omissão  de  receitas  de  R$  930.157,87  (valor  tributável  reduzido  para  R$  906.639,39  pela  decisão  recorrida)  foi  imputada  em  razão  da  falta  de  comprovação da origem dos depósitos a créditos nas contas correntes bancárias;  ­ que o cerne da autuação fiscal se funda, destarte, na presunção de omissão  de  receitas  e  que  tais  receitas,  segundo  o  fisco,  restaram  sem  comprovação  de  origem  (Lei  9.430/96, art. 42);  ­ que a imputação da infração omissão de receitas não pode prosperar, pois:  a)  os  créditos  foram  totalmente  contabilizados  e  levados  a  registro  na  JUCEB, o que derruba a  tese de omissão de receitas a partir do momento que a contribuinte  referenda  a  sua  contabilidade,  dando  publicidade  no  órgão  de  registro  das  atividades  comerciais;  Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.091          38 b)  as  origens  dos  recursos,  por  seu  turno,  também  foram  plenamente  comprovadas  através  de  extratos  bancários,  de  livros  contábeis  e  justificativas  apresentadas  durante a ação fiscal, contudo não aceitas pela fiscalização;  c) que a fiscalização não expurgou do valor tributável da infração omissão de  receitas  (depósitos  a  crédito  de  origem  não  comprovada)  valores  a  título  de  empréstimos,  liberação de financiamentos, estornos bancários, e devolução de cheques.  ­  que  o  fato  gerador  do  Imposto  de  Renda,  art.  43  do  Código  Tributário  Bacional  –  CTN,  é  a  aquisição  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica  de  renda,  assim  entendido  como  acréscimos  patrimoniais,  ou  seja:  (i)  o  produto  do  capital,  do  trabalho  ou  a  combinação de ambos; (ii) os proventos de qualquer natureza; assim entendido os acréscimos  patrimoniais não compreendidos no item anterior.  A  irresignação  da  recorrente  não  merece  prosperar,  conforme  será  demonstrado a seguir:  1 ) – Falta de Escrituração Contábil e Fiscal:  Diversamente do alegado pela recorrente, quanto ao ano­calendário 2004, os  elementos de prova constantes dos autos do processo confirmam e reafirmam a inexistência de  escrituração contábil e fiscal, pois:  a) a contribuinte, como visto alhures, transmitiu eletronicamente (entregou ao  fisco)  Declaração  do  Simples  sem  movimentação  financeira  e  bancária,  ou  seja,  informou  receita bruta mensal e anual zerada (R$ 0,00) para sua atividade operacional e não operacional  (todos os  campos das  fichas da Declaração do Simples  estão  zerados)  para o  ano­calendário  2004 (declaração sem movimento) (e­fls. 06/23);  b)  a  contribuinte,  conforme  já  tratado  alhures,  reconheceu  a  falta  de  escrituração  dos  livros  Caixa  e  Inventário,  e  ainda  pediu  dilação  de  prazo  para  fazer  os  registros, os lançamentos contábeis (e­fl. 24).   A  dilação  do  prazo  concedida  pelo  fisco  (e­fls.  28/29),  para  que  a  contribuinte escriturasse os livros Caixa e Inventário, não tem o condão de eximir ou afastar a  responsabilidade da recorrente por infração tributária quanto aos fatos geradores já ocorridos,  pela  perda  da  espontaneidade  fiscal,  a  partir  da  ciência  do  termo  de  início  da  fiscalização  (Decreto nº 70.235/72, art. 7º, I, e § 1º).  Ademais,  mesmo  concedida  a  dilação  de  prazo  para  escrituração  dos  referidos  livros  contábeis/fiscais  do  ano­calendário  2004,  ainda  assim  a  contribuinte  não  conseguiu atender ao disposto no art. 7º da Lei 9.317/96 que estatui, in verbis:  Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas  no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada  que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano­ calendário  subseqüente  ao  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4° .  §  1°  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas  de  escrituração  comercial  desde  que  mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto  não  decorrido  o  prazo  Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.092          39 decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes:   a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação financeira, inclusive bancária;   b)  Livro  de  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques  existentes  no  término  de  cada  ano­ calendário;   c)  todos  os  documentos  e demais  papéis  que  serviram de base  para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores.   § 2° O disposto neste artigo não dispensa o  cumprimento, por  parte  da  microempresa  e  empresa  de  pequeno  porte,  das  obrigações  acessórias  previstas  na  legislação  previdenciária  e  trabalhista.  A propósito,  há nos  autos,  ainda,  os  seguintes  fatos  que  revelam  a  falta  de  escrituração dos livros Caixa e de Inventário, nos termos do art. 7º da Lei 9.317/96 e art. 923  do RIR/99:  a) livro Registro de Inventário:   ­  que,  embora  concedida  pela  fiscalização  a  dilação  de  prazo  para  escrituração  dos  livros,  em  24/10/2007  representante  legal  da  contribuinte  procurou  a  fiscalização apresentando o livro Caixa sem assinatura do representante legal da fiscalizada, e  ainda  deixou  de  apresentar  o  livro  Registro  de  Inventário,  conforme  Relatório  Fiscal,  de  19/05/2008 (e­fl. 748);  ­  que  a  contribuinte  foi  re­intimada  (reiteração)  em  07/01/2008  para  apresentação  do  livro  Registro  de  Inventário  (pois  decorriam  praticamente  seis  meses  após  ciência  do  Termo  de  Início  da  Fiscalização  de  24/08/2007  e  a  contribuinte  postergava,  indefinidamente, a apresentação desse livro), conforme Termo de Constatação nº 02 (e­fl. 58);  ­  que  o  livro  Registro  de  Inventário,  relativo  ao  ano­calendário  2004,  embora  dada  a  dilação  de  prazo  pelo  fisco  para  sua  apresentação  (e­fls.  28/29),  jamais  foi  apresentado pela contribuinte à fiscalização. A propósito, em 15/01/2008 a contribuinte dirigiu  expediente à fiscalização, juntado aos autos (e­fl. 62), nos seguintes termos : “informa que de  acordo  com  o  TERMO  FISCAL  010100/00467/2007  em  seu  item  1)  Livro  de  Registro  de  Inventário: comunica que não apresentará, por não existir contabilidade do período.”  c) quanto ao livro Caixa:  ­ que foi dado pelo fisco dilação de prazo para sua escrituração, para registro  dos lançamentos contábeis do ano­calendário 2004, conforme Termo de Constatação nº 01, de  20/09/2007 (e­fls. 28/29);   ­que, porém, 24/10/2007, a contribuinte entregou o livro Caixa à fiscalização  sem assinatura do seu representante legal, não tendo, portanto, valor legal, conforme Relatório  Fiscal, de 19/05/2008 (e­fl. 748).  Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.093          40 ­  que,  em  07/01/2008,  representante  da  contribuinte  compareceu  à  fiscalização em face de intimação fiscal de 03/01/2008 e, nessa ocasião, foi –lhe devolvido o  livro Caixa, e  intimado a apresentar o  livro Caixa devidamente assinado, conforme Relatório  Fiscal de 19/05/2008  (e­fl.  749)  e Termo  Intimação Fiscal nº 02,  ciência da  contribuinte  em  07/01/2008 (e­fls. 58/59).  Por fim, cópia do livro Caixa foi juntada aos autos pela fiscalização com as  respectivas assinaturas (e­fls.377/557).  d) livros Diário e Razão:  ­  em  03/01/2008,  compareceu  representante  da  contribuinte  perante  a  fiscalização para declarar que tem contabilidade comercial organizada (livros Diário e Razão),  e  que  fornecerá  ao  fisco  os  referidos  livros;  que,  diante  desse  fato,  a  fiscalização  concedeu  trinta dias para a contribuinte  fornecer, apresentar, a contabilidade comercial organizada, nos  termos  da  legislação  de  regência,  tudo  conforme  Termo  de  Constatação  Fiscal  nº  04,  com  ciência da  intimação do  representante  legal da contribuinte em 07/01/2008 para apresentação  da escrituração comercial (e­fl. 61). Porém, os livros Diário e Razão nunca foram apresentados  à  fiscalização,  conforme  narrado  no  Relatório  Fiscal  de  19/05/2008,  parte  integrante  do  lançamento fiscal (e­fl. 749).  Cópia  do  livro  Razão  foi  juntada  aos  autos  pela  contribuinte,  apenas  por  ocasião da apresentação da impugnação na instância a quo (e­fls. 897/952).  Ainda quanto  à  inexistência de escrituração contábil  dos  livros obrigatórios  consta do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (e­fls.754/755), in verbis:  (...)  Embora  o  contribuinte  fiscalizado  não  possuísse  os  livros  e  documentos  exigidos  pela  legislação,  nos  termos  do  art.  47  da  Lei  8981/95,  por  falta  de  amparo  legal  é  incabível  o  arbitramento  do  lucro  no  caso  de  empresa  optante  pelo  SIMPLES, antes da formalização da exclusão da mesma naquele  regime de tributação simplificado, uma vez que neste regime não  se  apura  lucro.  Desta  forma,  esta  fiscalização  conduziu  a  constituição do crédito tributário de acordo com os percentuais  de tributação preconizados pela Lei 9.317/96, que dispõe sobre o  regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno  porte optantes pelo SIMPLES.  A exigência tributária decorreu do confronto entre os dados da  movimentação financeira do contribuinte e os dados informados  na  sua Declaração Anual Simplificada, ano­calendário 2004, o  qual  constatou grande divergência de  valores. A autuação  teve  como  pressuposto  a  constatação  de  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  pelo  contribuinte,  mediante  intimação,  com  documentação  hábil  e  idônea.  Observe­se  que  todas  as  contas  auditadas  foram  previamente  conciliadas,  expurgando­se  os  créditos  decorrentes  de  transações  entre  contas  de  mesma  titularidade,  bem  como  dos  estornos  de  encargos  e  de CPMF. Os  créditos  de  origem  não  comprovada  foram corroborados pelas Notas Fiscais apresentadas ao  fisco,  Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.094          41 mediante  intimação,  contabilizadas  no  Livro­Caixa,  elaborado  por exigência fiscal.   (...)  No  presente  caso,  em  virtude  da  não  comprovação  da  origem  dos  recursos  recebidos  pelo  contribuinte,  esta  fiscalização  lançou  de  ofício,  a  título  de  omissão  de  receita,  todos  os  depósitos  bancários  não  contabilizados  e  identificados  nas  contas  correntes  da  mesma,  nos  termos  dos  artigos  42  da  Lei  9.430/96 e do artigo 199 do Regulamento de Imposto de Renda  (RIR/99).  Estendeu­se  à  fiscalizada  todas  as  presunções  legais  de omissão de  receitas  existentes na  legislação vigente para os  impostos  e  contribuições  abrangidos  pelo  SIMPLES,  procedendo­se  à  recomposição  do  resultado  do  período  e  à  tributação  do  valor  apurado  como  omitido,  de  acordo  com  os  percentuais  progressivos  fixados  em  relação  à  receita  bruta  acumulada.  (...)  Portanto,  pela  falta  de  oferecimento  à  tributação  de  receita  bruta  na  Declaração do Simples (receita bruta zerada, declaração sem movimento) e pela inexistência de  escrituração contábil dos  livros obrigatórios do Simples Federal de que  trata o  art. 7º da Lei  nº9.317/96, a receita bruta dos respectivos meses do ano­calendário 2004 foi apurada com base  nos extratos bancários, ou seja, com base nos depósitos bancários a crédito não escriturados e  de origem não comprovada (Lei nº 9.430/96 e Lei 9.317/95, art. 18).   A  escrituração  do  livro  Caixa  do  ano­calendário  2004,  após  a  ciência  do  termo de início de fiscalização e da dilação de prazo concedida pelo fisco, não tem o o condão  de afastar a responsabilidade da contribuinte pela infração imputada omissão de receitas, pois  perdera  a  espontaneidade  fiscal,  para  efeito  de  exclusão  da  responsabilidade  por  infração  tributária quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente, na data de ciência do Termo de  Início  de  Fiscalização,  nos  termos  do  art.  7º,  I,  e  §  1º,  do  Decreto  nº  70.235/71.  Mesmo  entendimento aplica­se ao livro Razão que, embora intimada a contribuinte para apresentá­lo,  restou não apresentado à fiscalização; foi apresentado somente por ocasião da impugnação do  lançamento fiscal na instância a quo.  2) –Inversão do ônus da prova:  A  contribuinte  foi  intimada  pelo  fisco  a  comprovar  a  origem dos  depósitos  bancários  a  crédito  em  suas  contas  correntes  bancárias  quanto  ao  ano­calendário  2004,  com  respectivo demonstrativo dos créditos, operação por operação, de forma individualizada, com  discriminação  de  data  da  operação,  valor  da  operação,  histório,  nº  da  conta  bancária  e  instituição financeira, nos  termos do art. 42, § 3º, da Lei 9.430/96,  tudo consoante intimação  fiscal  e  demonstrativo  dos  créditos  a  comprovar  a  origem,  e  dos  quais  tomou  ciência  em  16/01/2008 (e­fls. 63/258).  A  contribuinte  não  comprovou  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas correntes bancárias, quanto ao ano­calendário 2004.  A falta de comprovação da origem dos depósitos bancários não escriturados,  não registrados na escrituração contábil e fiscal, implicou a inversão do ônus da prova, pois o  Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.095          42 art. 42 da Lei nº 9.430/96 trata de presunção legal. Ou seja, omissão de receitas por presunção  legal, no caso de falta de comprovação da origem dos depósitos bancários a crédito de origem  não comprovada.  Para  imputação  da  infração  omissão  de  receitas  por  presunção  legal  (fato  probando) basta o fisco comprovar a ocorrência do fato indiciário (fato conhecido), ou seja, a  existência de extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não  foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica jurídica, embora intimada, não  comprove a origem dos recursos ingressados a crédito nas suas contas correntes bancárias.  A partir do fato indiciário ­ depósitos bancários não escriturados e de origem  não  comprovada  (fato  conhecido)  ­  presume­se  a  ocorrência  ou  existência  de  omisssão  de  receitas à margem da tributação (fato probando).  A presunção legal de omissão de receitas tem caráter relativo e inverte o ônus  da prova.   O ônus probatório da não ocorrência do fato probando ­ omissão de receitas ­  é do sujeito passivo, que poderá afastá­la mediante produção de prova hábil e idônea.  Vale  dizer,  o  fisco  pode  presumir  a  omissão  de  receitas  (com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada),  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimada,  não  comprove  através  de  documentos  hábeis  e  idôneos  a  origem  dos  depósitos  a  crédito  em  suas  contas  bancárias,  uma vez  que  não mais  se  aplica  a  vetusta Súmula  182  do  extinto Tribunal Federal de Recursos.  Isso  porque  existem  duas  realidades  distintas  no  que  se  refere  ao  uso  da  movimentação  financeira  bancária  para  a  caracterização  da  omissão  de  receitas,  sendo  uma  com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a  outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Vejamos:  Lei n° 8.021/1990   "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados  em lei, far­se­á arbitrando­se os rendimentos com base na renda  presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza.  (...)  §  5º  O  arbitramento  poderá  ainda  ser  efetuado  com  base  em  depósitos  ou  aplicações  realizadas  junto  a  instituições  financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos  recursos utilizados nessas operações."[revogado]   Lei n° 9.430/1996   "Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimentos  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantido  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.096          43 Com base nos dispositivos acima transcritos, verifica­se que o que distingue  uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, a  existência  de  depósitos  não  escriturados  ou  de  origem  não  comprovada  tornou­se  uma  nova  hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar às outras já existentes  no  ordenamento  jurídico,  sendo  que,  a  partir  daí,  atenuou­se  a  carga  probatória  atribuída  ao  fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de  origem não  comprovada, mediante  extratos  bancários,  para  satisfazer  o  onus  probandi  a  seu  cargo.  Antes,  tal  previsão  legal  para  depósitos  bancários  inexistia  e,  com  isso,  o  fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas  constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal,  entre  tais  depósitos  e  alguma  exteriorização  de  riqueza,  renda  consumida  e/ou  operação  concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas.  O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária  mantida  ao  largo  da  escrituração  contábil  da  empresa  ou  sem  comprovação  da  origem,  presume­se realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se  aplicando,  portanto,  o  entendimento  exarado  na  Súmula  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos.  Para  fatos  geradores  a  partir  de  1°/01/1997,  no  tocante  à  omissão  de  rendimentos/receitas  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  tem  vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196.  Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica  inversão do ônus da prova.  O  ônus  da  prova  de  que  não  houve  omissão  de  receitas/rendimentos  é  da  contribuinte.  Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova  do  consumo  da  renda  para  tributar  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  contribuinte,  conforme  matéria  já  sumulada  por  este  Egrégio  Conselho  Administrativo,  in  verbis:  Súmula CARF nº 26:  A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa  o Fisco  de  comprovar  o  consumo da  renda  representada pelos  depósitos bancários sem origem comprovada.  Como  demonstrado,  o  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada  é  rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal.  Esse  entendimento  encontra­se,  também,  pacificado  no  âmbito  deste  Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos  Fiscais, cujos precedentes trascrevo algumas ementas:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ.  Exercício:  2001,  2002,  2003,  2004,  2005  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.  Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.097          44 Caracterizam  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição  financeira,  quando  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão  nº  108­09.836,  sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo  Verçoza).  ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano­ calendário:2002  a  2004.  Ementa:  IRPJ  —  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  —  OMISSÃO  DE  RECEITAS  PRESUNÇÃO  LEGAL  Caracterizam  como  omissão  de  receitas  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  junto  à  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  fisica  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprova, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.(Acórdão nº 101­97.116, sessão de 05 de fevereiro de  2009, Relator Valmir Sandri).  ASSUNTO:  SISTEMA  INTEGRADO DE  PAGAMENTO  DE  IMPOSTOS  E  CONTRIBUIÇÕES  DAS  MICROEMPRESAS  E  DAS  EMPRESAS  DE  PEQUENO  PORTE  —  SIMPLES  Exercício:  2003,  2004.  Ementa:  OMISSÃO  DE  RECEITAS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de  receita  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  ÔNUS  DA  PROVA  PRESUNÇÃO  LEGAL.  Em  se  tratando  de  presunção  legal,  cabe  ao Fisco  a  prova  do  fato  indiciário.  Ao  contribuinte  incumbe provar que o  fato  indiciário não  leva, em  seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode  ser  transferido  pelo  contribuinte  à  Administração  Tributária.(Acórdão nº 105­17.369, sessão de 17 de dezembro de  2008, Relator Waldir Veiga Rocha).  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  FÍSICA  IRPF.  Exercício.  2000,  2001,  2002.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTO.  LANÇAMENTO  COM  BASE  EM  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  ARTIGO  42  DA  LEI  N°  9.430,  DE 1996.  A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  autoriza  o  lançamento  com  base  em  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  pelo  sujeito  passivo.  ÔNUS DA PROVA.  Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe  a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar  seus depósitos bancários.(Acórdão nº 102­49.393,  sessão de 06  de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura).  Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.098          45 Assunto:  SIMPLES  NACIONAL.  EXERCÍCIO:  2004,  2005  Ementa:  PRESUNÇÃO  LEGAL.  OMISSÃO  DE  RECEITAS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  SEM  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM.  INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42,  DA LEI N°. 9.430, DE 1996.  Caracteriza  omissão  de  rendimentos  a  existência  de  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento  mantida  junto  a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.  PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA. As  presunções  legais  relativas  obrigam  a  autoridade  fiscal  a  comprovar,  tão­somente,  a  ocorrência  das  hipóteses  sobre  as  quais  se  sustentam  as  referidas  presunções,  atribuindo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  que  os  fatos  concretos  não  ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 195­ 00.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso  Benicio Junior).  OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS:  Caracteriza­se como omissão de  receita os depósitos bancários  feitos  em  nome  de  interposta  pessoa  quando  as  pessoas  envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em  renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita  declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas  contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da  prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC.  CSRF  nº  0105.643,  sessão  de  27  de  março  de  2007,  Redator  designado José Cóvis Alves).  Por fim, apenas a  título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da  Lei  n°  9.430/96,  que  presume  como  rendimento  omitido  os  valores  creditados  em  conta  de  depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os  arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal.  Porém,  eventual  antinomia  entre  as  normas  citadas  somente  poderia  ser  resolvida no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário,  falecendo competência ao CARF para tanto, conforme máteria já sumulada:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Portanto, a  imputação da  infração omissão de  receitas, por presunção  legal,  deu­se na forma da legislação de regência.  3)  Pedido  genérico  de  diligência  fiscal/perícia  técnico­contábil  para  exclusão de parcelas não tributáveis  Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.099          46 No mérito, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, alegando a falta  de  exclusão  ou  expurgo  de  parcelas  que  seriam  não  tributáveis,  em  relação  ao  montante  tributável  da  infração  imputada  omissão  de  receitas,  como,  por  exemplo,  empréstimos  contraídos  de  instituições  bancárias  e  de  empresas  ligadas  etc;  pediu,  também,  que  os  autos  fossem baixados para realização de diligência/perícia técnica para comprovação das parcelas a  serem expurgadas.  A  questão  dos  expurgos  ou  parcelas  não  tributáveis  a  serem  excluídas,  em  relação ao valor da infração Omissão de Receitas será tratada, especificamente, mais adiante,  no  tópico  “4)  – Matéria  de  fato.  Pedido  de  expurgos  de  parcelas,  em  relação  ao  valor  tributável”.  Neste  tópico,  destarte,  será  tratado  apenas  a  questão  do  pedido  de  diligência/perícia técnica.  Primeiro,  o  pedido  de  diligência/perícia  técnica  restou  formulado  em  desacordo com a legislação de regência, pois trata­se de pedido genérico, o que é vedado.  O pedido genérico de diligência/perícia técnica, sem formulação de quesitos e  sem nomeação de perito, é considerado inexistente (Decreto nº 70.235/72, art. 16, § 1º).  Reiterando, considera­se inexistente, no caso, o pedido de diligência e perícia  técnica,  pois  não  atendeu  aos  ditames  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  70.235/72.  Aplicação  da  inteligência do § 1º do art. 16 do mesmo diploma legal.  Ainda,  a  diligência/perícia  técnica  não  pode  ser  utilizada  para  substituir  atividade probatória cujo ônus é do sujeito passivo.  Em face da imputação de omissão de receitas por presunção legal, como no  caso, o ônus probatório de que não houve omissão de receitas é da recorrente (RIR 99, art. 925  e Lei nº 9.430/96, art. 42).  Para  comprovar  a  necessidade  de  outros  expurgos  ou  exclusões  do  valor  tributável  da  infração  omissão  de  receitas,  bastava  à  recorrente  juntar  aos  autos  prova  documental, caso existisse.  Não  há  que  se  falar  em  perícia  contábil  no  caso,  pois  ­  como  já  restou  demonstrado alhures ­ a contribuinte não tem escrituração contábil/fiscal para o ano­calendário  2004, para objetar contra o fisco, nos termos do art. 7º da Lei 9.317/96 e art. 923 do RIR/99,  pois foi elaborada a posteriori, quando já havia perdido a espontaneidade, nos termos do art. 7º,  I e § 1º, do Decreto nº 70.235/72.  Os  precedentes  deste  Conselho  Addministrativo,  também,  são  pela  improcedência  do  pedido  de  diligência/perícia  técnica,  pois  bastava  à  recorrente  juntar  aos  autos a prova documental, caso existisse.  A propósito, transcrevo ementas de Acórdãos, in verbis:  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR..  PROVA  PERICIAL.  INDEFERIMENTO.  De  conformidade  com  o  artigo  29  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  autoridade  julgadora  de  primeira  Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.100          47 instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  diligência  que  entender  necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou protelatoria,  com arrimo no § 2°,  do artigo  38,  da  Lei  n°  9.784/99,  ou  quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72. (Acórdão nº 206­01.462, sessão de 09/10/2008).  PEDIDO  DE  PERÍCIA.  INDEFERIMENTO.  Não  constitui  cerceamento do direito de defesa o  indeferimento do pedido de  diligência  considerada  desnecessária,  prescindível  e  formulado  sem  atendimento  aos  requisitos  do  art.  16,  IV,  do  Decreto  n°  70.235/72.(Acórdão nº 102­49.407, sessão de 06/11/2008).  PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. A admissibilidade  de  diligência  ou  perícia,  por  não  se  constituir  em  direito  do  autuado,  depende  do  livre  convencimento  da  autoridade  julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como  tal  dispensar  quando  entender  desnecessárias  ao  deslinde  da  questão.  Ademais,  tem­se  como  não  formulado  o  pedido  de  perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art.  16  do  Decreto  n°  70.235/72,  principalmente  quando  este  se  revela  prescindível.  (Acordão  nº  193­00.018,  sessão  de  13/10/2008).  PEDIDO  DE  PERÍCIA  PRESCINDIBILIDADE  INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de  convicção necessários à adequada  solução da  lide,  indefere­se,  por prescindível,  o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão nº  105­15.978, sessão de 20/07/2006).  DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indefere­se o pedido de diligência  ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que  o recorrente deveria produzir em sua defesa,  juntamente com a  peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o  mesmo  poderia  trazê­las  aos  autos,  se  de  fato  existissem.(Acórdão nº 102­48.141, de 25/01/2007).  PEDIDO  DE  DILIGÊNCIA.  Deve  ser  indeferido  pedido  de  diligencia quando prescindível, a  teor do art. 18 do Decreto nº  70.235/72. (Acórdão nº 201­80.294, sessão de 23/05/2007).  PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser  indeferido o pedido  de  perícia,  quando  o  exame  de  um  técnico  é  desnecessário  à  solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil  e  aos  argumentos  jurídicos  ordinariamente  compreendidos  na  esfera do  saber do  julgador.(Acórdão nº 102­22.937,  sessão de  28/03/2007).  DILIGÊNCIA  E  PERÍCIA.  NEGATIVA.  CERCEAMENTO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.É  incabível  a  realização  de  diligência  ou  perícia  para  responder  a  quesitos  de  natureza  legal,  cujo  conhecimento  seja  elementar  ou  que  se  refiram  a  prova  passível  de  produção  unilateral  pelo  contribuinte.(Ac.  Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.101          48 3302­01.280,  sessão  de  09/11/2011,  Relator  José  Antonio  Franciso).  PEDIDO  DE  PERÍCIA  TÉCNICA  CONTÁBIL.  MEIO  DE  PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de  perícia  técnica,  para  análise  de  dados  que  integram  a  escrituração  contábil  e  já  presentes  nos  autos,  demonstra  intenção protelatória  e  não  caracteriza  cerceamento  do  direito  de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para  formar  sua  convicção  devidamente  motivada,  podendo  deferir  perícias  quando  entendê­las  necessárias,  ou  indeferir  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  sem  que  isto  configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova  especial, subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode  ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso  não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac.  nº 1802­001.006, sessão de 17/10/2011).  ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE –  A  perícia  se  reserva  à  elucidação  de  pontos  duvidosos  que  requeiram  conhecimentos  especializados  para  deslinde  do  litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado  pela  juntada  de  documentos  (Acórdão  CSRF­  107.05­810,  Relatora Karem Jureidini Dias).  Portanto, rejeito o pedido de diligência/perícia técnica.  4)  –  Matéria  de  fato.  Pedido  de  expurgos  de  parcelas,  em  relação  ao  valor tributável da infração imputada:  A recorrente, em suas razões, alegou, de forma reiterada, que a fiscalização  da RFB quando da lavratura do lançamento fiscal, relativo ao ano­calendário 2004, deixou de  subtrair  do  valor  tributável  da  infração  imputada omissão de  receitas por presunção  legal,  com  base  em  extratos  bancários,  de  determinadas  parcelas  não  tributáveis,  a  título  de  empréstimos  de  empresa  ligada,  estorno  amortização  FINAN,  liberação  de  financiamento  bancário, estorno autent pgto (e­fls. 1021/1032).  Compulsando  os  autos,  constato  que,  diversamente  do  alegado  pela  recorrente,  a  fiscalização  subraiu  as  parcelas  não  tributáveis  e,  por  último,  a  decisão  a  quo,  também,  analisando  os  fatos  e  provas  juntadas  aos  autos  efetuou  ajustes,  expurgou  outras  parcelas que ainda não haviam sido expurgadas pela fiscalização, não remanescendo parcelas a  serem excluídas do valor tributável da infração Omissão de Receitas nesta fase recursal. Além  disso,  a  recorrente  não  juntou  aos  autos  outras  provas  ao  recurso  voluntário  que  pudessem  justificar sua pretensão.  Quanto  aos  depósitos  bancários  não  escriturados  e  de  origem  não  comprovada, ou seja, valor tributábel da infração Omissão de Receitas, primeiro, transcrevo a  narrativa  constante  do  Relatório  Fiscal,  parte  integrante  do  lançamento  fiscal,  que  relata  já  terem sido excluídas as parcelas não tributáveis (e­fls. 749/751), in verbis:  (...)    Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.102          49 Finalmente, após analisar os extratos bancários enviados pelas  quatro  (quatro)  instituições  financeiras  com  as  quais  o  contribuinte  transacionou  em  2004  (Bancos  Unibanco,  Sudameris,  Bradesco  e  do  Brasil),  constatou­se  uma  movimentação  financeira que ultrapassou hum milhão de reais.  Após  se  efetuar a conciliação das  contas bancárias envolvidas,  expurgando­se lançamentos entre contas da mesma titularidade,  o contribuinte  fora  intimado, em 16/01/2008, através do Termo  de  Intimação  Fiscal  n°  005,  a  justificar  a  origem  dos  créditos  efetuados  na  contas  n°  7235411  da  agência  872  do  Banco  Unibanco, n° 0235653000 da agência 520 do Banco Sudameris,  n°  809­5  da  agência  3326­0  do  Banco  Bradesco  e  n°  6739  da  agência 2976 do Banco do Brasil.  Na  sua  resposta ao  fisco, datada de 20/02/2008, o contribuinte  afirma:  a)  com  relação  aos  créditos  efetuados  na  conta  000006739  agência 2976 (Banco do Brasil), de 02/01 a 23/01/2004, que se  referem  a  recebimento  de  vendas  efetuadas  no  ano  anterior,  cujas receitas já haviam sido oferecidas à tributação. Entretanto,  o  contribuinte  não  apresenta  nenhuma  nota  fiscal  emitida  em  2003 com valores coincidentes com os créditos alegados de R$  13.057,98  (02/01/2004);  R$  84,00  (02/01/2004);  R$  49,90  (06/01/20040;  R$  1.487,12  (14/01/2004);  R$  5.000,00  (13/01/2004) e R$ 13.570,91  (23/01/2004), nem exibe nenhuma  planilha  explicativa  de  receitas  auferidas  versus  impostos  recolhidos.  Assim,  todos  os  créditos  registrados  na  sua  conta  neste  período  foram  considerados  omitidos  para  efeito  de  tributação.  Ressalte­se  que  nenhuma  nota  fiscal  fora  apresentada  para  o  mês  de  janeiro  de  2004.  Com  relação  a  'transferências  on  line'  alegadas  como  sendo aportes  efetuados  pela  empresa  Energy  Saver  do  Brasil  à  fiscalizada,  não  encontraram  respaldo  em nenhum  contrato  de mútuo  ou  prova  material  da  transferência  capaz de convencer este  fisco de que  não  se  tratavam  de  receitas.  Ademais,  o  contribuinte  também  informou  que  os  créditos  cujos  históricos  coincidem  com  "transferência on  line", "aviso de crédito", "cobrança",  'cheque  descontado'  e  "desbloqueio  de  depósito'  foram  decorrentes  de  recebimentos  de  vendas,  o  que  reforça  o  correto  tratamento  destes  valores  como  receitas  omitidas.  Valores  de  cheques  devolvidos,  como  o  registrado  em  05/07/2004,  de  R$  5.000,00  (documento  850039),  foram  excluídos  do  lançamento.  As  notas  fiscais  apresentadas  pelo  contribuinte  e  anexas  ao  processo  confirmam o fato de que a empresa operou normalmente no ano  fiscalizado,  omitindo,  deliberadamente,  as  receitas  auferidas  à  tributação.  b)  Que  os  créditos  efetuados  na  conta  809­5  agência  3326­0  (Banco Bradesco) relacionados às expressões "venda cartão de  crédito',  "Receb.  Por  fornecimento"  e  "  Depósito  Transf.  Autoriza."  são  decorrentes  de  vendas,  os  quais  foram  tratados  como  receitas  omitidas.  O  contribuinte  afirma  ainda  que  as  vendas efetuadas mediante cartão de crédito foram oferecidas à  tributação  e  que  os  créditos  referentes  a  "Transf  CC  para CC  Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.103          50 PJ"  e  "Transferência  entre  agencia"  são  devidos  a  aportes  efetuados  pela  empresa  Energy  Saver  do  Brasil,  a  título  de  empréstimo ou a título de devolução de crédito. Para fazer prova  às afirmações, nenhum documento comprobatório é anexado aos  autos. Afirma ainda que "outros" depósitos foram efetuados por  terceiros,  sem  mencionar  quem  seriam  estes,  a  título  de  empréstimos. Em todos estes casos, além de não ser identificado  o  credor,  não  foi  apresentado  sequer  contrato  do  mencionado  empréstimo  entre  as  partes,  nem  acostado  nenhuma  cópia  de  cheque ou documento que afastasse a presunção de omissão de  receitas.  Na  análise  final,  este  fisco  excluiu  da  análise  das  receitas  omitidas  os  estornos  de  lançamento  e  as  reduções  de  saldo  devedor  de  CPMF,  lançando  todos  os  demais  valores.  Ressalte­se  que,  apesar  do  contribuinte  não  ter  apresentado  nenhuma  nota  fiscal  de  venda  para  o  mês  de  janeiro/2004,  admite que todos os créditos apontados em conta corrente, cuja  descrição corresponde a "venda cartão de crédito', "Receb. Por  fornecimento"  e  "deposito  Transf.  Autoriza.",  são,  em  verdade,  vendas. Esta declaração encontra coerência com o Livro Caixa  apresentado a  este  fisco,  elaborado no curso desta ação  fiscal,  cuja cópia encontra­se nos autos.  Ainda  com  relação  aos  créditos  na  conta  corrente  809­5,  detectaram­se  dois  lançamentos,  nos  dias  02/01/04  e  17/08/04,  oriundos  de  conta  investimento  (c/c  809­5  Inv),  que  foram  também lançados juntamente com os créditos omitidos da conta  corrente.  c) Que os créditos efetuados na conta 235653000­1 da agência  0520  (Banco Sudameris), atual  conta 3235650­5 agência 1682,  cujo  texto  correspondem  a  "Pg  Maestro/Redeshop"  e  "Doc  Recebido",  referem­se  a  vendas  à  vista  e  que  teriam  sido  oferecidas  à  tributação,  de  forma  que  todos  os  valores  foram  lançados de ofício. Quanto à alegação que os créditos referentes  a  "Doc  Recebido",  não  individualizados",  provenientes  da  empresa  Energy  Saver  do  Brasil  Ltda,  a  título  de  empréstimo,  esta  não  foi  acatada. Fato  é  que  o  contribuinte alega mas  não  apresenta  prova  alguma  para  convencer  o  fisco  de  seu  argumento.  Os  dois  lançamentos  ocorridos  entre  contas  de  mesma titularidade, ocorridos em 23/09/2004 (R$ 5.000,00) e em  06/10/2004 (R$ 10.000,00) foram excluídos do lançamento.  d)  os  créditos  efetuados  na  conta  7235411  da  agência  872  (Banco  Unibanco)  referentes  a  históricos  'Credicard  Mastercard"  seriam  de  vendas  à  vista  registradas  no  Livro­ Caixa.  Com  relação  aos  créditos  cujo  histórico  são  "Transf,  alega  serem  decorrentes  de  empréstirro  de  mútuo  com  a  empresa  Energy Saver do Brasil Ltda, mas não apresenta nenhuma prova  capaz  de  afastar  a  presunção  de  omissão  de  receita,  tal  como  cópia  de  cheques  emitidos,  contrato  de  mútuo  registrado,  etc.  Desta  forma,  todos os  créditos não  justificados  foram  lançados  de ofício, excluindo­se aqueles  referentes a estornos de CPMF,  Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.104          51 devolução  de  cheques  e  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade.   (...)  Adiante, ainda consta do Relatório Fiscal (e­fl. 754):  (...)  A exigência tributária decorreu do confronto entre os dados da  movimentação financeira do contribuinte e os dados informados  na  sua Declaração Anual Simplificada, ano­calendário 2004, o  qual  constatou grande divergência de  valores. A autuação  teve  como  pressuposto  a  constatação  de  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada  pelo  contribuinte,  mediante  intimação,  com  documentação  hábil  e  idônea.  Observe­se  que  todas  as  contas  auditadas  foram  previamente  conciliadas,  expurgando­se  os  créditos  decorrentes  de  transações  entre  contas  de  mesma  titularidade,  bem  como  dos  estornos  de  encargos  e  de CPMF.  Os  créditos  de  origem  não  comprovada  foram corroborados pelas Notas Fiscais apresentadas ao  fisco,  mediante  intimação,  contabilizadas  no  Livro­Caixa,  elaborado  por exigência fiscal.  (...)  Por  último,  a decisão  recorrida  já  enfrentou,  de  forma  exaustiva,  com base  nos elementos de prova constantes dos autos, as matérias de mérito novamente suscitadas nesta  instância recursal.   A  contribuinte  não  juntou  aos  autos  outras  provas,  nesta  instância  recursal,  que pudessem justificar a reforma da decisão a quo.  Não cabe reparo da decisão recorrida.   Como  razão  decidir,  adoto  os  fundamentos  do  voto  condutor  da  decisão  recorrida e que transcrevo (e­fls. 994/1001), in verbis:  (...)  A) Do montante depositado em suas contas bancárias durante o  ano  fiscalizado, R$  377.977,98  (trezentos  e  setenta  e  sete mil,  novecentos  e  setenta  e  sete  reais  e  noventa  e  oito  centavos)  seriam  oriundos  de  empréstimo  recebido  de  empresa  interligada (Energy Saver do Brasil Ltda. – ME).  Em  socorro  do  quanto  alegado,  elenca  como  elementos  de  prova:  ­ “os extratos bancários das empresas interligadas”;  ­  “os  registros  contábeis,  demonstrando  o  conta­corrente,  extraídos do livro razão das empresas interligadas”;  ­ “o contrato de mútuo” celebrado entre as empresas;  Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.105          52  ­ a contabilização dos créditos bancários nos livros comerciais  da impugnante e seu registro na JUCEB.  Compulsando  os  autos,  não  consigo  encontrar  extratos  bancários nem Livro Razão de Energy Saver do Brasil Ltda. –  ME, que a impugnante afirma ter anexado sob a forma de “Doc.  6”  e  “Doc.  7”,  respectivamente.  Os  extratos  juntados  pela  interessada à sua Impugnação são relativos a contas bancárias  de  sua  própria  titularidade, mantidas  no Banco do Brasil  e  no  Bradesco. Da mesma  forma,  o  único Livro Razão anexado aos  autos contém registros contábeis da própria interessada.  Por outro lado, figura, de fato, às fls. 839 e 840, um contrato de  mútuo  celebrado  entre Energy Saver  do Brasil  Ltda.  – ME  e  a  impugnante, datado de 3 de março de 2003.  Reza  o  seguinte  o  parágrafo  primeiro  da  cláusula  IV  do  dito  contrato:  O registro da referida operação será feita na contabilidade de  ambas, onde se abrirá uma conta contábil corrente, apurando­ se  saldos  mensais  finais,  em  razão  dos  lançamentos  concomitantes  a  crédito  e  a  débito  da  aludida  conta  corrente  que se estabelecerá entre mutuante e mutuária.  Juntando o que diz a interessada na sua Impugnação com o que  afirmara  nos  esclarecimentos  prestados  no  atendimento  do  Termo de Intimação nº 0006 (fls. 331 e 332), conclui­se que os  R$  377.977,98  (trezentos  e  setenta  e  sete  mil,  novecentos  e  setenta  e  sete  reais  e  noventa  e  oito  centavos)  que  defende  se  originarem  de  empréstimos  concedidos  por  Energy  Saver  do  Brasil  Ltda.  –  ME  teriam  sido  creditados  nas  contas  por  ela  mantidas  junto  ao  Banco  do  Brasil,  Unibanco,  Sudameris  e  Bradesco.  Nos esclarecimentos de fls. 331 e 332, a interessada afirma que  os  créditos  relativos ao mútuo celebrado com Energy Saver do  Brasil  Ltda.  – ME  foram  efetuados,  em  suas  contas  bancárias,  sob os seguintes históricos:  ­ Banco do Brasil: “transferência On Line”   ­ Unibanco: “TRANSF”   ­ Sudameris: “DOC RECEBIDO”  ­ Bradesco: “transferência entre agencia” e “Transferencia CC  para CC PJ”   Em  relação  aos  valores  depositados  no  Banco  do  Brasil  e  Sudameris,  o  exame  dos  respectivos  extratos  revela  que  não  constam,  nos  históricos  mencionados  pela  impugnante,  a  identificação do autor dos créditos correspondentes, com o que  resulta  incomprovado  que  estes  tenham  se  originado  da  empresa  que  figura  como mutuante  no  instrumento  contratual  agitado pela impugnante.  Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.106          53 Anote­se  que,  embora  alegado  pela  interessada,  não  constam  nos  presentes  autos  os  extratos  bancários  da  pretensa  mutuante,  mediante  os  quais  se  poderia,  eventualmente,  comprovar a alegada autoria das transferências bancárias feitas  para  as  contas  da  pretensa mutuária  no Banco  do Brasil  e  no  Sudameris.  Já  na  planilha  de  fls.  820  (Impugnação),  a  contribuinte  lista  todos  os  créditos  feitos  na  conta  mantida  no  Bradesco  que  entende provenientes do dito mútuo, no  total  de R$ 101.367,70  (cento  e  um  mil,  trezentos  e  sessenta  e  sete  reais  e  setenta  centavos).  Percorrendo o extrato do Bradesco (fls. 841 a 871), percebo que  os  lançamentos  arrolados  pela  impugnante  na  planilha  de  fls.  820  estão  todos  historiados  como  “DOC  CRÉDITO  AUTOMÁTICO”  ,  “TRANSF  CC  PARA  CC  PJ”  e  “TED  –  TRANSF  ELET  DISPONÍVEL”  e,  à  exceção  do  valor  de  R$  2.800,00,  creditado  em  07/05/2004,  exibem  como  depositante  Energy Saver e Acessórios Ltda.  Também  no  extrato  do  Unibanco,  sob  o  histórico  “TRANSF”,  estão  registrados  créditos  cujo  autor  está  identificado  como  Energy Saver do Brasil.  De  início,  esclareça­se que Energy Saver  e Acessórios Ltda.  e  Energy Saver do Brasil Ltda. são a mesma pessoa jurídica, cujo  nome empresarial foi alterado em 19/02/2004, conforme atesta  consulta ao sistema CNPJ on line.  Ante  o  exposto,  restaria  decidir  pelo  acatamento  ou  não  da  alegação  da  interessada  de  que  os  créditos  efetuados,  no  Bradesco e no Unibanco, sob os históricos em que figura o nome  (atual  ou  anterior)  da  empresa  indicada  como  mutuante  no  instrumento  contratual  anexado  aos  autos  comprovam  a  sua  origem e, por conseguinte, devem ser excluídos da tributação.  Não posso acatar a pretensão da impugnante.  É claro o texto do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, que instituiu a  presunção  de  omissão  de  receitas  fundada  em  depósitos  bancários de origem não comprovada:  Art.  42  ­  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantido junto à instituição financeira, em relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  Como se vê, dito preceito  legal opera um inversão do ônus da  prova,  incumbindo ao  titular da conta bancária que demonstre,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados na consecução dos depósitos.  Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.107          54 Os elementos de prova carreados aos autos pela impugnante não  logram demonstrar que os créditos efetuados, no Bradesco e no  Unibanco,  sob os históricos  em que  figura o nome da pretensa  mutuante  como  autora,  provêm,  inequivocamente,  de  operação  de mútuo.  Aqui  já se mencionou que o parágrafo primeiro da cláusula IV  do instrumento contratual apresentado pela impugnante exige o  registro  da  operação  de mútuo  na  contabilidade  de  ambas  as  contratantes.  Também  já  se  informou  que,  embora  tenha  a  interessada  mecionado  a  anexação  aos  autos  dos  registros  contábeis  da  mutuante,  que  conteriam  a  escrituração  da  dita  operação,  tais  registros não foram encontrados por este julgador.  Remanesceria,  tão­somente,  a militar  em  favor  da  alegação da  impugnante,  o  instrumento  contratual  de  fls.  839  e  840,  que  retrata negócio jurídico celebrado entre empresas com sócios em  comum  e  cuja  efetiva  realização  restou  incomprovada,  ante  a  ausência  de  escrituração,  nos  Livros  Contábeis  da  pretensa  mutuante, das transferêcnias financeiras subjacentes.  Há  ainda,  na  Impugnação  da  interessada,  no  primeiro  parágrafo  da  fl.  819,  a  alegação  de  que  uma  transferência,  datada de 03/03/2004, no valor de R$ 3.600,00, da conta por ela  mantida  no  Bradesco  para  uma  conta  registrada  no  mesmo  banco em nome  da  pretensa mutuante  (histórico “TRANSF CC  pra  CC  PJ  –  DESTINO,  ENERGY  SAVER”)  indicaria  “devolução  de  empréstimo  (...)”,  “(...)  comprovando mais  uma  vez que as empresas transacionaram plenamente numa atividade  lícita através de contrato de mútuo”.  De início, cumpre informar que o lançamento apresentado pela  interessada não é o único com essas características presente no  extrato  da  conta  por  ela  mantida  no  Bradesco.  Há  outras  transferências  bancárias  operadas  pela  contribuinte  que  têm  como beneficiária a pretensa mutuante.  Contudo,  a  respeito  desse  fato,  cabe  reproduzir  o  mesmo  argumento  com  que  rejeitei  como  prova  do  alegado  mútuo  as  transferências  operadas  em  sentido  inverso,  isto  é,  da  conta  bancária da pretensa mutuante para a da  interessada:  o único  elemento de prova esgrimido pela impugnante – o instrumento  contratual de mútuo – não se revelou apto a comprovar que a  operação ali  representada de fato ocorreu, ante a ausência de  escrituração,  nos  livros  contábeis  da  pretensa  mutuante,  da  movimentação financeira que teria havido entre as contratantes.  Quanto ao último elemento de prova brandido pela impugnante  –  a  escrituração  dos  créditos  recebidos  nas  suas  contas  bancárias nos  livros contábeis – incumbe expendir as seguintes  considerações.  Examinando o Relatório Fiscal de fls. 747 a 761, bem como os  termos  lavrados  no  curso  do  procedimento  fiscal,  verifica­se  a  Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.108          55 seguinte  sucessão  cronológica  de  fatos,  atinentes  à  escrita  contábil da autuada:  ­  a  interessada  foi  intimada  a  apresentar  Livro­Caixa,  Livro  Registro  de  Inventário  e  documentos  comprobatórios  das  operações neles registradas (fls. 5);  ­ vencido o prazo para apresentação dos livros e documentos, a  interessada  pediu  e  obteve  prorrogação  do  prazo  para  sua  entrega à autoridade fiscal (fls. 24 e 28);   ­  a  interessada  entregou  o  Livro­Caixa  sem  a  assinatura  do  responsável legal pela pessoa jurídica (fls. 58 e 59);  ­  a  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  devolveu  o  Livro­Caixa  à  interessada  e  a  intimou  a  apresentá­lo  devidamente assinado (fls. 58 a 60);  ­  a  interessada declarou  que  possuía  contabilidade  organizada  (livros Diário  e Razão)  e, por  isso,  foi  intimada a apresentá­la  (fls. 61);  ­ a  interessada informou que não apresentaria o Livro Registro  de  Inventário  “por  não  existir  contabilidade  do  período”  (fls.  62);  ­  a  AFRFB  responsável  pelo  procedimento  fiscal  anexou  aos  autos o Livro­Caixa da  interessada, devidamente assinado pelo  seu responsável legal (fls. 377 a 525);  ­ a AFRFB autuante faz menção ao Livro­Caixa da interessada  em  seu  Relatório  Fiscal,  como  se  verifica  no  seguinte  trecho,  extraído das fls. 750: “(...) Esta declaração encontra coerência  com o Livro Caixa apresentado a este fisco, elaborado no curso  desta ação fiscal, cuja cópia encontra­se nos autos (...)”.  ­ a interessada anexou à sua Impugnação o Livro Razão do ano  de  2004  (fls.  897  a  952),  bem  como  os  Termos  de  Abertura  e  Encerramento  do  Livro  Diário  do  mesmo  ano,  registrado  na  JUCEB (fls. 953 e 954).  Do  quanto  acima  exposto,  concluo  que  a  autoridade  fiscal  concedeu prazo  à  interessada para escrituração do  seu Livro­ Caixa e que este foi o único livro contábil por ela apresentado  no curso do procedimento de  fiscalização, bem como o único,  ao  lado  do  Livro  Registro  de  Inventário,  que  era  exigível  da  contribuinte, uma vez sendo esta optante do Simples.  Contudo, os registros contábeis da alegada operação de mútuo  revelaramse inaptos a demonstrar a efetiva ocorrência desta.  Conforme dispõe a Lei nº 9.317/96, as pessoas jurídicas optantes  pelo  Simples  estão  obrigadas  a  manter,  além  do  Livro­Caixa,  “todos  os  documentos  e  demais  papéis  que  serviram  de  base  para  a  sua  escrituração”,  conforme  se  deprende  da  leitura  do  artigo 7º, § 1º e alínea “c” do mencionado diploma legal:  Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.109          56 Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas  no  SIMPLES  apresentarão,  anualmente,  declaração  simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de  maio do ano­calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos  geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º  e 4º.  §  1º  A  microempresa  e  a  empresa  de  pequeno  porte  ficam  dispensadas  de  escrituração  comercial desde  que mantenham,  em  boa  ordem  e  guarda  e  enquanto  não  decorrido  o  prazo  decadencial  e  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes:  a)  Livro  Caixa,  no  qual  deverá  estar  escriturada  toda  a  sua  movimentação financeira, inclusive bancária;  b)  Livro  de  Registro  de  Inventário,  no  qual  deverão  constar  registrados  os  estoques  existentes  no  término  de  cada  ano­ calendário;  c)  todos os documentos e demais papéis que  serviram de base  para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores.  Evidentemente, os  fatos  levados a  registro no Livro­Caixa  da empresa sujeita ao Simples devem estar suportados por  documentos  aptos  a  demonstrar  a  sua  ocorrência,  bem  como  as  respectivas  circunstâncias.  A  ausência  desses  documentos  exclui  o  valor  probante  dos  respectivos  registros contábeis.  Não  é  outra  a  conclusão  que  se  extrai  da  leitura  dos  dispositivos  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  –  RIR  1999  (Decreto  nº  3.000,  de  26/03/1999)  que  tratam  da  matéria:  Seção VIII   Da Prova   Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua natureza,  ou  assim definidos  em  preceitos  legais  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º).  Ônus da Prova   Art.  924.  Cabe  à  autoridade  administrativa  a  prova  da  inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto  no artigo anterior (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §2º).  Inversão do Ônus da Prova   Art. 925. O disposto no artigo anterior não se aplica aos casos  em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o  Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.110          57 ônus  da  prova  de  fatos  registrados  na  sua  escrituração  (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §3º).  Ora,  já se demonstrou no presente voto que a interessada não  dispõe de documentação hábil e idônea a comprovar que os R$  377.977,98 (trezentos e setenta e sete mil, novecentos e setenta e  sete  reais  e  noventa  e  oito  centavos)  seriam  oriundos  de  empréstimo  recebido  da  empresa  interligada Energy  Saver  do  Brasil Ltda. – ME.  Conseqüentemente,  os  registros  contábeis  efetuados no Livro­ Caixa  da  contribuinte,  a  título  de  transferências  financeiras  entre  pretensas  mutuante  e  mutuária,  não  têm  o  condão  de  provar a alegada operação de mútuo.  Idêntico raciocínio  se aplica em relação aos mesmos registros  contábeis efetuados no Livro Razão, trazido aos autos em sede  de Impugnação.  Registre­se  também  que,  como  a  interessada  não  declarou  à  RFB  qualquer  valor  a  título  de  receitas  no  ano­calendário  2004,  as  receitas  presumidas  dos  depósitos  bancários  foram  integralmente  omitidas  pela  contribuinte,  não  havendo  necessidade  de  delas  subtrair  valores  eventualmente  contabilizados no Livro­Caixa, uma vez que estes também não  foram declarados.  B)  Parte  dos  créditos  efetuados  nas  contas  bancárias  da  interessada  é  proveniente  de  “empréstimos  e  financiamentos  bancários”, “a exemplo de financiamento de Capital de Giro”  (fls. 818).  A  propósito  desta  alegação,  percorrendo  os  demonstrativos  de  fls.  356  a  376,  em  que  a  AFRFB  autuante  arrolou  todos  os  créditos que considerou sem comprovação da origem, verifiquei  que  empréstimos  creditados  pelos  próprios  bancos  em  que  estavam registradas as contas correntes foram computados pela  autoridade fiscal como créditos de origem não comprovada.  Entendo que o histórico desses lançamentos é apto a demonstrar  a  origem  dos  respectivos  valores,  e  que  esta  é  de  rendimentos  isentos  de  tributação,  razão  por  que  sou  pela  sua  exclusão  da  base de cálculo dos impostos e contribuições lançados de ofício.      DATA  HISTÓRICO  VALOR  (R$)    VALOR  (R$)  Brasil  05/02/2004  EMPRÉSTIMO  449,98      rasil  05/02/2004  EMPRÉSTIMO  1.049,94 Total Fev  1.499,92  Brasil  05/04/2004  EMPRÉSTIMO  1.049,94      Brasil  05/04/2004  EMPRÉSTIMO  449,98 Total Abr  1.499,92  Brasil  05/05/2004  EMPRÉSTIMO  292,34      Brasil  21/05/2004  EMPRÉSTIMO  224,99      Brasil  21/05/2004  EMPRÉSTIMO  524,97 Total Mai  1.042,30  Brasil  07/06/2004  EMPRÉSTIMO  524,97      Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.111          58 Brasil  07/06/2004  EMPRÉSTIMO  224,99      Bradesco  15/06/2004  OPERAÇÃO CAPITAL DE GIRO  9.880,00 Total Jun  10.629,96  Brasil  05/07/2004  EMPRÉSTIMO  224,99      Brasil  05/07/2004  EMPRÉSTIMO  524,97 Total Jul  749,96  Brasil  17/09/2004  EMPRÉSTIMO  1.049,94      Brasil  17/09/2004  EMPRÉSTIMO  449,98 Total Set  449,98  Brasil  04/11/2004  EMPRÉSTIMO  2.256,43      Brasil  04/11/2004  EMPRÉSTIMO  5.265,01 Total Nov  7.521,44  C)  Parte  dos  créditos  computados  pela  AFRFB  autuante  são  originários  de  “estorno  de  cheques  não  pagos”  (fls.  818),  a  exemplo  do  ocorrido  em  22/01/2004,  na  conta  mantida  no  Bradesco,  com  o  lançamento  de  R$  125,00,  estornado  pelo  banco no mesmo dia.  A esse  respeito,  cabe  registrar  que  a  autoridade  fiscal,  em  seu  Relatório  de  fls.  747  a  761,  anotou  que  “valores  de  cheques  devolvidos,  como  o  registrado  em  05/07/2004,  de  R$  5.000,00  (documento  850039),  foram  excluídos  do  lançamento”  (fls.  749/750,  alínea  “b”),  bem  como  que  “todos  os  créditos  não  justificados  foram  lançados  de  ofício,  excluindo­se  aqueles  referentes  a  estornos  de  CPMF,  devolução  de  cheques  e  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade”  (fls.  751,  alínea “d”).  Portanto,  diferentemente  do  que  se  verificou  em  relação  aos  empréstimos bancários  tratados no  item “B”, acima, a AFRFB  autuante não adotou o critério de considerar os valores oriundos  de  estornos  de  cheques  como  créditos  de  origem  não  comprovada.  Contudo,  em  relação  ao  específico  lançamento  brandido  pela  impugnante,  houve  lapso  da  autoridade  fiscal  ao  deixar  de  excluí­lo  do  montante  de  créditos  apurados  no  procedimento  fiscal. Assim,  impõe­se que dito valor (R$ 125,00, creditado em  22/01/2004 no Bradesco), reste subtraído da base de cálculo dos  impostos e contribuições lançados de ofício.  D) Ainda a propósito da escrituração da operação de mútuo, a  interessada manejou  o  argumento  de  que  o  registro  do  Livro  Diário  na  JUCEB  teria  o  condão  de  “derrubar  a  tese  de  omissão de receita a partir do momento em que o contribuinte  referenda  a  sua  contabilidade,  dando  publicidade  no  órgão  próprio de registro das atividades empresariais”.  A  esse  respeito,  impende  apenas  afirmar  que,  ainda  que  a  escrituração  das  transferências  financeiras  entre  as  pretensas  mutuante e mutuária estivesse amparada em documentos hábeis  e  idôneos,  o  só  fato  de  levar  a  registro  na  Junta  Comercial  o  Livro Diário contendo dita escrituração não operaria o jurídico  efeito  de  excluir  a  infração  de  omissão  de  receitas  em  que  a  interessada incorreu.  Pela  simples  e  boa  razão  de  que  a  competência  legal  para  a  realização  de  lançamento  tributário  é  privativamente  atribuída  Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.112          59 ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  como  exaustivamente  demonstrado  no  presente  voto,  quando  do  enfrentamento da preliminar de nulidade atinente à prorrogação  do MPF.  Em  sendo  Órgão  integrante  do  Sistema  Nacional  de  Registro  Mercantil, a Junta Comercial tem competência legal tão­somente  para autenticar os Livros Comerciais sujeitos a registro, como se  observa nos dispositivos abaixo  transcritos,  extraídos da Lei nº  9.834/94:  Art. 1º O Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades  Afins,  subordinado às normas gerais prescritas nesta  lei,  será  exercido em todo o território nacional, de forma sistêmica, por  órgãos federais e estaduais, com as seguintes finalidades:  I  ­  dar  garantia,  publicidade,  autenticidade,  segurança  e  eficácia aos atos jurídicos das empresas mercantis, submetidos  a registro na forma desta lei;  II  ­  cadastrar  as  empresas  nacionais  e  estrangeiras  em  funcionamento  no  País  e  manter  atualizadas  as  informações  pertinentes;  III ­ proceder à matrícula dos agentes auxiliares do comércio,  bem como ao seu cancelamento.  Art.  2º  Os  atos  das  firmas  mercantis  individuais  e  das  sociedades mercantis serão arquivados no Registro Público de  Empresas Mercantis e Atividades Afins, independentemente de  seu objeto, salvo as exceções previstas em lei.  Parágrafo único. Fica instituído o Número de Identificação do  Registro de Empresas (NIRE), o qual será atribuído a todo ato  constitutivo  de  empresa,  devendo  ser  compatibilizado  com  os  números adotados pelos demais cadastros federais, na forma de  regulamentação do Poder Executivo.  A omissão de receitas é infração de natureza tributária, apurável  por AFRFB, mediante o exame de livros e documentos contábeis  e fiscais.  A  legislação  tributária  federal  impõe  aos  contribuintes  a  obrigação  acessória  de  declarar  os  tributos  e  contribuições  devidos  em  documentos  especificamente  instituídos  para  esse  fim.  No  caso  de  contribuinte  optantes  do  Simples,  dito  documento  é  a  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  –  Simples  (DSPJ  –  Simples),  a  que  a  Lei  atribui  o  efeito  de  confissão irretratável de dívida, e elege como instrumento hábil  à  inscrição, em Dívida Ativa da União, dos créditos tributários  nela declarados.  É o que regram os dispositivos abaixo reproduzidos do Decreto­ Lei nº 2.124/1984:  Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.113          60 Art.  5º  O  Ministro  da  Fazenda  poderá  eliminar  ou  instituir  obrigações  acessórias  relativas  a  tributos  federais  administrados pela Secretaria da Receita Federal.  § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente  para a exigência do referido crédito.  § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito,  corrigido  monetariamente  e  acrescido  da  multa  de  vinte  por  cento  e  dos  juros  de mora  devidos,  poderá  ser  imediatamente  inscrito  em  dívida  ativa,  para  efeito  de  cobrança  executiva,  observado  o  disposto  no  §  2º  do  artigo  7º  do  Decreto­lei  nº  2.065, de 26 de outubro de 1983.  § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância  da  obrigação  principal,  o  não  cumprimento  da  obrigação  acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de  que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto­lei nº 1.968,  de  23  de  novembro de  1982,  com  a  redação que  lhe  foi  dada  pelo Decreto­lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  É  a  própria  interessada  que  admite,  às  fls.  821  dos  autos,  que  declarou  receitas  nulas  na  sua  DSPJ  –  Simples  do  ano­ calendário  2004,  com  o  que  confessa  a  omissão  de  receitas  apurada pela fiscalização.  (...)  Nesta  instância  recursal,  a  recorrente,  como  já  dito  anteriormente,  não  produziu  outras  provas,  além das  juntadas  e  analisadas  pela  instância  a quo,  em  relação  aos  pretendidos expurgos ou ajustes demandados no valor tributável da omissão de receitas (e­fls.  1020/1032).   O ônus da prova é da recorrente, em face da imputação da infração omissão  de receitas por presunção legal.  Diante do exposto, não há ajuste a  fazer quanto ao valor  tributável mantido  pela decisão recorrida, a título da infração Omissão de Receita do ano­calendário 2004. Deve  ser mantida a decisão recorrida.  MULTA DE OFÍCIO REMANESCENTE DE 75%.   A contribuinte entende que a multa de ofício remanescente de 75% (a decisão  a quo afastou a qualificação da multa, reduzindo o percentual de 150% para 75%), também não  deve  prosperar,  pois  seria  confiscatória,  estaria  afrontando  o  disposto  no  artigo  150,  IV,  da  Constituição Federal; pediu, por isso, a redução da multa para o patamer de 20%.  A  multa  de  ofício  aplicada,  em  concreto,  está  cominada,  prevista  abstratamente no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996.  Não há previsão legal de redução da multa de ofício para o patamar de 20%.  Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.114          61 Cabe esclarecer que a multa de 20% (multa de mora) é aplicável apenas para  pagamento  espontâneo  (antes  da  ciência  do  início  de  procedimento  de  ofício  contra  o  contribuinte) em relação a débito vencido (que deixou de ser pago na data de vencimento). Não  é o caso.  Já  a  multa  de  ofício,  cominada  pela  Lei  no  patamar  de  75%  a  225%  é  aplicável em procedimento de fiscalização externa ou interna (atividade repressiva do fisco).  No caso, em face da decisão a quo  remanesce a multa de ofício mínima de  75%,  decorrente  de  atividade  de  fiscalização  externa  (atividade  repressiva)  que  culminou na  imposição via auto de infração.  Neste caso,  a partir da  ciência do  início do procedimento de  fiscalização, o  contribuinte perde a espontaneidade, para efeito de exclusão da responsabilidade por infração  tributária em relação aos fatos geradores ocorridos de períodos de apuração anteriores à ciência  do início do procedimento de fiscalização.  A contribuinte invoca o princípio do não­confisco, insculpido no artigo 150,  IV, da Constituição Federal, quanto ao percentual da multa aplicada.   O princípio do não – confisco aplica­se para tributos, e não para penalidade  pecuniária aplicada via auto de infração.  O  princípio  do  não­confisco  é  dirigido,  direcionado  para  o  legislador  infraconstitucional para ser observado, respeitado durante o processo legislativo, de elaboração  e votação de projeto de lei infraconstitucional pelas casas legislativas e não para o julgador de  órgão administrativo.  Além disso, não se aplica o princípio da capacidade contributiva para efeito  de cominação,  fixação ou graduação da multa pecuniária por  infração tributária; ela é fixada,  em abstrato, em patamares altos justamente para causar temor, medo, receio nos contribuintes,  para  evitar  a prática  de  infração  administrativo  ­  tributária,  inibir  ou  afastá­los  da  prática de  conduta lesiva, infracional, contra o fisco.   Logo,  a  multa  pecuniária  por  infração  administrativo­tributária  não  é  desproporcional;  está prevista  abstratamente na  lei,  e  incide nela,  em concreto,  apenas quem  com  sua  conduta,  por  qualquer  razão,  independente  de  sua  vontade,  praticar  infração  administrativo­tributária.   O  direito  tributário  penal  ou  penal  tributário  tem  caráter  subsidiário.  Só  se  aplica em último caso,  isto  é,  só  se  recorre a  ele quando as normas do direito  tributário não  sejam suficientes para proteger o bem jurídico tutelado, o Erário.  Então, quando o contribuinte for flagrado pelo fisco pela prática de conduta  lesiva contra o fisco (infração administrativa ­tributária), o rigor da lei, a aplicação da pena em  concreto.  No  processo  administrativo  tributário  não  há  controle  de  legalidade  da  lei,  mas  controle  de  legalidade  do  ato  administrativo  de  lançamento,  se  foi  produzido  com  observação da legislação vigente.  Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10580.720634/2008­18  Acórdão n.º 1802­002.539  S1­TE02  Fl. 1.115          62 O julgador administrativo está vinculado à lei, não podendo negar vigência,  afastar  ou  deixar  de  aplicá­la  se  vigente,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional  (CNT,  parágrafo  único  do  art.  142).  A  lei  vigente  tem  presunção  de  legitimidade  e  constitucionalidade.  O órgão  administrativo  não  tem  competência  para  conhecer de  arguição  de  inconstitucionalidade da lei, conforme Súmula CARF nº 02, já transcrita alhures.  Portanto, deixo de conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalidade  do dispositivo legal que cominou, em abstrato, a multa de 75% por infração à lei tributária..  A  multa  de  ofício  de  75%  deve  ser  mantida,  pois  aplicada  conforme  determina a legislação de regência.   A decisão recorrida deve ser mantida.  LANÇAMENTOS  REFLEXOS:  CSLL­SIMPLES,  PIS­SIMPLES,  COFINS­SIMPLES E CONTRIB. PREVIDENCIÁRIA­INSS­SIMPLES.  Inexistindo  razão  fática ou  jurídica para decidir  diversamente, aplica­se aos  lançamentos decorrentes o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da  íntima relação de causa e efeito que os vincula.  Por  tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminares  suscitadas e,  no mérito, NEGAR provimento ao recurso para manter a decisão recorrida.     (documento assinado digitalmente)  Nelso Kichel                                Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 05/06/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

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Numero do processo: 10814.022683/2006-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/02/2007 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Não se deve conhecer do recurso voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal, contado da data da ciência da decisão recorrida, de acordo com o art. 33 do Dec. Nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3102-01.187
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Data do fato gerador: 13/02/2007  NORMAS  PROCESSUAIS.  INTEMPESTIVIDADE.  EFEITOS.  Não  se  deve  conhecer do recurso voluntário interposto após transcorrido o trintídio legal, contado  da  data  da  ciência  da  decisão  recorrida,  de  acordo  com  o  art.  33  do  Dec.  Nº  70.235/72 (PAF).  Recurso Voluntário Não Conhecido.    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do recurso voluntário por perempto, nos termos do relatório e votos que integram o  presente julgado.  Luis Marcelo Guerra de Castro ­ Presidente.   Mara Cristina Sifuentes ­ Relatora.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra  de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de  Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes.   Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ  São Paulo II ­ SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos  termos do Acórdão nº 17­40.134, proferido em 20 de abril de 2010.   Trata o presente de Notificação de Lançamento, fl. 63, lavrado para exigência  do Imposto de Importação no valor de R$3.856,88, conforme resultado da Vistoria Aduaneira,  fls. 58 a 62.     Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES     2 A  empresa  Dufry  do  Brasil  Duty  Free  Shop  Ltda  importou  4  (quatro)  volumes onde constava a  informação “fresh cheese perishable cargo keep cool”. A carga  foi  transportada pela recorrente ABSA Cargo Airline – Lan Chile e armazenada pela Infraero, no  aeroporto de Guarulhos, com informação de diferença de peso e em local comum.  A  ANVISA/Ministério  da  Saúde  realizou  vistoria  da  mercadoria  onde  constatou  impropriedade  para  consumo  e  prazo  de  validade  vencido,  determinando  a  sua  destruição, fl. 48.  A  comissão  de  Vistoria  Aduaneira  concluiu  pela  responsabilidade  da  transportadora pelas  avarias verificadas,  já que não diligenciou para  armazenar  a mercadoria  conforme constava no contrato de transporte.  A  recorrente  alega  que  seria  a  empresa  importadora  responsável  pelas  informações  referentes  a  mercadoria  entregue  para  o  transporte  e  ela  que  emitiu  o  conhecimento aéreo.  A DRJ julgou improcedente a impugnação, conforme legislação de regência,  já  que  caberia  ao  transportador  a  informação  sobre  a  carga,  suas  condições  e  o  tipo  de  armazenagem necessária para sua preservação.  A  empresa  apresentou  recurso  voluntário,  em  17­06­2010,  fls.  118  e  seguintes. Em 29­06­2010 foi intimada a regularizar o recurso apresentando procuração valida  e  ata  de  assembléia  geral  ordinária  contando  o  mandato  da  nova  diretoria.  A  empresa  apresentou  a  documentação  solicitada,  e  em  14­07­2010  apresentou  DARF  constando  a  liquidação dos créditos tributários devidos.  A  fl.  178  consta  Memorando  ALF/GRU  nº  22/2010,  de  20­07­2010,  solicitando  ao  CARF  a  devolução  do  presente  processo  para  fins  de  alocação  do  DARF  e  encerramento do processo.  É o relatório.  Voto             Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora.  Do exame dos autos, constata­se que o recurso não atende a pelo menos um  dos requisitos de admissibilidade, conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72:  DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972 (PAF)  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  [...]  Art.  35.  O  recurso,  mesmo  perempto,  será  encaminhado  ao  órgão de segunda instância, que julgará a perempção.  O documento “Aviso de Recebimento – AR”, juntado à fl. 114, informa que a  ciência da decisão recorrida foi em 17 de maio de 2010, segunda­feira; o prazo trintenal para  apresentação do recurso começou a fluir no primeiro dia útil seguinte, ou seja, em 18 de maio  Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10814.022683/2006­39  Acórdão n.º 3102­01.187  S3­C1T2  Fl. 188          3 de  2010,  terça­feira,  completando­se  o  interstício  em  16  de  junho  de  2010,  quarta­feira.  Todavia, o  recurso  foi protocolizado na Delegacia da Receita Federal do Brasil DERAT/São  Paulo, CAC Luz, somente em 17 de junho de 2010, fl. 118, quando, portanto, já se encontrava  findo  o  prazo  legal  para  interposição  do  recurso.  Também  consta  na  fl.  177,  despacho  da  Alfândega  da  RFB  em  Guarulhos,  reconhecendo  a  intempestividade  e  encaminhando  o  processo ao CARF para julgar a perempção. O prazo previsto no PAF não comporta exceções,  sendo fatal o seu termo final.  Ademais, consta do processo, fl. 178 Memorando ALF/GRU nº 22/2010, de  20­07­2010,  solicitando  ao  CARF  a  devolução  deste  para  fins  de  alocação  do  DARF  e  encerramento do processo, por ter sido liquidado o crédito tributário existente, e conforme art.  156, inciso I do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário.  Art. 156. Extinguem o crédito tributário:  I. o pagamento;  Isto posto, e considerando que a interposição a destempo do recurso impede a  sua admissibilidade, voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.  Mara Cristina Sifuentes                                Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 07/10/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES

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5951735 #
Numero do processo: 13971.001616/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.086
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.    Walber José da Silva ­ Presidente    Fabiola Cassiano Keramidas ­ Relatora  EDITADO EM:  06/01/2011  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Walber  José  da  Silva  (Presidente),  José  Antonio  Francisco,  Alan  Fialho  Gandra,  Fabiola  Cassiano  Keramidas  (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.      Relatório  Trata o presente processo de aproveitamento de créditos decorrentes de pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido de  IPI  objeto  do  processo  n°  13971.000852/2001­51.  Constam declarações de compensação de débitos às fls. (fls. 01/04; 05/08 e 09/13) no valor  total de R$ 119.842,19.      Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS     2 Às  fls.  25/28,  consta  Parecer  SAORT/DRF/Blumenau  nº  87/08  e  Despacho  Decisório,  nos  quais  a  autoridade  administrativa  deixa  de  homologar  as  declarações  de  compensação em razão da  inexistência de crédito, uma vez que o processo administrativo nº  13971.000852/2001­51, que discutia o crédito, foi analisado pela DRF, tendo se concluído pela  sua procedência parcial.  Neste sentido e, por retratar a realidade dos fatos, passo a transcrever trecho do  relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis:  “A Autoridade Fiscal da Delegacia  da Receita Federal do Brasil  em  Blumenau, através do despacho decisório de fls. 26/27, de 19/05/2008,  decidiu por não homologar as declarações de compensação, em razão  da  inexistência  do  alegado  crédito,  pois  o  pedido  de  ressarcimento  formulado  e  analisado  no  processo  n°  13971.000852/2001­51  foi  parcialmente deferido,  conforme cópia do despacho decisório de  fls.  14/18,  exarado  em  08/09/2004,  e  o  valor  deferido  foi  utilizado  integralmente para homologar as compensações apresentadas naquele  processo.  Irresignada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em  21/05/2008,  conforme aviso  de  recebimento  nos  autos,  a  contribuinte  ofereceu a manifestação de inconformidade de fls. 33/41, alegando, em  síntese,  que  está  garantido  o  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI  decorrentes  das  aquisições  de  combustível,  lubrificante,  energia  elétrica, e da prestação de serviços de industrialização por encomenda,  empregados  produtos  exportados.  Deste  modo,  ao  final  requer  a  reforma  do  despacho  o  decisório  para  que  sejam  acatadas  as  compensações  efetuadas,  considerando  a  legitimidade  dos  créditos  pleiteados.”  Após  analisar  as  razões  da  Recorrente,  a  Segunda  Turma  da  Delegacia  de  Julgamento  de Ribeirão  Preto  proferiu  o  acórdão  nº  14­23.301  fls.  58/61,  por meio  do  qual  manteve o despacho administrativo nos exatos termos que foi proferido, a saber:  “ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­  IPI   Período  de  apuração:  01/10/2003  a  31/10/2003,  01/12/2003  a  31/12/2003   DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.  A  homologação  da  compensação,  quando  o  direito  creditório  reclamado  é  proveniente  de  outro  processo  administrativo,  só  é  reconhecida  quando  o  direito  creditório  reclamado  for  reconhecido  como líquido e certo.  Solicitação Indeferida.”  Registra­se que o mérito do recurso apresentado pela Recorrente, que discutia o  direito ao crédito de ressarcimento de IPI, sequer foi analisado pela DRJ, posto que objeto de  outro processo administrativo, a saber:   “Voto  A  manifestação  de  inconformidade,  tempestivamente  apresentada,  cumpre  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  no  Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e • alterações posteriores.  Portanto, dela tomo conhecimento.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS Processo nº 13971.001616/2008­28  Resolução n.º 3302­00.086  S3­C3T2  Fl. 2          3 A  origem  do  crédito  indicado  nas  declarações  de  compensação  de  fls.01/04,  05/08  e  09/12  está  no  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido de IPI formalizado no processo n° 13971.000852/2001­51.  Assim, a homologação ou não da declaração de compensação está na  total dependência do que for decidido naquele processo.  Há  que  se  observar  que  o  direito  creditório  com  base  no  qual  a  contribuinte efetuou as compensações é matéria estranha ao presentes  autos, não cabendo aqui nenhuma manifestação a seu respeito, eis que  se trata de matéria já apreciada e decidida no âmbito do processo n°  13971.000852/2001­51.  Aqui,  cabe  apenas  dar  conseqüência  ao  decidido naqueles autos.  O despacho decisório de fls. 26/27  já expôs que crédito analisado no  processo n° 13971.000852/2001­51 foi parcialmente deferido e o valor  utilizado integralmente para homologar as compensações apresentadas  naquele  processo.  Assim,  a  pretensão  da  contribuinte,  de  ter  homologadas as declarações de compensação deste processo, não  foi  acolhida.”  Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 65/71, por meio do  qual reiterou as alegações realizadas em sua inconformidade, atinentes à existência de crédito  tributário em seu  favor e principalmente, no que se refere à  impossibilidade dos autos serem  decididos  antes  do  processo  nº  13971.000852/2001­51  ser  julgado  definitivamente,  uma  vez  que o direito creditório está sendo discutidos naqueles autos. Neste aspecto, alega a Recorrente  que a manutenção da decisão de primeira instância administrativa significa a não homologação  da compensação efetuada e que tal fato está vinculado à existência do crédito.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade,  razão  pela  qual  dele  conheço.  Conforme  se  depreende  dos  termos  do  relatório,  o  Recurso  Voluntário  apresentado  está  vinculado  a  outro  processo  administrativo,  não  há  meios  de  concluir  pela  procedência  da  compensação  sem  que  a  existência  e  o  valor  do  crédito  seja  decidido  definitivamente.  Com  razão  a  Recorrente  quando  alega  que  a  não  homologação  da  compensação  é  concluir  pela  inexistência  do  crédito,  o  que  não  está  sendo  discutido  nestes  autos.  Ante  os  fatos  apresentados,  voto  por  converter  o  presente  julgamento  em  diligência  para  que  a  autoridade  administrativa  anexe  aos  autos  cópia  da  decisão  definitiva  proferida nos autos do processo administrativo nº 13971.000852/2001­51.  Na  hipótese  de  o  mencionado  processo  ainda  não  ter  sido  julgado,  os  autos  deverão  ficar  aguardando  a  decisão  definitiva  nesta  Delegacia  para  posteriormente,  após  a  juntada do documento solicitado, ser encaminhado a este Conselho para julgamento.  É como voto.    Fabiola Cassiano Keramidas  Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Assinado digitalmente em 07/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 06/05/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMI DAS

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6032293 #
Numero do processo: 10880.011789/98-14
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jul 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Data do fato gerador: 30/09/1989, 30/04/1990 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 95          2  Relatório  Trata­se  de  pedido  de  Restituição/Compensação  de  indébitos  pertinentes  a  tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cinge­se  ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito.  O  julgamento deste  recurso  tem como paradigma o do Recurso nº 227.494,  realizado na sessão imediatamente anterior a esta, sendo­lhe aplicada a tese prevalente naquele  julgado,  nos  termos  do  art.  47  do Anexo  II  do Regimento  Interno  do CARF,  aprovado pela  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Em apertada síntese, este é o relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  O  recurso  merece  ser  conhecido  por  ser  tempestivo  e  atender  aos  pressupostos  de  admissibilidade  previstos  no  Regimento  Interno  da  Câmara  Superior  de  Recursos Fiscais.  A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cinge­se a do termo  inicial do prazo extintivo para repetição de indébito.  Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do  CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese prevalente no  julgamento do Recurso nº 227.494, paradigma para o caso em discussão.  A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno  dos  autos  ao  órgão  julgador  de  primeira  instância  para  que  fossem julgadas as demais questões de mérito.  O  representante  da Fazenda Nacional  pede  o  restabelecimento  da  decisão  de  primeira  instância,  por  entender  que o  termo de  início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a  extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc.  I, do CTN.  De  imediato,  passemos  à  controvérsia  sobre  a  prescrição  do  direito  pleiteado.  Antes,  porém,  devo  registrar  que  na  elaboração  deste  voto,  socorri­me  dos  conhecimentos  do  Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde  já  agradeço  pelos  relevantes  argumentos  sobre  a matéria,  e  peço  licença  para mais  adiante,  transcrever  excerto  do  voto  por  ele  proferido  no  julgamento  do Recurso Voluntário  nº  133.010,  na  Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes.  É  de  bom  alvitre  esclarecer  que,  muito  embora  existam  divergências  doutrinárias  quanto  à  natureza  do  prazo  para  repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o  Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 96          3  deslinde  da  matéria  em  apreço,  esse  questionamento  não  apresenta  qualquer  relevância,  razão  pela  qual  não  será  aqui  abordado.   Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de  2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de  nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no  STJ,  entendia  que  o  critério  correto  para  se  contar  o  prazo  prescricional de repetição de  indébito era o da tese dos “cinco  mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese  consistia em assumir que a extinção do crédito  tributário  só  se  daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou  expressa.  Como  o  prazo  para  homologação  é  de  cinco  anos  a  contar  do  fato  gerador,  conforme  art.  150,  §  4º,  do  Código  Tributário  Nacional,  no  caso  da  homologação  tácita,  somente  após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional  para  a  postulação  da  restituição  do  valor  indevidamente  recolhido.   Todavia,  essa  apascentada  jurisprudência  foi  violentamente  atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10  de  fevereiro  de  2005.  Predita  lei,  além  de  adaptar  o  Código  Tributário  Nacional  à  nova  legislação  falimentar,  pretendeu  reverter esse entendimento sobre a  interpretação do inciso I do  art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs:  Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  –  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação, no momento do  pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida  Lei.  Ora,  com  esse  dispositivo,  ressurge  no  ordenamento  jurídico  contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica.   Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo,  do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte  guardiã  da  legislação  federal,  ser  alterado  por  via  legislativa  direta.  O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no  STF  quando  a  Corte  Maior  detinha  a  função  de  tutor  da  legislação  federal,  segundo  o  qual  a  contagem  do  prazo  prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento  por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento.   Apesar  das  críticas  de  abalizada  doutrina,  como  por  exemplo,  Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o  Legislador,  de  forma  transversa,  pretende  substituir­se  às  funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção  de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja  proveniente  da  mesma  fonte  legislativa  do  ato  primitivo  interpretado;  que  tenha  a  mesma  hierarquia  jurídica  do  comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem  o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito.   Fl. 96DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 97          4  A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir  de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu  art.  3º.  Se  prospectiva  ou  retroativa.  Isso  porque  o  STJ  e  boa  parte da doutrina entenderam que a eficácia operava­se a partir  de  junho  de  2005,  enquanto  o  art.  4º  da  lei  em  comento  determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes:  Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após  sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art.  106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código  Tributário Nacional.  A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção:  Art 106. A lei aplica­se ao ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  (...)  De  outro  lado,  os  críticos  da  Lei  Complementar  nº  118/2005  alegam  que  a  diretriz  interpretativa  da  novel  legislação,  na  realidade, modificou  a  força  normativa  da  legislação  anterior,  ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído,  por  essa  razão,  a  pretensa  interpretação  nela  veiculada  há  de  ser  tratada  como  lei  nova,  e,  como  tal,  deveria  respeitar  suas  características,  inclusive,  a  dos  efeitos  prospectivos.  Assim,  a  “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel  lei  complementar  não  poderia  retroagir  para  alcançar  fatos  pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e  da  segurança  jurídica,  já  que  esse  dispositivo  legal  alterou  o  entendimento  consagrado  há  mais  de  uma  década  pelo  STJ.  Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento  da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence,  onde o STF decidiu:  Se,  no  entanto,  a  título  de  lei  interpretativa,  a  segunda  lei  extrapola  da  interpretação,  é  lei  nova,  que  altera  a  lei  antiga,  modificando­a ou adicionando­lhe normas  inexistentes. E assim  há de ser examinada.   No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente,  sem  declarar  formalmente  a  inconstitucionalidade  do  art.  4º  dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que  a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente  entraria  em  vigor,  em  sua  integralidade,  à  partir  do  mês  de  junho de 2005.   Contra  esse entendimento  insurgiu­se a Fazenda Nacional,  que  recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado  pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento  ao  RE  482.090­1  SP,  e  determinou  que  o  STJ  observasse  a  reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei  complementar.  Aqui,  peço  licença  para  transcrever  excerto  do  Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 98          5  acórdão  do  STF,  por  ser  emblemático  ao  deslinde  da  questão  ora submetida a debate.  EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO  EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA  DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS  DIVERSOS  ALEGADAMENTE  EXTRAÍDOS  DA  CONSTITUIÇÃO.  RESERVA  DE  PLENÁRIO.  ART.  97  DA  CONSTITUIÇÃO.  TRIBUTÁRIO.  PRESCRIÇÃO.  LEI  COMPLEMENTAR  118/2005,  ARTS.  3º  E  4º.  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL  (LEI  5.172/1966),  ART.  106,  I.  RETROAÇÃO  DE  NORMA  AUTO­INTITULADA INTERPRETATIVA.  “Reputa­se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que  ­  embora  sem  o  explicitar  ­  afasta  a  incidência  da  norma  ordinária pertinente à  lide para decidi­la  sob critérios diversos  alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min.  Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999).  Viola  a  reserva  de  Plenário  (art.  97  da Constituição)  acórdão  prolatado  por  órgão  fracionário  em que  há declaração parcial  de  inconstitucionalidade,  sem  amparo  em  anterior  decisão  proferida por Órgão Especial ou Plenário.  Recurso  extraordinário  conhecido  e  provido,  para  devolver  a  matéria  ao  exame  do Órgão Fracionário  do  Superior  Tribunal  de Justiça.  .........................................................................................................  Brasília, 18 de junho de 2008.  V O T O  O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA ­ (Relator):  Inicialmente,  enfatizo  que  a  discussão  travada  neste  recurso  extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do  exame  incidental  de  inconstitucionalidade  do  art.  4º,  segunda  parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal  de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute  neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que  fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do  prazo prescricional para a restituição do indébito tributário.  Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro  recurso  especial  e  após  a  submissão  deste  recurso  extraordinário  ao  conhecimento  e  julgamento  do  Pleno,  resolveu  por  submeter  questão  análoga  ao  respectivo  Órgão  Especial,  após  decisão  proferida  pelo  eminente  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  nos  autos  do  RE  486.888  {DJ  de  31.08.2006).  O  referido  precedente,  firmado  por  ocasião  do  julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos  de  Divergência  no  Recurso  Especial  644.736  (rel.  min.  Teori  Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado:  Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 99          6  “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI  INTERPRETATIVA.  PRAZO  DE  PRESCRIÇÃO  PARA  A  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR  HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA  (E  NÃO  SIMPLESMENTE  INTERPRETATIVA)  DO  SEU  ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA  PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA.  1.Sobre  o  tema  relacionado  com  a  prescrição  da  ação  de  repetição  de  indébito  tributário,  a  jurisprudência  do  STJ  (1a  Seção) é no sentido de que, em se  tratando de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no  art.  168  do  CTN,  tem  início,  não  na  datado  recolhimento  do  tributo  indevido,  e  sim  na  data  da  homologação  ­  expressa  ou  tácita ­ do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o  crédito  se  considere  extinto,  não  basta  o  pagamento:  é  indispensável  a  homologação  do  lançamento,  hipótese  de  extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a  partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no  art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para  a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a  contar do fato gerador.  2.Esse  entendimento,  embora  não  tenha  a  adesão  uniforme  da  doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o  conteúdo e o  sentido das normas que disciplinam a matéria,  já  que  se  trata  do  entendimento  emanado  do  órgão  do  Poder  Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretá­las.  3.O  art.  3º  da  LC  118/2005,  a  pretexto  de  interpretar  esses  mesmos enunciados, conferiu­lhes, na verdade, um sentido e um  alcance  diferente  daquele  dado  pelo  Judiciário.  Ainda  que  defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei  inovou  no  plano  normativo,  pois  retirou  das  disposições  interpretadas um dos seus sentidos possíveis,  justamente aquele  tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação  federal.  4.Assim,  tratando­se  de  preceito  normativo modificativo,  e  não  simplesmente  interpretativo,  o  art.  3º  da  LC  118/2005  só  pode  ter  eficácia  prospectiva,  incidindo  apenas  sobre  situações  que  venham a ocorrer a partir da sua vigência.  5.O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a  aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos  passados,  ofende  o  princípio  constitucional  da  autonomia  e  independência  dos  poderes  (CF,  art.  2º)  e  o  da  garantia  do  direito  adquirido,  do  ato  jurídico  perfeito  e  da  coisa  julgada  (CF, art. 5º, XXXVI).  6.Argüição de inconstitucionalidade acolhida.”  Passo ao exame do recurso.  Esta  é  a  redação dada aos  arts.  3º  e  4o  da Lei Complementar  118/2005:  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 100          7  “Art. 3º Para efeito de  interpretação do  inciso I do art. 168 da  Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário  Nacional,  a  extinção  do  crédito  tributário  ocorre,  no  caso  de  tributo  sujeito a  lançamento por homologação, no momento do  pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida  Lei.  Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua  publicação, observado/ quanto ao art. 3­, o disposto no art. 106,  inciso  I,  da  Lei  n°  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  ­  Código  Tributário Nacional.”  Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a  seguinte redação:  “Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;”  Discute­se  no  recurso  extraordinário  se  o  acórdão  recorrido  violou  a  reserva  de  Plenário  para  declaração  de  inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida  em  que  deixou  de  aplicar  retroativamente  o  art.  3º  da  LC  118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106,  I, do Código Tributário Nacional.  Passo a examinar, então, a questão de fundo.  Os  arts.  3º  e  4º  da  Lei  Complementar  118/2  005  objetivam  estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito  do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às  exações  sujeitas  ao  lançamento  por  homologação  ocorre  em  cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art.  106,  I,  do  Código  Tributário  Nacional,  interpretado  literalmente,  a  retroatividade  de  normas  meramente  interpretativas  é  irrestrita  e,  portanto,  o  disposto  no  art.  3º  da  LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que  se  deram  antes  da  publicação  da  referida  lei  complementar,  independentemente  da  data  de  ajuizamento  da  respectiva  ação  judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código  tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance  retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional  deverá ser computado.  Anteriormente  à  publicação  da  LC  118/2005,  o  Superior  Tribunal de Justiça  firmara orientação segundo a qual o prazo  para  restituição  do  indébito  tributário  era  de  cinco  anos,  contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII,  do CTN), que poderia  ser expressa ou  tácita. Como o prazo de  que  dispõe  a  autoridade  fiscal  para  homologação  é  de  cinco  anos  (art.  150,  §§  1º  e  4º,  do CTN),  a  prescrição  do  direito  à  restituição  do  indébito  tributário  poderia  chegar  a  dez  anos,  contados  do  momento  em  que  ocorria  o  fato  gerador,  se  houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 101          8  118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento  e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem  do prazo de prescrição de  indébito relativo a  tributo  sujeito ao  lançamento por homologação. (Destaquei).  Para  afastar  a  aplicação  conjunta  dos  arts.  3º  e  4º  da  Lei  118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim  limitando  a  retroação  às  ações  ajuizadas  após  a  entrada  em  vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido  invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de  Justiça  (EREsp  327.043).  0 mencionado  precedente,  ainda  não  publicado,  apoia­se  no  principio  constitucional  da  segurança  jurídica,  como  se  lê  no  registro  feito  pelo  eminente  relator  do  acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux:  “O  acórdão  embargado  assentou  que  a  Primeira  Seção  reconsolidou  a  jurisprudência  desta  Corte  acerca  da  cognominada  tese  dos  cinco  mais  cinco  para  a  definição  do  termo  a  quo  do  prazo  prescricional  das  ações  de  repetição/compensação  de  valores  indevidamente  recolhidos  a  titulo  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  desde  que  ajuizadas  até  09  de  junho  de  2005  (EREsp  327043/DF,  Relator  Ministro  João  Otávio  de  Noronha,  julgado  em  27.04.2005)”.  A  Lei  Complementar  118/2005  não  foi  declarada  inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada  sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor  (09  de  junho  de  2005),  em  homenagem,  entre  outros,  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  consoante  perfilhado  no  voto­ vista  desta  relatoria:  “a  Lei  Complementar  118,  de  09  de  fevereiro  de  2005,  aplica­se,  tão  somente,  aos  fatos  geradores  pretéritos  ainda  não  submetidos  ao  crivo  judicial,  pelo  que  o  novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que  toda  lei  interpretativa,  como  toda  lei,  não  pode  retroagir.  Outrossim,  as  lições  de  outrora  coadunam­se  com  as  novas  conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da  qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na  lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a  Constituição  Federal  dá  uma  nota  de  previsibilidade  e  de  proteção  de  expectativas  legitimamente  constituídas  e  que,  por  isso  mesmo,  não  podem  ser  frustradas  pelo  exercício  da  atividade  estatal.”  (Humberto  Ávila  in  Sistema  Constitucional  Tributário,  2  0  04,  pág.  295  a  300)  .  (...)  À  mingua  de  prequestionamento  por  impossibilidade  jurídica  absoluta  de  engendrá­lo,  e  considerando  que  não  há  inconstitucionalidade  nas  leis  interpretativas  como  decidiu  em  recentíssimo  pronunciamento  o Pretório Excelso,  o  preconizado na  presente  sugestão  de  decisão  ao  colegiado,  sob  o  prisma  institucional,  deixa  incólume  a  jurisprudência  do  Tribunal  ao  ângulo  da  máxima  tempus  regit  actum,  permite  o  prosseguimento  do  julgamento dos  feitos de acordo com a  jurisprudência reinante,  sem  invalidar  a  vontade  do  legislador  através  suscitação  de  incidente  de  inconstitucionalidade  de  resultado  moroso  e  duvidoso  a  afrontar  a  efetividade  da  prestação  jurisdicional,  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 102          9  mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda  não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106  do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou  a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”.  Ao  deixar  de  aplicar  os  dispositivos  em  questão  por  risco  de  violação  da  segurança  jurídica  (principio  constitucional),  é  inequívoco  que  o  acórdão  recorrido  declarou­lhes  implícita  e  incidentalmente  a  inconstitucionalidade  parcial.  Vale  dizer,  como  observou  a  Primeira  Turma  desta  Corte  por  ocasião  do  julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de  21.05.1999), “reputa­se declaratório de inconstitucionalidade o  acórdão que  ­  embora  sem o  explicitar  ­afasta  a  incidência  da  norma  ordinária  pertinente  à  lide  para  decidi­la  sob  critérios  diversos alegadamente extraídos da Constituição”.  Portanto,  ao  invocar  precedente  da  Seção,  e  não  do  Órgão  Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária  federal  com  base  em  disposição  constitucional,  entendo  que  o  acórdão  recorrido  deixou  de  observar  a  necessária  reserva  de  Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição.  Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto  proferido  pelo  eminente  Ministro  Sepúlveda  Pertence,  por  ocasião do  julgamento de  recente precedente  (RE 544.246,  rei.  min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007):  “A  inaplicação  dos  dispositivo  questionados  da  LC  118/05  a  todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua  inconstitucionalidade, ainda que parcial.   Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido.  Não  importa  que  o  precedente  invocado da Primeira  Seção do  Tribunal  a  quo,  EREsp  328043  tenha  declarado  incidir  a  lei  nova nas ações propostas a partir de sua vigência.  O distinguo  ­ dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos  arts.  3º  e  4º  da  LC  118/05  importou  na  declaração  de  inconstitucionalidade  parcial  deles,  malgrado  sem  redução  de  texto.  Estou,  pois,  em  que,  assim  decidindo  –  com  fundamento  em  precedente  da  Seção  e  não,  do  Órgão  Especial  o  acórdão  recorrido  contrariou  efetivamente  a  norma  constitucional  da  “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.”  É como voto.  Do  exposto,  conheço  do  recurso  extraordinário  e  dou­lhe  provimento,  para  que  a  matéria  seja  devolvida  ao  órgão  fracionário  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  para  que  seja  observado o art. 97 da Constituição.  Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo  Tribunal  Federal,  qualquer  medida  no  sentido  de  afastar  a  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 103          10  aplicação  de  dispositivo  de  lei  vigente,  importa  em  controle  incidental de inconstitucionalidade.   Diante  desse  posicionamento  da  Corte  Maior,  o  STJ,  por  sua  corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do  art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de  que  o  disposto  no  art.  3º  da  citada  lei  somente  produz  efeitos  sobre  as  ações  de  repetição  que  se  referirem  a  indébitos  pertinentes  a  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  de  junho  de  2005.  Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa  no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da  Lei  Complementar  nº  118/2005  pretendeu  superar  o  entendimento  vigente  sobre  o  termo  inicial  da  prescrição  e  firmar  uma única  possibilidade  interpretativa  para  a  contagem  do  prazo  de  prescrição  de  indébito  relativo  a  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação.  Agora,  se  o  art.  4º,  que  determinou  a  aplicação  retroativa  da  interpretação  trazida  no  art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este  Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir.   Para começar este  tema,  faremos um breve passeio na história  do controle de constitucionalidade.  O mundo conhece hoje, no dizer 1Cappelletti, dois grandes tipos  de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis:  O “sistema difuso”,  isto  é,  aquele  em que  o  poder de  controle  pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento  jurídico,  que  os  exercitam  incidentalmente,  na  ocasião  da  decisão das causas de sua competência; e  O  “sistema  concentrado”,  em  que  o  poder  de  controle  se  concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário.  O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de  controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada  de  alguns  constitucionalistas  de  que  esse  sistema  tenha  sido  inaugurado  pelos  norte  americanos  no  famoso  caso  Marbury  versus Madison,  em  1803.  O  segundo,  o  concentrado,  também  pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de  controle,  ou  ainda  como  sistema  europeu,  porquanto  foi  inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920,  redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola  Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen.  No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de  1891,  não  existia  qualquer  controle  Judicial  de  Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar  francês  e  da  idéia  inglesa  da  supremacia  do  parlamento,  o  Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição                                                              1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio  Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss.   Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 104          11  de  fazer  leis,  interpretá­las,  suspendê­las  e  revogá­las,  bem  como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º).  Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de  controle  judicial  de  constitucionalidade. Consagrava­se,  assim,  o dogma da soberania do Parlamento.  Com  a  adoção  do  regime  republicano  em  1889,  os  ventos  da  mudança  também  sopraram  no  sistema  2jurídico  brasileiro,  sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder  Judiciário.  A  Constituição  Republicana  de  1891  adotou  o  sistema  norte  americano,  defendido  entusiasticamente  por  Rui  Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta.  A  Constituição  de  1934  trouxe  uma  figura  nova  no  controle  brasileiro  de  constitucionalidade,  a  ADIn  Interventiva,  que  deveria  ser  proposta  pelo  Procurador­Geral  da  República,  perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo  estadual  que  violassem  a  Constituição  Federal.  Essa  ADIn  Interventiva  inseriu  no  nosso  ordenamento  jurídico  um  tímido  sistema de controle concentrado de constitucionalidade.  A  Emenda  Constitucional  nº  16,  de  26  de  novembro  de  1965,  inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às  pessoas  legitimadas  a  propor  a  ação  de  inconstitucionalidade.  Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é  que  se  consagrou,  de  forma  ampla,  o  sistema  de  controle  concentrado,  também  denominado  sistema  abstrato  ou  do  tipo  europeu.  Desde  então,  o  Brasil  passou  a  conviver  harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e  o difuso.  Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de  fato,  interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito  linhas  acima,  alguns  constitucionalistas  apressados  atribuíram  sua  origem  à  famosa  decisão  da  Suprema  Corte  norte  americana,  prolatada  em  1803,  no  caso  Marbury  versus  Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que  fixou,  por  um  lado,  aquilo  que  ficou  conhecido  como  a  supremacia  da  constituição  e,  por  outro,  o  poder­dever  dos  juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para  se  chegar  àquela  decisão,  Marshall  partiu  do  seguinte  raciocínio:  ou  a  constituição  prepondera  sobre  os  atos  legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode  mudá­la  por  meio  de  lei  ordinária.  Não  há  meio  termo,  asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei  fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários,  ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os  atos  legislativos  ordinários,  portanto,  flexível,  e,  por  conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder  Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim  concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição  não é lei, é nulo, é como se não existisse.                                                               2 O Decreto 848, de 11  de outubro de 1890,  estabeleceu  que, na  guarda  e  aplicação  da Constituição  e das  leis  nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 105          12  Ao  proclamar  a  prevalência  da  constituição  sobre  os  demais  atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar  as  leis  inconstitucionais,  a  Suprema  Corte  Americana  não  só  inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de  constitucionalidade,  mas,  sobretudo,  rompeu  com  o  dogma  da  supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra  e nos demais países que adotam constituições flexíveis.  Os  fundamentos  da  inovadora  e  corajosa  decisão  da  Suprema  Corte  no  caso  Marbury  versus  Madison  já  haviam  sido  muito  bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra­prima The  Federalist, e partiu do seguinte raciocínio:  ­ a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá­ las ao caso concreto submetido a seu julgamento;  ­ a regra básica de interpretação das leis determina que quando  dois  dispositivos  legislativos  estiverem  contrastando  entre  si,  deve  o  juiz  aplicar  a  prevalente.  Se  ambas  tiverem  igual  densidade  normativa,  deve­se  valer  dos  critérios  tradicionais,  segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis  derogat  legi  generali,  etc.  Mas  todos  esses  critérios  são  desnecessários  quando  o  contraste  dá­se  entre  dispositivos  de  densidade  normativa  diversa,  aí,  o  critério  é  o  da  lex  superior  derogat  legi  inferiori.  Neste  caso,  a  norma  constitucional  prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição  for  rígida  e  não  flexível.  Do  mesmo  modo,  a  lei  prevalecerá  sempre sobre os decretos.  De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que  todo  e  qualquer  juiz,  encontrando­se  no  dever  de  decidir  uma  lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta  com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar  a norma de menor hierarquia.   Vejamos  agora  como  é  dividido  o  controle  de  constitucionalidade no Brasil.  Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em  preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo  legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei.  O  preventivo  é  exercido,  inicialmente,  pelas  Comissões  de  Constituição  e  Justiça  do  Poder  Legislativo  (art.  32,  III,  do  Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento  Interno do Senado Federal,  todos  fundamentados no art. 58 da  CF/88)  e,  posteriormente,  pela  participação  do  Chefe  do  Executivo  no  processo  legislativo,  quando  poderá  vetar  a  lei  aprovada  pelo  Congresso  Nacional  por  entendê­la  inconstitucional,  nos  termos  do  art.  66,  §  1º,  da  CF/88,  denominado veto jurídico.   Por  sua  vez,  se  o  projeto  de  lei  é  de  iniciativa  do  Poder  Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além  dos  controles  de  constitucionalidade  acima  mencionados,  o  realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 106          13  Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art.  2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe:  Art.  2º.  À  Casa  Civil  da  Presidência  da  República  compete  assistir  direta  e  imediatamente  ao  Presidente  da  República  no  desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação  e na integração das ações do governo, na verificação prévia da  constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo  nosso).  O  repressivo,  por  sua  vez,  poderá  se  dar  de  maneira  concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou  de  ação  declaratória  de  constitucionalidade,  competindo  em  ambos  os  casos,  somente,  ao  Supremo  Tribunal  Federal  processar e  julgar  tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do  inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988.  Pode ainda o controle repressivo dar­se de forma difusa, ou seja,  como incidente processual, no julgamento de casos concretos.  Depois de tudo o que aqui foi dito, pergunta­se:  ­  podem  os  órgãos  judicantes  da  administração  afastar  a  aplicação de lei inconstitucional?  ­ podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem  inconstitucional ou incompatível com a constituição?  A  resposta  à  primeira  pergunta  é  positiva,  pois  a  lei  inconstitucional,  como bem asseverou Marshal, não é  lei,  é ato  nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém.  Já  a  resposta  à  segunda  pergunta  é  negativa,  pois  da  interpretação  sistemática  da  Constituição  Federal  (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II,  “a” e “b”),  tem­se que a competência para realizar o controle  difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e  estendida a todos os seus componentes.   Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex­Procurador­Geral  da  República  e  Professor  Titular  da Universidade  de  Brasília,  Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por  ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência  da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho:  ...Nessa  linha  de  raciocínio  ­  que  ousaríamos  chamar  fática,  livre e realista ­ e ainda acompanhando o pensamento do maior  jurista do século XX, pode­se dizer, igualmente, que sem aquela  declaração  de  incompatibilidade,  proferida  pelo  órgão  a  tanto  legitimado,  nenhuma  norma  será  reputada  inconstitucional;  que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do  que  produz  as  leis,  a  prerrogativa  de  aferir­lhes  a  constitucionalidade,  norma  alguma  poderá  reputar­se  inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada ­  e  nos  limites  em  que  o  seja  ­  toda  lei  é  simplesmente  constitucional... (grifo nosso).   Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 107          14  Por tais razões, pode­se concluir, que, não tendo a Constituição  Federal  de  1998 dado  competência  a  órgãos  da  administração  para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das  leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei  que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem  quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição.  No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da  incompetência  dos  órgãos  do  Poder  Executivo  para  afastar  a  aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade:  É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação  pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos  do  Congresso  a  presunção  de  constitucionalidade.  É  que  ao  Parlamento,  tanto  quanto  ao  Judiciário,  cabe  a  interpretação  do Texto  constitucional, de  sorte  que,  quando  uma  lei  é  posta  em  vigor,  já  o  problema  de  sua  conformidade  com  o  Estatuto  Político foi objeto de exame e apreciação, devendo­se presumir  boa e válida a resolução adotada.  (...)  Oscar  Saraiva  entende  que  o  julgamento  da  inconstitucionalidade  é  privativo  do  Judiciário,  porque,  se  êste  cabe,  por  fôrça  de  preceito  expresso,  a  função  em  aprêço,  nenhum dos outros podêres tem competência para exercê­la 'sob  pena  de  se  confundirem  as  atribuições  dêstes,  o  que  a  nossa  Constituição  veda,  ao  prescrever  a  sua  separação  e  independência'.  Não  acolhemos,  todavia,  êsse  entendimento  do  culto  e  esclarecido  jurisconsulto,  que  se  choca,  aliás,  com  a  opinião unânime dos doutôres. Damo­lhe razão, apenas quando  nega  aos  funcionários  administrativos  competência  para  se  recusar  a  aplicar  uma  lei  sob  alegação  de  sua  inconstitucionalidade.  É  que  a  sanção  presidencial  afasta  qualquer  possível  manifestação  dos  funcionários  administrativos,  que  não  dispõem  do  exercício  do  poder  executivo. (sic)  Desta  feita,  se  o  órgão  administrativo  deixa  de  aplicar  lei  vigente  por  considerá­la  inconstitucional,  não  apenas  invade  a  esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de  morte um dos princípios norteadores da administração pública,  qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do  Chefe  do  Poder  Executivo  que,  ao  não  vetar  a  lei,  está  reconhecendo sua constitucionalidade.   Em  face  do  exposto,  parece­nos  equivocada  a  afirmação  daqueles  que  pregam  que  se  a  administração  é  vinculada  aos  ditames  da  lei,  muito  mais  será  aos  da  Lei  Maior,  logo  pode  negar aplicação à  lei manifestamente  inconstitucional. Rotundo  engano,  pois,  primeiro,  milita  a  favor  de  todas  as  leis  a  presunção de  constitucionalidade;  segundo, mesmo  sendo uma  presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela                                                              3  Bittencourt,  Lúcio  ­  O  Contrôle  Jurisdicional  da  Constitucionalidade,  Forense,  1968,  2º  edição, págs.91 a 96.  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 108          15  Constituição Federal  como competente para exercer o  controle  de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção.   Pertinente  trazer  à  colação as  conclusões  de Lúcio Bittencourt  sobre o tema, na obra já citada:  A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com  a  Constituição,  é  lei  ­  não  se  presume  lei  ­  é  para  todos  os  efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que  visa disciplinar e conserva plena e  íntegra aquela  fôrça  formal  que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer.  Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se  manifesta no  tocante aos atos  jurídicos públicos ou privados, e  que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por  via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da  obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de  direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica.  Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria  possível facilitar a quem quer que fôsse furtar­se a obedecer­lhes  os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta  Política.  A  lei,  enquanto  não  declarada  inoperante,  não  se  presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic)  Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do  festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4:  A  presunção  de  constitucionalidade  das  leis  encerra,  naturalmente,  uma  presunção  iuris  tantum,  que  pode  ser  infirmada  pela  declaração  em  sentido  contrário  do  órgão  jurisdicional  competente.  O  princípio  desempenha  uma  função  pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das  normas  jurídicas  e,  por  via  de  conseqüência,  na  harmonia  do  sistema.  O  descumprimento  ou  não­aplicação  da  lei,  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade,  antes  que  o  vício  haja  sido  proclamado  pelo  órgão  competente,  sujeita  a  vontade  insubmissa  às  sanções  prescritas  pelo  ordenamento.  Antes  da  decisão  judicial, quem subtrair­se à  lei o  fará por sua conta e  risco. (grifo nosso).  A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro,  o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição  exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a  inconstitucionalidade  pelo  Jurisdicional,  seja  com  efeitos  erga  omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com  efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de  constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação  cogente em todo o território nacional.   A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de  tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934,  há  exigência  expressa  de  reserva  de  plenário  para  que  os                                                              4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição,  pp 170 e 171.  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 109          16  tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por  essa  regra,  suscitado  o  incidente  de  inconstitucionalidade  por  um  dos  membros  do  tribunal,  suspende­se  o  julgamento  do  processo e remete­se a questão incidental para o pleno ou órgão  que  o  represente.  A  inconstitucionalidade  somente  será  declarada  por  voto  da  maioria  absoluta  dos  membros  do  tribunal  (art.  97  da  Seção  I  do  Capítulo  III  ­  Do  Poder  Judiciário  ­  do  Título  IV  ­  Das  Organizações  dos  Poderes  da  CF/88).  Essa  exigência  veio  para  uniformizar  a  interpretação  constitucional  no  âmbito  de  cada  tribunal.  E  como  se  processaria  o  incidente  de  inconstitucionalidade  no  processo  administrativo,  já  que,  diferentemente  do  que  ocorre  nos  tribunais  do  Judiciário,  nos  administrativos  não  há  a  previsão  para  tal.  Aliás,  não  poderia  mesmo  haver,  pois,  conforme  já  fartamente  demonstrado,  órgão  nenhum  da  administração  tem  poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade.  Ora,  se  para  os  tribunais  do  Judiciário  é  exigida  a  reserva  de  plenário,  como  então,  querer  que  os  órgãos  judicantes  da  administração, por  suas  turmas ou Câmaras, possam exercer o  controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera  administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio  judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda  Nacional  recorrer  ao  Supremo  Tribunal  Federal  quando  a  instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional,  o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário.   Veja­se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse  declarada  inconstitucional  em  controle  difuso,  a  questão,  se as  partes  forem  diligentes,  iria  ser  decidida,  em  última  instância,  pelo  STF.  Agora  reparem,  se  a  inconstitucionalidade  fosse  apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a  ser  discutida  no  Judiciário,  que  dirá  no  Supremo  Tribunal  Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do  que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção  do  Supremo.  Em  outras  palavras,  em  matéria  de  inconstitucionalidade,  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que  declarasse  alguma  lei  inconstitucional,  assim  como  ocorre  no  STF, não caberia qualquer recurso.   De  tudo  o  que  foi  dito,  resta  concluir  que  falece  aos  órgãos  judicantes  da  Administração  competência  para  afastar  a  aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente  ao Poder Judiciário.  Aliás,  há  disposição  legal  expressa  no  sentido  de  vedar  este  colegiado  afastar  aplicação  de  lei  por  vício  de  inconstitucionalidade,  salvo  as  exceções  nele  previstas,  o  que  não  é  o  caso  dos  autos.  Vide  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/1972,  com  a  redação  dada  pelo  art.  25  da  Lei  nº  11.941/2009.  A  norma  inserta  nesse  dispositivo  do  Processo  Administrativo  Fiscal  foi  reproduzida  no  art.  62  do  atual  regimento interno do CARF.   Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 110          17  Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos  1º,  2º  e  3º  Conselhos  de  Contribuintes  sumularam  o  entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos  afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade.   Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte  da  doutrina  de  que  essa  lei  complementar  não  se  aplicaria  ao  caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito  é  toda  dada  pelo  CTN,  mais  especificamente,  no  art.  168,  e  o  caso  dos  autos  está  amparado,  justamente,  nesse  dispositivo,  o  qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei  complementar nº 118/2005.   Aliás,  há  disposição  legal  expressa  no  sentido  de  vedar  este  colegiado  afastar  aplicação  de  lei  por  vício  de  inconstitucionalidade,  salvo  as  exceções  nele  previstas,  o  que  não  é  o  caso  dos  autos.  Vide  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/1972,  com  a  redação  dada  pelo  art.  25  da  Lei  nº  11.941/2009.  A  norma  inserta  nesse  dispositivo  do  Processo  Administrativo  Fiscal  foi  reproduzida  no  art.  62  do  atual  regimento interno do CARF.   Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos  1º,  2º  e  3º  Conselhos  de  Contribuintes  sumularam  o  entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos  afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade.   Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte  da  doutrina  de  que  essa  lei  complementar  não  se  aplicaria  ao  caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito  é  toda  dada  pelo  CTN,  mais  especificamente,  no  art.  168,  e  o  caso  dos  autos  está  amparado,  justamente,  nesse  dispositivo,  o  qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei  Complementar nº 118/2005.  Ultrapassada  a  questão  da  inconstitucionalidade  do  art.  4º  da  Lei  Complementar  nº  118/2005,  passa­se  à  análise  do  termo  inicial  da  prescrição  do  direito  de  a  reclamante  repetir  o  indébito objeto destes autos.  O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes  no  art.  1655do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN.  Todavia,  como  todo e qualquer direito,  esse  também  tem prazo para ser  exercido.  A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar  para  estabelecer  normas  gerais  de  prescrição  e  decadência  tributários,  conforme  se  vê  da  alínea  “b”  do  inciso  III  do  art.  146.  Art. 146. Cabe à lei complementar:                                                               5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja  qual  for a modalidade do seu pagamento,  ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos  seguintes casos:  I  ­  cobrança ou  pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou  circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 111          18  I ­ ....................................................................................................  III  ­  estabelecer  normas  gerais  em  matéria  de  legislação  tributária, especialmente sobre:  a)  .....................................................................................................  b)  obrigação,  lançamento,  crédito,  prescrição  e  decadência  tributários;  A  lei  com  o  status  exigido  pela  Constituição  para  fixar  as  hipóteses  de  prescrição  e  decadência  tributária,  quer  para  a  cobrança  do  débito  quer  para  a  devolução  do  indébito,  como  é  de  todos  sabido,  é  a  Lei  nº  5.172/1966,  alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada  pela Constituição como lei complementar.  Para  o  caso  aqui  em  debate  interessa,  apenas,  essa  última  hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece  o  prazo  de  05  anos  para  a  repetição,  contados  da  seguinte  forma:  I ­ da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses:  a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou  maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou  da  natureza  ou  circunstâncias  materiais  do  fato  gerador  efetivamente ocorrido;  b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa  ou  passar  em  julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido  a  decisão  condenatória  nas  hipóteses:  a)  de  reforma,  anulação,  revogação  ou  rescisão  de  decisão  condenatória.  A  exegese  desse  artigo  não  deixa  margem  a  dúvida  de  que  o  prazo prescricional para  repetição de  indébito  é de 05 anos. A  celeuma  que  se  instaurou  na  doutrina,  e  também  na  jurisprudência  gira  em  torno  do  termo  inicial  da  contagem  do  prazo. O art.  1686  fixa  duas  datas  distintas,  como não poderia  deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira ­ data  da extinção do crédito tributário – aplica­se aos casos previstos  nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que  se  tornar  definitiva  a  decisão  administrativa  ou  judicial  ou                                                              6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I ­ nas hipóteses  dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário.  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 112          19  passar  em  julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido  a  decisão  condenatória,  destina­se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II  do mencionado art. 165.  A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o  seu  conteúdo  por meio  das  técnicas  de  interpretação.  Todavia,  não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não  está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem  que se ater ao comando normativo, sob pena de  transformar­se  em  legislador  positivo,  usurpando  competência  que  não  lhe  foi  dada.  Em  outro  giro,  a  lei  complementar  fixou,  numerus  clausus,  os  eventos que servem como data do  termo de  início da contagem  do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do  crédito  tributário que  se pretende  repetir,  e  da  data  em que  se  tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado  a  decisão  judicial  que  tenha  reformado,  anulado,  revogado  ou  rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses,  nenhum  outro  dispositivo  legal  versa  sobre  o  termo  inicial  da  prescrição para repetir o indébito.  Assim,  toda a  engenharia  jurídica  e criativa utilizada para dar  sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo  não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é  de  se  ressaltar  que  essas  teses  que  criaram  termos  de  início  alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal,  como  afrontam  o  ordenamento  jurídico,  in  casu,  a  própria  Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional  que  detém  o  status  normativo  exigido  na  Carta  Cidadã  para  disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto  do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7:  Nessa  linha,  penso,  portanto,  que  a  inexistência  de  Lei  em  sentido  formal  ou  material  que  apóie  a  jurisprudência  administrativa  da  qual  ora  se  diverge,  faz  com  que  a  mesma  entre  em  conflito  com  o  princípio  da  legalidade,  insculpido  no  art.  37  da  Constituição  Federal  de  19888,  na  medida  em  que,  uma  vez  afastada  a  regra  jurídica  formalmente  vigente,  simplesmente  não  existe  outra  de  igual  concretude  para  ser  aplicada.   Nesse ponto,  não custa  relembrar que,  sob o ponto de  vista da  atuação  da  Administração  Pública,  onde  inegavelmente  está  inserida  este Colegiado,  dito  princípio  assume  feições  diversas  da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia  da  Vontade.  Diferentemente  deste  último,  à  Administração  Pública  só  é  permitido  fazer  aquilo  que  a  lei  (regra  jurídica)  prevê.                                                              7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes.  8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos  Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...”  9 “II ­ ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 113          20  Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes  Canotilho10,  que  assim  esquadrinha  os  diferentes  ângulos  de  atuação do princípio em discussão:  “O  princípio  da  legalidade  postula  dois  princípios  fundamentais:  o princípio da  supremacia ou  prevalência  da  lei  (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt  des  Gesetzes).  Estes  princípios  permanecem  válidos,  pois  num  Estado democrático­constitucional a lei parlamentar é, ainda, a  expressão  privilegiada  do  princípio  democrático  (daí  a  sua  supremacia)  e  o  instrumento  mais  apropriado  e  seguro  para  definir  os  regimes  de  certas  matérias,  sobretudo  dos  direitos  fundamentais  e  da  vertebração  democrática  do  Estado  (daí  a  reserva  de  lei).  De  uma  forma  genérica,  o  princípio  da  supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para  a  vinculação  jurídico­constitucional  do  poder  executivo  (cfr.,  infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei)  Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do  Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os  demais  valores  defendidos  no  plano  constitucional,  inclusive  sobre a Segurança Jurídica,  invocado como fundamento para a  decisão em debate.  Nesse  aspecto,  recorro  à  lição  de  Sacha  Calmon  Navarro  ­  membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a  prolação  dos  votos  vencedores  ­  que,  baseado  na  doutrina  alemã11, pontifica:  “O  conceito  de  segurança  jurídica  é  considerado  conquista  especial  do  Estado  de  Direito.  Sua  função  é  a  de  proteger  o  indivíduo  de  atos  arbitrários  do  poder  estatal,  já  que  as  intervenções  do  Estado  nos  direitos  dos  cidadãos  podem  ser  muito  pesadas  e,  às  vezes,  injustas.  No  entanto,  se  tais  intervenções têm base em lei e visam o bem­estar público, será  preciso decidir­se pela avaliação conjunta do interesse coletivo  e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade  (conformação  do  direito)  da  medida  estatal.  Esse  princípio  é  freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...”  (grifei).  Poder­se­ia então argumentar que a solução ora discutida seria  então  resultado  do  sopesamento  entre  os  princípios  constitucionais  aparentemente  conflitantes, mediante a  redução  da “força” do princípio da legalidade.  Ocorre  que  essa  solução  só  seria  possível,  penso,  se  os  princípios  constitucionais  invocados  possuissem  o mesmo  grau  de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada.                                                               10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª  Edição, p. 256  11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon,  Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa­Fé como Valores Constitucionais. As Leis  Interpretativas  no  Direito  Tributário  Brasileiro.  Disponível  em  http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 114          21  Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em  regras  jurídicas,  passíveis  de  aplicação  imediata,  independente  de lei complementar ou ordinária.  Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que  os  torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12,  informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os  princípios  invocados,  a  bem  da  verdade,  não  são  regras  jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os  primeiros,  enquanto  “mandatos  de  otimização”13,  assim  se  distinguem das últimas:  “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es  que  los  principios  son  normas  que  ordenan  que  algo  sea  realizado  en  la  mayor  medida  posible,  dentro  de  las  posibilidades  jurídicas  y  reales  existentes.  Por  lo  tanto,  los  principios  son  mandatos  de  optmización,  que  están  caracterizados  por  el  hecho  de  que  pueden  ser  cumplidos  en  diferente grado y que  la medida debida de  su  cumplimiento no  sólo  depende  de  las  posibilidades  reales  sino  también  de  las  jurídicas.  El  ámbito  de  las  posibilidades  jurídicas  es  determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las  regias  son normas que sólo pueden  ser cumplidas o no. Si  una  regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige,  ni  más  ni  menos.  Por  lo  tanto,  las  reglas  contienen  determinaciones  en  el  ámbito  de  lo  fáctica  y  jurídicamente  posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios  es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o  un principio” (grifei)  Como  esclarece  José  Afonso  da  Silva14,  apesar  de  sempre  vigentes,  as  normas  principiológicas  constitucionais  normalmente  não  reúnem  todos  os  elementos  necessários  para  sua  incidência  direta.  Às  vezes,  falta­lhes  o  que  Alexy  definiu  como  “possibilidade  jurídica”.  Daí  porque,  desenvolveu  o  mestre  paulista  a  clássica  distinção  entre  normas  de  eficácia  plena, contida e limitada:  “Quando  essa  regulamentação  normativa  é  tal  que  se  pode  saber,  com  precisão,  qual  a  conduta  positiva  ou  negativa  a  seguir  relativamente ao  interesse descrito na norma,  é possível  afirmar­se que está é completa e juridicamente dotada de plena  eficácia”.  Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e  Juan Ruiz Manero15 que as regras:                                                              12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72  13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud  Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997,  Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85.  14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99:  15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas  de Direito  Público — Estudos  em Homenagem  ao Ministro  José  Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho  e  Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178   Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 115          22  “constituem  concreções  relativas  às  circunstâncias  genéricas  que  constituem  suas  condições  de  aplicação,  derivadas  do  balanço  entre  os  princípios  relevantes  em  ditas  circunstâncias.  Estas  concreções,  constituídas  pelas  regras,  pretendem  ser  concludentes  e  excluir,  como  base  para  adotar  um  curso  de  ação,  a  deliberação  de  seu  destinatário  sobre  o  balanço  de  razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta  em  ocasiões  falida:  quando  o  resultado  de  aplicar  a  regra  é  inaceitável  a  luz  dos  princípios  do  sistema  que  determinam  a  justificação  e  o  alcance  da  própria  regra.  Em  tais  casos,  a  pretensão  concludente  e  excludente  das  regras  fracassa  e  o  ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie  que  se  vê  finalmente,  uma  vez  consideradas  todas  as  circunstâncias, afastado”  Assim  sendo,  um  princípio  constitucional  que  não  reúne  os  elementos  condicionantes  para  sua  eficácia  plena  não  pode  substituir  a  regra  jurídica  insculpida  no  CTN,  no  máximo,  afastar  sua aplicação por meio dos adequados  instrumentos de  controle da constitucionalidade, medida que foge à competência  deste colegiado.  Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o  resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa  medida  não  faria  surgir  uma  nova  em  seu  lugar  e,  nessa  condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre­se,  o Decreto  nº  20.910,  de  1932  não  pode  servir  de  base  para  a  concessão de restituição tributária.  2. Interpretação Conforme a Constituição  Doutrinadores  de  peso,  como  Paulo  Bonavides16,  defendem  a  interpretação  conforme  a  Constituição,  como  método  de  harmonização  da  norma  infraconstitucional  aos  princípios  constitucionais,  pretendendo,  ao  que  parece,  conferir  a  essa  técnica  contornos  de  mera  busca  pelo  verdadeiro  sentido  do  texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição.   Ocorre  que  tal  linha,  que,  ao  que  parece,  tem  sido  seguida  majoritariamente  por  este Colegiado,  diverge  daquela  que  tem  sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que  firmou norte  no sentido de que a  interpretação conforme a Constituição, em  verdade,  corresponde  a  um  método  de  controle  da  constitucionalidade,  sentido  igualmente  atribuído  por  Celso  Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18.  Tal  convicção  ganha  força  em  função  da  leitura  do  parágrafo  único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999,                                                              16 Curso de direito constitucional, p. 518.  17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição  e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação  Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a  599.  18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de  Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo  Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a  599.  Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 116          23  que  assim  disciplina  os  possíveis  resultados  da  Ação  Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória  de Constitucionalidade.  Parágrafo  único.  A  declaração  de  constitucionalidade  ou  de  inconstitucionalidade,  inclusive  a  interpretação  conforme  a  Constituição  e  a  declaração  parcial  de  inconstitucionalidade  sem  redução  de  texto,  têm  eficácia  contra  todos  e  efeito  vinculante  em  relação  aos  órgãos  do  Poder  Judiciário  e  à  Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei)  Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos  Ayres  Britto,  em  voto  vista  proferido  em  questão  de  ordem  suscitada nos autos da ADPF no 54:  “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num  típico  exercício  de  hermenêutica,  pois  o  típico  exercício  de  hermenêutica  se  dá  é  num  precedente  contexto  de  serena  aceitação  da  validade  do  dispositivo  sobre  que  recai.  Ela  se  inscreve  é  entre  os  mecanismos  de  controle  de  constitucionalidade,  como  exigência  do  sumo  princípio  da  supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado  segundo  momento  processual  de  sua  aplicabilidade,  ela  é  manejada  como  instrumento  de  sindicabilidade  jurídica  do  ato  público  de  menor  escalão  hierárquico.  Por  conseguinte,  mecanismo  pelo  qual  se  afere  tanto  a  validade  formal  quanto  material de um modelo  jurídico­positivo posto em cotejo com a  Magna Carta.”  Nesse  diapasão,  penso  que  falta  competência  legal  a  este  Colegiado  para,  por  meio  da  pré­falada  técnica,  interferir  no  texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar  a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os  princípios  constitucionais  invocados  nos  votos  vencedores,  se  subsumiriam perfeitamente ao seu texto.  Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da  interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não  admite alteração do texto normativo. Leciona o autor:  “...daqui  se conclui que a  interpretação conforme  só permite a  escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a  revisão  de  seu  conteúdo.  A  interpretação  conforme  a  constituição  tem,  assim,  os  seus  limites  na  ‘letra  e  na  clara  vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e  não podendo traduzir­se na ‘reconstrução’ de uma norma que  não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei)  Nesse  mesmo  sentido,  concluiu  o  Tribunal  Pleno  do  STF,  nos  autos da ADI 3046/SP20:  “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle  de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no                                                              19Op. cit., p. 1265/1266  20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004.  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 117          24  raio  das  possibilidades  hermenêuticas  de  extrair  do  texto  uma  significação normativa harmônica com a Constituição.”  Importa  ponderar,  noutro  giro,  que  nem  a  interpretação  conforme  nem  qualquer  outro  método  de  controle  da  constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao  texto  da  lei,  conforme  deixou  claro  o  Pretório  Excelso  na  decisão proferida nos autos da Representação no 1.417­721:  “O  princípio  da  interpretação  conforme  a  Constituição  (Verfassungskonforme  Auslegung)  é  princípio  que  se  situa  no  âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples  regra de interpretação.  A  aplicação  desse  princípio  sofre,  porém,  restrições,  uma  vez  que,  ao  declarar  a  inconstitucionalidade  de  uma  lei  em  tese,  o  STF  ­  em  sua  função  de  Corte  Constitucional  ­  atua  como  legislador  negativo,  mas  não  tem  o  poder  de  agir  como  legislador  positivo  para  criar  norma  jurídica  diversa  da  instituída pelo Poder Legislativo.   Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a  norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o  Poder  Legislativo  lhe  pretendeu  dar,  não  se  pode  aplicar  o  princípio  da  interpretação  conforme  à  Constituição  que  implicaria,  em  verdade,  criação  de  norma  jurídica,  o  que  é  privativo do legislador positivo.  (...)  ­  No  caso,  não  se  pode  aplicar  a  interpretação  conforme  a  Constituição  por  não  se  coadunar  essa  com  a  finalidade  inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente  no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da  interpretação lógica.” (os grifos constam do original)  Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime  Constitucional  vigente,  o  “remédio”  contra  a  omissão  do  legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não  é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios  de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção,  ex  vi  do  art.  5º,  caput,  inciso  VXXI  e  §1º22.  Nem  a  Ação  de  Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103,  tem  o  efeito  positivo  ou  inovador  aplicado  no  voto  do  qual  se  discorda.   Não  se  vê,  portanto,  como,  em  sede  de  recurso  voluntário,  conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação  como se encontra vigente.                                                              21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988.  22 LXXI  ­ conceder­se­á mandado de  injunção sempre que a  falta de norma regulamentadora  torne  inviável o exercício dos  direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;  § 1º ­ As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata.  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 118          25  Todavia, deve­se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos  conselhos  de  contribuintes,  proliferaram­se  teses  e  mais  teses  criando  várias  outras  hipóteses  de  marco  inicial  da  contagem  desse prazo. Como exemplo, pode­se citar a data da publicação  da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse  de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a  data  do  dispositivo  legal23,  por  meio  do  qual  a  administração  teria  reconhecido  o  direito  de  não  mais  se  pagar  o  tributo  inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai.   Entretanto,  com  a  edição  da  Lei  Complementar  nº  118,  de  09/02/2005,  cujo  artigo  3º  deu  interpretação  autêntica  ao  art.  168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que  a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito  a  lançamento  por  homologação,  no  momento  do  pagamento  antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o  único  entendimento  possível  é  o  trazido  na  novel  lei  complementar.  Esclareça­se,  por  oportuno,  que  em  se  tratando  de  norma  expressamente  interpretativa,  deve  ser  obrigatoriamente  aplicada  aos  casos  não  definitivamente  julgados,  por  força  do  disposto no art. 106, I, do CTN.  Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o  termo  inicial  da  prescrição  é  a  data  da  extinção  do  crédito  tributário  pelo  pagamento  era  o  adotado  pelo  STF  antes  de  a  competência  para  apreciar  este  tipo  de  matéria  passar  para  o  STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio  de Mello proferida na votação do RE acima transcrito:  O  SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO  ­  Presidente,  diria  mesmo  que  a Primeira  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da  matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da  lei no  tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito  que  revelou,  ou  melhor,  explicitou  mais  ainda,  se  é  que  era  preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo  inicial  a  data  do  nascimento  da  ação.  E  se  afastou  a  Lei  Complementar  nº  118/2005,  mais  precisamente  o  artigo  esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106,  inciso I,  do  Código  Tributário  Nacional,  que  versa,  justamente,  a  aplicação  da  lei  a  ato  ou  fato  pretérito,  em qualquer  hipótese,  quando  seja  expressamente  ­  para  mim,  ela  foi  simplesmente  interpretativa  ­  interpretativa,  excluída  a  aplicação  de  penalidade no caso de infração.  Aqui  estamos  diante  daquela  situação  concreta  em  que  se  dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação  inteligente,  sem dúvida  alguma, mas  que,  a meu  ver,  de  início,                                                              23  Pacificou­se,  noutro  giro,  o  entendimento  de  que,  independentemente  da  modalidade  de  controle  da  constitucionalidade, considera­se como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que  dispense  os  agentes  públicos  de  adotar  providências  tendentes  à  cobrança  dos  tributos  declarados  inconstitucionais.   Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 119          26  não  se  coaduna  com  o  que  se  contém  no  Código  Tributário  Nacional.  Acompanho,  integralmente,  o  relator  no  voto  proferido,  em  situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete.  Em  outro  giro,  embora  não  concorde  com  a  tese  dos  5  +  5  adotada pelo  Superior Tribunal  de  Justiça,  por  entender  que  a  homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos  retroagem à data do pagamento,deve­se reconhecer que tal tese  tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a  data da  extinção do crédito  tributário. A divergência  reside na  interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário  das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do  CTN,  parte  deste  dispositivo  e,  como  dito  linhas  acima,  interpreta­o de forma a fixar quando se deu o evento da extinção  do  crédito  tributário.  Não  se  inventou  nada,  apenas  se  interpretou  a  lei.  Interpretação  esta,  a  meu  sentir,  não  escorreita,  já que diferenciada da que  foi dada pelo  legislador.  De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o  marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele  se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou  outro  termo  de  início,  sem  qualquer  pertinência  com  o  estabelecido em lei.  Gize­se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer  dessas  teses  inovadoras  adotadas  nos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes,  já  que  o  STJ,  a  partir  de  novembro  de  2005,  espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da  prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou  a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF  ou  a  edição  de  resolução  do  Senado  não  exercem  qualquer  influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos:  EREsp na 435.835 / SC SC 24:  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  EMBARGOS  DE  DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  LEI N°  7.787/89.  COMPENSAÇÃO.  PRESCRIÇÃO.  DECADÊNCIA.  TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES.  1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento  tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo  decadencial  só  se  inicia  após  decorridos  5  (cinco)  anos  da  ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a  partir da homologação  tácita do lançamento. Estando o  tributo  em  tela  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplicam­se  a  decadência e a prescrição nos moldes acima delineados.  2.Não  há  que  se  falar  em  prazo  prescricional  a  contar  da  declaração de  inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução  do Senado. A pretensão  foi  formulada no prazo concebido pela  jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que  a  ação  não  está  alcançada pela  prescrição,  nem o direito  pela                                                              24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007;  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 120          27  decadência.  Aplica­se,  assim,  o  prazo  prescricional  nos  molde  sem que pacificado pelo STJ,  id  est,  a  corrente dos  cinco mais  cinco.  AgRg no REsp 852086 / RJ 25:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL.  ADMINISTRADORES  E  AUTÔNOMOS.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  PRESCRIÇÃO. PRAZO.  I ­ Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo  prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do  crédito  tributário  somente  se  opera  quando  decorridos  cinco  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador,  acrescidos  de mais  cinco  anos,  contados  a  partir  da  homologação  tácita,  em  nada  influenciando  o  termo  inicial  da  prescrição,  a  declaração  de  inconstitucionalidade  da  exação,  pelo  STF,  seja  em  controle  difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento  dos  EREsp  n°  435.835/SC,  Rei.  p/  acórdão  Min.  JOSÉ  DELGADO, julgado em 24/03/2004.  REsp 841652 / PR  26:  TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO.  SOCIEDADE  CIVIL.  ISENÇÃO.  ACÓRDÃO  VERGASTADO.ENFOQUE  EMINENTEMENTE  CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF.  Nos  tributos  lançados  por  homologação,  o  prazo  para  a  propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a  contar  do  fato  gerador,  se  a  homologação  for  tácita  (tese  dos  "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação,  se expressa. Precedentes.  O  Tribunal  a  quo  negou  a  pretensão  recursal  sob  enfoque  eminentemente  constitucional,  cujo  reexame  é  da  competência  exclusiva do STF.  Recurso especial conhecido em parte e improvido.  De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de  prescrição  da  data  da  extinção  do  crédito  tributário  para  qualquer outra data, estar­se­ia criando direito novo, totalmente  incompatível  com  o  CTN,  e  também,  com  o  art.  146  da  Constituição  da República.  Impõe­se  ressaltar  que  o  interprete  não  pode  dar  à  norma  um  alcance  maior  do  que  a  ela  o  legislador  não  deu,  sob  pena  de  se  transformar  o  ato  de  interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da  lei; esse, com exclusividade, da do legislador.  Sobre  a  tese  do  termo  de  início  ser  deslocado  da  extinção  do  crédito  tributário,  para  a  data  da  publicação  da  resolução  do                                                              25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007.  26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007.  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 121          28  Senado  que  retirou  do  mundo  jurídico  a  lei  declarada  inconstitucional pelo STF, deve­se esclarecer que ela encontra­ se  totalmente  desvinculada  da  jurisprudência  de  nossos  tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir.  Regina Maria Macedo Nery  Ferrari27,  apoiada  na  doutrina  de  Oswaldo Aranha Bandeira  de Melo28,  leciona  que  a Resolução  Senatorial  que  dá  efeitos  erga  omnes  à  decisão  do  STF  que  declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e,  nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para  as partes que não integraram o litígio.  O  Conselheiro  Luis  Marcelo,  no  aludido  voto  proferido  na  Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos  que  pode  ser  afastado  de  plano  é  o  da  imprescritibilidade,  característica  própria  da  ADI  e  das  demais  ações  de  cunho  declaratório.  Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei  ou  ato  normativo  sua  eficácia;  perde  sua  executoriedade,  vale  dizer,  a  sua  revogação,  e,  a  partir  daí,  não  mais  pode  ser  considerada em vigor.  Ora, parece­nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só  a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos  leva  a  admitir  seu  caráter  constitutivo.  A  lei  até  tal  momento  existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua  carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que  ela  vai  passar  a  não  obrigar  mais,  já  que,  enquanto  tal  providência  não  se  concretizar,  pode  o  próprio  Supremo,  que  decidiu  sobre  sua  invalidade,  alterar  seu  entendimento,  conforme manifestação dos  próprios ministros  do  Supremo,  em  voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de  maio de 1966.  Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter  efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos  negar o caráter normativo de  tal  ato, o mesmo, embora não se  confunda  com a  revogação,  opera  como  ela,  já que  retira,  por  disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido  por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.  José  Afonso  da  Silva29,  apoiado  em  doutrinadores  da  envergadura  de  Pontes  de  Miranda,  Alfredo  Buzaid  e  Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que:  O  problema  deve  ser  decidido,  pois,  considerando­se  dois  aspectos.  No  que  tange  ao  caso  concreto,  a  declaração  surte  efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei  inconstitucional  desde  o  seu  nascimento.  No  entanto,  a  lei                                                              27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205.   28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais,  2004, 5ª ed.  29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57.  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 122          29  continua  eficaz  e  aplicável,  até  que  o  Senado  suspenda  sua  executoriedade;  essa manifestação  do  Senado,  que  não  revoga  nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem  efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se  existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus  efeitos.  O Ministro Teori Albino Zavascki30, em obra dedicada ao tema,  citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo,  estabelece  limites  temporais  para  o  poder  vinculativo  advindo  da  Resolução  Senatorial, a saber:  Em  qualquer  caso,  o  efeito  vinculante  da  declaração  de  inconstitucionalidade  é,  sob  o  aspecto  temporal,  logicamente  posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc,  desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato  do  qual  decorre,  que  é  superveniente  à  norma  inconstitucional  [Essa  linha  de  entendimento  norteou  o  acórdão  do  Supremo  Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976,  Relator Min. Amaral  Santos  (julgamento de  13.09.68),  em  cujo  voto  está  dito  que  'a  suspensão  da  vigência  da  lei  por  inconstitucionalidade  torna  sem efeito os atos praticados  sob o  império da lei  inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão  transitada  em  julgado  só  pode  ser  declarada  por  via  de  ação  rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade,  que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex  nunc'].  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça31,  sobre  o  tema, firmou­se no seguinte sentido:  REsp nº 547.744/MG32:   Como a ADIN é  imprescritível,  todas as ações que  tiverem por  objeto  direitos  subjetivos  decorrentes  de  lei  cuja  constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à  reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim,  disseminaria­se  a  imprescritibilidade  no  direito,  tornando  os  direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei  seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e  a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle  direto de constitucionalidade, então  todos os direitos  subjetivos  tornar­se­iam imprescritíveis.   A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação  do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos  protegidos  pelos  seus  efeitos,  estabilizando  as  relações                                                              30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001,  pp. 81­101  31  jurisprudência  trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto  proferido  no  julgamento  do  Recurso  Voluntário  nº  133.010,  da  Terceira  Câmara  do  Terceiro  Conselho  de  Contribuintes.    32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 123          30  jurídicas,  independentemente  de  ulterior  controle  de  constitucionalidade da lei. (grifei)  O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei  tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o  conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do  débito  do  Fisco  somente  se  pleiteada  tempestivamente  em  face  dos  prazos  de  decadência  e  prescrição:  a  decisão  em  controle  direto  não  tem  o  efeito  de  reabrir  os  prazos  de  decadência  e  prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em  julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição  se dá em razão do princípio da actio nata. Trata­se de petição de  princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se  pretende. O acórdão em ADIN não  faz  surgir novo  direito  de  ação  ainda não desconstituído  pela  ação  do  tempo no direito.  Respeitados  os  limites  do  controle  da  constitucionalidade  e  da  imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito  do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas  três  regras  que  construímos  a  partir  dos  dispositivos  do  CTN.  (grifei)  O  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  em  declaração  de  voto  proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que:  Em  suma,  não  há  como  afirmar  que  a  declaração  de  inconstitucionalidade,  notadamente  quando  formulada  em  controle  difuso,  importe,  no  plano  da  norma,  qualquer  efeito  extintivo  ou  modificativo.  A  norma  permanece  nula,  como  sempre  foi.  Também  nenhum  efeito  dessa  espécie  ocorre  no  plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a  que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual  proposta).  Mas,  mesmo  havendo  sentença  de  inconstitucionalidade  proferida  em  ação  de  controle  concentrado,  as  relações  jurídicas  individuais  formadas  inconstitucionalmente  (como,  v.  g.,  o  pagamento  de  um  tributo  inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração  e muito menos desfeitas de modo automático.  A  seu  turno,  o  Ministro  Gilmar  Ferreira  Mendes34,  sobre  os  efeitos  desconstitutivos  da  sentença  proferida  em  sede  de  controle da constitucionalidade, pondera:  Não  se  está  a  negar  caráter  de  princípio  constitucional  ao  princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entende­se, porém,  que  tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se  revelar  absolutamente  inidôneo  para  a  finalidade  perseguida  (casos  de  omissão;  exclusão  de  benefício  incompatível  com  o  princípio da  igualdade), bem como nas hipóteses em que a  sua  aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico  constitucional (grave ameaça à segurança jurídica).  (...)                                                              33 Publicado no DJ de 05/04/2004.  34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 124          31  Acentue­se,  desde  logo,  que,  no  direito  brasileiro,  jamais  se  aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual  nulidade  de  todos  os  atos  que  com  base  nela  viessem  a  ser  praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de  preceitos  semelhantes  aos  constantes  do  §  79  da  Lei  do  Bundesverfassungsgericht  que  prescreve  a  intangibilidade  dos  atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que  a  declaração  de  inconstitucionalidade  afete  todos  os  atos  praticados com fundamento na lei inconstitucional.  Embora  o  nosso  ordenamento  não  contenha  regra  expressa  sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato  fundado  em  lei  inconstitucional  está  eivado,  igualmente,  de  iliceidade concede­se proteção ao ato singular, em homenagem  ao  princípio  da  segurança  jurídica,  procedendo­se  à  diferenciação  entre  o  efeito  da  decisão  no  plano  normativo  (Normebene)  e  no  plano  do  ato  singular  (Einzelaktebene)  mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão.  De  qualquer  sorte,  os  atos  praticados  com  base  na  lei  inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão  não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade.  (os  grifos não constam do original)  Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35:  Pode  também  entender­se  que  os  limites  à  retroactividade  se  encontram  na  definitiva  consolidação  de  situações,  actos,  relações,  negócios  a  que  se  referia  a  norma  declarada  inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados  pela  norma  julgada  inconstitucional  se  encontram  definitivamente  encerradas  porque  sobre  elas  incidiu  caso  julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou  caducidade,  porque  o  acto  se  tornou  inimpugnável,  porque  a  relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a  dedução  de  inconstitucionalidade,  com  a  conseqüente  nulidade  ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta  vasta gama de situações ou relações consolidadas.  Como  bem  asseverou  o  Conselheiro  Luis  Marcelo,  no  voto  já  citado linhas acima:  (...)  um  exemplo  claro  da  aplicação  das  chamadas  normas  de  preclusão  pode  ser  extraído  da  decisão  proferida  nos  autos  do  Resp nº 686.05836 ­ MG, em que se discutia o cabimento de ação  rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei  que fundamentou a sentença:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL.  EFICÁCIA  TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS  EFEITOS  PRETÉRITOS  DE  SENTENÇA  TRANSITADA  EM                                                              35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição,  p. 388.  36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 125          32  JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO  PELO  STF,  EM  CONTROLE  DIFUSO,  DA  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  EM  QUE  SE  FUNDA.  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  AÇÃO  RESCISÓRIA.  SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO  FEDERAL. MODIFICAÇÃO  NO  ESTADO DE DIREITO QUE  FAZ  CESSAR,  DESDE  A  EDIÇÃO  DA  RESOLUÇÃO,  AUTOMATICAMENTE,  A  FORÇA  VINCULANTE  DO  PROVIMENTO JURISDICIONAL.  (...)  4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de  constitucionalidade,  ainda  que  pelo  STF,  limitam  sua  força  vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso,  de forma automática, como decorrência de sua simples prolação,  eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário,  para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação  rescisória.  5.  A  edição  de  Resolução  do  Senado  Federal  suspendendo  a  execução  das  normas  declaradas  inconstitucionais,  contudo,  confere  à  decisão  in  concreto  efeitos  erga  omnes,  universalizando  o  reconhecimento  estatal  da  inconstitucionalidade  do  preceito  normativo,  e  acarretando,  a  partir  de  seu  advento,  mudança  no  estado  de  direito  capaz  de  sustar  a  eficácia  vinculante  da  coisa  julgada,  submetida,  nas  relações  jurídicas  de  trato  sucessivo,  à  cláusula  rebus  sic  stantibus.  6. No caso concreto, tem­se ação ordinária por meio da qual se  busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º,  I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado,  invocando  a  posterior  declaração  de  sua  inconstitucionalidade  pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo  para  a  propositura  da  ação  rescisória,  tal  intento  é  inviável.(grifei)  Conclui o ilustre Conselheiro:  (...)  ainda  que  se  discutam  os  efeitos  da  declaração  de  inconstitucionalidade,  tornou­se  pacífico  na  jurisprudência  da  Corte Constitucional,  que  a  reclamada  nulidade  só  atinge  o  ato  que  ainda  encontra  condições  de  ser  revisto,  o  que  não  ocorre,  v.g.  com  aquele  atingido  pela  prescrição.  Como  prova  de  tais  conclusões, o  reconhecido constitucionalista, cita voto proferido  pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637:  Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre  o direito­dever de revogar ou anular os atos administrativos ou  sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura­se difícil  afirmar,  com  segurança,  o  dever  do  Poder  Público  de  anular  todos  os  atos  praticados  com  base  na  lei  inconstitucional.  É  certo  que,  por  analogia,  poder­se­ia  cogitar  da  aplicação  dos                                                              37 DJ 01/07/1977.  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 126          33  prazos  prescricionais  a  essa  situação,  de  modo  que  seria  admissível  o  dever  de  a  Administração  proceder  à  revisão  apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial.  Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki,  em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38:  O  caso  dos  autos  é  paradigmático,  porque  põe  em  confronto  duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em  se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se  mostram incompatíveis,  expondo a  fragilidade dos  fundamentos  que  as  sustentam.  Tal  fragilidade  reside,  segundo  penso,  na  circunstância  de  terem,  ambas,  se  assentado  sobre  bases  que  desconsideram  inteiramente  um  princípio  universal  em matéria  de  prescrição:  o  princípio  da  actio  nata,  segundo  o  qual  a  prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação  (Pontes  de  Miranda,  Tratado  de  Direito  Privado,  Bookseller  Editora,  2.000,  p.  332).  Realmente,  ocorrendo  o  pagamento  indevido,  nasce  desde  logo  o  direito  a  haver  a  repetição  do  respectivo  valor,  e,  se  for  o  caso,  a  pretensão  e  a  correspondente  ação  para  a  sua  tutela  jurisdicional.  Direito,  pretensão  e  ação  são  incondicionados,  não  estando  subordinados  a  qualquer  ato  do  Fisco  ou  a  decurso  de  tempo.(grifei)  (...)  Por  tais  razões,  não  se  pode  justificar,  do  ponto  de  vista  constitucional,  a  orientação  segundo  a  qual,  relativamente  à  repetição  de  tributos  inconstitucionais,  o  prazo  prescricional  somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a  sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse,  atribuir  eficácia  constitutiva  àquela  declaração.  Significaria,  também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo  (=  fato  futuro  e  certo),  mas  a  uma  condição  (=  fato  futuro  e  incerto).  Não  haveria  termo  a  quo  do  prazo,  e  sim  condição  suspensiva.  Isso  equivale  a  eliminar  a  própria  existência  do  prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN,  já  que,  sem  termo  "a  quo",  o  termo  "ad  quem"  será  indeterminado.  O  prazo  prescricional  será  incerto,  aleatório  e  eventual,  já  que,  se  ninguém  tomar  a  iniciativa  de  provocar  jurisdicionalmente  a  declaração  de  inconstitucionalidade,  não  estará  em  curso  prazo  prescricional  algum,  mesmo  que  o  recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou  vinte anos.  Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO,  publicada  na  revista  RDT  da  Malheiros,  o  Professor  e  Doutor  Eurico  de  Santi,  com  a  costumeira  maestria,  demonstra  que  a  prescrição  para  repetir  tributo  tem  como  termo  inicial  a  data  da  extinção  do  crédito  tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi:                                                              38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004.  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 127          34  3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da  tese dos 10 anos  IR,  IPI,  ICMS,  ISS,  IPVA  etc,  demais  contribuições  e  outros  tributos,  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  sempre  tiveram  suas  leis  discutidas  e  os  respectivos  indébitos  reconhecidos em nome do princípio da  legalidade, mas sempre  sujeitos  ao  limite  temporal  desse  controle  da  legalidade,  balizado  pela  regra  de  prescrição  do  direito  à  repetição  do  indébito,  cujo  prazo  desde  a  CF67  foi  de  5  anos,  contados  do  momento pagamento indevido.  Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN:  “O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso do  prazo  de  5  (cinco)  anos,  contados:  (...)  I  –  nas  hipóteses  do  inciso  I  (“pagamento  espontâneo  de  tributo  indevido  ou maior  que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do  art. 165, da data da extinção do crédito tributário”.   Sendo  que,  por  quase  trinta  anos,  doutrina  e  jurisprudência  foram  uníssonas  no  entendimento  de  que  o  dies  a  quo  deste  prazo  é  o  momento  do  pagamento  indevido,  i.é,  a  data  da  extinção  do  crédito:  a  regra  parecia  tão  clara  que  sequer  se  falava  de  interpretação  (tampouco  em  “tese”),  passavam­se  5  anos  e,  simplesmente,  “ocorria”  a  prescrição  do  direito  de  repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição  sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial).  Tudo  começou  com  o  reconhecimento,  pelo  STF,  da  inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto­lei  nº  2.288/86,  que  instituiu  o  controvertido  empréstimo  compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois  de  esgotado o prazo para propositura da ação de  repetição do  indébito  deste  tributo  –  i.é,  cinco  anos  contados  da  data  da  extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN.  Deveras,  o  simples  fato  era  que  havia  ocorrido  a  prescrição:  bastava  aplicar,  então,  a  clara  regra  prevista  no  Art.  168  do  CTN.  É  por  isso  que  as  regras  de  prescrição  elegem  em  seus  suportes  facticos  o  tempo,  o  tempo  é  um  fator  objetivo  e  indiscutível:  todos  tendem  a  concordar  com  os  dias  do  calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade  da  prescrição,  a  tipicidade  do  tempo  realiza  a  segurança  jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo.  Além disso,  convenhamos,  tratava­se de um  tributo  irrelevante,  contingente  e  provisório:  o  empréstimo  compulsório  sobre  combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado  o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria,  simplesmente,  a  exigência  do  cumprimento  de  sua  claúsula  de  restituição,  tal  qual  prevista  na  lei  instituidora:  novamente,  bastava aplicar a lei.  4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça!  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 128          35  Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela  reparação  da  ilegalidade  do  empréstimo  compulsório,  corrompeu­se  sistemicamente,  a  legalidade  da  regra  de  prescrição,  disciplinada  na  própria  Constituição  ex  vi  do  Art.  146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição,  que  tem  na  segurança  jurídica  sua  única  razão  de  existir  ­  servindo  como  técnicas  de  limitação  do  próprio  princípio  da  legalidade ­ encontraram­se modificados por mera tese.  Assim,  sem  a  devida  lei  complementar  e  mediante  mera  e  contingente  interpretação,  alterou­se  o  prazo  de  prescrição  de  praticamente  todos  nossos  tributos  federais,  estaduais  e  municipais.  Tudo,  decorrência  de  uma  criativa  e  sedutora  tese  que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica:  tese de 10 para cá, tese de 10 para lá.   E  todos  nós  ficamos  no meio!  Até  hoje  incertos  do  prazo, mas  sempre  certos  que  somos  sempre  nós,  contribuintes,  que  pagamos  a  conta.  Não  lutamos  contra  gigantes  abstratos,  o  Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho:  é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que  sai  para  prover  o  numerário  para  as  restituições  de  indébito  pleiteadas. E se a carga  tributária aumenta, é,  também, porque  alguém  tem  que  pagar  mais,  para  que  outros,  ou  os  mesmos,  possam restituir mais.   Assim,  corrompendo­se  a  legalidade  em  nome  da  legalidade,  mas  em  absurdo  desrespeito  a  segurança  jurídica,  o  termo  inicial  do  prazo  deixou  de  ser  o  “pagamento  antecipado”  e  passou  a  ser  o  momento  da  homologação  tácita  ou  expressa  desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só  se  realiza  com a ulterior homologação do pagamento,  ex  vi  do  Art. 156, VII do CTN. Firmou­se, assim, a denominada tese dos  dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ:   Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.995­5/RS  Relator: Min. Cesar Asfor Rocha  EMENTA:  Tributário  –  Empréstimo  Compulsório  sobre  a  aquisição  de  combustíveis  –  Decreto­Lei  nº  2.288/86  –  Restituição ­ Decadência – Prescrição – Inocorrência.  Consoante  entendimento  fixado  pela  egrégia  Primeira  Seção,  sendo  o  empréstimo  compulsório  sobre  a  aquisição  de  combustíveis  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  à  falta  deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de  cinco  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador,  somados  de  mais  cinco  anos,  contados  estes  da  homologação  tácita  do  lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo  inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em  que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995)  5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 129          36  A  efetivação  do  princípio  da  legalidade  exige  o  respeito  a  sua  tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A  tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i)  corrompeu  a  irretroatividade,  criando,  projetando  e  introduzindo,  no  passado,  novo  critério  legal  de  prescrição  (como  o  efeito  que  agora  se  pretende  com  a  LC  118,  só  que,  aqui, mediante  lei);  (ii) desrespeitou,  flagrantemente,  a  reserva  legal,  arrostando  matéria  de  lei  para  a  discrionariedade  do  Poder  Judiciário,  ignorando  o  princípio  da  separação  dos  Poderes;  e  (iii)  afrontou  a  tipicidade  do Art.  168,  fundamental  nas  regras  de  decadência  e  prescrição,  sobrepondo  à  clareza  objetiva  do  critério  da  regra  posta,  a  incerta  subjetividade  de  valores contingentes.  A  legalidade  se  realiza no ato de aplicação, mas não muda. O  artigo  168  sempre  esteve  lá,  da mesma  forma,  e  a  LC  118  em  nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5  anos  a  contar  do  pagamento  antecipado:  primeiro,  porque  pagamento  antecipado  não  significa  pagamento  provisório  à  espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e  independentemente  de  ato  de  lançamento;  segundo,  porque  se  interpretou  o  “sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação  do  lançamento”  de  forma  equivocada  como  se  fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o  efeito do pagamento para a data da homologação39.    Ocorre  que  o  Art.  150  §  1º  refere­se  a  “condição  resolutiva”  que,  como  tal,  não  impede  a  plena  eficácia  do  pagamento  antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da  extinção  do  crédito  tributário,  no  caso  dos  tributos  sujeitos  ao  Art.  150  do  CTN.  Desta  forma,  é  a  data  efetiva  em  que  o  contribuinte  recolhe  o  valor,  a  título  de  tributo,  que  haverá  de  funcionar  como  dies  a  quo  do  prazo  de  prescrição.  Em  suma,  legalmente,  o  contribuinte  sempre  gozou  de  cinco  anos  para  pleitear o débito do Fisco, e nunca dez.  6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais  HERBERT HART40, analisando a definitividade e a infalibilidade  das  decisões  dos  tribunais  superiores,  faz  uma  instigante  analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a  figura  do  juiz,  mas  que,  quando  instituído,  funcionará  como  marcador  oficial  dos  pontos  e  cujas  decisões  serão  definitivas.  Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo  de  interação  entre  os  actantes  do  jogo,  que  deixam  de  opinar  sobre  a  pontuação  ou  sobre  as  regras  do  jogo,  porque  as  determinações  do  marcador  oficial  são  indisputáveis  e  definitivas. E continua:                                                              39  LUCIANO  AMARO  aponta  a  impropriedade  técnica  de  o  CTN  dirigir  a  homologação  como  condição  resolutiva:  “Ora,  os  sinais  aí  estão  trocados.  Ou  se  deveria  prever,  como  condição  resolutória,  a  negativa  de  homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir­se,  como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o  implemento da  homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344  40 O conceito de direito, p. 155­6  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 130          37  Não  difere  dessa  situação  os  julgados  do  STJ  (“marcador  oficial”)  com  relação  às  regras  do  termo  inicial  do  prazo  de  prescrição do direito ao  indébito: é certo que a autoridade e a  definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo,  como  ensina  HERBERT  HART41:  “‘O  resultado  é  o  que  o  marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra  que  atribui  autoridade  e  definitividade  à  aplicação  por  ele  em  casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o  simples efeito concreto da coisa julgada.  Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o  legendário  titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford:  “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de  jogo  serem  aceitas  não  significa  que  o  jogo  de  críquete  ou  de  basebol  já  não  esteja  a  jogar­se;  por  outro  lado,  se  estas  distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo  positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não  aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o  fazem, o jogo vem a alterar­se; já não é críquete ou basebol que  se joga, mas “o jogo do Juiz” 42.   Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da  legalidade,  continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23  de maio de 2000, que nunca coube  falar em prazo de 10 anos:  nem  antes,  nem  depois  da  tese  dos  10  anos;  nem  antes,  nem  depois da LC 118.   Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam  os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está  amanhecendo, há luz, e  todos nós, acordados, podemos nos dar  conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo  até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei...  Outro  ponto  que  clama  por  refutar  a  tese  adotada  no  acórdão  recorrido  é  o  da  total  inversão  da  finalidade  da  prescrição.  Explico:  esse  instituto  extintivo  do  direito  de  ação,  oriundo  do  direito  civil,  tem por  escopo  estabilizar  as  relações  jurídicas  e  contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede  que  conflitos  jurídicos  se  perpetuem  no  tempo  e  passe  de  uma  geração para outra.  A  tese  adotada no  acórdão  recorrido,  simplesmente, mantém a  possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam  ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura.   Tome­se, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica  do  IPI  –  que  prevê  a  incidência  desse  tributo  sobre  produtos  das  indústrias  gráficas.  O  Judiciário,  sistematicamente,  vem  decidindo  em  sentido  contrário,  que  sobre  tais  produtos  incide  apenas  ISS,  e  não  o  imposto  federal.  A  prevalecer  a  tese  esposada  no  acórdão  recorrido,  se  a  União  vier  a  editar  qualquer  ato  dispensando  a  fiscalização  de  lançar  o  IPI  sobre                                                              41 O conceito de direito, p. 156­9.  42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961.   Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 131          38  esses  produtos,  o  prazo  de  prescrição  do  tributo  pago  desde  1964  seria  reaberto,  a  partir  desse  ato,  que  passaria  a  ser  o  termo  inicial  da  prescrição.  Com  isso,  poder­se­ia  repetir  eventuais  indébitos  relativos  a  tributos  ocorridos  no  longínquo  ano do golpe militar, ou seja, meio século depois.  Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal  monta  que,  a  geração  sobrevivente  dos  anos  de  chumbo  sucumbiria  ao  caos  financeiro  decorrente  dessa  canhestra  engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e  da  constituição,  a  devolução  de  um  tributo  pago  por  uma  geração, que, aliás, dele se beneficiou.  Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para  refutar  a  tese  que  defende  a  renúncia  da  Fazenda  Pública  à  prescrição.  Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  é  a  definição  dos  efeitos  do  ato  governamental  que,  a  teor  do  artigo  18  da  Lei  10.522/2002,  resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110,  de  1995,  que  dispensa  a  adoção  de  medidas  tendentes  à  cobrança  administrativa  ou  judicial  dos  tributos  declarados  inconstitucionais.  Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à  confissão  de  indébito,  capaz  de  interromper  ou  de  caracterizar  renúncia  à  prescrição  que,  nesses  casos, militaria  em  favor  da  Fazenda Pública.  Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais  um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada.  Em  primeiro  lugar,  penso,  estribado  na  doutrina  de  Pontes  de  Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses  de  interrupção  da  prescrição  taxativamente  expressas  na  legislação tributária.  Por  outro  lado,  independentemente  da  indisponibilidade  dos  bens  públicos,  admitindo,  apenas  para  argumentar,  que  os  interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos  da  Lei  nº  10.406,  de  2002  (Novo  Código  Civil),  o  ato  de  renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia  tácita  à  prescrição  somente  se  opera  pela  prática  de  atos  incompatíveis com esse fato preclusivo45.  Dessa  forma,  não  consigo  enxergar  nos  atos  em  questão  os  efeitos vislumbrados nos votos vencedores.                                                              43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC  118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado.  Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá,  2005, pp 149 a 178.  44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam­se estritamente.  45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a  prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição.  Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 132          39  Ao meu  ver,  no  caso  da medida  provisória  nº  1.110,  de  1995,  que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522,  de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força  dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846.   Nesse  aspecto,  transcrevo  trecho  do  voto  vencedor  do Recurso  Especial no 747.09147  “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio  da  indisponibilidade  dos  bens  públicos,  está  assentado  o  entendimento de que a renúncia à prescrição  já consumada em  favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí  porque,  segundo  orientação  já  antiga  do  próprio  STF,  é  “incensurável a  tese de que a  renúncia da prescrição em favor  da  Fazenda  Pública  só  possa  fazer­se  por  lei”  (RE  80.153∕SP,  Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976).  A doutrina posiciona­se em igual sentido:  “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato  de  liberalidade  não  pode  ser  praticado  discricionariamente,  dependendo  de  lei  que  o  autorize.  A  renúncia  tem  caráter  abdicativo  e  em  se  tratando  de  ato  de  renúncia  por  parte  da  Administração  depende  sempre  de  lei  autorizadora,  porque  importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos  poderes  comuns  do  administrador  público”  (NOBRE  JUNIOR,  Edilson  Pereira.  Prescrição:  decretação  de  ofício  em  favor  da  Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35).  “A  administração,  uma  vez  consumado  o  prazo  prescricional,  não  pode  satisfazer  o  direito  prescrito,  salvo  autorização  legislativa,  vez  que  isso  importaria  em  liberalidade  com  o  patrimônio público,  que o executor da  lei  só pode praticar por  determinação  da  própria  lei”  (CARVALHO,  Selma  Drumond.  Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública  in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11).  No  presente  caso,  o  art.  18  da  Lei  10.522∕2002  simplesmente  dispensou  “a  constituição  de  créditos  da  Fazenda  Nacional,  a  inscrição  como  Dívida  Ativa  da  União  e  o  ajuizamento  da  respectiva  execução  fiscal”  relativamente  à  quota  de  contribuição  para  exportação  para  o  café.  Nada  dispôs  sobre  renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente  dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição  ex  officio  de  quantias  já  pagas.  Portanto,  além  de  não  fazer  menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que  não  abria  mão,  espontaneamente,  dos  valores  já  recebidos,  muito menos,  portanto,  dos  valores  já  recebidos  e  insuscetíveis  de  lhe  serem  exigidos  por  via  judicial,  quando  consumada  a  prescrição.  Em  outras  palavras:  não  houve  renúncia  alguma,  nem  expressa  e  nem  tácita, mas,  ao  contrário,  houve  a  clara  e                                                              46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga.  47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006  Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.011789/98­14  Acórdão n.º 9303­000.647  CSRF­T3  Fl. 133          40  expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores  já recebidos.  Diante  do  exposto  e  considerando  que,  no  caso  em  análise,  o  pedido  foi  protocolado  após  o  transcurso  do  prazo  quinquenal,  contado  a  partir  da  extinção  do  crédito  tributário pelo pagamento, é de reconhecer­se a prescrição postulada no apelo fazendário.  Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento  ao  recurso da  Fazenda Nacional.    Carlos Alberto Freitas Barreto                                Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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Numero do processo: 10980.011105/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. 978-2). Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, recurso provido. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, (Suplente Convocado), JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e OTACÍLIO DANTAS CARTAXO (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2157; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 6          1 55  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10980.011105/2003­11  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9101­001.965  –  1ª Turma   Sessão de  19 de agosto de 2014  Matéria  IRPJ ­ DECADÊNCIA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  A P C ARQUITETURA PLANEJAMENTO E CONSTRUCAO LTDA    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 1999  Ementa:  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS  NÃO  EFETUADOS  E  NÃO  DECLARADOS.  MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543­B E 543­C  DA LEI nº 5.869/1973 ­ CPC.  As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática prevista pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de  janeiro  de  1973, Código  de  Processo Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art.  62­A  do  seu  Regimento  Interno,  introduzido  pela  Portaria  MF  nº  586,  de  21/12/2010.  Para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  o  STJ  pacificou  entendimento  segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve­se aplicar o  artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional  ­ CTN; de outro modo,  em  não  se verificando pagamento,  deve  ser aplicado o  seu  artigo 173,  inciso  I,  com o  entendimento  externado pela Segunda Turma do STJ  no  julgamento  dos  EDcl  nos  EDcl  no AgRg  no RECURSO ESPECIAL Nº  674.497  ­  PR  (2004/0109Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário.  978­2).  Recurso Especial do Procurador Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  dos  votos,  recurso  provido.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 05 /2 00 3- 11 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO     2 (Assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente  (Assinado digitalmente)  Valmar Fonsêca de Menezes ­ Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURELIO  PEREIRA VALADAO. VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, MOISÉS  GIACOMELLI  NUNES  DA  SILVA,  (Suplente  Convocado),  JORGE  CELSO  FREIRE  DA  SILVA, MARCOS VINICIUS BASTOS OTTONI  (Suplente Convocado), RAFAEL VIDAL  DE ARAUJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente  Convocado)  e  OTACÍLIO  DANTAS  CARTAXO  (Presidente  à  época  do  julgamento).  Ausente, justificadamente, a Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS.  Relatório  Trata­se  de  recurso  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  admitido,  que  versa  unicamente  sobre o  instituto da decadência,  em  relação à  aplicação ou não do artigo 150 do  Código  Tributário  Nacional,  na  hipótese  em  que  não  há  comprovação  do  recolhimento  antecipado do tributo.  A decisão recorrida assim está ementada:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Exercício: 1999  Ementa:  DECADÊNCIA.  TERMO  INICIAL.  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  Nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por homologação, aplica­se o prazo de 5  (cinco) anos previsto  n6  artigo  150,  §4  0,  do  CTN,  ainda  que  não  tenha  havido  pagamento  antecipado:  Homologa­se  no  caso  a  atividade,  o  procedimento  realizado  pelo  sujeito  passivo,  consistente  em  "verificar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo.  DECADÊNCIA­  LUCRO  ARBITRADO­  Se  a  fiscalização  descaracteriza a apuração do lucro real anual feita pela pessoa  jurídica  e  procede  ao  arbitramento,  o  termo  inicial  para  a  contagem da decadência é, a data de ocorrência do fato gerador  do período­base do arbitramento, ou seja, o último dia de cada  trimestre.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA.  RESPONSABILIDADE  PESSOAL  DO SÍNDICO. Não comprovados os atos praticados com excesso  de poderes ou infração de lei, deve ser rejeitada a preliminar de  ilegitimidade passiva.  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO­  ARBITRAMENTO­  A  falta  de  apresentação de livros e • documentos da escrituração contábil e  fiscal justifica o arbitramento do lucro.  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO       3 MULTA  DE  OFÍCIO  ­  CONTRIBUINTE  EM  REGIME  DE  CONCORDATA ­ É devida a multa fiscal aplicada na forma da  legislação pertinente, até a decretação da falência por força do  artigo  90  do  DL  1893/81.  Com  mais  razão  é  devida  também  quando o contribuinte se encontra em regime de concordata.”  A  douta  Procuradoria,  em  seu  recurso,  alega  divergência,  aponta  os  paradigmas  e  pleiteia  que  “seja  o  presente  recurso  conhecido  e  provido,  para  que  seja  reformado o acórdão proferido pela e. Câmara a quo, afastando­se a preliminar de decadência  no caso em exame, uma vez que efetuado o lançamento dentro do prazo legalmente fixado (art.  173, I, do CTN).  O recurso foi admitido, conforme despacho às fls. 302.  O  contribuinte,  em  contrarazões,  não  afirma  e  nem  prova  que  houve  pagamento; afirma que não seria o caso de haver pagamento antecipado.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator  Adoto,  como  razões  de  decidir,  por  conveniente  e  oportuno,  o  voto  do  brilhante  Conselheiro  Francisco  de  Sales  Ribeiro  de Queiroz,  relator  do  recurso  especial  no  processo de no, 10932.000569/2007­92, o qual a seguir transcrevo:  “(...)  O  recurso  especial  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  é  tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, obtendo  seguimento  através  do Despacho  nº  1400­00.333,  às  fls.  246  e  seguintes, merecendo ser conhecido.  A  questão  se  situa  em  torno  do  lançamento  de  ofício  das  Contribuições  PIS  e  COFINS  relativo  a  fatos  geradores  ocorridos nos meses de julho e agosto de 2002, cientificado ao  contribuinte  em  26/07/2007,  que,  de  acordo  com  a  decisão  recorrida,  teria  sido  alcançado  pela  decadência  qüinqüenal  prevista  no  artigo  150,  §  4º,  do  Código  Tributário Nacional  –  CTN (fls. 225/226):  Consta do voto condutor da decisão recorrida que:  Embora a contribuinte não tenha alegado, constato que ocorreu  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Nacional  lançar  a  contribuição para o PIS e a COFINS dos períodos de apuração  de 07/2002 e 08/2002, uma vez que a ciência do auto de infração  se deu em 26.09.2007, ocasião em que  já havia decorrido mais  de cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador,  nos termos do art. 150, § 4º do CTN, a seguir transcrito. Por ser  matéria  de  ordem  pública,  pode  ser  suscitada  de  ofício.  (destaques acrescidos)  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO     4 Da leitura do trecho do voto acima transcrito vê­se que naquela assentada não  se  cogitou  de  ter  ou  não  havido  pagamento  antecipado  das  referidas  Contribuições,  o  qual  considero indispensável para ao caso ser aplicado o prazo decadencial do aludido art. 150, § 4º,  do CTN.  Esse,  pois,  é  o  ponto  divergente  a  ser  solucionado,  porquanto,  para  a  recorrente,  amparada  nas  decisões  paradigmáticas  trazidas  à  colação,  em  não  havendo  pagamento não há falar­se em homologação tácita.  Com  efeito,  compulsando os  autos  não  consegui  identificar  a  existência  do  sobredito pagamento antecipado, necessário para possibilitar a aplicação do prazo decadencial  de que trata o art. 150, § 4º, do CTN, levantada de ofício pelo Colegiado a quo.  Sendo  assim,  entendo  que  não  seria  o  caso  de  se  acatar  a  decadência  em  causa, levantada de ofício, repita­se, sem que haja absoluta certeza de que estaria embasada em  documentação  constante  dos  autos.  Importante  ressaltar  que  o  voto  condutor  do  acórdão  recorrido fez por bem destacar que a decadência não fora alegada pela contribuinte e que, por  ser matéria de ordem pública, poderia ser suscitada de ofício. Estaria correto esse entendimento  se de fato a decadência estivesse perfeitamente demonstrada, não sendo essa a realidade que se  extrai dos autos.  Dessa forma, entendo que, na ausência de pagamento antecipado de tributo,  aplica­se  a  regra  do  art.  173,  inciso  I,  do CTN. No  presente  caso,  tendo  os  fatos  geradores  ocorrido nos meses de julho e agosto de 2002, a contagem do prazo decadencial teve início, na  conformidade do mencionado dispositivo do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte à sua  ocorrência,  ou  seja,  no  primeiro  dia  do  ano  de  2003,  porquanto,  se  no mês  seguinte  a  cada  apuração já se poderia proceder ao lançamento de ofício, o primeiro ano seguinte é o de 2003.  Sendo assim, o lançamento poderia ser efetuado até o dia 31/12/2007, tendo o  auto  de  infração  sido  cientificado  ao  contribuinte  em  26/07/2007,  portanto  em  data  em  que  ainda não estava alcançado pela questionada caducidade.  Para explicitar esse meu posicionamento, adoto e transcrevo os fundamentos  do voto que proferi no Acórdão nº 9101­00.901, na sessão desta 1ª Turma da CSRF (processo  administrativo nº 10805.000649/2004­51) realizada no dia 28/03/2011, conforme segue:  “(...).  Com referência à contagem do prazo decadencial,  duas  são as  regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo,  a  saber:  a  primeira  trata  dos  tributos  lançados  por  homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato  gerador,  caso  tenha  ocorrido  o  pagamento,  ainda  que  parcial,  ou  mesmo  que  o  pagamento  não  tenha  ocorrido,  sob  o  entendimento  de  que  se  estaria  homologando  a  atividade  exercida pelo obrigado  (CTN, art.  150, § 4º). A segunda  regra  corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde  o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao  qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I).  A  propósito,  nos  julgamentos  que  tenho  participado  neste  Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo  decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação,  pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do  CTN,  mesmo  que  não  houvesse  recolhimento  de  tributo,  mas  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO       5 desde  que  o  sujeito  passivo  tivesse  apurado  e  registrado  a  inexistência  de  valor  a  pagar,  como,  por  exemplo,  no  caso  de  apuração de  resultados negativos para o  cálculo do  IRPJ e da  CSLL.   Entretanto,  pela  Portaria MF  nº  586,  de  21/12/2010–DOU  de  22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256,  DOU  de  23/06/2009, sobrevindo o art. 62­A, que assim dispõe:  Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Dessa  forma,  em  cumprimento  ao  citado  dispositivo  regimental,  minha  posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha  havido  pagamento  antecipado,  haja  vista  essa matéria  ter  sido  objeto  de  decisão  do  STJ,  na  sistemática do art. 543­C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para  os recursos repetitivos.  Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101­000.811, sessão  de  21/02/2011,  da  qual  também  participei,  por  unanimidade  de  votos  adotou  a  decisão  proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo  de  controvérsia  relativa  à Contribuição Previdenciária,  de  cuja decisão  transcrevo  excerto da  sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir:  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  ...  (destaques  acrescidos)  Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão  de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro  dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido  efetuado”  corresponde  “ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível”,  definição  essa  que  suscitara  a  oposição  de  embargos  declaratórios  da  Fazenda  Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela  sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a  finalidade  “...  de  se  adequar  o  decisório  embargado  à  jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”.  (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no  AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  674.497  ­  PR  (2004/0109978­2), transcrito mais adiante).  Saliente­se  que  esse  entendimento  externado  em  sede  de  embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas  duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam  matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi  proferida  quando  o  próprio  Ministro  Luiz  Fux,  atualmente  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO     6 Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim  ementada:   Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma  Título: AgRg no REsp 1050278 / RS  Data: 22/06/2010   Ementa:  AGRAVO  REGIMENTAL  EM  RECURSO  ESPECIAL.  TRIBUTÁRIO.  OMISSÃO.  INOCORRÊNCIA.  INOVAÇÃO  DE  FUNDAMENTOS.  INCABIMENTO.  DECADÊNCIA.  FRAUDE,  DOLO  OU  SIMULAÇÃO.  TERMO  INICIAL.  PRIMEIRO  DIA  DO  EXERCÍCIO  SEGUINTE  ÀQUELE  EM  QUE  O  LANÇAMENTO  PODERIA  TER  SIDO  EFETUADO.  AGRAVO  IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece  de  alegações  estranhas  às  razões  do  recurso  especial,  por  vedada  a  inovação  de  fundamento.  2.  A  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  é  firme  em  que,  no  caso  de  imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude,  dolo  ou  simulação,  o  direito  da  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos,  contados  do  primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia  ter  sido  efetuado  (artigo  173,  inciso  I,  do  Código  Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido.  Da  2ª  Turma  da  1ª  Seção  do  STJ  trago  ementa  de  decisão  mais  recente,  proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir:  Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma   Título: AgRg no REsp 1219461 / PR   Data: 07/04/2011  Ementa:  TRIBUTÁRIO.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO  DAS  PARCELAS.  RESCISÃO  ADMINISTRATIVA.  1.  O  prazo  decadencial  para  constituição  do  crédito  tributário,  nos  casos  de lançamento de ofício, conta­se do primeiro dia do exercício  seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art.  173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando  do  julgamento  do  REsp  973.733/SC,  julgado  em  12.8.2009,  relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos  recursos  repetitivos  (CPC,  art.  543­C).  2.  Parcelado  o  débito  sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas  implica  em  imediata  rescisão  da  avença  administrativa,  nos  termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente  à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido.   (destaques acrescidos)  Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª  Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101­000.811, sessão de 21/02/2011, porém com  o  entendimento  externado  pelas  duas  Turmas  que  compõem  a  Primeira  Seção  do  Superior  Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO       7 EDcl  no  AgRg  no  RECURSO  ESPECIAL  Nº  674.497  ­  PR  (2004/0109978­2)”,  julgado  em  09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir:  EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 ­  PR (2004/0109978­2)  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.  2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do CTN,  o  prazo  decadencial  teve início somente em 1º.1.1995, expirando­se em 1º.1.2000.  Considerando  que  o  auto  de  infração  foi  lavrado  em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu.   (destaques acrescidos)  3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  VOTO  O  SENHOR  MINISTRO  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  (Relator):  Do  acurado  reexame  dos  autos,  verifico  que  razão  assiste à embargante.  Sobre  o  tema,  a  Primeira  Seção  desta Corte,  utilizando­se  da  sistemática  prevista  no  art.  543­C  do  CPC,  introduzido  no  ordenamento  jurídico  pátrio  por  meio  da  Lei  dos  Recursos  Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j.  12.8.2009),  reiterou  o  entendimento  no  sentido  de  que,  em  se  tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não  declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe  de  cinco  anos  contados  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado para a  constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do  CTN.  Somente  nos  casos  em  que  o  pagamento  foi  feito  antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do  fato  gerador (art. 150, § 4º, do CTN).  Confira­se a ementa do julgado:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO     8 CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da Primeira  Seção: Resp  766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em que o  lançamento poderia  ter  sido  efetuado" corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs.  183/199).  (destaques  acrescidos)  5.  In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo  sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege  de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no  que  concerne  aos  fatos  imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro  Fl. 341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO       9 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos  deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  que  o  Fisco  efetuasse  o  lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados:  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994.  Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  o  prazo  decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirando­se em  1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu.   (destaques acrescidos)  Com  efeito,  é  cediço  que,  excepcionalmente,  emprestam­se  efeitos  infringentes aos  embargos de declaração para correção  de  premissa  equivocada  sobre  a  qual  se  funda  o  julgado  impugnado,  quando  tal  efeito  for  relevante  para  o  deslinde  da  controvérsia.  A propósito:  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  CIVIL.  EMBARGOS  DECLARATÓRIOS  COM  EFEITOS  INFRINGENTES.  POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA.  1.  "É  admitido  o  uso  de  embargos  de  declaração  com  efeitos  infringentes,  em  caráter  excepcional,  para  a  correção  de  premissa  equivocada,  com  base  em  erro  de  fato,  sobre  a  qual  tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo  para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel.  Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005).  2. Tratando os autos de mandado de segurança,  são  incabíveis  embargos  infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo  tenha  sido  divergente  na  reforma  do  mérito  da  sentença,  de  acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº  169/STJ.  3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos.  (EDcl  no  Resp  727.838/RN,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  Segunda  Turma, DJ 25.8.2006).  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE.  1. Excepcionalmente, pode­se emprestar efeito modificativo aos  embargos declaratórios.  Fl. 342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO     10 2.  No  caso  em  espécie,  tendo  em  vista  o  descabido  recurso  especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a  coisa  julgada,  impõe­se  o  acolhimento  dos  declaratórios  para,  dando­lhes  efeito  modificativo,  não  conhecer  do  recurso  especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana  Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006).  Na  seqüência  do  seu  voto  condutor,  o  i.  Ministro  Relator  sentencia que:   Portanto,  impõe­se  o  acolhimento  dos  presentes  embargos  de  declaração,  a  fim  de  se  adequar  o  decisório  embargado  à  jurisprudência  uniformizada  no  âmbito  do  STJ  sobre  a  matéria.  Isso  posto,  ACOLHO  os  embargos  de  declaração,  com  efeitos  modificativos,  para  DAR PARCIAL  PROVIMENTO  ao  recurso  especial,  tão­somente,  para  afastar  a  decadência  dos  créditos  tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993. ...   É como voto.” (destaques acrescidos)  Conforme  já asseverado, no presente caso o  fato gerador das Contribuições  PIS e COFINS ocorreram nos meses de julho e agosto de 2002,  iniciando­se a contagem do  prazo  decadencial,  na  conformidade  do  art.  173,  I,  do  CTN,  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  referido  fato  gerador,  ou  seja,  no  primeiro  dia  do  ano  de  2003,  expirando­se  esse  prazo  em  31/12/2007.  Tendo  o  lançamento  de  ofício  sido  cientificado  ao  contribuinte em 26/07/2007, tem­se por não consumada a decadência.  Nessa  ordem de  juízos,  dou  provimento  ao  recurso  especial  interposto  pela  Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN.  E como voto.  (Assinado digitalmente)  Valmar Fonseca de Menezes                            Fl. 343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO

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Numero do processo: 35346.000997/2006-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial quanto à interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 15/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NECESSIDADE. O recurso especial somente é cabível em caso de divergência jurisprudencial quanto à interpretação da legislação tributária. Recurso especial não conhecido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator EDITADO EM: 15/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 35346.000997/2006­75  Acórdão n.º 9202­003.636  CSRF­T2  Fl. 466          2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Luiz Eduardo  de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka  (Relator),  Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira  (suplente  convocada),  Rycardo  Henrique  Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martínez López.  Relatório  Trata­se de recurso especial interposto pelo contribuinte em 30 de novembro  de 2010  (e­fls.  445/452),  em  face do Acórdão n° 2401­01.328  (e­fls.  407/418),  do qual  teve  ciência em 16 de novembro de 2010 (e­fl. 425) e que teve a seguinte ementa:  “...  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/12/1996 a 31/10/2005  PREVIDENCIÁRIO  ­  CUSTEIO  ­  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO  DE  DÉBITO  ­  DECADÊNCIA  DE  CONTRIBUIÇÕES  ­  SÚMULA VINCULANTE DO STF ­ ART. 173 DO CTN  O  STF  em  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  declarou  a  inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de  eximir  qualquer  questionamento  quanto  ao  alcance  da  referida  decisão,  editado  a  Súmula Vinculante de n ° 8, ‘São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5.  do  Decreto­lei  1569/77  e  os  artigos  45  e  46  da  Lei  8.212/91,  que  tratam  de  prescrição e decadência de crédito tributário.’  Nos lançamentos em que não se identifica qualquer recolhimento antecipado  de contribuições a decadência deve ser apreciada a luz do art. 173, I do CTN.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” (e­fl. 407).  Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso especial, apontando como  paradigma o Acórdão 107­08330, que restou assim ementado:  “IRPJ — OMISSÃO  DE  RECEITA —  FRAUDE — DECADÊNCIA.  Em  função  da  caracterização  da  fraude,  que  não  foi  contestada  pela  contribuinte,  o  cômputo do prazo decadencial, mesmo nos casos de tributos sujeitos a  lançamento  por homologação, é regido pelo art. 173, I do CTN. Todavia, porquanto entre a data  dos  fatos  geradores  e  a  data  da  notificação  dos  Lançamentos  de  Ofícios  transcorreram mais de 05 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte  ao que o Lançamento poderia ter sido efetuado, deve­se reconhecer a decadência do  crédito tributário.  CSL —  PIS —  COFINS  —  DECADÊNCIA —  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO  NACIONAL  —  LEI  COMPLEMENTAR.  Reza,  de  forma  clara  e  inequívoca,  a  Constituição de 1988, em seu art. 146, III, que a decadência dos créditos tributários  deve ser regulada por Lei Complementar, de forma que, também, às Contribuições à  Seguridade  Social,  porquanto  se  têm  natureza  de  tributo,  devem  ser  aplicadas  as  regras  do  CTN,  que  é  Lei  Complementar.  Especificamente,  no  presente  caso,  do  mesmo modo que em relação ao IRPJ, porque não houve a discussão a respeito da  Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 35346.000997/2006­75  Acórdão n.º 9202­003.636  CSRF­T2  Fl. 467          3 imputação da fraude,  tem­se que deve ser aplicado o art. 173,  I do CTN. Todavia,  ainda assim, verifica­se que se operou o prazo decadencial.”  O  recurso  foi  admitido  por  meio  da  decisão  de  e­fls.  455/457,  tendo  apresentado a Recorrida as contrarrazões de e­fls. 459/462.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator  O recurso não deve ser conhecido.  O  Regimento  Interno  do  CARF  traz,  em  seu  artigo  67,  a  hipótese  de  cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos:  “Art.  67.  Compete  à  CSRF,  por  suas  turmas,  julgar  recurso  especial  interposto  contra decisão que der à  lei  tributária  interpretação divergente da  que  lhe  tenha  dado  outra  câmara,  turma  de  câmara,  turma  especial  ou  a  própria CSRF.  §  1°  Para  efeito  da  aplicação  do  caput,  entende­se  como  outra  câmara  ou  turma as que  integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as  que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF.  § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique  súmula  de  jurisprudência dos Conselhos  de Contribuintes,  da Câmara Superior  de  Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida  pela anulação da decisão de primeira instância.  § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento  quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação,  nas peças processuais.  §  4°  Na  hipótese  de  que  trata  o  caput,  o  recurso  deverá  demonstrar  a  divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria.  §  5°  Na  hipótese  de  apresentação  de  mais  de  dois  paradigmas,  caso  o  recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no  recurso serão analisados para fins de verificação da divergência.  § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente  com  a  indicação  dos  pontos  nos  paradigmas  colacionados  que  divirjam  de  pontos  específicos no acórdão recorrido.  § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos  indicados  como  paradigmas  ou  com  cópia  da  publicação  em  que  tenha  sido  divulgado  ou,  ainda,  com  a  apresentação  de  cópia  de  publicação  de  até  2  (duas)  ementas.  § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da  Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial.  Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA Processo nº 35346.000997/2006­75  Acórdão n.º 9202­003.636  CSRF­T2  Fl. 468          4 § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas  no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.  §  10. O  acórdão  cuja  tese,  na  data  de  interposição  do  recurso,  já  tiver  sido  superada  pela  CSRF,  não  servirá  de  paradigma,  independentemente  da  reforma  específica do paradigma indicado.  §  11.  É  cabível  recurso  especial  de  divergência,  previsto  no  caput,  contra  decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.”  Nos  termos  do  caput  do  artigo  67  do  atual  Regimento  Interno,  o  recurso  especial é cabível em virtude de divergência jurisprudencial.  No  presente  caso,  tanto  o  acórdão  recorrido  como  o  acórdão  paradigma  aplicaram o  artigo 173,  I, do CTN da mesma  forma, ou seja, utilizando como dies a quo do  prazo de 5 (cinco) anos o 1o. dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter  sido efetuado, motivo pelo qual não há divergência, mas convergência entre os arestos.  Eis os motivos pelo quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso.    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator                                  Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 07/05/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/04/2015 por ALEXANDRE NAOKI NIS HIOKA

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5959017 #
Numero do processo: 16327.720997/2013-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.363
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Weiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o Conselheiro Waldir Weiga Rocha.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior (Presidente), Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Weiga Rocha e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o Conselheiro Waldir Weiga Rocha.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 237          1 236  S1­C3T2                          PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16327.720997/2013­06  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  1302­000.363  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  04 de março de 2015  Assunto  DIREITO CREDITÓRIO ­ MP 1807/99  Recorrente  BANCO ITAULEASING S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento  em diligência, nos termos do relatório e voto proferido pelo relator.  (assinado digitalmente)  ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  MARCIO RODRIGO FRIZZO ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Alberto  Pinto  Souza  Junior  (Presidente),  Eduardo  de  Andrade,  Helio  Eduardo  de  Paiva  Araujo,  Marcio  Rodrigo  Frizzo,  Waldir  Weiga  Rocha  e  Guilherme  Pollastri  Gomes  da  Silva.  Ausente  momentaneamente o Conselheiro Waldir Weiga Rocha.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 99 7/ 20 13 -0 6 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 238          2     Relatório  Trata­se de recurso voluntário.  Na origem foi  lavrado auto de infração de CSLL (fls. 96/100), no valor de R$  144.836.926,07, já com juros de mora, por declaração inexata em DCTF quanto ao ajuste anual  referente ao ano­calendário de 2009.  O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil convenceu­se pela ocorrência dos  seguintes fatos, em síntese, consoante se denota do Termo de Verificação Fiscal às e­fls. 91/95:  (i) Que o recorrente ficou sujeita à alíquota de 15% da Contribuição Social sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL)  a  partir  do  mês  de  maio/2008,  pela  Lei  nº.  11.727/2008;  (ii) Que o  recorrente  insurgiu­se contra a mencionada Lei no Poder Judiciário,  por  meio  de  Mandado  de  Segurança  nº.  2009.61.00.0078376,  que  tramitou  perante a 21ª Vara Federal de São Paulo/SP, objetivando que a sua tributação de  CSLL se desse segundo a alíquota de 9% e não de 15%, como estabelecida por  aquela legislação às instituições financeiras;  (iii)  Que  tal Mandado  de  Segurança  ainda  aguardava  julgamento  do  Tribunal  Regional Federal  da 3ª Região,  após  apresentação de  recurso de  apelação pela  Fazenda Nacional contra sentença que julgou procedente a ação, estando com a  exigibilidade suspensa a parcela de 06% de CSLL em discussão judicial;  (iv)  Que  os  cálculos  de  DIPJ  apresentados  pelo  contribuinte  foram  feitos  à  alíquota de 15%, como dita a Lei nº. 11.727/2008;  (v) Que  intimou o recorrente em 16/03/2012 para esclarecer a  respeito de dois  débitos  de  CSLL  que  constavam  declarados  em  DCTF  com  exigibilidade  suspensa:  um  referente  à  estimativa de  dezembro/2009  (código  2469 valor R$  85.129.790,27) e outro débito correspondente ao Ajuste Anual de 2010 (código  6758 valor RS 108.186.301,55);  (vi) Que no caso do débito do ano de 2009, o recorrente esclareceu, em resposta  de 09/04/2012, tratar­se realmente de valor correspondente à estimativa mensal,  mas que precisaria retificá­los conforme demonstrativo apresentado;  (vii) Que, em relação à parcela exigível de 9% (incontroversa), no valor de R$  162.361.100,90,  a  apuração  do  ajuste  resultou  em  CSLL  a  pagar  em  valor  negativo,  depois  de  tal  valor  ser  compensado  com  quantia  decorrente  de  recuperação  de  crédito  do  art.  8º,  da  Medida  Provisória  nº.  1807/99,  e  estimativas recolhidas;  (viii) Que, em relação à parcela exigível de 6% (controversa e com exigibilidade  suspensa por medida judicial liminar), no valor de R$ 108.240.733,93, esta não  Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 239          3 foi declarada em DCTF quando do ajuste anual, motivo pelo qual foi constituído  de ofício a fim de se prevenir decadência;  (ix)  Que  não  se  considerou,  quanto  a  esta  parcela  de  6%,  a  recuperação  de  crédito de CSLL (art. 8º da MP 1807/99), devido o fato de esta tributação estar  sendo discutida judicialmente.  O  recorrente  tomou  ciência  dos  lançamentos  em  16/09/2013  por meio  de  sua  representante legal (fls. 101).  Inconformado, apresentou Impugnação em 16/10/2013 contra o  lançamento (fls. 134/141), a qual  teve seu provimento negado pela2ª Turma da Delegacia da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em Curitiba/PR  ­ DRJ/CTA  (fls.  158/170),  com  a  seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE O  LUCRO  LÍQUIDO  CSLL   Data do fato gerador: 31/12/2009   LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  COMPENSAÇÃO  COM  O  CRÉDITO  INSTITUÍDO PELO ART. 8º DA MP Nº 1.807/99. DESCABIMENTO.  A compensação pretendida é descabida, ainda, porque o contribuinte,  amparado por provimento judicial, não apurava a CSLL pela alíquota  majorada prevista para as instituições financeiras, de 18%, percentual  este que deu suporte à instituição do referido crédito compensável.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Ano­calendário: 2009   PRELIMINAR. NULIDADE.  Não  cabe  alegar  nulidade  do  lançamento  quando  o  auto  de  infração  encontra­se formalizado com observância aos ditames dos artigos 10 e  59  do Decreto  nº  70.235/72.  A  alegação  de  suposto  erro  na matéria  tributável ou a existência de vício na motivação do lançamento não são  causa para nulidade do lançamento fiscal.  Impugnação Improcedente.  Crédito Tributário Mantido.  O  recorrente  foi  intimado  do  referido  acórdão  em  28/01/2014,  conforme  intimação  eletrônica  de  fls.  172/173,  interpondo  Recurso  Voluntário  em  26/02/2014  (fls.  177/186), no qual ventilou as seguintes razões, em resumo:  (i)  Que  a  fiscalização  desconsiderou  a  recuperação  de  crédito  de  CSLL  decorrente da Medida 1858/99, devido a exibilidade do montante lançado estar  sob discussão judicial;  (ii) Que o art. 8º da referida medida provisória não prevê situação de restrição à  compensação  de  créditos  de  CSLL  com  débitos  lançados  de  ofício  ou  que  estejam  em  discussão  judicial,  que  seu  principal  requisito  é  que  o  crédito  de  CSLL  seja  compensado  com  débitos  da  mesma  contribuição,  o  que  era  verificado no caso;  Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 240          4 (iii) Que, portanto, há violação ao princípio da legalidade ao existir a recusa da  compensação  dos  débitos  de  CSLL  devidos  pelo  contribuinte,  já  que  a  citada  medida provisória não prevê a possibilidade da não compensação pela existência  de lançamento de ofício;  (iv) Que há vício material no Auto de Infração lavrado, pela errônea apuração da  quantia  devida,  o  que  gera  sua  nulidade,  já  que  se  tivesse  sido  considerada  a  compensação pleiteada, constaria valores diferentes no auto;  (v) Que o erro de preenchimento da DIPJ, deixando de informar a recuperação  de crédito quanto à parcela com exigibilidade suspensa (6%), é mero equívoco,  não  sendo  permitido  que  tal  equívoco  fosse  fundamento  para  a  autuação  do  contribuinte pela autoridade fiscal.  Juntou documentos às fls. 187/217.  Posteriormente,  a  recorrente  se  manifestou  mais  uma  vez  nos  autos  (fls.  222/223),  informando que quitara parcialmente os débitos exigidos no  lançamento, conforme  comprovantes  às  fls.  231/236,  pelo  advento  da  Lei  nº.  12.966/2014,  que  reabriu  o  prazo  de  adesão ao parcelamento previsto na Lei nº. 11.941/2009 (REFIS).  Informou  ainda  que  protocolou  pedido  de  desistência  e  renúncia  do  já  mencionado  Mandado  de  Segurança  nº.  2009.61.00.007837­6,  para  que  existisse  a  possibilidade  de  adesão  ao  parcelamento,  nos  termos  do  art.  8º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB nº. 13/2014.  Portanto, juntou aos autos cálculos de quitação dos débitos parcelados (fls. 231),  recibos de pedido de parcelamento (fls. 232 e 233), DARF’s (fls. 234) e petição de pedido de  desistência do Mandado de Segurança (fls. 235/236).  Assim,  foram os  autos  remetidos  a  este Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais para julgamento.  É o Relatório.  Fl. 241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 241          5 Voto  Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo.  O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte tem presentes todos os seus  requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço.  Como  visto,  trata­se  de  Auto  de  Infração  que  constituiu  crédito  tributário  de  CSLL  cuja  exigibilidade  encontrava­se  suspensa  em  decorrência  de Mandado  de  Segurança  ajuizado pelo recorrente.  O  valor  da  parcela  de  6% da CSLL,  em  discussão  judicial,  não  foi  objeto  de  declaração  em  DCTF,  razão  pela  qual  foi  constituído  de  ofício  com  o  fim  de  prevenir  a  decadência do crédito tributário.  O  AFRFB  não  considerou  a  recuperação  de  crédito  do  art.  8º,  da  Medida  Provisória nº. 1807/99, sobre a parcela de 6% (que estava com a exigibilidade suspensa) devido  tal parcela estar sendo discutida judicialmente.  A propósito, o referido Mandado de Segurança nº. 0007837­08.2009.4.03.6100  (numeração  antiga  2009.61.00.007837­6)  já  transitou  em  julgado  em  15/01/2015,  conforme  consulta pública processual no site do TRF3, no qual foi proferido Acórdão pela 3ª Turma do  Tribunal  Regional  Federal  da  3ª  Região  reformando  a  sentença  de  primeiro  grau,  fazendo  incidir  a  alíquota  de 15%  ­  e não  a  alíquota de  9% como pretendia o  recorrente –  quanto  a  CSLL a serem recolhidos pelo recorrente.  Assim, o próprio contribuinte peticionou naqueles autos pleiteando a desistência  do  feito  para  realizar o  parcelamento  de  seus  débitos  em decorrência  da  reabertura do Refis  pela Lei nº. 12.966/2014, reconhecendo, portanto, a incidência da alíquota de 15%.  Dessa  forma,  ante  o  trânsito  em  julgado  daquele  Mandado  de  Segurança,  é  incontroverso neste caso que deve prevalecer a aplicação da alíquota de 15% sobre a título de  CSLL, passando a ser exigível o crédito tributário lançado na origem.  Assim,  resta  nestes  autos  a  discussão  quanto  a  possibilidade  de  compensação  destes débitos com o crédito da MP 1.858/99.  Diante  das  alegações  lançadas  em  sede  do  recurso  voluntário  quanto  ao  reconhecimento  do  direito  de  utilização  do  creditamento  e  compensação,  faz­se  necessário  analisar a previsão do art. 8º, da MP n.º 1.807/99, que assim prescreve:  Art. 8º. As pessoas jurídicas referidas no art. 1o, que tiverem base de  cálculo  negativa  e  valores  adicionados,  temporariamente,  ao  lucro  líquido,  para  efeito  de  apuração  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  correspondentes  a  períodos  de  apuração  encerrados  até  31  de  dezembro de 1998, poderão optar por  escriturar,  em  seu ativo,  como  crédito  compensável  com  débitos  da  mesma  contribuição,  o  valor  equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas.  §1º. A pessoa  jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não  poderá  computar  os  valores  que  serviram  de  base  de  cálculo  do  referido  crédito  na  determinação  da  base  de  cálculo  da  CSLL  Fl. 242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 242          6 correspondente  a  qualquer  período  de  apuração  posterior  a  31  de  dezembro de 1998.  §2º.  A  compensação  do  crédito  a  que  se  refere  este  artigo  somente  poderá  ser  efetuada  com  até  trinta  por  cento  do  saldo  da  CSLL  remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de  que  trata o art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, não sendo admitida,  em  qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com  outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela  Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda.  §3º. O direito à compensação de que trata o parágrafo anterior limita­ se, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o  acréscimo de  qualquer  valor  a  título  de  atualização monetária  ou  de  juros.  Logo, assiste razão à recorrente quando alega que o art. 8º, da Medida Provisória  nº. 1.807/99, não prevê situação de restrição à compensação de créditos de CSLL com débitos  lançados de ofício.  Entretanto,  não  há  como  reconhecer  nenhum  direito  creditório  sem  que  se  verifique se o recorrente cumpre os requisitos legais para aproveitamento do benefício, ou seja,  i)  se  respeita  o  limite  de  30%  do  saldo  da  CSLL  remanescente  em  cada  período,  após  a  compensação do art. 8º, Lei n.º 9.718/98, e ii) se respeita o limite quanto ao valor original do  crédito, conforme §§2º e 3º, do art. 8º, da MP n.º 1.807/99.   Tal análise se faz necessária uma vez que já houve aproveitamento do crédito da  MP  n.º  1.807/99  quanto  ao  débito  de CSLL  referente  ao  ano­calendário  de  2009,  objeto  da  fiscalização, como o próprio AFRFB deixou claro no TVF, como se destaca abaixo (fls. 94):  Com relação à parcela exigível de 9% a apuração do ajuste  resultou  em  CSLL  a  pagar  de  valor  negativo;  consequentemente,  não  há  nenhum  débito  exigível  a  ser  declarado  em  DCTF  a  títlo  de  Ajusta  Anual.   CSLL – Ajuste Anual 2009 Parcela de 9% ­ exigível   162.361.100,90  Rec Crédito MP 1807  48.708.330,27  Estimativas pagas  116.720.978,71  CS a pagar  ­3.068.208,08  Observe­se que o valor da recuperação de crédito referente ao art. 8º  da MP 1807/99 – R$ 48.702,330,27 – consta declarado na linha 65 da  Ficha  17  da DIPJ  e que  o  valor  de R$ 116.720.978,71  de  estimativa  pagas consta da Ficha 16 referente a dezembro. (...)  Assim, considerando devida a parcela de 6% da CSLL, antes com exigibilidade  suspensa em virtude de discussão judicial, considerando as limitações legais trazidas pelo art.  8º, da Medida Provisória nº. 1.807/99, para aproveitamento do benefício  fiscal previsto, bem  como considerando a recuperação de crédito referente a MP 1.807/99 já levada em conta pelo  Fisco,  é  necessário  que  se  verifique  se  o  recorrente  ainda  teria  crédito  (MP  1.807/99)  que  poderia ser compensado com o débito de CSLL.  Fl. 243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.720997/2013­06  Resolução nº  1302­000.363  S1­C3T2  Fl. 243          7 Portanto,  em  face  dessas  considerações,  a  fim  de  prestigiar  o  princípio  da  verdade  material,  bem  como  para  não  ofender  o  interesse  público  na  correta  aplicação  da  legislação  tributária,  entendo  cabível  converter  o  julgamento  em  diligência,  a  fim  de  que  o  AFRFB:  1)  Verifique  a  totalidade  do  valor  de  crédito,  correlato  à  previsão  da  MP  1.807/99, que o recorrente teria direito de utilizar para compensação com débitos  de CSLL;  2) Diante disto, considerando a recuperação de crédito referente a MP 1.807/99  já levada em conta pelo Fisco, verifique se ainda existe saldo de crédito a favor  do contribuinte que poderia ser utilizado para compensar com débitos de CSLL  referente ao ano­calendário de 2009, levando em conta as limitações dos §§ 2º e  3º, do art. 8º, da MP n.º 1.807/99;  3) Após, que o agente fiscal emita parecer conclusivo e fundamentado, apurando  se o recorrente ainda tem direito a compensar os débitos de CSLL referente ao  ano­calendário de 2009 com créditos oriundos da previsão da MP n.º 1.807/99 e,  caso afirmativo, em qual montante.  Na sequência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para  que,  sendo  de  seu  interesse, manifeste­se  da  forma  que  entender  adequada,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias.  Após,  com  ou  sem  manifestação,  seja  o  feito  devolvido  a  este  Conselho,  que  deverá julgá­lo incontinenti.  Ante ao exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos  do relatório e voto.  (assinado digitalmente)  Márcio Rodrigo Frizzo ­ Relator    Fl. 244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 06/04/201 5 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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