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Numero do processo: 10980.903553/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA.
Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matérias-primas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a insumos não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial.
CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. EFEITOS.
Os efeitos da habilitação prévia restringem-se à permissão para apresentar pedido de restituição ou ressarcimento e declaração de compensação, a partir da análise dos elementos formais da existência do crédito, não abrangendo o reconhecimento de sua liquidez e certeza.
DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. EFEITOS. Os efeitos da habilitação prévia restringemse à permissão para apresentar pedido de restituição ou ressarcimento e declaração de compensação, a partir da análise dos elementos formais da existência do crédito, não abrangendo o reconhecimento de sua liquidez e certeza. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 35 53 /2 01 3- 14 Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 822 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento: Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 555 a 575) apresentada em 25 de fevereiro de 2014 contra despacho decisório (efls. 756 e 757 e revisão de ofício de efls. 614 a 616) de 04 de abril de 2013, cientificado em 25 de fevereiro de 2014, que não homologou declarações de compensação com créditos de IPI do 3º e 4º trimestres de 2009, apresentadas a partir de 22 de outubro de 2009. De acordo com o despacho decisório, foi apurado o seguinte: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 2.475.984,33 Valor do crédito reconhecido: R$ 2.475.984,33 O valor do crédito reconhecido foi integralmente reconhecido. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedidos de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 06951.16594.250110.1.5.010131 Houve revisão de ofício, conforme anteriormente destacado, em que se decidiu o seguinte: 3. Para apurar o valor do crédito, de acordo com a decisão judicial, deveria ser aplicada alíquota igual àquela utilizada na operação tributada. Porém como são muitas as matérias primas utilizadas, sendo que muitas vezes a mesma é aplicada a diferentes produtos, sujeitos a alíquotas variadas, a fiscalização aceitou a forma proposta pelo contribuinte uma alíquota média do IPI tributado nas saídas. 4. Porém, diferentemente da planilha apresentada pela empresa, a fiscalização excluiu do cálculo da alíquota média, os produtos vendidos que não utilizavam nenhuma matéria prima garantida pela ação judicial e incluiu aquelas tributadas à alíquota zero. Também foram consideradas, além dos CFOP 5101 e 6101 usados pelo contribuinte, os CFOP 5118,6118, 5922, 6922, 6109 c 7101. 5. Assim foi elaborada a Planilha de Cálculo Média Percentual Utilizada nos Créditos da Ação Judicial. A alíquota média mensal encontrada foi aplicada sobre a base de cálculo dos créditos da ação judicial aceitos pela fiscalização. 6. Houve alteração também no valor dos créditos apresentados pelo contribuinte. A fiscalização glosou alguns destes créditos pelos seguintes motivos: divergência de alíquotas; créditos não correspondentes à decisão judicial (como aquisições de empresas do SIMPLES, energia elétrica, etc); e créditos em duplicidade (constantes no Fl. 822DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 823 3 livro de entradas e na relação de créditos judiciais). Estas glosas constam da Planilha Total das Glosas de Crédito. 7. r decorrência dos trabalhos de fiscalização, foi lavrado o Auto de Infração para exigência das contribuições para o II, formalizado no processo n° 10980.720.355/2013 17, para o período compreendido entre os meses de janeiro de 2008 e dezembro de 2009, conforme o Termo de Verificação Fiscal, acompanhado dos seus Anexos, que detalham e fundamentam todos os créditos glosados e os cálculos dos créditos e débitos das contribuições para o IPI. [...] Conclusão 12. Assim, face os fatos apresentados pela fiscalização, que não eram conhecidos do Sistema de Controle de Créditos SCC no momento da emissão do Despacho Decisório ora questionado, e considerando o que prevê o artigo 149 inciso VIII do CTN, PROPONHO que se reveja a decisão proferida pelo Despacho Decisório eletrônico n° 048880723 de fl. 503 a 505, para RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 1.638.913,41, oriundo de saldo credor do IPI relativo ao 4o trimestre/2009; HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DCOMP n° 19247.18549.200213.1.7.01 4372; HOMOLOGAR PARCIALMENTE a DCOMP n° 29261.97266.180210.1.3.01 7057; e NÃO HOMOLOGAR a DCOMP 05673.55541.260410.1.7.011321, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, do art. 11 da Lei n° 9.779, de L999 e da IN SRF n° 900/2008 (revogada pela atual IN RFB n° 1.300/2017). Decisão 13. Aprovo o relatório e as considerações que fundamentam a presente Informação Fiscal e, no uso da competência definida pelo artigo 280, inciso XIII, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF ne 125, de 4 de março de 2009, e delegada pela Portaria DRF/CTA n2 169, de 25 de setembro de 2001, RESOLVO com base no artigo 149 inciso VIII do CTN, REVER A DECISÃO proferida pelo Despacho Decisório eletrônico n° ,048880710 de fl. 503 a 505 para RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 1.638.913,41, oriundo de saldo credor do IPI relativo ao 4o trimestre/2009; HOMOLOGAR a compensação declarada por meio da DCOMP n° 19247.18549.200213.1.7.014372; HOMOLOGAR PARCIALMENTE a DCOMP n° 29261.97266.180210.1.3.017057; e NÃO HOMOLOGAR a DCOMP n° 05673.55541.260410.1.7.011321, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1.999 e da IN SRF n° 900/2008 (revogada pela atual IN RFB n° 1.300/2012). Na manifestação de inconformidade, a Interessada alegou o seguinte: A compensação acima descrita vem ocorrendo desde o trânsito em julgado da decisão judicial, inclusive devidamente homologadas por esta Secretaria. Ocorre que inesperadamente tudo aquilo que era rotineiramente chancelado, passou a ser objeto do Procedimento Fiscal n° 09.1.01.002011017396 (leiase início em 12/12/2011), mais propriamente as compensações efetuadas nos anos de 2008 e 2009, que acabou por desaguar em autuação, cuja lavratura se deu em 21/01/2013 (leiase encerramento) e a cientificação em 24/01/2013, PAF sob o n° 10980.720355/201317. Por fim, restou protocolada Impugnação aos Autos de Infração em 22/02/2013, o qual aguarda julgamento. [...] Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 824 4 Se não bastasse a esdrúxula autuação acima descrita, agora a Contribuinte novamente se vê ameaçada por nova e absurda manobra, vejamos: a) Conforme acima exposto a Contribuinte foi autuada em 21/01/2013, por suposta compensação irregular no entendimento da fiscalização (leiase da Sra. Auditora), mesmo estando autorizada por decisão judicial transitada em julgado, que acabou ensejando os autos de infração recebido em 24/01/2013, ora pendente de recurso administrativo interposto em 22/02/2013; b) Em 16/01/2013, (leiase posteriormente o final de fiscalização) foi emitido Despacho Decisório do delegado da Receita Federal de Curitiba, referente aos 3º e 4o Trimestres do ano de 2009, onde restou reconhecido (leiase homologado expressamente) integralmente o crédito de IPI utilizado neste período; c) Assombrosamente em 27/01/2014, a RECORRENTE foi surpreendida por uma Revisão de Ofício, glosando parte da compensação homologada, utilizando se para atingir seu intento, distorções do objeto de decisão transitada em julgado (leiase em interpretação própria da auditoria ofendendo a coisa julgada), afirmando ainda que a RECORRENTE utilizou de créditos de produtos vendidos que não utilizavam nenhuma matéria prima garantida pela decisão judicial, isso de forma genérica sem apontar quais seriam ditos produtos, bem como quais créditos não correspondem aos autorizados pela decisão judicial, ou seja, fundamentase em argumentos (leiase unilateral e genéricos) que ofendem a coisa julgada, e ainda, que pendem de decisão administrativa, portanto que gozam de efeito suspensivo até sua decisão final, não podendo neste momento serem utilizados para glosa da presente compensação, bem como outros argumentos inverídicos ora utilizados no relatório no afã de fundamentar o estranho ato. d) Falta com a verdade, distorce a realidade dos fatos, quando dito relatório em seu campo de n° 11, afirma que “o SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações emitiu Despacho Decisório Deferindo os Pedidos e Homologando as Compensações com base nas informações da Empresa, alteradas depois pela Fiscalização, fez necessária uma Revisão de Ofício dos processos analisados eletronicamente’’. Ora, conforme exposto, existe uma linha do tempo onde se demonstra que restou homologada a compensação depois da fiscalização, então como pode ser afirmado que foi antes da fiscalização e apenas baseado na documentação fornecida pela Contribuinte. Acrescentou ter ocorrido “bis in idem”, pela autuação e não homologação das compensações: Continuando nosso raciocínio, se a fiscalização optou pela autuação, a qual engloba o principal (leiase imposto compensado), e seus acessórios (leiase juros, multa e encargos), não poderia agora impor nova sanção, qual seja, a glosa da compensação do principal, o que deixa o pagamento do imposto em aberto gerando novo débito do mesmo fato gerador configurando assim o bis in idem, que se configura no direito tributário quando o mesmo ente tributante cobra um tributo do mesmo contribuinte e sobre o mesmo fato gerador mais de uma vez, pois se a Secretaria de Receita Federal quisesse apenas glosar a compensação ora realizada, esta deveria informar a Contribuinte do ocorrido para regularização no prazo de 30 dias nos moldes da legislação vigente, contudo optou por autuála, porém agora também em glosar a compensação, desaguando na perda de objeto da presente autuação, ou seja, tornandoa ineficaz. Ainda se referiu ao princípio da eficiência administrativa, mencionando doutrina e ementas de decisões administrativas e judiciais, afirmou que a ação judicial impetrada transitou em julgado, que a Fiscalização não poderia alterar os seus termos e que a certidão explicativa juntada aos autos demonstrálosia. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 825 5 Analisou o pedido de homologação prévia apresentado e o teor do despacho decisório anterior, contestando a alíquota de apuração dos créditos, as glosas de créditos decorrentes de aquisições de optantes do Simples e sua suposta apuração por amostragem, as aquisições de energia elétrica, de material intermediário e embalagens e de material de uso e consumo, concordando apenas com a glosa de créditos aproveitados em duplicidade. Por fim, afirmou não ter fundamento a revisão do despacho decisório. A impugnação foi julgada improcedente, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 IPI. LIMITAÇÃO AO DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. APRECIAÇÃO DA MATÉRIA EM INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade julgadora administrativa, à vista de expressa disposição de lei, afastar dispositivo de lei ou decreto que limite o direito de crédito de IPI, em razão de alegada violação de princípios constitucionais. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS NÃO TRIBUTADAS, ISENTAS E SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. MENÇÃO, NO ACÓRDÃO QUE MANTEVE A SENTENÇA, A INSUMOS. ADEQUADA INTERPRETAÇÃO DA COISA JULGADA. Tratando a ação judicial apenas do direito de crédito decorrente da aquisição de matériasprimas não tributadas, isentas e de alíquota zero, a menção, sem a força de dispositivo, no acórdão que julgou a remessa de ofício e a apelação a “insumos” não estende os limites da coisa julgada para além do que foi objeto da petição inicial. CRÉDITOS RECONHECIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. HABILITAÇÃO PRÉVIA. EFEITOS. Os efeitos da habilitação prévia restringemse à permissão para apresentar pedido de restituição ou ressarcimento e declaração de compensação, a partir da análise dos elementos formais da existência do crédito, não abrangendo o reconhecimento de sua liquidez e certeza. DESPACHO DECISÓRIO. REVISÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 826 6 É possível a revisão de ofício de despacho decisório anterior dentro do prazo de prescrição administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DIFERENÇA DE IMPOSTO. ERRO DO CONTRIBUINTE. MULTA E BOAFÉ. É devida a aplicação de multa de ofício sobre a diferença de imposto decorrente do uso de créditos em duplicidade, pois a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente. Regularmente cientificada do Acórdão proferido, a Recorrente, tempestivamente, apresentou seu o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A manifestação de inconformidade constante do presente processo é apreciada conjuntamente com a impugnação de lançamento do processo n° 10980.720355/201317. Isso porque as glosas de crédito têm origem nos fundamentos do termo de verificação fiscal constante do auto de infração. Ofensa à coisa julgada Alega a Recorrente que tem direito ao creditamento dos insumos isentos, não tributados ou reduzidos a alíquota zero, e não apenas de matériasprimas isentas. Das peças processuais da referida ação, temse: Seu pedido na petição inicial foi: A liminar concedida em primeira instância assim se referiu ao pedido: Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 827 7 O relator do acórdão no TRF 4ª, Apelação 1999.04.01.0798476 em seu relatório fez constar: O objeto da presente ação mandamental tem a ver, com a possibilidade de crédito, a título de IPI, relativo às entradas, no estabelecimento industrial, de matéria prima nãotributada, isenta, ou tributada à alíquota zero, para efeito de abatimento do débito, decorrente das saídas dos respectivos produtos manufaturados. Isto significa reconhecer que o crédito, oriundo de operações anteriores isentas, não tributadas, ou tributadas à alíquota zero, é presumido, e tem fundamento legal, no princípio constitucional da nãocumulatividade. O argumento contrário prendese ao fato de nada desembolsou, por ocasião da aquisição das mercadorias, elas são beneficiadas, pela liberação tarifária. Ao final de seu voto, prescreveu (efl. 3316): Certamente, que a Autoridade Fazendária disporá do prazo de 05 (cinco) anos, para aferir a exatidão da escrita fiscal. E mais, não existe um direito genérico, à obtenção de certidão negativa de débito, tampouco, fica impedida, a autoridade competente, de proceder as inscrições, no CADIN, ou em outro órgão de informações. Tudo depende da situação concreta do contribuinte, em dado momento histórico. Resumindo, a segurança é concedida, em parte, para o efeito de autorizar, a partir do trânsito em julgado, a utilização dos créditos, a título de IPI, decorrentes das entradas de insumos, atualizados, segundo índices oficiais, com os débitos futuros, deste imposto, incidente, sobre as saídas dos respectivos produtos industrializados (afinal, a legislação ordinária, e o próprio regulamento do IPI, admitem a transferência dos saldos credores excedentes, para os períodos seguintes). A Decisão Singular bem dispôs sobre todos os temas, merecendo ser mantida. Segurança Concedida. Ante o Exposto, Conheço da Remessa Oficial, e da Apelação da Impetrada, negando provimento, nos termos da fundamentação. Por sua vez, o dispositivo constante do acórdão foi o seguinte: Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 828 8 Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Contudo, na ementa constou: Entendo que a interpretação feita pela fiscalização não foi restritiva, apenas coerente com o teor do julgado. Logo, concordo com a decisão recorrida no sentido de que: (...) a referência a “insumos” foi efetuada de forma genérica na ementa e ao final do voto do relator. O próprio relator, por outro lado, no início de seu voto, especificou claramente que a ação tratava apenas de matérias primas e o dispositivo limitouse a negar provimento à remessa oficial e à apelação. A referência a insumos, no final do voto, não significa necessariamente que se estivesse referindo a “matériaprima, produto intermediário e material de embalagem”, uma vez que a noção de insumo é muito mais abrangente. Portanto, como no início do voto foi claramente citado que a matéria submetida ao recurso referiase apenas a “matérias primas”, é elementar que, ao referirse a “insumos”, estava o voto a referirse ao tipo específico de insumo que compunha a matéria em discussão na ação judicial. Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 829 9 Ademais, a ementa não tem efeito de dispositivo, tanto é assim que é temerário adotar a redação isolada da ementa para concluir o exato alcance da decisão. Com relação às glosas: não enquadramento no conceito de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem; entrada de produtos cuja operação não admite o creditamento; e não abrangência da decisão judicial dos produtos intermediários e material de embalagem, entendo que a Recorrente não trouxe provas para ilidir essas glosas, tampouco novos fundamentos ou documentos em sede de recurso voluntário. Por isso, concordo e adoto os fundamentos da decisão recorrida: As aquisições de material intermediário e de embalagem de alíquota zero, como já demonstrado, não foram abrangidas pela ação judicial. As aquisições de material de uso e consumo (pelo fato de o conceito de insumo não se restringir à utilização direta) não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, que são os tipos de insumos que geram direito a crédito. Ao contrário do alegado pela Interessada, no IPI, o conceito de insumo é restrito aos três tipos anteriormente citados. Nesse contexto, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo Fl. 829DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 830 10 permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (destaquei) Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...] Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...] In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. [...] Ainda há precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. Ação de empresa fabricante de aço para creditarse do imposto relativo aos materiais refratários que revestem os fornos elétricos, onde é fabricado o produto final. Interpretação que concilia o Decretolei n° 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n° 70.162/72, com a Lei n° 4.503/64 e com o art. 21, parágrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Portanto, temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Dos produtos alegados pela Interessada, nenhum satisfaz a tais condições, razão pela qual são cabíveis as glosas efetuadas pela Fiscalização. Da mesma forma, não há o menor fundamento para creditamento relativo a material de segurança, que não se enquadra, de forma alguma, nos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. A energia elétrica e o gás combustível não se enquadram no conceito de matéria prima e produto intermediário, uma vez que são aplicados no maquinário do parque industrial e não ao produto, da mesma forma que as partes e peças de máquinas. Em relação ao acórdão do STJ citado pela Interessada, novamente se deve destacar que não produz efeitos gerais, mas apenas entre as partes. A vedação ao creditamento em relação às aquisições de empresas optantes do Simples está prevista não só na Lei n° 9.317, de 1996, como também no Regulamento do IPI. Os estabelecimentos optantes do Simples não podem efetuar a transferência de créditos Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10980.903553/201314 Acórdão n.º 3301004.175 S3C3T1 Fl. 831 11 relativos ao imposto, o que inclui o seu destaque em nota fiscal, para aproveitamento do adquirente contribuinte do IPI. Por fim, não há que se falar em “bis in idem”, uma vez que o auto de infração se refere ao saldo de débitos da escrituração, enquanto que a cobrança relativa aos tributos compensados acima do limite de crédito reconhecido representa a diferença entre o total dos créditos indevidos e a glosa escritural. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 831DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904414/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO.
Restando comprovada, na documentação acostada aos autos, a existência de saldo negativo de CSLL em valor, inclusive, superior ao necessário para a compensação integral do PER/DCOMP, é incontestável o direito do contribuinte à homologação de seu pedido de compensação, posto que atendidos os requisitos de liquidez e certeza do direito creditório.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DE BASE DE CALCULO.
Quando a repercussão é em razão de compensações sucessivas de saldo negativo de CSLL com estimativas devidas pelo contribuinte durante o ano-calendário, não há que se falar na impossibilidade da fiscalização aferir se a compensação realizada foi ou não homologada para verificar a idoneidade do crédito trazido à compensação, uma vez que essa análise não altera a base de cálculo do tributo, a qual só pode ser modificada observado o prazo decadencial de cinco anos.
Numero da decisão: 1402-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 386.877,02; homologando-se as compensações pleiteadas até esse limite.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. Restando comprovada, na documentação acostada aos autos, a existência de saldo negativo de CSLL em valor, inclusive, superior ao necessário para a compensação integral do PER/DCOMP, é incontestável o direito do contribuinte à homologação de seu pedido de compensação, posto que atendidos os requisitos de liquidez e certeza do direito creditório. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DE BASE DE CALCULO. Quando a repercussão é em razão de compensações sucessivas de saldo negativo de CSLL com estimativas devidas pelo contribuinte durante o ano-calendário, não há que se falar na impossibilidade da fiscalização aferir se a compensação realizada foi ou não homologada para verificar a idoneidade do crédito trazido à compensação, uma vez que essa análise não altera a base de cálculo do tributo, a qual só pode ser modificada observado o prazo decadencial de cinco anos.
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SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. Restando comprovada, na documentação acostada aos autos, a existência de saldo negativo de CSLL em valor, inclusive, superior ao necessário para a compensação integral do PER/DCOMP, é incontestável o direito do contribuinte à homologação de seu pedido de compensação, posto que atendidos os requisitos de liquidez e certeza do direito creditório. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO DE BASE DE CALCULO. Quando a repercussão é em razão de compensações sucessivas de saldo negativo de CSLL com estimativas devidas pelo contribuinte durante o ano calendário, não há que se falar na impossibilidade da fiscalização aferir se a compensação realizada foi ou não homologada para verificar a idoneidade do crédito trazido à compensação, uma vez que essa análise não altera a base de cálculo do tributo, a qual só pode ser modificada observado o prazo decadencial de cinco anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 386.877,02; homologandose as compensações pleiteadas até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 14 /2 01 1- 23 Fl. 454DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10930.904414/201123 Acórdão n.º 1402002.911 S1C4T2 Fl. 455 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 0643.9291, proferido pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba (PR), em 30 de setembro de 2013, complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. Trata o presente processo do pedido de restituição, formulado pela incorporadora VIVO S/A (CNPJ nº 02.449.992/000164) em 29/12/2006 (fls. 0204), por meio do PER/DCOMP nº 11787.06913.291206.1.2.038933, do direito creditório de R$ 386.877,02 oriundo do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 declarado na DIPJ 2002 (ND 1257905, às fls. 212217) da incorporada Telerj Celular S/A (CNPJ nº 02.330.506/000194). 2. Esse direito creditório foi utilizado pela interessada no PER/DCOMP nº 077779.32686.200907.1.7.032396 (fls. 0508) para compensação do débito de R$ 729.650,06 de estimativa de IRPJ (código de receita 2362) do mês de fevereiro/2007. 3. A DRF/Londrina, por meio de despacho decisório eletrônico proferido em 09/09/2011 (rastreamento nº 952438919, à fl. 09), indeferiu o pedido de restituição, formulado por meio do PER/DCOMP nº 11787.06913.291206.1.2.038933, porquanto apurou saldo zero de contribuição a restituir ao não confirmar as antecipações por estimativa dos meses de janeiro e agosto/2001, compensadas com saldo negativo de CSLL de período anterior: 4. Em consequência, a compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 077779.32686.200907.1.7.032396 não foi homologada por inexistência de direito creditório. 5. Regularmente cientificada por via postal em 23/09/2011, a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 4957), apresentou, em 13/09/2011, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1447, instruída com os documentos de fls. 62123, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argúi que o despacho decisório é nulo por ausência de fundamentação clara e precisa, com ofensa ao art. 142 do CTN e ao direito constitucional à ampla defesa; o despacho decisório eletrônico não descreve suficientemente os motivos que levaram ao não Fl. 456DF CARF MF 4 reconhecimento do saldo negativo, impossibilitando assim o exercício do direito de defesa pleno da recorrente; b) que é vedado ao Fisco, em 2011, pretender reapurar o saldo negativo do anocalendário de 2001, em razão do decurso do prazo decadência (art. 150, § 4º, do CTN); o Fisco teve o prazo de cinco anos contados do fato gerador para atestar a regularidade dos procedimentos levados a efeito pela requerente; transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado, via lançamento de ofício, a apuração da CSLL de 2001, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário; o crédito da requerente apurado em sua DIPJ do anocalendário de 2001 representa uma situação jurídica consolidada, impossível de desconsideração pelo Fisco, em razão de preclusão temporal; c) operouse a homologação tácita das compensações das estimativas de janeiro e agosto/2001, pois o processo que supostamente as teria analisado (PAF 16366.000083/201016) foi iniciado em 2010, ou seja, há mais de cinco anos da compensação realizada via DCTF; tendo em vista o disposto no art. 150, § 4º do CTN combinado com o art. 74, §§ 4º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, consoante o disposto no art. 86 da INRFB nº 900, de 2008, operouse indubitavelmente a homologação tácita das compensações realizadas via DCTF, pois equiparadas a declaração de compensação; d) a glosa das estimativas de janeiro e agosto/2001 extintas por compensação (ainda que não homologadas) é inadmissível por representar dupla cobrança de tributo; a desconsideração dos valores que se encontram com exigibilidade suspensa em virtude de recurso administrativo contra a não homologação da compensação é completamente ilegítima, pois se o débito fiscal está com exigibilidade suspensa, o mesmo não pode ser cobrado do contribuinte; mesmo que haja decisão administrativa definitiva não homologando a compensação, ainda assim esta parcela deverá ser considerada para composição do saldo negativo, uma vez que o respectivo crédito tributário será exigido do contribuinte através de execução fiscal, que, quando paga, irá recompor o saldo negativo; e) caso o Poder Judiciário considere o débito indevido em sede de embargos à execução, tal decisão também não afetará o saldo negativo retratado na DIPJ, tendo em vista que o caso será de reconhecimento judicial da regularidade da compensação indevidamente glosada pela Receita Federal; devem ser consideradas como pagas as estimativas cujo adimplemento se deu por compensação, até porque, caso ao final não sejam homologadas, nenhum prejuízo advirá ao Fisco que pode exigir o débito decorrente da não homologação pela via ordinária; o que não se pode admitir é a dupla cobrança da estimativa mensal paga por compensação que venha a ser futuramente não homologada, pela dedução na composição do saldo negativo, e a posterior execução do débito compensado cujo crédito não foi reconhecido; f) ainda que se desconsidere a integralidade do crédito utilizado na compensação sob análise, resta indevida a exigência de estimativas após o término do ano calendário, tendo em vista a precariedade das estimativas e o fato de o tributo em comento ter sua base anual; se afigura ilegal a exigência da estimativa mensal de IRPJ, caso não seja homologada a compensação objeto do presente processo, uma vez que as estimativa são objeto de obrigação acessória, convertendose em cumprimento de obrigação principal somente após o fim do exercício anual; que no presente caso exigese a estimativa de IRPJ de fevereiro/2007, no valor de R$ 729.650,06, quando ao final do anocalendário de 2007 foi apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 49.830.631,09; g) caso seja mantida a multa sobre o saldo devedor apurado pelo fisco, devem ser afastados os juros de mora imputados à citada penalidade. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10930.904414/201123 Acórdão n.º 1402002.911 S1C4T2 Fl. 456 5 6. À fl. 125, o despacho desta DRJ solicitando à DRF/Londrina que junte aos autos cópia da documentação complementar que embasou o Despacho Decisório proferido em 09/09/2011 que se encontra arquivada no processo nº 16366.000083/201016. 7. Às fls. 126249, a documentação juntada pela Saort da DRF/Londrina, conforme despacho de fl. 250. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. A decisão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por unanimidade de votos. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Inconformada com a improcedência de seus pedidos, a fiscalizada interpôs Recurso Voluntário (efls. 294322) a esta Colenda Turma, requerendo preliminarmente, a declaração da nulidade do despacho decisório e o reconhecimento da decadência do direito do Fisco, em 2011, pretender reapurar o saldo negativo do ano calendário 2001. Requereu também seja homologada integralmente a compensação efetuada, e reconhecida a atualização dos valores passíveis de compensação desde a sua efetiva formação. Finalmente requereu seja confirmada a insubsistência da incidência dos juros sobre a multa de mora, por ausência de previsão legal. Registrese, ainda, no tocante ao trâmite processual, que não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Em síntese, o contribuinte ingressou com pedido de compensação de saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2001, DIPJ2002, vinculado ao CNPJ 02.330.506/000194 – Telerj Celular S/A, o qual foi incorporado pela Recorrente, no importe total de R$ 386.877,02. A DRF não homologou a compensação pretendida em razão de não ter confirmado a homologação de compensação de estimativas referentes aos meses de janeiro e agosto/2001, com saldo negativo de CSLL de outro período, concluindo inexistir os créditos informados pelo contribuinte no PER/DCOMP de p. 2 a 8. O contribuinte, em manifestação de inconformidade, além de preliminares de nulidade do despacho decisório, decadência e homologação tácita das compensações realizadas em 2001, no mérito insurgiuse contra uma suposta dupla cobrança de tributo, a indevida exigência de estimativas após o término do anocalendário (Súmula 82 CARF) e a não incidência de juros sobre multa. A DRJ, ao analisar o conteúdo do processo administrativo, entendeu necessária a juntada de cópia de documentação complementar que se encontrava arquivada no processo administrativo nº 16366.000083/201016, o que ocorreu às p. 126 a 249. A DRJ, por sua vez, afastou as preliminares de nulidade e, no mérito, em análise detalhada, demonstrou a inexistência de créditos para a compensação das estimativas de janeiro e agosto/2001, base do saldo negativo utilizado neste processo para a compensação pretendida pelo contribuinte, concluindo pelo não provimento da manifestação de inconformidade. Inconformada, a contribuinte apresenta recurso voluntário repisando seus argumentos de nulidade, decadência, homologação tácita e não incidência de juros sobre multa de mora. O despacho decisório de p. 9 a 12, de fato, limitase a informar que, na análise das parcelas do crédito pleiteado pelo contribuinte, não confirmou a compensação da estimativa devida de CSLL em janeiro/2001 e agosto/2001 com saldo negativo de períodos anteriores. Em outras palavras, concluiu pela inexistência de pagamento das mesmas, via compensação e, desta forma, tais parcelas não poderiam compor o saldo negativo de CSLL no anocalendário 2001, o que resulta em inexistência de créditos do contribuinte para a compensação pretendida através do PER/DCOMP de p. 2 a 8. Não há, assim, ao ver deste Julgador, qualquer nulidade no despacho decisório inicial, pois indica, de maneira direta e objetiva, a razão pela qual não se reconheceu os créditos utilizados pelo contribuinte para a compensação pretendida. Também não há decadência ou homologação tácita a impedir que o órgão de fiscalização verifique a veracidade da origem dos créditos apontados pelo contribuinte. Esta Turma, em recente julgamento, no qual este Julgador esteve presente Acórdão 1402.002.151, de Relatoria do i. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 05 de abril de 2016, firmou o seguinte entendimento: Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10930.904414/201123 Acórdão n.º 1402002.911 S1C4T2 Fl. 457 7 Ou seja, no presente caso, como a repercussão é em razão de compensações sucessivas de saldo negativo de CSLL com estimativas devidas pelo contribuinte durante o anocalendário, não há que se falar na impossibilidade da fiscalização aferir se a compensação realizada foi ou não homologada para aferir a idoneidade do crédito trazido à compensação, uma vez que essa análise não altera a base de cálculo do tributo, a qual só pode ser modificada observado o prazo decadencial de cinco anos. Superadas as preliminares, passase ao mérito. Compulsando o processo administrativo, verificase, na p. 144, a existência da Intimação nº 942/2011, de 13 de junho de 2011, na qual a DRF intima a Recorrente a “informar como foram quitadas as estimativas de CSLL, relativas ao exercício 2001, ano calendário 2000, declaradas em DIPJ”, sob pena de, não o fazendo, implicar na análise do direito creditório com base nos dados/valores passíveis de confirmação disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal. Observase que a DRF de origem oportunizou ao contribuinte esclarecer o pagamento dos valores que deram origem ao crédito compensado com as estimativas de janeiro e agosto/2001, de tal forma a, nesse encadeamento de compensações, confirmar a existência do crédito utilizado para a compensação declarada neste processo, à p. 2 a 8. Em resposta, o contribuinte informou que utilizou saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário 1998, DIPJ 1999, para a realização desse pagamento, mediante compensação (p. 151). Ou seja, deuse mais um passo atrás para se buscar a origem dos créditos utilizados neste processo administrativo, com a juntada de parte da respectiva DIPJ 99 à p. 156 a 163. Fazendose uma análise de todos os documentos anexados às p. 126 a 249, observase, inicialmente, que foi reconhecido um crédito de saldo negativo de CSLL, apurado na DIPJ 99, anocalendário 98, no importe de R$ 6.030.601,89, p. 163, uma vez que os pagamentos das estimativas foram confirmados à p. 166. Esse crédito, conforme listagem de Créditos/Saldos Remanescentes de p. 233 e seguintes, foi utilizado para a compensação de estimativa de CSLL de fevereiro de 2000, no importe de R$ 1.298.120,76 e estimativas de janeiro, fevereiro, março, junho e julho/2002, restando um saldo de crédito, ao final dessas compensações, no importe de R$ 2.723.846,48. Fl. 460DF CARF MF 8 Ou seja, não há informação da DRF nos autos que permita concluir que esse saldo de “saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ 99, AC 98” tenha sido utilizado em outras compensações. Por outro lado, não há saldo negativo de CSLL na DIPJ 2000, AC99, conforme DIPJ de p. 187 a 194, pois o contribuinte apresentou prejuízo em todos os meses do referido anocalendário, restando um crédito pequeno de retenções na fonte apenas – R$ 24.509,67, o qual também não se teve notícia que tenha sido utilizado. No entanto, uma segunda DIPJ 2000 foi transmitida, referente aos meses de janeiro a novembro de 2000, tendo em vista um evento de incorporação, conforme DIPJ de p. 197 a 204. Nesta foi apurado um saldo negativo de CSLL no importe de R 1.211.607,06, mas a única estimativa cujo pagamento foi confirmado – fev2000, no importe de R$ R$ 1.298.120,76, não era suficiente para gerar saldo negativo, uma vez que foi apurado R$ 1.854.841,18 de CSLL a recolher. A DRJ, ao analisar esses mesmos documentos, concluiu que, não havendo saldo negativo de CSLL do anocalendário 99 e anocalendário 2000 (até novembro), nas duas DIPJ 2000 transmitidas, não haveria crédito para a compensação informada com as estimativas de janeiro e agosto/2001, que é o crédito apontado pelo contribuinte para a compensação neste processo administrativo na PER/DCOMP de p. 2 a 8. O contribuinte, contudo, ao ser notificado através da Intimação nº 942/2011, de 13 de junho de 2011, p. 144, para informar a origem dos créditos utilizados para o pagamento, mediante compensação, das estimativas de janeiro e agosto de 2001, informou que utilizou saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário 1998, DIPJ 1999, para a realização desse pagamento, mediante compensação (p. 151). Como já exposto mais acima, há informação fiscal nos autos dando notícia de que havia um saldo de “saldo negativo de CSLL”, do anocalendário 98, no importe de R$ 2.723.846,48. (p. 233). Ademais, no “Extrato Completo do Contribuinte” de p. 219, há informação de que as estimativas de janeiro e agosto/2001 foram compensadas sem DARF e que o saldo devedor era R$ 0. Vejamos: Ou seja, com a devida vênia ao posicionamento da DRJ, este Julgador, ao analisar os mesmos documentos, conclui que o saldo negativo de CSLL, apurado na DIPJ 2002, referente ao anocalendário de 2001, no importe de R$ 386.877,02, está correto, uma vez que as estimativas pagas antecipadamente durante o ano, por compensação, estão extintas, o que é totalmente verossímil, considerando que o contribuinte tinha crédito superior às estimativas em questão apuradas na DIPJ 1999. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10930.904414/201123 Acórdão n.º 1402002.911 S1C4T2 Fl. 458 9 Vejase, por fim, que no anocalendário 2002 todas as estimativas foram pagas, gerando na DIPJ 2003 um crédito de saldo negativo de CSLL reconhecido no importe de R$ 3.024.275,13, conforme decisão de p. 230 a 232 e, no anocalendário 2003, DIPJ 2004, foi reconhecido um saldo negativo de CSLL no importe de R$ 1.333.312,12, p. 244 e 245, o que permite concluir, pelos documentos acostados aos autos pela própria DRF, a pedido da DRJ, que o remanescente do saldo negativo de CSLL – DIPJ 99 era suficiente para a compensação pretendida pelo contribuinte. Ante o exposto, julgo procedente o recurso voluntário interposto para reconhecer a integralidade dos créditos trazidos à compensação pelo contribuinte em PER/DCOMP de p. 2 a 8 e, desta forma, homologo a compensação realizada, extinguindo o crédito tributário compensado definitivamente. É o voto (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721065/2016-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 10 65 /2 01 6- 17 Fl. 106DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, ano calendário de 2013, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 18.000,00 e exigido um crédito tributário de R$ 8.662,50, calculado ate maio de 2016 (fl.43). Na impugnação apresentada, fls.06, o Impugnante alega, em síntese, que os pagamentos efetuados para as profissionais Vanessa Silva Queiroz e Eliane Augusto Pereira, foram realizados em espécie, tendo sido apresentado todos os recibos, com firma reconhecida, bem como declaração assinada pela referida profissional ratificando os atendimentos de fisioterapia para tratamento de lombalgia e psicoterapia. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/10/2016 (fl. 53), o interessado interpôs, em 02/11/2016, o recurso de fls. 54/55. Nas razões recursais aduz basicamente os mesmos fundamentos expostos na impugnação, e , ademais, apresenta toda a sua movimentação bancária de 2013 e extratos de sua conta corrente no Banco do Brasil, devidamente detalhada. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10140.721065/201617 Acórdão n.º 2001000.060 S2C0T1 Fl. 3 3 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos relativos ao tratamento de fisioterapia e psicoterapia, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração do próprio prestador de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia simplesmente argumentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração de ajuste, está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução, mediante a apresentação de documentos idôneos, a fim de comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o efetivo pagamento das despesas incorridas por tratamento próprio ou de seus dependentes, cabendo esclarecer que a dedutibilidade das despesas da base de cálculo do imposto de renda está vinculada aos dispositivos legais e normativos que tratam da matéria, aplicados de forma objetiva. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Importa dizer, que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Vale lembrar, outrossim, que o princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico, sendo que deve ser obedecido também na esfera administrativa. Assim, incumbe ao Impugnante apresentar tempestivamente, ou seja, junto com a Fl. 108DF CARF MF 4 impugnação, as provas em direito admitidas, conforme determina o art. 16, inciso III, do Decreto 70.235, de 1972. De forma que, apenas podem ser admitidas as deduções questionadas pela Fiscalização que o contribuinte logre comprovar por meio de documentos hábeis, cabendo ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Nesse contexto, passase à análise concreta da glosa impugnada pelo Contribuinte. Às folhas 10/20, o contribuinte anexou aos autos uma declaração emitida por Vanessa S Queiroz e Eliane Augusto Queiroz. A fisioterapeuta Vanessa Queiroz declara que realizou 07 (sete) sessões de fisioterapia no contribuinte, cobrando a quantia de R$ 6.800,00 por esses serviços. A psicóloga Eliane Pereira declara ter feito 12 atendimentos psicoterápicos, tendo cobrado a quantia de R$ 11.200,00. Ainda, foram anexados aos autos recibos emitidos pelas duas profissionais retrocitadas. Pois bem, em que pese o contribuinte ter anexado declaração da prestadora do serviço e respectivos recibos de pagamento, o motivo da glosa foi a não comprovação do pagamento. Considerando o valor de cada consulta, mesmo o contribuinte tendo pago em espécie, não é difícil comprovar as retiradas de recursos de suas contas bancárias. “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, NÃO me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, a falta de intimação prévia do Contribuinte para tal, e a falta de demonstração e fundamentação, pela autoridade lançadora, de que necessitava de tal comprovação de pagamento seu convencimento. Ou seja, a autoridade lançadora não justificou que houve alguma dedução exagerada, e precisava de mais respaldo para formar o seu convencimento. Nesta senda, vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). No caso concreto, não houve fundamentação suficiente pela autoridade lançadora que justifique a exigência da comprovação do pagamento, muito menos demonstração de dedução exagerada. Vale mencionar, ademais, que o Recorrente, na momento da apresentação do seu Recurso Voluntário, contribuiu para a busca da verdade material, no caso concreto, pois apresentou, de boa fé, todos os seus extratos bancários e movimentação bancária relativa ao ano de 2013. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10140.721065/201617 Acórdão n.º 2001000.060 S2C0T1 Fl. 4 5 Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela desconsideração do crédito lançado, o qual não restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fernanda Melo Leal. Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913318/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.012
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 18 /2 01 1- 11 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.300, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913318/201111 Acórdão n.º 3402005.012 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925657/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.084
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando que retificara a DCTF, bem como o Dacon, de forma a adequá los às diferenças e créditos apurados para o período. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 65 7/ 20 12 -7 5 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10680.925657/201275 Resolução nº 3201001.084 S3C2T1 Fl. 130 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: a) retificou o Dacon antes da transmissão do Per/DComp; b) na Manifestação de Inconformidade, esclareceu que o débito estava incorretamente informado na DCTF original, motivo de sua retificação, mas corretamente lançado no Dacon; c) houve espontaneidade na retificação da DCTF pois ocorrera antes da ciência do despacho decisório, conforme documentos demonstrativos da situação; d) a DCTF retificadora é prova do indébito do qual decorre o direito creditório; e) a recusa em aceitação da DCTF retificadora viola o art. 147 do CTN e art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010; f) inferese do Dacon e da DCTF retificadores que, no período de apuração destes autos, não havia débitos, assim o recolhimento por DARF do valor erroneamente informado nas declarações originais tornaramse indevidos, constituindose crédito do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.083, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.925656/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.083): Em face de debates surgidos em sessão de julgamento, fui designada redatora da posição vencedora em decorrência de divergência aberta. Como se verifica pelo relato dos fatos, a compensação declarada pelo Contribuinte não foi admitida em razão de o crédito informado, decorrente de pagamento indevido ou a maior, estar vinculado a débito regularmente declarado em DCTF. Contudo, tendo sido demonstrado que a referida DCTF foi retificada pelo contribuinte anteriormente à cientificação do Despacho Decisório, temse que o crédito deve ser analisado em face das informações constantes do documento retificador, que substitui integralmente o original. Isso não significa afirmar que o crédito informado não possa ser averiguado pela Fiscalização, notadamente em razão do fato de que a retificação ocorreu posteriormente à emissão do Despacho Decisório e, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10680.925657/201275 Resolução nº 3201001.084 S3C2T1 Fl. 131 3 portanto, em face de informações constantes nos sistemas da RFB naquele momento. Tratase de situação na qual a análise inicial deve ser revista em face do documento retificador admitido pela RFB. Desse modo, e em respeito ao Princípio da Verdade Material, propõese a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entenda necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entender necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720679/2015-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014
SOLIDARIEDADE PASSIVA. EXISTÊNCIA DE PROVA. MANUTENÇÃO NO PÓLO PASSIVO. POSSIBILIDADE.
Constatada a existência de prova robusta da condição de real adquirente de uma das empresas arrolada no polo passivo da autuação e de interesse comum da outra empresa, mantém-se a solidariedade passiva das duas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO VÍCIO. POSSIBILIDADE.
Uma vez demonstrado o vício de contradição, acolhe-se os embargos de declaração, para aclarar/dissipar a contradição existente no julgado embargado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-005.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado e, sem efeitos infringentes, alterar a redação do enunciado da ementa, conforme voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 SOLIDARIEDADE PASSIVA. EXISTÊNCIA DE PROVA. MANUTENÇÃO NO PÓLO PASSIVO. POSSIBILIDADE. Constatada a existência de prova robusta da condição de real adquirente de uma das empresas arrolada no polo passivo da autuação e de interesse comum da outra empresa, mantém-se a solidariedade passiva das duas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO VÍCIO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado o vício de contradição, acolhe-se os embargos de declaração, para aclarar/dissipar a contradição existente no julgado embargado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado e, sem efeitos infringentes, alterar a redação do enunciado da ementa, conforme voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus.
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EXISTÊNCIA DE PROVA. MANUTENÇÃO NO PÓLO PASSIVO. POSSIBILIDADE. Constatada a existência de prova robusta da condição de real adquirente de uma das empresas arrolada no polo passivo da autuação e de interesse comum da outra empresa, mantémse a solidariedade passiva das duas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. COMPROVADA A CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO VÍCIO. POSSIBILIDADE. Uma vez demonstrado o vício de contradição, acolhese os embargos de declaração, para aclarar/dissipar a contradição existente no julgado embargado e, sem efeitos infringentes, rerratificar o acórdão embargado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado e, sem efeitos infringentes, alterar a redação do enunciado da ementa, conforme voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 06 79 /2 01 5- 21 Fl. 1116DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela interessada, com o objetivo de corrigir supostos vícios de contradição e omissão no acórdão nº 3302004.147, de 27 de abril de 2017. A embargante alegou vícios de contradição e omissão no acórdão embargado. O primeiro, sob o argumento de que havia contradição entre o título e o texto do enunciado da ementa. O segundo, sob o argumento de que não fora apreciada a questão atinente à fraude presumida imputadas às autuadas. No despacho de admissibilidade colacionados aos autos, sob o argumento de que estava caracterizado apenas o vício de contradição, os embargos foram parcialmente admitidos, para fim de correção do julgado embargado. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez atendido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento parcial dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. Nos presentes embargos, a interessada alegou que o acórdão embargado padecia de vício de contradição, uma vez que o título do enunciado da ementa citava à ausência de provas, enquanto que o texto mencionava a existência. Ademais, a ementa referiase à comprovação da solidariedade para apenas uma das empresas, mas a decisão mantinha todas no pólo passivo da autuação. Para facilitar a compreensão, segue transcrito o excerto do enunciado da ementa referenciado pela embargante: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 [...] SOLIDARIEDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Constatado existência de prova robusta em relação a uma das empresas apontadas na sujeição passiva, impõe em manter solidariedade atribuída. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 11128.720679/201521 Acórdão n.º 3302005.340 S3C3T2 Fl. 1.117 3 Recurso Voluntário Negado. A contradição entre o título e o texto da ementa é evidente. O primeiro fala em ausência de prova, enquanto o segundo, contraditoriamente, menciona a existência de prova. Além disso, o texto da ementa mencionou que havia prova robusta apenas em relação a uma das empresas arroladas no pólo passivo da autuação como solidária. Para o esclarecimento dessa contradição/obscuridade, recorrese ao voto condutor do julgado embargo, que abordou o assunto na análise do mérito da lide, especificamente, nos excertos que seguem transcritos: Inicialmente cabe verificar se ocorreu de fato ocultação do real adquirente das mercadorias nas operações de comércio exterior analisadas neste processo. E nesse aspecto os elementos probatórios na autuação encontram fincados no grau de parentesco entre os sócios das três em pesas envolvidas nesse processado, ALIANÇA, DIRECT e STEEL, incapacidade financeira de alguns dos sócios em integralizar o capital, transferência de quotas por meio de doação entre sócios, empréstimos por meio de contrato de mútuos entre ALIANÇA e a DIRECT, bem como, o fato das vendas para STEEL representar mais de 86% e os valores adiantados ocorrer muito tempo antes da emissão das notas fiscais de venda. Contra essas acusações a defesa não traçou uma linha sequer, contentou em sustenta a inexistência de ocultação de real interessado que não fosse a própria Aliança. Apenas apresentou com a impugnação cópia do contrato de mútuo firmado entre as empresas Aliança e a Direct. A fiscalização toma como elementos de convicção a incapacidade financeira dos sócios, bem como, da Aliança, demonstra por meio de fluxo saída de recursos financeiros da empresa Steel para Aliança sem contra partida de venda. Demonstrou que o montante emprestado por meio de mútuo da DIRECT para Aliança foi devolvido em diversas parcelas oriundo das remessas de dinheiro efetivados pela empresa STEEL, que esse mesmo recurso financeiro circulava constantemente entre as três empresas. Assim como, os empréstimos bancários eram quitados por meio dos adiantamentos efetivados pela STEEL, curiosamente contabilizados em conta de “adiantamento para importação futura”, como afirmado no relatório fiscal. Apenas um item dos elementos da autuação é contestado na impugnação e no recurso voluntário, que não logra afastar a caracterização da ocultação. Aduz que os valores pagos à Aliança pela STEEL são decorrentes de outras transações efetuadas entre as empresa não se revela suficiente para fazer prova contrária, necessita de muito mais, cabia vincular as operações de venda com as respectivas notas fiscais demonstrando que valor recebido se referia aquela transação. Fl. 1118DF CARF MF 4 Não basta alegar licitude das operações realizadas entre as duas empresas, no caso concreto impõe provar por meio de documentos idôneos que tratava de operação de compra e venda por se referir empresa que guarda estreito vinculo familiar, cujos recursos financeiros são oriundos de empréstimo de mútuo de outra empresa familiar. O fato de a empresa ter adquirido com dinheiro próprio ou de terceiro as mercadorias, não afasta a existência de acobertamento. Em relação à empresa DIRECT COMÉRCIO LOGÍSTICA LTDA., colocada no pólo por suposto interesse comum, ao fundamento de que há relação estreita entre os sócios por grau de parentesco e mútuo concretizado com a empresa ALIANÇA, o qual teria sido pago por meio de parcelas, além desses dois fatos mencionados demonstração robusta desse suposto empenho nas operações comerciais oriundas do mercado externo. O grau de parentesco e o empréstimo têm como suficientes a caracterizar interesse específico nas importações de mercadorias do exterior. Em razão da existência de demonstrações do interesse atribuído, caminho no sentido de manter a solidariedade imputada. [...] Diante do exposto, conheço dos recursos voluntários e nego provimento. (grifos não originais) A leitura dos excertos transcritos esclarece que há nos autos elementos probatórios adequados e suficientes à comprovação da infração por interposição fraudulenta e do vínculo de solidariedade passiva entre as empresas. Especificamente em relação à solidariedade passiva, há expressa menção aos elementos que comprovam a condição de real adquirente da pessoa jurídica STEEL COMÉRCIO, DISTRIBUIÇÃO E REPRESENTAÇÃO LTDA., bem como o interesse comum da pessoa jurídica DIRECT COMÉRCIO LOGÍSTICA LTDA. Dessa forma, para esclarecer as contração e obscuridades apontadas e deixar o enunciado da ementa em perfeita consonância com os fundamentos do voto condutor do julgado, propõese a substituição da redação anterior do referenciado enunciado da ementa para a que segue transcrita: SOLIDARIEDADE PASSIVA. EXISTÊNCIA DE PROVA. Constatada a existência de prova robusta da condição de real adquirente de uma das empresas arrolada no polo passivo da autuação e de interesse comum da outra empresa, mantémse a solidariedade passiva das duas. Por todo exposto, acolhese os presentes embargos, para rerratificar o acórdão embargado e, sem efeitos infringentes, alterar a redação do enunciado da ementa para a redação proposta anteriormente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 11128.720679/201521 Acórdão n.º 3302005.340 S3C3T2 Fl. 1.118 5 Fl. 1120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.900433/2012-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO.
Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém-se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação.
Numero da decisão: 3001-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém-se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
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CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantém se os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 90 04 33 /2 01 2- 08 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13855.900433/201208 Acórdão n.º 3001000.119 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 21/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 06369.70062.210909.1.3.040479 declarando a compensação de débito de PIS/PASEP (Cód.6912), do P.A. 08/2009 no valor de R$ 7.354,00 com crédito de PIS/PASEP (cód. 6912), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 11/2005 (R$ 5.074,18 mais Selic de 44,93% igual R$ 7.354,00). Do Despacho Decisório A DRF de Franca/SP em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 8), pela homologação parcial a compensação pretendida, em face de insuficiência de crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido parcialmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação do débito informado no PER/DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 3), pugnando por seu direito à compensação praticada; que retificou suas declarações – DACON, DCTF e DIPJ, onde ficou demonstrado o pagamento a maior que o devido, passível de suportar o débito compensado. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/CTA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PARCIALMENTE EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. MANUTENÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantémse os termos do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera alegação de direito desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período não é suficiente para demonstrar que houve recolhimento indevido ou maior que o devido de contribuição. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13855.900433/201208 Acórdão n.º 3001000.119 S3C0T1 Fl. 4 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 147), abordando apenas questão de direito nos seguintes termos: “Considerando o direito líquido e certo aos valores em tela conforme se depreendem das declarações bastantes, é a presente manifestação de inconformidade para requerer a VALIDAÇÃO E DEVIDO PROCESSAMENTO DOS CRÉDITOS LEVANTADOS ORIUNDOS DE PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR DEVIDAMENTE DECLARADOS EM DCTFs E DIPJs E UTILIZADOS PARA PAGAMENTOS DE DÉBITOS ENTÃO VINCENDOS NOS TERMOS QUE DEMONSTRAM A DOCUMENTAÇÃO ACOSTADA AOS AUTOS, com a homologação das compensações ora acostadas e confeccionadas com o saneamento dos erros acima apontados, mas que, por impossibilidade de configuração do sistema, não pode ser enviada para análise devida, assim pedese a transmissão das mesmas”. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/CTA tratou adequadamente a matéria, expondo de forma clara e objetiva suas razões de decidir, apontando o fato que impossibilitou convalidar a totalidade da compensação requerida. As telas (efls. 118 a 127) resumem todos os fatos representativos do crédito alegado e sua utilização, tornando insuficiente para atender o pleito da recorrente, senão vejamos: 1. O débito declarado de PIS/PASEP (cód. 6912) para o Período de Apuração nov/2005 foi de R$ 5.071,05 com os seguintes créditos vinculados: R$ 2.588,52 por compensação de pagamento indevido ou a maior via PER/DCOMP nº 16021.37621.180406.1.7.04 2088 (R$ 1.797,02) e PER/DCOMP nº 16902.89157.180406.1.7.040069 (R$ 791,50), efls. 123; 2. A diferença do valor devido de PIS/PASEP da competência 11/2005 R$ 2.482,53 (R$ 5.071,05 () R$ 2.588,52), foi pago através do DARF no valor de R$ 33.293.09 (principal R$ 31.923,57.mais multa R$ 1.369,52) na data de 28/12/2005. 3. Ocorre que, conforme se depreende da tela efls.124, o crédito vinculado de R$ 1.797,02 via PER/DCOMP nº 16021.37621.180406.1.7.042088, foi efetivamente Fl. 144DF CARF MF Processo nº 13855.900433/201208 Acórdão n.º 3001000.119 S3C0T1 Fl. 5 4 utilizado para compensar um débito de PIS/PASEP (cód.6912) do Período de Apuração 01/04/2005; 4. Havendo ainda saldo disponível com relação ao pagamento efetuado no dia 28/12/2005, o sistema informatizado da Receita Federal fez a alocação de forma a amortizar também o valor de R$ 1.797,02 acrescido de multa no valor de R$ 183,59. 5. "Conseqüentemente, o pagamento, no montante de R$ 33.293,09, foi assim utilizado: R$ 4.463,14 para extinguir o débito de PIS, cód. 6912, de novembro de 2005 (ou seja, 4.279,55 de PIS e R$ 183,59 de multa de mora), R$ 24.366,86 para a compensação indicada na Dcomp nº 34802.05743.210909.1.3.046903 e o saldo, ou seja, R$ 4.463,09, para a presente compensação". 6. Dessa forma o crédito alocado na PER/DCOMP nº 06369.70062.210909.1.3.040479 foi de R$ 4.463,09 o que reduziu o valor do crédito pretendido em R$ 611,09 que corrigido pela SELIC (44,93%) resulta no valor de principal R$ 885,65, remanescente, em cobrança neste PAF de nº 13855.900433/201208. A recorrente sendo detentora de todos os documentos que correspondem as declarações encaminhadas à Receita Federal do Brasil, principalmente aos que deram origem a PER/DCOMP nº 16021.37621.180406.1.7.042088, nada alegou em seu recurso sobre a questão mencionado no item 3 acima, muito menos trouxe qualquer prova documental que pudesse modificar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter inalterada a decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679856/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 15/08/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.858
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 15/08/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/08/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 56 /2 00 9- 44 Fl. 110DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 16030.221, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 15/08/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 112DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 114DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 116DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 118DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 120DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.679856/200944 Acórdão n.º 3402004.858 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.689980/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.689980/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.860 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP Recorrente CALVO COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 80 /2 00 9- 18 Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689980/200918 Acórdão n.º 1402002.860 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de CSLL, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689980/200918 Acórdão n.º 1402002.860 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10880.689980/200918 Acórdão n.º 1402002.860 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10880.689980/200918 Acórdão n.º 1402002.860 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10880.689980/200918 Acórdão n.º 1402002.860 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720019/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2007
RECOF. EXTINÇÃO. EXPORTAÇÃO. AVERBAÇÃO. IN SRF Nº 28/94.
Somente será considerada exportada, para fins extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), a mercadoria cujo despacho de exportação tiver sido averbado. A averbação é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria.
Não se verifica ilegitimidade na Instrução Normativa SRF nº 28/94 para regular a exportação, inclusive aquela relativa à extinção de regime aduaneiro. Não dispondo as normas relativas ao Recof, de forma específica, no sentido de que a exportação para fins de extinção desse regime devesse ser efetuada de outro modo, é de se concluir que ela deve ser realizada em conformidade com as normas gerais aplicáveis às exportações, mesmo porque assim determina o art. 66 da Instrução Normativa SRF nº28/94.
DILIGÊNCIA. EXPORTAÇÕES COMPROVADAS. DECISÃO RECORRIDA. MANTIDA.
Deve ser mantida a exoneração de tributos e multas de ofício efetuada pela decisão recorrida em conformidade com a apuração da fiscalização na diligência, em análise de nova documentação apresentada pela impugnante, no sentido de que as exportações apresentadas comprovavam a extinção do regime aduaneiro especial.
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTRODUÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. NÃO CONFIGURADA. MULTA. EXONERAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. MANTIDA.
Deve ser mantida a exoneração da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, efetuada pela decisão recorrida em conformidade com o apurado pela fiscalização na diligência.
Tendo a fiscalização apurado posteriormente, em nova análise de dados extraídos do Siscomex, correspondência entre as informações das mercadorias constantes nas Declarações de Importação de nacionalização e aquelas das Declarações de Admissão no Recof, é de ser considerada a regularidade da introdução das mercadorias no País, mormente, quando o Laudo Técnico do sistema informatizado de controle do regime atesta que não haveria a possibilidade de uma mercadoria ser nacionalizada sem que antes tivesse sido objeto de uma Declaração de Admissão nesse regime.
Recurso de Ofício negado
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-004.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2007 RECOF. EXTINÇÃO. EXPORTAÇÃO. AVERBAÇÃO. IN SRF Nº 28/94. Somente será considerada exportada, para fins extinção do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF), a mercadoria cujo despacho de exportação tiver sido averbado. A averbação é o ato final do despacho de exportação que consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. Não se verifica ilegitimidade na Instrução Normativa SRF nº 28/94 para regular a exportação, inclusive aquela relativa à extinção de regime aduaneiro. Não dispondo as normas relativas ao Recof, de forma específica, no sentido de que a exportação para fins de extinção desse regime devesse ser efetuada de outro modo, é de se concluir que ela deve ser realizada em conformidade com as normas gerais aplicáveis às exportações, mesmo porque assim determina o art. 66 da Instrução Normativa SRF nº28/94. DILIGÊNCIA. EXPORTAÇÕES COMPROVADAS. DECISÃO RECORRIDA. MANTIDA. Deve ser mantida a exoneração de tributos e multas de ofício efetuada pela decisão recorrida em conformidade com a apuração da fiscalização na diligência, em análise de nova documentação apresentada pela impugnante, no sentido de que as exportações apresentadas comprovavam a extinção do regime aduaneiro especial. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. INTRODUÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. NÃO CONFIGURADA. MULTA. EXONERAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. MANTIDA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 19 /2 01 1- 10 Fl. 2878DF CARF MF 2 Deve ser mantida a exoneração da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, efetuada pela decisão recorrida em conformidade com o apurado pela fiscalização na diligência. Tendo a fiscalização apurado posteriormente, em nova análise de dados extraídos do Siscomex, correspondência entre as informações das mercadorias constantes nas Declarações de Importação de nacionalização e aquelas das Declarações de Admissão no Recof, é de ser considerada a regularidade da introdução das mercadorias no País, mormente, quando o Laudo Técnico do sistema informatizado de controle do regime atesta que não haveria a possibilidade de uma mercadoria ser nacionalizada sem que antes tivesse sido objeto de uma Declaração de Admissão nesse regime. Recurso de Ofício negado Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário e de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo, que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/08/2007 GLOSA DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE NÃO AVERBADO. Considerase não efetuada a reexportação, para fins de extinção do Regime Recof, das mercadorias, cujo embarque não atenda às exigências e formalidades previstas na legislação correspondente. ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO (RECOF). Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.879 3 Caracterizado descumprimento de condições do regime são devidos tributos suspensos, acréscimos legais e multas correspondentes Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Versa o processo sobre a exigência de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, juros de mora, multas de ofício e multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, no valor total de R$11.317.451,63. A exigência dos tributos suspensos deuse em face do descumprimento do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF) 1, descrito nos seguintes termos: (...) 001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES NECESSÁRIAS À PERMANÊNCIA NO REGIME Procedendo à análise dos dados disponibilizados pelo contribuinte e em vista das informações existentes no Siscomex, foram verificadas admissões de mercadorias no RECOF e as respectivas destinações, essencialmente objetivando apurar se a totalidade dos bens que foram admitidos foi destinada em observâncias às possibilidades de extinção do regime previstas na normatização regulamentar. (...) Em vista da normatização aplicável ao regime, procedemos à análise de entradas e de saídas, tendo identificado as situações a seguir. Antes, cabe registrar que os dados relativos às destinações das mercadorias admitidas no regime foram obtidos no CD apresentado pelo contribuinte em resposta aos Termos de Intimação, cujos dados instruem o presente auto de infração. a) EXPORTAÇÃO NÃO COMPROVADA (...) 1 Recof por Subsecretaria de Aduana e Relações Internacionais — publicado 05/12/2014 14h15, última modificação 13/04/2015 10h53 [http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/regimesecontroles especiais/regimesaduaneirosespeciais/recof Acesso em 15/10/2017] O que é? O Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Aduaneiro Informatizado (RECOF) é o que permite à empresa beneficiária importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão do pagamento de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados à exportação ou mercado interno. É também permitido que Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, seja despachada para consumo. A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá também ser exportada, reexportada ou destruída. Qual a natureza jurídica da operação? O RECOF possui natureza jurídica de isenção sob condição resolutiva, onde se suspende o prazo para pagamento dos tributos até o cumprimento da condição pactuada. Em se tratando de isenção de caráter especial, deferida em razão da concessão pelo órgão responsável de habilitação no Regime Especial, aplicase a regra do art. 179, caput, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172/1966. (...) Fl. 2880DF CARF MF 4 a1) RE NÃO AVERBADO Quando verificamos que referido RE NÃO CONSTA COMO AVERBADO, adotouse como providência a glosa da exportação, não a aceitando como hábil para fins de extinção do regime. A não aceitação do RE NÃO AVERBADO decorre do fato de que estes não podem ser aceitos para fins de comprovação fiscal e/ou cambial, ou seja, não se considera exportada a mercadoria cujo Registro de Exportação não se encontra averbado no SISCOMEX. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. Assim dispõe o artigo 51 a Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de Abril e 1.994 que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação: “Art. 51. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. (...)" a2) RE NÃO ENCONTRADO NO SICOMEX O RE informado sob nº 070998975001, não foi encontrado no sistema SISCOMEX. Intimado para prestar esclarecimentos, o contribuinte afirmou apenas que está em “análise”, assim adotamos como providência a glosa da exportação, não a aceitando como hábil para fins de extinção do regime. Por conseguinte, nas situações acima relatadas (a1 e a2) a quantidade correspondente de mercadorias informadas como tendo sido exportadas não foi aceita como hipótese de extinção do regime, cuja repercussão foi a constituição de crédito tributário relativo aos tributos suspensos quando da aplicação do RECOF aos referidos produtos importados. b) MERCADORIAS ADMITIDAS NO REGIME, SEM COMPROVAÇÃO DA SAÍDA (...) Assim, uma vez ocorrendo a admissão de mercadorias no regime, compete ao beneficiário comprovar a saída de todas as mercadorias obedecendo às hipóteses previstas na regulamentação aplicável ao RECOF, sendo hábeis somente aquelas que a normatização prevê, situação já discutida anteriormente neste Termo de Constatação. Nesse contexto, analisando os dados apresentados pelo contribuinte, apurouse que houve casos em que NÃO HOUVE INFORMAÇÃO DA DESTINAÇÃO DADA ÀS MERCADORIAS admitidas no regime, relacionadas, em sua totalidade, nas seguintes Declarações de Admissão: 05/01137976 de 02/02/2005; 05/00509730 de 17/01/2005; 05/00495704 de 14/01/2005; Com isso, não está comprovada, em observância às possibilidades de extinção previstas na legislação aplicável ao RECOF. Nessa situação, cabe a constituição de crédito tributário relativo aos tributos suspensos quando da aplicação Fl. 2881DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.880 5 do RECOF aos referidos produtos importados, calculado sobre a quantidade admitida e cuja extinção não foi comprovada. (...) A multa equivalente ao valor aduaneiro foi exigida sob os seguintes fatos e fundamentos: (...) 002 MERCADORIA SUJEITA A PERDIMENTO NÃO LOCALIZADA, CONSUMIDA OU REVENDIDA Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a: Analisando as informações disponibilizadas, concluiuse que o beneficiário do RECOF, não comprovou a regulamentar admissão no regime de mercadorias registradas nas seguintes Declarações de Saídas de Mercadorias do Entreposto Industrial/RECOF: (...) Em decorrência dessa situação, consideramos que o contribuinte não comprova a entrada regular no país destas mercadorias, uma vez que não logrou êxito em apresentar as Declarações de Admissão no Regime, ou seja, houve a saída e consumo de mercadorias estrangeiras do Entreposto Industrial/RECOF (nacionalização) sem a conseguinte entrada regula no país mediante documento idôneo (Declaração de Importação de Admissão no Regime). Assim tais mercadorias estão sujeitas a aplicação da pena de perdimento uma vez que não foi comprovada a sua importação regular conforme dispõe o artigo 689 inciso X do Regulamento Aduaneiro (Decreto 6.759 de 05/02/2009): "Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei no 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1o, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular;" (...) Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, alegando e requerendo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: Em relação à DI nº 05/12096109, registrada em data de 08/11/2005, correspondente à nacionalização e despacho para consumo, alega que, entre a data desta ocorrência (08/11/2005) e a data da ciência da autuação (24.11.2011), decorreu lapso de tempo superior a (5) anos, o que, desde logo, faz deflagrar, ao teor dos artigos 173 e 174 do CTN, prazo extintivo para a RFB, ou constituir crédito tributário, se aceno houver para a decadência; ou, então, para proceder a cobrança do que entende ser seu, se, eventualmente, a discussão girar em torno da prescrição. Fl. 2882DF CARF MF 6 Em relação ao RE n° 070998975001, deveria constar RE n° 07/0999056001. Juntase nesta oportunidade (cópias) do DDE, mais Fatura Comercial e HAWB, relacionados com aquela operação. Em relação às mercadorias admitidas no regime sem comprovação de saída, avoca o disposto no artigo 708 do Regulamento Aduaneiro. Informa que está providenciando o a averbação dos referidos RE's. Quanto a falta de informação da destinação dada às mercadorias admitidas no RECOF relativas às DAs nos 05/01137976, de 02/02/2005; 05/00509730, de 17/01/2005; e 05/00495704, de 14/01/200, Junta jogo de documentos que distinguem o RE 06/0043670001, 002 e 003, emitido em data de 11/01/2006. Requer perícia. A Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência duas vezes, para esclarecimentos de alguns pontos levantados pela impugnante, tendo a Unidade de Origem apresentado suas informações. No julgamento de primeira instância foram acolhidas parcialmente as razões de defesa da impugnante sob os seguintes argumentos: Como no RECOF a importação se dá com suspensão do pagamento de tributos, por pelo menos até um ano, a contagem da decadência não inicia a partir do fato gerador, mas a partir do primeiro dia do exercício seguinte do vencimento do prazo para pagamento, nos termos do art. 173, I do CTN. Para que ocorra a decadência e extinção do crédito tributário, nos termos do art. 150, § 4º e 156, VII do CTN é necessário que o administrado tenha pago, ao menos em parte, o crédito tributário devido, para cada importação (nos casos do art. 10 do Decreto no 2.412/1997). Não ocorreu, portanto, a alegada decadência, pois a autuada foi cientificada em 24/11/2011 sobre fatos do ano 2005, sem recolhimento de tributos. Só é considerada exportada para fins fiscais a mercadoria cujo despacho de exportação está averbado no Siscomex e a prova da exportação se faz por meio do documento emitido pelo Siscomex após a averbação da operação de exportação. Esse documento pode ser dispensado se fornecidos dados necessários à identificação do embarque de mercadorias, registrados no sistema, à quem compete fiscalizar e controlar as exportações. Essas regras valem para o RECOF, para fins de comprovação de exportação. A interessada em sua defesa apresentou protocolo de petição junto à RFB solicitando a averbação das operações de exportação, posteriormente ao início da ação fiscal, obtendo êxito em relação ao RE nº 06/0421924001, que foi averbado. Assim, em relação ao RE's não averbados, foi correta a exigência da diferença de tributos, mais multas, com exceção do RE nº 06/0421924001. O RECOF, como o próprio nome já diz é um Regime Aduaneiro de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, ou seja todo o controle do Regime é feito via sistema. Assim sendo, as informações válidas são aquelas que estão registradas nos sistemas informatizados. Conforme consta dos autos, a fiscalização comprovou que não foi localização o RE nº 070998975001, informado, que deu origem à exigência do credito tributário correspondente. Em que pese a documentação apresentada na impugnação, não houve a regular retificação do sistema pelo meios estabelecidos na legislação. Desta feita, configurase a falta apontada pela fiscalização: não localização de RE no Siscomex. Com relação às mercadorias admitidas no regime sem comprovação da saída, de acordo com a análise da documentação apresentada pela impugnante na diligência no sentido de que as mercadorias declaradas nos RE’s nº 06/0043670001 e 06/0043670002 (fls. 2.573 a 2.574) coincidem com as mercadorias declaradas nas DA’s nº 05/00495704 e 05/00509730. Dessa forma, não é cabível a cobrança dos tributos suspensos nesses casos. A exigência relativa à DA nº 05/01137976, no entanto, Fl. 2883DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.881 7 deve ser mantida, vez que a impugnante não trouxe quaisquer elementos que comprovassem a saída das mercadorias admitidas no regime por intermédio da DA nº 05/01137976. No que concerne à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, as informações dos autos, em especial, as apresentadas pela unidade de origem no Termo de constatação nº 2 indicam que há correspondência entre o entre o nº do P/N e a QUANTIDADE com as informações das Declarações de Admissão, e a perícia esclareceu que não há possibilidade de uma mercadoria ser nacionalizada sem ser admitida previamente no regime. Analisando toda a documentação acostada aos autos, verificase que houve comprovação da regular admissão no regime de mercadorias registradas nas Declarações de Saídas de Mercadorias do Entreposto Industrial/RECOF, devendo ser exonerado o credito tributário lançado. Essa decisão foi submetida à apreciação deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do valor do crédito exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Tendo sido a contribuinte cientificada dessa decisão em 30/09/2016 pela abertura dos arquivos correspondentes no eprocesso, apresentou seu recurso voluntário, em 31/10/2014, alegando, em síntese por ela efetuada, o que se segue: (...) IV. Às Conclusões 7. Resumidamente, eilas; 7.1. Há que ser mantida a r. decisão da DRJ/SPO, na parte que afastou a exigência da multa de que trata o § 1º do art. 689 do Regulamento, uma vez que comprovada a admissão das mercadorias no regime do RECOF; 7.2. Também deve ser mantida a r. decisão, no que diz respeito às exportações, devidamente comprovadas e ao amparo dos REs n9s. 05/00495704 e 05/00509730; 7.3. Por outro lado, a recorrente entende que a r. decisão de fls. e fIs., na parte que rejeitou os argumentos adrede oferecidos e manteve a exigência de tributos, com seus acréscimos moratórios, e multas, tomando como referência o disposto na Instrução Normativa SRF nº 28/94, reclama ela reexame e posterior reforma, posto: 7.3.1. demonstrada a ilegalidade então cometida, ao pretender se aplicar aos fatos ato normativo que não se ajustou à legislação; 7.3.2. também evidenciado que a conduta então adotada pela fiscalização não teve a prestigiála a prova dos autos, ao dar os embarques como "inexistentes", com reflexos sobre os insumos aplicados nos produtos exportados; 7.3.3. Argumentando. Em ocorrendo informações inexatas, que teriam dificultado as ações da fiscalização e prejudicado o controle aduaneiro apropriado, outra seria a providência, no caso, repousando no art. 711 do Regulamento Aduaneiro; 7.3.4. E, mais ainda, argumentando e esbarrando no mérito, mencionadas, pontualmente, ocorrências que não deveriam receber o tratamento de "divergência"; que a fiscalização lhes dispensou; Fl. 2884DF CARF MF 8 8. Por derradeiro, reportandose, como dito, ao que da Impugnação e da prova dos autos constou e contando mais com os subsídios que os senhores conselheiros, por certo, acrescentarão ao desate da questão, espera a recorrente que sejam acolhidos os argumentos aqui oferecidos, configurando se, assim, decisão direcionada à realização da almejada (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida exonerou parcialmente a autuação conforme quadro abaixo, em valores originais: Assim, tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), nos termos da Portaria MF nº 63/2017 (D.O.U de 10/02/2017) e da Súmula CARF nº 103, tomase conhecimento do recurso de ofício. Da exoneração parcial pela DRJ dos tributos e multas de ofício: RE's Não Averbados: Conforme consta na Resolução nº 16.000.521 11ª Turma da DRJ/SPO, de 8 de janeiro de 2015, o julgador da DRJ, em consulta feita aos sistemas da RFB em 19/12/2014, apurou que o Registro de Exportação (RE) nº 06/0421924001, vinculado ao Despacho de Exportação nº 2060322738/4, constava na situação "AVERBADO SEM DIVERGENCIA" em 19/03/2012, fato que foi confirmado pela fiscalização na diligência, razão pela qual não cabe qualquer reforma na parte da decisão recorrida que considerou a referida exportação para fins de comprovação de extinção do regime, exonerando os tributos e multas de ofício correspondentes da autuação. MERCADORIAS ADMITIDAS NO REGIME, SEM COMPROVAÇÃO DA SAÍDA Tendo a fiscalização, em análise da documentação apresentada pela então impugnante, apurado na diligência que as mercadorias declaradas nos RE’s nº 06/0043670001 Fl. 2885DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.882 9 e 06/0043670002 coincidem com as mercadorias declaradas nas DA’s nº 05/00495704 e 05/00509730, foi também correta a exoneração correspondente dos tributos e multas de ofício efetuada pela julgador a quo. Da exoneração pela DRJ da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria: Conforme consta na autuação, a fiscalização entendeu que a contribuinte não obteve êxito em comprovar a entrada regular no País, por intermédio de Declarações de Admissão no Recof, as mercadorias objeto das declarações de Saídas de Mercadorias do Entreposto Industrial/RECOF abaixo, aplicando a multa equivalente aos seus valores aduaneiro, no montante total de R$ 10.465.013,31: 07/12562570 Valor Aduaneiro R$805.028,77; 07/12155842 Valor Aduaneiro R$3,34; 06/14887563 Valor Aduaneiro R$378.622,14 07/12564165 Valor Aduaneiro R$1.982,726, 10; 07/12156121 Valor Aduaneiro R$ 107,31; 05/12096109 Valor Aduaneiro R$ 7.298.525,65; No entanto, apurou a fiscalização na diligência, mediante o TERMO nº 02 DE CONSTATAÇÃO (fls. 2576/2587), o que se segue: (...) De fato, as planilhas eletrônicas apresentadas pela autuada em resposta às intimações não foram anexadas aos Autos. Encontramos nos Autos, às fls. 479 a 620, os extratos das DI’s 0614887563; 0712155842; 0712156121; 0712562570 e 0712564165 e encontramos, às fls. 619 a 2.183, a impressão de tabela identificada como “RELAÇÃO IMPORTAÇÕES RECOF DW ADUANEIRO” cuja origem dos dados é o Siscomex. Assim, uma vez que a fiscalização concluiu “que o beneficiário do RECOF, não comprovou a regular admissão no regime” trazendo como argumento “a análise das informações disponibilizadas” e constatado que estes dados apresentados pela empresa durante a fiscalização não foram, em nenhum momento, anexados aos autos não é possível retificar ou ratificar a infração imputada no Auto de Infração. Porém, constatado que às fls. 619 a 2.183 foi anexada a impressão de tabela com dados do Siscomex realizei extração ao Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX utilizando o sistema Data WareHouse Aduaneiro da RFB (DW ADUANEIRO) das DI’s nº 0512096109; 0614887563; 0712155842; 0712156121; 0712562570 e 0712564165 e das respectivas DA’s informadas no campo descrição das mercadorias. Os dados exportados do banco de dados da RFB estão organizados e individualizadas por item de Adição das DI’s acima mencionadas na planilha eletrônica “DI’s Recof_DRJ.xls” por mim juntada aos Autos (fl. 2.575) e formada pelas seguintes colunas que totalizam 699 itens de Adições/DI de Nacionalização: Fl. 2886DF CARF MF 10 (...) Da planilha apurada, podemos observar que: i) na descrição das mercadorias de todos os itens de todas as adições das DI’s nº 0512096109; 0614887563; 0712155842; 0712156121; 0712562570 e 0712564165 há informação composta por 14 ou 15 algarismos entre parênteses que corresponde ao nº de uma Declaração de Admissão DA + nº da Adição + nº do item registrada no SISCOMEX pela HEWLETT PACKARD COMPUTADORES LTDA, CNPJ nº 00.379.771/000212. ii) 17 (dezessete) divergências de Part Number entre a descrição da DI de nacionalização e a descrição da DA no Recof são detalhados abaixo: As declarações de nacionalização acima destacadas apresentaram divergências ao comparar o P/N da mercadoria nacionalizada com o P/N da mercadoria indicada como tendo sido admitida no Recof. Levando em consideração que tal situação pode ter sido ocasionada no momento de informar o número da DA/Adição/item no campo descrição da mercadoria da DI, realizei a extração do SISCOMEX de todas as DI’s de nacionalização registradas pela autuada nas quais constavam, no campo descrição das mercadorias, o numero das DA’s 0411095972, 0410927168, 0410153243, 0411120268, 0409583400 além das próprias DA’s: (...) Vemos que para todas os itens das DI’s de nacionalização podemos encontrar um item da mesma Adição da mesma DA que corresponda ao P/N da descrição da mercadoria e que para os itens 1 e 3 da Adição 003 da DA consta informação de nacionalização pelas DI’s nº 0510883634/116/17 e 0510883634/116/06. iii) Quantidade de unidades informadas na DI de Nacionalização MAIOR que a quantidade de unidades informada na DA no Recof: Seguindo o mesmo raciocínio, realizei a extração no Siscomex da DA nº 0410153243: Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.883 11 Vemos que estão invertidas as informações relacionadas aos itens 01 e 02 da Adição 001 da DA nº 04101153243 na descrição das mercadorias das DI’s de nacionalização destacadas. Assim, conforme já mencionado, não é possível retificar ou ratificar a infração imputada uma vez que os dados analisados pela fiscalização não foram anexados aos autos. Detalhando somente as DI’s de nacionalização com base nas informações registradas pelo importador no Siscomex encontramos correspondência entre o nº do P/N e a QUANTIDADE com as informações das Declarações de Admissão. (...) Cientificada em 06.09.12, através de seu procurador, Sr. Samir Antônio Pedroso, CPF nº 079.520.04808, a empresa HP apresentou a documentação solicitada em 01.10.12 juntando Laudo Técnico emitido pela empresa Softway S/A (fls. 2.441 a 2.451) (...) Dessa forma, a fiscalização na diligência, embora não tenha encontrado nos autos os dados que foram objeto de análise pelo AuditorFiscal autuante para a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, pode extrair tais informações do Siscomex, que constam na planilha com 699 itens da fl. 2575, na qual se apurou apenas 17 divergências de Part Number entre a descrição da DI de nacionalização e a descrição da DA no Recof, em relação às DI's nºs 05/12096109 e 07/12564165, mas que puderam todas ser devidamente saneadas com a análise pormenorizada das descrições das mercadorias em cada DI e DA. Com relação a DI de nacionalização nº 07/12562570, para a qual constava na planilha quantidade maior do que a quantidade de informada na DA no Recof, a fiscalização na diligência constatou que, na verdade, houve uma troca de informações entre os itens 01 e 02 da Adição 001 da DA nº 04101153243, não remanescendo a irregularidade antes apontada. Ademais, o Laudo Técnico do sistema informatizado (RECOF SYS) atesta que não haveria a possibilidade de uma mercadoria, identificada por seu part number, ser nacionalizada sem que antes tivesse sido objeto de uma Declaração de Admissão no Recof, nestes termos: Fl. 2888DF CARF MF 12 (...) (...) Assim, a exoneração parcial efetuada pela decisão recorrida há de ser mantida, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. O art. 5º da Lei nº 6.562/1978, abaixo transcrito, em nada socorre a recorrente, eis que estabelece apenas o momento em que se considera, para diversos fins, efetivado o embarque de mercadoria a ser importada ou exportada: Art. 5º Para fins desta Lei e para efeitos tributários, o embarque da mercadoria a ser importada ou exportada considerase ocorrido na data da expedição do conhecimento internacional de embarque. No mesmo sentido, dispõe o art. 47 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, que: Art. 47. Nos termos do artigo anterior, a averbação do embarque ou da transposição de fronteira, no SISCOMEX, apenas confirma e valida a data de embarque ou de transposição de fronteira e a data de emissão do Conhecimento de Carga, registradas, no Sistema, pelo transportador ou exportador, que são as efetivamente consideradas para fins comerciais, fiscais e cambiais. Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.884 13 No entanto, o que os dispositivos acima afirmam é que, não havendo dúvidas de que a exportação se efetivou, a data que deve ser considerada para a exportação é a data a data de emissão do Conhecimento de Carga. Dessa forma, a averbação tratase da necessária confirmação do embarque ou da transposição da fronteira. Cabe salientar que a expedição do Conhecimento de Carga nada comprova acerca da efetiva exportação de uma mercadoria, inclusive esse documento deve instruir obrigatoriamente a Declaração de Exportação no despacho de exportação, sendo que, somente após o desembaraço aduaneiro, no qual se registra a conclusão da conferência aduaneira, é que se dá a efetiva autorização administrativa para o embarque da mercadoria ao exterior ou para a transposição da fronteira, conforme demonstram os dispositivos abaixo do Regulamento Aduaneiro/2002: Art. 519. Despacho de exportação é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo exportador em relação à mercadoria, aos documentos apresentados e à legislação específica, com vistas a seu desembaraço aduaneiro e a sua saída para o exterior. Art. 527. A declaração de exportação será instruída com: I a primeira via da nota fiscal; II a via original do conhecimento e do manifesto internacional de carga, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre; e III outros documentos exigidos na legislação específica. Parágrafo único. Os documentos instrutivos da declaração de exportação serão entregues à autoridade aduaneira, na forma, no prazo e nas condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Art. 528. A conferência aduaneira na exportação tem por finalidade identificar o exportador, verificar a mercadoria e a correção das informações relativas a sua natureza, classificação fiscal, quantificação e preço, e confirmar o cumprimento de todas as obrigações, fiscais e outras, exigíveis em razão da exportação. Art. 529. A verificação da mercadoria, no curso da conferência aduaneira ou em qualquer outra ocasião, será realizada na presença do exportador ou de seu representante (Decretolei no 37, de 1966, art. 50, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o). Art. 530. Desembaraço aduaneiro na exportação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizado o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria. Parágrafo único. Constatada divergência ou infração que não impeça a saída da mercadoria do País, o desembaraço será realizado, sem prejuízo da formalização de exigências, desde que assegurados os meios de prova necessários. [negritei] Nessa esteira, dispõe expressamente o art. 532 do Regulamento Aduaneiro 2002 que: "A averbação do embarque consiste na confirmação da saída da mercadoria do País", o que não destoa dos dispositivos abaixo da Instrução Normativa SRF nº 28/94: Fl. 2890DF CARF MF 14 Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1º Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37. § 2º Nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a averbação darseá no momento da transposição de fronteira da mercadoria, na forma do inciso III do art. 39. (...) Art. 50. Concluída a operação de exportação, com a sua averbação, no Sistema, será fornecido ao exportador, quando solicitado, o documento comprobatório da exportação, emitido pelo SISCOMEX. Parágrafo único. Nos casos em que a unidade da SRF de despacho for diferente da unidade de embarque, caberá à primeira emitir o documento de que trata este artigo. Art. 51. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. Parágrafo único. É irrelevante, para os efeitos deste artigo: I a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e II a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado no Sistema. Dessa forma não se verifica qualquer ilegitimidade da Instrução Normativa SRF nº 28/94, uma norma complementar nos termos do art. 100, I do CTN, integrante da legislação tributária e com ela compatível, para regular a exportação, inclusive aquela relativa à extinção de regime aduaneiro especial. Não dispondo as normas relativas ao Recof, de forma específica, no sentido de que a exportação para extinção desse regime devesse ser efetuada de outro modo, é de se concluir que ela deve ser realizada em conformidade com as normas gerais aplicáveis às exportações, mesmo porque assim determina o art. 66 da Instrução Normativa SRF nº 28/94: Art. 66. Os procedimentos estabelecidos nesta Instrução Normativa aplicamse aos despachos de exportação ou de reexportação de mercadorias em regimes aduaneiros especiais ou atípicos mantidos os controles exigidos, para cada um deles, em normas específicas. Conforme restou demonstrado na diligência solicitada no âmbito do julgamento de primeira instância, a fiscalização agiu legitimamente também na análise do pedido posterior da contribuinte para a averbação dos Registros de Exportação, não tendo essa se dado em face da ausência de providências prévias a cargo da contribuinte e/ou da transportadora que permitiriam a averbação automática ou pelo AuditorFiscal. Com efeito, ocorreu que: a) Os REs vinculados à DDE 2051278367/5 (05/1653778001 a 003) não foram averbados, em face da ausência do registro de dados de embarque. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 11829.720019/201110 Acórdão n.º 3402004.829 S3C4T2 Fl. 2.885 15 b) Os REs vinculados à DDE 2051342576/4 (05/1735797001 e 002) não foram averbados por divergência de peso bruto informado na DDE e o constante nos dados de embarque, sendo o peso bruto desembaraçado 1744,30000 kg e o informado nos dados de embarque 1744,00000 kg. c) O RE 06/1180937002 vinculado à DDE 2060914813/3 não foi averbado por divergência de peso bruto informado na DDE e o constante nos dados de embarque, sendo o peso bruto desembaraçado 10,10000 kg e o informado nos dados de embarque 2,40000 kg. d) Em relação às 3 declarações de exportações mencionadas abaixo, não foram averbados os embarques porque havia discrepância entre o declarado na DE e o informado pelo transportador: DE 2050157277/5 na declaração consta PB= 13.210,00 42 vols nos dados de embarque consta PB= 13.210,00 1054 vols DE 2051085499/0 na declaração consta PB= 19.845,00 63 vols nos dados de embarque consta PB= 13.230,00 42 vols DE 2051197561/9 na declaração consta PB= 21.455,00 63 vols nos dados de embarque consta PB= 21.959,00 63 vols A matéria restou bem esclarecida pela fiscalização da Alfândega do Porto de Santos na diligência no âmbito do julgamento da DRJ, nestes termos: (...) Assim, ou o transportador errou ao informar os dados de embarque e assim que proceder a retificação a DE averba automaticamente OU, o exportador errou ao elaborar a DE (nos campos de PB e Volumes) e então deve solicitar a retificação no sistema. Não consta nenhuma solicitação de retificação pendente no sistema. Portanto, apesar do artigo 49 da IN 28/94 dizer: "quando a averbação não se processar automaticamente, caberá à fiscalização aduaneira realizála, com registro, no Sistema, das divergências constatadas", há outras providências que podem ser adotadas para permitir a averbação, e que não dependem da fiscalização aduaneira realizar (como no caso de erro ao informar dados de embarque). (...) Não é a fiscalização aduaneira quem tem que informar os dados de embarque. Em princípio, é o transportador o responsável por essa informação, e pela retificação dessa informação. Por outro lado, se a DE é que está com dados errados, o exportador deve informar e solicitar a retificação. (...) Por fim, também não auxilia a recorrente o art. 711 do Regulamento Aduaneiro/2009, que estabelece multa "quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado", eis que a discussão que aqui se trava é em face do Fl. 2892DF CARF MF 16 inadimplemento do regime de Recof em face da não comprovação da efetiva exportação, em decorrência do qual se exigiu os tributos suspensos em face da aplicação do regime. Há que se salientar que não há previsão legal para que a autoridade fiscal proceda à averbação de embarque quando inexiste registro dos dados de embarque ou quando há divergências de informações entre esses e o despacho de exportação, ainda que fosse aplicável ao caso a multa prevista no art. 711 do Regulamento Aduaneiro/2009. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 2893DF CARF MF
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