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Numero do processo: 10803.000032/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte).
Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2201-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Recorrente JOAO LEANDRO VILACA DA CONCEICAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA. FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO. APURAÇÃO MENSAL. ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Cabe ao contribuinte provar a inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto, através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 32 /2 00 9- 60 Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 619 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 557/595, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP de fls. 526/546, a qual julgou procedente em parte o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 270/272, lavrado em 11/5/2009, relativo ao anocalendário de 2006, com ciência do RECORRENTE em 13/5/2009, conforme termo de fls. 301. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, no valor de R$ 812.740,79, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 150% incidente sobre o imposto de R$ 278.361,30 e multa de ofício de 75% incidente sobre o valor do imposto de R$ 26.905,23 (fl. 297). De acordo com o Termo de Verificação de Infração– TVI acostado às fls. 273/294, a fiscalização teve início em decorrência da “Operação Bola de Fogo”, em razão da qual agentes da Polícia Federal efetuaram a prisão de 97 pessoas, em 11 Estados da Federação, acusadas de integrar uma grande quadrilha de contrabando e falsificação de cigarros do país. Na ocasião a Polícia Federal localizou e apreendeu US$ 495.746,00 em espécie na residência do RECORRENTE (auto de apreensão às fls. 12/13). A fiscalização, então, intimou o contribuinte para justificar/comprovar a origem do numerário em moeda estrangeira encontrado em sua posse, bem como justificar a omissão de seu recebimento perante o Fisco (fls. 04/06). O RECORRENTE afirmou que eles seriam provenientes da venda de imóvel situado no Apartamento nº 09 do Edifício Coral, PIAUÍ n.° 461, bairro Higienópolis, São Paulo/SP, realizada em 10/3/2006, para o Sr. Angel Fernando Reyes Rivas (domiciliado no Paraguai), e que o RECORRENTE agiu como representante da vendedora, Sra. Irany de Souza Vilaça (mãe do RECORRENTE). Por sua vez, a fiscalização não acatou os argumentos do RECORRENTE, por diversas questões. Em princípio, a autoridade fiscal relata toda a resposta do contribuinte e os documentos por ele apresentados e afirma que “as circunstâncias que cercam a posse de meio milhão de dólares pelo fiscalizado mostramse inverossímeis e os documentos que lhe dariam suporte, apresentam situações completamente alheias às práticas usuais de mercado e de razoabilidade” (fl. 283). Pondera que o Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda não foi transcrito no Registro Público, sendo imprestável para fazer prova perante terceiros (art. 288 do Código Civil). Sobre a veracidade dos documentos, afirma o seguinte (fl. 283): Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 620 3 “(...) E não se está questionando os locais de confecção dos documentos apresentados, apesar de o vizinho país (Paraguai) ser conhecido como um local onde facilmente se obtém títulos e documentos, públicos ou não, ideologicamente falsos. Fazemos esse esclarecimento, pois nas ponderações que fazemos a seguir, para demonstrar sua fragilidade (dos documentos), trabalharemos com a hipótese de os mesmos serem ideologicamente verdadeiros.” Assim, mesmo trabalhando com a hipótese de os documentos serem ideologicamente verdadeiros, a autoridade fiscal não vislumbrou “qualquer indício de veracidade nos documentos apresentados”, pois são, “pelas próprias cláusulas neles contidas, no mínimo uma grosseira tentativa de acobertar a realidade”. Embasou sua constatação nos seguintes argumentos: · A cláusula terceira do documento de compra e venda apresentado ao fisco prevê que os valores em dólar seriam base para cálculo do pagamento em reais, e que tal cláusula visa dar aparência de legalidade à forma de pagamento (que permite o pacto celebrado em moeda estrangeira, desde que o pagamento se efetive pela conversão na moeda nacional); porém, os valores apreendidos com o fiscalizado foram dólares e não reais, o que vai de encontro ao previsto no próprio contrato. · O contrato previu que os valores devidos pelo comprador seriam creditados em conta bancária mantida em nome da vendedora e obedecendose as regras estabelecidas pelo Banco Central do Brasil; contudo não houve crédito em conta bancária, não transitou pelas vias legais “previstas no contrato”, mas os recursos (DÓLARES e não REAIS), segundo o fiscalizado, teriam lhe sido entregues em espécie pelo comprador (hipótese não prevista em contrato) para melhor conveniência de ambos. · Questionou a veracidade da afirmação contida na cláusula 4.4 do Adendo e Rescisão do Compromisso de Compra e Venda, datado de 01/04/2008, não sendo crível que “o comprador de um imóvel por U$ 572,000.00, já tendo pago U$ 495,600.00 (principal + atualização), o que representaria 86,64% do preço total avençado para o negócio, rescinde o contrato de compra e venda sem exigir a devolução do valor já pago, sem que houvesse qualquer cláusula nesse sentido no contrato de compra e venda, havendo apenas multa da ordem de 10%. Ou seja, o comprador graciosamente desincumbiu a vendedora ou seu "representante" (ora fiscalizado) de lhe devolver tudo ou ao menos parte do que ele, comprador, já lhe teria pago”, nem mesmo dos juros pagos. Na situação posta, a vendedora teria ficado com o imóvel e com 86,64% do valor estipulado para sua venda. · A justificativa utilizada para a “rescisão” ocorrida apenas em 01/04/2008, em relação a um compromisso de compra e venda entabulado dois anos antes (10/03/2006) seria a “quebra de confiança para a realização do negócio”, uma vez que teriam “surgido fatos Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 621 4 novos que escapariam ao controle dos envolvidos”. E o fato novo, segundo o instrumento, seria a prisão do fiscalizado, em 10/10/2006, juntamente com os dólares que teriam sido entregues para pagamento do imóvel. Além do acima exposto, a fiscalização resolveu investigar a real propriedade do imóvel objeto da venda e descobriu que o mesmo não pertencia, de fato, à Sra. Irany de Souza Vilaça (mãe do contribuinte), mas sim ao próprio RECORRENTE. A autoridade fiscal desconfiou do fato de o imóvel ter sido comprado, em 2001, por pessoa sem lastro financeiro para tanto (Sr. Rogério Oriolli) e três anos mais tarde ter sido doado a mãe do RECORRENTE. Em diligência perante os primeiros vendedores (cujo termo encontrase transcrito às fls. 287/288), a autoridade fiscal constatou que a venda do imóvel foi, de fato, tratada com RECORRENTE, porém quando do ato de assinatura da escritura em cartório e recebimento da última parcela, os primeiros vendedores verificaram que, a pedido do adquirente (o RECORRENTE), constava no instrumento como outorgado o nome do Sr. Rogério Oriolli. Afirmaram que pensaram em desistir da venda, mas como não tinha mais como devolver o valor já recebido e, portanto, assinaram a outorga. Procurou o Sr. Rogério Oriolli que, por sua vez, afirmou que não foi o real adquirente do imóvel e que figurou como comprador na escritura para atender pedido de um amigo, o qual afirmou que o real adquirente seria o ora RECORRENTE, mas que este não poderia figurar como adquirente do imóvel. Ademais, afirmou que esse seu amigo era sócio do RECORRENTE em um estabelecimento comercial. Assim, cedeu seu nome pela amizade que possuía. De igual forma, Sr. Rogério Oriolli afirmou que atendeu ao pedido do mesmo amigo para efetuar a doação do imóvel para a mãe do RECORRENTE. Por fim, a administradora do Edf. Coral (onde está situado o imóvel em questão) informou que, a partir de 2001 (época da suposta venda do imóvel para o Sr. Rogério Oriolli), o morador da unidade é o RECORRENTE. Em razão do acima exposto, concluiu que o RECORRENTE se utilizou de interposta pessoa para ocultar a aquisição do imóvel em comento. E foi com esse mesmo imóvel adquirido em 2001 com recursos não declarados, ocultado do Fisco com a utilização de interpostas pessoas, que o contribuinte tentou justificar a posse de recursos também sem origem lícita. Rememorou que a justificativa dada pelo RECORRENTE no início da fiscalização (no sentido de que não declarou ao Fisco o recebimento de meio milhão de dólares pela impossibilidade de declarar qualquer valor pois estava agindo em nome de terceiros) não se sustenta, pois ele sempre foi o real proprietário do imóvel Em face de todo o exposto, a fiscalização afirmou não haver como aceitar que a importância apreendida na residência do fiscalizado (US$ 495,746.00) no dia 10/10/2006, tivesse a sua origem na aludida venda do apto 09 ao paraguaio Angel Fernando Reyes Rivas. Desta forma, entendeu que o mencionado valor pertencia ao RECORRENTE e que seus rendimentos declarados não seriam suficientes para comprovar a origem do valor apreendido. Portanto, o valor foi convertido para real, nos termos do art. 13 da IN nº 118/2000, com base na cotação de R$ 2,1483, resultando no valor de R$ 1.065.011,13, o qual Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 622 5 foi devidamente alocado no Demonstrativo da Variação Patrimonial – Fluxo de Caixa Mensal – 2006, a título de aplicação de recursos. As demais informações relativas às Origens e Aplicações dos recursos, constantes do “Demonstrativo da Variação Patrimonial”, foram extraídas da Declaração do RECORRENTE, dos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (DIRF/IRPF e GUIA/VIC) e das informações e documentos apresentados pelo fiscalizado. Assim, foram apuradas nos meses de outubro e dezembro de 2006, variação patrimonial a descoberto de R$ 1.012.222,92 e R$ 97.837,19, respectivamente, as quais formam a base de cálculo do IRPF objeto do presente lançamento, conforme abaixo (fls. 268/269): Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 623 6 Sobre o APD relativo ao mês de outubro/2006 (R$ 1.012.222,92) foi lançada multa de ofício de 150%, posto que decorrente dos US$ 495.746,00 (R$ 1.065.011,63) apreendidos pela Policia Federal, situação em que, como narrado, o RECORRENTE dolosamente se utilizou de interposta pessoa para adquirir o imóvel, o que, por si só, configuraria o evidente intuito de fraude, mediante a simulação. Ademais, agiu de forma consciente e premeditada e com a intenção de justificar a posse de mais recursos não declarados, utilizou se desse mesmo imóvel e de uma série de documentos contendo cláusulas desprovidas de qualquer razoabilidade, conforme já exposto. Assim, a autoridade fiscal entendeu que a falsidade material revelou o evidente intuito de fraude, o que aliado à atitude dolosa do contribuinte, permite a aplicação da multa qualificada. Da Impugnação Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 624 7 O RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 306/345 em 10/6/2009. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório A impugnação assinada pelo representante do interessado qualificado em fis. 333 foi entregue em 10/06/2009, fls. 290/331, com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem na qual aparecem naquele documento. Inicia relatando que durante a chamada operação bola de fogo foi cumprido mandado de busca e apreensão em sua residência na qual foi encontrada a quantia de US$ 495.746,00, cuja titularidade lhe foi atribuída. Requer, em preliminares, o cancelamento do auto de infração por terem sido utilizadas provas obtidas por meio ilícitos, conforme argumentos que apresenta a seguir. Antes de apresentar seus argumentos, destaca alguns fatos: (i) O Contribuinte, como procurador de sua me Sra. Irany de Souza, realizou a venda da unidade de apartamento 09 na Rua Piaui, 461, Higiendpolis, So Paulo SP ao Sr. Angel Fernando Reyes Rivas em março de 2006; (ii) O valor total da venda foi de US$ 572,000.00, tendo sido recebido US$ 495,600.00 (US$ 94,400.00 x 5 = US$ 472,000.00 + juros de US$ 23,600.00 = US$ 495,600.00) e faltando receber um saldo de US$ 100,000.00 no momento da lavratura da escritura; (iii) O valor de US$ 495,600.00, já recebido como parte do pagamento da venda do imóvel, foi recebido em espécie e seria utilizado como base de cálculo para conversão em moeda nacional Real; (iv) Devido a falta de pagamento do saldo final no valor de US$ 100,000.00 o contrato de compra e venda foi rescindido, perdendo o comprador os valores já pagos anteriormente; (v) O imóvel e o valor recebido como parte de pagamento da venda não pertencem ao Contribuinte Autuado, tendo agido apenas em nome de terceiro (sua mãe), por esta razão, restou impossibilitado de declarar na DAA/2007 a propriedade do valor de US$ 495,600.00. A seguir, apresenta seus argumentos que foram adequadamente resumidos pelo próprio impugnante conforme vemos na seqüência: (i) As provas apresentadas pela Fiscalização foram obtidas por meios ilícitos e neste caso, conforme disposição constitucional, são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos (art. artigo 5 0 , LVI, CF). Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 625 8 (ii) Nulidade dos depoimentos dos Srs. Sérgio e Edir Mardi por falta de assinatura, sendo este requisito essencial de validade; (iii) Nulidade da declaração prestada pela administradora de bens ADBENS Imóveis Ltda. tendo em vista a apresentação de (a) nova declaração da administradora de bens ADBENS retificando a informação anteriormente mencionada para constatar que o Autuado reside no imóvel da Rua Piaui desd 2004 e não de 2001, como anteriormente declarado; (b) declaração contraditória por parte do Zelador de edifício localizado a Rua Consolação que indica que o Autuado residia em outro local no período de 1992 a 2004; (c) apresentação de provas documentais pelo contribuinte que comprovam a residência do Impugnante em outro local durante os anos apontados na declaração da administradora de bens ADBENS, além de (d) ausência de indicação da atual e legitima proprietária do imóvel localizado na Rua Piaui; (iv) Nulidade do depoimento ou declaração do Sr. Rogério Orioli por ter sido realizado mediante coação; (v) Nulidade por falta de intimação do interessado da prova ou diligência ordenada pela Fiscalização, com antecedência mínima de três dias úteis, mencionandose data, hora e local de realização (art. 41 da Lei 9.784/99); (vi) Nulidade das diligências realizadas no domicilio residencial e de trabalho . de contribuintes terceiros uma vez que os atos do processo devem realizarse preferencialmente na Sede do órgão, cientificandose o interessado se outro for o local de realização (art. 25 da Lei 9.784/99); (vii) Erro na apuração fiscal relativa a acréscimo patrimonial a descoberto no valor de R$ R$ 97.837,19 ao classificar o valor recebido pela venda dos terrenos (devidamente declarados) como um acréscimo patrimonial a descoberto, sendo computado como APLICAÇÃO e não como ORIGEM, caracterizando o lançamento como nulo, representando vicio insanável, quanto à existência do Ato Administrativo de Lançamento, em face do estabelecido nos artigos 132 e 14 do CTN: (viii) Apresentação, por parte do Contribuinte, de documentação hábil e idônea da origem dos recursos, tornando Sem efeito o descompasso patrimonial apontado pela fiscalização o entre ingresso e desembolso de receitas, devendo ser excluído da base de cálculo o valor tido por comprovado; (ix) Nulidade do procedimento de desconsideração do negócio jurídico realizado pelo Fisco, tendo em vista que as provas produzidas não são suficientes para desconsiderar o negócio jurídico da maneira como realizado, sendo relevante destacar que os mesmos continuam válidos da maneira como sempre ocorreram; (x) Não existe nos autos do processo administrativo laudo técnico elaborado de acordo com a legislação vigente que possa Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 626 9 dar credibilidade aos dólares apreendidos, uma vez que não foi realizada perícia técnica para comprovar se tais notas são verdadeiras; (xi) Nulidade da multa qualificada em 150% por erro na capitulação legal e não caracterização do dolo, requisito essencial de cabimento da multa qualificada. É o relatório. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II/SP julgou procedente em parte o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 526/546). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Anocalendário: 2006 PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, 6 de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do principio do contraditório, o que afasta a aplicação dos arts. 25 e 41 da Lei 9.784/99 na fase fiscalizatória. PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A perícia requeridas é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte, à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita 5. tributação. Por força de presunção legal,cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. SIMULAÇÃO. INVALIDADE DOS ATOS OU NEGÓCIOS E INOPONIBILIDADE DOS SEUS EFEITOS DIANTE DO FISCO. A realização de operações simuladas, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar maiores vantagens fiscais, não inibe a aplicação de preceitos específicos da legislação de regência, bastando que, pela Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 627 10 finalidade do ato ou negócio, sejam obtidos rendimentos ou ganhos de capital submetidos à incidência do imposto de renda, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada. MULTA DE OFÍCIO DE 150%. LANÇAMENTOS SOBRE FATOS GERADORES ATÉ JANEIRO/2007. NECESSIDADE IE SE DEMONSTRAR 0 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. O lançamento de multa qualificada, em autos lavrados até janeiro/2007, exige que a autoridade fiscalizadora traga elementos para os autos que provem a presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados que o art. 72 da lei 4.502/64 prevê como caracterizadores da fraude, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Manutenção da multa qualificada na presença de elementos de prova nos autos que caracterizam tal situação. Impugnação Procedente em Parte No mérito, a DRJ entendeu que houve inclusão indevida do montante de R$ 89.957,69 como dispêndio no mês de dezembro/2006, posto que o RECORRENTE declarou a alienação dos terrenos que ensejaram o recebimento destes valores e efetuou o recolhimento do imposto decorrente do ganho de capital quando do efetivo recebimento, deslocando o fato gerador para o anocalendário 2007 (fls. 483/484). Assim, foi parcialmente excluído da base de cálculo do lançamento o APD identificado em dezembro/2006, que passou a ser de R$ 407,66. O crédito tributário mantido foi recalculado, conforme tabela de fl. 546: Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 3/2/2010, conforme AR de fl. 548, apresentou o recurso voluntário de fls. 557/595 em 4/3/2010. Em suas razões, reiterou os argumentos da impugnação. Destacase que o RECORRENTE, em seu recurso voluntário elenca preliminares de nulidade do auto de infração e questiona a condenação na multa qualificada de 150%. Quanto ao mérito, utiliza as mesmas argumentações apresentadas ao longo do processo no sentido de que estaria comprovada, com a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos US$ 495.746,00, o que cancelaria o APD, e argumenta também que inexiste laudo técnico pericial a fim de atestar que as notas de dólares apreendidas eram verdadeiras. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 628 11 Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINAR Nulidade do lançamento Conforme elencado no relatório fiscal, o contribuinte alega nulidade do auto de infração por utilização de prova ilícita, em especial a obtenção de depoimento pessoal dos contribuintes Edir Toledo Marreli e Sérgio Cruz Marreli, o termo de intimação lavrado para ADBENS IMÓVEIS S/S e o depoimento pessoal de Rogério Oriollo. No processo administrativo federal são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972., in vebis: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento deve ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos demonstrados fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. No presente caso, o RECORRENTE questiona a nulidade do procedimento fiscal simplesmente por não concordar com o teor probatório dos depoimentos apresentados. Ora, o fato de o RECORRENTE não concordar com as provas colhidas não as torna ilícitas. Considerando que neste tópico o RECORRENTE não apresentou novas razões para defender a nulidade do auto de infração ante a utilização de provas que entende como ilícitas, proponho a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos do §3º do art. 57 do RICARF, aprovado pela portaria MF nº 343/2015: "O impugnante requereu a nulidade do auto de infração por terem sido utilizadas provas ilícitas. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 629 12 No caso do Termo de Depoimento da Sra. Edir de Toledo Marreli e do Sr. Sérgio Cruz Marreli reclama da falta da assinatura destes no documento. A validade de um termo de depoimento assinado pela autoridade fiscal independe de assinatura dos depoentes, pois atos administrativos desfrutam de presunção de legalidade, legitimidade e veracidade. Segundo o saudoso mestre Hely Lopes Meirelles(Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995) , "os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do principio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto A. legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução". O Superior Tribunal de Justiça compartilha tal entendimento e conclui que a prova que negue o conteúdo do ato administrativo cabe ao interessado: "(..)Os atos administrativos gozam de presunção de legalidade e veracidade. Só prova em contrário poderá afetar a eficácia. (..)"(STI; ROM.S' 8628; MG; Sexta Turma; Rel. Mill. Luiz Vicente Cernicchiario; Julg. 18/08/1998; DJU 21/09/1998; pág 00232.) Com relação ao conteúdo do termo de depoimento, o impugnante não apresentou qualquer elemento probante que pudesse demonstrar seu descompasso com a realidade dos fatos. Além disso, só poderíamos concluir estar o referido termo eivado de nulidade se não estivesse assinado por autoridade competente, conforme determina o art. 59, inciso I do Decreto 70.235/72. No caso presente, o termo de fls. 221/222 está assinado por três AuditoresFiscais da Receita Federal, preenchendo o requisito legal para sua validade como prova no processo administrativo fiscal. A informação prestada pela administradora Adbens no sentido de que o impugnante é o efetivo morador do Condomínio Edificio Coral na Rua Piaui:, 461, ap. 09, fls. 228, está, de fato, em conflito com a informação da mesma administradora contida em fls. 369. Isso, no entanto, não conduz à nulidade da declaração anterior, pois foi obtida sob a égide da obrigação de prestar esclarecimentos ao fisco a que estão todos os contribuintes submetidos, conforme arts. 196 e 197 do CTN. O que temos que considerar na formação de nossa convicção sobre o presente litígio é a falta de credibilidade das declarações da empresa Adbens, tanto a primeira, usada pela fiscalização, quanto a segunda, trazida pelo impugnante. Ocorre, entretanto, que para o deslinde do presente a informação prestada pela Adbens é apenas incidental, sem fazer parte dos fatos principais que ensejaram a autuação. Na mesma toada, temos que considerar que as informações prestadas pelo Sr. Rogério Orioli, sejam aquelas de fls. 249/251 ou de fls. 424, carecem de credibilidade: por se mostrarem vacilantes e contraditórias. No entanto, isso em nada afeta a formação da nossa convicção, pois não noticiam qualquer fato juridicamente relevante para o deslinde do presente litígio, como será visto adiante. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 630 13 Ainda quanto às diligências realizadas, o interessado argumentou com artigos da Lei 9.784/99 (arts. 25 e 41) que é aplicada subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Tais artigos, se aplicados ao processo administrativo fiscal estariam operando na direção da concretização do contraditório e da ampla defesa. No entanto, os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Nesse sentido tem decidido o Conselho de Contribuintes: NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃOA fase de investiga cão e formalização da exigência, que antecede a fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a a arguição de nulidade do auto de infração por não observância do principio do contraditório. Assim também a mesma arguição, quando fundada na alegação de falta de motivação do ato administrativo, que, de fato, não ocorreu. (Acórdão 10193425) Quanto à necessidade de laudo pericial dos dólares encontrados na casa do impugnante, parecenos uma requisição absolutamente impertinente e de finalidade protelatória, pois não há qualquer indicio de que os dólares sejam falsos. Se acolhêssemos tal pretensão deveríamos, a partir de então, acatar o pedido de perícia de todo e qualquer elemento de prova, pois, levando ao extremo, haveria sempre uma dúvida, ainda que minúscula, sobre a autenticidade do elemento de prova a ser considerado. Indefiro, portanto, o pedido de perícia nos dólares encontrados, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento." Nesse sentido, não prosperam as alegações de nulidade do auto de infração. MÉRITO Acréscimo Patrimonial a Descoberto O lançamento foi realizado por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando os sinais exteriores de riqueza, a autoridade realizou o lançamento com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 631 14 acréscimo patrimonial a descoberto é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Como dito, o lançamento foi efetuado com base na presunção de que houve omissão de rendimentos, caracterizada por dispêndios em volume superior à disponibilidade econômica do RECORRENTE, especificamente pela apreensão da quantia de US$ 495.746,00 não declarada pelo contribuinte. Em síntese, a defesa do mérito do contribuinte se restringe a afirmar que os documentos apresentados por ele eram hábeis e idôneos para comprovar as operações de alienação que ensejaram a disponibilidade em espécie do montante de US$ 495.746,00 apreendidos. Pois bem, conforme exposto no relatório do presente acórdão, a autoridade fiscal relata toda a resposta do contribuinte e os documentos por ele apresentados e afirma que “as circunstâncias que cercam a posse de meio milhão de dólares pelo fiscalizado mostramse inverossímeis e os documentos que lhe dariam suporte, apresentam situações completamente alheias às práticas usuais de mercado e de razoabilidade” (fl. 283). E ainda sobre a veracidade dos documentos, a autoridade lançadora afirmou o seguinte (fl. 283): “(...) E não se está questionando os locais de confecção dos documentos apresentados, apesar de o vizinho país (Paraguai) ser conhecido como um local onde facilmente se obtém títulos e documentos, públicos ou não, ideologicamente falsos. Fazemos esse esclarecimento, pois nas ponderações que fazemos a seguir, para demonstrar sua fragilidade (dos documentos), Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 632 15 trabalharemos com a hipótese de os mesmos serem ideologicamente verdadeiros.” Acredito que andou bem a fiscalização ao entender que o Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda apresentado pelo RECORRENTE revela um forte indício de ato simulado. Para embasar este entendimento, importante rememorar trecho do relatório do presente acórdão onde foram apontadas as peculiaridades de algumas cláusulas do mencionado contrato: · A cláusula terceira do documento de compra e venda apresentado ao fisco prevê que os valores em dólar seriam base para cálculo do pagamento em reais, e que tal cláusula visa dar aparência de legalidade à forma de pagamento (que permite o pacto celebrado em moeda estrangeira, desde que o pagamento se efetive pela conversão na moeda nacional); porém, os valores apreendidos com o fiscalizado foram dólares e não reais, o que vai de encontro ao previsto no próprio contrato. · O contrato previu que os valores devidos pelo comprador seriam creditados em conta bancária mantida em nome da vendedora e obedecendose as regras estabelecidas pelo Banco Central do Brasil; contudo não houve crédito em conta bancária, não transitou pelas vias legais “previstas no contrato”, mas os recursos (DÓLARES e não REAIS), segundo o fiscalizado, teriam lhe sido entregues em espécie pelo comprador (hipótese não prevista em contrato) para melhor conveniência de ambos. · A cláusula 4.4 do Adendo e Rescisão do Compromisso de Compra e Venda, datado de 01/04/2008, não é razoável, sendo pouco plausível que “o comprador de um imóvel por U$ 572,000.00, já tendo pago U$ 495,600.00 (principal + atualização), o que representaria 86,64% do preço total avençado para o negócio, rescinde o contrato de compra e venda sem exigir a devolução do valor já pago, sem que houvesse qualquer cláusula nesse sentido no contrato de compra e venda, havendo apenas multa da ordem de 10%. Ou seja, o comprador graciosamente desincumbiu a vendedora ou seu "representante" (ora fiscalizado) de lhe devolver tudo ou ao menos parte do que ele, comprador, já lhe teria pago”, nem mesmo dos juros pagos. Na situação posta, a vendedora teria ficado com o imóvel e com 86,64% do valor estipulado para sua venda. · A justificativa utilizada para a “rescisão” ocorrida apenas em 01/04/2008, em relação a um compromisso de compra e venda entabulado dois anos antes (10/03/2006) seria a “quebra de confiança para a realização do negócio”, uma vez que teriam “surgido fatos novos que escapariam ao controle dos envolvidos”. E o fato novo, segundo o instrumento, seria a prisão do fiscalizado, em 10/10/2006, juntamente com os dólares que teriam sido entregues para pagamento do imóvel. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 633 16 Assim, entendo como correto o entendimento da autoridade fiscalizadora que, mesmo trabalhando com a hipótese de os documentos serem ideologicamente verdadeiros, apresentou cláusulas que demonstram práticas absurdamente destoantes daquelas feitas em condições normais de mercado, o que revela indícios de simulação do contrato. Além disso, a fiscalização constatou também que o RECORRENTE se utilizou de interposta pessoa para ocultar a aquisição do imóvel em comento. Ao investigar a real propriedade do imóvel objeto da venda, descobriu que o mesmo pertencia, de fato, ao próprio RECORRENTE e não a sua mãe. Para tanto, verificou a operação realizada antes da doação do imóvel para a mãe do RECORRENTE (ocorrida em 2004) e constatou que o donatário, Sr. Rogério Oriolli, havia adquirido o imóvel em 2001, quando não possuía lastro financeiro para tanto. Assim, conforme narrado no relatório, ao realizar as diligências necessárias, a autoridade fiscal concluiu que o Sr. Rogério Oriolli figurou como interposta pessoa, no lugar do RECORRENTE, quando da aquisição do imóvel em 2001. Foi observado, em diligência perante os primeiros vendedores (cujo termo encontrase transcrito às fls. 287/288), que a venda do imóvel foi, de fato, tratada com RECORRENTE, porém quando do ato de assinatura da escritura em cartório e recebimento da última parcela, os primeiros vendedores verificaram que constava no instrumento como outorgado o nome do Sr. Rogério Oriolli. Estranharam tal fato, feito a pedido do RECORRENTE, mas alegaram que não poderiam mais desistir da venda, já que não tinham mais como devolver o valor já recebido e, portanto, assinaram a outorga. O Sr. Rogério Oriolli, em um primeiro momento, afirmou que não foi o real adquirente do imóvel e que figurou como comprador na escritura para atender pedido de um amigo. Sobre o fato, o RECORRENTE apresentou Ata Notarial de fls. 459/460 em que o Sr. Rogério Oriolli afirma que foi coagido pelos fiscais em seu local de trabalho e forçado a responder as questões de modo como convinha aos interesses da fiscalização. Conforme já tratado em preliminar deste voto, adotei como razões de decidir o entendimento da DRJ, no sentido de que as informações prestadas pelo Sr. Rogério Orioli carecem de credibilidade por se mostrarem vacilantes e contraditórias. No entanto, este fato não altera a convicção deste julgador, pois a constatação da prática de ato simulado e uso de interposta pessoa não teve como fundamento unicamente o depoimento do Sr. Rogério Oriolli, mas sim uma série de fatos e constatações que convergiram para tal conclusão. Dentre estas constatações está a de que o Sr. Rogério Oriolli não possuía lastro financeiro para a aquisição do imóvel em 2001. Desta forma, entendo que a fiscalização comprovou o uso de interposta pessoa pelo RECORRENTE para ocultar a aquisição do imóvel em comento. E foi com esse mesmo imóvel adquirido em 2001 com recursos não declarados, ocultado do Fisco com a utilização de interpostas pessoas, que o contribuinte tentou justificar a posse de recursos também sem origem licita. Ou seja, houve prática de atos simulados: (i) tanto em relação à utilização de interposta pessoa para aquisição do imóvel; como também (ii) por causa da constatação de que o Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda do imóvel possui cláusulas desprovidas de qualquer razoabilidade, o que permite compreender que os mesmos foram confeccionados para a prática de atos simulados a fim de dar ares de legalidade ao recebimento dos US$ 495.746,00 apreendidos. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 634 17 O ato simulado, obviamente, sempre tem ares de legalidade, pois se não fosse assim seria um ato nulo ou anulável, mas jamais um ato simulado. Existem elementos nos autos que convergem para o entendimento de que os atos foram simulados, então eles passam a não ter mais o poder probante que pretende o contribuinte. Assim, não se pode falar que eles são hábeis e idôneos para comprovar os fatos, como pretende o RECORRENTE. Sobre o tema envolvendo as questões que permeiam a prática do ato simulado, adoto trecho da decisão da DRJ como fundamento do presente voto, nos termos do §3º do art. 57 do RICARF, aprovado pela portaria MF nº 343/2015: "Os atos simulados são praticados justamente para ocultar os atos efetivos. Portanto, como decorrência de sua própria natureza, a prova direta dos fatos que as partes procuram encobrir é muito difícil, quando não impossível. Daí, da própria natureza de tais fatos, decorre a necessidade de construirse, por meio de presunção, a prova da infração. Nesse sentido, manifestase também a doutrina, a exemplo do Prof. Caio Mário da Silva Pereira, em Instituições de Direto Civil, 18 8 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1997, vol I, p. 341: "A prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, freqüentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar a convicção de sua existência." [...] Conforme Marcos Barnardes de Mello, a prova da simulação é dificil. Isso decorre da própria natureza dos atos simulados: são praticados justamente para ludibriar, buscando esconder os atos efetivos. Sobre esse tema, manifestase Francisco Ferrara (A simulação nos negócios jurídicos, Campinas: Red Livros, 1999), verbis: "A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova directa. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negocio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indirecta, de indícios, conjectural (per conjecturas, signa et urgentes suspeciones ), e é esta que fere verdadeiramente a simulação, porque a combate no seu próprio terreno." (...)" Neste sentido, entendo existirem indícios suficientes para comprovar que os documentos apresentados pelo RECORRENTE, por serem simulados, não são hábeis para comprovar a origem dos US$ 495.746,00 apreendidos, razão pela qual nego provimento ao recurso. Da aplicação da multa qualificada Defende o RECORRENTE a nulidade da aplicação da multa qualificada por erro na capitulação legal da qualificação da multa, que foi aplicada com base no inciso II do Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 635 18 art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com sua redação anterior a modificação imposta pela Lei nº 11.488/2007, quando deveria ter sido qualificada com base no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Para a aplicação da multa qualificada, a autoridade lançadora entendeu que o RECORRENTE, ao utilizar “laranjas” para ocultar a aquisição do imóvel, e ao utilizar documentos supostamente falsos para comprovar o recebimento da quantia de US$ 495.746,00, incorreu no ato ilícito de sonegação fiscal. Assim dispõe o TVF (fls. 292): 15.1) Comprovado cabalmente que o imóvel em questão foi adquirido pelo fiscalizado e a ele sempre pertenceu desde 12/11/2001, a conduta de ocultálo em nome de terceiros (Rogério Orioli) e posteriormente reavêlo por meio de novo artificio fraudulento (doação) em 08/11/2004, utilizando sua própria progenitora para tanto, já estaria por si só configurado o evidente intuito de fraude, mediante a simulação, através da qual tentou o fiscalizado mostra o irreal como verdadeiro, em detrimento da Fazenda Nacional, posto que os recursos utilizados para tal aquisição passaram à margem da tributação. 15.2) Entretanto, como se isso no bastasse, agindo ainda de forma consciente e premeditada e com a intenção de justificar a posse de mais recursos não declarados, utilizou se desse mesmo imóvel e de uma serie de documentos produzidos na forma como já explanado no presente termo. Documentos contendo cláusulas desprovidas de qualquer razoabilidade, como é o caso, além de outras, da perda pelo comprador de todos os dólares sem origem (não declarados ao BC) "que teria entregue" ao fiscalizado (86% do custo do imóvel) e também com cláusulas escritas que nunca são cumpridas ou sumariamente descumpridas, como é o caso do pagamento em reais. Como cediço, a sonegação é uma ação ou omissão dolosa praticada pelo contribuinte, na tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte ou do crédito tributário. Sendo assim, a intenção do contribuinte é determinante para caracterização da sonegação, nos termos da legislação acima apontada. E tal intenção dolosa deve ser provada pelo Fisco. No presente caso, a utilização de interpostas pessoas na aquisição do imóvel deixa claro a intenção do RECORRENTE de ocultar do fisco as condições pessoais do contribuinte. Quanto a utilização de interpostas pessoas, o CARF tem entendimento consolidado que tal fato por si só já é suficiente para qualificar o lançamento, nos casos em que se trata de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos da Súmula CARF nº 34. Apesar do presente lançamento ser efetuado por acréscimo patrimonial a descoberto, o que afasta a aplicação imediata da Súmula nº 34, ainda assim este entendimento sumulado serve de norte interpretativo. Isto porque, no presente caso, além da utilização de Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 636 19 interposta pessoa, também houve a apresentação de documentos que foram confeccionados para a prática de atos simulados a fim de dar ares de legalidade ao recebimento dos US$ 495.746,00. Quanto ao erro no enquadramento legal da multa, entendo que o mesmo não ocasionou prejuízo ao RECORRENTE, posto que, apesar da multa ter sido enquadrada no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, houve transcrição no TVF do dispositivo violado, o que possibilitou ao RECORRENTE identificar que se tratava de multa qualificada por fraude, e não de multa isolada de 50%, como dispõe a redação atual do art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96 (após a edição da Lei nº 11.488/2007). O erro no enquadramento legal da multa causa deficiência na motivação do lançamento, que poderia ensejar a nulidade em razão da potencial ocorrência de cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Contudo, no presente caso, não houve qualquer prejuízo a ampla defesa e contraditório do RECORRENTE. O CARF compartilha do entendimento que o erro de capitulação legal somente causa a nulidade quando acompanhado de falta de fundamentação, o que não ocorreu no presente caso: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 (...) MULTA QUALIFICADA DE 150%. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO E CAPITULAÇÃO. NULIDADE. DESQUALIFICAÇÃO. Apesar de ter havido presumidamente omissão de receitas em valores 50% acima dos declarados pela contribuinte, o Auto de Infração e o Termo de Verificação Fiscal carecem de fundamentação e de devida capitulação legal, devendo ser mantida a desqualificação da multa. Recurso de Ofício Negado Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10803.000032/200960 Acórdão n.º 2201005.056 S2C2T1 Fl. 637 20 (Processo nº 19515.722088/201111; Primeira Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF; julgado em 04/02/2016) Portanto, deve ser mantida a qualificação da multa no percentual de 150%. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 638DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906871/2012-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 71 /2 01 2- 94 Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.057 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 37/42), cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 18), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade e a instruiu com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original. Em seqüência, analisando os argumentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.058 3 Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 62/72), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, alegando cerceamento do direito de defesa, tanto do Despacho Decisório, como do Acórdão recorrido, e, no mérito repisa argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Anexa aos autos novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Esta Turma Julgadora já teve, recentemente, oportunidade de se debruçar exatamente sobre matéria, situação fática e probatória semelhantes as constantes nos presentes autos em outros processos da mesma contribuinte. Como exemplo desse fato, citese o processo administrativo nº 13888.906857/201291, no qual foi proferido o Acórdão nº 3002 000.523 da relatoria da Ilustre Conselheira Larissa Nunes Girard. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.059 4 Assim, por entender que o Acórdão citado espelha perfeitamente o meu entendimento sobre a matéria posta em análise no processo atual, reproduzo excerto daquele voto condutor e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: "Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.060 5 Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.061 6 Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento préestabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. (...) Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.062 7 "No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito." (...) Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.063 8 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.064 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por conseqüência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.065 10 Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303 006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303 006.241, pela pertinência no presente caso: "Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte." Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 13888.906871/201294 Acórdão n.º 3002000.605 S3C0T2 Fl. 1.066 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1066DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915916/2013-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.778
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 16 /2 01 3- 84 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.380 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915916/201384 Acórdão n.º 3301005.778 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.720107/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A jurisprudência iterativa, notória e atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considera a contribuição ao SENAR como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, a afastar a caracterização da imunidade do art. 149, §2º, I, da Constituição.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
SÚMULA CARF N°2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-005.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-26T14:53:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-26T14:53:48Z; Last-Modified: 2019-02-26T14:53:48Z; dcterms:modified: 2019-02-26T14:53:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-26T14:53:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-26T14:53:48Z; meta:save-date: 2019-02-26T14:53:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-26T14:53:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-26T14:53:48Z; created: 2019-02-26T14:53:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-02-26T14:53:48Z; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-26T14:53:48Z | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 274 1 273 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720107/201513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.992 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR Recorrente SUCOCITRICO CUTRALE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A jurisprudência iterativa, notória e atual do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considera a contribuição ao SENAR como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, a afastar a caracterização da imunidade do art. 149, §2º, I, da Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 SÚMULA CARF N°2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 07 /2 01 5- 13 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 275 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis que, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação contra o Auto de Infração n° 51.069.9450 corresponde à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR incidente sobre a comercialização da produção rural própria e de terceiros, industrializada ou não, com adquirente domiciliado no exterior, nas competências 01/01/2012 a 31/12/2012 e valor total de R$ 11.009.195,57. Na defesa (fls. 121/138), foram veiculados, em síntese, os seguintes argumentos: a) Com o advento da Constituição Federal de 1988, surgiu a previsão da criação de serviço autônomo estendido à área rural, art. 62 do ADCT. Em obediência, o legislador ordinário editou Lei n° 8.315, de 1991, criando novo SENAR. A partir da edição desta lei, regulamentada pelo Decreto n° 566, de 1992, as atividades, anteriormente desempenhadas pelo INCRA, passam a ser empreendidas pelo SENAR, tendo como objetivo fomentar em todo o Território Nacional a formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros de ensino instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, nos mesmos moldes do SENAI e do SENAC. O SENAR, em tudo se assemelha às entidades do Sistema "S" ou melhor, integra o mencionado sistema, vedando a Lei, exatamente por esta condição, a cumulatividade dos mencionados tributos, o que qualifica a sua fonte de custeio como Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico, conforme reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. b) A Lei nº 10.256, de 2001, que alterou a Lei nº 8.212, de 1991, instituindo nova forma de contribuição para o custeio do SENAR colide com mandamento constitucional imunizante do art. 149, § 2°, inciso I da Constituição. c) O SENAR não se presta à atividade disciplinadora ou regulamentadora da atividade rurícola, servindo, apenas como o próprio nome diz Serviço de Nacional de Aprendizagem Rural. Logo, não há contribuição corporativa. O Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o Recurso Extraordinária n° 148.7542/CE, sob a relatoria do ilustre Ministro Carlos Velloso, classificou a contribuição devida ao SENAR, por não adequar ao conceito de contribuição corporativa, como contribuição social. O CARF adotou o mesmo entendimento nos processos nº 35373.001288/200418 e nº 10920.721364/201241. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 276 3 d) A imunidade tributária torna também insubsistente a multa de ofício. Do Acórdão prolatado pela Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls. 207/213), em síntese, se extrai: a) Todas as contribuições se encontram dispostas no art. 149 da Constituição Federal que as distingue conforme sua finalidade ou destinação do produto arrecadado. Embora possa acontecer de o objetivo essencial das três espécies desembocar num mesmo viés social, uma não se confunde com outra, eis que suas finalidades se acham bem definidas pelo legislador ordinário. b) As contribuições destinadas ao SENAR, por sua vez, classificamse como contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Neste sentido a Procuradoria Federal Especializada entendeu, por meio do Parecer PFEINSS/CGMT/DCMT Nº 016/2004, a ratificar o Parecer PFE – INSS/CGMT/DCMT nº 14/2003. A contribuição destinada ao SENAR tem como contribuintes e beneficiários as pessoas jurídicas e os trabalhadores que atuam no setor rural”, com base nos arts. 1º a 3º da Lei nº 8.315, de 1991. Diante desses argumentos, concluise que sua natureza jurídica é de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Este entendimento está normatizado pelo § 3o do art. 170 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009. c) O próprio sítio do SENAR na internet no endereço eletrônico www.senar.org.br, reconhece que "o SENAR tem como fonte de recurso a contribuição mensal compulsória recolhida por produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, e tem caráter corporativo, de interesse de categoria profissional e econômica". d) As contribuições destinadas ao SENAR não compõem o orçamento da Seguridade Social e têm origem no art. 240 da Carta Magna e não podem ser confundidas com as contribuições sociais em sentido estrito. e) A jurisprudência invocada não é vinculante. Cientificada em 16/06/2016 (fls. 217), a autuada apresentou recurso voluntário (fls. 219/235) em 13/04/2016 (fls. 256) reiterando os argumentos de defesa e pedindo o conhecimento e provimento ao recurso para o fim de se anular o lançamento das cotribuições, bem como da multa de ofício, por força do art. 149,§ 2°, I, da Constituição. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 276DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 277 4 O presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da Lei nº 10.256, de 2001, ao alterar a Lei nº 8.212, de 1991, por suposta ofensa ao art. 149, § 2°, inciso I, da Constituição (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 26A; e Súmula CARF n° 2). De todo modo, o § 2° do art. 149 da Constituição é claro no sentido de a imunidade envolver as contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput do artigo e o caput do artigo 149 trata das contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. Logo, a norma constitucional expressamente exclui da imunidade as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, estando dentre estas a contribuição para o SENAR. Em face do art. 1° da Lei n° 8.319, de 1991, o objetivo do SENAR é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Diante disso, resta afasta a natureza de intervenção do Estado na atividade econômica, bem como o de contribuição social, eis que se destina a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, que é o produtor rural, sendo exigida de contribuintes vinculados a este setor e a arrecadação é destinada a ações de formação profissional rural e promoção social de trabalhadores e produtores rurais. Nesse ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pela Conselheira Ana Cecília Lustosa Cruz em acórdão proferido pela 2ª Turma da CSRF (Acórdão nº 9202 006.595, de 20 de março de 2018), a demonstrar que a contribuição para o SENAR não possui natureza contribuição de intervenção no domínio econômico nem de contribuição social: Para a caracterização das contribuições ao SENAR como contribuição de intervenção no domínio econômico seria necessário entender elas possuem caráter extrafiscal como nítidos instrumentos de planejamento, corrigindo as distorções e abusos de seguimentos descompassados, e não somente carreando recursos para os cofres públicos. A mencionada intervenção ocorre com a regulação das atividades econômicas as quais se atrelam, geralmente relativas às disposições constitucionais da Ordem Econômica e Financeira, art. 170,1 a IX, e seguintes da Constituição Federal, consoante os princípios abaixo colacionados: I soberania nacional; II propriedade privada; III função social da propriedade; IV livre concorrência; V defesa do consumidor; VI defesa do meio ambiente; VI defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e seniços e de seus processos de elaboração e prestação; (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 19.12.2003) Fl. 277DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 278 5 VII redução das desigualdades regionais e sociais; VIII busca do pleno emprego; IX tratamento favorecido para as empresas brasileiras de capital nacional de pequeno porte. IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. (Redação dada pela Emenda Constitucional n°6, de 1995 De fato. existem atividades econômicas que precisam sofrer a intervenção do Estado, a fim de que sobre elas se promova um fim fiscalizatório. regulando seu fluxo produtivo para a melhoria do setor beneficiado, não sendo essa a finalidade precípua das contribuições ao SENAR. cujo objetivo é organizar, administrar e executar em todo o território nacional o ensino da formação profissional rural e a promoção social do trabalhador rural, em centros instalados e mantidos pela instituição ou sob forma de cooperação, dirigida aos trabalhadores rurais, servindo como fomento da atividade, por meio da educação. Cabe acrescentar que o fato gerador da contribuição debatida é a comercialização da produção rural e ocorre com a venda ou a consignação da produção rural; a base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização de tal produção, o que destoa das demais contribuições destinadas ao Sistema S (SESI, SENAI...), as quais incidem sobre as folhas de salários. Extraise, assim, que a contribuição ao SENAR, sendo esta desenvolvida para o atendimento de interesses de um grupo de pessoas (formação profissional e promoção social do trabalhador rural), inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica. Ao meu ver. as contribuições de intervenção no domínio econômico são mais abrangentes, no aspecto da sua destinação, que as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas, pois aquelas fomentam determinado setor com o fim de incentivar e instigar o mercado, de forma pragmática, principalmente em momentos de crise, contribuindo na regulação da ordem econômica e refletindo políticas do governo que afetam toda a sociedade, e estas têm sua aplicação adstrita ao financiamento das respectivas categorias profissionais ou econômicas, em áreas específicas, apenas para o seu fomento. No que tange à distinção entre as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas e as contribuições sociais, entendo que estas contribuições também possuem maior abrangência, ao se destinarem ao financiamento social (bemestar e justiça social), de um modo geral, e não voltado ao interesse de determinadas categorias. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 279 6 Além disso, outra distinção salutar reside no fato de que os recursos o produto das contribuições sociais gerais que ingressam aos cofies públicos decorrentes da sua arrecadação mantém o caráter público e serão aplicados conforme sua vinculação (as verbas arrecadadas são mantidas em poder do Estado para sua aplicação finalística), enquanto os produtos das contribuições que ingressam aos cofres do SENAR perdem o caráter de recurso público, como já decidiu o STF (AG .REG. NA AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA 1.953). Feitas essas colocações, entendo que; embora reflexamente as contribuições ao SENAR beneficiem a sociedade, no âmbito da educação e assistência aos trabalhadores rurais, bem como causem efeitos na economia, tendo em vista que a educação é pilar relevante no desenvolvimento de um país; em sua essência jurídica tal contribuição se presta, precipuamente. a atender uma categoria econômica específica, qual seja a dos trabalhadores rurais. A jurisprudência invocada pela recorrente não é vinculante, sendo a jurisprudência iterativa, notória e atual do CARF no sentido de a contribuição ao SENAR ser contribuição de interesse da categoria econômica dos trabalhadores rurais e não estar abrigada pela imunidade do art. 149, §2º, I, da Constituição, como revelam as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição ao SENAR, destinada ao atendimento de interesses de um grupo de pessoas; formação profissional e promoção social do trabalhador rural; inclusive financiada pela mesma categoria, possui natureza de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, em sua essência jurídica, destinada a proporcionar maior desenvolvimento à atuação de categoria específica, portanto inaplicável a imunidade das receitas decorrentes da exportação. (Acórdãos n° 9202006.595, de 20 de março de 2018, e n° 9202 006.510, de 26 de fevereiro de 2018) EXTERIOR, INCLUSIVE VIA TRADING. IMUNIDADE. INAPLICABILIDADE. A imunidade prevista no §2º do art. 149 da Constituição Federal apenas abrange as contribuições sociais e as destinadas à intervenção no domínio econômico, ainda que a exportação seja realizada via terceiros trading’s, não se estendendo, no entanto, ao SENAR, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas. (Acórdão n° 2401004.774, de 08 de maio de 2017) CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. IMUNIDADE NAS EXPORTAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A contribuição destinada ao SENAR, classificada como de interesse das categorias profissionais ou econômicas, não está Fl. 279DF CARF MF Processo nº 18088.720107/201513 Acórdão n.º 2401005.992 S2C4T1 Fl. 280 7 contemplada pela imunidade nas exportações prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, que restringe o benefício às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico. (Acórdão n° 2202003.743, de 16 de março de 2017) IMUNIDADE. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidem sobre receitas de exportação. A contribuição ao Senar tem natureza de contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica. Imunidade inaplicável. (Acórdão n° 2301005.165, de 4 de outubro de 2017) CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. IMUNIDADE. A natureza jurídica das contribuições destinadas ao SENAR, com base de cálculo prevista pelo art. 22A, da Lei n.º 8.212, de 1991 é de contribuição de interesse de categorias econômicas, Assim, inaplicável a imunidade a que se refere o inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição. (Acórdão n° 2201004.540, de 05 de junho de 2018) CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. NATUREZA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS OU ECONÔMICAS. IMUNIDADE NA EXPORTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A contribuição para o SENAR tem natureza jurídica de contribuição de interesse de categoria profissional, instituída com o objetivo de executar políticas de ensino da formação profissional rural e de promoção social do trabalhador rural. Nesse sentido, em não sendo contribuição social ou de intervenção econômica, não há que se falar da imunidade tributária insculpida no art. 149, § 2°., I, da CF/88. (Acórdão n° 2402006.741 ,7 de novembro de 2018) Logo, a recorrida não faz jus à imunidade insculpida no art. 149, § 2°, I, da Constituição e, por consequência, resta prejudicado o argumento de insubsistência da multa de ofício por haver imunidade. Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 12686.000076/2002-22
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002
CRÉDITO PRESUMIDO.
Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3º da Lei nº 9,363/90, Óleos combustíveis, energia elétrica e materiais para tratamento de efluentes não cumprem os requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79.
AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula 12, 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.033
Decisão: ACORDAM os membros a 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3º da Lei nº 9,363/90, Óleos combustíveis, energia elétrica e materiais para tratamento de efluentes não cumprem os requisitos do Parecer Normativo CST nº 65/79. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula 12, 2º CC). Recurso negado.
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Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cotins as matérias-primas, os produtos intermediários e o material de embalagem segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3" da Lei n" 9,363/90, Óleos combustíveis, energia elétrica e materiais para tratamento de efluentes não cumprem os requisitos do Parecer Normativo CST n" 65/79. AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n" 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula 12, 2" CC). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. , ACORDAM os membros a 1" câmara / 1" turma ordinária do segunda seção de julgamento, p unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. ANTO I IO C I LOSAT IM Presidente e‘b, o Processo n" 12686.000076/2002-22 S2-C I Ti Acórdão n." 2101-00.033 Fl. 484 , \ $f A TO 10 LISBOA C • RDOSO Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zorner, Carlos Alberto Donassolo (Suplente), Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Cuida-se de recurso em face da decisão da DRJ-BELÉM/PA que indeferiu a solicitação de ressarcimento de IPI, nos termos da ementa abaixo ementada, referentes aos I' e 2" trimestres de 2002, com fulcro no art. 1" da Lei if 9.363/96 e Portaria MF IV 38/1997 c/c pedido de compensação de fls. 03: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EEFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos eleitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, como á exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26-A do Decreto 70.235/72 (incluído pela Lei n°11.196/2005). PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a .formação da livre convicção do jitlgador. SEDE DE IMPUGNAÇÃO. ALTRAÇÃO DO PEDIDO INICIAL. METODOLOGIA DE CÁLCULO. LEI N" 9.363/1996. DA LEI N" 10.276/2001. IMPOSSIBILIDADE. Depois da decisão da unidade de origem, o pedido inicial de ressarcimento não pode ter a opção pela .forma de cálculo alterada (da metodologia disposta na Lei n" 10.276/2001, e Lei n°9.363/1996 para a da Lei n" 10.276/2001, e vice-versa), sob a conseqüéncia nociva de tuniidurar o processo, trazer insegurança jurídica às partes e por modificar, de forma visceral, o objeto da lide, pois tornaria o processo inútil a cada mudança de pretensão do autor. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI 2 Processo n" 12686.000076/2002-22 S2-CIT1 Acórdão n°2101-00.033 Fl. 485 Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2002 !PI CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. I" da Lei n" 9.363/1996, vincula-se ao preenchimento das condições e requisitos determinados pela legislação tributária que rege a matéria. Na ausência de provas nos autos que indiquem a certeza e liquidez do crédito pleiteado, impõe-se o indeferimento do pleito. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. DEPENDÊNCIA. A declaração de compensação só pode ser homologada em razão do deferimento dos correspondentes créditos em pedido de ressarcimento. Solicitação Indeferida O pedido de homologação e a conseqüente homologação da compensação pleiteados, foram indeferidos pelo fato das Notas Fiscais de aquisição de insumos não permitirem considerá-los como matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, na forma determinada pelo Parecer Normativo CST n" 65/1979. Cientificada em 23/10/2007 (AR — fis. 463), a recorrente interpôs o recurso de lis. 465/480 (sem data), declarado tempestivo pela SAORT/DIMMACAPA (fls. 481?), aduzindo, em síntese, o seguinte: "A sociedade tem por objeto: a industrialização e comercialização de madeiras em geral e produtos e subprodutos obtidos pela exploração dessas atividades: b) ..." Aduz que está enquadrada no CNAE-FISCAL n° 20.10-9/02 — serrarias sem desdobramento de madeira, e o seu subproduto fabricado, à época do beneficio, classificado na TIPI (Tabela de produtos industrializados) sob n" 4401.21.00 (lenha em qualquer estado, madeira em estilhas ou em partículas, serragem (serradura), desperdícios e resíduos, de madeira, mesmo aglomerados em bolas briquetes, "pellets" ou em formas semelhantes — de coníferas)." Portanto, conclui que sua atividade produtiva consistia na produção (formação) de floresta, transporte de madeira até o pólo industrial, corte da mesma em forma de "cavaco" e venda do produto final para o mercado externo, para tanto, "seu custo do produto vendido é formado pelo custo da floresta acrescido daqueles incidentes até o corte da madeira". Alega que todos os itens utilizados na base de cálculo do crédito estão enquadradas no conceito de insumos, cuja acepção técnica da palavra tem o seguinte significado: "Insinuo. Combinação dos Mores de pmdução (matéria-prima, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço". (Novo Dicionário Aurélio da Língua Pornigliesa). Os insumos utilizados foram os seguintes: (a) adubos e fertilizantes; b) Formicidas, herbicidas e inseticidas; c) Substratos e sementes; d) Combustíveis e lubrificantes; 3 • Processo n 0 I 2686.000076/2002-22 S2-CIT I Acórdão n." 2101-00.033 Fl. 486 e) Gasolina; 1) Óleos diesel; g) Energia Elétrica; 11) Mão de obra agrícola contratada; i) Serviço de Transporte de Madeira. Todos esses itens, alega, sofreram incidência do PIS e da COFINS, por isso passíveis de ressarcimento, nos termos da Lei n" 9.363/96. Requer, por fim, o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso merece ser conhecido, porquanto tempestivo e revestidos dos demais requisitos legais pertinentes. A decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, não sendo carecedora de nenhum reparo, senão vejamos: Com relação às formas de apuração do crédito de IPI, em conformidade com a Lei n" 9.363/96 e pela Lei n" 10.276/2001, a própria contribuinte utilizou o fator determinado pela Lei n" 9.363/96 (5,37%), chegando ao mesmo valor do crédito pleiteado (R5123.431,93) (ti. 14), o que comprova que a contribuinte optou pelo critério da Lei n° 9.363/96. De acordo com a Lei IV 9.363/96, artigos 1' e 2°, a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, faz jus ao crédito presumido do IPI como forma de ressarcimento das contribuições PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições de MP, PI, e ME, para utilização ao processo produtivo, nos seguintes termos: Entretanto, nem todas as aquisições de insumos, mesmo que tributados pelas Contribuições PIS e COF1NS, geram crédito de IPI, nos termos da Lei n" 9.363/96, conforme esclarece o Parecer Normativo CST n" 65/79, in verbis: A decisão recorrida está amparada no fato de a Lei n" 9.363, de 1996, somente reconhecer o crédito de IPI, em relação aos insumos que, embora não integrem o novo produto, sejam consumidos, em decorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, conforme restrição contida no Parecer CST n" 65, de 1979, bem como pelo fato de não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário, a energia elétrica, água, óleo combustível, gás natural e outros produtos usados como combustível nos equipamentos durante o processo produtivo. O aludido parecer dispõe que serão incluídos entre as matérias-primas e produtos intermediários os insumos que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Abaixo, transcrevo trechos do Parecer n" 65, de 1979, da Coordenação de Tributação da Receita Federal, que, a despeito do alegado pela interessada, impõe interpretação diversa quanto ao sentido de "consumidos" no processo de industrialização. 4 Processo n" 12686.000076/2002-22 S2-CITI Acórdão n." 2101-00.033 Fl. 487 "(...)Em estudo o inciso 1 do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°83.263, de 9 de março de 1979 (RIP1/79). 'Art. 66 - Os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados, poderão creditar-se (Lei n°4.502/64 arts. 25 a 30 e Decreto-lei n°3.466, art. 2", alt. 8'): 1 - do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo- se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora nào se integrando ao novo produto, forem consitniidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente'. 4.1- Observe-se, ainda, que enquanto na primeira parte da norma 'matérias-primas' e "produtos intermediários" são empregados `stricto sensu' , a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em .fabricação se consumam na operação de industrialização. 6 - Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, má-ias-primas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico C0111 o produto em .fabricacão, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige- se uma série de considerações. 10.1 - Como o texto .fala em 'incluindo-se entre as matérias primas e os produtos intermediários', é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários `stricto sensu' , semelhança esta que reside no .fato de exercerem na operação de industrialização júnção análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 - A expressão 'consumidos' sobretudo levando-se em conta que as restrições 'imediata e integralmente', constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou q uimicas, cl esde que decorrentes de ação direta do insinuo sobre o produto enz fabricação, ou deste sobre o 1)7.5'111110. 5 V Processo n" 12686.000076/2002-22 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.033 Fl. 488 (Grifbu-se)". Por outro lado, conforme bem asseverou a decisão recorrida, nem todos os custos feitos na produção que não façam parte do ativo permanente podem ser recuperados com fins de gerar o respectivo direito ao crédito como se insumos fossem, não sendo demais afirmar que o Parecer n" 65, de 1979, não extrapola ou amplia o conceito de matérias-primas e produtos intermediários definido no regulamento do IPI e atos normativos, como considera a interessada, uma vez que sua utilização como norteador do alcance dos termos "matéria-prima e produto intermediário" está em consonância com o art. 82 do RIPI/82 e também, tem por matriz legal o art. 66 do RIP1/1979, tratado pelo citado Parecer, que ao final é a mesma do art. 82 do RIPI/1982 e do art. 147 do RIPI/1998, qual seja, o art. 25 da Lei n°4.502, de 1964. Nesse sentido, já dispunha o Parecer Normativo IV 181, de 1974, em seu item 13: "13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de niáquinas, equipamentos e .ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem C01710 os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. (Grifou-se).'' De acordo com a legislação de regência do crédito presumido do IPI, somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados pela legislação do IPI, utilizados nos produtos tributados dão direito a esse beneficio fiscal. Ademais, essa matéria está pacificada no âmbito deste Conselho, não merecendo qualquer reparo a decisão recorrida, conforme depreende-se da ementa do seguinte acórdão da CSRF: "Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. COMBUSTÍVEIS E GASES.Somente geram direito ao crédito presumido de IPI Os materiais intermediários que se enquadrem no conceito jurídico de produto intermediário, ou seja, aqueles que se desgastem ou sejam consumidos mediante contato físico direto com o produto em fabricação. Parecer Normativo CST no 65/79.Recurso especial negado Assim sendo, os ins'umos adquiridos pela recorrente não geram direito ao crédito presumido de IPI, por não se enquadrarem nas disposições do Parecer CST n" 65/79, em conformidade, inclusive, com a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes. (CSRF/02- 02.644, sessão de 23/04/2007, rei. Antonio Carlos Atulim)." 6 Processo n° 12686.000076/2002-22 S2-CITI• Acórdão n." 2101-00.033 Fl. 489 Por fim, em relação às aquisições de energia combustíveis e energia elétrica o assunto encontra-se inclusive sumulado no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: "Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário." (Súmula 12, 2"CC). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de março de 2009. \ r V1 A TeN10 LISBOA á D• O 7
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901246/2017-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.617
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 24 6/ 20 17 -1 5 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901246/201715 Resolução nº 3201001.617 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901246/201715 Resolução nº 3201001.617 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901246/201715 Resolução nº 3201001.617 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720011/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.827
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 11 /2 01 2- 95 Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.523 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.523 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 522DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 523DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 525DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 527DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 528DF CARF MF Processo nº 15586.720011/201295 Acórdão n.º 3201004.827 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 529DF CARF MF
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Numero do processo: 10167.001677/2007-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/12/2005
DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO.
Em matéria tributária o instituto da decadência transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício.
DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dá-se pela regra do § 4º do art. 150 do CTN.
LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. CONTESTAÇÃO DO LANÇAMENTO PELO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA.
Em sede de contencioso fiscal, o autuado não reclamou de dificuldade para contestar o lançamento de ofício em razão de obscuridade na motivação; no caso, requereu a revisão dos cálculos da fiscalização e refutou, por competência, os valores lançados, assinalando claramente os pontos divergentes. Inexistindo prejuízo à defesa, tampouco pedido do sujeito passivo, não compete ao órgão julgador concluir pela existência de vícios que maculam o lançamento fiscal.
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETIRADA DE PRÓ-LABORE. VALOR PAGO OU CREDITADO.
A legislação societária, tributária e/ou previdenciária não impõem a retirada mensal de pró-labore pelo sócio-gerente de empresa. Na hipótese do contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre quando paga ou creditada a remuneração decorrente de seu trabalho.
LANÇAMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO.
Cabe excluir da base de cálculo do lançamento as parcelas que não integram o salário-de-contribuição do trabalhador.
Numero da decisão: 2401-005.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências até 01/2001, retificar a base de cálculo e considerar valores de reembolso salário família, nos termos da Tabela 1 do voto vencedor. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator) que dava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. APRECIAÇÃO DE OFÍCIO. Em matéria tributária o instituto da decadência transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador administrativo. Extinto o crédito tributário pela decadência, não poderá ser reavivado pelo lançamento de ofício. DECADÊNCIA. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Caracterizado o pagamento antecipado, e ausente a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela fiscalização, a contagem do prazo decadencial em relação às contribuições previdenciárias dáse pela regra do § 4º do art. 150 do CTN. LANÇAMENTO FISCAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. CONTESTAÇÃO DO LANÇAMENTO PELO FISCALIZADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. Em sede de contencioso fiscal, o autuado não reclamou de dificuldade para contestar o lançamento de ofício em razão de obscuridade na motivação; no caso, requereu a revisão dos cálculos da fiscalização e refutou, por competência, os valores lançados, assinalando claramente os pontos divergentes. Inexistindo prejuízo à defesa, tampouco pedido do sujeito passivo, não compete ao órgão julgador concluir pela existência de vícios que maculam o lançamento fiscal. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETIRADA DE PRÓLABORE. VALOR PAGO OU CREDITADO. A legislação societária, tributária e/ou previdenciária não impõem a retirada mensal de prólabore pelo sóciogerente de empresa. Na hipótese do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 16 77 /2 00 7- 09 Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 3 2 contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre quando paga ou creditada a remuneração decorrente de seu trabalho. LANÇAMENTO FISCAL. BASE DE CÁLCULO. Cabe excluir da base de cálculo do lançamento as parcelas que não integram o saláriodecontribuição do trabalhador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências até 01/2001, retificar a base de cálculo e considerar valores de reembolso salário família, nos termos da Tabela 1 do voto vencedor. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator) que dava provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório PNEUACO COMERCIO DE PNEUS DE ARAGUAINA LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0332.088/2009, às efls. 495/499, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, concernente às contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 4 3 financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, das contribuições para outras entidades ou fundos, além das contribuições dos segurados, em relação ao período 06/1999 a 12/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 76/77 e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores tratados nos lançamentos acima dizem respeito às remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da empresa no período do lançamento, conforme se segue: a) remunerações de empregados obtidas em folhas e recibos de pagamento de salários, comissões e produtividade, férias e rescisões de contrato de trabalho; b) remunerações pagas a título de prólabore obtidos da contabilidade e da GFIP; c) remuneração de trabalhadores autônomos obtidos da contabilidade. A contribuinte, regularmente intimada, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. O órgão de primeira instância determinou a realização de diligência para que o fisco se manifestasse sobre as alegações e documentos acostados. Na informação fiscal de fl. 466, a autoridade lançadora defende a manutenção da lavratura, argumentando que: Embora o contribuinte alegue não haver retirada de prólabore no período de 06/1999 a 03/2003, constatase a prestação de serviços pelos sócios administradores e, como não foram apresentados os valores dos pagamentos respectivos, foi utilizado como base o valor de R$900,00(novecentos reais) lançado no Livro Diário n° 26, fls. 367, a título de prestação de serviço. As diferenças alegadas entre os valores referentes a retirada de prólabore e as lançadas referemse a pagamentos efetuados a Terceiros e Contribuintes individuais, passíveis de incidência tributária. No tocante às alegações sobre as remunerações lançadas referentes a Salário e Aviso Prévio, conforme demonstrativo de fls. 82 a 104, aduz não ter efetuado lançamentos das remunerações de forma individual e, sim, de forma coletiva, e que consta das rescisões, aviso prévio indenizado, com inclusão de dias trabalhados, sobre os quais incide contribuição previdenciária." A DRJ resolveu determinar a realização de nova diligência para que a autoridade notificantes se manifestasse de forma mais precisa acerca da documentação acostada pelo sujeito passivo. A resposta consta às fls. 474/475. Ali o fisco esclarece que a base de cálculo de incidência das contribuições previdenciárias devidas não é só o valor constante na folha de pagamento, mas a soma desta com os recibos de férias, rescisões de contrato de trabalho, comissões sobre vendas a empregados, comissões sobre vendas a vendedores externos e auxíliomoradia. Informa ainda que os fatos geradores foram Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 5 4 caracterizados na documentação apresentada durante ação fiscal e não juntada pela impugnante. O Auditor acrescentou que o sócio administrador, de fato prestava serviço à empresa, e não há registro de qualquer retirada de prólabore mesmo em outras empresas do grupo empresarial. Assim, como não foram apresentados documentos comprovando a remuneração do sócio gerente adotouse o valor constante no Livro Diário n.º 25, R$ 900,00. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente em parte o lançamento, reconhecendo a decadência de acordo com o art. 173 do CTN e, no mérito, mantendo o lançamento. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 519/545, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: a) mesmo tendo comprovado os erros ocorridos na apuração, mediante cálculos e documentos juntados, a DRJ não lhe deu total razão, por haver deixado de apreciar pontos essenciais da contenda; b) os sócios não exerciam nenhum tipo de trabalho na empresa, portanto, não houve pagamento de prólabore no período de 06/1999 a 04/2003. Assim, não ocorreu fato gerador de contribuição em relação a essas pessoas. Este entendimento está em conformidade com o Parecer MPS n.º 2.952, de 16/01/2003; c) o lançamento contábil de prólabore na valor de R$ 900,00 foi fruto de lançamento incorreto no Livro Diário n.° 26, às fls. 367 e retificado no Livro Diário n.° 27, às fls. 377, conforme faz prova as cópias constantes às fls. 122 e 124; d) a inexistência de retirada de pró labore durante esse período pode ser provada pela Demonstração de Resultado referente aos anos de 1999, 2000, 2001, 2002 até 04/2003; e) a partir de 05/2003 começou a haver retirada de prólabore, todavia no valor fixo de R$ 550,00 e não em quantias variáveis, como consta na apuração fiscal; f) conforme prova as folhas de pagamento já acostadas (vide fls. 303 e 307), na ocorrência de aviso prévio indenizado, não há nenhum serviço prestado pelo emprego ao empregador, o que se tem é o saldo de salário presente na rescisão contratual e sobre o qual houve incidência da contribuição previdenciária; g) os tribunais pátrios tem afastado a incidência de contribuições sobre verbas indenizatórias, como é o caso do aviso prévio indenizado; h) somente com a publicação do Decreto 6.727, de 12/01/2009, que, revogou a alínea "f', inciso V, do parágrafo 9.º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, é possível a exigência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado; Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 6 5 i) o fisco considerou como saláriodecontribuição a remuneração dos segurados sem, no entanto, fazer o desconto das faltas injustificadas; j) de acordo com a alínea "i" do § 9.º do art. 214 do RPS não incidem contribuições sobre o abono pecuniário de férias, assim, não poderia o fisco tributar essa verba, como o fez na competência 06/2003; k) a seguir passou a ponderar acerca das inconsistências que entendeu terem ocorrido durante o procedimento fiscal. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 12 de fevereiro de 2015, foi proposta resolução pelo Nobre Conselheiro Dr. Kleber Ferreira de Araujo, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 662/667, in verbis: Conforme acima relatado, o processo foi baixado duas vezes em diligência pelo órgão de primeira instância, mas percebo que as principais questões fáticas apresentadas pela empresa não foram solucionadas e chegam a esta Turma as mesmas dúvidas manifestadas pelos julgadores da DRJ. Observase que a empresa suscita inconsistências no lançamento e apresenta documentos que supostamente reduziriam significativamente o valor do crédito fiscal. São apontados erros na formação da base de cálculo, na apropriação de guias de recolhimento, na indicação das contribuições dos segurados devidas, dentre outros. Essas situações somente podem ser elucidadas a partir da apreciação pela autoridade lançadora da documentação acostada e das alegação apresentadas na defesa e no recurso. Neste sentido cabível a realização de diligência para que o fisco identifique para as competências questionadas no recurso: a) os contribuintes individuais que receberam remuneração no período do débito, indicando o nome do beneficiário, o tipo de serviço prestado e a data da prestação; b) a origem das divergências entre os valores da contribuição dos segurados lançadas e os valores constantes nas folhas de pagamentos apresentadas pela empresa; c) se houve inclusão na base de cálculo de valores referentes a aviso prévio indenizado e das quantias recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; d) a origem das divergências entre o saláriodecontribuição dos empregados e os valores constantes nas folhas de pagamento apresentadas; e e) a origem de divergências entre os valores de guias apropriadas e os documentos juntados ao processo. Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 7 6 Reitero que a análise deve ficar restrita às competências questionadas no recurso e, para espancar qualquer dúvida, é recomendável que o fisco elabore planilha mensal da composição da base de cálculo, indicando para cada segurado a natureza da parcela (salário, comissão, férias, etc) e a origem dos valores obtidos (folha de pagamento, recibos, rescisões, contabilidade, etc). Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou informação fiscal às efls. 676/677, aduzindo o seguinte: Pois bem, tratase de um procedimento fiscal de lançamento tributário de Contribuições Previdenciárias, cujo auditorfiscal signatário, Francisco Alves Cavalcante, já se encontra aposentado desde 03/09/2009, conforme portaria nº 158, de 01/09/2009, em anexo. Ainda assim, procurouse pelo dossiê de execução da ação fiscal nos arquivos físicos da Delegacia da Receita Federal de Palmas/TO, a fim de encontrar alguma informação que pudesse colaborar com os questionamentos feitos por meio da Resolução nº 2401000.452, da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, porém nada foi encontrado. Outrossim, observouse que o processo de nº 10167.001677/200709 foi digitalizado pelo próprio CARF, em 06/10/2014, de modo que o processo físico não se encontra nesta Delegacia, tampouco na Agência da Receita Federal em Araguaína – TO, conforme informação dada pelo colega Marco Antônio de Oliveira Godinho. Pelo que foi exposto, observase que se torna impossível, por parte deste AuditorFiscal, prestar qualquer informação a respeito do procedimento fiscal em questão aos Ilustres Julgadores. Assim, proponho encaminhamento à 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF para demais providências. A contribuinte devidamente intimado do resultado da diligência, não se manifestou. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos retornaram para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. DECADÊNCIA Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 8 7 Tratandose de matéria de ordem pública, transcende aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. Pois bem. Tratase, como visto, de crédito tributário referente ao período de 30/06/1999 a 31/12/2005, constituído mediante lançamento de ofício. O fato gerador da contribuição previdenciária exigida é mensal, perfazendose no último dia de cada mês. Para fins de contagem do prazo decadencial nos lançamentos dos tributos submetidos ao "regime de homologação", como é a hipótese das contribuições previdenciárias, devese aplicar o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A regra dos cinco anos a contar do fato gerador, acima reproduzida, é excetuada quando ausente o pagamento parcial da contribuição previdenciária ou na hipótese de comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, em que incidirá o prazo decadencial do inciso I do art. 173 do CTN. Porém, o agente fazendário não faz alusão à conduta dolosa, fraudulenta ou simulada praticada pela pessoa jurídica cindida. Por sua vez, há evidências da antecipação mensal pelo sujeito passivo de pagamento parcial da contribuição previdenciária. Com efeito, o lançamento se deu por "diferenças de contribuições", conforme depreende do Relatório Fiscal, senão vejamos: "O débito referese as diferenças verificadas entre às contribuições devidas..." Para o presente caso, é apropriado o entendimento expresso no verbete da Súmula nº 99, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, abaixo copiado: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim sendo, o lançamento fiscal aperfeiçoouse no dia 14/02/2006. Logo, segundo a contagem do § 4º do art. 150 do CTN, reconhecese a decadência do crédito tributário até a competência 01/2001, inclusive. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 9 8 MÉRITO AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo processo administrativo fiscal e, bem assim, as razões das autoridades lançadora e julgadora em defesa da manutenção do feito, há nos autos vício material, capaz de ensejar a improcedência do lançamento. Destarte, em que pese a contribuinte não ter aventado em sua peça recursal, impõese reconhecer de ofício que o fiscal autuante deixou de demonstrar/descrever os fatos geradores e os suportes legais das contribuições previdenciárias ora exigidas. Com efeito, a lavratura do Auto de Infração deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela empresa ao INSS, apuradas a partir de diferenças sobre os recolhimentos procedidos pela empresa. Nestes casos, cabe à fiscalização lançar referidos tributos, especificando clara e precisamente no Relatório Fiscal os fatos geradores das contribuições previdenciárias exigidas, inserindo, igualmente, no anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD os dispositivos legais que as fundamentam, além de instruir o processo com todos os documentos pertinentes aos fatos. Na hipótese dos autos, além de a autoridade lançadora elencar no anexo FLD, às fls. 63/68, os fundamentos legais das contribuições previdenciárias, no entanto, incorreu em vício mais grave, ao deixar de discriminar clara e precisamente quais seriam os fatos geradores dos tributos lançados no Relatório Fiscal. Destarte, a simples leitura do Relatório Fiscal, às fls. 76/77, corrobora a nulidade do feito, não deixando margem de dúvidas em relação às omissões incorridas pela fiscalização, ao deixar de elucidar quais seriam os fatos geradores dos tributos ora exigidos. Como se verifica, o nobre fiscal autuante adotou como fato gerador das contribuições previdenciárias diferenças entre a documentação e o recolhimento em GPS, sem conquanto descrever a origem das divergências, os contribuintes que receberam remuneração, as rubricas ora lançadas entre outros aspectos fundamentais para formalização do Auto. Entrementes, a fiscalização em momento algum informou qual seria o fato gerador, propriamente dito, dos tributos exigidos, além de não anexar aos autos a documentação fática que ensejou o lançamento, malferindo o disposto no artigo 37 da Lei nº 8.212/91, que assim prescreve: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. (grifamos) Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 10 9 Referida omissão afronta de forma flagrante, igualmente, os preceitos contidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional que, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...] Na mesma linha de raciocínio, o Código Tributário Nacional, em seus artigos 201 a 204, determina que após o trâmite regular, a notificação será inscrita em dívida ativa que indicará, entre outros elementos essenciais, a “origem e a natureza do crédito tributário, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado”. A falta desses requisitos ocasiona a nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente, não gozando a CDA da presunção de certeza e liquidez, por não ter sido regularmente inscrita. Consoante se infere dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo. A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal por vício material. Outro não é o entendimento do ilustre Dr. Manoel Antônio Gadelha Dias, ex presidente do 1º Conselho de Contribuinte, conforme se extrai do excerto de sua obra “O Vício Formal no Lançamento Tributário”, nos seguintes termos: [...] O defeito na descrição do fato, por exemplo, não pode caracterizarse mero vício formal, pois a descrição do fato está intimamente ligada à valoração jurídica do fato jurídico, requisito fundamental do lançamento. A descrição do fato defeituosa tanto pode configurar nulidade de direito material como de direito processual. Estaremos diante da primeira situação quando o vício atinge o motivo do ato, ou seja, o seu pressuposto objetivo, que Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 11 10 corresponde à ocorrência dos fatos que ensejaram a sua prática. (Tôrres, Heleno Taveira et al. – coordenação – “Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados – São Paulo : Quartier Latin, 2005, p. 348) A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO – É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fatos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe está sendo imputado. Tratase, no caso, de nulidade por vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Recurso nº 132.213 – Acórdão nº 10194049, Sessão de 06/12/2002, unânime) LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN.” (2ª Câmara do 1º Conselho, Recurso nº 138.595 – Acórdão nº 10247201, Sessão de 10/11/2005) No caso sub examine, com mais razão deveria a autoridade lançadora demonstrar a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, para tanto, resta observamos o trâmite da demanda no contencioso administrativo, houve por duas ocasiões o pedido de diligência por parte das autoridades julgadoras de primeira instância, com intuito de "aclarar" os fundamentos do lançamento. Não sendo o bastante, o Relator anterior, entendeu por bem converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução n° 2401000.452, vejamos: Conforme acima relatado, o processo foi baixado duas vezes em diligência pelo órgão de primeira instância, mas percebo que as principais questões fáticas apresentadas pela empresa não foram solucionadas e chegam a esta Turma as mesmas dúvidas manifestadas pelos julgadores da DRJ. Observase que a empresa suscita inconsistências no lançamento e apresenta documentos que supostamente reduziriam significativamente o valor do crédito fiscal. São apontados erros na formação da base de cálculo, na apropriação de guias de recolhimento, na indicação das contribuições dos segurados devidas, dentre outros. Essas situações somente podem ser elucidadas a partir da apreciação pela autoridade lançadora da documentação acostada e das alegação apresentadas na defesa e no recurso. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 12 11 Neste sentido cabível a realização de diligência para que o fisco identifique para as competências questionadas no recurso: a) os contribuintes individuais que receberam remuneração no período do débito, indicando o nome do beneficiário, o tipo de serviço prestado e a data da prestação; b) a origem das divergências entre os valores da contribuição dos segurados lançadas e os valores constantes nas folhas de pagamentos apresentadas pela empresa; c) se houve inclusão na base de cálculo de valores referentes a aviso prévio indenizado e das quantias recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; d) a origem das divergências entre o saláriodecontribuição dos empregados e os valores constantes nas folhas de pagamento apresentadas; e e) a origem de divergências entre os valores de guias apropriadas e os documentos juntados ao processo. (grifo nosso) Depreendese do excerto encimado que o lançamento como está deixou dúvidas ao Dr. Kleber Ferreira de Araujo, bem como neste próprio Relator, o que dificulta (impossibilita) o julgamento do caso objeto do presente processo. A identificação da matéria tributável nada mais é do que a transcrição, em linguagem inteligível pelo sujeito passivo, dos fatos ou atos motivadores do lançamento tributário. E não é sem razão, pois a identificação da matéria tributável tem, precipuamente, duas finalidades: primeiramente, indicar ao sujeito passivo da obrigação tributária que fatos lhe estão sendo imputados, fatos estes que dão azo ao lançamento e, portanto, justificam a imposição da exação tributária; e, ademais, garantir o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório, em conformidade com o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, verbis: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu a fiscalização na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pelo fisco ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da notificação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 13 12 Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em desacordo com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para reconhecer a decadência do crédito tributário até a competência 01/2001 e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Pelo vênia ao I. Relator para discordar em parte do seu voto, eis que convém apenas o provimento parcial do recurso voluntário. Confirmo, desde já, a decadência do crédito tributário até a 01/2001, inclusive. Porém, não há razão para decretar a improcedência integral do lançamento, na medida em que a descrição dos fatos geradores pela fiscalização, caso tenha havido falha, não causou prejuízo à defesa e ao contraditório, permitindo ao contribuinte expor os elementos de fato e de direito contra a pretensão fiscal. Com efeito, no contencioso administrativo a empresa autuada jamais reclamou de dificuldade para contestar o lançamento de ofício em razão de obscuridade na motivação. Na peça impugnatória, a pessoa jurídica requereu a revisão dos cálculos da fiscalização e refutou, por competência, os valores lançados, assinalando claramente os pontos divergentes. Manifestou a sua aprovação, inclusive, com parte da exigência fiscal (fls. 81/82 e 84/106). 1 Em duas oportunidades, o processo retornou ao agente fiscal com a finalidade de manifestarse sobre as incongruências apontadas pela empresa impugnante, não se cogitando de deficiência na motivação do lançamento. Em ambas, a fiscalização prestou esclarecimentos complementares acerca da documentação examinada e origem das divergências (fls. 469/470, 474/475 e 478/479). 1 Todas as páginas mencionadas referemse à numeração do processo digital. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 14 13 Quando do recurso voluntário, a autuada reiterou a solicitação para se proceder aos expurgos dos cálculos errôneos e elaborar uma planilha atualizada do saldo remanescente. Repetindo a impugnação, direcionou suas palavras para reforçar os deslizes do procedimento fiscal, tendo em conta a utilização de dados e números equivocados pelo representante do Fisco (fls. 523/549). À vista dos fatos narrados, é de se deduzir que a fiscalização empregou linguagem inteligível para a compreensão do sujeito passivo. Inexistindo prejuízo à defesa, tampouco pedido da autuada, não compete ao órgão julgador concluir de ofício pela existência de vícios que maculam o lançamento fiscal . Retomada a ordem do feito, passase ao exame das questões controvertidas de direito material. Alega a recorrente, em síntese, a ausência de retirada de prólabore pelos sócios nas competências 06/1999 a 04/2003, porque a administração e o gerenciamento da sociedade de responsabilidade limitada estavam a cargo de um funcionário, devidamente registrado como empregado e incluído em folha de pagamento. Apenas a partir de 05/2003, teve início o pagamento de prólabore em valor fixo de R$ 550,00. Por sua vez, a autoridade lançadora declarou que ocorreu a prestação de serviços pelos sócios administradores, embora não lhe tenham sido apresentados os comprovantes mensais. Desse modo, para fins do lançamento de ofício, tomou por base o valor de R$ 900,00, conforme Livro Diário nº 26, fls. 367, copiado para todo o período de 06/1999 a 04/2003 (fls. 370). Pois bem. No caso do sóciogerente, segurado obrigatório na qualidade de contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre no mês em que paga ou creditada a remuneração decorrente do seu trabalho na sociedade, denominada, comumente, de prólabore (art. 22, inciso III, e art. 28, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). Não há na legislação societária, tributária e/ou previdenciária a obrigatoriedade de retirada de prólabore pelo empresário, nem periodicidade de pagamento, haja vista que muitos deles possuem outras fontes de renda para as despesas correntes, ou optam tão só pela distribuição de lucros da atividade. O agente fiscal considerou como devido o prólabore, mesmo na ausência de pagamento ou crédito jurídico. No entanto, tal interpretação esbarra nas disposições legais, consoante acima mencionado. Além disso, os extratos das demonstrações de resultado da empresa, na parte relativa às despesas administrativas, não confirmam o pagamento de prólabore até 04/2003, apenas a partir da competência 05/2003 (fls. 129/208). O lançamento de R$ 900,00, constante do Livro Diário nº 26, no dia 30/11/1999, foi estornado no Livro Diário nº 27, no dia 01/12/1999, por representar erro de registro contábil (fls. 123 e 126). Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 15 14 Logo, cabe excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 900,00, a título de prólabore, relativamente às competências de 02/2001 a 04/2003. A partir de 05/2003, a empresa atestou a procedência do lançamento quanto à retirada de prólabore fixo no importe de R$ 550,00. A parcela excedente da base de cálculo relativa aos contribuintes individuais lançada pela fiscalização corresponde a serviços prestados por autônomos, cujos valores foram obtidos a partir da escrituração contábil (serviços de terceiros). A fiscalização tributária demonstrou separadamente as aludidas parcelas, mês a mês, no Relatório de Lançamentos, o qual é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.783.7274 (fls. 49/57). A base de cálculo da remuneração de contribuinte individual, que consta no detalhamento do débito, é equivalente ao somatório do valor de prólabore e pagamento pelos serviços de autônomo. Quanto às pessoas físicas que lhe prestaram serviços, na condição de autônomos, a recorrente não se desincumbiu do seu ônus de apresentar prova hábil e idônea da improcedência da base de cálculo trazida pela fiscalização, tão somente limitouse a fazer alegações genéricas sobre equívocos na sua apuração, razão pela qual se mantém o crédito tributário. Requer a recorrente a não incidência da contribuição previdenciária sobre o "aviso prévio indenizado". No entanto, o agente fiscal esclareceu que incluiu na base de cálculo da remuneração dos segurados empregados apenas a hipótese de "aviso prévio trabalhado" (fls. 470 e 478/479). De acordo com a fiscalização, a apuração da base de cálculo levou em consideração não apenas os dados das folhas de pagamento de salário, como também avisos de férias, rescisões de contrato de trabalho, recibos de comissões sobre vendas e escrituração contábil. À vista disso, é insuficiente a verificação tão somente dos valores lançados em folha de pagamento, sem confronto com o termo de rescisão de contrato de trabalho, como pleiteia a recorrente. Mantémse inalterado, assim, o lançamento fiscal. A autuada afirma que a autoridade fiscal, na competência 03/2002, avaliou a remuneração do segurado empregado sem deduzir o valor referente a faltas injustificadas, no curso do mês (art. 28, § 1º, da Lei nº 8.212, de 1991). Com razão, pois não houve a dedução dos dias não trabalhados, devendose afastar, na competência 03/2002, a importância de R$ 195,00 (fls. 315/316). Reclama também a necessidade de exclusão do lançamento da parcela a título de abono de férias, paga de acordo com a legislação trabalhista, porquanto não integra o saláriodecontribuição do trabalhador (art. 28, § 9º, alínea "e", item 6, da Lei nº 8.212, de 1991). Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 16 15 De fato, descuidouse a fiscalização. Cabe a redução da base de cálculo, relativamente à competência 06/2003, no valor de R$ 116,50 (fls. 354/355). Ao final do apelo recursal, queixase a empresa que a autoridade fiscal cometeu erros grosseiros no lançamento, os quais devem ser extirpados/corrigidos. Em diversos meses, aduz que o agente fazendário realizou lançamento errôneo concernente à base de cálculo dos segurados empregados e/ou contribuição previdenciária devida pelos trabalhadores, a exemplo das competências 07/2001, 06/2002, 04/2003, 07/2003, 08/2003, 12/2003, 01/2004, 03/2004 a 12/2004, 02/2005, 03/2005 e 06/2005 a 08/2005. Todavia, como alhures esclarecido, alegações lastreadas nos dados das folhas de pagamento são incapazes de contraporse ao lançamento fiscal, na medida em que a autoridade fiscal encontrou os valores finais com base em investigação mais ampla da documentação entregue pelo contribuinte, incluindo avisos de férias, rescisões de trabalho, recibos de pagamento de comissões a vendedores e contabilidade. A competência 13/2002 não foi expressamente contestada na impugnação, motivo pelo qual considerase matéria preclusa (art. 17, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Por outro lado, quanto ao mês de 05/2001 é possível confirmar a incorreção nos valores do Discriminativo Analítico de Débito (DAD), na parte relativa aos créditos considerados no lançamento com fundamento nos recolhimentos através de Guia da Previdência Social GPS (fls. 13). O valor arrecadado na GPS foi de R$ 1.858,05, dividido em contribuição previdenciária e outras entidades "terceiros" (fls. 577). O documento é parte integrante da relação constante do Relatório de Documentos Apresentados (RDA), porém a distribuição dos valores no DAD não está adequada, havendo diferença de terceiros igual ao valor pago (fls. 59). Cabe a retificação, na competência 05/2001, mediante a apropriação da GPS, no valor de R$ 1.858,05, respeitada a parcela do pagamento destinado a terceiros, em substituição aos valores do DAD (fls. 13 e 577). De maneira análoga, apresentase a competência 10/2001, o que convertese em diferença de recolhimento a terceiros. Assim sendo, é dever determinar a apropriação da GPS, no valor líquido de R$ 2.325,60, em substituição aos valores constantes do DAD (fls. 14 e 572). Particularmente, na competência 03/2004, há diferença de salário família não apropriado, no valor de R$ 40,44, visto que a fiscalização, do total de R$ 53,92, deduziu somente R$ 13,48 (fls. 22 e 381/383). A seguir, na Tabela 1, temse a síntese das exclusões e/ou dos ajustes no lançamento tributário: Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10167.001677/200709 Acórdão n.º 2401005.987 S2C4T1 Fl. 17 16 Tabela 1 Competência Base de cálculo Empregados (exclusão) R$ Base de cálculo Contribuintes Individuais (exclusão) R$ Demais ajustes 02/2001 a 04/2001 900,00 05/2001 900,00 Apropriação da GPS, no valor líquido de R$ 1.858,05 (fls. 577), em substituição aos valores do DAD (fls. 13) 06/2001 a 09/2001 900,00 10/2001 900,00 Apropriação da GPS, no valor líquido de R$ 2.325,60 (fls. 572), em substituição aos valores do DAD (fls. 14) 11/2001 a 12/2001 900,00 01/2002 a 02/2002 900,00 03/2002 195,00 900,00 04/2002 a 12/2002 900,00 01/2003 a 04/2003 900,00 06/2003 116,50 03/2004 Adição a título de salário família, no valor de R$ 40,44 Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto para a retificação do lançamento fiscal, nos termos da Tabela 1, além de ratificar a decadência até 01/2001, inclusive. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004137/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DOS CO-TITULARES. SÚMULA CARF 29.
Nos termos da Súmula CARF 29, os co-titulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co-titulares.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INFERIORES A R$ 12.000,00, MAS CUJO SOMATÓRIO ANUAL ULTRAPASSA R$ 80.000,00. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 61.
Constatado que os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 no ano-calendário, é inviável a sua exclusão do lançamento, conforme preleciona a Súmula CARF 61.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
Numero da decisão: 2402-007.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores depositados e creditados na conta nº 15480-5, da agência 0185, do Banco Itaú S/A. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial em maior extensão para que fossem excluídos, também, os valores depositados e creditados na conta nº 30793-49, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio da Silva Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente LEO CHUERI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF 29. Nos termos da Súmula CARF 29, os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INFERIORES A R$ 12.000,00, MAS CUJO SOMATÓRIO ANUAL ULTRAPASSA R$ 80.000,00. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 61. Constatado que os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 no anocalendário, é inviável a sua exclusão do lançamento, conforme preleciona a Súmula CARF 61. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 37 /2 00 7- 46 Fl. 896DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 897 2 A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores depositados e creditados na conta nº 154805, da agência 0185, do Banco Itaú S/A. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Wilderson Botto, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento parcial em maior extensão para que fossem excluídos, também, os valores depositados e creditados na conta nº 3079349, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio da Silva. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Paulo Sérgio da Silva – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva, Renata Toratti Cassini e Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando nos autos as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade Fl. 897DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 898 3 processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 24/05/2010, através de correspondência com aviso de recebimento (fl. 774 do pdf) e interpôs recurso voluntário em 23/06/2010 (fls. 777 e seguintes), no qual reafirmou as seguintes de teses de defesa: os depósitos e valores movimentados nas contas correntes de titularidade do Recorrente (pessoa fisica) eram, na realidade, da ITAPEVA FLORESTAL LTDA (pessoa jurídica); o mínimo que deveria ser feito é a exclusão dos valores que restaram cabalmente demonstrados R$ 8.400.000,00; os únicos valores que realmente pertenciam ao Recorrente são os à distribuição de lucros e dividendos, conforme declarações de imposto de renda do contribuinte; conforme se verifica nos inúmeros contratos juntados (docs. 02 a 07), os valores depositados nas contas do recorrente eram relativos à venda de madeira, cuja natureza é de cuja atividade rural; no caso de pessoa física, não serão considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais) desde que seu somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais); não há multa a ser aplicada, vez que não há valor devido, e, ainda que se desconsidere a preliminar, a multa deve ser revista de acordo com a revisão do imposto. Em 24/11/2010, o recorrente aditou o recurso, para suscitar a aplicação da Súmula CARF 29, vez que uma das contas seria conjunta com sua esposa. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Fl. 898DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 899 4 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da falta de intimação do cotitular Em aditamento ao recurso voluntário, o recorrente afirmou que a conta nº 154805, da agência 0185, do Banco Itaú S/A, seria conjunta com a sua cônjuge, a qual, todavia, não teria sido intimada para comprovar a origem dos depósitos, o que implicaria violação à Súmula CARF 29. Essa matéria não havia sido ventilada na impugnação, mas é passível de conhecimento, pois o Código de Processo Civil vigente, em seu art. 278, parágrafo único, preleciona que a nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade, exceto aquela que o julgador deva decretar de ofício. Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. O § 5º do art. 337 do Código determina que o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas nos incisos I a XIII, entre as quais a ausência de legitimidade da parte. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: [...] XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; [...] § 5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. Neste caso concreto, a ilegitimidade de parte deve ser conhecida, ainda que suscitada apenas após a interposição do recurso, pois, na dicção do § 6º do art. 42 da Lei 9.430/1996, "na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares". Pois bem. A pretensão do recorrente está amparada na Súmula CARF 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser Fl. 899DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 900 5 intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). A citada conta era realmente conjunta com sua cônjuge durante os anos objeto de lançamento, conforme declaração de fl. 886, e a cotitular não apresentou declaração em conjunto com o recorrente (fls. 634 e seguintes). A despeito disso, a cotitular não foi intimada para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precedeu à lavratura do auto de infração. Em sendo assim, o recurso voluntário deve ser provido neste ponto, para que seja determinada a exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores depositados e creditados na conta nº 154805, da agência 0185, do Banco Itaú S/A. 3. Da titularidade dos depósitos O recorrente basicamente reafirma que os depósitos e valores movimentados nas suas contas seriam, na realidade, da ITAPEVA FLORESTAL LTDA. A DRJ, todavia, entendeu que as afirmações do recorrente seriam genéricas e que: Menciona ainda, como elementos probatórios, contratos de venda de eucaliptos que contêm cláusula determinando pagamentos em conta corrente de sua titularidade (fls. 665/691), cujo valor exato se verificaria em seu extrato bancário. Entretanto, dos extratos bancários não consta o depositante (v. fls. 198verso e 200verso), nem constam dos autos documentos que vinculem os referidos contratos aos depósitos indicados, tais como, por exemplo, cópias de cheques ou comprovantes da transferência bancária. Assim, não se comprova o alegado erro de identificação do sujeito passivo. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Fl. 900DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 901 6 O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 901DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 902 7 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 903 8 (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). O § 6º do art. 42 encerra mais uma presunção: a de que, em se tratando de contas conjuntas, o valor dos rendimentos pertence, proporcionalmente, a cada um dos co titulares, mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de pessoas. A Súmula CARF 32, por sua vez, contém a presunção de que a titularidade dos depósitos pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais da instituição financeira, salvo se ficar comprovado o uso da conta por terceiros, o que deverá ser feito mediante documentação hábil e idônea. Tal verbete tem efeito vinculante, nos termos da Portaria MF 277/2018. Vejase: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O § 5º do encimado art. 42 é bem claro ao determinar a necessidade de se provar a titularidade da conta como sendo de terceiro, inclusive a fim de viabilizar a determinação dos rendimentos ou receitas em seu desfavor, conforme o caso. Vejase: Art. 42. [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) No caso in concreto, desde o início da fiscalização, o recorrente vem salientando que "foi obrigado a utilizar contas bancárias pessoais para gerir a empresa" (vide fl. 18 do pdf), sobretudo "em função da dificuldade financeira da sociedade". Entendo, nesse contexto, que os contratos de fls. 833/859 claramente demonstram que a ITAPEVA utilizava a conta da pessoa física junto ao HSBC Bank Brasil S/A, agência 0478, conta nº 3079349, para o recebimento dos valores a ela devidos (à pessoa jurídica). Noutro giro, está documentalmente comprovado o uso dessa conta por terceiro, o que foi alegado desde o início da fiscalização, o que inclusive viabilizava a determinação dos rendimentos ou receitas em face da pessoa jurídica, ex vi do disposto no § 5º do art. 42 encimado. E mais, como alegado pelo recorrente: Fl. 903DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 904 9 A fiscalização, mesmo alertada, sequer enfrentou a alegação do recorrente a esse respeito, como se pode ver no termo de verificação fiscal, o qual, em nenhum momento, alude à questão da titularidade aventada pelo sujeito passivo numa de suas primeiras respostas. Poderia o agente fiscal, a propósito, ter demonstrado que parte da movimentação era da pessoa jurídica e que parte era da pessoa física, a fim de viabilizar a imputação dos rendimentos em relação a cada beneficiário. Ao invés disso, o agente autuante acabou sendo omisso a esse respeito, de forma que nada resta a esta instância de julgamento, senão aplicar a regra do § 5º do art. 42, para excluir da autuação os valores movimentados naquela conta, por comprovação documental de que tais valores eram da pessoa jurídica. Destaquese, nesse contexto, a expressividade dos valores constantes dos contratos celebrados pela ITAPEVA, a fim de corroborar a assertiva do sujeito passivo. No entanto, o recorrente não demonstrou que as demais contas eram utilizadas pela ITAPEVA, e os contratos de fls. 860/864, firmados pela empresa com o SR. CARLOS ROBERTO SCATENA e com a CONSTRUTORA E INCORPORADORA CASA MODULA LTDA não indicam os dados das contas nas quais os depósitos seriam realizados. Já a planilha de fls. 865/873 é unilateral e, no meu entender, não serve como prova do fato alegado. Por fim, entendo que o recorrente também não demonstrou que a Brancalhão Transportes S/A tivesse restituído os seguintes valores em sua conta pessoa física, até porque (mas não apenas) a documentação de fls. 876 e seguintes não permite uma exata compreensão Fl. 904DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 905 10 dos fatos ocorridos àquela época entre as três partes envolvidas (recorrente, Itapeva e Brancalhão). Em síntese, entendo que o recurso voluntário deve ser parcialmente provido neste ponto, para determinarse a exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores depositados e creditados na conta nº 3079349, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A. 4. Da exclusão dos depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 cujo somatório anual não ultrapasse R$ 80.000,00 Como bem demonstrado pela DRJ, os créditos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassaram, dentro do anocalendário, a quantia de R$ 80.000,00. Vejase: Com base no permissivo constante do § 3º do art. 57 do Regimento Interno deste Conselho, adiro a tais razões de decidir, para negar provimento ao recurso voluntário neste tocante. 5. Da tributação conforme a atividade rural A esse respeito, o recorrente defende que os valores depositados nas suas contas eram relativos à venda de madeira, cuja natureza seria de atividade rural. No entanto, e nos termos desta decisão, os valores comprovadamente depositados na conta do recorrente a título de venda de madeira, foram considerados como recursos pertencentes à pessoa jurídica e foi determinada a sua exclusão da base de cálculo do lançamento. Os demais recursos não tiveram a sua origem comprovada e, desta forma, não é viável que eles sejam tributados como oriundos da atividade rural. A apuração dos rendimentos provenientes da atividade rural demanda um mínimo de zelo e de rigor por parte do contribuinte. Exemplificativamente, o art. 60 do Regulamento do Imposto de Renda vigente à época dos fatos geradores dispunha que o resultado da exploração da atividade rural seria Fl. 905DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 906 11 apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deveria abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integrariam a atividade, tudo lastreado em documentação hábil e idônea. Mesmo que se pudesse cogitar do arbitramento da base de cálculo do imposto, à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário, conforme preleciona o § 2º do art. 60 retro mencionado, ainda assim haveria necessidade de comprovação de que os rendimentos realmente se refeririam à atividade rural. 6. Da multa de ofício A multa aplicada ao recorrente tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata ;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Somente será determinada a exclusão da multa na proporção do imposto excluído nos termos dos tópicos precedentes, vez que ela é aplicável sobre a totalidade ou sobre a diferença de imposto ou contribuição. 7. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar parcial provimento ao recurso voluntário, a fim determinarse a exclusão da base de cálculo do lançamento dos valores depositados e creditados na conta nº 154805, da agência 0185, do Banco Itaú S/A, e na conta nº 3079349, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 906DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 907 12 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio da Silva – Redator Designado Não obstante o brilhantismo do voto condutor, ouso discordar parcialmente do ilustre relator, especificamente em relação à exclusão da base de cálculo do tributo analisado quanto aos valores creditados na conta corrente nº 3079349, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A que, no entender do nobre Conselheiro, restou demonstrado pertencerem à titularidade de terceiro, no teor do §5, do art. 42 da Lei 9.430/1996, que dispõe: Art. 42. [...] § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Com a devida vênia a tal entendimento, essa não é a situação que se verifica no caso vertente, pois o titular da conta analisada era o próprio sócioadministrador da pessoa jurídica, o qual, por certo, estava ciente e detinha controle de toda a movimentação financeira da empresa. Portanto, não há que se tratar o presente caso como mera interposição de pessoa inocente, que ignora a existência e os valores transitados em conta corrente de sua titularidade. Em verdade, os extratos bancários apresentados indicam que o recorrente movimentava rotineiramente os recursos ali depositados, utilizandoos para quitar despesas pessoais e realizar aplicações (p.ex: plano de previdência privada (fls. 232), pagamento de cartão de crédito (fls. 268), financiamentos (fls 200), etc.), como faz qualquer outro titular de recursos próprios em conta bancária Assim, não cabe aqui a aplicação da regra do §5, do art. 42 da Lei 9.430/1996 para afastar o conceito de renda dos créditos da conta em apreço, de forma a tratar o recorrente com um alienado em relação à sua movimentação bancária, quando na verdade o contribuinte era administrador da pessoa jurídica e ele próprio buscou perpetrar a confusão entre os recursos pessoais e empresariais que se observa na referida conta, com o fim de eximirse irregularmente dos credores de sua empresa, ainda mais quando resta evidente a utilização pessoal dos recursos ali depositados. No presente caso, a comprovação do contribuinte deveria se dar nos termos do caput do art. 42, ou seja, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a origem dos recursos utilizados nas operações, segregando e deixando clara a parcela dos valores transitados na r. conta que pertenciam e beneficiaram respectivamente a empresa e a pessoa física do recorrente, de forma a demonstrar a efetiva titularidade das entradas e saídas de recursos, bem como o real beneficiário das obrigações quitadas com os valores envolvidos. No entanto, não obstante as diversas oportunidades concedidas ao recorrente ao longo do presente processo, não há nos autos qualquer elemento que esclareça de forma Fl. 907DF CARF MF Processo nº 19515.004137/200746 Acórdão n.º 2402007.120 S2C4T2 Fl. 908 13 objetiva a propriedade e o gozo dos recursos financeiros depositados na conta, sobressaindo tãosomente a mistura de entre recursos pessoais e empresariais. Assim, em razão de o contribuinte não haver demonstrado a efetiva origem dos recursos depositados e nem a utilização de qualquer parcela em benefício da pessoa jurídica, considerase que deve prevalecer o entendimento de que os recursos creditados na referida conta nº 3079349, agência 0478, do HSBC Bank Brasil S/A, pertenciam à pessoa física do recorrido e devem compor a base de cálculo do tributo lançado. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator designado Fl. 908DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.900654/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.625
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 06 54 /2 01 1- 28 Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.900654/201128 Acórdão n.º 3301005.625 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência de crédito disponível. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que apurou crédito tributário da contribuição ao PIS e da Cofins em razão da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Esclarece, a interessada, que a razão de o crédito não ter sido reconhecido está no fato de que o mesmo não constava nos dados de controle da RFB, uma vez que o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras. Em sua defesa, a contribuinte traz julgado administrativo do CARF e do judiciário – TRF da 4ª Região a fim de ver reconhecido o direito à compensação. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07031.021. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos de sua manifestação de inconformidade, em especial: a) Defende a existência dos créditos empregados na compensação não homologada; b) Sustenta que não há previsão legal para a exigência da retificação da DCTF como condição para a homologação da compensação: ofensa ao princípio da legalidade tributária; c) E acrescenta que a exigência de retificação da DCTF afronta aos princípios da verdade material e do formalismo moderado dos atos administrativos. Ao final, requer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.900654/201128 Acórdão n.º 3301005.625 S3C3T1 Fl. 4 3 3301005.620, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.900617/201110, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.620): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP, mas não retificou a DCTF. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN. Sendo assim, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10925.900654/201128 Acórdão n.º 3301005.625 S3C3T1 Fl. 5 4 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da DCOMP. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10925.900654/201128 Acórdão n.º 3301005.625 S3C3T1 Fl. 6 5 Por conseguinte, se transmitida a PER/DCOMP sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Contudo, como se verá a seguir, não há suporte probatório da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente aduz que tem crédito de COFINS oponível à Fazenda Nacional, em decorrência da declaração de inconstitucionalidade pelo STF da ampliação da base de cálculo pelo parágrafo 1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98. Por isso, efetuou a compensação, explicando: Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa: as receitas financeiras. Em pedido de iniciativa do contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas financeiras; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as receitas financeiras, que não compunham o seu faturamento. Dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10925.900654/201128 Acórdão n.º 3301005.625 S3C3T1 Fl. 7 6 créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida. Isso porque, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373, do CPC/2015. Logo, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Enfim, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 45DF CARF MF
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