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Numero do processo: 10925.002198/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03//2007
Ementa:
INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS.
A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE.
No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição.
CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃO-CUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO.
As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS.
Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.
Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.890
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PC-PC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999-ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL-3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF-312-MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM.
Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora.
Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE.
Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero.
Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA).
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 20/11/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03//2007 Ementa: INSUMOS. DEFINIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. No âmbito do regime não cumulativo, independentemente de serem de apresentação ou de transporte, os materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, são considerados insumos de produção e, nessa condição, geram créditos básicos da referida contribuição. CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 98 /2 00 9- 34 Fl. 1448DF CARF MF 2 As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos. CRÉDITO DE FRETES. AQUISIÇÃO PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos tributados à alíquota zero, geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de erro material e rejeitar a preliminar de tarifação de provas e ofensa ao princípio da verdade material e ampla defesa. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito na aquisição da amônia, combustíveis e lubrificantes, peças de reposição, produtos de conservação e limpeza; em reconhecer o direito de crédito na aquisição de embalagem de transporte, o direito de crédito da planilha 5.a, exceto sobre serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano; para reconhecer o direito ao crédito na aquisição de fretes sobre venda de produto acabado (VENDA PROD. ACABADO), frete sobre venda de produto agropecuário (VENDA PROD. AGROP.), frete sobre aquisição de produtos tributados à alíquota zero, frete sobre de transferência de leite "in natura" dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos de coleta (TRANSFERÊNCIA PC E PCPC), fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados (REMESSA ANÁLISE E RETORNO ANÁLISE), remessa e retorno para conserto para manutenção dos bens de produção (REMESSA CONSERTO E RETORNO CONSERTO), COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido; para reverter a glosa sobre os encargos de depreciação do imobilizado, exceto em relação à EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 3 3 NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP, CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte, sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencida a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar que mantinha a glosa sobre as embalagens de transporte e sobre a despesa de depreciação da plastificadora. Vencido o Conselheiro Walker Araújo que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE. Vencido o Conselheiro José Fernandes do Nascimento que mantinha a glosa sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. Vencida a Conselheira Lenisa R. Prado que revertia a glosa dos créditos sobre serviços de manutenção na ETE e as glosas em relação aos fretes sobre a transferência entre os Centros de Distribuição (TRANSFERÊNCIA CD), produto acabado (TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO), transferência do produto agropecuário para revenda (TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA). Paulo Guilherme Déroulède Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 20/11/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem retratar os fatos até o presente momento, reproduzse o relatório da resposta da DRJ à Resolução proferida por essa Turma, contudo à época com outra composição: Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da PIS – Mercado Interno Não Tributado, no valor de R$ 663.299,14, apurados sob o regime da não cumulatividade, decorrentes das operações da interessada com o mercado interno em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições que remanesceram ao final do 1º trimestre de 2007, após as deduções do valor a recolher da contribuição, concernentes as demais operações, conforme pedido (fls. 02 a 05). Fl. 1450DF CARF MF 4 Na apreciação do pedido, por meio do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal (fls. 15 a 130) e do respectivo Despacho Decisório, o pedido foi reconhecido parcialmente no valor de R$ 321.053,19 e em conseqüência homologadas parcialmente as respectivas compensações. Inconformada a recorrente ingressou com Manifestação de Inconformidade (fls. 166 a 657) em relação ao indeferimento parcial do crédito pretendido. A DRJ/Florianópolis, conforme Acórdão 0723.191 – 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 659 a 698), por unanimidade de votos julgou procedente parcialmente a Manifestação de Inconformidade, alterando o montante do crédito reconhecido para R$ 325.953,89. Cientificada, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 701 a 809). Em 21 de março de 2013, foi proferida a Resolução nº 3302 000.291 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 825 a 835), no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator para: Neste contexto, o presente processo deve ser convertido em diligência para que seja oportunizada a Recorrente a prova do direito que busca relacionados a todas as glosas efetuadas, e em especial para que em relação: a) às embalagens de apresentação, junte planilha detalhada relativa as aquisições de embalagens e aponte sua destinação (apresentação ou transporte) com a respectiva demonstração; b) às peças e partes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; c) aos combustíveis e lubrificantes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; d) a aquisição de serviços, demonstrativo relacionando os serviços e sua aplicação nas atividades da Recorrente; e) aos fretes, elabore demonstrativo informando a utilização dos serviços de frete; Em todos os casos acima listados e em relação aos demais eventualmente não apontados, caberá a Recorrente disponibilizar a autoridade preparadora os documentos necessários à comprovação dos direitos pleiteados. Neste contexto, voto por converter por converter o julgamento do presente recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou demonstrar as questões tratadas no presente processo. Caberá a Fiscalização lavrar termo de conclusão a respeito dos temas e demonstrativos apresentados na presente diligência, e outros mais que entendam necessários ao bom deslinde do processo, do qual dará ciência à Interessada para se manifestar. Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 4 5 Mediante a Intimação Saort 360/2014 (fls. 838/839), de 04 de agosto de 2014, a recorrente foi intimada a atender as solicitações em referência. Em 03 de setembro de 2014, foram apresentados os esclarecimentos de fls. 841 a 1316, além de arquivos digitais (arquivo não paginável), fl. 1317. É o relatório. Em atendimento a determinação constante da Resolução retro mencionada, procedeuse a regular intimação da recorrente e a recepção do que foi apresentado. Assim, as informações ora apresentadas constituem mero relatório de conclusão da diligência estando assentada, apenas, no que contém os documentos digitais encaminhados, sem que tenha ocorrido o confronto ou cotejamento com os documentos originais constituídos por: notas fiscais, recibos, livros e documentos contábeis ou qualquer outro comprovante que pudesse dar suporte as informações registradas. Também não foram solicitadas notas fiscais, por amostragem, para confronto ou conferência com os dados registrados. Em resposta ao item 07 da Intimação a recorrente apresentou uma relação de todos os documentos, arquivos digitais, e memórias de cálculos solicitados, bem como de arquivos complementares, conforme planilha abaixo: Assunto ITEM Arquivo Valor VALOR-R$ da Sub-total R$ Inti- mação 2 Item 2 a) Relação das notas fiscais de aquisição de embalagens de apresentação.xls 1.663.139,92 Embalagens de apresentação 2 Item 2 b) Arquivo com as imagens fotográficas das embalagens de apresentação.pdf - 1.663.139,92 Peças e partes 3 Item 3 Peças e materiais de reposição aplicados na manutenção de máq. e equip..xls 515.566,86 515.566,86 Combustíveis e lubrificantes 4 Item 4 Relação dos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo.xls 34.899,88 34.899,88 5 Item 5 a) Serviços utiliz. como insumos relac. diretamente com a produção.xls 506.763,49 5 Item 5 b) Demais serviços.xls 33.261,85 Serviços 5 Item 5 c) Serviços cuja função não foi identifica-da.xls 19.342,27 559.367,61 Serviços de frete 6 Item 6 Demonstrativo com a utilização dos serviços de frete.xls 11.049.323,07 11.049.323,07 Relação dos documentos a- presentados 7 Item 7 Relação dos documentos, arquivos digitais e memórias de cálculo apresentados.xls - Ativo imobilizado - Relação dos bens.xls 72.290,44 Ativo imobilizado - Arquivo com as imagens fotográficas dos bens.pdf - 72.290,44 Fluxo do Processo de Produção.pdf - Registros Fotográficos do Fluxo do Processo de Produção.pdf - Relatórios do SIGSIF.pdf - 13.894.587,78 Fl. 1452DF CARF MF 6 O montante controverso, de acordo com o recurso voluntário, resumese aos valores relacionados abaixo: Descrição Valores Valores Linha 02 - Bens utilizados como Insumos 3.022.898,59 Embalagens de Apresentação 1.663.139,92 Embalagens de Transporte 600.131,76 Materiais de Reposição (Peças em geral) 515.566,86 Produtos de Conservação e Limpeza 211.297,05 Outros Insumos 32.763,00 Linha 03 - Serviços utilizados como Insumos 559.853,45 Serviços 559.853,45 Linha 07 - Despesas de Armazenagem e Frete na Oper. De Venda 15.712.641,89 Fretes 15.712.641,89 Linha 09 - Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 73.032,09 Encargos de Depreciação de bens do Ativo Imobilizado 73.032,09 Linha 13 - Outras Operações com Direito a Crédito 34.869,88 Combustíveis e Lubrificantes 34.869,88 TOTAL 19.403.295,90 As fls. 1432 e seguintes do processo veio a manifestação da recorrente sobre as conclusões da diligencia fiscal, onde, em apertada síntese, insurgiuse contra as decisões dos itens relacionados às embalagens de apresentação (3.1), material de reposição (3.2), serviços utilizados como insumos (3.3), despesa de armazenagem e frete na venda na operação de venda (3.4), bens do ativo imobilizado (3.5), e outras operações com direito a crédito (3.6). Juntado ao processo a manifestação acima mencionada, os autos foram distribuídos a esse Conselheiro para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator II. MÉRITO Quanto ao mérito, estamos diante de matéria já conhecida dessa E. Turma relacionada a caracterização de insumos utilizados na atividade desenvolvida pela recorrente. Peço vênia para transcrever abaixo o entendimento relacionado ao conceito de insumo para PIS e COFINS nãocumulativos, trazidos pelo i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, em processo em que a recorrente é parte, do qual adoto como razão de decidir, ressaltando que em alguns pontos analisados no presente caso esse relator diverge do entendimento esposado pelo Conselheiro Paulo Guilherme: Passando à análise dos pontos controvertidos, é necessário expor o entendimento sobre o conceito de insumos para o PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 5 7 apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 1454DF CARF MF 8 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 6 9 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 1456DF CARF MF 10 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 7 11 LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização Fl. 1458DF CARF MF 12 quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 8 13 arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Fl. 1460DF CARF MF 14 Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da nãocumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 9 15 de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: Fl. 1462DF CARF MF 16 CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 10 17 Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. Considerando que já houve no presente processo decisão quanto a outros "insumos" utilizados pela recorrente, conforme trazido no relatório, que servem de base para o cálculo de crédito de PIS e COFINS nãocumulativos, passamos a análise de dos itens aos quais se debruçou a Diligência Fiscal. II.1 Embalagem De Apresentação e Embalagem De Transporte A fiscalização efetuou a glosa por entender que as embalagens se destinam precipuamente ao transporte de produtos acabados nos termos do artigo 4º, inciso IV e artigo 6º do Decreto nº 4.544/2002: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): [...] IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou Art. 6º Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto, entenderseá (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, inciso II): I como acondicionamento para transporte, o que se destinar precipuamente a tal fim; e II como acondicionamento de apresentação, o que não estiver compreendido no inciso I. § 1º Para os efeitos do inciso I, o acondicionamento deverá atender, cumulativamente, às seguintes condições: I ser feito em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; e II ter capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido, no varejo, aos consumidores. Fl. 1464DF CARF MF 18 § 2º Não se aplica o disposto no inciso II aos casos em que a natureza do acondicionamento e as características do rótulo atendam, apenas, a exigências técnicas ou outras constantes de leis e atos administrativos. § 3º O acondicionamento do produto, ou a sua forma de apresentação, será irrelevante quando a incidência do imposto estiver condicionada ao peso de sua unidade. O acórdão de primeira instância manteve a glosa, salientando que algumas embalagens poderiam gerar créditos, mas pela falta de documentação probatória, tais embalagens não poderiam ser consideradas. Em recurso voluntário, a recorrente defendeu que a legislação não diferenciou conceito de embalagem de apresentação e de embalagem de acondicionamento, sendo que ambas gerariam créditos da nãocumulatividade das contribuições. Alega ainda que as embalagens destinadas a transporte não são passíveis de utilização e oneraram o custo final do produto, constituindo custo de aquisição de insumos. Quanto à glosa de outras embalagens que acondicionam os produtos comercializados, a recorrente entendeu tratarem de embalagens de apresentação, não se destinando apenas ao transporte, mas garantindo a integridade dos produtos e destaque frente aos consumidores, não sendo passíveis de reutilização. A resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar as embalagens que fossem de apresentação. O relatório fiscal elaborado reconheceu parcialmente o direito de creditamento, mantendo a glosa relativa a embalagens consideradas como de transporte. Por se tratar de fase posterior ao processo produtivo da Recorrente, as embalagens utilizadas com função precípua de transporte e armazenamento dos produtos acabados, não integram o processo produtivo, seja direta ou indiretamente e, nessa condição, não geram créditos. Por seu turno, entendeu que as embalagens de apresentação, por integrar o processo produtivo da Recorrente, visto que por não se destinarem apenas ao transporte do produto e por alteram a apresentação do produto que embala, são passíveis de creditamento. Entretanto, entendo que independentemente de serem de apresentação ou de transporte, ou por ter sido utilizada em etapa posterior a fabricação do produto, os materiais de embalagens, seja com a finalidade de alterar o produto que embala ou de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, devem ser admitidos como insumos de produção e, consequentemente gerar créditos de PIS/COFINS. Vale dizer, considerando que operação realizada pela Recorrente envolve o manuseio de produtos alimentícios, as embalagens de transporte são necessárias para proteger e evitar qualquer contato externo com o produto e principalmente evitar qualquer risco de contaminação. Desta forma, entendo que, para fins de apropriação de crédito do PIS e da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalagem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 11 19 destinados à proteção contra impactos, sujeiras externas e facilitando o transporte, conforme devidamente explicitado pela Recorrente em sede recursal. Ora, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Portanto, além do valor reconhecido anteriormente a título de embalagens de apresentação, deve ser admitido também o crédito relativo as embalagens consideradas pela fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela Recorrente como de apresentação, e as embalagens de transporte propriamente dita. II.2 Peças e Partes Material de Reposição A resolução que deferiu a diligência requereu que fosse discriminado que peças teriam sido utilizadas em manutenções e que peças não teriam sido utilizadas. A diligência concluir que parte dos valores glosados se referia à manutenção de máquinas e equipamentos, no entanto, aparentemente, por sua natureza, teriam sido considerados como acréscimos na vida útil dos equipamentos superior a um ano, nas máquinas e equipamentos usados na industrialização e que deveriam ser contabilizados no ativo imobilizado para futuras depreciações. Por seu turno, a recorrente se manifestou no sentido de que a diligência teria confirmado que todas as peças se referem à manutenção de máquinas e equipamentos. A recorrente apresentou arquivo contendo a relação de peças destinadas à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na industrialização. Relativamente ao questionamento fiscal, o artigo 346 do Decreto nº 3.000/1999 dispõe: Art. 346. Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens e instalações destinadas a mantêlos em condições eficientes de operação (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48). § 1º Se dos reparos, da conservação ou da substituição de partes e peças resultar aumento da vida útil prevista no ato de aquisição do respectivo bem, as despesas correspondentes, quando aquele aumento for superior a um ano, deverão ser capitalizadas, a fim de servirem de base a depreciações futuras (Lei nº 4.506, de 1964, art. 48, parágrafo único). § 2º Os gastos incorridos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens do ativo imobilizado, de que resulte aumento da vida útil superior a um ano, deverão ser incorporados ao valor do bem, para fins de depreciação do novo valor contábil, no novo prazo de vida útil previsto para o bem recuperado, ou, alternativamente, a pessoa jurídica poderá: Fl. 1466DF CARF MF 20 I aplicar o percentual de depreciação correspondente à parte não depreciada do bem sobre os custos de substituição das partes ou peças; II apurar a diferença entre o total dos custos de substituição e o valor determinado no inciso anterior; III escriturar o valor apurado no inciso I a débito das contas de resultado; IV escriturar o valor apurado no inciso II a débito da conta do ativo imobilizado que registra o bem, o qual terá seu novo valor contábil depreciado no novo prazo de vida útil previsto. § 3º Somente serão permitidas despesas com reparos e conservação de bens móveis e imóveis se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Assim, as despesas de manutenção que acarretem o aumento da vida útil do bem, prevista na data de sua aquisição deve ser ativada e sujeita a depreciações futuras. A motivação da autoridade fiscal foi a seguinte: "Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 3 a – Peças e materiais de rep.aplic.manut.maq.e equipamentos.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações." Assim como o i. Conselheiro acima já mencionado, entendo que a motivação é por demais sucinta e sem comprovação, ainda que indiciária, do aumento de vida útil, pois não evidencia como ocorreria o aumento, transparecendo, inclusive falta de convicção na alegação, ao afirmar que "aparentemente" teriam sido considerados insumos que acresceriam vida útil. Neste sentido, citamse acórdãos: Acórdão nº 1401000.769: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Ainda que se comprovasse o aumento da vida útil dos bens, estarseia diante da inobservância do regime de competência, vez que deveria ser reconhecido o direito de deduzir as despesas por meio de depreciação. Nestes casos, o procedimento que deve ser adotado pela Autoridade Fiscal é o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 02/96, sob pena se exigir o recolhimento do tributo que se sabe será restituído, vez que a empresa terá direito a apropriar as depreciações daqueles bens ativados. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 12 21 Acórdão nº 130200.463: DESPESAS COM REPAROS E CONSERVAÇÃO. ATIVAÇÃO. No caso de despesas com reparos e conservação de bens, a capitalização dos montantes correspondentes só deverá ser efetivada se dos reparos ou da conservação resultar aumento da vida útil do respectivo bem. Tratandose de procedimento de ofício, cabe à autoridade fiscal demonstrar tal ocorrência e, sendo o caso, a determinação do novo valor contábil do bem, do novo prazo de sua vida útil e, por decorrência, da taxa de depreciação a ser utilizada. Acórdão nº 10517.423: BENS IMOBILIZÁVEIS POR SUA NATUREZA Serão admitidas, como custo ou despesa operacional, as despesas com reparos e conservação de bens, de forma a mantêlos em condições eficientes de operação. Se isso não ficar caracterizado ou os consertos redundarem em aumento da vida útil do bem em mais de um ano, devese imobilizálo. Recurso de oficio conhecido e improvido. Acórdão nº 10322.314: GASTOS COM REPAROS AUMENTO DA VIDA ÚTIL DO BEM Não comprovado, pelo Fisco, que o bem teve sua vida útil aumentada em mais de um ano, são admitidos como despesas operacionais os gastos com reparos, destinados a mantêlo em condições normais de funcionamento. Portanto, considero que o valor que se refere a custos de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, e, à vista das premissas anteriormente abordadas, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais despesas. II.3. Aquisições de produtos de Conservação e Limpeza No que tange a referido item, entendo que a irresignação apresentada pela recorrente apresenta sustentação para prosperar. Conforme planilha apresentada nas peças de defesa da contribuinte, os produtos sobre os quais se requer o creditamento da COFINS, seriam utilizados na limpeza de carretas, silos, tanques, máquinas e equipamentos de produção. A contribuinte faz menção ainda a Solução de Consulta DISIT 08 nº 13, de janeiro de 2010, a qual supostamente lhe garantiria o direito ao crédito da contribuição sobre a aquisição dos produtos indicados na planilha. Extraise da mencionada consulta o seguinte trecho: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 1468DF CARF MF 22 EMENTA: COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. A partir de 1 o de dezembro de 2002, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins as despesas efetuadas com serviços de manutenção em máquinas e equipamentos empregados diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) No que toca aos "produtos utilizados na limpeza", a possibilidade de apuração de créditos se limita aos dispêndios relativos àqueles produtos de aplicação necessária no curso do próprio processo produtivo, ou seja, não enseja apuração de créditos dispêndios com produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo. (destaquei) (...) Ora, a Solução de Consulta trazida pela recorrente traz a possibilidade de ser creditada pelos dispêndios na aquisição dos produtos de limpeza utilizados na higienização, o que de fato restou constatado no decorrer do presente processo. Conforme demonstrado, a limpeza e higienização é parte indissociável do processo de produção da contribuinte, motivo pelo qual entendo ser possível o cretitamento pleiteado, devendo ser levantada a glosa dos créditos quanto aos itens em análise. II.4. Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes No que tange ao presente item, o entendimento desse relator e idêntico ao exarado pelo i. Cons. Paulo Guilherme, traduzido no voto proferido no processo n.º 10925.001199/200961, razão pela qual pedese vênia para transportar as razões do processo mencionado para esses autos, com as alterações pertinentes ao caso em tela. A recorrente pugna pelo reconhecimento de valores relativos à utilização de gás Ultrasystem, graxas, óleos e lubrificantes que seriam usados em equipamentos do setor produtivo como empilhadeiras, máquinas do setor de leite longa vida etc. A diligência in loco confirmou a utilização das empilhadeiras no transporte de bobina para embalagem de lona vida do almoxarifado até a produção e também de esteira até o local de reserva do leite (chamado quarentena). Assim, comprovada a utilização no setor produtivo, devem ser reconhecidos os créditos relativos a tais aquisições. II.5. Aquisição de Amônia No mesmo sentido quanto aos combustíveis e lubrificantes, comungo do entendimento do i. Conselheiro alhures mencionado. Quanto a este item, a diligência in loco constatou que o produto é utilizado na sala de máquinas, em compressores para geração de água fria, posteriormente utilizada na refrigeração do leite e derivados e nas câmaras frias de maturação de queijos. Assim, pela descrição, podemos verificar que a amônia é utilizada no processo produtivo, devendo ser reconhecido o creditamento sobre o valor de sua aquisição. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 13 23 II.6 Serviços Utilizados como Insumo Linha 3 e Despesas de Fretes e Armazenagem na Operação de Venda Linha 07 Novamente pedindo vênia para utilizar as conclusões do voto proferido no processo nº 10925.001199/200961, transcrevo abaixo os apontamento trazidos pelo i. Relator naquela oportunidade, esclarecendo que faço alterações relacionadas a dados próprios do processo em análise, e ressalvando o entendimento quanto a possibilidade de haver o creditamento observado sobre o frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero. A fiscalização glosou serviços informados na linha 03 das fichas 4 e 6 do DACON Serviços utilizados como insumos, constantes do Anexo III relativos a manutenções das instalações industriais, carga de resíduos, dedetização, etc e ainda fretes nas aquisições de insumos, fretes entre estabelecimentos (coleta e produção, produção e venda, armazenamento de queijo e retorno do produto à empresa). Em relação à linha 07, a fiscalização glosou créditos a este título por falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância. A recorrente apresentou em cumprimento da diligência, planilhas que apresentaram um valor a menor de R$ 4.663.318,83, em ralação ao valor apresentado no recurso voluntário, motivo pelo qual, no que tange a tal diferença não resta outra alternativa a não ser a manutenção da glosa em virtude da não apresentação de documentos comprobatórios, solicitados pela intimação fiscal Saort nº 360/2014. Quanto aos serviços utilizados como insumos, a glosa mantida na primeira instância fundamentouse no fato de a recorrente não ter indicado ou explicado em que consistiriam estes serviços e onde seriam aplicados. A recorrente defendeu que tais serviços são utilizados na manutenção industrial, no resfriamento de leite, análises laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros, sendo essenciais ao processo produtivo. A resolução, então, solicitou a demonstração de que tais serviços seriam aplicados diretamente no processo produtivo dos bens destinados à venda, cujo cumprimento resultou na Intimação Saort nº 360/2014, da qual transcrevese a parte relativa aos serviços utilizados como insumos: 6. QUANTO AOS SERVIÇOS GERAIS, tais como: ”manutenção industrial (de empilhadeira, de equipamentos de queijaria, de caldeira, do setor de produtos UHT, etc), resfriamento do leite, reforma do equipamento queijomatic, dentre outros que são utilizadas nas etapas de manipulação do produto dentro da linha de produção daquelas que não se encontram dentro da linha de produção; 6.1 APRESENTAR relação de todas as notas fiscais de ENTRADA, correspondente aos serviços gerais (item 6) que sejam aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda, contendo: CPF fornecedor/CNPJ emissor; nome do fornecedor; CNPJ estabelecimento de entrada; número Fl. 1470DF CARF MF 24 da nota fiscal; data da emissão; data da entrada; CFOP; descrição do serviço; valor total; totalizador ao final de cada mês; discriminar os serviços gerais utilizados na produção dos que não se encontram na produção da empresa, por seção/setor onde podem ser localizadas. Em resposta, a recorrente informou ter apresentado as planilhas contendo os serviços utilizados diretamente no processo produtivo 5.a, uma planilha com os demais serviços 5.b, uma planilha com serviços cuja função não foi reconhecida 5.c, e notas fiscais de aquisição de insumos, informadas equivocadamente como serviços 5.d. O relatório fiscal resultado da diligência consignou que no arquivo 5.a serviços utilizados como insumos diretamente na produção a recorrente relacionou serviços que não seriam utilizados diretamente na produção ou que deveriam ser amortizados por ampliar a vida útil em mais de um ano. Da planilha 5.b, manteve a glosa daqueles identificados como serviços sem função identificada, que o relatório identificou como item 5.d, mas que a recorrente referiuse como item 5.c. A recorrente propugnou em sua manifestação sobre o resultado da diligência pela reconhecimento do creditamento sobre os itens 5.a e 5.b, reconhecendo como não comprovados os serviços do item 5.c. Quanto ao item 5.d, nada informou. Dentre os serviços relacionados no item 5.a, entendo que devem ser mantidas as glosas relativas a serviços de manutenção na ETE, levantamento topográfico, elaboração de projetos, treinamentos, serviços de manutenção de câmara fria para armazenagem de produtos acabados, pois que se referem a dispêndios anteriores ou posteriores à produção, bem como serviços de instalações elétricas, montagens, construção de muro, instalação de poço artesiano, que pertencem ao ativo permanente. Concernente ao item 5.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa. Relativamente ao item 5.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa. Concernente aos fretes, as glosas ocorreram pela falta de informações que pudessem relacionar o frete adquirido com as notas fiscais de venda ou de insumos, destacando ainda que fretes entre estabelecimentos não podem gerar créditos por falta de previsão legal, glosa esta mantida na primeira instância por entender ainda que a informação em linha equivocada do Dacon ensejaria a manutenção da glosa. A recorrente defende que a glosa empreendida pelo Fisco foi arbitrária, que o mero equívoco na inserção de fretes de aquisição de insumos e transferência de insumos na linha de despesas de fretes sobre a venda não pode obstar o reconhecimento ao direito creditório, e ,por fim, pugna pelo creditamento quanto aos fretes nas aquisições de insumos, entre transferências de insumos entre os pontos de coleta e a indústria, aos fretes entre a produção e os pontos de venda e aos próprios fretes sobre a venda, solicitando ainda a baixa em diligência, caso se entendesse que as provas juntadas fossem insuficientes. Neste sentido, a resolução determinou a diligência para que a recorrente pudesse comprovar os fretes em operações de venda, bem como elaborasse demonstrativo, separando o frete sobre a aquisição de insumos, sobre as operações de vendas e sobre as transferências entre estabelecimentos. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 14 25 Intimada a realizar a separação, com apresentação de documentação probatória, a recorrente apresentou as seguintes planilhas: a) VENDA PROD. ACABADO: Frete na venda de produtos acabados (leite e derivados). b) VENDA PROD. AGROP.: Frete na venda de produtos agropecuários (ração e farelo de trigo). c) TRANSFERÊNCIA CD: Frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR. d) TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO: Frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais. e) TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. f) COMPRA INSUMOS: Frete na compra de insumos (leite in natura, lenha e cavaco, embalagens, ingredientes, etc). g) COMPRA USO E CONSUMO: Frete na compra de insumos (peças, etc.) classificados como de uso e consumo. h) TRANSFERÊNCIA PC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais. i) TRANSFERÊNCIA PCPC: frete de leite in natura entre postos de coleta. j) COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA: Frete na compra de produtos agropecuários (farelo de soja, farelo de trigo, ração, sal mineral, calcário, suplementos para ração, etc), destinados à revenda aos produtores de leite. k) COMPRA IMOBILIZADO: Frete na compra de bens para o ativo imobilizado. 1) DEVOLUÇÃO DE VENDAS: Frete referente devolução de venda de produtos acabados (leite longa vida, manteiga, etc). m) REMESSA ANÁLISE: Frete na remessa de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. n) RETORNO ANÁLISE: Frete no retorno de caixas/vasilhames nos quais foram remetidas as amostras de produtos (leite in natura) para análise em estabelecimentos terceirizados. Fl. 1472DF CARF MF 26 o) REMESSA CONSERTO: Frete na remessa de bens (prensa, cilindro, pistão, etc.) para conserto. p) RETORNO CONSERTO: Frete no retorno de bens (filadeira, etc.) remetidos para conserto. q) DIVERSOS: Outros fretes não enquadrados nas classificações acima. O relatório final da diligência abordou apenas os fretes relacionados nas planilhas TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO, TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA e COMPRA IMOBILIZADO, entendendo pela impossibilidade de creditamento. Em manifestação ao relatório final de diligência, a recorrente reafirma o direito ao creditamento, seja como frete na aquisição de insumos, seja como fretes sobre vendas, bem como entende confirmado o creditamento sobre as demais planilhas. Inicialmente, salientase que, embora o relatório seja omisso quanto às demais planilhas, algumas descrições são suficientes para formação de convicção quanto à possibilidade de creditamento. Assim, os fretes nas aquisições de insumo devem ser reconhecidos por se tratarem de custo de aquisição, bem como os fretes de transferências de insumos entre estabelecimentos, por se tratarem de serviços consumidos durante o processo produtivo, incluindo aqui os fretes entre os pontos de coleta até a produção, conforme explicitado no FLUXO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO NA INDÚSTRIA: DE LACTICÍNIOS TIROL LTDA 01.1. TRANSPORTE 1º PERCURSO: Nesta primeira etapa há o custo de transporte, que é o valor pago ao transportador para fazer a coleta do leite na propriedade do produtor rural e sua transferência até os postos de resfriamento, ou dependendo da localização da propriedade e da indústria, o leite já é transferido diretamente para a indústria, sem passar pelo posto de resfriamento [...] 02.1. TRANSPORTE 2º PERCURSO: Nesta segunda etapa, há custo de transporte, que é o valor pago às transportadoras pelo serviço de transporte entre o posto de resfriamento e a indústria. Neste sentido, deve ser reconhecido o direito ao creditamento das seguintes planilhas, sobre as quais o relatório fiscal não se pronunciou: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, por se tratarem de fretes sobre vendas, nos termos do inciso IX do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. COMPRA DE INSUMOS: segundo a recorrente são fretes nas compras de insumos que compõem o custo de aquisição e geram direito a crédito. Entretanto, verificase na informação prestada pela recorrente, a aquisição referese a leite in natura, lenha, cavaco, embalagens, ingredientes e descrições genéricas como diversos, outras cargas, conforme nf, ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 15 27 FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO: nesse tópico divirjo, com a devida vênia, da posição esposada pelo n. relator do processo 10925.001199/200961, pois entendo ser direito do contribuinte se creditar na referida operação. Desta feita, com a devida licença, tomo por razão de decidir o voto vencedor relacionado à matéria, redigido pelo i. Conselheiro Walker Araujo, nos seguintes termos: É de se ver que a fundamentação para manutenção da glosa de créditos calculados sobre fretes foi no sentido de que os bens sujeitos à alíquota zero, cuja base de cálculo do crédito já engloba o valor do frete e do seguro, não dá direito ao crédito. Em relação à esta matéria, esta Turma já adotou posicionamento contrário ao entendimento apresentado pelo i. Relator, por meio do acórdão nº 3302002.922, de relatória da Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, o qual adoto como fundamento para solucionar a questão sob análise, a saber: Conforme acima demonstrado a fundamentação da glosa de créditos calculados sobre fretes prendese ao fato de que as aquisições dos insumos são tributados à alíquota zero, estando em desacordo com o art. 3º, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.637, de 2002. No entanto há precedente no CARF conforme Acórdão nº 3403 001.944, de 09/03/13, que confere uma outra interpretação ao dispositivo legal em destaque, a qual me filio por entender consentânea com os objetivos visados pela lei de regência da matéria, no tocante ao dispositivo em exame, cuja ementa a seguir se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Nesse sentido, registro excertos da referida decisão, nos termos do voto condutor: A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1º da Lei nº 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 (em relação à Cofins):(grifei). “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1474DF CARF MF 28 § 2º Não dará direito a crédito o valor:(...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)”(grifei). Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). )(grifei). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. Portanto, por ser passível de creditamento, a glosa de créditos relativo ao frete na aquisição de produtos tributados à alíquota zero deve ser totalmente revertida. TRANSFERÊNCIA PC e PCPC: Frete na transferência de leite in naturais dos Postos de Coleta até os estabelecimentos industriais e entre postos. REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE: fretes na remessa e retorno de amostras de produtos (leite in natura) dos estabelecimentos industriais ou postos de coleta da empresa para análise em estabelecimentos terceirizados. REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO: por se tratar de frete utilizado em manutenção de bens da produção, segundo informação da recorrente, não havendo qualquer objeção no relatório fiscal da diligência. Porém, relativamente às planilhas abaixo, entendo que a glosa deve ser mantida: * TRANSFERÊNCIA CD frete na transferência de produtos acabados dos seus estabelecimentos industriais até o Centro de Distribuição (CNPJ n° 83.011.247/001455) localizado na cidade de Curitiba PR), TRANSFERÊNCIA PROD. ACABADO frete na transferência de produtos acabados entre seus estabelecimentos industriais e TRANSFERÊNCIA PROD. AGROP. P/ REVENDA frete na transferência de produtos agropecuários (farelo e farelo de trigo) da matriz até os demais estabelecimentos, destinados à revenda. A Lei nº 10.833, de 2003 assim dispôs em seu artigo 3º, inciso IX sobre a hipótese de creditamento sobre fretes nas operações de vendas: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 16 29 de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) ... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Da redação do inciso destacase a expressão “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. Entendo que a especificidade da expressão indica que o inciso trata do negócio jurídico de compra e venda de mercadoria, posto que não faria sentido a restrição para as despesas operacionais de logística interna que, certamente, são suportadas pela pessoa jurídica, não havendo que se cogitar de ônus a ser suportado por um comprador, quando inexiste a compra, nem quando se refere a operações de logística interna. Por outro lado, para classificar como insumo, o serviço de frete deve possuir a natureza de custo e não de despesas operacionais, as quais excluo do conceito de insumo, não em razão de sua indispensabilidade à atividade econômica, mas em razão de ser uma despesa incorrida posteriormente ao processo produtivo. No mesmo sentido da impossibilidade de creditamento, citamse os seguintes acórdãos: Acórdão nº 220100.081, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de COFINS por falta de previsão legal nesse sentido. Acórdão nº 3803003.595, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento: INSUMOS ALCANCE FRETE DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO ACABADO. IMPOSSIBILIDADE Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda, que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para realização de transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a créditos a serem descontados do PIS devido. Destacase o excerto abaixo deste acórdão: “Destaco que o frete empregado pela empresa é de produto acabado para estabelecimento da mesma empresa, ou seja, de mero procedimento interno de logística que constitui despesa operacional, entretanto, não passível de ser utilizada para Fl. 1476DF CARF MF 30 creditamento da contribuição para o PIS/PASEP no regime da nãocumulatividade, por absoluta falta de previsão legal.” Salientase que esta turma, em recente julgado de Acórdão nº 3302002.464, assim também se posicionou: CRÉDITO. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados não geram direito a crédito da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, incabível o creditamento relativo a tais despesas. * COMPRA USO E CONSUMO: a recorrente afirmou que se trata de frete material e uso e consumo (peças etc), cuja descrição não permite a identificação da natureza da carga e sua utilização no processo produtivo, impossibilitando o creditamento como insumos. * COMPRA PROD. AGROP. P/ REVENDA por se tratar de frete na aquisição de bens para revenda, compondo o custo de aquisição destes bens, informados na linha 01 do DACON. A inclusão destes fretes em diligência representa inovação, pois as alegações no recurso especial referiam a fretes na aquisição de insumos, fretes internos de insumos (pontos de coleta até a unidade de produção) e fretes em operações de venda. A inclusão neste momento somente seria possível, em homenagem ao princípio da verdade material, se a recorrente comprovasse o erro cometido no preenchimento da linha 01 do DACON, o que até então não fora cogitado, nem provado na diligência. Assim, entendo incabível esta inovação em sede de diligência. * COMPRA IMOBILIZADO, pois não se refere a serviços utilizados no processo produtivo nem a frete nas operações de vendas, razão pela qual tais aquisições não geram créditos, ressalvada a possibilidade de creditamento sobre as futuras depreciações, desde que relativas a bens utilizados no processo produtivo, o que, entretanto, não restou comprovado na diligência, além de que o pedido representa inovação, pois a defesa inicial pautouse na existência de fretes como insumos, aquisição de insumos e sobre vendas. * DEVOLUÇÃO DE VENDAS: a informação prestada referese a devoluções de leite, produto com alíquota zero, cujo custo de aquisição não gera crédito, além de representar inovação nas razões recursais manifestadas em manifestação de inconformidade e impugnação, por não se tratar de frete na aquisição de insumos, ou de transferências de insumos ou produtos acabados, nem de frete na operação de venda. * DIVERSOS, pois a generalidade da descrição não permite a comprovação de sua utilização no processo produtivo ou nas operações de venda. Assim, devem gerar créditos os fretes relativos às planilhas VENDA PROD. ACABADO, VENDA PROD. AGROP, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE, RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, ressalvando a necessidade de a unidade de execução do acórdão apurar o crédito relativo à COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido. II.7 Encargos de Depreciação dos Bens do Ativo Imobilizado Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10925.002198/200934 Acórdão n.º 3302004.890 S3C3T2 Fl. 17 31 A fiscalização glosou o creditamento sobre encargos de depreciação relativos a bens adquiridos anteriormente a 1º/05/2004, a bens usados, a veículos da administração , à correção monetária do imobilizado e outros bens não utilizados na linha de produção, e também relativos a bens sem comprovação documental. O relatório da diligência pouco esclareceu sobre os bens do ativo imobilizado, declarando que Em virtude da análise do demonstrativo contendo novas e detalhadas informações (descrição do bem, destinação do bem e utilização/função de cada imobilizado no processo produtivo) determinados bens do ativo imobilizado devem ter a apropriação de seus respectivos créditos reconhecidos na Linha 09 – Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado, conforme Anexo IV, e que se referem aos encargos incorridos, no trimestre, de R$ 15.032,14 (Quinze mil trinta e dois reais e catorze centavos). Entretanto, analisando os documento acostados aos autos, entendo devam ser mantidas as glosas relativas a EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999 ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. III. Conclusão Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens, inclusive aquelas consideradas pela fiscalização como de transporte, as quais foram registradas pela recorrente como de transporte, aquisição de material de reposição, aquisição de amônia, combustíveis e lubrificantes, serviços como insumos, fretes nas: VENDA PROD. ACABADO e VENDA PROD. AGROP, COMPRA DE INSUMOS, FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO, TRANSFERÊNCIA PC e PCPC, REMESSA ANÁLISE e RETORNO ANÁLISE, REMESSA CONSERTO e RETORNO CONSERTO; e encargos de depreciação, nesse caso devendo ser mantidas as glosas relativas a (efls. 1384 a 13394) EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, ESTANTES INTERCAMBIÁVEIS ESTOQUE LONGA VIDA NT:56646 ÁGUIA SISTARMAZE, PRATELEIRAS DEPOSITO LEITE LONGA VIDA PRATELEIRAS ESTOQUE LEITE EM PO FRACIONADO NT8999ESMENA DO BRASILS/A, PRATELEIRAS EXPEDIÇÃO LEITE LONGA VIDA NT 8998 ESMENA DO BRASIL S/A, BALANÇA RODOVIÁRIA, BAL.ELETRÔNICA TRANSPALETI IRA MOD:PL3000 CAP 200KGX1 OOOG EM ACO CARBONO SÉRIE:P, EMPILHADEIRA ELÉTRICA RETRAK STILL MODlFME 17 G115 SERIE:341832000829 NF:64150 E, PRATELEIRAS DEPOSITO Fl. 1478DF CARF MF 32 LEITE LONGA VIDA, CARREGADOR DE BATERIAS KLM NF312MACRO, TRANSPALETEIRA ELÉTRICA YALE NF:2519 MACROMAQ EQUIP , CARREGADOR DE BATERIAS KLM K8TM IND.COM.ELETROTÉCNICA, CARREGADOR DE BATERIA 48V / 140A MARCA KLM. , todos valores referentes a base de cálculo. De forma ilíquida, reconheço o creditamento sobre fretes da planilha COMPRA DE INSUMOS, exceto relativo à aquisição de produtos com a descrição genérica de "diversos", "outras cargas", "conforme nf" ou simplesmente sem descrição do produto adquirido, a serem calculados pela unidade responsável pela execução do acórdão, nos termos da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2012. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1479DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.721088/2014-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO - PROGRAMA DO ESTADO DA BAHIA
Os valores autuados foram dirigidos para o aumento do parque industrial do contribuinte, o que, em consonância com a jurisprudência da CSRF específica para a legislação da Bahia, comprova cabalmente o cumprimento dos requisitos para enquadrar a quantia usufruída como subvenção para investimento.
Numero da decisão: 1401-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO - PROGRAMA DO ESTADO DA BAHIA Os valores autuados foram dirigidos para o aumento do parque industrial do contribuinte, o que, em consonância com a jurisprudência da CSRF específica para a legislação da Bahia, comprova cabalmente o cumprimento dos requisitos para enquadrar a quantia usufruída como subvenção para investimento.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 72 10 88 /2 01 4- 00 Fl. 48347DF CARF MF 2 Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do feito, adoto de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de exigência fiscal formalizada nos autos de infração de fls 02/16 (a numeração referese sempre à versão digital dos autos) relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL). O feito, relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2010 constituiu crédito tributário nas cifras de R$ 7.554.956,59 (IRPJ) e R$ 2.718.062,91 (CSLL), incluídos principal, multa de ofício no percentual de 75%, juros de mora e multa isolada. Os motivos da autuação foram descritos no Termo de Verificação Fiscal, efls. 18/63 e vão a seguir resumidos. Relata a auditoria inicialmente que a fiscalizada, em relação anocalendário investigado, optou pelo lucro real anual como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. Com base na documentação verificada, diz o auditor responsável ter identificado que a contribuinte excluiu indevidamente da apuração do lucro real, a título de Doações e Subvenções para Investimento, quantias auferidas com o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia no âmbito do Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica do Estado da Bahia Desenvolve, do qual é beneficiária. Na sequência, o Termo referese à legislação que criou o citado incentivo fiscal (Lei Estadual nº 7.980, de 2001 e Decreto Estadual nº 8.205, de 2002). O benefício, em síntese, foi instituído com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado. O benefício consistia na dilação do prazo de pagamento do saldo devedor e no diferimento do lançamento e pagamento do Imposto sobre Operações Relativas a Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS devido. Também foi concedido, no âmbito do programa, desconto de até 90% para a liquidação antecipada do imposto cujo prazo fora dilatado. A receita auferida com o incentivo em foco, prossegue a auditoria, foi contabilizada nas rubricas nº 3211.49 e 3231.49 (ICMS – Incentivo Fiscal Estadual) sob o histórico: Ganho com desenvolve no mês de (mês)/2010. Passa o documento a discorrer sobre o tratamento fiscal dispensado pela legislação às subvenções recebidas pela pessoa jurídica. Depois de transcrever os artigo 392 e 443 do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR 1999) e com apoio no Parecer CST nº 112 de 1978, conclui: Da análise da legislação supra mencionada verificase que, no lucro real, existem duas regras para a tributação das subvenções: uma de caráter geral, consubstanciada no art. 392, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional e, Fl. 48348DF CARF MF Processo nº 13502.721088/201400 Acórdão n.º 1401002.102 S1C4T1 Fl. 48.348 3 conseqüentemente, a sua tributação pelo IRPJ e pela CSLL; a segunda, constante do art. 443, uma regra de exceção, que exclui da base de cálculo desses tributos as subvenções concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, inclusive mediante isenção ou redução de impostos. O Programa DESENVOLVE, segundo a Lei Estadual n° 7.980/2001, foi instituído com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado, consubstanciado na instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. O Decreto Estadual n° 8.205, de 2002, ainda amplia esses objetivos, estabelecendo como diretrizes, no art. 1° do Regulamento que se destina a aprovar, o desenvolvimento tecnológico dos processos produtivos e assimilação de novas tecnologias; a interação da empresa com a comunidade em que pretenda atuar; a geração de novos produtos ou processos; e a prevenção dos impactos ambientais dos projetos e o relacionamento da empresa com o ambiente. No caso de implantação, o art. 2° do Decreto Estadual n° 8.205/2002 prevê também o diferimento do lançamento e do pagamento do ICMS relativo às aquisições de bens destinados ao ativo fixo, possibilitando que empresas ainda não implantadas também possam se beneficiar do Programa. No caso deste Programa, os recursos auferidos podem ser destinados a diversas finalidades, como sustentabilidade (prevenção de impactos ambientais), interação da empresa com a comunidade em que pretenda atuar, desenvolvimento tecnológico dos processos produtivos, e até mesmo redução de custos de produtos ou processos já existentes, sem haver uma vinculação necessária e específica com a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. O benefício concedido pelo Estado da Bahia não obriga à vinculação dos valores subvencionados com a efetiva e especifica aplicação destes valores na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Com efeito, o auxílio obtido com o desconto evidencia um não desembolso financeiro, o qual passa a integrar o giro do negócio, podendo ser utilizado pela empresa como bem lhe convier. Analisando a Lei que criou o incentivo, observase que existem algumas exigências, porém nenhuma delas cria a vinculação entre o valor subvencionado e a aplicação específica do recurso. O diferimento e o desconto no imposto, em um Programa com estes objetivos, não podem se caracterizar como subvenção para investimento mesmo que sejam assim utilizados, pois não há a obrigatoriedade de vincular os recursos auferidos com o investimento, sendo este apenas uma dentre as várias opções de que dispunha o beneficiário. [...] Dessa forma, se conclui que o Programa denominado DESENVOLVE não pode ser caracterizado como Subvenção para Investimento, pois não satisfaz à condição estabelecida pelo art. 443 do Regulamento do IR, qual seja, sua concessão como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, sem possibilidade de outro tipo de utilização. Muito menos à Fl. 48349DF CARF MF 4 condição explicitada pelo Parecer Normativo CST n° 112/78, qual seja, a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Essa sincronia consiste no seguinte: além da clara manifestação do subvencionador de que os recursos relativos à subvenção devam ser aplicados especificamente em investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, há que haver a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. O documento adiciona que a fiscalizada teria sofrido autuação anterior pela mesma motivação dos presentes, a qual tramita através do processo n° 13502.001153/200740. Informa que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já julgou recurso do contribuinte mantendo decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) que julgou procedente a autuação. Avançando na fundamentação do lançamento, a autoridade argumenta que, no caso, seria de todo irrelevante buscar a classificação da subvenção, como custeio ou investimento, concedida no programa em questão. Como o IRPJ e a CSLL são tributos de competência da União, qualquer isenção, majoração ou redução, seja da alíquota ou da base de cálculo, só pode ser concedida pela própria União. Desse modo, conclui que: a subvenção para investimento a que se refere o RIR/99 é aquela concedida pela União, através de Lei Federal, e não aquelas concedidas por outros entes federativos, pois se assim fosse se estaria admitindo que uma lei estadual, por exemplo, pudesse reduzir, mesmo que indiretamente, a base de cálculo de tributos federais, pela exclusão da receita gerada. Em reforço ao entendimento cita o acórdão 201151180014373, TRF 2ª RF conforme trechos que a autoridade leva ao Termo de Verificação. Abrindo novo tópico, a autoridade traz julgados extraídos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que expõem o entendimento sobre a natureza contábilfiscal das subvenções, caracterizandoas como receita do subvencionado. Por fim, o Termo de Verificação Fiscal anota a necessidade de formalização da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, nos termos da previsão inscrita no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996. Notificada da exigência em 28/11/2014, em 26/12/2014 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 48.070/48.083 na qual contesta a exigência nos seguintes termos. A linha de defesa combate o entendimento fiscal de que o incentivo concedido pelo Estado da Bahia – Desenvolve não se caracterizaria como subvenção para investimento devendo, por esta razão, compor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A impugnante destaca que a Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial nº 141.268 (Acórdão nº 9101.00566) externou entendimento diverso daquele disposto no PN/CST nº 112, de 1978, que embasa a autuação. Segundo o citado julgado, a aplicação dos valores recebidos, por conta do benefício fiscal, na efetiva implantação do empreendimento, ao contrário do que entende o PN/CST/112/1978 não é obrigatória para a caracterização da subvenção na categoria “para investimento”. Fl. 48350DF CARF MF Processo nº 13502.721088/201400 Acórdão n.º 1401002.102 S1C4T1 Fl. 48.349 5 Diz a autuada: [...] conforme se observa do art. 3o da Lei n° 7.980 de 12 de dezembro de 2001, que institui o Programa Desenvolve, o incentivo tem por finalidade a instalação de novas indústrias e a expansão, reativação ou modernização de empreendimentos já instalados, dentre outras finalidades, portanto, com evidente natureza de subvenção para investimento. Portanto, a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2011 e do Decreto nº 8.205/2002, teve o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado. Esta intenção está expressamente declarada no artigo 3o da Lei e 1º do Decreto. No mesmo sentido, o Decreto n° 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial, alcançando os objetivos estabelecidos pela Lei n° 7.980/2001. Especificamente sobre o incentivo concedido do âmbito do programa Desenvolve do Estado da Bahia, continua, diz que no acórdão CSRF nº 910101.239, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse em favor da classificação do incentivo como tendo a natureza de subvenção para investimento. Da mesma forma teria sido o entendimento da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF formalizado no acórdão nº 1202000616. Cita a contribuinte também julgado da 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF no sentido de reiterar que a caracterização do incentivo como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva dos recursos a projeto de investimento predeterminado. A impugnação transcreve ementas e trechos das citadas decisões administrativas e conclui: Assim, na esteira do entendimento já firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e pela eg. Câmara Superior de Recursos Conselho, a caracterização de subvenção para investimento não depende da vinculação à aplicação dos recursos recebidos em empreendimentos, mesmo porque, a comprovação dessa vinculação é impossível para o beneficiário que recebe o incentivo em um determinado momento e investe em outro. Com efeito, demonstrados a intenção e o propósito do Estado da Bahia, especificamente no caso do Programa Desenvolve, que a transferência dos recursos é concedida como um estímulo à implantação ou expansão de um empreendimento econômico, deve ser enquadrado como subvenção para investimento. Cumpre destacar, ainda, que a própria fiscalização reconhece que o Desenvolve tem natureza de subvenção para investimento, é o que fica evidenciado pelas conclusões que faz nos itens 54 e 55 (págs 28 e 29/46) do Termo de Verificação Fiscal, quando trata da hipótese de exclusão dos valores recebidos do Desenvolve da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS. Na sequência, a impugnante anota ter atendido estritamente o disposto na legislação fiscal para fins de ver não tributado o valor das subvenções para investimentos, nos termos dos requisitos incluídos no art. 38 do DecretoLei n° Fl. 48351DF CARF MF 6 1.598/77, na redação que lhe foi dada pelo Decretolei n° 1.730/79 e art. 443 do RIR/99, com as alterações trazidas pela Lei n° 11.638/2007. Detalha, assim, ter procedido eu de acordo com art. 18 da Lei n° 11.941/09, tendo contabilizado os valores da subvenção em conta de resultado. Posteriormente, para fins de apuração do lucro real, procedeu à exclusão dos valores na parte B do LALUR, mantendo os valores em conta de reserva de lucros. Ato contínuo, para atendimento do disposto na legislação, teria registrado os valores em conta de reserva de capital até a sua efetiva capitalização. Com apoio no disposto no art. 177 da Lei nº 6.404, de 1976, conclui: Assim, resta como condição para a não tributação das subvenções tãosomente o requisito de que os valores recebidos a este título não sejam distribuídos aos sócios. Portanto, ainda que a contabilização seja procedida em conta resultado, desde que os valores recebidos a título de incentivos fiscais não sejam distribuídos aos acionistas, podem ser excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do que dispõem o art. 38 do DecretoLei n° 1.598/77 e o art. 177 da Lei n° 6.404/76, incluído pela Lei n° 11.638/2007. Por fim, contesta a imposição da multa isolada nos seguintes termos: A exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, decorre do ajuste na base de cálculo procedido pela d. fiscalização em função da exigência consubstanciada no auto de infração (Exclusão indevida do Lucro Real), em razão da descaracterização do Programa de Desenvolvimento Industrial e Integração Econômica Desenvolve, como subvenção para investimento. Com efeito, não houve falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, sendo, portanto, inexigível a multa capitulada no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Portanto, a improcedência da infração relativa à exclusão indevida de receita da apuração do IRPJ e da CSLL, relativa ao valor referente aos recursos auferidos com o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia Desenvolve é causa determinante para o cancelamento da multa isolada. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão de primeiro grau (fls. 48.10548.122), negou provimento à impugnação nos seguintes termos de sua ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. PROGRAMA DESENVOLVE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não estritamente atrelados a implantação ou a expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que não se reveste das características próprias das subvenções para investimento, devendo ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 48352DF CARF MF Processo nº 13502.721088/201400 Acórdão n.º 1401002.102 S1C4T1 Fl. 48.350 7 Em se tratando de exigência reflexa de contribuição que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente. REGIME DE ESTIMATIVA. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Verificada a falta de pagamento do IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, pela pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal, após o término do anocalendário, é cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre os valores devidos e não recolhidos, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, por expressa determinação normativa. Em apertada síntese, a autoridade julgadora, descreve a legislação relativa ao programa de incentivo estadual da Bahia (Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE). Posteriormente, apresenta a legislação tributária (art. 392, I, e 443 do Decreto 3000/99) pertinente ao tema dos recursos recebidos a título de subvenções de investimento e para custeio. Também transcreve o art. 18 da Lei 11.911/2009. Após mais algumas transcrições de doutrina e de pareceres normativos, concluiu que o benefício não se enquadra no conceito de subvenção para investimento passível de exclusão da base de cálculo do IRPJ, pois não se "visualizou qualquer vínculo entre os recursos advindos dos incentivos fiscais e sua aplicação efetiva e específica em bens e direitos ligados à implantação ou expansão do empreendimento econômico beneficiado". Mais adiante, repisa a necessidade de sincronia entre a obtenção dos recursos e a realização dos investimentos. Também merece destaque o seguinte trecho da decisão que transcrevemos na sua literalidade: Observese que a leitura do artigo 3º da Lei nº 7.980, de 2001, que instituiu o programa Desenvolve deixa claro que o incentivo em foco foge ao conceito de subvenção para investimento ao colocar como uma das suas finalidades a redução de custos de produtos ou processo já existentes, admitindo, portanto, a fruição do benefício por empresa que já esteja devidamente instalada e em funcionamento, com o objetivo de reduzir os seus custos de produção, assumindo, claramente, a característica de subvenção para custeio. O Regulamento do Programa, aprovado pelo Decreto nº 8.205, de 2002, também não impõe a efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos na implantação ou expansão da indústria. Não é difícil constatar que o incentivo fiscal como desenhado pelo Estado da Bahia permitia à subvencionada liberdade na destinação dos recursos de renúncia fiscal o que desnatura o incentivo como sendo subvenção para investimento, nos exatos termos do entendimento administrativo fixado no Parecer nº 112, de 1978. Por fim, manteve também as multas isoladas. Fl. 48353DF CARF MF 8 DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 48.135 a 48.150. Na referida peça, a defesa não só reiterou as razões apresentadas na impugnação relativamente à caracterização do benefício obtido do Estado da Bahia como subvenção para investimento e também quanto às multas isoladas, como o fez de forma literal. Razões finais Posteriormente, em 25 de julho de 2017, após, portanto, o prazo para apresentação a interposição do recurso voluntário, a defesa apresenta a peça de fls. 48.193 a 48.212, a qual intitula por "Razões Finais". Nela reitera os argumentos apresentados no recurso voluntário, mas também outros não consignados anteriormente. Abaixo, os cito: a) No acórdão 9101001.239, a Câmara Superior fixou o entendimento de que o Programa DESENVOLVE da Bahia se caracteriza como subvenção para investimento; b) Pela legislação de regência, os recursos públicos são transferidos apenas para as pessoas jurídicas com projetos aprovados e efetivamente investidos no seu parque industrial com rígida fiscalização para verificar a implantação dos projetos; c) No caso específico do contribuinte, a aplicação dos recursos foi confirmada pela fiscalização da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Empreendimentos do Estado da Bahia É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator PRELIMINAR Conhecimento das "razões finais" No primeiro julgamento, suspenso em razão de pedido de vistas, havia me posicionado pelo não conhecimento das "razões finais" apresentadas, uma vez que não existe no rito do processo administrativo fiscal previsão para apresentação de tal peça. Após a ciência da decisão de primeiro grau, o sujeito passivo tem o prazo de 30 dias para o oferecimento de recurso voluntário para fins de contraditar a manifestação decisória. Ademais, no recurso voluntário, o recorrente não pode aduzir matérias não Fl. 48354DF CARF MF Processo nº 13502.721088/201400 Acórdão n.º 1401002.102 S1C4T1 Fl. 48.351 9 apresentadas na impugnação. É a peça inaugural de defesa perante a autoridade julgadora de primeira instância que define a lide. Evidentemente, em razão do princípio do contraditório e da ampla defesa, no recurso voluntário o contribuinte pode se contrapor originariamente às razões aduzidas pela autoridade julgadora. O mesmo se diga em relação a resultados de diligência. Nada obstante, entre o recurso voluntário e a intitulada "razões finais", constatei a inexistência de incidentes processuais. Também havia considerado não ser possível o enquadramento nas hipóteses previstas no § 4º, art. 16 do Decreto nº 70.235/72, o qual transcrevemos abaixo: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nada obstante, após ouvir as considerações dos demais Conselheiros, principalmente aquelas colocadas pelo Senhor Presidente e pelo Ilustre Conselheiro Daniel, revi minha posição para considerar que a decisão proferida pela Câmara Superior e o ofício emanado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Empreendimentos do Estado da Bahia enquadrase na hipótese prevista na alínea "b" acima (fato ou direito superveniente), os devem ser, pois, conhecidos. Aqui, vale porém já deixar consignado que a defesa provavelmente errou o número do acórdão que milita a favor da sua tese. O de número 9101001.239, realmente se refere ao Programa DESENVOLVE e conclui com tese a seu favor, mas foi proferido em 21/11/2011 e, portanto, não se caracterizaria como fato superveniente. Nada obstante, a mesma posição foi adotada no ano passado no acórdão 9101002.335, este sim posterior ao recurso. MÉRITO Também naquela oportunidade, havia me manifestado no mérito em desfavor da defesa. Afinal, conforme o disposto no artigo 57 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao Fl. 48355DF CARF MF 10 início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. A esse artigo foi acrescido o § 3º pela Portaria MF nº 329, de 2017, com a seguinte redação. Abaixo, faço sua reprodução: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. Pois bem, no presente feito, o recurso voluntário não só deixou de apresentar novas razões de defesa, sua peça recursal é uma cópia literal da impugnação sem qualquer diálogo com a decisão que supostamente pretenderia contraditar. Assim, por concordar com a decisão recorrida, diante das razões apresentadas na impugnação e repetidas literalmente no recurso voluntário, a mantive. Nada obstante, passo a analisar o mérito em função dos novos pontos que conheci em sede preliminar. De fato, a Câmara Superior assim se manifestou acerca do Programa DESENVOLVE, no Acórdão 9101002.335, de 04/05/2016: SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Esperase que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo fixo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. PROGRAMA DO ESTADO DA BAHIA. INCENTIVOS FISCAIS. ICMS. ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS DE INFORMÁTICA, ELETRÔNICA E TELECOMUNICAÇÕES. ASPECTOS. NORMA EM TESE. AÇÕES DO SUBVENCIONADO. Dois aspectos que devem ser considerados para apreciação de valores subvencionados, (1) a norma em tese, no caso o Decreto Estadual nº 4.316, de 1995, do Governo do Estado de Bahia, que estabelece metas claras que permitem averiguar se, de fato, está se consumando a implantação ou expansão do empreendimento econômico por meio de mecanismos de controle e acompanhamento do projeto, e (2) as ações do ente subvencionado promovendo incrementos no ativo fixo, convergem no sentido de que os valores transferidos pelo subvencionador encontramse efetivamente destinados à expansão do parque industrial, razão pela qual são subvenções para investimento. Fl. 48356DF CARF MF Processo nº 13502.721088/201400 Acórdão n.º 1401002.102 S1C4T1 Fl. 48.352 11 No voto condutor, foi analisada a legislação do Estado da Bahia nos seguintes termos: Da análise dos dispositivos da norma, entendo que o diploma trata não apenas a intenção do Estado da Bahia, mas também estabelece mecanismos de acompanhamento para a execução do projeto. Dispõe como condição a necessidade a evolução da produção da unidade subvencionada, com estabelecimento de percentuais crescentes a cada ano, de maneira objetiva. Tratase de meta consoante com a expansão do empreendimento econômico. E estabelece mecanismo de controle ao predicar que a habilitação junto á Secretaria da Fazenda deverá ser renovada anualmente, e que o estabelecimento industrial que não atender às condições do decreto terá cassada a sua habilitação. Estabelece, subsidiariamente, que poderão ser instalados projetos com investimento mínimo de R$50.000.000,00 milhões de reais para a consecução das metas estabelecidas. Ainda, o art. 9ºA, apesar de editado em anocalendário posterior ao da autuação fiscal (2004), reforça a diretriz do ente subvencionador visando a implantação ou expansão do empreendimento, ao estabelecer novas condições, dentre as quais se inclui a realização de investimento mínimo de 70% do projeto industrial. Posteriormente, o voto seguiu para a verificação fática, a qual é peculiar em cada um dos processos e, portanto, passamos a empreendêla aqui. De fato, o contribuinte trouxe aos autos (fl. 48.236), cópia de ofício da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado da Bahia, em que se atesta o cumprimento das exigências de investimento do Programa DESENVOLVE. Também constam dos autos minucioso projeto de investimento da PROQUIGEL, datado de agosto de 2005 (fls. 48.248 e seguintes), e outro de ampliação do projeto (fls. 48.295 e seguintes) datado de março de 2012, ambos em protocolos de intenção com o Governo da Bahia. O valor autuado pela fiscalização a título de subvenção foi de R$ 17.478.706,91 para o anocalendário de 2010 (fl. 4), ao passo que o valor do imobilizado aumentou no mesmo período um montante muitas vezes superior no total de R$ 135.600.709,28, correspondente à diferença entre R$ 555.601.002,52 e R$ 420.000.293,24 (conforme valores da DIPJ às fls. 47.452). Para mim, não restam dúvidas de que os valores autuados foram dirigidos para o aumento do parque industrial do contribuinte, o que, em consonância com a jurisprudência da CSRF específica para a legislação da Bahia, comprova cabalmente o cumprimento dos requisitos para enquadrar a quantia usufruída como subvenção para investimento. Deve, portanto, ser afastada a inclusão desses valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Multa isolada Fl. 48357DF CARF MF 12 Uma vez que o lançamento de multa isolada toma por base os mesmos fatos, deve ser afastada também por decorrência. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 48358DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.987784/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.987784/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.966 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria Restituição Recorrente CAMARGO & VARGAS G4 CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 84 /2 01 2- 10 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987784/201210 Acórdão n.º 1401001.966 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987784/201210 Acórdão n.º 1401001.966 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987784/201210 Acórdão n.º 1401001.966 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.905497/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2009
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.812
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2009 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo.
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A. MACIEL EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2009 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Apresentado o recurso após este prazo, o mesmo não poderá ser conhecido em razão de intempestividade. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo. Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, referente ao PER/DCOMP transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 54 97 /2 01 2- 59 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10183.905497/201259 Acórdão n.º 3402004.812 S3C4T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi INDEFERIDO. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, alegando que, ao solicitar a restituição do valor pago indevidamente pago não foi feita a retificação da DCTF pertinente, portanto, não houve a exclusão do débito declarado erroneamente na DCTF. Em seguida, resume assim os seus pontos de discordância: a) foi localizado o pagamento do crédito pleiteado; b) não há débito referente ao crédito em questão, conforme comprova DCTF retificadora em anexo. Ao final, demonstrada a improcedência do indeferimento de seu pleito, requer seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ julgou improcedente a impugnação apresentada. Irresignado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo as razões de sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.801, de 13 de dezembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10183.905472/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.801): "O presente Recurso Voluntário é manifestamente intempestivo, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/73, verbis: Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10183.905497/201259 Acórdão n.º 3402004.812 S3C4T2 Fl. 4 3 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Compulsando os autos,verificase que no AR da intimação do resultado de julgamento junto à DRJ consta a seguinte data de recebimento (fl.26): Por outro lado, a data da apresentação do Recurso Voluntário consta em fl.29: Há entre essas duas datas o transcurso de um prazo superior aos trinta dias determinados pelo art. 33 do Decreto regente do processo administrativo fiscal, não vislumbrando este relator qualquer motivo que justifique a interposição extemporânea do presente Recurso. Desse modo, voto por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto." Importante consignar que a data de ciência do Acórdão da DRJ, bem como de interposição do Recurso Voluntário nos autos ora em apreço, são idênticas às identificadas no processo paradigma. Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10183.905497/201259 Acórdão n.º 3402004.812 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100044/2006-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado H. KUNTZLER & CIA. LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 00 44 /2 00 6- 02 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11065.100044/200602 Acórdão n.º 9303005.602 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3301002.122, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre as aquisições de equipamentos de proteção individual; · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais. No recurso especial, a PFN insurgese contra o reconhecimento do direito de crédito sobre os itens acima identificados. Seu principal argumento é o de que tais insumos não foram diretamente utilizados na fabricação do produto, não podendo, desta forma, originar créditos da contribuição. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho do Presidente da Câmara competente e a contribuinte apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.601, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 11065.003652/200581, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.601): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou o conceito intermediário de insumos, de molde a permitir o creditamento sobre alguns gastos realizados pela contribuinte, o segundo paradigma, o Acórdão de nº 20219.127, aplicou o conceito mais estrito, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB. Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11065.100044/200602 Acórdão n.º 9303005.602 CSRFT3 Fl. 4 3 Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11065.100044/200602 Acórdão n.º 9303005.602 CSRFT3 Fl. 5 4 Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Câmara baixa reconheceu o crédito de PIS/Cofins sobre os gastos com o tratamento de resíduos industriais e com os equipamentos de proteção individual. A contribuinte dedicase à atividade de fabricação de calçados. Para tanto, sustenta ser obrigada, por lei, a fazer tratamento de seus resíduos industriais, o que faz através da contratação de empresa especializada. Ora, o fato de ser obrigada, por lei, a fazer o adequado tratamento de seus resíduos industriais – muitas outras obrigações legais têm as pessoas jurídicas, nem por isso podem se enquadrar como insumos –, não acarreta, por consequência lógica inarredável, o creditamento sobre os gastos assim realizados. Ainda que não se aplique, no conceito de insumos, o próprio da legislação do IPI, não se pode adotar, como regra, aquele que alcance gastos só efetuados após a conclusão do processo produtivo, dado que não aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de seus produtos. Insumo, é até desnecessário enfatizar, só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo. Contudo, concordamos, pelos motivos que aqui vimos de adotar, que os gastos realizados na aquisição de equipamentos de proteção individual sejam considerados insumos para o efeito da legislação do PIS/Cofins não cumulativo, conforme esta mesma Turma recentemente decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.192, de 17/05/2017). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais." Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11065.100044/200602 Acórdão n.º 9303005.602 CSRFT3 Fl. 6 5 A declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello não foi transcrita neste voto, pois o entendimento defendido foi vencido na votação, não se aplicando à solução do litígios deste processo (entendimento no sentido de reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais, em razão de atender ao critério da necessidade/essencialidade com o processo produtivo). Todavia, a declaração de voto consta, na sua íntegra, do acórdão do processo paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 298DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002029/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2201-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre a intimação dos cotitulares.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Relatório
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre a intimação dos cotitulares. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão de n° 0810.929, proferido pela DRJ Fortaleza em 14/06/2007, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte. O relatório da decisão de primeira instância é elucidativo e sintetiza o procedimento fiscal e o processo administrativo fiscal até a fase de impugnação, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 02 9/ 20 03 -1 3 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 19515.002029/200313 Resolução nº 2201000.293 S2C2T1 Fl. 258 2 “Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, fls. 194/199, referente ao anocalendário de 1998, para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 59.952,79, incluído multa de ofício e juros de mora, estes calculados até 30/04/2003. O autuante descreve a infração apurada da seguinte forma: Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme termo de verificação fiscal, cujos fatos geradores, valores tributáveis e multa aplicada estão discriminados às fls. 197. Enquadramento legal: Art. 42 da Lei n° 9.430/96; Art. 4o da Lei n° 9.481/97; Art. 21 da Lei n° 9.532/97. Encontrandose o enquadramento legal da multa e dos juros de mora no demonstrativo de fls. 195. Foi anexado pelo autuante ao processo objeto do Auto de Infração acima, extrato do contribuinte (fls.09), declaração de ajuste anual simplificada (fls. 10/11), dossiê do contribuinte PF (fls. 12/29), termo de início de fiscalização (fls.31), cópias do extrato de conta corrente do Bradesco (fls. 33/49), termo de prosseguimento da ação fiscal (fls.50), termo de intimação (fls.52/59), relatórios descritivos dos depósitos bancários e documentos anexos (fls. 60/187), e termo de verificação fiscal (fls. 191/193). Cientificado do referido Auto de Infração do qual tomou ciência em 26/05/2003 (fls. 196 e 199), o contribuinte apresentou impugnação em 24/06/2003 (fls. 201). A DRJ Fortaleza (fls.230/235) julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, em decisão que restou assim ementada: Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários Caracteriza omissão de rendimentos, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte foi cientificado do acórdão de piso no dia 16/09/2008 (fl.243), tendo apresentado Recurso Voluntário (fls.246/254), tempestivamente, no dia 15/10/2008, alegando, em síntese, que: O exame da impugnação apresentada em sede de defesa, está a revelar que o ora recorrente, demonstrou documentalmente, que a instituição financeira, na qual matinha contas correntes, qual seja, o Banco BRADESCO S.A., incorreu em patente equivoco, ao comunicar a Secretaria da Receita Federal, que houve incremento artificioso do movimento depósitos efetuados, qual seja, 41% (quarenta e um por cento) do total por conta do FAQ. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19515.002029/200313 Resolução nº 2201000.293 S2C2T1 Fl. 259 3 Igualmente consignou expressamente, que a conta corrente onde se deram maiores movimentações financeiras, possui 02 (dois) titulares, e não apenas um correntista como equivocadamente o Banco BRADESCO S.A., inveridicamente informou ao órgão de arrecadação tributária. Tais assertivas cuja veracidade é insuscetível de questionamentos outros, foram devidamente comprovadas pelos documentos carreados à impugnação de fls., consistentes em “Declaração da Dupla Titularidade da Conta Corrente existente iunto ao Banco BRADESCO S.A.no “Termo de Verificação Fiscal, e, no documento comprobatório dos “Lançamentos Bancários das Contas do Ano Base de 1998". Sucede Senhores Julgadores, que o recorrente, por força do Mandado de Procedimento Fiscal n.: 08.1.90.002002034963, foi autuado sob os auspícios de possível omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, consistente em valores de depósitos mantidos em instituições financeiras, que não teriam sido objeto de comprovação mediante documentação hábil e idônea a origem de parte dos recursos utilizados nestas movimentações financeiras, considerandose como data ensejadora do fato imponível o dia 31 de dezembro de 1998, imputandolhe como tributável o valor de R$ 93.698,40 (noventa e três mil, seiscentos e noventa e oito reais e quarenta centavos), e multa quantificada à razão de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o montante, em tese, suscetível de tributação. Em que pese o trabalho desenvolvido pelo Senhor Auditor Fiscal, o auto de infração e imposição de multa de natureza regulamentar ora guerreado, não merece prosperar, posto que sua manutenção estaria a evidenciar total ausência de legalidade, e evidente cerceamento ao direito de defesa do ora recorrente. O que vale dizer, o recorrente, atendendo ao disposto no Termo de Intimação que fora lavrado pelo Senhor Auditor Fiscal, procedeu a entrega dos documentos comprobatórios que atestam indubitavelmente que o Banco BRADESCO S.A., enviou errôneo documento à Secretaria da Receita Federal, ensejando a presunção de que a conta corrente objeto de verificação seria apenas e tão somente de titularidade de uma pessoa física, in casu, o signatário do presente Recurso Voluntário. Evidentemente, no caso em tela, o Senhor Auditor Fiscal, deixou de observar não só a natureza, mas também as circunstâncias materiais do fato, a natureza da infração e a extensão dos seus efeitos, entendendo por penalizar sobremaneira a contribuinte. O que vale dizer, o recorrente após regularmente cientificado, imediatamente procedeu a exibição dos documentos comprobatórios relativos a movimentação financeira, os quais, comprovaram por meio das fichas de depósitos a perfeita consonância com os valores existentes na conta corrente e as correspondentes duplicatas/faturas e. igualmente. as notas fiscais de compras de materiais. Logo, o fato de ter o recorrente atendido a contento ao deliberado, jamais poderia ser condição para a lavratura do Auto de Infração e Imposição de Multa de Natureza Regulamentar, imputandolhe a Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.002029/200313 Resolução nº 2201000.293 S2C2T1 Fl. 260 4 obrigação de pagamento de sanção de natureza pecuniária e consequentemente a indigitada multa quantificada à razão de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o suposto crédito tributário apurado, cujos aspectos, devem ser objeto de reexame por este Egrégio Conselho de Contribuintes. De mais a mais, ao noticiar o erro praticado pela instituição financeira e como tal, informar que uma das contas correntes verificadas quando da ação fiscal era de “dupla titularidade”, sendo o seu cotitular o Senhor Luciano Guimarães, evidentemente o Senhor Auditor Fiscal, s.m.j., incorreu em patente equívoco, na medida em que, deixou de chamar a pessoa física do cotitular da indigitada conta corrente, no mínimo, a prestar esclarecimentos pelas movimentações financeiras que também realizou, evidenciando, sem sombra de dúvidas, a hedionda hipótese de cerceamento ao direito de defesa. Destarte, demonstradas as razões de fato e de direito, que dão conta da flagrante e evidente ilegalidade do Auto de Infração e Imposição de Multa, decorrente do cerceamento ao direito de defesa, cumpre ao recorrente tratar. Por fim, requer: Determinar a desconstituicão e anulação do Auto de Infração em questão, frente ao cumprimento das determinações emanadas quando da intimação em sede de comprovação da origem dos valores creditados/depositados em conta corrente de dupla titularidade, existente em seu nome e em nome de Luciano Guimarães, imediatamente após a lavratura do Termo de Intimação, com a conseqüente liberação e desoneração do recorrente do pagamento consistente no lançamento do crédito tributário atinente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF incidente sobre o valor tributável lançado em data de 31 de dezembro de 1998. bem como da multa quantificada à razão de setenta e cinco pontos percentuais incidente sobre o indiqitado valor do imposto lançado, bem como pela flagrante ocorrência de cerceamento ao direito de defesa na medida em que o cotitular da indigitada conta corrente não foi regularmente intimado a prestar os devidos esclarecimentos, reformandose, na totalidade os termos constantes no venerando acórdão ora guerreado. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conversão em Diligência O recorrente elege como pontos fulcrais do seu inconformismo as alegações de que: comprovou a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente; que a Fiscalização Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.002029/200313 Resolução nº 2201000.293 S2C2T1 Fl. 261 5 considerou valores que não representaram ingresso de numerário em sua conta corrente, como o FAQ do Banco Bradesco; e que a conta corrente possui um cotitular, Sr. Luciano Guimarães, incorrendo em patente equívoco a autoridade lançadora, ao não intimar o cotitular para prestar esclarecimentos pelas movimentações financeiras que também realizou. A decisão recorrida nada mencionou acerca da necessidade de intimação do co titular. A existência de cotitularidade é matéria incontroversa, eis que expressamente mencionada pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal de fls. 191/193. Em sede de impugnação, o recorrente carreou aos atos declaração do Banco Bradesco S/A (fl.201), para comprovar a cotitularidade de Luciano Guimarães, inscrito no CPF sob o nº 090.822.958 57. Compulsandose os autos, não se verifica a existência da intimação do cotitular. A necessidade de intimação dos cotitulares das contas bancárias é matéria sumulada neste Conselho, conforme se verifica pela Súmula n° 29 abaixo transcrita: Súmula CARF n° 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Considerando a aplicação vinculante do Enunciado de Súmula CARF n.° 29, bem como o entendimento adotado pela Câmara Superior, a ausência de intimação dos co titulares, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, enseja a nulidade do lançamento (exclusão da base de cálculo dos depósitos bancários da totalidade dos valores depositados nas contascorrentes conjuntas), como se extrai da ementa abaixo transcrita (Acórdão n.° 9202003.742): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM IDENTIFICAÇÃO DE ORIGEM. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. Todos os cotitulares da conta bancária, que não apresentem declaração em conjunto, devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos, na fase que precede à lavratura do Auto de Infração com base na presunção legal de omissão de rendimentos, sob pena de exclusão dos respectivos valores da base de cálculo da exigência (Súmula CARF Vinculante n°29, de 2009). Recurso Especial do Procurador negado Nesse contexto, como a questão envolve inclusive matéria a ser conhecida de ofício, por atingir a base de cálculo do tributo, conheço dos argumentos expendidos no Aditamento ao Recurso Voluntário interposto fora do prazo legal para apresentação de defesa. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora se pronuncie sobre existência ou não de intimação do cotitular das contas bancárias objeto da autuação; e, caso tenham sido realizadas as intimações, que elas sejam juntadas aos autos para a observância das suas datas. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.002029/200313 Resolução nº 2201000.293 S2C2T1 Fl. 262 6 (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900019/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO.
Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos.
Numero da decisão: 1402-002.805
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 00252.36805.301203.1.3.04-0769, bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PER/DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO. DÉBITO INFORMADO INDEVIDAMENTE. CANCELAMENTO. Comprovado nos autos, inclusive por diligência realizada pela Autoridade Fiscal, que os débitos apurados pelo contribuinte em seus livros auxiliares e registros contábeis estão todos satisfeitos, com consequente extinção do crédito tributário, lícito presumir que o PER/DCOMP foi equivocadamente apresentado, impondo seu cancelamento, sob pena de eventual inscrição em dívida ativa e execução de valores indevidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos,, dar provimento ao recurso voluntário para determinar o cancelamento do PER/Dcomp 00252.36805.301203.1.3.040769, bem como de seus efeitos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse suspeito o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 19 /2 00 8- 16 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 335 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 336 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 26 de junho de 2009 (fls. 113/116)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação pleiteada (nº de rastreamento 745564893 – 14/02/2008 fls. 5) e PER/DCOMP nº 00252.36805.301203.1.3.04 0769 (fls. 4), referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003: Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 9/10) onde pontuou ser “tributada pelo Lucro Real, com base no Balanço Geral Anual”; que, “levanta mensalmente balanço de redução ou suspensão de imposto à pagar, tendo recolhido todos os 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 337 4 meses que acusaram valor à pagar”; que, “tratase de preenchimento e entrega indevida do PER/DCOMP”; e que, “como recolhe por suspensão ou redução, este contribuinte deveria ter considerado o montante de imposto já pago durante o exercício em curso, simplesmente como dedução e não como crédito contra à SRF, que foi seu procedimento errôneo no PER/DCOMP em causa. Assim esse PER/DCOMP nem deveria ter sido apresentado”. E segue assentando que “só está obrigado a apresentar o PER/DCOMP o contribuinte que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, e que desejar utilizálo na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pelo órgão”; e que, “no caso deste contribuinte tratase simplesmente de dedução e não crédito contra a SRF a ser restituído, ressarcido ou compensado”. E conclui aduzindo que se está diante de “PER/DCOMP vazio” e que, “todo imposto devido em cada período de apuração foi pago conforme comprovam as guias de pagamento e documentos anexos”. Apreciando a MI, a 5ª Turma da DRJ/RPO negou o pedido, pontuando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Textualmente: “Nesse contexto, portanto, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo de CSLL, são indispensáveis para que se comprove a alegação aqui firmada pela contribuinte. Registrese que a contribuinte deve vincular, em sua escrita contábil/fiscal, o recolhimento visando quitar obrigação tributária a uma certa apuração, que constitua sua causa (fato gerador), demonstrando a regular composição da respectiva base de cálculo tributável. E, no presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com essa intenção, limitandose tão somente a apresentar cópias de documentos de arrecadação, os quais se mostram, por si só, insuficientes a dar respaldo a suas alegações”. O Acórdão combatido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Solicitação Indeferida Cientificada em 13/10/2009 (fls. 119), a contribuinte acostou recurso voluntário em 09/11/2009 (fls. 120) no qual basicamente repetiu os argumentos expostos na impugnação Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 338 5 inaugural, acrescentando que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Além disso, anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos e, ao final, tornou a pedir que se constate a inexistência do débito. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.037, de 01/04//2011 – fls. 189/190) em manifestação vazada nos seguintes termos: “Considerando que a Recorrente reconhece, em suas razões, a inexistência de crédito passível de compensação, resta definir se deve ser ou não cancelada a cobrança do débito declarado sob o código 2484 relativo à CSLL, com vencimento em 30 de dezembro de 2003. A identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, cujas cópias foram trazidas à colação, constituem forte indício de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Cumprida a diligência, com a Informação Fiscal de 04/05/2016 (fls. 318/319), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 339 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 13/10/2009 – fls. 119 e protocolização da peça recursal em 09/11/2009 – fls. 120), a representação do contribuinte está corretamente formalizada (fls.121/122) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Não há preliminares a enfrentar. Passo ao mérito. Na verdade, diante do que foi relatado, o que se discute nestes autos não é o improvimento do pedido de compensação, já que o próprio recorrente reconhece, explicitamente, ter cometido equívoco na transmissão do PER/DCOMP nº 00252.36805.301203.1.3.040769 (fls. 4), referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003, MAS se o DÉBITO informado na compensação pode ser cancelado nesta fase processual. Em outro dizer, não há compensação em litígio, resumindose a lide em discutir o pedido de cancelamento do débito informado na compensação. Foi neste contexto que a então 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul analisou e converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1102000.037, de 01/04/2011 – fls. 189/190), tendo a Relatoria original já se manifestado, previamente, no sentido de que “a identidade das informações prestadas na DIPJ e registradas no Livro de Registro de Apuração do Lucro Real, cujas cópias foram trazidas à colação, constituem forte indício de que inexistente o débito confessado em PER/DCOMP, contudo, julgo necessária a conversão do feito em diligência para que seja confirmada a inexistência de débito, mediante análise dos livros fiscais da Recorrente, e da DCTF correspondente, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício”. Na Informação Fiscal (fls. 318/319), o autor do procedimento de diligência, conclusivamente, assentou que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no ano calendário de 2003 foram efetivamente pagos, de modo que seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados, constatação que se fez à vista da escrita contábil e fiscal e demais documentos apresentados pelo sujeito passivo. A Informação Fiscal supra mostra o cenário: “Os resultados contábeis dispostos no LALUR foram confrontados com a contabilidade, notadamente com os balancetes mensais que integram o Livro Diário, e as exclusões ao Lucro Real foram verificadas neste mesmo livro (foram incluídas no processo as contas de resultado dos balancetes). Deste procedimento, foi possível concluir que os valores do IRPJ e da CSLL por estimativa devidos no decorrer do anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal, são os seguintes: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 340 7 Estes valores, por sinal, estão grafados nas contas “I.R.P.J S/ LUCRO REAL” e “CONTR. SOCIAL S/ LUCRO REAL” do Livro Razão. Há pagamentos correspondentes, conforme atestam telas extraídas dos sistemas da RFB. Os montantes informados em DCTF são incongruentes com a escrita contábil e fiscal, em sintonia com os equívocos cometidos como informa, aliás, o próprio contribuinte na sua manifestação de inconformidade e em seu recurso voluntário ao CARF. Assim, pelo exposto, em atendimento à demanda do CARF, concluo que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, são aqueles dispostos na “Tabela 2” acima, para os quais existem pagamentos correspondentes. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP que geraram os processos administrativos de nos. 10855.900002/200869, 10855.900005/200801, 10855.900006/200847, 10855.900008/200836, 10855.900015/200838, 10855.900017/200827, 10855.900019/200816, 10855.900025/200873, 10855.900029/200851, 10855.900030/200886, 10855.900035/200817, 10855.900040/200811 e 10855.900041/200866”. (negritado). Em suma, a diligência determinada confirmou e atestou, à vista da escrituração e documentos acostados pelo recorrente, que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo os do presente. Nesse eito, considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa, o que se revela absolutamente desconexo e inoportuno. Demais disso e adicionalmente este Relator compulsou o processo e confirmou que os valores apontados pelo recorrente e atestados pela diligência têm coerência com os registros contábeis e fiscais e consistência com a DIPJ e DARF acostados aos autos. Vejase (CSLL devida por estimativa – novembro/2003): Ø DIPJ Ficha 16 – linha 10 (fls. 61): Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 341 8 Ø Livro Razão (fls. 285): Ø Lalur (fls. 168): Ø DARF recolhido (fls. 184): Nesse patamar, a posição defendida pelo recorrente se robustece. Entretanto, antes de finalizar este voto é preciso enfrentar posicionamento dos que entendem que o cancelamento ou retificação de PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte exige a apresentação desse pedido [de cancelamento] antes da decisão administrativa sobre a homologação. Essa a linha defendida inclusive pela D. PGFN em alguns dos vários processos2 anteriores envolvendo o próprio recorrente, tratando da mesma matéria, e que, após 2 Processos nºs 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/200815, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 342 9 procedimento de diligência semelhante ao aqui estampado, foram decididos favoravelmente ao sujeito passivo. Esse cenário se mostra presente, por exemplo, no PA nº 10855.900742/200803, tendo a Fazenda Nacional se insurgido contra a decisão do Colegiado (especificamente a 2ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Sejul) interpondo Recurso Especial (admitido e ainda aguardando apreciação pela E. CSRF) e no qual a PGFN sustentou, depois de acostar decisões divergentes, que a Lei nº 9.430/1996 e a IN RFB nº 900, de 2008, definem haver previsão legal para o cancelamento da PER/DCOMP por iniciativa do contribuinte, porém desde que o procedimento ocorra antes do Despacho Decisório. Literalmente, a manifestação da PGFN em RE manejado no mencionado processo (fls. 507, daqueles autos): “Esta lógica do sistema também vem disposta no art. 77 da Instrução Normativa n° 900, de 30 de dezembro de 2008: “o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador”. (g.n) No presente caso, o contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 24/04/2008 e apresentou manifestação de inconformidade pretendendo o cancelamento da compensação do débito de IRPJ em 20/05/2008. Dessa forma, se for cancelada a declaração de compensação na forma como está nos autos, haverá flagrante violação ao princípio da isonomia, pois de todos os demais contribuintes é exigida obediência ao procedimento constante da legislação, não existindo qualquer justificativa que autorize abrir exceção para a recorrida”. De fato, a leitura literal e formalista dos textos citados pode levar à posição assumida pela PGFN. Entretanto, no caso concreto, TODOS os documentos e a situação fática estampada revelam tratarse de evidente erro do contribuinte na elaboração e transmissão do PER/DCOMP, gerando, a princípio, uma compensação que, por falta de crédito correspondente que a suportasse, acabou por ser não homologada, levando ao nascimento de uma obrigação tributária contra o sujeito passivo em face da natureza de “confissão de dívida” de que se reveste a DCOMP. Pois bem, é evidente que quaisquer trabalhos, manuais, científicos, técnicos, burocráticos, etc., exercidos por seres humanos, sujeitamse a “erros”, consequência natural da falibilidade que é inerente à espécie, de modo que, não aceitar que possam ser corrigidos significaria absoluto despropósito, desde que obedecidas as regras e normas que definam como estas correções se processem. No âmbito do direito administrativofiscal federal envolvendo as “declarações de compensações”, matéria ainda muito longe de ter seu procedimento devidamente pacificado e consolidado, bastando ver as inúmeras decisões e regramentos que tratam do tema, temse que, por ser confissão de dívida, as DCOMP não homologadas devem ser retificadas, alteradas, corrigidas até o momento em que exarado o Despacho Decisório Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 343 10 (DD) pela autoridade competente para apreciar o pedido, no caso, o titular da Unidade de origem (DRF), havendo, inclusive, a possibilidade de que o contribuinte, ANTES do DD, regularize eventuais pendências na DCOMP, na forma prevista pela Nota Corec nº 30, de 2013. Porém, no caso concreto, NÃO ESTÁ em julgamento um eventual direito creditório do contribuinte que tenha sido indeferido, MAS, um débito tributário surgido pela não homologação da compensação, PORÉM JÁ SATISFEITO, digase, extinto. Dizendo de forma diversa e como bem apontado pelo Acórdão nº 1102 001.270, da então 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Sejul, sessão de 27/11/2014 – Processo nº 10855.900742/200803 em face do mesmo contribuinte, com voto condutor do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio: “Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. (...) Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação”. Em suma, naquele processo, como neste, NÃO HÁ DÉBITO ORIUNDO DE COMPENSAÇÃO em litígio, mas mera informação equivocada do recorrente que, mesmo não tendo seguido a rigidez formal de requerer a retificação ou mesmo o cancelamento da DCOMP antes do Despacho Decisório, só o fazendo a posterior, não pode ser penalizado com o prosseguimento de um feito que poderá levar ao extremo de uma execução fiscal, SEM QUE HAJA DÉBITO DE TRIBUTO, posto que já recolhido.. A propósito, a própria Administração Tributária Federal, mediante Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, enfrentou o tema com a seguinte posição conclusiva (destaques acrescidos): 46. Tratase, neste ponto, de analisar a possibilidade de rever de ofício despacho decisório anteriormente proferido que não homologou compensação efetuada via Dcomp quando, ultrapassada a possibilidade de discussão administrativa via manifestação de inconformidade, o sujeito passivo apresenta petição para apontar ocorrência de erro de fato. 47. Para que o débito em cobrança amigável, ou enviado para inscrição, possa ser revisto, tornase necessário que o despacho decisório anteriormente proferido seja revisto. Aplicável, aqui, por analogia (uma vez que inexiste, no caso, ato de lançamento da autoridade fiscal) o inciso VIII do art. 149 do CTN, limitada à hipótese de comprovação pelo contribuinte de erro de fato no preenchimento da declaração, haja vista o disposto na Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1, de 12 de maio de 1999. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 344 11 48. Consoante a citada portaria, qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato. 49. No caso da Dcomp, o encaminhamento de débito para inscrição em dívida ativa dáse quando a compensação efetuada não é homologada por despacho decisório da autoridade administrativa (em função de análise manual ou eletrônica), e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter instaurado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele. 50. A declaração de compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e tem caráter de confissão de dívida (§§2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Ocorre, porém, que o débito ali declarado, em regra, teve sua constituição operada por outro meio (lançamento de ofício ou declaração do contribuinte, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, p. ex.). Dessa forma, na hipótese de regular alteração no meio originário que constituiu o crédito tributário – como, p.ex., uma retificação da DCTF –, a redução do valor do débito implicará a necessidade de correção deste valor na Dcomp (já extinto pela própria declaração), que pode se dar tanto por meio de retificação da Dcomp por parte do contribuinte, quando cabível, como por revisão de ofício, caso a matéria já não esteja sob a alçada da DRJ, em virtude de manifestação de inconformidade interposta. 51. Extraise do exposto que, se o contribuinte apresentar petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado, ainda que o débito já se encontre inscrito na dívida ativa e em execução fiscal, a autoridade administrativa deve analisar o pleito e, se pertinente, proferir nova decisão, de ofício, para revisar o despacho decisório anterior que não homologou a compensação e retificar a Dcomp. Contudo, deverão ser observados os trâmites da referida portaria conjunta se o débito já tiver sido encaminhado para inscrição na dívida ativa. Ora, se é admitida “petição com alegação de erro de fato no preenchimento da Dcomp após o prazo de trinta dias estabelecido no §7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ou após a conclusão de contencioso administrativo porventura instaurado”, quanto mais lógico que isso seja possível, enquanto AINDA NÃO CONCLUÍDO o contencioso administrativo (caso dos autos). Mais a mais, não se perca o foco, o contribuinte – inequivocamente – comprovou o erro de fato havido no preenchimento da DCOMP, comprovação feita mediante os livros, registros e documentos por ele apresentados e devidamente conferidos e atestados pela autoridade fiscal que presidiu a diligência determinada pelo CARF. Assim, por tudo o que se expôs, respeitando a posição divergente assumida pelos que, como a PGFN no processo antes referido (nº 10855.900742/200803), defendem que retificações em DCOMP devem ser feitas preteritamente à edição do Despacho Decisório, penso que, neste caso específico, por se tratar de mero – e comprovado –erro de fato e, principalmente, por ter sido devidamente satisfeito o débito tributário surgido pela não homologação da compensação, ou seja, NÃO HÁ CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM DISCUSSÃO OU COBRANÇA, a restrição invocada não se aplica, até em face do informalismo e verdade material que devem nortear o processo administrativofiscal. Mais ainda, o improvimento do recurso aqui analisado, comprovada a inexistência de valor em litígio, além de pelejar contra o princípio da celeridade processual Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 345 12 prevista na Carta Constitucional (art. 5º, LXXVIII), poderá levar ao absurdo de ser emitida CDA e consequente execução fiscal contra débito não existente. Por fim, mas não menos relevante, destaco que o DARF acostado mostra código de recolhimento 2484 “CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL”, referese à estimativa do mês de novembro de 2003 e está confirmado junto ao banco de dados da RFB, conforme atesta o próprio agente diligenciador em extrato juntado (fls. 297): Mais ainda, por pertinente, registrese que mencionado valor foi declarado em DCTF (extrato juntado na diligência – fls. 292), de forma que os sistemas internos da RFB já devem apontar para sua vinculação e devida alocação com o recolhimento efetuado pelo contribuinte: Nestas condições, por tudo o que consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)3 e nos documentos com ela juntados, mostrase impraticável e despropositado dar prosseguimento à cobrança do referido débito, pelo que encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e determinar o CANCELAMENTO do PER/DCOMP nº 00252.36805.301203.1.3.040769 – fls. 4 dos autos , referente estimativa de CSLL – competência novembro/2003, bem como TODOS OS SEUS EFEITOS. 3 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10855.900019/200816 Acórdão n.º 1402002.805 S1C4T2 Fl. 346 13 É como voto. Brasília (DF), em 19 de outubro de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13829.001316/2008-92
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO RETROATIVA. Admite-se a inclusão retroativa, quando o contribuinte demonstra intenção inequívoca de aderir ao SIMPLES NACIONAL, realiza os pagamentos mensais por intermédio de Documento de Arrecadação do Simples Nacional - DAS e apresenta Declaração Anual do Simples Nacional - DASN. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1801-000.929
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO RETROATIVA. Admitese a inclusão retroativa, quando o contribuinte demonstra intenção inequívoca de aderir ao SIMPLES NACIONAL, realiza os pagamentos mensais por intermédio de Documento de Arrecadação do Simples Nacional DAS e apresenta Declaração Anual do Simples Nacional DASN. Recurso Voluntário Provido. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 Relatório A Recorrente encontravase inscrita no SIMPLES FEDERAL (Lei 9.317/1996)., e teve sua migração automática para o SIMPLES NACIONAL em 29/06/2007 (fls. 17), de acordo com o art. 17 da Resolução CGSN nº 004, de 30/05/2007 Usando da faculdade prevista no § 1º, I, art. 3º da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 015, de 23/07/2007, promoveu sua própria exclusão do Regime Simples Nacional em 30/07/2007, por livre opção, produzindo efeitos a partir de 01/7/2007 a 31/12/2007 (fls. 18), nos termos do art. 6º, § 12 da mesma Resolução. Em 17/07/2008, a empresa protocolou requerimento de INCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL, com data retroativa a partir de 01/07/2007. A Delegacia da Receita Federal em Araçatuba – SP, em Despacho Decisório de 23/07/2008, não conheceu do enquadramento retroativo no Simples Nacional para o exercício de 2007, por falta de objeto, pelos seguintes motivos: I – a legislação na contempla o processamento de opção pelo SIMPLES NACIONAL em data retroativa. II Somente nos casos de ocorrência de “erro de fato” quando da formalização da opção ou processamento da mesma, é possível a revisão de ofício. Portanto, os prazos para inclusão ou exclusão devem ser rigorosamente cumpridos; III – a opção pelo SIMPLES NACIONAL darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário, nos termos do art. 7º da Resolução CGSN nº 004, de 30/05/2007. Cientificada do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade onde alega: A – dedicase à prestação de serviços de cobrança administrativa, estando cadastrada no CNAE sob nº 8291100 – Atividade de Cobrança e Informações Cadastrais, estando enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte – EPP; B – quando de sua migração automática para o SIMPLES NACIONAL, em 29/06/2007, pairavam dúvidas sobre a possibilidade de sua permanência na referida sistemática tributária, tendo em vista o contido no art. 17I da Lei Complementar nº 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 13829.001316/200892 Acórdão n.º 180100.929 S1TE01 Fl. 55 3 C como a atividade por ela exercida poderia ser entendida como ‘gestão de crédito ou administração de contas a pagar e a receber, temerosa, precipitadamente requereu sua exclusão. A dúvida foi sanada com a Solução de Processo de Consulta nº 23/2008, da SRRF da 9ª RF:, publicada no DOU de 08/2/2008: SOLUÇÃO DE CONSULTA No 23, DE 22 DE JANEIRO DE 2008 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples SIMPLES NACIONAL. COBRANÇA EXTRAJUDICIAL. Respeitados os requisitos legais, é atividade permitida aos optantes pelo Simples Nacional a cobrança extrajudicial. As receitas desse serviço são tributadas pelo Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, § 2º, art. 18, § 5º, VII; ADN Cosit nº 7, de 2000. MARCO ANTÔNIO FERREIRA POSSETTI Chefe D recolheu as parcelas do SIMPLES NACIONAL durante o segundo semestre de 2007, o que demonstra sua vontade inequívoca de permanecer vinculada ao sistema; E – diante da existência de erro material perfeitamente escusável, o que demanda mero procedimento de ajuste, pede a opção retroativa a partir de 01/07/2007. Em sessão de 23 de janeiro de 2011, a 9ª Turma da DRJ/POR, julgou a Manifestação improcedente, conforme Acórdão 1432.308. Intimada do Acórdão em 23 de fevereiro de 2011, interpôs Recurso Voluntário em 23 de março de 2011, onde repete as alegações contidas na Manifestação de Inconformidade e pede sua inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal – Relator O Recurso é tempestivo e dele conheço. A Recorrente alega erro material de interpretação equivocada da Lei Complementar para justificar seu pedido de inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. De fato, verificase no processo um erro de direito escusável, pois ao promover sua exclusão espontaneamente, agiu preventivamente contra possível interpretação impeditiva da lei, para a atividade que exercia. Ainda assim, recolheu os tributos na sistemática do SIMPLES e apresentou DASN para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 (fls. 33/36), o que demonstra sua intenção inequívoca de aderir ao SIMPLES. A Recorrente teve sua dúvida sanada com a Solução de Processo de Consulta nº 23/2008, da SRRF da 9ª RF:, publicada no DOU de 08/2/2008, que enquadrou a atividade por ela exercida na sistemática do SIMPLES: SOLUÇÃO DE CONSULTA No 23, DE 22 DE JANEIRO DE 2008 Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples SIMPLES NACIONAL. COBRANÇA EXTRAJUDICIAL. Respeitados os requisitos legais, é atividade permitida aos optantes pelo Simples Nacional a cobrança extrajudicial. As receitas desse serviço são tributadas pelo Anexo III da Lei Complementar nº 123, de 2006. Dispositivos Legais: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, § 2º, art. 18, § 5º, VII; ADN Cosit nº 7, de 2000. MARCO ANTÔNIO FERREIRA POSSETTI Chefe. Diante do exposto voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
score : 1.0
Numero do processo: 10410.004715/2002-33
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 1998, 2000 MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeita-se à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente.
Numero da decisão: 1801-001.124
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira (Relator), Marcos Vinícius Barros Ottoni e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que davam provimento ao recurso. Designada a conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira
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ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeitase à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira (Relator), Marcos Vinícius Barros Ottoni e Guilherme Pollastri Gomes da Silva, que davam provimento ao recurso. Designada a conselheira Ana de Barros Fernandes para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 47 15 /2 00 2- 33 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: O auto de infração a folhas 4 a 7 exige o recolhimento de multa isolada no montante de R$ 165.287,73, por falta de pagamento de antecipação mensal por estimativa de CSLL (contribuição social sobre o lucro líquido). A DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS Os autuantes, reportandose ao termo verificação e de encerramento da ação fiscal a folhas 89 a 91, atribuem à autuada a infração de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO OU PAGO — ESTIMATIVA DE CSLL — Constataramse divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, o que gerou falta de pagamento da CSLL incidente sobre a base de cálculo estimada com base na receita bruta e acréscimos ou em balanços de suspensão ou redução. Período de apuração: anoscalendários de 1998 e de 2000. Enquadramento legal: artigos 29, 30, 43, e artigo 44, § 1% inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996; e artigo 841 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR 1999). Termo de verificação e encerramento de ação fiscal Do termo a folhas 89 a 91, que contém a motivação do lançamento, extraemse as afirmações e argumentos resumidos adiante. • A ação fiscal abrangeu os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 1997 e março de 2002. • De acordo com a Lei n° 9.430, de 1996, a CSLL será devida trimestralmente. Pode o contribuinte optar pela determinação anual, ficando nesse caso obrigado a recolher mensalmente a CSLL por meio de base de cálculo estimada. Restalhe ainda a possibilidade de elaborar balanço ou balancete mensal de suspensão ou redução em que fique demonstrado que a parcela de contribuição estimada por recolher é superior à efetivamente devida, de modo que fique desobrigado de efetuar o respectivo recolhimento. • No presente caso, o contribuinte elaborou os balancetes mensalmente, os quais determinavam em alguns casos a suspensão e em outros a redução do recolhimento. Nessa última hipótese, deveria o contribuinte ter efetuado o recolhimento do valor apurado, mas jamais o fez. Assim, será aplicada a multa isolada no percentual de 75% do valor que deixou de ser recolhido. B IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Tendo sido pessoalmente notificada dos lançamentos em 12.08.2002, em 11.09.2002 a autuada apresentou a impugnação juntada a folhas 93 a 98. Resumem o seu conteúdo os enunciados seguintes. Tempestividade Fl. 444DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10410.004715/200233 Acórdão n.º 1801001.124 S1TE01 Fl. 3 3 • A defendente foi notificada do auto de infração em 11.08.2002, no valor total de R$ 165.287,73, conforme comprova recibo em apreço. A partir da intimação, o contribuinte tem o prazo de 30 dias para recolher ou impugnar, nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972, com as alterações das Leis n° 8.748, de 1993, e 9.532, de 1997. Assim, o termo final para apresentar defesa é 12.09.2002. Portanto, a presente defesa é manifestamente tempestiva. • Não é devido o débito lançado e, em conseqüência, não é legal a exigência de multa isolada. A estimativa — diferença entre valores escriturados e declarados — multa isolada • O lançamento de multa isolada é incabível, uma vez que constitui flagrante afronta ao arquétipo constitucional da regra matriz de incidência dos tributos. Se a hipótese de incidência da CSLL é o lucro real e efetivo da pessoa jurídica, somente poderá ser considerado como devido o imposto quando ocorrer o respectivo fato gerador concreto e puder ser quantificada a base de cálculo. • No caso da estimativa no curso do anocalendário não se pode dizer, ainda, que já ocorreu o fato gerador do tributo a cada mês. Em cada período, o valor supostamente apurado como resultado positivo não configura ainda fato gerador tributário, pois se no período seguinte o resultado for negativo eles se compensam e nada é devido. Em verdade, somente prevalecerá como base de cálculo o resultado apurado em 31 de dezembro de cada ano, momento em que é apurado o lucro real, base de cálculo da CSLL. Desse modo, os recolhimentos exigidos sob a forma de estimativas caracterizamse como verdadeiros empréstimos compulsórios. • Na hipótese de a pessoa jurídica apurar resultado negativo ao final do período, não haverá incidência da CSLL. Sendo assim, o valor porventura recolhido como estimativa será restituído ou compensado. Tal possibilidade é a confirmação do argumento de que no curso do ano calendário ainda não ocorreu o fato gerador e portanto a contribuição estimada não é devida. • Não se justifica a exigência fiscal, tendo em vista que o lançamento se deu após o encerramento do anocalendário. • Se por acaso se acolhesse a esdrúxula possibilidade de aplicação da multa isolada, ela somente poderia ser cobrada caso o lançamento se desse no curso do próprio anocalendário, e não muitos anos depois. • Consoante se constata pelo exame da documentação anexada aos autos, mesmo se admitida a possibilidade da estimativa, ainda assim ela não seria devida, tendo em vista que na maioria dos períodos foi apurado resultado negativo, isto é, não teria base de cálculo estimada para a CSLL. • Após o encerramento do anocalendário, momento em que já ocorreu o fato gerador do tributo, a obrigatoriedade para os contribuintes é em relação ao resultado efetivo apurado com base no lucro real. O fato gerador real sobrepõese a qualquer suposta estimativa. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 • No caso da defendente, tornase mais gritante tal fato, tendo em vista que os resultados efetivos foram prejuízos ou diminutos lucros. • Qualquer suposta omissão, após o encerramento do período, configuraria mais um dever acessório cuja penalidade não poderia ser a imposição de multa sobre um valor que não era devido a título de contribuição e cuj a suposta irregularidade teria sido suprida com a entrega da declaração de rendimentos. • De acordo com os documentas juntados com a defesa, constatase que houve exacerbação da autoridade fiscal, pois no anocalendário de 1998 a contribuinte apurou prejuízo fiscal no final do período de R$ 355.214,87. Prtanto, não ocorreu o fato gerador do tributo e nada foi devido a título de contribuição. • No anocalendário de 2000, por meio das cópias do Lalur anexadas à defesa, constatase que a contribuinte transcreveu os resultados dos balancetes de suspensão da CSLL, bem como a cópia da declaração de rendimentos, e que em vários meses foi verificado prejuízo, o que foi também o resultado final do período. Portanto, não há como subsistir nenhuma exigência de multa isolada. É incabível, ainda, a sua cobrança sobre um suposto valor de imposto ou contribuição inexistente. • Para comprovar seu direito, a contribuinte junta os balancetes analíticos, Lalur, balancetes de suspensão e redução, declarações de IRPJ e resumo do resultado final, dos anos de 1988 e 2000. Se houve alguma infração, ela diz respeito exclusivamente ao descumprimento de obrigação acessória, no caso, a falta de transcrição dos balancetes de suspensão nos livros diário e no Lalur. Essa suposta infração, todavia, somente poderia ensejar a aplicação de multa regulamentar, jamais a multa isolada de 75%. • Sem discrepância é a posição firmada pelo Conselho de Contribuintes, a qual é ilustrada pelos arestos transcritos na impugnação. Conclusão • Deve a defesa ser julgada procedente in totem e, em conseqüência, anulado o lançamento fiscal. • Protestase pela produção de quaisquer provas que se façam necessárias, inclusive pericial, para a comprovação das razões declinadas. Voto Vencido Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do recurso por tempestivo. Inferese do relatório que a questão posta nos autos cingese à analise da possibilidade, ou não, de se aplicar a multa isolada do artigo 44 da lei 9430/96, quando o Fl. 446DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10410.004715/200233 Acórdão n.º 1801001.124 S1TE01 Fl. 4 5 contribuinte não recolhe as antecipações do imposto/contribuição social por estimativa no decorrer do período, vinda a apurar prejuízo no final do exercício. O principal argumento do recorrente é no sentido de impossibilidade de aplicação da multa isolada, que tem por base o valor do tributo, quando se apura, ao final do exercício, a ausência de tributo a ser a ser pago. Dessa forma, interpreta o artigo 44, parágrafo 1, inciso IV “ ...ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de calculo negativa” como aplicável apenas na hipótese em que apesar de ter apurado prejuízos, não fez balanços ou balancetes demonstrandoos. Já a decisão de 1 instancia sustenta uma interpretação mais ampla no referido comando legal, sendo aplicável sempre que não houver a referida antecipação, havendo ou não a comprovação do prejuízo por meio de balanço ao final do período. Em que pesem as razões da autoridade administrativa a tese do recorrente parece ser a mais adequada. Com efeito, ao final do exercício, havendo a prova da ausência de tributos a pagar, feita por meio de balanço, não se há de exigir multa pelo não recolhimento de tributos, que à aquele momento já se sabe, à toda evidência, ser indevido. A confirmar este entendimento são inúmeras as decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme abaixo: CARF CSRF / 1a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 9101 00.184 em 16/06/2009 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa IRPJ e CSLL RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA Conforme precedentes deste Colegiado, a exigência da multa de lançamento de ofício isolado, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor ) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente á apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa; hipótese não ocorrente no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada em Contrarrazões pelo contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimentos ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 6 Publicado no DOU em: 27.03.2012 Recorrente: FAZENDA NACIONAL Recorrida: Interessado HIPOLABOR FARMACÊUTICA LTDA. CARF CSRF / 1a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 9101 00.110 em 11/05/2009 IRPJ MULTA ISOLADA (estimativa) ASSUNTO: MULTA ISOLADA EMENTA A exigência da multa de lançamento do oficio isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente á apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa, hipótese não ocorrente quando o contribuinte apura prejuízo ao final do exercício. A mera ausência da transcrição dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não configura, por si só, o fato tributário, mormente quando a Fiscalização não ilide a validade e a eficácia dos balancetes, da escrituração comercial e das declarações apresentadas pelo contribuinte. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Nelson Lósso Filho e Carlos Alberto Freitas Barreto. Publicado no DOU em: 16.11.2011 Por todo o exporto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes, Redatora designada Em que pese a posição do ConselheiroRelator, não entendo as estimativas como meras antecipações de tributo, que caso não se confirmem ao final do período, não serão geradas sanções ao contribuinte faltoso. O artigo 44, inciso I, c/c o §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, estabelecia originalmente: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10410.004715/200233 Acórdão n.º 1801001.124 S1TE01 Fl. 5 7 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (grifos não pertencem ao original) Posteriormente, a redação desse artigo foi explicitada da seguinte forma, grifandose o trecho concernente à matéria: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não pertencem ao original) Indiscutível que o legislador reduziu o percentual de 75% para 50%, mas a infração tributária continua sendo penalizada e não se trata de ocorrência de fato gerador de obrigação tributária principal, mas medida coercitiva para que a norma tributária preceituada o artigo 2º da mesma lei não se torne inócua: Pagamento por Estimativa Art. 2º A pessoa juridica sujeita a tributacao com base no lucro real podera optar pelo pagamento do imposto, em cada mes, determinado sobre base de calculo estimada, mediante a Fl. 449DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 8 aplicacao, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9249, de 1995, observado o disposto nos paragrafos 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9065, de 20 de junho de 1995. Paragrafo 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo sera determinado mediante a aplicacao, sobre a base de calculo, da alíquota de quinze por cento. (grifos não pertencem ao original) E estabelece o artigo 3º, caput: Art. 3º A adocao da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas juridicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opcao pela forma do art. 2º sera irretratavel para todo o anocalendario. (grifos não pertencem ao original) Pois se os contribuintes optam pelo regime de apuração de IRPJ e CSLL na forma anual, não recolhem as estimativas mensais apuradas e ao final do período, apuram o real IRPJ e CSLL a pagar, ou mesmo prejuízo, e não há qualquer sanção para as estimativas não recolhidas, não há porque existir a norma que obriga aos recolhimentos dessas. E, parênteses aqui, denominase estimativas porque, de antemão, preferem estimar o lucro, no caso com base em balancetes de suspensão ou redução, porque a partir da edição da Lei nº 9.430/96 as pessoas jurídicas deveriam apurar a base de cálculo do IRPJ e CSLL em períodos trimestrais: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURIDICA Secao I Apuracao da Base de Calculo Periodo de Apuracao Trimestral Art. 1º A partir do anocalendario de 1997, o imposto de renda das pessoas juridicas sera determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por periodos de apuracao trimestrais, encerrados nos dias 31 de marco, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendario, observada a legislacao vigente, com as alteracoes desta Lei. Para a aplicação da referida multa isolada não há que se falar em ocorrência de fato gerador, visto que não se está a cobrar tributo, que ao final do anocalendário, pode ou não ser devido, em face ao ajuste anual. O valor do tributo, estimado, repitase, serve unicamente como base de cálculo e não interessa, ao legislador, se o tributo, em si, é devido ou não ao final do período no ajuste anual. E a base de cálculo poderia ser outra, mas o legislador quis colocar um vínculo entre a obrigatoriedade estabelecida em norma tributária – do contribuinte que opta, Fl. 450DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10410.004715/200233 Acórdão n.º 1801001.124 S1TE01 Fl. 6 9 excepcionalmente, pelo regime anual de apuração do lucro real e assume recolher as estimativas – e a penalidade que sanciona o descumprimento dessa norma. A exigência ora discutida é a penalidade por descumprimento de norma legal e, nesse caso, não há que se debater ser razoável ou não, sob pena de as autoridades julgadoras administrativas discutirem a legalidade das normas. E o princípio da razoabilidade é princípio constitucional aplicado às normas legais, que somente o Poder Judiciário, no exercício de suas funções privativas, pode aplicar. A razoabilidade que se poderia aqui aventar, o legislador tributário já entendeu aplicar quando reduziu o percentual de 75% para percentual mais razoável de 50%. É o montante que deveria ter sido recolhido e não foi. Simples assim, voltando a destacar que não se está a tratar de exigência de tributo que, ao final do período, o contribuinte demonstra não ser devido, mas sim mera sanção pelo nãoato do contribuinte estipulado em norma, cujo cálculo tem como parâmetro o valor mensal não recolhido. Desta forma, prestigio a norma tributária, que define a sanção pelos não recolhimentos dos valores estimados durante o período, declarados pela contribuinte, mantendo a sua aplicação, por vigente e não declarada ilegal ou inconstitucional, defendendo que não fere qualquer princípio constitucional, sob pena de tornála, repito, administrativamente, inócua. E não cabe à autoridade julgadora administrativa arguição sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Neste sentido a Súmula nº 02 do Carf: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 451DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 19740.900413/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007
RETIFICAÇÃO DE DCTF. DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Tendo a fiscalização constatado na diligência a compatibilidade com a escrituração da contribuinte dos valores modificados na DCTF retificadora, relativamente ao aumento da dedução da contribuição, em face do pagamento de sinistros não informados na DCTF original, impõe-se o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação declarada.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3402-004.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Declarou-se impedido para o julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o qual foi substituído pelo Conselheiro Suplente Diego Weis.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Declarou-se impedido para o julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o qual foi substituído pelo Conselheiro Suplente Diego Weis. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto.
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DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Tendo a fiscalização constatado na diligência a compatibilidade com a escrituração da contribuinte dos valores modificados na DCTF retificadora, relativamente ao aumento da dedução da contribuição, em face do pagamento de sinistros não informados na DCTF original, impõe se o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação declarada. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Declarouse impedido para o julgamento o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, o qual foi substituído pelo Conselheiro Suplente Diego Weis. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente) e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 04 13 /2 00 9- 05 Fl. 429DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2007 a 30/08/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre compensação declarada no PER/DCOMP n° 38152.34411.191208.1.3.045163, transmitido em 19/01/2009, de crédito de Cofins no período de apuração de agosto/2007 referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, no valor original inicial de R$186.035,24 com débito do mesmo tributo relativo a novembro de 2008 no valor principal de R$212.656,88. A compensação não foi homologada por meio de Despacho Decisório, sob fundamento na ausência de crédito disponível para a compensação, vez que o pagamento alegado como indevido já tinha sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte. A contribuinte apresentou sua defesa, alegando, em síntese, o que se segue: Em 24/09/2003, impetrou mandado de segurança contra a cobrança da contribuição prevista nos arts. 2º, 3º e 17 da Lei 9.718/98, tendo depositado os valores em discussão. Conforme atesta a DCTF retificadora apresentada (fls. 58/59) em 27/05/2009, antes da prolação do despacho decisório impugnado, o valor devido a título de Cofins em agosto de 2007 totalizara R$ 2.754.500,23, dos quais: i) R$878.314,87 estavam suspensos por depósitos judiciais efetuados em conta vinculada ao mandado de segurança citado; e ii) Os restantes R$1.876.185,36 foram liquidados por pagamento, mediante DARF no valor total de R$ 2.754.500,23. Resta certo, portanto, que, no DARF de R$2.754.500,23, está incluída a quantia de R$186.035,24, recolhida indevidamente, passível de ser utilizada para compensação com débitos da titularidade da requerente. Para reforçar seu direito ao citado crédito, a requerente anexa demonstrativo do profissional responsável pelas suas escriturações contábil e fiscal, contendo a base de cálculo da contribuição para seguridade social apurada em agosto de 2007; cópia de seu livro razão, demonstrando a reversão de provisão e o lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da contribuição decorrente dessa reversão; bem como parte do balancete espelhando o saldo das contas relacionadas. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da interessada, em resumo, sob os seguintes fundamentos: Fl. 430DF CARF MF Processo nº 19740.900413/200905 Acórdão n.º 3402004.825 S3C4T2 Fl. 430 3 O crédito em litígio referese, na verdade, simplesmente à diferença entre a DCTF original e a retificadora que diminuiu o débito informado inicialmente. Nos termos do art. 170 do CTN, somente poderão ser utilizados para compensação créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Não há nos autos qualquer explicação, muito menos comprovação donde se possa deduzir que a base de cálculo que serviu de parâmetro para a DCTF transmitida originalmente contivesse valor de receita superior ao que efetivamente compunha a base de cálculo da contribuição social para a seguridade social original. Ainda que fosse procedente a retificação da DCTF, uma vez que tal homologação foi convertida em processo manual, fazse necessário comprovar, por meio dos livros empresariais e fiscais e respectivos documentos comprobatórios, o suposto equívoco cometido na escrituração da base de cálculo da contribuição. Cientificada dessa decisão em 03/02/2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/03/2012, requerendo a realização de diligência e alegando, em síntese: Não se pode desconsiderar, sem qualquer justificativa para tal, a DCTF retificadora apresentada anteriormente à prolação do despacho decisório, retificando o valor devido a título da Cofins em agosto de 2007 para R$2.754.500,23. Não obstante acreditar que está devidamente comprovado seu direito creditório, anexa: a) demonstrativo de apuração equivocada da base de cálculo da Cofins de agosto de 2007, na qual se olvidou de computar como exclusões, na linha "Sinistros Efetivamente Pagos", os valores da conta 4111512001302002 (doc. 01); b) demonstrativo da apuração correta da base de cálculo correta da contribuição (doc. 02); e c) cópia do balancete assinalado com as exclusões consideradas na DCTF primitiva e com as exclusões que foram consideradas na DCTF retificadora. Em 22 de julho de 2014, a 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária entendeu pela conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização analisasse os documentos anexados aos autos pela recorrente, intimandoa para prestar outras informações ou apresentar documentos que julgar necessários, com vistas a esclarecer se os valores informados na DCTF retificadora podem ser confirmados na escrituração contábilfiscal do contribuinte, de modo a comprovar a existência do direito ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. No Relatório Fiscal de Diligência, a fiscalização manifestouse no sentido de que o direito creditório da recorrente restou comprovado nos autos, nestes termos: (...) A diferença entre o valor vinculado a pagamento na DCTF original e na retificadora corresponde ao indébito pleiteado na DCOMP em questão. Intimamos o contribuinte a justificar a retificação do valor devido, tendo o contribuinte respondido que a retificação do valor devido se deu em razão da redução da base de cálculo (fls. 259/260), após o aumento da dedução com pagamento de Sinistros como demonstrado a seguir: Fl. 431DF CARF MF 4 Os valores acima coincidem com os valores declarados no DACON original e retificador (fls. 212/213), idênticos aos das DCTFs original e última retificadora. Portanto, a confirmação da legitimidade da retificação fica condicionada à comprovação do efetivo valor pago a título de Sinistros. Na planilha de apuração analítica de Cofins e Cofins (fl. 281) o contribuinte demonstra a apuração das bases de cálculos dessas contribuições, cujo acréscimo no valor de R$ 6.201.174,56 para o mês de agosto de 2007 é referente aos pagamentos de Sinistros das contas contábeis abaixo não incluídas na apuração original: (...) O contribuinte apresentou as folhas do Livro Razão Analítico referente a essas contas (fls. 291/399), comprovando os seus valores. Conclusão Salvo melhor juízo da autoridade julgadora, concluímos pela veracidade das alegações do contribuinte e procedência do direito creditório. (...) Em sua manifestação a recorrente reiterou o seu pedido de reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações declaradas. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Conforme apurado na diligência, os valores informados na DCTF retificadora, resultantes do aumento da dedução com o pagamento de sinistros, puderam ser confirmados na escrituração da contribuinte, de modo a comprovar o direito creditório no montante declarado no PER/DCOMP. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 19740.900413/200905 Acórdão n.º 3402004.825 S3C4T2 Fl. 431 5 Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para o reconhecer o direito creditório pleiteado, determinando à Unidade de Origem que proceda à homologação da compensação correspondente. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 433DF CARF MF
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