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Numero do processo: 13506.000902/2008-62
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 92 1 91 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13506.000902/200862 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.173 – 1ª Turma Especial Data 21 de novembro de 2012 Assunto IRPF Recorrente ADAUTO SOARES DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (30/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O impugnante contesta auto de infração do anocalendário 2006 onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 72.203,16, informados em DIRF pela Caixa Econômica Federal, computado o imposto na fonte correspondente, no valor de R$ 2.166,09. Argumenta, em síntese, que se trata de diferenças de pensão previdenciária pagas pelo INSS; que diferenças desta espécie já foram RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 06 .0 00 90 2/ 20 08 -6 2 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 93 2 reconhecidas pela Justiça como isentas do imposto de renda, pois, se pagas mensalmente, ficariam abaixo do limite mensal de isenção; que não ocorreu o fato gerador do imposto, pois se trata de verbas indenizatórias; que caberia descontar as despesas com advogados: R$ 9.417,80 de honorários de sucumbência e R$ 12.557,07 de honorários contratuais. Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PROVAS Cabe ao interessado comprovar a alegada natureza isenta dos rendimentos recebidos em ação judicial, especialmente quando tenham sido informados como tributáveis pela fonte pagadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Fl. 93DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 94 3 Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 94DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13506.000902/200862 Resolução nº 2801000.173 S2TE01 Fl. 95 4 Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 30/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720578/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO FORMAL FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199.
O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF-F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência.
Numero da decisão: 1202-001.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO - VÍCIO FORMAL FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF-F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL — FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME — Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPF F, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e voto que fazem parte do presente julgado. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 78 /2 01 1- 47 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 793 2 Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto, Cristiane Silva Costa, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente contra Acórdão nº 0430.743 (fls.691/710) que rejeitou a preliminar e no mérito, julgou procedente em parte a Impugnação. Utilizome do relatório da DRJ/CGE para ilustrar os fatos apurados até o presente momento: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração (Termo de Constatação, demonstrativos e AI às fls. 471 a 480) relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) do anocalendário 2007 em face de falta de recolhimento por apuração incorreta do imposto e às multas isoladas quanto aos meses de junho a setembro desse mesmo anocalendário, conforme abaixo: a) Infração nº 001: falta de recolhimento/declaração do imposto de renda – apuração incorreta do imposto; b) Infração nº 002: multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Esse lançamento resultou em R$ 12.372,02 de imposto, R$ 9.279,01 de multa proporcional de ofício (75%), R$ 4.828,79 de juros de mora calculados até 31 de outubro de 2011, bem como R$ 370.872,53 de multa isolada, totalizando R$ 397.352,35. Em resumo, a falta de recolhimento (infração nº 001 – R$ 12.372,02) na apuração anual, decorreu de: a) compensação a maior de IRPJ estimativa, devido a diferenças de estimativas relativas aos meses de julho e agosto de 2007, pagas após o prazo de vencimento sem a inclusão de multa de mora, no total de R$ 12.220,07 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fls. 451 e 452); b) registro a menor de lucro líquido (apuração anual) no “Lalur”, no montante de R$ 607,78, que gerou o imposto e respectivo adicional de R$ 151,95 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fl. 452). No que tange à infração nº 002, foram encontradas diferenças nas bases de cálculo do IRPJ estimativa dos períodos junho a dezembro de 2007, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 2 (fls. 443 a 446). Em face disso, os valores do IRPJ devido por estimativa nos períodos junho a setembro desse mesmo ano também foram recolhidos a menor, por dois motivos: Fl. 793DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 794 3 a) no caso dos meses de junho e setembro, efetiva diferença da base de cálculo apurada pela fiscalização, em comparação com o escriturado no “Lalur”; b) não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados após o prazo de vencimento (somente para julho e agosto; para o mês de junho, a multa isolada sob esse fundamento foi lançada em outro auto de infração conforme processo nº 16004.720570/201181). Relativamente à CSLL (fls. 481 a 488), o lançamento resultou em R$ 4.559,71 de contribuição, R$ 3.419,87 de multa proporcional de ofício (75%), R$ 1.779,65 de juros moratórios calculados até 31 de outubro de 2011 e, ainda, R$ 134.116,68 de multa isolada. Em suma, a insuficiência de recolhimento (infração nº 001 – R$ 4.559,71) na apuração anual, decorreu de: a) compensação a maior de CSLL estimativa, devido a diferenças de estimativas relativas aos meses de julho e agosto de 2007, pagas após o prazo de vencimento sem a inclusão de multa de mora, no total de R$ 4.505,01 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fls. 452 e 453); b) registro a menor de lucro líquido (apuração anual) no “Lalur”, no montante de R$ 607,78, que gerou a contribuição de R$ 54,70 (Termo de Constatação Fiscal nº 2 – fl. 453). Em relação à infração nº 002 (multas isoladas), o lançamento deuse: a) quanto aos meses de janeiro a maio, em face de valores de CSLL estimativa apurados no livro “Lalur” e não pagos (Termo de Constatação Fiscal nº 2, item 4.2 – fls. 450 e 451); b) diferenças nas bases de cálculo da CSLL estimativa dos períodos junho a dezembro de 2007, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal nº 2 (fls. 443 a 446). Em decorrência disso, os valores da CSLL devida por estimativa nos períodos junho a setembro desse mesmo ano também foram recolhidos a menor, por dois motivos: b.1) no caso dos meses de junho e setembro, efetiva diferença da base de cálculo apurada pela fiscalização, em comparação com o escriturado no “Lalur”; b.2) não inclusão da multa de mora nos recolhimentos efetuados depois do prazo de vencimento (somente para julho e agosto). O total do crédito tributário lançado foi de R$ 541.228,17. Descrição mais pormenorizada do procedimento efetuado e, bem assim, da infração e o seu enquadramento legal encontramse nos autos de infração e no Termo de Constatação Fiscal nº 2 e planilhas a ele anexas, que foram acostados às fls. 436 a 470. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, por via postal, em 23 de novembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento (fl. 489). Em 22 de dezembro de 2011 foi protocolada a impugnação (fls. 491 a534), firmada por procurador, na qual foi aduzido, em apertada síntese, que: a) o lançamento é nulo por ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do anocalendário 2007; b) aos pagamentos da estimativa de IRPJ e CSLL dos períodos de apuração 07/2007 e 08/2007 aplicase o instituto da denúncia espontânea, vez que foi efetuada a apuração e o pagamento e só então informado o Fl. 794DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 795 4 débito em DCTF, na linha da Súmula nº 360 do STJ e do entendimento do CARF, devendo ser cancelada qualquer penalidade, como é o caso da multa de mora e da multa de ofício e, também, da multa isolada; c) é inaplicável o procedimento de imputação proporcional do pagamento, em face do disposto no art. 43 da Lei nº 9.430/96; d) se não pode ser admitido o procedimento de imputação proporcional, não há débitos de IRPJ e de CSLL, estimativas, relativos aos meses de 07/2007 e 08/2007, não havendo insuficiência de recolhimento da “quota de ajuste”, sendo indevidas também e, por consequência, as multas isoladas; e) não é devido imposto ou contribuição a título de estimativa mensal após o encerramento do anocalendário e, portanto e com mais razão, não deve ser admitida a exigência da multa isolada aplicada após o encerramento do anocalendário; f) “a exigência concomitante da multa de ofício e da multa isolada configura manifesto bis in idem, ou seja, aplicação de duas penalidades sobre a mesma infração, ou, no mínimo, a chamada continência lógica (ou consunção), revelada pelo fato de que a multa de oficio aplicada em razão da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados após o encerramento do anocalendário absorve a multa que seria aplicável na falta de pagamento das estimativas (meras antecipações dos tributos devidos no ajuste anual)”; g) entendido que há “possibilidade de aplicação da multa isolada após o encerramento do anocalendário e que não haveria exigência concomitante de multas sobre o mesmo fato, pelo menos, a base de cálculo da multa isolada deverá ser limitada aos valores do IRPJ (R$ 12.372,02) e da CSLL (R$ 4.559,71) apurados pela fiscalização”; h) não tem fundamento legal a exigência de juros de mora incidentes sobre a multa proporcional de ofício. Ao final, são requeridos o acolhimento da impugnação e a declaração de improcedência da autuação, cancelandose a exigência fiscal. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo em parte o crédito tributário. O Acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA PROPORCIONAL DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A incidência de juros sobre a multa proporcional de ofício não pode ser objeto de análise, pois o fato impugnado não chegou a se concretizar. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observadas as normas pertinentes à apuração do imposto e, tendo o auto de infração sido lavrado por agente competente e não tendo havido cerceamento do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 795DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 796 5 Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. ESTIMATIVA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Ocorrendo o pagamento do tributo, mesmo que em atraso, mas antes da declaração relativa ao débito, incide o instituto da denúncia espontânea, inclusive para fins de aplicação da multa de mora. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada é devida em não havendo pagamento por estimativa, antes ou depois de encerrado o anocalendário e independentemente da aplicação da multa proporcional de ofício, não havendo na legislação nenhum dispositivo que afaste a sua aplicação. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Ao que não foi objeto de abordagem específica relativamente à CSLL aplicase o entendimento esposado quanto ao IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A intimação da referida decisão se deu via postal, em 26.02.2013, conforme fls. 714. Devidamente intimada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário, objeto analisado neste voto, alegando em síntese as mesmas alegações aduzidas na Impugnação. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche o pressuposto de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões suscitadas. I Nulidade dos Lançamentos A Recorrente inicia sua defesa alegando, em síntese, que o lançamento é nulo por ausência de ordem escrita e específica determinando o segundo exame do ano calendário 2007. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 797 6 Afirma que o segundo exame de um determinado anocalendário já fiscalizado é de observância obrigatória no procedimento fiscal, configurandose, portanto, verdadeira condição de validade do novo lançamento. Tal alegação merece prosperar. Inicialmente, cumpre transcrever o artigo 906 do RIR/99 (Decreto nº 3000/99): “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal” (grifouse). O artigo acima transcrito disciplina especificamente o procedimento do reexame de anocalendário já fiscalizado, deixando claro que tal “ordem escrita” é condição necessária e indispensável para o segundo exame de anocalendário já fiscalizado. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fl. 443), o ano calendário de 2007 já havia sido previamente fiscalizado em 2009, tendo a fiscalização apurado indevida compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL: A contribuinte foi selecionada pela Malha Fiscal PJ/2008, referente ao anocalendário de 2007, e contra a mesma foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (R$ 645.347,07) e CSLL (R$ 232.323,79), acrescidos de Multa de Ofício (75%) e Juros de Mora (Selic), cópias fls. 362/409, com ciência da contribuinte em 11/08/2009, por terem sido constatadas infrações correspondentes à compensação indevida de prejuízos fiscais (R$ 2.581.375,51), conforme resume a planilha anexa ao presente Termo, elaborada por esta fiscalização, intitulada: "IRPJ e CSLL Anual Calculados pela MALHA FISCAL". Ademais, a própria DRJ/CGE reconheceu expressamente (fl. 697) que ocorreu tal irregularidade: “De fato, a norma do art. 906 do RIR/99 indica que para a abertura de novo processo de fiscalização, relativamente a anocalendário já examinado, há a necessidade de ordem escrita de autoridade superior da circunscrição fiscal da contribuinte. Contudo, se ocorrer a segunda fiscalização, com a lavratura do auto de infração, esse lançamento não é nulo. A irregularidade existe, mas não tem o alcance indicado pela impugnante.” (grifouse). Verificase, portanto, que no caso em questão não houve a “ordem escrita” que determinasse o segundo exame do anocalendário de 2007, conforme disposto no artigo 906 do RIR/99, sendo o lançamento nulo, por tratarse de um requisito necessário e indispensável. Nesse sentido, recentemente foi publicado acórdão nº 1302001.456, pela 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deste Conselho: Fl. 797DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 798 7 SEGUNDO EXAME. AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO. NULIDADE DO PROCEDIMENTO. ANOCALENDÁRIO 2007. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. Nulo o lançamento decorrente de segundo exame do exercício, sem a observância do disposto no art. 906 do RIR/99. (Processo nº 10480.722351/201134, Acórdão nº 1302001.456, sessão de 30/07/2014) NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL — FALTA DE ORDEM ESCRITA PARA SEGUNDO EXAME — Em relação ao mesmo período só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal. (Lei n° 2.354/54 art. 7° § 2°, Lei n° 3.470/58, art. 34). A falta de autorização para segundo exame é vício formal, caracterizado, pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração do ato jurídico de lançamento. (Processo nº 10120.002462/200733, Acórdão nº 130100.036, Sessão de 12/03/2009) Cumpre mencionar que o Mandado de Procedimento Fiscal não substitui nem dispensa a “ordem escrita” exigida pelo artigo 906 do RIR/99. Tal requisito é expressamente exigido, não podendo ser dispensado. Também nesse sentido já se posicionou este Conselho: PROCESSO ADIMINISTRATIVO FISCAL. ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. REEXAME DE ESCRITA. AUTORIZAÇÃO EXPRESSA. NECESSIDADE. Novo exame da escrituração, com vistas à revisão do Ato Administrativo de Lançamento, é possível desde que precedido de ordem escrita, emitida por autoridade competente, nos precisos termos do artigo 70 , § 2°, da Lei n° 2.354, de 1954, e artigo 34 da Lei n° 3.470, de 1958. O Mandado de Procedimento Fiscal, por traduzir ordem escrita cujo objeto é disciplinar a atuação ordinária da fiscalização, não dispensa nem afasta a necessidade de emissão da "ordem escrita" de que cuida a regra jurídica em comento. Preliminar de nulidade que se acolhe. (Processo nº 10680.004472/200334, Acórdão nº 10194.262, sessão de 02/07/2003) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NÃO SE EQUIPARA À AUTORIZAÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 906 DO RIR199. O MPF como ato de controle da fiscalização é um procedimento "ordinário" utilizado em todas fiscalizações externas e a autorização prescrita no artigo 906 do RIR199 é "extraordinária" só para o caso de segundo exame. O MPFF, ainda que emitido pelas autoridades contidas no artigo 906 do RI/99, não substitui a ordem escrita prevista na legislação para um segundo exame quando dele não constar expressamente tal ocorrência. (Processo nº 10120.002462/200733, Acórdão nº 130100.036, Sessão de 12/03/2009) Fl. 798DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16004.720578/201147 Acórdão n.º 1202001.212 S1C2T2 Fl. 799 8 Em razão do exposto, entendo que deva ser declarado nulo o lançamento tributário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 799DF CARF MF Impresso em 10/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 04/02/201 5 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 26/12/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.720414/2013-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA.
Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseou-se em omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência consubstanciada no item 002 do lançamento, referente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseou-se em omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar. Recurso Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 738 1 737 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720414/201318 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.223 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente LÚCIO BOLONHA FUNARO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados em conta corrente do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados no sistema financeiro. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. A omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica não restou comprovada. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIÁRIA. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 14 /2 01 3- 18 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 2 omissão de rendimentos oriundos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração, neste item não pode prosperar. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a exigência consubstanciada no item 002 do lançamento, referente a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 05/02/2013 (fls. 689/693), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Anocalendário 2008, que exige crédito tributário no valor de R$ 41.865.763,14, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/01/2013. Conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” às fls. 691/692, o Fisco apurou as seguintes infrações: I Omissão de Rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito, mantidas em instituições financeiras em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; II Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, em relação aos créditos depositados nas contas do contribuinte e vinculados com as saídas das contas correntes da empresa, que apesar de ter sua origem justificada, o contribuinte não apresentou documentação para comprovar a que título recebeu tais valores. Em fls. 679/686, consta o Termo de Verificação Fiscal, o qual demonstra o procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário acima referido. No item “Análise da Documentação Apresentada” o Fisco apresenta uma análise da respectiva documentação, em relação as transferências entre contas correntes, por serem da mesma titularidade considerou justificadas; as transferências da corretora Novinvest, também entendeu que restaram justificadas; o Mútuo Bancário foi considerado justificado, os recursos próprios entendeu o fisco em não considerar sob o argumento de que: “Considerando que o dinheiro em poder do contribuinte pode ter sido gasto para cobrir outras despesas e que nenhuma documentação foi apresentada vinculandoo de maneira inequívoca aos créditos em suas contas corrente, esta fiscalização não considera a origem destes créditos justificados.”; a liberação de depósito judicial, o Fisco considerou justificados; os depósitos de cheque pré datados, o fisco não considerou justificados, face ao seguinte argumento: “cabe ressaltar que não foi Fl. 753DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 739 3 apresentada documentação vinculando estes cheques aos créditos em suas contas corrente e nem a origem destes cheques.” No que tange ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda, fundamenta o Fisco que: “os créditos depositados nas constas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela do mútuo com a empresa puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar a que título o contribuinte recebeu estes valores, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Relativamente ao contrato de mútuo com a empresa Gallway Projetos e Energia S/A, a fiscalização analisando a documentação apresentada pelo contribuinte, qual seja, extratos de movimentação de mútuo juntamente com extratos bancários, verificou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Gallway Projetos, referentes ao mútuo, não fomos atendidos. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo sem correspondente” e não foram considerados justificados.” Quanto ao contrato de mútuo com a empresa Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros, o fisco de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte (extratos bancários – fls. 406/449 e extratos de movimentação de mútuo), constatou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Gallway Projetos, referentes ao mútuo, não fomos atendidos. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo sem correspondente” e não foram considerados justificados.” E quanto ao mútuo com a empresa Royster Serviços S/A, o fisco constatou uma divergência entre o contrato de mútuo e os extratos de mútuo, posto que no contrato aparece o contribuinte como mutuário e no extrato como mutuante, e intimado a esclarecer a incoerência, o contribuinte informou que houve um equívoco nos documentos enviados para análise, em que o mesmo figura como mutuário ao invés de mutuante, e apresentou novos extratos de mútuos. Ao confrontar os extratos de mútuos com os extratos bancários, a autoridade fiscal verificou que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele como liquidação de parcela do mútuo com a empresa não puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Outra dificuldade para aceitar as alegações do contribuinte devese ao fato de, apesar de termos intimadoo a apresentar os registros contábeis dos lançamentos efetuados pela empresa Royster Serviços, referentes ao mútuo, não fomos atendidos.” E que os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, Fl. 754DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 4 como liquidação de parcela do mútuo com a empresa Royster Serviços puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar que realmente os valores tiveram origem no contrato de mútuo, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Cientificado da exigência tributária em 08/02/2013 (fls. 695), e irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou impugnação em 08/03/2013 (fls. 702/709), desacompanhada de documentos, que em síntese, alega o que segue, conforme relatório da decisão a quo: 1. conquanto esteja a pessoa física obrigada a manter em seu poder, pelo período de cinco anos, toda a documentação necessária à comprovação das suas operações financeiras, não está, todavia, obrigada a manter escrituração contábil, ainda que simplificada dessas operações e, por este motivo, a realização da prova, em procedimentos fiscais de pessoas físicas, via de regra, não é tão robusta quanto no caso das pessoas jurídicas, estas últimas obrigadas a manter escrituração fiscal e contábil rigorosa; 2. a maioria das operações encetadas pelo sujeito passivo tiveram origem em mútuos financeiros, representados por contratos de cessão de crédito devidamente lançados em sua declaração de rendimentos, consoante comprovado mediante farta documentação carreada para os autos, demonstrando de forma inconteste a origem dos recursos tidos por omitidos. 3. ao analisar as operações de mútuo, a fiscalização considerou justificada a origem de parte dos créditos bancários, mas, como não foram apresentados os lançamentos contábeis das pessoas jurídicas mutuantes, tais créditos foram considerados como omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; 4. ocorre que o impugnante não tem acesso à contabilidade das empresas e jamais conseguirá fazer tal prova e, portanto, trata se de uma prova impossível; 5. destarte, estando os depositantes e a origem dos recursos identificados, caberia à autoridade lançadora aprofundar sua investigação, intimando aquelas empresas a apresentar a documentação contábil em questão, questionando a razão pela qual efetuaram os depósitos, procurando detectar possíveis omissões de receitas/rendimentos por parte dos depositantes e por parte do titular das contas bancárias recebedoras dos depósitos e não cobrar tais documentos de quem jamais poderia entregálos; 6. caso contrário, deveria ter descaracterizado os contratos de mútuo em questão e, ai sim, efetuar o lançamento como sendo omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 740 5 7. assim, o lançamento deve ser cancelado, seja por falta de aprofundamento das investigações, seja por capitulação legal incompatível com a situação fática apresentada; 8. de igual forma, para os contratos de mútuo para os quais, embora identificadas as origens, a fiscalização não conseguiu efetuar a vinculação entre os créditos depositados na conta do sujeito passivo e as liquidações de parcelas de mútuo com as saídas das contas corrente da empresa, denotase a toda evidencia que a fiscalização também deixou de aprofundar sua auditoria, uma vez que não deu o passo seguinte, que seria o de requisitar das empresas mutuantes os seus registros contábeis, visto que tal prova, ainda que solicitada ao sujeito passivo, para ele seria impossível fazêlo, eis que não tem poderes para tal; 9. nesse passo, esse item deve também ser cancelado por falta de aprofundamento na fiscalização. 10. quanto ao item Recursos Próprios, no valor de R$ 190.500,00, a fiscalização não considerou justificada a importância de R$155.736,25, constante da declaração de ajuste do sujeito passivo como créditos em contas corrente, porquanto o valor em questão poderia ter sido consumido para cobrir outras despesas; 11. todavia, esqueceuse que o impugnante teve outros rendimentos em aplicações financeiras que superam os R$ 800.000,00 e que facilmente cobririam o valor de R$ 190.000,00, suprindo também as despesas pessoais do sujeito passivo; 12. em vista disso, tal item deve ser excluído da tributação. 13. assim, a autoridade fiscal incorreu em erro material ao determinar com inexatidão a base tributável e, conseqüentemente, quanto ao montante do tributo devido, tornando o crédito tributário carecedor de liquidez e certeza; 14. à vista da legislação, dos fatos e das provas acostadas ao processo, a exigência fiscal não pode prosperar sob pena de se considerar desrespeitado o princípio da legalidade e o da tipicidade cerrada, inclusive, porque, sendo o ato administrativo do lançamento vinculado, a Administração Tributária não deve deixar de observar o disposto no art. 142 do CTN para que o lançamento de ofício possa produzir efeitos tributários válidos; 15. no caso destes autos, os mencionados vícios tornam o lançamento nulo de pleno direito; 16. requer sejam acatadas as alegações e as provas produzidas, para o reexame da matéria tributária, face ao equivocado lançamento, e, ao final, seja declarada a nulidade do lançamento por vício material; nos termos do art. 142 do CTN. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 6 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO INDIVIDUALIZADA DA ORIGEM. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para que um rendimento escape da tributação não basta a demonstração da fonte do crédito ocorrido na conta corrente do sujeito passivo, devendo restar evidenciada também a natureza da operação que o gerou. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1647.274 da 16ª Turma da DRJ/SP1 em 09/10/2013 (fl. 728). Sobreveio Recurso Voluntário em 06/11/2013 (fl. 729/736), desacompanhado de documentos, no qual o contribuinte ratificou as razões da impugnação quanto ao mérito, sendo que em seu recurso, deixou de alegar a nulidade do lançamento. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, é tempestivo, motivo pelo qual conheçoo e passo ao exame da preliminar e do mérito. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada e Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 741 7 Preliminarmente, sustenta o recorrente que a maioria das operações realizadas pelo sujeito passivo tiveram origem em mútuos financeiros, representados por contratos de cessão de crédito (fls. 42/59), devidamente lançados em sua declaração de rendimentos, e que estando os recursos identificados, caberia à autoridade fiscal intimar as empresas mutuárias à apresentar os correspondentes registros contábeis e não exigir do contribuinte tal providência. Compulsando os autos, no que tange ao contrato de mútuo com a empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda., verificase que o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito (fls. 161/162), assinado em 02/01/2007, em que o mesmo figura como mutuante e a empresa como mutuária, a qual foi representada pelo seu Diretor Lúcio Bolonha Funaro, isto é, pelo próprio recorrente, bem como apresentou todos os extratos bancários, apresentou ainda extrato de movimentação de mútuo com a empresa Cingular (fls. 163/186). Relativamente ao contrato de mútuo com a empresa Gallway Projetos e Energia S/A, o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito com a empresa (fls. 77/78), assinado em 02/01/2008, em que a mesma figura como mutuante e o contribuinte como mutuário, embora conste que a mutuante seria representada pelo Sr. Sérgio Guaraciaba Martins Reinas, o contrato não está assinado pela mutuante. Mesmo assim fora apresentado pelo contribuinte extratos de movimentação de mútuo (fls. 79/84), sendo o saldo inicial em 01/10/2008 de R$ 0,00, e final em 02/12/2008 de R$ 2.120.000,00, cujo mútuo não consta declarado na DAA de 2008. Faram apresentados, ainda, os extratos bancários. Da empresa Gallway S/A Securitizadora de Créditos Financeiros, verificase que o contribuinte não declarou o mutuo na DAA 2008, apresentando em fls. 59 e seguintes extrato da movimentação de mútuo e em fls. 406/449 os extratos bancários. E finalmente, quanto ao mútuo com a empresa Royster Serviços S/A, o contribuinte apresentou instrumento particular de concessão de crédito (fls. 86/87), sendo o mesmo denominado mutuário e a empresa mutuante, cujo contrato fora assinado em 02/01/2007, sendo que consta do referido que a empresa fora representada pelo próprio recorrente, o qual assinou como mutuante e mutuário. O contribuinte apresentou extratos de movimentação de mútuo (fls. 88/109) o qual fora declarado na DAA 2008. O fisco constatou uma divergência entre o contrato de mútuo e os extratos de mútuo, posto que no contrato aparece o contribuinte como mutuário e no extrato como mutuante, e intimado a esclarecer a incoerência, o contribuinte informou que houve um equívoco nos documentos enviados para análise, em que o mesmo figura como mutuário ao invés de mutuante, e apresentou novos extratos de mútuos. Apresentando, ainda, os extratos bancários. Quanto a alegação do contribuinte de que não dispunha de meios para obter os registros contábeis das supramencionadas empresas, argumenta que inobstante tenha relação com as empresas, tais documentos são de responsabilidade destas, as quais não tem qualquer obrigação de apresentar seus lançamentos ao contribuinte. Contudo, da análise dos documentos acostados pelo interessado, verificase que havia condições de o mesmo acostar tais documentos contábeis, uma vez que o próprio contribuinte trouxe aos autos os extratos de mútuo e extratos bancários das respectivas empresas, os quais são protegidos por sigilo, dependendo de autorização das respectivas para obtêlos, logo, a apresentação dos registros contábeis para fazer prova a favor do contribuinte, também poderiam e deveriam ter sido Fl. 758DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 8 juntados pelo interessado, até porque, em regra ele assinava os contratos na condição de mutuante e mutuário, o que comprova seu livre acesso a todo e qualquer documento. Assim, deixase de converter o presente julgamento em diligência, pois não assiste razão ao recorrente em argumentar, que no caso concreto, caberia à autoridade fiscal intimar as empresas mutuárias à apresentar os correspondentes registros contábeis, podendo sim, intimar o próprio contribuinte, como ocorreu, para tal providência. Razões pelas quais rejeito a preliminar. 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA No mérito, relativamente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado à comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso dos autos, relativamente ao item “DRecursos Próprios”, constante do Termo de Verificação Fiscal em fls. 680/681, o Fisco fundamenta o lançamento tecendo as seguintes considerações, conforme excertos extraídos do Relatório Fiscal: “O contribuinte apresentou como justificativa de alguns créditos, o depósito em suas contas corrente de recursos próprios mantidos em dezembro de 2007. O contribuinte informou em sua declaração de IRPF/Ex.2008, na declaração de bens e direitos, ter em seu poder em 31/12/2007 a quantia de R$ Fl. 759DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 742 9 155.736,25. Os Créditos que o contribuinte justifica com esse recurso, totalizam R$ 190.500,00, valor superior ao mantido pelo contribuinte. Além disso, apenas esta informação não é suficiente para vincular este valor aos depósitos efetuados em suas contas corrente. Considerando que o dinheiro em poder do contribuinte pode ter sido gasto para cobrir outras despesas e que nenhuma documentação foi apresentada vinculandoo de maneira inequívoca aos créditos em suas contas corrente, esta fiscalização não considera a origem destes créditos justificados.” Neste tocante, ratifico a decisão a quo por seus próprios fundamentos, tendo em vista que não foi apresentada documentação hábil e idônea que vinculasse os rendimentos declarados e os depósitos bancários objeto da tributação. Como bem asseverou a DRJ/SP1, “o fato de o contribuinte declarar o recebimento de rendimentos de valor superior ao depósito que pretende comprovar, sejam eles tributáveis, isentos ou não tributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte, não basta para justificar a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias. Não é demais reforçar que a origem dos depósitos deve ser comprovada mediante documentação que vincule cada um deles aos valores efetivamente recebidos.” A posse de numerário em espécie, informada na relação de bens da Declaração de Ajuste Anual, não se presta a justificar a origem de depósitos bancários, tendo em vista que, além de não ter sido apresentado nenhum documento comprobatório da efetiva existência de tais recursos em caixa, o interessado tampouco estabeleceu a vinculação entre a disponibilidade em dinheiro informada e os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias. No que tange aos demais valores constantes do presente item do lançamento, compulsando os autos, verificase que o contribuinte em momento algum, quer no procedimento fiscal, na impugnação ou no presente recurso, logrou comprovar a origem dos rendimentos que circularam por suas contas bancárias. Portanto, tais omissões devem ser mantidas. 002 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Extraíse do Termo de Verificação Fiscal em fls. 679/686, que “a presente ação fiscal restringiuse na análise da movimentação financeira do exercício 2009”. No entanto, conforme comprovam os documentos acostados ao processo, e o respectivo Auto de Infração, a movimentação financeira analisada referese ao anocalendário de 2008. No que concerne aos contratos de mútuos, considerou o Fisco que em relação à empresa Cingular Fomento Mercantil Ltda, “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela de mútuo com a empresa puderam ser vinculados com saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com Fl. 760DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI 10 correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar a que titulo o contribuinte recebeu estes valores, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Jurídica.” Relativamente à empresa Royster Serviços S.A., o Fisco entendeu que “os créditos depositados nas contas do contribuinte e justificados por ele, como liquidação de parcela do mútuo com a empresa Royster Serviços puderam ser vinculados com as saídas das contas corrente da empresa. Portanto, os créditos enquadrados nesta situação, estão relacionados no demonstrativo “mútuo com correspondente” e foram considerados justificados. Contudo, apesar de ter sua origem justificada, não foi apresentada nenhuma documentação para comprovar que realmente os valores tiveram origem no contrato de mútuo, tendo em vista que os lançamentos contábeis da Pessoa Jurídica não foram apresentados. Com isso, estes créditos foram considerados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica.” Em suma, para fundamentar o lançamento quanto à tais omissões, no tópico “II OMISSÃO DE RENDIMENTOS – RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA” constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 685/686), restringiuse o Fisco a argumentar que os mútuos com correspondente, “se referem aquelas origens que foram justificadas, mas não foram apresentados documentos para justificar a que título o contribuinte recebeu estes valores”. Com isso, a fiscalização considerou tais valores como “omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, conforme art. 45 do RIR/99 e art. 1º da Lei 11.482/07”. A decisão a quo, manteve o crédito tributário, com o seguinte fundamento, conforme excertos extraídos da ementa: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Para que um rendimento escape da tributação não basta a demonstração da fonte do crédito ocorrido na conta corrente do sujeito passivo, devendo restar evidenciada também a natureza da operação que o gerou.” Portanto, resta inequívoco que os presentes autos no que tange à Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, teve por base os valores depositados, nas contas correntes do recorrente e das empresas supracitadas. Através dos depósitos bancários, entendeu o Fisco que as origens restaram justificadas pelo contribuinte, no entanto, não foram apresentados documentos para justificar a que título o mesmo recebeu estes valores. Embora todas os ditos rendimentos oriundos de pessoa jurídica apurados resultaram da análise dos depósitos bancários, o Fisco optou por não utilizar a presunção legal, prevista no art. 42, supracitado, e autuou o contribuinte com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sem no entanto, apresentar qualquer prova de que efetivamente ocorreu tal omissão. Por ser assim, abrindo mão da presunção legal, cabia ao Fisco comprovar a efetiva omissão de receita. Não bastava a este alegar que o contribuinte não comprovou a que titulo o contribuinte recebeu estes valores. O simples crédito em conta corrente bancária, com a respectiva origem comprovada, não autoriza o Fisco considerar como omissão de rendimentos recebidos de Fl. 761DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI Processo nº 19515.720414/201318 Acórdão n.º 2102003.223 S2C1T2 Fl. 743 11 pessoas jurídicas, sem comprovar que tais origens deveriam ser submetidas a tributação. Neste caso, não há inversão do ônus da prova, pois não tratase de presunção legal, uma vez que cabia à autoridade fiscal provar que tais movimentações financeiras efetivamente seriam fatos geradores do imposto sobre a renda de pessoa física. No lançamento tributário, salvo no caso das presunções legais, cabe ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário ou o procedimento do sujeito passivo que se configure como infração à legislação tributária, no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. A atividade do lançamento tributário é plenamente vinculada e não comporta incertezas. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. Ademais, para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador. Por ser assim, considerando que a apuração do imposto baseouse em omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, desprovidas de provas, o Auto de Infração não pode prosperar neste item. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso para, excluir na íntegra o valor consubstanciado no item 002 que trata de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 762DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 08/02/2015 por JO SE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por ALICE GRECCHI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901511/2008-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO APURADO.
Estando evidenciada a existência de erro de preenchimento na Declaração de Compensação, consistente em se indicar, como direito creditório, pagamento a maior de estimativa em vez do respectivo saldo negativo apurado, deve a repartição de origem reexaminar o pleito, considerando aquele direito creditório como componente do saldo negativo correspondente.
Numero da decisão: 1803-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE PREENCHIMENTO. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA. SALDO NEGATIVO APURADO. Estando evidenciada a existência de erro de preenchimento na Declaração de Compensação, consistente em se indicar, como direito creditório, pagamento a maior de estimativa em vez do respectivo saldo negativo apurado, deve a repartição de origem reexaminar o pleito, considerando aquele direito creditório como componente do saldo negativo correspondente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 15 11 /2 00 8- 35 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 45 a 47): Em 12/11/2003, a Interessada transmitiu a Declaração de Compensação n° 05978.19230.121103.1.3.043108 (fls. 02/06), na qual é informado: crédito referente a pagamento indevido, em 30/12/2002 (DARF com período de apuração em 30/11/2002, código de receita 5993, vencimento em 30/12/2002, valor do principal R$ 2.775,16 e de zero o valor da multa e dos juros, sendo que a data de arrecadação se deu em 30/12/2002), de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), no valor de R$ 2.775,16, tendo sido utilizado R$ 865,26 nesta Declaração de Compensação para compensar débito de Estimativa mensal de IRPJ (código 59931), período de apuração de setembro de 2003, vencimento em 31/10/2003, no valor de R$ 1.019,36. 2. Em 05/05/2008 (fls. 07, 09 e 42), a Interessada foi cientificada do Despacho Decisório de n° de rastreamento 757788244 (fl. 08), emitido em 24/04/2008, no qual a DERAT RJO, com fulcro no que dispõem os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172/1966 (CTN) e o art. 74 da Lei n° 9.430/1996, não homologou a referida compensação declarada, diante da inexistência do crédito, uma vez que, a partir das características do DARF discriminado na Declaração de Compensação, foi localizado o pagamento n° 1355760401, arrecadado em 30/12/2002, no valor original de R$ 2.755,16, o qual foi integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/05/2008, a Manifestação de Inconformidade de fls. 10/11, com anexos de fls. 12/33, na qual alega o seguinte: “O BICHO COMEU BIJOUTERIAS LTDA., inscrita no CNPJ sob o número 31 523 566/000121 estabelecida na Av. Rio Branco, 45, Sala 1105 a 1109, Centro, Rio de Janeiro, RJ Cep 20.090003, vem, muito respeitosamente, apresentar a sua manifestação de inconformidade com o despacho decisório com rastreamento número 757788244, de 24/04/2008, pelos fatos abaixo relacionados: 1 No anocalendário de 2002, o contribuinte optou pelo recolhimento mensal do Imposto de Renda e Contribuição Social Sobre Lucro Líquido, POR ESTIMATIVA. 2 Foram recolhidos mensalmente o IRPJ por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo) 3 Foram recolhidos mensalmente o CSLL por estimativa com base na receita bruta, conforme legislação em vigor, no total nominal de R$ 22.868,56 (cópias das guias em anexo). 4 Ao Final do Exercício foi efetuado o balanço anual onde se apurou o Lucro Real Anual tributável de R$ 79.067,93, que gerou um IRPJ de R$ 11.875,51 (Ficha 06A) e CSLL de R$ 7.116,11 (Ficha 17) da DIPJ 2003. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 79 4 5 Como o contribuinte recolheu de IRPJ, durante o anocalendário, a importância de R$ 29.491,38 (cópias das guias em anexo) e o valor do IRPJ apurado com base no Lucro Real anual foi de R$ 11.875,51 (Ficha 06A da DIPJ 2003), foi gerado um CRÉDITO nominal para o contribuinte de R$ 17.615,87 6 – Com o crédito, o contribuinte teria 02 caminhos a seguir: a) solicitaria a devolução do pagamento efetuado a maior; b) faria compensação através da PER/DCOMP. Então o contribuinte optou pelo segundo caminho, ou seja, compensou os recolhimentos efetuados a maior no anocalendário de 2003. 7 – Assim, o recolhimento de R$ 2.775,16, efetuado através do DARF código 5993, apuração 30/11/2002 e vencimento em 30/12/2002, e recolhido em 30/12/2002, foi parcialmente usado para compensar o débito do IRPJ sobre lucro presumido do período de apuração Setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003, conforme PER/DCOMP numero 05978.19230.121103.1.3.043108, transmitida em 12/11/2003. 8 – A empresa esclarece que o recolhimento de R$ 2.775,16, citado no item 7 acima, referese às quitações abaixo, conforme PER/DCOMP 25878.02068.271103.1.3.048845 e PER/DCOMP 05978.19230.121103.1.3.04 3108, não constando em nosso poder qualquer outro débito que vinculasse tal recolhimento. 9 – No despacho decisório não foi mencionado o débito em que teria sido utilizado o crédito gerado pelo recolhimento do DARF, código 5993, apuração 30/11/2002 e vencimento em 30/12/2002, no valor de R$ 2.775,16, arrecadado em 31/12/2002, com valor total de R$ 2.775,16.” 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 44): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003 DCOMP. PAGAMENTO INTEGRALMENTE UTILIZADO PARA PAGAMENTO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO DECLARADA. NÃO SE HOMOLOGA. Comprovado que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar débito de estimativa de IRPJ, não restando deste pagamento crédito disponível para compensação de débito informado na DCOMP, não se homologa a compensação declarada na mesma. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 80 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 25/01/2010 (fls. 52), a tempo, em 09/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 55, instruído com os documentos de fls. 56 a 71, nele argumentando, em síntese, que o débito de Estimativa mensal de IRPJ (código 5993 1), período de apuração de setembro de 2003, vencimento em 31/10/2003, no valor de R$ 1.019,36, é inexistente, ficando sem efeito a Declaração de Compensação nº 05978.19230.121103.1.3.043108. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 81 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Constou da decisão recorrida o seguinte (fls. 49): 15. O que interessa que fique claro é que, se a Interessada tinha saldo negativo de IRPJ em 31/12/2002, era esse o crédito que ela tinha que utilizar para fazer as compensações com débitos seus, e não considerar, como créditos seus, determinados pagamentos de estimativas, como, no presente caso, o da estimativa de IRPJ de novembro de 2002, no valor de R$ 2.775,16, para o qual inexiste qualquer direito creditório da Interessada. 5. Assim, flagrantemente reconhecido, pela própria decisão recorrida, o erro de preenchimento da Recorrente na respectiva DComp, deve ser o direito creditório de R$ 865,26, pleiteado neste processo, reexaminado, pela repartição de origem, como componente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. 6. Por outro lado, não se trata – como quer fazer crer aquela decisão – de “retificar de ofício a DComp em foco” (fls. 49), mas de reconhecer a existência de erro em seu preenchimento (indicação de valor de estimativa paga, componente de saldo negativo, como “pagamento a maior”). 7. Vejase que, nas duas jurisprudências mencionadas pela decisão recorrida, de fls. 50, houve “tentativa de alteração de exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado”, o que não é o presente caso, em que, equivocadamente, pleiteouse a parte (estimativa paga) em vez do todo (saldo negativo correspondente). Fl. 81DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 15374.901511/200835 Acórdão n.º 1803002.459 S1TE03 Fl. 82 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que o direito creditório de R$ 865,26, pleiteado neste processo, seja reexaminado, pela repartição de origem, como componente do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, devendo ser observada, ainda, a eventual utilização de outros direitos creditórios, em outros processos, também sujeitos a serem reexaminados, pelo mesmo órgão, como saldo negativo de IRPJ do mesmo ano calendário, ou já tacitamente homologados, sendo que, nesse último caso, esses direitos creditórios não podem mais fazer parte daquele saldo negativo. Eventualmente, pode a autoridade local, desde logo e de ofício, e em face do alegado no recurso voluntário apresentado, reconhecer a inexistência de débito a ser compensado com a DComp objeto deste processo – se comprovada aquela alegação , resultando, nessa hipótese, na insubsistência daquela DComp para quaisquer efeitos. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11080.014496/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72).
Recurso não conhecido, face à intempestividade.
Numero da decisão: 2202-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
.
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72). Recurso não conhecido, face à intempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator . Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto nº 70.235/72). Recurso não conhecido, face à intempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. Tendo em vista a intempestividade. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 44 96 /2 00 8- 38 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.014496/200838 Acórdão n.º 2202002.911 S2C2T2 Fl. 713 3 Relatório O contribuinte supraidentificado foi autuado por omitir rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica nos valores discriminados nas folhas 5 e 6. O presente lançamento decorre da omissão de salários recebidos da Associação Encarnacion Blaya AEB, CNPJ nº 92.675.586/000102 com atividade na área de psiquiatria, onde o autuado exercia a função de Assistente Administrativo e, também, procurador da entidade. Verificou a fiscalização que o autuado exercia o cargo de Diretor da entidade, conforme descrito no Relatório Fiscal (fl.13), além de remunerar, mensalmente, outras pessoas jurídicas das quais o titular era o autuado. Foi identificado que a AEB fazia pagamentos regulares à pessoa jurídica Olinto Pereira Luz – ME, cujo nome fantasia era Fase Instalações Elétricas, CNPJ nº 94.360.898/000152, prestando serviços exclusivamente à empresa AEB. Fato idêntico ocorria com a pessoa jurídica OLP Arquitetura e Construção Ltda, CNPJ nº 01.211.159/000118, cujo quadro societário era formado pelo contribuinte e sua esposa (Beatriz Blaya Luz), também auferindo todos os rendimentos da AEB. Destaca a fiscalização que a totalidade do lucro distribuído nos anoscalendário 2004 e 2005 ao Sr. Olinto, corresponde ao valor líquido das notas fiscais emitidas pelas empresas contra a AEB. Em 04/07/2008 o autuado ajuizou reclamatória trabalhista nº 00679200600804000 contra a AEB para que fosse reconhecida sua condição de Diretor Administrativo e o salário percebido de R$15.000,00, mensais. A associação na posição de reclamada não apresentou defesa e celebrou acordo, pagando ao reclamante a quantia de R$141.000,00. Com base nestas informações a fiscalização demonstra que o autuado recebia valores superiores aos declarados, conforme quadro da folha 15. Segundo o relatório fiscal o autuado teria efetuado transações imobiliárias no ano de 2005 através da AEB, auferindo lucro de R$198.000,00 em 02/2005. O mesmo documento identifica operações circularizadas com outras empresas que indicam fraude na contabilidade da AEB, identificando depósitos feitos por pessoas jurídicas como se fossem do autuado. Em 28/07/2006 foi celebrado contrato de Dação em Pagamento de imóvel para quitar dividas da associação com o Sr. Olinto Pereira da Luz e Srª Beatriz Blaya da Luz, demonstrando débitos da entidade com o casal em valor superior aos informados na contabilidade o que seria evidência de que a divida jamais teria existido. Ainda, segundo o relatório (fl. 19) o autuado teria recebido graciosamente da AEB um direito no valor de R$536.129,47, valor pago a construtora do imóvel objeto de dação em pagamento. Da constatação de que o autuado foi beneficiário de rendimentos recebidos da pessoa jurídica AEB não informados nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2005 a 2007, anoscalendário 2004 a 2006 foi feito o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (cód. 2904) no valor de R$273.953,61. O autuado apresentou impugnação em 13/02/2009. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre – DRJ/POA ao analisar a impugnação negou provimento através do Acórdão DRJ/POÁ 1038.098 de 25 de abril de 2012, consubstanciado na ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 SIMULAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. Descabida a utilização da contabilidade da AEB como prova das alegações quando comprovado nos autos que as mesmas não refletem as operações da empresa. FATO GERADOR DO IRPF. O fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade jurídica ou econômica dos rendimentos, independente do tipo de atividade, dos serviços prestados e da forma como estes chegam ao beneficiário. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Os valores acordados em reclamatória trabalhista devem ser discriminados e homologados judicialmente. Acordos extrajudiciais não comprovam a natureza das verbas pactuadas perante o fisco Devidamente cientificado dessa decisão em 09 de maio de 2012, o contribuinte apresenta recurso voluntário em 20 de junho de 2012. É o relatório. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 11080.014496/200838 Acórdão n.º 2202002.911 S2C2T2 Fl. 714 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Antes de mais nada devemos analisar se o recurso apresentado pelo contribuintes atende aos pressupostos de admissibilidade. Nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 o contribuinte tem o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância para ingressar com o recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão Podemos verificar que o Recorrente foi devidamente cientificado da decisão da DRJ/POA em 09 de maio de 2012, ingressando com recurso voluntário em 20 de junho de 2012, ou seja o recurso foi intempestivo. Desta forma, não conheço do recurso pela sua intempestividade (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 717DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912656/2009-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/01/2006
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 31/01/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/01/2006 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 26 56 /2 00 9- 93 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 60 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 80 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 81 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.912656/200993 Acórdão n.º 3802003.763 S3TE02 Fl. 82 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.911870/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/11/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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PROMAT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/11/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 18 70 /2 00 9- 22 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (São Paulo I)/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ manteve a não homologação, porque, apesar da retificação da Dctf após o despacho decisório, não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. O Recorrente, nas razões de fls. 65 e ss., alega que a existência de decisão judicial seria suficiente para comprovar do crédito objeto da compensação. Após reproduzir parte da decisão liminar, confirmada em sentença, sustenta que esta teria reconhecido o direito dos substituídos processuais dentre os quais o Recorrente de compensar todos os valores indevidamente recolhidos à título de PIS/Pasep e de Cofins sobre a receita de medicamentos, nos termos da Lei nº 10.147/2000. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 13/02/2014 (fls. 67), interpondo recurso tempestivo em 14/02/2014 (fls. 69). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 85 3 contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 86 5 CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples afirmação de que existiria decisão judicial reconhecendo suposto direito de crédito – formulada apenas por ocasião da interposição do recurso voluntário e omitida no campo dos “dados inicias” do PER/Dcomp– é insuficiente para a reforma da decisão recorrida, quando não demonstrada documentalmente a efetiva liquidez e certeza do direito creditório. Na data da transmissão dos PER/Dcomps, vigorava a Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que, como se sabe, exige a prévia habilitação do crédito como requisito indispensável para a transmissão válida de pedido de compensação lastreado em decisão judicial: Art. 51. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 1º A habilitação de que trata o caput será obtida mediante pedido do sujeito passivo, formalizado em processo administrativo instruído com: I – o formulário Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, constante do Anexo V desta Instrução Normativa, devidamente preenchido; II – a certidão de inteiro teor do processo expedida pela Justiça Federal; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 III – a cópia do contrato social ou do estatuto da pessoa jurídica acompanhada, conforme o caso, da última alteração contratual em que houve mudança da administração ou da ata da assembléia que elegeu a diretoria; IV – cópia dos atos correspondentes aos eventos de cisão, incorporação ou fusão, se for o caso; V – a cópia do documento comprobatório da representação legal e do documento de identidade do representante, na hipótese de pedido de habilitação do crédito formulado por representante legal do sujeito passivo; e VI – a procuração conferida por instrumento público ou particular e cópia do documento de identidade do outorgado, na hipótese de pedido de habilitação formulado por mandatário do sujeito passivo. O Recorrente, além de omitir a suposta existência de decisão judicial na manifestação de inconformidade, sequer fez indicação deste fato nos “dados iniciais” do PER/Dcomp, preenchendo negativamente o campo “crédito oriundo de ação judicial”. Tal fato além de induzir em erro a autoridade julgadora a quo inviabiliza o reconhecimento da homologação, uma vez que o PER/Dcomp, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, pressupõe a correta identificação do crédito, inclusive e principalmente no tocante ao fato de ser decorrente de suposta decisão judicial. Com efeito, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Tais modalidades foram substituídas pela autocompensação, que – ao lado da compensação deofício e ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e aos débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10580.911870/200922 Acórdão n.º 3802003.743 S3TE02 Fl. 87 7 A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais. (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque não foi identificada corretamente a origem do crédito nem demonstrada a sua liquidez e certeza. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11128.000651/00-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE.
A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exige-se, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Negado.
Numero da decisão: 9303-002.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Joffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Henrique Pinheiro Torres - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CONSULTA GENÉRICA. EFEITOS. AUSÊNCIA. PROCEDIMENTO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. LAVRATURA. POSSIBILIDADE. A apresentação de consulta sobre a correta interpretação da legislação tributária impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que considerada eficaz. Para ser considerada eficaz, exigese, dentre outros, que a consulta esteja circunscrita a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria e, ressalvada a hipótese de matérias conexas, não suscite questões sobre mais do que um tributo ou contribuição. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva (Relator), Nanci Gama, Daniel Mariz Gudiño, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Joffmann. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 06 51 /0 0- 35 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Em Recurso Especial de fls. 271/280, recebido pelo Despacho nº 3100006 de fl. 307, insurgese a Contribuinte contra o acórdão de fls. 135/138, retificado pelo acolhimento dos Embargos de Declaração à fls. 257/261, que, unanimemente, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte para excluir do auto de infração os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação. O acórdão recorrido traz a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Importação – II Data do fato gerador: 05/04/1999 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — BENS TRAZIDOS A BORDO PARA MANUTENÇÃO DA TRIPULAÇÃO — Os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação não se enquadram no conceito de produto importado para fins de tributação. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO” Salientese que por ocorrência do acolhimento dos Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte, foi sanada a contradição arguida, alterando o texto em que o acórdão negou provimento ao Recurso Voluntário para conceder Provimento Parcial ao Recurso Voluntário, tendo em vista a fundamentação do voto condutor contradizerse com o dispositivo do acórdão recorrido. Aduz a Recorrente, que além de ter recolhido o tributo discutido, o auto de infração não poderia ter sido lavrado em razão de à época ainda pender solução de consulta em face da IN nº 137/98, realizada sobre a tributação objeto do lançamento. Neste sentido, traz aos autos acórdão paradigma do Recurso nº 128.613. Segue aduzindo que a teor do artigo 48 do Decreto nº 70.235/72, transcrito à fl. 277, a autoridade fiscal somente poderia autuar a Contribuinte sobre tributos objetos de consulta a partir de 30 (trinta) dias da ciência da sua solução. Transcreve julgado paradigmático à fl. 278. Por fim, pede requer a reforma do acórdão recorrido para declarar nulo o auto de infração vergastado. Contrarrazões às fls. 310/316. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 320 3 Argumenta a Fazenda Nacional que a consulta feita pela contribuinte nem sequer fora considerada eficaz pela administração tributária. Isto porque o Despacho Provisório SRRF 08/Disit, anexo às fls. 105/109, cujo trecho encontrase transcrito à fl. 312, declarou a ineficácia da consulta realizada pela contribuinte, tendo em vista não tratar de questões relativas à interpretação de dispositivos da legislação aplicáveis às circunstâncias descritas e, não obstante, visa atingir todos os tributos e contribuições a que se encontra sujeita a interessada por força da IN SRF nº 137. de 1998. Neste passo, transcreve à fl. 314 art. 52 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, transcreve julgado do Processo nº 11128.000653/0061, da mesma contribuinte, cujo não provimento do Recurso intentado teve a mesma fundamentação argüida nessas Contrarrazões. Finalmente, requer a mantença do acórdão recorrido e o não provimento do Recurso Especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como mencionado no relatório, foram interpostos Embargos de Declaração sob o pálio da contradição já que o Acórdão nº 30132.576/2006 não concatena logicamente os fundamentos da decisão e o seu resultado, tornando infringentes, a unanimidade, os efeitos, para considerar os bens e provisões de bordo destinados ao uso e consumo da tripulação, passageiros e terceiras pessoas, como não enquadrados no conceito de produto importado para fins de tributação. A Recorrente, tendo como atividade principal a realização de cruzeiros marítimos nacionais com fins turísticos, comercializa produtos em lojas de conveniência, bares e restaurantes presentes no navio além de prover a própria tripulação de líquidos e comestíveis. Os produtos lançados no Auto de Infração de fls.01/13 dizem respeito às Bebidas da Lei nº 7.798/89 e do Decreto nº 97.976/89 correspondentes a refrigerantes e refrescos. Alega a Recorrente que o Auto de Infração não poderia ter sido lavrado, uma vez que na época de sua lavratura ainda não havia sido respondida consulta de que trata o art. 48 do Decreto nº 70.235/72 formulada com base na IN nº 137/98. A solução da consulta se deu em 26.04.2002 e o Auto de Infração foi lavrado em 18.02.2000. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 De fato, a consulta fiscal formulada somente produzirá efeitos se não infringir o contido nos incisos do art. 51 do Decreto nº 70.235/72 e, no caso presente, observo das fls. 39/42 que a mesma se lastreia em dirimir dúvidas quanto a adequação da IN nº 137/98 aos procedimentos de consumo decorrentes das atividades de cruzeiros marítimos com fins turísticos. Os incisos V e VI do Decreto nº 70.235 esclarecem a não produção de efeitos para a consulta formulada quando o fato estiver disciplinado em ato normativo e/ou em disposição literal de lei publicados anteriormente à sua apresentação. São peculiares e pontuais as dúvidas articuladas pela consulente haja vista que, receita, consumo e responsabilidade, assumem características diferenciadas das incidências ocorridas em estabelecimentos fixos nacionais, mesmo assim a IN nº 137/1998 que serviu de base para a consulta, tem o seguinte objeto: “Art. 1º A entrada de navio estrangeiro no território nacional e a sua movimentação pela costa brasileira, em viagem de cruzeiro eu incluir escala em portos nacionais, bem assim a as atividades de prestação de serviços e comerciais, inclusive relativas a mercadorias de origem estrangeira, destinadas ao abastecimento da embarcação e à venda a passageiros, serão submetidos ao tratamento tributário e ao controle aduaneiro estabelecidos nesta Instrução Normativa.” Nesse passo, é de fácil constatação que o objeto da IN se enquadra perfeitamente à atividade da ora recorrente, restando saber se o Despacho Provisório SRRF 08/Disit, anexo às fls. 105/109, cujo trecho encontrase transcrito à fl. 312, teve de fato pertinência ao declarar a ineficácia da consulta por ser genérica. A consulta formulada foi destinada à interpretação e aplicação da IN nº 137/98, como já mencionado, e requer resposta para a forma de apuração dos tributos IRPJ; IRF; CSSL; II, PIS e COFINS. Transcrevo parte da consulta que possibilitará o entendimento quanto a sua eficácia ou não, fls. 40/41: “IV) Tais serviços colocados à disposição dos passageiros, não são de titularidade do armador do navio, mas sim de terceiros que, via de regra, possuem contrato mundial com a armadora, para a exploração de serviços nos navios. Por exemplo, a titular da loja de conveniência é uma empresa americana, que possui uma concessão para toda a frota de propriedade do grupo italiano a que pertence a consulente. Os prazos de tais concessões vão além da temporada brasileira, em média 4 meses por ano. (...) existem cruzeiros diferenciados, sendo alguns de cabotagem e outros internacionais; (...) ocorre em alguns casos, uma curta permanência da embarcação em Costa Brasileira, em prazo inferior, ao prazo de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 321 5 recolhimento dos tributos, restringindo a apresentação, por ocasião da saída da embarcação dos documentos solicitados; a apuração, individual, por concessionário deverá requerer a permanência, na embarcação, de uma administração e contabilidade independentes; dentre os vários grupos concessionários, existem aqueles, cujo país firma acordo com o Brasil, objetivando evitar a bitributação, os quais deverão requerer, na forma aplicável, tratamento tributário específico;”. Transcrevo igualmente algumas perguntas: “1º) Devemos efetuar controles solicitados de forma individualizada, por concessionário? (...) 4º) Como tratar os serviços prestados entre estrangeiros? (...) 7º) Dentre as despesas dedutíveis do concessionário, relativos a mão de obra, aluguel, etc, quais serão os documentos aceitos?” Constato, portanto, que os aspectos consultados merecem consideração do Fisco em razão da consistência lógica que representam e porque, sob minha ótica, a IN nº 137/98 não explicita completamente as dúvidas arguidas. Diante do exposto, voto no sentido de conceder provimento ao Recurso Especial articulado pela Contribuinte. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate cingese à questão dos efeitos protetivos da consulta apresentada pelo Sujeito Passivo. Segundo entendimento da Parte e do i. Relator do Processo, vez que versasse sobre matéria coincidente com a que fundamenta o Auto de Infração, a apresentação da consulta impediria o Fisco de instaurar qualquer procedimento fiscal contra o consulente, e, por conseguinte seria nulo o auto de infração lavrado nessas circunstâncias. Desse entendimento, com o devido respeito e as desculpas de estilo, ouso divergir, pelas razões a seguir aduzidas. É de sabença geral que, nos termos da Lei, a consulta eficaz impede a instauração de procedimento fiscal contra o consulente, relativamente à espécie consultada. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Para ser considerada eficaz, a consulta deverá, dentre outros requisitos, referirse a dispositivos da legislação tributária aplicáveis a (i) fato determinado, (ii) não definidos em disposição literal de lei, (iii) nem disciplinado em ato normativo. O conceito aberto encontrado no artigo 46 Decretolei 70.235/72 sob o signo “fato determinado” foi especificado no texto da Instrução Normativa nº 02/97, vigente à época, nos seguintes termos. Art. 3º (...) § 1º A consulta será feita mediante petição e deverá atender os seguintes requisitos: (...) III circunscreverse a fato determinado, descrevendo suficientemente o seu objeto e indicando as informações necessárias à elucidação da matéria; IV indicação dos dispositivos que ensejaram a apresentação da consulta, bem assim dos fatos a que será aplicada a interpretação solicitada. (...) Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. Encontrase nos autos a consulta protocolada pela interessada (folhas 106 (121 eProc) e seguintes). Nela buscase esclarecimentos acerca do (i) dever de efetuar os controles forma individualizada ou por concessionário, (ii) requerer tradução juramentada à documentação que suporta as operações (iii) periodicidade da apuração e levantamentos de mercadorias, (iv) forma de tratamento dos serviços prestados a estrangeiros, local de manutenção dos controles e documentos e (v) espécies de despesas dedutíveis. Mais do que um aspecto merece ser examinado. Primeiro, como já se vinha delineando, a teor do disposto no artigo 5º da Instrução Normativa nº 02/97, que, como disse, atribuiu conteúdo normativo específico ao conceito aberto encontrado no Decreto 70.235/72, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. No caso concreto, os diversos Tributos e Contribuições relacionados no artigo 1º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa nº 137/98 têm relação de dependência com os questionamentos apresentados na Consulta. A seguir o texto do parágrafo 4º do artigo 1º da IN 137/98: § 4º Os impostos e contribuições devidos em virtude do disposto nesta Instrução Normativa serão pagos mediante Documentos de Arrecadação de Tributos e Contribuições Federais DARF, com os seguintes códigos de receita: a) IRPJ 7756; b) CSLL 7837; c) II 7730; Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 322 7 d) IPI 7743; e) PIS/PASEP 7797; f) COFINS 7784; g) IRF 7769. O artigo 10 da Instrução Normativa 02/97, cuja base legal encontrase no artigo 48 do DecretoLei 70.235/72, afasta a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, desde que a consulta seja eficaz, o que, por sua vez, depende da observância do disposto no artigo 5º. Art. 5º Ressalvada a hipótese de matérias conexas, não poderão constar, de uma mesma petição, questões sobre mais de um tributo ou contribuição. (...) Art. 10. A consulta eficaz impede a aplicação de penalidade relativamente à matéria consultada, a partir da data de sua protocolização até o trigésimo dia seguinte ao da ciência, pelo consulente, da decisão que a soluciona, desde que o pagamento ocorra neste prazo, quando for o caso. (...) Art. 11. Não produz efeitos a consulta formulada: I com inobservância dos arts. 2º a 5º; Tratase de uma razão material e insofismável a determinar a ineficácia da Consulta interposta, subtraindolhe os efeitos pretendidos. Noutro giro, relendo os questionamentos feitos pela Recorrente na Consulta correspondente, encontro grande dificuldade em não compreendêlos como generalidades, dissociados de uma dúvida específica sobre a legislação tributária aplicável ao caso concreto. Perceboos, em lugar disso, muito mais como indagações acerca da forma de organização apropriada para atender o que determinado na Norma Legal. Quanto a isso, andou muito bem a decisão de origem ao esclarecer porque a consulta interposta pela Recorrente não atendia à condição de eficácia estabelecida na legislação tributária. A seguir excerto extraído do Despacho Decisório SRRF08/Disit, folha 116 (131 – eProc). Primordialmente, há que se considerar que a interessada ora não apresenta propriamente questões sobre a interpretação dos dispositivos da legislação tributária aplicáveis As situações a que se refere na inicial e que, em principio, não lhe seriam claros. Ao contrário, suas indagações, que bem por isso achou se oportuno acima transcrever literalmente, reportamse basicamente a aspectos operacionais, em particular quanto ao registro, escrituração contábil e procedimentos correlatos aplicáveis às operações realizadas a bordo dos navios, expressando apenas suas dificuldades para adaptarse as Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 exigências da IN SRF n° 137, de 1998, adaptação essa, ressalte se, até tardia, pois já há alguns anos deveria estar agindo como previsto naquele diploma. Não são, porém, ressaltese, dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária aplicável, descabendo sua apreciação em processo de consulta. Seguindo adiante, quero crer que as questões suscitadas pela Consulente possam também ser reconhecidas como fatos já definidos na legislação tributária1 e no direito privado. Isso pode ser deduzido das considerações finais do Despacho Decisório SRRF08/Disit, quando refere que a escrituração deve obedecer aos princípios aplicáveis ao registro e escrituração contábeis das operações próprias, conforme RIR/99, artigos 268, 269, bem assim, as normas gerais relativas conservação de documentos, papéis e comprovantes em que se fundamentem os referidos registros, conforme RIR/99, artigo 264. Outra ponderação que merece ser feita, é que, a todo rigor, não é o Processo Administrativo Fiscal o expediente apropriado para discutir a condição de eficácia da consulta interposta pelo administrado. Pelo menos é o que depreendo das disposições do artigo 7º da Instrução Normativa nº 02/97. Art. 7º A solução da consulta ou a declaração de sua ineficácia, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, compete à: (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) I Superintendência Regional da Receita Federal, exceto nas hipóteses dos incisos II e III; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) II CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, nos casos de consultas formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, exceto na hipótese referida no inciso seguinte; (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997 ) III CoordenaçãoGeral do Sistema Aduaneiro, nos casos de consultas sobre classificação fiscal de mercadorias, formuladas por órgão central da Administração Federal ou por entidade representativa de categoria econômica ou profissional de âmbito nacional, independentemente da sua finalidade se relacionar a tributo interno ou sobre o comércio exterior. (Redação dada pela IN SRF n º 83/97, de 31/10/1997) Com efeito, o que deve ser decidido aqui diz respeito à regularidade das ações praticadas pelo contribuinte à luz das disposições normativas vigentes à época dos fatos. Se existiam normas que determinassem os procedimentos exigidos pelo Fisco no Auto de Infração e se eles estavam suficientemente esclarecidos na legislação. Salvo melhor juízo, os efeitos em si da consulta ineficaz não podem mais ser revistos. Tratase de outro rito processual. Por fim, necessário acrescentar que a legislação tributária previne a instauração de procedimento fiscal contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada. acontece, porém, que segundo informa o Auto de Infração, a Fiscalização Federal apurou a 1 Art. 52. Não produzirá efeito a consulta formulada: V quando o fato estiver disciplinado em ato normativo, publicado antes de sua apresentação; VI quando o fato estiver definido ou declarado em disposição literal de lei; Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000651/0035 Acórdão n.º 9303002.449 CSRFT3 Fl. 323 9 utilização de alíquota incorreta e acréscimo de mercadoria em ato de conferência documental das Declarações Simplificadas de Importação, infrações que não parecem guardar estrita relação com o objeto genérico especificado na consulta interposta. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Especial apresentado pelo Sujeito Passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 01/08/ 2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904222/2009-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSOS. TEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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RECURSOS. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso interposto após o trintídio estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 22 /2 00 9- 17 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegrettirelatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Fenelon Moscoso de Almeida, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti Relatório Tratase de despacho de nãohomologação de compensação pela autoridade administrativa, em razão da não confirmação da existência do crédito informado, pois o pagamento consubstanciado no DARF discriminado pelo contribuinte no PER/DCOMP, foi utilizado integralmente para quitar débito anterior. Em sede de manifestação de inconformidade, alegou, em síntese, que os valores que pretende compensar se originaram de recolhimentos indevidos sobre valores repassados a terceiros (art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98). Disse que não havia necessidade de norma regulamentadora para que o dispositivo em questão tivesse eficácia. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a manifestação de inconformidade, sob o argumento de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, foi revogado sem nunca ter sido regulamentado, sendo descabido o reconhecimento do direito de crédito com base nesse dispositivo porque ele nunca teve eficácia. Regularmente notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte recorreu a este Conselho, alegando, em síntese, que: 1) a exigibilidade do crédito tributário está suspensa, em face dos recursos interpostos; 2) inexigibilidade do arrolamento de bens; 3) não concorda com a necessidade de habilitação prévia do crédito, nos termos da IN 517/2005, pois tal exigência não consta da Lei nº 9.430/96; 4) discorreu sobre o histórico das normas que regularam a compensação e afirmou seu direito à compensação do PIS recolhido com base nos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11030.904222/200917 Acórdão n.º 3403003.505 S3C4T3 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator Conforme se verifica nos autos, o contribuinte foi notificado da decisão de primeira instância em 28/09/2011. O art. 33 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que o prazo para recurso voluntário é de trinta dias, contados da ciência da decisão de primeira instância. Considerando que o recurso foi postado nos Correios apenas em 03/11/2011, ele é manifestamente intempestivo. Com esses fundamentos, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13362.720684/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE.
Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida - Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente -, oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente.
Recurso de Ofício Negado.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2101-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: EDUARDO DE SOUZA LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida - Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente -, oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 2 1 1 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13362.720684/200949 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2101002.608 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KR AGROPECUÁRIA E COMÉRCIO LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Tendo a Contribuinte comprovado satisfatoriamente a alienação de parte da área do imóvel, por meio de documentação válida Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente , oImposto sobre a Propriedade Territorial Rural deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente. Recurso de Ofício Negado. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. RELATOR EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, ANTONIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 36 2. 72 06 84 /2 00 9- 49 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 CESAR BUENO FERREIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício em face do Acórdão de nº 03044.460 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 36/43), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte, mantendose, em parte, o crédito tributário lançado. No caso, consta nos autos que, mesmo após ser regularmente intimado, o sujeito passivo não apresentou os documentos que confirmassem o Valor da Terra Nua (VTN) lançado na DITR/2005, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Teresa”, cadastrado perante a RFB sob o NIRF 6.389.5757, localizado no Município de Bom Jesus (PI). Em consequência, a fiscalização alterou o valor do VTN no citado imóvel, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB, restando arbitrado em R$ 6.676.223,40, disto resultando o imposto suplementar de R$ 1.334.744,68. Neste sentido foi emitida a competente Notificação de Lançamento nº 03302/00041/2009 contra a Interessada/Contribuinte, por meio da qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2005, acrescido de juros moratório e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 3.019.592,88. Na Impugnação, a Contribuinte legal juntou documentos e apresentou seus argumentos de defesa, que foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “(...) o ITR/2005 que está sendo cobrado da contribuinte referesea imóvelconstituído por duas fazendas (Fazenda Santa Teresa, com área de 48.220,0 ha e FazendaLagoa dos Patos III, com área de 15.200,0 ha); Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 3 3 partes dessas fazendas foram vendidas e parcialmente readquiridas, de forma que, no exercício 2003, a área total do imóvel rural em nome da empresa era de 33.683,9ha e não 63.420,0 ha; comoa área do imóvel rural em nome da empresa passou a ser de 33.683,9 ha, a partir do exercício 2003, de acordo com as escrituras de compra e venda apresentadas, o recolhimento dos valores lançados seria desproporcional; Por fim, requereu: sejarecalculado o imposto com a área de 33.683,9 ha; nãoseja cobrado o débito fiscal e seja retirada a respectiva multa. (...)” (fls. 38). A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento daDelegacia da Receita Federal em Brasília(DF),restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL Cabe reduzir a área total inicialmente declarada, em razão de alienaçõesparciais, as quais foram comprovadas com documentação hábil, nosmoldes da legislação pertinente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Consubstanciada nas provas juntadas aos autosque confirmavama alienação de 13.100,0 ha da área do imóvel,o Colegiado de Primeira Instância admitiu a reduçãoda sua área total para 50.320,0 hectares, situação que refletiu na diminuição doimposto suplementar apurado, restando mantido o valor do VTN/ha arbitrado, que sequer foi impugnado. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Desta feita, apenas em face de Recurso Oficial o procedimento foi submetido à apreciação deste Colendo Conselho, tendo sido distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade. Diante dos elementos de prova acostados aos autos, o julgador de primeira instância entendeu que houve a efetiva alienação de parte do imóvel denominado inicialmente de “Fazenda SantaTeresa”, localizado no município de Bom Jesus – PI, razão pela qual a incidência do Imposto sobre a PropriedadeTerritorial Rural – ITR, exercício de 2005, só deveria ser mantida sobre a área remanescente. No caso, restou alterada a área total atribuída ao imóvel, de 63.420,0 hectares para 50.320,0 hectares, em face da comprovaçãoda alienação de 13.100,0 ha, reduzindose, assim, o imposto suplementar apurado pela fiscalização do montante de R$ 1.334.744,68 para R$ 635.162,37, acrescido de juros de mora da multa de 75%, inobstante mantido o valor do VTN/ha arbitrado. Na verdade, observando as certidões de inteiro teor dos imóveis rurais juntadas ao feito (fls. 16/20), referentes às Fazendas “Lagoa dos Patos” e “Santa Tereza II”, apresentadas como desmembramentos do imóvel inicialmente verificado (Fazenda SantaTeresa), constatamos que houveram sucessivas alienações (no montante de17.700 ha) e uma posterior aquisição (de 4.600 ha) em tais imóveis – até o ano/exercício fiscalizado, culminando no total de 13.100,0 hectares a serem abatidos da área declarada de 63.420,0 ha. Por outro lado, a Contribuinte não juntou aos autos qualquer documento que comprovasse a alienação inicial da“Fazenda Santa Teresa”, correspondendo a áreade 48.219,98 ha, e aquisição posterior de 31.583,98 hectares, que supostamente conformaria a “Fazenda Santa Tereza II”, impedindo aanálise das alegações quanto a estas operações. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 4 5 Ora, sendo o ônus da prova da Contribuinte, conforme sistema de repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto nº 70.235/1972, norma que rege o processo administrativo fiscal, no seu artigo 16, inciso III, e de acordo com o artigo 333 do Código de Processo Civil, aplicável à espécie de forma subsidiária, não se concebe alegativas desprovidas do respectivo respaldo assecuratório. Destarte, verificase que foram carreados aos autos Certidões emitidas pelo Cartório de 1º Ofício do Município de Bom Jesus, no Estado do Piauí (fls. 16/20) onde não se observa histórico da alienação daárea de 48.219,98 ha e posterior aquisição de 31.583,98 ha no imóvel rural denominado Fazenda Santa Tereza. De todo modo, restando comprovada a alienação de parte da área do imóvel, cerca de 13.100,0 hectares, por meio de documentação válida – Certidões emitidas pelo Cartório de Registro de Imóveis competente –, o tributo deverá incidir apenas sobre a extensão territorial remanescente, correspondendo a 50.320,0 hectares. Vejamos algumas ementas deste Colendo Conselho, neste sentido: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2007 ITR. ALIENAÇÃO DE PARTE DO IMÓVEL. INCIDÊNCIA SOMENTE SOBRE A PARTE REMANESCENTE. Comprovada a alienação de parte da área do imóvel, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR incide apenas sobre a parte remanescente. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 2101002.503, Processo nº 13362.720686/200938, Relator Cons. ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, 1ªTO/1ªCÂMARA/2ªSEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 07/08/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA LANÇADO COM BASE EM LAUDO TÉCNICO. Sendo o valor fundiário do imóvel considerado no lançamento foi determinado por Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, apresentado pelo contribuinte, descabe qualquer impugnação acerca desse aspecto no lançamento. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ALIENAÇÃO PARCIAL DE IMÓVEL. COMPROVAÇÃO. A alienação de imóvel e consequente redução da área tributável para fins de ITR se prova pelos meios admitidos em direito, não sendo para tanto meio exclusivo a averbação A. margem da inscrição da matricula do imóvel, no registro competente, notoriamente porque tanto a propriedade quanto a posse de imóvel materializam a hipótese de incidência do tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão nº 2102002.470, Processo nº 10384.720190/200756, Relator Cons. RUBENS MAURICIO CARVALHO, 2ªTO/1ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 08/07/2014 grifamos); Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2003 ITR ILEGITIMIDADE PASSIVA Comprovada a alienação, e o respectivo registro em cartório do imóvel objeto do lançamento, acompanhado do fato de não constar do título de aquisição a prova de quitação dos tributos, para os efeitos do art.130 do Código Tributário Nacional, ficou transferida para os adquirentes a responsabilidade tributária sucessória pelo ITR devido. (Acórdão nº 2202002.522, Processo nº 10540.720156/200731, Relator Cons. FABIO BRUN GOLDSCHMIDT, 2ªTO/2ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 14/02/2014); Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1990 SUJEIÇÃO PASSIVA. Comprovado nos autos que a alienação do imóvel que serviu de base para a exigência do ITR foi realizada em data anterior ao lançamento, este se torna insubsistente por figurar o alienante no polo passivo da obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2802002.069, Processo nº 10880.042022/9081, Relator Cons. JACI DE ASSIS JUNIOR, 2ªTE/2ª SEJUL/CARF/MF, Data de Publicação: 25/02/2013). Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13362.720684/200949 Acórdão n.º 2101002.608 S2C1T1 Fl. 5 7 Acompanhando os precedentes deste Conselho com mesmo posicionamento em casos similares, não há reparos a fazer à decisão recorrida. Ante todo o exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentindo de negar provimento ao recurso de oficio. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 15/12/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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