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Numero do processo: 11080.918316/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 16 /2 01 2- 75 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918316/201275 Acórdão n.º 3801003.463 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918316/201275 Acórdão n.º 3801003.463 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918316/201275 Acórdão n.º 3801003.463 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918316/201275 Acórdão n.º 3801003.463 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918316/201275 Acórdão n.º 3801003.463 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.901851/2006-57
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 51 /2 00 6- 57 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 89/93 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901851/200657 Acórdão n.º 3802003.358 S3TE02 Fl. 128 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 125). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 95/115, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901851/200657 Acórdão n.º 3802003.358 S3TE02 Fl. 129 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10783.722207/2012-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma.
Numero da decisão: 1803-002.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-002.095, de 11.03.2014, afastando a omissão, sem, contudo, alterar o decidido, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir omissão sobre ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.095, de 11.03.2014, afastando a omissão, sem, contudo, alterar o decidido, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 308311, com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.670,39, a título de Imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 22 07 /2 01 2- 74 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.294 S1TE03 Fl. 557 2 Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e juros de mora, apurado pelo regime tributário do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional no anocalendário de 2008. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de receitas de depósitos bancários não escriturados; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 312316 a exigência do crédito tributário no valor de R$22.453,61 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e juros de mora. III – O Auto de Infração às fls. 317319 a exigência do crédito tributário no valor de R$24.670,39 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e juros de mora. IV – O Auto de Infração às fls. 320323 com a exigência do crédito tributário no valor de R$73.521,32 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e juros de mora. V O Auto de Infração às fls. 324327 com a exigência do crédito tributário no valor de R$17.406,21 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e juros de mora. VI O Auto de Infração às fls. 328331 com a exigência do crédito tributário no valor de R$210.931,06 a título de Contribuição Patronal Previdenciária e juros de mora. Houve a emissão do Ato Declaratório Executivo DRF VIT nº 98, de 13.09.2012, que excluiu a pessoa jurídica do Simples Nacional por ter excedido o limite de receita bruta anual. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 411427. Está registrado como ementa do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 12 52.836, de 19.02.2013, fls. 480486: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 SIGILO BANCÁRIO. A entrega dos extratos bancários pelo próprio contribuinte à fiscalização não caracteriza quebra de sigilo de dados. RECEITA OMITIDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É do contribuinte o ônus de provar que os ingressos de recursos em sua conta bancária não são oriundos de Fl. 563DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.294 S1TE03 Fl. 558 3 receitas. Sem esta prova, presumese, por determinação legal, que os valores depositados constituem receita. SIMPLES. EXCLUSÃO. Confirmado que a receita anual ultrapassou o limite estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício do regime. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 01.03.2013, fl. 489, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 21.03.2013, fls. 491510, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, inclusive sobre a aplicação da multa de ofício proporcional. Consta como ementa do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.095, de 11.03.2014, fls. 535539: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário:2008 SIMPLES. EXCLUSÃO. Ultrapassado o limite de receita bruta anual estabelecido na lei que rege o regime do Simples Nacional, é devida a exclusão de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Inexistente a comprovação da origem dos créditos/depósitos bancários reputamse como receitas omitidas nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. No Voto condutor consta: “Por derradeiro, com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício (75%), tal análise implica apreciação da constitucionalidade da lei tributária o que é defeso a este colegiado julgador administrativo, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: [...] o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cientificada, a pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, opôs embargos de declaração, fls. 545547, argumentando, em síntese que: “ocorre que [...] não foi apreciado [...] o pedido de suspensão e/ou redução do valor da multa aplicada e tampouco justificada a sua aplicação no percentual de 75%”. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.294 S1TE03 Fl. 559 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os embargos de declaração opostos pela pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Assim, deles tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, aduz, em síntese que: “ocorre que [...] não foi apreciado [...] o pedido de suspensão e/ou redução do valor da multa aplicada e tampouco justificada a sua aplicação no percentual de 75%”. Restou identificada de forma clara, explícita e congruente a omissão que é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Para melhor espelhar a situação dos autos, devem ser rerratificados os seguintes trechos do Acórdão embargado como segue: De: No Voto condutor do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.095, de 11.03.2014, fls. 535539, consta: Por derradeiro, com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício (75%), tal análise implica apreciação da constitucionalidade da lei tributária o que é defeso a este colegiado julgador administrativo, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: [...] o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Para: A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo do tributo antes do início Fl. 565DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.294 S1TE03 Fl. 560 5 de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratados nos autos1. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância2. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso3. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade4. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 1 Fundamentação Legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 21 do Decretolei nº 401, de 30 de dezembro de 1968, bem como art. 7º do Decreto 70. 235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. 3 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 4 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.722207/201274 Acórdão n.º 1803002.294 S1TE03 Fl. 561 6 nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por acolher os embargos de declaração opostos pela pessoa jurídica, Ewem Granitos Eireli EPP, para rerratificar o Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.095, de 11.03.2014, afastando a omissão, sem, contudo, alterar o decidido. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 567DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/08/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 15374.986564/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
SALDO NEGATIVO DE IRPJ - VARIAÇÃO CAMBIAL - REGIME DE CAIXA - IRRF MENSAL COME-QUOTAS
As receitas de variação cambial podem ser tributadas na sua realização efetiva (regime de caixa), como permite a lei. O IRRF retido mensalmente no regime de come-quotas sobre aquelas receitas (em fundo cambial) compõe o saldo negativo de IRPJ do período de apuração da retenção, mesmo que nesse período tais receitas não tenham sido ainda oferecidas à tributação do IRPJ, por não realização efetiva delas. Isso é da sistemática decorrente do regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos. Por outro lado, a referida dedução do IRRF é cabível, desde que comprovado o oferecimento à tributação de IRPJ daquelas receitas, na sua realização efetiva, em período de apuração posterior ao da retenção do IRRF.
No caso, resultaram comprovados esse oferecimento à tributação de IRPJ, e o valor total do IRRF deduzido (come-quotas mensal).
Numero da decisão: 1302-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ficou vencido na proposta de resolução para que os autos fossem baixados à Unidade de Origem para confirmação do crédito. O Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva declarou-se impedido.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga da Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 SALDO NEGATIVO DE IRPJ VARIAÇÃO CAMBIAL REGIME DE CAIXA IRRF MENSAL COMEQUOTAS As receitas de variação cambial podem ser tributadas na sua realização efetiva (regime de caixa), como permite a lei. O IRRF retido mensalmente no regime de comequotas sobre aquelas receitas (em fundo cambial) compõe o saldo negativo de IRPJ do período de apuração da retenção, mesmo que nesse período tais receitas não tenham sido ainda oferecidas à tributação do IRPJ, por não realização efetiva delas. Isso é da sistemática decorrente do regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos. Por outro lado, a referida dedução do IRRF é cabível, desde que comprovado o oferecimento à tributação de IRPJ daquelas receitas, na sua realização efetiva, em período de apuração posterior ao da retenção do IRRF. No caso, resultaram comprovados esse oferecimento à tributação de IRPJ, e o valor total do IRRF deduzido (comequotas mensal). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Waldir Veiga Rocha e Eduardo de Andrade acompanharam o Relator pelas conclusões. O Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior ficou vencido na proposta de resolução para que os autos fossem baixados à Unidade de Origem para confirmação do crédito. O Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 98 65 64 /2 00 9- 07 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga da Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relatório ICATU HOLDING S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1242.718, de 08/12/2011, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Versa este processo sobre pedido de compensação apresentado à antiga Secretaria da Receita Federal (“SRF”), na qual informou a utilização de parte (R$ 459.412,84) do crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado pela empresa Ituaçu Participações Ltda. (“Ituaçu”), da qual a Recorrente é sucessora, no encerramento do período compreendido entre 01/01/2000 e 31/12/2000, no valor de R$ 1.798.047,33. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro (“DERAT/RJ”), através do Despacho Decisório nº 854.500.386, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nele identificado, por entender que: (i) embora a Ituaçu tivesse informado, na ficha 43 da sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”), ter sofrido retenções de Imposto de Renda Retido na Fonte (“IRRF”) no montante de R$ 2.708.758,61, apenas teria sido confirmada a retenção efetuada pela fonte pagadora de CNPJ nº 31.265.903/000128, no montante de R$ 1.016.783,98, o que reduziria o saldo negativo apurado de R$ 1.798.047,33 para apenas R$ 106.307,29. (ii) o saldo negativo apurado após a exclusão da parcela do IRRF não comprovada já teria sido utilizado em DCOMP anterior, formalizada em 31/10/2002, no valor de R$ 1.338.634,48. O interessado, cientificado em 22/12/2009, apresentou, em 21/01/2010, manifestação de inconformidade, por meio do qual tentou demonstrar que: a) o crédito pleiteado no DCOMP correspondeu ao saldo negativo de IRPJ formado a partir do IRRF incidente no períodobase compreendido entre 01/01/2000 e 31/12/2000 sobre os rendimentos atrelados à variação cambial dos ativos vinculados ao fundo Fundo Icatu – XVI Cambial Fundo de Investimento (“Icatu Cambial”); Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 15374.986564/200907 Acórdão n.º 1302001.401 S1C3T2 Fl. 286 3 b) embora o referido IRRF tenha incidido sobre a variação cambial mensal dos ativos do Icatu Cambial, independentemente da efetiva liquidação dos referidos ativos, o IRPJ apurado no encerramento do períodobase apenas incidiu sobre a parcela da variação cambial realizada, ou seja, aquela embutida nos ativos cambiais resgatados, já que a Ituaçu, nos termo do artigo 30 da Medida Provisória nº 1.85810, de 26/10/1999 (editada pela última vez em 24/08/2001, sob o nº 215835), adotou o regime de caixa na tributação das variações cambiais; c) de 01/01/2000 a 31/12/2000, a variação cambial e respectivo IRRF relativo aos ativos cambiais vinculados ao Icatu Cambial totalizaram R$ 9.216.626,58 e R$ 1.848.325,26, respectivamente; desse total, a variação cambial com tributação diferida (porquanto ainda não realizada) e respectivo IRRF corresponderam a R$ 9.011.828,38 e R$ 1.802.365,68; d) a variação cambial incidente sobre os ativos cambiais não realizados, no montante de R$ 9.011.828,38, foi informada na linha 20 da ficha 06A da DIPJ de 2000, mas excluída na linha 30 da ficha 09A, em razão da opção pelo regime de caixa na tributação dos referidos rendimentos; e) o IRRF incidente ate 31/12/2000 sobre as receitas de variação cambial não realizadas (R$ 1.802.365,68) integrou o ativo da Ituaçu como crédito a ser compensado com o IRPJ devido no períodobase em que a receita de variação cambial diferida fosse oferecida à tributação; f) a recorrente incorporou a parcela cindida da Ituaçu em maio de 2001, na qual foram incluídos os ativos cambiais e respectivos rendimentos vinculados ao Icatu Cambial, bem como o crédito relativo ao IRRF incidente sobre a variação cambial cuja tributação pelo IRPJ havia sido por ela diferida em razão da adoção do regime de caixa na tributação dos referidos rendimentos; g) em razão de a Recorrente ter optado pelo regime de competência na tributação das variações cambiais, ela adicionou ao seu lucro líquido, no próprio mês em que incorporou a parcela cindida de Ituaçu, a variação cambial por aquela diferida nos anos de 2000 e 2001; h) por conta da referida adição, a Recorrente passou a fazer jus a crédito de IRRF incidente sobre o valor da receita adicionada, razão por que o saldo negativo por ela apurado em 31/12/2001 deveria ser aumentado pela soma do IRRF incidente sobre a referida receita; i) antevendo dificuldades em informar o referido IRRF no DIPJ relativa ao períodobase em que ocorresse a realização das respectivas receitas, uma vez que tal valor não corresponderia a retenções efetuadas pela respectiva fonte pagadora naquele período, Ituaçu, de forma equivocada, informou o referido imposto no próprio ano em que ocorrida a sua retenção (2000); j) tal procedimento não gerou prejuízo para a Fazenda Nacional, já que, mesmo sem a inclusão do referido IRRF, Ituaçu continuou a apurar saldo negativo de IRPJ no períodobase encerrado em 31/12/2000, mas apenas Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 resultou na apuração incorreta do saldo negativo no período encerrado em 31/12/2000, já que tal crédito de IRRF se convolaria em saldo negativo da própria Recorrente, apurado no períodobase encerrado em 2001; k) Em linha com o procedimento adotado pela Ituaçu, a Recorrente, na compensação analisada pelo Despacho Decisório da DERAT/RJ, indicou que a origem do crédito nela utilizado seria o saldo negativo relativo ao períodobase de 01/01/2000 a 31/12/2000 apurado por Ituaçu, e não o apurado pela própria Recorrente no período de 01/01/2001 a 31/12/2001; l) Em que pesem as impropriedades cometidas pela Ituaçu e pela Recorrente, o fato é que a efetividade do crédito utilizado na referida compensação (relativo à parcela do saldo negativo apurado pela Recorrente em 31/12/2001, oriunda do IRRF incidente sobre as variações cambiais diferidas geradas pelo fundo Icatu Cambial de 01/01/2000 a 31/12/2000) foi cabalmente demonstrada, razão por que tal compensação deve ser homologada. A 1 Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, por entender que este estaria requerendo a alteração do crédito pleiteado em sua DCOMP, o que não seria possível após ter sido proferido Despacho Decisório que a analisou. Não foi examinada pela DRJ a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Inconformada com a referida decisão da DRJ o contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde, a fim de evitar quaisquer questionamentos acerca da liquidez e certeza do crédito pleiteado, reitera os esclarecimentos prestados em sua manifestação de inconformidade no que se refere à origem do crédito. Ademais, argumenta também, em apertada síntese, que não pretendeu, em sua defesa, a alteração da origem do crédito pleiteado, já que seu direito creditório sempre teve como fundamento o IRRF incidente sobre os rendimentos produzidos pelos ativos do Icatu Cambial no períodobase compreendido entre 01/01/2000 a 31/12/2000. Alega ainda que o que pretendeu demonstrar na sua manifestação é que, em razão de diferenças existentes entre os regimes de tributação de IRRF e IRPJ incidentes sobre as receitas de variação cambial ainda não realizadas (competência versus caixa), houve um descasamento entre o momento em que se verificou a retenção do IRRF e aquele em que o IRRF em causa foi convolado em saldo negativo de IRPJ, bem como que tal descasamento temporal fez com que ela informasse que o crédito utilizado na DCOMP corresponderia ao do períodobase em que o IRRF foi retido (31/12/2000), e não daquele em que foi efetivamente convolado em saldo negativo (31/12/2001). Ou seja, não se trata de direito creditório novo, mas, sim, de retificação de equívoco cometido na formalização do direito creditório já informado na DCOMP, escusável em razão das peculiaridades relacionadas à tributação de rendimentos oriundos de variações cambiais pelo IRRF e IRPJ. Por fim, alega a Recorrente que o entendimento adotado na Decisão da DRJ/RJ1 é contrário ao da jurisprudência administrativa, citando vários acórdãos deste Conselho bem como do antigo Conselho de Contribuintes. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 15374.986564/200907 Acórdão n.º 1302001.401 S1C3T2 Fl. 287 5 Conclui a Recorrente com o pedido de reforma da decisão da DRJ;/RJ, com a conseqüente homologação da DCOMP apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A origem do direito creditório lança raízes no ano calendário de 2000. Nos períodosbase de 2000 e 2001, a Ituaçu era titular de investimentos em ativos cambiais sujeitos, naturalmente, à variação decorrente da valorização e/ou desvalorização da moeda brasileira. Os recursos financeiros foram aplicados no Icatu Cambial. Esse fundo de investimento tinha como administrador originalmente o Banco Icatu S.A. (CNPJ 31.265.903/000128). Em agosto de 2000, passou a ser administrado por Icatu Investimentos DTVM Ltda (CNPJ 00.961.366/000127). Em dezembro de 2000, a BBA Capital Icatu Investimentos DTVM S.A (CNPJ 33.311.713/000125) incorporou a Icatu Investimentos DTVM Ltda, passando a administrar o Icatu Cambial. Os rendimentos auferidos em operações financeiras de renda fixa eram tributados à alíquota de 20%. A legislação tributária, (artigo 6º da Medida Provisória nº 2.189 49), impunha que os rendimentos deste tipo de ativo financeiro fossem tributados mensalmente pelo IRRF, como se houvesse um resgate teórico de cotas, conhecido no mercado como “come cotas” (atualmente, para fundos abertos classificados tributariamente como de renda fixa pela legislação do IR, tal incidência se dá semestralmente nos meses de maio e novembro, conforme preceito contido no art. 3º da Lei 10.892/04). No entanto, com a publicação da Medida Provisória nº185810, depois convertida na Media Provisória nº 215835, artigo 30, as variações cambiais passaram a ser tributadas pelo IRPJ com base no regime de caixa, ou seja, quando da liquidação da operação, ou à opção do contribuinte pelo regime de competência. Portanto, o contribuinte continuou a registrar os ganhos e/ou perda cambiais pelo regime de competência, adotando o regime de caixa (liquidação das operações) para fins de tributação (Imposto de Renda, Contribuição Social e das Contribuições para o PIS e para a COFINS). No períodobase encerrado em 31 de dezembro de 2000, restou confirmado que a Ituaçu diferiu a tributação pelo IRPJ, conforme verificado na linha 30 (Variações Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Cambiais Ativas), da ficha 09 (Demonstração do Lucro Real) da DIPJ, do valor de R$ 9.011.828,38, relativo às variações cambiais ativas vinculadas ao Icatu Cambial. Verificamos o registro em conta de resultado da receita de variação cambial de R$ 9.216.626,58. A diferença referese a variação cambial realizada no período, devidamente tributada. Na ficha 43 da DIPJ, foi declarado o total de IRRF sobre rendimentos financeiros no valor de R$ 2.708.759,61, conforme demonstrado abaixo: Parte do valor total informado na ficha 43, é referente ao IRRF oriundo do Icatu Cambial, no montante de R$ 1.843.325,26, sendo que R$ 40.959,64 foi utilizado para compensação com o IRPJ incidente sobre o montante de variação cambial realizada no período. O saldo de R$ 1.802.365,62, relativo ao IRRF sobre os resultado de variação cambial ainda não liquidados, embora tenha sido incluído no saldo negativo de IRPJ apresentado na DIPJ, não foi objeto de compensação pela Ituaçu, tendo este composto o acervo cindido e incorporado pela Icatu em 28 de maio de 2001. Por ocasião da incorporação da Ituaçu em maio de 2001, a Icatu, que havia optado pelo regime de competência para tributação das suas operações sujeitas à variação cambial, tributou, via adição na apuração do IRPJ devido em 31 de maio de 2001, os rendimentos do Icatu Cambial que haviam sido diferidos pela Ituaçu. O IRRF relativo ao anocalendário de 2001, período de 01/01/2001 a 28/05/2001, dada da incorporação da Ituaçu pela Recorrente, foi objeto de julgamento no Processo Administrativo de nº 15374.720085/200911, que teve como relator o Conselheiro Marcos Shigueo Takata, o qual brilhantemente abordou todos os fatos relativos a este processo através do Acórdão de nº 1103000.931, de 11/09/2013, e que, por unanimidade de votos, reconheceuse integralmente o crédito pleiteado e as compensações realizadas, conforme se segue: “Compulsando os autos, vejo que consta na linha 20 (“variações cambiais ativas”) da ficha 6A (de demonstração do resultado) da DIPJ/01 o valor de R$ 9.011.828,38 – fl. 610. Esse valor de receita foi excluído do lucro líquido, conforme a linha 30 (“variações cambiais ativas”) da ficha 9A (“demonstração do lucro real”) da DIPJ/01 – fl. 611. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 15374.986564/200907 Acórdão n.º 1302001.401 S1C3T2 Fl. 288 7 Também há informe de rendimentos, relativo ao anocalendário de 2000, consignando a retenção de IRF de R$ 1.714.049,11 sobre rendimentos no fundo Icatu Cambial de R$ 8.570.245,86, tendo como fonte retentora a Icatu Investimentos DTVM Ltda., e a retenção de IRF de R$ 129.276,15 sobre rendimentos do mesmo fundo de R$ 646.380,72, tendo como fonte retentora o Banco Icatu S.A. (fl. 600). A soma dos rendimentos perfaz os R$ 9.216.626,58 já aludidos, e a soma do IRF é de R$ 1.843.325,26, como dito pela recorrente. Além disso, a recorrente informa que sofrera retenção de IRF de R$ 861.004,63 sobre receitas de swap de R$ 4.305.023,19, e retenção de IRF de R$ 155.779,35 (20% dos rendimentos) sobre rendimentos de R$ 778.896,74 – todas as receitas oferecidas à tributação. Constatase que as receitas de swap no valor acima constam na linha 22 (ganhos auferidos em mercado de renda variável, exceto daytrade) da ficha 6A da DIPJ/01, e não consta exclusão do referido valor do lucro líquido, conforme a ficha 9A dessa DIPJ (a única exclusão é a de variações cambiais ativas) – fls. 610 e 611. Há o informe de rendimentos com a indicação de retenção de IRF de R$ 861.004,63 sobre rendimentos em operações de swap de R$ 4.305.023,19 (fl. 603). Na linha 24 (outras receitas financeiras) da ficha 6A da DIPJ/01 figura o valor de R$ 778.896,74 – fl. 610. Porém, na ficha 43 não há indicação de retenção de IRF que totalize R$ 155.779,35 – fl. 639. Há informe de rendimentos para 2000, constando rendimentos de R$ 5.952,43 e de R$ 7.390,88, e a retenção de IRF de R$ 1.190,47 e de R$ 1.478,16, relativos ao fundo BBA Icatu DI Faq, tendo como fontes retentoras a Icatu Investimentos DTVM Ltda. e o Banco Icatu S.A., respectivamente (fls. 563 e 564). Também, há informe de rendimentos sobre aplicações de renda fixa, com retenção de IRF de R$ 1.761,09, sobre rendimentos de R$ 8.805,49, tendo o Banco Icatu S.A. como fonte retentora – fl. 603. Na ficha 6A da DIPJ/01, não há indicação de receitas financeiras além das de variação cambial de R$ 9.011.828,38 (linha 20), de swap de R$ 4.305.023,19 (linha 21), e de outras receitas financeiras de R$ 778.896,74 (linha 24). Se dos rendimentos totais no fundo Icatu Cambial de R$ 9.216.626,58 (como consta no informe de rendimentos), R$ 204.798,20 são receitas realizadas por resgate de quotas, e se tal valor foi oferecido à tributação, ele deve compor os R$ 778.896,74 de receitas informadas na ficha 6A da DIPJ/01. A recorrente aduz que a Ituaçu, por equívoco, em sua DIPJ/01, deduziu, além dos valores de estimativa mensal paga de R$ 9.475,57 e adimplidas por compensação de R$ 136.168,78, o total do IRRF de R$ 2.708.759,61, e não apenas o IRRF sobre as receitas realizadas e tributadas em 2000, vale dizer, o IRRF no valor de R$ 1.016.783,98 (= R$ 861.004,63 + R$ 155.779,35). Dessa forma, a Ituaçu apurara saldo negativo de IRPJ em 2000 de R$ 1.798.047,33, quando o saldo negativo seria somente de R$ 106.307,29, conforme quadro contido na peça recursiva. Esse valor de R$ 106.307,29 de saldo negativo de 2000 fora confirmado no parecer conclusivo do despacho decisório, conforme já constatado nos informes de rendimentos. Aliás, tal montante de retenção de IRF é o que também se acha nas cópias das telas de DIRFs de fls. 475 a 477, juntada aos autos com o parecer conclusivo do despacho decisório. O que não se constata é o alegado valor de IRRF de R$ 155.779,35. Mas o total de retenção informado está correto. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 É possível decifrar isso da seguinte forma. O total de rendimentos no fundo Icatu Cambial em 2000 foi de R$ 9.216.626,58 e o IRRF foi de R$ 1.843.325,26. O total de receitas de swap foi de R$ 4.305.023,19 e de retenção de IRF foi de R$ 861.004,63. O total de rendimentos no fundo BBA Icatu DI foi R$ 13.343,31 (R$ 5.952,43 + R$ 7.390,88) e o IRRF foi de R$ 2.668,63 (R$ 1.190,47 + R$ 1.478,16). O total de rendimentos de aplicação de renda fixa foi de R$ 8.805,49 com IRRF de R$ 1.761,09. Da combinação das fichas 6A e 9A da DIPJ/01, foram oferecidos à tributação R$ 4.305.023,19 + R$ 778.896,74. Notese que não há rendimentos autônomos de R$ 778.896,74, segundo descrição do parágrafo anterior correspondente às receitas apresentadas nos informes de rendimentos, como examinado antes. Então, os R$ 155.779,35 estão contidos nos mencionados valores de IRRF, vale dizer, tal valor foi extraído por diferença, considerandose os valores de receitas oferecidos à tributação (R$ 778.896,74, para tal valor de IRRF). Esclareço melhor. Se R$ 9.011.828,38 dos R$ 9.216.626,58 de receitas ou rendimentos no fundo Icatu Cambial corresponderam a receitas de variação cambial, a exclusão feita não merece óbice. E, como disse, presumivelmente a diferença de R$ 204.798,20 (que a recorrente alega que ter sido a parcela das receitas realizadas relativa àquele fundo e oferecida à tributação) está contida nas receitas declaradas de R$ 778.896,74. Daí ter deduzido que o valor de IRRF de R$ 155.779,35 está contido no montante total de IRRF já mencionado, e que tal valor foi ou é extraível somente por diferença. Isso significa também que, presumivelmente, a receita realizada referente ao fundo Icatu Cambial não fora só de R$ 204.798,20, mas de R$ 778.896,74 – (R$ 13.343,31 + R$ 8.805,49). E, por isso, a recorrente fala que houve IRRF de R$ 155.779,35, que contém o valor de IRRF de R$ 2.668,63 +R$ 1.761,09. É como decifro esse valor de IRRF de R$ 155.779,35, que, assim como os rendimentos de R$ 778.896,74 a que se vincularia esse valor de IRRF, não têm origem autônoma em informe de rendimentos. Quanto ao uso do IRRF de R$ 2.708.759,61 na composição do saldo negativo de IRPJ de 2000 ter sido equívoco e incorreto por parte da Ituaçu, ao invés de R$ 1.016.783,98, como alegado pela recorrente, tratarei disso adiante. (...) Ainda, com a versão de acervo da Ituaçu à recorrente por cisão daquela em 28/5/01, essa oferecera à tributação no próprio mês da sucessão a variação cambial diferida pela Ituaçu, pois a recorrente não adotara a faculdade da tributação por “regime de caixa” das receitas de variações cambiais. A recorrente adicionara ao lucro líquido em maio de 2001 o total da variação cambial diferida de R$ 19.638.375,82, conforme revela seu Lalur. E tal adição consta na DIPJ/02 da recorrente, na linha 22 de outras adições da ficha 9A. Nessa linha é informado o total de R$ 53.073.786,81, que apresenta em sua composição a integração daquele valor, como comprova seu Lalur. Logo, a recorrente teria direito a IRF no valor de R$ 3.280.137,61 sobre as receitas adicionadas, de modo que seu saldo negativo de IRPJ seria aumentado nesse montante. Apesar disso, a recorrente aduz que não utilizou esse valor como parte de seu saldo negativo do período encerrado em 31/12/2001, por ter sido informado e postulado o saldo negativo de R$ 1.476.320,05, da sucedida. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 15374.986564/200907 Acórdão n.º 1302001.401 S1C3T2 Fl. 289 9 Alega, portanto, que houve erro na formalização do direito creditório, não se tratando de crédito novo postulado, como pretendido pelo acórdão a quo. Tanto que o direito creditório é correspondente a IRF retido até 28/5/01, convertido em saldo negativo de IRPJ, sem nenhum prejuízo ao erário. (...) Há cópia da folha da Parte A do Lalur da recorrente para maio de 2001, em que figura entre as adições o montante de R$ 19.638.375,82, indicado como rendimento não realizado do fundo Icatu Cambial – fl. 730. O total das adições para maio de 2001 é de R$ 25.186.056,47, e o de exclusões é de R$ 83.332.546,68, e o lucro antes das adições e exclusões é de R$ 35.749.604,21, resultando num lucro real (estimativa por balanço de suspensão) de – R$ 22.396.866,00, para maio de 2001 – fl. 730. É o valor que consta na ficha 11 da DIPJ/02 relativo à base de cálculo da estimativa de maio de 2001 – fl. 684. Há cópia da folha da Parte A do Lalur da recorrente do final de 2001 (31/12/01) – fl. 732. O total das adições é de R$ 154.515.954,76, igual ao informado na linha 23 da ficha 9A da DIPJ/02 – fl. 682. A adição de despesas de participações societárias de R$ 98.156.749,45 tem correspondência na ficha 9A, na linha 10. A adição de despesas de provisões operacionais de R$ 3.285.418,47 tem correspondência na ficha 9A, na linha 3. A soma das demais adições totaliza R$ 53.073.787,09, entre as quais figura a de R$ 19.638.375,82, referente a rendimentos não realizados do fundo Icatu Cambial (as outras são de R$ 2.682.792,03 + R$ 21,55 + R$ 23.310,88 + R$ 30.729.286,53). O valor de R$ 53.073.787,09 é o que consta na linha de outras adições da ficha 9A (linha 22). Resulta comprovado, pois, o oferecimento à tributação das receitas de variação cambial não realizadas pela Ituaçu (excluídas dos lucros líquidos) por parte de sua sucessora, a recorrente.” Os acórdãos do CARF colacionados pela recorrente, quanto à superação do erro formal em Dcomp, acomodandose a possibilidade de sua retificação mesmo no âmbito do processo já instaurado (litígio), desde que os elementos dos autos indiquem claramente que o crédito discutido sempre fora o mesmo, não se aplicam ao caso vertente, em que pese concordar com o entendimento consagrado nos referidos acórdãos. Sucede que, a meu ver, não há erro formal das DCOMPs, com indicação nelas de período de apuração do crédito equivocado, como nos casos versados nos acórdãos colacioandos. A recorrente indicou corretamente o período de apuração do crédito postulado e discutido. O aparente equívoco quanto ao período de apuração do direito creditório postulado decorre do problema do descasamento temporal, entre o momento da retenção do IRRF e o do reconhecimento (para quem entenda que mesmo contabilmente, a variação cambial só é realizada efetivamente na liquidação) e oferecimento à tributação das receitas que dão causa àquele IRRF. Sobre isso, entendo que, independentemente do momento do reconhecimento da receita e de seu oferecimento à tributação, para fins de dedução do IRRF, prevalece o momento (período de apuração) em que esse se aperfeiçoa. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 10 É o caso em que a contribuinte oferecera à tributação, por regime de competência, as receitas que dão causa ao IRRF no anocalendário anterior ao da retenção, em que postulara o direito creditório utilizando o valor do IRRF no ano em que oferecera as receitas à tributação, ou seja, no anocalendário anterior. Na hipótese, entendo não ser possível tal aproveitamento, o qual só se poderia dar no ano da efetiva retenção. Também é o caso em que a contribuinte oferecera à tributação as receitas de serviços prestados a entes estatais e/ou paraestatais de forma diferida, como permite a legislação do imposto de renda (art. 409 do RIR/99), mas que, por equívoco da fonte retentora, esta antecipara as retenções de IRRF sobre tais receitas, adotando o regime de competência. A contribuinte pretendera aproveitar o IRRF na composição do saldo negativo no ano em que efetivamente ela oferecera à tributação as receitas que deram causa ao IRRF, embora a retenção tivesse se dado no anocalendário anterior. Em tal hipótese, conquanto a fonte retentora tenha equivocadamente antecipado a retenção de IRRF, o momento (período) em que o IRRF poderia ser aproveitado na composição do saldo negativo, era o da efetiva retenção do IRRF – no caso, no ano anterior em que as receitas foram oferecidas à tributação. Isso é da sistemática decorrente do próprio regime de fonte e do direito conferido à contribuinte de deduzir o IRRF com suporte no informe de rendimentos, como documento necessário e suficiente para comprovação do IRRF utilizado, conforme o art. 815 c/c o art. 943, § 2º, do RIR/99. No caso destes autos, a retenção do IRRF se deu mensalmente, independentemente de resgate ou cessão de quotas do fundo, com base no art. 6º, III, da MP 2.189/01 (art. 739, III, do RIR/99). É o chamado regime de “comecotas”, para IRRF sobre rendimentos em fundos de investimento abertos, classificados tributariamente como de renda fixa. E as receitas de variação cambial podiam ser tributadas pelo “regime de caixa”, conforme o art. 30 da MP 2.158/01. O momento (período) do aproveitamento do IRRF, i.e., da dedução do IRRF do IRPJ devido, se deu corretamente pela Ituaçu (sucedida pela recorrente), no ano calendário de 2000 – bem como no anocalendário de 2001, ainda que este último não seja objeto destes autos. E, em face do descasamento temporal entre o momento da retenção do IRRF e o do oferecimento à tributação das receitas que deram causa ao IRRF, a recorrente logrou comprovar que tais receitas foram efetivamente oferecidas à tributação. Mais. Ainda que tais receitas não tenham sido de variação cambial, isso não restou infirmado nem questionado pelo órgão de origem, que, aliás, não procedeu a nenhuma intimação quanto a esclarecimentos ou comprovação relativas a tais receitas. Aqui se esclarece, portanto, o que havia deixado para dizer posteriormente, sobre ter sido equívoco ou não a utilização do valor total do IRRF retido no anocalendário de 2000, ao versar sobre o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2000, o qual, no modesto entendimento deste julgador, o contribuinte adotou o procedimento correto, porquanto o IRRF só pode ser utilizado no anocalendário em que se deu a retenção, independentemente do momento em que vir a serem reconhecidas as receitas para fins do IRPJ. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 15374.986564/200907 Acórdão n.º 1302001.401 S1C3T2 Fl. 290 11 Diante de tudo que deduzi, com a devida vênia, é nítido o equívoco do acórdão a quo, que simplesmente ignorou toda a defesa apresentada, abstendose de enfrentála meritum causae. Em homenagem ao princípio da economia processual, aplico o art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, para superar a nulidade do acórdão a quo, em proveito da recorrente: Art. 59. São nulos: [...] § 3º. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993) Por outro lado, igualmente, sem razão a recorrente ao dizer que o valor do IRRF 2000 se convolara em saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/01, ano em que foram oferecidas à tributação os rendimentos com as variações cambiais. Como acima aduzido, entendo que o IRRF deve sempre ser reconhecido no anocalendário da sua retenção e não sob o regime de competência, dado a própria natureza do IRRF. Como disse, a recorrente, na qualidade de sucessora da Ituaçu, utilizara corretamente o IRRF de R$ 2.708.759,61, na apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000. E, por isso, o valor apurado de saldo negativo em 31/12/2000 ao meu ver foi corretamente apurado no valor de R$ 1.798.047,33. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso, para reconhecer as compensações feitas com o saldo negativo de IRPJ de 01/01/2000 a 31/12/2000, até o limite do valor original de R$ 1.798.047,33 pleiteado. É o meu voto. Sala de Sessões aos 08 de maio de 2014. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/07/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10140.722282/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 30/11/2008
COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância.
ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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APURAÇÃO DO CRÉDITO. PAGAMENTOS INFORMADOS EM GFIP. ALEGAÇÃO DE PAGAMENTOS EM ATRASO FEITOS ACUMULADAMENTE EM MESES POSTERIORES. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS. Não tendo a recorrente logrado êxito em produzir a prova de que os pagamentos por ela informados em GFIP e que foram utilizados pela autoridade lançadora na apuração do valor do direito creditório, não incluem outros pagamentos em atraso feitos acumuladamente em meses posteriores, não merece reparo aquilo o que decidido pelo v. acórdão de primeira instância. ERRO NA APURAÇÃO DOS JUROS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA. MANUTENÇÃO. Tendo em vista que a recorrente apurou os juros incidentes no pedido de compensação formulado em desconformidade com a legislação de regência, mister se faz a manutenção das glosas efetuadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 22 82 /2 01 2- 09 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões. Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722282/201209 Acórdão n.º 2402003.940 S2C4T2 Fl. 206 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo MUNICÍPIO DE ALCINOPOLIS em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.378.1105, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao GILRAT. Consta do relatório fiscal que o crédito tributário lançado originase da glosa de compensações efetuadas pela contribuinte no período de 09/2007 a 11/2008, com créditos decorrentes do recolhimento de contribuições incidentes sobre o salário de detentores de cargos eletivos (Prefeito, VicePrefeito e Vereadores), declaradas inconstitucionais pelo Eg. Supremo Tribunal Federal, cujo pagamento indevido deuse durante o período de 02/1998 a 02/2004. Apontou o fiscal que as glosas se justificaram na medida em que (i) aplicou em seu cálculo a capitalização dos juros (juros sobre juros), bem como (ii) apresentou apuração de valores das contribuições indevidamente recolhidas sem que tais valores tivessem correspondência com aqueles informados em GFIP e folhas de pagamento do período do pagamento indevido, havendo, portanto erro na apuração do crédito. O contribuinte fora cientificado em 10/10/2012 (fls. 107). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo 2. conforme consta acertadamente no auto de infração, ao valor pago indevidamente somase 1% (um por cento), após somamse as taxas de juros Selic do período e, por fim, mais 1% (um por cento) referente ao mês da compensação, conforme preceitua o art. 89, § 4º da Lei nº 8.212, de 1991; 3. que recorreu ao Banco Central do Brasil para apurar o quantum devido, o que pode ser facilmente comprovado mediante acesso a sítio da referida instituição bem como a realização do cálculo na calculadora do cidadão, ferramenta desenvolvida para realizar cálculos e dirimir qualquer divergência no que se refere à taxa de juros; 4. no que se refere ao erro na apuração dos valores, aduz que efetivamente em alguns meses tal equívoco pode ter ocorrido, sendo que os recolhimentos não efetuados foram realizados em meses posteriores. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 5. que a remuneração do prefeito e viceprefeito são uniformes durante todo o prazo de mandato, de modo que , a remuneração tomada pelo senhor auditor em seus valores é bem superiores a efetiva remuneração dos mesmo, se tratando, portanto, da remuneração de meses acumulados e que não foram desta forma observada. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722282/201209 Acórdão n.º 2402003.940 S2C4T2 Fl. 207 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Inicialmente ressalto que as alegações de recurso apresentadas pelo contribuinte são exatamente a reprodução daquelas trazidas a lume em sua impugnação. No que se refere as alegações do contribuinte no sentido de que levou a efeito a aplicação de juros em conformidade com a legislação, tenho que não merecem guarida. Na análise do presente processo, verifico que o v. acórdão de primeira instância foi pontual e por demais enfático em demonstrar que a forma de cálculo adotada pela recorrente, de fato, não possuí previsão na legislação de regência. E, em contrapartida, as alegações objeto de recurso voluntário, ao revés de combaterem os argumentos adotados como fundamento de decidir pelo v.acórdão de primeira instância, apenas reproduziu a irresignação da parte que veio a ser totalmente fulminada quando do julgamento de primeira instância. Sobre o assunto, fazse necessário transcrever aquilo o que restou decidido em primeira instância: ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DA TAXA SELIC Sustenta o sujeito passivo que procedeu de forma correta à atualização de seu valor creditório por meio da utilização da ferramenta “calculadora do cidadão” disponibilizada no sítio do Banco Central do Brasil. Sustenta, ainda, que a autoridade lançadora não demonstrou qual seria o erro na apuração dos juros utilizados na atualização do valor creditório e nem qual seria o mandamento legal que caracterizaria o incorreção desse cálculo. Antes de adentrar no mérito dessa questão, oportuno relembrar a legislação que trata do assunto (citada pela autoridade lançadora no relatório fiscal, fl.14), Fl. 209DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 especificamente a Lei nº 8.212, de 1991 (os grifos a seguir são meus): Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. ... Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). ... § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). ... Lei nº 9.065, de 1995 Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial deLiquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Portanto, a sistemática da atualização dos créditos (pagamentos indevidos feitos pelo sujeito passivo) é a mesma utilizada na cobrança de débitos previdenciários vencidos, a qual deve observar o seguinte: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722282/201209 Acórdão n.º 2402003.940 S2C4T2 Fl. 208 7 · No mês de vencimento do pagamento a ser compensado e no mês da efetivação da compensação (vencimento do débito a ser compensado) incide a taxa de juros de 1% ao mês; · No período compreendido entre o mês seguinte ao do vencimento do pagamento a ser compensado e o mês anterior ao da efetivação da compensação, incidem juros pela taxa Selic acumulada mensalmente. Compulsandose os autos, notase que a autoridade lançadora trabalhou com esmero, juntando ao auto de infração inúmeros relatórios demonstrando a origem de todos os valores que implicaram a apuração dos créditos previdenciários lançados. Dentre esses relatórios, cabe citar o anexo 04 Detalhamento da taxa de juros utilizada na atualização do valor creditório (fl.74), no qual são discriminados todas as taxas mensais da Selic. Nesse mesmo relatório a autoridade lançadora também exemplifica a forma pela qual obteve a taxa de juros acumulada entre a data do pagamento indevido do crédito previdenciário e a data da efetivação da compensação de quatro períodos de apuração (fl.75). Cabe mencionar, porém, que a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou uma taxa de juros de 1%, valor maior que as taxas de juros Selic correspondente a cada um desses meses (as planilhas de fl. 164 detalham esses valores). Por conseqüência, a Selic acumulada ao final desses meses ficou superior em 0,52% ao que seria devido, implicando, por conseguinte, um valor creditório maior que o devido, o que favoreceu o sujeito passivo. Por essa razão, a autoridade lançadora deverá ser informada acerca desse fato para as providências que julgar necessárias, conforme previsto no §3º do art. 18 do Decreto nº 70.237, de 1972. O sujeito passivo, por sua vez, apenas alega a correção de seus cálculos que teriam sido feitos com a ajuda de uma ferramenta disponibilizada pelo Banco Central do Brasil em seu sítio na internet. A título de exemplo, podemos verificar abaixo o cálculo feito pelo sujeito passivo referente ao mês de janeiro de 1999 (vide planilha de fl.39): Fl. 211DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 O sujeito passivo informa a incidência de uma taxa de juros de 1% sobre o valor original, provavelmente referente ao mês do vencimento do pagamento indevido, obtendo com isso um montante de R$ 482,45. Informa depois um valor corrigido de R$ 2.039,60 sem detalhar a forma pela qual obteve esse montante. Se porventura o sujeito passivo tomou como base o valor original de R$ 477,67 haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.561,93 (R$ 2.039,60 –R$ 477,67) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 326,99%. Por outro lado, se o sujeito passivo tomou como base o valor original acrescido de 1% haveria um montante de juros acumulados de R$ 1.557,15 (R$ 2.039,60 – R$ 482,45) o que implicaria uma taxa de juros Selic acumulada de 322,76%. Vale ressaltar que em ambos os casos, a taxa de juros acumulada seria muito superior ao que seria correto, conforme visto na planilhas abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC 0 JULGAMENTO E FLS. 172) Conforme já foi comentado, a autoridade lançadora, nos meses 12/2006, 02/2007, 04/2007, 06/2007 a 09/2007, utilizou a taxa Selic de 1%, motivo pelo qual o resultado apurado no lançamento implicou uma taxa de juros mais favorável ao sujeito passivo (fl.18), conforme é demonstrado abaixo: (VIDE TABELA EVOLUÇÃO HISTÓRIA DA SELIC – UTILIZADA PELA AUTORIDADE LANÇADORA DE FLS. 172) Por fim, oportuno destacar que nos cálculos do sujeito passivo, houve outro erro em razão de ele ter feito incidir a taxa de juros de 1% (referente ao mês em que se deu a compensação) sobre o montante (já atualizado pela taxa de juros de 1% referente ao mês do pagamento a ser compensado e pela taxa Selic acumulada) de R$ 2.039,60 implicando, um total de R$ 2.060,00. Ou seja, incidiu a taxa de juros sobre montante de juros já acrescido ao principal, o que corresponde a técnica de capitalização por juros compostos. Vale lembrar que tanto na exigência o crédito tributário não pago no vencimento quanto na restituição dele incide a taxa de juros Selic acumulada mensalmente na forma de juros simples, ou seja, a cada mês deve incidir a taxa de juros sobre o valor originário do valor a ser pago ou restituído. No CTN há disposição nesse sentido, conforme transcrito abaixo: Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.722282/201209 Acórdão n.º 2402003.940 S2C4T2 Fl. 209 9 Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. (destaquei) A jurisprudência administrativa é unânime quanto à acumulação mensal da taxa Selic na forma de juros simples: CONSECTÁRIOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. Os consectários legais encontram respaldo em normas regularmente editadas, eficazes e vigorantes, sendo aplicáveis nos casos de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo devido. Os juros de mora calculados com base na taxa SELIC são acumulados (= somados) e não capitalizados (=anatocismo) mensalmente, nos termos do art. 13 da Lei nº 9.065/95. A multa de ofício e os juros de mora são devidos cumulativamente por força do disposto nos art. 161 do CTN e 44 da Lei nº 9.430/96. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. (Acórdão 20309979, 2° Conselho de Contribuinte, 3ª Câmara, j. 22/02/2005, Relator: Maria Cristina Roza da Costa) JUROS DE MORA SELIC Os juros de mora devem ser calculados por simples acumulação com base na taxa SELIC, como juros simples, ou seja, devem ser somados mensalmente, e não capitalizados, sendo vedado o anatocismo, nos termos do artigo 39, § 4°, da Lei n° 9.250/1995. Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Acórdão 30239134, 3º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, j. 07/11/2007, Relator: Marcelo Ribeiro Nogueira). Com isso, demonstrase que o sujeito passivo não tem razão em suas alegações quanto à sua atualização do valor do crédito a lhe ser restituído, não merecendo reparo o lançamento nesse quesito. Com relação aos pagamentos acumulados de contribuições dos prefeitos e viceprefeitos de forma acumulada nos meses subseqüentes, fato é que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar nos autos tal situação. Conforme se verifica do relatório fiscal, na realização das glosas, foram consideradas as informações de pagamento constantes na própria escrita fiscal da contribuinte, a saber a folha de pagamentos e a própria GFIP. Ora, dessa forma, deveria a recorrente demonstrar de forma cabal a existência de crédito (pagamentos a maior) em seu favor, que superasse os montantes por ela mesmo informados, o que a toda evidência não fora efetuado. O sujeito passivo limitase a alegar que houve meses em que os pagamentos teriam sido feitos de forma acumulada, correspondendo a mais de um período de apuração. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Ademais, mister ressaltar, o sujeito passivo fora intimado em sede de ação fiscal a comprovar os valores de pagamentos informados por ele nas planilhas apresentadas, não tendo atendido a intimação fiscal. (fls.30 a 65) e (fls.93 a 95). Oportuno lembrar que cabe ao sujeito passivo o ônus dessa prova (art. 16, IV e §4º do Decreto nº 70.235, de 1972), motivo pelo qual a ele caberia trazer documentos aos autos para provar que os pagamentos informados em GFIP não seriam corretos. Logo, não vejo como acolher a pretensão recursal. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10880.909831/2006-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA.
As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-002.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina da Fonte, OAB/PE 30.248.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, a; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, a; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. MODALIDADES. NATUREZA JURÍDICA. DESCONTO INCONDICIONAL. DOAÇÃO. EXCLUSÃO. NÃOINCIDÊNCIA. PROVA. As bonificações podem ser vinculadas ou desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto, têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, por sua vez, somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 31 /2 00 6- 38 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 247 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral a Dra. Catarina da Fonte, OAB/PE 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 44): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 248 3 A DRJ afastou a preliminar de nulidade do processo administrativo fiscal e de cerceamento no direito de defesa; e, no mérito, manteve a nãohomologação, porquanto o contribuinte não teria demonstrado a liquidez e a certeza do direito creditório. Entendeu ainda que as notas fiscais de bonificação ("produtos em bonificação" e "remessa em bonificação"), acostadas aos autos nº 10880.909811/200667, não seriam suficientes para a demonstração do direito de crédito. Isso porque as notas fiscais em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. O Recorrente, nas razões de fls. 58 e ss., alega que as bonificações praticadas não possuem natureza de desconto incondicional; que as saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, gratuitamente, e decorrem de contrato de premiação com mercadorias pelo cumprimento de metas ou em comemoração a determinadas datas. Foram apresentados ainda cópias de contratos com grandes empresas do varejo e atacado. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 18/04/2011 (fls. 54), interpondo recurso tempestivo em 17/05/2011 (fls. 59). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” Fl. 248DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 249 4 (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 250 5 “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos Fl. 250DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 251 6 contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte apresentou como prova da liquidez e da certeza do direito de crédito as notas fiscais de bonificação (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”), acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/200667 e às fls. 172 e ss. destes autos, em setembro de 2013. Foram anexadas ainda cópias de contratos com empresas do varejo e atacado. A DRJ, entretanto, entendeu que tais documentos seriam insuficientes porque a nota fiscal em separado, sem vínculo com outra nota de venda de produto que lhe daria suporte, não caracteriza o desconto incondicional concedido. Entendeu, ademais, que as apurações mensais, os demonstrativos contábeis e as planilhas de tributos apresentados não poderiam ser adotados como prova: “As apurações mensais de créditos e débitos PIS e COFINS (e.g. fl. 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: ‘Mercado Interno’; ‘Diversos’; ‘Freegoods’ bem como mostrar que houve um recolhimento de PIS e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente.” (fls. 51). Entendese, no entanto, que as notas fiscais acompanhadas dos contratos com empresas do varejo e atacado são suficientes para a demonstração da liquidez e da certeza do direito de crédito, porque denotam claramente que se tratam de bonificação Fl. 251DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 252 7 (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”). Não se afigura adequada a exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda, porque, no presente caso, as bonificações foram concedidas decorrência do cumprimento de metas e de determinadas datas. Cumpre considerar que há, na verdade, dois tipos de bonificação: as bonificações vinculadas e as desvinculadas de operações de venda. As primeiras são redutoras do preço de venda e, quando concedidas sem vinculação a evento futuro e incerto (condição), têm natureza de desconto incondicional. As segundas, por serem desvinculadas da venda, são transferidas por liberalidade da empresa, apresentando natureza de doação. Em ambos os casos não há incidência dos PIS/Pasep e da Cofins, uma vez que os descontos incondicionais são excluídos da base de cálculo (Lei nº 10.833/2003, art. 2º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, V, “a”; Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único) e porque, ao bonificar por liberalidade, a empresa promove uma doação de mercadoria, não auferindo qualquer receita desta operação. Nesse sentido, cumpre destacar o entendimento da Solução de Consulta nº 130, de 3 de maio de 2012, da SRRF 8ª Região Fiscal/SP (D.O.U. de 26.06.2012): “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas à operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada à operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909831/200638 Acórdão n.º 3802002.410 S3TE02 Fl. 253 8 Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.” A exigência de prova de ligação com uma concomitante operação de venda somente faz sentido para a primeira espécie de bonificação. Para as bonificações desvinculadas de operações de venda, basta a apresentação das notas fiscais e dos contratos que lhe servem de suporte, provas estas devidamente acostadas aos autos. Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”), acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/200667 e às fls. 172 e ss. destes autos, em setembro de 2013. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 253DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 11040.000306/2004-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
Concomitância.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3102-002.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a extinção da via administrativa, em face da concomitância.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a extinção da via administrativa, em face da concomitância. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O estabelecimento acima identificado apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade das fls. 681 a 691 (vol. 4), firmada por advogada credenciada pelos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 03 06 /2 00 4- 48 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.077 2 documentos das fls. 692 a 701 (vol. 4), contestando o Despacho Decisório da fl. 416 (vol. 3), que não reconheceu, em parte, o direito creditório alegado nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMPs) impressos nas fls. 1 a 199 (vol. 1) e 202 a 355 (vol. 2), na parcela referente ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, apurado pelo regime alternativo da Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001, despacho que admitiu o benefício, no valor de R$ 1.740.404,68, considerando ilegítimo o valor de R$ 1.415.034,65, que foi negado. Conforme Relatório Fiscal das fls. 407 a 415 (vol. 3), a fiscalização glosou, na receita de exportação do estabelecimento, os valores das notas fiscais relacionadas nos demonstrativos das fls. 404 e 405 (vol. 3), de vendas para empresas comerciais exportadoras, nas quais não restou caracterizado o fim específico de exportação. Nas referidas notas fiscais, foi informada, como natureza da operação, “Remessa com fim específico de Exportação”, sob o Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP) 5.501, designando, como destinatário do produto, a respectiva empresa comercial exportadora adquirente e mencionando, no quadro relativo aos dados adicionais, a observação de que o documento é “Sem validade para trânsito” e de que a “Mercadoria será retirada e remetida para embarque pelo comprador”. Além disso, com respeito às mesmas notas fiscais, foram emitidas, pelos adquirentes, cartas de correção, em datas bem posteriores às de emissão das notas fiscais, tanto a de venda, emitida por Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, quanto à de exportação, emitida pela empresa comercial exportadora, para fins de inclusão, no campo relativo aos dados adicionais da nota fiscal de exportação, do seguinte: “As mercadorias constantes desta nota fiscal serão retiradas no estabelecimento do produtor situado na rodovia BR 116 Km 481 em TuruçuRS e seguirão diretamente para o porto de Rio Grande, por nossa conta e ordem”. Para a fiscalização, o procedimento descrito no item precedente não atendeu à legislação de regência do incentivo em causa, visto que a concessão do benefício fiscal pretendido prevê que a mercadoria a ser exportada, adquirida pela empresa comercial exportadora, deve ser remetida pelo estabelecimento produtor, por conta e ordem do adquirente (comercial exportadora), diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, o que não aconteceu. O Relatório Fiscal das fls. 407 a 415 (vol. 3) citou a sentença reproduzida nas fls. 388 a 399 (vol. 2), proferida no Mandado de Segurança no 2003.71.10.0085641, impetrado por Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, contra o Delegado da Receita Federal em Pelotas, sentença que denegou a segurança pleiteada, em relação a glosas reputadas ilegais, pelo impetrante, de vendas a empresas comerciais exportadoras, em pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI, não admitidas, pela fiscalização, Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.078 3 em outros processos administrativos, citados na ação mandamental. Em última análise, o magistrado consignou que não é possível qualificar, como vendas com fim específico para exportação, as operações em que não há a direta e imediata remessa do bem para o exterior ou para recinto alfandegado [fl. 396 (vol. 2)]. Pelo requerimento das fls. 718 a 720 (vol. 4), protocolizado em 29 de março de 2005 e acompanhado dos documentos das fls. 721 a 737 (vol. 4), o interessado compareceu outra vez a este processo administrativo, informando que o fundamento da glosa parcial do crédito presumido do IPI, efetuada pelo despacho decisório contestado neste processo, foi objeto de análise pela 1a Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, conforme acórdão respectivo, que junta, por cópia, nas fls. 721 a 730 (vol. 4), na Apelação em Mandado de Segurança no 2003.71.10.0085641/RS, que decretou a nulidade de despachos decisórios proferidos na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas (DRF/PEL), nos Processos nos 13038.000003/2003 19, 13038.000023/200390, 13038.000049/200257, 13038.000022/200345 e 13038.000004/200363, nos quais também houve glosas de vendas a empresas comerciais exportadoras, por não ter sido caracterizado o fim específico de exportação, determinando, o referido acórdão judicial, a realização de novo exame dos pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI correspondentes, no prazo máximo de trinta dias, afastado o fundamento anteriormente adotado pela autoridade impetrada. O Acórdão proferido pelo TRF da 4a Região, na Apelação em Mandado de Segurança no 2003.71.10.0085641/RS foi alvo do Recurso Especial (REsp) no 771.722, interposto pela Fazenda Nacional, recurso que, todavia, não foi conhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme pesquisa realizada na página dessa corte, na Internet, transitando em julgado no dia 23 de agosto de 2006 a derradeira decisão, nos autos do mencionado REsp. Além disso, na manifestação de inconformidade original, o interessado defende o seu direito ao crédito presumido do IPI, citando e transcrevendo a legislação de regência do benefício, e afirmando categoricamente que realizou vendas com o fim específico de exportação, fato que não foi refutado por demonstração cabal da fiscalização, que poderia têlo feito, com base nos controles que mantêm, sobre as operações de comércio exterior. Discorda da atitude da fiscalização, de glosar as vendas a empresas comerciais exportadoras, com base nos dados inseridos nas notas fiscais correspondentes. Conforme consta nas fls. 750 a 753 (vol. 4), este processo retornou à unidade de origem, em diligência, nos termos da Resolução no 207, de 7 de agosto de 2008, desta Terceira Turma, para reexame do direito creditório alegado neste processo, segundo a óptica do TRF da 4a Região, antes explicitada, pedindo que fosse quantificado o crédito nos Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.079 4 mesmos moldes adotados na quantificação dos pedidos de ressarcimento constantes dos processos administrativos citados no Mandado de Segurança. Em resposta à diligência referida no item precedente, foi elaborado, em 14 de outubro de 2010, o Relatório Fiscal das fls. 783 a 785 (vol. 4). Em 18 de outubro de 2010, o estabelecimento interessado tomou ciência do Relatório Fiscal mencionado no item precedente, conforme consta na fl. 785 (vol. 4), e apresentou, em 28 de outubro de 2010, o documento das fls. 786 e 787 (vol. 4), renunciando ao prazo de trinta dias que lhe foi concedido. Pelo despacho da fl. 797 (vol. 4), este processo foi devolvido a esta DRJ/POA, para prosseguimento. Na sequência, foi juntada, na fl. 798 (vol. 4), cópia do Ofício no 1823/2010/DRFPEL/SRRF10/RFB/MFRS, pelo qual a DRF/PEL noticia a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) o deferimento, em 5 de novembro de 2010, conforme consta nas fls. 799 e 800 (vol. 4), de medida liminar no Mandado de Segurança no 5003126.82.2010.404.7110/RS, impetrado contra o titular da DRF/PEL, no sentido de que “(...) garanta o regular e imediato prosseguimento dos processos administrativos nos 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/ 200330, a fim de que a impetrante efetivamente receba o crédito reconhecido administrativamente, abstendose de proceder à compensação de ofício do valor a ser ressarcido com os débitos regularmente parcelados pela impetrante (...)”. No mesmo ofício constou que os referidos processos de ressarcimento do IPI retornaram à DRJ/POA, após a realização da diligência, estando o crédito em discussão a depender de decisão de competência da citada DRJ. Na fl. 802 (vol. 4), consta cópia da Carta Precatória no 6376486, expedida pelo Juiz Federal da Segunda Vara de Pelotas, ao Juiz Federal Diretor do Foro da Subseção Judiciária de Porto Alegre, deprecandoo no sentido de intimar o Delegado da DRJ/POA a devolver imediatamente à DRF/PEL os antes mencionados Processos nos 11040.000306/200448 (que é o presente), 11040.000310/200414, 13038000055/200395 e 13038.000056/200330, devolução que foi providenciada, no caso deste processo, conforme despacho na fl. 803 (vol. 4). Na sequência, mencionamse documentos oriundos do Poder Judiciário e documentos elaborados na DRF/PEL, relacionados ao presente processo. Nas fls. 806 e 807 (vol. 5), consta cópia de Decisão (Liminar/Antecipação de Tutela), proferida em 4 de novembro de 2010, pelo Juiz Federal Substituto da 2a Vara Federal de Pelotas, no Mandado de Segurança no 5003126 82.2010.404.7110, impetrado por Arthur Lange S/A Indústria e Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.080 5 Comércio, contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Pelotas. Segue a reprodução de trechos do referido ato judicial: “.................... Tratase de analisar pedido liminar de que seja concedido provimento jurisdicional determinando à autoridade coatora que analise os pedidos de ressarcimento do impetrante, bem como reconheça o direito à correção monetária pela taxa Selic e a impossibilidade do Fisco de proceder à compensação de ofício com débitos parcelados. Inicialmente, cumpre analisar a preliminar arguida pela autoridade coatora. Em síntese, a própria instância recursal remeteu o processo para a Delegacia Regional da Receita Federal de Pelotas para nova análise do pedido de ressarcimento. Desta forma, entendo que o impetrado é sim parte legítima para figurar na presente ação, pois é evidente a sua competência apreciar procedimentos administrativos em questão. No que se refere ao pedido de análise dos processos administrativos, frente às informações prestadas por ambas as partes, deve ser o processo extinto, sem julgamento de mérito, tendo em vista a ausência superveniente de interesse de agir, visto que a autoridade coatora apreciou os pleitos administrativos, proferindo decisão em 14.10.2010. Ademais, tendo a parte impetrante renunciado aos prazos de recurso administrativos, a decisão afigurase válida e imutável pela própria Administração Fazendária, de modo que não resta qualquer possibilidade de pronunciamento jurisdicional sobre tal aspecto. Contudo, permanece o interesse de agir da impetrante quanto aos demais pedidos formulados. .................... Ante o exposto, julgo extinto o processo, sem julgamento do mérito, por ausência superveniente de interesse de agir, no que se refere ao pedido de que a autoridade coatora analise o processo administrativo, e por impossibilidade jurídica do pedido, em face à pretensão de que fosse reconhecida a incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, nos termos do art. 267, VI, do CPC. Publiquese. Registrese. Intimemse. Outrossim, defiro a medida liminar para determinar que a autoridade impetrada garanta o regular e imediato prosseguimento dos processos administrativos no 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038000055/200395 e 13038.000056/200330, a fim de que a impetrante efetivamente receba o crédito reconhecido administrativamente, abstendose de proceder à compensação de Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.081 6 ofício do valor a ser ressarcido com os débitos regularmente parcelados pela impetrante. Intimemse. Cumprase com urgência. ...................” Nas fls. 809 e 810 (vol. 5), consta cópia de Despacho/Decisão, proferido em 12 de novembro de 2010, pelo Juiz Federal da 2a Vara Federal de Pelotas, no antes mencionado Mandado de Segurança no 500312682.2010.404.7110. Transcrevemse, a seguir, trechos do despacho mencionado: “.................... Tratase de analisar pedido de reconsideração formulado pela União (Fazenda Nacional) em relação à decisão constante do evento 15, na qual foi determinado à autoridade coatora que desse imediato prosseguimento aos processos administrativos no 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038000055/200395 e 13038.000056/200330, a fim de que a impetrante efetivamente receba o crédito reconhecido administrativamente, abstendose de proceder à compensação de ofício do valor a ser ressarcido com os débitos regularmente parcelados pela impetrante. .................... Passo a decidir. Ainda que a Fazenda traga aos autos argumentos ponderáveis, todas as questões antes referidas foram devidamente suscitadas e abordadas na decisão que integra o evento 15, proferida pelo juiz natural deste feito. Nesse contexto, tenho que a insurgência da Fazenda desafiaria a interposição de agravo, não se justificando a reconsideração do decisum. Mesmo no que tange à alegação de ilegitimidade passiva, em relação a qual a Fazenda estabelece controvérsia quanto à própria premissa considerada pela decisão, cumpre assinalar que o cerne da controvérsia – natureza, extensão e efeitos da decisão proferida pela DRJ/POA – foi amplamente discutido desde a interposição da petição juntada no evento 14 e, consequentemente, considerado na decisão cuja reconsideração se postula. De qualquer modo, não é demais ressaltar que não há justificativa alguma para reconsideração da decisão liminar sob a referida ótica. Embora as decisões proferidas pela DRJ nas manifestações de inconformidade interpostas pela impetrante tenham de fato determinado a baixa em diligência dos processos inclusive com menção à necessidade de retorno ao órgão recursal após o cumprimento da diligência, fica patente pela análise dos processos que, na prática, o que ocorreu foi a desconstituição da decisão anterior e a perda do objeto em relação aos recursos administrativos , mesmo porque o direito sobre o qual recaía tais Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.082 7 recursos confundiuse com aquele reconhecido no mandado de segurança no 2003.71.10.0085641. Nesse contexto, não haveria sentido em remeterse mais uma vez os autos à DRJ, salvo no caso de nova manifestação de inconformidade após abertura de prazo para falar sobre a revisão do cálculo, o que não ocorreu, havendo a impetrante, pelo contrário, expressamente renunciado aos prazos recursais. .................... Isto posto, indefiro o pedido de reconsideração, mantendo as decisões constantes dos eventos 15 e 26. Intimemse. Sem prejuízo da observância da determinação contida no evento 26, que fixou o prazo de 2 (dois) dias para que a autoridade coatora apresente cronograma de implementação da decisão liminar, determino, a fim evitar maior procrastinação no cumprimento do decisum, que seja a DRJ/POA oficiada com urgência a fim de que efetue a imediata devolução dos processos 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/200330 à Delegacia da Receita Federal em Pelotas. ....................” Na fl. 814 (vol. 5), sobreveio outro Despacho/Decisão no Mandado de Segurança no 500312682.2010.404.7110, proferido em 18 de novembro de 2010, pelo Juiz Federal na Titularidade Plena da 2a Vara Federal de Pelotas, nos termos que seguem reproduzidos: “Tratase de analisar as novas informações apresentadas pela autoridade impetrada, bem como as posteriores manifestações da impetrante requerendo providências para cumprimento da liminar e retificação do prazo recursal constante do evento 16. .................... Quanto às novas informações da autoridade coatora, a questão levantada já foi devidamente analisada e refutada por este Juízo, especialmente na decisão que consta do evento 36, da qual a impetrada já teve ciência (certificação do evento 45). Como se os termos da referida decisão não fossem claros o suficiente, entende este Juízo: (1) que os processos administrativos não deveriam ter sido remetidos à DRJ/POA, uma vez que a manifestação de inconformidade interposta perdeu por completo seu objeto no momento em que, atendendo se determinação da própria DRJ, foi efetuado o recálculo do crédito de acordo com os critérios fixados no Mandado de Segurança 2003.71.10.0085641, exatamente como postulava a empresa impetrante no recurso administrativo; (2) que não afeta tal conclusão a referência, efetivamente existente na decisão da DRJ, acerca da necessidade de retorno dos autos à segunda Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.083 8 instância após oportunizarse à impetrante manifestação sobre os novos cálculos efetuados, uma vez que logicamente incompatível com seu conteúdo; (3) que a parte tem direito à imediata disponibilização dos créditos que foram apurados. Registrese que se a autoridade impetrada não concorda com os fundamentos da decisão exarada restalhe somente adotar as medidas cabíveis para interposição de recurso junto à segunda instância, de modo a, dentro dos limites legais fixados pelo sistema, tentar fazer valer seu entendimento. O que não é cabível, e não será tolerado por este Juízo, é que se busque subterfúgios para o não cumprimento da decisão liminar enquanto esta estiver em pleno vigor, não sendo demais salientar que tal conduta caracteriza a prática em tese do crime previsto no art. 330 do Código Penal brasileiro. Por fim, embora entenda não ser ainda necessária a adoção das medidas pleiteadas pela impetrante na petição que consta do evento 48, assiste razão a impetrante quando assinala que não é necessário aguardar a baixa dos processos remetidos à DRJ para atenderse à ordem judicial, uma vez que todos os dados necessários ao cumprimento do decisum encontramse nos documentos anexados ao evento 14. Isto posto, e considerando que já se escoou o prazo deferido na decisão do evento 26, concedo novo e improrrogável prazo de 24 (vinte e quatro) horas para que a autoridade impetrada comprove as medidas já adotadas para imediata disponibilização dos créditos reconhecidos administrativamente. ....................” Nas fls. 815 a 878 (vol. 5), consta documentação referente à possibilidade de compensação, de ofício, de créditos do interessado, com débitos dele exigíveis. Nas fls. 879 a 898 (vol. 5), constam ofícios judiciais, ofícios do Delegado da DRF/PEL e manifestação do interessado, Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, sobre reserva e depósito de valores e possibilidade de compensação de ofício com débitos exigíveis de tributos e contribuições administrados pela RFB e de débitos inscritos em dívida ativa da União. Nas fls. 901 a 904 (vol. 5), sentença proferida em 12 de janeiro de 2011, pelo Juiz Federal Substituto da 2a Vara Federal de Pelotas, no Mandado de Segurança no 5003126 82.2010.404.7110, conforme reprodução parcial que segue: “.................... II) Tratase de mandado de segurança intentado para a concessão de provimento jurisdicional determinando a análise, pela autoridade impetrada, dos pedidos de ressarcimento formulados pela impetrante, bem como o reconhecimento do direito à Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.084 9 correção monetária pela taxa Selic dos créditos a serem repetidos e a impossibilidade do Fisco de proceder à compensação de ofício com débitos parcelados. No entanto, no momento da análise do pedido liminar, o feito foi extinto, sem resolução do mérito, em relação aos dois primeiros pedidos. Ademais, naquela ocasião, foi rejeitada a arguição de ilegitimidade passiva formulada pela autoridade impetrada decisão que foi ratificada mediante percuciente análise pelo douto magistrado Cristiano Bauer Sica Diniz, Juiz Federal da 2a Vara de Pelotas, quando da apreciação do pedido de reconsideração formulado pela União (evento 36). Assim, resta apenas deliberar quanto à possibilidade, ou não, de ser procedida à compensação de ofício, pela Receita, do crédito já reconhecido em favor da impetrante com débitos parcelados. .................... III) Ante o exposto, concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada garanta o regular e imediato prosseguimento dos processos administrativos n° 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/200330, a fim de que a impetrante efetivamente receba o crédito reconhecido administrativamente, abstendose de proceder à compensação de ofício do valor a ser ressarcido com os débitos regularmente parcelados pela impetrante, sem prejuízo do direito de proceder à compensação com os débitos que não se encontrem com a exigibilidade suspensa. ....................” Cumpre relatar ainda a existência neste processo administrativo de uma série de cópias de ofícios provenientes de Varas da Justiça do Trabalho, conforme segue. Na fl. 899 (vol. 5): Ofício no 1661/10, de 21 de dezembro de 2010, da 2a Vara do Trabalho de Pelotas, solicitando a sustação de qualquer repasse de valores ao reclamado Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, tendo em vista diversas reclamatórias em andamento no Foro Trabalhista de Pelotas, bem assim solicitando a transferência, ao referido Juízo, dos valores decorrentes do Mandado de Segurança no 5003126 82.2010.404.7110, junto ao Expediente de Execução no 000390 64.2010.5.04.0104, que tramita na 4a Vara do Trabalho de Pelotas. Nas fls. 905 a 910 (vol. 5): Ofícios nos 37 a 42/2011, de 20 de janeiro de 2011, da 3a Vara do Trabalho de Pelotas, determinando ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Pelotas que se abstenha de repassar valores ao reclamado/impetrante Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, no Mandado de Segurança no 500312682.2010.404.7110. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.085 10 Na fl. 912 (vol. 5): Intimação de 1o de fevereiro de 2011, da 2a Vara do Trabalho de Pelotas, para que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Pelotas se abstenha de proceder à liberação dos valores pleiteados nos Processos nos 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/200330, bem assim em outros processos em que haja numerário a ser repassado à empresa Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, e para que a mesma autoridade administrativa transfira, ao referido Juízo trabalhista, junto ao Expediente de Execução no 000390 64.2010.5.04.0104, que tramita da 4a Vara do Trabalho de Pelotas, os valores que seriam repassados à mencionada empresa, em razão da preferência dos créditos trabalhistas. Nas fls. 913 a 915 (vol. 5): Ofícios nos 88, 91 e 93/2011, de 28 de janeiro de 2011, da 3a Vara do Trabalho de Pelotas, determinando ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Pelotas que se abstenha de repassar valores ao reclamado/impetrante Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, no Mandado de Segurança no 500312682.2010.404.7110. Nas fls. 918 e 919 (vol. 5): Mandados de Penhora e Avaliação, de 24 de fevereiro de 2011 e 3 de março de 2011, respectivamente, da 3a Vara do Trabalho de Pelotas, referentes à penhora de créditos de Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, nos Processos nos 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/ 200330. Na fl. 930 (vol. 5): cópia de Guia para Depósito Judicial Trabalhista/Acolhimento de Depósito, no Processo no 0000390.64.2010.5.04.0104, da 4a Vara do Trabalho em Pelotas, em que figura como reclamado Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, referente ao depósito efetuado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas, em 28 de março de 2011, no valor de R$ 1.415.034,65, objeto de controvérsia neste Processo no 11040.000306/200448. Na fl. 939 (vol. 5): Mandado de Penhora de Créditos, de 25 de março de 2011, da 1a Vara do Trabalho de Pelotas, referente à penhora de créditos de Arthur Lange S/A Indústria e Comércio, nos Processos nos 11040.000306/200448, 11040.000310/2004 14, 13038.000055/200395 e 13038.000056/200330. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão recorrido pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.086 11 As vendas de produtos a empresas comerciais exportadoras, sem que tenha ficado rigorosamente caracterizado o fim específico de exportação, não se computam na receita de exportação, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário arguir, inicialmente, a nulidade da decisão recorrida: No seu sentir, o parecer exarado em cumprimento à determinação da DRJ Porto Alegra teria afastado as glosas que determinaram o indeferimento parcial do seu pedido de ressarcimento e, consequentemente, reconhecera o crédito pleiteado. Por conta de tal parecer, desistira de apresentar qualquer manifestação. Para tanto, segundo alega, teria se baseado no art. 66 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que só admitiria manifestação de inconformidade nas hipóteses em que há decisão indeferindo o pedido de ressarcimento. Acrescenta, ainda, que o órgão recorrido reconhecera que a decisão proferida em sede da apelação em mandado de segurança nº 2003.71.10.0085641/RS teria repercussão no presente processo, tanto que determinara o reexame do mérito. Defende, nessa linha, que a decisão recorrida seria nula, pois promovera o reexame do mérito, acrescentando que, nos que a decisão proferida no Mandado de Segurança 500312682.2010.404.7110 teria afirmado que a DRF seria competente para proferir nova decisão administrativa. No mérito, essencialmente, são reiteradas as razões suscitadas por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. O processo foi originalmente distribuído a Conselheiro que, à época estava vinculado à e. Primeira Turma Especial da Terceira Sejul e, em razão de que o crédito em discussão superaria o limite de alçada, foram redistribuídos, em 28/02/2013, a este Conselheiro, mediante o competente sorteio. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Penso, entretanto, que não há espaço para seu prosseguimento. A meu ver, a via administrativa foi extinta por perda de objeto. Em primeiro lugar, deixo consignado que não reconheço a alegada nulidade do acórdão recorrido, pois, como bem apontado, o encaminhamento para o órgão julgador que converteu o julgamento em diligência não representa a apresentação de remessa oficial, Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.087 12 sabidamente descabida nos processos que tratem de restituição, ressarcimento ou compensação, nos termos do já mencionado art. 68 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 20081. Entretanto, entendo que não cabe a este Colegiado se manifestar acerca do mérito do recurso, ou seja, o reconhecimento ou não do direito creditório que a unidade de jurisdição deixou de acatar em seu despacho decisório, em face da alegação de descumprimento de obrigações instrumentais por parte do sujeito passivo. Como já visto, o Poder Judiciário, equivocada ou corretamente (esta instância não detém competência para indagar), afirmou categoricamente que tais créditos teriam sido reconhecidos pela instância preparadora e, como consequência, determinou o prosseguimento do processo com vistas à concretização do ressarcimento pleiteado. Dada a importância de tal decisão para o deslinde do presente litígio, peço licença para transcrever novamente a parte dispositiva da sentença: Ante o exposto, concedo a segurança para determinar que a autoridade impetrada garanta o regular e imediato prosseguimento dos processos administrativos n° 11040.000306/200448, 11040.000310/200414, 13038.000055/200395 e 13038.000056/200330, a fim de que a impetrante efetivamente receba o crédito reconhecido administrativamente, abstendose de proceder à compensação de ofício do valor a ser ressarcido com os débitos regularmente parcelados pela impetrante, sem prejuízo do direito de proceder à compensação com os débitos que não se encontrem com a exigibilidade suspensa. Não há notícia do trânsito em julgado dessa decisão. Poderseia indagar, na esteira do que decidiu o órgão julgador recorrido, qual seria o alcance da expressão “crédito reconhecido administrativamente”. Como já antecipado, defende o Fisco que a r. autoridade preparadora, quando do cumprimento da diligência, não expediu um despacho decisório reconhecendo os créditos postulados, premissa com a qual, aliás, concorda este relator. A grande dificuldade é que, se analisado o histórico das decisões interlocutórias exaradas no processo judicial e que, como se viu, foram consolidadas pela sentença, o Poder Judiciário, a meu ver, e com a devida vênia às opiniões em sentido contrário, decidiu que a manifestação exarada por ocasião da diligência equivaleria a uma decisão pela procedência do pedido. Confirase despacho do MM Juiz que presidiu o feito em que se analisa pedido de reconsideração (original não destacado): Como se os termos da referida decisão não fossem claros o suficiente, entende este Juízo: (1) que os processos administrativos não deveriam ter sido remetidos à DRJ/POA, uma vez que a manifestação de inconformidade interposta 1 Art. 68. Não caberá recurso de ofício da decisão que considerar procedente manifestação de inconformidade em processos relativos a restituição, ressarcimento e compensação ou da decisão que deferir pedido de restituição de contribuição previdenciária ou de reembolso. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.088 13 perdeu por completo seu objeto no momento em que, atendendose determinação da própria DRJ, foi efetuado o recálculo do crédito de acordo com os critérios fixados no Mandado de Segurança 2003.71.10.0085641, exatamente como postulava a empresa impetrante no recurso administrativo; (2) que não afeta tal conclusão a referência, efetivamente existente na decisão da DRJ, acerca da necessidade de retorno dos autos à segunda instância após oportunizarse à impetrante manifestação sobre os novos cálculos efetuados, uma vez que logicamente incompatível com seu conteúdo; (3) que a parte tem direito à imediata disponibilização dos créditos que foram apurados. Registrese que se a autoridade impetrada não concorda com os fundamentos da decisão exarada restalhe somente adotar as medidas cabíveis para interposição de recurso junto à segunda instância, de modo a, dentro dos limites legais fixados pelo sistema, tentar fazer valer seu entendimento. O que não é cabível, e não será tolerado por este Juízo, é que se busque subterfúgios para o não cumprimento da decisão liminar enquanto esta estiver em pleno vigor, não sendo demais salientar que tal conduta caracteriza a prática em tese do crime previsto no art. 330 do Código Penal brasileiro. Por fim, embora entenda não ser ainda necessária a adoção das medidas pleiteadas pela impetrante na petição que consta do evento 48, assiste razão a impetrante quando assinala que não é necessário aguardar a baixa dos processos remetidos à DRJ para atenderse à ordem judicial, uma vez que todos os dados necessários ao cumprimento do decisum encontramse nos documentos anexados ao evento 14. A partir da transcrição de tais excertos, resta evidente, a meu ver, que o objeto do presente processo, ou seja, o ressarcimento do IPI incidente sobre insumos, está em discussão no Poder Judiciário, que exarou decisão no sentido de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil teria reconhecido os créditos por ocasião da diligência. Ora, se o reconhecimento dos referidos créditos é o objeto deste processo administrativo, resta evidente, a concomitância com aquele que tramita no Poder Judiciário, atraindo, por consequência, a aplicação da Súmula CARF nº 1: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Assim sendo, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2013 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11040.000306/200448 Acórdão n.º 3102002.034 S3C1T2 Fl. 1.089 14 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000415/2005-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso.
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101-001.376)
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101-001.376) Recurso Especial Provido.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado B&A NATAÇÃO LTDA. ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101001.376) Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 15 /2 00 5- 94 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 3 2 (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima. Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 391000.52 (cópia à fl. 88/91), proferido na sessão de 21/10/2008 da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuinte, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da decisão. A recorrente contesta a decisão do colegiado quanto a matéria “Enquadramento no Simples – Atividade Econômica Vedada – Retroavidade da Lei Complementar 123/2006”. Mediante despacho 110000.0302010, de 18/02/2010 (fl.114/115), o recurso TEVE SEGUIMENTO nos seguintes termos: “(...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. 0 voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente A época do fato julgado, a Lei n°9.317/196, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa de alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos A opção pelo Simples. Destarte, em vista do exposto DOU SEGUIMENTO ao recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional. Encaminhemse os autos à DRF de origem para cientificar a contribuinte do acórdão recorrido, notificando para apresentação de contrarrazões ao Recurso especial da PFN em 15 dias, se desejar. (...)” Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões em 31/10/2010, fls. 116 e seguintes, no qual alega em preliminar que o acórdão apontado como paradigma não se presta para configurar a divergência, e no mérito, propugna pela confirmação do acórdão recorrido. É o breve relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva p Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Inicialmente, registro que o Recurso Especial de Divergência tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as Turmas Ordinárias e Especiais deste Conselho. Não se trata de uma terceira instância administrativa. Nesse sentido, dispõe o Regimento Interno do CARF em seu art. 67 (anexo II) que a divergência jurisprudencial ocorre quanto a “decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. No presente litígio, instaurado pela PFN questiona o entendimento do acórdão recorrido quanto a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, tendo cancelado o Ato Declaratório que excluiu a contribuinte do Simples a partir do ano de 2002. Aduz a recorrente que “(...) In casu, verificase que a Lei Complementar n° 123/2006, no capitulo referente és disposições finais e transitórias, não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Ao contrário, os arts. 88 e 89 são claros em afirmar que o regime de tributação instituído pela Lei do Super Simples somente entrará vigor a partir de 01 de julho de 2007, momento em que ficará revogada a Lei n° 9.317/1996. ... A retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. 0 referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensando se, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de "lei mitior" quanto a infrações ou penalidades... A LC 123/06 jamais poderia estar "deixando de definir uma infração", pois infrações não havia. Em verdade, estamos diante de dois sistemas (com relevantes diferenças) de pagamento unificado de tributos Lei n° 9.317/96 e LC 123/06 que se sucederam no tempo ambos atendendo a razões de política tributáriofinanceira reinantes em suas respectivas épocas. Não podemos confundir os regimes e objetivar aplicálos fora do período de vigência estabelecido.... Ademais, a análise da opção da empresa ao Simples é feita com base em critérios objetivos, ou seja, pela análise do objeto social. Assim entendendo essa Turma, aduzse em inovação da legislação, o que seria proibido a esse órgão administrativo. .... Portanto, os preceptivos apontados não deixam dúvida de que a atividade exercida pela recorrida é assemelhada á de professores especializados ou fisicultores, e, por isso, temse que agiu com acerto a DRJ ao manter o Ato Declaratório de exclusão do Simples.” Por sua vez, a contribuinte apresentou contrarrazões aduzindo em preliminar que não restou configurada a divergência e que no mérito cabe aplicar retroativamente a LC 123/2006. Rejeito de plano a preliminar, haja vista que, embora não tenha tratado especificamente sobre o enquadramento retroativo no Simples em razão da atividade, e sim em face do limite da receita bruta, o Acórdão 30335.326, apontado como paradigma pela PFN (cópia às fl. 103111), enfrentou a matéria de fundo objeto do presente litígio, qual seja: a Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 5 4 aplicação retroativa da LC 123/2006. Isso está patente no voto condutor e também na ementa, que foi aprovada por aquele colegiado, nos seguintes termos: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 Legislação Superveniente. Inclusão Retroativa. Impossibilidade, A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” No mérito, a questão é conhecida deste Colegiado que firmou entendimento que a Lei Complementar 123/2006 também não se aplica retroativamente para permitir a permanência no Simples de empresas que se dediquem a atividades anteriormente vedadas. Nesse sentido citese o acórdão 9101001.376, de 4/06/20012, cuja decisão unânime é sintetizada pela seguinte ementa: ‘SIMPLES ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.” fundamentos do voto condutor do aludido Acórdão destacamse os seguintes excertos: “(...) Quanto à divergência apontada, qual seja, retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, entendo assistir razão à Fazenda Nacional, sendo equivocada a interpretação adotada pela Câmara recorrida. O regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar 123/2006, entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispôs seu art. 88, data em que ficou revogada a Lei nº 9.317/96, conforme art. 89. O inciso II do art. 106 do CTN trata da retroatividade benigna de disposição legal em matéria de infrações, e o dispositivo legal cuja aplicação a decisão fez retroagir não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 6 5 Uma vez que a norma do art. 17 da Lei Complementar 123/2006 não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas no art. 106 do CTN, não se presta, ela, para permitir a manutenção da interessada no SIMPLES antes de 1º de julho de 2007. Sobre o tema (retroatividade de dispositivo mais benéfico) vale transcrever o voto do relator, Ministro Castro Meira, no RESP 722.307, Segunda Turma, trazido a lume pela ilustre representante da Fazenda Nacional: (...) Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringese à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso. Já o segundo inciso subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados. A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso. (...)” (Grifei) Pois bem, no presente caso é incontroverso que a contribuinte exercia atividade vedada pela Lei 9.317/1996, vigente no ano de 2002, qual seja: Academia de Ginástica. Isso porque, as atividades descritas no contrato social do contribuinte são impeditivas â opção pela sistemática, por demandarem professores especializados ou fisicultores, que possibilitam um acompanhamento continuo aos clientes. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de inadmissibilidade do recurso e, no mérito , dar provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN e restabelecer os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/SAE 473.822, de 07 de agosto de 2008, que excluiu a contribuinte do Simples (fl. 23). (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 10850.909635/2011-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Presidente Substituto (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 63 5/ 20 11 -8 8 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 187 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 4.525,50. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2002 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 188 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 189 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 190 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 193DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 191 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909635/201188 Resolução nº 3801000.667 S3TE01 Fl. 192 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 195DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900469/2012-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 69 /2 01 2- 96 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900469/201296 Acórdão n.º 3803006.180 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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