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Numero do processo: 10768.720017/2007-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas às dimensões das áreas (a) alagadas, (b) marginais e (c) outras, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Relator, que votou por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Heitor de Souza Lima Junior, Eivanice Canário da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão (Relator).
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas às dimensões das áreas (a) alagadas, (b) marginais e (c) outras, nos termos do voto do redator designado. Vencido o Conselheiro Relator, que votou por dar provimento ao recurso. Designado para redação do voto vencedor o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) EDUARDO DE SOUZA LEÃO – Relator (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR – Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Heitor de Souza Lima Junior, Eivanice Canário da Silva, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Maria Cleci Coti Martins e Eduardo de Souza Leão (Relator). Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 68 .7 20 01 7/ 20 07 -4 3 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de no. 03 24.880 da 1ª Turma da DRJ/BSB (fls. 176/187), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento fiscal alusivo a cobrança do ITR incidente sobre o imóvel rural “Furnas 798 Usina Hidrelétrica de Corumbá”. Os argumentos de Impugnação foram dispostos pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificada desse lançamento em 21/08/2007 (AR de fls. 49), a contribuinte protocolou em 06/07/2007, por meio de representantes legais, a impugnação de fls. 83/11, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 1101136, alegando, em síntese: de inicio, discorre sobre o objeto social da empresa, o modus operandi na declaração do ITR e o procedimento da autoridade fiscal no lançamento, do qual discorda e que deveria ser revisto de oficio; constado auto de infração o astronômico débito de R$ 2.904.092,03, referente ao período de 2005, mais juros e multa, pois a autoridade fiscal arbitrou o VTN, nos termos da Lei n° 9.393/1996, sobre a área total do imóvel Usina Corumbá, classificado como imóvel rural; as empresas constituídas sob a forma de sociedade de economia mista, como a impugnante, podem ser divididas em duas espécies: as que exploram atividade econômica e as que prestam serviço público; nesse último caso, as suas atividades recebem forte influência das regras de direito público; a produção, a transmissão e a distribuição de energia elétrica são serviços essencialmente públicos, sejam eles prestados diretamente pelo Poder Público, por órgãos da administração indireta ou por particulares, nos moldes do que dispõe a Constituição Federal, em seu art. 21, inciso XII, alínea "b" (transcrito); por força do texto constitucional, tais serviços são qualificados como públicos, privativos da União; portanto, a sua exploração por entes privados, ou ate por outros entes públicos, somente é possível por "autorização, concessão ou permissão"; de tão restrita a competência para o exercício dessa atividade, cita o disposto no § 1º do art. 20 da Constituição Federal, que trata da participação no seu resultado; as empresas prestadoras de serviço tão qualificado não podem receber o mesmo tratamento jurídico dispensado as sociedades anônimas em geral, pois sobre aquelas incide particular controle estatal, justificado pelo interesse do Estado em sua atividade, que provoca a imposição de deveres legais específicos; apesar de sujeitas ao pagamento de tributos, nos termos do § 3º do art. 150 da Constituição, essas empresas podem gozar de benefícios fiscais outorgados pelo Poder Público; ainda que a isenção que vigorava para o setor não tenha sido convalidada pela Constituição vigente, ficando expressamente rejeitada por força do § 1º do art. 41 do Fl. 318DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 4 3 ADCT, cabe questionar se as empresas geradoras de energia elétrica estão sujeitas à incidência do ITR; analisa, nesse sentido, aspectos jurídicos e doutrinários da hipótese de incidência tributária, a partir do exame da regramatriz dos tributos, previsto no inciso VI do art. 153 da Constituição Federal de 1988, e a aplicação de seu esquema lógico ao ITR; transcreve entendimento de Geraldo Ataliba, que afirma situarse o ITR na subclasse dos "reais"; os imóveis da empresa impugnante estão, em grande parte, cobertos de água, prestandose apenas para reservar água, potencializando a força hidráulica para a geração de energia. As margens dos reservatórios também não se prestam a qualquer outro objetivo, funcionando apenas como faixas de segurança para as variações sazonais do nível d'água; para fins de aplicação do disposto no art. 20 da Constituição Federal, (transcrito), os reservatórios de água encaixamse em qualquer um dos conceitos nele previstos. Seriam "lagos", na sua definição mais simples, se entendidos como uma grande extensão de água cercada de terra, inserindose nessa classe os lagos de barragem, formados em áreas represadas por aluviões pluviais, restingas, detritos de origem vulcânica e morainas; esses reservatórios poderão, também, integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; enfatiza que esse mesmo art. 20, em seu inciso VIII, inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", ficaria muito difícil deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; esse entendimento está em consonância com a Lei n° 9.433/1997, ao instituir a Política Nacional de Recursos Hídricos, com fundamento de validade no inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, estabelecendo no art. 1°, inciso I, que: "a água é um bem de domínio público."; esse texto legal também convive em perfeita harmonia com o Código Florestal (transcrito em parte), com destaque para o disposto no § 6º do seu art. 1° e para o art. 2°; a conclusão é singela: argumentar que os reservatórios são lagos situados em "propriedade" privada e por ela cercados, é desconsiderar comandos legais de relevante interesse para a própria preservação do bem público e de sua fonte produtora; ademais, esses reservatórios são lagos alimentados por correntes públicas (rios), o que reforça sua qualidade de bem público (§ 3° do art. 2° do Código de Águas); portanto, as áreas destinadas aos reservatórios de água não podem sofrer a incidência do ITR, por serem unidades integrantes do patrimônio público da União, assim como as áreas destinadas às suas margens também estarão livres do impacto do tributo, na condição de áreas de preservação permanente, que devem ser excluídas da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 10, § 1º, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.393/1996, além do Código Florestal; reafirma que a prestação do serviço público de fornecimento de energia é incumbência privativa da União, ao mesmo tempo em que os rios, lagos (naturais e artificiais) os terrenos marginais e as praias fluviais e os potenciais de energia integram, também, o patrimônio dessa pessoa política de direito interno; as águas são de domínio Fl. 319DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 5 4 público, possuindo as prerrogativas de inalienabilidade, impenhorabilidade e imprescritibilidade; a porção de terra coberta pelo lago artificial das usinas hidroelétricas e a área situada a seu redor, mesmo que de propriedade da empresa, mantendose a distinção com referência à propriedade do bem público, ainda assim encontrase com absoluta restrição de uso por seus "proprietários". A área está afetada ao uso especial da União, o que impede a seus titulares o exercício de qualquer dos direitos inerentes ao seu domínio; a União detém o verdadeiro domínio útil das áreas necessárias à geração, distribuição e transmissão de energia elétrica, nos termos legais e constitucionais; portanto, fica afastada, também por esse prisma, a possibilidade jurídica de onerar essas áreas pelo ITR, pois é sujeito passivo da obrigação quem tiver o domínio útil sobre o imóvel; por outro angulo, concluise pela não incidência do imposto, no caso presente, porque: (i) as áreas estão, em sua maioria, cobertas de água e (ii) afetadas ao uso especial, tendo em vista a prestação de serviços públicos, pelo que se caracterizam como comprovadamente imprestáveis a qualquer tipo de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal. Isso já basta para não serem consideradas áreas tributáveis para fins do ITR, nos termos da alínea c, do inciso II, § 1º, do art. 10 da Lei n° 9.393/1996; a legislação ordinária está sintonizada com os ditames constitucionais, afastando qualquer possibilidade de cobrança de imposto sobre as áreas destinadas aos reservatórios de água das empresas representadas pela impugnante, em sentido inverso ao que pretende a fiscalização federal; a apuração da base de cálculo do imposto – valor fundiário, nos termos do art. 30 do CTN e Valor da Terra Nua tributável VTNt, nos termos da legislação especifica – oferece algumas dificuldades, como exclusão de valores (art. 10, § 1°, I e IV), subtração de áreas (art. 10, § 1º, II) e multiplicação (art. 10, § 1º, III); no entanto, a regramatriz, como metodologia, é instrumento redutor de complexidades; no caso presente nenhuma dessas operações se torna possível ao aplicador da lei, porque não há valor de mercado para a apuração do VTN, por onde começam os cálculos, pois se trata de um bem do domínio público, afetado ao patrimônio da pessoa política União, fora do comércio, impedindo qualquer pretensão impositiva sobre as áreas desapropriadas para a construção das obras necessárias ao represamento dos rios e lagos, para a manutenção dos reservatórios destinados à produção de energia elétrica; para corroborar a improcedência do auto de infração, reportase à Constituição Federal, ao CTN e à Lei n° 9.393/1996, dessa transcrevendo, parcialmente, os dispositivos que tratam da apuração e do valor do ITR, artigos 10 e 11, respectivamente; destaca que a autoridade fiscal, abandonando esses comandos legais, não poderia adotar área "produtiva de energia elétrica" como não produtiva e apontar GU "0" quando a utilização é integral, presumiu que o valor fundiário está subavaliado, arbitrando um VTN de R$7.731.924,48 e aplicando a alíquota máxima (20 %), equiparando o imóvel aos latifúndios improdutivos; não é crível que a "terra" submersa por represa para a geração de energia elétrica possa ter o mesmo valor da terra destinada ao cultivo de primeira, visto que aquela está, no mínimo, fora do âmbito de incidência do ITR; Fl. 320DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 6 5 considerar como improdutiva a produção, geração e transmissão de energia elétrica, na imensa área abrangida por Furnas, é uma falácia incompatível com o sistema jurídico e a lógica que deve preceder os julgamentos válidos e produtores de resultados; é flagrante a ofensa aos princípios da legalidade e da igualdade que norteiam rigidamente a atividade impositiva do Estado, no que concerne à cobrança do imposto; para a Usina Hidrelétrica em questão, tomouse o valor da terra apontado no SIPT, considerandoo para as terras submersas e aplicandose nele o GU, sem qualquer exclusão; a legislação que cuida do ITR sempre leva em conta o grau de utilização (GU) na exploração rural, seja agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal, nos termos da Lei 9.393/1996, em consonância com o Estatuto da Terra, o que permite concluir ser relevante para fins do ITR não a produtividade em geral, mas na exploração daquele setor, enquanto as atividades desenvolvidas pelas usinas hidrelétricas estão fora de tal campo de abrangência; em momento algum a lei do ITR se refere à exploração energética, talvez impulsionada pelo DecretoLei nº 2.281/1940, que concedia isenção a tal atividade e perdeu sua eficácia em outubro de 1990 com o advento do novo texto constitucional, deixando ao aplicador da lei e aos operadores do direito a interpretação sistemática, que não permite incluir na hipótese de incidência do ITR aquela que não estiver ali explicita, por força do principio da tipicidade da tributação, além dos outros já mencionados; por tudo isso, indaga: há meios jurídicos hábeis para manterse a exigência apontada no auto de infração? como aceitar a incidência do ITR sobre as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas, suas margens e construções, se não há compatibilidade com a hipótese de incidência normativa? Como admitir que empresa produtora, transmissora e distribuidora de energia elétrica – industrial, portanto – possa ser alcançada pelo ITR como se de área "rural" se tratasse? Como manter auto de infração que indica base de cálculo em total descompasso com a legislação vigente? Como aquilatar "valor de mercado" se a porção de terra encontrase alagada, imprestável para uso comum, ou em condições de utilização reduzidas, enquanto "valor de mercado" pode ser entendido como o preço médio que o imóvel alcançaria em condições normais de mercado, para a compra e venda à vista? também, como fugir da proibição constitucional de se cobrar tributos com efeito de confisco (inciso IV do art. 150 da CF)? Enfim, como manter auto de infração em que o imposto foi apurado em total desconformidade com os comandos dados como infringidos pela fiscalização (arts. 10 e 14 da Lei n° 9.393/1996 e Parecer COSIT n° 15/2000)? ainda, como manter a pretensão fazendária sem qualquer diligência? Registrese que o valor do imóvel indicado pela requerente é o valor escriturado como "patrimônio liquido"; transcreve ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello sobre "justa indenização"; portanto, não pode prevalecer a exigência de pagamento do ITR, com amparo no Parecer COSIT nº 15/2000, visto que esse dispositivo não alarga a hipótese de incidência estatuída em lei; transcreve ementa da CSRF e cita entendimento adotado pelo Conselho de Contribuintes, para referendar suas teses; no caso presente, a Lei n° 9.393/1996 não ampara a pretensão fazendária, pois não há fato jurídico que enseje a obrigação tributária, além de a base de cálculo adotada Fl. 321DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 7 6 descaracterizar a hipótese de incidência prevista na legislação pertinente; transcreve entendimento de Sacha Calmon Navarro Coelho e Misabel Abieu Machado Derzi, para reforçar seus argumentos; o art. 20 da Constituição Federal estabelece como propriedade da União "os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terreno de seu domínio"; assim, os reservatórios de água podem integrar o conceito de "rio", se considerados como resultantes do represamento de curso de água pluvial; o inciso VIII desse artigo inclui também no patrimônio da União "os potenciais de energia hidráulica", de tal modo que, escapando os reservatórios dos subdomínios dos "rios" ou dos "lagos", é impossível deixar de reconhecêlos no âmbito dos "potenciais de energia"; apresenta as seguintes conclusões: a) a autoridade fiscal presumiu a ocorrência do fato jurídico tributário, sem mensurar a verdadeira base de cálculo nem efetuar os cálculos ditados pela Lei 9.393/1996 (com exclusão de valores, subtração de áreas e as multiplicações necessárias ao cálculo do imposto), apurando, por "média aritmética" e por amostragem, o valor da terra nua do imóvel onde está construída a Usina Hidrelétrica Corumbá, no Estado de Goiás; b) foi aplicada a multa de 75,0% sobre base de cálculo incompatível inexistente, como já demonstrado; c) a fiscalização desconsiderou as áreas de exclusão indiscutível: margens, áreas de preservação permanente pela só determinação legal; d) as áreas de reservatórios das usinas hidrelétricas e suas margens são bens de domínio público da União, não podendo ser abrangidas pelo critério material da hipótese de incidência de qualquer tributo, quanto mais do ITR, de sua competência privativa e exclusiva; e) a base de cálculo simplesmente inexiste, a partir do exame da regramatriz e das funções mensuradora, objetiva e comparativa; ademais, a legislação não previu a exclusão de qualquer valor de instalações, benfeitorias e construções do valor total do imóvel, por parte das hidrelétricas. Ao final, a impugnante requer seja decretada a improcedência do auto de infração e arquivado o feito fiscal ou, então, seja determinada diligência nos termos legais, para apuração dos quesitos relacionados.” A decisão proferida pela da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), restou assim ementada: “DA INCIDÊNCIA DO IMPOSTO – ÁREAS SUBMERSAS / RESERVATÓRIOS. Áreas rurais de empresa concessionária de serviços públicos de eletricidade, destinadas a reservatórios de usina hidrelétrica, integram o patrimônio dessa empresa e submetemse às regras tributárias aplicadas aos demais imóveis rurais. Reservatórios de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 8 7 água de barragem não se confundem com potenciais de energia hidráulica, bens da União previstos na Constituição Federal. DO VALOR DA TERRA NUA – VTN. Caracterizada a subavaliação do Valor da Terra Nua – VTN declarado ou a prestação de informações inexatas na DITR/2005, o respectivo VTN/ha poderá ser arbitrado pela autoridade fiscal, com base no SIPT, nos termos da Lei n° 9.393/1996. Para a possível revisão desse VTN, seria necessário laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica, atendidos os requisitos da norma NBR n° 14.6533 da ABNT. DA MULTA PROPORCIONAL LANÇADA. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, no caso de informação incorreta na declaração do ITR/2005, cabe exigilo juntamente com a multa proporcional aplicada aos demais tributos. Lançamento procedente” No Recurso disposto nas fls. 196/227 e 238/267, a Recorrente reitera os argumentos de impugnação e acrescenta que a matéria é objeto de Súmula nº 45 deste Conselho afastando a exigibilidade do ITR sobre as terras alagadas para fins de reservatório de usina hidrelétrica. Pede, ao final, que seja determinado o arquivamento do feito, uma vez que a exigência tributária imposta não encontraria guarida no ordenamento jurídico vigente. Desta feita, o procedimento foi distribuído para nossa relatoria, razão pela qual coloco em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Souza Leão, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 9 8 O Lançamento Fiscal pretende exigir o pagamento de ITR incidente sobre as áreas de propriedade de usina hidrelétrica. Contudo, este Conselho já discutiu suficientemente a matéria, entendendo que não há incidência do ITR sobre as terras submersas em razão da instalação de reservatório de Usina Hidrelétrica, pois as águas represadas que inundam as terras pertencem à União, que também detém o domínio útil dessas terras, sendo, portanto, eventual sujeito passivo do imposto, conquanto imune de ITR. Nesse sentido, toda e qualquer controvérsia findou dirimida com a aprovação da Súmula nº 45 do CARF, in verbis: “O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.” Em relação à tributação dos espaços territoriais marginais as áreas inundadas, estes também não são alcançados pelo ITR, tendo em vista que o artigo 4º, incs. I a III da Lei nº 12.651/2012 – Novo Código Florestal, define como de preservação permanente as faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente, as áreas no entorno dos lagos e lagoas naturais, assim como as áreas no entorno dos reservatórios d’água artificiais, decorrentes de barramento ou represamento de cursos d’água naturais, enquanto que a alínea “a” do inc. I do art. 10 da Lei nº 9.393/96 afasta a tributação das áreas de preservação permanente. Importa destacar o entendimento pacificado deste Colendo Conselho, conforme acórdãos que restaram assim ementados: ITR. TERRAS SUBMERSAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira da jurisprudência consolidada neste Colegiado, traduzida na Súmula nº 45 do CARF, a qual é de observância obrigatória, não incide Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. MARGENS DE REPRESA Fl. 324DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 10 9 DE USINA HIDRELÉTRICA. INEXISTÊNCIA DE ADA. RECONHECIMENTO DAS ÁREAS SUBMERSAS. DECORRÊNCIA POR DEFINIÇÃO LEGAL. Uma vez reconhecida à existência e a não incidência de ITR sobre as áreas submersas por represa de Usina Hidrelétrica, por decorrência lógica/legal impõese admitir as suas margens como área de preservação permanente, por definição da própria legislação de regência, especialmente artigo 2º, alíneas “a” e “b”, da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal), independentemente de apresentação de ADA. Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202002.892, Processo nº 13855.720041/200872, Relator Cons. RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, 2ª TURMA/CSRF); USINA HIDRELÉTRICA. ÁREAS SUBMERSAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Súmula CARF nº 45. Consideramse de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situadas ao longo de qualquer curso d´agua, inclusive as áreas de entorno das terras submersas por águas que formam reservatórios artificiais com fins de geração e distribuição de energia elétrica. Recurso especial provido. (Acórdão nº 9202002.225, Processo nº10980.014503/200542, Relator Cons. ELIAS SAMPAIO FREIRE, 2ª TURMA/CSRF); ITR. ÁREAS ALAGADAS. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. (Súmula CARF n.° 45). Recurso provido. (Acórdão nº 2202002.143, Processo nº 10980.725572/201042, Relator Cons. ANTÔNIO LOPO MARTINEZ, 2ª TO / 2ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para desconstituir o crédito tributário lançado contra o Recorrente. É como voto. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 11 10 (assinado digitalmente) Eduardo de Souza Leão – Relator Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redatordesignado. Rendendo homenagens ao teor do voto do ilustre Relator, entendo, todavia, que devam ser melhor esclarecidas algumas situações de fato, de forma a que possa se adotar o devido entendimento ao caso. Inicialmente, noto, com fulcro nos elementos carreados ao autos, que não há como se assegurar que o imóvel objeto de tributação (Usina Hidrelétrica de Corumbá – Furnas 798 NIRF 1.542.9229) se trata ou não realmente de área constituída por reservatório (áreas alagadas) e por margens eventualmente constituintes de áreas de preservação permanente, área esta que teria passado à propriedade da empresa por ato expropriatório para fins de instalação de parque gerador de energia. Ainda, entendo que, uma vez que o contribuinte, conforme fl. 04, não declarou qualquer área a título de área de preservação permanente (APP), mas, ainda assim, requer, em seu pleito recursal, que assim se considere as margens do alegado reservatório e, ainda, que inexiste qualquer outro elemento nos autos que permita identificar a divisão da área total do imóvel em: a) áreas alegadas; b) áreas marginais e c) outras áreas, deve também tal informação ser obtida na mesma diligência. Noto, a propósito deste último item, haver entendimentos, no âmbito deste Conselho, da existência de requisitos específicos além da mera disposição legal para fins de exclusão de eventual área marginal legalmente delineada como APP, daí entender este Conselheiro como relevante tal informação, a fim de que todos os membros do Colegiado possam firmar sua convicção de forma adequada, independentemente do entendimento a que se filie. Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que se sejam obtidas: a) Documentação (p. ex., atos expropriatórios e outros atos de transferência e registro de propriedade), que demonstrem a aquisição, pela recorrente da dimensão de área tributada, 7.334,4 ha. (NIRF 1.542.9229), devidamente acompanhada de quaisquer elementos outros (tais como laudos e mapas georreferenciados) que permitam uma clara vinculação entre os elementos supra, relacionados à aquisição de propriedade, e a referida área total. b) Documentação idônea (composta por laudo, mapas georreferenciados e/ou outros), através da qual se estabeleça uma exaustiva segregação da área objeto de tributação (7.334,4 ha.) nos seguintes grupos: b.1) Total de área a título de áreas alagadas; b.2) Total de área a título de áreas marginais, especificando Fl. 326DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.720017/200743 Resolução nº 2101000.176 S2C1T1 Fl. 12 11 necessariamente aqui aquelas definidas como Áreas de Preservação Permanente, consoante art. 2o, alíneas “a” e b” da Lei no. 4.771, de 15 de setembro de 1965 e b.3) outras. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redatordesignado Fl. 327DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, As sinado digitalmente em 14/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 18108.002495/2007-53
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/12/2007
RELEVAÇÃO.APLICABILIDADE
Corrigida a falta inquinada e obedecidas as condições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, deve ser aplicada a relevação devida. Tal favor legal teve vigência até 12.01.2009, com a publicação do decreto 6.727/09, que revogou o art. 291.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.667
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
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Obrigação Acessória Recorrente REFRATÁRIOS BANDEIRANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/12/2007 RELEVAÇÃO.APLICABILIDADE Corrigida a falta inquinada e obedecidas as condições do art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, deve ser aplicada a relevação devida. Tal favor legal teve vigência até 12.01.2009, com a publicação do decreto 6.727/09, que revogou o art. 291. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para relevar a multa aplicada assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 24 95 /2 00 7- 53 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18108.002495/200753 Acórdão n.º 2803003.667 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18108.002495/200753 Acórdão n.º 2803003.667 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada por descumprimento da legislação previdenciária, por apresentar GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social com ausência de fatos geradores. A falta foi corrigida antes da lavratura do auto, e atenuada em 50%. O r. acórdão – fls 62 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, na parte que interessa, o seguinte: · Uma vez esclarecido que a Recorrente não deixou de recolher o tributo devido referente às contribuições previdenciárias, tampouco deixou de registrar anotações aos livros fiscais, não há que se falar em auto de infração e imposição de multa já que ilegalidade alguma praticou a ora Recorrente, logo havendo que ser totalmente reformado o v. acórdão, desconstituindo o malogrado AIIM. · A falta de diversos requisitos inerentes ao auto de infração em questão, enseja a sua nulidade. · Não há que se falar em eficácia e validade do presente auto de infração, consistente fundamentalmente ao fato de que a Recorrente não procedeu ao recolhimento das contribuições sociais tampouco a entrega das respectivas GFIP's em época própria concernente ao exercício de 0612003, 0912003, 1112003 e 1212003, eis que efetivamente logrou em honrálos bem como comproválas por meio da apresentação das GFIP's. · O auto é nulo de pleno direito, haja vista não ter sido lançado de acordo com as diretrizes da legislação tributária em vigor, precipuamente porque como já aqui explanado a alíquota percentual incidente não corresponde com a categoria microempresa, qualidade esta da empresa aqui ora Recorrente, o que justifica a reforma da r. sentença recorrida. · A multa imposta pelo fisco à Impugnante não tem respaldo fático tampouco amparo jurídico legal, haja vista não ter praticado a empresa qualquer irregularidade em desfavor do Fisco no que se refere a não apresentação das GFIP's, tampouco ter omitido ou mesmo ter deixado de recolher qualquer dos encargos a título de contribuições previdenciárias ao período de 06/2003, 09/2003, 11/2003 e 12/2003. · De toda sorte se imposta a multa deve ser amenizada e não de acordo com ao montante declinado ao combatido AI. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18108.002495/200753 Acórdão n.º 2803003.667 S2TE03 Fl. 5 4 · Juros sem respaldo legal. · Pagamento integral dos encargos previdenciários. · Requer a reforma do v. acórdão hostilizado, JULGANDOSE IMPROCEDENTE O AUTO DE INFRAÇÃO no. 371240441, arquivandoo, por conseguinte. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18108.002495/200753 Acórdão n.º 2803003.667 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA MULTA APLICADA O cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária é de caráter obrigatório por parte dos contribuintes, sendo irrelevante se o descumprimento da norma acarretou ou não prejuízo à fiscalização. A multa aplicada é a determinada pela legislação em vigor, em especial lei n. 8.212, de 24.07.91, artigos 32,IV e parágrafo 5º, na redação anterior à lei 11941/09 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048, de 06.05.99, art. 225, IV, §4º. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais retrocitados e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. A referida autuação traz todos os elementos caracterizadores da infração, fazendo constar, inclusive que o recorrente corrigiu a falta antes da lavratura do auto, fazendo jus a atenuação de 50%, não havendo reparo a ser feito, nesse ponto. DA RELEVAÇÃO Apesar de a falta ter sido corrigida antes mesmo da lavratura do auto, não ser reincidente, e não constar agravante, a autoridade julgadora não aplicou a relevação então prevista no art. 291 do RPS, que tinha essa redação. Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1o A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 18108.002495/200753 Acórdão n.º 2803003.667 S2TE03 Fl. 7 6 Assim se manifesta a autoridade julgadora: A Autuada não usou da faculdade previsto no parágrafo único do artigo 291 do RPS aprovado pelo Decreto n.° 3048/99, por ter deixado de formular o pedido de relevação da multa. Nesse ponto discordo da conclusão do e. julgador. A defesa apresentada voltase sim para afastar a autuação lavrada. Apesar de não constar expresso pedido de relevação, a manifestação do contribuinte é inequívoca que busca esse fim, não entender desta forma é se apegar a excesso de formalismo que deve ser afastado no âmbito administrativo. Devese buscar a devida aplicação da lei, pois opção legislativa da qual não se pode afastar. No caso concreto, repisase, inexiste pedido expresso de relevação, mas não vejo como afastála uma vez que a defesa apresentada, através das expressões usadas CANCELAMENTO, ANULAÇÃO, NULIDADE, etc., deixa claro que busca afastar a exação e não arcar com o pagamento do que lhe imposto em outras palavras, busca a relevação da multa ou o afastamento do auto por alguma das diversas razões trazidas na impugnação. Dessa feita, tenho que, satisfeitos os requisitos do art. 291 §1º do RPS, na redação da época, deve a multa lavrada ser relevada. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento para relevar a multa aplicada. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 19647.017451/2008-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
CSLL - COISA JULGADA - RELAÇÃO CONTINUATIVA - DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF - LIMITES - RESP Nº 1.118.893-MG - REPETITIVO
Ainda que se adotasse a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão, o julgamento do REsp nº 1.118.893-DF não socorreria a recorrente, pois a colocação de que a declaração de constitucionalidade da CSLL pelo STF não abala a coisa julgada (anterior) não foi ratio decidendi da decisão desse REsp, tampouco incidente de inconstitucionalidade (com ampliação da teoria, superando o art. 469, III, do CPC), mas apenas obiter dictum em sentido estrito.
CSLL - COISA JULGADA - RELAÇÃO CONTINUATIVA - DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF - LIMITES - ADI Nº 15-2/DF - PARECER PGFN/CRJ/492/2011
Apenas a decisão em controle concentrado de constitucionalidade (que é a maior verticalidade da tutela da Direito Constitucional objetivo) faz cessar a autoridade da coisa julgada anterior sem necessidade de ação revisional, nem de rescisória. Os comandos da Lei Complementar 73/93, Lei Orgânica da AGU, não são vinculativos a órgãos da administração-judicante, a lhes tornar cogente parecer da Fazenda Nacional. A recorrente tem decisão favorável, cujo dispositivo acobertado pela coisa julgada é a inexigibilidade da CSLL (em face de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88). Como o ADI nº 15-1/DF, que declarou a constitucionalidade da Lei 7.689/88, transitou em julgado em 2007, cessa a autoridade da coisa julgada automaticamente, desse momento em diante (efeito a partir de então), de modo que somente a CSLL relativa a esse ano é exigível da recorrente.
MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO
Até agosto de 2007, a recorrente estava coberta pela autoridade da coisa julgada, sendo indevida multa isolada sobre as estimativas de CSLL até esse mês. Multa isolada para as demais estimativas igualmente descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre as CSLL exigidas exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anos-calendário.
Numero da decisão: 1103-001.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado DAR provimento PARCIAL para excluir da exigência (i) o crédito tributário de CSLL relativo aos anos-calendário 2003 a 2006 e (ii) as multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator), que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Shigueo Takata Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL COISA JULGADA RELAÇÃO CONTINUATIVA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF LIMITES RESP Nº 1.118.893MG REPETITIVO Ainda que se adotasse a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão, o julgamento do REsp nº 1.118.893DF não socorreria a recorrente, pois a colocação de que a declaração de constitucionalidade da CSLL pelo STF não abala a coisa julgada (anterior) não foi ratio decidendi da decisão desse REsp, tampouco incidente de inconstitucionalidade (com ampliação da teoria, superando o art. 469, III, do CPC), mas apenas obiter dictum em sentido estrito. CSLL COISA JULGADA RELAÇÃO CONTINUATIVA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE DO STF LIMITES ADI Nº 152/DF PARECER PGFN/CRJ/492/2011 Apenas a decisão em controle concentrado de constitucionalidade (que é a maior verticalidade da tutela da Direito Constitucional objetivo) faz cessar a autoridade da coisa julgada anterior sem necessidade de ação revisional, nem de rescisória. Os comandos da Lei Complementar 73/93, Lei Orgânica da AGU, não são vinculativos a órgãos da administraçãojudicante, a lhes tornar cogente parecer da Fazenda Nacional. A recorrente tem decisão favorável, cujo dispositivo acobertado pela coisa julgada é a inexigibilidade da CSLL (em face de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88). Como o ADI nº 151/DF, que declarou a constitucionalidade da Lei 7.689/88, transitou em julgado em 2007, cessa a autoridade da coisa julgada automaticamente, desse momento em diante (efeito a partir de então), de modo que somente a CSLL relativa a esse ano é exigível da recorrente. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 74 51 /2 00 8- 74 Fl. 891DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 889 2 Até agosto de 2007, a recorrente estava coberta pela autoridade da coisa julgada, sendo indevida multa isolada sobre as estimativas de CSLL até esse mês. Multa isolada para as demais estimativas igualmente descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre as CSLL exigidas exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado DAR provimento PARCIAL para excluir da exigência (i) o crédito tributário de CSLL relativo aos anoscalendário 2003 a 2006 e (ii) as multas isoladas, por maioria, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator), que negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Shigueo Takata. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 890 3 Relatório Tratase de auto de infração de CSLL e de multa por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas, relativos aos anoscalendário 2003 a 2007, no valor total de R$55.510.306,47 (cinquenta e cinco milhões, quinhentos e dez mil, trezentos e seis reais e quarenta e sete centavos), valores originários, tendo sido ainda aplicada multa de ofício no percentual de 75% (fls.3/21) 1. A ciência do sujeito passivo ocorreu em 7/10/08 (fl.4). No Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal (fls.22/24), consignouse, em síntese: o contribuinte não efetuou apuração de CSLL no anocalendário, não tendo, no período fiscalizado, havido registro de escrituração de pagamento ou apresentação de DCTF quanto àquela contribuição social; “...a empresa deixou de efetuar o pagamento da CSLL por entender encontrarse guarnecida por sentença proferida no Mandado de Segurança nº 90.00020700, impetrado na Justiça Federal em 29/05/1990 e no Acórdão de julgamento da improcedência da Ação Rescisória nº 310PE, promovida pela Fazenda Nacional”; nos termos da legislação de regência, “...a obrigação das empresas de contribuírem para a Seguridade Social decorre de determinação constitucional prevista no artigo 195, da nossa constituição, de forma que, a sentença obtida pela empresa, no Mandado de Segurança nº 90.00020700, em 29/05/1990, não impede a aplicação da Lei Orgânica da Seguridade Social, nº 8.212 de 24/07/1991, em conjunto com as demais normas legais posteriores”; de acordo com pronunciamento da Procuradoria Regional da Fazenda Nacional, por meio do Ofício nº 85/PRFN/2008, de 28/8/08, “...a sentença proferida no MS 90.00020700 apreciou um feito cujo suporte é constituído por relações continuativas, e como tal, dita decisão, atende aos pressupostos do tempo em que foi proferida, sem, entretanto, atingir a própria relação jurídica, que continua sujeita às variações de seus elementos”; as bases de cálculo foram apuradas a partir de informações prestadas nas DIPJ; a multa isolada por falta de pagamentos de estimativas é devida por força do art.44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15/6/07. A Terceira Turma da DRJ – Recife (PE) considerou procedente o lançamento, conforme acórdão de fls.600/613, que recebeu a seguinte ementa: CSLL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Afastada a hipótese de lançamento por 1 A indicação das páginas referida neste acórdão estão em conformidade com a numeração estabelecida automaticamente pelo sistema eprocesso. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 891 4 homologação, ante a inexistência de qualquer pagamento, aplicase a regra geral contida no art. 173 do CTN, segundo a qual o termo de início da contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de antecipação mensal da CSLL é o previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. COISA JULGADA. EFEITOS. LIMITES. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUADA. Alterações legislativas na norma impugnada afetam a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Uma vez efetuada a opção pela forma de tributação com base no lucro real anual, a pessoa jurídica fica sujeita a antecipações mensais da contribuição, calculadas com base em estimativa. O não recolhimento ou o recolhimento a menor do tributo sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. É cabível a aplicação da multa exigida em face do nãorecolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente à CSLL devida e não paga ao final do. período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Devidamente cientificado em 10/2/09 (fl.618), o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário em 11/3/09 (fls.628/650), em que aduz: Preliminar a multa relativa ao período de abril a setembro de 2003 não subsistiria em face da decadência, considerandose o decurso do prazo prescrito no art.150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), conforme precedentes administrativos; Mérito possuiria decisão judicial transitada em julgado há 16 anos, com declaração de inexistência de relação jurídicotributária com a União, decorrente da Lei nº 7.689/88, instituidora da CSLL, sem perda de efeitos com o advento de legislação posterior (art.11 da Lei nº 8.114/90; arts. 41, §3º, e 44 da Lei nº 8.383/91; art.23, §1º, da Lei nº 8.212/91; art.11 da Lei Complementar nº 70/91; Emendas Constitucionais nº 1/90 e 10/96; art.2º da Lei nº 9.316/96; arts.6º e 7º da MP nº 1.8588/99), que apenas teriam majorado as alíquotas da CSLL ou, no caso das emendas constitucionais, destinado parte do produto de sua arrecadação para o Fundo Social de Emergência; a Lei nº 7.689/88 seria a fundamentação da exigência, sendo que “...a própria D. Autoridade Fiscal, contradizendo suas afirmações, aponta, quando da lavratura do Auto de Infração ora recorrido, o artigo 2º e §§ da Lei nº 7.689/88 como fundamento legal da exigência dos créditos de CSLL”; inexistiria norma que tenha regulado a matéria objeto da Lei nº 7.689/88, que seja com ela incompatível ou que a tenha revogado expressamente; Fl. 894DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 892 5 a Lei nº 7.689/88 estaria expressamente mencionada nas Lei nº 8.114/90, 8.383/91, 8.112/91, 9.316/96; na Lei Complementar nº 70/91; nas Emendas Constitucionais nº 1/90 e 10/96; e na MP nº 1.8588/99; decisão do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão nº 10191.553, de 18/11/97), corroboraria a tese da defesa; seria inaplicável a Súmula STF nº 239, vez que a decisão judicial de declaração de inexistência de relação jurídicotributária ocorrera no contexto de uma relação continuativa, conforme já decidido pela Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (acórdão nº 10806090, de 13/4/00); para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão publicada em 16/6/08, “...além da mera alteração de expressões nas diferentes legislações que regularam a CSLL, ou mesmo das alíquotas praticadas, não houve real mutação de critérios, pressupostos e condições que já haviam sido objeto de expressa declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7689/88, que pudesse justificar a exigência de CSLL pelo Fisco”; seria indevida a aplicação concomitante de multa de ofício proporcional com a multa de ofício isolada por falta de recolhimento de estimativas; caso se entenda pela manutenção da multa isolada, deveria ser aplicada no percentual de 50% (cinquenta por cento). Em contrarrazões (fls.704/764), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sustentou: não teria ocorrido a decadência quanto às multas isoladas, relativas aos meses de abril a setembro de 2003, sendo aplicável o art.173, I, do CTN, vez que se trata de lançamento de ofício, inexistindo atividade do contribuinte a ser homologada, conforme precedentes administrativos (acórdãos nºs 10196215, 10196066, 20501424, CSRF/0105.653); nos termos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2434/2008, a adequada compreensão dos limites objetivos das decisões judiciais não prescindiria da análise dos elementos integrantes da demanda; sendo de trato sucessivo a relação jurídicotributária sob análise, o decidido no mandamus não se sobreporia às alterações legislativas, sendo que a imutabilidade da coisa julgada material existiria sobre o pedido e os fatos deduzidos na inicial, conforme artigos 468 e 471 do Código de Processo Civil; “...com a superveniência de alterações legislativas a regular a relação jurídica continuativa, surge nova equação jurídica”; dispositivos legais posteriores à Lei nº 7.689/88 (Leis nº 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91, 8.383/91 e LC nº 70/91), teriam implementado importante modificações no quadro normativo relativo à CSLL; nos termos da Súmula STF nº 239, “Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores”; no mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, não teriam sido apreciadas, por óbvio, as alterações legislativas, “...não integrando a causa de pedir da demanda, motivo pelo qual não integram a lide, ensejando o surgimento dos créditos tributários, oriundos da subsunção dos fatos geradores posteriores à decisão”; Fl. 895DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 893 6 ao se conferir efeitos prospectivos à decisão judicial, quanto a fatos geradores ocorridos após as alterações legislativas, “terseia por portas travessas uma ISENÇÃO ATÍPICA, ao arrepio do princípio da legalidade tributária”; decisões administrativas (acórdãos nºs 10194417, 10320057, 10514668, 10513884, 108 07921, 10806232, CSRF/0105.513, 10193734 e 0513756) e judiciais (REsp 742413, de 18/11/08; RE 99435, de 17/6/83; AgRg na MC 14843, 1ª Turma do STJ, de 19/11/08; REsp 599.764/GO) corroborariam a tese da Fazenda Nacional; “...a declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 não consta nos dispositivos da sentença e acórdão, tendo sido declarada pela via do controle difuso e de forma incidental, como lhe é característico. Assim, como a declaração de inconstitucionalidade não integra o dispositivo das decisões, não há trânsito em julgado desta em favor da recorrente”, conforme dispõe o art.469, I e III, do Código de Processo Civil (CPC); conforme entendimento do STJ, a declaração de inconstitucionalidade em sede de controle difuso não seria alcançada pela coisa julgada, tendo em vista não ser o objeto da lide (REsp 591.227/DF, de 2/6/05; REsp 281207/GO; AgRg no AgRg no REsp 773121/DF, de 4/4/06); restaria à contribuinte demandar judicialmente para se eximir das exações tributárias baseadas nas alterações legislativas posteriores à Lei nº 7.689/88; na ADI nº 15/DF, o STF declarou a inconstitucionalidade apenas dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689/88; não haveria ilegalidade na exigência concomitante da multa de ofício proporcional com a multa isolada por falta de recolhimentos de estimativas, pois se tratam de infrações diversas, ainda que possuam bases de cálculo idênticas. Às fls.796/798 e 822/825, constam petições do Recorrente, protocolizadas em 2/6/11 e 15/2/13, em que noticia decisão do STJ (REsp nº 1.118.893MG), proferida sob o rito do recurso repetitivo. É o que importa relatar. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos. Da preliminar de decadência O Recorrente entende que as multas isoladas, relativas aos períodos de apuração de abril a setembro de 2003, não deveriam subsistir em razão da decadência, conforme art.150, §4º, do CTN. Tal dispositivo legal reservase aos lançamentos por homologação, entendido como aqueles em que o sujeito passivo, sem participação da autoridade administrativa, efetua a apuração do quantum devido e efetiva o respectivo pagamento. Nesta hipótese, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de Fl. 896DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 894 7 5 (cinco) anos para homologar aquela atividade que resultou no recolhimento do tributo, pois, caso contrário, considerase definitivamente extinto o crédito tributário. Em se tratando de penalidade pelo descumprimento da obrigação principal de recolher estimativas mensais, exigese, em regra, um proceder do Fisco federal no sentido de constituir o respectivo crédito tributário e subsequentemente passar a exigilo, a demandar necessariamente um lançamento de ofício. Nestes casos, não se encontra a regra de contagem do prazo decadencial no art.150, §4º, do CTN, reservado, repitase, a lançamentos por homologação, mas na regra geral estatuída em seu art.173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado Considerando o período de apuração mais remoto (abril/2003), a contagem do prazo decadencial iniciouse no primeiro dia de janeiro de 2004, tendo se encerrado em 31/12/08. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 7/10/08, não há se falar em decadência. Não se acolhe tal preliminar. Do mérito O cerne da controvérsia reside na análise quanto aos efeitos da decisão judicial transitada em julgado, proferida no Mandado de Segurança nº 90.00020700, essencialmente se alcançariam relações jurídicotributárias subsequentes. A jurisprudência administrativa firmouse no sentido de que, em caso de mudanças no estado de direito, determinada decisão judicial que tenha eximido o contribuinte da apuração e recolhimento da CSLL instituída pela Lei nº 7.689/88, sob fundamento de sua inconstitucionalidade, ainda que transitada em julgado, não inibiria o lançamento da CSLL quanto a fatos geradores posteriores à vigência da legislação superveniente. A res judicata relaciona a determinada decisão judicial, que cuidou de questões situadas no plano do direito tributário material, não impediria que lei nova passasse a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, como preceitua o inciso I, do art. 471 do CPC: “Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I – se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir revisão do que foi estatuído na sentença;” Nesse contexto, vale ressaltar que a Lei nº 7.689, de 15/12/88, foi alterada por vários preceptivos legais. Como dito, de acordo com a jurisprudência administrativa a eficácia da coisa julgada restringirseia aos fatos geradores regulados pelas normas de regência vigentes à Fl. 897DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 895 8 época da prolação da decisão, não produzindo efeitos, em caso de alteração do quadro normativo, por se tratar de relações jurídicas continuativas, de trato sucessivo. Vejamos: “CSL COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA PERENIDADE LIMITE TEMPORAL Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88 sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante pronunciamento definitivo e posterior do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, como também sobrevindo alteração legislativa na norma impugnada [...]” (1ªSJ, 1ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Acórdão nº 110300.440, de 31/3/11, Rel. Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso) “CSLL DECISÃO JUDICIAL COISA .JULGADA ALCANCE, A declaração de inconstitucionalidade de determinada Lei, ainda que transitada em julgado, não obsta nova exigência do mesmo tributo em períodos posteriores com base em diploma legal, também superveniente, que cuida e regula inteiramente a matéria (Acórdão CSRE/0105.478) {...]” (1ª SJ, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1401 00.325, de 1/9/10, Rel. Cons. Fernando Luiz Gomes de Mattos) “[...] COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. DESNECESSIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA — A jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o Contribuinte, não é cabível a alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após alterações legislativas e, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores às alterações legislativas, nada obsta que seja realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido via Auto de Infração.” (1º CC, 1ª Câmara, Acórdão nº 10193.734, de 24/1/02, Rel. Cons. Raul Pimentel) “[...] CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA A jurisprudência pátria (tanto a judicial quanto a administrativa) tem entendido que nas relações tributárias de natureza continuativa entre o Fisco e o contribuinte, não é cabível alegação da exceção da coisa julgada em relação aos fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas e, uma vez que os fatos geradores da obrigação tributária aqui discutidos são posteriores a alteração legislativa, nada obsta que seja realizado o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro via Auto de Infração, independentemente do resultado final da Ação Rescisória [...]”. (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 103 20.057, de 17/8/99, Rel. Cons. Lúcia Rosa Silva Santos) Como posto pelo Cons. Mário Sérgio Fernandes Barroso no voto condutor do mencionado acórdão desta Terceira Turma: Fl. 898DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 896 9 “[...] a decisão do STF, ao considerar constitucional a CSLL, à exceção do art. 8.º da lei 7.689/88, produziu alteração no estado de direito preexistente, de forma que não restou preservado o estado de direito anterior, seja pelas inovações introduzidas por leis ulteriores àquela instituidora da CSLL, seja pela decisão do STF que a julgou constitucional. Tampouco há que se falar em ofensa à coisa julgada, por estar a situação sub examine sob o abrigo da previsão contida no art. 471, inciso I, do Código de Processo Civil. Atentese para a lição de Vicente Greco Filho (Direito Processual Brasileiro, 2.º Volume, Ed. Saraiva, 14.ª ed, pág.248) sobre a questão: ‘Diferente, porém, é a situação se existe fato novo ou diferente que venha a constituir fundamento jurídico para outra demanda. Nesse caso, o problema da coisa julgada não se põe, porque o fato que constitui fundamento jurídico novo enseja outra demanda diferente e a coisa julgada se refere a demandas idênticas nos três elementos: mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.’” Relativamente à presente autuação, como bem observado pelo Recorrente, consta do campo “Enquadramento Legal” menção ao art.2º, e parágrafos, da Lei nº 7.689/88 (fl.5). Não obstante, no Termo de Encerramento Parcial de Ação Fiscal, integrante do auto de infração, observouse que a incidência da CSLL também se fundamentou no art.195 da CF/88, Leis nº 8.034, de 12/4/90; 8.212, de 24/7/91; 8.981, de 20/1/95, e 9.430, de 27/12/96. É de rigor notar que a Lei nº 8.034/90 alterou a composição da base de cálculo da CSLL, disposta no art.2º, §1º, da Lei nº 7.689/88. Na redação original deste dispositivo, ajustarseia o resultado do períodobase pela “exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido”, “exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita” e “exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art.1º, §1º do DecretoLei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988”, sendo que esta última hipótese já havia sido revogada pela Lei nº 7.856/89. Com a edição da Lei nº 8.034/90, acrescentaramse outras hipóteses de ajuste no art.2º, §1º, “c”, da Lei nº 7.689/88, ainda vigentes: “1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido”, “2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase”, “3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda”, e “6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso do período base”. A Lei nº 8.212/91 já confirmava a apuração da base de cálculo levandose em consideração os ajustes trazidos pela Lei nº 8.034/90. Em conformidade com o art.195 da CF/88, estabeleceu que contribuições sociais seriam aquelas, por exemplo, incidentes sobre o faturamento e o lucro. Vejamos: “Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda sociedade, de forma direta e indireta, nos termos do art. 195 da Constituição Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 897 10 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: ..... Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: ..... d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; ..... Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: ..... II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990.” Com a Lei nº 8.981/95, novas disposições passaram igualmente a reger a apuração da CSLL. Vejamos: “Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor decorrente da aplicação do percentual de nove por cento sobre a receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) §3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. §4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada Fl. 900DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 898 11 na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento.” De igual forma, a Lei nº 9.430/96, que, por meio do seu artigo 28, com a redação vigente à época dos fatos geradores, determinou a aplicação, na apuração da base de cálculo da CSLL, de várias disposições por ela trazidos: Art.28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Por fim, mencionese a Lei Complementar nº 70, de 30/12/91: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Assim, com a devida vênia a respeitáveis entendimentos divergentes, podese concluir pela alteração do direito material aplicável à apuração da CSLL, quando comparado àquele vigente na época da prolação da sentença. Com isso, determinada decisão judicial, que tenha declarado incidentalmente a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 para, por exemplo, em sede de Mandado de Segurança, afastar eventual lesão ou ameaça de lesão decorrente de determinado ato ou omissão de autoridade (esse é o limite objetivo da coisa julgada), não prevalece frente à mudança no quadro normativo a reger aquela contribuição social, principalmente, como se verá, quando existente entendimento do Plenário do STF pela constitucionalidade da exação. Lembrando do art.471, I, do CPC, notase que o legislador federal não vislumbrou óbice à revisão de questões já decididas, quando há alteração no estado de fato ou de direito. Em tal hipótese, com alterações legislativas que desenhem, estabeleçam, delimitem um novo quadro normativo2, seria possível se “pedir a revisão do que foi estatuído na sentença”. Esta e outras questões foram abordadas no Parecer PGFN/CRJ/ Nº 492, de 30/3/11, que recebeu a seguinte ementa, no que importa agora reproduzir: 2 Reconheço ser bastante sedutora a tese de que tal comando do CPC não retira do magistrado a nova decisão à luz das alteraçãoes no estado de fato ou de direito, cabendo às partes manteremse diligentes quanto a tais situações, para demandarem as providências cabíveis, perante o juiz competente. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 899 12 “DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO QUE DISCIPLINA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA CONTINUATIVA. MODIFICAÇÃO DOS SUPORTES FÁTICO/JURÍDICO. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. SUPERVENIÊNCIA DE PRECEDENTE OBJETIVO/DEFINITIVO DO STF. CESSAÇÃO AUTOMÁTICA DA EFICÁCIA VINCULANTE DA DECISÃO TRIBUTÁRIA TRANSITADA EM JULGADO. POSSIBILIDADE DE VOLTAR A COBRAR O TRIBUTO, OU DE DEIXAR DE PAGÁLO, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES FUTUROS. 1.A alteração das circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de uma dada relação jurídica tributária de trato sucessivo faz surgir uma relação jurídica tributária nova, que, por isso, não é alcançada pelos limites objetivos que balizam a eficácia vinculante da referida decisão judicial. Daí por que se diz que, alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, esta naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente, dada a sua natural inaptidão de alcançar a nova relação jurídica tributária [...]” Para uma melhor compreensão dos fundamentos que levaram a tal conclusão, vale reproduzir os seguintes excertos, com alguns destaques que não constam do original: “[...] 8. Como se sabe, o juízo de certeza contido nas sentenças judiciais proferidas nos autos de processos de conhecimento recai, primordialmente, sobre a incidência, ou não, de determinada norma sobre um dado suporte fático nela previsto; ocorridos os fatos previstos em lei (‘suporte fático’) como aptos a fazer incidir a norma geral e abstrata (suporte jurídico), esta incide, nascendo, daí, a relação jurídica de direito material. É, precisamente, essa relação jurídica de direito material que será declarada como existente ou inexistente na sentença, e é esse juízo de certeza (sobre a existência ou inexistência da relação, com as conseqüências jurídicas daí decorrentes) que se torna imutável e vinculante quando acobertado pela coisa julgada. 9. Quando a decisão transitada em julgado se volta a disciplinar as chamadas relações jurídicas de direito material sucessivas, ou de trato continuado assim entendidas como sendo aquelas que nascem, ou podem nascer, de fatos geradores que se repetem no tempo de maneira uniforme e continuada (e que, ao se repetirem, fazemse repetir o fenômeno da incidência) , declarandoas existentes ou inexistentes, a imutabilidade e a eficácia vinculante que dela decorre recairá, também, sobre os desdobramentos futuros da declaração de existência ou inexistência dessas relações jurídicas. De fato, conforme esclarece o Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, ‘é sabido que tal situação, por seu caráter duradouro, está apta a perdurar no tempo, podendo persistir quando, no futuro, houver repetição de outros fatos geradores instantâneos, semelhantes ao examinado na sentença. Nesses casos, admitese a eficácia vinculante da sentença também em relação aos eventos recorrentes. Isso porque o juízo de certeza desenvolvido pela sentença sobre determinada relação jurídica concreta decorre, na verdade, de Fl. 902DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 900 13 juízo de certeza sobre situação jurídica mais ampla, de caráter duradouro, componente, ainda que mediata, do fenômeno da incidência’. (Grifouse). 10. Ocorre que a imutabilidade e a eficácia vinculante da decisão transitada em julgado apenas recairá sobre os desdobramentos futuros da declaração, nela contida, de existência ou inexistência da relação jurídica de direito material sucessiva deduzida em juízo, se e enquanto permanecerem inalterados os suportes fático e jurídico existentes ao tempo da sua prolação, ou seja, se e enquanto continuarem ocorrendo aqueles mesmos fatos e continuar a incidir (ou a não incidir) aquela mesma norma sob os quais o juízo de certeza se formou. Alteradas as circunstâncias fáticas ou jurídicas existentes à época da prolação da decisão, o que se faz possível em face da natureza conhecidamente dinâmica dos fatos e do direito, essa decisão naturalmente deixa de produzir efeitos vinculantes, dali para frente; tratase da cláusula rebus sic stantibus subjacente às sentenças em geral, com especial destaque àquelas que se voltam à disciplina de relações jurídicas de trato continuado. 11. Vejase que isto se dá – e eis aqui ponto essencial à compreensão de tudo o que será dito a seguir , por razões ligadas aos limites objetivos da coisa julgada, que determinam que a eficácia vinculante que emana das decisões transitadas em julgado recaia, apenas, sobre a específica relação jurídica de direito material deduzida em juízo (apontada como existente ou inexistente) e nela apreciada, e não sobre qualquer outra. Assim, modificados os fatos existentes ao tempo da prolação da decisão, ou alterado o direito então aplicável à espécie, estarseá diante de nova relação jurídica de direito material, que, justamente por ser diferente daquela nela declarada, de modo definitivo em razão do seu posterior trânsito em julgado, como existente ou inexistente, não poderá ser alcançada pelos efeitos vinculantes da referida decisão. Tanto é assim que essa nova relação jurídica material poderá ser objeto de debate e decisão em nova demanda, sem que isso encontre óbice na coisa julgada anterior. 12. Vistos esses conceitos basilares, impende trazêlos integralmente ao campo do Direito Tributário, para nele permanecer até o final deste Parecer. Como se sabe, as relações jurídicas desenvolvidas nesse campo, travadas entre Fisco e sujeitos passivos tributários, assumem, frequentemente, uma feição continuada, eis que se repetem no tempo de forma sucessiva e homogênea, nascendo todas as vezes que ocorre, no mundo dos fatos, a hipótese de incidência prevista na lei tributária; dessa repetição de relações jurídicas tributárias no tempo, resulta, de forma também contínua e homogênea, a obrigação de pagar o correspondente tributo. 13. Podese afirmar, então, à luz dos conceitos acima expostos, que a decisão transitada em julgado que disciplina determinada relação jurídica tributária sucessiva (daqui para frente chamada, apenas, de ‘decisão tributária transitada em julgado’), julgandoa, por exemplo, inexistente por considerar que a respectiva norma de incidência é incapaz de efetivamente incidir Fl. 903DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 901 14 (o que tem como conseqüência jurídica imediata a impossibilidade de que o Fisco exija, do autor da ação, o tributo ali discutido), deixará de produzir efeitos vinculantes a partir do momento em que se verificar que as circunstâncias de direito existentes ao tempo da sua prolação se alteraram (os fatos continuam ocorrendo, mas o direito mudou). 14. Conseqüência disso, e já antecipando o que será melhor desenvolvido mais adiante, é que, no exemplo acima, os fatos geradores praticados pelo contribuinteautor após a alteração das circunstâncias jurídicas – e a conseqüente cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado – poderão naturalmente sofrer a incidência da lei tributária (ou nova, ou alterada), surgindo daí, de um lado, a obrigação de recolher o tributo, e, de outro, o direito de cobrálo, sem que represente óbice a tanto a existência de coisa julgada anterior. O mesmo ocorrerá caso a alteração recaia sobre o suporte fático existente ao tempo da prolação da decisão tributária transitada em julgado: a sua eficácia vinculante deixará de operar a partir dessa modificação fática. 15. Deixando de lado as possibilidades de alterações nos suportes fáticos capazes de fazer cessar a eficácia vinculante da decisão tributária passada em julgado, que são inúmeras, tantas quantas permite a liberdade humana, passase a centrar o foco no aspecto que verdadeiramente interessa ao presente Parecer, donde vem a pergunta: quais são as alterações nas circunstâncias jurídicas existentes ao tempo da prolação da decisão tributária posteriormente transitada em julgado que são capazes de fazer cessar a sua eficácia vinculante? 16. Para que se responda a essa pergunta, há que se manter em mente, como verdadeira premissa, o seguinte: as modificações nas circunstâncias jurídicas existentes ao tempo da prolação da decisão tributária posteriormente transitada em julgado capazes de fazer cessar a sua eficácia vinculante são aquelas que, quando ocorridas, fazem surgir uma relação jurídica tributária nova, diversa da deduzida inicialmente na demanda e, por isso mesmo, não alcançada pelos limites objetivos da coisa julgada ali formada. Portanto, são aquelas que impactam ou alteram o próprio sistema jurídico vigente assim entendido como o conjunto de normas (regras e princípios) predestinadas a disciplinar o convívio social , representando, de certa forma e sob algum aspecto relevante, ‘direito novo’. 17. Fixada essa premissa, fazse possível identificar, como um primeiro e mais óbvio exemplo desse tipo de circunstância jurídica, as alterações da legislação tributária, cujo advento acarreta o surgimento de uma relação jurídica tributária nova e, por isso mesmo, é capaz de fazer cessar a eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado formada com base na legislação anterior: é o que se tem, por exemplo, quando uma empresa é considerada, em sentença transitada em julgado, isenta do pagamento de determinado tributo e, posteriormente, a lei que lhe confere tal isenção é revogada; ora, a referida sentença foi proferida quando vigente uma determinada ordem jurídica em que existia norma conferindo a isenção reconhecida; Fl. 904DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 902 15 com a revogação dessa norma, a anterior sentença transitada em julgado deixa de produzir efeitos para o futuro, o que permite que o Fisco passe a cobrar, do contribuinteautor, o tributo em relação aos fatos geradores por ele praticados dali para frente. 18. Registrese, aliás, que a doutrina e a jurisprudência pátrias já há algum tempo vêm reconhecendo, sem maiores controvérsias, que a decisão transitada em julgado sob a égide de uma dada ordem normativa perde seus efeitos vinculantes, para o futuro, com o advento de uma nova legislação, não sendo apta a disciplinar atos praticados com base na ordem normativa sobrevinda [...]. 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; [...]” No caso concreto ora tratado, a Lei nº 7.689/88, considerada inconstitucional pela sentença transitada em julgado, foi alterada em um de seus aspectos mais importantes, a saber, na parte em que se define a base de cálculo da CSLL, tendo sido ainda definidos novos contornos jurídicos relacionados à apuração, considerados no lançamento tributário. Na solução da presente controvérsia, é importante destacar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho de 24/5/11, publicado em 26/5/11 (Diário Oficial da União (DOU) nº 100, Seção 1, p.22), e, por tal razão, suas conclusões devem necessariamente ser adotadas pelos colegiados do CARF, conforme dispõe a Lei Complementar nº 73, de 10/2/93, que instituiu a Lei Orgânica da AdvocaciaGeral da União: “Art. 13 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos e entes tutelados. Parágrafo único. No desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional regese pela presente Lei Complementar. ..... Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas.” (destaquei) No mesmo Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, dandose destaque inicial à tendência da jurisprudência do STF de aproximar os efeitos das decisões proferidas pelo Plenário em sede de controles difuso e concentrado de constitucionalidade, para conferirlhes Fl. 905DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 903 16 efeitos erga omnes quanto às primeiras (adoção da teoria da transcendência dos motivos determinantes da sentença3), concluiuse, ainda: “45. Como se sabe, a Lei n. 11.418, de 19 de dezembro de 2006, que introduziu os arts. 543A e 543B no CPC, entrou em vigor em 19 de fevereiro de 2007, após uma vacatio legis de 60 dias. Entretanto, conforme restou definido pelo STF em Questão de Ordem havida no julgamento do Agravo de Instrumento n. 664567/RS,, apenas após o advento da Emenda Regimental n. 21, publicada no Diário Oficial em 3 de maio de 2007, que alterou o Regimento Interno do STF de modo a adaptálo à Lei n. 11.418/2006, é que a Suprema Corte passou a, de fato, poder fazer uso dos institutos forjados pela nova legislação, passando, então, a submeter alguns dos seus julgados à sistemática prevista no art. 543B do CPC. 46. Diante disso, parece correto se afirmar que, do dia 3 de maio de 2007 em diante, apenas os julgamentos do Plenário do STF submetidos ao art. 543B do CPC é que podem ser considerados como, além de objetivos, vocacionados a representar a palavra final e definitiva da Suprema Corte acerca da questão constitucional apreciada, e, conseqüentemente, podem ser tidos como capazes de efetivamente alterar/impactar o sistema jurídico vigente, nos termos acima assinalados. Entendese que, a partir do momento em que a Suprema Corte passou a ter à sua disposição o instrumental previsto no art. 543B do CPC, o seu eventual não uso para a resolução de um determinado caso é um indicativo de que essa resolução não ostenta ou, pelo menos, pode não ostentar, os atributos da objetividade e definitividade. 47. Mas a pergunta que, neste ponto, merece ser feita e respondida é a seguinte: e o que dizer daqueles julgamentos, anteriores a 3 de maio de 2007, realizados pela Suprema Corte em sede de controle difuso de constitucionalidade (sem posterior Resolução Senatorial)? Esses julgamentos podem ser tidos como objetivos e definitivos, nos termos assinalados e para os fins pretendidos por este Parecer ou, ao revés, como não foram submetidos à sistemática do art. 543B do CPC (mesmo que por razões óbvias), nunca poderão ser considerados como dotados desses atributos? 48. Ora, a resposta não poderia ser outra: em algumas hipóteses as decisões proferidas pelo STF, em momento anterior ao marco acima fixado, poderão, sim, ser consideradas como objetivas e vocacionadas à definitividade. Indo direto ao ponto, isso ocorrerá sempre que (i) se tratar de decisão proferida, sobre uma dada questão constitucional, pelo Plenário da Suprema Corte, e que (ii) o entendimento nela contido tenha sido reafirmado pela Suprema Corte em diversos julgados posteriores. 3 Tal teoria não está consolidada no âmbito do Supremo Tribunal Federal, de modo que seria precipitado extrair conclusões a partir de precedentes proferidos em controle difuso de constitucionalidade, mormente antes da instituição da repercussão geral. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 904 17 49.Com efeito, mesmo antes do advento do art. 543B do CPC, as decisões proferidas pelo Plenário do STF em controle difuso, embaladas pela mencionada tendência de “dessubjetivação” das formas de controle de constitucionalidade, já ostentavam um caráter objetivo e geral, depreendido das vicissitudes do caso concreto; daí que o atributo da objetividade certamente já marcava essas decisões proferidas pelo STF. 50.De outra ponta, no que pertine ao atributo da definitividade, podese afirmar que, enquanto as decisões proferidas pelo STF nos termos do art. 543B do CPC ostentam tal atributo naturalmente, quase que de forma presumida, aquelas formadas sem a observância à nova sistemática, por terem sido proferidas em momento anterior à sua entrada em vigor, obviamente não contam com qualquer presunção no que atine à definitividade. Antes, para que sejam consideras como definitivas, o entendimento nelas contido deve ser reiterado pelo STF em julgados posteriores; essa reiteração indica que o entendimento plasmado na decisão do Pleno do STF espelha, de fato, a sua palavra final sobre a questão constitucional apreciada. 51. Assim, as razões expostas ao longo deste tópico indicam que, por serem objetivas e definitivas, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. ..... 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: ..... (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente,, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: [...] quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte.” (destaquei) Neste sentido, mencionese que o Plenário do STF, em algumas oportunidades, em julgados anteriores a 3/5/07, em sede de controle difuso, concreto, entendeu pela constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, à exceção de seus artigos 8º e 9º, o que veio a ser confirmado posteriormente, em controle abstrato. Vejamos: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 905 18 Embargos de declaração no agravo regimental no recurso extraordinário. 2. Tributário. Contribuição social sobre o lucro líquido. Constitucionalidade do artigo 2º, da Lei n. 7.689/88 declarada pelo Plenário do STF. Precedentes. 3. Embargos protelatórios. Imposição de multa. 4. Embargos de declaração rejeitados. (Segunda Turma, RE 319254 AgRED/CE, Julg. 14/2/12, Dje 5/3/12, Rel. Min. Gilmar Mendes) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ART. 2º DA LEI N. 7.689/88. CONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES: INCIDÊNCIA DA SÚMULA 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. (Primeira Turma, AI 617390 AgR /SP, Julg. 15/12/09, Dje 5/2/10, Rel. Min. Cármen Lúcia) RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 2º DA LEI Nº 7.689/88 RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. (Segunda Turma, RE 396129 AgR /CE, Julg. 30/6/09, Dje 14/8/09, Rel. Min. Celso de Mello) AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. LEI N. 7.689/88. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal fixou entendimento no sentido da constitucionalidade da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei n. 7.689/88, ressalvando apenas a inconstitucionalidade do artigo 8º da referida lei, por ofensa ao princípio da irretroatividade. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (Segunda Turma, RE 319254 AgR /CE, Julg. 13/5/08, Dje 6/6/08, Rel. Min. Eros Grau) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. NÃO E INCONSTITUCIONAL A INSTITUIÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS, CUJA NATUREZA É TRIBUTÁRIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS. Ao determinar, porém, o artigo 8. da lei 7689/88 que a contribuição em causa já seria devida a partir do lucro apurado no períodobase a ser encerrado em 31 de dezembro de 1988, violou ele o princípio da irretroatividade contido no artigo 150, iii, ‘a’, da Constituição Federal, que proíbe que a lei que institui tributo tenha, como fato gerador deste, fato ocorrido antes do inicio da vigência dela. Recurso extraordinário conhecido com base na letra ‘b’ do inciso iii do artigo 102 da Constituição Federal, mas a que se nega provimento porque o mandado de segurança foi concedido para impedir a cobrança Fl. 908DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 906 19 das parcelas da contribuição social cujo fato gerador seria o lucro apurado no períodobase que se encerrou em 31 de dezembro de 1988. Declaração de inconstitucionalidade do artigo 8. da lei 7689/88. (Pleno, RE 146733 / SP, Julg. 29/6/92, DJ 6/11/92, Rel. Min. Moreira Alves) CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. Lei n. 7.689, de 15.12.88. I. Contribuições parafiscais: contribuições sociais, contribuições de intervenção e contribuições corporativas. C.F., art. 149. Contribuições sociais de seguridade social. C.F., arts. 149 e 195. As diversas espécies de contribuições sociais. II. A contribuição da Lei 7.689, de 15.12.88, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, I, da Constituição. As contribuições do art. 195, I, II, III, da Constituição, não exigem, para a sua instituição, lei complementar. Apenas a contribuição do parag. 4. do mesmo art. 195 e que exige, para a sua instituição, lei complementar, dado que essa instituição devera observar a técnica da competência residual da União (C.F., art. 195, parag. 4.; C.F., art. 154, I). Posto estarem sujeitas a lei complementar do art. 146, III, da Constituição, porque não são impostos, não há necessidade de que a lei complementar defina o seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, III, ‘a’). III. Adicional ao imposto de renda: classificação desarrazoada. IV. Irrelevância do fato de a receita integrar o orçamento fiscal da União. O que importa e que ela se destina ao financiamento da seguridade social (Lei 7.689/88, art. 1.). V. Inconstitucionalidade do art. 8., da Lei 7.689/88, por ofender o princípio da irretroatividade (C.F., art, 150, III, ‘a’) qualificado pela inexigibilidade da contribuição dentro no prazo de noventa dias da publicação da lei (C.F., art. 195, parag. 6). Vigência e eficácia da lei: distinção. VI. Recurso Extraordinário conhecido, mas improvido, declarada a inconstitucionalidade apenas do artigo 8. da Lei 7.689, de 1988; (Pleno, RE 138284 / CE, Julg. 1/7/92, DJ 28/8/92, Rel. Min. Carlos Velloso) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARÂMETROS NORMAS DE REGÊNCIA FINSOCIAL BALIZAMENTO TEMPORAL. A teor do disposto no artigo 195 da Constituição Federal, incumbe à sociedade, como um todo, financiar, de forma direta e indireta, nos termos da lei, a seguridade social, atribuindose aos empregadores a participação mediante bases de incidência próprias folha de salários, o faturamento e o lucro. Em norma de natureza constitucional transitória, emprestouse ao FINSOCIAL característica de contribuição, jungindose a imperatividade das regras insertas no DecretoLei nº 1940/82, com as alterações ocorridas até a promulgação da Carta de 1988, ao espaço de tempo relativo a edição da lei prevista no referido artigo. Conflita com as disposições constitucionais artigos 195 do corpo permanente da Carta e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias preceito de lei que, a título de viabilizar o texto constitucional, toma de empréstimo, por simples remissão, a disciplina do FINSOCIAL. Incompatibilidade manifesta do art. 9º da Lei nº 7689/88 com o Fl. 909DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 907 20 Diploma Fundamental, no que discrepa do contexto constitucional. (Pleno, RE 150764 / PE, Julg. 16/12/92, DJ 2/4/93, Rel. Min. Marco Aurélio) A natureza vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, considerando a existência de precedentes do STF em sede de controle difuso de constitucionalidade, foi prestigiada neste CARF, em recente decisão da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara desta Primeira Seção de Julgamento (acórdão nº 1302001.130, de 11/6/13), posterior, inclusive, ao julgamento do REsp 1.118.893MG pelo STJ, a seguir tratado. Naquela oportunidade, o relator, Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, apesar de ressalvar entendimento contrário, adotou as conclusões estampadas naquele Parecer: “[...] A inteligência do referido parecer levanos a concluir que, havendo decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal pela constitucionalidade da Lei 7.689/88 e anterior aos fatos geradores do lançamento em tela, mesmo que seja em controle difuso de constitucionalidade (Recurso Extraordinário), há se afastar a proteção da coisa julgada, para se considerar legítima a exigência do tributo. Ora, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento dos RREE 146.733/SP, Relator Min. Moreira Alves, e 138.284/CE, Relator Min. Carlos Velloso, julgados respectivamente, a 29/06/1992 (RTJ 143/684) e a 01/07/1992 (RTJ 143/313), restringiu a declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 apenas a seu art. 8º. Assim sendo, há que se afastar a alegação de coisa julgada, já que os fatos geradores em tela (2001 a 2006) são anteriores a referidas decisões plenárias do Supremo Tribunal Federal. Ressalvando o meu entendimento em sentido contrário, saliento que adoto as conclusões do PGFN/CRJ/Nº 492/2011, por força do disposto no art. 13 combinado com o art. 42 da Lei Complementar nº 73/93 [...]” Dado o caráter vinculante de tal Parecer, resta reduzida a margem de discussão, por exemplo, sobre a necessidade de um pronunciamento judicial para fins de aplicação do art.471, I, do CPC. A propósito, vale mencionar estudo que sustenta “...a necessidade de ajuizamento de ação autônoma para que o Poder Judiciário possa aferir se há ou não causa superveniente que justifique a sustação da eficácia futura da sentença”, com “eficácia plena após a certificação dada pelo Poder Judiciário” (SOUZA JÚNIOR, Antonio Carlos F. de; QUEIROZ, Mary Elbe Gomes. Coisa julgada nas relações tributárias sucessivas e a mudança do estado de direito decorrente do precedente do STF. Segurança Jurídica: irretroatividade das decisões judiciais prejudiciais aos contribuintes, Rio de Janeiro: Forense, 2013, pp 147174). Estabelecida tal premissa interpretativa, os autores concluem que o CARF, por força do art.26A do Anexo II do Regimento Interno, vincularseia “...ao exame da questão com base no requisito indispensável do inciso I do art.471 do CPC, qual seja: decisão judicial prévia que reconheça a existência de modificação da relação jurídica posta em juízo”. Acontece que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, como, inclusive, reconheceu mencionado estudo, também se encarregou da interpretação do art.471, I, do CPC, tendo afinal concluído que “...A cessação da eficácia vinculante da decisão tributária transitada em julgado operase automaticamente”, afastando a necessidade de ajuizamento da Fl. 910DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 908 21 ação de modificação para se ver reconhecida a mudança do estado de direito na relação de trato sucessivo. Em que pese não concordar com todas as conclusões do aludido Parecer, não sendo este o momento de explicitar os pontos de divergência, entendo, por força da LC nº 73/93, que devem ser obrigatoriamente adotadas. Tal dispositivo legal está vigente, sem qualquer ressalva, e, como tal, deve ser prestigiado. Quanto ao art.471, I, do CPC, a interpretação a ser adotada no presente julgamento deve ser aquela conferida pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, o que implica dizer que não é afastado no caso concreto, o que representaria violação ao art.26A do Decreto nº 70.235/72. Adiante se verá que o mesmo Parecer ainda cuidou da hipótese de haver decisão do Plenário do STF em sede de controle abstrato, o que é o caso, considerando a ADI nº 152/DF, proposta pela Confederação das Associações de Microempresas do Brasil, com acórdão transitado em julgado em 12/9/07. Para conhecimento, tal julgamento teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu da ação direta e julgoua parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, julgando, no mais, improcedentes os pedidos formulados.” Prosseguindo. O Recorrente noticia a existência do julgamento do REsp 1.118.893MG pelo STJ, que, no seu entender, as respectivas conclusões bastariam para infirmar o lançamento, tudo por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que impõe a reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STJ, na sistemática prevista pelo art.543C do CPC. O respectivo acórdão, transitado em julgado em 9/5/11, foi formalizado com a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. Fl. 911DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 909 22 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstituci onalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (STJ, Primeira Seção, Julg. 23/3/11, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima) Fl. 912DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 910 23 De acordo com o respectivo voto condutor, diplomas legais supervenientes (Leis nº 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e 8.383/91, além da LC nº 70/91) não teriam alterado substancialmente a disciplina da CSLL, que continuaria a ser cobrada em sua forma primitiva: “[...] No caso específico da CSLL, alegase, ainda, que, não obstante a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, há diplomas supervenientes legitimando sua exigibilidade, a saber: Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e Lei 8.383/91, além da Lei Complementar 70/91. Ocorre que referida tese já foi conduzida à apreciação deste Tribunal nos autos do REsp 731.250/PE (Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07), apontado como paradigma no presente recurso especial, oportunidade em que se decidiu que as alterações veiculadas por tais diplomas não revogaram a disciplina da referida contribuição, que continuou a ser cobrada em sua forma primitiva. ..... Do voto condutor do julgado extraio o seguinte trecho, que bem esclarece os fundamentos que prevaleceram: Na específica hipótese dos autos, a decisão transitada em julgado atingiu a relação de direito material, ao concluir que a cobrança da contribuição social das Lei 7.689/88 e 7.787/89 seria inconstitucional, e a exação somente poderia ser cobrada a partir de uma nova relação jurídicotributária estabelecida em lei nova. Por isso, pertinente verificar quais foram as alterações introduzidas pelas Leis 7.856/89, 8.034/90, LC 70/91, 8.383/91 e 8.541/92. ..... O acórdão do Tribunal de origem, ora recorrido, proferido em apelação nos embargos à execução fiscal, concluiu pela exigência da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL com base, ainda, na Lei 8.212/91, que dispõe: ..... Segundo o acórdão recorrido, o inciso II do art. 23 da Lei 8.212/91 teria estabelecido nova disciplina para a CSLL. Ocorre que referido preceito, ao prever a alíquota aplicável, referese ao art. 2º da Lei 8.034/90, que cuida dos ajustes da sua base de cálculo, o qual, por sua vez, foi concebido com fundamento na Lei 7.689/88, consoante se verifica no trecho do voto da eminente Ministra ELIANA CALMON, acima transcrito. Logo, o preceito em referência não destoa do sentido e do alcance dos demais diplomas legais supervenientes que tratam da CSLL. Quer dizer, ao cuidar da alíquota aplicável, não alterou, em substância, a regra padrão de incidência da contribuição. Daí a sua inaptidão para comprometer a coisa julgada. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 911 24 Com efeito, a relação de direito material albergada pela decisão judicial transitada em julgado teve origem com a contestada Lei 7.689/88, declarada inconstitucional incidentalmente (RE 146.733), que instituiu a CSLL. Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente alteradas, ao longo dos anos, alíquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, em consequência, aos arts. 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da referida contribuição. Se o preceito de lei declarado inconstitucional por decisão judicial transitada em julgado, que instituiu o tributo, trazendo a regramatriz de incidência, continua em vigor e a ele fazem referência os diplomas legais supervenientes que o disciplinam, não há como permitir, por esse motivo, a cobrança da exação no tocante a períodos posteriores.” Em uma descuidada leitura, poderseia afirmar que tal julgado, ao considerar irrelevantes as alterações normativas supervenientes da Lei nº 7.689/88, faria prevalecer, em qualquer caso e para sempre, decisão judicial transitada em julgado que, incidentalmente, tenha declarado a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Porém, até mesmo a aplicação do entendimento do STJ não pode se divorciar do caso concreto. O precedente deve ser adotado obrigatoriamente pelos membros do CARF, por força do art.62A do Anexo II do Regimento Interno, tãosomente nos casos em que se reconheceu judicialmente a inexistência de relação jurídica decorrente da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, levandose em consideração determinados diplomas legislativos supervenientes. Este é um parâmetro que não pode passar despercebido, sob pena de manejo indevido da decisão do STJ em julgamentos administrativos. Neste sentido, a PGFN, em memoriais distribuídos aos Conselheiros antes da sessão de julgamento, informa que a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em assentada de 14/5/13, conforme respectiva ata, “...negou provimento recurso especial interposto pelo contribuinte, sob a alegação de que a referida decisão proferida pelo STJ analisou apenas as alterações legislativas posteriores à edição da Lei nº 7.689/88 até o ano de 1992, motivo pelo qual não seria aplicável para os anosbase posteriores a essa data”. Ainda de acordo com a ata de julgamento, o respectivo acórdão será formalizado sob o nº 9101001.651. Sob outro prisma, Antonio Carlos F. de Souza Júnior e Mary Elbe G. Queiroz, em estudo já citado, alertam para o risco da interpretação equivocada de tal julgado do STJ. Peço vênia para transcrever a maior parte de suas considerações, dada a relevância do tema e a clareza da criteriosa análise: “[...] o precedente veiculado no Recurso Especial nº 1.118.893, vem gerando, ao menos a princípio, interpretação equivocada por parte de alguns contribuintes e do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tudo começa quando, em 21 de dezembro de 2010, o Ministro de Estado da Fazenda, com objetivo de promover a integração entre a jurisprudência dos Tribunais Superiores e a do CARF, Fl. 914DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 912 25 publicou a Portaria MF nº 586 que inseriu o art. 62A ao regimento interno do CARF: ..... Em 06 de abril de 2011, foi publicado o acórdão que julgou o Recurso Especial nº 1.118.893, o qual continha a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. ..... 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. ..... A partir da leitura do item 3 da ementa transcrita acima, o leitor menos cuidadoso, poderia chegar a conclusão de que a matéria sobre os limites temporais da coisa julgada foi apreciada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça sob o rito dos recurso repetitivos. Conclusão que pode, inclusive, induzir a erro as demais Cortes judiciais e administrativas. Ademais, o próprio Superior Tribunal de Justiça também pode ter sido induzido a erro, conforme se verifica na leitura do precedente firmado no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.176.454: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI N. 7.689/88. COISA JULGADA. ALCANCE DA SÚMULA 239/STF. MATÉRIA JULGADA PELA SISTEMÁTICA DOS RECURSOS REPETITIVOS. (... )4. Na assentada do dia 23 de março de 2011, ao julgar o REsp 1.118.893/MG, sob a relatoria do Ministro Arnaldo Esteves Lima e de acordo com o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, a Primeira Seção acabou por confirmar a orientação predominante nesta Corte a respeito da controvérsia sobre os limites objetivos Fl. 915DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 913 26 da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à contribuição social instituída pela Lei 7.689/88. No entanto, a partir da análise detalhada do Recurso Especial nº 1.118.893 e no Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, constatase a existência de dois argumentos que afastam a conclusão no sentido de que a matéria atinente aos limites da coisa julgada foi apreciada pela Primeira Seção, sob o rito dos recursos repetitivos. O primeiro ponto que merece consideração é a delimitação da matéria que foi afetada à Primeira Seção para julgamento sob o rito do recurso repetitivo. Compulsando as decisões anteriores ao precedente, verificase a existência de decisão monocrática, publicada no Diário de Justiça eletrônico em 26 de novembro de 2009, na qual se delimita a matéria a ser examinada com base no regime previsto no art. 543C do CPC. Vejamos: Processual civil. Controvérsia sobre os limites objetivos da coisa julgada, dadas as alterações legislativas posteriores ao trânsito em julgado de sentença declaratória de inexistência de relação jurídica tributária no tocante à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei 7.689/88. Recurso especial submetido pelo VicePresidente do Tribunal de origem ao regime previsto no art. 543C do CPC. Observase, com base na leitura da decisão monocrática, que a matéria afetada à Primeira Seção do STJ, restringese tão somente a verificação se a edição de leis posteriores a Lei nº 7.689/88, que instituiu a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, possui o condão de afastar aplicação de decisão judicial transitada em julgada que declarou a impossibilidade jurídica de cobrança da contribuição, com base na inconstitucionalidade da norma instituidora da contribuição. Desta feita, somente o tema relativo à mudança do estado de direito produzida por leis posteriores à edição da Lei nº 7.689/88 foi objeto de apreciação com base no regime dos recursos repetitivos e, por isso, somente este tema transcende os limites subjetivos da causa julgada no Recurso Especial nº 1.118.893. O segundo argumento consiste na falta de competência da Primeira Seção do STJ para julgar matérias, sob o rito previsto na Lei nº 11.672/2008, quando a competência para julgamento da matéria for de mais de uma seção. Sobre tal ponto, a Resolução nº 8 de 7 de agosto de 2008, que estabelece os procedimentos relativos ao processamento de recursos especiais repetitivos, dispõe no caput do artigo 2º que a Corte Especial é o órgão competente para julgamento da matéria cuja a competência para apreciação seja de mais de uma seção: Fl. 916DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 914 27 Art. 2º Recebendo recurso especial admitido com base no artigo 1º, caput, desta Resolução, o Relator submeterá o seu julgamento à Seção ou à Corte Especial, desde que, nesta última hipótese, exista questão de competência de mais de uma Seção. (g.f.) No caso dos limites da coisa julgada, a matéria é de competência de mais de uma seção, pois trata de questão atinente ao direito processual civil e, portanto, somente a Corte Especial tem competência para analisar o tema sob o rito dos recursos repetitivos. Logo, independente do fundamento exposto, apenas o tema referente à eficácia da coisa julgada das sentenças que reconheceram a impossibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com base na inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88, após a edição de leis posteriores que alteraram a norma matriz, foi objeto de análise sob o rito dos recursos repetitivos, ou seja, a análise restringe se se as leis editadas posteriormente alteraram a relação jurídica transitada em julgado. Com isso, concluise que apenas esta matéria possui eficácia vinculante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62A do seu regimento interno, não podendo ter deliberação diversa por parte dos julgadores administrativos.” (destaquei) Também a PGFN, por meio do Parecer PGNF/CRJ/Nº 975/2011, que tratou da “Orientação aos membros da carreira de Procurador da Fazenda Nacional quanto ao não prejuízo da tese defendida no Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 face às considerações tecidas pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento do REsp nº 1.118.893MG”, já alertava sobre o que havia sido efetivamente decidido no REsp nº 1.118.893MG, ao discorrer sobre o histórico daquele processo: “O presente Parecer tem por escopo esclarecer eventuais dúvidas aos membros da carreira de Procurador da Fazenda Nacional sobre o possível impacto causado pelo julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp nº 1.118.893MG em relação ao conteúdo do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, da lavra da Dra. Luana Vargas Macedo, notadamente sobre a questão relativa à cessação da eficácia vinculante de sentença judicial declaratória de inexistência de relação jurídicotributária em decorrência de posterior decisão do Supremo Tribunal Federal – STF em sentido contrário. 2. Conforme restará adiante demonstrado, a decisão exarada no REsp nº 1.118.893MG, por tratar de situação de fato e de direito distinta da analisada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, não prejudica as considerações e conclusões contidas no referido Parecer. 3. Trata a demanda que deu origem ao REsp nº 1.118.893MG de embargos à Execução Fiscal (Processo Originário nº 1997.38.00.0604543/MG), em que se questionou a validade da CDA nº 60.6.96.00474909, referente à cobrança da Fl. 917DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 915 28 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, no anobase de 1991, para contribuinte que possuía sentença judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade formal e material da exação sob a égide da citada Lei nº 7.689, de 1988, e a consequente inexistência de tal relação jurídicotributária. 4. Em sede de Apelação (Apelação nº 0059817 81.1997.4.01.3800), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região decidiu que, apesar de o contribuinte possuir, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado em que foi declarada a inconstitucionalidade da contribuição conforme concebida na Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em proteção à coisa julgada, na medida em que houve superveniência legislativa, por meio da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que conferiu nova disciplina à matéria e tornou, então, válida e exigível a contribuição. Segue abaixo a ementa do julgado ora explicitado: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. COISA JULGADA NA RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA: ABSTENÇÃO DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, NA FORMA EM QUE INSTITUÍDA PELA LEI Nº 7.689/88 – POSTERIOR ALTERAÇÃO LEGISLATIVA (LEI Nº 8.212/91): NOVA COBRANÇA NÃO ALBERGADA PELA COISA JULGADA. APELAÇÃO NÃO PROVIDA. 1. Declarada a inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 7.689/88, que instituiu a contribuição social sobre o lucro, a superveniência das Leis 7.856/89 (art. 2º), 8.034/90 (art. 2º) e 8.212/91 (art. 23, II) e da Lei Complementar 70/91 (art. 11) não alteraram a disciplina daquela contribuição social, tendo tais modificações sido alcançadas pela coisa julgada, nos termos da súmula 239 do STF. 2. Com a edição da Lei nº 8.212/91, observada a anterioridade nonagesimal, nova disciplina foi estabelecida para a Contribuição Social sobre o Lucro, o que afasta a coisa julgada, sendo, então, exigível a contribuição, não mais prevalecendo o provimento judicial que eximia o contribuinte do recolhimento de tal contribuição. 3. Apelação não provida. 4. Peças liberadas pelo Relator, em 11/03/2008, para publicação do acórdão. (grifouse) 5. Irresignada com a decisão supratranscrita, a empresa recorrente interpôs o REsp nº 1.118.893MG, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas “a” e “c”, da Constituição Federal, sob a alegação de ofensa aos arts. 467 e 471 do CPC, por entender que a legislação ulterior à Lei nº 7.689, de 1988, não modificou, de modo substancial, a CSLL tratada no referido diploma legal e, por isso, não poderia ter atingido a coisa julgada. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 916 29 6. Nas contrarrazões ao REsp nº 1.118.893MG, a Fazenda Nacional sustentou que a coisa julgada nas relações de trato sucessivo tem a sua eficácia limitada à manutenção do quadro fáticojurídico submetido ao crivo jurisdicional e que, no caso em questão, sobrevieram diplomas legislativos posteriores à Lei nº 7.689, de 1988 (Leis nº 7.856, de 1989, nº 8.034, de 1990, nº 8.212, de 1991, nº 8.383, de 1991, nº 8.541, de 1992, e Lei Complementar nº 70, de 1991), modificando a sistemática da relação jurídicotributária concernente à CSLL, de modo a alterar o suporte jurídico que originou a coisa julgada versada nos autos. 7. O STJ deu provimento ao recurso especial ora em análise, julgando procedente o pedido formulado nos embargos à Execução Fiscal para anular a CDA nº 60.6.96.00474909. ..... 9. A questão discutida no REsp nº 1.118.893MG se restringiu à análise de caso concreto de contribuinte que pugnou pela invalidade da CDA nº 60.6.96.00474909, referente à cobrança de CSLL sob a égide da Lei nº 7.689, de 1988, no exercício de 1991, em virtude de possuir decisão judicial transitada em julgado em que fora declarada a inconstitucionalidade de tal exação nos moldes da Lei nº 7.689, de 1988. 10. Desse modo, o acórdão do REsp nº 1.118.893MG foi exarado à luz do caso concreto e assim deve ser interpretado. 11. Nesse diapasão, o alcance da análise jurídica contida no REsp nº 1.118.893MG se limita a um litígio específico acerca da validade de cobrança de tributo no anobase de 1991, materializada por meio da CDA nº 60.6.96.00474909. ..... 13. Entre suas razões de decidir, a Primeira Seção do STJ, ao tecer seu juízo acerca do debate sobre a suposta revogação da Lei nº 7.689, de 1988, pela legislação ulterior correlata, acabou adentrando em tema paralelo e manifestou seu entendimento quanto à impossibilidade da decisão do STF no julgamento da ADI nº 152/DF – DJ 31/8/2007 (que julgou pela constitucionalidade da Lei nº 7.689, de 1988, com exceção de seus art. 8º e 9º) atingir o caso ora analisado. 14. Destarte, embora o objeto da demanda gravitasse no exame quanto à substancialidade ou acessoriedade das alterações legislativas da CSLL posteriores à Lei nº 7.689, de 1988, a Primeira Seção do STJ sucintamente, pois em um único e breve parágrafo, pugnou, em obter dictum, pela impossibilidade de decisão posterior do STF (no caso, a ADI nº 152/DF,” Voltando ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 429/2011, o ato de aprovação pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda foi, em si, dotado de conteúdo normativo. Senão, vejamos: DESPACHOS DO MINISTRO Em 24 de maio de 2011 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 917 30 Assunto: Relação Jurídica Tributária Continuativa. Modificação dos Suportes Fático ou Jurídico. Limites Objetivos da Coisa Julgada. Jurisprudência do Pleno do STF. Cessação Automática da Eficácia Vinculante da Decisão Tributária Transitada Em Julgado. Os precedentes objetivos e definitivos do STF constituem circunstância jurídica nova, apta a fazer cessar, prospectivamente, e de forma automática, a eficácia vinculante das anteriores decisões transitadas em julgado, relativas a relações jurídicas tributárias de trato sucessivo, que lhes forem contrárias. Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 492/2011, 30 de março de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu que: i) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao Fisco, este pode voltar a cobrar o tributo, tido por inconstitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido; (ii) quando sobrevier precedente objetivo e definitivo do STF em sentido favorável ao contribuinteautor, este pode deixar de recolher o tributo, tido por constitucional em anterior decisão tributária transitada em julgado, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que necessite de prévia autorização judicial nesse sentido. Publiquese o presente Despacho e o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 no Diário Oficial da União (DOU). Reproduziramse ali algumas conclusões do Parecer PGFN/CRJ/Nº492/2011, precisamente relacionadas à hipótese de haver decisão do Plenário do STF exarada em controle abstrato de constitucionalidade, o que é o caso, dado o acórdão proferido na ADI nº 152/DF, quando se confirmou a jurisprudência formada em sede de controle difuso, ao declarar a inconstitucionalidade apenas dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689/88. Como visto, o transcrito Despacho de aprovação ministerial expressamente fez menção apenas aos precedentes objetivos, aparentemente conferindo força maior a esta hipótese, quando comparada com aquela baseada em decisões em sede de controle difuso de constitucionalidade. Vejamos as seguintes conclusões constantes do mesmo Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011: 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: ..... (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente,, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; ..... (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a Fl. 920DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 918 31 eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iv) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinteautor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; [...]” Assim, mesmo havendo precedentes do Plenário do STF, proferidos em sede de controle difuso de constitucionalidade, o termo quo para o exercício, pelo Fisco, do direito de voltar a exigir o tributo seria o trânsito em julgado do acórdão do STF exarado em controle abstrato de constitucionalidade (firmado em 12/9/07, conforme informação extraída do sítio eletrônico na internet). No caso concreto, para quem entende, mesmo com a abstração da decisão proferida pelo STJ sob a sistemática do recurso repetitivo, que os efeitos da coisa julgada persistiriam, seria lógico concluírem que os lançamentos, levandose em consideração a força vinculante do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011, subsistiriam quanto aos fatos geradores 31/12/07 (CSLL) e 30/9/07 a 31/12/07 (multas isoladas), lembrando que a procedência ou não das penalidades por falta de recolhimento das estimativas mensais será adiante abordada. Nesta hipótese, os efeitos pretéritos da decisão judicial favorável ao contribuinte estariam resguardados, como ressaltado pela própria PGFN, no Parecer PGFN/CRJ/Nº 975/2011: “[...] Destarte, embora o objeto da demanda gravitasse no exame quanto à substancialidade ou acessoriedade das alterações legislativas da CSLL posteriores à Lei nº 7.689, de 1988, a Primeira Seção do STJ sucintamente, pois em um único e breve parágrafo, pugnou, em obter dictum, pela impossibilidade de decisão posterior do STF (no caso, a ADI nº 152/DF, publicada no DJ de 31/8/2007) alcançar/revalidar decisão judicial transitada em julgado que declarou a inexistência de relação jurídicotributária ocorrida no exercício de 1991, ou seja, de uma situação já consolidada anteriormente à decisão da Suprema Corte. 15. Por outro lado, o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 trata, além de outras questões, sobre a possibilidade de precedente objetivo e definitivo do STF constituir instrumento hábil a fazer cessar, prospectivamente, a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhes forem contrárias. 16. Nessa linha de entendimento, não há que se falar em divergência entre o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 e a posição firmada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.118.893MG Fl. 921DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 919 32 quanto ao alcance da ADI nº 152/DF, pois, em momento algum, tal Parecer defende a cessação de eficácia retroativa de decisão judicial transitada em julgado, que, se assim fosse, colidiria com o entendimento exarado no REsp nº 1.118.893MG, mas, na verdade, sustenta a cessação de eficácia de forma exclusivamente prospectiva. 17. Explicase: defende o Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 que o contribuinte que tiver, a seu favor, decisão judicial transitada em julgado em que foi declarada a inconstitucionalidade de tributo e, em momento posterior, o STF manifestarse pela constitucionalidade da exação, a Administração Tributária Federal poderá cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos após o trânsito em julgado da decisão do STF. Nunca em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente!” Em que pese a não aplicação do precedente do STJ proferido sob a sistemática do recurso repetitivo, implicando o prestígio à jurisprudência pacificada no CARF quando sob análise relações jurídicas de trato sucessivo, entendimento que aqui se adota, a questão posta sob apreciação desta Terceira Turma Ordinária resolvese decisivamente levando em consideração particularidades do caso concreto. Em 29/5/90, o autuado impetrou o Mandado de Segurança nº 90.00020700, de caráter preventivo, em face de ato do Sr. Delegado da Receita Federal no Estado de Pernambuco. As causas de pedir podem ser extraídas do seguinte excerto da petição inicial (fls.99/105): “I – DOS FATOS 01. A Impetrante é pessoa jurídica e, como tal sujeitase ao pagamento da contribuição social sobre o lucro das empresas, instituída pelo artigo 1º da Lei 7.689, de 15.12.1988, que, segundo o artigo 3º da mesma lei, é calculado à alíquota de 8% (oito por cento). 02. Em 25 de outubro de 1989, foi publicada no Diário Oficial da União a Lei nº 7.856, de 24.10.89, cujo artigo 2º, verbis: ‘Art.2º A partir do exercício financeiro de 1990, correspondente ao períodobase de 1989, a alíquota da contribuição social de que trata o artigo 3º da Lei 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passará a ser de 10% (dez por cento)’ elevou a alíquota da contribuição social de 8% para 10%, tornandose exigível já a partir do períodobase de 1989. 03. Ora, tanto a instituição da referida contribuição através da Lei 7.689/88, quanto a alteração da respectiva alíquota mediante a Lei 7.856/89, configuram ostensiva violação do texto da Constituição vigente e, com isso, atingem também o direito líquido e certo da Impetrante e dos demais contribuintes de não se verem coagidos, por ato da Autoridade Impetrada, ao recolhimento da dita contribuição, posto que indevida e inexigível em face das normas constitucionais disciplinadoras da matéria. É o que demonstraremos a seguir. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 920 33 04. Conforme exposto nos itens anteriores, a elevação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas se deu por força do disposto no artigo 2º da Lei 7.856/89, que veio a ser publicada no Diário Oficial da União em 25 de outubro de 1989. 05. Por outro lado, a contribuição social passou a ser recolhida juntamente com as parcelas do imposto de renda, sob a forma de antecipações, duodécimos e quotas, a partir de setembro de 1989, por determinação do artigo 8º da Lei nº 7.787, de 30.06.89, ou seja, a alteração da respectiva base de cálculo veio a ocorrer no mesmo exercício em que foi publicada a lei instituidora da modificação. 06. Assim, ao introduzir o aumento da base de cálculo da contribuição social, a Lei 7.856/89, que foi publicada no Diário Oficial da União em 25.10.89, cometeu frontal violação às regras constitucionais aplicáveis à exigibilidade do tributo, notadamente as do parágrafo 6º do artigo 195, verbis: ‘Art.195..... ..... Parágrafo 6º Às contribuições de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art.150, III, ‘b’’ pois passou a exigir esse aumento já a partir de setembro de 1989, ou seja, mesmo antes da data de sua publicação, quando, a contrário senso, o parágrafo 6º do artigo 195 só admite que as modificações possam ser exigidas, uma vez decorridos noventa dias da data da publicação. Em outras palavras, quaisquer modificações no sistema de pagamento das contribuições sociais só poderiam ocorrer a partir de 25 de janeiro de 1990 e, de modo algum, poderiam tampouco afetar os pagamentos calculados com base no lucro apurado em 31.12.89, visto que antes desta data eram inexigíveis” (destaquei) Vêse que o Impetrante insurgiuse judicialmente contra a instituição da CSLL pela Lei nº 7.689/88, bem como em face do aumento da alíquota e da expansão da base de cálculo da CSLL, introduzidos pelas Leis nº 7.856/89 e 7.787/89. No seu entender, a exigência da contribuição levandose em conta tais alterações somente poderia ocorrer quando decorridos noventa dias da publicação das leis. Teria havido violação da anterioridade nonagesimal, de forma a “...não afetar os pagamentos calculados com base no lucro apurado em 31.12.89”, admitindo, neste momento, que os dispositivos legais poderiam ser implementados após aquele prazo. Em seguida, desnuda a segunda causa de pedir, qual seja, a suposta violação decorrente da elevação da alíquota em dois pontos percentuais à luz do art.150, III, “a”, da CF/88 (irretroatividade), novamente limitando o foco ao lucro apurado em 1989: “07. Portanto, a exigência da contribuição social com a elevação de alíquota prevista no artigo 2º da Lei nº 7.856/89, Fl. 923DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 921 34 sobre o lucro apurado em 1989 fere o direito adquirido do contribuinte e representa violação ao princípio da irretroatividade da legislação tributária estatuído pelo artigo 150, inciso III, alínea a, da Constituição.” (destaquei0 Por fim, o Impetrante acrescenta, como terceira causa de pedir, a suposta inconstitucionalidade formal da Lei nº 7.689/88: “08. Porém, as lesões ao texto constitucional não se esgotam com as violações acima apontadas. A própria instituição da contribuição social, através de lei ordinária constitui, por sua vez, também uma afronta ao artigo 146, inciso III, alínea “a”, da Constituição, que reserva à lei complementar a definição de tributos e de suas espécies, condição esta que a Lei 7.689/88 não observou ao instituir a contribuição social sobre o lucro das empresas. 09. Não poderia, pois, a Autoridade Impetrada exigir essa contribuição social da Impetrante, sem a aprovação prévia em lei complementar, que dispusesse sobre o assunto, porque este ato, além de ser lesivo ao direito líquido e certo do Contribuinte, configura também não só inobservância ao princípio da reserva legal, como também ao princípio da hierarquia das leis.” Em que pese ter havido questionamento sobre a constitucionalidade formal da Lei nº 7.689/88, ao se ler a petição inicial em seu conjunto, constatase que buscou o Impetrante evitar pontualmente que lhe fosse exigida a CSLL apurada em 1989, seja por violação dos princípios da anterioridade nonagesimal e da irretroatividade, seja pelo vício legislativo da própria lei que instituiu aquela contribuição social. Reconhecese que em um primeiro momento podese questionar tal conclusão à vista dos pedidos do Impetrante, dada a maneira como foram formulados, em especial porque apenas liminarmente requereu que a autoridade impetrada não lhe exigisse a CSLL quanto ao período encerrado em 31.12.89 e subseqüentes. Vejamos: “[...] III CONCLUSÃO 15. Demonstrouse que a obrigação tributária criada e imposta à Impetrante, através das Leis 7.689/88, 7787/89 e 7856/89, não pode ser exigida pela Autoridade Impetrada, pois foi instituída com violação expressa dos princípios e dispositivos constitucionais vigentes e em detrimento óbvio do direito líquido e certo da Impetrante, circunstâncias com as quais a ordem jurídica não pode conviver. 16. Assim, o requerimento e o deferimento da Liminar, a fim de que a Autoridade Impetrada se abstenha de promover a cobrança da contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88 e modificada pelas Leis 7787/89 e 7656/89, com base nos resultados da Impetrante no períodobase encerrado em 31.12.89 e nos subseqüentes é medida da mais absoluta urgência e necessidade, pois, em não sendo concedida a Medida Liminar, a Impetrante estará na iminência de sofrer tal coação, por parte do Impetrado, o que, se vier a ocorrer, provocará o perecimento do direito líquido e certo da Impetrante que ficará Fl. 924DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 922 35 sem amparo e, conseqüentemente, sem objeto o presente Mandado. 17. Além do mais, desnecessário registrar que o indeferimento da Medida Liminar acarretará à Impetrante prejuízos irreparáveis e de monta, pois o Impetrado irá cobrar a contribuição social em tela, já a partir dos resultados apurados no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1989. 18. Reitera, portanto, a Impetrante a concessão de Medida Liminar e requer, outrossim, a intimação da Autoridade Coatora, para que preste informações, se assim houver por bem, e o deferimento final da Segurança Impetrada, para tornar ineficaz e insubsistente qualquer tentativa de cobrança da contribuição social instituída pela Lei 7.689/88, alterada posteriormente pelas Leis 7787/89 e 7856/89.” (destaquei) Entretanto, tal dúvida é devidamente eliminada, ao se verificar o teor da sentença (fls.106/110), de 27/7/90, em que se declarou incidentalmente a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 para impedir a exigência da CSLL somente quanto ao períodobase encerrado em 31/12/89. Da leitura, não se extrai outro entendimento. Vejamos, in verbis: “A Impetrante, na inicial de fls.02/08, alegou que ‘em 15 de dezembro de 1988, a Lei 7.689 instituiu uma ‘Contribuição Social’ sobre o lucro das pessoas jurídicas , à razão de 8% (oito por cento) para a generalidade das empresas que se dedicam à atividade financeira. Esta lei, que decorre da medida provisória nº 22, afronta de maneira absoluta os princípios constitucionais da anterioridade e da competência legislativa, como se demonstrará a seguir, sendo certo que já não mais pairam dúvidas quanto à natureza tributária das contribuições especiais, dentre elas a ‘Contribuição Social’. Apresentou extensa fundamentação e ao final requereu a concessão da segurança para o fim de declarar que a contribuição instida inconstitucional e para que a Autoridade impetrada se abstenha de promover a cobrança da contribuição social, com base nos resultados do período encerrado em 31.12.89. A inicial foi instruída com documentos de fls.09/15. Custas processuais satisfeitas às fls.16. Deferido o pedido de depósito da quantia objeto da controvérsia, e efetuado às fls.18. A autoridade impetrada prestou informações de fls.19/20, instruídas com o parecer de fls.21 e segs. A M.D, Procuradoria da República em seu parecer de fls.59/67, opinou pela concessão da segurança. É O RELATÓRIO” ..... Fl. 925DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 923 36 No caso em tela, pretende o Impetrante, que não lhe seja cobrado, definitivamente, a contribuição social. Inconstitucional é a Lei nº 7.689/88. ISTO POSTO. Concedo a Segurança impetrada. Após o trânsito em julgado desta, liberese por Alvará o depósito efetuado. Processo sujeito à remessa de ofício.” (destaquei) Notese que o então Juiz Federal Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti entendeu que o pedido da concessão da segurança visava evitar que a autoridade impetrada abstivessese “de promover a cobrança da contribuição social, com base nos resultados do período encerrado em 31.12.89”. O deferimento de depósito, como próprio afirma, “da quantia objeto da controvérsia”, também auxilia para delimitála nos moldes acima, pois restringiuse ao período encerrado ao final de 1989. A menção de que “...No caso em tela, pretende o Impetrante, que não lhe seja cobrado, definitivamente, a contribuição social”, referese àquela premissa estabelecida no relatório, quando a questão foi delimitada, não podendo tal assertiva ser entendida a ponto de se estender os efeitos da sentença a todos os períodos de apuração posteriores a 31/12/89. Quanto ao dispositivo da sentença, limitouse ao seguinte comando: “Concedo a Segurança impetrada. Após o trânsito em julgado desta, liberese por Alvará o depósito efetuado”. Da análise, concluise que o trânsito em julgado não se estendeu, como pretende o Recorrente, a períodos de incidência da CSLL subsequentes a 31/12/89. A inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88 foi declarada, repitase, incidentalmente, para evitar que tal lei fosse aplicada pela Administração tributária apenas com relação ao períodobase encerrado em 1989. No Tribunal Regional Federal (TRF) da 5ª Região, a Segunda Turma, ao negar, em 6/11/90, provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa necessária (fls.111/115), confirmou no relatório do respectivo acórdão a delimitação da controvérsia, não obstante tenha cometido equívoco ao se referir ao resultado apurado em 31/12/88, não ao apurado ao final de 1989: “[...] Tratase de mandado de segurança contra ato do Sr. Delegado da Receita Federal local, consistente na exigência relativa ao recolhimento da contribuição social instituída pela Medida Provisória nº 22/88, convertida na Lei nº 7.689/88, sobre o lucro apurado pela empresa no balanço encerrado em 31 de dezembro de 1988. A sentença recorrida concedeu a segurança, declarando a inconstitucionalidade de referida contribuição, porque não instituída por lei complementar e por ser cobrada em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei instituidora e condenando a Fazenda Nacional à repetição dos valores relativos ao ano de 1988 e demais cominações legais.” Assim, a relação de direito material albergada pela decisão judicial transitada em julgado não dizia respeito à incidência da CSLL para períodos posteriores a 31/12/89, não se podendo nesta análise administrativa desbordar dos limites estabelecidos definitivamente pelo Judiciário. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 924 37 Com isso, a única relação jurídicotributária entre o contribuinte e o Fisco, relativa à CSLL, acobertada pelo manto da coisa julgada material, diz respeito à apuração da CSLL em 31/12/89. Esta foi a controvérsia instaurada e equacionada pelo Judiciário, não obstante, para tanto, tenha declarado incidentalmente a inconstitucionalidade da Lei nº 7.689/88. Não afastou a incidência de tal contribuição eternamente, tendo a demanda sido pontual, tratandose de uma ação mandamental preventiva para evitar suposto ato lesivo por parte da Administração tributária quanto à apuração em 31/12/89. Este consiste no limite objetivo da coisa julgada a ser obedecido na espécie. Em suma, da leitura da petição inicial e da decisão judicial transitada em julgado, a inexistência de relação jurídica entre o autuado e a União, decorrente da Lei nº 7.689/88, limitouse ao período de apuração encerrado em 31/12/89. Por todas as razões acima, inexiste óbice à apuração, constituição e exigência da CSLL relativa aos anoscalendário 2003 a 2007, devendo ser mantido, por conseguinte, o lançamento tributário. Quanto à multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais, não obstante o contribuinte sustentar que o crédito tributário não poderia ser exigido concomitantemente com as multas proporcionais anuais, há dispositivos legais que asseguram a exigência de ambas penalidades. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional e a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas mesmo que concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Vejamos: Redação original Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; ..... §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; ..... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 927DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 925 38 Redação atual, com a alteração da MP nº 351/07, convertida na Lei nº 11.488/07 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: .... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Há vários julgados administrativos neste sentido, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, Fl. 928DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 926 39 pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). As bases de cálculo das estimativas são apuradas mensalmente, não se relacionando com o tributo apurado ao final do anocalendário. Quanto ao percentual, a autoridade lançadora já aplicou o percentual de 50% (cinquenta por cento), conforme TVF (“apuramos a CSLL devida mensalmente sob a forma de Estimativa Mensal, não paga nem declarada em DCTF, que, por conseqüência, impõese a multa isolada de 50% sobre os valores das contribuições devidas”) e Demonstrativo de Apuração da CSLL – Estimativa Mensal – Multa Isolada (fls.29/31). Por tais razões, não se acolhe tal argumento de defesa, devendo as multas isoladas ser mantidas como constituídas. Pelo exposto, voto no sentido de não acolher a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 929DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 927 40 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Shigueo Takata – Redator designado Presto minhas homenagens ao ilustre relator, Conselheiro Eduardo Neiva Martins Monteiro, que, com o brilhantismo de seu voto, muito enriqueceu o amplo debate da Turma. Peço vênia, entretanto, para divergir, sobre alguns aspectos envolvidos nas questões em lide. Iniciarei enfrentando o alcance do REsp nº 1.118.893MG, sob rito de repetitivos, ao caso em dissídio. Sabese que o CARF, nos termos de seu Regimento Interno (art. 62A do Anexo II), deve adotar o entendimento de mérito consagrado pelo STJ, em recursos especiais repetitivos, conforme o art. 543C do CPC. Porém, o julgamento do REsp nº 1.118.893MG, sob o rito de repetitivos, não ampara a tese da recorrente. Especificamente, a seguinte dedução contida na ementa e no voto condutor, sobre decisão em controle concentrado de constitucionalidade: O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. Relembrase que se está diante de exigência de CSL dos anoscalendário de 2003 a 2007, e a recorrente invoca ofensa à coisa julgada, por ter reconhecimento judicial de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88 com trânsito em julgado. Relaciono as razões – exploradas adiante pelas quais o acórdão do REsp nº 1.118.893MG não socorre a recorrente: 1) A teoria da transcendência dos motivos determinantes não é aplicável, ou ao menos, não é pacífica, na jurisprudência pátria, no controle concentrado de constitucionalidade, e, a fortiori, no controle difuso de constitucionalidade, e de legalidade, apesar da “objetivação” e da “abstrativização” dos recursos extraordinário e especial (REsp sob rito de repetitivos); 2) Ainda que fosse aplicável a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão sobre o julgamento do REsp citado, na parte que ela afetaria, não teria o alcance pretendido no caso ora em jogo; 3) Ementa não faz coisa julgada. A relativa extensão das considerações a seguir deduzidas sobre a teoria da transcendência dos motivos determinantes se justifica, porque as aproveitarei, na abordagem do Parecer PGFN/CRJ/492/11. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 928 41 A teoria da transcendência dos motivos determinantes significa tornar obrigatórios os motivos determinantes (o tragende Gründe) das decisões da Corte Suprema, ao declarar a inconstitucionalidade ou a constitucionalidade de lei ou ato normativo, dandose maior eficácia às suas decisões. É ampliar ou reforçar a autoridade da decisão ao impôla à ratio decidendi, ou aos motivos determinantes e interpretações que serviram de fundamento da decisão, conferindose “efeito vinculante”4 àqueles (e não só à parte dispositiva), para se preservar a chamada força normativa da Constituição5. Enfim, é a busca do DNA da decisão dentro de um círculo hermenêutico – como diz Lenio Luiz Streck para também se afastar uma vinculação em que haja diferenças de peculiar relevo (para o chamado distinguishing). Adotando a transcendência dos motivos determinantes como a nota eficacial do efeito vinculante (vejase a nota de rodapé nº 4), citase Roger Stiefelmann Leal6: A imposição da ratio decidendi aos demais poderes teria como efeito necessário a proibição do uso de expedientes voltados à restauração do comportamento julgado inconstitucional, bem como a obrigação de eliminar os demais atos que encerram o mesmo vício apontado7. Esse acréscimo eficacial foi denominado efeito vinculante (bindungswirkung). Sua introdução no âmbito do controle abstrato de normas assume especial significado, pois oferece solução à problemática sobre o caráter obrigatório da parte integrativa de sentenças interpretativas e aditivas, que não se inserem adequadamente no decisum constante da parte dispositiva8. Na esteira da experiência europeia, foi o efeito vinculante introduzido no ordenamento brasileiro, a partir da Emenda Constitucional nº 3/1993, como instituto típico do controle abstrato de constitucionalidade. Sua incorporação como eficácia adicional voltada a tornar impositivos os fundamentos determinantes das decisões proferidas em ações próprias da jurisdição constitucional acabou reconhecida em precedentes do STF9. A disciplina normativa que lhe empresta fundamento foi, porém, mais acanhada do que o modelo europeu quanto à definição de seus destinatários. No caso brasileiro, os órgãos 4 Usouse “efeito vinculante”, entre aspas, em consideração a uma expressiva doutrina que reconhece que o efeito vinculante instituído pela EC 3/93 (art. 102, § 2º, para decisões de mérito em ADC; atualmente, com a redação da EC 45/04, para prevêlo expressamente às decisões de mérito em ADI) compreende a transcendência dos motivos determinantes das decisões, em controle concentrado de constitucionalidade. Esse seria o acréscimo eficacial de efeito vinculante, o algo novo, pois o alcance aos demais órgãos judiciários e à Administração Pública direta e indireta já estaria compreendido no efeito “erga omnes”. Esse acréscimo eficacial foi denominado na Alemanha como efeito vinculante (“Bindungswirkung”). É o caso de Gilmar Ferreira Mendes, Roger Stiefelmann Legal. 5 Entre outros efeitos, a transcendência dos motivos determinantes da decisão da Corte Suprema resolve o problema das normas paralelas. Com a eficácia “vinculante” dos motivos determinantes (os “tragenden Gründe”) da decisão, a Corte, ao declarar inconstitucional lei do Estado “1”, impede que lei do Estado “2” de conteúdo substancialmente igual seja aplicada. 6 Cf. seu “A incorporação das súmulas vinculantes à jurisdição constitucional brasileira: alcance e efetividade em face do regime legal da repercussão geral e da proposta de revisão jurisprudencial do art. 52, X, da Constituição”. Revista de Direito Administrativo, v. 261. Rio de Janeiro: set./dez. 2012, pp. 183 e 184. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 929 42 legislativos, além da própria Corte Suprema, não são alcançados pelo efeito vinculante. (negritos nossos) Porém, mesmo no controle concentrado e abstrato de constitucionalidade, não se encontra pacificada a aplicação da transcendência dos motivos determinantes da decisão. A virada, para seu acolhimento, deuse com o julgamento da Reclamação (constitucional) nº 1.987DF, em que o Plenário reconheceu a submissão aos fundamentos determinantes da decisão proclamada no ADI nº 1.662SP (DJ de 21/5/04). Citese, v.g., também, a Reclamação nº 3.291SP (DJ de 23/5/05). Mas há julgados não reconhecendo o “efeito vinculante” dos motivos determinantes da decisão mesmo em controle concentrado de constitucionalidade: caso da Reclamação nº 3.014SP, de relatoria do Ministro Carlos Ayres Britto, em cujo voto lembra que na Questão de Ordem da Reclamação 4.219 (Rcl nº 4.219QO) de 2006, retomouse a discussão da aplicabilidade da transcendência dos motivos determinantes, prevalecendo entendimento contrário (DJe de 21/5/10); da decisão monocrática na Reclamação nº 4.448RS, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski (DJ de 21/9/06). Ademais, na Reclamação nº 2.986SE, o Ministro Celso de Mello havia concedido medida cautelar, reconhecendo a transcendência dos motivos determinantes da ADI nº 2.868PI (DJ de 18/3/05); porém, reconhecendo a rejeição que essa tese tem sofrido pela Corte Constitucional, o eminente Ministro Celso de Mello, apesar de manter sua convicção pessoal original, revogou o provimento cautelar, em reverência ao entendimento do Colegiado, em decisão monocrática de 12/3/14 (DJe de 17/3/14)7. O eminente Ministro Gilmar Ferreira Mendes foi um dos precursores na doutrina e na jurisprudência pátrias, a defender o efeito vinculante dos motivos determinantes da decisão não só no controle concentrado de constitucionalidade8, como no seu controle difuso, sobretudo com a “objetivação” e “abstrativização” do recurso extraordinário sob repercussão geral (art. 543B do CPC). Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha, ao acentuarem a “objetivação” do recurso extraordinário e do recurso especial, na implementação feita pelos arts. 543B e 543C, do CPC, observam o seguinte. Quanto ao recurso especial, a admissão de amicus curiae, a distinção entre a possibilidade indissolúvel de desistência do recurso (procedimento recursal principal), e o não alcance da desistência em relação ao procedimento incidental de definição do precedente ou da tese: ou seja, não se pode interditar a desistência do procedimento principal (primeiro procedimento), mas a desistência não alcança o segundo procedimento9. 7 Todas as reclamações citadas as são, em face de decisão em controle concentrado de constitucionalidade. 8 Cf. síntese de seu pensamento a respeito e de Lenio Luiz Streck: “Comentário ao artigo 102, § 3º”. In CANOTILHO, J. J. Gomes; MENDES, Gilmar F.; SARLET, Ingo W.; STRECK, Lenio L. (Coords.). “Comentários à Constituição do Brasil”. São Paulo: Saraiva/Almedina, 2013, especialmente pp. 1398 a 1405. Detalhamento de seus pensamentos são encontráveis em: MENDES, Gilmar F.; COELHO, Inocêncio M. “Curso de Direito Constitucional”. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009; STRECK, Lenio L. “Jurisdição constitucional e decisão jurídica”. 3ª ed. [reformulada da obra "Jurisdição constitucional e hermenêutica"]. São Paulo: RT, 2013. 9 Cf. seu “Curso de Direito Processual Civil”, vol. 3. 10ª ed. Salvador: JusPodivm. 2012, pp. 330, 336, 337, 338. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 930 43 Sobre o recurso extraordinário, registram que o instituto processual de controle difuso serve também ao controle abstrato. Cita precedentes (embora em sua maioria, anteriores ao art. 543B do CPC) sobre a admissão de sustentação oral de amici curiae; de admissão de RE com base em fundamento diverso do enfrentado pelo tribunal recorrido, reconhecendose causa de pedir recursal aberta (como no controle concentrado), para decisão da questão da constitucionalidade com base em outro fundamento; de dispensa de requisito de prequestionamento, para dar efetividade a posição do STF sobre questão constitucional, com transformação do RE em remédio de controle abstrato de constitucionalidade. Os autores admitem inclusive a reclamação constitucional contra decisão do Pleno, em controle difuso10. Sobre a imposição dos motivos determinantes da decisão, nos julgamentos de recurso extraordinário sob repercussão geral, pontua Roger Stiefelmann Leal11: Cumpre destacar, a esse propósito, que a solução a ser implementada não se encontra — como regra geral — na parte dispositiva do julgado, mas em seus fundamentos determinantes. Tratase de impor aos demais casos sobrestados as razões que pautaram o julgamento do recurso extraordinário, ainda que os diplomas legislativos contestados sejam outros. [...] Tal concepção, ademais, encontrase claramente refletida no exame que o STF tem realizado sobre a nova sistemática do recurso extraordinário. [...] Aludindo aos casos de declaração de inconstitucionalidade de leis municipais instituidoras de IPTU progressivo, [...] o ministro Gilmar Mendes, por sua vez, afirma ser necessário “admitir que essa decisão seja válida, como leading case, para solucionar todos os processos em que se questione a constitucionalidade do IPTU progressivo, ainda que originada de leis de outros municípios”20. Para ele, “é plenamente consentânea, portanto, com o novo modelo, a possibilidade de se aplicar o decidido quanto a uma questão constitucional a todos os múltiplos casos em que a questão se apresente como determinante do destino da demanda, ainda que revestida de circunstâncias acidentais diversas”.21 (negritos nossos) Posição intermediária ou mediadora é a de Klaus Vogel (entre a acolhida pelo Tribunal Constitucional Federal alemão – Bundesverfassungsgericht – sobretudo com base no § 31I de sua Lei Orgânica, e a defendida por Wischermann, de interpretação restritiva do § 31 I para efeito vinculante somente ao dispositivo), ao que ele denomina de norma decisória concreta. Na proposta de Vogel, a norma decisória concreta é “a ideia jurídica subjacente à formulação contida na parte dispositiva, que, concebida de forma geral, permite não só a decisão do caso concreto, mas também a decisão de casos semelhantes” 12. 10 Cf. “op. cit.”, pp. 356, 360 a 366. 11 Cf. seu “A incorporação das súmulas vinculantes à jurisdição constitucional brasileira: alcance e efetividade em face do regime legal da repercussão geral e da proposta de revisão jurisprudencial do art. 52, X, da Constituição”. Revista de Direito Administrativo, v. 261. Rio de Janeiro: set./dez. 2012, pp. 188 e 189. 12 "Apud" Gilmar Ferreira Mendes e Lenio Luiz Streck, obra citada, pp. 1400 e 1401. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 931 44 Entretanto, como se disse, se mesmo para o controle concentrado de constitucionalidade não é pacífica a jurisprudência constitucional quanto ao efeito vinculante dos motivos determinantes da decisão, a aplicação da transcendência dos motivos determinantes para julgados em recurso extraordinário sob repercussão geral longe está de ser acolhível, conforme a jurisprudência constitucional – nesse sentido, crítica acurada faz Bruno Felipe de Oliveira e Miranda, em artigo em que estuda a questão13. Com igualdade, ou até maioridade de razões, para a aplicação da teoria da transcendência dos motivos determinantes à decisão em REsp, mesmo com sua “objetivação” e “abstrativização”, em rito de repetitivos. Tudo isso: em que pese os recursos extraordinários e os recursos especiais terem ganhado novo perfil, vocacionados à tutela da ordem constitucional e federal objetivas – sem perder a função de proteção aos direitos subjetivos; apesar de haver meios para se efetivar a transcendência dos motivos determinantes sob a nova funcionalidade objetiva; embora haja uma vinculação vertical (somente ao Judiciário) e imediata (só dos tribunais inferiores recorridos) diante da orientação ou tese – ratio decidendi – sufragada nos recursos extraordinários e especiais de novo perfil. Nesse sentido, a advertência de Bruno Felipe de Oliveira e Miranda14: [...] não há de se falar em cabimento de reclamação, com suposto fundamento nos arts. 102, I, l (para o STF) ou 105, I, f (para o STJ), na hipótese de desrespeito às teses firmadas pelas Cortes nos julgamentos por amostragem. Com efeito, uma vez negada aplicação à razão de decidir veiculada pelos Tribunais Superiores, não há de se falar, propriamente, em desrespeito à autoridade da decisão, como se exige para fins de manejo da reclamação[79]. A questão resolvese intraprocessualmente, isto é, no bojo do próprio recurso (extraordinário ou especial) em que foi negada aplicação à tese, nos moldes propostos pelos arts. 543B, §4º e 543C, §8º do CPC: o recurso interposto terá seguimento e o Tribunal Superior competente, em o conhecendo, poderá cassar ou reformar liminarmente o decisum contrário à orientação firmada. (grifamos) Pois bem. Do voto condutor do eminente Ministro relator do REsp nº 1.118893MG Arnaldo Esteves Lima, transcrevo excertos, incluindo o dispositivo: 13 MIRANDA, Bruno Felipe de Oliveira e. "Considerações sobre a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão judicial no direito processual coletivo especial brasileiro". Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3619, 29 maio 2013. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/24550>. 14 Cf. seu "Considerações sobre a teoria da transcendência dos motivos determinantes da decisão judicial no direito processual coletivo especial brasileiro." Jus Navigandi, Teresina, ano 18, n. 3619, 29 maio 2013. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/24550>. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 932 45 A Fazenda Nacional, por sua vez, exige tal pagamento. Fundamenta seu pedido nas Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.21/91 e 8.3/93 e Lei Complementar 70/91, supervenientes à Lei 7.689/88, que teriam alterado de forma substancial disciplina da CSLL e, assim, limitado alcance da coisa julgada material. É oportuno registrar que o Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção ao disposto no art. 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT. A ementa foi assim concebida: [...] (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07) [...] Outrossim, o fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade à própria existência do controle difuso de constitucionalidade, fragilizando, sobremodo, a res judicata, com imensurável repercussão negativa no seio social. [...] Diante do fato de que o diploma legal em tela não foi revogado, mas tão somente alteradas, ao longo dos anos, alíquota e base de cálculo da CSLL, principalmente no tocante ao indexador monetário, permanecendo incólume a regra padrão de incidência, não há como deixar de reconhecer a ofensa à coisa julgada e, em consequência, aos arts. 467 e 471, caput, do CPC, pelo acórdão que permite a cobrança da referida contribuição. [...] Ante o exposto, conheço do recurso especial e doulhe provimento. Julgo procedente o pedido formulado nos embargos à execução fiscal para anular a CDA 60696004749 09. Condeno a Fazenda Nacional ao pagamento das custas e despesas processuais antecipadas pela recorrente, assim como ao pagamento da verba honorária, a qual fixo no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor atribuído à causa atualizado. (grifos nossos) Eis o dispositivo do acórdão do REsp nº 1.118.893MG: Vistos, relatados e discutidos autos em que são partes acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Fl. 935DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 933 46 Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha, Hamilton Carvalhido e Castro Meira votaram com o Sr. Ministro Relator. (grifos e negritos nossos) O ponto sobre esse REsp, no que interessa ao caso vertente (como antecipado no início deste voto), é a afirmação sublinhada e negrejada acima transcrita do voto condutor do REsp em comentário (sob o rito de repetitivos). Afastada a transcendência dos motivos determinantes da decisão, o que transita em julgado é o dispositivo da decisão. Certo que a coisa julgada atinge o pedido com sua causa de pedir. Mas não transita em julgado, e não se põe nos limites objetivos da lide, a causa de pedir, isoladamente. A afirmação sublinhada do voto condutor do REsp em questão não compõe a parte dispositiva do julgado. Não se conecta com e não compreende o pedido em face de sua causa de pedir. A demonstração do cabimento do recurso, com fundamento no art. 105, III, “a” e “c”, da CF15, deuse: pela alegação de ofensa à coisa julgada que reconheceu a inexistência da relação jurídica material de incidência de CSL, à luz da Lei 7.689/88, na execução fiscal assim mesmo intentada, com violação dos arts. 467 e 471, caput, do CPC (art. 105, III, “a”, da CF); pelo entendimento consagrado no REsp nº 731.250PE, da 2ª Turma do STJ (art. 105, III, “c”, da CF). O pedido (a) e a causa de pedir recursal (b), acolhidos no REsp foram, respectivamente: a) a anulação da CDA com reconhecimento da procedência dos embargos à execução fiscal; b) as Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e a Lei Complementar 70/91 não alteraram substancialmente a CSL (obliquamente, as Leis 8.383/91 e 8.541/92, por ser o REsp nº 731.250PE o apontado como paradigma, que reconheceu também não terem tais leis alterado substancialmente a CSL). Portanto, o Resp nº 1.138.893MG não socorre a recorrente (anoscalendário da exigência da CSL no caso vertente: 2003 a 2007). Aqui a primeira razão. Passase à segunda razão. 15 Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: [...] III julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negarlhes vigência; [...] c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. Fl. 936DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 934 47 Ainda que se acolhesse a teoria da transcendência dos motivos determinantes, vêse facilmente que a parte sublinhada do voto condutor não é ratio decidendi, não é motivo determinante que serviu de fundamento para o dispositivo da decisão. É mero obiter dictum no sentido mais estrito. Motivo determinante foi o reconhecimento de que as Leis 7.856/89, 8.034/90, 8.212/91 e a Lei Complementar 70/91 (e obliquamente, por paradigma, as Leis 8.383/91 e 8.541/92) não alteraram substancial ou essencialmente a CSL instituída pela Lei 7.689/88. O Parecer PFGN/CRJ/975/2011 chegou à mesma conclusão (a parte sublinhada não é do dispositivo, e não tem relação com a causa de pedir; tratase somente de consideração obiter dictum). Incidente de inconstitucionalidade é “processo” que, embora não faça coisa julgada (a menos que a parte o requeira como prejudicial, nos termos do art. 325 do CPC), é abstrato e objetivo. Mas o objeto da colocação tampouco foi incidente de inconstitucionalidade, para o qual se poderia pretensamente cogitar de se ampliar a eficácia da transcendência dos motivos determinantes, “superando” o art. 469, III, do CPC. Não foi incidente de inconstitucionalidade, simplesmente porque não havia sentido para tanto – a causa de pedir e os motivos determinantes para a decisão não tinham nenhuma relação com a necessidade de tal incidente. E se se tratasse desse incidente, a decisão sobre ele seria tomada pela Corte Especial do STJ, conforme o art. 97 da CF16 (Súmula Vinculante nº 10 do STF – reserva de plenário). Pelas mesmas razões, o julgamento do REsp em questão se deu pela 1ª Seção do STJ e não por sua Corte Especial. É que, se a parte sublinhada fosse motivo determinante para decisão, o objeto da colocação teria sido questão da lide, e o julgamento teria se dado pela Corte Especial do STJ, pois seria evidentemente matéria de competência de mais de uma Seção. Conforme o art. 2º da Resolução nº 8 do STJ (que estabelece os procedimentos para processamento e julgamento dos recursos repetitivos), se, no recurso recebido para o repetitivo, houver questão de competência de mais de uma Seção, o julgamento caberá à Corte Especial. Enfim, ainda que se adotasse a teoria da transcendência dos motivos determinantes – e com as derivações acima exploradas o Resp em comentário não ampararia a recorrente. Com a devida vênia, não se pode concordar com a afirmação feita por Fredie Didier Jr., Paula Sarno Braga e Rafael Oliveira, em nota de rodapé, de que é correto o posicionamento do STJ (justamente no REsp em comentário) de que os contribuintes que possuem decisão transitada em julgado que reconhece a inexigibilidade da CSL, por 16 Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 935 48 inconstitucionalidade da lei instituidora, não podem ser alvo de cobrança em razão de posterior decisão do STF que declara a constitucionalidade da lei referida17. Eis, assim, a segunda razão. Para a terceira razão, transcrevese a ementa do acórdão do REsp nº 1.118.893MG: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RITO DO ART. 543C DO CPC. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO – CSLL. COISA JULGADA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 7.689/88 E DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICOTRIBUTÁRIA. SÚMULA 239/STF. ALCANCE. OFENSA AOS ARTS. 467 E 471, CAPUT, DO CPC CARACTERIZADA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL CONFIGURADA. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. 1. Discutese a possibilidade de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL do contribuinte que tem a seu favor decisão judicial transitada em julgado declarando a inconstitucionalidade formal e material da exação conforme concebida pela Lei 7.689/88, assim como a inexistência de relação jurídica material a seu recolhimento. 2. O Supremo Tribunal Federal, reafirmando entendimento já adotado em processo de controle difuso, e encerrando uma discussão conduzida ao Poder Judiciário há longa data, manifestouse, ao julgar ação direta de inconstitucionalidade, pela adequação da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, ao texto constitucional, à exceção do disposto no art 8º, por ofensa ao princípio da irretroatividade das leis, e no art. 9º, em razão da incompatibilidade com os arts. 195 da Constituição Federal e 56 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT (ADI 15/DF, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, DJ 31/8/07). 3. O fato de o Supremo Tribunal Federal posteriormente manifestarse em sentido oposto à decisão judicial transitada em julgado em nada pode alterar a relação jurídica estabilizada pela coisa julgada, sob pena de negar validade ao próprio controle difuso de constitucionalidade. 4. Declarada a inexistência de relação jurídicotributária entre o contribuinte e o fisco, mediante declaração de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, que instituiu a CSLL, afastase a possibilidade de sua cobrança com base nesse diploma legal, ainda não revogado ou modificado em sua essência. 5. "Afirmada a inconstitucionalidade material da cobrança da CSLL, não tem aplicação o enunciado nº 239 da Súmula do Supremo Tribunal Federal, segundo o qual a "Decisão que 17 Cf. seu "Curso de Direito Processual Civil", vol. 2. 7ª ed. Salvador: JusPodivm, 2012, p. 443. Fl. 938DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 936 49 declara indevida a cobrança do imposto em determinado exercício não faz coisa julgada em relação aos posteriores" (AgRg no AgRg nos EREsp 885.763/GO, Rel. Min. HAMILTON CARVALHIDO, Primeira Seção, DJ 24/2/10). 6. Segundo um dos precedentes que deram origem à Súmula 239/STF, em matéria tributária, a parte não pode invocar a existência de coisa julgada no tocante a exercícios posteriores quando, por exemplo, a tutela jurisdicional obtida houver impedido a cobrança de tributo em relação a determinado período, já transcorrido, ou houver anulado débito fiscal. Se for declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo, não há falar na restrição em tela (Embargos no Agravo de Petição 11.227, Rel. Min. CASTRO NUNES, Tribunal Pleno, DJ 10/2/45). 7. "As Leis 7.856/89 e 8.034/90, a LC 70/91 e as Leis 8.383/91 e 8.541/92 apenas modificaram a alíquota e a base de cálculo da contribuição instituída pela Lei 7.689/88, ou dispuseram sobre a forma de pagamento, alterações que não criaram nova relação jurídicotributária. Por isso, está impedido o Fisco de cobrar a exação relativamente aos exercícios de 1991 e 1992 em respeito à coisa julgada material" (REsp 731.250/PE, Rel. Min. ELIANA CALMON, Segunda Turma, DJ 30/4/07). 8. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ. (STJ, Primeira Seção, Julg. 23/3/11, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima) (grifamos) O acórdão deve conter relatório, fundamentação e dispositivo, conforme o art. 165 c/c o art. 458 do CPC18. Como acentuam Fredie Didier Jr. e Leonardo José Carneiro da Cunha, ausente o relatório ou a fundamentação, o acórdão é nulo (art. 458, II, do CPC; art. 93, IX, da CF). Faltante o decisório, o acórdão é inexistente. Todo acórdão deve ter ementa – art. 563 do CPC. Porém, a ementa não é acórdão, não se confunde com ele. Sua falta não gera nulidade do acórdão19. Logo, havendo contradição entre o dispositivo e a ementa, prevalece o dispositivo; este é que fica acobertado pela coisa julgada (STJ, 3ª Turma, REsp nº 807.675, relatora a Ministra Nancy Andrighi, DJ de 23/10/08). Fica evidente, pois, que a ementa do acórdão não transita em julgado. No que interessa, o item 3 da ementa. 18 Art. 163. Recebe a denominação de acórdão o julgamento proferido pelos tribunais. [...] Art. 165. As sentenças e acórdãos serão proferidos com observância do disposto no art. 458; as demais decisões serão fundamentadas, ainda que de modo conciso. [...] Art. 458. São requisitos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a suma do pedido e da resposta do réu, bem como o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões, que as partes Ihe submeterem. 19 Cf. seu "Curso de Direito Processual Civil", vol. 3. 10ª ed. Salvador: JusPodivm, 2012, pp. 551 a 554. Fl. 939DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 937 50 Por aí, a terceira razão de o REsp em apreço não dar cobertura à recorrente. Passo à apreciação dos limites e do alcance do Parecer PGFN/CRJ/492/2011, quanto ao que interessa ao feito. Referido parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, por despacho de 24/5/11, publicado no DOU de 26/5/11. O art. 13 c/c o art. 42, da Lei Complementar 73/93 prevê que os pareceres da PGFN aprovados pelo Ministro da Fazenda são vinculativos para os órgãos autônomos do ministério. Eis sua dicção: Art. 13. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos e entes tutelados. Parágrafo único. No desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional regese pela presente Lei Complementar. [...] Art. 42. Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas. O entendimento desta Turma, ao qual me filio, é o de que os comando da Lei Complementar 73/93 não são vinculativos a órgãos da administraçãojudicante, no caso, o CARF, no exercício de sua atividade típica, funcional e legal. Com efeito, a referida lei versa sobre a Advocacia Geral da União, aliás é sua Lei Orgânica. Trata, pois, da defesa dos interesses da União, e de seu assessoramento jurídico. Não há sentido para que posição adotada pelo órgão responsável pelo assessoramente e defesa dos interesses da União seja cogente a órgão administrativo que tem por função o exercício de atividade judicante, de solução de conflitos entre a União e o cidadãocontribuinte, à luz do princípio da legalidade, do devido processo legal, da verdade material. Aliás, a função institucional da AdvocaciaGeral da União (que compreende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) é representála judicial e extrajudicialmente, cabendolhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos ao Poder Executivo (arts. 1º e 2º, da Lei Complementar 73/93). Logo, o conteúdo do Parecer PGFN/CRJ/492/2011 não é vinculativo a este órgão julgador. Limitome a transcrever a parte conclusiva do Parecer PGFN/CRJ/492/2011, pois as demais, de interesse ao caso, já foram colacionadas pelo ilustre relator: 99. Eis a síntese das principais considerações/conclusões expostas ao longo do presente Parecer: (i) a alteração nos suportes fático ou jurídico existentes ao tempo da prolação de decisão judicial voltada à disciplina Fl. 940DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 938 51 de relações jurídicas tributárias continuativas faz cessar, dali para frente, a eficácia vinculante dela emergente em razão do seu trânsito em julgado; (ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. (iii) o advento de precedente objetivo e definitivo do STF configura circunstância jurídica nova apta a fazer cessar a eficácia vinculante das anteriores decisões tributárias transitadas em julgado que lhe forem contrárias; (iii) como a cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado é automática, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da constitucionalidade da lei tributária, o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores ocorridos daí para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; por outro lado, com o advento do precedente objetivo e definitivo do STF, quando no sentido da inconstitucionalidade da lei tributária, o contribuinte autor deixa de estar obrigado ao recolhimento do tributo, em relação aos fatos geradores praticados dali para frente, sem que, para tanto, necessite ajuizar ação judicial; [...] (grifos nossos) Quanto à criação de “direito novo” com eficácia para toldar a autoridade da coisa julgada nos termos postos no parecer, discordase das conclusões deduzidas nos pontos (ii) e (iii) do subitem (ii) e na parte inicial do “segundo” subitem (iii) do item 99. Como já analisado anteriormente, não possuem efeito vinculante as decisões em recurso extraordinário sob repercussão geral. Efeito vinculante, seja com o acréscimo eficacial da transcendência dos motivos determinantes (os tragenden Gründe), seja sem essa eficácia adicionada, ou seja, somente como vinculação de todos ao dispositivo. E essas decisões nem possuem efeito vertical mediato. Isso, para falar em termos absolutos. Em termos absolutos, o efeito “vinculante” se limita aos tribunais recorridos (efeito vertical imediato). Em termos relativos, é inescondível que, porquanto tais julgados Fl. 941DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 939 52 possuem função de tutela da ordem constitucional objetiva, mesmo sem o efeito “vinculante”, eles investem a unidade de decisões que se aproxima da stare decisis do Direito norte americano. Não há, contudo, nas decisões em recurso extraordinário sob repercussão geral, força “vinculante” para se tornar “direito novo” a suplantar a coisa julgada – suplantação, ao menos, sem a ação judicial rescisória, conforme o art. 485, V, do CPC20. Em tais situações, a eliminação da eficácia da coisa julgada terá de se dar por meio de ação rescisória. E isso, considerandose a jurisprudência constitucional atual (e a jurisprudência infraconstitucional do STJ). O mesmo se diga, com maioridade de razões, às decisões anteriores à “objetivação” e “abstrativização” do recurso extraordinário. Isso tudo, vejase, sem que haja a edição de súmula com efeito vinculante de que trata o art. 103A da CF (sem ingressar na discussão quanto à sua operância efetiva, nem quanto à sua formulação), ou sem que haja a resolução senatorial do art. 52, X, da CF21. Quanto a este último ato, cabe registrar que a chamada revisão jurisprudencial desse dispositivo constitucional não foi sufragada (ainda) pela Corte Suprema – e se for consagrada, esvaziará a súmula vinculante (um dos fundamentos do Ministro Sepúlveda Pertence contrários à revisão jurisprudencial do 52, X, da CF foi justamente a emergência das súmulas vinculantes no texto constitucional)22. Concordase que a decisão em controle concentrado de constitucionalidade possui o efeito “vinculante” para eliminar a autoridade da coisa julgada, a partir daquela decisão, com efeito a partir daí, nos termos do Parecer PGNF/CRJ/492/2011 (ponto (i) do subitem (ii) e os dois subitens (iii) do item 99). 20 Art. 485. A sentença de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: I se verificar que foi dada por prevaricação, concussão ou corrupção do juiz; II proferida por juiz impedido ou absolutamente incompetente; III resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida, ou de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei; IV ofender a coisa julgada; V violar literal disposição de lei; Vl se fundar em prova, cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria ação rescisória; Vll depois da sentença, o autor obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de Ihe assegurar pronunciamento favorável; VIII houver fundamento para invalidar confissão, desistência ou transação, em que se baseou a sentença; IX fundada em erro de fato, resultante de atos ou de documentos da causa; [...] 21 Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: [...] X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; [...] 22 Cf. Roger Stiefelmann Leal, “op. cit.”, p. 194. Fl. 942DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 940 53 É o advento do “direito novo”, com a decisão em controle concentrado de constitucionalidade, com “efeito vinculante”, gerando a eliminação automática da decisão contrária com trânsito em julgado, como exposto adiante. Nessa medida se conciliam a ordem constitucional e federal, consoante a jurisprudência, e se coarctam a ofensa aos princípios da igualdade, da capacidade contributiva, e da livre concorrência. Sobre esse ponto, a interpretação do ilustre relator parece ter sido a mesma. Na mesma linha de conclusão, Luiz Cesar Souza de Queiroz23 (temos certas reservas, quanto à não cessação da eficácia da coisa julgada, por ação rescisória): O Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 quando assevera que “(ii) possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, precisamente por serem dotados dos atributos da definitividade e objetividade, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados”, a ponto de prevalecer sobre a coisa julgada e sobre a coisa soberanamente julgada, posicionase na mesma linha da argumentação desenvolvida antes (itens III e IV) [versa, entre outros, sobre o “direito novo”], apresentadose de forma consonante com os mais elevados valores constitucionalmente objetivados. [...] Por outro lado, a parte do Parecer PGFN/CRJ/Nº 492/2011 que merece especifica discordância é revelada e sintetizada na seguinte passagem da “Síntese do exposto”: [são os pontos (ii) e (iii) do subitem (ii) do item 99 de que tratamos acima e transcritos] (grifos nossos) A decisão em controle concentrado de constitucionalidade, mesmo sem se ter pacificada a aplicação da transcendência dos motivos determinantes, e sem o acréscimo eficacial dela para o efeito vinculante, é induvidosamente a maior verticalidade da tutela da força normativa da Constituição ou do Direito Constitucional objetivo (a objetividade de Peter Häberle, no recurso de amparo do Direito alemão). A isso se pode chamar de “direito novo”, que prescinde de ação judicial – revisional do art. 471, I, do CPC, tampouco de rescisória, ao teor do art. 485, V, do CPC – para coarctar, a partir de então, a autoridade da coisa julgada. De tudo que foi deduzido, no controle concentrado de constitucionalidade, concordo com a cessação automática da eficácia da coisa julgada material24, sem 23 Cf. seu “Controle de constitucionalidade, mutação jurídica e coisa julgada tributária – reflexos sobre a prescrição e decadência em matéria tributária”. In QUEIROZ, Luís Cesar S.; OLIVEIRA, Gustavo da Gama V. (Orgs.). “Tributação constitucional, justiça fiscal e segurança jurídica”. Rio de Janeiro: GZ, 2014, pp. 41 e 42. 24 Não entro, aqui, na discussão se a coisa julgada é "efeito" da decisão, ou se é "qualidade" dos efeitos da decisão, ou se é "situação jurídica do conteúdo" da decisão. Por isso, falo em eficácia da coisa julgada, ou em autoridade da coisa julgada com mesmo sentido e também em conteúdo da sentença acobertada pela coisa julgada. Fl. 943DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 941 54 necessidade de se ingressar com ação revisional do art. 471, I, do CPC25. A fortiori, sem necessidade de ação rescisória, com suporte no art. 485, V, do CPC. No caso vertente, portanto, cessa a autoridade da coisa julgada relativa à impossibilidade de exigência da CSL, a partir do julgamento da ação em controle concentrado de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88, i.e., a partir do julgamento do ADI nº 152/DF, que declarou a inconstitucionalidade somente dos arts. 8º e 9º, da Lei 7.689/88 (anterioridade nonagesimal quanto à CSL). Eis o dispositivo do acórdão do ADI nº 152/DF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu da ação direta e julgoua parcialmente procedente para declarar a inconstitucionalidade dos artigos 8º e 9º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, julgando, no mais, improcedentes os pedidos formulados. Votou o Presidente. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e a Senhora Ministra Cármen Lúcia e, neste julgamento, a Senhora Ministra Ellen Gracie (Presidente). Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Gilmar Mendes (VicePresidente). Plenário, 14.06.2007. O julgamento do ADI nº 152/DF se deu em 14/6/07, conforme descrito, e a decisão publicada no DJ de 31/8/07; trânsito em julgado em 12/9/07, e publicação da decisão transitada em julgado no DJ de 20/9/07 (dados extraídos do site do STF). Posto isso, cessa a autoridade da coisa julgada material, a partir de 20/9/07 (art. 28 da Lei 9.868/9926). Significa dizer, a depender do conteúdo da sentença acobertado pela coisa julgada material da recorrente, a CSL em jogo é exigível para o anocalendário de 2007. Não vejo como se possa estender a eficácia da coisa julgada para o fato gerador periódico ou continuativo da CSL consumado em 31/12/07. Concluída a análise sobre o alcance do Parecer PGFN/CRJ/492/2011, resta apreciar a subquestão relativa ao conteúdo da coisa julgada material da inexistência de relação jurídica tributária de CSL da recorrente. Da inicial do writ, transcrevo inicialmente os seguintes excertos: 25 Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; [...] 26 Art. 28. Dentro do prazo de dez dias após o trânsito em julgado da decisão, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário da Justiça e do Diário Oficial da União a parte dispositiva do acórdão. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. Fl. 944DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 942 55 03. Ora, tanto a instituição da referida contribuição através da Lei 7.689/88, quanto a alteração da respectiva alíquota mediante a Lei 7.856/89, configuram ostensiva violação do texto da Constituição vigente e, com isso, atingem também o direito líquido e certo da impetrante e dos demais contribuintes de não se verem coagidos, por ato da Autoridade Impetrada, ao recolhimento da dita contribuição, posto que indevida e inexigível em face das normas constitucionais disciplinadoras da matéria. É o que demonstraremos a seguir. [...] 06. Assim, ao introduzir o aumento da base de cálculo da contribuição social, a Lei 7.856/89, que foi publicada no Diário Oficial da União em 25.10.89, cometeu frontal violação às regras constitucionais aplicáveis à exigibilidade do tributo, notadamente as do parágrafo 6º do artigo 195, verbis: "Art. 195 .................................................. ................................................................. ................................................................. Parágrafo 6º Às contribuições de que trata este artigo só poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, não se lhes aplicando o disposto no art. 150, III, “b”. pois passou a exigir esse aumento já a partir de setembro de 1989, ou seja, mesmo antes da data de sua publicação, quando, a contrário senso, o parágrafo 6º do artigo 195 só admite que as modificações possam ser exigidas, uma vez decorridos noventa dias da data da publicação. Em outras palavras, quaisquer modificações no sistema de pagamento das contribuições sociais só poderiam ocorrer a partir de 25 de janeiro de 1990 e, de modo algum, poderiam tampouco afetar os pagamentos calculados com base no lucro apurado em 31.12.89, visto que antes desta data eram inexigíveis. 07. Portanto, a exigência da contribuição social com a elevação de alíquota prevista no artigo 2° da Lei nº 7.856/89 sobre o lucro apurado em 1989 fere o direito adquirido do contribuinte e representa violação ao princípio da irretroatividade da legislação tributação estatuído pelo artigo 150, inciso III, alínea a, da Constituição. (fls. 95 a 97, grifamos) Dessa transcrição se vê que há uma causa de pedir. A insurgência quanto ao aumento de alíquota pela Lei 7.856/89 se dá, em suma, pelo desrespeito ao art. 195, § 6º, da CF (inobservância da anterioridade nonagesimal), que é o mesmo fundamento para a irresignação quanto à Lei 7.689/88, instituidora da CSL. Peço vênia, pois, ao nobre relator, para divergir quanto à presença aí de duas causas de pedir. Ainda da inicial, transcrevese: Fl. 945DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 943 56 08. Porém, as lesões ao texto constitucional não se esgotam com as violações acima apontadas. A própria instituição da contribuição social, através de lei ordinária constitui, por sua vez, também uma afronta ao artigo 146, inciso III, alínea “a” da Constituição, que reserva à lei complementar a definição de tributos e de suas espécies, condição esta que a Lei 7.689/88 não observou ao instituir a contribuição social sobre o lucro das empresas. 09. Não poderia, pois, a Autoridade Impetrada, (sic.) exigir essa contribuição social da Impetrante, sem a aprovação prévia em lei complementar, que dispusesse sobre o assunto, porque este ato, além de ser lesivo ao direito líquido e certo do Contribuinte, configura também, não só inobservância ao princípio da reserva legal, como também ao princípio da hierarquia das leis. (fl. 97, grifos nossos) Aqui se divisa uma segunda causa de pedir. Inexigência da CSL, por ofensa ao art. 146, III, “a”, da CF (definição de tributo com seu delineamento, por lei complementar), com a definição e instituição pela Lei 7.689/88 (lei ordinária). Transcrevo o pedido deduzido na inicial: III CONCLUSÃO 15. Demonstrouse que a obrigação tributária criada e imposta à Impetrante, através das Leis 7.689/88, 7787/89 e 7856/89, não pode ser exigida pela Autoridade Impetrada, pois foi instituída com violação expressa dos princípios e dispositivos constitucionais vigentes e em detrimento óbvio do direito líquido e certo da Impetrante, circunstancias com as quais a ordem Jurídica não pode conviver. 16. Assim, o requerimento e o deferimento da Liminar, a fim de que a Autoridade Impetrada se abstenha de promover a cobrança da contribuição social, instituída pela Lei nº 7.689/88 e modificada pelas Leis 7787/89 e 7856/89, com base nos resultados da Impetrante no períodobase encerrado em 31.12.89 e nos subsequentes e medida da mais absoluta urgência e necessidade, pois, em não sendo concedida a Medida Liminar, a Impetrante estará na iminência de sofrer tal coação, por parte do Impetrado, o que, se vier a ocorrer, provocará o perecimento do direito líquido e certo da Impetrante que ficará sem amparo e, consequentemente, sem objeto o presente Mandado. 17. Além do mais, desnecessário registrar que o indeferimento da Medida "Liminar acarretará a Impetrante prejuízos irreparáveis e de monta, pois o Impetrado irá cobrar a contribuição social em tela, já a partir dos resultados apurados no períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1989. 18. Reitera, portanto, a Impetrante a concessão de Medida Liminar e requer, outrossim, a intimação da Autoridade Coatora, para que preste informações, se assim houver por bem, Fl. 946DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 944 57 e o deferimento final da Segurança Impetrada, para tornar ineficaz e insubsistente qualquer tentativa de cobrança da contribuição social instituída pela Lei 7.689/88, alterada posteriormente pelas Leis 7787/89 e 7856/89. (fls. 99 e 100, grifamos) Não expressa dúvida de que o pedido liminar decorre imediatamente das duas causas de pedir, ou melhor, as duas causas de pedir implicaram o pedido “duplo” liminar: a interdição da autoridade impetrada para cobrança da CSL relativa ao períodobase de 1989 (ex vi da primeira causa de pedir), e também dos anos subsequentes (ex vi da segunda causa de pedir). Também o pedido final, a segurança “definitiva”, não se descola do pedido liminar. A simples locução “e o deferimento final da Segurança Impetrada”, após a reiteração para concessão liminar da segurança (“duplo” pedido) leva a essa conclusão. Isso se reforça, com a sequência que completa a frase: “para tornar ineficaz e insubsistente qualquer tentativa de cobrança da contribuição social instituída pela Lei 7.689/88, alterada posteriormente pelas Leis 7787/89 e 7856/89.” A sentença que ficou acobertada pela coisa julgada também não discrepa do pedido (“duplo”). Reconhecese que o relatório da sentença, isoladamente, pode conduzir a entendimento diverso (a ambiguidade é presente na parte final destacada): Apresentou extensa fundamentação e ao final requereu a concessão da segurança para o fim de declarar que a contribuição instituída inconstitucional e para que a Autoridade Impetrada se abstenha de promover a code (sic.) promover a cobrança da contribuição social, com base nos resultados do período encerrado em 31.12.89. (fls. 101 e 102) A ambiguidade do relatório que pode levar à conclusão de que se decide sobre um só dos pedidos se dissipa nos fundamentos da sentença, os quais mantêm perfeita identificação com a parte dispositiva dela. Transcrevo excertos do fundamento e o dispositivo da sentença: A lei nº 7.689/88 entrou em vigor em 16.12.88, regulando situações futuras e não pretéritas. Quanto ao argumento de ter o legislador ordinário invadido área sob reserva de Lei Complementar, reformulei entendimento anteriormente exposto por constatar a necessidade em nosso ordenamento jurídico da previsão em lei complementar da moldura básica das Contribuições Sociais, não havendo ressalva da inaplicabilidade dessa tutela no tocante às contribuições sociais previstas no art.195, da C.F., a não ser no tocante às preexistentes à Ordem Constitucional instituída em 1988, face ao principio da recepção. (fl. 102) [...] Fl. 947DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 945 58 No caso em tela, pretende o Impetrante que não lhe seja cobrado, definitivamente, a contribuição social . Inconstitucional é a Lei nº 7.689/88. ISTO POSTO Concedo a Segurança impetrada. Após o trânsito em julgado desta, liberese por Alvará o depósito efetuado. (fl. 105, destaques nossos) Notase que a tutela concedida alcançou o “duplo” pedido da inicial: abstenção de cobrança da CSL compreensiva do períodobase de 1989, e dos períodosbase e anoscalendário seguintes. Isso fica bem demarcado na descrição da pretensão feita, “não lhe seja cobrado, definitivamente, a contribuição social”, seguida da conclusão “inconstitucional é a Lei nº 7.689/88”, sem ressalvas, sem adjetivação, e com o dispositivo “concedo a segurança impetrada”. Não há ressalva na segurança concedida. Também daí não há notícia de se terem manejados embargos declaratórios contra a sentença. Outrossim, peço vênia ao nobre relator, para concluir que houve “duplo” pedido e que a segurança foi concedida nos termos do pedido (dada ao “duplo” pedido): não cobrança da CSL correspondente ao períodobase de 1989 e da CSL relativa aos períodos base seguintes. Tudo, em face da decretação incidental de inconstitucionalidade da Lei 7.689/88. Foi esse dispositivo que ficou inalterado nas instâncias recursais, e que, portanto, ficou acobertada pela autoridade da coisa julgada. A 2ª Turma do TRF da 5ª Região negou provimento à remessa necessária e à apelação da União (fls. 106 a 110). Eis os excertos do voto condutor do relator, com o dispositivo: Ao julgar a Argüição de Inconstitucionalidade na AMS nº 976 AL, decidiu o Plenário deste Tribunal: ‘TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. LEI Nº 7.689/88. INCONSTITUCIONALIDADE. A impetração não ataca lei em tese, mas os efeitos concretos e imediatos da lei, no sistema jurídico nacional; É inconstitucional a exigência de contribuição instituída pela Lei nº 7.689/88, que não configura contribuição social da seguridade social, à míngua de lei complementar, que estabeleça o âmbito dentro do qual pode o legislador ordinário criar contribuições sociais, com fundamento no art. 149 da Constituição.’ Em seu voto, o eminente Relator, Juiz Hugo Machado, após analisar os diversos aspectos da instituição da denominada contribuição social, afirma: ‘[...] Fl. 948DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 946 59 De que valeria o enfático dispositivo constitucional, se, por via oblíqua, pudesse o legislador ordinário federal tornar inócua a discriminação constitucional de rendas tributárias, sustentáculo mais forte da federação nacional? Em conclusão, entendo inconstitucional a Lei nº 7.689/88, que instituiu a mencionada contribuição social.’ Adoto a fundamentação acolhida à unanimidade por esta Corte. Por essas razões nego provimento à apelação e à remessa oficial. (grifos nossos) E o dispositivo do acórdão: Decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal de 5ª Região, à unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto do Relator, na forma do relatório e notas taquigráficas que integram o presente. O recurso extraordinário por ela interposto não passou pelo juízo de admissibilidade (fls. 111 e 112). Assim transitou em julgado a sentença concessiva da segurança impetrada. Houve ainda ação rescisória movida pela União, que também não logrou sucesso (fls. 113 a 119). Por toda essa ordem de razões, sobre a questão da exigência da CSL, dou provimento parcial, para afastála quanto aos anoscalendário de 2003 a 2006. Prossigo, com o exame da questão das multas isoladas. A exigência das multas isoladas recaiu em relação às estimativas de CSL de abril de 2003 a dezembro de 2003, e às estimativas de CSL de todos os meses dos anos calendário de 2004 a 2007 (fls. 5 a 8, 15 a 19; instrumentos específicos dos autos de infração). De início, atentese para o que foi decidido quanto à cobrança da CSL efetiva. Como se viu, deuse o provimento parcial para afastar a exigência de CSL efetivas dos anoscalendário de 2003 a 2006, pela eliminação da autoridade da coisa julgada em 20/9/07 (efeitos a partir daí). Logo, mesmo a quem não acolhe a interpretação da impossibilidade de cobrança concomitante de multa proporcional e de multa isolada, a infirmação das multas isoladas sobre estimativas dos meses dos anoscalendário de 2003 a 2006 e dos meses de janeiro a agosto de 2007 é de rigor. Pois bem. A redação original do art. 44, caput, I e II e § 1º, da Lei 9.430/96 era a seguinte: Fl. 949DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 947 60 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ao base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. Posteriormente, a Medida Provisória 303/06 alterou essa redação, mas teve sua vigência coarctada em 27/10/06, pois não fora convertida em lei, conforme o Ato Declaratório do Congresso Nacional 57/06, no exercício do art. 62, § 3º, da CF. Sobreveio a Medida Provisória 351/07 alterando novamente a redação do preceito legal em comentário, com a mesma dicção prevista pela Medida Provisória 303/06. A Medida Provisória 351/07 fora convertida na Lei 11.488/07, de modo que a atual redação do art. 44, caput, I, II e § 1º, da Lei 9.430/96 é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 950DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 948 61 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Vêse que na atual dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 a penalidade de multa de ofício é menos gravosa à prevista originariamente por esse preceito. Tenho para mim que a dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 prestouse a corrigir a deficiência redacional primitiva, pois na literalidade pura dessa a multa de ofício era aplicável mesmo quando o tributo fosse integralmente pago com atraso – o que dava azo a se discutir como seria apurada a base de cálculo para a incidência da multa em tal hipótese. Essa questão foi espancada com a nova redação do art. 44 da Lei 9.430/96, que não mais prevê a incidência de multa de ofício no pagamento integral do tributo com atraso. A partir da Lei 9.430/96, com a instituição do IRPJ e da CSL apurados trimestralmente (sem prejuízo da opção pela apuração anual no caso de lucro real), o IRPJ mensal, assim como a CSL mensal, deixaram de ser IRPJ e CSL efetivos, tornandose IRPJ e CSL por estimativa. Isso resulta claro no “título” dos arts. 2º e 6º, da Lei 9.430/96 (e para a CSL, em virtude do art. 28 dessa lei) que preconizam “pagamento por estimativa”: Pagamento por Estimativa Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º. O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. [...] Pagamento por Estimativa Fl. 951DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 949 62 Art. 6º. O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. [...] Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. De se lembrar que, sob a égide da Lei 8.981/95, o IRPJ e a CSL mensais configuravam exações efetivas, sem embargo do ajuste anual do IRPJ e da CSL: o art. 27 dessa lei falava em fatos geradores ocorridos em cada mês e em base de cálculo apurada mensalmente e se coloca sob a Seção II denominada de Pagamento mensal do imposto”27 (igualmente válido para a CSL, por força do art. 57 da mesma lei)28. Ou, no mínimo, poderia ser colocada em discussão o IRPJ e a CSL mensais serem exações efetivas. 27 SEÇÃO II Do Pagamento Mensal do Imposto Art. 27. Para efeito de apuração do Imposto de Renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. 28 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor da receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. Fl. 952DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 950 63 De toda forma, não por menos, a Instrução Normativa 93/97, sob os auspícios da Lei 9.430/96, alterando o que dispunha a Instrução Normativa 11/96, passou a prever que a falta de pagamento do IRPJ e da CSL mensais por estimativa não autoriza sua cobrança, mas tão só a multa isolada por falta do referido pagamento. Ora, com a aplicação da multa de ofício proporcional sobre o valor de CSL exigido29, como se pretender aplicar, ao mesmo tempo, a multa de 50% sobre CSL por estimativa não pagas dos mesmos anoscalendário30? Constitui uma incoerência lógica, teleológica e axiológica a aplicação concomitante dessas multas, à vista do bem jurídico tutelado. É de cartesiana nitidez, para mim, que a aplicação da multa de ofício sobre as CSL efetivas, cobráveis juntamente com essas, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago da CSL mensal por estimativa, do mesmo ano calendário. Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96. Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é a aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos – e mesmo finalísticos (teleológicos). É a aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória. Enfim, tratase de matéria cujo entendimento se encontra pacificado nesta Turma, como em muitas outras Turmas da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Relembro que, mesmo a quem não comunga com essa interpretação, as multas isoladas sobre estimativas de 2003 a 2006 e dos meses de janeiro a agosto de 2007 resultam derruídas, pela cessação da autoridade da coisa julgada, em 20/9/07. Portanto, sobre essa questão dou provimento ao recurso, para afastar a inflição das multas isoladas de CSL por estimativa, relativas aos meses dos anoscalendário de 2003 a 2007. 29 Multa do art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07, ou multa do art. 44, I e § 1º, I, da Lei 9.430/96 na redação original. 30 Multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 11.488/07. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 19647.017451/200874 Acórdão n.º 1103001.006 S1C1T3 Fl. 951 64 Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência de CSL referentes aos anoscalendário de 2003 a 2006, e para afastar a exigência das multas isoladas. É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata – Redator designado Fl. 954DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/08/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10980.725901/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
Ementa:
ISENÇÃO. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS COM ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO DE IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. COMPETÊNCIA - Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para julgamento do IRPJ e das situações conexas como é o caso da tributação do PIS e da COFINS decorrentes da análise da isenção de associações civis sem fins lucrativos, é da Primeira Seção do CARF.
DECLINADA COMPETÊNCIA À PRIMEIRA SEÇÃO
Numero da decisão: 3101-001.360
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, do recurso de ofício e declinou-se competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Fábia Regina Freitas (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1000 1 999 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.725901/201136 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3101001.360 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2013 Matéria PIS COFINS NÃO COMULATIVIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CORITIBA FOOT BALL CLUB ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Ementa: ISENÇÃO. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS COM ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO DE IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. COMPETÊNCIA Pelo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para julgamento do IRPJ e das situações conexas como é o caso da tributação do PIS e da COFINS decorrentes da análise da isenção de associações civis sem fins lucrativos, é da Primeira Seção do CARF. DECLINADA COMPETÊNCIA À PRIMEIRA SEÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, do recurso de ofício e declinouse competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes (Suplente), Fábia Regina Freitas (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 59 01 /2 01 1- 36 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba que julgou procedente a impugnação do interessado, exonerandoo do pagamento de PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 NULIDADE. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS COM ISENÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. LANÇAMENTO. EFEITOS. É descabido o lançamento de PIS e Cofins com base na não cumulatividade em relação às associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e que são consideradas isentas do IRPJ e da CSLL. Impugnação Procedente Por bem descrever os fatos relativos á demanda adoto o relatório do Acórdão da DRJ, nos seguintes termos: Em decorrência de ação fiscal desenvolvida junto à contribuinte qualificada, foram lavrados os seguintes autos de infração, ambos cientificados em 22/11/2011: a) de fls. 03/18, em que são exigidos R$ 8.052.610,76 de Cofins não cumulativa, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição relativamente aos períodos de apuração 01/2006 a 12/2009, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04/09, demonstrativo de apuração de fls. 10/13 e demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 16/18, e. b) de fls. 19/32, em que são exigidos R$ 1.240.682,41 de PIS não cumulativo, além de multa de ofício de 75% e encargos legais, em face da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição relativamente aos períodos de apuração 02/2006 a 12/2009, consoante descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 20/21, demonstrativo de apuração de fls. 22/26 e demonstrativo de multa e juros de mora de fls. 30/32. O Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento Fiscal (TVEPF) de fls. 34/44, parte integrante do auto de infração, detalha minuciosamente os procedimentos adotados e que culminaram com a lavratura do auto de infração. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.725901/201136 Acórdão n.º 3101001.360 S3C1T1 Fl. 1001 3 No referido TVEPF consta que em decorrência do enquadramento adotado a contribuinte passou a declarar a contribuição devida ao PIS com base em sua folha de salários (alíquota de 1%). Além disso, passou a considerarse isenta do pagamento de Cofins. Assim, uma vez revertido o enquadramento – considerado indevido – pela fiscalização, a contribuinte passou a sujeitarse ao recolhimento tanto do PIS quanto da Cofins sob o critério da incidência não cumulativa. A exigência impugnada, portanto, reflete os ajustes realizados pela fiscalização na forma de apuração dessas contribuições, considerados os pagamentos já realizados. Em 20/12/2011 (fls. 892/906), a interessada apresentou, por intermédio de procurador, impugnação questionando os lançamentos, cujo teor será sintetizado a seguir. Primeiramente, após exposição sumária dos fatos e do direito, aduz que a pretensão contida no auto de infração se assenta na tese de que o art. 18, inciso IV, da Lei nº 9.532, de 1997, teria supostamente revogado a isenção do IRPJ concedida pelo art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964. Enfatiza que a pretensão se assenta em alteração legislativa ocorrida há mais de 10 anos, o que inviabilizaria ao Fisco pretender agora, após o transcurso de mais de 10 anos, emprestar nova interpretação a tais dispositivos para daí retirar efeitos inesperados, surpreendentes, jamais adotados por ele mesmo. Sustenta a decadência de “qualquer pretensão de lançamento” e a prescrição de “qualquer pretensão de cobrança.” Reclama a necessidade de observância do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. A seguir, ao tecer considerações acerca do que chama de “mérito puro”, argumenta que o “sentido último do auto de infração impugnado é o de equiparar o tratamento tributário dado aos clubes de futebol ao tratamento tributário dado às empresas privadas com fins lucrativos, e nisso incide o lançamento em esquema de violência frontal ao art. 217 da Constituição Federal, em cujo inciso III se prevê tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional.”Acrescenta que, a ser considerada válida a interpretação dada no lançamento, nenhum tratamento diferenciado estaria sendo concedido ao desporto profissional, nem ao desporto não profissional, ambas atividades desenvolvidas pelo clube impugnante. Adicionalmente, afirma que, na tese que fundamenta o auto de infração, o art. 18 da Lei nº 9.532, de 1997 teria procedido a uma revogação generalizada da isenção concedida pelo art. 30 da Lei nº 4.506/64, às entidades educacionais, de assistência à saúde, de administração de planos de saúde, de prática desportiva de caráter profissional e de administração do desporto, mas que incide em error in judicando gravíssimo que terminaria por inviabilizar a atividade desportiva no País. Afirma, ainda, que o lançamento não resiste a qualquer teste de razoabilidade, proporcionalidade, legalidade, impessoalidade e eficiência. Aponta que o auto de infração reconhece que a alteração não elide, conforme o caso, a fruição de imunidade ou isenção por entidade que se enquadrar nas condições do art. 12 ou 15 da Lei nº 9.532, de 1997 e afirma que sua situação apresente perfeita subsunção no sistema normativo, pois, além do seu caráter associativo recreativo e cultural, sem fins lucrativos (art. 12), cumpre integralmente os requisitos do art. 15, pelas razões que aponta. Prossegue, argumentando que, para os fins do art. 15, da Lei nº 9.532, de 1997, a relevância jurídica que existe é quanto ao destino dos recursos gerados pela instituição, sendo suficiente para a isenção que a instituição apresente as características de associativismo filantrópico, recreativo, cultural ou científico de caráter recreativo ou cultural, sem fins lucrativos, e bem assim que cumpra a Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 instituição os demais requisitos previstos em referido dispositivo legal. Sustenta que, considerando que não apresenta fins lucrativos e constitui associação de natureza recreativa e cultural e que cumpre os requisitos do art. 15, da Lei nº 9.532/97, é direito seu o enquadramento no regime de isenção do art. 15 da Lei nº 9.532/97. A seguir, aduz que, de forma contrária à Constituição, à legislação infraconstitucional e às práticas históricas da própria Receita Federal, o auto de infração equiparou as entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais às sociedades empresárias, visando com isso a equiparação do clube impugnante para fins tributários. Afirma que a equiparação dada pelo art. 27 da Lei Pelé se dá apenas no que se refere à responsabilidade patrimonial dos dirigentes, nos termos dos art. 50 e 1.017 do Código Civil. Após, aponta que o TVEPF menciona os §§ 11 e 13, do art. 27 da Lei Pelé, em suas redações antigas, para encadear raciocínio de equiparação das associações civis sem fins lucrativos às sociedades empresárias para fins tributários e, por consequência, o seu não enquadramento na regra de isenção. Afirma, porém, que a Lei nº 10.672, de 2003, que previu equiparação para fins tributários e previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos, foi revogada pela Lei nº 12.395, de 2011, que limitou tal equiparação apenas para fins de fiscalização e controle no tocante à responsabilização de dirigentes e administradores, em consonância com o caput do artigo (no quadro de fl. 902, a impugnante busca confrontar a redação anterior e a atual dos §§ 11 e 13 do art. 27 da Lei Pelé) Salienta, a seguir, que a regra de isenção temporária não se aplica ao clube impugnante, argumentando que o § 9º do art. 27 da Lei nº 9.615, de 1998 (Lei Pelé), com redação dada pela Lei nº 10.672, de 2003, facultou às associações a constituição de sociedade empresária. Adiciona que, posteriormente, o art. 13 da Lei nº 11.345, de 2006 assegurou por cinco anos às entidades desportivas da modalidade futebol o regime de isenção para aquelas entidades que constituíram sociedade empresária. Assim, para as entidades que fizeram uso da faculdade do § 9º do art. 27, da Lei nº 9.615, de 1998 (Lei Pelé) e constituíram sociedade empresária, garantiuse isenção temporária. De outro lado, para as entidades que não constituíram sociedade empresária, como é o seu caso, não faz sentido falar em isenção temporária, e isso pela elementar circunstância de que não perderam seu caráter de associativismo civil “que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997. Argumenta que a Lei Pelé, em matéria de tributação e especialmente para fins de isenção fiscal, não faz qualquer distinção entre o desporto profissional e o não profissional, restando desprovida de fundamento jurídico a pretensão da administração fazendária de não enquadramento do clube na regra de isenção. Contemplando a hipótese de não acolhimento de sua tese, argumenta que os encargos tributários devem incidir apenas sobre as receitas decorrentes do futebol profissional, permanecendo isentas as receitas próprias das atividades do clube social, de forma que a base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a incidência não cumulativa deve corresponder ao valor do faturamento mensal, devendo ser abatidos os créditos decorrentes de bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País e encargos de depreciação e amortização de bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Ao final, após pleitear a compensação dos valores já recolhidos pelo clube, requer o reconhecimento da decadência do direito de lançamento e a prescrição de qualquer pretensão de cobrança em decorrência da prática fazendária reiterada em sentido contrário à pretensão articulada no auto de infração. No mérito, pede que seja dado provimento às razões de impugnação. Sucessivamente, pede o deferimento Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.725901/201136 Acórdão n.º 3101001.360 S3C1T1 Fl. 1002 5 da compensação das parcelas já recolhidas e a consideração de alíquotas, deduções e abatimentos conforme critérios defendidos. Posteriormente (em 17/01/2012), quando o processo já se encontrava para julgamento no âmbito desta DRJ, a impugnante apresentou a petição de fls. 939/942, onde, a título de “aditamento à impugnação”, argumenta, em síntese, que após ter sido notificada do auto de infração, e considerando que o procedimento fiscal teria sido lavrado com base em suposta Solução de Consulta prolatada por órgão da Secretaria da Receita Federal, presumivelmente em 2004, na qual se conteria o entendimento de não enquadramento dos clubes de futebol na regra de isenção prevista na Lei nº 9.532, de 1997, teria formulado petição administrativa de informações sobre o teor da referida consulta e, por meio do ofício nº 666/2011/DRF/CTA/GAB, teria sido respondido que, nos termos do art. 13 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02/05/2007, os extratos das ementas das Soluções de Consulta são publicados no Diário Oficial da União. Qualifica a resposta dada como imprecisa, já que não determina a existência ou não da Solução de Consulta, apesar de admitir, de forma implícita, que, se existente a Solução de Consulta, não foi publicada, senão eventualmente, na forma de ementa, fato que materializaria hipótese, no plano formal e material, de violação aos princípios constitucionais de legalidade, publicidade, ampla defesa, ao direito de informação e, em sede infraconstitucional, violação ao art. 1º da Lei nº 9.051, de 1995. Pondera que o lançamento veicula pretensão de constituir crédito tributário em relação ao qual o clube peticionário goza de isenção há quase cinquenta anos, nos termos do art. 30, da Lei nº 4.506, de 1964 e leis posteriores, e tal pretensão estaria fundada em suposta Solução de Consulta que veicularia tal entendimento de não enquadramento dos clubes de futebol na regra de isenção prevista na Lei nº 9.532, de 1997. Argumenta que requereu a disponibilização do inteiro teor da Solução de Consulta, o que terminou, na prática, sendo recusado pela Administração. Qualifica a situação de gravíssima, na medida em que se está a cogitar de uma Solução de Consulta a rigor secreta, mas com insólita pretensão de alterar práticas reiteradas das autoridades administrativas que reconheciam a isenção do clube impugnante havia já cerca de 50 anos. Reclama a ocorrência de a) inconstitucionalidade por violação ao direito de informação b) inconstitucionalidade por violação ao princípio da ampla defesa c) inconstitucionalidade por violação aos princípios que regem a administração pública e d) ilegalidade, por contrariar o art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal, em virtude de ausência de exposição da motivação que agravou os encargos tributários do clube impugnante. Arremata requerendo a decretação da nulidade do auto de infração. A conclusão do Acórdão foi de que descabe o lançamento de PIS e COFINS com base na não cumulatividade em ralação às associações civis sem fins lucrativos que prestem serviços e que são consideradas isentas do IRPJ e da CSLL, recorrendo de ofício. É o Relatório. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO Como visto, tratase de lançamento de PIS e COFINS em decorrência da alegação de que a Recorrente não seria isenta de IRPJ e CSLL, apesar de ser associação civil sem fins lucrativos. O relatório fiscal explica que em decorrência do enquadramento adotado a contribuinte passou a declarar a contribuição devida ao PIS com base em sua folha de salários (alíquota de 1%) e considerarse isenta do pagamento de Cofins. Levando em conta que a Recorrente não poderia ser considerada uma associação civil sem fins lucrativos por atual no futebol profissional, a fiscalização afastou a isenção passando a exigir o IRPJ, a CSLL, o PIS não cumulativo e a COFINS não cumulativa. Pelo que se observa do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n°256/2009, a competência para julgamento da tributação reflexa às infrações à legislação do Imposto de Renda é da Primeira Seção, conforme art. 2°, inciso IV: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Assim, o presente auto de infração decorre do entendimento de que a Recorrente não teria direito á isenção do IRPJ e por via de consequência, há a exigibilidade do PIS e da COFINS nãocumulativos. Com o fim de evitar a divergência de interpretação do fato e incidência da isenção é que o regimento unificou, nestes casos, a competência para julgamento na Primeira Seção. Diante do exposto, voto por declinar a competência à Primeira Seção. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001165/2005-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
O fato de os rendimentos terem sido recebidos pelo espólio, em nada altera a natureza jurídica da condenação, muito menos a natureza jurídica destes, por se tratar de imposto devido de pelo de cujus, e, portanto, submetido ao regime de tributação deste. Irrelevante a abertura da sucessão antes de ocorrido o efetivo recebimento dos rendimentos.
Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
O julgamento deu-se em votações sucessivas, conforme o art. 60 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), pois em primeira votação, os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior negavam provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello davam provimento ao recurso e Ronnie Soares Anderson dava provimento parcial. Em segunda votação, levando em conta as duas teses que admitiam tratar-se de tributação de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, assim os Conselheiros votaram entre as teses que davam provimento parcial ou que davam provimento integral, tendo os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson votado pelo provimento parcial e os demais pelo provimento integral, a tese do provimento parcial foi vencida. O resultado do julgamento foi obtido em terceira votação, quando se levou em conta a tese que negava provimento por não considerar aplicável o regimento de Rendimentos Recebidos Acumuladamente e a que dava provimento, tendo o Colegiado adotado essa última por maioria, vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso, Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández, Redator designado
EDITADO EM: 24/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O julgamento deu-se em votações sucessivas, conforme o art. 60 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), pois em primeira votação, os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior negavam provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello davam provimento ao recurso e Ronnie Soares Anderson dava provimento parcial. Em segunda votação, levando em conta as duas teses que admitiam tratar-se de tributação de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, assim os Conselheiros votaram entre as teses que davam provimento parcial ou que davam provimento integral, tendo os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson votado pelo provimento parcial e os demais pelo provimento integral, a tese do provimento parcial foi vencida. O resultado do julgamento foi obtido em terceira votação, quando se levou em conta a tese que negava provimento por não considerar aplicável o regimento de Rendimentos Recebidos Acumuladamente e a que dava provimento, tendo o Colegiado adotado essa última por maioria, vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso, Presidente e Relator. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández, Redator designado EDITADO EM: 24/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). O fato de os rendimentos terem sido recebidos pelo espólio, em nada altera a natureza jurídica da condenação, muito menos a natureza jurídica destes, por se tratar de imposto devido de pelo de cujus, e, portanto, submetido ao regime de tributação deste. Irrelevante a abertura da sucessão antes de ocorrido o efetivo recebimento dos rendimentos. Impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 11 65 /2 00 5- 61 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. O julgamento deuse em votações sucessivas, conforme o art. 60 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), pois em primeira votação, os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior negavam provimento ao recurso voluntário, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello davam provimento ao recurso e Ronnie Soares Anderson dava provimento parcial. Em segunda votação, levando em conta as duas teses que admitiam tratarse de tributação de Rendimentos Recebidos Acumuladamente, assim os Conselheiros votaram entre as teses que davam provimento parcial ou que davam provimento integral, tendo os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson votado pelo provimento parcial e os demais pelo provimento integral, a tese do provimento parcial foi vencida. O resultado do julgamento foi obtido em terceira votação, quando se levou em conta a tese que negava provimento por não considerar aplicável o regimento de Rendimentos Recebidos Acumuladamente e a que dava provimento, tendo o Colegiado adotado essa última por maioria, vencidos os Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (relator) e Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso, Presidente e Relator. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández, Redator designado EDITADO EM: 24/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2003, anocalendário 2002, resultante de reclassificação de rendimentos declarados como isentos para rendimentos tributáveis. A autoridade fiscal registrou que o contribuinte era portador de moléstia grave, porém a declaração é de espólio (óbito em 1999) e conforme legislação vigente a isenção é personalíssima não se transferindo ao espólio nem aos herdeiros; e que a fonte pagadora (Banco do Brasil ) ao ser intimada a respeito do recolhimento do imposto de renda na fonte enviou Acórdão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região com o mesmo parecer. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.001165/200561 Acórdão n.º 2802003.067 S2TE02 Fl. 220 3 Foi considerado como tributável rendimento no valor de R$ 1.812.394,15, do qual foram deduzidas as despesas com advogados no valor de R$ 138.500,00, do que resultou a omissão de rendimentos de R$ 1.673.894,15. Na impugnação, o espólio discorre sobre tramites da ação judicial, sustenta que os rendimentos são isentos pois o espólio está sujeito às mesmas normas aplicáveis ao de cujus, como prevê o art. 11 do RIR. O acórdão recorrido fundamentou na existência de uma isenção personalíssima, cuja interpretação é literal, não extensível ao espólio. Não obstante, a impugnação foi deferida em parte porque reconheceu que os honorários de advogado foram de valor superior ao que foi observado no lançamento. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO PAGOS A ESPÓLIO DE ' PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO. Não se beneficiam de isenção os valores relativos a proventos de aposentadoria de períodos anteriores, pagos acumuladamente ao espólio ou diretamente aos herdeiros (mediante alvará judicial), ainda que o servidor falecido fosse portador de moléstia grave no período a que se referem os rendimentos. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão, em 18/07/2008, a inventariante interpôs, em 13/08/2008, o recurso voluntário de fls. 88/91, instruído com os documentos de fls. 92/133, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçadas pelas seguintes: 1. gozam de isenção do imposto de renda, nos termos do art. 5º, incisos XX e XXXIII, do RIR/99, os rendimentos relativos ao FGTS e os pertinentes a proventos de aposentadoria devidos ao de cujus (que era portador de moléstia grave, conforme comprovado por documentos anexos ao aditamento da impugnação de fls. 67/68), recebidos acumuladamente, pelo espólio, no anocalendário de 2002, em razão de reclamatória trabalhista movida pelo falecido contra o Banco do Brasil S/A; e 2. consoante comprova o DARF ora anexado (somente obtido após a apresentação da impugnação e de seu aditamento), o valor do imposto, efetivamente, recolhido na fonte, calculado sobre os rendimentos recebidos acumuladamente em razão da reclamatória trabalhista movida pelo de cujus contra o Banco do Brasil S/A. foi de R$ 541.289,04 e não de R$ 496.119,45, como considerado no lançamento impugnado e no acórdão recorrido, razão pela qual se pleiteia a alteração do lançamento, no item relativo ao "Imposto Retido na Fonte Titular". O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 220200.223, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Em razão de o Relator original não mais integrar o CARF, o processo foi distribuídos a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio centrase em dois pontos: a) o direito à isenção por moléstia grave em relação a rendimentos pagos ao espólio; e b) o valor da compensação de IRRF. Quanto à primeira questão, está em análise a interpretação da isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) A interpretação do dispositivo isencional deve ser restrita, como prescrito no inciso II do art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN . Está se lidando com uma isenção pessoal, que não se transmite com a sucessão. Assim, os rendimentos auferidos pelo espólio não tem direito à isenção sobre os proventos do portador de moléstia grave, da qual o de cujus gozaria se vivo fosse. Nesse sentido são os precedentes: PROVENTOS RECEBIDOS POR ESPOLIO OU SEUS HERDEIROS. Sujeitam –se à incidência do imposto de renda, devendo ser tributados na fonte e na declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio, os proventos de aposentadoria ou reforma e valores a titulo de pensão de portador de moléstia grave recebidos pelo espólio ou por seus herdeiros, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.001165/200561 Acórdão n.º 2802003.067 S2TE02 Fl. 221 5 independentemente de situações de caráter pessoal. Recuso negado.(Acórdão 2202001.132, de 11/05/2011). PROVENTOS DE PENSÃO RECEBIDOS POR HERDEIROS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. A isenção do art. 6°, XIV, da Lei n° 7.713, de 1988 (doença grave) não se estende aos sucessores que receberam as diferenças não percebidas em vida pela pensionista, portadora de doença grave. Com isso, os rendimentos sujeitamse a incidência do imposto de renda na fonte e na Declaração de Ajuste Anual ou na Declaração Final de Espólio. ISENÇÃO OBJETIVA E ISENÇÃO SUBJETIVA. NATUREZA JURÍDICA DA ISENÇÃO Isenção subjetiva e objetiva. Natureza jurídica. Moléstia grave. Isenção subjetiva que não se estende aos sucessores da falecida beneficiário da isenção por moléstia grave. (2202001.989, de 18/09/2012). Ademais, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física ocorre no momento do recebimento dos rendimentos, é nesse momento que são aferidas as condições pessoais do contribuinte, logo o espólio não tem direito a uma isenção que possui como um dos requisitos ter uma doença grave. De outro giro, o art. 11 do RIR/99 não tem a exegese almejada pelo recorrente. Esse dispositivo, cuja matriz legal está no DecretoLei 5.844, de 1943, tem como âmbito de aplicação as regras gerais acerca da tributação das pessoas físicas, não alcança o direito à isenção em comento, regra excepcional. Em relação ao valor do IRRF, o recorrente pleiteia que seja compensado o valor recolhido pela fonte pagadora, para tanto apresentou o DARF de fls. 92. É um equívoco. O valor utilizado no lançamento e no acórdão recorrido está de acordo com o que se comprovou ter sido retido. A lei permite a compensação do valor retido relativo aos rendimentos que compuseram a base de cálculo. Não há autorização legal para compensar o valor recolhido. Embora o julgamento deste recurso tenha sido sobrestado por se tratar de rendimentos acumulados, ainda não houve decisão do STF nos recursos paradigmas que cuidam da matéria rendimentos acumulados (RE614232 e RE 614406) que possa afetar o presente julgamento. O caso dos autos se distancia dos que deram origem ao entendimento formulado pelo STJ no REsp 1118429/SP, cuja ementa é transcrita. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Nenhum dos precedentes que contribuíram para formar a supracitada jurisprudência tratou do recebimento de rendimentos trabalhistas (horas extras e complementação de aposentadoria) por espólio. A jurisprudência do STJ não tem aplicação nestes autos, que deve se submeter à regra geral da tributação do montante dos rendimentos no momento de percepção dos rendimentos. Explicase. A sujeição passiva tributária independe de o espólio deter personalidade jurídica. Por outro lado, o espólio é conjunto de bens e direitos que serão transmitidos aos herdeiros e legatários, direitos adquiridos com a sucessão, de forma que a aquisição da disponibilidade da renda em questão ocorre no momento da sucessão, sendo inadequado tratar esses rendimentos como rendimentos acumulados fruto do trabalho em diversos períodos trabalhistas para fins de tributar o espólio. Diante do exposto, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Voto Vencedor Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez, Redator designado No entendimento do voto vencido, o decidido pelo STJ em repetitivo sobre a tributação dos rendimentos acumulados pelo regime de competência, não tem aplicação nestes autos. Para o ilustre relator, a sujeição passiva tributária independe de o espólio deter personalidade jurídica. Ademais, por ser o espólio um conjunto de bens e direitos que serão transmitidos aos herdeiros e legatários, direitos adquiridos com a sucessão, a aquisição da disponibilidade da renda em questão ocorre no momento da sucessão, sendo inadequado tratar esses rendimentos como rendimentos acumulados fruto do trabalho em diversos períodos trabalhistas para fins de tributar o espólio. Em que pese o fundamento adotado pelo relator, ouso dele divergir, de acordo com as seguintes razões a seguir expostas. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.001165/200561 Acórdão n.º 2802003.067 S2TE02 Fl. 222 7 É de se ver que a tributação desses valores, conforme demonstrativo juntado aos autos, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das condenações judiciais decorrentes de verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica dos contribuintes submetidos àquela jurisdição em relação aos demais jurisdicionados do país. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria pelo de cujus. De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. O fato de os rendimentos terem sido recebidos pelo espólio ou pelos seus herdeiros, dado o tempo transcorrido entre a data da lavratura do Auto e seu julgamento, não é capaz de alterar a natureza jurídica dos rendimentos recebidos e o reconhecimento da inadequação do lançamento realizado pelo regime de caixa. Não há novação na obrigação decorrente da indenização que seria devida ao de cujus, apenas em razão da abertura da sucessão. Mesmo se adotado o raciocínio da DRFJ e do d. Relator, quanto à impossibilidade da dar a esses rendimentos a mesma natureza jurídica se tivessem sido Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11040.001165/200561 Acórdão n.º 2802003.067 S2TE02 Fl. 223 9 recebidos em vida, a própria definição de espólio, como conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida, vai ao encontro desse entendimento. Isso porque, se o espólio continua sendo contribuinte do imposto devido pelo de cujus para todos os fins, preservada a natureza jurídica dos rendimentos recebidos, por qual razão o falecimento do de cujus alteraria a natureza jurídica da indenização recebida, de sorte a tornar inaplicável o decidido pelo STJ em sede de repetitivo? Cumpre ressaltar que a motivação adotada, quanto à natureza personalíssima da isenção de rendimentos recebidos por portadores de moléstia grave, que norteou todo o processo, não se encontra em discussão. A controvérsia gira apenas se o decidido pelo STJ pode ser aplicado no caso dos rendimentos acumulados serem recebidos pelo espólio ou sucessores. Com efeito, o artigo 131, III, do CTN, dispõe expressamente que o espólio é responsável pessoal pelos tributos devidos pelo de cujus (intra vires herditatis), de sorte que a responsabilidade atribuída pela legislação complementar não pode alterar o regime de tributação de tributo devido e cuja tributação, nos termos do decidido pelo STJ, deve levar em consideração o regime adotado como se o rendimento tivesse sido recebido à época própria. Ademais, as únicas ressalvas feitas pela legislação e pela jurisprudência sobre eventual tratamento diferenciado do espólio, dizem respeito à aplicação de penalidades (artigo 49 do DecretoLei 110 5.844, de 1943), ou da não aplicação de presunções legais (art. 42 da lei n. 9.430), nas quais o evento sucessão torna impossível a atribuição de dolo aos herdeiros ou a exigência de esclarecimentos de natureza personalíssima. As situações previstas na legislação não guardam qualquer relação com o falecimento do de cujus prestes a receber rendimentos acumulados e eventual novação jurídica da natureza dos rendimentos recebidos, que em tese tornaria inaplicável o decidido pelo STJ no Resp n. 1118429/SP. Por fim, ainda que a interpretação do alcance do decidido em sede repetitivo seja questão recente a ser enfrentada pelo aplicador da lei, a exegese adotada pelo julgador não pode levar a conclusões que criem situações flagrantemente desiguais. Anular o lançamento realizado pelo regime de caixa de contribuintes que por sorte receberam o que de direito em vida e manter o lançamento daqueles que tiveram o infortúnio de falecer durante o trâmite processual, em conseqüência da já conhecida morosidade do Poder Judiciário, não parece ser a solução mais acertada, mormente ao submeter o espólio e seus herdeiros à tributação desses valores como se totalmente desvinculados da violação de direitos que originou a obrigação em pagar acumuladamente o benefício a seu ascendente. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para aplicar o decidido em sede de repetitivo pelo STJ no Resp n. 1118429/SP e cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martin Fernandez Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/09/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 15165.001174/2011-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS/COFINS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-IMPORTAÇÃO. RE Nº 559.937 TRANSITADO EM JULGADO. REPRODUÇÃO DO JULGAMENTO JUDICIAL.
O STF reconheceu no RE nº 559.937 a inconstitucionalidade da expressão acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. O entendimento do Tribunal deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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JULGAMENTO DEFINITIVO. Aplicase ao julgamento no CARF o mesmo entendimento contido em decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, por determinação de regra contida no Art. 62A do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EXCLUSÃO DO ICMS E DO PIS/COFINS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PISIMPORTAÇÃO. RE Nº 559.937 TRANSITADO EM JULGADO. REPRODUÇÃO DO JULGAMENTO JUDICIAL. O STF reconheceu no RE nº 559.937 a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. O entendimento do Tribunal deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 11 74 /2 01 1- 45 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 428 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0728.954 1 ª Turma da DRJ/FNS, proferido na sessão de 23 de maio de 2012. Na origem, a interessada registrou Declarações de Importação emitidas para amparar a importação de mercadorias estrangeiras, recolhendo as contribuições PIS importação. Posteriormente, em 26/04/2011, protocolou pedido Retificação das DI e de Petição de Restituição dos valores recolhidos sob o argumento de que a base de cálculo determinada pela Lei nº 10.865/2004 é inconstitucional. Após o protocolo do pedido de restituição de efls. 03 a 09 a requerente transmitiu Declarações de Compensação Eletrônicas PER/DCOMP utilizando a totalidade do crédito requerido, tratase das DCOMP n° 42619.70817.090511.1.3.042707, 11363.96392.100511.1.3.046319 e 10274.16639.120511.1.3.049750. A unidade competente proferiu o Despacho Decisório de efls 373/374 e indeferiu o pedido sob o fundamento de que não cabe ao Poder Executivo declarar inconstitucionalidade de lei, tão pouco negarlhe aplicação e que tal "falta de legitimidade"' está retratada no art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Que o pleito contraria o disposto no art. 7º, caput, inciso I, da Lei nº 10.865/2004 ao qual encontrase vinculada.. Cientificada do indeferimento a interessada a apresentou “manifestação de inconformidade”, na qual alega, em síntese, que o artigo 7º da Lei nº 10.865/04 é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o artigo 149 da Constituição Federal e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994. Defende, assim, que há ofensa ao disposto no artigo 110 da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional, por alteração de conceito de “valor aduaneiro”, bem como ofensa ao artigo 149, §2º, inciso III, alínea “a” da Constituição Federal. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 429 3 Requereu fosse provida a manifestação de inconformidade e reformada a decisão que indeferiu seu pedido de restituição, bem como a homologação da compensação vinculada ao presente processo. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2010 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em 19/06/2012 (AR de efl 406), por meio do Comunicado nº 63/2012 SARAC/ALF /ITJ a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 0728.954 da 1 ª Turma da DRJ/FNS e, em 20/07/2012, apresenta o seu Recurso Voluntário onde reprisa os argumentos de defesa anteriormente apresentados, por intermédio dos itens e sub itens a seguir dispostos: I DOS FATOS II DO DIREITO II.1. QUESTÃO PASSÍVEL DE JULGAMENTO PELA VIA ADMINISTRATIVA. Neste sub item esclarece que não se deduziu em sua Manifestação de Inconformidade a inaplicabilidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004 em razão de sua flagrante inconstitucionalidade, o que se pretende ver reconhecido, é a real base de cálculo da PIS Importação, tal qual previsto na Constituição Federal, pois cabe ao administrador aplicar a legislação de acordo com a Lei Maior. Afirma que cabe à administração interpretar o art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base de cálculo da PIS Importação os valores correspondentes ao ICMS e às Contribuições Sociais destinadas ao PIS e à COFINS, concluindo que a base de cálculo é apenas o valor aduaneiro, posto que esta é a exegese do Art. 149,§2º,III, alínea “a” da Constituição Federal,e neste contexto, o Ato Administrativo nascerá legal, repousando no berço da Constitucionalidade e legalidade, sem haver o pronunciamento da inconstitucionalidade levantada. Em face disto, a apreciação da constitucionalidade,que configura a legalidade elevada ao mais alto grau, impõese como dever de ofício aos agentes públicos que tenham incluída em sua competência a apreciação e a decisão de postulações e requerimentos fundados em normas legais. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 430 4 II.2. A EXEGESE DO ART. 7º, I DA LEI Nº 10.865/2004 SOB A LUZ DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL; Aqui aduz que o indeferimento do pedido de restituição não pode prevalecer, pois existe ilegalidade da cobrança em razão da inconstitucionalidade da base de cálculo dos PIS/COFINS prevista no art. 7º, I da Lei nº !0.865/2004, quando esta alarga a base de cálculo da Contribuição. Tece considerações para demonstrar a inconstitucionalidade, citando os conceitos de valor aduaneiro existente no Art. 1º do GATT e no art. 75 do Regulamento Aduaneiro de 2002 e colaciona jurisprudência do TRF4.Acrescenta que a Lei nº 10.865/2004 fere o art. 110 do CTN quando altera definição do Valor Aduaneiro. III DO PEDIDO Pede que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reformando a decisão recorrida e deferindose o pedido de restituição e homologando a compensação vinculada ao pedido de restituição. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado com observância do prazo previsto no art. artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e das regras de competência previstas nos artigos 1º e 4º do Anexo II da Portaria MF nº. 256, de 22/06/2009, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele devese tomar conhecimento. Da análise dos autos, constatase que a lide diz respeito à exclusão do ICMS e do PIS/COFINS da base de cálculo da Contribuição para o PISimportação, sob o argumento de ser inconstitucional o art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004, quando esta alarga a base de cálculo da COFINS.para além do “Valor Aduaneiro”. Não obstante a recorrente defenda que os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade são passíveis de julgamento pela via administrativa, posto que, segundo afirma, tais visavam apenas uma interpretação da legislação de acordo com a Lei Maior. e não a declaração de inconstitucionalidade pela autoridade Julgadora da Administração Pública Federal, constatase, ao contrário, que contribuinte, tal como se deu na petição de restituição, efetivamente ali alegou a inconstitucionalidade do art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004, visando afastar a parte do dispositivo que diz "...acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei", exatamente como consta sob análise no Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937. Os mesmos argumentos de inconstitucionalidade são apresentados no presente recurso voluntário. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 431 5 Sabese, porém, que o processo administrativo fiscal não se presta à discussão acerca da inconstitucionalidade/ilegalidade de leis emanadas e regularmente editadas pelo Congresso Nacional, porque a autoridade administrativa não tem competência para tanto, pois encontrase estritamente vinculada aos textos legais, que deve cumprir, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, de modo que a apreciação de tais matérias são de exclusiva atribuição do Poder Judiciário, que detém a palavra final sobre o assunto, nos termos do art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Ainda, a esse respeito, cabe ressaltar a expressa vedação constante no Art.26 A, caput, do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, com a Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009), segundo o qual, “no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por outro lado, o artigo 7° da Portaria MF n° 258/2001 determina que a autoridade julgadora administrativa deve observar o conteúdo das disposições legais, bem como o entendimento da Receita Federal expresso em atos tributários. No mesmo sentido, o entendimento referendado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a publicação, no Diário Oficial da União de 12 de janeiro de 2011, da seguinte súmula, que se transcreve, para maior clareza: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Ademais, não se trata de interpretação de lei em conformidade com a Constituição, mas, sim, da efetiva aplicação da lei, posto que o dispositivo do art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004, ora questionado, expressamente prevê a inclusão do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e o valor das próprias contribuições na base de cálculo do PIS/Cofins Importação. Assim, tanto a autoridade Administrativa, por meio do Despacho decisório, quanto a decisão de 1ª instância cuidaram da devida aplicação da legislação tributária atinente aos fatos. Em sendo assim, é de se concluir que, em estando vigente a legislação questionada ao tempo em que foi prolatada a decisão adotada pela autoridade de primeira instância, sobre a mesma não se encontraria incorreção. Cabe esclarecer que tal qual se dá com as normas do Processo Administrativo Fiscal já acima citadas (art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972), também a norma do Regimento Interno do Carf RICARF (Anexo II à Portaria MF n. 256, de 2009), consubstanciada na disposição do caput do artigo 62, da mesma forma como disposto na Súmula Carf nº 2, veda ao Carf a possibilidade de, originalmente, reconhecer a inconstitucionalidade de lei ou decreto com o fim de afastar a aplicação da norma ao caso concreto. Contudo, o parágrafo único do mencionado artigo 62 do RICARF (Portaria MF nº 586/2010) estabelece a exceção para o caso em que a lei, tratado ou ato normativo já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 432 6 Federal e, também, o artigo 62A1 do RICARF estabelece que no caso de existir decisões definitivas proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, sobre a mesma matéria em litígio administrativo devese aplicar o entendimento do Tribunal, cuja decisão deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. É o caso do presente processo, pois como é sabido, esta questão atinente à análise de inconstitucionalidade da art. 7º, I da Lei nº 10.865/2004 em face da inclusão do ICMS e do PIS/COFINS da base de cálculo da PIS/COFINS importação encontravase sob repercussão geral reconhecida no STF por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.607. E que, em julgamento retomado e finalizado em 20/03/13, o Plenário do STF, por unanimidade, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937 interposto pela Fazenda Nacional e declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/2004, a qual dispõe "...acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso I do caput do art. 3º desta Lei", in verbis: “Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal negou provimento ao recurso extraordinário para reconhecer a inconstitucionalidade da expressão “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições”, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04, e, tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, determinou a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Dias Toffoli. Em seguida, o Tribunal rejeitou questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 20.03.2013.” 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Portaria MF nº 586/2010) Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 433 7 Nos termos do voto da relatora, Ministra Ellen Gracie, proferido em 20/10/2010 e na sessão de 20/03/2013 acompanhado pelos demais Ministros, a Lei nº 10.865/2004 extrapolou a norma do art. 149, § 2º, III, "a", da CF, ao determinar que o PIS e a Cofins incidentes sobre a importação fossem calculados não apenas sobre o valor aduaneiro, mas também sobre o valor do ICMS e das próprias contribuições. A PGFN, entretanto, ingressou com Embargos de Declaração para solicitar a modulação dos efeitos dessa decisão, a fim de que a inconstitucionalidade declarada tivesse efeitos apenas a partir do julgamento de referido RE, exceto para aqueles que já tivessem ajuizado ação até a data daquele julgamento. Os embargos foram julgados pelo o plenário em 17/09/2014, que não os acolheu, consoante a ementa que a seguir se transcreve: “EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade de parte do inciso I do art. 7º da Lei 10.865/04. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema que somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contém indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. Embargos de declaração não acolhidos.” O inteiro teor do Acórdão dos Embargos ao RE 559.937 foi publicado no DJE 14/10/2014 ATA Nº 149/2014. DJE nº 200, divulgado em 13/10/2014, sem que tenha havido qualquer outro recurso. Desta feita, o mencionado o Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937 transitou em julgado na data de 24 de outubro de 2014. Portanto, em aplicação à regra contida nos artigos 62 e 62A, deve este colegiado adotar o mesmo entendimento proferido no Julgamento do RE 559.937, transitada em julgado em 24/10/2014, cuja decisão foi acima transcrita. CONCLUSÃO Com base na fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório decorrente da exclusão do ICMs e das próprias contribuições da base de cálculo do PIS/COFINS Importação, Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15165.001174/201145 Acórdão n.º 3302002.763 S3C3T2 Fl. 434 8 cuja valoração será apurada pela unidade de origem, e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000656/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007
IPI. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE NO PROCESSO N° 16095.000151/2010-76.
Não há como prevalecer o lançamento já realizada em outro processo administrativo (n° 16095.000151/2010-76).
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.349
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente RANDRA ARTEFATOS DE ARAME E AÇO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 IPI. LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE NO PROCESSO N° 16095.000151/201076. Não há como prevalecer o lançamento já realizada em outro processo administrativo (n° 16095.000151/201076). Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 56 /2 01 0- 31 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16095.000656/201031 Acórdão n.º 3202001.349 S3C2T2 Fl. 153 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.211255) interposto por RANDRA ARTEFATOS DE ARAME E AÇO LTDA contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO) (fls. 89 e seguintes) que, por unanimidade de votos, declarou procedente o lançamento. Segundo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO), em auditoria interna foi constatado divergência entre os valores informados na DIPJ, nas DCTFs e os pagamentos efetuados, relativamente aos anos de 2006 e 2007, consoante capitulação legal consignada à fls. 43 e foi lavrado auto de infração para exigir R$ 1.058.257,50, inclusos imposto (IPI), multa de mora e juros. A Recorrente impugnou o auto de infração dizendo que a autuação apenas baseouse em confronto de valores escriturados as declarações anteriormente mencionadas, sem qualquer tipo de aprofundamento. Além disso, alega que os valores controversos foram objeto de lançamento em outro PAF (16095.000151/201076). Após a decisão de primeiro grau, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação, mesmo tendo optado pela inclusão total dos créditos tributários no parcelamento trazido pela Lei 11.941, conforme despacho de fls. 134. Através da Resolução 3202000.129, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a DRF competente confronte os valores aqui lançados com aqueles lançados no PAF 16095.000151/201076 e informe a respeito da existência ou não de lançamentos em duplicidade dos montantes relativos ao IPI nos anos de 2006 e 2007. O processo retornou com o devido relatório de diligência fiscal (fls. 143 a 145) para reanálise deste Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16095.000656/201031 Acórdão n.º 3202001.349 S3C2T2 Fl. 154 3 Acredito que o resultado da diligência põe fim à lide, conforme transcrição do relatório de diligência fiscal (fls. 143 a 145), senão vejamos: Em atendimento à Resolução 3202000.129 de 25/07/2013 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF – Terceira Seção de Julgamento, que solicita diligência na Empresa supra, para verificação da existência ou não de lançamentos em duplicidade no presente Processo 16095.000656/201031, temos a relatar o que se segue: 1) Tratase o Processo em questão de lançamentos de divergência do tributo IPI, entre os valores informados da DIPJ, nas DCTFs e os pagamentos efetuados, relativamente aos anos calendários de 2006 e 2007, Processo este com ciência do contribuinte em 07/12/2010. 2) A Recorrente alega que os valores lançados já foram objeto de lançamentos no Processo 16095.000151/201076, datado de 06/04/2010, tratandose assim de tributação em duplicidade. Analisando as peças do Processo 16095.000151/201076, lançado anteriormente ao presente, constatamos que: a) A fiscalização foi iniciada em 26/11/2009 através de TIAFTermo de Início da Ação Fiscal, uma vez que as GIAS entregues à Secretaria da Fazenda – SP apresentou valor das operações de vendas de mercadorias, produtos e serviços, superiores aos informados na DIPJ, relativamente aos anos calendários de 2006 e 2007. b) Foram solicitados pelo fiscal autuante na época, entre outros documentos, os Livros Comerciais e Livros Fiscais, além do LALUR. c) A fiscalização lançou as diferenças de IPI, apuradas com base no exame dos Livros Fiscais Registro de Apuração do IPI de 2006 e 2007, em confronto com as DCTFs e os recolhimentos existentes. CONCLUSÃO 1) Os lançamentos dos valores no Processo 16095.0001.000151/201076 tiveram como fulcro o batimento efetuado entre o Registro de Apuração de IPI – Modelo 8 e as DCTFs e recolhimentos, conforme Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais de 06/04/2010; 2) Entre os documentos analisados pela fiscalização no Processo 16095.000151/201076, estão as DIPJs anos calendários 2006 e 2007, uma das fontes do indício da divergência, além dos Livros Comerciais e Fiscais solicitados no TIAF, estando assim os valores acobertados pela escrita contábil; 3) Os lançamentos do presente Processo 16095.000656/201031, datado de 07/12/2010, teve como base apenas a divergência DIPJ X DCTF X Recolhimentos, anos calendários 2006 e 2007, e estas DIPJs já haviam sido consideradas no Processo anterior. Não houve DIPJs retificadoras para o período; 4) Os valores mensais do IPI lançados no Processo 16095.000151/201076 são sempre iguais ou superiores aos respectivos valores lançados no Processo atual 16095.000656/201031; 5) Assim, concluímos que os valores do atual Processo já estão incluídos no Processo 16095.000151/201076, dispensando inclusive uma comparação mês a mês dos valores lançados, e desta forma tratase de lançamentos em Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 16095.000656/201031 Acórdão n.º 3202001.349 S3C2T2 Fl. 155 4 duplicidade dos montantes relativos ao IPI nos anos de 2006 e 2007... (grifos no original) Verifico que o processo 16095.000151/201076 ingressou no CARF em 30/01/2012, conforme informação obtida no sitio na internet do Conselho, não constando ainda decisão a respeito do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906335/2012-98
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/02/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/02/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906335/201298 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.633 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/02/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 35 /2 01 2- 98 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.783, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 05021.98171.110209.1.2.042856, rastreamento nº 041907038, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 27.740,17, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/01/2007, efetuado em 15/02/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906335/201298 Acórdão n.º 3802002.633 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906335/201298 Acórdão n.º 3802002.633 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906335/201298 Acórdão n.º 3802002.633 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906335/201298 Acórdão n.º 3802002.633 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720804/2012-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO TERMO INICIAL DE MOLÉSTIA GRAVE. LAUDOS COMPLEMENTARES.
A existência de dois laudos médicos oficiais válidos não conduz, necessariamente, à escolha por um deles para fins de determinação do termo inicial da moléstia grave, sendo perfeitamente factível o entendimento pela sua complementaridade, mormente quando não há incompatibilidade entre os respectivos fundamentos e conclusões.
RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. TRIBUTAÇÃO.
Os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, ainda que recebidos por portador de moléstia grave comprovada, são tributáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar a autuação referente ao ano-calendário 2010, e para reduzir o valor da omissão de rendimentos apurada nos lançamentos para os valores de R$ 28.878,33 (vinte e oito mil, oitocentos e setenta e oito reais e trinta e três centavos) no ano-calendário 2006, R$ 39.785,74 (trinta e nove mil, setecentos e oitenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) no ano-calendário 2007, e R$ 36.738,31 (trinta e seis mil, setecentos e trinta e oito reais e trinta e um centavos) no ano-calendário 2008, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO TERMO INICIAL DE MOLÉSTIA GRAVE. LAUDOS COMPLEMENTARES. A existência de dois laudos médicos oficiais válidos não conduz, necessariamente, à escolha por um deles para fins de determinação do termo inicial da moléstia grave, sendo perfeitamente factível o entendimento pela sua complementaridade, mormente quando não há incompatibilidade entre os respectivos fundamentos e conclusões. RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, ainda que recebidos por portador de moléstia grave comprovada, são tributáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 206 1 205 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.720804/201221 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.162 – 2ª Turma Especial Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente LUIS CARLOS BRAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DO TERMO INICIAL DE MOLÉSTIA GRAVE. LAUDOS COMPLEMENTARES. A existência de dois laudos médicos oficiais válidos não conduz, necessariamente, à escolha por um deles para fins de determinação do termo inicial da moléstia grave, sendo perfeitamente factível o entendimento pela sua complementaridade, mormente quando não há incompatibilidade entre os respectivos fundamentos e conclusões. RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. TRIBUTAÇÃO. Os rendimentos decorrentes do trabalho assalariado, ainda que recebidos por portador de moléstia grave comprovada, são tributáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para cancelar a autuação referente ao ano calendário 2010, e para reduzir o valor da omissão de rendimentos apurada nos lançamentos para os valores de R$ 28.878,33 (vinte e oito mil, oitocentos e setenta e oito reais e trinta e três centavos) no anocalendário 2006, R$ 39.785,74 (trinta e nove mil, setecentos e oitenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) no anocalendário 2007, e R$ 36.738,31 (trinta e seis mil, setecentos e trinta e oito reais e trinta e um centavos) no anocalendário 2008, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 08 04 /2 01 2- 21 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou procedente Notificações de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativas aos anos calendário 2006, 2007, 2008 e 2009. A autuação decorreu da apuração de omissão de rendimentos tributáveis informados como isentos face à moléstia grave, sendo tais rendimentos percebidos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), CNPJ nº 29.979.036/000140, e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT, CNPJ nº 34.028.316/000103 e, apenas no anocalendário 2009, de Postalis Inst. Seguridade Social dos Correios e Telégrafos, CNPJ nº 00.627.638/000157. A autoridade fiscal consignou ter sido diagnosticada a cardiopatia grave somente em 1/1/2010, conforme laudo pericial do INSS, e que parte dos rendimentos em questão, os recebidos da ECT, não provinham de aposentadoria ou de sua complementação. Em sede de impugnação, o contribuinte requereu o cancelamento da exigência, alegando, em síntese: 1) que os rendimentos recebidos do INSS e da ECT “(...) são isentos por corresponderem a proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por portador de moléstia grave”; 2) ser portador de cardiopatia grave desde 7/8/2000, o que pode ser verificado nos laudos da perícia da Previdência Social e da Secretaria de Estado da Saúde; 3) que em 1/1/2010 sofreu agravamento da doença, época em que soube do direito a isenção de imposto de renda e solicitou às fontes pagadoras a suspensão dos descontos, por ser aposentado desde 30/3/2001, conforme comprova a carta de concessão cuja cópia anexa. A instância recorrida manteve o lançamento, apontando que os rendimentos recebidos da ECT no decorrer dos anoscalendário 2006, 2007 e 2008 foram provenientes de trabalho assalariado. Além disso, após tecer considerações acerca da natureza das cardiopatias graves, chegou à conclusão de que o laudo emitido pelo INSS possui mais consistência do que o emitido pela Secretaria do Estado de Saúde/SP, tomando a data em que diagnosticada a condição no primeiro, 1/1/2010, como termo inicial do direito à isenção do imposto de renda. Irresignado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 24/12/2012, aduzindo, em apertada síntese, que a decisão da DRJ/SP1 desconsiderou por completo o laudo médico emitido pela Secretaria do Estado de Saúde/SP, e que os laudos deveriam ser utilizados de forma complementar, considerandose como termo inicial da cardiopatia a data de 7/8/2000 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10825.720804/201221 Acórdão n.º 2802003.162 S2TE02 Fl. 207 3 e cancelandose a exigência. Não se manifesta, observese, acerca da constatação daquele julgamento de que parte dos rendimentos provindos da ECT advinham de trabalho assalariado. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A isenção do imposto de renda para os portadores de moléstia grave tem de como base legal os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelas Leis nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004, abaixo transcritos: Art. 6o Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Pagel (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Por sua vez, o art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, passou a veicular a exigência de que a moléstia fosse comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos termos a seguir: Art. 30. A partir de Io de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. § 2º Na relação das moléstias a que se refere o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). Portanto, é necessário o cumprimento cumulativo de dois requisitos para que o beneficiário faça jus à isenção em foco, a saber: que ele seja portador de uma das doenças mencionadas no texto legal, e que os rendimentos auferidos sejam provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. É inegável que o laudo oficial emitido em 8/6/2010 pela médica perita do INSS, Simone Maria Silveira Ramos Paulo, fundamenta com um grau maior de detalhamento as razões pelas quais se concluiu ser o recorrente portador de cardiopatia grave, no caso, desde 1/1/2010 (fl. 9). No entanto, é forçoso reconhecer que o laudo emitido pelo médico perito da Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo em 17/6/2011 também atende os requisitos legais de aceitabilidade para fins de comprovação da existência de moléstia grave (fl. 8). Notese que a instância a quo pareceu procurar ressaltar o que considerou impropriedades do laudo da Secretaria do Estado, tal como a menção neste acerca do CID 10 R.06 como um dos esteios para a constatação de cardiopatia grave, quando esse CID designa, na realidade, "anormalidades da respiração". No entanto, não destacou o fato de que nele foram corretamente assinalados, como suporte para aquela constatação, os CID 10: I 25 (doença isquêmica do coração) e I50 (insuficiência cardíaca), sendo este último CID, aliás, justamente o que amparou as conclusões do outro laudo, emitido pelo INSS. Frisese que a consideração da instância recorrida de que o laudo do INSS é mais consistente não é suficiente para infirmar a validade do laudo da Secretaria de Saúde, nem para se concluir pela necessidade de se optar por um dos laudos. Com efeito, o laudo do INSS em momento algum estabeleceu que anteriormente a 1/1/2010 o contribuinte não era portador de moléstia grave. Nele, resta apenas destacado como momento de diagnóstico da cardiopatia grave, em razão de insuficiência cardíaca, a referida data. Cabe observar, aliás, que nesse laudo constam diversas referências aos repetidos problemas de natureza cardíaca que vinham acometendo o autuado desde o ano de 2000. Já o laudo da Secretaria de Saúde, além de mencionar a insuficiência cardíaca, tendoa por iniciada em 7/8/2000, considerou que a cardiopatia grave da qual padecia o contribuinte tinha também origem em patologia diversa, doença isquêmica do coração, igualmente remontando à citada data. Anotese que é perfeitamente possível que um dos médicos conclua, dada as evidências de que dispunha na época de emissão do laudo, e do grau de convencimento que repute suficiente para assim o asseverar, que a cardiopatia grave tenha tido início em um dado momento, com base em determinadas patologias, e que outro médico chegue a conclusões diversas, examinando esse paciente na mesma data. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10825.720804/201221 Acórdão n.º 2802003.162 S2TE02 Fl. 208 5 Tal possibilidade resta deveras aumentada quando as perícias são realizadas com mais de um ano de diferença, como no caso. O exercício da medicina, como é cediço, possui tais incertezas. Vejase que o médico perito é um expert, um profissional que possui conhecimento técnico e científico na área da saúde, carecendo o julgador administrativo do embasamento necessário para refutar as conclusões dos laudos em questão, ou mesmo para chegar a uma conclusão mais definitiva sobre a melhor adequação de um ou de outro laudo para fins de comprovação do termo inicial da cardiopatia grave, salvo diante da presença de eventuais máculas formais, ou sérios vícios materiais, o que não se verifica no particular. Por conseguinte, entendo, como defende o contribuinte, que os laudos em referência devem ser entendidos sob o viés da complementaridade, até mesmo porque não vislumbro, com o devido respeito ao posicionamento da decisão recorrida, uma incompatibilidade insuperável entre as conclusões ventiladas nos documentos em questão. Diante desse contexto, tenho por comprovado, mediante a apresentação do laudo médico da Secretaria do Estado de Saúde/SP, complementado pelo laudo médico emitido pelo INSS, que o contribuinte é portador de moléstia grave desde 7/8/2000, termo inicial da cardiopatia grave que o aflige. Não obstante, restou incontroverso, após o julgamento vergastado, que o contribuinte auferiu rendimentos de trabalho assalariado pagos pela ECT no curso dos anos calendários 2006, 2007 e 2008 (fls. 5, 18 e 23), os quais não se sujeitaram à tributação do imposto de renda. Com relação a tais rendimentos, portanto, devem ser mantidos os respectivos lançamentos de ofício. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de cancelar a autuação referente ao anocalendário 2010, e para reduzir o valor da omissão de rendimentos apurada nos lançamentos para os valores de R$ 28.878,33 (vinte e oito mil, oitocentos e setenta e oito reais e trinta e três centavos) no ano calendário 2006, R$ 39.785,74 (trinta e nove mil, setecentos e oitenta e cinco reais e setenta e quatro centavos) no anocalendário 2007, e R$ 36.738,31 (trinta e seis mil, setecentos e trinta e oito reais e trinta e um centavos) no anocalendário 2008. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904975/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/06/2004
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado.
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EXCLUSÃO DOS VALORES DECORRENTES DE VENDAS INADIMPLIDAS. IMPOSSIBILIDADE. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas em Lei, assim os valores decorrente de vendas inadimplidas não podem ser excluídas da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. Assim sendo, não se pode equiparar as vendas inadimplidas com as hipótese de cancelamento de vendas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 49 75 /2 01 2- 75 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adotase, em regra, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Pedido de Restituição de pagamento que teria sido realizado a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pleito, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Em manifestação de inconformidade a contribuinte afirma que o direito de crédito tem origem no pagamento de contribuição sobre valores de vendas não recebidas que foram incluídos como receita na base de cálculo. Em resumo, argumenta que as cifras relativas às vendas não adimplidas não constituem receitas porque não representam acréscimo patrimonial, cabendo a correspondente exclusão da base de cálculo, nos mesmos moldes do tratamento dispensado às vendas canceladas, já que o inadimplemento do comprador implicaria verdadeiro cancelamento do contrato de venda. Ademais, prossegue, insistir na tributação de valores relativos às vendas não recebidas culmina por ofender o princípio da capacidade contributiva. Dessa forma, conclui, o pagamento da contribuição calculada sobre as vendas não quitadas é indevido e o direito de crédito deve ser restituído. Requer ainda a atualização do direito de crédito de acordo com a variação da taxa Selic. Pretende ainda que sejam examinadas as provas do direito de crédito conforme indica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: BASE DE CÁLCULO. VENDAS INADIMPLIDAS. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inadimplemento de clientes não se confunde com cancelamento de vendas, não podendo os valores correspondentes às vendas inadimplidas ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. O pagamento da contribuição calculada sobre os mencionados valores não é indevido sendo correto o indeferimento do correspondente pedido de restituição. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 5 4 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade em relação à ilegalidade da cobrança das contribuições PIS e Cofins sem a exclusão dos valores referentes às vendas não recebidas. Por fim, requereu que fosse conhecido e provido seu recurso voluntário. Outrossim, postulou que os créditos a serem por fim restituídos fossem acrescidos de juros remuneratórios a base da taxa selic, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores relativos a vendas canceladas. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172, 8109, 5856 ou 6912, aplicavamse os dispositivos das Leis 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. Lei 10.637/02 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (grifouse) Lei 10.7637/2002 Lei 10.833/03 Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Lei 10.833/2003 (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 7 6 Como visto, as Leis citadas estabelecem a natureza das receitas, em regra, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Por outro lado, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas nas respectivas leis e os valores decorrentes de vendas inadimplidas não fazem parte desse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Para por fim a discussão, como bem colocado pela decisão de primeira instância, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.ºs 586.482/RS, publicado no DJE no dia 19/06/2012, Relator Ministro Dias Toffoli, sistemática de repercussão geral, pacificou o entendimento de que não é permitido a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins Os aludido acórdão foi assim ementado: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. COFINS/PIS. VENDAS INADIMPLIDAS. ASPECTO TEMPORAL DA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO COM AS HIPÓTESES DE CANCELAMENTO DA VENDA. 1. O Sistema Tributário Nacional fixou o regime de competência como regra geral para a apuração dos resultados da empresa, e não o regime de caixa. (art. 177 da Lei nº 6.404/¨76). 2. Quanto ao aspecto temporal da hipótese de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS, portanto, temos que o fato gerador da obrigação ocorre com o aperfeiçoamento do contrato de compra e venda (entrega do produto), e não com o recebimento do preço acordado. O resultado da venda, na esteira da jurisprudência da Corte, apurado segundo o regime legal de competência, constitui o faturamento da pessoa jurídica, compondo o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição ao PIS e da COFINS, consistindo situação hábil ao nascimento da obrigação tributária. O inadimplemento é evento posterior que não compõe o critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. 3. No âmbito legislativo, não há disposição permitindo a exclusão das chamadas vendas inadimplidas da base de cálculo das contribuições em questão. As situações posteriores ao nascimento da obrigação tributária, que se constituem como excludentes do crédito tributário, contempladas na legislação do PIS e da COFINS, ocorrem apenas quando fato superveniente venha a anular o fato gerador do tributo, nunca quando o fato gerador subsista perfeito e acabado, como ocorre com as vendas inadimplidas. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 8 7 4. Nas hipóteses de cancelamento da venda, a própria lei exclui da tributação valores que, por não constituírem efetivos ingressos de novas receitas para a pessoa jurídica, não são dotados de capacidade contributiva. 5. As vendas canceladas não podem ser equiparadas às vendas inadimplidas porque, diferentemente dos casos de cancelamento de vendas, em que o negócio jurídico é desfeito, extinguindose, assim, as obrigações do credor e do devedor, as vendas inadimplidas a despeito de poderem resultar no cancelamento das vendas e na consequente devolução da mercadoria , enquanto não sejam efetivamente canceladas, importam em crédito para o vendedor oponível ao comprador. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento (grifouse). Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre a possibilidade de se excluir da base de cálculo da contribuição as denominadas vendas inadimplidas. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Em remate, não é permitido excluir da base de cálculo da contribuição as vendas inadimplidas. Por óbvio, seu pedido e argumentação de atualização dos créditos pela taxa Selic ficam prejudicados Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10950.904975/201275 Acórdão n.º 3801004.521 S3TE01 Fl. 9 8 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 29/10/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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