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Numero do processo: 10680.904631/2016-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.520
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2011 CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 31 /2 01 6- 17 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904631/201617 Acórdão n.º 3201003.520 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.497, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904631/201617 Acórdão n.º 3201003.520 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901490/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO.
Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1001-000.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO. Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVADO. Passível de restituição quando comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 14 90 /2 01 2- 13 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 241 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/ São Paulo I (SP), mediante o Acórdão nº 1653.114, de 27/11/2013 (efls. 82/87), objetivando a reforma do referido julgado que não reconheceu direito creditório interposto pleiteado. Dos fatos: Em 17/07/2010, a contribuinte transmitiu pela internet, através do programa PER/DCOMP, a Declaração de Compensação retificadora nº 14597.68574.190710.1.7.04. 501 (efls. 02/06), (PER/DCOMP original: 03139.91933.301009.1.3.04.3875), informando: Direito creditório no valor de R$ 11.913,76 (valor original) devido ao seguinte pagamento indevido ou a maior do IRPJ: Período de Apuração Código de Receita Data de Arrecadação Valor Original do Crédito Inicial Crédito Original na Data da Transmissão Crédito Original utilizado na DCOMP 30/09/2007, 0220 (Lucro Real trimestral) 31/10/2007 22.128,15 11.914,69 11.913,76 Débitos compensados na DCOMP: Período de Apuração Código de Receita Data de Vencimento Valor Principal Multa Juros de Mora Valor Total Maio/2005 6912 (PIS/PASEP)) 15/06/2005 2.662,55 532,51 1.452,42 4.647,48 Maio/2005 5856 (COFINS) 15/06/2005 5.659,00 1.131,80 3.086,98 9.877,78 Em 03/07/2012, a DRF/Volta Redonda emitiu Despacho Decisório (eletrônico), efl. 08, denegando o direito creditório pleiteado, cuja fundamentação foi a seguinte: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERDCOMP(PD)/ DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4159236281 22.128,15 Db: cód 0220 PA 30/09/2007 22.128,15 VALOR TOTAL 22.128,15 A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 14/77), juntando ainda documentos, cujas razões, em resumo, que após a transmissão da PER/DCOMP retificou a DCTF do 2° semestre/2007, excluindo o débito de IRPJ referente ao período de apuração de 30/09/2007 e solicita o reconhecimento da RFB do recolhimento indevido e por conseguinte do direito ao crédito. A 4ª Turma da DRJ/São Paulo I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado, cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 242 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos declarados originalmente por intermédio de DCTF, não é suficiente para reformar a decisão que homologou parcialmente a compensação. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão da primeira instância, em 09/12/2013, por Aviso de Recebimento –AR (efl. 89), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 31/12/2013 (efls. 91/92), juntando documentos (efls. 93/144) e aduzindo em suas razões, in verbis: (...) 5. Ao verificar, portanto, que o darf com os dados de: período de apuração: 30/09/2007, código de receita 0220, valor total do DARF R$ 22.128,15 e data de arrecadação 31/10/2007, objeto do o crédito pleiteado, estava vinculado ao um débito inexistente na DCTF e, entendendo que esse era tão somente o motivo pelo qual a Receita Federal não encontrava subsídio para acatar o crédito, pareceu à empresa que sua ação seria exclusivamente a de corrigir a DCTF do 2º semestre/2007, o que de fato ocorreu. 6.O manifesto de inconformidade foi enfático em expressar o motivo da retificação da declaração. A inexistência do débito, (...) DCTF, poderia ser confrontada com a D1PJ, tendo em vista que o débito declarado inexistente se trata do IRPJ, cuja apuração é detalhada na DIPJ. 7. Foram apensados ao manifesto o recibo e cópia da declaração retificadora para a melhor compreensão da ação tomada. 8. Quanto ao fato da mesma ter sido transmitida após o despacho decisório, esclarece o contribuinte que ação não poderia ser diferente, pelo fato do despacho ter alertado o contribuinte para a incorreção cometida. 9. Entendendo que na denegação ao manifesto é que ficou expresso claramente que a Receita Federal desejava a presença Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 243 4 de outros elementos ( Diário, etc ) que lhe dessem a certeza do direito ao crédito, o contribuinte entende que não cabe a aplicação da preclusão aludida para a apresentação desses elementos. 10. Tampouco não faria sentido o direito de interpor recurso que permita restaurar o direito ao crédito, se ao contribuinte não for dado o direito de apresentar provas. 11. Sendo assim, no exercício do direito de interpor recurso e mais ainda no objetivo de demonstrar que faz jus ao crédito requerido, anexa cópias autenticadas do livro Diário do ano de 2007 ( origem do crédito ) e do livro Diário de 2009, extraído do SPED contábil (compensação do crédito ). (...) 12.Para tornar mais clara a identificação dos lançamentos do crédito no Diário de 2007, descreve abaixo as linhas relacionadas: a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor refeente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15 13. É oportuno mencionar, que o imposto excluído foi o IRPJ, e não a CSLL, conforme mencionado no item 8.3 do Acórdão. (...) Em 03/02/2015, os membros do colegiado da 2ª Turma Especial do CARF, mediante Resolução nº 1802000.614, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, cujas considerações do Relator, que propôs a diligência, transcrevo a seguir: Nesta instância recursal, compulsando os autos, observa falhas na instrução processual que não permitem ao julgador formar convicção acerca do mérito da lide, ou seja, acerca do liquidez e certeza do crédito pleiteado. Senão vejamos: a) não há nos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007, quanto à apuração do IRPJ do 3º trimestre/2007 (Lucro Real trimestral); b) não há nos autos cópia da DCTF primitiva, quanto ao débito do IRPJ do 3º trimestre/2007; c) não há nos autos cópia da escrituração contábil/fiscal quanto à apuração da base de cálculo do imposto e do imposto apurado quanto ao 3º trimestre/2007 (livros Razão, Diário, LALUR etc) que pudesse comprovar o alegado erro de fato na apuração do imposto/ preenchimento da DCTF primitiva e que pudesse justificar a apresentação da DCTF retificadora de 30/12/2012 de efls. 17/50. Nesta instância recursal, a recorrente juntou aos autos, apenas, cópia de 02 (duas) folhas do Livro Diário (efls. 113/114), ou seja: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 244 5 a) Diário 2007, Livro 16, folha 333 Conta Banco Real S/A Ag. 0206 Miguel Pereira 1.01.01.02.0003 5492 Registro de pagamento do DARF no valor de R$ 22.128,15; b) Diário 2007, Livro 16, folha 334 Conta IRPJ a compensar 1.01.03.06.0003 320 Valor referente a pagamento de IRPJ do 3º trimestre/2007 no valor de R$ 22.128,15. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução processual complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Volta Redonda a fim de que a fiscalização da RFB: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF primitiva e a DIPJ 2008, ano calendário 2007), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 30/12/2012 (efls. 17/50) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maio ou indevido; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos do IRPJ do 3º trimestre/2007, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; c) junte cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 3º trimestre/2007; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circunstanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe ou não, e se está ou não disponível para restituição); (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito utilizado na DCOMP objeto dos autos, e não reconhecido pela decisão a quo, em virtude do seu aproveitamento total em outro débito de IRPJ, referente ao período de apuração de 30/09/2007, que a recorrente alega ser inexistente. A SAORT da DRF/Volta Redonda (RJ) promoveu a devida diligência fiscal para afastar as falhas na instrução processual apontadas na Resolução da Turma Especial do CARF e elaborou relatório (efls. 249/251), cujos excertos transcrevo a seguir: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 245 6 (...) 05. Visando trazer aos autos os elementos necessários que pudessem atender à diligência solicitada (item “e”), consultouse o sistema interno da RFB – SIEF Documentos de Arrecadação com o intuito de buscar a confirmação do pagamento realizado em 31/10/2007, código de receita: 0220, no valor de R$ 22.128,15, e pelas telas anexadas aos autos (efl. 166) verificase a realização do mesmo. 06. Da mesma forma, em atendimentos aos itens “c” e “d” da diligência, foi juntada cópia da DIPJ 2008 – anocalendário 2007 (efls. 167 a 210), e, também, cópia da DCTF ORIGINAL do PA 3º Trimestre/2007, data de recepção: 04/04/2008, vide efls. 211 a 214. 07. Em atendimento aos itens “a” e “b”, foi feita a Intimação Saort nº 173/2017, em 07/04/2017, vide efl. 164, da qual tomou ciência em 17/04/2017, conforme Aviso de Recebimento –AR, à efl. 165, intimando que o interessado atendesse, comprovando o que foi solicitado, aos referidos itens. 08. Em 28/04/2017, tempestivamente, o interessado apresentou os documentos para atendimento da referida Intimação. Dentre os documentos apresentados, o mais relevante é o LALUR –Livro de Apuração do Lucro Real, vide efls. 215 a 230. Por meio desse Livro, verificase que no 3º Trimestre de 2007 a interessada apurou prejuízo contábil, no valor de R$ 145.990,60, vide efl. 222, e, consequentemente, o Imposto de Renda sobre o Lucro Real foi zero (efl. 224). Tais valores lançados no LALUR correspondem aos valores declarados na DIPJ 2008 anocalendário 2007: Prejuízo Contábil de R$ 145.990,60 declarado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 191, e Imposto de Renda a Pagar igual a zero declarado na Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral), vide efl. 194. Dessa forma, verificase uma coerência entre os valores escriturados no LALUR e os valores declarados em DIPJ. 09. Observouse, também, a data de entrega da DIPJ 2008 anocalendário 2007, que foi em 30/06/2008, portanto dentro do prazo, salientando que a mesma não foi objeto de retificação, vide efl. 163. Dessa forma, a entrega dessa DIPJ ocorreu anteriormente à data de transmissão da Declaração de Compensação nº 14597.68574.190710.1.7.041501 (efls. 02/06), que é o objeto do presente processo, ocorrida em 19/07/2010. 10. Nessa mesma esteira, verificouse as datas dos Termos de Abertura e Encerramento do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, que foram 01/01/2007 e 31/12/2007, respectivamente. 11. Conforme comentado na Resolução nº 1802000.614 (efl. 153), a recorrente juntou aos autos cópias de folhas do Livro Diário (efls. 124/126), e, por meio dos registros constantes dessas folhas, verificouse que foi escriturado corretamente o valor do IRPJ A COMPENSAR (R$ 22.128,15) na conta respectiva, demonstrando a intenção da empresa de recuperar o pagamento realizado em 31/10/2007, no valor de R$ 22.128,15, referente ao IRPJ do 3º Trimestre de 2007, vide efl. 126. Verificouse, também, que foi feito o lançamento do referido pagamento no Banco Real, Agência: 0206, em Miguel Pereira (efl. 124). 12. De acordo com o já relatado no parágrafo 08, a DIPJ 2008 ano calendário 2007, que refletiu as informações econômicofiscais apuradas pela interessada, informou que o IRPJ a Pagar, referente ao 3º trimestre/2007, foi igual a zero (efl. 194), resultado de um prejuízo contábil de R$ 145.990,60 nesse trimestre, vide efl. 191. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10073.901490/201213 Acórdão n.º 1001000.491 S1C0T1 Fl. 246 7 13. Da mesma forma, os valores escriturados no LALUR Livro de Apuração do Lucro Real, vide parágrafo 08, estão em consonância com os argumentos da interessada a respeito do pagamento indevido. 14. Apesar da DCTF ORIGINAL do PA 3º Trimestre/2007, data de recepção: 04/04/2008, vide efls. 211 a 214, ter declarado um débito de IRPJ, código de receita: 0220, referente ao 3º Trimestre de 2007, no valor de R$ 22.128,15, vide efl. 213, verificouse, à luz da escrituração contábil do interessado, que esse débito foi igual a zero. 15. Diante do todo exposto nos parágrafos anteriores, considerandose os registros contábeis escriturados (Livro Diário e LALUR Livro de Apuração do Lucro Real), bem como as informações declaradas na DIPJ 2008 anocalendário 2007, resta comprovado que o IRPJ a Pagar, referente ao 3º trimestre/2007, foi igual a zero, resultado de um prejuízo contábil de R$ 145.990,60 nesse trimestre. Vejamos a conclusão do AuditorFiscal ao final do Relatório: 16. Por fim, conforme solicitação contida no item “f” da Diligência, vide parágrafo 04, informo que o valor pago (R$ 22.128,15), por meio de DARF, em 31/10/2007, está disponível para restituição, reservado para o presente processo, de forma que após o julgamento final da presente lide será feita a operacionalização nos sistemas internos da RFB. Conforme bem demonstrado pelo relatório da diligência fiscal, cujos documentos comprobatórios foram insertos nos autos, resta comprovada a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição. Portanto, há de ser reformada a decisão dada pela autoridade administrativa de primeira instância. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721177/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2009
DA PRELIMINAR DE NULIDADE.
Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO.
A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal.
ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável.
DA ÁREA DE PASTAGEM.
A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 146533-3.
Numero da decisão: 2301-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
(assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. ÁREA DE BENFEITORIAS. FORMULAÇÃO INICIAL EXAURIDA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A formulação inicial exaure e delimita o contorno da lide administrativa instaurada. Descabe a insurgência para complementar pedido já julgado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 11 77 /2 01 3- 79 Fl. 265DF CARF MF 2 decisão de primeira instância, resta preclusa a discussão quanto ao cômputo da área de benfeitorias como exclusão da área tributável. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da Norma Brasileira NBR ABNT 1465333. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para admitir como Área Total do Imóvel 3.028,9671 hectares e como Área de Pastagens 1.410,6 hectares, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator) e Wesley Rocha, que deram provimento integral ao recurso, e os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio Sávio Nastureles. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo, Juliana Marteli Fais Feriato, Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital e Wesley Rocha. Relatório Fl. 266DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 03060.978, de 30/04/2014, (fls. 68 a 82). Pela Notificação de Lançamento nº 06113/00014/2013, de fls. 06/09, emitida em 17/06/2013, o Contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 577.044,17, resultante do lançamento suplementar do ITR/2009, da multa proporcional (75%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Curralinho ou Engenho Velho” (NIRF 2.733.7413), com área total declarada de 3.209,6 ha, localizado no município de Paracatu MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2009, incidente em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal Nº 06113/00005/2013, de fls. 02/03, encaminhado ao Contribuinte em 17/01/2013 (fls. 04), porém devolvido em 23/01/2013. Tendo em vista a impossibilidade de intimar o Contribuinte por via postal, foi emitido e afixado o Edital nº 1, de 15/04/2013, com data de ciência para 30/04/2013, fls. 05. O referido Termo solicitava ao Contribuinte que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos à sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: fichas de vacinação expedidas por órgão competente, acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado, para comprovação do rebanho existente no período de 01/01/2008 a 31/12/2008; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Por falta de manifestação do Contribuinte, intimado por edital, procedendo à análise das informações constantes da DITR/2009, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente as áreas de produtos vegetais (30,0 ha) e de pastagens (3.000,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), arbitrando o valor de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha), com base no SIPT da RFB, com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, disto resultando imposto suplementar de R$ 275.425,60, conforme demonstrado às fls. 08. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 07 e 09. Cientificado do lançamento em 24/06/2013 (fls. 10), o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 22, ofertou em 23/07/2013 a impugnação de fls. 11/21 e documentos de fls. 22/62. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: Embora a área registrada seja de 3.209,6 ha, a área real é de 3.014,8 ha, conforme georreferenciamento; transcreve o art. 12, incisos I, II e III, do Decreto nº 70.235/1972, para afirmar que o Fisco deveria ter esgotado todas as formas de intimação previstas no citado dispositivo legal, antes que fosse providenciada a publicação do Edital, Fl. 267DF CARF MF 4 ensejando a nulidade da intimação via edital e, por conseguinte, a desconstituição do lançamento; transcreve, parcialmente, jurisprudência do STJ para referendar suas alegações; informa que seu endereço à época da intimação e da impugnação permanece o mesmo; diante disso, requer seja decretada a nulidade do Termo de Intimação Fiscal ITR 06113/00005/2013, efetuado via edital, e, conseqüentemente, seja desconstituída a notificação de lançamento n° 06113/00014/2013, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DITR; no mérito, afirma que foi declarada na DITR/2009 uma área de 3.000,0 ha de pastagens, entretanto, comprova por meio de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, que da área total do imóvel, 1.410,7396 ha são utilizados como área de pastagens; por isso não se pode considerar que no imóvel inexista área de pastagens, quando, em verdade, a área utilizada para essa modalidade encontrase comprovada por meio de laudo técnico; quanto ao VTN, o Fisco considerou como valor total do imóvel o montante de R$ 4.859.600,00, sendo que na DITR/2009 havia sido declarado o valor total de R$ 1.850.000,00, conforme consta do laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo; não é possível admitir fixação do valor do imóvel nos parâmetros estabelecidos pelo fisco, razão pela qual requer a modificação da declaração para fazer constar o valor acima indicado; o fisco considerou 100% da área total do imóvel como sendo passível de tributação, contudo o laudo técnico comprova que 1.443,3379 ha são áreas de preservação permanente, 147,7915 ha são áreas cobertas com florestas nativas e 12,9363 ha são áreas com benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural; nos termos do art. 10, § 1º, II, "a" e "e", da Lei n° 9393/96, é tributável a área total do imóvel, menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989 e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; de igual forma, nos termos do art. 10, § 1º, IV, "a" da Lei n° 9393/96, da área aproveitável, deverão ser excluídas aquelas áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; cita jurisprudência de Tribunais para referendar suas alegações; nesse contexto, devem ser excluídas da área tributável, as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as áreas cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha), tudo conforme comprovado através do laudo técnico que segue anexado, promovendo, inclusive, a modificação do DIAT; Requer: Em preliminar, requereu ainda que seja decretada a nulidade do termo de intimação e desconstituída a notificação de lançamento, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DIAT. Por fim, no mérito, requereu que seja considerada a área de pastagens de 1.410,7396 ha, o VTN como sendo de R$ 1.850.000,00, sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha). A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 4 5 Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE FLORESTAS NATIVAS. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada a glosa integral feita pela Autoridade Fiscal na área declarada de produtos vegetais, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, Fl. 269DF CARF MF 6 atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 03060.978 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/05/2014 (fl. 86), mediante Aviso de Recebimento AR. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 102 a 112) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Em suas razões, alega preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que a intimação do Termo de Intimação Fiscal se deu via edital. Acosta jurisprudência e cita legislação que entende pertinente. O recorrente acosta documentação elencada à fl. 113 e no mérito aduz que: · Da Área Total do Imóvel que a fazenda Engenho Velho ou Curralinho está registrada na SRF sob o NIRF nº 2.733.7413, dotada de área total de 3.209,6 hectares, que após a certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos; · Que desse valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares), área da gleba 2 (278,5756 hectares), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares); · que foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georeferenciada; que o trabalho realizado de georeferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georeferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios; · que apesar da inobservância quanto à apresentação da ADA do exercício de 2009, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 5 7 Acosta jurisprudência que através das matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, a existência de 647 hectares de reserva florestal legal, como norteadora da existência de áreas ambientais de preservação permanente APP, o contribuinte apresenta a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc que através da planta verificase que há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 14.309/2002; · que há inúmeras veredas com suas APP; · que o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. · que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida essas informações. Requer seja considerado como Área de Preservação Permanente APP a área de 796,337 hectares, Área de Reserva Legal – ARL a área de 647,0 e Área de Floresta Nativa AFN a área de 147,791 hectares, excluídas da área tributável. Da Área de Pastagem que a autoridade fiscal manteve a glosa no que diz respeito à área de pastagens em 3.000,00 hectares, constantes da DITR/2009 que para comprovar a quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, o contribuinte apresenta a Ficha Sanitária do ano de 2008, emitida pelo Órgão de Defesa da Agropecuária do Estado de Minas Gerais, contendo 173 cabeças de até 12 meses, 352 cabeças de 13 a 24 meses e 175 cabeças com mais de 36 meses, totalizando 700 bovinos. Requer que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Do valor da Terra Nua Alega que o Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,02. Aduz que não cabe prosperar a manutenção da tributação arbitrada pela autoridade fiscal, com base na SIPT, razão pela qual o contribuinte requer a modificação da declaração para fazer constar o valor mencionado. Da Área de Benfeitorias Úteis e Necessárias Informa que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares. Alega que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares. Requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares. Resumidamente, o contribuinte postula que seja considerado: * Área total do Imóvel 3.028.9671 hectares *Área de Preservação Permanente – APP de 796,337 hectares * Área de Reserva Legal – ARL de 647,0 hectares Fl. 271DF CARF MF 8 *Área de Floresta Nativa – AFN de 147,791 hectares *Áreas de Benfeitorias Úteis de 27,2391 hectares * Área de Pastagem 1.410,6 hectares * Valor da Terra Nua – VTN para 2009 de R$ 515,62/ha, totalizando R$ 1.561,796,02. Assim, o Recorrente requer que seja excluída da área tributável as APP, ARL, AFN e as ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias. Em 16 de agosto de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.624 (fls. 244 a 251), convertendo o julgamento em diligência para que os autos fossem encaminhados ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os documentos trazidos pelo contribuinte em relação a existência de rebanho apascentado na área destinada a pastagem, assim como seja feito exame se há compatibilidade entre a área pretendida de 1.410,6 ha de pastagem, e o rebanho existente conforme documentos de fls. 239/242. Em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 256), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 700 bovinos em maio de 2008 e 718 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 709 cabeças de bovinos. Ademais, pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considera a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 2.836 ha. (709 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2008 de 709 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminar de Nulidade em Função da Intimação por Edital Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 6 9 O Recorrente requer a nulidade do lançamento em virtude de a intimação ter sido feita por edital, sendo que tal modalidade de intimação somente deveria ser utilizada quando as outras modalidades se mostrarem improfícuas. Tal qual exposto no Acórdão da DRJ, o interessado, à luz do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/72, foi devidamente intimado, por meio do Edital nº 1/2013, de fls. 05, publicado em 15/04/2013, com data de ciência em 30/04/2013, para apresentar os documentos relacionados no referido Termo de Intimação Fiscal, de 02/03. Isto em razão ter sido infrutífera a tentativa de intimação por via postal, sendo devolvida a intimação encaminhada ao Contribuinte no endereço por ele indicado na sua DITR, exercícios de 2010 (Tela/Sucop de fls. 04); sendo que, nessa oportunidade constou como motivo da devolução, a ausência do Contribuinte (destinatário) ou de outra pessoa para receber tais documentos. Constatada que a intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal), realizada no domicílio informado pelo Contribuinte, restou improfícua, ela foi realizada por Edital. Vale ressaltar que o Decreto nº 70.235/72 não estabelece ordem de preferência que deva ser seguida para que se realize a intimação por Edital e tanto isso é verdade que o § 1º do seu art. 23 é expresso ao dizer “Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo...”, assim, basta que um só dos meios tenha sido utilizado e restado improfícuo para que possa ocorrer a intimação por Edital, não obstante entendimento diverso do impugnante. O regime jurídico da nulidade do processo administrativo está previsto nos artigos 59 e 60 do DecretoLei n. 70.235/71, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 273DF CARF MF 10 Como se vê, as hipóteses de nulidade se restringem aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso em tela, não há que se falar em preterição do direito de defesa em função da intimação ter sido feita por edital, de modo que o contribuinte preparou detalhada impugnação e Recurso Voluntário para apresentar seus argumentos, exercendo plenamente sua ampla defesa. Assim, contendo a Notificação de Lançamento os requisitos legais, estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, constando devidamente identificada e motivada a irregularidade apuração pela autoridade fiscal (subavaliação do VTN declarado e arbitramento de novo valor com base no SIPT da RFB) e tendo o interessado, após dela ter tomado ciência, protocolado a sua impugnação, dentro do prazo legal, não há que se falar em nulidade, por ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 PAF, é incabível o pretendido cancelamento, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Da Área Total do Imóvel No que se refere à área total do imóvel, o Contribuinte alega que embora a área total registrada do imóvel seja de 3.209,6 ha, houve certificação do georeferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, pelo qual a área total da propriedade passou a ser 3.028,9671 hectares, sendo que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos. Para tanto, foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada, sendo que do valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares – matrícula 24.856 – fls. 129 e ss), área da gleba 2 (278,5756 hectares – matrícula 24.857 – fls. 151 e ss), totalizando como área do imóvel 3.023,2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares – matrícula 24.858 – fls. 159 e ss). Vale ressaltar, ainda, que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios. Assim, em que pese a informação sobre a área total do imóvel não estivesse devidamente certificada no exercício relativo ao presente lançamento, tratase de questão de fato sobre a qual a tributação deve se fundamentar, ainda que tal fato tenha sido devidamente certificado em um momento posterior. Cumpre lembrar que o artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional dispõe que o lançamento pode ser revisto de ofício quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior, conforme pode ser observado abaixo: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 7 11 (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; No próprio Acórdão da DRJ, consta que os documentos acostados aos autos, por si só, não autorizariam que fosse procedida à alteração pretendida pelo requerente em relação à área total do imóvel, para efeito de apuração do ITR, do exercício de 2010, fazendo se necessário comprovar nos autos que tenha sido providenciada a necessária averbação da retificação da área originária do imóvel à margem da sua matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, nos termos dos artigos 212 e 213 da Lei nº 6.015, de 31.12.1973 (Lei de Registros Públicos), de modo que o contribuinte efetuou a atualização e registro do imóvel. Ante o exposto, o lançamento deve ser ajustado para que a área total a ser considerada seja alterada de 3.209,6 hectares para 3.028,9671 hectares. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas Em que pese o entendimento manifestado no Acórdão da DRJ, no sentido de que para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, tal qual inclusive previsto no artigo 17O da Lei n. 6.938/81, é importante analisar qual vem sendo a interpretação dada a referido dispositivo. Nesse sentido, cumpre citar o Parecer n. 1.329/16 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo qual a PGFN é dispensada de recorrer em processos relacionados com a necessidade de exigência do ADA, uma vez que este teria natureza declaratória e não constitutivo, conforme pode ser observado abaixo: 17. Como dito anteriormente, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de ser inexigível a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal, dado que tal obrigação constava em ato normativo secundário – IN SRF nº 67, de 1997, sem o condão de vincular o contribuinte. 18. Contudo, a Lei nº 10.165, de 2000, ao dar nova redação ao art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, estabeleceu expressamente a previsão do ADA, de modo que, a partir da sua vigência, o fundamento do STJ parecia estar esvaziado. Dispõe o referido dispositivo que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Fl. 275DF CARF MF 12 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) 19. Ocorre que, logo após a entrada em vigor do artigo supra, a Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 20013, incluiu o § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, o qual instituiu a não sujeição da declaração do ITR à prévia comprovação do contribuinte, para fins de isenção. Vejamos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. 20. Os dispositivos transcritos eram, em tese, compatíveis entre si, podendose depreender que o § 7º do artigo 10 da Lei nº 9.393, de 1996, tãosomente desobriga o contribuinte de comprovar previamente a existência do ADA, por ocasião da entrega da declaração de ITR, mas não excluiria a sua existência em si. 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 8 13 Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.16667, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.166 67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, Fl. 277DF CARF MF 14 dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido" (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. Assim, diante do entendimento que vem sendo dado pelo Superior Tribunal de Justiça acerca da falta de necessidade de apresentação do ADA para que seja usufruída a isenção do ITR, a própria PGFN está desobrigada de discutir tal assunto em juízo. No caso em tela, vale lembrar que ainda que não tenha apresentado o ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Além da informação da existência de 647 hectares de reserva florestal legal que já consta nas matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, o contribuinte apresentou a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc, de modo que é possível observar que: há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 9 15 14.309/2002; há inúmeras veredas com suas APP; o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. Vale ressaltar, ainda, que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida tais informações, de modo que o Recurso Voluntário deve ser provido para que sejam excluídas da área tributável pelo ITR a área de 796,337 hectares de Área de Preservação Permanente APP, a área de 647,0 de Área de Reserva Legal – ARL e a área de 147,791 hectares de Área de Floresta Nativa AFN. Das Áreas Utilizadas com Pastagens Verificouse que a autoridade fiscal promoveu a glosa integral da área de pastagens, de 3.000,0 ha. Para comprovação da área servida de pastagens, faziase necessário comprovar nos autos a existência de animais de grande e/ou médio porte apascentados no imóvel, no decorrer do anobase de 2008, em quantidades suficientes para justificala. No caso, para efeito de apuração da área servida de pastagens calculada, cabe observar o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), no caso, 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça de animais de grande porte por hectare (0,25 cab/ha), fixado para a região onde se situa o imóvel, nos termos da legislação aplicada à matéria (alínea “b”, inciso V, art. 10, da Lei nº 9.393/93, art. 25, incisos I e II da IN/SRF nº 0256/2002 e no art. 25 do Decreto nº 4.382/2002 – RITR). Nos termos da citada legislação, a área aceita de pastagens será a menor entre a área declarada e a área calculada, a ser apurada com base no rebanho comprovado, aplicado o índice de lotação mínima por zona de pecuária (ZP), fixado para a região onde se situa o imóvel, no caso, de 0,25 (zero vírgula vinte e cinco) cabeça por hectare. No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2008 (exercício 2009), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gado e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. Para comprovação dessa área, o requerente apresentou Laudo Técnico, de fls. 41/62, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Fausto José Ulhoa, registrado no CREA/MG e com ART de fls. 64. Especificamente às fls. 45, é informado que o imóvel possui como atividade principal a criação de bovinos de corte e de leite, em uma área de mais de 1.400,00 há formados por pastagens. Às fls. 47, é apresentado quadro que informa o uso atual do imóvel, onde indica que a área de pastagem corresponde a 1.410,7396 ha, está em conformidade com a área de pastagem informada na Planta do Imóvel Georreferenciada, constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal). Cumpre ressaltar que o contribuinte apresentou documentação para dimensionar o rebanho apascentado no imóvel no período de 01/01/2010 a 31/12/2010, sendo Fl. 279DF CARF MF 16 que em 16 de fevereiro de 2017, foi emitida a Informação Fiscal (fl. 256), pela qual o Auditor Fiscal autuante avalia a ficha sanitária de vacinação emitida pelo Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Minas Gerais, pela qual existiam na propriedade 700 bovinos em maio de 2008 e 718 em novembro. Assim, o Auditor considera a média de animais existentes durante o ano para fins de determinação da quantidade do rebanho, de modo que considerase um rebanho ajustado de 709 cabeças de bovinos. Ademais, a autoridade fiscal pondera que para fins de cálculo do grau de utilização do imóvel rural, deve ser considera a área servida de pastagem a menor entre a efetivamente utilizada pelo contribuinte e a obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustada e o índice de lotação por zona de pecuária, sendo que conforme a tabela constante do Anexo I da IN RFB 256/2002, o índice de lotação por zona pecuária para a cidade de Paracatu/MG é 0,25, o que daria um valor comparativo de 2.836 ha. (709 / 0,25), de modo que com fundamento na documentação apresentada, considerase um rebanho existente em 2008 de 709 cabeças de bovinos e que há compatibilidade entre o rebanho e a área servida de pastagem de 1.410,6 ha. (RITR/2002, art. 25; IN SRF nº 256, de 2002, arts. 24 e 25) Dessa forma, damos provimento ao recurso voluntário no tocante à questão da área de pastagem, para que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o imóvel na DITR/2010, de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), sendo arbitrado o valor de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha), com base no menor VTN/ha SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. O valor arbitrado de R$ 1.000,00/ha corresponde ao menor valor de VTN/ha, por aptidão agrícola (terras de campos), para o exercício de 2009, dos imóveis rurais localizados no município de Paracatu/MG, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996. Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 222 e 223), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,016. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 227. Assim, diante da existência de laudo técnico, não há que se utilizar o valor arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT, pelo qual apurouse um VTN de R$ 3.209.600,00 (R$ 1.000,00/ha). Dessa forma, damos provimento ao Recurso Voluntário para que sejam considerados os preços da época do fato gerador, isto é, o exercício de 2009, de modo que multiplicandose o valor de R$ 515,62/ha pela área de 3.028,9671, chegase ao VTN de R$ 1.561.796,02. Área de Benfeitorias Fl. 280DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 10 17 O Recorrente afirma ainda que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares, sendo que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares, de modo que requer seja excluída da área tributável a área de 27,2391 hectares, conforme atestado na fl. 191 do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural. Assim, damos provimento ao Recurso no que tange à exclusão da área de 27,2391 hectares ocupada com benfeitorias. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Voto Vencedor Conselheiro Antonio Sávio Nastureles, Redator designado. Cumpre estabelecer que perfilamos dos entendimentos esposados pelo ilustre Relator na apreciação das questões processuais, ao rejeitar a preliminar de Nulidade em função da Intimação por Edital; assim como no exame das questões de mérito suscitadas no Recurso Voluntário e delineadas nos tópicos intitulados "Área Total do Imóvel" e "Área de Pastagens" do Voto Vencido. Entretanto, com a devida anuência do ilustre Relator, fazse imperativo na posição de Redator designado, contrapor entendimentos divergentes no julgamento das questões de mérito delimitadas nos tópicos que se seguem. 1. Das Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas 1.1. No caso concreto, temos lançamento do ITR referente ao Exercício de 2009, em decorrência da atividade de Malha Fiscal incidente sobre as informações prestadas pelo Contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR/2009. 1.2. Na declaração entregue não foram especificadas áreas suscetíveis de exclusão da Área Tributável, em particular "Áreas Ambientais de Preservação Permanente" e "Áreas de Florestas Nativas", fato evidenciado no "Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido" (efls 08), de que se extrai a visão que se apresenta a seguir: Fl. 281DF CARF MF 18 (visão parcial do documento anexado às efls 08 ) 1.3. A decisão de primeira instância administrativa, de 30/04/2014, formalizada por meio do Acórdão 03060.978 (efls 68/82), realizara exame minucioso acerca da postulação de áreas não declaradas e requeridas na fase contenciosa, com fundamento em Laudo Técnico (e fls.41/62) atrelado à impugnação. 1.4. Em tal decisão, já estava patente a não comprovação do cumprimento tempestivo da exigência legal prevista para justificar a exclusão das pretendidas áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha) e de floresta nativa (147,7915 ha) do cálculo do ITR/2009. Afigurase útil transcrever o excerto (efls 76) do acórdão que examinara a questão em particular: Com relação às áreas de preservação permanente e cobertas por florestas nativas, que o impugnante requer, conforme mapa georreferenciado constante do Processo Dossiê em Papel do Processo Digital – PDPPD nº 10167.720035/201423 (anexo ao Processo principal) e do Laudo Técnico de fls. 41/62, onde indica uma área de preservação permanente de 1.443,3379 ha, e de vegetação natural de 147,7915 ha, na Fazenda Curralinho ou Engenho Velho, a RFB orientou, no Manual de Perguntas e Respostas, referente ao Exercício 2009 e posteriores, sobre a necessidade da apresentação do ADA junto ao IBAMA, para a exclusão dessas áreas da incidência do ITR, em suas Questões nº 67 e 106: 067 — É exigido o ADA para excluir as áreas de preservação permanente, de reserva legal e as demais áreas nãotributáveis da incidência do ITR? Sim. As áreas declaradas como nãotributáveis devem ser obrigatoriamente informadas em ADA, a cada exercício. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º; RITR/ 2002, art. 10, § 3º, I; IN SRF nº 256, de 2002, art. 9º, § 3º, I) (...) 106 Quais as condições exigidas para excluir as áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR? Para exclusão das áreas cobertas por florestas nativas da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao Ibama, e que atendam ao disposto na legislação pertinente. (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, art. 1º) Fl. 282DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 11 19 1.5. Com base no conjunto documental (efls 113/242), anexado na fase recursal, reformulouse o pleito relativo às exclusões da área tributável, ao moderar a Área de Preservação Permanente APP (796,337 hectares), permanecendo a Área de Floresta Nativa AFN de 147,791 hectares, em consonância com o teor do Ato Declaratório Ambiental ADA referente ao Exercício 2014 (efls 125). 1.6. Para fins de exclusão da tributação no tocante às áreas não tributáveis, entre elas, as áreas pretendidas de APP e AFN, é necessário, de regra, proceder a informação tempestiva das respectivas áreas no Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal (art. 10, § 3º, inciso I, do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR). 1.7. A questão central reside, pois, em estabelecer se, em sede de recurso voluntário, é possível admitir como exclusões da área tributável na apuração do ITR/2009, as áreas descritas como "Área de Preservação Permanente APP" e como "Área Coberta por Floresta Nativa (Vegetação Natural) AFN", tais como especificadas nos documentos anexados aos autos (e fls 124/125) que são referentes aos Exercícios de 2013 e 2014. 1.8. Afigurase, pois, relevante, traçar breves considerações sobre a evolução da jurisprudência administrativa, no que respeita ao marco temporal de apresentação do ADA, e de maneira própria, em relação a fatos geradores a partir do Exercício 2001, que guarda correspondência com o presente caso. 1.9. No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mostrase pacífico o entendimento de não se acolher como exclusão da área tributável as áreas de interesse ambiental, dentre as quais, Área de Preservação Permanente e Áreas de Floresta Nativa, cujo ADA tenha sido protocolado após o início da ação fiscal. 1.10. A solidez de tal entendimento pode ser conferida em decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), corporificada no Acórdão nº 9202005.684. Seguese a transcrição do trecho do voto que faz exame específico da questão: No que tange à APP Área de Preservação Permanente, examinandose a legislação de regência, verificase que, com o advento da Lei n° 10.165, de 2000, foi alterada a redação do §1° do art. 17O, da Lei n° 6.938, de 1981, que tornou obrigatória a utilização do ADA Ato Declaratório Ambiental, para efeito de redução do valor a pagar do ITR. Assim, a partir do exercício de 2001, tal exigência passou a ter previsão legal, portanto é legítima, conforme a seguir: “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000. § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). Fl. 283DF CARF MF 20 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. É certo que, no caso da APP, tratase de acidentes geográficos já existentes na natureza, porém a exclusão da tributação desta área ambiental não está condicionada à criação da área e sim da sua preservação, como a própria denominação está a indicar. Como o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador do tributo (art. 144 do CTN) e, no que tange ao ITR, este foi fixado em 1º de janeiro (art 1º da Lei nº. 9.393, de 1996), a fruição do benefício está condicionada à preservação à época do fato gerador. Nesse passo, a Receita Federal, utilizandose da prerrogativa de regulamentar a forma e os prazos para cumprimento de obrigações acessórias, especificou o prazo de seis meses após a data de entrega da DITR. Tratandose de declarar algo que a priori já existiria na natureza, este Colegiado consolidou a jurisprudência no sentido de aceitarse o ADA protocolado antes do início da ação fiscal, em respeito à espontaneidade do Contribuinte. 1.11. Em outra decisão proferida pela Câmara Superior (Acórdão nº 9202005.598) ficou assentido como marco temporal, para fins de exclusão da tributação seja de áreas de preservação permanente, seja de áreas de florestas nativas a protocolização do ADA anterior ao início da ação fiscal. É oportuno reproduzir a ementa do citado acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE FLORESTAS NATIVAS . ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente, de reserva legal e de florestas nativas da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA) até o início da ação fiscal. 1.12. No caso em tela, é fato incontroverso que o contribuinte deixou de apresentar o ADA referente ao exercício de 2009, período a que se refere o lançamento. O início da ação fiscal se operou em 30/04/2013, data da ciência do Edital que fora publicado em 15/04/2013. 1.13. Somente em sede de recurso voluntário é que se operou a juntada dos Atos Declaratórios Ambientais ADA relativos aos Exercícios 2013 (efls 124) e 2014 (efls 125), com informações sobre pretensas áreas ambientais preexistentes na natureza. O ADA relativo ao Exercício de 2013 estampa como data de requerimento junto ao IBAMA, 11/09/2013; o ADA relativo ao Exercício de 2014, 16/06/2014. 1.14. Tanto um como outro foram protocolados em momentos posteriores ao início da ação fiscal (30/04/2013). Assim, não se tem nos autos a necessária comprovação de terem sido requeridos tempestivamente junto ao IBAMA. Com isso, não merece acolhida o pleito para excluir no cômputo da área tributável do ITR/2009 as áreas pretendidas de 796,337 hectares (Área de Preservação Permanente APP) e de 147,791 hectares (Área de Floresta Nativa AFN). 1.15. Em vista considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto aos pleitos relativos às Áreas Ambientais de Preservação Permanente e de Florestas Nativas. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 12 21 2. Da Área de Benfeitorias 2.1. Ao tempo da impugnação, o pleito relacionado à Área de Benfeitorias (12,9363 ha), se baseava no conteúdo do Laudo Técnico atrelado (efls. 41/62), tendo a decisão de primeira instância Acórdão 03060.978 (efls 68/82), se pronunciado nos seguintes termos (efls 76): Quanto à alteração na área declarada de benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural, pretendida como de 12,9363 ha, a mesma não será aqui considerada, pois além de não ter constituído item de malha, o seu acatamento implicaria em agravamento da exigência, o que não é permitido a esta autoridade julgadora, visto que a área declarada, de 14,0 ha, é superior à pretendida. 2.2. Por ter sido solucionada favoravelmente ao contribuinte pois na apuração do ITR/2009 já havia sido reconhecida exclusão da área de 14,0 (quatorze) hectares, superior à área pretendida a formulação inicial está consumada, decidida em observância aos exatos contornos da lide administrativa instaurada. Operase, com isso, a definitividade administrativa da decisão de primeira instância em relação à matéria apreciada. 2.3. Em sede de recurso voluntário, com base em novo Laudo Técnico (efls 185/242), descabe insurgência para complementar pleito tendente a excluir da tributação a área de 27,2391 hectares, correspondente às áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias a atividade rural, pois já se ultrapassou o momento em que se poderia discutir a questão. 2.4. Considerase, portanto, definitiva e irretratável o comando estabelecido pela decisão de primeira instância em relação à parte julgada, restando preclusa a discussão acerca da possibilidade do cômputo da área pleiteada a título de benfeitoria no imóvel. 2.5. Em vista das considerações supra delineadas, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo à Área de Benfeitorias. 3. Da Questão do Valor da Terra Nua VTN 3.1. Para análise da presente questão, é elucidativo destacar parte da abordagem trazida pelo Voto Vencido: Ocorre que o Recorrente apresenta o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural (cálculo nas fls. 222 e 223), pelo qual atestase que Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2009, estava avaliado em R$ 515,62/ha (por hectare), totalizando R$ 1.561.796,016. O Laudo Técnico é elaborado por profissional habilitado, e encontrasse acompanhado da ART de fls. 227. 3.2. Contudo, ao examinar o teor do Laudo de Avaliação anexado aos autos (efls 185/242), o conteúdo exposto no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL" e, em particular, a metodologia aplicada para alcançar o valor estimado do VTN, constatase imperfeição verificada ao tempo da seleção da amostra, que, por seu turno, acaba por ensejar dúvidas quanto à aceitação das Fl. 285DF CARF MF 22 conclusões e mesmo quanto à aptidão do mesmo para atender aos requisitos das normas da ABNT. 3.3. Ao iniciar o tópico "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL", o Laudo Técnico propugna que as amostras selecionadas possuem características "tanto quanto possível semelhantes as do imóvel avaliado". Segue a visão parcial do documento de efls 210 . 3.4. Em prosseguimento, apresentase visão parcial do documento anexado às efls 226, uma vez ter sido referenciado pelo Laudo de Avaliação, constituindose documento de suporte ao mesmo e, ainda, por guardar correspondência com o período de apuração (2009). 3.5. Na visão apresentada, podese ter uma noção quanto à abrangência qualitativa da amostra selecionada, bem como de características básicas dos imóveis rurais que a compõem, com destaque para os campos representativos das áreas dos imóveis. 3.5.1. De plano, podese constatar que parte substancial dos imóveis rurais componentes da amostra selecionada possui característica distinta do imóvel objeto de avaliação, denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo". Distinta, frisese, levandose em consideração um fator determinante: a área dos imóveis rurais da amostra. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13609.721177/201379 Acórdão n.º 2301005.188 S2C3T1 Fl. 13 23 3.5.2. Com área avaliada de 3.028,97 hectares, o imóvel rural denominado "Fazenda Curralinho ou Engenho Novo " é classificado como grande propriedade (cerca de 60 Módulos Fiscais, considerando que para o Município de Paracatu, vige a correlação de um Módulo Fiscal para 50 hectares). 3.5.3. Da amostra constituída por 12 (doze) imóveis rurais, somente o oitavo item, "Fazenda Santo Antonio", com área de 2.046,12 hectares (cerca de 40 Módulos Fiscais), e o décimo primeiro, "Fazenda Ioshibras", com área de 984,40 hectares (em torno de 20 Módulos Fiscais) são classificados, quanto ao tamanho, em grande propriedade, assim como o imóvel objeto de avaliação. 3.5.4. Constatase, pois, que parte substancial da amostra elegida é composta por imóveis classificados como pequenas propriedades (área compreendida entre um e quatro Módulos Fiscais), considerandose, ainda, que o Laudo Técnico não traz em seu bojo, justificativa para proceder eleição de tal conjunto amostral. 3.5.5. Com tal distorção, verificada logo na etapa de seleção das amostras, não nos parece razoável que a aplicação dos critérios de homogeneização apresentados nos itens subseqüentes do Laudo Técnico, seja apta a alcançar a finalidade da metodologia proposta, destacadamente no tópico "Classificação da capacidade de Uso das Terras " (efls 211 e seguintes). 3.6. Dentre as diretrizes estatuídas pela Norma Brasileira NBR ABNT 146533 para a avaliação de imóveis rurais, podese destacar o disposto no item 7.7.2.2, ao traçar recomendações relacionadas à qualidade da amostra. 7.7.2.2 A qualidade da amostra deve estar assegurada quanto a: a) correta identificação dos dados de mercado, devendo constar a localização, a especificação e quantificação das principais variáveis levantadas, mesmo aquelas não utilizadas no modelo; b) identificação das fontes de informação e sua confiabilidade; c) número de dados de mercado efetivamente utilizados, de acordo com o grau de fundamentação; d) sua semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso das terras. 3.7. No caso do Laudo Técnico anexado aos autos (efls 185/242), característica específica do imóvel avaliando a dimensão do imóvel parece não ter sido contemplada na formação da amostra, em aparente desacordo com a diretriz estabelecida na alínea "d" do subitem 7.7.2.2 da Norma Brasileira ABNT NBR 146533. 3.8. É inevitável concluir que o conteúdo do Laudo Técnico analisado, em particular, no item "9. AVALIAÇÃO DO IMÓVEL", não se presta para contrapor ao valor do VTN apurado pela autoridade fiscal. 3.9. Nestes termos, há de prevalecer o arbitramento do Valor da Terra Nua, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Fl. 287DF CARF MF 24 3.10. Em vista das considerações delineadas nos subitens precedentes, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário quanto ao pleito relativo ao Valor da Terra Nua. (assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.908423/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 23 /2 00 9- 42 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10380.908423/200942 Acórdão n.º 1301003.112 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908423/200942 Acórdão n.º 1301003.112 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908423/200942 Acórdão n.º 1301003.112 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908423/200942 Acórdão n.º 1301003.112 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721690/2015-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA.
A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2001-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17613.721690/201513 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.440 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 24 de maio de 2018 Matéria IRPF: APOSENTADORIA MOLÉSTIA GRAVE Recorrente IVANIR JOSE TEIXEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE ISENÇÃO COMPROVADA. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 16 90 /2 01 5- 13 Fl. 60DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, fls. 06 a 10, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2013, ano calendário de 2012, por meio do qual foi constatado que os rendimentos foram indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, reduzindo , assim, o saldo de imposto de renda a restituir para apenas R$451,31. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação alegando, em síntese, que o rendimento é isento, por se tratar de proventos da aposentadoria pagos a portador de moléstia grave, e que é portador da moléstia desde 2006, conforme devidamente comprovado através de laudo médico emitido por serviço médico oficial. A DRJ Curitiba, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o impugnante se encontrava na reserva remunerada no ano calendário em exame (2012). Tal condição se alterou apenas em 2015 quando da publicação de sua transferência da reserva remunerada para a reforma, através da Portaria n° 173, de 12 de fevereiro de 2015 (documento de fl. 16). Assim, não se enquadra tal situação nas hipóteses legais (aposentadoria, pensão ou reforma). A infração lavrada deveria subsistir, integralmente, portanto. Em sede de Recurso Voluntário, repisa a contribuinte as mesmas razões alegadas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Moléstia Grave O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função de rendimento recebido e declarado como isento em função de moléstia grave. Entende a DRJ Curitiba que o contribuinte não logrou teria direito a isenção por ser caso de Reserva Remunerada. Vejamos: No que diz respeito a ser portador de moléstia grave, o contribuinte anexa aos autos laudo emitido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Espírito Santo, confirmando tal condição (documento de fl. 17). Fl. 61DF CARF MF Processo nº 17613.721690/201513 Acórdão n.º 2001000.440 S2C0T1 Fl. 3 3 Os elementos dos autos informam, entretanto, que o contribuinte se encontrava na reserva remunerada no anocalendário em exame (2012). Tal condição se alterou apenas em 2015 quando da publicação de sua transferência da reserva remunerada para a reforma, através da Portaria n° 173, de 12 de fevereiro de 2015 (documento de fl. 16). A Lei nº 7.713, de 1988 que dispõe a respeito da isenção de IRPF menciona expressamente que serão isentos os proventos de aposentadoria ou reforma. Desta forma, não é possível supor que o benefício possa ser extensivo a outra espécie de provento, como o decorrente da reserva remunerada recebida pelo militar, ainda que ele seja portador de moléstia grave. Isto porque, em matéria de isenção tributária não se admite interpretação mais ampla da lei, para além dos estritos termos nela contidos. O artigo 111 do Código Tributário Nacional determina que as normas que disponham sobre outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. No caso ora em análise, os valores recebidos não podem ser isentos uma vez que se referem à reserva remunerada e não à reforma. A reserva remunerada é instituto diverso da reforma e não pode ser tomada como se equivalente o fosse. Tratase de institutos distintos: Reforma. Na linguagem do Direito Administrativo, é o vocábulo empregado em equivalência a aposentadoria ou jubilação. Reserva. Na significação militar e da marinha, é o vocábulo empregado para designar a totalidade de pessoas, aptas para o serviço do exército e da marinha, e que se conservam à disposição das forças de mar, terra e ar, para serem convocadas a elas, se necessário Assim, em face da limitação imposta pelo CTN, tendo a lei restringido os efeitos da isenção aos proventos da reforma e não da reserva, não é possível acatar o pleito do contribuinte para que a isenção aqui examinada atinja também os proventos recebidos em razão de reserva remunerada. Em relação à isenção dos proventos de aposentadoria auferidos por portadores de moléstia grave, a matéria sob análise está disciplinada no art. 39, XXXI e XXXIII do RIR/1999, da seguinte forma: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a Fl. 62DF CARF MF 4 concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis d controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.” Há, portanto, dois requisitos básicos para que haja o reconhecimento da isenção em discussão: (a) que os rendimentos sejam de proventos de aposentadoria ou reforma ou, ainda, recebidos a título de pensão; e (b) exista laudo pericial, emitido por serviço médico oficial atestando ser o contribuinte portador de uma das moléstias previstas em lei. A título de comprovação de sua isenção, o contribuinte traz aos autos todos os documentos exigidos por lei . Inclusive em sede de Recurso Voluntário trouxe comprovação de que já se encontra isento na fonte pagadora do Imposto de Renda Retido na Fonte, como se vê dos demonstrativos de pagamento anexados. Não obstante, existem diversas decisões administrativas do próprio CARF, firmando decisão no sentido de que o contribuinte da Reserva Remunerada também se enquadra nos casos da referida isenção. A Sumula 63 do CARF, a qual apregoa entendimento exatamente neste sentido, qual seja de que os portadores de moléstia grave, devidamente Fl. 63DF CARF MF Processo nº 17613.721690/201513 Acórdão n.º 2001000.440 S2C0T1 Fl. 4 5 comprovados de acordo com laudo emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto de renda provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na total comprovação pelo Contribuinte da sua condição de portador de moléstia grave , nos Fl. 64DF CARF MF 6 termos da lei, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário considerados os rendimentos como isentos para fins fiscais. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a situação de isenção fiscal do Contribuinte por ser portador de moléstia grave e, por conseqüência, considerar os seus rendimentos como isentos. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.003422/2008-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 34 22 /2 00 8- 03 Fl. 98DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 14/17), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 33.080,00, por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 02/08), que foi julgada, mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 61/66, que manteve integralmente a glosa das despesas médicas. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 82/87. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10855.003422/200803 Acórdão n.º 2001000.087 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 100DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10855.003422/200803 Acórdão n.º 2001000.087 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904168/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES.
Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1201-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, está compreendida no conceito de serviços hospitalares (art. 15, parágrafo 1º, III, "a", da Lei nº 9.249, de 1995, antes das alterações pela Lei nº 11.727, de 2008) a atividade de laboratório de análises clínicas, autorizando a incidência do percentual de 8% na apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Souza (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 41 68 /2 00 9- 06 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório de recolhimento indevido ou a maior de 2089 IRPJ – Lucro Presumido, para compensar débitos. 2. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. 3. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância. 4. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, no qual informa: Em síntese, o decisum ora atacado se baseou em duas premissas básicas, quais sejam: i) a Recorrente não constituía, à época do crédito, como uma sociedade empresária; e, ii) a não apresentação de provas para a satisfação do direito da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido, para os fins de enquadramento como "serviços hospitalares". Quanto ao primeiro argumento, não deverá prosperar pelo simples fato de que o art. 2.031 do Código Civil permitiu que as empresas constituídas sob a égide do Código Civil anterior e demais legislações esparsas pudessem realizar as devidas adaptações do seu contrato social até 11.11.2007 na redação que foi dada pela Lei 11.127/2005. No tocante ao segundo fundamento, relativamente à apresentação das provas do efetivo exercício da atividade de "serviços hospitalares", cumpre ressaltar que não era esse o cerne da questão que motivou o despacho decisório que indeferiu ou não homologou a compensação Aliás, da leitura do próprio despacho decisório se conclui que a motivação foi exclusivamente a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado, tais créditos, no confronto dos débitos e créditos informados na respectiva DCTF. Ora, se a discussão se deu exclusivamente em torno da demonstração dos créditos na respectiva DCTF, não há o que se falar da necessidade da apresentação das provas acerca do exercício da atividade de "serviços hospitalares", sob pena de preclusão. Em outras palavras, em momento algum foi questionado no respectivo despacho decisório sobre o direito da Recorrente de se utilizar dos percentuais reduzidos para os fins do lucro presumido. 5. Sobre a Natureza de Sociedade Empresária, refuta que não fosse sociedade empresária à época dos fatos, segundo o Código Civil: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 4 3 Já o art. 966 define o empresário como sendo aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O parágrafo único do mesmo artigo ressalva quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Em outras palavras, quem exerce atividade intelectual em princípio, não é empresário, mas pode ser se em sua atividade estiver presente o elemento de empresa. (...) (...) A Recorrente, que possui a atividade de Laboratório de Análises Clínicas, a exerce de forma organizada e evidenciada pela circulação de serviços, necessária para a definição do conceito de "empresário", além do aspecto da mãodeobra especializada e do fator tecnológico (equipamentos modernos, muitos deles importados). A circulação dos serviços se constata também pela necessidade de contratação de diversos profissionais qualificados (bioquímicos, farmacêuticos, enfermeiros, etc.) para a perfeita prestação dos seus serviços, os sócios, ainda que sejam profissionais, não poderiam, sozinhos, dar conta da demanda de um laboratório de análises clínicas. (...) Destarte, concluise, portanto, que é descabido o argumento invocado para negar um direito líquido e certo da Recorrente, por se enquadrar, à época da constituição do crédito a seu favor, como sociedade empresária, mediante os novos conceitos instituídos pelo Novo Código Civil, ainda que seus atos constitutivos tenham sido adaptados em 09 de julho de 2004, no prazo previsto no seu artigo 2.031. 6. Sobre a Prestação dos Serviços Hospitalares, invoca INs da RFB e Solução de Consulta que protocolou: A partir da publicação da Instrução Normativa 306 SRF, de 12 32003, publicada no DOU de 342003, a administração tributaria firmou um entendimento mais abrangente para o conceito de serviços hospitalares. Isto porque, o art. 23 do referido ato normativo disciplina que para os fins previstos no art. 15, § 1.°, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/95 (matriz legal do lucro presumido), poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições relacionadas na Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884/94, do Ministério da Saúde. 7. Que, posteriormente a IN SRF nº 480, de 2004, com as alterações pela IN SRF nº 539, de 27 de abril de 2005, no art. 27, apresentou nova definição, que transcreve. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 5 4 8. E relata que protocolou consulta, recebendo resposta positiva na Solução de Consulta 12, de 16 de fevereiro de 2007, cuja ementa transcreve: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 12 de 16 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: Lucro Presumido. Percentuais. Serviços Hospitalares. A pessoa jurídica que exerça a atividade de Laboratório de análises clínicas Ligada à atenção e assistência à saúde, (atribuição 4) de que trata a Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de vigilância sanitária n$ 50, de 21 de fevereiro de 2062, alterada pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, somente terá sua atividade considerada como serviço hospitalar, para os efeitos do artigo 15 do Lei n9 9.249, de 1995, se atender aos requisitos normativos. Consideramse não atendidos esses requisitos quando a pessoa jurídica enquadrar se nas exceções veiculadas no parágrafo único do artigo 9 66 do Código civil e/ou no parágrafo primeiro do artigo 27 da IN SRF n& 480, de 2904. Esse entendimento aplicase retroativamente. 9. Haja vista que o Acórdão recorrido considerou prova insuficiente a Solução de Consulta supra, anexa os seguintes documentos comprobatórios: a) Contratos de Prestação de Serviços firmados com entidades contratantes de tais serviços; b) Notas Fiscais de prestação de serviços faturados para os contratantes em que comprovam a prestação de laboratório de análises clínicas e patológicas. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.031, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10530.904165/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos presentes autos o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ do 2º trimestre de 2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.031): Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 6 5 "10. A IN SRF nº 539, de 2005, foi revogada pela IN SRF nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, alterada pela IN RFB nº 1.540, de 05 de janeiro de 2015: Dos Serviços Hospitalares e Outros Serviços de Saúde Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos. Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1540, de 05 de janeiro de 2015) Parágrafo único. São também considerados serviços hospitalares, para fins desta Instrução Normativa, aqueles efetuados pelas pessoas jurídicas: I prestadoras de serviços préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) móvel instalada em ambulâncias de suporte avançado (Tipo “D”) ou em aeronave de suporte médico (Tipo “E”); e II prestadoras de serviços de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instalada em ambulâncias classificadas nos Tipos “A”, “B”, “C” e “F”, que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida. Art. 31. Nos pagamentos efetuados, a partir de 1º de janeiro de 2009, às pessoas jurídicas prestadoras de serviços de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que as prestadoras desses serviços sejam organizadas sob a forma de sociedade empresária e atendam às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), será devida a retenção do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no percentual de 5,85% (cinco inteiros e oitenta e cinco centésimos por cento), mediante o código 6147. 11. O contribuinte, optante pelo lucro presumido, efetuou recolhimento do IRPJ apurado mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta; pleiteia que efetuou recolhimento a maior, uma vez que, como sua atividade está compreendida no conceito de serviços hospitalares, o percentual correto para a apuração é o de 8%. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 7 6 12. Para comprovar a atividade, anexou contratos e notas fiscais; tratamse de contratos: de 17/08/1989, prestação de serviços de análises clínicas; 29/12/1989, patologia clinica; 08/03/2001, assistência médica; 01/02/2001, serviços de laboratório nas dependências do contratante; e contratos de 2003 e 2004, de serviços de análises clínicas, assistência médica, atendimento ambulatorial e procedimentos de diagnóstico e tratamento; e as notas fiscais são de 2004, tendo como objeto "Serviços prestados em exames, Materiais de produtos consumidos", "Exames laboratoriais automatizados", "material de consumo utilizado para a realização de exames automatizados". 13. Às págs. [...], consta a Alteração Contratual n° 09 e Consolidação, de 09/07/2004: SEGUNDA: O objeto da sociedade é: exploração do ramo de laboratório de análises clinicas e a importação de produtos bioquímicos para laboratórios de análises clínicas. 14. Na DIPJ 2003/2002, retificadora entregue em 18/05/2009, informou Código da Natureza Jurídica: 2062 Sociedade por Cotas de Responsabilidade Limitada Empresa Privada; Código da Atividade Econômica (CNAEFiscal): 85.146/02 Atividades dos laboratórios de análises clínicas, na qual informa a totalidade da receita bruta como sujeita ao percentual de 8%. 15. Não consta a DIPJ 2003/2002 original. 16. Esses elementos atestam as atividades de laboratório de análises clínicas, e de importação de produtos bioquímicos, embora a receita informada seja referente à primeira. 1 Atividade Empresarial 17. A antiga Sociedade Civil foi substituída, no novo Código, pela Sociedade Simples (CC, art. 982). a. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, Código Civil, revogado. Art. 16. São pessoas jurídicas de direito privado: I. As sociedades civis, religiosas, pias, morais, científicas ou literárias, as associações de utilidade pública e as fundações. 18. Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, Código Civil vigente desde 01/2003: Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) Da Sociedade CAPÍTULO ÚNICO Disposições Gerais Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. Parágrafo único. A atividade pode restringirse à realização de um ou mais negócios determinados. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. 2 Lucro Presumido. Atividades Hospitalares. 19. O CARF já sedimentou o entendimento acerca da questão: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 13/03/2014 Nº Acórdão 1201000.986 Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para: negar o pedido de restituição quanto aos créditos alcançados pela decadência, ao crédito relativo ao REDARF e ao crédito compensado em /duplicidade, nos termos do voto do relator, tendo sido reconhecido o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32% para 8%. Ementa(s) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Conforme entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça, restam compreendidas no conceito de serviços hospitalares (artigo15, parágrafo 1º, inciso III, alínea a, da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8%, relativamente ao IRPJ. 20. Transcrevese o teor do voto do Acórdão CARF supra, que analisou análoga situação relativamente a laboratório de análises clínicas, uma vez que retrata o entendimento do CARF, com o qual esta Relatora concorda: "Vencidos tais argumentos, cumprenos analisar a questão central dos autos, que se consubstancia na qualificação jurídica da Recorrente, que apresentou todas os pedidos de restituição e declarações de compensação até aqui mencionados ante o entendimento de que sua Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 9 8 atividade se enquadraria no conceito de “serviços hospitalares”, nos termos da Lei n. 9.249/95. Aliás, a mudança de entendimento somente ocorreu após o trânsito em julgado (20 de março de 2007) da ação que não lhe reconheceu o direito de isenção da COFINS, com base na Lei Complementar n. 70/91. A partir da ciência de tal decisão, conforme acórdão prolatado pelo TRF da 1ª Região, o contribuinte passou a apresentar as DIPJ e DCTF retificadoras já analisadas, bem como as declarações de compensação com os créditos a que entendia fazer jus. A base legal da tributação encontrase nos artigos 15 e 20 da Lei n. 9.249/95, com a redação vigente à época dos fatos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do §1º do art 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento, (grifamos) De se notar que a legislação, para os anoscalendário sob análise, fazia clara distinção entre os serviços em geral e a prestação de serviços hospitalares. Não há dúvida, em razão da dicção normativa, que o legislador considerava que os serviços prestados pelos laboratórios eram diferentes daqueles compreendidos na expressão "serviços hospitalares", até porque em 2008 o próprio texto foi alterado para incluir, a partir do anocalendário de 2009, os serviços de laboratório na faixa de tributação de 8% do lucro presumido, conforme observamos a seguir: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 10 9 § 1° Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxilio diagnóstico e terapia, patologia clinica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clinicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Sacional de Vigilância Sanitária Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11. 727, de 2008) (grifamos) Portanto, atualmente é possível que um laboratório de análises clínicas seja tributado pela alíquota de 8%, observados os critérios legais, mas isso só se concretizou a partir do advento da Lei n. 11.727/2008, com para o anocalendário de 2009. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, de que mesmo antes das alterações promovidas pela Lei n° 11.727/2008, deve ser aplicada a alíquota de 8% para fins de presunção do lucro de laboratórios de análises clínicas que se enquadram em determinados requisitos. Reproduzimos, a seguir, o paradigmático acórdão: RECURSO ESPECLAL Nº 837.913 SC (200600756635) Relator: Ministro Hamilton Carvalhido Recorrente: Centro Médico São José Ltda Recorrido: Fazenda Nacional RECLUSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA ARTIGO 15, PARAGRAFO 1O, INCISO III, ALÍNEA A, DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÀLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1o, inciso III, alínea a, da Lei n° 9.249/95, antes das alterações da Lei n° 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clinicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp. n° 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido Por força de tal decisão, e ante as características da prestação de serviços laboratoriais demonstradas pela Recorrente nos autos, em razão dos diversos contratos firmados, inclusive com entidades de natureza pública, entendo forçoso reconhecer, na esteira do que decidiu o STJ, que deve ser conferido à interessada o direito ao crédito referente ao reenquadramento do coeficiente de presunção do lucro, de 32° o para 8%. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10530.904168/200906 Acórdão n.º 1201002.040 S1C2T1 Fl. 11 10 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para reconhecer o direito de reenquadramento da Recorrente no coeficiente de presunção do lucro de 8%." Conclusão Voto por DAR provimento ao recurso voluntário reconhecendo o direito creditório de 2089 – IRPJ Lucro Presumido recolhido a maior, até o limite da diferença entre os valores apurados com o percentual de 32% e o de 8% sobre a receita bruta da atividade de serviços de laboratório de análises clínicas." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000587/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. §3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO.
Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS PROBATÓRIO.
No âmbito do lançamento tributário incumbe ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à comprovação de valores indevidamente considerados como base de cálculo às contribuições ao Simples.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INDEPENDÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe falar-se em nulidade da lavratura fiscal em face de representação administrativa de exclusão do Simples, quando cada qual destes atos se referem a períodos de apuração distinto, não havendo a exigência de prejudicialidade entre ambos.
LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A interposição de impugnação administrativa quanto ao ato de lançamento fiscal impede apenas a adoção de medidas executivas quanto à satisfação dos valores relativos ao crédito tributário, não prejudicando o lançamento validamente realizado.
LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ORDINÁRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS.
No período em que o contribuinte se manteve no Simples descabe falar-se na adoção de outro regime de tributação, dado que os efeitos da exclusão, no caso de superação da receita bruta limite ao Simples, somente se produzem no ano-calendário posterior.
LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira, fundamentando validamente a lavratura de Auto de Infração e a exclusão de ofício do contribuinte junto ao Simples, em relação a períodos de apuração não coincidentes.
Numero da decisão: 1401-002.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: 02531833757 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. §3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS PROBATÓRIO. No âmbito do lançamento tributário incumbe ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à comprovação de valores indevidamente considerados como base de cálculo às contribuições ao Simples. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INDEPENDÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe falar-se em nulidade da lavratura fiscal em face de representação administrativa de exclusão do Simples, quando cada qual destes atos se referem a períodos de apuração distinto, não havendo a exigência de prejudicialidade entre ambos. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A interposição de impugnação administrativa quanto ao ato de lançamento fiscal impede apenas a adoção de medidas executivas quanto à satisfação dos valores relativos ao crédito tributário, não prejudicando o lançamento validamente realizado. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ORDINÁRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. No período em que o contribuinte se manteve no Simples descabe falar-se na adoção de outro regime de tributação, dado que os efeitos da exclusão, no caso de superação da receita bruta limite ao Simples, somente se produzem no ano-calendário posterior. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira, fundamentando validamente a lavratura de Auto de Infração e a exclusão de ofício do contribuinte junto ao Simples, em relação a períodos de apuração não coincidentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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REPRODUÇÃO IPSIS LITTERIS DA IMPUGNAÇÃO. §3º DO ART. 57 DO RICARF. APLICAÇÃO. Se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, tem a faculdade de transcrever a decisão de primeira instância. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS PROBATÓRIO. No âmbito do lançamento tributário incumbe ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à comprovação de valores indevidamente considerados como base de cálculo às contribuições ao Simples. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INDEPENDÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe falarse em nulidade da lavratura fiscal em face de representação administrativa de exclusão do Simples, quando cada qual destes atos se referem a períodos de apuração distinto, não havendo a exigência de prejudicialidade entre ambos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 05 87 /2 01 0- 51 Fl. 683DF CARF MF 2 LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A interposição de impugnação administrativa quanto ao ato de lançamento fiscal impede apenas a adoção de medidas executivas quanto à satisfação dos valores relativos ao crédito tributário, não prejudicando o lançamento validamente realizado. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ORDINÁRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. No período em que o contribuinte se manteve no Simples descabe falarse na adoção de outro regime de tributação, dado que os efeitos da exclusão, no caso de superação da receita bruta limite ao Simples, somente se produzem no anocalendário posterior. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira, fundamentando validamente a lavratura de Auto de Infração e a exclusão de ofício do contribuinte junto ao Simples, em relação a períodos de apuração não coincidentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as arguições de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), Fl. 684DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 684 3 que, por meio do Acórdão nº 0538.472, de 24 de julho de 2012, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Tratase de Auto de Infração lavrado à constituição de crédito tributário relativo à cobrança de percentual adicional da contribuição devida ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – SIMPLES, referente ao ano calendário de 2006, quanto à operação de verificação de vendas e omissão de receitas. Sustenta a fiscalização: 1) Início da ação fiscal em 10/08/09 com a ciência do Termo de Inicio do Procedimento Fiscal; o sujeito passivo atendeu à intimação inicial, apresentando documentos, dentre os quais, autorização para que a fiscalização solicitasse junto às instituições financeiras os extratos de sua movimentação bancária; 2) Em atendimento às Requisições de Movimentação Financeira – RMF nºs. 08114002010000221, 08114002010000230, 08114002010000248, 0811400 2010000256 e 08114002010000264, as instituições financeiras forneceram os extratos bancários, os quais serviram de base para a elaboração da “Relação de Depósitos” anexa ao Termo de Intimação Fiscal nº 5 com ciência do sujeito passivo em 01/06/10, intimandoo a comprovar a origem de cada depósito relacionado acima de R$ 200,00. Sustenta que não integraram a citada “Relação de Depósitos” os créditos cujo histórico, contido no extrato, evidenciava serem estornos, empréstimos ou oriundos de contas de mesma titularidade; 3) Em atendimento à Intimação Fiscal nº 8, o sujeito passivo apresentou a consolidação das origens dos depósitos, tendo a fiscalização classificadoas em: 1) recebimento do valor especificado nas notas fiscais identificadas que emitiu; 2) depósito efetuado pelo setor de cobrança do banco, adiantando recebíveis; 3) depósito sem origem identificada; 4) transferência entre contas de mesma titularidade; e, 5) outras origens, depois detalhadas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 9; 4) A fiscalização afirma ter verificado que: a) os depósitos cujas origens foram indicadas como recebimento do valor especificado nas notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo ou de seu adiantamento, através do setor de cobrança bancária, provinham de receita operacional, devendo compor a base de cálculo do Simples; b) os depósitos cuja origem o contribuinte descreveu como não identificada correspondiam à omissão de receita praticada pelo sujeito passivo e passaram a compor o rendimento bruto da empresa de conformidade com o artigo 18 da Lei nº 9.317/96 e do artigo 42 da Lei nº 9.430/96; c) os depósitos cujas origens foram indicadas como transferências entre contas do sujeito passivo coincidiam em datas e valores com saques de outras contas do mesmo, não compondo, portanto, a base de cálculo do SIMPLES; d) após atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 9, alguns depósitos deveriam compor a base de cálculo do SIMPLES, quais sejam, os devidos em face Fl. 685DF CARF MF 4 da prestação de serviços a terceiros e os devidos em face da locação de equipamentos. 5) Após analisadas as origens dos depósitos conforme apresentadas pelo sujeito passivo, a fiscalização desdobrou os depósitos nos seguintes grupos e subgrupos que formam a relação das origens anexa ao Termo de Verificação de Infração: 1 Depósitos que devem integrar a base de cálculo do Simples: 1a – Recebimento de notas fiscais (coluna “NF”); 1b – desconto de títulos (coluna “cobrança”); e, 1c – outras origens integrantes da base de cálculo do SIMPLES conforme quadro constante do Termo de Verificação de Infração (coluna “integra BC”). 2 – Depósitos que não devem integrar a base de cálculo do Simples: 2a – transferências entre contas de mesma titularidade do sujeito passivo (coluna “mesma titularidade”); 2b – outras origens não integrantes da base de cálculo do Simples conforme constante do Termo de Verificação de Infração (coluna “não integra BC”). 6) Assim, a base de cálculo do Simples no anocalendário de 2006 deveria ter sido de R$ 11.967.771,19, conforme o anexo “Relação das Origens”, tendo o sujeito passivo declarado em sua PJSI/07, a título de receita bruta, a base de cálculo para o Simples no valor de R$ 1.177.939,17. Considerando o aumento da base de cálculo, além de originar maior valor a pagar em proporção direta, a apuração de uma base de cálculo maior mudou a faixa das alíquotas aplicáveis para a determinação do valor a pagar, ocasionando que os valores então recolhidos pelo sujeito passivo ficaram abaixo do devido. Ambas as diferenças nos tributos e contribuições devidos, resultantes da diferença da base de cálculo apurada, estão calculados e lançados em Auto de Infração. 7) Por fim, considerando que o sujeito passivo auferiu no anocalendário de 2006 uma receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, a fiscalização sustenta que o mesmo incidiu na vedação estabelecida na Lei nº 9.317/96, artigo 2º, inciso II, com redação dada pela Lei nº 11.196/05, artigo 33, elaborando Representação Fiscal com proposta de exclusão do sujeito passivo do Simples a partir do anocalendário 2007, com fundamento no inciso I do artigo 14, e inciso IV do artigo 15 da supracitada Lei nº 9.317/96. A representação fiscal a que alude a fiscalização foi formalizada no mesmo processo administrativo relativo aos Autos de Infração, qual seja, o de nº 15758.000587/201051 (fls. 574/575). À fl. 612 foi emitido o Ato Declaratório Executivo nº 08, de 01/02/2011, excluindo o contribuinte do Simples com efeitos a partir de 01/01/2007, tendo sido intimado o contribuinte em 11/02/2011, conforme Intimação de fl. 613 e Aviso de Recebimento de fl. 614. Restaram lavrados os Autos de Infração de fls. 511/512 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – percentual do SIMPLES, 521/522 – PIS/PASEP – percentual do SIMPLES, 531/532 – CSLL – percentual do SIMPLES, 541/542 – COFINS – percentual do SIMPLES, 551/552 – Imposto Sobre Produtos Industrializados, e 561/562 – Contribuições previdenciárias – percentual do SIMPLES. Irresignado com o lançamento, comparece o sujeito passivo aos autos, impugnandoo pelo instrumento de fls. 577/581, aduzindo, em síntese, o que segue: 1) que, em análise ao relatório “Relação de Origens”, anexo ao Termo de Verificação de Infração, foram constatadas diversas irregularidades: a) na página 2/25, na data 30/01/2006 — doc. 991826, foi indicada a tributação do valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), referente à venda de uma Fl. 686DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 685 5 Grampeadeira; que a tributação da referida operação é indevida e merece ser excluída da base de cálculo, tratandose de atividade não operacional, de modo que deve tributada pela diferença entre o valor de venda e de com contábil; b) na página 3/25, na data 06/02/2006, foi tributado em duplicidade o valor de R$ 1.255,00 (mil duzentos e cinqüenta e cinco reais), referente à duplicata 32296B; c) na página 15/25, na data de 07/08/2006, foi incluído como tributável o valor de R$ 850,00 (oitocentos e cinqüenta reais), referente ao recebimento de seguro por roubo de mercadoria, que não deve fazer parte da base de cálculo; que, fazendose comparação, na página 22/25 (nas datas de 22/11/2006 e 24/11/2006), a mesma situação de recebimento por roubo de carga foi corretamente excluída da tributação, desconsiderandose da base de cálculo os respectivos valores de R$ 3.182,18 (três mil cento e oitenta e dois reais e dezoito centavos) e R$ 5.000,00 (cinco mil reais); d) na página 24/25, na data de 18/12/2006, foi incluído como tributável o valor de R$ 7.169,20 (sete mil cento e sessenta e nove reais e vinte centavos), referente ao processo de cobrança, valor este que já havia sido tributado originalmente, configurandose bis in idem que deve ser sanado; 2) que a tributação simplificada foi criada para aplicar uma tributação mais favorável as empresas de pequeno porte, visando uma proteção as mesmas, conforme garantia constitucional ditada no inciso IX do art. 170 da Constituição Federal de 1988; que, contudo, o que se verifica é o absurdo da contradição; que a Contribuição para a Seguridade Social — INSS, exigida segundo o Auto de Infração, cujo valor original é de R$ 937.635,09 (novecentos e trinta e sete mil seiscentos e trinta e cinco reais e nove centavos); que a impugnante possuía naquele ano de 2006 um gasto de salário anual por volta de R$ 700.000,00 (setecentos mil reais); que, se fosse recolher esta contribuição pelas formas de tributação do lucro real, presumido ou arbitrado, teria gasto no ano aproximadamente apenas R$ 201.000,00 (duzentos e um mil reais), mostrando que a exigência fiscal é quase 5(cinco) vezes o que seria realmente devido; 3) que resta demonstrada de forma cabal a tributação descabida, desproporcional e muito acima da capacidade contributiva do sujeito passivo, uma afronta aos princípios e normas que regem a tributação, principalmente as ditadas pela Constituição Federal e pelo Código Tributário Nacional – CTN; 4) que foi objeto de lançamento percentual relativo ao Imposto Sobre Produtos Industrializados; contudo, sustenta que a exigência é indevida, pois tanto a "criação" de uma tributação pelo regime Simples, quanto eventual ausência de permissão para a utilização da manutenção de crédito, vêm contrariar as disposições do art. 153, parágrafo 3°, inciso II, da Constituição Federal de 1988, assim como do art. 49 do CTN, configurandose, portanto, tributação inconstitucional, que deve implicar na nulidade do procedimento fiscal. Às fls. 615/620 apresenta manifestação de inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo nº 08, de 01/02/2011, aduzindo, em síntese: 1) que as razões justificativas da exclusão são infundadas, conforme demonstrado no instrumento de impugnação já apresentado nos autos do processo administrativo; que no referido instrumento de impugnação, bem assim, nos documentos a ele acostados está demonstrada a existência de diversos erros e incorreções a serem revisados com vistas à correta apuração dos valores; Fl. 687DF CARF MF 6 2) que a apresentação da impugnação administrativa tem efeito suspensivo, obstando a aplicação de penalidades oriundas do Auto de Infração objeto de discussão na via administrativa, na forma do artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN; que não se pode aplicar penalidades e medidas decorrentes de um Auto de Infração cuja legalidade e legitimidade estão em discussão, respaldada por conjunto probatório do qual é possível a constatação da efetiva receita auferida perante a sistemática do Simples; 3) que o Ato Declaratório de exclusão da sistemática do Simples implica em penalidade pecuniária compreendida pelo crédito tributário constante do Auto de Infração impugnado; que a impugnação inaugura a fase litigiosa na via administrativa, conforme artigo 14 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), possuindo, portanto, caráter suspensivo em relação à exigência do crédito tributário, bem como das consequentes sanções tributárias; 4) que a suspensão da exigibilidade do crédito e da aplicação das penalidades estendese até o julgamento definitivo na esfera administrativa, por força do efeito suspensivo do recurso voluntário interposto contra a decisão da impugnação, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72; que, impugnada a autuação, precipitada resta a declaração de exclusão do contribuinte junto ao sistema do Simples, medida esta subordinada ao resultado do julgamento pela autoridade administrativa; 5) transcreve os fatos e argumentos já apresentados no instrumento de impugnação administrativa de fls. 577/581 quando aos erros apontados na apuração da receita bruta, bem assim, quanto à sujeição ao IPI e à desproporção da base de cálculo utilizada para efeitos de cálculo do percentual relativo às contribuições sociais. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Em julgamento, a delegacia de piso julgou a impugnação improcedente, por meio do acórdão nº 0538.472, de 24 de julho de 2012, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. BASE DE CÁLCULO. ÔNUS PROBATÓRIO. No âmbito do lançamento tributário incumbe ao sujeito passivo o ônus da prova quanto à comprovação de valores indevidamente considerados como base de cálculo às contribuições ao Simples. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal em vigor, posto que tal mister incumbe tão somente aos órgãos do Poder Judiciário. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. INDEPENDÊNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 686 7 Descabe falarse em nulidade da lavratura fiscal em face de representação administrativa de exclusão do Simples, quando cada qual destes atos se referem a períodos de apuração distinto, não havendo a exigência de prejudicialidade entre ambos. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A interposição de impugnação administrativa quanto ao ato de lançamento fiscal impede apenas a adoção de medidas executivas quanto à satisfação dos valores relativos ao crédito tributário, não prejudicando o lançamento validamente realizado. LANÇAMENTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO SIMPLES. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ORDINÁRIO. PRODUÇÃO DE EFEITOS. No período em que o contribuinte se manteve no Simples descabe falarse na adoção de outro regime de tributação, dado que os efeitos da exclusão, no caso de superação da receita bruta limite ao Simples, somente se produzem no anocalendário posterior. LANÇAMENTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS BANCÁRIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Configura presunção de omissão de receita a não comprovação idônea da origem de depósitos/créditos mantidos pelo contribuinte em conta bancária junto a instituição financeira, fundamentando validamente a lavratura de Auto de Infração e a exclusão de ofício do contribuinte junto ao Simples, em relação a períodos de apuração não coincidentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ na data de 20/08/2012 (cf. AR de efl. 659), e não satisfeita com a decisão de piso, apresentou recurso voluntário em 17/09/2012 (efls. 661 a 672), conforme protocolo de efl. 661, repetindo os argumentos apresentados na impugnação. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Fl. 689DF CARF MF 8 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. A recorrente apresenta os mesmos argumentos já trazidos na impugnação, sem acrescentar nenhum elemento adicional. Desta forma, de acordo com o teor do par. 3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF, por concordar com os fundamentos da DRJ, reproduzo o teor de seu voto: § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (início da transcrição do voto da DRJ) Os autos do processo administrativo nº 15758.000587/201051 abrangem duas situações distintas, mas correlacionadas entre si: a) lavraturas fiscais relativas ao ano calendário de 2006 pela ocorrência de presunção de omissão de receita; e b) representação fiscal para efeito de excluir o contribuinte da sistemática do Simples com efeitos a partir de janeiro de 2007. Diante disto, passo a julgar cada uma das situações, observando que as matérias são comuns tanto às lavraturas fiscais como ao ato de exclusão do Simples. NULIDADE POR ERROS NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO O contribuinte invoca, seja em seu instrumento de impugnação, seja na sua manifestação de inconformidade, esta se reportando àquele, alguns fatos relativos à apuração da base de cálculo. Contudo, em que pese tal alegação, verificase que não há qualquer demonstração documental nos autos que permita acolher o entendimento apresentado pelo sujeito passivo. Com efeito, seja em relação ao instrumento de impugnação, seja em relação à manifestação de inconformidade, não há documentos que comprovem os fatos alegados pelo sujeito passivo. Ao instrumento de impugnação foram juntados os seguintes documentos: “Relação de Origens” formulada pela fiscalização (fls. 582/586), Contrato Social (fls. 587/594), 3ª alteração do Contrato Social (fls. 595/601), cópia de documento de identificação RG (fl. 602). Ao instrumento de manifestação de inconformidade foram juntados, por sua vez, os seguintes documentos: cópia do Ato Declaratório Executivo nº 08 (fl. 621), cópia de documento de identificação RG (fl. 622), Contrato Social (fls. 623/626), 3ª alteração do Contrato Social (fls. 627/633), cópia da representação fiscal elaborada pela fiscalização (fls. 634/635), cópia da Intimação SECAT nº 45/2011 (fl. 636). Sobre o assunto, dispõe o Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: ... omissis ... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... omissis ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 687 9 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Assim, a dicção do § 4º é clara ao estabelecer a preclusão na esfera administrativa quanto aos elementos de prova de natureza documental não apresentados na impugnação, não havendo demonstração de qualquer das hipóteses do § 4º citado. Aliás, não poderia ser de outra forma, na exata medida em que havendo matéria a ser impugnada, o julgador deve estar adstrito aos elementos constantes dos autos, conforme princípio da persuasão racional, igualmente aplicável no âmbito do processo administrativo. A apresentação de provas no âmbito processual se constitui ônus de quem alega o fato que elas pretendem demonstrar. Ao não se desincumbir deste ônus, o contribuinte, responsável pela demonstração dos fatos que alega, sucumbe em sua pretensão, arcando com as consequências inerentes à deficiência probatória. Pelo exposto, à vista da ausência de elementos comprobatórios mínimos às alegações do sujeito passivo, há que se afastar a alegação de erro quanto à aferição da base de cálculo ao lançamento, preservando os valores adotados pela fiscalização quanto às receitas omitidas. SISTEMÁTICA DO SIMPLES – BASE DE CÁLCULO – ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O contribuinte visa o reconhecimento da improcedência tanto do Auto de Infração, bem assim, da sua exclusão do Simples alegando violação aos princípios previstos na Constituição Federal, notadamente, artigos 153, § 3º, inciso II e 170, inciso IX, todos da Constituição Federal de 1988. Ocorre que o enfrentamento de questões desse jaez é algo que refoge à competência assim da fiscalização como deste órgão de julgamento, porque o controle de constitucionalidade das normas regularmente postas e em vigor compete aos órgãos competentes do Poder Judiciário, assim por meio do controle difuso como pelo concentrado, ressaltandose que, neste último caso, a competência é exclusiva da Suprema Corte, conforme expresso no artigo 102, I, "a" da Constituição Federal, in verbis: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: Fl. 691DF CARF MF 10 a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; Assim, a norma cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada pelo órgão competente para fazêlo, surtirá efeito e, por conseguinte, deverá ser aplicada pelos órgãos da Administração Pública, cuja atividade, na letra do art. 37 da Superlei, subsumese inteiramente ao princípio da legalidade. Este entendimento encontrase pacificado desde há muito no âmbito da administração fazendária, como se verifica no seguinte julgado proferido pela 2ª Câmara dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atualmente, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): 2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 202 19.279 em 03.09.2008 RESTITUIÇÃO/COMP COFINS Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/1992 a 31/05/2000 NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA. SÚMULA Nº 2 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. O órgão julgador administrativo não pode se manifestar sobre a constitucionalidade de dispositivo de lei, pois apenas o Poder Judiciário recebeu competência constitucional para declarar a inconstitucionalidade de lei EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins tem seu supedâneo legal na Lei Complementar nº 70/91 e na Lei nº 9.718/98, que estabeleceram o faturamento e a receita bruta como base de cálculo da exação, em cujos conceitos estão inseridos os tributos indiretos não lançados e cobrados na nota fiscal destacadamente do preço do produto. Recurso negado. Resultado: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente da Câmara. ( DOU 26.02.2009) Na mesma linha, a Câmara Superior de Recursos Fiscais do referido órgão ministerial vem assim decidindo: COFINS. DECADÊNCIA E ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A 2ª Turma, por maioria, negou provimento ao recurso do contribuinte quanto à decadência e, por unanimidade, também negou provimento quanto à competência para exame de constitucionalidade, confirmando o entendimento do acórdão 20309912, assim ementado com relação a estas matérias: “NORMAS PROCESSUAIS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Às instâncias administrativas não compete apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. COFINS. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 688 11 Mais recentemente, o mesmo Conselho editou a Súmula nº 2, veiculada pela Portaria CARF nº 49 de 01.12.2010, cujo enunciado reproduzimos a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A doutrina pátria mais abalizada também não discrepa dessa visão, consoante as seguintes palavras do festejado Hugo de Brito Machado, in “Revista Interesse Público”, ano 11, n. 56, jul./ago. 2009, p. 25. Belo Horizonte. Forum, 2009: Realmente, não podem os tribunais administrativos declarar a inconstitucionalidade das leis porque esses órgãos a rigor não julgam, vale dizer, eles não desempenham a função jurisdicional do Estado, cujo exercício consubstancia a garantia que a Constituição Federal assegura, sempre que se esteja diante de lesão ou ameaça a direito. Eles não passam de órgãos da Administração Pública destinados a realizar o princípio da subordinação desta à lei. “Fundase a autoridade das decisões do Conselho de Contribuintes na autosubordinação legal da administração pública e na voluntária aceitação do julgado pelos particulares”.1 Assim, o fato de um órgão de julgamento administrativo não apreciar a arguição de inconstitucionalidade de uma lei não significa denegação de jurisdição. Significa apenas que a prestação jurisdicional, quando se trate de lesão a direito produzida pelo Estado legislador há de ser buscada perante o Poder Judiciário. Por fim, ressaltese que o Decreto nº 70.235/72 é também expresso no sentido da impossibilidade em comento, ao prescrever, em seu art. 26A, que: Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Estas as razões bastantes para o não enfrentamento da alegação aqui articulada pelo sujeito passivo. Todavia, em que pese tal entendimento, verificase que a fiscalização observou o disposto no artigo 16 da Lei nº 9.317/96, in verbis: Art. 16º A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Com efeito, em se verificando que o sujeito passivo extrapolou a receita bruta relativa ao seu faturamento, os efeitos da exclusão se operarão a partir do anocalendário subseqüente àquele onde houve tal extrapolação, na esteira do previsto no artigo 9º, inciso II e artigo 15, IV, ambos da Lei nº 9.317/96. Na prática, no anocalendário onde houve a superação do limite da receita, o valor da receita omitida deve integrar a base de cálculo relativa ao cálculos das contribuições ao Simples, ainda que, em tese, os valores devidos desta operação 1 Apud LIMA, Rui Cirne. Princípios de Direito Administrativo. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1982. p. 209. Fl. 693DF CARF MF 12 decorrentes superem aqueles que seriam devidos sob o amparo de outras formas de tributação. A aplicação de outra forma de tributação (lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado) somente ocorre a partir do momento em que se operem os efeitos da exclusão do contribuinte do Simples, o que, no caso dos autos, conforme Ato Declaratório Executivo nº 08/2011 (fl. 612), somente ocorreu a partir de 1º de janeiro de 2007. Portanto, à vista do exposto, não merece acolhida o argumento do contribuinte quanto à tributação mais benigna que teria sob a sujeição de outro de regime de tributação. EXCLUSÃO DO SIMPLES – AUTO DE INFRAÇÃO INDEPENDÊNCIA O contribuinte, ainda, aduz que a manifestação de inconformidade apresentada ao ato de exclusão, bem assim, a impugnação administrativa apresentada ao Auto de Infração, teriam a força suspensiva quanto ao lançamento, de maneira que somente após julgado em definitivo o ato de exclusão se poderia levar a efeito a lavratura de Autos de Infração. Contudo, tal argumento não prospera. Em primeiro lugar, os Autos de Infração abrangem o período compreendido pelo anocalendário de 2006, ao passo que o Ato Declaratório Executivo nº 08/2011 projeta seus efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2007, de maneira que não há coincidência de períodos de apuração. Em segundo lugar, a apresentação de impugnação administrativa e manifestação de inconformidade, segundo o Código Tributário Nacional – CTN, impedem, tão somente, a exigibilidade do crédito tributário, e não o lançamento. Dispõe o CTN, in verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... omissis ... III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; ... omissis ... Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Ora, é cediço que a estrutura da relação jurídicotributária compreende a obrigação tributária e o crédito tributário. A primeira se constitui no vínculo jurídico existente entre sujeitos de maneira que a um deles corresponde o dever de prestar (recolher tributos) e a outro, o dever de exigilos. Já o crédito tributário somente tem cabimento quando do lançamento, isto é, com a adoção do procedimento válido e regular que culmine na lavratura do ato administrativo de lançamento. A exigibilidade, enquanto possibilidade jurídica do sujeito ativo da obrigação (Estadocredor) buscar sua satisfação financeira, somente existe a partir do momento da constituição definitiva do crédito tributário, considerando esta como o exaurimento da discussão administrativa sobre o lançamento. Visto isto, a impugnação administrativa somente afasta a exigibilidade, impedindo que o Estadocredor proceda adote atos materiais relativos à execução do crédito já constituído pelo Auto de Infração, mas não impede o lançamento em si, pois ainda inexistente, a este tempo, o próprio crédito tributário. Eis decisões neste sentido, in litteris: Fl. 694DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 689 13 “Ementa: .... III. ‘Encerrado o lançamento, com os elementos mencionados no art. 142 do CTN e regularmente notificado o contribuinte, nos termos do art. 145 do CTN, o crédito tributário estará definitivamente constituído (...) sendo evidente que, se o sujeito passivo não concordar com ele, terá direito de oporse à sua exigibilidade, que fica administrativamente suspensa, nos termos do art. 151 do CTN (...). A suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituído, todavia, não tira do crédito tributário as suas características de definitivamente constituído, apenas o torna administrativamente inexigível’ (Ives Gandra Martins).....” (STJ. REsp 770863/RS. Rel.: Min. Teori Albino Zavascki. 1ª Turma. Decisão: 01/03/07. DJ de 22/03/07, p. 288.) “Ementa: .... IV. A partir da notificação do contribuinte o crédito tributário já existe., mas ainda está sujeito à sua desconstituição na via administrativa se for impugnado. Nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional, a interposição de recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário enquanto pendente de decisão. ....” (STJ. EDREsp 789362/PR. Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 21/09/06. DJ de 16/10/06, p. 305.) “Ementa: .... A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo depósito do montante integral do débito, nos termos do art. 151, inciso II, do CTN, garante ao contribuinte não ser iniciado qualquer procedimento executório, enquanto discutida a exis tência do débito tributário. ....” (STJ. REsp 193402/RS. Rel.: Min. Franciulli Netto. 2ª Turma. Decisão: 11/06/02. DJ de 31/03/03, p. 184.) Destarte, a apresentação de impugnação administrativa impede, no caso dos autos, que o Fisco proceda à execução imediata dos valores apurados como devidos nos Autos de Infração de fls. 511/512 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – percentual do SIMPLES, 521/522 – PIS/PASEP – percentual do SIMPLES, 531/532 – CSLL – percentual do SIMPLES, 541/542 – COFINS – percentual do SIMPLES, 551/552 – Imposto Sobre Produtos Industrializados, e 561/562 – Contribuições previdenciárias – percentual do SIMPLES, não afetando a possibilidade jurídica de constituição do crédito tributário, razão pela qual os referidos Autos de Infração devem ser mantidos. Por outro lado, a apresentação de manifestação de inconformidade em relação ao ato administrativo de exclusão do Simples não interfere no julgamento das lavraturas fiscais. A um, porque, como já referido, tratase de períodos diversos; a dois, porque, futuramente, caso o contribuinte seja autuado em relação ao anocalendário de 2007, tal lavratura fiscal somente pode ocorrer após exaurido o processo administrativo relativo ao ato de exclusão, sob pena de nulidade. Assim, o lançamento não merece reparo. LANÇAMENTO – OMISSÃO DE RECEITA – EXCLUSÃO DO SIMPLES Os autos dão conta de que houve uma quantidade significativa de valores ingressos nas contas de titularidade do sujeito passivo. O contribuinte, de sua parte, prestou os esclarecimentos que entendeu necessário, quedandose inerte quanto à comprovação de origem Fl. 695DF CARF MF 14 de ingressos financeiros, bem assim, comprovando que a origem de uma parte dos ingressos se referiam a recebimentos de valores especificados em notas fiscais por ele emitidas e valores relativos a cobrança por instituições financeiras. Ainda, em relação aos depósitos cuja origem foi comprovada como não integrantes da base de cálculo ao Simples, a fiscalização procedeu à sua exclusão em relação aos valores apurados. Pelo exposto, há que se entender como correto o lançamento levado a efeito pela fiscalização, com fulcro nos artigos 18 da Lei nº 9.317/96 e 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Lei nº 9.317/96: Art. 18 Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; ... omissis ... § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será Fl. 696DF CARF MF Processo nº 15758.000587/201051 Acórdão n.º 1401002.641 S1C4T1 Fl. 690 15 imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Pelo exposto, diante da verificação de ingressos financeiros nas contas bancárias do sujeito passivo, bem como da ausência de justificação comprovada das suas origens, de rigor entender pelo cabimento do procedimento de presunção de omissão de receita, sujeitando o valor excedente à receita declarada na Declaração PJ – Simples como base de cálculo das contribuições devidas ao Simples. Ainda, a procedência do procedimento de presunção de omissão de receita justifica o Ato Declaratório Executivo nº 08/2011, na medida em que resta demonstrado que a receita bruta auferida pelo contribuinte, não objeto de declaração, extrapolou o limite previsto no artigo 9º, inciso II, da Lei nº 9.317/96, confirmandose a hipótese de exclusão de ofício prevista no artigo 13, inciso II, alínea “a” do mesmo ato normativo, in verbis: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... omissis ... II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: ... omissis ... II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; (término da transcrição do voto da DRJ) Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR as arguições de nulidade e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007840/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Verificado que a decisão incorreu em lapso manifesto quanto à situação de fato circunstanciada nos autos, cabe admitir embargos inominados para sua correção.
Numero da decisão: 2402-006.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de, rerratificando o Acórdão nº 2402-02.557, sejam os autos encaminhados à Unidade Preparadora para que se providencie o desmembramento dos autos do processo nº 19515.007841/2008-31 e correspondente recurso voluntário, com posterior devolução ao Conselheiro Relator com vistas a sua indicação à pauta de julgamento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de, rerratificando o Acórdão nº 2402-02.557, sejam os autos encaminhados à Unidade Preparadora para que se providencie o desmembramento dos autos do processo nº 19515.007841/2008-31 e correspondente recurso voluntário, com posterior devolução ao Conselheiro Relator com vistas a sua indicação à pauta de julgamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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MULTA. Embargante DELEGACIA ESPECIAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EM SÃO PAULO DERAT Interessado PRO MICRO COOPERATIVA DE PROFISSIONAIS DE INFORMÁTICA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. Verificado que a decisão incorreu em lapso manifesto quanto à situação de fato circunstanciada nos autos, cabe admitir embargos inominados para sua correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 78 40 /2 00 8- 97 Fl. 463DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração como embargos inominados, para fins de, rerratificando o Acórdão nº 240202.557, sejam os autos encaminhados à Unidade Preparadora para que se providencie o desmembramento dos autos do processo nº 19515.007841/200831 e correspondente recurso voluntário, com posterior devolução ao Conselheiro Relator com vistas a sua indicação à pauta de julgamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.007840/200897 Acórdão n.º 2402006.139 S2C4T2 Fl. 464 3 Relatório A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 02.557, em 13/3/2012 (fls. 435/439), negando provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, que prevê o prazo decadencial de 5 anos para as contribuições previdenciárias. Não havendo o sujeito passivo antecipado o pagamento das contribuições previdenciárias, mesmo que parcialmente, o prazo decadencial contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no art. 173, inc. I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO E DE PRODUÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. As cooperativas são responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre a remuneração pagas aos seus cooperados quando estes prestam serviços à própria cooperativa, ocasião em que são enquadrados como contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. A Derat/SPO formulou embargos (fls. 453/456) alegando omissão no acórdão, por ter ele se manifestado apenas relativamente à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), não tendo enfrentado a autuação atinente às contribuições correspondentes à parte dos segurados, Auto nº 37.201.6545 (Processo nº 19515.007841/200831). Na sequência, os embargos foram admitidos para apreciação via Despacho datado de 31/10/2014 (fl. 458) É o relatório. Fl. 465DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os embargos foram admitidos mediante o despacho supra mencionado, porém cabe registrar que embargos de declaração devem ser opostos no prazo de cinco dias da ciência do acórdão, forte no § 1º do art. 65 do Anexo II do RICARF. Datando a decisão embargada de 13/3/2012, e estando o processo no âmbito da DERAT/SP ao menos desde 28/2/2013 (ver doc. de fl. 443), resta evidente a intempestividade dos embargos opostos em 12/9/2013, à luz do citado dispositivo normativo. Não obstante, tratando a matéria de fundo de lapso relevante e manifesto, devido a erro procedimental com reflexos prejudiciais ao direito de defesa do contribuinte e à solução das lides postas, devem ser recebidos os ditos embargos de declaração como embargos inominados nos termos do art. 66 do Anexo II do RICARF, sendo, nessa condição, conhecidos. Com razão a embargante. O presente processo abrigava originalmente somente o auto de infração DEBCAD nº 37.189.4093 (parte patronal), porém em 5/5/2011 (ver despacho de fl. 158) foi juntado por anexação a este o processo nº 19515.007841/200831, que veiculava o DEBCAD nº 37.201.6545 (parte segurados). Não foi levada a efeito, contudo, a formação de processo distinto no ambiente do eprocesso. E, quando do julgamento do recurso voluntário em out/2014, não houve manifestação na decisão quanto à situação do DEBCAD nº 37.2016545, contra o qual também foi interposto recurso voluntário fl. 422/426. Sem embargo, para que não ocorra cerceamento de defesa do sujeito passivo, necessário que ele seja devidamente cientificado de que tal recurso voluntário será colocado em pauta, sendo assim imprescindível a formação de autos apartados no eprocesso, a serem na sequência distribuídos a este relator para a devida continuidade no julgamento do feito. Para tanto, as folhas de nº 159/416, correspondentes ao processo nº 19515.007841/200831, bem como o recurso voluntário de fl. 422/426 e os demais documentos necessários ao respectivo julgamento devem ser desmembrados deste processo, com a subsequente colocação daquele processo/recurso em pauta para prosseguimento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos de declaração opostos como embargos inominados, para fins de, rerratificando o Acórdão nº 240202.557, seja providenciado o desmembramento dos autos do processo nº Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.007840/200897 Acórdão n.º 2402006.139 S2C4T2 Fl. 465 5 19515.007841/200831 e correspondente recurso voluntário, com posterior devolução a este Conselheiro para indicação à pauta de julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 467DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723106/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO ENTRE DISPOSITIVO E VOTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. Configura contradição a divergência de entendimento expresso no voto e no dispositivo da decisão. Prevalece a tese sustentada no voto. Aplicam-se efeitos infringentes.
VALE TRANSPORTE.
O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição.
Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho.
No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia.
DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS.
Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é imprescindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova.
No presente caso a Recorrente tão somente justificou-se para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelecimentos.
MULTA
No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008.
Numero da decisão: 2301-005.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301-003.027, de 09/11/2011, rerratificar o acórdão embargado, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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CONTRADIÇÃO ENTRE DISPOSITIVO E VOTO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos quando o acórdão apresenta omissão, contradição ou obscuridade. Configura contradição a divergência de entendimento expresso no voto e no dispositivo da decisão. Prevalece a tese sustentada no voto. Aplicamse efeitos infringentes. VALE TRANSPORTE. O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição. Isto porque, o artigo 5° II da Carta Magna reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer, senão em virtude de lei (Princípio da Legalidade). Mas esta mesma Constituição diz que faz parte do direito do trabalhador o reconhecimento das convenções coletivas do trabalho. No presente caso não foi comprovado a previsão de pagamento de vale transporte em pecúnia. DILAÇÃO DE PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS. Seguindo inteligência do Decreto 70.235 de 1972, em especial no artigo 16, IV, é imprescindível que seja demonstrada as razões justificadas da produção de prova. No presente caso a Recorrente tão somente justificouse para conseguir a dilação, que é empresa de atuação nacional e outras provas estariam, por certo, em outros estabelecimentos. MULTA No presente caso, a multa que mais beneficia a Recorrente é a do Artigo 61 da Lei 9.430 de 1996, até 11 de 2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 06 /2 01 0- 26 Fl. 2873DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2301003.027, de 09/11/2011, rerratificar o acórdão embargado, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Antonio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratamse de embargos interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2301003.027. A embargante sustentou ter havido contradição entre o dispositivo da decisão, que indica provimento ao recurso voluntário na questão do valetransporte nos termos do voto do relator, e o próprio voto do relator, onde se constata a manutenção da autuação. Os embargos foram admitidos pelo presidente desta turma. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. A Embargante alega a existência de contradição entre o dispositivo da decisão e o voto. De fato, a contradição está evidente. O dispositivo da decisão assinalou o provimento do recurso voluntário, com a consequente desoneração do contribuinte no que se refere à incidência de contribuição previdenciária sobre valetransporte. Dele consta: Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do vale transporte, nos termos do voto do Relator; (Sem grifo no original.) Porém, ao analisar a matéria, o relator assim se manifestou em seu voto: Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10166.723106/201026 Acórdão n.º 2301005.298 S2C3T1 Fl. 2.874 3 É bem verdade que o artigo 5° do Decreto 95.247/87, vedou a substituição do valetransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, que não seja o vale transporte. Mas a Lei 7.4181985, que instituiu o vale transporte, não faz menção neste sentido. Ao contrário, ela diz ser direito do trabalhador, respeitando o acordo ou a convenção coletiva de trabalho e que não possui natureza salarial. (Grifo do original.) ......................................................................................................... Neste sentir, se julgar que o Decreto 95.247 de 87 é o instituir de regras para o pagamento do vale transporte, estaríamos admitindo a sua superioridade à Lei 7.418 de 85, pois, dito pela lei em destaque, a regra geral é o pagamento do vale transporte. Só que no presente caso não foi localizada a previsão em convenção coletiva de trabalho, razão pela qual penso que deve ser mantida a autuação nesta rubrica. (Sem grifo no original.) ......................................................................................................... CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO quanto o reconhecimento de não incidência de contribuição social em vale transporte paga em espécie ao trabalhador se atende o objeto da lei, bem como, no mérito, aplicar a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, mantendo o crédito tributário a integralidade da decisão ‘a quo’ nas demais rubricas. (Sem grifo no original.) A tese exposta pelo relator, e que recebeu a adesão unânime da turma, foi de que o valetransporte poderia ser pago em dinheiro, uma vez que a lei não trouxe limitação quanto a isso e o decreto regulamentador não poderia fazêlo. Porém, as condições da lei deveriam ser observadas e, no caso em concreto, uma das condições, que é a previsão do pagamento do benefício em convenção coletiva, não teria sido adimplida pelo contribuinte, razão pela qual o relator pugnou pela manutenção da autuação. O texto da ementa reforça o entendimento do colegiado de que a convenção coletiva é condição necessária à exclusão do valetransporte do salário de contribuição: O vale transporte quando pago em dinheiro e previsto em Convenção Coletiva do Trabalho, não enseja salário contribuição.(Grifo do original.) Voto por acolher os embargos e rerratificar o acórdão embargado, dandolhe efeitos infringentes, de modo a adequar o dispositivo da decisão ao que consta do voto do relator. Fl. 2875DF CARF MF 4 João Maurício Vital Relator Fl. 2876DF CARF MF
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