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Numero do processo: 10768.720087/2007-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.
Numero da decisão: 9303-006.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 465 a 471), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 330101.316, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 441 a 447), sob a seguinte Ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 00 87 /2 00 7- 00 Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10768.720087/200700 Acórdão n.º 9303006.526 CSRFT3 Fl. 509 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO E FISCAL SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, ou qualquer outra medida judicial proposta pelo sindicato da categoria econômica, por substituição processual, não se encontra entre as hipóteses previstas em que deva ser reconhecida a renúncia à esfera administrativa, prevista no art. 1º, § 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979 e art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e art. 78, § 1º do Anexo II, do RICARF. Recurso Parcialmente Provido. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 473 a 475), a PGFN defende que não só as ações individuais, mas também as coletivas (como as propostas pelos sindicatos da categoria à qual pertence a interessada), geram concomitância, que importa renúncia às instâncias administrativas, a teor da Súmula CARF nº 1. Apresenta dois acórdãos paradigmas, sendo que transcrevo a ementa do segundo (nº 30130.881, de 07/11/2003, do 3º Conselho de Contribuintes): PROCESSUAL. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. FEDERAÇÃO A QUE PERTENCE O AUTUADO. A fundamentação da defesa em decisão judicial prolatada em Mandado de Segurança Coletivo, impetrado por Sindicato a que está filiada, implica opção pela via judicial e renúncia à via administrativa, e impede o conhecimento do recurso. RECURSO NÃO CONHECIDO POR UNANIMIDADE. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 500 a 505), nas quais, inicialmente, pugna pelo não conhecimento do Recurso Especial, alegando, “Em apertada síntese”, que “a divergência jurisprudencial apontada NÃO foi devidamente comprovada e as situações descritas nos arestos não se amoldam perfeitamente à hipótese descrita nos autos”. No mérito, utilizandose da Constituição Federal, do Código de Processo Civil, de citações doutrinárias e até mesmo do Parecer Normativo Cosit nº 07/2014 (que trata da concomitância no âmbito do contencioso administrativo), conclui que “Por óbvio, o procedimento administrativo em tela e o Mandado de Segurança Coletivo impetrado pelo SINDICON não possuem identidade de partes ... não podendo, portanto, falar em concomitância ...”, pelo que o Acórdão recorrido “não merece qualquer reparo, já que embasado na melhor doutrina e jurisprudência do Egrégio CARF, tendo ainda sólida fundamentação legal e constitucional ...”. É o Relatório. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10768.720087/200700 Acórdão n.º 9303006.526 CSRFT3 Fl. 510 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fiz questão de transcrever a ementa do segundo acórdão paradigma trazido pela PGFN para demonstrar que o contribuinte absolutamente não tem razão ao dizer que não ficou demonstrada a divergência. A simples leitura das Ementas dos Acórdãos recorrido e paradigma deixa claríssima a interpretação diametralmente oposta para a mesma situação fática, até mesmo para quem não é familiarizado com o assunto, pelo que conheço do Recurso Especial. No mérito, esta questão está mais que pacificada no CARF, inclusive nesta mesma Turma da CSRF, o que retrato transcrevendo as ementas de um recente acórdão (em processo do mesmo contribuinte) da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF – à época presidida pelo ilustre Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, e de mais dois deste Colegiado: Acórdão nº: 3402004.614, de 26/09/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.189, de 18/05/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1999 a 31/01/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão nº: 9303005.472, de 27/07/2017 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10768.720087/200700 Acórdão n.º 9303006.526 CSRFT3 Fl. 511 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Utilizome do voto condutor do douto Conselheiro Relator do acórdão cuja ementa foi por último transcrita, para consignar aqui não só a jurisprudência, mas também os argumentos com os quais comungo: “... a impetração de mandado de segurança coletivo não induz litispendência, de modo que, além de não obstar a entidade sindicalizada a ajuizar uma ação individual, também não a transforma em parte autora da ação coletiva. Hoje, esse entendimento, que era jurisprudencial, encontrase encartado na própria Lei nº 12.016, de 7/8/2009, que disciplina o Mandado de Segurança Individual e Coletivo. Confirase: Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva.” À vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no Mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.901339/2008-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
O § 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro dc l996, prevê manifestação de inconformidade somente contra a não-homologação da compensação.
Numero da decisão: 1001-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que conheceram integralmente do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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O § 9° do art. 74 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro dc l996, prevê manifestação de inconformidade somente contra a nãohomologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues, que conheceram integralmente do recurso. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 13 39 /2 00 8- 14 Fl. 125DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 39402.62803.150305.1.3.031066 e 28383.64333.310305.1.3.030932 (efls. 02/06 e 22/26), através das quais o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos. Assim dispôs o relatório do Acórdão 0644.147 1 ª Turma da DRJ/CTA (efls. 109/111): Trata o presente processo das declarações de compensação, a seguir relacionadas, apresentadas com utilização do direito creditório, no valor de R$ 8.983,47, oriundo do saldo negativo de CSLL do exercício de 2004: . PER/DCOMP nº 39402.62803.150305.1.3.031066 (fls. 0306): compensação dos débitos de PIS Não Cumulativo (R$ 677,48) e Cofins Não Cumulativa (R$ 3.100,10) do mês de fevereiro/2005; . PER/DCOMP nº 28383.64333.310305.1.3.030932: compensação do débito de R$ 2.436,10 de estimativa de IRPJ do mês de fevereiro//2005. 2. A DRF/Taubaté, por meio de despacho decisório eletrônico proferido em 23/10/2008 (rastreamento nº 796765850, à fl. 11), não reconheceu o direito creditório indicado porquanto seu valor não coincide com o saldo negativo de CSLL declarado na DIPJ 2004 (R$ 3.502,13) e a contribuinte foi intimada em 31/07/2006 (fls. 0708) e 11/09/2007 (fls. 0910) a regularizar tal divergência, mas providência alguma foi tomada. 3. Regularmente cientificada por via postal em 05/11/2008 (AR à fl. 105), a reclamante apresentou, em 01/12/2008, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1314, instruída com os documentos de fls. 15102, na qual alega que informou incorretamente na declaração de compensação inicial que o direito creditório seria oriundo do saldo negativo de exercício de 2004, quando o correto é do exercício de 2005. 4. É o relatório. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0644.147 1 ª Turma da DRJ/CTA, efls. 109/111). A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que tendo sido indicado direito creditório incorreto, resta prejudicada a compensação declarada nos autos. Cientificada em 28/01/2014 (efl. 113), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 27/02/2014 (efl. 114), em que pede o parcelamento e/ou cancelamento dos débitos fiscais e a exclusão da PERDCOMP destes autos, averbando: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10860.901339/200814 Acórdão n.º 1001000.552 S1C0T1 Fl. 126 3 . Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O pedido para exclusão ou retificação da PER/DCOMP destes ou de outros autos (bem como para a retificação de PERDCOMP já aprecidada pela DRF) incluemse na competência da DRF, e não é matéria do contencioso administrativo. No caso presente, a contribuinte não se insurge contra o despacho decisório e seus fundamentos em virtude de algum vício nele existente. Pelo contrário, limitase a apresentar pedidos de retificação da própria PERDCOMP ou de parcelamento dos débitos confessados. Entretanto, tal competência foi deferida exclusivamente às DRF, conforme se vê no art. 244 do aludido Regimento Interno da SRF, verbis: Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de Fl. 127DF CARF MF 4 atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: (...) X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; Em face do exposto, não tendo sido apontado qualquer vício, nulidade ou erronia de qualquer espécie no despacho decisório, ele deve ser mantido, até mesmo por se mostrar improfícua a única providência solicitada pela contribuinte. Nesses termos, voto por não conhecer do recurso voluntário em virtude de não ter sido apontado qualquer vício no acórdão recorrido, passível de correção nesta sede de julgamento administrativo. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator orientou seu voto para Não Conhecer do Recurso Voluntário, sob a fundamentação de "não ter sido apontado qualquer vício no acórdão recorrido, passível de correção nesta sede de julgamento administrativo" Com a devida vênia, discordo do Voto do Relator. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir do posicionamento do ilustre Relator. Pois bem, conforme cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10860.901339/200814 Acórdão n.º 1001000.552 S1C0T1 Fl. 127 5 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não por acaso, o Decreto 70.235/72, ao dispor sobre o processo administrativo fiscal, mostrando obediência aos comandos constitucionais supracitados, estabeleceu o Recurso Voluntário como meio apto para submeter as decisões exaradas pelas Delegacias Regionais de Julgamento ao duplo grau de jurisdição, in casu, a ser exercido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Notese que, fora o prazo legal de 30 dias, tal dispositivo não faz qualquer outra ressalva ou restrição quanto às hipóteses de cabimento do Recurso Voluntário. Destarte, fica claro que havendo decisão de primeira instância proferida por uma Delegacia Regional de Julgamento é sempre cabível o competente Recurso Voluntário, visando a competente revisão do decisum por esta instância superior, contanto que interposto por pessoa legitimada no prazo legal de 30 dias. Tal entendimento está em linha com o disposto pelo art. 63 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, conforme se transcreve: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Fl. 129DF CARF MF 6 Assim, resta evidente que o juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário devese voltar tão somente para a verificação do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade supra colacionados, não devendo o conhecimento do recurso se confundir com a própria análise do mérito da decisão do juízo a quo. Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, ao se debruçar sobre o tema da admissibilidade recursal no processo administrativo, conforme se faz oportuno transcrever: Com o escopo de conferir qualidade e atribuir segurança aos julgamentos administrativos, o princípio do duplo grau de cognição afigurase como imperativo jurídico expresso no art. 5°, LV, da CF/1988 e o direito ao recurso representa importante desdobramento do princípio da ampla defesa. (...) O recurso voluntário não é de fundamentação vinculada, de modo que o único juízo de admissibilidade cabível é de natureza formal, como, por exemplo, quanto ao prazo de interposição ou regularidade de representação processual. É o recurso por excelência, de revisão geral, no qual o contribuinte pode deduzir, novamente se for o caso, toda sua matéria de defesa, processual, fática ou estritamente material.(grifouse) (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 279 e 285.) Resta cristalino, pela detida análise de tudo que foi colacionado acima, que o Recurso Voluntário é o instrumento hábil para se operacionalizar o necessário duplo grau de jurisdição, permitindo que qualquer decisão que seja tomada por uma DRJ seja submetida ao crivo do CARF, contanto que preenchidos seus pressupostos formais. Voltando ao caso concreto em tela, resta evidente que o Recurso Voluntário ora analisado foi interposto: (i) dentro do prazo legal de 30 dias; (ii) pelo legítimo sujeito passivo da obrigação em comento; (iii) contra decisão prolatada por DRJ, sendo, portanto, este CARF o órgão competente para proceder à revisão do julgado; Outrossim, acerca do específico caso em tela, cumpre dizer que em seu Recurso Voluntário o contribuinte trás que: "(...) os débitos deste processo já foram julgados em outro de nº 10.860.900450/201199 (...)". Ora, cumpre dizer que eventual cobrança em duplicidade de débito é matéria de ordem pública, isto é, se verificada que realmente o objeto deste feito já foi solucionado por outro Processo Administrativo ou até mesmo se teve sua eventual extinção por outra via é dever do julgador conhecer de ofício da circunstância, independente de maiores formalismos processuais. Tal constatação apenas reforça que as matérias trazidas pelo Contribuinte no bojo de seu competente Recurso Voluntário merecem ser apreciadas por este Colegiado, ainda que eventualmente venham a ser reputadas improcedentes. Negar sumariamente o conhecimento ao Recurso implicaria em ofensa aos princípios constitucionais já citados. Nestes trilhos, uma vez que a Recorrente está exercendo regularmente o seu direito de ter os fatos e fundamentos analisados pela competente DRJ reavaliados por este Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10860.901339/200814 Acórdão n.º 1001000.552 S1C0T1 Fl. 128 7 Conselho, entendo que o seu Recurso deve ser plenamente conhecido por esta turma de julgamento. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas conclusões por ocasião do exame de admissibilidade e encaminhar o meu VOTO no sentido de CONHECER INTEGRALMENTE do Recurso Voluntário oferecido pela parte. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914652/2008-84
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO.
O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
Numero da decisão: 1001-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO. O prazo para o contribuinte retificar sua DCTF, que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida, coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 46 52 /2 00 8- 84 Fl. 151DF CARF MF 2 Tratase de Declarações de Compensação 27491.28863.200404.1.3.040601 (efls. 07/11), de 20/04/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade (IRPJ 1° Trim. / 2004) com créditos decorrentes de pagamentos indevidos (2° trimestre do anobase de 2002). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 783808049 (efl. 02), que analisou as informações e reconheceu que foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (efls. 12/13) na qual alegou que declarou em DCTF original valor do débito de IRPJ com valor bruto (sem a dedução do IRF Retido na fonte), durante o ano de 2002. Requereu também que fosse retificada a Per/Dcomp referente ao Despacho Decisório recorrido e retificada as DCTF'S do 1° Trim/2003 ao 4° Trim/2003 pelo motivo da alteração quanto ao crédito compensado. A manifestação foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 16 24.587 7a Turma da DRJ/SP1, efl. 48/54). A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, por entender que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida em sede de contencioso administrativo e que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008, portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 2° trimestre do ano calendário 2002: denotase que a intenção de retificar a declaração não pode ser reconhecida para fins de alteração das informações reportadas na DCOMP original, haja vista que a pretensão motivouse a destempo, ou seja, manifestada imediatamente após a ciência da decisão administrativa, circunstância que indica descumprimento de requisito preliminar firmado pelo art. 57 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28/12/2005. De outra parte, ante o exame simultâneo das alegações inerentes às alterações das informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, fica patente que o interessado transmitiu as DCTF retificadoras extemporaneamente, uma vez que somente levou a efeito após o decurso do prazo decadencial admitido para que o contribuinte adotasse as providências necessárias visando promover correções de débitos regularmente confessados perante a Administração Tributária Federal. Retomando a situação fática tratada nos autos, evidenciase que as DCTF retificadoras, noticiadas na manifestação de inconformidade do contribuinte, foram transmitidas em 02/07/2008 (fls. 31 e 39/40), portanto após 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores correlatos ao IRPJ apurado no 20 trimestre do ano calendário 2002, visando flagrante intuito de incitar, a destempo, a desoneração de parcela do imposto pago e regularmente confessado por intermédio da DCTF do respectivo períodobase, assim, produzindo, de forma inoportuna e ilegítima, a constituição do saldo credor reivindicado no pleito em discussão. (...) Cientificada em 07/04/2010 (efl. 63), a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/05/2007 (efl. 64), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e complementa que não operou a decadência, acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB e requer diligência: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.914652/200884 Acórdão n.º 1001000.536 S1C0T1 Fl. 152 3 há de se esclarecer que a retificação das DCTF do 2° e 3° Trimestres/2002 foram aceitas pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (doc. 03), tornando incompetente a DRJ para analisar o seu deferimento. Caso o Nobre Colegiado entenda por necessário à busca da verdade material, certamente determinará a conversão do julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora ratifique a validade da DCTF retificadora, a qual está ativa no sistema da RFB. Ao tema, há de se considerar que, por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, o ora Recorrente acreditou que não seria necessário comprovar aquilo que já era de conhecimento do Fisco Federal, pois o seu pleito estava escorado nas exatas informações que estavam processadas no próprio sistema de controle da RFB. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Quanto ao pedido para que a PER/DCOMP 27491.28863.200404.1.3.04 0601 seja retificada adiro aos fundamentos da decisão de primeira instância, pois retificação de PERDCOMP incluise na competência da DRF, e não matéria do contencioso administrativo. Acrescento que, conforme demonstrado na decisão de piso, mesmo as informações e documentos fiscais trazidos junto com a manifestação de inconformidade não se mostraram capazes de confirmar o direito creditório pleiteado. Isto porque sob este enfoque, importa frisar inclusive, que não basta que o interessado se limite a comprovar se houve ou não os pagamentos indevidos ou a maior do imposto reportado no curso do processo, ou mesmo restringirse a assegurar a lidimidade da apuração do crédito declarado na DCOMP, mas, também, deixar patente a constituição e a disponibilidade da importância pretensamente paga a maior, devendo apoiarse em demonstração comparativa, detalhada e lastreada nos livros fiscais e comerciais exigidos pela legislação tributária. A respeito da alegada decadência do direito do contribuinte de modificar as informações prestadas por intermédio das DCTF correlatas ao 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2002, constato que as DCTF retificadoras foram apresentadas em 02/07/2008 (efls. 35) cabendo razão à decisão de primeira instância, visto que o "prazo para o contribuinte retificar sua DCTF (que é a declaração que tem caráter de confissão de dívida) coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN". Por fim, ao contrário daquilo que alega o requerente, é importante ressaltar que os elementos carreados na manifestação de inconformidade por si só não perfazem prova suficiente da presença de erro de fato na elaboração da DCTF, tendo em conta que não possuem o condão de suprir prova documental que abrigue a alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva da imposto. Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em Fl. 153DF CARF MF 4 autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se faz a apresentação, pelo postulante da manifestação de inconformidade, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Observo que o recorrente tenta trazer a esta segunda instância (CARF) documentos no intuito de provar seus créditos. Mas, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. Desta forma indeferese também o pedido de diligência. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722698/2014-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
Numero da decisão: 2001-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal.
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PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de impugnação ao lançamento é de trinta dias, a contar da intimação, não se conhecendo de petição apresentada pelo contribuinte após o prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 26 98 /2 01 4- 81 Fl. 158DF CARF MF 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 101/105, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual referente ao anocalendário de 2008, de R$ 17.780,99 para R$ 2.077,03. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 103), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatou se omissão de rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora Caixa de Previdência dos Funcs. do Banco do Brasil, CNPJ nº 33.754.482/000124, no valor de R$93.249,03, indevidamente declarados como isentos e/ou nãotributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do imposto de renda. Cientificado do lançamento em 16/09/2014 (fls. 107), o interessado apresentou, em 10/10/2014, a impugnação de fls. 02/15, por meio da qual alega em síntese que é portador de paralisia irreversível e incapacitante (gonoartrose de joelho), moléstia prevista na Lei nº 7.713/88, desde novembro de 2008 e é aposentado desde março de 1993, situações que podem ser comprovadas mediante o Laudo Médico Pericial emitido pelo Serviço Público Municipal e o comprovante de aposentadoria que anexa, que atendeu a todas as exigências do Ofício 169/2013, encaminhado à Prefeitura Municipal de Botucatu, apresentando os documentos que fundamentaram o laudo médico pericial, dentre outros argumentos. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls.113/119. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de NÃO reconhecer a moléstia grave. Em sede de Recurso Voluntário, perdeu o contribuinte o prazo legal determinado na norma para a sua apreciação. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. Merece que seja trazido a baila, logo de início, que conforme Aviso de Recebimento (AR) a cientificação da Notificação de Lançamento ocorreu em 31/03/2016, sendo a impugnação apresentada somente em 05/05/2016. Nesta senda, insta frisar que o prazo legal para formalização por escrito da impugnação é de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência do ato que originou o procedimento, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10825.722698/201481 Acórdão n.º 2001000.448 S2C0T1 Fl. 3 3 Registrese, por oportuno, que, nos termos do art. 5o, caput e parágrafo único, do Decreto no 70.235/1972, a contagem dos prazos é contínua, excluindose o dia de início e incluindose o de vencimento, e iniciase ou termina somente em dia de expediente normal. No caso de a intimação ser efetuada por via postal, como é o caso em apreço, a sua ciência se dá na data de seu efetivo recebimento no domicílio fiscal do contribuinte, com Aviso de Recebimento – AR, ainda que deste não conste a assinatura do próprio contribuinte, tal qual determina o inciso II do § 2º do artigo 23 do Decreto n.º 70.235/1972, com a redação dada pelo artigo 67 da Lei n.º 9.532/1997. Este é o entendimento da jurisprudência pronunciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), in verbis: Súmula CARF nº 9 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Intempestivo, o Recurso Voluntário não instaura a fase litigiosa do procedimento, incompatibilizando o julgamento do mérito, consoante disposições do art. 28 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748/1993; e Ato Declaratório Normativo nº 15, de 12 de julho de 1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação. Tendo em vista a evidente intempestividade do recurso entendo que não deve ser conhecido, por ausência delimitação de litígio nesta fase recursal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.723360/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à PGFN para ciência do laudo acostado pela recorrente após as contrarrazões ofertadas pela Fazenda nos autos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à PGFN para ciência do laudo acostado pela recorrente após as contrarrazões ofertadas pela Fazenda nos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o encaminhamento à PGFN para ciência do laudo acostado pela recorrente após as contrarrazões ofertadas pela Fazenda nos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Caio Cesar Nader Quintella, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Demetrius Nichele Macei, Marco Rogério Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias e Edgar Bragança Bazhuni. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .7 23 36 0/ 20 13 -6 2 Fl. 28785DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.777 2 Relatório Tratam os autos de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de multa isolada pela falta de recolhimento do imposto de renda apurado por estimativa, consubstanciado no auto de infração às fl. 02 a 18, referente aos anoscalendário 2008 e 2009, com crédito tributário de R$ 30.746.046,81. O Acórdão nº 1142.857, proferido, em 20 de setembro de 2013, pela 4ª Turma da DRJ/REC (efls. 28355 a 28415) considerou a impugnação da contribuinte procedente em parte, para reduzir o montante do tributo lançado, mantidos os juros de mora e a multa de ofício incidentes sobre o principal, e reduzir os valores das multas isoladas, conforme segue: Em seu Recurso Voluntário (efls. 28433 a 28496), a contribuinte reitera os argumentos apresentados em sua impugnação, na parte que lhe foi desfavorável. Face ao cancelamento de parte do crédito tributário originalmente lançado em valor superior ao limite estabelecido legalmente, a DRJ no Recife submeteu a sua decisão ao CARF, por meio de recurso de ofício. Foram apresentadas pela União, Contrarrazões ao Recurso Voluntário e Razões ao Recurso de Ofício (efls. 28601 a 28633). Fl. 28786DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.778 3 Em Acórdão nº 1402002.323, proferido em 04 de outubro de 2016 (efls. 28711 a 28747), pelo CARF, foi negado provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar seá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembleia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o Fl. 28787DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.779 4 pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1a Turma; Acórdão 9202003.821, CSRF 2a Turma; Acórdão 9303003.385, CSRF, 3a Turma). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Ato contínuo, interpôs a contribuinte Embargos de Declaração (efls. 28760 a 28766), alegando supostas omissões no Acórdão nº 1402002.323, em relação aos seguintes pontos: 1) omissão sobre o laudo de avaliação da Cia Sat. Alega ausência de apreciação de laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia Sat Participações, juntado em 02/09/2016 (efls. 28.653 a 28.709), antes do julgamento da sessão que ocorreu em 04/10/2016; 2) omissão sobre o recurso de ofício relativo aos itens II, 2 e II, 4 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal I. Alega suposta falta de adição ao lucro liquido, para efeito de apuração do lucro real, de parte de seus resultados negativos decorrente da aplicação do mérito da equivalência patrimonial (MEP) (item 11.2); e Compensação indevida de prejuízos fiscais (item 11.4), ambos itens indicados no auto de infração; e 3) omissão no que diz respeito à aplicação da multa isolada. Alega ausência de aplicação do Art. 112 do CTN, no contexto da multa isolada, porquanto o tema fora decidido sob a prevalência do voto de qualidade. Os embargos de declaração foram parcialmente admitidos por este Conselho (e fls. 28773 a 28775), para: a) darlhe seguimento em relação à apreciação de laudo de avaliação e dos itens II.2 e II.4 do relatório do auto de infração, os últimos, contemplados no recurso de ofício; e b) negarlhe Fl. 28788DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.780 5 seguimento, em caráter definitivo, à alegação de interpretação da decisão colegiada por voto de qualidade, pelos termos do art. 112 do CTN, quanto à aplicabilidade da multa isolada. É o relatório. Fl. 28789DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.781 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Os Embargos de Declaração opostos pela Recorrente (p. 28760/28766) são tempestivos, foram admitidos pelo despacho de Admissibilidade de p. 28773/28775 e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. Em suma, foram apontadas duas omissões, as quais passase a analisar. A primeira diz respeito à desconsideração de laudo de avaliação anexado pela Recorrente aos autos às p. 28656/28709, antes do julgamento do recurso voluntário interposto, mas que acabou não sendo considerado nas razões do v. acórdão de p. 28711/28747 por ocasião do julgamento daquele. Já restou decidido, através do v. acórdão embargado, que a incorporação de ações, no caso concreto, foi uma operação societária na qual a totalidade das ações de uma sociedade por ações foi incorporada ao patrimônio de outra, convertendo aquela em subsidiária integral desta e o ágio absorvido pela controlada, quando da incorporação da controladora, foi considerado adquirido e, portanto, passível de amortização como despesa dedutível para fins do imposto de renda, com a ressalva de que tal ágio estivesse justificado em laudo de avaliação expedido por empresa especializada e independente, com base em rentabilidade futura. Da mesma forma, ficou decidido que o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deve estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. A comprovação do pagamento somente é possível mediante apresentação de laudo de avaliação destas ações, elaborado por empresa especializada e independente. Postas essas premissas, insertas no v. acórdão embargado, devese rememorar que a operação societária que ensejou ágio dedutível na incorporação de ações deuse entre dois grupos independentes, que fizeram um acordo prévio de associação antes de realizarem a operação de incorporação de ações para se chegar ao resultado pretendido, qual seja, que cada grupo passasse a deter 50% de participação ao final da combinação de negócios. Outro ponto já decidido é que a transferência de ações representa transmissão de título de propriedade, nos termos do art. 9º da Lei 6.404/76. E que incorporação de ações é um instituto jurídico típico do Direito Societário com especificidades próprias tratadas no art. 252 da mesma Lei. A CSRF, por sua vez, posicionase no sentido de que a incorporação de ações constitui forma de alienação em sentido amplo (Acórdão nº 920200.662). Desta forma, no caso concreto, restou incontroversa a efetiva aquisição pela incorporadora (Cia Sat Participações) das ações da incorporada (Ale Combustíveis) e, posteriormente, a citada incorporadora, na condição de controladora, foi incorporada pela controlada, sua subsidiária integral, a qual passou a fazer jus à dedutibilidade do ágio verificado quando da aquisição desta empresa por aquela, na forma dos arts. 385 e 386 do RIR/99. Fl. 28790DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.782 7 Assim, a controvérsia tinha se resumido, por ocasião do julgamento do recurso voluntário da ora Embargante, ao montante efetivo do ágio escriturado pela Cia Sat Participações em decorrência da aquisição de participação na Ale Combustíveis por intermédio de incorporação de ações. Verificouse, através do laudo de avaliação de p. 691 a 753, que o valor de mercado das ações da Ale Combustíveis, no momento da incorporação, era de R$ 241.723.000,00 e não foi desqualificado pela autoridade fiscal. Mas a diferença para o valor patrimonial, que era de R$ 6.080.551,34, no importe de R$ 235.192.448,86, não foi considerado como ágio pago. Essa dúvida decorreu do fato que a fiscalização não teve, na ocasião, acesso a laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia Sat a valor de mercado e, por essa razão, não aceitou o valor considerado na Ata da AGE da Cia Sat, de 03.07.2006. Ou seja, sem um laudo para amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combustíveis em troca das ações da Companhia Sat, não permitiria aferir o efetivo ágio pago na operação. Para a fiscalização, o ágio apontado de R$ 235.192.448,86 originouse quando do lançamento das novas ações da Cia Sat Participações, quando esta adquiriu as ações da Ale Combustíveis. Neste momento, a Ale Participações entregou todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00 em troca de ações da Cia Sat Participações, no valor de R$ 55.209.117,00, que foi o efetivo aumento de Capital Social da Cia Sat Participações. Assim, nos termos do art. 14, da Lei 6.404/76, para o caso de ações sem valor nominal, o preço de emissão das ações é fixado em assembléia geral, a qual decide se parte de seu valor será destinado à formação de reserva de capital, não havendo, na legislação, o estabelecimento de montante mínimo ou máximo a ser direcionada à referida reserva, cabendo à assembléia geral a decisão nesta parte. Para aferir o valor efetivamente pago, uma vez que não efetuado em numerário, mas em ações, a comprovação do pagamento tornase um pouco mais complexa e sujeita a uma maior subjetividade, fato considerado no acórdão embargado. Desta forma, o valor patrimonial das ações existentes na Cia Sat Participações, antes do aumento de capital para a aquisição das ações da Ale Combustíveis era de R$ 1,00 para cada ação e esta foi a relação feita, na decisão embargada, que justificou a avaliação pelos sócios da Cia Sat Participações e, por conseguinte, pela assembléia geral, para o lastro econômicofinanceiro da operação. Nesse ponto há omissão a ser dirimida. O laudo de avaliação da Cia Sat Participações foi anexado ao feito pela Recorrente às p. 28656/28709, e, especificamente na p. 28706, foi apontado o valor de R$ 241.266.856,03 para a Cia Sat. A questão controvertida, desta forma, ganha novos ares, na medida em que a fiscalização entendeu que o valor fixado em assembléia geral estava amparado exclusivamente na vontade dos acionistas e, desta forma, não poderia ser levado em consideração; e a DRJ, por sua vez, entendeu que o valor do ágio seria a diferença entre os valores patrimoniais das ações “trocadas” – R$ 55.209.117,00 e R$ 6.080.551,34, ou seja, R$ 49.128.565,66, fato corroborado na decisão embargada, mas que, com a apresentação do laudo, passase a ter novos valores, quais sejam R$ 241.266.856,03 e R$ 6.080.551,34, o que redunda no reconhecimento de um Fl. 28791DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.783 8 ágio dedutível de R$ 235.186.304,69, o que praticamente zera os créditos tributários constituídos, na medida que em 120 meses o valor dedutível mensal seria de R$ 1.959.885,87, muito próximo ao utilizado pela Recorrente, ora Embargante, de R$ 1.959.937,07. O segundo ponto omisso que merece ser sanado referese aos itens II.2 e II.4 do Termo de Encerramento de Ação Fiscal. O item II.2 apontado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal trata da suposta falta de adição, ao lucro líquido, de parte dos resultados negativos do contribuinte decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial – MEP. Essa matéria foi decidida no âmbito da DRJ favoravelmente ao contribuinte e, ao ver deste Julgador, ao decidir e votar pela improcedência do recurso de ofício (p. 28733), manteve íntegra a decisão de 1ª instância neste ponto, que, corretamente, atestou, no item 4.3.5, p. 28371, que “a desconsideração fiscal do estorno põe fim à neutralidade dos efeitos dos resultados de equivalência patrimonial na apuração do lucro líquido”. Ou seja, os documentos fiscais do contribuinte comprovaram que não ocorreu a falta de adição, ao lucro líquido, dos resultados negativos do contribuinte decorrentes do método da equivalência patrimonial, de tal forma a garantir a neutralidade do MEP na apuração do lucro líquido. O item II.4 apontado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal trata da compensação indevida de prejuízos fiscais. Da mesma forma que no item anterior, essa matéria foi decidida no âmbito da DRJ favoravelmente ao contribuinte e, ao ver deste Julgador, ao decidir e votar pela improcedência do recurso de ofício (p. 28733), manteve íntegra a decisão de 1ª instância também neste ponto. Ficou esclarecido, já no v. acórdão da DRJ, p. 28398, que havia uma inconsistência no sistema SAPLI, uma vez que a DIPJ referente ao período de 01.06.2006 a 31.07.2006 não estava nos controles da Receita Federal e que essa inconsistência deveria ser ajustada de ofício, de tal forma que o valor da SAPLI e o valor do LALUR do contribuinte, ao final de 2007, passou a ser o mesmo. Ao final, a DRJ manteve uma glosa de R$ 1.084.553,55 nos prejuízos fiscais compensados pelo contribuinte no ajuste anual de 2009. Contudo, caso a primeira omissão seja de fato acolhida para considerar o novo laudo juntado pelo contribuinte, podem ser dados aos embargos de declaração efeitos infringentes, reduzindose a praticamente zero o saldo de IRPJ a pagar, e portanto parte dos prejuízos fiscais utilizados na composição deste auto de infração ficará disponível e, desta forma, a DRF, ao receber a presente decisão, deverá recompor o saldo de prejuízos fiscais do contribuinte e, havendo saldo adicional, considerálo no ajuste anual de 2009, minimizando a glosa mantida pela DRJ. Considerandose então a possibilidade dos presentes embargos terem efeitos infringentes, entendo aplicável a combinação dos artigo 15 e 1.023, ambos do Código de Processo Civil (que transcrevo abaixo): Fl. 28792DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Resolução nº 1402000.627 S1C4T2 Fl. 28.784 9 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 1.023. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz, com indicação do erro, obscuridade, contradição ou omissão, e não se sujeitam a preparo. § 1oAplicase aos embargos de declaração o art. 229. § 2oO juiz intimará o embargado para, querendo, manifestarse, no prazo de 5 (cinco) dias, sobre os embargos opostos, caso seu eventual acolhimento implique a modificação da decisão embargada." Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência, para determinar a intimação da PGFN para que se manifeste sobre os presente embargos de declaração, devido a possibilidade de serem dados a estes efeitos infringentes É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 28793DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900254/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo o despacho decisório eletrônico adequada fundamentação, motivação e demonstrativo quanto às questões decididas, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO.
Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária.
O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16).
Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória.
A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas.
DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO .
O saldo negativo, passível de compensação tributária, é aquele apurado ao final do período a partir do confronto entre o imposto devido ou contribuição devida e as parcelas já antecipadas.
O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condiciona-se à demonstração de sua certeza e liquidez,o que inclui a comprovação das retenções na fonte levadas à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência.
Admite-se a utilização das retenções na fonte como dedução na apuração do da exação fiscal ao final do período, quando comprovada a ocorrência da retenção por meio dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras em nome do beneficiário, o que pode ser suprido pela confirmação em DIRF, e desde que comprovado, ainda, o oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos que sofreram as retenções.
Numero da decisão: 1301-002.903
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo o despacho decisório eletrônico adequada fundamentação, motivação e demonstrativo quanto às questões decididas, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 02 54 /2 01 1- 86 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 3 2 DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO . O saldo negativo, passível de compensação tributária, é aquele apurado ao final do período a partir do confronto entre o imposto devido ou contribuição devida e as parcelas já antecipadas. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez,o que inclui a comprovação das retenções na fonte levadas à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. Admitese a utilização das retenções na fonte como dedução na apuração do da exação fiscal ao final do período, quando comprovada a ocorrência da retenção por meio dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras em nome do beneficiário, o que pode ser suprido pela confirmação em DIRF, e desde que comprovado, ainda, o oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos que sofreram as retenções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Cuidase do Recurso Voluntário apresentado contra decisão da DRJ/São Paulo que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, homologando a compensação até o limite do crédito deferido. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 4 3 O presente processo decorre de pedido de compensação, que tem como crédito pleiteado saldo negativo de CSLL. A DERAT/São Paulo deferiu, em parte, o saldo negativo de CSLL, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Ciente do Despacho Decisório Eletrônico, que não reconhecera parte do direito creditório pleiteado, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, suscitando: 1) Nulidade do despacho decisório por desrespeito aos princípios da motivação e da ampla defesa: que autoridade administrativa não teria apontado os motivos que a levaram a glosar parte do direito creditório pleiteado e, ainda, que o enquadramento legal indicado também não explicaria a glosa; que a falta de entrega de DIRF, eventual erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento dessa declaração ou o não fornecimento do informe de rendimentos não podem, em desfavor do beneficiário, ser motivo de glosa do imposto ou da contribuição retidos na fonte, cabendo à autoridade fiscal no exercício de seu poderdever, exigir da fonte pagadora as explicações necessárias, conforme se depreende dos artigos 8º e 9º da IN/SRF nº 119/2000; que, ainda, a falta de intimação da contribuinte ou das fontes pagadoras para que pudessem apresentar documentos e/ou esclarecimentos sobre o direito pleiteado torna nulo o Despacho Decisório Eletrônico por cerceamento do direito de defesa. 2) Pedido de diligência: que a glosa procedida pela DERAT/São Paulo originouse de uma conjugação de situações: a) fontes pagadoras que não entregaram DIRF ou as entregaram com divergências em relação aos Informes de Rendimentos: b) diferenças entre regime de caixa e competência nas declarações apresentadas ao fisco e entrega de DIRF pelas fontes pagadoras em nome das filiais da manifestante e não em nome da matriz, o que, diante do princípio da verdade material, indica a necessidade de uma análise mais profunda das informações prestadas na DCOMP; que, quanto à documentação fiscal do período de apuração objeto do crédito pleiteado, a manifestante não tem dúvida de que os valores escriturados a título de CSLL retida na fonte, informados na respectiva DIPJ e na DCOMP, em tela, refletem fielmente as notas fiscais emitidas e os valores recebidos das fontes pagadoras, o que a autoridade julgadora, em respeito ao princípio da verdade material, poderia apurar por meio de diligência fiscal. A DRJ/São Paulo (1ª Turma), enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte e analisando as provas carreadas aos autos, julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte ao: rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 5 4 a) indeferir o pedido de diligência (ônus de produção da prova do direito constitutivo do crédito pleiteado é do autor do pedido); b) reconhecer, em parte, o saldo negativo de CSLL, relativo ao 1º trimestre de 2006, além do valor original que fora reconhecido pelo despacho decisório eletrônico recorrido, e homologar parcialmente a compensação. Ciente desse decisum, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário da parte que restou vencida, reiterando, em síntese, as razões já aduzidas na primeira instância, ou seja,: suscitou, preliminarmente, nulidade do Despacho Decisório Eletrônico e retorno dos auto à DERAT/São Paulo para proferir nova decisão, pois foram olvidados princípios basilares da Administração Pública, a saber motivação e razoabilidade; que, antes da emissão do referido despacho, a unidade de origem da RFB deveria ter intimado a ora recorrente e as fontes pagadoras; que houve preterição do direito de defesa. pedido de diligência fiscal: que cabe à fonte pagadora, além da obrigação de reter e recolher a CSLL, fornecer ao beneficiário o competente comprovante de informe de rendimentos e entregar ao fisco a DIRF; que as fontes pagadoras nem sempre cumprem corretamente as obrigações acessórias (cometem erros no preenchimento) e até deixam de entregar DIRF; que há divergências (eventuais diferenças) em face de regime de caixa x regime de competência; que a recorrente indicou na DIPJ as fontes responsáveis pela retenção da CSLL/pagamentos; que, em suma, busca a comprovação fática dessas retenções na fonte/pagamentos, mediante solicitação de diligência, para prevalecer o princípio da verdade material, em relação aos valores ainda não deferidos; que, caso seja superada na preliminar suscitada, invocando o princípio da verdade material, pediu a realização de diligência fiscal para a produção de provas (intimação das fontes indicadas na DIPJ, responsáveis pela retenção do imposto e/ou contribuição a apresentar informes de rendimentos, DIRF e comprovantes de pagamentos. Por fim, a recorrente, com essas razões, pediu a reforma da decisão recorrida na parte que restara vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 6 5 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.898, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.997366/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.898): "O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido; logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito pleiteado pela contribuinte na DCOMP objeto dos autos saldo negativo do imposto ou contribuição, na parte que restou vencida. A parcela do crédito denegado pela decisão recorrida corresponde, juntamente, ao valor da CSLL, quanto ao PA objeto dos autos, para o qual não há prova idônea, cabal, nos autos de que fora retido/recolhido e os rendimentos oferecidos à tributação pela ausência de informes de rendimentos e inexistência de DIRF. Preliminar de Nulidade do Despacho Decisório Eletrônico: Assim como fizera na primeira instância de julgamento, a recorrente voltou a suscitar nulidade do Despacho Decisório Eletrônico da DERAT/São Paulo, argumentado que fora emitido com inobservância dos princípios da motivação e da ampla defesa, que teria implicado cerceamento do direito de defesa ou prejuízo à defesa. Rechaço, peremptoriamente, a preliminar suscitada. Primeiro, como é sabido, na teoria geral dos recursos, a decisão posterior substitui a anterior, mesmo quando confirma a anterior. Assim, a decisão a quo substituiu o Despacho Decisório Eletrônico quanto enfrentou as questões deduzidas na Manifestação de Inconformidade (preliminar e mérito). Então, não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório, quando a decisão posterior o substituiu. Não obstante, no caso não há vício algum, seja na decisão a quo, seja no despacho decisório, que pudesse macular de nulidade essas decisões. Como é sabido, também, no processo de compensação tributária a fase litigiosa instaurase com o oferecimento da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 7 6 Assim, não cabe objetar cerceamento do direito defesa na fase préprocessual. Antes da ciência do despacho decisório não há lide, nem processo. Não há imputação de fato, ou acusação fiscal. Fase préprocessual. No caso de pedido de crédito em compensação tributária, a pretensão resistida (lide) surge após ciência do despacho decisório (que denegou total ou parcialmente o direito creditório), mediante apresentação da manifestação de inconformidade. Os cânones constitucionais da ampla defesa e do contraditório aplicamse na fase processual (processos administrativo e judicial), e não na fase préprocessual que tem caráter de investigação, vale dizer, que tem natureza inquisitória. Logo, não tem plausibilidade jurídica a objeção da recorrente de que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa na faseprocessual, pois o fisco, antes da emissão do Despacho Decisório Eletrônico, não teria dado oportunidade da contribuinte para se defender, ou seja, que não teria intimado a contribuinte e as fontes responsáveis pela retenção do imposto/contribuição na fonte de fornecer os informes de rendimentos e de entregar as DIRF respectivas. Na fase préprocessual, que é de interesse exclusivo do fisco, de caráter inquisitorial, não há obrigatoriedade de intimações, quando a autoridade administrativa entender que não deva fazêlo, ou pelo fato de já possuir os elementos de prova para embasar a expedição do ato administrativo. Diversamente do alegado pela recorrente, o Despacho Decisório está fundamentado, motivado, fatos devidamente narrados, inclusive consta informação, expressa, no seu corpo (anverso), endereço do Sítio da RFB, local onde o demonstrativo completo das retenções da exação fiscal na fonte (relação das retenções deferidas e relação das retenções não aceitas) restou disponibilizado, acessível (disponível para consulta, a partir da expedição do Despacho). Quanto ao acesso ao citado demonstrativo completo das retenções na fonte aceitas e as não deferidas, consta o seguinte texto no corpo do Despacho (anverso) e que transcrevo a seguir, in verbis: (...) Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 8 7 Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Como demonstrado, não tem plausibilidade jurídica a preliminar suscitada, pois o Despacho Decisório e a decisão recorrida não têm vício algum que os pudesse inquinar de nulidade. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Pedido de Diligência Fiscal. Direito Creditório. Ônus da Prova. Falta de Comprovação da Liquidez e Certeza. Na primeira instância já foram analisadas, exaustivamente, todas as provas juntadas aos autos, conforme se pode constatar do voto condutor do acórdão recorrido. Nesta instância ordinária recursal, a contribuinte não juntou outras provas, além das juntadas na primeira instância e já apreciadas pela decisão recorrida. Ou seja, quanto ao direito creditório não deferido pela decisão a quo, a contribuinte não trouxe outras provas nesta instância de julgamento. A recorrente, então, simplesmente pediu a realização de diligência fiscal, ou seja, conversão do julgamento em diligência para que se intime as fontes pagadoras a apresentar informes de rendimentos e DIRF respectiva, para buscar a verdade material. Ora, no processo administrativo de compensação tributária, a contribuinte é autora do pedido de crédito contra o fisco, ao utilizar o crédito para saldar, quitar o débito confessado na DCOMP (compensação tributária, sob condição resolutória). Sendo autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito é da contribuinte, consoante Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, art. 373, I, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 9 8 (...) E o momento para produção das provas, fazer a juntada aos autos, é por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: Ia autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados,assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Ainda, a contribuinte, para efeito de compensação tributária (para fazer o encontro de contas) tem o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN, cujos requisitos citados devem estar atendidos, preenchidos, na data de transmissão da DCOMP. A compensação tributária informada na DCOMP consideráse efetivada, sob condição resolutória, na data da transmissão. A utilização de crédito contra o fisco na DCOMP para compensação de débitos vencidos ou vincendos condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação da CSLL retida na fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. Quanto ao pedido de restituição de crédito/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e a CSLL retida na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária, ou seja, os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora, em nome do beneficiário. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 10 9 Assim, a CSLL retida na fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, que não é o caso. Ainda, apenas para argumentar, caso fossem juntadas notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte temse como prova indiciária mas não comprovam a retenção no período, e muito menos têm o condão de afastar o comprovante de que trata a legislação tributária. Entretanto, a recorrente não trouxe outras provas aos autos, quando da apresentação do recurso nesta instância recursal, além das já analisadas e aproveitadas pela decisão recorrida, pois limitouse a pedir diligência. Ora, a produção de provas do fato constitutivo do direito de crédito alegado, como já frisado alhures, é ônus da alçada da recorrente. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. Como já dito, o ônus probatório do crédito alegado contra a Fazenda Nacional é da Contribuinte. Diligência fiscal não se presta para produzir prova cujo ônus probatório é da recorrente. Nesse sentido, é o entendimento jurisprudencial deste CARF. Aproveito para trazer à colação os seguintes precedentes: PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA—A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acórdão CC n°10708.709, Sessão de 17/08/2006). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.Rejeito o pedido de realização de diligência fiscal. (Acórdão 1802001.435, sessão de 07/11/2012, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDI CA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 11 10 CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN. (Acórdão 180201.885, sessão de 05/11/2013, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDI CA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. O reconheci mento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras,nos termos da legislação de regência.FATO CONSTITUTIVO. ÔNUS PROBATÓRIO. O ônus probatório, quanto a fato constitutivo direito creditórioé do autor do pleito, no caso o contribuinte. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusiva mente de seu próprio ato de vontade. (Acórdão nº 1802000.998, sessão de 04/10/2011, Relator Nelso Kichel). Portanto, rejeito o pedido de diligência. No mérito, a recorrente não comprovou a existência do direito creditório demandado contra a Fazenda Nacional, nesta instância recursal ordinária. Por tudo que foi exposto. voto para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, rejeitar o pedido de realização de diligência fiscal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de realização de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10880.900254/201186 Acórdão n.º 1301002.903 S1C3T1 Fl. 12 11 Fl. 575DF CARF MF
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Numero do processo: 11040.901106/2014-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2014 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 06 /2 01 4- 86 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.901106/201486 Acórdão n.º 1402003.091 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002781/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A reiteração da conduta deve ser aferida pelo contexto probatório dos autos, para levar à convicção de que o sujeito passivo intentou lesar os cofres públicos. No caso, a prática de omitir o IOF devido nas declarações prestadas pela impugnante à administração tributária não advém de divergência na interpretação da legislação, mas de deliberação em não informar o Fisco a existência de débitos do imposto. Não se trata, assim, de mera inadimplência. Verificada pelo agente fiscal a conduta reiterada de omissão na declaração de IOF na DCTF, bem como ausência de quaisquer recolhimentos, é imperiosa a aplicação da multa qualificada (150%), nos termos da Lei.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício aplicada no patamar de 150%, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A reiteração da conduta deve ser aferida pelo contexto probatório dos autos, para levar à convicção de que o sujeito passivo intentou lesar os cofres públicos. No caso, a prática de omitir o IOF devido nas declarações prestadas pela impugnante à administração tributária não advém de divergência na interpretação da legislação, mas de deliberação em não informar o Fisco a existência de débitos do imposto. Não se trata, assim, de mera inadimplência. Verificada pelo agente fiscal a conduta reiterada de omissão na declaração de IOF na DCTF, bem como ausência de quaisquer recolhimentos, é imperiosa a aplicação da multa qualificada (150%), nos termos da Lei. Recurso voluntário negado.
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PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A reiteração da conduta deve ser aferida pelo contexto probatório dos autos, para levar à convicção de que o sujeito passivo intentou lesar os cofres públicos. No caso, a prática de omitir o IOF devido nas declarações prestadas pela impugnante à administração tributária não advém de divergência na interpretação da legislação, mas de deliberação em não informar o Fisco a existência de débitos do imposto. Não se trata, assim, de mera inadimplência. Verificada pelo agente fiscal a conduta reiterada de omissão na declaração de IOF na DCTF, bem como ausência de quaisquer recolhimentos, é imperiosa a aplicação da multa qualificada (150%), nos termos da Lei. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício aplicada no patamar de 150%, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 27 81 /2 00 8- 13 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 544 2 Relatório Contra o contribuinte foi constituída exigência fiscal relativa ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, de fatos geradores ocorridos nos anos de 2004 e 2005, no montante de R$ 548.417,46 incluídos principal, multa de ofício qualificada e juros de mora. O lançamento foi motivado pela constatação de que a autuada não declarou ou recolheu o IOF devido nos anoscalendário de 2004 e 2005. No Termo de Verificação Fiscal, a motivação da multa qualificada foi assim descrita: 38 — A fiscalizada, ao deixar de declarar ou recolher o IOF devido, reiteradamente e de forma consecutiva, nos anos calendário de 2001, 2002, 2003, [objeto de autos de infração tratados em processos distintos como destaca o autor do feito no Termo de Verificação], 2004 e 2005 incidiu na multa qualificada tipificada no art. 44 da Lei n°9.430/96. [...1 47 — O intuito doloso foi caracterizado pela prática reiterada de uma única infração: não declaração do IOF comprovadamente devido, admitido pela própria fiscalizada. 48 — Portanto, a comprovação de que a prática delituosa deuse de forma consistente e reiterada ao longo do tempo denota o intuito doloso pela fiscalizada. 49 — Conforme já relatado anteriormente, a fiscalizada antes do início da ação fiscal retificou todas as DCTFs referentes ao período compreendido entre janeiro de 2001 a dezembro 2005, alterando (majorando), em todos os períodos, o IRPJ, CSLL, PIS e a COFINS. 50 — Porém, não informou nas DCTFs o IOF devido deste período. Frisese que desde o início da ação fiscal a fiscalizada vinha afirmando que sua atividade era supostamente de factoring e, portanto a mesma já tinha conhecimento anterior de que deveria ter cobrado, recolhido e declarado o IOF devido. [...1 53 — Portanto, concluise pelo dolo não a partir de uma única conduta delituosa mas pela repetição desta conduta no decorrer de um longo lapso temporal: cinco anos consecutivos. 54 — Assim, diante das definições anteriormente transcritas e da análise dos fatos e documentos apurados por esta fiscalização, constatamos que a prática sistemática do contribuinte, Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 545 3 materializada pela omissão de declarar ou recolher ao Fisco o 1OF devido, nos anoscalendário de 2001 a 2005, se subsume perfeitamente aos tipos previstos nos arts. 71, inciso 1, e 72 da Lei n. 4.502/1964. A impugnação da empresa fixou como ponto controvertido apenas a aplicação da multa de ofício qualificada. Defende que não se trata de sonegação, mas sim, no máximo, de inadimplemento. No seu entender, o fisco não teria se desincumbido do ônus de provar o evidente intuito de fraude, pois a simples falta ou inexatidão da declaração não justificam a aplicação da multa de 150%. Além disso, sustenta que todos os dados necessários para o lançamento foram fornecidos pela empresa fiscalizada, a partir dos seus registros contábeis. No mais, procedeu ao recolhimento do IOF, acompanhado de juros de mora e da multa de ofício no percentual de 37,5% (redução de 50% permitida para o recolhimento). Diz ainda ter providenciado o depósito administrativo também no importe de 37,5% da multa o que, a seu ver, lhe garante o direito da liquidação do débito com penalidade de 75% reduzida pela metade, visto que na eventualidade de uma decisão contrária à desqualificação da multa qualificada, os recursos já estariam em poder da União. A 3ª Turma da DRJCPS, no acórdão n° 0524.398, negou provimento ao recurso voluntário, com decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2004, 2005 DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. OMISSÃO DE DECLARAÇÃO. REITERAÇÃO. INTUITO DE FRAUDE. Caracterizada a sonegação pela prática de omitir reiteradamente a informação, na DCTF, da existência de valores devidos, é aplicável a multa qualificada por intuito de fraude. Em seu recurso voluntário, a empresa repisa seus argumentos de impugnação, em especial: 1 a falta de declaração não se confunde com omissão do tributo, pois a DCTF é apenas uma obrigação acessória; 2 as operações estavam contabilizadas como operações de fomento mercantil, o que permitiu ao Fisco, de plano, tomar conhecimento da natureza da operação praticada. Não houve, portanto, sequer tentativa de escamotear a natureza da operação para escapar da incidência do IOF; 3 a multa qualificada tem pertinência se a empresa tivesse tentado "esconder" a natureza da operação realizada e 4 apenas não conseguiu recolher o tributo no seu vencimento. É o relatório. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 546 4 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Insurgese a Recorrente contra a aplicação da multa qualificada, por considerar ausentes os pressupostos de aplicação, estando, inclusive, desmotivada. Nos casos de comprovado intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. A lição de Paulo de Barros Carvalho esclarece o papel da aplicação da multa qualificada: É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação de penalidade em decorrência de dolo, fraude ou simulação na prática do ato jurídico tributário. É aplicada quando a Administração Pública demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. Para caracterizar a multa agravada, é necessário, outrossim, a existência de fato doloso, fraudulento ou simulado, devidamente provado, para se produzir a correta subsunção do fato infracional à norma autorizadora do agravamento da penalidade. A constituição do crédito tributário sancionatório dáse por ofício sendo, portanto, também do tipo “multas de ofício”. Decorrem da prática de determinadas infrações, ações ou omissões do sujeito infrator contrárias à lei fiscal, deste modo, também chamadas multas punitivas ou por infração. É geralmente aplicada no percentual de 150%, objetivando com isso intimidar a prática da infração e, por fim, evitar situações dessa gravidade nos casos concretos. Por exemplo, quando dissonantes as informações na DCTF e os livros fiscais, entendese por demonstrado na situação concreta o intuito de fraudar a Administração Pública, justificandose a aplicação da multa agravada de 150%. Em termos de linguagem das provas, sendo as informações de valores na DCTF e DIPJ diversos ao dos livros fiscais dáse por caracterizada a disposição de ludibriar o Fisco, de simular uma situação, o que fundamenta a aplicação da multa agravada, neste caso, nos termos do inc. II do art. 44 da Lei n. 9.430/96. (Direito Tributário, Linguagem e Método. 6. Ed. São Paulo: Noeses, 2015, pp. 894895). As operações da Recorrente indubitavelmente estão sujeitas à incidência do IOF. Isso porque declarou expressamente, nas efls. 125, 126 e 131, que exerce a atividade de factoring. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 547 5 Por outro lado, sofreu processo administrativo no Banco Central por atuar como instituição financeira, sem autorização, conforme ofício acostado aos autos nas efls. 155156. Então, é devido o recolhimento do IOF, quer atuasse como instituição financeira ou como factoring, por força do art. 2°, I, alíneas a e b, do Decreto n° 4.494, de 2002, vigente à época: Decreto n° 4.494, de 2004: Art.22 O IOF incide sobre: Ioperações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei n2 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 12); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditários resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei n2 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, §1 2, inciso III, alínea "d", e Lei n. 9532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); Assim, a prática de omitir o IOF devido nas declarações prestadas pela impugnante à administração tributária não advém de divergência na interpretação da legislação, mas de deliberação em não informar o Fisco da existência de débitos do imposto. Não se trata, assim, de mera inadimplência. Consta nos autos que a empresa retificou todas as DCTF referentes aos anos calendário 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, procedendo à majoração do IRPJ, CSLL, PIS e a da COFINS em todo o período. Todavia, nada declarou de IOF. A empresa fiscalizada não recolheu e não declarou nas DCTF de 2001 a 2005 os valores de IOF devidos. Inicialmente, a primeira fiscalização, na análise do anocalendário 2001, já constatou essa infração (Processo Administrativo 10830.006497/200654). Em seguida, outro procedimento apontou que, para os anos calendário 2002 e 2003, tampouco houve declaração ou recolhimento de IOF devido (Processo Administrativo 10830.010132/200713). Já o presente processo, referese aos mesmos fatos, nos anos calendário 2004 e 2005. Diante disso, entendo como configurada a prática reiterada, visando à ocultação do fato gerador do tributo, que é causa de aplicação da multa qualificada. Nesse sentido, a Câmara Superior já se posicionou: Acórdão n. 9303005.297, julg. 22/06/2017 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 548 6 MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de declarar a menor valores apurados na escrituração contábil/fiscal, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracteriza a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº4.502, de 1964, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como ensina Maria Rita Ferragut, a reiteração da conduta deve ser aferida pelo contexto, para levar à convicção de que o sujeito passivo intentou lesar os cofres públicos: Reiteração é conceito indeterminado. O erro esporádico – uma ou duas vezes em largo espaço de tempo – não se consubstancia numa conduta reiterada. Se, em contrapartida, tal erro ocorrer ao longo de todo o ano, restará configurada a reiteração. Entretanto, esses são os exemplos extremos e facilmente classificáveis como reiterados ou não. O problema reside no intervalo: quatro ou cinco vezes no ano é conduta reiterada? Parecenos que esta resposta só pode ser dada pelo contexto, em que todas as demais variáveis mencionadas acima também sejam avaliadas. Isoladamente, e de forma não contextualizada, não é possível responder. Há de se registrar, também, que a reiteração é relevante apenas se a conduta repetida por grave o suficiente à configuração da responsabilidade subjetiva inerente à fraude. Não qualquer conduta, mas somente aquela que leva à convicção de que o sujeito deve ter querido lesar os cofres públicos. (As Provas e o Direito Tributário. Teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Editora Saraiva, 2016, p. 238). Verificase nos autos, a existência de elementos importantes dentro do contexto da autuação para se aferir a conduta infracional reiterada: I Indagada sobre sua atividade, a Recorrente declarou que não exerce atividade de intermediação de recursos financeiros e sim a atividade de fomento comercial, já que a mesma adquire os títulos emitidos pelas empresas alienantes dos veículos. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 549 7 II Embora declare que sua atividade seja a de factoring, consta em seu contrato social, o seguinte objeto: III O ofício do Banco Central, nas efls 157158, informa que: "A propósito, informo que a conclusão do processo de fiscalização a que foi submetida a empresa investigada (Edimom), determinou a instauração de Processo Administrativo nesta Autarquia por atuar como instituição financeira, sem autorização do Banco Central do Brasil. (art. 17, caput, c/c art. 18, caput e §1°, da Lei 4.595/1964), bem como, pela mesma irregularidade, foi proposta a comunicação dos fatos ao Ministério Público (art. 16 da Lei 7.492/1986), que encontrase sob análise da ProcuradoriaGeral deste Banco Central. " IV – Em consulta ao site do Banco Central, retirase o resultado do processo BCB 0601359691: Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 550 8 ACÓRDÃO/CRSFN 11177/13 RECURSO(S) VOLUNTÁRIO(S) RECORRENTE(S): EDIMOM LTDA. RECORRIDO: BANCO CENTRAL DO BRASIL EMENTA: RECURSO(S) VOLUNTÁRIO(S) – Realização de operações privativas de instituição financeira (concessão de crédito a terceiros com fim lucrativo) sem prévia autorização do Banco Central do Brasil – Habitualidade – Não configuração de fomento mercantil Irregularidade caracterizada – Apelo a que se nega provimento. PENALIDADE(S): Multa Pecuniária. BASE LEGAL: Lei 4.595/64, art. 44, § 7º. V Os contratos acostados aos autos, efls. 203221 e 225298, demonstram que os valores foram concedidos pela Recorrente mediante a assinatura de contratos garantidos por nota promissória e/ou reserva de domínio do bem objeto do financiamento, ou, ainda, de outras garantias, configurando o repasse de recursos com a finalidade de obtenção de lucro, com habitualidade, e de exploração dos recursos financeiros. Quer isso significar que a sofisticação dos instrumentos contratuais não deixa margem de dúvida sobre a natureza das operações de crédito sujeitas ao IOF. VI A própria Recorrente apresentou demonstrativo intitulado "PLANILHA DE CONTABILIZAÇÃO DOS CONTRATOS DE FINANCIAMENTOS COM EMISSÃO EM 2004/2005" (efls. 3447, 134 ss e 143 ss), que foi acatado pela fiscalização na construção da base de cálculo do IOF devido. Tal conduta demostra que a Recorrente tinha ciência da incidência do IOF, bem como de sua quantificação, contudo espontaneamente não ofereceu tais valores à tributação. Assim, o argumento de que “o lançamento de ofício está baseado nos dados apresentados pela empresa fiscalizada e originários da sua escrituração, fato que representa a chancela, pela Autoridade Fiscal, da regularidade das obrigações tributárias da Contribuinte”, não prospera diante do conhecimento da Recorrente da ocorrência do fato gerador do IOF, mas não comunicado à administração tributária. No caso ora em exame, entendo que todos os elementos apontam para a existência do dolo, a vontade livre e consciente de não recolher o IOF devido. Enfim, a multa qualificada foi corretamente aplicada. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa de ofício aplicada no patamar de 150%. (assinado digitalmente) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10830.002781/200813 Acórdão n.º 3301004.354 S3C3T1 Fl. 551 9 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.007099/2001-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
RESTITUIÇÃO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 91. 10 ANOS. PERÍODO REQUERIDO SUPERIOR AO PERÍODO NÃO PRESCRITO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA
Não há contradição a ser reparada, no caso em que o acórdão reconhece o direito da recorrente à restituição do ILL pago indevidamente, referente ao período de 10 anos anteriores ao pedido de restituição formulado em 18/06/2001, vez que, o voto não dá margem à interpretação de que estaria contemplado período maior, isto é, todo o período requerido, os anos calendário 1989, 1990, 1991 e 1992.
Numero da decisão: 1302-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e, no mérito, por unanimidade, em rejeitá-los, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 91. 10 ANOS. PERÍODO REQUERIDO SUPERIOR AO PERÍODO NÃO PRESCRITO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA Não há contradição a ser reparada, no caso em que o acórdão reconhece o direito da recorrente à restituição do ILL pago indevidamente, referente ao período de 10 anos anteriores ao pedido de restituição formulado em 18/06/2001, vez que, o voto não dá margem à interpretação de que estaria contemplado período maior, isto é, todo o período requerido, os anos calendário 1989, 1990, 1991 e 1992.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e, no mérito, por unanimidade, em rejeitá-los, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1668; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.007099/200121 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1302002.628 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2018 Matéria PER/DCOMP ILL. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BRASAL CAMINHÕES LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RESTITUIÇÃO DE ILL. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 91. 10 ANOS. PERÍODO REQUERIDO SUPERIOR AO PERÍODO NÃO PRESCRITO. CONTRADIÇÃO NÃO VERIFICADA Não há contradição a ser reparada, no caso em que o acórdão reconhece o direito da recorrente à restituição do ILL pago indevidamente, referente ao período de 10 anos anteriores ao pedido de restituição formulado em 18/06/2001, vez que, o voto não dá margem à interpretação de que estaria contemplado período maior, isto é, todo o período requerido, os anos calendário 1989, 1990, 1991 e 1992. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os embargos e, no mérito, por unanimidade, em rejeitálos, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Gustavo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 70 99 /2 00 1- 21 Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.628 S1C3T2 Fl. 3 2 Guimaraes da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, os quais foram admitidos e declarados tempestivos, nos termos do despacho s/nr., de 20 de abril de 2017. A interessada, em 18/06/2001, formulou pedido de restituição de pagamentos indevidos de ILL, referentes aos anos calendário 1989, 1990, 1991 e 1992. Por sua vez, a DRJ concluiu que teria expirado, em cinco anos, o prazo para a repetição do indébito. Dessa forma, não adentrou ao mérito do pedido de restituição. De outro modo, essa Turma verificou que seria de 10 anos o prazo para requererse a restituição em questão, aplicandose ao caso as disposições da Súmula Carf nº 91, verbis: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Nesse sentido, a Turma deu parcial provimento ao recurso voluntário para considerar devida a restituição dos pagamentos indevidos de ILL, cujos fatos geradores estivessem contidos nos 10 anos que antecederam o referido pedido de 18/06/2001. Portanto, a decisão não incluiu todo o período pleiteado. No entanto, a embargante sustenta que haveria contradição a essa decisão, no trecho do voto, a seguir transcrito: Logo, no presente caso, a recorrente protocolizou pedido de restituição/compensação do Imposto Sobre o Lucro Líquido ILL, em 18/06/2001, relativamente a recolhimentos efetuados nos anos calendário de 1989 a 1992, tendo se o fato gerador no encerramento dos períodos base, nos termos do artigo 35 da Lei nº 7.713/1988. Desta forma, estariam sob a égide do decurso do prazo decenal os fatos geradores em questão, ocorridos de 1989 a 1992. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, os embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional devemse ao entendimento de que haveria contradição entre o trecho do voto transcrito no relatório, acima, e a parte dispositiva do acórdão. Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10166.007099/200121 Acórdão n.º 1302002.628 S1C3T2 Fl. 4 3 Ressalta que, a decisão não abrangeu todo o período pleiteado na restituição de 18/06/2001 (1989 a 1992). Mas, sim, limitou a 10 anos anteriores à data do pedido, a possibilidade de repetir o indébito. A respeito, transcrevese os seguintes argumentos da embargante: Nesse sentido, aplicandose os 10 anos determinados pela Súmula acima e considerando que o contribuinte apresentou o pedido de restituição, em 18/06/2001, não estariam prescritos apenas os valores recolhidos a partir de junho de 1991. No entanto, a turma entendeu que "estariam sob a égide do decurso do prazo decenal os fatos geradores em questão, ocorridos em de 1989 a 1992." Desse modo, considerando a contradição entre o fundamento do acórdão (Súmula CARF nº 91) e sua conclusão (afastamento da prescrição para fatos geradores ocorridos há mais de 10 anos), fazse necessária a integração do julgado por meio destes embargos. Observase que, o referido trecho do voto não afirma que não estariam prescritos os créditos relativos aos fatos geradores ocorridos de 1989 a 1992. Na realidade, limitase a indicar que, os fatos geradores em questão devem ser analisados sob a disposições da Súmula Carf nº 91 (10 anos), e não considerálos prescritos em cinco anos, como entendeu a DRJ, neste caso. Assim, a partir dessa definição, isto é, de que todo o período pleiteado (1989 a 1992), deve ser apreciado com base na regra dos 5 + 5 anos, decidiuse por anular os atos processuais havidos posteriormente ao acórdão da DRJ para determinar a devolução dos autos à DRF para que, observandose a regra da Súmula Carf nº 91, proceda a novo julgamento, adentradose ao mérito. Nesse sentido, é possível concluir, com segurança, sobre os exatos limites e critérios da decisão embargada. O referido trecho, portanto, não está em contradição com a parte dispositiva do voto, nem mesmo, em relação ao acórdão. Por todo o exposto, voto por não acolher os embargos de declaração. Rogério Aparecido Gil Fl. 422DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.004010/2003-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 16/01/2003 a 28/02/2003
Ementa:
IPI. RESSARCIMENTO. LIMITAÇÃO DO PEDIDO A UM TRIMESTRE CALENDÁRIO.
A limitação formal para que os pedidos de ressarcimento de IPI sejam individualizados por trimestre-calendário só surgiu com o advento da IN SRF n. 728/2007. Logo, os pedidos formalizados antes de tal disposição normativa não estão sujeitos à tal exigência procedimental, devendo ser regularmente processado e os créditos vindicados devidamente analisados em seu mérito.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-005.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastada a limitação temporal indicada no Despacho Decisório, a fiscalização avalie se a contribuinte faz jus ou não ao crédito vindicado administrativamente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado .
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/01/2003 a 28/02/2003 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. LIMITAÇÃO DO PEDIDO A UM TRIMESTRE CALENDÁRIO. A limitação formal para que os pedidos de ressarcimento de IPI sejam individualizados por trimestrecalendário só surgiu com o advento da IN SRF n. 728/2007. Logo, os pedidos formalizados antes de tal disposição normativa não estão sujeitos à tal exigência procedimental, devendo ser regularmente processado e os créditos vindicados devidamente analisados em seu mérito. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para que, afastada a limitação temporal indicada no Despacho Decisório, a fiscalização avalie se a contribuinte faz jus ou não ao crédito vindicado administrativamente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 40 10 /2 00 3- 73 Fl. 485DF CARF MF 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado . Relatório 1. Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de IPI no valor de R$ 25.198,23, relativo ao período de compreendido entre 16 de janeiro e 28 de fevereiro de 2003, decorrente da aquisição de insumos tributados à alíquota zero e isentos. 2. Ao longo do procedimento administrativo, o recorrente foi intimado para efetuar o seu pedido de ressarcimento levando em consideração o saldo credor por períodos trimestrais, oportunidade em que o recorrente requereu a juntada de todos os pedidos de ressarcimento antes materializados pela empresa e que diziam respeito aos créditos fundados em decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região (Apelação em Mandado de Segurança n. 82.188) e no qual se discutiu o aproveitamento de créditos em operações desoneradas com a Zona Franca de Manaus. 3. Diante deste quadro, o pedido do contribuinte foi indeferido, ao fundamento que o recorrente não teria obedecido o disposto no art. 11 da Lei n.° 9.779/991 e o disposto no art. 14 da IN SRF n. 210/022 vigente à época, vez que o saldo passível de ressarcimento somente seria aquele acumulado ao final de cada trimestrecalendário, o que não teria sido respeitado nos autos. 4. Uma vez intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 239/257) alegando, em suma, que: (i) obteve, em grau de recurso judicial, o direito ao crédito de IPI sobre aquisições de insumos desonerados, decisão que ainda estaria em vigor, razão pela qual o crédito em apreço não poderia lhe ser negado, sob pena de ofensa a citada decisão judicial, em especial por inexistir previsão legal condicionando a apuração do crédito à períodos trimestrais; (ii) uma vez reconhecido o crédito, este deveria ser objeto de correção monetária, conforme entendimento consagrado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recursos repetitivos. 5. Referida manifestação foi indeferida pela DRJRecife, conforme se depreende do acórdão n. 1125.072 (fls. 325/330), que restou assim ementado: 1 "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2 "Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. (...). § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (...)." Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10480.004010/200373 Acórdão n.º 3402005.107 S3C4T2 Fl. 2.432 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 16/01/2003 a 28/02/2003 RESSARCIMENTO. ART. 11 DA LEI N.° 9.779/99. PERÍODO DE APURAÇÃO TRIMESTRAL. INOBSERVÂNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de ressarcimento de créditos de IPI, formulado com base no art. 11 da Lei n.° 9.779/99, reclama sejam apurados os créditos ao final de cada trimestrecalendário, sob pena de indeferimento do pedido. Solicitação Indeferida. 6. Diante deste quadro o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 335/373, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em manifestação de inconformidade e também suscitou que a decisão em apreço se apegava a uma questão estritamente formal (apuração trimestral dos créditos a serem ressarcidos) que não poderia se sobrepor a questão de fundo aqui debatida, i.e., a qualidade dos créditos indicados pelo contribuinte. 7. O presente caso foi baixado em diligência (resoluções n. 3402000.998 e 3402.000.823) para que o contribuinte fosse intimado a apresentar alguns documentos fiscais que pudessem atestar a existência do crédito aqui vindicado. Realizada tal intimação (fl. 459), o contribuinte ficou inerte. 8. É o relatório. Voto 9. O recurso em apreço preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da motivação do indeferimento do pedido de ressarcimento e também acórdão recorrido 10. Ao se analisar o acórdão recorrido de fls. 325/330), é possível verificar que a instância a quo pautou sua decisão ao fundamento que os pedidos de ressarcimento de créditos de IPI deveriam ter sido individualmente apresentados por trimestrecalendário, o que não foi atendido pelo contribuinte. Em suma, o indeferimento decorre exclusivamente desta questão formal, conforme se observa dos seguintes trechos do indeferimento do pedido de ressarcimento, bem como do acórdão guerreado: Termo de informação fiscal para fins de indeferimento do ressarcimento (fls. 217/218) O contribuinte acima identificado solicita o ressarcimento de créditos de IPI sob a alegação de possuir créditos excedentes a compensar relativos ao mês de fevereiro de 2003. Fl. 487DF CARF MF 4 Intimado a apresentar os pedidos de ressarcimento de forma trimestral o contribuinte limitouse a fornecer cópias de outros pedido de ressarcimento. A Lei n° 9.779/99, determina que o contribuinte poderá utilizar o saldo credor de IPI, acumulado no trimestrecalendário, que não puder ser utilizado na compensação dos débitos do próprio IPI. Transcrevemos abaixo o Demonstrase do exposto, que o pedido de ressarcimento de créditos de IPI somente pode ser manejado ao final de cada período de apuração trimestral. Assim, temos que o contribuinte deixou de atuar em conformidade com as normas que regulam o tema, tendo em vista que efetuou requerimento de créditos de apenas um mês e, sendo intimado para regularizar o pedido, não providenciou o acerto do mesmo. Demonstrada que resta a impropriedade do pedido formulado pelo contribuinte por ter desrespeitado as normas reguladoras da possibilidade de ressarcimento de créditos de IPI, há de se indeferir o seu pedido e declarar nãohomologadas as compensações apresentadas. (grifos nossos). Acórdão recorrido (fl. 329). (...). 7. Não poderia ser outro o deslinde conferido ao pedido. 8. É que, embora erroneamente formulado, a unidade de origem providenciou, em tempo oportuno, a intimação do contribuinte para saneálo, mencionando expressamente a necessidade de que o pedido se desse por períodos trimestrais, exigência prevista em lei e em dispositivo regulamentar, já devidamente consignados no corpo do relatório. Alertouse, ademais, que o nãoatendimento da intimação implicaria o seu indeferimento. 9. Na hipótese, o contribuinte limitouse a acostar cópias de pedidos anteriores, o que findou por acarretar, em conformidade com o alerta que lhe fora dirigido, o deslinde alvitrado. 10. Vêse que a unidade de origem deu plena eficácia ao disposto no art. 30, III, da Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente aos processos regidos por lei própria, a exigir seja o interessado intimado a formular alegações e apresentar documentos antes de prolatada a decisão, os quais devem ser objeto de consideração oportuna pelo órgão competente. 11. Como também visto, a defesa do contribuinte limitouse a sustentar o direito ao crédito, o qual, segundo afirma, teria sido reconhecido por decisão judicial, o que em nada interfere com a exigência legal de que o pedido deve observar a forma de apuração prevista em lei, que exige, como antes ressaltado, a apuração do crédito somente ao final de cada trimestre calendário. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 10480.004010/200373 Acórdão n.º 3402005.107 S3C4T2 Fl. 2.433 5 (....) (g.n.). 11. O fundamento, portanto, para a improcedência do pedido de ressarcimento, bem como para a manifestação de inconformidade, foi exclusivamente a exigência formal alhures relatada e que, em tese, encontraria guarida normativa no art. 19 da IN/SRF n. 600/05. 12. Delimitada a motivação fiscal contra a qual se insurge o contribuinte, insta destacar, primeiramente, que o comando do art. 19 da IN/SRF n. 600/053 não estabelecia uma regra procedimental (forma) para a aprovação de pedidos de ressarcimento para créditos de IPI, mas atribuía competência para que o fiscal responsável pela análise do pedido exigisse documentos fiscais necessários para atestar a qualidade (mérito) do crédito almejado. 12. Em segundo lugar, o pedido de ressarcimento em questão é datado de 24 de abril de 2003, conforme atesta documento de fl. 4, i.e., muito antes de existir a IN/SRF n. 600/05, publicada no DOU de 30/12/2005, data em que também passou a ter vigência, nos termos do seu art. 774. Logo, referida Instrução Normativa não poderia servir de fundamento para a exigência procedimental estampada no acórdão recorrido, ou seja, para que os pedidos de ressarcimento fossem individualizados trimestralmente. 13. À época em que realizado o pedido de ressarcimento pelo Recorrente (24/04/2003) estava vigente a IN/SRF n. 210/02, a qual só foi revogada pela IN/SRF n. 460, de 17 de outubro de 2004. Em relação ao ressarcimento de IPI aqui tratado, a IN/SRF n. 210/02 assim previa em seu art. 14: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; 3 "Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas." 4 "Art. 77. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação." Fl. 489DF CARF MF 6 II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. § 3º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, apurados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre calendário. § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003) § 5º O disposto no § 2º não se aplica aos créditos do IPI existentes na escrituração fiscal do estabelecimento em 31 de dezembro de 1998, para os quais não havia previsão de manutenção e utilização na legislação vigente àquela data. 14. Ao se analisar o referido dispositivo, em especial seu §2º, é possível constatar que não há qualquer previsão para que o pedido de ressarcimento de IPI fosse, à época dos fatos aqui tratados, individualizado trimestralmente, o que só passou a existir em 20 de março de 2007, com o advento da IN/SRF n. 728/2007, que assim previu em seu art. 16: Art. 1º Os arts. 16 e 17 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 16. (...) Fl. 490DF CARF MF Processo nº 10480.004010/200373 Acórdão n.º 3402005.107 S3C4T2 Fl. 2.434 7 § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: (...). I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. (...) (g.n.). 15. Tal fato, inclusive, não passou despercebido por este Tribunal Administrativo, conforme se observa da decisão da lavra do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. O princípio da nãocumulatividade garante aos contribuintes o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores, assim como o transporte do saldo credor da escrita para períodos de apuração subseqüentes para a mesma finalidade. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE ESCRITA. Com o advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99 o legislador ordinário excedeu a garantia constitucional e, além da possibilidade de transferência do saldo credor para os períodos seguintes, instituiu o direito ao ressarcimento e à compensação desse saldo. SALDO CREDOR DE ESCRITA TRANSPORTADO DE PERÍODOS ANTERIORES. RESSARCIMENTO . As Instruções Normativas SRF nº 210/2002, 460/2004 e 600/2005, com a redação que lhe foi dada pela IN SRF nº 728/2007, quando interpretadas em consonância com as normas de hierarquia superior não vedaram o direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores. RESSARCIMENTO. LIMITAÇÃO DO PEDIDO A UM TRIMESTRE CALENDÁRIO. Com o advento da IN SRF 728/2007 cada pedido de ressarcimento de saldo credor da escrita deve se referir a um único trimestre calendário. MULTA DE MORA. Os débitos tributários e não pagos no vencimento sujeitamse à multa de mora de 0,33% por dia de atraso, limitada a 20%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 491DF CARF MF 8 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Súmula CARF nº 2. Recurso voluntário provido em parte. (Acórdão n. 3403002.387; Processo n. 17878.000255/200901; Resultado: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte obter o ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado em virtude do transporte de trimestres anteriores. Sustentou pela recorrente o Dr. Fábio Bernardo. OAB/SP nº 304.773.). 16. No transcorrer do seu voto, assim se manifestou o respeitável Conselheiro a respeito do tema em debate: (...). A interpretação acima exposta foi ratificada pela IN 728/2007, que acrescentou o § 7º ao art. 16 da IN 600/2005. O referido § 7º está em total harmonia com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, ao prescrever que cada pedido de ressarcimento deve se referir a um único trimestrecalendário, devendo ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Tal determinação está em consonância com o art. 11 da Lei nº 9.779/99, pois a primeira utilização do saldo credor continua sendo o abatimento dos débitos no período de apuração. Somente na hipótese de ainda restar saldo credor acumulado no período é que será possível o aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação. Quanto à obrigatoriedade de cada pedido de ressarcimento se referir a um único trimestre calendário, não existe nenhuma ilegalidade em tal limitação, pois o aspecto procedimental do pedido está incluído no poder normativo da administração tributária estabelecido no art. 11, parte final, da Lei nº 9.779/99 e também no art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96. Observese que o próprio art. 11 da Lei nº 9.779/99 já impõe que o período de apuração do ressarcimento seja trimestral. O que a IN 728/2007 fez foi impedir que um mesmo Perdecomp contemple saldos credores de dois ou mais trimestres calendário. Assim, a conclusão a que se chega é no sentido de que, atualmente, embora haja vedação de se incluir no pedido de ressarcimento saldos credores de mais de um trimestre calendário, não existe óbice algum quanto ao direito ao Fl. 492DF CARF MF Processo nº 10480.004010/200373 Acórdão n.º 3402005.107 S3C4T2 Fl. 2.435 9 ressarcimento do saldo credor de IPI que chegou por transporte de períodos anteriores ao trimestre calendário objeto do pedido. (...) (grifos do Autor, sublinha nossa). 17. Este também foi o entendimento desta turma julgadora na sua composição anterior (acórdão n. 3402003.221) que, por unanimidade de votos, assim decidiu: Ementa Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 01/01/2000 Ementa: IPI. RESSARCIMENTO. LIMITAÇÃO DO PEDIDO A UM TRIMESTRE CALENDÁRIO. A limitação formal para que os pedidos de ressarcimento de IPI sejam individualizados por trimestrecalendário só surgiu com o advento da IN SRF n. 728/2007. Logo, os pedidos formalizados antes de tal disposição normativa não estão sujeitos à tal exigência procedimental, devendo ser regularmente processado e os créditos vindicados devidamente analisados em seu mérito. 18. Diante deste quadro, a decisão proferida no presente caso deve ser revista, para que os pedidos de ressarcimento apresentado pelo Recorrente sejam devidamente processados e, no mérito, a fiscalização avalie se o contribuinte tem ou não o direito ao crédito vindicado. Dispositivo 19. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, devendo o seu pedido de ressarcimento ser processado para que, no mérito, a fiscalização avalie se o contribuinte faz jus ou não ao crédito vindicado administrativamente. 20. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 493DF CARF MF 10 Fl. 494DF CARF MF
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