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Numero do processo: 10880.660294/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 02 94 /2 01 2- 61 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660294/201261 Acórdão n.º 3401004.698 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.720749/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012
IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior.
Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76.
MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA.
A multa do artigo 33 da Lei nº11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida em razão da não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, constante do § 2º do artigo 23, do Decreto-Lei n.º 1.455/1976, a qual se aplica a inaptidão da inscrição no CNPJ.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra- Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. A multa do artigo 33 da Lei nº11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida em razão da não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, constante do § 2º do artigo 23, do Decreto-Lei n.º 1.455/1976, a qual se aplica a inaptidão da inscrição no CNPJ. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra- Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 15.895 1 15.894 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.720749/201581 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.456 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria MULTA CONVERSÃO DA PENA PERDIMENTO Recorrente COPAP LATIN AMERICA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 IMPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS EMPREGADOS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a falta de comprovação da origem, disponibilidade e da efetiva transferência de recursos empregados nas operações de comércio exterior. Não sendo possível a aplicação da pena de perdimento, em razão das mercadorias já terem sido dadas a consumo ou por qualquer outro motivo, cabível a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76. MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. A multa do artigo 33 da Lei nº11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida em razão da nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, constante do § 2º do artigo 23, do DecretoLei n.º 1.455/1976, a qual se aplica a inaptidão da inscrição no CNPJ. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 49 /2 01 5- 81 Fl. 15895DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em decorrência da caracterização da prática da interposição fraudulenta de terceiros na importação. Segundo a fiscalização, a empresa COPAP LATIN AMERICA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA (doravante denominada COPAP), tratase de pessoa interposta fradulentamente na cadeia de importação de papel imune, no âmbito de um ardiloso esquema de desvio de finalidade do papel, o qual tem como mentor o Sr. MAURO VINOCUR (doravante denominado MAURO), autuado na condição de responsável solidário, nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, c/c arts. 94 e 95 do DecretoLei nº 37/66. O trabalho de auditoria foi desenvolvido com o apoio das informações disponíveis nas bases de dados da Receita Federal do Brasil (RFB), em documentos e informações entregues pela empresa COPAP, e em documentos do Ministério Público Federal, compartilhados com autorização judicial concedida nos autos do processo 001493031.2013.403.6181 pelo Juiz Federal Substituto da 6ª Vara Criminal, Sr. Marcelo Costenaro Cavali. A autuada foi submetida a procedimento especial de fiscalização previsto pela Instrução Normativa SRF nº 228/2002, o qual concluiu que a empresa não comprovou a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados em suas operações. Por esse motivo, foi lavrado o auto de infração sob análise, exigindo multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras, nos termos do art. 23, caput, V, § 3°, do DecretoLei n° 1.455/76, no montante de R$ 82.655.248,80. Segundo o fisco, a caracterização da interposição fraudulenta de terceiros nas operações realizadas pela COPAP restou comprovada com base nos seguintes elementos, que a seguir resumimos: 1) a COPAP foi constituída em 11/04/2008 e possui como objeto social, entre outros, o comércio atacadista de papel e papelão em bruto. Sua estrutura societária é composta, atualmente, pela empresa domiciliada no exterior COPAP TRADING INC, detentora de 99,99% de participação social na empresa, e pelo Sr. Francisco Roberto Franco Canedo Neto, com participação social de 0,01%. A COPAP TRADING é uma empresa situada no Canadá, sendo detectado pela Fl. 15896DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.896 3 fiscalização que ela tem como sócia a própria fiscalizada COPAP. Entende o fisco que essa estrutura societária foi montada com o objetivo de blindar a identidade e os bens do real controlador da COPAP e promotor de diversas operações fraudulentas, MAURO VINOCUR; 2) a COPAP TRADING passou a integrar o quadro social da COPAP em substituição à COPAP PARTICIPATIONS LIMITED (doravante denominada CPL), que detinha 99,05% de participação social na empresa desde a sua constituição, em 11/04/2008 até 21/01/2010. A CPL, por sua vez, possuía em seu quadro societário a empresa ADVALOREM FOMENTO LTDA (doravante denominada ADVALOREM), que detinha 88,99% de sua participação social. A ADVALOREM, portanto, tinha participação indireta na COPAP, sendo ainda sublocatária no contrato de locação do imóvel em que a COPAP desenvolve suas atividades. Ocorre que a ADVALOREM tem como sócio e administrador MAURO VINOCUR, mentor do esquema de fraude explicado a seguir; 3) nos termos da legislação, para que um contribuinte possa operar com o papel imune, precisa obter o Registro Especial (RE) junto à RFB. E também, somente pode vender este papel a outro contribuinte que possua o RE. O esquema fraudulento funciona da seguinte forma: uma importadora com RE fazia a importação do papel com imunidade e, após o desembaraço, as mercadorias eram normalmente enviadas para um armazém. A importadora emitia nota fiscal de venda para uma empresa de fachada possuidora de RE (empresa noteira), mas a mercadoria continuava no armazém. Essas empresas noteiras praticamente não apresentam movimentação financeira nem capacidade econômica e tinham a função de ocultar o real adquirente das mercadorias. Os reais adquirentes compravam as mercadorias diretamente da importadora e não davam às mesmas sua finalidade constitucional. A mercadoria era recebida com a nota fiscal de venda emitida pelas empresas noteiras, sendo que essa operação era tributada e servia de crédito para o ICMS, PIS e COFINS. A mercadoria era enviada diretamente do armazém para o cliente final e aquele emitia uma nota fiscal de retorno de mercadoria para a importadora. O pagamento da venda era feito diretamente à empresa importadora ou à empresa de cobrança por ela indicada; 4) o esquema envolvia a sonegação de impostos devidos na importação, reduzindo o custo do papel importado, o que possibilitava ao grupo vender este papel a preços inferiores aos praticados no mercado. Além de o cliente final obter preços inferiores, ainda se creditava dos impostos que teoricamente eram devidos nas operações internas, sendo que, de fato, estes não eram recolhidos pelas empresas de fachada, pois elas não haviam adquirido nenhuma mercadoria em operação tributada no mercado interno; 5) a atuação da COPAP no esquema, assim como de outras importadoras, deuse em substituição à atuação da importadora TBLV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE Fl. 15897DF CARF MF 4 PAPÉIS LTDA (doravante denominada TBLV), depois que esta última começou a ser fiscalizada pela RFB, o que ocorreu no ano de 2010. MAURO VINOCUR era o controlador das operações de todas essas empresas – importadoras, noteiras e de cobrança, inclusive da COPAP, ora aparecendo como proprietário, como sócio indireto ou como sócio oculto; 6) foram encontradas diversas ligações de MAURO VINOCUR com a COPAP, como abaixo relacionado: a) pesquisas nos sistemas da RFB revelaram que MAURO é sócio e responsável legal da ADVALOREM que, por sua vez, possuía participação indireta na COPAP. Portanto, MAURO era sócio indireto da COPAP; b) MAURO foi identificado também como o dono e responsável pelas empresas noteiras de fachada: EDITORA ROMA LTDA e POINT EDITORA LTDA, empresas para as quais a COPAP simulava vendas de papel imune que atingiram a cifra de R$ 50 milhões no período fiscalizado. Embora MAURO não conste do quadro societário dessas empresas, depoimento prestado pelo antigo dono de ambas, HELDER FAZILARI, confirmou que elas foram vendidas para MAURO, no final de 2010 (fls. 1.399/1.402); c) a COPAP ainda vendeu a cifra de R$ 8,6 milhões, no período fiscalizado, à empresa TBLV que, conforme demonstrado em processo judicial, pertence a MAURO VINOCUR, uma vez que ele é o único controlador e real beneficiário das empresas offshore ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC e LA INVESTMENTS & ASSOCIATES, as quais constam oficialmente como sócias estrangeiras investidoras da TBLV (vide declaração de MAURO, às fls. 1.385/1.386); d) as empresas offshore ATLANTIS BUSINESS LLC e SUN INVEST LLC são também as sócias estrangeiras da empresa COMARK COBRANÇAS LTDA (doravante denominada COMARK). Ou seja, MAURO também é o real proprietário da empresa que repassou à COPAP quantias da ordem de R$ 80 milhões no período fiscalizado; 7) no curso da auditoria, a fiscalização apurou que a COPAP apresenta como principais clientes, os quais respondem por 72% de suas vendas, quatro empresas comprovadamente envolvidas no esquema: EDITORA ROMA LTDA, POINT EDITORA LTDA, MAKOVSKI EDITORA LTDA e TBLV. Esta última, apesar de ser o quarto cliente mais expressivo, representando quase 10% das vendas, foi omitida na documentação que a COPAP entregou à fiscalização, numa clara tentativa de esconder sua participação no esquema; 8) a condição de EDITORA ROMA LTDA e POINT EDITORA LTDA como empresas noteiras de fachada, comprovase mediante as seguintes evidências: a) ambas as empresas pertenciam aos mesmos sócios e ambas sofreram alteração no seu quadro societário em 2011, sendo vendidas ambas para José Benedito Adriano (participação social de 95%) e Nelson Silva Costa (participação social de 5%); b) a análise das DIRPF 2011 e 2012 dos sócios revelou que: i) os únicos bens que possuem são justamente as quotas das empresas; ii) José Benedito não declarou rendimentos recebidos dessas empresas e Nelson declarou valores irrisórios; iii) a movimentação financeira nos anos de 2010 a 2012 de José Benedito foi irrisória em comparação com os valores movimentados pelas empresas, enquanto que Nelson não realizou qualquer movimentação financeira no período; c) a Editora ROMA era optante do Simples e entregou Declarações somente antes da alteração societária, o que evidencia que nunca operou realmente depois que foi vendida, nem possuía empregados; d) em pesquisas às notas fiscais de saída da Editora ROMA, verificouse que a empresa praticamente não apresenta notas fiscais de venda, mas apenas notas fiscais de entrada. E, apesar da grande quantidade de mercadoria “comprada”, não apresenta Receita Bruta em 2012 e irrisória em 2011, o que já era esperado, pois é meramente uma empresa de fachada; Fl. 15898DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.897 5 e) a movimentação financeira da EDITORA ROMA, nos anos de 2011 e 2012, a titulo de débito, foi de R$ 729.940,71, estando muito abaixo do que seria suficiente para arcar com as compras que supostamente teria feito da COPAP, que são da ordem de R$ 25 milhões; f) a Editora POINT era optante do Simples e entregou Declarações somente até o ano calendário de 2011. A Declaração de 2010 apresentou condição de inatividade, e a de 2011 apresentou todos os valores zerados, inclusive da Receita Bruta e também de empregados, o que vem a ser um claro indício de que a mesma nunca operou realmente desde que foi vendida; g) em pesquisas às notas fiscais de saída da Editora POINT, verificouse que a empresa praticamente não apresenta notas fiscais de venda, mas apenas de entrada. E, apesar da grande quantidade de mercadoria “comprada”, não apresenta Receita Bruta em 2011 e 2012, o que já era esperado, pois é meramente uma empresa de fachada; h) a movimentação financeira da Editora POINT, nos anos de 2010 a 2012, foi zero. A movimentação zerada é altamente conflitante com o fato de ter arcado com as compras que supostamente teria feito da COPAP da ordem de R$ 24 milhões; 9) no tocante à EDITORA MAKOVSKI LTDA, a fiscalização apurou que: a) foi constituída em janeiro de 2011 pelos sócios Valentim Makovski (95% de participação societária) e Alexandre Cerqueira Lima (5% de participação societária); b) diligência realizada no seu domicílio apurou que no local não funciona qualquer empresa, tratandose de endereço residencial; c) a análise das DIRPF 2011 e 2012 de Valentim revelou que: i) possui um veículo no valor de R$ 16 mil e quotas da empresa no valor de R$ 38 mil; ii) os rendimentos declarados foram recebidos de pessoa física, não tendo recebido nada da editora; iii) não teve movimentação financeira no ano de 2010, e nos anos de 2011 e 2012 a movimentação foi irrisória em comparação com os valores movimentados pela empresa; d) a análise das DIRPF 2011 e 2012 de Alexandre revelou que apresenta como rendimentos tributáveis recebidos apenas o seu salário como empregado da Companhia Paranaense de Gás – COMPAGAS; e) a Editora MAKOVSKI apresentou DIPJ 2011 pelo Lucro Presumido, porém com todos os valores zerados, incluindo os valores de Receita Bruta e Compras de Mercadorias e Insumos. Em sua DEFIS de 2012, declarou que permaneceu, durante o ano, sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial. Declarou no Campo “Total de aquisições de mercadorias para comercialização ou industrialização no período abrangido pela declaração”, o valor de R$ 19.143,49. Contudo, a MAKOVSKI adquiriu, somente da COPAP, mercadorias na ordem de R$ 17 milhões nesses anos; f) em pesquisas às notas fiscais da Editora MAKOVSKI, verificouse que a empresa não apresenta notas fiscais de venda, mas apenas de entrada. E, apesar da grande quantidade de mercadoria “comprada”, não apresenta Receita Bruta em 2011 e 2012, o que já era esperado, pois é meramente uma empresa de fachada; g) há fortes suspeitas, portanto, de que MAURO seja o verdadeiro administrador da Editora MAKOVSKI, pois ela é uma empresa de fachada que atua fortemente no esquema fraudulento arquitetado por ele; 10) no tocante às operações da TBLV, além de restar comprovado nos autos que seu proprietário é MAURO, apurouse que até 2011 esta importadora era quem emitia a maior Fl. 15899DF CARF MF 6 porcentagem das notas de saída para as empresas noteiras, como a EDITORA ROMA, POINT EDITORA e EDITORA MAKOVSKI. Nessa época, a TBLV também atuava como falso cliente da COPAP, repassando o papel importado por esta e ocultando os reais destinatários das mercadorias. No ano de 2011, a COPAP “vendeu” papel importado para a TBLV na ordem de 8,6 milhões. A partir de 2012, a TBLV passa a ter papel menor, em virtude das fiscalizações por parte da RFB; 11) no tocante às operações realizadas nos Armazéns AGI ARMAZÉNS GERAIS E LOGÍSTICA INTEGRADA LTDA e ATN LOGÍSTICA LTDA, o fisco apurou que: a) tratamse dos principais armazéns utilizados pela COPAP, representando armazenagem de papéis importados da ordem de R$ 18,8 milhões e R$ 51 milhões, respectivamente, sendo exatamente os mesmos depósitos utilizados pelo importador primário do esquema, a TBLV, antes de a COPAP intensificar suas atividades; b) análise das notas fiscais emitidas pela COPAP, revelou notas fiscais de saída para esses armazéns com o código CFOP 5949 Descrição: “Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”. Detectouse que o campo “Observações” destas Notas Fiscais contém informação importante, dizendo que a mercadoria está sendo entregue por conta e ordem de outra empresa, dentre elas: Editoras ROMA, POINT e MAKOVSKI; c) essa informação confirma, mais uma vez, o fluxo da fraude do papel imune: a COPAP importava o papel com imunidade e o transferia para depósitos. Para que os Armazéns soubessem que esta mercadoria sairia posteriormente com Nota Fiscal de outra empresa, a COPAP já informava no campo “Observações” da nota fiscal para o armazém que a mercadoria pertencia a outra empresa. Esta operação de venda, porém, era simulada, pois se tratavam de empresas de fachada; 12) no tocante às operações da empresa COMARK, a fiscalização apurou que: a) é uma empresa de cobranças utilizada pelo esquema que sofreu autuação por parte da RFB, devido a ter intermediado pagamentos/recebimentos de várias importadoras envolvidas no esquema; b) seu quadro societário é composto pelas empresas estrangeiras SUN INVEST e ATLANTIS, as mesmas empresas que também são sócias da TBLV, e que são de fato controladas por MAURO, conforme apurado em processo judicial; c) a empresa era utilizada pelos reais clientes para pagar o valor das notas, fato confirmado em depoimento do Sr. Adalberto Thomazini (fls. 1.387/1.398); d) a quebra de sigilo bancário das contas bancárias da COMARK, obtida pela fiscalização da DIFIS08, também confirma a dinâmica e aponta que a COMARK basicamente recebe receitas de revenda de papel e as redistribui às importadoras do esquema; e) por meio dos extratos bancários junto ao banco Itaú, conta 224870 agência 4807 pôdese detectar que, durante os anos de 2011 e 2012, constam repasses originados da COMARK e destinados à COPAP que perfazem a cifra de R$ 78.556.043,41 (ver anexos Extratos Itaú). Notase que os repasses da COMARK têm valor muito próximo ao valor das importações com imunidade da COPAP no período fiscalizado, que é de R$ 82.655.248,80; 13) as integralizações de capital da COPAP, ocorridas em 2008, 2009 e 2013, foram realizadas com capital proveniente do exterior, havendo esta empresa declarado que suas operações são 100% financiadas pela COPAP INC, a exportadora de quase a totalidade do papel imune adquirido e sócia da autuada. A fiscalização entende, porém, que isso não é verdade, posto que a COPAP ocultou da fiscalização valores da ordem de R$ 80 milhões provenientes da COMARK, o que demonstra que o financiamento da COPAP se dá por meio das operações fraudulentas do esquema, em que o real adquirente das mercadorias permanece oculto. Fl. 15900DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.898 7 Cientificada do auto de infração por edital, em 12/03/2015 (fls. 11.233/11.234), a COPAP apresentou impugnação, em 31/03/2015, juntada às fls. 11.238 e seguintes, alegando em síntese que: 1) em sede preliminar, alega cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que não está presente na autuação fiscal a memória de cálculo da multa aplicada, razão pela qual deve ser declarado nulo o auto de infração, nos termos do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72; 2) no mérito, alega que inexiste qualquer relação entre a COPAP e as empresas de MAURO, posto que aquela pertence a um grupo canadense de sociedades destinadas à comercialização e distribuição de produtos de papel e celulose em todo o mundo; 3) relaciona as diversas sociedades que compõem o Grupo COPAP, sediadas no Canadá, na França, Estados Unidos e China, conforme informações extraídas do sítio eletrônico http://www.copap.com/company/internationaloffices/ (anexo 3). Aduz que o grupo possui certificações internacionais de produtores de papel e celulose, como FSC International (anexo 4), e que, anualmente, passa por periódicas auditorias, sob responsabilidade da Pricewaterhouse Coopers (anexo 5); 4) cita, ademais, os nomes dos executivos canadenses que comandam o grupo, em especial o de seu presidente: DAVID SELA (anexo 6 e 7), sendo que as informações pessoais do Sr. DAVID constam das fls. 317 a 325 dos autos; 5) conclui, assim, que todas essas informações e documentos evidenciam que a impugnante pertence a um grupo internacional que promove a comercialização e distribuição de produtos de papel e celulose, que existe de fato, e que não guarda qualquer relação com MAURO, mas com o canadense, DAVID SELA. Nesse sentido, entende refutada a alegação da fiscalização de que: foi montada uma estrutura societária em que uma empresa (Copap Trading Inc) é a sócia da outra (COPAP) e viceversa, com o objetivo de blindar a identidade e os bens do real controlador da COPAP e promotor de diversas operações fraudulentas, MAURO VINOCUR; 6) esclarece que a COPAP foi constituída em abril/2008, tendo como principal sócia a COPAP PARTICIPATIONS LIMITED (99,05% do capital social, fls. 109 a 118). Em janeiro/2010, a CPL transferiu suas quotas para a COPAP TRADING (fls. 185 a 197). Em agosto/2011, houve a saída do sócio Mario André, passando a COPAP TRADING a figurar temporariamente como única sócia (fls. 97 a 108). Em março/2012, ingressou ainda como sócia minoritária a COPAP INC (fls. 130 a 140). Entende assim demonstrado que a impugnante foi sempre controlada por uma sociedade pertencente ao Grupo COPAP, não tendo qualquer relação com MAURO; 7) a COPAP TRADING, atual controladora, não é detida pela impugnante, inexistindo nos autos qualquer documento que ateste essa alegação. Pelo contrário, conforme demonstram os documentos anexos, os beneficiários efetivos dessa sociedade do Grupo COPAP são DAVID SELA e LAURENT BARBÉ (anexo 8); 8) quanto à empresa CPL, originalmente sócia da impugnante e também pertencente ao grupo, não é detida pela ADVALOREM (Anexo 09), tendo sido sua sócia anos atrás (anexo 10). Esclarece que a ADVALOREM fazia parte de outro seguimento de negócios de DAVID SELA, no qual ele participava por meio da CPL, que detinha 99,9996% do capital social (anexo 10). Em janeiro/2009, ingressaram outras sociedades na ADVALOREM, ficando a CPL com participação de 88,99% no capital social. Em dezembro/2009, as quotas da CPL foram transferidas para SELA INDUSTRIES INC., outra sociedade de DAVID SELA, que assumiu o controle da ADVALOREM, por meio de participação de 88,9996% do capital social (anexo 10). Por fim, em junho/2013, DAVID SELA retirouse definitivamente da ADVALOREM, mediante transferência das quotas detidas pela SELA INDUSTRIES INC, para a EDITORA IPSA LTDA (anexo 10). Conclui, assim, que até junho/2013, a Fl. 15901DF CARF MF 8 ADVALOREM sempre foi controlada pelas sociedades de DAVID SELA. Por outro lado, a ADVALOREM somente teve seu controle transferido a sociedades supostamente vinculadas a MAURO em 2013, após as operações de importação ora analisadas; 9) pelo fato de que durante muitos anos tanto a COPAP quanto a ADVALOREM terem sido de DAVID SELA, não há qualquer estranheza no fato de a segunda ter sido sublocatária de imóvel da impugnante, uma vez que ambas pertenciam ao mesmo dono; 10) diante de todos os esclarecimentos e documentos apresentados, entende não restar dúvidas de que não há qualquer relação direta entre a COPAP e MAURO VINOCUR, ou indireta, por meio de outras sociedades como a ADVALOREM; 11) na comercialização com todos os clientes, inclusive com as editoras apontadas como pertencentes ao esquema de MAURO, a impugnante adotou todas as medidas de praxe exigidas no mercado. Nesse contexto, solicitava certidões, verificava inscrições, e analisava a respectiva situação fiscal de todos os seus clientes. Essas precauções regularmente adotadas garantiam que apenas fosse alienado papel imune a contribuintes em situação regular perante o fisco e com as devidas autorizações. Se, posteriormente, descobriuse que referidas editoras seriam de fachada, a impugnante somente é mais uma vítima desse esquema, não podendo a fiscalização alegar conluio com o esquema de MAURO; 12) esclarece que o papel vendido foi retirado pelas transportadoras contratadas por seus clientes e muitas vezes foi entregue diretamente em armazéns gerais. Para documentar essas operações, a impugnante emitiu um conjunto de notas fiscais composto de: (a) uma primeira Nota Fiscal Eletrônica ("NFe"), cuja natureza era "Venda" e o destinatário o cliente; nessa nota não havia o destaque do ICMS, por se tratar de venda de papel imune; e (b) uma segunda NFe, no mesmo valor e com indicação das mesmas mercadorias, cuja natureza era "Outras Saídas" e o destinatário era o armazém geral (vejase o Doc. 130 do Anexo 15); essas notas continham uma observação de que a mercadoria era entregue por conta e ordem do seu cliente, fazendose referência à nota (a), acima. Por esse motivo, a COPAP nunca comercializou papel imune com armazéns gerais, conforme alegado pela fiscalização; 13) assim como tais empresas ludibriaram o fisco por vários anos, porquanto aparentavam regularidade, elas também enganavam a impugnante, de boafé, que sempre atuou de forma diligente em suas operações. Ademais a COPAP também vendia papel para outros clientes que, até o momento, não se sabe ter qualquer relação com o esquema de MAURO, pelo que fica claro que a impugnante nunca teve qualquer participação no esquema; 14) no tocante à origem dos recursos, esclarece que, diferentemente do alegado, os recursos para importação de papel não vieram da COMARK. Isso porque, a COPAP basicamente importava papel de sua afiliada e sócia COPAP INC no Canadá. Em todas as importações não havia pagamento antecipado ou no ato da importação. Todas as aquisições de papel eram feitas a prazo, i.e., a impugnante solicitava a mercadoria, recebia no Brasil, vendia e, somente então, remetia o pagamento para a COPAP INC. Em outras palavras, as importações da Impugnante eram financiadas pela COPAP INC e essa sistemática de operação pode ser facilmente comprovada a partir da farta documentação ora acostada no Anexo 15, em que se apresentam as DI, respectivas invoices, contratos de câmbio e notas fiscais de venda no mercado interno; 15) observa que as informações de cada jogo de documentos estão também sintetizadas na planilha anexa à presente impugnação e, com base nessas informações, é também possível depreender que as vendas internas foram realizadas por valor superior ao de importação. Dessa forma, não há dúvidas quanto à origem dos recursos da importação da Impugnante: esta era financiada diretamente pela COPAP INC; 16) lista diversas incongruências nas justificativas apresentadas pela fiscalização, que reforçam a inexistência da alegada interposição fraudulenta da impugnante a saber: (i) os extratos bancários da impugnante (fls. 442 a 1265), apenas registram ingressos de recursos da COMARK entre agosto/2011 e janeiro/2012, sendo que esses pagamentos feitos por terceiros foram recebidos em razão Fl. 15902DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.899 9 da venda de papel a seus clientes e essa prática foi vetada pela impugnante, que passou exclusivamente a emitir boletos para pagamento de suas vendas; a partir disso, se houvesse pagamentos em outros períodos oriundos dessa empresa, a impugnante não teve conhecimento, porque recebia por meio de boletos e não tinha como controlar quem pagava os tais boletos (anexo 14); (ii) se o período analisado na presente autuação, compreende outubro/2010 a dezembro/2012, e se os recursos da COMARK ingressaram em 2011 e 2012, como teriam sido pagas as importações realizadas anteriormente?; (iii) por que a COPAP teria cobrado a mais das empresas de MAURO, por ocasião das vendas de mercadoria do que o valor efetivo da importação? Como se daria o fluxo do dinheiro em relação a tais importações, se os argumentos da fiscalização fossem procedentes? 17) entende, assim, que não há dúvidas quanto à improcedência da autuação, seja porquanto a impugnante efetivamente comprovou a origem lícita dos recursos empregados em suas importações, seja porque há inúmeras incongruências nos argumentos lançados no caso em comento, que somente demonstram que não há quaisquer evidências que indiquem a atuação da impugnante em suposta interposição fraudulenta; 18) por fim, destaca que houve erro na capitulação legal da autuação e imposição de penalidade errônea. Com efeito, a impugnante (suposta interposta pessoa) foi autuada com fundamento no artigo 23, do DecretoLei n° 1.455/1976, nos termos de redação conferida pela Lei n° 10.637/2002; esse dispositivo previa a aplicação de pena de perdimento, conversível em penalidade equivalente a 100% do valor aduaneiro dos bens importados. Ocorre que, em 15.07.2007, foi promulgada a Lei n° 11.488/2007, que reduziu essa penalidade para 10% do valor aduaneiro das importações. Tratase, claramente, de lei posterior mais benéfica ao contribuinte, que deve ser aplicada por força do artigo 106, II, do Código Tributário Nacional. Cita jurisprudência administrativa e judicial; 19) requer, ao final, seja julgada improcedente a autuação, extinguindose o crédito tributário respectivo. Subsidiariamente, requer a redução da multa aplicada de 100% para o patamar de 10%, com fundamento no art. 33 da Lei nº 11.488/07 c/c artigo 106, II, do CTN. Cientificado do auto de infração por meio de edital (fl. 11.235), em 20/03/2015, o responsável solidário MAURO VINOCUR não impugnou o lançamento, razão pela qual foi lavrado o competente Termo de Revelia (fl. 15.750). Por meio da Resolução nº 16.000.617, de 25/02/2016, desta Turma da DRJ/SPO (fl. 15.753), o julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização juntasse aos autos memória de cálculo, demonstrando a composição do valor referente à multa aplicada. Consoante o despacho de fls. 15.757/15.759, a autoridade fiscal esclareceu, em síntese, que para se chegar ao montante total do lançamento tributário, no valor de R$ 82.655.248,80, somouse tão simplesmente o valor aduaneiro de cada uma das Declarações de Importação objeto de autuação, as quais foram todas anexadas aos autos. Cientificada do resultado dessa diligência, a impugnante não se manifestou (fls. 15.760/15.764). Ato contínuo, a DRJSÃO PAULO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. APLICAÇÃO DE MULTA. Demonstrada nos autos a participação da importadora em esquema fraudulento de desvio de finalidade de papel adquirido com imunidade, em que não logrou comprovar a origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, resta Fl. 15903DF CARF MF 10 caracterizada a interposição fraudulenta com vistas à ocultação dos reais adquirentes, devendo ser aplicada multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, nos casos em que as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas ou revendidas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa apresentou as seguintes argumentações: a) em sede preliminar, alega que a matéria tributável não foi devidamente especificada no lançamento realizado, em discordância com o determinado no art.142 do CTN1, o que prejudicou a sua defesa por falta de compreensão dos fatos. Nesse sentido, afirma que não está presente no auto de infração ou em qualquer passagem do procedimento administrativo a memória de cálculo da multa aplicada, razão pela qual ela deve ser declarada nula; b) nega a sua participação no esquema fraudulento e qualquer relação com as empresas de fachada do Sr. Mauro Vinocur, admitindo somente a existência de relações comerciais com as mesmas; c) informa que a origem dos recursos utilizados na importação do papel imune foi a sua fornecedora canadense Copap Inc. uma vez que esta não exigia pagamento antecipado e nem no ato da importação, permitindo a realização do pagamento após a chegada da mercadoria em território brasileiro, o que propiciava a Recorrente vender as mercadorias em território nacional e repassar, a título de pagamento das compras, parte do valor obtido para o seu fornecedor; e d) erro na capitulação legal da penalidade aplicada: necessidade de aplicação do artigo 33 da Lei n.º 11.488/2007, ao invés do artigo 23, do Decreto Lei n.º 1.455/1976. O Recurso Voluntário não trata da Responsabilidade Solidária atribuída ao Sr. Mauro Vinocur. É o relatório. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Fl. 15904DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.900 11 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente, cabe informar que o presente recurso diz respeito exclusivamente a autuada COPAP Latin América Importação e Exportação de Papéis Ltda. O Responsável Solidário, Mário Vinocur, devidamente cientificado da Decisão da DRJ, não apresentou recurso para a segunda instância administrativa, a exemplo do que já havia ocorrido na primeira instância. A acusação fiscal é de que a COPAP Latin América Importação e Exportação de Papéis Ltda, doravante denominada COPAP, estaria envolvida como interposta pessoa em grande e fraudulento esquema de importação e distribuição de papel imune com desvio da finalidade prevista no art.150, VI, d, da Constituição Federal, sendo identificado como principal líder e beneficiário, o Sr. Mauro Vinocur. Em decorrência dos fatos apurados, foi aplicada pena de perdimento de mercadoria que, por ter sido consumida ou não ter sido localizada, foi convertida em multa em valor equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, no montante de R$ 82.655.248,80, nos termos dos inciso V, art.23, do DecretoLei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/2002, in verbis: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...................................................................................... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A empresa, por sua vez, apresentou as suas razões de discordância da autuação e acórdão de julgamento DRJ no presente recurso, as quais se passa a análise. Preliminar de cerceamento do direito de defesa Preliminarmente, insurgese a Recorrente alegando que a matéria tributável não foi devidamente especificada no lançamento realizado, em discordância com o determinado no art.142 do CTN2, o que teria prejudicado a sua defesa por falta de compreensão dos fatos. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da Fl. 15905DF CARF MF 12 Nesse sentido, afirma que não está presente no auto de infração ou em qualquer passagem do procedimento administrativo a memória de cálculo da multa aplicada, razão pela qual ela deve ser declarada nula. Não há uma relação que demonstre as DI que teriam sido objeto da autuação e o respectivo valor das importações que serviram de base de cálculo da penalidade ora aplicada. Ainda, segundo a Recorrente, o máximo que conseguiu extrair dos autos foi que o valor da multa seria de R$ 82.655.284,80, que supostamente corresponderia ao valor aduaneiro de suas DI. Não foi acostado aos autos, contudo, qualquer parâmetro mais direto ou concreto para que a Recorrente pudesse confirmar o valor da autuação. Constatase nos autos que a mesma matéria preliminar foi alegada em sua impugnação do lançamento. Em consequência, a DRJ achou por bem converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem juntasse aos autos memória de cálculo, demonstrando a composição do valor referente à multa aplicada. Por meio de despacho, a autoridade fiscal esclareceu, em síntese, que para se chegar ao montante total do lançamento tributário, no valor de R$ 82.655.248,80, somouse tão simplesmente o valor aduaneiro de cada uma das Declarações de Importação objeto de autuação, as quais foram todas anexadas aos autos. Cientificada do resultado dessa diligência, a impugnante não se manifestou. Percebese que no Relatório Fiscal, integrante do auto de infração, consta no seu item 4 (Dos Valores Apurados) o detalhamento dos documentos que serviram de base para os cálculos da autuação, in verbis: Este trabalho foi desenvolvido com o apoio das informações disponíveis nas bases de dados da Receita Federal do Brasil, em documentos e informações entregues pela empresa COPAP e em documentos do Ministério Público Federal, compartilhados com autorização judicial concedida nos autos do processo 0014930 31.2013.403.6181 pelo Juiz Federal Substituto da 6ª Vara Criminal Marcelo Costenaro Cavali. Com o auxílio do sistema extrator DW Aduaneiro, e sob a tutela dos Mandados de Procedimento Fiscal de fiscalização nº 08155002013007319 e 08165002014004360, foram extraídas informações sobre as Declarações de Importação registradas pela empresa entre outubro de 2010 e dezembro de 2012. O sistema DW Aduaneiro forneceu uma planilha com colunas que contém, entre outras:número da DI, data de registro e desembaraço da DI, nome do adquirente, descrição da mercadoria, valor aduaneiro, etc. Com base nessa planilha foram realizados os cálculos para lançamento do crédito tributário do presente Auto de Infração. O valor a ser lançado é de R$ 82.655.248,80 (Oitenta e dois milhões, seiscentos e cinquenta e cinco mil, duzentos e quarenta e oito reais e oitenta centavos). (grifado) Observase que a autuação foi baseada em planilha de dados das DIs emitidas pelo Sistema DW Aduaneiro, na qual consta, entre outras informações, o número da DI, data obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 15906DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.901 13 de registro e desembaraço da DI, nome do adquirente, descrição da mercadoria e valor aduaneiro. Ademais, em resposta a diligência fiscal solicitada pela DRJ, a Autoridade Aduaneira confirmou que a multa foi calculada utilizandose como base o somatório do valor aduaneiro de todas as DIs da planilha citada anteriormente, abrangidas pelo período de 01/01/2010 a 31/12/2012. Assim, constando no Relatório Fiscal o detalhamento dos cálculos da multa lançada e não sendo constatado qualquer prejuízo à defesa, não assiste razão à Recorrente quanto a preliminar alegada. Mérito No mérito, a impugnante argumenta, em suma, pela sua não participação no suposto esquema fraudulento, apresentando as seguintes razões: (i) nega a sua participação no esquema fraudulento e qualquer relação com as empresas de fachada do Sr. Mauro Vinocur, admitindo somente a existência de relações comerciais com as mesmas (ii) quanto à origem dos recursos empregados em suas importações de papel imune, declara que era financiada diretamente pela exportadora e sua afiliada, a empresa canadense COPAP INC; e (iii) erro na capitulação legal da penalidade aplicada, uma vez que deveria ter sido aplicado o artigo 33 da Lei n.º 11.488/2007, ao invés do artigo 23, do Decreto Lei n.º 1.455/1976. (i) Não participação no esquema fraudulento e qualquer relação com as empresas de fachada do Sr. Mauro Vinocur Inicialmente a Recorrente tenta refutar a ligação estabelecida pela fiscalização entre a autuada e o Sr. Mauro Vinocur. Alega que é integrante de um grupo multinacional denominado COPAP com atuação em diversos continentes no ramo de papel e celulose e possui diversas certificações internacionais de produtores de papel e celulose. Além disso, informa que anualmente passa por periódicas auditorias, sob responsabilidade de empresa de auditoria independente. Afirma, ainda, que o grupo é comandado pelo executivos canadenses: David Sela (presidente), Laurent J. Barbé (vicepresidente), Denys Lamarre (vicepresidente para assuntos jurídicos e secretário corporativo), entre outros. O Sr. David Sela, além de Presidente do Grupo, é o principal beneficiário efetivo do Grupo Copap, por meio de participação direta e indireta. Conclui afirmando que a Recorrente existe de fato, não sendo uma empresa de "fachada" como faz crer a fiscalização, e que não guarda qualquer relação com as empresas do Sr. Mauro Vinocur, a não ser uma relação meramente comercial. Conforme informado no Relatório Fiscal, a fiscalização teve acesso a documentos do Ministério Público Federal, compartilhados com autorização judicial concedida nos autos do processo 001493031.2013.403.6181 pelo Juiz Federal Substituto da 6ª Vara Criminal Marcelo Costenaro Cavali. O referido processo trouxe uma série de informações úteis à fiscalização para a formação da sua convicção quanto ao envolvimento da COPAP, uma vez que desvendou um engenhoso esquema de desvio de papel imune, tendo levado à quebra de Fl. 15907DF CARF MF 14 sigilo bancário e sequestro de bens de diversas empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema criminoso. No presente caso, o esquema desbaratado pela fiscalização seguiu a mesma linha de outras fraudes do papel imune já por diversas vezes analisadas por este colegiado. O caso é típico de uma empresa importadora que efetuava importações de papel com imunidade de impostos e que, por meio de empresas intervenientes de fachada, vendia o produto para clientes que não davam a finalidade constitucional do papel imune. Noticiase nos autos que a COPAP faria parte de um Grupo Econômico envolvido em um esquema de importação irregular de papel imune com posterior desvio da sua finalidade, no qual o seu mentor, Sr. Mauro Vinocur, utilizouse de várias pessoas físicas e jurídicas, dentre elas a COPAP, para operar o suposto esquema. Para comprovar a sua afirmação, a fiscalização apresentou indícios robustos no sentido de demonstrar as ligações entre a COPAP e as empresas ligadas a pessoa de Mauro Vinocur. A fiscalização explicitou as relações entre a COPAP e cada uma dessas empresas, bem como os fatos que as ligavam a pessoa de Mauro Vinocur, conforme indicado a seguir. Buscouse inicialmente evidências no quadro social da Fiscalizada de participação indireta do Sr. Mauro Vinocur. Conforme se relata nos autos, desde a sua constituição em 11/04/2008 a Copap tinha como sócia a empresa Copap Participations Limited, doravante denominada CPL, que detinha 99,05%. A CPL, por sua vez, possuía em seu quadro social a empresa Advalorem Fomento Ltda que detinha 88,99% de sua participaçãp social. A Advalorem, conforme provado nos autos, possui como sócio e administrador o Sr. Mauro Vinocur. Disso se conclui que a Advalorem, comandada por Mauro Vinocur, tinha controle indireto na Copap. A empresa Advalorem também era sublocatária no contrato de locação do local em que a Copap desenvolve suas atividades. O mesmo espaço físico foi dividido entre as duas empresas na cidade de MoçõesSP. Posteriormente, a partir de 21/01/2010, a CPL foi substituida no quadro social da Copap por uma empresa canadense denominada Copap Trading Inc, detentora de 99,99% de cotas do quadro social. O administrador e sócio da Copap, Sr. Francisco Roberto Franco Canedo Neto, detinha o restante 0,01%. Identificouse que a Copap Trading tem como sócia a própria fiscalizada Copap. Ou seja, foi montada uma estrutura societária em que uma empresa (Copap Trading Inc) é a sócia da outra (Copap) e viceversa. Outro fato relevante constante nos autos é que o administrador e sócio minoritário da autuada, Sr. Francisco Roberto Franco Canedo Neto (vulgo Kiko), é casado com a Sra. Tatiana Storniolo Chioramital, diretora comercial de uma das empresas de Mauro Vinocur (TBLV), também envolvida no esquema, conforme consta em termo de depoimento nos autos. Mais detalhes sobre a TBLV serão abordados adiante. Constatouse ainda que Mauro Vinocur, na qualidade de administrador da Advalorem, por meio de procuração passada no 13º Cartório da capital paulista, outorgou poderes absolutos ao Sr. Francisco Roberto Franco Canedo Neto (administrador da Copap) para representar Advalorem durante o período de 27/06/2013 a 27/06/2014, mostrando o grau de confiança recíproco existente entre essas pessoas. Fl. 15908DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.902 15 Percebese que os fatos narrados demonstram que houve em período anterior a autuação uma participação indireta no quadro social da Copap de Mauro Vinocur, por meio da Advalorem, bem como relações estreitas entre o administrador da Recorrente e a pessoa do próprio Mauro Vinocur e com funcionária deste. Assim, de plano, já se percebe que não prospera a afirmação da Recorrente de que não possuía nenhuma relação com Mauro Vinocur. Serão mostrados, a seguir, outros fatos que demonstram outras ligações da Recorrente com o mentor do esquema. Constatouse também que as principais compradoras do papel imune foram empresas comandadas por Mauro Vinocur. Conforme se apurou, após o desembaraço aduaneiro, o papel importado com imunidade pela Copap era encaminhado para um armazém, com a emissão de notas fiscais de remessa para depósito. O acerto contábil, visando justificar a baixa no estoque do papel vendido para o atacado era feito por meio da simulação da venda do papel imune as empresas de fachadas detentoras do RE (Registro Especial) que, em tese, dariam destinação constitucional a este papel. A Copap emitia nota fiscal de venda do papel imune para algumas dessas empresas de fachada "noteiras", a exemplo das Editoras Roma Ltda, Point Editora Ltda e Makovski Editora LTDA (responsáveis por quase 70% das vendas da Copap), porém o papel não sofria qualquer movimentação, permanecendo em depósito. Essas empresas, responsáveis pelas compras fictícias da importadora, apenas emitiam notas de entradas, sem realizar a respectiva saída por meio de vendas. Não possuíam capacidade econômica e tinham uma movimentação financeira inexpressiva se comparadas aos montantes envolvidos nas compras. Nos autos, restou comprovado que as "noteiras" Editora Roma Ltda e Point Editora Ltda também eram comandadas por Mauro Vinacur. Outras empresas distribuidoras de fachada, também ligadas ao Sr. Mauro Vinocur, refaturavam o papel armazenado no depósito e se encarregavam de emitir as notas fiscais de vendas, já sem a imunidade tributária, para os clientes finais que não faziam jus a imunidade do papel importado. Nessas saídas ocorria a quebra da imunidade, visto que as notas fiscais eram emitidas como se os tributos tivessem sido recolhidos, gerando créditos fiscais indevidos para ICMS, PIS e COFINS para as empresas adquirentes. A mercadoria então era enviada diretamente do armazém para o cliente final. O esquema envolvia sonegação de impostos devidos na importação, o que tornava o preço do papel da Copap inferior ao de seus concorrentes no mercado interno, propiciando assim vantagens competitivas ilícitas. Desta feita, além do cliente final obter preços inferiores, ainda se creditava dos impostos que teoricamente eram devidos nas operações internas, sendo que, de fato, estes não eram recolhidos pelas empresas de fachada, pois elas não haviam de fato adquirido nenhuma mercadoria em operação tributada no mercado interno. O cliente final, por sua vez, realizava os pagamentos das compras do papel diretamente a importadora ou a empresa de cobrança. Apesar da Copap destinar uma pequena parte das suas importações para vendas a clientes existentes de fato e que dariam destinação constitucional ao papel, a grande maioria de suas vendas (mais de 70%) seria feita a clientes finais que não teriam direito a imunidade constitucional, com o conhecimento da própria Copap. Fl. 15909DF CARF MF 16 Outra ligação identificada da Autuada com as empresas do Sr. Mauro Vinocur se deu por meio da empresa de cobrança de sua propriedade denominada Comark Cobranças Ltda. Noticiase nos autos que a Copap recebeu repasses financeiros da Comark de quase 80 milhões à título de recebimentos pelo papel imune vendido. Por meio da quebra de sigilo bancário da Comark, a fiscalização chegou a conclusão de que a empresa Comark também possuía como sócio oculto o Sr. Mauro Vinocur. É incontroverso nos autos que a COMARK fez repasses a autuada nos anos de 2011 e 2012 na ordem de aproximadamente 80 milhões de reais, montante bem próximo ao total de quase 82 milhões apurados nas importações de papel imune realizadas pela Copap durante todo o período analisado de out/2010 a dez/2012. Estranhamente, quanto a esse montante a Recorrente se cala, apenas afirmando que desconhecia que esses repasses a título de recebimento das suas vendas de papel imune se dava por meio da COMARK pois recebia os seus pagamentos das vendas por meio de boletos. A Comark, conforme já afirmado, era comandada por Mauro Vinocur e seria a responsável por intermediar a movimentação financeira entre as empresas do grupo envolvidas no esquema fraudulento. Segundo relata a fiscalização, a Comark é uma empresa de cobrança que foi utilizada por várias empresas importadoras envolvidas no esquema de papel imune, sempre da mesma forma, dentre elas a COPAP. Cabia a essa empresa os recebimentos dos reais clientes das vendas do papel imune desviado de sua finalidade. Na dinâmica do esquema, após receber as receitas de revenda de papel as redistribui em parte às importadoras do esquema. O modus operandi entre a Comark e as importadoras de fachada do esquema seria recorrente. Pela sua atuação no esquema, a Comark também foi objeto de investigação e autuação pela Receita Federal, resultando nos PAFs 10803720.021/201467 e 10314 723.397/201435. Em meados de 2016 os referidos processos foram objeto de julgamento nesta turma colegiada com a manutenção integral do lançamento por unanimidade dos votos. Ainda, segundo consta nos autos, a atuação da COPAP no esquema de importação de papel imune com desvio de finalidade, assim como de outras importadoras, deu se em substituição à atuação da importadora TBLV COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PAPÉIS LTDA, depois que esta última começou a ser fiscalizada pela RFB, o que ocorreu no final do ano de 2010/início de 2011. A TBLV a partir daí diminuiu as suas atividades de importação. Consta que durante o período fiscalizado a TBLV passou a função de compradora do papel imune da Recorrente, com aquisições na ordem de 8,6 milhões de reais da COPAP. De forma semelhante às demais empresas, a fiscalização também obteve elementos comprovadores que colocaram Mauro Vinocur como sócio oculto e responsável solidário da TBLV. Transcrevese a seguir os fatos que levaram a essa conclusão: “No caso em tela, o real controlador da TBLV é o Sr. Mauro Vinocur. Pesquisas na internet apontam que o Sr. Mauro Vincour se apresentava como diretor comercial da TBLV, embora não exista nenhum registro oficial desta vinculação, nem mesmo como empregado (ver anexo Internet Mauro Vinocur). Além disso, a presente fiscalização teve acesso a documentos do Ministério Público Federal compartilhados com autorização Fl. 15910DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.903 17 judicial concedida nos autos do processo 0014930 31.2013.403.6181, conforme já mencionado anteriormente neste Relatório Fiscal. Conforme consta das peças do mencionado processo, foi encontrada uma forte evidência que liga o Sr. Mauro Vinocur à TBLV. Abaixo encontrase extrato deste processo onde se encontra esta informação: Além disso, durante a resposta dos bancos às quebras de sigilo bancários obtidas pela RFB, os Bancos Safra e Modal trouxeram elementos que demonstram cabalmente que o Sr. Mauro Vinocur, em que pese não constar como sócio ou procurador da empresa TBLV, vem a ser o único controlador e real beneficiário das empresas offshore ATLANTIS BUSINESS LLC, SUN INVEST LLC e LA INVESTMENTS & ASSOCIATES, às quais constam oficialmente como sócias estrangeiras investidoras da TBLV (ver anexo Vinculação Mauro Vinocur à Sun, Atlantis, LA e Comark). De todo o exposto acima, não resta dúvida de que Mauro Vinocur é sócio oculto da TBLV, tendo se utilizado de empresas offshore para ocultar esta relação de propriedade. Corroborando este fato, apresentase um trecho da entrevista realizada pelo AuditorFiscal da RFB, Sr. Hermiro da Silva Oliveira, com o Sr. Paulo Roberto Furtado Farias, funcionário da empresa IPSL Comércio Importação e Exportação de Papeis LTDA, que também estava envolvida no esquema de fraude de papel imune (PAF 10314.726139/201419): “Perguntado sobre o relacionamento atual ou passado com a empresa TBLV COMÉRCIO IMPORTAÇÂO E EXPORTAÇÂO De PAPÉIS LTDA, CNPJ 04.155.947/000122. Respondeu: “No que conhece, a TBLV pertence ao Sr. Mauro Vinocur”. O Sr. Mauro Vinocur é o responsável pelo esquema de ocultação da real destinação do papel imune importado, promovendo as importações de papel por meio de empresas importadoras, as quais são os fornecedores desse esquema fraudulento. A TBLV foi autuada por participar do esquema de importação de papel imune com desvio de finalidade nos PAFs 10314.727087/201490 e 10314.727088/201434. Fl. 15911DF CARF MF 18 As operações que levaram a autuação da TBLV também foram objeto de julgamento por esta Turma em abril de 2016 com as decisões proferidas nos acórdãos nº3402003.010 (IPI e II) e nº3402003.011 (Multa Conversão da Pena Perdimento), onde os lançamentos foram integralmente mantidas por unanimidade de votos, inclusive quanto a Responsabilidade Solidária do Sr. Mauro Vinocur. Percebese, assim, que, embora a Recorrente tente negar em toda a sua defesa quaisquer relações com a pessoa de Mauro Vinocur e se colocar também como vítima de boa fé do esquema fraudulento desbaratado, os elementos trazidos aos autos pela fiscalização demonstram claramente, em sentido contrário, que, por qualquer ângulo que se olhe, temse uma atuação ativa da Recorrente no esquema de importação irregular de papel imune com inúmeras relações da Autuada com as empresas ligadas ao esquema e a Mauro Vinocur, identificadas pelas suas atividades operacionais de vendas de papel a empresas de fachada de Mauro Vinocur e recebimentos por meio de empresa comandada pelo mesmo (Comark), além da participação indireta dele na composição societária da Recorrente durante certo período, por meio da empresa Ad Valorem. (ii) Origem dos recursos empregados nas importações de papel imune Tais fatos até aqui apresentados levam a crer que a autuada se utilizou de recursos de terceiros para realizar as operações de importação em comento, atuando como interposta pessoa. Ainda nessa direção de busca da origem dos recursos utilizados na importação do papel, a Autoridade Tributária, no âmbito do Procedimento Especial previsto na Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002, intimou a COPAP a comprovar a origem dos recursos utilizados em suas importações. Em resposta à intimação, a empresa informou que a sua fornecedora, Copap Inc, financiava 100% das suas importações, uma vez que não exigia o pagamento antecipado e nem no ato da importação, concedendolhe um prazo de 5 (cinco) dias para pagamento das importações após a chegada da mercadoria ao país, o que propiciava a Recorrente vender as mercadorias em território nacional e com o valor obtido, posteriormente pagar ao seu fornecedor por meio de fechamento em contrato de câmbio. Para comprovar a compatibilidade da sua argumentação, juntou aos autos planilha vinculando as DIs aos contratos de câmbio e as notas fiscais de saída, com valores e datas. Não considerando satisfatórias as justificativas apresentadas pelo contribuinte quanto a origem dos recursos para importação, a fiscalização considerou que restou caracterizada a ocorrência "interposição fraudulenta presumida", prevista no artigo 23, V, § 2º do Decreto Lei nº 1.455/1976, pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Cabe aqui breves comentários sobre a infração lançada de dano ao erário, praticada por meio de interposição fraudulenta de terceiros. A legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto n. 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, Fl. 15912DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.904 19 comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1oO dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2oPresumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (negrito nosso) Depreendese que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: comprovada e presumida. Na interposição comprovada, cabe à fiscalização buscar elementos comprobatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplicase a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decretolei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decretolei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário, assim, que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambos os fatos, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficiente para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. A interposição fraudulenta presumida, por sua vez, é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue Fl. 15913DF CARF MF 20 comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decretolei nº 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplicase o perdimento. É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como uma presunção relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. A Empresa afirma que as importações seriam pagas no prazo de 5 dias, após o desembaraço aduaneiro, o que, segundo a sua argumentação, possibilitaria um fluxo financeiro positivo com o recebimento pelas vendas do papel importado antes do pagamento ao fornecedor. A prova para elidir a presunção lançada pela fiscalização cabe à Recorrente trazer aos autos na fase do contencioso. A fim de descaracterizar a presunção lançada, somente precisaria a empresa refutar um argumento do fisco: o de que não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Mas isso não é feito, concentrandose a defesa em uma suposta compatibilidade temporal do fluxo financeiro entre os seus recebimentos de vendas e os pagamentos de suas importações no exíguo prazo de 5 (cinco) dias. A planilha apresentada pela Recorrente não se presta a comprovar que os recursos das importações são decorrentes de uma suposta compatibilidade do fluxo financeiro, isto porque não consta na referida planilha dados a respeito do efetivo recebimento das vendas, juntamente com a indicação dos lançamentos em extratos bancários correspondentes, limitandose a empresa a informar apenas a data de saída da mercadoria por venda para comprovar uma suposta compatibilidade entre as datas da venda da mercadoria e o posterior fechamento do contrato de câmbio. Ademais, como restou comprovado nos autos, as notas fiscais de vendas de papel imune para as empresas editoras "noteiras" foram simuladas para dar uma aparência de legalidade às operações da Copap e justificar a saídas das mercadorias do seu estoque. Disso resulta que os dados da planilha que apresentam as datas de saídas constante nas notas fiscais dessas empresas não merecem nenhuma credibilidade, pois restou comprovado nos autos que as vendas não ocorreram de fato para essas empresas de fachada, mas sim para outras empresas destinatárias finais que não faziam jus a imunidade tributária. As datas e valores das vendas para esses destinatários finais também não aparecem na planilha elaborada pela Recorrente. Dessa forma, entendo que a Recorrente não juntou aos autos elementos de provas suficientes e capazes de infirmar a presunção legal operada pela Autoridade Tributária de ocorrência de interposição fraudulenta presumida, decorrente da falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na importação de papel, nos termos do § 2o, , V, do artigo 23 do Decretolei nº1455/1976. Fl. 15914DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.905 21 Quanto as alegadas incongruências nas justificativas apresentadas pela fiscalização, em que a impugnante argumenta que o fisco não esclareceu sobre como foram pagas as importações em período anterior aos repasses feitos pela COMARK, nem qual a lógica de a COPAP cobrar das empresas de MAURO valores superiores àqueles de importação, esclarecese que todos esses questionamentos envolvem a comprovação da origem dos recursos utilizados na importação do papel imune. Tais questões devem ser respondidas pelo próprio Contribuinte, pois durante o desenrolar da fiscalização e no contencioso administrativo não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos financiadores das suas importações, conforme já analisado anteriormente. Tendo em vista que o lançamento fiscal foi feito por presunção com base no § 2°, do art. 23, do DL n° 1.455, de 1976 porque a empresa foi inquirida a demonstrar a origem dos recursos empregados no custeio de suas operações de comércio exterior, sem êxito na comprovação, o ônus da prova em contrário passou a ser do autuado. (iii) erro na capitulação legal da penalidade aplicada Por fim, a Recorrente argui subsidiariamente que houve erro na capitulação legal na infração imposta pela fiscalização. Segundo seu entendimento, havia no ordenamento jurídico norma mais benéfica que previa a aplicação de penalidade menos severa. Informa que em 15/07/2007 foi promulgada a Lei nº11.488/2007, cujo art.33 previa multa de 10% do valor da operação acobertada. Não tem razão a Recorrente em sua argumentação, pois entendo que não cabe a aplicação do citado dispositivo nos casos de interposição fraudulenta presumida, como se dá no presente processo. A aplicação da penalidade de "cessão de nome" prevista no art. 33 da Lei nº11.488/2007 só tem aplicação nos casos de interposição fraudulenta comprovada, isto porque a lei cita em seu texto o "acobertamento de seus reais intervenientes": Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). (negrito nosso) Resta claro, assim, que o citado dispositivo se aplica apenas aos casos em que o real beneficiário ou interveniente é identificado, o que se dá somente no caso da interposição fraudulenta comprovada. Nesses casos, devese aplicar, além da pena de perdimento, a penalidade em comento de “cessão de nome” no montante de 10% do valor da operação acobertada, em substituição à pena de declaração de inaptidão do CNPJ. Sendo assim, a multa em comento não tem aplicação nos casos de interposição fraudulenta na modalidade presumida, uma vez que nesses casos não é identificado o real importador. Para essa modalidade, além da pena de perdimento, deve ser aplicada a pena de inaptidão do CNPJ, conforme preceitua o art.81 da Lei n. 9.430/96. Fl. 15915DF CARF MF 22 Reproduzo a seguir as ementas de alguns julgados do CARF que expressam o mesmo entendimento quanto a questão: MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA A multa do artigo 33 da Lei 11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida por conta da nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados constante do § 2º do artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976 à qual continuase aplicando a inaptidão da inscrição no CNPJ. Recurso Voluntário Provido. (Processo 10907.721142/201204, Data da Sessão 18/03/2015, Relator SIDNEY EDUARDO STAHL, Acórdão 3301002.638) INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento, além da declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002.. (Processo 11128.009683/200814, Data da Sessão 29/01/2018, Relator ROSALDO TREVISAN, Acórdão 3401004.351). Dispositivo Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 15916DF CARF MF Processo nº 10314.720749/201581 Acórdão n.º 3402005.456 S3C4T2 Fl. 15.906 23 Fl. 15917DF CARF MF
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Numero do processo: 13840.000196/2006-96
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA.
O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples.
São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada.
A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
VEDAÇÃO. DÉBITOS.
A pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa não pode optar pelo Simples.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf-Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeita-se às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. VEDAÇÃO. DÉBITOS. A pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa não pode optar pelo Simples. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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MICROEMPRESA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. VEDAÇÃO. DÉBITOS. A pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa não pode optar pelo Simples. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 01 96 /2 00 6- 96 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 104 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples em 30.05.2006, fls. 0103, a partir do início das atividades, ou seja, de 01.01.1997, ao argumento de que: 1 A Sociedade Empresária quando da sua exclusão, não foi ao menos notificada do ato, não tendo a oportunidade de pleitear sua permanência no SIMPLES. 2 A Sociedade Empresária só tomou conhecimento do referido ato só em data recente, quando da época da entrega da DSPJ SIMPLES, não obteve êxito, não sendo transmitida. 3 Partindo desta informação a Sociedade Empresária tomou todas as providências necessárias de fato para poder corrigir tal erro, restando tão e somente que V.S. digne a proceder a inscrição retroativa no SIMPLES com efeitos desde 01/01/1997 como única forma de solução de problemas que gerariam consequências de monta insuportáveis por esta sociedade. 4 Partindo da boafé e da plena veracidade das informações fornecidas por esta Sociedade Empresarial, e mediante a extrema necessidade da permanência no sistema, REITERO este REQUERIMENTO para que V.S. defira o pedido, de modo a proceder a Inscrição retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/1997. 5 Tendo de fato a Sociedade Empresária , desde sua opção no SIMPLES em 01/01/1997, exercido suas atividades e praticado todos os atos atinentes ao seu objeto social de forma e maneira exigíveis, de boafé, e ainda não sendo sua atividade vedada à opção, ou ainda, não havendo qualquer outro impedimento legal [...]. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF/Limeira/SP, de 18.07.2007, fls. 3031: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 105 3 A pretensão da pessoa jurídica, consistente no fato de pedir a reinclusão na sistemática instituída pelo SIMPLES, conforme restou amplamente demonstrado, não reúne condições de prosperar, em face da inscrição em DAU relativa ao processo administrativo n° 10830.258348/9701 ter permanecido ativa até 03/08/2007. CONSIDERANDO que esta decisão não elide o direito que tem a Fazenda Pública de realizar futuras verificações quanto à situação tributária declarada; DECIDO, portanto, manter a empresa excluída do SIMPLES. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado nos excertos da ementa e relatório do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14 33.828, de 24.05.2011, fls. 5659: INGRESSO POR DECISÃO ADMINISTRATIVA. IMPEDIMENTO. A legislação de regência permite a inclusão no Simples com efeitos retroativos por decisão administrativa, se atendidos todos os requisitos nela previstos. A existência de débitos inscritos Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não esteja suspensa, impede o ingresso no sistema. Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), jurisdicionante, acolheu o pleito da contribuinte como Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), indeferiu o mediante o Despacho Decisório de fl. 30/31, informando que a contribuinte fora excluída do Simples pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 364.096, com efeitos retroativos a 01/11/2000, tendo em vista a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União (DAU), cuja exigibilidade não se encontrava suspensa. Além disso, pelo fato de que o crédito tributário somente fora extinto em 03/08/2007. Ciente do indeferimento de seu pleito em 09/03/2009, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade em 31/03/2009, na qual requer sua revisão para ter sua inscrição no sistema com efeitos retroativos. [...] Notificada em 25.07.2011, fls. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.08.2011, fls. 6365, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. No que diz respeito aos fundamentos do indeferimento da inclusão retroativa no Simples afirma que: A empresa foi indevidamente excluída do SIMPLES FEDERAL, sem sequer tido sido notificada conforme manda a Lei. Não houve a ciência do ADE Ato Declaratório de Exclusão, onde constassem os débitos, os motivos pelos quais a empresa foi excluída do regime simplificado. Foram realizadas todas as tentativas administrativas cabíveis para reverter a ilegalidade e, mesmo assim a autoridade acolheu parcialmente o pedido de inclusão retroativa, conforme comunicado n° 13840/239/2011. [...] Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 106 4 [...] esta matéria foi tratada e julgada de forma parcial e legal, culminado na Súmula CARF n° 22, onde torna nulo o ato declaratório de exclusão do Simples que se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa. O que dizer então de um ADE que nem mesmo foi tomado ciência pelo contribuinte. Concernente ao pedido expõe que: Á vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que não foi notificada do Ato Declaratório de Exclusão, que inclusive é nulo pois se limite a consignar a existência de pendências perante a Dívida Ativa da União ou do INSS, sem a indicação dos débitos inscritos cuja exigibilidade não esteja suspensa (Súmula CARF 22). A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 15. [...] § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo Os argumentos trazidos no recurso voluntário atinentes ao ato de exclusão, fl. 28, não podem ser analisados no neste processo por falta de objeto, uma vez que a presente lide limitase ao exame do Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) em 30.05.2006, fls. 0103, a partir do início das atividades, ou seja, de 01.01.1997. No que se refere ao Pedido de Inclusão Retroativa no Simples, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 107 5 requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. A opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais e que não incorra em circunstância objeto de vedação por expressa previsão legal. O pressuposto é de que os motivos que impedem sua adesão ou permanência no regime sejam dela conhecidas.1. Em preliminar, no que se refere à identificação da intenção inequívoca de a Recorrente aderir ao Simples, vale mencionar o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 02 de outubro de 2002, que disciplinou a matéria no seguinte sentido: Artigo único. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. Parágrafo único. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Consta no Item 141 das Perguntas e Respostas da RFB de 20052: Pode o Delegado ou Inspetor da Receita Federal retificar de ofício a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no CGC/CNPJ? O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples (ADI SRF n º 16, de 2002). NOTA: Cabe, entretanto, a inclusão retroativa de ofício, para fatos ocorridos até o exercício de 2003 (anocalendário 2002), no caso de o contribuinte comprovar sua intenção de promover a alteração cadastral exigida pela Lei n º 9.317, de 1996. Essa comprovação pode ser feita, nos casos de não apresentação do TO e da não formalização da opção de adesão ao Simples mediante a FCPJ, pela comprovação de entrega das 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2 BRASIL. Ministério da Fazenda. Secretaria da Receita Federal. Perguntas e Respostas 2005. Disponível em: < http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/declaracoesedemonstrativos/dipjdeclaracaode informacoeseconomicofiscaisdapj/anosanteriores2009a1999>. Acesso em 15 jun. 2018. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 108 6 Declarações Anuais Simplificadas ou a apresentação dos comprovantes de pagamento (DarfSimples). Ressaltese que o pagamento efetuado por outro regime de tributação não caracteriza a intenção de opção pelo Simples ainda que o contribuinte tenha entregue a Declaração Anual Simplificada. Restando positivado que comprovada a ocorrência de erro de fato, a pessoa jurídica pode ser incluída de ofício no Simples quando for possível identificar sua intenção inequívoca de adesão devendo de maneira imprescindível serem evidenciadas as seguintes condições cumulativas de forma objetiva e com provas diretas: (a) efetivação dos pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples); e (b) apresentação da Declaração Anual Simplificada (DAS) Simples. A pessoa jurídica que não é optante pelo Simples sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas (art. 16 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1997). O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14 33.828, de 24.05.2011, fls. 5659: Verificada a admissibilidade de opção pela pesquisa orientada, poderia a inclusão retroativa ser deferida com a data que o contribuinte começou a se comportar como optante pelo Simples, de fato. Todavia, no presente caso, como acima relatado, a contribuinte já havia ingressado no Simples desde 1997 e fora excluída com efeitos a partir de 01/11/2000, em face da existência de débitos junto à PGFN, cuja exigibilidade não estava suspensa, o que impediu que se mantivesse no sistema, de acordo com o disposto na Lei n° 9.317, de 1996, art. 9º , XV, [...] Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) não comprovou recolhimentos por DARFSimples; (b) há débitos do código 6106, fls. 1516 e 20; e (c) no período de 1997 a 2005 apresentou Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples e Declarações Simplificada da Pessoa Jurídica (DSPJ) Inativa fl. 13. Logo, não é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela falta de demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 109 7 Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) a partir de 1997, caso em que, no período, a Recorrente sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas inclusive no que se refere às obrigações tributárias principais e acessórias. Pertinente as circunstâncias que vedam a fruição da sistemática, o pressuposto é de que não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa (inciso XV do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Consta no voto condutor do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14 33.828, de 24.05.2011, fls. 5659: Ressaltese, que os efeitos da exclusão deuse a partir de 2000, portanto não há porque falar em retroagir a 1997. Ainda, que em 03/11/2000 fora emitida correspondência, juntamente com extrato dos débitos inscritos em DAU (consulta ao Sivex fl.28). Todavia, tais débitos motivadores da exclusão procedida, com efeitos a partir do anocalendário de 2000, somente foi extinto por pagamento, em 03/08/2007, quando não mais vigorava o sistema "Simples Federal". Dessa forma, em observância ao disposto na norma acima citada, não há como acatar a intenção da contribuinte de ingressar no Simples, com efeitos retroativos, por decisão administrativa, tendo em vista o impedimento previsto no inciso XV do art. 9º da Lei n°9.317, de 1996. No presente caso constatase que a Recorrente tem débitos em cobrança inscritos em Dívida Ativa da União de tributos nºs 8069712749323, 8069712749323 e 8060507896782, fls. 17, 2 e 2325. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade 3. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13840.000196/200696 Acórdão n.º 1003000.082 S1C0T3 Fl. 110 8 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.912262/2012-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 62 /2 01 2- 28 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912262/201228 Acórdão n.º 3201003.790 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.635, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912262/201228 Acórdão n.º 3201003.790 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912262/201228 Acórdão n.º 3201003.790 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912262/201228 Acórdão n.º 3201003.790 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.907673/2013-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 73 /2 01 3- 45 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.033, de 30 de abril de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao mês de junho de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 21.239,40, originarseia de pagamento efetuado em 24/08/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; Fl. 68DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 4 3 c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 17/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 5 4 d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 6 5 Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 7 6 A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 8 7 receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.907673/201345 Acórdão n.º 1302002.829 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722605/2011-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 26 05 /2 01 1- 81 Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 13971.722605/201181 Acórdão n.º 9202006.784 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2033DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.004337/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houver antecipação de pagamento, na forma do artigo 156, I do CTN, o prazo de decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Observadas as limitações e condições estabelecidas pela legislação, o imposto liquidado no exterior, relacionado aos rendimentos aqui declarados, pode ser, a partir de seu recolhimento, aproveitado até o final do ano calendário, na apuração do valor aqui devido; sendo que, caso o recolhimento se dê em ano calendário posterior ao do reconhecimento do rendimento no Brasil, é assegurado ao contribuinte a utilização desse valor em apurações outras, no mês ou ano do recolhimento, conforme seja a apuração.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2402-006.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência e dar parcial provimento para deduzir do Imposto de Renda apurado o valor correspondente a US$ 249.301,95 de 15.04.2003, com relação aos fatos geradores havidos após esta data, relacionados aos rendimentos provenientes das obrigações do tesouro americano e observados os valores já descontados nos anexos da DIRPF auditada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Votaram pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que inicialmente negaram provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houver antecipação de pagamento, na forma do artigo 156, I do CTN, o prazo de decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Observadas as limitações e condições estabelecidas pela legislação, o imposto liquidado no exterior, relacionado aos rendimentos aqui declarados, pode ser, a partir de seu recolhimento, aproveitado até o final do ano calendário, na apuração do valor aqui devido; sendo que, caso o recolhimento se dê em ano calendário posterior ao do reconhecimento do rendimento no Brasil, é assegurado ao contribuinte a utilização desse valor em apurações outras, no mês ou ano do recolhimento, conforme seja a apuração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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TERMO INICIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houver antecipação de pagamento, na forma do artigo 156, I do CTN, o prazo de decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Observadas as limitações e condições estabelecidas pela legislação, o imposto liquidado no exterior, relacionado aos rendimentos aqui declarados, pode ser, a partir de seu recolhimento, aproveitado até o final do ano calendário, na apuração do valor aqui devido; sendo que, caso o recolhimento se dê em ano calendário posterior ao do reconhecimento do rendimento no Brasil, é assegurado ao contribuinte a utilização desse valor em apurações outras, no mês ou ano do recolhimento, conforme seja a apuração. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência e dar parcial provimento para deduzir do Imposto de Renda apurado o valor correspondente a US$ 249.301,95 de 15.04.2003, com relação aos fatos geradores havidos após AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 43 37 /2 00 8- 71 Fl. 655DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 3 2 esta data, relacionados aos rendimentos provenientes das obrigações do tesouro americano e observados os valores já descontados nos anexos da DIRPF auditada. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Votaram pelas conclusões, em razão de votação sucessiva, os Conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima que inicialmente negaram provimento ao recurso (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que entendeu por considerar improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração em 26.11.2008 para constituição de IRPF no valor principal de R$ 1.252.264,52, acrescido da multa de ofício (75%) e dos juros legais Selic. A autuação decorre da constatação das infrações a seguir: 1 Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira exercício 2004. Do Termo de Verificação Fiscal de fls. 377/398, extraemse os seguintes fatos de relevo para o caso: 1 A Fiscalização se deu em função de representação fiscal formulada pela Derat/RJ, que versava sobre incompatibilidades observadas entre os valores declarados no Demonstrativo de Ganho de Capital em moeda estrangeira anexo à DAA (Declaração de Ajuste Anual) do exercício 2004, anos calendário 2003, em especial quanto ao custo de aquisição dos títulos do Tesouro dos EUA e os valores informados constantes dos extratos apresentados das contas no exterior e na declaração prestada ao fisco americano. 2 O contribuinte apresentou Demonstrativos de Ganho de Capital em moeda estrangeira anexos à sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) do exercício 2004, anocalendário 2003 (vide cópias extraídas do processo administrativo n° 15374.001714/200668). Nestes demonstrativos o contribuinte apurou o Fl. 656DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 4 3 ganho de capital decorrente da alienação, liquidação ou resgate de títulos do tesouro americano ("TNotes"), e declarou compensado com o imposto devido no Brasil com o imposto pago no exterior (EUA.), em razão da reciprocidade de tratamento entre o Brasil e os Estados Unidos da América. 3 Em síntese, o contribuinte explica que o ganho de capital declarado nos EUA corresponde a investimentos realizados em fundos, cujos rendimentos não foram disponibilizados para o investidor, mas sim, auferidos pelo fundo, os quais seriam qualificados como ganhos de capital, de acordo com o direito fiscal americano. Tais valores seriam decorrentes de operações realizadas pelo próprio fundo de investimento e não pelo investidor. Conclui que: "... como não houve liquidação de tais aplicações, não existe ainda data e valor de alienação e, conseqüentemente, ganho de capital correspondente." 4 O contribuinte declarou os rendimentos de suas aplicações financeiras mantidas nos EUA de duas maneiras: ganho de capital apurado nos demonstrativos anexos à DAA ex.2004 e rendimentos tributáveis recebidos do exterior declarados no ajuste anual. 5 Os ganhos de capital apurados em moeda estrangeira abrangiam os resultados apurados na alienação ou resgate dos títulos do Tesouro americano e os rendimentos (cupons) semestrais decorrentes dos juros recebidos por tais títulos antes de seu vencimento. 6 Além dos ganhos de capital em moeda estrangeira e dos juros auferidos pelos títulos do Tesouro americano ("TNotes"), o contribuinte também declarou outros rendimentos decorrentes de aplicações financeiras efetuadas originalmente em moeda estrangeira, tais como: dividendos recebidos de SWAT Fund e SFM Domestic Investments LLC e juros de conta corrente no exterior. 7 Estes rendimentos foram declarados como rendimentos tributáveis recebidos do exterior sujeitos ao pagamento de carnêleão e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2004, A/C 2003. Em resposta apresentada em 21/07/2008, em atendimento à intimação fiscal de 09/07/2008, o contribuinte discriminou no DOC 01 de forma individualizada, as datas e valores dos rendimentos tributáveis recebidos do exterior. 8 Verificamos assim que tais rendimentos são decorrentes de aplicações financeiras em moeda estrangeira que foram disponibilizados ao contribuinte, portanto, devem ser submetidos a tributação definitiva como ganho de capital, consoante o disposto no Ato Declaratório Interpretativo n° 08/2003, pelos mesmos motivos já explicados em relação aos juros semestrais auferidos pelos títulos do Tesouro americano ("TNotes"). 9 Logo, o ganho de capital decorrente dos rendimentos auferidos com os juros semestrais pagos pelos títulos ("TNotes") e os dividendos declarados pelo contribuinte como rendimentos tributáveis recebidos do exterior estão sujeitos ao lançamento de oficio da diferença entre o valor apurado. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 5 4 10 Ressaltamos ainda que no curso do procedimento de fiscalização em face de Armínio Fraga Neto, o contribuinte não logrou comprovar o pagamento de imposto no exterior no anocalendário de 2003 a ser compensado com o imposto apurado no Brasil. Pelo contrário, a documentação apresentada pelo contribuinte demonstrou que não houve pagamento de imposto nos E.U.A. no ano de 2003, mas tão somente uma compensação do crédito do imposto pago em período tributário anterior. Regularmente intimado da autuação, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ fls. 575/587, cuja decisão foi a seguir ementada: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, se não houver antecipação de pagamento, o prazo de decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. A redução do imposto devido no Pais, em razão do pagamento de imposto no exterior, deve ser efetuada observandose as restrições impostas pela legislação tributária. O imposto de renda pago em pais em que haja reciprocidade de tratamento somente poderá ser considerado como redução do imposto devido no Pais na hipótese do pagamento no exterior ter ocorrido no mesmo anocalendário ao do vencimento do imposto no Brasil. Irresignado, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 609/635, aduzindo, em síntese: 1 Em preliminar, decadência. Sustenta deve ser aplicada a regra do artigo 150 § 4º do CTN, vez que teria havido a compensação do imposto devido no Brasil com aquele cobrado e quitado no exterior; e 2 No mérito, o aproveitamento do imposto cobrado/pago nos EUA. 3 Subsidiariamente, sejam afastados o juros de mora sobre a multa de oficio lançada. É a síntese do necessário. Voto Fl. 658DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 6 5 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 28.02.2012 (fls.592) e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 29.03.2012. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Preliminarmente, sustenta o recorrente terem decaídos os créditos tributários relativos aos períodos de janeiro, junho, setembro e outubro de 2003, vez que, ao considerar sua ciência do lançamento em 28.11.2008 e os supostos pagamentos efetuados nos EUA, teria havido o transcurso do prazo assinalado na forma do artigo 150, § 4º do CTN. Como é cediço, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial é deslocada da regra geral (art 173, I do CTN), típica para os lançamentos de ofício, para aquela estabelecida pelo artigo invocado pelo recorrente (art. 150, §4º do CTN). Por sua vez, a aplicação do art. 150, §4º somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao fisco a posterior conferência dos valores recolhidos, contrapondose como os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças. No caso em apreço, abstraindose a comprovação do recolhimento efetuado no exterior, que será abordada mais adiante, o fato é que, para este relator, o pagamento a que alude a norma é aquele relacionado à apuração do tributo sob exame, segundos os contornos previstos na legislação doméstica e a ele correspondente, prontamente identificável pelo Fisco em seus sistemas de controle, sem que haja necessidade de maiores investigações sobre sua existência/natureza. Notese que, nesse sentido, o pagamento antecipado deve se relacionar à apuração do tributo tal como prevista em nossa legislação, como se seu produto fosse, ainda que parcial o pagamento, ainda que parcial a apuração, mas sempre a ela relacionado. Nesse contexto, tenho que eventual pagamento efetuado em função da apuração do tributo segundo a legislação alienígena, não obstante a possibilidade de seu aproveitamento junto à apuração do aqui devido, na forma do artigo 103 do RIR/99, 1 não é capaz de, por si só, impulsionar sua conferência pelo Fisco, consoante exige aquele artigo 150 §4º do CTN, diferentemente do pagamento como modalidade de extinção do crédito tributário previsto no inciso I do artigo 156 do CTN. 1 Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. § 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos. § 2º O imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 6º). Fl. 659DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 7 6 Perceba: o que se tem é uma faculdade observadas as condições da Lei conferida ao sujeito passivo que realizada atividade tributável também em outro país para que, a fim de se evitar a dupla tributação do mesmo rendimento, possa se valer do imposto lá recolhido e segundo à legislação daquele país, quando da apuração da exação segundo a nossa sistemática legal. Não se trata, pois, do pagamento antecipado a que aludem os artigos 156, I e 150 §4º, ambos do CTN, tampouco de modalidade de compensação tributária, para qual se exige, como condição sine qua non, que os sujeitos da relação obrigacional Fisco e Contribuinte sejam, ao mesmo tempo, credores e devedores recíprocos. Posto isto, considerando que eventual pagamento efetuado no exterior não é aquele pagamento antecipado sujeito à conferência pelo Fisco, a teor do artigo 150 § 4º do CTN, tenho que a regra aplicável à contagem do prazo decadencial é, in casu, aquela estabelecida pela norma geral para os lançamentos de ofício, vale dizer, a do artigo 173, I do CTN. Destarte, a considerar que a ciência do lançamento derase em 28.11.2008 (fls. 422) e que os fatos geradores relacionamse ao ano 2003, impõese seja afastada a preliminar suscitada, na medida em que o Fisco teria até o dia 31.12.2008 para seu aperfeiçoamento. Quanto ao mérito, sustenta que embora não tenha havido um pagamento realizado no anocalendário 2003, houve uma compensação, em 15.04.2003, com crédito do anocalendário 2002, no valor de US$ 976.561,83, devido ao mecanismo denominado "tax overpayment" adotado nos EUA e um pagamento de US$ 1.155.235,00, em 15.11.2004, de imposto de renda americano, ambos relacionados aos fatos geradores ocorridos em 2003. Argumenta o recorrente que a lei, ao admitir o aproveitamento do imposto havido no exterior, especifica, em sua literalidade, que seria o imposto cobrado pela nação de origem, independentemente do momento em que esse imposto teria sido pago. Veja que o artigo 103 do RIR/99, em que pese mencionar, textualmente, "poderão deduzir, do imposto apurado ....., o cobrado pela nação de origem" está a se referir, por óbvio, ao imposto pago/recolhido. Senão, vejamos: Art. 103. As pessoas físicas que declararem rendimentos provenientes de fontes situadas no exterior poderão deduzir, do imposto apurado na forma do art. 86, o cobrado pela nação de origem daqueles rendimentos, desde que (Lei nº 4.862, de 1965, art. 5º, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 98): I em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional firmado com o país de origem dos rendimentos, quando não houver sido restituído ou compensado naquele país; ou II haja reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos no Brasil. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 8 7 § 1º A dedução não poderá exceder a diferença entre o imposto calculado com a inclusão daqueles rendimentos e o imposto devido sem a inclusão dos mesmos rendimentos. § 2º O imposto pago no exterior será convertido em Reais mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América informado para compra pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do recebimento do rendimento (Lei nº 9.250, de 1995, art. 6º). Seus incisos e parágrafos trazem cláusulas que condicionam o aproveitamento daquele valor lá fora apurado, a determinadas verificações. São elas: 1 Que o valor recolhido se relacione aos mesmos rendimentos, desde que em conformidade com o previsto em acordo ou convenção internacional entre os países OU desde que haja reciprocidade de tratamento dos rendimentos aqui produzidos; 2 Que aquele valor recolhido não tenha sido restituído ou utilizado em compensação de débito relacionado a ganhos outros. Nesse ponto, vale observar que o valor pago deve guardar relação com a respectiva apuração, sendo que, na hipótese de recolhimento a maior do que o apurado/devido, o então excesso só poderá ser aqui utilizado caso não tenha sido restituído ou utilizado em compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de sua prova. 3 A dedução está limitada ao valor apurado sobre os rendimentos aqui e lá tributados, não alcançando aqueles que eventualmente tenham sido apenas aqui tributados. Da mesma forma, não lhe é devido qualquer reembolso na hipótese de uma maior carga tributária no país de origem dos rendimentos. Ora, se o aproveitamento está condicionado "à não restituição" e "a não compensação", naturalmente o caput do artigo está se referindo a valor recolhido/pago. Do contrário, estarseia admitindo a restituição de valor tão somente cobrado (e não recolhido), o que não se afigura razoável. Da mesma forma, o parágrafo 2º, ao tratar da conversão do valor em Reais para seu aproveitamento aqui no Brasil, está a se referir expressamente ao valor cobrado e pago e não, evidentemente, ao valor tão somente cobrado. No mais, quanto a esse aspecto, filiome ao entendimento posto na decisão recorrida no sentido de que: "....há que se perquirir o real sentido que se quis dar ao termo "cobrado". Notase que o legislador preocupouse em evitar a dupla tributação, mas não teve a intenção de permitir que o contribuinte pudesse deixar de recolher o tributo no Brasil apenas comprovando que já houve constituição do crédito tributário no outro pais. Caso contrario, se estaria abrindo uma perigosa brecha para que os impostos relativos a rendimentos e ganhos de capital sujeitos à tributação no Brasil e no exterior Fl. 661DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 9 8 pudessem ser cobrados em ambos os países e não recolhidos em nenhum." Superada a questão, impõese analisar o aproveitamento e natureza dos pagamentos efetuados no exterior, conjuntamente a sistemática de apuração do ganho de capital nas aplicações em moeda estrangeira, levandose em conta a existência de reciprocidade entre o Brasil e EUA no que tange à tributação sobre os rendimentos auferidos, como assentado no AD SRF nº 28/2000, nos termos a seguir. "a legislação federal dos Estados Unidos da América permite a dedução do tributo reconhecidamente pago no Brasil sobre receitas e rendimentos auferidos e tributados no Brasil, o que configura, nos termos do § 20 do art. 1° da Instrução Normativa n° 73, de 1998, a reciprocidade de tratamento." A Fiscalização apurou, de forma incontroversa, ganho de capital GCAP em função de valores auferidos nos EUA a título de i) juros semestrais pelos TNotes e de ii) dividendos pagos pelos fundos de investimentos Swat Fund e SFM Domestic Investments LLC e juros de depósitos em contacorrente nos meses de janeiro, junho, setembro, outubro e dezembro, todos de 2003. Vale registrar que o autuante, diferentemente de como foi declarado pelo autuado, assim procedeu: * Juros Semestrais em relação aos TNotes (Notas do Tesouro) Tributados de forma definitiva como ganho de capital, a teor do artigo 1º do ADI SRF nº 8/2003. 2 ; e * Dividendos de Aplicações Financeiras Swat Fundo e SFM Domestic Investmens LLC e Juros do HSBC Tributados de forma definitiva como ganho de capital, com fulcro no mesmo artigo 1º do ADI SRF nº 8/2003. O quadro a seguir bem expõe as bases de cálculo apuradas e declaradas, além da natureza dos rendimentos identificados pela Fiscalização. DT NATUREZA ORIGEM/FONTE PAG BC APURADA BC DECLARADA VLR TRIBUTÁVEL IR LANÇADO IR EXT NA DIRPF 02/01/2003dividendos Swat Fund 7.271.047,52 0,00 7.271.047,52 1.090.657,13 20/06/2003dividendos SFM Domestic Investiments 98.316,08 0,00 98.316,08 14.747,41 23/06/2003dividendos SFM Domestic Investiments 88.806,45 0,00 88.806,45 13.320,97 30/10/2003dividendos SFM Domestic Investiments 208.736,37 0,00 208.736,37 31.310,46 30/06/2003Juros de TNotes 2000 FT ng 9704.794.958 93.314,00 0,00 93.314,00 13.997,10 30/06/2003Juros de TNotes CPT ng 9704.794.966 443.241,50 0,00 443.241,50 66.486,23 02/09/2003Juros de TNotes HSBC 89.343,00 59.561,42 29.781,58 4.467,24 8.934,21 30/09/2003Juros de TNotes HSBC 158.916,38 104.114,76 54.801,62 8.220,24 15.617,21 31/10/2003Juros de TNotes HSBC 96.369,75 64.299,25 32.070,50 4.810,58 9.644,89 31/12/2003Juros de TNotes HSBC 83.041,50 66.600,00 16.441,50 2.466,23 9.990,00 31/01/2003Juros de c/c no Exterior HSBC 6.421,18 0,00 6.421,18 963,18 30/06/2003Juros de c/c no Exterior HSBC 2.224,61 0,00 2.224,61 333,69 30/09/2003Juros de c/c no Exterior HSBC 1.284,98 0,00 1.284,98 192,75 2 Art. 1° O crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira, inclusive depósito remunerado, realizada em moeda estrangeira por pessoa física residente no Brasil, implica a apuração de ganho de capital tributável, desde que o valor creditado seja passivel de saque pelo beneficiário. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 10 9 31/10/2003Juros de c/c no Exterior HSBC 1.035,51 0,00 1.035,51 155,33 31/12/2003Juros de c/c no Exterior HSBC 906,93 0,00 906,93 136,04 TOTAL=> 294.575,43 1.252.264,55 44.186,31 Da mesma forma que se deu quanto à apuração do GCAP, não há controvérsia sobre a inexistência em 2003 de recolhimento no exterior relacionados ao IR sobre rendimentos lá auferidos. O que se tem, a seu turno, são supostos recolhimentos efetuados em 2002 e em 2004, dos quais pretende se valer o recorrente, por diferentes argumentos. Compulsando e analisando as informações de fls. 514/524, que tratam dos dados fiscais do recorrente junto ao fisco dos EUA, concernente ao período de 2003 (espécie de ajuste anual e conta corrente do passivo fiscal) e devidamente traduzida para o vernáculo pátrio, podese notar que, de fato, há a informação do aproveitamento de crédito apurado em períodos anteriores nos valores de US$ 975.908,88 e US$ 652,95 (fls 189) na liquidação do IR lançado no valor de R$ 1.155.235,00, bem como o aproveitamento de parte (US$ 178.673,17) de um pagamento em 2004, no valor de US$ 800.000,00, resultando num crédito para o período seguinte na monta de US$ 621.326,83. Confirase: Impõese destacar, contudo, que o valor do IR então apurado para aquele exercício (US$ 1.155.235,00) advém do cômputo de vários rendimentos que perfizeram a base tributável de US$ 3.812.690,00, dentre os quais, os rendimentos de juros provenientes de obrigações do Tesouro dos EUA, no valor de US$ 973.324 (fls.550), conforme o constante no memorando da PriceWaterHouse Coopers às fls. 548/573. Confirase: Fl. 663DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 11 10 Em seguida, apresento um resumo dos valores declarados ao fisco americano: Dos esclarecimentos prestados pelo autuado, quanto ao valor e à natureza do ganho de capital declarado aos EUA (US $1.564.861,00), sou levado a entender que não corresponde exatamente aos mesmos rendimentos tributados pela Fiscalização. Explico: A Fiscalização considerou os rendimentos recebidos dos fundos SWAT FUND e SFM DOMESTIC INVESTMENTS LLC, creditados diretamente na contacorrente do autuado, como decorrentes de aplicações financeiras em moeda estrangeira (dividendos), chegando a uma base de cálculo no importe total de US$ 2.202.963,00. Tais fundos, como registra resumidamente o fisco, operam da seguinte forma: SWAT FUND é um hedge fund com portfólio de investimentos variados, operando com renda variável, moeda e renda fixa em vários países. RENDIMENTO DECLARADO US$ RENDIMENTOS, SALÁRIO, GRATIFICAÇÕES, ETC 39.044,00 RENDIMENTO DE JUROS TRIBUTÁVEL 1.068.398,00 RENDIMENTO DE DIVIDENDO ORDINÁRIO 41.626,00 GANHO DE CAPITAL 1.564.861,00 ALUGUEL/ROYALTY/PARCERIA/ESPÓLIO 1.219.251,00 OUTROS RENDIMENTOS 75.532,00 RENDA BRUTA => 3.857.648,00 Fl. 664DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 12 11 SFM Domestic Investiments LLC é um fundo que investe prioritariamente em empresas. Por sua vez, o recorrente, quanto ao ganho de capital declarado aos EUA no importe de US$ 1.564.861,00, assim procurou esclarecer: Inicialmente, cumpre observar que o valor acima apontado não se trata, de fato, de um ganho de capital em conformidade com o conceito adotado pela legislação brasileira. No direito tributário nacional somente se tem a apuração de um ganho de capital quando da alienação de um bem ou direito ou, no caso de aplicações em fundos de investimento, quando da sua liquidação. A legislação fiscal norteamericana funciona de forma diferente. No caso de investimentos em fundos, por exemplo, há a tributação de rendimentos não foram disponibilizados para o investidor, mas sim, auferidos pelo próprio fundo. Tais valores, de acordo com o direito fiscal americano, seriam qualificados como "ganhos de capital". Tais "ganhos de capital" seriam decorrentes de operações realizadas pelo próprio fundo de investimento e não pelo investidor. Verificase, portanto, que os valores considerados como ganho de capital" nos Estados Unidos não configuram renda tributável no Brasil, em função de se tratarem de ganhos potenciais não disponibilizados ao investidor. Não tendo havido a liquidação da aplicação não ocorreu o fato gerador do imposto de renda brasileiro. Por oportuno, cumpre mencionar que o memorando citado alhures procurou esclarecer a sistemática lá fora adotada, a partir do seguinte escopo encomendado: Fl. 665DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 13 12 Notese que os esclarecimentos restringiramse a questões afetas aos rendimentos de juros provenientes das obrigações do Tesouro dos EUA, sendo que, com relação a tais obrigações, não houve, na forma da legislação americana, a apuração de ganho de capital, consoante abaixo consignado. Vale frisar, que os valores lançados decorreram da análise daqueles declarados pelo recorrente no Demonstrativo de Ganhos de Capital anexo à sua DIRPF/04, em cotejo com os constantes dos extratos apresentados da conta no exterior e na declaração prestada ao fisco americano. Ou seja, disso se extrai que parte dos rendimentos aqui tributados sob a forma de ganho de capital, a teor do artigo 24 da MP 2.15835/20013, à generosa alíquota 3 Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. § 1o O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. § 2o Na hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de ajuste. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 14 13 de 15%, se relacionam com aqueles declarados ao fisco americano como rendimentos das obrigações do Tesouro dos EUA (Notas do Tesouro dos EUA) e lá tributados às alíquotas usuais para receitas, que, segundo o informado naquele documento de fls 187/197, seria de 35%. Destacando, mais uma vez: da justificativa que constou do preâmbulo do TVF, concluise que o procedimento de ofício visou à constituição de crédito tributário a partir das informações que constaram na declaração prestada ao fisco americano, além daquelas verificadas nos extratos da conta no exterior. Pelas linhas acima, penso que os únicos rendimentos declarados ao fisco norte americano que guardam relação com os que aqui foram tributados, da forma como os foram, seriam os da monta de US$ 973.324,00, que aparentam integrar a linha "Rendimento de Juros Tributável" daquela declaração. E repisese: o valor do IR apurado corresponde a rendimentos/ganhos outros que, aparentemente, não se relacionam com os aqui tributados. Ou seja, da base tributável (U$ 3.812.690,00), US$ 973.324 (fls.550) referemse a rendimentos de juros provenientes de obrigações do Tesouro dos EUA. Vale dizer: aproximadamente 25,53 %. Considerando que o IR total se deu, a rigor, sob uma alíquota efetiva de 30,30% (US$ 1.155.235,00 / US$ 3.812.690) e que aqueles créditos de 2002 importaram em 84,53% do valor do IR (US$ 976.561,83 / US$ 1.155.235,00), enquanto que o pagamento de US$ 178.673,17 (parcela do pagamento de US$ 800.000,00), efetivado em 15.04.2004, em 15,47% do valor do IR (US$ 178.673,17 / US$ 1.155.235,00) tenho que os valores a eles correspondentes e que se relacionaram aos rendimentos advindo dos títulos do tesouro americano seriam da monta de US$ 249.301,95 e US$ 45.612,65, assim determinados: US$ "E" / "B" "C" / "B" "D" / "C" "E" / "C" A RENDA BRUTA AJUSTADA 3.850.048,00 B RENDA TRIBUTÁVEL 3.812.690,00 C IMPOSTO POR DECLARAÇÃO 1.155.235,00 30,30% § 3o A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. § 4o Para os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais, mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 5o Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 6o Não incide o imposto de renda sobre o ganho auferido na alienação, liquidação ou resgate: I de bens localizados no exterior ou representativos de direitos no exterior, bem assim de aplicações financeiras, adquiridos, a qualquer título, na condição de nãoresidente; II de moeda estrangeira mantida em espécie, cujo total de alienações, no anocalendário, seja igual ou inferior ao equivalente a cinco mil dólares norteamericanos. § 7o Para efeito de apuração do ganho de capital de que trata este artigo, poderão ser utilizadas cotações médias do dólar, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 15 14 D CRÉDITOS ANTERIORES 976.561,83 84,53% E PAGTO EM 15.04.2004 178.673,17 15,47% E RECEITAS TNOTES 973.324,00 25,53% RECEITAS TNOTES 973.324,00 IR (30,30%) => 294.914,60 IR LIQUIDADO COM CRED PERÍODO ANTERIOR (84,53%) => 249.301,95 IR LIQUIDADO COM PAGTO DE 15.04.2004 => 45.612,65 Passo, nas linhas a seguir, a análise da tempestividade dos recolhimentos efetuados pelo autuado e sua utilização na apuração promovida pela fiscalização. Em 15.04.2003, o aproveitamento dos créditos de US$ 976.561,83, com origem em 2002; em 15.04.2004, o pagamento de US$ 178.673,17. A IN SRF nº 118/2000, ao dispor, especificamente, sobre a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, adquiridos em moeda estrangeira, e da alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, de propriedade de pessoa física, estabelece em seu artigo 19, a possibilidade de se deduzir do imposto aqui apurado sobre o ganho de capital, aquele pago no país de origem dos respectivos rendimentos. Confirase: Art. 19. O imposto de renda pago em país com o qual o Brasil tenha firmado acordos, tratados ou convenções internacionais prevendo a compensação, ou naquele em que haja reciprocidade de tratamento, poderá ser considerado como redução do imposto devido no País, desde que não seja compensado ou restituído no exterior. Por sua vez, a IN SRF 208/2002, que trata da tributação, pelo IR, dos rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior e dos ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos também situados no exterior por pessoa física residente no Brasil, traz em seus artigos 14, 15 e 16, os contornos da tributação daqueles rendimentos. O artigo 14 cuida do ganho de capital; o 15 do resultado da atividade rural; e o 16 dos demais rendimentos (Carnê Leão e DAA). Em que pese aquele artigo 14 não trazer maiores detalhes acerca do aproveitamento do IR pago no exterior, o artigo 16, ainda que cuidando dos "demais rendimentos" sujeitos a carnê leão e ao ajuste anual (DAA), apresenta em seus vários parágrafos e incisos, regras que devem ser aplicadas, mutatis mutandis, à tributação sobre o ganho de capital, na medida em que, de uma forma ou de outra, acaba por regulamentar o aproveitamento aqui no Brasil do IR recolhido no exterior. Faço registrar que a aplicação desse artigo 16 não implica promover qualquer limitação ao direito conferido por lei aos contribuintes, mas sim disciplinar a forma como se dará o aproveitamento do IR recolhido no exterior, ainda que, em alguns casos particulares, o contribuinte seja obrigado a, em prol de se estabelecer uma regra geral, adotar conduta nem sempre de fácil percepção, coma aquela de aproveitar o IR recolhido no exterior no ano de seu recolhimento, ainda que o reconhecimento do rendimento, no Brasil, tenha se dado em período anterior (inteligência do § 7º do artigo 16 da IN SRF 208/2002) . Fl. 668DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 16 15 Como abordado adiante, a regra encimada revela a preocupação da legislação em autorizar o aproveitamento do IR tão somente após o seu recolhimento no exterior, ainda que o exercício em que se dera não coincida com o recebimento do correspondente rendimento. Recolhimentos de 2002, aproveitados na apuração de 2003 nos EUA: A fundamentação adotada pela Fiscalização e encampada pelo acórdão recorrido, para o não aproveitamento desses valores no lançamento, residiu no fato de que tais recolhimentos não teriam se dado em 2003, mas sim em 2002. Não compartilho desse entendimento. Ao que se nota dos esclarecimentos de fls. 549, ainda que a apuração do IR se dê ao final do ano (Período Tributário: 31 de dezembro de 2003 fls 515), cabe ao contribuinte efetuar pagamentos antecipados e estimados ao longo do período base (em regra, 90%), de forma que o saldo remanescente seja liquidado quando da entrega da declaração. E assim foi feito com os créditos advindos de 2002 (US$ 975.908,88 e US$ 652,95). Foram apropriados em 15.04.2003, como se fossem pagamentos antecipados por estimativa. Segundo sustenta o recorrente, em 15.04.2003 teria havido uma compensação do valor devido relacionado aos fatosgeradores ocorridos em 2003, com o aproveitamento de crédito do anocalendário 2002. Todavia, como já abordado alhures, a informação extraída do resumo da declaração apresentada ao fisco americano é no sentido do aproveitamento do crédito antecipadamente e por estimativa proveniente de período anterior, na monta de US$ 976.561,83, relacionado, como já dito, a rendimentos cuja apuração teria se findada em 31.12.2003. Disso infiro que quando dos pagamentos antecipados por estimativa, não se tinha, em última análise, a certeza de a quais rendimentos eles se relacionavam, na medida em que o período tributário se encerraria somente em 31.12.2003, o que me faz concluir que somente naquela data é que o autuado teria evidenciado o nexo entre os rendimentos tributados e o correspondente imposto cobrado e pago. E perceba, o valor do IR apurado lá fora ao final do período tributário 31.12.2003, já se encontrava descontado de "CRÉDITO FISCAL ESTRANGEIRO" no valor de US$ 35.722,00, que, imagino, se refira IR aqui devido. Assim, quando dos períodos de apuração relacionados aos fatos geradores aqui tratados, tenho que, à exceção dos de dezembro de 2003, o recorrente ainda não tinha a definição do quanto de imposto teria sido pago nos EUA relacionado aos mesmos rendimentos aqui abordados. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 17 16 Com efeito, nas datas dos vencimentos dos fatos geradores aqui envolvidos, quais sejam: 28.02.2003, 31.07.2003, 31.10.2003, 28.11.2003 e 30.01.2004, tenho que, à exceção da de 30.01.2004, não era possível, salvo melhor juízo, determinar se os rendimentos então oferecidos à tributação nas apurações acima teriam sido tributados ao final do período fiscal norte americano de 31.12.2003, ainda que tivesse havido recolhimentos antecipados e estimados ao longo daquele mesmo exercício. Não obstante as considerações acima, penso que, em se tratando de lançamento de ofício em que se deu após a data do recolhimento do IR alienígena, quando então o autuante já dispunha dos elementos necessários à identificação daquele imposto e o correspondente rendimento lá tributado, não haveria óbice legal ao seu aproveitamento na apuração empreendida de ofício pelo AuditorFiscal, dentro do próprio ano da apropriação do credito nos EUA, observadas as condições a seguir. O § 7º daquele artigo 16 estabelece que se o pagamento do IR no exterior ocorrer em anocalendário posterior ao do recebimento do rendimento, a pessoa física pode compensálo com o imposto relativo ao carnêleão do mês do seu efetivo pagamento e com o apurado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do pagamento do imposto. Perceba que, com isso, o termo inicial para o aproveitamento do IR recolhido no exterior teria sido definido como sendo a data do aludido pagamento. Já o § 8º dispõe que caso o imposto pago no exterior seja maior do que o imposto relativo ao carnêleão no mês do pagamento, a diferença pode ser compensada nos meses subseqüentes até dezembro do anocalendário e na Declaração de Ajuste Anual. Assim sendo, procurou definir o termo último como sendo o final do ano calendário em que se deu o recolhimento. Nessa linha, tenho que a regra posta no § 6º daquele artigo 16, no sentido de que "o imposto pago no país de origem dos rendimentos pode ser compensado no mês do pagamento com o imposto relativo ao carnêleão e com o apurado na Declaração de Ajuste Anual", se conjugada com as dos §§ 7º e 8º, ambos do mesmo artigo, está a autorizar, em sede de lançamento de ofício, o aproveitamento do IR após seu recolhimento no ano de sua apropriação. E mais, vale lembrar que o valor do ganho de capital apurado e o aproveitamento de eventual imposto pago, em que pese por vezes referiremse a alienações/rendimentos havidos ao longo do exercício, são declarados ao fisco em anexo à Declaração de Ajuste Anual DAA. É nesse momento em que ocorre a confissão do débito, ainda que com período de apuração e vencimento em momentos anteriores. Assim sendo, divirjo do entendimento do fisco e encaminho o voto no sentido da possibilidade do aproveitamento de parte dos recolhimentos apropriados em 15.04.2003, no que toca aos períodos de apuração que se deram após essa data. Recolhimento de 2004: Por sua vez, no que toca ao aproveitamento do valor de US$ 178.673,17 apropriado em seu passivo fiscal em 15.04.2004, entendo pela sua impossibilidade, em função do fundamentado no tópico anterior. Vejamos: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 18 17 Na seqüência do acima exposto, em especial em função da regra do § 7º encimado, haveria um limite temporal para a utilização do IR pago no exterior, que seria o término do anocalendário em que se deu a tributação do rendimento aqui no Brasil. Perceba que a partir da apuração e até o vencimento do tributo devido no Brasil sobre determinados rendimentos auferidos no exterior, esperase que o contribuinte, invariavelmente, já tenham dimensionado o valor do IR recolhido no país de origem, relacionado concretamente a esses mesmos rendimentos. Daí a lógica de se autorizar o aproveitamento do IR recolhido após o encerramento do ano ainda que em apurações outras desde que no ano de seu recolhimento no exterior. Penso que o intuito da norma encimada repousa em trazer certa estabilidade no controle do crédito pela Administração Tributária, evitandose desnecessários pedidos de restituição, de cancelamento de inscrições em Dívida Ativa da União ou ainda de revisão de parcelamentos de débitos, que viessem, ao fim e ao cabo, comprometer a eficiência da administração pública. Nesse contexto, filiandome à lógica do entendimento consignado na decisão recorrida, o aproveitamento de eventual recolhimento no exterior relacionado aos rendimentos aqui tributados, deve se dar até o vencimento do imposto apurado ou até o final do ano calendário, na medida em que se trataria de um elemento que circunda a própria apuração do quantum devido a ser cobrado. Em outras palavras: o valor que alimentará os sistemas de cobrança do Fisco, em função da apuração e da declaração do ganho de capital como um anexo da DAA, é aquele já descontado do montante por ventura pago no exterior, relacionado àquele mesmo rendimento. Assim, na circunstância de ter havido tal pagamento em ano calendário posterior, a rigor não se teria, quando da declaração do imposto no Brasil, a materialização daquele imposto pago lá fora. Desta feita, os elementos que integrarão a apuração do valor a ser aqui recolhido são, por lógico, aqueles de que dispõe o sujeito passivo até a data da prestação de contas ao Fisco e por este aferíveis, sob pena de abalar a segurança na relação entre ambos os envolvidos. Ademais, não se sustentaria a alegação de que se assim entendendo estaria atentando contra a reciprocidade de tratamento fiscal com o objetivo de evitar a dupla tributação, posto que, novamente, valendome do assentado na decisão de piso e não refutado pelo recorrente em seu recurso, é justamente em decorrência de tal reciprocidade que o contribuinte poderá utilizar o imposto pago ou se for lá o caso "cobrado" no Brasil como redução do imposto que será apurado e adimplido em momento posterior nos EUA. Por fim, no que toca ao pleito para que sejam afastados os juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, melhor sorte não lhe socorre. Trago à colação a íntegra da fundamentação do voto proferido pela conselheira Adriana Gomes Rêgo, no acórdão 9101003.208 – 1ª Turma da CSRF de 08.11.2017, com o qual me alinho. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 19 18 "A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu artigo 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa Selic. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tribut os e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Fe deral, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trin ta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão ju ros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cent o no mês do pagamento. (Grifei) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Grifei) Ora, dos artigos 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (Grifei) Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, bem como a multa isolada, lançadas juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no artigo 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 20 19 Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do artigo 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, como sustenta a recorrente, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, no voto condutor do Acórdão nº 1401001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos es tritos. Além disso, o CTN claramente permite a aplicação de juros sobre "crédito", conceito no qual se insere a multa de ofício. O artigo 161, caput, do Código, estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determin ante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mor a são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do artigo 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os artigos 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiando se de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o artigo 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o artigo 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procediment o de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributár io, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inc Fl. 673DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 21 20 lusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributári o de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Códig o não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tri buto. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portan to, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que tra ta do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expr essão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação co mo a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitaç ões da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aq uela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se r eferir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refiro me ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não il ide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação Fl. 674DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 22 21 apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade n ão é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse d esse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributári o de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substit utiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infr ator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, p ara se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os div ersos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescent ese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adian te, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidênci a dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autori za a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1/9/2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal Fl. 675DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 23 22 punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o artigo 161 do CTN em conjunto com os artigos 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o artigo 161 do CTN, ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, de 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (Grifei) Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora de vem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recomp ensar o credor pela demora no pagamento." (Grifei) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 18471.004337/200871 Acórdão n.º 2402006.195 S2C4T2 Fl. 24 23 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art . 161 do CTN. Precedentes do STJ. Portanto, não assiste razão à Contribuinte quando afirma que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não encontra respaldo na legislação. Como se viu, a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício decorrem da lei. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equival entes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Cus tódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseq üente ao do encerramento do período de apuração até o último di a do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento." Ante o exposto, CONHEÇO do recurso apresentado para REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, DARLHE parcial provimento para deduzir do IR apurado, o valor correspondente a US$ 249.301,95 de 15.04.2003, com relação aos fatos geradores havidos após esta data, relacionados aos rendimentos provenientes das obrigações do tesouro americano e observados os valores já descontados nos anexos da DIRPF auditada. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 677DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.003487/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
PERITO QUE NÃO POSSUI HABILITAÇÃO TÉCNICA PARA A PROVA REQUERIDA. AVALIAÇÃO A SER PRODUZIDA POR CONTABILISTA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. DESNECESSIDADE DA PERÍCIA REQUERIDA. INDEFERIMENTO. ARTIGO 18 DO DECRETO 70.234/71.
No pedido de perícia o requerente deve, alem dos quesitos, indicar o perito. Este deve possuir habilitação legal para emitir o laudo pretendido. Não possuindo, a mesma se torna impossível de se produzir devendo ser indeferida nos termos do Art. 18. Quando a matéria objeto de quesitação não exige conhecimento técnico especifico para ser verificada e os elementos trazidos aos autos são suficientes para sua verificação, o requerimento se mostra desnecessário devendo ser indeferido nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. GANHO DE CAPITAL. OCORRÊNCIA.
Fica mantido o lançamento por absoluta ausência de documentação de prova que o possa desconstituir.
Numero da decisão: 2402-006.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008 PERITO QUE NÃO POSSUI HABILITAÇÃO TÉCNICA PARA A PROVA REQUERIDA. AVALIAÇÃO A SER PRODUZIDA POR CONTABILISTA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. DESNECESSIDADE DA PERÍCIA REQUERIDA. INDEFERIMENTO. ARTIGO 18 DO DECRETO 70.234/71. No pedido de perícia o requerente deve, alem dos quesitos, indicar o perito. Este deve possuir habilitação legal para emitir o laudo pretendido. Não possuindo, a mesma se torna impossível de se produzir devendo ser indeferida nos termos do Art. 18. Quando a matéria objeto de quesitação não exige conhecimento técnico especifico para ser verificada e os elementos trazidos aos autos são suficientes para sua verificação, o requerimento se mostra desnecessário devendo ser indeferido nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71. OMISSÃO DE RENDIMENTO. GANHO DE CAPITAL. OCORRÊNCIA. Fica mantido o lançamento por absoluta ausência de documentação de prova que o possa desconstituir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
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AVALIAÇÃO A SER PRODUZIDA POR CONTABILISTA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. DESNECESSIDADE DA PERÍCIA REQUERIDA. INDEFERIMENTO. ARTIGO 18 DO DECRETO 70.234/71. No pedido de perícia o requerente deve, alem dos quesitos, indicar o perito. Este deve possuir habilitação legal para emitir o laudo pretendido. Não possuindo, a mesma se torna impossível de se produzir devendo ser indeferida nos termos do Art. 18. Quando a matéria objeto de quesitação não exige conhecimento técnico especifico para ser verificada e os elementos trazidos aos autos são suficientes para sua verificação, o requerimento se mostra desnecessário devendo ser indeferido nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71. OMISSÃO DE RENDIMENTO. GANHO DE CAPITAL. OCORRÊNCIA. Fica mantido o lançamento por absoluta ausência de documentação de prova que o possa desconstituir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 34 87 /2 01 0- 74 Fl. 108DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11060.003487/201074 Acórdão n.º 2402006.203 S2C4T2 Fl. 109 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 94/103, voltado contra Acórdão da 9ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte (fls. 79/84), que, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. Por bem delinear os fatos até então ocorridos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Trata este processo de Auto de Infração lavrado em desfavor da contribuinte acima identificada, onde foi apurado imposto suplementar, código 2904, relativo aos anos calendários de 2006 e 2007, exercícios de 2007 e 2008, no valor de R$91.443,88, mais acréscimos legais, a saber: Imposto 41.993,94 Juros calculados até 31.05.2010 17.954,50 Multa proporcional 31.495,44 Total do crédito apurado 91.443,88 De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Infração juntado nas fls. 5, o fato gerador do lançamento é a omissão de rendimento representada por ganho de capital na alienação de bens e direitos nos meses de março de 2006 e março de 2007, no valor de R$139.979,84 em cada um destes meses, num total de R$279.959,68. O Relatório de Fiscalização emitido pela autoridade lançadora – fls.7 a 10, destes autos, informa o que abaixo se resume. A ação fiscal foi regularmente instaurada e a contribuinte intimada a apresentar documentos hábeis e idôneos relativos à aquisição e alienação de um imóvel informado em sua declaração de ajuste a partir do ano calendário de 2004, no valor de R$ 658.000,00. Nos anos calendários anteriores a contribuinte entregou declaração de isento, conforme registra os controles da Receita Federal do Brasil. O referido imóvel constituise de uma fração de 146 Ha, 18a e 03ca de terras de campo sem benfeitorias, localizado no lugar denominado Fazenda Nossa Senhora do Pilar, município de São Vicente do Sul – RS; matrícula nº 7.126 do Livro 2, no Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente do Sul, em 09.04.2009, conforme certidão atualizada fornecida em atendimento ao ofício de nº GAB/DRF/SAFIS nº 1089/2009. Em resposta ao Termo de Intimação, a contribuinte apresentou a Escritura Pública de Doação com Reserva de Usufruto Vitalício em favor da doadora, Escritura Pública nº 3.882, de Compra e Venda da Nua Propriedade e Escritura Pública Declaratória, Fl. 110DF CARF MF 4 todas referentes ao imóvel em apreço e cópias de suas DIRPF dos anos calendários de 2005 e 2006. Analisados os documentos apresentados, apurouse que o imóvel em referência foi alienado em 25.03.2006 pelo valor de R$657.800,00, tendo como adquirentes os Srs. Everson José Murari Piccolo e Edenilson Luiz Murari Piccolo, que efetuaram o pagamento em duas parcelas de R$328,900,00, sendo a primeira no ato da escritura, que ocorreu em março de 2006 e o restante em março de 2007. Ficou comprovado por intermédio de pesquisa no sistema da Receita Federal que a contribuinte não declarou o ganho de capital em suas DIRPF dos anos calendários de 2006 e 2007 e nem mesmo recolheu o imposto devido. Foi constatada diferença positiva entre o valor de alienação e custo de aquisição do imóvel. O fato demonstrou que a operação realizada está sujeita à incidência de imposto de renda sobre ganho de capital, conforme previsão do artigo 22 da Lei 9.250, de 1995 e artigo 117, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000, de 1999. DATA E CUSTO DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL ALIENADO. Os documentos apresentados pela contribuinte e certidão expedida pelo Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente do Sul demonstraram que em 13.07.1990, a contribuinte recebeu em doação por parte de Laura Ribas Fagundes, o imóvel já identificado, avaliado em Cr$5.100.000,00 (cinco milhões e cem mil cruzeiros) e na DIRP de 2004, foi declarado já com o valor majorado para R$658.000,00. A autoridade lançadora, com fundamento no artigo 7º da Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, corrigiu o valor de aquisição do imóvel, apurando: Custo de Aquisição (146ha,18a e 3ca) Coeficiente de atualização e 07/1990 Valor atualizado (146ha,18a e 3ca) Cr$5.100.000,00 64,3374 79.269,60 Informa que regra geral, considerae valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou cessão de direitos expressos nos instrumentos públicos ou particulares e demais comprovantes de alienação dos bens, independente da alienação ser a prazo (hipótese de deferimento da tributação), como dispõe o artigo 19, da Lei nº 7.713,1988. No caso, o imóvel foi alienado a prazo, pelo valor e parcelas já relatadas e como ficou comprovado que o imposto devido sobre o ganho de capital adquirido na alienação não fora recolhido, e considerada a redução prevista no artigo 40, da Lei nº 11.196, de 2005, foi apurado o ganho de capital e respectivo imposto, como demonstrado no Relatório de Fiscalização, em sua fl. 10 e que abaixo se transcreve: Data Valor das parcelas recebidas % do deferimento Ganho de Capital Imposto devido Fl. 111DF CARF MF Processo nº 11060.003487/201074 Acórdão n.º 2402006.203 S2C4T2 Fl. 110 5 25.03.2006 328.900,00 42,56 139,979,84 20.996,97 13.03.2007 328.900,00 42,56 139.979,84 20.996,97 O imposto apurado foi lançado e a contribuinte, ciente do lançamento dele se defendeu, conforme peça de fls. 63 a 75, destes autos. Diz que a base de cálculo do tributo destoa da realidade. Aponta o parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 9.250, de 1995, afirmando que há duas variações a considerar na apuração do ganho de capital quando da alienação de bens, que são elas: o valor da aquisição e o valor do imóvel quando da alienação. Afirma que o caso concreto sob análise consiste em determinação de valor de aquisição de bem no ano de 1990, considerando ter sido fruto de doação a título gratuito, conforme documentos já “acostados em procedimento anterior.”. Por esta razão, não se admite como correto o valor de R$ 79.269,60 apurado como custo de aquisição. Diz que transcorridos 16 anos desde a doação até a alienação do bem, este foi transferido por R$ 657.800,00, tendo havido uma valorização do imóvel no período, no valor de R$ 578.530,40, o que de fato não ocorreu sendo fruto de declaração errônea em escritura pública ,o que não pode ser causa de tributação a maior em face da contribuinte. Cita jurisprudência “administrativa” acerca dos valores de bens informados em Escrituras Públicas e com fundamento nela, afirma que o valor informado na escritura de compra e venda, em 2006, que importa em R$ 657.800,00, encontrase dentro do parâmetro normal para ao tipo de operação realizada e que o “valor declarado será afastado em caso de prova inequívoca, que é uma prova pericial onde ficará constatado que o valor do imóvel em 1990 em muito supera o valor de R$ 79.269,60.” Diz que em face do baixo valor de aquisição do imóvel apurado pela fiscalização, há necessidade de realização de perícia para fins de sua avaliação e apuração de seu real valor no ano de 1990. Formula quesitos a serem respondidos pelo perito, cuja identificação informa. Diz que os juros aplicados ao débito decorre de equivocada interpretação do Código Tributário Nacional e que o disposto no artigo 161, do CTN se aplica tão somente ao tributo e não à multa.Requer também realização de perícia em relação ao valor de juros e multa, formulando quesitos. Ao final pede o recebimento e processamento da impugnação, a determinação da realização de perícia como requerida e com base em seu resultado, seja refeito novo cálculo do crédito Fl. 112DF CARF MF 6 tributário, com exclusão dos juros frente à multa e considerando o novo valor de aquisição do bem imóvel alienado. Em seu Recurso, reagita os mesmos argumentos lançados em sua peça de Defesa de fls. 63/75, sem acrescentar qualquer situação fática ou de direito nova. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11060.003487/201074 Acórdão n.º 2402006.203 S2C4T2 Fl. 111 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. O Recurso é tempestivo e, em conformidade com o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual voto por dele conhecer. 2. Mérito Tratase de Recurso Voluntário manifestando inconformidade com os termos decisórios do Acórdão 0262.928 9ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, considerou a impugnação improcedente mantendo o crédito tributário lançado. A questão fática versa sobre lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física sobre ganho de capital apurado em operação de alienação de imóveis desacompanhada do recolhimento de tributo, cujo o principal foi apurado em R$ 41.993.94, juros de mora de R$ 17.954,50 e multa fixada em R$ 31.495,44 A Recorrente sustenta que o valor contido na escritura de doação de imóvel rural à título gratuito não seria elemento suficiente para definição do valor que ingressou em seu patrimônio na ocasião, devendo ser apurado o real valor do imóvel no ano da operação, 1990. Entende a Recorrente que valor contido na Escritura Pública e tomando como base para definição do custo de aquisição é fruto de equivoco na declaração realizada no ato de lavratura. Segue tal argumentação com dois objetivos alterar a base tributável e demonstrar a necessidade de realização de perícia. A perícia requisitada pela Recorrente tinha por objetivo responder questões relacionadas ao valor de mercado do imóvel em 1990 e outras relativas a multas e juros, tendo indicado o Sr. Rogério Volmar Binsfeld, um profissional contabilista como Perito apto a responder todos os quesitos realizados. No que concerne ao imóvel, se a justificativa para realização de perícia estivesse orientada a revelar descompasso entre o índice de conversão de moedas nacionais previsto no Anexo da IN SRF nº 84/01 e outros comumente adotados para conversão de Cruzeiros em Reais, não haveria qualquer dúvida quanto a possibilidade técnica do perito indicado responder a tais quesitos. Contudo, o prisma abordado pela Recorrente em seus quesitos versa especificamente sobre avaliação do imóvel e busca revelar seu valor de mercado no ano de 1990, algo complexo, porém, tecnicamente possível de ser realizado por profissional com habilitação para tal. Fl. 114DF CARF MF 8 As avaliações de imóveis são atividades de caráter técnico pertencente denominada Engenharia de Avaliações, matéria que compõe a habilitação profissional e a formação acadêmica de engenheiros e arquitetos, não estando dentre as habilitações profissionais e formação técnica dos contabilistas. A emissão de laudos de avaliação imobiliária também está normatizada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) através da NBR 14653. Tal normativo técnico define como um dos requisitos de validação dos laudos de avaliação de bens sua emissão por profissionais com formação acadêmica obtida em curso de Engenharia ou Arquitetura. Importante observar que o CDC, Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, atribuiu força as normas da ABNT ao considerar como pratica abusiva a colocação no mercado de produto ou serviço realizado em desacordo com tais normas. No mesmo sentido é a Resolução nº 345 do Confea, de 27 de julho de 1990, emitida pelo Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura com base na previsão contida no Artigo 27, Letra "f", da Lei Federal nº 5.194 de 24 de dezembro de 1966. Tal normativo estabelece que são atribuições dos engenheiros e arquitetos habilitados em engenharia de avaliações a realização de "... vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a bens móveis e imóveis...", e completa "serão nulas de pleno direito as perícias e avaliações e demais procedimentos indicados no Artigo 2º quando efetivados por pessoas físicas ou jurídicas não registradas nos Crea's". Além dos engenheiros e arquitetos, corretores de imóveis integrantes do Cadastro Nacional de Avaliadores de Imóveis, nos termos da Resolução 957/06 emitida pelo COFECI com base no Art. 3º da Lei 6.530/78 e objeto de discussão judicial favorável a esses profissionais. Por fim, o Código de Processo Civil vigente, com aplicação subsidiária nos Processos Administrativos conforme disposto em seu Art. 15, prevê em seu artigo 156, §1º que o perito deve ser profissional legalmente habilitado: "Art. 156. O juiz será assistido por perito quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico. § 1o Os peritos serão nomeados entre os profissionais legalmente habilitados e os órgãos técnicos ou científicos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal ao qual o juiz está vinculado." Portanto, considerando que o profissional indicado pela Recorrente não possui dentre suas habilitações profissionais legalmente previstas a emissão de laudo de avaliações imobiliárias, a ainda que a prova fosse considerada pertinente, seria juridicamente impossível de ser produzida pelo perito indicado. Quanto aos demais quesitos, assim como o Relator da decisão vergastada, entendemos ser desnecessária a realização da perícia requerida, eis que a matéria é de fácil entendimento e não demanda conhecimentos técnicos especiais para verificação das respostas requeridas. Isso posto, nos termos do Art. 18 do Decreto 70.235/71 não se tem hipótese de cerceamento de defesa ou outro ponto que exija revisão do voto proferido na DRJ, estando o indeferimento da perícia requisitada, alinhando a conformação jurídica pertinente. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11060.003487/201074 Acórdão n.º 2402006.203 S2C4T2 Fl. 112 9 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" No que concerne a apuração do ganho de capital, o relatório fiscal às fls. 8 registra, conforme documentos de fls. 31 e 32, que o imóvel foi recebido pela Recorrente em doação realizada por Laura Ribas Fagundes na data de 13/07/1990. Na ocasião o imóvel estava avaliado em Cr$ 5.100.000,00 (cinco milhões e cem mil cruzeiros). Já na DRPF de 2005 ano calendário 2004, a Recorrente declarar ser de R$ 658.000,00 (seiscentos e cinqüenta e oito mil reais). Para determinação do valor de aquisição em reais, tomando por base o valor constante em escritura pública, o Agente fiscal adotou metodologia prevista na IN SRF nº 84/2001. Verificamos o calculo e confirmamos estar adequado aos parâmetros legais de atualização previstos na legislação tributária vigente. Outrossim, a Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento de prova capaz de ilidir a presunção advinda das informações contidas na escritura pública de registro de imóveis, documento que goza de fé pública e pode ser tomando como base para determinar o valor de aquisição do bem obtido por doação. Verificamos os cálculos, fundamentos e documentos acostados aos autos, não identificando qualquer irregularidade quanto a apuração do ganho de capital objeto do lançamento objetado. No referente a incidência de juros sobre multa a Recorrente sustenta que a legislação não prevê tal possibilidade, estando limitada a corrigir o principal. No presente caso, a tese Recursal não merece ser acolhida, eis que a legislação vigente autoriza a aplicação de juros de mora sobre a totalidade dos débitos com a União, sendo o lançamento integralmente conformado ao que dispõe legislação vigente. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13854.720014/2014-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 72 00 14 /2 01 4- 58 Fl. 149DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte para determinar o cancelamento do lançamento por meio do qual exigese IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente em razão de decisão proferida em ação judicial. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. O CARF não tem competência para realizar retificações em declarações, mas sim para julgar recursos interpostos contra decisões de primeira instância do contencioso administrativo tributário federal. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Inconformado com a decisão, a Fazenda Nacional apresentou o presente recurso. A recorrente requer a aplicação ao caso do entendimento externado no acórdão paradigma o qual encaminhou pela manutenção do auto de infração, apenas determinando a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação das tabelas progressiva vigentes à época da aquisição dos rendimentos regime de competência. Intimado a contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13854.720014/201458 Acórdão n.º 9202006.850 CSRFT2 Fl. 150 3 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os requisitos formais razão pela qual, ratificando as razões do respectivo despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca do critério utilizado para o cálculo do IRPF incidente sobre rendimento recebidos acumuladamente, mais especificamente sobre a possibilidade de retificação de lançamento que na origem utilizouse do critério de caixa para o cálculo do imposto. Discutese sobre a possibilidade ou não do órgão julgador refazer o lançamento na tentativa de corrigir o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora. Inicialmente, não tenho dúvidas de que o mérito da questão já foi decidido tanto pelo Superior Tribunal de Justiça quanto pelo Supremo Tribunal Federal, respectivamente sob os ritos do Recurso Repetitivo e da Repercussão Geral. Estamos falando do RESP 1.118.429/SP e do RE 614.406/RS, que receberam as seguintes ementas: RESP 1.118.429/SP TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. RE 614.406/RS IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Em relação ao julgado do STJ a tese firmada traz o seguinte texto: O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios previdenciários atrasados pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado, não Fl. 151DF CARF MF 4 sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Assim, pelo fato de constar no texto da ementa e também da tese firmada referência ao fato de se ter discutido o pagamento de benefícios previdenciários há quem defenda a aplicação do julgado somente a estes casos. Entretanto, em relação ao julgado do Supremo Tribunal Federal, considerando o tema fixado para a Repercussão Geral é possível darlhe maior abrangência já que a redação da delimitação do tema ficou assim consignada: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. Neste último caso, vale mencionar que não foi feita qualquer ressalva quanto a origem dos rendimentos discutidos. Tal fato fica ainda mais cristalino quando nos debruçamos sobre a fundamentação utilizada pelo Ministro Marco Aurélio que levou em consideração o princípio da isonomia e o da capacidade contributiva. Em voto vista, a Ministra Carmem Lúcia citando a exposição de motivos da Medida Provisória nº 497/2010 (convertida na Lei n. 12.350/2010 que deu origem ao art. 12A da Lei 7.713/88) resume bem a questão: “52. Tratase da tributação de pessoa física que não recebeu o rendimento à época própria, recebendo em atraso o pagamento relativo a vários períodos. Nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, esses rendimentos seriam tributados no mês do recebimento mediante a aplicação da tabela mensal, o que muitas vezes resulta em um imposto de renda muito superior àquele que seria devido caso o rendimento fosse pago no tempo devido” Assim, resta indiscutível a aplicação ao caso do art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, o qual determina que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos que lhe foram submetidos. Ocorre que, embora os Tribunais Superiores tenham decido sobre a aplicação do regime de competência para fins de cobrança do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente e em que pese haver manifestação em sentido contrário, entendo que em nenhum momento os julgados analisaram a tese acerca da possibilidade de se determinar a correção de um lançamento fiscal que tenha adotado o critério de caixa declarado inconstitucional. Diante do entendimento dos nossos tribunais, vejamos a situação do lançamento: exigese do contribuinte imposto de renda apurado conforme sistemática declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ainda que o auto de infração não faça menção expressa ao art. 12 da Lei nº 7.713/88, tendo fundamentado a autuação nos artigos 1º a 3º da lei, ainda assim a forma utilizada para cobrança do tributo permanece viciada. E aqui entendo tratarse de vício que leva ao cancelamento do lançamento, pois a inconstitucionalidade impacta diretamente nos critérios quantitativos do lançamento uma vez que a depender da aplicação do regime de caixa ou de competência teremos alterações significativas de base de cálculo e alíquotas. Neste cenário, nos parece pouco razoável admitir a possibilidade de 'refazimento' do lançamento, sob pena de violação ao violação ao art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13854.720014/201458 Acórdão n.º 9202006.850 CSRFT2 Fl. 151 5 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A partir do citado dispositivo é pacifico o entendimento de o lançamento tributário ser procedimento de competência exclusiva da autoridade administrativa fiscal, cujo objetivo é verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, culminar penalidade. Com essa premissa, entendo que o julgador administrativo não tem competência para proceder novo lançamento valendose de critério para o cálculo do imposto não ventilado pela autoridade administrativa, novo critério inclusive inexistente quando da ocorrência do fato gerador. Por fim, e mais uma vez, fazendo uma abordagem histórica acerca da criação do art. 12A da Lei nº 7.713/88, o qual trouxe norma para adequar o sistema ao entendimento da jurisprudência que vinha se consolidando, vale mencionar que por meio da Mensagem de Veto nº 702, ao projeto de conversão que deu origem à Lei nº 12.350/2010, consolidouse o entendimento de que um novo critério jurídico não poderia ser aplicado de forma retroativa. Vejamos: MENSAGEM Nº 702, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2010. § 8º do art. 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, inserido pelo art. 44 do Projeto de Lei de Conversão “§ 8o O disposto neste artigo aplicase retroativamente aos fatos geradores não alcançados pela decadência ou prescrição.” Razões do veto “A aplicação retroativa da norma tributária gera insegurança jurídica sobre as situações definitivamente constituídas, produzindo efeitos de difícil mensuração nas esferas administrativas e judiciais. Além disso, o CTN, lei materialmente complementar e regra geral do direito tributário, estabelece no art. 144 que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” O próprio art. 12A em seu §7º é expresso ao limitar sua aplicação apenas aos rendimentos recebidos a partir do anocalendário de 2010, o que me parece reforçar a tese da impossibilidade de refazimento do presente lançamento e cobrança do imposto com base no regime de competência. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 153DF CARF MF 6 Voto Vencedor Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Redatora designada. Não obstante o bem fundamentado voto da Relatora, com a devida vênia, ouso divergir do seu posicionamento acerca da aplicação da decisão proferida em sede de análise do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS. A controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não poderia se considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13854.720014/201458 Acórdão n.º 9202006.850 CSRFT2 Fl. 152 7 Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Diante do exposto, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000195/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral.
IPI. LEI 9.317/1996. SIMPLES. TOMADA DE CRÉDITO. VEDAÇÃO.
Na vigência da Lei no 9.317/1996, a inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS (cf. art. 5o, § 5o da referida).
IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE.
Não encontra guarida legal, e ofende o art. 47, II, a do CTN, a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI.
Numero da decisão: 3401-005.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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TRIBUNAL ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N.2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. IPI. LEI 9.317/1996. SIMPLES. TOMADA DE CRÉDITO. VEDAÇÃO. Na vigência da Lei no 9.317/1996, a inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS (cf. art. 5o, § 5o da referida). IPI. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 95 /2 00 9- 49 Fl. 601DF CARF MF 2 Não encontra guarida legal, e ofende o art. 47, II, “a” do CTN, a exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 5 a 29, e 30 a 481, transmitidos em 11/04/2007 e 10/07/2007, referentes a crédito de IPI escriturados no primeiro e no segundo trimestres de 2007, nos valores de R$ 2.399.738,15 e R$ 1.576.330,93. No Despacho Decisório de fls. 357 a 363, o crédito é negado, pois os “créditos de IPI” extemporaneamente apropriados pelo interessado nos dos primeiros trimestres de 2007 (conforme os relatórios apresentados) referemse aos períodos de janeiro de 2002 a dezembro de 2006 e são indevidos, pois relativos a aquisições de produtos não tributados, isentos ou com alíquota zero; a aquisições de energia elétrica; a aquisições de produtos e mercadorias, denominadas pelo interessado como insumos “diretos” e insumos indiretos, que não se tratam de matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem; a aquisições de produtos de empresas optantes do Simples; a correção monetária dos créditos; e a exclusão do ICMS da base de calculo do IPI. Ciente do despacho decisório em 26/10/2009 (AR à fl. 364), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 24/11/2009 (fls. 368 a 404), argumentando, em síntese, que: (a) a Constituição Federal e o Regulamento do IPI (que não pode restringir o texto constitucional) garantem crédito de IPI nos casos em que o imposto tenha sido cobrado nas operações anteriores; (b) o direito ao crédito de IPI decorre do princípio da não cumulatividade, e não encontra restrições constitucionais, sendo que a não incidência de IPI sobre operações com energia elétrica, ou bens isentos/não tributados, não obsta a tomada de crédito, como entendeu o STF; (c) é também inconstitucional a restrição à tomada de crédito em relação a aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES; (d) cabe a aplicação de correção monetária aos créditos demandados, como também entenderam as cortes superiores brasileiras; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 602DF CARF MF Processo nº 12571.000195/200949 Acórdão n.º 3401005.070 S3C4T1 Fl. 602 3 e (e) deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do IPI, em função do conceito constitucional de faturamento. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância é proferida em 11/10/2016 (fls. 534 a 556), acordandose unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, pelos seguintes fundamentos: (a) é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior; (b) somente os insumos que exerçam ação direta sobre o produto em fabricação, ainda que sem integrar o produto final (produtos intermediários), mas com desgaste no processo industrial, geram créditos do imposto passíveis de registro na escrita fiscal; (c) são insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa; (d) conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”, e o ICMS, por ser tributo calculado por dentro do valor da operação (preço de venda), nele já está inserido, de modo que a expressão “valor da operação” deve ser compreendida com a sua inclusão; e (e) é incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, pela incidência da taxa Selic, ou de outros índices, sobre os créditos extemporâneos. Ciente da decisão em 06/12/2016 (AR à fl. 559), a empresa apresenta recurso voluntário em 02/01/2017 (fls. 561 a 597), basicamente reiterando o exposto na peça recursal anterior. O processo foi encaminhado ao CARF pelos despachos de fls. 599/600, e a mim distribuído, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. O contencioso resumese à possibilidade (ou não) de tomada de créditos em relação a energia elétrica, e produtos isentos/não tributados e a aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES. Discutese ainda a inclusão (ou não) de ICMS na base de cálculo do IPI e a exigência (ou não) de correção monetária nos créditos de IPI demandados. A Constituição Federal (art. 155, § 3o) obstou a incidência de IPI, entre outros, sobre operações relativas a energia elétrica. Assim, não havendo cobrança do IPI, não há o que ressarcir, conforme aclara o art. 153, § 3o, II da mesma Constituição: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: Fl. 603DF CARF MF 4 (...) IV produtos industrializados; (...) § 3o O imposto previsto no inciso IV: (...) II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) § 3o À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País.” Ademais, informa o despacho decisório que o conceito restrito de insumo, na legislação do IPI, consagrado no Parecer Normativo CST no 65/1979, exige a integração ao produto final, ou a ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Assim, é dupla a razão do indeferimento. Sobre a demanda, parece confundir a recorrente crédito básico de IPI, vinculado a recolhimentos, com crédito presumido, concedido com base em legislação própria, distinta, na qual pode, sim, haver crédito sem recolhimento. Adicionese que a recorrente alicerça seus argumentos em jurisprudência que predominou outrora, e já resta superada, atualmente. Cabe aqui destacar o entendimento externado pelo STF na sistemática da repercussão geral (e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo) no RE no 398.365/RS: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência.” (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 2109 2015 PUBLIC 22092015) (grifo nosso) Aliás, este colegiado, recentemente, analisou o tema nas sessões de julho de 2017 e de janeiro de 2018, concluindo, unanimemente, que: “IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À Fl. 604DF CARF MF Processo nº 12571.000195/200949 Acórdão n.º 3401005.070 S3C4T1 Fl. 603 5 ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral. (Acórdãos no 3401003.848 e 849, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unânime, sessão de 24 jul. 2017) (Acórdão no 3401004.302, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 29.jan. 2018) Assim, inexistente o direito de crédito, independente da abrangência que se dê ao conceito de insumos na legislação do IPI. Mas, em relação a tal conceito, também vem decidindo unanimemente este colegiado que são cabíveis as restrições estabelecidas no Parecer Normativo CST no 65/1979 (v.g., no Acórdão no 3401003.147, de 26/04/2016), não se tolerando tomada de crédito em relação a bens que nãos e integrem nem sejam consumidos no processo de industrialização, ou em relação a peças de reposição, por exemplo. Em relação às aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES, a vedação à tomada de crédito é expressa no art. 5o, § 5o da Lei no 9.317/1996 (vigente até 01/07/2007): “§ 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS.” E as alegações de inconstitucionalidade de lei ou decreto, por parte da recorrente, neste e em outros tópicos, esbarram na Súmula CARF no 2, de observância obrigatória por este julgador administrativo: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Sobre a demanda de exclusão do ICMS da base de cálculo do IPI, entendeu corretamente o julgador de piso que não encontra guarida na legislação que rege a matéria, dispondo o artigo 47, II, “a” do Código Tributário Nacional que a base de cálculo do IPI é o “valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”, valor esse que inclui os tributos “por dentro” como o ICMS. E a discussão sobre tal inclusão, no caso, não se confunde com a trazida no argumento recursal, relativa a contribuições incidentes sobre o faturamento. Ademais, destaca o julgador de piso que a jurisprudência do STJ é pacífica ao proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO IPI. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica em proclamar a inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI. Precedentes: REsp. Nº 610.908 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Fl. 605DF CARF MF 6 Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2. Recurso especial não provido. (REsp 675.663/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/08/2010, DJe 30/09/2010)” (grifo nosso) E nossa suprema corte revelou o caráter infraconstitucional da discussão, recentemente: “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. BASE DE CÁLCULO. OFENSA REFLEXA. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – O recurso extraordinário contém alegação de ofensa indireta ou reflexa à Constituição, pois a análise da exclusão do valor referente ao ICMS, da base de cálculo do IPI, demandaria a interpretação de legislação infraconstitucional, análise inviável nesta sede recursal. II – Agravo regimental a que se nega provimento. (RE 915828 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 21/08/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe195 DIVULG 30082017 PUBLIC 31082017)” Neste colegiado, sublinhese, tal posição, pela inclusão do ICMS na base de cálculo do IPI, foi acolhida de forma unânime: “EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE AMPARO LEGAL. PARECER NORMATIVO CST Nº 39/1970. SÚMULA CARF Nº 2. Não é possível a exclusão da parcela do ICMS da base de cálculo do IPI, por ausência de amparo legal. Sentido do Parecer Normativo CST nº 39/1970. O CARF tampouco é competente para decidir pela inconstitucionalidade de lei tributária. Inteligência da Súmula CARF nº 02.” (Acórdão 3401.003452, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 29/03/2017, com a participação deste relator e do Conselheiro André Henrique Lemos, entre outros) Por fim, diante da negativa de direito de crédito, dispensável a análise da aplicação, ao caso, de correção em relação aos valores que seriam eventualmente ressarcidos. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 606DF CARF MF Processo nº 12571.000195/200949 Acórdão n.º 3401005.070 S3C4T1 Fl. 604 7 Fl. 607DF CARF MF
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