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Numero do processo: 10183.003579/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2401-005.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los para, sanando a inexatidão apontada, alterar o dispositivo do acórdão para: "Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator".
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los para, sanando a inexatidão apontada, alterar o dispositivo do acórdão para: "Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 179 1 178 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003579/200538 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.436 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2018 Matéria MALHA FISCAL ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida AGROPECUÁRIA TAMAKAVY S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, mediante prolação de um novo acórdão. Art. 66 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 79 /2 00 5- 38 Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10183.003579/200538 Acórdão n.º 2401005.436 S2C4T1 Fl. 180 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos para, sanando a inexatidão apontada, alterar o dispositivo do acórdão para: "Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10183.003579/200538 Acórdão n.º 2401005.436 S2C4T1 Fl. 181 3 Relatório Cuidase de embargos em face do Acórdão nº 301034.777, da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes (fls. 670/673), cuja ementa e dispositivo estão está assim redigidos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA INTEMPESTIVO. A apresentação do Ato Declaratório Ambiental, intempestivo é bastante e suficiente para comprovação das Áreas declaradas em DITR, como reserva legal e preservação permanente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Às fls. 678/679, consta despacho de admissibilidade dos embargos do Presidente da 2ª Seção de Julgamento do CARF, nos seguintes termos: Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção a qual o referido colegiado estava subordinado. Com relação a manifestação do Ilmo Conselheiro Relator de efl. 674, devese receber com base no art. 66 do RICARF, transcrito a seguir : Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10183.003579/200538 Acórdão n.º 2401005.436 S2C4T1 Fl. 182 4 § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. De fato, observase essa inconsistência entre a conclusão do voto condutor do acórdão e o registro da decisão do colegiado. Diante do exposto, devese acolher os Embargos Inominados e, conseqüentemente, submeter os autos novamente à apreciação do Colegiado, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10183.003579/200538 Acórdão n.º 2401005.436 S2C4T1 Fl. 183 5 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Tratase de embargos inominados (art. 66 do RICARF), onde verificouse a necessidade de sanear a omissão da decisão do Acórdão nº 301034.777, inexatidão material quanto da conclusão do voto condutor, provimento do recurso. Pois bem. Compulsando os autos, verificase que o lançamento do crédito tributário de imposto sobre a propriedade territorial rural, ITR exercício 2001, decorreu de glosas nas áreas de preservação permanente, de utilização limitada e de pastagens, conforme demonstrativos de fls. 3/16. Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 40.000,0 40.000,0 02. Área de Preservação Permanente 2.000,0 0,0 03. Área de Utilização Limitada 20.000,0 0,0 04. Área Tributável (010203) 18.000,0 40.000,0 05.Área Ocupada com Benfeitorias 200,0 200,0 06. Área Aproveitável (0405) 17.800,0 39.800,0 Distribuição da Área Utilizada (ha) 07. Produtos Vegetais 500,0 500,0 08. Pastagens 17.300,0 0,0 09. Exploração Extrativa 0,0 0,0 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão 0410.319 da 1ª Turma, restabeleceu o valor da Área Utilizada com Pastagens, nos seguintes termos: Com essas considerações, deve ser alterado o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração impugnado, mantendose a exigência do imposto a seguir demonstrado, fazendose as alterações devidas nos itens 08, 11, 12, 18 e 19 indicados no Demonstrativo de fls. 02, conforme segue: ITEM ALTERAR DE PARA 08 Pastagens 0,0ha 17.300,0ha. 11 Área Utilizada 500,0ha 17.800,0ha 12 Grau de Utilização 1,3% 44,8% 18 Alíquota 20,0% 12,0% 19 Imposto devido R$ 738.160,00 R$ 442.896,00 Diferença de imposto apurado R$ 435.422,13 Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10183.003579/200538 Acórdão n.º 2401005.436 S2C4T1 Fl. 184 6 Ato seguinte, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Acórdão nº 301.034.777, restabeleceu as áreas de preservação permanente e parte da área de reserva legal. De acordo com a conclusão do voto condutor: " Diante do exposto DOU PROVIMENTO PARCIAL para excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente de 2.000,0 ha e de reserva legal com 18.000,0 ha de acordo com o requerimento de expedição do ADA entregue em 26/10/2006 ". Portanto, se a glosa da área de utilização limitada (Reserva Legal) foi de 20.000,0ha e a decisão do colegiado foi no sentido de restabelecer a área em 18.000,0ha, resta, desta forma, caracterizado o provimento parcial do recurso. Conclusão Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos inominados, inexatidão material, a fim de sanar a parte do dispositivo conforme abaixo: onde se lê: "Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator." leiase: "Acordam os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726233/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. REEMBOLSO DE DESPESAS. NÃO-INCIDÊNCIA
Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição para o PIS/PASEP. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento da Cofins-Importação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep-Importação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e José Henrique Mauri. Designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Valcir Gassen.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. REEMBOLSO DE DESPESAS. NÃO-INCIDÊNCIA Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição para o PIS/PASEP. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO E COFINS-IMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicam-se ao lançamento da Cofins-Importação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/Pasep-Importação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e José Henrique Mauri. Designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Valcir Gassen. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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REEMBOLSO DE DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA Na hipótese dos autos ocorreu mero reembolso de despesas e não remuneração por prestação de serviços, o que faz com que não incida a Contribuição para o PIS/PASEP. Pela Solução de Consulta COSIT 378/2017 é possível perfilhar o entendimento de que quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão ser tributadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINSIMPORTAÇÃO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CofinsImportação as mesmas razões de decidir aplicáveis à PIS/PasepImportação, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 33 /2 01 3- 65 Fl. 257DF CARF MF 2 relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e José Henrique Mauri. Designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Valcir Gassen. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Valcir Gassen Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1272.919, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I. O presente processo administrativo traz lançamento de PIS/Pasep e Cofins, na importação de serviços, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: A Autoridade Fiscal entendeu que a contribuinte recolhera insuficientemente, na importação, PIS/Cofins em todo o período fiscalizado, razão pela qual efetuou o correspondente lançamento. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 e ss) esclareceu, em resumo, que: 1. constitui o objeto social da empresa: A prestação de serviços de telemarketing, teleatendimento ativo e receptivo, interno e externo, incluindo o gerenciamento e desenvolvimento de projetos de tele atendimento próprios, e de terceiros, A prestação de serviços técnicos de informática, desenvolvimento e licenciamento de uso de programas e sistemas de computador, próprios ou de terceiros, bem Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 258 3 como o Desenvolvimento e difusão de "home pages"; Prestação de serviços e atividades relativas à Correspondente Bancário e afins; 2. da análise da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, ano calendário 2010, Ficha 01 – Dados iniciais, que o contribuinte informou que houve pagamento ou remessa a título de serviço, juros e dividendos a .beneficiários do Brasil e do exterior; 3. verificou na escrituração contábil lançamentos referentes a pagamentos de salários expatriados, os quais foram contabilizados nas contas 2241 Almaviva Contact S.p.AExpatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados, sendo a conta 2241 uma conta patrimonial, onde os salários eram provisionados, e a conta 4108 uma conta de despesa, onde os salários eram lançados em contrapartida aos valores provisionados; 4. tais despesas se referem a reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da Controladora que estavam trabalhando na Controlada Brasileira Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda; 5. corrobora com as alegações da empresa o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre as empresas Almaviva S.p.A., sediada em Roma Itália, e Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda, sediada em Belo Horizonte, e também os Contratos de Trabalho temporário dos funcionários da controladora italiana que prestaram serviços na controlada brasileira; 6. a controladora italiana alega que um dos motivos que ensejaram a transferência laboral temporária, pactuada entre as partes, foi possibilitar o necessário desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa Cessionária no Brasil, e complementa que no rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros; 7. não obstante os serviços prestados na cessionária brasileira, pelos funcionários da cedente italiana, estarem em consonância com o acordo celebrado entre as partes e com o ordenamento jurídico italiano, ressaltamos que convenções particulares e o instituto estrangeiro não têm o condão de afastar as disposições legais estatuídas no ordenamento pátrio; [...] 9. dessa forma, as pessoas jurídicas signatárias de.tais contratos estarão sujeitas à incidência dos seguintes tributos: CIDEREMESSAS, IRRF, PIS E COFINS Importação; Fl. 259DF CARF MF 4 [...] 11. conforme o Acordo para Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre a empresa brasileira e empresa italiana, ficou acordado que a Almaviva do Brasil reembolsaria a Controladora italiana os custos nas despesas por ela incorridas, pelos trabalhadores colocados à sua disposição; 12. tal situação se efetivaria com o aporte de remessas feitas ao exterior, que foi convencionado pelas partes como "reembolso de custos e despesas". Devidamente cientificada, em 20/06/2013, conforme fl. 03, a autuada apresentou, em 19/07/2013, a correspondente Impugnação (fls. 128 e ss), na qual alegou que: 1. as atividades realizadas pelos funcionários disponibilizados pela matriz italiana se deram em consonância com o acordo para o reembolso de custos e com as 2. linhas gerais do instituto de costsharing, de modo que, ad argumentandum, ainda que houvesse contraprestações pagas (a qualquer título) pelos serviços prestados para todo o exercício de 2010, não seriam elas alcançáveis pelos fatos geradores do PIS Importação e tampouco da COFINS Importação, já que não se deram propriamente para remunerar o serviço; 3. o Fisco deixou de atentar que, por fazer parte de um acordo de partilhamento de custos (com atendimento aos requisitos formais e materiais) qualquer "contraprestação" eventualmente remetida pelos serviços prestados, in casu, teria por escopo somente a finalidade de reembolsar os custos incorridos pela empresa italiana, não havendo na operação qualquer margem de lucro (mark up); 4. percebese que o trabalho fiscal se pautou na premissa falsa e simplista de que houve a "remessa" para residente ou domiciliado no exterior sem qualquer fundamento fático para tanto, conforme é possível se aferir com uma simples análise do Razão, conta 2141 e 4108 juntados em anexo (doc. n.º 05); 5. de acordo com o que consta nos autos, a i. Fiscalização, sem nenhum embasamento legal, e, em desrespeito aos princípios da tipicidade e legalidade tributária, houve por bem tributar valores que foram apenas provisionados em conta corrente, sem nunca haverem sido remetidos ao exterior; 6. se criou uma ficção jurídica que transmudou a natureza de verbas simplesmente provisionadas na conta 4108. para considerálas como REMESSAS ENVIADAS AO EXTERIOR, sem que de fato nunca tivesse ocorrido realmente qualquer remessa; 7. cumpre ressaltar que o recolhimento efetuado pela Impugnante a título de IRRF por meio do DARF 0422, se deu à época pura e simplesmente por um equívoco de enquadramento legal, tendo este valor sido Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 259 5 inclusive compensado posteriormente por meio da PER/DCOMP 25381.91084.120811.1.3.046374; 8. entre as diversas cláusulas do acordo para o reembolso de custos firmado entre as empresas, observase a constante preocupação da Impugnante em redigir um contrato transparente, elaborado sem lacunas e termos plurissignificativos, o que reflete a sua boafé em consonância com as orientações fiscais e jurisprudenciais sobre o tema; 9. corroborando estas alegações, citese recentíssima resposta dada a Processo de Consulta pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosit), na qual alguns parâmetros e diretrizes sobre os acordos de rateio foram enunciados (tendo sido cumpridos pela lmpugnante) entre eles: (i) a necessidade de se adotar critérios objetivos; (ii) de se ajustar previamente as disposições contratuais; (iii) de se respeitar os princípios gerais de contabilidade entre outros; 10. a singular alegação de que os fatos geradores dos tributos autuados ocorreram, baseada pura e simplesmente na existência de prestação de serviço, sem que se comprove se de fato esta prestação foi remunerada ou apenas objeto de reembolso de custos, conforme se asseverou não é suficiente para justificar a incidência das rubricas ventiladas, em especial no que concerne ao PIS e COFINS Importação, de modo que havendo a inexistência de mark up in casu, fazse imperativo o cancelamento do crédito tributário. A Impugnante cita legislação, doutrina e jurisprudência; junta prova documental, requerendo que: (i) Preliminarmente: seja reconhecida a inexistência de fato gerador do PIS e COFINS Importação (art. 3º, II e art. 4º IV da Lei 10.865/04) para os meses de maio a dezembro de 2010, devendo ser cancelado o correspondente crédito tributário cobrado, uma vez que nenhum tipo de remessa de valores ao exterior foi realizado no referido período; (ii) No mérito: seja reconhecida a inexistência de fato gerador da CIDERemessa para todos os meses autuados correspondentes ao exercício de 2010, devendo ser integralmente cancelado o crédito tributário cobrado, considerando que no referido período nenhum tipo de remessa de valores foi realizado como forma de remuneração de serviços (art. 32, II da Lei 10.865/04), sem que houvesse se configurada a hipótese material de incidência do PIS e COFINS Importação; (iii) No mérito: seja integralmente cancelado o crédito tributário ora exigido, tendo em conta que qualquer tipo de remessa/provisionamento realizado pela Impugnante à empresa matriz italiana, se deu unicamente como forma de reembolso de custos, nos termos previstos pelo Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas assinado em rateio e com observância aos requisitos legais, não havendo in casu qualquer lucro ou mark up na operação; Fl. 261DF CARF MF 6 (iv) Requerse ainda que o presente processo seja julgado juntamente com os PAF nº 15504.726232/201311 e 15504.726158/201332, considerando que são todos provenientes do MPF nº 06.101.00201300126 4. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IMPORTAÇÃO. SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. PIS/COFINS. Incidem na Importação de Serviços provenientes do exterior, prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, executados no País ou cujo resultado nele se verifique, tanto o PIS/PASEP Importação quanto a COFINSImportação. Recurso Voluntário Negado Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese, 1) a ilegalidade do crédito tributário; posto que : a) descabe desqualificação do acordo para reembolso; b) a eficácia e o atendimento aos requisitos formais do acordo para o reembolso de custas e despesas; e c) não ter havido lucro no reembolso, não se configurando o fato gerador; e 2) a inexistência do fato gerador das contribuições para os meses de maio a dezembro de 2010, por se tratar de mero provisionamento. Ao final, pugna pela reforma do acórdão de piso. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 260 7 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Contraprestação por serviços prestados A fiscalização identificou remessas referentes a serviços prestados pela controladora italiana, mediante funcionários seus, no Brasil, ainda que sob o título de reembolso de salários e encargos, conforme relatado: 3. verificou na escrituração contábil lançamentos referentes a pagamentos de salários expatriados, os quais foram contabilizados nas contas 2241 Almaviva Contact S.p.AExpatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados, sendo a conta 2241 uma conta patrimonial, onde os salários eram provisionados, e a conta 4108 uma conta de despesa, onde os salários eram lançados em contrapartida aos valores provisionados; 4. tais despesas se referem a reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da Controladora que estavam trabalhando na Controlada Brasileira Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda; Tal prestação de serviços por funcionários da empresa estrangeira fora corroborado: 1) pelo Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, com a recorrente e também os Contratos de Trabalho temporário dos funcionários da controladora italiana que prestaram serviços na controlada brasileira; e 2) Pela alegação da controladora italiana que um dos motivos que da transferência laboral temporária, “foi possibilitar o necessário desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa Cessionária no Brasil”; Em havendo remessa de valores, como contraprestação por serviços prestados por pessoa jurídica situada na Itália, executados no Brasil, por funcionários seus, incidem as contribuições em pauta quando , por força do art. 1°, caput e § l°, I e II, e art. 3° da Lei n° 10.865/2004: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 263DF CARF MF 8 Art. 1o Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, com base nos arts. 149, § 2o, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6o. § 1o Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou [...] Art. 3o O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. Informa a recorrente que “a matriz italiana forneceu mãodeobra à Recorrente durante o exercício de 2010, com a cessão temporária de funcionário pertencentes ao seu staff” e que “ficou acertado que a Recorrente seria responsável por reembolsar a empresa italiana pelos custos incorridos para a remuneração dos funcionários disponibilizados, de modo proporcional a responsabilidade definida no rateio” (grifos do original). Realça a diferença entre “remuneração de serviços importados” e “pagamento como modo de reembolso de custos”. Insurgese contra a que entendeu ser a desqualificação do acordo para reembolso por parte da fiscalização. Diz que o acórdão recorrido entendeu que “a natureza jurídica das contraprestações remetidas à matriz italiana seria de verbas típicas de remuneração por serviços prestados, e não verbas de reembolso de custos “(grifos do original). De plano, não foi o que quis dizer o acórdão. Concluiu tão somente que “a existência do fato gerador do PIS/Cofins/Importação”, o que independe da natureza jurídica das contraprestações. Tenhase em conta que “os princípios gerais de direito privado utilizam se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários” (CTN, art. 109). Ora, é incontroverso que os funcionários da matriz estrangeira prestaram serviços no Brasil. Assim, as remessas autuadas foram feitas como contraprestação pelos serviços que eles prestaram, no Brasil, à recorrente. Contraprestação é a obrigação a que, em um contrato, uma parte se obriga em correspondência à da outra. No caso é a remessa de valores, por força do referido acordo, em regime de compartilhamento, correspondente à cessão ou disponibilização dos funcionários para prestar serviços no Brasil. Se foram a título de reembolso, se foram determinadas por um acordo de compartilhamento de custos ou se não houve margem de lucro, no meu entender pouco Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 261 9 importa. Se houve remessa de valores como contraprestação por serviços prestados por pessoa jurídica situada no exterior, executados no Brasil, por funcionários seus, incide a norma de incidência em pauta. Não determina a norma haver lucro ou excepciona o reembolso de custos ou de encargos e salários. Também não determina necessidade de haver relação entre ingresso patrimonial e despesas ou agregação/ remuneração dos serviços, como também ventila a recorrente. Aduz a recorrente também a eficácia e o atendimento aos requisitos formais do acordo para o reembolso de custas e despesas, defendendo a transparência, boa fé e publicidade que espelha, citando Soluções de Consulta da RFB e de a Solução de Divergência COSIT n° 23/2013, sobre rateio de despesas. Desta última, cita trecho a dar a entender que o potencial para gerar acréscimo patrimonial, elemento caracterizador de receita e, na esteira desta, jurisprudência do Carf pela não incidência da Pis e da Cofins sobre recuperação de despesas, no sentido da art. 3°, § 2°, Lei n° 9.714/98. Ora, a norma citada se refere à receita bruta, instituto que nada se relaciona à contraprestação por prestação de serviços de que trata a norma aplicável ao presente caso. Também não se discute a boafé da contribuinte ou o a validade do acordo, posto que “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (CTN, art. 136). A contribuinte entende que o acórdão recorrido teria afirmado que ela teria admitido pagar os “salários dos funcionários da Almaviva da Itália que se encontravam trabalhando no Brasil”, quando em verdade tão somente reembolsava a empresa italiana, esta que efetivamente pagava seus funcionários. Não percebi no acórdão referido a primeira versão, mas sim a segunda. Trabalha a recorrente com o argumento de que não houve lucro no reembolso, não se configurando o fato gerador. Diz que o contrato que convencionou as remessas teve motivação em convergência de interesses das empresas brasileira e italiana, “que buscaram alinhar esforços para otimizar a eficiência dos respectivos processos empresariais”. Depois acrescenta, repetindo explicação que teria dado à fiscalização: “os funcionários objeto dos pagamentos realizados no Brasil eram vinculados aos quadros da empresa italiana [...], tais serviços eram prestados “intuitu personae” .Ainda que o fato de haver ou não fração de lucro embutida nas remessas não influenciar na ocorrência dos fatos geradores das contribuições, tais passagens refletem que, no longo prazo, de tal cessão de mãodeobra adviria sim ganho, lucro, para ambas as empresas e que tratavase sim de prestação de serviços. Nesse ponto, portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. "Provisionamento" Aduz ainda a recorrente, a inexistência do fato gerador das contribuições para os meses de maio a dezembro de 2010. Reproduz trecho da autuação, no qual a fiscalização diz que o lançamento considerou as remessas em pauta, aquelas registradas na conta contábil 4108 Salário e Ordenados de Expatriados; aduzindo que a fiscalização não teria apontado Fl. 265DF CARF MF 10 especificamente as remessas previstas na norma de incidência; lastrandose em valores que foram apenas provisionados em contacorrente, sem nunca haverem sido remetidos ao exterior" (grifos do original). Continua, afirmando que “o recolhimento efetuado a título de IRRF por meio de DARF se deu por equívoco de enquadramento legal, tendo este valor sido compensado posteriormente por meio da PER/DCOMP 25381.91084.120811.1.3.046374, [...], o que corrobora o fato de nunca ter ocorrido o envio de remessa como forma de pagamento a serviços porventura prestados” (grifos do original). Observese que não há registro de que tal compensação tenha sido homologada. Verifiquese então o que informou a contribuinte à fiscalização, reproduzindo trecho do Termo de Verificação Fiscal (TVF): O que se depreende do argumento da recorrente, à luz das informações por ele prestados em sede de fiscalização, é que, após estudar o caso, entendeu como indevido o recolhimento do IRRF, e não que as remessas não teriam ocorrido. Também não trouxe a recorrente demonstração de que "provisionados" e não remetidos, teriam havido os estornos/ reversões respectivos e devidos, a fim de registrar e fazer prova de não ter havido efetivamente remessa ao exterior. Ao contrário, o que se depreende do trecho acima, é que se estornos houve, foram do IRRF que a recorrente, considerou, depois de recolhêlo, indevido. E de fato, os pagamento foram efetivados, como informa a recorrente à fiscalização: Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 262 11 Assim, nesse tema, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 267DF CARF MF 12 Voto Vencedor Conselheiro Valcir Gassen, Relator designado Com a devida vênia ao voto proferido pelo Relator Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, o Colegiado, por maioria de votos, entendeu por dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Diante de tal fato, o Presidente, Conselheiro José Henrique Mauri, nomeoume relator do voto vencedor. Cito trecho do Termo de Verificação Fiscal para bem explicitar a matéria e o cerne da lide: 1. constitui o objeto social da empresa: A prestação de serviços de telemarketing, teleatendimento ativo e receptivo, interno e externo, incluindo o gerenciamento e desenvolvimento de projetos de teleatendimento próprios, e de terceiros, A prestação de serviços técnicos de informática, desenvolvimento e licenciamento de uso de programas e sistemas de computador, próprios ou de terceiros, bem como o Desenvolvimento e difusão de "home pages"; Prestação de serviços e atividades relativas à Correspondente Bancário e afins; 2. da análise da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, ano calendário 2010, Ficha 01 – Dados iniciais, que o contribuinte informou que houve pagamento ou remessa a título de serviço, juros e dividendos a .beneficiários do Brasil e do exterior; 3. verificou na escrituração contábil lançamentos referentes a pagamentos de salários expatriados, os quais foram contabilizados nas contas 2241 Almaviva Contact S.p.AExpatriados e 4108 Salários e Ordenados Expatriados, sendo a conta 2241 uma conta patrimonial, onde os salários eram provisionados, e a conta 4108 uma conta de despesa, onde os salários eram lançados em contrapartida aos valores provisionados; 4. tais despesas se referem a reembolso dos salários e encargos pagos na Itália a funcionários da Controladora que estavam trabalhando na Controlada Brasileira Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda; 5. corrobora com as alegações da empresa o Acordo para o Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre as empresas Almaviva S.p.A., sediada em Roma Itália, e Almaviva do Brasil Telemarketing e Informática Ltda, sediada em Belo Horizonte, e também os Contratos de Trabalho temporário dos funcionários da controladora italiana que prestaram serviços na controlada brasileira; 6. a controladora italiana alega que um dos motivos que ensejaram a transferência laboral temporária, pactuada entre as partes, foi possibilitar o necessário desenvolvimento de serviços por parte de seu quadro de funcionários para o desenvolvimento da empresa Cessionária no Brasil, e complementa que no rateio de despesas efetuado entre as empresas Almaviva Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 263 13 (BR) e Almaviva (IT) está em linha com o que estabelece o instituto Italiano e de acordo com o contrato de trabalho dos funcionários estrangeiros; 7. não obstante os serviços prestados na cessionária brasileira, pelos funcionários da cedente italiana, estarem em consonância com o acordo celebrado entre as partes e com o ordenamento jurídico italiano, ressaltamos que convenções particulares e o instituto estrangeiro não têm o condão de afastar as disposições legais estatuídas no ordenamento pátrio; [...] 8. dessa forma, as pessoas jurídicas signatárias de.tais contratos estarão sujeitas à incidência dos seguintes tributos: CIDEREMESSAS, IRRF, PIS E COFINS Importação; [...] 9. conforme o Acordo para Reembolso de Custos e Despesas, firmado entre a empresa brasileira e empresa italiana, ficou acordado que a Almaviva do Brasil reembolsaria a Controladora italiana os custos nas despesas por ela incorridas, pelos trabalhadores colocados à sua disposição; (grifouse). O presente processo envolve o recolhimento da contribuição ao PIS/PASEP – Importação e a COFINS – Importação incidente sobre o reembolso de custos e despesas pago pelo Contribuinte a Controladora italiana. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, na sessão de 26 de setembro de 2017, proferiu decisão no Processo nº 15504.726158/201332 por intermédio do Acórdão nº 3201003.152, referente a incidência ou não da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE – diante do reembolso de despesas. Salientase que no presente Processo e no Processo nº 15504.726158/201332 tratase do mesmo Contribuinte, com o mesmo período de apuração referente ao ano 2010, apenas com a diferença das espécies de contribuições PIS/PASEPImportação, COFINS Importação e CIDERemessas. Por bem tratar da matéria, cito trechos do voto proferido no Acórdão nº 3201 003.152, que por unanimidade de votos deu provimento ao recurso do Contribuinte, de relatoria do Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, como razões para decidir: No caso dos autos, considerando os elementos colacionados houve um mero reembolso de despesas pela cessão dos funcionários pertencentes à matriz da recorrente. (...) Assim, em observância ao princípio da verdade material, sendo o caso de simples reembolso de despesas, não há como incidir a CIDE. O Superior Tribunal de Justiça entende que deve prevalecer a verdade material em favor do contribuinte: Fl. 269DF CARF MF 14 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ESCRITURAÇÃO IRREGULAR. SALDO CREDOR EM CAIXA.PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. FACULDADE DO CONTRIBUINTE PRODUZIR PROVA CONTRÁRIA.PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SUCUMBÊNCIA.PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. 1. A presunção juris tantum de omissão de receita pode ser infirmada em Juízo por força de norma específica, mercê do princípio da inafastabilidade da jurisdição (art. 5.o, XXXV, da CF/1988) coadjuvado pela máxima utile per inutile nom vitiatur. 2. O princípio da verdade real se sobrepõe à presuntio legis, nos termos do § 2o, do art. 12 do DL 1.598/77 (art. 281 RIR/99 Decreto 3.000/99), ao estabelecer ao contribuinte a faculdade de demonstrar, inclusive em processo judicial, a improcedência da presunção de omissão de receita, considerada no auto de infração lavrado em face da irregularidade dos registros contábeis, indicando a existência de saldo credor em caixa. Aplicação do princípio da verdade material. (...)" (REsp 901.311/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/12/2007, DJe 06/03/2008) O reembolso de despesas, pela sua própria natureza não possui fins econômicos, ou seja, não se destina a uma contraprestação ou remuneração de serviços. Se serviço tivesse sido prestado à recorrente, tal, obviamente, visaria o lucro, o que não é o caso ora em análise. Para a incidência de CIDE conforme previsto no texto legal, necessária a prestação de um serviço, exigindo atividade econômica, ínsita nessa definição, a nosso ver, o fim de obtenção de lucro, o que não se vislumbra na hipótese em apreço de reembolso de despesas. No plano jurídico, portanto, os reembolsos de custos ou despesas tem nítidos fins não econômicos, ou seja, não objetivam lucro e, portanto, não sujeitos à incidência da CIDE. Gustavo Brigagão, sobre os contratos de rateio de despesas com o consequente reembolso anota que: "Tratase, portanto, de contrato atípico por meio do qual duas ou mais pessoas jurídicas repartem custos e despesas de interesse comum relativos a utilidades que lhes aproveitam, tais como o compartilhamento de pessoal técnico (departamentos de apoio nas áreas de informática, contabilidade, RH entre outros), equipamentos, estruturas e bens de natureza diversa. Há, nesse contrato, de um lado, a assunção por uma das partes da obrigação de suportar inicialmente o ônus relativo às despesas incorridas, e, de outro, o posterior rateio do respectivo valor entre as demais empresas envolvidas, na proporção do aproveitamento das Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 264 15 utilidades auferidas por cada uma delas, sem que a esse valor seja acrescida qualquer mais valia." (Revista Consultor Jurídico, Controvérsia sobre regras de tributação do rateio de despesas caminha para o fim, 18/06/2014) Não há como se confundir os institutos de "reembolso" e "prestação de serviços", dado possuírem naturezas jurídicas distintas, não sendo, a meu ver, correto se falar em tributação dos reembolsos pelos custos incorridos no que se refere a remuneração dos funcionários disponibilizados pela matriz à recorrente, haja vista não se tratarem de remuneração pela prestação de serviços, mas sim de um mero ressarcimento de custos. Matheus Monteiro Morosini anota que: "Reembolso e rateio de despesas de gastos são importâncias que não incrementam o patrimônio de quem os recebe. Em tais situações, não há propriamente uma prestação de serviços, tampouco o percebimento de receita tributável, assim entendida aquela que venha a produzir reflexos na esfera patrimonial da empresa." (http://boletim.prolikadvogados.com.br/2016/05/18/o rateiodedespesaseaposicaodareceitafederal/) À toda evidência, de conseguinte, que os reembolsos não possuem qualquer margem de lucro e assim, não objetivam alcançar fim econômico, e passam ao largo do arco de abrangência da incidência tributária. Neste sentido, colhese o seguinte precedente deste Colegiado Administrativo de Julgamento: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/01/2007 a 31/12/2008 COFINS/PIS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA EMPRESA CONTROLADORA DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. Os serviços compartilhados (nas áreas de auditoria, consultoria jurídica e contencioso judicial, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais de sistema de computadores e recursos humanos) prestados (inhouse ou intragrupo) pela controladora exclusivamente às empresas controladas do mesmo grupo empresarial, por serem prestados sem finalidade lucrativa e não se inserirem no objeto do social ou no “comercium” da controladora, que carece de habilitação para sua prestação a terceiros alheios ao grupo empresarial (registros da controladora na OAB, CRC, CRA, etc), não se inserem nos núcleos da materialidade da hipótese de incidência, quer do ISS, quer das contribuições do PIS e da COFINS. Fl. 271DF CARF MF 16 COFINS/PIS BASE DE CÁLCULO EXCLUSÃO REEMBOLSO OU RESSARCIMENTO DE DESPESAS POR SERVIÇOS COMPARTILHADOS. As quantias recebidas pela controladora a título de reembolso ou ressarcimento, por despesas com serviços compartilhados sem qualquer margem de lucro ou finalidade lucrativa, não se inserem no conceito de faturamento ou receita bruta decorrente da exploração da venda de serviços ou de quaisquer outras receitas tributáveis pelas contribuições doo PIS e da COFINS, seja porque se encontram fora do objeto das atividades institucionais (atividadefim) da controladora, seja porque não representam entradas de receitas novas oriundas do exercício da atividade empresarial, vez que se destinam apenas à justa reposição de seu patrimônio, reduzido ou diminuído em razão de gastos efetivados em proveito da controlada." (Processo 16327.721361/201110; Acórdão 3402001.912; – 4a Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 27 de setembro de 2012; Relator Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça) Recente decisão proferida pela 4a Câmara / 1a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento assim concluiu: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. BASE DE INCIDÊNCIA. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO DOS RESSARCIMENTOS RELATIVOS AO RATEIO PACTUADO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO O contrato de rateio e pagamentos efetuados servem para comprovar a materialidade dos fatos ocorridos relacionados aos valores registrados na contabilidade. O registro contábil não se coaduna com o conceito de remuneração para fins de caracterização do fato gerador das contribuições sociais previdenciárias. Os valores apurados pela fiscalização não são base de incidência da contribuição previdenciária pois não correspondem a salário de contribuição. (...)" (Processo no 13603.722329/201068; Acórdão 2401004.672; Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Sessão de 15 de março de 2017) Por fim, vale mencionar a Solução de Consulta COSIT 378/2017, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 265 17 Quando da remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, alínea “a” do art. 685. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIOADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DE IRPJ. Para efeito de apuração do IRPJ, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil da pessoa jurídica domiciliada no Brasil pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração do IRPJ, se tais despesas forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST no 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO. DEDUTIBILIDADE DA DESPESA PARA FINS DA CSLL. Para efeito de apuração da CSLL, o valor reembolsado pela pessoa jurídica no Brasil a sua matriz ou a empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior no valor da remuneração de sócioadministrado ou profissional expatriado residente no Brasil de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, pago no exterior, mediante "invoice" apresentada por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial, é dedutível quando da apuração da CSLL, se tais despesas Fl. 273DF CARF MF 18 forem necessárias às atividades da pessoa jurídica no Brasil e à manutenção da fonte produtora e desde que sejam também despesas usuais em seu ramo de negócio. Dispositivos Legais: Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 57; Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 13; Regulamento do Imposto de Renda, Decreto no 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 299 e 300 e Parecer Normativo CST no 32, de 1981, itens 4 e 5. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REEMBOLSO DE DESPESAS A MATRIZ OU EMPRESA DO GRUPO EMPRESARIAL DOMICILIADA NO EXTERIOR. REMUNERAÇÃO PAGA NO EXTERIOR DE SÓCIO ADMINISTRADOR OU PROFISSIONAL EXPATRIADO RESIDENTE NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliado no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência da COFINSImportação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior. Dispositivos Legais: Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, inciso II do art. 3o." De tal Solução de Consulta, destaco os seguintes excertos: "Com efeito, a consulente descreve como situação fática o reembolso a sua matriz ou a empresas do grupo empresarial de despesas relativas rendimento auferido por sócioadministrador ou funcionário Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15504.726233/201365 Acórdão n.º 3301004.633 S3C3T1 Fl. 266 19 expatriado residente no País para fins tributários. Nesta situação, caracterizamse as remessas efetuadas como mero retorno de capital à empresa no exterior, não passíveis de retenção a título de IRRF." " Todavia, analogamente ao raciocínio já desenvolvido quanto da análise do IRRF, entendese que, verificada a premissa de os valores a serem reembolsados, até o limite do valor percebido no exterior pelo sócioadministrador ou pelo funcionário da consulente, residentes no Brasil, cujas despesas foram arcadas por empresa no exterior, não há que se falar em tributação das remessas destes valores seja pelo PISImportação ou a título de COFINSImportação. Daí concluirse aqui, pela não ocorrência da hipótese de incidência prevista no art. 3o, inciso II, da Lei no 10.865, de 2004.' Da conclusão da Solução de Consulta temse: "a) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócioadministrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não deverão sofrer retenção de imposto de renda na fonte (IRRF), até o limite do valor percebido no exterior pelo sócio administrador ou pelo profissional expatriado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, por não se caracterizarem rendimentos da empresa domiciliada no exterior; b) quando a remuneração por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a sócio administrador ou profissional expatriado residente no País, com pagamento no exterior realizado por sua matriz ou por empresa do mesmo grupo empresarial domiciliada no exterior, as remessas ao exterior a título de reembolso não sofrem incidência do PISImportação ou da COFINS Importação, por não se caracterizarem contraprestação por serviços prestados pela empresa domiciliada no exterior.' Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário interposto. Assim, com a legislação aplicável ao caso e os argumentos expostos no Acórdão nº 3201003.152, votou o colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Valcir Gassen – Relator designado Fl. 275DF CARF MF 20 Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720111/2014-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE.
O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei, não havendo lei que vede tal prática.
Outrossim, no caso concreto, também foi demonstrada causa negocial decorrente do interesse na associação pessoal com o sócio pessoa física, o que é uma justificativa extra-tributária que se coaduna com a sua participação pessoal no Conselho de Administração e na gestão da empresa, posição que manteve até o ano de 2016.
A efemeridade que se verifica no caso concreto é a titularidade das ações pela Holding, e não pelas pessoas físicas, que as detiveram ao longo de 30 anos.
Numero da decisão: 1401-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários, vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que lhe deu provimento parcial, apenas quanto à desqualificação da multa de ofício. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Lívia de Carli Germano e Cláudio de Andrade Camerano não votaram nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Breno do Carmo Moreira Vieira na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei, não havendo lei que vede tal prática. Outrossim, no caso concreto, também foi demonstrada causa negocial decorrente do interesse na associação pessoal com o sócio pessoa física, o que é uma justificativa extratributária que se coaduna com a sua participação pessoal no Conselho de Administração e na gestão da empresa, posição que manteve até o ano de 2016. A efemeridade que se verifica no caso concreto é a titularidade das ações pela Holding, e não pelas pessoas físicas, que as detiveram ao longo de 30 anos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar as arguições de nulidade para, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte e dos apontados como responsáveis tributários, vencido o conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, que lhe deu provimento parcial, apenas quanto à desqualificação da multa de ofício. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, os conselheiros Lívia de Carli Germano e Cláudio de Andrade Camerano não votaram nesse julgamento, por se tratar de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 11 /2 01 4- 24 Fl. 1915DF CARF MF 2 questão já votada pelo conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes e Breno do Carmo Moreira Vieira na reunião anterior. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP) que manteve o crédito tributário decorrente do ganho de capital que, mediante planejamento tributário abusivo, não foi oferecido à tributação pelo contribuinte, no anocalendário de 2009, por ocasião da reorganização societária ocorrida nesse período. 2. Segundo informações constantes no Termo de Verificação Fiscal às fls. 549/574, apurouse que “os eventos societários que foram formalizados pelos sócios da MCLG Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ 09.130.235/000172), sociedade que até então detinha o controle do Laboratório Neo Química Comércio e Indústria Ltda (CNPJ 29.785.870/000103) foram realizadas de forma abusiva. A reorganização societária resultou na transferência desse controle para a Hypermarcas S.A. (CNPJ 02.932.074/000191), que, ato contínuo, incorporou o Laboratório Neo Química. A referida seqüência de eventos ainda contou com a participação da Hypernova Medicamentos Participações S.A. (CNPJ 09.311.261/000105)”. 3. O procedimento fiscalizatório teve por objetivo analisar a "regularidade das operações de incorporação das ações do Lab. Neo Química Comércio e Industria S.A pela Hypernova Medicamentos Participações S.A (Hypernova), bem como da incorporação destas últimas pela Hypermarcas S.A. Referidas operações geraram ágio para a Hypermarcas, que passou a ser fiscalmente amortizável após incorporação da Hypernova e do Neo Química. (...) Tal reestruturação consistiu em um Planejamento Tributário Abusivo, realizando uma cisão seguida de incorporação como medida preparatória para realizar a incorporação de ações sem o pagamento dos tributos”. 4. A Autoridade Fiscal destaca, que “desde janeiro de 2008, a MCLG figurava como holding da família Gonçalves e era detentora de 99% do capital do Laboratório Neo Química. O sócio majoritário da MCLG era Marcelo Henrique Limírio Gonçalves (CPF 077.009.70149) cuja participação no capital era de 98,42%. O restante da participação, de Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.916 3 1,58%, pertencia a outros integrantes da família: Luana Barbosa Limírio Gonçalves de Sant’Anna e Marcelo Henrique Limírio Gonçalves Filho”. 5. Segundo as autoridades fiscais (fls. 566), houveram seqüências de várias operações de ordem contratuais, resumidas da seguinte forma: “a Família Gonçalves (entenda se a pessoa jurídica MCLG) vendeu sua participação no Laboratório Neo Química à Hypermarcas, recebendo em troca R$ 687 milhões em dinheiro e 7,30% do capital votante desta”. No entanto, conclui a fiscalização, “utilizandose o artifício da cisão com incorporação, transferiu, sem nenhum propósito negocial que a justificasse, a participação societária no Laboratório Neo Química, da pessoa jurídica (MCLG) para as pessoas físicas, não recolhendo o Imposto de Renda e a CSLL sobre o ganho de capital”. 6. Consoante cálculo efetuado pela fiscalização, e com base nos valores contidos no Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações do Laboratório Neo Química pela Hypernova (fls. 314/322 e 341/349), “o ganho de capital que deixou de ser apurado pela MCLG no anocalendário de 2009, por ocasião da incorporação das ações do Neo Química (99% das ações) é de R$ 1.152.099.280,01 (fls. 550 e 564) e o crédito tributário correspondente ao IRPJ e à CSLL que deixaram de ser recolhidos perfaz o montante de R$ 391.713.755,20”. 7. A fiscalização enfatiza que "a conduta da fiscalizada, juntamente com seus acionistas (quotistas à época), foi a de criar uma pseudosituação que se enquadrasse numa tributação mais benéfica, buscando desta forma evitar a subsunção do negócio praticado ao fato imponível, objetivando suprimir o IRPJ e a CSLL. Por meio de planejamento tributário abusivo, pretendeu realizar uma cisão seguida de incorporação como medida preparatória para realizar a incorporação de ações sem o pagamento dos tributos devidos. (...) O objetivo dessa conduta foi o de passar as ações do Laboratório Neo Química, que estavam sob controle direto da pessoa jurídica MCLG, para as pessoas físicas e, assim, pagar menos tributos sobre o ganho de capital na alienação das ações do Neo Química para a Hypernova – fato que também não ocorreu. Ou seja, as referidas pessoas físicas foram utilizadas como canais de trânsito das ações do Neo Química, na tentativa de mascarar a verdadeira alienante dessas ações, a MCLG”. 8. Cientificado da autuação fiscal em 07/10/2014 (fls. 599), o interessado apresentou Impugnação em 05/11/2014 (fls. 610/661), na qual alegou: i) PRELIMINAR DE NULIDADE AUSÊNCIA DE BASE LEGAL PARA A DESQUALIFICAÇÃO DE ATOS JURÍDICOS: Alega que a Fiscalização “desconsiderou uma transação absolutamente legítima sem apresentar qualquer base legal para fazêla. Conseqüentemente, o auto de infração padece de vício de motivação, o qual é suficiente para justificar o seu cancelamento”; ii) REGULARIDADE DAS TRANSAÇÕES QUESTIONADAS PELO FISCO E IMPOSSIBILIDADE DE SUA DESCONSIDERAÇÃO: Afirma que, “a fiscalização não questionou os valores, as relações de troca de ações e os laudos relativos às operações analisadas, apoiandose unicamente na Fl. 1917DF CARF MF 4 ocorrência de planejamento tributário abusivo; sendo assim, os impugnantes deixam de apresentar maiores considerações sobre aquelas matérias, uma vez que não estão eivadas por qualquer controvérsia. Destacando, que desde 1979, membros da família Gonçalves faziam parte do quadro societário do Laboratório Neo Química, sendo que o Sr. Marcelo nele ingressou em 1981 e, a partir de 1993, passou a deter 99% de suas quotas, enquanto a sua esposa, Sra. Cleonice, detinha os 1% remanescentes. (...) Além do investimento no Laboratório Neo Química, a família Gonçalves detinha participações societárias em empresas como a Neo Marcas Indústria Farmacêutica e Alimentícia, Comércio e Participações S.A. e a Neolatina Comércio e Indústria Farmacêutica Ltda., dentre outras, e que em 08/08/2007, a família Gonçalves criou “a MCLG, que passou a exercer a função de holding dos investimentos da família, passando a desenvolver o papel de concentrar investimentos, permitir maior eficiência na gestão de ativos, governança e planejamento societário e sucessório, além de facilitar a manutenção de uma política organizada e uniforme de administração, e que em 16/01/2008, o Sr. Marcelo subscreveu capital na MCLG com a participação que detinha no Neo Química (99% das quotas), mas a Sra. Cleonice não transferiu as suas quotas para a holding”; iii) DA INEXISTÊNCIA DE GANHO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES NA MCLG: Diz que, “o contexto negocial do grupo foi alterado em 2009, quando a família Gonçalves entrou em negociações com a Hypermarcas, visando uma possível associação, o que levou a uma mudança na política até então escolhida." (...) Resolveuse que a associação seria precedida de uma série de operações preparatórias: · Transformação do Neo Química em sociedade por ações; · Cisão da MCLG, cuja parcela vertida, composta pelas ações do Neo Química, foi incorporada pelo próprio Neo Química, tornandose a família Gonçalves novamente detentora de participação direta na sociedade, visando isolar esse investimento dos demais ativos da família; · Cisão do Neo Química, com incorporação da parcela cindida pela MCLG, com o fim de retirar do ativo da cindida certos bens móveis e imóveis que não guardavam relação direta com o seu objeto social. (...) Afirma que “após a implementação dessas medidas preparatórias, deuse início ao processo de integração entre Neo Química e Hypermarcas, sendo que o mecanismo jurídico escolhido para tanto foi a incorporação de ações, mecanismo absolutamente legítimo para tanto” (...) “o CARF vem reconhecendo que a transferência de participações societárias detidas por pessoas jurídicas para pessoas físicas previamente à sua alienação é operação regular e aceita pelo ordenamento jurídico brasileiro”; iv) DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE NA OPERAÇÃO E IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA DO SR. MARCELO: MCLG foi efetivamente cindida, sendo que a parcela cindida, consistente no investimento no Neoquímica, incorporada pelo próprio Neo Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.917 5 Química. Diz que tudo foi feito às claras, com as documentações anexadas aos autos, tais como: (Protocolo de cisão parcial e instrumento de justificação do Lab. neo química Com. e Indústria, Ata da AGE do Neo química, Laudo de avaliação do acervo patrimonial da MCLG, alteração do contrato social"). (...) Discorre acerca da responsabilização solidária imputada ao Sr. Marcelo, a afirma que "dependia da exigência de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei". Diz que as operações societárias questionadas pelo Fisco são absolutamente legítimas e comuns, não tendo ocorrido qualquer declaração falsa ou omissão de documento, sendo marcadas pela total e absoluta transparência”; v) NECESSIDADE DE CONSIDERAÇÃO DOS VALORES JÁ PAGOS PELA FAMÍLIA GONÇALVES: Afirma que “a família Gonçalves recolheu o IRPJGCAP devido quando do resgate das ações da Hypernova recebidas em decorrência da incorporação de ações do Neo Química”. Assim sendo, caso seja a autuação mantida, os valores já pagos pela Família Gonçalves (comprovantes às fls. 755/760), abaixo discriminados, deverão ser considerados e descontados da presente exigência fiscal, sob pena de enriquecimento ilícito do Fisco: vi) A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Alega que “é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício ora lançada, por falta de previsão legal; o § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96, apenas autoriza a incidência dos juros moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não prevê a sua incidência sobre a multa de caráter punitivo; e o art. 43 da mesma Lei determina a incidência de juros sobre as multas isoladas, nada prevendo no tocante à multa de ofício proporcional”. vii) DOS PEDIDOS: a) Requereu o cancelamento integral do Auto de Infração; b) A exclusão do Sr. Marcelo do pólo passivo da autuação, sejam considerados os pagamentos de IRGCAP já efetuados pela Família Gonçalves e, seja afastada a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. 9. O Acórdão ora Recorrido (1671.860 8ª Turma da DRJ/SPO) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2009. Fl. 1919DF CARF MF 6 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SEQUÊNCIA DE ATOS E EVENTOS SOCIETÁRIOS. SOCIEDADE DO TIPO HOLDING. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a reorganização societária foi implementada mediante a formalização de uma sequência de atos e eventos societários que, se individualmente analisados, revelamse eivados de artificialidade e sem propósito negocial autônomo, há que se buscar a apropriada qualificação dos fatos e aplicar o tratamento tributário correspondente. Em essência, a reorganização societária em questão, considerada em seu todo, corresponde a uma operação de alienação de participação societária, devendo o alienante reconhecer o respectivo ganho de capital. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica, mormente porque, in casu, tratase de sociedade do tipo “holding”, cujo precípuo objeto social consiste em fruir dos benefícios advindos das participações societárias, neles incluídos os ganhos havidos na sua alienação. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Na operação de incorporação de ações há a transferência destas para a sociedade “incorporadora”, ocorrendo efetiva alienação das ações incorporadas. O ganho de capital corresponde à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, sendo irrelevante a ausência de elemento volitivo ou a inexistência de liquidação financeira para que seja possível a sua tributação. Restou comprovado, de qualquer forma, que no presente caso a transferência de ações não foi compulsória, haja vista que a reorganização societária foi toda realizada com a expressa concordância de todos os acionistas da sociedade, e que houve a realização de pagamentos. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A reorganização societária realizada mediante a concatenação de operações societárias eivadas de artificialidade evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que o sócio administrador teve participação direta e incisiva na conduta considerada fraudulenta que resultou em falta de pagamento do tributo, é cabível a imputação de responsabilidade tributária solidária, nos termos do art. 135, III, do CTN. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2009 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. SEQUÊNCIA DE ATOS E EVENTOS SOCIETÁRIOS. SOCIEDADE DO Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.918 7 TIPO HOLDING. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a reorganização societária foi implementada mediante a formalização de uma sequência de atos e eventos societários que, se individualmente analisados, revelamse eivados de artificialidade e sem propósito negocial autônomo, há que se buscar a apropriada qualificação dos fatos e aplicar o tratamento tributário correspondente. Em essência, a reorganização societária em questão, considerada em seu todo, corresponde a uma operação de alienação de participação societária, devendo o alienante reconhecer o respectivo ganho de capital. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica, mormente porque, in casu, tratase de sociedade do tipo “holding”, cujo precípuo objeto social consiste em fruir dos benefícios advindos das participações societárias, neles incluídos os ganhos havidos na sua alienação. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. Na operação de incorporação de ações há a transferência destas para a sociedade “incorporadora”, ocorrendo efetiva alienação das ações incorporadas. O ganho de capital corresponde à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil, sendo irrelevante a ausência de elemento volitivo ou a existência de liquidação financeira para que seja possível a sua tributação. Restou comprovado, de qualquer forma, que no presente caso a transferência de ações não foi compulsória, haja vista que a reorganização societária foi toda realizada com a expressa concordância de todos os acionistas da sociedade, e que houve a realização de pagamentos. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. A reorganização societária realizada mediante a concatenação de operações societárias eivadas de artificialidade evidencia a conduta dolosa com objetivo de evitar o pagamento do tributo devido. Por estar caracterizada a fraude, é cabível a aplicação da multa qualificada. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que o sócio administrador teve participação direta e incisiva na conduta considerada fraudulenta que resultou em falta de pagamento do tributo, é cabível a imputação de responsabilidade tributária solidária, nos termos do art. 135, III, do CTN. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 1921DF CARF MF 8 10. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “Na cisão parcial da MCLG, ocorrida em 30/11/2009, as ações do Laboratório Neo Química haviam sido avaliadas pelo seu valor patrimonial, de R$ 208.558.886,60 (fls. 96 e 215), correspondente a 99% do valor da empresa (100% = R$ 210.665.542,02, fls. 193). Com a cisão parcial do Neo Química, formalizada logo em seguida na mesma data, o seu valor patrimonial foi reduzido para R$ 205.187.966,02 (fls. 196). Como a majoração do valor das ações do Neo Química teria ocorrido apenas na operação de incorporação das ações formalizada em 30/12/2009, momento em que as ações do Neo Química já constavam em nome das pessoas físicas da Família Gonçalves, a MCLG não reconheceu (proporcionalmente) o ganho de capital correspondente ao acréscimo patrimonial havido quando o valor das ações passou de R$ 205.187.966,02 para R$ 1.368.925.789,00." Informam os impugnantes que "o ganho de capital teria sido reconhecido por essas pessoas físicas à medida que realizado financeiramente. Com esse entendimento, as pessoas físicas da Família Gonçalves teriam tributado o ganho de capital nas datas em que receberam as 3 (três) parcelas relativas às ações resgatadas (30/12/2009, 30/12/2010 e 30/12/2011), efetuando o recolhimento do imposto de renda com o código de receita 4600 (comprovantes de arrecadação às fls. 755/760), calculado pela alíquota de 15%". 11. Ressalta a turma julgadora, que “o primeiro aspecto a destacar na cisão parcial da MCLG, tal como formalizada em 30/11/2009, é que ela se afastou da sua essencial função de transferir patrimônio para outra sociedade, conforme definiu Eizirik. Se numa ponta da operação, de fato, a MCLG segregou parcela de seu patrimônio (ações do Neo Química) e cancelou 208.558.886 quotas de seu capital, na outra ponta dessa operação não houve efetivo acréscimo patrimonial da sociedade que deveria absorver referida parcela. Ao extinguir e emitir exatas 141.294.780 ações ordinárias, o único efeito da cisão, sob o ponto de vista do Neo Química (incorporadora da parcela vertida), foi o de alterar a titularidade de 99% de suas ações, que passaram da MCLG para as pessoas físicas da Família Gonçalves. O patrimônio do Neo Química permaneceu absolutamente inalterado com a cisão. Não se ignora aqui, é bem verdade, a possibilidade de extinção de ações de uma sociedade em poder de outra sociedade em virtude da absorção de patrimônio de uma por outra. Neste ponto, merece ressalto que a hipótese do § 2º, do art. 226, não corresponde rigorosamente à situação em comento, haja vista que esse dispositivo legal trata de ações da cindida em poder da incorporadora, ao passo que, no presente caso, estamos a falar de ações do Neo Química (incorporadora) em poder da MCLG (cindida). Não obstante, mesmo sendo inversa a situação, admitese como igualmente facultada a extinção das suas próprias ações recebidas pela incorporadora, de forma análoga ao que estabelecem os §§ 1º e 2º, do art. 226”. 12. Argumenta a turma julgadora, que “não ficou devidamente caracterizada, portanto, a situação apresentada pela MCLG como justificativa para a sua cisão parcial realizada em 30/11/2009. Analisandose individualmente a etapa da reorganização societária, resta evidenciada a artificialidade da operação de cisão parcial da MCLG. A cisão não serviu para transferir patrimônio para a incorporadora (Neo Química) e não ficou minimamente demonstrado o seu propósito negocial. (...) “Outro equívoco, sem dúvida cometido em razão do artificialismo da cisãoda MCLG, foi o constante na Declaração de Bens e Direitos das DIRPF das pessoas físicas da Família Gonçalves, conforme observaram as autoridades fiscais. As ações da Hypernova foram declaradas como recebidas em substituição da participação detida na MCLG (e não no Lab. Neo Química), isto é, os declarantes olvidaram se da formalização da cisão parcial da MCLG. A despeito de não causarem nenhum prejuízo ao negócio (ou talvez até mesmo por esse motivo), tais equívocos indicam que a cisão parcial da MCLG, tal como formalizada, não é relevante em si mesma, sendo a reorganização societária como um todo o que realmente importa”. Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.919 9 13. No tocante à Hypernova, a turma ressalta que “a incorporação de ações foi utilizada para transformar o Neo Química em sua subsidiária integral, que deveria ser o objetivo desse tipo de operação segundo preceitua o art. 252 da Lei das S/A. Contudo, ao analisar a reestruturação societária como um todo, verificase que na etapa 8 seguinte, formalizada na mesma data, a Hypernova foi incorporada pela Hypermarcas e extinta nos termos do § 3º do art. 227 do mesmo diploma legal” (...) "A dívida relativa às parcelas vincendas do resgate de ações foi transferida à Hypermarcas, na medida em que ela sucede à extinta Hypernova em todos os direitos e obrigações, a teor do que dispõe o art. 227, caput, da Lei das S/A. Também aqui fica claro que outro objetivo da reorganização societária se concretiza, pois as pessoas físicas da Família Gonçalves, que haviam recebido a primeira parcela na etapa 7, passam a figurar como credoras da adquirente Hypermarcas dos valores a serem quitados em 2010 e 2011”. 14. Concluiuse, “em que pese reconhecer que as operações de cisão, incorporação e incorporação de ações observaram as formalidades legais, tais eventos formam um conjunto de operações estruturadas em sequência que apenas fazem sentido se consideradas como um todo, ou seja, se analisada toda a reorganização societária e o seu resultado final. Consideradas separadamente, em sua maioria, os atos e eventos societários não tornam evidente qual o seu sentido ou propósito negocial. Esta constatação, embora não implique em desqualificar ou em considerar ilícitas as referidas operações isoladamente consideradas, há de repercutir na aplicação da norma tributária do IRPJ e da CSLL”. 15. A lei tributária que define o fato gerador do tributo não pode ser contornada pela formalização de atos que, numa apressada análise do seu aspecto formal, sugiram equivocadamente tratamento fiscal diverso daquele que certamente seria cabível se outra forma – mais comum, usual e direta – fosse adotada em seu lugar. Há que se enxergar o efetivo negócio realizado e buscar a norma tributária aplicável sem se deixar ofuscar pelos aspectos meramente formais dos atos que compõem a reorganização societária. No caso em comento, a cisão parcial da MCLG (etapa 2) revela nítidas características de artificialidade, haja vista a inexistência de acréscimo patrimonial da sociedade que figura como incorporadora do acervo cindido (o Laboratório Neo Química). 16. Em vez de incremento do patrimônio, houve apenas a alteração na composição de seu quadro de acionistas. Ademais, nenhuma outra razão negocial condizente com este tipo de operação societária foi identificada para a cisão formalizada pela MCLG, que por sua vez foi seguida de outros eventos societários, formalizados no contexto de uma ampla reorganização societária. Outras ressalvas são cabíveis no tocante às demais etapas da reorganização societária, já expostas anteriormente. Tais constatações levam o intérprete a questionar se é admissível que o tratamento tributário seja pautado apenas pelo aspecto formal da operação ou, caso contrário, que deva ser outra a qualificação jurídica a ser dada os fatos apurados, mais apropriada à essência da operação”. 17. A respeito da responsabilidade solidária, afirma o colegiado que “há de se observar, ainda, que não se trata de considerar o mero inadimplemento como infração de lei, como alegam os interessados. A situação definida como “infração de lei” se verifica, no presente caso, pela conduta fraudulenta do contribuinte com o fim de evitar o pagamento do tributo operacionalizada pela sequência de operações societárias. (...) Cumpre ressaltar que o Sr. Marcelo, além de sócio majoritário da empresa, era também administrador da sociedade (v. fls. 15, 75 e 84), requisito necessário para a responsabilidade tributária definida no art. 135, III, do CTN”. Fl. 1923DF CARF MF 10 18. Ciente da decisão do Acórdão em 20/04/2016(fls.868), que julgou improcedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 24/05/2016 (fls. 873/953), alegando as seguintes razões: I) PRELIMINAR DE NULIDADE — ERRO DE DIREITO NA INDICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS VIOLADOS E IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DE ATOS JURÍDICOS COM BASE NA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL: Afirma que “o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem o ato de lançamento do crédito tributário) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei n. 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal), em especial de seu artigo 2015, que estabelece o dever de as autoridades administrativas motivarem suas decisões e que a indicação incorreta de capitulação legal válida no Auto de Infração, exigida pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/72, é uma violação grave ao ordenamento, não sendo passível de saneamento pelas autoridades, eis que viola o princípio da motivação dos atos administrativos, a garantia constitucional do contraditório e a ampla defesa no processo administrativo”; II) A ANÁLISE DAS OPERAÇÕES QUE COMPÕEM A REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA FEITA PELA DRJ: Afirma que “é que cada operação individual e deve produzir seus regulares efeitos, seja por serem regulares e legítimas quando individualmente analisadas, seja por se justificarem (tanto do ponto de vista fiscal quanto negociai) quando analisadas de forma conjunta, no contexto da Reestruturação Societária e da negociação com a Hypermarcas. (...) Na Reestruturação Societária efetivamente implementada, a Cisão MCLG fez com que as ações do Neo Química passassem a ser de propriedade direta da Família Gonçalves. Já na operação aparentemente tida como ideal pela DRJ, esse fato foi simplesmente "abstraído" pelo colegiado. Ocorre, porém, que a exclusão desse simples ato societário já basta para tornar a estrutura idealizada pela Fiscalização uma operação absolutamente distinta daquela efetivamente implementada e, mais ainda, absolutamente desprovida de lógica (i.e., Hypermarcas compra Neoquímica de MCLG e paga a Família Gonçalves pela aquisição). (...) No que diz ao preenchimento da DIRPF, os Recorrentes lembram que não há regra determinando de que forma o campo de bens e direitos deve ser preenchido e que a redação adotada visou simplesmente simplificar a descrição dos fatos. O entendimento de que a descrição elaborada pelos contribuintes indica falta de propósito negocial é mera ilação sem qualquer base na realidade”. III) REGULARIDADE DAS TRANSAÇÕES QUESTIONADAS PELO FISCO E IMPOSSIBILIDADE DE SUA DESCONSIDERAÇÃO: Asseverou que não se pode declarar a legitimidade de um determinado evento para, na sequência, negar seus efeitos típicos. Ou o evento é válido e produz seus efeitos ou ele não é válido. Fazendose necessário lembrar que não pode o Fisco, buscando aumentar a arrecadação, impor às empresas que conduzam suas atividades de uma forma ou de outra. Tampouco cabe ao Fisco especular as razões negociais que levam uma empresa a conduzir seus negócios de uma forma ou de outra, mas sim analisar os fatos e verificar se ocorreu ou não fato tributável perante a legislação brasileira. Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.920 11 IV) Diz que, “a de se impor a desconsideração de negócios lícitos (tais como a Cisão MCLG), há que se estabelecer parâmetros e limites dentro dos quais essa desqualificação será admitida, sob pena de se partir do extremo da legalidade estrita para o oposto: a completa ausência de legalidade, aqui referida não corno meio para assegurar o formalismo — julgado excessivo por alguns — mas como garantia do contribuinte contra as arbitrariedades que fatalmente decorreriam da imposição de tributos sem limites previamente estabelecidos”. V) Afirma que a Cisão MCLG não alterou substancialmente o status do grupo econômico dos Recorrentes, tendo servido apenas para retornar o Neo Química e a Família Gonçalves para uma situação que perdurara por 26 anos. (...) O Neo Química era, essencialmente, uma empresa familiar, sendo seu capital integralmente detido, já há muitos anos, direta ou indiretamente, por membros da Família Gonçalves. Nesse contexto, a MCLG foi idealizada e criada como uma ferramenta para a administração desse e de outros investimentos detidos pela Família Gonçalves, tais como as participações nas empresas Neo Marcas Indústria Farmacêutica e Alimentícia, Comércio e Participações S.A. e a Neolatina Comércio e Indústria Farmacêutica Ltda., dentre outras. VI) Frizouse que deve ser acrescentado que é por meio das ações detidas diretamente na Hypermarcas que o Sr. Marcelo ocupa lugar no Conselho de Administração. Nesse sentido, até o advento da Lei n° 12.431/2011, somente pessoas físicas podiam ser membros do Conselho de Administração. A redação do caput do art. 146 da Lei n° 6.404/1976, vigente à época, era clara nesse sentido. A alocação da totalidade das ações da Hypermarcas para a MCLG seria um impeditivo à presença do Sr. Marcelo no Conselho de Administração, exceto se outras medidas adicionais fossem tomadas (e.g.,cessão de uma ação), mas que em termos fáticos e de direito não foram. VII) Afirma que "o CARF também vem reconhecendo expressamente que a transferência de participações societárias detidas por pessoas jurídicas para pessoas físicas previamente à sua alienação é operação regular e aceita pelo ordenamento jurídico brasileiro”. VIII) Diz que a Família Gonçalves recolheu o IRPFGCAP devido quando do resgate das ações da Hypernova recebidas em decorrência da incorporação de ações do Neo Química (doc. 09 da Impugnação), sendo tal fato expressamente reconhecido pelo Agente Fiscal, informando os valores históricos na tabela abaixo: Fl. 1925DF CARF MF 12 IX) IMPROPRIEDADE DA TRIBUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES: Argumenta que “na incorporação de ações não se verifica outro elemento essencial da incorporação de sociedades: a transmissão da universalidade do patrimônio da sociedade incorporada para a sociedade incorporadora. Há tão somente a transferência das ações de uma sociedade para outra, respeitandose a individualidade patrimonial das duas sociedades envolvidas”. X) Diz que “havendo assembléia para a incorporação de ações, é perfeitamente possível que o acionista seja contrário à operação e, na hipótese de aprovação dela, esteja obrigado a aceitar a troca de suas ações por outras da sociedade incorporadora ou pleitear o reembolso de suas ações por valor, via de regra, substancialmente inferior ao valor justo do investimento”. (...) “A aplicação do conceito de subrogação a situações semelhantes àquela aqui analisada já foi inclusive reconhecida pelas autoridades fiscais no Parecer Normativo CST n. 39, de 19 de outubro de 1981, em que se analisou a aplicação da regra de isenção do imposto de renda sobre os lucros auferidos, em razão de alienação de participação societária (art. 40, "d", do Decreto Lei n. 1.510/76), nas situações em que tenha ocorrido fusão, incorporação ou cisão da sociedade”. XI) Afirma que “o Protocolo e Justificação de Incorporação de ações do Laboratório Neo Química Comércio e Indústria S.A. pela Hypernova Medicamentos Participações S.A.55 é firmado diretamente entre o Neo Química e a Hypernova, figurando os membros da Família Gonçalves como meros intervenientes. (...) Os membros da Família Gonçalves não perceberam ganho algum, pois apenas tiveram trocadas, de forma passiva e compulsória, as ações detidas no Neo Química por ações da Hypernova”. XII) Diz que “as recorrentes receberam ações da Hypernova, que foram parcialmente resgatadas — com recolhimento do IRPFGCAP devido na operação — sendo as remanescentes substituídas por ações da Hypermarcas, que permanecem no patrimônio dos membros da Família Gonçalves até esta data — sem realização, portanto”. XIII) NECESSIDADE DE CONSIDERAÇÃO DOS VALORES JÁ PAGOS PELA FAMÍLIA GONÇALVES: Afirma que a Família Gonçalves recolheu o IRPFGCAP devido quando do resgate das ações da Hypernova recebidas em decorrência da incorporação de ações do Neo Química, sendo tal fato expressamente reconhecido pelo Agente Fiscal. Diz que “a DRJ negou esse pedido por entender que "os recolhimentos efetuados elas pessoas físicas não podem ser utilizados para quitar tributos devidos pela pessoa jurídica, pois isso implicaria em efetuar compensação de débitos de terceiros, o que é vedado elo art. 74 da Lei 9.430/96". XIV) A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Alega que “é ilegal a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício ora lançada, por falta de previsão legal; o § 3º, do art. 61, da Lei nº 9.430/96, apenas autoriza a incidência dos juros moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não prevê a sua incidência sobre a multa de caráter punitivo; e o art. 43 da mesma Lei determina a incidência de juros sobre as multas isoladas, nada prevendo no tocante à multa de ofício proporcional”. Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.921 13 XV) DOS PEDIDOS: Requereu a reforma do Acordão recorrido da DRJ, com o consequente cancelamento integral do Auto de infração; Subsidiariamente, requereu: i) a qualificação de multa agravada afastada em razão da inexistência de fraude nas operações que compõem a Reestruturação Societária; ii) a exclusão do Sr. Marcelo, tendo em vista a inexistência de ilícito que a justifique; iii) considerar os pagamentos de IRGCAP já efetuados pela Família Gonçalves no âmbito do resgate de ações da Hypernova e descontados tais valores dos valores exigidos nestes autos; iv) afastar a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Pugnou pela sustentação oral. 19. Às fls. 1.464/1.502 dos autos CONTRARAZÕES AO RECURSO VOLUNTÁRIO, trazendo os seguintes argumentos: I) DA PRELIMINAR DE NULIDADE: Alega que “não se pode olvidar que o Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do auto de infração, conforme consta expressamente consignado no próprio. Nele, todos os fatos e dispositivos legais que deveriam reger o procedimento do contribuinte na apuração do lucro real foram devidamente abordados. (...) A primazia da substância sobre a forma decorre do próprio Direito, pois este incide sobre fatos. Assim, a autoridade fiscal não deve ficar circunscrita à forma como as partes documentaram determinado acontecimento se outros elementos a convencem que o documentado não reflete a realidade”. II) PLANEJAMENTO ABUSIVO: Afirma que, discordando do quanto manifestou a DRJ, nem uma nem outra operação poderiam ser tidas como legítimas para fins de aplicação do direito tributário. Pois, “a transformação do NEOQUIMICA em sociedade por ações ocorrida em 13/11/2009, por exemplo, não tinha nenhuma justificativa (e não foi justificada pela recorrente) senão o de preparar o NEOQUIMICA para a incorporação de ações que se seguiria. Da mesma forma, “os “equívocos” cometidos nos documentos elaborados para formalizar o negócio corroboram que a transferência do NEOQUIMICA teria sido acertada pelas partes antes da cisão”; III) Assim, afirma que “a alienação do investimento foi planejada e acertada quando o mesmo era de propriedade da MCLG. Sendo que a cisão parcial da MCLG, seguida de versão do patrimônio cindido (constituído das ações do NEOQUIMICA) para a própria NEOQUIMICA, com o conseqüente cancelamento das ações e emissão de novas ações para as pessoas físicas (tornandoas detentoras diretas do capital do NEOQUIMICA), constituiu o subterfúgio para que o resultado da alienação da participação no NEOQUIMICA se desse nas pessoas físicas, ao invés de acontecer na MCLG”. IV) Diz que “a recorrente lança mão de argumentos genéricos e não comprovados para justificar a prévia cisão da MCLG para alienar o Fl. 1927DF CARF MF 14 NEOQUIMICA, como “evitar impactos adversos nos outros investimentos”, “facilitação do fluxo de dividendos” ou “eliminação de formalidades para eventual alienação de ações, e que tais argumentos tentam apenas criar “falsos problemas”, descrevendo situações absolutamente triviais e de ínfima importância no contexto de um investimento como supostos empecilhos que precisavam ser contornados – a exemplo do que se mencionou acima sobre o art. 146 da LSA”. V) DA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES REPRESENTA ALIENAÇÃO DAS AÇÕES INCORPORADAS: Alega que tal questão já foi enfrentada pelo CARF. E que, a incorporação de ações é prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76, e tratase de operação na qual a sociedade incorporadora adquire as ações de outra empresa, que continua a existir, porém passando à condição de subsidiária integral daquela, sendo essa a diferença entre tal operação e a incorporação de empresas, na qual a incorporada é extinta. A incorporação de ações é uma alienação em sentido amplo, o que já foi reconhecido pela doutrina. (...) No passo, não é correto admitir que a incorporação de ações seja dotada de compulsoriedade, ou seja, se perfaz sem manifestação de vontade. Em uma sociedade, todas as decisões são tomadas pela maioria dos sócios e, ao fazer parte de uma empresa, já se sabe que a vontade individual vai ser substituída pela vontade coletiva. Portanto, a operação somente será implementada em razão da manifesta deliberação da maioria dos sócios de cada uma das empresas envolvidas, mediante Assembléia. Também são os próprios acionistas que determinam os valores pelas quais a operação será realizada, ou seja, se a subscrição ocorrerá por valor superior ao contábil”. (...) Como a manifestação de vontade pelo representante, nos limites de seus poderes produz efeitos em relação ao representado, não há de se estranhar que a sociedade possa firmar protocolos de incorporação de ações que dispõem sobre bens de acionista: a própria ação. Dessa forma, há duas manifestações de vontade na operação: a dos sócios em Assembleia Geral, aprovando a incorporação de ações e conferindo poderes de representação à sociedade empresária; a da sociedade empresária nos limites da representação conferida, que aliena as ações e as incorpora ao capital de outra sociedade”. VI) “Concluise, portanto, que o negócio de subscrição importa em obrigação pecuniária, não uma obrigação de troca. O negócio jurídico de subscrição cria uma obrigação de integralizar o capital social. O ato de integralização, por força de lei, pode se dar em bens. É a mesma lógica de se dizer que o tributo é uma prestação pecuniária que pode ser extinta por dação em pagamento. Assim, na subscrição devida em sede de incorporação de ações, em momento algum se identifica qualquer espécie de permuta”. VII) “A incorporação de ações é uma espécie de alienação, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, essa deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. (...) No caso em apreço, há que se ressaltar que a recorrente sequer pode se valer do argumento de que a incorporação de ações teria se dado sem manifestação da vontade dos sócios! Ora, tanto a MCLG quanto o NEOQUIMICA eram controlados pelo Sr. Marcelo, além do Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.922 15 que a família Gonçalves anuiu expressamente com todas as etapas da reorganização societária”. VIII) DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Afirma que “ficou demonstrada a artificialidade de algumas das etapas da reestruturação societária, que serviram para dificultar a visualização de aspectos relevantes da alienação da participação societária no NEOQUÍMICA para a Hypermarcas. Portanto, por estar caracterizada a fraude, nos termos do art. 72 da Lei n° 4.502/64, é devida a aplicação da multa qualificada de 150%, em conformidade com o disposto no art. 44, inc. I, e § 1º, da Lei nº 9.430/96”. IX) DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: Diz que houve “ação dolosa que justifica a qualificação da multa de ofício autoriza, igualmente, a responsabilização pessoal do administrador da sociedade por infração à lei fiscal”. X) DOS JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO: (...) Quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, afirmou tratarse de “debate já antigo, de modo que há farta jurisprudência no sentido de que é devida”. XI) Requereu a denegação do Recurso Voluntário interposto. 20. Em 02/03/2018 às fls. 1535 a 1754 consta a juntada de petição com 02 pareceres emitidos por Sérgio André Rocha e Heleno Taveira Torres sobre o caso concreto. 21. À fl. 1888 consta petição onde o Recorrente anexa DARFs de pagamento e aduz que: 22. É o relatório do essencial. Tabela do plano Voto Fl. 1929DF CARF MF 16 Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente passo à análise da preliminar de nulidade argüida. Afirma a Recorrente que “o dever de motivar os atos administrativos (gênero no qual se incluem o ato de lançamento do crédito tributário) é tema incontroverso, dada a clareza da Lei n. 9.784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal), em especial de seu artigo 2015, que estabelece o dever de as autoridades administrativas motivarem suas decisões e que a indicação incorreta de capitulação legal válida no Auto de Infração, exigida pelo art. 10 do Decreto n° 70.235/72, é uma violação grave ao ordenamento, não sendo passível de saneamento pelas autoridades, eis que viola o princípio da motivação dos atos administrativos, a garantia constitucional do contraditório e a ampla defesa no processo administrativo”. Assim é que, por entender que os negócios jurídicos não poderiam ter sido desconsiderados e, haveria suposto erro na capitulação legal, sustenta ser nulo o lançamento. Entendo não assistir razão à Recorrente. Além de não haver desconsideração de atos ou fatos jurídicos, não se verifica na autuação fiscal a alegada ausência de indicação do ilícito ou qualquer defeito na fundamentação legal. Há consignação expressa que a autuação se refere a “Omissão de Receita Não Operacional – Ganhos de Capital” (fls. 578) ou “Omissão de Receita – Falta de Recolhimento da CSLL devida sobre outras Receitas e demais Resultados Omitidos” (fls. 587), estando devidamente acompanhados dos dispositivos legais aplicáveis, os quais também constaram no TVF de fls. 549/573. Além disso, a descrição dos fatos, as circunstâncias e os motivos pelos quais a fiscalização entendeu ter havido omissão do ganho de capital por parte da MCLG estão minuciosamente explicitados no TVF, não havendo que se falar em vício de motivação. O agente fiscal desconsiderou as operações societárias para fins fiscais, mantendose válidas para os seus demais efeitos. Ademais, o Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do auto de infração, nele todos os fatos e dispositivos legais que deveriam reger o procedimento do contribuinte na apuração do lucro real foram devidamente indicados. Face ao exposto, nego provimento à referida preliminar. Passo à análise do mérito recursal. Inicialmente, cumpre ressaltar que o eventual ágio gerado na operação não é objeto do presente lançamento. Em resumo, o lançamento é fundado no entendimento, esposado pela autoridade fiscal, de que o ganho de capital haveria de ser reconhecido e tributado pela MCLG e não pelas pessoas físicas da Família Gonçalves. Em outras palavras, a fiscalização entende que a formalização da cisão parcial da MCLG, segundo a qual teria havido a transferência da titularidade das ações do Neo Química para as pessoas físicas da Família Gonçalves, não teria o condão de deslocar a ocorrência do ganho de capital para estas pessoas físicas. Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.923 17 A Recorrente destaca que, desde 1979, membros da família Gonçalves faziam parte do quadro societário do Laboratório Neo Química, sendo que o Sr. Marcelo nele ingressou em 1981 e, a partir de 1993, passou a deter 99% de suas quotas, enquanto a sua esposa, Sra. Cleonice, detinha os 1% remanescentes. Aduz ainda que além do investimento no Laboratório Neo Química, a família Gonçalves detinha participações societárias em empresas como a Neo Marcas Indústria Farmacêutica e Alimentícia, Comércio e Participações S.A. e a Neolatina Comércio e Indústria Farmacêutica Ltda., dentre outras. Em 08/08/2007, a família Gonçalves criou “a MCLG, que passou a exercer a função de holding dos investimentos da família, passando a desenvolver o papel de concentrar investimentos, permitir maior eficiência na gestão de ativos, governança e planejamento societário e sucessório, além de facilitar a manutenção de uma política organizada e uniforme de administração”. Por sua vez, em 16/01/2008, o Sr. Marcelo subscreveu capital na MCLG com a participação que detinha no Neo Química (99% das quotas), mas a Sra. Cleonice não transferiu as suas quotas para a holding. Alega a Recorrente que o contexto negocial do grupo foi alterado em 2009, quando a família Gonçalves entrou em negociações com a Hypermarcas, visando uma possível associação, o que levou a uma mudança na política até então escolhida. Assim é que, depois de meses de negociação e estudos, e decidido que a associação seria efetivamente levada a cabo, resolveuse que a associação seria precedida de uma série de operações preparatórias: i. transformação do Neo Química em sociedade por ações, ii. cisão da MCLG, cuja parcela vertida, composta pelas ações do Neo Química, foi incorporada pelo próprio Neo Química, tornandose a família Gonçalves novamente detentora de participação direta na sociedade, visando isolar esse investimento dos demais ativos da família, e iii. cisão do Neo Química, com incorporação da parcela cindida pela MCLG, com o fim de retirar do ativo da cindida certos bens móveis e imóveis que não guardavam relação direta com o seu objeto social; Após a implementação dessas medidas preparatórias, deuse início ao processo de integração entre Neo Química e Hypermarcas, sendo que o mecanismo jurídico escolhido para tanto foi a incorporação de ações, mecanismo absolutamente legítimo para tanto. No contexto da associação entre os grupos, foram acordadas e implementadas as seguintes operações societárias, todas ocorridas em 30/12/2009: Fl. 1931DF CARF MF 18 iv. incorporação das ações do Neo Química pela Hypernova, com emissão de 1.368.925.789 novas ações para a Família Gonçalves, sendo 681.625.000 ações ordinárias e 687.300.789 ações preferenciais resgatáveis sem direito a voto; após a implementação desta operação, o Neo Química passou a ser subsidiária integral da Hypernova, cujas ações passaram a ser detidas pela Família Gonçalves e pela Hypermarcas; v. incorporação da Hypernova pela Hypermarcas, operação que permitiu à Família Gonçalves entrar para o bloco de controle da Hypermarcas; vi. incorporação do Neo Química pela Hypermarcas, o que permitiu a integração definitiva das atividades das empresas; As 687.300.789 ações preferenciais, citadas no item iv acima, foram integralmente resgatadas pela Família Gonçalves, sendo o IRPFGCAP apurado sobre o ganho de capital registrado nessa operação integralmente recolhido, como atestam a própria fiscalização e os Darfs juntados às fls. 755/760, em montantes que superam os 250 milhões de reais. Aduz que, de todos os atos societários descritos acima, apenas a cisão da MCLG com versão de patrimônio para o Neo Química (operação que transferiu a titularidade das ações do Neo Química para a Família Gonçalves – denominada “Reestruturação Precedente”) foi objeto de questionamento fiscal. Isto porque entendeu o fiscal que houve um deslocamento do ganho de capital para as pessoas físicas, em uma operação que defende ser abusiva e sem propósito negocial. A Recorrente também colaciona aos autos pareceres jurídicos da lavra dos juristas Sérgio André Rocha e Heleno Torres que lastreiam a sua tese defensiva. Da análise dos autos a após estudo minucioso de todas as razões de lançamento e de defesa entendo assistir razão à Recorrente. O lançamento está lastreado na conclusão de que não ficou devidamente caracterizada, portanto, a situação apresentada pela MCLG como justificativa para a sua cisão parcial realizada em 30/11/2009. Analisandose individualmente a etapa da reorganização societária, resta evidenciada a artificialidade da operação de cisão parcial da MCLG. A cisão não serviu para transferir patrimônio para a incorporadora (Neo Química) e não ficou minimamente demonstrado o seu propósito negocial. Ainda, entendeu a autuante e a DRJ que, como conseqüência formal dessa cisão, as ações do Neo Química foram transferidas às pessoas físicas da Família Gonçalves, permitindo que estas recebessem, nas etapas seguintes, as ações da Hypernova, os pagamentos dos resgates e as ações da Hypermarcas. As razões apresentadas pela Recorrente para justificar a operação realizada são, a meu ver, absolutamente coerentes e guardam propósito negocial. Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.924 19 Não obstante o alto grau de subjetividade existente em qualquer discussão relacionada à existência ou inexistência de propósito negocial nas operações, face à mais que concreta objetividade da lei, não deixarei de enfrentar as questões de fato, muito embora entendo que o cerne da questão é avaliar se a escolha de negócio da Recorrente infringe a lei tributária ou não. Isto porque, o conceito de propósito negocial carece de fundamento legal, tornandose absolutamente subjetivo e abrangente. Partindo deste conceito adotado pelo Fisco, a presença de um propósito negocial deve ser precedente e, além, originária na operação, de modo a concretizar a como uma consequência natural e lógica. Entretanto, a indefinição dos conceitos no ordenamento jurídico impede a formação de entendimento uniforme, tornando qualquer discussão acerca das operações societárias ao menos parcialmente subjetivas, afastandose do princípio da tipicidade cerrada que foi base de formação do direito tributário. É freqüente utilização pelo Fisco da teoria da ausência de propósito negocial por meio do qual defende que a simples inexistência sob sua ótica outros motivadores para a operação que não o alcance de uma redução da incidência tributária, tem sido usada como elemento suficiente para invalidar os atos do contribuinte ou o benefício fiscal almejado. Tal lógica ao meu ver se afasta da necessária objetividade da lei tributária, fundada no princípio da tipicidade cerrada, além de afetar a segurança jurídica vez que diversas regras e estruturas criadas pelo legislador brasileiro oferecem um benefício fiscal aos contribuintes como parte integrante de uma política econômica. Nesse sentido entendo ser absolutamente claro o exemplo trazido pelo Conselheiro desta Primeira Seção, Luiz Fabiano Alves Penteado em caso semelhante ao aqui tratado: Usualmente menciono em meu votos, de forma exemplificativa, o regime fiscal da Zona Franca de Manaus, que oferece incentivos fiscais para as empresas que lá se estabelecerem e produzirem, gerando empregos, desenvolvimento econômico/social e, mesmo, arrecadação de tributos para a região. Neste caso, não há qualquer exigência de que as empresas lá estabelecidas tenham propósitos negociais além do gozo do incentivo fiscal em si, para lá se estabelecerem. Isso porque, nenhuma empresa busca a Zona Franca de Manaus em razão da maior proximidade com o mercado consumidor, melhor infraestrutura ou maior oferta de mão de obra qualificada. O objetivo é o gozo do incentivo fiscal, que seja suficiente para compensar os desafios e dificuldades adicionais. Isso é garantido às empresas que cumpram todos os requisito da legislação, independentemente da existência de outras razões. Este é um exemplo do caráter indutor da norma, no sentido de que quando a legislação cria um determinado benefício, acaba por induzir o contribuinte a agir de determinada forma. Fl. 1933DF CARF MF 20 Nesse sentido, entendo que a busca da redução de incidência tributária por si só já se constitui em propósito negocial desde que não ocorra ao contrário de disposição expressa e objetiva da lei. Nesse sentido este Conselho já possui diversos precedentes: GANHO DE CAPITAL. VENDA DE QUOTAS. PLANEJAMENTO FISCAL ILÍCITO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. INOCORRÊNCIA NAS REDUÇÕES DE CAPITAL MEDIANTE ENTREGA DE BENS OU DIREITOS, PELO VALOR CONTÁBIL A PARTIR DA VIGÊNCIA DA LEI 9.249/1995. Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, desde que efetivamente realizadas antes da ocorrência do fato gerador, bem como não visem gerar economia de tributos mediante criação de despesas ou custos artificiais ou fictícios. A partir da vigência do art. 22 da Lei 9.249/1995 a redução de capital mediante entrega de bens ou direitos, pelo valor contábil,não mais constituiu hipótese de distribuição disfarçada de lucros, por expressa determinação legal. (Acórdão nº 1402001.472 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Sessão de 09 de outubro de 2013) PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS JURÍDICOS. LICITUDE. O fato dos atos praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. O fato dos negócios praticados visarem economia tributária não os torna ilícitos ou inválidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CAUSA DO NEGÓCIO. LICITUDE. Motivo do negócio é a razão subjetiva pela qual o contribuinte faz o negócio jurídico. Causa do negócio ou sua função econômica é o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes. O motivo ilícito implica em nulidade, quando declarada por um Juiz. Se a motivação do negócio é economia tributária, não se pode falar em motivo ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVO DO NEGÓCIO. CONTEÚDO ECONÔMICO. PROPÓSITO NEGOCIAL. LICITUDE. Não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Não tem amparo no sistema jurídico a tese de que negócios motivados por economia fiscal não teriam "conteúdo econômico" ou "propósito negocial" e poderiam ser desconsiderados pela fiscalização. O lançamento deve ser feito nos termos da lei. (...) Outra tese do Fisco que merece análise é a de que os atos praticados poderiam ser desconsiderados, porque não teriam conteúdo econômico (ou propósito negocial), já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Porém, tal afirmativa está em descompasso com o ordenamento jurídico. Como se vê, em última análise, a afirmação do Fisco consiste em sustentar que o planejamento tributário é proibido e que a economia tributária só é Fl. 1934DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.925 21 admissivel se for acidental. Apenas por isso, já se percebe a improcedência do argumento. Mas, a análise da tese do Fisco confirma o equivoco desta interpretação da fiscalização, pois nem esta motivação vicia o negócio e nem existe lei atribuindo tal efeito. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos participes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum As partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um Juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Assim, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicada sequer por juizes aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. E, muito menos, poderia ser aplicada pela fiscalização, para efetuar lançamento de oficio. De outra banda, não existe regra federal ou nacional que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia tributária. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios. " (Acórdão n. 1101000.835 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 04 de dezembro de 2012) (***) REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Ausente conduta tida como simulada, fraudulenta ou dolosa, a busca de eficiência fiscal em si não configura hipótese de perda do direito de dedução do ágio, ainda que tenha sido a única razão aparente da operação. A existência de outras razões de negócio que vão além do benefício fiscal, apenas ratifica a validade e eficácia da operação. (Acórdão n. 1201001.507 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de setembro de 2016) (***) AGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO A pessoa jurídica que, por opção, avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido e absorver patrimônio da investida, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, pode amortizar o valor do ágio com fundamento econômico com base em previsão de resultados nos exercícios futuros, contabilizados por ocasião da aquisição do investimento. A amortização poderá ser feita a razão de um sessenta avos, mensais, a partir da primeira apuração do lucro real subseqüente ao evento da absorção. No caso Fl. 1935DF CARF MF 22 de deságio deverá amortizar na apuração do lucro real levantado a partir do primeiro anocalendário seguinte ao evento. O ágio também poderá ser amortizado por terceira pessoa jurídica que incorporar a investidora que pagou o ágio e incorporou sua investida. O legislador não estabeleceu ordem de seqüência dos atos que de incorporação, fusão ou cisão, não cabendo ao interprete vedar aquilo que a não proibiu. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES AMORTIZAÇÃO O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o próprio subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e de o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros. MULTA ISOLADA ESTIMATIVA Não procede a exigência de multa isolada quando da recomposição do resultado em virtude de glosa de despesa, visto que não participam da base a ser utilizada para calcular o imposto estimado antecipado mensalmente. JUROS SOBRE MULTA A SELIC incide tão somente sobre débitos de tributos e contribuições, não sobre penalidade, que deve seguir a regra de juros contida no artigo 161 do CTN. (Lei 9.430/96, art. 61 c/c art. 3º do CTN). Recurso parcialmente provido. (Acórdão n. 10516.774 Sessão de 08 novembro de 2007) (***) DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Inexiste vedação legal para que uma pessoa jurídica, detentora de ágio na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial em razão da rentabilidade futura da investida, confira o aproveitamento deste ágio a outra pessoa jurídica por intermédio da absorção de seu patrimônio (art. 7º da Lei nº 9.430/96) ou viceversa (art. 8º). Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". (Acórdão n. 1201001.267 Sessão de 19 de janeiro de 2016) Cumpre destacar trecho do voto proferido no último Acórdão citado, com o qual me coaduno: "(...)Repare que a abusividade do planejamento tributário pode ter como característica (desde que não seja a única) justamente a ausência de propósito negocial. Entretanto, quando exista uma norma jurídica incentivando, sob o ponto de vista fiscal, a realização de um negócio jurídico, seria absurdo imaginarse que além do propósito de economia fiscal deveria haver também algum outro propósito. Esse é exatamente o caso dos presentes autos." Fl. 1936DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.926 23 Desta feita, entendo que a ausência de propósito negocial, sob a ótica do fisco, não pode ser suficiente para desconsiderar os efeitos dos negócios societários realizados, até mesmo porque, a economia tributária pode ser considerada um propósito negocial. Ademais, mesmo que a economia tributária por si só não fosse um propósito negocial justificado, no caso concreto entendo que a situação fática é absolutamente justificável. Tenho me manifestado de forma contrária a certas ingerências que o Fisco tem imposto na administração e forma de realização dos negócios pelas empresas. Quanto se tem de um lado a obrigação do administrador buscar a forma mais eficiente e menos custosa para gestão dos seus negócios (desde que por forma lícita), por outro lado muitas vezes vemos o Fisco fazendo "exercícios negociais" buscando verificar se as operações e negócios realizados poderiam ter sido feitas por um meio que gerasse maior arrecadação tributária. Um fenômeno chamado por alguns doutrinadores, como Eurico de Santi, de "Planejamento Tributário As Avessas". Ainda, no caso concreto outras questões merecem ser ressaltadas. Quando se fala em propósito negocial, e se utiliza a teoria do Prof. Marco Aurélio Greco, muito se fala em analisar as fotografias e o filme completo. Geralmente o fisco fundamenta seus lançamentos exatamente na efemeridade de algumas situações ou operações, que seriam realizadas de maneira transitória e, unicamente para reduzir a incidência tributária. Pois bem, a família Gonçalves deteve a titularidade das Ações da Neo Química por aproximados 30 anos, sendo que o grupo detinha participação também em outras empresas. A família decidiu efetuar um planejamento societário transferindo os ativos para uma holding familiar (MCLG), operação absolutamente comum e justificável no meio empresarial, ainda mais tratandose de patrimônio do porte do da referida família. Aproximadamente 01 ano depois, a operação é praticamente desfeita e as ações da Neo Química retornam ao patrimônio das pessoas físicas, promovendo a devolução de capital. Bom, em uma primeira análise é possível verificar que, se há situação efêmera e transitória, essa foi a titularidade das ações da Neo Química pela MCLG. E nesse ponto é que se impõe uma contradição com a tese muitas vezes defendida pelo Fisco. No caso concreto, tendo em vista a efemeridade dessa operação, não seria essa a "foto" a ser desconsiderada? Ademais, poderia se defender que a família tinha interesse em transferir a titularidade para a holding e que, apenas devolveu o patrimônio às pessoas físicas ao perceber que a incidência tributária seria menor (operação realizada com exclusivo propósito de redução de carga tributária). Entretanto, sem nem mesmo entrar no mérito do debate sobre a eficácia ou não do Parágrafo Único do art. 116 do CTN, verifico que havia propósito negocial na operação. Fl. 1937DF CARF MF 24 Isto porque, como ressaltado pela contribuinte, havia interesse na associação pessoal com o Sr. Marcelo Limirio, o que é uma justificativa que se coaduna com a participação pessoal dele no Conselho de Administração e na gestão da Hypermarcas, posição que manteve até o ano de 2016. Outrossim, na Lei das Sociedades Anônimas vigente à época, a participação em órgão de administração era restrita a pessoas naturais, senão vejamos o que dispõe o art.146: Art. 146. Poderão ser eleitas para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os diretores ser residentes no País. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). Desta feita, o Sr. Marcelo Limirio deter a titularidade das ações era uma das condições legais para sua participação no Conselho de Administração, restando claro o propósito negocial. Aliás, observese que as ações do bloco de controle da Hypermarcas permaneceram com a Família Gonçalves até meados do ano de 2016. Assim, verifico que restou comprovado claro propósito negocial na operação realizada pelo Recorrente, propósito esse que não se resume a mero interesse de redução de carga tributária. Outrossim, apesar de restar prejudicada, ressalto que não vejo qualquer justificativa razoável para a qualificação da multa. Cumpre notar que a simples apuração de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessário, conforme preconiza o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 e Súmula nº. 14 do CARF, a comprovação do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502/64. Em assim sendo, vale transcrever os artigos em referência: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos art. 7l e 72. Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 16561.720111/201424 Acórdão n.º 1401002.644 S1C4T1 Fl. 1.927 25 A fiscalização, ao agravar a multa de ofício, não justifica estarse diante de conluio, sonegação ou fraude, limitandose a afirmar seu cabimento em virtude da prática de planejamento tributário abusivo e complexo, o que denotaria dolo. De plano, vêse que está afastada a possibilidade de conluio, já que a Fiscalização nada trouxe aos autos para provar. Analisando os conceitos de sonegação e fraude, verificase que ambos pressupõe o dolo, conceito extraído do direito penal. Nessa linha, o dolo significa ter a plena consciência de que o ato praticado irá ocasionar o resultado criminoso. Exemplos de tipos dolosos se mostram quando nos deparamos, com uma falsificação de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros) ou de livros fiscais/contábeis, emissão de notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quanto apresentadas reiteradamente), práticas que em nada não se assemelham à hipótese descrita nos autos. Destarte, não nos olvidemos que o chamado direito de se autoorganizar para pagar menos impostos não pode ser considerado conduta ilícita, já que é, sobretudo, emanação de uma liberdade individual. Todas as operações foram devidamente escrituradas, os documentos solicitados foram apresentados e não foram impostos obstáculos à fiscalização. O dolo qualificado ensejador da aplicação de uma penalidade qualificada demanda a prova, pelo Fisco, de que na época dos fatos, o contribuinte, consciente da ilegalidade, mesmo assim a pratica com a intenção de lesar o Fisco. Certamente, não foi o que aconteceu no caso concreto, face a todo o contexto histórico fartamente comprovado pelo contribuinte. Assim, não seria caso de qualificação de multa, tampouco de responsabilização solidária. Ainda, apesar de também entender restar prejudicado diante do teor do meu voto, também ressalto entender assistir razão ao recorrente quanto à aplicação do art. 22 da Lei 9.249/95 no caso concreto. Isto porque, o que o que correu, a meu ver, foi uma clara devolução de capital ao sócios. Apesar de também prejudicado, não assiste razão à Recorrente ao não defender a incidência de juros sobre multa, e este é o posicionamento que o CARF vem adotando majoritariamente. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de multa e juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Fl. 1939DF CARF MF 26 A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Correta a aplicação da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórios lançados, conforme previsão legal expressa no art. 61, § 3o da Lei nº 9.430/1996. Outrossim, mesmo que fosse eventualmente vencido, ressalto também que esta TO tem precedentes em casos semelhantes no sentido de se aproveitar o IR sobre o ganho de capital pago pelas pessoas físicas. Recentemente julgamos o PAF 16561.720165/201490 do contribuinte Arainvest (Sessão de 21 de fevereiro de 2018) em que, quase que por unanimidade, esta Turma permitiu o aproveitamento dos valores recolhidos pelas pessoas físicas. Neste particular cito a conclusão do Cons. Relator Abel Neto: Assim, à vista do exposto e visando evitar o desequilíbrio entre direitos e obrigações entre as partes envolvidas, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio, mantendo a possibilidade de dedução, do valor da autuação, do montante pago pelas pessoas físicas a título de ganho de capital decorrente da mesma operação objeto desta autuação. Desta feita, face a tudo o quanto exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário pelas razões acima expostas, no mesmo sentido para os Recursos dos responsáveis solidários, restando prejudicadas as demais razões de mérito. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1940DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.903087/2013-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário, apresentado em razão do julgamento improcedente da manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Esta última, por sua vez, guerreou o Despacho Decisório Eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, que nãohomologou a compensação declarada por entender ser inexistente o crédito utilizado nesta compensação, em decorrência de glosa de créditos considerados indevidos em procedimento fiscal. A Fiscalização esclareceu que o mencionado procedimento fiscal, fundador de auto de infração (Processo Administrativo nº 11080.732116/201316), teve por objeto a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 08 7/ 20 13 -7 5 Fl. 9495DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.496 2 verificação de créditos e compensações referentes a diversos pedidos de ressarcimento de créditos de lPI apresentados pela Contribuinte. Como consequência da lavratura do auto de infração, verificouse alterações nos saldos da escrita fiscal, resultando no aparecimento de saldos devedores até então inexistentes ou na redução de saldos credores apurados pelo contribuinte, o que influenciou os valores de ressarcimento pleiteados. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Regularmente cientificada da homologação parcial da compensação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual, em síntese, fez as seguintes considerações: 1. DO AUTO DE INFRAÇÃO: O Despacho Decisório ora “impugnado” é resultado do procedimento de fiscalização instaurado para a verificação da regularidade dos créditos de IPI sobre insumos básicos apurados e informados no período compreendido entre o 4º Trimestre/2008 e o 1º Trimestre/2012 (MPF nº 10.1.01.00201300304 2), sendo parte requerida por meio de pedidos de ressarcimento e compensação e parte utilizada para escrituração em conta gráfica de IPI, sem pedido de ressarcimento. No caso, como mencionado pela Autoridade Fiscal, “a fundamentação dos créditos glosados relativamente a todas as DCOMP’s objetos do MPF acima referido, encontrase, detalhadamente, no Relatório de Ação Fiscal, anexado a estes autos. Pela semelhança dos argumentos de fato e de direito, a Manifestante requer, antes de tudo, a reunião de todos esses processos acima mencionados, para que tramitem em conjunto e sejam objetos de um único julgamento, em atenção ao princípio da economia e eficiência processuais, bem como em atenção ao princípio da segurança jurídica, a fim de se evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO PELA FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS – NECESSIDADE DE PERÍCIA TÉCNICA: Para fundamentar as glosas realizadas, nas planilhas de análise dos créditos, as Autoridades Fiscais realizaram o agrupamento dos materiais objetos das glosas, em 04 (quatro) grupos, baseandose no entendimento de que eles não se enquadrariam no conceito de insumos (MP, MI ou ME), tendo em vista a descrição feita pela empresa durante o atendimento à fiscalização e a sua interpretação sobre os Pareceres Normativos CST nº 181/74, 260/71 e 65/79, bem como dos dispositivos dos Regulamentos de IPI de 2002 e 2010 (Decreto nº 4.544/2002 e Decreto nº 7.212/2010). Para corroborar suas conclusões, mencionaram diversas decisões administrativas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), Soluções de Consulta, ou seja, diversas fontes documentais que corroboram o seu entendimento e que, no seu entendimento, seriam suficientes para justificar as glosas. Além disso, como dito acima, informaram ter sido realizada visita técnica ao estabelecimento da Manifestante. Ocorre que, na referida visita, as informações solicitadas Fl. 9496DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.497 3 e esclarecimentos feitos não foram específicos para cada um dos materiais analisados e muito menos dos materiais objetos das glosas e nem poderia ser, tendo em vista o grande número que representavam todos os materiais sobre os quais a Manifestante havia tomado créditos – no caso dos materiais glosados, mais de 15 (quinze) mil itens. Ou seja, por mais diligentes que as Autoridades Fiscais tenham sido, comparecendo ao estabelecimento da Manifestante para conhecer seu processo industrial e a possível aplicação e forma de consumo dos materiais objetos dos creditamentos, impossível a tais profissionais abordar cada um deles e deterse às especificidades da aplicação/função e forma de consumo de cada um deles, de forma a ter acuracidade total em todas as conclusões, sobretudo porque, como informado durante os procedimentos de fiscalização, a especialização dos Ilustres Fiscais não é da área de siderurgia, uma vez que possuem formação nas áreas contábil e jurídica e, por isso, s. m. j, impossível se atingir acuracidade nas conclusões acerca do enquadramento de cada um dos materiais. Por isso é que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeros julgados, já se manifestou sobre o assunto, esclarecendo que, em se tratando de processo que envolva a verificação da “utilização de material no processo produtivo, diante da complexidade da atividade empresarial e por imposição da efetividade da jurisdição, demanda produção de prova pericial, nos termos do art. 420, I, do CPC”. Ademais, ainda que não fosse considerada como pressuposto ou fundamento de validade do lançamento (ônus da própria Autoridade Fiscal), como dito acima, devese levar em conta que a Constituição da República assegura às partes, no processo administrativo e/ou judicial, o direito à aplicação do princípio da presunção de inocência, o qual se corrobora pela garantia do direito à ampla defesa, ao contraditório e, no caso do processo administrativo fiscal, pelo princípio do inquisitório. Por tal leitura, a classificação feita pela empresa deve prevalecer até que se prove o contrário, não podendo o Fisco partir de presunções, sem trazer aos autos prova suficiente para tal afirmação. Se o Fisco não traz aos autos a prova necessária (no caso, a prova pericial), deve prevalecer incólume o enquadramento feito pela empresa, bem como os creditamentos por ela realizados (vide excerto do acórdão de nº. 14.303/01/2ª). Portanto, uma vez verificada a eventual dúvida sobre a legitimidade dos creditamentos feitos pela empresa, por todos os esclarecimentos prestados durante o atendimento à fiscalização, segundo a consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça acima mencionada/retratada, as Autoridades Fiscais só poderiam seguir os seguintes dois caminhos:(a) aplicar a dúvida em favor da empresa/contribuinte, mantendose o enquadramento por ela feito pela, na ausência de prova cabal sobre o não enquadramento dos materiais no conceito de materiais intermediários; ou (b) constituir prova pericial conclusiva/cabal/irrefutável, para que fosse esclarecida de forma técnica e objetiva a utilização e consumo dos materiais glosados. Como não foi seguido nenhum destes caminhos pelas Autoridades Fiscais, não resta outro caminho aos Eminentes Julgadores senão declarar NULO o lançamento. Caso, por remota hipótese, seja ultrapassada a preliminar de nulidade acima arguida, cumpre observar que, em síntese, as glosas realizadas e o agrupamento dos materiais feito pelas Autoridades Fiscais, como dito acima, basearamse na restritiva interpretação acerca do conceito Fl. 9497DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.498 4 de “insumos” e da expressão “produtos intermediários”, reduzindoo de tal forma a somente aceitar a possibilidade de crédito em relação àqueles materiais que sejam integralmente consumidos no processo de industrialização, em decorrência de um contato físico ou uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, não admitindo, ainda, em absoluta contradição a tal premissa, o crédito em relação a materiais considerados partes e peças de máquinas e equipamentos e materiais refratários, mesmo admitindo, expressamente, que, no caso de tais materiais, o consumo se dá no processo produtivo, com contato direto/físico e em razão da ação diretamente exercida pelo produto em fabricação e agentes do processo, tais como altíssimas temperaturas, peso dos insumos e das barras de aço/produto em fabricação. Em seguida passou a discorrer sobre as glosas efetuadas no procedimento fiscalizatório que decorreu o auto de infração, elencando os seguintes tópicos: · DA NÃO CUMULATIVIDADE DO IPI NA CONSTITUIÇÃO DE 1988 – DIREITO AMPLO E IRRESTRITO AO CRÉDITO DO IMPOSTO; · CONFORMAÇÃO DO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS E DA ADEQUAÇÃO DOS MATERIAIS OBJETOS DAS GLOSAS A ESTE CONCEITO; · MATERIAIS REFRATÁRIOS; · DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO ENQUADRAMENTO DOS MATERIAIS NO CONCEITO DE MATERIAIS INTERMEDIÁRIOS; · PERÍCIA. Por fim, requereu o recebimento da presente Manifestação de Inconformidade, mantendose a exigibilidade do crédito tributário suspensa até decisão final do processo: a. em preliminar, o reconhecimento e declaração de nulidade do Despacho Decisório, pelos motivos acima informados; b. no mérito, que seja reformado o Despacho Decisório e reconhecidos todos os créditos e homologa a compensação realizada; c. alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Manifestante, tendo em vista os quesitos acima indicados; d. protesto por outros meios de prova em direito admitidos, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. Sobreveio então o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/RPO, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: Fl. 9498DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.499 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. REDUÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL. Tendo o saldo credor de IPI do trimestre sido reduzido em decorrência de procedimento fiscal, é este (novo) saldo que deve ser usado para a compensação dos débitos apresentados em Dcomp. Enfim, irresignada com o teor do Acórdão da DRJ, a Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos expostos em sua impugnação ao lançamento tributário e alfim apresentando os seguintes pedidos: a) preliminarmente seja deferido o julgamento em conjunto do presente processo com os autos do processo nº 11080.732216/201316; b) em preliminar, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que este foi pautado em presunção em detrimento da verdade dos fatos consoante restou acima demonstrado, já que não houve pela fiscalização análise detida dos itens glosados, deixando de motivar a autuação, cerceando desta forma o direito da Recorrente à ampla defesa e ao contraditório; c) quanto ao mérito, a Recorrente requer que seja julgado improcedente o auto de infração, tendo em vista a demonstração inequívoca de que os itens glosados se consomem diretamente no processo produtivo da Recorrente, sendo portanto, insumos, os quais, são passíveis de apropriação de créditos de IPI, nos termos do que restou exaustivamente demonstrado pela Recorrente, inclusive com a juntada de laudo IPT; d) alternativamente, caso ainda restem dúvidas sobre a natureza e aplicação dos bens envolvidos na glosa, que seja deferida a produção da prova pericial para a comprovação de sua natureza e aplicação no processo ou atividade produtiva da Recorrente, tendo em vista os quesitos acima indicados; e) caso seja mantido, no todo ou em parte o lançamento, a Recorrente requer ao menos que este Egrégio Conselho determine a não incidência de juros sobre a multa, nos termos acima mencionados; f) por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos que se fizerem necessários, como a documental e a prestação de esclarecimentos e formulação de quesitos suplementares de perícia que se fizerem necessários. O julgamento do recurso voluntário foi a mim incumbido haja vista que a esta Relatora havia sido distribuído o Processo de n. 11080.732116/201316 (auto de infração de IPI, aos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012). Assim, por força da relação de conexão com nove processos decorrentes de pedidos de ressarcimento do mesmo imposto, nos trimestres dos mesmos anos, os demais processos (11080.903083/201397, 11080.903084/201331, 11080.903085/201386, 11080.903086/201321, 11080.903087/2013 Fl. 9499DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.500 6 75, 11080.903088/201310, 11080.903089/201364, 11080.903090/201399 e 11080.903091/201333) foram direcionados para apreciação conjunta. É o relatório. RESOLUÇÃO Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Entretanto, ainda não é possível o julgamento do mérito do caso. Explico. Como se depreende do relato acima, o resultado do presente processo decorre da manutenção ou não do auto de infração que apurou novo saldo credor/devedor para o período em análise. Observese que o auto de infração está sendo julgado nesta mesma sessão, dando azo à resolução para a conversão do processo em diligência, cujos termos a seguir transcritos aplicamse integralmente ao presente caso. Com relação ao cerne do presente caso, cumpre destacar qual foi o pressuposto em que se embasou o trabalho da Autoridade lançadora no Processo n. 11080.732116/201316 (auto de infração), mediante o seguinte trecho do relatório de fiscalização: Ou seja, foi o fato de determinados produtos serem qualificados como "componentes maquinários e instalações do estabelecimento" que motivou a glosa dos créditos de IPI; e não a questão do contato físico desses elementos com o produtos siderúrgicos em industrialização (fio máquina e barras laminadas). Ademais, como visto no relato acima, as glosas, foram reunidas pela Fiscalização nos seguintes grupos, "para melhor embasamento legal" (fls 8119) 1: 1 Os números das folhas do eprocesso referemse ao auto de infração. Fl. 9500DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.501 7 1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME conforme art. 164, I e art. 226, I do RIPI/2002 e art. 226, I do RIPI/2010; 2 Aquisição de ferramentas (pareceres CST 181/74, 260/71); 3 Aquisição de Partes e Peças (pareceres CST 181/74, 260/71); 4 Aquisição de Refratários; Lembremos a legislação a respeito do assunto. O artigo 82, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n°87.981, de 1982 (RIPI/82), determinava que: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n°4,502, de 1964, art, 25); I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de ai/quota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Com relação ao direito ao crédito básico de IPI, regulado pelo citado artigo 82 do RIPI/82 (e suas reedições), foi bem observado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no Acórdão 3102.001.8672: (...) Verificase que, além do material de embalagem, há duas modalidades distintas de matériaprima e o produto intermediário que geram direito ao crédito básico do IPI, a saber: a) a matériaprima e o produto intermediário que integram o novo produto fabricado; e b) a matériaprima e o produto intermediário que, embora não compondo o produto industrializado, sejam consumidos no processo de produção. Na primeira modalidade, a matériaprima e o produto intermediário são considerados insumos industriais stricto sensu, enquanto na segunda são insumos industriais em sentido lato, neste caso, compreendendo quaisquer bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo produtivo, salvo os contabilizados no ativo permanente. 2Ementa(s) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITO BÁSICO. MATERIAL CONSUMIDO NO PROCESSO PRODUTIVO. FERRAMENTAS INTERMUTÁVEIS. INSUMO EM SENTIDO AMPLO. DIREITO DE CRÉDITO. CABIMENTO. 1. É considerado insumo industrial, para fins de apuração de crédito básico do IPI, o material não contabilizado do ativo permanente que, embora não integrando o novo produto, for consumido, desgastado ou alterado no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. 2. As “brocas, lixas, pastilhas e demais ferramentas intercambiáveis”, utilizadas no processo de produção, para efeito da legislação do IPI, enquadramse no conceito de insumos (matériasprimas e produtos intermediários em sentido amplo) e asseguram o crédito do Imposto pago na aquisição. Recurso Voluntário Provido. Fl. 9501DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.502 8 Nesse sentido e restando ressalvado o entendimento posterior a ser proferido por este Colegiado no julgamento do processo não seria possível o creditamento pelas aquisições de produtos intermediários que só indiretamente façam parte da industrialização (e.g. lubrificantes para máquinas; parafusos de máquinas, etc). De outro lado, dariam direito ao crédito as aquisições de produtos intermediários que diretamente exerçam ação sobre o produto industrializado, ou diretamente sofram ação do produto, desgastandose ou consumindose. Pois bem. Recorrente apresenta em sua defesa elementos que possibilitam justamente essa análise, uma vez que explana suas atividades (fls 8787 e seguintes), descrevendo suas quatro áreas produtivas, quais sejam: aciaria; laminações; forjaria e transformação mecânica. Igualmente apresenta laudos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (Pareceres 6358 e 6161) a respeito do consumo dos bens nessas respectivas áreas. Finalmente, apresenta planilha (arquivo não paginável), na qual relaciona todas as informações sobre cada item que foi objeto de glosa (nº Nota Fiscal; Data de Entrada; Mês; Ano; Descrição Produto; Motivo da glosa apontada pelo Fisco; Valor do Imposto; CFOP; CNPJ Fornecedor; Código do Produto; Descrição Resumida; Aplicação/Função no processo Industrial; Contato direto com o produto; Altas temperaturas e processo agressivo; Área Industrial; Tempo de vida útil médio; Prazo de consumo; Pago/Defesa; Laudo IPT). Saliento que, conforme a Tabela comparativa apresentada pela Recorrente (de 34.877 linhas, ou seja, 34.877 itens com todas as informações citadas acima), uma enormidade das glosas aqui discutidas não estão mais compondo a lide, porque a Recorrente concordou com a autuação e efetuou os respectivos recolhimentos de IPI. De outro lado, existem na Tabela comparativa ferramentas que, embora sejam consideradas como "SIM" em relação à coluna "contato direto com o produto", a descrição desse contato ("aplicação/função no processo industrial") nada diz respeito com os produtos industrializados em questão, além de tais itens não constarem do Parecer do IPT. Como exemplo cito a TALHADEIRA REF GEDORE 352HS22 C/EMPUNH, cuja descrição é "Material intermediário utilizado para romper elementos de alvenaria e sofre desgaste no desempenho desta função." Ainda, a Recorrente coloca em diversos itens que realmente não existe o contato direto da ferramenta com o produto industrializado. Entretanto, com relação a outros itens, a Recorrente coloca que a relação entre as ferramentas e o produto final é imediata, ou seja, as ferramentas são consumidas pelo contato direto com o produto em fabricação. Tendo a Recorrente trazido aos autos vasto conjunto probatório sobre o direito que pleiteia, porém ainda não suficientemente lapidado para o deslinde da questão, não cabe ao julgador desconsiderar o direito da parte, mas sim permitir que o processo seja devidamente trabalhado, já que as premissas utilizadas pela Fiscalização e pela DRJ são divergentes das aqui adotadas. Daí sim será possível, com precisão, julgar ser ou não devida a exação cobrada por meio do presente auto de infração. Dessarte, havendo indícios contundentes sobre o direito da Recorrente, entendo que o julgamento deste processo deve ser convertido em diligência, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, para a repartição fiscal de origem, a fim de que: Fl. 9502DF CARF MF Processo nº 11080.903087/201375 Resolução nº 3402001.350 S3C4T2 Fl. 9.503 9 i) intime a Recorrente para apresentar, com base nos elementos constantes nesses autos, bem como de eventuais novas informações, um laudo técnico conclusivo que possibilite identificar cada parte, peça ou ferramenta que se consome em contato direto com o produto industrializado (e não com o ambiente agressivo da indústria), para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto ao respectivo crédito básico do IPI; ii) o referido laudo (tópico i) deverá ser elaborado acompanhado de uma planilha que segregue todos os produtos intermediários em sentido lato, ou seja que, embora não integrando o novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta (contato físico) do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele; iii) a referida planilha (tópico ii) deverá ser elaborada de acordo com os quatro grupos de glosas perpetrados pela fiscalização (1 Aquisições de mercadorias não enquadradas no conceito MP, PI ou ME; 2 Aquisição de ferramentas; 3 Aquisição de Partes e Peças;4 Aquisição de Refratários); iv) apresentado o laudo com a respectiva planilha, conforme os termos acima (tópicos i a iii), a própria Fiscalização elabore parecer conclusivo acerca do seu conteúdo à luz das considerações trazidas nessa Resolução sobre os produtos intermediários em sentido lato, bem trazendo eventuais outras informações que entender relevantes para o deslinde do julgamento; v) ato contínuo, dê ciência desse parecer à Procuradoria da Fazenda Nacional e à Recorrente, abrindolhes o prazo regulamentar para manifestação, e; vi) finalmente, devolva o processo para esta 3ª TO/4ª C/2ª T/CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 9503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723778/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntado ao processo a memória de cálculo/planilha/demonstrativo que apurou o valor de R$ 249.105,29 de indébito de Pis, e seja permitido à recorrente manifestar-se sobre aspectos específicos do cálculo lá demonstrado.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 415 1 414 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723778/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.296 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 17 de abril de 2018 Assunto RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO PIS Recorrente INDIANA VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que seja juntado ao processo a memória de cálculo/planilha/demonstrativo que apurou o valor de R$ 249.105,29 de indébito de Pis, e seja permitido à recorrente manifestarse sobre aspectos específicos do cálculo lá demonstrado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: O contribuinte ingressou judicialmente requerendo a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445 e 2.449/88, e a tributação com base na Lei Complementar nº 7/70. Após encaminhar o pedido de habilitação do seu crédito através do processo nº RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 23 77 8/ 20 09 -1 5 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10580.723778/200915 Resolução nº 3201001.296 S3C2T1 Fl. 416 2 10580.002097/200669 passou a transmitir as declarações de compensação das fls. 1 a 50 1 dos autos, onde alega no PER/DCOMP inicial de nº 41903.61778.140706.1.3.541710, um crédito atualizado, em 14/07/2006, de R$ 1.280.580,74. Através da Intimação SEORT nº 562/2009, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos indispensáveis para verificação do direito creditório pleiteado: cópias das peças judiciais; declaração da desistência ou da renúncia da execução do título judicial perante o Poder Judiciário; DARFs; demonstrativos do PIS; DIPJs; entre outros. Estão juntados aos autos: as peças referentes à ação judicial – fls. 66 a 158; os DARFs com os recolhimentos realizados no período em litígio – fls. 159 a 236; demonstrativos do PIS – fl. 237; consultas às Declarações de IRPJ – fls. 238 a 239; planilhas feitas pelo contribuinte com mês de competência, base de cálculo, valores devidos e pagos, e atualizações – fls. 240 a 241; listagem de débitos e saldos remanescentes – fls. 263 a 264; demonstrativo de compensação – fls. 265 a 267; dados a serem informados no SIAFI – fls. 268 a 269; extratos de consulta nos Sistemas – fls. 270 a 285; entre outros. Esta também juntado aos autos o Parecer SECAT nº 145, de 25/05/2009, relativo ao processo nº 10580.002097/200669, dando conta que a execução judicial continuaria apenas no tocante aos honorários advocatícios reconhecidos judicialmente no processo de conhecimento, não se falando em devolução de indébitos naquela esfera. Ainda são pormenorizados os procedimentos de apuração de valores relativos a esse indébito (fls. 242 a 251). Na sequência o Despacho nº 3.295/2009 da DRF jurisdicionante deu conta de que o valor do saldo de pagamentos realizados pelo contribuinte (o crédito do mesmo) atualizado em 31/12/1995 seria no montante de R$ 249.105,29, de acordo com as determinações da justiça e com os sistemas de cálculos da Receita Federal do Brasil. Foi então formalizado o Despacho Decisório DRF/SDR nº 1.346/2009 homologando parcialmente as compensações até o limite do crédito apurado de R$ 249.105,29 (fls. 256 a 261). A ciência da homologação parcial das compensações foi dada ao contribuinte em 10/03/2010 (fl. 289). O contribuinte então encaminhou em 09/04/2010 a manifestação de inconformidade das fls. 294 a 300, onde em síntese apresenta as seguintes alegações: QUE o inciso III, do art. 151, do CTN, estabelece que é suspensa a exigibilidade do crédito tributário no caso de reclamações e de recursos relativos ao processo tributário administrativo. QUE foi reconhecida judicialmente a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2.445/88 e 2.449/88, passando a valer a Lei Complementar nº 7/70. QUE existem equívocos no Despacho Decisório nº 1.346/2009 em razão do mesmo adotar fundamentos errados constantes no Parecer Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10580.723778/200915 Resolução nº 3201001.296 S3C2T1 Fl. 417 3 SECAT/DRF/SDR nº 145/2009 e no Despacho nº 3.295/2009. Diz que a peça contábilfiscal de tais atos estaria desrespeitando a coisa julgada em processo judicial. Lembra que a sua ação judicial continuou em execução perante o Poder Judiciário devido somente às verbas de honorários advocatícios. O requerente elegeu para compensação a via da instância administrativa, entendendo não ser aplicáveis no caso em exame as questões constante dos referidos Parecer e Despacho. QUE o Parecer nº 145 fez considerações sobre como iria realizar o cálculo para apuração dos honorários de sucumbência que desrespeitariam o que ficou definitivamente apurado no processo judicial, pelos seguintes motivos: a) o STJ reconheceu que sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador do PIS constituiria a base de cálculo da incidência; b) como não houve faturamento entre 01/1992 a 10/1992 não haveria base de cálculo para tais períodos; c) a partir de 10/1992 quando passou a ter faturamento, temse assim como marco inicial para a contagem da semestralidade o mês de 11/1992, e por isso só poderia calcular o PIS devido a partir de 05/1993, devendo todo valor recolhido anteriormente ser considerado como indébito; d) deve prevalecer a prescrição apontada pelo STJ para os períodos anteriores a outubro de 1990; e) a correção monetária e a Taxa Selic deve ser aquela fixada no acórdão do STJ; f) a restituição dos acréscimos moratórios dever prevalecer na espécie que determina o art. 167, do CTN, isto é, na proporção do volume do indébito e não pela completa exclusão como quer o cálculo impugnado; g) o valor do indébito a ser compensado deve ser apurado em consonância com os parâmetros lá fixados e por isso o montante constante dos cálculos não está correto. POR FIM, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito 2, requer que seja acolhida a presente manifestação de inconformidade, e inclusive, determinada a realização de nova memória de cálculo obedecendo os parâmetros fixados na coisa julgada, ou acolhido como correto os cálculos apresentados pela requerente em seu pedido de habilitação de crédito. Em 26/05/2010, o contribuinte veio a solicitar a juntada de documentos de arrecadação de receitas federais (fls. 327 a 335). A DRJ/Porto Alegre/RS – 2ª Turma, por meio do Acórdão 10054.163, de 19/03/2015, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1992 a 31/05/1995 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. A utilização de créditos oriundos de decisão judicial deve obedecer integralmente à parte dispositiva da mesma, sob pena de afrontar a coisa julgada. O crédito verificado em favor do contribuinte pela DRF jurisdicionante se baseou nos documentos comprobatórios dos autos e nos recolhimentos do contribuinte. A empresa então apresentou o Recurso Voluntário, onde sustenta: Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10580.723778/200915 Resolução nº 3201001.296 S3C2T1 Fl. 418 4 que o despacho que homologou apenas parcialmente a compensação não teria sido acompanhado de nenhuma planilha, o que daria ensejo à “preclusão da discordância... por absoluta falta de prova em contrário”; que os cálculos judiciais para aferição dos honorários de advogado não vinculam a decisão administrativa quanto aos créditos a serem restituídos; que o valor histórico da restituição, apontado pelo Fisco como R$ 249.105,29 para 01/01/1996, não poderia ser o mesmo no ano de 2006; que a decisão recorrida cometeu equívoco ao afirmar que o Fisco calculara valor maior que a perícia judicial relativa aos honorário, posto que o valor do Fisco, R$ 249.105,29, é muito menor que o levantado na perícia judicial, no valor de R$ 836.694,85 que o Poder Judiciário decidiu pela semestralidade do Pis, e repete os argumentos da Impugnação quanto aos cálculos; pede por diligência, para verificação do cálculo correto, invocano o princípio da verdade material; Voto Verifico, preliminarmente, que o processo não está maduro para julgamento. Com efeito, a planilha de cálculo que deu lastro ao Parecer 145/2009, não se encontra presente nestes autos, e não permite que se afira a veracidade das alegações da recorrente quanto aos suscitados equívocos de cálculo. Tal planilha, provavelmente, encontra se no bojo do processo de habilitação de crédito, 10580.002097/200669, nos termos do art. 51 da IN 600/2006, de onde foi transladado tanto o Parecer 145/2009 quanto o Despacho nº 3.295/2009, que serviram de suporte para o Despacho Decisório do presente processo. Nada obstante, as outras alegações do Recurso Voluntário impõem a análise detalhada do cálculo, o que é impossível, pela ausência da planilha/memória de cálculo/demonstrativo, conforme dito. Observo, adicionalmente, que os demonstrativos que se requer não são os referidos pela decisão recorrida, à fl. 363, posto que, lá, na decisão recorrida, os demonstrativos referidos são apenas os da compensação do indébito já calculado, no valor de R$ 249.105,29, e os débitos para compensação. Não se trata dos demonstrativos de Pis devido e Pis recolhido do período apreciado pelo Poder Judiciário. Desse modo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que seja promovida a juntada, ao presente processo, da referida planilha/memória de cálculo/demonstrativo, onde se demonstre detalhadamente o cálculo feito para se alcançar o valor de R$ 249.105,29 de indébito de Pis, os índices utilizados e metodologia completa. Ainda, que seja permitido à recorrente manifestarse especificamente sobre tal planilha, e após, retornese o processo ao Carf para prosseguimento do julgamento. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900749/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.557
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 49 /2 01 3- 93 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.032. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.414, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11060.900749/201393 Acórdão n.º 3301004.557 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.901145/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
É ilegal a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, uma vez que sendo o lançamento tributário um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração.
Numero da decisão: 2201-004.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. É ilegal a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, uma vez que sendo o lançamento tributário um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 11 45 /2 00 8- 14 Fl. 90DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 37/42, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 29/32, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação ante a não localização do DARF que originaria, no sistema da Receita Federal, o crédito tributário apontado pelo RECORRENTE. Através do PER/DCOMP nº 13127.01271.120504.1.3.041638, fls. 02/06, o contribuinte buscou compensar suposto crédito no valor original de R$ 34.933,72, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 1º semana de maio de 2004, no valor de R$ 36.177,36. Conforme Despacho Decisório de fl. 8, a compensação pleiteada não foi homologada pois "não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir discriminado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal". Da Manifestação de Inconformidade Considerando que a não homologação ocorreu em virtude da não localização do DARF, e adstrito a teoria dos motivos determinantes, o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade (fls. 11/13), juntou o DARF não localizado nos sistemas da Receita Federal (fl. 23). Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, em acórdão assim ementado (fls. 29/32): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/02/2004 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afirmou que, em que pese não ter sido encontrado nenhum pagamento com as características do DARF descrito na PER/DCOMP, em consulta ao sistema localizouse outro pagamento com características similares, contudo recolhido sob o código de receita 5936 – IRRF – RED DECOR DEC JUSTIÇA TRABALHO, EXCETO ART 12 A L.7.713/88 e não sob o código 0561 como alega o contribuinte. Não obstante as evidências de que o DARF mencionado pelo contribuinte é, em verdade, aquele localizado no sistema da Receita Federal sob código distinto, a DRJ entendeu que o contribuinte não logrou em comprovar a validade material do crédito tributário Fl. 91DF CARF MF Processo nº 15374.901145/200814 Acórdão n.º 2201004.423 S2C2T1 Fl. 78 3 pleiteado, não demonstrando documentalmente que o pagamento foi realizado indevidamente ou a maior. Desta forma, para correta homologação da compensação o interessado ainda deveria ter apresentado a decisão judicial transitada em julgada da qual se possa extrair que o crédito realmente exista ou outros elementos que pudessem conferir validade ao eventual crédito. Por fim, considerando tratarse de tributo no qual o RECORRENTE apenas é responsável por sua arrecadação, sendo terceiro o efetivo contribuinte/responsável tributário, a DRJ entendeu que é condição infestável para homologação do pedido de compensação a comprovação de que não transferiu o encargo financeiro ou, se o fez, está expressamente autorizado pelo terceiro a recebelo, nos termos do art. 166 do CTN e do art. 8º da IN RFB nº 900/2008. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 17/05/2012, conforme fazem prova o AR de fl. 35, e ainda inconformado, apresentou o recurso voluntário de fls. 37/42 em 16/06/2012. Em suas razões, defendeu que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, o demonstrativo de cálculo realizado nos autos do processo judicial nº 909/00, que tramitou na 01ª Vara do Trabalho de Três Rios, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 56/64). Sobre esse tema, afirmou que, em decorrência de condenação resultante de ação trabalhista, deveria recolher o valor de R$ 25.018,79 a título de IRRF (conforme cálculos de fls. 58/59). No entanto, o RECORRENTE alega ter cometido erro na apuração do tributo (deixou de deduzir da base de cálculo do imposto a parcela da contribuição previdenciária), assim efetuou o recolhimento do IRRF no montante indevido de R$ 34.933,72 (fl. 63). Para corrigir seu erro e não trazer prejuízos ao exfuncionário, efetuou novo recolhimento do IRRF no valor correto de R$ 25.018,79, acrescido de multas e juros (fl. 64). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF 4 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Prevalência do Princípio da Verdade Material e da Teoria dos Motivos Vinculantes. Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 8, o pedido de compensação não foi homologado por não ter sido confirmada a existência do crédito informado pelo RECORRENTE, uma vez que o DARF por ele indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 8 informando que não se localizou no sistema da Receita Federal o DARF e, por conseguinte, o crédito tributário que se almeja compensar. Entretanto, a DRJ fundamenta sua decisão com base na ausência de prova documental que comprove a existência material do crédito tributário objeto de compensação. Tal fundamento, apesar de relevante, não foi a razão elencada como óbice pelo fisco para constituição do crédito tributário. Desta forma, não pode a DRJ estipular nova condição para o reconhecimento da compensação distinta daquela elencada pelo fisco, sob risco de praticar conduta arbitrária. Da obra de Hely Lopes Meirelles extraise o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua Fl. 93DF CARF MF Processo nº 15374.901145/200814 Acórdão n.º 2201004.423 S2C2T1 Fl. 79 5 prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação da não homologação do pedido de compensação determinada pelo fisco e os fundamentos que levaram a DRJ a inadmitir a manifestação de inconformidade do RECORRENTE: o pedido não foi homologado ante a não localização do DARF apontado como originário do crédito pleiteado. Quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o RECORRENTE simplesmente apresentou o DARF reputado como não localizado nos sistemas da Receita Federal. A própria DRJ, por sua vez, reconheceu que existe no sistema da Receita Federal do Brasil DARF com características semelhantes ao apontado pelo RECORRENTE. No entanto, deixou de deferir o pedido de compensação sob o argumento de que “o interessado ainda deveria ter apresentado outros elementos que pudessem conferir validade ao eventual crédito, tais como decisão judicial transitada em julgada da qual se possa extrair que o crédito realmente exista, pedido de homologação do crédito conforme estabelecido nos artigos 50 e 51 da IN SRF 600/2005 e artigos 70 e 71 da IN RFB 900/2008 e outros documentos que viessem a demonstrar que o pagamento realmente tenha sido efetuado a maior ou indevidamente”. Ora, a manutenção da decisão da DRJ acarretará a manutenção da não homologação da compensação por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, o que não deve prosperar, já que sendo a homologação da compensação um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Ademais, o RECORRENTE apresentou nos autos ambos a homologação judicial do acordo firmado em processo perante a Justiça do Trabalho, com os cálculos decorrentes de tal acordo, e os DARF de recolhimento do IRRF (um com código 0561 e outro com código 5936). Ademais, foi acostada aos autos tela de DIRF demonstrando que o ex funcionário do RECORRENTE sofreu apenas uma retenção do IRRF, caindo por terra o argumento da DRJ de que o direito de pleitear a restituição seria da pessoa física. Conclusão Pelas razões acima, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, com base na teoria dos motivos determinantes, para homologar a compensação pleiteada pelo RECORRENTE, uma vez que este apresentou o DARF reputado como não localizado nos sistemas da Receita Federal. (assinado digitalmente) Fl. 94DF CARF MF 6 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 95DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901084/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 10 84 /2 01 4- 18 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901084/201418 Acórdão n.º 1402003.046 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000221/2010-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RECURSO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada.
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.
FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS.
Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição.
Numero da decisão: 9303-006.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose" e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RECURSO DE DIVERGÊNCIA. CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS. Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição.
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CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência com relação a matéria cuja divergência não é expressamente demonstrada. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS. Gastos no plantio e manutenção de florestas não caracterizam gastos que tenham relação direta com o produto vendido, descabendo, portanto, seu cômputo nos créditos da não cumulativiadade da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose" e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 21 /2 01 0- 13 Fl. 1848DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de utilização de créditos oriundos da incidência não cumulativa de Cofins, utilizados na declaração de compensação retificadora às efls. 804 a 808, na qual se pretendeu ressarcimento do montante de R$ 19.766.683,45. O despacho decisório de efls. 640 a 657 reconheceu apenas créditos no montante de R$ 6.171.926,73, suficiente para a homologação da compensação originalmente pleiteada. Resumidamente, de acordo com o despacho, houve glosa de créditos da não cumulatividade da contribuição para os seguintes itens: I despesas com a constituição da floresta por comporem o ativo imobilizado da empresa; II encargos de exaustão, incorridos sobre bens incorporados ao ativo imobilizado; e III bens ou prestações de serviços que não sofreram desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em razão da ação diretamente sobre o produto fabricado ou que tenham sido aplicados ou consumidos nos serviços prestados pelo interessado. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 1165 a 1201, em 31/08/2012, para que fosse anulado o despacho decisório, por falta de motivação, ou, alternativamente, que seja ele reformado para reconhecer a integralidade do crédito pleiteado. Já a 3ª Turma da DRJCPS, no acórdão nº 0540.812, prolatado em 10/06/2013, às efls. 1318 a 1344, considerou, por unanimidade, procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer crédito adicional de R$ 74.542,93. Inconformada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 23/07/2013, às efls. 1348 a 138. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) haveria nulidade no despacho decisório que reduziu os créditos pleiteados, pois não foram devidamente motivados; b) não seriam aplicáveis as Instruções normativas nº 247/02 e nº 404/04, quando desconsideram diversos bens e serviços como insumos, pois estas se escoram no conceito aplicável à não cumulatividade do IPI; c) todos os bens e serviços que deram origem aos créditos pleiteados são indispensáveis à produção por isso esses créditos são legítimos; Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.849 3 d) no caso de produção de celulose, os dispêndios com plantio, corte colheita e transporte de madeira são insumos indispensáveis e, da mesma forma que a legislação de regência não discrimina as receitas de acordo com a classificação contábil, os custos com a atividade florestal não pode ser afastado com base em parecer normativo que trata da contabilização no ativo imobilizado para fins de correção monetária de balanço; e) todos os fretes havidos até a colocação do produto à venda devem ser admitidos como custo de produção, enquadrandose no conceito de insumo; f) fretes para aquisição de bens que compõem o ativo imobilizado também relação com os produtos para elaboração, tendo também natureza de insumos, sujeitos à crédito da Cofins não cumulativa; g) todos os custos vinculados às receitas de exportação geram créditos, incondicionais, inclusive as despesas com implantação e manutenção de reservas florestais; h) fazse necessária a realização de diligência e perícia para comprovar a real natureza dos bens e serviços, demonstrando sua aplicação na produção; i) caso não se homologue os créditos para a compensação, não mais seria possível exigir o pagamento das estimativas do IRPJ e da CSLL, pois já findara o ano calendário em que eles deveriam ser recolhidos; e j) ainda que as estimativas de IRPJ e CSLL viessem a ser exigidas, não haveria que se cobrar encargos moratórios sobre elas, haja vista que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL só ocorreriam em 31/dezembro, logo inexistiria atraso das estimativas. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 10/12/2015, resultando no acórdão nº 3402002.808, às efls. 1735 a 1753, que tem as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO RECURSAL. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na manifestação de inconformidade. CONTRIBUIÇÕES. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. AGROINDÚSTRIA. FASE AGRÍCOLA. Insumos, para fins de creditamento da contribuição social não cumulativa do PIS/Pasep ou da Cofins, são todos aqueles bens e serviços que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que sejam neles empregados indiretamente. No caso das indústrias de celulose, admitese não só os gastos incorridos na produção direta da celulose, mas também na própria produção da madeira que lhe serve de insumo. Fl. 1850DF CARF MF 4 O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas (i) sobre os créditos de bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica no País utilizados como insumo na fase agrícola, considerada desde a criação de mudas, plantio e manejo até a colheita dos eucaliptos e (ii) relativas ao frete pago a outras pessoas jurídicas para o transporte de insumos ou produtos inacabados entre a floresta e os estabelecimentos da recorrente. Sustentou pela recorrente o Dr. Luciano Martins Ogawa, OAB/SP nº 195.564. Recurso especial de divergência da Procuradoria Intimada do acórdão nº 3402002.808 em 04/01/2016 (efl. 1754), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência em 21/01/2016, às efls. 1755 a 1771, no tocante a duas matérias: a) impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose, não caracterizados como despesas com bens do ativo permanente e b) gastos com transporte de madeira da floresta para fábrica. No tocante aos insumos da fase agrícola, o acórdão recorrido entendeu que a atividade do contribuinte deve ser vista como um todo único e indivisível, considerando a fase agrícola como parte do processo produtivo, enquanto os acórdãos paradigmas nº 330101.470 e nº 310201.272, entenderam que o custeio agrícola, ou seja, os custos na produção da madeira, devem ser contabilizados no ativo permanente e, portanto, não geram créditos de Cofins. Por essa razão, a Procuradora requereu o conhecimento e o provimento do recurso para que esta Turma reforme a decisão recorrida indeferindose o pleito nos pontos tratados. O recurso especial de divergência da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, às efls. 1773 a 1775, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, datado de 25/01/2016, que entendeu por lhe dar seguimento, sem ressalvas, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso especial cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 3402002.808, do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade de efls. 1773 a 1775, em 20/06/2016 (efl. 1845), e apresentou contrarrazões em 05/07/2016, às efls. 1779 a 1795. De início, consigna que a PGFN não teria se insurgido quanto à reversão das glosas relativas ao frete pago a outras pessoas jurídicas para o transporte dos insumos e produtos acabados entre a floresta e os estabelecimentos da recorrente, insurgindose apenas quanto ao ponto do acórdão a quo, que reconheceu o creditamento de bens e serviços utilizados como insumos da fase agrícola. Relativamente à única matéria recorrida, inicia seus argumentos pela juntada de laudo da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo, o qual descreve o processo produtivo para demonstrar a importância vital da fase agrícola da produção para Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.850 5 obtenção do produto final, de forma a justificar os produtos e serviços dessa fase como insumos cujos dispêndios geram direito creditório para fins da Cofins não cumulativa. Na sequência, repisa razões esgrimidas nas fases de manifestação de inconformidade e recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Do conhecimento Com a devida vênia do então Presidente da 4ª Câmara, penso que não se deva conhecer integralmente do recurso especial de divergência admitido, com relação a segunda matéria, gastos com transporte de madeira da floresta para fábrica, uma vez que, como salientou a contribuinte, não há manifestação expressa quanto a ele no recurso especial da Procuradora, e acrescento que nem mesmo nas ementas e excertos dos paradigmas citados se estabelece tal discussão, o que afastaria a existência de divergência. Já quanto a caracterização dos bens e serviços aplicados na produção florestal, a divergência ficou claramente caracterizada e seu mérito há que ser apreciado. Portanto, voto por conhecer em parte do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose". Do mérito Inicio a análise de mérito pela matéria "impossibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose". Penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo, não necessariamente vinculado ao conceito de insumo da legislação do IPI, mas não tão amplo quanto o que se utiliza no conceito de custo para fins de IRPJ. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério extraído da legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Fl. 1852DF CARF MF 6 Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.851 7 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não Fl. 1854DF CARF MF 8 especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.852 9 sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) No caso, entendo que os gastos em litígio, vinculados à produção agrícola florestal, não caracterizam sequer custos necessários à produção do período, sendo despesas de serviços ou valores a serem ativados. Ressaltase ainda, no mesmo documento: 46.Outro ponto que merece destaque é que se mostra equivocada a afirmação de que a adoção da interpretação restritiva acerca do conceito de insumo na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins corresponderia à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). 47.Conforme se demonstrou acima, a adoção do conceito restritivo de insumo na legislação das aludidas contribuições decorre das regras constantes desta mesma legislação e não da adaptação da legislação de qualquer outro tributo. Fl. 1856DF CARF MF 10 48.Sem embargo, o ponto comum entre a legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, acerca do conceito de insumo, e a legislação do IPI é a exigência, mutatis mutandis, de relação direta e imediata entre o bem ou serviço em relação ao qual se pretende apurar crédito e o produto ou serviço final disponibilizado ao público externo. (Negritei.) Mais adiante, no item 56, trata de situação análoga à presente, onde se observa: Do que exposto na consulta e no recurso apresentados, conclui se que a recorrente comercializa “pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos”. Ainda, concluise que ela exerce as atividades de florestamento e reflorestamento apenas acessoriamente, objetivando produzir matériaprima para elaboração de outros produtos destinados à venda (corroborando esse entendimento, citese, exemplificativamente, trecho do item ‘c’ apresentado na consulta inicial: “florestas que resultam na madeira (insumo) empregadas na fabricação dos bens ou produtos destinados à venda”). (Negritei.) Nesse sentido, para mim é claro que todos os serviços realizada na produção agrícola florestal mantêm relação mediata com a produção do bem destinado à venda, sendo todas essas atividades, insumos do insumo madeira, que resultará no produto final pasta de celulose. Nenhum dos serviços discriminados para atividade florestal tem qualquer relação direta com o produto final a ser comercializado, pasta de celulose, apenas com a madeira, sendo essa o seu insumo. Além disso, empreendimentos florestais destinados ao corte para industrialização devem ser classificadas no ativo imobilizado. Em relação à floresta plantada, as despesas, de qualquer natureza, incorridas para a constituição da floresta, devem ser contabilizadas no ativo imobilizado. Esse bem sofrerá exaustão à medida que suas árvores forem sendo derrubadas. Também por essa ótica, sendo contabilizados no ativo imobilizado, igualmente não se podem classificar os gastos com esses serviços da áreas florestais como sendo insumos. Assim, conhecendo essa parte do recurso especial de divergência da Fazenda, voto pelo seu desprovimento, para que sejam restabelecidas as glosas dos créditos relativos aos serviços da área Florestal . CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer em parte do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, no tocante à tomada de créditos das contribuições sociais sobre despesas com insumos da fase agrícola da produção de celulose, para, na parte conhecida, darlhe provimento visando restabelecer as glosas sobre esses créditos. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 12585.000221/201013 Acórdão n.º 9303006.610 CSRFT3 Fl. 1.853 11 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1858DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.720874/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INEXISTÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO.
É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie.
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS.
Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, correto o procedimento fiscal que excluiu a contribuinte do regime.
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA.
Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para que a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional seja aplicada aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação é preciso que não haja recolhimentos feitos pelo contribuinte e que a fiscalização impute procedimento doloso aos atos infracionais. Não tendo o Fisco sequer qualificado a multa de ofício, a contagem decadencial subsume-se à normatização do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, cinco anos a partir dos fatos geradores.
Decadência que se reconhece parcialmente.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
ASSUNTO: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida.
OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA.
Caracterizam-se como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação.
Numero da decisão: 1402-002.998
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) afastar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional; iii) dar provimento parcial ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, nos valores de R$ 45.484,46, R$ 24.003,68, R$ 17.474,55 e R$ 80.838,39, respectivamente.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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INEXISTÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS. Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, correto o procedimento fiscal que excluiu a contribuinte do regime. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 08 74 /2 01 5- 96 Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.856 2 Para que a regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional seja aplicada aos tributos sujeitos a lançamentos por homologação é preciso que não haja recolhimentos feitos pelo contribuinte e que a fiscalização impute procedimento doloso aos atos infracionais. Não tendo o Fisco sequer qualificado a multa de ofício, a contagem decadencial subsume se à normatização do artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, cinco anos a partir dos fatos geradores. Decadência que se reconhece parcialmente. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ASSUNTO: SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O artigo 42 da lei 9.430/1996 estabeleceu a presunção legal de que os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira e em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não faça prova de sua origem, com documentação hábil e idônea, serão tributados como receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. PROVA DIRETA. Caracterizamse como prova direta da omissão de receitas, os valores escriturados pelo sujeito passivo em sua contabilidade e que não foram levados à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) afastar as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional; iii) dar provimento parcial ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, nos valores de R$ 45.484,46, R$ 24.003,68, R$ 17.474,55 e R$ 80.838,39, respectivamente. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.857 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.858 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 4ª Turma da DRJ/BSB em sessão de 26 de fevereiro de 2016 (fls. 2813/2825)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a exclusão do Simples Nacional da recorrente e os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2010/2011 e 2012, relativamente às infrações estampadas nos autos de infração (fls. 1740/1844 e 1865/1868). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 1845/1861), bem resumido pela decisão recorrida, estas foram as irregularidades praticadas pela contribuinte que levaram à exclusão do Simples Nacional e aos lançamentos de ofício, sob o regime do lucro arbitrado: “A exclusão se deu em virtude de procedimento de fiscalização relativo aos anoscalendário de 2010 a 2012, levado a efeito contra o contribuinte em cumprimento ao disposto no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 09.1.05.002013005181, englobando o período de 01/2010 a 12/2012, iniciado no ‘Termo de Início do Procedimento Fiscal’ de folhas 25, de 31/10/2013, cuja ciência se deu pessoalmente na mesma data, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls 26 e 27. As ações desenvolvidas no procedimento de fiscalização estão detalhadas no ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ de fls. 1845 a 1861, lavrado na mesma data da autuação ocorrida em 28/04/2015, do qual destacase que: os documentos apresentados em atendimento aos Termos de Intimação Fiscal – TIF – no 01 a 02 subsidiaram a análise e constatação de que não estaria ocorrendo a declaração nem a escrituração contábil de créditos nas contas correntes da fiscalizada; excluindose os créditos cuja origem pôde ser determinada previamente, foi encaminhada planilha anexa ao TIF nº 03 requerendo explicações para os lançamentos ainda sem comprovação; a resposta ao TIF nº 03 em 08/09/2014, após cinco concessões de dilações de prazo, foi suficiente para justificar parte dos créditos nas contas correntes; requerida explicação para os créditos remanescentes sem comprovação por meio do TIF nº 04 e após uma concessão de dilação de prazo, a Fiscalização recebeu em 02 de dezembro, vencido o prazo, uma carta manuscrita informando a impossibilidade de oferecer mais documentos probatórios; diante da confirmação de que não estaria ocorrendo a escrituração da movimentação financeira, isto é, a manutenção das contas bancárias estaria à margem da contabilidade registrada nos Livros Diário números 09, 10 e 11 com Termos de Autenticação 11/1717710, 13/1666436 e 13/1666444 o contribuinte sujeitouse à exclusão do Simples Nacional. 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.859 5 a prática reiterada restou caracterizada pela impossibilidade da identificação de sua movimentação financeira e pela ausência da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias com habitualidade. Dessa forma, cada depósito em conta, descontandose aqueles que compõem receita bruta declarada e aqueles comprovados pela natureza de seus lançamentos bancários ou por documentação comprobatória, guardaria presunção legal de omissão de receita. determinouse a Exclusão do Simples Nacional pelo ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09/03/2015 de fl. 1739, em atendimento à ‘Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional’ de fls 1737/1738. Do Lançamento do Crédito Tributário O lançamento de ofício de IRPJ, de CSLL, de PIS/PASEP e de COFINS, em desfavor da empresa deuse em conclusão ao procedimento de fiscalização relativo aos anoscalendário de 2010 a 2012, levado a efeito contra o contribuinte em cumprimento ao MPF nº 09.1.05.002013005181 iniciado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de folhas 25, de 31/10/2013, cuja ciência se deu pessoalmente na mesma data, conforme Termo de Intimação Fiscal de fls 26 e 27 . Do ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ – TVF de folhas 1845 a 1862 e dos elementos contidos nos autos, destacase que: em continuidade ao procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada duas vezes (fls. 1733 e 1735) a optar pelo regime de tributação a ser utilizada para os anos de 2010, 2011 e 2012, haja visto que a soma dos créditos em contas correntes não comprovados com documentação hábil e idônea extrapolariam os limites de receita bruta para permanência no Simples Nacional. a ausência de opção por regime de tributação dentro dos prazos determinados na TIF no 06, e na respectiva reintimação, em conjunto com a imprestabilidade da contabilidade para fins de apuração do lucro implicou no arbitramento do lucro para fins de tributação. o crédito tributário lançado de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e de COFINS decorrentes das infrações apuradas foram acrescidos de multa de 75% e juros. Após a empresa ter sido excluída do Simples Nacional, a tributação promovida de ofício pela autoridade fiscal foi realizada com base no Lucro Arbitrado. Conforme campo ‘Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais’ que consta do Auto de Infração, a Fiscalização apurou, ao final dos trabalhos, as seguintes infrações com base nas receitas auferidas pela empresa, as quais foram tributadas pelo Lucro Arbitrado (I) Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada; (II) Receitas da Atividade – Receita Bruta na Revenda de Mercadorias Da Manifestação de Inconformidade contra o ato que a excluiu do Simples Nacional Fl. 2860DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.860 6 Cientificada em 04/05/2015 por via postal (AR de fls. 2659 e 2660) do ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015 (fl. 1739), a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional protocolou em 27/05/2015 a manifestação de inconformidade de fls. 2674 a 2695, assinada pelo representante legal; relatando os fatos ocorridos; citando vasta legislação, doutrina e jurisprudência; e protestando pela nulidade da exclusão com os argumentos resumidos a seguir: A) os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores ocorreram há mais de 05 (cinco) anos, seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional, haja vista estarem caducos pela decadência quinquenal, ademais, porque simples depósitos bancários não são sinônimos de renda, ou seja, atípicos para configurar receita bruta; B) reitera que depósitos bancários não seriam sinônimos de renda típicos para exigir tributo, não se prestando para serem utilizados como receita bruta auferida no período de 2010 a 2012”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMDIADE E DA IMPUGNAÇÃO Cientificada da exclusão do Simples Nacional e dos lançamentos, a contribuinte acostou MI (fls. 2674/2695) e impugnação (fls. 2701/2724) apontando, acerca do processo excludente que, a) os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores ocorreram há mais de 05 (cinco) anos, seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional, haja vista estarem caducos pela decadência quinquenal; e, b) que depósitos bancários não seriam sinônimos de renda típicos para exigir tributo, não se prestando para serem utilizados como receita bruta auferida no período de 2010 a 2012. Sobre os lançamentos consignou, preliminarmente, a nulidade da constituição do crédito tributário, pois enquanto o ato de exclusão estiver protegido por recurso administrativo, a Receita Federal estaria impedida de efetuar lançamento de ofício para exigência de eventuais diferenças entre os valores recolhidos no Simples Nacional e os devidos pelo lucro real ou presumido e, que o lançamento de ofício datado de 04/05/2015, tendo como base de cálculo as movimentações bancárias realizadas durante o ano de 2010 a 2012 ofenderia a legislação, haja visto que todos dos fatos e acontecimentos ocorridos anteriormente à 04/05/2010 seriam inservíveis para sustentar imposições tributárias ou constituição de crédito tributário, cujo lançamento seria por homologação, incidindo, as disposições do art. 150, §4o do CTN. Já no mérito; reitera que depósitos bancários não seriam elementos suficientes para exigir tributo, não se prestando, para serem utilizados como receita bruta auferida no período do anocalendário 2010 a 2012. Depois de citar doutrina e jurisprudência, finaliza requerendo a decretação da nulidade da exclusão do Simples Nacional consubstanciada no Ato Declaratório Executivo Nº 06; o reconhecimento da preliminar suscitada de questão prejudicial externa, diante da ausência de definitividade do processo de exclusão do simples, decretanto a nulidade do lançamento e o acolhimento da decadência sobre os fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2010 a 04/05/2010, extinguindo o crédito tributário. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2813/2825) Fl. 2861DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.861 7 Debruçandose sobre os autos, a Turma de Julgamento, unanimemente, confirmou a exclusão do Simples Nacional e, por maioria, manteve integralmente os lançamentos, havendo discordâncias de dois julgadores no sentido de acatar a decadência suscitada, conforme razões de decidir abaixo reproduzidas: “Ato de Exclusão A interessada se insurge contra o ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015 (fl. 1739), expedido pelo Delegado Adjunto da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá – PR, que a excluiu do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/01/2010 com base no conteúdo da ‘Representação Fiscal para Exclusão de Ofício Simples Nacional’ de fls. 1737/1738, formalizada pela autoridade que executou o procedimento fiscal realizado em desfavor da manifestante. Requer na sua defesa o cancelamento da exclusão da empresa do Simples Nacional, sob os argumentos de que os valores utilizados no período de 2010 a 2012, cujos fatos geradores estariam viciados pela decadência e seriam inservíveis para sustentar a exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional; e de que simples depósitos bancários seriam atípicos para configurar receita bruta. Não merece acolhida a pretensão requerida. Cumpre destacar inicialmente que a exclusão do Simples Nacional decorre das infrações à legislação de regência do Simples Nacional detectadas no âmbito do procedimento fiscal e apontadas na Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional. A decadência, por outro lado, opera seus efeitos, tão somente, quanto à constituição do crédito tributário, matéria estranha ao procedimento de exclusão do Simples Nacional. Como estamos analisando neste voto as duas peças de defesa, a questão da decadência será tratada oportunamente na análise da Impugnação contra os Autos de Infração. Com efeito, a redação do artigo 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, que traz as hipóteses exclusão do Simples Nacional no caso de: (a) tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na própria lei; (b) houver falta de escrituração do livrocaixa ou esta escrituração não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor. (...) Conforme consta consignado no ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’, o Auditor Fiscal responsável pela ação apurou que a empresa elaborou escrituração contábil imprestável, impedindo a identificação da sua movimentação financeira, inclusive bancária. A prática reiterada configurou se com a ausência habitual da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias, afastando a hipótese de erro escusável. Assim, fruto dessas constatações que evidenciam as hipóteses de exclusão da interessada no Simples Nacional, temse como correto o ato da Administração Tributária que excluiu a empresa dessa sistemática de apuração de tributos a Fl. 2862DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.862 8 partir de janeiro de 2010, mês em que incorridas as hipóteses de exclusão, conforme dispõe o parágrafo 1º, do artigo 29, da Lei Complementar nº 123 de 2006. Rejeitase, dessa forma, os pedidos apostos na Manifestação de Inconformidade contra a Exclusão do Simples Nacional. Do Lançamento de Ofício Das preliminares Da nulidade Na impugnação apresentada contra o lançamento de ofício, a empresa autuada argui, em sede de preliminares pela nulidade do lançamento com o argumento de que não houve o julgamento definitivo da defesa apresentada contra o ato administrativo que a excluiu do Simples Nacional. Não merece acolhida a nulidade suscitada. Em matéria de processo administrativo fiscal só ocorrem nulidades caso se verifiquem as circunstâncias previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do processo administrativo fiscal (PAF) (...) Entretanto, em face dos argumentos apresentados na defesa, cumpre esclarecer que o lançamento realizado de ofício, qualquer que seja a forma de tributação, independe da confirmação da exclusão da empresa do Simples Nacional. No caso em tela não se verifica nenhuma das hipóteses que justificariam a nulidade do lançamento, sendo, portanto, válido. Dessa forma, rejeitase a preliminar de nulidade. Da decadência Em relação à preliminar de decadência argüida pela impugnante, a Autoridade Fiscal transcreveu o trecho do livro que apresenta as 5 regras jurídicas que regulam a decadência no Direito Tributário (fl. 1858): (...) Ocorre, todavia, que outra tese seria aplicável no caso concreto. Essa tese, também entende que o termo inicial da contagem do prazo decadencial ocorreu em 31/10/2013 nos termos do Art. 173, parágrafo único do CTN. O fundamento desta tese, entretanto, encontrase consubstanciado na (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; Fl. 2863DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.863 9 Segundo essa regra, em havendo dolo, o prazo de início de contagem para a decadência regese pelo Art. 173, parágrafo único, conforme previsão textual do Art. 150, §4º. A lógica de aplicação dessa regra exige que durante a Fiscalização, a Autoridade Fiscal tenha detectado a ocorrência de Crime contra a Administração Tributária. Os Crimes contra a Administração Tributária estão tipificados no Decreto Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal) e na Lei no.8.137 de dezembro de 1990: (...) Da análise conjunta desses dispositivos, depreendese que somente haverá crime contra a ordem tributária se o agente realizar quaisquer das condutas descritas nos incisos do artigo 1º e 2º e desde que objetivem a supressão ou redução do tributo, ou contribuição social e qualquer acessório. Ocorre que para a existência de crime contra a ordem tributária, é imprescindível que haja um determinado fim de agir, o que vem a ser o elemento subjetivo do tipo. Esse determinado fim de agir caracteriza os crimes contra a ordem tributária como crimes dolosos, ou seja, exige a vontade e consciência para a prática do delito, vez que não há crime tributário culposo, por força de ausência de previsão legal. Na espécie, tendo verificado indícios de crimes contra a ordem tributária, o Fiscal elaborou a Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 03 a 20 do Processo 10950.721042/201597, atualmente apensado a este). Em síntese, como haveria dolo pela tipificação do crime, a regência do início da contagem do prazo decadencial se daria pelo Art. 173, parágrafo único do CTN, isto é, a data da ciência da notificação ao sujeito passivo da primeira medida preparatória indispensável ao lançamento (31/10/2013). Elementos fáticos Qualquer que seja a tese aplicável no caso em tela, alguns elementos fáticos são relevantes para auxiliar a formação de convicção: 1 – Os extratos das 6 contas correntes em nome da fiscalizada totalizam 636 páginas deste processo (fls. 34 a 669) e as movimentações nelas identificadas não encontram guarida na contabilidade de folhas 1869 a 1904, ou seja, nos termos da Autoridade Fiscal “ausência total da escrituração da movimentação financeira no Livro Diário”; 2 – A Fiscalização requereu informações para explicar a movimentação financeira em 4 oportunidades, tendo, ao longo da Fiscalização prorrogado a pedido o prazo para entrega da documentação em, pelo menos, seis oportunidades; 3 – O volume de recursos omitidos da tributação ao longo dos três anos fiscalizados montam R$ 67.340.667,13. Nesse período a interessada ofereceu a tributação R$ 7.792.958,65, ou seja, uma vez considerado correto o arbitramento da Receita Bruta pela Autoridade Fiscal, significa que a Fl. 2864DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.864 10 impugnante omitiu perto de 90% da Receita Bruta Total apurada (R$ 75.133.625,78). Convicção do relator Nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72 (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Ou seja, diante do conjunto probatório oferecido neste processo e em seu apenso (10950.721042/201597), em especial os fatos destacados acima, este relator, entende que se trata de caso em que os elementos objetivos afastam de plano a tese de decadência apresentada pela contribuinte, ou por outra forma, neste caso não se aplicaria a decadência conforme o Art. 150 §4° do CTN. Nesse diapasão, as demais teses aplicáveis ao caso concreto, deslocariam a data de início da contagem da decadência para 31/10/2013 conforme o Art. 173, parágrafo único do CTN, o que inviabilizaria a pretensão da impugnante. Sendo assim, o lançamento do crédito tributário seria íntegro e válido não sendo possível descaracterizar qualquer parte dele por decadência. Rejeitase, dessa forma, a preliminar de decadência. Por conseguinte, rejeitamse todas as preliminares suscitadas. Do mérito No caso em apreço, a fiscalização detectou que a impugnante infringira a legislação do Simples Nacional, o que é motivo de impedimento para permanecer nesse regime e a intimou em duas oportunidades a optar pela forma de tributação a ser utilizada para o período de 2010 a 2012 (fls. 1733 e 1735). Na ausência de resposta quanto à forma de tributação a ser utilizada pela fiscalizada a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de ofício com base no Lucro Arbitrado tomando o cuidado de excluir da base de cálculo os depósitos de origem comprovada. Ademais, conforme consta do ‘Termo de Verificação da Ação Fiscal’ de fls. 1845 a 1866, esse arbitramento do lucro deuse com base em extratos bancários pelo fato de a fiscalização verificar que não ocorrera a escrituração da movimentação financeira. Neste ponto, é relevante frisar que a matéria tributária objeto da autuação se socorreu dos dados da movimentação bancária da contribuinte, haja visto que as exigências se fundam na presunção de omissão de receita com base em depósitos bancários de que trata o art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996, in verbis: (...) Em suma, no que pertine à matéria contestada, as bases de cálculo da imposição fiscal foram determinadas a partir da receita bruta coligida de Fl. 2865DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.865 11 prova produzida pela própria impugnante, consubstanciada no conteúdo dos extratos bancários, sendo relevante ressaltar também que não houve no caso concreto a construção de qualquer presunção que comprometa a certeza e a liquidez do crédito tributário exigido. Pois bem, diante da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração da impugnante que identificassem a movimentação financeira, o arbitramento se deu dentro dos limites da legislação de regência da matéria, sendo, portanto, legítimo. Como conseqüência do exposto, rejeitase o argumento de mérito. Conclusão Assim, a luz do que foi apresentado, voto no sentido de que: seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão de empresa do Simples Nacional pelo ‘Ato Declaratório Executivo Nº 06/2015’ de 09 de março de 2015, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte; e seja julgada improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento de oficio, mantendose as exigências da autuação fiscal a título de IRPJ, de CSLL, de PIS/PASEP e de COFINS, mais acréscimos correspondentes”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa EXCLUSÃO DE OFÍCIO. OCORRÊNCIA. SUBSUNÇÃO ÀS NORMAS. Detectado, no decorrer a ação fiscal, que a fiscalizada incorreu em hipótese impeditiva de permanência no Simples Nacional, perfeito o procedimento da autoridade tributária em excluir a contribuinte do Simples Nacional EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. PROCEDIMENTO FISCAL. LEGITIMIDADE. É legítimo o procedimento fiscal que, após proceder a inúmeras intimações ao contribuinte e a promover diversos cruzamentos de informações, identificou receitas omitidas e corretamente apurou o imposto devido. Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.866 12 PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTOS. Conforme disposição legal, caracterizase como uma omissão de receitas ou de rendimentos sujeito a lançamento de ofício os depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. RECEITA CONHECIDA. MEIO DE PROVA. Os extratos bancários fornecidos pelo sujeito passivo constituem meio de prova direta hábil para conhecimento da receita bruta auferida pelo contribuinte. LUCRO ARBITRADO. Cabível o arbitramento do lucro do contribuinte quando este não apresenta ao Fisco os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase ao lançamento das contribuições, quando decorrente do mesmo fato, o decidido em relação à exigência principal (IRPJ). Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 2835/2851) Cientificada do R. decisum (fls. 2833), a contribuinte interpôs recurso voluntário contestando a decisão recorrida e no mérito repeliu a exclusão do Simples Nacional e os lançamentos havidos, repisando os argumentos já expendidos na impugnação inaugural. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2867DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.867 13 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, a recorrente está corretamente representada (fls. 2735/2736) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Preliminarmente, afasto as alegações de nulidade dos lançamentos e cerceamento de defesa, no primeiro caso porque não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF2 (Decreto nº 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Sobre o segundo ponto, cerceamento de defesa, basta uma vista d´olhos dos autos para se verificar que a recorrente teve todas as oportunidades possíveis para contrapor seus argumentos ao trabalho fiscal, desde o período investigativo e de auditoria, passando pela defesa em 1º Piso e depois junto a este Colegiado de 2º Grau, juntando os documentos e aduzindo os argumentos que entendeu lhe aproveitar, pelo que, por óbvio, inexistiu a decantada barreira processual. Pedido de cerceamento de defesa inconsistente, por isso negado. Sobre as acusações, há dois pontos principais a analisar: i) a exclusão da empresa do Simples Nacional; e, ii) os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. 2 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.868 14 Quanto ao primeiro, afasto os argumentos da recorrente de que a exclusão do Simples Nacional teria sido indevida. Na verdade, como bem pontuado pela decisão a quo a exclusão teve como fundamento a prática reiterada de irregularidade pela recorrente, infringindo o artigo 29, da LC nº 123/2006, verbis: LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; (...) §1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (...) (sublinhados acrescidos) A “prática reiterada” restou caracterizada pela impossibilidade da identificação de sua movimentação financeira e pela ausência da escrituração de disponibilidades financeiras bancárias com habitualidade. Ou seja, a exclusão do Simples Nacional é decorrente do cometimento de infrações à legislação de regência detectadas no âmbito do procedimento fiscal e apontadas na Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional. E esse quadro se mostrou absolutamente configurado diante da confirmação de que não estaria ocorrendo a escrituração da movimentação financeira, isto é, a manutenção das contas bancárias estaria à margem da contabilidade registrada nos Livros Diário números 09, 10 e 11. Por isso, determinouse a Exclusão do Simples Nacional pelo Ato Declaratório Executivo nº 06/2015, de 09/03/2015 (fls. 1739), em atendimento à Representação Fiscal para Exclusão de Ofício – Simples Nacional de (fls. 1737/1738): Fl. 2869DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.869 15 Quanto ao mérito da exclusão, os fatos narrados no TVF mostram a correção do procedimento fiscal e a planilha demonstrativa com os montantes declarados e omitidos é contundente (fls. 1863), mostrando que nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, para uma receita total de R$ 75,1 milhões, foi omitido o montante de R$ 67, 3 milhões, ou seja, quase 90%. Portanto, medida – ainda que possa ser tida pela recorrente como extrema – mais que acertada. Sobre a pretensão da recorrente de que somente depois de decidida e confirmada a exclusão do Simples Nacional é que se poderiam perpetrar os lançamentos presentes nestes autos nenhuma razão. Primeiro porque há o julgamento simultâneo do ato excludente e dos referidos lançamentos, motivo pelo qual, se determinado o cancelamento do ADE, automaticamente as infrações não subsistirão. De outro lado, se estas foram tidas como indevidas, ou seja, entenderse que os lançamentos não têm suporte, nenhum prejuízo haverá à recorrente. Em suma, os dois procedimentos serão (com estão sendo) julgados em conjunto e a decisão que se lhes der aproveitará a um ou outro caso. Diante dos fatos estampados, mantenho a decisão recorrida e ratifico o ADE de exclusão. Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.870 16 Destaco, por fim, que, a teor do artigo 1º, da IN (RFB) nº 666, devem ser “objeto de um único processo administrativo: (...) III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente”, como se verifica neste processo. Portanto, nenhum reparo ao trabalho fiscal neste aspecto. Passo ao segundo tópico sob análise, cuidando aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, estes no regime do Lucro Arbitrado, em face da exclusão havida. Antes, destaco ter sido suscitada preliminar de decadência. Em razão de se confundir com o mérito, com ele será tratada. Os lançamentos têm duas infrações: a) omissão de receitas – depósitos bancários de origem não comprovada – artigo 42, da Lei nº 9.430/1996; e, b) receitas declaradas pelo Simples Nacional e submetidas, de ofício, ao regime do Lucro Arbitrado. Não houve qualificação da multa e os valores estão assim resumidos (fls. 1866): Em relação à primeira infração, a norma violada foi o artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Embora na impugnação de 1º Grau e no RV agora apreciado a recorrente tenha focado o tema “omissão de receitas” e “depósitos bancários de origem não comprovada”, sua dissertação limitouse a aspectos teóricos e sobre possíveis inconstitucionalidades, omitindose por completo acerca das provas de que deveria se munir e apresentar para justificar a origem dos recursos que permitiram canalizar às suas contas bancárias os vultosos valores que o Fisco detectou. Diria mais, não só vultosos como absurdamente desproporcionais em relação aos valores escriturados. A planilha elaborada pelo Fisco, já com todas as exclusões que o artigo 42, da Lei n 9.430/1996, impõe, mostra o quadro (fls. 1863): Fl. 2871DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.871 17 Melhor visualizando: Anocalendário Créditos Bancários (art. 42) Receita Bruta Declarada Receita Total 2010 9.445.126,08 1.974.046,55 11.419.172,63 2011 32.534.347,44 2.568.378,10 35.102.725,54 2012 25.361.193,61 3.250.534,00 28.611.727,61 TOTAIS 67.340.667,13 7.792.958,65 75.133.625,78 Uma estarrecedora fotografia que mostra que, para cada 10 reais de receitas, 9 reais, ou seja, 90% foram mantidos à margem da escrituração e consequentemente da tributação. Nessa linha, o trabalho fiscal restou incólume e deve ser mantido, posto que a contribuinte não conseguiu afastar as acusações, embora fosse intimada de forma detalhada dos valores apontados. Em suma, aquilo que a Lei nº 9.430/1996, por seu artigo 42, impõe, ou seja, que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações mantidas junto a instituições financeiras, não se fez presente, fortalecendo a presunção adotada pela Autoridade Fiscal. Ademais, como não se admite prejuízo à incidência tributária pela impossibilidade de se produzir a prova direta da infração, a presunção de omissão de receita construída a partir de tal indício é suficiente para a exigência, até porque lastreada legalmente. Mais ainda, não se perca o entendimento de que a chamada prova indiciária é pacificamente admitida em nosso direito como ferramenta necessária para apurar eventos que não se mostram explícitos, como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.872 18 fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes. Cumpre ao Fisco, em tais circunstâncias, tão só provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a consequente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas, mantidas à margem da escrituração regular ou em poder dos sócios. A prova contrária à presunção legal, como dito, não foi fornecida pela autuada, como já enfatizado anteriormente. Assim, concretizada a hipótese abstrata prevista na lei, o Fisco pode lançar mão da figura da presunção legal, como no caso em análise, quando se presume a ocorrência de omissão de receitas se o fiscalizado, devidamente intimado, não consegue comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse cenário, não restando elidida a presunção pela recorrente, consolida se a omissão de receita, na forma do artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Todavia, há necessidade de definir se a mantença será integral ou parcial, dependendo do acatamento ou não da tese de decadência aventada pela recorrente, tema que se verá adiante. De outro lado, para que não se possa pretender alegar eventual omissão neste acórdão, registrese que discussão acerca da possibilidade de o Fisco poder ou não acessar as contas bancárias dos contribuintes restou pacificada após a decisão do STF exarada no RE nº 601.314 – SP, de 24/02/2016, assim ementada: Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a Presidência do Ministro RICARDO LEWANDOWSKI, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, em conhecer do recurso e a este negar provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso Fl. 2873DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.873 19 de Mello. Brasília, 24 de fevereiro de 2016. Ministro EDSON FACHIN Relator. Quanto à segunda infração, tratandose de receitas declaradas pela própria recorrente os lançamentos são incontroversos, devendose como corretamente feito pelo Fisco – submetêlos ao regime de tributação assumido (Lucro Arbitrado) em face da exclusão do Simples Nacional, naturalmente com o aproveitamento dos valores já tributados (o que igualmente foi realizado pela Fiscalização). Desse modo, sem maiores delongas, mantenho os lançamentos. DO ARBITRAMENTO Como extensamente relatado no TVF e nos autos de infração, a escrituração da recorrente “é imprestável para determinação do Lucro Real em virtude ausência total da escrituração da movimentação financeira bancária”. Com isso, a submissão ao artigo 530, III, do RIR/1999 é imperiosa: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. E a base de cálculo encontra definição no artigo 531: Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Conhecida a receita bruta (fls. 1863), o Fisco perpetrou os lançamentos pelo regime do Lucro Arbitrado, não sem antes deduzir os valores recolhidos pelo regime do Simples Nacional. Por fim, esclareçase, o arbitramento não é uma penalidade, e sim a única conseqüência possível a uma situação consumada, que é a nãoapresentação, para exame, dos necessários livros contábeis e fiscais para validar a autenticidade das informações prestadas ao Fisco. O arbitramento é simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Nesse sentido, perfila a jurisprudência administrativa da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CARF – órgão colegiado administrativo de julgamento em instância definitiva: “ARBITRAMENTO NÃO É PENALIDADE – O arbitramento não possui caráter de penalidade; é simples meio de apuração do lucro” (Ac. CSRF/010.123/81). DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.874 20 Sustenta a recorrente (RV – fls. 2841 e 2844): Pois bem, que os lançamentos tratados são por “homologação” não restam dúvidas. Induvidoso também que, nesse contexto, deve ser observada a decisão do STJ, em Recurso Repetitivo, em decisão prolatada no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), relatado pelo Ministro Luiz Fux, assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco consti tuir o crédito tr ibutário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Igualmente: TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da Fl. 2875DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.875 21 ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. Recurso especial improvido. (REsp 816558/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/04/2006, DJ 25/05/2006 p. 218) Consequentemente, não havendo animus doloso nos atos do contribuinte e tendo ocorrido pagamentos antecipados, a regra do artigo 150, § 4º, do CTN se confirma; caso contrário, a contagem do prazo de decadência segue o rito do artigo 173, I, do mesmo diploma. Pois bem, que há pagamentos antecipados não restam dúvidas, tanto que o próprio autuante, quando da consecução dos lançamentos, os deduziu da imputação, como relatado no TVF (fls. 1853): “Quanto à outra infração, “RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA” com código 0221.0305, a receita bruta declarada indevidamente no Simples Nacional é base para esta incidência tributária observandose na discriminação dos valores calculados nos Documentos e Arrecadação do Simples Nacional os recolhimentos ocorridos durante o exercício desta opção , com períodos de apuração nos anos de 2010, 2011 e 2012, que são aproveitados como deduções de valores devidos para cada espécie tributária: IRPJ, CSLL, Pis e Cofins neste PAF e Contribuição Previdenciária Patronal e no de nº 10950.721.001/201509 com orientações do artigo 74, § 12º, inciso II, alínea 'a' da Lei nº 9.430 e 'caput' do artigo 41 e artigo 59 da Instrução Normativa RFB nº 1.300 de 20 de novembro de 2012. As infrações de falta de recolhimento de tributo são originadas para a apuração reflexa”. (destacouse). Resta ver se houve espírito doloso no procedimento da recorrente. No TVF, há menção lacônica sobre o fato (fls. 1857: “Este lançamento obedece ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, parágrafo único, da Lei nº 5.172 CTN, segundo o qual o termo inicial do prazo decadencial flui da ciência pelo contribuinte ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, ocorrida em 31 de outubro de 2013. Nesse sentido manifestouse o Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento do recurso especial REsp nº 1.143.534PR, julgado em 19 de agosto de 2010, expressamente mencionado como precedente o REsp nº 766.050/PR, sendo este julgado em 2008”. Na decisão recorrida, o tema foi mais analisado, tendo o Relator declinado (fls. 2823/2824): “Qualquer que seja a tese aplicável no caso em tela, alguns elementos fáticos são relevantes para auxiliar a formação de convicção: Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.876 22 1 – Os extratos das 6 contas correntes em nome da fiscalizada totalizam 636 páginas deste processo (fls. 34 a 669) e as movimentações nelas identificadas não encontram guarida na contabilidade de folhas 1869 a 1904, ou seja, nos termos da Autoridade Fiscal “ausência total da escrituração da movimentação financeira no Livro Diário”; 2 – A Fiscalização requereu informações para explicar a movimentação financeira em 4 oportunidades, tendo, ao longo da Fiscalização prorrogado a pedido o prazo para entrega da documentação em, pelo menos, seis oportunidades; 3 – O volume de recursos omitidos da tributação ao longo dos três anos fiscalizados montam R$ 67.340.667,13. Nesse período a interessada ofereceu a tributação R$ 7.792.958,65, ou seja, uma vez considerado correto o arbitramento da Receita Bruta pela Autoridade Fiscal, significa que a impugnante omitiu perto de 90% da Receita Bruta Total apurada (R$ 75.133.625,78). Convicção do relator Nos termos do Art. 29 do Decreto 70.235/72 (PAF), “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Ou seja, diante do conjunto probatório oferecido neste processo e em seu apenso (10950.721042/201597), em especial os fatos destacados acima, este relator, entende que se trata de caso em que os elementos objetivos afastam de plano a tese de decadência apresentada pela contribuinte, ou por outra forma, neste caso não se aplicaria a decadência conforme o Art. 150 §4° do CTN. Nesse diapasão, as demais teses aplicáveis ao caso concreto, deslocariam a data de início da contagem da decadência para 31/10/2013 conforme o Art. 173, parágrafo único do CTN, o que inviabilizaria a pretensão da impugnante. Sendo assim, o lançamento do crédito tributário seria íntegro e válido não sendo possível descaracterizar qualquer parte dele por decadência”. Inicialmente, destaco que a decisão prolatada na DRJ em relação à decadência foi por maioria, ou seja, houve divergência de dois julgadores que acatavam a preliminar da decadência dos fatos geradores ocorridos entre 1°/01/2010 e 04/05/2010. Como não há declaração de voto, impossível saber os motivos que levaram à divergência. Provavelmente, porém, deve ter relação direta com a figura do dolo. Feitas estas colocações, passo à minha análise do caso concreto e nessa linha, divirjo da decisão recorrida (e do entendimento fiscal). Explico. Fl. 2877DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.877 23 Induvidoso ter havido subtração de gigantesca receita da tributação, procedimento que se repetiu por três anos consecutivos e que levou, inclusive, à exclusão da recorrente do Simples Nacional. Porém, SÓ o fato de o autuante ter entendido que houve dolo e por isso ter elaborado processo de Representação Fiscal para Fins Penais, MESMO QUE POSSA TER SUBSTÂNCIA para prosseguimento de eventual procedimento na esfera penal, só pode ser tomado neste círculo e não para fins de contagem do prazo decadencial. Explico. Nos lançamentos perpetrados o Fisco impôs multa de ofício de 75%, ou seja, a multa “normal”, NÃO HAVENDO QUALIFICAÇÃO, o que levaria, automaticamente, a se estar diante dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964 (cf. art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996), verbis: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis Dispositivos com a seguinte redação: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Estáse, assim, diante de situação sui generis: o Fisco entende ter havido dolo, mas não qualifica a multa! Em outro dizer, por via diversa, pugna que a decadência regerseia pelo artigo 173, I, do CTN (que exige dolo) e – ao mesmo tempo – por via diversa entende que não houve sonegação (art. 71), não houve fraude (art. 72) e não houve conluio (art. 73), ainda que possa ter infringido o Código Penal e Lei nº 8.137/1990. Nesse eito, independentemente do que vier a ocorrer com a Representação Fiscal para Fins Penais elaborada pelo Fisco, fato é que, para contagem do termo decadencial, a imputação dolosa, que permitiria o deslocamento do prazo para os ditames do artigo 173, I, do CTN, não me parece consistente. Ademais, não se perca de vista o teor das Súmulas CARF nº 14 e 25: Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.878 24 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Mais a mais, no caso de depósitos bancários, há expressa determinação de que a qualificação da multa exige a utilização de interposta pessoa, o que não se viu no caso dos autos: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Portanto, se a qualificação da multa não foi feita (por um motivo ou outro) certo que não houve a imputação dos crimes dolosos previstos nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. Não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação (cf. Recurso Especial nº 973.733 SC 2007/01769940), não há como deslocar a contagem decadencial para o ritmo do artigo 173, I, do CTN, impondo seja seguida a regra do artigo 150, § 4º, do CTN. Em outras palavras, como enquadrarse nos ditames da Súmula CARF nº 72, “Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN”, se o autuante, ao não qualificar a multa, enquadrandoa no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, acabou por não fazer expressa imputação de dolo, fraude ou simulação? Resumindo, ainda que eventual ação penal possa ter seguimento em razão da Representação Fiscal formulada, no âmbito da contagem decadencial a acusação que pudesse levar ao fluxo do artigo 173, I, do CTN não restou caracterizada. Em outras palavras, a tipificação legal assumida deve estar em consonância com os fatos narrados, o que entendo não ter ocorrido. Com isso, tendo os lançamentos sido cientificados em 04/05/2015 (fls. 2661), RESTARAM DECAÍDOS os seguintes tributos, períodos e valores: 1. IRPJ Ø 1º Trimestre/2010 – R$ 45.484,46 2. CSLL Ø 1º Trimestre/2010 – R$ 24.003,68 3. PIS Fl. 2879DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.879 25 Ø Janeiro/2010 R$ 4.557,90 Ø Fevereiro/2010 R$ 6.128,93 Ø Março/2010 R$ 3.759,84 Ø Abril/2010 R$ 3.027,88 4. COFINS Ø Janeiro/2010 R$ 21.036,44 Ø Fevereiro/2010 R$ 28.287,35 Ø Março/2010 R$ 17.353,11 Ø Abril/2010 R$ 14.161,49 Concluindo, encaminho meu voto para: i) AFASTAR as preliminares de nulidade e cerceamento de defesa; ii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que se refere à exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional, mantendo a decisão recorrida; iii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recuso voluntário para reconhecer a decadência relativamente ao 1º Trimestre/2010 para o IRPJ e CSLL e meses de janeiro/2010, fevereiro/2010, março/2010 e abril/2010 para o PIS e a COFINS, conforme valores acima discriminados. É como voto. Brasília (DF), em 10 de abril de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10950.720874/201596 Acórdão n.º 1402002.998 S1C4T2 Fl. 2.880 26 Fl. 2881DF CARF MF
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