Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,275)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,621)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,034)
- Primeira Turma Ordinária (15,998)
- Primeira Turma Ordinária (15,960)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,348)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,399)
- Quarta Câmara (84,588)
- Terceira Câmara (66,999)
- Segunda Câmara (55,305)
- Primeira Câmara (19,845)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,258)
- 1ª SEÇÃO (6,816)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (123,995)
- Segunda Seção de Julgamen (114,032)
- Primeira Seção de Julgame (76,215)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,956)
- Câmara Superior de Recurs (37,845)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,019)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,619)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,373)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,717)
- HELCIO LAFETA REIS (3,595)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,216)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,468)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11065.904035/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11065.904035/2008-47
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805729
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-000.317
nome_arquivo_s : Decisao_11065904035200847.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 11065904035200847_5805729.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7052355
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733961875456
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-12-05T15:22:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-12-05T15:22:44Z; Last-Modified: 2017-12-05T15:22:44Z; dcterms:modified: 2017-12-05T15:22:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:7a88aade-72b7-495f-9997-584195e247d8; Last-Save-Date: 2017-12-05T15:22:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-12-05T15:22:44Z; meta:save-date: 2017-12-05T15:22:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-12-05T15:22:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-12-05T15:22:44Z; created: 2017-12-05T15:22:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2017-12-05T15:22:44Z; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-12-05T15:22:44Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.904035/200847 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.317 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 19 de outubro de 2017 Assunto Diligência Recorrente DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 04 03 5/ 20 08 -4 7 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11065.904035/200847 Resolução nº 1201000.317 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11065.904035/200847 Resolução nº 1201000.317 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.901761/2008-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA.
Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3301-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora. Recurso Voluntário negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10380.901761/2008-72
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801459
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.082
nome_arquivo_s : Decisao_10380901761200872.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 10380901761200872_5801459.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente. Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
id : 7026356
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049733980749824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 149 1 148 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.901761/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.082 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2017 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente M. DIAS BRANCO S.A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 17 61 /2 00 8- 72 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 150 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 103 a 114), de 10 de agosto de 2010, interposto pelo Contribuinte, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0818.385 (fls. 95 a 100), de 22 de junho de 2010, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – DRJ/FOR – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O processo versa sobre compensação (PER/DCOMP n° 17227.90676.090304.1.3.041906) de débito tributário de IRPJ relativo a 10/2003 com crédito resultante de pagamento a maior de Cofins em 09/04/1999. O Despacho Decisório (fls. 06/07) não homologou a compensação declarada por entender que o direito creditório já houvera sido utilizado em outro PER/DCOMPs e outro débito lá indicados. 2. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 09/21) contra o referido ato administrativo, alegando que: a) O contribuinte denunciou espontaneamente seus débitos tributários e, por isso, só deveria ter sido cobrado dele o principal e os juros de mora; b) Nos PERJDCOMPs n° 10037.02438.281103.1.3.048534 e n° 37762.65703.310305.1.7.042525, o Fisco exigiu multa de mora, em discordância com o artigo 138 do CTN; c) Aduziu decisões administrativas e judiciais; d) O efeito suspensivo da manifestação de inconformidade em relação à parcela dos débitos que, no entender da autoridade fiscal, ultrapassaram o direito creditório. (grifouse). Tendo em vista o julgamento pela improcedência da manifestação de inconformidade no Acórdão ora analisado o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário visando a reforma da referida decisão. Por intermédio da Resolução nº. 3803000.508, de 22 de julho de 2014 (fls. 132 a 1135), da 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos converteuse o julgamento em diligência. O Contribuinte às fls. 144 e 145 apresenta manifestação quanto ao Relatório de Diligência Fiscal ofertado quando do cumprimento da Resolução nº. 3803000.508. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 151 3 O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0818.385, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial, salvo na hipótese de decisões objetivas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito erga omnes (súmula vinculante ou julgados em sede de ADI e ADC). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO... A autoridade julgadora administrativa não se encontra atrelada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de decisões do STF vinculantes para a administração pública federal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. ESPONTANEIDADE. INAPLICABILIDADE. Declarada a compensação após o vencimento do tributo, fica descaracterizado o instituto da denúncia espontânea de que trata o artigo 138 do CTN, incidindo os correspondentes débitos tributários em multa de mora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Diante da decisão da DRJ/FOR o contribuinte requer em seu Recurso Voluntário (fls. 104 e seguintes): A impugnante, antes de qualquer iniciativa do fisco, denunciou "espontaneamente" sua dívida, com relação aos débitos a seguir relacionados, através da transmissão das Declarações de Compensações anteriormente identificadas, liquidando integralmente o montante devido, inclusive aqueles em atraso, com os devidos acréscimos dos juros moratórios. (...) Foi interposta Manifestação de Inconformidade as fls.09/21 pugnando, em síntese, pela improcedência da multa de mora, constante no despacho decisório de.fls.06/07 a luz de vastas decisões a época colacionada aos presentes autos. Aduzimos ainda o valor dos supostos débitos não alcançados pela compensação pretendida decorreram; além do motivo sobredito, da interposição de multa de 20% sobre os créditos liquidados em atraso, apesar de a impugnante os ter apresentados Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 152 4 espontaneamente, o que elidiria a aplicação de multa punitiva, em face do que dispõe o art.138 do CTN. Em face do alegado, a impugnante requereu a improcedência da cobrança da multa de 20%, por se tratar de denuncia espontânea. A multa de mora cuja natureza sancionatória é inquestionável. Contudo, remanesce ainda pendente a exação da incidência da multa de 20% sobre os débitos declarados espontaneamente, motivo pelo qual a impugnante apresenta o presente recurso, por entender indevida em face das razões de direito a seguir arroladas. (...) A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso, para desconsiderar o acréscimo da multa moratória sobre os débitos pagos sob o regime da denúncia espontânea. (grifouse). Diante da análise do Recurso Voluntário pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, deliberouse por meio do Resolução nº. 3803000.508 no sentido de converter o julgamento em diligência com o seguinte conteúdo do voto vencedor (fls. 134 e 135): Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Do relato provido pelo d. Relator depreendese que os débitos apresentados na declaração de compensação foram compensados, sendo a insuficiência do crédito utilizado decorrente da incidência da multa de mora que deixara de ser calculada e acrescida ao débito na compensação operada pela Contribuinte. A Recorrente focaliza o seu embate apenas na evocação do instituto da denúncia espontânea, enfatizando ter apresentado as declarações de compensação antes de qualquer procedimento de ofício do órgão fazendário. Configurandose os fatos nessa linha dos acontecimentos, conforme relatado, não outro haveria de ser o posicionamento da Turma senão de ocuparse em aferir a aplicabilidade, ao caso, do instituto da denúncia espontânea, feita, por sinal, sob o prisma da decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, no recurso representativo de controvérsia, REsp nº 1.149.022. Observase que o fato alçado à norma judicial parece ser consentâneo com o fato jurídico gerado a partir da ação desta Contribuinte. Sendo forçosa a reprodução da decisão do STJ, importa apreciar se a Contribuinte no exercício da atividade de apurar o quantum devido do tributo e antecipar o pagamento ou apresentar a declaração de compensação, encontrase ou não sob o pálio desse instituto, na forma como definido pela Corte, uma vez que a quitação do débito ora sob análise deuse após o seu vencimento com atraso. A estar, o entendimento exarado nesse recurso especial deve ser adotado pelos conselheiros nos julgamentos no âmbito do CARF, por força do art. 62A do RICARF, porquanto produzido na forma processual prevista no art. 543C do CPC. Para tanto, importa saber se ao tempo em que foi apresentada a declaração de compensação o débito nela constante já havia ou não sido confessado anteriormente em DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem certifique se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação. Dado o teor da informação solicitada, é dispensável a ciência para manifestação da Contribuinte. (grifouse). Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 153 5 Atendendo o pedido formulado na Resolução nº. 3803000.508 foi juntado ao processo o Relatório de Diligência com o seguinte teor no que diz respeito a PER/DCOMP n° 17227.90676.090304.1.3.041906, de débito tributário de IRPJ relativo a 10/2003 com crédito resultante de pagamento a maior de Cofins em 09/04/1999, discutido no presente processo (fls. 137 e seguintes): Mediante a Resolução em epígrafe, fls.132/135, proferida pelo CARF, foi determinada a realização de diligência fiscal junto à empresa em epígrafe, para que seja verificado se os débitos compensados, objeto deste processo, foram declarados em DCTF antes da compensação. 2. No presente processo, o contribuinte reivindica a exoneração de multa de mora, computada nas compensações, enviadas após o vencimento dos respectivos débitos compensados, vinculadas ao crédito de R$ 14.739,08. Em consequência da referida exoneração, entende o contribuinte que o saldo creditório utilizado seria suficiente para homologar as compensações relativas à DCOMP nº 17227.90676.090304.1.3.041906. 3. A exoneração da multa de mora pleiteada pelo contribuinte tem como escopo o instituto da denúncia espontânea. Isso porque, no tocante a DCTF, o fato de se ter declarado a menor, pagandose integralmente o débito declarado e depois tendo retificado para maior, quitando concomitantemente o débito, daria direito a devolução dos pagamentos a título de multa moratória. Todavia, em cumprimento a diligência fiscal emanada do CARF verificarseá tãosomente se os débitos compensados, objeto deste processo, foram declarados em DCTF antes da compensação. 4. Assim, no tocante a DCOMP nº 17227.90676.090304.1.3.041906, vejamos a seguinte análise: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 154 6 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 155 7 5. Concluise, portanto, que os débitos compensados, objeto deste processo, foram declarados em DCTF antes da compensação. Em outras palavras, o débito declarado anteriormente já continha a valor declarado a posteriori. A redução do montante declarado do débito em DCTF, logo após o envio da DCOMP, por si só, já evidencia isso. O objetivo da conversão do julgamento em diligência por intermédio da Resolução nº. 3803000.507, foi de verificar se os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da compensação e conforme se verifica nas telas acima e na conclusão do Relatório de Diligência no item 5 que os débitos compensados foram declarados em DCTF antes da data de sua compensação. A questão envolve o instituto da denúncia espontânea e o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Diante do Relatório de Diligência Fiscal ofertado quando do cumprimento da Resolução nº. 3803000.508 assim se pronunciou o Contribuinte em 30 de agosto de 2016 (fls. 144 e 145): A aludida diligência prestouse a esclarecer apenas se os débitos compensados, objeto deste processo, foram declarados em DCTF antes da compensação. Conforme relatório de diligência fiscal, a autoridade fazendária, após análise das compensações, concluiu que os débitos compensados já haviam sido declarados em DCTF. Dessa forma o contribuinte não faria jus ao benefício da denúncia espontânea. Em 12/02/2004 o contribuinte entregou a DCTF no 100.2004.8167837, entregue antes da DCOMP no 17227.90676.090304.1.3.041906, declarando a monta de R$ 257.974,98 referente a IRPJ (2362), período de apuração de outubro de 2003. Por conseguinte, em 12/04/2004, o contribuinte entregou DCTF retificadora de no 100.2004.21926057, informando a compensação do débito de IRPJ (2362) através Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 156 8 da DCOMP em comento, débito este, referente ao período de outubro de 2003. Ocorre que em 31/03/2005 o contribuinte retificou sua DCOMP no 17227.90676.090304.1.3.041906 através da DCOMP no 29291.09938.310305.1.7.047994, esta, zerando a compensação do período de apuração de outubro de 2003 para compensar o debito de IRPJ do período de apuração dezembro de 2003. E em 13/05/2005 o contribuinte entregou nova DCTF de no 100.2005.61909694 informando a autoridade fiscal que o DCOMP sob análise foi utilizado para compensar com o débito de IRPJ de dezembro de 2003, este na monta de R$ 27.032,23. Concluise, portanto, que o débito compensado (período de apuração de dezembro de 2003), fora declarado em DCTF posteriormente a sua compensação. Diante do exposto, à luz das conclusões adotadas, requerse a integral homologação da declaração de compensação em questão. (grifouse). Para que reste configurada a denúncia espontânea de acordo com o art. 138 do CTN é necessário que se cumpra dois requisitos: 1) que seja acompanhada do pagamento do tributo devido; e, 2) que a denúncia espontânea ocorra antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, no presente caso, que os débitos compensados sejam declarados em DCTF antes da compensação. Este entendimento decorre da decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça, no recurso representativo de controvérsia, REsp nº 1.149.022, submetida ao disposto no art. 543C do Código de Processo Civil, cuja observância deve ser feita por este Conselho, que assim dispõe: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 157 9 exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifouse). Como dito, o entendimento proferido nesse recurso especial deve ser observado nos julgamentos no âmbito do CARF como dispõe o art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10380.901761/200872 Acórdão n.º 3301004.082 S3C3T1 Fl. 158 10 De acordo com o Relatório de Diligência Fiscal, entendo não restar dúvidas que os débitos compensados foram declarados em DCTF em data anterior a sua compensação, não assistindo assim razão ao contribuinte por não configurar a denúncia espontânea e que resulta na multa moratória de 20%. Neste sentido, de acordo com os autos do processo e com a legislação aplicável ao caso e diante do não atendimento dos requisitos da denúncia espontânea, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Valcir Gassen Relator Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720118/2014-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010,2011
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
GANHO DE CAPITAL. SIMULAÇÃO.
A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de caminhões usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida.
Nesta circunstância, imperioso sejam deduzidos da exigência os valores pagos pela empresa criada para este fim e recolhidos sob o regime do Lucro Presumido, sob pena de locupletamento ilícito do ente tributante.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz.
SUJEIÇÃO PASSIVA
A fiscalização deve fundamentar e motivar adequadamente o Termo de Sujeição Passiva demonstrando individualmente o benefício obtido e os atos contrários a lei, contrato social ou estatuto, praticados pela pessoa física e pela jurídica para imputar responsabilidade à sócio-administrador, à empresa pertencente ao Grupo Econômico ou a terceiro que possa ser relacionado a infração a legislação tributária.
Para demonstrar a responsabilidade solidária ou subsidiária não basta repetir os mesmos fundamentos utilizados para lavra o Auto de Infração contra a empresa autuada, sob pena de se produzir Termos de Sujeição Passiva precários e sem a comprovação das especificidades constantes nos dispositivos relativos a responsabilização tributária solidária, subsidiária ou de terceiros.
Numero da decisão: 1402-002.621
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da exigência os valores pagos pela empresa TBV e excluir a empresa Roda Brasil Ltda e as pessoas físicas Renato Belmok e Claudionir Belmok do pólo passivo da relação jurídico-tributária. ii) por maioria de votos excluir o coobrigado Luiz Belmok do pólo passivo da relação jurídico-tributária. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias que votaram por manter a responsabilidade tributária deste coobrigado. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor nessa matéria. iii) por voto de qualidade, manter a exigência da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir essa penalidade ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010,2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ GANHO DE CAPITAL. SIMULAÇÃO. A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de caminhões usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida. Nesta circunstância, imperioso sejam deduzidos da exigência os valores pagos pela empresa criada para este fim e recolhidos sob o regime do Lucro Presumido, sob pena de locupletamento ilícito do ente tributante. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz. SUJEIÇÃO PASSIVA A fiscalização deve fundamentar e motivar adequadamente o Termo de Sujeição Passiva demonstrando individualmente o benefício obtido e os atos contrários a lei, contrato social ou estatuto, praticados pela pessoa física e pela jurídica para imputar responsabilidade à sócio-administrador, à empresa pertencente ao Grupo Econômico ou a terceiro que possa ser relacionado a infração a legislação tributária. Para demonstrar a responsabilidade solidária ou subsidiária não basta repetir os mesmos fundamentos utilizados para lavra o Auto de Infração contra a empresa autuada, sob pena de se produzir Termos de Sujeição Passiva precários e sem a comprovação das especificidades constantes nos dispositivos relativos a responsabilização tributária solidária, subsidiária ou de terceiros.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16095.720118/2014-90
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804926
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.621
nome_arquivo_s : Decisao_16095720118201490.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 16095720118201490_5804926.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da exigência os valores pagos pela empresa TBV e excluir a empresa Roda Brasil Ltda e as pessoas físicas Renato Belmok e Claudionir Belmok do pólo passivo da relação jurídico-tributária. ii) por maioria de votos excluir o coobrigado Luiz Belmok do pólo passivo da relação jurídico-tributária. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias que votaram por manter a responsabilidade tributária deste coobrigado. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor nessa matéria. iii) por voto de qualidade, manter a exigência da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir essa penalidade ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
id : 7036785
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734014304256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 42; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1969; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 656 1 655 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720118/201490 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.621 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente TRANSPORTADORA BELMOK LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010,2011 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ GANHO DE CAPITAL. SIMULAÇÃO. A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de caminhões usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida. Nesta circunstância, imperioso sejam deduzidos da exigência os valores pagos pela empresa criada para este fim e recolhidos sob o regime do Lucro Presumido, sob pena de locupletamento ilícito do ente tributante. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse ao lançamento reflexo o decidido no lançamento matriz. SUJEIÇÃO PASSIVA A fiscalização deve fundamentar e motivar adequadamente o Termo de Sujeição Passiva demonstrando individualmente o benefício obtido e os atos contrários a lei, contrato social ou estatuto, praticados pela pessoa física e pela jurídica para imputar responsabilidade à sócioadministrador, à empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 18 /2 01 4- 90 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 657 2 pertencente ao Grupo Econômico ou a terceiro que possa ser relacionado a infração a legislação tributária. Para demonstrar a responsabilidade solidária ou subsidiária não basta repetir os mesmos fundamentos utilizados para lavra o Auto de Infração contra a empresa autuada, sob pena de se produzir Termos de Sujeição Passiva precários e sem a comprovação das especificidades constantes nos dispositivos relativos a responsabilização tributária solidária, subsidiária ou de terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) dar provimento parcial ao recurso voluntário para deduzir da exigência os valores pagos pela empresa TBV e excluir a empresa Roda Brasil Ltda e as pessoas físicas Renato Belmok e Claudionir Belmok do pólo passivo da relação jurídicotributária. ii) por maioria de votos excluir o coobrigado Luiz Belmok do pólo passivo da relação jurídicotributária. Vencidos os Conselheiros Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias que votaram por manter a responsabilidade tributária deste coobrigado. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor nessa matéria. iii) por voto de qualidade, manter a exigência da multa qualificada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por reduzir essa penalidade ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 657DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 658 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada e pelos sujeitos passivos solidários listados pelo Fisco em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/SPO em sessão de 29 de julho de 2015 (fls. 527/549)1, que julgou improcedente as impugnações apresentadas e manteve os lançamentos perpetrados e as responsabilizações imputadas. Os autos de infração de IRPJ e de CSLL tiveram como infração identificada “ganhos e perdas de capital apurados incorretamente alienação/baixa de bens do ativo permanente”, abrangendo os anoscalendário de 2010 e 2011 (fls. 191/214), com multa qualificada (150%). Além disso, foram imputadas responsabilidades solidárias a: Ø RODA BRASIL LTDA. – CNPJ 03.475.418/000143 – (Termo – fls. 250/253); Ø LUIZ BELMOK CPF 744.220.73753 – (Termo – fls. 254/257); Ø RENATO BELMOK – CPF 989.130.18772 – (Termo – fls. 258/261); Ø CLAUDIONIR BELMOK – CPF – 861.477.73704 – (Termo – fls. 262/265). Conforme Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades – TVCI – (fls. 172), os valores lançados foram os seguintes: A acusação fiscal consta do referido TVCI elaborado pelo Fisco (fls. 169/172) e complementado pelo Termo de Constatação Fiscal – TCF (fls. 173/189) destinado a demonstrar a existência de “grupo econômico” entre a autuada (Transportadora Belmok Ltda.) e a empresa Roda Brasil Ltda., e, por bem resumila, sem perda da essência, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida, verbis: “1DOS FATOS A fiscalizada é uma Empresa com a atividade econômica de transporte rodoviário de cargas, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal; interestadual e internacional; Durante, a ação fiscal na Transportadora Belmok Ltda, constatamos que a mesma constituiu a Empresa TBV VEÍCULOS 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 658DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 659 4 LTDA, CNPJ 10.703.795/000158, através do Contrato Social datado de 08/01/2009, juntamente com as pessoas físicas abaixo: Luiz Belmok, CPF 744.220.73753, e José Luiz, CPF 103.341.92730. As duas pessoas físicas acima citadas são também sócias da Transportadora Belmok Ltda, sendo o Sr. Luiz Belmok sócio e administrador tanto da Transportadora Belmok Ltda, quanto da TBV Veículos Ltda. com 98%. das quotas de capital social. O endereço da TBV Veículos Ltda. desde a sua constituição, é o mesmo da filial da Transportadora Belmok Ltda com CNPJ 35.960.202.000240, apenas com a diferenciação de uma sala: Rua Idalino de Carvalho, 30, Sala 04, Bairro Parque Industrial, Viana ES CEP. 29136920; Cabe acrescentar que é no Estado do Espírito Santo que os sócios residem e é na filial, de VianaES onde se concentra a parte administrativa da Transportadora Belmok Ltda; A fim de obter maiores esclarecimentos a respeito da Empresa TBV Veículos Ltda, diligenciamos no dia 26/02/2014 no endereço da mesma. No local fomos recebidos pela funcionária da Transportadora Belmok Ltda na função de contadora a mais de 10 anos na empresa, a Sra. Maria Natividade Costa, que nos relatou o seguinte: que a mesma também prestava serviços de contadora para a TBV Veículos Ltda como autônoma. Hoje a TBV está sem atividade; que a atividade principal da TBV Veículos Ltda é o comércio por atacado de automóveis novos e usado, caminhões novos e usados, reboques e semi reboques novos e usados; que a TBV Veículos Ltda foi constituída para administrar a venda de caminhões usados da filial da Transportadora Belmoq Ltda; que a TBV Veículos nunca teve empregados e quem prestava serviços para a Empresa, além dela mesma, era o próprio sócio e administrador o Sr. Luiz Belmoq. Anexamos tela da GFIP; que os caminhões alienados pela TBV Veículos Ltda eram veículos “integralizados” pela sócia Transportadora Belmoq Ltda, mas nem todos os caminhões tiveram a transferência de propriedade para a investida; que a TBV é optante pelo Lucro Presumido e o que o lucro retornava aos sócios investidores como dividendos e Ganhos de Capital. Fl. 659DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 660 5 Juntamos ao processo o “Termo de Constatação Fiscal nº 1” de 11/03/2014 com maiores informações a respeito da diligência acima realizada, inclusive com fotos da TBV Veículos Ltda. 2DO INDÍCIO DE FRAUDE No contrato social de constituição da TBV Veículos LTDA, de 08/01/2009, foram integralizados 215 caminhões pela sócia investidora Transportadora Belmoq Ltda; A integralização de caminhões continuou durante os meses que se prosseguiram, através de Alterações Contratuais, sendo que até o final do ano de 2011 haviam sido integralizados 260 caminhões aproximadamente; Durante os anos de 2010 e 2011, a TBV Veículos Ltda havia alienado 187 destes “caminhões integralizados”, fato que constatamos através das NFE – Notas Fiscais Eletrônicas; Como sabemos, na integralização de capital social através de veículos, é necessária a transferência junto ao DETRAN Departamento Estadual de Trânsito e emissão de novo certificado de propriedade em nome da sociedade investida, no caso em nome da TBV Veículos Ltda, fato que não ocorreu; A TBV Veículos Ltda comprovou a transferência para sua propriedade, somente de alguns veículos. E ainda estas transferências ocorreram em datas próximas das datas da alienação dos mesmos. Anexamos ao Processo, por amostragem, os comprovantes da "documentação das transferências dos autos". As transferências de todos os autos deveriam ter ocorrido no ato da integralização; A maioria dos veículos alienados não foi transferida para a TBV Veículos Ltda, • fato que também, fica comprovado através de "declaração dos adquirentes" onde os mesmos declaram ter adquirido', os caminhões da Transportadora Belmok, declarações estas juntadas ao Processo por amostra; Também em consulta ao site da ANTTAgência Nacional de Transportes Terrestres, no link Histórico do Veículo, verificamos que a Transportadora Belmok Ltda constou como proprietária dos caminhões até anos após a "'integralização" dos mesmos..Anexamos no Processo, por amostra, "tela ANTT histórico dos veículos integralizados" de aproximadamente 40 veículos; Analisando a ECDEscrita Contábil Digital da Transportadora Belmok .Ltda, 'verificamos' que a baixa no Ativo Imobilizado referente aos veículos "integralizados" ocorreu em 'datas' bem posteriores, como por ex. os quase 200 veículos "integralizados" em jan/2009 foram baixados somente em fev/2010. Anexamos ao Processo o "Demonstrativo comparativo" Data Baixa X Data Integralização". Analisamos a escrita contábil Fl. 660DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 661 6 através da ECDEscrituração Contábil Digital do ano calendário de 2010, baixada pelo SPEDSistema Público de Escrituração Contábil através do arquivo digital (HASH) n° 5241143A40E7C1AF6FA54C3C86BCE5855F84AADF e 2011 através do arquivo digital (HASH) n° C83DCDC6FEB8147202FE0FDDF0089A447783458D. Assim, concluímos que a constituição da TBV Veículos Ltda não era necessária e foi criada com o intuito de fraudar tributos fazendários, tendo em vista o que se segue: tem sócio administrador o Sr. Luiz Belmok, que também é o sócio administrador da Transportadora Belmok Ltda; o endereço da Empresa fica dentro do pólo administrativo da Transportadora Belmok Ltda; os veículos foram "integralizados" pelo valor de aquisição descontandose a depreciação; sendo que na maioria já estava totalmente depreciada. Desta forma a investidora não obteve ganho de receitas não operacionais; os veículos integralizados pela investidora Transportadora Belmok Ltda não foram transferidos, em sua maioria, para a propriedade da sociedade investida TBV Veículos Ltda, que, portanto comercializou veículos em seu nome pertencentes a terceiros; a TBV Veículos Ltda foi constituída apenas para administrar a venda de "veículos integralizados"; nunca teve empregados, apenas contribuintes individuais que foi o próprio sócio administrador e a contadora da Transportadora Belmok Ltda; sendo optante pelo Lucro Presumido,: obteve benefícios tributários; a investidora Transportadora Belmok Ltda. foi beneficiária, em 2010 e 2011, de R$17.033.028,45 oriundos da TBV Veículos Ltda a titulo de distribuição de "Lucros/Dividendos", valor que depois foi excluído na apuração do Lucro 'Real da Transportadora dos respectivos anos, neutralizando seus efeitos tributários. 3 DAS OUTRAS RECEITAS Pelo exposto nos itens 1 e 2 acima, concluímos que a alienação dos veículos realizadas pela TBV Veículos Ltda, foi de fato alienação camuflada realizada, pela Transportadora Belmok Ltda, e desta forma considerada com Ganho de Capital que deveria ser oferecida à tributação, calculada mensalmente pela diferença entre o valor da alienação e o valor contábil (valor já depreciado) de cada veiculo; Fl. 661DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 662 7 Na tabela abaixo, demonstramos mensalmente os valores da alienação realizada pela TBV Veículos Ltda, os valores já depreciados destes veículos (valor contábil) e as Outras Receitas que serão atribuídas a Transportadora Belmok Ltda. O valor da alienação teve como fulcro as NfeNotas Fiscais Eletrônicas não canceladas da TBV Veículos Ltda e o valor contábil .é o valor informado' pela própria Empresa no Contrato Social/Alterações onde constam as respectivas "integralizações": O "demonstrativo analítico das alienações da tabela acima, contendo o número das Notas Fiscais, com suas datas de emissão, valor e as características de cada veículo alienado, assim como os valores contábeis de cada um, se encontra anexado nos autos; Também anexamos aos autos a "relação dos veículos integralizados e respectiva data" onde consta o instrumento (Contrato Social/Alteração) da respectiva "integralização". 4 DA CONCLUSÃO Está sendo, lançado, no presente Auto de Infração, os valores devidos a titulo de IRPJ e CSLL, incidentes sobre o ganho de capital nas alienações de bens, do ativo permanente, conforme demonstrada na tabela do item 3, nos termos do art. 32, § 2° da Lei n° 8.981/95; O adicional do IRPJ previsto no artigo 542 do Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 RIR/99, será lançado somente sobre a parcela excedente ao valor previsto no caput do artigo, tendo em vista que esta parcela ainda não foi deduzida no cálculo do IRPJ pela Empresa. 5 DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Fl. 662DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 663 8 Exigirseá, no lançamento, multa de oficio, de 150%, prevista no §1º combinado com o inciso I do Art. 44 da Lei n° 9.430/96, face as seguintes condutas: a constituição da TBV Veículos Ltda. não era necessária e foi criada com o intuito de sonegação de tributos fazendários; a TBV Veículos Ltda tem como sócio administrador o Sr. Luiz Belmok, que também é o sócio administrador da Transportadora Belmok Ltda; o endereço da Empresa fica dentro do pólo administrativo da Transportadora Beimok Ltda; os veículos foram "integralizados" pelo de valor de aquisição descontandose a depreciação, sendo que a maioria já estava totalmente depreciada, sendo integralizados por R$ 1,00 (hum real). Desta forma a investidora não obteve ganho de receitas não operacionais; os veículos integralizados pela investidora Transportadora Belmok Ltda não foram transferidos, em sua maioria, para a propriedade da sociedade investida TBV Veículos Ltda, que, portanto comercializou veículos em seu nome pertencentes a terceiros; os valores investidos na TBV Veículos Ltda retornavam para a investidora em forma de "Distribuição de Lucros", com imunidade tributária; a TBV Veículos nunca teve empregados, apenas contribuintes individuais que foi o próprio sócio administrador e a contadora da Transportadora Belmok Ltda; a TBV Veículos Ltda sendo optante pelo Lucro Presumido, obteve benefícios tributários; Desta forma, temos uma situação, em tese, de fraude e sonegação prevista nos Arts. 71 e 72 da lei 4.502/64. (...) 6 DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO E DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Foi juntado ao Processo, o relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO – TRANSPORTADORA BELMOK X RODA BRASIL LTDA no qual detalhamos a evidente formação de um Grupo Econômico de Fato entre as Empresas Transportadora Belmok Ltda e Roda Brasil Ltda, pelas situações verificadas: Atividades complementares Fl. 663DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 664 9 Aguda dependência entre as Empresas Confusão patrimonial Transferência de ativos Confusão Financeira Elevado número, de empregados em comum Grupo Econômico reconhecido pela Justiça do trabalho O artigo 124, inciso I, do CTNCódigo Tributário Nacional possui a seguinte redação, in verbis: "Art. 124 . São solidariamente obrigadas: 1 as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Desta forma, nos termos do Art. 124, inciso I do CTN, as 2 Empresas serão consideradas pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal. Com relação, aos sócios administradores, além do Art. 124, inciso I já citado, temos no artigo 135, inciso III, do CTNCódigo 'Tributário Nacional a seguinte redação, in. verbis: "Art. 135. São pessoalmente, responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: ... III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Durante a ação fiscal, verificamos que na relação comercial entre as Empresas Transportadora Belmok Ltda e Roda Brasil Ltda, ocorreram fatos com abuso da personalidade, jurídica, detalhados no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL – GRUPO ECONÔMICO DE FATO: Negócio Jurídico Dissimulado. Ausência de Propósito Negocial Infração à Lei Assim, nos termos do Art. 124, inciso I e Art. 135, inciso III do CTN, os sócios administradores abaixo serão considerados pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal: Fl. 664DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 665 10 Sr. Luiz Belmok CPF 744.220.73753 Sócio Administrado da TBV Veículos Ltda e da Transportadora Belmok desde 01/04/2002 Sr. Renato Belmok CPF. 989.130.18772 Sócio Administrador da Roda Brasil Ltda desde a sua constituição em 28/10/1999 Sr.Claudionir Belmok CPF 861.477.73704 Sócio Administrador da Roda Brasil Ltda desde a sua constituição em 28/10/1999”. A descrição das imputações, anexas aos autos de infração apontam o seguinte relato (fls. 193/194): “CNPJ 03.475.418/000143 Nome Empresarial RODA BRASIL LTDA Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Motivação Constatamos a existência de um Grupo Econômico de Fato entre as Empresas Transportadora Belmok Ltda e Roda Brasil Ltda, conforme detalhado no relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO, que se encontra anexado ao Processo. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. CPF 744.220.73753 Nome LUIZ BELMOK Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação Sócio administrador da Transportadora Belmok Ltda considerado pela fiscalização como Sujeito Passivo Solidariamente Responsável pelos créditos tributários lavrados na Empresa, por ter agido com infração à Lei, conforme detalhes no relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL – GRUPO ECONÔMICO DE FATO que se encontra anexado ao Processo. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66. CPF 989.130.18772 Nome RENATO BELMOK Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação Sócio administrador de direito da Roda Brasil Ltda, que juntamente com a Transportadora Belmok Ltda foi considerado um Fl. 665DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 666 11 Grupo Econômico de Fato, tendo os sócios de ambas praticados atos com infração à lei e desta forma considerados pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal. Os detalhes estão no relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO, que se encontra anexado ao Processo. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66. CPF 861.477.73704 Nome CLAUDIONIR BELMOK Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação Sócio administrador de direito da Roda Brasil Ltda, que juntamente com a Transportadora Belmok Ltda foi considerado um Grupo Econômico de Fato, tendo os sócios de ambas praticados atos com infração à lei e desta forma considerados pela fiscalização como Sujeitos Passivos Solidariamente Responsáveis pelos créditos tributários constituídos na ação fiscal. Os detalhes estão no relatório TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO, que se encontra anexado ao Processo. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66”. Cientificados do resultado da ação fiscal, contribuinte e responsáveis solidários apresentaram peça única e conjunta de impugnação (fls. 395/474), juntando documentos, assim resumida pelo relatório da decisão contestada, aqui adotado com eventuais adaptações, se necessárias: “NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE AUTO DISTINTO PARA A PENALIDADE “FRAUDE” – VIOLAÇÃO AO ARTIGO 9º DO DECRETO 70.235/72, COM REDAÇÃO DADA PELA Lei 11.941/2009. O referido dispositivo determina que sejam formalizados autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade e a multa isolada de 150% que teve como fundamento a presunção de fraude por parte dos impugnantes não teria sido lançada em auto distinto. Configuraria ofensa aos princípios constitucionais do Contraditório, da Ampla Defesa e do Devido Processo Legal, devendo, portanto, o Auto de Infração ser declarado nulo, nos termos do art. 12, inciso II, do Decreto 7.574/2011 e artigo 59, II do Decreto 70.235/73. ILEGITIMIDADE DA DESCONSIDERAÇÃO DA EMPRESA TBV VEÍCULOS LTDA. A) INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE LEI ORDINÁRIA: ARTIGO 116, §ÚNICO DO CTN. NORMA DE EFICÁCIA Fl. 666DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 667 12 LIMITADA – VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO /AMPLA DEFESA. A legislação tributária não possuiria uma lei que regulamentasse o parágrafo único do art.116 do CTN que autorizasse a fiscalização a desconsiderar negócios jurídicos com o fito de cobrar tributos, como foi feito no caso em tela, ao desconsiderar os contratos de constituição ida empresa TBV VEÌCULOS LTDA. B) FALTA DE PROVAS: ÔNUS DA PROVA DA AUTORIDADE FISCAL AUSÊNCIA DE PRESUNÇÃO RELATIVA LEGAL DO ILÍCITO ALEGADO. A fiscalização teria desconsiderado a constituição da empresa TBV Veículos Ltda., com base em indícios e suposições, sem apresentar provas cabais da pretensa intenção de ter o contribuinte a intenção de fraudar o fisco. A empresa teria sido criada em razão de o objeto da 1ª impugnante ser a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga o que o impediria de vender os veículos de seu ativo. C) INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL COM VEÍCULOS E A TRANSFERÊNCIA JUNTO AO DETRAN. A falta de transferência de alguns veículos não invalidaria a operação de integralização, podendo ser considerada um erro material, um mero descumprimento de obrigação acessória. A NÃO EXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Para caracterizar a formação de um Grupo Econômico seria necessário o controle de uma empresa sobre todas as demais, controle este que deveria ser fundado na titularidade de ações ou cotas ou mediante acordo entre os sócios, o que não seria o caso. a) ATIVIDADE ECONÔMICA E IDENTIDADE DE QUADRO SOCIETÁRIO. As empresas impugnantes não estariam sob a direção, o controle ou a administração de uma unidade centralizadora. b) RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE AS EMPRESAS. A relação comercial entre as empresas não teriam o condão de propiciar a conclusão de que as empresas formariam um grupo econômico. c) OUTROS CLIENTES RODA BRASIL LTDA. nos anos calendário de 2010 e 2011 o faturamento da empresa Rosa Brasil Ltda., não seria exclusivamente referente ao contrato de locação de veículos automotores para a empresa Transportadora Belmok Ltda. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE NO EVENTUAL GRUPO ECONÔMICO. Não teria havido qualquer planejamento tributário e tampouco qualquer prejuízo ao erário, pelo fato de as duas empresas tributadas pelo lucro real, o que anularia qualquer possibilidade de redução de tributo. TRIBUTOS PAGOS PELA TBV VEÍCULOS LTDA. Em face da desconsideração da existência da TBV Veículos Ltda, deveria ser abatido os valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada nos anos de 2010 e 2011. INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE ENTRE AS EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO – INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO OU INTERESSE COMUM: ART. 124, I DO CTN. Em nenhum momento teria a fiscalização demonstrado que a empresa Roda Brasil Ltda. tivesse alguma participação, interesse ou beneficio com as transações efetuadas entre a Transportadora Belmok Fl. 667DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 668 13 Ltda e a TBV Veículos Ltda, não podendo figurar no pólo passivo da presente relação jurídicotributária. INEXISTENCIA DE COMPROVAÇÃO INFRAÇÃO À LEI OU ESTATUTO SOCIAL DAS EMPRESAS – REDIRECIONAMENTO ILEGAL – ILEGITIMIDADE DOS SUJEITOS PASSIVOS PESSOAS FÍSICAS – ART. 135, III, DO CTN. Seria necessário que a fiscalização tivesse demonstrado que os sócios responsabilizados atuaram com excesso de poderes ou violaram a lei, em virtude da não demonstração da ocorrência das hipóteses autorizadoras para tanto, deveriam ser excluídos da lide fiscal. CANCELAMENTO OU REDUÇÃO DAS MULTAS APLICADAS – EFEITO CONFISCATÓRIO – VIOLAÇÃO AO ART. 150, IV, DA CF/88 – EXPRESSA VIOLAÇÃO AO ENTENDIMENTO DO CARF.A incidência de multa confiscatória por seu montante expressivo ou despropositado em razão da natureza do delito ou infração tributária, não seria permitida pela Constituição, e deveria ser afastada pela própria diretriz da capacidade contributiva, que obsta a imposição de penas que exorbitem a capacidade econômica dos indivíduos; o que levaria a justificar o afastamento das multas aplicadas. MULTA DE OFÍCIO; QUALIFICAÇÃO INDEVIDA – NÃO COMPROVAÇÃO DE FRAUDE – ENTENDIMENTO PACIFICADO NO CARF. A qualificação da multa seria totalmente ilegal, porque não teria sido comprovado pela fiscalização a existência de fraude”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 527/549) Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou procedentes os lançamentos, manteve a multa qualificada aplicada (150%) e as imputações de responsabilidade solidária apontadas. Excertos do voto condutor mostram a posição firmada pela Turma a quo: “No mérito aduz inicialmente o impugnante que, seria ilegítima a desconsideração da empresa TBV Veículos Ltda, ora por ausência de regulamentação do parágrafo único do art. 116 do CTN, ora por falta de provas e por fim que seria um mero erro formal a não transferência dos veículos junto ao Detran na integralização social da mesma. A figura da desconsideração da personalidade jurídica, oriunda do direito norteamericano (“disregard of legal entity doctrine”), foi incorporada ao novo Código Civil, veiculado pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Esse fato não importou em novidade normativa, posto que a legislação extravagante nacional já havia adotado a figura anteriormente (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, o Código de Defesa do Consumidor e outras). Em que pese a radical diferença entre os dois sistemas jurídicos, o primeiro assentado sobre o binômio costumesjurisprudência e o segundo sobre a lei, a regra em questão foi acolhida ao corpo do novo Código Civil, nos seguintes termos: (...) Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 669 14 A regra contém hipótese e conseqüência, definindo, também, a pessoa competente para a aplicação da norma. Verificado o uso abusivo da personalidade jurídica, consistente em desvio de finalidade ou confusão patrimonial (hipótese), poderá o juiz (competência) estender os efeitos de relações obrigacionais aos bens particulares dos sócios ou administradores (consequência). A análise da norma em contraste com os fatos e o lançamento permite a formação de tranquila convicção no sentido de que a desconsideração da personalidade jurídica, prevista no art. 50 do Código Civil, não foi aplicada ao caso dos autos. O lançamento impugnado trata de simulação. O negócio jurídico simulado é nulo, nos termos do art. 167 do Código Civil. A regra do art. 50, ao contrário, trata de negócios válidos. Fundamental enaltecer a expressão “estender”, porquanto o consequente da norma encontra se emoldurado pelo verbo e jungido à hipótese. A relação obrigacional que, em princípio, atingiria apenas o patrimônio da pessoa jurídica, passa, por via de declaração judicial, lastreada no art. 50 do Código Civil, a atingir (é estendido a ele) o patrimônio dos sócios ou administradores. Caso o patrimônio da pessoa jurídica não seja suficiente para a quitação da dívida, os bens daqueles terceiros responderão por ela. Não tem cabimento estender os efeitos de um negócio jurídico nulo (simulação) a terceiras pessoas. Assim, impossível confundir a simulação com a desconsideração da personalidade jurídica. Diante das razões constantes do parágrafo anterior, sem sentido a aplicação do disposto no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005. Quanto à impossibilidade do Fisco considerar a prática da simulação na feitura do lançamento, isso em virtude da não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN, também não merece guarida. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. Não haveria qualquer sentido na inserção de norma nova no código, a par de outra já existente que não foi revogada, para regular a mesma matéria. Não merece melhor sorte a alegação de que a não transferência dos veículos junto ao DETRAN na integralização social da empresa do mesmo grupo econômico seria mero erro formal. Tal fato, claramente evidencia a confusão patrimonial existente entre as empresas do mesmo grupo econômico, como fartamente trazido aos autos pela fiscalização. Aduz ainda o impugnante que, a fiscalização teria desconsiderado a constituição da empresa TBV Veículos Ltda., com base em indícios e suposições, sem apresentar provas cabais da pretensa intenção de ter o contribuinte a intenção de fraudar o fisco. Acrescenta que a empresa teria sido criada em razão de o objeto da 1ª impugnante ser Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 670 15 a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga o que o impediria de vender os veículos de seu ativo. Não merece prosperar referido entendimento por dois motivos. Há uma por não haver no ordenamento jurídico tributário, nenhum dispositivo legal que impeça uma empresa prestadora de serviços alienar bens de seu ativo como quer fazer crer o impugnante. E por último e não menos importante pelo contrário, os elementos trazidos aos autos em razão das constatações no curso da ação fiscal, e mais uma vez compilados, prescinde de qualquer presunção relativa legal como pretende o impugnante. Senão vejamos: (...) Importante salientar que, caso a Transportadora Belmok Ltda. houvesse ela própria alienado referidos veículos, haveria apuração de ganho de capital tributável. Porém, tendo em vista que a TBV Veículos Ltda., integrante do mesmo grupo econômico, é optante pelo lucro presumido, esta sistemática de apuração produziu carga tributária menos gravosa sobre a operação. Destarte, essa sequência de operações (“integralização” de capital com veículos e venda dos veículos) revelouse sem propósito negocial, sendo seu único fim a diminuição da carga tributária incidente sobre a operação. Correto, portanto, o entendimento da autoridade autuante no sentido de tributar a operação, de fato, ocorrida. Insurgese, ainda, o impugnante alegando a não existência de grupo econômico, ora aduzindo que não estariam sob a mesma direção e controle, ora aduzindo que a relação comercial entre as empresas não teriam o condão de propiciar a conclusão de que as empresas formariam um grupo econômico, ora alegando que o faturamento da empresa Roda Brasil Ltda, nos anos em análise não se referiria somente ao contrato de e locação de veículos automotores para a empresa Transportadora Belmok Ltda. Para melhor compreender arrolamos a seguir as constatações da fiscalização relatadas no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO – TRANSPORTADORA BELMOK X RODA BRASIL LTDA de 173/189. No curso da ação fiscal, desenvolvida simultaneamente nas duas empresas acima referidas, foi constatado a existência de um GRUPO ECONÔMICO DE .FATO entre as mesmas, pelas situações fáticas pela fiscalização descrita onde se evidenciou a existência de conglomerado familiar, atividades complementares, aguda dependência, confusão patrimonial e financeira, empregados em comum entre outras, tudo isso numa relação .com ausência de propósito negocial e infração à lei. Observouse que as atividades econômicas das duas Empresas são complementares, pois a Transportadora Belmok Ltda tem como atividade o Transporte Rodoviário de Cargas, enquanto que a Roda Brasil Ltda tem como atividade principal a Locação de Veículos em Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 671 16 Geral, sendo que vêm transacionando comercialmente há anos como locadora e locatária de veículos respectivamente. Até o ano de 2010, o faturamento da Roda Brasil Ltda era exclusivamente das receitas de locação de caminhões para a Transportadora Belmok Ltda, sendo que ainda hoje as receitas oriundas da Transportadora Belmok Ltda representam o principal faturamento da Roda Brasil Ltda. Da análise do contrato de locação por elas firmado verificou a fiscalização a existência de cláusulas atípicas, com características que visam burlar o fisco. Observouse, por exemplo, que o valor estipulado nos contratos não dependia do uso e da quantidade de veículos usados. Não foi encontrado a estipulação da periodicidade dos pagamentos, se semanal, mensal, anual, ficando as partes à vontade para entenderem da melhor maneira que lhes conviesse. As renovações que poderiam ser anual ou semestral não permitiram à fiscalização chegar a uma conclusão sobre o valor total de casa contrato celebrado. (...) Importante salientar ainda que foi constatado também pela fiscalização que na contabilidade da Transportadora Belmok, nos anos de 2010 e 2011, diversos pagamentos que pertenciam às despesas da Roda Brasil Ltda e que posteriormente, eram estornados, o que demonstra a proximidade fiscal entre as mesmas já que os documentos para liquidação de contas eram encaminhados para os devedores, errados. A alternância de vínculos de empregados nas duas empresas foi comprovada com planilha colacionada pela fiscalização com dados da GFIP, constando os empregados em comum nas duas empresas com suas datas de admissão e de demissão, ficando evidenciado que a transferência de empregado de uma para outra empresa do grupo mantéemse a data de início da admissão, conforme legislação trabalhista quando o empregado é transferido para empresa do mesmo grupo econômico. Sendo assim, diante destas constatações não há como aceitar as alegações dos impugnantes, visto que no relatório fiscal, a fiscalização informa que os fatos e a substanciosa documentação analisada comprovam a existência de grupo econômico que se formou para fins de burlar o fisco e possibilitar o gozo de vantagens às pessoas jurídicas e às pessoas físicas a elas relacionadas através de "blindagem patrimonial". Portanto, correta a responsabilização solidária passiva das empresas, com base no art. 124, I do CTN, pela participação comum nos fatos geradores objetos da autuação. Quanto às pessoas físicas, a fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios administradores na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva nos artigos 124, I, e 135, do CTN: Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 672 17 (...) Havendo o enquadramento no art. 124, I, do CTN, por força do interesse comum, este deve ser demonstrado. A fiscalização deve demonstrar a existência de um liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, fazendo constar que têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, a atuação é complementar; ou caracterizar confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidências de sócios e administradores, etc. Enquadramse nesta hipótese, por exemplo, pessoas jurídicas que são sócias, de fato, de sociedade formalmente constituída, porquanto configuram um grupo econômico de fato. Como acima mencionado, as empresas atuavam em conjunto, sob o comando da família BELMOK, como bem caracterizado no Termo de Constatação Fiscal de fls. 173/189. Assim, na hipótese de constatados fatos os quais ensejam a qualificação da penalidade, tal como no caso presente, de sonegação fiscal, fraude e conluio, há a responsabilidade dos sócios administradores da empresa, ao tempo do fato gerador, segundo as disposições do art. 135, III, do CTN, dada a infração de lei, a qual acarretou a falta de recolhimento do tributo devido, pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Com efeito, a pessoa jurídica é uma ficção da lei, não sendo capaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, que são quem demonstram capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade. O referido art. 135, III, do CTN não desonera a contribuinte, em relação ao crédito tributário, porque trata, igualmente, de responsabilidade solidária, conforme entendimento expresso no Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, o qual se fundamenta na jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça –STJ. No caso presente, como já enfatizado, não se olvida ter havido infração de lei com repercussão no âmbito tributário, dada a ocorrência da subtração de rendimentos à tributação, por meio de sonegação, fraude e conluio, que implicaram, inclusive, na qualificação da penalidade. Nesse contexto, subsiste a sujeição passiva dos sócios administradores expressamente responsabilizados na autuação. Quanto à alegação de que em face da desconsideração da existência da TBV Veículos Ltda, deveria ser abatido os valores pagos a título de IRPJ e CSLL pela empresa desconsiderada nos anos de 2010 e 2011, cumpre esclarecer que a fundamentação legal da presente autuação não está fundada na desconsideração da existência da TBV Veículos Ltda., como quer fazer crer o impugnante, mas sim na exigência fiscal sobre o ganho de capital apurado incorretamente pela Transportadora Belmok Ltda., na alienação de bens do seu ativo Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 673 18 permanente (veículos). Não havendo pois que se falar em abatimento de eventuais valores pagos pela TBV Veículos LTDA. No tocante à alegação da compensação dos valores pagos pela TBV Veículos LTDA. caso não fossem considerados devidos, nos anos calendário 2010 e 2011, como pleiteia o impugnante, cumpre esclarecer que não cabe a esta esfera administrativa a análise de referido pedido em primeira instância”. Na conclusão, o Acórdão recorrido voltouse para a multa qualificada e entendeu correto o trabalho fiscal, assentando que “a simulação perpetrada pelo Impugnante, no intuito de majorar custos ou despesas e omitir receitas, por meio de planejamento tributário feito por empresas do mesmo grupo econômico, o foi no sentido de violar ou fraudar a legislação fiscal brasileira, feita no intuito único de reduzir o montante dos tributos devidos, modificando as características essenciais dos fatos geradores envolvidos objeto da presente ação fiscal. Em suma, existiu, pois, uma simulação maliciosa feita no intuito de violar a lei fiscal brasileira”. Para concluir: “portanto, no TVF, restou devidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%”. O Acórdão guerreado restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE VEÍCULO OPERAÇÃO SOCIETÁRIA PROPÓSITO NEGOCIAL. Não há propósito negocial na integralização de capital social, por meio de veículo, em empresa integrante do mesmo grupo econômico, tributada pelo lucro presumido, em operação desnecessária, cujo único fim foi a redução da carga tributária incidente sobre o ganho de capital decorrente da subsequente venda do mesmo veículo. O ganho de capital deve ser tributado no contribuinte que, de fato, efetuou a venda do veículo e recebeu os recursos dessa venda. SIMULAÇÃO. PROVA ROBUSTA. Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário convergente, cabível a identificação da verdade dos fatos e a exigência dos tributos devidos. A não edição da lei a que se refere o parágrafo único do art. 116 do CTN não constitui óbice para o lançamento fiscal decorrente da prática da simulação. Antes das alterações normativas implementadas pela Lei Complementar nº 104, de 2001, o CTN já previa a hipótese da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício nos casos em que comprovada a existência de atos ou negócios jurídicos simulados (art. 149, VII). A dissimulação prevista no art. 116, parágrafo único, é uma hipótese nova e distinta da simulação. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 674 19 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DIREÇÃO. INTERESSE COMUM. Se a direção de um grupo econômico de fato se corporifica em formas de controle direto, através dos quais a direção do grupo decide pela própria realização das operações e negócios das demais sociedades, bem como administra os encargos deles decorrentes, como é a atividade consistente no pagamento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, nesse caso, há vinculação ao fato gerador, que consista em atos ou negócios jurídicos determinados concretamente pela direção unitária, ensejando a responsabilização solidária passiva com base no art. 124, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício será qualificada, no percentual de 150%, conforme estabelece a lei, sempre que houver o intuito de fraude, devidamente caracterizado em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estende ao reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte Transportadora Belmok Ltda. foi cientificada do R. decisum em 06/08/2015 (fls. 565) e os sujeitos passivos solidários em 18/08/2015 – Luiz (fls. 567), 18/08/2015 – Claudionir (fls. 570) e 17/08/2015 – Renato (fls. 573). Não consta dos autos a ciência à pessoa jurídica Roda Brasil Ltda. De toda forma, conjuntamente com a contribuinte e demais solidários acostou recurso voluntário em 04/09/2015 (fls. 576/640), pelo que se considera suprida esta falha processual. Na peça recursal aduzse: 1. Preliminarmente, nulidade formal do auto de infração, sustentando ser inadmissível que a multa atinja 100% do valor do tributo (referese a decisão do STF); 2. Ainda em preliminar, aponta que devem ser lavrados autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade; 3. No mérito batese contra a mantença dos lançamentos e reclama do que classifica de “rolo compressor” (Fisco), que “passa por cima de tudo que está à sua frente, com o fito de arrecadar, sem observar o ordenamento jurídico”; 4. Que teria havido inovação no julgamento pela DRJ, isto porque o Fisco nunca falou em desconstituição do negócio, mas sim da empresa TBV Veículos; 5. Como a TBV não aparece no rol do pólo passivo, ficaria claro que foi a pessoa jurídica que foi desconsiderada e não o negócio; Fl. 674DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 675 20 6. Sustenta que o artigo 116, do CTN carece de regulamentação e que não poderia servir de suporte ao Fisco; 7. Que a TBV foi regularmente constituída e registrada nos órgãos competentes (Junta Comercial e Receita Federal); 8. Realça a “ausência de competência da autoridade administrativa para desconsiderar negócios jurídicos pelo contribuinte” (RV – fls. 585), volvese à inexistência de lei reguladora do art. 116, do CTN, traz doutrina e jurisprudência; 9. Atenta que a Fiscalização “desconsiderou o ato jurídico (...) tendo em vista meros indícios e suposições, sem apresentar provas cabais da pretensa intenção de fraudar o fisco”; 10. Traz doutrina e argui que o ônus é do Fisco em provar a ilicitude, o que não conseguiu fazer; 11. Que a recorrente e a TBV são pessoas jurídicas distintas; 12. Reafirma o que já havia escrito na impugnação inaugural de que “a necessidade da criação da empresa aqui em estudo ocorre tendo em vista o objeto (...) ser a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga, não podendo, pois, exercer a atividade de venda de veículos de seu ativo”, argumento que foi refutado pela DRJ, mas que, na verdade, o que efetivamente quis dizer foi que “a empresa deve ser restrita ao seu objeto social incluso em seus atos constitutivos”; 13. Por isso, “houve por bem criar uma outra empresa para que o fizesse, sem qualquer ilegalidade ou proibição normativa”, separando seu negócios, tudo isso “pensado sob uma perspectiva empreendedora, contábil e negocial”, com apoio na Constituição Federal que defende a livre iniciativa; 14. Que “propósito negocial não tem definição taxativa em Lei”, que há muita “subjetividade” e que, assim, a Fiscalização não poderia desqualificar o procedimento adotado, sob pena de violar o princípio da legalidade; 15. Pontua que “o que não é proibido (por Lei) é permitido”, junta mais doutrina e jurisprudência, sustenta que a TBV Veículos está rigorosamente dentro da legalidade, não teria havido dissimulação, nada seria oculto ou fingido, falso ou de máfé e que o Fisco nada conseguiu provar neste sentido; 16. A respeito da integralização do capital social da TBV com veículos usados da Transportadora Belmok Ltda. e que não haviam sido ainda transferidos no Detran, alega estarse diante de mero erro que não pode afetar a verdade material ; 17. Sobre o “grupo econômico” imputado pelo Fisco reage e diz inexistir, lastreandose em conceitos doutrinários e decisões judiciais. 18. Mais, que a recorrente (Transportadora Belmok Ltda,) e a responsável solidária Roda Brasil Ltda., após desavenças entre os sócios (da mesma Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 676 21 família), têm que ser vistas como empresas independentes e não ligadas, “até pela dificuldade de entendimento comercial entre os sócios, após a dissolução dos negócios” (negritado no original); 19. Que o fato de haver relacionamento comercial entre as duas empresas não leva à configuração de grupo econômico; que nem todos os clientes são comuns entre elas; e que a DRJ não enfrentou o tema, o que seria uma afronta ao contraditório e ampla defesa; 20. Ressalta que o “compartilhamento de empregados entre os grupos econômicos é tão comum que o empregado contratado por uma das integrantes pode ser, posteriormente, transferido para prestar serviços em favor de qualquer das empresas agrupadas, por força de um único contrato de emprego, porque o empregador é único e todas as empresas respondem solidariamente quanto à relação de emprego” (RV – fls. 610), mas que tal solidariedade restringese à “seara TRABALHISTA, que tem regulamentação própria (...) e, nem de longe, serve para os créditos tributários”; (destaques no original); 21. Aponta que o CARF “entende legítimo e legal compartilhamento de funcionários e até máquinas e equipamentos por empresas do mesmo grupo (...) sem qualquer ilegalidade ou fraude ou lesão ao Fisco”; (ibidem); 22. Reclama que os tributos pagos pela TBV não foram considerados sob alegação do Fisco de não ter competência para considerálos quando dos lançamentos e que a DRJ teria se esquivado de analisar o tema sob o mesmo argumento; 23. Rebate a imputação de solidariedade feita sob o prisma do artigo 124, I, do CTN, posto que apoiada em suposto grupo econômico e que é preciso provar o “interesse comum” a que alude o dispositivo; 24. Que a DRJ mais uma vez teria se esquivado de analisar seus argumentos o que implicaria suprimir instância; 25. Diz restar claro que a responsabilidade solidária presente no artigo 124, I, do CTN, impõe “existência de interesse comum”, não bastando mero vínculo empresarial entre as empresas; 26. Acosta doutrina e jurisprudência e prossegue: “a situação que constituiu os supostos fatos geradores que se tenta imputar a corresponsabilidade [da Roda Brasil] se deu exclusivamente no âmbito jurídico da (...) Belmok”, mas que isso em “nada beneficiaria” a Roda Brasil ou seus sócios; 27. Volta a insistir que o único argumento adotado pelo Fisco teria sido o “grupo econômico”, tese já refutada pela jurisprudência administrativa e judicial e que as empresas são independentes e realizaram operações distintas uma da outra; 28. Quanto à responsabilização com fulcro no artigo 135, III, parte para o mesmo combate entendendo ser inaplicável a imputação, que teria que ter havido comprovação pelo Fisco da prática dos atos lesivos ali listados e Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 677 22 que a DRJ também neste caso não enfrentou os argumentos expendidos na impugnação; 29. Finalmente, clama contra a aplicação da multa de ofício qualificada por entender não presentes os requisitos para tal exasperação, no caso, os preceitos firmados nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964; 30. Aduz, ainda, o caráter confiscatório da multa aplicada, aponta que cabe ao Fisco provar a fraude alegada e encerra requerendo o provimento do recurso voluntário e reforma de decisão recorrida. Alternativamente, pugna pelo aproveitamento dos tributos pagos pela TBV Veículos e a redução das multas. Reafirmase que os quatro sujeitos passivos solidários (três pessoas físicas e uma pessoa jurídica) compuseram a peça recursal. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 678 23 Voto Vencido Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário protocolizado em 04/09/2015 (fls. 576/640) aproveita a todos os imputados, contribuinte e solidários, inclusive a Roda Brasil que não foi cientificada da decisão recorrida, é tempestivo, a representação processual está corretamente formalizada (fls. 475/500) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Em preliminares, a recorrente argui nulidade em duas frentes, a primeira, pela fixação de multa em patamar superior ao do próprio tributo e que, no seu entender, seria inadmissível. Refuto o aduzido. A lei que determina a gradação das penalidades no âmbito do IRPJ e da CSLL (Lei nº 9.430/1996) está em plena vigência, foi votada pelos representantes do povo no Congresso Nacional, sancionada pelo Chefe do Executivo e não consta tenha sido objeto de qualquer decisão da Suprema Corte para afastar sua validade. Por isso, constitucional. Neste ambiente, tratandose matéria deste porte, a Súmula CARF nº 2 deve ser observada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Preliminar rejeitada. A segunda, onde suscita que devem ser lavrados autos de infração distintos para cada tributo ou penalidade, igualmente não tem melhor sorte. Sobre o tema, dispõe o artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Compreendidos os ilícitos apurados dentro dos mesmos elementos probatórios, a juntada dos autos em um único processo é medida que se impõe, mais não fosse, até por medida facilitadora para as partes. Rejeito a preliminar. Passo ao mérito. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 679 24 Ainda que os autos contenham cuidadoso e detalhado Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades (TVCI) e não menos prolixa peça recursal, a matéria fática circunscrevese a um só ponto central que é definir se o roteiro traçado pela recorrente de dispor dos seus veículos (basicamente caminhões de alta tonelagem, já obsoletos, desgastados ou o mesmo altamente depreciados e que exigem reposição da frota por outros mais novos), para “integralizar” (pelo valor contábil e residual dos mesmos) o capital social de outra empresa do mesmo grupo econômico TBV Veículos Ltda. seria regular, ou se, como entende o Fisco, representaria simulação e tentativa de fuga à tributação na autuada (na categoria de “ganhos de capital”) para a novel sociedade, esta tributada pelo Lucro Presumido, regime de caixa, onde foram vendidos, com futura distribuição da quase totalidade dos lucros a favor da sua controladora. Além desse aspecto central, existem perimetralmente outras imputações fiscais como a responsabilização de terceiros e a qualificação da multa de ofício. Para melhor entendimento, repiso parcialmente a acusação fiscal apenas em seu tópico inicial, suficiente para a compreensão dos fatos: Durante, a ação fiscal na Transportadora Belmok Ltda, constatamos que a mesma constituiu a Empresa TBV VEÍCULOS LTDA, CNPJ 10.703.795/000158, através do Contrato Social datado de 08/01/2009, juntamente com as pessoas físicas abaixo: Luiz Belmok, CPF 744.220.73753, e José Luiz, CPF 103.341.92730. As duas pessoas físicas acima citadas são também sócias da Transportadora Belmok Ltda, sendo o Sr. Luiz Belmok sócio e administrador tanto da Transportadora Belmok Ltda, quanto da TBV Veículos Ltda. com 98%. das quotas de capital social. O endereço da TBV Veículos Ltda. desde a sua constituição, é o mesmo da filial da Transportadora Belmok Ltda com CNPJ 35.960.202.000240, apenas com a diferenciação de uma sala: Rua Idalino de Carvalho, 30, Sala 04, Bairro Parque Industrial, Viana ES CEP. 29136920; Cabe acrescentar que é no Estado do Espírito Santo que os sócios residem e é na filial, de VianaES onde se concentra a parte administrativa da Transportadora Belmok Ltda; A fim de obter maiores esclarecimentos a respeito da Empresa TBV Veículos Ltda, diligenciamos no dia 26/02/2014 no endereço da mesma. No local fomos recebidos pela funcionária da Transportadora Belmok Ltda na função de contadora a mais de 10 anos na empresa, a Sra. Maria Natividade Costa, que nos relatou o seguinte: que a mesma também prestava serviços de contadora para a TBV Veículos Ltda como autônoma. Hoje a TBV está sem atividade; Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 680 25 que a atividade principal da TBV Veículos Ltda é o comércio por atacado de automóveis novos e usado, caminhões novos e usados, reboques e semi reboques novos e usados; que a TBV Veículos Ltda foi constituída para administrar a venda de caminhões usados da filial da Transportadora Belmoq Ltda; que a TBV Veículos nunca teve empregados e quem prestava serviços para a Empresa, além dela mesma, era o próprio sócio e administrador o Sr. Luiz Belmoq. Anexamos tela da GFIP; que os caminhões alienados pela TBV Veículos Ltda eram veículos “integralizados” pela sócia Transportadora Belmoq Ltda, mas nem todos os caminhões tiveram a transferência de propriedade para a investida; que a TBV é optante pelo Lucro Presumido e o que o lucro retornava aos sócios investidores como dividendos e Ganhos de Capital. Pois bem, este Colegiado tem se defrontado amiúde com autuações fiscais em que se verificam alienações de bens do ativo permanente de uma empresa a favor de empresas vinculadas e especialmente constituídas para este fim. Invariavelmente, tais empresas são submetidas ao lucro presumido, recebem os bens por meios que não geram tributação na proprietária original (integralização de capital, cisão, valor contábil) e tributam o resultado da alienação como receita operacional, o que resulta em inegável vantagem tributária em relação à tributação de ganho de capital sob o regime do lucro real, tendo em vista a aplicação do coeficiente de presunção na primeira hipótese. Nestes casos, à acusação da Autoridade Fiscal, os sujeitos passivos contrapõem argumento no sentido de que se estaria tolhendo a livre iniciativa, preceito de cunho constitucional, que não existe proibição de que se criem tantas quantas empresas os empreendedores julguem importante criar, que a descaracterização feita pelo Fisco padece de vício, face à não regulamentação do artigo 116, do CTN, que os documentos de constituição perante o Registro do Comércio e Repartições Fiscais foram providenciados, etc. Pelejam em engano aqueles que assim pensam. Na verdade, não se pretende tolher a livre iniciativa. Por óbvio, é perfeitamente possível que um grupo econômico decida explorar um novo ramo de atividade, por meio de sociedade constituída para tal. O que não se pode aceitar é que tal “exploração” se limite exclusivamente à alienação dos bens que até pouco antes integravam o ativo permanente da sociedade vinculada. Se assim for, cabe ao Fisco, sim, investigar até que ponto há propósito negocial em tais operações ou se, simplesmente, tal “propósito” teve como fim primeiro, único e último, apurar e pagar menos tributo. No caso concreto, em que pesem as articuladas ponderações da defesa, pareceme claro que o fim que levou a Belmok a constituir a TBV foi exatamente um só: beneficiarse de uma tributação mais amena na sistemática do Lucro Presumido (ainda mais com o regime de caixa e não de competência assumido) e, no final, fazendo retornar à investidora (sem tributação), os lucros apurados pela TBV. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 681 26 E esta constatação nem exige maior digressão, bastando ver os aportes de capital realizados pela Belmok junto à TBV, via transferência de veículos, muitos deles totalmente depreciados, por isso com custo “zero” (o que implicaria “ganho de capital” integral se a alienação tivesse sido feita pela recorrente), onde o Fisco aponta os seguintes números, sendo que os detalhamentos sobre a integralização inicial e subsequentes alterações contratuais, encontramse nos autos (fls. 155/161), em um total de 16 aportes: Igualmente, o detalhamento das “vendas” feitas “formalmente” pela TBV está nos autos (fls. 148/154) e o resumo acima já mostra a enorme diferença entre o montante residual entregue pela recorrente à TBV para integralização de capital e o efetivo montante da alienação (valor de mercado). Vejase que a relação percentual entre uma posição (aporte de capital) e a outra (alienação pelo valor de mercado) estampa índice de 19,1% em 2010 (R$ 2.599.783,00 / R$ 13.594.253,00) e, mais abissalmente ainda, 4,2% em 2011 (R$ 612.868,26 / R$ 14.503.500,00). Induvidoso que o benefício fiscal, com a engenharia realizada, se mostrou altamente interessante sob o ponto de vista de economia tributária. Neste eito, repito, penso não ser lícito e não ter qualquer propósito a constituição de uma verdadeira “empresaveículo”, de vida efêmera, que tem como finalidade única promover a alienação de itens do ativo permanente de outra sociedade, a ela vinculada, seja por participação societária relevante, seja por identidade, total ou parcial, de sócios. Dito isto, a receita das vendas efetuadas por esta "nova empresa", dos bens que pertenciam à sua controladora e que foram incorporados ao seu patrimônio via "aporte de capital", não poderá ser tratada como receita da empresaveículo, mas, sim, como ganho de capital da verdadeira alienante dos bens. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 682 27 Até porque, convenhamos, qual o motivo da TBV estar inserida no contexto empresarial, comercial e de mercado? Para que sua presença se fazia necessário? Será que a Belmok, que conhece o mercado, conhece quem tem interesse em adquirir veículos usados, conhece potenciais compradores, tem estrutura empresarial completa (tanto que a TBV, por não ter estrutura alguma, nem funcionários, utiliza os da recorrente, inclusive os préstimos profissionais da contadora), repitase, não seria mais lógico, coerente e prudente que a própria Belmok, sem atravessadores, realizasse a venda? Afinal, que “plus” a TBV, ainda incipiente no mercado, tanto que depois se tornou “inativa” (TVCI – fls. 163) acresceria aos negócios, ao preço, ao lucro? De modo mais incisivo, se a TVB não surgisse no negócio, a Belmok não conseguiria vender os caminhões usados por preços de mercado e teria que deles se desfazer a preços residuais? A resposta parece não exigir maior esforço, sendo claro que se “alguém” ou “alguma empresa” nesta ciranda tinha condições de obter preço melhor,era quem melhor conhecia o mercado e quem tinha mais experiência, indubitavelmente a Belmok. Então, fechase o raciocínio: Para que a TVB? Enfim, data vênia às extensas argumentações da recorrente, não houve qualquer propósito negocial na operação realizada entre a Belmok e a TVB, esta constituída com o evidente intuito e propósito de pagar menos IRPJ e CSLL. Atitude que, se permitida pelo aplicador da lei, levaria ao descalabro de se constituir estruturas ad hoc apenas para submeter os resultados de determinada operação a determinado regime, fulminando as normas imperativas que regem o Lucro Real e o Lucro Presumido e estabelecem o discrímen entre elas. Deste modo, ausente propósito negocial legítimo a suportar a atividade, resta apenas o intuito de fraudar a lei tributária, exteriorizado, no caso concreto, com o uso abusivo de empresa de passagem, portanto, ilegítimo, permeado por outras nuances, como a brevidade do lapso temporal entre o recebimento dos bens e sua alienação; a distribuição imediata dos resultados das vendas aos sócios, sem reinvestimento dos recursos na nova atividade; falta de estrutura, localização no mesmo endereço, etc. Neste contexto, caem por terra eventuais alegações de segregação de negócios, independência das empresas e cumprimento dos requisitos formais de constituição e funcionamento e que a recorrente e a TBV são pessoas jurídicas distintas. Não há dúvidas que antevendo o ganho de capital que seria auferido na venda de caminhões de sua frota já significativamente depreciados a contribuinte (e, na sua esteira, seus responsáveis) constituíram uma estrutura artificial por meio da qual reduziram a base tributável em razão destas operações e distribuíram o lucro assim auferido àqueles que arquitetaram o esquema de evasão fiscal. Frente a este cenário, revelase destituída de qualquer eficácia a defesa da recorrente no sentido de que “o ônus é do Fisco em provar a ilicitude, o que não conseguiu fazer”; que “a necessidade da criação da empresa aqui em estudo ocorre tendo em vista o objeto (...) ser a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga, não podendo, pois, exercer a atividade Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 683 28 de venda de veículos de seu ativo”; que “a empresa deve ser restrita ao seu objeto social incluso em seus atos constitutivos”; que,por isso, “houve por bem criar uma outra empresa para que o fizesse, sem qualquer ilegalidade ou proibição normativa”, separando seu negócios, tudo isso “pensado sob uma perspectiva empreendedora, contábil e negocial”, com apoio na Constituição Federal que defende a livre iniciativa e que “propósito negocial não tem definição taxativa em Lei”, que há muita “subjetividade” e que, assim, a Fiscalização não poderia desqualificar o procedimento adotado, sob pena de violar o princípio da legalidade. Na verdade, ainda que a recorrente tenha mudado o tom, é sofrível a alegação de que precisaria criar uma nova empresa para efetuar venda de bens do ativo imobilizado porque no seu objeto social não constava esta atividade. Assim fosse, a esmagadora maioria das empresas do Brasil teria que fazer o mesmo, posto ser normal e corriqueiro que nunca ou quase nunca – figura no objeto social das companhias, de modo específico, a “venda de bens do ativo permanente – imobilizado”. De outra parte, acerca das alegações da recorrente de que “propósito negocial” não tem definição em lei, embora verdadeira, encontra contraparte bastante profundo na jurisprudência e doutrina e que repudiam veementemente casos como o aqui estampado. Na doutrina de Antônio Roberto Sampaio Dória, “é necessária a existência de algum objetivo, propósito ou utilidade, de natureza material ou mercantil, e não puramente tributária, que induza o individuou à prática de determinados atos de que resulte economia fiscal” . (in Elisão e evasão fiscal – 2ª Ed. SP – Bushatsky – 1977 – pg. 75). Edmar Oliveira Andrade Filho2 discorre: “(...) o simples propósito de obter uma otimização da carga tributária não seria catalogado como business purpose válido”. Ora, que propósito ou utilidade, que não de natureza tributária, gerou o nascimento da TVB? Nenhum, certamente. Em outra linguagem mas na mesma linha, não há dúvida de que os contribuintes têm o direito de organizar sua vida da maneira que melhor julgarem. Porém, o exercício deste direito supõe a existência de causas reais que levem a tal atitude. No caso, configurouse absoluta falta de propósito negocial a criação da TBV, de existência meramente formal, com o objetivo de obter base de cálculo mais benéfica nas operações de venda de veículos usados da recorrente. Por fim, tudo isso poderia ser relevado se a TBV efetivamente tivesse sido constituída para atuar no segmento de venda de veículos (novos ou usados) de modo geral, ou seja, operando no mercado como qualquer empresa, em regime de livre concorrência, comprando de vários fornecedores e vendendo para clientes os mais diversos. Enfim, praticando atos normais de uma vida empresarial. 2 in Imposto de Renda das Empresas – 10ª Ed. Atlas – SP 2013 – pg. 1006 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 684 29 Não é o que está explícito nos autos. A constituição da pessoa jurídica TBV, como exaustivamente visto e não refutado pela recorrente, só teve uma finalidade: receber, por preços residuais, os caminhões da Belmok, via integralização de capital (em 16 alterações contratuais) e vendêlos a preço de mercado (o que seria igualmente obtido se vendido diretamente pela Belmok) mas com incidência tributária bem inferior àquela que haveria se houvesse exigência de “ganho de capital”. É verdade que tal procedimento até poderia ser aceito se eventualmente uma ou outra operação fosse feita pela TBV com a Belmok. O que não é crível é que as operações sejam feitas SÓ com a Belmok. E em grande quantidade e substanciais valores! Precedentes deste Colegiado em situação idêntica, inclusive referindose a alienação de “veículos” (apenas alterandose “caminhões” – caso dos presentes autos – para ônibus), mostram o quadro com clareza: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 GANHO DE CAPITAL VENDA DE ÔNIBUS USADOS. SIMULAÇÃO. A criação e utilização de terceira sociedade empresária coligada com o fim de oferecer à tributação, sob a forma de lucro presumido, receitas decorrentes da venda de ônibus usados que se fossem tributadas na empresa cedente seriam taxadas integralmente, sob a modalidade de lucro real, autoriza o lançamento da diferença dos tributos na contribuinte cedente, bem como a imputação de multa qualificada em razão da fraude cometida. (Ac. 1101001.059 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2014 – Relatoria – Conselheira Edeli Pereira Bessa – com destaques acrescidos) Já sobre as demais colocações da defesa, especialmente que o Fisco “passa por cima de tudo que está à sua frente, com o fito de arrecadar, sem observar o ordenamento jurídico”; que teria havido inovação no julgamento pela DRJ, isto porque o Fisco nunca falou em desconstituição do negócio, mas sim da empresa TBV Veículos; que há “ausência de competência da autoridade administrativa para desconsiderar negócios jurídicos pelo contribuinte” (RV – fls. 585), e que a Fiscalização “desconsiderou o ato jurídico (...) tendo em vista meros indícios e suposições, sem apresentar provas cabais da pretensa intenção de fraudar o fisco”, melhor sorte não lhe socorre. Primeiro, o “Fisco não é rolo compressor”, apenas cumpre seu papel constitucional como instituição da República incumbida de auditar, apurar, fiscalizar, e gerenciar a arrecadação de tributos federais. Sem excessos. Até porque, se ocorrer, a lei tem a solução. Sobre a inovação da DRJ o reclamo não procede. Em nenhum momento houve a inovação arguida, apenas uma forma ou meio de apreciar as provas, documentos e argumentações das partes e exarar a decisão. Aliás, ao contrário do reclamo da recorrente, a decisão recorrida analisou profundamente os fatos prolatando substancioso acórdão. Se TODAS as minúcias constantes do processo não foram “especificamente” citadas pela decisão contestada, não significa não terem sido apreciadas, mas apenas que os julgadores já se Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 685 30 sentiram confortáveis e satisfeitos com o contexto examinado de forma a poder proferir o julgamento pertinente. Aliás, importante frisar, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem acerca de todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Sobre esse tema, decisões do Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG – agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 686 31 Sintetizando, a recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Sobre a inovação suscitada, tanto a Fiscalização, quanto a decisão recorrida e este Acórdão perfilam no mesmo diapasão: não se desconstituiu a empresa TBV, mas o “negócio” realizado entre ela e a recorrente, por falta de “propósito”. Tanto assim é que a TBV, embora inativa, ainda permanecia formalmente constituída quando da realização do procedimento fiscal. Finalmente, sobre as questões envolvendo o artigo 116, do CTN, louvome de excerto do voto da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa exarado no Acórdão nº 1302 001.841, de 07/04/2016, que bem analisou a matéria e aqui o adoto, com as adaptações necessárias ao caso concreto apreciado (veículos ao invés de imóveis): “No caso presente, por sua vez, a simulação está robustamente demonstrada porque a interposição de (...) nas operações em questão somente se dá (...) sem que (...) exerça qualquer atividade imobiliária, figurando apenas como titular da conta bancária que recebe os recursos advindos da alienação e os destina ao principal sócio do grupo empresarial e a outras empresas do grupo. Imprópria, assim, a defesa das recorrentes contrária à interpretação econômica do Direito Tributário e em favor da legalidade de opção pela estrutura fiscalmente menos onerosa, na medida em que não houve estudo prévio para escolha desta opção, de modo a viabilizar a transferência dos imóveis e os direitos correlatos previamente para que (...) os negociasse, exercendo a dita atividade (...). A simulação, assim, foi o meio encontrado para alcançar menor incidência tributária, alterando as características do fato gerador, e constituindo cenário que permite ao Fisco promover o lançamento a partir dos fatos efetivamente ocorridos, com fundamento no art. 149, inciso VII do CTN, sem precisar recorrer ao disposto no parágrafo único no art. 116 do CTN”. (negritei). Finalizando, a ilicitude contaminou a operação, de forma que, neste caso, nem há que se falar em utilização do artigo 116, do Códex, bastando a aplicação do artigo 149 do CTN3. Por fim, impende, por pertinente, trazer à tona o quanto relatado pela acusação fiscal e não desfeito pela recorrente, que resume o quadro fático: 3 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 687 32 Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido manter a decisão recorrida e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. DA MULTA QUALIFICADA Sobre a multa de ofício duplicada (150%), entendo que a acusação fiscal reúne todos os elementos necessários para conclusão de que a simulação praticada equivale, na forma do art. 72 da Lei nº 4.502/64, a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. É clara a intenção da recorrente e dos responsáveis tributários em impedir, em relação à autuada, a ocorrência do fato gerador decorrente do ganho de capital na venda de imobilizado, modificando as características essenciais da operação comercial, de modo que ela "aparente" ter sido realizada formalmente pela TBV, assim reduzindo o montante dos tributos devidos, pela indevida utilização da sistemática do lucro presumido e da classificação daquelas operações como venda de mercadorias. Dentro deste contexto, irrelevante que os atos praticados tenham sido explicitamente declarados ao Fisco na forma da lei e recolhidos todos os tributos devidos, isto porque a declaração ao Fisco teve por objeto as operações simuladas, e não as operações formalmente realizadas. Impróprio também dizer que o Fisco teria se apoiado em presunções; antes, o conjunto probatório é robusto e aponta unicamente em uma direção: que TBV não teve existência física e foi constituída apenas formalmente para emissão das notas fiscais de venda Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 688 33 de veículos que lhe foram entregues na forma de “integralização de capital” pela Belmok, muitos com valores residuais de R$ 1,00 (UM REAL), tudo engendrado de forma a reduzir a tributação incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação de imobilizado. De outro viés, nem se cogite em dizer que a tributação somente poderia incidir sobre a autuada se os recursos provenientes da venda fossem transferidos para suas contas de disponibilidade, isto porque, não fosse por outros motivos, importa recordar que a quase totalidade dos valores obtidos pela TBV, fruto da venda dos veículos, retornou à Belmok, na forma de lucro isento distribuído pela empresa TBV, significando dizer, em última análise, que os resultados auferidos acabaram por ser destinado ao seu efetivo titular mediante distribuição de lucros, inclusive na parte que caberia ao Fisco, em razão da tributação prevista nos casos de ganho de capital auferido na venda de imobilizado e que deveriam sofrer tributação e não sofreram. Assim, mantenho a qualificação da multa e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Sobre a responsabilização solidária, a Autoridade Fiscal elegeu, RODA BRASIL LTDA. – CNPJ 03.475.418/000143 – (Termo – fls. 250/253); LUIZ BELMOK CPF 744.220.73753 – (Termo – fls. 254/257); RENATO BELMOK – CPF 989.130.18772 – (Termo – fls. 258/261); e, CLAUDIONIR BELMOK – CPF – 861.477.73704 – (Termo – fls. 262/265), a primeira imputada, pessoa jurídica nos moldes do artigo 124, I, do CTN e em relação às três pessoas físicas, embora na descrição anexa aos autos de infração (fls. 193/194) a Fiscalização tenha pontuado inserção apenas no artigo 135, nos Termos de Sujeição Passiva (fls. acima citadas), informou que a tipificação compreendia também o artigo 124, I, do Estatuto Tributário. Passo aos fatos e à sua apreciação. Prescrevem os artículos referidos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Na peça recursal os imputados pugnaram pela inexistência de grupo econômico que pudesse levar à responsabilização da Roda Brasil, posto não existir controle de uma empresa sobre todas as demais, controle este que deveria ser fundado na titularidade de ações ou cotas ou mediante acordo entre os sócios, o que não seria o caso; que não estariam sob a direção, o controle ou a administração de uma unidade centralizadora e que a relação comercial entre as empresas não teriam o condão de propiciar a conclusão de que as empresas formariam um grupo econômico, além de que, nos anos calendário de 2010 e 2011, o faturamento da empresa Rosa Brasil Ltda. não seria exclusivamente referente ao contrato de locação de veículos automotores para a empresa Transportadora Belmok Ltda. Ademais, em Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 689 34 nenhum momento teria a fiscalização demonstrado que a empresa Roda Brasil Ltda. tivesse alguma participação, interesse ou benefício com as transações efetuadas entre a Transportadora Belmok Ltda. e a TBV Veículos Ltda., não podendo figurar no pólo passivo da presente relação jurídicotributária. Em relação às três pessoas físicas incluídas no rol de responsáveis, o recurso voluntário pontua não ter sido comprovada infração à lei ou estatuto social das empresas, implicando na impossibilidade da tipificação no artigo 135, III, do CTN, vez que seria imperioso que a fiscalização tivesse demonstrado que os sócios responsabilizados atuaram com excesso de poderes ou violaram a lei; por isso, deveriam ser excluídos da lide fiscal. Não há comentários dos recorrentes pessoas físicas em relação à imputação feita com supedâneo no artigo 124, I, provavelmente em razão da divergência de informações do Fisco, representada pelo que consta dos autos de infração e o que consta nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, divergência já citada neste voto, no início deste tópico. De qualquer modo, tal discrepância não acarretará prejuízo às interessadas, em função do que se discorre a seguir. Inicio pela responsabilização da pessoa jurídica Roda Brasil Ltda. Em que pese a argumentação do Fisco de que haveria “grupo econômico” formado entre ela e a autuada, Transportadora Belmok Ltda., não vejo como possa ser atribuída a responsabilização com fundamento no artigo 124, I, que exige, precipuamente, a existência de “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Ora, ainda que o referido grupo econômico possa restar comprovado, não vislumbro nos autos a participação direta ou mesmo indireta da Roda Brasil nos fatos e atos perpetrados pela Belmok e – via de conseqüência – pela TBV. Exprimindo de outro modo, embora possam ter sócios em comum, relacionamento comercial bastante próximo, aguda dependência entre elas, atividades complementares, elevado número de empregados em comunhão, ser um grupo econômico sob a ótica do Direito do Trabalho, não me parece que tal irradiação se faça ao Direito Tributário neste caso, posto que, como explicitamente presente nos autos, as operações irregulares foram cometidas pela recorrente e pela sua controlada, TBV, sem participação da Roda Brasil. Assim, EXCLUO a pessoa jurídica Roda Brasil Ltda. da lide. Já sobre as três pessoas físicas, entendo que a responsabilização deve ser infligida exclusivamente ao sócio e administrador LUIZ BELMOK CPF 744.220.73753 – (Termo – fls. 254/257), posto ser ele e somente ele – o gestor da empresa recorrente (Transportadora Belmok) e da sua controlada (TBV) nos anos objeto dos lançamentos (2010 e 2011), conforme atestam os instrumentos contratuais juntados aos autos e unicamente em relação ao artigo 135, III, pela evidente prática de atos ao arrepio da lei. Como bem exprimido pelo I. Conselheiro deste Colegiado, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, no Acórdão 1402002.204, “para a caracterização da responsabilidade a que alude o art. 135, III, do CTN, fazse necessário a presença dois elementos: i) elemento pessoal: diz respeito ao sujeito que deu azo à ocorrência da infração, ou seja, o executor, partícipe ou mandante da infração. Tratase, na realidade, do administrador da sociedade, independentemente de ser ou não sócio. Assim sendo, não poderão ser incluídos como responsáveis quaisquer sujeitos que não possuam Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 690 35 poder de decisão”; e, ii) “elemento fático: necessidade de conduta que implique excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto”. Significa dizer que muito mais que sócio é preciso que seja “administrador”, até porque podem existir sócios aos quais os estatutos ou contratos sociais não deleguem nem definam poderes gerenciais. Assim, mesmo que “sócios” (enquanto somente nesta condição) possam ficar albergados de uma possível responsabilização, aos “administradores” não cabe tal proteção, a teor da expressa definição imposta pelo artigo 135, III, desde que, indispensavelmente, exerçam as atribuições estatutárias ou contratuais de administração no período contemporâneo aos fatos geradores e sejam os responsáveis pelo crédito tributário constituído em razão de “atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. In casu, não há dúvidas em relação à qualidade de administrador que possuía Luiz Belmok no período sob fiscalização, o que já o enquadra em uma das vertentes do artigo 135, III. O outro pólo (responsabilidade pelo crédito tributário oriundo de atos praticados ao arrepio das leis ou estatutos) deflui com clareza pela simples compulsação dos autos, pois certamente foi dele, Luiz, – e nem poderia ser diferente enquanto “administrador” e sócio majoritário da recorrente com 98% das quotas toda a engenharia desenvolvida com a constituição de uma empresa paralela que pudesse receber os veículos usados a preços residuais e revendêlos a preço de mercado pela TBV, pagando menos tributos e, no final, retornando tais valores, via distribuição de lucros – distribuição isenta, lembrese – direta ou indiretamente ao seu próprio patrimônio visto que, como realçado, era o controlador majoritário da Belmok. Ainda a respeito desta última condição, valhome novamente de excertos do voto proferido pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Ac. já citado) que, de forma precisa, bem define o quadro, em tudo aplicável também a este processo: “A autoridade fiscal, ao cominar a penalidade qualificada de 150%, entendeu restar caracterizado o conjunto fáticojurídico a ensejar a responsabilidade tributária. Entendo lhe assistir razão. Não desconheço da jurisprudência do STJ que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio gerente Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 691 36 acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Saliento que o simples inadimplemento da obrigação não pode gerar, de per si, a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica. Ao assim dispor, por outro lado, o STJ deixou transparecer que em hipóteses de um inadimplemento, digamos, “qualificado”, podese sim atribuir a responsabilidade de que tratar o art. 135 do CTN. Com efeito, não comungo do entendimento daqueles que limitam a aplicação do caput do art. 135 do CTN às hipóteses de cometimento de infração à lei societária, excluindo às infrações às leis tributárias. Não me parece ser crível que, em se tratando de uma norma tributária, excluase do rol de infrações, aptas a ensejar a corresponsabilidade, justamente as próprias leis aplicáveis aos tributos. E não se fala aqui de um simples inadimplemento de tributo, mas sim de inadimplemento doloso, penalizado administrativamente com multa de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio (art. 44, inciso I, c/c § 1º, da Lei nº 9.430/96 e arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), dando ensejo à representação fiscal para fins penais por cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária a que alude o art. 1º da Lei nº 8.137/90. (...) No mesmo sentido, Emanuel Carlos Dantas de Assis dispôs: (...) Como a culpa ou o dolo deve ser comprovado, carece uma interpretação casuística. A solução vai depender de cada situação em concreto. Assim, se por um lado é certo que o simples inadimplemento de tributo se constitui em infração de lei, somente a análise dos fatos e circunstâncias irá demonstrar se o sócio tinha razões ou não para deixar de efetuar o pagamento. (...) Na caracterização do dolo reside a maior dificuldade para as administrações tributárias, na tentativa de responsabilizar os administradores e sócios de sociedades empresárias, por débitos tributários destas. Como demonstrar, afinal, a intenção da pessoa física? O dolo necessário à responsabilidade estatuída no art. 135 é o presente não só nos crimes contra a ordem tributária previstos na Lei nº 8.137/1990, no contrabando e descaminho (art. 334 do Código Penal, Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 692 37 alterado pela Lei nº 4.729/1965), ou nas infrações tributárias dolosas como sonegação, fraude e conluio (Lei nº 4.502/1964, arts. 71 a 73, respectivamente). [...]21 [grifos nossos]. Também em pronunciamentos da PGFN e da Receita Federal podese extrair a mesma exegese de tal dispositivo legal: PARECER/ PGFN/CRJ/CAT/Nº 55/2009 [...] O administrador só é responsável por atos seus que denotem infração à lei ou excesso de poderes, como, por exemplo, a sonegação fiscal (que é ilícito punível inclusive penalmente) ou a dissolução irregular da sociedade; [grifos nossos] NOTA GT RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA nº 1, de 17 de dezembro de 2010 (Ato conjunto entre ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal do Brasil. Grupo de Trabalho constituído pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 8 / 2010) Observase que, se há multa qualificada, há responsabilidade pelo art. 135 do CTN, trazendo à responsabilidade os sócios do tempo do fato gerador. [grifos nossos]. (...) Na jurisprudência, o entendimento do STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NOVO PEDIDO DE REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. ART. 135 DO CTN. POSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA EM CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. CONFIRMADO. 1. Os efeitos da decisão, já transitada em julgado, que indeferiu anterior pedido de redirecionamento, não irradia efeitos de coisa julgada apta a impedir novo pedido de redirecionamento na mesma execução fiscal em face da existência de sentença condenatória em crime de sonegação fiscal, confirmada pelo Tribunal de 2º grau e com Habeas Corpus pendente de julgamento no STJ, porquanto aquele pleito inicial está fulcrado apenas em mero inadimplemento fiscal. 2. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. A Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 693 38 condenação em crime de sonegação fiscal é prova irrefutável de infração à lei. 3. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 935839/RS, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, decisão unânime, sessão de 05 de março de 2009) (...) Conforme se observa, ao se tratar não de um simples inadimplemento, mas sim de um inadimplemento qualificado, doloso, caracterizado por conduta fraudulenta e com repercussões na esfera criminal, incide o disposto no art. 135 do CTN, implicando que os administradores da pessoa jurídica (inciso III), os quais respondem, inclusive, na seara criminal, sejam também responsabilizados pela obrigação tributária”. (destaque deste Relator). Concluindo, entendo correta a inclusão de Luiz Belmok no pólo passivo da lide na qualidade de sujeito passivo solidário, com tipificação exclusivamente no artigo 135, III, do CTN, ratificando o trabalho fiscal neste aspecto. No que tange aos outros dois responsáveis listados, RENATO BELMOK – CPF 989.130.18772 – (Termo – fls. 258/261); e, CLAUDIONIR BELMOK – CPF – 861.477.73704 – (Termo – fls. 262/265), EXCLUOOS da inserção como sujeitos passivos solidários com base no artigo 135, III, do CTN, tendo em vista não estar comprovado que figurassem como gestores da autuada ou mesmo da TBV. Se os eram da Roda Brasil, tal realidade não tem o poder de elegêlos como responsáveis da recorrente, mesmo que indiretamente. Finalmente, sobre a eleição de Luiz, Renato e Claudionir nos parâmetros do artigo 124, I, não a homologo, tendo em conta a confusão de informações havida (em um caso indicando apenas o artigo 135, III, e, em outro, também o 124, I), tema já aqui tratado. Resumindo, MANTENHO a imputação de sujeição passiva solidária em face de Luiz Belmok nos termos do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional e EXCLUO da lide a pessoa jurídica Roda Brasil Ltda. e as pessoas físicas Renato Belmok e Claudionir Belmok. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sobre os lançamentos reflexos, a medida está definida no artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF): Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 694 39 objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Certo, pois, que os autos devem ser lavrados de forma concomitante – artigo 9º, § 1º, do PAF e artigo 142 do CTN e que o julgamento do principal, no caso o IRPJ, refletirá nos demais, observadas as peculiaridades de cada tributo. Assim, sendo os lançamentos reflexos mera decorrência do principal e havendo sido este julgado procedente, igual sorte devem colher as demais exigências presentes nos autos. DO APROVEITAMENTO DOS TRIBUTOS PAGOS PELA TBV Cabe uma ponderação final a respeito do pedido da recorrente de que os tributos pagos pela TBV sejam considerados como recolhidos pela Belmok. Nas palavras da recorrente em seu RV (fls. 640): Há razão no pleito da recorrente. Como neste voto desconsideraramse as operações feitas pela TBV, imputandoas como se tivessem sido praticadas pela Belmok, ou seja, como os autos de infração de IRPJ e de CSLL foram lavrados contra a recorrente, sendo a infração identificada como “ganhos e perdas de capital apurados incorretamente alienação/baixa de bens do ativo permanente”, abrangendo os anoscalendário de 2010 e 2011 (fls. 191/214), impende reconhecer que os valores efetivamente pagos pela TBV devem ser REALOCADOS nos sistemas da RFB de modo a serem considerados como RECOLHIDOS pela Belmok. Com essas considerações, voto no sentido de, i) REJEITAR as preliminares de nulidade; ii) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da recorrente para deduzir da exigência os valores pagos pela empresa TBV; iii) DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário dos sujeitos passivos solidários Roda Brasil Ltda., Renato Belmok e Claudionir Belmok para excluílos do pólo passivo da lide; e, iv) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário do sujeito passivo solidário Luiz Belmok para excluílo exclusivamente da imputação feita com base no artigo 124, I, MANTENDO, porém, a responsabilização com supedâneo no artigo 135, III, ambos do CTN. É como voto. Brasília (DF), em 21 de junho de 2017. (assinado digitalmente) Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 695 40 Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 696 41 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves – Redator Designado A matéria na qual o D. Relator foi vencido é apenas relativa a manutenção da sujeição passiva solidária do coobrigado Sr. Luiz Belmok nos termos do artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional CTN. O D. Relator decidiu pela manutenção da responsabilidade solidária do Sr. Luiz devido ao fato de ser o administrador e sócio majoritário da Recorrente, com 98% das quotas, acolhendo a interpretação da acusação de que toda a engenharia descrita nos autos para reduzir o recolhimento do imposto foi desenvolvida por ele. Resumidamente, a engenharia descrita nos autos se refere a constituição de uma empresa paralela que pudesse receber os veículos usados a preços residuais e revendêlos a preço de mercado pela TBV Veículos Ltda., pagando menos tributos e, no final, retornando tais valores para a investidora, via distribuição de lucros (distribuição isenta). Como na época o Sr. Luiz era o controlador majoritário da Belmok, a fiscalização e o D. Relator concluíram que ele deveria ser incluído no pólo passivo da autuação, na qualidade de responsável solidário, nos termos do artigo 135, inciso III do CTN. Entretanto, a apesar de concordar com o D. Relator que a engenharia constatada nos autos pela fiscalização reduziu consubstancialmente o imposto a ser recolhido, entendo que não restou comprovado nos autos que o Sr. Luiz Belmok se beneficiou pessoalmente dos atos praticados. Não existe nos autos, extratos bancários ou declaração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica indicando que os valores relativos ao imposto que deixaram de ser recolhidos foram para o Sr. Luiz Belmok. Entendo que para se imputar a responsabilidade solidária nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, não basta apenas a constatação de que determinada pessoa física fazia parte do contrato social na época dos fatos geradores e tinha poderes de gerencia. Também entendo que não é possível incluir pessoa física na pólo passivo da autuação apenas repetindo no Termo de Sujeição Solidária os mesmo argumentos utilizados para imputar a infração tributária à pessoa jurídica. Para se responsabilizar pessoa física nos termos do artigo 135, inciso III do CTN devese demonstrar os atos individuais, praticados pelos administradores, com excesso de poder ou que infringiram os limites da lei, do contrato social ou estatuto. No Termo de Sujeição Passiva de fls. 254/257 não restou demonstrado quais atos foram praticados individualmente pelo Sr. Luiz Belmok que infringiram os termos do artigo 135, inciso III do CTN. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201490 Acórdão n.º 1402002.621 S1C4T2 Fl. 697 42 Corroborando com as afirmações feitas acima, a falta de robustez da fundamentação do Termo de Sujeição Passiva do Sr. Luiz vem acompanhada pela indecisão do agente autuante que imputou responsabilidade tanto nos termos do artigo 124, inciso I, como pelo artigo 135, inciso III, ambos do CTN. (a responsabilidade aplicada nos termos do artigo 124, inciso I, foi afastada pelo D. Relator, acompanhado pelos demais Conselheiros, restando analisar no voto vencedor apenas a responsabilidade fundamentada no artigo 135, inciso III do CTN). Tal indecisão na fundamentação/dispositivos para imputar a responsabilidade, expõe a dificuldade da fiscalização em motivar e apontar precisamente os atos individuais praticados pelo Sr. Luiz Belmok ao arrepio do ditames do artigo 135, inciso III do CTN, incorrendo em precariedade do Termo de Sujeição Passiva por falta de motivação e inadequada fundamentação, prejudicando inclusive a defesa da pessoa física, o que não pode ser admitido em um Estado Democrático de Direito. Sendo assim, como entendo que a pessoa jurídica é o sujeito passivo legitimo que deve arcar com o imposto, não é possível a fiscalização desconsiderar a personalidade da pessoa jurídica e incluir a pessoa física do sócio administrador no pólo passivo da autuação quando não conseguiu comprovar cabalmente e individualmente os atos praticados pelo administrador que infringiram os ditames do artigo 135 do CTN. Ademais, apesar do caso em epígrafe se tratar de imputação de responsabilidade solidária (para alguns subsidiária) nos termos do artigo 135, inciso III do CTN, não consta nos autos qualquer informação de que a Recorrente encerrou suas atividades, que tenha feito sua dissolução societária ou tenha dado baixa de seu CNPJ junto a Receita Federal, podendo se concluir que a empresa está funcionando/operacionalizando normalmente e provavelmente tem condições de arcar com os créditos dos autos de infração que foram mantidos. Sendo assim, tendo em vista a confusa fundamentação e a precária motivação do Termo de Sujeição Passiva, a falta de comprovação dos atos praticados individualmente pela pessoa física na qualidade de administrador que demonstrem excesso de poderes ou que infringiram os limites postos na legislação tributária, no contrato social ou estatuto, voto no sentido de excluir do pólo passivo da autuação e afastar a imputação da responsabilidade solidária do Sr. Luiz Belmok. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.908250/2011-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10850.908250/2011-01
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5829564
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Feb 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.183
nome_arquivo_s : Decisao_10850908250201101.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10850908250201101_5829564.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
id : 7112915
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734048907264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.908250/201101 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.183 – 3ª Turma Sessão de 13 de dezembro de 2017 Matéria PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Recorrente GREEN STAR PEÇAS E VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 82 50 /2 01 1- 01 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 9303006.183 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3803006.738, que decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário por ausência de prova efetiva da existência do direito creditório pleiteado. A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa não infirmada com documentação hábil e idônea. Não conformada com tal decisão a Contribuinte interpôs o presente recurso. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial apontou como paradigmas os Acórdãos nºs 3801004.317 e 3801004.318. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF foi dado seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões nas quais requer o nãoconhecimento do recurso especial interposto pela Contribuinte. Alternativamente, requer, no mérito, que seja negado provimento ao recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.174, de 13/12/2017, proferido no julgamento do processo 10850.900064/201205, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.174): Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 9303006.183 CSRFT3 Fl. 4 3 "O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A divergência suscitada pela Contribuinte diz respeito à comprovação de seu direito creditório, e trouxe os seguintes acórdãos paradigmas, 3801004317 e 3801004318, que tratam em tese da mesma matéria, diferindo a solução. Pelas ementas não se pode reconhecer a divergência, todavia, se examinar os votos dos paradigmas verseá a que não há identidade de (conjunto probatório) e diversidade das soluções. Verificase que o voto condutor da decisão recorrida, o recurso voluntário não mereceu provimento sob o fundamento de que: "Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório por ausência de provas hábeis a demonstrar e comprovar o suposto recolhimento a maior, considerando que os documentos apresentados se referiam apenas às receitas financeiras, dados esses insuficientes à apuração da base de cálculo da contribuição, qual seja, o faturamento. O Recorrente alega que, junto às Manifestações de Inconformidade, havia trazido aos autos planilhas de cálculo, cópias do balancete e do livro Razão, documentos esses que, segundo ele, seriam bastantes para a comprovação do direito pleiteado. A par das decisões da DRJ Ribeirão Preto/SP, em que a questão da prova do indébito foi posta como condicionante ao reconhecimento do direito creditório, tendo sido ressaltada pelo julgador de piso a necessidade de se comprovar o faturamento do período para fins de apuração da contribuição efetivamente devida no período, o contribuinte nada acrescenta aos autos em grau de recurso para fins de demonstrar inequivocamente a base de cálculo da contribuição. Não se pode olvidar que, de acordo com o art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de indeferimento do direito pleiteado, prova essa que deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. Conforme já dito, os elementos trazidos aos autos por cópias pelo contribuinte na primeira instância não eram aptos, por si sós, a comprovar o direito reclamado, dado que restritos às informações relativas às receitas financeiras e a outras receitas, situação em que não se tem por comprovada a base de cálculo da contribuição devida (faturamento), o que impede o confronto entre os valores recolhidos aos cofres públicos e aqueles efetivamente devidos. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 9303006.183 CSRFT3 Fl. 5 4 Abrir a possibilidade de produção de novas provas, a meu ver, ainda que em consonância com o princípio da verdade material, configura afronta à obrigatoriedade de atuação da Administração em conformidade com a lei e o Direito e à adequação entre meios e fins (art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 9.784, de 1999), assim como ao dever do administrado de apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado antes das decisões administrativas e de prestar todas as informações necessárias ao esclarecimento dos fatos (art. 3º, III, e 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 1999). Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios da base de cálculo da contribuição (faturamento), com vistas a se apurar o alegado crédito pleiteado, o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância de forma efetiva, dado que nenhum documento contábilfiscal foi acrescentado aos autos". Como se observa, a decisão recorrida, acompanhou o fundamento esposado pela DRJ de origem, no sentido de que: “A planilha contendo as receitas financeiras e a cópia de parte do balancete contendo tais receitas não permitiriam apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido, pois tais documentos permitem vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante”. Por outro lado, o acórdão paradigma nº 3801004.317, analisou tão somente a questão de mérito, dando provimento ao Recurso por entender que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Sem embargo, o Colegiado decidiu o direito creditório da contribuinte com fundamento no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral. Como se vê, o acórdão paradigma não trouxe outro fundamento com relação as provas, e não se verifica demonstrada semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "No mérito, entendo que assiste razão à recorrente, senão vejamos: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Neste sentido, entendo estarmos diante da hipótese prevista no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, conforme colacionado acima. Desta forma, deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente caso exista, em seu favor, crédito oriundo de recolhimentos efetuados a título de COFINS na forma da Lei nº 9.718/98, excluindose da sua base de cálculo as receitas não compreendidas no conceito de Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10850.908250/201101 Acórdão n.º 9303006.183 CSRFT3 Fl. 6 5 faturamento nos moldes da Lei Complementar nº 70/91, nos termos dos conceitos já firmados pelo Supremo Tribunal Federal". No mesmo sentido, o acórdão paradigma nº 3801004.316, mesmo relator do acórdão, nº 3801004.317, deu provimento ao Recurso Voluntário,para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Como se observa, o acórdão paradigma nada tratou sobre provas, e não se comprova semelhança fática e divergência jurisprudencial. Vejamos: "É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998". Como visto, contexto fático e jurisprudencial exposto nas decisões paradigmas e no acórdão recorrido, patente pela leitura das passagens acima transcritas, demanda do mesmo modo, que o recurso especial não seja conhecido em face da ausência de demonstração de que, discutindo casos similares, foi dada interpretação jurídica diversa. Neste sentido, O Manual de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (versão atualizada, pg.30) estabelece que: O RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabeleceu, em seu art. 67, § 1º, do Anexo II: "§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente." Em 15 de fevereiro de 2016, foi publicada a Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, com a seguinte redação: “§ 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente.” Neste sentido, não tomo conhecimento do Recurso interposto pela Contribuinte, em razão de não ter sido comprovada divergência, e similitude fática, nos termos do § 1º da Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910702/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 30/08/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.567
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910702/2011-11
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789367
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.567
nome_arquivo_s : Decisao_16327910702201111.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910702201111_5789367.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986681
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734053101568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910702/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.567 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 07 02 /2 01 1- 11 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 16327.910702/201111 Acórdão n.º 3402004.567 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2003. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.311, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 30/08/2003 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910702/201111 Acórdão n.º 3402004.567 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910702/201111 Acórdão n.º 3402004.567 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910702/201111 Acórdão n.º 3402004.567 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910663/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 27/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.537
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.910663/2011-52
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789337
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.537
nome_arquivo_s : Decisao_16327910663201152.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 16327910663201152_5789337.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6986621
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734055198720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.910663/201152 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.537 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 63 /2 01 1- 52 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910663/201152 Acórdão n.º 3402004.537 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14061.033, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 27/03/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910663/201152 Acórdão n.º 3402004.537 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910663/201152 Acórdão n.º 3402004.537 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910663/201152 Acórdão n.º 3402004.537 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002860/2008-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DEPENDENTES. PAIS. COMPROVAÇÃO.
Os pais podem ser dependentes dos filhos desde que não tenham auferido, no ano-calendário, valores superiores ao limite fixado para entrega da Declaração de Ajuste Anual, mormente quando as respectivas despesas médicas foram acatadas pelo Fisco.
Numero da decisão: 9202-006.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. PAIS. COMPROVAÇÃO. Os pais podem ser dependentes dos filhos desde que não tenham auferido, no ano-calendário, valores superiores ao limite fixado para entrega da Declaração de Ajuste Anual, mormente quando as respectivas despesas médicas foram acatadas pelo Fisco.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.002860/2008-04
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5795970
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.005
nome_arquivo_s : Decisao_10183002860200804.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10183002860200804_5795970.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6998453
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734057295872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 96 1 95 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.002860/200804 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.005 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2017 Matéria IRPF Deduções Dependentes Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IVANOR PEREIRA RODRIGUES ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. PAIS. COMPROVAÇÃO. Os pais podem ser dependentes dos filhos desde que não tenham auferido, no anocalendário, valores superiores ao limite fixado para entrega da Declaração de Ajuste Anual, mormente quando as respectivas despesas médicas foram acatadas pelo Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 28 60 /2 00 8- 04 Fl. 96DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2006, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de pensão alimentícia judicial, dependentes e despesas médicas, conforme Notificação de Lançamento de efls. 10 a 15. Em sessão plenária de 12/03/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão 280201.422 (efls. 63 a 65), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. São dedutíveis a título de pensão alimentícia as importâncias devidamente comprovadas e pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, a partir de 05/01/2007, nos termos de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei 5.869/1973. IRPF. DEDUÇÃO. FILHOS DE PAIS SEPARADOS. No caso de pais separados a dedução dos filhos como dependentes carece de que seja comprovada a guarda judicial por parte do genitor que pleiteia a dedução. IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. PAIS. Os pais podem ser dependentes dos filhos desde que não tenham auferido, no anocalendário valor superiores ao limite fixados para a entrega da Declaração de Ajuste Anual. Ausente nos autos comprovação de que os pais tenham recebido valor acima do limite é admissível a dedução. Recurso provido em parte." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de dois dependentes (pai e mãe) e afastar a glosa da dedução de pensão alimentícia." O processo foi encaminhado à PGFN em 15/03/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 69). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreria em 14/04/2012, e, em 03/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 82), foi interposto o Recurso Especial de efls. 70 a 76. O apelo está fundamentado no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a questão do ônus da prova, relativamente às condições para que os pais figurem como dependentes na declaração dos filhos. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10183.002860/200804 Acórdão n.º 9202006.005 CSRFT2 Fl. 97 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 26/03/2013 (efls. 83 a 85). Cientificado em 15/07/2013 (AR Aviso de Recebimento de efls. 91), o Contribuinte quedouse silente. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. No caso do acórdão recorrido, foram restabelecidas as deduções com dependentes, relativamente aos pais do Contribuinte, bem como com pensão alimentícia judicial. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional aborda apenas a questão do ônus da prova, relativamente às condições para que os pais figurem como dependentes na declaração dos filhos. De plano, convém registrar que se trata de Notificação de Lançamento Eletrônica, na qual está registrado que "Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data" (fls. 08, 09 e 10). Entretanto, não consta dos autos qualquer prova de que tal intimação tenha sido efetivamente enviada ao Contribuinte, e esse fato é remarcado em sua Impugnação: "Apesar de possuir endereço fixo e emprego público com fácil localização, nuca foi convocada para comprovar documentalmente os dados de sua declaração." No julgamento em Primeira Instância, releva notar que foram aceitas as despesas médicas registradas no Informe de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora do Contribuinte, relativas ao Programa de Assistência aos Servidores ProSocial, do TRF da 1ª Região. Por outro lado, foi mantida a glosa de dependentes referente aos pais do Contribuinte. Confirase o acórdão da DRJ (fls. 04/05 da decisão da DRJ (fls. 27/28). "Dedução indevida com dependente Observase que o contribuinte deduziu a titulo de despesas com dependente, o valor de R$ 8.424,00, relativamente a seis dependentes (fl. 16). (...) Como o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório da situação de dependente, não há como aceitar a dedução com dependentes pleiteada. (...) Dedução indevida com despesas médicas Fl. 98DF CARF MF 4 O contribuinte comprova o valor pago como despesas médicas, num total de R$ 4.363,22, conforme comprovante de fl. 5, logo deve ser aceito este valor." Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte comprovou que no Programa de Assistência aos Servidores ProSocial, cuja dedução foi integralmente aceita pela DRJ, estão incluídos seus pais, conforme documentos de fls. 39. Destarte, tendo em vista que somente podem ser aceitas despesas médicas do próprio Contribuinte e de seus dependentes, forçoso concluir que a manutenção das despesas médicas relativas aos pais do Contribuinte implicam a aceitação de sua própria dependência. Ainda que assim não fosse, o Contribuinte esclarece no Recurso Voluntário que seus pais recebem um salário mínimo cada um, o que poderia ser facilmente confirmado pela Receita Federal do Brasil, a quem todas as fontes pagadoras prestam informações por meio da DIRF Declaração de Imposto de Renda na Fonte. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904294/2012-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10825.904294/2012-42
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805612
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.440
nome_arquivo_s : Decisao_10825904294201242.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10825904294201242_5805612.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7050341
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734059393024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.904294/201242 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.440 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Compensação via PERDCOMP inexistência de crédito Recorrente CITROLEO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ÓLEOS ESSENCIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 94 /2 01 2- 42 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 37290.56217.120412.1.3.049866, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/09/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/09/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904294/201242 Acórdão n.º 1302002.440 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000629/2010-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1001-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13982.000629/2010-75
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5810983
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1001-000.136
nome_arquivo_s : Decisao_13982000629201075.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13982000629201075_5810983.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Souza - Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
id : 7072425
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734062538752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1248; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.000629/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.136 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2017 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente CONTAOESTE CONTABILIDADE S S LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF ANOCALENDÁRIO 2008 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega de declarações, apresentadas fora do prazo legal, previsto na legislação relativa ao tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Souza Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 06 29 /2 01 0- 75 Fl. 44DF CARF MF 2 Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2008, no valor total original de R$ 5.876,71. Constam do auto de infração/notificação de lançamento que a correspondente obrigação DCTF foi apresentada em 06/05/2010, ao passo que o prazo máximo para entrega, sem o acréscimo de multa, era em 07/10/2008. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação, na qual alega, em síntese, que: foi intimada a apresentar, em 11/06/2009, no prazo de cinco dias, DCTF e DIPJ referentes a períodos em que fora optante pelo Simples Federal e Nacional, mas dos quais fora excluída em razão de processo fiscal;como só ficou obrigada a apresentar as declarações fiscais em 2009 e o prazo foi cumprido a risca, a multa deve ser cancelada. A DRJ publicou o seguinte acórdão: O fato de a contribuinte ter sido intimada de decisão que a excluiu do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, bem como a apresentar, para o respectivo período, as declarações fiscais exigidas das demais pessoas jurídicas tributadas pelos outros regimes de tributação, não significa que essa obrigação acessória apenas teria surgido a partir do momento em que recebida a notificação. A contribuinte, caso satisfeitos os requisitos para opção do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, não precisaria entregar DIPJ e DCTF.. Mas se à época não preenchia os requisitos, deveria ter observado as regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, optando pelo regime tributário adequado, inclusive, cumprindo os regulares prazos prescritos na legislação para entrega das obrigações acessórias. Assim, a intimação não fez surgir a obrigação, mas apenas alertou a contribuinte que ela precisava apresentar as declarações que deixaram de ser entregues em época própria. E, caso ela não tivesse observado o prazo de cinco dias estabelecido nas intimações para apresentar as DIPJ e DCTF, além da multa aplicada, poderia ainda ficar sujeita a outras sanções e regime específicos de fiscalização. Caso assim não se entendesse, estarseia estimulando contribuintes a optarem indevidamente pelo regime diferenciado, pois se fossem descobertos, saberiam que teriam uma oportunidade de regularizar sua situação fiscal, antes da aplicação da multa, o que seria um contrassenso, dado que a mesma chance não é conferida àquele contribuinte que se submete às regras ordinárias de tributação (presumido ou real), ou mesmo aquele que opta regularmente pelo regime diferenciado, mas incorre em atraso na entrega de suas declarações. Ademais, não há previsão legal para atender à pretensão da Impugnante. Diante do exposto, voto no sentido de considerar a impugnação IMPROCEDENTE e, por consequência, manter o crédito tributário exigido. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13982.000629/201075 Acórdão n.º 1001000.136 S1C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em sua defesa, que foi excluída do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigada a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples a recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. É como voto (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 46DF CARF MF 4 Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904262/2012-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 26/05/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10825.904262/2012-47
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805583
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.411
nome_arquivo_s : Decisao_10825904262201247.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10825904262201247_5805583.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7050254
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049734064635904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.904262/201247 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.411 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Compensação via PERDCOMP inexistência de crédito Recorrente CITROLEO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ÓLEOS ESSENCIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 26/05/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 62 /2 01 2- 47 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 17727.93904.050511.1.3.044257, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 28/05/2013 (AR de fls. 69/70), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 72). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 26/05/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.904262/201247 Acórdão n.º 1302002.411 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
