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Numero do processo: 19647.010654/2006-78
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OAB-DF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Júlio César Soares, OABDF 29266, escritório Advocacia Dias de Souza. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 06 54 /2 00 6- 78 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19647.010654/200678 Acórdão n.º 9101002.670 CSRFT1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 180100.492, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19647.010654/200678 Acórdão n.º 9101002.670 CSRFT1 Fl. 4 3 O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19647.010654/200678 Acórdão n.º 9101002.670 CSRFT1 Fl. 5 4 Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720149/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2202-003.745
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido
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M. A. GLEREAN MARMORARIA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 49 /2 01 2- 10 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201210 Acórdão n.º 2202003.745 S2C2T2 Fl. 336 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 271/296) interposto pelo contribuinte acima identificado contra o Acórdão nº 0539.422 (fls. 224/233), proferido em 22/11/2012 pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS) que negou provimento à impugnação. No lançamento fiscal se exige contribuições incidentes sobre remunerações paga a segurados empregados e contribuintes individuais constantes em folha de pagamento e GFIP, no período de 01/2009 a 12/2009, nos seguintes Autos de Infração (AI): AI nº 51.000.0452 relativo às contribuições previdenciárias a cargo da empresa e correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT; AI nº 51.000.0460 referente às contribuições destinadas às outras entidades ou fundos (terceiros). Conforme Relatório Fiscal de fls. 22/27, o sujeito passivo, embora não optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL no período fiscalizado, declarouse em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Sociail, como pertencente a esse regime tributário simplificado. E, assim, deixou de recolher as contribuições a cargo da empresa e as destinadas às outras entidades ou fundos (terceiros), ora exigidas. Na impugnação o contribuinte alegou, em síntese, cerceamento do direito de defesa, por falta de clareza da autuação; que o regime tributário da empresa foi alterado indevidamente; que estariam pendentes de julgamento processos relativos à exclusão do Simples (12670.000118/200971, 10845.000833/201072 e 10845.724471/201190); que houve desvio de poder e coação; e que a multa é confiscatória. A DRJ/CPS julgou improcedente a impugnação (fls. 224/233), conforme ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26A do Decreto 70.235/1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201210 Acórdão n.º 2202003.745 S2C2T2 Fl. 337 3 A Impugnação, nos termos do Decreto 70.235/1972, deve ser acompanhada dos elementos probatórios que dão suporte às assertivas do Contribuinte, não sendo possível levar em consideração meras declarações de caráter geral. O processo encontrase regularmente constituído e dotado das informações necessárias para que o Contribuinte apresentasse suas Impugnações, com as quais demonstra ter compreendido perfeitamente as razões e fundamentos do lançamento fiscal. Não é possível constatar de que forma poderia ter ocorrido o cerceamento do direito de defesa. Ou, pelo menos, as razões apresentadas pelo Contribuinte não o caracterizam. A mesma constatação e conclusão se aplicam à alegação da inobservância do direito ao contraditório. Aliás, o próprio trâmite deste processo administrativo atesta que o princípio constitucional encontrase perfeitamente atendido. LANÇAMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Ainda que esteja tramitando processo administrativo que trate da exclusão de Contribuinte do Simples Nacional, não há óbice legal à realização dos lançamentos fiscais. A pendência de decisão administrativa acerca da exclusão não exclui a possibilidade de realização do lançamento fiscal, ainda que a execução fiscal do respectivo crédito tributário dependa do deslinde daquela questão. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE “DESVIO DE PODER” E “COAÇÃO”. A imputação de ilícitos penais a quem quer que seja (inclusive à Fiscalização ou à Administração Pública, em geral), deve necessariamente vir acompanhada das competentes provas, sujeitandose, em foro próprio, às pertinentes cominações legais quem as indevidamente impute. Além do mais, não há nos autos nem mesmo o menor indício que possa corroborar tais assertivas. MULTAS APLICADAS. CARÁTER ABUSIVO E CONFISCATÓRIO. Atendidos pelo lançamento fiscal os limites e parâmetros legais aplicáveis, de acordo com a legislação vigente e devidamente informada, não há o que considerar, quanto às alegações de que as multas aplicadas teriam caráter abusivo ou efeito confiscatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 337DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201210 Acórdão n.º 2202003.745 S2C2T2 Fl. 338 4 Cientificado desse acórdão em 13/12/2012 (ciência eletrônica por decurso de prazo às fls. 253), o contribuinte apresentou, em 01/02/2013, o recurso voluntário de fls. 271/296, no qual repisa os argumentos trazidos na impugnação e argui a tempestividade da peça recursal, sob o argumento de que teve ciência da decisão em 04/01/2013, conforme Termo de Abertura de Documento. Ainda constam nos autos o proferimento das Resoluções nº 2403000.215, de 21/01/2014 (fls. 302/304) e nº 2202000.669, de 09/03/2016 (fls. 319/331), ambas com solicitação para que a unidade de origem informasse o resultado final nos processos relativos à exclusão do SIMPLES. Em resposta, foram apensados a estes autos os processos nº 10845.000833/201072 e nº 10845.724471/201190 (conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 314); e a vinculação a estes autos do processo nº 12670.000118/200971 (conforme Despacho de Encaminhamento às fls. 334). É o relatório. Voto Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. Tempestividade De início, cumpre aferir a tempestividade do apelo apresentado pelo interessado. O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. (Grifouse) Nos termos do referido Decreto 70.235/1972, a contagem dos prazos é feita da seguinte forma: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A intimação pode ser realizada por meio eletrônico, conforme autoriza o art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72, a seguir: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 338DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201210 Acórdão n.º 2202003.745 S2C2T2 Fl. 339 5 (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005 (...) O referido Decreto ainda determina que a intimação por meio eletrônico ocorre em quinze dias após a Art. 23 (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse) No caso em tela, a intimação do resultado do julgamento da DRJ foi disponibilizada na Caixa Postal eletrônica do contribuinte junto à Receita Federal do Brasil (RFB) em 28/11/2012; e a ciência ao sujeito passivo ocorreu na data de 13/12/2012, por decurso do prazo de quinze dias, conforme consta no termo de fls. 253. Portanto, considerando a regra de contagem prevista no art. 5º do Decreto nº 70.235/72, o interessado teria até o dia 14/01/2012 para apresentar o recurso. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201210 Acórdão n.º 2202003.745 S2C2T2 Fl. 340 6 Todavia, o recurso voluntário foi interposto somente em 01/02/2013, (conforme protocolo às fls. 271), quando já esgotado o prazo legal de trinta dias, estabelecido no art. 33 do referido Decreto, acima transcrito. Assim, constatase que o recurso é intempestivo. Cabe mencionar que essas datas, de ciência e de apresentação do recurso, foram ratificadas pela unidade de origem no Despacho de Encaminhamento de fls. 298. O contribuinte alega a tempestividade da peça recursal, por entender que a ciência da decisão de primeira instância teria ocorrido em 04/01/2013, data em que abriu o documento para leitura, conforme Termo de Abertura de Documento (fls. 254). Porém, essa data é posterior à 13/12/2012, marco final do prazo de quinze dias da disponibilização do documento em sua Caixa Postal eletrônica, quando se materializou a ciência por decurso de prazo nos termos do art. 23, § 2º, III, do Decreto 70.235/72, já mencionado. Logo, não tem razão a recorrente nesse aspecto. Dessa forma, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007210/2002-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS. SANEAMENTO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto deverão ser recebidas como embargos inominados para correção mediante a prolação de um novo acórdão.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA RECONSTRUÇÃO DE ESCRITA FISCAL. RECONHECIMENTO DO SALDO CREDOR DE IPI.
Constatada em outro processo a correção dos critérios adotados pelo Contribuinte em sua escrita fiscal, é contraditória a determinação de nova reconstrução da escrita, sob outro critério, devendo prevalecer a escrituração originalmente examinada, reconhecendo-se o saldo credor de IPI apurado nela.
Numero da decisão: 3402-004.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar as inexatidões materiais apontadas e, por maioria de votos, acolheram-se os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a contradição apontada e, no mérito, prover o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Minatel, OAB/SP nº 210.198
Outros eventos ocorridos: Julgado na tarde do dia 26/04/2017 a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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INEXATIDÕES MATERIAIS. SANEAMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto deverão ser recebidas como embargos inominados para correção mediante a prolação de um novo acórdão. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE NOVA RECONSTRUÇÃO DE ESCRITA FISCAL. RECONHECIMENTO DO SALDO CREDOR DE IPI. Constatada em outro processo a correção dos critérios adotados pelo Contribuinte em sua escrita fiscal, é contraditória a determinação de nova reconstrução da escrita, sob outro critério, devendo prevalecer a escrituração originalmente examinada, reconhecendose o saldo credor de IPI apurado nela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos inominados para sanar as inexatidões materiais apontadas e, por maioria de votos, acolheramse os embargos de declaração com efeito modificativo para sanar a contradição apontada e, no mérito, prover o recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto. Sustentou pela recorrente o Dr. Gustavo Minatel, OAB/SP nº 210.198 Outros eventos ocorridos: Julgado na tarde do dia 26/04/2017 a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 72 10 /2 00 2- 80 Fl. 350DF CARF MF 2 Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de embargos de declaração/embargos inominados opostos pela contribuinte em 23/05/2016, em face do acórdão nº 3402002447, do qual foi cientificado em 17/05/2016, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 IPI RESSARCIMENTO/ COMPENSAÇÃO RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA ERROS MATERIAIS CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO SALDO CREDOR NECESSIDADE DE REEXAME DO CRÉDITO. Considerando que a suposta insuficiência de saldo credor de IPI que motivou o indeferimento do presente processo de ressarcimento/compensação também motivou o lançamento de ofício exigido através outro processo administrativo, ambos apurados em reconstituição da escrita fiscal em razão de supostos erros de classificação e de alíquota na saída de mercadoria descritos na informação fiscal, uma vez cancelado o lançamento pelo CARF em face de notórios erros materiais contradições e ilegalidade na reintegração de créditos de IPI por ocasião da reconstituição da escrita, impõese a reformar da decisão recorrida, a fim de que outra seja proferida para que desconsiderando a reconstituição de escrita, cuja irregularidade foi reconhecida pela anterior decisão retro mencionada, seja reexaminado o saldo do crédito ressarciendo, que exige coerência lógica com sua motivação e não comporta discricionariedade ou subjetivismos por parte das autoridades administrativas, vez que deve ser líquido e certo. Recurso Voluntário Provido em Parte Sustenta a embargante que o Acórdão nº 3402002447 apresenta notória contradição entre a decisão e seus fundamentos acerca da pretendida alteração de decisão administrativa definitiva proferida nos autos do processo administrativo nº 10830.006632/2006 61, além do que há patente lapso manifesto na medida em que o acórdão embargado indica outro processo que não o que realmente está vinculado ao presente, nesses termos: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 3 3 3. LAPSO MANIFESTO – O ACÓRDÃO EMBARGADO INCORREU EM ERRO AO INDICAR O PROCESSO VINCULADO QUE CONTROLA O AUTO DE INFRAÇÃO (...) Como o pedido de ressarcimento aqui analisado se refere ao 2º trimestre de 2002, ele só pode estar vinculado ao processo que refez a escrita fiscal do anocalendário de 2002, como bem pontuado no recurso voluntário apresentado (fls. 218/236). Sendo assim, o acórdão embargado incorreu em lapso manifesto ao indicar o processo 10830.002310/20063 ao invés do de nº 10830.006632/200661, equívoco que deve ser sanado com o acolhimento dos presentes embargos inominados por lapso manifesto, inclusive para corrigir a transcrição da ementa feita no acórdão embargado, que transcreveu a ementa do Acórdão nº 310200184, processo nº 10830.002310/200643), quando deveria ter transcrito a ementa do Acórdão nº 3102001711 (DOC 1), vazada nos seguintes termos: (...) 4. CONTRADIÇÃO ENTRE A DECISÃO E SEUS FUNDAMENTOS A MATÉRIA CONTROVERSA NESTES AUTOS É DEPENDENTE E VINCULADA AO PROCESSO Nº 10830.006632/200661 QUE CONTROLA O AUTO DE INFRAÇÃO DE IPI (...) Se o próprio Relator do acórdão embargado registrou que o motivo que levou ao não reconhecimento da parcela do crédito de IPI pleiteada nos presentes autos foi a reconstituição da escrita da Embargante feita nos autos do processo que controla o AI, está reconhecendo expressamente que o presente processo administrativo não tem mérito próprio, na medida em que é dependente e vinculado ao que for decidido no processo principal. E, sobre o processo principal, que controla o Auto de Infração, é preciso destacar que, em janeiro de 2013, no julgamento dos Embargos de Declaração apresentados pela ora Embargante em face do Acórdão nº 320100.888, a C. 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste E. Tribunal Administrativo deliberou, por maioria de votos, acolher os embargos com efeitos infringentes para dar provimento ao recurso voluntário e, como consequência, CANCELAR INTEGRALMENTE o Auto de Infração lavrado para cobrança de IPI, cujo Acórdão nº 3102001711 teve sua ementa redigida nos seguintes termos (DOC 1): (...) Acertadamente, concluiu o i. Relator [do Acórdão nº 3102 001711, que julgou os embargos de declaração] que diante da impossibilidade de realização de nova reconstituição da escrita fiscal da Embargante nesta fase processual, pois restaria configurado novo lançamento feito por autoridade incompetente, não havia outra alternativa senão o cancelamento integral do Auto de Infração e, como consequência, o restabelecimento de toda a escrita original da Empresa. Fl. 352DF CARF MF 4 Todavia, a despeito de reconhecer expressamente a identidade das matérias discutidas nos dois processos e a relação de dependência/vínculo existente entre o processo principal (Auto de Infração) e o reflexo (Pedido de Ressarcimento), o i. Relator do acórdão embargado, CONTRADITORIAMENTE, concluiu pelo refazimento da escrita fiscal por um novo critério, nos seguintes termos: (...) Acertadamente, concluiu o i. Relator [do Acórdão nº 3102 001711, que julgou os embargos de declaração] que diante da impossibilidade de realização de nova reconstituição da escrita fiscal da Embargante nesta fase processual, pois restaria configurado novo lançamento feito por autoridade incompetente, não havia outra alternativa senão o cancelamento integral do Auto de Infração e, como consequência, o restabelecimento de toda a escrita original da Empresa. (...) E, tendo sido proferida decisão definitiva no processo principal que (i) analisou e decidiu a matéria relacionada à classificação fiscal; (ii) cancelou integralmente o auto de infração e (iii) restabeleceu a escrita original na Embargante, no processo reflexo não pode haver outra decisão senão a aplicação dos efeitos da decisão proferida nos autos do processo principal, o que significa admitir e reconhecer a legitimidade do saldo credor de IPI registrado na escrita original da Embargante e, como consequência, deferir integralmente o Pedido de Ressarcimento discutido nos autos do presente processo administrativo. (...) Nesse contexto, diante da contradição evidenciada no acórdão embargado, necessário que os presentes embargos sejam acolhidos, com efeitos infringentes, para que seja corrigida a contraditória decisão, a fim de que seja aplicado ao presente caso, NA TOTALIDADE, os efeitos da decisão proferida no processo principal, e que o crédito de IPI apurado em sua escrita fiscal no 2º trimestre de 2002 seja reconhecido integralmente. 5. LAPSO MANIFESTO – IMPOSSIBILIDADE DE CUMPRIMENTO DA DECISÃO NA FORMA EMANADA NO ACÓRDÃO EMBARGADO – DECISÃO INEXEQUÍVEL A decisão proferida no acórdão embargado além de contraditória, apresenta inexatidão material devida a lapso manifesto uma vez que é impossível cumprila nos termos em que foi emanada pela C. Turma, sendo, portanto, inexequível. Vale dizer, há, no acórdão embargado patente inexatidão material devida a lapso manifesto, posto que não pode a C. Turma determinar nesta fase processual que a escrita fiscal da Embargante seja refeita! Essa decisão é inexequível na medida em que (i) é impossível refazer a escrita da Embargante por um novo critério, somente para apuração/verificação do crédito de IPI passível de ressarcimento e (ii) já há decisão proferida nos autos de outro processo administrativo determinando exatamente o oposto, ou seja, restabelecendo a escrita original da Embargante! (...) 6. DO PEDIDO Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 4 5 Demonstrados que estão presentes os pressupostos de admissibilidade, requer sejam acolhidos e providos os presentes Embargos de Declaração, e também os Embargos Inominados por Lapso Manifesto para que, suprida a contradição, assim como o lapso manifesto apontado, seja retificado o Acórdão nº 3402 002447 mediante nova decisão da Turma, a fim de que seja DADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado pela Empresa em harmonia com a decisão proferida no processo principal, e seja reconhecido integralmente o Pedido de Ressarcimento de IPI nos termos em que pleiteado. (...) O processo distribuído em 21 de junho de 2016 a esta Conselheira, que efetuou a análise de admissibilidade dos Embargos, propondo sua admissibilidade e a intimação da Procuradoria da Fazenda Nacional, o que foi acatado pelo Presidente do Colegiado. Cientificada, a Fazenda Nacional informou que não haverá manifestação em face dos Embargos opostos pela contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Sílvia de Brito Oliveira, Relatora Tomase conhecimento dos embargos de declaração e dos embargos inominados por atender aos requisitos de admissibilidade. Como já observado no despacho de admissibilidade, o Colegiado incorreu em lapso manifesto ao indicar no Acórdão embargado que o presente processo teria os mesmos fundamentos daqueles utilizados no processo nº 10830.002310/200643, vez que este se refere ao período de apuração de 01/01/2001 a 31/12/2001 e o processo em análise ao período de 01/04/2002 a 30/06/2002. O processo de auto de infração, decorrente da mesma reconstituição da escrita que originou o presente, é o de número 10830.006632/200661, que inclusive foi utilizado para fundamentar a decisão recorrida no processo em análise. Com efeito, no Acórdão embargado, devem ser retificadas todas as referências ao processo nº 10830.002310/200643 para "processo nº 10830.006632/200661" e também as transcrições e comentários das decisões mencionadas. Como naquilo que interessa ao Acórdão embargado, o conteúdo da decisão objeto do processo equivocado (10830.002310/200643) é semelhante ao do processo nº 10830.006632/200661, entendo que o Acórdão embargado deve ser mantido com as devidas alterações efetuadas no âmbito destes Embargos. Sobre a contradição apontada pela embargante no item 4. dos Embargos, entendo que, embora o despacho decisório do processo em análise também se sustente na reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, não há qualquer relação de dependência dele com o auto de infração em si. Não se desconsidera a vinculação entre os dois processos, eis que ambos decorrem da reconstituição da escrita da contribuinte, o que já foi acatado no Acórdão Fl. 354DF CARF MF 6 embargado em relação à classificação fiscal e à modalidade de alíquota a ser aplicada aos produtos. Entretanto, o efeito da incorreção na reconstituição da escrita no despacho decisório é matéria específica do presente processo, que pode ser decidida de maneira diversa daquela decidida no processo nº 10830.006632/200661 em relação ao auto de infração, mesmo porque o art. 146 do CTN, que veda a alteração de critério jurídico, aplicase somente ao lançamento. Assim, improcede a alegação da embargante de contradição no Acórdão embargado. Por fim, alega a embargante inexatidão material devida a lapso manifesto, posto que não poderia o Colegiado determinar nesta fase processual que a escrita fiscal da Embargante seja refeita eis que seria impossível refazer a escrita da Embargante por um novo critério, somente para apuração/verificação do crédito de IPI passível de ressarcimento e que já haveria decisão proferida nos autos de outro processo administrativo determinando exatamente o oposto, ou seja, restabelecendo a escrita original da Embargante. Na verdade, ao se analisar o Acórdão nº 3102001.711, que deu provimento ao recurso voluntário no processo nº 10830.006632/200661 em sede de Embargos Declaratórios, verificase que não há nenhuma menção a que a reconstituição da escrita tivesse sido considerada nula, restando apenas ali consignado que ela não mais serviria para sustentar o auto de infração, no entender daquele Colegiado, por questões relativas a modificação de critério jurídico do lançamento, após a constatação de que houve equívoco pela fiscalização na adoção da alíquota específica em vez da alíquota ad valorem. Como dito acima, a análise dos efeitos da incorreção na reconstituição da escrita no despacho decisório é matéria específica do presente processo e não está atrelada ao resultado da análise do outro Colegiado dos efeitos dela no auto de infração, razão pela qual há de ser mantido o Acórdão embargado na parte em que determinou, para que não houvesse supressão de instância, o retorno do processo à DRJ para apuração do montante do saldo credor acumulado a ressarcir, com base em nova reconstrução da escrita da contribuinte levando em consideração o entendimento contido no Acórdão que julgou o auto de infração (processo nº 10830.006632/200661). Embora em processo semelhante da contribuinte, de número 10830.720424/200679, sob julgamento nesta sessão, esta relatora tenha proposto um encaminhamento diferente daquele adotado do Acórdão embargado, de apuração do novo montante do saldo credor acumulado no trimestrecalendário diretamente pela Unidade de Origem, é certo que, não configuradas a inexatidão material ou a contradição apontadas pela embargante, a decisão anterior do Colegiado não pode ser alterada pela via estreita dos Embargos de Declaração ou Inominados, os quais não se prestam a rejulgamento da lide. Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração, mas de acolher parcialmente os embargos inominados para que integre o Acórdão embargado as retificações abaixo explicitadas, no que se refere à correção da identificação do processo relativo ao auto de infração para "nº 10830.006632/200661" e as demais dela decorrentes. Considerase o Acórdão embargado retificado na seguinte forma: "Relatório (...) Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 218/236) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito ressarciendo, tendo em vista: a) preliminarmente o cerceamento do direito de defesa em face da inversão processual vez que o presente processo de ressarcimento é dependeria da procedência do processo n° 10830.006632/2006‐611 através do qual se impugna a classificação fiscal e respectiva alíquota utilizada pela Recorrente que teria originado a 1 Número do processo retificado. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 5 7 recomposição de escrita, sendo certo que a r. decisão recorrida teria desconsiderado o laudo apresentado naquele processo; (...) (...) VOTO (...) Desde logo verifico que a suposta insuficiência de saldo credor de IPI que motivou o indeferimento do presente processo de ressarcimento/compensação também motivou o lançamento de ofício exigido através do Processo Administrativo nº 10830.006632/2006‐612, ambos apurados em reconstituição da escrita fiscal em razão de supostos erros de classificação e de alíquota na saída de mercadoria descritos na informação fiscal (fls. 49/51) da DRF de Campinas SP, nos seguintes termos: (...) Da mesma forma verifico que ao julgar o lançamento de ofício exigido através do Processo Administrativo nº 10830.006632/2006‐61, mediante o Acórdão nº 3201‐00.888– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 02 de fevereiro de 2011, e o Acórdão nº 3102‐001.711 ‐ 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 29 de janeiro de 20133, deu‐se integral provimento ao Recurso da ora Recorrente, para cancelar as exigências fiscais decorrentes da referida reconstituição de escrita, em face da constatação de que a alíquota a ser aplicada seria ad valorem e não a alíquota específica. 4 [citação suprimida no Acórdão embargado para acrescentar o que se segue] 5 Restou consignado no Voto do Ilustre Relator do Acórdão nº 3201‐00.888, a correção da classificação fiscal adotada pelo Fisco (2202.90.00 da TIPI), bem como a inadequação da alíquota específica aplicada pela fiscalização, nesses termos: (...) Parece‐me muito claro que há uma importante distinção entre os produtos compreendidos no capítulo 21 e os incluídos no capítulo 22, quando o assunto gira em torno da classificação de mercadorias da espécie das que são produzidas pela autuada, qual seja, o simples fato de serem ou não identificáveis como bebidas. Os itens 07 e 12 das Notas Explicativas, acima comentados, são determinantes a esse respeito. Estivesse o produto sub examine apresentado nas condições neles especificadas e certamente deveriam, por força de seus próprios dizeres, ser enquadrados na posição 2106; todavia, estando o produto, como está, pronto para ser consumido como uma bebida, impossível classificar‐se no capítulo 21. Por esta mesma razão, não há como enquadrar tais produtos na especificação contida no item 16 também acima transcrito, tal como pretende a recorrente, pois, se onde encontra‐se a mais textual menção aos produtos suscetíveis de serem enquadrados nos dois capítulos – itens 07 e 12 – não se admitem bebidas 2 Número do processo retificado. 3 Número do processo e de Acórdãos retificados. 4 No texto original constava: "Da mesma forma verifico que ao julgar o lançamento de ofício exigido através do Processo Administrativo nº 10830,002310/200643, em sessão de 01/09/11 a C 1ª Turma Ord. da 1ª Câm. da 3ª Seção do CARF, deu integral provimento ao Recurso da ora Recorrente, para cancelar as exigências fiscais decorrentes da referida reconstituição de escrita, em face de notórios erros materiais contradições e ilegalidade seja “no cálculo do imposto devido”, seja “na reintegração de créditos de IPI por ocasião da reconstituição da escrita”, seja ainda “por conta da aplicação, (...), de valores fixos de IPI para as embalagens inferiores as de 361 ml”, defeitos estes demonstrados nos seguintes termos:" 5 Citação suprimida compreendida entre os 2 parágrafos abaixo, inclusive: “Afora o reconhecimento quanto ao erro material no cálculo do imposto devido e na reintegração de créditos de IPI por ocasião da reconstituição da escrita, a redução mais expressiva ficou por conta da aplicação, a qual entendeu a instância de origem ser indevida, de valores fixos de IPI para as embalagens inferiores as de 361 ml. (...) A alternativa à conclusão proposta, qual seja a manutenção da autuação mediante nova reconstrução da escrita agora com a aplicação da alíquota ad valorem respectiva, afigurase, para este julgador, como novo lançamento por quem não está habilitado legalmente a proceder (no caso, esta autoridade julgadora).” Fl. 356DF CARF MF 8 prontas para consumo, por certo não será como complementos alimentares que os mesmos venham a se enquadrar no capítulo 21, a menos que não fossem identificáveis como bebidas. Noutro giro, o que se extrai das Notas Explicativas à posição 2202 também orienta em sentido contrário ao pretendido pela recorrente, se não vejamos. Capítulo 22 Bebidas, líquidos alcoólicos e vinagres 22.02 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas e outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos (sumos*) de frutas ou de produtos hortícolas, da posição 20.09. 2202.10 Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas 2202.90 Outras A presente posição engloba as bebidas não alcoólicas tal como são definidas na Nota 3 do presente Capítulo, exceto as compreendidas em outras posições, em particular nas posições 20.09 ou 22.01. A) Águas, incluídas as águas minerais e as águas gaseificadas, adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. Este grupo inclui, entre outras: 1) As águas minerais (naturais ou artificiais) adicionadas de açúcar ou de outros edulcorantes ou aromatizadas. 2) As bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, aromatizadas com sucos ou essências de frutos ou com extratos compostos e adicionados, por vezes, de ácido tartárico e de ácido cítrico; estas bebidas são freqüentemente tornadas gasosas, por meio de dióxido de carbono. Apresentamse quase sempre em garrafas ou em outros recipientes fechados hermeticamente. B) Outras bebidas não alcoólicas, exceto sucos de frutas ou de produtos hortícolas da posição 20.09. Este grupo inclui, entre outros: 1) Os néctares de tamarindo tornados próprios para consumo sob a forma de bebida, por adição de água, açúcar ou outros edulcorantes e filtração. 2) Certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, tais como certas bebidas à base de leite e de cacau. (grifos meus) Estão excluídos desta posição: a) Os iogurtes líquidos e outros leites e cremes fermentados ou acidificados, adicionados de cacau, frutas ou de aromatizantes (posição 04.03). b) Os xaropes de açúcares da posição 17.02 e os xaropes de açúcar aromatizados da posição 21.06. c) Os sucos de frutas ou de produtos hortícolas, mesmo que sejam diretamente utilizados como bebidas (posição 20.09). d) Os medicamentos das posições 30.03 ou 30.04. Como se vê, é o capítulo 22 que destina‐se às bebidas tais como refrescos ou refrigerantes, cola, laranjadas ou limonadas, constituídas por água potável comum, com ou sem açúcar ou outros edulcorantes, inclusive certos produtos alimentícios líquidos, suscetíveis de consumo direto como bebidas, como pode ser o caso do produto sub examine, uma vez identificado como complemento alimentar. Neste contexto, não há qualquer contradição no fato de a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ter avaliado criteriosamente o produto e classificado o mesmo como suplemento vitamínico, ou mesmo que a legislação infralegal citada no recurso voluntário e o registro junto ao Ministério da Saúde atestem a condição do produto como alimento. A uma, porque é de consabido que cada Órgão Público assim como cada Ministério tem competências próprias, sendo afeto ao Ministério da Fazenda a atividade de classificação fiscal de mercadorias, a duas, porque nada obsta que os produtos produzidos pela autuada sejam reconhecidos como suplemento vitamínico, devendo, ainda assim, ser enquadrados no capítulo 22, conforme acima demonstrado. (grifos do original) (...) Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 6 9 O fato de haver outra decisão de lavra do mesmo Relator em outro processo, na mesma Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em sentido contrário do que neste se decidiu, não constitui alteração de critério jurídico, mas decorre da necessária autonomia dos julgados de cada processo. O fato foi objeto de comentário no voto condutor da decisão recorrida e, tal como penso, o i. Julgador decidiu adotar novo entendimento sobre a matéria, em busca da solução correta. Inadmissível seria sugerir que o a autoridade ficasse eternamente refém de decisões tomadas em outro processo. Também não favorece à recorrente o fato de haver outros produtos similares no mercado sendo classificados no mesmo código. Essa circunstância não tem o condão de alterar a solução do litígio. Quanto aos argumentos de que a fiscalização enquadrou a mercadoria em código genérico em detrimento das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e que a classificação escolhida pelo Fisco agride o princípio da seletividade, o fato é que, como acima ficou claro, a classificação deve feita nos termos da Regra 1 do Sistema Harmonizado, ou seja, de acordo com os textos das posições e notas de capítulo, com apoio nas Notas Explicativas, situação que afasta qualquer possibilidade de aplicação da Regra 3. Esclarecidos todos estes aspectos, há que se fazer uma importante ressalva na parte que tange ao enquadramento da mercadoria sub examine nos Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal. De fato, se, por um lado, como dito antes, nenhuma decisão tomada por outro Ministério do Poder Executivo pode afastar a competência da Secretaria da Receita Federal de determinar a classificação fiscal de um produto, também esta não poderá interferir em assuntos afetos a outros Ministérios, como é o caso da identificação do produto como sendo um suplemento vitamínico ou um repositor energético, decisão que compete à Secretaria de Vigilância Sanitária. Ademais, as próprias ordens de execução do Ministério da Fazenda remetem ao enquadramento determinado pelo Ministério da Saúde. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota específica. (...) Posteriormente o Acórdão acima foi reformado, mediante o Acordão nº 3102‐001.711 ‐ 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 29 de janeiro de 2013, acolhendo‐se os Embargos de Declaração da contribuinte para dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Voto do Relator Ricardo Paulo Rosa, parcialmente transcrito abaixo: (...) Feita essa importante ressalva, de se acrescentar que, embora ela, parece‐me que haja, de fato, uma contradição no Acórdão embargado que exige retificação. Ao justificar a manutenção da exigência, ficou assentado que, embora o cálculo devesse ter sido feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não da alíquota específica, tendo em conta que o crédito tributário, se regularmente constituído, teria sido em valor superior ao valor lançado, seria possível a manutenção do valor ainda que a metodologia de apuração estivesse equivocada. Assim constou no Voto. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota específica. Diante de tais circunstâncias, considerando as informações contidas no auto de infração dando conta de que da aplicação da alíquota ad valorem resulta crédito tributário em valor superior ao constituído no presente processo, resta o contribuinte beneficiado pela exigência de valor inferior ao que é efetivamente devido neste tipo de operação Ocorre que, como não se desconhece, compete à autoridade autuante a apuração do crédito tributário devido, não sendo possível que a metodologia de cálculo seja revista em decisão administrativa ou que, se apurado por um Fl. 358DF CARF MF 10 critério considerado incorreto, o crédito seja mantido sob o argumento de que, houvesse sido corretamente apurado, teria sido mais gravoso ao contribuinte. O fato é que, ainda que a auditoria mencione a circunstância de que o valor do crédito haveria de ser superior acaso utilizada a alíquota ad valorem, persiste o equívoco cometido, ao lançar o valor devido com base em critério de apuração inaplicável ao caso concreto, utilizando‐se a alíquota específica quando isso não era possível. Por conta disso, uma vez que à simples referência no Auto de Infração à conseqüência advinda da apuração do crédito tributário pela aplicação da alíquota ad valorem tenha sido indevidamente atribuído o condão de tornar o Auto uma espécie de lançamento híbrido, constituído por dois critérios de apuração distintos, resta a decisão desprovida de fundamentação capaz de dar‐ lhe o suporte necessário e, ainda mais, contraditória, ao encaminhar a solução do litígio com base em uma interpretação que não condiz com seus próprios fundamentos, sempre amparados na correta aplicação da legislação tributária por parte da Fiscalização Federal, devendo ser, por conseguinte, reformada. (...) Os referidos Acórdãos, do recurso voluntário e dos Embargos, foram ementados nos seguintes termos, respectivamente6: [citação da ementa suprimida no Acórdão embargado para acrescentar as ementas que se seguem] ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. NEGATIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância decidir, em despacho fundamentado, sobre o pedido de perícia apresentado pelo contribuinte. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BEBIDAS. CAPÍTULO 22. Os produtos apresentados como bebidas prontas para consumo classificam‐se no capítulo 22, ainda que contenham propriedades alimentares. PRODUTOS DAS POSIÇÕES 22.04, 22.05, 22.06 E 2208. CAPACIDADE DO RECIPIENTE SUPERIOR A UM LITRO. ENQUADRAMENTO POR CLASSE. No caso de recipientes com capacidade superior a 1 litro, cobra‐se o imposto proporcionalmente ao definido para recipientes de 1 litro, arredondando‐se a fração residual para 1 litro. A embalagem de 1,5 litros deve ser tributada como se de 2 litros fosse. SUPLEMENTOS VITAMÍNICOS. CLASSIFICAÇÃO. ALÍQUOTA. Os suplementos vitamínicos, por não estarem enquadrados na Portaria nº 222 da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, não estão sujeitos às alíquotas específicas fixadas pelos Atos Declaratórios nº 012 de 2000 e 02 de 2001, da Secretaria da Receita Federal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO. APLICABILIDADE. Aplica‐se a multa de 75% sobre o valor do Imposto sobre Produtos Industrializados não lançado na respectiva nota fiscal. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. CORREÇÃO. Deve ser corrigida a decisão quando constatada a ocorrência de contradição no Acórdão embargado. 6 No Acórdão embargado constava "O referido Acórdão assim fundamentado foi ementado nos seguintes termos:". Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 7 11 Diante da proclamação pela superior instância, dos manifestos equívoco e falsidade das premissas e motivos invocados pela d. Fiscalização para indeferir o crédito pleiteado – no sentido de que a ora Recorrente teria classificado “indevidamente” as saídas das bebidas – data vênia impõe‐se a confecção de nova reconstrução da escrita, escoimada dos defeitos apontados no referido Acórdão, para a determinação do saldo credor ressarciendo pleiteado, que por sua vez exige coerência lógica com sua motivação e não comporta discricionariedade ou subjetivismos por parte das autoridades administrativas, vez que deve ser líquido e certo. 7 [parte suprimida do Acórdão embargado, pois se referia especificamente ao processo identificado erroneamente] 8 Considerando que este Conselho cancelou o referido lançamento, impõe‐se o retorno do processo administrativo à instância “a quo” a fim de que novo provimento seja exarado para determinação da liquidez e certeza do saldo credor ressarciendo pleiteado em face da decisão que cancelou o lançamento, de modo a não ensejar supressão de instância (...)9 (...)" 7 Parágrafo não retificado, aqui transcrito somente para localização no Acórdão embargado. 8 Parte suprimida do Acórdão embargado: Notese que no caso concreto a própria r. decisão ora recorrida já corrigiu parcialmente o saldo credor restituendo diante da decisão administrativa da DRJ que reduziu parcialmente as exigências do lançamento de ofício exigido através do Processo Administrativo nº 10830,002310/200643, quando assevera que: “Como se pode notar, em virtude da nova reconstituição da escrita fiscal da contribuinte, considerando os valores lançados no auto de infração, e retificando os equívocos da fiscalização, obtevese um saldo disponível para ressarcimento de IPI em 30/06/2002 de R$ l0.463,15. Como a DRF/Campinas já deferiu parcialmente o valor de R$ 3.446,77, devese deferir a diferença de R$ 7.016,38. Ante o exposto, voto pelo deferimento parcial da solicitação.” 9 Os outros dois últimos parágrafos foram mantidos integralmente, sem retificação. Fl. 360DF CARF MF 12 É como voto (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10830.007210/200280 Acórdão n.º 3402004.085 S3C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia à Ilustre Relatora para divergir quanto ao seu entendimento a respeito dos Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte. Tal matéria foi enfrentada com muita propriedade pelo Conselheiro Ricardo Rosa no Acórdão CARF nº 3102001711, onde foi consignado o seguinte: Ao justificar a manutenção da exigência, ficou assentado que, embora o cálculo devesse ter sido feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não da alíquota específica, tendo em conta que o crédito tributário, se regularmente constituído, teria sido em valor superior ao valor lançado, seria possível a manutenção do valor ainda que a metodologia de apuração estivesse equivocada. Assim constou no Voto. Desta maneira, embora a classificação fiscal correta seja a defendida pelo Fisco, o cálculo do tributo devido deve ser feito pela aplicação da alíquota ad valorem e não pela alíquota específica. Diante de tais circunstâncias, considerando as informações contidas no auto de infração dando conta de que da aplicação da alíquota ad valorem resulta crédito tributário em valor superior ao constituído no presente processo, resta o contribuinte beneficiado pela exigência de valor inferior ao que é efetivamente devido neste tipo de operação. Ocorre que, como não se desconhece, compete à autoridade autuante a apuração do crédito tributário devido, não sendo possível que a metodologia de cálculo seja revista em decisão administrativa ou que, se apurado por um critério considerado incorreto, o crédito seja mantido sob o argumento de que, houvesse sido corretamente apurado, teria sido mais gravoso ao contribuinte. O fato é que, ainda que a auditoria mencione a circunstância de que o valor do crédito haveria de ser superior acaso utilizada a alíquota ad valorem, persiste o equívoco cometido, ao lançar o valor devido com base em critério de apuração inaplicável ao caso concreto, utilizandose a alíquota específica quando isso não era possível. Por conta disso, uma vez que à simples referência no Auto de Infração à conseqüência advinda da apuração do crédito tributário pela aplicação da alíquota ad valorem tenha sido indevidamente atribuído o condão de tornar o Auto uma espécie de lançamento híbrido, constituído por dois critérios de apuração distintos, resta a decisão desprovida de fundamentação capaz de darlhe o suporte necessário e, ainda mais, contraditória, ao encaminhar a solução do litígio com base em uma interpretação que não condiz com seus próprios fundamentos, sempre amparados na correta aplicação da legislação tributária por parte da Fiscalização Federal, devendo ser, por conseguinte, reformada. Assim, resta clara a impossibilidade de realização de uma nova reconstituição da escrita fiscal da Embargante, não havendo outra alternativa jurídica senão o cancelamento integral do Auto de Infração e o reestabelecimento da escrita original da Empresa, cujos Fl. 362DF CARF MF 14 critérios foram convalidados no julgamento do Processo Administrativo nº 10830.006632/2006 61. Assim, ao determinar nova reconstrução da escrita com novo critério o relator do Acórdão embargado laborou em contradição, visto se tratar de providência contrária à legislação e às premissas fáticas assumidas em seu voto. Desse modo, voto por dar Provimento aos Embargos de Declaração, reconhecendolhe efeitos infringentes para dar provimento integral ao Recurso Voluntário do Contribuinte, reconhecendo a legitimidade do saldo credor de IPI registrado na escrita original da Embargando. É como voto. Fl. 363DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002059/2004-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA.
CONDUTA REITERADA.
Comprovada a conduta da contribuinte em omitir integralmente suas receitas e reiterando a conduta conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007.
Numero da decisão: 9303-004.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. CONDUTA REITERADA. Comprovada a conduta da contribuinte em omitir integralmente suas receitas e reiterando a conduta conduz necessariamente ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96, com nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 59 /2 00 4- 52 Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11020.002059/200452 Acórdão n.º 9303004.665 CSRFT3 Fl. 492 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380100.555, proferido pela 1ª Turma Especial, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que houve omissão de receitas de PIS, e por via conseqüência, manteve a multa qualificada de 150% ( cento e cinqüenta por cento). Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de PIS do período de 01/1999 a 03/2003, acrescido da multa de ofício qualificada e dos juros de mora. A DRJ indeferiu a impugnação e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário julgado improcedente pela 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Assim restou ementado o acórdão nº 380100.555: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Presentes nos autos elementos que permitam ao julgador formar sua convicção tornase necessária a realização de perícia, especialmente quando os requisitos formulados não guardam relação com o fundamento do pedido. PIS. RECEITA BRUTA. FATURAMENTO. ALÍQUOTA. É válido o lançamento calcado nos termos da lei que definiu a base de cálculo da contribuição e a alíquota aplicável, não cabendo ao órgão administrativo a apreciação da inconstitucionalidade da PIS. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DA RECEITA DE TERCEIROS. A exclusão dos valores transferidos para outras pessoas jurídicas, prevista na lei que regulou a cobrança da contribuição, não produziu eficácia em face da sua não regulamentação pelo Poder Executivo e pela posteriorrevogação do dispositivo. SIGILO BANCÁRIO. RETROATIVIDADE DE NORMA PROCESSUAL. Por ser norma processual, cabível a aplicação retroativa da ova redação do § 3o do artigo 11 da Lei n". \ 9.311/96, dada pelo artigo Io da Lei n°. 10.174/01. TAXA SELIC. A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. Presente nos autos a comprovação do evidente intuito de fraude, correta a aplicação da multa qualificada. O órgão Fl. 492DF CARF MF Processo nº 11020.002059/200452 Acórdão n.º 9303004.665 CSRFT3 Fl. 493 3 administrativo não detém competência para apreciação de inconstitucionalidade de lei. Lançamento Procedente ". Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpôs o presente Recurso Especial (fls. 933 e ss.), sustentando que não procede a alegação fazendária, e que não há fundamento legal vigente que legitime a imposição de penalidade no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), e que a lei nº 11.488/07, reduziu o percentual da multa prevista no artigo 44, inciso II, da lei nº 9.430/96, para 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito, em sintonia com o famoso artigo 106 II, alínea c, do CTN. Para comprovar o dissenso, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 10809.092 e 10246231. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudencial especialmente quanto a multa qualificada no patamar de 150% ( cento e cinqüenta por cento), por meio do Despacho de Admissibilidade, fls. 477/480, foi dado seguimento parcial ao recurso. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões fls.484/489. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de auto de infração lavrado para a exigência de PIS do período de 01/1999 a 03/2003, acrescido da multa de ofício qualificada e dos juros de mora. Compulsando os autos, verifico que a decisão recorrida decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, por entender que houve de fato omissão de receitas de PIS, e por via conseqüência, manteve a multa qualificada no patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento). Com efeito, para se aplicar a multa qualificada não basta simples indícios; se faz necessário a caracterização da intenção de fraudar, retardar e sonegar o tributo, considerando que o interprete deve aplicar a norma com acuidade, de modo eficaz a demonstrar a intenção dos três ilícitos contidos nos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64, a que remete a Lei nº 9.430/96 em seu artigo 44, inciso II (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.º 351/2007). Destarte, o dolo da contribuinte ficou evidenciado e comprovado junto aos autos, a conduta reiterase quando omitiu suas receitas em períodos sucessivos (5 anos), Fl. 493DF CARF MF Processo nº 11020.002059/200452 Acórdão n.º 9303004.665 CSRFT3 Fl. 494 4 visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação principal perante ao Fisco Federal, e ainda, para agravar sua conduta, declarou uma renda que sabia não ser verdadeira. Como visto, restou comprovado a conduta reiterada da Contribuinte na prática de infrações tributárias em anos calendários seguidos. Tal conduta revelase evidente o "animus dolandi" a ensejar a incidência da multa qualificada de 150%. Para corroborar tal assertiva, e reforçar que a Contribuinte agiu com dolo reiterado, discussão similar foi objeto de análise do processo nº 10976.000280/200929, acórdão nº 3803006.897, o qual este Relator participou do julgamento, quando se decidiu por unanimidade de votos pela aplicação da multa qualificada de 150% em razão da Autoridade Fiscal ter constatado que a Contribuinte apurava em sua escrituração contábil fiscal valores da contribuição superiores àqueles declarados em DCTF e recolhidos aos cofres públicos. Sobre os valores lançados foi exigida a multa qualificada em decorrência da prática reiterada do contribuinte de declarar ao Fisco, por três anos consecutivos, a Contribuição para o PIS em valores inferiores àqueles registrados em sua contabilidade, evidenciando intuito de fraudar o Erário. Ainda, durante o curso da ação fiscal, a Contribuinte transmitiu DCTF retificadora relativa ao 2° semestre de 2006, informando débitos que não havia sido declarados na DCTF original, procedimento esse considerado inapto para interferir na ação fiscal, em razão da perda da espontaneidade. Vejamos: Processo nº 10976.000280/200929 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.897 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente LIDERPLAST DO BRASIL EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. No lançamento de ofício, juntamente com o principal, se exigem juros de mora com base na taxa Selic e multa de ofício. Constatada a ocorrência de fraude, aplicase a multa de ofício qualificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.COMPETÊNCIA. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 11020.002059/200452 Acórdão n.º 9303004.665 CSRFT3 Fl. 495 5 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (súmula CARF nº 8). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. Uma vez iniciada a ação fiscal, temse por excluída a espontaneidade do sujeito passivo, encontrandose a Administração tributária autorizada por lei a dar seguimento aos trabalhos de auditoria, precipuamente no que se refere à aplicação da multa de ofício por descumprimento de obrigação tributária. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CABIMENTO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Neste sentido, cumpre observar que o dispositivo legal que fundamenta a multa agravada, é o artigo 44, inciso II, da Lei nº. 9.430/1996 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.º 351/2007), cujo teor merece transcrição: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mp nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007)” (original sem negrito). – Redação anterior à alteração legislativa, vigente à época do julgamento. Deste modo, observase que o inciso II determina que além das hipóteses do inciso I, se faz necessário integrar com as previsões dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/66. Vejamos: Fl. 495DF CARF MF Processo nº 11020.002059/200452 Acórdão n.º 9303004.665 CSRFT3 Fl. 496 6 “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.” Do cotejo dos dispositivos, verificase que o artigo 71, remete a uma conduta omissiva ou comissiva que tem por objetivo obstar o conhecimento da Fazenda a ocorrência do fato gerador do tributo. Quanto ao artigo 72, este não trata de fraude a lei, mas sim do Fisco, o que em via reflexa impede o nascimento do fato gerador da obrigação principal, retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto é como penso Demes Brito Fl. 496DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720691/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. SIGILO BANCÁRIO.
O Supremo Tribunal Federal entendeu serem constitucionais os dispositivos legais que permitem ao Fisco requisitar informações às instituições bancárias sobre movimentação financeira de contribuintes, sem prévia autorização judicial. Preliminar indeferida.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
Cancelase o ato de suspensão da imunidade tributaria quando não restar devidamente comprovada a distribuição velada de patrimônio.
Numero da decisão: 1201-001.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luiz Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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INCONSTITUCIONALIDADE. SIGILO BANCÁRIO. O Supremo Tribunal Federal entendeu serem constitucionais os dispositivos legais que permitem ao Fisco requisitar informações às instituições bancárias sobre movimentação financeira de contribuintes, sem prévia autorização judicial. Preliminar indeferida. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Cancelase o ato de suspensão da imunidade tributaria quando não restar devidamente comprovada a distribuição velada de patrimônio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luiz Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes e Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 06 91 /2 01 2- 11 Fl. 13275DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório utilizado pela DRJ/RJ1: "Versa o presente processo sobre suspensão da imunidade tributária, formalizada no Ato Declaratório Executivo n° 12, de 26 de junho de 2012, publicado no DOU de 28 de junho de 2012. O presente processo está apenso ao processo principal nº 10073.721493/201267, que trata de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lavrados em razão da suspensão da imunidade, o qual foi impugnado pelo interessado. Notificação Fiscal Seguindo o rito previsto no artigo 32 da Lei nº 9.430/96, foi emitida a Notificação Fiscal, com ciência em 12/04/2012, que constatou, de forma resumida, as seguintes irregularidades: 1) Prestação de serviços de hotelaria, os quais não se encontram elencados no rol das atividades fins para as quais a entidade foi criada, nos termos do Estatuto, sendo detectada, ainda, receita substancial desta atividade, conforme Balancete. 2) Prestação de serviços de bar e restaurante, os quais não se encontram elencados no rol das atividades fins para as quais a entidade foi criada, nos termos do Estatuto, sendo detectada, ainda, receita substancial desta atividade, conforme Balancete. Segundo a fiscalização, apesar de haver previsão estatutária de prestação de assistência alimentar, a mesma não pode ser confundida com a exploração de restaurante e bar. Com relação a estes itens, entende a fiscalização que não se pode aceitar que toda e qualquer renda, advinda de outras atividades, indistintamente, se encontre sob o manto da imunidade, ainda que o seu produto seja destinado à própria instituição imune. Não é concebível que da imunidade resulte um favorecimento excessivo à entidade, sob o risco de, em o fazendo, instituirse tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, em afronta ao art. 150, inciso II, da CF. Vale dizer, se a entidade pratica atividade comercial, a renda dali proveniente, ainda que aplicada em suas finalidades institucionais, não se encontra ao abrigo da imunidade, pois do contrário ferirseia o princípio constitucional da livre concorrência em relação às empresas (art. 170, inciso IV, da CF). No presente caso é inadmissível que o contribuinte em questão, se valendo de uma imunidade conseguida para fins específicos previstos no Estatuto Constitutivo, exerça as atividades de exploração de serviços de hotelaria e de restaurante, sem que dele lhe sejam cobrados os correspondentes tributos, sob o risco de se colocar em queda a livre concorrência de mercado. Foi anexada cópia do Balancete fornecido pelo próprio interessado (AC/2007), onde aparecem escrituradas as contas SERVIÇOS DE HOSPEDAGEM (33111010) e BAR E RESTAURANTE (33122001). Fl. 13276DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.275 3 3) Pagamento de bônus a dirigentes, o que é vedado pelo art. 14, inciso I, do CTN A fiscalização constatou o pagamento de remuneração variável a título de bônus aos funcionários ocupantes de cargos gerenciais da Fundação CSN, conforme dados extraídos da Auditoria Previdenciária efetuada anteriormente. A referida remuneração, desvinculada do salário, independentemente de sua denominação ou objetivo, caracterizase como benefício ou vantagem suplementar e, obviamente, com conotação de distribuição de recurso financeiro da empresa ou resultado operacional. A Fundação CSN, em resposta por escrito ao Termo de Intimação Fiscal 07 (Anexo VIII do AI 37.263.2335), emitido pela Auditoria Previdenciária, conforme documento em anexo (assinado pelo presidente da instituição), atesta que realiza o pagamento de uma "bonificação anual e fixa ao corpo gerencial da entidade". Dessa forma, ficou comprovado que a entidade adota procedimento terminantemente vedado pela Legislação para o regular gozo do benefício da imunidade, conforme previsto no art. 14, inciso I, do CTN, com a redação dada pela LC 104/2001. O pagamento do referido bônus, que foi efetuado através das rubricas "REMUNERAÇÃO VARIÁVEL" e "BÔNUS POR RESULTADO", registradas nas Folhas de Pagamento sob os códigos "COMPSAL" e "BONUSRE", respectivamente, encontrase escriturado no Balancete fornecido pela Fundação CSN conta GRATIFICAÇÃO ESPECIAL (41111008), com valor total movimentado de R$ 113.061,35 em 2007. Tornase importante ressaltar a natureza do citado bônus como distribuição de resultado operacional, em virtude do exercício de função gerencial exercida pelos beneficiários na Fundação CSN, bem como o fato de ser exclusiva para os cargos de gestão da instituição. O art. 14, inciso I, do CTN, veda o procedimento adotado pela Fundação CSN, nos seguintes termos: "I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela LC n° 104, de 10.1.2001)'' Foram identificados como beneficiários do bônus pago pela Fundação CSN os dirigentes da instituição abaixo relacionados. Os valores recebidos individualmente foram totalizados em R$ 113.061,35 (mesmo valor escriturado no Balancete), resultando em um valor significante de recursos alocados para uma finalidade vedada pela Legislação. Fl. 13277DF CARF MF 4 4) Prestação de serviços à COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL –CSN, sua instituidora, proporcionando uma redução de custos muito relevante que, inquestionavelmente, caracterizase como vantagem ou benefício A fiscalização ressalta que o benefício da isenção das contribuições para a Seguridade Social é de grande relevância para a FUNDAÇÃO CSN, bem como para a sua instituidora COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL, doravante denominada CSN. Dentre os serviços prestados pela FUNDAÇÃO CSN para sua instituidora CSN, destacamse a comercialização de medicamentos e o tratamento odontológicos para seus funcionários, a administração e manutenção da sede social dos funcionários, e serviços educacionais e profissionalizantes disponibilizados para seus funcionários. As Notas Fiscais de serviços prestados pela FUNDAÇÃO CSN à sua instituidora CSN encontramse registradas na conta contábil de código 11121001, conforme extrato da conta contábil anexo aos autos. Existe um convênio e aditivos celebrados entre a FUNDAÇÃO CSN e a CSN (anexos aos autos), através dos quais é demonstrado de forma clara e inequívoca que a FUNDAÇÃO CSN, na prática, tem como objetivo principal a prestação de serviços a sua instituidora CSN. Os serviços prestados através da FUNDAÇÃO CSN, em atendimento às necessidades de sua instituidora e empresas coligadas, proporcionam uma redução de custos muito relevante que, inquestionavelmente, caracterizamse como vantagem ou benefício. No ano de 2007 a CSN repassou à FUNDAÇÃO CSN, através de Notas Fiscais de prestação de serviços, valores que foram contabilizados pela FUNDAÇÃO CSN como doações, quando na verdade correspondem a serviços executados para atender as necessidades da CSN, conforme demonstrado através de extrato das contas contábeis correspondentes, anexo aos autos. Vale ressaltar mais uma vez que tais serviços executados em benefício da CSN e empresas coligadas proporcionam uma relevante Fl. 13278DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.276 5 redução em seus custos devido à redução das contribuições para a Seguridade Social. 5) A Fundação CSN apresentou valores incorretos para o cômputo da base de cálculo de aplicação de percentual em gratuidade, pois, ao definir a receita bruta, efetuou o abatimento do custo das mercadorias comercializadas aos funcionários da CSN e empresas coligadas (principalmente medicamentos). Tal procedimento não tem respaldo legal e produz uma redução significativa no total da receita a ser considerada. Só para se ter uma idéia, a referida redução no ano de 2007 foi de R$ 6.054.482,00 (CMV), conforme demonstrativo anexo aos autos. 6) A Fundação CSN desenvolve atividades na área da saúde através do Centro de Saúde Oral CSO, prestando atendimento odontológico direcionado aos funcionários da CSN e de empresas coligadas. O Centro de Saúde Oral CSO tem como objetivo principal atender aos funcionários da CSN e seus dependentes. A CSN realizou no ano de 2007 pagamentos à FUNDAÇÃO CSN por meio de Notas Fiscais de prestação de serviços, garantindo desta forma o custeio das atividades desenvolvidas. Os referidos pagamentos foram considerados como doações na contabilidade da FUNDAÇÃO CSN (contabilizados na conta 33131003 conforme extrato anexo aos autos), mas de fato caracterizamse como remuneração pelos serviços prestados pela FUNDAÇÃO CSN para atender as necessidades da CSN. Vale ressaltar que a referida atividade possui a conotação de benefício indireto, fruto da relação trabalhista. O referido benefício, estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho, tem seu custo reduzido quando viabilizado através da FUNDAÇÃO CSN e contabilizado como doações. Dessa forma a CSN e empresas coligadas proporcionam a seus funcionários um benefício com uma relevante redução em seus custos devido à isenção das contribuições para a Seguridade Social. Constatase ainda que a CSN, ao proporcionar o referido benefício através da FUNDAÇÃO CSN, garante um custo bem menor em relação ao ofertado pelo mercado, pois a prestadora do serviço usufrui, mesmo que de maneira irregular, da isenção das contribuições para a Seguridade Social. Verificase que na verdade a Fundação CSN administra a contratação dos profissionais e a disponibilização dos demais meios necessários ao serviço, configurandose como instrumento para a redução das despesas de sua mantenedora. 7) A Fundação CSN mantém uma farmácia comunitária que tem como objetivo principal a venda de medicamentos a funcionários da CSN e de empresas coligadas, conforme verificase por meio dos convênios firmados com as respectivas empresas (documentos anexados aos autos). A atividade de venda de medicamentos direcionada a funcionários da CSN e de empresas coligadas consome uma parcela relevante dos recursos da FUNDAÇÃO CSN, Fl. 13279DF CARF MF 6 caracterizando um desvio de seus objetivos institucionais. A entidade, para usufruir dos benefícios fiscais da isenção das contribuições para a Seguridade Social bem com da imunidade do imposto de renda, deve aplicar a totalidade de sua receita na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Constatase que a CSN, ao proporcionar a comercialização de medicamentos através da FUNDAÇÃO CSN, garante um custo inferior ao praticado pelo mercado, pois usufrui da isenção das contribuições para a Seguridade Social incidentes sobre a mão de obra utilizada e da imunidade em relação ao imposto de renda. A Fundação CSN, mais uma vez, configurase como intermediária para a redução das despesas de sua mantenedora. 8) A Fundação CSN administra clube de funcionários da CSN, tendo recebido em 2007 repasses contabilizados como doações na conta 33131004 (extrato anexo aos autos) para custear a administração e a operacionalização do referido clube. Dessa forma a CSN obteve uma considerável redução nos custos de administração e manutenção do centro esportivo de seus trabalhadores por meio da utilização da FUNDAÇÃO CSN como prestadora do serviço. A atividade desenvolvida pela FUNDAÇÃO CSN na administração do centro esportivo destinado aos funcionários da CSN caracterizase como desvio de seus objetivos institucionais, consumindo recursos que deveriam ser aplicados na manutenção e desenvolvimento de ações inerentes à finalidade da instituição. Alegações do interessado O interessado, dentro do prazo previsto no artigo 32, §2º, da Lei nº 9.430/96, apresentou alegações e documentos contestando a Notificação Fiscal. Despacho Decisório A Seção de Orientação e Análise Tributária – Saort da DRF – Volta Redonda/RJ, analisando as razões de defesa apresentadas, proferiu o Despacho Decisório nº 097, de 25 de junho de 2012, fls. 510/521, onde refutou concisamente tais alegações, e concluiu pela suspensão da imunidade tributária, com fundamento nas razões expostas na Notificação Fiscal, propondo a emissão de Ato Declaratório suspensivo da imunidade de tributos. Ato Declaratório Executivo Com base nas razões elencadas no Despacho Decisório, por meio do Ato Declaratório Executivo nº 12, de 26 de junho de 2012, publicado no DOU de 28 de junho de 2012, o Delegado da Receita Federal de Volta Redonda (RJ), declarou suspensa a imunidade tributária do interessado. Manifestação de inconformidade Fl. 13280DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.277 7 Inconformada com o referido Ato Declaratório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade em 25/07/2012, às fls. 13.017/13.059, alegando, em síntese, o seguinte: Preliminarmente: . que é inaplicável a fundamentação do Ato Declaratório Executivo, sendo este nulo. . que o art. 32, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, deixa absolutamente claro que o presente processo trata tão somente da suspensão à imunidade de impostos, prevista no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, por meio da verificação do atendimento ou não aos requisitos previstos no art. 9º, § 1º, e no art. 14, ambos do Código Tributário Nacional. . que o Despacho Decisório que fundamenta o Ato Declaratório Executivo n° 12/2012, extrapola sua competência, a partir do momento em que traz à discussão questões que envolvem o artigo 195, § 7°, da Constituição Federal, que trata da imunidade de contribuições previdenciárias, e de conceitos como gratuidade, que de forma alguma estão relacionados à imunidade de impostos. . que nem a Notificação Fiscal, nem o Despacho Decisório, possuem competência para tratar de assuntos tais como base de cálculo para aplicação em gratuidade, prestação de serviços, venda de produtos, atividades realizadas pela Fundação CSN na área da saúde, venda de medicamentos, administração de clube, visto que a realização dessas atividades não é vedada pelo mencionado artigo 14 do Código Tributário Nacional. . que a lei ordinária nº 9.532/1997, art. 12, § 2º, além de ser inconstitucional, não veda as práticas alegadas pela fiscalização. . que, como o Despacho Decisório fundamentouse em alegações que tratam de fatos que não se referem ao descumprimento dos requisitos previstos no art. 14 do Código Tributário Nacional, deve o Ato Declaratório Executivo ser cancelado, uma vez que proferido com base em fundamentação legal inaplicável ao caso em tela. . que o Despacho Decisório rebate, com frases lacônicas e sem qualquer embasamento, os pontos alegados nos esclarecimentos apresentados pela Fundação, o que dificulta o direito de defesa. No mérito: . que os objetivos sociais da Fundação CSN atualmente, conforme art. 4º do Estatuto, consistem na realização de atividades de interesse social nas áreas de educação, saúde, assistência social, alimentação, cultura, meio ambiente esporte e lazer em geral, podendo para tanto: a) criar, instalar, construir, manter e administrar estabelecimentos educacionais, particularmente os de ensino profissionalizante, em todos os Fl. 13281DF CARF MF 8 níveis de ensino; b) prestar assistência social, alimentar, odontológica, e outras afins, inclusive criar, instalar, construir, manter e administrar estabelecimentos compatíveis com estas atividades; c) desenvolver programas ambientais, promover e realizar concursos, seminários, simpósios e reuniões de natureza científica/tecnológica, bem como outras atividades afins; d) manter intercâmbio com outras instituições similares nos campos de suas especialidades; e) promover atividades culturais, esportivas, cívicas e de lazer em geral, podendo inclusive criar, instalar, construir, manter e administrar estabelecimentos para estes fins. . que foi instituída com a finalidade de atuar como verdadeira parceira do Estado, garantindo àqueles que não têm acesso a direitos sociais constitucionalmente previstos, tais como Educação, Assistência Social, Cultura, Trabalho e Saúde, o atendimento não disponibilizado pelo Poder Público, e não com o propósito de reduzir custos e encargos sociais de responsabilidade da CSN, sua instituidora, ou como formação de mão de obra qualificada para esta empresa. . que oferece à população de baixa renda de diversas cidades serviços que proporcionam acesso à educação profissionalizante e ingresso no mercado de trabalho e de assistência social. Cita, como exemplo, as Escolas Técnicas e Tecnológicas – Ensino profissionalizante e encaminhamento de Jovens ao Mercado de Trabalho, Projeto Hotel Escola, Projeto Garoto Cidadão, Inclusão Digital, Centro de Saúde Oral, Centro Cultural da Fundação CSN, Orquestra Experimental, Oficinas Comunitárias, Um Caminhão para Ziraldo – Ziraldo de A a Z, Projeto Fonoteca etc. . que as escolas técnicas e tecnológicas mantidas pela Fundação (o Centro de Educação Tecnológica General Edmundo Macedo Soares e Silva CET, em Congonhas/MG, e a Escola Técnica Pandiá Calógeras ETPC, em Volta Redonda/RJ), ofertam, há mais de 60 (sessenta) anos, seus serviços a alunos de todo o Brasil, atendendo a uma média de 2.000 (dois mil) alunos por ano, com a concessão de mais de 300 bolsas de estudos integrais e 150 bolsas de estudos parciais por ano, sempre precedidas da realização de editais públicos e avaliações socioeconómicas. . que o Projeto Hotel Escola oferece capacitação em serviços de hotelaria para jovens em situação de risco social com idades entre 18 (dezoito) e 25 (vinte e cinco) anos.O curso, que atende a uma média de 160 jovens por ano, contempla módulos como governança, recepção, cozinha, manutenção e orientação profissional, propiciando a integração ao mercado de trabalho, um dos pilares da assistência social no Brasil. . que o objetivo do Projeto Garoto Cidadão é atender jovens carentes no período complementar ao da escola, oferecendolhes uma ocupação e estimulandoos intelectual, física, ética, emocional e sensivelmente, por meio de atividades culturais, artísticas, educacionais e esportivas, assim favorecendo a formação integral de cidadãos éticos, intelectualmente estimulados e conscientes dos problemas de sua comunidade. Além das atividades referidas, os beneficiados recebem Fl. 13282DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.278 9 atendimento odontológico (realizado até 2008 por meio do Centro de Saúde Oral CSO, mantido pela Fundação), complementação alimentar, transporte, uniformes e aulas de reforço e sedimentação dos conteúdos aprendidos na escola. . que o Projeto de inclusão digital é providência fundamental para a integração ao mercado de trabalho. Como em todas as suas atividades, todavia, o projeto não se resume a ensinar a técnica, mas trabalha também com o resgate da autoestima de pessoas que foram excluídas do mercado de trabalho por não dominarem a informática. O público alvo, como sempre, é a população carente, que passa por rigorosos processos de seleção socioeconômica. . que a saúde oral também não fica fora do escopo de ações sociais da Fundação que, através de seu Centro de Saúde Oral (CSO), desenvolveu até 2008, projetos comunitários destinados à preservação da saúde bucal, por meio de parcerias com organizações não governamentais (Ongs) e órgãos municipais. Em 2006, cerca de 7.000 (sete mil) crianças foram atendidas, nas cidades de Volta Redonda, Quatis, Rio Claro e Pinheiral, no Rio de Janeiro, e Congonhas, em Minas Gerais. . que, pela exposição acerca das atividades desenvolvidas pela Fundação CSN, está comprovado que exerce efetivamente assistência social e educacional gratuitas, nos termos do disposto nos arts. 6° c/c art. 203, ambos da Constituição Federal, devendo usufruir da imunidade. . que foi declarada de Utilidade Pública Federal, Estadual e municipal; que foi registrada perante o Conselho Nacional de Assistência Social, tendo obtido o CEBAS; possui todos os registros e certificações. . que o ordenamento jurídico brasileiro não proíbe o exercício de atividades comerciais e industriais por entidades sem fins lucrativos, sejam fundações ou associações. . que são impostas apenas duas condições à realização de atividade econômica por entidades sem fins lucrativos, a saber: (i) deve ser desempenhada em consonância com as finalidades estatutárias da entidade; e (ii) o resultado financeiro da atividade deverá ser integralmente aplicado na manutenção e no desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. . que o Hotel Escola é, de per si, um projeto de assistência social, por meio do qual a Fundação CSN desenvolve "atividades de interesse social nas áreas de educação, e da assistência social", utilizando o Hotel Escola para, de modo 100% gratuito, formar, anualmente, turmas de jovens carentes, capacitandoos para o mercado de trabalho no setor hoteleiro, ou seja, a Fundação utiliza as atividades desenvolvidas pelo hotel como uma ferramenta para a materialização do objeto social da entidade. Fl. 13283DF CARF MF 10 . que o próprio nome da unidade já deixa bastante evidente a sua finalidade, de não ser simplesmente um Hotel, mas sim um Hotel Escola, ou seja, um projeto de assistência social que tem por objetivo e a inclusão de jovens carentes, em situação de risco social e vulnerabilidade, no mercado de trabalho, por meio da capacitação teórica e prática, e treinamento desses jovens que têm a oportunidade de realizar toda a parte prática do curso em um hotel escola. Vale ainda informar que o projeto Hotel Escola forma, anualmente, cerca de 160 (cento e sessenta) jovens, que em sua grande maioria encontram colocação no mercado de trabalho. . que toda a receita gerada com o Hotel Escola é aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação. . que não se pode dizer que a Fundação se encontra em condições de equivalência a empresas que atuam no mesmo ramo. . que não é uma prestadora de serviços para sua instituidora, a CSN, e, ainda que fosse, o que se admite apenas para argumentar, a prestação de serviços não constitui desobediência aos requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional. . que não há impedimentos na legislação, acerca da contratação de entidades sem fins lucrativos, como é o caso da Fundação, por empresas de finalidade lucrativa. . que as referidas contratações garantem à Fundação a receita necessária para a realização das atividades educacionais e assistenciais voltadas ao público carente. Assim, os contratos firmados devem ser vistos como fontes de receita (atividades meio) que foram integralmente aplicadas na consecução dos seus objetivos sociais (atividades fim). . que não há impeditivos a que uma entidade sem fins lucrativos realize atividades meio (isto é obtenha fontes de receita por meio da prestação de serviços ou venda de bens), desde que toda a receita obtida seja revertida às atividades de sua finalidade social. O próprio STF já se manifestou nesse sentido. . que, uma vez que existem contratos registrando e regulamentando as atividades realizadas, bem como, restou evidente que a Fundação CSN presta serviços a empresas do "Grupo CSN" mediante remuneração a valor de mercado, não há que se falar em benefícios à instituidora, visto que os SERVIÇOS, por serem REMUNERADOS, e com resultado positivo para a Fundação, não refletem qualquer tipo de vantagem. . que muito embora não seja da competência do presente foro, apresentar qualquer questionamento referente à gratuidade, uma vez que não se trata de prérequisito para o gozo da imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, a Fundação demonstra que ainda que não tivesse utilizado redutores, atenderia ao percentual mínimo de gratuidade necessário à obtenção do CEBAS, previsto no art. 3º, inciso VI, do Decreto nº 2.536/98, conforme planilha apresentada. Fl. 13284DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.279 11 . que presta à CSN serviços odontológicos, por meio de seu Centro de Saúde Oral (CSO), mediante a celebração de contratos de prestação de serviços e remunerados mediante a competente emissão de Notas Fiscais. Tratase de mais uma das atividades meio desenvolvidas pela Fundação, que tinham por objetivo o custeio de suas atividades educacionais e assistenciais. . que desenvolvia, no CSO, atividades assistenciais em paralelo aos atendimentos, utilizandose a estrutura do próprio Centro de Saúde Oral, para a realização de projetos tais como o Projeto Sorriso e o Projeto Rindo À Toa. . que o CSO foi criado como uma unidade de negócios da Fundação que gerou, até 2006, resultados bastante positivos, que foram aplicados nas suas atividades assistenciais. . que não há que se falar em benefícios à CSN, uma vez que a empresa remunerava os serviços prestados pela Fundação, tal como pagaria a qualquer empresa de assistência odontológica. . que de fato firmou contratos com as empresas do Grupo CSN para vender aos seus funcionários medicamentos, por meio da sua unidade de farmácia. Sendo certo que os medicamentos eram pagos pelos funcionários, mediante descontos autorizados em folha de pagamento. . que novamente devese frisar que a referida prestação de serviços, como atividade meio, não é razão ou fundamento hábil a suspender a imunidade da Impugnante, não sendo este o foro competente para a discussão da matéria. . que não há qualquer vantagem para as empresas do Grupo CSN, que apenas administravam o fluxo de pagamentos dos medicamentos adquiridos por seus funcionários. . que a unidade farmácia também foi constituída como uma unidade de negócios, que gerava resultados positivos para a Fundação, permitindo que os recursos originados pela atividade meio fossem aplicados na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos sociais. . que a unidade farmácia não era apenas uma unidade de negócios, mas também ofertava sua contribuição aos trabalhos assistenciais da Fundação, por intermédio de doações de medicamentos. . que, quanto ao Clube dos Funcionários da CSN, a Fiscalização parece fazer alguma confusão. A cidade de Volta Redonda possui sim um Clube dos Funcionários da CSN, denominado simplesmente por Clube dos Funcionários, e localizado na Rua 90, S/N Vila Santa Cecília, Volta Redonda/RJ. . que, todavia, esse Clube de Funcionários não é o Recreio do Trabalhador mantido pela Fundação, que apenas para registrar, Fl. 13285DF CARF MF 12 está localizado na Av Vinte e Um, 93 Vila Santa Cecília Volta Redonda/RJ. . que são duas pessoas jurídicas distintas, uma, o Clube de Funcionários, criada e mantida pelos funcionários e ex funcionários da Cia Siderúrgica Nacional. Outra, o Recreio do Trabalhador, administrado pela Fundação, cuja filiação é aberta a qualquer residente de Volta Redonda, mediante pagamento de mensalidade. . que, com relação ao pagamento de bônus ao corpo gerencial da Fundação, esclarece que já apresentou documentação que comprova que o referido pagamento é realizado aos gerentes contratados (portanto, funcionários da Fundação e não seus dirigentes), e faz sim parte de sua remuneração. As denominações Bônus e Remuneração Variável refletem tão somente a denominação contábil do pagamento, lançado nos livros da Fundação, mas de forma alguma servem para caracterizar o pagamento aos funcionários como uma distribuição de resultados ou bonificações. . que o denominado Bônus nada mais é do que o pagamento de remuneração, fixa e anual, de 2 (dois) salários referentes aos 1º semestre, e 2 (dois) salários referentes ao 2º semestre, aos gerentes contratados no regime celetista. Esclareçase ainda que os referidos valores integram o salário, bem como as demais verbas trabalhistas incidentes, não tendo sido considerado em momento algum como PLR. . que restou comprovado que a Fundação CSN é uma entidade sem fins lucrativos que atua na área de educação e assistência social, tendo demonstrado ainda que atende a todos os requisitos do art. 14 do CTN, em pleno gozo de sua imunidade, nos termos da Constituição Federal e do CTN." Em sessão de 19 de fevereiro de 2013 a 8ª Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de JaneiroI, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade para manter a suspensão da imunidade tributária. Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário (fls. 13.169/13.204 e 13.211/13.250), que, em síntese, requer, preliminarmente, o sobrestamento do julgamento do processo até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do artigo 543 B do Código de Processo Civil, a respeito do acesso, pela autoridade fiscal, aos dados bancários dos contribuintes sem ordem judicial, nos termos da Resolução nº 1102000.205, proferida nos autos do processo nº 10073.721493/201267, juntado a este por apensação. Após a narrativa dos fatos, repete, basicamente, os argumentos da impugnação para requerer o cancelamento do Ato Declaratório Executivo nº 12/2012. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 13286DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.280 13 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, foi levantada da Tribuna a questão do impedimento dos Conselheiros Fazendários por interesse econômico indireto no desfecho das respectivas decisões. Colocada em votação, a preliminar de impedimento foi afastada, por unanimidade, pelo Colegiado. Será anexada aos autos declaração assinada pelos Conselheiros Fazendários que participaram do julgamento, no sentido de que inexiste impedimento. Tratase aqui, como relatado anteriormente, apenas do recurso interposto contra o Ato Declaratório Executivo nº 12, de 26 de junho de 2012 (DOU 28/06/2012) que suspendeu a imunidade tributária da Fundação CSN para o anocalendário de 2007. O recurso de ofício da DRJ/RJ1 que considerou indevidos os tributos e contribuições decorrentes da suspensão da imunidade tributária da entidade encontrase no processo administrativo fiscal nº 10073.721493/201267, juntado a este por apensação. Inicialmente, cumpre esclarecer que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24 de fevereiro de 2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. A decisão acima do STF foi proferida no julgamento das ADIs 2390, 2386, 2397 e 2859 e do RE 601.314 (repercussão geral). Portanto, atendidas as condições da Resolução nº 1102000.205, citada anteriormente, o processo está em condições de ser julgado. A imputação fiscal, que ensejou a publicação do Ato Declaratório combatido, baseiase na Notificação Fiscal que aponta, para o anocalendário de 2007, as seguintes irregularidades: 1) Prestação de serviços de hotelaria; 2) Prestação de serviços de bar e restaurante; 3) Pagamento de Bônus a dirigentes; 4) Prestação de serviços à COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL – CSN, sua instituidora; 5) A Fundação CSN apresentou valores incorretos para o cômputo da base de cálculo de aplicação de percentual em gratuidade; 6) A Fundação CSN desenvolve atividades na área da saúde através do Centro de Saúde Oral CSO, prestando atendimento odontológico direcionado aos funcionários da CSN e de empresas coligadas; Fl. 13287DF CARF MF 14 7) A Fundação CSN mantém uma farmácia comunitária que tem como objetivo principal a venda de medicamentos a funcionários da CSN e de empresas coligadas; 8) A Fundação CSN administra clube de funcionários da CSN. A Notificação Fiscal está fundamentada no descumprimento, pelo interessado, dos requisitos previstos no disposto no inciso I do art. 14 do CTN e na alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, a seguir transcritos: Código Tributário Nacional Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (.....) IV cobrar imposto sobre: (.....) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) (....) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) (...) § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. (grifamos) Lei n. 9.532/97: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. Fl. 13288DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.281 15 § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (...) (grifamos) Entendo que, com fulcro na legislação transcrita anteriormente, dentre todas as irregularidades apontadas pela autoridade tributária, somente uma poderia justificar a suspensão da imunidade tributária da entidade: o pagamento de bônus a dirigentes. Entende a fiscalização, como já registrado no relatório deste Acórdão, que o pagamento do referido bônus, que foi efetuado através das rubricas "remuneração variável" e "bônus por resultado", registradas nas folhas de pagamento sob os códigos "compsal" e "bonusre", respectivamente, encontrase escriturado no balancete fornecido pela Fundação CSN conta Gratificação Especial (41111008), com valor total movimentado de R$ 113.061,35 em 2007. Tornase importante ressaltar a natureza do citado bônus como distribuição de resultado operacional em virtude do exercício de função gerencial exercida pelos beneficiários da Fundação CSN, bem como o fato de ser exclusiva para os cargos de gestão da instituição. O artigo 14, inciso I, do CTN, veda o procedimento adotado pela Fundação CSN. A recorrente alega em sua peça de defesa que "não há qualquer espécie de pagamento aos dirigentes da Fundação e os seus gerentes não recebem remuneração variável." Esclarece que dirigentes e gerentes não são palavras sinônimas, como afirma a decisão recorrida. A IN SRF nº 113/1998, que, segundo a recorrente, não foi consultada pelo julgador de piso, dispõe que : DIRIGENTES Art. 4º Para gozo da imunidade, as instituições imunes de que trata o art. 1º não podem remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, entendese como dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte. § 2º Não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica. § 3º A instituição que atribuir remuneração, a qualquer título, a seus dirigentes, por qualquer espécie de serviços prestados, inclusive quando não relacionados com a função ou o cargo de Fl. 13289DF CARF MF 16 direção, infringe o disposto no caput, sujeitandose à suspensão do gozo da imunidade. § 4º Às pessoas a que se refere o § 2º podem ser atribuídas remunerações, tanto em relação à função ou cargo de gerência, quanto a outros serviços prestados à instituição. Esclarece ainda o sujeito passivo que : Fl. 13290DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201001.536 S1C2T1 Fl. 13.282 17 Tendo em vista que os beneficiários do bônus pago pela Fundação CSN são os gerentes da entidade, conforme folha de pagamento acostada aos autos (fls. 111/112) e que esses funcionários não se confundem com os dirigentes da instituição, constante do Estatuto e Ata da Fundação, como reza o artigo 4º da IN SRF nº 113/1998, transcrito neste voto, considero procedentes as alegações da Recorrente, não se configurando, nessa hipótese, descumprimento do inciso I do art. 14 do CTN e da alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. Nesse sentido, voto pela reforma da decisão recorrida e pela improcedência do Ato Declaratório Executivo nº 12, de 26 de junho de 2012 e dou provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 13291DF CARF MF 18 (documento assinado digitalmente) JOSÉ CARLOS DE ASSIS GUIMARÃES Relator Fl. 13292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726012/2015-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63;
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Os resgates de contribuições feitas à previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e pensão pagas pelas entidades de previdência privada e portanto, ainda que o contribuinte seja reconhecidamente portador de moléstia grave, estão sujeitos às mesmas regras de tributação aplicáveis aos contribuintes em geral.
Numero da decisão: 2202-003.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63; Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Os resgates de contribuições feitas à previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e pensão pagas pelas entidades de previdência privada e portanto, ainda que o contribuinte seja reconhecidamente portador de moléstia grave, estão sujeitos às mesmas regras de tributação aplicáveis aos contribuintes em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 60 12 /2 01 5- 26 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.726012/201526 Acórdão n.º 2202003.782 S2C2T2 Fl. 107 2 Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que assim descreveu os fatos até a decisão daquela instância. Contra a contribuinte acima identificada foi emitida a Notificação de Lançamento de f. 1418, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2012, perfazendo o montante de R$ 6.837,82, em razão da constatação de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 88.495,40. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (f. 16) constou que a contribuinte recebeu da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros, CNPJ nº 34.063.942/000150, rendimentos tributáveis no montante de R$ 88.495,40. A autuada foi cientificada do lançamento, emitido em 09/06/2014 (f. 14), e apresentou SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento em 11/07/2014 (f. 3346) alegando a isenção do Imposto de Renda por ser portadora de moléstia grave. No Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL (f. 19), a DRF de origem indeferiu a solicitação justificando: A contribuinte tomou ciência do indeferimento da SRL em 11/05/2015 (f. 47) e ela apresentou impugnação em 10/06/2015 (f. 0213), alegando que: a) o valor contestado é isento por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadora de moléstia grave, juntando documentos; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.726012/201526 Acórdão n.º 2202003.782 S2C2T2 Fl. 108 3 b) resgatou um fundo de aposentadoria referente a uma previdência privada que fora extinta e, por orientação do fiscal da Receita Federal, informou o rendimento do referido fundo como “Rendimentos isentos e não tributáveis” – “07 Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente de serviço”. Foi então informada que cairia na malha fina e que, neste momento, seria chamada para apresentar toda documentação comprobatória da moléstia grave; c) apresentou SRL com toda documentação comprovando que possui moléstia grave (neoplasia maligna) e se enquadraria nos casos de isenção do Imposto de Renda; d) a SRL foi julgada indeferida e, não concordando, reforça que os documentos carreados aos autos comprovam que é portadora de neoplasia maligna mamária, de CID C50, sendo que a doença teve início em 2010; e) citando legislação e jurisprudência, afirma que a isenção do imposto de renda abrange quaisquer proventos de inatividade, sejam aqueles pagos pela previdência pública, sejam complementares, não fazendo a lei qualquer distinção, assim como sobre o resgate de tais contribuições, sendo a impugnante portadora de doença incapacitante. A DRJ em Campo Grande (MS) julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 IRPF. RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda apenas os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos por quem fora acometido de doença especificada na legislação tributária. LAUDO PERICIAL. Laudo pericial é o documento que formaliza uma perícia médica realizada por profissional médico investido na função de perito por ato administrativo, ou por junta médica com atribuição pericial. A DRJ concluiu que a Contribuinte não atendeu a nenhum dos requisitos para a concessão da isenção, ou seja, não comprovou que os rendimentos eram decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma, nem apresentou laudo médico oficial eficaz. Cientificado dessa decisão em 26/08/2015, por via postal (A.R. de fl. 79), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21/09/2015 (fls. 81/91), no qual repisa os argumentos da impugnação, combatendo a decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.726012/201526 Acórdão n.º 2202003.782 S2C2T2 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Pela análise dos documentos acostados aos autos, verificase que os rendimentos postulados pela Contribuinte como isentos não são de fato provenientes de aposentadoria ou pensão, mas sim decorrentes de resgates de contribuições de previdência privada, conforme reconhece a própria Contribuinte em sua Impugnação e no Recurso Voluntário. A isenção abrange apenas proventos de aposentadoria, reserva remunerada, reforma ou pensão, não alcançando os resgates de contribuições de previdência privada. Nesse sentido as seguintes decisões do CARF: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.726012/201526 Acórdão n.º 2202003.782 S2C2T2 Fl. 110 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 [...] IRPF. BENEFÍCIOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Os benefícios de previdência privada, recebidos por portador de moléstia grave comprovada com laudo emitido por serviço médico oficial, são isentos do imposto de renda pessoa física. IRPF. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES À PREVIDÊNCIA PRIVADA. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os resgates de contribuições para planos de previdência privada efetuados por portador de moléstia grave não são isentos do imposto de renda. [...] (Acórdão nº 2802003.349, de 11/03/2015, Rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). (destaquei) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. RESGATES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Inaplicável a isenção do imposto de renda por moléstia grave aos valores resgatados de entidade de previdência privada. (Acórdão nº 2102002.627, de 17/07/2013, Rel. Rubens Maurício Carvalho). (destaquei) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. ALCANCE. A isenção concedida aos portadores de moléstia grave especificadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988, cuja doença foi reconhecida por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, alcança apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, assim como as complementações de complementação de aposentadoria ou pensão pagas por Entidades de Previdência Privada. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Os resgates de contribuições feitas à previdência privada não se confundem com as complementações de aposentadoria e pensão pagas pelas entidades de previdência privada e portanto, ainda que o contribuinte seja reconhecidamente portador de moléstia grave, estão sujeitos às mesmas regras de Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11080.726012/201526 Acórdão n.º 2202003.782 S2C2T2 Fl. 111 6 tributação aplicáveis aos contribuintes em geral. (Acórdão nº 2202002.264, de 16/04/2013, Rel. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga). (destaquei) Dessa forma, não estando presente um dos requisitos para a concessão do benefício, a Contribuinte não faz jus à isenção pretendida. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13746.720651/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida deve ser mantida e o crédito tributário consolidado e exigido.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade.
Numero da decisão: 2201-003.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 24/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida deve ser mantida e o crédito tributário consolidado e exigido. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 24/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE CONTESTAÇÃO. MATÉRIA PRECLUSA NO RECURSO VOLUNTÁRIO. GLOSA MANTIDA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSOLIDADO E EXIGÍVEL. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em razão disso, a glosa de despesa não recorrida deve ser mantida e o crédito tributário consolidado e exigido. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. A falta de comprovação da efetiva transferência financeira de importâncias pagas a título de pensão alimentícia, suportada pelo Recorrente, torna ilegítima sua dedutibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) que dava provimento Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 72 06 51 /2 01 3- 71 Fl. 127DF CARF MF 2 EDITADO EM: 24/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJRJI que julgou parcialmente procedente a Impugnação e reduziu o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2012/899269095838766 (fls. 09/16), relativa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2012, anocalendário 2011, do Recorrente, que desconstituiu a restituição de R$ 13.041,72 e passou a exigir “imposto suplementar” no valor de R$ 12.593,66, com multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) – R$ 9.445,24; e juros de mora de R$ 1.460,86, no valor total de R$ 23.499,76. O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida de despesas médicas de dependente, no valor tributável de R$ 21.155,67 (fls. 12). Dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor tributável de R$ 67.216,00 (fls.14). Dedução indevida com instrução de dependente, no valor tributável de R$ 2.958,23 (fls. 15). Dedução indevida com dependente, no valor tributável de R$ 1.889,64 (fls. 16). O Recorrente apresentou Impugnação tempestiva (fls. 02/06), esclarecendo que: i) restou comprovado o pagamento da pensão alimentícia conforme 24 comprovantes de depósito efetuados nas contas das genitoras dos alimentandos Thamara da Costa Curvo e Raphael de Oliveira Curvo, que receberam pensão de R$ 2.180,00 e R$ 2.820,00, respectivamente; ii) a pensão da menor Thamara era paga até fevereiro de 2011 mediante pagamentos indiretos, como aluguel e plano de saúde; iii) que custeia a instrução do filho menor Edimar Barros Curvo Júnior via pagamento de mensalidade do colégio Pensi, conforme demonstrativo de pagamento das mensalidades escolares de 2011 e certidão de nascimento; iv) as despesas médicas próprias e com o dependente Edimar Barros Curvo Júnior estão comprovadas pelos extratos emitidos pelo próprio plano de saúde. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13746.720651/201371 Acórdão n.º 2201003.533 S2C2T1 Fl. 128 3 A Impugnação foi julgada parcialmente procedente, para restabelecer as deduções com dependente e instrução de dependente, e reduziu o crédito tributário de R$ 12.593,66 para R$ 11.260,50, conforme assim ementado pela DRJRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Comprovada documentalmente na fase impugnatória parte da dedução glosada, cabe o seu restabelecimento. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/05/2014 (fls. 122), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 24/06/2014, Recurso Voluntário (fls. 107/108), reafirmando a legitimidade da dedução relativa a pagamento de pensão alimentícia aos filhos alimentandos Raphael de Oliveira Curvo e Thamara da Costa Curvo, mesmo que alguns dos pagamentos não tenham sido realizados diretamente por ele. Ao final, requer o acolhimento e provimento ao recurso para restabelecer parte da glosa e reduzir o crédito tributário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Dedução de Despesa Médica MATÉRIA NÃO IMPUGNADA O Recorrente não contestou os fundamentos da decisão de primeira instância relativos à dedução indevida de despesas médicas. Conforme dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal), considerase não impugnada a matéria que não foi expressamente objeto de contestação, na forma adiante: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” O silêncio do Recorrente quando do seu recurso, a respeito das razões da exigência do crédito tributário decorrente da glosa de despesas médicas, leva ao reconhecimento e à consolidação administrativa do crédito tributário lançado sob essa rubrica. Fl. 129DF CARF MF 4 Assim, o recurso voluntário interposto é parcial e, portanto, a glosa de despesas médicas deverá ser mantida, bem como ser exigido o crédito tributário correspondente à matéria não recorrida. Dedução com Pensão Alimentícia A legislação do imposto de renda, mais especificamente o Regulamento do Imposto de Renda (Dec. nº 3.000/99, Art. 77) e a Lei nº 9.250/95, Art. 4º, inciso II, determina que o direito às deduções realizadas diretamente na base de cálculo deste imposto está condicionado a requisitos e limitações expressamente previstos e nas formas previstas. Assim, a mencionada legislação permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF, conforme abaixo: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (grifos nossos) De acordo com o artigo supramencionado, o direito à dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família está condicionado à comprovação de dois requisitos: 1) existência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública que obrigue o Recorrente a pagar pensão, e 2) ocorrência do pagamento. Colocadas as premissas materiais, cumpre justificar legalmente o trabalho de fiscalização. A mesma legislação do IR, conjuntamente com o Decreto nº 5.844/43 (Art. 11, § 3º) – que trata da cobrança e fiscalização do imposto – dispõem que todas as deduções informadas pelos Recorrentes em suas Declarações de Ajuste Anual são sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, conforme abaixo: Decreto nº 3.000/99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Decreto nº 5.844/43 Art. 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas neste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Temse, assim, que a legislação transcrita confere à autoridade fiscal – que age no intuito de defender o interesse público (“arrecadação tributária”) –, o poder de exigir, para análise da dedução de despesas com pensão alimentícia, outros documentos além de recibos e declarações particulares, que busquem comprovar o efetivo pagamento da pensão e, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13746.720651/201371 Acórdão n.º 2201003.533 S2C2T1 Fl. 129 5 principalmente, o efetivo desembolso dos valores declarados como despesa a esse título, que demonstrem ter o Recorrente sofrido o ônus econômico das quantias que pretender ver deduzidas. Isso porque recibos e declarações particulares não fazem prova única e definitiva da efetiva ocorrência dos pagamentos informados na declaração do Recorrente. Os dados informados nestes documentos não constituem verdade absoluta, ante a sua fragilidade em comprovar a realidade. Assim, em razão do quanto exposto, não tem força para provar a efetividade dos pagamentos de pensão a mera Declaração assinada pela excônjuge do Recorrente, Sra. Sueli, reconhecendo que recebeu valores a este título em nome do dependente alimentando do Recorrente, o menor Raphael de Oliveira Turvo (fls. 109). Outrossim, com relação aos documentos indicadores de pagamentos indiretos, transferências realizadas por empresas vinculadas ao Recorrente e depósitos bancários sem indicação do depositante, feitos para as excônjuges do Recorrente a título de pagamento de pensão aos filhos menores dependentes, cumpre adotar como razão de decidir o pontual e analítico trecho da decisão de primeira instância proferido pela DRJI, a saber: “(...) Em primeiro lugar, cumpre esclarecer que para que pagamentos indiretos, tal como aluguel, condomínio, transporte e previdência privada, não são dedutíveis como pensão judicial. Já as quantias pagas a título de plano de saúde para o alimentando somente são aceitas para fins de dedução como pensão alimentícia se esta obrigação estiver discriminada na sentença judicial. Não sendo o caso ora analisado, uma vez que a pensão alimentícia para Thamara da Costa Curvo foi estipulada como quatro salários mínimos, não é possível aceitar tais pagamentos (fls. 24, 25, 27,28 e 29) como dedução de pensão alimentícia. Também não é possível acatar como pagamentos de pensão alimentícia pelo contribuinte diversos comprovantes de depósitos nas contas tanto da mãe da alimentanda Thamara Andréia da Costa Machado, como da mãe do alimentando Raphael Sueli de Oliveira Curvo efetuados pela empresa Nova Tenco da qual o contribuinte é sócio (fls. 30, 35, 54 e 59). Vale lembrar que a empresa não se confunde com seus sócios e, justamente por serem figuras totalmente distintas, o patrimônio da empresa é diferente do patrimônio dos sócios, ainda que eles, além de poderem receber prólabore por seu trabalho, tenham direito à participação nos resultados, distribuídos usualmente uma vez ao ano ou em períodos menores, à vista das demonstrações de resultados desses períodos. Assim, no caso ora apreciado, há uma grande diferença se quem teve o ônus do pagamento foi o contribuinte ou a empresa. Tais depósitos desacompanhados de outros documentos hábeis a demonstrar e comprovar a forma como os pagamentos se deram e foram registrados contabilmente na empresa, revelase insuficiente para demonstrar que o contribuinte, e não a empresa, arcou efetivamente com o ônus dos pagamentos. O mesmo raciocínio se aplica quanto à comprovação do ônus do pagamento nos casos dos depósitos efetuados por Rosangela Luzia Ramos de Melo, Pafilho, Loc de Maq Tinco (fls. 33, 36, 46, 48). Fl. 131DF CARF MF 6 No tocante aos comprovantes de depósitos de fls. 25, 26, 27, 31, 32, 34, 38, 39, 45, 47, 51, 52, 53, 55, 56 57 e 58, embora se tratem de créditos efetuados nas contas correntes de Andréia da Costa Machada da Conceição, Thamara da Costa Curvo e Sueli de Oliveira Curvo, não trazem identificação do depositante e, portanto, não podem ser vinculadas a pagamento de pensão pelo impugnante. O documento de fl. 37 embora identifique o impugnante como depositante não indica o favorecido, e o comprovante de fl. 49 traz tanto como depositante quanto como favorecido Sueli de Oliveira Curvo, e assim também não se prestam para a comprovação pretendida. Por fim, o único comprovante que identifica o impugnante como emissor de DOC para Sueli de Oliveira Curvo (fl. 50) não é um documento hábil para comprovação, uma vez que se encontra com o valor ilegível.” Assim, pela análise dos documentos juntados pelo Recorrente, constatase que este não logrou comprovar a efetiva transferência financeira de importâncias que alega ter pago a título de pensão alimentícia para seus dependentes. Não logrou ter suportado o ônus financeiro que justifica a dedutibilidade fiscal dessa despesa na sua DIRPF. Dessa forma, entendo que, a despeito dos documentos juntados, estes foram insuficientes para comprovar: i) a efetiva transferência financeira de valores do Recorrente pessoa física para seus dependentes, a título de pagamento de pensão alimentícia; ii) a assunção do ônus econômico pelo pagamento da pensão pelo Recorrente. Isto posto, deve ser confirmada a decisão de primeira instância que manteve a glosa do valor de pensão alimentícia. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para confirmar a decisão de primeira instância e manter a glosa de pensão alimentícia e a exigência do crédito tributário. assinado digitalmente Marcelo Milton da SIlva Risso Relator Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.000625/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-005.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 173, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173. inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 06 25 /2 00 7- 65 Fl. 516DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2402002.605, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de crédito lançado pela Fiscalização, contra a empresa acima identificada que, conforme Relatório Fiscal, às fls. 23/28, referese a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, relativas a parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhida na época própria, proveniente de "Participação nos Resultados", não declarada em GFIP. O crédito abrange as competências 12/2001 a 04/2006 (período descontinuo) e atinge o montante de R$ 2.850.623,03 (Dois milhões, oitocentos e cinquenta mil e seiscentos e vinte e três reais e três centavos), consolidado em 24/09/2007. A 12ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento SPOI, às fls. 357, considerou correto o lançamento efetuado. O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário, às fls. 367/399, e, dentre outras alegações, aduziu a decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento da competência de 2001, e a regra a ser aplicada prevista no art. 150, §4° do CTN. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 412/423, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias exigidas sobre os PPR’s de 2004 e 2005. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 30/04/2006 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. ART. 173, I DO CTN. É de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI E 10.101/00. METAS ESTIPULADAS EM ACORDO COLETIVO. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 14485.000625/200765 Acórdão n.º 9202005.204 CSRFT2 Fl. 606 3 Em homenagem ao princípio da verdade material, a verificação do cumprimento das metas estipuladas no acordo coletivo devem observar todos os elementos constantes da contabilidade da recorrente, ainda mais em se tratando de caso no qual o parâmetro para o pagamento da PLR Participação nos Lucros e Resultados foi fixado como o lucro líquido antes dos impostos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 434/435, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração alegando omissão, considerando que, apesar de o julgamento não ter sido unânime, o Conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva não declarou seu voto vencido. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 439/440, rejeitou os Embargos Declaratórios interpostos pelo Contribuinte, expondo que o fato do Conselheiro Jhonatas Ribeiro Silva ter sido vencido na votação, não gera a obrigatoriedade de que o mesmo apresente declaração de voto, senão quando opta por tal providência, que deve constar do dispositivo do acórdão, o que não ocorreu no presente caso. Intimado às fls. 447, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, às fls. 448/463, alegando divergência entre as decisões em relação à regra decadencial a ser aplicada, afirmando que o acórdão recorrido, sob a alegação de não haver recolhimentos a homologar, aplicou, equivocadamente, a regra prevista no artigo 173 do CTN, mantendo as contribuições relativas à competência 12/2001, e excluindo as relativas às demais competências. Para demonstrar a divergência, apresentou como paradigma o acórdão nº 230101.552, segundo o qual o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Às fls. 500/504, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO em relação à única divergência arguida (matéria relativa à regra decadencial), uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. Às fls. 506, a Fazenda Nacional interpôs contrarrazões, arguindo, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, em virtude do não preenchimento do requisito previsto no art. 67, §1º do novo RICARF, publicado em 10/06/2015 e vigente até 15/02/2016. Não se verificou a indicação objetiva dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. No mérito, arguiu não ter se operado lançamento por homologação algum, afinal, a contribuinte não antecipou o pagamento do tributo apurado (fls. 04/05), não havendo sequer declaração em GFIP. É por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN. Realizadas as devidas cientificações das decisões acima transcritas vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Observo aqui que não deixei de verificar a alegação da Fazenda Nacional em contrarrazões pelo não conhecimento do Recurso Especial face a ausência de indicação objetiva dos dispositivos legais que foram interpretados de modo divergente pelo acórdão recorrido, motivo pelo qual requer o seu não conhecimento. Registro que este tema já foi amplamente discutido por este colegiado tendo restado decidido por maioria que não há no Regimento Interno deste Conselho de Recursos a exigência de cotejamento analítico da divergência, bastando que esta se comprove na análise comparada entre o recorrido e o paradigma, e que a decisão de uma quando aplicada a outra seja suficiente para que fosse verificada uma decisão divergente para o recorrente, neste caso o Contribuinte. Saliento ainda, que restei vencida nesta discussão, mas que adoto aqui a decisão dominante no colegiado. Compulsando os acórdãos recorrido e paradigma observo que de fato há divergência e esta fica por conta do que é interpretado como pagamento antecipado, no paradigma o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, ou como no recorrido onde tão somente quando há o pagamento específico por fato gerador pode ser considerado início de pagamento. DO MÉRITO Quanto ao mérito tratase de crédito lançado pela Fiscalização, referindose a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, relativas à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não recolhida na época própria, proveniente de "Participação nos Resultados", não declarada em GFIP. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à decadência, na qual o acórdão recorrido, sob a alegação de não haver recolhimentos a homologar, aplicou, equivocadamente, a regra prevista no artigo 173 do CTN, mantendo as contribuições relativas à competência 12/2001, e excluindo as relativas às demais competências. Como paradigma, o acórdão nº 230101.552, entendeu que o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 14485.000625/200765 Acórdão n.º 9202005.204 CSRFT2 Fl. 607 5 Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão, necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...)3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do Fl. 520DF CARF MF 6 artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Ou seja, delimitar o significado e abrangência do termo início de pagamento. O Contribuinte alega que assiste razão ao acórdão paradigma que contrariando o acórdão recorrido decidiu que o pagamento de contribuição incidente sobre qualquer rubrica da folha de salário caracteriza a antecipação de pagamento, devendo, assim, ser utilizada a regra prevista no artigo 150, § 4°, do CTN. Enquanto que a Fazenda Nacional entende que o pagamento deve ser realizado para fatos geradores específicos. Registro aqui meu posicionamento de que o adiantamento do pagamento não se verifica pelo recolhimento de contribuições sobre qualquer rubrica, mas tão somente aquelas cujo fato gerador seja equivalente. Sendo assim mister se faz observar discriminadamente a que tipo de levantamento o auto de infração se refere para então analisar se há ou não início de pagamento para cada uma delas ou para todas se for o caso, sendo: Relatório Fiscal, às fls. 23/28, *contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, relativas a parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de Fl. 521DF CARF MF Processo nº 14485.000625/200765 Acórdão n.º 9202005.204 CSRFT2 Fl. 608 7 incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiros, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos (a) segurados empregados. Compulsando os autos observo o TEAF fls 23 no qual consta que se trata de diferenças e que não existe outro lançamento. essa dedução decorre do fato que o lançamento discutidos nos autos é anterior ao ano de 2007, nos casos de lançamento posterior a GFIP passa a ser tida como declaração de dívida. Deste modo, considerando que no tocante aos segurados empregados, a fiscalização esclarece que há pagamento das diferenças, e que os demais recolhimentos da folha os aproveitam, face a Súmula Carf n. 99 – Salário Indireto. Considero a existência de pagamento antecipado capaz de atrair a aplicação do art. 150, § 4, do CTN. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.003084/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUBRROGAÇÃO - CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. LEI Nº 10.256/2001 - CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS - SENAR - INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF
Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97 não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor.
A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física.
Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV.
As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança.
Numero da decisão: 9202-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) .
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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LEI Nº 10.256/2001 CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR INAPLICABILIDADE DO RE 363.852/MG DO STF Não houve, no âmbito do RE 363.852/MG, apreciação dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 2001. O fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não respalda a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, uma vez considerada a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. A Lei no. 10.256, de 2001, conferiu legitimidade à cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física. Ainda, a sistemática de subrrogação e recolhimento das contribuições pela aquisição da produção rural de pessoas físicas encontra respaldo também no inciso III do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, permanecendo incólume ainda que se adotasse a argumentação de declaração de inconstitucionalidade do art. 30, IV. As contribuições destinadas ao SENAR não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário no. 363.852, não existindo questionamento acerca da legitimidade de sua cobrança. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 30 84 /2 00 9- 91 Fl. 258DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) . Fl. 259DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 259 3 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2401002.464, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 19 de junho de 2012 (efls. 206 a 218). Ali, por unanimidade de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS. SENAR. A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97. O egrégio Supremo Tribunal Federal apontou pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar. Em função de a subrogação ter sido considerada inconstitucional pelo Pleno do STF referente à comercialização da produção rural, e considerando que o presente auto de infração referese à falta de recolhimento da contribuição para o SENAR pelo sujeito passivo, substituto tributário; não há como ser mantido o presente lançamento. Embora as contribuições para o SENAR não tenham sido objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. face serem eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; devese destacar que transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez reconhecido que o art. 30, inciso IV é inconstitucional, em função da decisão plenária do STF, não cabe exigir do responsável tributário a contribuição destinada ao SENAR. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2004 Fl. 260DF CARF MF 4 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS. SENAR. AÇÃO JUDICIAL. Embora tenha informado o ajuizamento de ação, para deixar de reter a contribuição decorrente da subrogação face a aquisição do produtor rural pessoa física, não existe óbice ao julgamento do presente auto de infração, considerando que a medida liminar concedida, ou mesmo a ação não fazem expressa menção ao AI ora sob análise. O ingresso em juízo para absterse de reter a contribuição, leva ao judiciário os fatos geradores a partir da interposição da medida judicial, não havendo óbice a apreciação da matéria objeto de lançamento. Recurso Voluntário Provido Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Enviados os autos à PGFN, para fins de ciência do Acórdão, em 10/07/2012 (efl. 219), esta apresentou, em 12/07/2012 (efl. 246), Recurso Especial (efls. 220 a 245), com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara deste CARF, através do Acórdão no. 2402001.724, prolatado em 11 de maio de 2011, e, ainda, em relação ao decidido pela mesma 2a. Turma Ordinária da 4a. Câmara deste CARF, através do Acórdão 2402001.955, prolatado em 11 de maio de 2011, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 2402001.724 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/10/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE RECEITA BRUTA PRODUÇÃO RURAL. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. SUBROGAÇÃO. Na qualidade de responsável tributário na condição de sub rogado, a empresa é obrigada a recolher as contribuições decorrentes da receita bruta de comercialização da produção rural em que foram retidas e não recolhidas à Previdência Social. RECEITA AUFERIDA PELO PRODUTOR RURAL ANTES DA EXPORTAÇÃO REALIZADA PELA COOPERATIVA. Sem condição suspensiva, a subsunção do fato à norma de tributação é definitiva, sendo irrelevante para a relação jurídicotributária ocorrida a existência de fato superveniente alcançado pela imunidade constitucional. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 260 5 CONTESTAÇÃO JUDICIAL DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA. DIREITO Á COMPENSAÇÃO. NÃO PERMITIDO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a arguição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.Decisão: JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado n° 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 2402001.955 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/05/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR E SEGURADO ESPECIAL RESPONSABILIDADE ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial relativas ao recolhimento da contribuição incidente Fl. 262DF CARF MF 6 sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº10.256/2001 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTAMAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para adequação à regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) o fundamento legal que lastreou o lançamento não foi objeto de declaração de inconstitucionalidade. Nos presentes autos, o lançamento foi efetuado com lastro na Lei n° 10.256, de 9 de julho de 2001 (DOU de 10/07/2001). Contudo, enquanto na decisão hostilizada concluiuse pela sua inconstitucionalidade, nos acórdãos paradigmas refutouse tal argumentação, mantendose o lançamento; b) Quanto ao RE 363.852/MG, é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição sob análise, à luz do art. 195, §4°, da Constituição. Nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, §4°, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC no 20, de 1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei n° 8.540, de 22 de dezembro de 1992. Sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária. Aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195. Portanto, como a Lei n° 8.540, de 1992, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20, de 1998, venha a instituir a contribuição". Ressalta, assim, que, ali, a Suprema Corte se debruçou sobre a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física com empregados (Lei 8.212, de 1991, art. 12, V, letra "a"), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção (art. 25, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991 redação dada pelas Leis n° 8.540, de 1992 e 9.528, de 10 de dezembro de 1997); Fl. 263DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 261 7 c) Assim, apenas foi abordado no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991 conferida pela Lei n° 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997. Noutros termos, a Lei n° 8.540, editada em 1992, e a Lei n° 9.528, de 1997, alteraram o artigo 25 da Lei n° 8.212, de 1991. Modificouse a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural. Apenas esse arcabouço, assim, foi objeto da decisão proferida no RE n° 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade. Ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição. Portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei n° 8.212 conferida pela Lei n° 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; d) A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandado de segurança n.° 1998.38.00.0339353, gênese do RE n.° 363.852/MG. Nesse sentido, interpreta se que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.° 8.212/91 foi apenas parcial, nada afetando a contribuição do segurado especial, a qual tem previsão constitucional no art. 195, §8° da CF. Em termos claros: a decisão proferida pelo STF só abrange o produtor rural empregador. Notese que a redação original do art. 25 da Lei n.° 8.212, de 1991 contemplava apenas a contribuição do segurado especial, prevendo a alíquota de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. A Lei n.° 8.540, de 1992, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II). e) Nos termos do RE n° 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC n° 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, em nada afetando o segurado especial. Com a edição da Lei n° 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício, já tendo sido este último diploma considerado constitucional, consoante jurisprudência emanada dos Tribunais Regionais Federais da 3a., 4a. e 5a. Regiões, anexada aos autos; f) Como é possível perceber da leitura do citado acórdão proferido pela Suprema Corte, a subrogação em si mesma considerada, prevista no art. 30, IV da Lei no. 8.212, de 1991, não foi declarada inconstitucional. O referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei no. 10.256, de 2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; g) No RE no. 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis no. 8.540, de 1992 e 9.528, de 1997 sob a égide (após) da Emenda Constitucional n°. 20, de 1998, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário. A Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Fl. 264DF CARF MF 8 Constitucional n° 20, de 1998, porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei no 10.256, de 2001, que fundamentou o lançamento. Logo, invocado o art. 62, inciso I, do RICARF, era e é nesses precisos limites nos quais deveria gizarse o julgado ora hostilizado; h) Não superada a divergência jurídica na seara judicial, uma vez que a União vem defendendo a possibilidade e a constitucionalidade do instituto da subrogação diante do advento da Lei n° 10.256, de 2001, mesmo após o RE n° 363.852/MG, o que inclusive já foi acatado por diversos órgãos julgadores do Poder Judiciário, como é o caso do TRF's da 3a, 4a e 5a Regiões, não poderia o Colegiado valerse do disposto no RICARF para estender a declaração de inconstitucionalidade nos termos do acórdão recorrido; Requer, assim, o conhecimento do Recurso e seu provimento para reformar o acórdão recorrido e, conseqüentemente, restabelecer a decisão de primeira instância, mantendose a integralidade do lançamento. O recurso foi admitido, consoante despachos de efls. 248 a 251. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 24/10/12 (efl. 255), o contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 262 9 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, bem como a caracterização de divergência interpretativa, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, dele conheço. Tratase de processo de crédito com exigência de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social, parcela destinada a terceiros (SENAR), constituído através de AI Auto de Infração de Obrigação Principal, NFLD DEBCAD n° 37.256.9030 e lançado na data de 17/11/2009, em face do sujeito passivo acima identificado. O crédito teve por fato gerador a comercialização do produto rural adquirida de pessoa física e segurado especial, cujos recolhimentos não foram comprovados ou foram efetuados a menor, na condição de subrogado. Analisase, assim, o mérito quanto à ocorrência dos fatos geradores relacionados à tal aquisição, à luz da possível inconstitucionalidade discutida nos autos. 1. Da contribuição do sobre a receita bruta de comercialização e SAT/RAT A propósito, reproduzse, a seguir, os dispositivos legais da Lei no. 8.212, de 1991, de relevância para o caso em questão, com a redação aplicável a data dos fatos geradores em análise: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo.(Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). Fl. 266DF CARF MF 10 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01 Vigência a partir de 01/11/01) I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas:(Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97, vigência até 22.01.07) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento;(Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) O cerne da questão que remanesce nos presentes autos reside na delimitação do alcance da decisão emanada do STF no âmbito do RE 363.852/MG, de ementa abaixo: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 263 11 CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Naqueles autos, discutese a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212, de 1991, com redação dada pelas Leis no. 8.540, de 1992 e 9.528, de 10 de dezembro de 1997, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o empregador rural e o produtor rural Pessoa Física, citados nos incisos V, "a" e VII do art 12 da referida Lei n° 8.212, de 1991 . Uma excelente digressão bastante abrangente acerca do tema foi realizada pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no âmbito do Acórdão CSRF 9.202 003.707, de 23 de janeiro de 2016, à qual acedo integralmente, verbis: " (...) É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para Fl. 268DF CARF MF 12 lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontrase abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. (...) Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil), cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL –MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: (...) Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive Fl. 269DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 264 13 com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Alinhome, assim, aos que entendem que a inconstitucionalidade decretada no âmbito do RE 363.852/MG limitase: a) aos fatos geradores ocorridos antes da Lei no. 10.256, de 2001, e b) à contribuição devida pela comercialização da produção do empregador Fl. 270DF CARF MF 14 rural pessoa física, não abrangendo o caso do segurado especial previsto no art. 12, VII, da Lei no. 8.212, de 1991, visto que, neste último caso, a contribuição devida foi instituída com fulcro no art. 195, § 8o. da CRFB e não com fulcro no art. 195, I do Texto Maior, conforme muito bem esmiuçado em outro ponto do mesmo artigo citado de lavra do Dr. Rafael de Oliveira, verbis: (...) Anteriormente, foi aqui afirmado que a inconstitucionalidade de que se cuida foi apenas parcial. E por que parcial? Porque o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997, continha em seu bojo duas normas exacionais claramente divisíveis: uma que tinha como contribuinte o empregador rural pessoa física; e outra, o segurado especial. Vejamos: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] E com efeito, como bem ensina o Ministro Gilmar Mendes, “o Tribunal somente deve proferir a inconstitucionalidade daquelas normas viciadas, não devendo estender o juízo de censura às outras partes da lei, salvo se elas não puderem subsistir de forma autônoma.” Logo, não havendo fundamento para afastar do mundo jurídico a contribuição incidente sobre o segurado especial, haja vista que a sua tributação encontra respaldo no art. 195, § 8º, da Constituição da República, o resultado dos Recursos Extraordinários nºs 363.852/MG e 596.177/RS foi uma declaração de inconstitucionalidade parcial com redução de texto. A técnica da declaração de inconstitucionalidade com redução de texto ocorrerá “quando for possível, em virtude da redação do texto impugnado, declarar a inconstitucionalidade de determinada expressão, possibilitando, à partir dessa exclusão de texto, uma interpretação compatível com a Constituição Federal”, como assinala Alexandre de Moraes . De tal modo, o Judiciário expurga do ato normativo apenas e tão somente o que dele for incompatível com a Constituição, preservando o que puder ser preservado, desde que esse resíduo também seja conforme a vontade do constituinte e do legislador infraconstitucional. Nessa linha, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal já excluiu apenas a palavra desacato do texto do § 2º do art. 7º da Lei nº 8.906/1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), julgada inconstitucional por conflitar com Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 265 15 a autoridade do magistrado na condução da atividade jurisdicional. O restante do texto e da norma foi mantido em respeito à presunção de constitucionalidade das leis. Nesse quadro, em razão dos seus fundamentos de decidir, e em que pese não pronunciada expressamente pelo Supremo, a redução do texto do art. 25 da Lei nº 8.212, julgado parcialmente inconstitucional foi a seguinte: Art. 25. A contribuição do segurado especial referido no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada a Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II – 0,1 % (um décimo por cento) da recita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho; [...] Destarte, o exato limite da inconstitucionalidade declarada foi este: a supressão no texto do caput do art. 25 da expressão “[...] do empregador rural pessoa física e [...] referidos, respectivamente, na alínea “a” do inciso V [...]”. Preservouse no dispositivo, portanto, texto e norma suficiente para não ferir a contribuição social do segurado especial, arrimada no art. 195, § 8º, da Lei Maior. Por outro lado, embora tenha havido a redução parcial do texto da cabeça do dispositivo inquinado, a declaração de inconstitucionalidade relativamente aos incisos I e II, entretanto, ocorreu sem redução de texto alguma. Isso para que o texto legislativo permanecesse íntegro para com relação à norma exacional incidente sobre o segurado especial. E aqui vale fazer a distinção entre texto e norma. Segundo os ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho, texto é o conjunto de símbolos linguísticos marcados em papel ou outro suporte, expostos em termos prescritivos e em forma técnica; já norma é “o juízo (ou pensamento) que a leitura do texto provoca em nosso espírito”. A norma é a significação do texto. Dito de outro modo, embora a redação dos incisos não tenha sido ferida pela declaração de inconstitucionalidade, como ocorreu com a cabeça, a norma que ali residia o foi, dela se expurgando a contribuição do empregador rural pessoa física. (...) De se notar, ainda, que, perfeitamente em linha com tal posicionamento, o RE 596.177/RS, dotado de repercussão geral e, assim, de obrigatória obediência por parte deste CARF, limitase ao caso do empregador rural pessoa física (cuja contribuição foi instituída com fulcro no art. 195, I da CRFB) para fatos geradores ocorridos antes da Lei no.10.256, de 2001, não havendo que se falar de qualquer violação ao regimento interno deste CARF em seu art. 62A ao se adotar a tese acima delineada de inconstitucionalidade parcial, antes da vigência da Lei no. 10.256, de 2001, à qual, conforme já mencionado, me alinho integralmente. Fl. 272DF CARF MF 16 Já para fatos geradores ocorridos posteriormente à vigência da Lei nº 10.256, de 2001, que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212, de 1991, segue a Conselheira tecendo as seguintes considerações, às quais também acedo aqui integralmente, adotandoas como razões de decidir para o presente caso: (...) a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos (grifei): No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/01. Ou seja, removida, através da Emenda Constitucional no. 20, de 1998, seguida da edição da Lei no. 10.256, de 2001, a inconstitucionalidade formal que embasou a decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG, de se manter incólume a exação (contribuição sobre a comercialização da produção de empregadores rurais pessoas físicas), para quaisquer fatos geradores ocorridos na vigência da citada Lei no. 10.256, de 2001. Cita a Conselheira, ainda, a seguinte jurisprudência acerca do tema respaldando seu posicionamento, também aqui adotado: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 266 17 (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10). Ainda a propósito, de forma consistente com o posicionamento acima, entendo que a melhor interpretação do decisum prolatado no âmbito do RE 363.852/MG, remete à conclusão de que, em nenhum momento, a sistemática da subrogação foi declarada como inconstitucional pela Corte, conforme muito bem delineado pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no âmbito do Acórdão 230202.445, de 18.04.2013, verbis: (...) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto ora para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. (...) Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Fl. 274DF CARF MF 18 Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Como fundamentação adicional, também comungo do entendimento de que, ainda, que a bem do debate, se entendesse ter sido declarada a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei no. 8.212, de 1991, para fatos geradores abrangidos pela vigência da Lei no. 10.256, de 2001, restaria incólume a responsabilidade de recolhimento prevista no art. 30, III da Lei no. 8.212, de 1991, conforme muito bem delineado também pelo Conselheiro Arlindo da Costa e Silva no Acórdão citado, verbis: (...) A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. (...) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 267 19 produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. (...)" Feita tal digressão e, agora, atendose mais especificamente ao caso em questão, verifico se estar, nos presentes autos, diante de litígio acerca de fatos geradores que ocorreram já sob o período de vigência da Lei no. 10.256, de 2001 (o auto referese às competências de 08/2004 a 12/2004). Assim, com base na fundamentação acima disposta, não há que se falar em improcedência do lançamento decorrente da alegada inconstitucionalidade da exação objeto de não informação em GFIP (visto que não abrangida pela decisão prolatada no âmbito do RE 363.852/MG e nem no âmbito do RE 596.177/RS) e, destarte, quanto a esta matéria, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 2. Quanto à Contribuição ao SENAR Estabelece o art. 6o. da Lei no. 9.528, de 1997: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR, criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de 0,1% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Vigência até 01.11.01) Art. 6o A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural Fl. 276DF CARF MF 20 (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001, vigência a partir de 01.11.01) Ainda a propósito, na Lei no. 8.212, de 1991: Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial.(Renumerado pela Lei nº 11.080, de 2004). §2o A remuneração de que trata o caput deste artigo será de 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) do montante arrecadado pela aplicação do adicional de contribuição instituído pelo §3o do art. 8o da Lei no 8.029, de 12 de abril de 1990.(Incluído pela Lei nº 11.080, de 2004, vigente a partir de 31.12.2004). Assim, a partir do disposto no parágrafo único do art. 94 acima reproduzido, posteriormente renumerado para § 1o., também aqui, a partir na delimitação da abrangência do decisum prolatado nos RE 363.852/MG já anteriormente efetuada, de se entender que a contribuição ao SENAR não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no âmbito daquele Recurso Extraordinário. Assim, também de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional3. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. Heitor de Souza Lima Junior Fl. 277DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 268 21 Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Da Alegada Inconstitucionalidade Contribuição Sobre A Receita Bruta Proveniente Da Aquisição De Produtor Rural Pessoa Física A base do Recurso referese a discussão não apenas da aplicação de decisão do STF, bem como a delimitação do alcance da referida decisão, e quais os dispositivos legais teriam sido efetivamente declarados inconstitucionais pelo STF, por meio do RE 363.852/MG. Assim, quanto ao mérito da questão cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da questão, considerando o recurso apresentado. Confesso que a interpretação trazido pelo recorrente realmente foi por mim adotada em relação aos primeiros processos analisados acerca do tema, todavia, após um estudo mais sistematizado acerca da matéria, considerando diversas ponderações trazidas por conselheiros deste Conselho, tive a oportunidade de alterar meu entendimento acerca do tema, conforme posicionamento adotado em diversos outros votos aos quais tive a oportunidade de relatar. Dessa forma, passo a proferir meu entendimento acerca do tema, alterando a posição adotada no recorrido, acompanhando o relator no mérito. Assim, passo a apresentar meu posicionamento acerca do tema. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91, conforme identificado pela autoridade fiscal: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01. Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3º do art. 4º da MP nº 83/02, convertida na Lei nº 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei nº 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/97 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP nº 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97 A subrrogação descrita neste AIOP está respaldada tanto no que dispõe o art. 30, IV (relatório fiscal), III, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97, bem como no Regulamento da Previdência Social – Decreto 3048/99, conforme relatório de fundamentos legais FLD, fls. 75: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei nº 8.620/93) Fl. 278DF CARF MF 22 III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3º da Lei 10.256/2001 no art. 6º da Lei 9.528/1997. "Art.6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge face o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 269 23 incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial à contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto, podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. Dita decisão merece ser levada em consideração quando envolver lançamento de contribuições sobre fatos geradores sob a égide da legislação anterio, uma vez o Regimento Interno do CARF, art. 62A, parágrafo 1º, in verbis, dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Fl. 280DF CARF MF 24 Confirmando ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: “A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4ª Região”, assim conclui acerca das deciões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei nº 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis nºs 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei nº 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8º; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 270 25 faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE 585684, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 10/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional nº 20/98, passam a ser devidas as Fl. 282DF CARF MF 26 contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei nº 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições em período integralmente coberto pela regência da Lei nº 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as contribuições descritas nas leis nº 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Cite se do TRF: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 – Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei nº 8.212/91. Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à sub rogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 271 27 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: “Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, “deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91”. Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1º A Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12. ................................................... V ............................................. a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; c) o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Fl. 284DF CARF MF 28 Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; d) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; e) o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do país do domicílio; Art. 22. ....................................................................... §5º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30. .................................................... Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 272 29 IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor.” Ora, caros leitores, o fato de o art. 1º da Lei nº 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea ‘a’ do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91, nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas ‘b’, ‘c’ e ‘d’ do mesmo inciso V acima citado para ‘c’, ‘d’ e ‘e’, respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Aliás, o vocábulo “subrogação” assim como a referência ao “inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91” somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por sub rogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Realmente, enquanto relatora de processo envolvendo questão idêntica, tive a oportunidade de verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do tema subrrogação (propriamente dito) art. 30, III e IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Fl. 286DF CARF MF 30 Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei nº 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE nº 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei nº 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 273 31 consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino “lex specialis derogat generali”. A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial”. Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. a) Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento “inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97” não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do Fl. 288DF CARF MF 32 art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. b) Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrrogação consubtanciada neste dispositivo encontra se também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo (conforme relatório FLD), bem como no Decreto 3048/1999: “III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da subrrogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. Conforme destacado no trecho do inciso III, a lei remeteu a regulamento (Decreto 3048/99) a instituição da sistemática, para que a empresa adquirente promova o recolhimento da contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/91. Na função de regulamentar não apenas o inciso III, mas inúmeros outros pontos da lei 8212/91, foi editado o Decreto nº 3.048/1999, aprovando o Regulamento da Previdência Social, ainda hoje em vigor, cujos artigos 200, 200A e 216 instituíram a obrigação acessória da empresa adquirente, consumidora, consignatária ou da cooperativa, na condição de subrogada, a arrecadar, mediante desconto e a recolher as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção devidas pelo produtor rural pessoa física e pelo segurado especial. Senão vejamos: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 200. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, e a do segurado especial, incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, é de: (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) I dois por cento para a seguridade social; e II zero vírgula um por cento para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 274 33 (...) §4º Considerase receita bruta o valor recebido ou creditado pela comercialização da produção, assim entendida a operação de venda ou consignação. §5º Integram a produção, para os efeitos dos incisos I e II do caput, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, socagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem e torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (...) §7º A contribuição de que trata este artigo será recolhida: I Pela empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa, que ficam subrogadas no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com estes ou com intermediário pessoa física, exceto nos casos do inciso III; (grifos nossos) II pela pessoa física não produtor rural, que fica subrogada no cumprimento das obrigações do produtor rural pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e do segurado especial, quando adquire produção para venda, no varejo, a consumidor pessoa física; ou III pela pessoa física de que trata alínea "a" do inciso V do caput do art. 9º e pelo segurado especial, caso comercializem sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial. §8º O produtor rural pessoa física continua obrigado a arrecadar e recolher ao Instituto Nacional do Seguro Social a contribuição do segurado empregado e do trabalhador avulso a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, nos mesmos prazos e segundo as mesmas normas aplicadas às empresas em geral. Art. 200A. Equiparase ao empregador rural pessoa física o consórcio simplificado de produtores rurais, formado pela união de produtores rurais pessoas físicas, que outorgar a um deles poderes para contratar, gerir e demitir trabalhadores rurais, na condição de empregados, para prestação de serviços, exclusivamente, aos seus integrantes, mediante documento registrado em cartório de títulos e documentos. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Fl. 290DF CARF MF 34 §1º O documento de que trata o caput deverá conter a identificação de cada produtor, seu endereço pessoal e o de sua propriedade rural, bem como o respectivo registro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária ou informações relativas à parceria, arrendamento ou equivalente e à matrícula no INSS de cada um dos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) §2º O consórcio deverá ser matriculado no INSS, na forma por este estabelecida, em nome do empregador a quem hajam sido outorgados os mencionados poderes.(Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 200B. As contribuições de que tratam o inciso I do art. 201 e o art. 202, bem como a devida ao Serviço Nacional Rural, são substituídas, em relação à remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador rural contratado pelo consórcio simplificado de produtores rurais de que trata o art. 200A, pela contribuição dos respectivos produtores rurais. (Incluído pelo Decreto nº 4.032/2001) Art. 216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: I A empresa é obrigada a: (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção rural, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com o intermediário pessoa física; (grifos nossos) IV o produtor rural pessoa física e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 200 no prazo referido na alínea "b" do inciso I, no mês subsequente ao da operação de venda, caso comercializem a sua produção com adquirente domiciliado no exterior, diretamente, no varejo, a consumidor pessoa física, a outro produtor rural pessoa física ou a outro segurado especial; V o produtor rural pessoa física é obrigado a recolher a contribuição de que trata o inciso II do caput do art. 201 no prazo referido na alínea "b" do inciso I; (Revogado pelo Decreto nº 3.452/2000) (...) §5º O desconto da contribuição e da consignação legalmente determinado sempre se presumirá feito, oportuna e regularmente, pela empresa, pelo empregador doméstico, pelo adquirente, consignatário e cooperativa a isso obrigados, não lhes sendo lícito alegarem qualquer omissão para se eximirem do recolhimento, ficando os mesmos diretamente responsáveis pelas importâncias que deixarem de descontar ou tiverem descontado em desacordo com este Regulamento. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11060.003084/200991 Acórdão n.º 9202005.129 CSRFT2 Fl. 275 35 Contribuições destinadas ao Senar Quanto às contribuições destinadas ao Senar, as mesmas possuem previsão no art. 6º da Lei n 9.528 de 1997, nestas palavras: Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) Essas contribuições não foram objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852. Desse modo, permanece a exação tributária. Porém, tais contribuições eram recolhidas pelo substituto tributário e não pelos produtores rurais; a transferência da responsabilidade para os substitutos está prevista no art. 94 da Lei n 8.212, art. 3º da Medida Provisória n 222 de 2004, combinado com o art. 30, inciso IV da Lei n 8.212 de 1991. Uma vez tendo sido afastada a dúvida acerca da declaração de inconstitucionalidade do art. 30, inciso III e IV plenamente respaldado encontrase o exigência legal objeto do presente lançamento. Face ao exposto, acompanho o relator em seu voto, apenas esclarecendo a mudança do meu posicionamento. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 292DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.005239/2007-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.416
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo, nos termos da Portaria Carf n° 001, de 03 de janeiro de 2012.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrida DRJ em BELÉMPA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo, nos termos da Portaria Carf n° 001, de 03 de janeiro de 2012. NAYRA BASTOS MANATTA Presidente. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). RELATÓRIO A pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo protocolizou pedido de ressarcimento e, posteriormente, transmitiu Pedido de Restituição/Ressarcimento/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relativo ao terceiro trimestre de 2003, decorrente da aquisição de insumos isentos utilizados no seu processo produtivo. O pedido foi fundamentado no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e apoiado em extenso arrazoado sobre o princípio da nãocumulatividade do IPI. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em ManausAM indeferiu o pleito, ensejando a apresentação de manifestação de inconformidade apreciada pela Delegacia da Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10283.005239/200785 Resolução n.º 3402000.416 S3C4T2 Fl. 2 2 Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em BelémPA, que manteve o indeferimento, conforme voto condutor do Acórdão das fls. 907 a 914, assim ementado: (...) IPI. PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS ISENTOS. No direito tributário brasileiro, o princípio da não cumulatividade é implementado por meio da escrita fiscal, com crédito do valor do imposto efetivamente pago na operação anterior e débito do valor devido nas operações posteriores. Assim, o direito ao crédito do IPI condicionase a que as aquisições de insumos utilizados no processo de industrialização tenham sido efetivamente oneradas pelo imposto, excluindose, portanto, as aquisições isentas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, os quais gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes faltar eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida Ciente dessa decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às fls. 918 a 940, para alegar, em síntese que: I – adquiriu insumos com isenção do IPI por estar instalada na Zona Franca de Manaus (ZFM); II – o direito ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos em operações isentas é matéria já pacificada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF); III – uma vez que existe entendimento inequívoco acerca da matéria, deve ser aplicado o disposto no art. 1º do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997; IV – a nãocumulatividade só pode sofrer restrição por norma constitucional, o que não se deu em relação ao IPI; Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10283.005239/200785 Resolução n.º 3402000.416 S3C4T2 Fl. 3 3 V – o direito ao crédito do IPI, nas aquisições de insumos isentos, deve ser aplicado administrativamente, tendo em vista o entendimento inequívoco do STF sobre essa matéria; e VI – sobre o valor a ser ressarcido deve ser aplicada a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Ao concluir, a recorrente solicitou o provimento do seu recurso para deferir o ressarcimento pretendido acrescido da taxa Selic a partir da data da protocolização do pedido. É o Relatório. Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10283.005239/200785 Resolução n.º 3402000.416 S3C4T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Cumpre obervar, porém, que, nos autos do processo nº 10283.005290/200797, de interesse da mesma contribuinte qualificada nestes autos e que cuida da mesma matéria aqui focalizada, foi proferido o despacho n° 9303019, de 28 de maio de 2012, pelo Sr. Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), para acolher proposta de sobretamento daquele processo, em virtude de tratar de matéria objeto do Recurso Extraordinário (RE) n° 592891 que, em 21 de outubro de 2010, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em face disso, o julgamento do recurso voluntário submetido a este colegiado deve ser sobrestado, em face do disposto no art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – Regimento Interno do Carf, e, nos termos da Portaria Carf nº 001, de 03 de janeiro de 2012, até que o STF profira decisão definitiva sobre o tema. Diante disso, voto pelo sobrestamento destes autos. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 1027DF CARF MF
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