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Numero do processo: 10935.000214/2003-40
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR 52.658. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 00 21 4/ 20 03 -4 0 Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3801000.935 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Tratase de pedido de ressarcimento (fl. 04) de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, formalizado em 30/12/2002 e no montante de R$ 313.740,13, respeitante ao 4º trimestrecalendário de 1998, cumulado com as Declarações de Compensação (PER/DCOMP) às fls. 1482/1483, com débitos no total de R$ 108.400,40. Pelo Despacho Decisório nº 025/2007 (fls. 1507/1514), a DRFB em Cascavel/PR deferiu parcialmente o pleito, tendo sido glosadas as parcelas relativas às compras de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS, às exportações de soja após limpeza e secagem e à atualização monetária pela SELIC do total requerido. O reconhecimento parcial do pedido de ressarcimento foi de R$ 25.839,54. Na manifestação de inconformidade (fls. 1524/1556), apresentada em 07/08/2007, foram alegadas ilegalidade e inconstitucionalidade de atos administrativos que restringem o benefício concedido pela lei, sendo que não importaria a origem dos insumos utilizados, pois todos que ingressassem na empresa com fins de exportação comporiam a base de cálculo do crédito presumido, sobre o qual inclusive incidiria a correção monetária, conforme julgados administrativos e judiciais mencionados. Neste ínterim, a interessada ajuizou o Mandado de Segurança nº 2007.70.05.0037088 pleiteando a inclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do benefício, sendo que, antes que esta instância administrativa se pronunciasse, logrou obter o pedido deduzido no Agravo de Instrumento nº 2007.04.00.0321455/PR, que determinou o recálculo do crédito presumido com a inclusão das controvertidas aquisições. Assim, em 20/05/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 92/2008 (fls. 1514/1519) com o reconhecimento da parcela em questão do crédito presumido e a homologação total da Declaração de Compensação vinculada ao pedido de ressarcimento. Contudo, a requerente apresentou, em 08/07/2008, nova manifestação de inconformidade (fls. 1540/1547) com a alegação de que este processo não poderia seguir para arquivo, na medida em que não foram apreciadas no âmbito do contencioso administrativo de primeira instância as alegações relativas à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das exportações de soja após limpeza e secagem e a atualização monetária, à taxa SELIC, do total requerido. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3801000.935 S3TE01 Fl. 12 3 Em 16/10/2008, foi proferido o Despacho Decisório nº 316/2008 (fl. 1649), com a homologação total das Declarações de Compensação, por força de decisão judicial nos autos do Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.0010727 e conforme memorando à fl. 1640. Veio então a manifestação de inconformidade de 09/06/2009 (fls. 1678/1688) em relação a diversos processos atinentes a ressarcimento, inclusive este, com o pedido para apreciação de todos os recursos voluntários interpostos, sob pena de ofensa a direito líquido e certo. O Acórdão DRJ/RPO nº 1433.650 (fls. 1703/1707) foi prolatado em 11/05/2011, com o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade e o nãoreconhecimento do direito creditório. Em conseqüência, foi interposto em 27/07/2011 o recurso voluntário às fls. 1714/1775). Sobreviera, antes, o Acórdão (fls. 1795/1803), de 29/06/2011 (publicação em 07/07/2011) nos autos da Apelação Cível nº 2007.70.05.0037088/PR. Em 09/04/2013, no Despacho Decisório nº 197/2013 (fls. 1810/1815) foi decidido o seguinte: “a) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 025/2007, no VALOR de R$ 25.839,54 (vinte e cinco mil, oitocentos e trinta e nove reais e cinquenta e quatro centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; b) Manter inalterado o reconhecimento PARCIAL do direito creditório constante do Despacho Decisório nº 095/2008, no VALOR de R$ 148.096,07 (cento e quarenta e oito mil, noventa e seis reais e sete centavos), relativo ao Crédito Presumido do IPI sobre as aquisições de insumos junto a não contribuintes e utilizados no processo produtivo destinado a exportação; c) Manter a homologação das compensações declaradas pelo contribuinte e vinculadas ao presente pleito até o limite do valor do crédito reconhecido; d) Pela inconsistência apontada impõese a necessidade de revisão do despacho que promoveu a compensação de ofício sob nº 316/2008 (fls. 1649), com o imediato cancelamento das compensações procedidas de ofício no presente processo, e que em ato contínuo, seja efetivada nova proposição de compensação de ofício, com observância as normas e rito processual e notificação prévia ao interessado; e) Atendendo determinação judicial, demonstrar o calculo da correção pela taxa SELIC, sobre a parcela do crédito indicada no “item B” acima, não reconhecida inicialmente pelo Fisco por restrição administrativa (IN 419, de 10/05/04, art. 2º, §2º), tendo como data inicial da contagem o dia 30/12/2002 (data da formalização do pleito) e como data final o mês anterior ao da efetivação da compensação ou ressarcimento em espécie e de 1% relativamente ao mês em curso que ocorrer o evento (art. 39, §4º, da Lei 9.250/95)”. (grifos do original) Depois da ciência em 07/05/2013 (AR à fl. 1844), foi oposta a manifestação de inconformidade (fls. 1870/1881), em 06/06/2013, firmada pelo representante legal da pessoa jurídica, qualificado na cópia de alteração de contrato social (fls. 1883/1890). Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3801000.935 S3TE01 Fl. 13 4 Primeiramente, é defendida a tempestividade da manifestação de inconformidade. Em segundo lugar, sustenta que a taxa Selic deve incidir sobre todo o direito creditório requisitado, desde o início do procedimento, conforme doutrina aduzida, não somente sobre o montante de R$ 148.096,07, inicialmente indeferido por se tratar de aquisições de insumos de não contribuintes; do contrário, tratase locupletamento indevido do Fisco: decorreram dez anos do protocolo do pedido de compensação de créditos e débitos até a apreciação conclusiva pela Receita Federal, tendo sido corrigidos monetariamente somente os débitos; a atualização monetária deve incidir sobre todos créditos, inclusive os créditos homologados, e não apenas sobre os créditos não homologados no início do procedimento. Outrossim, denuncia dupla compensação de mesmo débito: R$ 17.768,83, com vencimento em 13/02/2004, relativo à DCOMP nº 10935.000593/200492, fl. 1518. Tratase de erro que pode ser sanado, conforme o PAF, art. 32. Por fim, requer que seja conhecida e provida integralmente a manifestação de inconformidade e homologadas as declarações de compensação, e, especialmente, que seja determinada a correção monetária pela Selic, até a data de encerramento da análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos, do direito creditório inicialmente homologado pela autoridade fiscal, à semelhança do que foi apenas reconhecido judicialmente; além disso, que seja anulada a dupla compensação de mesmo débito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS ESCRITURAIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos escriturais do imposto, passíveis de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após relatar os fatos, no mérito sustenta que no se refere à incidência da SELIC sobre os créditos requeridos pela Recorrente, a matéria reassumiu a importância a partir do Despacho Decisório n. 197/2013, que entendeu que a SELIC somente deveria incidir sobre a parcela reconhecida judicialmente. Esclarece que a decisão guerreada conflita com a legislação aplicável ao caso. Isto porque é obrigatório que os débitos do contribuinte com o Fisco sejam ser atualizados pela SELIC, nos termos da Lei n. 9.065/95, art. 13. Pontua que o Supremo Tribunal Federal declarou que a taxa SELIC também deve ser aplicada nos casos de repetição de indébito. Recordese que o "direito de crédito" é um fenômeno inerente à incidência da lei tributária, de modo que a utilização pelo contribuinte Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3801000.935 S3TE01 Fl. 14 5 dos créditos que a legislação lhe concede situase em momento temporal que (i) sucede o fato gerador do direito de crédito e (ii) que antecede a extinção do débito que se pretende ver compensado. Destaca que o PERDCOMP da Recorrente foi transmitido há mais de 10 (dez) anos. Desse modo, por culpa exclusivamente ao Fisco, o procedimento ainda não teve fim. Aliás, é importante destacar que, em meados de 2013, a DRJ reconheceu nova irregularidade nos procedimentos administrativos destes autos: compensação de ofício sem a prévia ciência da Recorrente, consoante determinava o art. 45 da IN RFB 900/08 (atual art. 61 da IN RFB 1300/2012). De outro lado, argumenta que o temse que o débito de valor R$ 17.768,63 (vencido em 13/02/2004) apontado na DCOMP nº 10935.000593/200492 foi compensado em duplicidade. Vale dizer, foi compensado com os créditos originalmente reconhecidos pelo AFRFB e, após a decisão judicial, o mesmo débito foi novamente compensado com os créditos complementares. Insiste que o mesmo débito foi compensado em duplicidade: (i) com primeiro, com os créditos homologado no início do procedimento; (ii) após, com os créditos reconhecidos por força da decisão judicial. Por fim requer que seu recurso seja conhecido e julgado para: determinar que a correção monetária pela Selic do crédito da Recorrente que foi inicialmente homologado pelo AFRFB, à semelhança do que apenas foi reconhecido via judicialmente até a data em que se encerrar a análise do processo administrativo de compensação de créditos e débitos; anular a dupla compensação do débito com vencimento em 13/02/2004 (cód. 2172), tendo em vista que este foi compensado com os créditos inicialmente ressarcidos e, novamente, com os créditos ressarcidos por força de decisão judicial. É o relatório. Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10935.000214/200340 Resolução nº 3801000.935 S3TE01 Fl. 15 6 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início constatase que não é possível delimitar o litígio. Como relatado, este processo tem uma situação atípica. A tramitação processual foi conturbada em face dos três despachos decisórios, respectivas manifestações de inconformidade, duas decisões da DRJ e dois recursos voluntários. Reconhecese que os despachos decisórios foram complementares, todavia o litígio não ficou demarcado a partir da última decisão da DRJ. Entendese, a princípio, que a recorrente deveria em seu último recurso voluntário reafirmar as teses de seu primeiro recurso o. A simples menção a sua interposição não é suficiente para a apreciação de todas as alegações porque algumas perderam o seu objeto. De sorte que no primeiro recurso a recorrente questiona diversas matérias, enquanto no segundo recurso voluntário, a recorrente simplesmente reiterou de forma genérica as alegações do primeiro recurso e se insurgiu especificamente em relação à incidência da correção monetária pela Selic sobre a totalidade do crédito presumido da recorrente. Ocorre, todavia, que diversas matérias foram objeto de provimento pela primeira decisão a quo. Assim sendo, a reiteração genérica no segundo recurso voluntário inviabiliza a delimitação precisa das matérias ainda em litígio. Por outro lado, o não conhecimento do primeiro recurso voluntário implicaria em ofensa ao amplo direito de defesa. No caso vertente, em atenção ao princípio constitucional da ampla defesa e a fim de se evitar a caracterização da preterição do direito de defesa da interessada, a medida que se impõe é a intimação da recorrente para que consolide em uma única peça recursal devidamente fundamentada as matérias que ainda tem interesse em recorrer. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem intime a interessada para que consolide em uma única peça recursal as matérias que ainda tem interesse em agir no prazo de 30 (trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.009650/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
Numero da decisão: 2102-003.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Jose Raimundo Tosta Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 96 50 /2 00 8- 50 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS (Presidente), BERNARDO SCHMIDT, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, e CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$2.224.875,25 (dois milhões, duzentos e vinte e quatro mil, oitocentos e setenta e cinco reais e vinte e cinco centavos), incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal referente ao período de 01.01.2003 a 31.12.2005, visando averiguar o escorreito cumprimento das obrigações tributárias no que tange ao IRPF por parte da Contribuinte. Da ação fiscal, restou a constatação da seguinte irregularidade: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) (...) Enquadramento Legal: Art. 849 do RIR/99; Art. 42 da Lei n° 9.430/1996; Art. I o da Lei n° 11.119/05; Art. I o da Medida Provisória n° 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 313/317, por meio do qual, resumidamente, expõe que: Tudo teve início em razão das investigações promovidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Banco do Estado do Paraná. As investigações apuraram que foram efetuadas remessas de quantias milionárias ao exterior, existindo fundada suspeita acerca da ilicitude de boa parte dessas operações. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2102003.197 S2C1T2 Fl. 371 3 As remessas teriam transitado pela agência Banestado em Nova Iorque e dali remetidas para diversas contas de instituições financeiras, fato que determinou a quebra de sigilo de contas mantidas por pessoas físicas e jurídicas e de instituições financeiras como "Swiss Bank/NY", "JP Morgan Chase Bank/NY","MTBCBCHudsonBank. Posteriormente, ocorreu a quebra do sigilo bancário de diversas outras empresas que atuavam como prepostas bancárias e financeiras de pessoas físicas e jurídicas representadas por cidadãos de nacionalidade brasileira. Feita a identificação dos contribuintes nacionais que tiveram participação nas operações, seja como ordenantes, remetentes ou beneficiários dos recursos, a Impugnante foi identificada como ordenante de uma ordem de pagamento, no valor de US$ 101.000,00 (cento e um mil dólares americanos), remetida em 18/02/2004, intermediada pela conta de titularidade da Instituição Financeira Lespan TBL, e tendo por beneficiário final o Citibank N.A. New York. A ação fiscal contra a Impugnante foi autorizada através do Mandado de Procedimento Fiscal n. 10101000.2007.0006205 e, ao final, concluiu que "a movimentação financeira era incompatível com os valores declarados por Nara Maria Kray em suas declarações de ajuste anual dos anos calendário de 2003, 2004 e 2005, revelando fortes sinais de omissão de rendimentos, pois o somatório dos depósitos atingiram os montantes de R$ 1.334.103,17 R$ 968.701,88 e R$ 1.497.384,51, respectivamente. A Contribuinte alega ainda que sempre agiu com honestidade e correção, jamais omitindo rendimentos que devessem ser de conhecimento da Receita Federal do Brasil, relatando ainda o seguinte: Os valores depositados em sua conta corrente decorrentes de operações financeiras formalizadas com terceiros empréstimo pessoal iniciadas e concluídas dentro do mesmo exercício, sem que resultem em lucro ou prejuízo para qualquer das partes envolvidas sem cobrança de juros não têm porque constar da declaração do imposto de renda. Aliás, sequer existe local nos diversos modelos de declaração onde pudessem ser colocados. Ressaltese, por oportuno, que um exame, ainda que superficial, nas declarações encaminhadas a essa Receita Federal, comprovam que o patrimônio da impugnante não sofreu alteração significativa nos períodos examinados prova de que não houve omissão. Por outro lado, a multa arbitrada, no valor de 75%, com o devido respeito, está longe do princípio da legalidade de impostergável aplicação no direito tributário e penal administrativo. A aplicação de pena de multa, tal como de pena restritiva de liberdade, depende de prévia definição legal. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Ausente qualquer elemento da definição como ocorre no presente caso – a aplicação da pena está prejudicada. Por derradeiro, há que ser salientado que o procedimento fiscal instaurado sofreu enorme desvio de finalidade. Destinado a apurar remessa ao exterior de valor perfeitamente suportável pela Impugnante, como ficou amplamente demonstrado – culminou por concluir, equivocadamente, que rendimentos, representados por depósitos bancários, teriam sido omitidos. Certo é que a Impugnante não omitiu rendimentos e comprovou ser lícita – porque resultante de aplicação financeira declarada – a origem dos valores remetidos ao exterior. A forma como referidos valores foram remetidos é objeto de processo crime em andamento na Polícia Federal, conforme faz prova o Mandado de Intimação em anexo. Por fim, o Contribuinte postula pelo recebimento de sua Impugnação, para ao final, julgar improcedente o lançamento fiscal, objeto do Auto de Infração em comento. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 4ª Turma da DRJ/POA decidiram, por unanimidade de votos, julgála improcedente, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. A multa de ofício, prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 344/350, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: “Comparamos, a seguir, o somatório dos depósitos antes referido que caracterizariam omissão de rendimentos, segundo Fl. 373DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2102003.197 S2C1T2 Fl. 372 5 já referida conclusão com as declarações de rendimentos da recorrente (...) Onde há omissão? O que há são pequenas diferenças, para mais (2003/2004) ou menos (2005). Apenas valores depositados em sua conta corrente, resultantes de empréstimo junto a terceiros, deixaram de integrar suas declarações de rendimentos. Isso porque, como já disse na impugnação antes oferecida, foram obtidos e quitados no mesmo exercício, sem que resultassem em lucro ou prejuízo para qualquer das partes envolvidas sem cobrança de juros não havendo razão, no seu entendimento, para constar da declaração do imposto de renda. Aliás, sequer existe local nos diversos modelos de declaração onde pudessem ser colocados. O fato de a recorrente ter juntado aos autos a documentação solicitada pela autoridade processante extratos de sua conta corrente demonstra, à saciedade, sua boafé. De esclarecer que em momento algum foi permitido à recorrente a apresentação de documentos que comprovassem a origem dos depósitos. E esclarece: recebendo a recorrente um cheque de terceiro e, depositado ele em sua conta corrente, em seu extrato aparece, apenas, o crédito. Não consta do extrato nem em qualquer outro documento de posse do banco onde mantém sua conta corrente a identificação do cheque depositado. Isto só ocorreria se o cheque não tivesse fundos: ele seria devolvido recorrente, e o banco ficaria em seu poder com prova de que devolveu o cheque tal, no valor de tanto, emitido contra tal banco. No entanto, exitosa a compensação uma das formas de cobrança de cheque este cheque retorna para o banco do emitente. Assim, é totalmente impossível a recorrente comprovar a origem dos depósitos. A Receita Federal poderia, acionando o Banco Central e, por consequência, o sistema de compensação, chegar ao banco sacado e ao emitente. A recorrente não dispõe deste poder. A Contribuinte pleiteia o provimento de seu Recurso Voluntário em sua integralidade, cancelandose o débito fiscal reclamado, tendo em vista entender ter sido demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 16.09.2011, como atesta o AR de fls. 343. O Recurso Voluntário foi interposto em 29.09.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada pela contribuinte. A fiscalização teve início em razão de remessa efetuada por ela ao exterior, através de “intermediador financeiro” (doleiro), o que desencadeou o início de procedimento fiscal contra ela, por meio do qual a fiscalização apurou que sua movimentação financeira excedia em muitas vezes os rendimentos declarados, verbis: Além disso, a movimentação financeira dos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 foi superior em 85,82, 61,39 e 47,62 vezes aos rendimentos tributáveis declarados, e superior em 11,39, 13,62 e 11,25 58 vezes aos rendimentos totais declarados (soma dos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis e sujeitos à tributação exclusiva), respectivamente. Ao mesmo tempo, existem indícios de variação patrimonial a descoberto no anocalendario de 2005, na ordem de R$ 567.122,71, tomandose por base a declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física e o dossiê integrado da contribuinte (R$ 179.395,37 de rendimentos totais declarados R$ 8.480,88 de deduções R$ 2.330.263,85 de bens e direitos no anobase de 2005 + R$ 1.593.421,52 de bens e direitos no ano anterior R$ 1.194,87 de diferença no transporte entre o valor inicial do ano e o valor final do ano anterior). Em sua defesa, a Recorrente afirma que remetera o referido valor ao exterior para custear despesas de sua filha e neto, que vivem na Indonésia, e quanto à movimentação financeira no Brasil, afirmou que os valores depositados em suas contas se referiam a empréstimos efetuados com terceiros, os quais eram iniciados e concluídos dentro do mesmo ano, mas que não lhe renderam qualquer alteração de patrimônio. No mais, restaram comprovados – ainda durante o procedimento fiscal – depósitos no montante de R$ 54.449,93, os quais eram decorrentes do recebimento de aluguéis. Antes de mais nada, é preciso lembrar que a exigência fiscal em exame decorre de expressa disposição legal, segundo a qual presumese como omissão de rendimento o valor depositado em conta bancária cuja origem não for comprovada pelo titular da referida conta. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu esta presunção que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles depósitos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.009650/200850 Acórdão n.º 2102003.197 S2C1T2 Fl. 373 7 Este ônus é da Recorrente, razão pela qual caberia a ela demonstrar documentalmente, de forma satisfatória, as operações que ensejaram tais depósitos em sua conta. Somente com esta demonstração seria possível elidir a presunção legal contida no art. 42 já referido. Tal prova, porém, não foi feita. A Recorrente se limita a alegar que os depósitos efetuados em suas contas seriam decorrentes de empréstimos tomados e devolvidos ao longo do anocalendário. Sendo assim, caberia a ela, na qualidade de maior interessada, manter em boa ordem a documentação atinente a esta movimentação, sob pena de não conseguir elidir a presunção legal aqui em questão. Outrossim, também não merece acolhida a alegação da Recorrente de que não teria tido a oportunidade de apresentar a comprovação da origem dos depósitos bancários efetuados em suas contas, já que ela foi intimada diversas vezes ainda durante o procedimento fiscal (cf. detalhado no termo de Verificação de fls. 15 a 23 dos autos digitais) para que comprovasse a origem dos depósitos efetuados em suas contas, quedandose, porém, inerte em fazêlo, já que somente comprovou naquela ocasião a origem dos rendimentos recebidos a título de aluguéis – os quais, aliás, foram devidamente excluídos da base de cálculo do lançamento. No mais, quanto à alegação de que seu patrimônio não sofreu alteração ao longo dos referidos anoscalendário, melhor sorte não terá a Recorrente, pois como se disse, o que importa aqui é a comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas, pouco importando se os valores depositados foram ou não consumidos – entendimento este que foi consolidado através do Enunciado nº 26 da Sumula deste CARF, que assim estabelece: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Por fim, a Recorrente se insurge contra a multa de ofício aplicada ao lançamento, alegando que a mesma teria caráter confiscatório. Tal pedido, porém, esbarra esbarra em um enunciado da Súmula deste Conselho, este o de nº 2, segundo o qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Neste caso, apesar do enunciado não tratar diretamente da questão da multa, deve ele ser aplicado ao caso vertente, pois, sendo a multa de ofício uma determinação legal – devidamente prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicála. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 376DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 23/02/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001585/2007-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
Numero da decisão: 2202-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Faz-se necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Fazse necessário individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 85 /2 00 7- 89 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTÔNIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JÚNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT. Relatório Por sintetizar bem os fatos até a decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), conforme abaixo: Foi lavrado o auto de infração, de fis. 379/399, em nome do contribuinte acima identificado, relativo aos exercícios 2003 e 2004, anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente, em que foi apurado o crédito tributário no montante de R$ 626.592,23 (fl. 379). De acordo com a Descrição dos Fatos, de fl. 381, foi constatada a seguinte infração: *) DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. Omissão de rendimentos, nos anoscalendário de 2002 e 2003, totalizando, respectivamente, R$ 748.369,81 e R$ 200.012,40, caracterizada por valores creditados/depositados em contas correntes/contas poupança do Unibanco S/A, do Banco do Brasil S/A, do Banco Sudameris S/A, da Caixa Econômica Federal e do BCN S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme discriminado nas PLANILHAS DE CRÉDITOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA anexadas às fls. 391/396. Às fls. 382 e 386 encontramse os dispositivos legais considerados adequados pela autoridade fiscal para dar amparo ao lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 403/413, por intermédio de seu procurador conforme instrumento de mandato, de fl. 416, juntamente com os documentos de fls. 414/707, alegando, em síntese, que: 1) A origem dos créditos/depósitos objeto do auto de infração será comprovada através do simples cruzamento das informações contidas nos diversos extratos bancários e nas declarações anuais de ajuste do imposto de renda de 2002/2003 e 2003/2004 apresentadas pelo contribuinte durante o curso da fiscalização. 2) Ocorre, no presente caso, que os depósitos/créditos nas contas de titularidade do contribuinte não constituem, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza e os créditos/depósitos têm sua origem comprovada. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.001585/200789 Acórdão n.º 2202002.881 S2C2T2 Fl. 798 3 3) Transcreve ementas de acórdãos do extinto Conselho de Contribuintes e de doutrinadores que, a seu ver, corroboram o seu entendimento. 4) Durante o processo de fiscalização não se comprovou acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza e a movimentação financeira do impugnante é compatível com os rendimentos declarados. 5) A soma de todos os depósitos/créditos nas contas correntes de titularidade do impugnante alcançam o montante de R$ 4.145.926,56, no anocalendário 2002, e os rendimentos declarados pelo impugnante alcançam o montante de R$ 4.335.191,08. 6) A soma de todos os depósitos/créditos nas contas correntes de titularidade do impugnante alcançam o montante de R$ 3.331.021,81, no anocalendário 2003, e os rendimentos declarados pelo impugnante alcançam o montante de R$ 3.683.469,00. 7) Ao se comprovar que os rendimentos declarados são absolutamente compatíveis com a movimentação financeira do impugnante, é indiscutível que a simples existência de depósitos em relação aos quais o impugnante supostamente não comprovou a origem dos recursos não constitui fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e, muito menos, pode configurar omissão de rendimentos. 8) Considerandose que a movimentação financeira do impugnante é perfeitamente compatível com os rendimentos declarados na declaração anual de ajuste do imposto de renda, não se pode presumir que os depósitos apontados na planilha que acompanha o auto de infração ora impugnado constituam omissão de rendimentos. 9) A disponibilidade financeira do impugnante para realizar os referidos depósitos em dinheiro está comprovada mediante os pagamentos feitos pela Ricshopping, a título de distribuição de lucros, conforme comprovam os lançamentos registrados no livro Razão, fls. em anexo. 10) É inconteste que o impugnante tinha capacidade financeira para realizálos. Assim, concluise que a alegação de omissão de rendimentos baseada exclusivamente numa presunção, ou seja, na probabilidade da existência de um fato, não se sobrepõe à realidade dos fatos. 11) Concluise, portanto, de forma irrefutável, que a origem dos créditos/depósitos foi comprovada pelos diversos documentos apresentados pelo impugnante durante o curso da fiscalização e que a presunção de omissão de receita não se sobrepõe à realidade dos fatos, sucumbindo diante das provas produzidas. 12) Por fim, requer a insubsistência do presente lançamento. A DRJ/RJ2 julgou improcedente a impugnação, cujo Acórdão nº 1333.615 (fls. 709 a 711) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular,regularmente Fl. 799DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17 de novembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento (A.R.) à fl. 713v., o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 16 de dezembro de 2011 (fls. 774 a 784), no qual repisa os mesmos argumentos da impugnação e pede a reforma da decisão recorrida, anulandose o Auto de Infração. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração que imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento foi realizado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, determinando que estão sujeitos ao lançamento de ofício os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. O recorrente alega que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, e que a Fiscalização não comprovou acréscimo patrimonial a descoberto ou sinais exteriores de riqueza. Entretanto, não resta mais dúvida de que essa tese já se encontra superada neste Conselho. Essa argumentação não se sustenta desde a vigência da Lei nº 9.430/96, que em seu artigo 42 determinou que recai sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que são rendimentos omitidos. A autoridade fiscal não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a demonstrar sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Esse entendimento já se encontra pacificado neste Conselho, conforme enunciado nº 26 da Súmula CARF: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Aduz o recorrente que a soma dos rendimentos por ele declarados nos anos de 2003 e 2004 são superiores ao total de depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes, não havendo, assim, incompatibilidade entre sua movimentação financeira e os valores declarados. Afirma, ainda, que possuía disponibilidade financeira para realizar os depósitos em dinheiro, tendo em vista o recebimento de pagamentos feitos pela empresa Ricshopping, a título de distribuição de lucros, conforme comprovam os lançamentos registrados no livro Razão, em anexo. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 18471.001585/200789 Acórdão n.º 2202002.881 S2C2T2 Fl. 799 5 Ressaltese que a exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º oPara efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 — os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II — no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Cabe observar que todos os valores de depósitos/créditos os quais o contribuinte apresentou documento vinculando a origem e o crédito foram considerados pela autoridade fiscal e excluídos da tributação, conforme planilha de fls. 387 a 390 (efls. 417 a 420). Os depósitos/créditos, cuja origem o contribuinte não logrou comprovar de forma individualizada e vinculada foram objeto do lançamento e estão especificados nas planilhas de fls. 391 a 396 (efls. 421 a 426). Assim, os valores por ele demonstrados como provenientes da distribuição de lucros da empresa Ricshopping, vinculados a cada crédito, foram devidamente excluídos da tributação pela Fiscalização, só sendo tributados aqueles cuja origem não foi comprovada de forma individualizada e vinculada a cada depósito, conforme descrito no Relatório da Ação Fiscal (fls. 376 a 378 – efls 406 a 408). Fl. 801DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Quanto ao argumento do recorrente de que não se pode aplicar a presunção de omissão de receitas nesse caso, pois a soma dos rendimentos por ele declarados é superior à soma de todos os depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, também não lhe assiste razão, posto que é ônus exclusivo do contribuinte comprovar de forma individualizada os créditos bancários. Ou seja, é necessária a comprovação depósito a depósito, de maneira inequívoca, conforme imposição legal. Segue decisão do CARF nesse sentido: RENDIMENTOS CONSTANTES NA DECLARAÇÃO ANUAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS E VINCULAÇÃO AOS RENDIMENTOS DECLARADOS. ÔNUS DO RECORRENTE. A mera confissão de rendimentos na declaração de ajuste anual não é meio hábil, por si só, para comprovar a origem de depósitos bancários presumidos como renda. Mister individualizar e vincular cada depósito aos rendimentos declarados. [...] (Acórdão nº 10616.977, Rel. Giovanni Christian Nunes Campos). Desse modo, deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos com origem não identificada, pois o recorrente não logrou comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos em suas contas bancárias que foram considerados como rendimentos omitidos no Auto de Infração e que constam das planilhas de fls. 391 a 396. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 802DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13855.723239/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não há cerceamento ao direito de defesa. A Empresa exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e esclarecimentos, inclusive.
SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO.
Pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica possui competência para figurar no polo passivo da autuação o Município, seguido da designação do órgão a que se refere.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-003.331
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições contidas no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa. A Empresa exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e esclarecimentos, inclusive. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. Pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica possui competência para figurar no polo passivo da autuação o Município, seguido da designação do órgão a que se refere. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1141 1 1140 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.723239/201111 Recurso nº 003.331 Voluntário Acórdão nº 2302003.331 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2014 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente MUNICÍPIO DE RESTINGA PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento ao direito de defesa. A Empresa exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e esclarecimentos, inclusive. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. Pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica possui competência para figurar no polo passivo da autuação o Município, seguido da designação do órgão a que se refere. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 32 39 /2 01 1- 11 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1142 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições contidas no artigo 35, II, da Lei nº 8.212/91, para o período até 11/2008. Vencidos na votação o Conselheiro Relator e a Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20%, em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva fará o voto divergente vencedor. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Arlindo da Costa e Silva – Redator designado Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1143 3 Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 37.362.1981, consolidado em 01/11/2011 em face do MUNICÍPIO DE RESTINGA – PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 551.545,50 (quinhentos e cinquenta e um mil, quinhentos e quarenta e cinco reais e cinquenta centavos), referente ao não pagamento das contribuições sociais previdenciárias, parte patronal, incidente sobre as diferenças de remuneração identificadas nas folhas de pagamento e resumos sintéticos das folhas de pagamento e não declaradas em GFIP, no período de 01/01/2007 a 31/12/2008. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, a Recorrente apresentou as folhas de pagamento em arquivos digitais devidamente autenticados para as competências 06/2007 a 13/2008, as folhas analíticas em meio papel e seus resumos para as competências 02/2007, 06 a 09/2007, 11 e 13/2007, 01 a 13/2008. Para as competências 01, 03 e 05/2007 apresentou somente um resumo de remunerações para empenho de folha de pagamento, assim como a listagem de empenhos de 2007 e 2008 em arquivo digital devidamente autenticada. Em análise aos documentos mencionados, constatou a fiscalização, a existência de divergências entre as folhas de pagamento digital e em meio papel e entre as folhas em meio papel e seus respectivos resumos. Constatou, ainda, a existência de recolhimentos efetuados pela empresa antes do início do procedimento fiscal em valores superiores aos declarados nas competências 02 a 12/2007 e de 01 a 12/2008. Intimada a justificar as divergências apontadas, a empresa deixou de providenciar as retificações necessárias em GFIP, não sendo, tais sobras, aproveitadas na presente lavratura. Apresentada impugnação, a Recorrente alegou, em suma: a) que a descrição dos fatos e o enquadramento legal apresentamse de forma confusa e pouco objetiva, prejudicando o contraditório e a ampla defesa. b) Que os elementos utilizados pela fiscalização para apuração das contribuições exigidas não oferecem segurança quanto à sua correção e autenticidade. c) Que outras inconsistências foram mencionadas pelo próprio autor do procedimento fiscal, tais como. a menção à existência de recolhimentos superiores aos declarados, deixando de apontar se ocorreu efetivamente a alegada insuficiência de recolhimento ou se simplesmente ocorreu alguma falha consistente no descumprimento da obrigação de declarar; o levantamento deixou de considerar contribuições de segurados devidas em outras fontes pagadoras, o que acarretaria alteração no valor da contribuição devida; o autor do procedimento tinha conhecimento de que alguns segurados contribuíam sobre o teto, fato que demandaria outras pesquisas. d) Aduz que, tratandose de contribuição previdenciária, a regra é o enquadramento do sujeito passivo no regime geral previdenciário, excetuando Fl. 764DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1144 4 os casos dos entes federados que tenham regime próprio. No entanto, o lançamento reportase a suposto débito do órgão público sem qualquer menção ao artigo 15 da Lei nº 8.212/91, aplicável ao caso. e) Afirma tratarse de fato incontroverso a existência de valores recolhidos e são compensados, o que entende acarretar dupla tributação. E que a falta de compensação acarreta dúvida quanto à determinação do montante do tributo. f) Diante das falhas apontadas, requer o cancelamento da exigência tributária em questão. g) Protesta pela juntada das retificações das GFIPs, bem como das comprovações de contribuição mediante outras fontes, dos segurados autônomos para fins de requerer, além do cancelamento total do Auto de Infração, a restituição de eventual recolhimento a maior. h) Aduz, ainda, a existência de erro na identificação do sujeito passivo, pois lavrado em face da Prefeitura Municipal de Restinga, órgão público não dotado de personalidade jurídica para figurar como contribuinte nos termos do artigo 195 da Constituição Federal. i) Entende pela nulidade das intimações realizadas no curso do procedimento administrativo ao Prefeito Municipal e não ao vereador presidente da Câmara Municipal, transcrevendo jurisprudência sobre o assunto. j) Insurgese contra a incidência de juros sobre a multa de ofício. Argumenta que o §3o do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 não autoriza a sua incidência para correção da multa, mas somente sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições. k) Em relação à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, aduz que as disposições contidas nos artigos 32, 34 e 35 da Lei nº 8.212/91 foram revogados pela Lei nº 11.941/2009, requerendo o cancelamento de todas as exigências fundadas nestes dispositivos. l) Apresenta uma planilha comparativa de valores recolhidos, com a intenção de demonstrar os recolhimentos efetuados em face da compensação do fundo de participação, entendendo ser imprescindível a consideração das retificações em GFIP. m) Manifesta, ainda, o entendimento de que a contribuição incidente sobre os pagamentos realizados a segurados contribuintes individuais é indevida, eis que referido pessoal não possui vínculo com o Município de Restinga, bem como por terem contribuído sobre o teto mediante outras fontes. n) Assim, caso não se entenda pelo cancelamento total do Auto de Infração, requer seja o mesmo sobrestado para que, em diligência, sejam conferidas as GFIPs retificadoras. o) Insurgese contra a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais, argumentando não existir indício que aponte para a sua necessidade ou conveniência, tendo em vista a existência de recolhimentos em valores superiores aos informados. p) Aduz, ainda, que a pessoa relacionada no termo de representação, Sr. Amarildo Tomas do Nascimento é falecida, não podendo o atual prefeito responder por atos não abrangidos em seu período de administração. q) Insurgese, finalmente, contra a incidência de contribuição sobre as verbas que entende possuir caráter indenizatório, mencionando o décimo terceiro salário, aviso prévio indenizado, as férias não gozadas e o terço constitucional de férias. r) Requer, finalmente, a procedência dos argumentos apresentados. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1145 5 Seguiuse o julgamento, donde a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, entendeu por manter o lançamento. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO. SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO. MUNICÍPIO. COMPETÊNCIA PARA CONSTAR NO PÓLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. Possui competência para figurar no pólo passivo da autuação o Município, pessoa política da federação dotada de personalidade jurídica, seguido da designação do órgão a que se refere. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE. Conforme disposição constante no Código Tributário Nacional a penalidade pecuniária integra a obrigação principal sujeitandose, assim, à incidência dos juros de mora. MULTA APLICADA EM DECORRÊNCIA DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA DISPOSIÇÃO VIGENTE NA DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. REGRA GERAL. A regra geral insculpida no artigo 144 do Código Tributário Nacional determina que o lançamento deve se reportar à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, regendose pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SEGURADO OBRIGATÓRIO DA SEGURIDADE SOCIAL. São segurados obrigatórios da Previdência Social os contribuintes individuais, nos moldes estabelecidos no artigo 12, V da Lei nº 8.212/91. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. NEGATIVA DE COMPETÊNCIA. Carece competência à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento para apreciação e julgamento de questões relativas à elaboração, pela fiscalização, de Representação Fiscal para Fins Penais. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os elementos necessários ao seu correto entendimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Município, irresignado com a decisão, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Preliminarmente, a nulidade da decisão que indeferiu o pedido de diligência do Recorrente, em virtude da ausência de fundamentação, alegando que “quanto ao pedido de realização de diligência, não houve qualquer apreciação e resposta. Não foram apresentadas as razões para a não determinação da diligência.” Fl. 766DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1146 6 b) Ainda de forma preliminar, a nulidade do lançamento de ofício, haja vista a imprecisão deste, com vícios e nulidades decorrentes da impossibilidade da Recorrente de exercer seu direito de defesa, pela extrema dificuldade de compreensão do auto de infração. c) Também de forma preliminar, alega erro na identificação do sujeito passivo, posto que o auto de infração deveria ter sido lavrado em face do Município de Restinga, e não da Prefeitura Municipal. d) Por fim, requer a aplicação do regime da anterioridade benigna ao Recorrente, solicitando a revogação/cancelamento das multas punitivas e de mora, posto que os fatos geradores das contribuições tratadas se deram anteriormente à eficácia da Lei n° 11.941/09, e o art. 79 da referida lei é expresso ao revogar as penalidades em referencia. e) No mérito, aduziu a inobservância aos princípios da verdade material e da legalidade, posto que as contribuições previdenciárias apuradas e declaradas foram devidamente enviadas ao FISCO, contudo, este as considerou como devidas, ao invés de buscar a realidade dos fatos. f) Alegou, por fim, que diante do equívoco ocorrido na análise da apuração, declaração e recolhimento das contribuições previdenciárias, o FISCO deveria ter convertido o julgamento em diligência. g) Requereu, em síntese: i. Preliminarmente, em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, com o retorno dos autos à Delegacia Tributária de Julgamento, para a determinação da realização de diligência para: a. Que sejam esclarecidas as questões relativas aos efetivos pagamentos das contribuições previdenciárias, parte dos empregados, listados em extrato anexo aos Termos de Intimação 07, 07 e 10 e coincidentes com os valores declarados nas GFIP’s anexadas a esse recurso; b. Que sejam juntadas aos autos as declarações GFIP das competências não localizadas pelo recorrente, em respeito à norma do artigo 37 da Lei n° 9.784/99; ii. Caso não seja deferida a diligência, para confronto e esclarecimentos com os elementos de prova constantes dos autos, requereuse então, o provimento do presente recurso voluntário para determinar o cancelamento do auto de infração, pelas nulidades comprovadas no referido recurso, ou ainda: a. O cancelamento dos créditos tributários relativos às contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações a eles pagas, que já foram apuradas e recolhidas, antecipadamente, no lançamento por homologação realizado pelo contribuinte, com a entrega das GFIPs originais, anexadas ao recurso voluntário. b. O cancelamento das multas revogadas. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1147 7 Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1148 8 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Preliminarmente: Da Regularidade dos Autos de Infração – Da ausência de nulidade Verificase que todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972 foram observados pelo fisco, não existindo, pois, qualquer vício formal ou material no lançamento sob exame. Se não, vejamos: Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal, com apontamento dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período ao qual se referem. Os motivos legais estão expressamente relacionados nos Fundamentos Legais do Débito e no Descritivo de Débito – DD estão indicadas as bases de cálculo apuradas, as alíquotas adotadas e o valor das contribuições devidas pelo Município por competência. Ademais, frisese que os documentos examinados neste feito (Folhas de Pagamento e GFIPs) foram elaborados pelo próprio Município o que certamente foi fator facilitador para pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa pelo órgão autuado. Assim, estando os Autos de Infração revestidos das formalidades legais e estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não se verifica qualquer nulidade. Do Não Cerceamento do Direto de Defesa Alega ainda o Município que ao longo do processo verificase a ocorrência de vários vícios insanáveis como a indeterminação da exigência tributária. Contudo, compulsando os Autos, observase que tais alegações não prosperam, na medida em que o Município foi devidamente notificado, tendo sido apresentados, como dito anteriormente, os fatos e fundamentos legais que deram ensejo aos lançamentos. Por fim, é nítido que o Município exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e, inclusive, esclarecimentos, conforme noticia o Relatório Fiscal. Das contribuições lançadas incidentes sobre as remunerações apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. DEBCAD nº 37.362.1981. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1149 9 Substancialmente, o Município ora Recorrente alega a existência de vício insanável no processo fiscal, sobretudo, em relação à inexatidão do Auto de Infração, posto que não restou claro nos autos combatidos, a exigência tributária em apreço. Conforme já exposto, consta no Relatório Fiscal que o lançamento teve por base as informações constantes nas Folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP do próprio Município. Por oportuno, transcrevese trecho do Relatório Fiscal, onde a fiscalização sintetiza direta e precisamente as atividades desenvolvidas: “O contribuinte apresentou as folhas de pagamento em arquivos digitais, devidamente autenticadas, conforme recibo constante do anexo I deste processo, para as competências 06/2007 a 13/2008, e folhas analíticas em meio papel e seus resumos para as competências 02/2007, 06 a 09/2007, 11 e 13/2007, 01 a 13/2008, e para as competências 01, 03 e 05/2007 apresentou somente uma resumo de remunerações para empenho de folha de pagamento. Verificouse, conforme termo de constatação 01 (anexo VIII deste processo), que as folhas de pagamento acima continham divergência de valores entre elas (digital e papel) e entre as folhas em papel e seus respectivos resumos. Portanto foi utilizado por esta autoridade fiscal as folhas digitais como referência nas competências 06/2007 a 13/2003, sendo utilizada a folha papel na competência 02/2007 e os resumos de remuneração para empenho de folha de pagamento nas competências 01, 03 e 05/2007. Para a competência 04/2007, só restou utilizar o resumo sintético da folha de pagamento, por não haver outra informação de folha de pagamento. (...) Em decorrência do acima exposto e analisando os elementos citados, ficou constatado que o contribuinte autuado não efetuou o recolhimento total das contribuições previdenciárias (parte dos segurados) constantes das folhas de pagamento digitais de 06/2007 a 13/2007 e 01/2008 a 13/2008, da folha de papel de 02/2007, dos resumos de remunerações para empenho de folha de pagamento de 01, 03 e 05/2007 e do resumo sintétivo de folha de pagamento de 04/2007, não declarados em GFIP.” Da leitura do excerto, vêse que o fiscal responsável confrontou o valor total das remunerações pagas pela Prefeitura Municipal de Restinga constantes nas folhas de pagamento apresentadas, com os valores declarados pelo Município em GFIP, demonstrando tudo objetivamente através do relatório. Embora o Município tenha tomado conhecimento, através da notificação da presente autuação, da existência de divergência entre o valor total das remunerações declarado nas GFIPs e do valor total recolhido, em nenhum momento ao tentar se defender (tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário) o ente municipal apresentou motivos fáticos que rechaçassem ou justificassem a diferença apurada pela fiscalização. Ademais, em contrapartida, os documentos constantes nos autos, constituem inegável forma para atestar o exposto no Auto de Infração ora examinado. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1150 10 Do mérito: Da Observância aos Princípios Constitucionais Alega a recorrente que devem ser observados os princípios da verdade material e da legalidade. Pois bem, os princípios são normas, e, como tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts. 5º e 37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade). No que se refere aos princípios do contraditório e da ampla defesa, é bem verdade que estes, assegurados constitucionalmente aos contribuintes, devem ser observados no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1151 11 A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a prática do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugnálas. Nesse aspecto, na presente autuação, basta uma análise perfunctória do Relatório Fiscal para que se verifique a clareza com que fora emitido, constando a descrição dos fatos geradores que originaram o presente lançamento, não havendo qualquer dificuldade para a Recorrente em apresentar sua defesa, tampouco houve qualquer ofensa aos princípios norteadores da Administração Pública. Feitas estas considerações, entendo que, não, houve qualquer ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Ademais, compulsando os autos verifico que o contribuinte teve ciência dos motivos pelos quais o crédito foi lançado, bem como teve o momento para prestar esclarecimentos, Ou seja, foilhe conferido argumentar em vários momentos do processo e não apenas em sede de recurso, o que lhe garantiu o direito de peticionar, o direito ao contraditório e à ampla defesa. Não obstante alegar a violação ao princípio da legalidade, o Recorrente aduziu violação ao princípio da verdade material. Ao sustentar tal argumento, o Município recorrente afirmou que, mesmo diante da demonstração do erro de fato nas declarações ao FISCO por meio de GFIPs, o autor do procedimento fiscal finalizou a fiscalização e constituiu novamente os créditos devidos pelas contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas. Ocorre que, sob o argumento de ter ocorrido apenas erro de fato, desprovido de qualquer ausência de recolhimento das contribuições exigidas no lançamento em comento, o Recorrente aduz que a fiscalização deveria ter se atentado para a existência do recolhimento de todas as contribuições, havendo apenas um equívoco nas suas declarações e recolhimentos, o que ensejaria um entendimento diverso do alegado. Contudo, o alegado pelo Recorrente não corresponde à realidade dos fatos, posto que restou cabalmente demonstrada a ausência de recolhimento das contribuições ora exigidas, retirandose, de forma cabal, a possibilidade de violação ao princípio da verdade material da esfera de direito do Município de Restinga. Da sujeição passiva O recorrente aduz ainda, a nulidade da autuação, por visualizar erro quanto à identificação do sujeito passivo do auto de infração em vergaste, contudo, cumpre demonstrar que não procedem suas alegações. Compulsandose os autos, concluise que a autuação em comento foi lavrada em nome do Município de Restinga, entidade dotada de personalidade jurídica, sendo posteriormente identificada a Prefeitura Municipal de Restinga como órgão responsável pelos fatos detalhados no lançamento em fustigo, com a devida identificação do sujeito passivo por meio do CNPJ. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1152 12 Ocorre que, conforme disposto no artigo 259 da Instrução Normativa RFB n° 971/2009, são consideradas empresas em relação aos segurados não abrangidos por regime próprio de Previdência Social os órgãos públicos da Administração Pública, sujeitandose, em relação aos segurados, ao cumprimento das obrigações principais e acessórias, incluindose o recolhimento das contribuições em comento. Ademais, no que se refere à intimação realizada na pessoa do Prefeito Municipal, salientese que esta se coaduna com a disposição contida no Código de Processo Civil. Vejase: Art.12.Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) IIo Município, por seu Prefeito ou procurador; Demonstrada a inexistência do vício alegado, não há nulidade a macular o lançamento de ofício. Da multa moratória A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 8% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 24% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 60% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Fl. 773DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1153 13 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1154 14 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício Fl. 775DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1155 15 prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada aos fatos geradores ocorridos até novembro de Fl. 776DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1156 16 2008, a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte, afastando nesse período toda e qualquer aplicação de multa de ofício. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1157 17 Voto Vencedor DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Ouso discordar, data venia, do entendimento esposado pelo Ilustre Relator relativo ao regime jurídico aplicável à determinação da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributaria principal formalizada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio juris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. O caso ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, Fl. 778DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1158 18 neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. O regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, Fl. 779DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1159 19 enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Auto de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho Fl. 780DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1160 20 de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que mesmo um computador, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, consegue determinar, sem erro, qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1161 21 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 782DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1162 22 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora encontramse dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1163 23 Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 784DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1164 24 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Daí a divergência inaugurada por este Conselheiro. Em seu voto de relatoria, o insigne Conselheiro Relator defendeu a aplicação retroativa, para as competências anteriores a dezembro/2008, do limite de 20% para a multa de mora previsto no §2º do art. 61 da Lei nº 9.430/96, por entender tratarse de hipótese de retroatividade benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’ do CTN. No caso, considerou o preclaro Relator que a comparação das normas deve ocorrer em institutos da mesma natureza. Logo, multa de mora com multa de mora (art. 35 da Lei 8.212/91), não com multa de ofício (art. 35A da Lei nº 8.212/91), por considerar que tal penalidade era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Sendo assim, a multa de mora aplicada em face dos autos de infração relacionados às obrigações principais (AIOP) deveria ficar restrita ao percentual de 20% até novembro/2008, permanecendo o percentual de 75% a partir de dezembro/2008. Se nos antolha não proceder o argumento de que a penalidade referente à multa de ofício era inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. De outro eito, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Ocorre que ao efetuar o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), promoveuse data venia a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). De tal equívoco, no entendimento deste Subscritor, resultou no voto de relatoria a aplicação retroativa de penalidade prevista para uma infração mais branda (descumprimento de obrigação principal não inclusa em lançamento de ofício) para uma infração tributária mais severa (descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1165 25 Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1166 26 Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c" do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não houver ocorrido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008, e considerando não Fl. 787DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13855.723239/201111 Acórdão n.º 2302003.331 S2C3T2 Fl. 1167 27 haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificase como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, observado neste caso o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’, do CTN, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a contar de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto no sentido de o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, observado em qualquer caso, unicamente, o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto Arlindo da Costa e Silva, Redator Designado. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 06/02/ 2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E S ILVA, Assinado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10830.906093/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/07/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 60 93 /2 01 2- 19 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906093/201219 Acórdão n.º 3801004.760 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10283.007613/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Quando superado o fundamento da decisão que preliminarmente denegou o pedido de restituição, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, concedendo-se ao sujeito passivo, se for o caso, direito a novo recurso.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 MERCADORIAS ENTRADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÃO. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. A Lei nº 11.196, de 2005, previu que as mercadorias entradas na Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 3º do Decretolei nº 288/67, poderão ser posteriormente destinadas à exportação para o exterior, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação. Essa permissão opera efeitos retroativos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 MERCADORIAS ENTRADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXPORTAÇÃO. MANUTENÇÃO DA ISENÇÃO. A Lei nº 11.196, de 2005, previu que as mercadorias entradas na Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 3º do Decretolei nº 288/67, poderão ser posteriormente destinadas à exportação para o exterior, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação. Essa permissão opera efeitos retroativos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Quando superado o fundamento da decisão que preliminarmente denegou o pedido de restituição, a instância a quo deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 76 13 /2 00 6- 04 Fl. 10393DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 suspensa até a prolação de nova decisão, concedendose ao sujeito passivo, se for o caso, direito a novo recurso. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de Pedido de Restituição, no valor de R$ 20.880.593,72, sendo R$ 10.899.723,99 referente ao Imposto de Importação (II) e RS 9.980.869,73, referente ao IPI Vinculado. Em sua exordial (às fls.0111), o interessado solicita restituição dos valores acima em virtude de haver importado insumos a serem utilizados em seu processo fabril (fabricação de aparelhos celulares), com a suspensão de II e IPIVinculado (art. 3° do Decretolei n° 288/1967), sendo uma parte não utilizada reexportada, no período de maio de 2001 a dezembro de 2005. . Informa ainda que na saída da Zona Franca de Manaus (ZFM) dos ditos produtos não utilizados, foilhe exigido o recolhimento dos tributos de importação, e que mesmo entendendo não ser cabível tal exigência, por não existir legislação que deteminasse o recolhimento do II e do IPIVinculado sobre mercadoria que ingressou na ZFM ao amparo dos benefícios do art. 3° do Decretolei n° 288/1967, na hipótese de vir a ser reexportada, viuse compelida a efetuálo sob pena de não liberação dos bens para reexportação. Fl. 10394DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.393 3 Instruindo o pedido, apresentou os seguintes documentos: cópias autenticadas do contrato social com sua alteração (às fls. 1219) e sua procuração (à fl.21), cópia do cartão do CNPJ (à fl. 20), cópia dos Processos de Exportação (às fls. 2244), Pedido de Restituição devidamente assinado (às fls. 0111 e fl.50) e cópia autenticada do RG e do CPF da signatária (à fl. 51). Os autos foram remetidos à EQFIS/ALF/MNS, em atendimento à Informação SAORT (às fls. 5255), a fim de se verificar se houve o aproveitamento dos valores pagos indevidamente, sendo que em resposta foi lavrada Informação Fiscal (às fls. 9931017), a qual aponta pela legalidade do pagamento dos tributos por entender que o contribuinte ao modificar a finalidade das mercadorias importadas, que inicialmente seria para a industrialização e que depois passou para exportação, outro caminho não haveria senão o de nacionalizar os insumos; outrossim, que os valores pagos relativos ao II e IPIVinculado foram contabilizados em conta de resultado e, portanto, reduziram o montante do lucro líquido, com reflexos no IRPJ e na CSLL, sendo assim suportado por toda a sociedade. E por fim, informa que o contribuinte apesar de ter apresentado pedido de compensação de valores estornados do IPIVinculado com tributos internos, em uma outra unidade da RFB (DRF/Manaus), ainda assim, em momento posterior, em 20/12/2006, protocolizou o presente Pedido de Restituição, quando sabia ou deveria saber que não teria mais direito, e que esse comportamento atípico não poderia ser admitido, pois haveria o risco de se receber duas vezes os mesmos valores. DO PARECER SAORT N° 031/2011, de 23/08/2011 (às fls. 1.0471.057) No mesmo sentido da Informação Fiscal retromencionada, o Parecer SAORT indeferiu o Pedido de Restituição formulado pelo contribuinte, não reconhecendo seu direito creditório, conforme abaixo, em síntese: que na legislação da ZFM prevalece o fator condicionante para gozo do benefício de isenção dos impostos, que seria a aplicação em um dos fins previstos no art. 3° do Decretolei 288/67; que é certo que a estocagem para reexportação se enquadra em um dos casos previstos do dispositivo acima, porém, fazse necessário conhecer a forma de estocagem utilizada; que o § 5° do art. 505 do Decreto n° 6.759/2009 (RA) estabelece que o armazenamento das mercadorias se dê em entreposto autorizado a operar na cidade de Manaus, do contrário, não haverá autorização para exportação ou reexportação para o exterior, ou ainda, internação para o restante do território nacional; cabendo ainda se observar os arts. 3° e 6° da IN SRF 241/2002; que o art. 520 do referido RA estabelece que o regime de entreposto internacional da ZFM é o que permite a armazenagem com suspensão de tributos de mercadorias estrangeiras importadas e destinadas à industrialização de produtos na ZFM, sendo que a suspensão dos tributos farseão Fl. 10395DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 legítima nessas hipóteses, o que não inclui a exportação de insumos não aproveitados na industrialização dos produtos; que apenas seriam consideradas em estocagem para exportação as mercadorias depositadas em entreposto, não estando incluídos os depósitos particulares das empresas, devendo nesse caso, serem exigidos os impostos suspensos na entrada da área de exceção; que, se durante a permanência na ZFM os bens forem submetidos à utilização, fica caracterizado o consumo interno, hipótese para a suspensão tributária prevista no inc. I, art. 513, do RA e não a estocagem para reexportação, ficando a exportação dos insumos então sujeita à exigência dos tributos (§2° do art. 505 do RA); que este raciocínio é válido para a mercadoria que realmente foi objeto de industrialização. Caso seja o próprio insumo que esteja retomando para o exterior, tal operação constituiria desvio de destinação, uma vez que, segundo o ADN Cosit n° 20/80 somente se pode falar de reexportação quando a mercadoria houver sido importada a título não definitivo, o que não é a situação; que a operação pretendida não pode ser enquadrada como um procedimento de reexportação, que pressupõe a importação de mercadoria a título não definitivo, o que é diferente do caso em análise. Assim sendo, a exportação em questão caracteriza desvio de finalidade para a qual foi concedido o benefício fiscal, sujeitando o contribuinte ao recolhimento dos impostos suspensos quando da admissão no regime atípico; que tanto a legislação do II quanto à do IPI definem que a mudança de destinação de bens importados motiva a exigência dos tributos suspensos. Percebese que a concessão de benefício fiscal não está prevista quando a mercadoria ingressa no regime visando uma finalidade específica e deixa de ser utilizada para o fim a que se propôs, sendo posteriormente, por uma conveniência do importador, comercializada com outro país e remetida de volta ao exterior. Sendo assim, por absoluta falta de previsão legal para aplicação da isenção ao caso, cabível é o pagamento dos tributos suspensos, por estar caracterizada uma situação típica de desvio de finalidade; para corroborar esse entendimento traz alguns acórdãos da DRJFOR e Solução de Consulta da Disit da 7ª RF(às fls. 1.052 1053); quanto à transferência dos encargos financeiros, especificamente no tocante ao II, cita o Parecer Cosit n° 47/2003, que dispõe que esse tributo não comporta transferência do respectivo encargo financeiro, não necessitando o sujeito passivo ter que comprovar que não repassou seu encargo a terceiros para ter direito à restituição de imposto pago indevidamente ou a maior; com relação ao IPIVinculado afirma que a verificação da transferência do respectivo encargo financeiro é condição sine qua non para a efetivação de sua restituição; Fl. 10396DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.394 5 que, nos termos informados pela fiscalização (às fls. 993/1017), esta concluiu que os valores do IPIVinc relativos aos anos calendários de 2001 a 2005 foram contabilizados em conta de resultado e serviram para reduzir o montante do lucro líquido nos respectivos anos. Da mesma forma, os valores do II relativos ao mesmo período foram contabilizados em conta de resultado e serviram para reduzir o montante do lucro líquido, nos AC de 2001 a 2005; e, portanto, tais tributos não são passíveis de restituição tendo em vista que já houve a repercussão; que, além disso, o contribuinte realizou compensação dos valores do IPIVinc (tributo aduaneiro) com tributos internos, antes de protocolar o presente processo de restituição, ou seja, quando sabia ou deveria saber que não tinha mais direito à restituição, pois já havia apresentado pedido de compensação em outra unidade da RFB (DRF/Manaus), caracterizando a utilização indevida dos valores estornados, conforme inciso II, §3°, art. 74 da Lei 9.430/1996, c/c inciso II, §3°, art. 34 da IN RFB n° 900/2008 (revogada pela IN RFB n° 1.300/2012, art. 41, § 3°, II), transcritos às fls. 1010/1016; ressalta ainda que mesmo após o contribuinte ter realizado compensações, pleiteou concomitantemente restituição dos valores que já eram indevidos, pois já se encontrava exaurido o direito; diante do exposto, é favorável ao NAO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado pela requerente. DO DESPACHO DECISÓRIO, de 24/03/2011 (à fl. 1.058) Aprova o Parecer retromencionado e decide pelo NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado, por restar prejudicado o Pedido de Restituição tendo em vista a não comprovação de pagamento a maior ou indevido, com fulcro no art. 3° do Decretolei n° 288/1967, arts. 505, §§2° e 5°, 509, 513 e 520 do Decreto n° 6.759/2009 (RA), arts. 3° e 6° da IN SRF n° 241/2002, Ato Declaratório Cosit n° 20/80, art. 46 do Decreto n° 2.637/1998, arts. 145 147 e 148 do Decreto n° 91.030/1985, Acórdãos da DRJFOR n°s 4.539/04 e 1406/02, Solução de Consulta Disit n° 601/O4, arts. 165 I, e 166 do CTN, arts. 2°, I, 3°, I, 6°, 34, II, §3°, e 58 da IN RFB n° 900/2008 e Parecer Cosit n° 47/03, dentre outras. Cientificado do Despacho Decisório em 13/09/2011 (ver fl. 1059), o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade (às fls. 1.0921.141), em 11/10/2011, conforme a seguir apresentadas, de maneira sintética: que é tempestiva sua manifestação, vez que sendo notificado em 13/09/2011, a contagem do prazo iniciouse no dia 14/09/2011, encerrandose no dia 13/10/2011; que é empresa industrial fabricante de telefones celulares sediada na ZFM, e que no desempenho de suas atividades costuma importar componentes estrangeiros; Fl. 10397DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 que os insumos importados são beneficiados com a isenção do II e do IPI, com amparo no caput do art. 3° do Decretolei n° 288/ 1967; que no período entre maio de 2001 a dezembro de 2005 uma parte dos componentes importados foi reexportada, conforme os processos de exportação relacionados às fls. 2244; que na saída desses componentes da ZFM com destino ao exterior lhe foi exigido o recolhimento de impostos que haviam deixado de ser recolhidos por força desse benefício fiscal, sendo que, mesmo entendendo ser incabível efetuou o pagamento a fim de assegurar a liberação das referidas mercadorias para exportação; que o art. 127 da Lei n° 11.196/2005 acrescentou os parágrafos 3° e 4° ao art. 3° do Decretolei n° 288/1967, estabelecendo que as mercadorias entradas na ZFM, nos termos do caput deste artigo, poderiam ser posteriormente destinadas à exportação, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação, podendo ser aplicado a procedimento idêntico que, eventualmente, tivesse sido adotado; que diante da alteração legislativa foi apresentado o Pedido de Restituição; que foi exarado o Relatório Final de Ação Fiscal n° 0017/2010 e após a SAORT emitiu o Parecer n° 031/2011; que na forma do Parecer SAORT n° 031/2011 o Despacho Decisório deixou de reconhecer o direito de crédito pleiteado considerando prejudicado o Pedido de Restituição apresentado, tendo em vista a não comprovação de pagamento a maior ou indevido, não merecendo o referido despacho prevalecer, conforme se demonstrará; que a única condição imposta pelo art. 3° do Decretolei n° 288/1967 para que a entrada de mercadorias estrangeiras na ZFM se beneficie da isenção do II e do IPI é a de que sejam destinadas a uma das finalidades nele previstas; que nada há no art. 3° do Decretolei n° 288/1967 que induza à interpretação de que havendo sido a mercadoria estrangeira originalmente importada para uma das finalidades nele previstas, se o contribuinte destinála a uma outra das finalidades nele referidas deixará de fazer jus à isenção, estando essa conclusão corroborada por uma interpretação teleológica do dispositivo; que justificativa para a perda da isenção só haveria se fosse verificada alteração da destinação para uma outra finalidade não prevista no referido dispositivo; que o disposto no parágrafo 5° do art. 505 do Decreto n° 6.759/2009 em nada comporta a interpretação pretendida pelo Parecer SAORT n° 031/2011, qual seja: que o armazenamento das mercadorias se dê em entreposto autorizado a operar na cidade de Manaus, caso contrário não haverá autorização para Fl. 10398DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.395 7 exportação ou reexportação. E que o mesmo deve ser dito em relação aos arts. 509 e 520 do.Decreto n° 6.759/2009; que não há como se pretender afastar a manutenção da isenção do II e do IPI sob o pretexto de que houve 0 desvio de finalidade previsto no parágrafo 2° do art. 505 do Decreto n° 6.759/2009, nos arts. 145, 147 e 148, do Decreto n° 91.030/1985 e no art. 46 do Decreto n° 2.637/1998; que só existiria desvio de finalidade se os componentes importados fossem destinados a uma finalidade diferente daquelas previstas no art. 3° do Decretolei n° 288/1967 e no art. 505 do Decreto n° 6.759/2009; que hoje a questão se encontra superada, diante da alteração do art. 3° do Decretolei n° 288/1967, pela Lei n° 11.196/2005, que introduziu os parágrafos 3° e 4°; bem como a disposição expressa no parágrafo 4° do art. 505 do Decreto n° 6.759/2009; que tal alteração afastou a interpretação pretendida pelo fisco, deixando claro que a posterior exportação das mercadorias entradas na ZFM, com o beneficio de isenção do II e do IPI, não implica a perda dessa isenção. E, em sendo uma norma eminentemente interpretativa, aplicase aos fatos passados, conforme o art. 106, I, do CTN; que no tocante à Solução de Consulta n° 601/2004, a mesma se limita a reconhecer a manutenção da isenção em hipótese diversa daquela do presente caso, sem , no entanto, nada dizer contra a manutenção da isenção do II e do IPI na hipótese dos autos; que em momento algum se questionou o montante do crédito; que o art. 166 do CTN é inaplicável ao II, sendo que tanto a Informação SAORT n° 021/2007 quanto o Parecer SAORT nº 031/2011, no qual se fundou o Despacho Decisório, acolhem o entendimento manifestado no Parecer COSIT n° 47/2003, no sentido de que o art. 166 do CTN não é aplicável ao II; que desse modo, o Despacho Decisório ao negar a restituição com base no art. 166 do CTN, sob o pretexto que 0 encargo financeiro correspondente ao II havia sido transferido a toda a sociedade, contrariou sua própria fundamentação, bem como entendimento da RFB e jurisprudência administrativa do CARF; que uma vez comprovado o pagamento indevido do II nos termos do art. 165 do CTN, deve ser reformado o Despacho Decisório para que seja deferido o pedido de restituição do II, independentemente de qualquer investigação acerca de uma pretensa transferência do respectivo encargo financeiro; que é irrelevante a contabilização do valor do imposto a restituir como despesa na apuração do IR e da CSLL para efeito de verificação da ocorrência ou não de transferência do encargo financeiro; Fl. 10399DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 que em relação à contabilização dos valores de IPI pagos indevidamente, os mesmos foram estornados e contabilizados em conta do ativo referente a imposto a recuperar; que a transferência do encargo financeiro a que faz referência o art. 166 do CTN corresponde ao repasse jurídico do ônus financeiro (v.g., IPI), tributo que ocorre quando o contribuinte de direito efetua o pagamento do tributo, mas por expressa previsão legal transfere ao contribuinte de fato o ônus financeiro desse pagamento, não mero repasse meramente econômico; que nos casos que ocorre transferência do encargo financeiro (e.g.: IPI), o montante do tributo é destacado e acrescido ao valor da venda do produto e suportado pelo contribuinte de fato, sendo que o valor do tributo não compõe os custos para formação do preço do produto; já no repasse econômico, o ônus financeiro do tributo é suportado pelo próprio contribuinte de direito como um custo inerente a sua atividade e que, na medida que o mercado o permita, é repassado economicamente a quem adquire o produto, sendo próprio dos tributos diretos, cujo contribuinte cumulará as posições de contribuinte de fato e de direito, como é o caso do IRPJ e da CSLL; que em consequência, o eventual repasse havido no âmbito do IRPJ e da CSLL é apenas o repasse econômico e não o jurídico, o que não é relevante para fins do art. 166 do CTN, não constituindo óbice à restituição dos valores indevidamente pagos; que a redução do lucro líquido quando da contabilização do II e do. IPI como custo na apuração do lucro líquido não representa qualquer transferência de encargo para a sociedade por decorrer da própria sistemática de apuração do lucro líquido; que quando os valores recolhidos indevidamente forem recuperados, seja por meio da restituição ou da compensação, eles também repercutirão no cálculo do lucro líquido, sendo contabilizados como receita tributável, representando um estorno das despesas antes contabilizadas o que já foi feito em relação à parcela a título do IPI, aumentando o lucro líquido e, em consequência, o IRPJ e a CSLL devidos; que havendo o Parecer SAORT n° 031/2011 em que se baseou o Despacho Decisório se fundado exclusivamente na circunstância de o II e o IPI terem sido contabilizados como custo para concluir que houve a transferência do ônus financeiro desses impostos, impõese necessária sua reforma; que ao não indicar a transferência do encargo financeiro dos impostos pagos indevidamente, sua conduta contábil seguiu rigorosamente os cânones contábeis; que não bastasse o II conforme entendimento uníssono do CARF e da própria RFB ser um tributo que não comporta por sua natureza a transferência do respectivo encargo financeiro a terceiro constituir sempre uma despesa do contribuinte; em Fl. 10400DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.396 9 relação ao IPI, muito embora haja estornado os valores a restituir contabilizandoos em conta de ativo, assim procedeu para poder compensalos com débitos de outros tributos administrados pela RFB, contabilizados em conta de passivo, o que, de qualquer modo, não infirma o seu direito; que inexistiu transferência do encargo financeiro do IPI, pois de fato os componentes sempre estiveram no seu estoque até serem exportados, sendo a exportação uma operação imune de impostos; que em razão disso em suas NFs de saída emitidas não há destaque de IPI, mas sim a mera informação de sua imunidade. Assim, se não há 0 destaque do imposto no documento fiscal porque não houve tributação pelo IPI na operação de saída, certo é que não ocorreu a transferência de encargo financeiro relativo ao IPI a terceiro adquirente, o que pode ser confirmado pelo Livro Registro de Saídas e Livro Registro de Apuração do IPI, onde se constata que as respectivas saídas ocorreram sem débito do imposto; que dúvida não há quanto à necessidade de reforma do Despacho Decisório, por inexistir qualquer óbice a que se defira a imediata e integral restituição do IPI pago indevidamente. Portanto, não há óbice para que se proceda a imediata restituição do IPI que não foi utilizada em compensações; outrossim, que se dê o sobrestamento do pedido de restituição em relação à parcela do IPI que foi utilizada em compensações, até que seja proferida decisão definitiva nos processos administrativos instaurados com a apresentação das respectivas Declarações de Compensação (art. 265, IV, do CPC); que a própria legislação federal que disciplina os procedimentos de restituição e compensação admite que os créditos objeto de pedido de restituição sejam objeto de declaração de compensação (IN SRF n° 600/2005, art. 26, §5°, I e IN RFN n° 900/2008, art. 34, §5°). Outrossim, nada há que diga que uma vez apresentada a Declaração de Compensação, o pedido deve ser indeferido; que jamais pretendeu reaver os valores em duplicidade, mas apenas proteger seu direito diante da demora na análise das compensações; que não há como se definir a sorte do Pedido de Restituição sem antes conhecer o desfecho dado às Declarações de Compensação apresentadas pela requerente; vez que caso denegado de imediato a restituição, e ao final as compensações não sejam homologadas, a requerente restaria privada do crédito relativo ao IPI indevidamente recolhido, verificandose inaceitável enriquecimento sem causa; Do requerimento: Fl. 10401DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 10 seja julgada procedente a Manifestação de Inconforrnidade para efeito de reformar o r. Despacho Decisório e deferir: a) a imediata e integral restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de II; b) a imediata restituição da parcjla do IPI que não foi utilizada para compensações; c) a suspensão da análise do pleito de restituição em relação aos valores indevidamente recolhidos a título de IPI que foram objeto de compensação, com a postergação da análise para momento posterior ao da decisão definitiva que vier a ser proferida na análise das Declarações de Compensação, e o deferimento da restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de IPI cuja compensação não seja admitida. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 0826.411, de 20/08/2013 (fls. 1330 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS PERÍODO DE APURAÇÃO: 08/05/2001 A 12/12/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS. INCENTIVOS FISCAIS (ART. 3° DO DECRETOLEI N° 288/1967). SUSPENSÃO DOS TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE A IMPORTAÇÃO DE PRODUTOS A SEREM INDUSTRIALIZADOS. NÃO UTILIZAÇÃO NA FINALIDADE ESPECÍFICA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE ESTOCAOEM PARA REEXPORTAÇÃO. EXIOENCIA DOS TRIBUTOS SUSPENSOS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO CABIMENTO. A importação de produtos, a título definitivo, para processo de industrialização na Zona Franca de Manaus, quando não utilizados na finalidade específica e dela retornarem ao exterior, não configura a hipótese de estocagem para reexportação, sujeitandose à exigibilidade dos tributos incidentes sobre a importação até então suspensos ex vi do art. 3° do Decretolei n° 288/1967, por se constituir em desvio de finalidade, sendo descabido o pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 1362/1391, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 10402DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.397 11 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a Recorrente pleiteou a restituição do II e do IPI vinculado cujo recolhimento sustenta indevido. Diz que promoveu, com suspensão desses tributos, a importação de insumos destinados ao emprego na fabricação de aparelhos celulares na Zona Franca de Manaus ZFM, porém uma parte dos insumos importados não foi utilizada no processo produtivo, muito embora tenha sido posteriormente reexportada (na verdade, exportada, não reexportada). Diz que, na saída dos insumos da ZFM com destino ao exterior, lhe foi indevidamente exigido o recolhimento dos tributos antes suspensos. Mesmo entendendo não ser cabível a exigência, viuse compelida a efetuálo sob pena de não ter liberados os insumos destinados à exportação. Indeferido o direito vindicado e mantida a decisão pela instância de piso, a Recorrente apresentou recurso a este Colegiado Administrativo repisando as mesmas razões de defesa já encartadas na sua manifestação de inconformidade. Esse, o litígio. Pois bem. A ZFM é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de promover o desenvolvimento econômico da Região Amazônica. O seu fundamento legal é o Decretolei n.º 288, de 1967, em cujo art. 3º previuse o seguinte: Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive beneficiamento, agropecuária, pesca, instalação e operação de indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sôbre produtos industrializados. (Vide Decretolei nº 340, de 1967) § 1° Excetuamse da isenção fiscal prevista no caput deste artigo as seguintes mercadorias: armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas, automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados e preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 3303 a 3307 da Tarifa Aduaneira do Brasil TAB), se destinados, exclusivamente, a consumo interno na Zona Franca de Manaus ou quando produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e da flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2º Com o objetivo de coibir práticas ilegais, ou anti econômicas, e por proposta justificada da Superintendência, aprovada pelos Ministérios do Interior, Fazenda e Planejamento, a lista de mercadorias constante do parágrafo 1º pode ser alterada por decreto. § 3o As mercadorias entradas na Zona Franca de Manaus nos termos do caput deste artigo poderão ser posteriormente Fl. 10403DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 12 destinadas à exportação para o exterior, ainda que usadas, com a manutenção da isenção dos tributos incidentes na importação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o O disposto no § 3o deste artigo aplicase a procedimento idêntico que, eventualmente, tenha sido anteriormente adotado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (g.n.) O Decretolei n.º 288, de 1967, foi regulamentado pelo Decreto n.º 61.244, de 1967, que, no § 4º de seu art. 3º, trouxe o momento em que se considerava implementada a condição resolutiva, vale dizer, o momento em que se podia afirmar definitivamente ocorrida a isenção da mercadoria importada: Art 3º Farseá com suspensão dos impostos de importação e sôbre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: I a seu consumo interno; II a industrialização de outros produtos, no seu Território; III à pesca e à agropecuária; IV à instalação e operação de industrias e serviços de qualquer natureza; V à estocagem para reexportação; VI à estocagem para comercialização ou emprêgo em outros pontos do território nacional. § 1º Excetuamse do sistema fiscal previsto no " caput " dêste artigo e não gozarão de isenção as seguintes mercadorias: armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros. § 2º Mediante proposta justificada da Superintendência aprovada pelos Ministérios do Interior, Fazenda e Planejamento, a lista de mercadorias constantes do parágrafo 1º pode ser alterada por decreto. § 3º Os favores de que trata êste artigo alcançam apenas as mercadorias entradas pelo pôrto ou aeroporto da Zona Franca, exigida consignação nominal a importador nela estabelecido. § 4º As obrigações tributárias suspensas, nos têrmos dêste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprêgo da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do impôsto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; Fl. 10404DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.398 13 III tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional. (g.n.) Portanto, a isenção dos tributos aduaneiros se dá, sob condição resolutiva, na data da importação, desde que o estabelecimento localizado na ZFM destine a mercadoria importada para o consumo interno na própria área de livre comércio, para a industrialização ou para a estocagem para posterior reexportação. Na dicção do Decreto n.º 61.244, de 1967, o implemento da condição só ocorreria quando do emprego da mercadoria importada nas finalidades que motivaram a sua importação, tal como entendeu o relator da decisão recorrida. Confirase: Devese atentar para o disposto no § 4° do art. 3° do Decreto n° 61.244/1967, o qual prevê que para consumo interno, estocagem para reexportação, dentre outras, as obrigações tributárias suspensas resolvemse, efetivandose a isenção integral com o emprego da mercadoria na finalidade prevista. No caso de industrialização de outros produtos, no seu território, as obrigações tributárias suspensas resolvemse quanto a parte percentual reduzida do imposto, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7°, ou seja, a suspensão convertese em “redução” do Imposto de Importação quando os bens importados são empregados na industrialização e destinados a outro ponto do território nacional. Pelas normas que regem, o regime atípico da ZFM, percebese que a concessão de benefício fiscal não está prevista na hipótese de o bem ingressado neste regime, para atendimento de uma finalidade específica (e.g.: industrialização), deixar de ser utilizado para o fim a que se destinava e, por uma conveniência do importador, acabe sendo remetido de volta ao exterior. E, não havendo previsão legal para isenção nessa hipótese, é cabível o pagamento dos tributos suspensos. Ê oportuno realçar que os bens importados foram objeto de projeto aprovado para produção industrial, de acordo com determinado processo produtivo básico. Evidentemente que, diante do não emprego dos bens nessa finalidade, e tendo o importador optado em simplesmente exportálos, tal ato caracteriza desvio da finalidade para a qual foram importados com benefício fiscal, impondose 0 recolhimento dos impostos até então suspensos. Especificamente para os componentes importados em questão, que inicialmente o foram para fins de uso na industrialização e que após tiveram sua finalidade alterada para reexportação, resta claramente demonstrado que sequer cumpriram quaisquer das condições impostas pela norma concedente do benefício fiscal, ou seja, em concreto, tais componentes nem foram efetivamente utilizados no processo de industrialização, nem se prestam para caracterizar a modalidade de estocagem para reexportação. Fl. 10405DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 14 Dessa feita, por não se enquadrarem em quaisquer das hipóteses previstas nos termos do caput, também por isso, não há falar que para tais mercadorias, poderseia aplicar o disposto pelo §3° do art. 3° do Decretolei n° 688/1967, incluído pela Lei n° 11.196/2005, posteriormente a seus respectivos ingressos na ZFM. (g.n.) Ocorre que o § 3º do art. 3º do Decretolei n.º 288, de 1967, incluído pela Lei nº 11.196, de 2005, expressamente permitiu que as mercadorias objeto da isenção em tela pudessem ser posteriormente destinadas ao exterior, ainda que usadas, mantida, no entanto, a hipótese de exclusão dos tributos incidentes na importação. E essa permissão opera efeitos retroativos, nos termos do § 4º do mesmo artigo (“aplicase a procedimento idêntico que, eventualmente, tenha sido anteriormente adotado”). Assim, não se pode interpretar isoladamente o art. 3º do Decreto n.º 61.244, de 1967, sem considerar que a Lei nº 11.196, de 2005, ampliou as hipóteses de extinção da isenção conferida sob condição às importações de mercadorias estrangeiras destinadas à ZFM. O relator da decisão recorrida entendeu que a importação das mercadorias por estabelecimento localizado na ZFM e a posterior exportação de parte delas não se conformaria às hipóteses previstas no caput do art. 3º do Decretolei n.º 288, de 1967. Há de se destacar, contudo, que a Lei nº 11.196, de 2005, não previu nova hipótese de incentivo (nova finalidade), mas apenas permitiu que as mercadorias porventura não empregadas naquelas finalidades já elencadas na cabeça do dispositivo possam vir a ser exportadas sem o pagamento dos tributos aduaneiros, porque, obviamente, não incorporadas à economia nacional. Outro argumento adotado pela fiscalização para negar a restituição – a nosso juízo, igualmente improcedente – é o de que os tributos cuja repetição se requer foram contabilizados em conta de resultado no exercício a que correspondeu o pagamento, de forma que não seriam mais passíveis de restituição. Em caso que versa sobre a tributação de valores restituídos por força de sentença judicial em ação de repetição de indébito, a própria RFB reconheceu que, quando os tributos restituídos já tiverem sido computados como despesas dedutíveis na apuração do lucro real ou da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, os valores repetidos por força da ação judicial devem ser tributados tanto pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, quanto pela CSLL. Eis a redação conferida ao art. 1º do Ato Declaratório Interpretativo – ADI nº 25, de 24 de dezembro de 2003: Art. 1º. Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Embora aqui se trate de processo administrativo, não de ação judicial, é evidente que o tratamento deve ser o mesmo, não importando a forma pela qual se obteve o direito à restituição. Concluindo, os valores do II e do IPI vinculado que a Recorrente recolheu, por exigência do Fisco, quando da exportação das mercadorias não utilizadas no processo produtivo podem e devem ser restituídos, desde que não extinto, pela prescrição, o direito de pleitear a repetição do indébito. Fl. 10406DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.007613/200604 Acórdão n.º 3202001.492 S3C2T2 Fl. 10.399 15 Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, ultrapassada a questão decidida neste julgamento, calcule os valores a serem restituídos com base nas informações encartadas nos autos e em outras que julgar necessárias, a serem obtidas, se for o caso, mediante intimação da Recorrente. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 10407DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10840.904457/2011-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade.
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS.
Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições.
VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF.
A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR.
A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-004.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de cana-de-açúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de cana-de-açúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseou-se no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANA-DE-AÇÚCAR. A não-ocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de cana-de-açúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. NÃO CABIMENTO. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa, logo não é passível de declaração de nulidade, a decisão de primeira instância administrativa que não apreciou matéria não contestada expressamente na manifestação de inconformidade. NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES NÃO TRIBUTADAS. Aquisições de bens que não sofreram cobrança da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não dão direito a crédito destas contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 44 57 /2 01 1- 18 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 3 2 VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO DA DECISÃO DO STF. A reprodução de decisão do STF em julgamento na sistemática do recurso repetitivo, que baseouse no entendimento de que a receita originada da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos é considerada receita decorrente de exportação, implica considerar tal receita como receita de mercado externo, devendo ser incluída, no cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, como receita de exportação e como receita bruta total, acrescendo tanto o numerador quanto o denominador da rateio. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. DEPRECIAÇÃO. ATIVO PERMANENTE. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. COLHEITA E TRANSPORTE DE CANADE AÇÚCAR. A nãoocorrência de produção de bens e serviços destinados à venda em um período de apuração não exclui a possibilidade de os gastos de empresa de produção de açúcar e álcool com depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na colheita e no transporte de canadeaçúcar gerarem direito a créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, atendidas as demais condições. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação à preliminar suscitada de nulidade da decisão da DRJ; II) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança Fl. 780DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 4 3 da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador; III) Pelo voto de qualidade, negar provimento em relação as demais matérias. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso em face das demais matérias. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shcappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à Contribuição para o PIS/Pasep, mercado externo, do terceiro trimestre de 2006, apurado de conformidade com o art.3° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a Contribuição para o PIS/Pasep devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$237.597,63. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba procedeu à fiscalização e por meio do Relatório da Ação Fiscal (fls. 642/663), constatou as seguintes incorreções: 1 – utilização incorreta de receitas n apuração do rateio dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas cumulativas e não cumulativas; 2 – aquisição de canadeaçúcar em desacordo com a legislação de contribuinte pessoa física e jurídica; 3 – bens não incluídos no conceito de insumos: Combustíveis e Lubrificantes utilizados nos veículos para cultivo e transporte de canadeaçúcar; desconto de créditos sobre os valores das aquisições de Óleo Diesel tributado à alíquota zero; Lubrificantes; Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da Fl. 781DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 5 4 empresa – (Bens Utilizados com Insumos fls. 128/238 e Serviços Utilizados com Insumos Serviços Utilizados com Insumos); 4 Despesas de Fretes e Armazenagem de Mercadorias/Produtos documentos hábeis e idôneos (notas fiscais) para ter direito ao desconto do respectivo crédito; 5 Créditos apurados sobre as Despesas de Depreciação; (a contribuinte não produziu canadeaçúcar em nenhum dos períodos de apuração analisados nesta ação fiscal); 6 Receitas de exportações de álcool carburante (incidência cumulativa) classificadas incorretamente como receitas nãocumulativas pela contribuinte; 7 – Variação Cambial decorrente das exportações efetuadas pela empresa. Após a auditoria, foi glosado o valor de R$ 189.309,23 no trimestre, sendo que a empresa tem direito ao ressarcimento nos montantes de R$ 16.511,42 no mês de julho, R$ 17.175,01 no mês de agosto e R$ 14.601,98 no mês de setembro de 2006, para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 665, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 675/690. Inicialmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e discorda do rateio proporcional, alegando que não é esta a forma prevista pelas normas aplicáveis. Afirma que toda a canadeaçúcar adquirida pela Manifestante tem como único destino a produção de açúcar e etanol, e, por conseguinte, tem direito ao crédito presumido. Continua, rebatendo que não utilizou crédito presumido de PIS para compensar com outros tributos e alega ilegalidade quanto à Instrução Normativa nº 660/2006. Quanto ao crédito presumido de aquisição de canadeaçúcar de pessoa jurídica, alega inconstitucionalidade da Lei nº 10.925/2004. Referese aos insumos utilizados no processo produtivo, defendo os créditos do óleo diesel com alíquota zero e, ainda, óleo e lubrificante desconsiderados, são utilizados em fase procedimental intrínseca à atividade principal e defende a ilegalidade da Instrução Normativa nº 404/2004. Afirma que “as receitas decorrentes de exportação de álcool enquadramse no regime nãocumulativo”. Defende que os documentos apresentados comprovam a armazenagem de álcool para exportação e combate o entendimento do Auditorfiscal que somente seria possível crédito sobre o frete pago para aquisição de canadeaçúcar. Discorda da glosa de despesas de depreciação dos bens não utilizados diretamente na produção, sob a alegação de que são utilizados em etapas indispensáveis da atividade da Manifestante e, ainda, transcreve jurisprudência do TRF 4º Região, para enquadrar variação cambial como receita de exportação. Finalmente, solicita o acolhimento da Manifestação de Inconformidade.” Fl. 782DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 6 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Apenas os serviços diretamente utilizados na fabricação dos produtos é que dão direito ao creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito apenas quando utilizado como insumo na fabricação dos bens destinados à venda. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE EXPORTAÇÃO. Em relação às despesas de exportação, apenas as despesas de frete do produto destinado à venda, ou de armazenagem, geram direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. VARIAÇÃO CAMBIAL RECEITA FINANCEIRA Fl. 783DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 7 6 As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, são consideradas receitas financeiras. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo.” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação e acrescenta: i) Houve cerceamento do direito de defesa, pois, no voto condutor da decisão recorrida, afirmouse que a manifestação de inconformidade foi genérica e, por isso, a decisão também seria genérica. Segundo a recorrente, todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade, porém, a DRJ deixou de apreciar argumentos e documentos colacionados. ii) Os créditos da contribuição devem ser apurados segundo o critério de rateio proporcional, conforme legislação aplicável. iii) Que juntou notas fiscais de remessa e de transporte e conhecimentos de transporte para remessa de produtos exportados até o porto de embarque. É o relatório. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade da decisão de primeira instância administrativa. Extraio da decisão recorrida o seguinte trecho: “2 . Bens utilizados como insumos A este respeito, observo que a recorrente, muito embora tenha atacado todos os itens do lançamento de maneira genérica, especificamente reportouse a óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação, os quais são necessários para suas atividades, razão pelo qual deveriam ter sido admitidos pela autoridade fiscal”. Importante destacar que a recorrente não se reportou especificamente a um determinado item, identificando os dados da aquisição do bem desconsiderado (nota fiscal, valor, data, ou mesmo o item destacado nas planilhas incluídas no referido Relatório da Ação Fiscal (fls. 403/420). Concentrou seus protestos em termos genéricos, quanto aos créditos glosados em relação aos bens que entende se tratarem de insumos (aliás, assim também procedeu em relação aos demais itens do lançamento especificamente apontadas no recurso). Assim sendo, entendo que o julgamento também deve analisar a questão nos mesmos termos genéricos postos pela recorrente, sem se debruçar especificamente e individualizadamente nos itens indicados no auto de infração e termo de verificação pela fiscalização (identificados pelas respectivas notas fiscais de aquisição).” Verifico que na manifestação de inconformidade a contribuinte trata especificamente dos itens óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Quanto aos demais bens e serviços entendidos pela fiscalização como não integrantes do conceito de insumo, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro qual o seu entendimento sobre o conceito do termo “insumo”, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não poderiam ensejar o direito ao crédito. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 9 8 Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. Vejase que no recurso voluntário, ela afirmou que “todos os pontos entendidos como controversos pela contribuinte foram abordados na manifestação de inconformidade”. Se todos os pontos controversos foram abordados, os não abordados, entre eles, o enquadramento dos bens e serviços excluídos do cálculo do crédito no conceito restritivo de insumo, são tidos como incontroversos. Assim, uma vez que a DRJ também adotou o entendimento de que o conceito de insumo é o mais restritivo, semelhante ao do IPI, e que não foi demonstrado, sequer argumentado, que algum bem o serviço específico, além daqueles citados acima, deveria ser enquadrado no conceito restritivo, correta a decisão recorrida em não discutir especificamente sobre todos os itens. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara a decisão recorrida. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Ressaltando que os pontos atacados na manifestação de inconformidade foram todos enfrentados na decisão recorrida, pelas razões acima, voto por negar a preliminar suscitada. Insumo e a contribuição para o PIS/Pasep sob a regência da Lei nº 10.637, de 2002. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes, despesas de armazenagem e frete e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da contribuição social em tela. A Lei nº 10.637, de 2002, determina: Fl. 786DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 10 9 “Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 11 10 Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 12 11 Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto Fl. 789DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 13 12 em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 790DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 14 13 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 15 14 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a Fl. 792DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 16 15 exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 17 16 §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins e para o PIS/Pasep. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que os gastos com bens ou serviços excluídos pela fiscalização poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços constantes das planilhas “Bens Utilizados como Insumo” e “Serviços Utilizados como Insumo”, excluídos pela fiscalização. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. Observase no Relatório da Ação Fiscal que a autoridade fiscal constatou que todos os lubrificantes adquiridos foram utilizados no transporte de canadeaçúcar e que a empresa a utilizou como insumo na industrialização de diversos produtos, como açúcar e álcool, em todos os meses do trimestre, porém não produziu e não vendeu o produto canade açúcar no período fiscalizado. Entendendo que os insumos não poderiam ser considerados como utilizados diretamente na fabricação ou produção de açúcar ou álcool; que somente seriam admitidos créditos destes insumos se houvesse produção e faturamento de canadeaçúcar, proporcionalmente à receita de canadeaçúcar auferida; que, não tendo havido exportação de canadeaçúcar, eventual crédito estaria vinculado apenas ao mercado interno, a fiscalização concluiu pela não inclusão destes gastos na apuração do benefício fiscal pleiteado. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 18 17 Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Uma vez que a norma, ao estabelecer o direito ao crédito nas aquisições de insumos, usa a expressão “bens destinados à venda”, não cabe ao aplicador da norma restringi la de modo a não admitir o crédito apenas porque no período em discussão não houve exportação da canadeaçúcar. Conforme atestado no relatório fiscal, no período, houve venda de açúcar, que é produzido a partir da canadeaçúcar, e nada foi dito sobre as vendas de álcool terem sido exclusivamente de álcool carburante. O fato de não ter havido exportação de canadeaçúcar repercute sim no rateio, mas não elimina o direito ao crédito. Por outro lado, no citado Relatório de Ação Fiscal, verifico afirmativa da autoridade fiscal de que a aquisição de óleo diesel não sofreu cobrança da contribuição, porquanto se deu à alíquota zero, o que não foi contestado pela contribuinte, logo, não enseja direito ao crédito. Pelo exposto nesta seção: 1º) As aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser incluídas nos custos, encargos e despesas comuns; 2º) Com fundamento no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, deve ser mantida a decisão administrativa quanto às exclusões referentes às aquisições de óleo diesel à alíquota zero. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 795DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 19 18 A fiscalização excluiu da cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de cana sob o fundamento de que no período não houve produção de canadeaçúcar, logo, não haveria vinculação dos custos e despesas agrícolas com receitas oriundas destas atividades. A norma exige que os equipamentos e bens incorporados ao ativo imobilizado sejam adquiridos ou fabricados para utilização na produção de bens. Isto não é o mesmo que dizer que apenas se houver efetiva produção no período o direito a descontar crédito poderá ser exercido. Aqui também não cabe ao aplicador da norma restringir, se a lei não restringiu. Por outro lado, os gastos com depreciação de ônibus utilizado para transporte de pessoal e de veículo utilizado no transporte de peças que não estão alocadas no processo produtivo não estão amparados pela norma que autoriza descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação. Assim, devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito os encargos com depreciação dos equipamentos e veículos utilizados na colheita e no transporte de canadeaçúcar. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) Fl. 796DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 20 19 II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 21 20 Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Aquisições de pessoas físicas e jurídicas referentes à atividade agropastoril. Quanto a esta questão, a recorrente não apontou erros nos cálculos efetuados pela fiscalização, que seguiram as disposições contidas na Lei nº 10.925, de 23/07/2004 e na IN SRF nº 660, de 17/07/2006, limitandose a defender que fossem afastadas estas normas. Alega que o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004, não pode ser aplicado, porque é regra viciada ante a comandos constitucional (art. 195, §12, da CF/1988) e legal mais específico (Art. 6º da Lei 10.833, de 2003). Diz que esta alegação não se trata de pedido de apreciação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Deste modo, poderseia afastar a aplicação da Súmula CARF nº 2 ao caso, porém, a alegação não merece ser acolhida. Invocar a nãoaplicação de uma norma porque é viciada em relação à norma constitucional é o mesmo que invocar sua inconstitucionalidade, o que é vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009. Alegações de caráter constitucional não podem ser apreciadas por este Colegiado, tendo em vista a súmula n° 2 do CARF, verbis. “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não sendo apontados erros nos cálculos, estes devem ser tidos como corretos, seja porque tratase de matéria não questionada, seja porque não cabe ao julgador revisálos. Não obstante, valhome das razões da decisão da DRJ, proferida no Processo nº 10840.003379/200594, da mesma empresa, para assentar a correção do procedimento fiscal na exclusão, no cálculo dos gastos que dão direito a crédito, de aquisições de pessoa física e de pessoa jurídica, produtores rurais. Transcrevo os seguintes trechos que contêm estas razões, válidas para a Cofins e para a contribuição para o PIS/Pasep: “Quanto às aquisições de pessoa física, os créditos relativos à agroindústria, a partir do período de apuração de agosto de 2004, só podem ser utilizados para abater os débitos da COFINS nãocumulativa, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não são passíveis de compensação. Isto se deve ao fato de que a referida compensação só pode ser efetuada quanto aos créditos apurados no artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, por força do disposto no parágrafo I e seu inciso 11 do artigo 6o da referida Lei n° 10.833/2003. Porém, os incisos 11e 12 do artigo 3o da Lei n° 10.833/2003, que tratavam do crédito presumido da agroindústria, foram revogados pelo artigo 16, alínea "b" da Lei n° 10.925/2004. Fl. 798DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 22 21 A nova sistemática de apuração do crédito presumido da agroindústria foi estabelecida pelo artigo 8° da referida Lei n° 10.925/2004, a partir de agosto de 2004. Assim sendo, o referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não é passível de compensação ou ressarcimento, a partir do referido período de apuração. Quanto às aquisições de cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica, o Auditorfiscal constatou que a contribuinte descontou créditos integrais de COFINS nãocumulativa calculados sobre os valores das aquisições de canadeaçúcar de empresa jurídica que exerce atividade agropecuária. Contudo, a partir do mês de agosto de 2004, tal procedimento fere a legislação das contribuições, tendo em vista que o artigo 9° da Lei n° 10.925/2004 estabeleceu que a incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda de insumos destinados à industrialização dos produtos fabricados pela fiscalizada, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, o que, em princípio, vedaria a utilização de quaisquer créditos decorrentes destas operações. A partir de 01/08/2004, as empresas produtoras podem descontar o crédito presumido decorrente destas aquisições, em função do disposto no item III do parágrafo 1º do artigo 8o da referida Lei n° 10.925/2004. O referido crédito, que não consta mais da Lei n° 10.833/2003, não sendo passível de compensação ou ressarcimento.” Fretes utilizados no transporte de canadeaçúcar No relatório fiscal verificase que a fiscalização constatou que a contribuinte apurou créditos da Cofins sobre valores do frete pagos nas aquisições de canadeaçúcar, como se fosse um insumo normal: aplicou a alíquota própria do sistema não cumulativo sobre os valores das despesas pagas e inseriu o resultado na apuração do benefício. Ora, os valores dos fretes pagos à pessoa jurídica integram o custo de aquisição da canadeaçúcar e devem ter tratamento tributário igual ao desta, de modo que, assim como os valores das aquisições de canadeaçúcar de pessoas físicas e jurídicas, os valores dos fretes destas aquisições devem ser incluídos no crédito presumido da indústria, devendo, por isso, ser considerados no cálculo na coluna do mercado interno, que é o que se depreende dos arts. 8º e 15 de Lei nº 10.925, de 2004, e arts. 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 15, de 2005: Correta a fiscalização que calculou os valores destes créditos da mesma forma dos créditos com aquisição de canadeaçúcar, alocando os valores na coluna “Mercado Interno”, porque servem apenas para abater os débitos do período, não podendo ser utilizados para ressarcimento ou compensação. Despesas de armazenagem de produtos. A fiscalização reconheceu que as despesas de fretes e armazenagem sobre vendas ensejam direito a crédito, por isso aceitou a inclusão destas despesas no cálculo do crédito presumido. As despesas não reconhecidas referemse à locação de espaço de tancagem para armazenagem e movimentação de produto álcool carburante para exportação, cujas vendas Fl. 799DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 23 22 se submetem à incidência cumulativa da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, conforme tópico específico acima. Tendo em vista que somente são permitidos descontos de créditos sobre despesas relativas a produtos sujeitos à contribuição nãocumulativa, conforme artigo 10, inciso VII, alínea "a", combinado com o art. 1º, parágrafo 3º, inciso IV e com o art. 3º, parágrafo 7º, da Lei nº. 10.637, de 2002, e art. 5º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727, de 23/6/2008, agiu com acerto a autoridade fiscal em excluir do cálculo estas despesas, devendo ser mantida a decisão administrativa. Variação cambial. No Relatório da Ação Fiscal, observase que a autoridade fiscal constatou, após analisar planilha de cálculo da contribuinte, que esta considerou como receitas de exportação notas fiscais de complemento de preço, as quais, segundo a própria autoridade administrativa, referirseiam à variação cambial do dólar e, por isso, deveriam ser enquadradas como receita financeira. Concluise da leitura do relatório fiscal que estas notas fiscais dizem respeito a variações cambiais originadas em operações de exportação O Supremo Tribunal FederalSTF proferiu decisão de mérito no RE 627.815/PR, na sistemática de recurso repetitivo, assentando a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial ativa obtida nas operações de exportação de produtos. Transcrevo a ementa do acórdão, relatado pela Ministra Rosa Weber. “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências Fl. 800DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 24 23 financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC.” Tendo em vista o disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, esta decisão deve ser reproduzida no presente julgamento, o que implica considerar as variações cambiais receitas não tributas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep, tanto no sistema cumulativo quanto no não cumulativo. Porém, uma vez que foram consideradas pelo STF receitas decorrentes de exportação, devem ser consideradas como receitas de mercado externo, e não mercado interno, e devem ser incluídas, na apuração do percentual a ser aplicado aos custos, despesas e encargos comuns, no numerador, como receitas de exportação, e no denominador, integrando a receita bruta total, de modo que a fiscalização deverá corrigir os cálculos, adequandoos a esta decisão. Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar as exclusões no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido dos valores referentes às aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos empregados no corte e carregamento de canadeaçúcar, desde que nas aquisições tenha ocorrido a cobrança da contribuição social, e dos encargos com depreciação dos veículos e equipamentos utilizados no transporte e na colheita de canadeaçúcar, e incluir os valores das variações cambiais decorrentes de operações de exportação como receita de mercado externo e, no cálculo do rateio proporcional, no numerador e no denominador. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.904457/201118 Acórdão n.º 3801004.621 S3TE01 Fl. 25 24 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.002749/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF nº 35 - Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38 - Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010)
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos do encerramento do ano-calendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO.
Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO.
A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto e, quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os valores de R$ 135.452,50 e R$ 208.058,04, nos anos-calendário 2002 e 2003, respectivamente.
Assinado digitalmente
JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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IRRETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF nº 35 Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Súmula CARF nº 38 Portaria MF nº 383 DOU de 14/07/2010) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação e, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário, salvo nas hipóteses de dolo, fraude e simulação. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 27 49 /2 00 5- 25 Fl. 3338DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.336 2 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. (Súmula CARF nº 30, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. A presunção de omissão de rendimentos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não alcança valores cuja origem tenha sido comprovada, cabendo, se for o caso, a tributação segundo legislação específica. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto e, quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os valores de R$ 135.452,50 e R$ 208.058,04, nos anos calendário 2002 e 2003, respectivamente. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR – Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Fl. 3339DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.337 3 Relatório Contra GILMAR ALVES CAMPOS foi lavrado Auto de Infração, fls. 516/525, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000 a 2003, exercícios 2001 a 2004, no valor total de R$ 16.964.635,61, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração, fls. 526/528, foram omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 535/545, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para excluir as quantias de R$ 100.000,00 e R$ 1.648.700,00 da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente, conforme Acórdãos DRJ/JFA n s. 12.480, de 10/02/2006 e 09 14.954, de 16/11/2006, fls. 578/602 e 637/662. Frisese que foram proferidas duas decisões, porque na primeira não houve o competente recurso de ofício, nos termos do disposto na antiga Portaria MF n 375, de 07 de dezembro de 2001. Quanto aos créditos excluídos da tributação pela decisão recorrida temse que suas origens foram consideradas comprovadas por distribuições de lucros recebidos da pessoa jurídica Giacampos Diamond Ltda. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 08/12/2006, Aviso de Recebimento (AR), fls. 666, o contribuinte apresentou, em 26/12/2006, recurso voluntário, fls. 667/683, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Irretroatividade da Lei n 10.174, de 2001 Supostamente amparada no art 6 da Lei Complementar n 105/01 e no Decreto n 3.724/01, a Fiscalização requisitou às instituições financeiras informações sobre movimentação financeira do recorrente. Ocorre que o pedido de informações dos anoscalendário 2000 e 2001 referese a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei Complementar, assim, o procedimento fere o princípio constitucional da irretroatividade. Decadência dos fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2000. O fato gerador do imposto de renda é mensal, portanto na data do lançamento já estavam alcançados pela decadência os fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2000. Os extratos bancários como caracterizadores da renda tributável. Impossibilidade Não há como eleger o total dos depósitos como se renda líquida fosse, por afrontar os art. 3 e 43 do CTN. A lei autoriza tributar a renda real, presumida ou arbitrada, mas ela nunca será igual à própria movimentação bancária. Os documentos apresentados e a comprovação da origem dos recursos movimentados. Exclusão da matéria tributável O recorrente apresentou farta documentação capaz de comprovar a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias, fls. 207 a 312 327 a 404, e 407 a 496, mas a Fiscalização desprezou a Fl. 3340DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.338 4 prova ao argumento de que não há 'nenhum documento bancário que comprove a efetiva transferência dos valores decorrentes dessas operações' e que 'referidos documentos não são, por si só, hábeis para a comprovação pretendida'. As pessoas físicas, por estarem desobrigadas de escrituração, não possuem 'documentos de transferências' até porque, muitas vezes, são terceiros que efetuam tais créditos. As importâncias de R$ 115.246,00, R$ 632.725,06, R$ 1.511.300,32 e R$ 897.373,22, fls. 10, 16, 23 e 32, que correspondem a receita da atividade rural, devem ser excluídas da matéria tributável dos anoscalendário de 2000 a 2003, respectivamente. Os recursos obtidos da Brazil Exports Gems Ltda referente à venda de pedras em bruto também devem ser excluídos da matéria tributável pelo valor total das respectivas notas fiscais por constituir prova da origem dos recursos (fls. 486 a 496), que no anocalendário perfazem a importância de R$ 352.433,87. Da distribuição dos lucros apurados na pessoa jurídica. A isenção do art. 10 da Lei n 9.249/95 A totalidade dos lucros recebidos nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003 (R$ 170.000,00, R$ 720.000,00 e R$ 2.328.000,00, respectivamente), doc. 03 da impugnação, fls. 562, justifica, plenamente, a movimentação financeira do período, devendo ser excluída da matéria tributável. Às fls. 307 a 312, consta cópia de parte do Livro Razão da empresa, demonstrando a efetiva distribuição dos lucros, além de planilha, doc. 04 da impugnação, contendo as conciliações e explicações para alguns depósitos. Dos recursos decorrentes da exploração do garimpo O recorrente, além de ser sócio da empresa Giacampos Diamond Ltda, exerce pessoalmente a atividade de garimpo, categoria 'diamantário', como prova o Cartão de Adquirente de Substâncias Minerais, fls. 313, e o expediente emitido pelo Departamento Nacional de Produto Mineral, por meio do qual obteve a Guia de Utilização com autorização para alienar 36.000 metros cúbicos de cascalho diamantífero, fls. 314. Tributação sobre bases acumuladas: os rendimentos tributados em um mês justificam os depósitos do mês subseqüente Os depósitos tributados como omissão de rendimentos em um mês são suficientes para comprovar e justificar os depósitos dos meses seguintes. Em sessão plenária realizada em 08/08/2007, a Segunda Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 10202.392, fls. 693/717, nos seguintes termos: No que tange ao mérito tanto do recurso de oficio quanto do recurso voluntário considerei, em princípio, que os elementos trazidos aos autos seriam suficientes para a decisão do litígio. Todavia, os debates realizados em plenário conduziram à conclusão de que faz necessária a realização de diligências fiscais para robustecer o convencimento do Colegiado, pelas razões a seguir aduzidas. Cabe verificar se as disponibilidades declaradas e comprovadas pelo contribuinte foram mesmo vertidas em depósitos na conta corrente objeto da tributação. Do contrário, tais valores não Fl. 3341DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.339 5 podem ser aceitos para comprovar os depósitos. Afinal, o contribuinte poderia ter destinado esses recursos para outros fins sem transitar por suas contas bancárias. Ora, da mesma forma que os cheques recebidos pela empresa Giacampos Diamond Ltda. eram depositados diretamente na conta contribuinte, conforme aduzido durante a auditoria fiscal, fl. 325, o contribuinte poderia ter repassado parte desses valores diretamente a outros. Daí a necessidade da prova. Pois bem; conforme relatório fiscal de fl. 497515, que discrimina os depósitos cujas origens foram consideradas não comprovadas (conta corrente 6.774 na agencia 1501 do Bradesco), a grande maioria dos valores são oriundos de "Transferências entre Agencias", "DOCs Crédito Automático" ou TED Transferência Eletrônica Disponível". Ocorre que Banco Bradesco deve possuir registros eletrônicos com a identificação do remetente (depositante ou conta corrente bancária de origem). A partir da identificação dos remetentes dos recursos (depositantes), é significativa a possibilidade de identificarse também a proveniência e origem dos valores depositados. Sendo assim, cumpre a Fiscalização da DRF Uberaba proceder as seguintes diligências: 1) Oficiar o Bradesco para que identifique as contas bancárias de origem e os depositantes (remetentes) de todos os valores creditados para o contribuinte a título de Transferências entre Agencias", "DOCs Credito Automático" ou TED Transferência Eletrônica Disponível", bem como fornecer cópia dos documentos, se disponíveis. Solicitar, ainda, cópias frente e verso dos cheques emitidos pelo contribuinte de valores acima de R$ 10.000,00 (dez mil reais); 2) Identificados os remetentes (depositantes ou titulares das contasbancárias de origem), intimálos a justificar finalidade (motivação) dessas transferências para o contribuinte; 3) Efetuar diligência in locu na contabilidade da empresa Giacampos Diamonds Ltda, para verificar a autenticidade/regularidade das cópias de livros às fls. 307312, e, principalmente, verificar se a empresa possuía disponibilidades de Caixa para efetuar os pagamentos relativos a essas distribuições, bem assim se foram informadas na DIPJ. 4) Determinar os montantes mensais dos valores que foram creditados na conta bancária do contribuinte via Transferências, DOC e TED. Caso seja possível apurar a proveniência desses valores, confrontar os valores restantes com os passíveis de comprovação pelos lucros recebidos do contribuinte da empresa Giacampos Diamonds. 5) Intimar os principais compradores da produção agropecuária do contribuinte, aqueles cujo total das aquisições sejam superior a R$ 20.000,00 conforme notas fiscais de produtor juntadas aos Fl. 3342DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.340 6 autos solicitando esclarecimentos quanto a forma de pagamento, especialmente se efetuaram Transferências Bancárias, DOCs ou TEDs para pagamentos dessas aquisições; 6) Intimar o recorrente para que colabore nas apurações acima, fornecendo as informações e cópia de documentos que porventura possuir. A Fiscalização deverá envidar esforços, bem assim empreender outros procedimentos que entender cabíveis na busca da verdade material (determinar ao menos a proveniência das transferências bancárias); pois, cumpre à Receita Federal do Brasil cobrar o crédito tributário devido nem mais, nem menos na forma da lei. A meu ver, a presunção legal ora aplicada (art. 42 da Lei 9430/1996), em que pese sua indiscutível aplicabilidade, pode ser robustecida com outros elementos. Ao invés de agir apenas de forma passiva, esperando que o contribuinte apresente provas para elidir sua aplicação, o fisco pode ser próativo, analisando os extratos bancários, especialmente o tipo de depósito (haja vista que alguns como os TED e DOC podem ser identificados os remetentes e, quiçá, a finalidade), os cheques de valores mais expressivos emitidos pelo fiscalizado, cujas cópias podem ser obtidas junto (intimando os favorecidos a prestar esclarecimentos), enfim: fazer algo mais em busca da apuração dos rendimentos tributáveis que verdadeiramente foram omitidos. Ao final dos trabalhos, a Fiscalização deverá lavrar termo consubstanciado das verificações efetuadas cientificando o recorrente, que poderá manifestarse nos autos, no prazo de 30 dias. Atendendo a Resolução acima mencionada, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Conclusão de Verificações Fiscais, fls. 3266/3268, do qual o contribuinte foi cientificado em 08/02/2010, manifestandose em 12/02/2010, fls. 3288/3294 Sobreveio a Resolução nº 2102000.154, de 18/09/2013, fls. 3333/3334, que sobrestou julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, razão porque retomase o julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3343DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.341 7 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício Em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 375, de 07 de dezembro de 2001, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de sua decisão. Ocorre que o mencionado dispositivo legal foi revogado pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, que estabeleceu em seu art. 1º que o Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) somente recorrerá de ofício quando a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00. Ressaltese que o novo limite tem aplicação imediata, alcançando os processos pendentes de julgamento No presente caso, a decisão de primeira instância eximiu o contribuinte do recolhimento da parcela de imposto de renda pessoa física, no valor de R$ 480.892,49, fls. 579, e da corresponde multa de ofício, no percentual de 75%, (R$ 360.669,36), o que implicou na exoneração de crédito tributário, no valor total de R$ 841.561,85 (imposto mais multa). Como se vê, o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite de alçada, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Nestes termos, o recurso interposto pela autoridade julgadora de primeira instância não deve ser conhecido, por perda de objeto, dado que o crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite de alçada. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a irretroatividade da Lei nº 10.174, de 10 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, aos fatos geradores ocorridos antes de sua publicação. Na verdade, a despeito dos argumentos trazidos pela defesa, temse que a Lei nº 10.174, de 2001, não criou ou institui nova hipótese de incidência tributária, mas, de fato, apenas ampliou os critérios de investigação, possibilitando a instauração de procedimento administrativo e lançamento com base em informações prestadas por instituições financeiras. Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, apenas concedeu novos poderes de investigação ao Fisco, sendo certo que essa legislação aplicase aos fatos ocorridos anteriormente ao início de sua vigência, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 3344DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.342 8 Outrossim, importa observar que este é entendimento exarado na Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Nestes termos, afastase as alegações da defesa, no que concerne à irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Prosseguindo, devese analisar a alegação do recorrente de decadência dos créditos tributários, decorrentes dos fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2000, a vista do disposto no parágrafo 4º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, abaixo transcrito: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Sabese que o IRPF, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Tal entendimento encontrase, inclusive, traduzido na Súmula CARF nº 38, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. (Portaria MF n.º 383 DOU de 14/07/2010) Logo, no presente caso, o fato gerador relativamente às ocorrências do ano calendário 2000 só se completaram em 31/12/2000, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2005, nos termos do disposto no art. 150, §4º, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com a devida observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e aplicandose as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 3345DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.343 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Fl. 3346DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.344 10 Como o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 18/10/2005 (AR, fls. 534), não há que se falar em decadência do crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2000 na data do lançamento. Afastase, portanto, a alegação de decadência suscitada pelo contribuinte. No mérito, cuidase apenas da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, cujo lançamento se deu sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No recurso, o contribuinte afirma que não há como eleger o total dos depósitos como se renda líquida fosse, por afrontar os art. 3 e 43 do CTN. Optando por essa linha de argumento, o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. É bem possível que as leis padeçam de eventuais vícios, inclusive resultante de atuação dos legisladores com exorbitância de suas atribuições constitucionais. Todavia, deve ficar claro que elaborar juízo de valor acerca dessa matéria e, eventualmente, determinar o afastamento de normas legais em decorrência de eivas é atribuição privativa do Poder Judiciário, que não pode ser usurpada pelos julgadores administrativos. Por essa razão, inconformismos da espécie devem ser desfraldados em face do Poder Judiciário. Aliás, este é o entendimento exarado na Súmula CARF nº 02, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É certo também que a Súmula nº 182 do Superior Tribunal Federal de Recursos (TRF), mencionada pela defesa, encontrase superada, posto que relacionada aos lançamentos efetuados antes da vigência da Lei nº 9.430, de 1996. Também não pode prosperar a alegação da defesa de que os depósitos tributados como omissão de rendimentos em um mês são suficientes para comprovar e justificar os depósitos dos meses seguintes, a vista do exarado na Súmula CARF nº 30, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF Nº 30 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Nestes termos, temse que o lançamento efetivado nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser mantido, salvo nos casos em que o contribuinte demonstre a origem dos créditos havidos em suas contas bancárias. Fl. 3347DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.345 11 Neste aspecto, o contribuinte esclarece em seu recurso que os créditos bancários, objeto da autuação, são decorrentes de lucros distribuídos, receitas da atividade rural e recursos decorrentes da exploração do garimpo. No que diz respeito à distribuição de lucros, o contribuinte afirma que a totalidade dos lucros recebidos nos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, nos valores de R$ 170.000,00, R$ 720.000,00 e R$ 2.328.000,00, respectivamente, justifica, plenamente, a movimentação financeira do período, devendo ser excluída da matéria tributável. Importante observar que a decisão recorrida, acolhendo em parte tal alegação, excluiu da tributação os valores de R$ 100.000,00 e R$ 1.648.700,00, nos anoscalendário 2002 e 2003, tendo como critério, a coincidência de datas e valores entre os valores escriturados no livro Razão da pessoa jurídica Giacampos Diamond Ltda, fls. 309/310 e os depósitos discriminados, fls. 498/515. Na diligência realizada pela autoridade fiscal, no que se refere aos lucros acumulados, restou assentado o que se segue, conforme Termo de Conclusão de Verificação Fiscal, fls. 3266/3268: Item 3 No caso da autenticidade/regularidade das cópias do livro Razão (f 15. 307 a 312), procedemos as verificações necessárias e juntamos, novamente, ao processo, as cópias de fls. 2930, 2936/2937, 2958 a 2960, devidamente conferidas e autenticadas; Sobre as disponibilidades de Caixa da empresa para efetuar os pagamentos relativos as distribuições de lucros, constatamos que, na maioria das distribuições realizadas, houve suficiência de saldos na conta "Caixa", conforme documentos de fls. 2929, 2933 a 2935 e 2940 a 2957, exceção feita às distribuições realizadas nas datas de 10/01/2003, 13/01/2003, 06/03/2003, 18/03/2003 e 01/04/2003, onde houve saldos credores de caixa, conforme consta às fls. 2940, 2942 e 2943. 3. Com relação ao item 4 da Resolução (fls. 717), juntamos ao presente processo os documentos de fls. 767 a 803, apresentados em 14 de abril de 2009, na ARP/Patos de Minas/MG, onde a empresa Giacampos Diamond Ltda expõe nos itens 2, 3 e 4, da respectiva resposta (fls. 767), o seguinte: Item 2. De acordo com os livros Razão e Diário de nºs. 02, 03 e 04, relativos aos períodos de 01/01/2001 a 31/12/2003, os pagamentos efetuados pela intimada ao contribuinte em epígrafe, a titulo de distribuição de lucros, conforme folhas de nºs. 307, 308, 309, 310, 311 e 312, do Processo 10675 002.749/200525, do contribuinte CPF 341.093.23649/Gilmar Alves Campos, foram efetuados através do próprio caixa financeiro da empresa, não perfazendo prática administrativa da empresa, naquela época, efetuar os pagamentos, como distribuição de lucros/antecipação de lucros, via transferência (DOCs e/ou TEDs); Item 3. Por esta razão, a intimada fica impossibilitada de prestar quaisquer informações/demonstrativos dos montantes mensais Fl. 3348DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.346 12 creditados na conta bancária do contribuinte Gilmar Alves Campos, tendo como documentação, recibos de Distribuição de Lucros, com as seguintes informações: valor, data do pagamento e aposição de assinatura do contribuinte na condição de beneficiário da importância subtraída do caixa da intimada", pelo que, a empresa apresenta, neste mesmo item, a relação dos recibos referentes a distribuição de lucros, acompanhada dos respectivos recibos; Item 4 Na oportunidade, informa que não possui todos os recibos (2003), devido ao prazo concedido de cinco dias para atender a presente intimação. Tão logo esteja a intimada de posse de todos os recibos, a remeterá ao setor de Fiscalização desta delegacia. Conclusão sobre o item 4 da Resolução: Considerando que o próprio contribuinte informa que não houve distribuições de lucros via DOCs e/ou TEDs (fls. 767/768), fica descartada, de acordo com essa informação, a hipótese de existir transferências oriundas de distribuições de lucros, apesar da coincidência, entre data a valor, da distribuição (fls. 769 do Volume IV) e da transferência via DOCCREDITO AUTOMATICO (fls. 130 do Volume I), ocorridas no dia 18/11/2002, no valor de R$ 100.000,00. Sobre o assunto o contribuinte afirmou, fls. 3288/3294, em suma, que as transferências relativas aos lucros distribuídos foram feitas em dinheiro e que dentre os valores constantes do livro Razão e os comprovantes de transferência há diversas coincidências de datas e valores que o agente fiscal parece não perceber, sem, contudo, apontar quais seriam os valores coincidentes não observados pela autoridade fiscal. Ora, conforme já aqui mencionado, os pagamentos de lucros distribuídos registrados nos livros Razão da pessoa jurídica Giacampos Diamond Ltda, cujas quantias são coincidentes em datas e valores com os créditos bancários investigados, já foram excluídos pela decisão recorrida, sendo certo que esta relatora fez uma revisão sobre o levantamento que consta do acórdão da autoridade julgadora de primeira instância, não detectando nenhuma falha no mesmo. Assim, no que se refere aos lucros acumulados devese manter a decisão recorrida. No que tange às receitas da atividade rural a autoridade fiscal assim se pronunciou no Termo de Conclusão de Verificação Fiscal, fls. 3266/3268: Conclusão sobre o item 5 da Resolução: Diante das informações parciais, extraídas das diligências em pauta, verificase que não foi possível identificar depósitos e/ou transferências, coincidentes em datas e valores, com as operações realizadas, EXCETO os recebimentos relativos as Notas Fiscais de fls. 223 a 231, onde constatamos, após as diligências, que os valores recebidos, nas datas indicadas no corpo de cada Nota Fiscal, coincidem, respectivamente, com a transferência realizada no dia 20/12/2002, no valor de Fl. 3349DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.347 13 R$ 30.000,00 (somatório das Notas Fiscais de fls. 223 a 225); com o depósito realizado também no dia 20/12/2002, no valor de R$ 95.000,00 (somatório das Notas Fiscais de fls. 226 a 229); com o depósito realizado no dia 27/12/2002, no valor de R$ 10.452,50 (Nota Fiscal de fls. 230); bem como com o depósito realizado no dia 15/01/2003, no valor de R$ 12.000,00 (Nota Fiscal de fls.231); cabendo, portanto, a exclusão desses valores do montante dos depósitos e/ou créditos objeto do recurso em epígrafe. Ou seja, a autoridade fiscal entendeu como comprovada a origem dos depósitos, abaixo discriminados, posto que, o contribuinte apresentou Notas Fiscais, com carimbo de recebimento, cujas datas e valores são coincidentes com depósitos efetivados nas contas bancárias do contribuinte: DATA DEPÓSITO NOTAS FISCAIS, FLS. 20/12/2002 30.000,00 223 a 231 20/12/2002 95.000,00 226 a 229 27/12/2002 10.452,50 230 15/01/2003 12.000,00 231 Logo, tais créditos devem ser excluídos da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Todavia, situação semelhante se verifica para os seguintes depósitos, os quais também devem ser excluídos da tributação: DATA DEPÓSITO NOTAS FISCAIS, FLS. 20/03/2003 5.000,00 232 23/04/2003 60.000,00 233 a 241 25/04/2003 14.735,75 242 a 245 25/04/2003 17.500,00 246 a 247 20/06/2003 3.631,87 248 20/06/2003 7.376,42 249 23/06/2003 22.800,00 250 a 258 04/07/2003 10.000,00 259 03/10/2003 30.302,00 261 a 270 07/10/2003 12.700,00 271 a 274 04/12/2003 2.112,00 277 Fl. 3350DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.348 14 17/12/2003 9.900,00 278 a 281 No que se refere às demais notas fiscais da atividade rural, apresentadas pelo contribuinte, não é possível fazer a vinculação entre as mesmas e os depósitos discriminados, fls. 498/515, que foram objeto do Auto de Infração. Por fim, no que concerne aos recursos advindos da Brazil Exports Gems Ltda referente à venda de pedras e da exploração do garimpo, temse que o resultado da diligência determinada pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte em nada socorreu ao contribuinte na tarefa de demonstrar a origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, conforme se infere do trecho a seguir transcrito do Termo de Conclusão de Verificação Fiscal, fls. 3266/3268: Conclusões sobre os itens 1, 2 e 3, da Resolução: Itens 1 e 2 No caso das transferências (DOCs e/ou TEDs), concluímos que diante da ausência de dados dos poucos nomes de depositantes informados nos comprovantes de fls. 2964 a 3265, tornase praticamente impossível chegar à identificação dos mesmos, e, consequentemente, à finalidade das transferências. Ressaltese que, apesar de ter o contribuinte informado em sua resposta de fls. 2963, que: "salvo raríssimas exceções, não foi possível a identificação dos respectivos depositantes, não houve, na verdade, nenhuma identificação completa dos remetentes, e sim, apenas a identificação do nome de algum depositante nos comprovantes fornecidos; concluindo assim que, nem mesmo o contribuinte, de posse dos documentos aqui referidos, conseguiu identificar os remetentes e a finalidade das remessas; Sobre os cheques emitidos, também, em virtude do volume de documentos e diante da ilegibilidade dos nomes dos favorecidos, bem como da ausência de dados pessoais (CPF, endereço, etc), tornase praticamente impossível chegar à identificação dos mesmos, e, consequentemente às operações que motivaram a emissão dos respectivos cheques. Por outro lado, a identificação dos favorecidos, especificamente no caso em tela, em pouco poderia contribuir para modificar o feito fiscal, considerando tratarse de saídas de recursos, quando, na realidade, o que se pretende é a identificação (origem) dos valores creditados (DOCs e/ou TEDs); E mais, as notas fiscais e recibos, fls. 486 a 496, relacionadas com a atividade de venda de pedras preciosas, que segundo o contribuinte perfaz o somatório de R$ 352.433,87, não se prestam para a demonstração pretendida pela defesa, posto que não restou demonstrada a vinculação entre tais operações e os créditos efetivados nas contas bancárias do recorrente. Assim, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve ser mantida em parte, excluindose tãosomente as quantias de R$ 135.452,50 e R$ 208.058,04, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. Fl. 3351DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.002749/200525 Acórdão n.º 2102003.284 S2C1T2 Fl. 3.349 15 Da conclusão Ante o exposto voto por não conhecer do recurso de ofício, por perda de objeto e, quanto ao recurso voluntário, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada os valores de R$ 135.452,50 e R$ 208.058,04, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 3352DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 15504.724047/2013-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO).
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mão-de-obra.
O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a legislação previdenciária.
DISPENSA DA RETENÇÃO. REQUISITOS.
A empresa contratante fica dispensada de efetuar a retenção de onze por cento somente se comprovar e cumprir os requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-004.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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EMPRESAS EM GERAL. Recorrente KTM ADMINISTRAÇÃO E ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11% (ONZE POR CENTO). A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mãodeobra. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a legislação previdenciária. DISPENSA DA RETENÇÃO. REQUISITOS. A empresa contratante fica dispensada de efetuar a retenção de onze por cento somente se comprovar e cumprir os requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 40 47 /2 01 3- 91 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 347 2 Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 348 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD nº 37.382.5617/2013, relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à retenção de 11% incidentes sobre os valores de Notas Fiscais de prestação de serviços, relativo às competências 01/2008 a 12/2008. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A 14ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a decadência dos fatos geradores anteriores a abril/2008 pela regra do art. 150, §4° do CTN; o crédito tributário teve como base de cálculo o percentual de 30% (trinta por cento) das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços. Todavia não há previsão leal. Foi feito por presunção; não resta dúvida de que a presunção da base de incidência de variados percentuais sobre o valor bruto da nota fiscal enseja a nulidade do lançamento, ante a quebra do princípio da legalidade, estampado no artigo 150, inciso I, da Carta Constitucional e corroborado nos artigos 97, inciso I, 114, 116, 142 e 9o, inciso I, todos do CTN, impondose, via de consequência, a procedência do presente feito recursal; a fiscalização faz expressa alusão ao fato de que os prestadores dos serviços prestaram informações regulares por meio de GFIP e ainda procederam ao recolhimento das exações. Com efeito a ausência de retenção não gerou qualquer prejuízo aos cofres federais; o preenchimento da GFIP mostrase absolutamente inócuo em face do objeto jurídico tutelado pelo artigo 31 da Lei 8.212/91, porquanto, repitase, o interesse da fiscalização restou cabalmente assegurado com a perfeita regularidade das informações extraídas da contabilidade da empresa, além do que, de quebra, constatouse o pleno pagamento das contribuições previdenciárias por parte dos prestadores dos serviços. Devese atentar para os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; por fim, requer o cancelamento do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 349 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passase ao exame das questões suscitadas. O Relatório Fiscal de fls. 20 a 28, informa que: quando intimado sobre o motivo da inexistência de retenção sobre as Notas Ficais de Serviços (Termo de Intimação Fiscal 05, fl. 85), o Contribuinte informou que os serviços tinham sido realizados pelos sócios das empresas prestadoras, e com faturamento inferior a R$ 8.300,00. Deste modo, estaria elidida a obrigação legal com base no inciso II do artigo 20 da Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009; entretanto, como comprovado através das planilhas “Anexos I a VII”, obtidas com base na contabilidade da empresa, em vários casos os serviços eram prestados por mais de um veículo no mesmo período, o que inviabiliza a prestação de serviços somente pelo titular da empresa prestadora; os valores pagos numa mesma competência superam o valor de 2 vezes o limite máximo do salário de contribuição; em pesquisas efetuadas nos sistemas informatizados da RFB, constatouse que nas GFIP’s dos prestadores de serviços havia outros trabalhadores, empregados ou autônomos; ficou evidenciado que os prestadores de serviço exerciam suas atividades com o concurso de outros trabalhadores e que os valores deveriam ter sido retidos e recolhidos, conforme legislação em vigor; o item 3.1.12 e subitens apresentam as alíquotas utilizadas para a apuração da base de cálculo da retenção, e o Tópico 5 informa a alíquota utilizada para o cálculo das contribuições devidas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DECADÊNCIA Constituem fatos geradores do Auto de Infração DEBCAD 37.382.561 7/2013 os valores que deveriam ter sido destacados e retidos de 11% sobre as notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mão de obra contratada pelo contribuinte e também não recolhidos em nome da empresa cedente da mãodeobra, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, e art. 219 e parágrafos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, informados no relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fl. 14 dos autos digitalizados. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 350 5 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Como se pode notar da legislação previdenciária os valores lançados deveriam ter sido retidos e recolhidos em nome da cedente de mão de obra. Destarte, tais valores não integram os recolhimentos efetuados pela KTM, não havendo que se falar em recolhimento antecipado da KTM. A KTM não cumpriu o que determina a legislação previdenciária. Assim, o lançamento fiscal foi efetuado de ofício pela autoridade fiscal competente, porquanto comprovada a omissão por parte da pessoa legalmente obrigada, consoante art. 149, inciso V do CTN. Ressaltase que o próprio art. 149, inciso V do CTN estabelece a modalidade de lançamento de ofício. Desse modo, a fiscalização efetuou o lançamento nos termos do art. 142 e, especialmente, art. 173, inciso I do CTN. CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Correta a decisão recorrida ao aplicar o art. 173, inciso I do CTN para o lançamento de ofício na verificação da decadência alegada do contribuinte, não cabendo a aplicação da regra prevista no art. 150, §4° do CTN, como quer o contribuinte. Não há período Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 351 6 decadente. Para a competência mais remota do lançamento (01/2008), a decadência só ocorreria em 01/01/2014. A ciência do lançamento pelo contribuinte se deu em 29/04/2013 (fl. 3). BASE DE CÁLCULO O crédito tributário teve como base de cálculo o percentual de 30% (trinta por cento) das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços (serviço de transporte de pessoal, fls. 24/25), com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, art. 219 do RPS (Decreto 3.048/99) e art. 122, inciso II, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009. Instrução Normativa RFB 971 Art . 122. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: (...) II 30% (trinta por cento) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços para os serviços de transporte de passageiros, cujas despesas de combustível e de manutenção dos veículos corram por conta da contratada; Assim sendo, não justifica o argumento do contribuinte de que não há previsão leal para a base de cálculo com percentual de 30% (trinta por cento) das notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços. Do mesmo modo, não há que falar em presunção do lançamento como asseverado pelo contribuinte, tampouco em nulidade e quebra do princípio da legalidade. A fiscalização fez uso da informação da GFIP dos prestadores dos serviços (relatório fiscal, fls. 23/24) para demonstrar que possuíam trabalhadores a seu serviço, empregados ou autônomos, e que os valores pagos, na mesma competência, superaram os valores de 2 (duas) vezes o limite máximo do saláriodecontribuição, demonstrando, assim, que não preenchiam os requisitos para a dispensa da obrigação legal de efetuar a retenção de 11%, prevista no inciso II do artigo 120 da Instrução Normativa RFB nº 971, de 13/11/2009. 3.1.7 No entanto, conforme podese comprovar pelas planilhas obtidas com base na contabilidade do contribuinte (Anexos I a VII deste Relatório Fiscal), em vários casos os serviços eram prestados por mais de um veículo no mesmo período, inviabilizando a operação dos mesmos, simultaneamente pelo mesmo condutor – no caso o titular da empresa prestadora de serviços. 3.1.8 Acrescentese ainda que, conforme Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP pesquisadas nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, constatouse que os Fl. 351DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 352 7 prestadores de serviços possuíam outros trabalhadores a seu serviço – empregados ou autônomos. Evidenciase, portanto, que o contratado exercia a sua atividade com o concurso de outros trabalhadores, contrariando o dispositivo legal. 3.1.8.1 Encontramse anexadas a este Processo Fiscal cópias (amostragem) de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social – GFIP demonstrando a existência de trabalhadores contratados pelos prestadores de serviços em questão. 3.1.9 Além disto, também pelo exame das referidas planilhas verificase que, os valores pagos, na mesma competência, superam os valores de 2 (duas) vezes o limite máximo do salário decontribuição, quais sejam: (...) O fato dos prestadores dos serviços terem elaborado GFIP e feito recolhimento, não desobriga o recorrente do cumprimento da obrigação legal disposta no art. 31 da Lei 8.212/91. Do mesmo modo, não justifica o argumento de que a ausência de retenção não gerou qualquer prejuízo aos cofres federais. O recorrente é responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte principal, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei, nos termos do art. 121, inciso II do CTN. O desconto legalmente autorizado da retenção de 11% sempre se presume feito oportuno e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo a legislação, nos termos do art. 33, § 5º da Lei 8.212/91. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, devendo a autoridade fiscal observar as normas legais e regulamentares, nos termos do art. 3o e art. 142, § único do CTN e art. 116, inciso III da Lei 8.112/90, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para a autuação fiscal. Como demonstrado nos autos, não houve desrespeito pela fiscalização dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo do Débito, a Instrução para o Contribuinte – IPC, os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.724047/201391 Acórdão n.º 2803004.176 S2TE03 Fl. 353 8 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 353DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12269.002108/2010-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2008
COOPERATIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Foi comprovada a existência dos requisitos que ensejaram o reconhecimento do vínculo empregatício, configurada a irregularidade na condição de cooperada da Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Embora caiba à legislação infraconstitucional a definição dos fatos geradores dos tributos, tal fixação deve ser efetivada observando-se os limites das regras de competência tributária constantes da Constituição Federal. Nesse contexto, a Constituição da República determina que ascontribuições sociais para custeio da seguridade social incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. COMPENSAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. POSSIBILIDADE. A contribuição de 15% retida pelo tomador nos regimes de contratação de serviços pode ser compensada pela empresa cedente com os valores devidos a título de contribuição sobre a folha de pagamentos dos segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.470
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para admitir a compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Vencida nessa parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2008 COOPERATIVA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. Foi comprovada a existência dos requisitos que ensejaram o reconhecimento do vínculo empregatício, configurada a irregularidade na condição de cooperada da Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA. Embora caiba à legislação infraconstitucional a definição dos fatos geradores dos tributos, tal fixação deve ser efetivada observandose os limites das regras de competência tributária constantes da Constituição Federal. Nesse contexto, a Constituição da República determina que ascontribuições sociais para custeio da seguridade social incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço. COMPENSAÇÃO. VALORES RECOLHIDOS PELO TOMADOR. POSSIBILIDADE. A contribuição de 15% retida pelo tomador nos regimes de contratação de serviços pode ser compensada pela empresa cedente com os valores devidos a título de contribuição sobre a folha de pagamentos dos segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 08 /2 01 0- 55 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento para admitir a compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Vencida nessa parte a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Luciana de Souza Espindola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. Ausente justificadamente o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 119DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002108/201055 Acórdão n.º 2402004.470 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de autuação para cobrança de crédito que tem como fato gerador a descaracterização de segurados contribuintes individuais (cooperados), caracterizandoos como segurados empregados, tendo em vista que na verdade enquadravamse no art. 12, I, "a", da Lei nº 8.212/91, pois desempenhavam as atividades com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. A autuação se refere às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, nas competências de 08/2005 a 10/2008. Relatório Fiscal às fls. 15/23. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 40/55, que restou improcedente às fls. 82/95, sob os seguintes fundamentos: 1. Não ocorre a incorreção alegada quanto à ausência de autorização para realização do procedimento fiscal em especial do período de 08/2005 a 12/2006, haja vista a autorização contida no MPF, devidamente cientificado ao contribuinte na forma da legislação aplicável; 2. Inexiste óbice para que a fiscalização realize o correto enquadramento de segurados empregados, identificando o sujeito passivo e as contribuições devidas sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos, enquanto não alcançados pela decadência. Nesse sentido há o artigo 33 da Lei n° 8.212/91; 3. Eventuais incorreções no MPF não constituem motivo de nulidade do lançamento, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 142 do CTN; 4. À luz das disposições contidas na Lei n° 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, considerou que a empresa afastouse dos princípios do cooperativismo, em relação aos segurados objeto do presente lançamento, restando caracterizada a condição de empregadora de segurados empregados de que trata a alínea "a" do inciso I do artigo 12, da Lei n° 8.212/91, por ela considerados como segurados contribuintes individuais em razão de sua condição de associado da cooperativa de trabalho; 5. Perfeitamente justificável o procedimento da fiscalização de tomar por base a GFIP com maior número de segurados, pois considerou os elementos de convicção que julgou cabíveis, na ausência da apresentação da contabilidade, consoante estabelece o artigo 233 do Regulamento da Previdência Social; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 6. Considerar o correto enquadramento dos segurados da Previdência Social não significa desconstituir a pessoa jurídica. Até mesmo porque, no presente caso, pode a Cooperativa agir, relativamente a alguns trabalhadores cooperados, como verdadeira cooperativa de trabalho, em consonância com seus objetivos sociais, e, por outro lado, em relação a outros segurados, atuar como empregadora da mão de obra, na medida em que desobedece as determinações da Lei 5.764/71, em relação a esses; 7. As sentenças judiciais trabalhistas proferidas contra a autuada reconheceram o vínculo empregatício com a cooperativa de trabalho por estarem presentes os requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação. Os trabalhadores cooperados recebiam um valor fixo de pró labore, sem que tivessem acesso a outros benefícios, inclusive ao valor das sobras líquidas previsto no Estatuto Social. Foi constatada a obtenção de lucro, evidenciando que a cooperativa desenvolvia suas atividades com as Prefeituras com ânimo empresarial, a qual tratavase na verdade de empresa intermediadora de mãodeobra; 8. A impugnante limitase a referir algumas sentenças judiciais em sentido contrário em que foi considerada como cooperativa regular. Todavia, deixou de contrapor as afirmativas da fiscalização e de anexar documentos comprobatórios do seu regular funcionamento em prol dos associados; 9. Por ocasião do lançamento foram desconsiderados os segurados cujas reclamatórias trabalhistas não tiveram reconhecimento de vínculo empregatício com a autuada. Embora a impugnante tenha feito referências e transcrição de parte dos julgados, não juntou aos autos cópias dos documentos comprobatórios de suas alegações, nem mesmo das petições relativas às ações judiciais dos segurados por ela referidos, conforme determina o Decreto n° 70.235/72, artigo 16, incisos III e IV e parágrafo 4°; 10. Foi localizado apenas "Jusimar Gaspar" e não "Jusimara Gaspar" como referido na peça impugnatória, não havendo como ser excluído do levantamento por trataremse de nomes distintos, cujo lançamento teve por base as GFIP entregues pela própria impugnante; 11. Em relação a Anselma Ferreira e a Jéferson Alex Lasch, que, além de não integrarem o lançamento, as assertivas contidas nas decisões judiciais, transcritas pela impugnante, no sentido da regularidade no funcionamento da cooperativa, dizem respeito às provas contidas naqueles processos. A própria decisão relativa à Anselma Ferreira contém a ressalva "em face dos elementos constantes dos autos"; 12. Cabe à fiscalização, exercer o seu poderdever de identificar o sujeito passivo, apurar os fatos geradores, lançando em auto de infração as contribuições devidas. Desta forma, desnecessária a prévia existência de sentença judicial proferida pela Justiça do Trabalho reconhecendo o vínculo empregatício de todos os cooperados ou ainda de sentença desconstituindo o negócio jurídico efetuado entre as partes, com força retroativa, como alegou a impugnante; Fl. 121DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002108/201055 Acórdão n.º 2402004.470 S2C4T2 Fl. 4 5 13. Não há como serem aproveitados os eventuais recolhimentos efetuados por outro sujeito passivo, o qual sofreu o ônus do pagamento de contribuição diversa das lançadas no presente auto de infração; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 104/113 alegando, em síntese: 1. No caso presente, o contribuinte não foi intimado da "autorização de reexame do período 08/2005 a 12/2006”, para ter conhecimento de seu conteúdo e da autoridade emissora. A ausência dessa intimação, obrigatória sob pena de nulidade do procedimento, acarreta a invalidade deste Processo Administrativo Fiscal, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972; 2. Segundo expresso no DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO, pg. 01, as competências objeto deste levantamento referemse a período em que já houve ação fiscal, e na ocasião foram entregues à fiscalização contratos e outros documentos referentes às operações da Cooperativa e a autoridade administrativa nada contestou; 3. Comprovam a regularidade da Sociedade Cooperativa todos os documentos ora juntados, como a Ata de Assembléia de Constituição, Estatuto Social e Consolidação, Registro e Regularidade na Ocergs, Atas de Assembléia e Publicações e etc; 4. A impugnante cumpre e faz cumprir todos os regramentos legais a que se acha adstrita pela legislação aqui já citada, atuando como verdadeira cooperativa, de fato e de direito, servindo como instrumento democrático e participativo de desenvolvimento profissional, educacional e social. Assim, descabe a descaracterização levada a efeito pela senhora fiscal e o consequente enquadramento dos cooperados como se fossem empregados com vínculo empregatício; 5. Não há que extrair de algumas sentenças que determinaram a existência de vínculo de emprego a certeza de os demais cooperados também tem este vínculo. Para que se pudesse fazer a ilação desejada pela senhora fiscal, necessário seria a existência de uma sentença, declarando que a Cooperativa, ora Impugnante, era na verdade uma empresa, necessário seria a existência de uma sentença declarando que todos os cooperados eram empregados; 6. Não é justo nem legal que se aceite a descaracterização da relação entretida entre os cooperados e a cooperativa sem o devido processo legal, sem uma sentença que determine a desconstituição daquela relação, desta forma, também se requer a anulação deste Auto de Infração por este motivo; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 7. Caso os membros deste conselho entendam em sua decisão que se esta diante da prestação de serviços de empregados, com vínculo empregatício, há que se creditar na conta do impugnante os valores referentes aos descontos de 15% (quinze por cento) que foram descontados e retidos do Impugnante e que foram calculados sobre o total das notas fiscais de serviços apresentadas; Por fim, o contribuinte requereu que, caso este recurso não seja provido na sua totalidade, este Conselho determine a apuração e a compensação dos valores descontados pelos tomadores dos serviços pela modalidade de cooperativa com os valores exigidos pelo fisco neste auto, aplicandose as penalidades tais como multas e juros proporcionalmente as diferenças encontradas. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002108/201055 Acórdão n.º 2402004.470 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas creditadas a segurados contribuintes individuais mascarados como cooperados. Foi apontado pela autoridade fiscal que os “cooperados” se enquadravam no art. 12, I, "a", da Lei nº 8.212/91, já que desempenhavam as atividades com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Alega a Recorrente que seu Estatuto Social, Ata de Assembléia de Constituição e demais documentos societários comprovam a regularidade da cooperativa e que, nos termos do art. 442, parágrafo único, da CLT, não há vínculo de emprego entre a cooperativa e seus associados. “Art. 442 Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. Parágrafo único Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela.” Ocorre que o Direito do Trabalho tem como um de seus pilares o princípio da realidade, que visa à priorização da verdade real diante da verdade formal. Temse então, que entre os documentos sobre a relação de emprego e o modo efetivo como, concretamente, os fatos ocorreram, devemse reconhecer estes em detrimento dos papéis. Nesse sentido foram as sentenças judiciais trabalhistas proferidas contra a Autuada, que reconheceram o vínculo empregatício com a cooperativa de trabalho por estarem presentes os requisitos de pessoalidade, nãoeventualidade, onerosidade e subordinação. Os trabalhadores cooperados recebiam um valor fixo de pró labore, sem que tivessem acesso a outros benefícios, inclusive ao valor das sobras líquidas previsto no Estatuto Social. Foi constatada a obtenção de lucro, evidenciando que a cooperativa desenvolvia suas atividades com as Prefeituras com ânimo empresarial, tratandose, portanto, de empresa intermediadora de mãodeobra. Sendo assim, verificase a violação aos arts. 3° e 4° da Lei nº 5.764/1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas: “Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços; II variabilidade do capital social representado por quotaspartes; III limitação do número de quotaspartes do capital para cada associado, facultado, porém, o estabelecimento de critérios de proporcionalidade, se assim for mais adequado para o cumprimento dos objetivos sociais; IV incessibilidade das quotaspartes do capital a terceiros, estranhos à sociedade; V singularidade de voto, podendo as cooperativas centrais, federações e confederações de cooperativas, com exceção das que exerçam atividade de crédito, optar pelo critério da proporcionalidade; VI quorum para o funcionamento e deliberação da Assembléia Geral baseado no número de associados e não no capital; VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; IX neutralidade política e indiscriminação religiosa, racial e social; X prestação de assistência aos associados, e, quando previsto nos estatutos, aos empregados da cooperativa; XI área de admissão de associados limitada às possibilidades de reunião, controle, operações e prestação de serviços.” Ausente algum dos requisitos caracterizadores do alegado cooperativismo, é de se reconhecer a existência de vínculo empregatício entre as partes, reconhecendose os direitos trabalhistas aos empregados e a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores à eles creditados. A finalidade do trabalho cooperativo não pode ser reduzida ao barateamento da mãodeobra, como se verifica no caso, em detrimento do interesse dos “cooperados”. Nessas condições e ainda levandose em conta que, pelos elementos constantes dos autos, mais especificamente as decisões proferidas pela Justiça do trabalho, reconhecendo a existência de relação de emprego entre a Recorrente e seus funcionários por demonstrada pessoalidade, subordinação, onerosidade e continuidade, necessária a manutenção da autuação. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002108/201055 Acórdão n.º 2402004.470 S2C4T2 Fl. 6 9 Ressaltese que por ocasião do lançamento foram desconsiderados os segurados cujas reclamatórias trabalhistas não tiveram reconhecimento de vínculo empregatício com a Autuada, compondo a base de cálculo apenas os valores pagos aos cooperados considerados pela justiça trabalhista como empregados. Passemos a análise do pedido de compensação dos valores exigidos neste Auto com aqueles descontados pelos tomadores dos serviços pela modalidade de cooperativa. Nos termos do art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, a contribuição social a cargo da empresa, além do disposto no art. 23, é de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura da prestação de serviço por intermédio de cooperativa de trabalho. “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999)” No caso dos autos, a Recorrente, quando contratada na qualidade de cooperativa de trabalho pelos tomadores, alega ter sofrido a retenção na forma prevista em lei, razão pela qual requer a compensação destes valores retidos para fins de cálculo do crédito ora em análise. Merece guarida. A retenção sofrida pela Recorrente quando da emissão de nota fiscal ou fatura da prestação de serviços tem o condão de pagar as contribuições em tese por ela devidas na alíquota de 15% das contribuições. Assim, considerando que a retenção do art. 22, IV, da Lei n° 8.212/91 se confunde com a contribuição imposta nos presentes autos, diferindo apenas quanto à alíquota aplicável, entendemos pela possibilidade de abatimento dos valores retidos pelos tomadores, sendo necessária a apuração destes valores e o recálculo do crédito sob análise. Da multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa de ofício aplicada sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito clara nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo a essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício Fl. 127DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12269.002108/201055 Acórdão n.º 2402004.470 S2C4T2 Fl. 7 11 aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência dos fatos geradores, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela auditoria fiscal: 1. Uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL 68) , com base no art. 32, IV e § 5°, da Lei n° 8.212/91, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. Outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea ‘a’, da Lei n° 8.212/91. Tal artigo traz expressos os percentuais da multa moratória a ser aplicada. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Em decorrência disso, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96 se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, aplicase aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso destes autos. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009), portanto, aplicase aos lançamentos de ofício em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e, consequentemente, de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212/91 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei n° 8.212/91 supere o seu patamar. Conclusão Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e a ele dou PARCIAL PROVIMENTO para admitir compensação proporcional a cada competência e a cada empregado com vínculo reconhecido, bem como para que seja aplicada a multa nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 23/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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