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Numero do processo: 13629.004390/2008-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE.
A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. Na hipótese de apuração de infração quanto a tributo mencionado no MPF, com base em elementos de prova que também configurem infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização.
EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE.
A autorização do contribuinte ao Fisco para requerer os extratos bancários às instituições financeiras afasta de per si a alegada violação de sigilo bancário.
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas.
PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO.
Prescinde a realização de perícia quando o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando necessárias ao deslinde da controvérsia.
Numero da decisão: 1103-000.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. Na hipótese de apuração de infração quanto a tributo mencionado no MPF, com base em elementos de prova que também configurem infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização. EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE. A autorização do contribuinte ao Fisco para requerer os extratos bancários às instituições financeiras afasta de per si a alegada violação de sigilo bancário. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Prescinde a realização de perícia quando o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando necessárias ao deslinde da controvérsia.
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PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO A manutenção de contas bancárias à margem da contabilidade, em que foram depositados valores em montante inferior ao declarado, denota o firme propósito, livre e consciente, de impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador (art.71 da Lei nº 4.502/64), o que justifica a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos, em razão da íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 43 90 /2 00 8- 17 Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.268 2 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração tributária, e não se vincula à validade do lançamento tributário. Na hipótese de apuração de infração quanto a tributo mencionado no MPF, com base em elementos de prova que também configurem infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização. EXTRATOS BANCÁRIOS. FORNECIMENTO VOLUNTÁRIO PELO CONTRIBUINTE. A autorização do contribuinte ao Fisco para requerer os extratos bancários às instituições financeiras afasta de per si a alegada violação de sigilo bancário. PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Prescinde a realização de perícia quando o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando necessárias ao deslinde da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.269 3 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (3º e 4º trimestres de 2003; 1º a 4º trimestres de 2004), com incidência de multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.2/35). A ciência do sujeito passivo ocorreu em 12/12/08 (fl.36). No Relatório Fiscal (fls.38/58), consignouse, em síntese: o contribuinte expressamente autorizou a fiscalização a requerer, diretamente aos bancos, extratos e outros documentos, quando então foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); não obstante sucessivas intimações e deferimentos de prorrogações dos prazos inicialmente fixados para as respostas, o sujeito passivo não comprovou a origem dos valores creditados nas contas correntes, apontados pela autoridade fiscal, limitandose a apresentar DARF de pagamento de IRPF do Sr. Genuíno da Rocha Netto, “...sem nenhuma relação com o objeto da intimação”; transitaram pelas contas correntes, em 2003 e 2004, mais de R$160 milhões, tendo sido declarados em DIPJ naqueles anos R$54.363,10 e R$133.519,56, respectivamente; no livro Caixa não foi escriturada tal movimentação bancária, tampouco houve registro de tais montantes no Livro de Prestação de Serviços; o sócio Genuíno da Rocha Netto informou que, “...sobre as origens dos recursos depositados/creditados em contas bancárias em seu nome, ratifica a informação verbal anterior dada à essa fiscalização de que são as constantes de suas declarações de Imposto de Renda, e, o montante excedente, em remessas de dinheiro feitas através da agência de turismo existente em Miami/Estados Unidos da América chamada UNO HEMITTANCE que, em convênio verbal com o declarante, depositavam dinheiro em sua conta para que este cumprisse ordens de pagamento aqui no Brasil, segundo a determinação da agência no exterior”, e que não possuiria “...documentação do alegado, declarando que recebia o percentual de 0,5% (meio por cento) dos valores depositados e pagos a pessoas residentes na região em nome da UNO”; conforme art.42 da Lei nº 9.430/96, o ônus de justificar a origem dos depósitos bancários é do contribuinte; caso as operações financeiras estivessem escrituradas, “...as contrapartidas dos depósitos identificariam as origens dos recursos, e as contrapartidas dos saques suas aplicações. Logo, de acordo com o art 47, II, "a" anteriormente transcrito [Lei nº 8.981/95], a escrituração do contribuinte é imprestável para fins de determinação dos seus lucros nos períodos fiscalizados. Sendo assim, desclassificamos sua escrita, e apuramos os créditos tributários neste auto de infração com base no lucro arbitrado, os valores declarados foram compensados conforme Demonstrativo Fiscal de Situação Apurada (Documento 13)”. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.270 4 A Primeira Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG) considerou procedentes os lançamentos, conforme acórdão de fls.1.082/1.095, que recebeu a seguinte ementa: PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n.° 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. DOLO. ELEMENTO VOLITIVO. A falta de escrituração de vultosas quantias depositadas em contas bancárias, cujas provas trazidas aos autos demonstram a conexão com atividades ilegais e não incluídas no objeto da sociedade, subsume ao conceito de sonegação contido art. 71 da Lei n.° 4.502/64 e justifica a aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44, §1º da Lei n.° 9.430/96. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Dever ser indeferido o pedido de diligência quando esse procedimento mostrarse prescindível para a solução da lide. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instancia administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. Devidamente cientificado em 13/4/09 (fl.1.104v) na pessoa do seu sócio, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 5/5/09 (fls.1.105/1.202), aduzindo em sintese: Preliminares os créditos tributários com fatos geradores ocorridos em 2003 não poderiam ser exigidos em razão da decadência (art.150, §4º, do Código Tributário Nacional CTN); constaria dos autos evidências de “...transferências de valores internos de banco para banco, refutandose por completo o mero argumento lançado pelo fiscal que autuou o Recorrente de que havia excluído todas essas parcelas”, sendo imperiosa a anulação do acórdão de primeira instância “...para que se determine a perícia técnica adequada ao caso”. A realização de perícia “...afastaria de vez todas as alegações, inclusive as de ordem penal que foram feitas ao longo do Auto de Infração, que não condizem com a realidade, tratandose de meras conjecturas hipotéticas e infundadas, sem prova alguma”. Ao não se deferir a realização de perícia, os direitos ao contraditório e à ampla defesa teriam sido violados; Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.271 5 os lançamentos seriam nulos, pois: (a) baseados em juízo de probabilidade e presunção, não podendo ser fundamentados em meros indícios; (b) houve quebra de sigilo bancário sem ordem judicial, tendo o Fisco aproveitadose do desconhecimento jurídico do representante legal que o autorizou a requerer as informações diretamente das instituições bancárias, de forma que não poderia ter sido instado a produzir provas conta si; e (c) quanto à CSLL, PIS e Cofins, no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não estaria incluída a fiscalização de tais tributos; Mérito o Sr. Genuíno da Rocha Netto, “por desorganização, falta de conhecimento técnico, e inabilidade empresarial realizava os negócios jurídicos de suas empresas em nome de empresa diversa daquela que deveria ser a real participante do negócio, por ter naquele tipo de negócio seu objeto social. [...] confundira, até mesmo a fiscalização, pois ao tratar como único, todos os seus negócios e empresas, realizou entre elas, transferências bancarias, depósitos de valores de propriedade diversa da empresa favorecida, além de comprar produtos, vendêlos, prestar serviços, mediar negócios em nome de uma de suas empresas, mesmo com a proibição, pois pensava poder fazêlo, por ser dono de todas elas”; muitos dos valores creditados teriam sido considerados em duplicidade, seja por estorno ou transferências entre contas de mesmo titular, conforme amostragem explicitada no recurso; “...grande parte dos valores que transitaram pelas contas da Recorrente não são rendimentos, mas mera transações, decorrentes do exercício da sua atividade social”, vez que “...exerce atividade, exclusivamente, relativa à intermediação de negócios agronômicos”, sendo que apenas um percentual dos valores que transitaram nas contas correntes pode ser considerado como receita, sendo possível a comprovação de tal fato “...por prova pericial e pela juntada dos contratos e/ou declarações firmadas pelas competentes instituições, as quais já foram solicitadas”; muitos dos valores creditados referirseiam “...a procedimentos/movimentos a título de custódia de cheques”, o que também pode ser comprovado por prova pericial; a multa qualificada não subsistiria ante a ausência de dolo, que não pode ser presumido, sendo sua aplicação apenas justificada nos casos de sonegação, fraude ou conluio. A penalidade no percentual de 150% seria destituída de razoabilidade, adquirindo contornos confiscatórios, além de caracterizar desvio de finalidade e abuso de poder; seriam indevida a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, devendo ser limitados a 1% (um por cento) ao mês. Ao final, o Recorrente requereu a realização de perícia, tendo formulado quesitos e indicado expert. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso. Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.272 6 DAS PRELIMINARES Decadência Quanto à decadência tributária, regese pelos seguintes artigos do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ..... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Para lançamentos por homologação, como é o caso dos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, regra geral o prazo é de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador, o que, a princípio, poderia indicar a extinção de alguns créditos tributários constituídos pela fiscalização (IRPJ e CSLL – 3º trimestre de 2003; PIS e Cofins – fatos geradores de 31/07/03 a 30/11/03), caso houvesse antecipação de pagamento, como prevê o art.150, §4º, do CTN e consolidada jurisprudência do STJ, acolhida pelo CARF. Entretanto, a parte final deste dispositivo excepciona as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, de sorte que a contagem obedece à regra geral estatuída no art.173, I, do CTN, ou seja, prazo de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esta é exatamente a situação dos autos, como se verá adiante, tendo o dolo sido exaustivamente caracterizado na qualificação da conduta do contribuinte de “...impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária [...] da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais” (art.71 da Lei 4.502/64). Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.273 7 Assim, sendo aplicável o art.173, I, do CTN, não se acolhe tal preliminar quanto aos créditos tributários com fatos geradores ocorridos em 2003 que pudessem ser alcançados pela decadência, pois a ciência dos autos de infração ocorreu em 12/12/08. Nulidade indeferimento de pedido de perícia pela DRJ Quanto ao indeferimento do pleito de perícia, formulado perante a primeira instância, não acarreta qualquer nulidade da respectiva decisão, mormente porque foi devidamente motivado. De acordo com o Decreto nº 70.235/72, a realização de perícias justificase somente quando necessária, a juízo da autoridade julgadora, que norteia sua atuação no livre convencimento motivado: Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Da leitura do acórdão recorrido, verificase que a Primeira Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG) muito bem fundamentou a resolução da questão. In verbis: “[...] A impugnante pediu a realização de perícia contábil para comprovar suas alegações, conforme quesitos e perito definidos na impugnação. Ocorre que a existência desse instrumento processual tem por escopo a elucidação de dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de profissional capacitado a esclarecêlas. No caso em pauta, não existe qualquer incerteza desse naipe, pois a autuação se deu, basicamente, com fundamento na análise da escrituração da fiscalizada, de documentos fiscais e extratos bancários, tendo o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil competência legal para a análise desses papéis, conforme dispõe a legislação de regência, especialmente a Lei n.° 10.593/2002, art.6º e a LC n.° 105/2001, também em seu art. 6°. Ademais, a impugnante teve tempo mais do que razoável para fornecer provas ou pelo menos indícios de suas alegações, de modo a provocar a realização de perícia, ou mesmo diligência. Isto porque já em 04/03/2008, pelo Termo de Início de Ação Fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar justificativas, mediante documentação hábil e idônea, para a origem dos depósitos realizados em suas contas. Outras intimações mais específicas se seguiram, mas nem na impugnação, protocolada em 08/01/2009, ou seja, quase um ano após o início do procedimento fiscal, a contribuinte aduziu seus elementos de prova, os quais poderiam ter sido comodamente trazidos aos autos. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.274 8 Veja que não há que se falar em mácula do lançamento em razão de arbitramento unilateral da receita omitida. Como já visto, a omissão de receita se deu de acordo com presunção legalmente estabelecida. Para o IRPJ e a CSLL, os arts. 27, inciso I, e 29, inciso I, da Lei n.° 9.430/96 autorizam o arbitramento do lucro com base na receita bruta. Já para a Cofins e o PIS/Pasep, o arbitramento da base de cálculo tem respaldo no art. 91 do Decreto n.° 4.524/2002, acima transcrito. Em ambos casos, o arbitramento afasta eventuais deduções da base de cálculo existentes em outras formas de tributação. Por todo o exposto, a realização de perícia ou diligência mostra se prescindível para a solução da lide, devendo ser indeferida com fundamento nos arts. 18 e 29 do Decreto n.° 70.235/72. Veja que no presente caso esse indeferimento, além de laborar em favor do princípio constitucional da razoável duração do processo, não implica cerceamento de defesa, uma vez que motivado de acordo com normas legais e elementos constantes dos autos. Em contraposição à jurisprudência colacionada na impugnação, trago pronunciamento do Supremo Tribunal Federal: Contraditório e Ampla defesa: não ofende o art. 5, LV, da Constituição acórdão que mantém o indeferimento de diligência probatória tida por desnecessária. O mencionado dispositivo constitucional também não impede que o julgador aprecie com total liberdade e valorize como bem entender as alegações e as provas que lhe são submetidas. [STF, AIAgR 623228 / SP, Relator: Min. Ministro Sepúlveda Pertence, DJ 14.09.2007, p. 037]. Assim, não há se falar em cerceamento a direito de defesa ou ao contraditório, pelo simples fato de a DRJ ter entendido que a perícia era considerada prescindível à vista da imputação fiscal e pela ausência de prova que poderia ter sido produzida não apenas no curso do procedimento fiscal, mas com a impugnação. Nulidade – lançamento com base em presunção Quanto ao fato de a fiscalização ter se utilizado da presunção de omissão de receitas prevista no art.42 da Lei nº 9.430/96 (“valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”), não implica nulidade, tendo os requisitos legais sido obedecidos no caso concreto. Tratandose de uma presunção legal, não há se falar em juízo de probabilidade ou em meros indícios, ao menos sob a ótica do aplicador e intérprete da lei. Tal presunção não é absoluta, de modo que é permitida a produção de prova para infirmar a conclusão de que os depósitos sem comprovação de origem caracterizamse como receitas omitidas. Tal probabilidade ou indício de que os depósitos traduzem receita auferida, adotando se as palavras do Recorrente, foram objeto de valoração pelo legislador ao instituir tal presunção. Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.275 9 Cabe lembrar, que a jurisprudência do CARF é firme no sentido da plena aceitação da tributação a partir de depósitos bancários, conforme os seguinte enunciados de súmula: Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Por tais razões, não se acolhe tal preliminar. Nulidade – sigilo bancário Consta dos autos Termo de Declarações (fl.137), de 23/6/08, com ciência do representante legal do contribuinte, em que a fiscalização colheu a autorização para a obtenção dos extratos bancários: “[...] O contribuinte compareceu nesta SAFIS no dia 1710612008 às 14:00 hs, pessoalmente, para solicitar prorrogação de prazo até o dia 11/07/2008 para atendimento do TERMO DE REINTIMAÇÃO FISCAL que lhe foi cientificado em 04/06/2008, momento em que AUTORIZOU esta fiscalização a requerer diretamente aos bancos os extratos e documentos das contas bancárias das quais é titular, sua esposa e dependentes, tendo em vista que os bancos não o estavam atendendo. Neste ato, formaliza a autorização, sendo o pedido de prorrogação de prazo indeferido por esta fiscalização.” (destaquei) A alegação de desconhecimento jurídico do representante legal não se sustenta minimamente, pois a questão não se resolve sob o prisma da compreensão da norma tributária que trata da presunção de omissão de receitas, mas pela permissão que foi dada ao Fisco para obter os extratos bancários do contribuinte. Não é crível que o representante legal estivesse alheio ao fato de que os dados seriam auditados. Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.276 10 Também não consta dos autos que o representante tenha sido “instado a produzir provas contra si”. Daquele Termo de Declarações extraise exatamente o contrário, pois a autorização foi motivada, segundo ali informado, em razão de os bancos não estarem atendendo ao requerimento para fornecimento dos extratos bancários. Por tais razões, também não se acolhe tal preliminar. Nulidade – irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) Sustenta o Recorrente que os autos de infração de CSLL, PIS e Cofins seriam nulos, pois no MPF não constaria autorização para a fiscalização de tais tributos. Com relação a supostas impropriedades na expedição do MPF, não maculam a ação fiscal, tampouco o seu resultado, considerando a competência legal conferida ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para conduzir o procedimento fiscal e lavrar os autos de infração. O MPF, que não se traduz em elemento indispensável ao lançamento, é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, de forma a não se falar em nulidade dos autos de infração até mesmo em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou nas sucessivas prorrogações, tese esta contemplada em vários julgados administrativos, inclusive desta Terceira Turma Ordinária (exemplificativamente: acórdão nº 1103000.808, de 5/3/13). Como bem cuidou acórdão nº 10706.820, de 16/10/02, eventual descumprimento da norma infralegal que regula o MPF pode desencadear a apuração de responsabilidades administrativas do agente fazendário responsável pelo procedimento, jamais a invalidade deste e do lançamento decorrente. O Decreto nº 70.235/72, estabelece os requisitos de um auto de infração, todos contemplados no presente caso: Art.10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.(destaquei) Normas que regem o MPF não modificam, até mesmo por não se revestirem em instrumento hábil, a competência da autoridade fazendária estatuída em lei. A respeito, vejamos esclarecedora decisão administrativa: MPF – DESCUMPRIMENTO DA PORTARIA SRF 1265/99 – NULIDADE – O desrespeito ao prazo previsto na Portaria SRF 1265/99 não implica na nulidade dos atos administrativos posteriores, porque Portaria do Secretário da Receita Federal não pode interferir na investidura de competência do AFRF de Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.277 11 fiscalizar e promover lançamento; ademais, o art. 13 dessa Portaria não traz como conseqüência a nulidade do ato (...). (1º CC, Oitava Câmara, Acórdão 10807523 de 10/09/2003). Destaquese, ainda, acórdão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que tratou da autonomia do ato de lançamento, quando se entendeu não haver vinculação a outro ato administrativo, a exemplo do combatido MPF: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. CSLL. IMPOSSIBILIDADE. TÍTULO DA DÍVIDA ATIVA LÍQUIDO E CERTO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. 1. A Apelante alega que o ano de 1999 não poderia ter sido fiscalizado pela autoridade administrativa, por não se encontrar descrito no Mandado de Procedimento Fiscal que impulsionou a fiscalização fazendária; 2. O lançamento tributário é obrigação da autoridade fiscal, ao detectar infração à legislação tributária, pois se trata de atividade administrativa vinculada, sob pena, inclusive, de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142, do CTN; 3. Impossibilidade de se vincular lançamento tributário a outro ato de cunho meramente administrativo; 4. Inexistência de mácula no Procedimento Administrativo Fiscal, que obedeceu plenamente aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, e possui todos os demais elementos essenciais de validade. Apelação improvida. (3ª Turma, AC 434330/SE, Rel. Élio Wanderley de Siqueira Filho, Julgamento em 15/05/08, DJ 31/07/08) (destaquei) Acrescentese a precisão do acórdão da DRJ, especificamente quanto à alegação do Recorrente de que o MPF não contemplaria autorização para a fiscalização atinente à CSLL, PIS e Cofins. Tais fundamentos agregamse aos anteriores na resolução de tal questão preliminar e são aqui adotados, in verbis: “[...] Em relação aos poderes conferidos pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, o fato de esse Mandado referirse à fiscalização do imposto sobre a renda não obsta os lançamentos reflexos de outros tributos ou contribuições, como ocorreu no presente caso em relação à CSLL, ao PIS/Pasep e à Cofins. O art. 8° da Portaria RFB n° 11.371/2007, que estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela RFB, deixa claro a validade desse procedimento: Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPF E, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.278 12 Tal disposição, que já constava das Portarias anteriores que trataram do MPF, é observada pela jurisprudência administrativa, que, aliás, também entende ser o MPF mero instrumento de controle administrativo, não interferindo na legitimidade do lançamento, que decorre de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN).” Não se acolhe, portando, tal preliminar. DO MÉRITO No recurso voluntário, alegase inicialmente que os valores depositados nas contas correntes seriam de titularidade de sociedades distintas da correntista, pois teria havido confusão na realização dos negócios por parte do Sr. Genuíno da Rocha Netto, sócio administrador do sujeito passivo. Segundo o Recorrente, “...por desorganização, falta de conhecimento técnico, e inabilidade empresarial realizada os negócios jurídicos de suas empresas em nome de empresa diversa daquela que deveria ser a real participante do negócio, por ter naquele tipo de negócio seu objeto social [...]. Assim, o empresário, dono e gestor dos negócios da ora Recorrente, analisava apenas a viabilidade de realização dos negócios que lhe eram propostos, fechandoos de pronto para não perder a oportunidade, assinando em nome de qualquer de suas empresas, por desconhecer que deveria realizar determinados negócios em nome de um ou de outra”. Acontece que não foi carreada aos autos qualquer prova a lastrear tais alegações, sendo este um ônus da defesa, conforme artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). O Recorrente ainda afirmou que a maior parte dos valores que transitaram por suas contas correntes decorreria do exercício de intermediação de negócios agronômicos (venda de gados para pessoas físicas ou jurídicas e revenda de produtos, principalmente de pecuária), sendolhe cabível como receita tributável apenas um percentual; bem como de “procedimentos/movimentos a título de custódia de cheques”. Uma vez mais, frisese, não se desincumbiu o autuado do ônus da prova de suas alegações, de maneira que não podem ser acolhidas. Acrescentese, como destacado pela Primeira Turma da DRJ – Juiz de Fora (MG), que “...a afirmação da impugnante de que os depósitos referemse à intermediação de negócios agronômicos, realizada em conformidade Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.279 13 com o seu objetivo social, está em desacordo com os depoimentos do Sr. Genuíno (fl.137) e de testemunhas, colhidos pela fiscalização”. Sobre as supostas incongruências relacionadas com a duplicidade de lançamentos, tal alegação igualmente não merece prosperar. Dos 8 (oito) créditos considerados pelo Recorrente como amostragem (fl.55 do recurso voluntário), 5 (cinco) teriam sido depósitos realizados por Brasil Dois Turismo Ltda na conta da RN Agro Representações Ltda, e 3 (três) na conta do Sr. Genuíno da Rocha Netto. Considerando as datas de tais créditos apontadas pelo Recorrente (23/4/07, 29/4/07, 29/1/04, 5/3/04, 23/9/04, 9/9/04, 10/9/04 e 22/1/04), vêse que, além de os realizados em 2007 não se referirem aos fatos geradores dos créditos tributários constituídos, os ocorridos em 2004 não indicam a duplicidade alegada. Assim, novamente se está diante de alegações desprovidas de comprovação, como observado pelo acórdão recorrido: “[...] A impugnante argumentou que muitos dos valores creditados foram equivocadamente lançados duas ou mais vezes, seja por estorno, seja por transferência entre contas de mesmo titular, Sr. Genuíno. Compulsando os autos, verifico que o Termo de Intimação Fiscal 002 (fls.157/472) demonstra que a fiscalização cuidou de minudenciar os créditos a serem considerados na autuação e aqueles que seriam desprezados em razão de não se amoldarem à presunção legal do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, como ‘resgates de aplicações financeiras, empréstimos bancários, transferência entre agência, depósitos de cheques devolvidos, enfim, os créditos que, pelas suas características, não possam configurar um rendimento, e que foram detectados nos históricos dos extratos bancários.’ De outro lado, mais uma vez, os argumentos da contribuinte carecem de comprovação, a qual, em conformidade com o disposto no art. 42 da Lei n.° 9.430/96, deve se dar ‘mediante documentação hábil e idônea’. Observo que a planilha aduzida na impugnação não se presta a comprovar a duplicidade de lançamento, pois não especifica e não comprova as operações que deram origem às alegadas transferências de numerário entre contas bancárias movimentadas pelo Sr. Genuíno.” A respeito da autuação, cumpre salientar que foi devidamente fundamentada, inclusive quanto ao arbitramento do lucro, baseado na imprestabilidade da escrituração para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária (art.47, II, a, da Lei nº 8.981/95), vez que “...nem o Livro Caixa (Documento 15) nem o Livro de Prestação de Serviços (Documento 16) apresentam qualquer movimentação bancária”, representando as receitas escrituradas parcela insignificante dos valores creditados nas contas correntes. Quanto à multa de ofício, foi aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) com base nos seguintes fundamentos: “[...] O elemento caracterizador da qualificação da multa é o dolo, com a conseqüência de redução ou supressão de tributo. Entendemos que no presente caso o comportamento do Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.280 14 contribuinte revela o elemento subjetivo do dolo, uma vez que a movimentação financeira apresenta um volume muito alto, enquanto sua escrituração não reflete a mínima parte dela. Ora, deixar de escriturar movimentações tão relevantes, durante todo o período, não pode ser atribuído a equívoco ou esquecimento, mas mostra, segundo nossa convicção, a vontade clara de omitir informações aos destinatários da escrituração. ..... Constatamos que a empresa informou na DIPJ apenas 0,03% das receitas apuradas pelo Fisco no 3º trimestre de 2003. Já no 4º trimestre, foi declarado somente 0,07%. No ano de 2004, os valores escriturados do 1º ao 4º trimestre foram de 0,09%, 0,15%, 0,26% e 0,20% respectivamente. Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em escriturálos e declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Ao tentar ocultar, em tese, tamanha movimentação bancária à Administração Tributária Federal , tinha o contribuinte a consciência de que a conduta levaria a resultado ilícito. Como já dito nesse relatório, o contribuinte, por si ou suas empresas citadas, teve como atividades a prática de remessas internacionais para terceiros, à margem da rede bancária, caracterizador de crime contra o sistema financeiro nacional. Além disso, é patente a sonegação fiscal. Sabia ele que omitir valores tão relevantes ao fisco produziria o resultado alcançado; Esse esquema de câmbio desautorizado e remessas internacionais, tão comum em nossa região, prestase não somente a inocentes trabalhadores brasileiros atuando no exterior, mas também a toda espécie de lavagem de dinheiro e suprimento de fundos a organizações criminosas de toda espécie. Alguns depoimentos de funcionários do Sr. Genuíno, cujas cópias anexamos, confirmam à monta as irregularidades, inclusive do uso de interposta pessoa funcionários subalternos para encobrir negócios do auditado: ..... Corre na 4a . Vara Federal de Belo Horizonte/MG o processo 2004.38.000229905, tendo como objeto Crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos ou valores (Lei 9.613/981 crimes previstos na legislação extravagante penal, envolvendo o auditado e as operações de suas empresas, conforme consta do Oficio de 2210212008 da Ministério! Público Federal . Não se trata, neste caso sob foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em escriturálos e declará los ao fisco federal pudesse ser atribuída a falhas provindas da negligência nos seus controles contábilfiscais. Ao tentar ocultar, em tese, tamanha movimentação bancária à Administração Tributária Federal, tinha o contribuinte a consciência de que a conduta levaria a resultado ilícito. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.281 15 Por essas considerações, entendemos cabível enquadrar a situação fática no artigo 71 da Lei 4.502/64: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Em virtude do exposto, a multa de ofício aplicada foi aquela prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430196, de 150% (cento e cinqüenta por cento) [...]”. Patente, portanto, o dolo do contribuinte, ao deixar de escriturar sua movimentação bancária e não declarar suas receitas ao Fisco federal. À vista de tais condutas, não se chega a outra conclusão senão a de que agiu, livre e conscientemente, para impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Como entender diferentemente, se deixou de escriturar depósitos bancários que totalizaram mais de 90 milhões de reais, no período de julho de 2003 a dezembro de 2004? Caracterizado, diante desta conduta, o evidente intuito de fraude. Conforme visto, transitou pelas contas bancárias do contribuinte um considerável volume de recursos financeiros, para os quais não apresentou qualquer justificativa de origem, o que permitiu considerálos, por presunção legal, como receitas omitidas. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei nº 8.137, de 27/12/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: ….. II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Por conseguinte, é cabível a multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no art.44, II, da Lei nº 9.430/96, que tinha a seguinte redação quando da ocorrência dos fatos geradores: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.282 16 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A aplicação da multa de ofício no percentual de 150% justificase por expressa imposição legal. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, sendo a atividade administrativa de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Quanto à suposta violação dos princípios da razoabilidade e da vedação do confisco, sustentada pelo Recorrente, vale evidenciar uma limitação característica do contencioso administrativo tributário federal, qual seja, ser defeso negar aplicação a dispositivo legal plenamente vigente. O Decreto nº 70.235/72 estabelece, como regra, a proibição de os órgãos de julgamento afastarem lei, ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ..... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. A propósito, após reiteradas decisões, a matéria foi objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante no CARF, que recebeu a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Ao basear sua atuação no exercício de uma competência legalmente estabelecida, que, de acordo com o vigente ordenamento jurídico, autoriza em determinadas hipóteses a incidência de multa de ofício no percentual de 150%, não há se falar em abuso de poder por parte das autoridades fazendárias. Da mesma forma, não restou caracterizado qualquer desvio de finalidade, vez que os lançamentos lastrearamse em dispositivos legais vigentes e foram efetivados com vistas à constituição de créditos tributários. Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.283 17 Por todas essas razões, mantémse a qualificação da multa de ofício. Quanto à aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A legalidade do cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Sendo assim, não há previsão legal para o pleito do Recorrente, de limitar mensalmente os juros de mora ao percentual unitário, razão pela qual se afasta tal pretensão. Relativamente à perícia requerida, não pode o pleito ser acolhido, pois o Recorrente, com a sua realização, busca esclarecer fatos por ele alegados, que já deveriam ter sido comprovados desde a impugnação, conforme artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, reiterese, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Não tendo o Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma perícia, indeferese o pedido. Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13629.004390/200817 Acórdão n.º 1103000.993 S1C1T3 Fl. 1.284 18 Por fim, aplicase o decisum aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a relação de causa e efeito. A propósito, vale lembrar o que dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10850.907505/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 50 5/ 20 11 -1 9 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907505/201119 Resolução nº 3801000.691 S3TE01 Fl. 140 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de PIS, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração novembro de 2000, no valor de R$ 574,76. O pedido foi transmitido através do PER nº 02590.44866.090605.1.2.04 4534, fls. 2/4, em 09/06/2005.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 8. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 9/17, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907505/201119 Resolução nº 3801000.691 S3TE01 Fl. 141 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica.. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 48/49). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2000 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907505/201119 Resolução nº 3801000.691 S3TE01 Fl. 142 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de PIS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 142DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907505/201119 Resolução nº 3801000.691 S3TE01 Fl. 143 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.907505/201119 Resolução nº 3801000.691 S3TE01 Fl. 144 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição PIS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de PIS no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 144DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10768.901839/2006-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Aug 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 39 /2 00 6- 42 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 94/98 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Tendo em vista que parte do crédito informado no PER/DCOMP já fora utilizada pelo sujeito passivo, não merece reparo o despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada, até o limite do direito creditório remanescente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação anexa às fls. 02/06 com o intuito de compensar débito próprio com suposto crédito de COFINS oriundo de pagamento supostamente indevido ou a maior realizado em 12/04/1999. Todavia, aludida compensação foi homologada apenas parcialmente, uma vez que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado em parte na quitação de outros débitos da empresa, restando, assim, saldo disponível inferior ao crédito pretendido e, portanto, insuficiente para a quitação integral do débito a compensar. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901839/200642 Acórdão n.º 3802003.355 S3TE02 Fl. 125 3 b) que a RFB entendeu ser insuficiente o crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, pelo fato de o DARF indicado no PER/DCOMP, no valor de R$ 103.076,92, já estar quase que integralmente alocado ao débito de COFINS de março de 1999, informado na DCTF original do primeiro trimestre de 1999, débito este cujo montante foi reiterado na última DCTF apresentada pelo sujeito passivo, acostada às fls. 25/27. 12. Além disso, o próprio despacho decisório se fundamenta na retificadora, indicando como crédito disponível apenas a parcela do DARF correspondente aos juros (R$ 1.017,25), como se observa na fl. 8. 13. Assim, a existência de crédito superior ao já considerado no dito despacho é desmentida pela própria declaração citada pela recorrente, não restando alternativa senão confirmar a homologação parcial da compensação declarada. (nos termos do acórdão da DRJ, fls. 96 do processo eletrônico) A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 122). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 100/119, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, foi homologada apenas parcialmente em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido utilizado quase que integralmente para fins de quitação de débitos da interessada. O DARF indicado no PER/DCOMP, no valor de R$ 103.076,92, foi quase que integralmente alocado ao débito de COFINS de março de 1999 informado na DCTF original e, por fim, na última DCTF retificadora do primeiro trimestre de 1999, esta, aliás, a declaração em que se fundou o despacho decisório que homologou apenas em parte a compensação. Logo, como assevera a própria instância a quo, “a existência de crédito superior ao já considerado no dito despacho é desmentida pela própria declaração citada pela recorrente, não restando alternativa senão confirmar a homologação parcial da compensação declarada”. Considerando, pois, que não está demonstrado nos autos a existência do crédito reclamado, não há como deferir a compensação nos moldes intentados pela reclamante. Com efeito, a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10768.901839/200642 Acórdão n.º 3802003.355 S3TE02 Fl. 126 5 que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13888.916059/2011-96
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 31/10/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 31/10/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/10/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 59 /2 01 1- 96 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 29/51 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 371,53, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de outubro de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 3802002.829 S3TE02 Fl. 88 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 02/07/2013 (fls. 56 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 12/07/2013 (fls. 85), o recurso voluntário de fls. 62/79, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 58/59, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 3802002.829 S3TE02 Fl. 89 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 58/59). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916059/201196 Acórdão n.º 3802002.829 S3TE02 Fl. 90 7 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000248/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 26/11/2002
RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Correta a exoneração de crédito tributário referente à multa regulamentar do IPI, aplicada sobre o valor das mercadorias importadas, por falta de comprovação de irregularidades na importação.
Numero da decisão: 3301-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 26/11/2002 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Correta a exoneração de crédito tributário referente à multa regulamentar do IPI, aplicada sobre o valor das mercadorias importadas, por falta de comprovação de irregularidades na importação.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 26/11/2002 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Correta a exoneração de crédito tributário referente à multa regulamentar do IPI, aplicada sobre o valor das mercadorias importadas, por falta de comprovação de irregularidades na importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou procedente a impugnação interposta contra o lançamento de Multa Regulamentar do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 02 48 /2 00 3- 11 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), igual ao valor dos produtos importados em situação irregular. O lançamento decorreu da entrega de produtos estrangeiros para consumo, importados, de forma irregular, segundo a Fiscalização, e teve como fundamento legal o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 1998, art. 463, I, cuja matriz legal é o art. 83, I, da Lei nº 4.502, de 1964, c/ a redação do Decreto lei nº 400, de 1998, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 08. Cientificada da exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento (fls. 823/824), alegando, em síntese, que não teve tempo hábil, durante o procedimento da fiscalização, para apresentar a documentação solicitada pelo autuante, requerendo a juntada dos documentos, em anexo, que comprovam as operações aduaneiras efetuadas no período, objeto da ação fiscal. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, conforme Acórdão nº 0921.135, datado de 09/10/2008, às fls. 135/139, sob a seguinte ementa: “INFRAÇÕES E PENALIDADES. MULTA REGULAMENTAR. INCISO I DO ART. 463 DO RIM/98. ELEMENTOS TÍPICOS COMPONENTES DO ILÍCITO. Não se tratando as importações registradas no sistema Lince de importações clandestinas, mas, daquelas que regularmente se submeteram a todos os procedimentos de despacho aduaneiro, inclusive com o competente registro da DI Declaração de Importação no Siscomex, e nem se podendo tomálas por irregulares ou fraudulentas, por falta de análise documental direta por parte do Fisco, é de se considerar não ocorrido o suporte fático da autuação importação clandestina, irregular ou fraudulenta que é o pressuposto da multa regulamentar.” Por ter exonerado crédito tributário (multa regulamenta), em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Intimada da decisão, a recorrente não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento do crédito tributário, pela autoridade julgadora de primeira instância, teve como fundamento a regularidade das importações efetuadas pelo interessado. O auto de infração foi lavrado sob o fundamento de importação irregular de mercadorias, consumo e/ ou entrega para consumo, com infração ao art. 463, I, do Decreto nº 2.637, de 1998 (RIPI). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10074.000248/200311 Acórdão n.º 3301002.306 S3C3T1 Fl. 154 3 No entanto, conforme demonstrado na decisão recorrida e consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do próprio auto de infração, o fato gerador e a base de cálculo, utilizados para aplicação da multa, foram as operações registradas no sistema Linhas de Informação de Comércio Exterior Lince Fisco , destinado a fornecer informações agregadas ou individualizadas sobre exportações e importações, na forma da Portaria Copat nº 1, de 3 de abril de 2008. Este sistema registra e permite a consulta sobre todas as importações realizadas e registradas, a partir de 1997, inclusive, individualizadas por Declaração de Importação (DI). Dessa forma, correta a decisão da autoridade julgadora de primeira instância que exonerou o interessado do pagamento do crédito tributário. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721302/2011-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.297
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório
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FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .7 21 30 2/ 20 11 -8 9 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 394 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 3ª Turma da DRJ/BHE, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, nos termos do voto do relator, julgar parcialmente procedente a impugnação para: · INDEFERIR os pedidos de produção posterior de prova documental e de realização de diligência; · INDEFERIR o pedido de que intimações sejam encaminhadas ao endereço de advogado do sujeito passivo; · INDEFERIR o pedido de sustação ou suspensão da tramitação do processo; · REJEITAR as argüições de nulidade e de decadência; · MANTER PARCIALMENTE o crédito tributário constituído, para quanto ao lançamento de IRPJ, REDUZIR o montante do tributo exigido para R$2.457.894,49, assim como, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos; e quanto ao lançamento de CSLL, REDUZIR o montante do tributo exigido para R$143.634,16, assim como, na mesma proporção, as multas e os juros de mora correlatos. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: “Os autos de infração a folhas 87 a 98 exigem da autuada o recolhimento de crédito tributário no montante de R$ 13.006.646,80, assim discriminado: TRIBUTO JUROS DE MORA MULTA TOTAL Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) 4.856.600,68 2.391.875,83 3.642.450,51 10.890927,02 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 943.464,79 464.656,40 707.598,59 2.115.719,78 DESCRIÇÃO DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS À SUCEDIDA Auto de infração de IRPJ O autuante, remetendose ao relatório de auditoria fiscal a folhas 101 a 134, atribui à autuada uma só infração referente ao anocalendário de 2006, de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE – SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES – Compensação indevida de prejuízos fiscais, tendo em vista reversões dos prejuízos após o lançamento das infrações constatadas. Enquadramento legal: artigo 64 do Decretolei nº 1.598, de 1977; artigo 31 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 40, § 2º, do Decreto nº 332, de 04.11.1991; artigo 424, artigo 426, § 1º, ambos do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 1994 (RIR 1994); artigo 247, artigo 250, inciso III, artigo 251, parágrafo único, artigos 456, 458, 509 e 510, todos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda 1999 – RIR 1999; artigo 34 da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 395 3 Auto de infração de CSLL O autuante atribui à autuada uma só infração referente ao anocalendário de 2006, de cuja descrição adiante se faz uma síntese, segundo o que consta no lançamento. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES – COMPENSAÇÃO INDEVIDA – Valor apurado conforme relatório de auditoria fiscal anexado a folhas 101 a 134. Enquadramento legal: artigo 2º, e seus parágrafos, e artigo 6º, parágrafo único, ambos da Lei nº 7.689, de 1988; artigo 58 da Lei nº 8.891, de 1995; artigo 16 da Lei nº 9.065, de 1995; artigo 37 da Lei nº 10.637, de 2.002. RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL No relatório de auditoria fiscal a folhas 101 a 134 o autuante apresenta a motivação do lançamento. Os enunciados seguintes resumem o seu conteúdo. · Foi iniciado procedimento de revisão da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário 2006, em virtude de diferenças apuradas em valores compensados de prejuízo fiscal na apuração do lucro real, e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos bases anteriores. Os valores informados DIPJ 2007 estão superiores aos valores apurados no sistema SAPLI da RFB, conforme tabela adiante. Período de apuração 01/2006 até 12/2006 Compensado em DIPJ Constantes nos sistemas da RFB Prejuízo compensado R$ 81.483.960,30 R$ 62.033.558,12 Base de Cálculo Negativa R$ 95.462.915,63 R$ 84.979.973,66 · Da análise da planilha apresentada pelo contribuinte, concluiuse que houve compensação a maior de prejuízos fiscais do IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL que não constam dos sistemas da RFB (SAPLI). Para melhor esclarecimento dos valores apurados pela RFB elaboraramse as planilhas abaixo que demonstram ano a ano o saldo existente e as compensações efetuadas em conformidade com os valores declarados em DIPJ. Ao final verificase que o saldo existente em 2006 confere com os dados da tabela supra. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL (ANO A ANO) PLANILHA 01 DIPJ 1990 (ANOCALENDÁRIO 1989) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 () CZ$2.165.051.086,00 15,8188 () NC$34.248.508,00 1989 (+) NCZ$27.064.092,00 (+) NCZ$27.064.092,00 1988 () NCZ$7.184.416,00 Notese que em 1989 foi apurado lucro de NCZ$27.064.092,00 que foi compensado integralmente com parte do saldo de prejuízo existente em 1988 NCZ$34.248.508,00), logo, o saldo remanescente de prejuízo em 1988 é de R$7.184.416,00 = R$34.248.508,00 R$27.064.092,00. PLANILHA 02 DIPJ 1991 (ANOCALENDÁRIO 1990) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 () NCZ$7.184.416,00 9,4512 () Cr$67.901.352,00 1989 Cr$0,00 Cr$0,00 1990 () Cr$684.706.346,00 Cr$684.706.346,00 PLANILHA 03 DIPJ 1992 (ANOCALENDÁRIO 1991) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$67.901.352,00 5,7682 () Cr$391.668.758,00 1990 ()Cr$684.706.346,00 5,7682 () Cr$3.949.523.144,00 1991 ()Cr$8.702.306.213,00 ()Cr$8.702.306.213,00 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 396 4 PLANILHA 04 DIPJ 1993 (ANOCALENDÁRIO 1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$391.668.758 1,2336 ()Cr$483.162.357,00 1990 ()Cr$3.949.523.144,00 1,2336 ()Cr$10.735.164.944,00 1991 ()Cr$8.702.306.213,00 1,2336 ()Cr$10.735.164.944,00 1992 (+)Cr$1.785.873.907,00 (+)Cr$1.785.873.907,00 1988 ()Cr$9.413,00 1990 ()Cr$3.569.410.787,00 Notese que em janeiro de 1992, foi apurado Lucro de Cr$l.785.873.907,00 que foi integramente compensado com parte do prejuízo de 1988 e parte do prejuízo de 1990, da seguinte forma: Cr$1.785.873.907,00 Cr$483.152.944,00 (1988) Cr$l.302.720.963, 00 (1990) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo tornase igual a : 1988 Cr$9.413,00 = Cr$483.162.357,00 Cr$483.152.944, 00 1990 Cr$3.569.410.787,00 = Cr$4.872.131.750,00 Cr$l.302.720.963,00 O contribuinte compensou em janeiro de 1992 Cr$l.785.873.907,00 integralmente com o saldo de prejuízo de Cr$l.785.873.907,00 de 1988. Como pode ser verificado na Planilha 04, não havia este saldo para compensação em 1988 (saldo R$483.162.357,00). PLANILHA 05 DIPJ 1993 (FEVEREIRO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$9.413,00 1,2839 () Cr$12.085 1990 ()Cr$3.569.410.787,00 1,2839 () Cr$4.582.766.509,00 1991 ()Cr$10.735.164.944,00 1,2839 ()Cr$13.782.878.271,00 1992 (+)Cr$2.511.944.392,00 (+)Cr$2.511.944.392,00 (*) 1990 ()Cr$2.070.822.117,00 (**) Em fevereiro de 1992, foi apurado Lucro de Cr$2.511.944.392,00 que foi integramente compensado com parte do prejuízo de 1990, da seguinte forma: Cr$2.511.944.392,00 Cr$2.511.944.392,00 (1990) = Cr$0,00 Logo, O saldo de prejuízo tornase igual a: 1990 Cr$2.070.822.117,00 = Cr$4.582.766.509,00 Cr$2.511.944.392,00 o contribuinte compensou em fevereiro de 1992 Cr$2.511.944.392,00 integralmente com o saldo de prejuízo de Cr$546.414.320,00 de 1988 e parte do prejuízo de 1990, Cr$l.965.530.072,00. Como pode ser verificado na Planilha 05 não havia este saldo para compensação em 1988 (saldo R$12.085,00). PLANILHA 06 DIPJ 1993 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$12.085,00 1,2076 ()Cr$14.593,00 1990 ()Cr$2.070.822.117,00 1,2076 ()Cr$2.500.724.788,00 1991 ()Cr$13.782.822.117,00 1,2076 ()Cr$16.644.203.800,00 1992 ()Cr$117.881.870,00 1,2076 ()Cr$117.881.870,00 PLANILHA 07 DIPJ 1993 (ABRIL/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$14.593,00 1,2027 () Cr$17.551,00 1990 ()Cr$2.500.724.788,00 1,2027 () Cr$3.007.621.702,00 1991 ()Cr$16.644.203.800,00 1,2027 ()Cr$20.017.983.910,00 1992 ()Cr$117.881.870,00 1,2027 ()Cr$141.776.525,00 1992 (+)Cr$4.596.549.256,00 (+)Cr$4.596.54 9.256,00 1990 ()CR$518.412,00 1991 ()Cr$18.428.537.944,00 Em abril de 1992, foi apurado Lucro de Cr$ 4.596.549.256,00 que foi integramente compensado com parte do prejuízo de 1990 e 1991, da seguinte Fl. 396DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 397 5 forma: Cr$4.596.549.256,00 Cr$3.007.103.290,00 (1990) Cr$1.589.445.966,00 (1991) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo tornouse igual a : 1990 Cr$518.412,00 = Cr$3.007.621.702,00 Cr$3.007.103.290,00 1991 Cr$18.428.537.944,00 = Cr$20.017.983.910,00 Cr$l.589.445.966,00 o contribuinte compensou em abril de 1992 Cr$4.596.549.256,00 integralmente com o saldo de prejuízo de Cr$4.596.549.256,000 de 1990. Como pode ser verificado na Planilha 07 não havia este saldo para compensação em 1990 (saldo R$3.007.621.702,00). PLANILHA 08 DIPJ 1993 (MAIO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$17.551,00 1,2429 () Cr$21.814,00 1990 ()Cr$518.412,00 1,2429 () Cr$644.334,00 1991 ()Cr$18.428.537.94 4,00 1,2429 ()Cr$22.904.82 9.810,00 1992 ()Cr$141.776.525,00 1,2429 ()Cr$176.214.042,00 1992 (+)Cr$2.438.701.583,00 (+)Cr$2.438.701.583,00 (*) 1991 ()Cr$20.466.128.227,00 (**) Em maio de 1992, foi apurado Lucro de Cr$2.438.701.583, 00 que foi integramente compensado com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: Cr$2.438.701.583,00 Cr$2.438.701.583,00 (1991) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo tornase igual a: 1991 Cr$20.466.128.227,00 = Cr$22.904.829.810,00 Cr$2.438.701.583,00 O contribuinte compensou em maio de 1992 Cr$2.438.701.583,00 integralmente com o saldo de prejuízo de Cr$l.571.610.346,00 de 1990 e Cr$867.091.237,00 de 1991. Como pode ser verificado na Planilha 08 não havia este saldo para compensação em 1990 (saldo R$644.334,00). PLANILHA 09 DIPJ 1993 (JUNHO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$21.814,00 1,2114 () Cr$26.425,00 1990 ()CR$644.334,00 1,2114 () Cr$780.546,00 1991 ()Cr$20.466.128.227,00 1,2114 ()Cr$24.792.667.734,00 1992 ()Cr$176.214.042,00 1,2114 ()Cr$213.465.690,00 1992 ()Cr$3.974.405.515,00 ()Cr$3.974.405.515,00 1992 ()Cr$4.187.871.205,00 Saldo de prejuízo em junho de 1992 = Cr$4.187.871.205,00 = Cr$213.465.690,00 (saldo 1992 acumulado) + Cr$3.974.405.515,00 (prejuízo junho de 1992). PLANILHA 10 DIPJ 1993 (JULHO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$26.425,00 1,2244 () Cr$32.354,00 1990 ()Cr$780.546,00 1,2244 () Cr$955.700,00 1991 ()Cr$24.792.667.734,00 1,2244 () Cr$30.356.142.373,00 1992 ()Cr$4.187.871.205,00 1,2244 () Cr$5.127.629.503,00 1992 (+)Cr$707.995.453,00 (+) Cr$707.995.453,00 1991 () Cr$29.648.146.920,00 Em julho de 1992, foi apurado lucro de Cr$707.995.453,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo 1991, da seguinte forma: Cr$707.995.453,00 Cr$707.995.453,00 (1991) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: Cr$29.648.146.920,00 = R$30.356.142.373,00 Cr$707.995.453,00 PLANILHA 11 DIPJ 1993 (AGOSTO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$32.354,00 1,2228 () Cr$39.652,00 1990 ()Cr$955.700,00 1,2228 () Cr$1.168.629,00 1991 ()Cr$29.648.146.920,00 1,2228 () Cr$36.253.754.053,00 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 398 6 1992 ()Cr$5.127.629.503,00 1,2228 () Cr$6.270.065.356,00 1992 (+)Cr$3.452.820.624,00 (+) Cr$3.452.820.624,00 1991 () Cr$32.800.933.429,00 Em agosto de 1992 foi apurado lucro de Cr$3.452.820.624,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: Cr$3.452.820.624,00 Cr$3.452.820.624,00 (1991) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: Cr$32.800.933.429,00 = Cr$36.253.754.053,00 Cr$3.452.820.624,00 PLANILHA 12 DIPJ 1993 (SETEMBRO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$39.652,00 1,2405 () Cr$49.076,00 1990 ()Cr$1.168.629,00 1,2405 () Cr$1.449.684,00 1991 ()Cr$32.800.933.429,00 1,2405 () Cr$40.689.557.918,00 1992 ()Cr$6.270.065.356,00 1,2405 () Cr$7.778.016.074,00 1992 (+)Cr$3.851.100.911,00 (+) Cr$3.851.100.911,00 1991 () Cr$36.838.457.007,00 Em agosto de 1992, foi apurado lucro de Cr$3.851.100.911,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: Cr$3.851.100.911,00 Cr$3.851.100.911,00 (1991) = Cr$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: Cr$36.838.457.007,00 = Cr$40.689.557.918,00 Cr$3.851.100.911,00 PLANILHA 13 DIPJ 1993 (OUTUBRO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$49.076,00 1,2636 () Cr$62.012,00 1990 ()Cr$1.449.684,00 1,2636 () Cr$1.831.820,00 1991 ()Cr$36.838.457.007,00 1,2636 () Cr$46.549.074.274,00 1992 ()Cr$7.778.016.074,00 1,2636 () Cr$9.828.301.111,00 1992 ()Cr$10.618.195.700,00 () CrS1O.618.195.700,00 1992 () Cr$20.446.496.181,00 Saldo de prejuízo em outubro de 1992 = Cr$20.446.496.181,00 = Cr$9.828.301.111,00 (saldo 1992 acumulado) + Cr$10.618.195.700,00 (prejuízo outubro de 1992). PLANILHA 14 DIPJ 1993 (NOVEMBRO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$62.012,00 1,2245 () Cr$75.933,00 1990 ()Cr$1.831.820,00 1,2245 () Cr$2.243.063,00 1991 ()Cr$46.549.074.274,00 1,2245 () Cr$56.999.341.448,00 1992 ()Cr$20.446.464.181,00 1,2245 () Cr$25.036.734.57300 1992 (+)Cr$9.187.670.901,00 (+) Cr$9.187.670.901,00 1992 () Cr$34.224.405.474,00 Saldo de prejuízo em novembro de 1992 = Cr$34.224.405.474,00 = Cr$25.036.734.573,00 (saldo 1992 acumulado) + Cr$9.187.670.901,00 (prejuízo novembro de 1992). PLANILHA 15 DIPJ 1993 (DEZEMBRO/1992) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$75.933,00 1,2353 () Cr$93.800,00 1990 ()Cr$2.243.063,00 1,2353 () Cr$2.770.855,00 1991 ()Cr$56.999.341.448,00 1,2353 () Cr$70.411.286.490,00 1992 ()Cr$34.224.405.474,00 1,2353 () Cr$42.277.408.082,00 1992 (+)Cr$38.423.922.671,00 (+) Cr$38.423.922.671,00 1991 () Cr$31.987.363.819, 00 Em dezembro de 1992, foi apurado lucro de Cr$38.423.922.671,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: Cr$38.423.922.671,00 Cr$38.423.922.671,00 (1991) = Cr$0,00 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 399 7 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: Cr$31.987.363.819,00 = Cr$70.411.286.490,00 Cr$38.423.922.671,00 PLANILHA 16 DIPJ 1994 (JANEIRO/1993) ANO VALOR APURADO FC/1.000 VALOR ATUALIZADO 1988 ()Cr$93.800,00 1,3075/1.000 () CRr$122,64 1990 ()Cr$2.770.855,00 1,3075/1.000 () CR$3.621,00 1991 ()Cr$31.987.363.819,00 1,3075/1.000 () CR$41.823.477,00 1992 ()Cr$4 2.277.408.082,00 1,3075/1.000 () CR$55.277.710,00 1993 ()CR$24.914.308,00 () CR$24.914.308,00 Os valores foram atualizados em janeiro de 1993 multiplicandose por 1,3075 e dividindo por 1.000 ( 1,3075 = FC e a divisão por mil se deu pela alteração da moeda de CR$(Cruzeiros) para CR$ ( Cruzeiros Reais)); O prejuízo fiscal de 1988 (R$122,64) poderia ser compensado até o períodobase de 1992, segundo o Art.64 do Decretolei n° 1.598, de 1977: "A pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo apurado em um períodobase com o lucro real determinado nos quatro períodosbase subseqüentes". PLANILHA 17 DIPJ 1994 (FEVEREIRO/1993) ANO VALOR APURADO FC/1.000 VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$3.621,00 1,2672 ()CR$4.588,00 1991 ()CR$41.823.477,00 1,2672 ()CR$52.998.710,00 1992 ()CR$55.277.710,00 1,2672 ()CR$70.047.914,00 1993 ()CR$24.914.308,00 1,2672 ()CR$31.571.411,00 1993 (+)CR$28.425.707,00 (+)CR$28.425.707,00 1991 ()CR$33.744.579,00 Em fevereiro de 1993, foi apurado lucro de R$28.425.707,00 que foi compensado parcialmente com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: CR$28.425.707,00 CR$19.254.131,00 (1991) = CR$9.171.576, 00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: CR$33.744.579,00 = CR$52.998.710,00 CR$19.254.131,00 O contribuinte compensou em fevereiro de 1993 R$28.425.707,00 integralmente com o saldo de prejuízo de Cr$9.171.576,00 de 1989 e parte do prejuízo de Cr$19.254.131,00 de 1991. Como pode ser verificado na Planilha 17 não havia o saldo de CR$9.171.576 para compensação em 1989 (saldo CR$0,00). PLANILHA 18 DIPJ 1994 (MARÇO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$4.588,00 1,2451 () CR$5.712,00 1991 ()CR$33.744.579,00 1,2451 () CR$42.015.375,00 1992 ()CR$70.047.914,00 1,2451 () CR$87.216.657,00 1993 ()CR$31.571.411,00 1,2451 () CR$39.309.563,00 1993 (+)CR$34.825.848,00 (+) CR$34.825.848,00 1991 () CR$7.189.527,00 Em março de 1993, foi apurado lucro de R$34.825.848,000 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1991, da seguinte forma: CR$34.825.848,000 CR$34.825.848,000 (1991) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 tornase igual a: CR$7.189.527,00 = CR$42.015.375,00. PLANILHA 19 DIPJ 1994 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$5.712,00 1,2731 () CR$7.271,00 1991 ()CR$7.189.527,00 1,2731 () CR$9.152.986,00 1992 ()CR$87.216.657,00 1,2731 () CR$111.035.526,00 1993 ()CR$39.309.563,00 1,2731 () CR$50.045.004,00 1993 ()CR$91.041.242,00 () CR$91.041.242,00 1993 () CR$141.086.246,00 Fl. 399DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 400 8 Saldo de prejuízo em abril de 1993 = R$141.086.24 6,00 = R50.045.004,00 (saldo 1993 acumulado) + R$91.041.242,00 (prejuízo abril de 1993). PLANILHA 20 DIPJ 1994 (MAIO/1993) ANO A VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$7.271,00 1,2874 () CR$9.360,00 1991 () :R$9.152.986,00 1,2874 () CR$11.783.554,00 1992 ()CR$111.035.526,00 1,2874 () CR$142.947.136,00 993 ()CR$141.086.246,00 1,2874 () CR$181.634.433,00 1993 (+)CR$31.755.245,00 (+) CR$31.755.245,00 1993 () CR$180.485.373,00 Em maio de 1993, foi apurado lucro de CR$31.755.245,00 que foi compensado parcialmente com o saldo de 1991 e parte do prejuízo de 1993, da seguinte forma: CR$31.755.245,00 CR$11.783.554,00 (1991) CR$1.149.060,00 (1993) = CR$18.822.631,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1991 e 1993 tornase igual a: CR$0,00 = CR$11.783.554,00 CR$11.783.554,00 (1991) CR$180.485.373,00 = CR$181.634.433,00 CR$1.149.060,00 (1993) O contribuinte compensou em maio de 1993 CR$31.755.245,00 integralmente com o saldo de prejuízo de CR$30.606.185, 00 de 1991 e CR$1. 149.060 de 1993. Como pode ser verificado na Planilha 18 não havia o saldo de CR$30.606.185,00 para compensação em 1991 (saldo CR$11.783.554,00). PLANILHA 21 DIPJ 1994 (JUNHO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$9.360,00 1,3012 () CR$12.179,00 1992 ()CR$142.947.136,00 1,3012 () CR$186.002.813,00 1993 ()CR$180.485.373,00 1,3012 () CR$234.847.567,00 1993 (+)CR$240.969.689,00 (+) CR$240.969.689,00 1993 () CR$0,00 1992 () CR$179.881.312,00 Em junho de 1993, foi apurado lucro de CR$240.969.689,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1992 e o saldo de 1993, da seguinte forma: CR$240.969.689,00 CR$6.121.501,00 (1992) CR$234.848.188,00 (1993) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1992 e 1993 tornase igual a: CR$179.881.312,00 = CR$186.002.813,00 CR$6.121.501,00 (1992) CR$0,00 = CR$234.847.567,00 234.848.188,00 (1993). PLANILHA 22 DIPJ 1994 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$9.360,00 1,3251 () CR$16.138,00 1992 ()CR$179.881.312,00 1,3251 () CR$238.360.726,00 1993 (+)CR$209.061.802,00 () CR$209.061.802,00 1992 () CR$29.298.924,00 Em julho de 1993, foi apurado lucro de CR$209.061.802,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1992, da seguinte forma: CR$209.061.802,00 CR$209.061.802,00 (1992) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1992 tornase igual a: CR$29.298.924,00 = CR$238.360.726,00 CR$209.061.802,00. PLANILHA 23 DIPJ 1994 (AGOSTO/19 93) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$16.138,00 1,3022 () CR$21.014,00 1992 ()CR$29.298.924,00 1,3022 () CR$38.153.058,00 1993 ()CR$141.938.071,00 () CR$141.938.071,00 PLANILHA 24 DIPJ 1994 (SETEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO Fl. 400DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 401 9 1990 ()CR$21.014,00 1,3403 () CR$28.165,00 1992 ()CR$38.153.058,00 1,3403 () CR$51.136.543,00 1993 ()CR$141.938.071,00 1,3403 () CR$190.239.596,00 1993 (+)CR$13.310.644,00 (+) CR$13.310.644,00 1993 () CR$176.928.952,00 Em setembro de 1993, foi apurado lucro de CR$13.310.644,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1993, da seguinte forma: CR$13.310.644,00 CR$13.310.644,00 (1993) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1993 tornase igual a: CR$176.928.952,00 = CR$190.239.596,00 CR$13.310.644,00. PLANILHA 25 DIPJ 1994 (OUTUBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$28.165,00 1,3737 () CR$38.690,00 1992 ()CR$51.136.543,00 1,3737 () CR$70.246.269,00 1993 ()CR$176.928.952,00 1,3737 () CR$243.047.301,00 1993 (+)CR$2.922.728,00 (+) CR$2.922.728,00 1993 () CR$240.124.573,00 Em outubro de 1993, foi apurado lucro de CR$2.922.728,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1993, da seguinte forma: CR$2.922.728,00 CR$2.922.,28,00 (1993)= CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1993 tornase igual a: CR$240.124.573,00 = CR$243.047.301,00 CR$2.922.728,00 PLANILHA 26 DIPJ 1994 (NOVEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$38.690,00 1,3213 () CR$51.121,00 1992 ()CR$70.246.269,00 1,3213 () CR$92.816.395,00 1993 ()CR$240.124.573,00 1,3213 () CR$317.276.598,00 1993 (+)CR$8.177.816,00 (+) CR$8.177.816,00 1993 () CR$309.098.782,00 Em novembro de 1993, foi apurado lucro de CR$8.177.816,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1993, da seguinte forma: CR$8.177.816,00 CR$8.177.816, 00 (1993) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1993 tornase igual a: CR$309.098.782,00 = CR$317.276.598,00 CR$8.177.816,00 PLANILHA 27 DIPJ 1994 (DEZEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$51.121,00 1,3657 () CR$69.815,00 1992 ()CR$92.816.395,00 1,3657 () CR$126.759.350,00 1993 ()CR$309.098.782,00 1,3657 () CR$422.136.206,00 1993 (+)CR$382.228.351,00 (+) CRS382.228.351,00 (*) 1993 () CR$39.907.855,00 (**) Em dezembro de 1993 foi apurado lucro de CR$382.228.351, 00 que foi compensado integralmente com saldo de 1993, da seguinte forma: CR$382.228.351,00 00 CR$382.228.351,00,00 (1993) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1993 tornase igual a: CR$39.907.855,00 = CR$422.136.206,00 CR$382.228.351,00 PLANILHA 28 DIPJ 1995 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$69.815,00 1,3886 ()CR$96.945,00 1992 ()CR$126.759.350,00 1,3886 ()CR$176.018.033,00 1993 ()CR$39.907.855,00 1,3886 ()CR$55.416.047,00 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 402 10 1994 (+)CR$231.048.084,00 (+)CR$231.048.084,00 1992 ()CR$56.282,00 1993 ()CR$329.714,00 Em janeiro de 1994, foi apurado lucro de CR$231.048.084,00 que foi compensado integralmente com saldo parte do prejuízo de 1992 e 1993, da seguinte forma: CR$231.048.084,00 CR$175.961.751,00 (1992) = CR$55.086.333,00 (1993) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1992 e em 1993 tornase igual a: CR$56.282,00 = CR$176.018.033,00 CR$175.961.751,00 (1992); CR$329.714,00 = 55.416.047,00 55.086.333,00 (1993) PLANILHA 29 DIPJ 1995 (FEVEREIRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$96.945,00 1,3937 () CR$135.112,00 1992 ()CR$56.282,00 1,3937 () CR$78.440,00 1993 ()CR$329.714,00 1,3937 () CR$459.522,00 1994 (+)CR$0,00 (+) CR$0,00 (*) PLANILHA 30 DIPJ 1995 (MARÇO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$135.112,00 1,4636 () CR$197.749,00 1992 ()CR$78.440,00 1,4636 () CR$114.804,00 1993 ()CR$459.522,00 1,4636 () CR$672.522,00 1994 (+)CR$0,00 (+) CR$0,00 PLANILHA 31 DIPJ 1995 (ABRIL/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$197.749,00 1,4125 () CR$279.320,00 1992 ()CR$114.804,00 1,4125 () CR$162.160,00 1993 ()CR$672.522,00 1,4125 () CR$949.985,00 1994 ()CR$1.990.357.289,00 () CR$1.990.357.289,00 PLANILHA 32 DIPJ 1995 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$279.320,00 1,4157 () CR$395.433,00 1992 ()CR$162.160,00 1,4157 () CR$229.569,00 1993 ()CR$949.985,00 1,4157 () CR$1.344.893,00 1994 ()CR$1.990.357.289,00 1,4157 () CR$2.817.748.814,00 1994 (+)CR$214.514.560,00 (+) CR$214.514.560,00 1994 () CR$2.603.234.254,00 Em maio de 1994, foi apurado lucro de CR$214.514.560,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1994, da seguinte forma: CR$214.514.560,00 CR$214.514.560,00 (1994) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: CR$2.603.234.254,00 = CR$2.817.748.814,00 CR$214.514.560,00 (1994) PLANILHA 33 DIPJ 1995 (JUNHO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$395.320,00 1,4478 () CR$572.507,00 1992 ()CR$229.569,00 1,4478 () CR$332.369,00 1993 ()CR$1.344.893,00 1,4478 () CR$1.947.136,00 1994 ()CR$2.603.234.254,00 1,4478 () CR$3.768.962.552,00 1994 ()CR$3.385.948.397,00 () CR$3.385.948.397,00 1994 () CR$7.154.910.949,00 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 403 11 Saldo de prejuízo em junho de 1994 = CR$7.154.910.949,00 CR$3.768.962.552,00 (saldo 1994 acumulado) + CR$3.385.948.397,00 (prejuízo junho de 1994). PLANILHA 34 DIPJ 1995 (JULHO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()CR$572.507, 00 1,0708/2.750 () R$222,00 1992 ()CR$229.569,00 1,0708/2.750 () R$128,00 1993 ()CR$1.344.893,00 1,0708/2.750 () R$758,00 1994 ()CR$2.603.234.254, 00 1,0708/2.750 () R$2.785.991,00 1994 (+)R$2.356.333,00 (+) R$2.356.333,00 1994 () R$429.658,00 Os valores foram atualizados em julho de 1994 multiplicandose por 1,0708 e dividindo por 2.750 (1,0708 = FC e a divisão por 2.750 se deu pela alteração da moeda de CR$(Cruzeiros) para R$ (Reais). Em julho de 1994 foi apurado lucro de R$2.356.333,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1994, da seguinte forma: R$2.356.333,00 R$2.356.333,00 = R$0.00 (1994). Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: R$429.658,00 = R$2.785.991,00 R$2.356.333,00 (1994). PLANILHA 35 DIPJ 1995 (AGOSTO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()R$222,00 1,0284 () R$228,00 1992 ()R$128,00 1,0284 () R$131,00 1993 ()R$758,00 1,0284 () R$779,00 1994 ()R$429.658,00 1,0284 () R$441.860,00 1994 (+)R$442.746,00 (+) R$442.746,00 1994 () R$0,00 Em agosto de 1994, foi apurado lucro de CR$442.746,00 que foi compensado integralmente com saldo de 1994, da seguinte forma: R$442.746,00 R$441.860,00 (1994) = R$886,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: R$0,00 = R$441.860,00 R$441.860,00 (1994). O sistema SAPLI compensou o valor de R$442.746,00 integralmente com o valor de prejuízo R$441.746,00, quando na verdade havia um excesso de lucro sobre prejuízo de R$886,00. Para todos os efeitos e considerando que o valor é de pequena monta, esta compensação foi acatada. PLANILHA 36 DIPJ 1995 (SETEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()R$228,00 1,0377 () R$236,00 1992 ()R$131,00 1,0377 () R$135,00 1993 ()R$779,00 1,0377 () R$808,00 1994 ()R$3.062.975,00 () R$3.062.975,00 PLANILHA 37 DIPJ 1995 (OUTUBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()R$236,00 1,0190 () R$240,00 1992 ()R$135,00 1,0190 () R$137,00 1993 ()R$808,00 1,0190 () R$823,00 1994 ()R$3.062.975,00 1,0190 () R$3.121.171,00 1994 (+)R$781.249,00 (+) R$781.249,00 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 404 12 1994 () R$2.339.922,00 Em outubro de 1994, foi apurado lucro de R$781.249,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1994, da seguinte forma: R$781.249,00 R$781.249,00 (1994) = R$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: R$2.339.922,00 = R$3.121.171,00 R$781.249,00. PLANILHA 38 DIPJ 1995 (NOVEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 ()R$240,00 1,0296 () R$247,00 1992 ()R$137,00 1,0296 () R$141,00 1993 ()R$823,00 1,0296 () R$847,00 1994 ()R$2.339.922,00 1,0296 () R$2.409.183,00 1994 (+)R$1.755.881,00 (+) R$1.755.881,00 1994 () R$653.302,00 Em novembro de 1994, foi apurado lucro de R$1.755.881,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1994, da seguinte forma: R$1.755.881,00 R$1.755.881,00 (1994) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: CR$653.302,00 = R$2.4 09.183,00 R$1.755.881,00 PLANILHA 39 DIPJ 1995 (DEZEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1990 () R$247,00 1,0225 () R$252,00 1992 () R$141,00 1,0225 () R$144,00 1993 () R$847,00 1,0225 () R$866,00 1994 ()R$653.302,00 1,0225 () R$668.001,00 1994 (+)R$667.986,00 (+) R$667.986,00 1994 () R$15,00 Em dezembro de 1994 foi apurado lucro de R$667.986,00 que foi compensado integralmente com parte do prejuízo de 1994, da seguinte forma: R$667.986,00 R$667.986,00 (1994) = CR$0,00 Logo, o saldo de prejuízo em 1994 tornase igual a: R$15,00 = R$668.001,00 R$667.986,00. PLANILHA 40 DIPJ 1996 (ANOCALENDÁRIO 1995) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO PB/AC 1991/1994 ()R$1.025,00 1,2246 () R$1.255,21 1995 ()R$24.906.256,61 () R$24.906.256,61 O valor de R$1.255,21 corresponde ao prejuízo dos períodosbase de 1991 até 1994(144 + 866 + 15) atualizado pelo FC 1,2246; O prejuízo fiscal de 1990 (R$252,00) poderia ser compensado até o períodobase de 1994, conforme o Art.64 do Decretolei n° 1.598/1977. PLANILHA 41 DIPJ 1997 (ANOCALENDÁRIO 1996) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional ()R$1.480.329,26 Saldo de Prejuízo não operacional ()R$1.480.329,26 PB/AC 1991/1996 ()R$24.907.511,82 (*) Prejuízo fiscal operacional do período base anterior R$0,00 Prejuízo fiscal do períodobase 1996 ()R$50.909.397,99 Prejuízo fiscal operacional do períodobase 1996 ()R$49.429.068,73 (**) (*)R$24.907.511,82 = R$1.251,21 + R$24.906.256,61 (**)Prejuízo fiscal operacional do períodobase R$49.429.068,73 = R$50.909.397,99 R$1.480.329,26 (prejuízo fiscal maior que o resultado não operacional). O prejuízo fiscal, quando há, cumulativamente, resultado não operacional negativo e prejuízo fiscal, é calculado conforme o art.36 da IN SRF n°ll/96. Os prejuízos não operacionais assim apurados deverão ser controlados em folha específica na parte B do LALUR e somente poderão ser compensados nos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 405 13 períodos subseqüentes ao de sua apuração com lucros da mesma natureza, observado o limite de 30% (art. 31 da Lei n° 9.249/95 e art. 36 da IN SRF n° 11/96). PLANILHA 42 DIPJ 1998 (ANOCALENDÁRIO 1997) ANO á VALOR APURADO Resultado não operacional ()R$39.236,68 Saldo de Prejuízo não operacional ()R$1.519.565,94(*) Saldo de prejuízo PB/AC 1991/1997 ()R$24.907.511,82 Prejuízo fiscal oper. do períodobase anterior ()R$49.429.068,73 Lucro real antes das compensações ()R$16.147.320,72 Prejuízo fiscal oper. do períodobase 1991 a 1997 ()R$74.336.580,55 (**) Prejuízo fiscal do períodobase 1997 ()R$16.108.084,04 (***) (*)Soma do saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$39.236,68 + R$1.480.329,26. (**)Soma do saldo de prejuízo PB/AC 1991/1997 e Prejuízo fiscal operacional do período base anterior, R$24.907.511,82 + R$49.429.068,73. (***)Prejuízo fiscal operacional do períodobase R$16.108.084,04 = R$16.147.320,72 R$39.236,68 (prejuízo fiscal maior que o resultado não operacional). PLANILHA 43 DIPJ 1999 (CISÃO PARCIAL ANOCALENDÁRIO 1998) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 1998 ()R$0,00 Saldo de prejuízo não operacional ()R$1.518.046,37 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$90.444.664,59 Prejuízo não operacional compensável R$0,00 Lucro real antes das compensações ()R$3.291.792,27 Prejuízo fiscal oper. do períodobase 1991 a 1998 ()R$90.354.219,93 (**) Prejuízo fiscal do períodobase 1998 ()R$3.288.500,48 (***) (*) Ocorreu uma Cisão parcial em 1998, com parcela remanescente do patrimônio de 99,90%. O saldo do prejuízo nãooperacional ficará proporcional R$1.518.046,37 = R$1.519.565,94 x 0,999(art.33, parágrafo único, do DecretoLei n° 2.341/87). (**) Idem, R$90.354.219,93 = R$90.444.664,59 x 0,999. (***)Idem, R$3.288.500,48 = R$3.291.792,27 x 0,999. PLANILHA 44 DIPJ 1999 (ANOCALENDÁRIO 1998) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 1998 ()R$1.088.976,20 Saldo de prejuízo não operacional ()R$2.607.022,57 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$93.642.720,41 Prejuízo não operacional compensável R$0,00 Lucro real antes das compensações ()R$6.408.238,70 Prejuízo fiscal oper. do períodobase 1991 a 1998 ()R$93.642.720,41 Prejuízo fiscal do períodobase 1998 ()R$5.319.262,50 (**) (*) Soma do saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$1.518.046,37 + R$1.088.976,20. (**) Prejuízo fiscal operacional do períodobase R$5.319.262,50 = R$6.408.238,70 R$1.088.97 6,20 (prejuízo fiscal maior que o resultado não operacional). PLANILHA 45 DIPJ 2000 (ANOCALENDÁRIO 1999) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 1999 ()R$3.598.920, 03 Saldo de prejuízo não operacional ()R$6.205.942,60 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$98.961.982, 91 Prejuízo não operacional compensável R$0,00 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 406 14 Lucro real antes das compensações ()R$13.616.261,85 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$98.961.982,91 Prejuízo fiscal do períodobase ()R$10.017.341,82(**) (*) Soma do saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$2.607.022,57 + R$3.598.920,03. (**)Prejuízo fiscal operacional do períodobase R$10.017.341,82 = R$13.616.261,85 R$3.598.920,03 (prejuízo fiscal maior que o resultado nao operacional). PLANILHA 46 DIPJ 2001 (ANOCALENDÁRIO 2000) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2000 (+)R$34.779,31 Saldo de prejuízo nãooperacional ()R$6.171.163,29 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$108.979.324,73 Prejuízo não operacional compensável ()R$34.779,31 Prejuízo fiscal compensável a partir de 1991 ()R$109.014.104,04 (**) (*)Diferença saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$6.205.942,60 R$34.779,31 (resultado positivo). (**)Soma do saldo de períodos anteriores com prejuízo não operacional compensável = R$108.979.324,73 + R$34.779,31. A partir do anocalendário 1996, o prejuízo não operacional só pode ser compensado com o lucro real se for possível sua "absorção" por resultado não operacional positivo posterior (Lei n°9.249/95, art. 31, IN n°ll/96, art. 36). PLANILHA 47 DIPJ 2002 (ANOCALENDÁRIO 2001) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2001 (+)R$69.418,34 Saldo de prejuízo não operacional ()R$6.101.744,95 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$109.014.104,04 Prejuízo não operacional compensável ()R$69.418,34 Prejuízo operacional compensável a partir de 1991 ()R$109.083.522,38 (**) Lucro real antes das compensações ()R$20.534.715,48 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$109.083.522, 38 Prejuízo fiscal do períodobase ()R$20.534.715,48 (*) Diferença do saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$6.171.163,29 R$69.418,34; (**) Soma do saldo de períodos anteriores com prejuízo não operacional compensável = R$109.014.104,04 + R$69.418,34. PLANILHA 48 DIPJ 2003 (ANOCALENDÁRIO 2002) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2002 (+)R$66.216.501,16 Saldo de prejuízo não operacional ()R$0,00 (*) Saldo anterior de PB anteriores ()R$129.618.237,86 Prejuízo não operacional compensável ()R$6.101.744,95 Prejuízo operacional compensável a partir de 1991 ()R$135.719.982,81 (**) Lucro real antes das compensações ()R$24.635.192,02 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$109.083.522, 38 Compensação de prejuízo de PB anteriores (+)R$6.977.873,57 (***) Prejuízo fiscal do períodosbase a partir de 1991 ()R$128.742.109,24(****) (*) Diferença do saldo do prejuízo não operacional anterior com o resultado não operacional do período, R$6.101.744,95 R$6.101.744,95 (parte do lucro não operacional, R$66.216.501,16); (**) Soma do saldo de períodos anteriores com prejuízo não operacional = R$129.618.237,86 + R$6.101.744,95; (***) Houve em 30/11/2007 fiscalização externa, processo 10620.001277/200791, que alterou o Lucro real antes das compensações de Fl. 406DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 407 15 R$1.375.493,47 para R$24.635.192,02. Esta variação de R$23.259.698,55 alterou, também, a compensação limitada a 30% sobre o lucro real de R$412.648,04 para R$6.977.873,57 (30% de 23.259.698,55); (****) Diferença do saldo do Prejuízo fiscal operacional compensável de PB anteriores (a partir de 1991) e a compensação efetuada no anocalendário de prejuízo fiscal de PB anteriores = R$135.719.982,81 R$6.977.873,57. PLANILHA 49 DIPJ 2004 (ANOCALENDÁRIO 2003) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2003 (+)R$99.985,51 Saldo de prejuízo não operacional a compensar ()R$0,00 Saldo anterior de PB anteriores ()R$128.742.109,24 Prejuízo não operacional compensável ()R$0,00 Lucro real antes das compensações ()R$105.099.096,85 Compensação de prejuízo de PB anteriores ()R$31.529.729,06 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$97.212.380,18 (*) (*)Diferença do saldo do Prejuízo fiscal operacional compensável de PB anteriores (a partir de 1991) e a compensação efetuado no anocalendário de prejuízo fiscal de PB anteriores: R$128.742.109,24 R$31.529.729,06. PLANILHA 50 DIPJ 2005 (ANOCALENDÁRIO 2004) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2001 (+)R$170.198,74 Saldo de prejuízo não operacional a compensar ()R$0,00 Saldo de PB anteriores ()R$97.212.380,18 Prejuízo não operacional compensável ()R$0,00 Lucro real antes das compensações (+)R$30.616.628,91 Compensação de prejuízo de PB anteriores ()R$9.184.988,67 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$88.027.391,51(*) (*)Diferença do saldo do Prejuízo fiscal operacional compensável de PB anteriores (a partir de 1991) e a Compensação efetuado no anocalendário de prejuízo fiscal de PB anteriores: R$97.212.380,18 R$9.184.988,67. PLANILHA 51 DIPJ 2006 (ANOCALENDÁRIO 2005) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2005 ()R$2.585.138,50 Saldo de prejuízo não operacional a compensar ()R$0,00 Saldo de PB anteriores ()R$88.027.391,51 Prejuízo não operacional compensável ()R$0,00 Lucro real antes das compensações (+)R$86.646.111,28 Compensação de prejuízo de PB anteriores ()R$25.993.833,39 Prejuízo fiscal dos Períodosbase a partir de 1991 ()R$62.033.558,12 (*) (*)Diferença do saldo do Prejuízo fiscal operacional compensável de PB anteriores (a partir de 1991) e a Compensação efetuado no anocalendário de prejuízo fiscal de PB anteriores: R$88.027.391,51 R$25.993.833,39. PLANILHA 52 DIPJ 2007 (ANOCALENDÁRIO 2006) ANO VALOR APURADO Resultado não operacional 2006 ()R$1.491.987,39 Saldo de prejuízo não operacional a compensar ()R$0,00 Saldo de PB anteriores ()R$62.033.558,12 Prejuízo não operacional compensável ()R$0,00 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 408 16 Lucro real antes das compensações (+)R$702.683.293,25 Atividade rural ()R$471.901,75 Lucro real após compensações do próprio PB ()R$702.211.391,50 (*) Compensação de prejuízo de PB anteriores ()R$81.483.960,30 (*) Diferença do Lucro real antes das compensações com Prejuízo na Atividade rural = R$702.683.293,25 R$471.901,75. Como pode ser verificado na planilha 51, não havia o valor de R$81.483.960,30 para ser compensado no anocalendário 2006, e sim, o valor de R$66.033.558,12. · Os valores supracitados são em seguida usados em planilha para demonstrar as glosas efetuadas, os valores concedidos ao contribuinte pela análise das DIPJ, e para calcular, pela diferença entre ambos, o valor da glosa efetiva. PLANILHA DE GLOSA DE PREJUÍZOS FISCAIS (EM R$) ANO VALOR DA GLOSA AJUSTE EFETUADO NA DIPJ GLOSA EFETIVA 1995 12.791.175,85 3.055.495,43 9.735.680,42 1996 1.480.329,26 0,00 1.480.329,26 1997 1.143.060,73 0,00 1.143.060,73 1998 644.205,80 0,00 644.205,80 1998 854.857,95 0,00 854.857,95 1998 90.444,66 0,00 90.444,66 2000 0,00 34.779,31 34.779,31 2001 0,00 69.418,34 69.418,34 2002 0,00 6.101.744,95 6.101.744,95 2002 6.977.873,57 0,00 6.977.873,57 2003 4.729.893,00 0,00 4.729.893,00 TOTAL 28.711.840,82 9.261.438,03 19.450.402,79 NOTA 01 : Os ajustes feitos em 1996, 1997 e 1998 na coluna VALOR DA GLOSA foram calculados pela diferença entre o valor do prejuízo fiscal calculado pelo contribuinte conforme planilha apresentada à fiscalização e o valor constante em DIPJ (ver relatório do SAPLI), ou seja: 1996 R$1.480.329,26 = R$50.909.397,99 R$49.429.068,73; 1997 R$1.143.060,73 = R$17.251.144,77 R$16.108.084,04; 1998 R$644.205,80 = R$3.932.706,28 R$3.288.500,48; 1998 R$854.857,95 = R$6.174.120,45 R$5.319.262,50 1998 R$90.444,66 = R$90.444,664,59 R$90.354.219,93 (ajuste para 99,90% do prejuízo fiscal decorrente de Cisão Parcial). NOTA 02: Os ajustes feitos em 2002 e 2003 na coluna VALOR DA GLOSA devemse a alterações dos valores compensados pelo contribuinte (planilha) e o apurado pela fiscalização (ver relatório do SAPLI) conforme abaixo. 2002 R$6.977.873,57 houve em 30/11/2007 fiscalização externa, processo 10620.001277/200791, que alterou o Lucro real antes das compensações de R$1.375.493,47 para R$24.635.192,02. Esta variação de R$23.259.698,55 alterou, também, a compensação limitada a 30% sobre o lucro real de R$412.648,04 para R$6.977.873,57 (30% de 23.259.698,55); 2003 R$4.729.893,00 = R$31.529.729,06 (VER RELATÓRIO DO SAPLI) R$26.799.836,06 (PLANILHA). NOTA 03: Os valores da coluna AJUSTE EFETUADO NA DIPJ decorrem de valores de prejuízo fiscal apontados em DIPJ (ver relatório do SAPLI) que não constam na planilha apresentada pelo contribuinte, ou seja: 1995 R$3.055.495,43 = R$24.907.511,82 (DIPJ) R$21.852.016,39 (planilha); 2000 R$34.779,31 valor de resultado não operacional compensável com lucro real do período; 2001 R$69.418,34 valor de resultado não operacional compensável com lucre real do período; 2002 R$6.101.744,95 valor de resultado não operacional compensável com lucro real do período. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 409 17 NOTA 04: O valor da glosa de R$12.791.175,85 devese à compensação indevida do resultado da correção monetária complementar diferença IPC/BTNF informada pelo contribuinte na planilha apresentada. · No final da década de 1980, havia a preocupação, devido aos altos índices inflacionários, de se proceder à correção das contas patrimoniais. Buscavase com isso expressar, em valores reais, os elementos patrimoniais e a base de cálculo sobre a qual recairia o imposto de renda no período base apurado. · Esta correção monetária estava prevista na Lei 7.799/89 que optou por adotar um índice que melhor refletisse o fenômeno inflacionário, o BTNF, atualizado mensalmente pelo IPC. Essa lei obrigou, ainda, as empresas a registrar o ajuste em conta cujo saldo era computado no resultado do exercício. · No anobase de 1990, houve alteração dos critérios de cálculo da correção monetária do balanço pelas Medidas Provisórias n° 189/1990, 195/1990, 200/1990, 212/1990 e 237/1990, convertidas na Lei n° 8.088, de 31/10/1990, que estabeleceu o reajuste do BTN pelo IRVF (índice de Reajuste de Valores Reais). Essa mudança gerou diferenças entre o valor real da inflação apurada pelo IPC e o fixado pelo IRVF. · Atento a esta distorção, o legislador houve por bem editar a Lei n° 8.200/91, a qual, além de determinar, a partir de fevereiro/1991, que a correção monetária fosse feita pelo INPC, disciplinou os efeitos do ajuste relativo ao ano de 1990. Em seu art. 3° consta o tratamento dado à diferença verificada entre a variação do IPC e o BTNF. · Agindo desta forma, o legislador evitou a tributação de resultados da correção monetária anteriores à edição da Lei e eliminou efeitos, positivos e negativos, em resultados futuros. · O artigo 34 da IN SRF 11/96 e os artigos 456 e 458 do RIR 1999 contêm disposições da Lei n° 8.682, de 14/07/1993, e do Decreto n° 332, de 04/11/1991, que alteraram o inciso I do art. 3° da Lei 8.200/91 e acrescentaram novas medidas para o tratamento dos saldos da diferença IPC/BTN apurados. · Houve, com a edição desses mandamentos legais, regras claras quanto às condições e limites temporais que deveriam ser seguidos para o aproveitamento (dedução/exclusão) do saldo devedor da diferença da correção monetária relativa ao períodobase de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989. O prazo para aproveitamento era 31 de dezembro de 1998. Outra condição imposta era de que houvesse nos periodosbases de 1990 a 1993, respectivamente, lucro real suficiente para absorver seu valor (§ 2º, art. 40 do Decreto n° 332, de 04/11/1991). Essa condição não foi atendida, pois o contribuinte apurou prejuízo fiscal no período de 1990 até 1993, conforme tabela abaixo. ano Valor apurado 1990 ()Cr$684.706.346,00 1991 ()Cr$8.702.306.213,00 1992 ()Cr$42.277.408.082,00 (*) 1993 () CR$39.907.855,00 (**) (*) Saldo de prejuízo em dezembro/1992 após as compensações mensais feitas no decorrer do ano (ver planilhas 04 a 15); (**) Saldo de prejuízo em dezembro/1993 após as compensações mensais feitas no decorrer do ano (ver planilhas 16 a 25). · Quanto à correção monetária suplementar da diferença de IPC/BTNF do anobase 1990, a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) já manifestou seu entendimento acerca dessa matéria ao responder a questão n° 8 do Boletim Central n° 77, de 1998, nos seguintes termos: "Se a Fl. 409DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 410 18 empresa deixar de excluir o saldo do IPC (art.3º da Lei nº 8.200/91) em 98, ele não pode aproveitar nas condições do artigo 34, parágrafo único da IN 11/96? Resposta: A legislação específica que trata do aproveitamento dos saldos da correção IPC/BTNF estabeleceu um prazo máximo de dedução destes efeitos para o exercício de 1998, a partir do qual cessa o direito de exclusão. Quando o art. 34 da IN SRF nº 11/96 trata do aproveitamento de exclusões do lucro líquido para fins de apuração do lucro real em períodos posteriores ao que deveria ter sido procedido o ajuste, ele estabeleceu regras para utilização limitadas ao prazo de validade legal destas exclusões, ou seja, se uma pessoa jurídica deixou de excluir saldos de IPC/BTNF em 1997 poderá fazêlo em 1998, desde que este ajuste não produza efeitos diversos do que teria produzido em 1997, entretanto os saldos não aproveitados em 1998 não têm amparo legal para seu aproveitamento em 1999. · Diante do exposto, o contribuinte teve fulminado seu direito à exclusão da correção monetária complementar IPC/BTNF referente ao períodobase 1990 (R$10.947.755,88, conforme planilha, Anexo P, e Folha n°29 da Parte B do LALUR, ambos apresentados pelo contribuinte) e à diferença IPC/BTNF referente a prejuízos fiscais apurados até 1989 (R$1.843.419,97, conforme planilha, Anexo P, e Folha n°28 da Parte B do LALUR, ambos apresentados pelo contribuinte) em 31/12/1998. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL ( ANO A ANO) PLANILHA 53 DIPJ 1993 (DEZEMBRO/1992) ANO VALOR APURADO VALOR APURADO 1992 () Cr$13.040.284.734,00 () Cr$13.040.284.734,00 (*) Valor apurado pela RFB. Na declaração do contribuinte, DIPJ 2003, consta o valor Cr$0,00. PLANILHA 54 DIPJ 1994 (JANEIRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1992 () Cr$13.040.284.734,00 1,3075 () CR$17.050.171,00 (*) 1993 () CR$97.719.881,00 () CR$97.719.881,00 (**) 1993 () CR$114.770.052,00 () CR$114.770.052,00(***) (*)Valor atualizado do saldo da base de cálculo negativa Cr$13.040.284.734,00 dividido por 1.000 (mudança da moeda de Cruzeiro para Cruzado) x 1,3075 (fator de correção). (**) Base de cálculo negativa de janeiro/1993 antes da compensação. (***) Saldo da base de cálculo em janeiro/1993 atualizada = CR$17.050.171,00 + CR$97.719.881,00. PLANILHA 55 DIPJ 1994 (FEVEREIRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$114.770.052,00 1,2672 ()CR$145.436.609,00 1993 (+)CR$21.128.914,00 (+)CR$21.128.914,00 (*) 1993 ()CR$124.307.695,00 ()CR$124.307.695,00 (**) (*) Valor da base de cálculo fevereiro/1993 antes das compensações; (**)Saldo da base de cálculo negativa = CR$145.436.609,00 CR$21.128.914,00. PLANILHA 56 DIPJ 1994 (MARÇO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$124.307.695,00 1,2451 ()CR$154.775.511,00 1993 (+)CR$23.563.821,00 (+)CR$23.563.821,00(*) 1993 ()CR$131.211.690,00 ()CR$131.211.690,00(**) (*) Valor da base de cálculo março /1993 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$154.775.511,00 CR$23.563.821,00. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 411 19 PLANILHA 57 DIPJ 1994 (ABRIL/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$131.211.690,00 1,2731 ()CR$167.045.602,00 1993 ()CR$92.590.669,00 ()CR$92.590.669,00 (*) 1993 ()CR$259.636.271,00 ()CR$259.636.271,00(**) (*) Valor da base de cálculo abril/1993 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$167.045.602,00 + CR$92.590.669,00. PLANILHA 58 DIPJ 1994 (MAIO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$259.636.271,00 1,2874 ()CR$334.255.735,00 1993 (+)CR$5.523.457,00 (+)CR$5.523.457,00 (*) 1993 ()CR$328.732.278,00 ()CR$328.732.278,00(**) (*) Valor da base de cálculo maio/1993 antes das compensações. (**)Saldo da base de cálculo negativa = CR$334.255.735,00 CR$5.523.457,00. PLANILHA 59 DIPJ 1994 (JUNHO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$328.732.278,00 1,3012 ()CR$427.746.440,00 1993 (+)CR$259.363.597,00 (+)CR$259.363.597,00(*) 1993 ()CR$168.382.843,00 ()CR$168.382.843,00(**) (*) Valor da base de cálculo junho/1993 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$427.746.440,00 CR$259.363.597,00. PLANILHA 60 DIPJ 1994 (JULHO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$168.382.843,00 1,3251 ()CR$223.124.105,00 1993 (+)CR$157.498.560,00 (+)CR$157.498.560,00(*) 1993 ()CR$65.625.545,00 ()CR$65.625.545,00(**) (*) Valor da base de cálculo julho/1993 antes das compensações. (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$223.124.105,00 CR$157.498.560,00. PLANILHA 61 DIPJ 1994 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$65.625.545,00 1,3022 ()CR$85.457.584,00 1993 ()CR$92.529.149,00 ()CR$92.529.149,00(*) 1993 ()CR$177.986.733,00 ()CR$177.986.733,00(**) (*) Valor da base de cálculo agosto/1993 antes das compensações. (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$85.457.584,00 + CR$92.529.149,00. PLANILHA 62 DIPJ 1994 (SETEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$177.986.733,00 1,3403 ()CR$238.555.618,00 1993 ()CR$13.939.933,00 ()CR$13.939.933,00 (*) 1993 ()CR$252.495.551,00 ()CR$252.495.551,00(**) (*) Valor da base de cálculo setembro/1993 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$238.555.618,00 + CR$13.939.933,00. PLANILHA 63 DIPJ 1994 (OUTUBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO Fl. 411DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 412 20 1993 ()CR$252.495.551,00 1,3737 ()CR$346.853.138,00 1993 (+)CR$17.792.106,00 (+)CR$17.792.106,00 (*) 1993 ()CR$329.061.032,00 ()CR$329.061.032,00(**) (*) Valor da base de cálculo outubro/1993 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$346.853.138,00 CR$17.792.106,00. PLANILHA 64 DIPJ 1994 (NOVEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$329.061.032,00 1,3213 ()CR$434.788.341,00 1993 ()CR$75.517.351, 00 ()CR$75.517.351,00 (*) 1993 ()CR$510.305.692, 00 ()CR$510.305.692,00(**) (*) Valor da base de cálculo novembro/1993 antes das compensações. (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$434.788.341,00 + CR$75.517.351,00. : PLANILHA 65 DIPJ 1994 (DEZEMBRO/1993) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$510.305.692,00 1,3657 ()CR$696.924.483,00 1993 (+)CR$88.488.300,00 (+)CR$88.488.300,00 (*) 1993 ()CR$608.436.183,00 ()CR$608.436.183,00(**) (*) Valor da base de cálculo dezembro/1993 antes das compensações. (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$696.924.483,00 + CR$88.488.300,00. PLANILHA 66 DIPJ 1995 ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1993 ()CR$608.436.183,00 1,3886 ()CR$844.874,483,00 1993 (+)CR$466.115.765,00 (+)CR$466.115.765,00(*) 1993 ()CR$378.758.718,00 ()CR$378.758.718,00(**) (*) Valor da base de cálculo janeiro/1994 antes das compensações. (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$844.874.483,00 CR$466.115.765,00. PLANILHA 67 DIPJ 1995 (FEVEREIRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$378.758.718,00 1,3937 ()CR$527.876.025,00 1994 (+)CR$527.731.459,00 (+)CR$527.731.459,00(*) 1994 ()CR$144.566,00 ()CR$144.566,00 (**) (*) Valor da base de cálculo fevereiro/1994 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$527.876.025,00 CR$527.731.459,00. PLANILHA 68 DIPJ 1995 (MARÇO/1994; ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$144.566,00 1,4636 ()CR$211.586,00 1994 ()CR$52.116.157,00 ()CR$52.116.157,00 (*) 1994 ()CR$52.327.743,00 ()CR$52.327.743,00(**) (*) Valor da base de cálculo março/1994 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$211.586,00 + CR$52.116.157,00. PLANILHA 69 DIPJ 1995 (ABRIL/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$52.327.743,00 1,4125 ()CR$73.912.936,00 Fl. 412DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 413 21 1994 ()CR$2.531.231.237,00 ()CR$2.531.231.237,00(*) 1994 ()CR$2.605.144.173,00 ()CR$2.605.144.173,00(**) (*) Valor da base de cálculo abril/1994 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$73.912.936,00 + CR$2.531.231.237,00. PLANILHA 70 DIPJ 1995 (MAIO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$2.605.144.173,00 1,4157 ()CR$3.688.102.605,00 1994 ()CR$735.264.744,00 ()CR$735.264.744,00 (*) 1994 ()CR$4.423.367.349,00 ()CR$4.423.367.349,00(**) (*) Valor da base de cálculo maio/1994 antes das compensações; (**) Saldo da base de cálculo negativa = CR$3.688.102.605,00 + CR$735.264.744,00. PLANILHA 71 DIPJ 1995 (JUNHO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$4.423.367.349,00 1,4478 ()CR$3.688.102.605,00 1994 ()CR$4.461.274.034,00 ()CR$4.461.274.034,00(*) 1994 ()CR$10.+865.425.281,00 ()CR$10.865.425.281,00(**) (*) Valor da base de cálculo junho/1994 antes das compensações. (**)Saldo da Base de cálculo negativa = CR$6.404.151.247,00 + 4.461.274.034,00. PLANILHA 72 DIPJ 1995 (JULHO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$10.865.425.281,00 1,0708 ()R$4.230.798,00 (*) 1994 (+)R$4.230.554,00 (+)R$4.230.554,00 (**) 1994 ()R$244,00 ()R$244,00 (***) (*) Valor atualizado do saldo da base de cálculo negativa CR$10.865.425.281,00 dividido por 2.750 (mudança da moeda de Cruzeiro Real para Real) x 1,0708 (fator de correção). (**) Valor da base de cálculo julho/1994 antes das compensações. (***)Saldo da Base de cálculo negativa = R$4.230.798,00 – R$4.230.554,00. PLANILHA 73 DIPJ 1995 (AGOSTO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()CR$244,00 1,0284 ()R$250,00 1994 R$0,00 R$0,00 (*) 1994 ()R$250,00 ()R$250,00 (**) (*) Valor da base de cálculo julho/1994 antes das compensações. (**)Saldo da Base de cálculo negativa = R$250,00 – R$0,00. PLANILHA 74 DIPJ 1995 (SETEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 199. ()R$250,00 1,0397 ()R$259,00 1994 ()R$3.384.197,00 ()R$3.384.197,00 (*) 1994 ()R$3.384.456,00 ()R$3.384.456,00 (**) (*) Valor da base de cálculo setembro/1994 antes das compensações. (**)Saldo da Base de cálculo negativa = R$259,00 + R$3.384.197,00. PLANILHA 75 DIPJ 1995 (OUTUBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 199. ()R$3.384.456,00 1,0190 ()R$3.448.760,00 1994 (+)R$1.206.694,00 (+)R$1.206.694,00 (*) 1994 ()R$2.242.066,00 ()R$2.242.066,00 (**) (*) Valor da base de cálculo outubro/1994 antes das compensações; Fl. 413DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 414 22 (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$3.448.760,00 R$1.206.694,00. PLANILHA 76 DIPJ 1995 (NOVEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 199. ()R$2.242.066, 00 1,0296 ()R$2.308.431,00 1994 (+)R$1.758.562,00 (+)R$1.758.562,00 (*) 1994 ()R$549.869, 00 ()R$549.869,00 (**) (*) Valor da base de cálculo novembro/1994 antes das compensações; (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$2.308.431,00 R$1.758.562,00. PLANILHA 77 DIPJ 1995 (DEZEMBRO/1994) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1994 ()R$549.869, 00 1,0225 ()R$562.241,00 1994 (+)R$561.960,00 (+)R$561.960,00 (*) 1994 ()R$281,00 ()R$281,00 (**) (*) Valor da base de cálculo dezembro/1994 antes das compensações. (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$562.241,00 R$561.960,00. PLANILHA 78 DIPJ 1996 (anocalendário 1995) ANO VALOR APURADO FC VALOR ATUALIZADO 1995 ()R$281,00 1,2246 ()R$344,11 1995 ()R$35.486.502, 04 ()R$35.486.502,04 (*) 1995 ()R$35.486.846,15 ()R$35.486.846,15 (**) (*) Valor da base de cálculo do anocalendário 1995 antes das compensações. (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$35.486.502,04 + R$344,11. PLANILHA 79 DIPJ 1997 (anocalendário 1996) ANO VALOR APURADO 1996 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$35.486.846,15 1996 Base de calç. do PB atual antes das compensações ()R$52.232.135,12 1996 Saldo da base de cálculo negativa ()R$87.718.981,27(*) (*)Saldo da base de cálculo negativa = R$35.486.846,15 + R$52.232.135,12. PLANILHA 80 DIPJ 1998 (anocalendário 1997) ANO VALOR APURADO 1997 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$87.718.981,27 1997 Base de calc.do PB atual antes das compensações ()R$29.814.971,32 1997 Saldo da base de cálculo negativa ()R$117.533.952,59(*) (*)Saldo da base de cálculo negativa = R$87.718.918,27 + R$29.814.971,32. PLANILHA 81 DIPJ 1999 (anocalendário 1998) – CISÃO PARCIAL ANO VALOR APURADO 1998 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$117.416.418,63 (*) 1998 Base de calc.do PB atual antes das compensações ()R$7.034.338,00 1998 Saldo da base de cálculo negativa ()R$124.450.756,03(**) (*)Ocorreu uma cisão parcial em 1998, com parcela remanescente do patrimônio de 99,9%. O saldo da base de cálculo negativa de períodosbases anteriores ficará proporcional = R$117.416.418,63 _= R$ 117.533.952,59 x 0,999. (**) Saldo da base de cálculo negativa = R$117.416.418,63 + R$7.034.338,00. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 415 23 PLANILHA 82 DIPJ 2000 (anocalendário 1999) ANO VALOR APURADO 1999 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$124.450.756,63 1999 Base de calc.do PB atual antes das compensações ()R$14.954.837,68 1999 Saldo da base de cálculo negativa ()R$139.405.594,31(*) (*) Saldo da base de cálculo negativa = R$124.450.756,63 + R$14.954.837,68. PLANILHA 83 DIPJ 2001 (anocalendário 2001) VALOR APURADO Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$139.405.594,31 Base de calculo do PB atual antes das compensações ()R$0,00 Saldo da base de cálculo negativa ()R$139.405.594,31 PLANILHA 84 DIPJ 2002 (anocalendário 2001) ANO VALOR APURADO 2001 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$139.405.594,31 2001 Base de calculo do PB atual antes das compensações ()R$23.124.831,19 2001 Saldo da base de cálculo negativa ()R$162.530.425,50 Saldo da base de cálculo negativa = R$139.405.594,31 + R$23.124.831,19. PLANILHA 85 DIPJ 2003 (anocalendário 2002) ANO VALOR APURADO 2002 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$162.530.425,50 2002 Base de calç.do PB atual précompensações (+)R$20.532.416,09 2002 Valor compensação de PB anteriores ()R$6.159.724,94(*) 2002 Saldo da base de cálculo negativa ()R$156.370.700,56(**) (*) Valor compensado de PB anteriores limitado a 30% da base de cálculo positiva do PB (30% de R$20.532.416,09, conforme art.58 da Lei 8.981/95, regulamentada pela IN 51/95); (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$162.530.425,50 R$6.159.724,94. PLANILHA 86 DIPJ 2004(anocalendário 2003) ANO VALOR APURADO 2003 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$156.370.700,56 003 Base de calculo do PB atual précompensações (+)R$111.307.532,41 2003 Valor compensação de PB anteriores ()R$33.392.259,72 (*) 2003 Saldo da base de cálculo negativa ()R$122.978.440,84(**) (*)Valor compensado de PB anteriores limitado a 30% da base de cálculo positiva do PB (30% de R$111.307.532,41). (**)Saldo da base de cálculo negativa = R$156.370.700,56 R$33.392.259,72. PLANILHA 87 DIPJ 2005(anocalendário 2004) ANO VALOR APURADO 2004 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$122.978.440,84 2004 Base de calculo do PB atual précompensações (+)R$35.479.449,99 2004 Valor compensação de PB anteriores ()R$10.643.835,00 (*) 2004 Saldo da base de cálculo negativa ()R$112.334.605,84(**) (*)Valor compensado de PB anteriores limitado a 30% da base de cálculo positiva do PB (30% de R$35.479.449,99). (**)Saldo da Base de cálculo negativa = R$122.978.440,84 R$10.643.835,00. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 416 24 PLANILHA 88 DIPJ 2006(anocalendário 2005) ANO VALOR APURADO 2005 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$112.334.605,84 2005 Base de calculo do PB atual précompensações (+)R$91.182.107,37 2005 Valor compensação de PB anteriores ()R$27.354.632,21 (*) 2005 Saldo da base de cálculo negativa ()R$84.979.973,63(**) (*)Valor compensado de PB anteriores limitado a 30% da base de cálculo positiva do PB (30% de R$91.182.107,37); (**)Saldo da Base de cálculo negativa + R$112.334.605,84 R$27.354.632,21. PLANILHA 89 DIPJ 2007(anocalendário 2006) ANO VALOR APURADO 2006 Saldo BC negativa de PB anteriores ()R$84.979.973,63 2006 Base de calculo do PB atual précompensações (+)R$706.349.430,18 2006 Base de cálculo negativa atividade rural ()R$471.901,75 2006 Base de calc.antes compensação de PB anteriores (+)R$705.877.528,43 2006 Valor compensação de PB anteriores ()R$95.462.915,63(*) (*) Valor compensado de PB anteriores limitado a 30% da base de cálculo positiva do PB (30% de R$705.877.528,43 = R$211.7 63.258,53). O contribuinte poderia compensar R$211.763.258,53 (30% de R$705.877.528,40), porém, dispunha somente de R$84.979.973,63 (PLANILHA 88). Houve compensação de R$95.462.915,63, que não será acatada pelo seu total já que não havia saldo disponível para tanto. · Os valores supracitados são em seguida usados em planilha para demonstrar as glosas efetuadas, os valores concedidos ao contribuinte pela análise das DIPJ, e para calcular, pela diferença entre ambos, o valor da glosa efetiva. PLANILHA DE GLOSA DE SALDO NEGATIVO DA CSLL VALORES EM R$ (REAIS) ANO VALOR DA GLOSA AJUSTE EFETUADO NA DIPJ GLOSA EFETIVA 1995 4.120.337,43 344,11 4.119.993,32 1998 117.533,96 0,00 117.533,96 2002 6.245.414,84 6.245.414,84 TOTAL 10.483.286,23 344,11 10.482.942,12 NOTA 01 : O valor da glosa em 1998, R$117.533,96 = R$117.533.952,59 R$117.416.418,63 (ajuste para 99,90% do prejuízo fiscal decorrente de cisão parcial). NOTA 02 : O valor da glosa em 2002, R$6.245.414,84 = R$6.159.7224,94 (*) + R$85.689,90 (**) (*) Valor da compensação efetuada, tendo como origem a fiscalização externa, processo 10620.001227/200791, que alterou a base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário 2002 de () R$2.727.282,07 para BC positiva da CSLL R$20.532.416,09. Essa alteração acarretou compensação de 30% deste valor = R$6.159.714,94 = 0,30 x R$20.532.416,09. (**) Valor utilizado indevidamente pelo contribuinte que consta na planilha entregue por ele. NOTA 03:0 valor de R$344,11 referese ao valor constante da DIPJ (ver relatório do SAPLI) e que não foi aproveitado na planilha entregue pelo contribuinte. NOTA 04: A glosa de R$4.120.337,43 referese à diferença de correção monetária IPC/BTNF e vale para a CSLL as mesmas considerações supracitadas para a glosa do IRPJ. Essa equiparação mostrase desnecessária, visto que o art.41 do Decreto n° 332, de 04/11/1991 já dispunha que o resultado da correção monetária de que trata o CAPÍTULO II (Da Correção Montaria com Base no IPC) não influirá na base de cálculo da contribuição social. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 417 25 · Houve o cometimento de uma infração relativa ao IRPJ e outra relativa à CSLL. No caso do IRPJ, utilização de prejuízo fiscal acima do saldo existente conforme relatado acima, sujeita à glosa do valor compensado indevidamente. Base legal: Arts. 247, 250, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do RIR/99; Art.64 do Decretolei n° 1.598/1977; Art. 31 da Lei n°9.249/95; Arts. 456 e 458 do RIR/99; Art. 426, § 1º, do RIR/94; Art.424 do RIR/94; Art. 40, § 2°, do Decreto n° 332, de 4 de novembro de 1991; Art. 34 da IN SRF n° 11/96. · No caso da CSLL, utilização de base de cálculo negativa da CSLL acima do saldo existente conforme relatado acima, infração também sujeita à glosa do valor compensado indevidamente. Base legal: Art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. 58 da Lei n° 8.981/95; Art. 16 da Lei n° 9.065/95; Art. 37 da Lei n° 10.637/02; parágrafo único do art. 6o da Lei 7.689/88. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO Conforme aviso de recebimento a folhas 135, por via postal a autuada foi notificada dos lançamentos em 21.10.2011, uma sextafeira. Em 21.11.2011 apresentou a impugnação juntada folhas 137 a 158. Os enunciados seguintes resumem o conteúdo da impugnação apresentada. Objeto da autuação · Com relação à glosa procedida pela fiscalização, os valores relativos ao anocalendário de 1995, nos montantes de R$ 12.791.175,85 (IRPJ) e R$ 4.120.337,43 (CSLL), referemse ao aproveitamento da correção monetária complementar decorrente da diferença entre o IPC e o BTNF. · Os valores de R$ 6.977.873,57 (IRPJ) e R$ 6.245.414,84 (CSLL) [de acordo com o relatório fiscal, do valor total de R$ 6.245.414,84, R$ 85.689,90 decorrem de valores supostamente utilizados a maior pela impugnante, o que teria sido apurado pela fiscalização com base na planilha de controle apresentada pela impugnante em 23.08.2010], relativos ao anocalendário de 2002, decorrem de divergências entre as informações constantes da DIPJ transmitida pela Impugnante e do sistema SAPLI da RFB, principalmente em razão de supostos ajustes promovidos na base de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de lançamento de ofício (processo administrativo n. 10620.001277/200791), os quais teriam sido refletidos no sistema SAPLI, mas não na DIPJ do contribuinte. · Os valores remanescentes decorrem das supostas divergências entre os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL indicados na planilha de controle da Impugnante, em comparação com as DIPJs e o sistema SAPLI, em relação aos quais não houve a adequada indicação, por parte do agente fiscal, dos motivos que justificaram as divergências supostamente apuradas no procedimento de fiscalização. · Especificamente com respeito aos valores relativos a 1995, convém esclarecer que, em 10.01.1995, a impugnante ajuizou a medida cautelar preparatória n. 95.01000028, a fim de que não fosse compelida ao pagamento do IRPJ e da CSLL relativos ao período de julho a setembro de 1994, em razão da dedução integral do saldo devedor de correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF. A medida cautelar visava apenas prevenir eventual autuação por parte do fisco até que fosse proferida decisão final na ação ordinária a ser proposta pela Impugnante. · A ação ordinária n. 95.01001768 foi ajuizada pela impugnante em 03.02.1995, com o objetivo de ver reconhecido o seu direito à dedução imediata e integral da correção monetária Fl. 417DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 418 26 complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF no anocalendário de 1990, sem a necessidade de observância das restrições previstas no artigo 3º da Lei n. 8.200/91. · Após sentença desfavorável em primeira instância, a ação ordinária foi julgada improcedente pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região Fiscal, com base no argumento de que a dedução do saldo devedor de correção monetária complementar constituiria mero benefício fiscal, a ser usufruído dentro do prazo de seis anoscalendários a partir de 1993, conforme previsto no artigo 3º da Lei n. 8.200/91. · Considerando a decisão desfavorável proferida na ação judicial em questão, bem como as supostas divergências indicadas acima, a fiscalização houve por bem recalcular o montante do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL, apurados no anocalendário de 1995, recompondo as bases de cálculo desses tributos, relativas aos períodos subseqüentes àquele, o que, por conseqüência, resultou na alegada compensação a maior de tais valores no anocalendário de 2006. · Porém, a autuação fiscal em questão não reúne condições para prosperar, em razão da impossibilidade de revisão de fatos ocorridos e registrados em períodos atingidos pela decadência. Da nulidade dos autos de infração · O artigo 10 do Decreto n. 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal federal, estabelece expressamente os requisitos que devem ser observados pelas autoridades fiscais na lavratura do auto de infração, sob pena de nulidade. · A exigência de fundamentação adequada dos atos administrativos decorre dos princípios do contraditório e da ampla defesa, assegurados pelo artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal de 1988 (CF 1988). Para exercitar adequadamente o seu direito de defesa contra os atos praticados pelos agentes públicos, o administrado precisa ter acesso aos motivos de fato e de direito que os fundamentam. · Assim, por ocasião da lavratura de autos de infração, as autoridades fiscais têm o dever de indicar adequadamente os fundamentos de fato e de direito que legitimam a pretensão fiscal. A ausência de indicação de fundamentos ou mesmo a sua indicação inadequada configura evidente violação aos princípios constitucionais acima mencionados, além de clara ofensa ao artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. · A fiscalização, porém, não respeitou essa norma, nem tampouco os princípios constitucionais que a suportam. No relatório de auditoria fiscal, a fiscalização aponta supostas irregularidades nos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados em períodos anteriores, que teriam levado à redução dos valores passíveis de compensação pela impugnante no anocalendário de 2006. Porém, em relação a parte dos valores glosados, a fiscalização deixou de declinar os motivos que ocasionaram a alteração dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados, limitandose a afirmar que tais diferenças decorrem de supostas divergências entre valores indicados na planilha de controle da impugnante, em comparação com as DIPJs e o sistema SAPLI. · Para comprovar o alegado, apontase, a título exemplificativo, a glosa de R$ 4.729.893,00, relativa ao anocalendário de 2003. A fiscalização não descreve o motivo da glosa, limitando se a informar que existe uma diferença entre o saldo de prejuízos fiscais constante do sistema SAPLI, no valor de R$ 31.529.729,06, em comparação com o valor indicado na planilha apresentada pela impugnante, no valor de R$ 26.799.836,06. Entretanto, ao contrário do que sustenta a fiscalização, na planilha apresentada pela impugnante em 23.08.2010, em resposta Fl. 418DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 419 27 ao termo de intimação n° 1, o saldo de prejuízos fiscais indicado totaliza R$ 31.529.729,06, sendo R$ 26.799.836,16 referentes a prejuízos operacionais, e R$ 4.729.893,00 referentes a prejuízos não operacionais, o que coincide com o valor total de prejuízos fiscais constantes do sistema SAPLI. · Assim, embora tenha procurado coletar as informações necessárias à exata compreensão dos motivos que deram ensejo à lavratura dos autos de infração ora impugnados, a impugnante não conseguiu compreender, com precisão, a origem das supostas diferenças que levaram o agente fiscal a proceder aos mencionados ajustes em seus saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL. · Ademais, a fiscalização adotou idêntico procedimento na determinação das glosas relativas aos anoscalendário de 1996 a 1998, em relação às quais consta, na página 21 do relatório de auditoria fiscal, que os respectivos montantes teriam sido apurados pelo agente fiscal com base em supostas diferenças existentes entre os saldos de prejuízos fiscais indicados na planilha apresentada pela impugnante, em comparação com os valores constantes do relatório SAPLI da RFB, conforme tabela abaixo: AnoCalendário Prejuízo Fiscal conforme planilha da empresa R$ Prejuízo Fiscal conforme Autoridade Fiscal SAPLI R$ Diferença R$ 1996 50.909.397,99 49.429.068,73 1.480.329,26 1997 17.251.144,77 16.108.084,04 1.143.060,73 1998 3.932.706,28 3.288.500,48 644.205,80 1998 6.174.120,45 5.319.262,50 854.857,95 1998 90.444.664,59 90.354.219,93 90.444,66 Total 168.712.034,08 164.499.135,68 4.212.898,40 · A impugnante não conseguiu inferir, da leitura dos autos de infração, o que teria conduzido o agente fiscal a proceder tais alterações em seus saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, nem tampouco logrou identificar a origem dos valores inseridos no sistema SAPLI e nos demais demonstrativos constantes do relatório de auditoria. A fiscalização também não indicou porque tais valores divergem daqueles constantes dos documentos que a impugnante possui, e que dão amparo aos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas por ela utilizados para fins de compensação. · Os autos de infração questionados não apresentam elementos hábeis a justificar as diferenças supostamente identificadas pela fiscalização, assim como os critérios adotados para determinar os valores glosados. Na prática, o relatório de auditoria não contém os elementos necessários para que a impugnante pudesse verificar exatamente quais foram os critérios utilizados pela fiscalização para considerar que os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL apurados estariam incorretos. · A ausência de uma apuração criteriosa dos valores envolvidos no caso implicou uma demonstração imprecisa dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL supostamente compensados indevidamente pela Impugnante, principalmente quanto à sua composição. Assim, resta à impugnante tentar presumir qual a motivação da glosa realizada e quais os critérios utilizados para determinála, o que, em última análise, acaba por cercear o seu direito de apresentar uma ampla defesa. · No processo administrativo fiscal, a competência para julgamento é atribuída aos próprios órgãos da administração pública, motivo pelo qual o legislador optou por estabelecer formalidades que visam proteger os contribuintes contra eventuais abusos do poder público. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 420 28 Isso significa que a administração pública não pode simplesmente considerar que determinado ato da administração atingiu sua finalidade, para justificar a convalidação de eventuais vícios formais cometidos por seus servidores públicos. · Certamente, o Decreto n. 70.235/72, ao estabelecer requisitos para a lavratura do auto de infração, procurou proteger os contribuintes contra eventuais abusos do poder público. Como se sabe, a administração pública está sujeita a um regime jurídico de direito público, o que lhe coloca em uma posição privilegiada em relação ao contribuinte. A relação entre a Administração Pública e o contribuinte é vertical, pois a lei lhe confere prerrogativas que não existem nas relações entre particulares. · Porém, ao lado das prerrogativas, existem restrições, como, por exemplo, a necessidade de realização de licitação para contratação com particulares, a obrigatoriedade de realização de concursos para seleção de pessoal, entre outras. Entre as restrições destacase a necessidade de plena observância aos requisitos formais e materiais estabelecidos em lei para a prática dos atos administrativos, de forma que qualquer vício, por menor que seja, deve conduzir ao reconhecimento de sua nulidade, como forma de preservar os contribuintes contra eventuais abusos do poder público. · A respeito do assunto, convém ressaltar que, em casos semelhantes, a jurisprudência administrativa, principalmente no âmbito do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), tem reconhecido a nulidade de autos de infração que não contêm descrição adequada dos fatos imputados ao contribuinte, com a devida justificação dos valores lançados, como se pode verificar das ementas transcritas na impugnação. · Os autos de infração devem ser prontamente cancelados, tendo em vista que as autoridades fiscais deixaram de indicar adequadamente os fundamentos de fato e de direito que legitimam a pretensão fiscal, em evidente afronta ao artigo 10 do Decreto n. 70.235/72. · Caso não seja decretada a nulidade dos autos de infração ora impugnados e, posteriormente, venha a ser reconhecido que a presente impugnação se baseou em premissas equivocadas, em virtude de sua fundamentação insuficiente, requer a impugnante que lhe seja concedida oportunidade para emendar os fundamentos de sua impugnação, evitandose, assim, qualquer prejuízo ao seu direito à ampla defesa. A conexão de parte dos valores glosados com o processo n. 10620.001277/200791 · Os valores de R$ 6.977.873,57 (IRPJ) e R$ 6.159.714,94 (CSLL), relativos ao ano calendário de 2002, decorrem de divergências entre as informações constantes da DIPJ transmitida pela impugnante e do sistema SAPLI, em razão de ajustes promovidos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio de lançamento de ofício que originou o processo administrativo n. 10620.001277/200791. · O processo administrativo em questão decorre de autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados sob a alegação de omissão de receitas caracterizada pela suposta não comprovação de devolução de mercadorias vendidas. A fiscalização ajustou o lucro real e a base de cálculo da CSLL apurados no anocalendário de 2002, com o acréscimo de receitas supostamente omitidas no valor de R$ 23.259.698,55, com a conseqüente redução dos saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, em 30% desse valor. · Ocorre que o processo administrativo n. 10620.001277/200791 ainda não foi julgado de forma definitiva na esfera administrativa, de modo que os valores relativos à suposta omissão de receitas ainda não foram definitivamente incluídos nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante no anocalendário de 2002. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 421 29 · A manutenção ou não de parte das glosas realizadas pelo agente fiscal nos autos de infração ora combatidos dependerá diretamente do julgamento a ser proferido pelo CARF nos autos daquele processo administrativo. · O presente processo deve aguardar o julgamento do processo administrativo 10620.001277/200791, em virtude da íntima relação existente entre eles. Impossibilidade de recomposição da base de cálculo relativa a períodos atingidos pela decadência · A fiscalização procedeu a verdadeira recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pela impugnante no período de 1989 a 2005, com o objetivo principal de reverter os efeitos da compensação imediata da correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF, o que, por conseqüência, resultou na suposta compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, no anocalendário de 2006. Além disso, a fiscalização comparou os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL utilizados pela impugnante em cada anocalendário com os valores constantes do sistema SAPLI, com o objetivo de glosar eventuais compensações em valores superiores aos constantes dos controles da RFB. · Contudo, o fisco não está autorizado a retroceder no tempo para recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência, com o objetivo de provocar eventual repercussão nas bases de cálculo apuradas em anoscalendário subseqüentes, ainda não atingidas pela decadência. · Isso porque, no caso em análise, as autoridades fiscais não questionam qualquer irregularidade fiscal relativa ao próprio anocalendário de 2006, que pudesse resultar na compensação indevida de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL por parte da impugnante. Ao contrário, a fiscalização retrocedeu há quase 20 anos para reajustar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas ao período de 1989 a 2005, o que é absolutamente inadmissível no ordenamento jurídico vigente, que preza pela estabilidade das relações jurídicotributárias e pelo princípio da segurança jurídica. · Em outras palavras, não pretende a fiscalização aferir a correção das compensações de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL realizadas pela Impugnante no anocalendário de 2006 à luz de fatos jurídicos ocorridos no próprio período de apuração em questão, mas sim reverter os efeitos jurídicos de atos praticados pela Impugnante em 1995, por ocasião da dedução do saldo devedor de correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTNF. · Se as autoridades fiscais permaneceram inertes ao longo dos cinco anos seguintes àqueles em que os fatos ocorreram, a atividade exercida pela Impugnante na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL não mais pode ser questionada, seja pela decadência do direito do Fisco de constituir c crédito tributário, seja pela homologação tácita da atividade realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação. · O IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujas normas atribuem ao sujeito passivo o dever de realizar os atos materiais relativos à apuração e ao recolhimento do tributo devido, independentemente de prévia manifestação por parte da administração tributária, que dispõe de um prazo de cinco anos para posterior homologação da atividade exercida pelo contribuinte. · Na atividade de homologação, o Fisco deverá revisar os elementos fáticos e os critérios jurídicos utilizados pelo contribuinte na apuração do crédito tributário. Para tanto, os artigos Fl. 421DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 422 30 149, parágrafo único, e 150, parágrafo 4º, ambos do Código Tributário Nacional (CTN) estabelecem que a autoridade administrativa dispõe de cinco anos contados a partir do respectivo fato gerador para realizar a revisão de ofício da atividade exercida pelo contribuinte e, se for o caso, formalizar o correspondente lançamento. · No caso de encerramento deste prazo de cinco anos sem manifestação expressa por parte do fisco, considerase tacitamente homologada a atividade exercida pelo contribuinte, com a conseqüente extinção do direito de a autoridade administrativa recusar a homologação e efetuar o lançamento de ofício. · Para demarcar com precisão os limites temporais que cerceiam a autuação das autoridades fiscais, é preciso ter em mente que o ato de homologação manifestado pela administração tributária não alcança somente o pagamento do tributo antecipado, mas também os atos materiais de apuração do crédito tributário realizados pelo sujeito passivo, especialmente a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo devido. · Assim, considerando que a atividade de homologação recai sobre a apuração do crédito tributário feita pelo contribuinte, é evidente que após o decurso do prazo decadencial para homologação, o Fisco não pode mais recompor as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, com o objetivo de efetuar ajustes que repercutirão no cálculo dos tributos devidos em anos calendários subseqüentes, ainda não atingidos pela decadência. · As considerações anteriores demonstram claramente que o ato de homologação abrange todos os atos materiais realizados pelo contribuinte em substituição à autoridade fiscal. Com base no artigo 142 do CTN, percebese que os atos materiais praticados pelos contribuintes no âmbito do lançamento por homologação envolvem a verificação da ocorrência do fato gerador, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante e do tributo devido, a sua identificação como sujeito passivo e, até, a indicação de eventual penalidade a ser aplicada. · Em sua acepção técnica, a atividade de homologação consiste na confirmação, pela autoridade competente, dos atos materiais praticados pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, em substituição à autoridade fiscal. · É evidente que o objeto da homologação não se restringe ao recolhimento do tributo feito pelo contribuinte, uma vez que o pagamento constitui simples modalidade de extinção do crédito tributário (artigo 156, I, do CTN), atividade esta que sempre esteve sob a responsabilidade do contribuinte, e que não se confunde com a realização do lançamento. · Logo, o ato administrativo de homologação atinge não apenas o pagamento realizado pelo contribuinte, mas também a própria apuração do respectivo crédito tributário, a qual se torna imutável após a homologação tácita. · No âmbito do lançamento por homologação o contribuinte pode aplicar a multa de mora, mas não a multa de ofício (artigo 61 da Lei n. 9.430/96). · Em substancioso estudo, Hugo de Brito Machado sustenta que o objeto do ato administrativo de homologação não é o pagamento, mas sim a atividade de apuração do quantum devido realizada pelo contribuinte. Em idêntico sentido, José Souto Maior Borges sustenta que a atividade de homologação não corresponde à mera verificação do pagamento. · O fisco não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. O procedimento de revisão da apuração feita pela Impugnante somente poderia ter sido feito dentro do prazo de cinco anos de que dispõe a autoridade administrativa para efetuar a constituição do crédito tributário, contados a partir do fato gerador, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o, do CTN. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 423 31 · Se após a homologação o Fisco não pode efetuar o lançamento de ofício para a constituição de eventual tributo não declarado ou declarado a menor pelo contribuinte, também não terá ele legitimidade para a revisar as bases de cálculo apuradas pelo sujeito passivo e informadas em suas declarações fiscais. Após o decurso do prazo decadencial, o fisco não poderá mais recalcular as bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante, pois a homologação (expressa ou tácita) confere definitividade à apuração relativa aos anoscalendário de 1989 a 2005. · O fisco somente poderia questionar as bases de cálculo de IRPJ e CSLL apuradas pela Impugnante nos anoscalendário de 1989 a 2005 dentro do prazo de que dispunha para a constituição do crédito tributário. · A legislação deve ser interpretada a partir da premissa de que o ordenamento jurídico constitui um sistema consistente e coerente, de modo que, caso fosse possível pretender rediscutir a base de cálculo relativa a período atingido pela decadência, o fisco entraria em contradição com sua própria conduta anterior, que homologou (ainda que tacitamente) toda a atividade material realizada pelo contribuinte em relação a determinado fato gerador. · A revisão das bases de cálculo de IRPJ e CSLL após mais de vinte anos gera injustificável a insegurança jurídica, em evidente afronta a esse princípio fundamental. Nada mais preocupante, em matéria tributária, do que deixar o contribuinte na incerteza em relação às bases de cálculo dos tributos por eles recolhidos, as quais caso prevaleça o entendimento ora questionado seriam passíveis de modificação ao arbítrio das autoridades fiscais, independentemente do decurso do prazo decadencial. · Na esfera administrativa, existem inúmeros acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, bem como do atual CARF que reconhecem a impossibilidade de recomposição da base de cálculo de tributos relativos a períodos atingidos pela decadência, como se pode verificar da ementa dos julgados transcritos na impugnação a título exemplificativo. · No acórdão n. 10192.362, transcrito na impugnação, a conselheira relatora Sandra Maria Faroni acertadamente sustenta que a Fazenda Pública não está autorizada a promover a revisão de fatos ocorridos e registrados em períodos alcançados pela decadência. · Especificamente no tocante à glosa de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumuladas, no acórdão n. 10193801, de 17.4.2002, a 1ª Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes manifestou entendimento no sentido de que os valores dos lucros ou prejuízos fiscais, declarados pelo sujeito passivo, não podem ser revistos após o prazo de decadência do parágrafo 4o do artigo 150 do CTN. · Por último, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no julgamento do acórdão n. 0105594, de 5.12.2006, manteve decisão do 1º Conselho de Contribuintes no sentido de que a fiscalização não poderia retroagir a período superior aos últimos cinco anos para modificar o saldo de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL acumulados pelo contribuinte. · No mesmo sentido, no acórdão n. CSRF/0104734, de 14.10.2003, a Câmara Superior negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n. 10706061, por entender que "o Fisco não pode alterar o resultado de períodobase já atingido pela decadência, ainda que tal resultado seja negativo". · Como se pode extrair dos julgados citados, a jurisprudência administrativa é assente no sentido de que a Administração Tributária não pode alterar as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas a períodos atingidos pela decadência, nem tampouco questionar os registros contábeis e fiscais efetuados pelo sujeito passivo, principalmente em relação a fatos que Fl. 423DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 424 32 nascem ou se formam em um determinado exercício, mas repercutem em vários exercícios subseqüentes. · Aplicando a jurisprudência acima ao caso ora em análise, percebese claramente que o fisco não pode reduzir os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas de CSLL no ano calendário de 2006, seja mediante a reversão dos efeitos da dedução do saldo devedor da correção monetária de balanço relativa à diferença entre o IPC e o BTNF no anocalendário de 1995, seja com base em supostas diferenças entre os valores informados pela impugnante em sua DIPJ e aqueles constantes do sistema SAPLI da RFB. Esse procedimento equivale a efetuar um lançamento de oficio relativo aos períodos anteriores, uma vez que a redução dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL se vincula a um juízo de valor da fiscalização acerca da dedutibilidade ou não da correção monetária complementar, ou da correção dos saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL acumulados, o que é completamente inadmissível em relação a um período alcançado pela decadência há mais de 20 anos. · Por todo o exposto, devem ser prontamente cancelados os autos de infração de IRPJ e CSLL lavrados pela fiscalização, com o conseqüente cancelamento dos créditos tributários neles exigidos, incluindo a multa de ofício e os juros de mora. Inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício · Subsidiariamente, caso sejam mantidos total ou parcialmente os autos de infração, deve ser prontamente afastada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, diante da ausência de previsão legal expressa. · Certamente, a expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", prevista no artigo 61, parágrafo 3º, da Lei n. 9.430, de 1996, diz respeito apenas ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento, pois a multa não decorre do tributo, mas sim do descumprimento do dever legal de pagálo. · Ademais, o artigo 3o do CTN é claro no sentido de que as multas não possuem natureza jurídica de tributos, pois, ao contrário da multa, que pressupõe o descumprimento do dever legal de pagálo, o tributo não constitui sanção decorrente de ato ilícito. Assim, considerando que a multa de oficio não possui natureza jurídica de tributo, é evidente que a legislação atualmente em vigor não admite a incidência de juros sobre tais penalidades. · Em reforço a este argumento, notese que a própria Lei n. 9430, de 1996, nas situações em que pretendeu autorizar a exigência de juros de mora sobre multa isolada, o fez de forma expressa e específica, como se pode verificar de seu artigo 43, parágrafo único. · Na esfera administrativa, a 1ª Câmara do Conselho de Contribuintes, no acórdão n. 101 95.802, de 19.10.2006, afastou a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, com base na inexistência de previsão legal para a sua cobrança. De idêntico sentido é o teor do acórdão nº 10196008, de 1.3.2007, da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. A 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais adotou esse mesmo entendimento no acórdão n. CSRF/0203133, de 6.5.2008. No mesmo sentido, a 1ª Turma da Câmara Superior, ao julgar o recurso do processo nº 10680.002472/200723, reviu o seu entendimento anterior, mantendo decisão, que havia afastado a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. · Mesmo diante inexistência de previsão legal para incidência de juros sobre a multa de ofício, não se aplica subsidiariamente à hipótese o artigo 161, parágrafo 1º, do CTN, que estabelece a incidência de juros de mora à razão um por cento ao mês, tendo em vista que a Lei n. 9430, de 1996 é mais específica e afasta a aplicação da regra geral contida no CTN. Esta última norma contém a cláusula "salvo se a lei não dispuser de modo diverso", que é Fl. 424DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 425 33 exatamente o que faz a Lei nº 9.430, ao não prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, exceto aquela exigida de forma isolada. · A cobrança de juros sobre a multa de ofício, feita a partir do mês seguinte ao prazo de 30 dias para pagamento do auto de infração ou apresentação de impugnação, é manifestamente indevida, pela ausência de previsão legal expressa autorizando a referida cobrança, motivo pelo qual deve ser prontamente cancelada a sua cobrança, ainda que o presente auto de infração venha a ser mantido. Conclusão e pedido · Por todo o exposto, a impugnante requer seja admitida, conhecida e integralmente provida a presente Impugnação, para o fim de determinar o cancelamento das exigências fiscais de IRPJ e CSLL consubstanciadas nos autos de infração ora questionados, com base nos fundamentos resumidos na impugnação. · A impugnante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos. · Em atenção ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto n. 70235/72, com redação dada pela Lei n. 11.196, de 2005, a impugnante informa que não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos. · Requer, por fim, que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados devidamente constituídos mediante a anexa procuração, no endereço a seguir indicado: rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., 758, 16° andar, 04542000, São Paulo SP.” O colegiado a quo, no acórdão nº 0240.240, de 29/08/2012, exonerou as seguintes parcelas: a) a glosa relativa ao anocalendário de 2002 (R$6.977.873,57 – IRPJ; R$6.159.714,94 – CSLL), foi integralmente exonerada em razão do julgamento favorável ao contribuinte pela DRJ/BHE no PA 10620.001277/200791 (o qual tratava de omissão de receita). Naquele processo, a fiscalização havia compensado 30% do saldo com o crédito apurado antes da compensação. Pelo cancelamento da autuação, entendeu o colegiado que o saldo deve, então reverter para o acervo; b) a glosa relativa ao ano calendário de 1997 foi reduzida de R$1.143.060,73 para R$14.721,14; c) a glosa de R$644.205,80, relativa ao anocalendário de 1998 foi reduzida para R$3.932,71; d) a glosa de R$854.857,95, também relativa ao anocalendário de 1998 (período após a cisão parcial) foi integralmente cancelada, e além disso, foi reconhecido um saldo de R$17.480,63 em favor da autuada; e) a glosa de base negativa de CSLL de R$6.245.414,84 foi revertida, e além disso, foi reconhecido um saldo em favor da autuada no valor de R$2.641.592,17 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 426 34 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) não foram indicados os fundamentos de fato e de direito relativos a algumas glosas, limitandose a fiscalização a apontar divergências entre a planilha da recorrente e as DIPJ e o SAPLI; b) glosa relativa ao anocalendário de 2003; Como exemplo, a glosa relativa ao anocalendário 2003 (R$4.729.893,00). A fiscalização informa que existe diferença entre o saldo de prejuízos fiscais no SAPLI (R$31.529.729,06) e o valor indicado na planilha da recorrente (R$26.799.836,06). Entretanto, na planilha da recorrente, apresentada em 23/08/2010 o valor total do saldo de prejuízos fiscais indicado totaliza R$31.529.729,06, sendo R$26.799.836,16 relativos a prejuízos operacionais e R$4.729.893,00 relativos a prejuízos não operacionais, cuja soma coincide com o valor total de prejuízos fiscais constantes do sistema SAPLI. A recorrente, assim, não conseguiu compreender a origem das supostas diferenças que levaram aos ajustes. c) Nulidade por ausência de motivação; Com relação às glosas de 1996 1998, a autoridade limitouse a apontar as diferenças entre a planilha da recorrente, em relação aos dados do SAPLI, e não indicou os motivos das divergências. Há falha na motivação. A autoridade não pode simplesmente considerar válidos os valores constantes dos sistemas da RFB sem justificar os motivos que os levam a concluir pelas informações do SAPLI, em detrimento daquelas apresentadas pelo contribuinte. A DRJ não reconheceu a falta de fundamentação. A DRJ não pode sanear, por meio de longas considerações, a falta de clareamento dos fatos. O auto de infração, assim, é nulo. d) Conexão com o processo 10620.001277/200791; Os valores de R$6.977.873,57 (IRPJ) e R$6.159.714,94 (CSLL) relativos ao anocalendário de 2002 decorrem de divergências entre a DIPJ e o SAPLI, em razão de ajustes nas bases de IRPJ e CSLL decorrentes do lançamento de ofício no PA nº 10620.001277/2007 91, em que a DRJ/BHE exonerou integralmente o contribuinte das exigências. Assim, esta parte do lançamento foi exonerada, também, pela DRJ no julgamento do presente processo e resta bem decidida, merecendo ser mantida; e) Impossibilidade de recomposição da base de cálculo do IRPJ e CSLL relativa a períodos atingidos pela decadência; O fisco não pode retroceder no tempo para recompor bases de cálculo do IRPJ e CSLL relativas a períodos fulminados pela decadência, com objetivo de provocar repercussão nas bases de cálculo apuradas em anoscalendário subseqüentes, ainda não atingidos pela decadência. No caso dos autos, foram reajustadas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do período de 1989 a 2005. Exemplifica, com alegação de que foi recomposto o saldo de 1995 (já exonerado pela DRJ). Não pode haver revisão de fatos ocorridos e registrados. f) Inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 427 35 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. No caso vertente, entre outras matérias, discutese a glosa de prejuízo fiscal (R$6.977.873,57) e de base negativa de CSLL (R$6.245.414,84) formados no anocalendário de 2002 e utilizados para compensar lucro real e base de cálculo do CSLL no anocalendário de 2006. Referidos saldos foram alterados por decorrência de fiscalização externa cujo resultado foi o crédito tributário lançado no PA 10620.001277/200791. Isto porque tal fiscalização alterou o lucro real antes das compensações de R$1.375.493,47 para R$23.259.698,55. Como a fiscalização utilizou 30% do prejuízo fiscal acumulado para compensar com o crédito então apurado, a compensação feita, até então de R$412.648,04, foi alterada para R$6.977.873,57 (30% de R$23.259.698,55), o que resultou na utilização de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL do ano calendário de 2002 (fls.119). A DRJ exonerou integralmente a glosa porque, também em primeira instância (DRJ/BHE) houve julgamento em favor do contribuinte no PA 10620.001277/200791. Assim, entenderam os julgadores que o saldo ali utilizado deveria retornar ao acervo. Em consulta ao sítio do CARF na internet, verifiquei que o referido PA acima, cuja matéria é prejudicial à presente, já foi distribuído para o presidente da 3ª Câmara, Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, em 21/08/2013, estando, porém, pendente de julgamento. Neste sentido, sabendose que a matéria a ser decidida no PA 10620.001277/200791 é prejudicial ao julgamento da matéria aqui controversa e que os julgados devem preservar a harmonia entre as decisões tomadas, voto para converter o julgamento em diligência, para que o presente processo aguarde, na unidade local da RFB, decisão final administrativa no PA10620.001277/200791. Após, deverá a referida unidade extrair e acostar neste processo cópia da decisão final ali proferida, e devolver os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 427DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13609.721302/201189 Resolução nº 1302000.297 S1C3T2 Fl. 428 36 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10830.002975/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO-EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988
A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT)
SEBRAE EXIGIBILIDADE
.O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2302-003.003
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO - SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO-EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SALÁRIO-EDUCAÇÃO - DECRETO-LEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao Salário-Educação veiculado pelo Decreto-Lei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Embargos Acolhidos
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS E DAS CONTRIBUIÇÕES PARA INCRA; SENAI; SESI; SALÁRIO EDUCAÇÃO. VEDAÇÃO O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. SALÁRIOEDUCAÇÃO DECRETOLEI N.º 1.422/75 RECEPÇÃO PELA CONSTITUIÇÃO DE 1988 A Constituição Federal de 1988 recepcionou a legislação referente ao SalárioEducação veiculado pelo DecretoLei n.º 1.422/75 (cf. art. 34 do ADCT) SEBRAE EXIGIBILIDADE .O adicional destinado ao Sebrae (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 29 75 /2 00 9- 08 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Lei nº 2.318/86 (Senai, Senac, Sesi e Sesc), prescindível, portanto, sua instituição por lei complementar JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Embargos Acolhidos Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em acolher os Embargos de Declaração opostos e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 657DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 649 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 31/03/2009 e referese às diferenças na retenção de 11% incidentes sobre as notas fiscais de prestação de serviço, à divergência de enquadramento quanto ao SAT/GILRAT e às diferenças nos descontos da contribuição do segurado empregado, decorrente da utilização de tabela de alíquotas incorretas em GFIP. O período do débito compreende as competências de 03/2004 a 12/2005. O relatório fiscal de fls. 25/30, diz que a autuada informou em GFIP no campo “Retenção” valor a maior do que o total destacado nas notas fiscais de prestação de serviço; que utilizou a alíquota de 2% para o cálculo do SAT, quando a atividade preponderante referese à manutenção de veículos automotores, com alíquota de 3%, conforme quadro de fls. 27. Encontrase apensado a este processo o de n.º 10380.002974/200955, referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.210.3430, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades. Após a impugnação, Acórdão de fls.510/518, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega: a) que o AI apresenta vícios formais e materiais que levam a sua nulidade; b) a ilegitimidade da cobrança do SAT que foi definida por decreto e inaplicabilidade da alíquota de 3%; c) que o Anexo V do decreto 3048/99, com a redação do Decreto 6.042/2007, traz a alíquota de 2% para a atividade desenvolvida pela recorrente; d) que a multa é confiscatória e a taxa SELIC inaplicável por ser inconstitucional; e) que a análise da documentação deveria ter sido mais criteriosa e ser avaliada com isenção para averiguar que não houve nenhuma falta; f) que o INSS não pode exigir valores irreais e presuntivos; g) que a administração pública tem a obrigação de julgar a inconstitucionalidade da legislação. Com relação ao AIOP das terceiras entidades, o contribuinte acrescenta nas suas razões recursais que Fl. 658DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 a) a fiscalização tomou como base de cálculo a folha de pagamento e a GFIP que claramente incluem valores que não perfazem a base contributiva previdenciária; b) a inexigibilidade da contribuição ao INCRA que é destinada à previdência rural e não é o caso da recorrente; c) ilegitimidade da cobrança do salário educação; d) impossibilidade da cobrança das contribuições ao SESI/SENAI, pois não é contribuinte das mesmas; e) a inexigibilidade da contribuição para o SEBRAE. Requer o provimento do recurso para anular o lançamento efetuado e a cobrança dele decorrente, ou alternativamente que seja efetuada diligência a fim de se apurar o valor efetivamente devido, com o recálculo de juros e multa, se for o caso. Os autos vieram a julgamento neste Colegiado que em sessão de 14/08/2013, proferiu o Acórdão 2302002.674, pugnando por negar provimento ao recurso. A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração visto contradição existente na Ementa, constante do Acórdão e o dispositivo do voto. Com efeito, é de se ver que o voto proferido se conduz pela negativa de provimento ao recurso, o que foi refletido na Ementa do voto, enquanto por lapso manifesto, o dispositivo do acórdão se pronuncia pelo provimento parcial do recurso, fazendo referência a que a multa deve ser aplicada com base no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91. Todavia, compulsando os autos é de se ver que o voto proferido se conduz no sentido da negativa de provimento, até porque a multa já havia sido aplicada segundo os ditames do artigo 35, II da lei n.º 8.212/91, nada havendo a ser modificado. Pelo exposto, os Embargos de Declaração devem ser acolhidos para sanar a contradição exposta com o proferimento de novo acórdão. É o relatório. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 650 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar Não vislumbro a tese de nulidade do auto de infração, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 660DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superada a preliminar de nulidade passo ao exame do mérito. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 651 7 Do Mérito Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 652 9 § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. No que se refere a alegação de que a alíquota de SAT aplicável a sua atividade é de 2%, informo à recorrente que no período do lançamento de 03/2004 a 12/2005, o CNAE da empresa era 50202 MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE VEICULOS AUTOMOTORES,com alíquota de 3%. Cuidou a fiscalização de apresentar um quadro Fl. 664DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 demonstrativo da quantidade de segurados em cada atividade da empresa, a fim de definir a atividade preponderante, às fls. 27, o que não foi contraposto pela recorrente. O Decreto n.º 6.042/2007, não se aplica ao período do débito. Quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 653 11 No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 654 13 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). Quanto as razões alegadas para combater o AIOP, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades, é de se ver primeiramente que a notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e nas suas folhas de pagamento e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pela recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Nesse sentido é o entendimento do STF, conforme ementa no Agravo Regimental do Recuso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido. No mesmo sentido é o entendimento da 1ª Seção do STJ no julgamento do Recurso Especial n 977.058 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. ADICIONAL DE 0,2%. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. LEGITIMIDADE. 1. A exegese PósPositivista, imposta pelo atual estágio da ciência jurídica, impõe na análise da legislação infraconstitucional o crivo da principiologia da Carta Maior, que lhe revela a denominada “vontade constitucional”, cunhada por Konrad Hesse na justificativa da força normativa da Constituição. 2. Sob esse ângulo, assume relevo a colocação topográfica da matéria constitucional no afã de aferir a que vetor principiológico pertence, para que, observando o princípio maior, a partir dele, transitar pelos princípios específicos, até o alcance da norma infraconstitucional. 3. A Política Agrária encartase na Ordem Econômica (art. 184 da CF/1988) por isso que a exação que lhe custeia tem inequívoca natureza de Contribuição de Intervenção Estatal no Domínio Econômico, coexistente com a Ordem Social, onde se insere a Seguridade Social custeada pela contribuição que lhe ostenta o mesmo nomen juris. 4. A hermenêutica, que fornece os critérios ora Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 655 15 eleitos, revela que a contribuição para o Incra e a Contribuição para a Seguridade Social são amazonicamente distintas, e a fortiori , infungíveis para fins de compensação tributária. 5. A natureza tributária das contribuições sobre as quais gravita o thema iudicandum , impõe ao aplicador da lei a obediência aos cânones constitucionais e complementares atinentes ao sistema tributário. 6. O princípio da legalidade, aplicável in casu, indica que não há tributo sem lei que o institua, bem como não há exclusão tributária sem obediência à legalidade (art. 150, I da CF/1988 c.c art. 97 do CTN). 7. A evolução histórica legislativa das contribuições rurais denota que o Funrural (Prorural) fez as vezes da seguridade do homem do campo até o advento da Carta neoliberal de 1988, por isso que, inaugurada a solidariedade genérica entre os mais diversos segmentos da atividade econômica e social, aquela exação restou extinta pela Lei 7.787/89. 8. Diversamente, sob o pálio da interpretação histórica, restou hígida a contribuição para o Incra cujo desígnio em nada se equipara à contribuição securitária social. 9. Consequentemente, resta inequívoca dessa evolução, constante do teor do voto, que: (a) a Lei 7.787/89 só suprimiu a parcela de custeio do Prorural; (b) a Previdência Rural só foi extinta pela Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, com a unificação dos regimes de previdência; (c) entretanto, a parcela de 0,2% (zero vírgula dois por cento) – destinada ao Incra – não foi extinta pela Lei 7.787/89 e tampouco pela Lei 8.213/91, como vinha sendo proclamado pela jurisprudência desta Corte. 10. Sob essa ótica, à míngua de revogação expressa e inconciliável a adoção da revogação tácita por incompatibilidade, porquanto distintas as razões que ditaram as exações sub judice, ressoa inequívoca a conclusão de que resta hígida a contribuição para o Incra. 11. Interpretação que se coaduna não só com a literalidade e a história da exação, como também converge para a aplicação axiológica do Direito no caso concreto, viabilizando as promessas constitucionais pétreas e que distinguem o ideário da nossa nação, qual o de constituir uma sociedade justa e solidária, com erradicação das desigualdadesregionais. 12. Recursos especiais do Incra e do INSS providos. A cobrança das contribuições sociais do salárioeducação é perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento nos tribunais superiores, chegando ao ponto de o STF ter publicado a Súmula de n ° 732, nestas palavras: SÚMULA Nº 732 É CONSTITUCIONAL A COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEJA SOB A CARTA DE 1969, SEJA SOB A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, E NO REGIME DA LEI 9.424/96. As contribuições para o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial foram instituídas pelo DecretoLei nº 4.048, de 22/01/42, sendo regido ainda pelas seguintes alterações: Fl. 670DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Decretolei nº 4.936, de 07/11/42; Decretolei nº 6.246, de 05/02/44; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. O SESI – Serviço Social da Indústria foi instituído através do Decretolei nº 9.403, de 25/06/46, sendo ainda regido pela seguinte legislação: Lei nº 4.863, de 29/11/65; Decreto nº 60.486, de 14/03/67; Decretolei nº 1.861, de 25/02/81; Decretolei nº 1.867, de 25/03/81. A recorrente, por ser indústria, está vinculada ao FPAS 507, se constituindo em sujeito passivo das contribuições para o SESI e SENAI, de acordo com a legislação que os instituiu: SENAI – DecretoLei n.º 6.246, de 05 de fevereiro de 1944: “Art. 2º. São estabelecimentos contribuintes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial: a – as empresas industriais (grifamos), as de transportes, as de comunicações e as de pesca.” SESI – DecretoLei n.º 9.403, de 25 de junho de 1946: “Art. 3º Os estabelecimentos comerciais enquadrados na Confederação Nacional da Indústria (art. 577 do DecretoLei n.º 5.452, de 1º de maio de 1943), bem como aqueles referentes aos transportes, às comunicações e à pesca, serão obrigados ao pagamento de uma contribuição mensal ao Serviço Social da Indústria para a realização de seus fins.” A contribuição ao SEBRAE, prevista no artigo 8º, §3º da Lei 8.029/90, com redação dada pela Lei 8.154/90, é constitucional, e não se restringe as micro e pequenas empresas. Esse é o entendimento pacífico do colendo Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA AO SESC E AO SENAC. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA. REVISÃO DO ENTENDIMENTO PELA 1ª SEÇÃO DO STJ. PRECEDENTES. ADICIONAL. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. 1. Tratam os autos de mandado de segurança impetrado por CONSERBENS LTDA. contra ato do Coordenador da Divisão/Serviço de Arrecadação e Fiscalização do INSS em Recife/PE, objetivando desobrigarse de recolher contribuição Fl. 671DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10830.002975/200908 Acórdão n.º 2302003.003 S2C3T2 Fl. 656 17 social para SESC, SENAC e SEBRAE. O juízo monocrático denegou o segurança, sob o argumento de que é devida a exação em comento em face da natureza comercial da empresa impetrante. Inconformada, a ora recorrente apelou, tendo o TRF da 5ª Região, à unanimidade, negado provimento ao recurso. Em sede de recurso especial, aponta violação aos artigos 535, II, do CPC, 110 do CTN, 4º do Decretolei nº 8.621/46, 3º do Decreto lei 9.853/46, 8º, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.029/90, além de divergência jurisprudencial. 2. O julgador não está obrigado a enfrentar todas as teses jurídicas deduzidas pelas partes, sendo suficiente que preste fundamentadamente a tutela jurisdicional. In casu, não obstante em sentido contrário ao pretendido pelo recorrente, constatase que a lide foi regularmente apreciada pela Corte de origem, o que afasta a alegada violação da norma inserta no art. 535, do CPC. 3. Novo posicionamento da Primeira Seção do STJ no sentido de que as empresas prestadoras de serviço, no exercício de atividade tipicamente comercial, estão sujeitas ao recolhimento da contribuição social destinada ao SESC e SENAC. 4. O art. 8º, § 3º, da Lei nº 8.209/90, com a redação da Lei nº 8.154/90, impõe que o SEBRAE (Serviço Social Autônomo) será mantido por um adicional cobrado sobre as alíquotas das contribuições sociais relativas às entidades de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.318, de 30 de dezembro de 1986, isto é, as que são recolhidas ao SESC e SENAC, sendo exigível, portanto, o adicional ao SEBRAE. 5. Recurso especial improvido.(REsp 691056 / PE; RECURSO ESPECIAL 2004/01366999. Relator Ministro José Delgado. STJ. 1ª Turma. DJ 18.04.2005 p. 235) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL AUTÔNOMA. ADICIONAL AO SEBRAE. EMPRESA DE GRANDE PORTE. EXIGIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. 1. As contribuições sociais, previstas no art. 240, da Constituição Federal, têm natureza de "contribuição social geral" e não contribuição especial de interesses de categorias profissionais (STF, R n.º 138.284/CE) o que derrui o argumento de que somente estão obrigados ao pagamento de referidas exações os segmentos que recolhem os bônus dos serviços inerentes ao SEBRAE. 2. Deflui da ratio essendi da Constituição, na parte relativa ao incremento da ordem econômica e social, que esses serviços sociais devem ser mantidos "por toda a coletividade" e demandam, a fortiori, fonte de custeio. 3. Precedentes: RESP 608.101/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 24/08/2004, RESP 475.749/SC, 1ª Turma, desta Relatoria, DJ de 23/08/2004. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 4. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 662911 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2004/00729112. Relator Ministro Luiz Fux. STJ. 1ª Turma. DJ 28.02.2005 p. 241) TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE DA PESSOA JURÍDICA INDEPENDENTEMENTE DA NATUREZA DE MICRO OU PEQUENA EMPRESA. 1. Ao instituir a referida contribuição como um "adicional" às contribuições ao SENAI, SENAC, SESI e SESC, o legislador indubitavelmente definiu como sujeitos ativo e passivo, fato gerador e base de cálculo, os mesmos daquelas contribuições e como alíquota, as descritas no § 3º do art. 8º da Lei nº 8.029/90. 2. Assim, a contribuição ao SEBRAE é devida por todos aqueles que recolhem as contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente de seu porte (micro, pequena, média ou grande empresa). 3. Recurso especial provido. (REsp 608101 / RJ; RECURSO ESPECIAL 2003/02069199. Relator Ministro Castro Meira. STJ. 2ª Turma. DJ 04.10.2004 p. 254) Por todo o exposto, Voto por acolher os Embargos de Declaração e negar provimento aos recursos interpostos para os AIOP’s 37.210.3448 e 37.210.3430. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 673DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 19647.007790/2007-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2005
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991.
Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991.
Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Manoel Coelho Arruda Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Redator-Designado
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamar de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator) e Manoel Coelho Arruda Junior. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Elias Sampaio Freire. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 77 90 /2 00 7- 61 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO CELPE, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 37.009.6380, em 25/10/2006, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados, assim considerada a importância concedida a título de Vale Transporte (salário in natura), em relação ao período de 01/1999 a 01/2005, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 65/74, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra decisão da então Secretaria da Receita Previdenciária em Recife/PE, DN n° 15.401.4/0112/2007, às fls. 146/150, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4a Câmara, em 02/12/2010, por maioria de votos, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2403 00.318, com sua ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/1999 a 01/2005 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 273 3 APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. VALORES NÃO DESCONTADOS EM CONFORMIDADE COM A LEI Nº 7.418/85 VALE TRANSPORTE INCLUSÃO NO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO POR CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN E APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA – RECÁLCULO Reconhecida a decadência do período de 01/1999 a 09/2000 por força da Súmula Vinculante nº 8 do STF que declarou inconstitucional os arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91 que tratavam dos prazos decadenciais e prescricionais para as contribuições previdenciárias em 10 (dez) anos) e da aplicação do art. 150, § 4º do CTN para reconhecer que decai em 05 (cinco) anos da data do fato gerador o direito da Fazenda em constituir o crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias. Os valores pagos em desacordo com a Lei nº 7.418/85 a titulo de vale transporte possuirão natureza salarial e serão inclusos no saláriodecontribuição, inclusive para tributação por meio de contribuição previdenciária. Por força do art. 106 do CTN deverá haver o recálculo da multa para que prevaleça a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 230/239, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 240200.233, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que, ao analisar notificação fiscal, determinou que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no paradigma a respeito da mesma matéria, consoante se positiva do Despacho nº 2400258/2011, às fls. 249/251. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 257/266, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Consoante se positiva dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, da empresa, do SAT e as destinada a Terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, assim caracterizadas como salário in natura as importâncias concedidas a título de Vale Transporte. Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, acolhendo a decadência de parte do crédito tributário, determinando, ainda, o recálculo da multa de mora com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, limitandoa ao percentual de 20%, nos termos dos preceitos estabelecidos na MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, por se apresentar como legislação posterior à ocorrência do fato gerador mais benéfica ao contribuinte, o que impôs a sua retroatividade em observância aos ditames do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 274 5 Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão nº 2402 00.233, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, na medida em que, ao analisar notificação fiscal, determinou que o art. 35 da Lei n° 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei n° 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430/96, ao contrário do que restou assentado no decisório recorrido que impôs a limitação da multa de mora aplicada ao percentual de 20%, com esteio no artigo 61 da Lei n° 9.430/91, aplicado retroativamente à hipótese vertente. Em defesa de sua pretensão, infere que o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 na nova redação conferida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP n° 449 à legislação previdenciária. Explicita a alteração legislativa ocorrida após a edição da MP n° 449/2008, bem como os casos de aplicação da multa de ofício e de mora, para concluir que na hipótese de lançamento ocorre a imputação da multa de ofício, enquanto a de mora somente se dá quando o contribuinte pretende fazer o pagamento espontâneo do tributo a destempo, sem que tenha ocorrido a autuação fiscal, o que deverá ser observado para as contribuições previdenciárias. Neste sentido, assevera que apesar da denominação, a antiga multa de mora prevista no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 tem natureza de multa de ofício, uma vez que aplicada somente nos casos de realização de lançamentos fiscais, não se podendo comparar com aquela penalidade inscrita no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que contempla da multa de mora para pagamento espontâneo fora do prazo legal. Partindo dessas premissas, não se pode cogitar na aplicação retroativa do disposto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96 para fins de limitar a multa de mora (de ofício) aplicada aos lançamentos previdenciários pretéritos à edição da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Não obstante as substanciosas alegações da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos autos, conjugada com a legislação de regência, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Em que pese à procedência da notificação em relação ao seu mérito, na forma decidida pelo Acórdão recorrido, mister destacar que posteriormente à ocorrência dos fatos geradores ora lançados fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova ordem na aplicação de multas de ofício e/ou acessória e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96. Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Inobstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de mora insculpida no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e, bem assim, da lavratura da notificação fiscal, ou seja, antes das alterações na legislação promovidas pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. No entanto, com as novas modalidades de multas contempladas pela legislação hodierna, a multa de mora prescrita no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 deixou de existir, passando a dar lugar à multa de ofício estabelecida no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, o que fez florescer o entendimento de que a multa de mora aplicada em lançamentos pretéritos teriam que ser rechaçadas ou mesmo limitadas a 20%, na esteira da previsão contida no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 275 7 Com mais especificidade, analisando a legislação previdenciária constatase que a multa moratória achavase regulamentada pelo artigo 35 da Lei n° 8.212/91, que assim prescrevia: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei 9.528, de 10/12/97) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei 9.528, de 10/12/97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99)” Entrementes, a Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, em seu artigo 24, alterou a redação do dispositivo legal encimado, revogando, ainda, os seus incisos e parágrafos, passando a estabelecer o seguinte: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Por sua vez, os artigos 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, trazem em seu bojo as seguintes determinações: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 276 9 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Conforme se verifica da evolução da legislação acima transcrita, constatase que, para as contribuições previdenciárias, as notificações fiscais eram lavradas com a exigência de multa de mora gradativa, dependendo da época em que fosse pago o tributo. Não havia, porém, a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados. Em via, os débitos administrados pela Receita Federal do Brasil, anteriormente à unificação com a Previdência, se pagos em atraso estariam sujeitos à multa de mora, limitada a 20%, na forma do artigo 61 da Lei n° 9.430/96. No entanto, na hipótese de lançamento de ofício, aplicase a multa de ofício contemplada no artigo 44 da Lei n° 9.430/96, deixando de se exigir a multa de mora do artigo 61 do mesmo Diploma Lega. Em outras palavras, no que concerne as contribuições previdenciárias, antes da edição da Lei n° 11.941/2009, somente se exigiria multa de mora, que podia variar de acordo com a data do pagamento, não se cogitando em multa de ofício. Por seu turno, na Receita Federal do Brasil a multa de mora só é exigida no pagamento a destempo, antes do lançamento de ofício, que, se ocorrer, sujeitará o contribuinte à multa de ofício, não mais a de mora. Assim, a partir da edição da MP n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a multa de mora exigida/lançada nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito – NFLD e/ou Autos de Infração de contribuições previdenciárias, como in casu, deixou de ter amparo legal, eis que aqueles Diplomas Legais determinaram que somente seria cobrada multa de mora, limitada a 20%, no caso de pagamento e, multa de ofício, na hipótese de lançamento. Dessa forma, tendo a multa moratória encontrado limite legal, qual seja, 20% (vinte por cento), nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por força da alteração introduzida pela Lei n° 11.941/2009, devem seus efeitos retroagir para alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua edição, por tratarse de norma que comina penalidade mais branda, com base no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II – tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.” Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Observese que a multa de ofício, atualmente exigida no lançamento de ofício, não poderá ser aplicada retroativamente, tendo em vista não ser mais benéfica ao contribuinte, ao contrário do que ocorre com a multa de mora. Neste sentido, aliás, impende transcrever os ensinamentos do doutrinador LEANDRO PAULSEN, que assim preleciona: “Penalidade, inclusive multa moratória. A retroatividade abrange qualquer penalidade pelo descumprimento da legislação tributária, incluindose, nesta categoria, evidentemente, a multa moratória. Ou juros moratórios, por não terem caráter punitivo, não sofrem a incidência deste dispositivo. Na nota acima, sob a rubrica Retroatividade da lei mais benigna, há ementas de acórdãos dando aplicação ao art. 106, II, c, do CTN em relação a multas moratórias.” (Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 10 ed. Ver. Atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora;a ESMAFE, 2008) A propósito da matéria, não é demais citar outro excerto da obra de Leandro Paulsen, supratranscrita, corroborando a pretensão da contribuinte, senão vejamos: “ – Multa moratória. Art. 61 da Lei 9.430/96. O percentual de multa moratória teve inúmeras variações ao longo do tempo. Alternouse entre 20% e 30% e chegou até mesmo a 40% aplicada com suporte na Lei 8.218/91, tendo sido novamente reduzida para 30% pelo art. 84, III, c, da Lei n° 8.981/95 e para 20% novamente em razão da superveniência do art. 61 da Lei 9.430/96. Sempre que o percentual aplicado tenha sido superior a 20%, cabe reduzir a mesma a este percentual por força da lei superveniente em cumprimento ao art. 106, II, c, do CTN.” (grifamos) Na esteira desse entendimento, impõese manter a ordem legal no sentido de limitar a exigência de multa de mora no percentual de 20 % (vinte por cento), na forma do disposto no artigo 9.430/96, atualmente aplicada ao caso. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com as normas que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA E NEGAR LHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 277 11 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado No presente caso a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 35 da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O aludido dispositivo faz remissão expressa ao art.61, da Lei n. º 9.430, de 2009, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19647.007790/200761 Acórdão n.º 9202002.838 CSRFT2 Fl. 278 13 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de No presente caso, não há de se falar aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, posto que os fatos geradores objeto do lançamento foram regularmente declarados em GFIP, posto que o contribuinte alegava ser imune a impostos e isenta de contribuições previdenciárias patronais, em face da aplicação do art. 55, §5º, da Lei n. º 8.212/1991, arts. 150, VI, c, e 195, §7º, ambos da CF/1988 Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a multa aplicada poderia alcançar o patamr de 100%, conforme previsto no art. 35, III, "d" da Lei nº 8.212, de 1991. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Portanto, no presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer do recursos especial, para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor da multa aplicada ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11522.001238/2008-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS.
Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida.
MATERIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NO OBJETO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSSIBILIDADE.
Apresentada a Impugnação, observa-se a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião de Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1101-001.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. MATERIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NO OBJETO DA CONTROVÉRSIA. IMPOSSIBILIDADE. Apresentada a Impugnação, observase a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião de Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 12 38 /2 00 8- 45 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Edeli Pereira Bessa (Presidente em exercício), Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), José Sérgio Gomes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Autos de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, sendo que tais exigências referemse ao ano calendário 1995. As autuações de que aqui se cuida foram lavradas após a 1a Turma da DRJ de Belém/PA ter proclamado a definitividade da suspensão da imunidade tributária do sujeito passivo no anocalendário em apreço; para além disso, referido Colegiado anulou, na mesma decisão, as autuações lavradas para a exigência dos mesmos tributos aqui controvertidos por vício formal. Essa decisão – que encerrou a controvérsia objeto do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067, feito esse apensado ao vertente –, restou assim ementada, verbis: "Anocalendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. É nulo, por vício formal, o lançamento que alterou o período de apuração de mensal para anual, em desobediência aos preceitos emanados do artigo 2º da Lei nº 8.541, de 1992. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. Não se conhece a manifestação de inconformidade que é apresentada em prazo superior a 30 dias, a contar da ciência da decisão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRRF, CSLL, PIS e COFINS Aplica se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. ” (fl. 198; grifouse) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11522.001238/200845 Acórdão n.º 1101001.112 S1C1T1 Fl. 3 3 Importante salientar que essa decisão foi prolatada em 20 de junho de 2003 (fl. 198), tendo o sujeito passivo sido cientificado desse decisum no dia 19 de agosto de 2003 – na esteira da fl. 1034 do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067, que está apensado ao vertente). Uma vez que, como visto, os lançamentos encerrados no Processo Administrativo n. 11522.000216/0067 foram anulados por vício formal, as autoridades fiscais lavraram as autuações aqui controvertidas – com a retificação das impropriedades identificadas no primeiro processo. As exigências decorrem, em síntese, das seguintes circunstâncias: i) Omissão de receitas atinentes a mensalidades de alunos, assim como omissão da receita da comercialização de apostilas; e ii) Das cobranças incidentes sobre o superávit apurado pela instituição de ensino em referência, tendo em vista a mencionada suspensão da imunidade da Associação. O sujeito passivo tomou ciência dos lançamentos em análise em 28 de maio de 2008, tendo apresentado, em 24 de junho de 2008, a Impugnação de fls. 103129. Nessa postulação, o sujeito passivo basicamente insurgese contra a suspensão de sua imunidade, sendo que afirma que jamais deixou de observar os requisitos legais à fruição do benefício. Não tece quaisquer comentários sobre as exigências aqui controvertidas, não combate as acusações de omissão de receitas que lhe são dirigidas. A r. instância a qua, analisando a Impugnação em apreço, prolatou acórdão que restou assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1995 IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. MATERIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” (fl. 206) As seguintes passagens são extraídas desse v. aresto, litteris: “No caso concreto, constatase que a interessada limitase exclusivamente a alegar a respeito da NOTIFICAÇÃO FISCAL DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE conforme Ato Declaratório nº 07, de 29/06/2000. Matéria esta, já analisada no Fl. 273DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 4 Acordão nº 1.336, de 20 de junho de 2003, anexo ao Processo nº11522.000216/0067, como vejamos (fls. 198/205): EMENTAS: Anocalendário: 1995 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADAS É nulo, por vício formal, o lançamento que alterou o período de apuração de mensal para anual, em desobediência aos preceitos emanados do artigo 2º da Lei nº 8.541, de 1992. IMUNIDADE. SUSPENSÃO Não se conhece a manifestação de inconformidade que é apresentada em prazo superior a 30 dias, a contar da ciência da decisão.(GRIFAMOS) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IRRF, CSLL, PIS e COFINS Aplica se às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. ACORDÃO: No uso da competência atribuída pelo art. 25, inciso I, alínea “a”, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001 e vistos, relatados e discutidos os presentes autos: ACORDAM os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, por unanimidade de votos, não conhecer a manifestação de inconformidade contra ato do Delegado da Receita Federal que suspendeu a imunidade tributária do sujeito passivo, por intempestiva e, no que se refere ao lançamento, conhecer da impugnação por tempestiva, para, no mérito, considerar nulo, por vício formal, o lançamento, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. Encaminhese o processo a DRF/Rio Branco, para cientificar o contribuinte ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL E CULTURAL da decisão deste acórdão, facultandolhe a apresentação de recurso ao Primeiro Conselho de Contribuintes, no prazo de 30 (trinta) dias, como assegurado no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972.(GRIFAMOS) Alertase a autoridade lançadora que a declaração de nulidade por vício formal não impede, quando for o caso, a lavratura de novos Autos de Infração, a contar da data em que a decisão declaratória de nulidade se tornar definitiva na esfera administrativa, conforme o previsto no art. 173, inciso II, do CTN. Deixase de recorrer de ofício ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, de acordo com o art. 34 do Dec. n.º 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 64 da Lei n.º 9.532, de 10 de dezembro de 1997, c/c a Portaria MF n.º 375, de 07 de dezembro de 2001, em virtude de o crédito exonerado não ultrapassar o limite de alçada. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11522.001238/200845 Acórdão n.º 1101001.112 S1C1T1 Fl. 4 5 VOTO: Inicialmente, ressaltese que a interessada apresentou documento no qual a impugnação ao lançamento a que se refere o auto de infração e a manifestação de inconformidade contra a decisão do Delegado da Receita Federal em Rio Branco/AC, que suspendeu sua imunidade tributária, estão reunidos em uma única peça. No que se refere à manifestação de inconformidade contra a decisão da autoridade administrativa, que suspendeu a imunidade tributária, nas folhas 628 a 632 consta a NOTIFICAÇÃO FISCAL DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE DE TRIBUTOS FEDERAIS, documento cuja ciência à interessada deuse em 6 de abril de 2000 (fl. 628). 4. Em 4 de maio de 2000, a interessada apresentou impugnação ao Delegado da Receita Federal em Rio Branco/AC (fls. 635 a 639), contestando a suspensão. Em 1 de junho de 2000, o Delegado da Receita Federal em Rio Branco/AC fundamentou a decisão pela manutenção integral da Notificação descrita no parágrafo anterior (fls. 660 a 668). 5. Como resultado da decisão, foi publicado o Ato Declaratório nº 7, de 29 de junho de 2000, suspendendo a imunidade tributária da interessada (fl. 669). No mencionado documento, consta a seguinte informação (grifei): "2.A entidade interessada poderá, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência, apresentar impugnação a este Ato Declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia Federal de Julgamento da 2ª Região Fiscal, em Manaus/AM (art. 32, § 6º, I, da Lei nº 9.430/96)". 6. A interessada tomou ciência da decisão em 19 de julho de 2000, quarta feira (fl. 671). De acordo com as regras dos prazos processuais, o prazo encerrouse em 18 de agosto de 2000. Entretanto, a manifestação de inconformidade, que está conjugada com a impugnação ao lançamento, foi apresentada em 30 de agosto de 2000; portanto, fora do prazo de trinta dias. Ante o exposto, a manifestação de inconformidade não será conhecida. 7. No que se refere à impugnação ao lançamento, a impugnante foi cientificada do auto de infração em 31 de julho de 2000 (fl. 676). Em 30 de agosto de 2000, a peça impugnatória foi apresentada; portanto, dentro do prazo de trinta dias. Em decorrência do exposto, a impugnação reúne os requisitos de admissibilidade e, portanto, dela tomase conhecimento, pelo que passo a fundamentar (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores). Neste passo, como não foram apresentados pontos de discordância, razões e provas, em relação à matéria objeto do Auto de Infração, deriva a imediata e necessária Fl. 275DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 6 inadmissibilidade do documento de fls. 104/129.” (fls. 211212; sem grifos no original) O sujeito passivo foi intimado dessa r. decisão em 24 de maio de 2012 (fl. 219), após o quê interpôs o Recurso Voluntário em referência, irresignação essa que repousa aos fólios n. 228246. Nessa irresignação, a contribuinte alega, em síntese, o seguinte: i) Possibilidade de a Administração anular seus próprios atos; ii) Impossibilidade de a Turma recorrida não conhecer a Impugnação apresentada; iii) A invalidade dos lançamentos, tendo em vista que o sujeito passivo seria isento; iv) Nulidade da suspensão de imunidade; v) Inexistência de vício formal nos lançamentos anulados no seio do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067. Acerca da citada alegação quanto à nulidade da suspensão de imunidade, é importante trazer à balha a seguinte passagem da postulação da Associação, verbis: “De prima, conforme constante no bojo do acórdão n. 1336, de 20 de junho de 2003, anexo ao processo 11522.000216/0067, fls 814/820 o contribuinte deveria ser cientificado da decisão, fato esse não ocorrido, atentando ao seu direito líquido e certo da ampla defesa, devido a supressão da ciência do acórdão e ferir mortalmente a sua faculdade de recorrer ao Primeiro Conselho de Contribuintes direito este contido no próprio acórdão e em nosso ordenamento de direito pátrio. (...) Em face ao exposto, não tendo o Recorrente tomado ciência do Acórdão do processo 11522.000216/0067 para exercer seu direito líquido e certo de Recorrer das decisões ali tomadas e em atendimento ao devido processo legal e ampla defesa, a ilegalidade é patente. REQUER A DEVOLUÇÃO DO PRAZO naquele processo 11522.000216/0067, e a suspensão do atual 11522.001238/200845, em face ao Acórdão do processo 11522.000216/0067 ainda não ter ainda (sic) seu ultima (sic) decisão, impossibilitando o prosseguimento do feito.” (fls. 234 236) É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11522.001238/200845 Acórdão n.º 1101001.112 S1C1T1 Fl. 5 7 O Recurso Voluntário é tempestivo – ciência em 24 de maio de 2012 (fl. 219) e prática do ato processual em 22 de junho de 2012 (fl. 228) –, razão pela qual prossigo na sua análise. Consoante dito no Relatório, os autos de infração aqui controvertidos foram lavrados após a anulação, por vício formal, dos lançamentos encerrados nos autos do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067. É importante consignar que esse Processo Administrativo n. 11522.000216/0067 – que está apensado ao feito presente – foi formado para que nele se travassem as controvérsias atinentes (i) à suspensão de imunidade da instituição de ensino em análise e (ii) aos autos de infração, que perseguiam os mesmos tributos aqui discutidos, lavrados em decorrência da suspensão de imunidade. Conforme asseverado, a Colenda 1ª Turma da DRJ de Belém julgou a Impugnação que o sujeito passivo manejou nos autos do citado Processo n. 11522.000216/00 67, ocasião em que: i) Não conheceu da Impugnação quanto à Suspensão de Imunidade, tendo em vista que a postulação foi apresentada em mais de trinta dias contados da ciência do Ato Declaratório de Suspensão de Imunidade; e ii) Conheceu da Impugnação em relação aos autos de infração, tendo anulado os lançamentos por vício que foi tido como formal, na esteira do que restou consignado nesse próprio decisum. Essa decisão foi prolatada em 20 de junho de 2003. Ante a anulação dos lançamentos por vício formal, foram lavradas as novas autuações que consubstanciam o objeto do vertente litígio, sendo que o sujeito passivo teve ciência dos Autos de Infração aqui em testilha em 28 de maio de 2008. O simples exame das datas envolvidas já demonstra que, se os autos de infração anulados no seio do Processo n. 11522.000216/0067 realmente o foram por vício formal, não há que se falar em escoamento do prazo para as autoridades fiscais procederem aos novos lançamentos, tendo sido observado o lapso temporal inserto no inciso II do art. 173 do CTN. Cientificado das autuações em epígrafe, o sujeito passivo apresentou a Impugnação de fls. 103129, ocasião em que apenas teceu considerações sobre a suspensão de imunidade, não trazendo uma linha sequer para vergastar as autuações lavradas contra si. Nesse quadro, penso que não há reparos a serem feitos na r. decisão recorrida, que corretamente não conheceu a citada impugnação, de modo que o vertente Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Com efeito, toda a controvérsia atinente à suspensão de imunidade foi travada no apenso Processo Administrativo n. 11522.000216/0067, ocasião em que se deu ao contribuinte plena oportunidade de se voltar contra o Ato Declaratório da Suspensão de Imunidade. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Deveras, o exame do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067 dá conta de que: i) Às fls. 786790, repousa a Notificação dirigida ao contribuinte acerca da Suspensão de sua Imunidade, Notificação essa que chegou ao conhecimento do contribuinte em 6 de abril de 2000; ii) Às fls. 793797, encontrase a Impugnação que o sujeito passivo apresentou contra a Notificação acima citada, sendo que a Impugnação foi apresentada em 4 de maio de 2000; iii) A Impugnação foi julgada improcedente pelo Delegado da Receita Federal, na esteira da decisão de fls. 818826; iv) Com o julgamento da improcedência da Impugnação, foi publicado o Ato Declaratório da Suspensão de Imunidade da interessada (fl. 828); v) O contribuinte foi cientificado desse Ato em 19 de julho de 2000 (fl. 830), ao passo que apresentou Impugnação ao Ato Declaratório e aos lançamentos lavrados em decorrência em 30 de agosto de 2000. Para além disso, percebese que, à fl. 1034, existe Aviso de Recebimento que atesta a ciência do sujeito passivo em relação ao Acórdão da 1a Turma da DRJ de Belém que manteve o Ato Declaratório e anulou as autuações, sendo que essa intimação – dirigida ao endereço da contribuinte e assinada pela Sra. Mônica Maria Borges de Oliveira – teve lugar no dia 19 de agosto de 2003. Assim sendo, é certo que a discussão atinente à Suspensão de Imunidade é completamente alheia ao vertente processo, de modo que a Impugnação que o contribuinte apresentou neste Processo n. 11522.001238/200845, por apenas versar sobre a estranha Suspensão de Imunidade, efetivamente não deveria ter sido conhecida, dado o não preenchimento de requisitos insertos no art. 16 do Decreto n. 70.235/72, que reza, litteris: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). ” No processo administrativo fiscal, os lindes do litígio são definidos por ocasião da Impugnação, momento em que o sujeito passivo pode se lançar contra todo o lançamento ou contra apenas parte dele. Apresentada a Impugnação, observase a estabilização da demanda no seu aspecto objetivo, razão pela qual não é dado ao sujeito passivo inovar e ampliar o objeto da controvérsia apenas por ocasião de Recurso Voluntário. Bem se vê que, no caso concreto, o sujeito passivo trouxe à balha uma série de argumentos e questões unicamente em sede de Recurso Voluntário, argumentos e questões esses que, em função do Princípio da Estabilização da Demanda acima delineado, não podem ser conhecidas. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11522.001238/200845 Acórdão n.º 1101001.112 S1C1T1 Fl. 6 9 Frisese que a questão atinente à suposta falta de intimação do acórdão que dirimiu a controvérsia encerrada no Processo Administrativo n. 11522.000216/0067 é absolutamente alheia ao vertente processo, sendo certo que nem mesmo em tese se poderia, aqui, determinar a reabertura do prazo para manejo de Recurso Voluntário em face dessa decisão. De mais a mais, salientese que, consoante dito acima, repousa nos autos do Processo Administrativo n. 11522.000216/0067 Aviso de Recebimento que dá conta de que o contribuinte foi, sim, cientificado do acórdão que pôs fim a esse processo, o que se observa a partir da leitura do fólio n. 1034. Assim sendo, é certo que não podem ser conhecidos os novos argumentos deduzidos pelo sujeito passivo em sede de Recurso Voluntário, tendo em vista que não se controverteu sobre tais pontos por ocasião da Impugnação – que apenas cuidou da absolutamente impertinente questão da Suspensão de Imunidade, já resolvida em definitivo no seio do Processo n. 11522.000216/0067. Por todo o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário – tendo em vista que as questões que o inconformismo enfrenta que já tinham sido manejadas em Impugnação são alheias ao presente litígio, ao passo que as demais representam inadmissíveis inovações e ampliações do objeto do litígio em sede recursal –, de modo que mantenho integralmente a r. decisão recorrida, na esteira das razões acima declinadas. É como voto. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 279DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/06/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 11522.001957/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA
Para os lançamentos de ofício, como é o caso do Auto de Infração, aplica-se, a regra contida no art. 173 do Código Tributário Nacional.
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AOS TERCEIROS - SEST E SENAT
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições ao SEST e SENAT, incidentes sobre o valor do frete pago aos transportadores autônomos que lhe prestaram serviços.
Numero da decisão: 2301-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
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AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS AOS TERCEIROS SEST E SENAT Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições ao SEST e SENAT, incidentes sobre o valor do frete pago aos transportadores autônomos que lhe prestaram serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao recurso, para excluir o agravamento da multa. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 57 /2 01 0- 81 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001957/201081 Acórdão n.º 2301003.349 S2C3T1 Fl. 85 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 21/12/2010, por ter a empresa acima identificada deixado de reter as contribuições devidas pelos transportadores autônomos ao SEST/SENAT, infringindo, dessa forma, o art. 7o, da Lei 8.706/93. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls.36), da análise da documentação apresentada, verificouse a existência pagamentos feitos a transportadores rodoviários autônomos, sem que houvesse sido realizada a retenção da contribuição por eles devida às Terceiras Entidades, SEST/SENAT, na alíquota de 2,5% sobre 20% do valor do frete, conforme determina o art. 7o, da Lei 8.706/93. A autoridade autuante informa que anexou, às fls. 264 do processo 11522.001798/201014, relatório relacionando os transportadores rodoviários autônomos, com data e o valor do frete, e esclarece que as informações detalhadas, bem como a documentação comprobatória da prática dolosa do contribuinte, encontramse no referido processo, que discute o Auto de Infração que lançou a contribuição previdenciária. Segundo Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a penalidade foi agravada tendo em vista a ocorrência da hipótese prevista nos incisos I e II do art. 290, do RPS. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.326, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 59), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 79), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Alega descabimento da multa regulamentar, argumentando que, não bastasse os valores lançados a título de multa de mora e de ofício, a autoridade fiscal lavrou, adicionalmente, outros 09 autos de infração, com a cobrança de multas isoladas, o que, segundo entende, possui efeito de confisco. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Ressalta a peculiaridade da multa prevista na Lei 8.218/91, que não é calculada sequer sobre o valor do tributo que teria deixado de ser recolhido pelo contribuinte, mas sobre o faturamento, o que demonstra absoluta ausência de razoabilidade da penalidade aplicada. Observa que as diversas multas previstas nos arts 11 e 12, da Lei 8.218/91 não guardam qualquer parâmetro com as condutas que se pretende evitar, violando assim os princípios da vedação ao confisco, proporcionalidade e razoabilidade. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001957/201081 Acórdão n.º 2301003.349 S2C3T1 Fl. 86 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega decadência do direito de a autoridade cobrar créditos tributários relativos às competências anteriores a dezembro de 2005, a teor do disposto nos artigos 150, § 4o. Contudo, é objeto do presente processo administrativo o Auto de Infração aplicado por ter a Santista Distribuições Ltda descumprido a obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos transportadores autônomos ao SEST e SENAT. A penalidade pela infração transcrita acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que as contribuições devidas pelo segurado deixaram de ser arrecadadas pela empresa. Ou seja, basta o contribuinte deixar de arrecadar, mediante desconto de sua remuneração, apenas uma contribuição devida pelo segurado transportador autônomo que tenha lhe prestado serviços de frete, em uma única competência não alcançada pela decadência, que estará configurada a infração.. Portanto, não há que se falar em decadência dos créditos lançados, já que ficou configurada infração em competências posteriores a 12/2005, ou seja, não alcançadas pela decadência prevista nos dispositivos legais citados pela recorrente. Ademais, como visto acima, tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, lançamento de ofício, caso em que se aplica a regra decadencial prevista no art. 173 do Código Tributário Nacional. Assim, não há que se falar em decadência. No mérito, a recorrente insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou no processo principal, de nº 11522001798/201014,demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Contatase, ainda, que as irregularidades apontadas pela fiscalização foram cometidas de forma sistemática, em várias competências, caracterizando, assim, uma prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores, numa clara tentativa de elidir o tributo devido. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. A recorrente tenta demonstrar, ainda, que a cobrança de multa isolada com a lavratura de 09 autos de infração caracteriza confisco. Entretanto, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Cumpre esclarecer que a vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal, dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001957/201081 Acórdão n.º 2301003.349 S2C3T1 Fl. 87 7 Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento, mas, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Todos os autos citados pela recorrente em seu recurso, foram lavrados ou por falta do cumprimento de obrigação principal, como também por descumprimento de obrigações acessórias. E se foram lavrados 09 com a cobrança de multa isolada, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações acessórias e, para cada uma delas, a Lei estabelece uma penalidade. Observase que em nenhum momento de seu recurso a recorrente negou que tenha deixado de arrecadar, mediante desconto de suas remunerações, as contribuições devidas pelos transportadores autônomos, apontados no relatório fiscal da infração E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de descontar a contribuição devida pelos transportadores autônomos que prestaram serviços de frete à autuada. Assim, conforme exposto acima, houve a infração à legislação apontada no Relatório Fiscal. E, reiterase, como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para esse tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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