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Numero do processo: 10880.720176/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 17 6/ 20 07 -5 1 Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.057 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2001. Sirvome do relatório contido na decisão de primeira instância para retratar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela contribuinte em sede Manifestação de Inconformidade. Tratase a presente de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório (fls. 167/178) exarado pela DERAT/DIORT/EQPIR/SPO, que reconheceu parcialmente o crédito de Saldo Negativo de IR relativo ao ano calendário de 2001 no valor de R$ 4.059.111,34, tendo a interessada pleiteado e apurado na DIPJ 2002 saldo negativo de IR no montante de R$ 13.303.158,37. Depreendese do despacho decisório que o deferimento parcial do crédito resultou das constatações abaixo sintetizadas: Quanto ao saldo credor do exercício de 2001, ano calendário 2000: A autoridade fiscal, ao analisar as deduções (IRF e estimativas) computadas na apuração do saldo credor do exercício de 2001, ano calendário 2000, o qual foi utilizado para quitar estimativas de 2001 mediante compensação, foram confirmadas as seguintes deduções: IRF de R$ 456.003,79 Conforme quadro elaborado a fl. 169, em que são confrontados os rendimentos e retenções informados na Ficha 43 e os valores confirmados pelo SIEF/DIRF, verificase que não foi confirmada parte dos rendimentos de cod. 3426 (campos 3, 24 e 25 da ficha 43) e os rendimentos sob código 5706. Embora tenham sido confirmados em DIRF rendimentos de swap (código 5273) de R$ 7.501.951,07 com IRF de 1.268.898,92, a contribuinte não ofereceu à tributação os referidos rendimentos na linha 21 da Ficha 06 A, conforme instruções de preenchimento da DIPJ 2001, aprovadas pela IN SRF n° 22, de 22 de Fevereiro de 2001, devendo o IRF ser desconsiderado para fins de compensação, nos termos do artigo 837 do RIR/99. Foi verificado o oferecimento à tributação de receitas confirmadas em DIRF que suportaram o IRRF para os códigos 1708 (receitas de R$ 24.531.178,87 e IRF de 367.896,52) e 3426 (rendimentos de R$ 440.536,42 e IRF de 88.107,27), devendo ser admitido no cômputo do IR a pagar a dedução de IRF no valor de R$ 456.003,79. Estimativas pagas de R$ 4.213.404,77 Quanto as estimativas de 2000, verificouse que todas as estimativas foram compensadas com saldo negativo de IR do exercício 2000, ano calendário de 1999, crédito analisado no processo administrativo n° 13811.000728/0001. Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.058 3 Das compensações de estimativas efetuadas que totalizaram R$ 5.983.503,21, foram confirmadas R$ 4.213.404,77. Em decorrência da confirmação parcial do IRF e das estimativas computadas, podese reconhecer o saldo credor de IR do anocalendário de 2000 como abaixo: IMPOSTO DEVIDO 2.017.621,93 () IRRF 456.003,79 () ESTIMATIVAS MENSAIS 4.213.404,77 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 2.651.786.63 Quanto ao saldo credor do exercício de 2002, ano calendário 2001: O saldo negativo do anocalendário 2001, exercício 2002, deve ser reconhecido no valor de R$ 4.059.111,34, face à confirmação das seguintes deduções do imposto devido: IRF de R$ 995.698,32 (R$ 3.589.388,52 informados na DIPJ 2002): Das retenções informadas na Ficha 43 da DIPJ 2002 (fls. 109/117), que somaram R$ 3.589.388,52, a autoridade fiscal confirmou no SIEF/DIRF apenas R$ 3.211.738,69. Não foram confirmadas a retenção sob código 5706 (campo 19) e parte da retenção sob código 1708 (demais campos). Consolidando os rendimentos e IRRF's confirmados pelas DIRF's para os respectivos códigos, temse como resultado a tabela a seguir exposta: CÓDIGO RENDIMENTO (R$) IRRF (R$) 1708 24.254.064,76 363.199,71 3426 3.153.134,18 632.498,61 5273 11.080.201,94 2.216.040,37 5706 0,00 0,00 TOTAL 38.487.400,88 3.211.738,69 Embora tenham sido confirmados em DIRF rendimentos de swap (código 5273) de R$ 11.080.201,94 com IRF de 1.268.898,92, a contribuinte não ofereceu à tributação os referidos rendimentos na linha 21 da Ficha 06 A, conforme instruções de preenchimento da DIPJ 2001, aprovadas pela IN SRF n° 22, de 22 de Fevereiro de 2001, devendo o IRF de R$ 11.080.201,94 ser desconsiderado para fins de compensação, nos termos do artigo 837 do RIR/99. Foi verificado o oferecimento à tributação de receitas que suportam os IRRF para os códigos 1708 (receitas de R$ 24.254.064,76 e IRF de 363.199,71) e 3426 (rendimentos de R$ 3.153.134,18 e IRF de R$ 632.498,61), devendo ser admitido no cômputo do IR a pagar a dedução de IRF no valor de R$ 995.698,32. Estimativas pagas de R$ 4.686.597,57 A interessada informou em DCTF os créditos compensados com as estimativas, conforme tabela de fl. 175 abaixo reproduzida: Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.059 4 CRÉDITOS VINCULADOS PERÍODO DE APURAÇÃO DÉBITOS APURADOS VALORES (R$) FL. CRÉDITOS CONFIRMADOS FL. ABR/01 1.001.505,08 1.001.505,08 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 138 1.001.505,08 147 MAI/01 1.575.104,59 1.575.104,59 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 139 1.575.104,59 147 JUL/01 1.353.040,13 1.353.040,13 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 140 256.704,91 147 AGO/01 1.791.988,69 1.791.988,69 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 141 0 SET/01 1.826.024,32 1.826.024,32 COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 142 0 OUT/01 (*1) 2.869.691,35 1.853.282,99 1.016.408,30 PAGAMENTO COM DARF COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (*) 143 OUT/01 (*2) 2.869.691,35 1.853.282,99 1.016.408,30 PAGAMENTO COM DARF 23236.48502 231104.1.3.048888 157 0 1.853.282,99 0 NOV/01 919.600,24 919.600,24 13804.004040/2001 14 144 0 TOTAL 11.336.954,40 4.686.597,57 (*) COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO COM SALDO NEGATIVO APURADO EM 31/12/2000 OUT/01 (*1) DCTF Nº 0000.100.2008.12396009 (DATA DE RECEPÇÃO 10/04/2008) OUT/01 (*2) DCTF Nº 0000.100.2006.22171038 (DATA DE RECEPÇÃO 25/04/2006) Utilizando o programa NEO SAPO para simular as referidas compensações sem processo realizadas pelo contribuinte com o acima calculado saldo credor de IRPJ do exercício 2001 (R$ 2.651.786,63), verificouse a existência de crédito para a compensação das estimativas de Abr/01 e Mai/01 e parte da estimativa de Jul/01 (256.704,91), não restando crédito para a compensação da outra parte da estimativa de Jul/01 (1.096.335,22) e das estimativas de Ago/01 e Set/01 (extratos de fls. 145 a 147). Em relação à estimativa de Out/01 foi verificado que as informações mais recentes são referentes à DCTF 0000.100.2008.12396009 (recepção 10/04/2008 fl. 159; DCTF fl. 143). Porém, em consulta ao SIEF/Fisc.Eletr./AnalisarValores/DébitosApurados foi verificado que as informações declaradas na citada DCTF não foram admitidas pois tentavam alterar informações relativas a crédito vinculado da DCOMP 23236.48502.231104.1.3.048888 para compensação sem processo com saldo negativo de IRPJ do exercício 2001 após decisão Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.060 5 administrativa de não homologação da referida DCOMP (21/02/2008 fl. 162) e, portanto, as informações referentes à DCTF 0000.100.2006.22171038 (recepção 25/04/2006 fl. 159; DCTF fl. 157) foram mantidas como as ativas conforme tela do SIEF à fl. 158; Portanto, como já comentado, tendo em vista a não homologação da DCOMP 23236.48502.231104.1.3.048888 (fl. 162), não há de considerar a parcela da estimativa de Out/01 a ela referente (R$ 1.016.408,36 fl. 157). Adicionalmente, foi verificado que o débito referente à citada DCOMP foi incluído no sistema PROFISC no processo n° 16306.000013/200840. Em consulta ao sistema PROFISC ao referido processo foi verificado que o citado débito não se encontra extinto (fl. 163). Foi verificada através do SINAL08 a consistência do pagamento declarado (fl. 148) para os códigos 1708 e 3426. O interessado declarou que a estimativa de Nov/01 foi compensada através do processo administrativo n° 13804.004040/200114 (fl. 144). Em pesquisa ao sistema DecisõesW foi verificado, na decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/SPOI nos autos do referido processo através do Acórdão n° 6969, de 27 de Abril de 2005 (fls. 149 a 156), que o pedido de restituição constante do referido processo foi indeferido pela DIORT e que a solicitação da manifestante foi indeferida pela DRJ. Em resumo, o indeferimento do pedido de restituição foi mantido pela DRJ e, portanto, verificase a inexistência de crédito para compensar com a estimativa de Nov/01. Portanto, para fins de apuração do saldo credor de IRPJ do exercício 2002 serão consideradas as parcelas das estimativas confirmadas conforme a retro exposta tabela, totalizando o montante de R$ 4.686.597,57 (quatro milhões, seiscentos e oitenta e seis mil, quinhentos e noventa e sete reais e cinqüenta e sete centavos). Em decorrência da confirmação parcial do IRF e das estimativas computadas, concluise no reconhecimento do saldo credor de IR do anocalendário de 2001 como abaixo: IMPOSTO DEVIDO 1.623.184,55 () IRRF 995.698,32 () ESTIMATIVAS MENSAIS 4.686.597,57 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 4.059.111,34 Cientificada da decisão em 22/12/2008 (AR a fl. 180), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a fls. 260/285 em 21/01/2009, na qual postula pela reforma do despacho recorrido, com base nas alegações abaixo sintetizadas: O saldo negativo do anocalendário 2000, exercício 2001, deve ser reconhecido no valor de R$ 7.309.788,07, face à confirmação das seguintes deduções do imposto devido: IRF de 3.343.906,79: • Apresenta informes de rendimentos dos Bancos BNP Paribas, Sudameris e Europeu (docs 09 a 11), cópias de DCTF e darfs da Ródia Acetow (doc 12) e darf e documentos contábeis da Rhodia Acetow (docs 13 e 14) referentes ao IRRF que não foi reconhecido pela autoridade fiscal no cômputo do saldo negativo de IRPJ do exercício de 2001, o qual foi utilização em compensações com as estimativas do exercício de 2002; Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.061 6 • Afirma que os rendimentos financeiros correspondentes ao IRF do ano calendário 2000 foram oferecidos à tributação na ficha 06 A – linha 24, Outras Receitas Financeiras, e a receita de prestação de serviços, código 1708, de R$ 24.531.178,87, sobre o qual foi retido IRF de R$ 367.896,62, foi oferecida na Ficha 06 A – linha 08, Receita de Prestação de Serviços; • quanto aos rendimentos do Código 5273, no valor de 7.501.951,07 relativo à swap, o fato de a ora Manifestante, ter indicado equivocadamente, na linha 24 Outras Receitas Financeiras, dentro do valor de 55.848.948,49 e não na linha 21 Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável, não pode ser considerada, em hipótese alguma, como não oferecida à tributação, eis que, no Direito Tributário, sempre e sempre deve prevalecer o Princípio da Verdade Material. Aliás o próprio Fisco reconhece às fls. 167, o rendimento do Código 5273, no valor de 7.501.951,07 e o correspondente IRRF de 1.268.898,92 e confirmado pelo DIRF. IR pago por estimativas de 5.983.503,21: • com relação às estimativas de março, agosto (parcial) e novembro de 2000, as quais constam em DCTF (fls. 96 e 98) como compensadas com saldo negativo de 1999, devese entender que as mesmas foram pagas, porque tais compensações diminuíram contabilmente o valor do saldo negativo de IRPJ de 1999 que foi objeto de pedido de restituição no valor de R$ 21.631.940,05 mediante PA 13811.000728/0001; O saldo negativo do anocalendário 2001, exercício 2002, deve ser reconhecido no valor de R$ 13.303.158,37, face à confirmação das seguintes deduções do imposto devido: IRF de 3.589.388,52 (confirmado no despacho 3.211.738,69): • a autoridade fiscal não confirmou a retenção sob código 5706 o rendimento de 2.506.205,19 e o IRRF de 375.930,78, que tem respaldo na DCTF, em anexo, apresentada pela Rhodia Acetow Brasil Ltda., onde acusa a retenção do IRF de 375.930.78 e o seu recolhimento mediante DARF, em anexo, de 375.930,78 (doc. 18) e, que o correspondente rendimento de 2.506.205,19 foi oferecido à tributação, pela ora Manifestante, na Ficha 06A, Linha 23, de fls. 106, da DIPJ 2002; • quanto ao rendimento do Código 5273, o próprio Fisco, reconhece às fls. 171, o rendimento do Código 5273, no valor de R$ 11.080.201,94 e o correspondente IRRF de R$ 2.216040,37 e ainda confirmado pela DIRF e que no ponto, o fato de a Manifestante ter indicado esse valor na DIPJ 2002 fls. 106, na Linha 24 Outras Receitas Financeiras dentro do valor total de R$ 39.872.539,14, e não na Linha 21, da FICHA 06A, não pode invalidar essa receita oferecida à tributação, eis que no Direito Tributário, sempre e sempre deve prevalecer o Princípio da Verdade Material. IR pago por estimativas de 11.336.954,40 (confirmado no despacho 4.686.597,57): • reconhecido o sd neg ex 2001 em R$ 7.309.788,07, e não de R$ 2.651.786,63, e, portanto, suficiente, para compensar estimativas de Abril/01, Maio/01, Julho/01, Agosto/01 e Setembro/01 consoante DCTFs, apresentadas de fls. 101 a 142; • quanto à estimativa de outubro/01, no valor de R$ 2.869.691,35, esclareçase que, parte do valor de R$ 1.853.282,99, foi, paga mediante DARF (fls. 148) e outra parte no valor de R$ 1.016.408,36 foi paga mediante compensação com a utilização do Saldo Negativo IRPJ do AC 2000 (exercício?), consoante atesta DCTF de fls. 157 e que está sendo objeto de PA 16306.000013/200840, cujo Despacho Decisório foi objeto de Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.062 7 Manifestação de Inconformidade em anexo (docs. 19/21) e portanto, está suspensa a exigibilidade da estimativa de 1.016.408,36, na forma do artigo 74, § 11, da Lei 9.430/96, e portanto, esse débito deve ser tido como PAGO, até a decisão final pelo Conselho de Contribuintes; • Quanto à estimativa de Nov/01, no valor de 919.600,24, também, deve ser tida como PAGA, eis que, foi compensada no bojo do PA n° 13804.004040/200114, em que, o Despacho Decisório indeferiu a compensação pleiteada, contra esse Despacho foi interposta a Manifestação de Inconformidade, que, não, foi acolhida mediante Acórdão n° 6969/05 e contra esse Acórdão foi interposto competente Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, ora, onde se encontra para julgamento, tudo consoante atestam os documentos em anexo (doc 22/26), e portanto, da mesmo forma, dito no parágrafo anterior, parte final, está suspensa a exigibilidade da estimativa de Nov/01, de R$ 919.600,24, e portanto, frisese, deve ser tida como PAGA. A instauração do processo de representação nº 10880.722260/200891 é descabida, sendo equivocada a conclusão de que o total dos débitos oferecidos à compensação pela Manifestante excede o valor do crédito informado (R$ 13.303.158,37), em face da qual cabem os seguintes argumentos: • Inicialmente não se observou a ordem de compensação determinada no art. 163, III, CTN1, pois deveria ter considerado a ordem crescente dos prazos de prescrição, o que é determinado pela data de transmissão das PER/DCOMPs, conforme disposto no art. 74, § 5o, da Lei n° 9.430/962; • Além disso, no momento da compensação dos débitos contidos na PER/DCOMP 08875.79794.180604.1.3.026721, acrescentou indevidamente a multa de mora de 20%, apesar da transmissão da referida PER/DCOMP (18/06/2004) ter ocorrido dentro do prazo de 30 dias, a contar da data da publicação da decisão judicial que considerou devidos os débitos (19/05/2004), conforme disposto no art. 63, § 2o, da Lei n° 9.430/96; • Protesta pela juntada dos documentos anexos e de outros que se fizerem necessários. Em vista de todo o exposto, requer a procedência da presente Manifestação de Inconformidade para: a) imediata suspensão da exigibilidade dos processos n° 10880.720176/200751 e 10880.722260/200891 e débitos contidos nas Cartas de Cobrança n°s 7051 e 7022; b) reconhecimento da integralidade do Saldo Negativo do IRPJ2002, no montante de R$ 13.303.158,37; c) Homologação, conseqüentemente, de todas as compensações de débitos tributários efetuadas pela ora Manifestante, no bojo,das DCOMPs, de início elencadas; e d) Recálculo das compensações, de acordo com os critérios indicados no item 22, reabrindose prazo para eventual manifestação de inconformidade ou pagamento, tendo em vista a nulidade dos parâmetros utilizados pela Receita Federal na emissão das Cartas Cobranças n°s 7051 e 7022. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 16 Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.063 8 52.174, de 29 de outubro de 2013, pela procedência parcial da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. PROVA DO CRÉDITO. Além da comprovação do Imposto de Retido na Fonte mediante a apresentação dos comprovantes/informes de rendimentos ou extratos emitidos pelas instituições financeiras, deve ser comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes. ESTIMATIVAS COM COMPENSAÇÃO PENDENTE. A estimativa mensal cuja compensação esteja pendente de solução na esfera administrativa não se reveste do atributo de liquidez e, conseqüentemente, não pode ser computada na apuração do tributo a pagar apurado no encerramento do período. ORDEM DE COMPENSAÇÃO. As compensações efetuadas com o mesmo crédito devem observar a ordem determinada pelas datas de transmissão dos PER/DCOMP correspondentes. MULTA DE MORA. Os acréscimos moratórios juros e multa de mora incidem sobre os débitos compensados até a data da compensação, recaindo sobre a interessada o ônus de comprovar eventual hipótese de afastamento da multa. DÉBITO EXCEDENTE AO CRÉDITO INFORMADO. A manifestação de inconformidade não suspende a exigibilidade do débito que exceder ao total do crédito informado pelo sujeito passivo em sua Declaração de Compensação. Diante do acolhimento parcial da pretensão deduzida na Manifestação de Inconformidade, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 1.711/1.743, em que, esclarecendo que em razão da legislação vigente à época em que os pedidos foram formalizados o presente processo alcança dois saldos negativos (2000 e 2001), sustenta que o acórdão recorrido não observou as conclusões trazidas pela diligência anteriormente realizada. Adiante, renova argumentos no sentido de comprovar a procedência dos créditos indicados para fins de compensação tributária. É o Relatório. Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.064 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com crédito relativo a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano calendário de 2001. Nos termos da FICHA 12 A da DIPJ/2002 (CÁLCULO DO IR SOBRE O LUCRO REAL), fls. 108, o saldo negativo de IRPJ indicado para compensação, no montante de R$ 13.303.158,37, decorreu da seguinte apuração: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 1.623.184,55 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 629.167,69 ESTIMATIVA R$ 14.297.175,23 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 13.303.158,37) A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte, emitiu o Despacho Decisório de fls. 164/175 reconhecendo parcialmente o direito creditório indicado para compensação. Tomando por base o decidido por meio do Despacho Decisório acima mencionado, extraio as seguintes informações: Relativamente ao ANO CALENDÁRIO DE 2001 i) na DIPJ/2002, a contribuinte informou um total de imposto de renda retido na fonte de R$ 3.589.388,52, sendo confirmados por meio dos controles internos da Receita Federal (DIRF) o montante de R$ 3.211.738,69; ii) do total de IRRF confirmado por meio das DIRFs apresentadas (R$ 3.211.738,69), foi glosado o valor de R$ 2.216.040,37, correspondente ao imposto incidente na fonte sobre rendimentos auferidos em operações de SWAP (código 5273), sob alegação de que referidos rendimentos não foram oferecidos à tributação; iii) diante da glosa acima referenciada, o imposto de retido na fonte considerado confirmado passou a ser de R$ 995.698,32 (R$ 3.211.738,69 R$ 2.216.040,37); iv) de acordo com os controles relacionados à DCTF da Receita Federal (DCTF GER 4.8), os valores declarados a título de estimativa alcançaram o montante de R$ 11.336.954,40; v) a extinção das estimativas referenciadas no item precedente foi promovida por meio de COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO (saldo negativo apurado em 31/12/2000), pagamento, PER/DCOMP (23236.48502.231104.1.3.048888) e pelo processo administrativo nº 13804.004040/200114; Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.065 10 Relativamente ao ANO CALENDÁRIO DE 2000 i) o saldo negativo do ano calendário de 2000 (R$ 7.638.399,46), em conformidade com a declaração retificadora de fls. 68, decorreu da seguinte apuração: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 2.017.621,93 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 52.252,74 ESTIMATIVA R$ 9.603.768,75 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 7.638.399,46) ii) na DIPJ/2001, a contribuinte informou um total de imposto de renda retido na fonte de R$ 3.343.906,79, sendo confirmados por meio dos controles internos da Receita Federal (DIRF) o montante de R$ 1.724.902,71; iii) do total de IRRF confirmado por meio das DIRFs apresentadas (R$ 1.724.902,71), foi glosado o valor de R$ 1.268.898,92, correspondente ao imposto incidente na fonte sobre rendimentos auferidos em operações de SWAP (código 5273), sob alegação de que referidos rendimentos não foram oferecidos à tributação; iv) diante da glosa acima referenciada, o imposto de retido na fonte considerado confirmado passou a ser de R$ 456.003,79 (R$ 1.724.902,71 R$ 1.268.898,92); v) de acordo com os controles relacionados à DCTF da Receita Federal (DCTF GER 4.8), os valores declarados a título de estimativa, relativamente ao ano de 2000, alcançaram o montante de R$ 5.983.503,21; vi) foi verificado que todas as compensações efetuadas para extinguir as estimativas referenciadas no item precedente foram realizadas com saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999, que foi analisado no processo administrativo nº 13811.000728/00 01, sendo que do total declarado de R$ 5.983.503,21 foi confirmado o valor de R$ 4.213.404,77; vii) o saldo negativo do ano calendário de 2000, a partir das verificações a ele relacionadas, passou a ter a seguinte composição: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 2.017.621,93 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 456.003,79 ESTIMATIVA R$ 4.213.404,77 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 2.651.786,63) CONCLUSÕES i) utilizandose de programa da Receita Federal (NEO SAPO), constatouse que o saldo negativo de 2000 (R$ 2.651.786,63) viabilizou a compensação integral das estimativas de abril (R$ 1.001.505,08) e maio de 2001 (R$ 1.575.104,59), e parte da referente a julho do mesmo ano (R$ 256.704,91 de R$ 1.353.040,13), restando não compensadas parte da Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.066 11 estimativa de julho (R$ 1.096.335,22), e integralmente as de agosto (R$ 1.791.988,69) e setembro de 2001 (R$ 1.826.024,32); ii) parcela da estimativa de outubro de 2001 (R$ 1.016.408,36) não foi considerada, haja vista a não homologação da DCOMP 23236.48502.231104.1.3.048888; iii) o débito relativo a parte da estimativa de outubro de 2001, no valor de R$ 1.016.408,36, não foi extinto e encontrase sendo discutido no processo administrativo nº 16306.000013/200840; iv) diante das verificações empreendidas, o saldo negativo do ano calendário de 2001 passou a ter a seguinte composição: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 1.623.184,55 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 995.698,32 ESTIMATIVA R$ 4.686.597,57 (*) IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 4.059.111.34) (*) conforme quadro de fls. 172, in fine. A autoridade julgadora de primeira instância, apreciando os argumentos trazidos por meio de Manifestação de Inconformidade, pronunciouse, relativamente aos valores glosados do SALDO NEGATIVO DO ANO CALENDÁRIO DE 2000, no sentido de acolher os seguintes montantes: R$ 263.351,80, relativo ao imposto de renda retido na fonte por RHODIA ACETOW; R$ 1.193.086,47 relativo ao imposto de renda retido na fonte por RHODIA POLIAMIDA. Diante de tal acolhimento, o saldo negativo do ano calendário de 2000 passou a ser o seguinte: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 2.017.621,93 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 1.912.442,06 ESTIMATIVA R$ 4.213.404,77 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 4.108.224,90) Relativamente ao ANO CALENDÁRIO de 2001, a autoridade julgadora de primeira instância acolheu os seguintes valores: R$ 375.930,78, relativo ao imposto de renda retido na fonte por RHODIA ACETOW; R$ 1.093.335,22 relativo à parcela restante da estimativa de julho de 2001, em decorrência do reconhecimento adicional do saldo negativo do ano calendário de 2000; Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10880.720176/200751 Resolução nº 1301000.236 S1C3T1 Fl. 2.067 12 R$ 452.511,37 correspondente à parte da estimativa de agosto de 2001, em decorrência do reconhecimento adicional do saldo negativo do ano calendário de 2000. Diante de tal acolhimento, o saldo negativo do ano calendário de 2001 passou a ser o seguinte: IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL R$ 1.623.184,55 IMPOSTO RETIDO NA FONTE R$ 1.371.629,10 ESTIMATIVA R$ 6.235.444,16 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (R$ 5.983.888,71) Considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam adotadas as seguintes providências: 1. seja distribuído para a minha relatoria o processo nº 16306.000013/200840; 2. seja o presente processo encaminhado à unidade administrativa de origem, que, por meio de relatório fundamentado, deverá prestar as seguintes informações: a) tomando por base as informações constantes do processo administrativo nº 13811.000728/0001 e o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 1.567/1.574, informe, objetivamente, quais e em que montantes devem ser consideradas extintas as antecipações obrigatórias (estimativas) do ano calendário de 2000; b) a partir da decisão administrativa irreformável exarada no processo administrativo nº 13804.004040/200114, informe qual e em que montante pode ser considerada extinta antecipação obrigatória (estimativa) do ano calendário de 2001. Relativamente ao item “ii” acima, solicitase que a contribuinte seja cientificada das correspondentes informações para, se quiser, aditar razões. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 16306.000036/2009-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado.
RELATÓRIO
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO – Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedidos de restituição e Declarações de compensação, as quais não foram homologadas integralmente. Em 06/04/2004 foi transmitida PER/DCOMP 16764.59351.060404.1.3.063126, para compensação de crédito de IRRF JSCP com débitos do mesmo tributo e também do ano de 2004, no valor de R$ 2.637.737,27. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 03 6/ 20 09 -3 5 Fl. 408DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 16306.000036/200935 Resolução nº 1201000.146 S1C2T1 Fl. 409 2 Em 29/10/2004 foi transmitida a PER/DCOMP 29944.68610.291004.1.3.06 4313, para compensação de débitos com créditos decorrentes de IRRF JSCP, relativos ao ano calendário de 2004, no montante de R$ 4.167.483,71. Em 17/02/2009, a DERAT/SPO/SP exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 20/25) e, em 29/09/2009, Despacho Complementar de fls.60/61, em razão da transmissão de PER/DCOMP 00032.90945.170409.1.7.061677 (retificadora da PER/DCOMP 16764.59351.060404.1.3.063126, alterando o valor do débito inicial a ser compensado para R$ 879.245,77), nos quais houve deferimento em parte do pedido da interessada no montante de R$ 4.958.523,25 (fl.24), sob o argumento de que a receita oferecida à tributação foi de R$ 33.056.821,64 (fl.13), o que lhe daria direito ao crédito de R$ 4.958.523,25, suficiente para a extinção do débito apenas da DCOMP n° 29944.68610.291004.1.3.064313. Portanto, a lide resumese ao montante remanescente de R$ 879.245,77 referente ao débito da DCOMP de n° 00032.90945.170409.1.7.061677, retificadora da DCOMP n° 16764.59351.060404.1.3.06.3126 (fl.60). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade e argumentou que: (i) a receita remanescente, correspondente ao IRRF que gerou o crédito pretendido, foi informado na linha 23 da Ficha 9 A e totalizou R$17.584.915,11 (DIPJ/2004, AC.2003); (ii) a autoridade fiscal deve buscar a verdade material (arts.142 e 149 do CTN); (iii) a decisão impugnada é nula por falta de motivação legal e não valoração das provas apresentadas e, por fim, (iv) pugnou pelo deferimento de seu pleito com a homologação integral das compensações. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento em São Paulo, julgou improcedente a manifestação do contribuinte, sob o fundamento de que o imposto retido na fonte sobre JSCP pode ser considerado (i) antecipação do valor devido na declaração de rendimentos, facultado a sua dedução para compor o saldo negativo, ou (ii) poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. No entanto, observou que para ambas as hipóteses, é imprescindível o oferecimento à tributação na declaração de rendimentos das receitas vinculadas às correspondentes retenções, sem as quais não podem ser utilizadas para qualquer espécie de dedução ou compensação. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. O contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual sustentou que a autoridade administrativa "a quo" fundamentou sua decisão em fato consubstanciado numa DIPJ retificada, já que a DIPJ Retificadora, transmitida em 16/11/2009 (recibo nº 06.86.13.84.6353), demonstrou que a receita de Juros Sobre Capital Próprio levada à tributação foi de R$ 246.154.644,30, ou seja, muito superior ao necessário para liquidação dos débitos. Por fim, pugnou pela homologação integral das compensações pretendidas. É o relatório. VOTO Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O Processo nº 16306.000036/200935 Resolução nº 1201000.146 S1C2T1 Fl. 410 3 O recurso é tempestivo, dele tomo conhecimento. Cuida o presente processo de dois Pedidos de Restituição e Compensação de créditos de IRRF JSCP com débitos da mesma natureza, relativos ao ano calendário de 2004, sendo que: (i) o PERD/COMP nº 29944.68610.291004.1.3.064313 (R$ 4.167.483,71) foi integralmente homologado e (ii) o PERD/COMP nº 00032.90945.170409.1.7.061677 (R$ 879.245,77) não foi homologado, sob o fundamento de que a receita oferecida à tributação não gerou crédito suficiente para a homologação da pretendida compensação. O contribuinte argumentou que houve sim oferecimento de receita suficiente para gerar o crédito necessário, conforme DIPJ retificadora transmitida em 16/11/2009, na qual consta o valor de R$ 246.154.644,30, relativo à receita decorrente de juros sobre o capital próprio. Da documentação acostada aos autos é possível verificar que de fato houve retificação do valor relativo à receita decorrente de juros sobre capital próprio, isto porque o valor declarado na DIPJ originária (fl. 13) foi de R$ 33.056.821,64 e o valor declarado na DIPJ retificadora (fl. 174) foi de R$ 246.154.644,30. Assim, diante dos indícios de que foram oferecidas à tributação receitas suficientes parar gerar o crédito de IRRF JSCP pretendido pelo contribuinte e, tendo em vista que a retificação da DIPJ se deu após o despacho decisório complementar (29/09/2009), voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que diante dos novos elementos apresentados, seja verificado se o IRRF que compõe o crédito pleiteado no PERD/COMP nº 00032.90945.170409.1.7.061677, teve sua respectiva receita oferecida à tributação. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 410DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O
score : 1.0
Numero do processo: 35950.000190/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATOR EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO
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Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO Tratamse de Embargos de Declaração [fls.441 – 443] interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do acórdão nº 230100.367 [ fls. 407 – 420] com fulcro no art. 65 do Regimento Interno à época: [Acórdão nº 230100.367] Assunto: Contribuição Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 59 50 .0 00 19 0/ 20 07 -9 5 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/200795 Resolução nº 2301000.429 S2C3T1 Fl. 498 2 RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº8, no julgamento do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art.45 da Lei 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1ª Seção no Recurso Especial de nº 766.050, suja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial toso os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, há omissão na fundamentação do acórdão embargado, uma vez que não julgou ou citou Embargos anteriormente opostos. A i. PGFN ressalta a razão da insurgência, e demonstra que nos termos do Relatório Fiscal de fls. 27/32 e de informações colacionadas pela própria Contribuinte em sua impugnação, o objeto da presente NFLD, foi lavrada em decorrência da declaração de nulidade de lançamento anteriormente formulado. Sendo assim, continua a embargante, se entender o colegiado pela declaração de nulidade por vício formal da NFLD anterior, a contagem do prazo decadencial deslocase e passa a ser regido não pelo inciso I, do art. 173, do CTN, conforme consignado no acórdão ora embargado, mas sim pelo inciso II, do art.173, do mesmo dispositivo legal. Apresenta também a Procuradoria acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que consolidou o entendimento de que a regra de contagem de prazo decadencial deslocase para o art. 173, II, do CTN, como na hipótese de que se observa nos autos. Entre eles está o Acórdão nº 10808.652 cuja ementa transcrevo. [Acórdão nº10808.652] Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – VÍCIO FORMAL – CARACTERIZAÇÃO Caracteriza a ocorrência de vício formal a inobservância na notificação de lançamento de formalidade essencial prevista em Lei. NORMAS GERAIS PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LANÇAMENTO ANTERIOR ANULADO POR VÍCIO FORMAL Ao teor do inciso II, do art. 173, do CTN, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, objeto de lançamento anterior anulado por vício formal, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão anulatória. Tendo a ciência da decisão, que anulou por vício formal o lançamento anterior, ocorrido em prazo inferior a cinco anos, é incabível a preliminar suscitada. IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL ACUMULADO – RESTABELECIMENTO DO DIREITO POR ACÓRDÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA – O decido no julgamento de segunda instância pelo Acórdão nº 10807.978, da sessão de Fl. 511DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/200795 Resolução nº 2301000.429 S2C3T1 Fl. 499 3 17/09/2004, processo nº 10768.006243/9314, quanto ao restabelecimento de prejuízo fiscal no montante de Cr$ 77.182.490,56, para o períodobase de 1990, tem reflexo na tributação por compensação indevida de prejuízos fiscais no mês de abril de 1992, cujo montante tributário deve ser reduzido pelo direito readquirido. Recurso provido. Por tudo exposto, requer a Recorrente que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos, para que a Turma exare um novo pronunciamento sobre a omissão apontada, ou seja, a respeito da aplicabilidade do inciso II, do art. 173, do CTN, uma vez que houve declaração de nulidade por vício formal de lançamento anterior. Por meio do Despacho n. 441 [fl. 444], o então Presidente desta Câmara acolheu os embargos opostos e determinou o envio dos autos para o Relator original. É o relatório. Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator De pronto, resolvo ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, haja vista que não constou do decisum recorrido que o lançamento julgado se referia a substitutivo. Nesse sentido, rescindo o acórdão anteriormente prolatado Por meio do Acórdão n. 230100.367, esta Turma da 3ª Câmara da Segunda Seção entendeu prover o recurso voluntário interposto, haja vista que o crédito foi atingido pela decadência: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 Ementa:CONTRIBUIÇOES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 0 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n " 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela Ia Seção no Recurso Especial de n 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/200795 Resolução nº 2301000.429 S2C3T1 Fl. 500 4 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Em face do referido acórdão a r. PGFN opôs embargos de declaração demonstra haja vista a omissão quanto à aplicabilidade do inciso II, do art. 173, do CTN, uma vez que houve declaração de nulidade por vício formal de lançamento anterior. Consultando a folha 23, a Fiscalização informa que: Tratase de crédito previdenciário constituído em decorrência de nulidade de lançamento por vicio formal lançado anteriormente pela Auditoria Fiscal da Previdência Social na NFLD 35.682.9243, datada de 12/05/2005. Os créditos previdenciários constituídos nesta notificação fiscal, se destinam à Previdência Social e se referem às contribuições devidas pela empresa, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços tomados mediante cessão de mão de obra ou empreitada. 2. Este crédito previdenciário foi apurado por responsabilidade solidária, decorrente da contratação de prestação de serviços de transporte de cargas e/ou passageiros (fretes), mediante cessão de mão de obra, pela empresa TRANSPORTES EMECE LIDA, no período citado acima. 3. O lançamento fiscal constituise dos levantamentos denominados "S33 — TRANSPORTES EMECE LTDA", e as contribuições exigíveis incidem sobre a remuneração de segurados empregados cedidos, incluidas em Notas Fiscais ou Faturas correspondentes a serviços executados por cessão de mão de obra. [Grifouse] Apesar do registro que o lançamento anterior fora anulado por vício formal, a fiscalização não fez constar as razões e cópia do referido decisum. Essa referência, ou melhor, informação apenas se verifica na impugnação [fls. 58/59]: 10 Examinando os autos verificase que a Fiscalização não está tratando com isonomia o devedor solidário em relação ao contribuinte vez que, conforme consta dos autos, o Relatório Fiscal apresentado ao contribuinte é diferente do que foi remetido ao devedor solidário! 11 Ora, se o lançamento é único, então o Relatório Fiscal também deve ser único e se teor deve ser idêntico tanto para o devedor solidário quanto para o contribuinte sob pena de, por violação de isonomia do tratamento das partes, viciar todo o procedimento com a nulidade. 12 Desta forma, constatada a inequívoca violação do Principio da Isonomia no presente caso, deve o lançamento ser declarado nulo para que outro seja executado na boa e devida forma. 13 Não bastasse esse motivo determinante para a declaração de nulidade do lançamento, verificase também que o Relatório Fiscal entregue ao contribuinte contém informações relativas a outros lançamentos efetuados pela mesma fiscalização contra a contribuinte mas que não têm relação alguma com o devedor solidário desses autos. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35950.000190/200795 Resolução nº 2301000.429 S2C3T1 Fl. 501 5 14 Considerando que o devedor solidário tem igual direito a impugnar o lançamento. vez que o crédito pode lhe ser exigido integralmente, e que para isso tem direito a integral acesso aos autos para, se quiser, extrair cópias a Lim de subsidiar sua defesa, vêse que o relatório fiscal apresentado ao contribuinte, com as informações que contém, pode significar violação do artigo 198 do CTN, o que também é motivo bastante para a anulação do presente feito. 15 Por fim, verificase também que o lançamento não traz no relatório de fundamentos legais do débito a indicação do artigo 33, § 3º da Lei 8.212/91, o qual fundamenta a apuração das contribuições previdenciárias por aferição indireta, apesar da fundamentação contida no Relatório Fiscal. Esse fato, apesar de não ensejar a nulidade do lançamento, determina a emissão de Relatório Fiscal Complementar a fim de indicar corretamente essa fundamentação legal. Conforme se verifica acima, o lançamento foi anulado, pois “conforme consta dos autos, o Relatório Fiscal apresentado ao contribuinte é diferente do que foi remetido ao devedor solidário!”. Diante da divergência existente, CONVERTO o julgamento em DILIGÊNCIA, para que a SRFB faça juntar ao presente processo administrativo cópia das principais peças e decisões constantes da NFLD 35.682.9243, datada de 12/05/2005. Após, seja o sujeito passivo intimado para se manifestar o prazo de 30 [trinta] dias. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de ACOLHER os Embargos Declaratórios opostos, para rescindir o Acórdão nº 230100.367 [ fls. 407 – 420]. Ato contínuo, CONHEÇO do Recurso Voluntário interposto, para CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, conforme fundamentos constantes do voto. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 514DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/ 12/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 17698.000299/2008-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes).
IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE.
Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2 do CARF).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nos termos do art. 56 do RIR, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes). IRPF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocatícios são dedutíveis da base de cálculo do imposto desde que comprovados. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA CONFISCATÓRIA. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n.º 2 do CARF). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 69 8. 00 02 99 /2 00 8- 60 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 170 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 102/128) interposto em 28 de setembro de 2011 contra o acórdão de efls. 94/98, do qual o Recorrente teve ciência em 08 de setembro de 2011 (efl. 101), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que, por maioria de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 33/37, lavrada em 06 de fevereiro de 2008, em virtude de dedução indevida de incentivo e omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, verificados no ano calendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Estando demonstrada a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada através de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora, deve ser mantido o lançamento. DEDUÇÃO INDEVIDA DE INCENTIVO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. São exigíveis a multa de ofício e os juros de mora sobre o imposto de renda suplementar na forma definida pela legislação tributária. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 171 3 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (efl. 94). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 102/128), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. Remetidos os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, houve a conversão do julgamento em diligência para que o contribuinte juntasse os seguintes documentos (efls. 131/133): “1) planilhas de cálculo de liquidação da sentença proferida nos autos do processo nº 2003.71.51.0002838, nas quais conste a discriminação das verbas envolvidas e os montantes correspondentes; 2) Alvarás ou Guias de Retirada dos valores recebidos naquele processo; 3) íntegra do contrato de honorários de advogado firmado com a Sra. Ana Paula Medeiros Valério Jacobs, procuração a ela outorgada para representar o contribuinte nos autos do processo nº 2003.71.51.0002838 e recibo do pagamento feito em contrapartida da prestação dos serviços contratados.” Devidamente intimado em 04 de dezembro de 2013, o contribuinte, em atenção à diligência, apresentou informações e juntou documentos (efls. 146/166). É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte aduz, no presente caso, (i) a ilegalidade da cobrança, por discordar da incidência do IR sobre verbas derivadas de ação judicial em que se buscava a aplicação da IRSM – Índice de Reajuste do Salário Mínimo sobre sua aposentadoria, (ii) que são indevidos os juros moratórios, por tratarse de verba exclusivamente indenizatória, (iii) que é indevida a incidência do tributo sobre as verbas pagas a título de honorários advocatícios, (iv) que a correção monetária não deve ser feita pela SELIC, mas pela UFIR, com juros de 1% ao mês, não capitalizados, e (v) que a multa aplicada no percentual de 75% não pode ter o intuito arrecadatório. Depreendese dos documentos juntados aos autos que o contribuinte obteve o direito ao recebimento do valor de R$ 35.729,19 (principal de R$ 32.051,33 e juros de R$ 3.677,87) corrigidos até outubro de 2004, verbas estas derivadas da ação judicial nº 2003.71.51.0002838, em que se buscava a aplicação da IRSM sobre sua aposentadoria. Entretanto, não juntou aos autos documentos que comprovassem suas alegações, aduzindo tão somente que o processo é eletrônico, “fato que torna a juntada da totalidade da documentação requerida por este Conselho impossível” (efl. 146). Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 172 4 Ora, os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 impõem como ônus da parte a alegação de toda matéria de defesa por ocasião da impugnação, acostando todos os documentos eventualmente pertinentes ao regular deslinde da lide. No entanto, este CARF aplicou o princípio da verdade material, corolário lógico e jurídico do princípio da legalidade, consubstanciado também no caráter vinculado do lançamento tributário (art. 3º c/c art. 142 do CTN), bem como do próprio direito de propriedade, garantia fundamental do Estado Democrático de Direito. Justamente em virtude da aplicação do princípio da verdade material na esfera administrativa, este CARF determinou a conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, para que o contribuinte pudesse comprovar suas alegações, por meio da juntada de novos documentos, o que não foi feito de forma a afastar a exigência tributária. Quanto à forma utilizada para apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, entende o Recorrente que tal deveria ter sido realizada com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo com as tabelas relativas a cada ano de referência. No entanto, o entendimento sobre o tema encontrase balizado pelo art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), com as alterações promovidas pela Lei n.º 7.713/1998, conforme se verifica pelo dispositivo colacionado abaixo: “Rendimentos Recebidos Acumuladamente Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12)” Como cediço, não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina a própria Súmula n.º 02 do CARF. Neste sentido, aplicável o art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. Poderia ainda ter feito prova do efetivo pagamento do montante de R$ 6.330,00 a título de honorários advocatícios por meio de recibo de quitação elaborado por seu patrono ou por meio de comprovante de depósito/transferência da quantia, o que também não ocorreu. Desta forma, não há como prevalecer sua tese, devendo o crédito tributário ser mantido da forma como lançado. No que tange à aplicação da taxa SELIC, aplicável ao presente caso a jurisprudência mansa e pacífica firmada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consubstanciada na Súmula n.º 04: Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 17698.000299/200860 Acórdão n.º 2101002.659 S2C1T1 Fl. 173 5 são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por fim, cumpre salientar, que, com relação à arguição de que a multa de ofício não pode ter caráter arrecadatório, ou de que detém caráter confiscatório, temse que o montante da multa no percentual de 75% sobre o principal é oriundo de norma cogente, prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/96. Portanto, tratandose de dispositivo legal vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto n.º 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 04/12/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905196/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO.
Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1802-002.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 306 1 305 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.905196/200981 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1802002.480 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de fevereiro de 2015 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente C P A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RADIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 SERVIÇOS DE RADIOLOGIA. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE 8%. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO COMPROVADO. Estando comprovada a existência do direito creditório, deve ser homologada a compensação no limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Darci Mendes Carvalho Filho, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 51 96 /2 00 9- 81 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 307 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1430.999, às fls. 70 a 75: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJlucro presumido, código de arrecadação 2089), concernente ao período de apuração 09/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que o crédito informado em PER/DCOMP estaria correto, todavia teria incorrido em erro ao não efetuar a retificação das informações prestadas em DCTF, considerando suposta apuração incorreta do imposto devido no período de apuração em questão. Ao final, requer seja acolhida a manifestação de inconformidade, declarada a insubsistência e improcedência da decisão recorrida. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 308 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/01/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 03/02/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS o crédito utilizado na compensação é referente a pagamento indevido/a maior realizado pela Recorrente por meio de guia DARF, recolhida no código 2089, haja Vista apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ, pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo; PRELIMINARMENTE DA COMPROVAÇÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE RADIOLOGIA PELA RECORRENTE de início, cumpre expor que a Recorrente é sociedade empresária limitada, fornada da reunião de profissionais da medicina, todos inscritos no CRM/SP, tendo por objeto a “prestação de serviços radiológicos em geral” enquadrados na “ATRIBUIÇÃO 4: PRESTAÇÃO DE ATENDIMENTO DE APOIO AO DIAGNÓSTICO E TERAPIA” da Resolução RDC 50/2002 da ANVISA, prestação que depende de qualificação pessoal e maquinário especializado e de alto custo para seu desenvolvimento, envolvendo maquinário tecnológico e específico para consecução de seu objeto social; em síntese, a Recorrente presta os seguintes serviços, com discriminação arrolada nos documentos anexos, extraídos do site da empresa (www.cparadiologia.combr): 1) Radiologia Digital; 2) UltraSonografia — 3D; 3) Doppler Color; 4) Mamografia Digital; 5) Densitometria Óssea; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 309 4 6) Tomografia Computadorizada Multi Slice. atualmente, exerce as atividades em seus estabelecimentos localizados na cidade de Piracicaba/SP, sendo a matriz inscrita no CNPJ nº 55.361.117/000192, com endereço na Avenida Independência, nº 940, 12° andar, e sua filial, inscrita no CNPJ n° 55.361.117/000435, localizada no Hospital — Clínica Amalfi, na Rua Saldanha Marinho, n° 817; conforme documentos anexos, o estabelecimento matriz possui inscrição perante a Receita Federal do Brasil sob o CNAE principal 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia” e CNAE'S secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, bem como licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária nesta atividade econômica; no mesmo sentido, sua filial encontrase devidamente inscrita junto à Receita Federal sob o CNAE principal n° 86.40205 – “serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante — exceto tomografia” e CNAE's secundários n° 86.40204 – “serviços de tomografia” e n° 86.40211 — “serviço de radioterapia”, e licença de funcionamento da Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária, com atividade econômica — CNAE n° 86305/02 — “atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares”; consoante anteriormente explicitado, o exercício do objeto social da Recorrente requer maquinário de alto custo, tecnologia e de uso específico que deve ser renovado e atualizado periodicamente, que fazem parte de seu ativo imobilizado, conforme se comprova com a relação de bens da empresa, relativa ao patrimônio adquirido no transcorrer de suas atividades no período de apuração de 01/1999 a 12/2003, que engloba a competência discutida nos presentes autos; ainda, corroborando tal assertiva, demonstrase que a Recorrente detém todas as licenças emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde — Vigilância Sanitária para utilização do maquinário supramencionado, conforme documentos anexos; não obstante, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; desta feita, transparente por toda documentação anexa, bem como a já existente nos arquivos da Receita Federal e em toda sua contabilização, que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos em geral, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas, o que se demonstrará relevante pelos argumentos que seguem adiante; DO DIREITO IMPOSTO DE RENDA — LUCRO PRESUMIDO — PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES — APLICAÇÃO OBJETIVA DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 9.249/95 — 1) IRRETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 — 2) ILEGALIDADE DAS IN'S 480/2004 E 539/2005 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 310 5 RECONHECIDA PELA 1ª SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA NO RESP N° 951.251/PR E RATIFICADA NO RESP 1.116.399/BA, REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA E SOB O REGIME VINCULATIVO DO ARTIGO 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL pela execução de serviços de Radiologia, ainda que não prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas sim em clínica especializada para tanto, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, a Recorrente exerce atribuição que a princípio é de competência do Poder Público, que por não cumprila eficazmente, concede benefícios tributários ao particular para sua satisfação perante a sociedade; este é o caso do beneficio fiscal trazido pela Lei 9.249 em seu artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a”, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, que de forma objetiva aliviou a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; prestadora de serviços hospitalares desde sua instituição, a Recorrente sempre fez jus ao beneficio conferido legalmente, entretanto, de forma equivocada apurou a base de cálculo do lucro presumido utilizandose da alíquota de 32% (trinta e dois por cento) em diversos períodos de apuração, inclusive na competência objeto destes autos, ocasionando num recolhimento a maior do IRPJ que por conseqüência enseja em direito a ser ressarcida do indébito; como de praxe, a Receita Federal editou diversas normas objetivando regulamentar a quem se destinaria o benefício concedido, mas na realidade legislou ao seu bel prazer, com a imposição de diversas restrições de intuito meramente arrecadatório; desde a edição da Lei 9.249/95, até o inicio de 2003, não existiu qualquer regulamentação da Receita Federal acerca do tema, o que veio a ocorrer em março do citado ano, com a publicação da IN 306/2003; nessa primeira regulamentação, não houve nenhuma referência à internação de pacientes como condição para fazer jus ao benefício. Nos termos da lei, a IN 306/2003 limitouse a focar a análise do benefício a partir, primordialmente, da natureza dos serviços prestados, e não das características dos contribuintes que os realizam; todavia, em 15 de dezembro de 2004, foi editada a IN 480, que revogou a norma precedente, passando a exigirse, para a configuração da prestação de um “serviço hospitalar”, que o contribuinte tivesse, ao menos, cinco leitos para a internação de pacientes. Na realidade, a IN 480/2004, a pretexto de regulamentála, deixou em segundo plano as atividades a serem realizadas e preocupouse em estabelecer condições a serem preenchidas pelos contribuintes; posteriormente, em 25 de abril de 2005, foi editada a IN 539/2005, atualmente em vigor, a qual fez uma mescla entre as regulamentações previstas nas IN's 306/2003 e 480/2004. Quanto aos serviços a serem executados, foram expandidos, abarcando uma gama de atividades, a teor do que constava da IN 306. Entretanto, exigiuse que a realização dessas atividades fosse feita por contribuinte que possuísse estrutura física capaz de internar pacientes; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 311 6 por primeiro, cumpre asseverar acerca da inaplicabilidade das referidas instruções normativas, por vedação expressa do artigo 150, inciso III, “a”, da Constituição Federal, haja vista que a competência do recolhimento indevido é anterior à edição destas normas. a irretroatividade das normas tributárias apresentase como instrumento de concretização do principio da segurança jurídica, garantindo ao contribuinte em face do arbítrio estatal o conhecimento prévio da carga tributária a que estará sujeito; no sentido da irretroatividade de instrução normativa restringindo direito dos contribuintes, colacionase julgados do Conselho de Contribuintes (ementas transcritas no recurso); afora a violação da Carta Maior em eventual aplicação pretérita das Instruções Normativas 480/04 e 539/05 ao caso da Recorrente, ainda que aplicáveis, verificase a impossibilidade das imposições restritivas em desacordo com o contido na Lei 9.249/95; isto porque é de fácil visualização que o disposto no artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que reduz de 32 (trinta e dois) para 8% (oito por cento) o percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ sobre o lucro presumido, veio de forma objetiva aliviar a carga tributária quando da prestação de serviços hospitalares, visando ampliar o acesso à saúde para a população, nos quais estão englobados os serviços de Radiologia prestados pela Recorrente; o Poder Legislativo, no exercício de sua competência e autonomia, decidiu manter o beneficio destinado aos “serviços hospitalares” e não especificamente aos “hospitais”, senão assim o faria, como sempre pretendeu a Receita Federal; é obvio que a intenção era prestigiar de forma objetiva os serviços destinados à saúde e não o contribuinte e suas especificações quanto a custos, estrutura física para internação e dimensionamento, conforme restrições contidas nas IN's 480/04 e 539/05; o objetivo da lei sempre foi fornecer aos necessitados de prestação de serviços médicos, o livre arbítrio de buscar seu atendimento necessário seja em hospitais e/ou clínicas especializadas para tanto; se houvesse diferença de tributação entre hospitais e clinicas/consultórios especializadas, no exercício de atividade idêntica, notoriamente os hospitais ficariam ainda mais abarrotados, pois diante de um menor custo pela carga tributária reduzida, teriam condições mais chamativas com preços menores, afora a violação do princípio constitucional da isonomia e não obstante a concorrência desleal em face de outros estabelecimentos prestadores dos serviços; a jurisprudência administrativa deste Conselho já solidificou entendimento acerca do tema (ementas transcritas); ao decidir o Resp 951251/PR, a 1ª Seção do STJ pacificou o tema, no sentido da aplicação objetiva do beneficio da Lei 9.249/95, ou seja, para todos os prestadores de serviços destinados à saúde, não incluídas apenas as simples consultas, declarando ainda a ilegalidade das Instruções Normativas de n° 480/04 e 539/05; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 312 7 para efeito vinculativo, a questão foi levada novamente à análise do C. STJ, que nomeou o Recurso Especial n° 1.116.339/BA como representativo da controvérsia, e o julgou sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil e da Resolução 8/STJ, que ratificou o posicionamento adotado no Resp 951.251/PR, vinculando todos os demais processos acerca da matéria; verificase perfeitamente que diante do enquadramento da Recorrente, impõese a apuração da base de cálculo para o lucro presumido com a alíquota de 8% (oito por cento), nos termos do artigo 15, §1°, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, sendo que os valores excedentes recolhidos a título do IRPJ sob a alíquota de 32% (trinta e dois por cento) devem ser ressarcidos na forma pleiteada, devidamente atualizados desde o indevido desembolso, ensejando na homologação da compensação realizada em sua integralidade; DA COMPROVAÇÃO DO CARÁTER EMPRESARIAL DA RECORRENTE de plano, verificase a caracterização de sociedade empresária da Recorrente, que exerce atividades de profissionais empresários, organizada e para prestação de serviços radiológicos, com fins lucrativos, constituída sob o regime de Sociedade Limitada, consoante artigo 1.052 do Código Civil; conforme se extrai do próprio contrato social da Recorrente, a empresa não se. figura como uma simples reunião de profissionais da medicina para prestação de serviços de caráter pessoal, pois detém capital social integralizado no importe de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), filiais para consecução de suas atividades, divisão de prólabore para os sócios, não obstante a existência de ativo imobilizado de alto custo para o exercício de sua atividade; a contabilização da Recorrente é toda apurada como sociedade empresarial, sendo que todos os serviços prestados são realizados em nome da pessoa jurídica, que responde com seu patrimônio integral por eventual perdas e danos em face dos clientes. Inexiste prestação de serviços pessoais por conta dos sócios, somente pela empresa, sendo óbvio que por intermédio de pessoas naturais; o fato de que a prestação de serviços realizada pela Recorrente se perfaz por intermédio de profissionais da medicina não afasta seu caráter empresarial, nos termos do parágrafo único do artigo 966 do Código Civil; no caso em exame, o exercício da medicina, especificamente na prestação de serviços radiológicos, constitui elemento essencial da empresa ora Recorrente, pois confundese com seu próprio objeto social, sendo pressuposto de sua existência; não obstante, conforme já arrolado na comprovação dos serviços prestados pela Recorrente, seguem anexas cópias do livro razão da empresa e relatório de insumos utilizados nas mesmas competências, para a consecução de suas atividades, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como mão de Obra de Terceiros; DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO DA RECORRENTE QUANTO À COMPENSAÇÃO REALIZADA Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 313 8 o recolhimento do DARF mencionado fora reconhecido no próprio despacho decisório da Receita Federal, e sequer levado à dúvida no teor da decisão recorrida, portanto insuscetível de discussão, ou seja, a prova do recolhimento sempre foi de ciência tanto do Contribuinte quanto da Receita Federal, restando somente a análise quanto a ser pagamento indevido/a maior ou não; quanto ao ponto relativo a existir pagamento indevido ou a maior, a Recorrente sempre deteve direito líquido e certo, haja vista que fazia jus ao benefício concedido objetivamente pela Lei 9.249/95, cabendolhe compensar na forma da legislação em vigor os valores recolhidos em apuração da base de cálculo do IRPJ, no lucro presumido, sob a alíquota de 32%, conforme corretamente procedeu; DOS PEDIDOS de todo o exposto, requer deste Conselho a total procedência do presente recurso voluntário para: 1) que seja reformada a decisão recorrida, com o conseqüente reconhecimento do crédito em exame, haja vista o enquadramento da Recorrente no artigo 15, §1º, inciso III, alínea “a” da Lei 9.249/95, que concede beneficio fiscal de caráter objetivo em virtude da prestação de serviços hospitalares, nos quais se enquadram os serviços de radiologia prestados, procedendose com a homologação integral da compensação realizada, diante de toda documentação anexa e nos termos amplamente fundamentados; 2) caso se entenda necessário, que seja determinada a conversão do julgamento em diligência nos estabelecimentos da Recorrente, para que sejam corroboradas todas as assertivas constantes desta peça recursal; RELAÇÃO DE DOCUMENTOS ANEXOS 1. Procuração original com reconhecimento de firma e Cópia autenticada do contrato social da empresa; 2. Cópia da PER/DCOMP, DARF recolhido, DIPJ e DCTF retificadoras; . 3. Discriminação dos serviços prestados pela Recorrente extraída do site da empresa (www.cparadiologia.com.br); 4. Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral da Recorrente (matriz e filial) perante a Receita Federal do Brasil, com os devidos CNAE's principal e secundários; 5. Cópia das licenças de funcionamento emitidas pela Secretaria Municipal de Saúde Vigilância Sanitária, com os respectivos CNAE's; 6. Relação de bens do ativo imobilizado da Recorrente, adquiridos no período de 01/1999 a 12/2003; 7. Licenças de utilização dos mencionados bens; 8. Cópias do livro razão e planilha de insumos utilizados na competência de 01/1999 a 12/2003, para consecução das atividades da Recorrente, discriminandose o Material Técnico utilizado, Material de Consumo, bem como Mão de Obra de Terceiros; Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 314 9 9. Cópia do despacho decisório da RFB em Piracicaba; 10. Cópia da decisão recorrida. Na sessão realizada em 06/11/2013, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF proferiu a Resolução nº 1802000.406 (fls. 241 a 259), solicitando realização de diligência à DRF Piracicaba/SP, para onde os autos foram encaminhados. O Processo foi devolvido ao CARF com a Informação Fiscal de fls. 283 a 296, e com a manifestação da Contribuinte às fls. 300 a 302. Este é o Relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 315 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Contribuinte questiona decisão que não homologou declaração de compensação por ela apresentada em 14/07/2006 (fls. 65 a 68), na qual utiliza parte de um alegado crédito decorrente de pagamento a maior referente ao IRPJ/Lucro Presumido do 3º trimestre de 2001. O DARF gerador do crédito foi recolhido em 31/10/2001 e possui o valor total de R$ 30.429,27. A compensação abrange débitos de PIS e COFINS do mês de junho de 2006, no montante de R$ 12.838,94. A negativa da Delegacia de origem se deu pelo argumento de que o referido pagamento de R$ 30.429,27 já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito da Contribuinte (declarado em DCTF), conforme consta do Despacho Decisório de fls. 61. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, informando que havia erro no preenchimento da DCTF, no que se refere à apuração do IRPJ; que a DIPJ tinha sido retificada (em 2004) para a correção do problema, mas que a DCTF continuou errada até a elaboração do despacho decisório (em 2009). Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ) manteve a negativa em relação à compensação, entendendo que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório, nos seguintes termos: [...] Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso II1,do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em declarações originais, e aquelas prestadas nas respectivas declarações retificadoras, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. No presente caso, caberia à interessada fazer prova do suposto recolhimento a maior do imposto que, no seu entender, decorreria de errônea mensuração da base de cálculo por aplicação indevida do percentual de 32% sobre a receita bruta, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 316 11 na determinação do IRPJ devido pela sistemática do lucro presumido, nos termos do art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a seguir transcrito: [...] Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada, e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. As cópias de DCOMP, DIPJ e DCTF, e planilha de compensações, juntadas à impugnação, embora relevantes, mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos acima. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] Nesse sentido, quanto à declaração de compensação em foco, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. A Contribuinte, então, apresentou recurso voluntário ao CARF, procurando esclarecer que o crédito utilizado na compensação era referente a pagamento indevido/a maior realizado por meio de DARF, recolhido no código 2089, ocasionado por apuração equivocada da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido, no percentual de 32% (trinta e dois por cento), quando os serviços prestados por ela se enquadravam como serviços hospitalares, impondose a aplicação do beneficio fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a conseqüente utilização da alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo. O recurso voluntário começou a ser examinado em 06/11/2013, e sua análise resultou na mencionada Resolução nº 1802000.406. Naquela ocasião, esta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF teceu vários comentários sobre os aspectos abordados na decisão de primeira instância Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 317 12 administrativa, sobre a dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, e sobre a evolução da jurisprudência relativa à tributação dos serviços hospitalares no regime de presunção dos lucros, para, então, demandar prestação de informações à Delegacia de origem, nos seguintes termos: Primeiramente, é importante registrar que ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, a Contribuinte concorreu para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa questão procedimental não justifica uma negativa em definitivo, eis que o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos meramente formais. O que realmente interessa é verificar se houve ou não pagamento indevido ou a maior de um determinado tributo em um determinado período de apuração. A DCTF, embora seja uma confissão de dívida, não pode ser tomada em caráter absoluto, até porque existe sempre a possibilidade de erro no seu preenchimento. Sua retificação, da mesma forma, não teria caráter absoluto, pelo que, mesmo que apresentada a declaração retificadora antes do envio do PER/DCOMP, ela deveria ser cotejada com outras informações e documentos, como a DIPJ, os Livros Contábeis e Fiscais, Demonstrativos, etc., porque o que interessa é saber se houve ou não recolhimento indevido ou a maior. Não se trata aqui de simplesmente aceitar ou não a declaração retificadora com a produção de efeitos automáticos, para fins de reduzir/excluir tributo, conforme a regra prevista no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN, porque o exame de um PER/DCOMP é sempre realizado de ofício, aproximandose muito mais da regra contida no § 2º deste mesmo dispositivo, segundo o qual “os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela”. No caso, a Contribuinte apresentou em tempo hábil uma declaração de compensação – PER/DCOMP (14/07/2006), que deu origem ao presente processo, pleiteando perante a Administração Tributária a devolução (na forma de compensação) de um pagamento que entendia ter realizado indevidamente, procedimento que se não implicava em uma alteração/desconstituição automática de parte do débito declarado em DCTF, implicava ao menos na suspensão de sua constituição definitiva, em razão da relação direta existente entre o pagamento e o débito a que ele corresponde. Não há, portanto, que se pensar em homologação de lançamento e constituição definitiva do débito se a Contribuinte, em tempo hábil, informou à Administração Tributária que o pagamento relativo a este débito havia sido feito indevidamente ou a maior. Além de ter enviado o PER/DCOMP, a Contribuinte, desde a manifestação de inconformidade, vem informando que ocorreu Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 318 13 erro na apuração e recolhimento do IRPJ, e que a DIPJ retificadora (apresentada bem antes do despacho decisório) havia corrigido o problema, evidenciando o alegado direito creditório. Não considero que a divergência entre as informações deve ser solucionada graduando a importância destas declarações. Se uma é confissão de dívida (DCTF), a outra traz informações e detalhes sobre a apuração dos tributos (DIPJ). No que toca à comprovação de um indébito, também é importante lembrar que o processo administrativo fiscal não contém uma fase probatória específica, como ocorre, por exemplo, com o processo civil. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. Além disso, não há uma regra a respeito dos elementos de prova que devem instruir um pedido de restituição ou uma declaração de compensação. Pelas normas atuais, aplicáveis ao caso, nem mesmo há como anexar cópias de livros, de DARF, de Declarações, etc., porque os procedimentos são realizados por meio de declaração eletrônica PER/DCOMP. Na sistemática anterior, dos pedidos em papel, de acordo com o § 2º do art. 6º da IN SRF 21/1997, a instrução dos pedidos de restituição de imposto de renda de pessoa jurídica se dava apenas com a juntada da cópia da respectiva declaração de rendimentos, e a apresentação de livros e outros documentos poderia ocorrer no atendimento de intimações fiscais, se fosse o caso. Este contexto permite notar que a instrução prévia, ainda na fase de Auditoria Fiscal, evita uma seqüência de negativas por falta de apresentação de documentos em relação aos quais a Contribuinte, em alguns casos, nem mesmo foi intimada a apresentar, o que poderia implicar em cerceamento de defesa. No caso concreto, a Delegacia de Julgamento concluiu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a certeza e liquidez do alegado direito creditório. Ocorre que a Contribuinte não foi em nenhum momento intimada a apresentar quaisquer esclarecimentos, ou documentos relativos ao seu PER/DCOMP. Vale registrar que a prova tem sempre um aspecto de verossimilhança, que é medida em cada caso pelo aplicador do direito. Além disso, em razão da dinâmica do PAF quanto à apresentação de elementos de prova, como já mencionado Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 319 14 acima, é a Autoridade Fiscal que, em cada caso, por meio de intimações fiscais, acaba fixando os critérios para a composição do ônus que incumbe à Contribuinte. Na linha, então, do que apontou a Delegacia de Julgamento, a Contribuinte juntou ao recurso voluntário os documentos mencionados no final do relatório acima. Tais documentos indicam que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. A tributação dos serviços hospitalares na modalidade do lucro presumido já suscitou muitas controvérsias. A Lei 9.249/1995, em sua redação original, definiu o coeficiente de 8% para os serviços hospitalares nos seguintes termos: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I – (...) II – (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Havia muita polêmica sobre quais atividades poderiam ser enquadradas como “serviço hospitalar”, e quais os requisitos que os contribuintes deveriam atender para que fosse aplicado o coeficiente de 8%. A Lei nº 11.727/2008, então, promoveu uma alteração na alínea “a” acima transcrita, que passou a conter a seguinte redação: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Os fatos debatidos nesse processo são anteriores a esta alteração legislativa. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 320 15 Interpretando a redação original da Lei 9.249/1995, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, ao julgar um Recurso Especial representativo de controvérsia, que foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, consolidou o entendimento de que “a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde)”: RECURSO ESPECIAL Nº 1.116.399 BA (2009/0006481 0) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 320DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 321 16 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares”. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (grifo acrescido) O STJ vinha interpretando o referido dispositivo legal de maneira bem restritiva, e a mudança neste posicionamento se deu no julgamento do RESP 951.251PR, conforme mencionado acima. Também é interessante transcrever a ementa desta decisão: RECURSO ESPECIAL Nº 951.251 PR (2007/01102360) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 322 17 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15, § 1º, III, “A”, E 20 DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇO HOSPITALAR.. INTERNAÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DA NORMA. FINALIDADE EXTRAFISCAL DA TRIBUTAÇÃO. POSICIONAMENTO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO DA UNIÃO. CONTRADIÇÃO. NÃOPROVIMENTO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como “serviços hospitalares” aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. 6. Duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possua custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. 7. Orientações da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e da Secretaria da Receita Federal contraditórias. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 323 18 8. Recurso especial não provido. (grifos acrescidos) O voto que orientou o julgamento do RESP 951.251PR esclarece bem o que significa interpretar a norma em questão sob a ótica de seu conteúdo objetivo: Entretanto, não se deve perder de vista que o art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.274/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não na pessoa do contribuinte que executa a “prestação de serviços hospitalares”. Doutro modo, seria alterar a própria natureza da norma legal, transmudandose o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo, a fim de concedêlo apenas aos estabelecimentos hospitalares. (...) Se a intenção do legislador – que, não se deve esquecer, representa a vontade popular – fosse beneficiar determinados contribuintes em face de suas características particulares, concedendo, assim, uma isenção subjetiva, a regra deveria referirse a esses sujeitos, e não ao serviço por eles prestado. Dessa forma, não se deve restringir o benefício aos hospitais, até mesmo porque, se esse fosse o propósito da lei, caberia explicitarse que a concessão estaria dirigida apenas a esses estabelecimentos, pois nada o impediria de ter assim procedido. (...) A Receita Federal tem reconhecido o direito à base de cálculo reduzida do IRPJ a prestadores de serviços hospitalares, mesmo que esses não possuam estrutura física para realizar internação de pacientes. (...) Em conclusão, por serviços hospitalares compreendemse aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta obrigatoriedade. Devese, por certo, excluir do benefício simples prestações de serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos. (grifos acrescidos) Fl. 323DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 324 19 Este mesmo voto fornece ainda outros parâmetros para a compreensão do que seriam serviços hospitalares, especialmente no sentido de diferenciálos da “simples prestação de atendimento médico”: (...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e humano específico – instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas. Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos necessariamente da internação de pacientes. Como mencionado anteriormente, os documentos apresentados com o recurso voluntário indicam em uma primeira análise que a Contribuinte tem direito de utilizar o coeficiente de 8% para a apuração da base de cálculo do IRPJ/Lucro Presumido. Mas ainda faltam elementos para embasar a conclusão sobre a ocorrência de pagamento indevido ou a maior causado pela utilização equivocada do coeficiente de 32%. Em primeiro lugar, não há como confrontar a DIPJ/retificadora com a DIPJ/original, porque esta não foi juntada aos autos. Aparentemente, a redução no valor do IRPJ não decorreu apenas da modificação do coeficiente de 32% para 8%, e isto precisa ser esclarecido. É que partindo da receita bruta constante da DIPJ/retificadora, e refazendo o cálculo com o coeficiente de 32%, com a devida variação do adicional do IRPJ e mantendo os mesmos valores para as demais rubricas constantes da DIPJ/retificadora (outras receitas, retenções, etc.), não se obtém o valor do IRPJ original, que foi pago através de DARF. Outro aspecto relevante, é que a Contribuinte zerou o valor do IR a pagar no período em questão com deduções a título de IR retido na fonte, exatamente no mesmo valor do imposto apurado. Por estas razões, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 325 20 É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Piracicaba/SP, para que aquela unidade, à luz dos documentos apresentados pela Recorrente, de sua escrituração contábil e fiscal, das declarações e informações constantes dos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e de outros que se entenda necessários: 1) junte aos autos cópia da DIPJ original referente ao ano calendário de 2001; 2) acrescente, se entender oportuno, outras informações a respeito da atividade da Recorrente, no intuito de subsidiar a decisão sobre a definição do coeficiente para a presunção do lucro; 3) verifique e informe: a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ do 3º trimestre de 2001; e o valor a ser considerado como saldo a pagar, após as deduções legais; 4) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, intimando a Contribuinte para tanto, se entender necessário; 5) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo se há crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, e qual o seu valor; 6) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Deste modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Piracicaba/SP atenda ao acima solicitado. Em resposta à diligência que lhe foi demandada pelo CARF, a DRF/Piracicaba/SP prestou a Informação Fiscal de fls. 283 a 296. Essa informação abrangeu vários processos de compensação com créditos de mesma origem, ou seja, fundados em recolhimento indevido ou a maior de IRPJ ocasionado por equivocada aplicação do coeficiente para presunção do lucro (32% em vez de 8%). Foram apresentados vários quadros demonstrativos para o IRPJ referente aos trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002. Especificamente em relação ao IRPJ do 3º trimestre de 2001, que dá origem ao crédito objeto deste processo, a Delegacia de origem informou: que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 326 21 que na DIPJ/retificadora, a Contribuinte deduziu o IRfonte somente até o valor do imposto a pagar quando poderia ter aproveitado todo o imposto retido no trimestre, o que teria gerado “saldo negativo” de IRPJ; que por se tratar do anocalendário de 2001, não era mais possível retificar novamente a declaração para fins de aproveitamento destas retenções; que se for reconhecido o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, prevalece o IRPJ apurado nas declarações retificadoras; que para o período em questão, a Contribuinte apurou imposto zero a pagar, e que, sendo assim, o recolhimento feito pela declaração original seria considerado como recolhimento indevido, passível de restituição. Intimada do resultado da diligência fiscal, a Contribuinte apresentou a manifestação de fls. 300 a 302, alegando que o Relatório Circunstanciado de diligência legitima integralmente as informações prestadas pela Recorrente durante o deslinde processual, sobretudo quanto à origem e valores do direito creditório informado; que a análise realizada pela Autoridade Administrativa confirma que o debate travado se limita exclusivamente à matéria de direito envolvida, qual seja, a aplicação do percentual reduzido na hipótese de prestação de serviços hospitalares; e que a Recorrente confirma a total pertinência das informações constantes do referido relatório circunstanciado, o qual traduz e confirma exatamente a origem e o valor do direito creditório pleiteado, bem como confere pleno subsídio para o exato julgamento da matéria sob exame. A farta documentação apresentada com o recurso voluntário já indicava que a Contribuinte possuía o direito à aplicação do coeficiente de 8% para a apuração do lucro presumido, como já havíamos registrado na elaboração da Resolução nº 1802000.406. E a diligência fiscal não trouxe nenhum dado que pudesse apontar para uma conclusão diferente. Os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário, e que estão expressamente citados no relatório que antecede este voto, indicam que a Contribuinte presta efetivamente serviços na área da radiologia (diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, tomografia, radioterapia, etc.), que estão submetidos ao coeficiente de 8%, nos termos da jurisprudência do STJ, acima transcrita. A informação fiscal prestada pela DRF de origem informou que a apuração do IRPJ na DIPJ/original e na DIPJ/retificadora partiram dos mesmos valores de receita bruta. Os dados trazidos pela diligência esclareceram a razão pela qual a apuração a partir da receita declarada na DIPJ/retificadora não resultava no IRPJ recolhido em DARF (que havia sido apurado na DIPJ/original). Tal problema foi ocasionado pela diferença no cômputo das retenções de IR, entre a declaração original e a retificadora. Contudo, quando se computa os mesmos valores de retenção para as duas declarações, percebese que a controvérsia em relação ao valor do crédito se resume apenas ao coeficiente para presunção do lucro. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 13888.905196/200981 Acórdão n.º 1802002.480 S1TE02 Fl. 327 22 Quanto às retenções na fonte, é importante registrar que elas configuram antecipação de pagamento do imposto, e que seu cômputo deve ser dar até mesmo de ofício, conforme determina o art. 837 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda: Art.837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Não é preciso uma nova retificação da DIPJ para que a Contribuinte tenha o direito de ver deduzidas as retenções que restaram reconhecidas pela própria Fiscalização. Os demonstrativos trazidos pela diligência fiscal indicam que as retenções de IR superam o valor do IRPJ apurado a partir do coeficiente de 8%, de modo que todo o recolhimento realizado por DARF, com base na declaração DIPJ original, mostrase indevido e passível, portanto, de compensação. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 327DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 18050.007948/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2402-000.408
Decisão: Visto, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 80 50 .0 07 94 8/ 20 08 -2 1 Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas à contribuição patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2004 a 09/2006. O Relatório Fiscal (fls. 64/87) informa que a empresa tem como atividade principal a seleção, agenciamento e locação de mão de obra para serviços temporários, consoante Lei 6.019/1974. As folhas de pagamento, do ano de 2004 foram entregues em meio digital e com os seus respectivos resumos. Contudo, não foi feita a consolidação por estabelecimento e não foi informada a remuneração paga aos segurados da filiais. As remunerações mensais das folhas apresentadas foram confrontadas com dados constantes das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da empresa (informações estas provenientes do sistema informatizado da Previdência Social) e com os livros contábeis. Foram identificadas divergências entre as bases de remuneração declarada, a base lançada na contabilidade e as constantes das folhas de pagamentos, em todos os meses fiscalizados. Esse Relatório informa ainda que os fatos geradores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: 1. GFA GFIP após início da fiscalização à todos os valores de remuneração e os descontos dos segurados declarados em GFIP, após início da ação fiscal, foram lançados neste levantamento, inclusive pró labore (honorários de diretoria); 2. FPN Folha de Pagamento não declarada à obtida da comparação entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa, constatouse que não foram declarados em GFIP todos os dados da base de contribuição do contribuinte. As diferenças da base de cálculo e do desconto do segurado foram lançadas neste levantamento; 3. SAT Diferença SAT à referese às diferenças entre os valores da contribuição total de SAT (2%), apuradas na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa; 4. ASM Assistência Médica Contab à referente a pagamentos efetuados pela empresa para concessão de assistência médica a uma parte dos segurados empregados; 5. CON VL Contábil maior que folha GFIP à a contabilização das folhas de pagamentos da empresa demonstra que os valores lançados na conta Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 4 3 de salários é maior do que os constantes nas folhas entregues à fiscalização; 6. HON Honorário Pessoa Física Preposto à referente aos honorários e despesas não comprovadas e pagas aos prepostos da empresa, não declarados em GFIP; 7. ADV Honorários Advocatícios à pagamentos verificados na conta 3375 3.2.1.02.014 (honorários advocatícios) foram lançados neste levantamento, bem como a contribuição destes segurados; 8. AUT Autônomos Diversos à referente a pagamentos de serviços prestados por pessoa física em diversas contas de despesa (contas 3471 3.2.1.02.017, 2201 3.3.1.02.005 e 2163 3.3.1.02.001); 9. VTD Vale Transporte Dinheiro à o custo do vale transporte em dinheiro, identificado nas folhas de pagamento, foi lançado neste levantamento juntamente com a contribuição dos segurados devida sobre este beneficio; 10. DAL Diferença de Acréscimos Legais à referente a acréscimos legais (multa e juros) recolhidos a menor em Guias da Previdência Social (GPS) recolhidas em atraso, consoante fundamentação às folhas 59 a 61; 11. e PRO Pro Labore Contabilidade à referente a prólabore identificado na contabilidade (conta 38663.2.1.02.019 despesas não dedutíveis) e não declarado em GFIP. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/10/2008 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 125/156, Volume 3), alegando, em síntese, que: 1. a empresa atua no fornecimento de mão de obra temporária, regida pela Lei 6.019/1974, sendo terceirizada das empresas contratantes. Assim, as exigências feitas no contrato de uma empresa terceirizante não vincula um outro contrato com outra empresa (também terceirizante) não cabendo a obrigatoriedade à impugnante estender a todos os trabalhadores não vinculados àquele contrato, não só por ausência de exigência legal e contratual, mas também porque aumenta o custo operacional e de pessoal da empresa, o que acabaria gerando a necessidade de enxugamento de folha, demissão e desemprego. Ora, se determinada empresa terceirizante exige contratualmente determinado benefício e outra não. não há nenhuma previsão legal, inclusive para fins previdenciários, a exigência de que todos os demais empregados, não vinculados àquele contrato, tenham eventual benefício. Nesse sentido, por se tratar de empresa de trabalho temporário, cada contrato, com suas exigências específicas, deve ser visto isoladamente, uma vez que não vinculam os demais trabalhadores temporários dos outros contratos; Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 5 4 para o Levantamento GFA percebese que o valor encontrado nesse item é a diferença entre a transmissão da GFIP antes e a retransmissão da GFIP após a fiscalização, vindo a gerar esta diferença que, como dito, não é devida, bem como distribuídas nos demais tópicos a seguir impugnados; 2. no Levantamento FPN, o fato de existir diferença entre o total da remuneração declarada em GFIP e as folhas de pagamento significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição. Ademais, eventuais equívocos contábeis ou mesmo equívocos na fiscalização, não podem trazer prejuízo de tal monta à empresa impugnante; 3. portanto, resta evidente a improcedência deste tópico, merecendo a realização de perícia, o que restará evidente que nem todos os valores integrantes da folha de pagamento constituemse base de cálculo para a contribuição previdenciária, uma vez que os valores foram reembolsados aos empregados a título de despesas já efetuadas; 4. para o Levantamento VTD, alega que no caso dos autos, além da questão da logística e do risco de furtos e roubos constantes, a empresa impugnante se viu impossibilitada de conceder os vales transporte para alguns funcionários, tendo em vista as peculiaridades que cercavam a localidade em que ocorria a prestação do serviço. Em outras palavras, a empresa impugnante não concedia vale transporte, reembolsando em dinheiro, porque ou não tinha transporte público e vale transporte no município, ou porque o transporte que existia não aceitava vale transporte; 5. no tópico referente ao Levantamento SAT, o fisco previdenciário lançou as diferenças entre os valores da contribuição total do SAT (2%), apurados na ação fiscal, e o montante depositado em juízo pela empresa. Percebese que o fisco previdenciário, ao total arrepio da lei, considerou, indiscriminadamente, todas as áreas de atuação da empresa impugnante com o mesmo risco para contribuição do SAT. Em outras palavras, não há que se falar em uniformidade do risco, razão pela qual deve ser aferido individualmente. Registrese, inclusive, que a empresa impugnante presta serviço a instituição financeiras, sendo certo que é previsto que se trata de Risco, nestes casos, diferente de outras atividades; 6. ademais, como visto acima, existindo discussão judicial a respeito do suposto débito tributário, ou do seu valor, bem como depósito judicial (doc. Anexo), há a suspensão da exigibilidade do crédito, diferente do que alega o fisco previdenciário. Com efeito, conforme é sabido pelo próprio órgão fiscalizador, a questão está sendo submetida ao judiciário, sendo certo que, diferente do entende o fisco, encontrase com a sua exigibilidade suspensa, notadamente quando com o depósito judicial. Portanto, havendo processo que discute o valor do suposto débito tributário, com depósito judicial, suspendese a exigibilidade do tributo até decisão final; Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 6 5 7. em relação aos Levantamentos ASM e AMA, todos os seus trabalhadores temporários, vinculados aos diferentes contratos, possuem indistintamente os direitos garantidos pela legislação aplicável, mormente os previstos na Lei 6.019/74 e na própria CLT (quando aplicável). Já outros benefícios, como, por exemplo, a assistência à saúde, depende da exigência contratual. Assim, como dito alhures, a diferença por ventura encontrada assistência médica a alguns trabalhadores, não se trata de ato volitivo da empresa impugnante, mas sim de exigência contratual de quem contrata, beneficiando os trabalhadores contratados vinculados ao contrato; 8. para os Levantamentos CON e COS, registrese que tal diferença é facilmente explicável, isso porque os valores das férias e 13° salário estão somente provisionados mês a mês na contabilidade, não sendo efetivamente pagos, assim resta claro o porque da diferença do pagamento real efetuado, com isso, não pode agora, o contribuinte sofrer qualquer sansão ou penalidade, por quanto que não ocorreu. Vale ainda salientar, que os pagamentos das ajudas de custo aos funcionários, também estão lançados e inclusos nestes valores, conforme inscrição da empresa impugnante no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), contribuindo com a diferença na contabilidade; 9. com relação ao Levantamento HON, também não merece razão os argumentos utilizados, notadamente por dois motivos: primeiro, porque se trata de contribuinte individual, existindo limite máximo para o recolhimento previdenciário, não sendo devido quando este é atingido; segundo, porque os reembolsos das despesas não são tributáveis. Ora, o próprio fisco reconheceu que as verbas remuneratórias foram lançadas em conjunto com as verbas ressarcitórias, o que já permite concluir que existem distinções no lançamento contábil que não são tributáveis. Desta forma, resta impugnada a pretensão do fisco previdenciário, requerendo, desde já. a realização de prova pericial; 10. para os Levantamentos ADV, AUT e PRO, aduz que todo contribuinte da previdência, inclusive o individual, tem um teto máximo em que é tributado, não havendo que se declarar em GFIP, nem em tributar, quando já se atingiu; 11. quanto ao prólabore dos sócios, é fato que a autora remunera os seus sócios administradores através do pagamento de prólabore. Contudo, estes mesmos sócios administradores, não obstante, já recolhem contribuição ao INSS, na qualidade de segurados obrigatórios, incidentes sobre o prólabore. ou seja, sobre a mesma base de cálculo e mesmo fato gerador do recolhimento efetuado pela autora, com base na lei já citada. Portanto, prólabore e salário são institutos jurídicos distintos, com efeitos diversos no campo jurídico. Um instituto pertence ao Direito do Trabalho, outro, ao Direito Comercial; 12. requer a improcedência total do presente Auto de Infração. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 7 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão no 1519.662 da 7a Turma da DRJ/SDR (fls. 717/722, Volume 4) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 962/999, Volume 5). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Salvador/BA informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 8 7 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com a base de cálculo e com o recolhimento de valores por meio GPS, acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que os valores apurados no presente lançamento fiscal foram extraídos das folhas de pagamento, das GFIP’s e da escrituração contábil, documentos estes fornecidos pela Recorrente, bem como de informações extraídas dos sistemas informatizados do Fisco. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal que: (i) conforme levantamento através dos comprovantes do contribuinte confrontados com o relatório RADA (relatório de apropriação de documentos apresentados) não foram considerados pelo Fisco, perfazendo o montante de R$304.196,57 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e cinqüenta e sete centavos), conforme planilha em anexo (Anexo 1); (ii) há erro operacional, pois a empresa não informou nas GFPs a totalidade das retenções, informou valores bem abaixo do real, o que acarreta um crédito para o contribuinte. Este crédito pode ser apurado considerando os valores apropriados no relatório RADA (Relatório de apropriação de documentos apresentados), confrontandoo com os valores que foram declarados em GFPs, conforme documentos anexos (Anexo 2). Nessa argumentação, concluiu a Recorrente que (...) existem situações em que a Fiscal não apropriou – perfazendo o montante de R$304.196,57 (trezentos e quatro mil, cento e noventa e seis reais e cinqüenta e sete centavos) –, bem como situações em que a mesma apropriou mais não considerou os valores (crédito) para abatimento de eventual suposta dívida. A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que houve bitributação em alguns levantamentos enumerados na peça recursal e, com relação aos levantamentos CONVL Contábil maior que Folha GFIP e COSVL Contábil maior seg. aferido, há incursão na base de cálculo de valores indenizatórios (ajuda de custo e alimentação enquadrada no PAT). Por fim, a Recorrente concluiu que: “[...] Devese registrar que extraise dos fundamentos utilizados pelo fisco previdenciário que há constante bis in idem (bitributação), vez que faz incidir a contribuição previdenciária sob o mesmo suposto fato gerador, especialmente nas questões que são generalizas, situação esta que não foi observada nem afastada no Acórdão recorrido. E o que se observa, por exemplo, nos itens referentes a incidência do "valor contábil maior que folha GFÍP", da "folha de pagamento não declarada" e "valor contábil maior segurado auferido" entre si e em cotejo com os demais itens. Ora, esse três itens envolvem os mesmos supostos fatos geradores e bases de cálculo, sendo refletidos pelos demais levantamentos Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 9 8 lançados, vez que todos eles integram, por exemplo, a folha de pagamento. Ademais, como já dito acima, mesmo estando na folha de pagamento, esta não deve ser considerada integralmente, vez que existem panes integrantes que não são base de cálculo para a contribuição previdenciária, pois não se tratam de remuneração. Assim, podese concluir, dos argumentos acima expendidos, que não são devidas as contribuições da empresa e a contribuição para o SAT dos seguintes levantamentos realizados pelo fisco previdenciário: GFA, FPN, SAT, VTD, ASM, COM, HON, AUT, ADV E PRO, inclusive das diferenças dos acréscimos legais das guias pagas. (...) d) caso em remota possibilidade de permanência do Acórdão, o que não se acredita, requer o abatimento do crédito constatado em favor da Recorrente no importe total de R$ 2.201.444,11 (dois milhões, duzentos e um mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e onze centavos), montante este que não foi considerado pela Fiscal para fins de aplicação do montante apurado no Auto de Infração, conforme documentos em anexo. [...]”Assim, necessitamos que a Auditoria Fiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 18050.007948/200821 Resolução nº 2402000.408 S2C4T2 Fl. 10 9 Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório – inclusive deverá verificar se efetivamente foram realizados os recolhimentos das contribuições noticiados pela Recorrente, por meio de cópias de GPS acostadas aos autos, e se tais recolhimentos foram devidamente apropriados no lançamento fiscal –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 13/02/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10830.907607/2011-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o processo em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 07 60 7/ 20 11 -6 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, não reconhecendo o seu direito creditório. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “O interessado transmitiu a Dcomp nº 31962.67435.091107.1.3.043356, visando compensar os débitos nela declarados com crédito relativo a pagamentos indevidos ou a maior do IRPJ; A DRF/Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que: a) DA INEFICÁCIA DO DESPACHO DECISÓRIO REFUTADO; b) DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DO IMPOSTO SOBRE A RENDA E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA PESSOA JURÍDICA; c) SERVIÇOS HOSPITALARES – POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO PERCENTUAL DE 8% NA APURAÇÃO DE IRPJ PELO LUCRO PRESUMIDO – LEI Nº 9.249/95, Art. 15, § 1º, III, “a”; d) DO PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ E A POSSIBILIDADE DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 DIPJ RETIFICADORA. A DIPJ retificadora, por si só, não se constitui em instrumento hábil para a exigência dos valores nela informados. IRPJ E CSLL. LUCRO PRESUMIDO. ATIVIDADES HOSPITALARES. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 4 3 A expressão “serviços hospitalares” somente abrange aqueles prestados por estabelecimentos qualificados como “hospital”, portanto, somente esses podem apurar o lucro presumido no percentual de 8% da receita bruta. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 28/11/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 19/12/2013. No Recurso faz extenso arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exerado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. A presente lide consiste na interpretação da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto que entendeu que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, deveria utilizar o percentual de lucro de 32% sobre sua receita bruta de prestação de serviços hospitalares, portanto divergente do percentual de 12%, o qual a contribuinte utilizou entendendo ser pertinente às suas atividades. De acordo com o entendimento da fiscalização, a Lei nº 10.684/2003 criou a alíquota de 32% para a apuração da CSLL para as pessoas jurídicas optantes pelo Lucro Presumido, enquadradas na mesma situação da contribuinte, embora a mesma tenha continuado a utilizar a alíquota de 12%. Vejamos o diploma legal em questionamento: “Art. 22. O art. 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. Parágrafo único. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao quarto trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres." (NR) Passo portanto a análise do mérito. Para tanto colaciono o dispositivo questionado, constante da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência)” Fl. 93DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 6 5 Reproduzindo também o dispositivo referente ao IRPJ, o qual ampara a CSLL: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] Como de plano se observa, a Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008, promoveu alteração no sentido de adicionar atividades específicas no rol de exceções à aplicação da alíquota de 32%, sem adicionar contudo, os serviços radiológicos. Ocorre que tal alteração não afeta o caso em tela em virtude de: (I) não servir de caráter expressamente interpretativo para o termo “serviços hospitalares”, fato que poderia ensejar a retroatividade nos termos do art. 106, I, do Código Tributário Nacional; e (II) vir após a ocorrência dos fatos geradores que lhe deram causa (anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006). Portanto, da análise devese verificar o texto legal vigente à época dos fatos geradores, que era “prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares”. Neste prisma, a Recorrente entende prestar serviços hospitalares e, nesta condição, entende que nos fatos geradores supra estaria na regra de exceção à aplicação da alíquota de presunção de lucro a 32%. Confrontada com idêntica situação, o STJ através do REsp n° 859.574, de relatoria do Ministro Castro Meira, julgado em 23/06/2009 se pronunciou no sentido de se interpretar o termo “serviços hospitalares” objetivamente. No voto do Ilustre Ministro, que também citou precedente do decidido no REsp 951.251/PR, concluiuse o seguinte: ... a Seção decidiu que o benefício fiscal de redução de base de cálculo foi concedido de modo objetivo, pois leva em consideração o serviço prestado e não a natureza ou estrutura do prestador. Nesses termos, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 7 6 definiuse que a alíquota reduzida beneficia todos os prestadores de serviços tipicamente hospitalares – que são aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde , independentemente da complexidade ou da estrutura para internação de pacientes. A mens legis da norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador capacidade de realizar internação de pacientes , mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. No julgamento citado, excetuaramse, apenas, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Na oportunidade foram fixadas duas situações que convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços hospitalares e que esta seja realizada por instituição que, no desenvolvimento de sua atividade, possuía custos diferenciados do simples atendimento médico, sem, contudo, decorrerem estes necessariamente da internação de pacientes. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se trata de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de “serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte.” É importante deixar consignado – por sugestão do Min. Teori Zavascki no julgamento do REsp 951.251/PR – que a redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente – especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens – excluídas as simples consultas e outras atividades de cunho administrativo. [...] (Grifouse) Retornando a matéria ao pleito do STJ, decidiu este pacificar seu entendimento no julgamento do REsp n° 1.116.399/BA, quando aplicou o regime do art. 543C do Código de Processo Civil, representativo da controvérsia, assim ementado: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 8 7 DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo Fl. 96DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 9 8 pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) Tal decisão ainda foi consolidada pelo julgamento de Embargos Declaratórios, cuja ementa também transcrevo a seguir, por adicionar elementos interessantes, em especial, a inaplicação do conceito de “serviços hospitalares” para “consultas médicas”, vejamos: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando o provimento jurisdicional padece de omissão, contradição ou obscuridade nos ditames do art. 535, I e II, do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. 2. A parte embargante aduz que há no acórdão embargado, basicamente, três questões a serem esclarecidas, quais sejam: (i) a atividade de consulta médica realizada no interior dos hospitais por profissionais com vínculo com a instituição deve ser conceituada como serviços hospitalares para efeito de beneficiarse da redução da base de cálculo?; (ii) estão (ou não) abrangidas pelo benefício fiscal as consultas médicas prestadas em consultório médico não localizado no interior do hospital, mas com prestação de serviços que não a simples consulta médica?; e (iii) as consultas médicas prestadas em consultório médico de forma exclusiva se incluem no benefício? 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, § 1º, III, "a", da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no Fl. 97DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 10 9 interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o eminente Ministro Relator afirmou que: "Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico." 6. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/09/2010, DJe 29/09/2010) Como se observa, o entendimento jurisprudencial de “serviços hospitalares” ficou consolidado em sentido amplo, relacionandose ao serviço prestado, e não à natureza ou a estrutura do prestador. A interpretação do dispositivo, portanto, é objetiva. Ressaltese que o CARF se sujeita ao definido nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A contrario sensu, a DRJ havia entendido pela aplicação temporã dos fatos geradores, à luz das Instruções Normativas vigentes a cada tempo, que vinham restringindo o conceito de serviços hospitalares. “Seguindo este raciocínio, pacificouse no âmbito da administração tributária federal o entendimento de que serviços hospitalares são aqueles prestados em decorrência da internação e tratamento de doentes ou aqueles que necessitam de intervenções cirúrgicas em hospitais. Não se consideram como tais, para os fins específicos da tributação pelo imposto de renda e CSLL das pessoas jurídicas, mormente no regime do lucro presumido, os serviços ambulatoriais, os meros serviços de clínica médica, de exames clínicos, de análises clínicas (laboratoriais, radiológicas, ecográficas, de ressonância magnética, de tomografia computadorizada, etc.), de clínica odontológica que não necessitam de um complexo hospitalar, ou seja, dos recursos materiais e humanos próprios de um hospital, inclusive para promover a internação dos pacientes. Não bastassem estes argumentos, outra justificativa que aponta a intenção do legislador em distinguir, para fins tributários, os serviços profissionais de médico dos serviços hospitalares encontrase no custo suportado pelas pessoas jurídicas que atuam no ramo da saúde. Com efeito, os custos e despesas operacionais dos hospitais são bem superiores aos de outros serviços médicos/odontológicos/psicológicos Fl. 98DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 11 10 prestados em clínicas, consultórios médicos e laboratórios, o que fundamenta a diferenciação de percentual adotada pela lei para fixação do lucro presumido da pessoa jurídica. De fato, aos custos dos serviços prestados por hospitais, além dos gastos dos profissionais especializados e dos materiais empregados no atendimento, somamse, permanentemente, os custos de hotelaria, alimentação, enfermagem, lavanderia e pesquisa, além do que devem abranger o estado de prontidão para o atendimento a possíveis situações de emergência (atendimento 24 horas). Este, pois, é o sentido teleológico da norma: considerar como base de cálculo do imposto de renda uma porcentagem menor da receita bruta para quem atua no ramo de serviços hospitalares em relação aos serviços médicos ou odontológicos em geral, uma vez que seus custos são bem superiores aos serviços prestados em clínicas, ambulatórios, consultórios médicos ou laboratórios. Claro está, mais uma vez, a especificidade do conceito de serviços hospitalares para fins do artigo 15, III, a, in fine, da Lei nº 9.249/95. A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 306/2003 E A PORTARIA GM Nº 1.884/1994 À época dos fatos, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil solicitou parecer ao Ministério da Saúde a respeito do conceito de “serviços hospitalares” com o desiderato de esclarecer caso concreto em solução de consulta a ela formulada, cuja resposta consubstanciada na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020, de 18 de fevereiro de 2002, assim concluiu a questão: Conforme exposto acima podemos concluir que as definições sobre serviços hospitalares e serviços préhospitalares devem ser elaboradas a partir da normatização atualmente vigente, podendose resumir da seguinte forma: SERVIÇOS HOSPITALARES: para a verificação de serviços hospitalares, devese avaliar se no caso concreto a pessoa jurídica exerce uma das seguintes atribuições: i) promoção, prevenção e vigilância à saúde da comunidade; atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial; ii) atendimento imediato de assistência à saúde: prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação por período superior a 24 horas; iii) atendimento a pacientes internos e externos em ações de apoio direto ao reconhecimento e recuperação do estado da saúde. Em face dessas conclusões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 306/2003, acolheu o posicionamento externado na Nota Técnica CGPI/DP/SIS/MS nº 020/2002, ao estabelecer em seu art. 23, as hipóteses em que os serviços prestados por determinadas pessoas jurídicas poderão ser considerados como serviços hospitalares, para os fins previstos no art. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 12 11 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95. Eis o teor do dispositivo: Art. 23. Para os fins previstos no art. 15, § 1º inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995, poderão ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capítulo 2, da Portaria GM nº 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde, relacionadas nos incisos seguintes: I – realização de ações básicas de saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) II – prestação de atendimento eletivo de assistência à saúde em regime ambulatorial, compreendendo as seguintes atividades: (...) III – prestação de atendimento imediato de assistência à saúde, compreendendo as seguintes atividades: (...) IV – prestação de atendimento de assistência a saúde em regime de internação, compreendendo as seguintes atividades: (...) V – prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia, compreendendo as seguintes atividades: (...) Frise se: para que sejam considerados hospitalares, exigese que os serviços descritos nos incisos do art. 23 da IN SRF 306/2003 sejam prestados por estabelecimentos que possuam estrutura física condizente com as atividades que desempenha. Para que se verifique isso, fazse necessária a apresentação de provas que demonstrem que os estabelecimentos cumprem as condições exigidas em lei para ser considerado como estabelecimento assistencial de saúde (EAS). Neste ponto, a Portaria GM nº 1.884/94 disciplinou sobre a organização físicofuncional dos estabelecimentos assistenciais de saúde, determinando quais as condições necessárias exigidas para que um estabelecimento possa prestar serviço hospitalar. Lembrese, ainda, que o caput do art. 23 da IN SRF nº 306/2003, exige que o estabelecimento assistencial de saúde possua estrutura física condizente com as atividades que desempenha, sendo obrigatório, portanto, oferecer os seus serviços de maneira plena e integral. Além Fl. 100DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 13 12 disso, é imprescindível a pessoa jurídica contar com todas as instalações e os equipamentos adequados para a prestação do serviço hospitalar equiparado, devendo estar apta a prestar os serviços necessários para os quais foi criada e executálos em local onde se encontram seus equipamentos, materiais, mãodeobra especializada, etc., os quais justificam os custos assemelhados à atividade hospitalar. Se, porventura, o contribuinte tãosomente dispensa atendimentos superficiais, sendo incapaz de propiciar o efetivo diagnóstico e tratamento de seus pacientes, concluise que ela não possui uma estrutura capaz de usufruir os proveitos fiscais em análise. Aduziu, portanto, que a definição de empresário e sociedade empresária não se coaduna como elemento de empresa pela simples prestação de serviços profissionais na área médica, afastando pelas características estruturais o contribuinte da condição de estabelecimento hospitalar de que trata a lei. Ora, como já abordado, o STJ decidiu que o termo “serviços hospitalares” deve ser analisado objetivamente. No caso, houve uma interpretação subjetiva, levandose em conta outros fatores que não se relacionam à prestação do serviço, mas à estrutura e outras condições do estabelecimento, restringindo sua aplicação ao caso. Neste estigma, é oportuno ressaltar que este Conselho não se submete aos atos da Secretaria da Receita Federal, que é parte interessada na arrecadação, mas deve atenção ao conteúdo estabelecido por leis, decretos, tratados ou acordos internacionais, nos termos da Portaria CARF n° 256, de 22 de junho de 2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] Assim, é de se afastar a interpretação restritiva emanada através do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n° 18, de 23 de outubro de 2003, bem como, as Instruções Normativas SRF n° 306, de 12 de março de 2003, n° 480, de 15 de dezembro de 2004 e n° 539, de 25 de abril de 2005, que não se coadunam ao conceito objetivo de “serviços hospitalares” e se apegar ao precedente jurisprudencial representativo da controvérsia emanado pelo STJ supracitado. Por derradeiro, ainda que possam haver discussões, vale colacionar decisões deste Conselho já levadas a efeito nesta matéria que consolidam a interpretação esposada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 SERVIÇOS HOSPITALARES. ESPÉCIE DE SOCIEDADE. HIPÓTESE NÃO PREVISTA EM LEI. PERCENTUAL DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 14 13 A expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade, para os anos de 2002 a 2005, é de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL, consoante arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249/95. (Acórdão n° 1202000.584, Relator Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Segunda Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LUCRO PRESUMIDO. CLÍNICA DE DIAGNÓSTICOS. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399BA (2009/00064810), havido na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu, com a ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727 de 2008 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde), excluindose, contudo, as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Subsistindo o lançamento principal, na seara do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado em legislação que toma por empréstimo a sistemática de apuração daquele. (Acórdão n° 1103000.552, Relator Conselheiro Jose Sergio Gomes, Primeira Câmara, Primeira Seção, julgado em 04/10/2011) Assim a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte, porquanto a lei, ao conceder o menor percentual estimado de lucro, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Para a empresa que presta “serviços Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10830.907607/201164 Resolução nº 1802000.600 S1TE02 Fl. 15 14 hospitalares”, o percentual de apuração do lucro presumido sobre as receitas da atividade é de 12% para a CSLL, consoante o art. 20 do mesmo diploma legal. Apesar de tudo o que foi dito o julgamento do presente processo necessita de uma instrução complementar para que se verifique a natureza do serviço prestados no período em que os créditos foram apurados. Isto posto, voto pela conversão do presente processo em diligência para que a Delegacia de origem verifique: a) através das notas fiscais de saída a natureza dos serviços que estão sendo faturados; b) a existência de ativos, próprios ou alugados de terceiros, condizentes com a prestação de serviços que tenham custos diferenciados em relação à simples consultas; c) demais elementos julgados pertinentes que possam esclarecer a natureza das receitas auferidas pera ora Recorrente, bem como o coeficiente para presunção do lucro. Concluída a diligência fiscal, a DRF deverá intimar a Recorrente para, querendo, se manifestar e lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 06/12/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10166.007577/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 17/12/2014
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2079; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 97 1 96 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.007577/200798 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202003.472 – 2ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2014 Matéria IRPF RETIFICAÇÃO DIRPF Recorrente PEDRO SANTIAGO DOS SANTOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência de teses pretendida os Acórdãos paradigmas que contemplam situações fáticas distintas daquela analisada nestes autos, sobretudo quando, ainda assim, caminham lado a lado e não em sentido contrário, não se cogitando em divergência, mas, sim, em convergência das teses. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 75 77 /2 00 7- 98 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 17/12/2014 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado), Manoel Coelho Arruda Junior Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcelo Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PEDRO SANTIAGO DOS SANTOS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, em 25/06/2007, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação ao Exercício 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 35/39, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 31.938,27, recebido(s) da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 2.346,06. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2a Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, consubstanciada no Acórdão nº 0329.325/2009, às fls. 42/50, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1ª Turma Especial, em 25/08/2011, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 280101.831, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 98 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Restando confirmada a omissão de rendimentos tributáveis e não tendo havido entrega de declaração retificadora espontaneamente, não é possível ao contribuinte retificar a declaração para trocar o modelo da declaração após início de procedimento fiscal. MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício aplicada nos caso de falta de recolhimento ou declaração inexata é devida independentemente da existência de dolo ou culpa na prática do erro que a originou. PEDIDO DE DISPENSA DO PAGAMENTO DE PENALIDADES. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de dispensa ou redução de penalidades. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso voluntário negado.” Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 82/85, com arrimo nos artigos 64, inciso II, e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Em defesa de sua pretensão, sustenta que a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, ora adotados como paradigmas, permite a alteração do modelo da declaração, de simplificada para completa, na hipótese de erro de fato pelo contribuinte, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, com esteio no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. Explicita que a recorrente ao preencher a Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário 2004, incorreu em erro formal ao informar como rendimentos tributáveis em valor inferior a base tributável recebida de fonte do trabalho assalariado, razão pela qual caberia à autoridade fiscal intimar a contribuinte para prestar esclarecimento, oportunizando, ainda, a sua retificação. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que o lançamento online frusta a oportunidade do contraditório, mormente por se tratar de mero erro material da contribuinte ao elaborar sua DIRPF, ou melhor, mera formalidade, na linha da doutrina transcrita na peça recursal. Ressalta que em momento algum houve a intenção de prestar falsa declaração para suprimir ou reduzir tributo por parte do Recorrente, ocorrendo apenas erro de fato, devendo ser autorizada a mudança de formulário. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar a observância dos pressupostos para conhecimento da peça recursal, ou seja, a divergência jurisprudencial suscitada, conforme Despacho S/N/2012, às fls. 87/89. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 91/95, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia ao ilustre Presidente da 1a Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão do recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, em face do contribuinte fora lavrada Notificação de Lançamento exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em relação ao exercício 2005. Por sua vez, a Turma recorrida entendeu por bem rechaçar o pleito do contribuinte, mantendo a integralidade da exigência fiscal, sobretudo quanto à impossibilidade de alteração do modelo da DIRPF já apresentada, de simplificado para completa, mormente após iniciada a ação fiscal (e encerrada com a notificação), bem como diante da não comprovação da ocorrência de erro de fato na opção originalmente apresentada, ensejando a interposição do recurso especial do Contribuinte. Pretende a recorrente seja reformado o decisum em vergasta, alegando ter contrariado a jurisprudência administrativa a respeito do tema, representada nos Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, ora adotados como paradigmas, os quais possibilitam a alteração do modelo da declaração, de simplificada para completa, na hipótese de erro de fato pelo contribuinte, ao contrário do que restou assentado pelo decisum recorrido, com esteio no artigo 57 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001. A corroborar seu entendimento, explicita que a recorrente ao preencher a Declaração de Ajuste Anual do Ano Calendário 2004, incorreu em erro formal ao informar como rendimentos tributáveis em valor inferior a base tributável recebida de fonte do trabalho assalariado, razão pela qual caberia à autoridade fiscal intimar a contribuinte para prestar esclarecimento, oportunizando, ainda, a sua retificação. Contrapõese ao Acórdão atacado, por entender que o lançamento online frusta a oportunidade do contraditório, mormente por se tratar de mero erro material da Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 99 5 contribuinte ao elaborar sua DIRPF, ou melhor, mera formalidade, na linha da doutrina transcrita na peça recursal. Ressalta que em momento algum houve a intenção de prestar falsa declaração para suprimir ou reduzir tributo por parte do Recorrente, ocorrendo apenas erro de fato, devendo ser autorizada a mudança de formulário. Não obstante o esforço do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que o Contribuinte não logrou comprovar a divergência entre teses arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA 6 § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, o Contribuinte ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais Câmaras, Turmas de Câmara, Turmas Especiais ou da própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal do Contribuinte, conjugada com os Acórdãos confrontados, é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Na hipótese vertente, o Acórdão recorrido não acolheu o pleito do autuado, basicamente, em razão de a modificação do modelo da declaração ter sido apresentada pelo contribuinte após encerrada a ação fiscal, com a lavratura da notificação e, bem assim, diante da ausência de comprovação do eventual erro de fato incorrido no preenchimento da declaração inaugural. Por sua vez, os Acórdãos n°s 10616.000 e 10322.099, adotados como paradigmas, não se prestam a comprovar a divergência argüida, seja em razão de convergirem, em verdade, ou mesmo por contemplar situação fática distinta. Com mais especificidade, no Acórdão n° 10616.000, o nobre Conselheiro Redator do voto, em que pese afastar a pretensão do contribuinte, ressaltou que “quando provado o erro de fato cometido pelo contribuinte, penso ser possível a alteração do modelo da declaração de rendimentos, de simplificado para completo”, o que não ocorrera naqueles autos, razão do improvimento ao recurso voluntário. É praticamente o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o insurgimento do contribuinte não fora acolhido em razão de ter pleiteado “a alteração da opção pelo regime de tributação completo após ter sido iniciado o procedimento de fiscalização, não tendo, contudo, demonstrado erro de fato na opção originalmente apresentada.” Ou seja, nos dois Acórdãos confrontados não restou demonstrado o erro de fato capaz de justificar a alteração da declaração de rendimentos, de simplificada para completo, o que corrobora a constatação de convergência nos julgados e não divergência. Por outro lado, relativamente o Acórdão n° 10322.099, além de contemplar Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, tributo diverso do presente e com outras especificidades, igualmente, aludida decisão firmou entendimento no sentido de que “devem ser acolhidas as alegações de equívocos cometidos no preenchimento da declaração de rendimentos quando devidamente comprovados.” Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10166.007577/200798 Acórdão n.º 9202003.472 CSRFT2 Fl. 100 7 Como se observa, ainda que pretendêssemos adotar referido decisório como paradigma, mesmo tratando de outros tributos e lastreado em outros fatos, da mesma forma, se exige a comprovação do erro de fato, tal qual ocorrera na hipótese dos autos, onde aludida prova não restou demonstrada. Não há, portanto, divergência, mas, sim, convergência de entendimentos. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre Presidente subscritor do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, não entendemos ser possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo ser mantido o improvimento ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 1ª Turma Especial da 2a SJ do CARF, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, sobretudo em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial do Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/12/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAG ALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000385/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO.
O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentá-los quando exigidos pelo auditor-fiscal.
PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO.
Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a não-cumulatividade.
EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL.
A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.158-35, de 2001.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador.
Numero da decisão: 3401-002.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Jean Cleuter Simões Mendonça - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: Jean Cleuter Simões Mendonça
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO. O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentá-los quando exigidos pelo auditor-fiscal. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a não-cumulatividade. EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL. A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.158-35, de 2001. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2172; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3.024 1 3.023 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000385/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.777 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS/COFINS Recorrente ECON DISTRIBUIÇÃO S/A Recorrida DRJ CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PIS E COFINS. LANÇAMENTO PELO LUCRO ARBITRADO. O lançamento do PIS e da COFINS, com base no lucro arbitrado, terá reflexo na alíquota aplicada e será válido quando o sujeito passivo descumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentálos quando exigidos pelo auditorfiscal. PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. INEXISTÊNCIA DE DESCONTO QUANDO O LUCRO É ARBITRADO. Quando o lucro é arbitrado, o PIS e a COFINS serão apurados com base na Lei nº 9.718/98, não havendo direito aos abatimentos das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ainda que a sistemática da apuração escolhida pelo contribuinte seja a nãocumulatividade. EXLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. ANÁLISE INFRALEGAL. A legislação vigente não exclui o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, de modo que esse valor compõe a base de cálculo dessas contribuições. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Quando os arquivos digitais não estiverem disponíveis na data solicitada pela autoridade fiscal e forem entregues, em data posterior, parcialmente, caberá a multa prevista art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218/01, incluído pela da Medida Provisória n º 2.15835, de 2001. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 03 85 /2 00 9- 76 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 2 Deve ser indeferida a diligência quando ela for prescindível para formar o convencimento do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Presidente. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Ângela Sartori, José Luiz Feistauer, Bernardo Leite Queiroz Lima, Jean Cleuter Simões Mendonça e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 22/10/2009, o primeiro (fls.356/359) lançando o PIS não recolhido de todos os meses de 2005, e o segundo (fls.368/371) lançando a COFINS não recolhida do mesmo período, além de multa pelo não cumprimento de obrigação acessória, qual seja, a entrega de arquivos digitais solicitados pela autoridade fiscal. A Contribuinte apresentou Impugnação (fls.376/392), mas a DRJ em Campinas/SP manteve o lançamento ao proferir acórdão (fls.413/426) da seguinte forma: “ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado ficam sujeitas às normas do regime cumulativo para apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vigentes anteriormente As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE Fl. 511DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.025 3 OUTRAS RECEITAS. AUSÊNCIA DE PROVA. Incabível a discussão acerca da indevida inclusão de receitas na base imponível do lançamento se o interessado, à semelhança do ocorrido no curso do procedimento fiscal, não traz elementos de sua contabilidade capazes de comprovar que estariam aqui contempladas receitas não decorrentes de sua atividade. MULTA POR FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICO. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária A disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, devendo apresentálos, quando solicitados pela fiscalização, na forma estabelecida pela referida Secretaria e no prazo concedido, sob pena de sujeitarse à multa isolada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 09/04/2010 (fl.430) e interpôs Recurso Voluntário em 11/05/2010 (fls.431/449), com as alegações resumidas abaixo: 1 Todos os documentos solicitados foram entregues, o que torna nulo o lançamento por lucro arbitrado; 2 A lançamento do PIS e da COFINS foi feito sem considerar os descontos do PIS e da COFINS não cumulativos; 3 O lançamento do PIS e da COFINS sem considerar a nãocumulatividade levou à exigência de tributos com efeitos confiscatórios; 4 Deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS o valor do ICMS, haja vista que este imposto não compõe o faturamento da empresa; Ao fim, a Recorrente pediu que fosse declarado nulo o lançamento, por ter sido efetuado indevidamente com base no lucro arbitrado e que seja realizada diligência a fim de se constatar a regularidade dos documentos contábeis da empresa. Estes autos foram apreciados pela primeira vez na sessão de 26/06/2012, ocasião na qual se resolveu sobrestar o julgamento com base no art. 62A, § 2º, do Regimento Interno do CARF, em razão do Recurso Extraordinário nº 574.706, representativo de controvérsia, que trata da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Não Fl. 512DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 4 obstante, a norma que determinava o sobrestamento foi revogada pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, fazendo com que o presente processo administrativo retornasse para a apreciação deste Colegiado antes do julgamento da matéria pelo STF. É o Relatório. Voto O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente sofreu lançamento do PIS e da COFINS, além de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. Em seu favor, alega que o lançamento é nulo por ter sido efetuado com base em lucro arbitrado, além de não serem levados em consideração os abatimentos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Assim, o cerne da questão consiste no cabimento, ou não, do lançamento arbitrado do PIS e da COFINS e no cabimento multa, bem como na inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. 1. Dos documentos exigidos e do lucro arbitrado Da análise dos autos, verificouse que a Recorrente foi intimada por diversas vezes a entregar os documentos solicitados pelo auditorfiscal, tais como livros razão, DCTF, DACON, DIPJ, arquivos digitais. Contudo, a Recorrente sempre pedia a prorrogação do prazo e os documentos não eram entregues. A Recorrente tomou ciência da primeira intimação para apresentação de documentos em 07/08/2008, conforme fls.212 a 214. Em 12/11/2008, a Recorrente foi intimada novamente a apresentar os mesmos documentos exigidos na primeira intimação (fls.223/225). Em 18/05/2009, a Recorrente protocolou o primeiro pedido de prorrogação de prazo (fl.232). E mais uma vez foi intimado a apresentar documentos em 29/05/2009 (fls.233/236). Em 08/07/2009, a Recorrente protocolou petição informando a entrega de alguns documentos, mas justificando a impossibilidade de entregar todos os documentos solicitados e requerendo nova prorrogação de prazo (fl.224). Em suma, após tantas intimações e pedidos de prorrogação, o termo de verificação fiscal (fls.351/371) foi lavrado em 22/10/2009 – mais de um ano após o primeiro termo de intimação fiscal – e, mesmo assim, a Recorrente não tinha entregado todos os documentos e, além disso, parte dos documentos entregues, conforme o termo verificação fiscal, estava incompleta, sem assinatura do contador ou sem autenticação do órgão competente. Nas fls. 365 e 366, o auditorfiscal destaca as incorreções nos documentos apresentados, do seguinte modo: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.026 5 “Registrese que, após reiteradas intimações e prorrogações de prazo, a documentação foi entregue incompleta, tanto relativamente à escrituração contábil e fiscal, quanto aos arquivos digitais contábeis, conforme abaixo especificados: Não foram entregues os arquivos digitais faltantes, referentes ao período de janeiro a março de 2004; Os Livros Razão relativos ao anocalendário 2004 estavam incompletos, ou seja, faltavam os meses de abril a dezembro; Os Livros Diário relativos ao período de janeiro a julho de 2005, não estavam assinados pelo contador, outrossim, não foram autenticados no órgão competente, conforme disposição legal do art. 251 do RIR/99 e do §40 , art. 258 do mesmo Regulamento; Os Livros Diário relativos ao anocalendário 2005 estavam incompletos, ou seja, faltavam os meses de agosto a dezembro; Não foram entregues os Livros Razão referentes ao ano calendário 2005; Não foram entregues os Livros Diário e Razão dos anos calendário 2006 e 2007; Não foram entregues os Livros de Apuração do Lucro Real ( LALUR ) e os Livros de apuração do IPI referentes aos anos calendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. Desta forma, através do Termo de Constatação Fiscal no 0003, o contribuinte foi intimado a regularizar a sua escrituração, bem ainda, tendo em vista os arquivos digitais relativos ao LRE e LRS serem insuficientes para a apuração da contribuição para o PIS e da COFINS e para apuração dos créditos das referidas contribuições, em virtude da necessidade da discriminação das mercadorias por regimes tributários das contribuições sociais — substituição tributária, tributação monofásica, suspensão, alíquota zero, isenção, nãoincidência, intimouse o contribuinte a apresentar arquivos digitais em consonância com o padrão definido pela Instrução Normativa SRF no 86, de 2001, e Ato Declaratório Executivo Cofins n. 15, de 2001, referentes ao ano calendário de 2005, contendo informações em conformidade com os itens abaixo especificados do Anexo Cinco do aludido Ato Declaratório Executivo, imprescindíveis para a correta apuração da contribuição para o PIS e da COFINS e dos créditos das referidas contribuições: (...) Na data de 11 de setembro de 2009, o contribuinte entregou no setor de protocolo desta DRF requerimento para prorrogação de prazo e para restituição dos aludidos Livros Diário. Relevante observar que, as informações solicitadas no Termo supracitado são concernentes a registros contábeis, a fornecedores e clientes, a documentos fiscais, a controle de Fl. 514DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 6 estoque, a relação de insumos e produtos, entre outros, ou seja, dados intrinsecamente relacionados 6 atividade comercial do fiscalizado, e conforme estabelece os arts. 11 e 12 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991, o contribuinte está obrigado a manter esses arquivos digitais e sistemas 6 disposição da RFB. Aos 18 de setembro de 2009, o contribuinte entregou no setor de protocolo desta DRF, os arquivos digitais referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004. No que concerne aos Livros Diário, apenas solicitouos para regularização, no entanto, não mostrouse empenhado em reavêlos, porquanto não compareceu para retirálos e não indicou data para a restituição dos mesmos. (...) Determinouse que fossem regularizados e devolvidos a esta fiscalização no prazo de 5 ( cinco ) dias. No mesmo prazo, reintimouse o contribuinte a apresentar todos os Livros Diário e Razão relativos ao anocalendário 2005. No entanto, até a presente data não houve qualquer manifestação por parte do contribuinte e nada foi apresentado a esta fiscalização”. E, ainda na fl. 367, o auditorfiscal justifica a necessidade de lançamento por lucro arbitrado da seguinte forma: “Em virtude da impossibilidade desta fiscalização promover seus trabalhos e apurar o lucro real, ante a ausência da escrituração comercial e fiscal, restou inevitável a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ( IRPJ ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ( CSLL ) com base nos critérios do lucro arbitrado”. No cotejo dos autos, verificase que a fundamentação da autoridade fiscal está em conformidade com os acontecimentos, pois as diversas intimações e pedidos de prorrogação demonstram que foram dadas diversas oportunidades para que a Autuada entregasse e retificasse sua escrituração fiscal, contudo, em mais de um ano de fiscalização – tempo mais que suficiente – a recorrente foi incapaz de cumprir totalmente as exigências fiscais, o que forçou o lançamento por lucro arbitrado, nos termos do art. 530, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda de 1999, que assim determina: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): Fl. 515DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.027 7 III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Então, como se vê, o arbitramento do lucro é possível quando o sujeito passivo deixa de cumprir a obrigação acessória de manter os livros contábeis em dia ou de apresentálos quando exigidos pelo auditorfiscal, quando não é possível aferir o lucro real da pessoa jurídica. Portanto, como a Recorrente não demonstrou a apresentação dos documentos conforme exigido na legislação tributária, correto é o lançamento pelo lucro arbitrado. 2. DO LANÇAMENTO DO PIS E DA COFINS NO LUCRO ARBITRADO Alega a Recorrente que sua modalidade de lançamento do PIS e da COFINS é a nãocumulativa, de modo que, no lançamento, o auditorfiscal deveria ter levado em consideração os créditos e os insumos que podem ser abatidos no cálculo das contribuições. Na mesma ação fiscal, a Recorrente sofreu lançamento do imposto de renda pelo lucro arbitrado, o que originou outro processo administrativo (n° 19311.000037/200907). O arbitramento do lucro é técnica para se chegar ao valor do tributo devido, quando isso não é possível por outros documentos, em razão da inexistência desses ou da falta de apresentação pelo contribuinte, conforme dispõe o inciso III, do art. 530, do Decreto 3.000/99, já transcrito acima. O auditorfiscal explicou como chegou ao faturamento da empresa da seguinte forma: “Para determinação da receita bruta e das outras receitas, considerouse o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais ( DACON ) e não a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), em virtude daquela, conter informações mensais necessárias à apuração trimestral do lucro arbitrado, e esta, informações anuais, por conta do período anual de apuração do I RPJ e da CSLL. Desta forma, conforme demonstrado no anexo ao presente termo, denominado "Tabela 1 — Base de Cálculo 1RPJ e CSLL — Lucro Arbitrado", o lucro arbitrado foi constituído pela somatória: do resultado da aplicação do percentual de 9,6% sobre a receita bruta, constituída pelas receitas de revenda, e, as outras receitas, que constituem acréscimos a base de cálculo”. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 8 Na verdade, o lucro arbitrado, o lucro presumido e o lucro real não se confundem, eles são categorias diferentes, conforme art. 44, do CTN. A escolha pelo lucro real ou presumido gera reflexo na forma de apuração da COFINS, pois, se o contribuinte recolher a sistemática do lucro presumido, sua COFINS será apurado em conformidade com a Lei nº 9.718/98, cuja alíquota é de 3%. Caso a opção seja pelo lucro real, a apuração da COFINS será nãocumulativa, com a aplicação da Lei nº 10.833/2003, com alíquota de 7,6%. Quando o contribuinte sofre lançamento pelo lucro arbitrado, a forma de apuração da COFINS é feita com base na Lei nº 9.718/98, a qual não permite qualquer abatimento ou creditamento, isso porque a Lei nº 10.833/03 (que trata da COFINS nãocumulativa) dispõe o seguinte: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado” (grifo nosso) A lei anterior, referida no dispositivo citado acima, é a Lei nº 9.718/98. Desse modo, como os abatimentos estão previstos na Lei nº 10.833/03, que deixa de ser aplicada no caso de lucro arbitrado, o lançamento da COFINS está correto. Para o PIS a opção pelo lucro real ou presumido também causa reflexo na forma de apuração. Quem é optante do lucro real, está sujeito ao PIS nãocumulativo tributado na forma da Lei nº 10.637/2002. O art. 8º, inciso II, da Lei no 10.637/02, da mesma forma que o art. 10 da Lei nº 10.833/03, determina que as pessoas jurídicas que tiverem o IRPJ lançado pelo lucro arbitrado terão o cálculo do PIS com base em leis anteriores, ou seja, a Lei nº 9.715/98. Desse modo, também não se aplicam ao PIS do contribuinte que tiver o lucro arbitrado os descontos da nãocumulatividade previstos na Lei nº 10.637/02. Se não bastasse o fundamento acima, vale ressaltar que a Recorrente não citou nenhum insumo que pudesse gerar crédito para o abatimento no lançamento. Portanto, ainda que tivesse direito à nãocumulatividade, esta deveria ser indeferida. 3. Do exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A questão da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS pode ser apreciada sob duas ópticas: uma constitucional, na qual se verificam os princípios constitucionais e a semântica constitucional do termo “faturamento”; e a outra óptica é a infraconstitucional, na qual a margem para interpretação é mais estreita, pois permite somente analisar a letra da lei, sem possibilidade de se aprofundar nas questões da Constituição Federal. Quanto à questão Constitucional, o CARF não pode se pronunciar em razão da sua Súmula nº 02, que assim determina: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.028 9 Desse modo, afastase a possibilidade de análise da questão pelo prisma constitucional. No que concerne à interpretação com base nas normas infralegais, insta esclarecer que a forma de tributação do período lançado consiste no PIS e COFINS faturamento, apoiados, respectivamente, na Lei Complementar nº 7/70 e Lei Complementar nº 70/91, conforme consta no enquadramento legal do auto de infração. Quanto ao PIS, a Súmula nº 68 do STJ afasta qualquer dúvida infralegal em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo. Senão, vejamos: “A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS”. No tocante à COFINS, cabe transcrever o art. 2º, da Lei Complementar nº 70/91, in verbis: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente”. Notese que o legislador decidiu retirar somente um tributo da base de cálculo da COFINS e ele foi o IPI, não havendo qualquer referência quanto à exclusão do ICMS. Por essa razão, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, conforme decisões abaixo: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 10 1. A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS. Incidência das Súmulas 68 e 94 do STJ. Precedentes. 2. O Superior Tribunal de Justiça tem julgado a presente questão sob a ótica infraconstitucional, aplicandose a jurisprudência consubstanciada nas Súmulas 68 e 94/STJ, não havendo, pois, que se falar em usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no REsp 1413346/PI, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/09/2014, DJe 29/09/2014) “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. O entendimento do Tribunal de origem não merece censura, pois em harmonia com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS incidência das Súmulas 68 e 94 e 83 do STJ. Agravo regimental improvido”. (AgRg no AREsp 517.713/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2014, DJe 27/06/2014) “TRIBUTÁRIO. MEDIDA CAUTELAR. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. SÚMULAS 68 E 94 DO STJ. A jurisprudência desta Corte Superior há muito firmouse no sentido da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS incidência das Súmulas 68 e 94 do STJ. Medida cautelar indeferida. Revogação da liminar concedida”. (MC 21.070/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/05/2014, DJe 28/05/2014) Portanto, analisando somente a questão infralegal, o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da COFINS. Além disso, no presente autos, como o lançamento foi por arbitramento, o contribuinte não colacionou as provas de sua alegação. 4. Da multa por descumprimento de obrigação acessória Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L Processo nº 19311.000385/200976 Acórdão n.º 3401002.777 S3C4T1 Fl. 3.029 11 Alega a Recorrente que, no próprio termo de verificação, consta a entrega dos arquivos digitais, o que desconfiguraria a aplicação da multa. Conforme fl.224, a fiscalização pediu os arquivos digitais dos Livros Diário, Razão, Registro de Entradas e Registro de Saídas, dos anoscalendário 2004 e 2005. Não obstante, além de não possuir tais arquivos quando a autoridade fiscal requereu, quando os apresentou, a Recorrente não apresentou todos os arquivos requeridos, pois, conforme o termo de constatação fiscal citado pela Recorrente(fl.357), os documentos digitais apresentados continham: “plano de contas diário geral, centro de custos, lançamentos diário geral, saldos diário geral”, referentes aos anoscalendários de 2005, 2006 e 2007. O arquivo digital referente ao ano calendário de 2004 foi entregue posteriormente. Portanto, além de não ter os arquivos digitais no momento solicitado pela autoridade fiscal, a Recorrente não apresentou todos aqueles solicitados pela fiscalização, incidindo, assim, a multa prevista no art. 12, inciso I, da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 2001, incluída pela da Medida Provisória n º 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que assim determina: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; O “artigo antecedente”, o qual se refere o art. 12, transcrito acima, dispõe o seguinte: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária”. Portanto, como os arquivos digitais não estavam disponíveis na data da solicitação e não foram inteiramente entregues, devese manter a multa aplicada. 5. Da diligência O fato de a Recorrente, durante a ação fiscal, ter sido intimada várias vezes a apresentar os documentos e, além disso, não ter apresentado nos autos nenhum dos documentos não apresentados durante a fiscalização afasta a necessidade de diligência, hajam vistas as diversas oportunidades que teve de comprovar a higidez de sua contabilidade. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L 12 Como não conseguiu demonstrar durante o longo prazo dado durante a ação fiscal e não se esforçou para provar nos autos, não há motivo relevante para nova ação fiscal por intermédio de diligência. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo o acórdão da DRJ em sua integralidade. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 23 /11/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por ROBSON JOSE BAYER L
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Numero do processo: 10280.905540/2009-82
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO.
Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços.
A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ISENÇÃO. SERVIÇOS PRESTADOS A DOMICILIADO NO EXTERIOR. INGRESSO DE DIVISAS. CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para efeito da isenção de receitas decorrentes da prestação de serviços a empresa domiciliada ou residente no exterior com ingresso de divisas no país, cabe ao contribuinte o ônus da prova da satisfação de tais condições, em termos específicos, quando esteja supostamente envolvida nas operações representante brasileira da suposta tomadora de serviços. A contratação de agente ou representante no País não descaracteriza a operação, desde que a empresa seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente). (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 55 40 /2 00 9- 82 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ de Belém PA (fls. 189/197 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento indevido ou a maior de COFINS, no valor de R$ 13.499,20, relativo ao mês de julho de 2003. No Despacho Decisório (fls. 7/8), a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), aponta que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP apresentado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados par a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP (fls. 2/6). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada. Consta da referida decisão: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade na qual alega: “(...) dentre as atividades desenvolvidas pela Empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros. (...) até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 222 3 Esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes. Dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais. (...) muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. (...) Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. Assim, quando o pagamento é efetuado pela empresa estrangeira, por meio de seus agentes ou representantes no país ou mediante dedução das receitas auferidas pelos armadores estrangeiros no país, reputase ocorrido o ingresso de divisas. Assim, o nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. Frisando, os pagamentos realizados pelos armadores relativos àqueles serviços prestados aos seus navios de passagem por águas brasileiras são realizados em nome dos agentes, mas por conta dos armadores, dos quais são representantes. Embora realizados pelos representantes, tais pagamentos são suportados pelos armadores que, como exige a legislação brasileira, remetem previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios pelos portos nacionais. Assim, o Contribuinte, ora Recorrente, preencheu todos os requisitos acima descritos, fazendo jus ao direito narrado, confirmado através da Solução de Consulta nº 05, de 08 de fevereiro de 2007 (...) Posto isto, a Recorrente, preenchendo todos os requisitos acima descritos e fazendo jus ao benefício descrito, ingressou com pedido administrativo de Restituição e Compensação, via Per/Dcomp dos valores não prescritos. (...) O suposto débito em cobrança (...) referese à compensação efetuada em virtude de restituição do crédito acima descrita (...). (...) Todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. (...) Diante dos argumentos acima aludidos, temos que a r. decisão deva ser reformada, dando provimento ao presente recurso (...).” Na seqüência, foi determinada a realização de diligência, de cujo Despacho consta: “Constatase que a requerente formulou, quanto à matéria, consulta à Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal, a qual foi solucionada por intermédio da Solução de Consulta nº 05, de 8 de fevereiro de 2007, cujos excertos seguem transcritos: ‘13. A consulente afirma que presta serviços às embarcações de bandeira estrangeira pertencente a empresas com domicílio no exterior. No caso em análise, para atender a primeira condição prevista no dispositivo legal convém alertar que é necessário que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior.Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da Cofins. 14. Com relação à segunda condição, objeto de dúvida, a consulente esclarece que os pagamentos são feitos em moeda corrente (reais) pelas agências representantes do transportador estrangeiro, por força da Carta Circular do Banco Central do Brasil n° 3.280, de 9 de março de 2005, a qual contém as normas para o tratamento cambial das operações de frete internacional. (...) 17. Desse modo, o fato do pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma tributária em comento de produzir seus efeitos, visto que não é requisito dela que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige, para a não incidência do PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria legislação do Bacen, que autoriza esse tipo de transação. (...) 19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 223 5 no exterior.’ Verificase, contudo, que a contribuinte deixou de trazer aos autos a comprovação de que é signatária de contrato de direito privado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega haver prestado serviços, bem como os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes. Também não apresentou as notas fiscais relativas aos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, bem como o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas. (...) Em face do exposto, proponho a realização de diligência (...), para as seguintes providências: (...) b) Adotar providências necessárias para que, em sede de Diligência Fiscal, seja apurada a efetiva prestação de serviços a pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior, cujo(s) pagamento(s) tenha(m) representado ingresso de divisas, verificandose a procedência ou não do direito creditório pretendido, após demonstrado, pela interessada, que foi observada a legislação de regência, mediante a juntada aos autos, dentre outros que entenda necessários a autoridade fiscal, de: b.1) Contrato(s) de direito privado firmado(s) com a(s) pessoa(s) jurídica(s) residente(s) ou domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) tenha prestado serviço; b.2) Notas Fiscais relativas à prestação de serviço para a(s) pessoa(s) jurídica(s)residente(s) ou domiciliada(s) no exterior e do livro fiscal em que foram escrituradas; e b.3) Contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior. c) Apurar, em sendo o caso, o quantum do eventual direito creditório.” Como resultado da diligência, foi expedido relatório fiscal nos seguintes termos: “Ainda no que é concernente ao item acima, em tese e redundante em principio, pela simples observância da natureza da atividade da empresa, Notas Fiscais emitidas (as quais não nos foi possível contestar) e registros contábeis pertinentes, a mesma como desenvolvida levanos ao entendimento, ao que nos parece, SMJ, que a mesma propicia o "ingresso de divisas no pais" indo ao encontro das disposições legais pertinentes relativas à não incidência da COFINS e PIS, de forma que podemos afirmar, em tese, pela sistemática operacional de como se estabelecem as relações contratuais, que os armadores estrangeiros atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como seus representantes (agentes) para a contratação de serviços como: Auxilio logístico, transporte, armazenagem, embarque e desembarque de mercadorias, praticagem etc..., o que nos permite afirmar, em tese, que os serviços prestados pela Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Empresa de Praticagem do Norte Ltda são geradores de divisas para o pais. Há, no entanto, no caso vertente, a singularidade de que tais prestações de serviços são intermediadas por terceiros (agentes), o que suscitaria a dúvida quanto ao uso e gozo do benefício fiscal, o que nos parece dirimido pela Solução de Consulta nº 7 SRRF02/DISIT, de 30/06/2011. Entende a mesma que a intermediação de terceiros por si só não desfigura o direito ao beneficio fiscal e considera que: "Os agentes ou representantes dos armadores estrangeiros figuram, na verdade, como intermediários nas transações internacionais. O representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiro. Na condição de mero mandatário do transportador estrangeiro, não age o agente ou representante em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante(armador estrangeiro), de modo que esse fato, por si só, não desfigura a prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior. Ainda na mesma Solução de Consulta a mesma assevera que: é o armador, tomador dos serviços residente ou domiciliado no exterior, quem suporta e remete previamente ao Pais divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seu navios por águas e portos nacionais(extraído da Solução de Consulta já identificada). (...) Prosseguindo no atendimento NÃO nos foram apresentados contratos ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.1", cumprenos informar de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). Quanto ao item "b.2", do mesmo despacho, informamos que foram anexadas cópias das Notas Fiscais relativas a prestação de serviços, bem como das folhas em cujo registro no Livro Fiscal foram escrituradas de maneira individualizada, segregando prestações de serviços para armadores nacionais dos serviços prestados para armadores estrangeiros; e quanto ao item "b.3". NÃO nos foram apresentados os contratos de câmbio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Quanto ao item "c": "Apurar, em sendo o caso, o quanto do eventual direto creditório" não consideramos necessário fazêlo uma vez que os mesmos já estão demonstrados nos respectivos PER/DCOMP's, sem que tenha havido discordância com os valores ali expressos.” Cientificado do resultado da Diligência, o sujeito passivo afirma: Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 224 7 “A Lei n° 10.637/2002, que trata da Contribuição ao PIS e da COFINS, dispõe que a não incidência da contribuição em exportações depende de duas condições: 1) o tomador, pessoa física ou jurídica, estar domiciliado no exterior e 2) o pagamento do respectivo preço deve se dar em moeda conversível. Podemos concluir assim, que muito embora um dado serviço tenha sido executado totalmente no território nacional e aqui se verificar seu resultado, poderá estar abrangido pela não incidência, contanto que o tomador seja domiciliado no exterior e sua contraprestação acarrete a entrada de divisas. No caso, os serviços contratados pelos armadores estrangeiros são intermediados pelos representantes no Brasil. Todavia, essa intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços (armador),por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação, uma vez que toda atividade por ela exercida é desenvolvida em favor de empresa não domiciliada no País. Estando, portanto, atendida a condição legal imposta. Vale ressaltar que, embora os pagamentos sejam feitos pelos representantes dos armadores, são esses últimos que arcam com os encargos, enviando, previamente ao Brasil divisas suficientes a sua quitação. Os representantes em questão atuam como meros repassadores de recursos do exterior e assim atuam por imposição das leis brasileiras, que prescrevem a utilização desse elo para a remessa dos fretes contratados. Em suma, o que se exige para a imunidade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é um nexo causal entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços à pessoa situada no exterior. (...) Vale ressaltar, que o Contribuinte possui contrato com a Centronave Centro Nacional de Navegação, no qual consta a relação de todos os tomadores de serviços para os quais presta serviço, podendo ser confrontado com a notas fiscais apresentadas. (transcreve e comenta decisão judicial)(...) Portanto, as despesas havidas com o exercício daquelas atividades no Brasil, entre as quais as relativas a serviços prestados por empresas nacionais, como do Contribuinte em questão, a armadores estrangeiros, são sempre suportadas por divisas oriundas rio exterior. Assim, o BACEN determina que toda pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, que atue no Brasil, tenha um representante ou agente brasileiro, sendo que este recairá a responsabilidade pela comprovação do ingresso e destinação dos valores acordados, como contrato de câmbio.” Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO . NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. As declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. PAF. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Decisões judiciais relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada da referida decisão em 04/07/2012 (fl. 202), a Recorrente, em 01/08/2012, apresentou o recurso voluntário (fls. 203/214), descrevendo, em síntese, as seguintes razões: Inicialmente, a Recorrente informa o objeto social da empresa e faz um relato da origem do crédito alegado; em seguida elabora uma relação de Soluções de Consulta da RFB em todo o território nacional e faz abordagem dos recentes julgados sobre a não incidência de PIS e Cofins sobre a exportação de serviços no entendimento do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Apresenta os demais argumentos, conforme tópicos abaixo: a) Do direito a nãoincidência e da restituição do PIS/Pasep e da COFINS: alega que dentre as atividades desenvolvidas pela empresa está a prestação de serviços para armadores estrangeiros; que até pouco tempo, desconhecia a lei que traz o benefício da não incidência da contribuição ao Pis/Pasep e Cofins sobre receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente e domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; que esses armadores estrangeiros, contudo, atuam no território nacional auxiliados por empresas brasileiras expressamente nomeadas como suas representantes; que dessa forma, o pagamento desses representantes brasileiros é suportado pelo armador estrangeiro que, de acordo com o que a legislação brasileira lhes exige, remete previamente ao país divisas suficientes para fazer frente às despesas assumidas com a passagem de seus navios por águas e portos nacionais; explana e reproduz vasta legislação que trata dessa matéria; b) Do tomador de serviço residente ou domiciliado no exterior: aduz que os contratos são efetivados mediante a interposição de agente ou representante do Brasil do transportador estrangeiro. Porém, resta claro que o fato de o pagamento ser feito por representante no Brasil, daquela pessoa jurídica (armador estrangeiro), em reais, não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 225 9 descaracteriza, por si só, para efeitos de nãoincidência do PIS/Pasep e da Cofins; para tanto, cita trechos da Solução de Consulta nº 217, da Disit/SRRF/9ªRF; c) O pagamento deve representar ingressos de divisas: alega que neste requisito para a configuração de uma prestação de serviço como exportação – entrada de divisas, a situação em estudo merece a mesma conclusão exposta item anterior; visando corroborar os entendimentos, cita a solução de Divergência Cosit nº 12/2001, indicando ainda, a necessidade de se analisar, as normas emanadas pela autoridade monetária do País (BACEN); d) Dos normativos do Banco Central do Brasil aplicáveis ao caso: tratou das condições para a não incidência (prestador de serviços residente no exterior e ingresso de dividas no País) e dos atos normativos expedidos pelo Banco Central do Brasil que seriam aplicáveis ao caso, especialmente no que concerne à estipulação da representação no Brasil de armador estrangeiro, e e) Da comprovação do valor do crédito: informa em seu recurso que todas as despesas assumidas pelas empresas estrangeiras em território nacional estão pormenorizadamente identificadas com o navio e o percurso a que se vinculam. As notas fiscais de prestação de serviços permitem correlacionar a atividade da Recorrente (enquanto fornecedora de serviços) àquela atividade desenvolvida pelos armadores estrangeiros em águas nacionais. Assim, a recorrente disponibiliza as notas fiscais para conferência, no momento em que Vossa Excelência entender ser devido. Ao final, clama pela reforma da decisão recorrida, para dar provimento ao presente recurso, cancelando o procedimento administrativo, reconhecendo o valor do crédito, homologandose a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Tempestivamente interposto e atendido os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise das razões recursais. Análise dos Fatos da DCOMP Conforme se verifica nos autos, o valor do indébito com o qual a Recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de COFINS, referente a serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, relativo ao mês de julho de 2003. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA), no seu Despacho Decisório, não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do indébito já havia sido integralmente utilizado pára quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP ora examinada. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Já na decisão recorrida, a DRJ descreve em seus fundamentos que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório e que em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Vejase trecho do acórdão abaixo transcrito: (...) Ocorre que, nos termos da disposição normativa acima transcrita e conforme já lhe havia sido anteriormente esclarecido por intermédio de Solução de Consulta, já no ano de 2007, a não incidência da contribuição vinculase a que a prestação dos correspondentes serviços seja efetuada a pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e que o correspondente pagamento represente ingresso de divisas. Também lhe fora evidenciada a necessidade de que a prestadora dos serviços seja “signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior. Caso contrário, se a contratação for com o agente/representante da empresa estrangeira no Brasil, a prestação de serviços não alcança o benefício da não incidência do PIS/Pasep e da COFINS”. Portanto, conforme esclarecido no relatório, a questão aqui discutida é essencialmente de prova nos autos, uma vez que em relação à matéria legal a DRJ não discordou das alegações do Recorrente. No entanto, a Recorrente em seu recurso não juntou novos elementos de provas no processo, mas tão somente acrescentou argumentos aos já aduzidos na manifestação de inconformidade, mesmo após conversão do processo em diligência. No caso sob análise, em que pesem serem coerentes os seus argumentos do direito, a questão da prova (que a prestadora dos serviços seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica – armador, residente ou domiciliada no exterior), é fundamental sempre que se trate de condições de isenção. Nesse contexto, são especialmente relevantes para a elucidação da lide, os seguintes argumentos apresentados no acórdão de primeira instância: (...) Nesse sentido, foi determinada a realização de diligência para que a interessada comprovasse a alegação de que é signatária de contrato de direito privado com pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, bem como trouxesse aos autos os contratos de câmbio relativos aos pagamentos correspondentes, as notas fiscais dos serviços prestados para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior e, ainda, o livro fiscal em que haveriam sido escrituradas tais receitas. Contudo, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando, o Livro Razão nº 2 do sujeito passivo, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Logo, não encontra fundamento na prova carreada ao processo administrativo a precipitada inferência de Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 226 11 que “o representante no País age como mero mandatário, persistindo o vínculo jurídico entre o transportador estrangeiro e o prestador de serviços brasileiros”. Ora, na hipótese de mera intermediação, haveria de existir o contrato original firmado com o armador estrangeiro, bem como o mandato autorizando o seu representante em território nacional a atuar em seu nome, no limite dos poderes então conferidos. Na ausência de tais instrumentos jurídicos, as afirmações de que se trata, no caso concreto, de serviços prestados a pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, limitamse a mero exercício imaginativo. Também a açodada conclusão de que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, não encontra suporte na prova dos autos, haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Notese que o possível fato de haver o pagamento por pessoa jurídica estrangeira, em etapa comercial anterior, a uma terceira pessoa jurídica domiciliada em território nacional não autoriza a dedução de que todos os ulteriores contratos de serviço tomados por aquela terceira pessoa também representarão “prestação de serviços a residente ou domiciliada no exterior, com o ingresso de divisas”. Como é cediço, conforme assevera a legislação, para fazer prova da não incidência das contribuições, tornase relevante e essencial a Recorrente provar os dois requisitos fundamentais: da prestação de serviços e do ingresso de divisas. 1) quanto a prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior: conforme reportado na decisão recorrida, não foi apresentado qualquer contrato com pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior, ao passo que as notas fiscais de serviços trazidas aos autos foram todas emitidas para pessoas jurídicas domiciliadas em território nacional, também ratificando o Livro Razão nº 2 da Recorrente, o fato de que prestou serviços diretamente a pessoas jurídicas nacionais. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 160): (...) Prosseguindo no atendimento ao Despacho da DRJ/Belém, item "b" sub item "b.l", cumprenos informar que NÃO nos foram apresentados contratos de direito privado firmado com as pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, em razão da inexistência de tais, tendonos sido informado que as relações negociais de contratação dos serviços se operacionaliza por intermédio dos agentes sediados no território pátrio (grifamos). 2) quanto ao ingresso de divisas: analisando a decisão a quo, concluiuse que haveria o ingresso de divisas no País, com base apenas na “simples observância da natureza da atividade da empresa, das Notas Fiscais emitidas (...) e registros contábeis pertinentes”, como asseverado pela decisão recorrida não encontra suporte na prova dos autos, Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 haja vista que tais documentos atestam exatamente o contrário, ou seja, que houve a direta prestação de serviços a residentes e domiciliados no Brasil e que, portanto, não houve o ingresso de divisas como exclusivo resultado (nexo causal) dessa atividade. Vejase trecho do Relatório de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 160): (...) e quanto ao item “b.3", NÃO nos foram apresentados os contratos de cambio pois também compete aos agentes intermediários todo o tratamento dos mesmos, incluindo a conversão e repasse em moeda nacional para o pagamento dos serviços prestados pela praticagem (grifamos). Por oportuno e tratar dessa mesma matéria, transcrevese a conclusão exposta na Solução de Consulta n° 30, da SRRF/2ª RF/Disit, de 16 de outubro de 2007: “Concluise que, sendo o contratante a empresa estrangeira, a atuação do agente ou representante não descaracteriza o real contratante, nem o ingresso de divisas, o que é confirmado pela leitura da legislação cambial do Banco Central do Brasil (Bacen) p.ex., Carta Circular Bacen 2.297, de 8 de julho de 1992, revogada pela Circular Bacen n° 3.249, de 30 de julho de 2004, revogada pela Circular Bacen n° 3.280, de 9 de março de 2005, que divulga o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI). “19. Assim sendo, ficam evidenciadas as premissas básicas para a não incidência, desde que a consulente seja signatária de contrato de direito privado com a pessoa jurídica domiciliada no exterior, e totalize, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais, para conferência com o(s) contrato(s) de câmbio fechado(s) pelo agente/representante do contratante no exterior.” (g.n) No caso vertente, verificase que o Recorrente não trouxe, juntamente com sua manifestação de inconformidade e tampouco agora em sede de recurso voluntário, documentos que comprove de que é signatária de contrato de direito privado firmado com a(s) pessoa(s) jurídica(s) domiciliada(s) no exterior para a(s) qual(ais) alega ter prestado serviços, e nem os contratos de câmbio relativos aos respectivos pagamentos. Também não apresentou as cópias de notas fiscais relativas à prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, totalizado, em separado, tais operações de prestação de serviços nos livros fiscais obrigatórios. Apresentou notas fiscais relativas à prestação de serviços para empresas nacionais. Assim, mesmo após a realização da Diligência, não quedouse comprovado que a Recorrente possui contratos de direito privado firmado com a pessoa jurídica (armador) residente ou domiciliada no exterior e, também, que a mesma não conseguiu comprovar o ingresso de divisas e, tampouco, o nexo causal de ingresso de divisa por meio, de pagamento direto, mediante fechamento de câmbio em banco devidamente autorizado; ou, por pagamento indireto, a débito da conta de custeio mantida pelo agente ou representante do armador adquirente do produto. Frisese, portanto, que os elementos probatórios (documentos, contratos, fechamento de câmbio, livros e as notas fiscais) e essenciais como provas, não foram anexadas aos autos e portanto não se pode acatar as alegações efetuadas de forma genérica pela recorrente, desprovidas de comprovação. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10280.905540/200982 Acórdão n.º 3802003.995 S3TE02 Fl. 227 13 Sabese que no contencioso administrativo de iniciativa do sujeito passivo, originado de pedidos de ressarcimento ou restituição ou de declarações de compensação, o crédito reivindicado consubstancia o “fato constitutivo” do direito do requerente e, portanto, fato este cuja prova lhe cabe, em princípio (CPC, artigo 333, I). Nesse diapasão, assinalese que o Decreto nº 70.235/1972, assim dispõe acerca do tema: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifouse). Como visto nos autos, quando da manifestação de inconformidade, a Recorrente era conhecedora das condições necessárias para não incidência da contribuição na situação que lhe geraria o suposto direito creditório e teria que apresentar as provas do cumprimento daquelas premissas com o seu recurso voluntário (Solução de Consulta nº 5, de 08 de fevereiro de 2007, PAF nº 10280.005047/200618). Em síntese, a Recorrente não logrou comprovar que auferiu receitas que se subsumam ao art. 6º, II, da Lei nº 10.833/2003. Desta forma, é da Recorrente a responsabilidade pelo o não reconhecimento do direito creditório pleiteado em face da inexistência de prova de que a isenção da receita dos serviços prestados estejam, de fato, respaldados nas condições legais permissivas e portanto, resta caracterizado que as alegações da Recorrente não são suficientes a caracterizarem as condições previstas em lei. Conclusão Logo, tendo o Recorrente disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório e não o fazendo no momento apropriado, e considerando o acima exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, §1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/12/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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