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Numero do processo: 10875.000397/99-17
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO.
TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano DAmorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACATIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 03 97 /9 9- 17 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso extraordinário. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mércia Helena Trajano D’Amorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional, ora Recorrente (fls. 211 a 223), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 199 a 207) que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial, considerando devida a contagem do prazo decadencial para pleitear a repetição de indébito a partir da data da norma emanada do Poder Executivo que reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL à alíquota superior a 0,5%, no caso, a Medida Provisória nº 1.110, de 31 de agosto de 1995. Verificase que os pagamentos objeto do pedido de compensação ocorreram entre outubro de 1989 a abril de 1992 (fls.03/26). Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao extraordinário, é o seguinte, verbis: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.000397/9917 Acórdão n.º 9900000.624 CSRFPL Fl. 245 3 A Fazenda Nacional interpõe recurso especial, com fulcro no inciso II do artigo 5º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face da decisão tomada pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 05/11/2003, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso, para afastar a decadência, e recebeu a seguinte ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL. CONTAGEM DE PRAZO. PRESCRIÇÃO. RESTITUIÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição do indébito tributário, independentemente de prévio protesto, seja qual for a modalidade de pagamento, devido em face da legislação tributária aplicável (CTN, art. 165I). COMPENSAÇÃO A compensação de créditos tributários é possível, mercê do dispositivo no Art. 1º do Decreto nº 2.138/97 e em Instruções Normativas SRF decorrentes. CONTAGEM DE PRAZO Em caso de conflito quanto à constitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem de prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente iniciase: da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; da Resolução do Senado que confere efeito “erga omnes” à decisão proferida ‘inter partes’ em processo que reconhece inconstitucionalidade de tributo; da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Obs.: igual decisão prolatada no Ac. CSRF/0103.239. TERMO INICIAL Ante a falta de ato específico, a data de publicação da MP nº 1.110/95 no DOU, serve como o referencial para a contagem. PRESCRIÇÃO A ação para a cobrança do crédito tributário pelo sujeito passivo prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. O procurador alega que o entendimento da Câmara foi diverso do contido no Acórdão nº 30235782, que recebeu a seguinte ementa: FINSOCIAL. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 RESITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. (...) DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário (art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional). NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA. O recorrente aduz que o marco inicial do referido prazo prescricional é a data da extinção do crédito tributário – leiase data do pagamento para o caso em tela. Semelhante entendimento tem fulcro nos arts. 165, inciso I, e 168, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional; tal acepção também é constante do Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal nº 96/00. Afirma ainda que não há nada a justificar a adoção da data da edição da MP nº 1.62136/98 como termo inicial para contagem do prazo em tela. Isto porque, no dia seguinte ao do recolhimento do tributo, o contribuinte já poderia ter buscado a tutela do Poder Judiciário para pleitear a restituição dos valores. Alega ainda que não havia motivos para aguardar a decisão da Suprema Corte para tal fim, uma vez que no Brasil também é admitido o controle constitucional difuso, que se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou tribunal de realizar, no caso concreto, a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. Assim, requer quer seja cassado o acórdão recorrido e restaurada a decisão de primeira instância. O presidente da Câmara recorrida deu seguimento ao recurso especial. Intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarazões (fls. 191/194), arguindo que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em inúmeros julgados, já pacificou entendimento que o início da contagem do prazo é na data da publicação da Resolução do Senado 45/95. Requer que seja negado provimento ao recurso especial e mantida a decisão recorrida. É o relatório.” A ementa do julgado ora recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. É entendimento deste Colegiado que o prazo para pleitear a restituição dos valores pagos a título de Contribuição para o Finsocial com alíquotas superiores a 0,5% é de cinco anos contados da data da edição da MP nº 1.110, em 31/08/1995. Ressalvada a posição desta Relatora, ao entender que somente os pleitos protocolados até a edição do Ato Declaratório SRF nº Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.000397/9917 Acórdão n.º 9900000.624 CSRFPL Fl. 246 5 96, em 30/11/99, que alterou o entendimento contido no Parecer COSIT nº 58, de 27/10/98, devem ser considerados tempestivos. Recurso especial da Procuradora Negado” Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo por meio do presente recurso extraordinário. Junta a Recorrente julgados deste Colegiado, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar seu apelo. Aponta, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos, contando se o referido prazo a partir da data do pagamento indevido. Embora intimada, a Recorrida não apresentou contrarrazões, conforme noticiado às fls. 191/194. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao termo inicial do prazo decadencial para a repetição de indébito tributário. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 227/228. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inserida no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.000397/9917 Acórdão n.º 9900000.624 CSRFPL Fl. 247 7 caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO Fl. 241DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.000397/9917 Acórdão n.º 9900000.624 CSRFPL Fl. 248 9 PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 242DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição/compensação formulado em 26/02/1999 (fls. 1/69), de parcelas da FINSOCIAL (DL nº 1.940/82) indevidamente pagas entre outubro de 1989 e abril de 1992. De acordo com o exposto acima, para as ações propostas após a publicação e vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, após 09/06/2005, o prazo para repetição de indébito é de 5 anos, no entanto, para as ações propostas antes, o prazo é de 10 anos. Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do direito de restituição/compensação seria em outubro de 1999 e abril de 2002, respectivamente. Como o pedido de restituição/compensação em apreço foi apresentado em 26/02/1999, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase tempestivo. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10875.000397/9917 Acórdão n.º 9900000.624 CSRFPL Fl. 249 11 Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional para considerar o pedido de restituição/compensação tempestivo. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 244DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 09/05/2 013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 14337.000163/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento.
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS DECLARADA EM FOLHA DE PAGAMENTO
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços.
PERÍCIA INDEFERIMENTO
Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito
ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes a auxílio alimentação in natura, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete de Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS DECLARADA EM FOLHA DE PAGAMENTO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. PERÍCIA INDEFERIMENTO Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 961 1 960 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14337.000163/201085 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.563 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente FRIGEPE FRIGORÍFICOS GELO E PESCA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa quando os relatórios que integram o AI trazem todos os elementos que motivaram a sua lavratura e expõem, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, elencando todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS DECLARADA EM FOLHA DE PAGAMENTO A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestam serviços. PERÍCIA INDEFERIMENTO Não será conhecido o pedido de perícia que deixar de indicar os quesitos referentes aos exames desejados, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 01 63 /2 01 0- 85 Fl. 961DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento os valores referentes a auxílio alimentação in natura, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redator: Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior Fl. 962DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 962 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao SAT. Conforme Relatório Fiscal (fls. 46), as contribuições lançadas incidem sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta, não declaradas em GFIP, e tiveram origem na diferença constatada do confronto entre as bases de cálculo apuradas nas Folhas de Pagamento e aquelas declaradas pela empresa nas DIRFs Integram o presente lançamento, os levantamentos SN1 (remuneração de empregados não declarada em GFIP), PN1 (remuneração de administradores – retirada de pró labore, não declarada em GFIP), AF1 (remuneração aferida com base na DIRF), AL (contribuição sobre alimentação in natura concedida pela empresa a seus empregados sem sua adesão ao PAT) e DAL (relativo à acréscimos legais). A autoridade lançadora esclarece que, em observância ao disposto no art. 106, do CTN, foi feito um comparativo das multas vigentes antes e após à MP 449/08, tendo sido aplicada a mais benéfica ao contribuinte para cada levantamento e competência, resultando na aplicação da multa de 75% para todos os levantamentos, nos termos do art. 35A, da Lei 8.212/91. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0123.487, da 4a Turma da DRJ/BEL, (fls. 860, vol. V), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 940, vol VIII), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, discorrendo sobre os princípios e garantias constitucionais do contribuinte, afirmando que o AI em nada obedece aos princípios mencionados, notadamente no que tange à base legal de sua atuação. Alega que, da análise do AI, percebese um emaranhado de leis que não fornece, à recorrente, os elementos essenciais ao pleno exercício do direito de defesa, eivando de nulidade a exigência imposta. Frisa que não constam, do Auto de Infração, os anexos nele mencionados, necessários para que a recorrente possa se defender plenamente, como o TIAD e REFISC, e que, por meio do AI apresentado, não é possível saber exatamente o que lhe está sendo imputado, tornando inviável o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório. Ressalta o cerceamento de defesa com o indeferimento da perícia contábil, destacando que não há qualquer fundamentação plausível para que a perícia requerida fosse denegada, restando plenamente caracterizado o cerceamento de defesa da recorrente. Fl. 963DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 No mérito, entende que está totalmente equivocada a metodologia utilizada pelo auditor fiscal, e reafirma que a recorrente não cometeu nenhuma irregularidade, uma vez que todas as GFIPs do período fiscalizado foram apresentadas, não se sabendo, portanto, a origem da cobrança exigida, visto que a mesma não representa o que foi declarado em GFIP e muito menos o constante em sua contabilidade, devendo ser esclarecido por que razão os valores lançados não correspondem aos constantes da contabilidade. Destaca que uma eventual Certidão de Dívida Ativa carecerá dos requisitos da liquidez e certeza, em face dos equívocos cometidos no procedimento fiscal. Finaliza requerendo o recebimento e processamento do recurso, para que lhe seja dado provimento integral. É o relatório. Fl. 964DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 963 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do Auto de Infração, argumentando, inicialmente, que o AI em nada obedece aos princípios constitucionais, notadamente no que tange à base legal de sua atuação. Sustenta que o AI combatido traz um emaranhado de leis que não fornece, à recorrente, os elementos essenciais ao pleno exercício do direito de defesa, eivando de nulidade a exigência imposta. Contudo, não se verifica a nulidade alegada pela recorrente, e nem se observa, no presente processo administrativo fiscal, ofensa aos princípios por ela citados. Constatase que foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, que estabelece, em seu art. 59, que Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. E, consoante art. 27, da Portaria RFB n° 10.875/2007, que trata sobre o processo Administrativo fiscal relativo às contribuições previdenciárias, apenas são nulos "os atos e termos lavrados por pessoa incompetente" e "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa". No caso em tela os atos praticados foram todos lavrados por pessoa competente, e não há despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A autoridade lançadora deixou claro, nos relatórios que integram o AI em tela, que o débito lançado se refere às contribuições devidas pela empresa, incidentes sobre pagamentos realizados aos segurados a seu serviço. O REFISC discrimina cada levantamento que integra o lançamento, esclarecendo que a diferença entre os valores declarados pela empresa em folha de pagamento e a GFIP compõem os levantamentos PN1 e SN1, e a diferença entre as remunerações da folha e as declaradas nas DIRFs integra o levantamento AF1. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Portanto, a motivação do lançamento discutido é a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, o que restou comprovado, no presente caso. Dessa forma, não há que se falar em nulidade do AI como quer a recorrente, pois verificase que o lançamento está devidamente precedido de MPF válido, e o Auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que o integram, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido, tanto o FLD quanto o RL integrantes do AI discutido encerram todas as informações necessárias para que o contribuinte exerça seu direito de contraditório e ampla defesa. Assim, ao contrário do que afirma a autuada, constatase que todos os elementos necessários para a elaboração de defesa pelo contribuinte encontramse nos autos, não havendo, portanto, que se falar em nulidade por cerceamento de defesa. No mesmo sentido, constatase, no presente processo administrativo, que houve a observância dos mandamentos legais que regem o contencioso administrativo fiscal, já que o AI contém a qualificação do autuado, a descrição do fato gerador, os dispositivos legais que dão suporte ao lançamento, e o relatório IPC traz todas as instruções ao contribuinte, como os prazos para pagar ou impugnar. O recorrente teve ciência do AI, tendolhe sido concedido o prazo legal para apresentação da defesa, como também tomou conhecimento da decisão proferida, conforme, tendolhe sido concedido prazo para apresentação de recurso, em respeito ao devido processo legal e ao contraditório. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI por cerceamento de defesa ou ofensa a qualquer dos princípios listados pela recorrente, já que, reiterase, foram observados, no presente processo administrativo, os mandamentos estabelecidos pelo Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. A fiscalização identificou, de forma clara e precisa, as bases de cálculo da contribuição previdenciária, anexando ao AI documentos comprobatórios da ocorrência do fato gerador e apontando os dispositivos legais e normativos que disciplinam o lançamento. E como não é facultado ao agente fiscal deixar de cumprir a lei, ao constatar a ocorrência do fato gerador, lançou corretamente o presente débito, discriminando clara e precisamente os dispositivos legais aplicáveis ao caso, já que o relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, relaciona a legislação que fundamenta as contribuições que constituem o presente lançamento, além do dispositivo legal que confere a competência para fiscalizar e atuar. Ainda em preliminar, a recorrente alega que não constam, do Auto de Infração, os anexos nele mencionados, necessários para que a recorrente possa se defender plenamente, como o TIAD e REFISC, e que, por meio do AI apresentado, não é possível saber Fl. 966DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 964 7 exatamente o que lhe está sendo imputado, tornando inviável o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório. Entretanto, ao contrário do que afirma, constatase que a recorrente recebeu o TIAD em 23/12/2009, conforme comprova o AR de fls 42. Em relação ao REFISC, cumpre observar que referido relatório consta da relação de documentos que fazem parte integrante do Auto de Infração, discriminados na folha de rosto do AI, que foi devidamente assinada pelo representante legal da recorrente, em 29/06/2010, conforme constatase da fl. 01, do processo. Portanto, o sócio da recorrente, ao assinar o AI, atestou que recebeu todos os relatório que o integram, inclusive o REFISC. Alega ainda a autuada que a decisão recorrida é nula, pois indeferiu seu pedido de perícia. No entanto, observase que o pedido de perícia constante da impugnação foi genérico, sem apontar os motivos que a justificariam e sem a indicação do perito. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia, pois limitouse a requerer produção de prova pericial contábil. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Pelos motivos expostos, rejeito as preliminares suscitadas. Porém, deixou de informar, em GFIP, bem como de recolher a contribuição devida incidente sobre os valores relacionados pela autoridade autuante nos relatórios que integram o AI, extraídos das contas do Livro Razão indicado pela fiscalização, apresentado pela própria recorrente. E a constatação da existência de diferenças entre os valores contabilizados a título de pagamento a pessoas físicas e aqueles declarados em GFIP motivou o lançamento da diferença da contribuição devida. Fl. 967DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 Portanto, a motivação do ato do lançamento está estampado de forma cristalina no Relatório Fiscal do AI Restou claro, nos autos, que os valores que serviram de base para o lançamento foi fornecido pela própria recorrente. Verificase que o relatório DAD discrimina, por competência, as bases de cálculos apuradas, as alíquotas aplicadas, e os valores lançados e o RL informa, de forma clara, quais os fatos geradores considerados e o RDA lista todos os recolhimentos efetuados e considerados para abater o valor do débito. O Relatório Fiscal está claro e preciso, e as planilhas anexas ao Relatório Fiscal discrimina, por competência, os valores constantes das contas contábeis citadas e os declarados em GFIP, como a diferença entre eles. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente, constatase que o AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do AI, pois o lançamento foi corretamente motivado, e todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa da recorrente encontramse nos relatórios integrantes da Autuação. de que não houve violação dos dispositivos legais inseridos no auto de infração, uma vez que a fiscalização deixou claro, nos relatórios que integram o lançamento, que o débito se refere à diferença entre os valores constantes das folhas de pagamento, informados pela própria recorrente, e os declarados em GFIP. Portanto, constatase, ao contrário do que afirma a recorrente, que o Auto de Infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem o AI, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do Auto e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Assim, não há que se falar em nulidade do AI, motivo pelo qual rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, a autuada insiste em afirmar que está totalmente equivocada a metodologia utilizada pelo auditor fiscal, e que não cometeu nenhuma irregularidade, uma vez que todas as GFIPs do período fiscalizado foram apresentadas, não se sabendo, portanto, a origem da cobrança exigida, visto que a mesma não representa o que foi declarado em GFIP e Fl. 968DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 965 9 muito menos o constante em sua contabilidade, devendo ser esclarecido por que razão os valores lançados não correspondem aos constantes da contabilidade. Ou seja, observa´se que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre princípios, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora expôs, com muita clareza, os motivos que levaram ao lançamento do débito, discriminando, por competência e por levantamento, as bases de cálculo da contribuição lançada, elaborando planilhas que detalham, por segurado, as diferenças constatadas entre o batimento folha x GFIP e folha x DIRF. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega que apresentou todas as GFIPs. Todavia, o que a autoridade fiscal verificou, da análise das folhas de pagamento e DIRFs, é que as GFIPs apresentadas não informam todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. Constatouse que há uma diferença entre os valores informados em folha e em DIRF e que não foram declarados em GFIP. Assim, sendo sua atividade vinculada aos ditames legais, a fiscalização, ao verificar o pagamento de remuneração de segurados a serviço da recorrente, e o não recolhimento total da contribuição incidente sobre esses valores, lavrou o competente AI, em observância aos normativos legais que tratam da matéria. Contudo, é também objeto do AI as contribuições incidentes sobre a alimentação in natura fornecida pela empresa. A fiscalização lançou a contribuição sobre tais rubricas tendo em vista que a empresa não, nas competências indicadas, não fez a devida inscrição no PAT. Entretanto, em relação a essa matéria, é oportuno informarr que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade Fl. 969DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. A autuada insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelo julgador de primeira instância, que demonstrou a desnecessidade de realização de perícia tendo em vista que todos os questionamentos feitos poderiam ter sido esclarecidos por meio da juntada de prova documental pela autuada e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. Entendo como não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos legais, contidos no art. 16, do Decreto 70.235/72, já transcrito acima. Ademais, da análise dos autos, verificase que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado. Assim, indeferese o pedido de seja realizada perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e Considerando tudo que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos à alimentação in natura Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 970DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 966 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 967 13 O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a Fl. 973DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 14 respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 974DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 968 15 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA 16 Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 976DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 14337.000163/201085 Acórdão n.º 2301003.563 S2C3T1 Fl. 969 17 Fl. 977DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 24/07/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 19740.000289/2003-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano D´Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudiño Trata se auto de infração para a cobrança de IOF (fls. 06/16), multa de oficio de 75 % e encargos legais, bem como multa isolada, em razão de compensação em DCTF reputada como indevida, de alegados créditos do tributo relativos ao período compreendido entre 11/07/1998 e 12/09/1998, com débitos do próprio tributo, do 4o trimestre de 1998. Em auditoria interna efetuada pela DEINF/RJ, nas DCTFs relativas aos 2o , 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1998, foram detectados réditos vinculados não confirmados, devido a compensações indevidas, com pagamentos não localizados e pagamentos efetuados após o vencimento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 28 9/ 20 03 -8 2 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19740.000289/200382 Resolução nº 3201000.426 S3C2T1 Fl. 94 2 Na peça de impugnação, a ora Recorrente alegou, em síntese, que os valores recolhidos a maior teriam como origem a apuração incorreta do IOF, em virtude de sucessivas alterações na legislação, que alteraram a alíquota do imposto, juntando planilhas para a demonstração do alegado, as DCTFs utilizadas para a compensação e os respectivos DARFs. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, para cancelar a exigência da multa de ofício e da multa isolada, deixando de reconhecer o direito creditório, por entender ausentes a sua liquidez e certeza. Assim é a ementa da decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO DE TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 COMPENSAÇÃO .LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas valores líquidos e certos de crédito tributário podem ser objeto de compensação. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA. No caso de ato não definitivamente julgado, na vigência de nova disposição de lei que não mais define o fato autuado como infração, aplicase a retroatividade benigna do Art. 106, II, "a" do CTN. Lançamento Procedente em Parte. Na decisão recorrida, cancelouse a exigência da multa de ofício com fulcro no Princípio da Retroatividade Benigna, inscrito no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, uma vez que a Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n.10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 18, derrogou o art. 90 da MP n°2.15835. No que tange à multa isolada, da mesma forma aplicouse o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, uma vez que após o advento da Medida Provisória n ° 351, de 2007, convertida na Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, em seu art.14, tal previsão para aplicação da referida, da mesma forma, deixou de existir. Quanto ao direito creditório, entendeuse, nos termos do art:170 do CTN, estariam ausentes a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, na medida em que: Nas planilhas (fl. 52/55) há apenas menção a IOF recolhido e IOF correto, sem esclarecimentos quanto à alegada diferença de IOF a compensar. Nos demonstrativos (fl. 56/249 e 252/452), nada ficou comprovado, pois houve mera juntada de relação de valores de IOF a transferir, de saldo devedor, capital, diferimento e vencimento, dos anoscalendário de 1998 e de 1999, sem qualquer elemento que demonstre que existem créditos líquidos e certos para que a interessada possa valerse da compensação pleiteada em suas DCTF. Em sede de recurso voluntário, alegouse que: i. regras das Instruções Normativas n°s 21/97 e 73/97, teriam sido devidamente cumpridas pela empresa, com vistas a permitir o dimensionamento do crédito compensável; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19740.000289/200382 Resolução nº 3201000.426 S3C2T1 Fl. 95 3 ii. dentre os documentos acostados aos autos, estão as guias de recolhimento (DARF's) do indébito pagas pela recorrente e planilhas demonstrando as bases de cálculo utilizadas; iii. seu crédito é certo quanto à sua existência e determinado quanto ao seu objeto (Código Civil de 1916, art. 1.533 e Novo Código Civil, artigo 369), impondose, dessa forma, a homologação da compensação tributária efetuada, em homenagem aos princípios da legalidade; iv. o crédito do é certo quanto à sua existência e determinado e para corroborar as alegações, juntou parecer de auditores independentes, objetivando prestar os esclarecimentos acerca da origem da diferença de IOF recolhida a maior pela empresa. No referido laudo, às fls. 482 e ss., elaborouse planilha com os valores de IOF recolhidos, do devido, e do crédito apurado, afirmando que referido crédito originouse de várias alterações a partir de julho de 1998 no Decreto n° 2.219, de 02 de maio de 1997 (DOU de 05/05/1997), em suas alíquotas, pela Portaria MF N° 157, de 09 de julho de 1998 (reduz alíquota para 0,0164% ao dia), Portaria MF N° 348, de 30 de dezembro de 1998 (aumenta alíquota para 0,0175% ao dia), Portaria MF N° 22, de 03 de março de 1999 (reduz alíquota para 0,0164% ao dia), Portaria MF n° 385, de 14 de outubro de 1999 ( de 0,0041% ao dia). É o relatório. Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Verificase que a decisão recorrida recusou o direito creditório sob o argumento de que a planilha acostada aos autos não seria suficiente para a comprovação do direito creditório. Por outro lado, nenhuma menção fez com relação à argumentação da Recorrente segundo a qual o pagamento indevido teria se originado das sucessivas alterações de alíquotas, no período que abrange os fato geradores em tela e que foram mencionados no laudo dos auditores independentes. Outrossim, no auto de infração, às fls. 42 e seguintes, depreendese que em nenhum momento a DEINF analisou as compensações propriamente ditas, ou há prova de que o contribuinte tenha sido intimado a demonstrar quais as origens das inconsistências na DCTF, limitandose o órgão a elencar as inconsistências no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados, e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF', "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento", e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor”. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise os contratos de financiamento realizados, ou os respectivos fatos geradores do IOF em cada um dos períodos de apuração, confirmando a alíquota incidente na respectiva data, à luz da contabilidade do contribuinte, para assim verificar a ocorrência do afirmado pagamento indevido. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 19740.000289/200382 Resolução nº 3201000.426 S3C2T1 Fl. 96 4 Após, os autos devem retornar a este Colegiado, para que se prossiga ao julgamento do recurso de ofício e do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 504DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10920.000977/2010-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.310
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias.
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias. Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 97 7/ 20 10 -8 9 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000977/201089 Resolução nº 2301000.310 S2C3T1 Fl. 77 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto por WIEST S/A., em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributário. 2. De acordo com a fiscalização, a autuação se deu em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos Fatos Geradores de todas as Contribuições Previdenciárias, referente ao período de 02/2007 a 10/2009. 3. Consta do Relatório Fiscal (ff. 42 a 89) que a apuração dos fatos geradores se deu da seguinte forma: Levantamento: F1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F12 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE, descontada em FP/RPS/RCT, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: F2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 24%; Levantamento: F22 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de contribuinte individual – CI (Diretores), descontada em FP/RPS, não informada em GFIP, aplicandose a multa de 75%; Levantamento: G1 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP SE: Referente à contribuição de segurado empregado – SE declarada em GFIP; Levantamento: G2 – FP NÃO DECLARADA EM GFIP CI: Referente à contribuição de segurado contribuinte individual – CI (Diretores) declarada em GFIP; 4. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, “nesta autuação o débito apurado se refere a contribuições descontadas de segurados, destinados a Previdência Social; muito embora sejam mencionadas neste REFISC, as demais contribuições, tais como: contribuições empresa, destinadas a Previdência Social, e contribuições empresa, destinados a TERCEIROS, estão sendo apuradas em outros processos de autuações, próprios, distintos deste, também relacionados Obrigação Principal”. 5. A fiscalização caracterizou a existência de “Grupo Econômico de Fato e Regular”, emitindo os Termos de Sujeição Passiva Solidária para responsabilização das empresas, a saber: • WIEST AUTO PEÇAS LTDA. CNPJ 73.790.230/000175; • RJN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROD. METALURGICOS LTDA. CNPJ 07.703.406/000180; • PPW IND. COM. PROD. METALURGS LTDA (ATUAL BRAESP). CNPJ01.507.760/000152; • W 5 SERVIÇOS EMPRESARIAIS SC LTDA. CNPJ 83.792.713/000162; • WIEST PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 00.063.697/000140; • ADM ADMINISTRADORA DE BENS LTD. CNPJ 05.284.477/000160; • TECFOR AUTO CENTER LTDA. CNPJ 03.547.556/000190; • WIEST NORDESTE LTDA. CNPJ 02.080.169/000124; • WIEST TUBOS E COMPONENTES LTDA. CNPJ 00.960.705/000150; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000977/201089 Resolução nº 2301000.310 S2C3T1 Fl. 78 3 • TOPTEC AUTO CENTER LTDA. CNPJ 01.282.686/000113; 6. O acórdão de primeira instância referendou o lançamento fiscal e restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2009 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. INDICAÇÃO DE PESSOAS LIGADAS À SOCIEDADE. A mera indicação de pessoas no Relatório de Vínculos não implica em sua sujeição passiva. MULTA. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DE JULGAMENTO PARA APRECIAR ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade lançadora perquirir acerca da validade das normas jurídicas, restandolhe tão somente aplicar a lei então vigente, em obediência ao princípio da legalidade. MULT. PRINCÍPIO DA BOAFÉ. INAPLICABILIDADE EM FUNÇÃO DA PRIMAZIA DA TEORIA DA RESPONSABILIDADE OBJETIVA. O legislador adotou a teoria da responsabilidade objetiva para as multas por infração à legislação tributária, portanto a penalidade aplicável prescinde da pesquisa de elementos subjetivos. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNNAÇÃO Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/1972 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000977/201089 Resolução nº 2301000.310 S2C3T1 Fl. 79 4 7. Inconformada com decisão que manteve o débito tributário, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese o seguinte: a) alega que não tem razão a Turma julgadora ao asseverar que não poderia afastar a incidência da legislação em questão, ante a incompetência da autoridade julgadora administrativa para declarar a ilegalidade ou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, eis que é assente o entendimento no sentido de que cabe ao órgão julgador administrativo, como guardião da vontade do Estado, garantir que, na apreciação da legalidade do lançamento tributário, as condutas do contribuinte e do Fisco sejam avaliadas em consonância com os valores constitucionais inerentes ao ato; b) que não pode prosperar a incidência da taxa de juros SELIC, conforme estabelecido pela Lei nº 9.528/97, pois constituise a mesma em espécie de juro remuneratório, não sendo este o tipo de juro previsto pelo CTN para obrigações tributárias; c) sustenta que as multas aplicadas, nos percentuais de 24% (fatos geradores até 11/2008), e 75% (fatos geradores a partir de 12/2008), não há como prosperarem eis que, além de não serem razoáveis, são totalmente desproporcionais aos fatos alegados, gerando efeito confiscatório, portanto inconstitucionais, assim, devem ser excluídas; d) que a recorrente, ao perceber a necessidade de complementar às GFIP`s anteriormente transmitidas, apresentou GFIP`s retificadoras, contudo, o Fisco substituiu todos os dados anteriormente enviados nas declarações originais pelas informações complementares apresentadas pela recorrente, gerando ausência relativa aos fatos geradores constados pela fiscalização, ressalta que não há que se falar em máfé por parte da empresa; 8. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Voto DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, pois atende aos pressupostos de admissibilidade, e passo ao exame das questões de mérito suscitadas pelo recorrente. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Fl. 79DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000977/201089 Resolução nº 2301000.310 S2C3T1 Fl. 80 5 2. Antes de adentrar no julgamento da questão, cumpre enfatizar que a fiscalização entendeu que há formação de Grupo Econômico de Fato e Regular, entre a recorrente WIEST S.A juntamente com as demais empresas citadas no relatório Fiscal, sendo imputando como responsáveis na qualidade de solidários. 3. Conta do Relatório Fiscal (f. 044) “Observação: 1ª – A respeito da questão relacionada à caracterização de existência de “Grupo Econômico”, na sequência, ver “8” da “PRIMEIRA PARTE”: Considerações Iniciais” deste REFISC. Onde, a conclusão a que se chega é a de que, as empresas acima mencionadas, formam ou constituem um “Grupo Econômico de Fato e Regular”. 2ª – Da Responsabilidade Tributária Solidária: Já, no item “9”, é apresentado o fundamento legal ao qual está enquadrado este tipo de grupo econômico.” 4. Foram juntados aos autos (ff. 1.038 a 1.057) os Termos de Sujeição Passiva Solidária, para as empresas a saber: • WIEST AUTO PEÇAS LTDA. CNPJ 73.790.230/000175; • RJN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PROD. METALURGICOS LTDA. CNPJ 07.703.406/000180; • PPW IND. COM. PROD. METALURGS LTDA (ATUAL BRAESP). CNPJ01.507.760/000152; • W 5 SERVIÇOS EMPRESARIAIS SC LTDA. CNPJ 83.792.713/000162; • WIEST PARTICIPAÇÕES LTDA. CNPJ 00.063.697/000140; • ADM ADMINISTRADORA DE BENS LTD. CNPJ 05.284.477/000160; • TECFOR AUTO CENTER LTDA. CNPJ 03.547.556/000190; • WIEST NORDESTE LTDA. CNPJ 02.080.169/000124; • WIEST TUBOS E COMPONENTES LTDA. CNPJ 00.960.705/000150; • TOPTEC AUTO CENTER LTDA. CNPJ 01.282.686/000113; 5. Entretanto, compulsando os autos, verificase que a Decisão de primeira instância (ff. 2.078 a 2.082) não foi encaminhada para os contribuintes enquadrados pelo fisco como responsáveis pelo débito e, portanto, partes interessadas no processo fiscal. Consta apenas o comprovante do AR destinado à WIEST S.A, conforme aviso de recebimento (f. 2.088). 6. Com isso, me posiciono no sentido de que, como o Fisco entendeu que há caracterização de formação de grupo econômico, é necessária a ciência de todos os contribuintes que constam no Termo de Sujeição Passiva Solidária (ff. 1.038 a 1.057) para que não seja preterido o direito de defesa. 7. O art. 5°, LV, da Constituição Federal estabelece que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Tratamse, portanto, de princípios que não se aplicam exclusivamente ao processo judicial, mas também ao administrativo e, em particular, ao Processo Administrativo Fiscal Tributário. 8. Nesse caminho, nunca é demais lembrar que no Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas de todos os atos praticados. Vejase que, nos termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. 9. O inciso I, do artigo 23, do citado Decreto, dispõe taxativamente acerca da necessidade de intimação do contribuinte (responsáveis) no que tange a toda e qualquer decisão que tenha relevância em sua esfera de interesses. E mais ainda, pelo citado dispositivo somente reputase válida a intimação se “provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário Fl. 80DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10920.000977/201089 Resolução nº 2301000.310 S2C3T1 Fl. 81 6 ou preposto, ou, no caso de recusa, de declaração escrita de quem o intimar”. É dizer: a validade do ato pressupõe a ciência do intimado. 10. Destaco, ainda, porque importante, que, uma vez instalado o contraditório administrativo, os atos da administração devem ser pautados pelo conceito do devido processo legal, respeitando normas procedimentais e oportunizando sempre o cidadão o direito ao contraditório e a ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88), sem que seja surpreendido por esta ou aquela decisão da autoridade julgadora. 11. E os atos praticados pela administração geraram prejuízos ao contribuinte, uma vez que não teve efetivamente a oportunidade de se defender das razões e fundamentos produzidos pelo fisco em relação aos valores considerados pelo fiscal. Razões essas que levam à anulação da decisão monocrática, ora combatida. 12. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma solar: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações.” 13. Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal notifique todos os sujeitos nominados por ela, em respeito ao disposto nos artigos 23 e 59 do Decreto 70.235/72, para, querendo, possam falar nos autos do processo. CONCLUSÃO 14. Em razão do exposto, voto por CONVERTER o julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos acima delineados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000616/98-10
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO ADMINISTRATIVAMENTE RECONHECIDO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de o direito creditório e as compensações serem, ambos, reconhecidos/homologados administrativamente, os índices de correção a serem adotados pela Administração são os constantes da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, pela ausência de medida (legal ou jurisprudencial vinculante) que garanta, em um processo sobre crédito tributário que sequer transite pelo Poder Judiciário, os índices de correção que este adota.
Numero da decisão: 3403-002.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, que consideraram aplicável ao caso o entendimento do REsp no 1.112.524/DF.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO ADMINISTRATIVAMENTE RECONHECIDO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. No caso de o direito creditório e as compensações serem, ambos, reconhecidos/homologados administrativamente, os índices de correção a serem adotados pela Administração são os constantes da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, pela ausência de medida (legal ou jurisprudencial vinculante) que garanta, em um processo sobre crédito tributário que sequer transite pelo Poder Judiciário, os índices de correção que este adota.
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO ADMINISTRATIVAMENTE RECONHECIDO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE. No caso de o direito creditório e as compensações serem, ambos, reconhecidos/homologados administrativamente, os índices de correção a serem adotados pela Administração são os constantes da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, pela ausência de medida (legal ou “jurisprudencial vinculante”) que garanta, em um processo sobre crédito tributário que sequer transite pelo Poder Judiciário, os índices de correção que este adota. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz, que consideraram aplicável ao caso o entendimento do REsp no 1.112.524/DF. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 06 16 /9 8- 10 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre pedido de compensação apresentado em 15/06/1998 (fls. 3)1, no qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (total de R$ 1.891.308,47), a título da Contribuição para o PIS/PASEP com débitos de COFINS, IRPJ e CSLL vincendos. No documento de fls. 4 a 9 (planilha de cálculo às fls. 10 a 14), explicase que foram efetuados recolhimentos tomando como base de cálculo a receita operacional bruta do mês de competência, de acordo com os Decretosleis no 2.445 e 2.449, ambos de 1988, que foram declarados inconstitucionais pelo STF (RE no 148.7542/RJ). Em 08/12/1998, a unidade local da RFB expressa entendimento (fl. 131) de que a compensação, no caso (em função do Parecer COSIT no 58, de 27/10/1998) pode ser efetuada pela via administrativa, mas que o cálculo apresentado está incorreto, pois o prazo de recolhimento de 6 meses, estabelecido pela Lei Complementar no 7/1970 foi progressivamente reduzido pela legislação posterior, que também alterou os indexadores de atualização monetária a serem utilizados (Leis no 7.691/1988, no 7.799/198, no 8.019/1990, no 8.218/1991, no 8.383/1991, no 8.850/1994, no 8.981/1995 e no 9.069/1995). Foi, assim, solicitada imputação dos pagamentos de 07/1988 a 09/1995 de acordo com a referida legislação. Em 05/11/1999, após a imputação, é proferido o despacho decisório de fls. 228 a 230, indeferindo o pedido, basicamente sob os mesmos argumentos expressos no entendimento de 08/12/1998, acrescidos dos constantes no Parecer PGFN/CAT no 437, de 30/03/1998. Na sua manifestação de inconformidade (fls. 233 a 237), alega a empresa que a disposição do parágrafo único do art. 6o da Lei Complementar no 7/1970 é clara, e a objeção fundada no Parecer PGFN/CAT no 437/1998 não merece acolhida, porque trata de pagamento, e não da base de cálculo, tema referido na Lei Complementar. Em 23/02/2000 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 239 a 251), no qual se decide pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os argumentos de que: (a) posteriormente ao indeferimento do pedido de compensação, alterouse o entendimento da Administração sobre o prazo para pleitear a restituição de valores indevidamente recolhidos da Contribuição para o PIS/PASEP (inclusive nos casos de declaração de inconstitucionalidade), que passou a ser de 5 anos da data da extinção de crédito tributário, cf. Ato Declaratório SRF no 96/1999; (b) nos recolhimentos posteriores a 16/06/1993, de que a Lei Complementar se refere, em seu art. 6o, a prazos de recolhimento, e não a base de cálculo; e (c) a suspensão da eficácia dos Decretosleis no 2.445 e 2.449/1988 não elide a aplicação das demais normas legais que regem os tributos. Cientificada da decisão de piso em 16/03/2000 (AR à fl. 252), a empresa apresenta recurso voluntário em 30/03/2000 (fls. 254 a 265), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, agregando que o prazo para repetição do indébito deve ser contato da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, e é de 10 anos no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 801DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000616/9810 Acórdão n.º 3403002.598 S3C4T3 Fl. 801 3 Por meio do Acórdão no 20175.651 (de 04/12/2001 fls. 270 a 279), o Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso, considerando que o termo a quo para a repetição, no caso, é contado da publicação da Resolução do Senado Federal no 49 (09/10/1995), e que a contribuição tem como fato gerador o faturamento e como base de cálculo o faturamento de seis meses atrás, aplicandose a alíquota de 0,75%. Assegurou, assim, o direito à compensação, conforme cálculos de planilhas apresentadas, nos termos da Lei Complementar no 7/1970, ressalvando o direito de a fiscalização apurar a liquidez e a certeza de tais créditos. A Fazenda interpôs Recurso Especial (fl. 281 a 292), diante de entendimento divergente da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes quanto ao termo a quo do cômputo do prazo para repetição do indébito, recurso que foi rejeitado pelo Despacho no 201118, de 28/05/2004 (fls. 338 a 340), sob o argumento de que não restou demonstrada a analogia entre o acórdão recorrido e os paradigmas de divergência apontados. E da rejeição não houve oposição pela PFGN. Em 06/12/2005, a unidade local chega à conclusão de que o acórdão não é executável, pois para que haja compensação, deve haver um débito e um crédito. E, no caso, só há crédito, pois não há, no pedido de compensação (que não foi cumulado com pedido de restituição), indicação de débitos líquidos e certos (fls. 460 e 461). O despacho é recebido como embargo de declaração, reconhecendose omissão no acórdão, com proposta de inclusão na pauta de julgamento de abril de 2006 (fls. 464 a 467). Os embargos são, então, acolhidos pelo Acórdão no 20179.366, de 28/06/2006 (fls. 470 a 473), no sentido de intimarse a interessada a optar entre a restituição ou apresentação de declarações de compensação aproveitando os créditos reconhecidos. Ao efetuar a intimação, a unidade local constata que a empresa Cotonifício Kurashiki do Brasil LTDA, (CNPJ no 75.606.327/000100) foi incorporada pela empresa Kurashiki do Brasil Têxtil, (CNPJ no 89.729.156/000111). Em atendimento à intimação, a empresa informa (em 05/02/2007 – fls. 483 a 485) que compensará os valores com IRPJ, CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP, em DCOMP, nos termos da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997. Após a transmissão de 12 DCOMP, a unidade local emite a informação fiscal no 41, de 13/02/2012 (fls. 618 a 620), na qual informa que a partir do decidido pelo então Conselho de Contribuintes, e da alocação dos pagamentos confirmados aos débitos calculados, apurou que os saldos de pagamento a maior (R$ 1.712.737,92) no período seriam insuficientes para quitar os débitos declarados (R$ 1.891.308,47) a compensar. Adiciona ainda a autoridade local que há, por consequência, divergência no crédito apontado para janeiro de 1996 (que seria de R$ 1.079.994,98, e não de R$ 1.208.272,20, conforme solicitado). Assim, pelo Despacho Decisório de fls. 673/674, deferese parcialmente o crédito pleiteado, no valor reconhecido de R$ 1.079.994,98. Discordando da decisão adotada pela autoridade local, a empresa apresenta nova manifestação de inconformidade em 02/05/2012 (fls. 682 a 692), na qual sustenta que: (a) o critério de atualização monetária (Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997, que não inclui os expurgos de 1989/1990) não recompõe a perda do valor da moeda e está em desconformidade com decisões do STJ (na sistemática dos recursos repetitivos REsp no 1.112.524/DF) e do CARF; (b) houve homologação tácita da DCOMP de final 8380, transmitida em 29/03/2007 (que antecede em mais de 5 anos o despacho decisório, cientificado Fl. 802DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 em 30/03/2012), conforme § 5o do art. 74 da Lei no 9.430/1996; e (c) o fisco não pode compensar débitos de período que não são objeto do pedido (julho/1988 e setembro/1995), principalmente passados mais de 15 anos da ocorrência do fato gerador. Em 07/08/2012 ocorre novo julgamento de primeira instância (fls. 724 a 730), no qual se acolhe parcialmente a argumentação da manifestação de inconformidade, alterandose o valor reconhecido de R$ 1.079.994,98 para R$ 1.100.570,26. O julgador de piso: (a) concorda com a tese de homologação tácita da DCOMP de final 8380, mas afirma que isso não afeta o resultado, visto que a DCOMP foi expressamente homologada, sendo o crédito vinculado a ela utilizado na mesma proporção; (b) sustenta que os chamados “expurgos inflacionários” somente podem ser reconhecidos em face de ação judicial do contribuinte; e (c) reconhece a impossibilidade de compensação de ofício em relação a períodos que não constam do pedido, cancelando as imputações relativas aos períodos de apuração 10/1995 a 02/1996. Cientificada do novo acórdão da DRJ 15/08/2012 (AR à fl. 733), a empresa apresenta recurso voluntário em 14/09/2012 (fls. 749 a 761), no qual restringe o contencioso à atualização monetária, reiterando a argumentação exposta na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à atualização monetária, e deriva de decisão ilíquida anteriormente proferida por este Conselho. A unidade local utiliza, na atualização monetária, a Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR, que, como informado pelo julgador de piso, contempla o IPC de janeiro/1998 a fevereiro/1990 (com a variação da OTN de outubro a dezembro de 1988 e do BTN de fevereiro/1989 a fevereiro/1990), o BTN de março/1990 a janeiro/1991 e o INPC de fevereiro a dezembro/1991, excluindo índices que acabaram por ser designados de “expurgos inflacionários”. E a decisão recorrida entende que tais expurgos inflacionários somente poderiam ser reconhecidos pela Administração se existente ação judicial assecuratória. Em seu favor, a recorrente traz decisões em sentido diverso, proferidas por este Conselho, e julgamento do STJ no REsp no 1.112.524/DF, na sistemática dos recursos repetitivos, que seriam de observância obrigatória pelo CARF, por força do art. 62A de seu Regimento Interno. É de se perscrutar, de início, o que se acordou no REsp no 1.112.524/DF: “RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. PROCESSUAL CIVIL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO EXPRESSO DO AUTOR DA DEMANDA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. PRONUNCIAMENTO JUDICIAL DE Fl. 803DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000616/9810 Acórdão n.º 3403002.598 S3C4T3 Fl. 802 5 OFÍCIO. POSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA OU ULTRA PETITA. INOCORRÊNCIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. APLICAÇÃO. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. TRIBUTÁRIO. ARTIGO 3º, DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (RESP 1.002.932/SP). 1. A correção monetária é matéria de ordem pública, integrando o pedido de forma implícita, razão pela qual sua inclusão ex officio, pelo juiz ou tribunal, não caracteriza julgamento extra ou ultra petita, hipótese em que prescindível o princípio da congruência entre o pedido e a decisão judicial (Precedentes do STJ: ...). (...) 3. A correção monetária plena é mecanismo mediante o qual se empreende a recomposição da efetiva desvalorização da moeda, com o escopo de se preservar o poder aquisitivo original, sendo certo que independe de pedido expresso da parte interessada, não constituindo um plus que se acrescenta ao crédito, mas um minus que se evita. 4. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção desta Corte (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) enumera os índices oficiais e os expurgos inflacionários a serem aplicados em ações de compensação/repetição de indébito, quais sejam: (i) ORTN, de 1964 a janeiro de 1986; (ii) expurgo inflacionário em substituição à ORTN do mês de fevereiro de 1986; (iii) OTN, de março de 1986 a dezembro de 1988, substituído por expurgo inflacionário no mês de junho de 1987; (iv) IPC/IBGE em janeiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à OTN do mês); (v) IPC/IBGE em fevereiro de 1989 (expurgo inflacionário em substituição à BTN do mês); (vi) BTN, de março de 1989 a fevereiro de 1990; (vii) IPC/IBGE, de março de 1990 a fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário em substituição ao BTN, de março de 1990 a janeiro de 1991, e ao INPC, de fevereiro de 1991); (viii) INPC, de março de 1991 a novembro de 1991; (ix) IPCA série especial, em dezembro de 1991; (x) UFIR, de janeiro de 1992 a dezembro de 1995; e (xi) SELIC (índice não acumulável com qualquer outro a título de correção monetária ou de juros moratórios), a partir de janeiro de 1996 (Precedentes ...) 5. Deveras, "os índices que representam a verdadeira inflação de período aplicamse, independentemente, do querer da Fazenda Nacional que, por liberalidade, diz não incluir em seus créditos" (REsp 66733/DF, Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 02.08.1995, DJ 04.09.1995). Fl. 804DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 (...) 8. Recurso especial fazendário desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Rel. Min. Luiz Fux, unânime, DJe 30.set.2010) (grifo nosso) Por ser relacionado ao tema em diversos acórdãos proferidos no âmbito deste tribunal administrativo, agreguese ainda o acordado no REsp no 1.012.903/RJ, também veiculado na sistemática dos recursos repetitivos. “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). (...) 2. Na repetição do indébito tributário, a correção monetária é calculada segundo os índices indicados no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução 561/CJF, de 02.07.2007, do Conselho da Justiça Federal, a saber: (a) a ORTN de 1964 a fevereiro/86; (b) a OTN de março/86 a dezembro/88; (c) pelo IPC, nos períodos de janeiro e fevereiro/1989 e março/1990 a fevereiro/1991; (d) o INPC de março a novembro/1991; (e) o IPCA – série especial – em dezembro/1991; (f) a UFIR de janeiro/1992 a dezembro/1995; (g) a Taxa SELIC a partir de janeiro/1996 (ERESP 912.359/MG, 1ª Seção, DJ de 03.12.07). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, unânime, DJe 13.out.2008) (grifo nosso) Não é preciso muito esforço para verificar que os julgados tratam de garantir aos postulantes de ações judiciais nas quais a decisão foi omissa quanto aos índices de correção, os chamados “expurgos inflacionários”, que são sabidamente negados administrativamente. Entendemos que os referidos julgados do STJ amparam o contribuinte que tenha postulado em juízo determinado direito creditório, que lhe foi concedido, sem que fosse indicado o índice de correção aplicável. Endossa tal entendimento inclusive a forma pela qual o STJ cataloga o REsp no 1.112.524/DF, sob o tema (ordem de inclusão) no 262, intitulado “Possibilidade ou não de inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos da correção monetária, quando não expressamente postulados pelo autor na fase de conhecimento” (grifo nosso). Ainda no mesmo sentido, é de se reconhecer que as ações judiciais que versem sobre o tema não encontram mais oposição da Fazenda, tendo em vista a edição do Ato Declaratório PGFN no 10, de 01/12/2008 (aprovado pelo Ministro da Fazenda por despacho publicado em 08/12/2008), que estabelece que O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista Fl. 805DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000616/9810 Acórdão n.º 3403002.598 S3C4T3 Fl. 803 7 a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” (grifo nosso) É necessário aqui esclarecer que isso não implica afirmar que a PGFN, ou a Fazenda, concordam com o entendimento do STJ, mas tãosomente que o acolhem, desistindo da discussão do tema em juízo, como resta claro em excertos destacados do Parecer PGFN/CRJ/No 2601/2008, que ampara o referido Ato Declaratório: “(...) 11. Por essas razões, impõese reconhecer que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União foram rechaçados pelo STJ nessa matéria, circunstância que conduz à conclusão acerca da impossibilidade de modificação do seu entendimento. 12. Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. (...) 18. Por fim, merece ser ressaltado que o presente Parecer não implica, em hipótese alguma, o reconhecimento da correção da tese adotada pelo STJ. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência deste Tribunal Superior, a recomendar a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.” (grifo nosso) E tal falta de oposição produz consequências no processo administrativo, em virtude do art. 26A do Decreto no 70.235/1972, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 806DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no10.522, de 19 de julho de 2002; (...)” (grifo nosso) Houvesse, assim, processo judicial, a própria DRJ poderia ter acolhido a argumentação pelos “expurgos inflacionários”. E, no que se refere ao CARF, a disposição do art. 26A do Decreto no 70.235/1972 acabou ainda transcrita no art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno, o que igualmente culminaria na acolhida do pedido. Vejase, na própria jurisprudência do CARF trazida pela recorrente em seu favor (Acórdão no 320200.122, de 25/05/2010, anexo ao Recurso Voluntário – fls. 771 a 785), que, apesar de o texto da ementa não trazer a informação, havia ação judicial pleiteando o crédito, como exposto logo ao início do relatório (fl. 773): “A matéria de fundo na presente controvérsia, em síntese, versa sobre um pedido de restituição de Finsocial formulado em 15/03/2001, decorrente de decisão judicial proferida em 08/11/95, e transitada em julgado em 05/03/2001”. Nos demais julgados colacionados, em que pese seu papel ser meramente auxiliar na formação de convicção do julgador, não foi possível verificar, pelos dados constantes no processo, se a origem do crédito que deu origem ao deferimento administrativo das compensações era derivada de ação judicial. Contudo, no presente processo, não foi invocada a tutela jurisdicional pela recorrente. Não há, assim, uma ação de conhecimento. Não só as compensações, mas o próprio direito creditório está sendo acolhido administrativamente, e, portanto, sujeitase aos índices adotados pela Administração, constantes da Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR no 08/1997. Aliás, quando do envio das compensações, a recorrente já parecia saber disso, conforme relatado, pois ao atender a intimação na qual se indagava se solicitaria a restituição ou compensação dos valores, a empresa respondeu (fls. 484/485): “Diante disso, em atendimento ao quanto decidido em sede de Embargos de Declaração, é a presente para informar que os créditos decorrentes de pagamentos a maior ou indevidos a título de PIS/PASEP, cujos valores constam em planilhas e documentos acostados aos autos serão compensados com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, contribuição ao PIS/PASEP e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS, a vencer de janeiro de 2007, inclusive, em diante, até extinção do crédito corrigido e acrescido de juros pela SELIC, nos termos da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n.° 08/1997”. Por fim, é de se destacar alteração recente promovida nos incisos IV e V do caput e no 5o do art. 19 da Lei no 10.522/2002 (pela Lei no 12.844, de 19/07/2013), que, de forma análoga ao que já se fez no âmbito do CARF (art. 62A do Anexo II do Regimento Interno), dispõe que as matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de Fl. 807DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10940.000616/9810 Acórdão n.º 3403002.598 S3C4T3 Fl. 804 9 apreciação pelo STF), serão reproduzidas pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em suas decisões, após manifestação da PGFN. Tal comando legal responderá por substancial diminuição do contencioso. Assim, quando o crédito tiver origem em ação judicial movida pelo postulante da compensação administrativa, esta se dará com os “expurgos inflacionários”, de forma não contenciosa. Assim, não se visualiza nenhuma medida (legal ou “jurisprudencial vinculante”) que garanta, em um processo sobre crédito tributário que sequer transite pelo Poder Judiciário, os índices de correção que este adota. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 808DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 13736.002349/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica.
MATÉRIA SUMULADA
Aplicação da Súmula CARF nº 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Numero da decisão: 2102-002.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
José Raimundo Tosta dos Santos
Presidente à época da formalização
Assinado digitalmente
Carlos André Rodrigues Pereira Lima
Redator Ad Hoc
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
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HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei nº. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. MATÉRIA SUMULADA Aplicação da Súmula CARF nº 68: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente José Raimundo Tosta dos Santos Presidente à época da formalização Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 23 49 /2 00 8- 99 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Redator Ad Hoc EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra SEVERINO COREIA DOS SANTOS, inscrito no CPF nº 270.785.40778, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 0406, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 9.006,30, percebido da fonte pagadora. Cientificado, o recorrente insurgiuse contra o lançamento as fls. 0102, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 0715. Em acordão tombado sob o nº. 1324.515 1ª. Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 30 de abril de 2009, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente” Cientificado, por AR em 25/09/2009, fls. 26verso, o contribuinte apresentou, em 22/10/2009, recurso voluntário, fls. 28/29, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal nº 8.852/94, em seu art. 1º, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13736.002349/200899 Acórdão n.º 2102002.450 S2C1T2 Fl. 43 3 É o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Adicional por Tempo de Serviço, conforme a Lei 8.852, de 1994. De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância (fls. 22) que, aqui transcrevo, em partes: “(...) O Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1º da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repitase, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94.(...)” Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o IRPF, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de ofício, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/200617 Recurso n°. : 155.978 Matéria : IRPF Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 10422.484 “IRPF RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS – SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado.” Assim, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigências. Ademais, a matéria ora abordada encontrase sumulada neste Conselho, por meio da súmula nº68. Vejamos: “A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Desta forma, estando correto o lançamento e, por conseguinte, não merecendo reparos a decisão de primeira instância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 49DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13736.002349/200899 Acórdão n.º 2102002.450 S2C1T2 Fl. 44 5 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13888.001420/00-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 801 1 800 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.001420/0054 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 1401000.259 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 07 de agosto de 2013 Assunto SALDO NEGATIVO DO IRPJ Recorrente Cosan S/A Indústria e Comércio Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta.e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 01 42 0/ 00 -5 4 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 802 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Ribeirão PretoSP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação (fls. 1/2), convertido em declaração de compensação Dcomp (Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 49, § 4o), de crédito de saldo negativo do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) a pagar dos anoscalendário de 1996 a 2000, no montante total de R$1.561.080,14. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Piracicaba proferiu, em 07/11/2003, o despacho decisório de fls. 493/501, deferindo parcialmente o solicitado, ao argumento de que nos anos de 1997, 1999 e 2000 fora comprovado o saldo negativo, mas que para os anos de 1996 e 1998 a restituição não encontrava amparo legal, já que não fora apurado saldo negativo de IRPJ nas declarações de rendimentos referentes a cada período, informando, no entanto, que seria lícito ao contribuinte, a partir dos valores comprovadamente retidos e atendidos os dispositivos legais pertinentes, proceder a retificação das declarações. A empresa apresentou, em 19/03/2004, manifestação de inconformidade (fls.537541), na qual esclareceu que estava providenciando a retificação das declarações, mas que, no entanto, a ocorrência do saldo negativo poderia ser comprovada pelas anotações constantes dos livros contábeis, já apresentados à Administração Federal. Em pesquisa aos sistemas da Receita Federal (fls.563/568), verificase que a empresa apresentou declaração retificadora para o anocalendário de 1998, apurando saldo negativo do imposto de renda no montante de R$ 93.048,52, montante idêntico ao solicitado no processo. O processo foi baixado em diligência (fls. 569/570), para que a DRF em Piracicaba intimasse a contribuinte a apresentar cópias dos livros contábeis e fiscais (livro Diário, Razão, Lalur, Demonstrativo de Resultado) que corroborassem as informações de sua declaração, principalmente no que diz respeito à composição das receitas tributadas e à apuração do imposto, e se manifeste, em vista dos documentos apresentados, quanto à veracidade do saldo negativo apurado na declaração retificadora pela contribuinte. Tendo recebido a intimação de fl. 571 em 26/11/2004 (fl. 572), a intimada não apresentou a documentação solicitada (fl. 574). A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos termos das ementas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 803 3 Somente podem ser objeto de restituição valores cujos pagamentos forem comprovadamente efetuados a maior ou indevidamente. COMPENSAÇÃO. A compensação somente se admite com créditos líquidos e certos. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e enfatizando o seguinte: Diferentemente do que aponta a decisão recorrida, a ocorrência de saldo negativo nos exercícios de 1996 e 1998 poder ser comprovada pelas anotações constantes dos Livros Contábeis Analíticos, apresentados à Administração Fiscal em 18/03/2003; Aduz ainda que “ por ocasião da intimação n° 035/2003, a recorrente apresentou pessoalmente os esclarecimentos e documentos ao Sr. Marcelo Tatsumi Nishijima, colocandose, ainda, à inteira disposição do mesmo para novos esclarecimentos complementares ou fornecimento de outros documentos necessários à perfeita e devida elucidação da questão. Assevera que o . Fiscal na oportunidade nada mais alegou ou requereu, como comprovado nos autos. Por fim, alega que apresentara declaração retificadora para o anocalendário de 1998, bem como a documentação fiscal e contábil das receitas tributadas no período. É o relatório. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 804 4 VOTO Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A DRF deferiu parcialmente a solicitação de restituição dos saldos negativos de 1997, 1999 e 2000 no valor de R$ 934.160,10 e indeferiu os pedidos referente aos anos calendário de 1996 e 19998. O indeferimento foi fundamentado no fato de nesses anos a contribuinte não ter apurado saldo negativo em suas declarações, recaindo o pedido exclusivamente na restituição dos valores do IRRF e nesse caso não há base legal para proceder com essa restituição/compensação. A DRJ, por seu turno, deixou de lado o aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, para dar acertadamente o enfoque correto para apuração do crédito, qual seja, determinar não a restituição do IR na fonte simplesmente, mas o saldo negativo de IRPJ apurado no final de cada período, uma vez que toda retenção na fonte (IRRF) é considerada antecipação do imposto devido (IRPJ). Nesse sentido, a partir da retificação das declarações produzidas pelo contribuinte, dessa feita identificando os respectivos valores de saldos negativos à restituir, baixou o feito em diligência (fls. 569/570), para que a DRF intimasse a contribuinte a apresentar cópias dos livros contábeis e fiscais (livro Diário, Razão, Lalur, Demonstrativo de Resultado) que corroborassem as informações de sua declaração, principalmente no que diz respeito à composição das receitas tributadas e à apuração do imposto, e se manifestasse, em vista dos documentos apresentados, quanto à veracidade do saldo negativo apurado na declaração retificadora pela contribuinte. Perfeita a decisão da DRJ em baixar o feito em diligência, pois a partir da retificação das declarações,ficou ainda mais claro o equívoco do contribuinte que confundiu a resituição de IRRF com restituição de saldo negativo do IRPJ. O ônus desse momento em diante passou totalmente para a Recorrente. Porém, como relatado, ela não soube se desincumbir de sua carga de prova. Tendo recebido a intimação de fl. 571 em 26/11/2004 (fl. 572), a intimada não apresentou a documentação solicitada (fl. 574), não permitindo à fiscalização aprofundar as investigações a respeito da correção do pedido. A recorrente por óbvio, no princípio, confundiu pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ com pedido de restituição de IRRF, que não existe. A DRJ, como já se disse, superou esse formalismo. Nesse contexto, de absoluta falta de prova e total desrespeito as formalidades mínimas do pedido, encaminhava inicialmente meu voto pela impossibilidade de reconhecimento do direito creditório pleiteado e conseqüentemente não se homologar as compensações correspondentes. Porém, a Recorrente anexa aos autos novos elementos de prova (fls. 650/800) que, em nome da verdade material, este colegiado não costuma desprezar. Nesse sentido, após debate na câmara e análise das provas trazidas aos autos que foram consideradas robustas pelo Fl. 804DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13888.001420/0054 Resolução nº 1401000.259 S1C4T1 Fl. 805 5 colegiado, mesmo que juntadas tardiamente, chegouse à conclusão que o mais razoável a se fazer mesmo diante do caso concreto era fazer uma nova investigação a respeito da comprovação do saldo negativo a partir desses novos elementos. Afinal, considerando os novos elementos trazidos aos autos a situação é de indeterminação e não de certeza de algo, merecendo uma melhor investigação. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e diante da apresentação de fortes indícios que apontam no caminho da certeza do crédito pleiteado pela Recorrente, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Investigar as novas provas dos autos trazidas pela Recorrente: Informe de Rendimentos correspondentes às retenções, verificando se o IRRF que compõe o saldo negativo encontrase mesmo registrado nos livros contábeis (razão), conforme atestariam (docs 02 A e B), bem assim se as receitas que deram origem a essas retenções foram devidamente oferecidas à tributação como atestaria o seu livro Razão (docs. 02, C, D, E) Se for o caso, refazer a apuração do novo saldo negativo, homologando as compensações até o limite desse saldo. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. . Antonio Bezerra Neto (assinado digitalmente) Fl. 805DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720121/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO DAS CLÁUSULAS CONSTANTES NO ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. INOCORRÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Tendo em vista que das provas e alegações constantes dos autos resta claro que a recorrente efetuou pagamentos a efetivos segurados empregados, com os quais possuía vínculo de trabalho de forma ininterrupta durante todo o período aquisitivo constante no acordo de PLR, não há que se falar em descumprimento do pacto acordado, de modo que os pagamentos efetuados a estes poderiam ser considerados como salário, nos termos da Lei 10.101/00.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991.
APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996.
Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO DAS CLÁUSULAS CONSTANTES NO ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. INOCORRÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que das provas e alegações constantes dos autos resta claro que a recorrente efetuou pagamentos a efetivos segurados empregados, com os quais possuía vínculo de trabalho de forma ininterrupta durante todo o período aquisitivo constante no acordo de PLR, não há que se falar em descumprimento do pacto acordado, de modo que os pagamentos efetuados a estes poderiam ser considerados como salário, nos termos da Lei 10.101/00. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS A SEGURADOS EMPREGADOS. DESCUMPRIMENTO DAS CLÁUSULAS CONSTANTES NO ACORDO FIRMADO ENTRE AS PARTES. INOCORRÊNCIA. DESCARACTERIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo em vista que das provas e alegações constantes dos autos resta claro que a recorrente efetuou pagamentos a efetivos segurados empregados, com os quais possuía vínculo de trabalho de forma ininterrupta durante todo o período aquisitivo constante no acordo de PLR, não há que se falar em descumprimento do pacto acordado, de modo que os pagamentos efetuados a estes poderiam ser considerados como salário, nos termos da Lei 10.101/00. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa é única e aplicada com esteio no art. 35A da Lei n. 8.212/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 01 21 /2 01 2- 21 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.461 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 50.094 de lavra da 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autos de Infração: a) AI n.º 37.360.4637: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; b) AI n.º 37.360.4645: exigência das contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; c) AI n.º 37.360.4629: aplicação de multa pela infração de deixar de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. De acordo com a Auditoria Fiscal, os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações, pagas a título de PLR, efetuadas a beneficiários não contemplados pelo Acordo Coletivo, seja porque não possuíam vínculo empregatício com a empresa (estagiários), seja porque o vínculo se iniciou após três meses do início do semestre, em desacordo com o previsto na alínea “b”, do parágrafo primeiro da Cláusula 1ª do Acordo Coletivo (ExDiretores não empregados que passaram a ser empregados em 01/12/2006). Com relação aos estagiários, esclarece que os valores pagos aos estagiários não podem ser considerados como PLR, eis que estes trabalhadores não são abarcados pela Lei nº 10.101/2000 e que, diante da inexistência dos pressupostos legais para a caracterização da relação de emprego, os estagiários foram enquadrados na categoria de contribuintes individuais. Pelo descumprimento da obrigação acessória acima mencionada, foi aplicada a multa prevista nos artigos 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação anterior à Medida Provisória 449/2008, c/c artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, com a atualização procedida pela Portaria MPS/MF nº 2, de 06 de janeiro de 2012, consoante planilha de fls. 1.120. Acrescentase ainda que, em observância ao princípio da retroatividade benigna, consubstanciado no artigo 106, II, alínea “c” do CTN, foi procedida a comparação entre as penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991 na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores e na redação atual, introduzida pela MP n. 449, de 04/12/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009. Apresentada a impugnação, a DRJ declarou improcedentes as contribuições lançadas sobre os valores pagos aos estagiários, por entender que o fisco somente poderia caracterizar esses trabalhadores como contribuintes individuais se lograsse comprovar que a prestação de serviço não atendia aos requisitos da legislação que trata dos contratos de estágio. Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Assim, as parcelas pagas aos estagiários foram excluídas do AI n. 37.360.4637, todavia, não houve alteração na multa decorrente do descumprimento da obrigação acessória, uma vez que, mesmo retirando as contribuições relativas às remunerações dos estagiários, a penalidade mantevese acima do teto legal de aplicação da multa previsto no § 4. do inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Inconformada com a decisão, o sujeito passivo interpôs recurso, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) devem ser excluídos da relação de vínculos constante no processo os nomes dos administradores, posto que essa vinculação fere o disposto no inciso III do art. 135 do CTN; b) é incontroverso que o acordo para pagamento de PLR aos seus empregados observou todas as normas e princípios que regem a matéria; c) os segurados mencionados pelo fisco como diretores não empregados eram, à época do pagamento da PLR (02/20007), há meses empregados da recorrente; d) a análise da legislação concernente ao pagamento da PLR leva à conclusão de que foi ilegítima a sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias; e) por não representar contraprestação pelo serviço e por não haver habitualidade no seu pagamento, é inviável tentar caracterizar a PLR como verba remuneratória; f) os segurados André Santos Esteves, Antônio Carlos Canto Porto Filho, James Marcos de Oliveira, Rodrigo Guedes Xavier, Rodolfo Riechert e Roberto Balls Sallourt, que eram Diretores Executivos eleitos do Banco Pactual S/A, em razão de reorganização societária, deixaram os cargos de diretoria em novembro de 2006 e foram contratados pelo Banco UBS Pactual S/A, entidade que viria a efetuar o pagamento da PLR; g) todos os contratos de trabalho foram assinados em 01/12/2006, conforme documentação colacionada; h) a Lei n. 10.101/2000 não estabeleceu qualquer prazo mínimo em relação à vigência do contrato de trabalho para que o empregado faça jus ao recebimento da PLR, assim não se pode contestar a legitimidade do pagamento dessa verba aos antigos Diretores Executivos; i) mesmo que houvesse a referida restrição, a PLR deveria ser calculada proporcionalmente aos dias trabalhados em determinado anocalendário; j) a disposição contida no § 1. da Cláusula 1. do Acordo Coletivo, a qual veda o pagamento da PLR aos empregados que tenham iniciado os seus contratos de trabalho após três meses do início do semestre deve ser analisada com parcimônia, haja vista que os segurados em questão já laboravam na empresa na condição de contribuintes individuais; k) considerese também que os segurados receberam a verba já na condição de segurados empregados, tanto que o fisco não considerou que os pagamentos tenham sido feitos a contribuintes individuais; Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.462 5 l) esses trabalhadores contribuíram para a formação do resultado da empresa antes da reestruturação do Grupo, assim, a simples mudança de cargo e função não pode ser suficiente para lhes negar parcela dos resultados obtidos, que eles ajudaram a construir; m) apresenta decisão da Justiça do Trabalho em que se repele a exclusão de empregados do recebimento da PLR em razão da vigência dos seus contratos de trabalho; n) como as verbas em questão não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, inexiste a obrigação de declarálas na GFIP, sendo improcedente a multa aplicada em razão do descumprimento de obrigação acessória; o) a aplicação da penalidade mais benéfica, leva no AI n.º 37.360.4629 a utilização da regra do inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991; p) segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, agora está limitada a 20%, uma vez que submetida às disposições contidas no art. 61 da Lei n. 9.430/1996; q) é ilegal a incidência de juros sobre a multa de mora. Ao final requer: a) a declaração de improcedência das lavraturas; b) o cancelamento da multa decorrente do suposto descumprimento de obrigação acessória ou a sua redução nos termos do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991; c) exclusão do nome dos administradores do relatório de vínculos; d) a limitação da multa incidente sobre as contribuições lançadas ao patamar de 20%; e e) o reconhecimento da impossibilidade de aplicação de juros sobre a multa. É o relatório. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Voto Vencido Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do pagamento de participação nos lucros Esclareçase inicialmente que no presente processo os únicos fundamentos para que se considerasse as verbas pagas a título de PLR como saláriodecontribuição foi o desrespeito à cláusula do acordo que determinava que os pagamentos da rubrica seriam feitos apenas aos segurados admitidos nos três primeiros meses do semestre, além da impossibilidade de exclusão do saláriodecontribuição da PLR paga a contribuintes individuais. Eis a dicção da referida estipulação: “Cláusula 1ª A partir da vigência deste acordo e observadas as regras estabelecidas neste instrumento, somente farão jus ao recebimento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) concedida pelo Banco aos Empregados que na data do encerramento de cada semestre, ou seja, 15 de junho ou 15 de dezembro, mantenham contrato de trabalho por prazo indeterminado com o empregador. § 1º Não farão jus à PLR (Participação nos Lucros e Resultados) no semestre respectivo os empregados que estejam nas seguintes situações: (...) b) cujos contratos de trabalho por tempo indeterminado tenham sido iniciados após três meses ao início de cada semestre;” Extraise dos autos que os segurados considerados na apuração laboravam para a recorrente até 30/11/2006 na condição de diretores nãoempregados (contribuintes individuais) e, por força de reestruturação societária, passaram a partir de então à condição de segurados empregados. Concluiu, então, o fisco que, quando do recebimento da segunda parcela relativa ao PLR de 2006, paga em 02/2007, os segurados em questão não preenchiam o requisito para percepção do benefício previsto na alínea “b” do § 1. da Cláusula 1.ª. Diante dessa situação a verba foi considerada integrante do saláriodecontribuição. Alega a empresa que não há na Lei da PLR nenhuma barreira para pagamento da verba que esteja vinculada ao tempo de contrato de trabalho. Advoga ainda que não é razoável que o fato dos atuais empregados terem alterado sua relação jurídica com o empregador lhes retire o direito de participar dos resultados da empresa, uma vez que eles na condição de ocupantes de cargos de direção contribuíram para o alcance dos referidos resultados. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.463 7 Advoga o fisco que no exercício de 2006 a atuação dos segurados se deu como diretores não empregados e que a PLR para a esse tipo de trabalhador não goza da exclusão da base de cálculo das contribuições sociais. Eis a afirmação da Autoridade Lançadora: “4.5. Diante da verificação de pagamento da PLR a esses beneficiários que só apresentam vínculo empregatício com a empresa em 12/2006, vínculo este iniciado após três meses ao início de cada semestre, o que, de acordo com a alínea “b” do parágrafo primeiro da Cláusula 1.ª do Acordo Coletivo, excluiria tais empregados do direito à PLR, intimamos a empresa a se justificar, com emissão de Termo de Intimação Fiscal – TIF em 09/12/2011, junto à solicitação de diversos outros documentos, incluindo a memória de cálculo das PLR pagas, conforme o item 2.2 do presente. 4.6 A empresa respondeu que, em Maio/2006, o PACTUAL S/A e o UBS assinaram acordo de compra e venda de 100% das ações do BANCO PACTUAL, observadas algumas condições, e que em 01/12/2006 a transação foi concluída, razão por que a partir desta data os antigos diretores nãoempregados se tornaram formalmente funcionários do UBS, fazendo jus, no entendimento expresso da empresa, à PLR.. 4.7. Se a PLR é calculada com base no desempenho e produtividade dos beneficiários ao longo do ano, e tem por objetivo incentivar e recompensar este desempenho e esta produtividade, claro está que os valores atribuídos pela autuada aos Diretores, então empregados em 02/2007, a título de PLR, decorrem diretamente de sua atuação no curso do ano de 2006, na condição que foram de Diretores nãoempregados que foram até o final de Novembro/2006, e portanto não poderiam, nos termos da legislação aplicável, ser considerados imunes de contribuição previdenciária”. Feitos estes esclarecimentos, já podemos avançar na análise da questão. O entendimento majoritário dessa Turma de Julgamento é o de que os pagamentos a título de PLR feitos aos diretores nãoempregados não são abarcados pela exclusão do saláriode contribuição prevista na alínea “j” do parágrafo 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. É essa conclusão que se pode tirar do Acórdão n. 2401003.112, prolatado no mês de julho passado em processo desta mesma empresa, cuja ementa transcrevo: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEMONSTRAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DOS SINDICATOS NA NEGOCIAÇÃO PARA PAGAMENTO DA PLR. FALTA DE INDICAÇÃO DO NOME DO ENTE SINDICAL NO INSTRUMENTO DE ACORDO. DESCARACTERIZAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. Mesmo que não conste do instrumento de negociação para pagamento da PLR o nome do ente sindical, caso se comprove que este participou das negociações, devese considerar como Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 8 cumprida a regra que exige a participação dos sindicatos nas tratativas para pagamento da PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS DE AFERIÇÃO DAS METAS PARA PAGAMENTO DE PLR. DESCONSIDERAÇÃO DO ACORDO. IMPOSSIBILIDADE. A falta de apresentação dos documentos em que conste a aferição dos resultados alcançadas com vistas ao pagamento da PLR, não descaracteriza o plano, quando este contiver as regras claras e objetivas exigíveis para pagamento do benefício. Sendo cabível, nestas situações, a imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória, seguida do lançamento das contribuições por arbitramento. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NEGOCIAÇÃO EFETUADA COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. NÃO APLICAÇÃO DO ART. 612 DA CLT. Não se aplica aos ajustes firmados entre empresa e comissão de empregados para pagamento da PLR o art. 612 da CLT, o qual trata do quorum para aprovação de acordos ou convenções coletivas de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. EXIGÊNCIA DE QUE O PERCENTUAL DO LUCRO A SER DISTRIBUÍDO SEJA NEGOCIADO ENTRE EMPRESA E EMPREGADO. INEXISTÊNCIA. Inexiste regra legal que obrigue que o percentual do lucro, a ser distribuído aos empregados, seja objeto de negociação entre estes e o empregador. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA – PLR. IMUNIDADE. AUSÊNCIA E/OU IMPOSSIBILIDADE DE CONVENÇÃO COLETIVA DO SINDICATO ESPECÍFICO. CCT DE SINDICATO CONGÊNERE. VALIDADE. OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. A Participação nos Lucros e Resultados – PLR concedida pela empresa aos seus funcionários, como forma de integração entre capital e trabalho e ganho de produtividade, não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, por força do disposto no artigo 7º, inciso XI, da CF, mormente por não se revestir da natureza salarial, estando ausentes os requisitos da Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.464 9 habitualidade e contraprestação pelo trabalho, conquanto que observados os requisitos legais inscritos na Lei nº 10.101/2000. Na hipótese de inexistência de Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato específico de parte dos trabalhadores da contribuinte, sobretudo em razão de impossibilidade técnica de fazêlo, a adoção de CCT de Sindicato congênere não fere os pressupostos legais de tal verba, mormente quando adotado para todo o grupo econômico da empresa, em observância ao princípio da razoabilidade, bem como à própria essência do benefício, o qual, na condição de verdadeira imunidade, deve ser interpretada de maneira ampla e não restritiva. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte (destaquei) Em face desse entendimento, há de se concluir quanto à impossibilidade de que seja afastada a tributação sobre a PLR por se considerar que a aquisição do direito à sua percepção ocorreu quando da atuação dos segurados na condição de diretores não empregados. Por outro lado, quando do pagamento da verba, competência 02/2007, os trabalhadores em questão atuavam na empresa sob o manto do contrato empregatício. Esse fato a princípio sugere que os segurados fariam jus ao pagamento da verba e que o fisco não poderia alcançála com a tributação para a Previdência Social. Essa conclusão seria acertada se o acordo firmado pela autuada e o Sindicato representativo da categoria de seus empregados não excluísse do pagamento da PLR os empregados admitidos há mais de três meses do início do semestre. Assim, os segurados André Santos Esteves, Antônio Carlos Canto Porto Filho, James Marcos de Oliveira, Rodrigo Guedes Xavier, Rodolfo Riechert e Roberto Balls Sallourt que firmaram vinculo de emprego com a empresa somente em 01/12/2012, não poderiam, nos termos do acordo, receber a segunda parcela da PLR de 2006, paga em 02/2007. Considerando que o art. 2. da Lei n. 10.101/2000 determina que a participação nos lucros e resultados da empresa será objeto de negociação entre empregador, a qual se dará mediante comissão escolhida pelas partes, convenção ou acordo coletivo, é de se concluir que, se o instrumento de negociação exclui determinados trabalhadores da percepção da verba, os pagamentos feitos a título de PLR a estes contraria a Lei de regência. Por outro lado, conforme a alínea “j” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, somente não incidem contribuições sob as verbas pagas a título de PLR quando a rubrica é repassada aos empregados em conformidade com a lei específica. Forçoso concluir, assim, que o pagamento da PLR aos segurados mencionados foi feito em desacordo com a Lei da PLR e devem se sujeitar a incidência e contribuições sociais. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Observese que não é o caso de admitir a exclusão proporcional de valores da base de cálculo relativa ao período em que os segurados passaram a condição de empregados, posto que o Acordo excluía da participação nos lucros esses trabalhadores, posto que contratados após o terceiro mês do início do semestre. Exclusão de representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilização é das empresas arroladas, os sócios e gerentes, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos sócios/gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Da infração e da aplicação da multa A conclusão de que as verbas pagas a título de participação nos lucros integra o saláriodecontribuição impõe ao sujeito passivo a obrigação de declarar tais fatos geradores na GFIP. Uma vez tendo constatando o fisco que as verbas não foram incluídas na guia informativa, surge o motivo para aplicação da penalidade, a qual foi fixada em consonância com a legislação conforme veremos. É cediço que com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.465 11 (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual, conforme demonstrativo apresentado pelo fisco, seria mais gravoso que a norma vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Assim, a multa imposta com esteio no § 5. do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991 deve ser mantida. Da multa aplicada sobre as contribuições lançadas Requer o sujeito passivo que a multa seja imposta observandose a nova redação dada ao dispositivo em questão pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 12 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (...) Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento de ofício. Às situações em que houve o sujeito passivo deixou de declarar os fatos geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Portanto, não há de se acatar o requerimento da empresa, posto que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, impõe multa mais gravosa (75% do tributo não recolhido) que aquela prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. Nesse sentido, devese manter a multa aplicada no lançamento, posto que a aplicação retroativa da nova legislação conduziria a um valor mais gravoso ao sujeito passivo. Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.466 13 Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvome à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 14 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Redator Designado Em que pesem os argumentos adotados como razão de decidir pelo Em. e nobre relator, peço vênias para dele divergir. Conforme muito bem relatado, o presente caso trata do lançamento de contribuições previdenciárias pagas sobre valores creditados a segurados empregados a título de PLR. Conforme se depreende do relatório fiscal, o lançamento fora efetuado tendo em vista que o fiscal autuante concluiu que a recorrente descumpriu a cláusula do acordo coletivo que justificava o pagamento da PLR firmado com os segurados empregados . Apontou que a recorrente efetuou o pagamento de verbas a título de PLR em favor de beneficiários não contemplados pelo Acordo Coletivo, porque o seu vínculo se iniciou após três meses do início do semestre, em desacordo com o previsto na alínea “b”, do parágrafo primeiro da Cláusula 1ª do Acordo Coletivo. E tais beneficiários se tratavam de ExDiretores não empregados que passaram a ser empregados a partir da data de 01/12/2006. Vejamos, pois, a cláusula, que a teor dos argumentos do fiscal, restou descumprida: “Cláusula 1ª A partir da vigência deste acordo e observadas as regras estabelecidas neste instrumento, somente farão jus ao recebimento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) concedida pelo Banco aos Empregados que na data do encerramento de cada semestre, ou seja, 15 de junho ou 15 de dezembro, mantenham contrato de trabalho por prazo indeterminado com o empregador. § 1º Não farão jus à PLR (Participação nos Lucros e Resultados) no semestre respectivo os empregados que estejam nas seguintes situações: (...) b) cujos contratos de trabalho por tempo indeterminado tenham sido iniciados após três meses ao início de cada semestre;” Pois bem, diante do caso em concreto, há de se pontuar que conforme documentação constante nos autos a recorrente passou por reestruturação societária, sendo objeto de alienação, oportunidade na qual os antigos Diretores não empregados, passaram à condição de efetivos empregados na data de 01/12/2006, exercendo as mesmas funções que anteriormente lhe eram típicas, já que dos autos não consta qualquer informação que leve este julgador a crer em sentido contrário. Inicialmente há de se afirmar que é incontroverso que no momento do pagamento da PLR, os beneficiários que no entender do fisco não poderiam receber os valores distribuídos eram efetivos segurados empregados, de sorte que detendo referida condição, poderiam receber pagamentos sob a égide das disposições da Lei 10.101/00. Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.467 15 Logo, ao analisar o caput da cláusula 1a do Acordo Coletivo firmado entre as partes, dele extraio que os empregados que possuíssem com a recorrente contrato de trabalho por tempo indeterminado no encerramento do semestre, este eleito como a data de 15 de dezembro, teriam direito ao recebimento da PLR, situação esta que se amolda ao caso dos beneficiários exdiretores não empregados, eis que contratados a partir de 01/12/2006. Ainda em análise ao restante do teor da cláusula, verifico e tenho convicção no sentido de que o previsto na alínea “b”, do parágrafo primeiro da Cláusula 1ª do Acordo Coletivo, também não pode ser considerado como um limitador a ser aplicado ao caso dos ex diretores, agora empregados, a teor dor argumentos constantes no recurso voluntário. Referida cláusula, a meu ver, tem um escopo que se amolda a uma das finalidades daquilo o que dispõe a própria Lei 10.101/00, qual seja o da devida integração entre o capital e trabalho, pois esta exclui do recebimento da PLR beneficiários que não tenham efetivamente contribuído em tempo suficiente na medida de seus esforços e limites de suas funções para o alcance das metas fixadas que garantiram a todos os demais funcionários a distribuição de tais valores. É de bom alvitre relembrar que a Participação nos Lucros e Resultados – PLR – se trata de um mecanismo legal de incentivo a produtividade, de acordo com o art. 1o da Lei 10.101/00, a seguir: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição E por sua vez, assim preceitua o art. 7o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a seguir: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: [...] XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei Tanto é assim, que o próprio art. 2o da Lei 10.101/00, indica que os acordos poderão adotar critérios e condições ao pagamento da PLR de acordo com índices de produtividade da empresa, ou mesmo programa de metas. Confirase: § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 16 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Pois bem, no caso dos autos, verifico que referida cláusula de fato visa a limitar o recebimento da PLR por trabalhadores que diferentemente dos demais já admitidos pela empresa, não tenham por tempo suficiente engendrado seus esforços e força de trabalho com o fito de buscar alcançar os resultados eleitos pelas partes que firmaram o acordo gerarando os almejados benefícios às classes patronal e empregada. A toda evidência dos autos, não me parece ser o caso específico dos segurados André Santos Esteves, Antônio Carlos Canto Porto Filho, James Marcos de Oliveira, Rodrigo Guedes Xavier, Rodolfo Riechert e Roberto Balls Sallourt. Tais pessoas, conforme afirmado pela própria fiscalização, já possuíam vínculo com a recorrente por anos a fio, de modo que simplesmente tiveram uma modificação na sua condição jurídica de prestação dos serviços junto a recorrente, mas não de fato, pois dessa forma não apontou o ilustre auditor fiscal autuante. Logo, se tratam de pessoas que exerceram suas funções durante todo o período aquisitivo da PLR constante no Acordo Coletivo firmado, pessoas que de fato colaboraram para o alcance das metas que justificaram o pagamento da PLR a todos os demais empregados admitidos pela recorrente. Dessa forma, não me parece razoável considerar que tais pessoas não contribuíram para o resultado obtido pela recorrente no período aquisitivo da PLR, pelo simples fato da mudança em sua condição jurídica de contratação, sem que houvesse qualquer modificação das condições de fato no exercício de suas funções. A mudança na situação jurídica, portanto, no presente caso, pode ser até considerada como uma regularização de uma situação fática característica do trabalho já antes exercido pelos ex diretores considerados como não empregados. E tal assertiva se justifica diante da falta de esclarecimentos da fiscalização acerca de eventual modificação nas condições de fato das funções anteriormente exercidas pelos exdiretores em contrapartida com as novas funções agora por eles exercidas na condição de empregados. Face a tal quadro, não entendo ser possível concluir que houve claro descumprimento das regras constantes no acordo coletivo. Reitero que se tratavam de efetivos empregados quando do pagamento da PLR, possuíam contrato de trabalho por tempo indeterminado e estavam devidamente admitidos antes de 15/12/2006, o que os qualifica como pessoas aptas a receberem pagamentos a título de PLR. Ademais, o próprio fiscal colocou categoricamente que diante dos dispositivos da Lei 10.101/00, o acordo firmado cumpre todos os seus requisitos, tendo descaracterizado o pagamento da PLR somente em razão do descumprimento de uma das cláusulas pactuadas. Assim, diante da questão de fato que permeia o caso, não vislumbro razoabilidade suficiente na imputação fiscal e mesmo previsão no acordo a justificar a desqualificação dos empregados André Santos Esteves, Antônio Carlos Canto Porto Filho, James Marcos de Oliveira, Rodrigo Guedes Xavier, Rodolfo Riechert e Roberto Balls Sallourt como beneficiários da PLR, pois se tratam de pessoas que possuíam efetivo vínculo com a recorrente durante todo o período aquisitivo e de alcance de metas para o pagamento da PLR, período no qual certamente o resultado de seu trabalho justificou mesmo o atingimento do resultado almejado pela classe trabalhadora e patronal, além de possuírem a condição de efetivos empregados quando receberam os pagamentos. Fl. 1476DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16682.720121/201221 Acórdão n.º 2401003.288 S2C4T1 Fl. 1.468 17 Logo, em face de todo o exposto, pedindo vênias ao Em. Relator, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 1477DF CARF MF Impresso em 04/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/01/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Ass inado digitalmente em 20/12/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902008/2006-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O contribuinte tem direito a deduzir do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, mediante a apresentação do comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras. Na falta do comprovante de retenção pode fazer prova da efetividade das retenções por quaisquer outros meios ao seu alcance. Não logrando fazê-lo, mantém-se a decisão que reconheceu apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF.
Numero da decisão: 1302-001.270
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator .
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Saldo Negativo de IRPJ Recorrente DRESSER RAND DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O contribuinte tem direito a deduzir do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, mediante a apresentação do comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras. Na falta do comprovante de retenção pode fazer prova da efetividade das retenções por quaisquer outros meios ao seu alcance. Não logrando fazêlo, mantémse a decisão que reconheceu apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator . (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 20 08 /2 00 6- 97 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 208 2 Relatório DRESSERRAND DO BRASIL LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em CampinasSP. Trata a lide de pedido de compensação de Saldo Negativo de IRPJ, do ano calendário de 2002, com débitos de períodos de apuração subseqüente. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (Delegacia da Receita Federal em CampinasSP) homologou parcialmente a compensação, até o limite do direito creditório reconhecido (R$ 44.987,37). A recorrente havia pleiteado o saldo negativo no montante de R$ 65.808,70, no entanto a autoridade administrativa ao analisar o pleito verificou que parte das estimativas mensais do IRPJ havia sido quitada com utilização de IRRF (no montante de R$ 81.676,37) e que em confronto com os dados constantes das DIRFs, apresentadas pelas fontes pagadoras, verificou confirmou apenas a parcela de R$ 61.709,20 de IRRF. Apurou, assim, uma diferença a menor de R$ 19.767,17. Apurou ainda a autoridade administrativa que as estimativas do mês de agosto/2002 foram quitadas mediante compensação de créditos de anos anteriores, restando ainda uma diferença em aberto de R$ 854,28. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (fls. 122/130), trazendo os seguintes argumentos, conforme sintetizado no acórdão recorrido: 3.1 Após resumo dos fatos, insurgese contra a desconsideração dos valores informados pela interessada a titulo de IRFonte do anocalendário de 2002. Alega que fez juntar A defesa ofertada, documentos que comprovam o montante de R$ 81.676,37, declarado como retido na fonte no anocalendário 2002, pelo que, tal valor "merece ser considerado integralmente verdadeiro e válido para fins de efetiva cão da compensação levada a efeito pela empresa..." 3.2 Diz que pelos documentos juntados ao processo, apenas parte dos rendimentos auferidos pela empresa, sobre os quais teria havido a retenção do imposto de renda, foram considerados. 3.3 Nesse contexto, A vista dos documentos anexos A manifestação (notas fiscais de prestação de serviços; livrosrazão analíticos contábeis e extratos bancários de contascorrentes/contas de investimentos), elabora a planilha a seguir Fl. 441DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 209 3 reproduzida: 3.4 Aduz que a quantia acima de R$ 80.090,52 somada ao IRRF não utilizado pela empresa, referente ao anocalendário anterior, no valor .de R$ 1.585,00, perfaz o montante de R$ 81.676,37, informado pela empresa em sua DIPJ/2003, sendo esta, exatamente, a quantia utilizada na compensação dos débitos declarados nas DCOMP ora analisadas. E acrescenta: "Como forma de demonstrar .e comprovar a correção da apuração de valores relativos a IRFonte levada a efeito pela pessoa jurídica contribuinte, a peticionante está anexando à presente .manifestação cópias das correspondentes notas fiscais de prestação de serviços emitidas em face das empresas Dresser Rand Comércio e Indústria Ltda., inscrita no CNPJ sob o n° 28.213.312/000100 e Petróleo Brasileiro S/A., inscrita no :CNPJ sob o n° 33.000.167/000101, as .quais. totalizaram a importância de IRFonte, de R$ 16,660,13 ...., retido pelas aludidas empresas tomadoras, e abatidos dos valores pagos por estas como . remuneração pela referida prestação dos serviços técnicos acima referidos. Também a titulo informativo, bem como para o propósito de comprovar o direito creditório total da empresa ora postulante, foram anexadas ao presente requerimento cópias de extratos bancários e demais documentos auxiliares emitidos pelas instituições financeiras Banco Itaú S/A. e Banco Bradesco S/A., por meio das quais se mostra perfeitamente possível identificar a formalização de retenções a titulo de imposto de renda sobre aplicações financeiras nos montantes de, respectivamente, R$ 43.806,17... e R$ 21.210,17. 3.5 Afirma que já solicitou ao Banco Bradesco S/A. os documentos que comprovariam seu direito creditório relativos ao IRRF ora pleiteado e que, tão logo os tenha, fará sua juntada aos autos do presente processo. 3.6 Sob protestos . de provar suas alegações por todos os meios admitidos em direito, requer, 'ao final, .o provimento da manifestação de inconformidade apresentada bem como, a homologação das compensações efetivadas. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0524.800, de 05/02/2009, indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: COMPENSAÇÃO. SADO (sic) CREDOR DE IRPJ. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 210 4 A falta de apresentação, nos moldes previstos em lei, de comprovantes de retenção do imposto retido na fonte, utilizado para amortizar estimativas integrantes do saldo credor pretendido, não permite o reconhecimento de direito creditório além daquele constante em DIRF e já admitido pela autoridade da DRF. Ciente da decisão de primeira instância em 23/03/2009, conforme documento de fl. 262/v, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 22/04/2009 (registro de recepção à fl. 263, razões de recurso às fls. 263/275), mediante o qual reitera as alegações constantes da sua manifestação de inconformidade e, ainda, traz, em apertada síntese, os seguintes argumentos: a) Que a autoridade julgadora salientou, como justificativa para sua decisão de indeferimento das razões da então manifestante, que "para que o valor a titulo de IRRF não identificado nas DIRF pela autoridade da DRF, possa ser admitido na formação do saldo credor do período (no caso, anocalendário de 2002),impõe a lei, como condição, a comprovação de que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação bem como (sic), a apresentação dos respectivos comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras"; b) Que, na perspectiva do acórdão recorrido, “é possível afirmar que a contribuinte ora recorrente jamais conseguiria fazer prova de seu direito creditório por meio da apresentação dos informes de rendimentos das fontes pagadoras, pois foi justamente a irregularidade nas informações prestadas por tais fontes à RFB que motivou a aludida divergência de montantes creditórios discutida nesses autos de processo administrativo fiscal” c) Que a “apresentação, pela defendente, de tais informes, apenas iria confirmar as informações de que a RFB já dispunha, consignadas nas DIRFs apresentadas pelas mencionadas fontes pagadoras, haja vista que tais formulários informativos nada mais são do que espelhos dos dados lançados por tais pessoas jurídicas em suas respectivas DIRFs, declarações que, imaginase, foram analisadas pela própria DRF Campinas.” d) Que “visando a efetivamente demonstrar a veracidade de suas alegações e a correção do montante de crédito apropriado, a requerente fez uso da anexação, aos presentes autos, de .outros documentos igualmente legítimos e idôneos, aptos a demonstrar e comprovar que os valores apontados pela autoridade fiscal como divergentes e indevidos, embora não informados pelas fontes pagadoras, foram efetivamente retidos da empresa contribuintes postulante, merecendo, assim, serem apropriados pela ora recorrente por ocasião das compensações aqui retratadas” e) Que a Receita Federal, por meio da Solução de Consulta nº 19/2004, trouxe entendimento de que, na ausência de fornecimento do comprovante anual de retenção pela fonte pagadora a pessoa jurídica poderá utilizar os seu registro contábeis, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor depositado pela fonte pagadora, para respaldar a compensação de tributos e contribuições federais retidos. f) Que tal entendimento se amolda perfeitamente ao presente caso, tendo demonstrado pela documentação anexada à sua manifestação de inconformidade os elementos que comprovam a efetiva retenção na fonte no montante de R$ 81.676,73 pela fontes pagadoras, assim individualizados: Fl. 443DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 211 5 g) Que a quantia acima (R$ 80.090,52) somada ao valor de R$ 1.585,00 relativo a IRRF não utilizado no anocalendário anterior, conforme cópia do Livro razão anexada, perfaz o total de 81,676,37 pleiteado nas Declarações de Compensação apresentadas. h) Que “se mostra importante repisar e destacar que a requerente consignou e salientou, nos documentos que instruíram o anterior pedido de reforma de decisão administrativa de homologação parcial de compensação, os valores relativos às notas fiscais por ela emitidas para acobertar serviços prestados, cujos pagamentos efetivamente sofreram retenção de IRFonte, bem como as quantias retidas a este mesmo titulo sobre os rendimentos por ela auferidos, decorrentes de aplicações financeiras, disponibilizados pelas instituições financeiras retrocitadas à pessoa jurídica ora requerente.” i) Que “as anotações constantes dos legítimos e pertinentes documentos ora retratados mostramse suficientes e apropriados para esclarecer, de forma definitiva e transparente, a correção de seu proceder consistente em considerar o montante de R$81.676,37 a titulo de IRFonte acumulado em sua contabilidade em dezembro de 2002 e aproveitável, inclusive por via da compensação de saldo credor de IRPJ, do modo e para os fins que foi idealizada e formalizada pela empresa contribuinte por intermédio das retrocitadas PERDCOMP números 24708.59230.140703.1.3.025926 e 34739.01808.271103.1.3.020010.” Ao final a recorrente requer o provimento ao recurso interposto com vistas ao reconhecimento integral da compensação pleiteada. É o Relatório. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 212 6 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. O litígio estabelecido versa sobre o reconhecimento de direito creditório pleiteado pela recorrente em face de saldo negativo de IRPJ, apurado no anocalendário: 2002. O Fisco entende reconheceu parcialmente a compensação pleiteada por entender que não restou comprovado integralmente os valores pagos antecipadamente a título de IRRF retido pelas fontes pagadoras e utilizados pela interessada na quitação das estimativas mensais. Assim, recusou a homologação de compensações pleiteadas no montante de R$ 20.821,33, sendo R$ 19.967,17 relativos a IRRF não comprovados e R$ 854,28 referente à quitação a menor da estimativa do mês de agosto de 2002. A recorrente, em sua defesa, alega que os valores informados nas DIRFs pelas fontes pagadoras não correspondem aos efetivamente retidos sobre as remunerações pagas e que trouxe aos autos farta documentação pela qual comprovaria os valores corretos, conforme informados em sua DIPJ e declarações de compensação. Alega a interessada que, na ausência do comprovante anual de retenção fornecido pela fonte pagadora, a própria Receita Federal já admitiu em solução de consulta que o contribuinte pode fazer prova da efetiva retenção mediante a apresentação de sua escrituração contábil, notas fiscais e respectivos comprovantes de valores depositados pelas fontes pagadoras. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu ser indispensável a apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, in verbis: Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. A despeito da previsão literal de lei, a jurisprudência administrativa têm mitigado tal exigência, nos casos em que a beneficiária não tenha recebido o comprovante anual da fonte pagadora e não possua meios de obtêlos, desde que possa comprovar a efetiva retenção por meio de outros elementos comprobatórios de que disponha1. 1 Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 213 7 Assim, impõese analisar a documentação apresentada pela recorrente com vistas a aquilatar se comprovadamente houve a retenção do imposto sobre as receitas auferidas. De acordo com a autoridade administrativa constavam das DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, os seguintes valores: FONTE PAGADORA RENDIMENTOS IRRF B. ITAU 591,52 117,37 32.934,88 6.586,96 9.950,91 1.990,17 477,49 94,85 4.153,01 830,58 384,82 76,50 355,70 70,71 297,19 58,98 368,50 73,29 104.601,94 20.916,78 SUBTOTAL 154.115,96 30.816,19 B. BRADESCO 36.556,85 7.311,31 47.691,27 9.538,25 SUBTOTAL 84.248,12 16.849,56 DRESSER RAND 36.000,00 540,00 PETROBRÁS 1.889.931,43 13.503,45 TOTAIS 2.164.295,51 61.709,20 Com relação aos valores retidos pelas empresas DresserRand e Petrobrás, alega a recorrente que foram retidos, respectivamente, os valores de R$ 600,00 e R$ 14,474,28. Para comprovar o alegado, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Razão da conta IRRF a Compensar (fls. 157/158) e das notas fiscais de prestação de serviços (fls. 159/178). Examinando os elementos apresentados, verifico que as notas fiscais apresentadas contém o destaque do IRRF sobre o valor dos serviços e que tais valores encontramse escriturados na conta do Razão apresentada. Não trouxe, porém a recorrente, nenhum documento adicional que comprove que o desconto do valor recebido por ocasião do crédito efetivo, nem tampouco dos registro contábeis relativos a esses ingressos líquidos. As notas fiscais apresentadas pela fiscalizada totalizam os seguintes montantes de IRRF destacado: Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo, correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 214 8 Petrobrás (fls. 168/178 Dresser Rand (fls. 159/167) NF IRRF NF IRRF 7345 1.461,00 6573 60,00 7346 1.461,00 6724 60,00 7347 1.609,50 6957 60,00 7425 1.560,00 7082 60,00 7644 1.684,50 7374 60,00 7916 1.485,00 7567 60,00 8227 1.377,00 8091 60,00 8459 1.452,00 7836 60,00 8692 32,40 8345 60,00 8777 13,50 Total 540,00 8943 1.302,00 Total 13.437,90 Como se percebe, o valor total retido pela empresa DresserRand (R$ 540,00), de acordo com as notas fiscais é o mesmo informado na DIRF. Com relação aos valores retidos pela empresa Petrobrás, o valor total destacados nas notas fiscais apresentadas é inferior ao informado na DIRF e reconhecido pela autoridade administrativa que analisou a compensação. Assim, nada há a reparar quanto aos valores deferidos, nesta parte. Com relação aos valores retidos sobre rendimentos de aplicações financeiras a recorrente apresenta cópia do Livro Razão da conta IRF s/Aplicações Financeiras (fls. 182/183), cópia do razão analítico da conta Aplicações Financeiras de Curto Prazo/Banco Itaú (fls. 214 e 240/241); cópia do razão analítico da conta Aplicações Financeiras de Curto Prazo/Bradesco (fls. 242/244); além de copias de diversos extratos parciais de Fundos de Investimentos junto ao Banco Itaú; cópias de documento interno denominado de Aviso de Lançamento no qual consolida os lançamentos contábeis de relativos a rendimentos de aplicações financeiras; Posições de operações financeiras para simples conferência (B.Itaú); extratos parciais de conta corrente (B.Itaú); cópias de Consulta Saldos e Extratos, parciais (B.Bradesco); cópia de extrato parcial de conta corrente do B. Brasil (fls. 184/213, 215/239 e 245/254). Examinando a documentação apresentada verifico que não é possível identificar de forma individualizada, com exceção de alguns poucos lançamentos, os valores que de IRRF que constam das cópias de extratos de aplicações apresentados nos lançamentos realizados na contabilidade. A maior parte dos lançamentos reflete os valores consolidados no documento interno da recorrente, denominado Aviso de Lançamento. Estes documentos, por sua vez, não estão respaldados por documentos bancários nos quais possa se identificar os valores ali informados. Já os documentos bancários apresentados, em sua maioria, são extratos de movimentação financeira em conta corrente ou consultas de saldos, sem identificação de qualquer retenção de IRRF. Os poucos lançamentos comprovados, no seu total, são inferiores aos valores reconhecidos pelo Fisco. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 215 9 Desta feita, entendo que a recorrente não se desincumbiu do mister de comprovar que os valores retidos na fonte, informados pelas instituições financeiras na DIRF são inferiores ao que foi efetivamente pleiteado pela interessada. A escrituração contábil apresentada, desacompanhada de elementos de comprovação que corroborem os valores escriturados, por si só não é suficiente para comprovar o direito creditório alegado2. Pelo exposto, rejeito as alegações da recorrente no que tange aos valores supostamente retidos sobre os rendimentos de aplicações financeiras acima do que foram informados em DIRF pelas fontes pagadoras. Por fim, examino a alegação da recorrente de que a diferença verificada pela autoridade administrativa quanto a quitação das estimativas do mês de agosto de 2008, no valor de R$ 854,28, teria sido quitada mediante a utilização de IRRF do anocalendário 2001, que não teria sido utilizado naquele anocalendário. A recorrente juntou aos autos cópia do Livro Razão da conta IRRF a compensar, na qual consta o saldo de R$ 1.585,85, que seria suficiente para comprovar o direito creditório pleiteado para a quitação da diferença apontada. Além da recorrente não trazer outros elementos de comprovação dos valores escriturados no ano de 2001, cumpre observar que o IRRF relativo a anocalendário anterior não pode ser deduzido diretamente da estimativa devida nos anos seguintes. Estes valores deveriam compor eventual saldo negativo do IRPJ para, só então, serem utilizados como valores passíveis de compensação. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões em, 05 de Dezembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 2 Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99): Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 448DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10830.902008/200697 Acórdão n.º 1302001.270 S1C3T2 Fl. 216 10 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26 /12/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 10972.720028/2011-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, devendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavrar o respectivo auto de infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, devendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavrar o respectivo auto de infração. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Recorrente COMERCIO E INDÚSTRIA DE CEREAIS MACIEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de exibir os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, devendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavrar o respectivo auto de infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 28 /2 01 1- 94 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10972.720028/201194 Acórdão n.º 2401003.013 S2C4T1 Fl. 144 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntários interposto por COMERCIO E INDÚSTRIA DE CEREAIS MACIEL LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente o Auto de Infração n. AI 37.323.4155: lavrado para a cobrança de multa por ter deixado a recorrente de apresentar a fiscalização documentação devidamente requerida por meio de TIAD. Consta do relatório fiscal que a recorrente apresentou guias de depósitos judiciais de valores das contribuições objeto do lançamento principal, todavia, mesmo intimada para tanto, por meio de TIAD, deixou de apresentar os seguintes documentos: (i) cópia da petição inicial relacionada com a ação na qual foram efetuados os depósitos, (ii) cópia da medida liminar, se deferida, ou sentença, acaso já proferida, (iii) certidão de objeto e pe da ação, (iv) certidão de trânsito em julgado, se existisse e (v) demonstrativo da base de cálculo das contribuições objeto de discussão judicial. O lançamento compreende as competências de 01/2007 a 12/2008, tendo sido o contribuinte cientificado em 31/05/2011. Impugnado o lançamento, a recorrente alegou que a ação para a qual fora intimada da necessidade de apresentação de documentos, não possuía qualquer corelação com o objeto da ação fiscal, tendo em vista que a ação judicial questionava a legitimidade da contribuição rural pessoa jurídica (art. 25 da Lei 8.870/94), ao passo em que o levantamento fiscal se referia a legitimidade do recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização de produtor rural pessoa física (Art. 25 da Lei 8.212/91). Em seu recurso repete tais argumentos, acrescentando, que o art. 33 da Lei 8.212/91, determina que a documentação a ser solicitada pelo Fisco deve ser relacionada com o objeto da contribuição fiscalizada. Processado os recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO A recorrente alega que os documentos não apresentados não guardam qualquer relação com a matéria objeto do lançamento principal, uma vez que foi intimada a apresentar os documentos atinentes ao processo judicial nº 9600303258, e que a matéria discutida judicialmente versa sobre a legitimidade da contribuição previdenciária incidente sobre a produção rural de pessoa jurídica (Lei nº 8.870/1994, art. 25), enquanto o procedimento fiscal é tendente à verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção de empregador rural, pessoa física (Lei nº 8.212/1991, art. 25). No entanto, a meu ver, tais argumentos não são suficientes para a decretação da improcedência da autuação na forma pretendida.. A infração imputada ao contribuinte caracterizase pela conduta de não atendimento da solicitação da fiscalização na apresentação dos livros e/ou documentos indispensáveis à verificação do regular cumprimento das obrigações previdenciárias, ou seja relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, ressaltese, o objeto da fiscalização levada a efeito em face da recorrente. Assim, apesar do auto de infração de obrigação principal ter por fundamento legal os arts. 25 e 30, IV da Lei nº 8.212/91, o Auditor Fiscal ao se deparar com as referidas guias de depósito judicial, por óbvio, necessitou de maiores informações a respeito, motivo pelo qual solicitou os documentos relacionados, para verificação das contribuições previstas na Lei nº 8.212/91. Desta forma, ao deixar de apresentar os documentos requeridos, documentos estes que estão diretamente relacionados com o objeto da fiscalização, a recorrente infringiu o disposto no artigo 33, §§ 2o e 3o, da Lei n° 8.212/91, a seguir: Lei nº 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 10972.720028/201194 Acórdão n.º 2401003.013 S2C4T1 Fl. 145 5 § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) Regulamento Previdenciário RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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