Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11080.903785/2009-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
Numero da decisão: 1802-002.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.903785/2009-94
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364604
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.231
nome_arquivo_s : Decisao_11080903785200994.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
nome_arquivo_pdf_s : 11080903785200994_5364604.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5550398
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814081417216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1790; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 36 1 35 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.903785/200994 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.231 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria DCOMP Recorrente AÇÃO INFORMÁTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Afastado o óbice que serviu de fundamento legal para a não homologação da compensação pleiteada, e, não havendo análise pelas autoridades a quo, quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado e compensação objeto do PER/DCOMP, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar o direito creditório alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 37 85 /2 00 9- 94 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Por meio do Pedido Eletrônico de Restituição PER nº 14324.39595.150306.1.3.040790, a ora Recorrente pretende compensar débitos de PIS e COFINS de sua responsabilidade, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O crédito pleiteado seria supostamente resultante de um DARF de R$ 500.409,07, que fora pago a maior em 31/01/2006, direcionado ao pagamento de débito de estimativa de IRPJ de R$ 439.413,78 relativo ao mês de dezembro de 2005. Em 11/03/2009, por intermédio do despacho decisório de efl. 14, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte, sob o seguinte fundamento: Limite do crédito analisado,. correspondente ao valor do crédito original .na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 48.504,62. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedencia do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução, do Imposto de Renda.da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Irresignada, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 17/04/2009, alegando, em síntese, que: a) recolhera efetivamente o valor a maior de R$ 60.995,29, relativo à estimativa do mês de dezembro de 2005, conforme informado em DIPJ (fl. 26); b) pela "verdade real", fica esclarecido não se tratava de pagamento a maior utilizado no mesmo ano, mas de "saldo negativo do ano anterior utilizado no exercício", não havendo motivo para indeferimento da compensação; c) ainda que se tratasse de pagamento a maior, caberia a aplicação do art. 11 da IN 900/2008, uma vez que aquela IN em seu art. 100 revogava a IN 600/2005, sendo legislação posterior e mais benéfica aos contribuintes. Ao final requereu a reforma da decisão para que seja homologada a compensação. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 38 3 A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2006 PAGAMENTO POR ESTIMATIVA INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO DE IRPJ. O crédito originado de recolhimento maior do que o devido de IRPJ mensal por estimativa somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 05/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 02/09/2011 o qual reitera os argumentos de direito e de fato apresentados na impugnação. Este é o Relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O Recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 14324.39595.150306.1.3.040790, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de IRPJ, no valor original de no valor de R$ 40.000,00, com débito de PIS e Cofins, referentes ao periodo de fevereiro/2006. Sobre a análise do PER/DCOMP pela autoridade administrativa originária da Derat/São Paulo/SP, consta que: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 48.504,62. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. O referido decisório está arrimado no artigo 10 da Instrução Normativa SRFn° 460, de 2004, abaixo transcrito: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 40 5 Pelos mesmos fundamentos expendidos no Despacho Decisório acima mencionado, é a decisão de primeira instância proferida no Acórdão nº 10033.234, de 21 de julho de 2011, ou seja, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade da pessoa jurídica com escora também no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005. Desse modo concluiu que, somente o saldo negativo do IRPJ apurado no encerramento do anocalendário constitui valor passível de restituição/compensação, não sendo cabível, portanto, a solicitação decorrente de eventuais valores relativos a recolhimentos efetuados por estimativa no decorrer do anocalendário. Sobre os mencionados atos normativos a Recorrente alega que nos termos do artigo 106 do Código Tributário Nacional, deve ser admitida a retroatividade benéfica da revogação da Instrução Normativa SRF n° 600/05, pelo artigo 100 da Instrução Normativa RFB n° 900/08 que, inclusive, não mais veda a compensação de créditos relativos a pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, conforme previsto em seu artigo 11. De fato a restrição contida no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005 não mais se repete na IN SRF nº 900/2008 e alterações posteriores. Com efeito, ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 41 6 para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento de estimativa, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). A motivação para o indeferimento do pleito tanto pela autoridade administrativa da DRF / Porto Alegre quanto pela Delegacia de Julgamento restringese ao teor da IN SRF no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004, e como visto extrapolam o conteúdo da Lei nº 9.430/96. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 11080.903785/200994 Acórdão n.º 1802002.231 S1TE02 Fl. 42 7 Assim, não havendo análise quanto ao aspecto quantificativo do direito creditório alegado objeto do PER/DCOMP e, afastado o óbice escorado apenas no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 2004 e da IN SRF n° 600, de 2005, que serviu de fundamento para a não homologação da compensação pleiteada, deve ser analisado o pedido de restituição/compensação à luz dos elementos que possam comprovar ou não o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que sejam devolvidos os autos à DRF de origem (Porto Alegre/RS) para nova análise do PER/DCOMP em comento e conseqüentemente proferido outro despacho decisório que deverá ser cientificado ao interessado para sua manifestação, se for o caso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000508/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante se agrega ao seu custo de aquisição para fins de gozo e fruição do crédito presumido do IPI.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.072
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante se agrega ao seu custo de aquisição para fins de gozo e fruição do crédito presumido do IPI. Recurso voluntário provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.000508/2002-40
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354779
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.072
nome_arquivo_s : Decisao_11065000508200240.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11065000508200240_5354779.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
id : 5499429
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814095048704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1563; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 214 1 213 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000508/200240 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.072 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2014 Matéria IPI. CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente MARUÁ CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante se agrega ao seu custo de aquisição para fins de gozo e fruição do crédito presumido do IPI. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 05 08 /2 00 2- 40 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 215 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto. A 4ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, através da Resolução 204 00.398, converteu o julgamento em diligência (fls. 187 e seguintes). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório e voto constantes da Resolução 20400.398, verbis: Trata a presente lide de manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que excluiu do cálculo do crédito presumido pleiteado, a ser utilizado na compensação de débitos declarados pelo interessado, as parcelas referentes ao valor da prestação de serviços relativos às industrializações por encomenda e os acréscimos calculados pela taxa SELIC. Tempestivamente, o contribuinte alegou, em síntese, que são ilegais as restrições feitas através de Instruções Normativas, relativas às aquisições e gastos em questão, conforme sua análise da legislação e o entendimento dos tribunais e acórdãos do Conselho de Contribuintes citados. Encerrou requerendo a concessão do que foi originalmente pedido, acrescido da taxa SELIC, conforme princípios constitucionais e julgados que cita ". A DRJ em Ribeirão Preto/SP, indeferiu a solicitação da contribuinte em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/1012001 a 3111212001 Ementa.CRÉDITO PRESUMIDO. MÃODE OBRA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A parcela de mãodeobra destacada na nota fiscal de retorno de industrialização por encomenda, com suspensão de IPI e sem a incorporação de insumos adquiridos ou importados pelo executor da encomenda, constitui mera cobrança a título de prestação de serviços, tão abrangida pelo conceito de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, e é excluída do cálculo do beneficio fiscal. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 216 3 Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. (...) VOTO DO CONSELHEIRORELATOR LEONARDO SIADE MANZAN O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. Conforme relato supra, o núcleo do presente litígio cingese ao reconhecimento, ou não, de crédito presumido de IPI referente a prestação de serviço relativos às industrializações por encomenda. Importante frisarse que o beneficiamento de matériaprima por terceiros não tem a natureza de prestação de serviços, e sim, de industrialização por encomenda. Assim, tratandose de industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso a matériaprima, que integra o custo do produto industrializado e posteriormente exportado, o valor cobrado por esta industrialização por encomenda integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI. Aliás, outra não é a posição da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual passo a transcrever, verbis: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO AO PISICOFINS. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA — A industrialização efetuada por terceiro visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto na Lei n° 9:363196 Recurso especial negado. (Ac. CSRF10201.906, Rel. Dalton César Cordeiro de Miranda, Sessão de 121412005). Todavia, compulsandose os autos, notase que não há informação de qual(is)produto(s) a contribuinte está submetendo à industrialização por encomenda. O Fisco não indaga se a empresa, no presente Recurso Voluntário, limitase a dizer que tratase de mão de obra de "ateliês " e beneficiamento em couros, sem nada comprovar. Por conseguinte, a fim de possibilitar uma escorreita decisão, mister constar dos autos de quais produtos estamos tratando. Além disso, a contribuinte deve demonstrar também se efetivamente mencionado s produtos estão sendo utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material_de embalagem e qual o valor das aquisições. Considerando os articulados precedentes e tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de converter o julgamento do presente recurso em diligência, para que sejam juntadas aos autos provas de quais produtos estão sendo industrializados por terceiros, quais os valores das aquisições (Notas Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 217 4 Fiscais) é se efetivamente mencionados produtos são utilizados no processo de produção. As conclusões da diligência foram as seguintes (fls. 195): MARUÁ CALCADOS LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ (MF) sob n° 72.107.1211000148, com sede e foro na Rua Kraemer Eck, n° 1293, bairro centenário, na cidade de Sapiranga/RS, neste ato representada por seu Diretor, Sr. Gilberto Morbach, em resposta ao Termo de Diligência n° 1, de 03106110, respondemos às perguntas na ordem que seque: 1. os produtos industrializados por terceiros são cabedais para costura e préfabricados de calçados; 2. os mencionados produtos são utilizados como matériaprima; 3. os mencionados produtos são utilizados no processo de produção do contribuinte/peticionário/impugnante; 4. o valor das aquisições para o 4° Trimestre de 2001 foi de R$918.977,97. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A diligência realizada pela fiscalização concluiu que produtos industrializados por terceiros são utilizados como matériaprima pela Recorrente no seu processo de produção. Diante disso, entendo cabível o crédito presumido de IPI aqui discutido pelas razões a seguir aduzidas. A industrialização por encomenda pode ser brevemente definida como o procedimento no qual o encomendante remete ao industrializador MP e ME ou produto semi elaborado, retornando ao seu estabelecimento produto acabado ou semielaborado. Tais operações podem ocorrer por razões diversas, mas ganham relevância especialmente quando determinada etapa do processo produtivo é terceirizada. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 218 5 Destarte, caso certa etapa do processo de fabricação fosse realizada no estabelecimento, os custos inerentes a MP, PI e ME, na forma da Lei nº 9.363/96, autorizaria o direito ao crédito. Doutro giro, o custo de aquisição de MP, PI e ME poderia ser apropriado para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Terceirizandose a etapa de produção mediante remessa de industrialização por encomenda, cujo custo é igualmente suportado pelo encomendante, ainda, os custos de MP, PI e ME, fornecidos ou não pelo encomendante, são adicionados ao produto e repassados pelo industrializador, de modo que, inexistindo vedação legal, não há razão que ampare a pretensão de se glosar o crédito presumido de IPI calculado sobre essas operações. Sensível aos objetivos da Lei nº 9.363/96 e às razões supracitadas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado, em mais de uma oportunidade, já sedimentou o entendimento de que as operações de industrialização por encomenda autorizam o desconto de créditos presumidos de IPI, verbis: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Nanci Gama. Acórdão nº 9303001.721. Julgado em 7 de novembro de 2011) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Acórdão nº 930301.623. Julgado em 29 de setembro de 2011) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 219 6 No mesmo sentido: CARF. CSRF. 3ª Turma. Acórdão nº 9303001.621. Rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Sessão de 30 de agosto de 2011. CARF. CSRF. 4ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Acórdão nº 3402001.823. Rel. Silvia de Brito Oliveira. Sessão de 17 de julho de 2012. A mesma solução foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao enfrentar o tema: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 grifamos) Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11065.000508/200240 Acórdão n.º 3202001.072 S3C2T2 Fl. 220 7 É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002890/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.DESCABIMENTO
O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda.
Assim sendo, inexistindo base de cálculo imponível, não há que se falar em descumprimento da respectiva obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.334
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.DESCABIMENTO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho - PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Assim sendo, inexistindo base de cálculo imponível, não há que se falar em descumprimento da respectiva obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.002890/2009-69
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5355902
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.334
nome_arquivo_s : Decisao_19515002890200969.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515002890200969_5355902.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein.
dt_sessao_tdt : Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5502861
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814100291584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1701; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002890/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.334 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente TRANSPORTADORA ANDRÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA SEM ADESÃO AO PAT NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.DESCABIMENTO O valor referente ao fornecimento de alimentação in natura aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o salário de contribuição por possuir natureza indenizatória, conforme parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 aprovado pelo Exmo Sr Ministro da Fazenda. Assim sendo, inexistindo base de cálculo imponível, não há que se falar em descumprimento da respectiva obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 90 /2 00 9- 69 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.002890/200969 Acórdão n.º 2803003.334 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Carlos Cornet Scharfstein. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.002890/200969 Acórdão n.º 2803003.334 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, por te deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, em razão de fornecimento de alimentação in natura, considerado como salário de contribuição. O r. acórdão – fls 86 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Desnecessidade de inscrição no PAT para distribuição de cestas básicas. · Inaplicabilidade da multa genérica da lei 8212/91 · Decadência do direito de lançar. · Requer o provimento do recurso, anulando a respectiva cobrança. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.002890/200969 Acórdão n.º 2803003.334 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de auto de infração lavrado por te deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, em razão de fornecimento de alimentação in natura, considerado como salário de contribuição Acerca da matéria – pagamento de alimentação in natura sem a regular adesão ao PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT, reproduzo ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011, de seguimento obrigatório por parte dos membros do CARF, consoante art. 62,II, ”a” do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Dessarte, não se considerando o auxílio alimentação in natura como salário de contribuição, tenho como improcedente a presente autuação. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 19515.002890/200969 Acórdão n.º 2803003.334 S2TE03 Fl. 6 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.007784/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.007784/2008-34
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363044
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3302-000.423
nome_arquivo_s : Decisao_10920007784200834.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10920007784200834_5363044.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5540519
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814102388736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.010 1 1.009 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.007784/200834 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.423 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente KAVO DO BRASIL IND. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Jonathan Barros Vita. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 07 78 4/ 20 08 -3 4 Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.011 ___________ RELATÓRIO Trata o presente processo de Recurso contra decisão proferida pela DRJ de Florianópolis que reconheceu parcialmente o direito ao ressarcimento de créditos de COFINS relativos ao segundo trimestre de 2006. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÃODEOBRA APLICADA DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO OU FABRICAÇÃO DE BENS. Desde que atendidos os demais requisitos da legislação de regência, geram direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins os valores pagos a outra pessoa jurídica em decorrência da locação de mãodeobra diretamente aplicada na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MERCADORIA IMPORTADA. DRAWBACK. Mercadoria importada sob o regime aduaneiro de drawback não gera direito a créditos no regime da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS e da Cofins. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A glosa efetuada pela autoridade que proferiu o despacho decisório no âmbito da DRF de Joinvile foi assim resumido pelo acórdão recorrido: Linha 02 do Dacon (Mercado Interno) Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas as notas fiscais do fornecedor de CNPJ 00.457.089/000110, pois as mesmas também foram lançadas na linha 06 do Dacon como Despesas de Aluguel de Máquinas e Equipamentos. Linha 03 do Dacon Serviços Utilizados como Insumos. Foi glosada a diferença entre a base de calculo declarada pelo contribuinte e os valores de reembolso de salários e encargos constantes das rubricas fiscais. Valores 'Corno Por exemplo vale . transporte, refei4o, taxa administrativa; etc. não dão direito a crédito. Linha 02 do Dacon (Importação) Bens Utilizados como Insumos. Foram glosados os valores de crédito de Pis/Pasep lançados nos arquivos digitais com o CFOP 3.127 (art 3°, § 2°, inciso H, da Lei 10.637/2002). A decisão exarada pela DRJ de Florianópolis reconheceu o direito ao crédito em relação as notas fiscais do fornecedor Leo Serviçe Ltda. e ao valor total das notas fiscais de serviços de locação de mão de obra. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.007784/200834 Resolução nº 3302000.423 S3C3T2 Fl. 1.012 3 Contudo, manteve a glosa relativa ao terceiro tópico (créditos relativos a insumos adquiridos no mercado externo) pelos seguintes motivos: Em análise as notas fiscais apresentadas pela contribuinte, quais sejam as notas fiscais cujos créditos foram glosados e os extratos das declarações de importação, verificase que todas as notas fiscais correspondem a operações de drawback. Observase ainda que os registros das Declarações de Importação são explícitos ao informar que as aquisições referidas nas notas fiscais não foram objeto de tributação pela Contribuição ao PIS ou pela Cofins. Desta forma, tendo em vista que as glosas correspondem a importações que não foram objeto de tributação, concluise que a contribuinte não possui direito a crédito em relação a estas operações, estando correta a glosa procedida pela autoridade fiscal. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega que: a) existe nulidade na decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a autoridade julgadora não analisou todos os documentos trazidos aos autos; b) nem todas as notas fiscais juntadas aos autos está vinculada a operações de Drawback, e que os créditos utilizados dizem respeito a operações de compras para industrialização. c) juntou documentos e informações com a manifestação de inconformidade seria possível observar o direito ao credito pleiteado; d) que o arquivo digital apresentado à fiscalização continha erros materiais e que o novo arquivo juntado com a manifestação de inconformidade corrigiu estes equívocos. Cita diversos exemplos; Por fim, pugna realização de perícia contábil nos documentos juntados na manifestação de inconformidade e replicados no Recurso e pela exclusão da multa e dos juros aplicados. É o relatório. VOTO Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, o presente recurso trata apenas das glosas relativas a aquisição de insumos no mercado externo que a fiscalização entendeu estarem vinculados a operações de drawback e, por conseqüência, estarem com a incidência de PIS e COFINS suspensas. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10920.007784/200834 Resolução nº 3302000.423 S3C3T2 Fl. 1.013 4 Assim, entendeu a autoridade fiscal que não havendo recolhimento da COFINS na importação seria indevido o crédito respectivo. A Recorrente alega que os documentos juntados com a manifestação de inconformidade e replicados no Recurso Voluntário não foram analisados pela autoridade julgador. Pugnou pela realização de diligência a fim de verificar a procedência do alegado. De fato, analisandose as Declarações de Importação e respectivas notas fiscais juntadas aos autos é possível vislumbrar que alguns insumos ficaram sujeitos a tributação do PIS e da COFINS. Cito como exemplo as notas fiscais 659 e 660 (fls) vinculadas a DI nº 06/04434183. Em relação a primeira nota fiscal aparentemente houve oferecimento a tributação do PIS e da COFINS. Já a nota Fiscal 660, estava realmente vinculada a uma operação de Drawback. A Contribuinte explicou em sua defesa que o primeiro arquivo digital apresentado à fiscalização acabou imputando créditos proporcionalmente a cada uma das notas fiscais citadas. Como tenho me manifestado reiteradamente neste colegiado, entendo que o processo administrativo esta vinculado de maneira indissociável do princípio da verdade material, o que implica na necessidade de apuração da real na situação posta sob análise, motivo pelo qual, entendo ser necessário baixar o presente processo em diligência para que a autoridade preparadora análise as notas fiscais apresentadas e as respectivas Declarações de Inconformidade e verifique a existência de créditos passiveis de creditamento. Caso seja necessário, deverão ser solicitados novos documentos e informações ao Recorrente, que ao final deverá ser intimado para manifestarse sobre o resultado dos trabalhos. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004672/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005
INTEMPESTIVIDADE - DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 - NÃO CONHECIMENTO.
Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em exercício), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005 INTEMPESTIVIDADE - DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 - NÃO CONHECIMENTO. Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.004672/2009-69
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352429
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.630
nome_arquivo_s : Decisao_19515004672200969.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RAFAEL PANDOLFO
nome_arquivo_pdf_s : 19515004672200969_5352429.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em exercício), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5483855
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814112874496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 235 1 234 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.004672/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.630 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente ANSELMO RODRIGO BAPTISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005 INTEMPESTIVIDADE DECRETO Nº 70.235/72 ART. 33 NÃO CONHECIMENTO. Conforme art. 33 do Decreto nº 70.235/72, da decisão da DRJ caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Interposto recurso após o referido prazo, o mesmo não deve ser conhecido. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do voto do Conselheiro Relator (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente em exercício), Pedro Anan Junior, Guilherme Barranco de Souza AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 46 72 /2 00 9- 69 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 2 (suplente convocado), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (suplente convocado), Dayse Fernandes Leite (suplente convocada) e Rafael Pandolfo. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.630 S2C2T2 Fl. 236 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A partir de registros de movimentações financeira incompatíveis com a renda declarada pelo recorrente, o Fisco iniciou procedimento de fiscalização (fls. 0203), intimando o recorrente para comparecer à Divisão de Fiscalização IV/Defic/SPO para ciência de documentos referentes à ação fiscal instaurada através do Mandado de Procedimento Fiscal nº 08190.00.2009000274 (fl. 06). Em 02/04/09, a autoridade fiscal lavrou novo Termo de Intimação Fiscal (fl. 04), para que o recorrente apresentasse extratos bancários referentes à sua movimentação financeira dos anoscalendário de 2004 e 2005. A intimação foi devolvida com informe de ‘ausente” (fl. 05). O recorrente foi intimado novamente em 30/04/09, tomando ciência no dia 06/05/09 (fl. 09). Ausente manifestação do recorrente, a Fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 001/09 (fls. 1022). Houve, ainda, em razão da falta de resposta do contribuinte, emissão do Termo de Intimação Fiscal nº 002/09 (fls. 2335), do qual restou ciente em 28/09/09 (fl. 36). Em razão da inércia do recorrente, o Fisco intimou as instituições financeiras: Caixa Econômica Federal (fl. 48) e Banco Bradesco S/A (fl. 49), mediante emissão de Requisições de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF. Tendo em vista as reiteradas intimações para que o contribuinte apresentasse documentos e esclarecimentos, a Fiscalização, após emitir o Termo de Verificação Fiscal (fls. 138144), decidiu lavrar o Auto de Infração. 2 Auto de Infração Foi lavrado, em 29/10/09 (fls. 143150), Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, anoscalendário de 2004 e 2005, apurando crédito tributário no montante de R$ 1.556.645,00, incluídos imposto, juros de mora e multa de 75%. A infração imputada foi Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. O recorrente tomou ciência do Auto em 30/10/09. 3 Impugnação O recorrente apresentou impugnação tempestiva (fls. 155162), esgrimindo os seguintes argumentos: a) o prazo máximo do procedimento fiscal é de 120 dias, de modo que a presente fiscalização é nula de pleno direito, vez que excedeu tal prazo; b) o recorrente não foi notificado da instauração do mandado de procedimento fiscal, quando ocorreu a quebra do sigilo bancário, o que Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 4 configura nulidade da fiscalização, além de ofender os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal; c) segundo o art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, para ocorrer a quebra do sigilo fiscal, deve existir processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Assim, o procedimento fiscal nº 0819000.2009.000274 só poderia ser instaurado caso tivesse ocorrido um processo administrativo anterior, do qual o contribuinte deveria, necessariamente, ser cientificado, e desde que houvesse autorização judicial para quebra de sigilo bancário, o que não ocorre no caso; d) a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/01, uma vez que a quebra do sigilo bancário necessita de ordem judicial. Por fim, o recorrente juntou aos autos: (a) Termo de Verificação Fiscal (fls. 167170); e (b) termos de intimações fiscais (fls. 171172). 4 Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada improcedente, por unanimidade, pela 10ª Turma da DRJ/SP2 (fls. 183192), mantendo o crédito tributário exigido. Nessa decisão, foram alinhados os seguintes fundamentos: a) o mandado de procedimento fiscal é instrumento interno de planejamento de controle das atividades e procedimentos fiscais, de modo que não pode obstar o lançamento, o qual é estabelecido por força de lei; b) no caso, o procedimento fiscal foi prorrogado até 02/11/09, sendo que a ciência do procedimento ocorreu no dia 30/10/09. Assim, não houve desatenção ou não observância às regras estabelecidas pela Portaria SRF nº 11.371/07; c) o fornecimento de informações pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal não constitui violação ao sigilo bancário, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei nº 9.311/96; d) todo o procedimento fiscal e atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, estão revestidos de suas formalidades legais, não havendo o que se falar em desrespeito aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; e) verificase no texto legal que a tributação por meio de depósitos bancários deriva da presunção de renda legalmente estabelecida. Tratase de presunção relativa que poderia a qualquer momento ser afastada mediante prova em contrário, cabendo ao contribuinte sua produção; f) em razão do Princípio da Legalidade, a autoridade fiscal possui o poder/dever de, não comprovada a origem dos recursos, considerar os valores depositados como rendimentos tributados omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; g) nos termos da Constituição Federal, artigos 97 e 102, incumbe, exclusivamente, ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão sobre questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 19515.004672/200969 Acórdão n.º 2202002.630 S2C2T2 Fl. 237 5 5 Recurso Voluntário O contribuinte interpôs, intempestivamente, Recurso Voluntário em 14/06/11 (fl. 196), após tomar ciência da decisão em 14/04/11 (fl. 194), repisando os argumentos da impugnação. 6 Sobrestamento Em 23/01/13, através da Resolução nº 2202000.430 (fls. 227234 do e processo), este processo foi sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03/01/12, tendo em vista que para alcançar seu desiderato, a Fiscalização utilizou RMF e que a constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais – como a RMF – encontravase em análise pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramitava em regime de repercussão geral. É o relatório. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O recorrente foi intimado do resultado do julgamento de sua impugnação em 14/04/11. Não obstante, seu recurso voluntário foi interposto somente em 14/06/11, ou seja, 29 dias após a intimação. O Decreto nº 70.235/72 em seu art. 33 dispõe: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como pode ser observado, o recurso foi interposto após o prazo normativamente previsto, carecendo do pressuposto processual da tempestividade, motivo pelo qual não merece ser conhecido. Desse modo, voto para que NÃO SEJA CONHECIDO o presente recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000416/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/12/2008
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício.
ATIVIDADE ECONÔMICA. CLASSIFICAÇÃO CNAE.
Para o enquadramento da empresa no código CNAE deve prevalecer a classificação mais específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 30/12/2008 CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a Relação de Co-Responsáveis - CORESP passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício. ATIVIDADE ECONÔMICA. CLASSIFICAÇÃO CNAE. Para o enquadramento da empresa no código CNAE deve prevalecer a classificação mais específica. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15758.000416/2010-22
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5364681
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.135
nome_arquivo_s : Decisao_15758000416201022.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 15758000416201022_5364681.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5551468
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814126505984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1683; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 269 1 268 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15758.000416/201022 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.135 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IMUNIDADE Recorrente COMPANHIA REGIONAL DE ABASTECIMENTO INTEGRADO DE SANTO ANDRÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 30/12/2008 CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONCESSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade tributária das entidades beneficentes de assistência social é condicionada ao cumprimento dos requisitos previstos em lei. A ausência de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social impede o gozo do benefício. ATIVIDADE ECONÔMICA. CLASSIFICAÇÃO CNAE. Para o enquadramento da empresa no código CNAE deve prevalecer a classificação mais específica. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 04 16 /2 01 0- 22 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15758.000416/201022 Acórdão n.º 2402004.135 S2C4T2 Fl. 270 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de 15/09/2010 decorrente de reenquadramento da atividade econômica, o que resultou em diferenças de contribuições a FNDE, SESC/SENAC, SEBRAE e INCRA. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/06/2007 a 30/12/2008 EMPRESA PÚBLICA. REGIME TRIBUTÁRIO As Empresas Públicas constituídas que são como pessoas jurídicas de direito privado submetemse ao mesmo tratamento tributário dispensado as demais sociedades que exploram atividades econômicas, não se cogitando, em relação a elas, do beneficio da imunidade recíproca prevista na Constituição Federal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... Depreendese do Relatório Fiscal que o Auto de Infração AI DEBCAD no 37.300.2289 referese a contribuições sociais devidas pela empresa a outras entidades e fundos— FNDE,SESC,SENAC E SEBRAE, no valor de RS 1.237.012,31(um milhão duzentos e trinta e sete reais doze reais e trinta e um centavos) consolidado em 15/09/2010 para o período de 06/2007 a 11/2008. ... Continua dizendo que o contribuinte declara por meio das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social GFIP, o código de Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE 8411 6/00 Administração Pública em Geral, contrariando a atividade do contribuinte que é empresarial, segundo as informações que o mesmo prestou à autoridade fiscal. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Desse modo enquadrou a empresa no CNAE 56201/01 — Fornecimento de Alimentos Preparados — 1%, por ser este o código que mais se aproxima da atividade do contribuinte, e de acordo com o que autoriza e disciplina o art. 202, incisos I, II e III, parágrafos 3º, 4°, 5°, 6° e 130 do Decreto n° 3.048/99. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: entende que o Auto de Infração merece ser anulado em razão da expedição de "Relatório de Vínculos", o qual viola o art. 135, do CTN e a jurisprudência do C. Superior Tribunal de Justiça a respeito do tema. que a CRAISA foi constituída como empresa pública municipal por meio da Lei Municipal n° 6.639/90, que recebeu delegação legal para exercitar tarefas típicas do Poder Público Municipal, desenvolvendo atuação que a Constituição Federal e a sua Lei Orgânica atribuem ao Município de Santo André. Age, portanto, em nome do Município —matriz sendo seu instrumento; que exerce, essencialmente, funções, na realização da "política integrada de abastecimento alimentar" com autonomia administrativa e financeira semelhante as empresas privadas realizando tarefas relativas A responsabilidade municipal junto a creches, escolas, refeitório de servidores, sacolões, além de organização, coordenação, planejamento e fiscalização de atividades privadas ligadas ao abastecimento das camadas menos favorecidas; considera que a descrição mostra que essa entidade exerce atividade administrativa pública, inconfundível com "exploração de atividade econômica" própria dos particulares, desse modo entende necessário deixar caracterizada a diferença entre empresa estatal prestadora de serviço público e empresa estatal que desenvolve atividade econômica, para tanto transcreve farta doutrina e jurisprudência a fundamentar a sua tese; se a impugnante CRAISA delegada do Município de Santo André executa serviço público, como função especifica e única, suas atividades hão de ser, inquestionavelmente, não tributadas, pelo gozo de ampla imunidade fiscal, por determinação do art. 150, VI da Constituição Federal. Segundo a Impugnante o entendimento consta de decisões emanadas dos nossos tribunais; infere ainda que o Auto de Infração de maneira alguma poderia alterar ou modificar o enquadramento do contribuinte no código CNAE 1% de alíquota para a contribuição destinada ao financiamento da aposentadoria especial; entende ter havido cerceamento de defesa e violação aos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto 70.235/72 em face da ausência de demonstrativo do cálculo de multa mais favorável ao contribuinte com a sistemática introduzida pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, desse modo requer a aplicação do art. 106, II, "c", do CTN; além da exigência do pagamento do tributo, a RFB exige o pagamento de multa que extrapola (e muito) os limites Fl. 272DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15758.000416/201022 Acórdão n.º 2402004.135 S2C4T2 Fl. 271 5 constitucionais, devendo, por isso, ser afastada por esta instancia administrativa, em observância ao que dispõe o inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal; É o Relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 274DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15758.000416/201022 Acórdão n.º 2402004.135 S2C4T2 Fl. 272 7 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, rejeitamse as preliminares suscitadas. No mérito Responsabilidade dos representantes legais Fl. 275DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Quanto ao tema não existe dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, Após a revogação acima o documento antes sob o título “Relação de CoResponsáveis – CORESP” passou à denominação de “REPLEG Relatório de Representantes Legais”. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. Portanto, a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99: Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; Fl. 276DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15758.000416/201022 Acórdão n.º 2402004.135 S2C4T2 Fl. 273 9 b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, considerando que a fiscalização, com acerto, apenas indicou os representantes legais da empresa no documento “Representantes Legais – REPLEG” o interesse do recorrente já fora atendido. Imunidade tributária A imunidade que beneficiaria a recorrente no presente processo seria a prevista no §7° do artigo 195 da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Para tanto, é necessário que a entidade demonstre, nos termos da lei, sua condição de beneficente, o que se dá através de um Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido da obrigatoriedade de cumprimento dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n. 8.212/91, atualmente no artigo 29 da Lei n° 12.101, de 27/11/2009, para gozo da imunidade do artigo 195, §7º da Constituição: RMS 27093 / DF DISTRITO FEDERAL RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relator(a): Min. EROS GRAUJulgamento: 02/09/2008 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação DJe216 DIVULG 13112008 PUBLIC 14112008 EMENT VOL0234102 PP00244 RTJ VOL0020801 PP 00189 Parte(s) RECTE.(S): FUNDAÇÃO EDUCACIONAL DA REGIÃO DE JOINVILLE FURJ ADV.(A/S): SÉRGIO ROBERTO BACK E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S): UNIÃO ADV.(A/S): ADVOGADOGERAL DA UNIÃO Ementa EMENTA: RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. IMUNIDADE. CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE Fl. 277DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. RENOVAÇÃO PERIÓDICA. CONSTITUCIONALIDADE. DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA. OFENSA AOS ARTIGOS 146, II e 195, § 7º DA CB/88. INOCORRÊNCIA. 1. A imunidade das entidades beneficentes de assistência social às contribuições sociais obedece a regime jurídico definido na Constituição. 2. O inciso II do art. 55 da Lei n. 8.212/91 estabelece como uma das condições da isenção tributária das entidades filantrópicas, a exigência de que possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, renovável a cada três anos. 3. A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de afirmar a inexistência de direito adquirido a regime jurídico, razão motivo pelo qual não há razão para falarse em direito à imunidade por prazo indeterminado. 4. A exigência de renovação periódica do CEBAS não ofende os artigos 146, II, e 195, § 7º, da Constituição. Precedente [RE n. 428.815, Relator o Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ de 24.6.05]. 5. Hipótese em que a recorrente não cumpriu os requisitos legais de renovação do certificado. Recurso não provido. Decisão A Turma, por votação unânime, negou provimento ao recurso ordinário, nos termos do voto do Relator. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Joaquim Barbosa e Eros Grau. 2ª Turma, 02.09.2008. Tal imunidade especial de contribuições sociais, concedida apenas para as instituições com título de entidade beneficente de assistência social, não se confunde com a imunidade de impostos prevista no artigo 150, VI, “c” da Constituição Federal e regulada pelos artigos 9, IV, “c” e 14 do Código Tributário Nacional, que é exatamente a pleiteada em juízo pela recorrente: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; ... Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15758.000416/201022 Acórdão n.º 2402004.135 S2C4T2 Fl. 274 11 III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. É que a Seguridade Social é informada, entre outros princípios, pela Universalidade e a Solidariedade, o que justifica um canal mais estreito na renúncia fiscal. De fato, o reconhecimento da imunidade do artigo 195, §7º da Constituição é sujeito a outros requisitos além daqueles já exigidos no artigo 14 do CTN. Ressaltase que a recorrente jamais requereu a qualificação como entidade beneficente de assistência social e sequer é possuidora de tal título; razões pelas quais é improcedente o pedido de reconhecimento da imunidade especial. Atividade Econômica – Código CNAE Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento da recorrente no CNAE. Como se trata de entidade da administração pública indireta, empresa pública, entende a recorrente que se classificaria como administração pública em geral, código 84116/ 00 e FPAS – Fundo de Previdência Social” os códigos “000” e “582”. O CNAE é determinante para fins de enquadramento e recolhimento de contribuições sociais/previdenciárias, como a devida por conta dos graus de risco de acidentes de trabalho, assim como a devida aos Terceiros (Entidades e Fundos). Existe classificação mais específica para a recorrente. A atividade sua atividade é o fornecimento de alimento e, para tanto, é previsto o código CNAE 56.201/01, bem como os códigos 0115 (Outras Entidades e Fundos), 515 (FPAS) e 2100 (GPS). Multa Aplicada Com relação ao período quando os fatos geradores ocorreram, há meses anteriores a vigência da MP 449 e o mês 12/2008. No caso, a fiscalização aplicou a regra mais benéfica para todo o período lançado; portanto, não procede a alegação do recorrente, pois já fora aplicado o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN. As demais alegações trazidas pela recorrente centramse na inconstitucionalidade das exações discriminadas no lançamento; no entanto, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.904372/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2003
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11030.904372/2012-18
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352702
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.186
nome_arquivo_s : Decisao_11030904372201218.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 11030904372201218_5352702.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5488727
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814134894592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 88 1 87 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.904372/201218 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.186 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de março de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente LATICINIOS BOM GOSTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 43 72 /2 01 2- 18 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 89 2 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 90 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/01/2003. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 91 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 93 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904372/201218 Acórdão n.º 3801003.186 S3TE01 Fl. 94 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 19679.011537/2005-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1802-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19679.011537/2005-73
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354451
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1802-002.203
nome_arquivo_s : Decisao_19679011537200573.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 19679011537200573_5354451.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5496355
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814163206144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.011537/200573 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802002.203 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria Obrigação acessória Multa DCTF Recorrente DELLA MONICA E SILVA ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa prevista na legislação que rege a matéria. DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 15 37 /2 00 5- 73 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.18) que a seguir transcrevo: Por meio do Auto de Infração de fl. 04, o contribuinte acima identificado foi autuado e notificado a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, a titulo de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao 3° e 4° trimestre do ano calendário de 2000. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 18/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 03, na qual alega, em síntese, o seguinte: que a(s) DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. que a multa ora exigida tem caráter confiscatório. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (São Paulo/SPO1) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1616.621, de 28 de novembro de 2006, assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2000 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. 0 cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator A aplicação das penalidades legais. Denúncia Espontânea. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.011537/200573 Acórdão n.º 1802002.203 S1TE02 Fl. 3 3 A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 13/12/2007, conforme Aviso de Recebimento (AR), e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 10/01/2008. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, portanto, desnecessário repetilos. Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário, em virtude da ocorrência da denúncia espontânea, e ou declarar a existência de nulidade face a ofensa cometida à Constituição Federal que não admite o confisco É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao 3º e 4º trimestre de 2000, de que trata o Auto de Infração, fl.04, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 1.000,00 (multa mínima de R$ 500,00 para cada trimestre). Consta do mencionado Auto de Infração que as DCTFs dos trimestres, tinham como prazo final para a entrega 14/11/2000 e 15/2/2001, respectivamente, e somente foram entregues à Receita Federal em 30/12/2003. A Recorrente argúi que, a entrega da declaração foi espontânea e não ocorreu nenhum ato fiscalizatório relacionado à infração em epígrafe, ou seja, não foi dado inicio a nenhum procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração, sendo assim, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência ou doutrina citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais ou doutrinárias, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. No que tange a alegada ofensa ao artigo 138 do CTN, a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto na legislação que rege a matéria, não se aplica ao cumprimento das obrigações acessórias (caso dos presentes autos) o instituto da confissão espontânea de infração, a que se refere o art. 138 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, conforme entendimento esboçado na Súmula nº 49 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Conforme se depreende da descrição dos fatos e da fundamentação legal a infração fiscal capitulada nos artigos 113, parágrafo 3° e 160 da Lei n° 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 2° e 6° da Instrução Normativa SRF n°126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF no 118/84, art. 5° do DL 2124/84 e Art. 7° da lei n°10.426, de 24/04/2002, decorre do fato como sendo "A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação, enseja a aplicação de multa correspondente a R$ 57,34 (cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos) por mêscalendário ou fração”. “Se mais benéfica, enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mêscalendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00. Em caso de inatividade no trimestre aplicase a multa mínima de R$ 200,00. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima." Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal em relação ao ano calendário de 2000. A Recorrente alega que a aplicação da multa em relação à capacidade contributiva do contribuinte, impõe ônus exagerado, resultando em verdadeiro confisco. Diz que apresentou as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, relativas ao exercício de 2001, com um montante declarado para o 1 ° Trim. de 2001 de R$. 3.714,77, para o 2 ° Trim. 2001, de R$. 1.779,65, 3 ° Trim. 2001 de R$. 3.140,76 e para o 4 ° Trim. de 2001 de R$. 2.917,91, que representou a totalidade do imposto incidente sobre o faturamento levado a efeitto. E que, a multa aplicada relativa a entrega fora de prazo das mencionadas declarações importou em R$. 2.000,00, representando 17,31% do valor declarado do imposto. Como se vê, há um equívoco da defesa, pois, o Auto de Infração (fl.04) não se reporta ao ano calendário de 2001 e, sim, ao atraso na entrega das DCTFs relativas ao 3º e 4º trimestre de 2000. E foi aplicada apenas a multa mínima de R$ 500,00 para cada DCTF entregue com atraso, resultando no total de R$ 1.000,00 (aplicação retroativa do art. 7° da lei n°10.426, de 24/04/2002, por ser mais benéfica) Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa, cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, e legislação anterior, não cabe aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 02 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19679.011537/200573 Acórdão n.º 1802002.203 S1TE02 Fl. 4 5 Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000579/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2001
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. DESCONTO DE ATÉ 50% REFERENTE A MATERIAIS E EQUIPAMENTOS NÃO PREVISTOS EM CONTRATO. POSSIBILIDADE.
Não havendo previsão contratual dos valores a serem pagos a título de materiais e equipamentos na cessão de mão de obra, tais valores deverão constar da nota fiscal ou fatura de forma discriminada no limite de 50%.
DESCONTO REFERENTE A PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE E VALE REFEIÇÃO.
Podem ser descontados da nota fiscal para fins de retenção os valores pagos a título de vale transporte e vale refeição na forma legalmente estabelecida.
LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Recurso de Ofício não conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.075
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para considerar como base de cálculo da retenção o valor correspondente a 50% do valor bruto da nota fiscal; e, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2001 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. DESCONTO DE ATÉ 50% REFERENTE A MATERIAIS E EQUIPAMENTOS NÃO PREVISTOS EM CONTRATO. POSSIBILIDADE. Não havendo previsão contratual dos valores a serem pagos a título de materiais e equipamentos na cessão de mão de obra, tais valores deverão constar da nota fiscal ou fatura de forma discriminada no limite de 50%. DESCONTO REFERENTE A PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE E VALE REFEIÇÃO. Podem ser descontados da nota fiscal para fins de retenção os valores pagos a título de vale transporte e vale refeição na forma legalmente estabelecida. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso de Ofício não conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15983.000579/2007-46
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5365210
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.075
nome_arquivo_s : Decisao_15983000579200746.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO TABORDA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 15983000579200746_5365210.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para considerar como base de cálculo da retenção o valor correspondente a 50% do valor bruto da nota fiscal; e, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5553149
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814196760576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 11.268 1 11.267 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000579/200746 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402004.075 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrentes COMPANHIA SIDERURGICA PAULISTA COSIPA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/06/2001 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. DESCONTO DE ATÉ 50% REFERENTE A MATERIAIS E EQUIPAMENTOS NÃO PREVISTOS EM CONTRATO. POSSIBILIDADE. Não havendo previsão contratual dos valores a serem pagos a título de materiais e equipamentos na cessão de mão de obra, tais valores deverão constar da nota fiscal ou fatura de forma discriminada no limite de 50%. DESCONTO REFERENTE A PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE E VALE REFEIÇÃO. Podem ser descontados da nota fiscal para fins de retenção os valores pagos a título de vale transporte e vale refeição na forma legalmente estabelecida. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso de Ofício não conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 05 79 /2 00 7- 46 Fl. 11268DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para considerar como base de cálculo da retenção o valor correspondente a 50% do valor bruto da nota fiscal; e, por maioria de votos, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo, Luciana de Souza Espíndola Reis e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 11269DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.269 3 Relatório Tratase de crédito de contribuição previdenciária referente à ausência de retenção e recolhimento de 11% (onze por cento) sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra no período de 03/1999 a 06/2001. Nos termos do relatório fiscal de fls. 24/30, os objetos dos contratos de prestação de serviços analisados se referiam as atividades previstas pelos incisos I e XV do § 2° do art. 219 do RPS. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 51/9802. Os autos foram encaminhados às auditoras fiscais emitentes do débito para exame da documentação juntada que, às fls. 1270/1272, optaram pela manutenção do auto. Contra a decisão da fiscalização a Recorrente apresentou impugnação complementar e, às fls. 9935/9957, foi proferido acórdão julgandoa parcialmente procedente, bem como recorrendo de ofício da parte exonerada do crédito nos seguintes termos: 1) Não há que se falar em nulidade vez que o vício alegado não foi capaz de gerar qualquer prejuízo à Recorrente; 2) A alegação de que teria a fiscalização se equivocado ao utilizar como base de cálculo o valor líquido das notas fiscais para aplicação de retenção de 11% está correto, pois a base de cálculo correta seria o valor bruto das notas; 3) Necessária a retificação do crédito para recálculo sobre a base de cálculo correta, bem como para incluir o valor referente à Nota Fiscal 610 não inclusa inicialmente e corrigir os demais erros apurados; 4) A análise dos contratos objeto de fiscalização bastou para constatar o cumprimento das condições identificadoras de cessão de mão de obra pela empresa contratada, conforme fls. 26; 5) Não houve, por parte da Recorrente, destaque nas notas fiscais dos valores de materiais e equipamentos usados na prestação de serviço; 6) A Recorrente apresentou planilhas de composição de preço global e planilhas de preços com descrição de materiais e equipamento com preços por hora. Entretanto, esta descrição é insuficiente porque vários serviços são contratados e ficou impossível saber quais equipamentos são utilizados em cada serviço; 7) Era obrigação da Recorrente discriminar em contrato e nas respectivas notas fiscais, faturas ou recibos o valor relativo a fornecimento de Fl. 11270DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 materiais e equipamentos indispensáveis à execução dos serviços, o que não ocorreu. Se assim feito, tais valores não se submeteriam à retenção; 8) Os documentos juntados pela Recorrente (GRPS, GPS, GFIP, Notas Fiscais, Folhas de pagamento e notas fiscais de materiais) não são suficientes para comprovar a adimplência da empresa contratada. Além do que, para verificação do efetivo recolhimento pela empresa contratada o procedimento correto seria a fiscalização nesta; 9) O INSS não cobrou a mesma verba duas vezes, pois a retenção paga pela empresa contratante em nome da empresa contratada foi considerada para efeito deste levantamento e compensada pela contratada quando do pagamento de suas contribuições; 10) As notas fiscais da contratada apresentam destaque de valores de mão de obra, mas não apresentam valores relativos a equipamentos e materiais usados nos serviços; 11) O rol de atividades submetidas a retenção deve ser interpretado de forma ampliativa, uma vez que o mesmo não poderia discriminar as infindáveis situações cabíveis ao setor de limpeza e manutenção; 12) As GRPS relativas a competência de 05/1999 juntadas pela empresa referemse a atividade distinta da cessão de mão de obra e, por isso, foram desconsideradas assim como as da competência de 10/1999; Intimada do resultado, a Recorrente interpôs recurso voluntário de fls. 9960/9986, alegando, em suma: 1) Nulidade quanto ao período fiscalizado, uma vez que nos termos do TIAD a Recorrente teria que deixar a disposição da fiscalização a documentação referente a fev/99 a fev/01, sendo que a fiscalização se estendeu até 09/2001; 2) A Recorrente efetuou a retenção em todas as faturas emitidas pela contratada DELTA e realizou os respectivos recolhimentos, com base nos valores destacados em nota como sendo referentes à mão de obra. A auditoria, entretanto, calculou as retenções sobre o valor das notas sem excluir da base de cálculo os valores expressamente destacados como sendo pagos a título de alimentação e transporte; 3) Da mesma forma, a Fiscalização não descontou da base de cálculo os valores relativos a material e equipamentos previstos contratualmente sob a justificativa de não ter conseguido identificálos. Entretanto, deixouse de considerar que todas as notas continham destaque de “vale transporte e Outros” em que os ‘outros’ referiamse a parcela relativa a materiais e equipamentos; 4) O acórdão de primeira instância determina a retenção sobre o valor bruto das notas fiscais, cometendo grave erro. Considerando que sobre os valores estão embutidos outros custos tributários, a retenção sobre o valor bruto resultaria em sobreposição tributária, totalmente vedada em lei; Fl. 11271DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.270 5 5) A Fiscalização incluiu na base de cálculo equivocadamente notas fiscais emitidas antes do início da vigência dos contratos mencionados na NFLD. Os contratos tiveram vigência iniciada em outubro de 1999 e a Fiscalização considerou notas emitidas entre março/1999 e setembro/1999 no lançamento; 6) A Fiscalização incluiu nos seus cálculos as notas fiscais que não possuem nexo algum com os contratos por ela analisados; 7) Uma vez comprovada pela contratada o correto recolhimento das GPS por ocasião do pagamento da folha nada será devido a título de retenção. A Recorrente juntou com a defesa todas as guias de recolhimentos e demais documentos capazes de comprovar que a empresa contratada efetuou todos os recolhimentos devidos; 8) Se a Fiscalização ignora os documentos acostados para comprovar o recolhimento da diferença das contribuições pela contratada DELTA sob alegação de que somente uma fiscalização na empresa seria capaz de demonstrar se ela de fato efetuou os recolhimentos, deveria assim o fazer antes de atribuir à Recorrente uma obrigação tributária inexistente; 9) Quanto à competência de 10/99, não poderia o julgador de primeira instância desconsiderar os recolhimentos efetivados sob o argumento de que não constava confirmação em seu sistema de informatização. Todas as guias juntadas contem autenticação bancária, devendo ser consideradas de forma inequívoca; 10) Indevida a multa aplicada pois ausente a infração que a justificaria. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 11272DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. Nulidade A nulidade alegada pela Recorrente quanto ao período fiscalizado não merece guarida na medida em que não trouxe qualquer prejuízo. Apesar de alegar ter conhecimento de que a fiscalização somente alcançaria as competências de fev/99 a fev/01, a Recorrente forneceu todos os documentos necessários à auditoria. No Mérito Das obrigação de retenção por tomadora de serviços mediante cessão de mão de obra A cessão de mão de obra está prevista na Lei n° 8.212/91 através do artigo 31, §§ 1°, 2° e 3° e no Regulamento da Previdência Social no artigo 219, §§ 1° a 4° e 7°: Lei n° 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5° do art. 33 desta Lei. § 1° O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2° Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3° Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 11273DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.271 7 Decreto n° 3048/99: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. § 1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. Da análise do relatório fiscal de fls. 24/30 verificase que a Fiscalização lavrou auto de infração pelo entendimento de que não tendo a Recorrente cumprido o disposto no artigo 219, §7°, do RPS quanto à discriminação em contrato dos valores pagos a título de equipamentos e materiais, necessária a retenção de 11% sobre o valor bruto da NF. A Ordem de Serviço INSS/DAF n° 209/99, que ‘estabelece procedimentos de arrecadação e fiscalização da retenção incidente sobre o valor dos serviços e das contribuições devidas sobre a remuneração decorrente da prestação de serviços através de cessão de mãode obra ou empreitada’, prevê nos itens 17.1 e 19 o quanto segue: 17 A contratada que esteja obrigada a fornecer material ou dispor de equipamentos próprios ou de terceiros indispensáveis à execução do serviço, cujos valores estejam estabelecidos contratualmente, sendo as parcelas correspondentes discriminadas na nota fiscal, fatura ou recibo, os respectivos valores não estarão sujeitas à retenção. 17.1 Na hipótese de não constar no contrato os valores referentes a material ou equipamentos, deverão ser discriminadas as respectivas parcelas na nota fiscal, fatura ou recibo, não se admitindo que o valor relativo aos serviços seja inferior a 50% (cinqüenta por cento) do valor bruto. 19 Poderão ser deduzidos da base de cálculo da retenção os valores correspondentes ao custo de fornecimento, pela contratada, do valetransporte e do valerefeição, em conformidade com a legislação própria. Pois bem. Os itens 17 e 17.1 acima transcritos dizem respeito aos valores referentes a equipamentos e materiais, especificamente nas situações em que os quantitativos não estejam discriminados expressamente em contrato. Nestas hipóteses, portanto, a parcela referente a equipamentos e materiais não pode ultrapassar 50% do valor bruto da nota. Fl. 11274DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Em complemento, o item 19 supra trata da dedução da base de cálculo da retenção dos valores referentes a valetransporte e valerefeição. Da leitura dos dispositivos acima, temse a seguinte conclusão: i) em não havendo previsão contratual expressa referente aos quantitativos e valores dos equipamentos e materiais a serem empregados, este valor não poderá ultrapassar 50% do valor total da nota fiscal emitida; ii) quando houver fornecimento de valetransporte e valerefeição aos funcionários da contratada colocados à disposição da contratante, estes valores serão abatidos da base de cálculo da retenção. Ante isto, pretende a Recorrente a exoneração do crédito lançado sob a justificativa de que a Fiscalização teria considerado tais valores (equipamentos/materiais e valetransporte/valerefeição) indevidamente, na medida em que deduzidos regularmente no momento da retenção. Alega, ainda, a Recorrente que ao separar nas notas fiscais o que se refere a “mão de obra” e o que se refere a “Valetransporte e Outros”, considerou inclusos em “Outros” os valores aplicados em equipamentos e materiais. Pois bem. Da análise das notas fiscais juntadas pela Recorrente às fls. 712 e seguintes, observamos que em alguns casos (como exemplo citase a NF 534, às fls. 716), não há como se apurar o percentual efetivamente aplicado em materiais e o utilizado para fornecimento de refeição ou transporte aos funcionários. Importante salientar que a OS INSS/DAF n° 209/99, ao tratar das hipóteses de dedução acima mencionadas estabelece limite de 50% exclusivamente no que diz respeito aos materiais e equipamentos, sendo silente quanto à limitação sobre os valetransporte e vale refeição. Nesta circunstância, entenderseia que, numa nota fiscal em que constassem, discriminadamente, os valores aplicados em mão de obra, em valerefeição e valetransporte e, em separado, os valores referentes a equipamentos e materiais, estes últimos estariam limitados a 50% do valor bruto da nota, ficando os outros 50% distribuídos entre valerefeição/transporte e mão de obra, compondo a base de cálculo da retenção apenas o valor de mão de obra. Ressaltese: este tratamento somente poderia ser aplicado aos casos em que fique claro na nota fiscal que os valores dos equipamentos estão contabilizados separadamente dos vales refeição e transporte. No caso em tela, verificase que em algumas das notas fiscais acostadas (cite se novamente a NF534 de fls. 716) o valor discriminado como “Valetransporte e Outros” (entendendo ‘Outros’ como equipamentos e materiais) ultrapassa o limite de 50% estabelecido no item 17.1 da OS/INSS/DAF n° 209/99. Neste caso, não sendo possível apurar desses valores o que é valerefeição/transporte e o que é material/equipamento, necessário estabelecer que o teto de 50% deva ser considerado para a totalidade da parcela discriminada. Sendo assim, reconhecese o direito da Recorrente de ter abatido do valor bruto das notas fiscais o percentual limitado a 50% a título da rubrica “Valetransporte e Outros”, sendo o excedente submetido à retenção dos 11% nos termos da legislação previdenciária. Fl. 11275DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.272 9 Do Período Lançado Pretende a Recorrente o cancelamento dos débitos lançados em competências anteriores a 10/1999 sob o fundamento de que os contratos analisados somente tiveram vigência iniciada a partir de então. O relatório fiscal às fls. 25/26 ao descrever os contratos submetidos à fiscalização assim o faz: “Foram disponibilizados para análise da Auditoria Fiscal os seguintes contratos: a) Contrato n° 4600000538 IPO firmado para o período de 01/10/99 a 30/09/2003, no valor total previsto de R$ 16.468.294,08 (dezesseis milhões,quatrocentos e sessenta e oito mil, duzentos e noventa e quatro reais e oito centavos), com valor mensal de R$ 329.839,46 e reajustes posteriores, para o objeto de prestação de " serviços de limpeza industrial, limpeza urbana, limpeza de drenagem e limpeza de escritórios, sanitários, vestiários, recinto de saúde, postos de balança e salas elétricas, contendo aditamentos relativos a reajustes dos salários da mão de obra empregada, solicitação de adicional de periculosidade e reajustes mensais de valores; b) contrato no 4600000955 IPO firmado em 01/02/00 para o período de 01/00 a 12/01, no valor de R$ 1.656.000,00 ( um milhão, seiscentos e cinquenta e seis mil reais), para o objeto de " manutenção e reforma de tapamento e cobertura nas diversas Areas da Usina", prevendo a contratação de 38 (trinta e oito) empregados; c) contrato n° 4600001456 IPO firmado em 23/05/00 para o período de 14/04/00 a 30/07/00, no valor de R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais), para o objeto de prestação de "limpeza industrial no alto forno 1"; d) contrato n° 4600001330 firmado em 23/06/00 para o período de 15/05/00 a 14/05/01, no valor de R$ 1.908.000,00 ( um milhão, novecentos e oito mil reais), para o objeto de prestação de" serviços de operação nas Áreas de pátios de minérios, carvão, coque, com emprego de mão de obra, ferramentas. e utensílios", prevendo a contratação de 114 (cento e catorze) empregados; e) contrato n° 4600001958 firmado em 01/09/00 para o período de 01/08/60 a 31/07/02, no valor de R$ 118.339,20 (cento e dezoito mil trezentos e trinta e nove reais e vinte centavos), para o objeto de prestação de "serviços de sanificação, com mão de obra, equipamentos, ferramentas, materiais e utensílios", prevendo a contratação de 4 (quatro) empregados.” Fl. 11276DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Notese que de todos os contratos analisados pela fiscalização, o único celebrado em 1999 foi o primeiro, com vigência entre 01/10/1999 a 30/09/2003. Todos os demais contratos tiveram inicio apenas a partir de 02/2000. Todavia, com base no Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD (fls. 10/13) verificase que os levantamentos efetivados pela Fiscalização tiveram início na competência de 03/1999. Correto o entendimento da fiscalização. No período em que não houve contrato vigente, sendo verificada a prestação do serviço mediante cessão de mão de obra, a retenção deve ocorrer sobre o valor global da nota fiscal emitida. Neste ponto, portanto, mantenho a autuação. Da multa aplicada Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Assim, quanto à multa aplicada, vale ressaltar a superveniência da Lei 11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 11277DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.273 11 § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991. Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32A e 35A, ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei 8.212/1991. O art. 44 da Lei 9.430/1996 dispõe o seguinte: Fl. 11278DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A regra do artigo acima mencionado tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade – a norma especial prevalece sobre a geral: o art. 32A da Lei 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o art. 43 da mesma lei: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do art. 32A da Lei 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, no caso que tenha sido lavrado Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP), qual tenha sido o valor nele lançado. Fl. 11279DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000579/200746 Acórdão n.º 2402004.075 S2C4T2 Fl. 11.274 13 Do Recurso de Ofício A autoridade julgadora de primeira instância interpôs recurso de ofício pautada em retificação do crédito tributário que resultou em exoneração de R$ 216.909,62 (duzentos e dezesseis mil, novecentos e nove reais e sessenta e dois centavos) em favor do contribuinte (fls. 9950). A Portaria MF n°375/2001, vigente à época da interposição do referido recurso, ao estabelecer critério para cabimento do recurso de ofício assim previa: Art. 2. O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Ante isto, não sendo alcançado o limite mínimo para admissibilidade do recurso de ofício, a ele nego conhecimento. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/1991, bem como para reconhecer a exoneração do crédito em parte, nos termos do voto e, ao recurso de ofício nego conhecimento. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 11280DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 21/07/20 14 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000289/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Relatório
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16643.000289/2010-11
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352626
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-000.289
nome_arquivo_s : Decisao_16643000289201011.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 16643000289201011_5352626.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
id : 5485425
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814217732096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 5.045 1 5.044 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000289/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.289 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente ZF DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 43 .0 00 28 9/ 20 10 -1 1 Fl. 5079DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.046 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 1ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente em parte a impugnação, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO CPL. DESQUALIFICAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Não logrando a contribuinte comprovar documentalmente os cálculos dos preços de transferência segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a desqualificação do referido método pela fiscalização, atendendo, inclusive, a uma solicitação da própria contribuinte. Incabível, no entanto, a aplicação de multa regulamentar por não haver a contribuinte entregue a totalidade da documentação solicitada pela fiscalização, pois essa penalidade, genérica, só poderia ser aplicada se não houvesse previsão específica para essa falta, o que não é o caso, pois a conseqüência foi a desqualificação do método adotado pela contribuinte. AGREGAÇÃO DE VALOR. VEDAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20. O método do PRL20 (Preço de Revenda menos Lucro, com margem de 20%) não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO. ADOÇÃO DE OUTRO MÉTODO PELA FISCALIZAÇÃO. MÉTODO MAIS FAVORÁVEL. Em face da desqualificação do método adotado pela contribuinte, pode a fiscalização eleger outro método para a apuração dos preços de transferência. A escolha do método mais favorável ao contribuinte é uma prerrogativa do contribuinte, mas não uma imposição à fiscalização. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Fl. 5080DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.047 3 MÉTODO PRL. PREÇOS PRATICADOS. FRETE, SEGURO E TRIBUTOS. Na apuração dos preços praticados segundo o método PRL, devese incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e os tributos incidentes na importação. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. ERRO NA APURAÇÃO. INCORREÇÃO SANÁVEL. Constatado erro sanável da apuração da matéria tributável, exonerase parcialmente a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 3395/3435, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatouse o seguinte: 1. DA EMPRESA A fiscalização faz, às fls. 3395/3402, considerações gerais (organograma, localização, processos de produção, etc.) sobre a empresa fiscalizada, que basicamente importa e industrializa peças para veículos leves e pesados, fabricando tais equipamentos e comercializando seus produtos no mercado interno. Além disso, importa e revende peças também no mercado interno. 2. DO PROCEDIMENTO FISCALIZATÓRIO Em 15/12/2009, a contribuinte foi intimada a informar o método adotado e a apresentar relação de pessoas vinculadas, memórias de cálculos, arquivos magnéticos e demais papéis de trabalho, para a comprovação dos preços de transferência em suas operações de importações no anocalendário 2005 e a documentação relativa a remessas de royalties para o exterior (CIDE e IRRF), referentes aos anoscalendário de 2005 a 2009. Para efeito de análise dos preços de transferência, a contribuinte informou o método adotado e apresentou os papéis de trabalho (fls. 212/214 e 323/327). 2.1 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA IMPORTAÇÕES 2.1.1 DOS VALORES UTILIZADOS PELA CONTRIBUINTE PARA OS CÁLCULOS DE PREÇO DE TRANSFERÊNCIA IMPORTAÇÕES Da análise das informações prestadas, a fiscalização constatou que a contribuinte utilizou, em suas operações de importação para o período fiscalizado, os 3 métodos previstos na legislação para o cálculo dos preçosparâmetro: a) método do Preço de Revenda menos Margem de Lucro de 20% (PRL20, conforme disposto no item “a” do Fl. 5081DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.048 4 inciso IV do artigo 12 da IN SRF Nº 243/2002, para o caso de importações realizadas para revendas sem qualquer agregação de valor) ou 60% (PRL60, conforme disposto no item “b” do inciso IV do artigo 12 da IN SRF Nº 243/2002, para o caso de importações de insumos que foram submetidos ao processo de produção na fabricação de produto para revenda); b) método dos Preços Independentes Comparados – PIC, conforme disposto no artigo 8º da IN SRF nº 243/2002, para os casos em que teria disponíveis os preços praticados em outras operações similares, nas condições elencadas no § único do artigo citado; e c) método do Custo de Produção mais Margem de Lucro – CPL, conforme disposto no artigo 13 da IN SRF nº 243/2002, para os casos em que alega ter disponíveis as informações de custos de produção dos bens no exterior, acrescentando sobre esse valor os impostos e taxas cobrados no país de exportação e a margem de lucro de 20% sobre o lucro apurado. A fiscalização passou, então, às verificações dos métodos adotados e respectivos cálculos dos ajustes de preços de transferência. 2.1.1.1 Método CPL Com relação aos documentos comprobatórios do método CPL, a fiscalização verificou divergências de valores entre os preçosparâmetro comprovados e aqueles utilizados pela empresa nos cálculos dos ajustes informados na DIPJ. Questionada sobre o fato, a contribuinte esclareceu (fl. 742) que as divergências ocorreram em função da antecipação dos valores (fev/2006) em relação ao fechamento da empresa matriz (mar/2006) e que, na data em que os valores desses preços foram dimensionados, não havia, ainda, os valores de fechamento e, por isso, foram utilizadas prévias, que, segundo a empresa, sempre foram pró Fisco. Ao entregar a DIPJ, em jun/2006, verificou que as divergências eram a favor do Fisco e decidiu não retrabalhar seus registros com os dados reais. Não satisfeita com as justificativas da empresa, a fiscalização intimoua a apresentar a relação de todas as empresas coligadas, cujas informações de custos foram utilizadas na composição dos preçosparâmetro pelo método CPL, e demonstrativos resumo, por código de item fabricado e descrição, com as informações de custos (materiais diretos, mãodeobra direta, custos indiretos e custo total). Em meio de uma série de problemas para a entrega das informações solicitadas, alegando a contribuinte que as empresas no exterior estariam criando dificuldades para fornecêlas (fl. 745), finalmente a fiscalização recebeu os documentos solicitados (fls. 746/760), das empresas coligadas ZF Friedrichsafen AG, ZF Sachs Slovania AS, ZF Padova SPA e ZF Sachs Poewertrain México AS de CV e, posteriormente, das empresas ZF Hurth Marine e ZF Trading GMBH (fls. 761/766). A fiscalização constatou que as informações recebidas não continham os custos de todos os produtos das empresas envolvidas, mas tão somente aqueles produtos que teriam sido utilizados para a comprovação do método CPL. Feita nova solicitação, a fiscalização recebeu as planilhas de custos de todos os produtos das empresas ZF Sachs AG, ZF Friedrichsafen AG e ZF Sachs Slovania AS (fls. 771/956). No entanto, ainda ficaram faltando as planilhas das empresas ZF Padova SPA, ZF Hurth Marine, ZF Sachs Poewertrain México AS de CV e ZF Trading GMBH. À empresa foi apresentado o Termo de Constatação e Intimação de fls. 957/960, aplicando multa regulamentar por não ter encaminhado as planilhas de todas as empresas. Mediante esse mesmo Termo, a contribuinte foi intimada a entregar, além do material faltante, as linhas de produção e respectivos mapas de produção (mensal e Fl. 5082DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.049 5 acumulado), relação de principais materiais consumidos (80%) para os 5 principais itens produzidos em cada empresa, demonstração da mãodeobra direta e planilha contendo todas as despesas indiretas incorridas na produção. A contribuinte, temendo sofrer sanções pela morosidade na apresentação das informações solicitadas, esclareceu que não teria condições de comprovar o método CPL, solicitando à fiscalização que esse método fosse desconsiderado (fls. 961/964). Ademais, vindo a corroborar o procedimento de desqualificação do método CPL, a fiscalização comparou as relações dos custos apresentadas para a empresa ZF Sachs contendo somente produtos avaliados pelo método CPL (fls. 754/756) com a planilha entregue posteriormente, contendo todos os produtos (fls. 771/898), tendo constatado as divergências de valores sintetizadas às fls. 3405/3406. O método CPL foi, então, desqualificado, nos moldes do artigo 40, inciso II e § único, da IN SRF nº 243/2002 (fls. 970/975), permitindo à fiscalização, desse modo, vir a eleger outro método que julgar conveniente para a apuração dos preços de transferência da empresa fiscalizada. 2.1.1.2 Método PIC Após verificação dos cálculos e documentos apresentados, a fiscalização decidiu pela aceitação do método PIC utilizado pela contribuinte. 2.1.1.3 Método PRL No tocante ao método PRL utilizado pela empresa para alguns insumos, a fiscalização verificou que, em alguns casos, foi utilizada indevidamente a margem de lucro de 20%, quando deveria ter sido aplicada a margem de 60%. A fiscalização cita como exemplos os insumos de códigos 133082149541 (que entrou na produção do produto de código 133082149541A1) e 043151180231 (que produziu o item de código 043151180231CC). Com relação ao item de código 4139298943, para o qual foi utilizado o método PRL20, a fiscalização observou que a empresa utilizou, para calcular o preçoparâmetro (fl. 1718), o valor das vendas brutas, sem a dedução dos impostos, o que está em desacordo com o artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Com relação ao item de código 4149203023, para o qual foi utilizado o método PRL60, a contribuinte não logrou comprovar o preçoparâmetro de R$ 256,22, constante da memória de cálculo (fl. 1792). Ao invés disso, procedeu ao recálculo do valor, para R$ 146,77, apresentando a planilha de fl. 1729, reproduzida à fl. 3409. Inobstante o fato de a fiscalização aceitar ou não o valor recalculado (R$ 146,77), da análise do material apresentado constatouse que os valores médios de venda líquida utilizados nos cálculos estão, de uma modo geral, acima dos valores encontrados pela fiscalização, com base nos dados fornecidos pela própria contribuinte (vide Demonstrativo do Preço Líquido de Venda PRL60). 2.2 DA CONSTATAÇÃO FISCAL 2.2.1 (...) 2.2.2 (...) 2.2.3. Preços de transferência: (Apuração pela contribuinte) Fl. 5083DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.050 6 Segundo os valores declarados na DIPJ (fl. 9), a contribuinte adicionou ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, a título de ajustes de preços de transferência, o montante de R$ 2.457.818,86, a seguir sintetizado (valores em reais): Importação Exportação Método Ajuste Método Ajuste CPL 535.767,96 CAP 4.897,24 PIC 0,00 PVA 0,00 PRL20 0,00 Não especificadas 684.780,25 PRL60 0,00 Total 689.677,49 Não especificadas 1.232.373,41 Total 1.768.141,37 Total imp + exp 2.457.818,86 Tendo em vista que a contribuinte, na DIPJ, preencheu apenas as informações relativas aos 49 itens mais relevantes, no tocante ao método utilizado, a fiscalização solicitou–lhe que abrisse as informações relativas às mercadorias “não especificadas”, indicando, por método, o total ajustado (fl. 1716), informações essas a seguir sintetizadas (valores em reais): Importação Exportação Método Ajuste Método Ajuste CPL 1.254.984,80 CAP 689.677,49 PIC 1.085,35 PVA 0,00 PRL20 319.892,91 Total 689.677,49 PRL60 192.178,31 Total 1.768.141,37 Total imp + exp 2.457.818,86 2.2.4 Preços de Transferência: (Apuração pela fiscalização) 2.2.4.1 Método PIC Para os casos em que a empresa adotou o método PIC, a fiscalização não desqualificou o método e simplesmente procedeu aos recálculos dos preços praticados, utilizando os dados fornecidos pela contribuinte e concluiu que, com relação aos insumos para os quais esse método foi empregado, não foram necessários ajustes adicionais de preços de transferência. 2.2.4.2 Método PRL A fiscalização buscou respeitar as escolhas da contribuinte, no tocante aos métodos utilizados. No entanto, devido às irregularidades apontadas na comprovação do método CPL, não restou outra alternativa, senão a de proceder ao recálculo dos ajustes relativos aos insumos para os quais esse método foi utilizado, elegendo outro método no caso, o PRL , nos moldes do artigo 40 da IN SRF nº 243/2002, sem deixar, no entanto, de levar em conta os valores de ajustes já efetuados pela contribuinte. No tocante ao método PRL foram efetuados recálculos dos preços praticados e dos preçosparâmetro, de modo a se verificar se havia a necessidade de ajustes adicionais àqueles efetuados pela contribuinte, tendo sido encontradas divergências de valores, principalmente quanto aos preçosparâmetro apresentados pela contribuinte. Além disso, conforme anteriormente citado, em alguns casos a contribuinte utilizou Fl. 5084DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.051 7 indevidamente a margem de lucro de 20%, quando deveria ter sido aplicada a margem de 60%. Os insumos foram divididos em 2 grupos: aqueles que não sofreram agregação de valores do Brasil e foram simplesmente revendidos (método PRL20) e aqueles que sofreram agregação de valores antes de serem revendidos (método PRL60), englobando nesse último grupo os casos mistos (revenda + produção). 2.2.4.2.1 – Método PRL20 Para os produtos para os quais a contribuinte elegeu o método PRL e que não sofreram agregação de valores, ou para aqueles que, nessas mesmas condições, foram provenientes do método CPL, a fiscalização recalculou os preços praticados pelo método PRL20 (R$/kg), na forma determinada pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002 (CIF +II). Os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item “a” do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Os ajustes foram calculados em função das quantidades vendidas, incluindose as quantidades de estoques iniciais, pois determina a lei que, no cálculo do preço praticado do item importado, no anocalendário sob fiscalização, as quantidades importadas de insumos, de empresas vinculadas devam ser ponderadas com as quantidades e valores dos respectivos estoques iniciais (§ 3º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002). Em particular para esta empresa, a fiscalização constatou que, para um mesmo item, ocorreram casos em que, ao mesmo tempo, este foi importado de empresas vinculadas, importado de empresas nãovinculadas e comprado no mercado interno e/ou fabricado, sendo que todas as quantidades estavam controladas sob o mesmo “código do item”. Dessa forma, para o cálculo das quantidades, a fiscalização solicitou à contribuinte o preenchimento das tabelas “PRL20 – Quantidade de Insumo Revendida”, com as informações de quantidades referentes somente às importações de empresas vinculadas mais estoque inicial. Pequenas divergências foram consideradas como perdas de estoque, ajuste de inventário, etc, e a fiscalização decidiu ajustar as quantidades limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Pelo método PRL20 foi apurado o valor de ajuste de R$ 1.063.869,07, já deduzidos os valores declarados, conforme demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculo de fls. 2639/2642 (Relatório “Consolidação PRL20”). 2.2.4.2.2 – Método PRL60 Para os insumos para os quais a contribuinte elegeu o método PRL e que sofreram agregação de valores, ou para aqueles que, nessas mesmas condições, foram provenientes do método desqualificado CPL, a fiscalização recalculou os preços praticados pelo método PRL60 (R$/kg), na forma determinada pelo § 4º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002 (CIF +II). Os preçosparâmetro foram calculados de acordo com o item “b” do inciso IV do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Os valores dos coeficientes insumoproduto foram fornecidos pela contribuinte, de acordo com a contabilidade e relatórios de produção, em arquivo magnético e impressos em papel. Fl. 5085DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.052 8 A fiscalização apresenta, às fls. 1799/1801, a metodologia utilizada no cálculo do preçoparâmetro para 3 situações distintas: Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de um único produto para venda A fiscalização traz como exemplo a matériaprima de código 4139106290, utilizada na fabricação do produto de código 4139003838 (vide “Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60”, fl. 2816, e “Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL60”, fl. 3276). Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda É o caso da matériaprima importada de código 001842391043, utilizada em 5 produtos. Dessa forma, foram calculados 5 preçosparâmetro (PRL60), um para cada produto. Como a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um produto ou matériaprima tenha mais de um preçoparâmetro, a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média ponderada para chegar num preçoparâmetro único, para comparação com o preço praticado na importação. Matériaprima importada de vinculada utilizada na produção de mais de um produto para venda e também revendida É o caso da matériaprima importada de código 0501007354, utilizada em 6 produtos. Dessa forma, foram calculados 6 preçosparâmetro (PRL60), mais um que corresponde à revenda (PRL20). A fiscalização apurou a média aritmética ponderada entre o valor obtido pelo PRL20 e os valores obtidos pelo PRL60 (representando a média aritmética ponderada dos 6 preçosparâmetro), de modo a chegar num único preçoparâmetro, utilizado para comparação com o preço praticado na importação (nos moldes da SCI COSIT nº 30, de 30/07/2008). Igualmente ao ocorrido para o método PRL20, foram detectados casos de itens importados de empresas vinculadas, importados de empresas nãovinculadas e comprados no mercado interno e/ou fabricados, sendo que todas as quantidades estavam controladas sob o mesmo “código do item”. Dessa forma, para o cálculo das quantidades, a fiscalização solicitou à contribuinte o preenchimento de duas tabelas “PRL60 – Quantidade Consumida de Insumo” e “PRL60 – Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos” , com as informações de quantidades referentes somente às importações de empresas vinculadas mais estoque inicial. A partir dos dados fornecidos, a fiscalização calculou a quantidade de ajuste para cada item (“Demonstrativo de Quantidade de Ajuste – PRL60”). Pequenas divergências encontradas em função de perdas de estoque, ajuste de inventário, etc, foram sanadas, limitando tais valores à soma das quantidades importadas de vinculadas mais estoque inicial. Destarte, pelo método do PRL60, a fiscalização apurou ajuste de R$ 39.572.945,48 (já deduzidos os valores de ajustes declarados pela contribuinte no LALUR), conforme demonstrativo de apuração e respectivas memórias de cálculo de fls. 2643/2647 (Relatório “Consolidação PRL60 e PRL20/60”). 2.2.5 – Apuração Fl. 5086DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.053 9 O montante consolidado passível de ajuste no LALUR atinente às operações de importação da contribuinte (Relatório “Consolidação PT Importação”, fls. 2629/2638), resultou em R$ 40.636.814,55, conforme a seguir sintetizado: Método Ajuste (R$) PRL20 1.063.869,07 PRL60 39.572.945,48 Total 40.636.814,55 2.3 DA MULTA REGULAMENTAR No decorrer do processo fiscalizatório, foi solicitado à empresa a comprovação do método CPL, com relação a toda as empresas coligadas do grupo. Tendo em vista que não houve o cumprimento total da entrega do material solicitado no prazo original e considerando as diversas prorrogações concedidas, a fiscalização instituiu a multa regulamentar no valor de R$ 2.694,79, de acordo com o artigo 968 do RIR/99 (fls. 957/960). 2.4 – DO IRRF E CIDE REFERENTES A REMESSAS DE ROYALTIES AO EXTERIOR Não houve resultado no tocante ao IRRF e à CIDE referentes a remessas de royalties ao exterior. 3. RELATÓRIOS DE CONSOLIDAÇÃO DOS CÁLCULOS DE PT A fiscalização apresenta, às fls. 3423/3426, descrição detalhada dos campos dos relatórios de consolidação dos preços de transferência, a seguir relacionados: 1) Relatório “Consolidação PT Importação” (fls. 2629/2638) 2) Relatório “Consolidação PRL20” (fls. 2639/2642) 3) Relatório “Consolidação PRL60 (e PRL20/60)” (fls. 2643/2647) Além dos relatórios de consolidação, a fiscalização apresenta, às fls. 3426/3433, os demonstrativos de cálculo de algumas variáveis, como os valores de preços parâmetro, praticado e líquido de venda unitário, obtidos a partir dos dados fornecidos pela contribuinte, a seguir relacionados: 1) Demonstrativo do Preço Praticado PRL20 (fls. 2859/2899) 2) Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL20 (fls. 2648/2782) 3) Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL20 (fls. 3083/3208) 4) Demonstrativo do Preço Praticado PRL60 (fls. 2900/3058) 5) Demonstrativo do Preço Parâmetro PRL60 (fls. 2783/2858) 6) Demonstrativo do Preço Líquido de Venda Unitário PRL60 (fls. 3059/3082) Fl. 5087DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.054 10 7) Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL60 (fls. 3209/3362) 8) Demonstrativo da Quantidade de Ajuste PRL20/60 (fls. 3363/3386) Todos os relatórios de consolidação e demonstrativos foram gravados em arquivo magnético, disponibilizado à contribuinte juntamente com este Termo, mantendose uma cópia do mesmo em CDROM. 4. DAS TABELAS DE DADOS IMPRESSAS A fiscalização solicitou à contribuinte as últimas versões das principais tabelas entregues em meio magnético, contendo os dados utilizados nos cálculos de preço de transferência, devidamente impressas com as folhas rubricadas pelo representante da empresa, a seguir relacionadas: Tabela “Ajustes de Importação no Ano Fiscalizado”; Tabela “Custo de Produção Acabada”; Tabela “Importações”; Tabela “Insumo Produto Anual”; Tabela “Inventário”: dados de estoque inicial e final; Tabela “PRL20 – Quantidade de Insumo Revendida”; Tabela “PRL60 – Participação Insumo Produto”; Tabela “PRL60 – Quantidade de Insumo Consumida na Produção”; Tabela “PRL60 – Quantidade de Insumo nos EF dos Produtos”; Tabela “Vendas”. 5. DA RETIFICAÇÃO DO LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL – LALUR Considerando que a presente ação fiscal resultou em retificação do saldo de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, a contribuinte foi intimada a retificar o LALUR relativo ao anocalendário de 2005. DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2005: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 3436/3442 Fundamento legal artigo 241 do RIR/99 c/c artigos 18 e 21 da Lei nº 9.430/96 e artigos 1º a 13 da IN SRF nº 243/2002; e artigos 927, 928 e 968 do RIR/99 Crédito Tributário 7.111.442,53 Imposto (em reais) 5.333.581,89 Multa proporcional (75%) 3.761.953,09 Juros de mora (cálculo até 29/10/2010) 16.206.977,51 Subtotal 2.694,79 Multa regulamentar 16.209.672,30 TOTAL Fl. 5088DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.055 11 Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 3443/3447 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002 Crédito Tributário 2.560.119,31 Contribuição (em reais) 1.920.089,48 Multa proporcional 1.354.303,11 Juros de mora (cálculo até 29/10/2010) 5.834.511,90 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 16.206.977,51 IRPJ 29/10/2010 2.694,79 Multa regulamentar – IRPJ 5.834.511,90 CSLL 22.044.184,20 TOTAL Obs. Houve compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores (FAPLI/FACS às fls. 3450/3451). DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 12/11/2010 (fls. 3440 e 3446), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída (fl. 3502), apresentou, em 15/12/2010, a impugnação de fls. 3456/3501 (IRPJ e CSLL), alegando, em síntese, o seguinte: DA AÇÃO FISCAL Em relação às importações realizadas em 2005, a impugnante adotou, para fim de apuração dos preçosparâmetro a serem comparados com os preços praticados em suas importações, conforme o caso, os métodos PIC, PRL, tendo também originalmente adotado o método CPL. A fiscalização aceitou os cálculos realizados pela impugnante quanto ao método PIC, tendo, porém, questionado os cálculos realizados com base nos métodos PRL e CPL, como se passa a detalhar. Importações originalmente submetidas ao método PRL A fiscalização questionou a aplicação do método PRL20 quanto a certos produtos, para os quais, no seu entender, deveriam sujeitarse à aplicação do método PRL60, pois teriam sido destinados à produção, e não à mera revenda. Todavia, como se demonstrará adiante, esse questionamento da fiscalização fundouse em premissa equivocada, tendo sido adequado o procedimento da contribuinte, como restará claro a seguir. Importações originalmente submetidas ao método CPL e posteriormente ao método PRL60 Quando do início da fiscalização, a impugnante contatou as empresas no exterior que lhe haviam vendido os itens sujeitos ao método CPL, a fim de solicitar o envio dos documentos requeridos pelo Auditor Fiscal e que ainda não estavam em seu poder. Fl. 5089DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.056 12 A impugnante conseguiu apresentar a maior parte da documentação que lhe foi solicitada ao longo da fiscalização, referente à parcela mais significativa das importações realizadas. Não conseguiu, porém, obter, de algumas das empresas exportadoras, uma pequena parte da documentação que lhe foi requerida (ficou pendente a parcela menos relevante das empresas ZF Sachs Powertrain México AS, ZF Padova SPA e ZF Hurth Marine). Isso se deu em razão do grande volume de documentos e informações solicitadas pelo Auditor Fiscal , que não se contentou em examinar apenas o custo dos produtos importados pela impugnante, tendo requerido a abertura e minucioso detalhamento do custo de toda a carteira de produtos comercializados pela empresas no exterior, mesmo em relação a produtos não vendidos à impugnante, não tendo o Auditor Fiscal aceito qualquer demonstração por amostragem. A impugnante expôs ao Auditor Fiscal que entendia que a documentação até então apresentada era suficiente para demonstrar a adequação do método CPL, uma vez que cobria a parcela mais significativa das importações realizadas, e que somente conseguiria apresentar documentos adicionais caso lhe fosse concedido tempo adicional. O Auditor Fiscal, no entanto, não se dispôs a conceder à impugnante prazo adicional e tampouco a examinar a aplicação do método CPL com base na documentação até então apresentada. Assim, houve por bem desconsiderar a aplicação do método CPL utilizado pela impugnante em parte de suas importações, passando a utilizar o método PRL60, para o cálculo do preçoparâmetro em relação a produtos importados para agregação como matériaprima aos produtos manufaturados no País. Esclarece a impugnante que forneceu ao Auditor Fiscal todos os documentos e informações que lhe foram solicitadas para fim de aplicação do método PRL60. Em vista do novo método que passaria a ser utilizado pelo Auditor Fiscal, a impugnante houve por bem revisar a apuração dos ajustes para os produtos em questão conforme o método PRL60, tendo efetuado seus cálculos de acordo com o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (alterado pelo artigo 2º da Lei nº 9.959/2000). A impugnante também contratou a renomada empresa de auditoria Deloitte Touche Tohmatsu para calcular o preçoparâmetro dessas importações pelo método PRL60. O CDROM juntado aos autos (doc. 5, fl. 3525) contém todos os cálculos e detalhamento elaborados pela Deloitte, que também preparou um sumário impresso contendo a conclusão do seu trabalho (docs. 6 e 7). Assim, conforme os cálculos efetuados pela impugnante pelo método PRL60 e o resultado do trabalho realizado pela Deloitte, verificouse que a impugnante não teria qualquer ajuste adicional a ser efetuado em comparação com os resultados anteriormente obtidos com base no método CPL. Aliás, o método PRL60 gerou um ajuste menor que o originalmente efetuado com base no método CPL. Todavia, no entender da fiscalização, haveria uma diferença de ajuste de preços de transferência a ser adicionada, sustentando esse entendimento com planilhas de cálculo contendo novos preçosparâmetro com base no método PRL60. Do exame dessas planilhas (as quais se referem, essencialmente, às importações de insumos avaliadas pelo método CPL), verificase que a divergência de resultados Fl. 5090DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.057 13 devese à circunstância de que, ao passo que a impugnante realizou seus cálculos com base na sistemática prevista na lei, a fiscalização não realizou seus cálculos com base na lei, mas com base na sistemática proposta pela IN SRF nº 243/2002 (sobretudo o artigo 12, § 11, incisos II e III). No entanto, a exigência fiscal não pode prosperar, como se passa a demonstrar a seguir. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA DO DIREITO Aplicação do método PRL60 e princípio da estrita legalidade A IN SRF nº 243/2002 não se limitou a apenas regular as regras de preços de transferência estabelecidas pelo artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (com as alterações da Lei nº 9.950/2000), mas estabeleceu um novo critério de cálculo totalmente diverso daquele originalmente previsto na lei. Vale mencionar que a utilização do método PRL60 na forma estabelecida pela IN SRF nº 243/2002 tende a ser mais prejudicial ao contribuinte. A IN SRF nº 243/2002 estabeleceu critérios mais rigorosos para o cálculo do método PRL60 do que aqueles previstos na lei ordinária, critérios esses que tendem a gerar um preçoparâmetro menor que o estabelecido pela Lei nº 9.430/96 e, conseqüentemente, um aumento indevido do excesso de custo e da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. No presente caso, o cálculo realizado pela fiscalização tomou exclusivamente por base as regras da IN SRF nº 243/2002, em detrimento da lei. Como resultado desse procedimento, os Autos de Infração exigem o recolhimento de tributos sem qualquer base legal, de modo que a autuação não pode prevalecer. A doutrina é pacífica no sentido de que não se pode exigir tributo sobre base não prevista em lei, cabendo tãosomente à lei detalhar todos os elementos que compõem a regra matriz de incidência tributária. Uma prova cabal de que é necessária a existência de lei para suportar os critérios que a IN SRF nº 243/2002 pretendeu instituir foi a edição da MP nº 478/2009, a qual terminou por não ser convertida em lei, que previa, dentre outras alterações, uma modificação no texto do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, a fim de incorporar os critérios de cálculo estabelecidos pela IN SRF nº 243/2002 para fim do método PRL60. Vale observar que o próprio Poder Executivo reconheceu essa situação, conforme se pode depreender da Exposição de Motivos da referida medida provisória. A normas estabelecidas pelas Leis nºs 9.430/96 e 9.950/2000 são perfeitamente claras, completas e autoaplicáveis quanto à definição dos critérios para cálculo do preçoparâmetro pelo método PRL60, prescindindo, portanto, de qualquer ato normativo que regulamente a disposição legal. No Conselho de Contribuintes já existem bons e importantes precedentes que preservam o direito do contribuinte em face de conceitos estabelecidos pela IN SRF nº 23/2002 que extrapolam o estabelecido em lei. Fl. 5091DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.058 14 Analisando especificamente o tema aqui tratado, o TRF da 3ª Região, em julgamento do processo nº 2007.61.00.0340487, reconheceu a clara ilegalidade da IN SRF nº 243/2002 nesse particular. Diante do exposto, temse por definitivo que a presente autuação não reúne condições para prosperar. Aplicação do método PRL60 para produtos originalmente submetidos pela impugnante ao cálculo conforme o método PRL20 Além da aplicação (equivocada) do método PRL60 em decorrência da desconsideração do método CPL, o Auditor Fiscal questionou a aplicação do método PRL20 quanto a certos produtos, os quais, no seu entender, deveriam sujeitarse à aplicação do método PRL60. Da leitura do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 9.950/2000) depreendese que, em relação ao método PRL, o cálculo com base na margem de lucro de 20% (PRL20) configura a regra geral, sendo que, apenas nas situações em que os insumos importados se destinam à produção, é que há a aplicação do cálculo com base na margem de lucro de 60% (PRL60). Esclareçase que o processo de “produção” – conceito diverso de “industrialização” – pressupõe uma efetiva transformação do insumo, havendo alterações de suas características ou natureza. O Auditor Fiscal citou como exemplo o item sob código 133082149541, que teria, segundo ele, entrado na produção do produto de código 133082149541A1. Todavia, equivocouse o Auditor Fiscal nesse particular, certamente por não haver compreendido adequadamente o processo operacional da impugnante. Os insumos indicados pela fiscalização não se destinaram à produção, mas foram apenas objeto de circulação interna e de embalagem manual (em alguns casos, após reunião com outros produtos similares para formar um “kit”), tendo sido imediatamente destinados à revenda, sem qualquer alteração de sua natureza ou características. No caso, o produto de código 133082149541A1 é exatamente o mesmo produto de código 133082149541, havendo apenas a inclusão da letra “A” no código para fim de controle interno quando da circulação do item no estabelecimento da empresa. Esse produto não é submetido a qualquer processo de produção, sendo apenas embalado e imediatamente destinado à revenda. Inclusive o código NCM do produto é exatamente o mesmo quando de sua saída. Destaquese que o processo de embalagem não se trata de processo produtivo, não se sujeitando, portanto, à aplicação do método PRL60, conforme reconhecido pela própria Receita Federal, na Solução de Consulta nº 22, de 14/08/2008. A impugnante anexa à presente impugnação um breve resumo que sumariza, por amostragem, o processo de circulação dos itens indicados pelo Auditor Fiscal, demonstrando que esses itens simplesmente são objeto de embalagem, não sofrendo qualquer processo de produção (doc. 08). Assim, com relação aos itens em questão há que se manter os cálculos da contribuinte pelo método PRL20, devendose cancelar a autuação correspondente. Erros no cálculo elaborado pelo fiscal Fl. 5092DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.059 15 Há, ainda, erros perpetrados pelo Auditor Fiscal quando da realização dos cálculos que embasaram o lançamento.. Notase que, quando da apuração dos preçosparâmetro com base no método PRL20, o Auditor Fiscal equivocadamente efetuou uma dupla dedução do mesmo montante relativo ao valor dos tributos (PIS, COFINS e ICMS). Vide exemplo à fl. 3486, relativo ao produto de código 4180004006, sendo que a mesma situação se repete nos demais itens objeto de cálculo. Essa situação ocorreu não apenas no cálculo do PRL20, mas também no cálculo do PRL60, conforme exemplo à fl. 3487, relativo ao insumo de código 4149106096 (integrante do produto de código 4139003838). Essa duplicação ocorreu em todos os cálculos da fiscalização. Outros erros foram perpetrados pela fiscalização, como, por exemplo, a aplicação da margem de lucro de 20% sobre o preço líquido de venda, e não sobre o preço bruto, em contrariedade à legislação. Assim sendo, mesmo que desconsiderados todos os argumentos expostos até o momento, seria necessário cancelar os Autos de Infração lavrados, eivados de erros materiais. Valor FOB x valor CIF Há mais um ponto que também justifica o imediato cancelamento do lançamento. A fiscalização realizou todos os seus cálculos com base no valor CIF dos produtos importados, e não com base no seu valor FOB, em desconformidade com a legislação. Isso porque o valor CIF inclui valores de frete e seguro, pagos a terceiros não vinculados, não sujeitos ao controle dos preços de transferência. Para se comprovar a distorção causada pelo critério da fiscalização em utilizar o custo CIF, poderíamos considerar o exemplo de uma importação feita de pessoa vinculada na condição de “custo e frete/seguro”, em que tanto o preço FOB do produto quanto o valor do serviço seriam contratados da mesma parte relacionada no exterior. Tendo em vista que a legislação de preços de transferência determina a comparação individual e independente dos valores de bens e serviços com seus respectivos preçosparâmetro, a análise conjunta do valor da mercadoria e do preço do transporte/seguro deixaria completamente desatendido o objetivo da legislação, gerando uma duplicação de seus efeitos. Por outro lado, quando o seguro e o serviço de transporte são contratados de terceiros, temse uma situação em que uma despesa com partes não relacionadas (integralmente dedutível, portanto) é somada ao preço pago a partes relacionadas para efeito de comparação com o parâmetro de preço adequado, o que não tem cabimento. Outro exemplo da distorção que o critério da fiscalização causa, seria o caso da importação de um produto sem cobertura cambial, isto é, sem qualquer pagamento à pessoa relacionada no exterior. Ainda que não houvesse pagamento ao exterior, a empresa importadora estaria sujeita a pagamentos de frete, seguro e impostos não Fl. 5093DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.060 16 recuperáveis. Seria seu custo efetivo zero (preço pago à parte relacionada) ou a somatória de frete, seguro e impostos pagos a terceiros? Seguindo a linha de raciocínio da fiscalização, o preço efetivamente pago pela importadora à sua parte relacionada no exterior nunca seria zero, e a empresa, no caso do método PRL, deveria ajustar seu lucro tributável por diferença de preço, no pressuposto de pagamento em excesso para pessoa vinculada, quando não teria sido paga nenhuma parcela para a pessoa vinculada. Uma análise do caput e do § 5º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96 demonstra claramente que os preçosparâmetro calculados através dos métodos PIC, CPL ou PRL não deverão ser comparados com outra coisa senão com os documentos de importação (ou seja, Declaração de Importação – DI) da empresa adquirente. Atentese que o citado § 5º não menciona a palavra “custo”, mas sim valor de aquisição, que é o que realmente interessa. Em contraposição ao acima exposto, há que se observar que quando o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 dispõe sobre custo (em seu § 6º) não se refere à comparação com o preçoparâmetro, mas ao que se entende por dedutível para fins de IRPJ e CSLL. Nesse caso, no momento de deduzir o valor pago na aquisição de produtos de partes relacionadas, o contribuinte está autorizado a incluir, nessa dedução, o valor do frete e do seguro pagos, como normalmente ocorreria em uma dedução de custos. Em vista do disposto nos supracitados §§ 5º e 6º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96, o procedimento correto, que a fiscalização deveria ter seguido, seria: (1) comparar o preçoparâmetro com o valor de aquisição (§ 5º); e (2) aceitar como dedutível, como custo total de aquisição, o valor FOB pago (já comparado com o preçoparâmetro), acrescido dos impostos não recuperáveis, do frete e do seguro pagos (§ 6º). Diante da clara evidência do erro perpetrado pela fiscalização nos cálculos ora impugnados, fazse premente o imediato cancelamento da autuação. Escolha do preçoparâmetro com base no PRL60 De acordo com o artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, os contribuintes têm a prerrogativa de adotar para si o método de comparação de preços que lhe seja mais favorável. Essa previsão estendese ao Fisco no momento da realização do procedimento de fiscalização, devendo a autoridade fiscal esgotar todos os métodos possíveis, para só então estar apta a dizer se os preços praticados estão adequados. Esse também é o entendimento do Conselho de Contribuintes (ementa à fl. 3494). No caso em tela, a fiscalização ignorou a possibilidade de cálculo pelo método PIC nos casos em que desconsiderou os métodos adotados pela impugnante e efetuou os cálculos com base na aplicação exclusiva do método PRL60 – e, pior, com base na extrapolada metodologia da IN SRF nº 243/2002. Nesse sentido, não é dado ao Fisco eleger o método que julgar conveniente segundo os interesses da arrecadação. Ademais, há que se invocar, mais uma vez, a edição da MP nº 478/2009, que pretendia incluir um novo dispositivo na Lei nº 9.430/96, passando a facultar à fiscalização a aplicação de qualquer um dos métodos de apuração do preçoparâmetro nas situações em que o contribuinte deixasse de apresentar os documentos suficientes para suportar o método por ele escolhido. Fl. 5094DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.061 17 A referida medida provisória não foi convertida em lei, mas a sua mera edição já é suficiente para se concluir que essa regra que pretendia incluir na legislação não era existente até a sua adição. Um outro aspecto que também eiva de vício irreparável a autuação referese à aplicação do método CPL originalmente empregado pela impugnante. O Auditor Fiscal houve por bem desconsiderar integralmente a aplicação do referido método, com base na suposta ausência de uma pequena parte dos documentos solicitados. Ao assim agir, o Auditor Fiscal atuou de forma irregular, na medida em que deveria ao menos haver empregado o método CPL para a parte das importações em relação às quais a documentação foi apresentada (que, inclusive, representavam o maior volume). Além disso, as solicitações de documentos feitas ao longo da fiscalização quanto ao método CPL não atenderam aos princípios da verdade material e da razoabilidade, na medida em que foram feitas exigências que não eram sequer factíveis, englobando produtos não comercializados pelas empresas exportadoras à impugnante e, em relação aos quais a impugnante, evidentemente, encontravase impossibilitada de obtenção. Assim, também por esse aspecto merece ser de plano cancelado o Auto de Infração. Cálculos com base em médias ponderadas nas situações em que a mesma matériaprima importada foi empregada na produção de mais de um produto ou foi destinada tanto à produção quanto à revenda Houve situações em que a mesma matériaprima importada pela impugnante era empregada na produção ou era tanto destinada à produção quanto à revenda. Segundo afirmado pelo Auditor Fiscal, “a legislação brasileira de preços de transferência não admite que um insumo ou matériaprima tenha mais de um preço parâmetro”, sendo que “a solução encontrada pela fiscalização foi fazer a média aritmética ponderada para chegar num preçoparâmetro único”. Ora , esse procedimento da fiscalização não encontra qualquer base na legislação. Ao afirmar que “teve que encontrar uma solução”, a própria fiscalização reconhece que agiu sem qualquer base legal, inventando um critério que lhe pareceu a solução mais adequada ao caso. Todavia, a atividade do agente fiscalizador é necessariamente vinculada, não possuindo poder discricionário de “inventar soluções” para ajustar a lei conforme seu entendimento pessoal. Dessa forma, também quanto a este ponto existe vício de ilegalidade em relação à autuação, exigindose, assim, o seu cancelamento. Conclusão Ante todo o exposto e demonstrado, a impugnante entende que logrou comprovar que os Autos de Infração de IRPJ e CSLL encontramse eivados de vícios e foram lavrados em clara contrariedade à legislação aplicável, além de haver o Auditor Fiscal incorrido em diversos erros materiais e irregularidades; MULTA REGULAMENTAR Fl. 5095DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.062 18 Como se pode verificar dos autos, ao longo do procedimento fiscal, a impugnante sempre buscou atender da melhor forma à fiscalização, tendo envidado todos os esforços para apresentar todos os documentos e informações que lhe foram solicitados, mantendose sempre à disposição para todos os esclarecimentos necessários. A impugnante apresentou todos os documentos e informações que estavam em seu poder, sendo que, no caso de documentos em poder de terceiros (exportadores vinculados), também se esforçou para a obtenção e entrega da documentação ao Auditor Fiscal, tanto que, de fato, logrou apresentar a parte mais significativa dos dados solicitados. Ocorre, porém, que em alguns casos a impugnante enfrentou dificuldades em obter uma parte dos documentos que solicitou às empresas no exterior, dentre outros motivos por ausência de tempo hábil em vista do volume imenso de informações solicitadas, abrangendo, inclusive, produtos da carteira das exportadoras não vendidos ao Brasil. A impugnante somente deixou de entregar os documentos que não estavam em seu poder, por serem das empresas no exterior. Tratase, portanto, de razões alheias à sua vontade. Ante o exposto, concluise que não há qualquer base para aplicação da multa regulamentar lançada, a qual deve ser cancelada. DO PEDIDO Ante o exposto, requer a impugnante que sejam cancelados em sua totalidade os Autos de Infração ora impugnados. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Em face da alegação da impugnante de que, na apuração dos preçosparâmetro, o Auditor Fiscal teria, equivocadamente, efetuado uma dupla dedução do mesmo montante relativo ao valor dos tributos (PIS, COFINS e ICMS), o presente processo foi encaminhado por esta Delegacia de Julgamento à DEMAC/SÃO PAULO (fls. 4829/4832), para que o Auditor Fiscal autuante se manifestasse acerca dessa alegação e refizesse, se fosse o caso, a apuração dos preços de transferência (basicamente os preçosparâmetro) e respectivos ajustes. DO RELATÓRIO DA AUTORIDADE FISCAL Em atendimento ao solicitado por esta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o Relatório Conclusivo de Diligência de fls. 4842/4844, expondo, em síntese, o seguinte: Em verificação dos valores de "saída após desconto comercial" constantes na tabela "Vendas atualização em 24092010", constatase que a empresa, para os itens de códigos "4149106096" e "4180004006", os preencheu incorretamente, com os valores da venda já deduzidos os tributos incidentes, tendo ocorrido, portanto, a dupla dedução dos tributos. Este fato ocorreu para outros itens (não ocorreu para todos os cálculos) e a empresa foi intimada a retificar a tabela "Vendas" de modo a corrigir o problema. De posse do material recebido, a (CD 1), a fiscalização procedeu aos recálculos dos valores, e refez os demonstrativos apresentados juntamente com o auto de infração original (CD 2). Fl. 5096DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.063 19 Em função do exposto anteriormente, a fiscalização procedeu ao recálculo do valor a ser adicionado ao lucro real, que totalizou o montante de R$ 31.538.992,55 (a seguir sintetizado), demonstrado no anexo "Consolidação PT Importação", que foi obtido a partir das retificações dos valores de consolidação do método PRL, margens de lucro 20% e 60%: Método Ajuste (R$) Consolidação PRL20 362.390,06 Consolidação PRL60 31.176.602,49 Total PT importações 31.538.992,55 DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte o fez às fls. 4846/4849, alegando, em síntese, o seguinte: Em cumprimento à determinação de diligência, a fiscalização houve por bem reexaminar a situação fática, e, em tal reexame, reconheceu a existência de erros no Auto de Infração original. Assim, a fiscalização houve por bem refazer a autuação, conforme se verifica do "Relatório Conclusivo em Diligência", tendo procedido ao recálculo da matéria tributária, como indicado em tal relatório. Houve, assim, uma nova apuração do crédito tributário, a qual, salientese, resultou em valor bastante inferior ao originalmente apurado no Auto de Infração. O resultado da diligência em questão nada mais faz do que confirmar os erros apontados em sua defesa pela impugnante. De fato, tanto existiam os erros apontados, que a própria fiscalização os reconheceu, e teve de refazer a autuação, mostrando, assim, a insubsistência do Auto de Infração original. Nesse sentido, verificase do "Relatório Conclusivo em Diligência" que houve verdadeiro recálculo da matéria tributária e realização de uma nova apuração e lançamento. Ocorre que os erros em questão são erros insanáveis, que eivam de nulidade o lançamento original, o qual não pode ser refeito no decorrer do trâmite processual, como pretendeu a fiscalização. Com efeito, ao identificar os erros em que havia incorrido, a fiscalização houve por bem refazer o lançamento. Entretanto, este procedimento não é cabível e nem encontra previsão legal, até mesmo em vista da decadência do crédito tributário relativo a 2005. Assim, diante do exposto, resta claro que: (1) a diligência realizada de fato confirmou a existência dos erros perpetrados quando da autuação original e apontados pela impugnante em sua defesa; (2) esses erros existentes quando da autuação original, por sua própria natureza, geram a nulidade insanável do lançamento tributário; e (3) em vista disso, temse por certo que o Auto de Infração originalmente lavrado não pode subsistir, devendo ser de imediato cancelado. Fl. 5097DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.064 20 A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, ficou caracterizado o erro na apuração da matéria tributável, pela duplicidade de consideração dos tributos, o que ficou evidenciado após a conclusão da diligência requerida pela DRJ. Elenco, abaixo, os argumentos repisados pela recorrente em sua peça recursal. I) Importações originalmente submetidas ao método CPL e posteriormente ao método PRL60 – Nulidade da Apuração a) utilizando o método CPL, verificou ajuste no valor total de R$1.254.984,80 (constante da DIPJ); b) apresentou a maior parte da documentação solicitada, mas não conseguiu obter a documentação de algumas empresas (ZF Sachs Powertrain México SA, ZF Padova SPA e ZF Hurth Marine); c) o agente fiscal não se contentou em realizar o exame com base em amostragem e não lhe concedeu prazo adicional, passando a desconsiderar o método CPL a a aplicar o método PRL60; d) Antevendo o procedimento do auditor, revisou sua apuração de IRPJ e CSLL conforme o método PRL60, de acordo com o art. 18, Lei nº 9.430/96 e art. 2, Lei nº 9.959/00 e contratou a Deloitte Touche Tohmatsu (Deloitte) para calcular o preço dessas importações conforme o método PRL60; e) de acordo com o trabalho da Deloitte, a recorrente não teria qualquer ajuste adicional, em comparação com os cálculos anteriormente feitos com base no método CPL (R$1.254.984,80) antes adotado, pois o método PRL60 gerava ajuste menor (R$1.130.914,54) que aquele obtido com base no método CPL; f) o agente fiscal chegou a resultado diverso (necessidade de ajuste de R$40.636.814,55, sendo R$1.063.869,07 relativos ao método PRL20 e R$39.572.945,48 relativos ao método PRL60) pois utilizouse não da Lei nº 9.430/96, mas da IN SRF nº 243/02 (art. 12, §11, II e III); g) na impugnação foram apontados os erros de cálculo da fiscalização, o que resultou na conversão do julgamento em diligência, a qual confirmou os erros, por duplicidade na consideração dos tributos incidentes sobre a venda, devendo, assim, preliminarmente, o auto de infração ser cancelado porque houve alteração da matéria tributável, não passível de ser feita, encerrada a fiscalização; II Mérito 1) Aplicação do método PRL60 nos termos da Lei nº 9.430/96 h) no mérito, a decisão deve ser reformada, pois o cálculo da IN SRF nº 243/02 gera um preço parâmetro maior, e, por conseqüência, gera aumento indevido do lucro real e base de cálculo da CSLL; 2) Aplicação do método PRL60 para produtos originalmente submetidos pela Recorrente ao cálculo conforme o método PRL20 Fl. 5098DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.065 21 i) relativamente a alguns produtos, o agente fiscal reclassificouos, sujeitandoos ao método PRL60 ao invés do método PRL20. Tais produtos não se destinam a produção, mas a reunião em kits e a embalagem manual, sem alteração de sua natureza ou características. Cita a Solução de Consulta COSIT nº 22/2008; 3) Valor FOB X Valor CIF para fim do preço praticado j) na determinação do ajuste o fiscal considerou o valor CIF dos produtos importados mais impostos incidentes sobre importação, e não com base no seu valor FOB, que é o valor efetivamente pago pela mercadoria. O preço CIF inclui valores correlatos (seguro, transporte) pagos a terceiros não vinculados, gerando aumento no valor do preço praticado e excesso na comparação com o preço parâmetro, obtido através do método PRL. A DRJ compreendeu de forma equivocada o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, pois ele somente afirma que os valores de frete e seguro devem ser considerados dedutíveis. A IN SRF nº 243/02, por sua vez, manda adicionar frete e seguro cujo ônus tenha sido da importadora tão somente para compor o preço parâmetro. Cita o acórdão proferido pela CSRF no processo 16327.000966/200274 em 2011 (IN SRF nº38/97) ; 4) Escolha do preço parâmetro com base no PRL60 l) o contribuinte pode escolher o método de cálculo que forneça o maior preço parâmetro, e também a autoridade fiscal deve esgotar todos os métodos possíveis para só então aplicar o que forneça o maior preço parâmetro; m) as exigências de documentos feitas pela fiscalização violaram os princípios da verdade material e da razoabilidade, pois envolviam documentos de empresas exportadoras, os quais a recorrente estava impossibilitada de obter; 5) Cálculos com base em médias ponderadas nas situações em que a mesma matériaprima importada foi empregada na produção de mais de um produto, ou foi destinada tanto à produção como à revenda n) nas situações em que a mesma matériaprima importada era empregada ora na produção de mais de um produto, ora tanto na produção como na revenda, a fiscalização efetuou a média aritmética ponderada para chegar a um preço parâmetro único, conforme determina a legislação, sendo que tal procedimento não encontra respaldo na legislação. Neste caso, o agente fiscal deveria ter considerado apenas o método mais benéfico ao contribuinte, no caso o PRL20; 6) Apuração incorreta do valor do saldo inicial de estoque o) o agente fiscal considerou as importações realizadas no ano e o estoque inicial existente, para comparar o preço com o preço parâmetro. Ocorre que ao considerar o estoque existente, tomou por base o valor total contabilizado como custo do estoque inicial, sem considerar que este continha itens que não deveriam ser somados, como frete interno, armazenagem, despesas aduaneiras, montagem, etc; 7) Índice de participação insumo/produto p) o auditor não apurou, quando da diligência, o preço parâmetro “normal”, mas um preço parâmetro “ajustado”, que decorre da divisão do preço parâmetro “normal” pelo Fl. 5099DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.066 22 índice de participação insumo/produto, critério este não previsto em lei e nem mesmo na IN SRF nº 243/02. Com isso, houve uma duplicação do efeito do coeficiente insumoproduto, além de clara ilegalidade. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, em que afirma, também em síntese: a) nulidades no processo administrativo fiscal somente ocorrem quando não observados os requisitos do art. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, ou ausente pressuposto de validade de ato administrativo, hipóteses que não ocorreram. Os erros decorreram da falta de critérios da própria recorrente que, nas tabelas apresentadas ao Fisco, ora relacionou valores de venda já deduzidos dos tributos, ora os relacionou sem tal dedução. Além disso, a retificação resultou em favor da autuada; b) ao contrário do exposto, a metodologia da IN SRF nº 243/02 simplesmente regulamenta o disposto no art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, estando conforme a lei; c) a submissão de um bem à atividade produtiva não pressupõe necessariamente a transformação da matéria, caracterizandose, principalmente, pela adição de novos elementos (corpóreos ou incorpóreos), conforme se depreende do art. 18, II, “d”, 1, da Lei nº 9.430/96: quando o bem for aplicado há produção, há que se deduzir, no cálculo do preçoparâmetro, o valor agregado por essa aplicação. No que tange aos produtos da recorrente, a eles foram adicionados novos elementos, que, vendidos num conjunto (kit), os tornaram mais apropriados à venda ao consumidor final, agregandolhes valor, tendo, assim, sido submetidos a processo produtivo; d) no que tange à adoção dos custos pelo valor CIF ao invés do valor FOB, adotada a linha da recorrente, estaria esvaziado por completo o §6º do art. 18 da Lei nº 9.430/96, porque muito antes da Lei nº 9.430 a dedutibilidade dos custos relativos ao frete, seguro e tributos incidentes na importação era assegurada pela legislação tributária, nos termos do art. 13 do DecretoLei nº 1.598/77 (art. 289 do RIR/99), porquanto a regra sempre foi a dedutibilidade dessas parcelas, razão pela qual não haveria necessidade de se repetir a regra na disciplina dos preços de transferência. Além disso, seria uma redundância, face ao disposto no caput do art. 18, que menciona que a restrição aos custos, despesas e encargos incidirá nas operações efetuadas com pessoas vinculadas. Por outro lado, a argumentação do contribuinte desconsidera a idéia de comparabilidade, traço essencial na sistemática dos preços de transferência. Para a comparação, as grandezas devem ser equivalentes; e) embora o §4º do art. 18 franqueie ao contribuinte a utilização do método mais favorável, o dispositivo não instituiu uma imposição à fiscalização, o que fica explícito na expressão “na hipótese de utilização de mais de um método”, que revela uma faculdade, não obrigando à utilização de mais de um método, havendo, tão somente o dever da fiscalização em aceitar a opção exercida pelo contribuinte; f) no caso de insumos utilizados em mais de um produto final ou revendidos e utilizados como insumos ao mesmo tempo, tratase de um caso particular de uma situação mais geral, já examinada pela COSIT na SCI Cosit nº 30, de 30/07/2008. Assim, é correto apurarse o preço parâmetro pelo método PRL20 e pelo método PRL60 e depois, procederse à média Fl. 5100DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.067 23 aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens submetidos ao PRL20 e ao PRL60, tal qual fez a autoridade lançadora; g) quanto aos argumentos relativos aos saldos iniciais de estoques considerados, tratase de matéria inovadora, não postulada na impugnação nem na manifestação sobre o resultado da diligência, não devendo ser conhecida, por não se tratar de matéria de ordem pública, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72; h) os argumentos sobre o índice de participação insumo/produto também configuram inovação trazida apenas em sede de recurso voluntário, não tendo sido contestados quando da impugnação e quando da manifestação sobre o resultado da diligência. Nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 não são suscetíveis de conhecimento. É o relatório. Fl. 5101DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.068 24 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. Das argüições de nulidade A recorrente, nos itens 6 e 7 do recurso voluntário, ventila questões relativas a possível erro material concernente à apuração da matéria tributável, questões estas que por não terem sido ventiladas nem na peça impugnatória nem na manifestação decorrente da conclusão da diligência hão de ser tidas por intempestivas. Tanto o é que a Procuradoria da Fazenda Nacional assim o pretende, consoante discorre em suas contrarrazões, postulando pela aplicação dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72. A recorrente, por sua vez, entende que por não lhe ter sido dado prazo adicional para analisar o conteúdo da diligência empreendida, há de ser contemplada por mais uma oportunidade de apresentação de argumentos, ainda que tardios. Isto porque somente lhe foi dado prazo de 10 dias. De fato, ao tempo em que tomou ciência das conclusões da diligência (30/01/2012 – fl. 4841), já estava em vigor o Decreto nº 7.574/2011, o qual, no seu parágrafo único do art. 35 passou a prever prazo de 30 dias para situações em que seja trazido novo fato ou documento ao processo, como se dá no presente caso, em que a matéria tributável foi reduzida. Tal fato foi alegado por ela na manifestação em resposta à intimação do resultado da diligência (fl.4.847) e no recurso voluntário. Embora não peça a recorrente a correção do lançamento, optando por postular pela sua nulidade, tenho para mim que se do arrazoado ofertado for possível perceberse possível mácula saneável na materialidade, há de ser o julgamento baixado em diligência, para que a autoridade fiscal, analisando o feito e as alegações, possa rever os cálculos originalmente feitos e, sendo o caso, retificar a materialidade apurada, de modo que seja efetivamente cobrado aquilo que é devido, sempre, todavia, neste contencioso, respeitando os limites da autuação já efetuada. Fl. 5102DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.069 25 Sendo deste teor, o julgado logra evitar ganhos indevidos para ambas as partes. A Fazenda não se beneficia do plus supostamente indevido contido no lançamento original, que lhe imputaria enriquecimento sem causa, e o contribuinte não escapa do tributo devido pelas chicanas processuais. Desta forma, passo a analisar tema argüido. No item 7 do recurso voluntário (Índice de participação insumo/produto) afirma a recorrente que o auditor não apurou, quando da diligência, o preço parâmetro “normal”, mas um preço parâmetro “ajustado”, que decorre da divisão do preço parâmetro “normal” pelo índice de participação insumo/produto, critério este não previsto em lei e nem mesmo na IN SRF nº 243/02. Com isso, entende que houve uma duplicação do efeito do coeficiente insumo produto, além de clara ilegalidade. O alegado é instruído com a tabela exemplificativa de fls.4943, que ilustra o raciocino da recorrente no cálculo do insumo 1268304491Anel Intermediário, integrante do produto 1268008657 – Cx. Cambio S61550. Da tabela, podese seguir o cálculo efetuado pela fiscalização, verificandose que, pelo menos aparentemente e neste caso em específico, parece ter de fato havido redução pela metade do preço parâmetro do item ajustado. Isto porque ao calcular o item “H” (Percentual Part Custo Insumo Produto), dado pela expressão V/W, em que V é o Custo Médio do Insumo e W é o Custo Médio do Produto, apura a fiscalização o percentual de participação do insumo no produto (através da relação entre os custos do insumo e custo do produto). Ocorre que no produto 1268008657 – Cx. Cambio S61550 vão 02 unidades do insumo. Porém, o quociente V/W oferece, ao que tudo indica, a relação de 01 unidade de insumo para 01 unidade de produto, e não de 02 unidades de insumo para 01 unidade de produto. Fl. 5103DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16643.000289/201011 Resolução nº 1302000.289 S1C3T2 Fl. 5.070 26 Assim, ao calcular o item “I” (Preço Unitário Líquido de Venda do Produto), parecenos que a fórmula I = C/FxH fornece a participação de 01 unidade de insumo no preço de venda do produto, e, portanto, a fórmula K = I – J fornece o preço parâmetro de 01 unidade de insumo (R$30,232) e não de 02 unidades, o que parece sugerir se depreende da fórmula seguinte, L=K/E, em que há a divisão por 2 (porque em cada produto há 02 unidades de insumo). Desta forma, a prevalecer este entendimento, de fato está o lançamento a merecer alguma análise, e, por certo, revendo os dados e as provas do processo (e não apenas as alegações da recorrente), bem como outros que possam vir a elucidar a questão, possa a autoridade fiscal firmar convicção acerca da materialidade apurada, expurgando, se for o caso, dela, a parcela indevida. Além disso, o envio das alegações à fiscalização atende aos princípios do contraditório e da ampla defesa. De se ressaltar que neste caso a alegação, embora preclusa, atinge a própria materialidade do lançamento, não podendo, desta forma, ser ignorada, vez que a recorrente levanta dúvida fundada e relevante sobre a integridade dos valores lançados. Assim, voto para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal, de posse das novas alegações ofertadas pela recorrente na peça recursal, em específico no tocante ao item 7 do recurso (índice de participação insumo/produto), reveja os cálculos efetuados e se manifeste quanto às alegações. De sua conclusão, deverá notificar a recorrente para que se manifeste no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 5104DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
