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Numero do processo: 11634.720269/2014-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 08/03/2012, 13/06/2012, 10/07/2012
Ementa:
ATO NÃO DEFINITIVO. PENALIDADE. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE.
Quando o processo ainda não foi definitivamente julgado, aplica-se o efeito retroativo da lei mais benéfica, que não mais prevê a aplicação de penalidade à conduta anteriormente punível em face da lei ora revogada.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3402-003.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 08/03/2012, 13/06/2012, 10/07/2012 Ementa: ATO NÃO DEFINITIVO. PENALIDADE. LEI BENÉFICA. RETROATIVIDADE. Quando o processo ainda não foi definitivamente julgado, aplicase o efeito retroativo da lei mais benéfica, que não mais prevê a aplicação de penalidade à conduta anteriormente punível em face da lei ora revogada. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 02 69 /2 01 4- 80 Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de recurso de ofício contra Acórdão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou a impugnação procedente, exonerando integralmente o crédito tributário exigido. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 09/06/2014, para a exigência de multa isolada, prevista no art. 74, §§15 e 16 da Lei nº 9.430/96, incluídos pela Lei nº 12.249/2010: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) As multas decorreram dos Pedidos de Ressarcimento ou Restituição – Declaração de Compensação (PER/DCOMP), para os quais a fiscalização promoveu a glosa de créditos considerados indevidos, relativamente ao ano de 2010 e aos 1º e 2º trimestre/2011, no montante de R$ 26.520.740,43. Concluiu a fiscalização que os referidos pedidos foram feitos com falsidade nas informações, em face dos seguintes fatos e fundamentos: IV – DESCRIÇÃO DOS MOTIVOS DE INDEFERIMENTO DOS PEDIDOS CONSTANTES DOS QUADROS I E II 1. ANOCALENDÁRIO DE 2010 – PROCESSO FISCAL 10930.900602/201344 1.1 PEDIDOS EM DUPLICIDADE Os pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins apurados sob a forma não cumulativa efetuados pela empresa deveriam, a partir do momento que a empresa efetuou a opção pela tributação com base no lucro arbitrado (30.06.2011), serem cancelados. No entanto, isso não ocorreu. Por mais de um ano a requerente manteve ativos vários pedidos de ressarcimento que sabia não serem devidos. Pior: Durante alguns meses coexistiram pedidos relativos ao mesmo período sob duas formas de apuração distintas e incompatíveis entre si: a) Ressarcimento de Pis e Cofins vinculados às receitas de exportação e não tributadas no mercado interno passíveis de apuração apenas para as empresas tributadas pelo lucro real; b) Crédito Presumido de IPI para ressarcimento das contribuições ao Pis e Cofins passível de apuração apenas para as empresas não tributadas pelo lucro real (caso da empresa requerente em 2010). Como a empresa transmitiu vários pedidos de compensação que tiveram origem nos pedidos de ressarcimento (centenas), o procedimento adotado pela empresa denota a intenção deliberada em se beneficiar da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários até a análise daqueles pedidos e consequente homologação (ou não) das compensações efetuadas. Fl. 3731DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11634.720269/201480 Acórdão n.º 3402003.031 S3C4T2 Fl. 3.731 3 Em seus esclarecimentos, a requerente, evasivamente culpou a falta de estrutura administrativa para justificar a demora no cancelamento das declarações que, não obstante foram apresentadas conforme relação apresentada naquele ato. 1.2) APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO – AQUISIÇÃO DE INSUMOS 1.2.1) Mercadorias de revenda A requerente utilizou diversas aquisições de mercadorias destinadas à comercialização (revenda – classificadas nos códigos CFOP 1.102, 2.102 e 2.118) na base de cálculo do crédito presumido, contrariando o artigo 1º da Lei 9.363/96, que dispões que somente fará jus ao crédito presumido do IPI as aquisições de matériasprimas, material de embalagem e intermediários para utilização no processo produtivo. Dessa forma os valores de aquisições de mercadorias para revenda no valor de R$ 1.954.453,12, como não foram utilizados no processo produtivo da empresa requerente, foram descontados no demonstrativo de custos a serem considerados na base de cálculo do anocalendário de 2010 (fls. 1.232 a 1.242). 1.2.2) Aquisição de insumos com suspensão das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins Constatouse que diversos fornecedores efetuaram vendas (a maioria de produtos intermediários) com suspensão e consequente aproveitamento do benefício pela empresa requerente. Assim, os valores das aquisições efetuadas com suspensão das contribuições ao Pis e Cofins pela requerente (artigo 40 da Lei 10.865/2004) foram desconsiderados no cálculo do crédito presumido de IPI relativo ao anocalendário de 2010 (fls. 1.232 a 1.242). 1.2.3) Aquisições de insumos de pessoas jurídicas inidôneas A empresa ALJAN COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA, CNPJ 10.895.078/000175, não foi localizada no endereço constante do cadastro neste órgão. No local, verificouse a existência de uma sala fechada e sem qualquer sinal de atividade comercial. Também as inscrições estaduais da empresa foram declaradas NULAS em procedimento instaurado pela administração tributária do Estado de São Paulo (fls. 631). Intimada em 28.03.2013 a apresentar, por amostragem (fls. 93 a 623), cópias de notas fiscais da referida empresa, assim como os comprovantes de pagamento, de recebimento e transporte das mercadorias, a requerente não demonstrou de forma cabal que houve aquisições de insumos da empresa Aljan Comércio de Produtos Agropecuários Ltda. Situação semelhante ocorreu em relação aos fornecedores da requerente: Bomawi Comercial de Couros Ltda – CNPJ 64.106.198/000175, Nivaldo Ferreira Dias – Couros – CNPJ 10.630.756/000178, Valter Aparecido Fabris – ME – CNPJ 09.363.990/0001 05, não tendo a requerente também demonstrado que houve efetivamente aquisições de insumos dessas empresas. 1.2.4) Estoques · Acréscimo do valor excluído no ano anterior (2009) Não existe nenhuma previsão na legislação relativa as contribuições ao PIS e Cofins apurados sob a forma não cumulativa para que a empresa exclua da base de cálculo Fl. 3732DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 dos créditos das contribuições os valores dos estoques existentes ao fim de qualquer período e os adicione em período posterior. Dessa forma os valores adicionados aumentaram indevidamente o valor do crédito presumido no ano de 2010 e, portanto, foram desconsiderados na apuração do crédito presumido de IPI (fls. 1.232 a 1.242). 2. ANOCALENDÁRIO DE 2011 – PROCESSOS FISCAIS 10930.900603/201399 E 10930.900604/201333 2.1 – PEDIDOS EM DUPLICIDADE Por mais de um ano a requerente manteve ativos vários pedidos de ressarcimento que sabia não serem devidos. Pior: Durante alguns meses coexistiram pedidos relativos ao mesmo período sob duas formas de apuração distintas e incompatíveis entre si: a) Ressarcimento de Pis e Cofins vinculados às receitas de exportação e não tributadas no mercado interno passíveis de apuração apenas para as empresas tributadas pelo lucro real; e b) Crédito Presumido de IPI para ressarcimento das contribuições ao Pis e Cofins passível de apuração apenas para as empresas não tributadas pelo lucro real (caso da empresa requerente nos 1º e 2º trimestres de 2011). Como a empresa transmitiu vários (centenas) pedidos de compensação que tiveram origem nos pedidos de ressarcimento, o procedimento adotado pela empresa denota a intenção deliberada em se beneficiar da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários até a análise daqueles pedidos e consequente homologação (ou não) das compensações efetuadas. 2.2) APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO – AQUISIÇÃO DE INSUMOS 2.2.1) Aquisição de insumos com suspensão das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins Diversos fornecedores efetuaram vendas (a maioria de produtos intermediários) com suspensão, que foram incluídos pela empresa requerente no benefício, assim, tais valores foram desconsiderados no cálculo do crédito presumido. 2.2.2) Aquisições de insumos de pessoa jurídica inidônea Tendo a fiscalização constatado que a empresa Luciano Luiz de Cena – CNPJ 12.999.486/000100, era de "fachada", aberta apenas para emissão de notas fiscais que ensejarão créditos de tributos nos adquirentes, a requerente não comprovou as efetivas aquisições do fornecedor. V – IMPOSIÇÃO DA MULTA DE 100% EM VIRTUDE DE FALSIDADE NOS PEDIDOS Tendo em vista o exposto no item IV foi possível concluir que houve falsidade nos pedidos formulados pela empresa Couroada, desta forma a multa a ser aplicada é de 100% sobre os valores indeferidos conforme determina o artigo 74, § 16 da Lei 9.430/1996. Cabe destacar ainda que nos termos do artigo 135, III do Código Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966) responderá solidariamente pelo crédito tributário constituído pelo auto de infração o sócio e único administrador LEOMAR FENSKE, inscrito no CPF sob o nº 489.325.82068, conforme 31ª Alteração do Contrato Social (fls. 39 a 50) e cadastro de fls. 1395 a 1399). Fl. 3733DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11634.720269/201480 Acórdão n.º 3402003.031 S3C4T2 Fl. 3.732 5 Em cumprimento ao disposto no artigo 1º do Decreto 2.730, de 10 de agosto de 1998 será formalizada Representação Fiscal Para Fins Penais. Mediante Termo de Responsabilidade Tributária das fls. 1413/1414, o sócio e único administrador da empresa, Leomar Fenske, CPF 489.325.82068, foi arrolado como responsável solidário pelo crédito tributário constituído, nos termos do art. 135, inciso III, do Código tributário Nacional. Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: Nulidade da imposição de multa isolada antes do indeferimento dos pedidos de restituição e das declarações de compensação – da ofensa ao devido processo legal Impossibilidade de exclusão dos créditos sobre bens e insumos com base em exame por amostragem – ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa Ausência de juntada do Mandado de Procedimento Fiscal nº 09102002013 00221 3. Inexistência da duplicidade de pedidos de ressarcimento de créditos e de declaração de compensação, tendo em vista que todos os documentos relativos aos créditos de PIS/Cofins não cumulativo foram cancelados antes do início da fiscalização. Inexistência de inclusão de despesas com mercadorias adquiridas para revenda na base de cálculo do crédito presumido de IPI Direito ao crédito presumido de IPI sobre aquisições sujeitas à suspensão de PIS e de COFINS Regularidade das aquisições das pessoas jurídicas supostamente inidôneas Direito ao Creditamento Correspondente Inconstitucionalidade da multa isolada do art. 74, §§ 15 a 17 da Lei nº 9.430/96 Regularidade do estoque final em 2009 (lucro real) Inexistência de falsidade, mas somente divergência de interpretação entre o Fisco e a contribuinte Realização de diligência para apurar quais débitos foram compensados com créditos do PIS/Cofins (lucro real) e quais foram compensados com crédito presumido do IPI (lucro arbitrado). O responsável solidário também apresentou a impugnação (1567/1641), mediante a qual apresenta os mesmos argumentos acima, acrescentando a solicitação de nulidade do termo de responsabilidade solidária, uma vez que a responsabilidade dos sócios é subjetiva e depende de expressa comprovação dos atos constantes no art. 135, caput, do CTN, o que não ocorreu no caso em tela. Fl. 3734DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Mediante o 1455.894 12ª Turma da DRJ/RPO, exarado pela DRJ/Ribeirão Preto, foi julgada procedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/03/2012, 13/06/2012, 10/07/2012 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. A responsabilidade pessoal do art. 135 do CTN exige prova do excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo a mera condição de sócio insuficiente para imputar a responsabilidade solidária. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Cancelase a multa isolada ao se aplicar a legislação que deixe de tratar como infração ato ainda não definitivamente julgado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Da sua decisão a DRJ recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por força do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, c/c a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula A exigência tributária cancelada por meio da decisão recorrida supera o limite de alçada previsto na Portaria MF n° 3/2008, e o recurso de ofício, interposto por parte legítima, deve ser conhecido. O julgador de primeira instância excluiu a responsabilidade solidária do sócio Leomar Fenske, tendo em vista que: não há prova material juntada ao processo que comprometa o sócio Leomar Fenske, sendo que tanto o Termo de Responsabilidade Tributária como o Termo de Verificação Fiscal não apresentam a necessária comprovação de ato ilícito por ele praticado para que seja atribuída essa responsabilidade com base no art. 135, III do CTN. De outra parte, foi também por exonerada integralmente a exigência em face da revogação do §16 do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 656/2014, de 7 de outubro de 2014. Trata o presente processo da apuração de infração em face da apresentação pela contribuinte de pedidos de ressarcimento com falsidade de informações, os quais foram indeferidos pela autoridade fiscal. Em se tratando de uma infração no ramo de direito tributário, a regra geral é que seja punida a própria pessoa jurídica que agiu em desacordo com a legislação tributária, no caso, com a apresentação do pleito de ressarcimento indevido e com falsidade das informações. Além de a autoridade fiscal não ter indicado nos autos qualquer ato irregular ou ilícito cometido pelo sócio e administrador Leomar Fenske, também não se vislumbra, na hipótese, a possibilidade de utilização do art. 135, III do CTN para se atribuir a responsabilidade solidária pela referida infração a terceiro diverso da contribuinte/pessoa Fl. 3735DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 11634.720269/201480 Acórdão n.º 3402003.031 S3C4T2 Fl. 3.733 7 jurídica, vez que não se pode dizer que a multa decorrente da apresentação de um pedido de ressarcimento considerado indevido possa ser algo do tipo "créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos", conforme disposto no caput do referido artigo. Assim, deve ser mantida a exclusão do Sr. Leomar Fenske do polo passivo efetuada decisão recorrida. Com relação ao mérito da multa, após a lavratura do auto de infração, sucederamse alterações do seu fundamento legal, na seguinte forma: a) A Medida Provisória nº 656/2014, DOU de 8.10.2014, revogou os §§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96: Art. 56. Ficam revogados: I imediatamente, os arts. 44 a 53 da Lei nº 4.380, de 21 de agosto de 1964, o art. 28 da Lei nº 10.150, de 21 de dezembro de 2000, e os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e (...) b) A Medida Provisória nº 656/2014 foi convertida na Lei nº 13.097/2015, DOU de 20.1.2015, contudo não manteve a revogação do art. 74, §§15 e 16 da Lei 9.430/96; iii) A Medida Provisória n° 668, DOU de 30.1.2015 Edição extra, novamente revogou dos referidos dispositivos: Art. 4º Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (...) iv) A Medida Provisória nº 668 foi convertida na Lei nº 13.137, DOU de DOU de 22.6.2015 Edição extra, a qual manteve a revogação do art. 74, §§15 e 16 da Lei 9.430/96: Art. 27. Ficam revogados: (...) II os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (...) Assim, atualmente, o dispositivo que fundamentou a autuação encontrase revogado pelo art. 27, II da Lei nº 13.137/2015. Fl. 3736DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Dessa forma, não havendo mais a previsão legal de multa para a hipótese de ressarcimento indevido ou indeferido, em conformidade ao disposto no art. 106, II, "a" do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, a multa sob análise deve ser cancelada: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 3737DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 12/05/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001614/2001-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 30/05/2003
TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 9303-004.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 30/05/2003 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 30/05/2003 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 16 14 /2 00 1- 25 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial do sujeito passivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 5º, II do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1997, em face do Acórdão nº 20311.176, de 27 de julho de 2006, fls. 372 a 379, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/1992 a 31/07/1992, 01/10/1992 a 31/05/1993 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. 0 prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da COFINS é de dez anos a contar da ocorrência do fato gerador, consoante o art. 45 da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Recurso negado. A controvérsia jurisprudencial instaurada diz respeito ao prazo decadencial para constituição de crédito tributário referente às contribuições destinadas ao financiamento da seguridade social. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho nº 340000.052, fls. 444 e 445. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 450 a 462. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13819.001614/200125 Acórdão n.º 9303004.118 CSRFT3 Fl. 468 3 Conforme relatado, a controvérsia que aporta neste Colegiado diz respeito ao prazo decadencial para constituição de crédito tributário referente à Cofins. Para tanto, invoco o Acórdão nº 9900000.857, de 9 de dezembro de 2013, do Pleno do CARF, que teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995 PIS. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGOS 150, § 4º e 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso conhecido e provido em parte No presente caso, o lançamento de ofício decorreu da insuficiência de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, nos períodos de apuração de abril de 1992 a julho de 1992 e outubro de 1992 a maio de 1993, pelo que se deve aplicar a regra de contagem constante do § 4º do art. 150 do CTN. Na data da lavratura, em 24 de julho de 2001, o direito de constituição do crédito tributário já estava decaído. Forte nestes argumentos, e adotando os fundamentos do Acórdão nº 9900 000.857, dou provimento ao recurso especial do sujeito passivo, para cancelar integralmente o lançamento. Sala de sessões, em 7 de junho de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 1/06/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 22/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725200/2013-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTO A ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. LENTES INTRAOCULARES. COMPROVAÇÃO.
Comprovado por meio de documentação hábil e idônea, tais como cheques nominais e extratos de cartão de crédito que a despesa para aquisição de lentes intraoculares ocorreu em favor de estabelecimento hospitalar, deve ser afastada a glosa e mantida a dedução por despesa médica.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2301-004.682
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 GLOSA. DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTO A ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. LENTES INTRAOCULARES. COMPROVAÇÃO. Comprovado por meio de documentação hábil e idônea, tais como cheques nominais e extratos de cartão de crédito que a despesa para aquisição de lentes intraoculares ocorreu em favor de estabelecimento hospitalar, deve ser afastada a glosa e mantida a dedução por despesa médica. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes
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DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTO A ESTABELECIMENTO HOSPITALAR. LENTES INTRAOCULARES. COMPROVAÇÃO. Comprovado por meio de documentação hábil e idônea, tais como cheques nominais e extratos de cartão de crédito que a despesa para aquisição de lentes intraoculares ocorreu em favor de estabelecimento hospitalar, deve ser afastada a glosa e mantida a dedução por despesa médica. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Alice Grecchi, Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio da Rosa, Fabio Piovesan Bozza, Andrea Brose Adolfo, Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 52 00 /2 01 3- 62 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada Notificação de Lançamento( fls. 25/30), em 25/05/2013, sendo apurado crédito tributário no valor de R$ 2.459,77. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual, em nome do interessado, referente ao exercício 2010, anocalendário de 2009, quando foi constatada infração concernente à dedução indevida de despesas médicas no valor de R$4.381,41, referente a pagamentos declarados à conta do Instituto de Saúde de Olhos de Brasília (CNPJ 03.056.609/000170), no valor de R$3.400,00 e ao BRB Saúde Caixa de Assistência (CNPJ 04.859.814/000137), no valor de R$981,41. A autoridade fiscal informa, em relação ao BRB Saúde Caixa de Assistência que o valor do plano de saúde de Maria Emília não pode ser deduzido, pois ela apresenta sua própria declaração. Quanto a esse ponto, o contribuinte não apresentou impugnação. No que se refere ao Instituto de Saúde de Olhos de Brasília, consta do Auto de Infração à fl. 28, informação de que a aquisição de lentes não pode ser deduzida, uma vez que não existe amparo legal para tanto. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação de fl. 03, com documentos anexados às fls. 04/17, na qual alega que o valor de R$3.400,00 referese à diferença entre o montante patrocinado pelo plano de saúde e o que ele pagou para implante de cirurgias de catarata, realizadas pelo Dr. João Luiz Pacini Costa, em 26/06/2009 e 31/07/2009, conforme “Demonstrativos de Cobrança de Beneficiários” anexas. A Turma de Primeira Instância julgou improcedente a impugnação, fundamentando: [...]Nesse sentido é importante esclarecer que o valor pago pelo notificado com a aquisição de lentes intraoculares é passível de dedução da base de cálculo do imposto de renda devido, desde que integre a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar, o que não é o caso [...] A ciência do Acórdão 0251.339 9ª Turma da DRJ/BHE, ocorreu em 13/12/2013 ( fl. 53). Em 03/01/2014 sobreveio recurso voluntário (fls. 55), acompanhado de documentos ( fls. 55/66). Em suas razões, trouxe novamente os argumentos aventados na impugnação, alegando que o valor é dedutível, vez que foi pago a estabelecimento hospitalar ISOB Instituto de Saúde de Olhos de Brasília CNPJ 03.056.609/000170, sendo que as Notas Fiscais foram "arranjadas", tão somente para elucidar a marca/qualidade das lentes intraoculares. É o relatório. Passo a decidir. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.725200/201362 Acórdão n.º 2301004.683 S2C3T1 Fl. 70 3 Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade previstos no art. 33, do Decreto nº 70.235/1972, merecendo ser conhecido. Antes de passar a análise do mérito recursal, temse que no que se refere à infração por dedução indevida de despesas médicas, referente ao plano de saúde BRB Saúde Caixa de Assistência (CNPJ 04.859.814/000137), no valor de R$981,41, não houve impugnação por parte do contribuinte, que já foi considerada como não impugnada pela Decisão a quo, conforme prescreve o art. 17, do Decreto 70.235/72 (redação dada pela Lei 9.532/97). Por conseguinte, se faz importante observar que o imposto no valor de R$269,89, em decorrência da infração relativa à parte não impugnada, foi transferido para o processo 10166.728213/201393, conforme tela “Extrato do Processo”à fl. 41, e cálculo de fl. 39. No que se refere à dedução por despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual, cumpre trazer os dispositivos que regulam a matéria, a saber a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] Fl. 71DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Verificase, pois, que para dedução das despesas médicas, é necessário que o contribuinte comprove por meio documental que houve o efetivo pagamento com dados de quem o recebeu. Analisando os documentos acostados pelo recorrente, notase que foi juntado com sua peça impugnatória, às fls. 05/17, cheques e outros documentos para comprovar o pagamento de despesas médicas no valor de R$3.400,00, referente a compra de lentes oculares para implante em cirurgias de catarata, realizadas no Instituto de Saúde de Olhos de Brasília. Contudo, o fundamento da decisão recorrida foi de "que o valor pago pelo notificado com a aquisição de lentes intraoculares é passível de dedução da base de cálculo do imposto de renda devido, desde que integre a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar, o que não é o caso."(grifei). No perguntão no site da Receita Federal consta: 351 O gasto com colocação de lente intraocular em cirurgia de catarata pode ser considerado como despesa médica? Sim, é considerada despesa médica a cirurgia para a colocação de lente intraocular. O valor referente à lente é dedutível se integrar a conta emitida pelo profissional ou estabelecimento hospitalar. Revendo os documentos trazidos pelo interessado, verifico que o ponto de questionamento e/ou dúvida, paira sobre as Notas Fiscais de fls. 56 e 57, ambas no valor de R$ 1.700,00 com data de 03/08/2009, data essa que é posterior à data de emissão de cheque, no valor de R$ 425,00 de 26/06/2009, ao qual o contribuinte atribui como pagamento de entrada, do total de R$ 3.400,00. Assim, concluise que as lentes foram efetivamente adquiridas antes da data constante nas Notas Fiscais, pois há prova de pagamento, através de cheque nominativo, ao Instituto de Saúde dos Olhos de Brasília em data anterior. Ora, é coerente, por óbvio, que as lentes intraoculares já estavam adquiridas no momento do ato cirúrgico e que as Notas Fiscais não apontam de forma fidedigna a data de aquisição dos produtos. Importante salientar que as Notas Fiscais não são os elementos fulcrais para a dedução das despesas, mas tão somente coadjuvantes que se prestam a demonstrar meramente a aquisição do produto, posto que há prova de que o dispêndio ocorreu em favor do ISOB. Logo, entendo que são verossíveis as alegações do contribuinte, uma vez que os documentos de fls. 5/7 e 11/13 demonstram que a totalidade dos valores que o contribuinte pretende deduzir, foram pagos ao ISOB Instituto de Saúde de Olhos de Brasília, CNPJ 04.859.814/000137, por meio de cheque nominativo e cartão de crédito. Cabível, portanto, a dedução pleiteada pelo contribuinte, uma vez que o valor de R$ 3.400,00 foi pago a estabelecimento hospitalar, comprovado por meio de cheque nominal e extrato cartão de cartão de crédito, conforme preconiza a Lei nº 9.250/95, artigo 8º, II "a" e § 2º, III. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para restabelecer a dedução com despesa médica, no valor de R$ 3.400,00. (Assinado Digitalmente) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10166.725200/201362 Acórdão n.º 2301004.683 S2C3T1 Fl. 71 5 Alice Grecchi Relatora Fl. 73DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14766.720002/2011-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 76 6. 72 00 02 /2 01 1- 32 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 14766.720002/201132 Acórdão n.º 3403003.407 S3C4T3 Fl. 112 2 Tratase de processo formalizado para controle de diversos débitos do contribuinte que teriam sido objeto de parcelamento nos termos da Medida Provisória 470/2009. Em síntese, o contribuinte pediu a compensação dos débitos oriundo do uso indevido do crédito do IPI com o Prejuízo Fiscal – PF e Base de Cálculo Negativa da CSLL – BCN apurados até setembro de 2009. Ocorre que o Grupo de Trabalho GT concluiu que os créditos oriundo de PF e BCN deveriam ser apurados até 31/12/2008. Os créditos apurados em favor do contribuinte foram suficientes para quitar tão somente os débitos que se encontravam no âmbito da Procuradoria, restando um saldo devedor dos débitos na Secretaria da Receita Federal do Brasil em torno de R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais). Inconformado com a conclusão do GT, o contribuinte apresentou requerimento que foi decidido pelo setor de revisão de lançamento. Mantendose o inconformismo, o processo foi encaminhado para a Superintendência da Receita Federal do Brasil 4ª Região como Recurso Hierárquico, nos termos da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Nas alegações do contribuinte, além do inconformismo com o período considerado pelo GT, ele pedia para que o recurso fosse recebido como impugnação e/ou manifestação de inconformidade, devendo, pois, o processo seguir para o CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As alegações do contribuinte não foram aceitas pela Delegacia nem pela Superintendência, sendo os débitos encaminhados para a cobrança. O contribuinte manejou Mandado de Segurança, processo n° 0800855 42.2013.4.05.8300, pleiteando que o “recurso” apresentado seguisse o rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF , fosse recebido com efeito suspensivo e encaminhado ao CARF. Obteve liminar favorável nesse sentido, tendo a segurança concedida por meio de sentença. O Recurso de Apelação apresentado pela Fazenda Nacional e a Remessa Necessária foram julgados improcedentes, mantendose a sentença de primeira instância. O Recurso Especial foi inadmitido, estando pendente a apreciação do Agravo de Instrumento. Em suma, está em vigor decisão judicial, confirmada no âmbito do TRF, determinando que o requerimento de inconformismo do contribuinte seja recebido como manifestação de inconformidade, nos termos do PAF, com efeito suspensivo e, por fim, encaminhado ao CARF para julgamento. Foram anexadas ao processo as decisões judiciais objeto desta análise. Em 25/08/2014, atendendo ao despacho de fls. 92 e 93, o SECAT/DRF/REC PE encaminhou o processo ao CARF com base em decisão judicial que determina o recebimento do recurso voluntário da empresa. O despacho de encaminhamento da fl. 110 esclareceu que este processo foi desmembrado do processo n° 13401.000460/200911, em que se encontra o recurso voluntário da empresa, o qual já aguarda distribuição e sorteio na 1ªSEJUL/CARF. Recomenda que os dois processos devam ser apreciados em conjunto. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 14766.720002/201132 Acórdão n.º 3403003.407 S3C4T3 Fl. 113 3 A numeração de folhas reportase à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Nos termos do Inc. IV do art. 2º do Anexo II ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010, compete à Primeira Seção o julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação do IRPJ e CSLL. Tal é exatamente o caso do presente processo, em que se discute compensação de débitos oriundo do uso indevido do crédito do IPI com o Prejuízo Fiscal – PF e Base de Cálculo Negativa da CSLL – BCN apurados até setembro de 2009. Assim sendo, voto por que não se conheça dos recursos de que se trata e que se decline a competência para o seu julgamento à 1ª Seção do CARF, com a recomendação expressa de que o mesmo seja apreciado em conjunto com o processo n° 13401.000460/2009 11. Sala de sessões, em 12 de novembro de 2014 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13857.720470/2011-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIPJ. ENTREGAS NO PRAZO. CONSIDERADAS DIPJ RETIFICADORAS. MULTA IMPROCEDENTE. REGULARIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. LUCRO PRESUMIDO.
Para fins de entrega de DIPJs consideram-se as datas de entrega das declarações originais. Não se verifica vedação à retificação de DIPJ para a regularização do regime tributário pelo lucro presumido, cuja opção foi anterior e regularmente efetivada.
Numero da decisão: 1302-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIPJ. ENTREGAS NO PRAZO. CONSIDERADAS DIPJ RETIFICADORAS. MULTA IMPROCEDENTE. REGULARIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. LUCRO PRESUMIDO. Para fins de entrega de DIPJs consideram-se as datas de entrega das declarações originais. Não se verifica vedação à retificação de DIPJ para a regularização do regime tributário pelo lucro presumido, cuja opção foi anterior e regularmente efetivada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DIPJ. ENTREGAS NO PRAZO. CONSIDERADAS DIPJ RETIFICADORAS. MULTA IMPROCEDENTE. REGULARIZAÇÃO DE FORMULÁRIO. LUCRO PRESUMIDO. Para fins de entrega de DIPJs consideramse as datas de entrega das declarações originais. Não se verifica vedação à retificação de DIPJ para a regularização do regime tributário pelo lucro presumido, cuja opção foi anterior e regularmente efetivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 72 04 70 /2 01 1- 25 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 2 Relatório Notificouse a recorrente dos lançamentos de fls. 10, 16 e 22, em virtude de atraso na entrega das Declarações de Rendimentos relativas aos anos calendário de 2007, 2008 e 2009, respectivamente. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados nas Notificações. A recorrente impugnou os lançamentos alegando, em síntese, que a declaração de rendimentos foi entregue no prazo e que a autuação recaiu indevidamente sobre as declarações retificadoras. A DRJ acompanhou o entendimento da DRF e concluiu que para a verificação quanto a tempestividade das entregas das DIPJs em questão, não poderiam ser consideradas as DIPJs, em relação aos quais a recorrente afirmou que se tratavam das declarações originais. Isso porque, tais DIPJs originais teriam sido formalizadas erroneamente mediante a utilização do formulário para empresas optantes do regime de tributação pelo lucro real. A DRJ registrou que a recorrente, na verdade, substituiu as declarações iniciais (e que isso não seria admitido), pelo fato de não terem sido realizadas em formulários próprios (lucro presumido). Transcrevese o trecho do acórdão recorrido, a respeito: Foram observados pagamentos de IRPJ, no código 2089 (Lucro Presumido) em 2007 (15/10/2007), em 2008 (29/02/2008) e em 2009 (27/02/2009), configurando a opção da contribuinte por este regime de tributação nesses anos calendário. Logo, as DIPJ (Lucro Real) entregues primeiramente não podem ser consideradas como originais das DIPJ (Lucro Presumido) entregues posteriormente, nos anos de 2008, 2009 e 2010, as quais fundamentam os presentes lançamentos em função das entregas intempestivas, pois não correspondem à opção da contribuinte manifestada nos pagamentos do IRPJ. Ainda, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu que, a partir de 01/01/97, a opção pela tributação com base no lucro presumido seria exercida quando do pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido, correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. Considerouse, assim, como originais (e a partir dessas contouse o prazo para entrega e considerouse que houve atraso ensejador de multa), somente as DIPJs (retificadoras) as quais foram apresentadas em formulário adequado relativo ao lucro presumido. Diante dessa conclusão, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade e manteve as multas por atraso na entrega de DIPJs dos anos 2007, 2008 e 2009. A recorrente foi intimada do acórdão da DRJ, em 03/12/2013 (fl. 54). O recurso voluntário foi protocolado em 17/12/2013. O recurso foi assinado por representante legal (fl. 23). Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 13857.720470/201125 Acórdão n.º 1302001.825 S1C3T2 Fl. 3 3 O recurso voluntário apresenta, em síntese, as seguintes razões: a) é pacífico o entendimento por parte da RFB que a opção pelo lucro real anual, lucro real trimestral, ou lucro presumido será manifestado pelo pagamento da 1a. quota do IRPJ de qualquer um dos regimes, mediante DARF, sendo que a legislação não permite mudar a forma de tributação durante o ano calendário (Art. 13, Lei 9.718/98), ou quando não houver pagamento, esta opção poderá ser manifestada por meio da DIPJ; b) no acórdão recorrido reconheceuse que, nos anos de 2007, 2008, e 2009 a recorrente efetuou sua opção quando fez recolhimentos sob o código 2089 (lucro presumido). Transcreveu o seguinte trecho do acórdão recorrido: Foram observados pagamentos de IRPJ, no código 2089 (Lucro Presumido) em 2007 (15/10/2007), em 2008 (29/02/2008) e em 2009 (27/02/2009), configurando a opção da contribuinte por este regime de tributação nesses anoscalendário". c) alega que por erro formal, a recorrente no momento da entrega da declaração DIPJ dos anos calendários em questão, apresentou as mesmas em formulário do Lucro Real, sem contudo, alterar a forma de tributação, até mesmo porque já havia efetuado a opção quando do pagamento das quotas no código do lucro presumido; d) salienta que houve engano que, posteriormente, tratou de sanar de forma espontânea na forma da IN RFB 166 de 23/12/1999, apresentando declaração retificadora; f) invoca o princípio da proporcionalidade e registra que não houve retificação para mudança de regime; requer o acolhimento do recurso para o cancelamento dos débitos de multa por atraso na entrega de DIPJ, considerandose as entregas das DIPJs originais. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL O recurso voluntário é tempestivo e a recorrente está regularmente representada. Conheço do recurso. Conforme se verifica dos autos, de fato, a recorrente era optante pelo regime de tributação do lucro presumido. A partir dessa certeza, o acórdão recorrido considerou como inexistentes as DIPJs originalmente formalizadas, por equívoco, em formulário previsto para as empresas Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL 4 contribuintes optantes pelo regime de tributação do lucro real, sob o fundamento de que é vedada a retificação de DIPJ para a mudança de regime de tributação. De outro modo, observase que a recorrente demonstrou que não houve retificações com o objetivo de se mudar de regime de tributação. As retificadoras visaram a adequação formal relativa ao adequado formulário para o lucro presumido, a que correspondia a recorrente. Dessa forma, não se verifica fundamento para não serem considerados os protocolos das primeiras DIPJs, ainda que tenham sido formalizadas, erroneamente, por meio de formulário inadequado. Considerase, assim, tempestivamente cumpridas as obrigações acessórias relativas à DIPJ e, por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar débitos de multa por atraso na entrega da DIPJ. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 05/05/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 05/05/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002988/2005-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Data do fato gerador: 13/10/1997
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Mantém-se a decisão que ratificou o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar fartamente comprovada nos autos a causa da exclusão, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Demonstrado nos autos que foi possibilitado à contribuinte ter pleno conhecimento do conteúdo de todos os atos do procedimento fiscal, descabe a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
ARBITRAMENTO DE LUCROS.
Abandonada a escrituração, em desacordo com a legislação comercial e fiscal, que registrou, de forma resumida e em partidas mensais, apenas parte das operações realizadas pela interessada, correto é o arbitramento de lucro com base na receita bruta conhecida (a declarada e a omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM
NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO
LEGAL. CONCOMITÂNCIA.
Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto que a interessada não provou que os valores sacados da conta bancária teriam sido utilizados nos pagamentos
não contabilizados.
RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIOS DE FATO DA PESSOA
JURÍDICA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS.
Os sócios de fato da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos por empresa constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas), porquanto configurada a hipótese de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei prevista no art. 135 do CTN.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se na contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 1302-000.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Data do fato gerador: 13/10/1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Mantém-se a decisão que ratificou o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar fartamente comprovada nos autos a causa da exclusão, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Demonstrado nos autos que foi possibilitado à contribuinte ter pleno conhecimento do conteúdo de todos os atos do procedimento fiscal, descabe a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Abandonada a escrituração, em desacordo com a legislação comercial e fiscal, que registrou, de forma resumida e em partidas mensais, apenas parte das operações realizadas pela interessada, correto é o arbitramento de lucro com base na receita bruta conhecida (a declarada e a omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto que a interessada não provou que os valores sacados da conta bancária teriam sido utilizados nos pagamentos não contabilizados. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIOS DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Os sócios de fato da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos por empresa constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas), porquanto configurada a hipótese de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei prevista no art. 135 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se na contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 13/10/1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Mantémse a decisão que ratificou o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar fartamente comprovada nos autos a causa da exclusão, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Demonstrado nos autos que foi possibilitado à contribuinte ter pleno conhecimento do conteúdo de todos os atos do procedimento fiscal, descabe a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Abandonada a escrituração, em desacordo com a legislação comercial e fiscal, que registrou, de forma resumida e em partidas mensais, apenas parte das operações realizadas pela interessada, correto é o arbitramento de lucro com base na receita bruta conhecida (a declarada e a omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.944 2 A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto que a interessada não provou que os valores sacados da conta bancária teriam sido utilizados nos pagamentos não contabilizados. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIOS DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Os sócios de fato da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos por empresa constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas), porquanto configurada a hipótese de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei prevista no art. 135 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.945 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Wilson Fernandes Guimarães e Irineu Bianchi Relatório Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.03.00 2005002018 (fls. 01/04), a contribuinte acima qualificada, por meio do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples nº 080/2005, de 01 de dezembro de 2005, de emissão do Delegado da Receita Federal em Cascavel/PR (fl. 2848), foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, com efeitos a partir de 13/10/1997, tendo como causa do evento a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios, conforme previsto nos arts. 12 e 14, IV, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 2. Constou do Termo de Informação Fiscal nº 206/2005 (fls. 3604/3611) e do Termo de Constatação Fiscal nº 208/2005 (fls. 1915/1930 e 3619/3634), lavrados, em 01/12/2005, pela Seção de Fiscalização e Controle AduaneiroFIANA da DRFCascavel/PR, que a interessada foi constituída, em 01/10/1997, em nome das interpostas pessoas Odelir Vital Pilatti (CPF nº 240.636.49920) e Davi Soares (CPF nº 738.617.58920), ambos com diminuta capacidade financeira, razão pela qual os verdadeiros proprietários Warlei José Frizzo (CPF nº 591.338.99991) e Irceu Picini (CPF nº 431.219.69900) foram declarados pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos pela pessoa jurídica, conforme previsto no art. 134 e 135 do CTN (Termo de Responsabilização nº 215/2005, às fls. 2049/2050). 3. Em decorrência da exclusão do Simples, foram lavrados, em 02/12/2005, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o Programa de Integração Social, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.946 4 Auto de infração de IRPJ 4. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 1958/1579) exige o recolhimento de R$ 293.911,12 a título de imposto e R$ 440.866,64 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além dos acréscimos legais. 5. A contribuinte teve seu lucro arbitrado em face de ter sido excluída do Simples e não cumprir as obrigações acessórias necessárias e indispensáveis à adoção do lucro real ou lucro presumido, conforme descrito no item 2 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956) e com fundamento no art. 530, III, do RIR de 1999 (Decreto nº 3000, de 17 de junho de 1999). 6. O lançamento fiscal decorreu das seguintes infrações: 6.1 omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos, conforme descrito no item 5 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), com infração ao disposto nos arts. 281, II, 288, 532 e 537 do RIR de 1999: . anocalendário de 2000 – 1º trimestre ....................... R$ 56.303,56 . anocalendário de 2000 – 2º trimestre ....................... R$ 69.760,77 . anocalendário de 2000 – 3º trimestre ....................... R$ 77.015,09 . anocalendário de 2000 – 4º trimestre ....................... R$ 88.407,90 . anocalendário de 2001 – 1º trimestre ....................... R$ 103.342,53 . anocalendário de 2001 – 2º trimestre ....................... R$ 103.820,45 . anocalendário de 2001 – 3º trimestre ....................... R$ 105.097,19 . anocalendário de 2001 – 4º trimestre ....................... R$ 139.259,18 . anocalendário de 2002 – 1º trimestre ....................... R$ 129.094,44 . anocalendário de 2002 – 2º trimestre ....................... R$ 147.367,26 . anocalendário de 2002 – 3º trimestre ....................... R$ 197.079,05 . anocalendário de 2002 – 4º trimestre ....................... R$ 238.964,26 . anocalendário de 2003 – 1º trimestre ....................... R$ 291.996,98 . anocalendário de 2003 – 2º trimestre ....................... R$ 274.199,93 . anocalendário de 2003 – 3º trimestre ....................... R$ 269.953,67 . anocalendário de 2003 – 4º trimestre ....................... R$ 248.382,72 . anocalendário de 2004 – 1º trimestre ....................... R$ 173.273,58 . anocalendário de 2004 – 2º trimestre ....................... R$ 121.916,50 . anocalendário de 2004 – 3º trimestre ....................... R$ 175.250,09 . anocalendário de 2004 – 4º trimestre ....................... R$ 200.422,60 6.2 omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, mantida em conta bancária não contabilizada, em nome da interessada, conforme descrito no item 6 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), com infração ao disposto nos arts. 27, I, e 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 287, 288, 532 e 537 do RIR de 1999: . anocalendário de 2000 – 1º trimestre ....................... R$ 787.948,34 . anocalendário de 2000 – 2º trimestre ....................... R$ 497.098,43 . anocalendário de 2000 – 3º trimestre ....................... R$ 955.995,96 . anocalendário de 2000 – 4º trimestre ....................... R$ 3.611.183,44 . anocalendário de 2001 – 1º trimestre ....................... R$ 3.438.091,64 . anocalendário de 2001 – 2º trimestre ....................... R$ 315.107,98 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.947 5 . anocalendário de 2001 – 3º trimestre ....................... R$ 16.485,47 6.3 arbitramento do lucro sobre o valor das receitas indevidamente declaradas com base no Simples, conforme descrito no item 3 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), com fundamento nos arts. 15, § 1º, II, “a” combinado com o art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: . anocalendário de 2000 – 1º trimestre ....................... R$ 54.256,00 . anocalendário de 2000 – 2º trimestre ....................... R$ 53.690,00 . anocalendário de 2000 – 3º trimestre ....................... R$ 58.060,00 . anocalendário de 2000 – 4º trimestre ....................... R$ 63.829,00 . anocalendário de 2001 – 1º trimestre ....................... R$ 46.812,00 . anocalendário de 2001 – 2º trimestre ....................... R$ 65.788,00 . anocalendário de 2001 – 3º trimestre ....................... R$ 93.673,00 . anocalendário de 2001 – 4º trimestre ....................... R$ 105.987,00 . anocalendário de 2002 – 1º trimestre ....................... R$ 98.186,00 . anocalendário de 2002 – 2º trimestre ....................... R$ 105.281,00 . anocalendário de 2002 – 3º trimestre ....................... R$ 97.184,06 . anocalendário de 2002 – 4º trimestre ....................... R$ 104.712,00 . anocalendário de 2003 – 1º trimestre ....................... R$ 109.083,00 . anocalendário de 2003 – 2º trimestre ....................... R$ 124.353,00 . anocalendário de 2003 – 3º trimestre ....................... R$ 214.290,00 . anocalendário de 2003 – 4º trimestre ....................... R$ 319.791,00 . anocalendário de 2004 – 1º trimestre ....................... R$ 337.734,00 . anocalendário de 2004 – 2º trimestre ....................... R$ 280.690,00 . anocalendário de 2004 – 3º trimestre ....................... R$ 278.768,00 . anocalendário de 2004 – 4º trimestre ....................... R$ 242.694,00 6.4 receitas escrituras e não declaradas, conforme descrito no item 4 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), com fundamento no art. 532 do RIR de 1999: . anocalendário de 2004 – 3º trimestre ....................... R$ 20.000,00 . anocalendário de 2004 – 4º trimestre ....................... R$ 142.000,00 Auto de infração de PIS 7. O auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. fls. 1980/2002) exige o recolhimento de R$ 103.022,61 a título de contribuição e R$ 154.533,77 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 8. O lançamento referese à omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos e por depósitos bancários de origem não comprovada, além das receitas indevidamente declaradas com base no Simples e das receitas escrituradas e não declaradas, conforme descrito nos itens 3 a 6 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), citado na peça básica. Tem como fundamento legal o arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, arts. 2º, I, 8º, I, e 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Auto de infração de CSLL Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.948 6 9. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 2003/2025) exige o recolhimento de R$ 172.310,89 a título de contribuição e R$ 258.466,27 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 10. O lançamento referese à mesma infração que deu causa ao lançamento de IRPJ, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1936/1956), citado na peça básica, com infração ao disposto no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, arts. 19 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 6º da Medida Provisória nº 1.858, de 1999, e suas reedições. Auto de infração de Cofins 11. O auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2026/2046) exige o recolhimento de R$ 475.490,07 a título de contribuição e R$ 713.234,95 a título de multa de lançamento de ofício, prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, além dos acréscimos legais. 12. O lançamento, com fundamento nos art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações das Medidas Provisórias nºs 1.807, de 1999, e 1.858, de 1999, e suas reedições, e arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002, referese à omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de pagamentos e por depósitos bancários de origem não comprovada, além das receitas indevidamente declaradas com base no Simples e das receitas escrituradas e não declaradas, conforme descrito nos itens 3 a 6 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956), citado na peça básica. Termo de responsabilização 13. Às fls. 2049/2050, o Termo de Responsabilização nº L215/2005 (fls. 2049/2050), cientificado em 07/12/2005, por meio do qual os sócios de fato da interessada, Irceu Picini e Warlei José Frizzo, foram declarados pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário constituído, conforme previsto nos arts. 134 e 135 do CTN. Manifestação de Inconformidade 14. Cientificada em 05/12/2005, a interessada ingressou, em 04/01/2006, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 05), com manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples (fl. 3647/3663), cujo teor é sintetizado a seguir. 14.1. Argüi a preliminar de nulidade do Ato Declaratório de Exclusão, ao argumento de cerceamento de defesa, porquanto o prazo para apresentação de defesa foi reduzido para apenas 20 dias em decorrência da demora na obtenção de cópia das peças dos autos, haja vista somente têla recebido em 16/12/2005, inobstante as várias tentativas de conseguila, sendo a primeira no mesmo dia em que foi cientificada do lançamento fiscal. 14.2. Aduz que, tendo o Ato de Exclusão retroagido seus efeitos até o dia 13/10/1997, tal retroação visaria o lançamento de tributos cujos fatos geradores já estariam alcançados pela decadência (arts. 150, § 4º, e 173, I, do CTN e arts. 898, I, e 899 do RIR de 1999). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.949 7 14.3. Quanto ao mérito, assevera a inaplicabilidade de penalidade após cinco anos da data da infração, conforme disposto no art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964; que se trata de prazo prescricional, findo o qual a autoridade administrativa não mais poderá aplicar a penalidade, independentemente de estar ou não em aberto o prazo decadencial para a constituição do tributo. 14.4. Alega que a autoridade fiscal presumiu ter havido a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não seriam seus sócios verdadeiros; que, todavia, o ato administrativo deve refletir a verdade real e, portanto, pautarse em fatos precisos e incontroversos, não sendo admitida a exclusão do Simples com base em argumentos falaciosos; que é imperativo ter em mente que as presunções em matéria tributária devem ser encaradas com cautela, sob pena de se desrespeitarem os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; que, por não haver presunções absolutas no direito tributário, não pode o fisco aplicar penalidade baseada em supostas infrações; que, se a jurisprudência pátria é tranqüila em não admitir a mera presunção como meio de tributação, também não o será para a aplicação de penalidade. 14.5. Argúi que não há nos autos qualquer evidência irrefutável que possa atribuir a propriedade da empresa à pessoa de Warlei José Frizzo, Gilson Roberto Frizzo e Irceu Picini; que a fiscalização atribui a condição de dono a Irceu e Warlei pelo fato de suas notas fiscais conterem as observações “autorizado por Irceu”, “autorizado por Varlei” ou “autorizado por Darci”; que o fato de ter autorizado a execução de pequenas despesas não significa absolutamente que essas pessoas detinham de fato a sociedade; que atribuir veracidade absoluta a declarações de terceiros, que o fizeram sabese lá porque, talvez movidos por intenções escusas, gera insegurança jurídica; que é público e notório, inclusive reconhecido pela fisco, que Irceu Picini afastouse de qualquer atividade empresarial em janeiro/2001, ficando no cargo de prefeito de Salgado Filho até dezembro/2004; que, se devida a exclusão, ela não poderia retroagir a período anterior a 01/01/2002, conforme decidiu o Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 30132201. 14.6. Ao final requer a restauração do direito de permanecer no Simples e que todas as intimações relacionadas com o presente feito sejam encaminhadas ao procurador que esta manifestação de inconformidade subscreve; também requer seja deferida a produção de prova pericial contábil. Impugnação aos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins 15. A interessada também apresentou, em 04/01/2006, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 2051), as tempestivas impugnações de fls. 2071/2114 (IRPJ), 2115/2169 (CSLL), 2170/2239 (PIS) e 2240/2309 (Cofins), cujo teor é sintetizado a seguir. 15.1 Argüi a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa, porquanto teve reduzido para apenas 20 dias o prazo para apresentação da impugnação, em decorrência da demora na obtenção de cópia das peças dos autos, haja vista somente têla recebido em 16/12/2005, inobstante as várias tentativas para conseguila, sendo a primeira no mesmo dia em que foi cientificada do lançamento fiscal. 15.2 Aduz que os períodos de apuração de janeiro a novembro/2000 já estariam alcançados pela decadência (arts. 150, § 4º, e 173, I, do CTN e arts. 898, I, e 899 do RIR de 1999), pois o art. 173, I, do CTN seria inaplicável ao caso em face de não ter sido comprovada a ocorrência de dolo nas ações ou omissões a ela atribuídas; que o conceito de dolo, segundo o art. 18, I, do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.950 8 Código Penal, é quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; que, para que essa intenção reste provada, de maneira segura e irrefutável, seria imprescindível que houvesse a declaração dos supostos infratores de que os atos foram praticados com a intenção de sonegar, porquanto a vontade é manifestação subjetiva e ninguém, a não ser o próprio agente, poderia afirmar que tenha ocorrido; que a prova de não ter havido intenção de sonegação consta do próprio Termo de Constatação Fiscal nº L214/2005, subitem 9.10, em que se concluiu que a contribuinte, ao optar pelo Simples, sofreu tributação mais onerosa do que teria se optasse pelo lucro presumido. 15.3 Quanto ao mérito, insurgese contra o fato de o arbitramento do lucro decorrer da falta de opção pelo lucro presumido, conforme previsto no art. 526, §§ 3º e 4º do RIR de 1999, vez que ela não poderia jamais ter registrado sua opção por essa modalidade de tributação por já haver optado pelo Simples, sendo que uma é excludente da outra. 15.4 Salienta que mantém sua opção pelo Simples e que a exclusão efetuada de ofício está em fase de contraditório; que já apresentou os livros obrigatórios previstos no art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996 (Livro Caixa e do Registro de Inventário) e que não procede a alegação de que o arbitramento foi justificado pelo fato de o Livro Caixa, dos anos de 2000 e 2001, conter lançamentos globais de compra e venda (subitem 2.3), vez que foram apresentados os livros fiscais de ICMS e todos os documentos fiscais que embasaram os lançamentos; que também não procede a alegação de falta de apresentação do Livro Razão dos anoscalendário de 2002 a 2004 em face de a Lei nº 9.317, de 1996, dispensar tal obrigação; que apresentou o Livro Diário que, a despeito de ter lançamentos com partidas mensais nos anoscalendário de 2002 e 2003, está acompanhado de todos os documentos que lhe dão suporte; quanto ao ano calendário de 2004, mesmo não restando motivo algum para arbitramento, ainda assim o lançamento foi assim efetuado; que, se cabível a exclusão do Simples, que seja aplicada a regra do art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, especialmente para adoção do lucro presumido. 15.5 Argúi ter havido duplicidade de lançamento sobre a mesma matéria, uma sobre a omissão de receita caracterizada por falta de registro de pagamentos (salário, encargos e combustíveis) e por outra por depósitos bancários de origem não comprovada; que, ao se considerar os depósitos bancários como omissão de receitas, o fisco corretamente descontou os valores das receitas declaradas e atribuiu, por presunção, que o restante seria receita omitida; que é descabida a alegação fiscal de que tanto os depósitos quanto as despesas constituem saídas de caixa e, portanto, refletem omissões de receitas; que tal argumento carece de melhor fundamentação, pois a movimentação bancária é composta de depósitos (saídas de caixa) e saques (entradas de caixa), sem o que, ao existir somente depósitos, o saldo deveria estar no banco; que o fisco não poderia lhe atribui o ônus de provar que os valores sacados foram realmente utilizados no pagamento das despesas, pois tal prova seria impossível em face de a presunção legal caracterizada por pagamentos não contabilizados não refletir a verdade real, e por se tratar de fatos pretéritos, ocorridos há mais de cinco anos. 15.6 Requer a compensação com os valores recolhidos a título de Simples, sob pena de se incorrer em bisinidem, tendo tal fato sido registrado pelo agente fiscal no Termo de Constatação Fiscal nº L214/2005, subitens 1.3 a 1.5; que a compensação é um direito de quem recolheu tributo a maior ou indevidamente. 15.7 Argúi que após o advento do CTN, as multas foram apresentadas sempre com caráter punitivo, mesmo aquelas que eventualmente tenham cunho de multa moratória (parágrafo único do art. 134 do CTN); que seria inaplicável qualquer penalidade após cinco anos da data Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.951 9 da infração, conforme disposto no art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964; que se trata de prazo prescricional, findo o qual a autoridade administrativa não mais poderá aplicar penalidade, independentemente de estar ou não em aberto o prazo decadencial para a constituição do tributo. 15.8 Alega que a multa de 150% parece exagerada e ofende o princípio constitucional do não confisco (art. 5º, XXII, da C.F.); que o STF vem adotando o entendimento de que as multas aplicadas em razão de infrações tributárias não podem exceder a 30% do valor do tributo. 15.9 Entende que a aplicação de presunção de omissão de receitas seria ilegal; que instada a declarar a origem dos valores creditados em conta bancária, não logrou êxito em razão desses valores se referirem a depósitos efetuados nos anos de 2000 e 2001, e ser impossível se lembrar de cada valor creditado; que a fiscalização baseouse apenas em mera presunção, não fazendo qualquer comprovação do alegado, o que não pode ser aceito sob pena de se ferir o princípio da verdade real, que está em oposição à pouco aceitável verdade formal; que as presunções legais em matéria tributária devem ser encaradas com cautela, sob pena de se desrespeitarem os princípios da estrita legalidade e da tipicidade fechada; que a jurisprudência pátria é tranqüila em não admitir a mera presunção como meio de tributação. 15.10 Protesta contra a utilização da taxa Selic como juros moratórios de créditos tributários; que a taxa Selic não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja porque carente de legislação que a institua (contrariando assim o disposto no art. 161, § 1º, do CTN), seja porque os valores acumulados de tal taxa em nada se coadunam com o disposto no art. 192, § 3º, da Constituição Federal (juros de 12% ao ano), seja porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios, contrariando uma vez mais a disposto no CTN, norma de hierarquia superior à Lei nº 9.065, de 1995. 15.11 Ao final requer que todas as intimações relacionadas com o presente feito sejam encaminhadas ao procurador que esta impugnação subscreve, e que seja deferida a produção de prova pericial contábil. 15.12 Na impugnação ao lançamento de CSLL acrescentou que seria inconstitucional a majoração de alíquota – de quatro pontos percentuais para os fatos geradores ocorridos de 01/05/1999 a 31/01/2000 e de um ponto percentual de 01/02/2000 a 31/12/2002 – inicialmente prevista pela Medida Provisória nº 1.807, de 1999, art. 6º, que foi reeditada sucessivamente até a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; que, como a MP nº 1.807, de 1999, regulamentou o art. 195 da Constituição Federal, cuja redação foi alterada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998, é forçoso reconhecer a patente inconstitucionalidade daquela medida provisória (e reedições) em face de o art. 246 da C.F. vedar a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995. 15.13 Também aduz que a MP nº 1.8586, de 1999, reedição da MP nº 1.807, de 1999, perdeu sua eficácia por ter sido reeditada pela MP nº 1.8587, de 1999, 31 dias após a sua publicação; que, na tentativa desesperada de corrigir seu descuido, o Presidente de República disciplinou no art. 23 da MP nº 1.8587 que ficam convalidados os atos praticados com base na MP nº 1.8586, de 1999; que esse ato é cravejado por dois vícios: invade a esfera de competência constitucionalmente estabelecida ao Congresso Nacional e por convalidar algo que é nulo no mundo jurídico; que como a MP nº 1.8587, de 1999, é nula e não apta a produzir efeitos, conclui que todas as reedições posteriores são também nulas. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.952 10 15.14 Em relação aos lançamentos de PIS e Cofins, acrescenta que de suas bases de cálculos deviam ser deduzidas as vendas não recebidas; que a Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 2º, I, dispôs que se excluem da receita bruta as vendas canceladas, mas em momento algum o legislador definiu o alcance de vendas canceladas, razão pela qual cabe ao intérprete e aplicador da lei fazêlo; que o contrato de compra e venda é oneroso, visto que ambas as partes auferem vantagens patrimoniais de suas prestações, pois o sacrifício da perda da coisa corresponderá ao proveito do recebimento do preço avençado, e, de outro lado, o sacrifício do pagamento do preço ajustado corresponderá ao proveito do recebimento do bem. 15.15 Aduz que a expressão “vendas canceladas” significa o desfazimento, anulação ou baixa do contrato de compra e venda, seja por acordo entre as partes, seja por falta de entrega ou de devolução da mercadoria, ou ainda por inadimplência do comprador; que por conseqüência, o não pagamento do avençado importa em cancelamento do contrato; que a legislação em vigor, ao tratar das bases de cálculo dessas contribuições, não utilizou a expressão ingressos por pretender tributar apenas os valores que se agregam ao patrimônio da empresa, e não aqueles que apenas transitam por ela; que ao tentar tributar valores não recebidos, sob argumento de não se tratar de vendas canceladas, estarseá ofendendo a sua capacidade contributiva. 15.16 Argumenta que da base de cálculo devem também serem excluídos os valores computados como receita que tenham sido transferidos para terceiros, conforme previsto no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998; que a prescrição “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo” contida nesse dispositivo legal afronta o princípio constitucional da legalidade, vez que não cabe ao legislador delegar poderes ao Poder Executivo para estabelecer e instituir normas que regulamentem um dos critérios da hipótese de incidência tributária; que como é defeso às normas infralegais inovarem no mundo jurídico tributário, no que tange aos elementos essenciais do tributos, é plenamente possível afirmar que as leis tributários ou são autoexecutáveis, ou são inconstitucionais pela impossibilidade de delegação ao Poder Executivo do papel de completála; que, pelo fato de estar completamente descrita a redução da base de cálculo dessas contribuições, com todos os seus elementos essenciais, temse que esta norma é imediatamente aplicável, sob pena de ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva, do nãoconfisco e da isonomia. 15.17 Esclarece que a Medida Provisória nº 1.99118, de 28 de junho de 2000 (atualmente sob o nº 2.03725), revogou o art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998; contudo, tendo sido constatado que o fundamento de validade da Lei nº 9.718, de 1998, é a Emenda Constitucional nº 20, de 1998 (que alterou o art. 195 da C.F.), temse que a revogação da referida norma infraconstitucional pela MP nº 1.99118, de 2000, implica em violação do art. 246 da Constituição Federal, que determina expressamente que dispositivo constitucional alterado por emenda constitucional ulteriormente a 1995 não poderá ser regulamentado por medida provisória; que a Medida Provisória nº 1.99118, de 2000, publicada em 10/06/2000, só teria eficácia e aplicação após decorrido o interstício de 90 dias, ou seja, 30/09/2000, razão pela qual é necessário que se expurguem os valores repassados a terceiros, referentes aos meses de janeiro/2000 a dezembro/2002. 15.18 Aduz que a Lei nº 9.718, de 1998, ao dispor que se entende como receita bruta a totalidade das receitas auferidas, extrapolou os limites fixados pelo art. 195, I, da Constituição Federal (redação original), que não previa a possibilidade da incidência de contribuição sobre o total das receitas; que pouco menos de um mês após a publicação da Lei nº 9.718, de 1998, foi editada a Emenda Constitucional nº 20, de 1998, que modificou a Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.953 11 redação do art. 195, I, da C.F. na parte que se referia ao faturamento, e passou a autorizar a incidência também sobre as receitas; que, portanto, a exigência de contribuições sobre receitas somente passou a ser possível após a edição da EC nº 20, de 1998; que se previsão houvesse, não seria necessária a edição de emenda constitucional ampliando a possibilidade de incidência da contribuição. 15.19 Entende que não há duvida de que a legitimação da tributação das receitas nãooperacionais deuse com a redefinição da base de cálculo por legislação ordinária posterior à EC nº 20, de 1998, o que foi feito pelas Leis nº 10.637, de 2002 (PIS), e 10.833, de 2003 (Cofins), apenas para as empresas sujeitas à tributação nãocumulativa; que, quanto à base de incidência dos tributos para as empresas que permaneceram com a tributação cumulativa, não houve nova definição; que, portanto, para as empresas sujeitas ao regime cumulativo de tributação, a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718, de 1998, mantém seus fundamentos até a presente data. 15.20 Alega que a Lei nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, trazem distinção quanto à forma de recolhimento do PIS e da Cofins nãocumulativo entre as pessoas jurídicas que utilizam diferentes formas de escrituração do imposto de renda, dispondo que a nova sistemática aplicase somente àquelas que apurem o IR com base no lucro real; que, a partir do momento em que empresas em mesma situação são tributadas de forma diferenciada, resta claro a ofensa ao princípio da isonomia; que no caso em tela, como foi tributada com base no lucro arbitrado, não pôde garantirse do direito ao desconto dos valores pagos a fornecedores, com o que o valor devido restaria bem menor do que o cobrado nos autos. Impugnação ao Termo de Responsabilização dos sócios de fato 16. Em nome de Warlei José Frizzo e Irceu Picini foram apresentadas, tempestivamente, em 04/01/2006, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 2056 e 2054), as impugnações de fls. 2312/2571 e 2574/2834, as quais, além de reiterarem as alegações de defesa já apresentadas em nome da interessada, acrescentam as razões de defesa a seguir sintetizadas. 16.1. Argumentam que a Fazenda Federal procura atribuir aos requerentes a responsabilidade pelos débitos tributários da empresa, com fundamento nos arts. 134 e 135 do CTN; que a responsabilidade prevista no art. 134 impõe que eles estivessem na condição de sócios da empresa, o que não foi provado nos autos; que a fiscalização fundamentouse em suposições, no mais das vezes ocasionadas por declarações de fornecedores ou terceiros, mas não há nos autos qualquer evidência irrefutável que possa garantir que eles fossem os donos de fato da empresa; que para aplicação do art. 134 do CTN é imprescindível que a contribuinte não tenha condições de liquidar eventuais débitos resultantes do presente auto de infração, cujo valor lançado é absurdo e irreal; que não há que se atribuir responsabilidade a quem quer que seja antes de configurada a impossibilidade do cumprimento da obrigação pela empresa. 16.2. Entendem que melhor sorte não assiste à Fazenda no que se refere à aplicação do art. 135 do CTN, que depende da existência de pressupostos não provados nos autos; que para que haja responsabilidade pessoal dos administradores, o que pressupõe a exclusão total da responsabilidade da empresa, é necessário que fique plenamente provada a infração à lei ou o excesso de poderes; que excesso de poderes certamente não houve, porquanto os requerentes jamais praticaram qualquer ato de gestão fraudulenta na empresa; que nenhuma infração à lei restou provada nos autos, já que todas as afirmações trazidas na inicial são apenas ilações que não espelham a verdade dos fatos. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.954 12 16.3. Asseveram que para aplicação do art. 135 do CTN é necessário que se prove o dolo, sem o que não há que se falar em responsabilidade; que o art. 135 determina o afastamento da empresa para a assunção exclusiva de outro sujeito passivo, como responsável, mas o que se verifica nos autos é a tentativa de deixar no pólo passivo da relação tributária todas as pessoas, em grau de solidariedade, o que é impossível perante as normas citadas; que ou o responsável pelos créditos tributários é a empresa, e se esta não tiver meios de liquidálos a responsabilidade passa a ser dos requerentes, ou, caso comprovese cabalmente as infrações dolosas à lei em sua atuação como gestores, o que também não foi provado, ficaria o débito exclusivamente com estes. Acórdão DRJ/CTA nº 10.979, de 2006 17. Às fls. 3686/3729, o Acórdão nº 10.979, de 18 de maio de 2006, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR que, unanimidade de votos, indeferiu a solicitação de permanência no Simples, não acatou as preliminares de nulidade e de decadência e considerou não formulado o pedido de perícia contábil; no mérito, julgou procedente em parte o lançamento, mantendo de R$ 288.378,48 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, R$ 97.489,97 de Contribuição para o Programa de Integração Social, R$ 434.425,74 de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e R$ 151.778,72 de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, além das respectivas multas de lançamento de ofício de 150% e dos acréscimos legais. 18. À fl. 3733, a intimação, cientificada por meio de AR recebido em 19/06/2006 (fl. 3743), para recolher aos cofres da Fazenda Nacional, dentro do prazo de 30 dias, os débitos constantes dos demonstrativos de fls. 3734/3738, facultado recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes dentro do mesmo prazo. Recurso voluntário 19. Às fls. 3744/3766, o recurso voluntário apresentado, tempestivamente, em 18/07/2006, no qual insurgese contra o indeferimento do pedido de realização de perícia e contesta a exclusão do regime do Simples fundada na constituição da pessoa jurídica por interposta pessoa, assim como os efeitos retroativos da exclusão; argumentou que os depósitos bancários realizados na contacorrente da empresa serviram para pagar as despesas não escrituradas com remuneração de empregados, encargos previdenciários e combustíveis, mas encontrase impossibilitada de promover a exibição da documentação comprobatória coincidente em data e valor; contesta o lançamento de tributo sobre os depósitos bancários não contabilizados, ainda mais na forma de arbitramento, cuja exigência caracteriza bitributação e duplicidade de lançamento com a autuação sobre os pagamentos não escriturados; questiona a multa de ofício de 150% e pede que sejam estendidos aos lançamentos reflexos as modificações acatadas na análise do IRPJ. Acórdão nº 10517.337 do Conselho de Contribuintes 20. Às fls. 3780/3797, o Acórdão nº 10517.337, sessão de 13/11/2008, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, anulou a decisão de primeira instância em face do cerceamento do direito de defesa em decorrência da falta de análise das razões apresentadas na impugnação dos responsabilizados tributariamente (sócios de fato). Fl. 12DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.955 13 21. O processo administrativo nº 10935.002975/200506, relativo à exclusão do Simples, foi juntado por anexação ao presente processo em cumprimento ao disposto na Portaria SRF nº 6.129, de 2 de dezembro de 2005, art. 1º, II. A DRJ decidiu: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 13/10/1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Ratificase o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples por restar fartamente comprovada nos autos a causa da exclusão, a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o E.Conselho de Contribuintes anulado a decisão anterior de primeira instância, porquanto entendeu ter ocorrido cerceamento do direito de defesa em face da falta de análise das razões de defesa constantes da impugnação apresentada pelos responsabilizados tributariamente (sócios de fato), procedese a novo julgamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. Demonstrado nos autos que foi possibilitado à contribuinte ter pleno conhecimento do conteúdo de todos os atos do procedimento fiscal, descabe a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUTO DE INFRAÇÃO. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.956 14 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que desatenda aos requisitos do art. 16, IV do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Abandonada a escrituração, em desacordo com a legislação comercial e fiscal, que registrou, de forma resumida e em partidas mensais, apenas parte das operações realizadas pela interessada, correto é o arbitramento de lucro com base na receita bruta conhecida (a declarada e a omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica autoriza presumir que as respectivas operações foram realizadas com recursos desviados da tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITAS. HIPÓTESES DISTINTAS DE PRESUNÇÃO LEGAL. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto que a interessada não provou que os valores sacados da conta bancária teriam sido utilizados nos pagamentos não contabilizados. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE SIMPLES. Da exigência tratada nos autos devem ser deduzidas as parcelas correspondentes ao IRPJ e reflexos contidas nos recolhidos unificados de SIMPLES do período alcançado pela ação fiscal. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIOS DE FATO DA PESSOA JURÍDICA. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Os sócios de fato da pessoa jurídica são pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários devidos por empresa constituída em nome de interpostas pessoas (laranjas), porquanto configurada a hipótese de ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei prevista no art. 135 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.957 15 DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na contagem do prazo decadencial o art. 173, I, do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Com a edição da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF, as contribuições sociais para a Seguridade Social submetemse às regras de prescrição e decadência gerais ditadas pelo CTN. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa ao omitir a receita bruta por ela auferida e utilizar interpostas pessoas no quadro societário, procurando eximir a responsabilidade dos sócios de fato pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. PIS, COFINS E CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao PIS, à Cofins e à CSLL. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. Cientificados do acórdão DRJ em 04/06/2009 (Irceu Picini) , Warlei José Frizzo e Trans Tigre (em 15/06/2009, apresentam uma única peça recursal em 26/06/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação e, em especial,alega: nulidade da decisão recorrida em função da falta da análise de alegações de ilegalidade do art. 3º, § 2º da Lei 9718/98, face o art. 97, incisos I, II e IV do CTN; nulidade da decisão recorrida em função da falta da análise de alegações de inconstitucionalidade declarada pelo STF, através do RE 357.950/RS; cerceamento do direito de defesa em função da redução do prazo da impugnação, pois embora tenha tido ciência do lançamento em 05/12/2005, apenas em 16/12/2005 obteve cópias de documentos que embasaram o lançamento; decadência em relação aos meses de 01 a 11/2000; Fl. 15DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.958 16 que não seria aplicável o art. 173, I do CTN pela ausência de dolo; que teria decaído do fisco de excluir a recorrente do sistema Simples a partir de 1997; que não foram atendidos os requisitos para o arbitramento; pois, como optante do simples tinha obrigação de escriturar apenas o livro caixa e do registro de inventário; que houve duplicidade no lançamento pois, no item 7 do termo de constatação fiscal, de fls. 1946, lançou concomitantemente as despesas do período como receitas omitidas, sob o argumento de que tanto os depósitos bancários quanto as despesas constituem saídas de caixa e, portanto, refletem omissões de receitas; que não seria aplicável a multa fiscal; que não se pode aceitar a presunção de omissão de receitas; alega inconstitucionalidades na alteração da legislação do PIS e da COFINS pela Lei 9718 Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Quanto à alegação de cerceamento de direito de defesa em função do prazo para fornecimento de cópias de documentos que embasaram o lançamento, acompanho o pronunciamento do acórdão recorrido, cujo teor reproduzo: “A interessada pugna pela decretação da nulidade do ADE nº 080/2005, ao argumento de cerceamento de defesa em face da demora na obtenção de cópia das peças dos autos, haja vista somente têla recebido em 16/12/2005, o que acabou reduzindo para apenas 20 dias o prazo para apresentação da impugnação. Contudo, verificase que inexiste razão que possa justificar a arguição de cerceamento do direito de defesa, porquanto a interessada somente apresentou solicitação de cópia das peças dos autos em 13/12/2005 (fl. 791), muito embora afirme que tentou solicitála no próprio dia 05/12/2005 na DRFCascavel (quando foi cientificada do lançamento fiscal), mas foi informada que os documentos só poderiam ser entregues pela ARFFrancisco Beltrão/PR. Apenas consta dos autos que, estando a máquina copiadora instalada na ARFFrancisco Beltrão com problemas operacionais, foi destacada uma servidora daquela unidade para acompanhar o representante da contribuinte para extrair cópia Fl. 16DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.959 17 (mais de 2000 folhas) em estabelecimento particular, o que ocorreu em 16/12/2005 (fl. 792). Dessa forma, considerando que deveria ter formalizado o pedido de cópia de documentos com maior antecedência na ARF Francisco Beltrão/PR, e que, de qualquer forma, foi possibilitado à impugnante ter perfeito conhecimento dos fatos apresentados, tanto é assim que a defesa foi oferecida em tempo hábil e de forma abrangente, além do fato de os documentos acostados aos autos demonstrarem que a autoridade fiscal lhe deu ciência de todos os atos praticados, oferecendo oportunidade de contradizer e apresentar provas em seu favor, voto no sentido de se rejeitar a preliminar de nulidade.” Não há qualquer reparo a fazer ao acórdão recorrido nesta matéria, tendo em vista que entre o pedido formal (13/12/2005)e o fornecimento de cópias (16/12/2005), se passaram 3 dias, prazo bastante razoável e, pelo teor da impugnação e do recurso, não trouxe qualquer prejuízo à defesa. Diante do exposto, afasto a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa. A recorrente também alega nulidade em função do acórdão recorrido não ter enfrentado as argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei 9718 A recorrente alega que deveriam ser excluídos da base de .cálculo do PIS e da COFINS os valores não recebidos de clientes. Embora traga longa argumentação em relação ao tema, afirmando que seria aplicável ao valor não recebido a mesma legislação que se aplica às mercadorias devolvidas, não traz aos autos qualquer informação se teve e quais seriam os valores não recebidos. Tendo sido o lucro arbitrado sobre a receita apurada a partir de sua própria declaração somada às receitas omitidas, apuradas por presunção legal, entendo irrelevantes os argumentos sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, que não seriam aplicáveis ao presente caso. Não é objetivo do julgamento de 2ª instância a discussão de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade em tese de lei. Se, aplicável ao caso concreto, somente em situações excepcionais pode este colegiado enfrentar questões de ilegalidade/inconstitucionalidade, em caso do direito em tese, certamente não o pode. Diante do exposto, afasto as alegações quanto à ilegalidade da base de cálculo do PIS e da COFINS. Quanto à exclusão do simples. Não há reparo a fazer aos argumentos utilizados pelo acórdão recorrido em relação a esta matéria: Exclusão do Simples Na Representação FiscalExclusão do Simples nº L209/2005 (fls. 1931/1935 e 2849/2851), a fiscalização fundamentou a exclusão no art. 14, IV da Lei nº 9.317, de 1996, in verbis: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.960 18 “Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); III resistência à fiscalização, caracterizada pela negativa de acesso ao estabelecimento, ao domicilio fiscal ou a qualquer outro local onde se desenvolvam as atividades da pessoa jurídica ou se encontrem bens de sua posse ou propriedade; IV constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionista, ou o titular, no caso de firma individual; V prática reiterada de infração à legislação tributária; VI comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VII incidência em crimes contra a ordem tributária, com decisão definitiva.” (Grifouse) A conclusão de ter havido constituição da pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas decorreu das inúmeras verificações efetuadas pela fiscalização, conforme relatado no Termo de Constatação Fiscal nº L208/2005 (fls. 3619/3634), do qual extraemse as seguintes informações: sócios de direito Odelir Vital Pilatti e Davi Soares: .os sócios de direito Odelir Vital Pilatti e Davi Soares nunca foram encontrados pela fiscalização na sede da interessada (fls. 85/88) e as declarações de ajuste anual simplificada dos exercícios de 1998 a 2005 por eles apresentadas (fls. 1785/1810, 1811/1834, 3556/3579 e 3580/3603), com rendimento líquido sempre dentro do limite de isenção, são incompatíveis com a condição de proprietários de uma transportadora com mais de 120 funcionários; o único bem informado nas declarações de ambos é a participação de 50% no capital social da interessada, no valor de R$ 5.000,00 para cada um, com exceção das declarações dos exercícios de 2002 a 2004 de Odelir Vital Pilatti, em que nenhum bem foi declarado; .inúmeras vezes, durante a ação fiscal, a fiscalização procurou entrar em contato com os sócios de direito da interessada, mas Fl. 18DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.961 19 sempre recebia a informação de que “estavam viajando” ou “estavam fora da cidade”; .a fiscalização teve um único contato com Odelir Vital Pilatti em 01/12/2005 – após enviar o Termo de Informação nº L195/2005, informando que ele, ou seu procurador, deveria comparecer na DRFCascavel no dia 05/12/2005, a fim de tomar ciência do encerramento da ação fiscal –, quando recebeu uma ligação telefônica de uma pessoa que se identificou como sendo Odelir Pilatti e informou que não poderia comparecer na Receita Federal na data solicitada em face de uma audiência decorrente de acidente de trânsito; .o contador da interessada, César Soares Zanin, informou que era sempre ele que elaborava as declarações de rendimentos de Davi Soares, inclusive nos dois últimos anos, período em que reconheceu não ter tido qualquer contato com esse sócio (fls. 341/344 e 3075/3078); .através de informações prestadas na DIRF/2005 por uma empresa localizada em São Paulo/SP, a fiscalização consegui localizar e fazer contato telefônico com Davi Soares, o qual mostrouse surpreso diante da informação de que seria “sócio” de uma transportadora; posteriormente, em atendimento ao Termo de Intimação nº L174/2005 (fls. 108/110 e 2909/2911), Davi Soares prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 111/112 e 2912/2913): que somente tomou conhecimento da situação de sócio da interessada por intermédio do contato telefônico efetuado pela fiscalização em 10/11/2005; que não se lembra de ninguém ter pedido que cedesse seu nome para abertura de qualquer empresa, e que talvez tenha assinado algum papel relacionado com seguro de caminhão; que morou em Salgado Filho até 1995 e está em São Paulo há oito anos, sendo que há quatro anos não volta a Salgado Filho; que trabalha no emprego atual há aproximadamente um ano, no setor de manutenção, com salário mensal de R$ 500,00; que Odelir Pilatti, seu excunhado, é dono de um “boteco” na cidade de Salgado Filho e acredita que a situação dele, como sócio da transportadora, seja a mesma que a sua; que conhece os donos de fato da interessada, Warlei e Irceu, da cidade; que conhece César Soares Zanin apenas de vista e não tem conhecimento quem poderia ter entregado as declarações de IRPF em seu nome; .nos contatos telefônicos mantidos com a secretária da empresa onde Davi Soares trabalha, a fiscalização obteve a informação de que ele é o que se chama de “analfabeto funcional”, sabendo Fl. 19DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.962 20 apenas assinar seu nome e só recentemente, tendo voltado a estudar, aprendeu a ler, mas com muita dificuldade. sócios de fato Warlei José Frizzo e Irceu Picini: .Irceu Picini assumiu o cargo de prefeito no município de Salgado FilhoPR no período entre janeiro/2001 a dezembro/2004; .nos autos do processo nº 2002.04.01.0089892/PR da do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (fls. 349/353 e 3082/3086), originário da Ação Penal nº 99.80.117753 da Justiça Federal de Francisco BeltrãoPR, constam declarações de Warlei José Frizzo e de seu pai, Darci Pedrinho Frizzo, de que seriam empregados de Irceu Picini; na declaração prestada por Irceu Picini consta que Warlei o auxilia na administração do Supermercado Coringão (nome fantasia da Comercial Atacadista Frizzo), estabelecimento no qual a Polícia Civil apreendeu inúmeras mercadorias derivadas do crime de descaminho e falsificadas; .em busca realizada em cartório da região (Salgado Filho Cartório de Registro Civil, às fls. 25/27) foi localizada uma procuração outorgada a Warlei José Frizzo, em 20/02/1998, pela interessada, por intermédio de seu sócio de direito Odelir Vital Pilatti, dando poderes amplos, gerais e ilimitados, especialmente para movimentar a conta nº 52880, agência 212, do Banco Banestado, bem como abrir outras contas no mesmo banco em outras praças, com poderes para tratar de todos os negócios bancários atinentes à empresa, comprar e vender mercadorias, celebrar contratos comerciais, receber dinheiro, títulos e valores, passar recibos e dar quitações, sacar duplicatas de faturas e letras de câmbio; aceitar, endossar, caucionar, emitir e descontar duplicatas, letras de câmbio e notas promissórias; efetuar descontos, conceder prorrogações de prazos e modificar vencimentos de títulos, celebrar contratos de financiamentos bancários com bancos e estabelecimentos de crédito em geral, dar a estes as necessárias ordens e instruções, assinar propostas, cartas de remessas, correspondências, papéis e quaisquer documentos, caucionar, descontar e transferir e endossar conhecimentos de depósitos e conhecimentos de embarque; movimentar nos bancos, casas bancárias e estabelecimentos congêneres, tanto as contas correntes à ordem, como as de caução e contra elas emitir cheques, ordens de pagamento e de depósito; sacar, mesmo a descoberto; levantar, no todo ou em parte, os saldos dessas contas e dar conformidade aos respectivos saldos, emitir, endossar e assinar cheques; fazer transferências de numerários, liquidar contas, abrir novas, depositar e retirar dinheiro, títulos e valores; passar recibos, dar e aceitar quitações, requisitar talões de cheques, levar títulos a protesto, em suma, realizar, solucionar, transidir, assumir obrigações, compromissos e qualquer negócio comercial ou bancário, em nome da outorgante; praticando, enfim, todos os demais atos compatíveis e indispensáveis e necessários para o Fl. 20DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.963 21 bom desempenho deste mandato; podendo reratificar se necessário for e substabelecer (fls. 67 e 2875); .Warlei José Frizzo foi intimado por intermédio do Termo nº L 147/2005 (fls. 89/91 e 2895/2891), com ciência postal em 05/10/2005, a comparecer na DRFCascavel/PR para prestar esclarecimentos sobre tal procuração e sobre seu papel na gestão da interessada; em 14/10/2005 foi lavrado o Termo de Reintimação nº L151/2005 (fls. 95/96 e 2919/2920), cientificado em 18/10/2005, mas no dia anterior ele havia protocolado, através de seu advogado Marcio Frizzo, uma resposta na qual alegou que não tinha tempo para comparecer na Receita Federal, que qualquer esclarecimento que se desejasse deveria ser solicitado por escrito, com prazo de 15 dias, além de intimar o fisco a lhe comunicar, previamente, a realização de qualquer diligência que fosse realizada, no curso da ação fiscal que se desenvolvia em empresa da qual ele nunca assumiu ser proprietário de fato (fls. 97 e 2921); .a fiscalização realizou diligência junto a Sander Picini (sobrinho de Irceu), conforme Termo de Intimação Fiscal nº L 163/2005 (fls. 279/282 e 3009/3012) e Vanessa Battisti (ex funcionária da interessada), conforme Termo nº L164/2005 (fls. 284/287 e 3014/3017), ambos beneficiados com vários cheques emitidos da conta bancária da TransTigre, mas não nenhuma informação relevante foi obtida (fls. 283, 3013, 288 e 3018); .também foi entregue a intimação nº L157/2005 à ex recepcionista/telefonista da interessada, Denise Fankhauser Orliczek (fls. 335/337 e 3069/3071), que informou que seus patrões na TransTigre eram Warlei José Frizzo e Irceu Picini (fls. 340/339 e 3072/3074). relacionamento da interessada (Transportadora TransTigre Ltda.) com a Comercial Atacadista Frizzo Ltda. e a firma individual Irceu Picini: .o endereço da interessada (Av. Hermínio Felippi, s/nº, Centro – Salgado Filho/PR) é o mesmo da empresa Comercial Atacadista Frizzo (Av. Hermínio Felippi, 223, Centro – Salgado Filho/PR), empresa pertencente a Warlei José Frizzo; .a análise dos conhecimentos emitidos pela interessada demonstrou que nos anoscalendário de 1999 a 2000 e no mês de janeiro/2001 ela prestou serviços exclusivamente para a firma individual Irceu Picini (CNPJ nº 73.911.182/000126), que funcionava no mesmo endereço da Comercial Atacadista Frizzo e com mesmo nome de fantasia (Supermercado Coringão ou Atacado Coringão); .em 28/03/2001 a empresa individual Irceu Picini apresentou uma declaração de IRPJ para fins de baixa, informando o encerramento de atividades em 26/02/2001 e declarando receitas apenas no mês de janeiro daquele ano; contudo, tal baixa jamais chegou a ser formalizada, estando essa empresa em situação irregular perante a Secretaria da Receita Federal, haja vista ter Fl. 21DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.964 22 deixado a partir de então de cumprir qualquer obrigação tributária, seja ela principal ou acessória; .após análise da conta bancária movimentada pela interessada no Banco Banestado S/A, agência de Salgado Filho, a fiscalização solicitou cópia de vários cheques emitidos, conforme Termo de Intimação Fiscal nº L148/2005 (fls. 193/270 e 2926/3001); dentre os favorecidos estavam Sul Química Ltda. (fls. 314/319 e 3045/3054) e Comercial Destro Ltda. (fls. 289/307 e 3019/3038), que informaram que a Trans Tigre nunca foi cliente deles, tendo esses cheques sido recebidos em pagamentos de compras efetuadas pela empresa Irceu Picini; a fiscalização observou que o valor dos cheques emitidos a favor da Comercial Destro Ltda é muito superior ao valor das notas fiscais por esta emitidas; .a empresa Irceu Picini foi intimada, por meio do Termo de Intimação nº L178/2005 (fls. 114//117 e 2914/2917), a justificar os pagamentos efetuados por meio de cheques emitidos da conta bancária da interessada, mas apresentou respostas evasivas que nada esclareceram (fl. 118 e 2918); . quando a firma individual Irceu Picini parou de funcionar, sem providenciar sua baixa perante a SRF, no mesmo local e com o mesmo nome de fantasia e ramo de atividade passou a operar a Comercial Atacadista Frizzo Ltda, que havia sido constituída em março/2000 e se encontrava inativa até então; .a Comercial Atacadista Frizzo Ltda. foi constituída tendo como sócios Warlei José Frizzo e seu irmão Gilson Roberto Frizzo, mas antes do início de sua operação foi efetuação alteração contratual para transferir a empresa para José Antonio Araújo Portes (CPF nº 340.986.31920) e Ivone Oliveira (CPF nº 028.294.30999), além de transferir a sua sede para Curitiba, transformando a unidade de Salgado Filho em filial; segundo o advogado da empresa, Marcio Frizzo, em Curitiba funcionaria um centro de distribuição, mas a fiscalização constatou que esse estabelecimento não possui inscrição estadual; o advogado da interessada também informou que, recentemente, Warlei José Frizzo readquiriu a totalidade do capital da Comercial Atacadista Frizzo e que tal alteração ainda não havia sido formalizada junto à SRF em virtude de problemas burocráticos; .a partir de momento em que a Comercial Atacadista Frizzo substituiu a empresa individual Irceu Picini, a interessada passou a operar exclusivamente para aquela empresa; .as notas fiscais localizadas na contabilidade da interessada e emitidas pelos fornecedores Klump & Turozzi Ltda., Comercial Elétrica Turozzi Ltda. e Waldemar Klump & Cia. Ltda. contém, invariavelmente, as seguintes observações: “autorizado por Irceu”, “autorizado por Varlei” ou “autorizado por Darci”; quando intimada a informar suas relações comerciais com a interessada (fls. 332/333 e 3066/3067), a empresa Waldemar Klump & Cia. Ltda., sucessora de Klump & Turozzi Ltda., informou que nenhum fornecimento é pago se não tiver Fl. 22DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.965 23 autorização prévia de Irceu Picini, Warlei Frizzo ou Darci Frizzo (pai de Warlei), sendo que Irceu Picini afastouse da empresa durante o seu mandato como prefeito de Salgado Filho (fls. 334 e 3068); .a interessada foi intimada, por meio do Termo de Intimação nº L173/2005 (fls. 105/106 e 2906/2907), a informar quem são as pessoas identificadas como “Irceu”, “Varlei” e “Darci”, mas não apresentou resposta alguma; .no Termo nº L178/2005 (fls. 114//117 e 2914/2917) Irceu Picini foi intimado a esclarecer se exerce ou se já exerceu alguma função na interessada, e se ele é a pessoa mencionada nas notas fiscais da empresa Waldemar Klump & Cia. Ltda. como responsável pelas autorizações de compras, mas a resposta apresentada foi evasiva; .diversas notas fiscais emitidas pela Abastecedora de Combustíveis Beltrão Ltda., de Francisco Beltrão, têm assinatura, no canhoto de recebimento, de Darci Frizzo, que, ao que consta, não é empregado da interessada e nem tem com ela qualquer ligação; quando intimada a prestar informações sobre suas relações com a interessada, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº L155/2005 (fls. 322/323 e 3056/3057) e L 168/2005 (326/328 e 3060/3062), a Abastecedora de Combustíveis Beltrão declarou que a negociação para instalar nas instalações da interessada, em regime de comodato, um tanque para armazenamento de óleo diesel foi efetuada como Warlei José Frizzo, e que algumas entregas foram recebidas por Darci Pedrinho Frizzo (fls. 324/325, 329/331, 3058/3059 e 3063/3065); .dos cheques emitidos pela interessada, cujas cópias foram obtidas pela fiscalização junto ao Banco Banestado S/A, foi constatado que 11 deles, no valor total de R$ 1.028.732,53, tinham como beneficiária Adriana Picini Frizzo, irmã de Irceu Picini e esposa de Warlei José Frizzo; quando intimada, por meio do Termo nº L162/2005 (fls. 274/277 e 3004/3007), a esclarecer a transação que deu causa a tais pagamentos, ela enviou resposta por via postal, mas nada esclareceu, limitando se a pedir cópia dos cheques e, da mesma forma que seu marido, alegou acúmulo de atividades para requerer que qualquer pedido de informação fosse enviado com prazo de 15 dias para atendimento (fls. 278 e 3008); .em depoimento prestado, em 21/08/2001, na 19ª Divisão Policial de Francisco Beltrão, Vilson Silveira declarou que é motorista de caminhão e que trabalha na Transportadora TransTigre, com sede na cidade de Salgado Filho, sendo que o proprietário da interessada é também dono da empresa Comercial Atacadista Frizzo, antes conhecida como Coringão; que o Warlei Frizzo é proprietário das duas empresas em sociedade com Irceu Picini (fls. 354/356 e 3087/3089); .em 03/09/2001, em depoimento prestado na Delegacia de Polícia Civil de Salgado Filho, Vanderlei Fritsch, que se Fl. 23DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.966 24 apresentou como supervisor de vendas da Comercial Atacadista Frizzo Ltda., declarou que se encontrava na empresa quando a equipe de policiais da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (fls. 360/362 e 3093/3095) chegou e solicitou a um dos proprietários, Warlei José Frizzo, a verificação do estoque da empresa; que o proprietário de pronto autorizou a vistoria, escalando o declarante para acompanhar os policiais (fl. 357 e 3090); .em 03/06/2005, em depoimento prestado na Delegacia de Polícia Federal em Guarapuava, Edgar Francisco de Oliveira, “laranja” utilizado pela interessada para ocultar parte do seu patrimônio (fls. 1496/1617), declarou, quando questionado quantos caminhões possuía, que cerca de 10 caminhões foram passados para o seu nome por Warlei José Frizzo, proprietário da Comercial Atacadista Frizzo Ltda., a quem pretende devolvê los (fls. 358/359 e 3091/3092). bens em nome da interessada: .embora tenha um grande volume de compra de combustíveis, peças e serviços de oficinas mecânicas, a interessada não tem registrado nenhum veículo em seu nome; em verificações efetuadas pela fiscalização foi constatado que anteriormente ela teve em seu nome seis caminhões, além de utilizar em suas operações diversos caminhões registrados em nome da Comercial Atacadista Frizzo Ltda. e de Edgar Francisco de Oliveira; .intimada e reintimada, por meio dos Termos de Intimação nºs L 144/2005 (fls. 2880/2890), 150/2005 (fls. 2898/2900) e 166/205 (fls. 2901/2902), a prestar esclarecimentos acerca da forma de utilização desses veículos e sobre a inexistência de contabilização de quaisquer pagamentos de aluguel ou de outra forma de remuneração, a interessada respondeu, quanto aos caminhões pertencentes à Comercial Atacadista Frizzo Ltda., que na prestação de seus serviços utilizava tanto caminhões de propriedade própria como de propriedade de seus clientes; que não existia locação de caminhões visto que, quanto maior fosse o número de caminhões cedidos pela Comercial Atacadista Ltda., menor seria o preço cobrado desta pelos trabalhos realizados para ela; que os caminhões registrados em nome de Edgar Francisco de Oliveira também haviam lhe sido disponibilizados pela Comercial Atacadista Frizzo Ltda. (fls. 2903/2905); .a fiscalização efetuou nova pesquisa no sistema Renavam e constatou que os veículos em nome da interessada haviam sido transferidos para a Hippo Transportes Ltda, localizada em Realeza/PR, e que o mesmo ocorreu com os veículos registrados em nome da Comercial Atacadista Frizzo e de Edgar Francisco de Oliveira, conforme detalhadamente descrito no Termo de Constatação nº L206/2005 e no Termo de Diligência nº L 207/2005. No Termo de Informação Fiscal nº L206/2005 (fls. 3604/3611) consta que os veículos registrados em nome da interessada, de Fl. 24DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.967 25 Warlei José Frizzo, da Comercial Atacadista Frizzo Ltda. e de Edgar Francisco de Oliveira, no total de 44 veículos, haviam sido transferidos, entre os dias 10/06 a 04/07/2005 para a Hippo Transportes Ltda., localizada no município de Realeza/PR; que o motivo desta transferência pode ter sido a diligência realizada por autoridades judiciárias e policiais nas instalações da Comercial Atacadista Frizzo Ltda, em 09/02/2005, em cumprimento de ordem judicial. A fiscalização concluiu que a Hippo Transportes também se encontra registrada em nome de interpostas pessoas utilizadas por Warlei e Irceu para ocultar seus bens e fraudar credores. No Termo de Diligência nº L207/2005 (fls. 1627/1717 e 3612/3618) constam, ainda, as seguintes informações: . a Hippo Transportes, foi constituída, em 1992, em nome de José Jonas de Santana (CPF nº 219.218.90010) e Terezinha Fátima Vizzotto de Santana (CPF nº 427.910.5900), com um capital social de R$ 10.000,00; apresentou declarações de rendimentos informando uma receita irrisória no mês de setembro/1992 e totalmente zerada em 1993, esteve omissa de entrega de declaração nos anoscalendário de 1994 a 1998 e entregou declaração de inatividade nos anoscalendário de 1999 a 2004; .sua inscrição estadual, de nº 33.201.00770, aberta em 01/06/1992, foi baixada em 30/11/1992 por encerramento de atividade, tendo nova inscrição estadual, de nº 90.347.53234, sido aberta em 01/08/2005; .em 13/06/2005, mediante a Quarta Alteração Contratual, a empresa mudou seu endereço de “Rua Antonio Chicanowski, 2871” para “Rua Mauá, s/nº, Realeza/PR”, sua razão social de “Jonas Santana Comércio de Veículos Ltda.” para “Hippo Transportes Ltda.” e seu ramo de atividade de “comércio de veículos usados” para “transportes rodoviários de cargas, intermunicipal, interestadual e internacional e comércio de veículos novos e usados”, além de elevar o capital social de R$ 10.000,00 para R$ 110.000,00 (o aumento de capital seria integralizado em 60 dias); .conforme consta de recibos obtidos junto ao Detran, no dia 10/06/2005 a Hippo Transportes teria adquirido 36 veículos no valor total de R$ 1.491.100,00, e entre os dias 17/06 e 04/07/2005, outros 8 veículos no valor total de R$ 251.570,00 (fls. 1718/1765); do total de veículos adquiridos, 19 estavam em nome de Edgar Francisco de Oliveira (que, em depoimento à Polícia Federal, declarou que pertenciam a Warlei José Frizzo), 17 em nome da Comercial Atacadista Frizzo Ltda. e 6 em nome da interessada (Transportadora TransTigre Ltda.), além do veículo de uso pessoal de Warlei José Frizzo (um Honda Accord) e de um em nome de Glazito Teixeira Lourdes; .em diligência efetuada, em 10/10/2005, no município de Realeza, a fiscalização não conseguir localizar o endereço da Hippo Transportes (Rua Mauá s/nº) e obteve em um posto de Fl. 25DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.968 26 gasolina a informação de que Jonas Santana deixou de trabalhar com o comércio de veículos há muito anos, que ele costumava voltar para casa nos finais de semana e que atualmente trabalhava num atacadista na cidade de Salgado Filho; .em nova diligência, em 16/11/2005, a fiscalização retornou ao município de Realeza, onde obteve de Jorge Miguel Parasium (contador da Hippo Transportes) as seguintes declarações: que até junho passado fizera apenas as declarações de inatividade da empresa Jonas Santana; que em junho, Jonas o procurou no escritório, solicitando que providenciasse a Quarta Alteração Contratual; que, Jonas comentou que havia adquirido “uns dez” caminhões a prazo, mas essas aquisições não foram registradas na contabilidade em face de nenhum documento lhe ter sido entregue; que, embora o ramo de atividade tenha sido alterado para transporte rodoviário de cargas e comércio de veículos novos e usados, o único tipo de serviço que ela prestava era o de locação de veículos, tendo emitido em setembro e outubro/2005 as notas fiscais nºs 001 e 002 para a Comercial Atacadista Frizzo Ltda pela prestação desse serviço; que a empresa não efetuou nenhum recolhimento de tributo e nem apresentou DCTF e DACON relativo ao 1º semestre/2005 e que o endereço da empresa era o mesmo de Jonas, que trabalha, fora da cidade, com compra e venda de veículos; .a fiscalização dirigiuse ao local de trabalho de Terezinha, caixa de um posto de gasolina em Realeza, onde foi recebida de forma ríspida, tendo ela se recusado, categoricamente, a prestar qualquer declaração sobre as atividades da empresa ou de seu marido; depois de muita insistência, respondeu apenas que seu marido comprara vários caminhões “no peito” e que “já tinha esclarecido tudo na Polícia Federal”; Terezinha foi intimada (Termo de Intimação nº L192/2005) e reintimada (Termo de Reintimação nº L189/2005) a apresentar esclarecimentos sobre a compra e a forma de pagamento dos caminhões supostamente adquiridos pela Hippo Transportes; .em 01/12/2005 a Hippo Transportes respondeu que todos os veículos foram adquiridos a prazo e estão sendo pagos em parcelas mensais; que o capital social da empresa de R$ 50.000,00 foi integralizado em moeda corrente devido ao fato de o sócio estar incluído no SERASA, o que impede a movimentação de conta bancária; que não foram emitidos conhecimentos de frete em face de a atividade principal da empresa ser a de locação de veículos; .na documentação utilizada na transferência consta que os veículos foram adquiridos sem qualquer ônus; que em 2005, nos dois meses que antecederam a compra dos 44 veículos por R$ 1.742.670,00, Jonas Santana teve dois títulos protestados, no valor de R$ 260,00 cada, mais um título de mesmo valor em agosto/2005; que a consulta ao SERASA, apresentada para justificar o fato de não possuir conta bancária, foi feita pela Comercial Atacadista Frizzo; que não consta da Quarta Alteração Contratual da Hippo Transportes que a locação de Fl. 26DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.969 27 veículos seria uma das atividades por ela desenvolvida; que no depoimento prestado à Polícia Federal, em 08/11/2005, Jonas declarou que a única ligação com Warlei José Frizzo era a prestação de serviços de transporte para a Comercial Atacadista Frizzo Ltda.; .na DIRPF 2005 de Terezinha Vizzotto de Santana não consta nenhum bem e que os rendimentos recebidos de pessoas físicas ou do exterior foram de R$ 15.850,00; em 16/08/2005 foi apresentada declaração retificadora para alterar o endereço para a Rua Mauá, 3327; .na DIRPF 2005 apresentada em 29/04/2005, Jonas Santana não declarou nenhum bem; em 16/08/2005 apresentou declaração retificadora informando participação na empresa Jonas Santana Comércio de Veículos Ltda (atual Hippo Transportes) e na T.F.V. de Santana Veículos (firma individual em nome de sua esposa), R$ 105.360,00 em caderneta de poupança (em 31/12/2003 havia informado saldo de R$ 92.680,00) e disponibilidade financeira de R$ 12.680,00 (mesmo valor informado em 31/12/2003), além de alterar o endereço para Rua Mauá, 3327; com exceção da DIRPF 2002, onde declarou rendimentos provenientes de sua firma individual, Jonas informou em todas as declarações posteriores que auferiu apenas rendimentos recebidos de pessoas físicas ou exterior, tendo tais valores, após a dedução do desconto padrão, permanecido sempre dentro do limite de isenção; .Jonas Santana foi intimado a apresentar os informativos anuais fornecidos pelas instituições financeiras para comprovar a existência do saldo de aplicação em caderneta de poupança e de disponibilidade financeira, mas nada respondeu; .ao final, a fiscalização concluiu que a Hippo Transportes e seus sócios, José Jonas de Santana e Terezinha Fátima Vizzotto de Santana não passam de “laranjas”, utilizados por Warlei José Frizzo e Irceu Picini para tentar ocultar bens e praticar fraude contra credores. Na Representação Fiscal, Termo nº L209/2005 (fls. 2849/2851), a fiscalização relatou que, além de terem sido utilizadas interpostas pessoas para a constituição da interessada (Transportadora TransTigre Ltda.), esta foi também utilizada para fornecer funcionários para outras empresas dos mesmos proprietários de fato: “1.1.O contribuinte foi constituído em outubro de 1997, tendo feito a opção pelo Simples no mesmo ato de sua inscrição no CNPJ, em 13/10/1997. Seu quadro societário foi composto por ODELIR VITAL PILATTI e DAVI SOARES, permanecendo inalterado até a presente data. Entretanto, como ficou amplamente demonstrado no Termo de Constatação Fiscal L208/2005, estas duas pessoas são meros Fl. 27DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.970 28 ‘laranjas’ dos verdadeiros proprietários da empresa, IRCEU PICINI e WARLEI JOSÉ FRIZZO, sendo que IRCEU PINICI possuía, na época, firma individual com receita bruta declarada, no anocalendário de 1996, superior a R$ 2,4 milhões, o que o impediria qualquer empresa que tivesse a sua participação societária de optar pelo Simples. Além dos fatos narrados no Termo L208/2005, o exame dos livros de Registro de Empregados da TRANSTIGRE mostra que, ao lado de pessoas com funções compatíveis com a atividade de transporte, supostamente exercida pela empresa, como motoristas, ajudantes de carga, ajudantes de entrega e atividades gerais de escritório, a TRANSTIGRE emprega ainda pessoas cujas funções não tem nada a ver com uma transportadora, como inúmeros ‘auxiliares de depósitos’, ‘encarregado de depósito’, ‘gerente de depósito’, ‘repositora de mercadoria’, ‘caixa’, ‘embalagem’, ‘empacotadeira’, etc. Cópias das folhas contendo registros com estas funções foram juntadas ao processo administrativofiscal. (...) Isto demonstra que a TRANSTIGRE, na verdade, não atuava apenas no ramo de transporte de cargas, mas também no ramo de locação de mãodeobra, fornecendo funcionários para outras empresas dos mesmos proprietários de fato – o que não apenas seria mais um motivo para exclusão do Simples, mas também submeteria suas receitas a um percentual de presunção mais elevado, para fins de cálculo do IRPJ e também da CSLL, a partir de setembro de 2003. Compatível com esta conclusão é o fato dos resumos de folhas de pagamento juntados ao processo para demonstrar pagamentos não registrados, em determinados meses – mas não em todos – são separados por unidade. E, em alguns meses, há resumos da ‘unidade supermercado’ ou ‘unidade Santa Catarina’, estado onde WARLEI JOSÉ FRIZZO, juntamente com seu irmão GILSON ROBERTO FRIZZO são proprietários de outra empresa, a SUPER FRIZZO LTDA, CNPJ 03.478.236/000126, com sede em Palma Sola.” Acrescentese que a exclusão do Simples não se deu com base em presunção legal, mas sim em prova direta levantada pela fiscalização em extenso trabalho de investigação, no qual foram colhidos fartos elementos probatórios suficientes para dar sustentação à afirmação fiscal de ter ocorrido utilização de interpostas pessoas para a constituição da pessoa jurídica. Portanto, correta é a exclusão do Simples, conforme previsto no art. 14, IV da Lei nº 9.317, de 1996, e art. 23, IV, da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003. Quanto ao momento em que a exclusão opera seus efeitos, tratandose de constituição de pessoa jurídica em nome de interpostas pessoas que não eram os verdadeiros sócios, a exclusão do Simples produz seus efeitos a partir, inclusive, do Fl. 28DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.971 29 mês de ocorrência da causa excludente, ou seja, desde a data da constituição da pessoa jurídica, em 13/10/1997, conforme previsto no art. 15, V da Lei nº 9.317, de 1996, in verbis: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9º desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3º. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) (...) (Grifouse) Quanto à alegação de que o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964, vedaria a aplicação de penalidade após cinco anos da data da infração, ao contestar os efeitos retroativos a 13/10/1997 da exclusão do Simples, cabe ressaltar que tendo a matéria em litígio sido tratada especificamente pela Lei nº 9.317, de 1996, esta dever prevalecer em respeito ao princípio da especialidade, pois quando há uma lei específica sobre o tema, é ela a que deve valer. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.972 30 O relatório fiscal reproduzido pelo voto condutor do acórdão recorrido é bastante esclarecedor e deixa evidente que os sócios de fato da recorrente utilizaramse do artifício ilegal de interpor pessoas físicas como sócios de direito da pessoa jurídica recorrente, tendo em vista que não poderiam optar pelo simples, tendo em vista que atuavam em outras empresas que já atingiam o limite legal, além de ficar demonstrado que a recorrente omitiu receitas. A exclusão do simples se deu por utilização de interpostas pessoas e isso ficou amplamente demonstrado nos autos. Quanto aos efeitos da exclusão, também estão corretos o ato de exclusão e o acórdão recorrido, tendo em vista o que dispõe o art. 15 da Lei 9317: “Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso no que se refere ao ato de exclusão do simples e seus efeitos. Quanto ao arbitramento do lucro nos períodos subseqüentes à exclusão do simples, também não há reparo a fazer ao procedimento fiscal e ao acórdão recorrido. Excluída a empresa do simples, ela deve se submeter às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, conforme disposto no art. 16 da Lei 9317/96. O acórdão recorrido se manifestou sobre o tema: Consta, ainda, do Termo de Constatação Fiscal nº L214/2005 que a interessada apresentou os seguintes livros contábeis: .Livro Caixa dos anoscalendário de 2000 e 2001 (fls. 383/412), que além de conter o registro de compras e vendas de forma global, no final de cada mês, não inclui a movimentação financeira no Banco Banestado S/A; Fl. 30DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.973 31 .Livro Diário dos anoscalendário de 2002 a 2004 (fls. 413/493), sendo que nos anoscalendário de 2002 e 2003 a escrituração foi efetuada de forma globalizada, no último dia de cada mês. Portanto, o arbitramento poderia também estar fundamentado no inciso II, “a” e “b” do art. 530 do RIR de 1999 – em face de a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou conter vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real – mas tal fato não acarretou prejuízo algum ao direito de defesa da contribuinte, pois ela compreendeu perfeitamente essa razão e apresentou defesa abrangente. Cabe acrescentar que a escrituração do Livro Diário por partidas mensais e sem utilização de livros auxiliares, além de configurar transgressão expressa às disposições legais que estabelecem os requisitos formais para escrituração dos livros contábeis e fiscais, em especial o art. 258, §§ 1º e 2º, do RIR de 1999, repercute, materialmente, em impedimento intransponível à verificação das operações realizadas pela contribuinte. Dispõe a legislação tributária que as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, abrangendo todas as operações e resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (art. 2º da Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, e art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995), possibilitando a comprovação da correta apuração do resultado tributável. Não é o que se verifica nos autos, posto que o Livro Caixa dos anoscalendário de 2000 e 2001 deixou de registrar a extensa movimentação financeira por ela efetuada (item 6 do Termo de Constatação Fiscal), além desse livro e o Livro Diário dos anos calendário de 2002 a 2004 terem registrado apenas parcialmente suas transações operacionais. A contabilidade se limitava a registrar apenas parte das receitas auferidas (conforme conhecimentos de frete emitidos) e pagamentos de ICMS, de Simples, de prólabore para um dos sócios, além de parte das compras de combustíveis, peças e manutenção de caminhões, deixando de escriturar despesas usuais como salários e encargos sociais, contas de água, luz e telefone, despesas com material de escritório, licenciamento, IPVA, etc., de forma a evitar saldos credores de caixa. Assim, configurase correto o arbitramento do lucro tratado nos autos e sendo conhecida a receita bruta total auferida, a declarada somada à omitida, a base de cálculo do imposto foi determinada pela fiscalização mediante a aplicação do percentual de 9,6%, conforme previsto no art. 532 do RIR de 1999. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.974 32 Como se pode verificar, a recorrente foi regularmente intimada a apresentar livros obrigatórios e, como não o fez regularmente, não há outra opção ao fisco senão arbitrar o lucro. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso também em relação ao arbitramento do lucro, mantendo esta forma de apuração utilizada pelo fisco. Duplicidade de lançamento sobre a mesma matéria 22. A interessada alegou ter havido duplicidade de lançamento sobre a mesma matéria, uma sobre a omissão de receita caracterizada por falta de registro de pagamentos (salário, encargos e combustíveis) e por outra por depósitos bancários de origem não comprovada; que o fisco não poderia atribuirlhe o ônus de provar que os valores sacados foram realmente utilizados no pagamento das despesas, pois tal prova seria impossível em face de a presunção legal caracterizada por pagamentos não contabilizados não refletir a verdade real, e por se tratar de fatos pretéritos, ocorridos há mais de cinco anos. 23. Contudo, inobstante seja possível que a receita omitida caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada tenha sido utilizada nos pagamentos não contabilizados, cabe à interessada a produção da prova correspondente, mediante comprovação, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, de que os valores sacados da conta bancária nº 5.2880, agência 0212 (Salgado Filho) do Banco Banestado S/A teriam realmente sido utilizados nos pagamentos não escriturados. 24. No caso concreto a recorrente não trouxe qualquer prova de que os pagamentos teriam sido feitos com recursos oriundos da conta corrente que levou à presunção legal de omissão de receita com base em depósitos cujas origens não foram justificadas. Se tivesse demonstrado pelo menos esse fato, seria possível esse colegiado analisar a possibilidade de duplicidade da tributação. Sem essa prova, ficase apenas no campo da alegação genérica, sem força para invalidar a presunção legal. 25. Dessa forma, por se referirem a hipóteses distintas de presunção legal relativa, a de omissão de receitas caracterizada por pagamentos não contabilizados é aplicável concomitantemente com a de depósitos bancários cuja origem dos créditos deixou de ser comprovada, posto a interessada ter deixado de apresentar provas concretas nesse sentido. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nesta matéria. Da aplicação da multa de ofício qualificada de 150%.e do prazo decadencial. O acórdão recorrido se manifestou sobre a matéria: Entretanto, o legislador afastou a contagem do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, impondose a aplicação da regra do art. 173, I, do mesmo diploma legal, iniciandose a contagem do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.975 33 Neste sentido, deve se destacar que a interessada, dentre outras irregularidades, foi constituída em nome das interpostas pessoas Odelir Vital Pilatti (CPF nº 240.636.49920) e Davi Soares (CPF nº 738.617.58920), ambos com diminuta capacidade financeira, conforme consta do Termo de Constatação Fiscal nº 208/2005 (fls. 1915/1930 e 3619/3634), o que deu causa à exclusão do Simples já analisada no presente voto, além das omissões de receitas tratadas nos autos, detectada por meio de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e por pagamentos não contabilizados, fatos que caracterizam o evidente intuito de fraude. Considerando que, em regra, não se presume a existência do dolo, devendo ele ser provado por indícios e circunstâncias, verificase que, ao contrário do defendido pela impugnante, tal prova não necessita estar apoiada exclusivamente em declaração dos supostos infratores de que os atos foram praticados com a intenção de sonegar. Conforme já analisado, a fiscalização realizou extenso trabalho de investigação, no qual foram colhidos fartos elementos probatórios suficientes para dar sustentação à afirmação fiscal de que os proprietários de fato agiram de forma fraudulenta para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos e contribuições devidos pela interessada, o que motivou a exigência de multa de ofício qualificada. Em relação à alegação de que a prova de não ter havido intenção de sonegação consta do próprio Termo de Constatação Fiscal nº L214/2005 (fls. 1936/1956), subitem 9.10, em que se concluiu que a contribuinte, ao optar pelo Simples, sofreu tributação mais onerosa do que teria se optasse pelo lucro presumido, cabe destacar que, obviamente, a impugnante esquece que sobre a receita omitida apurada nos autos não efetuou recolhimento algum a título de Simples e que na sistemática de recolhimento simplificado está incluída uma parcela correspondente ao INSS. Assim, comprovada a atitude dolosa da interessada, o termo inicial de contagem do prazo decadencial é o determinado pelo inciso I do art. 173 do CTN, primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Este também é o entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal – Cosit, como se depreende do teor da ementa da Solução de Consulta Interna nº 35, de 17/12/2003, in verbis: “DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, inicia se a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído.” (Grifouse) Fl. 33DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.976 34 Fixado como termo inicial o dia 01/01/2001, temos que, no presente caso, o prazo decadencial do IRPJ dos períodos de apuração de janeiro a novembro/2000 se encerraria em 31/12/2005. Logo, como lançamento fiscal foi cientificado em 05/12/2005, não há se falar em decadência relativa ao IRPJ desses períodos de apuração. Como fica cristalino no pronunciamento fiscal e no acórdão DRJ, a recorrente foi constituída em nome de interpostas pessoas e, como também ficou demonstrado, omitiu receitas nos cinco exercícios abrangidos pela ação fiscal, o que permite verificar com segurança a vontade de atingir o resultado, ou seja, deixar de submeter parte significativa de suas receitas à tributação estabelecida pela legislação de regência. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso nestas matérias, mantendo a multa qualificada e não reconhecendo a ocorrência de decadência. Quanto à alegação da recorrente em relação à inaplicabilidade de presunções legais, apenas reafirmo a posição expressa pelo voto condutor do acórdão recorrido: São totalmente descabidas as alegações da impugnante contra a utilização de presunções legais para fundamentar a exigência em análise, ao argumento de que o lançamento fiscal estaria baseado apenas em indícios e presunção simples, sem apresentação de nenhuma prova subsidiária que comprovasse a omissão de receitas caracterizada por saldo credor de caixa, falta de contabilização de depósitos bancários e empréstimos de terceiros. Destaquese que, via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador, contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada. A criação de presunções legais em nosso sistema jurídico está prevista na Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo CivilCPC), que assim dispõe em seus arts. 333 e 334: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.” (Grifouse) Portanto, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o Fl. 34DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.977 35 fato pela dedução tirada de outro fato ou de um direito por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação. Os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, fica invertido o ônus da prova, cabendo à fiscalizada comprovar a sua improcedência. Cumpre ao fisco, em tais circunstâncias, tão somente provar o fatobase descrito na lei para se considerar provada a ocorrência dos fatos ou atos presumidos. A relação de causalidade, entre o fatobase e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. No mesmo sentido caminha a jurisprudência administrativa: “MEIOS DE PROVA. A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador.” (Acórdão nº 1054.032/90, 1º Conselho de Contribuintes, DOU de 14/09/1990). “PROVA. PRESUNÇÕES. No processo administrativo fiscal a prova indireta (presunção) é plenamente aceitável, desde que presentes os requisitos de seriedade quanto ao nexo evidente entre o fato conhecido e sua conseqüência, precisão quanto à idoneidade do fato conhecido e concordância a respeito da relação entre os fatos.” (Acórdão nº 10193647, 1º Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Data da Sessão: 17/10/2001). Acrescentemse, ainda, as palavras de Antônio da Silva Cabral em “Processo Administrativo Fiscal”, Saraiva, São Paulo, 1993, pg. 311: Fl. 35DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.978 36 “8. Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/01 0.004, de 26101979, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção.’ O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções, sobretudo para descobrir omissões de rendimentos ou de receitas.” No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a RendaPessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (Grifouse) Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut In Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): “Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Fl. 36DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.979 37 Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico“ (Grifouse) Por conseguinte, a autoridade fiscal está dispensada de apresentar elementos subsidiários para fazer prova direta da omissão de receitas imputada à interessada, porquanto o lançamento fiscal não está baseado em simples indício, mas em presunção legal relativa de omissão de receitas cuja hipótese de incidência foi materializada pela constatação dos fatosbase descritos na lei. Dessa forma, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda, cabendo à contribuinte a produção da prova de que os fatos presumidos não ocorreram, ou seja, de que inexistem os pagamentos não escriturados e os créditos bancários de origem não comprovada tratados nos autos, mas prova alguma foi apresentada nesse sentido, conforme se analisará a seguir. Omissão de receitas/pagamentos não escriturados Consta do item 5 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 1936/1956) que do exame dos Livros Caixa (anoscalendário de 2000 e 2001) e Livros Diários (anoscalendário de 2002 a 2004) apresentadas pela contribuinte, verificouse que ela deixou de contabilizar uma séria de despesas usuais a qualquer empresa, tais como salários e encargos sociais e diversas despesas operacionais. A fiscalização apurou que os pagamentos não contabilizados relativos a salários e encargos previdenciários dos anos calendário de 2000 a 2004 totalizaram R$ 2.135.968,55 (fls. 574/958), e os correspondentes a despesas com combustíveis representadas por 139 notas fiscais emitidas pela Abastecedora de Combustíveis Beltrão Ltda. nesse mesmo período atingiram o Fl. 37DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.980 38 total de R$ 1.074.939,20 (fls. 961/1105), o que totaliza pagamentos não contabilizados de R$ 3.210.907,75. Portanto, tendo a interessada deixado de escriturar esses pagamentos, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de omissão de receitas prevista no art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996, de seguinte teor: “Art. 40. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, assim como a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracterizam, também, omissão de receita.” (Grifouse) Tratase de presunção legal juris tantum de omissão de receitas que a interessada não logrou destruir mediante apresentação de prova da efetiva contabilização dos valores apontados pela fiscalização. Frisese que referida presunção legal está calcada na inferência de que esses pagamentos foram realizados com recursos oriundos de receitas também não contabilizadas, ou seja, que deixaram de compor a base de cálculo dos tributos federais. Dessa forma, voto no sentido de se manter integralmente a exigência em análise. Omissão de receitas/depósitos bancários não comprovados Conforme descrito no item 6 do Termo de Constatação Fiscal nº L214/2005 (fls. 1936/1956), a fiscalização apurou omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada, mantida em conta bancária não contabilizada. A contribuinte foi intimada, em 28/06/2005 (Termo de Início de Fiscalização nº L090/2005), a apresentar os documentos que embasaram a contabilização de suas operações (comprovantes de receitas, de compras, de despesas e custos, inclusive extratos de contas bancárias e contratos e extratos de financiamentos e leasing). Tendo a interessada, após pedir prorrogação de prazo, apresentado apenas parte dos livros contábeis e fiscais, foi, em 29/08/2005, com fundamento no art. 3º, VII, do Decreto nº 3.724, de 2001, combinado com o art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF nº 09.1.03.002005000317 (fls. 122/123), com base na qual foram solicitados os extratos da conta bancária movimentada no Banco Banestado S/A (fl. 121). A análise dos extratos bancários da conta bancária nº 5.2880, agência 0212 (Salgado Filho) do Banco Banestado S/A, dos anoscalendário de 2000 e 2001 (fls. 124/191), demonstrou uma movimentação absolutamente incompatível com as receitas contabilizadas e declaradas, posto que em 2000 declarou receita de apenas R$ 229.835,00, enquanto na conta bancária foram creditados valores no montante de R$ 6.082.061,17. Em 2001 declarou receita de apenas R$ 312.260,00, enquanto os Fl. 38DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.981 39 depósitos e créditos bancários totalizaram R$ 3.941.937,47 (quase a totalidade no 1º trimestre/2001). A contribuinte foi intimada e reintimada, por meio dos Termos de Intimação nºs L144/2005 (fls. 74/84), 150/2005 (fls. 92/94) e 166/205 (fls. 99/100), a justificar a origem dos depósitos e créditos bancários, mas ela nada respondeu. Por conseguinte, tendo deixado de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor, a origem dos recursos creditados na conta bancária nº 5.2880, agência 0212, do Banco Banestado S/A, restou caracterizado que tais créditos correspondem a receitas omitidas, conforme previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º. O valor das receitas ou dos rendimentos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física (...) § 4º. (...)” (Grifouse) Reiterese que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido – ser beneficiado com um crédito bancário sem origem comprovada ou não oferecido à tributação – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. Fl. 39DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10935.002988/200577 Acórdão n.º 130200.615 S1C3T2 Fl. 3.982 40 Dessa forma, restou caracterizada a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de que os valores creditados advieram de receitas não oferecidas à tributação. A fiscalização utilizou corretamente as presunções legais, permitindo que a recorrente pudesse fazer prova em contrário das conclusões que se pode tirar dos fatos presuntivos (omissão de receitas apuradas por depósitos bancários de origem não comprovada e pagamentos não escriturados). Regularmente intimada, a recorrente teve oportunidade de desfazer o vínculo entre o fato presuntivo e o fato presumido. Não o fazendo, certa está a posição da fiscalização em considerar ocorrido o fato presumido (omissão de receitas). Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 40DF CARF MF Emitido em 04/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 04/07/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 13868.720081/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543-B e 543-C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015.
CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: Ronaldo de Lima Macedo
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RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Inteligência dos precedentes do STF e do STJ na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC. Aplicação do art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015. CARF NÃO POSSUI ATRIBUIÇÃO PARA REFAZER LANÇAMENTO FISCAL. RENDIMENTOS PERCEBIDOS ACUMULADAMENTE. ATRIBUIÇÃO PRIVATIVA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. O lançamento adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, impactando a identificação incorreta da base de cálculo, das alíquotas vigentes e, consequentemente, o cálculo do tributo devido, o que caracteriza incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 8. 72 00 81 /2 01 2- 51 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Marcelo Malagoli da Silva. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.215 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 21/23, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2009, anocalendário de 2008, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrente de diferença de complementação de aposentadoria. Por descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 30/36, reproduzido a seguir: “Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrada em 22/02/2012, a notificação de lançamento de fl. 21, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2008, que apurou omissão de rendimentos no valor de R$ 53.008,03. A fiscalização ainda informa ter deduzido os honorários advocatícios. Cientificada do lançamento em 12/03/2012 (fl. 29), a contribuinte apresentou, em 05/04/2012, a impugnação de fls. 02 a 19, alegando, em suma, que: 1 trata o rendimento em questão de cumprimento de sentença judicial que reconheceu o direito de receber valores de pensão de aposentadoria, pago na forma de precatório; 2 os valores unitários das parcelas reconhecidas em sentença judicial, à época de sua apuração, não sofriam a incidência do IR.; 3 o montante não pode ser considerado englobadamente, sob pena de fazer incidência de forma retroativa, sobre parcelas isentas, com o artifício de atotarse o montante de sua soma, para então aplicarse a alíquota mais gravosa; 4 o procedimento adotado no lançamento não encontra amparo legal, contrariando o entendimento da jurisprudência dos Tribunais do País; 5 o STJ já se manifestou no sentido de que o IR sobre o montante de verba previdenciária paga de uma vez só deve ser calculado de acordo com as parcelas mensais do benefício e não sobre o total pago; 6 a guia de pagamento considerou o total pago de R$ 62.034,40. Desse valor, houve a retenção de R$ 1.861,03 a título de IR e foi deduzido o valor de R$ 9.026,37 a título de honorários advocatícios; 7 cita jurisprudência de casos similares julgados no STJ.” Fl. 65DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose os valores apontados pelo Fisco. Nas razões recursais de fls. 41/60, o interessado aduz, dentre outras questões postuladas, que o valor considerado omitido referese a rendimentos acumulados de diferença de complementação de aposentadoria, devendo receber tratamento idêntico ao contribuinte que recebeu o rendimento na época devida. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.215 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. IRPF SOBRE RENDIMENTOS ACUMULADOS Segundo a decisão de primeira instância, os rendimentos recebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010, no caso dos autos ano calendário 2008, devem ser oferecidos à tributação no mês do seu recebimento e na declaração de ajuste anual, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, nos seguintes termos: “ ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Os rendimentos atrasados recebidos acumuladamente pelo contribuinte estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. Tais rendimentos são tributáveis no momento em que o contribuinte adquire a disponibilidade efetiva da renda (regime de caixa). Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. (ementa da decisão de primeira instância, fls. 30) ......................................................................................................... Portanto, a matéria volta a ser regida pelo artigo 12 da Lei n° 7.713/1988, base legal do artigo 56 do RIR/1999, acima reproduzido. O Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF esposa do mesmo entendimento ora explicitado, como se vê: “Acórdão 10617.089, de 12/09/2008: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE – TOTAL DOS RENDIMENTOS SUJEITOS À TABELA PROGRESSIVA E AO AJUSTE ANUAL – A fonte pagadora não efetuou a retenção do IRRF que incidiu sobre os rendimentos percebidos acumuladamente. Correto a imputação do ônus tributário ao contribuinte sujeito à entrega da declaração de ajuste anual, já que transposto o limite temporal de 31/12 do anocalendário de auferimento da renda, bem como o prazo da entrega da Fl. 67DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 declaração de ajuste anual. Inteligência da Súmula nº 12 do Primeiro Conselho de Contribuintes. Ademais, o IRRF deve incidir sobre a totalidade dos rendimentos percebidos acumuladamente. Acórdão 10423.224, de 29/05/2008: MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE – O fato gerador do imposto de renda, no caso de rendimentos recebidos de pessoas físicas, ocorre na data da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Tratandose de rendimentos referentes a mais de um período, recebidos acumuladamente, ocorre o fato gerador no momento do seu recebimento.” (g.n.) (trechos da decisão primeira instância, fls. 35) Sendo esse contexto travado exclusivamente sobre a forma correta de incidência do imposto de renda sobre os rendimentos percebidos acumuladamente em ação judicial antes de 2010, passo a analisar a pretensão deduzida na peça recursal pelo mesmo fato. E, ao fazêlo, entendo que assiste razão à Recorrente, visto que esta Turma do CARF, ao julgar a mesma questão postulada no processo 13064.720062/201442 (Relator João Victor Ribeiro Aldinucci, acórdão 2402004.893, julgado em 27/01/2016), pronunciouse, conforme decisões do STF e do STJ, pela adoção do regime de competência, ao afirmar que o imposto de renda sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos fragmentos da decisão proferida nos autos do processo 13982.720041/201112: “Essa controvérsia jurídica, reiteradamente debatida no Judiciário e neste Conselho, foi solucionada definitivamente pelo STF por ocasião do julgamento do RE 614.406, com repercussão geral e trânsito em julgado, Rel. Min. Rosa Weber, tema 368, redigido nos seguintes termos: Tema 368 Incidência do imposto de renda de pessoa física obre rendimentos percebidos acumuladamente. Como se vê, o citado tema trata exatamente da incidência do IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, hipótese esta idêntica a dos autos, na qual os rendimentos acumuladamente percebidos pela recorrente foram objeto de lançamento de ofício que se baseou na premissa de que eles deveriam ser tributados no mês do seu recebimento (regime de caixa), e não de acordo com a época em que eles deveriam ter sido efetivamente pagos (regime de competência). Naquele recurso extraordinário, com trânsito em julgado em 09/12/2014, a Suprema Corte manteve o acórdão do TRF4, que decidiu pela inconstitucionalidade, sem redução de texto, da regra do art. 12 da Lei nº 7.713/88, no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, mormente para afastar o regime de caixa e determinar a incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.215 S2C4T2 Fl. 5 7 em que apurado o rendimento percebido a menor (regime de competência). Foi seguida a divergência aberta pelo Min. Marco Aurélio, para quem os contribuintes, em casos idênticos aos dos autos, são penalizados duplamente, pois, não recebendo as parcelas nas épocas devidas, são compelidos a ingressar em Juízo e ainda sofrem a junção dos valores para efeito de incidência do imposto, o que viola o princípio da isonomia. Mais ainda, e considerando que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica, não se poderia, na visão do citado Min., desconsiderar o fenômeno das épocas próprias, reveladas pela disponibilidade jurídica. A título de ilustração, segue a ementa do julgado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A análise do tema, da ementa e do acórdão do recurso extraordinário demonstram que o caso julgado sob o regime da repercussão geral é idêntico ao dos autos. Mas não é só, pois a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), sob a sistemática de que trata o art. 543C do CPC, já havia decidido que "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Segue a ementa do decisum: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2010, DJe 14/05/2010) Cumpre observar que o regime jurídico instituído pela Lei nº 12.350/2010, conversão da Medida Provisória nº 497/2010, que acrescentou o art. 12A à Lei 7.713/1988, não é aplicável ao presente lançamento, pois aplicável apenas aos rendimentos recebidos nos anoscalendário 2010 e seguintes. Vejase: Art. 12A. [...]. § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, §2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC, devem ser reproduzidas pelas suas Turmas. Noutro giro verbal, o imposto deve ser apurado com base nas tabelas e nas alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, e não no mês do seu recebimento. Ocorre que o lançamento em apreço, ao determinar a tributação do imposto de renda no mês do recebimento, adotou critério jurídico totalmente equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ. Esse critério equivocado impactou a identificação da base de cálculo e das alíquotas vigentes, impactando, por conseguinte, o cálculo do tributo devido, ex vi do art. 142 do CTN. Isto é, o lançamento está eivado de vício material, o que o torna nulo de pleno direito. (g.n.) A adoção do regime de competência, em substituição ao regime de caixa, poderia inclusive colocar os rendimentos numa faixa de isenção do imposto, ou, ainda, numa faixa de tributação menos onerosa ao contribuinte. Não pode passar despercebido, também, o fato de que a distribuição dos valores mês a mês certamente atingiria exercícios pretéritos ao exercício objeto do recurso, o que demonstra que seria necessário outro lançamento de ofício, e não mera retificação do lançamento anteriormente efetuado. Cumpre lembrar que lançamento é justamente o procedimento administrativo (ou ato administrativo) tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, na dicção do art. 142 do CTN. No caso, repitase, houve incorreta identificação da base de cálculo, da alíquota e, por consequência, do montante do tributo devido. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13868.720081/201251 Acórdão n.º 2402005.215 S2C4T2 Fl. 6 9 Nesse contexto, e como não compete a este Conselho refazer o lançamento com base em outros critérios jurídicos, mormente porque tal procedimento é da competência privativa da autoridade administrativa, entendo que deve ser declarada a sua nulidade. (g.n.) Em caso análogo, assim se decidiu: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso Voluntário Provido. (Número do Processo 13002.720640/201122, RECURSO VOLUNTÁRIO, Sessão de 11 de março de 2015, Relator(a) Marcelo Vasconcelos de Almeida, Acórdão nº 2802003.359) Por tais razões manifestadas nos autos do processo 13064.720062/201442 (acórdão 2402004.893, julgado em 27/01/2016), bem como por se tratar de questões idênticas, entendo que se dê a mesma orientação definitiva quanto ao mérito, prestando a jurisdição de modo uniforme, para dar provimento ao recurso voluntário, já que o Fisco adotou o regime de caixa, e os precedentes do STF (RE 614406/RS) e do STJ (REsp 1118429/SP) assentaram pela aplicação do regime de competência na incidência do imposto de renda decorrente dos rendimentos percebidos acumuladamente por força de decisão judicial antes de 2010. Em outras palavras, na visão do STF e do STJ, manifestada em sede de repercussão geral e de recurso repetitivo, é que, no cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos acumulativamente em ação judicial, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês, mesmo que o fato gerador tenha ocorrido antes de 2010, pois não é legitima a cobrança do imposto de renda com parâmetros no montante global pago extemporaneamente. Nesse passo, como o Fisco adotou critério jurídico equivocado e dissonante da jurisprudência do STF e do STJ, isso ocasionou o cálculo do tributo devido incorreto e Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 caracterizou incongruência no aspecto quantitativo do fato gerador. Diante disso, não compete ao CARF refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, impondolhe dar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 09/05/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 13839.003594/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Não será conhecido o Recurso Especial quando não restar demonstrado, de forma objetiva, o dissídio jurisprudencial decorrente de interpretação divergente de legislação tributária, a qual deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.
RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO.
A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do Recurso Especial não se estabelece em matéria de reexame de prova, mas, sim, na interpretação divergente de normas tributárias. A pretensão de simples reexame de prova, quando demonstrado que o colegiado entendeu não serem suficientes, não enseja recurso especial.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9202-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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Interposta pessoa Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROBERTO MOUTRAN ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. Não será conhecido o Recurso Especial quando não restar demonstrado, de forma objetiva, o dissídio jurisprudencial decorrente de interpretação divergente de legislação tributária, a qual deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. RECURSO ESPECIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do Recurso Especial não se estabelece em matéria de reexame de prova, mas, sim, na interpretação divergente de normas tributárias. A pretensão de simples reexame de prova, quando demonstrado que o colegiado entendeu não serem suficientes, não enseja recurso especial. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 35 94 /2 00 3- 51 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 485 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 1998, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 251/254, mediante o qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.791.631,85, consolidado em 28/11/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, com aplicação de multa qualificada de 150%. A autoridade fiscal atribuiu ao autuado a movimentação financeira de titularidade do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini, em função da existência de processo em trâmite na 1ª Vara Criminal Federal de Campinas e de investigação da Polícia Federal. Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 228/247. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0215.411 2ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 325/346, julgando improcedente a impugnação ofertada e mantendo o Crédito Tributário em sua integralidade. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a fls. 351/365, reiterando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF proferiu Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 20/11/2012, a fls. 400/408, acordando, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir da exigência a parcela relativa às contas em nome de terceiros e para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do Dispositivo que se vos segue: Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. IRRETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174/2001. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 A determinação dos rendimentos omitidos, tomando por base depósitos bancários de origem não comprovada, somente pode ser efetuada em relação a terceiro quando restar comprovado pelo Fisco que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem ao autuado. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária à comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. SELIC. TAXA DE JUROS. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a parte relativa às contas em nome de terceiro e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%.” Em desfavor do Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, insurgiuse Fazenda Nacional interpondo o Recurso Especial a fls. 412/433, argumentando ter havido, por parte do Órgão Julgador de 2ª Instância Administrativa, desrespeito às normas de direito probatório, resultando numa errônea valoração da prova e numa equivocada interpretação do art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/96, nos termos adiante elencados, ad litteris et verbis: “A questão nodal da lide é a definição do que pode ser entendido como “provado” nos termos do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96 ou como “comprovado com documentação hábil e idônea”, nos termos do enunciado nº 32 da Súmula do CARF. Logo, fica evidenciado que não se pretende contrariar o enunciado sumular, mas sim obter a sua correta interpretação. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas resta evidenciada na medida em que, para aquele, a redação do §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637/2002 somente admite mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando exaustivamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro, evidenciando a interposição de pessoa, sendo que, no caso dos autos, as conclusões da autoridade lançadora e o lançamento daí decorrente estariam assentados em indícios. Por outro lado, os acórdãos paradigmas demonstram que, para a comprovação de utilização de interposta pessoa, as provas carreadas aos autos seriam suficientes em razão da utilização da prova indiciária, sobretudo quando aliada a meras alegações e negativas por parte do autuado desacompanhadas de quaisquer elementos probatórios, bem como da distribuição do ônus da prova. O acórdão recorrido mesmo diante da assunção expressa de que o Fisco coletou provas o uso fraudulento da conta bancária de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini pelo autuado, considerou que haveria necessidade de provas ainda mais robustas capazes de conferir certeza para fins de aplicação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Os paradigmas, ao revés, consideraram como provas hábeis e idôneas, indícios de uso fraudulento de conta bancária e de Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 486 5 interposição de pessoa aliados a simples negativas por parte do autuado. Exemplificativamente, os paradigmas consideraram como elementos hábeis a essa comprovação a declaração do titular da conta à Receita Federal de patrimônio incompatível com a movimentação bancária realizada; a ligação entre o titular da conta bancária com o autuado apontado pelo Fisco como beneficiário dos recursos depositados; depoimentos de testemunhas (tal como consta no inquérito policial conduzido perante a 1º Vara Federal de Campinas/SP). Vale ressaltar que Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini possui vínculo familiar com o autuado (é sobrinho da esposa deste último 2), além de trabalhar em estacionamento que, conforme admitiu o próprio autuado, funciona em terreno da propriedade deste último. Portanto, é cediço que, diante de quadros fáticos similares, os acórdãos confrontados chegaram a conclusões jurídicas diversas. Enquanto o acórdão recorrido exige a certeza, com o ônus probatório todo a cargo do Fisco, para fins de aplicação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, os paradigmas entenderam de forma diversa. Os paradigmas, interpretando o mesmo dispositivo legal, entenderam que se o Fisco apresenta indícios de interposição de pessoas na movimentação bancária aliados a meras alegações e negativas por parte do autuado, deve ser mantido o lançamento por omissão de rendimentos caracterizado por depósitos bancários não em nome do titular da conta, mas sim daquele apontado como o beneficiário desses recursos. Por outro lado, cabe enfatizar também, como segunda questão proposta nessa insurgência, que os paradigmas entenderam como provas hábeis e idôneas de que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, com o conseqüente lançamento em face do terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento a declaração à Receita Federal dos titulares da conta bancária de patrimônio incompatível com a movimentação bancária realizada, a ligação existente entre o autuado e o titular da conta bancária, depoimentos de testemunhas (tal como consta no inquérito policial conduzido perante a 1º Vara Federal de Campinas/SP), etc.. Nesse contexto, o acórdão paradigma perpassa pelos argumentos e pelas considerações tomadas como razões de decidir pelo acórdão recorrido. Poderia inclusive, partido das mesmas premissas e da mesma tese jurídica quanto à correta interpretação do § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, ter chegado à mesma conclusão. Logo, evidenciado que, diante de casos concretos análogos, os acórdãos recorrido e paradigmas chegaram a conclusões jurídicas diversas.” Quanto ao mérito, a Fazenda Nacional argumenta que: a) O contribuinte se valeu de interposta pessoa para movimentar livremente conta corrente bancária, impedindo/retardando o conhecimento dos fatos Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 geradores pela autoridade fiscal, e que o acórdão recorrido contrariou as disposições do art. 42, da Lei nº 9.430/96; b) Afirma que o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, criando requisitos para que a imputação da responsabilidade fosse feita em face de terceiro, que não o titular da conta, e que tal imputação, consoante autorização legal, é procedida com base em evidências, cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que os recursos não lhe pertencem; c) Pondera que a presunção de omissão de rendimentos prevista na Lei nº 9.430/96 é relativa, passível de prova em contrário a ônus do contribuinte. Aduz que a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos em lei; d) Assevera que, no caso dos autos, a fiscalização comprovou documentalmente que o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini era interposta pessoa do autuado, a teor do que restou evidenciado em investigação criminal conduzida perante a Justiça Federal de Campinas/SP, cujas peças foram colacionadas aos presentes autos; e) Complementa asseverando que, além de as movimentações financeiras do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini serem incompatíveis com os rendimentos declarados, o Autuado foi identificado como uma das pessoas a movimentar as contas bancárias daquele, e que o vínculo estabelecido entre o autuado e o titular formal da conta bancaria ficaram evidenciados na decisão de primeira instância e por depoimento prestado pelo próprio autuado no inquérito policial em referência. Por fim, requer seja dado provimento ao recurso especial, reformandose o acórdão recorrido de forma que o lançamento seja mantido em sua integralidade. O Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL houvese admitido, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial a fls. 435/448. Contrarrazões pelo Sujeito Passivo, a fls. 462/470, pugnando pelo não conhecimento e alternativamente pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Traz como argumentos: · Impossibilidade de reavaliação dos fatos e das provas, pelo cotejo dos acórdãos que em tese definiriam a divergência apresentada, notase que são casos com realidade fática distinta externada por provas igualmente distintas; · Não houve nos acórdãos indicados como paradigmas situação similar ao recorrido, uma vez que nem mesmo foi o processo baixado em diligência para complementação de informações; · No que diz respeito ao acórdão 10615721 não existe divergência uma vez que o acórdão faz referência a um conjunto ptobatório capaz de sustentar a acusação de interposição de pessoas. Ficou demonstrado que há aparente participação do autuado na abertura das contas e na Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 487 7 sua movimentação (cheques). No caso concreto, não há essa participação. · Em relação ao segundo acórdão, também não há divergência em relação ao acórdão recorrido, tendo em vista que no paradigma o fisco, conforme argumenta o relator provou a existência da interposição de pessoas, e o contribuinte não logrou desconstituir z prova fiscal · O que se busca com o recurso especial são a reavalização de provas já afastadas pelo colegiado a quo. AInda que se pudesse reabrir a análise das provas é de se considerar que o douto relator foi diligente o suficiente para que se exaurisse o cotejo dos fatos e provas. · Requer o não provimento do Resp da Fazenda. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, conforme despacho de Admissibilidade, a fls. 435/448. Assim, passamos a apreciar o efetivo atendimento aos requisitos de procedibilidade do Recurso Especial, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. DO CONHECIMENTO DO RECURSO OMISSÃO DE RENDIMENTOS – FORÇA PROBANTE DA PROVA INDICIÁRIA Temse em pauta Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária/2ª SEJUL/CARF, de 20 de novembro de 2012, a fls. 400/408, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas pelo Sujeito Passivo e, no mérito, deu provimento parcial ao seu Recurso Voluntário para excluir da exigência fiscal a parcela relativa às contas em nome de terceiros e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Com efeito, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma presunção iuris tantum de omissão de receita, sempre que, devidamente intimado para tanto, não houver a devida comprovação pelo contribuinte, mediante documentos hábeis e idôneos, da real origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, resultando daí, a incidência do imposto de renda sobre tais valores. Há, portanto, uma presunção legal, porém relativa, de omissão de rendimentos, o que inverte o ônus da prova, de forma que, não conseguindo os beneficiários comprovar a origem dos depósitos em sua conta bancária e tampouco a variação integral do seu patrimônio, limitese o Fisco no direito de efetuar o lançamento do tributo incidente sobre os tais rendimentos, por presunção legal, omitidos. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 488 9 contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do Contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Por outro lado, no caso vertido no §5º do citado art. 42 da Lei nº 9.430/96, o Legislador Ordinário buscou efetivamente reaproximar a titularidade da importância consignada na conta de interposta pessoa (laranja), do seu verdadeiro e real proprietário, mediante a desconsideração do ato ou do negócio jurídico simulado, praticado por este último com o sinistro intuito de esquivarse da tributação. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal do ato ficto, fazendoo coincidir com a realidade substancial. A base sobre a qual se funda o Recurso Especial da Fazenda Nacional reside, na alegada divergência das posições adotadas pelas Turmas do CARF quanto à força probante da prova indiciária, para fins de comprovação da intermediação de pessoas para dissimular e acobertar patrimônio e/ou receitas tributáveis pelo Imposto de Renda. Nesse sentido, pugnou o sujeito passivo pelo não cohecimento do recurso, pela ausência de divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 O primeiro ponto que merece ser prontamente apreciado, referese a demonstração de que a divergência entre as decisões prolatadas no Acórdão Recorrido e no Acórdão Paradigma não decorreu de divergência de interpretações da legislação tributária empreendida pelas respectivas Turmas Julgadoras quanto à admissibilidade da prova indiciária no Processo Administrativo Fiscal, mas, sim, da força probante relativa dos indícios colhidos pela Fiscalização em cada caso, uns mais robustos, outros mais frágeis, e a aptidão de tais indícios na formação do convencimento do Julgador. Reiterese que na hipótese vertida no §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o ônus da prova é integral da Fazenda Pública, exigindo a lei, de maneira expressa, que se prove, mesmo que com a utilização de provas indiciárias, a intermediação de pessoa, isto é, que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento da pessoa tida como interposta, pertencem de fato a um terceiro, este, o efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. No primeiro Acórdão Paradigma, indicado, a Turma Julgadora considerou que os indícios colhidos pela Fiscalização foram robustos o suficiente para a formação de sua convicção quanto à efetiva intermediação de pessoa, razão pela qual atribuiu a titularidade dos valores creditados na conta de depósito ou de investimento do “Laranja” ao Terceiro, este na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. “Processo n° 10680.012332/2007‑ 63 Recurso n° 167.714 Voluntário Acórdão n° 2202‑ 00.209 — 2 Câmara / 2ʹ Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria IRPF Recorrente RONILDO ANTUNES FREITAS Recorrida 5 TURMA/DRJ‑ BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2003 DECADÊNCIA – Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, §4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação do dolo, fraude ou simulação. MULTA QUALIFICADA – Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A fraude, sonegação ou conluio deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 489 11 IRPF – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – INTERPOSTA PESSOA. Conforme prevê o artigo 42, § 5º da Lei nº 9.430/96, nos casos de interposta pessoa a determinação dos rendimentos deve ser efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento, sob pena de se configurar erro na eleição do sujeito passivo. Recurso provido1. Para fazer o cotejamento e demonstrar a divergência a PGFN traz trechos do acórdão: “Nos termos da referida norma legal presume‑ se omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que é no sentido de que está que o Sr. Carlos Anizio de Melo Rocha era interposta pessoa do recorrente, a quem pertenciam, efetivamente, as importâncias por lá movimentadas. Assim, de se concluir que a autoridade lançadora agiu de acordo com a regra do artigo 42, § 5°, da Lei n° 9.430/96, segundo a qual ʺ § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.ʺ e, na minha visão, seu trabalho não restou desconstituído pelo recorrente. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos, o contribuinte alega que os valores não são de sua titularidade e não faz nenhuma prova do alegado. Desta forma verifica‑ se que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Ao revés, no Acórdão Recorrido, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SEJUL do CARF considerou que as provas indiciárias presentes no processo eram por demais frágeis, delas não se podendo inferir, com a certeza que o Devido Processo Legal exige, que a titularidade dos recursos que transitaram na conta bancária do Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini era, de fato, do Sr. Roberto Moutran, conforme se extrai dos excertos do Acórdão Recorrido, abaixo reproduzidos: Acórdão nº 2201001.899 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “De acordo com o “Termo de Constatação”, fl. 212, a autoridade lançadora atribuiu à totalidade dos depósitos bancários em nome de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ao ora recorrente sem, contudo, fazer qualquer vinculação entre os mesmos. Se a Fiscalização afirma que os créditos bancários de Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini são de responsabilidade do recorrente, deveria, pois, ter apresentado provas desse fato. Entretanto, não se encontra nos autos nenhuma tentativa nesse sentido. Assim, em que pese o Sr. Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini ter apresentado movimentação bancária no montante de R$ 1.442.157,74 , bem como constar alguns poucos cheques de emissão do recorrente para o Sr. Eloy, sem provas de que o suplicante seja de fato beneficiário dos referidos valores, não há como responsabilizálo. Além do mais, depreendese dos autos que as contas bancárias foram abertas individualmente em nome do Sr. Eloy e sem a indicação de procurador. Citase, outrossim, a Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. No caso de lançamento com base em presunção legal, como a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, como se trata de prova indireta, o Fisco não precisa comprovar, diretamente, que o sujeito passivo adquiriu disponibilidade de renda, contudo, como se trata de atribuir ao fiscalizado a responsabilidade por movimentação bancária de terceiro, a autoridade fiscal tem o dever de comprovar que o autuado foi de fato beneficiário dos depósitos bancários de origem não comprovada, situação que a Lei identifica como caracterizadora de omissão de rendimentos (§ 5° do citado artigo). [...] Portanto, frente aos documentos constantes dos autos, entendo que não restou suficientemente provada a responsabilidade do recorrente sobre a movimentação bancária pertencente a Eloy Gabriel Pacheco Netto Marchesini. ”. (Os grifos não constam no original.) Não vislumbramos, portanto, no caso em apreço, qualquer divergência jurisprudencial a dar ensejo ao Apelo Especial em debate, mas, tão somente, diversidade Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 490 13 quanto à formação da convicção da Autoridade Julgadora decorrente da valoração de conjunto probatório de força probante diversa. Repisese que o Recurso Especial destinase, em sua essência, à uniformização de dissídio jurisprudencial eventualmente verificado entre as diversas Turmas do CARF, não tendo, pois, como primazia de sua interposição, a reapreciação de provas, a reconsideração sobre fatos, tampouco constituise Terceira Instância Ordinária de Julgamento. Em muitos casos, deparamonos com a impossibilidade de caracterização de divergência jurisprudencial em situações que envolvam a substancialidade e robustez do conjunto probatório, bem como a valoração de provas nele contidas, já se houve por devidamente reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão proferida no Acórdão CSRF/0104.592, de 11/08/2003, cuja ementa assim se fez redigida: “GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS – MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido.” No mesmo sentido mostrase inviável a utilização do segundo acórdão paradigma, posto que a posição adotado pelas duas turmas julgadoras, na verdade encontramse alinhadas. “Número do Processo 10120.005521/2004‑ 82 Órgão Julgador Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte JOSE CARLOS RAMPELOTTI Tipo do Recurso Recurso Voluntário ‑ Provimento Parcial Por Unanimidade Data da Sessão 27/07/2006 Relator(a) Ana Neyle Olímpio Holanda Nº Acórdão 106‑ 15721 Tributo / Matéria IRPF‑ ação fiscal ‑ Dep.Bancario de origem não justificada Decisão Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001. Vencidos os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, José Carlos da Matta Rivitti, Roberta Azeredo Ferreira Pagetti e Wilfrido Augusto Marques; e, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para acolher a decadência do lançamento quanto à base de cálculo decorrente do depósito bancário na conta em nome do recorrente. Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ‑ SIGILO BANCÁRIO ‑ O sigilo bancário tem por finalidade a proteção contra a divulgação ao público dos negócios das instituições financeiras e seus clientes. Assim, a partir da prestação, por parte das instituições financeiras, das informações e documentos Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 solicitados pela autoridade tributária competente, como autorizam a L.C. nº 105, de 2001, e o art. 197, II do CTN, o sigilo bancário não é quebrado, mas, apenas, se transfere à responsabilidade da autoridade administrativa solicitante e dos agentes fiscais que a eles tenham o acesso no restrito exercício de suas funções, que não poderão violar, salvo as ressalvas do parágrafo único do art. 198 e do art. 199, ambos do CTN, como prevê o inciso XXXIII do art. 5º da Constituição Federal, sob pena de incorrerem em infração administrativa e em crime. DECADÊNCIA ‑ Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano‑ calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Entretanto, quando há prova de fraude, dolo ou simulação se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN, em que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS ‑ TRIBUTA‑ ÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA ‑ O procedimento da autoridade fiscal encontra‑ se em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova,mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA ‑ Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. MULTA DE OFÍCIO ‑ MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL ‑ SITUAÇÃO QUALIFICADORA ‑ FRAUDE ‑ As condutas descritas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 1964, exige do sujeito passivo a prática de dolo, ou seja, a deliberada intenção de obter o resultado que seria o impedimento ou retardamento da ocorrência do fato gerador, ou a exclusão ou modificação das suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Configurada a interposição de terceiro para a abertura e movimentação de contas bancárias, cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. Entretanto, para os fatos em que não restar demarcada a fraude, a multa aplicável é aquela a ser imposta pelo não pagamento do tributo devido, cujo débito fiscal foi apurado em procedimento de fiscalização, com esteio no art. 44, I, da Lei no 9.430, de 1996. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13839.003594/200351 Acórdão n.º 9202003.989 CSRFT2 Fl. 491 15 Vejamos também o citado cotejamento feito pela PGFN para demonstrar suas alegações: “Para se contrapor à parte da exação que tem como pertencentes a ele e demais condôminos no exercício de atividade rural os valores movimentados em contas‑ correntes bancárias em nome de Lídia Zelinda Marchi, o recorrente afirma que, em depoimento à Polícia Federal, aquela senhora deixara claro ser ela própria a pessoa responsável pela movimentação bancária de sua titularidade. Há que se observar que o recorrente não trouxe aos autos o alegado depoimento à Polícia Federal, enquanto, por outro, em Representação Fiscal, dirigida ao Chefe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis (SC), de fls. 18 a 24, o auditor fiscal relata fatos que deixam antever que não assiste razão ao recorrente. Merece ressalto a parte em que o auditor afirma que, ao ser intimada a prestar esclarecimentos, a Sra. Lídia Zelinda Marchi negou ser a detentora dos recursos que deram origem ao procedimento fiscal, como também, peculiaridades no tocante às assinaturas apostas em cartão de abertura de conta e cheques, que a ligam ao condomínio de que faz parte o recorrente. Além de que o patrimônio e a renda daquela senhora são incompatíveis com a movimentação de numerários verificada nas contas‑ correntes em seu nome, que, como afirma o próprio recorrente atingiu o importe de R$ 5.242.361,47. Com efeito, diante do volume de elementos carreados aos autos capazes de demarcar a interposição de pessoa para abertura e movimentação de contas em nome da Sra. Lídia Zelinda Marchi, e, tendo em vista que o recorrente não foi capaz de contradizê‑ los, entendo ser pertinente a autuação”. TRecho buscado no paradigma: Na espécie, restou demarcada a utilização de interposta pessoa (Lídia Zelinda Marchi) para a abertura de contas bancárias e movimentação de numerários que, na realidade, eram de propriedade do condomínio rural de que faz parte o recorrente, nada havendo a ser reparado no lançamento, pois que configurado o dolo necessário à qualificação da penalidade aplicada. Argumenta que o dissídio jurisprudencial invocado não objetiva a re valoração das provas nem o reexame da matéria de fato: "O presente apelo, ao revés, pretende demonstrar que houve desrespeito às normas de direito probatório, resultando numa errônea valoração da prova e numa equivocada interpretação do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/96." Contudo, não e isso que se observa da apreciação dos trechos acima transcritos, onde ficou evidenciado que o colegiado manteve o lançamento consubstanciado em provas efetivamente não contestadas e não meros indícios. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 Na controvérsia em debate, não logramos distinguir qualquer dissenso na interpretação de normas jurídicas, mas, tão somente, diferentes conteúdos e alcances do conjunto probatório coligido aos autos, razão pela qual encaminhamos pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não restar caracterizada a divergência na interpretação da legislação tributária que rege a matéria. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 08/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/06/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.914067/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e para converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
Maria Cleci Coti Martins
Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e para converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Maria Cleci Coti Martins Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 06 7/ 20 09 -2 7 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.914067/200927 Resolução nº 2401000.514 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório Data da ciência da decisão recorrida: 04/01/2013 (efl.96) Interposição do Recurso Voluntário: 01/02/2013 Recurso Voluntário interposto em 01/02/2013, em face do Acórdão 1639.790 10ª Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte relativamente ao Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação de débito de IRRF com vencimento em 03/08/2007, no montante de R$ 88.264,42, com crédito de R$ 87.390,51 (valor original) relativo a recolhimento indevido ou a maior de IRRF (código 5273), efetuado em 13/07/2007(fls. 25 a 30). Conforme o recorrente, a decisão a quo baseouse no fato de que não foram trazidos aos autos os documentos que comprovam a existência do direito creditório. O direito creditório está relacionado a IRF sobre as operações de SWAP, onde a requerente teria retido em duplicidade o montante de R$ 87.390,51. Alega que esse valor teria sido recolhido em conjunto com outros débitos de mesma natureza no DARF de R$ 1.757.336,00 (doc. 7). O mesmo valor fora recolhido novamente, conforme doc. 8. A requerente então compensou o recolhimento indevido, contabilizandoo em sua demonstração financeira (doc.9). Assim, teria comprovado os dois recolhimentos o incluso no DARF de R$ 1.757.336,00 e em outro DARF de 87.390,51. A decisão a quo entendeu que não foi feita prova definitiva de que o valor do primeiro recolhimento DARF de R$ 87.390,51 estaria incluso no DARF de R$ 1.757.336,00. Transcrevo a seguir importante trecho do recurso voluntário, tal qual redigido pelo recorrente para explicar como se deu o engano no pagamento do tributo: Informa ainda que como se pode verificar no doc. 12 (TED), o fechamento da operação com o cliente foi no montante líquido de R$ 1.434.111,45. O informe de rendimento do cliente onde demonstra o IR neste valor (Doc. 13). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.914067/200927 Resolução nº 2401000.514 S2C4T1 Fl. 4 3 Acrescenta informações sobre operações de SWAP que teriam originado o referido erro e junta documentos com a informação SEM ATESTE. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 16327.914067/200927 Resolução nº 2401000.514 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O doc. 7 à efl. 118 referese a um DARF no valor de R$ 1.757.336,00 cujo período de apuração é 10/07/2007 e cujo vencimento é 13/07/2007 para o código de receita 5273. O documento possui carimbo de SEM ATESTE. Esse DARF compreenderia os seguintes valores de arrecadação (efl. 127): R$ 1.434.111,45 R$ 196.634,28 R$ 124.016,00 R$ 2.574,27 Na verdade, o contribuinte alega que o valor contido nesse DARF (R$ 134.111,45) é que conteria o valor recolhido a maior. Teria sido recolhido R$ 1.757.336,00 enquanto que o correto seria R$ 1.669.945,49. A diferença de R$ 87.390,51 seria o valor pago a maior, ou em duplicidade, pois esse tributo teria sido quitado novamente em 17/08/2007 pelo DARF à efl. 121 com os seguintes dados: PA: 10/07/2007, Vencimento 13/07/2007, valor cód. receita 5273 R$ 87.390,51. O item 11 do recurso voluntário está bastante confuso e pouco crível. O Contribuinte informa que, num primeiro momento, teria recolhido o valor errado pensando que seria o certo. Mais tarde, pensou que havia recolhido o valor errado e então teria feito outro recolhimento da diferença (R$ 87.390,51) em DARF separado. Considerando que a documentação anexada aos autos em sede de recurso voluntário não foi analisada pela autoridade fiscal, entendo que o processo deve retornar à unidade de origem para que sejam confirmados os documentos apresentados pelo contribuinte e também para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os cálculos que originaram o erro decorrente da operação de SWAP à luz dos documentos contábeis originais do contribuinte e dos existentes nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte deverá ser cientificado do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo regulamentar de 30 dias. É como decido. Maria Cleci Coti Martins. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 03/07/ 2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 19515.722282/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
SETOR ELÉTRICO. INVESTIMENTOS. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO.
Os investimentos para a pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico previsto no artigo 4º, II, da Lei nº 9.991/00, somente podem ser considerados despesas dedutíveis quando incorridos os correspondentes dispêndios e, ainda assim, não se caracterizarem como bens mensuráveis na forma de ativos (tangíveis ou intangíveis).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 1401-001.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido, em primeira rodada de votação, o Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (Relator) que votou para, de ofício, baixar o processo em diligência. Em segunda rodada, em que todos participaram, a proposta de negar provimento ao recurso, onde todos participaram, foi unânime. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor apenas em relação a negativa de proposta de converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: Ricardo Marozzi Gregorio
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 SETOR ELÉTRICO. INVESTIMENTOS. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. Os investimentos para a pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico previsto no artigo 4º, II, da Lei nº 9.991/00, somente podem ser considerados despesas dedutíveis quando incorridos os correspondentes dispêndios e, ainda assim, não se caracterizarem como bens mensuráveis na forma de ativos (tangíveis ou intangíveis). Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido, em primeira rodada de votação, o Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (Relator) que votou para, de ofício, baixar o processo em diligência. Em segunda rodada, em que todos participaram, a proposta de negar provimento ao recurso, onde todos participaram, foi unânime. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor apenas em relação a negativa de proposta de converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
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Glosa de provisão para pesquisa e desenvolvimento. Recorrente AES TIETE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 SETOR ELÉTRICO. INVESTIMENTOS. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. Os investimentos para a pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico previsto no artigo 4º, II, da Lei nº 9.991/00, somente podem ser considerados despesas dedutíveis quando incorridos os correspondentes dispêndios e, ainda assim, não se caracterizarem como bens mensuráveis na forma de ativos (tangíveis ou intangíveis). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido, em primeira rodada de votação, o Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio (Relator) que votou para, de ofício, baixar o processo em diligência. Em segunda rodada, em que todos participaram, a proposta de negar provimento ao recurso, onde todos participaram, foi unânime. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor apenas em relação a negativa de proposta de converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 22 82 /2 01 2- 70 Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.846 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso voluntário interposto por AES TIETE S/A contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Defis/São Paulo, referentes ao IRPJ e CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2008, totalizaram o valor de R$ 6.061.121,03. A autuação promoveu a glosa de provisão para pesquisa e desenvolvimento. Em seu Termo de Constatação, a autoridade fiscal assim descreveu o caso: 1 ASPECTOS PRELIMINARES O contribuinte é pessoa jurídica concessionária de serviço público de geração de energia elétrica registrada junto ao CNPJ com sede inicialmente na cidade de São Paulo SP, transferida para a cidade de Barueri / SP no curso da ação fiscal. O contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ para o anocalendário 2008 optando pela apuração de seu resultado pelo Lucro Real Anual. O presente Termo de Constatação trata os efeitos tributários decorrentes de falta de adição ao Lucro Real de despesas não dedutíveis. As demais questões objeto da ação fiscal foram tratadas em outros Termos. No curso desta ação fiscal, foi lavrado, anteriormente, auto de infração contra o contribuinte referente a IRPJ do anocalendário 2008 (além de outros períodos). Em razão disso, o Lucro Real antes de compensações, e antes de imputadas as infrações aqui tratadas, considerado neste auto de infração, é a soma do Lucro Real antes de compensações declarado em DIPJ e o resultado de infrações apuradas em autos de infrações anteriores. 2 ANDAMENTO DA AÇÃO FISCAL A presente ação fiscal teve início com objetivo de análise de fatos relativos ao IRPJ do anocalendário 2008, mediante ciência ao contribuinte, por via postal, em 04/05/2011, de Termo de Início de Ação Fiscal. Foi solicitado ao contribuinte, nesse Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.847 3 ato, documentação societária, e comprovantes de entrega de arquivos SPED, demonstrativos e comprovantes de despesas operacionais do contribuinte, bem como esclarecimentos relativos a incorporações de empresas realizadas pelo contribuinte. Em 20/05/2011, o contribuinte apresentou pedido de prorrogação de prazo para atendimento a intimação até o dia 13/06/2011, tendo também apresentado documentação societária atualizada juntamente com o citado pedido de prorrogação de prazo. Em 13/06/2011, o contribuinte apresentou as respostas à primeira intimação, tendo juntado cópias de procuração (Doc 1) e de documentação societária completa (Doc 2), cópias de recibos de entrega do SPED Contábil do anocalendário 2008 (Doc 3), cópias de balancetes mensais de 2008 (Doc 4), detalhamento da linha "Outras despesas operacionais" da DIPJ do anocalendário 2008 (Doc 5), além de outros documentos. Em 16/06/2011 o contribuinte foi cientificado por via postal de Termo de Ciência e Constatação notificandoo de que a Receita Federal procederia ao acesso à contabilidade do contribuinte do anocalendário 2008 apresentada ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED. Em 04/07/2011, o escopo da presente ação fiscal foi estendido para incluir a análise de fatos relativos à apuração de PIS/PASEP e COFINS dos anosbase 2007 a 2010, análise esta já concluída e documentada em Termo de Constatação próprio. Em razão disso, o contribuinte foi cientificado em 20/07/2011 de novo Termo de Intimação requerendo novas informações. Em 03/08/2011, compareceu a Fiscalização ao estabelecimento do contribuinte onde foram prestados esclarecimentos, por diretores e gerentes indicados pelo contribuinte, quanto às operações de incorporação das empresas AES Tietê Participações SA e AES Gás Empreendimentos Ltda. Todas as informações prestadas nessa ocasião foram posteriormente ratificadas pelo contribuinte em respostas a intimações no curso da presente ação fiscal. Em sequência, o contribuinte apresentou em 09/08/2011 pedido de prorrogação de prazo para atendimento à intimação até dia 29/08/2011, tendo sido então lavrados e cientificados ao contribuinte em 18/08/2011 e em 22/08/2011, respectivamente, o Termo de Intimação lavrado em 15/08/2011 e o Termo de Intimação Complementar lavrado em 18/08/2011. Em 29/08/2011, o contribuinte apresentou novos elementos e esclarecimentos, respondendo às questões elencadas no Termo de Intimação de 20/07/2011, e apresentando os seguintes elementos: procuração e documentação societária, comprovantes de entrega de arquivos SPED dos anoscalendário 2009 e 2010 (Doc 1), balancetes mensais de 2009 e 2010 (Doc 2), e outros documentos. Em 05/09/2011, o contribuinte apresentou dois pedidos de prorrogação de prazo para atendimento às intimações dos dias 18/08/2011 e 22/08/2011. Em 15/09/2011, o contribuinte apresentou as respostas às duas intimações. Em 30/09/2011, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar novos esclarecimentos e documentos, tendo atendido à intimação em 31/10/2011. Foi então lavrado auto de infração relativo a efeitos fiscais de operações de incorporação realizadas pelo contribuinte, sendo encerrada parcialmente a ação Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.848 4 fiscal em relação a esse assunto, permanecendo a mesma em aberto em relação aos demais fatos analisados. Em 16/01/2012, foi lavrada nova intimação requerendo do contribuinte esclarecimentos e apresentação de documentos comprobatórios de despesas operacionais do anocalendário 2008, especialmente as componentes da linha da DIPJ "Outras despesas operacionais", tendo sido os elementos apresentados pelo contribuinte. Em 05/03/2012 foi lavrada nova intimação solicitando do contribuinte apresentação de Balanço Patrimonial atualizado (ref. 2011). O Balanço atualizado foi apresentado pelo contribuinte. Por fim, foi lavrada intimação em 05/04/2012 e reintimação em 09/05/2012, solicitando maiores esclarecimentos sobre despesas operacionais que não haviam sido suficientemente detalhadas, dentre elas as despesas operacionais registradas pelo contribuinte na conta contábil 61599005 Outros P&D. O elementos foram apresentados pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado, em 24/07/2012, a apresentar extrato da conta contábil de provisão passiva 21181803 Provisão para P&D Investimento, bem como descrição de projetos e extratos de dispêndios efetivamente realizados. O contribuinte apresentou os documentos solicitados, dentre eles os extratos da conta contábil 21181803 Provisão para P&D Investimento compreendendo o período entre 2006 e 2011, e ainda incluiu extrato de período compreendido entre 2010 e 2011 da conta contábil 22191830, que tem a mesma natureza da conta 21181803, mas representa provisões de longo prazo. Foram ainda lavrados outros Termos, regularmente cientificados ao contribuinte, no curso da ação fiscal. 3 DESPESAS DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO P&D O contribuinte foi intimado a esclarecer a origem, e comprovar com documentos, as despesas operacionais registradas na conta contábil 61599005 Outros P&D durante o anocalendário 2008. Em informação prestada, esclareceu: "Ressaltese que a legislação de P&D determina que a empresa efetue pesquisa e desenvolvimento de projetos referentes à sua área de atuação, e em razão dessa obrigatoriedade, tais despesas tornamse dedutíveis." As informações prestadas pelo contribuinte, e os documentos e legislação por ele apresentados, foram juntados aos autos. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento determinados pela ANEEL são calculados, mêsamês, como um percentual da receita operacional, tendo sido calculado pelo contribuinte conforme planilha juntada aos autos. Os investimentos dividemse em três partes distintas: a) Contribuição ao FNDC/FINEP, que deve ser provisionado pelo contribuinte mensalmente durante 2008 e recolhido em parcela única em 2009; b) Contribuição para o MME (Ministério das Minas e Energia), também provisionado pelo contribuinte mensalmente durante 2008 e recolhido em parcela única em 2009; Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.849 5 c) Investimento direto: essa parcela deve ser investida diretamente pelo contribuinte em programas de pesquisa e desenvolvimento. Sendo assim, as parcelas 'a' e 'b' podem ser consideradas despesas efetivas, pois tratase de desembolsos compulsórios referentes a 2008, cujo pagamento efetivo se deu em 2009. O contribuinte comprovou o recolhimentos dessas duas parcelas, tornandose as mesmas dedutíveis ainda em 2008 em razão do regime de competência. O contribuinte também apresentou comprovantes de recolhimentos de parcelas mensais de contribuições à FINEP e ao Ministério de Minas e Energia recolhidas durante os meses de 2008. Já quanto à parcela de Investimento (‘c’), não se trata de contribuição compulsória, mas de mera provisão (ainda que compulsória), que deveria ter sido efetivamente empregada pelo contribuinte em pesquisa, mas não o foi em 2008, como será a seguir esclarecido. Como se observa pelos esclarecimentos prestados pelo contribuinte, bem como das normas da ANEEL citadas, o contribuinte constituiu provisão passiva compulsória durante o anocalendário 2008, nos termos determinados em Nota ANEEL, para fins de pesquisa e desenvolvimento, registrada contabilmente na conta contábil de provisão passiva 21181803 Provisão para P&D Investimento, cujo valor no final de 2008 era R$ 23.157.975,40, com saldo inicial em 2008 de R$ 13.402.260,06. O provisionamento realizado em 2008 teve como contrapartida a conta de despesa 6199005 Outros P&D, com saldo de despesa acumulada incorrida do início até o final de 2008 no valor de R$ 15.958.914,64, sendo que nesse montante estão incluídas as parcelas 'a', 'b' e ‘c’ acima descritas. A parcela de despesa registrada na conta 6199005 Outros P&D que corresponde à contrapartida das provisões para investimento (parcela 'c' acima descrita), conforme planilha de apuração apresentada pelo contribuinte, totaliza, em 2008, R$ 6.387.412,65. A provisão passiva para investimento (conta contábil 21181803 Provisão para P&D Investimento) sofreu também incidência de variação monetária passiva, contabilizada na conta da provisão, tendo como contrapartida a conta contábil de despesa financeira 63503007 Variações Monetárias Diversas. (...) O montante de variações monetárias passivas geradas a partir da provisão para investimento, em 2008, é de R$ 2.088.636,55. De acordo com as normas da ANEEL, o contribuinte teria a obrigação de investir esse valor provisionado em projetos de pesquisa e desenvolvimento. Nos termos da legislação tributária, apenas após efetivamente investidos esses valores, os comprovantes das despesas poderiam ser deduzidos como despesas operacionais. Contudo, a análise sumária dos saldos da conta de provisão 21181803 Provisão para P&D Investimento, entre 2008 e 2011, demonstra que o saldo dessa conta aumentou constantemente durante o anocalendário 2008 (e continuou aumentando até o final de 2011, conforme demonstra extrato consolidado da conta contábil apresentado pelo contribuinte), demonstrando que o contribuinte não aplicou os recursos provisionados em projetos de pesquisa e desenvolvimento conforme determinado pela ANEEL. Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.850 6 Cabe esclarecer que o contribuinte fez transferências contábeis entre as contas contábeis 21181803 e 22191830. Todavia, essas são transferências de saldos parciais entre duas contas contábeis de provisão passiva, diferindo apenas no aspecto de curto ou longo prazo, não representando emprego efetivo dos recursos provisionados. As meras provisões efetuadas pelo contribuinte, apesar de terem sido feitas em atendimento a normas da ANEEL, não são consideradas provisões dedutíveis, por absoluta falta de previsão legal para dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores provisionados a esse título, especialmente considerando o fato de que esses valores não foram efetivamente empregados em pesquisas durante 2008. O Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto 3.000/99) determina: Art. 335. Na determinação do lucro real somente serão dedutíveis as provisões expressamente autorizadas neste Decreto (DecretoLei n2 1.730, de 17 de outubro de 1979, art. 3, e Lei n2 9.249, de 1995, art. 13, inciso I). Nos artigos seguintes, o RIR/99 prevê a possibilidade de dedução, como despesa, das provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável, das provisões para férias e 13o. Salário, e da provisão para Imposto de Renda. Como se verifica, as possibilidades de dedução de provisões da base de cálculo do IRPJ, e por conseguinte da CSLL, são exaustivas e expressamente determinadas no Regulamento do Imposto de Renda, não estando contemplada na legislação do Imposto a provisão constituída pelo contribuinte. Sendo assim, apesar da alegação do contribuinte de que o mesmo seguiu norma da ANEEL, não há previsão legal, na legislação do IRPJ e da CSLL, de dedutibilidade da provisão para P&D constituída pelo contribuinte, sendo essa despesa indedutível por absoluta falta de previsão legal para sua dedutibilidade. Além disso, cabe destacar que a provisão foi constituída para que fosse efetivamente empregada em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), requisito que não foi cumprido pelo contribuinte. Em atendimento a intimação, o contribuinte apresentou relação de projetos e supostos extratos de dispêndios realizados. Contudo, esses supostos dispêndios não se encontram registrados contabilmente contra a provisão passiva, fazendo com que o saldo das contas de provisão cresçam indefinidamente. Dessa forma, não estando contabilizados dispêndios que fossem comprovadamente decorrentes da utilização das provisões constituídas, não há como considerar os investimentos efetivamente realizados. Não foi localizada adição, no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, desses valores. Pelos elementos aqui expostos, não há como prosperar a dedução de despesa não incorrida efetivamente e não registrada de forma devida. Considerando que a provisão para investimento efetuada pelo contribuinte não encontra amparo legal para dedutibilidade do Lucro Real, as variações monetárias apuradas pelo contribuinte sobre esse valor são, também, indedutíveis, visto tratarse de variações monetárias também indevidas. Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.851 7 Dessa forma, pelas razões de fato e de direito elencadas, as despesas com provisão para P&D, parcela relativa a investimento próprio, registradas pelo contribuinte na conta contábil 6199005 Outros P&D, bem como as variações monetárias passivas dela decorrentes registradas na conta contábil 63503007 Variações Monetárias Diversas, devem ser adicionadas ao Lucro Real mediante lançamento de ofício do IRPJ e CSLL devidos em razão da indedutibilidade dessas provisões. Segundo o relatório da decisão recorrida, a impugnante a alegou que: (a) dirigiu, em bases anuais, investimento equivalente a, no mínimo, 1% de sua receita operacional líquida para a pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, dos quais, 40% (e esse é o ponto questionado pela fiscalização), teriam sido alocados para projetos de pesquisa e desenvolvimento conforme regulamentos da ANEEL; (b) essa obrigação subsistiria mesmo que o projeto fosse reprovado pela ANEEL ou, se aprovado, tivesse seus respectivos custos de execução não reconhecidos, sendo assim, a própria ANEEL determinaria estornos na conta de P&D com o consequente aumento do saldo da conta (tal como ocorreu no caso em tela); (c) o valor lançado sob o aludido fundamento seria irreversível, nesse sentido, a rubrica da provisão não teria, propriamente, tal natureza; (d) considerando que esse investimento era uma obrigação, tratase de despesa operacional; (e) seu direito à dedução respeita apenas o correspondente período de apuração em que incorrida tal despesa, independentemente da realização dos gastos; e (f) solicita a conversão do julgamento em diligência para provar que efetivamente realizou investimentos no ano de 2008. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/São Paulo I proferiu o Acórdão nº 1649.692, de 21 de agosto de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência total do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2008 INTIMAÇÃO DO ACÓRDÃO. ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. Compete à autoridade preparadora do feito e não à julgadora praticar o ato de intimação do Acórdão resultante de julgamento. Demais disso, dita intimação é feita ao sujeito passivo e assim direcionada ao domicílio tributário por ele eleito junto à RFB, segundo disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não cabe conversão do julgamento em diligência quando o ponto de discórdia versa matéria de direito ou, ainda, mesmo que toque matéria de fato, esta já se encontre suficientemente esclarecida nos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2008 Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.852 8 SETOR DE ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIO COM PESQUISA E DESENVOLVIMENTO. OBRIGAÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE SUA CONCRETUDE PARA EFEITOS TRIBUTÁRIOS. O pleno cumprimento da obrigatoriedade de investimento em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, isso por parte dos prestadores de serviço correlato, se dá com a prova da aplicação dos recursos reservados para esse justo propósito. O só inaugural registro de conta serviente a guardar dita segregação de recursos (no caso particular, porção equivalente a 40% de 1% da receita operacional líquida do prestador de serviço art. 2º, c/c art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.991, de 2000), não pode ser visto como suficiente a formar item despesa/custo a ser levado contra as bases de cálculo de IRPJ/CSLL. Até aí o que se tem é mera potência d’um dispêndio (despesa/custo). Para que dita potência se torne ato (isto é, vingue em dispêndio incorrido, e, a partir daí, aberta que ficaria só agora então, a discussão de sua possível dedutibilidade das bases de cálculo do IRPJ/CSLL), há de se ter a contabilização e o respectivo documentário de suporte dos específicos dispêndios verdadeiramente incorridos. Por outra, o que se exige é a realização do termo “aplicar”, efetivamente aplicar, que se encontra no caput do mencionado art. 2º da Lei nº 9.991, de 2000. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Inconformada, a empresa autuada apresentou recurso voluntário no qual, além do que foi deduzido na impugnação, alega que: (i) ao contrário do que disse a decisão recorrida, havia apresentado as notas fiscais e comprovantes de pagamento correspondentes a cerca de 88% do valor contabilizado em 2008, evidenciando o efetivo desembolso das despesas incorridas; (ii) os investimentos anuais são irreversíveis (nunca são devolvidos), por isso, resta claro que são despesas e não provisões, ainda que os efetivos desembolsos venham a ocorrer no futuro, tal como ocorrido no caso em tela (tal ponto não foi analisado pelas autoridade julgadoras); (iii) os ativos da empresa foram consumidos quando do registro contábil do investimento; e (iv) não se trata de cumprimento abstrato da lei, mas de uma despesa efetivamente incorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.853 9 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão cingese à possibilidade de considerar dedutíveis, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, os valores alocados para futuros projetos de pesquisa e desenvolvimento, os quais serão diretamente promovidos pela empresa, conforme a normatização contida na Lei nº 9.991/00, verbis: Art. 2o As concessionárias de geração e empresas autorizadas à produção independente de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, 1% (um por cento) de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, excluindose, por isenção, as empresas que gerem energia exclusivamente a partir de instalações eólica, solar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e cogeração qualificada, observado o seguinte:(Redação dada pela Lei nº 10.438, de 26.4.2002) (...) Art. 4o Os recursos para pesquisa e desenvolvimento, previstos nos arts. 1o a 3o, exceto aquele previsto no parágrafo único do art. 1o, deverão ser distribuídos da seguinte forma: (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) I – 40% (quarenta por cento) para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, criado pelo DecretoLei no719, de 31 de julho de 1969, e restabelecido pela Lei no 8.172, de 18 de janeiro de 1991; (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) II – 40% (quarenta por cento) para projetos de pesquisa e desenvolvimento, segundo regulamentos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL; (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) III – 20% (vinte por cento) para o MME, a fim de custear os estudos e pesquisas de planejamento da expansão do sistema energético, bem como os de inventário e de viabilidade necessários ao aproveitamento dos potenciais hidrelétricos.(Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004 Os valores glosados pela fiscalização coadunamse com os recursos mencionados no inciso II do artigo 4º da Lei acima transcrita. Segundo a recorrente, de acordo com o entendimento que se extrai do Manual do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica do ano de 2008, tais recursos constituem uma obrigação que subsistiria mesmo que o projeto fosse Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.854 10 reprovado pela ANEEL ou, se aprovado, tivesse seus respectivos custos de execução não reconhecidos. Confirase o trecho reproduzido no recurso voluntário: O presente Manual de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica estabelece as diretrizes e orientações para a elaboração de projetos de P&D regulados pela ANEEL. Os projetos de P&D deverão estar pautados pela busca de inovações para fazer frente aos desafios tecnológicos e de mercado das empresas de energia elétrica. A pesquisa empresarial no setor de energia elétrica deverá ter metas e resultados previstos bem definidos, porque é diferente da pesquisa acadêmica pura, que se caracteriza pela liberdade de investigação. Dessa maneira, para cumprir a obrigação de investir em P&D, as Empresas deverão enviar à ANEEL seus projetos, contendo, principalmente, informações sobre os resultados esperados e sua aplicabilidade, custos previstos para execução e expectativa de retorno financeiro, pertinência do estudo a temas de interesse do setor elétrico, grau de inovação ou avanço tecnológico pretendido. Após a execução do projeto, a ANEEL fará uma avaliação criteriosa dos resultados alcançados e dos gastos incorridos, para fins de aprovação do projeto e reconhecimento dos investimentos realizados. Os gastos não reconhecidos num dado projeto aprovado deverão ser estornados à Conta de P&D (Conta Contábil 211.91.7.3, ou equivalente, para os produtores independentes e autorizados) e remunerados pela SELIC a partir de suas datas de registro contábil. O mesmo procedimento se aplica para os gastos incorridos em projetos reprovados. Acrescenta que apenas a partir da data de início da execução do projeto é que a empresa poderá realizar despesas vinculadas a sua execução, fazendo uso dos recursos disponíveis na conta de P&D da empresa (item 6.4 do mesmo Manual). Entretanto, como não há previsão de restituição de quaisquer valores à empresa, entende que o investimento ocorre no momento da disponibilização dos recursos e não, da execução do projeto. A DRJ, contudo, concordou com a autoridade fiscal no sentido de que a contabilização do investimento em P&D tem natureza apenas potencial de se transformar em uma efetiva despesa. Esta última só se concretiza quando efetivamente incorrida e deve ser comprovada com a documentação que lhe dê suporte. A autoridade fiscal chegou a perquirir acerca dos dispêndios relacionados aos investimentos alocados no anocalendário fiscalizado. Mas, verificou que os dispêndios apresentados pela empresa, em atendimento às intimações, não se encontram registrados contabilmente contra as contas passivas representativas dos investimentos alocados. Notou, inclusive, que havia uma tendência de crescimento indefinido dessas contas. Conclui, assim, que não havia como considerar os investimentos efetivamente realizados. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.855 11 A recorrente, no entanto, insiste que apresentou notas fiscais e comprovantes de pagamento correspondentes a cerca de 88% do valor contabilizado em 2008. Para ela, isso evidenciaria o efetivo desembolso das despesas incorridas. Em caso de dúvidas, propugna pela conversão do julgamento em diligência. De fato, de fls. 1023 a 1288 e de fls. 1359 a 1591, constato a existência de alguns documentos indicativos de projetos, notas fiscais e pagamentos. Esses documentos, todavia, salvo algum engano, na sua totalidade, foram emitidos em datas posteriores ao ano de 2008. Ademais, não existe qualquer peça explanatória que permita fazer sua associação com os investimentos alocados em 2008. Como assinalado pela instância a quo, o fato de a empresa ter dado cumprimento as normas prescritas na Lei nº 9.991/00 não permite concluir que incorreu em despesas dedutíveis para fins da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O voto condutor da decisão recorrida chega a constatar que o já referido Manual do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica faz referência ao Manual de Contabilidade do Serviço Público de Energia Elétrica (MCSEPE). Este último determina a contabilização dos investimentos de maneira tal que os valores alocados sejam creditados em conta passiva (acima mencionadas) e debitados em uma conta de resultado de natureza meramente retificadora, ou seja, os valores ali lançados devem ser transferidos no encerramento do exercício. Adicionese a isso, que é possível também constatar (conforme expresso no item 8.1 do Manual do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica) que, quando da conclusão dos projetos, os gastos efetuados que resultarem em bens (tangíveis e intangíveis) devem ser transferidos para o ativo imobilizado da empresa. Portanto, não necessariamente consubstanciarão despesas, mas, poderão originar ativos que integrarão o próprio patrimônio da empresa. Destarte, não assiste razão à recorrente ao tentar associar a obrigação de fazer o investimento com o nascimento de uma imediata despesa operacional. Pode até ser que o recurso alocado como investimento venha a se revestir de uma despesa, mas isso não é totalmente garantido. Ademais, essa despesa não necessariamente será incorrida no mesmo período de apuração em que se deu a alocação do investimento. Se é verdade que os documentos apresentados à fiscalização representam cerca de 88% do valor contabilizado em 2008, aparentemente sua totalidade referese a despesas incorridas em anos posteriores. Isso se não chegarem a originar os bens tangíveis ou intangíveis acima referidos. Diante disso, desde já afasto a proposta de conversão em diligência para atestar a realização dos investimentos. E não se diga que a antecipação da apropriação das despesas representou mera postergação do pagamento dos tributos envolvidos. Para que se pudesse chegar a essa conclusão haveria que se ter uma inequívoca associação entre os valores das despesas antecipadas e das despesas posteriormente incorridas. Isso, como já ressaltado, não foi demonstrado. Ainda assim, a simples reversão, em períodos posteriores, das despesas antecipadas não garante a espontânea postergação do pagamento. Nesse sentido, vejase o que dispõem os itens 6 a 9 do Parecer Normativo Cosit nº 2/96: Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.856 12 6. O § 5º, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional, correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. 6.3 A redução indevida do lucro líquido de um períodobase, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em períodobase posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. Qualquer ajuste daí decorrente, que venha ser efetuado posteriormente pelo contribuinte não tem as características dos procedimentos espontâneos e, por conseguinte, não poderá ser pleiteado para produzir efeito no próprio lançamento. 7. O § 6º, transcrito no item 5, determina que o lançamento deve ser feito pelo valor líquido do imposto e da contribuição social, depois de compensados os valores a que o contribuinte tiver direito em decorrência do disposto no § 4º. Por isso, após efetuados os procedimentos referidos no subitem 5.3, somente será passível de inclusão no lançamento a diferença negativa de imposto e contribuição social que resultar após a compensação de todo o valor pago a maior, no períodobase de término da postergação, com base no lucro real mensal ou na forma dos arts. 27 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com o valor pago a menor no períodobase de início da postergação. 8. Nos casos em que, no períodobase de competência no qual deveria ter sido reconhecida a receita, o rendimento ou o lucro ou para o qual houverem sido antecipados o custo e a despesa, as importâncias adicionadas não excedam o valor do prejuízo fiscal ou da base de cálculo negativa da contribuição social, apurado pela pessoa jurídica, os procedimentos mencionados devem prosseguir até o períodobase de término do prazo de postergação, tendo em vista que a redução dos prejuízos e da base de cálculo negativa pode configurar pagamento a menor de imposto ou contribuição social em períodobase subseqüente, Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.857 13 cabendo a exigência da diferença de imposto ou contribuição não paga, com os correspondentes acréscimos legais. 9. Por outro lado, nos casos em que, nos períodosbase subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no períodobase inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores. Portanto, não se trata de discutir a natureza provisional ou não das contas em que foram alocados os investimentos. Muito menos de invocar a irreversibilidade desses investimentos. O que importa é o fato de que esses investimentos, apesar de obrigatórios por determinação legal, serão revertidos para a empresa, sejam eles mensuráveis na forma de ativos (tangíveis ou intangíveis) ou não (quando poderão então ser apropriados como despesas). Esse é o sentido que se extrai do texto legal quando este restringe os investimentos para a pesquisa e desenvolvimento do “setor elétrico”, ou seja, justamente para o setor em que atua a empresa. É lógico que há também o interesse do País nisso, mas, não se pode excluir o interesse da empresa, mesmo que involuntário. E é por isso que, quando os dispêndios associados a esses investimentos caracterizamse como despesas, estas podem ser consideradas necessárias, porque implicam na manutenção da fonte produtora da empresa, portanto, dedutíveis para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Mas, novamente, isso só se concretiza quando há o efetivo dispêndio e este pode ser inequivocamente comprovado. A bem da verdade, não se identifica nos autos qualquer prova de que as reclamadas despesas não foram deduzidas nos anos posteriores. Se por acaso houve essa dedução, o cancelamento da autuação significaria um duplo aproveitamento das mesmas despesas. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.722282/201270 Acórdão n.º 1401001.558 S1C4T1 Fl. 1.858 14 Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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