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Numero do processo: 15374.914586/2009-67
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem pode ser objeto de decisão, por não se subordinar ao processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1003-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA DO PROCEDIMENTO. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem pode ser objeto de decisão, por não se subordinar ao processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 38805.59523.240306.1.7.046283, em 24.03.2006, efls. 3553, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 86 /2 00 9- 67 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 117 2 pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de fevereiro do anocalendário de 2001 no valor de R$36.106,81 arrecadado em 12.03.2001, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 57, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 36.106,81 A partir nas características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada em 02.04.2009, efls. 5456, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 11.05.2009, efls. 0223. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1250.427, de 29.10.2012, efls. 6368: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SIMPLES FEDERAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CARACTERIZADA. PRAZO LEGAL. Não caracteriza manifestação de inconformidade a petição apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do Despacho Decisório. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A petição intempestiva não comporta julgamento em primeira instância. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Notificada em 16.12.2014, efl. 75, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.01.2015, efls. 78113, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: DA TEMPESTIVIDADE A presente manifestação é tempestiva, pois protocolizada dentro do prazo da 30 dias, contados da ciência do despacho decisório o que se deu em 16/12/2015 (terçafeira). PRELIMINAR ANÁLISE DO MÉRITO NA FORMA DO ART 142, C/C INCISO III, DO ART 145 C/C ART 149, DO CTN. [...] Nobres Julgadores Revisores já há em nossa doutrina fiscal que, não obstante a impugnação ser extemporânea cabe à autoridade administrativa conhecer e acolher a pretensão do reclamante, quando a reclamação aponte alguma ilegalidade ou erro na conduta administrativa, e desde que se convença da procedência da reclamação e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 118 3 não haja a extinção, pelo tempo, do direito de a Administração rever os seus atos, a pedido ou de ofício. [...] Somente com a análise do mérito debatido é que a Administração Pública poderá atestar ou não se é manifesto o direito reclamado! E mais, a autoridade da coisa julgada, prestigiada pelo nosso sistema constitucional brasileiro, é um fenômeno direcionado à pacificação das relações sociais, consubstanciado no princípio da segurança jurídica. [...] Desse modo, apesar de já poder estar superada a fase recursal na instância administrativa, para interposição de recurso no processo de n° 15374916437/2009 32, ou seja, já ter ocorrido o trânsito em julgado administrativo, em razão de o reclamante alegar a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo, entendemos, salvo melhor juízo, que se deve receber e analisar o pedido interposto, não como recurso e sim como uma revisão de ato a pedido da parte interessada, enquanto não extinto pelo tempo o direito de a Administração rever os seus atos, a pedido ou de ofício, segundo dispõe a Súmula n° 473 do Supremo Tribunal Federal [...]. Em havendo, assim, fatos que demonstrem, a posteriori, a existência de vícios que tornem ilegal o ato administrativo, não há coisa julgada administrativa enquanto não extinto pelo tempo o direito de a Administração rever os seus atos, a pedido ou de ofício. Nesse sentido, efetuado o lançamento tributário, pode a Fazenda Pública, a qualquer momento dentro do prazo legal, revêlo. nos termos do art. 145, III, do CTN, c/c o seu art. 149, parágrafo único. Desse modo Nobre Revisor, como, na Administração Tributária, primase pela verdade material dos fatos, em sendo impugnado intempestivamente o lançamento tributário pelo contribuinte, o presente pedido deve ser recebido e analisado, não como um recurso, mas sim como um PEDIDO DE REVISÃO de ato administrativo. [...] Desta feita, cabe à Fazenda Pública, preliminarmente, analisar o pedido de revisão do ato, verificando se a obrigação tributária verdadeiramente existiu, para, num segundo momento, tratar do mérito da obrigação tributária em si, sob pena de estar o Fisco vir a se apropriar de algo que não lhe pertence, com um enriquecimento indevido, sem causa, e violação ao princípio da legalidade. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CÓPIAS DOS AUTOS Como já explanado na manifestação de inconformidade, o despacho decisório de indeferimento da homologação, tudo foi processado nos autos administrativos que correm sob o n° 15374914586/200967. Todavia, para ter ampla ciência dos motivos do indeferimento não homologação, o contribuinte se viu obrigado a solicitar cópia de inteiro teor do indigitado processo, até porque o mesmo inexplicavelmente não se encontrava disponível para vista na unidade de jurisdição do contribuinte, fato esse que prejudica por completo a sua defesa, uma vez que não tem como analisar, a luz dos autos do processo administrativo em comento e dos fundamentos do despacho decisório, onde e quando os seus créditos foram utilizados, ex vi a decisão, [...]. Frisese que o contribuinte em 10/11/2005, remeteu a PER/DCOMP sob o protocolo de n° 0718692083 e número de declaração 07186.92083.101105.1.3.04 0000, a qual sequer e citada no despacho decisório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 119 4 Resta indicar que esse PER/DECOMP utilizava os créditos do DARF citado na decisão em questão, sendo que o mesmo teve ser retificada em virtude de erro na indicação do PIS por compensar, vez que esse foi informado sob o código de receita de n° 8109 PASEP, o deu origem ao PER/DCOMP julgado. Para deslinde da questão posta a julgamento, entendemos ser oportuna a transcrição dos dispositivos legais abaixo indicados, pois com base nesses dispositivos e nas reiteradas e pacíficas decisões desse Prestigiado Colegiado Julgador, é que o Contribuinte pretende que as exigências fiscais em comento sejam afastadas, pois tributo só pode ser cobrado e exigido quando o evento fático se subsumir integralmente à hipótese abstrata esculpida na lei PRINCÍPIO DA LEGALIDADE e da VERDADE MATERIAL. [...] Com amparo nos dispositivos legais e constitucionais elencados é que manejamos o presente RECUSO VOLUNTÁRIO em face das indevidas exigências formalizadas no lacônico despacho decisório, que de conta do indevido indeferimento das compensações feitas pelo contribuinte, em face de seus ativos fiscais oriundos de recolhimento indevido, e da não apreciação do mérito da questão conforme exposto na preliminar supra destacada. Entendeu o fiscal, que a compensação era indevida por suposta agressão ao art. 170A do CTN, tendo em vista que houve o entendimento de que o crédito utilizado foi integralmente consumido para quitação do DARF SIMPLES liquidado em 12/03/01, no valor original de R$ 36.106,81. Ocorre que o pagamento foi indevido, tendo em vista que a Contribuinte nunca poderia ter sido inscrita no SIMPLES FEDERAL, uma vez que tinha e ainda tem atividade de cambio autorizado pelo Banco Central do Brasil. Quando constatou o erro no recolhimento e demais procedimentos fiscais, o contribuinte os retificou e logrou solicitar a compensação dos valores que havia pago indevidamente a título de SIMPLES, afim de compensálos com o era efetivamente devido a titulo de PIS. COFINS, IR e CSLL. É um poderdever da Autoridade Julgadora, mormente aquelas que estão vinculadas a mantença e homologação de vultuosas e indevidas exigências fiscais impostas a administrado, preservar os seus Direitos (DO ADMINISTRADO), para que o Erário não enriqueça ilicitamente. Nosso ordenamento jurídico tributário, como é de conhecimento de todos, determina que o fato econômico ou jurídico, para que gere reflexos no universo tributário, tem que atender ao critério da tipicidade cerrada a luz da definição contida na legislação de regência. [...] Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: Ex positis, requer o recorrente que o presente recurso seja regularmente processado, conhecido e provido por este Colendo Órgão Julgador, para, ab initio, ao final afastar do Contribuinte a exigência e os reflexos constantes na decisão alvejada e ser homologada a compensação realizada. Requerse, também, que todas as questões vertidas nesse recurso sejam expressamente julgadas e decididas fundamentadamente nos termos da legislação tributária em vigor e da Constituição Federal de 1988, a fim de estarse atendendo ao Fl. 119DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 120 5 Nobre Mister de V. Sas., fazendo valer o disposto nos princípios da estrita legalidade, moralidade administrativa e da verdade material na seara tributária. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo, conforme previsto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo (incisos LIV e LV do art. 5º da Constituição Federal). Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar ao órgão preparador no prazo de trinta dias como condição de procedibilidade de instauração da fase litigiosa do procedimento (art. 14, art. 15 e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre o não conhecimento da manifestação de inconformidade pela decisão primeira instância de julgamento, o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, determina: Art.56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] §2º Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem pode ser objeto de decisão, por não se subordinar ao processo administrativo fiscal (art. 14, art. 15 e art. 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cientificada em 02.04.2009, efls. 5456, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 11.05.2009, efls. 0223. Verificase que a Recorrente não suscita a tempestividade, como preliminar, na manifestação de inconformidade. Consta no Acórdão da 3ª Turma/DRJ/RJ1/RJ nº 1250.427, de 29.10.2012, e fls. 6368, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 121 6 9 Tratase do Despacho Decisório nº 825051345, referido em nosso item 1. 10 O Ato Declaratório Normativo (ADN) nº 15, de 12 de julho de 1996, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) desta Secretaria, dispõe que, quando a tempestividade é suscitada, a petição deverá ser dirigida ao órgão julgador. 11 A autoridade lançadora registrou a preliminar de tempestividade (fls.62). 12 Segundo a “Consulta Postagem” e o AR abaixo reproduzidos (fls. 55/56), a ciência do Despacho Decisório em tela, se deu em 02.04.2009. [...] 13 Segundo o AR acima, a ciência do Despacho Decisório se deu em 02.04.2009. 14 O interessado alega, no entanto, que a ciência do despacho decisório se deu em 09.04.2009. 15 Tal alegação, por contrária à prova nos autos, não pode ser considerada. 16 Observese que o endereço constante do AR acima é o mesmo que figura na petição do interessado (fls.2), de sorte que não há qualquer dúvida acerca da regularidade da intimação via postal em tela. 17 O art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (ao qual a Manifestação de Inconformidade se submete, por força do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996), dispõe que é de 30 (trinta) dias da intimação o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, [...]: 18 Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 02.04.2009, o interessado teve, então, prazo até o dia 04.05.2009, para apresentar Manifestação de Inconformidade: [...] 19 No entanto, a petição do interessado, datada de 09.05.2009, foi recebida em 11.05.2009 (fls.2), sendo, portanto, intempestiva, tal como já registrara a autoridade lançadora (fls.62). 20 Na forma do mencionado ADN, a petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação/manifestação de inconformidade, senão vejamos, verbis: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art.151, inciso III do Código Tributário Nacional Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1.º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (sublinhas nossas) 21 Desse modo, a preliminar de tempestividade não pode ser acolhida, devendo ter prosseguimento a cobrança do débito cuja compensação não foi homologada, ressalvado o poderdever da autoridade lançadora de, assim entendendo, efetuar a revisão de ofício correspondente. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 15374.914586/200967 Acórdão n.º 1003000.604 S1C0T3 Fl. 122 7 Sobre o não conhecimento da manifestação de inconformidade pela decisão primeira instância de julgamento, o art. 16 e o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, bem como o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determinam que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na peça de defesa. A preclusão é impedimento de se usar determinada faculdade processual pela sua não utilização na ordem legal, ou seja, é a perda do direito de manifestarse, isto é, a perda da capacidade de praticar os atos processuais por não têlos feito na oportunidade devida ou na forma prevista. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o segundo grau de recurso tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo fiscal (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Ademais, a revisão de ofício cabe a autoridade administrativa, nos termos do caput do art. 149 do Código Tributário Nacional, do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017 e Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720134/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.909
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que entendia pela desnecessidade da diligência. Os Conselheiros Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra acompanharam a diligência sem a indicação da cooperação sugerida no item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento, relativo a crédito de contribuição não cumulativa. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 20 13 4/ 20 10 -0 2 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 3 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização admitiu apenas parte dos créditos vindicados pela recorrente. 4. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade em que, após discorrer acerca da metodologia que entende pertinente para o creditamento de PIS e COFINS, refutou as glosas perpetradas pela fiscalização. 5. Uma vez processada, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ de Ribeirão Preto. 6. Diante de tal situação, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em análise, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de manifestação de inconformidade. 7. Não obstante, em janeiro de 2019, a recorrente apresentou a petição em que requisitou o julgamento do processo em epígrafe com outros vários processos do mesmo contribuinte e que deveriam ser aqui reunidos em razão de uma conexão. 8. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.890, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11080.001078/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessário o encaminhamento do item "iv" da diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402001.890): "I. Preliminarmente: da reunião dos processos indicados pelo contribuinte 9. Conforme já destacado alhures, o contribuinte pede a reunião de vários processos com o aqui tratado para que sejam julgados conjuntamente, o que faz ao fundamento da conexão entre tais casos. Os processos que o contribuinte pretende ver julgados em conjunto são os seguintes: Fl. 664DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 4 3 10. Importante destacar que os processos acima listados já se encontram para julgamento desta Turma julgadora, por intermédio do mecanismo da repetitividade, capitulado no art. 47, § 1º do RICARF. Para ser mais preciso, foram formados 03 (três) lotes de paradigmas, tendo como recursos paradigmas o presente processo, bem como os autos n. 11080.720182/201173 e 11080.906181/201386. Este último processo está sob relatoria da I. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, enquanto que os demais estão sob a minha relatoria. 11. Não obstante, conforme se observa da petição do contribuinte (fls. 890/893), o objetivo primordial com esta reunião seria o de evitar decisões materialmente contraditórias para casos análogos, de modo a garantir uma unicidade de tratamento e, por conseguinte, uma segurança jurídica de índole material. 12. Nesse sentido, é possível afirmar que, como os 03 lotes de processo estão sujeitos ao julgamento da mesmíssima Turma julgadora, a pretensão do contribuinte, ainda que por uma via transversa, foi atingida, motivo pelo qual é desnecessária a reunião de tais processos paradigmáticos em face de um único Relator. II. Da conversão do presente julgamento em diligência 13. Conforme se observa dos autos, a questão não é nova neste Tribunal. Tratase de infindável discussão de creditamento de PIS e COFINS e do conceito legal de insumo. Durante muito tempo esta questão foi indevidamente discutida em um altiplano normativo, na medida em que a autoridade fiscal pautava suas manifestações com base no disposto na Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004. Em suma, a autoridade fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem, aplicando, pois, conceito de insumo similar àquele desenvolvido no Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. 14. Acontece que o conceito de insumo admitido por este Tribunal denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica Fl. 665DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 5 4 como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Neste mesmo diapasão foi o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em recente julgado de caráter vinculante (REsp n. 1.221.170, julgado sob o rito de recursos repetitivos), cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 6 5 15. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. 16. Diante deste quadro, é prudente que os processos administrativos envolvendo créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins sejam analisados casuisticamente, considerando cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo (critério de pertinência), para então definir a possibilidade de aproveitamento ou não do crédito pretendido. 17. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora para que intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás (fls. 136/212); (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. 18. Ato contínuo, deverá a fiscalização (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. 19. Ao efetuar estas constatações, solicito que a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 7 6 20. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. 21. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal, (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF1, para que cooperem2 com a atividade judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. 22. Concluída a diligência, (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 23. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal, (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. 1 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 2 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 668DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora intime o contribuinte a esclarecer o que segue, inclusive com a apresentação de laudo técnico a provar suas assertivas: (i) precisar a participação dos seguintes itens glosados e que foram objeto de recurso voluntário e que se entendeu não restar enquadrado no conceito de insumo para fins do processo produtivo da empresa: (a) combustíveis, lubrificantes e gás; (b) materiais auxiliares de consumo; (c) uniformes, inclusive precisando a sua submissão a eventuais exigências trabalhistas ou sanitárias; e, por fim, (d) controle de pragas. Ato contínuo, deverá a fiscalização: (ii) efetuar descritivo minucioso do referido processo produtivo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, a autoridade preparadora (e exclusivamente ela) deverá: (iii) elabore um parecer conclusivo que possibilite identificar cada dispêndio elencado, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. O referido parecer deverá também ser elaborado na forma de uma planilha que segregue os bens considerados pela recorrente sob os seguintes critérios: (a) pertinência ou não ao processo produtivo da empresa; (b) vida útil estimada (consumo imediato, menos de um ano, mais de um ano); (c) contato direto com o produto em fabricação; (d) agregação ao produto final. Por fim, antes ainda da devolução deste processo para este Tribunal: (iv) sugerese que o contribuinte e a Procuradoria da Fazenda Nacional promovam uma reunião, a luz do precedente repetitivo do STJ (REsp n. 1.221.170), e do laudo técnico que será preparado e apresentado à unidade de origem e, ainda, em razão da Nota explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF3, para que cooperem4 com a atividade 3 "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2" 4 Nos termos do que dispõe o art. 6o do CPC, "in verbis": "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva." Fl. 669DF CARF MF Processo nº 11080.720134/201002 Resolução nº 3402001.909 S3C4T2 Fl. 9 8 judicativa atipicamente exercida por este Tribunal indicando, por conseguinte, quais glosas que as partes entendem como adequadas ao conceito de insumo vinculado pelo STJ e quais entendem como devidas em razão de uma extrapolação deste conceito. Concluída a diligência: (v) o recorrente deverá ser intimado para que facultativamente apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. Não obstante, independentemente da efetividade da reunião aqui mencionada e antes do retorno dos autos para este Tribunal: (vi) a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada a se manifestar a respeito da diligência perpetrada, bem como dos laudos acostados nos autos, isso em relação a eventuais glosas que permanecerão em discussão. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.924263/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 09/02/2004
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS.
Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos.
Numero da decisão: 3201-005.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS. Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 42 63 /2 01 0- 81 Fl. 183DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1275.593, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 07168.51662.131006.1.3.04 5793, em 13/10/2006 de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 09/02/2004, a título de Cofins com débito do mesmo tributo relativo a setembro de 2003, no valor original de R$ 579.696,44. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 08, não reconheceu o direito creditório pleiteado, em virtude da não localização do pagamento informado nos sistemas de controle da RFB e em conseqüência, não homologou a compensação declarada. Cientificada do despacho e da cobrança dos débitos declarados na DComp, a interessada inconformada apresentou a manifestação de inconformidade de fl(s). 13 a 25, alegando que: Observase, às fls. 02 da DCOMP, que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento em nome de empresa incorporada (sucedida) (Indústrias Klabin S.A. —CNPJ 59.368.100.000118). No Anexo 5 a MANIFESTANTE junta o Documento de Arrecadação de Receitas Federais ("DARFs"), no qual, inclusive, consta a informação de que o valor pago pela MANIFESTANTE se refere a divida de empresa sucedida'. (...) foi verificada a ocorrência de pagamento a maior, decorrente da inclusão indevida de receitas financeiras no cálculo anterior, receitas essas não compreendidas no conceito de faturamento da Lei Complementar 70/91, ocasião em que foi efetuada a retificação da DCTF, na qual constou o valor correto do débito de COFINS, referente ao período de janeiro de 2002, no valor de R$ 3.938.199,56 (Anexo 7). (...) a Recorrente não sabe qual seria, na realidade, a acusação que implicou no indeferimento do direito creditório e, consequentemente, na não homologação da compensação declarada. (...) apenas supõe que o direito credit6rio tenha sido negado em virtude de a SRFB não ter localizado em seus arquivos a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.924263/201081 Acórdão n.º 3201005.219 S3C2T1 Fl. 184 3 Entretanto, Ilustres Julgadores, não se pode aceitar que a MANIFESTANTE seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n°. 70.235/72 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade, in verbis: (...) Não obstante o Despacho Decisório seja singelo e obscuro, a MANIFESTANTE não se furtará a apresentar considerações sobre o mérito do assunto, pois fez um esforço hercúleo para elocubrar as possíveis razões para o indeferimento e apenas a hipótese de não processamento da declaração retificadora seria a razão escusável para a infeliz não homologação da compensação. Por fim, caso algum elemento fulcral não seja atacado em função da insuficiência de compreensão do canhestro Despacho Decisório, que seja conhecido o pedido de cerceamento do direito de defesa e declarado nulo o ato administrativo para que a SRFB, em entendendo cabível, profira outro ato compreensível. É o relatório. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 09/02/2004 COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à DRJ analisar originariamente pedido de restituição/ressarcimento e compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Fl. 185DF CARF MF 4 Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de não ter sido identificado no sistema o DARF indicado como crédito. Em sua defesa, o contribuinte alega que o DARF em questão (doc. 5 da Manifestação de Inconformidade) é relativo ao pagamento a maior realizado em 09/02/2004 relativo à COFINS apurada em janeiro de 2002. Esclarece que o fato gerador em questão (janeiro de 2002) foi praticado por empresa sucedida. Informa a Recorrente que o valor a maior decorreu do fato de que a empresa, ao apurar a base de cálculo da COFINS, incluiu indevidamente receitas financeiras, sendo que possuía ação judicial transitada em julgado assegurando o direito à sua exclusão. Apresenta memória de cálculo da apuração no período referido. Pois bem. Ao examinar os argumentos do contribuinte, entendeu a DRJ que o DARF informado no PER/DComp não existe e que tal conclusão não demanda qualquer esforço por parte do contribuinte, concluindo, textualmente: No PERDCOMP (folha 50), a interessada declarou que o suposto pagamento indevido ou a maior foi efetuado por meio de DARF preenchido com o CNPJ nº 59.368.100/000118. No DARF, por sua vez, foi informado o CNPJ nº 89.637.490/0001 15. A divergência entre os números de cadastro levou, por óbvio, a não localização do pagamento. Muito embora a DRJ tenha claramente identificado o erro cometido pelo contribuinte, recusouse à acatar a sua correção alegando: Ao informar que o crédito utilizado não é aquele indicado na declaração de compensação, mas outro até então não noticiado à administração, o que pretende, na verdade, a interessada é uma nova compensação, ainda não submetida à análise da autoridade competente na Unidade de origem. Com base nesta conclusão, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Feitos tais apontamentos, reputo essencial acentuar os seguintes fatos por mim extraídos dos documentos acostados aos autos: (a) Em 06/10/200506 foi transmitida DCTF pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de COFINS no valor de R$4.281.199,86. Para a extinção desse débito foram vinculados 3 (três) DARFs, dentre eles o DARF no valor principal de R$257.183,62, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 2172 (fls. 56 e seguintes) Além dos DARFs, constam valores suspensos por decisão judicial. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.924263/201081 Acórdão n.º 3201005.219 S3C2T1 Fl. 185 5 (b) Em 24/05/2006 foi transmitida DCTF retificadora pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de COFINS no valor de R$3.938.199,56. Para a extinção desse débito foi vinculado um único DARF no valor principal de R$2.622.380,48, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 2172 (fls. 60 e seguintes) Além do DARF constam valores suspensos por decisão judicial. (c) Em 13/10/2006, portanto, posteriormente à retificação da DCTF, foi transmitido o PER/DCOMP objeto do presente processo administrativo, pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), informando que o crédito utilizado corresponde justamente ao DARF no valor principal de R$257.183,62, CNPJ 59.368.100/000118, código de receita 2172 que fora desvinculado do débito apurado em janeiro de 2002 por meio da DCTF retificadora. (fls. 2 e seguintes) (d) O Despacho Decisório eletrônico ora questionado, conforme (fls. 7 e seguintes) tem como única descrição dos fatos: O DARF indicado abaixo, não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do DARE objeto do crédito. No caso de REDARF, as informag8es devem ser as constantes da retificação. A data de arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: (e) O DARF em exame foi juntado à fl. 54 do eprocesso: Fl. 187DF CARF MF 6 A exposição detalhada dos fatos se fez necessária para que se pudesse ultrapassar tanto as alegações apresentadas pelo Contribuinte, como pela DRJ. A conclusão é bastante simples: A causa de não homologação do PER/DCOMP é única e exclusivamente o fato de o DARF indicado não ter sido localizado no sistema da Receita Federal. Esse fato foi claramente percebido pela DRJ que, ainda assim, se recusou a acatar qualquer retificação ao argumento de que o contribuinte estaria pretendendo uma nova compensação. A Contribuinte comprovou a existência do DARF quando juntou sua cópia à Impugnação. Ocorre que o CNPJ informado no DARF (CNPJ 89.637.490/000145) é diferente do CNPJ que constou no PER/DCOMP (CNPJ 59.368.100/000118). Então, obviamente, o sistema jamais identificaria um DARF com os parâmetros equivocadamente informados pelo contribuinte em seu PER/DCOMP. Igualmente simples é a resolução do impasse: uma vez apresentado o DARF, bastaria uma conferência visual para se constatar o equívoco. E mais, a Recorrente justificou que se tratam de CNPJs de empresas sucedida e sucessora, o que foi confirmado pela DRJ. Uma vez constatado o equívoco e localizado o DARF correto, bastaria a busca pelo sistema da Receita Federal se este DARF está ou não integralmente vinculado à qualquer débito declarado pelo contribuinte. Nesse momento, se identificam as informações constantes da DCTF retificadora, transmitida muito antes do PER/DCOMP, quando se constata que, de fato, o DARF informado não se encontra lá comprometido, embora estivesse na DCTF original. De fato, cabe à Fiscalização averiguar a legitimidade da retificação da DCTF, podendo solicitar esclarecimentos e documentos que comprovem a base de cálculo declarada. Contudo, isso sequer foi feito pela DRJ. Com a devida vênia, entendo que, na hipótese dos autos, seja em sede de manifestação de inconformidade / recurso voluntário, quanto no acórdão proferido pela DRJ, tergiversase acerca de diversas questões tangenciais quando a controvérsia é exclusivamente formal: um erro de preenchimento de informação no PER/DCOMP facilmente compreendido a partir dos documentos anexados à Manifestação de Inconformidade. Nesse ponto, acrescento que, embora não padeça de nulidade, o Despacho Decisório eletrônico deve merecer análise diferenciada por parte da DRJ quando do exame da Manifestação de Inconformidade e dos documentos anexados. Nesse procedimento, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios do seu direito é, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, ou, ainda, limitarse à análise do direito, sem exame da documentação apresentada, não me parece Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10880.924263/201081 Acórdão n.º 3201005.219 S3C2T1 Fl. 186 7 razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal e da própria vinculação do ato administrativo de lançamento tributário. Ademais, a legislação processual autoriza a realização de diligência por solicitação do próprio julgador. Ainda que a documentação trazida pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade pudesse ser tida por insuficiente pra se esgotar a instrução probatória, deve ser entendida, quando menos, como indício robusto de prova do seu direito. Assim, poderia a DRJ determinar a realização de diligência fiscal inclusive para que seja intimado o contribuinte para apresentar quaisquer outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito da controvérsia. Não se pode perder de vista, ainda, o dever de colaboração que deve instruir Fisco e Contribuinte na verificação do crédito tributário, sempre pautandose na boa fé e na legalidade. A higidez do lançamento tributário deve ser buscado na condição de interesse social maior por todos os envolvidos na atividade administrativa de lançamento e revisão do crédito tributário. Por fim, encerro a argumentação trazendo à lume o Parecer Cosit 2/2015, que orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 291 combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, e 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 189DF CARF MF 8 examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003613/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
Os mútuos devem estar lastreados por documentação hábil e idônea representativa das operações realizadas.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. EFETIVO RECEBIMENTO.
Restando comprovado o efetivo recebimento do numerário pelo contribuinte por meio de doações, imperioso incluir-se tais importâncias como origem, para fins de analise da evolução patrimonial.
Numero da decisão: 2401-006.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como origem de recursos o valor de R$ 24.013,00 como doação feita pela sua filha Patrícia Almeida Lopes Lourenço nas competências indicadas na tabela 1 do voto. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para também incluir como origem de recursos o valor de R$ 40.000,00 proveniente de mútuo com a Sra. Hilda Aparecida Lopes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro- Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Os mútuos devem estar lastreados por documentação hábil e idônea representativa das operações realizadas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. EFETIVO RECEBIMENTO. Restando comprovado o efetivo recebimento do numerário pelo contribuinte por meio de doações, imperioso incluir-se tais importâncias como origem, para fins de analise da evolução patrimonial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como origem de recursos o valor de R$ 24.013,00 como doação feita pela sua filha Patrícia Almeida Lopes Lourenço nas competências indicadas na tabela 1 do voto. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para também incluir como origem de recursos o valor de R$ 40.000,00 proveniente de mútuo com a Sra. Hilda Aparecida Lopes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. (Assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro- Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2046; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 445 1 444 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003613/200710 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401006.169 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2019 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente MARIA HELENA ALMEIDA LOPES LOURENÇO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributamse como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OPERAÇÕES DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Os mútuos devem estar lastreados por documentação hábil e idônea representativa das operações realizadas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÕES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. EFETIVO RECEBIMENTO. Restando comprovado o efetivo recebimento do numerário pelo contribuinte por meio de doações, imperioso incluirse tais importâncias como origem, para fins de analise da evolução patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer como origem de recursos o valor de R$ 24.013,00 como doação feita pela sua filha Patrícia Almeida Lopes Lourenço nas competências indicadas na tabela 1 do voto. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Rayd Santana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 13 /2 00 7- 10 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 446 2 Ferreira, que davam provimento parcial em maior extensão para também incluir como origem de recursos o valor de R$ 40.000,00 proveniente de mútuo com a Sra. Hilda Aparecida Lopes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II – SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 1726.025 (fls. 346/382): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DOAÇÕES. Comprovado o ingresso de numerário no patrimônio da contribuinte decorrente de doações, há que se incluir tais importâncias como origem, para fins de analise da evolução patrimonial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 447 3 É indispensável para a aceitação do empréstimo, a comprovação de sua contratação e da efetiva transferência do numerário emprestado, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em data e valor. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. Comprovado nos autos que a venda do imóvel de propriedade da contribuinte ocorreu em 2003 e não em 2002, não se pode considerar o produto dessa alienação como recurso, para fins de apuração do acréscimo patrimonial, no ano de 2002. MULTA QUALIFICADA. A simples apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Lançamento Procedente em Parte O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 200/206), lavrado contra a Contribuinte em 30/11/2007, relativo ao exercício 2003, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 66.209,45, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 99.314,17 e Juros de Mora, calculados até 10/2007, no valor de R$ 46.419,44, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 211.943,06. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 178/194): 1. Em 29/09/2006, encaminhou, a fiscalização, à contribuinte em referência, por via postal, ao endereço cadastrado neste órgão, o Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização n° 08.1.13.002006 002854 e Termo de Inicio de Fiscalização, pelo qual foi intimada a apresentar: a. planilha com a informação dos saldos, do último dia de cada mês do ano de 2002, das contas correntes mantidas nos Bancos Itaú, S/A e Bradesco S/A; b. os extratos bancários corroboradores das informações do item 1; c. documentos comprobatórios dos "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" informados na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2002, no montante de R$ 89.734,00; d. instrumento de compra e venda relativo à aquisição, de Baucis Participações Ltda., do apartamento n° 63 situado na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, n° 577, e documentos comprobatórios dos valores pagos na operação; Fl. 447DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 448 4 e. instrumentos públicos de compra e venda relativos à aquisição e alienação do imóvel situado na Rua Senador Alberto Pasqualini, n° 14 — Parque São Domingos, São Paulo; f. documentos comprobatórios do efetivo recebimento do valor R$ 40.000,00, referente à empréstimo obtido de Hilda Aparecida Lopes Pereira; 2. Em 27/10/2006, compareceu o Sr. Carlos Eduardo dos Santos, representante da fiscalizada, para apresentar os documentos relacionados, atendendo parcialmente ao requisitado por meio do Termo de Início de Fiscalização; 3. No transcorrer da ação fiscal foram lavrados 02 (dois) Termos de Intimação Fiscal, por meio dos quais foram reiteradas as solicitações ainda não atendidas, formuladas por meio do Termo de Início de Fiscalização, e requisitados esclarecimentos e documentos complementares; 4. No tocante à aquisição do apartamento n° 63 situado na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, no 577, de Baucis Participações Ltda houve divergência entre o valor declarado pela fiscalizada e o apurado através dos comprovantes e recibos apresentados; 5. Em relação à aquisição e alienação do imóvel situado à Rua Alberto Pasqualini, n° 14 — Parque São Domingos/São Paulo foram constatadas divergências entre os dados relativos ao nome do adquirente, valor da alienação, e data de alienação constantes da Declaração de Ajuste Anual Simplificada apresentada pela fiscalizada e aqueles constantes da Escritura de Venda e Compra, tendo sido solicitada à contribuinte, por Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 06/02/2007, a apresentação das necessárias justificativas; 6. Considerou assim a fiscalização que as informações oferecidas na Declaração de Bens do ano calendário de 2002, relativas à operação de venda do imóvel, tiveram a finalidade única de, mediante a apropriação do recurso que dela decorreria, acobertar o acréscimo patrimonial representado pela aquisição do apartamento n°63 da Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto n° 577; 7. Relativos à comprovação do efetivo recebimento do valor de R$40.000,00, referente a empréstimo obtido de Hilda Aparecida Lopes Pereira, CPF n°096.41.49895, no ano calendário de 2002 desconsidera a fiscalização, a operação, por absoluta falta de comprovação da efetiva transferência dos recursos, tanto no recebimento do empréstimo como na sua quitação; 8. Relativamente aos documentos comprobatórios dos "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis" informados na Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 2002, no montante de R$ 89.734,00 não obstante o longo período de tempo decorrido, qualquer documento Fl. 448DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 449 5 comprobatório dos rendimentos isentos e não tributáveis declarados foi fornecido, desconsidera a fiscalização, para fins da análise da variação patrimonial, o valor de R$ 89.734,00, registrado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada. A Contribuinte foi cientificada do Auto de Infração em 13/12/2007 (AR fl. 212) e, em 10/01/2008, apresentou sua Impugnação de fls. 224/256, instruída com os documentos de fls. 258 à 340. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1726.025, em 25/06/2008 a 3ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação apresentada. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio (AR fl. 387), em 23/07/2009 e, inconformada com a decisão prolatada, em 11/08/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 398/409, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Na apuração da suposta variação patrimonial a descoberto foram desprezados R$ 269.663,00 (duzentos e sessenta e nove mil, seiscentos e sessenta e três reais); 2. Caso tivessem sido consideradas as origens mencionadas (e devidamente provadas na impugnação administrativa), a Recorrente ainda teria sobra de recursos e não acréscimo patrimonial a descoberto; 3. Foi comprovada a alienação do imóvel para o Sr. João Florêncio de Souza Almeida (CPF 108.279.19891), em outubro de 2.002, em razão da juntada do contrato particular de promessa de compra e venda de imóvel; 4. A informação constante da DIPFR da Recorrente, acrescida do contrato particular de promessa de Compra e venda, é suficiente, para atestar a venda do imóvel. Consequentemente, fazse mister admitir como origem o montante de R$ 140.000,00, relativo ao preço recebido pela Recorrente em 2.002; 5. Os artigos 586 até 592 do Código Civil não exigem qualquer formalidade para a celebração de Mútuo. Há diversos documentos/informações que se complementam, comprovando, assim, a efetividade do empréstimo.; 6. Para que não restem dúvidas quanto à efetiva transferência dos valores remanescente (de R$ 24.013,00), afim de totalizar o montante doado à Recorrente (R$ 37.263,00), acosta aos autos cópia dos extratos bancários referentes as contas poupanças 404959/500 e 006273/500, de titularidade da doadora Sra. Patrícia Almeida Lopes Lourenço; Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 450 6 7. Quanto ao montante de R$ 14.800,00 foi efetivamente doado à Recorrente, por meio de numerário em espécie. Convém informar, que o doador reside nos Estados Unidos da América há mais de 40 anos, sendo que, em visita ao Brasil, realizada à época, foi feita a doação para a Recorrente. Ademais, dada a proximidade das pessoas envolvidas (doação entre irmãos), não foi realizado qualquer ato formal para amparar a doação, o que não causa/justificativa para sua desconsideração. Finaliza seu RV requerendo o provimento do recurso voluntário, reformando se a decisão proferida pela DRJ nos tópicos combatidos, para os fins de cancelar integralmente o auto de infração e a imposição de multa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto A contribuinte fora notificada, por meio de Termo de Início de Fiscalização acerca da existência de fiscalização, bem como para apresentar os documentos relativos às comprovações e esclarecimentos acerca de supostas inconsistências existentes em sua DIRPF. Ao final do procedimento investigatório entendeu a fiscalização pela ocorrência de omissão de rendimentos tendo em vista acréscimo patrimonial a descoberto com a imputação de multa qualificada de 150%. O acréscimo patrimonial a descoberto apontado se deu em razão de haver o agente fiscal desconsiderado: (a) a alienação realizada pela contribuinte no montante de R$ 140.000,00; (b) doações recebidas de sua filha do longo do anocalendário 2002, no valor de R$ 37.263,00; (c) doação recebida de sua sogra, no valor de R$ 37.600,00; (d) doação recebida de seu irmão no valor de R$ 14.800,00 e (e) empréstimo realizado no montante de R$ 40.000,00. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 451 7 Ocorreu que por ocasião do julgamento da impugnação apresentada, a DRJ entendeu por considerar improcedente parte do lançamento, acolhendo o valor recebido como doação da sra. Franca Lúcia e parte do numerário declarado como doação recebida da sra. Patrícia Almeida, bem como revertendo a multa qualificada de 150% para seu valor normal de 75%. Desta feita, não foram aceitas pela DRJ as argumentações relativas ao valor decorrente da alienação do imóvel, da operação de mútuo realizada com a sra. Hilda Aparecida, a doação realizada pelo sr. Carlos Alberto e parte da doação recebida da sra. Patrícia Almeida, tendo todos os pontos sido objetos do Recurso Voluntário que agora se passa a analisar. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 452 8 § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Em se tratando de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 453 9 No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, submetido à ciência da contribuinte (fls. 170 a 176). Sendo assim, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, é da Recorrente a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. Traçadas as observações de cunho geral há que ser analisado em separado cada um dos argumentos trazidos pela Recorrente. Do imóvel alienado Segundo a Recorrente não fora considerado pela fiscalização para fins de elaboração do Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial o valor de R$140.000,00 referente à alienação do imóvel situado à Rua Senador Alberto Pasqualini, n° 14, posto que referida venda fora declarada em sua DIRPF/2003. No tocante ao referido imóvel aduz a contribuinte que em outubro de 2002 procedeu à alienação do mesmo ao sr. João Florêncio De Souza Almeida, o que comprovaria mediante o Contrato Particular de Promessa e Venda (fls. 278 a 280). Entretanto, esclarece que residia naquele imóvel e que havia adquirido novo imóvel, ao qual mudarseia. Ocorreu que não foi possível desocupar o imóvel alienado em virtude da necessidade de realizar reformas na nova propriedade. Procedeuse então ao distrato da venda dita realizada ao sr. João Florêncio. Alega então, que por conta disso, o imóvel retornou, no ano de 2003, ao seu patrimônio, sendo posteriormente novamente alienado, desta vez ao sr. Hélio Aparecido Alves, na data de 23 de junho de 2003, conforme novo Contrato de Promessa de Compra e Venda e Escritura de Venda e Compra (fls. 282 a 295). Analisandose assim os documentos apresentados, constatase que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar sua alegação de que no ano de 2002 percebeu os R$140.000,00. Isto se diz porque não trouxe aos autos qualquer comprovante do recebimento dos valores, extratos bancários que comprovem sua veracidade ou mesmo qualquer documentação que demonstre que de fato existiu o distrato ou a devolução dos valores. Dissociado de outros elementos probatórios o Contrato Particular não é suficiente para fazer prova da alienação de um bem imóvel, posto que para gozar de eficácia perante terceiros há necessidade de registro público, o que ocorreu somente no ano de 2003. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito a Recorrente em fazer prova do contrário há que ser mantida, no tocante aos valores de alienação do imóvel, a autuação, não sendo possível admitir como origem o montante de R$ 140.000,00. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 454 10 Do contrato de mútuo firmado com a Sra. Hilda Aparecida Lopes Seguindo, alega a Recorrente que agiu de forma equivocada a DRJ ao não considerar o montante do valor de R$40.000,00 que lhe fora entregue à título de mútuo firmado com a Sra. Hilda Aparecida Lopes. Na tentativa de justificar o alegado atesta que referida operação fora informada nas declarações tanto da mutuaria quanto da mutuante e que referida escrituração seria suficiente para comprovar a efetiva ocorrência da transação, posto que, por tratarse de relação de confiança existente entre as partes não foram adotadas maiores formalidades. De fato, é sabido inexistir em nossa legislação formalidade essencial para a celebração do contrato de mútuo. Não há, inclusive, fundamentação legal para exigirse que qualquer empréstimo seja feito exclusivamente por meio de cheque ou dinheiro depositado em conta corrente. Devese reconhecer, em especial, o fato das partes coabitarem, sendo razoável entenderse a desnecessidade de realização de depósito do valor. Ademais existem vários documentos e informações que se complementam, comprovando, assim, a efetividade do empréstimo, sendo eles: a apresentação tempestiva das declarações da mutuante e mutuaria, constando em ambas a referida operação (fls. 16 a 22), o recibo emitido (fls. 42), bem como reconhecimento pelo próprio Fisco da capacidade econômica da sra. Hilda para realizar a operação e da regular declaração nos seguintes termos: “De fato, tanto a capacidade financeira do credor para a concessão do empréstimo, quanto a regular indicação nas declarações de rendimentos do mutuante e mutuário, foram objeto das verificações iniciais da fiscalização, tendo sido confirmadas.” (fls. 188). Desta feita, comprovada pela Recorrente a existência do mútuo, há que ser incluído no Demonstrativo Mensal de evolução patrimonial o montante de R$40.000,00 à título de origem de recursos em 04/11/2002, concernente ao empréstimo realizado com .a Sra. Hilda Aparecida Lopes. Das doações recebidas da Sra. Patrícia Almeida Lopes Lourenço e Sr. Carlos Alberto de Souza Almeida No tocante às doações recebidas pela Recorrente da sra. Patrícia Almeida Lopes Lourenço, sua filha, entendeu a DRJ por acatar parcialmente o valor informado no importe de R$ 13.250,00, isto porque os extratos bancários capazes de comprovar a origem das doações encontravamse incompletos, estando ausentes os das contas poupanças de números 404959/500 e 006273/500. Entretanto, em sede de Recurso Voluntário a contribuinte fez juntar os referidos extratos, conforme se verifica dos documentos acostados às fls. 413 a 439, neles constando as transferências para as contas de titularidade da Recorrente (Banco Itaú Agencia 0466, conta 556734 e Agência 0466, conta 247806 dois depósitos), comprovando, portanto, o recebimento da doação em sua integralidade. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 455 11 TABELA 1: Valores comprovados: Valores já considerados pela DRJ Já no que toca à suposta doação recebida do sr. Carlos Alberto de Souza Almeida, seu irmão, no valor de R$14.800,00, apesar de haver sido diversas vezes instada a apresentar qualquer documento comprobatório do recebimento do dito numerário a Recorrente em momento algum o fez. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 456 12 Limitouse a argumentar em sua impugnação e repetir em seu Recurso Voluntário que a doação foi realizada por meio de numerário em espécie, não havendo qualquer instrumento capaz de atestar a veracidade, alegando ainda que o doador reside nos Estados Unidos da América há mais de 40 anos e que por ocasião de sua passagem pelo Brasil realizou a doação. Argumenta ainda que por tratarse de uma operação realizada entre irmãos não foi realizado qualquer ato formal para tal. Percebese, portanto, que baseiase a Recorrente em meras alegativa, neste ponto não trazendo qualquer tipo de documento ou sequer indício de comprovação do efetivo recebimento do numerário para ilidir a presunção sobre a qual fundase a autuação fiscal, não sendo, pois, possível acatar seu pleito no ponto em questão. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito a Recorrente em fazer prova do contrário há que ser mantida a autuação no que diz respeito à doação supostamente recebida do sr. Carlos Alberto. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para incluir como origem de recurso no mês de novembro o valor de R$40.000,00 proveniente de mútuo com a Sra. Hilda Aparecida Lopes; incluir como origem de recurso o valor de R$ 24.013,00, do período de 20/11/2001 a 9/12/2002, conforme tabela "valores comprovados" inserida no voto, as transferências comprovadas, originadas da contacorrente da filha, Patrícia Almeida Lopes Lourenço. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente. Não obstante o contrato de mútuo constar das declarações e de haver recibo, bem como de a Sra. Hilda possuir capacidade econômica, a falta de comprovação do recebimento do empréstimo e da quitação é fator determinante para sua desconsideração. A informalidade do negócio não exime a contribuinte de apresentar prova da efetividade da transação, não sendo razoável a transferência em moeda do importe de R$ 40.000,00. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.003613/200710 Acórdão n.º 2401006.169 S2C4T1 Fl. 457 13 Logo, entendo como não comprovado o efetivo recebimento do valor de R$ 40.000,00, referente ao alegado empréstimo obtido de Hilda Aparecida Lopes Pereira, CPF n°096.41.49895, no ano calendário de 2002, eis que persiste a falta de comprovação da efetiva transferência dos recursos, tanto no recebimento do empréstimo como na sua quitação. Isso posto, voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer como origem de recursos o valor de R$ 24.013,00 como doação feita pela filha Patrícia Almeida Lopes Lourenço nas competências indicadas na tabela 1 do voto da relatora. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 457DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904438/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/06/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 38 /2 00 8- 81 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.904438/200881 Acórdão n.º 2201004.859 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro de fato, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.904438/200881 Acórdão n.º 2201004.859 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904454/200874, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.849, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.849 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.904438/200881 Acórdão n.º 2201004.859 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904595/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente)
.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente) .
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LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 95 /2 00 9- 14 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.904595/200914 Acórdão n.º 1401003.236 S1C4T1 Fl. 3 2 . Relatório Trata o presente processo de PER/DComp por meio do qual o contribuinte pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos. A Delegacia da Receita Federal indeferiu o pedido e não homologou a compensação declarada em face de o DARF indicado pelo contribuinte ter sido inteiramente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual aduziu que, sendo um consultório de odontologia, enquadraseia na regra que prevê a tributação de serviços hospitalares, com percentual de presunção do IRPJ de 8% e da CSLL de 12%, ao invés do percentual de 32% dos serviços em geral. Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados com o percentual de 32%, efetivamente recolhidos, e o montantes devidos com a aplicação do percentual mais benéfico configurariam pagamento indevido ou a maior. Esta diferença é que estaria sendo pleiteada no PER/DComp sob análise. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto, para que o débito declarado, que não foi retificado pelo contribuinte, seja desconstituído é preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. Destacou a DRJ que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, mas que este não detalhou a composição da receita auferida no período e não trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios). Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.904595/200914 Acórdão n.º 1401003.236 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.220, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904582/2009 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.220): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, o contribuinte fez longa defesa da interpretação do artigo 23 da IN SRF nº 306/2003, vigente à época dos fatos, de forma a enquadrar sua atividade consultório de odontologia como serviço hospitalar. Com isso, defendeu o direito a apurar o lucro presumido conforme a alíquota mais benéfica e não a alíquota aplicável aos serviços em geral. Contudo, esta não é a questão posta. Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de Manifestação de Inconformidade fundamentaram suas decisões na inaplicabilidade do disposto no artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 ao contribuinte. A questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e na DIPJ e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.904595/200914 Acórdão n.º 1401003.236 S1C4T1 Fl. 5 4 No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que o contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que desenvolve atividades enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, toda a receita operacional auferida seja enquadrada nos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que o contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Daí a DRJ mencionar notas fiscais e relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa). Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido do contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.904595/200914 Acórdão n.º 1401003.236 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.904530/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARADO E NÃO RECOLHIDO.
A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados e não recolhidos pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.559
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARADO E NÃO RECOLHIDO. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados e não recolhidos pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 45 30 /2 00 9- 41 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Pedido de Compensação formulado para o aproveitamento de crédito de contribuição não cumulativa decorrente de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologado, conforme Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, oportunidade na qual anexou aos autos a DCTF retificadora transmitida após a prolação do despacho decisório, para indicar que o valor correto de COFINS devido no período. Acostou aos autos, ainda, o DACON retificador com o mesmo valor. A defesa interposta foi julgada improcedente pela DRJ, nos termos do Acórdão nº 05039.431. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, alegando "a existência líquida e certa do crédito". Traz a legislação tributária referente à compensação e sustenta adiante que o recolhimento a maior teria ocorrido por um lapso, por ter deixado de retificar as DCTFs da época, retificação realizada após o despacho decisório em conformidade com a Instrução Normativa n. 903/2008. Sustenta, ainda, a impossibilidade de cobrança de multa na compensação pela aplicação do instituto da denúncia espontânea. Pleiteia, ainda, a realização de novas diligências para confirmar a validade dos valores indicados no DACON e na DCTF retificadores. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 4 3 Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.556, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.904527/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.556): "O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Contudo, atentandose para o presente caso, observase que a Recorrente se preocupa em evidenciar, apenas, a retificação do DACON e da DCTF realizada após o recebimento do despacho decisório, sem buscar demonstrar a origem e validade do crédito pleiteado, sequer mencionando qual o erro cometido em sua apuração da COFINS de janeiro/2006. Primeiramente, essencial novamente1 firmar o contribuinte figura como titular da pretensão nas Declarações de ressarcimento e de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho. A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a 1 Como já consigando por esta Turma em outras oportunidade como, por exemplo, no Acórdão n.º 3402004.763, de 25/10/2017, de minha relatoria. 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 5 4 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Atentandose para o presente caso, observase que os únicos elementos de prova trazidos pelo Recorrente para respaldar seu crédito foram a DCTF e o DACON retificadores referentes à competência de janeiro/2006, que passaram a indicar o valor devido de COFINS de R$ 32.777,61. Uma vez que a empresa procedeu com o recolhimento em DARF do valor de R$ 35.500,58, haveria exatamente a diferença de R$ 2.722,97, pleiteada no pedido de compensação. Contudo, observase que a Recorrente não anexou aos autos qualquer documento fiscal ou contábil suscetível à demonstrar qual o equívoco que foi cometido na sua apuração, de forma a evidenciar a razão pela qual procedeu com a retificação de seus documentos fiscais. Ordinariamente, em casos como esses, esta relatora propõe a conversão do processo em diligência para que seja oportunizada a apresentação, pelo sujeito passivo, dos documentos. Contudo, no presente caso, observase que a r. decisão recorrida expressamente indicou a deficiência na instrução probatória, apontando quais os documentos que deveriam ser apresentados para demonstrar os valores retificados na DACON e na DCTF: "Deveria a manifestante ter juntado aos autos documentos que demonstrassem que as declarações inicialmente transmitidas estavam erradas. Esta prova se dá mediante a apresentação dos registros contábeis e demais documentos fiscais que efetivamente comprovem quais os fatos geradores ocorridos no período de apuração e qual a base de cálculo apurada. O erro deve ser evidenciado, não bastando a simples alegação de sua existência." (efl. 141 grifei). Observase, portanto, que no presente caso a r. decisão recorrida não desconsiderou a retificação realizada pelo sujeito passivo, evidenciando a necessidade da empresa demonstrar as razões pelas quais procedeu com a retificação das declarações para indicar valor devido à menor de COFINS. Este entendimento, frisese, está em conformidade com as manifestações deste Conselho, consoante bem explanado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402 005.034: Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 6 5 "Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos [redação semelhante ao do art. 11, da Instrução Normativa n.º 590/2005, vigente à época dos fatos do presente processo3], estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. 3 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins: I que já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desses débitos; II em relação aos quais já tenham sido apuradas diferenças em procedimento de ofício, relativas às informações, indevidas ou não comprovadas, prestadas no Dacon original e que tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados no Dacon, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada, pela Secretaria da Receita Federal, nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento do demonstrativo. § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. § 5º A retificação de Dacon não será admitida com o objetivo de alterar a periodicidade, mensal ou semestral, de demonstrativo anteriormente apresentado. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 7 6 § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 8 7 administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 9 8 de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração." (grifei) E, diferentemente dos casos anteriores nos quais entendeu se pela conversão do processo em diligência, foi com fulcro nesse entendimento que a r. decisão recorrida expressamente apontou a necessidade de serem trazidos aos autos novos elementos de prova além da retificação da DCTF e do DACON. Contudo, a Recorrente não apresentou quaisquer documentos adicionais no Recurso Voluntário. Com efeito, na peça recursal, a empresa se pautou a anexar os mesmos documentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Ademais, observase que a Recorrente em qualquer momento sequer menciona qual o erro que supostamente teria sido cometido na apuração. Neste aspecto, importante inclusive apontar a inconsistência da peça recursal da empresa, que ora afirma que o crédito seria decorrente de ressarcimento de IRPJ, ora afirma que seria crédito de PIS, sendo que, como trazido no pedido de compensação, o presente processo se refere à crédito de COFINS. Assim, no presente caso, entendo ser prescindível a diligência, vez que a Recorrente não trouxe qualquer elemento de prova diferente do DACON e da DCTF retificadores, não obstante essa falta probatória já tivesse sido apontada pela r. decisão recorrida. Face a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito, entendo que deve ser negado provimento ao recurso. Por fim, insta mencionar que o argumento da denúncia espontânea somente seria passível de ser analisado nessa seara caso o crédito pleiteado tivesse sido reconhecido. Isso porque, a denúncia espontânea do art. 138, do Código Tributário Nacional Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 10 9 ocorre quando o contribuinte "após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente" (Recurso Especial 1.149.022/SP4 grifei). No presente caso, ainda que se entenda pelo cabimento do instituto da denúncia espontânea por meio de compensação (entendimento desta Relatora, com fulcro, dentre outros, no acórdão n. 3402.003.486, de 29/11/20165 e no Acórdão nº 4 "1 A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). (…) 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010 grifei) 5 "COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PER/DCOMP. CONFIGURAÇÃO DE PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXONERAÇÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. A compensação tributária, efetivada pelo contribuinte por meio de PER/DCOMP, constitui sistemática que acarreta num encontro de contas, tendo como resultado a extinção de duas obrigações contrapostas: relação jurídica tributária, em que o contribuinte tem débito perante o Fisco; e relação jurídica de restituição de indébito ou ressarcimento, na qual o contribuinte tem direito a crédito a ser pago pelo Fisco (artigo 170, CTN e artigo 74 da Lei n. 9.430/96). Há, portanto, concomitante pagamento de tributo e restituição do indébito ou Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 11 10 9101003.689, de 07/08/20186), o débito declarado na compensação de IRPJ estimativa não foi extinto, vez que o crédito declarado não foi reconhecido e a compensação pleiteada não foi homologada. Assim, o débito declarado na compensação não foi quitado, inexistindo os elementos necessários para atrair o instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra ressarcimento do tributo. Ou seja, na compensação tributária há sim pagamento, de modo que é figura passível de ser abrangida pelo benefício da denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos termos do artigo 138 do CTN." (Processo 10675.003602/200391 Sessão 29/11/2016 Redatora desiganda Thais de Laurentiis Galkowicz Nº Acórdão 3402003.486 grifei) 6 "COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário." (Processo 10380.721163/201036 Sessão 07/08/2018 Relator Luís Flávio Neto Nº Acórdão 9101003.689 grifei) Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10882.904530/200941 Acórdão n.º 3402006.559 S3C4T2 Fl. 12 11 Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001884/2010-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Mantém-se a glosa do Imposto Complementar quando não comprovado o seu efetivo recolhimento.
Numero da decisão: 2002-001.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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Mantémse a glosa do Imposto Complementar quando não comprovado o seu efetivo recolhimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 18 84 /2 01 0- 89 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 34/39) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Retificadora do exercício 2009 (efls. 40/45), onde se apurou Omissão de Rendimentos do Trabalho e Compensação Indevida de Imposto Complementar. A Impugnação apresentada pela contribuinte (efls. 04/12) foi julgada improcedente pela 1ª Turma da DRJ/REC em decisão assim ementada (efls. 84/89): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS. ABONO DE PERMANÊNCIA. TRIBUTAÇÃO NA FONTE E NO AJUSTE ANUAL. Incide imposto de renda sobre abono de permanência, uma vez que este possui natureza remuneratória, caracterizando acréscimo patrimonial em benefício do trabalhador que permanece em atividade, mesmo após completados os requisitos legais para a concessão da aposentadoria. ERRO DE PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. É de se tornar sem efeito o lançamento do imposto apenas quando ficar devidamente comprovado nos autos haver sido esse baseado em erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF nas ações diretas de inconstitucionalidade, nas ações declaratórias de constitucionalidade e nas súmulas vinculantes, não produzem efeitos erga omnes, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificada do acórdão de primeira instância em 19/03/2015 (efls. 96), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 30/03/2015 (efls. 98/100) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta breve descrição dos fatos processuais. Expõe que o acórdão recorrido decidiu pelo pagamento do valor de R$ 313,08, acrescido de juros, no código de receita 2904. Alega, contudo, que o Item 11 da decisão indica que "o referido valor foi pago sob o código 0211" e que, no mesmo sentido, o Item 13.3 ressalta que "o valor do imposto total lançado (R$ 313,08 + R$ 20,10) foi apurado pelo contribuinte em sua DIRPF/2009 retificado e pago, conforme tela do Sief, fl. 83, e comprovante de pagamento de fl. 60". Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11543.001884/201089 Acórdão n.º 2002001.006 S2C0T2 Fl. 106 3 Conclui que houve um equivoco no código de pagamento, uma vez que recolheu o valor total exigido no código 0211 quando deveria ter recolhido parte no código 0211 e parte no código 2904. Entende que não é equitativo exigir o pagamento do referido valor quando já pagou o mesmo, ainda que em código diverso. Alega que, se a verdade material deve prevalecer sobre a formal, nada mais justo do que a retificação de ofício por essa Receita Federal do lançamento feito, fazendo a compensação do valor pago pela requerente. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõese observar, inicialmente, que o litígio a ser analisado por este Colegiado recai apenas sobre a Compensação Indevida de Imposto Complementar, uma vez que a recorrente não contestou a Omissão de Rendimentos mantida no julgamento de primeira instância. Sobre o assunto em exame, cabe reproduzir as razões de decidir do acórdão recorrido (efls. 89): 10. Da análise dos autos, verificase que o contribuinte apurou, em sua declaração retificada, um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 333,18, fl. 52. Ao retificar sua DIRPF, fl. 51, informou o mesmo valor a título de imposto complementar. 11. De acordo com consulta aos sistemas da RFB, o referido valor foi pago sob o código 0211. [...] 12. Assim, entendo que deve ser mantida a infração lançada, uma vez que não se trata de pagamento de imposto complementar e tampouco de carnêleão. Com efeito, extraise dos autos que o valor de R$ 333,18 informado pela contribuinte a título de Imposto Complementar na Declaração Retificadora objeto do lançamento (efls. 45) corresponde ao imposto a pagar apurado na Declaração Original (efls. 52) e recolhido sob o código 0211(efls. 83), tal como aponta o relator a quo. Conforme consta da publicação do Perguntas e Respostas do Imposto Sobre a Renda da Pessoa Física divulgada pela Receita Federal do Brasil para o exercício 2009, o recolhimento complementar é um recolhimento facultativo que pode ser efetuado pelo contribuinte sob o código 0246 para antecipar o pagamento do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual no caso de recebimento de rendimentos tributáveis de fontes pagadoras pessoa física e jurídica, ou de mais de uma pessoa jurídica, ou, ainda, de apuração de resultado tributável da atividade rural. Não sendo este o caso em tela, não merece reforma a decisão recorrida. Fl. 107DF CARF MF 4 Vale lembrar que, de acordo com o art. 136 do Código Tributário Nacional CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo Código, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Cumpre esclarecer, contudo, que o recolhimento efetuado pela contribuinte no código 0211 por ocasião da apresentação de sua Declaração Original poderá ser utilizado na fase de cobrança para abater o crédito tributário apurado no lançamento, salvo se alocado para quitação de outros débitos porventura existentes. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000949/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
APLICAÇÃO DE MULTA. NECESIDADE DE PREVISÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. - É nulo o auto de infração que formaliza multa de mora, por falta de previsão legal para a aplicação de ofício desta
Numero da decisão: 1101-000.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o lançamento por vício material, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Numero do processo: 16692.720502/2014-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por qualidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araújo - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.486 1 1.485 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16692.720502/201453 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.027 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2019 Assunto Solicitação de diligência Recorrente HOECHST DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por qualidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Corintho Oliveira Machado (relator), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator (assinado digitalmente) Walker Araújo Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 92 .7 20 50 2/ 20 14 -5 3 Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.487 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo partes do relatório da decisão de primeira instância : Trata o presente processo de representação formalizada para apreciação do PER/DCOMP nº 33548.68550.240709.1.3.549566 (fls. 02 a 06). Às fls. 965 a 974 consta despacho decisório proferido pela Derat/SP em 01/07/2014, relativo ao direito creditório utilizado no PER/DCOMP acima mencionado e em diversos outros, relacionados no corpo daquela decisão, transmitidos pelo contribuinte acima identificado entre jul/2009 e dez/2011, concluindo a autoridade local no seguinte sentido: 1. HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas até a data de 06/01/2011, conforme acima demonstrado, até o limite do crédito reconhecido no valor de R$ 12.092.221,53 (doze milhões, noventa e dois mil, duzentos e vinte e um reais e cinqüenta e três centavos), montante atualizado até 31/05/1997. Cabe citar que a partir de 01/06/1997, o referido montante de R$ 12.092.221,53 deverá ser atualizado pela Taxa Selic; 2. NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas a partir de 07/01/2011, em face da prescrição, conforme acima demonstrado. A referida decisão traz as informações e fundamentos a seguir resumidos: • Foi apensado ao presente o processo nº 13811.008175/200828, que trata de pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado; • O presente processo se refere a declarações de compensação, no valor total de R$ 77.826.699,27, conforme relação, cujas compensações foram efetuadas com crédito de Finsocial reconhecido na Ação Ordinária nº 92.00.143970, ajuizada pela interessada, com trânsito em julgado em 25/02/1997; • Iniciada a execução judicial, foram impetrados embargos à execução (processo nº 98.00419144 nova numeração 0041914 29.1998.4.03.6100), onde a Fazenda Nacional alegou excesso de execução (fls. 52 a 61 do processo nº 13811.008175/200828); • Posteriormente, o contribuinte requer, nos autos dos embargos à execução, o direito à compensação da parte incontroversa e a continuidade da execução da parte em litígio (fls. 155 a 160 do processo apenso); • Da decisão que indeferiu tal pedido foi interposto agravo de instrumento (processo nº 2000.03.00.0519430 nº novo 0051943 37.2000.4.03.0000 fls. 174 a 186 do processo apenso), cuja decisão, Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.488 3 que reconheceu o direito à compensação do valor incontroverso com tributos da mesma espécie e, conseqüentemente, a desistência da execução desse valor, transitou em julgado em 10/02/2005 (fls. 147 a 153 do processo apenso), iniciandose, portanto, nessa data a contagem do prazo qüinqüenal para aproveitamento do referido crédito nos termos do art. 168, inc. II do CTN; • O contribuinte protocolizou em 31/03/2005 Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, por meio do processo nº 13811.000748/200522; • Intimado, não apresentou cópia da sentença de homologação da desistência da execução do título judicial, resultando no indeferimento do Pedido de Habilitação (Despacho Decisório com ciência em 24/11/2005 fls. 189 a 191 do processo apenso); • Não consta qualquer documento que demonstre a apresentação de Recurso Hierárquico contra o referido Despacho Decisório; • Às fls. 192/193 do processo de Habilitação de Crédito consta cópia do Memorando PRFN/3ª, de 13/08/2007, que informa sobre a penhora nos autos da ação de repetição de indébito (92.00143970), para garantia de executivos fiscais, alertando a respeito da indisponibilidade do valor que se pretendia compensar. Às fls. 712 a 719 deste processo consta o posterior cancelamento da referida penhora; • Novo Pedido de Habilitação foi protocolado em 10/12/2008 (processo 13811.008175/200828), novamente indeferido, conforme Despacho Decisório de fls. 194 a 200 (do apenso), com ciência em 26/02/2009; • Por determinação judicial (liminar em Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 nº novo 001165043.2009.4.03.6100), o Pedido de Habilitação foi deferido, com ciência em 05/06/2009 (fls. 205 a 215 do processo apenso). Concedida a segurança, o Mandado de Segurança encontrase aguardando julgamento da apelação; • Em relação às operações de sucessão, o contribuinte originalmente detentor do indébito, HOECHST DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA S.A., foi incorporado em 30/09/1998 por HOECHST MARION ROUSSEL S.A. (AVENTIS PHARMA LTDA), e este por FAIRWAY POLIESTER LTDA., em 19/09/2001, que posteriormente passou a denominarse SANOFIAVENTIS FARMACÊUTICA LTDA; • Em consulta ao Sistema SIEF/PERDCOMP não foram localizadas, até a presente data, outras compensações eletrônicas com o crédito pleiteado, além daquelas relacionadas, e não foram encontradas compensações realizadas anteriormente a essa análise, declaradas em DCTF; • O crédito em análise advém de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Ordinária nº 92.00.143970, relativa à repetição de indébito das quantias indevidamente calculadas e recolhidas pela aplicação das alíquotas majoradas do Finsocial, determinando a aplicação da alíquota de 0,5%; Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.489 4 • Decisão judicial proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 2000.03.00.0519430, oposto contra decisão nos Embargos à Execução nº 98.00.419144, autorizou ao contribuinte a compensação dos valores pagos indevidamente ou a maior a título de Finsocial com tributo e contribuição da mesma espécie, referentes a períodos subseqüentes. Tal decisão transitou em julgado em 10/02/2005; • No presente caso, a compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de Finsocial poderá ser realizada com débitos do próprio Finsocial ou da Cofins, contribuição com as mesmas características dessa, tendo a mesma destinação constitucional, sendo assim, da mesma espécie tributária. Concluise que, estando o Finsocial extinto, somente poderão ser realizadas compensações com débitos da Cofins; • Em análise dos PER/DCOMP objeto do presente processo, verificase que todos os débitos compensados correspondem à Cofins, de acordo com a decisão judicial; • O direito de o contribuinte pleitear a restituição de indébito reconhecido por medida judicial não perdura indefinidamente, submetendose seu exercício em determinado prazo estabelecido em lei; • Nos termos do art. 168 do CTN, a prescrição contra a Administração, decorrente de direito invocado perante o Judiciário, recebe a denominação de prescrição qüinqüenal; • A prescrição qüinqüenal, em favor da Fazenda Pública, é regulada pela Lei nº 5.761/1930, pelo Decreto nº 20.910/1932, pelo DecretoLei nº 4.597/1942 e pela Lei nº 2.221/1954. • O Decreto n° 20.910/1932 estabelece que o prazo de prescrição das dívidas passivas da Fazenda Pública é de cinco anos, ou de qualquer direito ou ação contra a Fazenda, seja qual for sua natureza; • A IN/RFB nº 900/2008 ampliou o entendimento do termo inicial do prazo prescricional, o que permaneceu intacto na edição da IN/RFB nº 1.300/2012, que a substituiu, segundo a qual, o direito de o contribuinte pleitear a restituição extinguese com o decurso de prazo de cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; • No presente caso, o trânsito em julgado da ação de conhecimento ocorreu em 25/02/1997. Iniciada a execução judicial, foram propostos embargos à execução, determinadose o valor incontroverso da mesma; • Em decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 2000.03.00.051943 0, consignouse a possibilidade de compensação em relação ao valor incontroverso, a conseqüente desistência da execução desse valor e a continuação da execução em relação ao montante embargado. Tal decisão transitou em julgado em 10/02/2005, sendo esta a data inicial para contagem do prazo de prescrição qüinqüenal; Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.490 5 • Não obstante tal fato, devese analisar a possibilidade de suspensão do prazo prescricional, prevista no art. 4º e parágrafo do Decreto 20.910/1932; • O entendimento exarado pela RFB nas Notas Técnicas nº 10/2010 e nº 12/2014, da Cosit, equivalente à jurisprudência do STJ, prescreve que deve ser considerada a suspensão da prescrição qüinqüenal em relação ao prazo de análise do Pedido de Habilitação de Crédito Decorrente de Decisão Judicial Transitada em Julgado; • Dessa forma, cabe a verificação dos períodos de análise dos Pedidos de Habilitação de Crédito, que deverão ser considerados suspensos para cálculo da prescrição; • Para a contagem dos períodos de suspensão do prazo prescricional será considerada a data do protocolo do pedido, no caso de petição do contribuinte, ou da data de ciência do ofício de notificação, no caso de determinação judicial, até a data da ciência da decisão decorrente de tais análises. Para tanto serão usadas as informações constantes do processo nº 13811.008175/200828, apenso; • O primeiro pedido de habilitação de crédito se deu por meio do processo 13811.00748/200522, protocolado em 31/03/2005, e a ciência do Despacho de Indeferimento se deu em 24/11/2005 (fl. 191 do processo apenso). O prazo transcorrido entre as duas datas perfaz duzentos e trinta e oito dias. Não consta apresentação de Recurso Hierárquico contra tal decisão; • O segundo pedido de habilitação de crédito se deu por meio do processo 13811.008175/200828 (apenso), protocolado em 10/12/2008, e a ciência do Despacho de Indeferimento se deu em 26/02/2009 (fl. 203 do processo apenso). O prazo transcorrido entre as duas datas perfaz setenta e oito dias. Não houve interposição de Recurso Hierárquico contra tal decisão. • O terceiro prazo a ser considerado como suspensão da prescrição qüinqüenal ocorre da data de ciência do Oficio de Notificação Judicial, que notifica sobre a liminar em Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, determinando o deferimento do Pedido de Habilitação, 22/05/2009, até a data de ciência desta decisão administrativa, 05/06/2009 (fls. 205 a 215). O prazo transcorrido entre as duas datas perfaz catorze dias; • No somatório dos três períodos, temos trezentos e trinta dias, período que deverá ser considerado como suspensão do prazo prescricional, nos termos do art. 4º do Decreto 20.910/1932; • Dessa forma, a data final para aproveitamento do crédito judicial para fins de compensação administrativa deve ser calculada da seguinte forma: data de ocorrência da prescrição qüinqüenal sem a suspensão, ou seja, cinco anos da data do trânsito em julgado da homologação da desistência da execução, 10/02/2010, acrescida dos 330 dias, que foram considerados suspensos. A data final do prazo prescricional/decadencial para utilização do crédito objeto da presente análise é 06/01/2011; Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.491 6 • Portanto, as compensações transmitidas por DCOMP a partir de 07/01/2011 devem ser consideradas não homologadas, tendo em vista a prescrição/decadência de seu direito; • Quanto ao valor do crédito, tendo em vista a execução judicial, os cálculos já foram realizados em sede dos Embargos à Execução nº 98.00419144 pela Fazenda Nacional e o valor calculado do indébito de R$ 12.092.221,53, atualizado até Maio de 1997, foi homologado judicialmente como incontroverso, transitando em julgado, razão pela qual não cabe a realização de cálculos para tal apuração no presente processo, tendo em vista os Princípios da Segurança Jurídica e da Coisa Julgada. • Assim, o valor a ser homologado nesse processo é de R$ 12.092.221,53, calculado para 31/05/1997, cabendo a atualização pela Selic, a partir dessa data. O contribuinte tomou ciência do despacho decisório em 10/07/2014 (fl. 976), tendo apresentado manifestação de inconformidade tempestiva em 08/08/2014 (fls. 978 a 991), alegando, em resumo, que: • O Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 foi impetrado para viabilizar a habilitação dos créditos de Finsocial, cuja compensação foi autorizada por decisão judicial transitada em julgado em 10/02/2005; • A esse respeito, ressaltese que o parágrafo único do art. 174 do CTN estabelece as causas interruptivas da prescrição, dentre elas a prevista em seu inciso III; • O art. 219 do CPC estabelece que a citação válida constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição, cujo prazo começa a ser contado novamente a partir da data da propositura da ação; • No presente caso, o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 foi impetrado em 18/05/2009 e a autoridade impetrada foi notificada em 22/05/2009. Assim, e tendo em vista que a notificação em mandado de segurança equivale à citação válida, e a interrupção da prescrição retroage à data da sua impetração, temse que em 18/05/2009 foi interrompida a prescrição para a compensação dos créditos de Finsocial; • Deste modo, o prazo prescricional de cinco anos começou a fluir novamente a partir de 18/05/2009 e teve como termo final o dia 18/05/2014; • O STJ tem entendimento pacífico no sentido de que a impetração de mandado de segurança interrompe o prazo prescricional. Também os tribunais regionais federais reconhecem a impetração de mandado de segurança como causa interruptiva da prescrição, nos termos dos arts. 174, parágrafo único, inc. III, do CTN e 219 e § 1º do CPC; • Citase jurisprudência judicial sobre o tema; • O TRF/1ªRegião reconheceu a ausência de prescrição do direito à compensação de créditos de Finsocial com débitos de Cofins, tendo em Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.492 7 vista a impetração de mandado de segurança pelo contribuinte, cuja notificação interrompeu o prazo prescricional, conforme citação; • No presente caso, portanto, não há que se falar em prescrição, pois a requerente teria até 18/05/2014 para efetuar compensações, razão pela qual devem ser totalmente homologadas aquelas efetuadas no período entre jul/2009 e dez/2011; • Além disso, esclareçase que a requerente procurou incessantemente obter a satisfação de seu direito à compensação, promovendo pedidos de habilitação de crédito, a partir do trânsito em julgado da decisão que autorizou a compensação do valor incontroverso do crédito, requisito essencial para a compensação, nos termos das normas aplicáveis; • Tais pedidos foram indeferidos, tendo a requerente promovido medida judicial para viabilizar a habilitação; • Assim, é evidente que não houve inércia por parte da requerente, que adotou todos os procedimentos ao seu alcance para exercer seu direito à compensação. A demora na realização das compensações deve ser atribuída exclusivamente às autoridades administrativas, que criaram diversos óbices indevidos à habilitação, sendo necessária a ordem judicial para viabilizar a compensação; • A restrição temporal da prescrição somente pode ser imposta a partir do momento em que há um direito não exercido, ou no curso do atraso ou inércia de seu titular; • Aplicase ao presente caso a teoria da actio nata, consagrada nos termos do art. 189 do CC, segundo a qual o prazo prescricional só começa a fluir quando houver uma lesão ao direito, e o titular desse direito permanecer inerte; • Citase jurisprudência do STJ sobre o tema; • Ademais, o prazo prescricional se refere ao início da compensação, conforme entendimento do TRF/4ªRegião, não havendo previsão legal que fixe o tempo máximo para finalizar a compensação; • Assim, o contribuinte possui o prazo de cinco anos para formalizar o procedimento compensatório, e, uma vez iniciada a compensação, esta pode ser realizada até o esgotamento dos créditos; • As PER/DCOMP posteriores àquela transmitida em 24/07/2009 constituem mero desdobramento desse primeiro pedido de compensação, uma vez que ao contribuinte é facultado compensar administrativamente tributos vincendos com os créditos que possui; • Citase decisão judicial sobre a questão; • Como dito, desde o trânsito em julgado da decisão judicial a requerente tentou compensar o crédito, mas a Administração criou diversos óbices indevidos, indeferindo os pedidos de habilitação, que se constituíam requisito prévio ao exercício do direito à compensação; Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.493 8 • O reconhecimento do crédito e o direito à compensação foram reconhecidos por decisão judicial atingida pela coisa julgada, sendo definitiva e imutável; • Ao negar o direito da requerente às compensações efetuadas no período de fevereiro a dezembro de 2011, as autoridades administrativas pretendem a todo custo impossibilitar que a requerente exerça seu direito à compensação, reconhecido definitivamente pelo Judiciário e regularmente exercido sem que tenha havido qualquer inércia do contribuinte; • Dessa forma, as autoridades administrativas acabaram por violar diversos princípios constitucionais que obrigam o Poder Público a agir de forma razoável e proporcional, conforme a lei, sob pena de impor comportamentos aos administrados de forma arbitrária, que comprometam o exercício dos direitos individuais de liberdade, autonomia, propriedade, dentre outros (art. 37 da Constituição, art. 2º da Lei 9.784/99); • O princípio da proporcionalidade estabelece que as competências administrativas só podem ser validamente exercidas na extensão e intensidade proporcionais ao que seja demandado para cumprimento da finalidade do interesse público, isto é, se o ato administrativo ultrapassa o necessário para atingir seu objetivo, está eivado de ilegalidade, tornandose passível de anulação; • Citase doutrina sobre a questão; • Os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade obrigam a Administração a seguir critérios aceitáveis e de acordo com as finalidades do interesse público, impedindo soluções arbitrárias, como o despacho decisório questionado, que representa conduta ausente de razoabilidade ou proporcionalidade, voltada somente para impedir o regular exercício do direito de compensação; • Tendo em vista que o direito à compensação está abrangido pela coisa julgada, e que a requerente tentou de diversas formas exercer seu direito, não tendo permanecido inerte, não se mostra razoável ou proporcional o indeferimento das compensações efetuadas entre fevereiro e dezembro de 2011, razão pela qual requer seja parcialmente reformado o despacho decisório para que todas as compensações sejam homologadas. Em 08/04/2015, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo integralmente o despacho decisório questionado, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 28/02/1992 INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO NA VIA JUDICIAL EXECUÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA PRAZO PRESCRICIONAL INTERRUPÇÃO As hipóteses de interrupção do prazo prescricional para execução do direito de crédito reconhecido judicialmente por meio de compensação administrativa decorrem exclusivamente de fatos ocorridos em processo judicial de Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.494 9 execução do indébito. Tal prazo não é afetado por decisões proferidas em processo judicial que não tenha por objeto a cobrança dos valores. PRINCÍPIO DA ACTIO NATA IDENTIFICAÇÃO DO DIREITO LESADO PRAZO PRESCRICIONAL O direito de ação protegido pelo princípio da actio nata, e o conseqüente prazo prescricional aplicável, estão diretamente vinculados à lesão sofrida pelo contribuinte. O prazo prescricional aplicável à execução de direito já garantido definitivamente pelo Poder Judiciário não é afetado por lesão posterior, relativa a objeto distinto. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE PRAZO PRESCRICIONAL EXERCÍCIO DO DIREITO POR MEIO DE MAIS DE UMA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da decisão judicial transitada em julgado, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. DECISÃO ADMINISTRATIVA VINCULAÇÃO ÀS NORMAS LEGAIS E ADMINISTRATIVAS A decisão administrativa está vinculada às normas legais e administrativas aplicáveis à matéria em análise. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO NA VIA JUDICIAL EXECUÇÃO DO DIREITO DE CRÉDITO POR MEIO DE COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA SUBMISSÃO ÀS NORMAS E ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS A opção do contribuinte pela execução, na via administrativa, do título judicial que lhe reconhece indébito tributário, por meio de compensação, está sujeita à aplicação das normas e entendimentos administrativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão em 21/01/2016, consoante AR, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 17/02/2016, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a demora na realização das compensações deve ser atribuída exclusivamente às autoridades administrativas, que criaram óbices indevidos à habilitação dos créditos, sendo necessária ordem judicial para viabilizar a compensação. Ato seguido, o expediente é encaminhado ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano ao mérito do litígio. Fl. 1494DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.495 10 DA PRESCRIÇÃO No que diz com o mérito da lide, sustenta a recorrente, em essência, que a impetração do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, para viabilizar a habilitação dos créditos de FINSOCIAL, cuja compensação foi autorizada por decisão judicial transitada em julgado em 10.2.2005, teve o condão de interromper a prescrição no presente caso, e desse modo o prazo prescricional de cinco anos teria começado a fluir novamente a partir de 18.5.2009, tendo como termo final o dia 18.5.2014, o que viabilizaria toda a compensação levada a efeito pela recorrente. Data maxima venia da posição da recorrente, comungo da visão do Fisco, que está de acordo com a decisão recorrida, no tocante aos efeitos do aludido Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 e demais argumentos: DOS EFEITOS DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2009.61.00.0116500 Sobre a questão do prazo para execução de indébito tributário, dispõe o artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Também a Súmula nº 150 do STF estabelece que: PRESCREVE A EXECUÇÃO NO MESMO PRAZO DE PRESCRIÇÃO DA AÇÃO Tratase, portanto, de entendimento pacífico que o contribuinte dispõe de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão proferida na ação de conhecimento que lhe reconheça o direito ao indébito, seja para obter o indébito contra a Fazenda Nacional por meio da execução judicial, seja para utilizar esse indébito por meio de compensação na via administrativa. No âmbito administrativo, à época da transmissão das DCOMP em análise (2009 a 2011), estava em vigor a IN/RFB nº 900/2008, que, relativamente à questão destes autos, dispunha que: Art. 70 (...) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário, ou a renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento, de reembolso e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.496 11 executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (...) Art. 71 (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. (...)(Grifouse) A IN/RFB nº 1.300/2012, atualmente em vigor, dispõe que: Art. 81 (...) § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, a compensação poderá ser efetuada somente se o requerente comprovar a homologação da desistência da execução do título judicial pelo Poder Judiciário e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou apresentar declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e certidão judicial que a ateste. § 3º Não poderão ser objeto de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (...) Art. 82 (...) § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat, Demac/RJ ou Deinf, mediante a confirmação de que: (...) IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses em que o crédito esteja amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial e a assunção de todas as custas e honorários advocatícios referentes ao processo de execução, ou a apresentação de declaração pessoal de inexecução do título judicial protocolada na Justiça Federal e de certidão judicial que a ateste. (...) (Grifouse) Considerando o teor das normas acima transcritas, assim como das anteriormente editadas, constatase que o entendimento da RFB sempre foi no sentido de que estaria vedada a compensação relativamente ao crédito já executado perante o Poder Judiciário, Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.497 12 independentemente da emissão de precatório. Por outro lado, as mesmas normas prevêem que a compensação seria possível no caso de o contribuinte desistir da execução do título junto ao Poder Judiciário. Quanto aos efeitos da ação de execução judicial no prazo para efetuar a compensação administrativa, dispõe o Decreto nº 20.910/32 da seguinte forma: Art. 7º A citação inicial não interrompe a prescrição quando, por qualquer motivo, o processo tenha sido anulado. Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Interpretandose, a contrario sensu, o artigo 7º acima, concluise que a citação inicial da União no processo de execução interrompe o prazo prescricional, desde que o processo não seja anulado. O Decreto também estabelece que a interrupção ocorre apenas uma vez, recomeçando a correr pela metade do prazo, a partir do último ato ou termo do processo. Por sua vez, o artigo 174 do CTN dispõe que: “A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (...)”Aplicandose de forma análoga tal dispositivo à ação de execução fiscal relativa a indébito tributário, terseia, da mesma forma, a interrupção do prazo prescricional pela citação do devedor, no caso, a União. Assim, aplicandose tanto o Decreto nº 20.910/32, como o artigo 174 do CTN, da mesma forma concluise que há a interrupção do prazo prescricional para a utilização do indébito para fins de compensação administrativa, quando da citação da União no processo de execução judicial. Nos termos das normas administrativas acima transcritas, vêse que a RFB, a partir da edição da IN/RFB nº 900/2008, passou a entender que o prazo de cinco anos para declarar administrativamente a compensação decorrente de indébito reconhecido judicialmente inicia se com o trânsito em julgado da decisão favorável ao contribuinte na ação de conhecimento, ou com a homologação da desistência da execução do título pela autoridade judicial, quando tal procedimento tenha sido iniciado pelo contribuinte. No presente caso, o contribuinte iniciou a execução judicial do direito creditório obtido na ação principal, tendo sido formado o processo nº 98.00419144 (novo nº 004191429.1998.4.03.6100), relativo aos embargos à execução opostos pela Fazenda, interrompendose, portanto, o prazo prescricional. Naqueles autos, o contribuinte, posteriormente, requer a utilização da parte incontroversa do crédito para fins de compensação na via administrativa, desistindo, portanto, Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.498 13 da execução judicial desta parcela do crédito, obtendo decisão judicial favorável, que transitou em julgado em 10/02/2005. Portanto, vêse que houve efetivamente a desistência parcial, pelo contribuinte, da execução judicial por ele iniciada para obtenção do indébito, devidamente homologada pela autoridade judicial, conforme dispõe o artigo 158, parágrafo único do CPC, nos termos em que autorizado pelas normas administrativas acima. Assim, corretamente, a autoridade administrativa considerou a data de 10/02/2005 como início do prazo prescricional de cinco anos para execução do direito de crédito obtido na via judicial. Além disso, foram acrescentados ao referido prazo os dias utilizados pela RFB para análise dos pedidos de habilitação de crédito formalizados pelo contribuinte, num total de 330 dias. A questão relativa à suspensão dos prazo prescricional durante a análise do pedido de habilitação já foi pacificada pela RFB, por meio do Parecer Normativo Cosit nº 11/2014, cuja ementa abaixo se transcreve: COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. PRAZO PARA APRESENTAR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. SUSPENSÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. O crédito tributário decorrente de ação judicial pode ser executado na própria ação judicial para pagamento via precatório ou requisição de pequeno valor ou, por opção do sujeito passivo, ser objeto de compensação com débitos tributários próprios na via administrativa. Ao fazer a opção pela compensação na via administrativa, o sujeito passivo sujeitase ao disciplinamento da matéria feito pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, especificamente a Instrução Normativa nº 1.300, de 2012, conforme § 14 do art.74 da Lei nº 9.430, de 1996, e às demais limitações legais. Para a apresentação da Declaração de Compensação, o sujeito passivo deverá ter o pedido de habilitação prévia deferido. A habilitação prévia do crédito decorrente de ação judicial é medida que tem por objetivo analisar os requisitos preliminares acerca da existência do crédito, a par do que ocorre com a ação de execução contra a Fazenda Nacional, quais sejam, legitimidade do requerente, existência de sentença transitada em julgado e inexistência de execução judicial, em respeito ao princípio da indisponibilidade do interesse público. O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.499 14 O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. Eventual mudança de interpretação sobre a matéria será aplicável somente a partir de sua introdução na legislação tributária. (Grifouse) Inicialmente, o contribuinte alega que impetrou o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 em 18/05/2009, tendo sido a autoridade impetrada notificada em 22/05/2009. Considerando que a notificação em mandado de segurança equivale à citação válida, e a interrupção da prescrição retroage à data da sua impetração, entende que o prazo prescricional em questão foi interrompido em 18/05/2009, nos termos do parágrafo único, inciso III, do artigo 174 do CTN, e do artigo 219 do CPC, recomeçando a fluir a partir da mesma data, tendo como termo final o dia 18/05/2014. Assim, conclui que não há que se falar em prescrição no presente caso, devendo ser integralmente homologadas as compensações declaradas. O Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 foi impetrado pelo contribuinte a fim de que fosse assegurado judicialmente seu direito à habilitação do crédito decorrente de provimento judicial para fins de compensação administrativa, nos termos em que dispõem as normas acima transcritas, após dois indeferimentos por parte da autoridade administrativa. Os dispositivos citados pelo contribuinte como fundamento de sua alegação são abaixo transcritos: CTN Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; (...) III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; (...) CPC Art. 219. A citação válida torna prevento o juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o devedor e interrompe a prescrição. § 1o A interrupção da prescrição retroagirá à data da propositura da ação. (...) Relativamente ao artigo 174 do CTN, vêse que tal dispositivo se refere especificamente à ação de cobrança ajuizada pela Fazenda Pública a fim de viabilizar a exigência do crédito tributário não pago pelo contribuinte (execução do título fiscal). Conforme acima já demonstrado, o mesmo dispositivo deve ser aplicado por analogia à situação inversa, ou seja, à ação ajuizada pelo sujeito passivo a fim de ver garantida a restituição do indébito tributário a que tem direito. Nestes termos, a própria RFB considera a citação na ação de execução ajuizada pelo contribuinte como fato interruptivo do prazo prescricional de que este dispõe para execução do título judicial no âmbito administrativo, reiniciandose sua contagem a partir da Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.500 15 homologação, pela autoridade judicial, da desistência do contribuinte à execução iniciada naquele âmbito (inciso I). O contribuinte alega a ocorrência de novo fato interruptivo do prazo prescricional em 18/05/2009, o ajuizamento do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.011650 0, quatro anos após a data considerada pela autoridade administrativa, 10/05/2005, quando se deu o trânsito em julgado da decisão que autorizou a separação do crédito incontroverso para fins de compensação administrativa. Tal pretensão não encontra fundamento no referido artigo 174, considerando que tal dispositivo deve ser aplicado analogamente à hipótese de ação ajuizada pelo contribuinte para execução de seu direito de crédito na via judicial, o que não é o caso do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, cujo objeto é apenas o deferimento do procedimento de habilitação do crédito obtido judicialmente para fins de compensação administrativa, procedimento preliminar à própria compensação, que deve ser formalizada pela entrega da necessária DCOMP, e cujo deferimento de maneira alguma ratifica a compensação posteriormente declarada, conforme a própria autoridade judicial observa na decisão liminar proferida naqueles autos judiciais: “Ressalto, ainda, que o deferimento do pedido de habilitação de crédito não implica homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento, conforme disciplinado no parágrafo sexto do artigo 71 da IN/SRF nº 900/08. Neste sentido, corroboro o entendimento expendido pelo ilustre Relator o MM. Juiz LUIZ ANTONIO SOARES, no sentido de que "... Inexistência de óbice ao deferimento do pedido de habilitação do crédito em questão, para fins de posterior compensação. Por certo que, nos termos do §6o do art. 51 da Instrução Normativa em comento, 'o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento'. Além disso, a regularidade da compensação que eventualmente venha a ser efetuada deverá ser verificada pelos órgãos competentes da administração pública (art. 74, §29 da Lei nº 9.430/96), até o final do prazo legal previsto para tanto". (AMS 200651010136824, TRF da 2a Região, DJ 30.01.08, p. 350). Claro está que o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 não pode ser caracterizado como ação de execução judicial. Ao contrário, seu objetivo é cumprir procedimento preliminar obrigatório à execução administrativa do título judicial, por meio da compensação. O artigo 174 somente tem reflexos no procedimento administrativo de compensação a partir da interrupção do prazo prescricional, que se dá, seja qual for o inciso que a fundamente, no âmbito do processo judicial de execução. No caso dos autos, não se trata o Mandado de Segurança de ação de execução; por conseguinte, a ciência à autoridade coatora da decisão proferida pela autoridade judicial não a constitui em mora, pelo simples fato de que ela não se configura como o “devedor” mencionado no artigo 174, mas sim como a autoridade que estaria obstando ao contribuinte o exercício de um direito. Em decorrência, a Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.501 16 conseqüência da decisão judicial foi apenas a viabilização, por parte desta autoridade, do exercício do direito anteriormente negado, não havendo qualquer valor envolvido neste procedimento, como bem ressaltou a autoridade judicial. O artigo 174, portanto, está necessariamente relacionado à restituição de valores, decorrente de um direito de crédito, seja favorável à Fazenda, ou ao contribuinte. O Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 não trata de pagamento de valores (obrigação de pagar), mas da determinação judicial para a prática de determinada ação por parte da autoridade administrativa (obrigação de fazer). Assim, o único fato interruptivo do prazo prescricional em análise se deu no âmbito do processo judicial de execução, ajuizado pelo contribuinte, e tal fato foi devidamente considerado no despacho decisório contestado, como visto acima. No mesmo sentido deve ser interpretado o artigo 219 do CPC, que trata, de forma geral, acerca dos efeitos das citações no processo civil. Também aqui não há que se falar em mora do “devedor” a partir da ciência da decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, uma vez que tal processo não trata de restituição de valores indevidamente recolhidos, como já visto acima em detalhes. Tratase de norma geral, que dispõe no mesmo sentido do artigo 174 acima, específico para os processos judiciais de cobrança para exigência de crédito tributário (execução de título fiscal). Observese, por fim, que a jurisprudência judicial citada pela requerente se refere a processos (mandado de segurança) ajuizados com o objetivo de obter a restituição de tributos pagos indevidamente, conforme se verifica em consulta aos sítios da Justiça Federal. Desta forma, não há como tratar tal jurisprudência aplicável aos presentes autos administrativos, considerando que, como já demonstrado acima, o objeto do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 não envolve qualquer valor, mas tãosomente a obrigação de fazer por parte da autoridade administrativa, em procedimento preliminar à compensação, não comportando, portanto, execução posterior. DO PRINCÍPIO DA ACTIO NATA O contribuinte prossegue, alegando que não houve inércia de sua parte na busca pela pretendida compensação, tendo apresentado pedidos de habilitação de crédito, a partir do trânsito em julgado da decisão que autorizou a compensação do valor incontroverso do crédito, os quais teriam sido indeferidos indevidamente pela autoridade administrativa, sendo necessária a ordem judicial para viabilizar a compensação (Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500). Afirma que o prazo prescricional somente se inicia a partir do momento em que há lesão a um direito e seu titular permanecer inerte, aplicandose ao caso a teoria da actio nata, prevista no artigo 189 do CC. Inicialmente, fazse necessário esclarecer os fatos ocorridos no processo administrativo nº 13811.008175/200828, apenso ao presente, relativo à habilitação do crédito judicial em análise para fins de compensação. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.502 17 Após o trânsito em julgado da decisão que autorizou a utilização da parte incontroversa do crédito para fins de compensação na via administrativa, que se deu em 10/02/2005, o contribuinte protocolou pedido de habilitação do crédito em 31/03/2005, tendo sido este indeferido, conforme despacho à fl. 190 do processo apenso, com o seguinte fundamento: Verificamos, pela analise dos autos do processo supra, a ausência do despacho expedido pela Justiça Federal, homologando a desistência de execução do título judicial ou a renúncia de execução, bem como a assunção das custas e honorários advocatícios, conforme estabelece o artigo 3o , parágrafo 2o , inciso IV da IN 517 de 25 de fevereiro de 2005 e artigo 3o , inciso IV, da Norma de Execução CORAT/COSIT n° 1, d e 11 d e março de 2005. O contribuinte foi intimado a apresentar a documentação faltosa em 03/06/2005 (intimação n° 165). Em 04/07/2005 solicitou uma prorrogação de 30 dias do prazo previsto na intimação, mas até a presente data não apresentou a documentação. A ciência desta decisão se deu em 24/11/2005 (fl. 191 do processo apenso). Novo pedido de habilitação foi protocolado em 10/12/2008 (fl. 03 do processo apenso), tendo sido novamente indeferido, conforme decisão às fls. 194 a 200 do processo apenso, com os seguintes fundamentos: 1. Descumprimento do art. 71, § 4º, inc. I, da IN RFB n° 900/2008, eis que foi apurado que o sujeito passivo não figura no pólo ativo da ação. 2. Descumprimento do art. 71, § 1º, inc. V, da IN RFB n° 900/2008, pois o presente pedido de habilitação não está adequadamente instruído com a cópia dos atos correspondentes aos eventos de incorporação que são noticiados nos autos. 3. Descumprimento do art. 71, § 1º, inc. III e § 4º, inc. V, da IN RFB n° 900/2008, pois não se pode comprovar que já houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. 4. Descumprimento do art. 71, § 4º, inc. IV, da IN RFB n° 900/2008, porque o presente pedido de habilitação foi formalizado de forma extemporânea, isto é, já se passou mais de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da ação 25/02/1997 (fl. 40) em que se fundamenta o pleito ou da homologação da desistência da execução do título judicial. A ciência desta decisão se deu em 26/02/2009 (fl. 203 do processo apenso). Portanto, vêse que os dois pedidos de habilitação foram indeferidos pela autoridade administrativa de forma fundamentada, não cabendo, no presente momento processual, qualquer comentário relativamente ao mérito de tais fundamentos. Fato é que, em razão de tais indeferimentos, a empresa impetrou, em 18/05/2009, o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, buscando a efetivação da Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.503 18 habilitação do crédito pela autoridade administrativa. A autoridade judicial, em decisão liminar, afastou os óbices que fundamentaram o indeferimento do pedido na via administrativa, determinando o procedimento da habilitação pleiteada (fls. 206 a 210 do processo apenso), o que foi feito em 26/05/2009 (fls. 211 a 213 do processo apenso). Observese que o primeiro pedido de habilitação foi formalizado pelo contribuinte em 31/03/2005, tendo sido cientificado do indeferimento em 24/11/2005. O segundo pedido de habilitação foi formalizado somente em 10/12/2008, três anos após a ciência do indeferimento do primeiro, período durante o qual efetivamente se comprova a inércia do contribuinte. Quanto à tese da actio nata, trazida pelo contribuinte como fundamento para a alegação de que as compensações não homologadas não estariam atingidas pela prescrição, está diretamente ligada ao prazo prescricional, entendendose que a prescrição iniciase com o nascimento da pretensão ou ação. O STJ manifestouse acerca de tal princípio, nos autos do AgRg no Resp 1148236/RN, nos seguintes termos: “o instituto da prescrição é regido pelo princípio da actio nata, ou seja, o curso do prazo prescricional tem início com a efetiva lesão ou ameaça do direito tutelado, momento em que nasce a pretensão a ser deduzida em juízo”. Em outras palavras, portanto, segundo o princípio da actio nata, o prazo prescricional, ou seja, o prazo para que o autor ajuíze ação buscando a proteção de um direito, se inicia no momento em que tal direito é lesado. Tal princípio é aplicado de forma geral ao direito processual e adotado unanimemente pelos tribunais superiores. Neste ponto, correto o entendimento do contribuinte. No caso do Direito Tributário, e no caso específico de indébito tributário, como no caso destes autos, o prazo prescricional para ajuizamento de ação questionando a constitucionalidade de norma, com reconhecimento do indébito dela decorrente, é a data a partir da qual o contribuinte é obrigado, pela norma inconstitucional, ao recolhimento de tributo, indevido, portanto. Efetivado o recolhimento indevido, caracterizase a lesão ao contribuinte, iniciandose o prazo para obter judicialmente a devolução do tributo. No presente caso, tal aspecto integra a análise efetuada pela autoridade judicial na ação original de conhecimento, que deu origem ao processo de execução iniciado pelo contribuinte, relativamente aos recolhimentos passíveis de devolução. No entanto, a partir do trânsito em julgado da decisão judicial favorável ao contribuinte, este dispõe de título judicial executável naquele âmbito, ou no administrativo. Seja por qual via optar, o contribuinte não está autorizado a exercer seu direito de crédito em prazo indefinido, em razão do mesmo princípio da actio nata, considerando que, com o surgimento de um direito de crédito a seu favor, materializado na decisão transitada em julgado, caracterizase a lesão de direito a que se refere tal princípio – a existência de valores recolhidos indevidamente. Somente após o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos do processo de conhecimento, declarando indevida a exação e, portanto, Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.504 19 também indevidos os pagamento efetuados com fundamento na norma inconstitucional, poderá o contribuinte pleitear a devolução de tais valores, por meio da execução do título judicial, estando, no momento do trânsito, caracterizada a lesão (valores indevidamente recolhidos) passível de reparo na via judicial. Por esta razão existe a limitação temporal de cinco anos a partir do trânsito em julgado para que o contribuinte inicie a execução de seu direito de crédito em qualquer esfera. O princípio da actio nata, portanto, foi devidamente aplicado no despacho decisório contestado, tendo a autoridade administrativa observado as normas aplicáveis a tal situação, conforme já analisado em detalhes no item anterior deste voto, considerando os fatos ocorridos nos autos judiciais (Agravo de Instrumento nº 2000.03.00.0519430 e Ação Ordinária nº 92.00.0143970). O STJ consagra o princípio da actio nata, conforme decisões abaixo transcritas: (...) O artigo 189 do Código Civil, mencionado pelo contribuinte, dispõe que: Art. 189. Violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos prazos a que aludem os arts. 205 e 206. A norma acima traz a essência do princípio aqui analisado, garantindo o direito de ação a partir da lesão sofrida pelo autor. No entanto, o exercício de tal direito não é ilimitado no tempo, sujeitandose aos prazos que o próprio Código Civil estabelece. No presente caso, é fundamental esclarecer que a lesão sofrida pelo contribuinte, relevante para a solução da lide, surgiu a partir do trânsito em julgado da decisão judicial que lhe reconheceu o direito de crédito, caracterizando como indevidos os recolhimentos por ele efetuados, surgindo, a partir daí, o direito à ação de execução para restituição do indébito tributário. Surgindo o direito de ação, iniciouse o prazo prescricional para a execução do título judicial (10/02/2005), encerrandose em 06/01/2011, considerando as normas aplicáveis, já analisadas, e as peculiaridades específicas destes autos (interrupção e suspensão do prazo prescricional). Os dois pedidos de habilitação formulados pelo contribuinte foram, efetivamente, apresentados dentro do prazo prescricional (31/03/2005 e 10/12/2008), constatandose uma inércia do contribuinte de três anos, conforme já destacado acima. O indeferimento destes pedidos, nos termos tutelados pelo artigo 189 acima, tem como conseqüência o direito de ação, para o contribuinte, buscando ver garantida a sua pretensão de habilitar o crédito judicial para fins de compensação, o que efetivamente fez, por meio do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500. No entanto, tal fato não afeta o prazo prescricional para exercício do direito à execução do título judicial para fins de compensação, iniciado em 10/02/2005, especialmente por tratarse a habilitação de crédito de procedimento sumário, preliminar à própria compensação, a qual somente é materializada por meio da apresentação de DCOMP, Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.505 20 declaração que caracteriza a utilização, pelo contribuinte, do direito de crédito de que dispõe, especificando a parcela do crédito utilizada na compensação e o débito compensado. A habilitação de crédito judicial demonstra apenas a pretensão do contribuinte de utilizálo em compensação, mas esta somente é concretizada pela apresentação da competente e indispensável declaração. Desta forma, não há previsão legal para a interrupção, ou suspensão, do prazo prescricional em análise a partir da negativa da Administração em habilitar o crédito judicial, ainda que se considere o princípio da actio nata. Destaquese que a parcela do prazo prescricional consumida pela Administração na análise dos pedidos de habilitação, 330 dias, ou seja, quase um ano, foi devolvida ao contribuinte, nos termos do despacho decisório contestado. Assim, a perda do prazo a que deu causa a Administração foi suprida pelo acréscimo dos dias utilizados nessa apreciação ao prazo original. No entanto, cabe reiterar, mais uma vez, que houve um lapso de 3 anos entre a ciência do primeiro indeferimento (24/11/2005) e o protocolo do segundo pedido de habilitação (10/12/2008). Esta perda, portanto, não foi causada pela Administração, mas sim pelo próprio interessado, constatandose que houve inércia de sua parte, ao contrário do afirmado, uma vez que boa parte do prazo prescricional foi desperdiçado, sem qualquer providência por parte da empresa, que somente impetrou o Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500 em 18/05/2009. Assim, concluise que a lesão causada pela Administração em razão da não habilitação do crédito foi sanada pela decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, assim como o tempo decorrido na análise dos pedidos foi restituído ao prazo prescricional original, mas o não aproveitamento integral do prazo de que dispunha para executar seu direito de crédito via compensação foi desperdiçado em grande parte pela própria empresa, causando ela própria prejuízo à utilização do direito de crédito de que dispunha. Não pode a empresa, portanto, pretender imputar à Administração lesão a que esta não deu causa, pretendendo se eximir da própria responsabilidade da perda de grande parte do tempo de que dispunha. A parcela de responsabilidade da Administração já foi suprida pela decisão no Mandado de Segurança e pela recomposição do prazo. A parcela de responsabilidade da empresa, ou seja, todo o restante do prazo prescricional não aproveitado, deve ser a ela imputada, não sendo cabível pretender recompor a perda por ela mesma causada. O contribuinte busca fortalecer sua alegação, afirmando que o prazo prescricional se refere ao início da compensação, não havendo previsão legal que fixe o tempo máximo para finalizar a compensação. Entende que, uma vez iniciada a compensação, esta pode ser realizada até o esgotamento dos créditos. Assim, as DCOMP posteriores àquela transmitida em 24/07/2009 constituiriam mero desdobramento do primeiro pedido de compensação. Tal entendimento não deve prosperar, considerando vários aspectos da presente situação. Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.506 21 Inicialmente, sob o aspecto jurídico, a pretensão do contribuinte ensejaria a criação de direito imprescritível, o que vai de encontro a todo o ordenamento jurídico pátrio, não havendo hipótese legal para tanto em matéria tributária, seja em favor da Fazenda, seja em favor do sujeito passivo. Também sob o aspecto da opção do contribuinte tal alegação não tem fundamento, considerando que a compensação é uma das formas de execução do direito que lhe foi reconhecido judicialmente, mas não a única. O contribuinte dispõe da opção de execução na via judicial, por meio da emissão de precatório, ou na via administrativa, por meio de compensação, conforme limita hoje a IN/RFB nº 1.300/2012. Ainda que opte pela segunda, e ainda que pretenda utilizar o direito creditório obtido para tal fim, até sua total extinção, o que, por certo, seria a hipótese lógica, tal opção deve ser concretizada por meio da apresentação da Declaração de Compensação, não podendo a RFB supor quando o contribuinte irá realizar tal opção, nem tampouco quais os débitos a serem incluídos na compensação, e nem ainda se o crédito será integralmente utilizado, ou ainda permanecer aguardando indefinidamente que tal fato ocorra. Tal situação ofenderia o princípio da segurança jurídica, na medida em que criaria impasse diante da incerteza do procedimento a ser adotado pelo sujeito passivo. Na verdade, o fato de o contribuinte dispor de um direito não significa necessariamente o seu exercício, o qual deve ser materializado por meio do competente documento – Declaração de Compensação – , por meio do qual a Administração passa a ter conhecimento de sua pretensão. Ao contrário do que o contribuinte alega, o exercício do direito à compensação não ocorre de forma unificada na primeira declaração de compensação apresentada, mas se concretiza na apresentação de cada documento, pelo simples fato de haver a hipótese de o detentor do direito creditório não mais desejar exercêlo, ou optar por não mais efetuar qualquer compensação. Ainda que o direito creditório reconhecido efetivamente seja uno, a sua utilização pode ou não se dar de uma única vez. Assim, concluise que o prazo prescricional deve incidir a cada Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo. No presente caso, como já dito, as DCOMP apresentadas após 06/01/2011 correspondem a compensações realizadas após esgotado o prazo prescricional para exercício do direito creditório reconhecido judicialmente, ainda que se considerem as especificidades do presente processo (interrupção e suspensão do prazo prescricional), razão pela qual não deve ser alterado o despacho decisório neste aspecto. Tal questão foi definida pela RFB por meio do Parecer Normativo Cosit nº 11/2014, já citado neste voto, transcrevendose abaixo a parte da ementa relativa ao tema: O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. DA ALEGADA VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.507 22 Por fim, o contribuinte alega que a autoridade administrativa, ao indeferir seus pedidos de habilitação de crédito e não homologar as compensações declaradas após 06/01/2011, violou princípios constitucionais, como o da proporcionalidade e o da razoabilidade, em ofensa aos direitos individuais de liberdade, autonomia e propriedade (artigo 37 da Constituição, artigo 2º da Lei 9.784/99). Conclui afirmando que, considerando que seu direito à compensação está abrangido pela coisa julgada e que tentou de diversas formas exercê lo, não permanecendo inerte, não se mostra razoável ou proporcional o indeferimento das compensações efetuadas entre fevereiro e dezembro de 2011. Relativamente às decisões que indeferiram os pedidos de habilitação, os fundamentos utilizados pela autoridade administrativa já foram devidamente analisados nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, e afastados pela autoridade judicial. Portanto, qualquer eventual ofensa aos princípios citados pelo contribuinte, ou a qualquer outro, ou ainda violação a norma, já foi objeto de apreciação naquele âmbito, não cabendo qualquer análise por parte desta DRJ, até mesmo pelo fato de que este colegiado não seria competente para decidir acerca da correção destas decisões, as quais não estão sujeitas ao rito do Decreto nº 70.235/72. Quanto à limitação temporal estabelecida no despacho decisório impugnado, este sim sujeito à apreciação pela DRJ, não há violação a qualquer princípio, constitucional ou não, visto que esta decisão está devidamente fundamentada em normas e entendimentos exarados pela RFB, que devem ser obrigatoriamente observados pela autoridade administrativa, considerando o caráter vinculado de tal atividade, seja na apreciação original do pedido formulado pelo contribuinte, ou no julgamento do contencioso dela decorrente (princípio da legalidade dos atos administrativos). Nesse aspecto, cabe observar que os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade podem ser aplicados pelo julgador administrativo na medida em que autorizado pela legislação a qual está vinculado, e nos limites por ela previstos. Quanto ao direito à compensação administrativa do crédito, este foi devidamente resguardado pelas decisões proferidas nos autos judiciais vinculados à presente análise, como visto. Porém, esta garantia não tem a extensão que o contribuinte pretende dar, como bem destacou a autoridade judicial nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, nos termos da decisão acima transcrita. O exercício do direito à compensação está sujeito às normas legais e administrativas que regem a matéria, devidamente aplicadas no despacho decisório contestado. No momento em que optou pelo exercício de parte de seu direito de crédito por meio da compensação administrativa, sujeitouse o contribuinte aos atos normativos e ao entendimento vigentes no âmbito da RFB, aplicandose, portanto, as observações acima, relativas à vinculação do ato administrativo. (...) Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.508 23 Nessa moldura, não assiste razão à recorrente em sua irresignação em face da prescrição declarada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Voto Vencedor Conselheiro Walker Araújo, Redator Designado. Com o devido respeito ao voto do ilustre Relator, ouço discordar da solução a ser dado ao presente caso, pelas razões a seguir aduzidas. A controvérsia gira em torno do prazo de decadência/prescrição do direito de compensar o crédito reconhecido por decisão judicial e a forma adequada de o contribuinte exercer o referido direito. O despacho decisório admitiu parcialmente o crédito apurado pela Recorrente e homologou as compensações efetuadas até a data de 06.01.2011, não homologando os pedidos de compensação realizados após o 07.01.2011, conforme denotase da conclusão do referido despacho: • Dessa forma, a data final para aproveitamento do crédito judicial para fins de compensação administrativa deve ser calculada da seguinte forma: data de ocorrência da prescrição qüinqüenal sem a suspensão, ou seja, cinco anos da data do trânsito em julgado da homologação da desistência da execução, 10/02/2010, acrescida dos 330 dias, que foram considerados suspensos. A data final do prazo prescricional/decadencial para utilização do crédito objeto da presente análise é 06/01/2011; • Portanto, as compensações transmitidas por DCOMP a partir de 07/01/2011 devem ser consideradas não homologadas, tendo em vista a prescrição/decadência de seu direito; Em suma, para a autoridade fiscal, o prazo terminaria no dia em que completasse o prazo quinquenal de decadência/prescrição, contado do trânsito em julgado da decisão judicial. Por sua vez, a Recorrente sustenta, em síntese apertada, que a impetração do Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0116500, para viabilizar a habilitação dos créditos de FINSOCIAL, cuja compensação foi autorizada por decisão judicial transitada em julgado em 10.2.2005, teve o condão de interromper a prescrição no presente caso, e desse modo o prazo prescricional de cinco anos teria começado a fluir novamente a partir de 18.5.2009, tendo como termo final o dia 18.5.2014, o que viabilizaria toda a compensação levada a efeito pela recorrente. Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.509 24 Acrescenta, ainda, que promoveu pedidos de habilitação de créditos, uma vez que tal habilitação constituía requisito para a compensação administrativa. A questão não é de fácil solução, porque não há na legislação tributária, definição do prazo para utilização do valor do total do crédito reconhecido por decisão judicial, tempestivamente informado no pedido de habilitação do crédito e posteriormente utilizado nos pedidos de compensação. Entretanto, sabese que, para que ocorra a decadência ou a prescrição, a premissa basilar é a comprovada existência da inércia do titular do direito ou da pretensão de exercer um ou a outra dentro do prazo legal. Sem a comprovação de que o titular do direito ou da pretensão poderia exercêlo tempestivamente, inequivocamente, não há como reconhecer a extinção de um ou da outra. De outra parte, se provada a inércia do titular do direito ou da pretensão ele deve arcar com as consequências da sua desídia. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1.480.602/PR, cujo enunciado da ementa segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. HABILITAÇÃO DE CRÉDITO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. PROTOCOLO FORMALIZADO APÓS O TRANSCURSO DE PRAZO SUPERIOR A CINCO ANOS, CONTADOS DO TRÂNSITO EM JULGADO DA DECISÃO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO AFASTADA PELA CORTE LOCAL, COM BASE EM VALORAÇÃO ABSTRATA. NECESSIDADE DE ANULAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. Com base no conteúdo da decisão colegiada, temse como incontroverso que: a) os indébitos de PIS foram reconhecidos na Ação nº 1999.70.00.0153161, com trânsito em julgado em 5.3.2001; b) a compensação começou antes da publicação da IN SRF 600/2005; e c) a habilitação do saldo de R$14.000,00 foi pleiteada em 2008. 3. Sob a premissa de que a prescrição deve ser extraída a partir da inércia do titular da pretensão, a Corte local concluiu, de forma abstrata, que o início do procedimento de compensação, antes da entrada em vigor da IN 600/2005, tem aptidão para desconfigurar o referido instituto jurídico. 4. É correto dizer que o prazo do art. 168, caput, do CTN é para pleitear a compensação, e não para realizála integralmente. 5. Imaginese, por exemplo, que o contribuinte tenha uma média anual de impostos a pagar no valor de R$50.000,00 (cinquenta mil reais). Se o indébito reconhecido for de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), é fácil antever que seriam necessários aproximadamente 10 (dez) anos para o integral exaurimento da sua pretensão. Não haveria, nesse contexto, como decretar prescrito o saldo não aproveitado nos primeiros cinco anos. 6. Diferente seria a solução se, por descuido do contribuinte, o indébito hipotético de R$ 100.000,00 (cem mil reais) que poderia ser compensado em apenas dois anos não fosse integralmente aproveitado no lustro. 7. Portanto, consoante adotado como ratio decidendi pelo Tribuna1 a quo, a verificação da inércia é imprescindível para concluir se o pedido de habilitação, formulado em 2008, foi ou não atingido pela prescrição. Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.510 25 8. O simples fato de a compensação haver sido iniciada antes da entrada em vigor da IN SRF 600/2005 não é suficiente para a solução da lide. Deverão as instâncias de origem apurar se (e a partir de quando) houve impossibilidade concreta de compensação do saldo cuja habilitação somente foi pleiteada no ano de 2008, para, então, formular a valoração quanto à configuração ou não da prescrição. 9. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido, para anular o acórdão hostilizado. (REsp 1480602/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/10/2014, DJe 31/10/2014) No voto condutor do julgado, a necessidade de comprovação de que não houve inércia por parte do titular do direito ou da pretensão resta claramente demonstrada, conforme pode ser lido nos excertos que seguem transcritos: No mérito, é importante registrar que a solução da lide não demanda o revolvimento do acervo probatório, mas sim a valoração das premissas fáticas adotadas no acórdão recorrido. Assim, com base no conteúdo da decisão colegiada, temse como incontroverso que (fl. 116, eSTJ): a) os indébitos de PIS foram reconhecidos na Ação nº 1999.70.00.0153161, com trânsito em julgado em 5.3.2001; b) a compensação começou antes da publicação da IN SRF 600/2005. c) a habilitação do saldo de R$14.000,00 foi pleiteada em 2008. Sob a premissa de que a prescrição deve ser extraída a partir da inércia do titular da pretensão, a Corte local concluiu, de forma abstrata, que o início do procedimento de compensação tem aptidão para desconfigurar o referido instituto jurídico. Entendo, com a devida vênia, que a linha de raciocínio desenvolvida pelo órgão colegiado não se revela adequada. É certo dizer que o prazo do art. 168, caput, do CTN é para pleitear a compensação, e não para realizála integralmente. Imaginese, por exemplo, que o contribuinte tenha uma média anual de impostos a pagar no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Se o indébito reconhecido for de R$500.000,00 (quinhentos mil reais), é fácil antever que seriam necessários aproximadamente 10 (dez) anos para o integral exaurimento da sua pretensão. Não haveria, nesse contexto, como decretar prescrito o saldo não aproveitado nos primeiros cinco anos. Diferente seria a solução se, por descuido do contribuinte, o indébito hipotético de R$100.000,00 (cem mil reais) – que poderia ser compensado em apenas dois anos – não fosse integralmente aproveitado no prazo prescricional. Portanto, consoante adotado como ratio decidendi pelo Tribunal a quo, a verificação da inércia é imprescindível para concluir se o pedido de habilitação, formulado em 2008, foi ou não atingido pela prescrição. O simples fato de a compensação haver sido iniciada antes da entrada em vigor da IN SRF 600/2005 não é suficiente para a solução da lide Deverão as instâncias de origem apurar se (e a partir de quando) houve impossibilidade concreta de compensação do saldo cuja habilitação somente foi pleiteada no ano de 2008, para, então, formular a valoração quanto à configuração ou não da prescrição. Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 16692.720502/201453 Resolução nº 3302001.027 S3C3T2 Fl. 1.511 26 Com essas considerações, dou parcial provimento ao Recurso Especial, para anular o acórdão hostilizado. Esse entendimento concilia o princípio da razoabilidade e da segurança jurídica, pois, ao assegurar o exercício do direito de compensação após o prazo decadencial ou prescricional, para os casos em que se revelou impossível o exercício do direito de compensação, ao mesmo, restringiu o exercício desse direito para as situações em que o contribuinte, embora dispondo de débito passível de compensação, por desleixo ou de forma intencional, procrastinou o exercício do direito para além do quinquídio legal. A não exigência de prazo final para a conclusão do procedimento compensatório em apreço, sem qualquer condição, conforme defendido pela recorrente, implicaria instabilidade jurídica, o que afronta o princípio do segurança jurídica. No caso, não há controvérsia de que as DComp apresentadas a partir de 07/01/2011 foram apresentadas após o prazo decadencial/prescricional, fixado o art. 168, II, do CTN, porém, não há, nos autos, elementos que comprovem que a Recorrente estava impossibilitada de compensar o referido crédito até o dia 06/01/2011, data em que completado o referido prazo. Por todo o exposto, propõese a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB proceda a intimação da Recorrente para comprovar a impossibilidade de utilização nas compensações realizadas até 06/01/2011; e preste informação sobre todos os tributos recolhidos ou extintos de outras formas previstas no art. 156 do CTN. Após todos esses procedimentos, elaborar relatório conclusivo e cientificar a Recorrente de todo procedimento realizado, para que, se desejar, apresente manifestação arespeito. Enfim, retornemse os autos a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 1511DF CARF MF
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