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Numero do processo: 19311.720502/2013-06
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em Exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Recorrente TIOSERTEC INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator e Presidente em Exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 05 02 /2 01 3- 06 Fl. 931DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 3 2 Exercício). Fl. 932DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte TIOSERTEC INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA em 07/05/2015, com fundamento no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergência jurisprudencial acerca de matéria relacionada à lide. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1101001.227, por meio do qual os membros da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram: 1) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário relativamente aos valores exigidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e à multa de ofício qualificada; e 2) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à cobrança de multa isolada. A autuação fiscal que deu origem aos presentes autos foi motivada pela ausência de comprovação, pela contribuinte, de notas fiscais de compras de mercadorias para revenda escrituradas no Livro de Registro de Entradas, sem numeração válida ou identificação do suposto fornecedor. A Fiscalização concluiu que tais notas eram inexistentes e que os valores a ela atribuídos foram indevidamente utilizados pela contribuinte para majorar o custo de mercadorias vendidas e a base de cálculo de créditos de PIS e COFINS (regime não cumulativo). Assim, foram lançados créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acompanhados de multa de ofício qualificada, além de multa isolada pela ausência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Além disso, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de Maria Lidia Sartor Sgarbi, sóciagerente da contribuinte. Apesar de regularmente intimada a respeito da autuação fiscal e da imputação de responsabilidade tributária solidária, a sócia gerente não se manifestou nos autos. A decisão de primeira instância manteve a autuação, cancelando apenas uma parte menor dos créditos constituídos de IRPJ e CSLL, que foi apenada com multa de ofício de 75%, por entender que esta parte do lançamento não teria sido adequadamente fundamentada pela Fiscalização. Posteriormente, 1a Turma Ordinária da 1a Câmara negou provimento ao recurso voluntário, em julgamento que culminou na prolação do acórdão contra o qual ora se insurge a recorrente. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 Compras Inexistentes. Majoração Indevida do Custo das Mercadorias Vendidas. Lançamento de Ofício. Cabimento Comprovado nos autos que a recorrente majorou a apuração de seu CMV em razão da contabilização de compras não sustentadas por notas fiscais idôneas, imperioso glosarse o aumento indevido dos custos e recompor o efetivo lucro, base inicial para apuração do IRPJ efetivamente devido. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Não Cumulatividade. Compras Inexistentes. Creditamento Indevido. Comprovado nos autos que a recorrente utilizouse do artifício de registrar em seu Livro Registro de Entradas compras não sustentadas por notas fiscais idôneas e sobre elas creditouse indevidamente da COFINS, conforme DACON entregues, o lançamento de ofício é medida que se impõe como forma de recompor os valores impropriamente aproveitados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Não Cumulatividade. Compras Inexistentes. Creditamento Indevido. Comprovado nos autos que a recorrente utilizouse do artifício de registrar em seu Livro Registro de Entradas compras não sustentadas por notas fiscais idôneas e sobre elas creditouse indevidamente do PIS, conforme DACON entregues, o lançamento de ofício é medida que se impõe como forma de recompor os valores impropriamente aproveitados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Multa de Lançamento de Ofício. Qualificação Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. Multa Isolada. Multa de Ofício. Concomitância. Cabimento. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício relativa aos lançamentos por glosa de despesas, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. A contribuinte foi intimada a respeito da decisão em 22/04/2015, por meio de mensagem eletrônica enviada à sua Caixa Postal (Domicílio Tributário Eletrônico). Em resposta, interpôs, em 07/05/2015, recurso especial tempestivo insurgindose contra a parte do Acórdão nº 1101001.227 que admitiu a possibilidade de cobrança concomitante das multas de ofício e isolada. Segundo a recorrente, a decisão teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. Os demais pontos decididos no acórdão recorrido de forma desfavorável à contribuinte não foram objeto do recurso. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 6 5 Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), a contribuinte apontou acórdãos da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que teriam dado ao tema combatido interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. Após defender a tempestividade do recurso especial e o prequestionamento da matéria debatida, a contribuinte relata que o acórdão recorrido concluiu pela possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada, por ausência de recolhimento de estimativas mensais, e da multa de ofício relativa aos lançamentos por glosa de despesas, considerando que elas referirseiam a hipóteses de incidência distintas. Ao assim decidir, o acórdão recorrido teria entrado em divergência com os Acórdãos nº 9101001.043 e nº 910100.713 (ambos proferidos pela 1ª Turma da CSRF), que defendem a impossibilidade jurídica de cumulação das multas isolada e de ofício. Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigma, a recorrente apresenta alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma da decisão recorrida no que diz respeito à cobrança concomitante das multas. Em suma, argumentase que: É ilegal a imposição de dupla sanção sobre uma única conduta, eis que representa violação dos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco e do direito de propriedade, todos de envergadura constitucional; A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício é uma duplicação da penalidade, desproporcional ao eventual prejuízo causado; A infração relativa ao não recolhimento de estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. A contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja provido para reformar o acórdão recorrido, a fim de que seja afastada a cobrança concomitante das multas de ofício e isolada. A irresignação da contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. As conclusões foram expostas em despacho de 09/07/2015. O aludido despacho dispôs que o segundo paradigma (Acórdão nº 9101 00.713) não se prestava à caracterização da divergência jurisprudencial aventada pela contribuinte porque "ao contrário do lançamento aqui formalizado, tratava de exigências anteriores ao anocalendário 2007 e trouxe expressa ressalva acerca da possibilidade de exigência da multa isolada a partir da alteração promovida pela (...) Lei nº 11.488/2007". Fl. 935DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 7 6 Já tratando do primeiro paradigma (Acórdão nº 9101001.043), o despacho, devidamente aprovado pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, considerou caracterizada a divergência jurisprudencial e determinou o seguimento do recurso especial da contribuinte. Em 14/07/2015, os autos foram eletronicamente remetidos à PGFN, para fins de ciência da interposição de recurso especial pela contribuinte, assim como de sua admissão, nos termos dos art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 27/07/2015, contrarrazões às alegações da recorrente. Assim podem ser resumidas as alegações perfiladas pela Fazenda Nacional: Ao deixar de efetuar os recolhimentos por estimativa, a contribuinte incidiu em infração à legislação do IRPJ, sujeitandose ao lançamento de ofício na forma do art. 44, I, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996 (multa isolada). Já ao deixar de recolher o imposto apurado ao final do anocalendário, a contribuinte incidiu em nova infração à legislação do IRPJ, desta vez se sujeitando ao lançamento de ofício na forma do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício); A penalidade aplicada isoladamente se deve à falta da antecipação da estimativa mensal por imposição legal, e não se confunde com a outra penalidade, aplicada pela insuficiência do recolhimento do tributo ao final do período de apuração anual; Na cobrança simultânea das multas isolada e de ofício inexiste duplicidade de incidência sobre um mesmo fato, pois estamos diante de duas infrações distintas, quais sejam: a) falta de recolhimento do imposto em razão de declaração inexata prestada à Receita Federal; e b) falta de recolhimento das antecipações obrigatórias (estimativas); O art. 44 da Lei nº 9.430/1996 foi alterado pela Lei nº 11.488/2007 e sua nova redação reduziu a multa isolada para 50%, ficando bem claro que a referida multa era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago; Até as bases de cálculo das multas isolada e de ofício foram diferenciadas, afastandose, desta forma, qualquer alegação de bis in idem. Com efeito, segundo texto dado pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa isolada pela falta de pagamento da estimativa consiste no valor do pagamento mensal, no percentual de 50%, enquanto a multa pelo lançamento de ofício incide sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou nos de declaração inexata, no percentual de 75%. Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose o acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. Os autos seguiram então para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) para o julgamento do recurso especial. É o relatório. Fl. 936DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conforme relatado, a contribuinte apresentou recurso especial insurgindose contra o decidido no Acórdão nº 1101001.227 quanto à possibilidade de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício. As demais matérias julgadas pelo referido acórdão, também decididas de forma desfavorável à contribuinte, não foram objeto de recurso. A Fazenda Nacional, por ocasião do oferecimento de contrarrazões ao recurso especial interposto pela contribuinte, não apresentou arguições preliminares de não conhecimento recursal. Sendo assim, adoto os fundamentos do despacho de exame de admissibilidade exarado em 09/07/2015 e CONHEÇO do recurso especial da contribuinte. Tratando da única matéria abordada em seu recurso especial, a contribuinte defende que a imputação concomitante das multas isolada (aplicada pela ausência ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL apuradas ao longo do anocalendário) e de ofício (aplicada ao final do anocalendário, em razão da ausência ou insuficiência de pagamento de IRPJ ou CSLL apurados sobre o período de apuração anual) é ilegal por caracterizar dupla penalização sobre a mesma conduta, afrontando os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco e do direito à propriedade, todos de estatura constitucional. Argumenta ainda a recorrente que a infração relativa ao não recolhimento das estimativas mensais é uma etapa preparatória da redução de pagamento do tributo no final do ano. Dessa forma, a aplicação simultânea das multas penalizaria duas vezes o contribuinte com penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionada ao descumprimento de obrigação tributária principal consubstanciada no recolhimento de tributo. Pois bem. A multa isolada a que se refere a recorrente, devida por ausência de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, tinha a seguinte redação até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) Fl. 937DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 9 8 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Destaquemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editou se a citada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício Fl. 938DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 10 9 por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Reitero meu posicionamento, já externado em outros julgamentos, de não considerar razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 19311.720502/201306 Acórdão n.º 9101003.702 CSRFT1 Fl. 11 10 Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, caso dos presentes autos (anocalendário 2009). Por esta razão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.720488/2017-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente CARLOS ALBERTO DA SILVA NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 04 88 /2 01 7- 62 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13771.720488/201762 Acórdão n.º 2002000.332 S2C0T2 Fl. 55 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 19ª Turma da DRJ/RJO, que considerou improcedente a impugnação (fls.28/33). Em face do sujeito passivo foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 9/14, relativa ao anocalendário 2012, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apontou as seguintes infrações: rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave e dedução indevida de previdência oficial. Em relação à primeira infração, a autuação consigna que "a comprovação da moléstia grave deve ser realizada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, contendo a identificação completa do profissional, sendo indispensável a indicação do cargo (matrícula) ou do ato que confere ao profissional autoridade para manifestarse como perito em nome do órgão". No tocante à segunda infração, aponta equívoco do contribuinte ao informar contribuição à previdência privada como previdência oficial, ressaltando que fez os ajustes cabíveis (fls.12/13). A Notificação de Lançamento alterou o resultado de saldo de imposto a restituir declarado de R$2.737,38, para saldo de imposto a pagar de R$2.118,94. Como já lhe fora restituído o valor de R$1.611,14, está sendo exigido do contribuinte o imposto suplementar no valor de R$3.730,08. Cientificado da notificação em 18/8/2017 (fls.21), o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 6/9/2017 (fls. 2/14). Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 15/3/2018 (fl. 34), o recorrente apresentou recurso voluntário em 10/4/2018 (fls. 40/51), em que alega os seguintes argumentos de defesa: estaria sendo anexado ao seu recurso laudo pericial com as correções das faltas indicadas na decisão de primeira instância, quais sejam, a assinatura do administrador do posto de saúde e a indicação da matrícula do médico perito. quanto à glosa da previdência oficial, diz que em nada modifica o valor do imposto, uma vez que os rendimentos seriam isentos. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13771.720488/201762 Acórdão n.º 2002000.332 S2C0T2 Fl. 56 3 Delimitação da lide Em relação à glosa da previdência oficial declarada, o recorrente limitase a argumentar que a dedução não faria diferença no cálculo do imposto, uma vez que seus rendimentos seriam isentos. Vêse, assim, que o recorrente não contestou tal infração, que, portanto, não cabe ser apreciada por este colegiado. Mérito O litígio recai sobre os rendimentos recebidos pelo sujeito passivo da Petros, os quais ele alega que seriam isentos por serem decorrentes de aposentadoria e por ser ele portador de moléstia grave. Conforme relatado, a autuação apontou falhas no laudo médico apresentado para comprovação da moléstia. Na análise do laudo médico apresentado na fase impugnatória, a decisão de piso consigna: O contribuinte anexou aos autos, à fl. 08 , cópia de Laudo Pericial datado de 19/04/2017, onde consta que o contribuinte é portador de 01/2011 até a presente data de Cardiomiopatia Isquêmica CID I50/I25. Consta do referido Laudo Pericial que o “paciente é portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetis tipo II, doença arterial coronariana, sendo revascularizado com 3 pontes radial mamária esquerda e safena em 2011...” Consta do item 2 do referido Laudo, ser a moléstia enquadrada como Cardiopatia Grave. Bem como também não ser a doença passível de controle. Consta do referido Laudo, carimbo da Secretaria Municipal de Saúde de Vila Velha ES. Ocorre porém, que consta do referido Laudo o carimbo do Sr. Milton César Valente da Costa (Administrador CEMAS/SEMSA Matricula 10766/5) porém sem sua assinatura. De igual forma não consta o nº de matrícula na Secretaria de Saúde do Município de Vila Velha ES bem como sua qualificação como Perito, do profissional que assinou o presente Laudo Pericial, o Dr. André S Brandão CRMES 10298 (Médico Cardiologista). ... Como bem assinalado pela Autoridade Lançadora à fl. 11, não consta do presente Laudo Pericial a identificação completa do profissional, sendo indispensável a indicação do cargo (matrícula), ou do ato que confere ao profissional, autoridade para manifestarse como Perito em nome da Secretaria Municipal da Saúde de Vila Velha ES Agora, em seu recurso, o recorrente junta o laudo de fl.49, que se trata do documento anteriormente apresentado (fls. 7, 8 e 48), mas contendo uma rubrica em cima do nome do administrador e a indicação de um suposto número de matrícula abaixo do nome do médico emitente do laudo. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13771.720488/201762 Acórdão n.º 2002000.332 S2C0T2 Fl. 57 4 Agora, em seu recurso, o recorrente junta o laudo de fl.49, que se trata do documento anteriormente apresentado (fls. 7, 8 e 48), agora contendo uma rubrica em cima do nome do administrador e a indicação do que seria o número de matrícula abaixo do nome do médico emitente do laudo. Em pesquisa ao Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (cnes.datasus.gov.br), confirmase que o laudo foi emitido por serviço médico do município, bem como a atuação do profissional emitente do laudo nessa instituição. Acerca da isenção pleiteada, a Súmula CARF nº 63 dispõe: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O litígio limitase à análise do documento comprobatório da moléstia grave, não tendo sido questionada a natureza dos rendimentos. Nessa toada, entendo que o recorrente fez a prova exigida na forma legal, devendo ser cancelada a infração a ele imputada. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.952200/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 20 0/ 20 09 -1 5 Fl. 444DF CARF MF Processo nº 15374.952200/200915 Resolução nº 3401001.445 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, Fl. 445DF CARF MF Processo nº 15374.952200/200915 Resolução nº 3401001.445 S3C4T1 Fl. 4 3 do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 446DF CARF MF Processo nº 15374.952200/200915 Resolução nº 3401001.445 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 447DF CARF MF Processo nº 15374.952200/200915 Resolução nº 3401001.445 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 15374.952200/200915 Resolução nº 3401001.445 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 449DF CARF MF
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Numero do processo: 16349.000363/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
A não-cumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva Entrada vs. Saída, mas de uma perspectiva Despesa/Custo vs. Receita, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços.
INSUMO. CONCEITO.
Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividade-fim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo não-circulante, hipótese em que já previsão específica de apropriação.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO
PROPORCIONAL.
Na determinação dos créditos da não-cumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da não-cumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS
O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País.
Numero da decisão: 3401-004.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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A nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, de modo que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. INSUMO. CONCEITO. Insumo, para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS, deve ser tido de forma mais abrangente do que o previsto pela legislação do IPI. Para tanto, esse itens, sejam serviços, mercadorias, ou intangíveis, devem ser intimamente ligados à atividadefim da empresa e, principalmente, ser utilizados efetivamente, e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo de maneira imprescindível para geração de receitas, observadas as demais restrições previstas expressamente em lei, em especial, a de que não sejam tratados como ativo nãocirculante, hipótese em que já previsão específica de apropriação. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, não há previsão de rateio proporcional entre as receitas tributadas e não tributadas. REGIME NÃOCUMULATIVO. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas que depois de concluído o processo produtivo se destinam ao transporte dos produtos acabados AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 63 /2 00 9- 91 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 2 (embalagens para transporte), para garantir a integridade física dos materiais podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE BENS E INSUMOS IMPORTADOS O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, de créditos de contribuição não cumulativa, vinculadas à receita do mercado externo, com débitos administrados pela RFB. Foi emitido Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou as compensações até o limite reconhecido. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, a contribuinte encaminhou sua Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Créditos a descontar na importação: a empresa apurou créditos decorrentes de suas operações de importação de insumos e produtos para revenda, norteandose pelo art. 15 da Lei n° 10.865/2004. O Fisco questionou tais créditos com base nas seguintes premissas: (a) importação de bens classificados na NCM 38.08 assim como das matériasprimas utilizadas para sua produção que supostamente deveriam ser tributados à alíquota zero da contribuição; e (b) crédito tomado sobre produtos que não se caracterizam no conceito de insumos. Ocorre que o NCM 38.08 não diz respeito apenas a defensivos agrícolas, bem como a empresa não fabrica somente o tipo de produto classificado em tal NCM. Estão inseridos no rol de produtos abarcados pela NCM 38.08 diversas outras mercadorias e não só defensivos agrícolas abarcados pela alíquota zero da contribuição. A empresa é produtora de inseticidas, raticidas, produtos de jardinagem amadora e repelentes, os quais se inserem, como os defensivos agrícolas, no rol 38.08 da NCM, mas que são tributados pela alíquota regular. Não foram confrontados os NCMs indicados pela empresa em suas DIs, se pautando o despacho decisório apenas em premissa de que todos os produtos comercializados estariam classificados no NCM 38.08 como defensivos agrícolas e que, por isso, não dariam direito ao crédito pleiteado. Acosta planilha e folders. 2) Créditos decorrentes da aquisição de insumos: a Fiscalização glosou créditos da empresa relativos à aquisição de insumos utilizados em seu processo produtivo. Estas glosas são refutadas porque: a) conceito de insumos: tomandose como referência os intentos do Legislador, constantes de Exposição de Motivos da norma instituidora da sistemática nãocumulativa da COFINS (delimitou o regime de apuração de créditos totalmente diferente daquela adotada pela legislação do IPI), reputase claramente ilegal o conceito utilizado pela Fiscalização na definição de insumos. A definição sugerida pela Fiscalização se pautou, além da impossível utilização por analogia das normas do IPI, também na IN n°247/2002, que trata quase que de forma idêntica da conceituação de insumos para creditamento da COFINS da conceituação elaborada para fins de IPI. Isso fica latente quando se contempla como um dos prérequisitos para o enquadramento de determinada mercadoria como insumo seu contato direto com o produto final que está sendo elaborado. A intenção do legislador era a desoneração do faturamento e não do produto final, razão pela qual difícil conceber como necessários, para a conceituação de insumos, a restrição contida no referido Fl. 476DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 4 dispositivo infralegal, que obriga a ocorrência do contato direto da mercadoria com o produto final que se está a elaborar. A norma infralegal agiu ao total arrepio de suas competências ao regular preceito em total desacordo com os intentos da legislação que lhe dá fulcro, sofrendo, por conseguinte, de uma ilegalidade contida em sua gênese. Deve ser afastada a aplicabilidade da possível interpretação restritiva do crédito aqui discutido, pautada pela definição contida na IN, que obrigue o contato direto do insumo com o produto final que se está a produzir. È de todo evidente que o crédito de insumos apropriados pela empresa não pode ser contestado pelos argumentos levantados pela Fiscalização, vez que este se baseou em norma ilegal emitida pela RFB em desacordo com a legislação que lhe dá sustento, devendo este ser reconhecido em sua totalidade; b) contato direto dos insumos glosados ao produto final: após análise exaustiva dos diversos produtos enumerados pela Fiscalização em sua planilha de exclusões, a empresa houve por bem elaborar demonstrativo (anexado), no qual justifica o enquadramento dos produtos desconsiderados do conceito de insumos sugerido, refutando os argumentos de que estes não poderiam gerar direito ao crédito de COFINS apropriado. Assim: 1) materiais de embalagem: em sua totalidade, os materiais de embalagem considerados pelo despacho decisório como de mero acondicionamento para transporte, compõem na verdade o produto final e servem não para o transporte, mas sim para a proteção dos produtos comercializados desde o término de sua produção até o consumo final. Os produtos elaborados pela empresa, por serem de cunho tóxico, se sujeitam a diversas normas regulatórias emanadas por Agências Governamentais, as quais lhe obrigam a acondicionar suas mercadorias em embalagens padronizadas e resistentes. As caixas (que compõem grande parte dos produtos glosados pelo despacho em questão) são reforçadas por divisórias e colunas de proteção, além de se utilizarem de gramatura superior as caixas comuns contidas no mercado, evitando que o produto químico produzido sofra alterações em decorrência do contato excessivo com, por exemplo, a luz solar. Tal proteção não visa o transporte da mercadoria, a qual seria inutilizada por seu consumidor final após o recebimento destas, mas sim o acondicionamento de produtos tóxicos que devem ser sempre guardados por estas na sequência ao seu manejo, evitando assim prejuízos ao meio ambiente decorrentes de possíveis contaminações. Também se pode ver que na embalagem do produto final comercializado existem rótulos que são colocados em cada uma delas contendo informações importantes acerca das recomendações para a utilização dos produtos, assim como dos perigos que este pode causar caso sejam manejados de forma imprópria. Se estas caixas servissem apenas para o mero transporte não se fariam necessárias explicações atinentes aos procedimentos que devem ser adotados pelo consumidor final para utilização dos produtos. Os materiais de embalagem servem ao propósito de acondicionamento da mercadoria em si e não para o mero transporte destas. Não há que se falar em ilegalidade do crédito, devendo as caixas e todos os outros produtos que a compõem (rótulos, tinta, etiquetas e etc.) ser reconhecidos como insumos dos produtos comercializados, com geração de créditos; 2) materiais de limpeza: podem ser separados naqueles que são utilizados para a limpeza do pátio industrial e nos que são utilizados como produtos intermediários que visam a higienização das tubulações por onde passam os produtos químicos elaborados pela empresa ou o tratamento da água utilizada para aquecer em "banho maria" as matérias primas colocadas na caldeira de produção. Quanto a estes últimos, por serem de aplicação necessária ao processo produtivo, não há que se Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 5 questionar que geram direito ao crédito de COFINS. Os produtos glosados pela fiscalização, como se comprova pela planilha anexa, dizem respeito ao segundo tipo de materiais de limpeza, ou seja, aqueles que estão inseridos no processo produtivo e não são simplesmente utilizados para desinfetar o pátio fabril, mas sim para impedir que bactérias contaminem os produtos químicos que estão sendo produzidos; 3) créditos sobre matéria prima alíquota zero: esse beneficio é aplicado apenas nas aquisições destinadas à produção de defensivos agrícolas, sendo que nas aquisições regulares destas mercadorias no mercado interno ou externo ocorre a incidência normal de COFINS. Como dito, é empresa que, dentre outros, produz mercadorias saneantes também classificadas no NCM 38.08 (engloba os defensivos agrícolas), as quais se sujeitam à alíquota regular da contribuição aqui tratada (inseticidas, raticidas, fungicidas e etc.). Assim, equivocada está a Fiscalização ao glosar, sem uma análise aprofunda, todas as matérias primas adquiridas após a data de vigência da alíquota zero atribuída para a produção de defensivos agrícolas. 3) Despesas com aluguéis: a Fiscalização glosou parcela dos créditos aferidos na rubrica "Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas" sob o argumento de estarem contidos em sua composição valores que não se prestam a este tipo creditório. A maioria das glosas diz respeito a despesas tidas com energia elétrica, as quais foram incorretamente inseridas na rubrica em questão. Os créditos decorrentes de despesas de energia elétrica não vislumbram qualquer restrição pela legislação vigente da contribuição, devendo ser considerados em sua íntegra. A situação em tela se caracteriza como sendo mero equivoco formal cometido pela empresa no preenchimento de seu DACON. Não se presta como argumento suficiente para a glosa de créditos pleiteados, eis que nos processos referentes a ressarcimento/restituição, o principio da verdade material deve ser aplicado, tanto quanto nos casos relativos à constituição de créditos tributários. 4) Rateio Proporcional: a Fiscalização recalculou as porcentagens adotadas pela empresa para fins de apuração dos tipos creditórios aferidos no período em questão, sob o argumento de que não poderiam ter sido incluídos no cômputo das "Receitas de Vendas Não Tributadas no Mercado Interno", receitas tidas com operações financeiras e com vendas de ativos imobilizados. Fundamentou no art. 17 da Lei n° 11.033/2004. Mas este artigo prevê apenas a possibilidade de manutenção dos créditos de COFINS dos contribuintes quando estes possuam receitas abrangidas por normas isentivas ou de não incidência. Não faz ele qualquer distinção entre as receitas que deverão ser incluídas ou não no computo da sistemática de cálculo intitulada "rateio proporcional". Além disso, caso estivesse correto o entendimento da Fiscalização, a exclusão destas receitas do cálculo do rateio proporcional não poderia ocasionar a anulação do direito creditório aferido, porquanto o crédito permaneceria válido, passando de um crédito decorrente de receitas não tributadas para um crédito de receitas tributadas e/ou de exportações. 5) Diligências e perícias: pelo volume de documentos juntados aos autos, não resta outra alternativa para a análise efetiva de todo material apresentado, assim como para desvendar a verdade material dos fatos, que se: a) baixe o processo em diligência para análise dos documentos apresentados, como também outros que os sejam entendidos necessários para a validação do crédito pleiteado; b) realize trabalhos periciais, visando a validação dos argumentos apresentados pela empresa em relação ao correto enquadramento de seus insumos, a fim de que se reconheça seu direito creditório; Fl. 478DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 6 c) sejam analisados os quesitos que apresenta (art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972). Sobreveio Acórdão nº 10047.129, exarado pela DRJ/POA, que considerou improcedente a impugnação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário tempestivo, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.871, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 16349.000309/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.871): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo seu conhecimento. Do Mérito A maior parte dos créditos glosados pela Fiscalização devemse ao fato de que essa autoridade descaracterizou como insumos as aquisições de mercadorias que ensejaram o respectivo crédito de COFINS nãocumulativa. Nessa linha, foram glosados créditos referentes à aquisição de produtos de limpeza industrial e material de embalagens. Diante disso, convém discorrer brevemente sobre a não cumulatividade da Contribuição Social ao PIS e da COFINS A modalidade nãocumulativa das contribuições sociais surgiu em decorrência da edição das Medidas Provisórias 66/2002 e 135/2003, posteriormente convertidas nas Leis Federais 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 7 Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal, especialmente nos casos em que o contribuinte leis ordinárias est de forma conflituosa com os dispositivos constitucionais sobre tais tributos nos últimos cinquenta. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional limitou se a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas Fl. 480DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 8 anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momente, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 413, de 2008) Produção de efeitos a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 9 b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples); V – despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para Fl. 482DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 10 locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 11 (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente tratase do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água Fl. 484DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 12 afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 13 Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 14 Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 15 como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Passo a analisar item a item que fora glosado pela fiscalização e mantido pela decisão de primeiro grau: (A) MATERIAL DE EMBALAGEM Tal como ficou demonstrado pelas declarações e documentação fornecida pela Recorrente, os materiais de embalagem e transporte que foram objeto de glosa de créditos Fl. 488DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 16 são absolutamente necessários para o atendimento da legislação vigente que regula a produção e comercialização dos produtos ofertados pela Recorrente, de modo que não há como não considerálos como custo operacional. Diante da exposição anterior, sobre a nãocumulatividade das contribuições sociais, não vejo razão para manter a glosa. (B) MATERIAL DE LIMPEZA Da mesma forma, a atividade da Recorrente requer a obediência de diversas regras exigidas pelas autoridades sanitárias. Tal fato por si só já justifica a apropriação de créditos pela Recorrente, eis que, tais dispêndios são verdadeiros custos indiretos que deve ensejar o direito ao desconto de crédito. Por conta disso, merece reforma a decisão recorrida. (C) DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA REGISTRADAS COMO ALUGUÉIS Tendo sido comprovado que houve apenas erro material na demonstração dos créditos na DACON, não há como não reconhecer o direito ao crédito de energia elétrica eis que tal despesa está expressamente prevista no rol das possibilidades de apropriação de crédito não cumulativo. Ainda, como a fiscalização não analisou a documentação suporte das despesas de energia elétrica, não cabe somente em sede de recurso avaliar a procedência e sua regularidade documental, razão pela qual não entendo ser nem mesmo caso de diligência. (D) AQUISIÇÃO DE PRODUTOS IMPORTADOS E VENDIDOS COM ALÍQUOTA ZERO Em obediência ao artigo 15, inciso II, da Lei Federal 10865/2004, nos casos de insumos importados, classificados na posição 38.08, em que houver pagamento da COFINS, não há qualquer óbice para a manutenção do crédito, nessa hipótese. Ainda, nos termos do artigo 17, da Lei 11.033/2004, não há menor dúvida de que são garantidos os créditos sobre insumos que implicam em vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da COFINS . (E) RATEIO PROPORCIONAL Por fim, não vejo razão da manutenção da decisão no que tange ao rateio dos créditos da nãocumulatividade segundo a proporção entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno, haja vista que somente há previsão para o rateio entre receitas cumulativas e não cumulativas, nos termos do artigo 3º, da Lei Federal 10.833/2003, mesmo porque não houve qualquer menção no despacho decisório de que a Recorrente teria parte de suas receitas tributadas no regime cumulativo. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16349.000363/200991 Acórdão n.º 3401004.909 S3C4T1 Fl. 0 17 Por todo o exposto, conheço do Recurso e doulhe parcial provimento, para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer os créditos referentes a material de embalagem, material de limpeza, despesas de energia elétrica registradas erroneamente como aluguéis, e produtos importados classificados na posição 3808 da NCM para os quais tenha havido efetivo pagamento da contribuição na importação, devendo ainda ser afastado o critério de rateio adotado pela fiscalização, por carência de fundamento legal expresso (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000917/2006-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 0217.431 da 4ª Turma da DRJ/BHE, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Ato Declaratório Executivo DRFDIV MG n° 20, que exclui a empresa desse sistema a partir de 01/01/2002, em razão da prestação de serviços de locação de mãodeobra, atividade vedada ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 09 17 /2 00 6- 48 Fl. 139DF CARF MF 2 sistema, nos termos da alínea f do inciso XII do art. 9° da Lei n° 9.3 ló, de 5 de dezembro de 1996. Segue o breve relatório: Cientificada da exclusão, conforme Edital n° 26/2007, afixado em 13 de novembro de 2007 (doe. de fls. 75), a contribuinte apresentou, em 27/12/2007, manifestação de inconformidade (fls. 80/83), com as alegações a seguir sintetizadas. Esclarece que suas atividades estão relacionadas à locação de equipamentos e a prestação de serviços de escolta siderúrgica, além do transporte de cargas em geral, conforme consta em seus atos constitutivos. Acrescenta que: A seu turno, a excludente legal é restrita à locação de mãodeobra, não havendo, pois, como se estender a todo o âmbito das atividades desenvolvidas pela impugnante, as quais, envolvendo locação de equipamento, são, por óbvio, preponderantes do ponto de vista econômicoempresarial. Qualquer atuação administrativa que venha a vislumbrar situação diversa, a exemplo da aqui objeto de questionamento, obviamente, haverá de ter sua ilegalidade suscitada, pois, implicará em necessário desvirtuamento de preceito normativo expresso, a comprometer, enfim, o próprio Ordenamento Jurídico atinente, em manifesto prejuízo do contribuinte. Reflexamente, comprometida, também, estará a própria Constituição Federal, à vista de textual afronta aos princípios da segurança e confiança jurídicas. Para defender seus argumentos, transcreve e comenta trechos doutrinários. Entende, portanto, ser perfeitamente viável seu enquadramento no Simples, desde que atendidos os demais requisitos, os quais encontramse evidenciados, inclusive no que diz respeito “à não repetição de sócios em relação a outras sociedades”. Pede que seja reconhecida a insubsistência do ato declaratório, com a conseqüente reforma da decisão impugnada, visto que a empresa não se encontra subsumida a restrição prevista no art. 9°, XII,}§ da Lei n° 9.317/96. Requer, ainda, poder provar suas alegações por todos os meios de prova admitidos, especialmente a prova documental. Por fim, solicita que todas as notificações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao endereço indicado no doc. de fls. 83. Para acompanhar a manifestação de inconformidade, a empresa fez juntar cópia da alteração contratual datada de 1° de julho de 2007, sem registro na Jucemg (fls. 84/86); cópia das alterações contratuais registradas na Juccmg em 25/01/2006 e 07/01/2005 (fls. 87/94); cópia do contrato social e da alteração contratual da empresa DTS Duarte Transportes e Serviço, CNPJ 71.366.496/000160, registrados na Jucemg respectivamente em 08/11/2003 e em 16/03/2004 (fls. 95/ 101); além da procuração de fls. 102. Cientificada em 02/10/2008, a recorrente apresentou o recurso em 30/10/2008. É o relatório Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10665.000917/200648 Acórdão n.º 1001000.784 S1C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário tempestivo e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, em seu recurso, basicamente, que: · as atividades econômicas da recorrente relacionamse sim à locação de equipamentos e à prestação de serviços de escolta siderúrgica. além do transporte de cargas em geral; · qualquer ação fiscal que venha a vislumbrar situação diversa, a exemplo desta aqui objeto de questionamento, obviamente, haverá de ter sua ilegalidade suscitada, pois, implicará em necessário desvirtuamento de preceito normativo expresso, a comprometer, enfim, o próprio Ordenamento Jurídico pátrio, em manifesto prejuízo do contribuinte. Reflexamente, verificarseá, ainda, afronta em relação à própria Constituição Federal, à vista de expressa contrariedade aos princípios da segurança e confiança jurídicas.; · em específico quanto à preservação dos referidos princípios constitucionais também no âmbito do procedimento administrativo, a exemplo da hipótese versada, o Supremo Tribunal Federal já teve oportunidade de se manifestar, dentre inúmeros outros, no julgamento do MS n. 24.268, asseverando, a propósito, que: (omiti); · em especifico quanto à questão ora controvertida, ao analisar tema relacionado à preponderância da atividade econômica, o Superior Tribunal de Justiça, recentemente, no julgamento do REsp. 884.186, da relatoria do Min . Teori Albino Zavascki, muito embora cuidando de moldura fática diversa aplicação da Lei n. 10.304/2000 em favor de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental pôde decidir, favoravelmente, à ora recorrente, em hipótese que, mutatís mutandis, se aplica à espécie; · portanto, de rigor será, redobradas vênias a reforma da r. decisão colegiada ora combatida, de modo a se reconhecer a insubsistência do ATO DECLARATÓRIO excludente da condição da recorrente de empresa com tratamento legal diferenciado, tendo em conta que esta parte não se encontra subsumida à vedação prevista no art. 9°, XII, jfl da Lei n. 9.317/96, sendo perfeitamente viável seu enquadramento no SIMPLES, desde que atendidos os demais requisitos para tanto; · e, no caso em tela, os demais requisitos já foram atendidos a contento, tendo em conta a inexistência de sócios, no empreendimento, que participem de outros empreendimentos com mais de 10% (dez pontos Fl. 141DF CARF MF 4 percentuais), sendo certo, de outro lado, que toda a discussão relativa a eventual crédito tributário decorrente da referida exclusão já se encontra contemplada em seara própria, em impugnação específica ofertada pela ora recorrente, · por último, pede que seja reformada a decisão da DRJ. As situações descritas foram analisadas pela DRJ e todas rebatidas, a contento, na visão deste conselheiro. Portanto, peço a devida vênia para reproduzir o voto, principalmente, para fins de economia processual: Do exame do contrato social, verificase que o objeto social da empresa é a “prestação de serviços de escolta de veículos de carga rodoviária Na alteração contratual de 2005, foi acrescentada a atividade de “transportes rodoviários de cargas e transportes internos de cargas em pátios siderúrgicas”. A legislação impõe que, para ser optante pelo regime de tributação do Simples, a empresa deve preencher necessariamente uma série de requisitos, dentre os quais a comprovação de que não aufere receita originária de nenhuma das atividades impeditivas. As vedações legais ao exercício da opção pelo Simples estão previstas no Capitulo V da Lei n° 9.317, de 1996. A alínea f do inciso XII do art. 9° assim prescreve: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: (~) f) prestação de serviço de vigilância, limpeza, conservação e locação de mão deobra (o destaque não é do original). Por meio do Parecer n° 69, de 10 de novembro de 1999, a CoordenaçãoGeral de Tributação Cosit, da Secretaria da Receita Federal, esclareceu em que casos a prestação de serviços é caracterizada como locação de mãodeobra, cessão de mão deobra e empreitada de mãodeobra, para fins de exclusão do Simples. A seguir são transcritos alguns trechos do referido Parecer: “3. Em se tratando de locação da mãodeobra pressupõese que será utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade laborativa em virtude de necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou do acréscimo extraordinário de tarefas. 4. A locação de mãodeobra pode também ser definida como o contrato pelo qual o locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário. não importando a natureza do trabalho ou do serviço. Os trabalhos são realizados sem a obrigação de executar a obra completa, ou seja, sem a produção de um resultado determinado. Na locação de mãodeobra. também definida como contrato de prestação de serviços. a locadora assume a obrigação de contratar empregados. trabalhadores avulsos ou autônomos sob sua exclusiva responsabilidade do ponto de vista jurídico. A locadora é responsável pelo vínculo empregatício e pela prestação de serviços. sendo que os empregados ou contratados ficam à disposição da tomadora dos serviços (locatária),_que detém o comando das tarefas fiscalizando a execução e o andamento dos serviços. 5. A legislação aplicável ao SIMPLES, relativamente ao aspecto discutido, estabelece a vedação para as pessoas jurídicas que tenham como atividade a locação Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10665.000917/200648 Acórdão n.º 1001000.784 S1C0T1 Fl. 4 5 de mãodeobra. Assim, onde a atividade referida for o objeto da pessoa jurídica, estará caracterizada a vedação a sua opção pela sistemática de pagamento de que trata o SIMPLES. . Empreitada de mãodeobra 6. A empreitada, tanto na lei civil (CC art.1.23 7 e segs), quanto na Lei comercial (CCom, art. 226 e segs), é admitida como modalidade do contrato de locação (locação de obra, contrato de obra). É admissível a existência das seguintes espécies de empreitada: de materiais e mãodeobra: exclusivamente de mãodeobra (lavor) e por administração. Sua principal característica é o trabalho autônomo. Possuindo utilização corrente na construção civil e no meio rural. A distinção entre os diferentes tipos de empreitadas farseá pela natureza da prestação de trabalho. Fundamental para caracterizarse a empreitada é que o empreiteiro assuma o risco de realizar a obra contratada, por si ou seus prepostos, segundo as especificações estabelecidas de tempo e preço. O empreiteiro é responsável pela organização dos meios necessários e a gestão do próprio risco, além da obrigação de executar a obra ou o serviço para o qual foi contratado. Como regra geral, todos os contratos de empreita pressupõem a assunção, por parte do contratado, do ônus relativo à fiscalização, orientação e planejamento do bem objeto da contratação. 7. A diferenciação básica existente entre a empreitada e a locação de mãode obra, portanto, é obtida pelo modo de encarar a obrigação de fazer. Se o que é ajustado limitase ao fornecimento da mãodeobra, sob controle e supervisão do locatário, temos a locação de mãodeobra. Se o que é ajustado restringese ã apresentação de um resultado, defrontamos com a empreitada. No caso da empreitada exclusivamente de mãodeobra. O resultado é a própria execução do serviço, estabelecendose. assim. sua similitude com a locação de mãodeobra. 8. Por conseguinte, dedicandose a empresa à execução de empreitada exclusivamente de mãodeobra, não poderá optar pelo SIMPLES. Assim também, a empreitada por administração, relacionada ao trabalho intelectual e administrativo de organizar os serviços e fiscalizar o andamento da execução do objeto da empreita, não poderá, também, optar pelo SIMPLES, devido ao fato de prestar serviços inerentes ao engenheiro e arquiteto. Cessão de mãodeobra 12. O conceito de cessão de mãodeobra não tem utilização corrente no direito do trabalho, assim também no direito civil, sendo comum,todavia, sua utilização na área de atuação da previdência e assistência social. Encontrase definido no art. 23 da Lei n” 9. 711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao art. 31 da Lei n” 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme segue: Art 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário,deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal, ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5"do art. 33. (...) Fl. 143DF CARF MF 6 § 3 " Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4"Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança: III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei n” 6.019, de 3 de janeiro de 1974. ' 13. A partir da definição expressa na Lei n” 9.711, de 1998, notase a similaridade entre os conceitos de locação de mãodeobra e cessão de mãodeobra, fato este que não ensejará, então, dúvidas na aplicação da vedação ao SIMPLES. ” 14. De todo o exposto, concluise que estão impedidos de optar pelo SIMPLES, as pessoas jurídicas que: a) têm como atividade a locação de mãodeobra; b) firmam contratos de prestação de serviços relativos à empreitada exclusivamente de mãodeobra; c) contratam serviços mediante cessão de mãodeobra; e) estabelecem contratos de prestação de serviços relativos à empreitada e subempreitada de mãodeobra, aplicados à construção civil, independentemente do fornecimento de material (Lei n° 9.528/97, art. 4? Acatada a proposta da SRP, a impugnante foi excluída do Simples, com base no entendimento, emitido por meio do Parecer da Cosit acima transcrito, de que locação de mãodeobra, cessão de mãodeobra e empreitada de mãodeobra se equivalem (apesar de suas sutis diferenças), e a prática de qualquer delas é suficiente para excluir a empresa praticante do Simples. O que se observa é que, para ser caracterizada a situação de vedação ao Simples, é necessária a presença de dois requisitos, quais sejam, a colocação de funcionários à disposição da contratante e a prestação de serviços contínuos. Examinando o contrato de prestação de serviços anexado (fls. 16 a 29), verificase que seu objeto é a prestação de serviços de escolta de carretas transportando gusa líquido. Para tanto, a contratada precisa contribuir com pessoal, equipamentos e materiais próprios. Na cláusula 4 do referido contrato (fl 16), mais especificamente nos itens 4.2.7 e 4.6.2, fica clara a prestação de serviços contínuos e evidenciada a subordinação dos empregados da contratada a prepostos ou gestores da contratante. ... Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10665.000917/200648 Acórdão n.º 1001000.784 S1C0T1 Fl. 5 7 Da leitura dos itens contratuais transcritos, ficou evidenciado que, para exercer os serviços de escolta de carretas transportando gusa líquido, a interessada coloca funcionários à disposição da contratante e que a prestação de serviços se dá de forma contínua, situação que caracteriza a locação de mãodeobra. Nas notas fiscais juntadas ao processo (fls. 30/67), está consignada a prestação de serviços de escolta, executados para a Companhia Siderúrgica Pains, nos termos do contrato de fls. 16/28, e para a Gerdau S.A. O fato de a contribuinte obter receita decorrente da prestação de serviço de locação de mãodeobra, atividade vedada à opção pelo Simples, nos termos da alínea f do inciso XII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, é suficiente para configurar a situação impeditiva, independentemente de qual seja a proporção da receita proveniente dessa atividade em relação ao total da receita auferida. No presente caso, a pessoa jurídica incorreu em situação excludente e, por essa razão, foi efetuada a exclusão de oficio pelo Delegado da Receita Federal em Divinópolis, no estrito cumprimento do dever legal. ' Cabe esclarecer que não serão aqui examinadas as questões relativas à participação dos sócios em outras empresas, pelo fato de não ter sido esse o motivo da exclusão do Simples tratado no presente processo. No que se refere à doutrina trazida pela impugnante, vale ressaltar que a autoridade administrativa não pode se furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, conforme disposições do art. 3° e parágrafo único do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Assim, foram adotadas as orientações estabelecidas na legislação tributária de regência da matéria. Quanto à discussão sobre a constitucionalidade ou a legalidade dos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio, cabe lembrar que a instância administrativa não é o foro adequado, por absoluta falta de competência para essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo aos juizes e tribunais. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois a autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais e normativas de forma plenamente vinculada. A esse servidor cumpre, tãosomente, verificar a harmonia entre o enquadramento legal apontado no ato de exclusão e a situação fática que se apresenta. ... Por fim, conclui: Em face do exposto, voto por rejeitar as preliminares de inconstitucionalidade e ilegalidade e o pedido de alteração de endereço para fins de notificação e, no mérito, indeferir o pleito da interessada, mantendo sua exclusão do Simples a partir de 01/01/2002. É de acrescentarse que a recorrente apresentou decisões no âmbito do STJ e, também, do STF, decisões essas que não têm o caráter erga omnes e, portanto, não obriga a este conselho a seguílas. Fl. 145DF CARF MF 8 Consequentemente, nego provimento ao presente Recurso Voluntário, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720667/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
CRÉDITOS DE IPI EM DEVOLUÇÃO E RETORNO DE PRODUTOS TRIBUTADOS. CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002)
Numero da decisão: 3301-004.780
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de devolução e retorno de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 06 67 /2 01 0- 56 Fl. 285DF CARF MF 2 Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Adoto, por bem narrados os fatos, o relatório do Acórdão nº 1439.322, exarado pela 2ª Turma da DRJ/RIBEIRÃO PRETO, objeto do Recurso Voluntário : Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente reconheceu o direito creditório apresentado, em razão da reclassificação dos créditos relativos a operações de devoluções ou retorno como não ressarcíveis. A manifestante, invocando a legislação e julgados, alega, basicamente, que tais créditos seriam ressarcíveis, mormente por serem, apenas, a recomposição de créditos decorrentes de matérias primas, produtos intermediários e embalagem. 2. Assim restou ementado o Acórdão exarado pela DRJ/RPO : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS NÃO RESSARCÍVEIS. RESSARCIMENTO NÃO ADMITIDO PARA OS CRÉDITOS CONCERNENTES A DEVOLUÇÕES DE VENDAS. São insuscetíveis de ressarcimento, ou seja, não ressarcíveis, os créditos do imposto destacado em notas fiscais com CFOP correspondente a devoluções de vendas, vale dizer, uma situação que não implica o emprego de insumos na industrialização. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Inconformada com a decisão, a empresa, após ter ciência do Acórdão em12/12/2012 conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 281 dos autos digitais, apresenta Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013,conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 235 dos autos digitais, onde alega, após narrar os fatos envolvendo a transmissão do Pedido de Ressarcimento (PER) e as Declarações de Compensação (DCOMPs) e as glosas efetuadas pela Fiscalização da DRF/SOROCABA : I – Dos fatos : mesmo glosando parte das compensações realizadas, a informação fiscal reconhece que os valores utilizados para realizar as compensações são, de fato e de direito créditos de IPI, no entanto, classificaos como não ressarcíveis, por referiremse a devoluções de produtos, transferências para comercialização e retorno de mercadoria justificando seu entendimento por suposta “falta de previsão legal”. Necessário verificar que os créditos são, na realidade, a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem logo, passíveis de ressarcimento. Ou seja, se houve uma devolução ou estorno qualquer, antes ocorreu um débito do imposto que reduziu o saldo credor, ou seja, com a anulação da operação que o ensejou, recompõese o mesmo saldo anterior, nos Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 285 3 moldes do inciso I do § 3º do artigo 21 do RIPI/2010 (Decreto nº 7.212/2010) sendo que tais créditos, por legalmente previstos, pode se objeto de utilização no Programa PER/DCOMP, conforme estabelece o artigo 21 da IN RFB nº 900/2008; o Acórdão DRJ/RPO equivocouse em abandonar a verdade de que os créditos em questão são a recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, logo possíveis de ressarcimento; II – Das preliminares : II.A – Tempestividade do Recurso Voluntário : discorre a recorrente que foi cientificada do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012 e apresentou o se Recurso Voluntário em prazo inferior aos trinta dias previsto no Decreto nº 70.235/1972. II.B : Da suspensão da exigibilidade dos valores compensados não homologados : requer a imediata paralisação de qualquer procedimento tendente a cobrança dos débitos albergados no presente processo, em função da expressa determinação da suspensão da exigibilidade dos créditos referenciados. III – Mérito III.A – Operações de devolução e retorno diversos, passíveis de ressarcimento por se tratarem de recomposição de saldo credor decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem : alega que tais devoluções e retornos, como o próprio nome da natureza da operação propõe, são nada mais nada menos do que recomposição de saldo credor decorrente exatamente de matériasprimas, produtos intermediários e embalagem, sendo passíveis de ressarcimento, por ter havido cancelamento da operação anterior, ou seja, a de venda, por conseguinte o crédito anterior é recomposto. III.B – Da existência de previsão legal para apresentação de PER/DCOMP de ressarcimento dos créditos de IPI referentes á transferência, devolução e retorno de mercadorias entre estabelecimentos de uma mesma empresa : entende ser infundada a reclassificação feita pela Fiscalização com relação ás Notas Fiscais de saída referentes á devolução e retorno de mercadoria, pois teria visto a permissão legal contida nos artigos 229, 231, 233 e 234 do RIPI/2010. Verificase, portanto, que os valores utilizados pela recorrente, para compensação, são créditos de IPI adquiridos em operações de devolução e retorno de mercadorias, não sendo senão recomposição de saldo credor de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, sendo, portanto, possível seu ressarcimento e sua utilização para compensação IV – Do pedido : requer, ao final, em sede preliminar que seja determinada a imediata paralisação de quaisquer procedimentos tendentes á cobrança dos débitos albergados no presente processo de restituição, face á determinação de suspensão dos créditos referenciados nas DCOMP de nºs 14011.85793; 09334.75432; 06262.71064 e 23429.27040. no mérito, requer sejam considerados ressarcíveis os créditos de IPI utilizados, que haja homologação integral das compensações, para que seja afastada a glosa no valor de R$ 58.855,43 e que, os créditos e suas respectivas compensações sejam homologadas em sua totalidade. 4. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Fl. 287DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ari Vendramini Relator 5. O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do Acórdão DRJ/RPO em 12/12/2012, conforme Histórico de Objeto postado, ás fls. 282 dos autos digitais, apresentação do Recurso Voluntário, tempestivamente, aos 16/01/2013, conforme Termo de Solicitação de Juntada, ás fls. 236 dos autos digitais), atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. 6. Passemos a analisar as razões recursais. 7. Em atenção ás razões preliminares, restam elas atendidas por expressa disposição legal, pois o § 11 do artigo 74 da lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, assim determina : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão ( Redação dada pela Lei nr. 10.637, de 2002).. …………………………... § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do HYPERLINK ""Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nª 10.833, de 2003) 8. O Decreto nº 70.235/1972 dispõe sobre o processo administrativo fiscal e o inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966) determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladores do processo tributário administrativo. 9. Assim, reconhecida a tempestividade da apresentação do Recurso Voluntário e estando os débitos objeto de compensação, por DCOMP transmitida pelo Programa PER/DCOMP, com sua exigibilidade suspensa, em razão da discussão administrativa, atendidas as preliminares suscitadas. 10. Passemos as razões de mérito apresentadas. 11. Preliminarmente, esclareçase que o Regulamento do IPI vigente á época da transmissão do PER – Pedido Eletrônico de Ressarcimento era o RIPI / 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, o qual será a base para esse relatório e voto, e não o Decreto nº 7.212/2010 ( RIPI/2010) citado pelo recorrente. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 286 5 12. A Informação Fiscal de fls. 143/145 nos traz a seguinte notícia, ás fls. 144, que originou a glosa de créditos, para os quais foi solicitado o ressarcimento (PER) e ao qual foram vinculadas compensações de débitos (DCOMPs) : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999 asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível: MÊS CFOP DESCRIÇÃO DO CFOP VALOR DO IPI CREDITADO JANEIRO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 17.211,04 JANEIRO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 1.211,52 JANEIRO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 7.871,63 JANEIRO 2913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 761,88 JANEIRO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 660,09 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) – JANEIRO R$ 27.716,18 FEVEREIRO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 2.699,38 FEVEREIRO 1913 Retorno de mercadoria ou bem remetido para demonstração R$ 758,40 FEVEREIRO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 1.969,83 FEVEREIRO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 7.668,16 FEVEREIRO 2949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 2.497,01 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado) FEVEREIRO R$ 15.592,78 MARÇO 1201 Devolução de venda de produção de estabelecimento R$ 5.266,44 MARÇO 1949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada R$ 1.119,46 MARÇO 2201 Devolução de venda de produção do estabelecimento R$ 4.160,59 Valor do IPI creditado (a ser reclassificado)MARÇO R$ 10.546,49 VALOR DO IPI creditado (a ser reclassificado) 1º TRIM. DE 2008 R$ 53.855,43 Considerando o acima exposto, a empresa, relativamente ao 3° trimestre de 2007, através da PERD/COMP 24380..18646.060608.1.1.014827 faz jus somente ao ressarcimento de IPI no valor de R$ 3.705.179,56. Valor utilizado no PER/DCOMP Valor reclassificado Valor deferido R$ R$ R$ 3.759.034,99 53.855,43 3.705.179,56 Fl. 289DF CARF MF 6 13. A não cumulatividade adotada para o IPI está claramente expressa nos seguintes dispositivos : Constituição Federal / 1988 Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1972) Imposto sobre Produtos Industrializados Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 287 7 III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: I o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante: a) do imposto sobre a importação; b) das taxas exigidas para entrada do produto no País; c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; II no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; III no caso do inciso III do artigo anterior, o preço da arrematação. Art. 48. O imposto é seletivo em função da essencialidade dos produtos. Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes. Regulamento do IPI / 2002 (Decreto nº 4.544/2002) (vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento) CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Fl. 291DF CARF MF 8 Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178. 14. Dos excertos citados, está claro que o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é a chamada não cumulatividade clássica, onde a sistemática adotada é de abatimento/compensação do imposto devido referente aos produtos que derem saída do estabelecimento industrial dos valores de imposto pago nos insumos que entrarem no estabelecimento, ou seja, nos temos do estabelecido no Regulamento do IPI, a não cumulatividade (para o IPI) é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período. 15. Portanto, o sistema de não cumulatividade adotado para o IPI é de imposto contra imposto, sendo que o imposto pago na entrada de insumos gera valores de créditos, a serem acumulados, gerando um saldo credor acumulado, em determinado período para, ao final deste período, ser utilizado para abatimento / compensação com o imposto devido na saída de produtos do estabelecimento industrial. 16. O Regulamento do IPI de 2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, vigente á época da transmissão do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), especifica os créditos básicos, nos seus artigos 164 e 165, admitindo, ainda, como crédito básico, o crédito relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno parcial ou total, entretanto, para os créditos relativos a devolução ou estorno, existem requisitos a serem cumpridos, para que tais créditos possam ser aproveitados como componente do saldo credor a ser abatido do imposto devido ao final do período de apuração. 17. Ainda se mencionam os créditos básicos oriundos de incentivos fiscais, como os incentivos relativos á ADENE (área de desenvolvimento do Nordeste) e á ADA (área de desenvolvimento da Amazônia) (RIPI/2002, artigo 174), os créditos oriundos de aquisições de insumos adquiridos da Amazônia Ocidental (RIPI /2002, artigo 175), os créditos oriundos de insumos adquiridos para industrialização de produtos destinados á exportação, saídos com imunidade (RIPI/2002, artigo 176), os créditos oriundos da aquisição de insumos adquiridos para industrialização de produtos saídos com suspensão do imposto em casos especificados (RIPI /2002, artigo 177), créditos oriundos de cancelamento da nota fiscal antes da saída do produto, no caso de imposto já escriturado (RIPI/2002, artigo 178, I) e créditos oriundos da diferença de imposto em virtude de redução de alíquota nos casos especificados (RIPI/2002, artigo 178, II ). 18. Como se percebe, os créditos, obedecendo ao sistema da não cumulatividade, somente podem ser aproveitados para abatimento do imposto devido, ao final do período de apuração. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 288 9 19. Existem, entretanto, exceções á regra, e, como exceções, caracterizamse como verdadeiro benefício fiscal, pois, ao não estarem sujeitas á regra da não cumulatividade adotada, precisam de autorização legal para serem aproveitadas. 20. Nesse diapasão, o artigo 74 da Lei nº 9.430 / 1996, assim dispõe : Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 21. O próprio texto legal é claro ao especificar que apenas os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento é que podem ser objeto de compensação. Claro fica que apenas os créditos que receberam a chancela de ressarcível, pela legislação, é que podem ser objeto tanto de ressarcimento, por óbvio, e objeto de compensação com outros tributos. 22. Bem disse o julgador, no Acórdão DRJ/RPO, no excerto que reproduzimos, por não merecer reparos : É importante também esclarecer que a legislação do IPI não permite o ressarcimento de todos os créditos lançados na escrita do contribuinte, mas apenas daqueles para os quais essa modalidade (ressarcimento) é expressamente autorizada, como é o caso, por exemplo, do art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, abaixo transcrito, e do crédito presumido de IPI para ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, na forma prevista nas Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001: “Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima,produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda”. (g.m.) Os créditos não passíveis de ressarcimento de IPI, aqueles decorrentes de outras aquisições/entradas do estabelecimento detentor de crédito, distintas daquelas que dão direito a créditos passíveis de ressarcimento, em que pese não poderem ser ressarcidos/compensados, na forma do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, podem ser mantidos na escrita fiscal do IPI, para dedução dos débitos pelas saídas futuras. Incluemse nessa condição, por exemplo, as seguintes situações: aquisição de mercadorias para revenda tributada, devolução e retorno de mercadorias, crédito presumido previsto nas Leis nº 9.363, Fl. 293DF CARF MF 10 de 1996, e 10.276, de 2001e recebido em transferência da matriz pelos estabelecimentos filiais. São considerados também como créditos não ressarcíveis os saldos credores ressarcíveis acumulados em trimestrescalendários anteriores mantidos na escrita. 23. A título de informação, além do citado artigo 11 da Lei nº 9.779/ 1999, que dispõe sobre o aproveitamento de certos créditos básicos, a Lei nº 9.363/ 1996 , dispõe sobre a instituição de crédito presumido do IPI, para ressarcimento do valor da PIS/PASEP e da COFINS nos casos que especifica, e a Lei nº 10.276/2001 dispõe sobre o ressarcimento das Contribuições para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados á exportação. 24. Estes dispositivos foram incorporados ao Regulamento do IPI de 2002, nos artigos 179 a 186. 25. Ainda podem ser citados, como ressarcíveis, os créditos de IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/1989 (6. O estabelecimento industrial que der saída para filial atacadista, com, suspensão do imposto (RIPI/82, artigo 36 inc. XVII), a produtos incluídos no regime previsto nos artigos 1º e 3º da Lei nº 7.798/89, poderá transferir para a mesma o crédito do tributo relativo às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, empregados na industrialização desses produtos transferidos, desde que tenha condições de demonstrar a equivalência entre a quantidade desses produtos remetidos e o valor do crédito correspondente aos insumos adquiridos, empregados na industrialização dos produtos assim remetidos. 6.1. Na transferência do crédito o estabelecimento industrial emitirá notafiscal, com indicação deste ato e da expressão "SEM VALOR PARA ACOMPANHAR O PRODUTO". ) e os créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o artigo 1º da Portaria MF nº 134/1992. 26. Claro está que, apenas os créditos admitidos como ressarcíveis, pela legislação, poderão ser objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento e de Declaração de Compensação, nos termos do artigo 74 da lei nº 9.430/1996. 27. Disciplinando a operacionalização de tais ressarcimentos, a Secretaria da Receita Federal expediu Instruções Normativas, á época da transmissão do Pedido de Ressarcimento estava em vigor a IN SRF nº 600 / 2005. 28. A IN SRF nº 600/2005, vigente á época da transmissão do PER, objeto destes autos, assim disciplinava o ressarcimento de créditos do IPI : Ressarcimento de créditos do IPI Art. 16. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 289 11 I créditos presumidos do IPI, como ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item "6" da Instrução Normativa SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. § 3º O pedido de ressarcimento e a compensação previstos no § 2º serão efetuados mediante utilização do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração (papel) acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 4º Somente são passíveis de ressarcimento: I os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, escriturados no trimestrecalendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz; II os créditos relativos a entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestrecalendário; e III os créditos presumidos do IPI de que trata o art. 2º da Lei nº 6.542, de 28 de junho de 1978, escriturados no trimestrecalendário. § 5º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem como serem utilizados na forma prevista no art. 26, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de apuração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. § 6º O disposto no § 2º não se aplica aos créditos do IPI existentes na escrituração fiscal do estabelecimento em 31 de dezembro de 1998, para os quais não havia previsão de manutenção e utilização na legislação vigente àquela data. 29. Todos os outros créditos, que não tiverem seu ressarcimento autorizado por dispositivo legal, enquadramse na regra geral da não cumulatividade do IPI, de abatimento do saldo credor do imposto contra o valor do imposto devido ao final do período de apuração. 30. É o caso dos créditos referentes á devolução e retorno de produtos, caso do PER objeto destes autos, apesar de garantido o crédito pelo artigo 167 do RIPI/2002 ( “ Art. 167. É permitido ao estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, total ou parcial (Lei nº Fl. 295DF CARF MF 12 4.502, de 1964, art. 30), tal crédito não está elencado entre os créditos ressarcíveis, não podendo, portanto, ser objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. 31. Como bem colocado pelo Auditor Fiscal responsável pelas informações que subsidiaram o Despacho Decisório da DRF/SOROCABA/SP : e) é permitido ao estabelecimento industrial creditarse do IPI relativo às devoluções (art.167 do RIPI/2002), desde que satisfeitas as condições estabelecidas nos arts. 169, 170 e 172 do mesmo RIPI/2002. Todavia, o art.ll da Lei no 9.779, de 19/01/1999, combinado com o art.2° da IN/SRF n° 033, de 04/03/1999, asseguram o direito ao ressarcimento apenas às aquisições de insumos (matériaprima, material de embalagem e produto intermediário) e não às devoluções de produtos, transferência para comercialização e retorno de mercadoria. Em face da falta de previsão legal, o referido crédito de IPI atinente aos CFOP's 1201, 1912, 1913, 1949, 2201, 2913 e 2949 demonstrados na seguinte tabela não pode ser ressarcido, devendo ser, pois, reclassificado como crédito não ressarcível. 32. Quanto as alegações da recorrente, de que os créditos referentes á devolução e retorno são mera recomposição do saldo credor do IPI, enganase o recorrente pois os insumos que deram origem ao produto devolvido ou objeto de retorno já geraram, individualmente, o crédito a compor o saldo credor, o produto devolvido não mais se decomporá para que tais créditos sejam recompostos, por tal motivo, novo crédito é gerado na devolução do produto ou no seu retorno ao estabelecimento produtor. São créditos distintos que, juntos, comporão o saldo credor do IPI a ser apurado ao final do período para abatimento do saldo devedor do imposto. 33. Por todo o exposto, corretos o Despacho Decisório da DRF/Sorocaba/SP e o Acórdão DRJ/Ribeirão Preto/SP, os quais mantenho na íntegra. Conclusão 34. Concluise, portanto, que, por absoluta falta de previsão legal, os créditos básicos de IPI escriturados em razão da devolução de vendas de produtos tributados, não são passíveis de ressarcimento, podendo apenas compor o saldo credor de IPI para dedução, ao final do período de apuração, do saldo do imposto a pagar, em absoluta obediência ao Princípio da Não Cumulatividade, insculpido no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal de 1988 e no artigo 49 do Código Tributário Nacional ( Lei nº 5.172/1966)e, no caso específico, no artigo 163 do Regulamento do IPI / 2002 e seus parágrafos (Decreto nº 4.544/2002). 35. Voto, diante das razões descritas, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo as glosas dos créditos de ressarcimento de IPI, no valor total de R$ 53.855,43, conforme demonstrativo anexo á informação fiscal, por se classificarem como não ressarcíveis. É o meu voto. Assinado digitalmente Conselheiro Ari Vendramini Relator Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10435.720667/201056 Acórdão n.º 3301004.780 S3C3T1 Fl. 290 13 Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.935910/2009-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PROCESSUAL - PRECLUSÃO - INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72.
Opera-se preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PROCESSUAL PRECLUSÃO INOBSERVÂNCIA AOS PRECEITOS DO ART. 16 DO DECRETO 70.235/72. Operase preclusão consumativa quanto a matéria não suscitada por ocasião da manifestação de inconformidade, sendo impossível dela conhecer em de sede de recurso de ofício acaso não demonstradas as hipóteses do art. 16 do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Paulo Henrique , Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 93 59 10 /2 00 9- 81 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15374.935910/200981 Acórdão n.º 1302003.048 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o processo de pedido de compensação de crédito oriundo de pretenso indébito de IRPJ apurado no anocalendário de 2004. Inicialmente, o pleito não foi homologado em razão de, na forma do despacho decisório constante dos autos, terse verificado que o DARF que dera origem ao pedido estar alocado, integralmente, à débito declarado em DCTF. Cientificado do respectivo despacho, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade sustentando, em apertada síntese, que teria se equivocado quando do preenchimento da mencionada DCTF tendo apresentado, junto com a sua petição, cópia de declaração retificadora, por meio da qual, exclui o débito relativo ao primeiro trimestre de 2004. Ao analisar a manifestação do recorrente, a DRJ do Rio de Janeiro houve por bem julgála improcedente dado entender que a DCTF retificadora teria sido transmitida em 21/07/2009 e, portanto, após a ciência, pela empresa, de despacho decisório concernente a pedido de compensação tratado em processo conexo, relativo ao mesmo crédito. Ato contínuo, e sem maiores explicações, considerou não demonstrada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cientificado do acórdão supra em 16 de setembro de 2011 (sextafeira), conforme AR juntado à efls. 110, o recorrente interpôs suas razões de insurgência em 18 de outubro de 2011 (terçafeira), tal como se extrai do carimbo aposto à efls. 112, alegando que: a) a DCTF retificadora seria, per se, suficiente para comprovar o crédito pleiteado, não se observando, na hipótese, a perda da espontaneidade pelo fato de ter sido transmitida após despacho decisório proferido em outro processo de compensação, cujo objeto é o mesmo crédito tratado neste feito; b) a par do alegado anteriormente, a retificação realizada teria se dado porque o contribuinte, sujeito ao regime de lucro presumido, teria aplicado o percentual de presunção de 32% sobre a sua receita bruta quando, como demonstra através de Solução de Consulta de nº 340/04 de 29 de julho de 2004, estaria sujeita ao percentual de 8% por desenvolver atividade hospitalar. A vista do exposto, sustenta que faria, sim, jus ao direito creditório pleiteado, requerendo, pois, a reforma do acórdão combatido e a homologação de seu pleito. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15374.935910/200981 Acórdão n.º 1302003.048 S1C3T2 Fl. 4 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.047, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.943401/2009 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.047): "O recurso é tempestivo mas, todavia, não merece conhecimento. De fato, o contribuinte argui, em manifestação, apenas e tão somente, que o crédito se originaria de erro no registro de sua DCTF, justificando a respectiva retificação apenas em tal alegação genérica. Apenas quando da interposição de seu recurso voluntário o contribuinte suscita se tratar de empresa que desenvolve atividade hospitalar e que, nesta esteira, faria jus á redução de sua base de presunção... há, neste passo, inegável, e vedada, inovação da matéria em litígio em aberto e incontendível afronta aos preceitos dos arts. 16 e 17 do Decreto 70.235/72. A matéria abordada pelo recurso voluntário, pois, já estaria abarcada por preclusão lógica. Como esta é a única questão tratada no recurso voluntário e, não tendo sido arguída em primeira instância, consentaneamente, o próprio apelo carece dos requisitos mínimos a sua apreciação. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 169DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000041/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 04 1/ 20 10 -9 1 Fl. 496DF CARF MF Processo nº 12571.000041/201091 Resolução nº 3301000.748 S3C3T1 Fl. 496 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 497DF CARF MF Processo nº 12571.000041/201091 Resolução nº 3301000.748 S3C3T1 Fl. 497 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001726/2004-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ASSINATURA POR AGENTE QUE POSTERIORMENTE JULGA O FEITO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não implica nulidade no processo em que o mesmo agente simplesmente assina MPF e depois julga o feito.
IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. COMPROVAÇÃO. MULTA. OCORRÊNCIA.
Incorre em multa igual ao valor da mercadoria, quem entregar a consumo mercadoria de procedência estrangeira, importada de forma irregular ou fraudulenta (artigo 83, I da Lei 4.502/64).
Numero da decisão: 3401-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ASSINATURA POR AGENTE QUE POSTERIORMENTE JULGA O FEITO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não implica nulidade no processo em que o mesmo agente simplesmente assina MPF e depois julga o feito. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. COMPROVAÇÃO. MULTA. OCORRÊNCIA. Incorre em multa igual ao valor da mercadoria, quem entregar a consumo mercadoria de procedência estrangeira, importada de forma irregular ou fraudulenta (artigo 83, I da Lei 4.502/64). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 17 26 /2 00 4- 26 Fl. 8851DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 05/04/2004, com a ciência dos contribuintes em 15/04/2004, em virtude de constatação de irregularidades na importação de mercadorias, por meio fraude, resumidamente: 1. As empresas SDW Serviços empresariais Ltda. e TCE Industria eletrônica da Amazônia LTDA compõem o mesmo grupo econômico. 2. As autuadas usufruíam de sua autonomia formal para a realização de fraudes e irregularidades, falsificando as faturas apresentadas à administração aduaneira no momento do despacho de importação e os conhecimentos de carga. 3. Diante de tais fatos, foi lavrado multa prevista no art. 463,1 do RIPI/98. A contribuinte apresentou sua impugnação, sendo mantido o lançamento. Houve interposição de recurso voluntário, no qual, por unanimidade de votos, decidiuse pelo vício formal do lançamento, vez que a multa imposta não seria a do artigo 463, I do RIPI (igual ao valor comercial da mercadoria), mas sim, a de perdimento, disposta no artigo 105, VI do DL 37/66 (acórdão 3202001.340, efl. 8.642). A Procuradoria interpôs recurso especial (efl. 8.680 e ss.), entendendo se tratava de importação fraudulenta ou irregular, cuja pena é a capitulada pelo artigo 83, I da Lei 4.502/64 e artigo 1o do DL 400/68 (artigo 463, I do Decreto 2.637/98 – RA). Para comprovar o alegado, trouxe outros dois acórdãos, quais sejam: 3402001.811 e 3402001.905. Em contrarrazões o sujeito passivo (efl. 8.714 e ss.) disse que não se aplica o artigo 83, I da Lei 4.502/64 c/c art.1o do DL 400/68, pois há pena específica para o caso qual seja, a de perdimento (artigo 105, VI do DL 37/66), conforme disciplina o artigo 704, Decreto 6.759/2009, citando a existência de precedentes deste E. Tribunal (Ac. 3202000.586, 3202 000.721, 3401002.685 e 3102.001.560), requerendo a confirmação do acórdão recorrido, pela nulidade absoluta do lançamento, devido a falta de motivação e afronta ao artigo 142 do CTN, novamente citando presentes, agora dizendo, idênticos ao caso dos autos (Ac. 330100.002, 2403002.240 e 240301.115). Alternativamente, requereu a decadência do lançamento, pois a multa aplicada (artigo 463, I do RA), possui natureza de controle aduaneiro, cujo prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido lançado (artigos 138 e 139 do DL 37/66), conforme Ac. 3202000.548 e 320200.248 e 3202 00.010. Sobreveio decisão da CSRF (efl. 8.776), a qual, por unanimidade de votos, conheceu parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, reconhecendo deve prevalecer a multa prevista no art. 463, I do RIPI/98, devendo a Turma Ordinária realizar novo Fl. 8852DF CARF MF Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3401005.227 S3C4T1 Fl. 8.852 3 julgamento enfrentando os demais argumentos de defesa trazidos pelas contribuintes no Recurso Voluntário, de acordo com a ementa abaixo transcrita: IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido em parte. As contribuintes ainda embargaram o acórdão Câmara Superior, no entanto, os embargos foram integralmente rejeitados. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O recurso já havia sido admitido conforme se depreende do primeiro acórdão da Turma Ordinária, portanto, de acordo com o que fora determinado pela Câmara Superior do CARF, passase a análise dos argumentos do recurso voluntário. Preliminares Da nulidade da decisão proferida Participação no julgamento de autoridade impedida Sustentam as recorrentes o impedimento do relator Sr. Luis Carlos Maia Cerqueira do acórdão nº 6.963 proferido pela DRJ/FOR. Conforme narrado pelas recorrentes, o relator do acórdão da DRJ foi inspetor da Alfândega de Manaus no período fiscalizado, tendo, inclusive, assinado Mandado de Procedimento Fiscal, objetivando a fiscalização de IPI e II em 21 de agosto de 2000, conforme se extrai da efl. 8.064, o qual deu início à fiscalização de uma das recorrentes pela Receita Federal. O julgamento pela 2ª Turma da DRJ/FOR da impugnação apresentada pelas recorrentes foi realizado em 21 de junho de 2005 com a relatoria do Sr. Luis Carlos Maia Cerqueria, conforme se extrai das efls. 7.819/7.822. Fl. 8853DF CARF MF 4 Embora a Portaria do MF 258/01 já se encontra revogada desde março de 2006, encontravase em plena vigência quando do julgamento do Acórdão recorrido – em 2005. A referida Portaria MF 258/01 vedava expressamente a participação no julgamento daqueles que participaram da ação fiscal. Vejase: Art. 19.Os julgadores estão impedidos de participar do julgamento de processos em que tenham: I — participado da ação fiscal Por outro lado, simplesmente assinar MPF não é participar de ação fiscal, de modo que não merece acolhida a arguição de nulidade invocada pela Recorrente. Falta de apreciação de parecer jurídico As recorrentes requereram em 11 de janeiro de 2005, a juntada aos autos de parecer jurídico proferido pela advogada Íris Sansoni (efls.7.093/7.127), com fundamento no art. 38 da Lei n° 9.784/99. Cumpre destacar que não se aplica ao caso o disposto no artigo 38 da Lei no 9.784/99, pois o Processo Administrativo Fiscal tem regulamentação própria ditada por lei especifica (Decreto n° 70.235/72 — recepcionado pela Constituição Federal com força de lei ordinária). A Lei n° 9.784/99 rege, em caráter geral, o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal; inclusive, seu artigo 69 estabelece textualmente que "os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandose lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei". Tratase de hermenêutica jurídica – prevalece a Lei mais específica. Assim, a norma especifica contida no Decreto n° 70.235/1972 afasta a norma geral prevista no art.38 da Lei n° 9.784/1999, neste particular. Ademais, o "Parecer" de efls. 7.093/7.127 não se reveste da natureza de "prova", consistindo, arrazoado jurídico que versa sobre a aplicação da multa imposta na autuação, um complemento, um subsídio da impugnação, mas que, de fato, nem nada prejudicou as Recorrentes, as quais tiveram seu direito de defesa, além do que, os argumentos do parecer jurídico não mudaram a rota das defesas. Portanto, considerando que foi seguido o rito do Processo Administrativo Fiscal e que foram garantidos o contraditório e a ampla defesa, negase acolhimento a presente preliminar. Juntada de documentos em segundo grau As recorridas requereram a juntada de documentos com o recurso voluntário, sob o argumento de terem sido devolvidos somente em 19/04/05, após a impugnação do lançamento e que isso configura motivo de força maior. Para tanto anexou termo de restituição, efl. 8.066. De acordo com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, o pedido das recorrentes merece ser acolhido, entretanto, o acolhimento se limita aos itens constantes no Termo de Restituição (efl. 8.066): Fl. 8854DF CARF MF Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3401005.227 S3C4T1 Fl. 8.853 5 Falta de análise dos documentos juntados nos autos As recorrentes alegam que as acusações de fraude têm por base a divergência apontada entre as faturas "pro forma" e as faturas originais se estende a todo o conjunto de faturas emitidas no período fiscalizado, e que tal presunção utilizou, inclusive, divergências apuradas em faturas emitidas em outros períodos que não o autuado. Também, alegou que a fiscalização limitouse a reunir algumas faturas "pro forma" emitidas pelas Recorrentes, com o único propósito de subsidiar a aplicação de multa injustificável, sem comprovar, no entanto, qualquer dano efetivo ao controle aduaneiro. Para tanto juntou faturas "pro forma" com o intuito de demonstrar a inexistência de divergência destas em relação às faturas comerciais originais, emitidas pelos exportadores. Conforme se extrai dos autos e aproveitando os fundamentos da DRJ/FOR (efl. 7.186 e seguintes) de acordo com a possibilidade contida no § 1°, do artigo 50 da Lei 9.784/99 , no que tange a falsidade das faturas comercias, os quais bem espelham a questão, temse que a administração pública demonstrou minuciosamente a ocorrência de fraude das faturas que integram o auto de infração. Portanto, qualquer reparo há de ser feito na decisão de piso, razão pela qual, neste aspecto, negase acolhimento a preliminar de falta de análise dos documentos juntados nos autos. Falta de juntada de documentos solicitados pela empresa As recorrentes requereram, com fulcro no art. 37 da Lei nº 9.784/99, a juntada dos fatos e dados registrados em documentos que estavam em posse da administração pública, devido a ação de busca e apreensão realizada por esta, argumentando que tais documentos comprovariam a regularidade das operações. O processo está devidamente instruído com a prova documental necessária e suficiente para elucidar os fatos relativos à matéria em litígio, estando anexadas aos autos as Fl. 8855DF CARF MF 6 faturas comerciais e respectivas Declarações de Importações, bem como os conhecimentos de carga e packing lists. O presente contencioso envolve a acusação de fraude na importação exclusivamente em decorrência de falsidade da fatura comercial, de modo que os demais documentos apontados pela impugnante ou quaisquer outros arquivados na Alfândega reputam se desnecessários para a instrução do processo e, consequentemente, para a solução do litígio, porque são impertinentes à matéria central discutida, seja do ponto de vista da acusação ou da defesa. Portanto, não há se falar em cerceamento de defesa por conta da não juntada de documentos impertinentes ao caso em análise. Da nulidade do lançamento Falta de acesso aos documentos A recorrente alega que não teve acesso aos documentos necessários à devida impugnação, pois se encontravam em posse da administração pública, fato que viola o contraditório e a ampla defesa. A DRJ/FOR afastou a alegada lesão ao contraditório e a ampla defesa com argumentos que este relator coaduna. Vejase: 53. Não configurou cerceamento do direito de defesa o fato de a fiscalização haver lavrado o auto de infração nas dependências da Procuradoria da República em Manaus —AM e de ter se baseado em documentos que não mais se encontravam nas sedes do estabelecimento da impugnante, por terem sido apreendidos em momento anterior ao lançamento, encontrandose em poder das autoridades fiscais e dos membros do Ministério Público Federal. 54. O autuante afirma que os sujeitos passivos receberam uma fotocópia do auto de infração e dos documentos que o instruem, asserção que não foi contestada pela impugnante. Tendo em vista o volume de papéis abrangido na atuação, ainda que o conjunto de documentos apreendidos possa não ter sido devolvido As impugnantes nem encaminhados juntamente com o auto de infração, cópias dos citados documentos estão anexadas ao presente processo desde sua formalização, estando, portanto, disponíveis para exame por parte da impugnante. Ressaltese que ao litigante é assegurado o direito de vista aos autos durante toda a tramitação do processo, inclusive durante o prazo impugnatório. 55. Portanto, A vista dos documentos que instruem os autos, a impugnante poderia perfeitamente ter efetuado o exame pretendido de modo a subsidiar a defesa, trazendo ao processo sua posição sobre a prova documental que embasou o lançamento. Ocorre que, • embora ciente da existência da prova documental anexa aos autos, conforme mencionado no auto de infração, a litigante deixou de exercer a sua prerrogativa de compulsar tais documentos. Fl. 8856DF CARF MF Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3401005.227 S3C4T1 Fl. 8.854 7 Diante da tal inércia, não se vislumbra razão para se aventar cerceamento do direito de defesa. 56. Tal argüição somente seria justificável se a documentação não constasse do corpo dos autos, impedindo o seu conhecimento por parte da defendente, revelandose, porém, inócua quando o resultado de seu exame pode ser trazido A colação juntamente com a peça impugnatória, por depender apenas de análise de documentos já acostados aos autos. Ademais, o fato não impossibilitou a apresentação, pela defesa, de provas que demonstrassem a inexistência da fraude apontada pela fiscalização. 57. Assim, não houve ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, previstos no art.5°, inciso LV, da Constituição Federal de 1988, tendo sido observadas as formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados, conforme artigo 1 0, VIII, da Lei n° 9.784/1999, e asseguradas As impugnantes as condições concretas que lhe possibilitassem trazer para o processo todos os elementos tendentes a esclarecer a verdade. 58. Por outro lado, a defesa revela incoerência ao afirmar que não teve acesso A documentação utilizada na auditoria fiscal e ao mesmo tempo dizer que tais documentos, antes, "se encontravam organizados e arquivados, mas tal se verifica após a apreensão", argumento que pressupõe terem sido compulsados tais documentos. 59. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação do enquadramento legal no auto de infração, o qual é instruido ainda com as provas em que se baseia a exigência fiscal, foi assegurado ao sujeito passivo exercer amplamente o seu direito de defesa, comprovandose essa ilação, ademais, pelo teor da impugnação apresentada, em que o defendente demonstra haver compreendido o motivo da autuação. Ressaltese, ainda, que a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, pela riqueza de argumentos tendentes a descaracterizar as provas materiais nas quais se fundamentou a autuação, demonstra que não houve nenhum prejuízo para o exercício da defesa. 60. Não se vislumbra qualquer vicio que comprometa a validade do lançamento, uma vez que foram atendidas todas as garantias processuais como, nos termos dos arts. 9° e 10 do Decreto n° 70.235, de 1972. Destaquese, ainda, que o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos dos atos administrativos em geral, além dos requisitos específicos, conforme preconiza o art.142 do Código Tributário Nacional — CTN, não se configurando nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art.59 do Decreto n° 70.235/1972. Portanto, rejeita se a argüição de nulidade do auto de infração, não estando caracterizada a alegada preterição do direito de defesa. Fl. 8857DF CARF MF 8 Deste modo, comungandose com tal entendimento, fazendo esta fundamentação parte da presente (§ 1°, do artigo 50 da Lei 9.784/99), negase acolhida à pretensão das Recorrentes. Utilização de prova obtida de forma ilícita Sustentam as recorrentes que os documentos acostados aos autos pela fiscalização foram obtidos de fora ilícita. Ao analisar tal argumento, acertou a DRJ/FOR ao rechaçar tal alegação, sendo interessante citar a seguinte passagem: 61. Primeiramente, cumpre destacar que a busca e a apreensão têm como objetivo principal a coleta de documentos que servirão como elemento de prova. E ferramenta de importância indiscutível para, dentre outros objetivos, impedir a destruição de prova sobre a qual, posteriormente, se discutirá o direito. 62. É importante ressaltar que não compete a este órgão julgador administrativo se pronunciar quanto à admissibilidade ou não do mandado de busca e apreensão, assim como a respeito do atendimento de seus requisitos formais, vez que tal apreciação foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, o qual, como se sabe, julgou pela pertinência da apreensão dos documentos da impugnante. Qualquer apreciação administrativa valorativa sobre o mandado em evidência representaria ofensa ao Principio da Jurisdição Única. 63. Assim, resta a este foro se pronunciar sobre a admissibilidade da prova acostada aos autos pela fiscalização, em face da argumentação da litigante no sentido de que teria sido obtida por meio ilícito. Para consecução desta tarefa é necessário examinar se a fase executiva do mandado de busca e apreensão transcorreu dentro da legalidade, ou, mais especificamente, se a falta de assinatura do Termo de Arrecadação (fis.7074/7075) e a descrição não detalhada dos documentos apreendidos poderiam invalidar a prova utilizada pelo Fisco. 64. O artigo 245 do CPP traz os requisitos nos procedimentos de busca e apreensão, in verbis: "Art. 245. As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se realizem A. noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerdo o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimandoo, em seguida, a abrir a porta. § 1 0 Se a própria autoridade der a busca, declarará previamente sua qualidade e o objeto da diligência. § 2° Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada. § 3° Recalcitrando o morador, será permitido o emprego de força contra coisas existentes no interior da casa, para o descobrimento do que se procura. Fl. 8858DF CARF MF Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3401005.227 S3C4T1 Fl. 8.855 9 § 40 Observarseá o disposto nos §§ 2° e 3°, quando ausentes os moradores, devendo, neste caso, ser intimado a assistir A diligência qualquer vizinho, se houver e estiver presente. § 50 Se é determinada a pessoa ou coisa que se vai procurar, o morador será intimado a mostrála. § 6° Descoberta a pessoa ou coisa que se procura, será imediatamente apreendida e posta sob custódia da autoridade ou de seus agentes. § 7° Finda a diligência, os executores lavrarão auto circunstanciado, assinandoo com duas testemunhas presenciais, sem prejuízo do disposto no § 4 0 ." (grifei) 65. Como se vê, a assinatura do representante legal da empresa no Termo de Arrecadação não é requisito exigido pela lei, de modo que sua ausência não invalida a prova obtida através do mandado de busca e apreensão. Os prepostos que se encontravam no estabelecimento por ocasião da execução do mandado de busca e apreensão representam a empresa para os fins do art.245 do CPP, não se havendo de exigir a presença do representante legal designado no estatuto social ou por procuração. Observandose a cópia do Termo de Apreensão acostado pela litigante, vêse que o mesmo foi conduzido na presença de duas testemunhas, portanto, em estrita obediência ao preceito do § 7 0 do art. 245 do CPP, pelo que se conclui ter havido nenhuma irregularidade capaz de invalidar as provas obtidas pela Administração Pública. 66. Com respeito A alegação de que, no Termo de Arrecadação, os documentos apreendidos não teriam sido discriminados de forma detalhada, o que, portanto, também ensejaria nulidade por obtenção de provas por meios ilícitos, aqui também não merecem prosperar os argumentos das impugnantes. 67. Não seria razoável admitir que, na condução de uma operação de busca e apreensão envolvendo milhares de documentos diversos, devessem as autoridades policiais passar horas, ou mesmo dias, elaborando uma detalhada relação daquilo que foi apreendido. Por isso mesmo é que, em operações dessa natureza, é comum lavrarse um Termo de forma mais genérica para, só depois, após um exame mais minucioso, elaborarse um laudo com descrição pormenorizada dos documentos e demais bens objeto da ação policial. 68. Nesse sentido, adoto o parecer da SubprocuradoraGeral da República Cláudia Sampaio Marques, contido no voto proferido pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, na Representação Criminal n° 320SP, cujo trecho se transcreve a seguir: "6. Com efeito, o Representante juntou 3 (três) termos lavrados em decorrência de buscas e apreensões realizadas no contexto da Fl. 8859DF CARF MF 10 nacionalmente conhecida 'Operação Anaconda'. O primeiro deles (fls. 28/35) é um 'auto circunstanciado de busca e apreensão', lavrado após a busca realizada no imóvel situado A. Rua Maranhão, 208, apartamento 121. 7. O referido documento contém a descrição genérica dos documentos apreendidos na • residência do Representante. 8. O segundo termo é um 'auto de apreensão' lavrado no dia 10 de novembro de 2003. Nesse documento, juntado apenas em parte, não há a especificação do imóvel objeto da diligência nem o seu proprietário. Contém apenas uma relação de documentos apreendidos em cumprimento ao mandado de busca e apreensão (fls. 37/58). 9. Finalmente, as fls. 60/64, há um 'auto de apreensão' relativo aos documentos apreendidos em razão da diligência realizada na residência do Representante. 10. Sabese que, nas buscas e apreensões, a autoridade policial elabora imediatamente após o encerramento da diligencia, um termo contendo a descrição genérica dos documentos e bens apreendidos. Esse termo é feito apenas para um primeiro registro do que foi apreendido. 11. Posteriormente, com o exame minucioso de todos os documentos e objetos, é que a Policia Federal elabora o laudo onde especifica detalhadamente o que contém cada documento apreendido. 12. Esta foi exatamente a situação vivenciada pelo Representante. Após a realização da busca e apreensão em sua residência, lavrouse o respectivo termo, genérico naturalmente, apenas para registro do que foi apreendido. Realizado posteriormente o exame de toda a documentação, o Delegado de Policia Federal (...) elaborou laudo detalhando o conteúdo dos documentos que interessavam A. investigação." (destaquei) [Diário da Justiça de 02/03/2005, Representação Criminal n°320 SP2004/01760655] 69. Portanto, concluise pela admissibilidade, no processo administrativo, da prova documental trazida pela fiscalização, uma vez que foi obtida por meio licito, com observância das garantias constitucionais e da legislação processual. Por todo o exposto, não vislumbrando ofensa aos incisos LV e LVI do art. 5° da Constituição Federal, rejeito a nulidade suscitada pela defendente. Por tais razões, as quais fazem parte desta (§ 1°, do artigo 50 da Lei 9.784/99), não há o que se retificar. Decadência À efl. 7.921 e seguintes, insurgiramse as Recorrente contra a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, I, do CTN, sob o argumento de que não teria Fl. 8860DF CARF MF Processo nº 10283.001726/200426 Acórdão n.º 3401005.227 S3C4T1 Fl. 8.856 11 ocorrido nenhuma das hipóteses constantes da parte final do § 4º do art. 150 do mesmo diploma legal, quais sejam, o dolo, a fraude, ou a simulação. Não se verifica no presente caso a decadência apontada pelas recorrentes. Confirmase o entendimento da DRJ/FOR (efl. 7842 e seguintes) e aproveito a fundamentação do tema nela exposto, a teor do § 1º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99, vez que a contagem deve ser feita pelo artigo 173, I do CTN. Assim, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I do CTN) que no caso dos autos é 01/01/2000 até a ciência da autuação (13/04/2004), temse 4 (quatro) anos, 3 (três) meses e 12 (doze) dias, logo, não ultrapassado o prazo quinquenal da decadência. Mérito As recorrentes teceram argumentos sobre: A acusação de importação fraudulenta; Conceito de fraude na legislação tributária; Aplicação das regras atinentes as normas sancionatórias; Inexistência de fraude; Inaplicabilidade da multa por fraude à importação; Inexistência de importação na entrada de produtos em Zona Franca; Inaplicabilidade da multa administrativa (artigo 463, I, RIPI/98); Inexistência de diversas hipóteses autônomas para aplicação da multa prevista no art. 463, I do RIPI/98; Inexistência de irregularidades; Irregularidades que poderiam ensejar a aplicação de multa; Regularidade das importações das Recorrentes; Regularidade das importações das Recorrentes; Irregularidades apontadas pela fiscalização; Regularidade na constituição das recorrentes; Da vistoria procedida pela autoridade administrativa existência de "linhas de produção autônomas; Inexistência de empresas coligadas; Legalidade de funcionamento no mesmo endereço. No que tange a multa, deve ser levada em consideração o entendimento da Câmara Superior de Recursos Ficais, Acórdão nº 9303004.235 – Terceira Turma, o qual não é diferente daquele da DRJ/FOR , para o qual deve ser aplicado ao caso a legislação vigente à época dos fatos. No caso dos autos, as importações fraudulentas foram realizadas em 1999, violando o art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I do Decreto 2.637/98. A multa mais específica arguida pelas contribuintes, prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1455/76, não existia à época dos fatos, pois se tornou mais específica quando da sua nova redação, dada pela Lei 10.637/2002 (cerca de 3 anos após os fatos que ensejaram o auto de infração ora em discussão). Fl. 8861DF CARF MF 12 Quanto aos demais argumentos do mérito do recurso voluntário, confrontandoos com os documentos dos autos e levando em consideração a decisão proferida pela DRJ/FOR, a qual foi minuciosamente fundamentada, temse que todos os apontamentos realizados no mérito do recurso voluntário já foram analisados pela DRJ/FOR e não foram acolhidos, propondose a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos moldes do § 3º, do art. 57, da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 RICARF/2015, introduzido pela Portaria MF nº 329, de 4 de junho de 2017; e dos § 1º, do art. 50, da Lei nº 9.784/99. Diante do exposto, voto no sentido conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 8862DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13707.003293/2008-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS EM DIMOB. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DEPOIS DE NOTIFICADO O LANÇAMENTO. VALOR PROBATÓRIO REDUZIDO.
1. Como a administradora dos imóveis informou ter pago rendimentos tributáveis em favor do recorrente, ele estava obrigada a demonstrar o contrário.
2. A DIMOB apresentada depois de notificado o lançamento tem reduzido valor probatório, mormente porque desacompanhada dos respectivos documentos, tais como aqueles solicitados pela fiscalização em sede de diligência fiscal determinada por este conselho (contratos, registros imobiliários, escrituras, formais, etc).
Numero da decisão: 2402-006.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS INFORMADOS EM DIMOB Recorrente HELIO AUGUSTO DE JESUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS INFORMADOS EM DIMOB. INEXISTÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO PELO SUJEITO PASSIVO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DEPOIS DE NOTIFICADO O LANÇAMENTO. VALOR PROBATÓRIO REDUZIDO. 1. Como a administradora dos imóveis informou ter pago rendimentos tributáveis em favor do recorrente, ele estava obrigada a demonstrar o contrário. 2. A DIMOB apresentada depois de notificado o lançamento tem reduzido valor probatório, mormente porque desacompanhada dos respectivos documentos, tais como aqueles solicitados pela fiscalização em sede de diligência fiscal determinada por este conselho (contratos, registros imobiliários, escrituras, formais, etc). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 32 93 /2 00 8- 37 Fl. 149DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 92/97) em nome do sujeito passivo, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), anocalendário 2006 (fls. 62/64), em que foi constatada, com base em dados prestados na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB), a omissão de rendimentos de aluguéis, no valor de R$ 61.890,35. Do total dos rendimentos informados em DIMOB (R$ 90.034,35), foram descontados os rendimentos declarados na DIRPF como recebidos de pessoa física (R$ 28.144,00). Em virtude deste lançamento, apurouse Imposto de Renda Pessoa Física suplementar de R$ 13.732,28, multa de ofício de R$ 10.299,21, além dos juros de mora de R$ 1.738,50 (calculados até junho de 2008). Com a alteração na DIRPF/2007, o interessado perdeu o direito à restituição declarada, de R$ 1.124,20. Com a ciência do indeferimento da Solicitação de Retificação de Lançamento, por via postal, em 02/09/2008 (fl. 67), o interessado apresentou impugnação, alegando que: a) os valores informados pela administradora na DIMOB contêm erros, pois os imóveis locados são bens em condomínio com mais quatro irmãos; b) a administradora informou os rendimentos como se fossem exclusivamente seus; c) dos rendimentos declarados em DIMOB, R$ 28.144,00 são próprios, R$ 28.064,00 de Walter Augusto de Jesus (CPF n.º 074.257.59772), R$ 24.206,00 de Oswaldo Augusto de Jesus (CPF n.º 022.541.82749), R$ 27.464,00 de Edna Augusto de Jesus Monteiro (CPF n.º 772.516.60768) e R$ 26.956,00 de Odair Augusto de Jesus (CPF n.º 158.688.34704); Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13707.003293/200837 Acórdão n.º 2402006.457 S2C4T2 Fl. 3 3 d) apresenta declarações discriminando valores recebidos por cada uma das cinco partes. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como locação de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza. O contribuinte foi intimado da decisão em 29/04/2013 (fl. 106) e interpôs recurso voluntário em 24/05/2013 (fl. 106), no qual basicamente reiterou os termos da sua impugnação, anexando, ainda, a DIMOB retificadora. Em sessão de julgamento realizada em 10 de maio de 2016, este Colegiado editou a Resolução de fls. 129/133, na qual solicitou que a Delegacia de origem verificasse a procedência das provas trazidas aos autos e emitisse parecer conclusivo sobre a questão. Ato contínuo, a fiscalização intimou o contribuinte, para que apresentasse cópias dos contratos de locação, dos registros imobiliários e do formal de partilha relativo aos bens (v. fls. 141/142). Conforme informação fiscal de fl. 144, o sujeito passivo não apresentou os documentos solicitados. Os autos foram distribuídos a este conselheiro. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Conforme já julgado em sede de Resolução, o recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da omissão de rendimentos A DIMOB apresentada depois de notificado o lançamento tem reduzido valor probatório, mormente porque desacompanhada dos respectivos documentos, tais como aqueles solicitados pela fiscalização em sede de diligência fiscal determinada por este conselho. Fl. 151DF CARF MF 4 Exemplificativamente, lembrese que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento (art. 147, § 1º, do CTN). O mesmo se pode dizer em relação à declaração prestada pela administradora dos imóveis, sobretudo porque o contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento que demonstrasse o desacerto da declaração original e a efetiva distribuição dos aluguéis entre ele e seus irmãos. Cabe observar que a necessidade dessa documentação adicional foi colocada em destaque no próprio acórdão de impugnação. Vejase: A leitura do dispositivo legal acima transcrito revela que cabia ao Interessado o ônus de apresentar juntamente com sua impugnação todas as provas documentais necessárias para confirmar o alegado. Não há no processo provas de que todos os rendimentos declarados na Dimob de fl. 69 eram decorrentes de bens em condomínio, tampouco constam documentos da administradora que pudessem indicar um suposto erro. Logo, o recorrente deveria ter demonstrado o erro contido na declaração original mediante a juntada de documentos que certamente estão (ou deveriam estar) ao seu dispor, tais como contratos de locação, matrículas imobiliárias, escrituras, etc. Em sendo assim, como o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus probatório, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 152DF CARF MF
score : 1.0
