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Numero do processo: 13804.002023/2001-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento e diligência nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento e diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento e diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 04 .0 02 02 3/ 20 01 -3 4 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2402000.601 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada mediante a Resolução de n.º 2802 000.125 – 2ª Turma Especial, fls. 118/22, mediante a qual se determina que o fisco confirme junto a pessoa jurídica se os valores constantes na DIRF na qual se fundou o lançamento estão corretos. Em sua resposta de fls. 161/68, a autoridade fiscal informa não haver possibilidade de cumprimento da diligência, pelos motivos assim relatados: "No entanto, neste momento, transcorrido longo período na tramitação do presente processo, a empresa não se encontra mais localizada nos endereços informados e não há possibilidade de se obter os documentos necessários, por meio de seus sócios, sendo que um deles hoje é falecido, o outro não faz mais parte do quadro societário e, ainda, um terceiro, que seria o responsável pela empresa, não foi localizado. Assim, após todas as tentativas na busca pela obtenção das provas solicitadas, concluise a presente diligência sem que se tenha alcançado o objetivo a que se propôs." Passo agora a transcrever a narrativa constante no relatório da resolução que deu ensejo à mencionada diligência, a qual retrata com fidedignidade os principais fatos do processo até aquele momento: "Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 1998, anocalendário 1997, em virtude de apuração de omissão de rendimentos no valor de R$50.956,56 conforme informado pela empresa NOVO RUMO IND. E COM. DE MOVEIS LTDA na Declaração de Rendimentos Pagos e Imposto Retido na Fonte DIRF. Na impugnação o contribuinte alega falta de intimação prévia ao lançamento, de Mandado de Procedimentos Fiscal – MPF e de comprovação da ocorrência do fato gerador, sustenta o não cabimento da exigência de juros com base na Selic, faz alegações acerca de inconstitucionalidade, além de requerer diligência e perícia. A impugnação foi indeferida sob fundamento, em síntese, de que falta de intimação prévia e de MPF não enseja nulidade do lançamento, que o contribuinte deveria ter trazido aos autos ao menos indícios de que não recebeu o rendimento informado na DIRF emitida pela empresa Novo Rumo, pois a DIRF é documento hábil até prova em contrário, consignou que, em razão do princípio da verdade material seriam analisados documentos apresentados após o prazo de impugnação, desconheceu o pedido de diligência pois cabe ao interessado trazer as provas que pode produzir e indeferiu o pedido de perícia por não observar os parâmetros legais. Ciente da decisão de primeira instância em 13/12/2007, o recorrente apresentou recurso voluntário em 27/12/2007, por meio reitera os argumentos da impugnação, em síntese: 1. nulidade do lançamento por não ter sido intimado previamente ao lançamento; Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2402000.601 S2C4T2 Fl. 4 3 2. nulidade por cerceamento do direito de defesa em virtude de não terem sido entregues ao contribuinte todos os documentos que embasaram a autuação e não ter sido dada vista ao processo na repartição durante o prazo para impugnação, neste ponto reportase a lições doutrinárias e à lei 9.784/1999; 3. inexistência de prova nos autos da ocorrência da omissão de rendimentos, uma vez que não foi juntada a original e/ou cópia da DIRF para comprovar o recebimento do rendimento cita acórdãos deste Conselho (10321445) e não cabe exigir do contribuinte a prova negativa – apresenta lições doutrinárias e precedentes judiciais sobre ônus da prova; 4. sustenta que não ocorreu o fato gerador do imposto de renda; e 5. impossibilidade de exigir juros moratório com base na Selic." A Turma do CARF entendeu que a DIRF, malgrado seja um forte indício da ocorrência dos fatos geradores, não pode ser tomada como prova irrefutável, nesse sentido seria pertinente a realização de diligência para que a fonte pagadora confirmasse se efetivamente fez os pagamentos declarados, além de que fossem apresentados documentos comprobatórios dos desembolsos ao recorrente. Conforme já mencionamos acima, a diligência foi infrutífera em razão do fisco não haver localizado a empresa, nem sócios que dispusessem da documentação necessária ao esclarecimento solicitado pela Turma do CARF. O contribuinte não foi cientificado da diligência, tampouco da informação fiscal dela decorrente. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13804.002023/200134 Resolução nº 2402000.601 S2C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade A admissibilidade já foi apreciada na sentada em que se converteu o julgamento em diligência, concluindose que o recurso merece conhecimento. Necessidade de conversão do julgamento em diligência para cientificação do sujeito passivo do resultado da diligência anterior Entendo que embora a diligência não tenha sido cumprido a contento, uma vez que não foi possível obter a confirmação acerca dos dados constantes na DIRF e que resultaram no lançamento por omissão de rendimentos, haveria necessidade de se cientificar o contribuinte da informação fiscal produzida. Tal cientificação teria o condão de prestigiar o princípio constitucional do contraditório, posto que havendo uma manifestação do fisco, a parte adversa deveria ter a oportunidade de se pronunciar acerca do alegado, até mesmo para reforçar as suas teses recursais. Assim, encaminho para que o julgamento seja convertido em diligência, de modo que se faculte ao sujeito passivo o prazo legal para que possa acrescentar aos autos suas considerações acerca da informação fiscal produzida em sede de diligência. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720872/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 27/02/2009
PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2010. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba.
ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF.
É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
Numero da decisão: 2201-003.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 18/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2009 a 27/02/2009 PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2010. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 27/02/2009 PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101, de 2010. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do anocalendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. ENUNCIADO 1 DA SÚMULA DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que dava provimento parcial. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 72 /2 01 3- 78 Fl. 882DF CARF MF 2 EDITADO EM: 18/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado em face do Acórdão 12063.311 da 14ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de Auto de Infração pelo qual se exige o recolhimento dos seguintes créditos: Debcad 51.025.6260: relativo à contribuição patronal (alíquota de 22,5%) e à contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Gilrat (1%), totalizando um crédito tributário de R$ 22.801.391,68, incluída multa de 75% ciência em 27/08/2013 (fls 290295). Debcad 51.025.6279: parte destinada ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA (2,7%), totalizando crédito tributário de R$ 2.619.734,36, também incluída multa de 75% ciência em 27/08/2013 (fls 296301). De acordo com o Relatório Fiscal (fls 302324), a empresa realizou pagamento a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR em 02/2009, referente ao ano de 2008, contudo o acordo que justificaria esse pagamento só teria sido celebrado no fim do período a que se referia (10 de novembro de 2008), de forma que não seria possível se falar em metas preestabelecidas, já que os empregados desconheciam completamente os requisitos que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba. Afirma ainda a Autoridade Fiscal, que o instrumento decorrente da negociação não estabelece regras claras, não havendo mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Como conseqüência, foi atribuído caráter remuneratório ao pagamento realizado, o que ensejou o lançamento das rubricas identificadas acima. Tendo tomado ciência da decisão da DRJ em 25/03/2014 (fls 725), a empresa autuada apresentou, tempestivamente, em 17/04/2014, recurso voluntário (fls 727/769) no qual alega, em síntese, que: não restou configurado ato ou fato capaz de ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias; nenhum dos argumentos utilizados para conduzir à conclusão de que os acordos de PLR da Recorrente conteriam vícios de legalidade pode prevalecer, porque: a data da assinatura dos acordos não reflete quando as negociações ocorreram e os empregados da recorrente já tinham pleno conhecimento das condições para recebimento da parcela dos lucros Fl. 883DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 883 3 ou resultados da empresa; os critérios para distribuição de valores estão expressa e claramente previstos nos acordos de PLR e foram previamente negociados entre as partes; a Lei nº 10.101/00 não estabelece qualquer limite para o pagamento de PLR; não é devida a cobrança do adicional de 2,5%, bem como da contribuição ao INCRA; o valor da multa está em desconformidade com a lei; é ilegal a inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Não havendo qualquer alegação em sede preliminar, passo à análise do mérito e, para tanto, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: Fl. 884DF CARF MF 4 “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 885DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 884 5 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, Fl. 886DF CARF MF 6 reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu Fl. 887DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 885 7 antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 888DF CARF MF 8 § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Estabelecidas essas premissas, controvertese nesse processo se a empresa teria atendido ao item i) existência de negociação prévia sobre a participação, e ao item iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores. Passemos à sua análise individualizada. Existência de negociação prévia A empresa realizou pagamento em fevereiro de 2009, a título de PLR sobre os resultados obtidos no período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2008 (cláusula 1ª do acordo fls 97). O instrumento que resulta da negociação foi firmado em 10 de novembro de 2008, ou seja, no último bimestre do anocalendário de referência. Quanto a essa matéria, há divergência na jurisprudência deste Conselho a respeito da necessidade ou não do ajuste ser prévio ao período de obtenção do lucro a ser distribuído, havendo quem defenda que basta ser anterior ao pagamento. Contudo, filiome à corrente que entende que o acordo deve anteceder ao período de referência, pois essa é uma decorrência lógica da finalidade para a qual o benefício é instituído. O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Em última análise, ganha o país com o incremento da produtividade e da eficiência. Nesse aspecto, não me sensibilizam argumentos quanto à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contém certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, é desnecessário, e até mesmo indesejável, que o texto legal Fl. 889DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 886 9 contenha aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito só fazem sentido se estabelecidos previamente. E isso é também uma garantia para o trabalhador. Ademais disso, deve ser relativizada a afirmação de que a lei não estabelece limite temporal, uma vez que, no §1º de seu art. 2º faz referência aos "critérios e condições" que devem constar do instrumento resultante da negociação. São critérios e são também condições, e o termo "condições", como é cediço, designa eventos futuros e incertos estabelecidos como premissas para a consolidação ou modificação de uma situação jurídica. O inciso II, desse mesmo parágrafo, por outro lado, afirma textualmente que o programa de metas, resultados e prazos, devem ser "pactuados previamente". Esse entendimento encontra eco na jurisprudência desse colegiado, do que serve como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas razão, pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, Fl. 890DF CARF MF 10 para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto, que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto sua faltas irão influenciar no PLR que já está em curso??? No mesmo sentido, do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 24 de agosto de 2016, extraise do voto do relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria. Portanto, quanto a essa matéria, entendo que não assiste razão à recorrente, de forma que o instrumento formalizado apenas no último bimestre do ano de referência não Fl. 891DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 887 11 atende às exigências da Lei nº 10.101, de 2000, para que os pagamentos realizados possam ser considerados como Participação nos Lucros e Resultados. Fixação de regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores Outro ponto de divergência diz respeito à existência ou não de regras claras e objetivas sobre os resultados a serem alcançados, com mecanismos que permitam a aferição do cumprimento do quanto acordado. De acordo com o Anexo I ao acordo de participação nos resultados (fls 100 101), o método de avaliação que seria aplicado dependeria da área de atuação de cada empregado, dividida em quatro grupos: gestão, private banking, mesas de operações e back office; e seguiria critérios qualitativos e objetivos, assim descritos: 2.1 Avaliação qualitativa consiste na observância das competências comportamentais necessárias para desempenho da função de cada empregado, bem como para atingimento das metas objetivas definidas. 2.2 Avaliação objetiva consiste na verificação do cumprimento de metas estabelecidas entre empregado e Gestor considerando as necessidades da empresa e de cada área especificamente, conforme descrito a seguir. Notese que um dos critérios para a avaliação qualitativa é a "observância das competências comportamentais necessárias para o desempenho da função de cada empregado". Esse critério não avalia o resultado, mas o indivíduo, e o faz de maneira extremamente subjetiva. Com base nele, podem ser extraídos das avaliações que foram juntadas ao processo os seguintes comentários que falam por si mesmos: "muito crítica e pouco construtiva", "traz uma energia positiva para equipe", "quer buscar seu espaço" e "muito isolado e centralizador". No que diz respeito à avaliação objetiva, destaco a previsão de que seriam "estabelecidas pelo empregado e gestor", ou seja, mesmo tendo sido firmados tão tardiamente, nem o acordo nem seu anexo contemplam as metas a serem alcançadas, tendo sido delegada sua fixação para um outro fórum do qual não há notícia no processo. Por outro lado, tomando como exemplo a área de mesas de operações, estão estabelecidos os seguintes "aspectos" para avaliação objetiva (item 2.2.3): a) captação de novos clientes; b) manutenção dos clientes atuais; c) volume de receita gerada; d) quantidade de erros operacionais. Embora esses aspectos possam assumir feição clara e objetiva, para que tenham essas qualidades é necessário o estabelecimento dos parâmetros para sua aferição. Se os parâmetros não estão fixados, os critérios foram apenas "nomeados", mas não estabelecidos. Fl. 892DF CARF MF 12 Compulsandose as avaliações que foram juntadas pela empresa, vêse, por exemplo, que um empregado recebeu nota 2.7 no critério quantidade de visitas, e outro recebeu nota 3.0. Um recebeu nota 9.6 no grau de eficiência e outro 8.9. Um recebeu 2.1 na captação equivalente e outro 2.4. Mas não há qualquer referências às metas que deveriam atingir e nenhum parâmetro objetivo que justifique a diferença de nota entre um e outro. Ou seja, não é possível identificar como os critérios da avaliação qualitativa e objetiva se converteram nos valores de PLR atribuídos aos empregados e, muito menos, aferir a correção desses valores. Devese registrar também que é no mínimo peculiar que documentos atributivos de direitos de expressivo valor econômico sejam revestidos de tão pouca formalidade como os apresentados: não há assinatura do responsável pela emissão, não há assinatura do avaliado e não há data. O mesmo comentário é aplicável ao que me parece ser a cartilha mencionada pela apelante, pela qual os empregados teriam pleno conhecimento das metas a serem alcançadas. Assim, embora a recorrente repita várias vezes que os critérios estavam definidos e eram do conhecimento dos empregados, essa realidade não está representada na documentação juntada ao processo. Ela mesma, em sua petição, poderia ter demonstrado a clareza e objetividade deles justificando as diferentes notas recebidas pelos empregados e a distribuição desigual dos valores pagos a título de PLR, mas não o fez. Na verdade, a documentação juntada pele empresa demonstra que tanto as metas e critérios objetivos não existiam previamente, como não podem ser demonstrados após terem transcorridos vários anos da realização dos pagamentos. Com efeito, a partir das fls 822 do processo estão os memoriais apresentados tendo em vista a inclusão do processo na pauta do dia 02/12/2014. A esses memoriais estão juntadas fichas de avaliações individuais (sem qualquer data ou assinatura), que estabeleceriam metas para 2008, nos seguintes termos: coordenar o trabalho de toda a equipe comercial para clientes institucionais e prospectar clientes (fls 831); prospectar novos clientes institucionais e evitar resgates significativos (fls 832); controlar os ativos dos fundos de ações (fls 834). Como metas e objetivos a serem alcançados, essas frases são vazias de significado. É claro que um gerente gerencia e um coordenador coordena. Essas são suas funções e para isso são remunerados. Com base nisso, entendo que não ficou demonstrada a existência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados, condição legal para que os pagamentos pudessem ser caracterizados como PLR. Por fim, considerando a linha de argumentação utilizada pela recorrente, de que a fiscalização precisaria demonstrar a existência de abuso de forma, afirmo que não lhe assiste razão. Na dialética das provas, cabia à fiscalização comprovar a existência dos pagamentos e a natureza da relação jurídica estabelecida entre as partes. A incidência das contribuições previdenciárias sobre remuneração paga é a regra, sua não incidência é a exceção que precisa, esta sim, ser justificada. Nesse caso, era ônus da empresa demonstrar que os pagamentos realizados estavam em conformidade com as regras que estabelecem situação excepcional. Fl. 893DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 888 13 A empresa não se desincumbiu de seu ônus, porque o acordo apresentado tem data tardia e porque, mesmo tão tardiamente fixado, não contém elementos claros e objetivos quanto aos direitos fixados, não sendo possível aferir a correção dos valores atribuídos a cada empregado. Em tempo, deixo de analisar a discussão acerca da existência ou não de limites de valores no pagamento de PLR, por entender que essa questão fica prejudicada pelas conclusões acima expendidas, que são suficientes para afastar a natureza dos pagamentos como PLR. Quanto a esse aspecto, invoco o contido no art. 489 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015), no seguinte dispositivo: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Neste caso, tendo sido adotado como premissa que a regra de PLR é isentiva e que o não atendimento a uma das condições é suficiente para afastar essa natureza, os demais argumentos apresentados pela recorrente não seriam "capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador". Da cobrança do adicional de 2,5% e da contribuição ao INCRA Alega a recorrente que a cobrança do adicional de 2,5% afronta os princípios da isonomia, legalidade e do equilíbrio financeiro e atuarial e que a exigência da contribuição para o INCRA é manifestamente inconstitucional. Com esses argumentos, busca negar eficácia a comandos legais ainda em vigor. Nesse caso, a matéria não pode ser objeto de avaliação por este colegiado, conforme determina o enunciado 2 da Súmula do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões da recorrente, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, Fl. 894DF CARF MF 14 retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, da 1º TO/4ª Câmara/2ª Seção deste colegiado: Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuiçaõa ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Fl. 895DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 889 15 Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicando se, assim, os recursos arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Tratase de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. Fl. 896DF CARF MF 16 (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA. Fl. 897DF CARF MF Processo nº 16327.720872/201378 Acórdão n.º 2201003.551 S2C2T1 Fl. 890 17 Aspectos pontuados no início da petição, mas não desenvolvidos Registrese que no início do recurso voluntário há a indicação dos seguintes itens: o valor da multa está em desconformidade com a lei; é ilegal a inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação fiscal. Contudo, esses temas não são posteriormente desenvolvidos, o que sugere que sua indicação decorre de erro de redação. Apesar disso, em relação à pretensa ilegalidade da inclusão dos diretores no pólo passivo da autuação fiscal, pontuo que essa matéria já se encontra pacificada no âmbito deste colegiado, conforme evidencia o enunciado n° 88 da Súmula do CARF: A relação de Coresponsáveis CORESP e o "Relatório de Representantes Legais REPLEG" e a "Relação de Vínculos VÍNCULOS" anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Não enfrentarei a questão da multa, porque ela não é compreensível tal como enunciada. Com efeito, não é possível saber se a consulente pretende questionar a multa de ofício de 75%, ou se está se referindo à multa por descumprimento de obrigação acessória que é mencionada pelo Relatório Fiscal mas não faz parte deste processo. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 898DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720875/2014-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
ALEGAÇÕES DE FATO E DE DIREITO. JUNTADA DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. ÔNUS DO RECORRENTE.
Cabe ao recorrente a invocação dos motivos de fato e de direito que dão suporte à sua pretensão, assim como lhe compete juntar as provas que possuir e requerer as diligências ou perícias que julgar importantes à defesa, nos termos do artigo 16, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA.
Há simulação quando o contribuinte recorre a instrumentalidade meramente formal com aparência de contrato de sociedade com o fim disfarçado de suprimir ou reduzir tributo.
SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Aplica-se a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, sobre a diferença de tributo que resultar do negócio simulado, planejado com o fim disfarçado de suprimir ou reduzir o recolhimento de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
SIMULAÇÃO EM BENEFÍCIO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. PRESERVAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA.
Os negócios simulados realizados em benefício da pessoa jurídica decorrem do exercício da administração da sociedade empresária, motivo por que ensejam a responsabilidade dos administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN, sem afastar a responsabilidade da pessoa jurídica.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. DESCONSIDERAÇÃO DA EMPRESA CONTRATADA. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE.
Uma vez desconsiderada a pessoa jurídica contratada, em razão de simulação verificada no ato de sua constituição, os pagamentos a ela registrados se sujeitam à tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, na forma do artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
ALUGUEL DE MÓVEIS E IMÓVEIS. SIMULAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP.
Não geram créditos de PIS/PASEP os pagamentos efetuados a título de aluguel em nome de instrumentalidades meramente formais planejadas com o fim disfarçado de reduzir a suprimir tributo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ALUGUEL DE MÓVEIS E IMÓVEIS. SIMULAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS.
Não geram créditos de COFINS os pagamentos efetuados a título de aluguel em nome de instrumentalidades meramente formais planejadas com o fim disfarçado de reduzir a suprimir tributo.
Numero da decisão: 1301-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por maioria de votos, em REJEITAR a proposta do relator de conversão em diligência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. (ii) No mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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JUNTADA DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIAS. ÔNUS DO RECORRENTE. Cabe ao recorrente a invocação dos motivos de fato e de direito que dão suporte à sua pretensão, assim como lhe compete juntar as provas que possuir e requerer as diligências ou perícias que julgar importantes à defesa, nos termos do artigo 16, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Há simulação quando o contribuinte recorre a instrumentalidade meramente formal com aparência de contrato de sociedade com o fim disfarçado de suprimir ou reduzir tributo. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Aplicase a multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, sobre a diferença de tributo que resultar do negócio simulado, planejado com o fim disfarçado de suprimir ou reduzir o recolhimento de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. SIMULAÇÃO EM BENEFÍCIO DA PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. PRESERVAÇÃO DA RESPONSABILIDADE DA PESSOA JURÍDICA. Os negócios simulados realizados em benefício da pessoa jurídica decorrem do exercício da administração da sociedade empresária, motivo por que ensejam a responsabilidade dos administradores, nos termos do artigo 135, III, do CTN, sem afastar a responsabilidade da pessoa jurídica. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 75 /2 01 4- 63 Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.181 2 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. DESCONSIDERAÇÃO DA EMPRESA CONTRATADA. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Uma vez desconsiderada a pessoa jurídica contratada, em razão de simulação verificada no ato de sua constituição, os pagamentos a ela registrados se sujeitam à tributação do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, na forma do artigo 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 ALUGUEL DE MÓVEIS E IMÓVEIS. SIMULAÇÃO. CRÉDITO DE PIS/PASEP. Não geram créditos de PIS/PASEP os pagamentos efetuados a título de aluguel em nome de instrumentalidades meramente formais planejadas com o fim disfarçado de reduzir a suprimir tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ALUGUEL DE MÓVEIS E IMÓVEIS. SIMULAÇÃO. CRÉDITO DE COFINS. Não geram créditos de COFINS os pagamentos efetuados a título de aluguel em nome de instrumentalidades meramente formais planejadas com o fim disfarçado de reduzir a suprimir tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, (i) por maioria de votos, em REJEITAR a proposta do relator de conversão em diligência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. (ii) No mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado. Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.182 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 06051.891, proferido pela 1ª Turma da DRJ/CTA, na sessão de 24 de abril de 2015, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedentes: a impugnação apresentada por Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegados, mantendo o crédito tributário exigido; a impugnação apresentada por José Américo Ribeiro dos Santos, mantendo o termo de sujeição passiva solidária; e a impugnação apresentada por Américo Ribeiro dos Santos Neto, mantendo o termo de sujeição passiva solidária; Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, apurados pelo Lucro Real, e de PIS e COFINS, apurados pelo regime nãocumulativo, e de IRRF referente ao anocalendário 2009, nos quais se verificou o seguinte: Imposto de Renda Pessoa Jurídica Imposto 2.442.822,50 Juros de Mora 1.043.329,49 Multa 3.664.233,75 Valor do Crédito Apurado 7.150.385,74 Contribuição Social s/Lucro Líquido Contribuição 879.416,10 Juros de Mora 375.598,62 Multa 1.319.124,15 Valor do Crédito Apurado 2.574.138,87 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Contribuição 719.580,32 Juros de Mora 321.029,70 Multa 1.079.370,48 Valor do Crédito Apurado 2.119.980,50 Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.183 4 Contribuição para o PIS/PASEP Contribuição 117.119,59 Juros de Mora 52.326,72 Multa 175.679,39 Valor do Crédito Apurado 345.125,70 Imposto de Renda Retido na Fonte Imposto 6.020.744,79 Juros de Mora 2.815.452,72 Multa 9.031.117,22 Valor do Crédito Apurado 17.867.314,73 Crédito tributário apurado 30.056.945,54 2. O Termo de Verificação Fiscal (fls 0616 a 0642) e outros documentos constantes dos autos nos dão conta de que no anocalendário 2009 houve sonegação de IRPJ e CSLL por meio de despesas simuladas, constatação de pagamentos sem causa (nos quais deveriam incidir IRRF) e apuração de créditos indevidos de PIS e de COFINS. Sonegação de Imposto de Renda por Meio de Despesas Simuladas Suposta cessão de bens móveis e imóveis 3. Analisando a escrituração contábil da interessada, doravante denominada CNAGA (Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegados), a fiscalização constatou a “... existência de expressivos pagamentos efetuados a título de locação de bens móveis (e imóveis) supostamente colocados a disposição da CNAGA pelas empresas Movequipe Máquinas e Equipamentos Ltda, doravante denominada MOVEQUIPE, e Modus Administração e Locação de Bens Ltda, doravante denominada MODUS”. 4. Por esse motivo, foram realizadas diligências nas referidas pessoas jurídicas a fim de se obter seus contratos sociais “... e os comprovantes de aquisição e propriedade dos bens e direitos que são objeto dos contratos de locação firmados entre elas e a CNAGA foram solicitados por meio de intimações” (fls 0085 a 0088). 5. Com relação à pessoa jurídica MODUS, cuja constituição é datada de 11/2008, a autoridade fiscal iniciou os exames pelo seu contrato social e foi constatado que “... a CNAGA é sócia da empresa e integralizou em bens e direitos de seu patrimônio sua participação no Capital Social daquela. Os bens que integralizaram o Capital Social da MODUS são: imóvel situado no município de São Sebastião, equipamentos de informática e licenças de uso de software nos valores de R$ 1.990.000,00 (um milhão e novecentos e noventa mil reais), R$ 106.000,00 (cento e seis mil reais) e R$ 162.000,00 (cento e sessenta e dois mil reais) respectivamente. A participação de bens e direitos oriundos da CNAGA no Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.184 5 ativo imobilizado da MODUS é de 99,5%. Os restantes 0,5% referemse a alguns equipamentos de informática, cujo valor de aquisição foi de R$ 11.615,00 (onze mil e seiscentos e quinze reais)”. 6. Ao ser intimada pela fiscalização, a empresa “... MODUS apresentou as notas fiscais de aquisição dos equipamentos de informática e das licenças de uso de software (fls 120 a 390), contudo, não apresentou o comprovante de propriedade (escritura) do imóvel localizado em São Sebastião. Não tendo sido apresentado comprovante da propriedade do imóvel, foi enviado Ofício ao Oficial Registro de Imóveis e Anexos do Estado de São Paulo – Comarca de São Sebastião (fl. 391), para que o órgão nos enviasse cópia da matrícula do imóvel localizado no endereço indicado pelo suposto contrato de locação do bem, Avenida Doutor Remo Correa da Silva, 1750 – Bairro da Topolândia. O Registro de Imóveis respondeu ao Ofício com a negativa da existência de registro do referido imóvel (fl. 392). Restou negativa também, nos cadastros da Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo – ARISP, a procura da propriedade do imóvel pelo CNPJ da MODUS (fls 393 a 398). Ressaltase o fato de que o documento que comprova a despesa, escriturada na contabilidade da CNAGA, de Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU – exercício 2009 deste imóvel continua em nome da CNAGA” (fl. 399). 7. Conforme registrado na contabilidade da fiscalizada, mais precisamente na conta 411210001 – Aluguel de Imóveis – verificouse que o aluguel do referido imóvel gerou despesas, no anocalendário de 2009, no montante de R$ 1.863.450,00. 8. Comparandose o total dos “... aluguéis pagos pela CNAGA à MODUS (R$ 1.863.450,00), com o valor pelo qual a propriedade do mesmo imóvel teria sido transferida da CNAGA para a MODUS (R$ 1.990.000,00), verificase que somente no período de um ano, foi pago, a título de aluguel, valor equivalente a 94% (noventa e quatro por cento) do valor do bem. A desproporção entre o valor da propriedade do bem imóvel e de seu aluguel é evidente. Essa desproporção pode ter origem na sub avaliação do imóvel ou na super avaliação do preço do aluguel”. 9. Qualquer dessas hipóteses, ou as duas, “... vem mostrar a intenção de se transferir indevidamente patrimônio da CNAGA para a MODUS, ou seja, vem mostrar o caráter simulado do negocio jurídico contrato de locação de imóveis (fls 400 a 405). Em outras palavras, um instrumento formalizado como contrato de locação de imóveis que não guarda, entretanto, relação com a realidade desse instituto, seja pelos preços, seja pela propriedade”, “... não é contrato de locação, é apenas negócio simulado para reduzir a tributação de uma empresa por meio da criação de falsa despesa”. 10. Também chamou a atenção da fiscalização a conta contábil 411210002 – Aluguel de máquinas e equipamentos – a qual demonstra o montante de R$ 879.962,50, relativo a despesas de aluguel pagas à empresa MODUS. 11. Do exame do contrato de locação dos referidos bens, efetuado entre a fiscalizada e a pessoa jurídica MODUS (fls 406 a 420), “... verificase que todos os bens locados pertenciam à CNAGA e foram transferidos para a MODUS pelo valor de R$ 106.000,00 (cento e seis mil reais)”. Por outro lado, o valor do aluguel mensal pago à empresa MODUS é de R$ 85.000,00. Nesse caso, a autoridade fiscal constatou “... uma desproporção ainda maior que a verificada com relação ao imóvel, pois o valor do aluguel mensal é de 80%(oitenta por cento) do valor do bem, o que evidencia, novamente, o caráter simulado do negocio jurídico com a finalidade, também evidente, de reduzir indevidamente a tributação do Imposto De Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pela empresa CNAGA”. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.185 6 12. Na mesma toada, a fiscalização analisou a conta contábil 411210032 – Manutenção de informática – a qual registrou durante o período fiscalizado o montante de R$ 621.150,00 referente a despesas de licença de uso de programas de computadores pagas à pessoa jurídica MODUS. 13. Ao analisar o respectivo contrato de licença de uso de programa de computador firmado entre a interessada e a empresa MODUS, a autoridade fiscal verificou “... que todas as licenças de uso de programa de computador pertenciam à CNAGA e foram transferidos para a MODUS pelo valor de R$ 162.000,00 (cento e sessenta e dois mil reais). O valor pago pelo uso da licença no exercício fiscalizado representa 280% (duzentos e oitenta por cento) do valor pelo qual a MODUS adquiriu, no ano anterior, os mesmos direitos da CNAGA”. 14. Em relação à pessoa jurídica MOVEQUIPE, cuja constituição é datada de 07/2001, a autoridade fiscal iniciou os exames pelo seu contrato social e foi constatado que “... a CNAGA é sócia da empresa e integralizou em bens e direitos de seu patrimônio sua participação no Capital Social daquela. Os bens que integralizaram o Capital Social da MOVEQUIPE são empilhadeiras, pá carregadeiras e veículos automotores”. 15. Ao ser intimada a empresa MOVEQUIPE apresentou contrato de aluguel de equipamentos firmado entre esta e a fiscalizada, o qual é datado de 01/08/2001, ou seja, “... logo após a constituição da MOVEQUIPE. Este contrato prevê o aluguel dos mesmos equipamentos que vieram da CNAGA e integralizaram o capital social da MOVEQUIPE”. 16. Continuando a análise de documentos, a fiscalização verificou que o imobilizado da empresa MOVEQUIPE, que no balanço do anocalendário de 2009 foi apurado no valor de R$ 497.709,83, tem a seguinte composição: • 25 empilhadeiras, sendo que 19 vieram da CNAGA; • 16 veículos, sendo que 11 vieram da CNAGA; • 5 pás empilhadeiras, sendo que 3 vieram da CNAGA. 17. Voltando à contabilidade da fiscalizada, a autoridade fiscal constatou que a conta contábil 411210002 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos – registrou o montante de R$ 4.950.290,03 de despesas de aluguel pagas à MOVEQUIPE, durante o ano fiscalizado, referente aos equipamentos e veículos que pertenciam à CNAGA. 18. Comparandose o referido valor com o total do imobilizado da empresa MOVEQUIPE (R$ 497.709,83), “... fica notoriamente evidenciada a desproporção dos valores envolvidos. Somente em um ano, foi pago mais do que dez vezes do valor do bem a título de aluguel”. Ressalta a fiscalização que mesmo “... os equipamentos adquiridos pela MOVEQUIPE após a integralização do Capital Social, também foram pagos pela CNAGA, por meio de rateio de despesas de leasing...”. Outras despesas relacionadas às empresas MODUS e MOVEQUIPE 19. Há ainda, na contabilidade da CNAGA, o registro de serviços de manutenção de equipamentos de informática e de suporte de software, o qual totaliza a quantia de R$ 1.456.437,50. Para comprovar as referidas despesas, a fiscalizada apresentou contratos (fls 0406 a 0415) e recibos de pagamento (fls 0492 a 0515). Já para os serviços de licença de uso de programa de computador os documentos apresentados foram os contratos (fls 0421 a 0426) e as notas fiscais (fls 0516 a Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.186 7 0549). A numeração seqüencial das notas fiscais emitidas pela empresa MODUS demonstra que esta não possui outros clientes, atendendo apenas a autuada (vide folha 0622). Despesas rateadas 20. Na continuidade da fiscalização foram localizados lançamentos contábeis relevantes relativos a rateio de despesas, as quais a interessada foi intimada a comprovar. Nesse sentido, “... a CNAGA apresentou o contrato de rateio realizado entre ela e a MOVEQUIPE (fls 0550 a 0552), planilha demonstrativa dos valores e percentuais atribuídos ao rateio (fls 0553 a 0554), documentos que comprovam os valores registrados na planilha” (fls 0555 a 0602). 21. Examinando a referida planilha, a autoridade fiscal verificou “... que a MOVEQUIPE, empresa tributada pela sistemática do Lucro Presumido, transfere 95% (noventa e cinco por cento) de suas despesas para as empresas CNAGA e LOGISPOT, empresas pertencentes aos mesmos sócios da MOVEQUIPE e tributadas pela sistemática do Lucro Real”. 22. Nesse sentido, “... por exemplo, no que diz respeito ao rateio de pessoal, após a despesa com trabalhadores ser “rateada” entre as empresas CNAGA e LOGISPOT, não sobra despesa com trabalhadores na empresa MOVEQUIPE, o que inviabilizaria, por si só, a hipótese de a MOVEQUIPE prestar qualquer serviço com trabalhadores próprios”. 23. Apesar disso, no que diz respeito a estas despesas, a fiscalização entendeu que “Se por um lado a documentação apresentada comprova a inexistência real da MOVEQUIPE, por outro lado comprova despesas operacionais necessárias ao desenvolvimento das atividades que constituem o objeto social da CNAGA”, por esse motivo, a autoridade fiscal obrigouse “... a leválas em consideração na apuração do lucro da CNAGA”. Conclusão 24. Considerando que a fiscalizada é tributada pelo Lucro Real, “... o aumento artificial das suas despesas resulta na diminuição artificial da base de cálculo do IRPJ e, conseqüentemente, no montante da obrigação tributária”. 25. Sobre esse assunto, a fiscalização finaliza ressaltando que: • “... a MOVEQUIPE não vende produtos ou serviços, limitandose a gerar contratos de locação de equipamentos para duas empresas, CNAGA e LOGISPOT, empresas cujos donos e administradores são os mesmos da MOVEQUIPE. Já a MODUS não vende produtos e vende somente serviços para a CNAGA, conforme indica a numeração seqüencial das notas fiscais emitidas (conforme tabela transcrita no item 2.2.2) e aluga máquinas e equipamentos para a CNAGA e para a LOGISPOT, sendo que a MODUS também pertence aos mesmos donos e é administrada pelas mesmas pessoas”. • “As empresas MODUS e MOVEQUIPE são tributadas pelo lucro presumido, metodologia de tributação que presume, no caso da atividade declarada dessas empresas, que 32% (trinta e dois por cento) desse valor é lucro. Assim, ao simular despesas da CNAGA como receita da MODUS e da MOVEQUIPE, a empresa reduz da base de calculo da CNAGA o valor total do negócio simulado e Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.187 8 para isso acrescenta a base de cálculo da MODUS e da MOVEQUIPE apenas 32% do negocio simulado”. • “Tendo em vista que a base de cálculo do IRPJ é 32% (trinta e dois por cento) do faturamento, é também presumido, portanto, que 68% (sessenta e oito por cento) do faturamento dessas empresas seja relativo a custos e despesas. Verificamos, no item 2.3 que a MOVEQUIPE, como empresa fictícia que é, não tem despesas, pois elas são rateadas entre as empresas CNAGA e LOGISPOT, conforme planilha fornecida pela CNAGA, evidenciando ainda mais o caráter simulado das empresas MOVEQUIPE e MODUS. Ou, em termos mais precisos, despesas da CNAGA e LOGISPOT são atribuídas a MODUS e MOVEQUIPE para dar aparência operacional a essas empresas para num segundo momento essas despesas serem inteiramente suportadas pela CNAGA e LOGISPOT sob o titulo de rateio”. • “Na prática, tudo continuou como antes, a CNAGA continuou operando no mesmo lugar e com os mesmos equipamentos que possuía, e que geravam sua receita, com a única diferença que passou a contabilizar uma despesa pela sua utilização”. • “Carece de lógica que uma empresa que possui os bens, se desfaça do seu indispensável ativo operacional para por ele passar a pagar aluguel que consome quase 30% (trinta por cento) do seu faturamento”. • “Não se compadece com o objetivo de lucro mudar de uma situação em que nada se paga pelo equipamento indispensável para uma situação em que por ele se pagam despesas que reduzem seu lucro em cerca de 30% (trinta por cento). Isso só acontece quando, de fato, o pagamento e o recebimento das despesas vem a desaguar, em última instância, nas mesmas pessoas físicas”. • “As empresas MODUS e MOVEQUIPE foram criadas apenas no papel, para emitir notas fiscais de despesas a serem contabilizadas pela CNAGA e o patrimônio da CNAGA dela se destacou apenas formalmente. Conseqüentemente, as despesas de aluguel são inexistentes”. 26. Dessa forma, para a correta apuração do IRPJ e da CSLL, foram glosadas as despesas relativas às empresas MODUS e MOVEQUIPE. Imposto de Renda na Fonte sobre Operações sem Causa 27. Considerando os exames e conclusões já relatados, a fiscalização entendeu que não há causa legal para os pagamentos realizados para as pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE. 28. Nesse sentido, “... Além dos pagamentos atribuídos aos serviços e locações supostamente prestados pela MODUS, a CNAGA fez outros pagamentos, a título de mútuo, como podemos observar na escrituração constante em seus históricos, a fim de dissimular o caráter tributável do pagamento” (vide folhas 0625 a 0627). 29. Assim, entendeu a fiscalização que como não existe o tomador de recursos (empresa MODUS) não houve mútuo e, ademais, “... Os pagamentos realizados pela CNAGA, que alegadamente teriam sido destinados à empresa fictícia MODUS sob o título de parcela de mútuo, não guardam nenhuma relação com o contrato de mútuo apresentado pela CNAGA” (fls 0603 a 0604). Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.188 9 30. Os valores indevidos movimentados a título de mútuo foram registrados pela fiscalizada na conta contábil 223110008. A referida conta deveria refletir, ao final do exercício, um direito da MODUS contra a CNAGA, porém, “... para excluir da contabilidade o registro desse direito inexistente, por ser fictício, o contribuinte fez um lançamento que transferiu o direito da MODUS frente a CNAGA para um direito da CNAGA frente a MOVEQUIPE, sem apresentar qualquer documento que comprovasse a legitimidade do lançamento”. Assim, a conta contábil em questão encerrou o período com saldo final igual a zero. 31. Com relação aos pagamentos efetuados à empresa MOVEQUIPE, estes foram registrados na conta contábil 115410005 (vide folhas 0628 a 0631). Também, neste caso, a interessada “... fez pagamentos atribuídos a MOVEQUIPE, a título de mútuo, como podemos observar na escrituração constante em seus históricos, a fim de dissimular o caráter tributável do pagamento”. 32. Entendeu a fiscalização que tal negócio não ocorreu, pois o tomador de recursos do mútuo (MOVEQUIPE) é empresa inexistente e “Não foi apresentado contrato de mútuo existente entre a CNAGA e a MOVEQUIPE, apesar de a empresa ter sido intimada a fazêlo” (TIF 03 – fls 0069 a 0081). 33. Além disso, a referida conta contábil “... registra saldo inicial inexplicável, pois, intimado, o contribuinte não apresentou nenhuma explicação que justificasse tal valor” e também possui encerramento fictício, pois, ao final do exercício, “... para excluir da contabilidade o registro desse direito inexistente, por ser fictício, o contribuinte fez dois lançamentos simulados”: um deles transfere R$ 984.063,30 para a conta 223110008 (da empresa MODUS), a qual fica com saldo “zero”, e “... outro que registra uma cessão de créditos igualmente fictícia. A CNAGA seria credora da MOVEQUIPE. MOVEQUIPE seria credora da Rumo Logística SA (conforme escrituração conta contábil), doravante denominada RUMO. MOVEQUIPE cederia seus créditos contra a RUMO para a CNAGA, assim MOVEQUIPE se liberaria de sua obrigação em relação a CNAGA e a CNAGA passaria a ter um crédito contra a empresa RUMO”. Tal movimentação de créditos foi na quantia de R$ 7.884.982,15. 34. Tendo sido intimada a apresentar documentos que dessem suporte aos referidos lançamentos, a fiscalizada enviou documento de cessão de direitos creditórios (fls 0607 a 0610), porém, tal documento não estava assinado. Apesar disso, a fiscalização entendeu que o documento serviu para mostrar a “... versão que o contribuinte quis dar ao negócio simulado, nas oportunidades que teve de prestar esclarecimentos durante a ação fiscal”. Outrossim, mesmo tendo coincidência entre os valores envolvidos, “... no documento não figura a empresa RUMO, em seu lugar figura a empresa Impulso Empreendimentos e Participações Ltda, que possui o mesmo controlador da CNAGA, o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos” (fl. 0611). 35. Assim, entendeu a autoridade fiscal que “Sobre esses pagamentos, a CNAGA deveria ter retido na fonte 35% de Imposto de Renda, pois tratase da hipótese do parágrafo § 1º do artigo 61 da Lei no 8.981, de 1995”. 36. Da mesma forma, foram constatados pagamentos efetuados ao sócio José Américo Ribeiro, registrados em conta contábil nº 121110004 (com o mesmo nome do sócio), os quais “... não encontram causa legal e, portanto, também deveriam ter sido tributados na fonte a alíquota de 35%”. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.189 10 Nesse sentido, “A CNAGA realizou expressivos pagamentos ao sócio José Américo Ribeiro dos Santos ao longo do exercício de 2009. Tais pagamentos não constituem distribuição de lucros ou dividendos e pró labore pois não guardam relação com o lucro apurado pela empresa nem com o trabalho realizado pelo sócio. A empresa alega tratarse de um contrato de mútuo. A posição da conta contábil que registra tais pagamentos no ativo da empresa seria compatível, em tese, com um empréstimo concedido pela CNAGA ao sócio José Américo Ribeiro dos Santos. Não obstante, a CNAGA, quando intimada a apresentar documentos que suportassem tais lançamentos, apresentou um contrato de mutuo justamente no sentido contrario, ou seja, um contrato em que José Américo Ribeiro dos Santos teria emprestado dinheiro a CNAGA” (fls 0605 a 0606). 38. Desse modo, entendeu a autoridade fiscal que não havia documentos que suportassem “... a versão da empresa de que se trataria de um contrato de mutuo. Em primeiro lugar, porque, como visto acima, não há instrumento de formalização de tal contrato e, em segundo lugar, porque contratos de mutuo devem ser pagos, o que não ocorreu no caso, como passamos a expor. No final do exercício de 2009 havia um saldo na conta contábil que registraria uma suposta obrigação do sócio José Américo Ribeiro dos Santos de pagar R$ 3.429.000,00 (três milhões e quatrocentos e vinte e nove mil reais) a CNAGA. A obrigação não existia na realidade pois não existia um contrato de mutuo real. Para excluir do seu balanço a obrigação inexistente a empresa simulou uma cessão de credito fictícia. A CNAGA seria credora de seu sócio José Américo Ribeiro dos Santos. José Américo Ribeiro dos Santos seria credor da RUMO. José Américo Ribeiro dos Santos cederia seus créditos contra a RUMO para a CNAGA, assim José Américo Ribeiro dos Santos se liberaria de sua obrigação em relação a CNAGA e a CNAGA passaria a ter um crédito contra a empresa RUMO”. 39. Com relação a isso, a empresa foi “Intimada a apresentar a documentação que dá suporte a tais lançamentos, a empresa apresentou documento de cessão de direitos creditórios” (fls 0612 a 0615). Entretanto, como ocorreu anteriormente, o documento também não estava assinado e, “Apesar da coincidência de valores, o documento não figura a empresa RUMO, em seu lugar figura a empresa Impulso Empreendimentos e Participações Ltda, que possui o mesmo controlador da CNAGA, o Sr José Américo Ribeiro dos Santos” (fl. 0611). 40. Outrossim, durante o anocalendário em exame ocorreram transferências de valores para a fiscalizada, no valor de R$ 1.924.000,00, as quais foram atribuídas “... ao sócio José Américo Ribeiro dos Santos como pagamento parcial do simulado contrato de mutuo. Não obstante, a empresa não provou que os recursos tiveram realmente essa origem e essa finalidade, não sendo licito a fiscalização, especialmente num quadro de tão numerosas fraudes, supor que tal informação é correta para reduzir o valor liquido dos pagamentos indevidos ao sócio José Américo Ribeiro dos Santos”. 41. A fiscalização ressalta que ficou caracterizada a utilização das pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE, bem como a pessoa física José Américo Ribeiro dos Santos, nos esquemas de evasão da CNAGA 42. Chamou a atenção também a semelhança dos casos que envolvem essas pessoas jurídicas e a pessoa física, pois, “Ao final do exercício a CNAGA possuía créditos contra essas três pessoas e esses créditos foram pagos por essas três pessoas por créditos que essas três pessoas teriam contra a empresa RUMO. Tal coincidência não foi explicada pelo contribuinte, que foi intimado a apresentar os documentos que suportam os lançamentos. E permanece, até agora, sem resposta”. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.190 11 Créditos Indevidos de PIS e COFINS 43. A autoridade fiscal constatou que além das operações já relatadas, que resultaram na diminuição da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalizada “... também usou tais lançamentos para se creditar indevidamente de PIS e COFINS”, destacando que, “... ainda que o negócio jurídico aluguel de bens móveis e imóveis não fosse simulado, os créditos seriam indevidos, conforme prevê a lei 10865/2004, em seu artigo 31 § 3º”, o qual diz que É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. 44. Conforme relatado em tópicos anteriores, (fls 120 a 390, 399 e 449 a 491), os bens locados pertenceram a CNAGA. 45. Assim, “fazse necessária a glosa dos créditos de PIS e COFINS relativos a MODUS e MOVEQUIPE”. Agravamento da Multa 46. Considerando a “... conduta dos administradores, deparase com a ocorrência de fatos que, em tese, caracterizam o intuito da sonegação e da fraude, definidas nos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a aplicação da multa de 150%, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996”. Sujeição Passiva Solidária 47. Foram lavrados Termos de Responsabilidade Tributária Solidária, de acordo com os arts 121, 124 e 135, III, do CTN, em relação aos Srs José Américo Ribeiro dos Santos (CPF 010.497.98872), e Américo Ribeiro dos Santos Neto (CPF 134.385.91820), os quais eram os administradores à época dos fatos e foram considerados “... responsáveis pelos atos ilícitos praticados com a finalidade de encobrir fatos geradores de obrigação tributária no ano de 2009”. Outros Procedimentos 48. Nos termos da Lei nº 9.532/1997 e IN/RFB nº 1.171/2011 foram lavrados termos de Arrolamento de Bens do sujeito passivo e dos sujeitos passivos solidários, conforme processos nºs 19515.720900/201417, 19515.720905/201431 e 19515.720904/201497. 49. Foram lavradas também Representação Fiscal para Fins Penais com base no inciso I, art. 2º, da Lei nº 8.137/1990. Ciência e Impugnações 50. Em 23/08/2014, a empresa e os responsáveis solidários foram cientificados do resultado da fiscalização (fls 0699 a 0701). 51. Em 18/09/2014 a pessoa jurídica apresentou impugnação, conforme de folhas 0708 a 0775. Na mesma data o Sr. Américo Ribeiro dos Santos Neto e o Sr. José Américo dos Santos apresentaram as respectivas impugnações (fls 0884 a 0903 e 0911 a 0930). 52. Isto posto, nos tópicos a seguir passarei a relatar as impugnações apresentadas. Impugnação Pessoa Jurídica Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.191 12 53. Após uma breve narrativa sobre os fatos, a empresa enumera uma série de razões pelas quais os Autos de Infração são improcedentes, as quais serão relatados nos tópicos a seguir. 54. Outrossim, a interessada ressalta que “Embora as exações objeto das autuações constituam espécies tributárias distintas, as circunstâncias descritas pela auditoria fiscal como base das exigências veiculadas pelos autos de infração referidos são as mesmas, razão pela qual a presente impugnação é apresentada em peça única, contendo as razões de defesa da Impugnante, hauridas dos fatos efetivamente ocorridos e da interpretação rigorosamente jurídica da legislação de regência”. 55. Dessa forma, como todos os autos de infração encontramse reunidos neste processo, a contribuinte entende que deve ser aplicado o que dispõe os artigos 9º, § 1º, e 31 do Decreto nº 70.235/72 e também protesta pela produção de provas suplementares no decurso do presente processo de acordo com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 e nos artigos 3º, inciso III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Nulidade – Incompatibilidade Entre a Fundamentação Legal e os Fatos Descritos no Relatório Fiscal 56. Ao analisar o Termo de Verificação Fiscal, a interessada verificou que “... nenhum dos fundamentos legais ditos infringidos, conforme relacionados nos autos de infração, guardam qualquer relação com os pretensos fatos irregulares descritos no citado Relatório Fiscal, posto que se referem às regras gerais de apuração do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF”. 57. Por essa razão, a contribuinte entende que “... a fundamentação legal consignada nos lançamentos não corresponde à descrição dos fatos que ensejaram a autuação, implicando na sua completa nulidade, por falta de atendimento ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72”, mais especificamente aos incisos III (descrição do fato) e IV (disposição legal infringida e a penalidade aplicável). 58. Nesse sentido, a fiscalizada argumenta que: • “... o que se observa da verificação dos fatos descritos pela agente fiscal é que ela desconsidera os atos e negócios jurídicos realizados pela impugnante e pelas empresas antes mencionadas, de modo a extrair desta desconsideração, efeitos tributários diferentes daqueles decorrentes dos atos que foram efetivamente praticados. E tal possibilidade, entretanto, só tem arrimo no disposto no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que, como é sobejamente sabido, é norma de eficácia contida, desde a sua introdução em 2001, por falta de lei ordinária que fixe os procedimentos necessários para tal desconsideração”. • “Não obstante, sabedora da referida ineficácia da citada norma denominada “antielisiva”, evita ela consignar tal disposição legal como fundamento das pretensas infrações cometidas, mas aplica, de fato, aquilo que nela se contém, em franco desrespeito ao princípio da reserva legal e, pior, tornando a missão da ora Impugnante, de se defender das acusações lançadas, uma cruzada contra o desconhecido”. • “A confusão gerada por tal sórdido procedimento é tamanha, vez que os textos legais apontados na fundamentação dos autos não guardam qualquer relação direta com as infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal, que a única conclusão possível é pela nulidade dos lançamentos ora impugnados, posto que oriundo de procedimento fiscal não autorizado por norma legal eficaz”. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.192 13 • Tal procedimento “... implica em verdadeiro cerceamento do direito do contribuinte de se defender, posto que, em meio a esta tamanha confusão, não consegue ele precisar de forma certa qual a extensão da acusação que lhe é desferida”. • Como exemplo, cita “... que os lançamentos de PIS e COFINS tiveram por fundamento a desconsideração da existência de duas pessoas jurídicas, procedimento como já mencionado, previsto no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional, ainda não eficaz, tendo sido apontado no Termo de Verificação Fiscal, por sua vez, afronta ao art. 31, § 3º, da Lei n. 10.865/2004, que trata da impossibilidade de creditamento sobre valores de alugueis correspondentes a bens que anteriormente transitaram pelo patrimônio do contribuinte. Não sendo isto suficiente, a fundamentação legal dos respectivos autos apresenta citação apenas de normas gerais de apuração do PIS e da COFINS, sem se referir a um ou a outro dispositivo legal, o que cerceia por completo a defesa da Impugnante”. 59. Para corroborar com seu entendimento transcreve ementa de acórdão do CARF sobre o assunto. 60. Finaliza o assunto afirmando que os lançamentos deverão ser considerados nulos por violação ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e por cercear o seu direito de defesa. Caso assim não se entenda, pugna pela consideração de que o parágrafo único do art. 116 do CTN não está eficaz por falta de edição de lei ordinária que o regulamente. Impossibilidade de Desconsideração dos Atos e Fatos Jurídicos Efetivamente Ocorridos – Eficácia Contida do Disposto no Parágrafo Único do Art. 116 do CTN Nulidade 61. Apesar de omitido nas autuações, o fundamento legal para se desconsiderar atos e fatos jurídicos praticados para reduzir tributo devido é o parágrafo único do art. 116 do CTN. 62. Para um melhor entendimento, transcrevo o mesmo: “Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) 63. A interpretação da contribuinte de tal norma é a de que a mesma carece “... de eficácia por conta da falta da edição da legislação ordinária nela prevista, que estabeleça os procedimentos a serem observados pela referida autoridade para desconsiderar atos ou negócios jurídicos...”. 64. Afirma também que: • “... a introdução, no ordenamento jurídico da regra descrita no parágrafo único do art. 116 do Código Tributário Nacional pela Lei Complementar n. 104/2001, no exercício da competência constitucional exclusiva delineada pelo art. 146, III, “b”, da Constituição Federal, impossibilita, até que expedida a regulação nela prevista, a manutenção do expediente utilizado por agentes fiscais de desconstituir fatos jurídicos”. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.193 14 • “... ainda que não fosse possível a utilização de expedientes ordinários de desconsideração das pessoas jurídicas, em decorrência da existência da norma específica e hierarquicamente superior, qual seja o citado art. 116 supracitado, a agente fiscal nem mesmo se desincumbiu de seu mister de demonstrar a caracterização dos elementos essenciais a tais procedimentos, tendo por base outras disposições legais vigentes, tal como a disposição do art. 50 do Código Civil, o qual traça os requisitos essenciais para desqualificação de uma pessoa jurídica...”. • “No caso em análise, não houve qualquer demonstração de ocorrência de desvio de personalidade ou confusão patrimonial, sendo certo que a própria agente confirma que os objetos sociais das empresas MODUS e MOVEQUIPE apresentavam correspondência com os bens alocados em seus patrimônios e que efetivamente exerciam elas apenas as atividades designadas em seus atos societários”. 65. A contribuinte destaca também “... que a própria Receita Federal do Brasil possui normas próprias para desconstruir, de ofício, pessoas jurídicas que apresentam qualquer vício de existência, como se observa do disposto no art. 27 da Instrução Normativa RFB n. 1.183/2011...”. 66. A desconsideração das pessoas jurídicas deuse sem a comprovação da ocorrência de nenhuma das hipóteses permitidas pela legislação e, por esse motivo, “... há de ser reconhecida, em sede de preliminar, a nulidade das autuações lavradas, por expressa falta de indicação, nos citados autos, das disposições legais supostamente infringidas e, com isso, cercear por completo o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório”. Decadência das Exigências Relativas aos Períodos de Apuração Janeiro a Agosto de 2009 67. Entende a contribuinte que parte dos créditos exigidos encontramse extintos pela decadência, com base no § 4º, do art. 150, do CTN. 68. Considerando que os tributos em questão são sujeitos ao lançamento por homologação, o Fisco teria “... o prazo de 5 (cinco) anos para efetuar o lançamento, contado da data do respectivo fato gerador”. 69. Nesse sentido, como o auto de infração foi lavrado em 19/08/2014, os tributos relativos aos períodos de janeiro a agosto de 2009 já se encontravam extintos pela decadência. 70. Assim, a empresa entende que “... antes da análise do mérito da presente autuação, há de ser reconhecida a decadência do direito de desconsideração das despesas dedutíveis quanto ao IRPJ e CSLL e de exigência das contribuições para o PIS e da COFINS, assim como do IRRF, todos correspondentes aos períodos de apuração de 01/2009 a 08/2009, cancelandose de pronto e, nessa parte, os lançamentos tributários em análise”. Inocorrência de Simulação na Constituição das Empresas Modus e Movequipe e nos Negócios Jurídicos com Elas Realizados 71. A contribuinte afirma que “... para desqualificar as despesas da Impugnante como dedutíveis na apuração do lucro real e ainda, os créditos de PIS e COFINS tomados e delas decorrentes, foi construída a partir de mera presunção de que as empresas MODUS e MOVEQUIPE teriam sido constituídas de forma Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.194 15 simulada, vício esse que macularia, por conseqüência, os negócios jurídicos com ela realizados pela Impugnante”. 72. Resumidamente, os fundamentos utilizados pela fiscalização para tal conclusão foram os seguintes: (i) a interessada participaria, detendo a maior parcela, do capital social da MODUS e da MOVEQUIPE; (ii) os valores das despesas pagas pela impugnante à MODUS e à MOVEQUIPE seriam demasiadamente elevados se comparados com o valor contábil dos bens locados; e (iii) a criação de tais empresas e os negócios jurídicos decorrentes teriam como motivo a economia de tributos. 73. Contrária à conclusão do Fisco, a empresa apresenta as argumentações descritas a seguir. Propósitos negociais da constituição das empresas MOVEQUIPE e MODUS 74. Alega a empresa que a constituição das empresas em questão deuse com a intenção de diversificar o seu negócio, anteriormente limitado apenas à atividade de armazém geral alfandegado, a fim de uma maior remuneração de seus administradores e acionistas. 75. Nesse sentido, a busca de novas atividades ocorreu da seguinte forma: • Em 2001 foi constituída “... uma empresa especializada em locação de equipamentos de movimentação de carga, a partir da segregação de todos os equipamentos e veículos próprios para tal operação já existentes em seu ativo, com o acréscimo de recursos de alguns de seus sócios para a aquisição de novos equipamentos e de capital de giro”. Desta decisão surgiu a pessoa jurídica MOVEQUIPE. • “Não há sombra de dúvida que a citada empresa locou, ao longo de todos estes anos, vez que foi constituída em 2001, equipamentos e veículos de sua propriedade à Impugnante, assim como, conforme foi constatado pela agente fiscal, locou seus equipamentos e veículos também a terceiros”, mais especificamente à empresa LOGISPOT. • “Pelas mesmas razões e com os mesmos objetivos negociais, em 30/10/2008, foi constituída a MODUS (doc. 5), participando a Impugnante do seu capital social juntamente com alguns dos seus acionistas, por meio da conferência de equipamentos de informática, licenças de uso de software e do imóvel localizado na cidade de São Sebastião – SP, destinado a armazenagem de produtos de terceiros”. • “... além da possibilidade da realização de atividades não regidas por disposições legais limitantes e excessivamente normatizadas, por conta dos necessários requisitos oriundos do algandegamento de determinados espaços privados, a busca por novas fontes de renda visou também permitir, aos acionistas pessoas físicas que participaram da sua formação com aportes de capital, o recebimento de lucros a título de dividendos, posto que, em face de questões societárias pendentes no âmbito do capital social da Impugnante (inclusive parcialmente solucionadas em período posterior, como comprova a anexa escritura de transação – doc. 6), tal possibilidade estava ali limitada, conforme se pode comprovar pela elevada reserva de lucros existentes no patrimônio da Impugnante (doc. 6A)”. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.195 16 • Assim, “... ainda que fosse possível admitir a desconsideração das citadas empresas, sem fundamento legal válido, como antes já mencionado, se mostram induvidosas as razões negociais que levaram a Impugnante e alguns dos seus acionistas a constituir e operar as empresas MOVEQUIPE e MODUS, sendo nitidamente inválida, ilegal e inaceitável a presunção de que tais operações teriam fins precipuamente tributários”. 76. A impugnante ressalta que as operações consideradas como simuladas ocorreram num intervalo de quase dez anos, sendo que seria impossível realizar um planejamento tributário com todo esse tempo de antecedência. 77. Desse modo, a empresa entende que “... o próprio lapso temporal de existências das ditas empresas e do exercício das suas atividade, acrescido da regularidade fiscal delas no âmbito desta Receita Federal e das demais instâncias da administração pública, além do tempo decorrido entre a constituição de uma (MOVEQUIPE – 23/07/2001) e outra (MODUS – 30/10/2008), devem ser considerados como razões suficientes para presumir pela real existência e pela regularidade de suas relações comerciais e operacionais com suas clientes, entre elas e a Impugnante, e não pela presunção, como a erigida pela agente fiscal, de inexistência regular”. 78. Justifica que caso as operações descritas tivessem um fim exclusivamente tributário não haveria necessidade da constituição da pessoa jurídica MODUS, pois bastaria à contribuinte direcionar os bens que foram transferidos àquela para a empresa já existente MOVEQUIPE. 79. Finaliza afirmando que a situação provocada pela fiscalização obriga a interessada a constituir prova negativa, quando quem deveria comprovar a existência da simulação é o Fisco, e a “... revelar informações confidenciais e de caráter estratégico que o levaram a realizar os atos jurídicos verificados...”. Falta de constatação sobre a inexistência das empresas MOVEQUIPE e MODUS 80. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte observa que a fiscalização não realizou nenhuma visita às suas sedes, não verificou seus livros fiscais, suas licenças de funcionamento e nem a relação de seus empregados. 81. A existência das duas pessoas jurídicas é comprovada pela suas movimentações bancárias, pelas licenças de funcionamento concedidas pela Prefeitura Municipal de São Paulo e também pelos registros no CNPJ. Ademais, tais empresas possuem empregados próprios e os respectivos recolhimentos dos encargos trabalhistas e previdenciários. Há também, como exemplo, os registros de vinte veículos em nome da empresa MOVEQUIPE. 82. Outrossim, “... a própria Receita Federal do Brasil reconhece a existência da MOVEQUIPE, podendo ser verificado que possui ela diversos processos administrativos em trâmite perante tal órgão, muitos relativos a compensações realizadas e, inclusive, concernentes a parcelamento fiscal (docs. 31 e 32)”. 83. Com essa argumentação a empresa conclui que é “... ilegítima a alegação da agente fiscal, desprovida de qualquer comprovação, de que as empresas MOVEQUIPE e MODUS teriam sido constituídas apenas ‘no papel’”. Legitimidade da integralização de capital com bens Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.196 17 84. Com relação a este assunto, a empresa argumenta que deve ser afastada a alegação da autoridade fiscal de que a integralização da participação da interessada no capital das empresas MODUS e MOVEQUIPE foi realizada com seus bens. 85. Nesse sentido, a interessada traz a informação de que “... na constituição da MODUS houve integralização, em dinheiro, do montante de R$ 839.000,00, equivalente a ¼ do capital social (doc. 5)”. 86. Ademais, “... utilizou a Impugnante procedimento legalmente previsto de integralização da sua participação no capital daquelas novas sociedades mediante a conferência de bens de sua titularidade, conforme determinação expressa contida no art. 7º da Lei n. 6.404, de 1976 e no art. 1.055 do Código Civil”. 87. Dessa forma, a impugnante entende que não adotou nenhum procedimento questionável, tendo a valoração dos bens em questão sido devidamente registrada em instrumentos anexos aos atos constitutivos das empresas. Destaca também que tais bens foram baixados dos registros de sua contabilidade e declarados na escrituração das empresas MODUS e MOVEQUIPE. 88. Especificamente em relação à constituição da pessoa jurídica MODUS, a interessada argumentou o seguinte sobre a alegação da autoridade fiscal de que o imóvel que foi utilizado para integralização do capital da referida empresa não teve sua transferência registrada no Cartório de Registro de Imóveis de São Sebastião: • Para a fiscalizada tratase de questão irrelevante, pois, “... os documentos societários concernentes à integralização de capital com bem imóvel são suficientes para transferência de sua propriedade, conforme o disposto no art. 9º da Lei n. 6.404, de 1976, constituindose a averbação do ato registrado no Registro do Comércio no Registro de Imóveis competente, mera formalidade que não retira do ato o seu poder de transferência da propriedade do imóvel”. • “Na integralização de imóveis em aumento ou constituição de capital de empresas não é necessária a lavratura da escritura pública. Tal ato pode ocorrer no próprio instrumento particular do Contrato Social ou alteração, desde que constem todos os elementos essenciais ao negócio jurídico, como: descrição, identificação, área, dados da titularidade e da matrícula imobiliária do imóvel, objeto da incorporação e a anuência do outro cônjuge, quando for o caso; em síntese, o mesmo que seria necessário para uma escritura pública”. • “Na ausência de algum desses requisitos, nos termos do art. 35, inciso VII, alínea ‘a’, da Lei 8.934/94, tal documento não poderá ser registrado”. • “Uma vez aceito e aprovado o seu arquivamento na Junta Comercial competente, o ato societário realizado é o documento hábil para transferir a propriedade do bem, como previsto no art. 9º da Lei n. 6.404, de 1976, exigindose mera formalidade de se proceder a devida anotação junto ao Cartório de Registro de Imóveis em que se encontra registrada a matrícula do imóvel, conforme o disposto no art. 64 da lei 8.934/94 e no art. 167 da Lei 6.015/73”. • “Resta assim comprovado que o dito imóvel foi de fato e de direito efetiva e regularmente transferido da Impugnante para a integralização do capital social da MODUS por ela subscrito, nos exatos termos do ato societário regularmente praticado e efetivamente registrado nos termos da Lei”. Dos valores atribuídos aos bens transferidos e dos aluguéis cobrados Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.197 18 89. Com relação à comparação feita pela fiscalização entre o total pago pela impugnante à empresa MODUS, relativo ao aluguel do imóvel, no valor de R$ 1.863.450,00, e o valor pelo qual o mesmo imóvel foi transferido da contribuinte para a empresa MODUS (R$ 1.990.000,00), a fiscalizada esclarece que: • “... a valorização de bens para fins de integralização do capital social de qualquer sociedade, segundo o art. 22 da Lei n. 9.249 de 1995, pode ser realizada com base no valor de custo pelo que se encontravam tais bens registrados na contabilidade da conferente ou pelo valor de mercado, não se admitindo, entretanto que se atribua a tais bens valor superior ao de mercado, conforme dispõe o art. 8º da Lei n. 6.404, de 1976 e o § 1º do art. 1.055 do Código Civil”. • “Nesse ponto, a adoção do valor de custo para bens adquiridos há muito tempo, cuja expressão econômica legítima do contribuinte, nos termos das referidas normas jurídicas, sendo comum e legalmente admitida tal opção, a fim de não onerar a mera operação de integralização de capital com a incidência do Imposto de Renda sobre eventual ganho de capital que ocorreria se adotado o valor de mercado”. • “Já o valor dos aluguéis devem obedecer ao praticado no mercado e não ser relacionados ao seu custo de aquisição, mormente quando alguns destes bens foram adquiridos há muito tempo, por força das normas previstas no art. 464 e seus incisos, do Regulamento do IR (Decreto n. 3.000/1999), que considera a existência de distribuição disfarçada de lucros nas operações entre empresas ligadas, quando adotem valores incompatíveis com os praticados no mercado. E não tendo a agente fiscal sequer alegado que o valor dos aluguéis dos bens supera o praticado no mercado, é de se concluir pela sua compatibilidade com aqueles vigentes e, portanto, quanto a sua regularidade e normalidade”. Inexistência da aludida economia tributária 90. Sobre esse tema, a fiscalizada argumenta que a alegação da autoridade fiscal não foi demonstrada e, ao contrário, informa que as empresas MOVEQUIPE e MODUS recolheram a título de IRPJ e CSLL as quantias de R$ 1.150.127,73 e R$ 636.716,25, respectivamente. 91. A fiscalização também não considerou que, com as transferências dos bens, a interessada deixou de deduzir da apuração de tais tributos as despesas com depreciação. 92. Por fim, traz ementa de decisão do antigo Conselho de Contribuintes, a qual, segundo a interessada, vem ao encontro de seu entendimento. Desconsideração de serviços prestados a terceiros 93. Sobre a suposta exclusividade da prestação de serviços das empresas MOVEQUIPE e MODUS à fiscalizada, a mesma esclarece que a própria autoridade fiscal afirmou que há prestação de serviços para a empresa LOGISPOT, a qual “... não é de titularidade dos mesmos ‘donos’ das demais empresas tratadas no presente procedimento e nem é administradas pelas mesmas pessoas”. 94. A impugnante ressalta que na época dos fatos a “... referida empresa possuía participação expressiva de terceiros, podendo ser observado na anexa ata de assembléia (doc. 33) que a citada empresa possui participação de diversas outras pessoas, físicas e jurídicas, inclusive um dos maiores grupos empresariais do Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.198 19 Brasil, sendo administrada por pessoa que não tem qualquer vinculação com a MODUS e a MOVEQUIPE”. 95. Assim, a empresa entende que a tese da fiscalização não pode subsistir. Da Validade das Despesas e de sua Dedução do IRPJ e CSLL 96. Considerando afastada a tese de simulação levantada pela fiscalização, inexistem dúvidas “... acerca da legitimidade das despesas incorridas pela Impugnante e de sua dedutibilidade para fins de apuração do seu lucro real, haja vista a sua necessidade para fins do exercício de suas atividades e de auferimento de suas receitas”. 97. A empresa argumenta ainda que “... a possibilidade de dedução de tais despesas na apuração dos resultados sujeitos ao IRPJ e à CSLL foi inclusive declarada pela fiscalização, na medida em que, no item 2.3.4 confirmou ela a necessidade das despesas rateadas pelas pessoas jurídicas mencionadas neste procedimento...”. 98. Por fim, “Comprovada a necessidade das despesas relacionadas aos aluguéis pagos e aos demais serviços tomados das mencionadas empresas e, sem que tenha sido contestada a documentação pertinente a tais operações, há que se concluir que são elas dedutíveis na apuração do lucro real da Impugnante e portanto, são indevidas as exigências tributárias veiculados pelos lançamentos ora impugnados, referentes ao IRPJ e à CSLL”. Inexistência de Pagamento sem Causa 99. Este tópico trata das exigências relativas ao lançamento de IRRF fundamentado nos arts 674 e 675 do RIR/99, entretanto, os mesmos são referidos como decorrentes de pagamentos sem causa e não como efetuados a beneficiários não identificados. 100. Desse modo, a interessada entende que “... pela descrição do fato dito irregular, a norma legal que lhe diz respeito é tão somente a do § 1º do art. 674. Na aplicação da exigência do mencionado IRRF, a agente fiscal subdividiu o tema em dois tópicos distintos, quais sejam: um relativo aos pagamentos efetuados pela Impugnante às empresas MOVEQUIPE e MODUS e outro relativo a determinados pagamentos realizados a um dos seus acionistas pessoa física”. 101. Após transcrever algumas passagens do Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte conclui que “... a contabilidade da Impugnante foi a fonte das informações utilizados pela agente fiscal para justificar a caracterização de tais pagamentos sem causa”. 102. Entretanto, na visão da empresa, tal procedimento se mostra contraditório pois “... a contabilidade da Impugnante se prestaria para comprovar a efetividade dos pagamentos efetuados, mas não pra provar a causa de tais pagamentos, muito embora todos os pagamentos realizados e devidamente contabilizados, refiramse de modo expresso e cabal, a liquidação de operações de mútuo, que melhor seria definido como uma conta corrente entre as empresas e entre a Impugnante e um dos seus acionistas”. 103. Nesse sentido, “... se a prova do pagamento é o registro contábil dele, não pode a agente fiscal concluir, a seu bel prazer e em benefício de sua interpretação tendenciosa, que a motivação dos pagamentos não está comprovada, Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.199 20 posto que o motivo dos citados pagamentos está contido no mesmo registro contábil por ela utilizado como prova...”. 104. Assim, após trazer alguns julgados do CARF, a fiscalizada afirma “... que não há qualquer elemento no relatório da autuação que informe que a autoridade fiscal comprovou que os ditos pagamentos não se referem a liquidação de operações de mútuo e que portanto, são pagamentos sem causa...”. Mútuos com pessoas jurídicas 105. Tendo em vista que a fiscalização considerou como sem causa os pagamentos efetuados a empresas supostamente inexistentes, “... tal raciocínio carece de lógica elementar, posto que, descaracterizada a existência das empresas às quais destinados os pagamentos, já que tidas como mera extensão da própria Impugnante, não é falta de causa para o pagamento que se está a constatar, mas sim de ausência do próprio ‘pagamento’”. 106. Desse modo, a contribuinte entende que seria apenas “... mera transferência de uma conta bancária da Impugnante para outra conta bancária que, efetivamente, também seria sua, razão pela qual não há o enquadramento da situação na(s) regras do art. 674”. 107. Diante desse raciocínio, “... os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e o lançamento de IRRF são, no mínimo, excludentes entre si, posto que se inexistentes as empresas, não pode prevalecer o pagamento sem causa, o qual, caso subsista, determina o reconhecimento da existência das empresas e, portanto, o cancelamento dos demais tributos exigidos”. 108. Outrossim, a empresa apresenta outros argumentos para afastar as exigências tributárias: • “... outro elemento específico deve ser considerado na análise dos supostos pagamentos sem causa, qual seja, o entendimento já consagrado pelo Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que a aplicação da penalidade prevista no art. 674 do Decreto n. 3.000/1999 só se mostra viável após constatação física da inexistência das empresas e de movimentação financeira, procedimento não realizado pela agente fiscal e que, portanto, macula o lançamento em análise”. • “No caso, como já visto, não se dignou o agente de aprofundar as verificações fiscais para constatação da existência das empresas MOVEQUIPE e MODUS e, relativamente à movimentação financeira, sequer analisou outra informação que não a contabilidade da Impugnante”. • “Importante destacar que, afora sua opinião de que as empresas MOVEQUIPE e MODUS não existiram de fato, o agente não constatou nenhum outro elemento que pudesse desqualificar a contabilidade da Impugnante e o registro dos mútuos nela consignados, razão pela qual não afastou ele o caráter probatório da escrituração, nos termos do artigo 9º, parágrafo primeiro, do Decretolei n. 1.598/1977...”. 109. Com relação às contas contábeis cujos saldos iniciais a fiscalização considerou como “inexplicáveis”, a empresa assevera que tal afirmação é incorreta pois tratase de saldo anterior (A.C.2008) o qual estava fora do escopo da auditoria fiscal. Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.200 21 110. A contribuinte também discorda em relação à alegação da autoridade fiscal de que não há suporte documental que comprovasse que as operações realmente se tratam de mútuos entre as partes indicadas na contabilidade. Justifica argumentando que: “... não há exigência legal para que operações de mútuo sejam contratadas por escrito...” e “... em se tratando de operações entre pessoas ligadas, a indicação na contabilidade da origem e causa dos pagamentos é suficiente para provar a existência das referidas operações de mútuo”. Mútuos com sócio 111. A autoridade fiscal também considerou os pagamentos efetuados ao sócio da interessada, Sr. José Américo Ribeiro dos Santos, como sem causa, desconsiderandoos como operações de mútuo, ou seja, reconhece “... o lançamento contábil que indica movimentação financeira originada da Impugnante e destinada a seu sócio, mas desconsidera a parte da escrituração que declara tratarse de mútuo”. 112. Outrossim, “... o fato de os valores terem sido contabilizados em conta do ativo ou do passivo não desnatura sua condição de mútuo, evidenciada inclusive pela existência de contrato a embasar o empréstimo”, desse modo, é certo “... que o pagamento efetuado pela Impugnante à citada pessoa física constitui novo empréstimo ou devolução do valor mutuado”. O que ocorreu no presente caso é que a fiscalização não descaracterizou a causa do pagamento efetuado ao sócio e comprovado pela contabilidade e por contrato firmado entre as partes. 113. Apesar de não ter feito nenhuma diligência complementar, a autoridade fiscal desconsiderou os “... negócios jurídicos efetuados pela Impugnante com um dos seus acionistas (José Américo Ribeiro dos Santos), consubstanciado no pagamento de saldo devedor de mútuo da pessoa física com a Impugnante, por meio de cessão de créditos por ele detidos contra a Rumo Logística S.A. que aquele acionista recebeu a título de dividendos de uma outra empresa sua (IMPULSO Empreendimentos e Participações Ltda), como aliás está devidamente registrado na contabilidade da Impugnante e conforme se pode constatar de sua declaração de IR...”. 114. Continuando sua argumentação a empresa afirma que: • “... se é o registro contábil que indica a existência do pagamento, há que se extrair dele toda a informação que nele se contém e, no caso relatado no item anterior, além da informação da existência do pagamento, está dito que tal pagamento se refere a quitação de saldo de mútuo existente entre as partes ali indicadas”. • “Importante destacar que, não contestada pela fiscalização a efetividade das transferências financeiras realizadas pela Impugnante a seu sócio, não houve qualquer indicação a respeito de qual a natureza das verbas cujos pagamentos teriam sido dissimulados, o que permite confirmar que se trata, como mencionado na contabilidade, de operações de mútuo”. • “... caso fosse possível desconsiderar a natureza dos pagamentos como decorrente de operações de mútuo/contacorrente haveria, então, de ser classificada, quando muito, como mera antecipação de dividendos”. Tal conclusão foi afastada pela fiscalização pela alegação de que “... os pagamentos não constituiriam distribuição de lucro por não guardarem relação com o lucro apurado pela empresa”. Entretanto, a impugnante informa que no anocalendário de Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.201 22 2009 foi apurado um lucro no valor de R$ 8.670.112,40 e havia reserva de lucros de anos anteriores no montante de R$ 7.532.260,65. 115. Assim, “... não há outra conclusão, caso mantida a indevida desconsideração de que tais pagamentos se referem a comprovadas operações de mútuo, que não a classificação dos pagamentos como dividendos ou antecipação de dividendos, o que em qualquer caso, elimina a conclusão de que tais pagamentos se deram sem motivação e que, portanto, deveriam se sujeitar a incidência do IRRF exigido pelos lançamentos impugnados”. Créditos Indevidos de PIS e COFINS 116. A glosa de créditos de PIS e de COFINS foi fundamentada no art. 31, § 3º, da Lei n. 10.865/2004, o qual diz que “É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica” (data do caput: 30/04/2004). 117. Entretanto, a empresa alega que “... o próprio agente autuante reconheceu que tais empresas adquiriram produtos novos, que jamais integraram o patrimônio da Impugnante. Nesse sentido, observese as informações contidas nos itens 2.1.3 e 2.1.13 nos quais a agente fiscal conclui que as referidas empresas MODUS e MOVEQUIPE adquiriram novos equipamentos e que, portanto, a estes novos equipamentos não se aplica a regra inserta no § 3º do art. 31 da Lei n. 10.865, de 2004”. 118. Com isso, “... mesmo aceitando a possibilidade da citada norma legal aplicarse a fatos já ocorridos antes de sua vigência, quando muito haveria de ser realizado, pela agente fiscal, cálculo proporcional dos créditos oriundos de equipamentos que anteriormente foram de titularidade da Impugnante e daqueles decorrentes de equipamentos novos adquiridos diretamente por tais empresas”. 119. Por fim, de acordo com o entendimento expressado pela contribuinte, esta entende que o valor glosado é inválido. Não Enquadramento dos Fatos Verificados na Figura Jurídica da Simulação 120. Com relação à argumentação da fiscalização de que houve simulação, a empresa transcreve o parágrafo primeiro do art. 167 do Código Civil, o qual dispõe que haverá simulação quando: (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas a quem realmente se conferem, ou transmitem; (ii) contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; e (iii) quando os instrumentos particulares foram antedatados, ou pósdatados. 121. Nesse sentido, a empresa alega que a operação desconsiderada pela fiscalização não pode ser enquadrada em nenhuma das hipóteses enumeradas acima, pois: • “Os direitos, transferidos e conferidos às pessoas declaradas, são autênticos; • Todas as condições, confissões, declarações e cláusulas contratuais são fidedignas e incontestáveis; e • Todos os documentos são atuais e verdadeiros, consignando as datas das efetivas realizações dos atos nele consubstanciados”. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.202 23 122. Em razão disso a contribuinte entende que: • “... a existência de simulação se esgota nas hipóteses do dispositivo retrotranscrito, que contém relação exaustiva e taxativa...”. • “... as hipóteses legais descritas são impotentes para arrostar sob os respectivos espectros a situação analisada...”. • “... a aplicação singela do princípio da estrita legalidade expressamente consagrado na CONSTITUIÇÃO (segundo o qual ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de LEI) afasta, de plano, a possibilidade de serem consideradas como simuladas operações outras que não aquelas expressamente nela previstas”. 123. Ainda sobre o assunto a empresa alega que não há provas de que ocorreu simulação, pois, “... incumbiria ao Fisco, diante da análise do caso presente, o ônus de prova ter havido simulação, enquadrando a operação em tela numa das hipóteses do artigo 167 do Código Civil”. 124. Cita também definição de simulação na qual seria a “... discrepância entre a vontade efetiva (tida como produto dos valores individuais e subjetivos do agente) do agente e o ato por ele praticado, inexistindo, destarte, forma de ser ela, SIMULAÇÃO, provada de forma DIRETA e, mediante a utilização de suportes fáticos indutores de conclusão possível de ser tomada como VERDADE irrefutável”. 125. Assim, quando não há provas do querer do agente, ou ainda, da “... discrepância entre esse querer e a vontade explícita nos atos praticados somente poderá ser PROVADA (=simulação) de forma INDIRETA mediante indícios e presunções”. 126. No entanto, um mero indício ou uma mera presunção não possui valor no âmbito tributário, os quais, para que possam ser elevados à condição de prova, deveriam ser densos e veementes, que não é o presente caso, pois “... os atos praticados se mostram legítimos e amparados por documentação inquestionável”. 127. Após transcrever alguns julgados do CARF, a contribuinte observa que: • “Ainda que a constituição das empresas MOVEQUIPE e MODUS não tivesse decorrido de propósitos negociais, o que se admite apenas para argumentar, o eventual objetivo de economia fiscal, amparado por negócios jurídicos legítimos, é plenamente legítimo”. • “No caso dos autos, não tendo o agente demonstrado nada além que a realização de negócios jurídicos, devidamente comprovados e escriturados, não há como subsistir a alegação de dissimulação”. 128. De todo o exposto, a contribuinte conclui que “... não há nenhuma possibilidade de prosperar e/ou prevalecer os lançamentos, que deverão ser cancelados, porquanto está patente que o agente fiscal os promoveu apenas com base em mera presunção, o que não se coaduna com a realidade dos fatos”, em decorrência disso “... deverão ser cancelados os autos de infração impugnados”. Da Impossibilidade do Emprego da Presunção em Matéria Tributária – Nulidade do Lançamento 129. Voltando novamente ao assunto, a interessada alega que “A falha da fiscalização na plena verificação dos fatos efetivamente ocorridos, acarreta Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.203 24 igualmente falha na demonstração cabal da alegada simulação, ferindo, assim, a plena aplicação ao processo administrativotributário do Princípio da Verdade Material, segundo o qual a autoridade fiscal deve esgotar os meios em direito permitidos a fim de demonstrar a imputação tributária”. 130. Após trazer mais julgados do CARF e de entendimentos de doutrinadores, a fiscalizada argumenta que “À parte a impossibilidade de o uso da presunção na feitura do lançamento ser repudiado pelo entendimento doutrinário e pretoriano, o fato é que, também por esse ângulo, impossível, do ponto de vista técnico, que prevalecessem os lançamentos, já que, além da já mencionada violação ao princípio do “onus probandi”, como adiante será visto – como decorrência corriqueira do uso de presunção , a impugnante teve assoreado, mais uma vez o seu sacrossanto direito de defesa”. 131. Desse modo, a empresa finaliza o tema argumentando que: • “Verificase que a mera opinião do agente fiscal consituiuse (sic) no elemento imponível do ato tributário. E a realização de lançamentos em bases nitidadmente subjetivas encontrase em completa desconformidade com os comandos que ressaem dos artigos 108, 114, 116, 142, dentre outros, do Código Tributário Nacional, além de ser repudiada com vigor pelos mais ilustres juristas do país”. • “Também não poderiam subsistir as exigências em face do comando no artigo 112 do Código Tributário Nacional, o qual determina que a interpretação há de ser a mais favorável ao acusado quando houver dúvidas quanto: (inc.I) à capitulação do fato; (inc.II) à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão de seus efeitos; (inc.III) à autoria, imputabilidade ou punibilidade, e (IV) à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”. Da Nulidade dos Lançamentos Ante a Impossibilidade de Produção, Pela Impugnante, de Prova Negativa 132. Com relação a este assunto, a empresa repisa que a fiscalização “... não conseguiu identificar objetivamente nenhuma prova concreta contra a Impugnante” e manejou “... a tese de simulação com base em temerárias presunções”. 133. Aduz que “... o fato tomado como arrimo da presunção não pôde ser comprovado como verdadeiro – já que a prova produzida não se presta para essa finalidade, como já exaustivamente mencionado, vêse o contribuinte acossado por duas teratologias, ambas devastadoras: uma, a aparente verdade do fato ‘in se’ e a presunção que dele resulta (simulação); a outra, a impossibilidade material de provar a negativa da autoria imputada, dada a ausência de manifestação da autoridade, impondo mágoas profundas ao princípio do ‘onus probandi’”. 134. Antes de reproduzir julgados do CARF que, segundo a interessada, refletem o seu entendimento, a empresa conclui que “... não estando o presente processo administrativo devidamente fundamentado, a partir de provas idôneas e legítimas, a Impugnante não pode ser obrigada a realizar prova de impossível concretização (prova negativa), cabendolhe, tãosomente, argüir que a ocorrência do fato gerador não está comprovada nos autos...”. Inexigibilidade da Multa Aplicada 135. A empresa entende que a multa de 150% não pode ser mantida, pois, “... como reconhecido por tribunais, ‘o poder de taxar não pode chegar à desmedida Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.204 25 do poder de destruir, uma vez que aquele somente pode ser exercido dentro dos limites que o tornem compatível com a liberdade de trabalho, comércio e da indústria e com o direito de propriedade’”. 136. Argumenta também que: • “O princípio da razoabilidade, que contempla a proporcionalidade como um de seus pressupostos, consiste no dever de não serem impostas pelo Estado obrigações, vedações ou sanções aos indivíduos, em contraposição à sua liberdade assegurada, em medida superior à necessária ao atendimento do interesse público, segundo critério de razoável adequação dos meios aos fins (valores) constitucionalmente estabelecidos”. • “Não ocorreu ‘in casu’ nenhum prejuízo ao interesse público, porquanto não ficou comprovado nos autos que a Impugnante deixou de recolher qualquer tributo. Nessa linha, não existe razão maior que suplante aquela de que não poderia ser imputada MULTA à Impugnante, ainda mais quando essa penalidade é calculada sobre valor exorbitante de 150%. Por isto, deve ser declarada a insubsistência da multa aplicada”. • “... o fato é que não poderia ser exigida a multa imposta, em razão da inexistência de máfé por parte da Impugnante, a qual apenas agiu em cumprimento e dentro dos limites legais”. • “... não há nos autos nenhum elemento que pudesse demonstrar ter havido dolo (máfé) por parte da Impugnante. Ao revés, esta demonstrou ter agido em todo o momento com prudência e lisura, não havendo nenhum elemento que comprove ter ela cometido infração capaz de ensejar o arbitramento da multa agravada (de 150%), decorrendo daí a manifesta improcedência da imposição de tal multa, ante evidente boafé da Impugnante”. 137. Conclui com o argumento de que “... nenhuma evidência de que a Impugnante teria praticado fraude foi identificada pelo Fisco, que fundamentou a autuação em simples presunção, comum ou do homem, que, como já mencionado, valor nenhum possui em matéria tributária”. Caráter Confiscatório das Multas Impostas 138. Complementando o tópico anterior, a empresa argumenta também que “... a multa de 150% aplicada pelos auditores fiscais possui nítido caráter CONFISCATÓRIO, já que acaba por desapropriar o contribuinte de parcela de seu patrimônio de forma desproporcional à infração eventualmente verificada, procedimento esse expressamente vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal”. 139. Por fim, para corroborar com seu entendimento, transcreve julgados do STF sobre o assunto. Pedidos 140. De todo o exposto a fiscalizada requer que: • “... seja reconhecida, preliminarmente, a nulidade dos autos de infração, em vista da incompatibilidade entre sua fundamentação legal e os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, ou, ainda, pela impossibilidade de desconsideração da existência das empresas MODUS e MOVEQUIPE enquanto não regulado o art. 116 do CTN”. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.205 26 • Caso não seja esse o entendimento dos julgadores, “... há de ser reconhecida, inicialmente, a decadência quanto às exigências correlatas aos períodos de apuração de 01/2009 a 08/2009, e, ainda, a necessidade de cancelamento dos lançamentos, por não ter se verificado a simulação imputada...”. • A multa agravada seja afastada e que seja reconhecido o seu caráter confiscatório. • Seja possibilitado à impugnante a “... produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos complementares, corroborando a improcedência das exigências formuladas, nos termos do artigo 17 do Decreto n. 70.235/72, com as alterações promovidas pela Lei n. 8.748/93, apresentação de memoriais e sustentação oral de seu direito”. Impugnações Pessoas Físicas 141. Ao analisar as impugnações apresentadas por Américo Ribeiro dos Santos Neto (fls 0884 a 0903) e José Américo dos Santos (fls 0911 a 0930), verifiquei que o teor dos dois documentos é o mesmo, por esse motivo, as relatarei apenas uma vez. Deficiência e Inadequação dos Fundamentos Legais Adotados Para a Atribuição de Responsabilidade Solidária 142. Ao analisar o Termo de Verificação Fiscal, os interessados destacam a fundamentação legal para a solidarização dos mesmos, quais sejam, os artigos 121, 124 e 135 do CTN. 143. Com relação a esse ponto, os responsáveis argumentam que: • “... verificase nítida deficiência no apontamento da fundamentação legal da transferência da responsabilidade ora analisada, visto que a agente autuante descreve, além da regra que apenas relata o conceito de responsável tributário (art. 121), três hipóteses distintas de responsabilização sem determinar qual delas utilizada para acusar o Impugnante”. • “E a invalidade de tal procedimento, que praticamente inviabiliza a defesa plena do Impugnante, afrontando as constitucionais garantias à ampla defesa e ao devido processo legal, posto que sequer sabe contra o que efetivamente deve se defender, ganha contornos insuperáveis quando constatado que cada modalidade de responsabilidade citada apresenta elementos específicos próprios para caracterização”. • “... enquanto o art. 124, I, do CTN, determina a responsabilização de pessoas que possuam interesse comum na autuação, seu inciso II imputa tal obrigação àquelas pessoas designadas em lei. O art. 135, III, por sua vez, referese expressamente aos casos de prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”. • “... tratandose de fundamentos manifestamente distintos, jamais poderia o lançamento apontar todas as hipóteses de responsabilização sem especificar de forma expressa em qual delas se enquadra e a qual ato específico do Impugnante se refere a imputação de responsabilidade”. • “... ainda que analisada a descrição do fato apontado como ensejador da responsabilização, supostamente presente no item 5 do Termo de Verificação Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.206 27 Fiscal, não se verifica qualquer certeza e segurança quanto à imputação de responsabilidade”. • “... a análise da descrição do fato que a agente autuante entende como originário da responsabilidade do Impugnante demonstra que se refere à ‘conduta dos administradores’ com ‘intuito de sonegação e da fraude’”. • “Parece, então, que não se trata de responsabilização na forma do art. 124, I e II, posto que não demonstrado o interesse comum na situação...”, e sim na forma do art. 135, III. • Entretanto, os interessados alegam que não foram apontados “... qualquer prática de atos com ‘excesso de poderes’ ou ‘infração da lei, contrato ou estatuto’” por tais administradores. • “Por outro lado, se ocorrida infração à lei consubstanciada pela eventual sonegação e fraude com a finalidade de redução dos tributos objeto da autuação, que como comprovado na defesa da CNAGA inexistiu, deveriam ter sido apontados todos os sócios de tal empresa, que eventualmente lucrariam com a conduta, e não o Impugnante na qualidade de administrador”. • “... caso a eventual fraude alegada pela agente fiscal correspondesse à criação das empresas MOVEQUIPE e MODUS, não poderia ele ser responsabilizado, da mesma forma, por sua condição de administrador”. 144. Além disso, os impugnantes ressaltam que “... a fundamentação legal consignada nos lançamentos não corresponde à descrição dos fatos que ensejaram a autuação, implicando na sua completa nulidade, por falta de atendimento ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72”, mais especificamente aos incisos III (descrição do fato) e IV (disposição legal infringida e a penalidade aplicável). 145. Nesse sentido, os interessados argumentam que “... a agente fiscal sequer cumpriu a determinação da própria Receita Federal do Brasil a respeito de como proceder quando da intenção de promover a responsabilização de terceiro, a qual pode ser observada no art. 2º da Portaria n. 2.284/2010”. 146. Outrossim, para corroborar com seu entendimento transcreve ementa de acórdão do CARF sobre o assunto. 147. Finaliza o assunto afirmando que “... já que não há adequação da fundamentação legal acerca da solidariedade consignada nos autos de infração, deverá ser declarada a nulidade dos lançamentos combatidos, inclusive pela violação aos constitucionais direitos do Impugnante à ampla defesa e ao devido processo legal”. Da Impossibilidade de Produção de Prova Negativa 148. Sobre esse assunto, os impugnantes iniciam alegando que, conforme já comprovado na defesa da pessoa jurídica, nenhuma irregularidade foi praticada pela CNAGA. 149. Nesse sentido, reprisa argumentos já utilizados na impugnação apresentada pela pessoa jurídica como a situação das empresas MODUS e MOVEQUIPE, as quais “...eram, na época dos fatos, existentes de fato e de direito, possuíam CNPJ, alvarás dos órgãos competentes, licenças de funcionamento da Prefeitura, funcionários próprios, contas bancárias...” etc. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.207 28 150. Os interessados afirmam também que: • “O Fisco, em sua sanha arrecadatória, arremete contra tudo e contra todos, acusa sem provas, desconsidera operações legitimamente praticadas, interpreta de maneira canhestra contratos celebrados nos termos da lei, desdenha operações societárias sob a alegação de que não foram feitas com propósito negocial, assim como desconsidera, sem estarem presentes os requisitos legais para tanto, a personalidade de pessoas jurídicas existentes, fática e legalmente. Tudo isso sob a acusação, sempre destituída de provas, de que a CNAGA teria feito um planejamento tributário fraudulento, colocando esta, e também o Impugnante, já que trazido à revelia neste procedimento predatório, na absurda situação de terem, como suspeitos, que provar que nada devem e que não praticaram as condutas que estão lhe sendo imputadas”. • “O Impugnante não pode ser afligido por lançamentos e acusações sem FUNDAMENTO, sem prova efetiva de que teria ele praticado atos com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto social da CNAGA. Ao acusar o Impugnante, sem provas, a provedora dos lançamentos, afligeo ilegalmente, o qual, sem meios de produzir PROVA NEGATIVA, vêse em situação extremamente aflitiva e ilegal, já que, principalmente em matéria tributária, o ônus da prova incumbe a quem acusa”. 151. Após reproduzir julgados do CARF e entendimento de doutrinadores, os impugnantes argumentam que “A falha da auditora fiscal na plena verificação dos fatos efetivamente ocorridos na apuração dos tributos devidos recolhidos pela CNAGA, acarreta igualmente falha na demonstração cabal da participação do Impugnante na simulação que ele alega ter sido praticada por referida empresa, não podendo, em face disso, ser aplicado ao caso, como se verá mais adiante, as disposições do artigo 135 do CTN como fundamento para manutenção do Impugnante no polo passivo deste processo administrativo. Sem a prova da prática de atos simulados, pela CNAGA, e da participação efetiva do Impugnante nesta prática, por evidente que a imputação passa a ser arbitrariedade pura e simples, destituída de valor jurídico”. 152. Por fim os impugnantes concluem que: • Não cometeram atos em violação do estatuto social ou da lei, pois, os atos por eles praticados “... no exercício da administração da referida empresa, consistentes na contratação de empresas pertencentes ao Grupo para prestar serviços à CNAGA, são legítimos, não havendo lei que proíba tal conduta. Ademais, essas contratações visaram o benefício exclusivo da sociedade administrada, não tendo havido prejuízo dela e nem, tampouco, do Fisco, porquanto as receitas que as contratadas auferiram a título de locação foram, todas elas, levadas à tributação”. • Assim, “... considerando que a acusação da prática de simulação não está provada nos autos e, por conseguinte, não existe possibilidade de o Impugnante produzir prova negativa, não poderão prevalecer os lançamentos em face dele, devendo ser excluído o seu nome do pólo passivo deste processo administrativo”. Da Impossibilidade do Emprego da Presunção 153. Sobre esse tema, os impugnantes ressaltam que “... a pessoa jurídica é um nete (sic) que goza de autonomia, possui patrimônio e exerce direitos em nome próprio. É, pois, um ente dotado de personalidade jurídica própria, que não se confunde com a personalidade jurídica de seus administradores, que agem nos limites dos poderes que lhe são conferidos pelo contrato social ou estatuto que a Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.208 29 regula. É por esse motivo, que a responsabilidade dos sócios e administradores das pessoas jurídicas não se afiguram como regra, sendo exceção somente aplicável quando estiverem presentes as hipóteses previstas em lei e essa presença ficar comprovado pelo Fisco”. 154. Segundo os interessados, no presente caso, a referida comprovação não foi realizada, tendo sido apurada por mera presunção. 155. Com relação à solidarização dos sócios, da leitura do art. 135 constatase “... os sócios e/ou administradores somente respondem pessoalmente por tributos não pagos pela pessoa jurídica quando, efetivamente, tenham agido com excesso de poderes, ou com infração à lei, ao contrato ou ao estatuto social. Ou seja, deve o Fisco provar estar presente pelo menos uma das hipóteses previstas nos incisos do art. 135 acima transcrito para poder estender, validamente, a responsabilidade pelo pagamento dos débitos da sociedade aos seus diretores”. 156. Continuam os impugnantes, em suas defesas, com as seguintes alegações: • Que a interpretação descrita anteriormente “... é a que se afigura mais consentânea com os princípios e normais (sic) que regem o ordenamento jurídico, mais especificamente o Sistema Tributário Nacional o qual não comporta interpretação extensiva, mormente em casos como o presente, onde o objetivo do ato é a transferência dê supostas responsabilidades da pessoa jurídica para seus sócios administradores. Ora, a legislação tributária, como se sabe, somente incide e tem sua aplicação garantida em face não só do princípio da legalidade, mas, sobretudo em razão do princípio da tipicidade fechada, ambos previstos nos artigos 5º, inciso II, e 150, inciso I, da Constituição Federal...”. • “As normas do direito tributário são inelásticas, inextensíveis e inflexíveis. Pelo princípio da legalidade exigese supedâneo legal para a formulação de qualquer exigência, pelo princípio da tipicidade, corolário do primeiro, vedase o dilargamento da hipótese de incidência de qualquer dispositivo como forma de amplialo às situações às quais ele não se subsume. É esta vedação que impede, legalmente, que o Impugnante seja alçado à condição de responsável solidário pelos débitos da CNAGA, sem que o Fisco comprove ter ele praticado os atos descritos na norma legal (art. 135 do CTN, caput)”. 157. Traz também julgados do CARF e destaca o disposto na Portaria PGFN n. 180, de 25/02/2010, os quais, na visão dos impugnantes, não mostram nenhuma hipótese em que prevaleceria “... a inclusão dos administradores como responsáveis solidários pelo pagamento de débitos da pessoa jurídica, se não houver comprovação, pelo Fisco, de terem eles agido como (sic) excesso de poderes, infração à lei ou Estatuto”. 158. Para reforçar sua argumentação, mencionam julgado do STJ e afirmam que “... a manutenção do nome do Impugnante como responsável solidário pelo pagamento das supostas obrigações da CNAGA, sem que o Fisco tenha provado terem eles de fato agido com excesso de poderes, infração à lei ou estatuto da sociedade, configura, também, flagrante violação ao artigo 112 do Código Tributário Nacional...”. 159. Por fim, “... mormente nesses casos subsumíveis a qualquer das hipóteses previstas no art. 112 do CTN, não pode ser afligido por lançamentos realizados sem FUNDAMENTO, sem prova efetiva de que teriam eles cometidos os ilícitos que lhe foram imputados”. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.209 30 Do Pedido 160. De todo o exposto os impugnantes requerem que seja “... reconhecida a nulidade da responsabilização promovida pela agente autuante, pois, como visto, não há adequada fundamentação legal acerca da solidariedade imputada nos autos de infração”, ou ainda, os nomes dos interessados deverão ser excluídos do pólo passivo “... já que não ficou comprovada, pelo Fisco, a alegação de prática de simulação por parte da CNAGA...”. 161. Por esse motivo, os arrolamentos de bens de titularidade dos interessados, efetuados pela fiscalização, deverão ser cancelados. 162. Ademais, protestam os impugnantes “... pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada de documentos complementares...”. 163. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 06051.891, pela 1ª Turma da DRJ/CTA, julgando improcedente as impugnações apresentadas, com o seguinte ementário: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRELIMINAR. ARGÜIÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. No Direito pátrio o contribuinte se defende dos fatos, sendo irrelevante a fundamentação legal, pois esta não integra a causa de pedir. Qualquer deficiência porventura existente quanto ao enquadramento legal da infração, desde que descritos com precisão os fatos referentes aos lançamentos, não enseja a nulidade dos autos de infração. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se confirmando o erro ou a falta de enquadramento legal das exigências dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora, deve ser rejeitada a alegação de cerceamento de direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal. Não tendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. Nos termos do que dispõe o Processo Administrativo Fiscal, a juntada de documentos deverá ser feita por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior, salvo nos casos expressamente previstos no PAF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.210 31 A autoridade administrativa possui a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos eivados de vícios, sendo tal poder da própria essência da atividade fiscalizadora, consagrando o princípio da substância sobre a forma. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO (ELISÃO FISCAL). ART. 149, VII, DO CTN. SIMULAÇÃO (DISSIMULAÇÃO). Quando há a transposição da linha divisória que separa a elisão da fraude, a tipificação da conduta e o respectivo mecanismo de apuração se dão pelo art. 149, VII, e não pelo art. 116, parágrafo único, do CTN. SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. Há simulação quando o contribuinte apresenta instrumento contratual sem comprovar a sua efetiva realização, restando evidenciado que tal conduta objetivou, em verdade, disfarçar sua real intenção de suprimir ou reduzir tributo. DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos de tributos com lançamento por homologação, tendo ocorrido as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. DESCONSIDERAÇÃO DA EMPRESA CONTRATADA. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Comprovada nos autos a ocorrência de simulação e a desconsideração da pessoa jurídica contratada, os pagamentos a beneficiário não identificado ou sem causa comprovada são de responsabilidade do contribuinte e será apurado o Imposto de Renda incidente exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação, como definido em lei. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. Os princípios constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, assim como as detentoras de poder de administração pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.211 32 SOLIDARIEDADE PASSIVA. INCLUSÃO DOS SÓCIOSGERENTES NO PÓLO PASSIVO COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. A solidariedade passiva tributária de direito, conforme definida no art. 124, II, CTN, provém da expressa disposição da lei. O Decretolei nº 1.736, de 1979, imputa aos acionistas controladores, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, a responsabilidade solidária pelos créditos decorrentes do não recolhimento do IRRF. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DIRETORES ADMINISTRATIVOS. Atribuise a responsabilidade tributária, nos termos do art. 135, inc. III do CTN, aos diretores administrativos da empresa, responsáveis pela administração e gerência, uma vez comprovado que estes participaram da criação de empresas especificamente para gerar despesas e créditos de PIS e COFINS. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 OPERAÇÃO DE MÚTUO. São indispensáveis para a comprovação da operação de mútuo, contrato registrado no registro público e a apresentação de documentos hábeis e idôneos, sendo insuficientes para opor a operação a terceiros, a simples apresentação de documentos particulares. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Em face desta decisão (acórdão recorrido), foram apresentados os recursos voluntários, a seguir discriminados: CNAGA Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegados, autuada, recurso voluntário de fls. 1047 e seguintes, ciente em 12/08/2015 (fls 1042); apresentado em 09/09/2015 ( fls. 1047), através de procuradores (fls. 779); Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.212 33 Américo Ribeiro dos Santos Neto, CPF 134.385.91820, recurso voluntário de fls. 1118 e seguintes, ciente em 17/08/2015 (fls. 1044); apresentado em 09/09/2015 (fls 1118); através de procuradores (fls. 904) José Américo Ribeiro dos Santos, CPF 010.497.98872, recurso voluntário (fls. 1118 e seguintes); ciente em 17/08/2015 (fls. 1045), apresentado em 09/09/2015 (fls. 1118); através de procuradores (fls. 931); É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Os recursos são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, deles conheço. Apurouse crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, referente ao anocalendário 2009, em face da empresa CNAGA Companhia Nacional de Armazéns Gerais Alfandegados, e imputouse o termo de sujeição passiva solidária aos Srs José Américo Ribeiro dos Santos (CPF 010.497.98872) e Américo Ribeiro dos Santos Neto (CPF . 134.385.91820). RECURSO VOLUNTÁRIO CNAGA COMPANHIA NACIONAL DE ARMAZÉNS GERAIS ALFANDEGADOS Antes de adentrar ao mérito da questão, devem ser examinadas as preliminares alegadas pela recorrente. Passo a analisálas. Das Preliminares Da Iliquidez e Incerteza dos Lançamentos Alega a recorrente análise superficial dos lançamentos, pois se fundamentam na frágil tese de simulação, ou seja, de que teria constituído duas pessoas jurídicas, com o intuito apenas de gerar despesas para fins de deduzílas na apuração do seu lucro real, diminuindo artificialmente o seu lucro tributável. Esta alegação será analisada mais adiante, quando da análise de mérito. Passo ao próximo vício apontado. Da Nulidade do AI por Confusão entre os Fatos e o Enquadramento Legal. Alega a recorrente que a fundamentação legal consignada aos lançamentos não corresponde à descrição dos fatos que deram origem à autuação, vez que a fiscalização desconsiderou atos e negócios jurídicos realizados por ela e as pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE. Porém, segundo o entendimento da recorrente, tal situação só seria possível se fosse baseada no art. 116 do CTN e este não fosse de eficácia contida, o que não ocorreu no caso que se apresenta, pois não há nem mesmo menção no rol dos fundamentos legais da Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.213 34 infração o citado artigo 116 do CTN. Conclui que restou configurado, no caso, cerceamento do direito de defesa. Não entendo desta forma, pois, analisando o trabalho desenvolvido pela fiscalização, entendo que o Auto de Infração combatido se revestiu de todas as formalidades legais previstas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas posteriormente. E nesse ponto, destaquese, por relevante, que os fundamentos fáticos e legais utilizados pela autoridade fiscal para efetuar o lançamento em apreço, estão todos expressos na peça de autuação, não havendo que se cogitar em ofensa ao direito de defesa, diante da narração fática e jurídica posta no Auto de Infração, devidamente motivado, em respeito as disposições do Decreto n° 70.235/72. Neste mesmo sentido, já se posicionou esta Corte Tributária: “ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal PAF, assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, não cabe a argüição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Caracterizado nos autos que o contribuinte teve ampla oportunidade, tanto durante a fase procedimental, quanto na fase litigiosa, de se manifestar e apresentar a documentação solicitada e tudo o que mais pretendesse, é de se afastar as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório. (...) Recurso Voluntário Negado” (Processo nº 13855.720203/200953, Acórdão Nº 2801003.285, Relator Conselheiro CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 2ª SEJUL/ CARF/MF). De fato, não padece de nulidade o Lançamento Fiscal que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanDo se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, plenamente, o seu direito de defesa, conforme se afere nos argumentos colacionados na Impugnação e no Recurso Voluntário. Ademais, é de se observar que qualquer deficiência porventura existente no enquadramento legal de uma infração, desde que descritos com precisão os fatos referentes ao lançamento, não enseja a nulidade do auto de infração. No caso concreto, os fatos estão perfeitamente descritos nos próprios autos de infração. Assim, afasto a argüição de nulidade. Dos Propósitos Negociais para Constituição da Modus e Movequipe Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.214 35 Neste tópico, enfatiza a recorrente ter existido propósitos negociais na constituição das empresas referenciadas, e, também, para realização das operações questionadas nos lançamentos. Ocorre que este tópico se confunde com o mérito, e também será tratado mais adiante. Da Decadência das Exigências Relativas aos Períodos de Apuração de 01/2009 a 08/2009. Como preliminar de mérito, a recorrente requer a decadência para fatos geradores ocorridos anteriormente a 08/2009, com base no art. 150, § 4º, do CTN, vez que o auto de infração foi lavrado em 19/08/2014. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência de cinco anos em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN)." (fls. 766 e 767) (g.n.) Assim, nos termos da decisão do STJ, submetida à sistemática de recursos repetitivos, tal entendimento deve ser reproduzido por este Colegiado. No caso concreto, no período sob fiscalização, o contribuinte adotou como sistemática de tributação a do Lucro Real, com apuração anual, conforme se verifica em suas declarações de imposto de renda – DIPJ (fls. 2154). Verifico ainda que ocorreu pagamentos de estimativas mensais, o que demonstra haver provas de pagamento antecipado no período fiscalizado, com relação ao IRPJ e CSLL. Não encontro provas de que foi realizado pagamento ou declaração de débito com relação à COFINS e PIS. Assim, no caso de IRPJ e CSLL, com apuração anual, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. Tendo o fato gerador ocorrido em 31/12/2009, contase cinco anos a partir deste evento, pelo que a fluência do prazo qüinqüenal encerrase em 31/12/2014. Verificado que o auto de infração foi lavrado em 19/08/2014, temse que não se operou a decadência. Com relação ao PIS e COFINS, com apuração mensal, aplicase o artigo 173, I, do CTN. Tomandose como exemplo o fato gerador mais antigo, qual seja 01/2009, a Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.215 36 fluência do prazo qüinqüenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2010, encerrandose em 01/01/2015. Verificado que o auto de infração foi lavrado em 19/08/2014, temse que não se operou a decadência. No que toca ao IRRF incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados e/ou sem causa comprovada, com apuração mensal, considero que essa modalidade do imposto de renda não se enquadra, de forma alguma, no conceito de tributo sujeito a lançamento por homologação. Inexiste qualquer atividade, muito menos pagamento antecipado nem declaração, praticada pelo contribuinte que tenha sido levada ao conhecimento do Fisco e que pudesse ser passível de homologação. Nessas condições, tenho por aplicável a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. Nesses termos, tomandose como exemplo o fato gerador mais antigo, qual seja 01/2009, a fluência do prazo qüinqüenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2010, encerrandose em 01/01/2015. Verificado que o auto de infração foi lavrado em 19/08/2014, temse que não se operou a decadência. Assim, afasto a argüição de decadência. Nulidade – Inexistência de Presunção – Prova Negativa Alega a recorrente falha na verificação dos fatos por parte da fiscalização e que os lançamentos se baseiam apenas em mera presunção, não tendo sido apurada nenhuma prova da irregularidade nos procedimentos adotados pela fiscalizada, sustentando ainda impossibilidade de produção, por parte da interessada, de prova negativa. A meu ver, as razões declinadas na decisão recorrida são por demais suficientes para afastar tais alegações de nulidade. Confirase: 200. Os atos praticados pela impugnante e as empresas MODUS e MOVEQUIPE estariam classificados na espécie simulação absoluta, na qual o agente simula um contrato com intenção de prejudicar a terceiros e burlar a lei (diferenciase da simulação relativa, quando se pratica ato dissimulado para ocultar outro). 201. Para uma melhor compreensão da simulação, reportome às lições de Pontes de Miranda (Tratado de direito privado – parte geral, tomo 4, atualizado por Vilson Rodrigues Alves, Bookseller, 1ª ed., Campinas, 2000), quando estabelece a distinção entre os planos da existência, eficácia e validade: um ato, antes de ser conhecido pelo direito, pode existir ou não. A partir do momento em que o suporte fático ingressou no mundo jurídico, o ato ou negócio jurídico passa a ser avaliado sob os prismas da validade e da eficácia: o ato jurídico válido pode gerar efeitos; o inválido pode não gerar efeitos por ser gravemente deficitário (ato nulo) ou simplesmente deixar de gerar efeitos. 202. No direito brasileiro, a existência do negócio jurídico locação de bens depende apenas do acordo quanto à coisa e ao preço; já o mútuo, por ser contrato de natureza real, necessita do acordo de vontades para emprestar, devolver e da entrega da coisa. Todavia, a simulação não questiona a presença de elementos que configuram o ato jurídico, mas a ocorrência de artifício ou fingimento na execução de ato ou contrato, com a intenção de enganar, iludir, mostrar o irreal como verdadeiro ou dar a aparência de algo que não possui. Tal instituto não atua contra a existência do ato jurídico, mas opera tãosomente nos planos da validade e eficácia. Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.216 37 203. O conjunto de indícios e presunções é chamado pela doutrina de prova indireta, a qual é considerada gênero e que comporta duas espécies distintas, a saber: os indícios e as presunções. 204. Sobre o tema leciona o professor Sólon Cícero Linhares: “(...) indícios e presunções não se confundem, ainda que alguns insistam neste sentido, uma vez que ambos os institutos têm natureza jurídica distinta, isto é, um trabalha com fatos materiais e conhecidos (indícios), o outro labora com deduções baseadas em experiências preconcebidas (presunções)”. 205. No mesmo sentido, cabe destacar o escólio do professor Sebastião Sérgio da Silveira: “Ao contrário da presunção entendemos que os indícios estão sempre apoiados em fatos ou circunstâncias, que permitem ao intérprete a extração de uma conclusão lógica com referência a alguma indagação. Já as presunções decorrem exclusivamente de regras de experiência”. Disponível em: http://direito.unaerp.br/?page=publicacoes &id= 644. Acesso em: 30 mar. 2009 206. Ainda conforme Sebastião Sérgio da Silveira , presunção: “... ao contrário de indício [...] significa um préjulgamento, com a consideração prévia de que algo é verdadeiro ou falso, mesmo antes de sua demonstração. Como regra, as presunções determinam a aceitação da veracidade ou falsidade de um fato (presunção absoluta), ou determinam a inversão do ônus da prova (presunção relativa), àquele que pretende demonstrar o contrário. No indício não há o préjulgamento, reconhecendo que o raciocínio indutivo ou dedutivo (mais apropriado), sempre tem como ponto de partida o fato conhecido, utilizado como meio, para se chegar ao desconhecido. A indução (ou a dedução) utilizada na interpretação dos indícios não pode ser confundida jamais com o juízo preconcebido existente nas presunções”. Disponível em: <http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/17080 /16644> .Acesso em: 4 maio 2010. 207. Cumpre frisar que a préconcepção ou préjulgamento a que se referem os autores citados, quando tratam das presunções, vinculase ao conceito de máximas de experiência, o qual é tratado no art. 335 do atual CPC nos seguintes termos: Art. 335. Em falta de normas jurídicas particulares, o juiz aplicará as regras de experiências comuns subministradas pela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras de experiência técnica ressalvado quanto a esta, o exame pericial. 208. Dependendo do bem jurídico que se busca proteger e da realidade social as regras de experiência comum acabam sendo convertidas pelo Legislador em presunções legais e nos casos em que isto não ocorre permanecemos no campo da presunção homini. 209. Essas regras de experiência (comum ou técnica) não estão no campo dos fatos e, portanto, do ônus da prova. As máximas de experiência, a partir das quais se formam as presunções, são juízos hipotéticos de conteúdo geral, alheio ao caso concreto, usados na observação do que comumente acontece. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.217 38 210. Em verdade, a presunção nada mais é do que técnica pela qual se opera a inversão do ônus da prova e como isto implica mitigação do direito de defesa somente pode ocorrer quando expressamente autorizado em lei e em casos excepcionais. 211. Ora, contrariamente à presunção, os indícios são fatos demonstrados que se vinculam diretamente ao caso concreto. De forma alguma os indícios ou fatos indicadores se equiparam às concepções prévias aos fatos que orientam o raciocínio presuntivo e que limitam ou fixam a conclusão que se deve extrair de uma determinada circunstância. 212. Assim, conclusões amparadas em fatos indicadores não se igualam de forma alguma aos emprego de presunções ou implicam em inversão do ônus probatório, pois indícios são fatos diretamente relacionados ao que se busca demonstrar e podem ser afastados pelo impugnante caso demonstre que, em seu conjunto, carecem de multiplicidade, harmonia e convergência suficiente para fundar uma conclusão além de qualquer dúvida razoável. 213. Concepção harmônica com o exposto vemos no posicionamento do processualista italiano Luigui Lucchini “a presunção não é contraditada, exime da prova quem a tiver, ao passo que o indício é um subrogado da prova, sensu strictu, ocupa o seu lugar”. 214. Na Jurisprudência a definição é semelhante às anteriormente reproduzidas: “(...) indício, como prelacionam alguns catedráticos, advém da palavra latina indiciare ( = indicar, descobrir, revelar, dar a entender). Outros ligam o termo à palavra index que expressava o dedo indicador, o objeto ou um fato indicado. Para o magistral Mittermayer, indício ‘é um fato em relação tão precisa com outro fato, que, de um, o juiz chega ao outro por uma conclusão natural’(Tratado da prova em matéria criminal, 1871, p. 497). (Tacrim/SP, Rel. Silva Pinto, ACR, RJD 6/137)”. 215. Importante também destacar o entendimento de Marcos Vinicius Nede r e Maria Tereza Martinez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, 2010, p. 216 a 218): “II.24.5. Prova direta e indireta Prova direta tem por objeto imediato o fato que se quer provar. (...) Já a prova indireta resulta de algum fato de tal maneira relacionado com o fato principal que, da existência daquele fato, chegase à certeza do fato principal. (...) Na prova indireta, a partir de um fato indiciário chegase, por meio de uma relação de implicação, a outro fato que se quer provar. Provase o fato indiciário e inferese a ocorrência de outro fato. Essa relação de implicação deriva de raciocínio formado com base na experiência assimilada a partir do que ordinariamente ocorre em determinado grupo social (máxima da experiência), ou pode decorrer de sua previsão legal. (...) Ressaltese que a prova que decorre de presunção simples é tida por precária, pois normalmente sacrifica o que raramente ocorre pelo que se verificou repetidamente em situações idênticas no passado. O pressuposto lógico é que, a Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.218 39 partir da existência de elementos comuns, esperase a repetição de um resultado conhecido. Essa regra pode ser infirmada por ocorrências excepcionais, representadas por fatos improváveis que fujam ao padrão estabelecido pela experiência. Por esse motivo, há quem defenda a impossibilidade de se lavrar lançamentos com base em presunções simples, eis que ofenderiam o princípio da legalidade. (...) Ainda que respeitável tal argumento, a obediência ao princípio da legalidade não impede a imputação com base em indícios veementes. O conjunto probatório pode assegurar ao julgador a certeza necessária para proferir seu julgamento, até porque o sujeito passivo contribui para a formação desse convencimento com sua defesa no processo. (...) O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal, completandoas umas com outras para formar o esqueleto de um animal. Nesse trabalho de reconstrução, ele não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e exata do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de como a reconstruir o passado de forma segura”. 216. Portanto, não está sendo tratado, no presente caso, de presunções e sim de indícios múltiplos, harmônicos e convergentes entre si. 217. Desse modo, o fato de o lançamento fundarse em provas indíciárias em nada o desabona, pois os indícios são fatos comprovados que servem de bases para construção da prova. Em face de indícios veementes no sentido de que o fato jurídico tributário ocorreu, o lançamento deve ser formalizado. Logo, basta, à fiscalização, a demonstração inequívoca dos fatos, bem como a seriedade e consistência do vínculo com a infração. 218. Os elementos que possibilitam estabelecer juízo de valor a respeito da ocorrência de simulação no caso sob análise são predominantemente de natureza indiciária. Tal fato, todavia, não surpreende em absoluto. Francisco Ferrara, jurista italiano que é referência sobre o tema, ressalta que os elementos de prova que firmarão a convicção do juiz nos casos de simulação são, via de regra, de natureza indireta (A Simulação nos Negócios Jurídicos, Campinas, Red Livros, 1999, p. 431): “A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova direta. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negócio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indireta, de indícios, conjectural (...), e é esta verdadeiramente que fere no coração a simulação, porque a combate no seu próprio terreno”. 219. A prova da simulação não tem uma fórmula específica. Deve ser feita para cada caso concreto, podendo o intérprete socorrerse de qualquer meio não proibido pelo direito. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.219 40 220. Outrossim, o art. 118 do CTN reforça a dicotomia entre os planos de validade e da eficácia, ressaltando que o direito tributário pode não se preocupar com a validade dos atos, mas tãosomente com os efeitos dentro de seu espectro de incidência: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; I – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Desse modo, entendo que não cabe razão à recorrente. Da Preliminar de conversão do julgamento em diligência Alega a contribuinte que a glosa de créditos de PIS e de COFINS foi fundamentada no art. 31, § 3º, da Lei n. 10.865/2004: “É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica”. Entretanto, a fiscalizada alega que tais empresas adquiriram produtos novos, que jamais integraram o patrimônio da recorrente e, assim, a estes equipamentos não se aplicaria o referido dispositivo. Observo que a própria fiscalização reconheceu que as empresas MODUS e MOVEQUIPE adquiriram produtos novos, como se vê no ponto 2.1.3 (....a Modus apresentou as notas fiscais de aquisição dos equipamentos de informática e das licenças de uso de sofware) e 3.1.13 (Analisando o imobilizado da MOVEQUIPE (doc. 20), verificamos que ele é composto de 25 (vinte e cinco) empilhadeira, (...) Deste patrimônio, 19 (dezenove) empilhadeiras, (...) vieram na CNGA) do Termo de Verificação Fiscal. Porém, em pese tal reconhecimento, não segregou as diversas glosas efetuadas, mediante planilha separando os créditos glosados referentes ao aluguel de ativos que no passado pertenceram ao contribuinte, daqueles créditos decorrentes de ativos que foram decorrentes de novas aquisições, devendo, no meu entender, ser realizada uma diligência, com o objetivo de tornar a decisão, neste particular, líquida. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que sejam tomadas as seguintes providências pela Delegacia de Origem: a) elaborar uma planilha, discriminando as glosas decorrentes do aluguel de ativos pertencentes a MODUS e MOVEQUIPE, identificando entre estes ativos, o que no passado pertenceram a CNGA e os decorrentes de novas aquisições, identificando a data e a forma de aquisição dos referidos ativos; b) elaborar relatório conclusivo; Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.220 41 seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. Do Mérito: Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. É o que passo a fazer: Inocorrência de Simulação na Constituição das Empresas MODUS e MOVEQUIPE e nos Negócios Jurídicos com Elas Realizados. Como se vê na leitura da TVF (616642), a discussão gira em torno da desqualificação por parte da fiscalização de despesas da recorrente como dedutíveis na apuração do lucro real, bem assim os créditos de PIS e COFINS decorrentes, sob a premissa de que as empresas MODUS e MOVEQUIPE teriam sido constituídas de forma simulada. Os argumentos apontados pela fiscalização são estes, resumidamente: i) a recorrente participaria, detendo a maior parcela, do capital social da MODUS e da MOVEQUIPE; ii) os valores das despesas de locação de bens pagas pela recorrente à MODUS e à MOVEQUIPE seriam demasiadamente elevados em comparação ao valor contábil dos bens locados; iii) a criação de tais empresas e os negócios jurídicos daí advindo teriam como único motivo a obtenção de economia tributária; A recorrente, por sua vez, sustenta a inexistência de simulação, enfatizando ser falsa a afirmação de que estas empresas inexistem, lembrando que elas recolheram expressivos valores de tributos ao Fisco Federal. Além disso, enfatiza que o fiscal autuante não realizou uma visita às sedes das referidas empresas, não verificou seus livros fiscais, suas licenças de funcionamento e folha de pagamentos do seus empregados, limitandose a expedir intimações. Para comprovar suas alegações, trouxe documentos. Alega ainda que a constituição das pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE deuse com a intenção de diversificar o seu negócio, anteriormente limitado apenas à atividade de armazém geral alfandegado, a fim de uma maior remuneração de seus administradores e acionistas e exercer atividades não regidas por disposições legais limitantes e excessivamente normatizadas como é o de depósito alfandegado. Sob o ponto, a DRJ enfatiza que foram realizadas ainda consultas por aprte do referido julgador administrativo aos sistemas da RFB e também à internet, constatandose que as três empresas (CNGA, MODUS e MOVEQUIPE) localizamse no mesmo endereço: Av. das Nações Unidas, 22452 Bairro: Jurubatuba São Paulo/SP e que possuem o mesmo responsável técnico pela contabilidade, concluindose que as empresas MODUS e MOVEQUIPE foram formalmente constituídas apenas para gerar despesas para a interessada, alem de distribuição de lucros para os sócios, tratandose, na verdade, apenas de uma empresa e não de três. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.221 42 Ressalta ainda que as operações efetuadas envolveram apenas as empresas MODUS, MOVEQUIPE, CNGA e LOGISPOT, as quais fazem parte do mesmo grupo econômico e são administrados pela mesma pessoa, assim, não havia como gerar riqueza para dar uma maior remuneração de seus administradores e acionistas como alega ora recorrente, tendo em vista a ausência de relação com terceiros do referido grupo. Com relação aos documentos trazidos, concluiu a autoridade administrativa que eles não fazem prova da existência real das empresas em questão. Com referência à necessidade de visitas, bem como verificação de livros, etc., entendeu o julgador de primeira instância que as provas coletadas pela fiscalização são suficientes para firmar sua convicção de que as empresas em questão existem apenas no plano jurídico, não havendo, no seu entender, obrigatoriedade de uma visita da fiscalização às empresas questionadas, no caso MODUS e MOVEQUIPE. Esclarece ainda o julgador que em nenhum momento foi colocado que a integralização de capital com bens é ilegal, mas sim a desproporção entre a valoração dos bens transferidos/contabilizados e o valor dos aluguéis pagos, concluindo não haver justificativa para que uma empresa se desfaça de seus bens, ligados diretamente ao seu objeto social, que não tinham ônus, em favor de outras duas empresas e, ato contínuo, passe a pagar aluguel relativo a estes mesmos bens e em valores claramente inflacionados. No que pertine a alegação da recorrente, em sede de impugnação e aqui repetida, de que a desproporção dos valores (de transferência x alugueis) se deve ao valor contábil de cada bem versus o valor de mercados dos mesmos, entendeu realizar pesquisa na internet, em abril de 2015, com a finalidade de avaliar os bens (de maior valor) transferidos, chegando a conclusão de que os valores de mercados dos bens avaliados superam em muito o valor pago a título de aluguel, e por isso, considerou, a exemplo da fiscalização, que os valores pagos a título de aluguel foram exacerbados e não refletem o valor de mercado. Colocada a questão, passo, inicialmente, a examinar as alegações da recorrente, no que concerne á acusação de que as empresas MODUS e MOVEQUIPE teriam sido constituídas de forma simulada, vício esse que macularia, por conseqüência, os negócios jurídicos com elas realizados pela recorrente. Para tanto, é necessário examinar se cada uma das empresas perseguia seus objetivos sociais com recursos físicos e humanos próprios. Ou seja, cabe examinar se as empresas: tinham vontade própria; tinham um espaço físico especifico, mantido as suas custas; possuíam maquinários próprios ou alugados; adquiriam seus próprios insumos ou mercadorias; eram as contratantes de seus empregados; efetuavam suas vendas; respondiam por seus contratos, produtos, empréstimos e atos; etc. Quanto a haver ou não uma vontade própria de cada empresa, a análise feita pela fiscalização do quadro social da MODUS e MOVEQUIPE em nada respalda a tese do lançamento. De fato, tal análise apenas aponta que a recorrente participa do capital social das referidas empresas, detendo a maior parcela, e que a interessada integralizou em bens e direitos de seu patrimônio sua participação no Capital social das referidas empresas. Não vejo neste fato nenhum indício de simulação. Além disso, apesar de não haver ilegalidade no fato de integralizar a participação dos sócios no capital apenas com bens, registrese que na constituição da MODUS Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.222 43 houve integralização em dinheiro do montante de R$ 839.000,00, equivalente a 1/4 do capital social da referida sociedade (fls. 801817). Relativamente à constituição da MODUS, alegou a fiscalização que o caráter de simulação da constituição da citada empresa poderia ser observado pelo fato de que a integralização de seu capital social teria sido efetuada com a transferência de imóvel registrado sob as transcrições ns. 13.675 e 12.109, perante o Cartório de Registro de Imóveis de São Sebastião SP, mas tal operação não teria sido registrada na matrícula do imóvel. Nesse aspecto, há de se reconhecer que os documentos societários concernentes à integralização de capital social com bem imóvel são suficientes para transferência de sua propriedade, conforme o disposto no art. 9º da Lei 6.404, de 1976, constituindose a averbação do ato registrado no Registro do Comércio no Registro de Imóveis competente, mera formalidade que não retira do ato o seu poder de transferência da propriedade do imóvel. Isso porque na integralização de imóveis em aumento ou constituição de capital de empresas não é necessária a lavratura da escritura pública. Tal ato pode ocorrer no próprio instrumento particular do Contrato Social ou alteração, desde que constem todos os elementos essenciais ao negócio jurídico, como: descrição, identificação, área, dados da titularidade e da matrícula imobiliária do imóvel, objeto da incorporação e a anuência do outro cônjuge, quando for o caso. Por outro viés, pretendendo comprovar a desproporcionalidade do valor dos bens transferidos pela interessada para estas empresas e os valores pagos pela interessada a título de locação, a fiscalização realizou comparação entre estes valores, concluindo existir uma evidente desproporção. Como se sabe, a valorização de bens para fins de integralização do capital social pode ser realizada com base no valor de custo pelo qual se encontravam tais bens registrados na contabilidade (art. 22 da lei nº 9.249, de 1995). Assim, adoção do valor de custo para bens adquiridos há muito tempo, cuja expressão econômica certamente é menor que a valoração de mercado do bem, constitui opção legítima do contribuinte, nos termos da legislação aplicável, sendo usualmente aceito, até mesmo para não onerar a mera operação de integralização de capital com a incidência do Imposto de Renda sobre eventual ganho de capital que ocorreria se adotado o valor de mercado. Caberia a fiscalização efetivamente comprovar a desproporcionalidade do valor pago a título de locação em comparação com valores pagos a tal título realizados no mercado, mediante avaliação, qualificando como documento inidôneo, se fosse o caso, as notas emitidas pelas empresas MODUS e MOVEQUIPE, e isso não ocorreu. Vejo ainda, no tópico, que a decisão recorrida objetivou trazer mais uma fundamento para evidenciar a mencionada desproporcionalidade, quando realizou pesquisa na internet, no sentido de avaliar os bens transferidos, pelo valor de mercado. Ora, em que pese ter objetivado demonstrar que os valores dos bens avaliados pelo mercado sejam inferiores aos valores pagos pela interessada a título de aluguel, tal iniciativa não pode fundamentar a alegada desproporcionalidade, vez que não se sabe, com segurança, que os bens mencionados correspondem efetivamente aos bens transferidos, considerandose no caso variedade de espécies de modelos e motores que certamente influenciam na avaliação. Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.223 44 Além do que, fato é que o julgador não pode substituir a fiscalização na fundamentação do auto de infração, bem assim, a falta de ciência por parte da interessada acerca da diligência/pesquisas realizadas, inclusive com produção documental, segundo meu modo de ver, pode levar ao cerceamento de defesa, com a conseqüente nulidade do lançamento. Outro ponto levantado pela fiscalização foi que as empresas em questão fazem parte de um mesmo grupo econômico e que são administrados pela mesma pessoa, enfatizando ainda a ausência de relação com terceiros fora do referido grupo. Nesse aspecto, observase que o contribuinte não nega o fato de que as empresas teriam a mesma direção e que se encontram em um mesmo grupo econômico. O fato de existir uma mesma direção, não implica haver identidade ou confusão de objetivos sociais das empresas e confusão de recursos com os quais estes objetivos são perseguidos. Deste modo, as investigações da fiscalização que apontam José Américo Ribeiro dos Santos e Américo Ribeiro dos Santos Neto como efetivos gestores da empresa, pode até servir para apontar e responsabilizar estas pessoas como diretores das empresas, acaso os demais requisitos legais estiverem presentes, mas não servem como prova de que as três empresas seriam apenas uma empresa. Deste modo, nenhuma das acusações acima são aptas para demonstrar que, ao invés de três empresas, existia uma única empresa. Por esta razão, cabe continuar o exame da questão aqui em apreciação. Reclama a recorrente que a fiscalização não efetuou qualquer diligência para desconsiderar a existência de duas pessoas jurídicas, não verificando sequer seus livros fiscais, licenças de funcionamento e folha de pagamento de seus empregados. Por sua vez, o contribuinte afirma que cada empresa tem seus próprios funcionários, encontrandose sujeitas ao recolhimento de encargos trabalhistas e contribuições previdenciárias, juntando balanços das citadas sociedades e também comprovação de suas licenças de operação concedidas pela Prefeitura do Município de São Paulo, onde elas se encontram instaladas, além de patrimônios próprios. Ora, se a fiscalização não examinou as folhas de pagamentos e os locais de trabalho, e, por conseqüência, não encontrou empregados de uma empresa trabalhando no espaço físico de outra, entre outros fatos que poderiam embasar sua acusação, não é razoável entender que a simples notificação para colher documentos atinentes ao quadro societário, entre outros documentos produzidos sem uma efetiva visita às sedes das empresas em questão, seja capaz de produzir o efeito desejado pelo fisco. De fato, a fiscalização poderia ter feito diligências nas sedes das empresas , mas não fez . Por isso, este ponto não é apto a comprovar a tese da fiscalização. Também a circunstância das empresas serem posteriormente, em 31/12/2013, incorporadas pela interessada não implicam na perda da personalidade jurídica, enquanto existentes. Por fim, com referência à economia tributária gerada com a criação de tais empresas, não vejo que tal fato possa concorrer para a simulação apontada. Neste aspecto, Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.224 45 transcrevo doutrina trazida pelo ilustre Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, quando do voto no acórdão 10323.357: "ilicitude na escolha de um caminho fiscalmente menos oneroso, desde que a menor onerosidade seja a única razão da escolha desse caminho", sob pena de se ter de admitir "o absurdo de que o contribuinte seria sempre obrigado a escolher o caminho de maior onerosidade fiscal" (Luciano Amaro). Da Constituição Federal advém o direito "à utilização de estruturas jurídicas válidas, sem violação da lei, que sejam capazes de evitar incidências tributárias, ou de minorar os seus ônus" (Ricardo Mariz de Oliveira). Todos os meios e formas licitas de que se vale o contribuinte para evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, reduzindo ou impedindo o surgimento do dever ou da obrigação tributária são designados pelo nome de elisão fiscal, cuja distinção básica da evasão ilícita reside nos meios empregados, como ensina SAMPAIO DÓRIA: "O primeiro aspecto substancial que as extrema é a natureza dos meios eficientes para sua consecução: na fraude, atuam meios ilícitos (falsidade) e, na elisão, a licitude dos meios é condição sine qua non de sua realização efetiva". (Elisão e Evasão Fiscal, São Paulo, José Bushataky, Editor, p. 58). Assim, se constata que nenhum dos argumentos apresentados pela fiscalização consegue demonstrar a existência de uma empresa única no lugar das três empresas. Mesmo considerando o conjunto probatório, a fiscalização não comprovou sua tese. Dos Pagamentos sem Causa. Empresas Inexistentes Além da acusação sobre a existência de atos simulados, a fiscalização entende por exigir IRRF, fundamentado nas disposições dos arts. 674 e 675 do Decreto nº 3.000/1999. Confirase tais dispositivos: Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). (...) Art.675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). A alegação da contribuinte sobre o assunto é de que como a fiscalização considerou como sem causa os pagamentos efetuados a empresas supostamente inexistentes, Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.225 46 tidas como mera extensão da própria recorrente, estes deveriam ser considerados como mera transferência de uma conta bancária da interessada para outra conta bancária. Conforme já relatado, a autoridade lançadora considerou que não havia causa legal para os pagamentos efetuados pela fiscalizada para as empresas MODUS e MOVEQUIPE, tendo em vista a inexistência das mesmas. Ocorre que, conforme razões já declinadas, a acusação de inexistência das empresas restou refutada neste voto, o que se conclui que não há que se falar em.pagamentos sem causa, pois tais pagamentos tiveram origem nos negócios jurídicos efetuados entre aquelas duas empresas e a interessada, conforme já tratado em tópico específico deste voto. Dos Pagamentos sem Causa. Mútuos com pessoas jurídicas Porém, além dos pagamentos efetuados relativos aos serviços e alugueis, a fiscalização incluiu também valores repassados às referidas empresas a título de mútuo. Nesse sentido, à empresa MODUS foram pagos R$715.000,00 relativos à mútuo. Para comprovar o mútuo entre as empresas, a interessada apresentou o contrato de fls. 0603 e 0604, no qual consta como mutuante a empresa MODUS (credora) e como mutuária a empresa CNGA (devedora), além da seguinte cláusula: Foi verificado na contabilidade da recorrente a existência de conta contábil de nº 223110008 denominada MODUS ADMINISTRAÇÃO E LOCAÇÃO DE BENS LTDA, do passivo, na qual confirma que a referida empresa é credora da fiscalizada. Além disso, o saldo da referida conta era no valor de R$984.063,30, até o advento do lançamento abaixo: Tal lançamento, deixa a conta contábil em questão com saldo igual a “zero” e amortiza uma conta do Ativo, de nº 115410005, denominada MOVEQUIPE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Não encontro nas razões recursais nenhuma justificativa sobre o lançamento contábil efetuado. Assim, entendo que a recorrente não se desincumbiu do seu ônus , e adoto as razões da decisão recorrida, neste ponto. Peço vênia para transcrevêlas: A referida operação contábil reflete uma das seguintes opções: transfere uma obrigação que a fiscalizada possuía com a empresa MODUS contra um direito a Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.226 47 receber que a interessada possuía com a empresa MOVEQUIPE, ou ainda, por um outro prisma, podese dizer que a fiscalizada “quitou” sua obrigação com a empresa MODUS com um direito a receber da empresa MOVEQUIPE. 318. Entretanto, tal operação não encontra base em documentos hábeis e idôneos, o que reforça a situação de que os pagamentos foram efetuados sem causa. 319. Com relação à empresa MOVEQUIPE, a fiscalizada pagou R$ 6.067.323,80 relativo a mútuo. Apesar de devidamente intimada, a interessada não apresentou contrato de mútuo entre as empresas e nem forneceu explicações sobre o saldo inicial da conta contábil de nº 115410005 (vide fls 0076 a 0078). Alegou que era decorrente de saldo anterior, mas não o detalhou/explicou. 320. O saldo da referida conta contábil era devedor, ou seja, a CNAGA tinha valores a receber de MOVEQUIPE mas, em 31/12/2009, foi contabilizado o seguinte lançamento: A referida operação contábil deixou com saldo “zero” a conta relativa à empresa MOVEQUIPE, convertendo um direito que a fiscalizada possuía com a empresa MOVEQUIPE para um direito a receber da pessoa jurídica RUMO LOGÍSTICA S/A, ou ainda, por um outro prisma, podese dizer que a empresa MOVEQUIPE “quitou” sua obrigação com a interessada com um direito que ela tinha a receber da empresa RUMO. 322. Intimada a comprovar a razão dos lançamentos acima, a empresa enviou o documento de fls 0607 a 0610. No entanto, o referido documento sequer está assinado. Mesmo se contivesse as respectivas assinaturas, tal documento mostra que a MOVEQUIPE cedeu direitos creditórios que possuía perante as empresas LOGISPOT e IMPULSO no valor de R$ 7.884.982,15 para quitar o débito de mesmo valor que possuía com a CNAGA. Entretanto, a fiscalizada constituiu uma conta contábil em nome de Rumo Logística S/A??? Não faz o menor sentido. Assim, ao considerar que estas operações não encontra respaldo em documentos hábeis e idôneos, mantenho o lançamento nesta parte. Dos Pagamentos sem Causa. Mútuo com sócio Embora tenha sido contabilizada como mútuo, os pagamentos efetuados ao sócio José Américo Ribeiro dos Santos, no valor de R$ 4.908.000,00, também foram considerados como sem causa. Intimada a apresentar o contrato de mútuo, a empresa entregou o documento de fls 0605 e 0606 no qual consta como mutuante o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos (credor) e como mutuaria a empresa CNAGA (devedora), além da seguinte cláusula: Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.227 48 Além disso, em 31/12/2009 foi contabilizado o seguinte lançamento: Não encontro nas razões recursais nenhuma justificativa sobre o lançamento contábil efetuado. Por considerar suficientes, adoto as razões da decisão de primeira instância neste ponto. Permitome transcrevêlas: 327. Vejase que o contrato não coincide com os pagamentos efetuados, tendo sido apurado um saldo devedor na conta contábil nº 121110004 em 31/12/2009, antes de ser “zerado”, no valor R$ 3.429.000,00. Assim, de acordo com a contabilidade a fiscalizada possuía valores a receber do Sr. José Américo Ribeiro dos Santos, ou seja, ao contrário do que está disposto no contrato, a interessada era a credora e o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos era o devedor. (grifos do original) (...) 329. A referida operação contábil deixou com saldo “zero” a conta relativa ao Sr. José Américo Ribeiro dos Santos, convertendo um direito que a fiscalizada possuía com o mesmo para um direito a receber da pessoa jurídica RUMO LOGÍSTICA S/A, ou ainda, por um outro prisma, podese dizer que o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos “quitou” sua obrigação com a interessada com um direito que ele tinha a receber da empresa RUMO. 330. Intimada a apresentar documento sobre os lançamentos acima, a empresa enviou o documento de fls 0612 a 0615, o qual também não está assinado. Mesmo se contivesse as respectivas assinaturas, tal documento mostra que o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos cedeu direitos creditórios que possuía perante a empresa IMPULSO no valor de R$ 3.429.000,00 para quitar o débito de mesmo valor que possuía com a CNAGA. Entretanto, a fiscalizada constituiu uma conta contábil em nome de Rumo Logística S/A??? Também não faz o menor sentido. Assim, ao considerar que estas operações não encontra respaldo em documentos hábeis e idôneos, mantenho o lançamento nesta parte. Créditos de PIS e COFINS Alega a contribuinte que a glosa de créditos de PIS e de COFINS foi fundamentada no art. 31, § 3º, da Lei n. 10.865/2004: “É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica”. Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.228 49 Entretanto, a fiscalizada alega que tais empresas adquiriram produtos novos, que jamais integraram o patrimônio da recorrente e, assim, a estes equipamentos não se aplicaria o referido dispositivo. Observo que a própria fiscalização reconheceu que as empresas MODUS e MOVEQUIPE adquiriram produtos novos, como se vê no ponto 2.1.3 (....a Modus apresentou as notas fiscais de aquisição dos equipamentos de informática e das licenças de uso de sofware) e 3.1.13 (Analisando o imobilizado da MOVEQUIPE (doc. 20), verificamos que ele é composto de 25 (vinte e cinco) empilhadeira, (...) Deste patrimônio, 19 (dezenove) empilhadeiras, (...) vieram na CNGA) do Termo de Verificação Fiscal, ainda que depois tenha adotado o entendimento de que tais empresas existiam apenas no papel. Por essa razão, há de se dar razão ao reclame da recorrente, neste ponto, pois a estes novos equipamentos não se aplica a regra inserta no §3º do art. 31 da Lei nº 10865, de 2004. Isto posto, entendo deve ser considerado apenas os créditos decorrentes de equipamentos novos adquiridos diretamente por tais empresas, conforme itens 2.1.3 e 3.1.13 do TVF, mantendo a glosa dos demais créditos, por expressa disposição legal que veda crédito decorrente de bens que já tenham integrado o patrimônio da interessada. Devese, portanto, afastar parcialmente a exigência fiscal. Da Qualificação da Multa Segundo a recorrente, a multa de 150% não pode ser mantida, pois, esta deve ser exigida de forma compatível com a liberdade do trabalho, comércio e da indústria, além do que trouxe julgados deste Conselho que afastou a qualificação da multa, por inexistência de fraude, dolo ou simulação. Argumenta ainda também que a referida multa não se coaduna com os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, este expressamente vedado pelo art. 150, IV, da Constituição da República. Embora a alegação de ofensa à regras constitucionais devam ser afastadas, em face do teor da Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória aos membros deste Colegiado administrativo, importa analisar se as ações da interessada enquadramse nos conceitos de sonegação, fraude ou concluio, previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, de forma seja qualificada a multa. Como se viu anteriormente, não considero, no caso, ter havido simulação, e por isso, não restou caracterizado o dolo apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Logo, ausentes elementos que permitam enquadrar a conduta da autuada nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64), voto por reduzir a penalidade para 75%. Tributação Reflexa Os mesmos fundamentos até aqui expostos aplicamse no tocante ao auto de infração da CSLL, PIS e COFINS que constam do presente processo administrativo, tendo em vista que as infrações apuradas são reflexos dos mesmos fatos. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.229 50 RECURSO VOLUNTÁRIO AMÉRICO RIBEIRO DOS SANTOS NETO E JOSÉ AMÉRICO RIBEIRO DOS SANTOS Conforme visto, foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 695 e 696) contra os sócios da empresa, Sr. José Américo Ribeiro dos Santos e Sr. Américo Ribeiro dos Santos Neto, que protocolizaram impugnação (fls. 884 a 903 e 911 a 930), e posteriormente recurso voluntário (fls. 11181141), o qual passo a analisar a seguir. Salientese que os referidos sócios apresentaram recurso voluntário em uma peça única. Alegam as recorrentes que a fundamentação legal foi apontada de forma deficiente, pois, apresentam três hipóteses distintas de responsabilização sem determinar qual delas foi utilizada para acusálos, quais sejam, o art. 124, I e II e o art. 135, III. Alega ainda que tal situação inviabiliza a defesa, pois, tratase de fundamentos distintos, jamais poderia o lançamento apontar todas as hipóteses de responsabilização sem especificar de forma expressa em qual delas se enquadra e a qual ato específico dos impugnantes se refere a imputação de responsabilidade. Sob o ponto, a DRJ entendeu que não ocorreu cerceamento de defesa, apontando que as hipóteses legais em questão não são excludentes entre si, pois o AI em análise trata de mais de uma infração (despesas indevidas e pagamentos sem causa) e cada infração pode se enquadrar em uma hipótese distinta de responsabilidade solidária. Sustenta que o inciso I do art. 124 versa sobre a solidariedade de fato, entendendoo aplicável ao caso, pois a vontade dos Sr José Américo Ribeiro dos Santos e do Sr. Américo Ribeiro dos Santos Neto tornouse a vontade da pessoa jurídica, na medida que eles comandavam as atividades operacionais da pessoa jurídica e tomavam as atitudes que tiveram como intenção a não apuração e o não recolhimento dos tributos federais lançados, e que todos ganham com o fato econômico. Segundo seu entendimento, o inciso II do art. 124, que define a solidariedade de direito, também é aplicável ao caso, em face da infração relativa ao IRRF (fls 0678 a 0686). Com referência à solidariedade passiva prevista no art. 135, III, CTN, que estabelece a responsabilidade tributária aos diretores, gerentes e administradores de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, entende que também se aplica ao caso: i) a administração da sociedade cabia, ao longo do anocalendário 2009, aos acionistas José Américo Ribeiro dos Santos (na função de presidente) e Américo Ribeiro dos Santos Neto (na função de diretor), conforme tela mencionada em seu decisium; ii) a falta de recolhimento do tributo constitui, por si só, "infração à lei", acrescentando que eles se utilizaram de despesas simuladas com aluguel e manutenção, para diminuir a apuração de IRPJ e CSLL e apurar créditos de PIS e COFINS originados de empresas formalmente criadas apenas para esse fim. Colocada a questão, passo, a examinar as alegações das recorrentes. Não concordo com as recorrentes, quando sustentam que eventual deficiência na fundamentação implicaria em nulidade, mormente quanto se constata que as mesmas Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.230 51 conhecem a matéria fática e legal e exerceram, plenamente, os seus direitos de defesa, conforme se afere nos argumentos colacionados no Recurso Voluntário. Conforme já se disse quando da análise das hipóteses de nulidade sustentada pela interessada, qualquer deficiência porventura existente no enquadramento legal de uma infração, desde que descritos com precisão os fatos referentes ao lançamento, não enseja a nulidade do auto de infração. No caso concreto, os fatos estão perfeitamente descritos nos próprios autos de infração. Quanto às hipóteses de responsabilidade solidária descritas pela fiscalização, impõese analisálas, individualmente. O artigo 124, I, do CTN determina a solidariedade para as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Referido interesse comum deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador (art. 121 do CTN). Ou seja, para figurar na qualidade de sujeição passiva com base no art. 124, I, do CTN, a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte. No caso vertente, tratase de despesas com aluguel e manutenção registradas na contabilidade da interessada, circunstância que por si só não demonstra que os ditos responsáveis solidários tenham sido beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, pois a despesa lá registrada beneficiou unicamente a pessoa jurídica interessada. E nem se fale que o fato das recorrentes serem administradores da pessoa jurídica interessada seja condão para imputar a responsabilidade pessoal, nos termos do artigo 124, I, do CTN, os lançamentos efetuados pela interessada respeitou a personalidade jurídica da empresa envolvida. Assim, entendo eventuais glosas de despesas não implicam hipótese de sujeição passiva tributária com fulcro no art. 124, I, do CTN, ainda mais se verificarmos que nos autos não há prova de que qualquer das pessoas físicas apontadas como responsáveis tenham sido beneficiadas por recursos financeiros ou patrimoniais fornecidos pela empresa autuada ou deram a infração apontada. Para caracterizar a hipótese de sujeição passiva, necessário comprovação de que teria havido o benefício direto capaz de configurar o interesse comum reivindicado pela norma citada, o que nos autos, repitase, não restou comprovado. Também não é o caso do artigo 124, II, do CTN, pois não há lei, com fundamento neste dispositivo, determinando que os sócios da interessada sejam responsáveis solidariamente pela obrigações devidas pela pessoa jurídica. Notese que não se trata, no caso concreto em exame, de solidariedade atribuída a pessoas expressamente designadas em lei, mas, como dito nos fundamentos da autuação, a pessoas que, de acordo com o entendimento da autoridade lançadora, teriam interesse comum no fato gerador do imposto, o que não se coaduna com o disposto no artigo 124, II do CTN Em relação à responsabilização solidária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (art. 135, III), é necessária a clara e comprovada prática de atos com excesso de poderes ou de infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Não basta a Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.231 52 indicação do artigo e a suposição de ato infracional: é necessário individualizar a atuação, lastreandose sempre em provas. Precedentes do CARF: Acórdão CARF nº 1101001.239, de 04/02/2015: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. A autoridade fiscal jamais apontou qualquer ato em afronta à lei ou aos estatutos das companhias em causa que tenha sido praticado pelas pessoas físicas em análise, o que não autoriza a responsabilidade solidária prevista no art. 135, inc. III, do CTN. Assim, para efeito de atribuição da responsabilidade contida no citado artigo, impõese que o sóciogerente ou diretor tenha praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislação tributária. Uma vez concluindose pela descaracterização da simulação, e, por conseqüência, da qualificação da multa de ofício, concluise que não há sustentação para responsabilização com base no art. 135, III do CTN. Isso porque, ao restar descaracterizada a operação dita como fraudulenta, incide o entendimento já consolidado no âmbito do Superior Tribunal de justiça que pode ser resumida com a transcrição do Enunciado nº 430 da Súmula do STJ: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente Mais recentemente, julgouse a matéria sob a égide do disposto no art. 543C do CPC/1973 (“recurso repetitivo”), sendo que a Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.101.728/SP, de Relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, consolidou entendimento segundo o qual “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa”. Assim sendo, voto por excluir a imputação de responsabilidade tributária aos coobrigados. CONCLUSÃO Assim, diante de todo o acima exposto, voto no sentido de: DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário da interessada, nos termos deste voto. DAR provimento ao recurso voluntário apresentado por José Américo Ribeiro dos Santos e Américo Ribeiro dos Santos Neto, para excluir a sujeição passiva solidária das referidas pessoas. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.232 53 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Cabeme o voto vencedor, que está limitado aos seguintes itens: a) Preliminar de conversão do julgamento em diligência. Na verdade, não se trata de um pedido dos interessados, mas de uma proposta do Relator, que se sensibilizou com o argumento da fiscalizada de que o próprio agente fiscal reconhecera que as empresas MOVEQUIPE e MODUS adquiriram produtos novos que jamais integraram o patrimônio da recorrente. Diante disso, a glosa dos créditos de PIS/PASEP e COFINS fundada no § 3º do artigo 31 da Lei nº 10.865/2004 estaria incorreta, considerando que a Fiscalização não segregou os bens alugados a CNAGA por MOVEQUIPE e MODUS, que teriam adquirido tais bens de pessoa jurídica distinta da locatária. Com efeito, a Fiscalização elaborou a lista de fls. 637/640, com a identificação das contas contábeis e das notas fiscais relativas aos bens alugados que deram origem aos créditos glosados. Como foi dito, alguns desses bens, de acordo com a tese defensiva, não deveriam estar incluídos nesse rol, porque não se derivam de anterior transferência de propriedade entre a recorrente e quaisquer daquelas locadoras. Por isso, entendeu o Relator que conviria converter o julgamento em diligência com vistas à segregação dos bens alugados em conformidade com sua origem, de tal modo a individualizar os bens que já haviam pertencido à recorrente, separandoos dos demais. Todavia, ouso divergir do ilustre Relator, pois não vislumbro necessidade na realização da diligência. De plano, a recorrente deveria destacar, da relação mencionada, as notas fiscais dos bens que justificariam a manutenção do crédito de PIS/PASEP e COFINS, além de reunir a correspondente documentação comprobatória da fonte do fornecimento daqueles móveis e equipamentos para as referidas locadoras. Vale lembrar que CNAGA é sócia (majoritária) de MODUS (doc. 9) e de MOVEQUIPE (doc. 18) e que José Américo Ribeiro dos Santos é diretor das três pessoas jurídicas. Portanto, seria factível à recorrente comprovar os bens alugados que foram adquiridos de terceiros por MODUS e MOVEQUIPE. Em suma, não verifico motivo razoável que fundamente o deslocamento do ônus probatório para o Fisco. Como é cediço, cabe ao recorrente a invocação dos motivos de fato e de direito que dão suporte à sua pretensão, assim como lhe compete juntar as provas que possuir e requerer as diligências ou perícias que julgar importantes à defesa, nos termos do artigo 16, incisos III e IV, do Decreto nº 70.235/1972. Também sob o comando do já citado Decreto nº 70.235/1972, especificamente do disposto no § 4º do artigo 16, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sublinhese que a recorrente não aventou qualquer fato subsumível às ressalvas do referido artigo 16, § 4º, do antedito Decreto nº 70.235/1972. Diante disso, proponho que se recuse a preliminar suscitada. b) Inocorrência de simulação na constituição das pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE e nos negócios jurídicos com elas realizados. Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.233 54 Com efeito, o agente fiscal realmente aduziu, à fl. 624, “que a MOVEQUIPE, como empresa fictícia que é, não tem despesas, pois elas são rateadas entre as empresas CNAGA e LOGISPOT, conforme planilha fornecida pela CNAGA, evidenciando ainda mais o caráter simulado das empresas MOVEQUIPE e MODUS. Ou, em termos mais precisos, despesas da CNAGA e LOGISPOT são atribuídas a MODUS e MOVEQUIPE para dar aparência operacional a essas empresas para num segundo momento essas despesas serem inteiramente suportadas pela CNAGA e LOGISPOT sob o titulo de rateio.” Como se vê, a acusação está firmemente assentada na imputação da prática de registro contábil de despesa fictícia, tudo com o objetivo de reduzir o recolhimento de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). A tal respeito, cabe observar, de início, que CNAGA integralizou capital em MODUS, em novembro de 2008, com o repasse da propriedade de um imóvel situado no município de São Sebastião e, ainda, com a entrega de equipamentos de informática e licenças de uso de software. Ao cabo da investigação fiscal, concluiuse que o imóvel não foi transferido à investida, não obstante o registro de pagamento da despesa do aluguel desse imóvel, em 2009, em montante anual equivalente a 94% do valor deste mesmo bem, no contrato social da MODUS. No que se refere ao pagamento pela locação de equipamentos eletrônicos à pessoa jurídica MODUS, no valor anual de R$ 879.962,50, impende assinalar que todos esses bens eram provenientes da própria CNAGA, que os transferiu para o patrimônio de MODUS pela quantia de R$ 106.000,00, em novembro de 2008. Aqui, a exemplo do que se repetirá em outros momentos da acusação, a Fiscalização “evidencia, novamente, o caráter simulado do negocio jurídico com a finalidade, também evidente, de reduzir indevidamente a tributação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pela empresa CNAGA.” Claro que a desproporção entre o valor da locação e o valor dado na integralização desses equipamentos eletrônicos é forte indício de que a locação é irreal. No mesmo roldão, a Fiscalização salienta o registro contábil do pagamento anual na importância total de R$ 621.150,00, em 2009, a título de despesas de licença de uso de programas de computadores, em contraposição ao valor de R$ 162.000,00 atribuídos a esse conjunto de bens, quando transferidos pela fiscalizada a MODUS, na integralização de capital desta, em novembro de 2008. Semelhante comparação é indicativo de que a locação não passa de ficção, dessa feita se confrontados o valor dos bens dados na integralização de capital em MOVEQUIPE, realizada por CNAGA, e o montante anual das despesas com a locação desses mesmos bens à própria CNAGA, que alcançou a cifra de R$ 4.950.290,03, mais de dez vezes superior à importância de R$ 497.709,83, escriturada no ativo imobilizado registrado no balanço de MOVEQUIPE, com referência aos bens em lume. No entanto, essa comparação, por si só, perde parte de sua potência, em termos de eficácia indiciária, diante do espaço temporal que separa a integralização dos bens, em 2001, e os aluguéis praticados em 2009. A despeito disso, a escassa probabilidade de que os aluguéis sejam verdadeiros pode resultar – como de fato resulta do seguinte quadro geral exposto pela Fiscalização: MOVEQUIPE somente gera contratos de locação de equipamentos para CNAGA e LOGISPOT, cujos donos e administradores eram os mesmos da MOVEQUIPE. Esta, por sua vez, é tributada pelo IRPJ incidente sobre o lucro presumido, ao passo que a recorrente se sujeita à tributação do IRPJ sobre o lucro real. Não é de hoje que se conhece esse modelo de planejamento fiscal, que tem em mira a criação artificial de custos e despesas para a redução do lucro tributável de outra pessoa jurídica que pertence ao mesmo grupo econômico. Isso está claro na seguinte passagem do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 624: Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.234 55 “2.3.1 Além das despesas relacionadas às supostas locações de bens, localizamos na contabilidade da CNAGA lançamentos relevantes cujo titulo indica rateio de despesas. Intimada a apresentar os documentos que comprovam os lançamentos, a CNAGA apresentou o contrato de rateio realizado entre ela e a MOVEQUIPE (doc 24), planilha demonstrativa dos valores e percentuais atribuídos ao rateio (doc 25), documentos que comprovam os valores registrados na planilha (amostragem doc 26). 2.3.2 Da análise da planilha, verificase que a MOVEQUIPE, empresa tributada pela sistemática do Lucro Presumido, transfere 95% (noventa e cinco por cento) de suas despesas para as empresas CNAGA e LOGISPOT, empresas pertencentes aos mesmos sócios da MOVEQUIPE e tributadas pela sistemática do Lucro Real. 2.3.3 Devese registrar, por exemplo, no que diz respeito ao rateio de pessoal, após a despesa com trabalhadores ser “rateada” entre as empresas CNAGA e LOGISPOT, não sobra despesa com trabalhadores na empresa MOVEQUIPE, o que inviabilizaria, por si só, a hipótese de a MOVEQUIPE prestar qualquer serviço com trabalhadores próprios. (grifei) [...] 2.4.4 Tendo em vista que a base de cálculo do IRPJ é 32% (trinta e dois por cento) do faturamento, é também presumido, portanto, que 68% (sessenta e oito por cento) do faturamento dessas empresas seja relativo a custos e despesas. Verificamos, no item 2.3 que a MOVEQUIPE, como empresa fictícia que é, não tem despesas, pois elas são rateadas entre as empresas CNAGA e LOGISPOT, conforme planilha fornecida pela CNAGA, evidenciando ainda mais o caráter simulado das empresas MOVEQUIPE e MODUS. Ou, em termos mais precisos, despesas da CNAGA e LOGISPOT são atribuídas a MODUS e MOVEQUIPE para dar aparência operacional a essas empresas para num segundo momento essas despesas serem inteiramente suportadas pela CNAGA e LOGISPOT sob o titulo de rateio. 2.4.5 Na prática, tudo continuou como antes, a CNAGA continuou operando no mesmo lugar e com os mesmos equipamentos que possuía, e que geravam sua receita, com a única diferença que passou a contabilizar uma despesa pela sua utilização. 2.4.6 Carece de lógica que uma empresa que possui os bens, se desfaça do seu indispensável ativo operacional para por ele passar a pagar aluguel que consome quase 30% (trinta por cento) do seu faturamento. (grifei) 2.4.7 Não se compadece com o objetivo de lucro mudar de uma situação em que nada se paga pelo equipamento indispensável para uma situação em que por ele se pagam despesas que reduzem seu lucro em cerca de 30% (trinta por cento). Isso só acontece quando, de fato, o pagamento e o recebimento das despesas vem a desaguar, em última instância, nas mesmas pessoas físicas.” Ao seu turno, MODUS não vende produtos, mas só serviços, e exclusivamente à CNAGA, conforme a numeração sequencial das notas fiscais emitidas (conforme tabela transcrita no item 2.2.2), e aluga máquinas e equipamentos para a CNAGA e para a LOGISPOT. Não se pode deixar de considerar que MODUS também pertence aos mesmos donos e é administrada pelas mesmas pessoas que CNAGA. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.235 56 Na oportunidade, outras informações de relevo devem ser reunidas aos indícios acima mencionados. Para tanto, importa observar o seguinte trecho da decisão recorrida: "Tais empresas (MODUS e MOVEQUIPE) foram objeto de diligência por parte da autoridade fiscal que, somada aos documentos juntados durante a fiscalização, levaram às seguintes constatações: • A empresa CNAGA é sócia da empresa MODUS (com participação de 70%) e da empresa MOVEQUIPE (com participação de 19,32%); • O Sr. Américo Ribeiro dos Santos Neto (CPF: 134.385.91820) é diretor da empresa CNAGA, é sócio da empresa MOVEQUIPE (com participação de 76,75%) e é sócioadministrador da empresa MODUS (com participação de 4%); • O Sr. José Américo Ribeiro dos Santos (CPF: 010.497.98872) é presidente da empresa CNAGA (com participação de 46,31%), é sóciogerente da empresa MOVEQUIPE (com participação de 3,93%) e sócioadministrador da empresa MODUS (com participação de 22%); • A empresa MODUS foi constituída em 30/10/2008 (fl. 0104) e tem como objeto social “a locação de máquinas e equipamentos para escritório, conserto e manutenção de computadores e equipamentos periféricos, o suporte técnico de manutenção e demais serviços relativos à tecnologia da informação, bem como a administração e a locação de bens imóveis próprios e atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral” (fl. 0092) e o objeto social da empresa MOVEQUIPE é a “locação de máquinas e equipamentos nacionais ou importados; a locação de imóveis, especialmente galpões industriais e armazéns; e a participação em outras sociedades” (fl. 0428)." Por sua vez, os dados dos registros internos da RFB, referentes às três pessoas jurídicas, oferecem o painel abaixo: • As três empresas (CNAGA, MODUS e MOVEQUIPE) localizamse no mesmo endereço: Av. das Nações Unidas, 22452 – Bairro: Jurubatuba – São Paulo/SP; • As três empresas (CNAGA, MODUS e MOVEQUIPE) possuem (ou possuíam no caso da CNAGA) o mesmo responsável técnico pela contabilidade (CPF: 014.467.31855 Marcos Jose Martins), com o mesmo correio eletrônico: fiscal@cnaga.com.br. Presente tal cenário fático, o julgador a quo assim arrematou seu raciocínio: "246. Ao contrário do que argumenta a fiscalizada, entendo que as empresas em questão foram formalmente constituídas apenas para gerar despesas para a interessada e distribuição de lucros para os sócios. 247. Utilizo as palavras da autoridade administrativa, a qual afirmou que “Na prática, tudo continuou como antes, a CNAGA continuou operando no mesmo lugar e com os mesmos equipamentos que possuía, e que geravam sua receita, com a única diferença que passou a contabilizar uma despesa pela sua utilização”. 248. Vejase que estamos tratando de uma situação na qual: três pessoas jurídicas ocupam a mesma localização física; os bens móveis transferidos entre elas fisicamente continuaram no mesmo local; as empresas possuem Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.236 57 sócios/administradores em comum; duas delas exercem atividades que complementam a atividade da fiscalizada, atividades estas anteriormente exercidas pela própria fiscalizada; entre outras situações a serem descritas em tópicos próprios. 249. Na verdade tratase de apenas uma empresa e não três." Os indícios anteriormente aduzidos expõem, seguindo o magistério de Maria Rita Ferragut, nas lembranças do Relator da instância a quo: " Independência meramente formal de pessoas jurídicas (que, na realidade, submetemse a uma mesma unidade gerencial, laboral e patrimonial); Identidade de administradores e contadores; Formação de quadro societário pelos mesmos indivíduos ou seus parentes; Estrutura administrativa compartilhada; Atuação idêntica, similar ou complementar." Despicienda, in casu, a visita às dependências físicas das citadas pessoas jurídicas, em face das circunstâncias reveladas nos autos, já que o comparecimento não alteraria as conclusões lançadas pela DRJ, as quais aprovo, acolhendoas. Com suporte nesse conjunto fático, é impossível rejeitar a simulação apontada pela Fiscalização, motivo por que deve prevalecer a autuação. c) Pagamentos sem causa ou a beneficiário não indentificado. Empresas inexistentes. Ora, diante da conclusão de que as pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE são instrumentalidades meramente formais planejadas para a criação de despesas fictícias que seriam aproveitadas pela recorrente, todos os pagamentos efetuados em nome de tais pessoas jurídicas a título de aluguel carecem de causa justificada ou da identificação do beneficiário. Tal raciocínio é estendido aos pagamentos efetuados a título de mútuo celebrado entre aquelas entidades formais e a recorrente. Nesse sentido, é indiscutível a aplicação do § 1º do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995. No ponto, cabe esclarecer à recorrente que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, desde que os lançamentos contábeis tenham o esteio de documentação comprobatória, consoante o artigo 9º, § 1º, do Decretolei nº 1.598/1977. Assim, não basta o registro contábil para assegurar que os pagamentos tenham sido efetuados à pessoa que consta na escrituração, como também não comprova a causa. No mais, digase que a recorrente não explicou a transferência do saldo da conta contábil 223110008, na importância de R$ 984.063,30, em 31/12/2009, para a conta contábil 115410005. Tal movimentação, de acordo com a contabilidade, refletiria a transferência de um direito de MODUS contra CNAGA para um direito de CNAGA em face de MOVEQUIPE. Coincidentemente, referido lançamento encerraria o saldo da conta de mútuo entre CNAGA e MODUS e o saldo da conta de mútuo entre CNAGA e MOVEQUIPE. A falta de precitada comprovação também é indicativo de que são fictícios os mútuos entre a recorrente e MODUS e entre a recorrente e MOVEQUIPE. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.237 58 No mesmo norte, a recorrente não elucida a transferência do saldo da conta contábil 115410005, na importância de R$ 7.884.982,15, em 31/12/2009, para a conta contábil 116110012. Tal movimentação, de acordo com a contabilidade, refletiria a transferência de um direito de CNAGA contra a MOVEQUIPE para um direito de CNAGA em face RUMO. Coincidentemente, referido lançamento encerraria o saldo da conta de mútuo entre CNAGA e MODUS e o saldo da conta de mútuo entre CNAGA e MOVEQUIPE. Conforme a acusação fiscal, a recorrente não fez prova da cessão de crédito a RUMO, uma vez que o documento apresentado para esse fim sequer estava assinado, afora o fato de não figurar o nome da referida pessoa jurídica cessionária e, sim, o da empresa Impulso Empreendimentos e Participações, que é controlada pelo controlador da CNAGA, José Américo Ribeiro dos Santos. A Fiscalização ainda ressalta a falta de prova da causa dos pagamentos efetuados pela recorrente ao controlador José Américo Ribeiro dos Santos. Por oportuno, valhome do já descrito pela DRJ, na apreciação do tema, aderindo às razões de decidir adotadas pela instância a quo, considerando que a recorrente não conseguiu superar a ausência de causa legal para os pagamentos em questão: “326. Intimada a apresentar o contrato de mútuo, a empresa entregou o documento de fls 0605 e 0606 no qual consta como mutuante o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos (credor) e como mutuária a empresa CNAGA (devedora), além da seguinte cláusula: 327. Vejase que o contrato não coincide com os pagamentos efetuados, tendo sido apurado um saldo devedor na conta contábil nº 121110004 em 31/12/2009, antes de ser “zerado”, no valor R$ 3.429.000,00. Assim, de acordo com a contabilidade a fiscalizada possuía valores a receber do Sr. José Américo Ribeiro dos Santos, ou seja, ao contrário do que está disposto no contrato, a interessada era a credora e o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos era o devedor. 328. Além disso, em 31/12/2009 foi contabilizado o seguinte lançamento: 329. A referida operação contábil deixou com saldo “zero” a conta relativa ao Sr. José Américo Ribeiro dos Santos, convertendo um direito que a fiscalizada possuía com o mesmo para um direito a receber da pessoa jurídica RUMO LOGÍSTICA S/A, ou ainda, por um outro prisma, podese dizer que o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos “quitou” sua obrigação com a interessada com um direito que ele tinha a receber da empresa RUMO. 330. Intimada a apresentar documento sobre os lançamentos acima, a empresa enviou o documento de fls 0612 a 0615, o qual também não está assinado. Mesmo se contivesse as respectivas assinaturas, tal documento mostra que o Sr. José Américo Ribeiro dos Santos cedeu direitos creditórios que possuía perante a empresa IMPULSO no valor de R$ 3.429.000,00 para quitar o débito de mesmo valor que possuía com a CNAGA. Entretanto, a fiscalizada constituiu uma conta contábil em nome de Rumo Logística S/A??? Também não faz.” À luz de tais reflexões, as razões recursais não podem prevalecer. d) Créditos de PIS/PASEP e COFINS A glosa de créditos de PIS/PASEP e COFINS derivados dos aluguéis de móveis e imóveis é uma consequência direta da decisão que não reconhece os contratos celebrados entre a recorrente e MODUS ou MOVEQUIPE, já que estas duas últimas não Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.238 59 passam de instrumentalidades meramente formais planejadas com o fim disfarçado de suprimir ou reduzir tributo. Nessa toada, desprovejo o recurso. e) Qualificação da multa. Diante da simulação anotada nessas linhas, não resta dúvida da prática de conduta dolosa caracterizadora da fraude, em sintonia com o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, porquanto: a fiscalizada é sócia de MODUS e MOVEQUIPE; José Américo Ribeiro dos Santos é o sócio/acionista que administra as três pessoas jurídicas, restando claro que prevalecia sua vontade, no conjunto de práticas negociais entre a recorrente, MODUS e MOVEQUIPE; as três pessoas jurídicas localizadas no mesmo endereço; a interessada integralizou parte do capital de MODUS e MOVEQUIPE com bens, os quais continuou utilizando por meio de contrato de locação; em consequência aos ditos aluguéis, a recorrente aproveitou despesas, que reduziram seu lucro tributado pelo IRPJ e pela CSLL, e gerarm créditos de PIS/PASEP e COFINS; a simulação rendeu à interessada uma economia de tributos administrados pela RFB; MODUS e MOVEQUIPE prestam serviços exclusivamente para CNAGA e LOGISPOT; esta última tem estreita ligação com a fiscalizada. Portanto, não há dúvida de que a recorrente dolosamente elaborou o planejamento tributário aqui exposto para criar despesas fictícias, assim intentando modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos, o que se ajusta tipicamente à fraude prevista no artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, sujeitando à infratora à multa qualificada de que trata o artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Acresçase ao exposto que as alegações de excesso confiscatório ou de agressão à proporcionalidade só podem ser enfrentadas no plano do direito constitucional. Contudo, esse Colegiado não tem competência para aferir a constitucionalidade da lei tributária, consoante o proclamado na Súmula Carf nº 2. f) Responsabilidade dos sócios AMÉRICO RIBEIRO DOS SANTOS NETO E JOSÉ AMÉRICO RIBEIRO DOS SANTOS. A fraude suprarreferida é prática que foi adotada por decisão dos sócios/administradores, uma vez que sua ocorrência dependeu da prévia constituição de instrumentalidades meramente formais, como o são as pessoas jurídicas MODUS e MOVEQUIPE, para a geração de despesas fictícias decorrentes dos contratos de locação entre a recorrente e as duas pessoas jurídicas anteriores. Nesse tom, asseverase que a ilegalidade ora assinalada não se consumou sem a prévia elaboração de tal mecanismo evasivo por aqueles que Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 19515.720875/201463 Acórdão n.º 1301002.202 S1C3T1 Fl. 1.239 60 comandavam a administração da sociedade, definiam seus rumos e determinavam suas opções. Todavia, não ficou provado que tais condutas teriam sido praticadas em prejuízo da sociedade empresária fiscalizada. Ao contrário, os atos que se conjugaram para a realização da fraude objetivaram beneficiála com a criação de vantagens tributárias indevidas. Por conseguinte, a recorrente não pode se eximir da responsabilidade que lhe recai como consequência do fato de ser a própria contribuinte dos tributos lançados nos autos de infração acostados aos presentes autos, porque foi ela mesma quem auferiu o lucro sujeito ao IRPJ e à CSLL, assim como também foi ela quem auferiu a receita sujeita à incidência de PIS/PASEP e de COFINS. Por outro lado, considerando que a sociedade empresária não tem vida física, os negócios simulados que foram realizados em benefício da pessoa jurídica decorreram do exercício da administração da sociedade, como já se ressaltou em linhas antecedentes. Por isso, aos administradores da fiscalizada incide o disposto no artigo 135, inciso III, do CTN, o que lhes impõe a responsabilidade pelas dívidas tributárias constituídas por meio dos lançamentos ora apreciados. Salientese, porém, como já adiantado, que a responsabilidade dos administradores aqui assentada não afasta a responsabilidade da própria recorrente, segundo as lições do ilustre Hugo de Brito Machado (apud Leandro Paulsen, Direito Tributário – Constituição e Código à luz da doutrina e da jurisprudência, Livraria do Advogado, 2009, p. 974), verbis: “A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não diz que sejam as únicas. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no artigo 128 do Código Tributário Nacional” Também Leandro Paulsen adverte, na obra indicada no parágrafo anterior (p. 974): “Certo é que, se a pessoa jurídica se beneficiou do ato, ainda que praticado com infração à lei ou com excesso de poderes, sua responsabilidade decorrerá, ao menos, da incidência do art. 124 do CTN, que diz da responsabilidade por interesse comum.” Em suma, devese manter a responsabilidade dos sócios, sem o afastamento da responsabilidade da recorrente. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900026/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.999
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 02 6/ 20 12 -0 8 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10480.900026/201208 Resolução nº 3401000.999 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.023. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10480.900026/201208 Resolução nº 3401000.999 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10480.900026/201208 Resolução nº 3401000.999 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722794/2013-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. PENSÃO JUDICIAL.
Verificado que os rendimentos de aposentadoria paga pelo INSS, tidos por omitidos, tratam-se na verdade de pensão judicial já tributada na declaração de ajuste, não prospera o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. PENSÃO JUDICIAL. Verificado que os rendimentos de aposentadoria paga pelo INSS, tidos por omitidos, tratam-se na verdade de pensão judicial já tributada na declaração de ajuste, não prospera o lançamento. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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PENSÃO JUDICIAL. Verificado que os rendimentos de aposentadoria paga pelo INSS, tidos por omitidos, tratamse na verdade de pensão judicial já tributada na declaração de ajuste, não prospera o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 27 94 /2 01 3- 51 Fl. 74DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.722794/201351 Acórdão n.º 2402005.661 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a restituir do anocalendário 2011 de R$ 291,60 para o montante de R$ 1.592,79 de imposto de renda suplementar a recolher (fls. 3/6), face à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, assim descrita na autuação: Omissão de rendimentos no valor de R$ 22.530,84 recebidos a título de pensão alimentícia, declarada, erroneamente, na PJ (deixou de declarar a aposentadoria por tempo de serviço, NB 124.594.8900, no valor de R$ 22.417,74 Em sua impugnação (fls. 2/12), a contribuinte alegou não se tratar de omissão de rendimentos, mas sim de pensão judicial recebida. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 20/22), foi interposto recurso voluntário em 17/3/2014 (fls. 27/52), arguindo, em síntese, que: a contribuinte recebe pensão, segundo decisão a qual estabeleceu que os proventos percebidos pelo excônjuge do INSS lhe seriam totalmente vertidos; para cumprir tal determinação, o INSS implementou nº de benefício em seu nome, e denominouo de aposentadoria por tempo de contribuição; sequer é segurada daquela autarquia. Junta documentos e pede que seja "abortado" o lançamento. Mediante Resolução foi convertido o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem intimasse o INSS a informar se os rendimentos percebidos dessa autarquia pela contribuinte em epígrafe no anocalendário 2011, sob o número de beneficiário 124.594.8900, no montante de R$ 22.417,74, são efetivamente provenientes de aposentadoria por tempo de contribuição, ou correspondem, na verdade, a valores recebidos por força de implementação de decisão judicial versando sobre pensão alimentícia, intimandose a contribuinte do resultado dessa diligência, com a remessa, ao final, dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. Com a juntada das informações de fls. 65/70, retornou o processo a esta instância recursal para prosseguimento. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, motivo pelo qual passo direto ao seu exame. Para melhor compreensão dos fatos, bem como dos motivos que levaram o Colegiado a converter o julgamento em Resolução, convém transcrever os termos dos seus fundamentos, quando da prolação daquele entendimento: Há informações deveras desencontradas e incompletas no caso sob exame, razão pela qual impõese o retorno dos autos à origem, para realização de diligência. Explico. Há decisão judicial (fl. 45) determinando que a totalidade dos proventos recebidos do INSS pelo excônjuge da notificada sejam a ela repassados, estando o comprovante de rendimentos desse excônjuge, à fl. 9, em harmonia com tal disposição. Nele, verificase que sobre os rendimentos totais de R$ 22.530,54 auferidos como aposentadoria, há dedução nesse mesmo valor como pensão alimentícia, para o benefíciário especificado nas "informações complementares", nomeadamente, a recorrente. Por outra via, constatase que o INSS emitiu comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 10), no qual a contribuinte consta como beneficiária de rendimentos de aposentadoria por contribuição, no valor de R$ 22.417,74, inclusive com retenção de imposto de renda na fonte, dados em consonância com os informados em Dirf por essa fonte pagadora (fl. 12). À uma primeira vista, parecem tratarse de rendimentos distintos, mas conforme narrativa da recorrente, o INSS, para fins de implementação da decisão judicial, criou um nº de benefício em seu nome, o de nº 124.594.8900, atribuindo lhe a denominação de "aposentadoria por tempo de contribuição", o que explicaria os dados constantes no comprovante de rendimentos pagos do INSS emitido em seu nome. Tal versão, ainda que peculiar, encontra respaldo no consignado no campo "6 informações complementares" do comprovante de rendimentos do excônjuge, aonde além de constar como beneficiária da pensão a notificada, é especificado que o valor pago no anobase 2011 foi, na verdade, de R$ 22.417,74 (fl. 9), sem considerar o décimo terceiro salário. Além disso, nos documentos de fls. nº 46 e 51, também de lavra do INSS, há indícios adicionais ao encontro dessas alegações. No documento de nº 46, extraído do sistema Dataprev, consta a informação de que a contribuinte "Recebe PA", o que pode ser, em tese, alusão à natureza efetiva de pensão dos rendimentos em tela. Por sua vez, no documento de fl. 51, aparentemente ofício exarado pela Seção de Benefício APS Rio Claro da Previdência Social, consta a menção "NB: Pensão Alimentícia" vinculada ao nº do benefício, 124.594.9800. Em síntese, estão presentes nos autos uma série de informações que possuem a mesma origem, o INSS, guardando substancial grau de divergência entre si, de Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10840.722794/201351 Acórdão n.º 2402005.661 S2C4T2 Fl. 4 5 modo que para se ter a necessária segurança acerca dos fatos em evidência é necessário que essa autarquia esclareça a natureza dos rendimentos sob controvérsia. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem intime o INSS a informar se os rendimentos percebidos dessa autarquia pela contribuinte em epigrafe no anocalendário 2011, sob o número de beneficiário 124.594.8900, no montante de R$ 22.417,74, são efetivamente provenientes de aposentadoria por tempo de contribuição, ou correspondem, na verdade, a valores recebidos por força de implementação de decisão judicial versando sobre pensão alimentícia, intimandose a contribuinte do resultado dessa diligência, com a remessa, ao final, dos autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. A autarquia intimada confirmou que os rendimentos em tela referemse, na realidade, aos valores recebidos a título de pensão alimentícia, nos termos explicados no Ofício nº 766/21.029.050, de 13/9/2016: ...informamos que a sra DEBORA SCIASCIA, CPF 676.959.57887, recebe o benefício de Pensão Alimentícia (PA) de número 42/ 124.594.8900 desde 23/10/2002, mantido por esta agência, conforme decisão judicial e tela do sistema informatizado INFBEN, em anexo, de modo que os rendimentos percebidos do ano calendário de 2011 referemse a este benefício. Esclarecido, assim, que os rendimentos tidos por omitidos são relativos ao recebimento de pensão judicial, já tributada na declaração de ajuste, não prospera a infração imputada à contribuinte. Ante o exposto, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723347/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA DE 150% AGRAVADA DA METADE ALCANÇANDO 225%. PRESENTES AS CIRCUNSTÂNCIAS PREVISTAS EM LEI PARA SUA INCIDÊNCIA, É DE MANTER-SE A MULTA.Multa de ofício qualificada e agravada, aplicada nos estritos termos da Lei 9430/96, deve ser mantida por seus próprios fundamentos, quando inequivocamente presentes os pressupostos fáticos que autorizam tal agravamento e qualificação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-003.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA QUALIFICADA DE 150% AGRAVADA DA METADE ALCANÇANDO 225%. PRESENTES AS CIRCUNSTÂNCIAS PREVISTAS EM LEI PARA SUA INCIDÊNCIA, É DE MANTERSE A MULTA.Multa de ofício qualificada e agravada, aplicada nos estritos termos da Lei 9430/96, deve ser mantida por seus próprios fundamentos, quando inequivocamente presentes os pressupostos fáticos que autorizam tal agravamento e qualificação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 11/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 33 47 /2 01 2- 33 Fl. 210DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Em 17.12.2007, a Recorrente enviou Pedido de Declaração de Compensação nº 08288.42681.171207.1.3.040929 (fls.0942), para pagamento de débitos do PIS e da COFINS no montante originário de R$ 60.198,01, com a utilização de créditos oriundos de uma cisão parcial da empresa Indústria Têxtil Apucarana Ltda, inscrita no CNPJ (MF) sob nº 75.284.224/000171. Em análise ao referido pedido, a autoridade fiscal intimou a Recorrente para prestar esclarecimentos sobre a origem do crédito (fls. 4345), posto que (i) no cadastro da RFB não consta qualquer registro do evento de sucessão ocorrida entre a Recorrente e a empresa cindida (Têxtil Apucarana), sendo necessário comprovar a realização do ato societário; e (ii) o DCOMP inicial 04345.36951.161106.1.3.043771, não pertence a Recorrente, mas a terceiro, sendo necessário apresentar os comprovantes de aquisição do crédito utilizado na compensação, sob pena de considerar inexistente o evento de cisão e consequentemente a origem do crédito tributário. Considerando que a Recorrente não atendeu a intimação, deixando de comprovar a realização do ato societário e a aquisição do crédito utilizado na compensação, a fiscalização por meio do despacho decisório de fls. 4649 considerou "não declarado" o pedido de compensação nº 08288.42681.171207.1.3.040929, nos termos do artigo 74, §12, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.430/961. Ato contínuo, a fiscalização adotou os seguintes procedimentos fiscais em face da Recorrente, a saber: (i) encaminhou para inscrição de Dívida Ativa, os débitos cuja compensação se considerou não declarada, controlados no processo 10980.721980/201297; e (ii) lavrouse o presente Auto de Infração para cobrança da multa qualificada de 150%, agravada pela metade, nos termos do artigo 18, §4º, da Lei nº 10.833/20032. Cientificado da lavratura do Auto de Infração em 07.05.2012, a Recorrente apresentou impugnação 29.05.2012 (fls.7582), alegando, em síntese, que: (i) a fiscalização 1 Art.74 (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito a) seja de terceiros; 2 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10980.723347/201233 Acórdão n.º 3302003.749 S3C3T2 Fl. 3 3 realizou o lançamento fiscal com base em meras presunções, cabendo àquele que acusa provar os fatos constitutivos de seu direito; (ii) sem a devida análise dos livros fiscais do contribuinte tornase impossível a apuração dos valores devidos, o que faz com que o tributo deixe de ter o seu atributo de liquidez e certeza; (iii) não restou comprovado a fraude nos procedimentos adotados pela Recorrente; e (iv) a multa de 225% é confiscatória e não atinge a sua finalidade de desestimular o descumprimento de obrigações acessórias. A impugnação apresentada pela Recorrente foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 1651.217, proferido pela 9ª Turma da DRJ/SP1, conforme sintetizado na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DCOMP NÃO DECLARADA. MULTA. APLICAÇÃO. COMETIMENTO DE FRAUDE. MULTA DUPLICADA. APLICAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. MULTA AUMENTADA DE METADE. APLICAÇÃO. É exigido multa diante de situação em que foi havida por não declarada a compensação transmitida por contribuinte, nas hipóteses do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações posteriores, devendo ser aplicado o percentual previsto no inciso I do art. 44 da mesma lei, duplicado na forma de seu parágrafo 1º, se houve cometimento de fraude, ademais, aumentado de metade, nos casos de não atendimento, no prazo devido, de intimação para prestar esclarecimentos à Fazenda Nacional. Não se conformando com a decisão de piso, a Recorrente intimada em 25.11.2013 (fls.153), interpôs Recurso Voluntário em 18.12.2013 (fls.155165), aduzindo o quanto segue: (i) a fiscalização realizou o lançamento fiscal com base em meras presunções, cabendo àquele que acusa provar os fatos constitutivos de seu direito, cita diversas doutrinas sobre o assunto; (ii) que a compensação foi realizado dentre dos limites previstos na legislação; (iii) o artigo 74, §12, inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.430/96 é inconstitucional, posto que a compensação tem permissivo constitucional, e o Código Tributário Nacional tem força de lei complementar e, portanto, estaria acima da Lei nº 9.430/96; (iv) a própria IN 41/2000 prevê a possibilidade de créditos do contribuinte com débitos de terceiro, no caso de REFIS; e (iv) a multa de 225% é confiscatória e foge do caráter da proporcionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre esclarecer que a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, como prescreve o artigo 156, inciso do CTN. Além disso, dispõe o artigo 170, do mesmo diploma que " A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Fl. 212DF CARF MF 4 Após a vigência das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, a compensação de tributos passou a ser realizada por meio de declaração de compensação. Deste modo, a apresentação de documentos foi postergada para momento posterior: (i) seja por meio de intimação da RFB para esclarecimentos; e (ii) seja quando da apresentação de defesa, nos termos do artigo 15 e §4º e inciso III, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte a comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Ora, se é exigível que o lançamento tributário contenha todos os elementos descritivos da obrigação que pretende exigir, como prescreve o artigo 142, do CTN, cabendo ao fisco tal prova; em sentido similar exigese que o contribuinte comprove os créditos que alega, quando da apresentação do pedido de compensação. Nesse sentido, citase o entendimento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: DCOMP HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Impõese reconhecer a homologação tácita da Dcomp de nº 25741.30886.250703.1.3.026735 (entrega em 25/7/03), nos termos do art. 74, § 2º c/c o § 5º, da Lei 9.430/96. CRÉDITOS DE PIS E DE COFINS EFEITOS DE “MARCAÇÃO A MERCADO” COMPROVAÇÃO ÔNUS DA PROVA. Os pretensos créditos de PIS e de Cofins que emergem dos reajustes de “marcação a mercado” reclamam detalhada documentação demonstrativa dos créditos pretendidos. Estando em jogo pretensão da recorrente, dela é o onus probandi. A ela cabe não simplesmente “apresentar” provas, mas demonstrar seu direito mediante a articulação coordenada, estruturada das provas de molde a tornar plenamente compreensível a demonstração. Não foi carreada aos autos essa documentação detalhada comprobatória de sua pretensão. Juntada de meras planilhas insuficientes para a referida comprovação. (...)(acórdão 1103001.160) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado. (acórdão 3202001.593) No caso destes autos, discutese a existência de crédito utilizado pela Recorrente para compensar débitos de PIS e COFINS, supostamente originado de uma cisão parcial da empresa Indústria Têxtil Apucarana Ltda, inscrita no CNPJ (MF) sob nº 75.284.224/000171. A Recorrente intimada à prestar esclarecimentos e comprovar a origem do crédito em comento, permaneceu silente. Do mesmo modo agiu a Recorrente quando da apresentação da impugnação administrativa, deixando de comprovar documentalmente a origem dos créditos. Sequer na fase recursal a Recorrente manifestou interesse em comprovar documentalmente seu pretenso direito creditório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10980.723347/201233 Acórdão n.º 3302003.749 S3C3T2 Fl. 4 5 Como se vê, a Recorrente não se desincumbiu de provar suas alegações, sendo que no caso de pedido de compensação é do contribuinte o ônus de comprovar o direito alegado, por meio de documento hábil que, no caso dos autos seria por meio da comprovação da cisão parcial supostamente noticiada e/ou através de comprovantes de aquisição do crédito utilizado na compensação. Nada neste sentido foi feito pela Recorrente. Assim, não há como reconhecer o seu direito e, consequentemente afastar a aplicação da multa objeto do processo sob análise. Com efeito, a imposição da multa de ofício qualificada está disciplinada pela Lei nº 9.430/96, artigo 44 e seus parágrafos, bem como no artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplinam: Art. 18. [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, por conversão da Medida Provisória n° 351/2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, por conversão da Medida Provisória n° 351/2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, por conversão da Medida Provisória n° 351/2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007, por conversão da Medida Provisória n° 351/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alinea "a", pela Lei n° 11.488, de 2007) A duplicação do percentual por força da presença de intuito de fraude justificase no caso presente, pois não foram apresentados documentos que fizessem prova de que os supostos créditos não seriam de terceiros, como dispõe a alínea “a” do inciso II do parágrafo 12 do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996 e alterações posteriores, que desautoriza a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Fl. 214DF CARF MF 6 Ora, o fato da Recorrente ter informado na DCOMP que o crédito era oriundo de uma incorporação, por cisão parcial do contribuintes Indústria Têxtil Apucarana Ltda, CNPJ nº 75.284.224/000171, quando, na verdade, nunca se realizou o ato societário, é motivo suficiente para enquadrar o contribuinte na pratica de "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento", como estabelece o art. 72 da Lei 4.502, de 1964, que define a fraude. Não bastasse isso, consta do relatório fiscal a apuração dos seguintes fatos que ensejam a aplicação da multa agravada, a saber: "E, para agravar ainda mais a questão, está o fato, também, de a DCOMP onde o suposto crédito se encontraria, a 04345.36951.161106.1.3.043371, pertencer ao suposto cindido, portanto, a terceiros, já que incorporação não houve, e de já se encontrar cancelada na data da transmissão da sua DCOMP, para além de aquela DCOM também utilizar crédito de terceiro". Por fim, por estar devidamente fundamentada as exigências, não cabe a este órgão administrativo perquirir de sua constitucionalidade, dado este controle não ser da alçada dos órgãos administrativos, mas sim, exclusivamente, do Poder Judiciário, a teor da previsão contida no artigo 102, incisos I e II, "b" e §1º, da Constituição Federal. Corroborando esse posicionamento, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fez constar o artigo 62, o qual dispõe "Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade" . Neste aspecto, a matéria já está sumulada no âmbito deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720096/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 30/06/2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. PEDIDO DE PARCELAMENTO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DA DÍVIDA.
O reconhecimento do débito, por meio de expressa confissão e da intenção de efetuar o parcelamento, sem insurgência quanto aos argumentos do Acórdão da Delegacia de Julgamento, evidencia a necessidade de manutenção da exigência.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA APLICADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-003.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 29/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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MULTA ISOLADA. PEDIDO DE PARCELAMENTO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. CONFISSÃO DA DÍVIDA. O reconhecimento do débito, por meio de expressa confissão e da intenção de efetuar o parcelamento, sem insurgência quanto aos argumentos do Acórdão da Delegacia de Julgamento, evidencia a necessidade de manutenção da exigência. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA APLICADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 29/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 96 /2 01 4- 09 Fl. 83DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Auto de Infração de Multa Isolada, AI de nº 51.029.0299, contra o MUNICÍPIO DE MONTES CLAROS – PREFEITURA MUNICIPAL, em razão de compensação indevida, desmembrado do processo de nº 10670.721321/2012 54. De acordo como Despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG), à fl. 02, o processo de nº 10670.721321/201254, que formalizou os AIs de nºs 51.016.0654, 51.029.0264, 51.029.0272, 51.029.0280, 51.029.0299 e 51.029.0302, foi incluído no parcelamento instituído pela Lei nº 12.810, de 2013. Dentre esses Autos Infração, o AI de nº 51.029.0299, não foi incluído no referido parcelamento, por se tratar de multa isolada. Desse modo, através do Despacho de fl. 53, também daquela Delegacia, que responde às considerações de fl. 51 da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, o AI 51.029.0299, agora formalizado no processo nº 10670.720096/201409, retorna a julgamento, já que não houve a sua inclusão no parcelamento previsto na Lei 12.810. O processo nº 10670.720096/201409, que trata apenas da multa isolada, contém a “folha” do AI nº 51.029.0299, onde assina a autoridade fiscal, bem assim contém o Discriminativo do Débito DD, os Fundamentos Legais do Débito FLD, e a defesa interposta contra este auto de infração, observando que, para se ter conhecimento dos motivos fiscais e de outros elementos, recorrese ao processo de origem, de nº 10670.721321/201254. Em análise do processo de origem, nº 10670.721321/201254, constatase que foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais para os crimes, em tese, cometidos pelos representantes do Município de Montes Claros – Prefeitura Municipal, a citar: a) Apropriação Indébita Previdenciária (art. 168A do Decreto Lei 2.848, de 1940 – Código Penal), por retenção de 11% (onze por cento) sobre os serviços de terceiros prestados ao Município, mas sem o repasse aos Cofres Públicos; Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10670.720096/201409 Acórdão n.º 2201003.572 S2C2T1 Fl. 3 3 b) Sonegação de Contribuição Previdenciária (art. 337A do DecretoLei 2.848, de 1940); por não declarar todos os fatos geradores em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; por informar a menor, em GFIP, a alíquota RAT; e por informar em GFIP créditos inexistentes; c) Crime Contra a Ordem Tributária (art. 1º da Lei 8.137, de 1990), por não informar em GFIP os valores pagos aos transportadores rodoviários autônomos, o que resultou em supressão das contribuições para o SEST e o SENAT. O Município, às fls. 9/31, impugnou a multa isolada do AI 51.029.0299 fazendo considerações a respeito das glosas de compensação formalizadas no AI 51.029.0264 e requerendo tanto o cancelamento das glosas como das penalidades aplicadas. Conforme abaixo, trata dos fatos relacionados às glosas de compensação. CRÉDITOS SECURITIZADOS Aponta diversos ativos financeiros possíveis de utilização para a quitação de tributos federais, dentre os quais os decorrentes de processo de securitização – Programa de Reestruturação do Passivo Fiscal, que seriam títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional, emitidos na assunção e renegociação de dívidas dos Estados, Municípios e Autarquias, assumidas pela União Federal por força da Lei nº 9.711, de 1998, Lei nº 10.179, de 2001, Medida Provisória nº 2.18145, de 2001, Decreto nº 3.859, de 2001, Portaria nº 214, de 2000, e Portaria nº 376, de 2001. Segundo o Município, além da hipótese prevista no artigo 78 do ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, também o crédito decorrente do Programa de Reestruturação do Passivo Fiscal possui poder liberatório para pagamento de tributos, podendo ser utilizado na compensação de créditos previdenciários. No que toca à compensação, diz que a legislação federal a autoriza como meio de extinção do crédito tributário, consoante o inciso II do art. 156, e art. 170 do CTN, arts. 1º, 2º e 3º do Decreto nº 2.138, de 1997, e art. 268 do Decreto nº 7.212, de 2010, sendo, pois, inequívoca a possibilidade de utilização de certos ativos financeiros, como precatórios e créditos objeto de securitização, com débitos vincendos de tributos federais, incluindose as contribuições previdenciárias (cota patronal). Frisa que a transferência do crédito através de cessão lavrada por escritura pública é apta a autorizar o adquirente a compensálo como se próprios fossem, mesmo porque a própria norma constitucional (art. 78 ADCT) expressamente autorizou. Indica decisão do Conselho dos Contribuintes, do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, e do Superior Tribunal de Fl. 85DF CARF MF 4 Justiça no sentido de que é lícita a cessão, habilitação e compensação dos créditos securitizados com contribuições previdenciárias. Acresce que a legislação vigente, especialmente a EC 30/2000, ao prever a possibilidade de cessão de créditos, não estabeleceu formalidade para sua realização e validade. Não havendo exigência legal quanto à forma, entende que não cabe ao órgão da Receita Federal impor restrições onde a lei não restringe, mas, ao contrário, permite a cessão independentemente da forma de sua realização, que será válida, como qualquer ato jurídico, se realizado por pessoas capazes, de forma não proibida pela lei, e sendo lícito o seu objeto, como é o caso presente. Comenta que o auto de infração apresenta, dentre outros, dois equívocos: O primeiro diz respeito à suposta utilização, para compensação, de crédito de terceiros, e o segundo que o débito do poder público – que constitui o crédito utilizado na compensação – seria de responsabilidade do Estado do Paraná e não da União. Em relação a isso, diz que foi validamente realizada a cessão do crédito ao Município, e que o débito passou a ser da União em decorrência da securitização. Quanto à alegada inexistência do processo de nº 10166.002247/20110, de Habilitação de Crédito, junta cópia do Ofício nº 302/2012 DRF/DF/DICAT, através do qual a DICAT – Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, teria comprovado a origem do referido processo. Conclui que a compensação está em perfeita consonância com as normas legais aplicáveis, impondo que seja considerado extinto o crédito tributário, cuja compensação foi declarada e aceita, nos termos do art. 268 e seus §§ 1º e 2º do Decreto 7.212, de 2010, como consta do Ofício 302/2012 DRF/DF/DICAT, considerando, ainda, que o crédito foi transferido, por escritura pública, ao Município de Montes Claros, e que a União é responsável por ele em face do processo de securitização. VERBAS INDENIZATÓRIAS (1/3 DE FÉRIAS, HORAS EXTRAS E GRATIFICAÇÕES) O impugnante também trata de compensações em virtude de recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias sobre 1/3 de férias, horasextras e gratificações. Para essas verbas, diz que a ilegalidade da incidência de contribuição sobre valores indenizatórios está pacificada na jurisprudência dos Tribunais Pátrios. A contribuições previdenciárias devem incidir tãosomente sobre as verbas de natureza salarial, sendo indevida a exação sobre as de natureza indenizatórias e congêneres. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10670.720096/201409 Acórdão n.º 2201003.572 S2C2T1 Fl. 4 5 Com base na aliena “a” do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, nos incisos I e II do art. 22 da Lei 8.212, de 1991, comenta que a contribuição a cargo da empresa vincula às verbas que visam a retribuir o trabalho do empregado (verbas salariais). No sentido de que as bases de cálculo das contribuições previdenciárias estão ligadas à remuneração – retribuição pelo trabalho, indica doutrinas de Ivan Kertzman e Marcelo Leonardo Tavares. Também cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ que diz da impossibilidade da incidência de contribuição sobre verbas de natureza indenizatória. Quanto ao abono constitucional de 1/3 sobre férias gozadas, em específico, argumenta que essa verba não representa um incremento patrimonial, mas apenas tem como finalidade garantir ao trabalhador a possibilidade de gozo de suas férias sem prejuízo de seus compromissos regulares, e, inclusive, não se incorpora aos proventos de aposentadoria. Fala que a verba é de natureza indenizatória, pois compensa o trabalhador pelo contínuo desgaste devido ao labor de suas atividades, assegurando a qualidade de vida do obreiro no período de descanso anual obrigatório. Traz jurisprudência do STJ e do Supremo Tribunal Federal – STF. Conclui que tanto no STJ quanto no STF consolidase a tese defendida de ilegalidade / inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária e de terceiros sobre as parcelas pagas a título de abono de 1/3 de férias, ainda que gozadas. Transcreve ementa de julgado do Tribunal Regional Federal da 2a Região, e firma pela possibilidade de restituição mediante compensação por ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre 1/3 de férias. Em relação às gratificações – abono assiduidade, diz que visa a indenizar e a incentivar o trabalhador pelo cumprimento de uma meta, possuindo, assim, natureza de ganho eventual e desvinculado do salário. Para as gratificações por produtividade e/ou assiduidade, comenta que, da mesma forma, a jurisprudência é pela ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária. Reporta às decisões do STJ e do Tribunal Regional Federal da 1a Região. Traz lições de Hely Lopes Meirelles, reporta à decisão judicial que nega a incorporação de gratificações à aposentadoria de servidor estadual, e conclui pela ilegalidade da contribuição previdenciária face à natureza indenizatória do abono assiduidade. Fl. 87DF CARF MF 6 Quanto às horas extras, e ainda ao adicional de férias, cita várias decisões judiciais (STJ e STF) de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor devem sofrer incidência de contribuição previdenciária, sendo essas de natureza indenizatória. DESNECESSIDADE DE DECISÃO JUDICIAL O Município ainda trata da desnecessidade de decisão judicial para realizar compensações de valores indevidos. Para tanto, discorre a respeito do art. 89 da Lei 8.212, de 1991; do art. 44 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008; cita os termos e as condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil; e diz ser legítima a compensação, a qual independe de decisão judicial e é realizada de ofício pelo contribuinte. IMPROPRIEDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA INEXISTÊNCIA DE FALSIDADE DA DECLARAÇÃO No tópico Impropriedade de Aplicação da Multa Qualificada (...), diz que as compensações realizadas de ofício pelo contribuinte, através de GFIPs, foram com base nos documentos contábeis da Prefeitura Municipal e da Câmara (folha de pagamento, GRPS, GPS e lançamento de ofício), não sendo falseada nenhuma informação em GFIPs. Na situação, fala que não houve dolo ou máfé do contribuinte, que apenas recuperou os valores com base em entendimento judicial e administrativo, o que, no caso de discordância da fiscalização, caberia a esta apenas autuar o Município, mas nunca afirmando, sem qualquer amparo na realidade, que os documentos apresentados seriam falsos. Diz que a multa é ilegal e que não pode ser tratada de forma leviana, pois não existe nenhum documento falso a amparar as compensações, sendo que as mesmas foram efetivadas levando em consideração a remuneração dos agentes políticos e rubricas de natureza indenizatória, cuja contribuição previdenciária fora recolhida indevidamente pelo contribuinte. Conclui, em razão de não existir documento falsificado (não indicado pela fiscalização), que seria improcedente a aplicação da multa qualificada. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA APLICAÇÃO DA MULTA EXASPERADA Quanto à Ausência de Fundamentação para Aplicação da Multa, diz que a fiscalização em momento algum citou a existência de sonegação, fraude (sic) ou conluio, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, e conforme entendimento pacificado no Conselho de Contribuintes, estaria a faltar fundamentação minuciosa (a descrição e a comprovação razoável da prática dos atos tidos Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10670.720096/201409 Acórdão n.º 2201003.572 S2C2T1 Fl. 5 7 como fraudulentos) para a aplicação da multa agravada. Cita decisões do Conselho. Conclui pela improcedência da multa, porque baseada em mera presunção, enquanto o contribuinte apenas teria deixado de recolher tributo, que não pode ser considerado como ato fraudulento para compensações informadas à Receita Federal através das GFIPs. Requer a nulidade/improcedência do Auto de Infração 51.029.0299. Requer também que seja deferida a produção de todas as provas em direito permitidas, especialmente a juntada de novos documentos e perícias, bem como a juntada das cópias do processo de nº 10166.002247/201100, de Habilitação de Crédito, mencionado no ofício nº 302/2012 DRF/DF/DICAT. É o resumo do lançamento fiscal e da impugnação. Neste ponto, fica registrada a diligência proposta no processo de origem, de nº 10670.721321/201254, conforme abaixo, observando que as “folhas” citadas referemse a esse processo, o de origem: Considerando a juntada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros (MG), de Ofício do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, e Memorando da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – Dicat, às fls. 1636/1643, que têm pela inexistência de créditos habilitados pelo Município junto à Receita Federal, uns dos motivos da glosa de compensação indevida, o processo foi devolvido à origem, de acordo com o Despacho de fls. 1645/1646, para, em respeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, segundo o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal – CF de 1988, o Município de Montes Claros – Prefeitura Municipal pudesse se manifestar no prazo de trinta dias da ciência dos documentos. Tendo ciência dos documentos (Intimação 312/2012/DRF/MCR/SACAT, de fl. 1647, com Aviso de Recebimento à fl. 1648), o Município não se manifestou. Essa é a situação processual, com a ciência pelo Município impugnante dos documentos que afirmam a inexistência de créditos habilitados junto à Receita Federal, e após o desmembramento do processo de nº 10670.721321/201254 para que se procedesse ao julgamento apenas da multa isolada formalizada no AI nº 51.029.0299. Passase, pois, ao julgamento do AI nº 51.029.0299, agora sob o processo de nº 10670.720096/201409. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 30/06/2012 Fl. 89DF CARF MF 8 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. Fica caracterizada a compensação indevida quando não há previsão legal para utilizar de títulos da dívida pública, quando o pagamento indevido é inexistente, ou quando se utiliza de verbas de incidência tributária. Aplicase a multa isolada quando se declara compensações suportadas por documentos inexistentes, por créditos inexistentes, ou sem o amparo legal ou judicial à compensação. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustentou, em síntese, que: a) a multa isolada imposta nos presentes autos pode ser incluída no parcelamento estipulado pela Lei n.º 12.810/2013, já que não existe vedação legal para essa conduta; b) a adesão ao parcelamento em análise denota a intenção do ente municipal em arcar com suas obrigações tributárias, por meio do pagamento do tributo devido, de modo que não há razão de ser na manutenção de multa de caráter punitivo; c) a multa aplicada tem efeito confiscatório e fere o art. 150, inciso IV, da Constituição. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, a exigência se trata de multa isolada, em razão de compensação indevida. O contribuinte, em seu recurso voluntário, insurgese contra a negativa de parcelamento do débito relativo à multa isolada, considerando que conseguiu efetuar o parcelamento dos demais débitos, mas não conseguiu parcelar a multa em questão. Cabe esclarecer que o presente recurso é o requerimento endereçado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através do qual o contribuinte contesta a decisão proferida pela primeira instância administrativa. Tal discussão não é objeto dos presentes autos e não se inclui na competência desse órgão julgador. Assim, deve o contribuinte se manifestar junto à unidade da Receita Federal do Brasil de sua circunscrição. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10670.720096/201409 Acórdão n.º 2201003.572 S2C2T1 Fl. 6 9 Observase que o recorrente confessa o débito e não aduz razões para afastá lo. Desse modo, mantenho a exigência em questão. Cabe esclarecer que a alegação do caráter confiscatório da multa não prospera, por tal argumento ingressar na trilha da suposta inconstitucionalidade, o que atrai a incidência da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929126/2009-88
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.510
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 26 /2 00 9- 88 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11080.929126/200988 Acórdão n.º 9303004.510 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.955, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11080.929126/200988 Acórdão n.º 9303004.510 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11080.929126/200988 Acórdão n.º 9303004.510 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11080.929126/200988 Acórdão n.º 9303004.510 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11080.929126/200988 Acórdão n.º 9303004.510 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.722772/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 26/07/2007 a 22/01/2008
SUBFATURAMENTO. INDÍCIOS. CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO.
As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado.
O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira (Instrução Normativa n.º 318/2003).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela Recorrente a Dra. Ilana Benjó, OAB/RJ 103.345.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/07/2007 a 22/01/2008 SUBFATURAMENTO. INDÍCIOS. CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira (Instrução Normativa n.º 318/2003). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela Recorrente a Dra. Ilana Benjó, OAB/RJ 103.345. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.139 1 1.138 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722772/201179 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.003 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2017 Matéria PENA DE PERDIMENTO. SUBFATURAMENTO. Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 26/07/2007 a 22/01/2008 SUBFATURAMENTO. INDÍCIOS. CANCELAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO. As acusações de subfaturamento dependem da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, dependem de prova de que o real valor da transação difere do valor declarado. O simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo para sua rejeição, conforme expresso na Opinião Consultiva 2.1, integrante das regras de interpretação do Acordo de Valoração Aduaneira (Instrução Normativa n.º 318/2003). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Sustentou pela Recorrente a Dra. Ilana Benjó, OAB/RJ 103.345. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 27 72 /2 01 1- 79 Fl. 1139DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por trazer com detalhes os principais acontecimentos dos presentes autos até o julgamento da Impugnação apresentada pela empresa MULTIMEX, peço vênia para adotar o relatório do Acórdão 1658.749 24ª Turma da DRJ em São Paulo: "Em instância de revisão aduaneira, entendeu a fiscalização pela ocorrência de subfaturamento em importações de mercadorias. Assim, o presente auto de infração foi lavrado para exigência de diferença de tributos (II – IPI – PIS e COFINS), multas de ofício, multas do controle administrativo e juros de mora, no valor total de R$ 472.245,13. A descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração, em síntese, relata o que segue: Em ações fiscais anteriores, também realizadas pela Alfândega do Porto de Vitória, constatouse que as empresas MULTIMEX S/A, CNPJ nº 04.289.494/000208, e GREENMAX INTERNACIONAL COMÉRCIO DE TECNOLOGIA LTDA., CNPJ nº 08.095.463/000196, ora autuadas, realizaram importações da empresa americana FLIGHTWITH INC., inexistente de fato e de direito no estado da Flórida–EUA. Entendeu a fiscalização que o real vendedor das mercadorias foi a empresa BEST BUY CO. INC., grande varejista do mercado norteamericano, além disso, comprovouse também a falsidade dos valores declarados. Estas informações constam dos processos administrativos n.º 12466.000061/2010 69 e 12466.720661/201128; Da mesma forma, neste caso, contatouse que por encomenda da empresa GREENMAX INTERNACIONAL COMÉRCIO DE TECNOLOGIA LTDA. a empresa MULTIMEX S/A importou mercadorias através das DI n.º 07/09886432, 07/09886440, 07/13746925, 07/14393120, 08/01155007 e 08/01155015, registradas entre julho de 2007 a janeiro de 2008; Todas as DI foram parametrizadas para o canal verde de conferência aduaneira; Nessas DI consta como empresa exportadora das mercadorias a WOODLANDS DISTRIBUTION INC., fundada em 08/05/06. De acordo a Divisão de Corporações do Departamento de Estado da Flórida, esta empresa era de propriedade dos brasileiros MÁRCIA GUEDES PANTALEÃO, CPF n.º 010.840.60833, e JOSÉ LUIS ENGER AIRES, CPF n.º 555.122.75020; A escolha do nome WOODLANDS não foi fruto do acaso, já que a referida Sra. MÁRCIA mantémse como sócia de 09 (nove) empresas com sede em território nacional, dentre as quais a empresa WOODLANDS DISTRIBUIDORA DE INFORMÁTICA LTDA., CNPJ n.º 02.607.862/0001 02, com sede no município de São Paulo; Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.140 3 Curiosamente, os sistemas da RFB não revelam relação comercial da empresa WOODLANDS DISTRIBUTION INC. com empresas brasileiras, a exceção da empresa MULTIMEX; Do cotejamento entre os preços declarados pela MULTIMEX com os constantes do sistema Siscomex para importações de produtos idênticos nos anos de 2007 e 2008, percebeuse grande discrepância de preços, da ordem de 50% (cinquenta por cento); Intimada pela fiscalização para prestar esclarecimento sobre tal discrepância de preços (Intimação n.º 2010003023II, de fls. 87 e 88), o representante legal da empresa MULTIMEX alegou que a negociação foi desenvolvida exclusivamente pela empresa encomendante, conforme se observa às fls. 89 e 90; Não foi possível solicitar informações do sócio gerente da encomendante, a GREENMAX, Sr. Maurício Luiz Desiderio Costa, já que este se encontra em lugar incerto e não sabido, conforme consta no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Em razão da diferença apurada entre o preço declarado e o encontrado em importações de produtos idênticos, os preços das mercadorias objeto das DI autuadas foram arbitrados, conforme previsto pelo artigo 88 da MP 2.158 35/01. Para se chegar aos preços arbitrados foi aplicado o percentual de 100% (cem por cento) sobre os valores FOB originalmente declarados, diante do subfaturamento da ordem de 50% (cinquenta por cento); Já nos termos do § único, do artigo 88, da MP 2.15835/2001, foi aplicada multa administrativa no valor de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado (ADI SRF 17/04). A empresa MULTIMEX foi cientificada desta lavratura em 25/05/12 (fl. 118), tendo apresentado impugnação e documentos em 26/06/12 (fl. 121 a 166), considerada tempestiva pela fiscalização, conforme despacho de fl. 175. Alegou que: 1. De início, apresentou um resumo dos fundamentos da autuação; 2. A autoridade aduaneira não logrou êxito em demonstrar a ocorrência de fraude nas importações e, por conseguinte, invalidar as faturas comerciais apresentadas pela impugnante; 3. O próprio Comitê de Valoração Aduaneira, da OMC, reconhece que a fatura comercial é prova suficiente da veracidade ou exatidão do valor declarado; 4. A autuação está calcada exclusivamente na presunção de ocorrência de fraude, tendo como base outras fiscalizações realizadas pela autoridade aduaneira, que não guardam relação com objeto dos presentes autos; 5. Inexiste nos autos a descrição de fatos específicos para cada uma das DI objeto do auto de infração; Preliminares. A – Cerceamento do direito de defesa. 6. Suscita o reconhecimento da nulidade do auto de infração por violação ao disposto pelo artigo 9.º do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.941/09, haja vista que o procedimento não foi instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação da suposta infração; 7. Em violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa, os extratos das DI objeto dos autos e daquelas que foram utilizadas como parâmetros para suposta configuração do subfaturamento não foram juntados aos autos; 8. Apesar de utilizar informações contidas em tais documentos na fundamentação da autuação, estes não foram apresentados à impugnante, que se encontra impossibilitada de se defender destas infundadas acusações; 9. O Auditor Fiscal afirma que os bens estariam 50% subfaturados, destacando que as listagens foram obtidas no sistema Siscomex, por meio do Fl. 1141DF CARF MF 4 sistema DW Aduaneiro da RFB. Questiona como é possível verificar as condições de venda, características e o período de importação se não foram juntados aos autos os extratos das aludidas importações apontadas como paradigmas; 10. Não há nos autos qualquer elemento que a impugnante possa verificar se estamos ou não diante de mercadorias idênticas e submetidas à mesma condição comercial; 11. Não se discute a validade ou não dos dados constantes da base de dados da Receita Federal, mas sim o respeito ao princípio da ampla defesa e o dever do Auditor Fiscal de acostar aos autos todos os elementos de prova. Cita legislação e julgados da DRJ; 12. Não é demasiado destacar que nas hipóteses de subfaturamento a autoridade fiscal possui o ônus de desconstituir a fatura comercial apresentada mediante farto material probatório; 13. Imperioso o reconhecimento de nulidade do presente auto de infração, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72; 14. O prejuízo sofrido pela impugnante restou cabalmente demonstrado ante a impossibilidade de refutar as alegações descabidas do Fisco quanto aos valores supostamente corretos das mercadorias; 15. Tendo em vista que as matérias destacadas também guardam relação com o mérito, solicita que a autoridade julgue improcedente o auto de infração, deixando de pronunciar a sua nulidade; B – Ausência de descrição específica das irregularidades praticadas e a falta de provas acerca dos fatos imputados. 16. O presente auto de infração não merece prosperar, haja vista flagrante violação do disposto no artigo 10 do Decreto 70.235/72. Cita legislação; 17. O Auditor Fiscal não apresenta dados concretos que comprovem a suposta prática de irregularidades nos processos de importação objeto dos presentes autos, limitandose a fazer referência aos fatos supostamente ocorridos no bojo dos processos n.º 12466.000061/201069 e 12466.720661/201128; 18. O auto de infração encontrase contaminado com as impressões colhidas no bojo dos procedimentos citados; 19. Não basta o Auditor Fiscal afirmar que a autuada teria supostamente praticado irregularidades em outro processo administrativo de importação e concluir que as DI objeto destes autos também estariam eivadas de vícios; 20. O Fisco deve individualizar cada conduta, evitandose, desta forma, o uso de generalizações sem qualquer base probatória. É dever de o Fisco narrar, de forma pormenorizada, os fatos que ensejaram a conclusão de que as importações são irregulares, bem como acostar todos os documentos que comprovem o suposto ilícito, sob pena de nulidade. Cita julgado administrativo; 21. O suposto subfaturamento não se baseia em qualquer análise específica ou prova concreta, consistindo em mera ilação, mister se faz reconhecer a sua nulidade. Cita julgado administrativo; C– Prova emprestada e a impossibilidade de extensão de conclusões a todas as importações do contribuinte. 22. O fato de a impugnante ter sido anteriormente fiscalizada em evento que não guarda qualquer relação com o objeto dos presentes autos foi considerado pelo agente fiscal como motivo suficiente para considerar as mercadorias em questão como subfaturadas; 23. Todavia, o Auditor Fiscal sequer se preocupou em correlacionar os produtos que teriam sido alvo de fiscalizações nos procedimentos citados com os bens objeto dos presentes autos; 24. O exportador das mercadorias em análise (WOODLANDS) não guarda semelhança como o exportador dos citados processos administrativos Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.141 5 (FLIGHTWITH), razão pela qual se afigura impertinente qualquer referência aos fatos apurados no bojo dos aludidos processos; 25. Suscita o reconhecimento da inobservância da autonomia dos procedimentos fiscais, em cristalina afronta ao entendimento das autoridades julgadoras do Ministério da fazenda, acarretando nulidade da autuação; 26. Ao transpor para os presentes autos, sem qualquer juízo crítico, as conclusões obtidas em procedimento diverso, o Auditor Fiscal violou o princípio da autonomia dos procedimentos fiscais. Cita julgados administrativos; 27. Não apenas o empréstimo de conclusão é vedado, mas também o uso de provas que não guardam correlação com as irregularidades narradas, até mesmo porque a autoridade fiscal não dispõe de fé pública para criar a presunção juris tantum de veracidade de suas afirmações. Cita julgados administrativos; 28. A autoridade lançadora não logrou carrear aos autos prova material do subfaturamento, trabalhando apenas com indícios de tal infração. Todavia, tais indícios não permitem concluir, inequivocamente, que as faturas que instruíram as DI em apreço foram fraudadas; 29. Há de ser declarada a improcedência do presente auto de infração, uma vez que não foi respeitada a observância da autonomia dos procedimentos, contrariando o entendimento das autoridades julgadoras do Ministério da Fazenda; Questões de mérito. A – Ausência de subfaturamento e não apresentação de elementos aptos a desqualificar a fatura. A.1 – Veracidade das informações contidas nas faturas comercias apresentadas. 30. A autoridade fiscal desconsiderou o primeiro método de valoração aduaneira (valor da transação) e promoveu o arbitramento do valor dos bens com base no artigo 88 da MP 2.15835/2001; 31. O valor aduaneiro é apurado na forma prevista no Acordo Sobre a Implementação do Artigo VII do GATT (Acordo de Valoração Aduaneira ou, simplesmente, AVAGATT), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/94 e promulgado pelo Decreto Executivo nº 1.355/94, o qual possui status de lei e estabelece as normas fundamentais sobre valoração aduaneira no Brasil; 32. A aplicação do AVAGATT, atualmente, é disciplinada pelos artigos 76 a 83 do Decreto n.º 4.543/02 e pela Instrução Normativa n.º 327/03; 33. Apresenta comentários sobre o AVAGATT, em especial, sobre o primeiro método de valoração; 34. O próprio Comitê de Valoração Aduaneira da OMC reconhece que a fatura comercial é prova suficiente da veracidade ou exatidão do valor agregado, que só poderá ser desconsiderada caso exista outro elemento probatório apto a afastar sua inidoneidade, o que não ocorreu in casu; 35. A impugnante não praticou preços inferiores ao real valor da transação; 36. Com efeito, as faturas comerciais acostadas aos autos comprovam a exatidão dos valores praticados; 37. Logo, para caracterização do subfaturamento, é imprescindível que a autoridade aduaneira desconstitua a fatura comercial que instrui a DI, com base em sólido suporte probatório. Cita julgamento administrativo; 38. O subfaturamento de preços caracterizase pela inexatidão ou falsidade da fatura comercial, falsidade esta que não pode ser presumida, pois o ônus da prova da infração é do Fisco, inexistindo autorização legal para presunções contra o importador; Fl. 1143DF CARF MF 6 39. A autoridade fiscal não fixou o valor aduaneiro em conformidade com as regras do Acordo de Valoração Aduaneira, mas com o disposto no artigo 88 da MP 2.15835/01. Todavia, a referida MP somente é aplicável aos casos de fraude ou conluio na importação, e não por mera discordância, ainda que comprovada, dos valores praticados pelo importador; 40. O subfaturamento de preços caracterizase pela inexatidão ou falsidade da fatura comercial, sendo que a declaração a menor do valor aduaneiro de mercadorias é infração que autoriza o lançamento ex officio da diferença entre o tributo devido e o recolhido, calculado mediante o uso da alíquota ad valorem e do valor aduaneiro apurado em conformidade com os métodos definidos pelo Acordo de Valoração Aduaneira AVA; 41. Quando a autoridade fiscal promove o arbitramento com fulcro na MP 2.15835/01 ela não possui apenas o ônus de comprovar a inexatidão ou falsidade da documentação apresentada, mas também o especial fim de agir: fraude, sonegação ou conluio; 42. Tanto a suposta prática de subfaturamento quanto a própria fraude não podem se amparar em suposições, mas deve ancorarse em dados palpáveis da ocorrência de preço declarado inferior ao realmente praticado em uma operação usual e na atuação dolosa do importador. Caso contrário, não é admitida a rejeição do valor regularmente declarado; 43. Fraude não se presume, mas deve ser provada. Cita julgados administrativos; 44. Dolo não se presume, mas deve ser provado objetivamente por elementos seguros de prova, que não permitam qualquer dúvida, indagação ou divergência. Cita julgados administrativos; 45. Nas hipóteses de subfaturamento a autoridade fiscal possui o ônus de desconstituir a fatura comercial apresentada, que se presume verdadeira, mediante farto material probatório, o que não ocorreu. Cita julgado administrativo; 46. As declarações da autoridade fiscal não gozam de presunção de legalidade, só possuindo fé pública aqueles atos em que a lei não determinar que ele produza provas do que declarou ou naqueles em que a lei declare expressamente a existência dessa fé pública; 47. Ocorre que o artigo 9º, caput, do Decreto 70.235/72, determina que a autoridade fiscal produza provas contra o administrado, para exigir crédito tributário ou para penalizálo, não existindo fé pública em sua declaração. Cita julgado administrativo; A.2 – A indevida desconsideração do valor da transação. 48. O Auditor Fiscal sustenta que teria realizado pesquisas nos sistemas da RFB em busca de importação de mercadoria idêntica ou similar realizada na mesma época, mas não indicou, tampouco juntou aos autos os extratos das referidas importações; 49. Cita o Comentário 1.1 emanado do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (Anexo à IN SRF 318/03), da OMA, referente a mercadorias idênticas ou similares para fins do AVA. Reproduz julgado administrativo; 50. Os extratos das supostas importações paradigmas não foram juntados aos autos, consoante reiteradamente tem sustentado a impugnante. Tal fato prejudica a análise dos requisitos necessários para caracterizar as mercadorias como idênticas ou similares, pois inexiste qualquer documento comprobatório acerca das mercadorias efetivamente importadas, suas características, país de origem, condições comerciais, etc.; 51. A ausência das DI paradigmas compromete a clareza, a transparência e a objetividade do lançamento, eis que a impugnante não possui conhecimento da origem do preço utilizado como referência; 52. A rejeição do valor da transação deve ser feita com base em elementos concretos, objetivos e confiáveis, que levem em consideração os fatores que influenciam a formação do preço, tais como qualidade dos produtos, Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.142 7 quantidade negociada, tempo da venda e nível comercial. Cita julgados administrativos; 53. Mesmo na hipótese de diferença entre os valores praticados pela impugnante em comparação com outros importadores, os organismos internacionais responsáveis pelas questões de valoração aduaneira emitem seu posicionamento oficial sobre questões aqui tratadas, afastando a mera desconsideração do menor valor; 54. O ordenamento jurídico interno acolhe e adota essas manifestações, conforme consigna a IN SRF 318, de 04 de abril de 2003, que divulga atos emanados do Comitê de Valoração Aduaneira (OMC), da IV Conferência Ministerial da OMC e do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira (OMA). Cita legislação, Opinião Consultiva 2.1 e julgados administrativos; 55. Conforme preceitua o Comitê de Valoração Aduaneira, o valor das mercadorias sofre variações em virtude de sua natureza e das diferentes condições comerciais estabelecidas entre o exportador e o importador; 56. Deverão ser considerados nulos os atos praticados pela fiscalização, que sem qualquer fundamentação aplicou o método de valoração da MP 2158 35/2001, quando deveria prevalecer o primeiro método, pois, houve transferência internacional de mercadorias, há comprovação robusta de que o valor declarado corresponde ao preço efetivamente pago e os demais métodos somente são aplicáveis na impossibilidade de aplicação do primeiro método; 57. Nos termos da posição consolidada da administração pública, tal fato só deveria ocorrer se a fiscalização aduaneira tivesse comprovado, através de provas robustas, que o valor declarado não correspondia ao efetivamente pago ou a pagar; B – Pedidos. 58. Ao final, a impugnante pugna pela improcedência do presente auto de infração, nos termos do artigo 59, § 3.º, do Decreto 70.235/72, pois o Fisco não se desincumbiu do ônus de desconstituir os documentos que instruíram a fatura comercial, requisito essencial para a caracterização do subfaturamento; 59. Também por que: Não houve comprovação da ocorrência de fraude ou conluio, requisito essencial para a adoção dos métodos alternativos da MP 2.15835/2001; Não há que se estender as impressões obtidas em procedimento administrativo envolvendo exportador diverso a todas as importaçõesdo contribuinte, sob penas de violação à autonomia dos processos administrativos; A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar a ocorrência de irregularidades aptas a ensejar a desconsideração do primeiro método de valoração aduaneira, tendo se baseado em meras ilações; O Comitê de Valoração Aduaneira, da OMC, reconhece que a fatura comercial é prova suficiente da veracidade ou exatidão do valor declarado; Consoante entendimento consolidado do CARF, a fatura comercial é prova cabal da negocia, pois ela é o próprio contrato de compra e venda internacional. Cita julgado administrativo; O Auditor Fiscal não demonstrou a incompatibilidade do valor declarado com os valores, para mercadorias idênticas ou similares, indicados em cotações de preços internacionais, publicações especializadas e faturas comerciais; Os extratos das supostas importações indicadas como paradigma não foram juntados aos autos, assim como não restou demonstrado que as mercadorias Fl. 1145DF CARF MF 8 acobertadas seriam idênticas ou similares, no que tange à quantidade, momento da negociação e condições comerciais; O Comitê de Valoração Aduaneira e a DRJ já fixaram entendimento de que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não pode ser motivo para rejeição do valor de transação; 60. Sucessivamente: Anule o lançamento do crédito tributário objeto do auto de infração em questão, por flagrante violação ao disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.941/09, haja vista que o procedimento não foi instruído com todos os elementos de prova; 61. Também por que: Não foi respeitada a autonomia dos procedimentos fiscais, transpondose aos presentes autos conclusões obtidas em procedimento diverso; O auto de infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DI mencionadas nos autos, violando o artigo 10 inciso III, e o artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72. Quanto à segunda empresa autuada, a GREENMAX, não havia nos autos nenhum documento que demonstrasse que ela havia sido intimada da autuação. Assim sendo, quando da análise preliminar deste caso, entendeuse pela necessidade de conversão do julgamento em diligência, nos termos do que estabelece o artigo 35 do Decreto 7.574/11. Desta forma, às fls. 181 a 185, consta dos autos o Despacho nº 41, desta 24ª Turma da DRJ/SPO, de 27 de dezembro de 2013. Tal despacho, em síntese, solicitou à fiscalização: Que promovesse a devida intimação da empresa GREENMAX INTERNACIONAL COMÉRCIO DE TECNOLÓGICA LTDA, nos termos do previsto pelo artigo 23 do Decreto 70.235/72; Reapresentação dos estudos de preços no formato solicitado pela diligência, inclusive para as demais mercadorias objeto das faturas de nº 183 (fl. 93), nº 178 (fl. 96), nº 186 (fl. 99), nº 200 (fl. 102), nº 215 (fls. 105) e 218 (fl. 108); Justificar porque as mercadorias pesquisadas são idênticas ou similares às importadas, bem como indicar qual foi o critério de arbitramento utilizado e, por fim, explicar a conclusão de subfaturamento da ordem de 50% (cinqüenta por cento) para todas as mercadorias importadas pela autuada. Em atendimento, coube à fiscalização acrescentar aos autos os seguintes documentos: Às fls. 187 a 212, declarações de importação objeto da autuação; Às fls. 213 a 702, cópia do processo administrativo nº 12466.000061/2010 69, auto de infração no qual as empresas MULTIMEX e GREENMAX também figuram como autuadas; Às fls. 703 a 705, no formato solicitado pela diligência, reapresentação dos estudos de preços considerados e adição de novos estudos; Às fls. 706 a 904, declarações de importação paradigmas consideradas nos estudos de preços apresentados às fls. 703 a 705; À fl. 907, respostas aos demais questionamentos apresentados pela diligência; Às fls. 908 e 909, sem sucesso, a fiscalização tentou intimar a empresa GREENMAX pela via postal, mesmo tendo observado o endereço informado pela empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ (fl. 982); À fl. 980, através do Edital de Intimação nº 35, de 13 de março de 2014, a GREENMAX foi intimada para tomar ciência da exigência contida no auto de infração, todavia, não a mesma apresentou nenhuma peça de defesa; À fl. 910, a fiscalização anexou aos autos a cópia do Aviso de Recebimento – AR relativo à intimação da empresa MULTIMEX sobre a diligência realizada. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.143 9 Cientificada da diligência proposta e do teor da resposta apresentada pela fiscalização em 10/03/14 (fl. 910), coube à empresa MULTIMEX apresentar novos argumentos e documentos em 09/04/14 (fls. 917 a 978). Alegou que: 1. De início, reapresentou uma breve síntese do auto de infração; Argumentos apresentados pela defesa. A – Ausência de prova de intimação da empresa GREENMAX. 2. Manifestou a concordância com a diligência realizada, no que tange a ausência de intimação da empresa GREENMAX nos autos; B – Ausência de responsabilidade da importadora em fraude supostamente praticada em importação realizada por conta e ordem de terceiro. 3. A infração objeto dos autos tratase de um procedimento doloso, com intuito de fraude. Cita julgados do CARF; 4. O subfaturamento de preços caracterizase pela inexatidão ou falsidade da fatura comercial, falsidade essa que não pode ser presumida, pois o ônus da prova cabe ao Fisco. Quando a autoridade fiscal promove o arbitramento com fulcro na Medida Provisória 2.15835, de 2001, ela não possui apenas o ônus de comprovar a inexatidão ou falsidade da documentação apresentada, mas também o especial fim de agir: fraude, sonegação ou conluio; 5. Por se tratar de um procedimento doloso, a suposta fraude deve possuir suporte em dados concretos da ocorrência de preço declarado inferior ao realmente praticado em uma operação usual e da autuação dolosa do importador. Cita julgados do CARF; 6. No caso concreto, não há uma linha sequer no auto de infração ou em qualquer documento que demonstre qualquer participação da impugnante na suposta fraude imputada pelo Fisco; 7. Atuou como mera importadora das mercadorias encomendadas pela adquirente GREENMAX, não participando de qualquer tratativa acerca dos valores ora questionados pelo Fisco. Menciona o contrato particular de compra e venda de mercadorias importadas por encomenda celebrado entre as duas empresas (fls. 519 a 529), em atendimento ao disposto pelo artigo 2º da IN SRF 634/06, cuja cláusula 5.2, “a”, é prova cabal de que a MULTIMEX não atuou nas etapas referentes à cotação e negociação dos bens no exterior; 8. Afirmou que durante os procedimentos de fiscalização tais fatos restaram esclarecidos; 9. Apesar de ser ônus do Fisco, não há na narrativa do auto de infração nenhum fato sequer indicando a participação da importadora na cotação dos preços, tampouco prova de que ela tenha concorrido para a formação ou ajuste do preço pago pelas mercadorias, até mesmo por impossibilidade material. Cita julgados de DRJ e do CARF; 10. Afirmou que durante a vigência do contrato foi surpreendida por diversos Termos de Intimação noticiando supostas irregularidades nas importações cujas negociações foram levadas a efeito pela encomendante, motivo pelo qual propôs a Ação Ordinária nº 04267881.2008.8.08.0024, em trâmite perante a 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, visando a sua anulação, tendo obtido a antecipação dos efeitos da tutela, posteriormente confirmada por sentença; 11. A descrição dos fatos constante deste auto de infração faz menção ao processo administrativo nº 12466.000061/201069, que gerou a representação fiscal formalizada pelo processo administrativo 12466.000062/201011, cuja denúncia oferecida contra os sócios da MULTIMEX foi rejeitada pelo Juízo da 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Espírito Santo, por falta de justa causa; Fl. 1147DF CARF MF 10 12. Destacase que o Egrégio STF já decidiu que a absolvição de agente na esfera penal pelos mesmos fatos, sob a justificativa de falta de provas concretas para a condenação, deve repercutir igualmente nas demais esferas. Cita julgado do Poder Judiciário; 13. Há farto material probatório demonstrando que a importadora apenas recebeu os pedidos feitos pela encomendante diretamente ao exportador, quais sejam: cópia do contrato particular de compra e venda celebrado com a GREENMAX; trocas de emails que demonstram negociação da GREENMAX com seus fornecedores; esclarecimentos prestados em atenção ao Termo de Intimação nº 2010003023II; antecipação dos efeitos da tutela e sentença proferidos na Ação Ordinária nº 004267881.2008.8.08.0024, em trâmite perante a 4ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, reconhecendo a boafé da importadora e Sentença proferida pela 1ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Espírito Santo no processo nº 2010.50.01.0023824, rejeitando a denúncia oferecida em face dos sócios da importadora acerca do suposto esquema de subfaturamento praticado pela encomendante GREENMAX; C – Aplicação do artigo 9º do Decreto 70.235/72. Nulidade do lançamento. 14. O resultado da diligência determinada pela DRJ além de não demonstrar qualquer participação da importadora no suposto subfaturamento, até por impossibilidade material, reconhece a nulidade do auto de infração por flagrante violação ao disposto no artigo 9º do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, haja vista que o procedimento não foi instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação da suposta infração; 15. Os documentos que supostamente ensejaram o lançamento em questão só foram juntados aos autos a posteriori e apenas em cumprimento de diligência determinada pelo órgão julgador; 16. O AFRFB limitouse a afirmar que os preços dos bens estariam 50% subfaturados, quando comparados com as listagens que foram obtidas através do sistema DW Aduaneiro da RFB. Não se discute a validade ou não dos dados constantes da base de dados da RFB, mas sim o respeito ao princípio da ampla defesa e o dever do AFRFB de acostar aos autos todos os elementos de prova. A ausência das DI paradigmas utilizadas como base para o arbitramento do valor aduaneiro prejudica a clareza, a transparência e a objetividade do lançamento. Cita julgados de DRJ; 17. Ante a presença de vício formal, imperioso o reconhecimento de nulidade do presente auto de infração, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72; D – Ausência de elementos objetivos a desqualificar as faturas. Cotação de produtos distintos. 18. As DI paradigmas acostadas aos autos não versam sobre processos idênticos, como ocorre com a adição 002, da DI autuada nº 07/09886440, em comparação com as DI paradigmas nº 06/15256010, adição 004, nº 06/13724404, adição 001 e nº 06/12997485, adição 001. A DI autuada referese ao produto cujo código de referência é MA477LL/A, enquanto que nas DI paradigmas o código de referência é MA477ZY/A; 19. Diante desse quadro, aferese que o AFRFB fez uma comparação entre produtos diferentes, apesar de a DRJ já ter firmado entendimento de que, para fins do Acordo de Valoração Aduaneira, somente se consideram idênticas mercadorias que sejam iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial. Cita acórdão de DRJ; 20. Para caracterização do subfaturamento, é imprescindível que a autoridade aduaneira desconstitua a fatura comercial que instrui a DI com base em sólido suporte probatório. Cita acórdão de DRJ; 21. A mera desconsideração do valor da transação em razão da existência de operações com preços menores deve ser afastada. Cita a Opinião Consultiva 2.1 constante do Anexo da IN SRF 318/03 e julgados de DRJ; Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.144 11 22. Dessa forma, deverão ser considerados nulos os atos praticados pela fiscalização, que sem qualquer fundamentação aplicou o método de valoração da MP 2.15835/2001, quando deveria prevalecer o primeiro método do AVA, pois, houve transferência internacional de mercadorias, há comprovação de que o valor declarado corresponde ao preço efetivamente pago e os demais métodos somente seriam aplicáveis na impassibilidade de aplicação do primeiro, caso a fiscalização aduaneira tivesse comprovado que o valor declarado não corresponde ao efetivamente pago ou a pagar; 23. Afirma que os fundamentos da autuação não são suficientes para desconsiderar as faturas comerciais apresentadas; 24. A diligência proposta pelo órgão julgador revela que a fundamentação da autuação não era suficiente para justificar o critério utilizado pela fiscalização. Cita acórdão de DRJ; 25. A resposta apresenta pela Alfândega do Porto de Vitória, além de demonstrar descaso com a DRJ/SPO, igualmente reforça a ausência de critérios objetivos para o arbitramento, o qual não é admitido pelos órgãos julgadores da Receita Federal; E – Pedidos. 26. Reitera os argumentos apresentados na impugnação; 27. Requer que o auto de infração seja julgado improcedente, nos termos do § 3º, do artigo 59, do Decreto 70.235/72, pois o Fisco não se desincumbiu do ônus de desconstituir os documentos que instruíram a fatura comercial, requisito essencial para caracterização do subfaturamento, sendo pertinente destacar: Não há nos autos prova da participação da importadora no suposto subfaturamento das mercadorias objeto dos autos; Há farto material probatório demonstrando que a importadora apenas recebeu os pedidos feitos pela encomendante diretamente ao exportador; Tanto as DRJ quanto o CARF possuem jurisprudência consolidada no sentido de ser incabível responsabilizar pela prática de subfaturamento o importador que promove regularmente, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outrem, quando não resta comprovada a sua participação na cotação dos preços ou na intermediação comercial. Cita julgados de DRJ e do CARF; Não houve a comprovação da ocorrência de fraude ou conluio, requisito essencial para a adoção dos métodos alternativos da MP 2.15835/2001; A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar a ocorrência de irregularidades aptas a ensejar a desconsideração do 1º método de valoração aduaneira, tendo apenas se baseado em meras ilações; O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira e as DRJ já fixaram entendimento de que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes para mercadorias idênticas não pode ser motivo para rejeição do valor de transação; A fiscalização não demonstrou, conforme determinação dessa DRJ, qual foi o critério de arbitramento utilizado para explicar a conclusão de subfaturamento da ordem de 50%; 28. Sucessivamente, requer a anulação do lançamento do crédito objeto do auto de infração, por flagrante violação do artigo 9º do Decreto nº 70.235/72, haja vista que o procedimento não foi instruído com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação da suposta infração em comento. Também deve ser anulado o lançamento pelo fato de que não foi respeitada a autonomia dos procedimentos fiscais e porque não houve descrição das supostas irregularidades praticadas em todas as DI mencionadas; Fl. 1149DF CARF MF 12 29. Sucessivamente aos pedidos acima, que seja afastada a exigência de crédito tributário em relação à DI 07/09886440, pois, como demonstrado, o AFRFB realizou comparação entre produtos distintos." (efl. 1.030/1.048) Como relatado, após regularmente intimada por meio de Edital, a empresa GREENMAX restou revel. Assim, a presente discussão administrativa envolve, apenas, a autuada MULTIMEX. A defesa por ela apresentada foi julgada integralmente improcedente pelo referido acórdão, por maioria de votos, tendo sido ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 26/07/2007 a 22/01/2008 Subfaturamento. Arbitramento. No caso de caracterização de fraude, o arbitramento dos preços das mercadorias deve ser realizado observandose as determinações contidas no artigo 88 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, para exigência da diferença de imposto que deixou de ser recolhida, acrescida das multas aplicáveis e dos juros de mora. Direito ao contraditório e à ampla defesa. Descrição dos fatos. Enquadramento legal. Diante de alentada descrição dos fatos e indicação do enquadramento legal específico no auto de infração, devidamente instruído com as provas em que se baseia a exigência fiscal, resta infundada a arguição de cerceamento do direito de defesa. Meios de prova. Prova indiciária. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em direito, podendo ser direta ou indireta, assim conceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 24ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, julgar procedente a impugnação, na forma do relatório e voto que integram o acórdão. Vencida a julgadora Francisca Aparecida de Almeida Serra Negra, que votou pela procedência da impugnação e exoneração do crédito tributário. A referida julgadora apresentou declaração de voto." (efl. 1.029/1.030) Intimada desta decisão em 01/07/2014, a autuada MULTIMEX apresentou Recurso Voluntário em 31/07/2014 alegando, em síntese: (i) ausência de prova de intimação da empresa Greenmax; (ii) nulidade do auto de infração em razão da ausência de provas quanto ao fato imputado, em descumprimento do art. 10, III, do Decreto n.º 70.235/72, sendo que a falsidade nas faturas comerciais deve ser provada, e não presumida. A fiscalização ainda deixou de demonstrar o critério de arbitramento, utilizandose de prova emprestada sem a devida correspondência ao caso concreto. Afirma o Recorrente que a juntada posterior de documentos quando da conversão do processo em diligência pela Delegacia de Julgamento não sanou esta nulidade, somente evidenciando a ausência de documentos essenciais à instrução do Auto de Infração; (iii) a ausência de responsabilidade da Recorrente na condição de importadora em fraude supostamente praticada em importação por conta e ordem de terceiro. Traz elementos do caso concreto, como o contrato de importação por encomenda firmado entre a Recorrente e a GREENMAX que Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.145 13 firma que toda a negociação com os exportadoras foi realizado pela encomendante GREENMAX; e (iv) a ausência de elementos objetivos aptos a desqualificar as faturas comerciais, sendo insuficiente a existência de preços inferiores ao de mercado na forma da Opinião Consultiva 2.1. Ademais, as DIs paradigmas juntadas aos autos quando da realização da diligência não se referem à produtos idênticos. Em seguida, os autos foram remetidos para esse CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Conheço do Recurso Voluntário interposto, por tempestivo, adentrando em suas razões. Primeiramente, insta salientar que constam dos autos a intimação da empresa GREENMAX, realizada em conformidade com a diligência requerida pela instância a quo. Após tentativa de intimação postal infrutífera (efl. 908), foi emitido Edital de Intimação n.º 35/2014 (efl. 980), por meio do qual foi oportunizada a apresentação de impugnação no prazo legal. Assim, o vício na intimação do autuado GREENMAX foi sanado pela diligência fiscal realizada. Contudo, referida empresa deixou de apresentar defesa, não instaurando a discussão administrativa. Por ter restado revel, não foi necessária sua intimação quanto à decisão ora recorrida. Desta forma, o presente processo está em conformidade com a Súmula CARF n.º 711, podendo ser julgado nesta oportunidade. I A AUSÊNCIA DE ELEMENTOS OBJETIVOS APTOS A DESQUALIFICAR AS FATURAS COMERCIAIS Como se depreende da Descrição dos Fatos e enquadramento Legais, o presente processo administrativo decorre da aparente falsidade ideológica das faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação de equipamentos eletrônicos registradas entre julho/2007 e janeiro/2008 (DIs n.º 07/09886432, 07/09886440, 07/1374692 5, 07/14393120, 08/01155007 e 08/01155015). Referidas importações foram realizadas pela Recorrente por encomenda da empresa GREENMAX. No entender da fiscalização, a prova do subfaturamento de mercadorias residiria em dois fatos indicados na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais do Auto de Infração (efls.21/23): (i) a existência de ações fiscais anteriores; e (ii) a diferença de preços declarados. 1 "Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade." Fl. 1151DF CARF MF 14 Cada fato será detalhado e analisado separadamente a seguir. I.1 A EXISTÊNCIA DE AÇÕES FISCAIS ANTERIORES O primeiro fundamento fático trazido pela fiscalização foi o fato de que, em ações fiscais anteriores, foi verificada a falsidade dos valores declarados pela importadora MULTIMEX na importação por encomenda realizada para a GREENMAX junto à empresa exportadora FLIGHTWITH, INC., vez que esta última empresa seria inexistente de fato. Para confirmar esta alegação, a fiscalização anexou ao Auto de Infração (efls. 50/81) a Informação Fiscal formalizada em um desses processos, de número 12466.000061/201069. Em seguida, o Auditor Fiscal informa que as importações objeto da presente autuação envolvem somente a empresa exportadora WOODLANDS DISTRIBUTIONS INC., sem apontar qualquer irregularidade fática ou documental quanto à essa empresa. Nos termos descritos no Auto de Infração: "Tratase de procedimento de revisão aduaneira previsto no cap. IV do Regulamento Aduaneiro, com redação dada pelo Decreto nº 6759/2009, pelos fatos descritos a seguir: 1. A empresa MULTIMEX S/A (doravante MULTIMEX ou importador) importou por encomenda de GREENMAX INTERNACIONAL COMÉRCIO DE TECNOLOGIA LTDA (doravante , GREENMAX ou encomendante) aparelhos eletrônicos da marca APPLE por meio das DIs n.º 07/09886432, 07/09886440, 07/13746925, 07/14393120, 08/01155007 e 08/01155015, registradas na circunscrição desta Alfândega no período de julho/2007 a janeiro/2008. Todas DIs foram parametrizadas para o canal VERDE de conferência aduaneira. 2. Ações fiscais conduzidas na Alfândega do Porto de Vitória constataram anteriormente o emprego por parte da empresa MULTIMEX S/A, provavelmente em conluio com a mesma empresa encomendante GREENMAX de firma exportadora inexistente de fato e de direito situada no Estado da Flórida EUA, a FLIGHWITH, INC. bem como a falsidade dos valores declarados. Na oportunidade, comprovouse que o REAL VENDEDOR das mercadorias era a empresa BEST BUY CO., INC., grande varejista norteamericano. A partir dos números de série dos aparelhos a empresa APPLE COMPUTER BRASIL rastreou as operações comerciais e confirmou a negociação com orgem na empresa BEST BUY. Vide procs. 12466.000061/201069 (MPF 07276002009 00398) e 12466.7206661/201128 (MPF 0727600201100184); 3. Consta como firma exportadora nas Declarações de Importação citadas no item 1 a empresa WOODLANDS DISTRIBUTION INC., fundada em 08/05/2006. Segundo dados da Divisão de Corporações do Departamento de Estao da Flórida, esta era de propriedade dos brasileiros MARCIA GUEDES PANTALEÃO, CPF 010.840.60833, e JOSE LUIS ENGER AIRES, CPF 555.122.75020. A escolha do nome fantasia WOODLANDS não foi fruto do acaso. A Sra. Marcia Pantaleão mantémse como sócia de 9 (nove) empresas com sedes em território nacional, dentre as quais a WOODLANDS DISTRIBUIDORA DE INFORMATICA LTDA., CNPJ 02.507.862/000102, com sede no município de São PauloSP. Notese, no entanto, que apesar da razão social semelhante e do mesmo segmento de atuação as empresas não possuem vinculações societárias. Apesar da já intensa atividade empresarial, a citada senhora ainda apresentouse como signatária na condição de VicePresidente (VPT, em abreviatura da língua inglesa) da WOODLANDS DIST. INC. de todas as faturas comeciais apresentadas no curso do despacho aduaneiro. É importante salientar que, a partir de pesquisa nos sistemas informatizados da RFB, se observou que a empresa WOODLANDS DIST.INC. estranhamente não possuía nenhum relacionamento comercial com importadores brasileiros, à exceção da MULTIMEX S/A;." (efls. 21/22 grifei) Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.146 15 De pronto, essencial frisar as alegações genéricas feitas pela fiscalização em torno da empresa exportadora WOODLANDS DISTRIBUTIONS INC. não foram efetivamente comprovadas no Auto de Infração. Com efeito, não constam dos presentes autos, mesmo após a realização da diligência fiscal, qualquer documento que se referisse a quaisquer irregularidades na referida empresa exportadora ou mesmo nos documentos que instruíram as importações realizadas por encomenda pela Recorrente levantadas nos presentes autos. A fiscalização se respaldou apenas nas conclusões alcançadas em processos que trataram de importações com realidade fática drasticamente diferente daquela tratada nos presentes autos. De fato, como se depreende da Informação Fiscal do processo n.º 12466.000061/201069 (efls. 50/81), a fiscalização levantou vasta documentação para comprovar a falsidade ideológica das faturas daquelas importações vez que a empresa exportadora que as realizou (FLIGHWITH, INC.) não existia de fato. Na diligência fiscal, a cópia integral daquele processo foi acostada aos presentes autos. Contudo, as importações envolvidas nos presentes autos são distintas daquelas envolvidas no referido processo, vez que realizadas com empresa exportadora diversa, em relação à qual a fiscalização não demonstrou qualquer inconformidade concreta. Assim, não encontra respaldo documental/fático as questões apontadas pela fiscalização quanto às ações fiscais anteriores, vez que não guardam qualquer relação com as importações realizadas nos presentes autos. II.2 A DIFERENÇA DE PREÇO Afirma a fiscalização que foi identificada uma diferença de preços declarados pelo importador com aqueles extraídos do SISCOMEX de produtos idênticos em 2007 e 2008, que seriam 50% (cinquenta por cento) inferiores. Vejamos os exatos termos do fundamento fático do Auto de Infração "4. Do cotejamento dos preços declarados pelo importador MULTIMEX com aqueles extraídos do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX) em importações de PRODUTOS IDÊNTICOS em 2007 e 2008, percebese grande discrepância. Ressaltese que os nomes dos demais importadores foram omitidos por conta do SIGILO FISCAL (CF, art. 5º, incs. X e XII e CTN art. 198). Constam dos anexos aos Autos um estudo de preços objeto do corpo principal do processo administrativo 12466.000061/201069 (vide item 2), tendo como protagonistas O MESMO IMPORTADOR e o MESMO ENCOMENDANTE, autuados por ilícitos aduaneiros similares. Em uma análise geral, verificouse uma discrepância de ordem de 50% (CINQUENTA POR CENTO) entre os valores declarados pela MULTIMEX S/A, por encomenda de GREENMAX, e os dos demais operadores de comércio exterior e nas Declarações de Importação listadas no item 1." (efl. 22 grifei) Novamente, a fiscalização se respaldou somente na documentação acostada no processo n.º 12466.000061/201069, não fazendo uma efetiva análise dos fatos envolvidos nos presentes autos. Em razão dessa deficiência, a instância a quo converteu o julgamento em diligência para a apresentação das diferenças de preço, oportunidade em que foram apresentadas as cópias das DIs paradigmas às efls. 706/904. Fl. 1153DF CARF MF 16 Entretanto, o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo suficiente para a rejeição da fatura. É o que determina o art. 1º do Acordo de Valoração Aduaneira GATT, promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994, e a Opinião Consultiva n° 2.1, divulgada pela Instrução Normativa n.º 318/2003, que expressa "OPINIÃO CONSULTIVA 2.1 ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo." (grifei) Ora, não há nos autos qualquer elemento probatório que ampare a desconstituição das faturas comerciais objeto das importações, nem nada que indique a ocorrência efetiva de subfaturamento, tendo o juízo do auditor fiscal responsável sido conformado apenas por indícios por ele interpretados. Como já tivemos a oportunidade de discutir no acórdão relativo ao PTA n.º 10945.000888/200597, de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, a desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização, deve atender a dois ônus argumentativoprobatórios distintos: a) um relativo à descaracterização do valor aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subfaturamento; e b) determinação do correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável. No caso em tela, a autoridade supôs o subfaturamento por entender, primeiramente, que teria ocorrido o mesmo equívoco de processos anteriores da Recorrente. Contudo, aqueles processos envolviam outra empresa exportadora no exterior desconsiderada pela fiscalização, inexistindo qualquer prova na hipótese da irregularidade da empresa exportadora objeto das DIs ora autuadas. A suposição de subfaturamento se baseou ainda no fato de que o valor declarado seria inferior ao valor corrente do mercado, sem, contudo, acompanhar esse juízo com provas que demonstrassem que o pagamento foi superior ao declarado, ou qualquer outro elemento que autorizasse a desconsideração das faturas apresentadas. Nesse sentido, o subfaturamento das mercadorias se respaldou em meros indícios inexistentes (ações fiscais anteriores) ou que sequer admitidos pela legislação aduaneira (diferença quanto ao valor corrente de mercado da mercadoria), devendo ser cancelada como já entendido por este CARF: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.147 17 indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. Recurso de Ofício Negado" (Processo 16561.720180/201276 Data da Sessão 28/09/2016 Relator(a) Fenelon Moscoso de Almeida Nº Acórdão 3401003.266 grifei) Essa deficiência na prova da fiscalização respaldou o voto divergente proferido pela Julgadora Francisca Aparecida de Almeida Serra Negra, que entendeu no mesmo sentido aqui defendido: "Com a devida vênia, adoto entendimento divergente do Relator, conforme as razões que passo a expor. A matéria trazida à apreciação diz respeito à fraude de subfaturamento. Sabemos que o subfaturamento se caracteriza quando o valor indicado na fatura comercial é inferior ao real, havendo diferença não informada nesse documento e que efetivamente integra o preço das mercadorias, seja essa diferença remetida ao exterior à margem do sistema legal ou paga por qualquer outra forma. A comprovação de subfaturamento, portanto, depende da desconstituição da fatura comercial que instruiu o despacho, ou seja, depende de prova de que a fatura comercial seja falsa material e/ou ideologicamente. Da análise dos autos, observo que as razões que levaram a fiscalização a concluir pela ocorrência de fraude foram basicamente duas, quais sejam: (i) a importação de produtos idênticos por outras empresas, no mesmo período, com valores superiores da ordem de 50%; (ii) a prática de fraude comprovada em procedimentos fiscais anteriores. Com relação à primeira razão, é mister observar que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não é motivo suficiente para sua rejeição, nos termos da Opinião Consultiva 2.1, emanada do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial das Aduanas, anexa à IN SRF nº 318/2003: “ACEITABILIDADE DE UM PREÇO INFERIOR AOS PREÇOS CORRENTES DE MERCADO PARA MERCADORIAS IDÊNTICAS 1. Foi formulada a questão acerca da aceitabilidade de um preço inferior aos preços correntes de mercadorias idênticas quando da aplicação do Artigo 1 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira examinou esta questão e concluiu que o simples fato de um preço ser inferior aos preços correntes de mercado para mercadorias idênticas não poderia ser motivo para sua rejeição para os fins do Artigo 1, sem prejuízo, no entanto, do estabelecido no Artigo 17 do Acordo.” (negritamos) Ora, se o fato de um preço inferior aos preços correntes de mercado não autorizar, por si só, a rejeição do valor de transação declarado; com muito menos razão esse fato pode ser utilizado como prova de subfaturamento. Tratase, antes, de um indício a justificar o aprofundamento das investigações. Com relação à segunda razão, temos que o fato de a fraude de subfaturamento haver sido comprovada em operações anteriores, em que as respectivas faturas comerciais foram desconstituídas; não autoriza estender a mesma conclusão às operações ora objeto de autuação, pois nesses caso estarseia aplicando presunção desprovida de qualquer embasamento legal. Por oportuno, convém esclarecer que existe nítida distinção entre o procedimento adotado pela fiscalização e o instituto da “prova emprestada”. A prova emprestada ocorre quando os fatos e as provas que permitem à fiscalização formar sua Fl. 1155DF CARF MF 18 convicção são extraídos de outros processos instaurados. Todavia, importar apenas as conclusões de outro procedimento sem o necessário embasamento em provas implica flagrante mácula do feito acusatório. Compulsando os autos, verifiquei não haver qualquer prova de que os valores indicados nas faturas que instruíram as importações autuadas sejam inferiores ao real. Referida prova poderia advir de uma auditoria contábil, em que o fisco comprovasse que as operações de importação tenham sido registradas na contabilidade da empresa por valores diferentes dos declarados nas DI, ou então que fossem encontrados outros lançamentos que pudessem fazer parte das operações de importação e que revelassem contabilização de valores não declarados, ou então que fossem encontrados outros documentos ou elementos que demonstrassem o ilícito. Como não há nos autos qualquer prova hábil a demonstrar a falsidade das faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação relacionadas na peça impositiva, e considerando que (i) a discrepância de preço entre mercadorias idênticas, por si só, não autoriza a rejeição do valor declarado, nos termos da já citada Opinião Consultiva 2.1 do CTVA; (ii) a prática de fraude de subfaturamento comprovada em operações anteriores não autoriza presumir sua ocorrência nas operações sob análise; concluímos que a exigência fiscal não merece subsistir por falta de suporte probatório. Em face do acima exposto, VOTO no sentido de julgar a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido." (efls. 1.070/1.072 grifei) II CONCLUSÃO Diante do exposto, diante da ausência de provas suficientes à demonstrar o subfaturamento dos produtos envolvidos na autuação, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal autuada. Uma vez que o provimento foi dado com fulcro em argumento autônomo de mérito do Recorrente suficiente ao cancelamento integral da autuação, deixo de apreciar as nulidades suscitadas na forma do art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/722 e a questão de mérito quanto à ausência de responsabilidade da Recorrente. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora 2 "Art. 59 (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 12466.722772/201179 Acórdão n.º 3402004.003 S3C4T2 Fl. 1.148 19 Fl. 1157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726513/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS. ACOLHIMENTO.
Demonstradas as omissões e o lapso manifesto, devem ser acolhidos os aclaratórios, para suprir as lacunas e retificar o erro na decisão embargada.
Numero da decisão: 1302-002.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado).
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Relator.
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Embargante Magnesita Refratários S.A. Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Demonstradas as omissões e o lapso manifesto, devem ser acolhidos os aclaratórios, para suprir as lacunas e retificar o erro na decisão embargada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos, sem efeitos modificativos, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Participou do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado). (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator. . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 13 /2 01 1- 10 Fl. 5696DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente despacho sobre embargos de declaração (fls. e segs.) opostos pela contribuinte, em face do Acórdão nº 1302001.465 (fls. 5210 e segs.), cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG E DA MAGNESITA . A legislação fiscal não impõe forma ao demonstrativo de que trata o § 3º do art. 20 do DL 1598/77, logo, se os autuantes não questionaram a substância econômica do demonstrativo apresentado pelo fiscalizado, há que aceitálo para a fundamentação e fixação do ágio pago nas aquisições das ações. ÁGIO. AQUISIÇÃO DE AÇÕES EM OFERTA PÚBLICA DE AÇÕES. À época, o ágio por expectativa de rentabilidade futura não era residual, de forma que, se, por um lado, a incorporada podia ser avaliada a valor contábil ou de mercado, por outro, a legislação exigia a demonstração da rentabilidade futura. O simples fato de ter sido pago valor superior ao valor patrimonial da ação não podia ser tomado como ágio por expectativa de rentabilidade futura, mas tãosomente o valor suportado por laudo que demonstrasse o fundamento. ÁGIO. AQUISIÇÕES DE AÇÕES GRAVADAS COM CLÁUSULA DE INALIENABILIDADE. FINOR. CONDIÇÃO SUSPENSIVA. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta não se verificar, não se terá adquirido o direito, a que ela visa. ÁGIO. AQUISIÇÃO DA REARDEN. OPERAÇÃO CASASEPARA. SIMULAÇÃO. A descrição das condutas praticadas pela recorrente e a dinâmica dos fatos deixam clara a simulação de atos para gerar ágio e dissimular tanto o ganho de capital como o verdadeiro custo da operação. MULTA QUALIFICADA.OPERAÇÃO CASASEPARA. SIMULAÇÃO FRAUDULENTA. A simulação fraudulenta praticada pela recorrente leva à qualificação da multa por força do disposto no art. 72 da Lei 4502/64. CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Fl. 5697DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.697 3 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada quanto ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. O embargante tomou ciência do do Acórdão nº 1302001.465 em 07/04/2016, conforme doc. a fls. 5352, e opôs tempestivamente embargos de declaração (a fls. 5357 e segs.) em 11/04/2016, conforme Termo a fls. 5505, os quais foram subscritos por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 4951 e segs.. Em seus embargos, a contribuinte alega, em apertada síntese, o seguinte: a) que houve omissão na apreciação da alegação quanto à aplicabilidade do Laudo do Banco Real para fixação do valor do ágio por rentabilidade futura nas aquisições via OPA; b) que houve omissão na apreciação da alegação quanto à iliquidez e incerteza do Crédito Tributário; c) que houve omissão na apreciação das cláusulas contratuais referentes às ações da Magnesita gravadas com a cláusula FINOR; d) que houve omissão na apreciação da alegação quanto à análise individual e discriminada de cada um dos ágios gerados na operação 2; e) que houve omissão, contradição e obscuridade na apreciação da alegação quanto à afirmação do Acórdão Embargado de que teria ocorrido um “CasaSepara” – Inovação deste E. CARF; f) que houve omissão quanto às alegações relacionadas à qualificação da multa de ofício; g) que houve omissão quanto apreciação do Recurso de Ofício com relação à exoneração da multa agravada; h) que houve contradição quanto às alegações concernentes à multa Isolada – Jurisprudência Administrativa e Aplicação do Art. 100 do CTN; i) que houve omissão quanto à não incidência de juros sobre a multa; j) que houve erro de fato na indicação do Relator do voto vencido. Em despacho a fls. 5680 e segs., o Presidente desta Turma Ordinária deu seguimento parcial aos embargos para que este Colegiado apreciasse os seguintes pontos: a) omissão na apreciação da alegação quanto à iliquidez e incerteza do Crédito Tributário; b) retificar o erro material, já que, ao invés de negar provimento ao recurso voluntário, havia o julgado que dar provimento ao recurso de ofício, pois a decisão da DRJ de reduzir o percentual da multa aplicada de 150% para 75% foi objeto do recurso de ofício; e c) para retificar o erro material, relativo ao equívoco do Conselheiro Relator, Guilherme Polastri, que, ao formalizar seu voto, registrou o nome do redator designado, Conselheiro Alberto Pinto, tanto no início como no fim do voto. Fl. 5698DF CARF MF 4 Vale a transcrição do referido despacho ao abordar os pontos acolhidos: “Da Omissão quanto à iliquidez e incerteza do Crédito Tributário. Neste ponto a embargante tem razão quando alega que a decisão recorrida não enfrentou a questão trazida no recurso voluntário, se não vejamos o seguinte trecho dos embargos: “Ademais, ainda que se entenda que não houve omissão com relação à análise da finalidade dos laudos em apreço, o que se alega apenas a título argumentativo, devese ressaltar que, na mesma linha adotada por este E. Conselho, a DRJ já havia se manifestado pela utilização do laudo da Deloitte como demonstrativo para o fundamento econômico do ágio gerado nas aquisições via OPA. Diante da conclusão da DRJ, no Recurso Voluntário, a Embargante se opôs a este julgamento (fls. 51 e seguintes), em razão da impossibilidade de as Autoridades Julgadoras inovarem os fundamentos dos lançamentos tributários e alterarem a base tributável eleita pelas Autoridades Fiscais. Com efeito, no subtópico “3.3 – Ad Argumentandum Ajustes nos Lançamentos Efetuados pela Turma Julgadora – Erro na Apuração das Bases de Cálculo – Lançamentos Ilíquidos e Incertos” do Recurso Voluntário, a Embargante explanou o absoluto descabimento de os lançamentos originários do processo serem materialmente modificados pelas Autoridades Julgadoras. Neste sentido, vejamse os seguintes excertos extraídos das fls. 51 e seguintes do Recurso Voluntário: “De fato, notase que a decisão recorrida considerou a glosa indiscriminada e injusta e, portanto, ajustou as bases de cálculo autuadas ao considerar o laudo elaborado pela Deloitte como documento hábil e idôneo nos termos do artigo 385, §3º do RIR/99: (...) Ou seja, os lançamentos originários do presente processo foram materialmente modificados pela decisão recorrida. (...) Efetivamente, ao se admitir como aplicável ao caso o Laudo da Deloitte – tal como afirmado pela decisão recorrida – concluise que os lançamentos efetuados pelo Sr. Agente Fiscal, levando em consideração o montante de rentabilidade futura quantificado pela GP Investments e pelo Banco Real, não estão corretos e, portanto, deveriam ser cancelados por absoluta falta de liquidez e certeza. (...) Claro está, portanto, que esse E.CARF deverá determinar o cancelamento integral do crédito tributário referente à glosa do ágio pago na aquisição da Magnesita S/A, uma vez que os lançamentos em questão são ilíquidos e incertos.” (g.n.).” Sobre esse ponto, vale a transcrição do seguinte excerto da decisão de primeira instância, o qual entende o embargante que alterou materialmente o lançamento, se não vejamos: “Enfim, no caso vertente, o Laudo feito pela Deloitte traduz a medida certa e justa da parcela do ágio fundamentado no valor de rentabilidade futura da Magnesita S/A, com base em previsão dos resultados futuros, pago pela Impugnante e que, após o evento incorporação da Magnesita S/A e da Partimag S/A pela RPAR, poderia ser amortizado, fiscalmente, para fins de determinação do lucro tributável tanto do IRPJ como da CSLL. Fl. 5699DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.698 5 Assim, partindose das premissas colocadas no TVF pelo Fisco, notadamente que o Laudo Deloite atesta, pela metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico máximo da Magnesita S/A seria R$41,83 por lote de mil ações, adotase este valor (salvo para as 603.154.462 ações PN, cujo preço pago foi R$34 por lote de mil ações PN) para o cálculo do seu valor econômico apto para amparar a importância do ágio fundamentado na sua perspectiva de rentabilidade futura, passível de amortização nos termos do art. 386, III, do RIR/1999, conforme discriminado no demonstrativo abaixo: (...) Feitas essas considerações, nessa parte da infração, os demonstrativos fiscais de apuração das bases de cálculo devem ser alterados, admitindose como corretas as amortizações dos ágios nos valores indicados em negrito na tabela acima. O que reduz a glosa do ágio, (i) indicada na coluna “ÁGIO NA OPERAÇÃO” – “AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG S/A POR RPAR” do demonstrativo fiscal, de R$747.396.355,28 para R$453.320.754,02, o que gera uma amortização mensal glosada de R$7.555.345,90; e (ii) para a coluna “ÁGIO NA OPERAÇÃO” – “AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA MAGNESITA S/A POR RPAR”, de R$172.539.605,79 para R$101.825.870,43, o que gera uma amortização mensal glosada de R$1.697.097,84. Assim, a questão reside em saber se o fato de a DRJ ter reduzido a base tributável por entender aplicável ao caso o Laudo da Deloite importou ou não na iliquidez do crédito tributário e, consequentemente, na nulidade do lançamento neste ponto? Tal questão não foi analisada pelo voto vencido da decisão embargada, o qual deixou de analisála, por ter acolhido ponto anterior e dado provimento ao recurso e, também não foi apreciado pelo voto vencedor, o qual se limitou a contestar o ponto defendido no voto vencido. Assim, proponho que seja acolhido os embargos de declaração neste ponto, para que seja suprida a omissão quanto à apreciação do item 3.3 do recurso voluntário. ................................................................................................................... Da Omissão pela não apreciação do Recurso de Ofício com relação à exoneração da multa agravada Alega a embargante que: “Ou seja, evidente a omissão com relação ao julgamento do recurso de ofício e, por consequência, com relação aos argumentos desenvolvidos na decisão proferida pela DRJ. Ainda que se entenda que não houve uma omissão neste sentido, o fato é que, ao menos, se nota um erro no acórdão embargado, que declarou que foi negado provimento ao recurso voluntário, quando, na realidade, este E. CARF deu provimento ao recurso de oficio para reestabelecer a multa no percentual de 150%. Em razão do exposto, requerse seja suprida a notória omissão, ou ao menos seja retificado o erro aqui tratado, e analisado, devidamente o recurso de ofício, a fim de que seja mantida a decisão ora recorrida no que diz respeito ao cancelamento da multa agravada.”. Vale a transcrição dos seguintes excertos da decisão de primeira instância, in verbis: Fl. 5700DF CARF MF 6 4. SEGUNDO GRUPO DE INFRAÇÕES. ÁGIOS APURADOS NAS NEGOCIAÇÕES E AQUISIÇÃO DE EMPRESA ESTRANGEIRA “REARDEN”. GRUPO RHÔNE. (...) 4.6. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Como já se disse, nesse grupo de infrações, o lançamento impôs a sanção prevista no art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, segundo o qual, nos lançamentos de ofício, será aplicada multa de 75%, que será duplicada para 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. (...) Portanto, feitas essas considerações e valendose do princípio da livre convicção motivada na apreciação da prova (formada de parte a parte), segundo dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, nessa parte, o lançamento deve ser alterado pela redução do percentual da multa aplicada de 150%, para 75%. Assim, tem razão a embargante, pois estamos diante de um lapso manifesto, já que a decisão da DRJ de reduzir o percentual da multa aplicada de 150% para 75% foi objeto do recurso de ofício. Logo, proponho que, neste ponto, sejam acolhidos os aclaratórios como embargos inominados, para retificar o erro material, já que, ao invés de negar provimento ao recurso voluntário, havia o julgado que dar provimento ao recurso de ofício. Notese que não se trata de alterar os fundamentos da decisão, mas apenas de retificar erro material. ................................................................................................................... Do Erro de Fato Contido na Indicação do Relator no Voto Vencido – Identificação Inicial e Assinatura Alega a embargante que: “Além dos equívocos expostos, deve este E. CARF corrigir a indevida indicação do I. Conselheiro Alberto Pinto de Souza Júnior (presidente e redator designado) na introdução e na assinatura do voto vencido (fls. 69 e 96), o qual, na realidade, foi proferido pelo I. Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva (relator).” Assim, tem razão a embargante, pois estamos diante de um lapso manifesto, pois equivocouse o I. Conselheiro Relator, Guilherme Polastri, ao formalizar seu voto com o registro do nome do redator designado, Conselheiro Alberto Pinto, tanto no início como no fim do voto. Notese que não se trata de alterar os fundamentos da decisão, mas apenas de retificar erro material. Por essa razão, proponho o acolhimento dos aclaratórios, neste ponto, como embargos inominados. É o relatório. Fl. 5701DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.699 7 Voto Os embargos foram opostos tempestivamente e subscritos por mandatários com poderes para tal, razão pela qual passo a analisar os pontos aos quais o Presidente desta Turma Ordinária deu seguimento. Da Omissão quanto à iliquidez e incerteza do Crédito Tributário O primeiro ponto reside na omissão na apreciação da alegação de que o fato de a DRJ ter reduzido a base tributável por entender aplicável ao caso o Laudo da Deloite importou, segundo a recorrente, na iliquidez do crédito tributário e, consequentemente, na nulidade do lançamento neste ponto. De plano, acolho os embargos de declaração, pois tal ponto está explícito no item 3.3 do recurso voluntário e se trata de questão com potencial de alterar o julgado sobre este item da autuação. Assim, inicialmente, voto por acolher os embargos de declaração neste ponto e passar a suprir a referida omissão. Com a relação a nulidade alegada, a tese da recorrente é totalmente desarrazoada, pois o julgamento nas instâncias administrativas não se orientam por um maniqueísmo jurídico, onde o lançamento deva ser inteiramente mantido ou completamente cancelado. Aliás, o Decreto nº 70235/72, ao tratar de nulidades do lançamento não passíveis de saneamento, coloca apenas hipóteses restritas no seu art. 59. Ora, a instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaria determinando um novo lançamento. No caso em tela, não houve mudança alguma de critério jurídico, apenas foi reduzida a base de cálculo porque entendeu o julgador de primera instância ser aplicável ao caso um outro laudo de avaliação, se não vejamos o seguinte trecho de tal decisão: “I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade Por evidente, o reconhecimento desse tipo de ágio demandaria procedimentos de avaliações individuais, segregados pelas espécies de bens e direitos da Magnesita S/A, cujas avaliações a preço de mercado fossem superiores aos correspondentes custos registrados na sua contabilidade. Tais avaliações não foram feitas, o que restou, inclusive, anotado no TVF Segundo, nos termos do art. 1º, da Lei nº 6.404, de 1976, “a companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações”. A ação de uma companhia não representa senão a unidade em que é dividido o seu capital social. Portanto, é capital social, que tecnicamente é um passivo não exigível. Isto é, a ação não é ativo da companhia, mas de quem a possui (o acionista). Por último, acaso adotada a teoria da Fiscalização ou fosse reconhecido ágio com base no 385, §2º, I, do RIR/1999, após o evento incorporação, a incorporadora (que fez tal investimento com esse tipo ágio) deverá registrálo em contrapartida às correspondentes contas que registrem os bens ou direitos que lhe deram causa e faria jus às quotas de depreciação, amortização ou exaustão pelo custo majorado e pelo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e IN/SRF nº 11/1999). Ou seja, ainda que de uma forma bem distinta do ágio reconhecido com base na perspectiva de rentabilidade futura da coligada ou controlada (art. 385, §2º, II), a lei prevê, após o evento incorporação, também Fl. 5702DF CARF MF 8 um benefício fiscal para a incorporadora, no caso do ágio reconhecido com base no 385, §2º, I, do RIR/1999. Desse modo, considerando os pontos colocados pela defesa, afastase do caso concreto a aplicação da teoria posta pela Fiscalização no TVF, titulada como: “degraus do ágio a serem alcançados”. Enfim, no caso vertente, o Laudo feito pela Deloitte traduz a medida certa e justa da parcela do ágio fundamentado no valor de rentabilidade futura da Magnesita S/A, com base em previsão dos resultados futuros, pago pela Impugnante e que, após o evento incorporação da Magnesita S/A e da Partimag S/A pela RPAR, poderia ser amortizado, fiscalmente, para fins de determinação do lucro tributável tanto do IRPJ como da CSLL. Assim, partindose das premissas colocadas no TVF pelo Fisco, notadamente que o Laudo Deloite atesta, pela metodologia do fluxo de caixa descontado, que o valor econômico máximo da Magnesita S/A seria R$41,83 por lote de mil ações, adota se este valor (salvo para as 603.154.462 ações PN, cujo preço pago foi R$34 por lote de mil ações PN) para o cálculo do seu valor econômico apto para amparar a importância do ágio fundamentado na sua perspectiva de rentabilidade futura, passível de amortização nos termos do art. 386, III, do RIR/1999, conforme discriminado no demonstrativo abaixo: (Tabela) Feitas essas considerações, nessa parte da infração, os demonstrativos fiscais de apuração das bases de cálculo devem ser alterados, admitindose como corretas as amortizações dos ágios nos valores indicados em negrito na tabela acima. O que reduz a glosa do ágio, (i) indicada na coluna “ÁGIO NA OPERAÇÃO” – “AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA PARTIMAG S/A POR RPAR” do demonstrativo fiscal, de R$747.396.355,28 para R$453.320.754,02, o que gera uma amortização mensal glosada de R$7.555.345,90; e (ii) para a coluna “ÁGIO NA OPERAÇÃO” – “AQUISIÇÃO DE AÇÕES DA MAGNESITA S/A POR RPAR”, de R$172.539.605,79 para R$101.825.870,43, o que gera uma amortização mensal glosada de R$1.697.097,84.” Fica claro assim que a DRJ apenas ajustou quantitativamente a base tributável, sem alterar em nada o critério jurídico do lançamento. Além disso, a simples leitura do trecho acima (mesmo sem ter sido transcrita a tabela elaborada pelo julgador de primeira instância a fls. 4796) já deixa claro que não há falar em iliquidez do crédito tributário mantido. Tal conclusão fica ainda mais patente quando constatamos que o acórdão de primeira instância dedica 6 folhas no seu item 8 (fls. 4808 a 4814) tãosomente para calcular e demonstrar o crédito tributário que restou mantido por aquela decisão. Assim, voto por acolher os embargos de declaração neste ponto, para suprir a omissão apontada sem efeitos infringentes. Da Omissão pela não apreciação do Recurso de Ofício com relação à exoneração da multa qualificada Neste ponto, fez bem o Presidente desta Turma em acolher os embargos como inominados, pois não se trata de uma omissão, mas de mero lapso manifesto, pois o acórdão embargado apreciou a matéria e apenas se confundiu na parte dispositiva ao registrar que mantinha a multa qualificada por negar provimento ao recurso voluntário, quando deveria ter dito que estava a dar provimento ao recurso de ofício. O voto vencedor do acórdão embargado, nesta ponto, assim fundamenta e conclui: Fl. 5703DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.700 9 Neste ponto estamos tratando dos seguintes ágios: a) ágio que compõe o custo do investimento da Magnesita na EDRJ91, que fora amortizado após a incorporação desta por aquela; b) ágio que compõe o custo do investimento da Mukden na Magnesita, que fora amortizado após a incorporação daquela por esta (incorporação reversa). Primeiramente, alerto que, diferentemente do que as letras “a” e “b” acima podem levar a crer, não estamos tratando de apenas duas incorporações, mas de uma série de negociações que tinha como único objetivo a aquisição do controle da empresa alemã Rearden pela empresa brasileira Magnesita (ora recorrente). Aliás, é a própria recorrente que alega isso em sua peça recursal, se não vejamos o seguinte excerto (doc. a fls. 4887): (...) Ora, a primeira questão que se coloca é porque foram realizadas tantas operações, se o que se queria efetivamente era apenas uma compra e venda do controle da Rearden (alemã) pela Magnesita (brasileira), ou seja, porque tudo não se resumiu em a Magnesita pagar e os sócios da Rearden transferirem o controle. Ocorre que estamos diante de um tipo de operação conhecido como “casa separa”, mas com algumas particularidades, se não vejamos. Em regra, as operações casasepara são realizadas para o contribuinte alienante do ativo dissimular seu ganho de capital, sendo que, no presente caso, se esse fosse o único efeito dos atos praticados, não haveria matéria tributável no Brasil, já que o ganho de capital teria se realizado na Alemanha. No entanto, a seguir demonstraremos que essa operação casasepara teve também, por objetivo, não somente dissimular o ganho de capital, mas simular ágios por rentabilidade futura. Primeiramente, chamo atenção que ao incorporar a PURUS, a Magnesita passou a controlar 100% da CRH, que controlava 100% da LIC, que, por sua vez, controlava 100% da Rearden, ou seja, nesse momento, ocorre efetivamente a concretização do negócio dissimulado, ou seja, há a aquisição da Rearden pela Magnesita. Uma análise mais atenta das operações deixa claro que o custo para a Magnesita adquirir a Readen foi o seguinte: (...) Ou seja, pelo custo de R$ 639.856.535,00, a Magnesita adquiriu a Rearden, mas, ao realizar uma série de atos simulados, contando com empresas de prateleira criadas em paraíso fiscal (CRH) ou mesmo aqui no Brasil (EDRJ91), fabricou ágio por rentabilidade futura da seguinte monta: (...) Ou seja, as operações simuladas com empresas de prateleira, geraram um ágio amortizável no montante de R$ 571.377.807,00, o que significa que a maior parte dos R$ 639.856.535,00 do custo incorrido pela Magnesita para adquirir a Rearden será devolvido pelo Erário Público à Magnesita, na forma de despesa dedutível do IRPJ e da Fl. 5704DF CARF MF 10 CSLL. Em outras palavras, a Magnesita desembolsou apenas R$ 68.478.728,00 para adquirir a Rearden, já que os R$ 571.377.807,00 ficaram por conta do Erário Público (brasileiro), aliado ao fato de que, certamente (embora irrelevante para essa jurisdição) dissimulou o ganho de capital na Alemanha. (...) Observo que deixei de considerar no somatório da tabela acima a despesa com a operação Mukden (no montante de R$ 38.202.451,00) que fora ativado pela recorrente, o que elevaria o valor total do ágio para R$ 609.580.259,00, tornando ainda mais patente tudo quanto alegado. De qualquer sorte, o futuro dessa parcela do ágio será o mesmo dos R$ 571.377.807,00, já que se trata de efeitos de atos simulados. Caberia agora indagar se houve ágio na aquisição da Rearden. Ora, inicialmente, há que se alertar que à medida que se simulou atos para dissimular as condições efetivas do verdadeiro negócio desejado, deixouse de juntar, aos autos, elementos necessários para a apuração do ágio pago na aquisição da Rearden. Alguns elementos, porém, deixam claro que, se ágio houve, foi em valor muito inferior ao fabricado pela Magnesita. se não vejamos: (...) Ora, como sabemos que tanto a CRH como a LIC eram empresas que tinha existência meramente formal, utilizadas nas operações simuladas em tela, e que a empresa que tinha substância econômica era a Rearden, podemos concluir que o valor da CRH acima representa efetivamente o valor do PL da Rearden, o que é um indício de que, se ágio houve, ele foi muito menor do que os R$ 571.377.807,00 simulados pela Magnesita, já que o custo de aquisição da Rearden foi R$ 639.856.535,00. Ainda ressalto, para aqueles que se impressionam com o fato de ter havido pagamento (em dinheiro) de ágio no valor R$ 143 milhões na aquisição de 45,59% da CRH, que tal valor não significa necessariamente que houve ágio na aquisição da Rearden, pois como demonstrado acima, se ágio houve, ele ficou muito abaixo disso. Ademais, se resta demonstrado que todos os atos intermediários foram simulados, a apuração do ágio efetivo da operação deveria considerar apenas o ato dissimulado (compra direta da Rearden pela Magnesita) De qualquer modo, nem mesmo a diferença entre R$ 639.856.535,00 (custo de aquisição) e R$ 589.329.167,00 (suposto PL da Rearden – valor mais favorável à recorrente) pode ser tomada como ágio por expectativa de rentabilidade futura, já que, como já dito anteriormente, para isso, seria necessário que a recorrente apresentasse o demonstrativo de fundamentação desse ágio, algo que não consta dos autos, já que todas as demonstrações produzidas foram para suportar os atos simulados praticados pela recorrente em conluio com o Grupo Rhône. Por último, saliento que, embora o TVF não qualifique expressamente as operações como casasepara, coloca com clareza a Fl. 5705DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.701 11 simulação, ainda que sob uma linguagem própria, se não vejamos alguns trechos pinçados: (...) Expressões como “empresa veículo” ou “falta de propósito negocial” não são relevantes para qualificações dos atos praticados, salvo se descreverem condutas enquadráveis em vícios jurídicos à luz do ordenamento jurídico pátrio. Ora, a descrição das condutas praticadas pela Magnesita e pelo Grupo Rhône na constituição de empresas denominadas “veículo” e s”em propósito negocial, bem como toda a dinâmica dos fatos narrados no TVF demonstram claramente a simulação de atos para gerar ágio e dissimular tanto o ganho de capital como o verdadeiro custo da operação efetivamente desejada (aquisição da Rearden). Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto, para manter a base tributável no montante de R$ 609.580.259,00. Da mesma forma, mantenho a multa de ofício qualificada sobre o IRPJ e a CSLL lançados sobre tal base, já que a simulação fraudulenta praticada pela recorrente leva à qualificação da multa por força do disposto no art. 72 da Lei 4502/64.” O lapso do Redator designado ocorreu ao concluir seu voto, se não vejamos: “Em face do exposto, voto no sentido de: a) dar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo ao ágio nas aquisições das ações da Partimag e da Magnesita (pertencentes a pessoas físicas); b) negar provimento aos recursos de ofício e voluntário no ponto relativo ao ágio nas aquisições das ações em oferta pública de ações; c) negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo ao ágio nas aquisições das ações gravadas com cláusulas de inalienabilidade (FINOR); d) negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo aos ágios aproveitados após as incorporações da EDRJ91 e Mukden; e) negar provimento ao recurso voluntário nos pontos relativos às multas qualificadas e isoladas e aos juros sobre multa de ofício.”. Ora, como a DRJ desqualificou a multa ad valorem e recorreu de ofício ao CARF, caberia ao Redator designado concluir, neste ponto, pelo provimento parcial do recurso de ofício, para manter a qualificação da multa. Por essa razão, voto por reconhecer o lapso manifesto e propor que a letra “f” da parte dispositiva do acórdão embargado passe assim a dispor: f) por voto de qualidade: negar provimento ao recurso voluntário Fl. 5706DF CARF MF 12 no ponto relativo à multa isolada; e dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Relator Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Do Erro de Fato Contido na Indicação do Relator no Voto Vencido – Identificação Inicial e Assinatura Neste ponto, tratase de um lapso constatável primo ictu oculi, pois o Relator do acórdão embargado fez constar o nome do Redator designado no incío e final do seu voto, embora na parte dispositiva do acórdão constasse, como deveria constar, o seu nome como Relator do acórdão e sua assinatura digital. Assim, voto por propor que seja retificado o acórdão embargado, para declarar que: onde se lê “Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior” no inicío do Voto Vencido (a fls. 5243), leiase “Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva”; onde se lê “Alberto Pinto Souza Junior Relator” no final do Voto Vencido (no verso da fls. 5256), leiase “Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator”. Em face do exposto, voto por: a) acolher os embargos de declaração no ponto relativo à omissão na apreciação da alegação de iliquidez e incerteza do Crédito Tributário após a decisão de primeira instância, para suprir a omissão apontada sem efeitos infringentes; b) acolher os embargos de declaração como embargos inominados, para reconhecer o lapso manifesto na redação dada a letra “f” do dispositivo do acórdão embargado e propor que passe assim a dispor: f) por voto de qualidade: negar provimento ao recurso voluntário no ponto relativo à multa isolada; e dar provimento ao recurso de ofício para restabelecer a multa qualificada, vencidos os Conselheiros Relator Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. c) retificar o acórdão embargado, para declarar que: onde se lê “Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior” no início do Voto Vencido (a fls. 5243), leiase “Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva”; e onde se lê “Alberto Pinto Souza Junior Relator” no final do Voto Vencido (no verso da fls. 5256), leiase “Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator”. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 5707DF CARF MF Processo nº 15504.726513/201110 Acórdão n.º 1302002.094 S1C3T2 Fl. 5.702 13 Fl. 5708DF CARF MF
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