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Numero do processo: 10120.730419/2012-29
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012
NULIDADE. EMISSÃO DE ARO. INEXISTÊNCIA
Sendo o Aviso de Regularização de Obra (ARO) devidamente emitido contra a contribuinte, demonstrando a totalidade dos débitos que compôs todos os autos de Infração, não há que se falar em nulidade.
ARO. DATA DO FATO GERADOR
Conforme Solução de Consulta Interna nº 23 da Cosit, de 15 de outubro de 2012, na regularização de obra de construção civil por aferição indireta não é possível determinar com precisão a data de ocorrência do fato gerador, portanto consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas na competência de emissão do Aviso para Regularização de Obra (ARO).
LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FALHA NA ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO.
Aplicável à apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o Auto de Infração Debcad 51.025.669-4 por considerar o fato gerador a data da emissão do ARO, 15 de outubro de 2012.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fabio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 NULIDADE. EMISSÃO DE ARO. INEXISTÊNCIA Sendo o Aviso de Regularização de Obra (ARO) devidamente emitido contra a contribuinte, demonstrando a totalidade dos débitos que compôs todos os autos de Infração, não há que se falar em nulidade. ARO. DATA DO FATO GERADOR Conforme Solução de Consulta Interna nº 23 da Cosit, de 15 de outubro de 2012, na regularização de obra de construção civil por aferição indireta não é possível determinar com precisão a data de ocorrência do fato gerador, portanto consideram-se devidas as contribuições indiretamente aferidas na competência de emissão do Aviso para Regularização de Obra (ARO). LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FALHA NA ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO. Aplicável à apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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EMISSÃO DE ARO. INEXISTÊNCIA Sendo o Aviso de Regularização de Obra (ARO) devidamente emitido contra a contribuinte, demonstrando a totalidade dos débitos que compôs todos os autos de Infração, não há que se falar em nulidade. ARO. DATA DO FATO GERADOR Conforme Solução de Consulta Interna nº 23 da Cosit, de 15 de outubro de 2012, na regularização de obra de construção civil por aferição indireta não é possível determinar com precisão a data de ocorrência do fato gerador, portanto consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas na competência de emissão do Aviso para Regularização de Obra (ARO). LANÇAMENTO POR AFERIÇÃO INDIRETA. FALHA NA ENTREGA DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA PELA FISCALIZAÇÃO. APLICAÇÃO. Aplicável à apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 73 04 19 /2 01 2- 29 Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o Auto de Infração Debcad 51.025.6694 por considerar o fato gerador a data da emissão do ARO, 15 de outubro de 2012. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fabio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10120.730419/201229 Acórdão n.º 2803003.895 S2TE03 Fl. 2.530 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado pela contribuinte SPE Incorporação Bueno Office Ltda, contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 29/02/2012 AUTOS DE INFRAÇÃO 51.025.6694 e 51.025.6724. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AUTOS DE INFRAÇÃO 51.025.6627, 51.025.6635, 51.025.6643, 51.025.6651, 51.025.6660 e 51.025.6732. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova. Na falta de prova regular e formalizada, quando o montante dos salários pagos na execução de obra será obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcionalmente, à área construída e ao padrão de execução da obra. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO. VALIDADE A escolha do indicador mais apropriado para a avaliação do custo da construção civil e a regulamentação da sua utilização para fins da apuração da remuneração da mãodeobra, por aferição indireta, compete exclusivamente à RFB, por atribuição que lhe é dada pelos §§ 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. Para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do CUB, conforme o disposto no art. 344, da IN nº 971/2009. ÁREA DE DEMOLIÇÃO RESPONSABILIDADE O proprietário do imóvel é responsável pelas obrigações previdenciárias decorrentes de execução de obra de construção civil, assim considerada também a demolição, devendo ser emitido um único ARO consolidado, Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 quando a regularização da obra envolver, entre outras, demolição e obra nova, de responsabilidade da mesma pessoa jurídica ou física. CÁLCULO ARO. ABATIMENTO DA ÁREA REGULARIZADA Para que sejam aproveitados os recolhimentos que tenham vinculação inequívoca à obra, na apuração da remuneração despendida, por meio do ARO, relativa à mãodeobra terceirizada, é imperioso que a remuneração esteja declarada, pela empreiteira contratada, em GFIP da obra, identificada com a matrícula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", e esteja comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, nas faturas ou nos recibos de prestação de serviços, emitidos pela empreiteira. MULTA AGRAVADA. INTIMAÇÃO FISCAL. ATENDIMENTO PARCIAL. INAPLICABILIDADE A multa agravada em lançamento de ofício não deve ser aplicada em tendo havido atendimento, ainda que parcial, da intimação fiscal para prestar esclarecimentos. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendelas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo as exceções previstas legalmente. RELEVAÇÃO. REVOGAÇÃO O artigo 291, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que tratava das circunstâncias atenuantes da penalidade foi revogado pelo Decreto n° 6.727/2009, não mais existindo o instituto da relevação da multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória. PROVAS. No processo administrativo fiscal, é preciso, por meio de provas incontestes, comprovar o motivo de sua discordância, na forma do contido no caput e inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte No andamento da fiscalização de Contribuições Previdenciárias do período 11/2007 a 03/2012, a fiscalização constatou que a SPE foi criada para a construção do edifício comercial “Condomínio New World Concept Office”, sendo lavrados 12 (doze) Autos de Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10120.730419/201229 Acórdão n.º 2803003.895 S2TE03 Fl. 2.531 5 Infrações (AI). Os doze AIs lavrados foram separados em dois processos. Constatou a fiscalização, ainda, segundo seu Relatório Fiscal (fls. 119/142) que não foram observadas todas normas trabalhistas, previdenciárias e contábeis, nem todas contribuições devidas foram incluídas em GFIPGuia de FGTS e Informações para a Previdência Social, foram pagos trabalhadores com Salários de Contribuição não incluídos em GFIP, não foi contabilizado corretamente o custo da obra, não foram apresentados à fiscalização todos os esclarecimentos e documentos citados em notificação, não foram formalizados todos trabalhadores que executaram a obra fiscalizada, não foram recolhidas todas contribuições sociais do pessoal da construção, inclusive do pessoal contratado através de empreiteiras. No presente processo encontrase em discussão os seguintes AIs: a) AI nº 51.025.6724 Diferenças de contribuições sociais para Terceiros devidas sobre Salário de Contribuição em Folha de Pagamento da SPE não declarado em GFIP, inclusive sobre valor pago com o título incorreto de Salário Família. Aplicada multa de 112,5% devido a não apresentação de todos esclarecimentos e documentos notificados no andamento da ação fiscal, conforme art. 35A da Lei 8212/91 e art.44 da Lei 9430/96; b) AI nº 51.025.6694 Obra de construção civil arbitrada pelo CUB. Diferenças de contribuições sociais para Terceiros sobre o valor aferido da mão de obra com base na tabela CUB de 02/2012. Aplicada multa de 112,5% devido a não apresentação de todos esclarecimentos e documentos notificados no andamento da ação fiscal, conforme art. 35A da Lei 8212/91 e art.44 da Lei 9430/96; c) AI nº 51.025.6627 AI 30 – Multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Folha de Pagamento incorreta, que não contém todos os trabalhadores e remunerações, além de conter trabalhadores com NIT incorreto; d) AI nº 51.025.6635 AI 78 Multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Treze GFIP com incorreções, do período 03/2009 a 07/2011. Lavrado com a multa mínima mensal, conforme art.32A da Lei 8.212/91. As treze GFIP foram corrigidas no andamento da ação fiscal, no dia 09.08.2012; e) AI nº 51.025.6643 AI 33 Multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Não matriculou a obra de construção civil dentro de 30 dias do seu início. Matrícula CEI realizada pela SPE apenas no dia 01.04.2008, porém a obra teve início meses antes, visto ser anterior a dezembro/2007, como comprova a contabilização de concreto desde dez/2007; f) AI nº 51.025.6660 AI 34 Multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Nem todos lançamentos contábeis estão em títulos próprios, de forma discriminada, algumas despesas de obra não estão compondo o custo da obra. Não estão em contas apartadas todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias; g) AI nº 51.025.6651 AI 38 Multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Apresentou contabilidade que não atende a todas formalidades Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 legais exigidas, que contém informação diversa da realidade ou que omite informação verdadeira; h) AI nº 51.025.6732 AI 99 Multa pelo descumprimento de obrigação acessória. A SPE Bueno Office não manteve em boa guarda ou não arquivou e não exigiu diversas GFIP de prestadores de serviço vinculadas à obra de construção civil de CEI 5115705980/72. Assim, descumpriu norma prevista no § 6º do art.219 do Decreto 3048/99 e art.31 da Lei 8212/91. Devidamente intimada de todas as autuações, a contribuinte apresentou defesas específica para cada AI lavrado pela fiscalização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (PA) julgou parcialmente procedente as impugnações para afastar p agravamento de 50% da multa de ofício para 75% nos AI nºs 51.025.6694 e 51.025.6724, e manter intactos os AI nºs 51.025.6627, 51.025.6635, 51.025.6643, 51.025.6651, 51.025.6660 e 51.025.6732. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 2474/2498), aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade de todos os AIs, uma vez que a obra foi executada no período de 2007 a 2011 e a autoridade fiscal elegeu como momento de ocorrência do fato gerador o mês de fevereiro de 2012; b) a nulidade porque o ARO emitido não possui assinatura do responsável legal ou termo de recusa; c) que a emissão do ARO se deu em 15 de outubro de 2012, momento o qual deveria ser considerado como ocorrência para o fato gerador, nos termos do art. 340, da IN SRF nº 971/2009; d) erro na determinação do valor do CUB, porque os valores de mãodeobra de referência referemse a obra concluída com todos os acabamentos, o que não se aplica ao caso sob exame; e) da impossibilidade de arbitramento; f) a decadência referente as contribuições de demolição de obra; Sem contrarrazões por parte da Fazenda, vieram os autos a este Colendo Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10120.730419/201229 Acórdão n.º 2803003.895 S2TE03 Fl. 2.532 7 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Inexistência de Nulidade Ainda que não tenha existido qualquer ponderação pela contribuinte em suas impugnações sobre as nulidades suscitadas em suas razões recursais, não vislumbro, no caso em apreço, qualquer mácula aos AIs lavrados pela fiscalização. A Declaração e Informação Sobre Obra DISO tem por objetivo obter a regularização do imóvel, com a consequente expedição de CND, para viabilizar a concessão do Certificado de Conclusão de Obras (habitese). Não se trata de confissão de dívida. A partir das informações prestadas na DISO, após conferência dos dados, será expedido pelo INSS o Aviso de Regularização de Obra ARO, quando entender que há débitos pendentes. No caso presente, em 15 de outubro de 2012, foi devidamente emitido contra a contribuinte o Aviso de Regularização de Obra – ARO (fls. 216/223), demonstrando a totalidade dos débitos da contribuinte que compôs todos os autos de Infração lavrados contra a recorrente. Ora, resta cristalino a demonstração dos débitos existentes, bem como de todos os procedimentos adotados pela fiscalização, não persistindo qualquer irregularidade para ensejar as nulidades suscitadas no recurso. Da Data do Fato Gerador Conforme Solução de Consulta Interna nº 23 da Cosit, de 15 de outubro de 2012, o fato gerador da obrigação de pagar contribuições previdenciárias decorrentes da execução de obra de construção civil é a prestação remunerada de serviços pelo trabalhador e ocorre, em regra, na data da prestação do serviço. Na regularização de obra de construção civil por aferição indireta não é possível determinar com precisão a data de ocorrência do fato gerador, portanto consideramse devidas as contribuições indiretamente aferidas na competência de emissão do Aviso para Regularização de Obra (ARO). O ARO não é documento de constituição do crédito tributário, não interrompendo o curso do prazo decadencial. O lapso temporal decorrido entre a data de emissão do ARO e a data da constituição definitiva do crédito tributário pelo lançamento fiscal das importâncias aferidas indiretamente deverá ser considerado para fins do prazo decadencial. A partir da competência de emissão do ARO são consideradas devidas as contribuições previdenciárias aferidas indiretamente, devendo essa data ser utilizada para cálculo de qualquer acréscimo legal, inclusive para fins de aplicação de multa decorrente de lançamento fiscal. Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Destarte, entendese como fato gerador das contribuições previdenciárias perseguidas nos Autos de Infração em questão o dia da emissão do ARO, ou seja, 15 de outubro de 2012, devendo somente a partir desta data incidir qualquer acréscimo legal. Do Correto Valor do CUB O Custo Unitário Básico (CUB) é calculado mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil de todo o país. Determina o custo global da obra para fins de cumprimento do estabelecido na lei de incorporação de edificações habitacionais em condomínio, assegurando aos compradores em potencial um parâmetro comparativo à realidade dos custos. Atualmente, a variação percentual mensal do CUB tem servido como mecanismo de reajuste de preços em contratos de compra de apartamentos em construção e até mesmo como índice setorial. A Lei 4.591, de 16 de dezembro de 1964 (artigo 54), prevê que os Sindicatos da Indústria da Construção Civil ficam obrigados a divulgar mensalmente até o dia 5 de cada mês, os custos unitários de construção a serem adotados nas respectivas regiões jurisdicionais, calculados com base nos diversos projetospadrão representativos residenciais (R1,PP4,R8,PIS,R16), comerciais (CAL8, CSL8 e CSL16), galpão industrial (GI) e residência popular (RP1Q).levandose em consideração os lotes de insumos (materiais e mãodeobra), despesas administrativas e equipamento e com os seus respectivos pesos constantes nos quadros da NBR12.721:2006 da ABNT. Destarte, o CUB possui a finalidade de determinar o custo global da obra para fins de cumprimento do estabelecido na lei de incorporação de edificações habitacionais em condomínio, ressaltando que o Custo Unitário Básico (CUB) é um custo meramente orientativo para o setor da Construção Civil, não sendo nunca o custo real da obra, pois este só é obtido através de um orçamento completo com todas as especificações de cada projeto em estudo ou análise. No entanto, hoje em dia a variação percentual mensal do CUB tem servido como mecanismo de reajuste de preços em contratos de compra de apartamentos em construção e até mesmo como índice setorial. Para auferir o correto valor do CUB a ser utilizado, os sindicatos responsáveis fazem uma coleta de dados, tais como salários e preços de materiais e mãode obra, despesa administrativas e equipamentos previstos na NBR12.721:2006, são obtidos através do levantamento de informações junto a uma amostra de cerca de 40 empresas da construção. Agindo desta maneira, o universo da pesquisa se dá sob a ótica do comprador, eliminando uma série de distorções em relação ao fornecimento de dados. Como o indicador a ser calculado referese a custo e não a preço, é mais correta a pesquisa junto ao comprador, que no caso são as construtoras e não junto aos distribuidores ou vendedores. O cálculo do custo unitário de construção por metro quadrado é a somatória das combinações – preços x pesos dos insumos, para cada especificação. Referidas especificações são classificadas, por padrão de acabamento e número de pavimentos. Por fim, atendendo o disposto no art. 54 da Lei 4.591/64, os Sindicatos da Indústria da Construção Civil ficam obrigados a divulgar o CUB até o dia 5 do mês subsequente, adotando, como referência do indicador, o mês da publicação e coleta de preços e salários. Portanto, o CUB a ser utilizado é o do mês anterior à data de sua divulgação. Analisando o caso dos autos, bem como o relatório fiscal apresentado (fls. 119/142) e o ARO (fls 216/223), O cálculo da remuneração arbitrada foi realizado a partir do CUBCusto Unitário Básico apurado e publicado pelo SINDUSCON/GO para o mês de Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10120.730419/201229 Acórdão n.º 2803003.895 S2TE03 Fl. 2.533 9 fevereiro/2012, mês de encerramento da obra, conforme dados contabilizados e última GFIP da SPE. No custo apurado para a obra com base no CUB, estão incluídos o valor do material aplicado, insumos e equipamentos, sendo a mãodeobra empregada arbitrada em torno de 18,64% do custo, conforme cálculos simulados pelo sistema DISOJAVA, ARO 1105501. Não obstante isso, a frívola argumentação da contribuinte de que a fiscalização utilizou os valores de mãodeobra de referência referemse a obra concluída com todos os acabamentos não procede, visto que os valores foram fornecidos pelo próprio Sindicato que a contribuinte esta associada, bem como com os padrões fornecidos pela recorrente em sua documentação. Da Aferição Indireta Conforme narrado no relatório fiscal, o lançamento do débito previdenciário se deu pelo método de aferição indireta. Ora, tenho entendimento de que o método da aferição indireta somente deve ser utilizado pela fiscalização em casos extremos, que realmente não se vislumbre outra forma de conceituar o lançamento a ser realizado. No caso em apreço restou demonstrado que o contribuinte não atendeu adequadamente à solicitação do fisco para a apresentação dos documentos exigidos, e por esse motivo entendo que não há como se admitir a alegação da recorrente no que se refere à ilegalidade da constituição do crédito. E da análise dos autos, verificase que o contribuinte foi por diversas vezes intimado para que fossem esclarecidas algumas dúvidas surgidas no decorrer do andamento processual, contudo, os esclarecimentos foram no sentido de corroborar o lançamento. Destacase que à recorrente foi solicitada a apresentac ão de notas fiscais de prestac ão de servic os, recibos ou folha de pagarnento relacionadas aos trabalhos executados, contudo os parcos documentos apresentados estavam com falhas e deixavam de apresentar muitos dos funcionários utilizados pela contribuinte para a confecção da obra.. Além disso, a recorrente não apresentou qualquer justificativa para a não apresentação dos documentos. Também não consta nos autos nenhum incidente processual que comprove a dificuldade do representando da empresa em cumprir o exigido pelo fisco. Dessa forma, devido à inércia do contribuinte, o fisco procedeu à confecção dos cálculos com base em valores aferidos indiretamente, os quais resultaram em débito para o contribuinte, conforme demonstrado nos autos. E o procedimento indireto adotado encontra respaldo na Legislação Previdenciária (como se pode verificar da combinação do disposto na Lei n.º 8.212/91, com o Regulamento da Previdência Social, aprovada pelo Decreto n.º 3.048/99), na qual se encontra disposto que na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo de sua contabilidade regular, deverá ser aferida, de forma indireta, a mãodeobra mínima a ser considerada na execução dos serviços para cálculo da contribuição a ser recolhida. Os parágrafos 3º e 4º, do artigo 33 da Lei de Organização da Seguridade Social, trazem em seu texto: “Art. 33 (...). Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 § 3 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 4 Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. ” (g.n.) Nesse sentido, artigos 232 a 234 do Regulamento da Previdência Social, dispõem: “Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. ... Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário.” (g.n.) Dessa forma, não tendo a empresa colacionado aos autos a documentação comprobatória de sua regularidade contábil e dos termos alegados em sua peça recursal, e tendo sido configurado que a mesma, na verdade está em débito para com o fisco, uma vez que não recolheu o valor devido, mantenho a decisão recorrida. Da Inexistência de Decadência Como já devidamente demonstrado alhures, o fato gerador da obrigação tributário, no caso em testilha, nasce com a emissão do ARO, não havendo, então, que se falar em decadência para a demolição da obra. Conclusão Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10120.730419/201229 Acórdão n.º 2803003.895 S2TE03 Fl. 2.534 11 Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para darlhe parcial provimento, considerando como fato gerador a data da emissão do ARO, 15 de outubro de 2012, devendo somente a partir desta data incidir qualquer acréscimo legal. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 15374.914594/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO.
Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-002.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. PERDA DE OBJETO. Não se conhece do recurso voluntário quando o sujeito passivo apresenta pedido de desistência. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário em face da desistência (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 45 94 /2 00 9- 11 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914594/200911 Acórdão n.º 3402002.541 S3C4T2 Fl. 509 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – não homologada – de débito de IRPJ, com crédito decorrente de pagamento considerado a maior, a título de COFINS, atinente ao período de apuração 12/2002, de acordo com o que se pode analisar na cópia da Perd/Comp juntada aos autos (fls. 04/08). A autoridade fiscal decidiu, por meio do despacho decisório (fl. 11), pela não homologação da compensação efetuada, pela inexistência do direito creditório pleiteado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos do Contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O contribuinte tomou ciência do despacho em 03/04/2009, conforme se verifica no AR de fl. 08 e apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 13/16) em face ao referido despacho. Alega, em síntese, que o valor informado em DCTF, a título de contribuição para o COFINS, no montante de R$203.549,10, está incorreto; sendo que o valor correto do débito corresponde àquele informado em DIPJ, no montante de R$197.960,84. Ressalta que o crédito original informado no PER/DCOMP (fls. 04/08), no valor de R$5.588,26 é, de fato, oriundo do pagamento efetuado por meio do Darf informado. Pede, ao fim, a homologação da compensação realizada, para fins de extinção do referido crédito. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), decidiu não Reconhecimento do Direito Creditório, proferindo Acórdão n° 1331.776 (fls. 113 a 115), de 14/10/2010, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAR. Não é de se homologar a compensação declarada em DCOMP, cujo crédito utilizado não tenha sido devidamente comprovado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido Para a DRJ, a Contribuinte não comprovou qual seria, efetivamente, o valor devido da contribuição para o COFINS referente ao mês 12 de 2002, se o confessado na DCTF ou aquele informado em DIPJ. Para o órgão julgador, o Contribuinte deveria ter trazido documentação contábil que pudesse lastrear as informações contidas na DIPJ. Sendo assim, o que ocorreu, para a DRJ, foi uma alegação não comprovada, por parte do Contribuinte, pelo que votouse no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo se integralmente o despacho decisório recorrido, conservando exigível a cobrança do débito não compensado. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, o contribuinte apresentou tempestivamente o recurso de fls. 124 a 129. O recorrente trouxe, novamente, todos os fatos alegados em sede de Manifestação de Inconformidade. Apresentou, ainda, Livro de Balancetes Retificadores (doc. 05) onde, segundo a recorrente, resta clara a existência de um crédito em seu favor no montante de R$5.588,26. Ao fim requer o recebimento do recurso voluntário e seu regular processamento, visando à reforma da decisão da DRJ e o conseqüente reconhecimento integral do crédito de COFINS informado, homologando a compensação objeto do recurso. DA DILIGÊNCIA DO CARF Em 01/09/2011, às fls. 160 (n.e.), o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, acordou por converter o julgamento em diligência, sustentando que os balancetes retificadores apresentados não contêm a comprovação de sua formalização e que não foram extraídos ou cotejados com o Livro Diário. Ao final requereu as seguintes providências: 1 – Intime o contribuinte a apresentar a cópia dos Livros de Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, especificamente quanto ao período objeto deste processo administrativo, contendo os respectivos termos de abertura e de encerramento; 2 – Intime o contribuinte a apresentar cópia fiel e autenticada pelo órgão de registro pertinente, do Livro Diário, referente ao período objeto deste processo administrativo, contendo os lançamentos que compõem os Balancetes anexados ao recurso voluntário ora sob julgamento, como também os próprios Balancetes, nos termos da legislação pertinentes aos livros Fl. 512DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914594/200911 Acórdão n.º 3402002.541 S3C4T2 Fl. 510 5 societários, que contenha ainda os Termos de Início e Encerramento respectivos; 3 – Que a Repartição de Origem certifique que as cópias acostadas correspondam ao que contam dos originais contidos no Livro Diário e respectivos Balancetes. 4 – Finalmente, que a Repartição de Origem se manifeste, através de relatório circunstanciado, se o crédito apontado na DIPJ do contribuinte está em consonância com os dados contidos no Livro Diário e Livro de Balancetes, referente ao período objeto deste processo administrativo, certificando a existência ou não de pagamento indevido ou a maior pelo contribuinte. DA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE Intimado às fls. 167, na data de 29/10/2013, às fls. 177 (n.e.), o contribuinte apresentou sua manifestação referente à diligência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nesta contendo os documentos solicitados pelo CARF. Após a análise dos documentos acostados, a Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal, proferiu relatório de diligência fiscal pertinente. Intimado às fls. 497, não houve manifestação do contribuinte sobre o resultado da diligência. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 501 (quinhentos e um), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto João Carlos Cassuli Junior Relator Tendo em vista a manifestação do contribuinte pleiteando pela desistência do feito, é oportuno assim, não reconhecer do recurso, em razão da perda do objeto. Conforme o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir do recurso em tramitação, que segue: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Este colegiado tem entendimento pacífico acerca do tema, conforme julgados a seguir colacionados: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2009 a 31/07/2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. A desistência de recurso, formulada mediante requerimento expresso do sujeito passivo coligido aos autos, implica o seu não conhecimento em razão da perda do objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / CARF / ACÓRDÃO 2302002.979 em 18.02.2004) Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A protocolização de Termo de Desistência de Impugnação ou Recurso Administrativo pelo Recorrente implica o não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em virtude da perda do seu objeto. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 15374.914594/200911 Acórdão n.º 3402002.541 S3C4T2 Fl. 511 7 Recurso Voluntário Não Conhecido. (3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / ACÓRDÃO 2302002.424 em 02.05.2013) Ante o exposto, votase pelo não conhecimento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000357/2005-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre o mérito com precisão, não há que se falar em omissão e/ou contradição.
Numero da decisão: 1103-001.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado Rejeitar os embargos por unanimidade.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre o mérito com precisão, não há que se falar em omissão e/ou contradição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado Rejeitar os embargos por unanimidade. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 03 57 /2 00 5- 75 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.000357/200575 Acórdão n.º 1103001.132 S1C1T3 Fl. 352 2 Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 232/235) interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 110300.621, de 31 de janeiro de 2012 (fls. 225/228). Na ação fiscal, entendeu a autoridade autuante que a contribuinte, entidade fechada de previdência privada, não faria jus à imunidade tributária de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, mas tãosomente ao beneficio fiscal de isenção estabelecido pelo art. 6º do Decretolei n° 2.065/1983, base legal do art. 175, do RIR/1999, que estabelece como exceções, dentre outros, rendimentos decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa e ganhos líquidos em operações de renda variável. Por sua vez, informou a contribuinte que, em sede de mandado de segurança, o STF reconheceu a sua imunidade no processo nº 92.000933572, em 26/02/2002, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 235.0030, conforme teor do voto proferido pelo MinistroRelator Moreira Alves: O Plenário desta Corte, ao julgar o RE 259.756, firmou o entendimento de que a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI," c ", da Constituição apenas alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, mas tãosomente a dos patrocinadores, como ocorre com a recorrida (fls.22). Ocorre que a Fiscalização entendeu que tal decisão não albergaria a contribuinte, vez que seus efeitos não atingiriam o período analisado pela ação fiscal (anos calendário de 2000 e 2001), que estariam regidos pela Lei nº 9.532, de 1997. Relata ainda a autoridade autuante que a contribuinte, em conjunto com outros litisconsortes, impetrou mandado de segurança através da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (ABRAPP) junto à Justiça Federal do Distrito Federal (processo n° 1998.34.00.0025424), com pedido de liminar, objetivando o não recolhimento do IRRF sobre os rendimentos de suas aplicações financeiras (renda fixa e renda variável), insurgindose contra as disposições da Lei nº 9.532, de 1997, sob a alegação de encontrarse amparada pela imunidade prevista pelo art. 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal. E, em decisão favorável à Fazenda Nacional, entendeu o STJ que a cobrança por parte da União era devida. Dessa maneira, a Fiscalização, ao verificar que os ganhos líquidos auferidos nas aplicações financeiras sujeitas à renda variável não foram oferecidos à tributação pela pessoa jurídica, efetuou o lançamento de ofício nos autos de infração de fls. 141/147. Devidamente cientificada, apresentou impugnação a contribuinte de fls. 162/189, que foi apreciada pela 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 14/05/2008. O Acórdão nº 1219.164, de fls. 212/220 julgou o lançamento improcedente. Dessa maneira, o Presidente da 2ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício da decisão prolatada. O CARF, por meio desta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento proferiu o Acórdão nº 110300.621, na sessão realizada no dia 31/01/2012, negando provimento ao recurso de ofício. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.000357/200575 Acórdão n.º 1103001.132 S1C1T3 Fl. 353 3 Cientificada da decisão, a PGFN resolver opor embargos de declaração de fls. 232/235, discorrendo sobre os seguintes pontos: o acórdão embargado incidiu em omissão e contradição, ao afastar a incidência do imposto de renda com amparo no Recurso Extraordinário nº 225.00300 proferido pelo STF; diante dos fatos narrados, restou configurada a concomitância dos feitos administrativo e judicial, haja vista que a matéria versada no presente processo administrativo fiscal é a mesma discutida no Poder Judiciário; e, conforme ADN nº 03, de 1996, da Cosit, da Receita Federal, e da Súmula nº 01 do CARF, diante da concomitância dos feitos, a decisão a ser proferida deveria ter sido pelo não conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Há que se apreciar, a princípio, a tempestividade dos embargos. Constam nos autos que a data de entrada na PGFN deuse em 10/01/2013 (fl. 231). De acordo com o art. 23, § 9º do Decreto nº 70.235, de 6/3/1972 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: ..... §8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. §9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo.” (destaquei) Assim, a contagem prevista no § 9º encerrouse em 09/02/2013 (sábado). Considerando o feriado de Carnaval na semana seguinte, o primeiro dia de expediente regular deuse em 13/02/2013 (quartafeira de cinzas), data em que se considera dada a ciência pessoal Fl. 353DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.000357/200575 Acórdão n.º 1103001.132 S1C1T3 Fl. 354 4 à PGFN. Tomandose os cinco dias previstos no art. 65, § 1º, do Anexo II da Portaria nº 256, de 22/06/2009, que aprova o Regimento Interno do CARF (RICARF) para a interposição dos embargos, a data limite deuse em 18/02/2013, precisamente o dia em que consta a devolução dos autos para o CARF (fl. 236), o carimbo de recebimento de fl. 232 e informação no despacho do CARF de fl. 237. Logo, são tempestivos os embargos de declaração. Nesse sentido, cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. No caso em tela, protesta a embargante pela ocorrência de contradição e omissão no acórdão em debate. Aduz que restou caracterizada a concomitância, tendo em vista que a matéria versada no presente processo é a mesma tratada no Poder Judiciário, cuja decisão foi proferida nos autos do Recurso Extraordinário nº 225.00300 pelo STF. Assim, a decisão proferida pela turma do CARF, ao não dar provimento ao recurso de ofício, deveria ser reformada, no sentido de não conhecer do recurso. Vale transcrever o voto, para apreciar a questão: No Recurso Extraordinário n° 235.00300, que também tem a Previd Exxon Sociedade de Previdência Privada como Recorrida, o Min. Relator proferiu voto extremamente curto e categórico, reconhecendo a imunidade tributária da recorrida, pelo fato da mesma não receber contraprestação financeira dos seus associados, sendo custeada exclusivamente pela sua patrocinadora, verbis: "O SENHOR MINISTRO MOREIRA ALVES (Relator): O Plenário desta Corte, ao julgar o RE 259.756, firmou o entendimento de que a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI "c", da Constituição apenas alcança as entidades fechadas de previdência privada em que não há a contribuição dos beneficiários, mas tãosomente a dos patrocinadores, como ocorre com a recorrida (fls. 22). Em face do exposto, não conheço do presente recurso" (fls. 267 original sem destaque). Na ótica deste relator a decisão transitada em julgada acima é clara e indiscutível: a recorrida é imune ao imposto de renda, vez que se caracteriza como entidade de assistência social em razão dos seus associados não contribuírem para os respectivos benefícios, cujos ônus são arcados integralmente pela patrocinadora. A decisão acima está de acordo com a Súmula n° 730 do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a imunidade para as entidades de previdência privada que não cobram de seus beneficiários, verbis: "A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "C", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários". Fl. 354DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 19740.000357/200575 Acórdão n.º 1103001.132 S1C1T3 Fl. 355 5 Sendo imune a entidade, não há que se discutir exceções as isenções instituídas pelas Leis 8.383/91 ou 9.532/97, porque não se pode nem falar em competência tributária para instituição e isenção do imposto de renda. A argumentação do voto é no sentido de que, primeiro, como a contribuinte tem decisão favorável por ser entidade fechada de previdência privada que não se beneficia de contribuição dos beneficiários, mas apenas dos patrocinadores, faz jus à imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da Lei Maior. Segundo, conforme a Súmula nº 730, do STF, foi reconhecida a imunidade para as entidades de previdência privada que não cobram de seus beneficiários. E, concluindo, discorre que, tendo sido reconhecida a imunidade da contribuinte pelo Tribunal Superior, a apreciação das isenções dispostas nas Leis nº 8.383, de 1991, ou 9.532, de 1997, tornouse prescindível, razão pela qual negou provimento ao recurso de ofício. Sobre o assunto, há que se registrar que a autoridade autuante já tinha conhecimento (fl. 137 no Termo de Verificação Fiscal) de que a contribuinte tinha decisão favorável transitada em julgado no STF em 14/02/2002, ou seja, antes mesmo do início da ação fiscal, que se deu no ano de 2005. Contudo, para fundamentar a autuação, a Fiscalização argumentou que o decidido pelo Tribunal Superior não teria o condão de atingir o período fiscalizado (anoscalendário de 2000 e 2001), que estaria regido por outra disposição legal, qual seja, a Lei nº 9.532, de 1997. Ou seja, não há que se falar em concomitância, vez que já havia decisão transitada em julgado favorável à recorrente no poder judiciário antes mesmo do início da ação fiscal. E, como já visto, o voto embargado discorre que, sendo imune a entidade, em face da decisão favorável proferida pelo STF, não haveria que se discutir exceções previstas nas isenções instituídas pelas Leis nº 8.383/91 ou 9.532/97, porque não se pode nem falar em competência tributária para instituição e isenção do imposto de renda. Diante do exposto, voto no sentido rejeitar os embargos declaratórios. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 355DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10920.720959/2013-60
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
GRUPO ECONÔMICO
Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes.
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE.
Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas em lei.
TAXA SELIC. LEGALIDADE.
Os juros morato´rios incidentes sobre de´bitos tributa´rios administrados pela Secretaria da Receita Federal sa~o devidos, no peri´odo de inadimple^ncia, a` taxa referencial do Sistema Especial de Liquidac¸a~o e Custo´dia SELIC para ti´tulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-003.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 GRUPO ECONÔMICO Ao verificar a existência de grupo econômico de fato, a auditoria fiscal deverá caracterizá-lo e atribuir a responsabilidade pelas contribuições não recolhidas aos participantes. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas em lei. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros morato´rios incidentes sobre de´bitos tributa´rios administrados pela Secretaria da Receita Federal sa~o devidos, no peri´odo de inadimple^ncia, a` taxa referencial do Sistema Especial de Liquidac¸a~o e Custo´dia SELIC para ti´tulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Restou devidamente comprovado a utilização indevida de empresa com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas em lei. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimple ncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidac ão e Custódia SELIC para títulos federais, nos termos da Súmula 04 do CARF. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 09 59 /2 01 3- 60 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 732DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 732 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Empresa Live Ropuas Esportivas Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. De acordo com a descrição dos fatos, tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização referente às contribuições à seguridade social devidas pela empresa, incluindo o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço do sujeito passivo. Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “O presente Auto de infração originouse com fundamento na Lei nº 8.212/91, art. 33, §6º, uma vez que a escrituração contábil, as folhas de pagamento e as Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência – GFIP apresentadas pelo contribuinte não registravam o movimento real da remuneração dos segurados que lhe prestaram serviços no período objeto da autuação. Conforme a fiscalização foi constatada infração tributária (esquema de sonegação) decorrente da inexistência de separação de fato entre o sujeito passivo, Live Roupas Esportivas Ltda, e a suposta prestadora de serviços, GMJ Confecções Ltda, tributada pelo Simples Nacional.” Após devidamente intimado do lançamento em 15/05/2013, tanto a contribuinte, como a responsável tributária, apresentaram impugnação tempestiva às fls.291/346 e 459/520, respectivamente . No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, a ementa do acórdão de primeira instância restou lavrada nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTE PATRONAL. A remuneração paga a segurados a serviço da empresa constitui fato gerador das contribuições previdenciárias. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. LEGALIDADE. A legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. As empresas que compõem grupo econômico de fato são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários lançados. DECADÊNCIA. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 A existência de esquema fraudulento com o intuito de ludibriar o Fisco afasta a aplicação do prazo decadencial estipulado no CTN, art. 150, § 4º. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido para o Simples Nacional. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. JUROS. No lançamento de ofício, não há previsão legal de aplicação de juros de mora sobre a multa, os quais incidem somente sobre o valor originário atualizado da contribuição REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A DRJ não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal par Fins Penais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.648/702, alegando em síntese : a) Preliminarmente, alega contradição nos fundamentos legais do lançamento, já que o auditor fiscal, ao mesmo tempo em que considerou a empresa GMJ Confecções Ltda. inexistente de fato, vislumbrou a existência de grupo econômico de fato entre essa (GMJ – responsável solidária) e a Live (autuada). b) Argumenta que a opção pela industrialização por encomenda não viola nenhum dispositivo legal, por se tratar de elisão tributária lícita, e não de fraude (simulação) como entende a fiscalização; c) Além disso, que o auditor fiscal agiu ilegalmente ao declarar vínculo laboral entre os empregados da GMJ e a Live. Assegura que o artigo 116, parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/01, impede que órgãos administrativos desconsiderem atos e negócio jurídicos até que sobrevenha lei ordinária regulamentar; d) Quanto à terceirização, ressalta o entendimento dos tribunais quanto à responsabilidade subsidiária das empresas tomadoras dos serviços por eventuais descumprimentos da legislação trabalhista e previdenciária por parte das empresas contratadas; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 733 5 e) Afirma inexistir impedimento legal para que o controle societário da Live e da GMJ seja exercido por membros da mesma família. Diz que as pessoas são livres para manter sociedade em uma ou em diversas empresas, uma vez que a própria Constituição Federal de 1988 estabelece que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. f) Alega que a GMJ compartilha as mesmas instalações que a Live, e que inexistem contratos de locação do referido imóvel, o contribuinte esclarece que o auditor fiscal foi informado pelo sócio administrador da Live da existência de contrato de comodato verbal entre a GMJ e a autuada. g) Alega que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre as multas lançadas, por absoluta ausência de previsão legal, pois os juros somente podem incidir sobre o tributo e contribuições, jamais sobre a multa de ofício. A empresa GMJ Confecções também apresentou recurso voluntário, 572/633, trazendo no mérito as mesmas razões da contribuinte e em preliminar requerendo sua exclusão como responsável solidária. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório Fl. 735DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Ambos recursos voluntários são tempestivos e presentes estão os demais requisitos para a admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálos. Ressalto, contudo, em respeito a economia processual e por trazerem as mesmas razões de mérito, passo a apreciálos em conjunto. Da Responsabilidade Solidária As recorrentes insurgemse contra a configuração de grupo econômico, nos termos em que realizado pela fiscalização tributária. Afirmam que não formam grupo econômico, que não há elementos nos autos que permitam essa conclusão O grupo econômico é aquele composto de duas ou mais empresas, que estejam sob direção única, onde uma, a principal, controla as demais (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT), verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Art. 2º. Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. [...] § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Em outras palavras, grupo econômico é aquele “que se forma entre dois ou mais entes favorecidos direta ou indiretamente pelo mesmo contrato de trabalho em decorrência de existir entre esses laços de direção ou coordenação em face de atividades industriais, comerciais, financeiras, agroindustriais ou de qualquer outra natureza econômica” (Maurício Godinho Delgado. Introdução ao Direito do Trabalho. 2.ed. São Paulo: LTr, 1999, p. 334). Fl. 736DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 734 7 No caso concreto, a fiscalização logrou êxito em delinear os requisitos ensejadores do grupo econômico com relação às empresas recorrentes. Conforme foi descrito no relatório fiscal (ff. 16/38) e na decisão recorrida a fiscalização apresentou todos os elementos de formação e alterações contratuais das recorrentes. Ora, a recorrente Live iniciou suas atividades em 29/05/2002 e sempre mantevese no ramo de indústria e comércio de artigos do vestuário, tal como aponta o seu CNAE atual (14.12601 Confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas e as confeccionadas sob medida). Teve sua sede inicialmente no endereço da Rua 25 de julho 2003, mudando para a Rua Georg Niemann nº 100, em 25/05/2005 (3ª alteração contratual) e para o endereço atual, em 21/07/2008 (6ª alteração contratual), sempre na mesma cidade. Os fundadores foram: Moacyr Rogério Sens, CPF 019.552.33934 e sua esposa Albani Goulart Sens, CPF 258.992.01991, os quais integralizaram paritariamente o capital social no valor de Cem mil reais, sendo importante notar que a administração ficou ao encargo do Sr. Moacyr Rogério Sens, o qual de imediato delegou a gerência e administração da empresa para seu filho, Sr. Gabriel Goulart Sens, CPF 022.550.95980 o qual permaneceu como gerentedelegado até o advento da 4ª alteração contratual, registrada em 13/09/2005, onde registrase a retirada dos fundadores e a transferência das cotas e da administração conjuntamente para o Sr. Gabiel Goulart Sens (99%) e para sua esposa Sra. Joice Francener Sens, CPF 032.271.49907 (1%). Por outro lado, a recorrente GMJ foi levada a registro na Junta Comercial (JUCESC) em 13/02/2006, para exercício de mesmo objeto, qual seja: “ exploração do ramo de confecção e facção”, pelos já referidos sócios fundadores e administradores da LIVE: Gabriel Goulart Sens e Moacyr Rogério Sens; destinandose para essa empreitada industrial o módico e insuficiente capital de Cinco mil reais (inalterado até a presente data) e registrandose sua sede à Rua Georg Niemann nº 100 – sala 01. Importa notar que se trata do mesmo endereço da LIVE, conforme consta na 3ª alteração contratual daquela empresa, levada a registro em 25/05/2005. A distinção de “ sala 01” não descaracteriza esse fato, mormente por se tratar do exercício de atividade industrial. Já a primeira alteração contratual, levada a registro em 07/11/2008, registra a alteração do endereço para Rua Olavo Bilac nº 170 – sala 02 – (endereço atualmente utilizado pela LIVE à exceção da referida sala). Por fim, na segunda alteração contratual, levada a registro em 26/10/2012, alterouse a sede para o endereço atual (Rua Manoel Francisco da Costa nº 1.550) sem que isso tenha implicado nenhuma transferência física e sim apenas uma regularização de um novo acesso ao prédio já antes ocupado. Resta informar que, na mesma 2ª alteração contratual registrada em 26/10/2012, transferiramse 100% das cotas e a administração da sociedade para a (esposa do Sr. Gabriel Goulart Sens) Sra. Joice Francener Sens, remanescendo como sociedade unipessoal até a recomposição do seu quadro societário, sob pena de dissolução em 180 dias. Quanto ao quadro de sócios e administradores, já descritos acima, importa resumir aqui a participação de cada um deles nessas duas empresas, de forma a ficar clara a unicidade do controle de ambas: a) Sr. Moacyr Rogerio Sens: foi sócio (50%) e administrador da LIVE de 29/05/2002 a 13/09/2005, e sócio (90%) e administrador da GMJ de 13/02/2006 a 26/10/2012; Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 b) Sr. Gabriel Goulart Sens: quanto à sua participação na LIVE registrase que foi empregado, durante o período de 02/06/2003 a 19/08/2005 (fonte: CNIS), foi administrador delegado, entre 29/05/2002 e 13/09/2005; é sócio (99%) e administrador esde 13/09/2005; foi ainda sócio cotista (10%) da GMJ de 13/02/2006 a 26/10/2012; c) Sra. Joice Francener Sens: foi sócia (1%) e administradora da LIVE entre 13/09/2005 e 22/10/2012, é sócia (100%) e administradora da GMJ desde 26/10/2012. Inobstante a formalidade da Sra. Joice Francener Sens, como administradora da GMJ, importa notar a histórica existência de procuração (datada de 01 de março de 2006 com cópia anexada ao processo) por meio da qual a GMJ, como outorgante, e Gabriel Goulart Sens, como outorgado, confere poderes para a prática de todos os atos de administração da sociedade, donde se conclui que o outorgado sempre administrou ambas as empresas, haja vista que a GMJ foi constituída e registrada em fevereiro/2006, como antes mencionado. Assim sendo, concluise que essa empresa (GMJ Confecções Ltda., ou GMJ) sempre gravitou junto à Live Roupas Esportivas Ltda. (LIVE), posto que desde a sua fundação sempre ocupou as mesmas instalações físicas, ao longo de todo o período ora fiscalizado, compartilhando sempre os mesmos sócios. Compõe grupo econômico de fato as empresas controladas e administradas conjunta e unitariamente, de forma que se confunde em um grupo de pessoas a administração e controle interno, e a própria atuação de mercado. Foi verificada a confusão na participação acionária, o controle comum da atividade empresarial e a identidade de sede das sociedades. Assim, entendo que houve a demonstração dos requisitos necessários do grupo econômico (art. 30, IX da Lei n° 8.212/91 c/c art. 2º, § 2º da CLT). Devese, portanto, neste ponto, se manter a decisão recorrida lavrada contra o contribuinte. Da Desconsideração da Personalidade Jurídica Podese conceituar a desconsideração da personalidade jurídica como sendo na essência, que em determinada situação fática a Justiça despreza ou “desconsidera” a pessoa jurídica, visando a restaurar uma situação em que chama a responsabilidade e impõe punição a uma pessoa jurídica, que seria autêntico obrigado ou o verdadeiro responsável, em face da lei ou do contrato. Dessa forma, a desconsideração da personalidade é essencial para punir abusos e impedir práticas ilícitas. No Brasil, a desconsideração da personalidade jurídica deu seus primeiros passos com o Código de Defesa do Consumidor, que em seu art. 28, autoriza sua utilização quando houver infração da ordem econômica. Após o Código de Defesa do Consumidor, o segundo dispositivo legal do ordenamento jurídico pátrio a tratar da desconsideração foi a Lei Antitruste (8884/94) que em seu artigo 18 condena as infrações de ordem econômica impondolhes aplicação das devidas sanções. Seguido pelo artigo 4º da Lei 9605/98, que dispõe acerca da responsabilidade por lesões ao meio ambiente. Depreendese dessas elementos normativos, elementos essenciais que são considerados como caracterizadores da desconsideração da pessoa jurídica em favor do consumidor, tais como: abuso de personalidade jurídica, sagradas no desvio de finalidade e na confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 735 9 Nessa senda, destacase o art. 50 do Código Civil, em destaque: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Depreendese da dicção do referido artigo que é necessário utilizarse desse aparato jurídico em algumas situações definidas em Lei. Dessa maneira, as hipóteses de aplicação da desconsideração da personalidade jurídica merecem apreciação. Como acima descrito, as hipóteses da aplicação podem ser: abuso de personalidade jurídica desvio de finalidade e confusão patrimonial; comportamento doloso e fraudulento. Na hipótese de desvio de finalidade e confusão patrimonial. Considerase que o desvio de finalidade concretizase no objetivo diferente do ato constitutivo para prejudicar alguém; mau uso da finalidade social, ou seja, é a ação contrária à prevista em nosso ordenamento, tentando protegerse através da figura pessoa jurídica. Por outro lado, a confusão patrimonial existente entre o sócio e a pessoa jurídica consiste na mistura do patrimônio social com o particular do sócio, causando dano a terceiro, de tal modo que é essencial para utilização da desconsideração, pois, sua ação incide diretamente nessa separação patrimonial. Frisese que esses atos advêm diretamente da utilização abusiva da pessoa jurídica e a desconsideração da personalidade jurídica visa possibilitar a transferência da responsabilidade para aqueles que a utilizarem indevidamente. De tal modo, temse que o ato de constituição da pessoa jurídica é um ato jurídico, com isso, é regido pelo Ordenamento pátrio, portanto, são embasados na licitude. Dessa forma, a constituição da pessoa jurídica ou sua utilização para a prática de atos ilícitos é hipótese de desconsideração da pessoa jurídica. Por conseguinte, quando o administrador ou sócios fazem mau uso da finalidade social da pessoa jurídica através de ação danosa ou fraudulenta e causam dano a outrem, usase a desconsideração para penalizálo. Assim sendo, eles serão responsabilizados e seus bens poderão ser atingidos, sem confusão com os bens de patrimônio da pessoa jurídica. Devese respeitar os ditames principiológicos da autonomia patrimonial e admitir o uso desse instituto somente em casos de repressão à fraudes ou de coibição ao mau uso da forma da pessoa jurídica. Ademais, temse o entendimento de que, apesar da possibilidade de aplicação do art. 50 do Código Civil de 2002, a autoridade fiscal possui o poder de apurar o crédito tributário de maneira a afastar a personalidade jurídica face à autorização proveniente do próprio Código Tributário Nacional. Assim, prepondera que essa atitude revela as nuanças de utilização do afastamento da personalidade jurídica. Logo, também, entendese que para a o Ordenamento jurídico Brasileiro, assim como para o direito tributário, fazse presente a possibilidade de aplicação da desconsideração ou da personalidade jurídica. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 Ressalto, contudo, que entendo que a desconsideração só pode ser utilizada em casos extremos, que fique devidamente comprovada a má utilização de estruturas societárias com o escopo de lesar o Fisco ou obter vantagem indevida. Ocorre que, no caso ora em apreço restou devidamente comprovado que a empresa Live utilizouse indevidamente da empresa GMJ com o desiderato único de obter benefício tributário indevido, conforme bem descrito no Relatório Fiscal (fls. 16/38), há de se aplicar o instituto da desconsideração da personalidade jurídica. 33. Outro aspecto preliminar relevante à caracterização da unicidade do empreendimento é alegada inexistência de contratos de locação do imóvel ocupado por ambas. Vejase que na resposta aos respectivos Termos de Intimação Fiscal, ambas alegaram a inexistência de contrato de locação. Quando questionado a esse respeito, o Sr. Gabriel Goulart Sens nos informou que existe um “Comodato” formalizado com o seu pai, Sr. Moacyr Rogerio Sens, porém não apresentou e não soube dizer se havia documento escrito. 34. Obviamente que, em se tratando de duas empresas dos mesmos donos e gestores; para o exercício de mesma atividade industrial; nas mesmas instalações físicas; nítido tartarse de uma só empresa, como adiante se confirmará ante a análise dos demais livros e documentos apresentados: 35. A escrituração contábil dessa empresa aponta o seguinte volume de receitas anuais auferidas pela venda de produtos de fabricação própria e/ou venda de mercadorias (fonte: Livro Diário Geral nº 8, fls. 29 (2008) e Escrituração Contábil Digital (2009 a 2011): 36. O demonstrativo acima aponta um volume de receitas que – por um lado – comprova a impossibilidade da empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL e – por outro lado – nos parece compatível com a estrutura operacional ali identificada e, principalmente, com o volume de pessoas que ali trabalhava, quando de nossa visita inicial. 37. Todavia, analisando as despesas apresentadas nos balancetes anuais (2008 a 2011) vimos que aqueles trabalhadores não aparecem na contabilidade pois não encontramos contas de despesas com pessoal (nem folhas de pagamentos de salários) . 38. Em contrapartida isto é, em substituição às despesas com salários, encontrase o registro contábil de despesas com serviços de industrialização, em montantes anuais compatíveis com o volume de mão de obra empregada pelo sujeito passivo, como a seguir demonstramos (fonte razão das contas citadas): 39. Dentre os custos com serviços de industrialização lançados nestas contas, podemos ver que sua quase totalidade – em valor – diz respeito a faturamento de serviços de industrialização prestados pela GMJ, senão vejamos o ano 2011 (amostragem) onde estão contabilizadas as seguintes notas fiscais emitidas pela GMJ que somam R$ 2.150.957,50 e representam 99,14% do saldo da conta no valor de R$ 2.169.667,84 (fonte: excerto do razão da conta citada cujo número estruturado é 05.1.5.03.024):” Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 736 11 Assim sendo, não merece guarida as alegações dos recorrentes, sendo corretamente aplicada a simulação, afastandose, também, a decadência pleiteada, uma vez que não se aplica o disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Da Compensação Mais uma vez correta está a decisão a quo, visto que há vedação específica atinente à compensação de contribuições previdenciárias, como as aqui constituídas, com recolhimentos indevidos para à sistemática do Simples, consoante Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012: Art.56. (...) §6º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Assim, improcedente as alegações recursais neste tópico. Da Multa Qualificada Atualmente, a lei nº. 9.430/96 é a principal norma disciplinadora das multas punitivas a serem aplicadas no descumprimento das obrigações tributárias federais, nos casos de lançamento de ofício, calculadas sobre a totalidade ou diferença do tributo. Prevê multa de 75%, nos casos de falta de pagamento, recolhimento após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, nos termos do art. 44, I. O inciso II, do art. 44 do mesmo diploma legal ainda impõe a aplicação de multa equivalente a 150% do valor do tributo devido, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. O §2º do mesmo dispositivo ainda prevê o agravamento das multas previstas nos incisos I e II, impondo sanções de 112,5% e 225%, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimações para prestar esclarecimentos e fornecer arquivos e documentos que a Receita Federal exige que sejam guardados pelo contribuinte. O art. 46 estabelece multas de 112,5% e 225% se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos acerca da falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou justificar a falta de recolhimento do imposto lançado ou seu recolhimento após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora. Já a lei nº. 10.852/04, artigo 2º, dispõe que as multas a que se referem os incisos I e II do art. 44 da Lei no 9.430/96, serão de 150% e de 300% respectivamente, nos casos de utilização diversa da prevista na legislação das contas correntes de depósito sujeitas ao benefício da alíquota zero de que trata o art. 8º da Lei no 9.311/96, bem como da inobservância Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 de normas baixadas pelo Banco Central do Brasil de que resultar falta de cobrança da CPMF devida. Como se vê, as leis federais tipificam pesadíssimas multas que podem chegar a até 300% do tributo devido. Com efeito, pela observância das normas descritas, verificase que, somente em caso de comprovação, pelo Fisco, do intuito sonegador, do evidente intuito de fraude, poderá a fiscalização impor sanções qualificadas, agravadas. E não poderia ser diferente em um Estado de Direito. Como já dizia o saudosos mestre Rui Barbosa, "não sigais os que argumentam com o grave das acusações, para se armarem de suspeita e execração contra os acusados. Como se, pelo contrário, quanto mais odiosa a acusação não houvesse o juiz de se precaver mais contra os acusadores, e menos perder de vista a presunção de inocência, comum a todos os réus, enquanto não liquidada a prova e reconhecido o delito." Todavia, no caso em questão, correta a multa aplicada pela fiscalização. Da Taxa Selic A Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicac ão da SELIC. Pretende o reconhecimento neste sentido. O Código Tributário Nacional, em seu art. 161, preve expressamente a possibilidade de lei fixar juros diversos do quanto por ele previsto: Art. 161. O cred́ito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposic ão das penalidades cabíveis e da aplicac ão de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao me s. Em complemento, a Lei n° 8.212/91, em seu art. 89, § 4°, preve : “Art. 89. As contribuic ões sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuic ões instituídas a título de substituic ão e as contribuic ões devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condic ões estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4° O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicac ão da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidac ão e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do me s subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido ate ́ o me s anterior ao da compensac ão ou restituic ão e de 1% (um por cento) relativamente ao me s em que estiver sendo efetuada.” Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10920.720959/201360 Acórdão n.º 2803003.832 S2TE03 Fl. 737 13 Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou entendimento, inclusive mediante Súmula, a respeito da aplicac aõ da SELIC para aplicac ão de juros nos casos referentes às contribuic ões previdenciárias: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o. de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimple ncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidac ão e Custódia SELIC para títulos federais.” Ademais, não cabe a este Conselho discutir quanto ao caráter remuneratório da Taxa SELIC, pois a Administrac ão Pública é regida pelo Princípio da Legalidade e, sendo assim, deve respeito as̀ normas vigentes. Destarte, patente o indeferimento do recurso da contribuinte neste tópico. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer os dois recursos voluntários apresentamos, mas no mérito negarlhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 17/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 11020.911320/2012-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/2008
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 13 20 /2 01 2- 17 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 92 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911320/201217 Acórdão n.º 3802003.771 S3TE02 Fl. 118 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 89), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 92). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.911320/201217 Acórdão n.º 3802003.771 S3TE02 Fl. 119 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10830.011860/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. PROVAS ILÍCITAS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA.
Constatado que o lançamento decorreu da análise das diferenças constatadas entre Declarações apresentadas pelo próprio contribuinte, e não da obtenção de dados de movimentação financeira mediante indevida quebra do sigilo bancário, descabe a alegação de nulidade por provas obtidas ilicitamente.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS.
Não cabe a exclusão da multa por denúncia espontânea (art. 138, do CTN), quando o contribuinte retifica suas declarações no curso do procedimento de fiscalização, e ainda, deixa de efetuar o concomitante pagamento integral do tributo e dos juros de mora aplicáveis.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA.
A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF.
ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS MORATÓRIOS - SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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PROVAS ILÍCITAS. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. Constatado que o lançamento decorreu da análise das diferenças constatadas entre Declarações apresentadas pelo próprio contribuinte, e não da obtenção de dados de movimentação financeira mediante indevida quebra do sigilo bancário, descabe a alegação de nulidade por provas obtidas ilicitamente. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. REQUISITOS. Não cabe a exclusão da multa por denúncia espontânea (art. 138, do CTN), quando o contribuinte retifica suas declarações no curso do procedimento de fiscalização, e ainda, deixa de efetuar o concomitante pagamento integral do tributo e dos juros de mora aplicáveis. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MATÉRIA AFETA AO PODER JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é ato ilícito por omissão, o qual constitui em hipótese de incidência da norma legal punitiva, veiculadora da sanção correspondente a multa de ofício. Adentrar no caráter confiscatório ou na equidade do percentual da multa é matéria que está afeta, antes da criação da norma, ao Poder Legislativo, e após sua aplicação, cogente para a Administração Pública, ao Poder Judiciário, não sendo possível proclamar a ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo na via administrativa, nos termos da Súmula nº 02, do CARF. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 18 60 /2 00 8- 15 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.011860/200815 Acórdão n.º 3402002.509 S3C4T2 Fl. 421 3 Relatório Versam os autos de infração, correspondentes ao anocalendário de 2003 e 2004, relativos à insuficiência de recolhimento ou de declaração de PIS (R$ 130.706,69) e COFINS (474.636,33), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 150%, totalizando o valor de R$1.883.322,85, constatados pelo cruzamento das informações constantes das DIPJ dos anos calendários de 2003 e 2004, apresentadas em versão retificadas após intimação havida no curso da fiscalização, com os dados das DCTF’s e de seus livros diários. A multa de oficio foi aplicada em 150% por entender a autoridade julgadora, a caracterização de fraude ao demonstrar ânimo em fugir da tributação quando do informe em suas DIPJs espontâneas o valor zero, enquanto sua movimentação financeira seria de grande monta, contabilizados nos livros diário dos respectivos anos calendários. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada do Despacho Decisório em 26/11/2008, o contribuinte apresentou sua impugnação em 23/12/2008, alegando como bem narra a DRJ: “1 Que foi efetuado lançamento por suposta insuficiência nos recolhimentos de obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI dos anoscalendário de 2003 e 2004, bem como por omissão de receita por informações relativas a movimentação financeira. 2 Argumenta pela impossibilidade de quebra do sigilo bancário por autoridade administrativa e consequente violação a diversos princípios constitucionais, colacionando doutrina e jurisprudência que entende fundamentar sua alegação. 3 Questiona o alto valor da multa aplicada, sendo caso de denúncia espontânea pelas DIPJ retificadoras apresentadas, bem como por ofender os princípios constitucionais da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, colacionando jurisprudência e doutrina que entende fundamentar suas alegações, bem como postula a aplicação do art. 106 do CTN, citando legislação do Estado de São Paulo. 4 Contesta a utilização da SELIC como forma de calculo dos juros, por entender que apresentam caráter remuneratório, sendo que a legislação apenas permitiria juros de caráter moratório, devendo ser aplicada a taxa de 1% prevista pelo CTN.” DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Em 16/04/2009, através do Acórdão nº 1423.140, restou o processo julgado em primeira instância, no qual a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO) houve por bem em considerar improcedente a impugnação do contribuinte, ementando este entendimento nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria que não tenha sido expressamente contestada. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.23 5/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. RAZOABILIDADE Os princípios constitucionais da proporcionalidade, vedação ao confisco são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. Lançamento Procedente DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão da DRJ em 28/07/2009, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 05/08/2009, argumentando, em resumo, os mesmos fundamentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda que: O sujeito passivo não pretende que seja declarada a inconstitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, mas sim a ilegitimidade do ato da Administração Pública Federal, ao invadir a inviolabilidade de dados. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.011860/200815 Acórdão n.º 3402002.509 S3C4T2 Fl. 422 5 A denúncia espontânea foi configurada por ter sido feita antes de qualquer ação fiscal, e, no tocante a obrigação acessória, apresentou as retificações das DIPJs antes da constituição definitiva do crédito fiscal. Deve ser excluída a penalidade pelo descumprimento da obrigação principal, pois que, com a denúncia espontânea caracterizada, não há a possibilidade de cobrança de quaisquer valores que não seja o principal corrigido. A jurisprudência é pacifica no que diz respeito à impossibilidade de fixação de multa em casos de denúncia espontânea. Pleiteia que, caracterizada a denúncia espontânea, juntamente com a apresentação das DIPJs retificadoras, seja cobrado somente o valor principal com a incidência de atualização monetária e juros de mora. Caso haja entendimento pela manutenção da penalidade prevista para inadimplemento da obrigação principal, que seja configurado o descumprimento da obrigação acessória, tendo em vista a retificação realizada e a possibilidade de fazêlo pela configuração de denúncia espontânea. E ainda, caso não entenda desta maneira, requer a desconsideração da multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que houve retificação das DIPJs antes da constituição do crédito tributário. Alega haver desproporcionalidade da multa punitiva aplicada de 150%, pois que, caracterizada a boa fé da contribuinte, há a necessidade de proporcionalidade entre a norma e o fato ensejador, não podendo gerar sequelas nos princípios da capacidade contributiva e do não confisco e requer a diminuição proporcional para que não prejudique o crescimento econômico do sujeito passivo. Ressalta que a multa não pode possuir fim totalmente arrecadatório. Por fim, requer o acolhimento das alegações contidas em sede de Recurso Voluntario, objetivando a reforma da decisão de Primeira instância, e por consequência a declaração de nulidade do Auto de Infração, bem como o cancelamento do débito reclamado. Não sendo acolhido o requerimento, que seja reduzida a multa a patamar mais próximo a realidade e/ou justo. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 2 (dois) Volumes, numerado até a folha 419 ( quatrocentos e dezenove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O recurso é tempestivo, atendendo aos demais pressupostos de desenvolvimento válido e eficaz, pelo que dele tomo conhecimento. A análise dos autos dá conta de que o lançamento foi procedido após ter a autoridade fiscal intimado o contribuinte a apresentar justificativas para ter apresentado DIPJ’s no período de 2003 a 2006, com dados “zerados”, sendo que o sujeito passivo, espontaneamente, retificou as DIPJ’s dos anos calendários de 2003 e 2004, transmitiu as Declarações voluntariamente, e ainda, ao longo da fiscalização, disponibilizou seu Livro Diário e a apuração com relação ao IPI. Com efeito, está claro que não se trata de lançamento tributário cuja base de coleta de dados tenha sido a movimentação bancária, mas sim, os dados entregues pelo próprio contribuinte, o qual, intimado, poderia optar por entregálos ou não, sob as penas da Lei. Se optou a entregálos, inclusive fazendo coincidir os dados do Livro Diário e das apurações de IPI com os dados informados nas DIPJ’s retificadoras, não há como acolher a pretensão de nulidade dos lançamentos por supostamente estarem calcados em provas obtidas ilicitamente mediante quebra do sigilo bancário. O lançamento corresponde à falta, para alguns meses, e insuficiência, para outros, do recolhimento das contribuições ao PIS e à COFINS, cujos dados para sua apuração foram apresentados pelo próprio sujeito passivo. Assim, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade por suposto uso de provas ilícitas. Segundo na análise recursal, constatase que em momento algum a Recorrente insurgese quanto à constatação de efetivamente serem devidos os valores lançados, mas apenas aponta a preliminar de nulidade acima referenciada, e, após, discute a exacerbada multa aplicada, em virtude de entender estar amparada pela denúncia espontânea, e, em seguida, insurgese contra a aplicação dos juros pela taxa SELIC. Agiu com acerto, assim, a DRJ, ao considerar, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto 70.235/72, que somente são consideradas impugnadas as matérias expressamente contestadas, de modo que se considera definitivamente exigível o principal lançado nos autos de infração. No tocante à pretensão de exclusão da multa de ofício por supostamente a Recorrente ter procedido à denúncia espontânea das suas obrigações, tenho que o art. 138, do CTN não ampara o contribuinte no caso em concreto, pois que o mesmo transmitiu as DIPJ’s retificadoras quando já estava sob procedimento de fiscalização. Além disso, não fez acompanhar a transmissão das Declarações, com o pagamento integral do tributo e dos juros de mora. Desta forma, a própria literalidade do dispositivo citado (art. 138, do CTN), afasta a possibilidade de se deferir a Recorrente o direito à exclusão da multa de ofício aplicada. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10830.011860/200815 Acórdão n.º 3402002.509 S3C4T2 Fl. 423 7 Já no tocante ao agravamento da multa de ofício, embora seja bastante criterioso na sua aceitação por se tratar de uma pena extrema, tenho que a postura do contribuinte de ter apresentado “zerada” durante 04 anos calendários as suas DIPJ’s, e apenas ter retificado as informações no curso da fiscalização e após ser intimada para tanto, caracteriza a hipótese do art. 71, da Lei nº 4.502/64, que assim pontua: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Entendo que este procedimento adotado pelo contribuinte importa em “sonegar” informações ao Fisco, de modo a, dolosamente, impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento do Poder Público da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Consequentemente, tenho que deve ser mantida a qualificadora da multa, pois que de acordo com a exigência legal contida no art. 44, da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007): (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 303, de 2006) Já com relação à alegação de multa confiscatória, descabe a solicitação de cancelamento ou redução por tratarse de multa decorrente de lançamento de ofício e os percentuais decorrerem da Lei 9.430/96, em seu art. 44, já citados. Para se atender ao requerimento da Recorrente, terseia que declarar a inconstitucionalidade de preceito legal, o que é vedado à Administração, nos termos da Súmula 02, do CARF. Não há que se falar em aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, alínea “c” do CTN por não haver lei nova que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 No tocante aos argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade suscitados pela Recorrente, assim como quanto à alegação de que teria havido violação aos postulados da proporcionalidade, bem como ao principio do não confisco (pelo elevado valor da multa aplicada) e ofensa a Constituição Federal, cabe esclarecer que, nos termos da Súmula 02, já citada, ao CARF falece competência para apreciar a arguição e declarar ou reconhecer inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. Com relação aos juros de mora exigidos com base na taxa SELIC, igualmente não assiste razão à Recorrente, já que incide na espécie o verbete da Sumula nº 04, do CARF, a qual reza que: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” Assim sendo, na esteira das considerações e fundamentos expostos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Jr. – Relator. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912304/2012-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/04/2009
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 23 04 /2 01 2- 41 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. Não há previsão legal para retificação de DCOMP por meio de manifestação de inconformidade. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), identificando, em tese, incorretamente o valor do crédito. O valor do crédito original informado não era suficiente para a quitação o débito, já que teria sido integralmente utilizado em outros débitos. Apesar de afirmar o erro, não retificou a Per/Dcomp, supostamente por não ter conseguido fazêlo em razão da superveniência de decisão administrativa. A DRJ manteve a não homologação, porque não houve comprovação, por meio de documentação hábil, idônea e suficiente, do erro no preenchimento da declaração. A Recorrente, nas razões de fls. 59 e ss., alega que teria tentado retificar o PER/Dcomp, corrigindo o valor original do crédito inicial, do crédito acumulado e do saldo do crédito original. Porém, devido à superveniência do despacho decisório, não conseguiu transmitir a retificação. Sustenta ter direito à retificação, bem como a veracidade do direito de crédito. Apresenta como prova do direito de crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Pleiteia, assim, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912304/201241 Acórdão n.º 3802003.783 S3TE02 Fl. 85 3 O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 04/11/2013 (fls. 56), interpondo recurso tempestivo em 29/11/2013 (fls. 59). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A compensação, consoante destacado, não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido. (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.912304/201241 Acórdão n.º 3802003.783 S3TE02 Fl. 86 5 (CARF. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. (CARF. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o Recorrente limitouse a apresentar como prova da “veracidade” do crédito: “a) INCONFORMIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) PERDCOMP ORIGINAL transmitida; c) PERDCOMP RETIFICADORA não transmitida por motivo de impedimento acima identificado; d) Comprovante de Arrecadação; e) Última alteração Contratual; f) Procuração; d) Cópias C.I. Responsável Legal e do Procurador”. Tais documentos, contudo, são insuficientes para demonstrar a liquidez e a certeza do direito de crédito, porque apenas veiculam a insurgência do Recorrente em face do despacho decisório (item “a”), comprovam o preenchimento do PER/Dcomp retificado (item “b” e “c”), a regularidade da representação do Recorrente (itens “e”, “f” e “d”), bem como o pagamento do Darf (itens “d”). Estão distantes, como se vê, de qualquer relação de pertinência com a prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 19740.000025/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em converter o julgamento do processo em diligência nos termos do voto da relatora.
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em converter o julgamento do processo em diligência nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Elias Fernandes Eufrásio.
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ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em converter o julgamento do processo em diligência nos termos do voto da relatora. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, José Henrique Mauri, José Maurício Carvalho Abreu e Elias Fernandes Eufrásio. Por bem relatar, adotase o Relatório dos autos emanados da decisão DRJ/RJ2, por meio do voto da relatora Maria Aparecida da Silva Corrêa, nos seguintes termos: “Versa o presente processo sobre Manifestação de Inconformidade apresentada pelo interessado em epígrafe (fls. 279 a 312) contra Decisão exarada pela DEINF/RJO que indeferiu os pedidos de restituição, constantes dos Per/Dcomps listados a seguir: PER/DCOMP PA TRIBUTO VALOR DT ARREC. 17081.26338.140705.1.2.048640 06/2000 PIS 163.144,29 14/07/2000 22327.71460.140705.1.2.043789 06/2000 COFINS 752.973,66 14/07/2000 8936.08049.120805.1.2.045631 07/2000 PIS 178.258,20 15/08/2000 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 40 .0 00 02 5/ 20 07 -5 2 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 32 2 37396.03251.120805.1.2.044175 07/2000 COFINS 822.730,13 15/08/2000 28312.70617.140905.1.2.040662 08/2000 PIS 84.402,25 15/09/2000 02957.33286.140905.1.2.041232 08/2000 COFINS 284.325,22 15/09/2000 09375.06526.131005.1.2.044863 09/2000 PIS 148.004,36 13/10/2000 14113.03462.131005.1.2.047757 09/2000 COFINS 598.636,18 13/10/2000 11895.35679.131005.1.2.046260 10/2000 PIS 194.293,37 14/11/2000 01750.03359.131005.1.2.048984 10/2000 COFINS 808.143,05 14/11/2000 40297.15706.131005.1.2.048936 11/2000 PIS 232.967,23 15/12/2000 11289.41003.131005.1.2.041646 11/2000 COFINS 994.073,86 15/12/2000 23121.07369.131005.1.2.044110 12/2000 PIS 279.206,38 15/01/2001 01376.70391.131005.1.2.049950 12/2000 COFINS 1.217.857,22 15/01/2001 No Parecer Conclusivo nº 0016/2007 (fls. 268/273) consta, em resumo, que: . O interessado pleiteia a restituição de pagamentos efetuados supostamente a maior a título de PIS Programa de Integração Social e COFINS — Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no período de apuração referente a junho a dezembro de 2000 (fls. 02 a 30), nos valores respectivos de R$ 1.280.276,08 e R$ 5.478.739,32. . No documento de fls. 47/51 o Interessado justifica o pedido de acordo com os seguintes argumentos: 1 Os pedidos de restituição de PIS e COFINS estão amparados no artigo 165 do CTN, que assegura o direito à restituição dos tributos pagos indevidamente ou a maior que o devido pelos contribuintes, sendo que em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do direito de pleitear a restituição somente ocorre após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita, conforme dispõem os artigos 168 c/c 150, parágrafo 4º do CTN. 2 Alega que a jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria, que inclusive já decidiu que o artigo 32 da LC 118/05 não tem caráter meramente interpretativo, entendeu que por se tratar de norma jurídica nova somente produzirá efeitos a partir de 09/06/05. 3 Quanto ao pedido de restituição de COFINS argumenta que efetuou recolhimentos dos meses de maio a dezembro de 2000 nos termos da Lei nº 9.718/98, entretanto esta Lei foi publicada e entrou em vigor antes da edição da Emenda Constitucional nº 20/98, quando o inciso I do artigo 195 da Constituição Federal só autorizava a instituição de contribuição social sobre o faturamento, que conforme jurisprudência do STF corresponde à "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços" (Recurso Especial n2 150.755/PE). 4 Ressalta ainda, que o Plenário do STF quando do exame da base de cálculo ampliada pela Lei nº 9.718/98 no Recurso Especial nº 346.084 julgou inconstitucional a ampliação da mencionada base de cálculo. 5 O Interessado entende que tem direito à restituição dos valores pagos indevidamente a titulo de Cofins sobre outras receitas que não as decorrentes de “venda de mercadorias (...) venda de serviços, ou de mercadorias e serviços". 6 Conclui que o "valor da restituição" indicado nas Per/Dcomp corresponde à soma dos valores originais recolhidos indevidamente pelo Interessado relativamente aos meses Fl. 570DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 33 3 de junho a dezembro de 2000, sobre receitas que não decorrem da venda de mercadorias e da prestação de serviços, exceto as receitas financeiras, objeto de pedido de restituição judicial. 7 Quanto ao pedido de restituição de PIS, o Interessado afirma que efetuou recolhimentos de contribuição ao PIS relativo aos meses de maio a dezembro de 2000 nos termos da Lei nº 9.718/98. Alega que o STF assentou o entendimento de que o fundamento de validade reside no artigo 239 da CF, que a recepcionou tal como prevista pelas Leis Complementares nº 7/70 e 8/70. 8 Por outro lado, a Lei nº 9.718/98 foi publicada e entrou em vigor antes da edição da EC 20/98, quando o inciso I do artigo 195 da CF/88 só autorizava a contribuição social sobre o faturamento, que conforme jurisprudência do STF corresponde à "receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços" (RE 150.755/PE). 9 Por fim, pretende o Interessado ter o direito à restituição dos valores. . Não encontrou divergência nos Demonstrativos da Base de Cálculo, tanto do PIS quanto da Cofins (fls. 59/63 e 68/70, respectivamente) quando confrontados com os recolhimentos sobre outras receitas que não aquelas, diante da inconstitucionalidade da exigência, e já reconhecido pelo Supremo no julgamento do RE 346.084. . Concluiu, assim, que o recolhimento foi calcado na legislação fiscal vigente e pela ausência de matéria a ser examinada. E, também, não ter sido possível enquadrar em qual inciso o interessado estaria se utilizando para o pleito em referência. . Face à inexistência de erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS apurada nos meses de junho a dezembro de 2000, ou de pagamento indevido ou a maior que o devido, ou ainda, a ausência ação judicial transitada em julgado, em que o referido contribuinte fosse parte, que o justificasse, inferese que o Interessado obedeceu rigorosamente os ditames legais, quando efetuou os recolhimentos a titulo de PIS e Cofins. . Em visita ao sítio do STF (www.stf.gov.br) ficou evidenciado que no Recurso Extraordinário retromencionado, o Interessado não é parte interessada, portanto não sendo alcançado pelo "decisum". . O julgado alcança somente as empresas autoras dos recursos extraordinários já julgados. . Não cabe a autoridade administrativa ampliar efeitos de julgado que tem eficácia somente interpartes. . O "pedido de restituição" carece da fundamentação que se faz necessária para a análise do pleito, pelo que foram indeferidos os pedidos de restituição contidos nos Per/Dcomp. Por tal motivo, foi proferido o Despacho Decisório de fls. 274, por meio do qual foram indeferidos os pedidos de restituição. Após a ciência em 12.03.2007 (fls. 278), inconformada com a Decisão, a interessada apresentou em 04.04.2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 279 a 312, na qual aduz em síntese que: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 34 4 . As contribuições ao PIS e COFINS relativas aos meses de competência de junho a dezembro de 2000, foram indevidamente recolhidas com base na Lei n° 9.718/98. . A decisão proferida pela Deinf/RJ contraria frontalmente o entendimento pacifico sobre a questão tanto do Conselho de Contribuintes como do Superior Tribunal de Justiça. . Não sustentou o efeito vinculante da decisão do STF, apenas demonstrou que este Órgão já declarou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo prevista na Lei nº 9.718/98. . A própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconhece no Parecer PGFN/CRF n° 439/96, que haverá de merecer consideração da instância administrativa "quando pacificada, acima de toda dúvida, a jurisprudência, pelo pronunciamento final e definitivo do STF": . Resta claro pelos documentos acostados aos autos que a pretensão do impugnante é de obter a restituição de valores pagos indevidamente, nos termos do artigo 165, I do Código Tributário Nacional. . O Impugnante juntou aos autos os DARF comprobatórios dos recolhimentos indevidos de PIS e de COFINS, mas também as respectivas planilhas demonstrativas das bases de cálculo sobre as quais foram calculadas e recolhidas as contribuições, respectivamente, e também os Balancetes referentes a junho a dezembro/2000, contendo todos os elementos e informações relativos à comprovação do direito pleiteado. Tais documentos, não deixam dúvidas de que o Impugnante efetuou recolhimentos a título de PIS e COFINS calculados sobre base de cálculo diversa da constitucionalmente prevista (faturamento — receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços), fazendo jus, portanto, à restituição dos valores recolhidos indevidamente a maior. . Nos valores pleiteados de COFINS nos meses de junho e julho incluiu, por equivoco, respectivamente, os montantes de R$ 108.284,46 e R$ 101.965,90, correspondente as receitas financeiras, que são objeto de pedido de restituição judicial (doc. 04). Desse modo, os valores objeto do pedido de restituição relativamente a esses meses devem ser retificados de R$ 752.973,66 para R$ 644.689,20 (junho) e de R$ 822.730,13 para 720.764,23 (julho). . Também tem direito à restituição dos valores pagos indevidamente a título de contribuição ao PIS sobre outras receitas que não aquelas, diante da inconstitucionalidade da exigência sob este enfoque, como já reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 346.084, ou à restituição dos valores pagos indevidamente a título de PIS que excedeu ao que seria devido à alíquota de 5% do imposto de renda devido, como estabelecido pela LC 7/70. . O Impugnante juntou planilhas demonstrativas dos valores indevidamente recolhidos a maior que pretende ver restituídos, tanto a titulo de PIS como de COFINS (doc. 5). . O conteúdo e o alcance da expressão faturamento referese a vendas de mercadorias, produtos ou serviços compreendendo o montante das receitas geradas por estas operações. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 35 5 . O conceito de receita bruta é mais amplo que o de faturamento. . Quando da publicação da Lei n° 9.718/98 não existia qualquer norma constitucional que outorgasse à União Federal competência para a criação de uma contribuição sobre receitas, de modo que referida lei era inválida quando de sua edição, não podendo ser convalidada, uma vez que a EC n° 20/98 é posterior à edição da Lei n° 9.718/98, não tendo assim o condão de "fazer desaparecer" os vícios de inconstitucionalidade de que padecia aquele diploma legal, antes evidenciandoos. . É inconstitucional e ilegal a ampliação da base de cálculo da COFINS veiculada pelo parágrafo 1º do art. 3° da Lei n° 9.718/98, de modo que a exação deveria ter sido recolhida sobre o faturamento do Impugnante nos termos em que definido pelo art. 2° daquele diploma legal combinado com a LC 70/91. . Somente encontram compatibilidade com a Constituição Federal as disposições contidas na Lei Complementar n° 7/70, e alterações válidas ocorridas até o advento da CF/88. . Tinha o direito de promover o recolhimento da contribuição devida ao PIS calculada sobre o valor do seu imposto de renda, por força do art. 239 da Constituição Federal. . É inconstitucional a alteração e ampliação da base de cálculo da contribuição ao PIS veiculada pela Lei n° 9.718/98, devendo ser reconhecido o direito do Impugnante à restituição do que recolheu a maior em comparação ao que seria devido nos termos da LC 7/70. . Ter direito à restituição dos valores pagos indevidamente a título de contribuição ao PIS sobre outras receitas que não as referentes à venda de mercadorias e/ou serviços ou à restituição dos valores pagos indevidamente a título de PIS que excedem ao que seria devido à alíquota de 5% do imposto de renda devido, como estabelecido pela LC 7/70. Ao final requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório (fls. 274/275), com o deferimento dos pedidos de restituição formulados retificando apenas os pedidos de restituição de COFINS de junho e julho, respectivamente de R$ 752.973,66 para R$ 644.689,20 e de R$ 822.730,13 para R$ 720.64,23.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1340.068 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA LEGAL. As arguições de inconstitucionalidade não são oponíveis na esfera administrativa, incumbindo ao Poder Judiciário apreciálas. É vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nos casos de existência de decisão em processo judicial em que a Interessada faça parte, ou na ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Na hipótese do inciso I, o sentido de "decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal" deve ser concebido apenas como decisão que tenha por lei o atributo de valer "para todos". Fl. 573DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 36 6 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718, DE 1998, ART. 3º, § 1º. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, nos termos do art. 472 do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA Sujeita se à norma de incidência da Contribuição a receita bruta oriunda da atividade remunerada de natureza securitária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2000 RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE DA EMPRESA Sujeitase à norma de incidência da Contribuição a receita bruta oriunda da atividade remunerada de natureza securitária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF em 17/10/2012, em 31 páginas, onde alega em síntese o seguinte: I – Da Decisão Recorrida; II – Dos Pedidos de Restituição. III – A Correta Interpretação da Decisão do Supremo Tribunal Federal IV – O conceito de Faturamento não se altera em função do objeto social da pessoa jurídica. V – A definição do GATS altera a competência tributária. VI – Faturamento e o objeto social de empresas seguradoras. VII – Da necessidade, quando menos, de sobrestamento do presente processo. VIII – Pedido – Pede e espera a Recorrente seja dado provimento ao presente recurso para que, reformandose a r. decisão recorrida, sejam deferidos os pedidos de restituição formulados ou, quando menos, seja reconhecido que as receitas ou, quando menos, seja reconhecido que as receitas financeiras (exceto quanto à COFINS, porque objeto de ação judicial) e outras que não decorram do objeto social da Recorrente não integram a base de cálculo das contribuições referidas, deferindose a restituição nos moldes pleiteados, ou ainda, caso assim não se entenda, que seja, sobrestado o presente processo até julgamento final do Recurso Extraordinário nº 609.096, como medida de Direito e de Justiça. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19740.000025/200752 Resolução nº 3101000.391 S3C1T1 Fl. 37 7 Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Como se pode observar trata o litígio dos autos sobre a incidência do PIS/COFINS sobre as receitas de Prêmio de Seguros, ou receitas securitárias da Recorrente, bem como sobre receitas financeiras. Entretanto, o voto condutor da decisão recorrida, não entrou no mérito da incidência das contribuições sobre as receitas financeiras, por entender que esse assunto estava sendo tratado na ação judicial noticiada nos autos. Porém, a Recorrente alerta para o fato de que apenas está discutindo na Justiça a incidência da COFINS sobre as receitas financeiras. Em julgamento, surgiu a dúvida sobre se a referida ação trata apenas da COFINS ou do PIS. Também, se existiria uma ação da Recorrente sobre a incidência do PIS sobre as receitas financeiras. Contudo, determinou o colegiado em converter o julgamento em diligência para que o processo retorne a DRF para sanar a dúvida acima apontada. Realizada a diligência, que retorne os autos ao CARF para julgamento. Esse é o voto. Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 575DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 25 /11/2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 35331.001058/2005-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2004
NORMAS GERAIS. AUTUAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. OBJETO. AUSÊNCIA.
O lançamento consiste no procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.
No presente caso, apesar da busca de informações sobre os fatos motivadores da autuação, junto à fiscalização, não restou comprovada, de forma clara e, muito menos, precisa, os fundamentos que motivam a acusação de descumprimento da obrigação tributária acessória, razão do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Sustentação oral: Guilherme Bonfim Mario. OAB: 96.912/RJ.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/12/2004 NORMAS GERAIS. AUTUAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. OBJETO. AUSÊNCIA. O lançamento consiste no procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No presente caso, apesar da busca de informações sobre os fatos motivadores da autuação, junto à fiscalização, não restou comprovada, de forma clara e, muito menos, precisa, os fundamentos que motivam a acusação de descumprimento da obrigação tributária acessória, razão do provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Guilherme Bonfim Mario. OAB: 96.912/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1691; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35331.001058/200526 Recurso nº 252.603 Voluntário Acórdão nº 2301004.249 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2014 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente TRD SERVIÇOS E ADMINISTRAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2004 NORMAS GERAIS. AUTUAÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. FUNDAMENTAÇÃO. OBJETO. AUSÊNCIA. O lançamento consiste no procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. No presente caso, apesar da busca de informações sobre os fatos motivadores da autuação, junto à fiscalização, não restou comprovada, de forma clara e, muito menos, precisa, os fundamentos que motivam a acusação de descumprimento da obrigação tributária acessória, razão do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Sustentação oral: Guilherme Bonfim Mario. OAB: 96.912/RJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 33 1. 00 10 58 /2 00 5- 26 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.001058/200526 Acórdão n.º 2301004.249 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Natal/RN, fls. 074, que julgou procedente a autuação, efetuada por descumprimento de obrigação tributária legal assessória, nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DEFESA TEMPESTIVA. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. Encontrase relacionada, na legislação previdenciária, a obrigação acessória da empresa de informar mensalmente, ao Instituto nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio da GFIP, dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do órgão. Art. 32, inciso IV e § 3º, da Lei nº 8.212/91, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º, do RPS (aprovado pelo Decreto nº 3.048/99). AUTUAÇÃO PROCEDENTE Para esclarecimento, a autuação, segundo a fiscalização, Relatório Fiscal (RF), fls. 006, foi lavrada devido à recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Legislação, no período de 01/1999 a 06/2004. O motivo da autuação, em síntese, foi a ausência de dados nas GFIP´s referentes a pagamentos a segurados empregados e contribuintes individuais. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos, detalhados e claros no RF e nos demais anexos. A recorrente obteve ciência da autuação em 23/12/2004, fls. 030. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 032, acompanhada de anexos, onde alegou, em síntese, que: 1. A regra decadencial deve ser a determinada no Código Tributário Nacional (CTN); 2. Há erros na expedição dos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF), motivo de nulidade; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 3. Não foi dada ciência à recorrente no início do procedimento fiscal; 4. Não houve a indicação do código de acesso à Internet que permitisse a identificação do MPF; 5. No sítio da Previdência Social na internet há a informação de que não havia ação fiscal em andamento; 6. Os vícios apontados geram a nulidade do processo; 7. Outro vício é que todos os MPF foram enviados de uma só vez à recorrente; 8. Há duplicidade na autuação; 9. Não foi informado o documento com dados incorretos que ensejou a autuação; 10. A multa deveria ser de, no máximo, R$ 99.102,12 (Portaria 727/2003); 11. A reincidência, para agravamento da multa, foi fundamentada em autos de infração que ainda estão sendo discutidos administrativamente; 12. Requer, em síntese, o acolhimento das preliminares e a desconstituição da autuação; 13. O MPF não foi renovado corretamente; 14. A autuação ocorreu fora dos limites consignados no MPF; 15. O fundamento para aplicação da multa não está correto; 16. O Fisco não demonstrou quais foram as falhas que motivaram a autuação, citou, mas não demonstrou, cerceando direito de defesa da recorrente; 17. A imposição do valor da multa por ato administrativo não pode prevalecer, pois fere o Princípio da Legalidade; 18. Aplicar portaria com valores atualizados a fatos que ocorreram em data anterior é quebrar o princípio da irretroatividade; 19. Isto posto, requer, em síntese, o acolhimento de seus argumentos. A DRP analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 088 a 0119, em que há a renovação de apresentação dos argumentos constantes da defesa, Fl. 358DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.001058/200526 Acórdão n.º 2301004.249 S2C3T1 Fl. 4 5 somados ao argumentos de: a) desproporcionalidade na multiplicidade de NFLD`s; b) a obrigação acessória foi cumprida; c) espera a reforma da decisão. Posteriormente, a DRP emitiu ContraRazões, fls. 0152 a 0158, posicionando se, em síntese, pela manutenção da decisão. A recorrente anexou documentação solicitando intimação para sustentação oral, fl. 0160. A Segunda Câmara de Julgamento (CAJ), do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) emitiu decisório, 00076, fls. 0166 a 0168, para que ocorresse diligência, a fim de se verificar pressupostos de admissibilidade. A DRP emitiu resposta à CAJ, fls. 0177. A recorrente anexou documentação, fls. 0233. A Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes converteu o julgamento em diligência, a fim de conhecer o resultado sobre a decisão nos processos referentes às obrigações tributárias principais, fls. 0276 a 0278. A Delegacia respondeu ao questionamento, informando que os processos encontramse no CARF em diversas situações, mas não cientificou a recorrente dessa informação, nem concedeu prazo para apresentação de argumentos. A Primeira Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção, analisou os autos e, novamente, converteu o julgamento em diligência, a fim de que o resultado da primeira diligência fosse comunicada ao sujeito passivo e fosse oportunizada a apresentação de suas razões. O sujeito passivo apresentou manifestação, alegando, em síntese, que: 1. A multa deve ser revista, conforme determina o I, Art. 32 A, da Lei 8.212/1991, conforme determina o Art. 106 do CTN; 2. O Fisco utilizou de informações colhidas em medida cautelar de busca e apreensão requerida pelo Ministério Público Federal, que tinha como objetivo verificar atuação de servidor; 3. Assim sendo, o Fisco não poderia ter utilizado dessas provas, pois não havia autorização judicial para tanto, para lavratura da presente autuação; 4. A medida judicial autorizou a refiscalização, mas para o período de 01/1994 a 03/1999, pois esse era o período atingido pela medida judicial de busca em comento; 5. Portanto, para período distinto, as provas foram obtidas por meio ilícito; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 6. As questões de ordem pública, como a citada acima, podem ser argüidas a qualquer tempo; e 7. Por fim, pede e aguarda deferimento de seu pleito. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35331.001058/200526 Acórdão n.º 2301004.249 S2C3T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de suas razões recursais. PRELIMINAR Um argumento, informação, constante das peças do sujeito passivo é de que se trata de procedimento de refiscalização. Na análise dos autos, decidimos verificar – a fim de analisar a questão e responder – a documentação sobre o assunto. No RF, fls. 006, não há informação alguma sobre a questão. Já nos Mandados de Procedimentos Fiscais (MPF), fls. 012 em diante, há informação de que “a ação de revisão encontrase prevista no artigo 149, IX, da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional).” CTN: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial.” Já é pacífico em nossas decisões que os lançamentos com base no IX, Art. 149, CTN, devem ser motivados, a fim de se respeitar o devido processo legal e dar fundamento ao lançamento, com a indicação dos motivos que o possibilitem. “NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149 CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA NOTIFICAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. O reexame de mesmo fato Fl. 361DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 gerador, já devidamente contemplado por fiscalização anterior, em relação ao mesmo período, com a conseqüente constituição de crédito tributário exigindo diferenças de tributos não apurados na ação fiscal primitiva, representa por si só revisão de lançamento, independentemente da opção das formas/tipos de procedimentos adotados nas duas oportunidades. (Acórdão 2401001.569 – Relatora: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA) Este colegiado também já analisou essa questão, posicionandose de forma idêntica: “REFISCALIZAÇÃO. NECESSIDADE DE APONTAR OS PRESSUPOSTOS FÁTICOS E JURÍDICOS EXIGIDOS PELO ART. 149 DO CTN. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impo ndo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em o bservância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da aut uação. Acórdão: 2301004.213 – Relator: MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR. Portanto, por estar provado, pela informação produzida pelo Fisco no MPF, que se tratou de refiscalização e pelo procedimento não estar motivado, com a subsunção do fato à norma, o lançamento é improcedente. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, conheço do recurso e voto por seu provimento, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900351/2006-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 51 /2 00 6- 04 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10660.900351/200604 Acórdão n.º 3801004.577 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 03/1 2/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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