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Numero do processo: 17546.000998/2007-62
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Numero da decisão: 9202-002.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO § 4°, ART. 150, DO CTN. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 09 98 /2 00 7- 62 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCELO OLIVEIRA, GUSTAVO LIAN HADDAD, ELIAS SAMPAIO FREIRE, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, GONCALO BONET ALLAGE, SUSY GOMES HOFFMANN. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 17546.000998/200762 Acórdão n.º 9202002.644 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0312, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0303, que decidiu dar provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003 DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa fere a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003 RELATÓRIO FISCAL QUE RELATA A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, APRESENTA A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO TRIBUTO LANÇADO E ENFOCA A APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU ATROPELO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL INOCORRÊNCIA. Não se vislumbra cerceamento ao direito do defesa do sujeito passivo ou mesmo transgressão ao princípio da verdade material, quando a apuração fiscal se dá com base nos elementos fornecidos pela empresa e as peças que compõem o lançamento disponibilizam ao contribuinte os elementos necessários ao pleno exercício faculdade de impugnar a exigência fiscal. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2001 a 30/11/2003 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 PRAZO DECADENCIAL EXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO OU IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR ESSE FATO. APLICAÇÃO DO § 4. DO ART. 150 DO CTN. Constatandose antecipação de recolhimento ou quando, com base nos autos, não há como a se concluir sobre essa questão, devese aferir o prazo decadencial pela regra constante do § 4. do art. 150 do CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 10/2001. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não acolhia a decadência. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Wilson Antônio Souza Corrêa, Rycardo Henrique Magalhães de oliveira e Igor Araújo Soares, que consideram ser irrelevante a antecipação de pagamento. II) Por unanimidade de votos: a) rejeitar as demais preliminares; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. Em síntese, o litígio em questão referese a qual das regras decadenciais, expressas no CTN, deve ser aplicada: a do § 4º, Art. 150 do CTN, ou a do I, Art. 173 do CTN. Em seu recurso especial a nobre PGFN alega, em síntese, que: 1. Restando inviável concluirse pela existência ou não de recolhimento de contribuições aplicase a regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN; 2. Como não há antecipação de pagamento a decisão está equivocada, já que aplicou a regra determinada no não § 4º, Art. 150 do CTN, quando deveria aplicar a regra determinada no I, Art. 173 do CTN; e 3. Ante o exposto, solicita o acolhimento e o provimento de seu recurso. Por despacho, fls. 0325, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo, apesar de devidamente intimado, não apresentou suas contra razões ou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável. Ressaltese, por fim, que há petição sobre a desistência do seu recurso, devido a pagamento integral, mas os pagamentos apresentados possuem códigos de recolhimento equivocados, o pagamento referese a valores do provimento parcial dado pela decisão recorrida e que o recurso é da PGFN, portanto, o recurso deve ser apreciado e os pagamentos, em tese, poderão ser aproveitados, quando da execução do julgado, após análise da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 17546.000998/200762 Acórdão n.º 9202002.644 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com divergência comprovada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. O cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual regra decadencial, presentes no CTN, aplicarseá, a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN ou a constante do I, Art. 173 do CTN. Para a recorrente, a regra a ser aplicada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, pois não houve a necessária e obrigatória antecipação parcial de pagamento nas rubricas lançadas. Para o acórdão recorrido devese aplicar a regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 361DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele Fl. 362DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 17546.000998/200762 Acórdão n.º 9202002.644 CSRFT2 Fl. 5 7 em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Antes de decidir sobre qual regra decadencial utilizar, cabe deixar claro que o fato gerador da contribuição previdenciária é a totalidade da remuneração paga ou creditada pelos serviços, independentemente do título que se lhe atribua, tanto em relação ao tomador do serviço (empresa), quanto do segurado contribuinte. Portanto, para a definição da regra decadencial, devemos levar em conta se houve alguma antecipação de pagamento, não por tipo de remuneração (levantamento) pois é a totalidade desses pagamentos que se denomina SaláriodeContribuição (SC), que é todo e qualquer pagamento ou crédito feito ao segurado, em decorrência da prestação de serviço, de forma direta ou indireta, em dinheiro ou sob a forma de utilidades, habituais em relação ao segurado empregado. Elucidativo o texto contido em decisão proferida na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), processo 10640.001896/200747, pelo nobre Conselheiro Francisco Assis de Oliveira Júnior: “Feitas essas considerações, para solução da lide ora proposta, ainda resta dirimir a questão relacionada ao recolhimento específico da rubrica eventualmente lançada, conforme defende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, ou se seria suficiente para caracterização de pagamento antecipado o recolhimento genérico relativo aos valores consolidados na folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo. Em relação à essa matéria, creio que a solução mais adequada deve considerar a regra matriz relacionada efetivamente à definição de qual seria a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, observamos que à luz do que dispõe o inciso I do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, o elemento jurídico a ser considerado para efeito de análise do recolhimento total ou parcial referese à remuneração total paga, devida ou creditada aos segurados pelo empregador: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: 6 I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Nesse sentido, se eventualmente o sujeito passivo não recolhe o tributo em relação a determinada rubrica que acredita não ter Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 incidência da contribuição previdenciária, tal fato não descaracteriza a antecipação de pagamento para o restante calculado e recolhido indicado pela folha de pagamento do empregador. Em verdade, o fracionamento dessas rubricas revelase necessário para identificação dos requisitos estabelecidos para verificação da não incidência do salário de contribuição em conformidade com as inúmeras previsões do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Contudo, o conjunto de situações e específicas que caracterizam a contraprestação onerosa do empregado pela empresa em nada altera a natureza jurídica de cada uma dessas rubricas que são, em seu conjunto, a remuneração devida ao segurado. Em outras palavras, cada rubrica é espécie do gênero remuneração. Desse modo, para efeito de identificação do pagamento antecipado, não deve ser exigido o recolhimento específico de uma ou outra rubrica paga pelo empregador, mas sim a consolidação desses valores relativos aos itens discriminados na folha de pagamento.” Cabe destacar, que na análise dos autos encontramos registro no Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF) que o Fisco verificou recolhimentos efetuados, fls. 029. Portanto, claro está que existiram recolhimentos a homologar e que qualquer recolhimento está contido no termo remuneração, o que leva, conseqüentemente, a aplicação da regra esculpida no § 4º, Art. 150 do CTN. CONCLUSÃO: Pelo motivo exposto, nego provimento ao recurso da nobre PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.004462/2003-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1998 a 17/12/1998
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Numero da decisão: 9303-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto e do relatório que integram o presente julgado.
LUIS EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 02/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/1998 a 17/12/1998 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 44 62 /2 00 3- 19 Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10840.004462/200319 Acórdão n.º 9303002.346 CSRFT3 Fl. 7 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso nos termos do voto e do relatório que integram o presente julgado. LUIS EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes momentaneamente o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra decisão que considerou ter ocorrido a decadência do direito do Fisco ao lançamento, contado o prazo de cinco anos a partir dos respectivos fatos geradores, por entender aplicável ao IPI a norma versada no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, ainda quando ausentes recolhimentos. O recurso se louva na disposição regimental, já revogada, que o admitia quando comprovada a contrariedade à lei em decisão tomada por maioria para postular que, em tal situação, a regra que deve prevalecer é aquela prevista no art. 173, I do mesmo diploma, o que, no caso em exame, faria com que nenhum dos períodos de apuração incluídos no lançamento fosse afetado. Em longo arrazoado, busca demonstrar por que, em seu modo de ver, foi o dispositivo legal mencionado contrariado pela decisão de que recorre. Tempestivas contrarazões pugnam, inicialmente, pelo não conhecimento do recurso, tendo em vista que, no entender da recorrida, a decisão no tocante à decadência teria sido tomada por unanimidade. Sobre o ponto, reconhece que houve interposição de embargos pela Fazenda Nacional em razão de o acórdão original não ter abordado a inexistência de pagamentos e sua relevância ou não para a definição do critério de contagem do prazo decadencial. Ainda assim, entende que o resultado não teria sido alterado. O resultado do acórdão 20313.266, proferido em 04 de setembro de 2008, que enfrentou os embargos (fl. 1.071), foi assim anotado pelo i. Presidente do Colegiado: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em acolher os embargos de declaração para reratificar o Acórdão n° 203 11.646, nos seguintes temos: I) por unanimidade de votos, para Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 rejeitar a anulação do julgado, requerida em face de juntada de memoriais e documentos por ocasião do julgamento; II) por maioria de votos, para discutir e votar novamente o tema da decadência. Vencidos os Conselheiros Eric Moraes de Castro e Silva e Odassi Guerzoni Filho, que votaram por não reabrir a votação em virtude da possibilidade de recurso especial. O Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva apresentará declaração de voto; III) por maioria de votos, para acolher a decadência do crédito tributário, relativamente aos fatos geradores anteriores ao segundo decêndio de dezembro de 1998. Vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que rejeitava a decadência por inexistir pagamento antecipado; IV) por unanimidade de votos, para considerar que a matéria relativa a juros de mora sobre parcelas depositadas judicialmente, tratada no voto vencido do Acórdão embargado, é estranha ao litígio porque os depósitos judiciais noticiados nos autos não correspondem aos períodos de apuração do Auto de Infração. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra Camila Gonçalves. A recorrida defende, ainda em contrarazões, acertado o entendimento de que deve prevalecer o critério estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN mesmo não havendo recolhimentos, o que reconhece ser o caso dos autos, em que a autuada estava impedida de fazêlo por decisão judicial. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Retomo a análise de admissibilidade, contestada em contrarazões. A controvérsia suscitada cingese a um dos requisitos de admissibilidade do recurso outrora previsto no regimento dos Conselhos de Contribuintes, qual seja, que a decisão tenha sido tomada por maioria. Não há insurgência, pois, quanto a sua possibilidade, prevista que está por norma regimental quando a decisão por recorrer tenha sido proferida na vigência do anterior, bem como quanto à comprovação da contrariedade à lei, objeto de extenso arrazoado no recurso. Na matéria controvertida, entendo assistir razão à Fazenda. É que, muito embora na decisão original o colegiado tenha mesmo acolhido a decadência por unanimidade, como indicado nas contrarazões, é fato incontroverso que ele foi complementado pelo acórdão de nº 20313.266, cujo resultado transcrevi no Relatório. Entre as duas decisões, houve mudança de composição no colegiado, tendo assumido a Presidência o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho no lugar do Conselheiro Antonio Bezerra. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10840.004462/200319 Acórdão n.º 9303002.346 CSRFT3 Fl. 8 5 Da transcrição que fiz, avulta a incorreção da conclusão extraída pela ora recorrida, pois, ao contrário do que ela afirma, o colegiado não só conheceu dos embargos quanto à decadência como, ademais, submeteua a nova votação tendo em vista o reconhecimento da omissão apontada. E, em decorrência, a decisão que havia sido tomada por unanimidade, foi mantida, mas agora por maioria, uma vez que o novo Presidente divergiu. É uníssono o reconhecimento de que o acórdão decorrente do exame de embargos complementa o original, integrandoo, e prevalece sobre o anterior naquilo em que o retifica. Nesses termos, entendo comprovado o atendimento do requisito regimental discutido e voto por se conhecer do recurso especial da Fazenda. E uma vez admitido, a ele cabe dar integral provimento. Isso porque a questão posta a deslinde do Colegiado não comporta maiores delongas face à literalidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Em seu estrito cumprimento, reproduzo a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux: “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” No presente caso, são incontestes tanto que se trata de lançamento envolvendo tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação quanto de que não ocorreu o recolhimento prévio característico dessa modalidade. Aplicável, pois, o art. 173, nada há mesmo decaído. Isso porque o prazo decadencial relativo ao período de apuração mais antigo nele incluído – primeiro decêndio de março de 1998 – somente tem o seu marco inicial em 1º de janeiro de 1999, concluindose, portanto, apenas em 31 de dezembro de 2004. O lançamento foi cientificado à autuada em 17 de dezembro de 2003 (fl. 08). Assim, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência reconhecida pela Câmara, com retorno à Câmara recorrida para análise do mérito. É nesse sentido o meu voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 14474.000298/2007-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO.NULIDADE.VÍCIO INSANÁVEL.
Na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, sob pena de caracterizar cerceamento de defesa, é compulsório constituir o crédito tributário demonstrando efetivamente a ocorrência dos fatos geradores e demais comandos de forma a não ensejar dúvidas quanto ao lançamento.
Verificando-se a ocorrência de vício insanável o lançamento resta nulo.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2403-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar, por unanimidade de votos, em determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material e por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício.
Carlos Alberto Mees Strtingari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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Na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de caracterizar cerceamento de defesa, é compulsório constituir o crédito tributário demonstrando efetivamente a ocorrência dos fatos geradores e demais comandos de forma a não ensejar dúvidas quanto ao lançamento. Verificandose a ocorrência de vício insanável o lançamento resta nulo. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar, por unanimidade de votos, em determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material e por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Strtingari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 47 4. 00 02 98 /2 00 7- 71 Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que , li, compulsei com ao autos e, na oportunidade o transcrevo: “ Tratam os presentes autos de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada contra o sujeito passivo acima identificado, no valor total de R$ 4.477.235,96, consolidados em 20/06/2007 e que, conforme o relatório fiscal: ...tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e destinadas Seguridade Social, correspondente à contribuição da empresa incidente sobre a renumeração dos segurados empregados; a contribuição da empresa destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho; e ainda as destinadas aos fundos e entidades denominados terceiros (FNDE para os serviços temporários — Lei 6.019), com recolhimento no código FPAS 655, e para as contribuições de seus segurados empregados, FNDE. INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, recolhidos no código FPAS 515. Regularmente notificado do lançamento por ciência pessoal em 25/06/2007, o sujeito passivo impugnou tempestivamente o lançamento em 25/07/2007 através da petição protocolada sob no 35183.004588/200739, onde alega que: a impugnação apresentada seria tempestiva, seja porque remeteu sua impugnação ao fisco dentro do prazo de que dispunha para impugnar o lançamento (30 dias), seja porque, não tendo ainda sido notificados do lançamento todos os responsáveis solidários arrolados pela Fiscalização, o prazo para impugnar sequer teria se iniciado, a teor do disposto pelo artigo 34, §4°, da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004; PRELIMINARMENTE, seria nulo o lançamento pois: a) não teria sido dada ciência do lançamento a todas as empresas indicadas pela Fiscalização como coresponsáveis solidárias pelo débito; b) não haveria no Discriminativo Analítico do Débito DAD discriminação do débito por estabelecimento, o que afetaria a clareza do relatório que, em última análise, cercearia o direito de defesa do sujeito passivo por lhe impossibilitar identificar com clareza a matéria tributada; c) na constituição do crédito a Fiscalização teria deixado de considerar valores já recolhidos pelo sujeito passivo eu que seriam suficientes para quitar integralmente o saldo devedor apurado; Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 3 3 d) o presente lançamento seria duplicata do débito constituído por meio da NFLD n° 37.041.8328 (COMPROT n° 14474.000295/200737); NO MÉRITO, alega ainda que: 1) o Relatório Fiscal seria confuso, impossibilitando a notificada de saber, com certeza, se os valores lançados se referem aos valores efetivamente pagos pela empresa às pessoas físicas que lhe prestaram serviços os valores declarados em GFIP. Além disso, não se poderia dizer com segurança qual a fonte dos valores lançados no demonstrativo Relatório de Lançamentos RL; 2) as parcelas do débito relativas a competências anteriores a junho/2002 já teriam sido atingidas pela decadência, assim considerada tendo em vista a previsão do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN; 3) haveria erro na apuração dos valores devidos pelos segurados empregados, uma vez que foi aplicada indistintamente a alíquota de 8% para todos os segurados, sem levar em consideração a escala de alíquotas prevista no artigo 20 da Lei n°8.212, de 1991; 4) não haveria, no caso, formação de grupo econômico que possibilitasse a responsabilização solidária das demais empresas arroladas pela Fiscalização nos autos como possíveis co responsáveis pelo crédito constituído pelo lançamento fiscal. Intimados do lançamento conforme prevê a legislação previdenciária por meio dos ofícios de fls. 790 a 819 (AR's às fls. 820 a 823), as empresas arroladas pela Fiscalização como responsáveis solidárias pelo débito impugnaram tempestivamente o lançamento em petições autônomas, porem de mesmo teor, todas argumentando que: seriam tempestivas as impugnações apresentadas; haveria cerceamento do seu direito de defesa uma vez que Os ofícios pelos quais foram intimadas dos lançamentos não trariam "...qualquer referência aos motivos e razões da COMUNICAÇÃO."; não haveria formação de grupo econômico no presente caso. Vindo os autos a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba para análise e julgamento, foram solicitados esclarecimentos relativos ao período correto do débito, haja visto que o Discriminativo Analítico do Débito DAD discrimina competências não relacionadas no Discriminativo Sintético do Débito DSD e também não indicadas no Relatório Fiscal. Além disso, requereuse esclarecimento relativo ao lançamento ter sido efetuado integralmente contra a matriz, sendo que a empresa possuía diversas filiais, quanto ao motivo que levou ã Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 aplicação indiscriminada da alíquota de 8% para apuração das contribuições dos segurados e quanto às divergências apontadas pela Impugnação quanto apuração do valor devido, tudo conforme o despacho de fls. 1125 e 1126. Em resposta, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 1127 a 1129: Iniciemos pelos motivos em que foram lançados os débitos no estabelecimento da matriz. Realmente, quando da observação do lançamento, o Fisco fui obrigado a efetuar o lançamento com exclusividade no estabelecimento centralizador ou matriz, considerando que a empresa, cuja matriz originalmente funcionava em Joinville(SC), transferiu sua Sede para Curitiba(PR), mantendo aquela unidade como filial, e após abriu outras filiais, entre as quais Quatro Barras (PR) e Jaraguá do Sul (SC), Silo Bento do Sul (SC) e Rio Negrinho (SC). Ocorre, Senhores Julgadores, que a empresa Ethicompany não mantinha escrituração contábil em boa ordem e separada pelas filiais, e que observamos irregularidades no fluxo das receitas e despesas, encontrando emissão de notas fiscais de prestação de serviços em ulna filial, por exemplo, quatro Barras, onde o imposto sobre serviços (ISS) era menor que em Curitiba, e as folhas de pagamento emitidas pela base Curitiba, ou Joinville. Desta forma, para não prejudicar o contribuinte, e tendo em vista não haver contabilidade descentralizada na empresa, por filial, optamos por efetuar o crédito de todas as guias de recolhimento (GRPS/GPS) no estabelecimentos matriz, reunindo naquela unidade todos os créditos efetuados, inclusive as retenções dos onze por cento de que trata a Lei 9.711, em seguida lançando o valor das folhas de salários correspondentes. Quanto ás divergências entre competências, lastreemos nosso pensamento para o Relatório de Lançamentos(RL). Naquele documento (folhas 16 usque 440) estão descritos o tipo de levantamento, competência, valor e nome do beneficiário. E delimita as competências de janeiro de 2002 a dezembro de 2002, como repetido no relatório DSD (folhas 14 d(sic) 15) e confirmando no Relatório Fiscal, folhas 706. Outras competências, trazidas erroneamente no DAD, devem ser desconsideradas. Quanto aos valores descontados dos segurados, efetuamos o lançamento individual dos salários, aplicando alíquota mínima, considerando que a empresa não nos passou o valor correto do descontado de seus segurados. Intimados da Informação Fiscal acima, os interessados se manifestaram às lis. 1533 a 1744, todos no mesmo sentido: haveria nulidade no procedimento face à inobservância, em alguns processos, dos prazos do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 para sua manifestação relativa à Informação Fiscal; Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 4 5 algumas das intimações recebidas pelas empresas solidárias conteriam Informação Fiscal trocada, relativas a outros processos cm lugar da relativa aos respectivos processos; haveria cerceamento de defesa por não haver indicação do respectivo número de DEBCAD no despacho desta 5 a turma que determinou a diligência acima referida, o que impossibilitaria a interessada saber a qual processo referido despacho se referia; reforça sua argumentação relativa à inexistência de grupo econômico. Constatado pela autoridade preparadora o equivoco cometido no envio da Informação Fiscal prestada nestes autos ao sujeito passivo, foi providenciara a notificação correta da Informação Fiscal e do despacho que a determinara por meio dos Ofícios n° SECAT/E000P/0488/2008 a 503/2008, conforme informado ã fl. 1310. Retornando os autos a esta DRJ, e constatado que este foi um dos processos em que o prazo para manifestação do sujeito passivo desobedeceu aos preceitos do Decreto no 70.235, de 06 de março de 1972, foi determinada nova intimação da notificada e dos solidários, concedendolhes o prazo do artigo 18 daquele decreto para manifestação relativa 11 Informação Fiscal prestada, conforme despacho de 11. 1311. Regularizada a intimação das interessadas, apenas a notificada apresentou complementação de impugnação às fls. 1333 a 1342, alegando, cm síntese, que: ao lançar todas as contribuições previdenciárias e as devidas aos Terceiros exclusivamente contra o estabelecimento matriz da empresa, desprezando a discriminação dos levantamentos e anexos da NFLD por estabelecimento, a Fiscalização teria desobedecido uma série de atos normativos que, por se tratar o lançamento fiscal de atividade plenamente vinculada, implicaria na nulidade de todo o procedimento; seria ilegal a atribuição indiscriminada da alíquota de 8% para cálculo das contribuições devidas pelos segurados a serviço da empresa sem considerar os respectivos saláriosde contribuição e as respectivas faixas de alíquotas fixadas na legislação previdenciária; não teria sido observado o teto máximo de contribuição no cálculo das contribuições dos segurados; haveria equivoco quanto As competências do débito relacionadas no DAD; haveria duplicidade de lançamento entre esta NFLD e a NFLD n° 14474.000295/200737 (constituída sob DEBCAD no 37.041.8328); haveria erro na apuração dos valores devidos pois ao apurar o valor mensal devido pela empresa, a Fiscalização não teria Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 deduzido os recolhimentos já efetuados seja pela própria empresa, seja pelos tomadores de serviços por meio da retenção de 11% determinada pelo artigo 31 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Em 1° de setembro de 2009, retornaram os autos a esta DRJ para julgamento. É. o relatório. ” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.1.347, a 5 ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Curitiba (PR) DRJ/CTA, em 07 de outubro de 2009, o Acórdão n° 0623.988 , concedeu parcial provimento que ensejou Recurso de Ofício. DO RECURSO VOLUNTÁRIO. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 1.386, onde reiterou as razões de impugnação. Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registros de fls.3.403, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DAS RUBRICAS LEVANTADAS O Relatório Fiscal de fls. 713 registra que : “ A presente notificação tem por finalidade apurar e constituir o crédito relativo às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil e destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidente sobre a remuneração dos segurados empregados; a contribuição da empresa destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; e ainda as destinadas aos fundos e entidades denominadas terceiros (FNDE para os serviços temporários Lei 6.019), com recolhimento no código FPAS 655, e para as contribuições de seus segurados empregados, FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, recolhidas no com código FPAS 515.” (grifos de minha autoria) O presente lançamento constituiu créditos também sobre a parte da empresa . Para efeito de demonstração transcrevo os registro da competência 01/2004. Rubricas Alíquotas Apurado Dedução Diferença 11 Segurados 8,00 11.457,13 11.457,13 12 Empresa 20,00 28.642,82 28.642,82 13 Sat/rat 2,00 2.864,28 2.864,28 15 Terceiros 2,50 3.580,35 291,64 3.288,71 O DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DEBITO de fls.04 DEBITO de fls. 04 a 13, emitido em 21/06/2007 registra créditos constituído para todo período 01/2002 a 12/2005. DOS PERÍODOS LANÇADOS E DAS DIVERGÊNCIAS NOS ANEXOS DISCRIMINATIVOS O presente processo de n° 14474.000298/200771, referese à NFLD DEBCAD: 37.041.8336 na forma do DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DEBITO Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 de fls. 04 a 13, emitido em 21/06/2007 e consolidado em: 20/06/2007, nas suas 10 páginas, registra créditos constituído para o período 01/2002 a 12/2005, entretanto, o DSD DISCRIMINATIVO SINTÉTICO DE DÉBITO de fls. 14 e 15, SINTÉTICO DE DÉBITO da mesma NFLD DEBCAD: 37.041.8336 , emitido e consolidado em 20/06/2007 é taxativo na informação e registrando débitos somente para o período 01/2002 a 12/2002 que totalizaram R$ 4.477.235,96 valor que é cobrado às fls. 01 desta NFLD. A omissão da cobrança se observa para todo o período de 2003 em diante. Às fls.1.333, manifestandose quanto ao pedido de diligência pela Delegacia jurisdicionante, ainda em sede de impugnação a recorrente já observara tal discrepância e questionou conforme o texto na sua íntegra abaixo reproduzida: “ 01. Esclarecese que, no referido Despacho n° 007/2008, Turma da DRJ/CTA baixou o processo em diligência para pronunciamento dos Auditores Fiscais com o fim de justificarem sobre: a) o período correto do débito, uma vez que, no Relatório Fiscal à fls. 706 que o presente levantamento se refere "....as competências de janeiro de 2002 a dezembro de 2002...",informação de que consta também do relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD (fls. 14 e 15). 0 Relatório Discriminativo Analítico do Débito DAD (fls. 4 a 13), por sua vez, discrimina débitos no período compreendido entre 01/2002 a 1212005. Como se pode observar, a discrepância entre um relatório e os demais 6 bastante significativa e precisa ser esclarecida;” Na informação fiscal as Autoridades autuantes não procederam as necessárias retificações e simplesmente informaram que “outras competências, trazidas erroneamente no DAD, devem ser desconsideradas ” Cumpre notar que o questionamento tem por base créditos formalmente constituídos que não podem simplesmente serem ignorados apesar de as Autoridades autuantes terem assumido indevidos. Assumido o vício pela impropriedade do lançamento, as retificações teriam de ser formalmente providenciadas de modo a efetivamente restarem desconstituídos os créditos. Compulsados os autos, verificase que em razão de a instância “ad quod” ter anuído o procedimento não consta saneamento formal. DAS MESMAS BASES DE CÁLCULO E MESMOS CRÉDITOS EM PROCESSOS DISTINTOS. Cumpre registrar que me coube relatar, também, da mesma Recorrente, o processo de n 14474.000313/200781, NFLD DEBCAD: 37.041.8360 com levantamento efetuado para o período 01/2004 a 12/2004. Eis que comparandose as bases de cálculo – SC – de ambos os lançamentos, na forma da planilha abaixo, para todo o período do processo 14474.000313/200781 as Autoridades autuantes se utilizaram dos mesmos parâmetros SC Empreg/avulso FD2 FOLHA DIF APOS GFIP Não declarado em GFIP (sem redução de multa) e procederam idênticos lançamentos . 37.041.8336 SC 37.041.8360 SC jan/04 277.765,S11 jan/04 277.765,11 fev/04 87.103,91 fev/04 87.103,91 Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 6 9 mar/04 101.653,57 mar/04 101.653,57 abr/04 111.873,76 abr/04 111.873,76 mai/04 102.072,18 mai/04 102.072,18 jun/04 114.862,27 jun/04 114.862,27 jul/04 148.673,40 jul/04 148.673,40 ago/04 118.469,18 ago/04 118.469,18 set/04 127.391,24 set/04 127.391,24 out/04 137.339,58 out/04 137.339,58 nov/04 129.750,90 nov/04 129.750,90 dez/04 617.586,61 dez/04 617.586,61 Conforme o Acórdão de fls.1.347, os lançamentos sobre a parte dos empregados foram considerados viciados. Aduz que as exclusões abrangeram tãosomente as competências compreendidas entre 01 a 12/2002. A soma dos valores expurgados mais os excluídos pelo reconhecimento da decadência das competências maio/06 e anteriores exigiu que a instância “ad quod” interpusesse Recurso de Ofício que ora , também , se aprecia. DA DIVERGÊNCIA DOS VALORES EXCLUÍDOS Verificandose os valores excluídos às fls. 1.345, percebese nova confusão posto que o procedimento até o mês de maio expurgou não só os valores da rubrica segurados mas a totalidade das rubricas. Só partir do mês de junho se observa exclusões apenas para a rubrica segurados. 37.041.8336 SC EXCLUÍDO VLR EXCLUÍDO jan 203.660,79 66.189,76 fev 279.821,02 90.941,80 mar 244.614,84 79.499,83 abr 288.966,96 93.055,83 mai 194.263,24 62.834,00 jun 11.457,13 jul 26.495,87 ago 52.609,57 set 55.814,91 Out 80.118,06 nov 92.053,98 dez 113.549,76 EMITIDO 5/10/2009 CONSOLIDADO 20/6/2007 ESTABELC. 02.329.429/000152 matriz DAS DIVERGÊNCIAS DOS MOMENTOS DA EXCLUSÃO E DA DECISÃO DE EXCLUSÃO O Recurso Voluntário ora em apreço resulta da decisão exarada no Acórdão de n 0623.988 quando a 5ª Turma da DRI/CTA o prolatou em, 07 de outubro de 2009. Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Entretanto, o documento de exclusão às fls. 1.345, registra que o mesmo fora emitido em 05/10/2009, data anterior , portanto, à decisão que lhe autorizara a emissão. DOS DÉBITOS DAS FILIAIS LANÇADOS PARA A MATRIZ A recorrente , desde a Inicial reclama o fato de o débito levantado exclusivamente contra a matriz da empresa, quando as folhas de pagamento e as GFIPs foram elaboradas por estabelecimento. DA DILIGÊNCIA E DA INFORMAÇÃO FISCAL Às fls. 1.127, instados a esclarecer as alegações supra pela pedido de diligência da Delegacia DRJ em Curitiba , as Autoridades autuantes responderam conforme o abaixo transcrito : “ Iniciemos pelos motivos em que foram lançados os débitos no estabelecimento da matriz. Realmente, quando da observação do lançamento, o Fisco foi obrigado a efetuar o lançamento com exclusividade no estabelecimento centralizador ou matriz, considerando que a empresa, cuja matriz originalmente funcionava em Joinville (SC), transferiu sua Sede para Curitiba (PR), mantendo aquela unidade como filial, e após abriu outras filiais, entre as quais Quatro Barras (PR) e Jaragud do Sul (SC), Sao Bento do Sul (SC) e Rio Negrinho (SC). Ocorre, Senhores Julgadores, que a empresa Ethicompany não mantinha escrituração contábil em boa ordem e separada pelas filiais, e que observamos irregularidade no fluxo das receitas e despesas, encontrando emissão de notas fiscais de prestação de serviços em uma filial, por exemplo, Quatro Barras, onde o imposto sobre serviços (ISS) era menor que em Curitiba, e as folhas de pagamento emitidas pela base Curitiba, ou Joinville. Desta forma, para não prejudicar o contribuinte, e tendo em vista não haver contabilidade descentralizada na empresa, por filial, optamos por efetuar o credito de todas as guias de recolhimento (GRPS/GPS) no estabelecimento da matriz, reunindo naquela unidade todos os créditos efetuados, inclusive as retenções dos onze por cento de que trata a Lei 9.711, em seguida lançando o valor as folhas de salários correspondentes.” DA INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP N° 03/2005 A Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005 determinava que a fiscalização devesse discriminar, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo; as alíquotas utilizadas; os valores já recolhidos; anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes. Na condução do voto “ ad quod ”, o I. Julgador embora tenha admitido observar comando da sobredita Instrução, mitigou seus efeitos na forma dos argumentos abaixo transcritos com grifos de minha autoria: Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 7 11 “Se analisarmos a legislação previdenciária reguladora do lançamento fiscal, especialmente a Instrução Normativa SRP no 03, de 14 de Julho de 2005, de fato a revisão é para que o lançamento discrimine as contribuições devidas por estabelecimento .Entretanto, o lançamento fiscal não é regido apenas pelas normas emanadas da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de Julho de 2005, antes ele é regido pelo Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. .” A seguir colacionou o comando dos artigos 59 e 60 que versam sobre nulidade para prosseguir : “ De fato, a ocorrência de cerceamento do direito de defesa no lançamento não está prevista nos incisos I ou II do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, que trata do cerceamento na emissão apenas de despachos e decisões, mas a ela se chega seja pela análise de outros dispositivos normativos, seja pela própria disposição genérica do artigo 5°, LV, da Constituição Federal de 1988. E desta forma, aplicando ao caso o artigo 60 acima transcrito, essas irregularidades, incorreções ou omissões que possam vir causar cerceamento de defesa não levarão à nulidade do procedimento, podendo ser sanadas no curso do procedimento de determinação e exigência do crédito tributário da União, regido pelo Decreto n" 70.235, de 1972. Além disso, referidas irregularidades, incorreções ou omissões somente serão sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, ... salvo se este lhes houver dado causa... E me parece ser exatamente essa a situação dos autos! E, se não havia condições de se apurar a quais estabelecimentos pertenciam cada um dos segurados identificados no Relatório de LançamentosRL, por negligência da notificada quanto as informações prestadas à Fiscalização, não se pode exigir que esta se furte de apurar e constituir o crédito tributário da melhor forma possível, como alias determina a legislação de regência. Desta forma, face a informação prestada pela autoridade lançadora nos autos, entendo que a falha apontada pela impugnação (lançamento exclusivo na matriz) não pode levar a nulidade do procedimento, uma vez que foi a própria notificada quem lhe deu causa.” DAS BASES DE CÁLCULO No registro na parte final do item 4 do sobredito Relatório, às fls. 715, as Autoridades autuantes destacam como foram obtidas e onde estariam caracterizadas as bases de calculo : Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 “ (...) A identificação dos pagamentos dos salários que ensejaram o presente lançamento pode ser feita por intermédio do relatório de lançamentos RL, que identifica as pessoas físicas prestadoras de serviços, competência a competência, nomeandoas e fazendo referencia ao livro da escrita contábil onde os mesmos se encontram e ao numero do cheque em que foi efetuado o pagamento.” Relevante destacar que o referido Relatório de LançamentosRL não demonstra quais os serviços prestados de modo a caracterizar as efetivas incidências. Abaixo, transcrevo elementos do relatório supra na forma considerada como elementos definitivamente probantes : Lançamento remuneração taxa % vlr apropriado Observação BC Remuneração 1.108,52 100,00 1.108,52 Valdecir Xavier dos Santos,DIRF+FP/GFIP,CPF42718953 004,N IT1074975907 DA AUSÊNCIA DE PLANILHAS DEMONSTRATIVAS Na forma do recurso voluntário interposto, a recorrente alega que : “ a bem da clareza e da precisão exigida pela legislação, os Auditores deveriam ter produzidos planilhas prestando as informações de que: • a) o montante dos salários pagos incluído nas folhas de pagamentos; • b) o montante dos salários informados em GFIP; • c) o montante dos salários informados em DIRF; • d) o montante dos salários informados em RAIS; • e) o montante dos salários registrados na contabilidade; • O o montante geral dos salários pagos, devidos ou creditados pela empresa aos empregados; g) o montante dos salários sobre os quais a empresa efetuou recolhimento de contribuição e, h) as diferenças apuradas nestas bases de informações.” De fato não constam nos autos tais necessárias planilhas. Na forma do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN é compulsório constituir o crédito tributário demonstrando efetivamente a ocorrência dos fatos geradores e demais instruções para efetuar o lançamento de forma a não ensejar dúvidas quanto o lançamento, verbis: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14474.000298/200771 Acórdão n.º 2403002.055 S2C4T3 Fl. 8 13 montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ” Conforme exposto, o lançamento em comento não contém meras irregularidades, incorreções e omissões sanáveis. DA NULIDADE O comando do art. 61 do Decreto 70.235/72 outorga à autoridade competente determinar eventual nulidade, verbis: “Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade.” Assim no exercício da sobredita prerrogativa, tendo presente que o lançamento em apreço é eivado de vícios formais e materiais não resta pois outro procedimento senão selar sua nulidade. Isto concluído, por economia processual, deixo de enfrentar demais questões. CONCLUSÃO Conheço do Recurso, para EM PRELIMINAR determinar a NULIDADE do lançamento que motivou sua interposição em razão da presença de VÍCIO MATERIAL . É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 13808.004044/00-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/10/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 30/06/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEITADO.
Rejeitam-se os embargos de declaração opostos em razão de descontentamento da Embargada com o resultado da decisão, sobre matéria, bem ou mal, enfrentada no Acórdão Embargado, o qual só pode ser alterado através de recurso próprio.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-001.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento a Advogada Talita Graziele Silva Kitamura OAB/DF 31.258.
RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento a Advogada Talita Graziele Silva Kitamura OAB/DF 31.258. RODRIGO DA COSTA POSSAS - Presidente ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. REJEITADO. Rejeitamse os embargos de declaração opostos em razão de descontentamento da Embargada com o resultado da decisão, sobre matéria, bem ou mal, enfrentada no Acórdão Embargado, o qual só pode ser alterado através de recurso próprio. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Acompanhou o julgamento a Advogada Talita Graziele Silva Kitamura – OAB/DF 31.258. RODRIGO DA COSTA POSSAS Presidente ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 40 44 /0 0- 48 Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão nº 3301 00.864, prolatado por este colegiado na sessão de 6 de abril de 2011, sintetizado na ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/10/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/10/1999, 01/12/1999 a 31/01/2000, 01/03/2000 a 30/06/2000 CONCOMITÂNCIA COM O PODER JUDICIÁRIO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, em conformidade com a Súmula nº 1, do CARF). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. Não deve prosperar o auto de infração relativamente às notas fiscais canceladas. JUROS DE MORA. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO INTEGRAL. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário das parcelas que estão sendo discutidas em juízo, porém, não depositadas. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA. Consoante Súmula nº 2, do CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso conhecido em parte, e na parte conhecida dado provimento parcial. De acordo com a Embargante, a mesma teve sua impugnação parcialmente provida, tendo sido excluída da autuação parte do pagamento da Nota Fiscal nº 2069, considerada em duplicidade, erros de apuração nos meses de 04/99 e 03/2000, bem como a multa de ofício aplicada sobre a parcela da contribuição que se encontra subjudice. Em relação ao recurso voluntário diz que o mesmo foi parcialmente provido, sendo desta vez excluído da base de cálculo os valores de diversas notas fiscais, mantendo, contudo, parte do lançamento referente ao mês de competência de outubro de 1998 e o mês de competência de outubro de 1.999. Contudo, o v. Acórdão incorrera em omissão, passível de ser sanada por meio dos presentes embargos de declaração. O primeiro equívoco diz respeito ao projeto CAICS, pois, conforme se verifica da fundamentação de fls. 17/18, o Relator considerou que a Embargante omitira as faturas e levou à tributação os valores devidos no mês de outubro de 1998, e, em razão da apuração pelo regime de caixa, a Embargante deveria suportar o ônus financeiro no momento do recebimento não sendo cabíveis compensações para suportar eventuais inadimplementos. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 3301001.935 S3C3T1 Fl. 2.204 3 Esclarece que a emissão das faturas, quando da tributação pela Cofins se deram no ano de 1996 e não em 1998, como constou do v. Acórdão, o qual também não enfrentou, diretamente, a possibilidade de compensação pelo valor não recebido em 1996, deixando de se manifestar quanto ao argumento de que a Embargante não deveria tributar os valores em 1996 justamente em virtude da operação em questão estar submetida ao regime de caixa. Logo, diz que não recebeu as faturas 1738 a 1741 e 1757 a 1761, emitidas em 1996, em face do Ministério da Educação e do Desporto, no montante de R$7.704.266,74, cuja tributação estava sujeita ao regime de caixa. Entretanto, afirma que efetuou a tributação destas notas pelo regime de competência, gerando evidentemente um recolhimento indevido passível de compensação nos termos do art. 170, do CTN e art. 66, da Lei nº 8.383/91 e 74, da Lei nº 9.430/96. A diferença entre os regimes de caixa e competência é justamente a de que no primeiro se tributa efetivamente os valores recebidos e no segundo a emissão da fatura que gera a receita, de forma que para o regime de caixa a inadimplência é desconsiderada e no regime de competência o não recebimento não é suficiente para evitar a tributação da Cofins. Em vista disso, ao excluir referido valor de sua base de cálculo da Cofins, restou um saldo remanescente de R$154.085,36, razão pela qual efetuou a compensação contabilmente, sendo tal procedimento amparado pelos arts. 66, da Lei nº 8.383/91 e art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, não resta a menor dúvida de que o v. Acórdão restou omisso por desconsiderar questões relevantes que envolveram a compensação efetuada pela Embargante, devendo ser elucidado nesse ponto. Além disso, em relação ao período de outubro de 1999, o Relator afirma que à época, a Embargante aplicou alíquota de 2% e não 3%, não havendo diferença a compensar, caracterizandose omissão uma vez que se desconsiderou o fato de ter havido duplicidade de tributação na NF 2024 (julho e agosto), que autoriza a compensação do montante recolhido a maior. Salienta que o valor compensado pela Embargante em outubro de 1999 não corresponde à eventual diferença da alíquota da Cofins, corresponde a 1% no mês de julho de 1999. Inclusive, a fiscalização que gerou a presente autuação não levou tal fato em consideração, pois, não concorda com a compensação por entender que o montante tributado em julho de 1999, estaria correto, não gerando diferença a compensar. Além disso, diz que os valores correspondentes à alíquota devida decorrente da majoração da alíquota da Cofins, de 2% para 3%, foi incluída no PAES e posteriormente migrada para o parcelamento da Lei nº 11941/99, motivo pelo qual o que seria devido foi efetivamente pago, restando ainda a diferença compensada pela Embargante como crédito em seu favor. Afirma que comprovou anteriormente nos autos, que, no que tange ao período de apuração de julho de 1999, ou seja, a nota fiscal nº 2024, no valor de R$ 2.446.700,00, foi devidamente computada na base de cálculo da Cofins. Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Ocorrendo, porém que, o valor apurado em agosto de 1999, também considerou esta nota fiscal na composição de sua base de cálculo, conforme planilha já apresentada pela Embargante, concluindo que a nota fiscal 2024, não deveria fazer parte da base de cálculo de agosto de 1999, o que reduziria a base de cálculo de R$77.435.665,50 para R$74.988.965,50, e o valor da Cofins em R$1.499.779,31 (2%). Como em agosto foi recolhido R$1.526.464,74, gerou um crédito de R$26.685,43, resultante do pagamento a maior, de forma que a compensação realizada em outubro de 1999 estaria parcialmente correta. Portanto, ao invés de se considerar o valor de R$44.486,93, na compensação da Cofins, referente ao período de outubro de 1999, devese considerar o valor de R$26.685,43, conforme documentos já juntados aos autos anteriormente, sobretudo porque a compensação, à época, poderia ser feita unilateralmente pela Embargante. É o relatório Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os presentes embargos de declaração foram opostos dentro do quinquídio legal, bem como atendidos os demais pressupostos legais. Em síntese, a Embargante alega que acórdão embargado teria sido omisso quanto ao fato de não terem sido recebidas as faturas 1738 a 1741 e 1757 a 1761, emitidas em 1996, em face do Ministério da Educação e do Desporto, no montante de R$7.704.266,74, os quais, pelo fato da interessada estar submetida ao regime de caixa (e não de competência). Ocorre, porém, que ao mesmo tempo a própria Embargante afirma que equivocadamente contabilizou tais faturas, como se tivesse optado pelo Regime de competência, e, ao perceber o equívoco, alterou sua contabilidade para adequar o faturamento ao regime de caixa, o que comprova aquilo que já teria sido constatado pela DRJ, que a Contribuinte altera a opção ao regime de caixa, ora ao regime de competência, sem qualquer justificativa. Na verdade esse assunto foi enfrentado pelo Acórdão embargado, conforme depreendese do seguinte trecho do v. voto condutor: Logo, uma vez que a contribuinte apurou a COF1NS pelo regime de caixa, deve suportar o ônus da tributação no mês de recebimento, logo não estaria autorizada a simplesmente deduzir parcelas já recebidas para "compensar" eventuais inadimplementos. Em relação ao outro ponto questionado pela Embargante, sobre a aplicação da alíquota de 2% e não 3%, não merecem serem acolhidas as argumentações da Embargante, pois, se o crédito tributário decorrente foi incluído no parcelamento especial, e se a eventual diferença de alíquota da Cofins (1%) não foi levado em consideração pela autuação, não há nenhum esclarecimento sobre o assunto, vez que o mesmo foi não conhecido pelo Acórdão embargado, em razão de sua inclusão no parcelamento. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13808.004044/0048 Acórdão n.º 3301001.935 S3C3T1 Fl. 2.205 5 Sobre a alegada tributação em duplicidade da NF 2024 (julho e agosto de 1999), e a consequente alteração da base de cálculo da Cofins requerida (R$77.435.665,50 para R$ 74.988.965,50), não há qualquer omissão ou contradição a ser sanada, porquanto o v. Acórdão embargado fez menção expressa ao resultado da diligência, nos seguintes termos: “Ademais deveria o Contribuinte ofereceu à tributação o seu faturamento/Recebimento integral", apurando então o montante devido da contribuição, declarandoo em DCTF e os créditos que realmente fossem de direito seriam destacados em DCTF para fins de compensação e assim apurado o montante a recolher. De acordo à DCTF não houve qualquer menção à compensação em Outubro/1999, tampouco oferecimento à tributação de valor equivalente à referida compensação de R$44.486,93, correspondente à B.C. de R$1.482.897,97 (à alíquota de 3% em outubro/1999) ou de R$26.685,43, o mais recente valor alegado. (...) Em resposta à indagação do CC em seu item 2, de fato não restou comprovada a tributação em duplicidade, nos meses de julho/1999 e agosto/1999, do valor da NF nº 2024 de R$2.446.700,00, emitida contra a Petrobrás, portanto, o valor a título da COFINS de R$44.486,93 que alega ter compensado com suposto crédito de R$48.934,00 é DEVIDO no mês de Outubro/1999, período do lançamento de ofício. Portanto, não existe omissão ou contradição no Acórdão embargado, tratandose de contrariedade da Embargante com o resultado da decisão, o que só pode ser alterado por instrumento próprio e não através de meros Embargos de Declaração. À guisa de esclarecimento, até mesmo para o necessário préquestionamento, a alegada omissão/contradição está limitada ao fato de ser possível, ou não, ao Contribuinte, ao contabilizar receita de forma diversa ao regime de opção, poder retificar, de modo próprio sua contabilidade para sua adequação ao regime efetivamente adotado, sem a necessidade de apresentar declaração retificadora. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os embargos de declaração. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10314.005056/2001-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/01/1997
Classificam-se no Código 8448.51.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul todas as partes e acessórios dos teares, máquinas ou aparelhos da posição 84.47 utilizadas na formação das malhas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Relator
EDITADO EM: 03/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa - Relator EDITADO EM: 03/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea.
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DE MÁQUINAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/01/1997 Classificamse no Código 8448.51.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul todas as partes e acessórios dos teares, máquinas ou aparelhos da posição 84.47 utilizadas na formação das malhas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinatura digital) Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator EDITADO EM: 03/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento e Andréa Medrado Darzea. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 50 56 /2 00 1- 60 Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 17/01/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de Imposto de Importação acrescido de juros de mora e multa proporcional no valor de R$ 3.106.537,63, em virtude dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu a despacho aduaneiro, no período de 01/01/1997 a 31/08/2001, mediante Declarações de Importação arroladas no corpo do Auto de Infração máquinas destinadas a produzir tecidos de malha com classificação fiscal no Código NCM 8448.51.00, tendo recolhido o Imposto de Importação com alíquotas de 0 a 3%; A fiscalização concorda com a classificação fiscal atribuída pelo importador para os itens 17, 22, e 23 da tabela B – Partes e Acessórios da posição 8448 das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, a saber: As agulhas para teares de malha e teares de tricotar; As platinas para teares de fabricar malhas; Os acessórios para a formação de malhas; Para essas mercadorias importadas ao longo das 309 das Declarações de Importação, a fiscalização concorda com a classificação fiscal no código NCM 8448.51.00 atribuído pelo importador. Todavia, para o item 30) “As barras de agulhas para teares de fabricar malhas, as placas corrediças, cames e bandejas de agulhas para teares retilíneos de fabricar malhas, as cames de agulhas e os cilindros de agulhas para teares circulares de fabricar malhas” a fiscalização entendeu incorreta essa classificação fiscal; Ao longo das 309 das Declarações de Importação, para essas mercadorias, a fiscalização entendeu ser adequada a classificação fiscal no Código NCM 8448.59.10, por serem partes de teares, com incidência das alíquotas do Imposto de Importação de 14 a 20%, para o período de 01/01/1997 a 31/08/2001; A conclusão da fiscalização se pautou na Regra No. 2 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado, Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 17/01/2002 (fls. 291frente), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente, na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 15/02/2002, de fls. 291 à 317, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante informou que: Descreve a composição de uma cabeça têxtil e cita os tipos de ligamento para formação de malha; Cita os pontos mais comuns de regulagem da máquina; Demonstra que existem inúmeros artigos utilizados na formação de malhas beneficiados com alíquota 0%. As demais partes dos teares não necessárias na formação das malhas é que são tributadas; Foram lavrados dois Auto de Infração: um para a exação do Imposto de Importação e outro para o Imposto sobre Produtos Industrializados; A classificação fiscal adotada pelo importador é a correta, pois se refere a partes e acessórios absolutamente necessários para a formação da malha; Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.005056/200160 Acórdão n.º 3102001.861 S3C1T2 Fl. 3 3 Invoca o artigo 100 do Código Tributário demonstrando que é indevida a exigência de multa e juros de mora; Pela legislação vigente, os produtos não produzidos no país ou produzidos com baixa qualidade, possuem tratamento tributário beneficiado; Os acessórios utilizados na fabricação de malhas, devem ter classificação fiscal no Código NCM 8448.51.00, de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado seção 84.48, parte b), item 23; O Código NCM 8448.51.00 se refere a outros artigos utilizados na fabricação de malhas; Junta respostas de assistentes técnicos frente a quesitos formulados para máquinas desembaraçadas; Junta textos da jurisprudência administrativa; Protesta pela produção de provas; Pugna a anulação do Auto de Infração. O importador ingressou com o Mandado de Segurança No. 2001.61.00.0117346 na 11ª Vara Cível Federal do Estado de São Paulo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/01/1997 Importação de máquinas destinadas a produzir tecidos de malha com classificação fiscal no Código NCM 8448.51.00. O código NCM 8448.51.00, eleito pelo importador não comporta peças de teares circulares para malhas. Com base na Regra No. 2 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado, a fiscalização elegeu como correto o Código NCM 8448.59.10, pois as mercadorias são partes de teares circulares para malhas. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Considera equivocada a decisão de primeira instância, ‘porque a tônica que se deu em todo momento desde a autuação foi em tentar tipificar ou criar analogias entre as mercadorias importadas e as "platinas" e as "agulhas" quando, efetivamente, o foco deveria ter sido a disposição final da posição 8448.5100, ou seja, os "E OUTROS ARTIGOS, UTILIZADOS NA FORMAÇÃO DAS MALHAS"’. Acrescenta que a única questão que realmente interessa para a solução da lide é saber, com base em elementos técnicos, se as mercadorias são ou não artigos utilizados na formação de malhas. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Explica que o fundamento da Fiscalização Federal para considerar que as mercadorias não estavam enquadradas no conceito acima foi a disposição 23 do item 84.48, Seção B das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. Quanto a isso, sustenta que o enunciado da Nota tem caráter exemplificativo, não exaustivo, como entendeu o Fisco. Considera que teria sido necessária a obtenção de esclarecimentos técnicos para saber se as mercadorias são ou não artigos utilizados na formação de malhas. Que o texto da NCM 8448.51.00 refere artigos utilizados na formação de malhas, que, por interpretação literal, compreende as partes, peças e acessórios, “enfim, qualquer ‘objeto de comércio’”. Que as posições que contenham itens específicos prevalecem sobre as mais genéricas. Passa à explicação de natureza técnica com vistas a evidenciar o enquadramento das mercadorias no conceito de artigos utilizados na formação de malhas. Inicia por esclarecer que existem dois tipos de malharias, as malharias por trama e as malharias por urdimento. Que pertence ao primeiro grupo. Explica. Estas podem ser definidas, em termos simplificados, como aquelas em que o método de entrelaçamento da malha se dá na direção da trama (sentido horizontal) com um ou mais fios que alimentam um grande número de agulhas, as quais podem ficar dispostas em sentido retilíneo ou circular (no caso da Recorrente, o tear é circular). Dessa forma, a "cabeça têxtil" que é mencionada nas Declarações de Importação DIs objeto destes autos pode ser composta, a depender de sua utilização, pelos seguintes elementos: . Cilindro e Disco porta as agulhas e determina a densidade delas e conseguinte densidade da malha; . Pistas diferentes tipos de agulhas pedem pistas diferentes, para formação de diferentes tipos de malha; . Alimentadores regulam a tensão do fio influenciando na laçada da malha; . Carnes (pedras) e blocos de carnes; . Agulhas; . Platinas e anel de platinas; Importa destacar ainda que há pontos mais comuns de regulagens da máquina, os quais interferem diretamente na formação da malha, a saber: . Excêntrico de Ponto tamanho da malha; . Altura do Cilindro tamanho da malha . Altura do disco tamanho das entremalhas; . Sistema de Alimentação; . Frontura formação retardada ou sincronizada das malhas; . Ajustaqem dos guiafios; . Órgãos puxador e enrolador do tecido; . Órgãos abridores de linqüetas; . Detector de agulhas (Sentinelas). Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.005056/200160 Acórdão n.º 3102001.861 S3C1T2 Fl. 4 5 Anexa manifestação do SENAI a respeito do assunto. Explica que a terminologia “cabeça têxtil” decorre do fato de as peças conterem “artigos exclusivos para a formação e que determinam a própria característica das malhas, não servindo em qualquer outro equipamento têxtil [...]” Entende que “apenas as demais partes dos teares as quais não são necessárias na formação das malhas é que foram tributadas pelo legislador, e constam da classificação 8448.59.10. Quanto a estas, não há preenchimento do requisito específico de serem ‘necessárias à formação de malhas’; por isso mesmo é que estão em posicionamento posterior e menos genérico”. Menciona que adota esta premissa nas demais importações que realiza. Que sempre importou as mesmas mercadorias em questão sob a mesma classificação fiscal, sem jamais ter havido questionamento por parte do Fisco. E acrescenta, Com efeito, a Recorrente juntou (atenção aos documentos n°s 2 a 4 que acompanharam a impugnação) documentos que demonstram que outros Auditores da Receita Federal, que ficaram em dúvida sobre a classificação que deveria ser adotada para itens idênticos aos que são objeto destes Autos, determinaram a realização de laudos periciais, os quais foram unânimes em constatar que a classificação adotada pela Recorrente estava correta. Apresenta o resultado de três perícias técnicas realizadas. Aduz que a única vez que situação semelhante foi levada a Justiça, houve declaração judicial de nulidade da autuação. Reclama a aplicação do artigo 100 do Código Tributário Nacional. Conclui, defendendo a inocorrência da preclusão do direito de apresentação dos documentos que instruem o Recurso Voluntário, Como se vê, portanto, todos os anexos que acompanham este recurso e cuja juntada se requer – estão compreendidos nas hipóteses das alíneas 'a' a 'c' do § 4 o 7 , do Art. 16, do Decreto n° 70.235/1972. De uma primeira análise do processo, constatouse a necessidade de conversão do julgamento em diligência. A decisão foi assim relatada. Apesar de louvar o trabalho da fiscalização na análise de todas as declarações de importação elencadas, não encontrei nos autos os documentos que identificam as mercadorias importadas. Somente consta do auto de infração a lista das Declarações de Importação. Com estes documentos não é possível verificar qual a correta classificação fiscal das mercadorias. Entendo que esse fato prejudica o contraditório e a ampla defesa. Por conseguinte, em face do exposto, voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA a unidade de origem para que seja juntado aos autos um quadro demonstrativo relacionando todas as DI´s que fazem parte do Auto de Infração. E para cada DI seja informada a adição, a descrição da mercadoria e a classificação adotada pelo contribuinte. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Atendida a diligência, o processo retorna a este Conselho. Uma vez que a Conselheira Mara Sifuentes não mais integra a Turma, o processo foi a mim distribuído para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. As duas classificações tarifárias sobre as quais recai a controvérsia instaurada na lide estão a seguir reproduzidas. 8448.5 Partes e acessórios dos teares, máquinas ou aparelhos, da posição 84.47 ou das suas máquinas e aparelhos auxiliares: 8448.5100 Platinas, agulhas e outros artigos, utilizados na formação das malhas 8448.59 Outros Não há qualquer dúvida de que as mercadorias importadas tratamse de partes ou acessórios dos teares, máquinas ou aparelhos da posição 84.47. Também não parece haver dúvidas de que não sejam platinas, nem agulhas, mas, sim, outros artigos. A questão, por conseguinte, cingese a definilas como artigos utilizados na formação das malhas ou não. Se forem, classificamse na NCM 8448.51, como quer a Recorrente, se não, no código 8448.59, utilizado pela Fiscalização Federal. O Auto de Infração apresenta os motivos porque escolheuse a NCM 8448.59. Após transcrever alguns itens das Notas Explicativa do Sistema Harmonizado de Mercadorias – NESH, a Fiscalização esclarece. Foram escolhidos dessa tabela os 4 tópicos acima entre os 38 existentes devido ao relacionamento que estes têm com o assunto em questão, estes estabelecem os parâmetros para a classificação conforme passamos a explicar: O tópico de nº. 17 agulhas é citado nominalmente no código NCM 8448.51.00 O tópico de nº. 22 platinas é citado nominalmente no código NCM 8448.51.00, mas devese dar atenção especial a afirmação “que estes juntamente com as agulhas participam da formação das malhas”. O tópico de nº. 23 os acessórios para formação de malhas, é citado nominalmente no código NCM 8448.51.00, nos exemplos fornecidos pôr este tópico acima apresentados, não há nenhuma parte ou acessório que corresponda as descritas pelo importador como componentes da cabeça têxtil. Os três tópicos acima: 17 agulhas, 22 platinas, 23 outros artigos, utilizados na formação das malhas; formam todos os itens que devem ser classificados no código TEC/NCM 8448.51.00. Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.005056/200160 Acórdão n.º 3102001.861 S3C1T2 Fl. 5 7 O tópico de nº. 30 “........, as cames de agulhas e os cilindros de agulhas para teares circulares para fabricar malhas”, estes sim, partes e acessórios descritos pelo importador como componentes da cabeça têxtil e citados nominalmente na NESH, não são qualificados pela mesma como formadores de malhas, não são agulhas e também não são platinas, não preenchendo dessa forma nenhuma das condições previstas no código utilizado pelo importador, motivo pelo qual devem ser classificados no código NCM 8448.59.10. “Outros...dos teares circulares para malhas”. Ao tecer considerações acerca do Código 22, como acima se lê, a Fiscalização pede especial atenção à afirmação de que as platinas, juntamente com as agulhas, participam da formação das malhas. Essa referência encontrase no texto das NESH da seguinte forma. [...] Tratase [as platinas] de artefatos em folhas de aço de 0,1 a 2 milímetros de espessura e dotados de perfis muito variados que participam com as agulhas (geralmente as agulhas de bico ou articuladas) na formação de malhas. Da diligência demandada pela Turma, veio a informação sobre as mercadorias desclassificadas pelo Fisco. Como se vê nas descrições contidas na tabela carreada aos autos, tratamse, em sua maior parte, de peças denominadas cabeça têxtil, de diversos modelos, semi desmontadas, compostas por cilindros, blocos, agulhas e platinas. Não houve nenhuma iniciativa por parte da Fiscalização Federal com vistas à precisa identificação do que venha a ser uma cabeça têxtil. Como disse, a decisão de desclassificar as mercadorias baseouse no entendimento de que apenas (i) as agulhas, (ii) as platinas e (iii) outros acessórios utilizados para formação de malhas poderiam estar enquadrados no Código 8448.51, grupo no qual não estariam incluídas as Cabeças, por que elas, tal como os cames de agulhas e os cilindros de agulhas para teares circulares para fabricar malhas, não estão textualmente definidos como formadores de malhas nas NESH, tanto quanto não podem ser reconhecidos como um dos dois outros elementos identificados na posição – agulhas e platinas. Neste diapasão, importante mencionar que ditas cabeças têxteis, conforme se extrai das informações aduzidas pela parte, nada mais são do que unidades integradas constituídas pelos componentes do equipamento destinados ao processamento dos fios necessário à formação da malha, incluindose aí as agulhas e as platinas. Tal conclusão pode ser extraída de qualquer referência bibliográfica do setor têxtil, ou da própria descrição da mercadoria oferecida pelo contribuinte nas declarações de importação, que foi, inclusive, reconhecida pelo Fisco como correta para fins de aplicação do excludente de responsabilidade previsto no ADN Cosit nº. 10/97. Transcrevo uma das descrições contidas na Tabela apresentada. CABECA TEXTIL COMPLETA, SEMI DESMONTADA, COMPOSTA DE CILINDRO, BLOCO, AGULHA, PLATINA P/ MAQUINAS CIRCULARES P/ MALHARIA REF. MOD. CO/5 34X20. Seguindo por esse caminho, peço vênia para discordar da leitura empreendida pela Fiscalização para reconhecer as mercadorias como não passíveis de enquadramento na NCM 8448.51. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Entendeuse que, da lista de trinta e oito itens apresentados nas NESH como exemplo de partes e acessórios reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas da posição 8448 ou das posições 84.44, 84.45, 84.46 ou 84.47, apenas aqueles em cuja descrição fosse encontrada a palavra “agulha”, “platina” ou a expressão “acessórios para formação de malhas” poderia ser classificado na NCM escolhida pelo contribuinte. Para todos os demais casos passiveis de enquadramento no Código 8448.5, a classificação deveria ser na posição “outros”. Não me parece, contudo, que a lista exemplificativa contida nas NESH tenha essa finalidade e/ou possa ser desta maneira interpretada. Por certo que os itens que fazem menção literal a uma das partes identificadas no Código 8448.51.00 devem ser nele classificados, mas isso não significa que os demais itens não estejam enquadrados no conceito genérico descrito no final do texto do Código. Com efeito, a meu sentir, o assunto requer uma análise partindose de outro vértice, e ele começa pelo que deva ser compreendido pela expressão “outros artigos utilizados na formação das malhas”. Primeiro, como parece óbvio, o conceito não compreende as agulhas e as platinas, citadas nominalmente antes dos outros artigos serem incluídos no Código NCM. Também não há perfeita identidade entre acessórios para formação da malha, terminologia empregada no item 23 das NESH citado pela Fiscalização, e os outros artigos descritos no texto da NCM. O conceito para acessórios, como se sabe, é mais restrito do que o conceito de artigos. Neste estão incluídas, também, as partes e peças. O texto das NESH para a posição 8448, abaixo reproduzido, traz algumas interessantes considerações a respeito do tema. Incluemse na presente posição: (...) III. Os acessórios diversos utilizados nas máquinas ou aparelhos das posições 84.44, 84.45, 84.46 ou 84.47, ou da presente posição; o termo “acessórios” referese, em princípio, aos artefatos ou órgãos ou elementos de equipamento intercambiáveis, estranhos ao mecanismo propriamente dito da máquina, e que devem ser substituídos freqüentemente, quer por motivo do seu rápido desgaste, quer porque é necessário adaptálos constantemente ao tipo de trabalho efetuado. (grifos acrescidos) Essa Nota, além de conter relevante esclarecimento a respeito da distinção entre artigos e acessórios, remete também à ideia de que existem acessórios, assim como por certo também existirão partes e peças, que são utilizados em diferentes funções, até mesmo estranhas ao mecanismo propriamente dito da máquina, abrindo um horizonte viável na compreensão do que venham a ser artigos não utilizados na formação das malhas. Assim é que, sem adentrar a questão específica sobre o limite adequado para definição desse conceito, pareceme que de forma nenhuma as cabeças têxteis, unidades nas quais estão presentes todos os elementos destinados à produção do tecido, dentre eles as próprias agulhas e platinas, possam ser dele excluídos. Ao contrário de como entendeu o Fisco, a menção encontrada no item 22 ao fato de que as platinas participam com as agulhas na formação de malhas, a mim, soa como uma confirmação do entendimento até aqui defendido, na medida em que ambas, junto a outras partes e peças, compõe as cabeças têxteis. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.005056/200160 Acórdão n.º 3102001.861 S3C1T2 Fl. 6 9 De se destacar que nem mesmo as agulhas e as platinas, acaso não fossem utilizadas na formação da malha poderiam ser classificadas na NCM 8448.51. Pareceme que o contribuinte anda mais próximo da correta interpretação da terminologia empregada na Nomenclatura, quando menciona, no corpo do Recurso Voluntário, outras partes e peças de equipamentos utilizados na linha fabril bem menos vinculadas ao processamento dos fios a partir do qual formase a malha. Outrossim, também não pode prosperar a desclassificação fiscal dos demais itens apresentados na tabela elaborada em reposta à diligência requerida por este Colegiado. Muitos deles estão descritos apenas como partes e peças utilizadas na formação da malha, do que se depreende que a Fiscalização corrigiu a classificação fiscal sem o reconhecimento da especificação da mercadoria examinada, resultando o procedimento de exigência fiscal sem embasamento técnico (sem falar que a descrição leva ao enquadramento pretendido pelo importador). Outros, com descrição mais específica, não foram objeto de exame, para que pudesse ser conhecida a finalidade na qual o bem é empregado e a possibilidade de seu alinhamento ao texto do código NCM 8448.51. Por todo o exposto, VOTO POR DAR INTEGRAL provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 22 de maio de 2013. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10921.000124/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004
ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração.
Recurso Voluntário Negado.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Numero da decisão: 3102-001.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. Recurso Voluntário Negado. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 MULTA REGULAMENTAR. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA. INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DA CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/09/2004 a 30/09/2004 ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 01 24 /2 01 0- 37 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que acolhiam a arguição de ilegitimidade passiva e reconheciam a denúncia espontânea da infração. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24968. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/23), em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 630.000,00, motivada pela prática de infração por não prestação de informação sobre carga transportada, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O fato motivador da autuação fora o registro extemporâneo, no Siscomex, dos dados de embarques de mercadorias exportadas, após o prazo de sete dias, fixado no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, conforme discriminado no tabela de fls. 19/21. Na peça impugnatória colacionada aos autos (fls. 28/31), a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório integrante do acórdão recorrido: Por razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso das informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, as referidas DDEs não puderam ser entregues dentro do prazo estabelecido. A conduta da impugnante (atraso) não se encontra tipificada, sendo punível somente a omissão na informação. Argüi denúncia espontânea. Por ser uma agente de navegação, não pode a impugnante ser penalizada com a penalidade em questão por não ser empresa transportadora internacional ou prestadora de serviço de Fl. 86DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10921.000124/201037 Acórdão n.º 3102001.985 S3C1T2 Fl. 21 3 transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga. Em 19/8/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 47/49), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e mantido o crédito tributário exigido, sob o fundamento de que a recorrente havia registrado os dados de embarque fora do prazo determinado na legislação aduaneira, fato punível com a cobrança da multa regulamentar imposta. Em 23/2/2012 (fls. 58/59), a recorrente foi cientificada da decisão primeiro grau. Em 9/3/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 60/67, em que reafirmou as alegações aduzidas na fase impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preliminar de ilegitimidade passiva. Alegou a recorrente que a penalidade prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003, objeto do auto de infração em apreço, não podia serlhe cominada, pois era apenas agência de navegação ou agência marítima, representante da empresa transportadora internacional, mas não era a ela equiparada nem responsável solidária para fins tributários. É fato incontroverso que recorrente era a representante do transportador estrangeiro, no País, consequentemente, era ela quem detinha a responsabilidade pelo registro, no Siscomex, dos dados das cargas embarcadas nos navios da empresa de navegação por ela representada. Logo, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática em tela, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). Além disso, não se pode olvidar que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário com infração à lei, segundo determina o inciso II do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] II os mandatários, prepostos e empregados; [...]. Portanto, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter descumprido a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Alem disso, é oportuno ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decretolei n° 37, de 1966, constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Assim, demonstrada a legitimidade passiva da recorrente, rejeitase a alegação de ilegitimidade passiva. Do mérito. No mérito, a controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do seu conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso, a norma complementar que determina o prazo de registro, no Siscomex, dos dados de embarque de mercadoria é o art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, Fl. 88DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10921.000124/201037 Acórdão n.º 3102001.985 S3C1T2 Fl. 22 5 de 1994. Na data da infração, o prazo para o transportador registrar os referidos dados era dois dias prazo, contado da data da realização do embarque, conforme (redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 2005). A partir de 14/12/2010, data da vigência da Instrução Normativa SRF nº 1.096, de 13 de dezembro de 2010, que deu nova redação ao referido artigo, o citado prazo foi alterado para sete dias e a ter a seguinte redação, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. [...] (grifos não originais) No caso, com base nos dados da tabela colacionada aos autos (fls. 19/21), verificase que o registro dos dados de embarque, objeto da autuação em apreço, foram efetivados após o prazo de sete dias fixado na atual redação do art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 1994, o que exclui a possibilidade de aplicação da retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN. Com base nessas considerações, fica demonstrado que o fato imputado a recorrente subsumese perfeitamente à descrição da infração estatuída no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37, de 1966, com a nova redação da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, não procede a alegação da recorrente de que o fato a ela atribuído era atípico. Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada e vinculação de manifesto à escala, após a atracação dos navios, fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 89DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10921.000124/201037 Acórdão n.º 3102001.985 S3C1T2 Fl. 23 7 que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Com esse mesmo entendimento, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por informação extemporânea da carga descarregada em porto alfandegado do País, objeto da presente autuação. Da conclusão. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 19839.002082/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS AOS COFRES PÚBLICOS. DESCONTOS EFETUADOS INFORMADOS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A teor do disposto no art. 225, § 1o do Decreto 3.048/99, que aprovou o RPS, as informações contidas em GFIP constituem-se em confissão de dívida tributária, somente podendo ser elidida mediante documentação hábil e idônea que demonstre o equívoco no preenchimento da guia.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DE DEFESA ESTRANHA AOS AUTOS E NÃO LEVANTADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A matéria de defesa levantada somente em sede de recurso voluntário, sem que a recorrente a tenha formulado em sede de impugnação, deve ser considerada preclusa, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 207 1 206 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19839.002082/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.160 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2013 Matéria APROPRIAÇÃO INDÉBITA Recorrente SANTANA AGRO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS E NÃO REPASSADAS AOS COFRES PÚBLICOS. DESCONTOS EFETUADOS INFORMADOS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A teor do disposto no art. 225, § 1o do Decreto 3.048/99, que aprovou o RPS, as informações contidas em GFIP constituem se em confissão de dívida tributária, somente podendo ser elidida mediante documentação hábil e idônea que demonstre o equívoco no preenchimento da guia. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DE DEFESA ESTRANHA AOS AUTOS E NÃO LEVANTADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A matéria de defesa levantada somente em sede de recurso voluntário, sem que a recorrente a tenha formulado em sede de impugnação, deve ser considerada preclusa, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 83 9. 00 20 82 /2 00 9- 49 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Carolina Wanderley Landim. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19839.002082/200949 Acórdão n.º 2401003.160 S2C4T1 Fl. 208 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por SANTANA AGRO INDUSTRIAL LTDA em face do acórdão que manteve parcialmente a NFLD n. 35.132.5905, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias descontadas da remuneração de segurados empregados de suas filiais (CNPJ´s 15.589.062/000239 e 15.589.062/000409) e não repassadas aos cofres públicos. Consta do relatório fiscal que além da remuneração foram efetuados descontos inclusive sobre férias, décimo terceiro salário e rescisões contratuais, sendo que todos os valores lançados foram obtidos das folhas de pagamento e declarados em GFIP. O fiscal autuante também esclareceu que relativamente ao estabelecimento 000239, nas competências 01/95 a 13/95, dos totais de contribuições lançadas, foram deduzidos os salários de contribuição contidos nas NFLD's anteriormente lavradas contra a Notificada: NFLD no 32.473.1906 (01/95 a 05/95) e NFLD n° 32.473.1914 ( 06/95 a 12/95), ficando um saldo de contribuição de 01/95 a 09/95 e de 12/95, zerando 13/95. A competência 10/95 não constou nas notificações anteriores, motivo pelo qual foi lançada pelo seu total. O lançamento foi impugnado no sentido de que diante do exíguo prazo de 15 (quinze) dias para a apresentação da defesa, a recorrente não teve prazo suficiente para levantar os documentos necessários a demonstrar não ter havido a retenção dos valores, já que as folhas de pagamento foram elaboradas pela empresa apenas formalmente, sendo que diante da grave crise do setor da agroindústria alcooleira na época, os salários eram pagos em utilidades e mercadorias. O período apurado compreende a competência 01/1995 a 13/1998, tendo sido o contribuinte cientificado em 07/07/2000 (fls. 100). Em seu recurso, a recorrente argumenta que conforme restou caracterizado na defesa em 1a instância a documentação e os livros fiscais exibidos à Sra. fiscal autuante provam que toda a cana entrada no estabelecimento industrial da recorrente é própria e a mão deobra nela empregada é exclusivamente de trabalhadores rurais. Acrescenta que ao contrário do que afirma a r. decisão atacada, a fiscalização do INSS não adota o entendimento de que as agroindústrias estão sujeitas exclusivamente às contribuições sobre as folhas de pagamento, bem como que o art. 25, § 2°, da Lei Federal n° 8.870/94 foi declarado inconstitucional pelo STF Sustenta que o julgador hodierno preocupase com o bem e o mal resultantes do. seu veredictum. Se é certo que o juiz deve buscar o verdadeiro sentido e alcance do texto; todavia, este alcance e aquele sentido não pode estar em desacordo com o fim colimado pela legislação o bem social. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, novamente vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 19839.002082/200949 Acórdão n.º 2401003.160 S2C4T1 Fl. 209 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Trata o presente do lançamento de contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada à esses mesmos segurados, cujos valores foram apurados nas folhas de pagamento e que foram declaradas em GFIP. E conforme preleciona o art. 225, § 1o do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, as informações prestadas em GFIP constituemse em confissão de dívida. Senão vejamos: Art.225. A empresa é também obrigada a: [...] IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; [...] §1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. E no caso dos autos a recorrente não trouxe qualquer comprovação hábil, sequer mesmo qualquer documento que demonstrasse que não levou a efeito a retenção, mas ao contrário, confirma o pagamento de remuneração aos seus empregados, seja mesmo através de salário indireto. Ademais, ao analisar o recurso impetrado, vejo que este sequer combate os fundamentos da imposição fiscal, ou mesmo as próprias razões de decidir constantes na Decisão Notificação ora recorrida, se resumindo, no entanto a tratar de matéria estranha aos Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 autos do presente processo e que, digase, por oportuno, sequer fora objeto de sua impugnação apresentada em primeira instância de julgamentos, motivo pelo qual, com relação aos demais questionamentos do recurso voluntário, entendo que a matéria deve ser considerada preclusa, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 30/09/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10640.001988/2006-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO.
A verba denominada Ajuda de Custo está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destina-se a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município.
Numero da decisão: 2201-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah.
Assinatura digital
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinatura digital
RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE - Relator.
Assinatura digital
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 07/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e RICARDO ANDERLE (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADO. AJUDA DE CUSTO. TRIBUTAÇÃO. A verba denominada Ajuda de Custo está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destinase a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), que deu provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Assinatura digital MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinatura digital RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Assinatura digital EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 07/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 19 88 /2 00 6- 46 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, EDUARDO TADEU FARAH, PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e RICARDO ANDERLE (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Tratase de pedido de restituição formulado pela entrega da Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001 Retificadora n° 06/34.152.964, fls. 32 a 35, apresentada por Contribuinte em epígrefe, já qualificado nos autos, resultando na lavratura do Auto de Infração as fls. 12 a 17, e em saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir. A Declaração de Ajuste Anual Retificadora do Exercício 2001 (fls. 20 a 22), foi entregue em 10/11/2005, tendo sido o contribuinte notificado em 29/08/2006. As fls. 01 a 3, o contribuinte fez sua impugnação, instruída pelos elementos de fls. 11 a 26, na qual contestou o Auto de Infração, apresentando, para tanto, suas razões de mérito. Foi, então, proferido pela 4ª Turma de Julgamento o Acórdão DRJ/JFA n° 0922.374, de 30/01/2009, as fls. 59 a 61, que, em preliminar, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento efetuado, em face do transcurso do qüinqüênio decadencial. Nesse julgado determinouse que a DRF/JFA/SAORT analisasse o mérito do pedido de restituição formulado pelo contribuinte mediante a entrega da DIRPF/2001 Retificadora (fls. 20 a 22). Por meio dessa declaração retificadora pretendeu o interessado a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre a "verba de ajuda de custo ou diferença de ajuda de custo", paga, no anocalendário de 2000, com base na Resolução 5.154/94 da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, sobre a qual, por sua natureza, segundo seu entendimento, não incidiria a exigibilidade de tributação. Mediante o Despacho Decisório, as fls. 74/75, exarado em 11/12/2009, pela DRF/Juiz de Fora/MG/SAORT, foi indeferido o pedido de restituição formulado pelo interessado, pois a "a Ajuda de Custo recebida pelo Contribuinte não atende aos requisitos legais para não ser tributada pelo Imposto de Renda, haja vista que não houve mudança de um município para outro ". Cientificado do Despacho Decisório em 30/12/2009, o contribuinte apresentou em 15/01/2010, manifestação de inconformidade, em relação ao indeferimento do seu pedido de restituição e o reiterou, sob os seguintes argumentos, em resumo: 1 Em preliminar: • A 4a Turma desta Delegacia, mediante o Acórdão 0922.374, de 30/01/2009, julgou a impugnação apresentada contra a notificação, em face da declaração retificadora, declarando Fl. 124DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.001988/200646 Acórdão n.º 2201002.055 S2C2T1 Fl. 124 3 improcedente o lançamento formalizado, sob o fundamento da decadência; • Tal decisão, "no que tange a decadência, teve o conteúdo decisório imutável pela coisa julgada administrativa e está revestida do caráter da efetividade no que se refere ao deslinde do interesse do ora requerente em receber a devolução a que faz jus na declaração retificadora 06/34.080.896 (leiase 06/34.152.964), pois estamos diante de um julgamento definitivo, nos limites da jurisdição administrativa, não havendo mais a possibilidade de alteração. "; • Dessa forma, o valor do imposto pago a maior, de acordo com a declaração retificadora, é passível de devolução, sob pena de se configurar, além da ofensa à coisa julgada administrativa, também um autêntico confisco tributário. 2 No mérito: • "A questão paradigmática dos magistrados federais e do Estado do Rio de Janeiro, e ainda do contribuinte Cristiano Álvares Valladares do Lago, CPF..., requerente referente ao exercício de 2003 (documentos que se juntam) estabelecem uma situação idêntica, pelo que rogase a aceitação dos documentos juntados como prova inequívoca daquelas afirmações do requerente."; • "De qualquer modo, a fundamentação na qual se funda a R. decisão da digno Chefe Substituta do SAORT, além de ofender a coisa julgada administrativa, confronta o art. 97 do CT1V, segundo o qual somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador da obrigação tributária principal. A analogia extensiva na qual se fundou a decisão recorrida para distinguir a ajuda de custo do abono v ariável, acabou por criar uma modalidade de tipo tributário ou fato gerador que ultrapassa os limites do art. 108§ 10 do mesmo código que estabelece que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei."; • "A questão é que, seja na forma em que foram pagas para a Magistratura Federal e Ministério Público, ou na forma que foram pagas à Magistratura Estadual e respectivo Ministério Público, como historiado na impugnação, as parcelas com o titulo de ajuda de custo ou abono variável foram caracterizadas de natureza jurídica indenizatória e assim considerados pela Resolução 245 do STF que sem seu artigo 10 assim definiu ... 'É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório ..."; • Em face da Resolução do STF a CoordenaçãoGeral de Administração Tributária da Receita Federal elaborou a Nota Corat n° 22/2004 (doc. em anexo à impugnação) que estabelece procedimentos a serem adotados com relação As declarações IRPF dos exercícios de 1999 a 2003 dos Membros do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas da União e, por equidade, se estenderia aos membros do Ministério Público. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 O Recorrente enfatiza os princípios constitucionais da isonomia e da igualdade jurídicotributária, concluindo que para hipóteses exatamente idênticas há que ocorrer tratamento igual sob pena de serem feridos tais princípios. Cita, em seu socorro, textos de diversos tributaristas e decisões do poder judiciário. A DRJ houve por bem negar provimento à manifestação de inconformidade sustentando que: Houve, sim, decisão definitiva em relação ao lançamento então efetuado, mas, não, em relação ao pedido de restituição. Conforme restou claro, a decadência foi levantada por esta 4° Turma de Julgamento apenas e tãosomente em relação ao lançamento constante do Auto de Infração. E como não poderia deixar de ser, o mérito da exigência não foi analisado, por incompatível com a preliminar de decadência, nos termos do próprio Acórdão de fls. 59 a 61. Como o pedido de restituição em comento dependia, ainda, dessa análise de mérito, houve a determinação, no citado Acórdão, para que a DRF/Juiz de Fora/SAORT assim procedesse. 0 que foi feito. No mérito entendeu que os valores pagos a título de ajuda de custo não estavam relacionadas diretamente com alguma despesa uma vez que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar o seu deslocamento de um município para outro. Inconformado o contribuinte recorre reafirmando os argumentos da impugnação. É o relatório do necessário Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA Sustenta o contribuinte em preliminar que: A 4a Turma desta Delegacia, mediante o Acórdão 0922.374, de 30/01/2009, julgou a impugnação apresentada contra a notificação, em face da declaração retificadora, declarando improcedente o lançamento formalizado, sob o fundamento da decadência; • Tal decisão, "no que tange a decadência, teve o conteúdo decisório imutável pela coisa julgada administrativa e está revestida do caráter da efetividade no que se refere ao deslinde do interesse do ora requerente em receber a devolução a que faz Fl. 126DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.001988/200646 Acórdão n.º 2201002.055 S2C2T1 Fl. 125 5 jus na declaração retificadora 06/34.080.896 (leiase 06/34.152.964), pois estamos diante de um julgamento definitivo, nos limites da jurisdição administrativa, não havendo mais a possibilidade de alteração. "; • Dessa forma, o valor do imposto pago a maior, de acordo com a declaração retificadora, é passível de devolução, sob pena de se configurar, além da ofensa à coisa julgada administrativa, também um autêntico confisco tributário. Pois bem, em que pese o entendimento deste Relator quanto a questão da decadência, é inegável que a DRJ a reconheceu de ofício, tornando imutável a declaração retificadora apresentada pelo contribuinte. Inicialmente devese observar que nos termos do voto condutor que reconheceu a decadência não há a determinação expressa para a SAORT apreciar o mérito da restituição, tal determinação aparece apenas no acórdão. Não obstante isso, devese questionar sobre que pontos poderia a SAORT se manifestar. Se a apuração do tributo devido está decaída sobre este ponto nada mais pode dizer a administração fazendária, não pode por exemplo dizer sobre a classificação dos rendimento e não pode dizer sobre rendimentos omissos. Desta forma entendo que somente poderia se manifestar sobre o efetivo recolhimento do imposto, pois sem imposto efetivamente pago a maior não há direito a restituição. Mas como dito anteriormente o direito de rever o imposto devido nada mais pode ser dito. Ocorre que tal análise não foi feita a SAORT negou o direito creditório alterando o lançamento tributário e não analisou o crédito do contribuinte não analisou a efetividade do recolhimento. Na mesma linha foi o julgamento da DRJ que não se manifestou sobre o crédito do contribuinte, mas tão somente sobre o débito que a própria DRJ diz estar decaído. Desta forma, dou provimento ao recurso para determinar que a SAORT se manifeste apenas sobre a efetividade da retenção e recolhimento efetuados pela fonte pagadora como noticiado na DAA. É como voto. Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator Designado Fl. 127DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Em que pese o voto proferido pelo ilustre Conselheiro, tenho, data vênia, opinião divergente ao seu entendimento. De início, cabe o registro que a autoridade recorrida entendeu, por meio do acórdão nº 0922.374, de 30/01/2009, que o direito de lançar o credito tributário já havia decaído, razão pela qual julgou improcedente o lançamento efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Juiz de Fora/MG. Contudo, em relação à restituição pleiteada mediante Declaração de Ajuste Anual retificadora, desde que apresentada dentro do prazo legal, deve ser objeto de exame pela autoridade administrativa, com o intuito de verificar a ocorrência, ou não, de recolhimento a maior de imposto de renda pessoa física. Superada tal questão passase a análise do mérito. A verba recebida a título de ajuda de custo do Tribunal de Justiça/MG configura remuneração por serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções, constituindo rendimento produzido pelo trabalho, revestindose de todas as características formais e legais de fato gerador do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza (Lei nº 5.172/66, art. 43, I e II, Lei nº 4.506/64, art. 16, Lei nº 7.713/88, art. 3º, § 4º). O rendimento em questão, ainda que denominado “ajuda de custo” pela fonte pagadora, traduz, efetivamente, aquisição de disponibilidade econômica, porquanto acresce o patrimônio do beneficiário e não visa recompor patrimônio antes existente. Ressaltese que a isenção prevista no art. 39 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/1999), para a verba denominada ajuda de custo, destinase a atender às despesas com transporte, frete e locomoção do beneficiado e seus familiares, em caso de remoção de um município para outro, sujeita à comprovação posterior pelo contribuinte (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XX); Com efeito, conforme bem pontuado pela autoridade recorrida a própria certidão de fls. 18/19, fornecida pelo Tribunal de Justiça/MG, consta de forma expressa o pagamento ao contribuinte da quantia em discussão a título de ajuda de custo, nos termos da Resolução n° 5.154/94 da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais. Alias, consta uma observação ao final da certidão assegurando que “os valores acima descritos, pagos a titulo de "Ajuda de Custo", não se destinaram a indenização de despesas com mudança de domicilio.” A respeito da natureza tributária da verba recebida a título de “ajuda de custo”, a jurisprudência administrativa dominante tem se posicionado da seguinte forma: Ementa: “IRPF RENDIMENTO DO TRABALHO ASSALARIADOAJUDA DE CUSTOTRIBUTAÇÃOISENÇÃO Ajuda de Custo paga com habitualidade a membros do Poder Legislativo Estadual está contida no âmbito da incidência tributária e, portanto, deve ser considerada como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, se não for comprovada que a mesma destinase a atender despesas com transporte, frete e locomoção do contribuinte e sua família, no caso de mudança permanente de um para outro município. Não atendendo estes requisitos, não estão albergados pela isenção prescrita na legislação tributária. Recurso negado.” Acórdão 1º Conselho de Contribuintes nº 10245044, de 19/09/2.001. No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu Fl. 128DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.001988/200646 Acórdão n.º 2201002.055 S2C2T1 Fl. 126 7 natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário. Transcrevese, outrossim, o art. 111, inciso II, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176, do CTN. Destarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 129DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 0 8/08/2013 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por EDUARDO TADEU F ARAH, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10280.003605/2006-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO. SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO.
As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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SERVIÇOS USADOS NA LAVRA MINÉRIO OU NA MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTO DE TRANSPORTE DE MINÉRIO. As despesas com serviços utilizados na lavra de minério e na manutenção de mineroduto, cujo minério extraído e transportado é utilizado pela empresa para a produção do bem vendido, geram direito a crédito de Cofins não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 36 05 /2 00 6- 19 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 08/08/2006 a empresa PARÁ PIGMENTOS S/A, já qualificada nos autos, transmitiu pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa, previsto no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2002, relativo ao 1º trimestre de 2005. A DRF em Belém PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito da Cofins só alcança os insumos diretamente ligados à produção específica de caulim (produto final a ser vendido), o que não é o caso dos gastos com combustíveis, lubrificantes, serviços de terraplanagem, sondagem, topográficos e bombeamento. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida e abaixo transcrito (naquilo que interessa ao litígio): a) Indica ser nulo o Despacho por inexistência de descrição dos fatos e enquadramento legal. “A ausência de descrição dos fatos e da capitulação legal da infração são motivos suficientes, por si só, para que seja declarada a nulidade do Parecer SEORT/DRF/BEL n° 0647/2011 e do despacho decisório.”; b) “É evidente que a incorreção dos requisitos discriminados nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos implica no cerceamento do direito de defesa da ora REQUERENTE, previsto no art. 5º , LIV e LV, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), uma vez que esta não dispõe dos elementos mínimos necessários para a apresentação de sua manifestação de inconformidade. Logo, não há dúvida de que houve a preterição do direito de defesa da ora REQUERENTE.”; c) Entende que a redução a zero da alíquota da COFINS sobre as receitas financeiras não significa que essas receitas não estejam sujeitas à incidência do COFINS, isso porque, na alíquota zero, a norma de incidência permanece íntegra, havendo apenas a suspensão de um dos seus elementos quantitativos, e que devem ser incluídas no cômputo da receita bruta, para fins do cálculo da proporcionalidade previsto no art. 3º, § 8º, II, da Lei n° 10.833/2003; d) Defende que os valores pagos na aquisição de óleos combustível e lubrificante e aqueles despendidos com serviços (terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento) geram créditos por se caracterizarem como insumo; e) Argumenta que a definição de insumo trazida pelos atos normativos da Receita Federal foi pega de empréstimo, “de modo flagrantemente impróprio”, das legislações do ICMS e do IPI, não podendo ser utilizadas para a COFINS, uma vez que a materialidade desta última é muito maior que a dos impostos, devendo a possibilidade de creditamento também ser mais abrangente; f) “Por oportuno, ressaltese que no RPF n° 021 01 00/005992010 é feita remissão ao art. 66, § 50, II da IN/SRF nº 247/2002, para indeferir o creditamento dos valores recolhidos a título de serviços prestados à Requerente, quando o correto seria a indicação do inciso I do referido artigo, pois é este que cuida do creditamento de serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto (o inciso II trata do serviço aplicado ou Fl. 294DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 4 3 consumido na prestação de serviço), o que, por si só, enseja a nulidade do despacho decisório quanto aos créditos apurados relacionados com esse item.”; g) “Vêse, pois, que, o conceito de insumo, para fins de apuração de crédito da COFINS, deve abranger todo e qualquer bem ou serviço utilizado na obtenção de receita, sendo ilegais, portanto, as restrições contidas no art. 8°, § 4°, 1, “a”, da IN/SRF n° 404/2004 e no art. 66, § 50, II, “b”, da IN/SRF n° 247/2002.”; h) Cita a Solução de Divergência nº 37, de 2008, da Cosit, que entende ser aplicável ao presente caso, na qual a administração teria concluído que os óleos combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos aa COFINS, não havendo necessidade de que os mesmos ajam diretamente sobre o produto fabricado. Transcreve trechos do documento; i) Destaca que o óleo combustível é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim. “Com efeito, o óleo é consumido como combustível no processo de evaporação do caulim, pois esse é composto por um vaso cilíndrico, termo compressor e conjunto de trocadores de calor tipo placas e de uma caldeira flamotubular, que utiliza óleo BPF1 A, como combustível.” l) “Como se isso não fosse o bastante, na secagem, um dos processos de produção do 'caulim', o gás quente responsável pelo aquecimento do ar de secagem é obtido pela queima de combustível (BPF – 1A) em uma fornalha revestida com tijolos refratários.” m) “Desse modo, podese ainda afirmar que não só os óleos lubrificantes e combustíveis são consumidos no processo de fabricação do produto, como também atuam diretamente sobre esse processo produtivo. De fato, como visto, o óleo combustível atua diretamente no processo de redução de umidade do caulim.”; n) Com relação aos serviços de terraplanagem, os serviços de sondagem, de topografia e de bombeamento, julga que, apesar de não agirem diretamente sobre o produto fabricado, não há dúvida de que são utilizados em seu processo de fabricação; o) “Os serviços de terraplanagem são preparatórios para a exploração mineral, visto que têm como objetivo aplainar o terreno, para que se possa iniciar a extração do 'caulim', restando também extreme de dúvida a sua importância dentro do processo produtivo.”; p) “Da mesma forma, os serviços de sondagem, de topografia e de bombeamento também não necessários dentro do processo de produção do caulim.”; q) Conclui: “Nas Seções anteriores encontrase devidamente demonstrado que a REQUERENTE tem direito a se creditar dos valores relativos aos óleos combustível e lubrificante, e aos serviços de terraplanagem, sondagem, topográfico e bombeamento, tendo em vista que tratamse de bens e serviços utilizados para a obtenção de receita e, por conseguinte, podem ser classificados como insumos passíveis de creditamento, nos termos do art. 3º, II, da Lei n° 10.637/2002. No entanto, caso assim não se entenda, o que se admite apenas para argumentar, a IMPUGNANTE requer a realização de perícia, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/1 972, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Fl. 295DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 5 4 a) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? b) Os serviços de terraplanagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? c) Os serviços de sondagem são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? d) Os serviços topográficos são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? e) Os serviços de bombeamento são utilizados e/ou consumidos no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE? f) Os óleos combustíveis e lubrificantes adquiridos pela REQUERENTE têm ação direta no processo de fabricação do "caulim" ou de qualquer outro produto da REQUERENTE ou, ainda, os referidos bens integram de alguma forma o "caulim" ou qualquer outro produto final da REQUERENTE? Por oportuno, a REQUERENTE indica o Sr. Anselmo Duarte Pereira, engenheiro químico, inscrito no Conselho Regional de Química sob o n° 03.302.662 6ª Região, para atuar como seu perito. Por todo o exposto, a REQUERENTE requer a V.Sa. que seja dado integral provimento à sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja homologado integralmente o seu pedido de compensação efetuado através da PER/DCOMP n° 06448.63320.290107.1.3.097393. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA deferiu, em parte, a solicitação da interessada, para reconhecer o direito ao crédito das despesas com combustíveis e lubrificantes empregados na produção de caulim, nos termos do Acórdão nº 0123.064, de 28/09/2011, cuja ementa tem a seguinte redação: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO. Do montante apurado para a contribuição, a pessoa jurídica pode descontar créditos sobre os valores das aquisições efetuadas no mês de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os combustíveis e lubrificantes, assim como a energia elétrica, quando participantes do processo industrial, caracterizamse como insumos indiretos para os quais há determinação específica na legislação que permite o aproveitamento de créditos. Ciente desta decisão em 26/10/2011, conforme AR constante dos autos, a interessada ingressou, no dia 25/11/2011, com Recurso Voluntário no qual renova os argumentos relativos à nulidade do Despacho Decisório, ao direito de crédito das despesas com serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento e ao pedido de realização de perícia. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 6 5 Junta Laudos Técnicos sobre o emprego dos serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento adquiridos pela Recorrente. Na forma regimental, o processo foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de Cofins nãocumulativo e a decisão recorrida entendeu que não houve o alegado cerceamento do direito de defesa e que as despesas com terraplenagem, sondagem, topografia e bombeamento não se enquadram no conceito de insumo, para fins de crédito da Cofins. Relativamente à preliminar de nulidade do Despacho Decisório por falta de enquadramento legal não há como acolher a pretensão da Recorrente pelas seguintes razões: 1) O Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM Nº 179, que decidiu o direito de crédito da Recorrente, fundouse no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 90/96, na qual consta toda a fundamentação legal das glosas efetuadas e do direito creditório reconhecido; 2) O Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas fundouse no Despacho Decisório SEFIS/DRF/BELÉM Nº 179 e no Parecer SEORT/DRF/BEL nº 0647/2011, que fundouse também no Relatório de Encerramento de Diligência Fiscal de fls. 90/96. Vêse claramente que nos 02 (dois) Despachos Decisórios constam o fundamento legal das decisões tomadas. O fato da fundamentação legal não está expressamente transcrita nos mesmos não é sinônimo de que não existe, como entendeu a Recorrente. Comprovado que os Despachos Decisórios de reconhecimento do crédito e de homologação das compensações estão perfeitamente fundamentados, há que se rejeitar a preliminar de nulidade argüida pela Recorrente. Quanto ao pedido de realização de perícia, entendo que a mesma é desnecessária porque a Recorrente trouxe, com o Recurso Voluntário, Laudos Técnicos descrevendo o emprego dos serviços objeto da glosa. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 7 6 O fato dos referidos laudos terem sido elaborados pela própria Recorrente, ou por uma empresa à ela ligada (IMERYS), não impede a sua utilização como meio de prova, desde que convença a Turma de Julgamento sobre a sua idoneidade. Passemos à análise de cada Laudo Técnico, naquilo que interessa ao deslinde da questão, conforme abaixo transcrito. LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplenagem e Topografia na IPPSA (Imerys Pará Pigmentos S/A) [...] 2.0 Lavra [...] A lavra do minério, extraído para a produção do caulim, compreende o desenvolvimento das seguintes operações: supressão vegetal; remoção e salvamento do solo orgânico; decapeamento e disposição nos botaforas; escavação; carga e transporte do minério e alimentação do “blunger”. Os “Atos de Lavra” expostos precisam de máquinas de terraplenagem para serem efetivados. [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplenagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar o minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA (Imerys Pará Pigmentos S/A) [...] 2.0 Sondagem [...] A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operação de sondagem. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem [...] Tanto a marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 8 7 precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem com uma de suas bases a exatidão dos trabalho de sondagem e de topografia. 3.0 Conclusão As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, sem a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, conseqüentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO (Serviço de Bombeamento) DO OBJETIVO DO TRABALHO Consiste em esclarecer a técnica de bombeamento aplicada na Mina PPSA, bem como a vinculação ao processo recebimento da polpa na unidade de processamento em Barcarema, de modo a garantir continuidade das atividades produtivas. [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO [...] O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante todo o procedimento. CONCLUSÃO Como podemos observar a operação de bombeamento é fundamental para a continuidade do processo em nossa unidade localizada em Barcarema. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 9 8 O sistema de escoamento da produção por bombas e mineroduto reduz o tempo recebimento e processamento do material. Com essa tecnologia, a empresa otimiza seu processo e sua capacidade produtiva. Da análise dos referidos laudos, e dos demais elementos constantes dos autos, concluise que a empresa recorrente realiza a lavra do minério do caulim e o seu beneficiamento, sendo que o minério é transportado da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. O caulim é o produto vendido pela Recorrente. Todos os insumos utilizados na sua produção dão direito ao crédito da Cofins. Conforme já expressei meu entendimento em outros julgados, o fato de a Recorrente produzir a matériaprima utilizada na fabricação da mercadoria objeto da venda, não lhes tira o direito ao aproveitamento do crédito das despesas (de insumos) incorridas com a produção da matériaprima utilizada na fabricação da mercadoria vendida. No caso dos autos, preliminarmente, é necessário definir se as despesas objeto da glosa classificamse como insumos utilizados na lavra do minério utilizado na fabricação do caulim. Por óbvio, partese do pressuposto de que as despesas objeto da glosa são custos de lavra, de transporte ou de beneficiamento de minério e, como tal, não são investimentos e, conseqüentemente, não estão contabilizadas no Ativo Permanente da Recorrente. O Laudo Técnico que trata do “Processo de Sondagens e Topografia” é claro em sua conclusão ao afirmar que os serviços de sondagens e topografia da sondagem são serviços empregados antes do início da lavra da mina, ou seja, não são serviços empregados no processo de exploração da mina propriamente dito. Sendo, portanto, despesas realizadas antes do início da exploração da mina, embora sejam indispensáveis, não se pode dizer que são despesas com serviços utilizados na extração do minério empregado na produção do caulim. Assim sendo, não dão direito a crédito da Cofins. Quanto às despesas com terraplenagem e topografia ligado à terraplenagem, o Laudo Técnico acostado aos autos faz uma descrição sucinta do emprego desses serviços e, por ela, fica claro que os mesmos são empregados no processo de lavra do minério utilizado na fabricação do caulim. O serviço de topografia é empregado no espalhamento do estéril, formação de taludes, demarcação de blocos para lavra, dimensionamento de cava (para avaliar a quantidade de minério retirado) e construção de estradas dentro da mina para escoamento do minério. O serviço de terraplenagem é utilizado nas etapas ditas “Supressão Vegetal” e “Decapeamento”, bem como na construção de estradas utilizadas por caminhões e veículos foradeestrada na remoção de solo vegetal, estéril e do próprio minério objeto da lavra. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 10 9 Pelas razões acima, entendo que estes serviços enquadramse no conceito de insumo utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. Conforme Laudo Técnico, o serviço de bombeamento é empregado na manutenção do mineroduto para efetuar o seu desentupimento e inibir a sua corrosão. É, portanto, um serviço de manutenção de um equipamento utilizado no transporte do minério da mina até a unidade fabril em Barcarema. Dois aspectos precisam ser destacados sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito em relação à essa despesa. Primeiro, a despesa com transporte de insumo que dá direito ao crédito é a despesa com frete. Segundo, a despesa com a manutenção de máquinas e equipamentos empregados na produção do bem destinado a venda dá direito a crédito. No caso em tela, a situação é bastante peculiar. O minério é extraído no município de Ipixuna e transportado por um mineroduto de 178,3 km para o município de Barcarena, onde fica a planta industrial da Recorrente. Neste transporte, não há que se falar em despesa com frete, posto que frete não há. Resta definir se o mineroduto é ou não um equipamento utilizado na produção do caulim vendido pela Recorrente. No entendimento deste Conselheiro Relator, o mineroduto é um equipamento utilizado, sim, na produção do caulim vendido pela Recorrente porque é um equipamento indispensável para fazer a matériaprima adentrar na planta industrial da Recorrente. O fato dele ser longo (178,3 km) não lhes tira a característica de integrar o processo produtivo, como o são os equipamentos que utilizam correias transportadoras de minérios do pátio da fábrica para dentro dos galpões onde estão os demais equipamentos de uma indústria de beneficiamento de minério (p. ex.: indústria cerâmica, indústria siderúrgica, etc.). Sendo, pois, a despesa com bombeamento uma despesa com serviço de manutenção de equipamento utilizado na fabricação do caulim, há que se reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre a mesma. Por último, esclareçase que compete à autoridade da RFB liquidar a presente decisão, considerando unicamente as despesas aqui tratadas que foram contabilizadas como custos de lavra, de transporte ou de beneficiamento de minério e, conseqüentemente, homologar as compensações declaradas até o limite do crédito apurado em razão desta decisão. Isto posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito da Cofins sobre as despesas com serviço de terraplenagem e topografia ligado à terraplenagem, realizado no curso da lavra da mina, e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da Recorrente. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 301DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.003605/200619 Acórdão n.º 3302002.307 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 12259.001650/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2001
DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DO FATO E SUAS FONTES. AUSÊNCIA DE PROVA CONTRÁRIA.
Caso o contribuinte não apresente provas cabíveis de demonstrar suas alegações, quando lançamento de crédito tributário conter todos os motivos fáticos e legais, com descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não há prejuízo a defesa, o lançamento deve ser mantido.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO.
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Negado - Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-002.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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AUSÊNCIA DE PROVA CONTRÁRIA. Caso o contribuinte não apresente provas cabíveis de demonstrar suas alegações, quando lançamento de crédito tributário conter todos os motivos fáticos e legais, com descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para apuração do crédito tributário, não há prejuízo a defesa, o lançamento deve ser mantido. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 16 50 /2 00 9- 76 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001650/200976 Acórdão n.º 2803002.676 S2TE03 Fl. 161 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001650/200976 Acórdão n.º 2803002.676 S2TE03 Fl. 162 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.97 e seguintes) foi interposto contra decisão a quo(fls. 86 e seguintes), que manteve o crédito tributário oriundo de incidência das contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, relativas à parte empresa, segurados, Seguro de Acidentes do Trabalho SAT, as destinadas aos Terceiros, como também, sobre serviços prestados por autônomos e sobre serviços prestados por cooperativas", obtidos de por cruzamento de dados das folhas de pagamento, livro diário, GPS, no período de 01.1999 a 05.2001.A ciência do auto de infração inaugural foi em 04.07.2001 (fls. 01). Em impugnação, a parte alega a necessidade diligência, sem especificar os motivos e pontos controvertidos, o que foi negado na decisão recorrida. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: que os médicos considerados como autônomos eram cooperados à cooperativa de trabalho que lhe prestavam serviços, logo a aplicação correta seria de 15% (art. 22, IV, da Lei n. 8.212/1991), que mesmo assim, os médicos considerados como empregados na verdade eram autônomos, tendo atividades sem vinculo empregatício, sem habitualidade, subordinação, exclusividade e contratados por trabalhos específicos. Quanto às despesas de viagem, referentes à funcionária Mônica Brito Valete, alega que as despesas eram feitas com gastos feitos integralmente pela empresa, com treinamento de funcionários. Por final, alega confiscatoriedade e ilegalidade da multa e pediu a aplicação de denúncia espontânea. Os documentos juntados com o Recurso Voluntário apenas dizem respeito à compra de materiais. Às fls. 123, a parte complementa o recurso administrativo e junta comprovantes de pagamento de contraprestações à cooperativa Nursing Care Cooperativa de Enfermagem Ltda, referente aos períodos de 01.1999, 02.2999, 08.1999 e 12.1999, que comprovariam que os lançamentos desses períodos deveriam ter sido a título 15% sobre os valores pagos à cooperativas (art. 22, IV, da Lei N. 8.212/1991), e não como contribuintes individuais. Esse é o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001650/200976 Acórdão n.º 2803002.676 S2TE03 Fl. 163 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. Verificase que nenhuma das alegações apresentadas pela contribuinte veio com provas capazes de demonstrar que a autuação estava equivocada. Sequer trouxe documentos probantes dos vínculos contratuais entre os segurados e as cooperativas ou terceiros. Da mesma forma, isso se repete quanto à funcionária Mônica Brito Valete, não trouxe qualquer elemento que pudesse informar que os gastos não se trataria de diária, mas sim gastos com instrução e pagamento. Notas fiscais de compra de material, como juntadas, em nada se relacionam com o alegado pela recorrente. Os documentos trazidos como complementares, comprovantes de pagamento de contraprestações à cooperativa Nursing Care Cooperativa de Enfermagem Ltda, referente aos períodos de 01.1999, 02.2999, 08.1999 e 12.1999, apenas dizem que houve contratação e prestação de serviços pelas cooperativas de trabalho, mas não vieram acompanhadas das planilhas as quais os documentos estão vinculados e indicam estarem anexos. Ou seja, os documentos estão incompletos, de forma a não permitir o confronto dos vínculos descritos pela autuação com os alegados pela parte como os reais. Seria possível, inclusive, pedido de juntada de documentos após a impugnação, a priori, o art. 16, do Dec. 70235. Indiferentemente, o princípio da verdade material no processo administrativo, que admite a juntada de documentos a qualquer tempo nos autos, independentemente de deferimento do pedido de juntada prévio. Assim, apenas presumi se que a parte não tinha qualquer prova a ser apresentada. A parte teve oportunidade de juntar os documentos que alega ter inclusive em fase recursal, mas assim não o fez. O lançamento foi claro em todos os seus fundamentos fáticos e jurídicos, inclusive individualizando as situações por segurado, cumprindo exatamente o determinado nos artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, vigente à época, bem como ao art. 142, do CTN. Não havendo qualquer prejuízo a defesa. Ainda, quanto a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, e conseqüente inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da vedação ao confisco e ilegalidade, por estar definida em regulamento (art. 284, III, Dec. 3048/1999), é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A, do Anexo II, Regimento Interno do CARFMF. Por final, quanto ao pedido de aplicação do afastamento da multa em razão da denuncia espontânea, devese atentar ao fato de que a denúncia espontânea somente incide nos casos em que a iniciativa de satisfação do crédito tributário partiu do contribuinte antes de Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12259.001650/200976 Acórdão n.º 2803002.676 S2TE03 Fl. 164 5 iniciar qualquer procedimento de apuração do mesmo respectivo período por parte da fiscalização (art. 138, parágrafo único, do CTN). No caso presente, a fiscalização antecedeuse à contribuinte, logo não há aplicação da denúncia espontânea. Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinatura Digital) Gustavo Vettorato Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 06/10/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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