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Numero do processo: 16004.720003/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/01/2012
NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 56. ART. 17 DA LEI Nº 8.213/91. PROCEDÊNCIA.
Constitui-se infração à obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei nº 8.213/91 deixar a empresa de inscrever segurado empregado no Regime Geral de Previdência Social, sujeitando o infrator à penalidade pecuniária cominada nos artigos 133 e 134 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 283, §2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 59. ART. 30, I DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA.
A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher, no prazo legal, os valores assim arrecadados juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, g do Regulamento da Previdência Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato real à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. RGPS. SEGURADO EMPREGADO. CARACTERIZAÇÃO. São segurados obrigatórios da Previdência Social na condição de segurado empregado, a pessoa física que presta serviços de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/01/2012 NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 56. ART. 17 DA LEI Nº 8.213/91. PROCEDÊNCIA. Constituise infração à obrigação acessória prevista no art. 17 da Lei nº 8.213/91 deixar a empresa de inscrever segurado empregado no Regime Geral de Previdência Social, sujeitando o infrator à penalidade pecuniária cominada nos artigos 133 e 134 da Lei nº 8.213/91 c.c. art. 283, §2º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 59. ART. 30, I DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher, no prazo legal, os valores assim arrecadados juntamente com a contribuição a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 00 03 /2 01 2- 13 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2010 Data da lavratura do AIOP: 25/01/20102. Data da ciência do AIOP: 02/02/2012. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente em parte o lançamento tributário aviado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.013.4327 e 51.013.4335 consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida a segurados obrigatórios do RGPS, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 849/864. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 51.013.4351 (CFL 56) e 51.013.4343 (CFL 59), decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme abaixo ilustrado. CFL 56 Deixar a empresa de inscrever o segurado empregado. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 997 3 CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Relata a Autoridade Lançadora que trabalhadores foram contratados por meio da Lei Municipal nº 10.372/2009, a qual criou o “Programa Assistencial” denominado “Frente de Trabalho”, apresentando as seguintes especificações: · Contrato de locação de serviço, denominado Termo de adesão, pelo prazo determinado de 6 meses, o qual poderia ser prorrogado por mais um período; · Bolsaauxílio no valor de R$ 350,00 mensais; · Jornada de 06 horas diárias, 05 dias por semana, sendo um dia da semana destinado para a realização de cursos de qualificação profissional com participação obrigatória dos beneficiários do Programa; · Execução de atividades de interesse e necessidade do município. · Benefícios concedidos aos chamados bolsistas, como cesta básica e seguro de acidentes pessoais; · Exclusão do programa em caso de ausência injustificada por 2 dias consecutivos ou 5 dias intercalados, adoção de comportamento inadequado ao funcionamento do programa, inobservância das normas estabelecidas pelo Município, descumprimento de ordens e baixo desempenho. Informa a fiscalização que o Ministério Público do Trabalho considerou a Lei nº 10.372/2009 inconstitucional, alegando que “sob o rótulo de assistencialismo, cria pseudo empregos públicos assistenciais, sem a efetivação de concursos, além de violar o princípio da igualdade, ao restringir os participantes a moradores do município”. O MPT solicitou um Termo de Ajuste de Conduta, o qual não produziu modificações significativas na lei suso referida. Não se conformando com o lançamento, o sujeito passivo ofereceu impugnação a fls. 869/886. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1440.196 – 9ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 961/965, julgando procedente em parte o lançamento, para reduzir a multa de ofício de 150% para 75% aplicada nos Autos de Infração de Obrigação Principal, e mantendo o principal em sua integralidade. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Não houve Recurso de Ofício. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fls. 974. Irresignado com a decisão proferida pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 976/988, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos a seguir: · Que o programa assistencial de capacitação profissional denominado “frente de trabalho” não afronta o art. 22, I da Constituição Federal, tendo em vista a competência prevista no art. 30, I, II, e a competência comum dos entes federados prevista no art. 23, X, ambos da CF/88; · Que na adesão ao programa assistencial de capacitação profissional denominado “frente de trabalho” inexiste o preenchimento dos requisitos configuradores do pacto laboral: onerosidade, subordinação, pessoalidade e não eventualidade; · Que as frentes de trabalho representam projetos sociais nos quais são ministrados cursos de capacitação; · Invalidade dos autos de infração de obrigação acessória, por consequência lógica da descaracterização do vínculo empregatício dos integrantes da Frente de Trabalho. Ao fim, requer a desconstituição dos lançamentos efetuados. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 11/04/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 10/05/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 998 5 Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano consignar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DOS FATOS GERADORES Argumenta o Recorrente que o programa assistencial de capacitação profissional denominado “frente de trabalho” não afronta o art. 22, I da Constituição Federal, tendo em vista a competência prevista no art. 30, I, II, e a competência comum dos entes federados prevista no art. 23, X, ambos da CF/88. Alega que na adesão ao citado programa assistencial inexiste o preenchimento dos requisitos configuradores do pacto laboral, quais sejam, onerosidade, subordinação, pessoalidade e não eventualidade, e que as frentes de trabalho representam projetos sociais nos quais são ministrados cursos de capacitação. Não procede. O punctum dolens da vertente lide concentrase na investigação da subsunção ou não dos “bolsistas” do programa de assistência social denominado Frente de Trabalho ao conceito legal de segurado empregado, para fins exclusivos da caracterização do vínculo previdenciário e consequente incidência de contribuição previdenciária. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647, de 13.4.93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 999 7 de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887, de 2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluído o ente municipal, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. Nesse panorama, muito embora os assentamentos da Lei Municipal em apreço apontem no sentido de que os trabalhadores em foco figuravam como “bolsistas” de programa de capacitação profissional, as condições reais em que as atividades desempenhadas por tais “bolsistas”, no referido programa, foram efetivamente realizadas subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica dessa categoria de segurado obrigatório do RGPS. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao município, por intermédio do programa em foco, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico do Ente Municipal. Registrese que o art. 5º da Lei Municipal em questão prevê a participação do “bolsista” por até 06 meses por turma, prazo que pode ser prorrogado por igual período. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço prestado pelos “bolsistas” uma necessidade contínua do ente municipal, eis que inerente e essencial ao desempenho satisfatório do objeto social ente público municipal, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada obreiro permaneça na execução do serviço para o qual foi arregimentado. No caso, os “bolsistas” prestam serviços em funções de atividades continuas do ente contratante, disponibilizadas para a população em geral, mediante o atendimento ao público nas Unidades Básicas de Saúde, Serviços de Jardinagem e de cozinha, serviços de processamento de dados voltado para o “Projeto Posso Ajudar”, etc. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1000 9 No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado, Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: de um lado figura a faculdade do contratante de utilizar se da força de trabalho do contratado pessoa física, como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, mesmo a contratação de renomado profissional para a elaboração de Parecer a respeito de matéria de sua notória especialidade, mesmo aqui presente estará a subordinação jurídica, eis que o aludido Parecer deverá atender os objetivos e interesses do contratante e ser elaborado no tempo e nas condições por este especificado, sob pena de não se consolidar o contrato laboral. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 A subordinação se revela às escancaras com o município em foco, que detém todo o poder de comando de como, o quê, quando e quanto do serviço será executado. Todos trabalham, efetivamente, objetivando atingir as metas determinadas pelo Ente Municipal, ordenados pelos objetivos do programa. Na espécie, os “bolsistas” cumprem jornada de trabalho de 30 horas semanais, com controle de frequência e gerenciamento, o qual é exercido diretamente pelo setor onde os serviços são prestados ou por coordenador próprio, inclusive com desconto por faltas injustificadas e sujeição a rescisão do contrato por excesso de faltas, descumprimento de ordens, baixo desempenho, adoção de comportamento inadequado ao funcionamento do programa ou inobservância das normas estabelecidas pelo município. A remuneração foi apurada diretamente dos lançamentos registrados nas Relações de Pagamento de Bolsa, Relação de constas bancárias dos bolsistas, Razão contábil da conta “outros serviços”, onde constam os lançamentos referentes ao pagamento de bolsasauxílio concedidas aos participantes do programa, Controle de Recebimento de cestas básicas, dentre outros. Os “bolsistas” eram remunerados mediante numerário estipulado na lei municipal em realce, além de cestas básicas, A pessoalidade, por derradeiro, se revela inconteste na medida em que os “Contratos de Adesão” eram firmados mediante contrato nominal, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais “bolsistas”, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência do Município, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora designado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. Corrobora, insofismavelmente, a natureza intuitu personae dos serviços pactuados, a circunstância de os pagamento das “bolsas” e cestas básicas serem efetuados diretamente à conta pessoal do prestador de serviços pessoa física consignado na Relação de Contas Bancárias dos Bolsistas. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da condição de segurado empregados existente entre o Ente Municipal e as pessoas físicas dos “bolsistas”, contingência que deságua na inafastável submissão do Autuado e desses trabalhadores, na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Aflorase carente de razão a alegação de improcedência do lançamento ao argumento de que, na adesão ao programa assistencial de capacitação profissional denominado “frente de trabalho”, inexiste o preenchimento dos requisitos configuradores do pacto laboral: onerosidade, subordinação, pessoalidade e não eventualidade. A caracterização do vínculo trabalhista, conforme demonstrado, é irrelevante para a sustentação do lançamento. O que realmente importa na hipótese em estudo é a demonstração da efetiva e real prestação de serviço de natureza urbana ou rural e em caráter não eventual ao município, sob a subordinação jurídica deste, e mediante remuneração, atributos esses que, conforme comprovado, encontramse presentes no caso em Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1001 11 exame, sendo bastantes, suficientes e determinantes para a caracterização da condição de segurado empregado. Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em destaque e as empresas autuadas. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista do Autuado. A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista ou estatutário entre os trabalhadores em tela e o Regime Próprio de Previdência Social do Município Autuado. No caso em tela, observase que pessoas físicas houveramse por arregimentadas para prestar serviços remunerados de natureza não eventual, inerentes ao atuar típico de órgãos específicos do Ente Municipal em apreço, por prazo determinado, com pessoalidade e sob subordinação jurídica ao contratante. Sob o olhar realístico da primazia da realidade dos fatos sobre a forma dos atos, tais obreiros se apresentam como segurados empregados do Município Autuado, a teor das disposições inscritas no art. 12, I da Lei nº 8.212/91 c.c. Art. 9º, I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; (...) h) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa, em desacordo com a Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008; (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 30 de dezembro de 2008) i) o servidor da União, Estado, Distrito Federal ou Município, incluídas suas autarquias e fundações, ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; j) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 não esteja amparado por regime próprio de previdência social; l) o servidor contratado pela União, Estado, Distrito Federal ou Município, bem como pelas respectivas autarquias e fundações, por tempo determinado, para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público, nos termos do inciso IX do art. 37 da Constituição Federal; Não procede a alegação de que o programa assistencial de capacitação profissional denominado “frente de trabalho” não afrontaria o art. 22, I da Constituição Federal, tendo em vista a competência prevista no art. 30, I, II, e a competência comum dos entes federados prevista no art. 23, X, ambos da CF/88. De fato, no caso em estudo, inexiste qualquer afronta ao inciso I do art. 22 da CF/88, uma vez que o caso não trata da competência privativa da União para legislar sobre direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial ou do trabalho, mas sim, ao inciso XXIII do mesmo dispositivo constitucional, que reserva à União a competência para legislar privativamente sobre seguridade social. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, tentese que a competência dos Municípios para combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, bem como para legislar sobre assuntos de interesse local não pode ser oposta ao Fisco para derrogar obrigações tributárias a todos impostas pela força da lei ordinária federal editada no exercício da Competência Constitucional outorgada pelo Constituinte Originário à União, nos termos dos art. 22, XXIII, 195 e 201 da CF/88. Como visto, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente de incidência de contribuições previdenciárias, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. A atuação fiscal acima abordada encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1002 13 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) No caso ora em foco, a lei ordinária nº 8.212/91 qualifica como segurado empregado a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado, e como segurado contribuinte individual, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). (...) O mesmo Diploma Legal acima invocado estabelece obrigações tributárias principal e acessórias às empresas, decorrentes da prestação de serviços que lhe forem fornecidos por segurados empregados e por segurados contribuintes individuais, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732/98). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). No que pertine a procedimentos e competências, o art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1003 15 contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Ainda em relação a procedimentos, o art. 37 da lei ordinária ora em realce estatui o poder/dever da Fiscalização de lavrar ex officio o competente Auto de Infração sempre que se constatar o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições previdenciárias em tela ou o descumprimento de obrigação acessória. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Versando também sobre procedimentos, as alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso I do art. 30 do Pergaminho Previdenciário determinam que a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher as contribuições assim arrecadas no prazo e na forma previstos na legislação, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei, uma vez que o desconto de contribuição legalmente autorizada sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, a teor do §5º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea ‘a’ deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; c) recolher as contribuições de que tratam os incisos I e II do art. 23, na forma e prazos definidos pela legislação tributária federal vigente; (...) Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1004 17 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. O Recorrente alega que as frentes de trabalho representam projetos sociais nos quais são ministrados cursos de capacitação. Com efeito, os cursos de qualificação profissional têm por objetivo propiciar formação inicial e continuada a trabalhadores, oportunizando lhes a aquisição e/ou complementação de habilidades profissionais e/ou conhecimentos específicos em diversas áreas da atividade econômica ou estatal, conferindolhes a capacitação técnica adequada e própria para o desempenho satisfatório da função que se lhes houve por confiada pela empresa ou pelo ente público. Ocorre, todavia, que a mera ministração de cursos de capacitação não se configura causa excludente da incidência das contribuições previdenciárias previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Aditese que a atividade de capacitação, no caso em estudo, não lograva ultrapassar 20% do tempo disponibilizado pelos “bolsistas” ao município, sendo certo que a parte do leão do fator de produção “tempo” (80%) era utilizada na efetiva prestação de serviços públicos. Por outra vertente, cumpre ressaltar que a mera utilização da denominação de “bolsa” para a verba paga aos segurados ora em debate não possui o condão de lhe modificar a natureza jurídica remuneratória, tampouco lhe enquadrar na hipótese de não incidência tributária aviada na alínea ‘t’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, uma vez que se refere ao totum remuneratório auferido pelo Segurado, e não somente uma parcela de sua remuneração referente ao ganho pela participação em curso de capacitação profissional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711/98). (grifos nossos) Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela Fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que deságua, como consequência inafastável, na observância compulsória das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Em reforço a tal compreensão, aditese que o Ministério Público do Trabalho considerou inconstitucional a Lei nº 10.372/2009, ao fundamento de que “sob o rótulo de assistencialismo, cria pseudo empregos públicos assistenciais, sem a efetivação de concursos, além de violar o princípio da igualdade, ao restringir os participantes a moradores do município”. Nessa prumada, Procurador do MPT solicitou formalização de Termo de Ajustamento de Conduta, o qual não produziu modificações significativas na lei municipal. Não procede, portanto, a alegação de invalidade dos autos de infração de obrigação acessória. Ao revés, firmada a condição de segurado empregado dos aludidos “bolsistas”, estes deveriam ter sido inscritos, naquela condição, no Regime Geral de Previdência Social, bem como deveriam ter sido arrecadas, mediante desconto das suas respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias a seu encargo destinadas ao custeio da Seguridade Social. Por todo o exposto, não merece reparos a decisão de 1ª Instância Administrativa. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16004.720003/201213 Acórdão n.º 2302002.758 S2C3T2 Fl. 1005 19 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000277/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE DADOS E DADOS INCORRETOS NA APRESENTAÇÃO DE GFIP. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO FISCAL. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE.
A empresa é obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS.
A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) não impede a autuação da empresa por descumprimento da obrigação acessória de entregar GFIP com códigos próprios das empresas em geral, que é procedimento plenamente vinculado e obrigatório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.634
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Advogada Dra. Adriana Adada, OAB/SC nº 23584.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE DADOS E DADOS INCORRETOS NA APRESENTAÇÃO DE GFIP. PENDÊNCIA DE JULGAMENTO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. LANÇAMENTO FISCAL. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. A empresa é obrigada a declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) não impede a autuação da empresa por descumprimento da obrigação acessória de entregar GFIP com códigos próprios das empresas em geral, que é procedimento plenamente vinculado e obrigatório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral a Advogada Dra. Adriana Adada, OAB/SC nº 23584. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 02 77 /2 00 9- 95 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000277/200995 Acórdão n.º 2803002.634 S2TE03 Fl. 99 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000277/200995 Acórdão n.º 2803002.634 S2TE03 Fl. 100 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por MORGAN & ALBERTON COMERCIO DE PEÇAS LTDA. em face da decisão que julgou procedente o lançamento do crédito tributário por descumprimento de obrigação acessória consistente na constatação, por parte do Fisco, de omissão de dados e dados incorretos na apresentação do documento a que se refere o art. 32, inciso IV da Lei nº. 8.212/1991. 2. O acórdão da decisão de primeira instância (fls. 60/64) julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário com o fundamento de que a opção pelo programa Simples Nacional não desonera a empresa da obrigação de informar, mensalmente, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), dados cadastrais, fatos geradores de contribuição previdenciária, bem como outras informações de interesse do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. A decisão assevera, ainda, que inexistiu desrespeito às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 3. A capitulação legal da multa aplicável encontrase na Lei n° 8.212/91, art. 32A, inciso II e § 2º, acrescentado pela Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, em observância ao disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). 4. Irresignado, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário (fls. 68/82) no qual demonstra, em suma, que o lançamento do crédito tributário não merece prosperar, posto que: a) a inexatidão das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIPs) que deu azo ao auto de infração impugnado decorre de sua exclusão do Simples Nacional; b) sua exclusão do Simples Nacional está pendente de discussão na esfera administrativa, o que faz suspender a exigibilidade do crédito tributário. 5. Com o recurso voluntário vieram os documentos de fls. 84/93. 6. Sem apresentação de contrarrazões pelo Fisco, os autos foram enviados a este Conselho para a apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000277/200995 Acórdão n.º 2803002.634 S2TE03 Fl. 101 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 2. A recorrente foi autuada por não informar, mensalmente, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, conforme dispõe o art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. 3. Ocorre que, conforme aduz o contribuinte, encontrase pendente de julgamento administrativo o ato declaratório de exclusão do simples, assim, a atuação em comento se apresenta de forma a macular o princípio do contraditório e da ampla defesa. 4. Ademais, afirma que somente as empresas submetidas à forma de tributação geral, não optante do simples, estão obrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias apontadas no auto de infração, pois a parte patronal está incluída na declaração unificada. 5. A decisão de primeira instância dispôs que, independentemente da exclusão ou não da empresa do simples, há a obrigação de informar em GFIP, desse modo, a discussão acerca do Ato Declaratório n.º 36/2006 não afeta a ocorrência do descumprimento da obrigação acessória em questão. 6. Diante dos argumentos expostos, verificase que a controvérsia em questão trata da exigência ou não do cumprimento da obrigação acessória de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS pelas empresas excluídas do simples por ato declaratório ainda não definitivamente julgado. 7. Assim, cumpre destacar que a obrigação acessória em análise, legalmente prevista, é exigível. Posto que, a pendência de decisão administrativa definitiva sobre a exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES não impede a autuação da empresa por descumprimento da obrigação acessória de entregar GFIP com códigos próprios das empresas em geral, que é procedimento plenamente vinculado e obrigatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11516.000277/200995 Acórdão n.º 2803002.634 S2TE03 Fl. 102 5 8. Além disso, mesmo que a autuada não tivesse sido excluída do simples, a autoridade fiscal teria efetuado o lançamento em questão, pois a obrigação acessória deveria ter sido cumprida, ainda que a pessoa jurídica fosse optante do simples. 9. O lançamento não configura ofensa ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que tais princípios foram observados no processo de exclusão. CONCLUSÃO 10. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/0 9/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35201.000399/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/06/2006
DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO.
Quando o Fisco constatar que segurados contratados como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenchem as condições e requisitos para a conceituação como segurado empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o correto enquadramento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-000.314
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 1ª turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido os Conselheiro Edgar Silva Vidal que aplicava o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/06/2006 DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. Quando o Fisco constatar que segurados contratados como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenchem as condições e requisitos para a conceituação como segurado empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o correto enquadramento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrente SPERAFICO AGROINDUSTRIAL LTDA. Recorrida DRP/CASCAVEL/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/06/2006 DESCONSIDERAÇÃO DO VÍNCULO PACTUADO. Quando o Fisco constatar que segurados contratados como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenchem as condições e requisitos para a conceituação como segurado empregado, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o correto enquadramento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1r,• , Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00314 Fl. 1.465 ACORDAM os membros da 3' câmara / P turma ordinária do Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido os Conselheiro Edgar Silva Vidal que aplicava o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidall- ei tvotos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do Relator. ?PA 5!wl N'w JULIO ' • 4 R IEIRA GOMES Pr/eski • , ,l' t ', A " O OLIVEIRA / • elator • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Marcelo Oliveira, Edgar Silva Vidal (Suplente), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00314 Fl. 1.466 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Cascavel / PR, Decisão-Notificação (DN) 14.421.4/0030/2007, fls. 01405 a 01413, que julgou procedente o lançamento, efetuado por descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 083 a 0108, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, correspondentes a contribuição do segurado, da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores são oriundos de aferição de Salário-de- Contribuição de segurada considerada como empregada e desconsideração de serviço conceituada por prestadora, para conceituação dos segurados que prestaram o serviço como empregados. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos da NFLD. Em 04/05/2005 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 0109 e 0110. Em 29/08/2006 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 01379 a 01387, acompanhada de anexos. A DRP analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 01428 a 01441, acompanhado de anexos. No recurso, a recorrente alega, em síntese, que: A fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Plasma Industrial Ltda (Plasma) e exigiu as contribuições dos segurados a serviço da Plasma da recorrente; A recorrente não é devedora daqueles valores; O Fisco desbordou de seu âmbito de competência na lavratura do auto de infração; 3 Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 Fl. 1.467 Não há fundamento legal para a desconsideração da personalidade jurídica; A desconsideração da personalidade jurídica da Plasma não foi feita de forma correta, pelos seguintes motivos: A recorrente não é do mesmo grupo econômico da Plasma, não realizando nenhuma intervenção na empresa, nem qualquer controle; A utilização de funcionários que trabalharam na recorrente pela Plasma não possibilita a conclusão de que há alguma irregularidade ou fraude; O contrato firmado entre a recorrente e a Plasma decorre da confiança da recorrente nos sócios da Plasma, seus ex-funcionários; Os funcionários da Plasma desempenhavam suas funções na recorrente, que figurava como tomadora de seus serviços; não como empregadora; Não havia entre a recorrente e os funcionários da Plasma qualquer vínculo que os caracterizassem como segurados empregados; Mesmo que as conclusões do Fisco a respeito da suposta relação de emprego existente entre funcionários da Plasma com a recorrente estejam corretas, alegação só para argumentação, não pode o Fisco descaracterizar a existência da empresa Plasma, pois tal incumbência só cabe ao Poder Judiciário; Por tais razões, o auto deve ser declarado nulo; Além do mais, não foi oportunizada a recorrente qualquer possibilidade de manifestação acerca da desconsideração da personalidade jurídica da Plasma, pois seria indispensável a intervenção judicial; O Fisco fundamentou sua atuação no Art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), mas tal dispositivo não permite ao Fisco desconsiderar personalidade jurídica, sendo nulo o ato de infração; Outro ponto que deve ser corrigido é que a multa é inexigível, pois apenas após a verificação do lançamento que poderá se verificar a multa moratória; A multa é uma sanção, que não pode ser suportada pela recorrente, que incorporou a Sperafico Moinhos, já que a legislação afirma que a incorporadora somente será responsável pelo tributo devido, conforme o Art. 132, do CTN; Portanto, a multa deve ser excluída; Diante do exposto, pede pelo recebimento e pelo provimento do recurso, devido aos argumentos expostos. Posteriormente, a DRP enviou o processo ao Conselho de Contribuintes, para análise e decisão. É o relatório. 4 Processo n° 35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 Fl. 1.468 Voto Conselheiro MARCELO OLIVEIRA, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame das questões preliminares. PRELIMINARES Preliminarmente, devemos verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Conforme previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. 5 . Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00314 Fl. 1.469 CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por não haver recolhimentos a homologar, a rega relativa à decadência - que deve ser aplicada ao caso - encontra-se no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue- se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. No lançamento, a ciência do sujeito passivo ocorreu em 08/2006 e o período do lançamento refere-se a fatos geradores ocorridos nas competências 07/2000 a 06/2006. Logo, todas as competências anteriores a 12/2000 devem ser excluídas do presente lançamento. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2001, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Ainda quanto às preliminares, a recorrente alega, em síntese, pelos motivos já expostos, que a fiscalização não poderia desconsiderar a personalidade jurídica da empresa Plasma Industrial Ltda (Plasma) e exigir da recorrente as contribuições dos segurados a serviço da Plasma. Cabe esclarecer a recorrente que a fiscalização não "desconsiderou" personalidade jurídica alguma. A fiscalização exigiu contribuições da recorrente referentes a segurados empregados da Plasma por haver possibilidade e determinação legal para tanto. Decreto 3.048/1999: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão 11(1 competente para: 1-arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nos incisos I, II, III, IV e V do parágrafo único do art. 6 Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 Fl. 1.470 195, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; II-constituir seus créditos por meio dos correspondentes lançamentos e promover a respectiva cobrança; 111-aplicar sanções; e IV-normatizar procedimentos relativos à arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições referidas no inciso I. § 120s Auditores Fiscais da Previdência Social terão livre acesso a todas as dependências ou estabelecimentos da empresa, com vistas à verificação física dos segurados em serviço, para confronto com os registros e documentos da empresa, podendo requisitar e apreender livros, notas técnicas e demais documentos necessários ao perfeito desempenho de suas funções, caracterizando-se como embaraço à fiscalização qualquer dificuldade oposta à consecução do objetivo. §22Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso 1 do caput do art. 9 2, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. Art.92 São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: 1-como empregado: a)aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Lei 11.457/2007: Art. 2' Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição Art. 10. Ficam transformados: 1- em cargos de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, de que trata o art. 50 da Lei n° 10.593, de 6 de dezembro de 2002, com a redação conferida pelo art. 9' desta Lei, os cargos efetivos, ocupados e vagos de Auditor-Fiscal da Receita Federal 7 Processo n° 35201.000399/2007-2 1 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 Fl. 1.471 da Carreira Auditoria da Receita Federal prevista na redação original do art. 5" da Lei rz 0 10.593, de 6 de dezembro de 2002, e de Auditor-Fiscal da _Previdência Social da Carreira Auditoria- Fiscal da Previdência Social, de que trata o art. 70 da Lei n° 10.593, de 6 de dezembro de 2002; Portanto, o que ocorreu foi que o Fisco -verificou que os segurados - ligados por contrato de trabalho à Plasma, e que prestavam serviços à recorrente - preencheram as condições referidas no inciso I do caput do art. 92 e desconsiderou, por determinação, obrigação, legal e funcional, o vínculo pactuado, efetuando o enquadramento destes segurados como segurados empregados da recorrente. Para tanto, vários são os indícios e provas, constantes no RF e em seus anexos, que atestam a condição de segurados empregados. Podemos citar: Os segurados eram ligados à recorrente, saíram de seus quadros e ingressaram na Plasma para prestar serviços à recorrente; A Plasma está estabelecida no prédio da recorrente; Os segurados atuam na área fim da recorrente; Os sócios da Plasma são ex-funcionários da recorrente; Uma das sócias da Plasma (Zélia) recebe verbas trabalhistas da recorrente (décimo terceiro salário); A outra sócia da Plasma, consta na relação de ramais telefônicos de funcionários da recorrente (Caixa); Foram demonstrados documentos na e da recorrente para pagamento de verbas características da relação de emprego aos segurados da Plasma (décimo terceiro, salários "por fora", horas extras); Os funcionários da Plasma contribuem para a Associação dos Funcionários da recorrente; A Plasma não possui bens em seu ativo permanente; A Plasma não apresentou receitas, desde sua constituição (06/2000) ate 20/10/2001, mas as despesas com pessoal representavam quase a totalidade das suas despesas; Os cheques da recorrente foram utilizados para pagamentos de pessoal da PI asma. Portanto, com esse somatório de indícios e provas, ficou claro que os segurados eram empregados da recorrente, pois eram pessoas físicas, prestaram serviço de natureza urbana, em caráter não eventual, sob subordinação da recorrente, mediante remuneração e recebiam verbas características da relação empregatíci a por parte da recorrente. 8 • Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 Fl. 1.472 Assim, por todo o exposto, fica clara a correção no procedimento do Fisco. Quanto à falta de fundamento legal para a desconsideração da personalidade jurídica da Plasma pelo Fisco, esclarecemos, novamente, à recorrente, que o Fisco não desconsiderou a personalidade jurídica da Plasma, mas sim exigiu as contribuições referentes ao segurado empregado da recorrente, por estarem presentes, no serviço prestado por essas pessoas fisicas, todos os requisitos expressos na legislação para tanto. Consequentemente, rejeito às preliminares e passo ao exame das questões de mérito. MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente afirma que a multa é inexigível, pois apenas após a verificação do lançamento que poderá se verificar a multa moratória. Esclarecemos ao recorrente que a multa foi aplicado como determina a legislação. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguintç; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II - para pagamento de créditos incluídos em notificaçã o fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias I da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; 9 Processo n°35201.000399/2007-21 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.314 • Fl. 1.473 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. § 1° Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2° Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3° O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1° deste artigo. § 4° Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. Como se nota, a legislação conceitua a multa aplicada como multa de mora, e não como multa de oficio, como afirma a recorrente. Além disso, esclarecemos que a Administração Tributária deve agir de forma vinculada, conforme determina a Legislação. Nesse sentido, não há como retirar ou alterar a aplicação da multa. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por dar provimento em parte ao recurso. Sala das Ses Zes em 1 de junho de 2009 / LIVEIRA - Relator I0
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000795/2007-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA - IRPF
Exercício: 2004
ADICIONAL PROVISÓRIO DE TRANSFERÊNCIA. AJUDA DE CUSTO.
ISENÇÃO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO.
A Ajuda de custo que se reveste de caráter indenizatório, destinando-se a ressarcir os gastos do empregado com transporte, frete e locomoção, em virtude de sua remoção para localidade diversa daquela em que residia é isenta de imposto de renda desde que o pagamento dessa verba esteja vinculado à comprovação dos gastos a cujo reembolso se destina. Ausentes os requisitos e a comprovação, a vantagem recebida deve ser tributada.
Numero da decisão: 2201-002.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcio de Lacerda Martins
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Numero do processo: 13876.000437/2001-85
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999
PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS.
No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação.
LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO.
Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência.
Numero da decisão: 3402-002.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto.
SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
O Presidente Substituto assina este Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O Presidente Substituto assina este Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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Recorrente ALCOA ALUMÍNIO S/A Recorrida DRJ em RIOBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 04 37 /2 00 1- 85 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto. SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho. O Presidente Substituto assina este Acórdão em face da impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 4º trimestre de 2000, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O pedido, formalizado em 11 de setembro de 2001, foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em SorocabaSP, em virtude da glosa de créditos relativos à aquisição dos materiais relacionados às fls. 90 a 92, que, conforme informação fiscal constante das fls. 94 a 99, tratamse de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos cujo desgaste não se dá por ação direta sobre o produto final ou do produto final sobre esses materiais, e também por determinação de estorno dos créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na produção de produto não tributado (mulita). Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão PretoSP, que manteve o indeferimento parcial, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 142 a 148, ensejando a interposição de recurso ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes para aduzir, em preliminar, a nulidade da decisão da instância de piso, por indeferir o pedido de realização de perícia documental e técnica e, com isso, ofender os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa e, no mérito, alegar, em síntese, que: I – os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fornos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final; II – esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastandose por contato direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. A recorrente alegou ainda a necessidade de converter o julgamento do recurso em diligência, pois a matéria litigiosa depende da produção de prova pericial técnica e documental para demonstrar que os materiais cujos créditos foram glosados são utilizados no Fl. 639DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13876.000437/200185 Acórdão n.º 3402002.017 S3C4T2 Fl. 639 3 processo de industrialização e não são do ativo permanente e que se consomem ou se desgastam em decorrência de ação direta sobre o produto fabricado. Ao final, solicitouse o integral provimento do seu recurso para, preliminarmente, decretarse a nulidade da decisão recorrida e, no mérito, seja reconhecido seu direito à compensação pleiteada, pois os bens relativos às glosas de crédito são considerados intermediários ou insumos, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e arts. 164, inc. I, e 519, inc. II, do Decreto nº 4.544, de 2002, refazendose, por conseqüência, os cálculos dos créditos que devem ser estornados, em virtude das saídas do produto não tributado denominado mulita. Também foi requerida a reunião dos processos administrativos que listou, por serem de conteúdo idêntico, possuírem decisões similares e estarem na mesma fase processual. A Quarta Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada 12 de fevereiro de 2008, decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fosse providenciado laudo detalhado do processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, no estabelecimento industrial, com destaque par a aplicação dos insumos objeto das glosas de crédito. Após efetuada a diligência, estes autos retornaram Câmara com a informação fiscal constante das fls. 254 a 256, da qual releva destacar que: I – na época da fiscalização que resultou na glosa dos créditos, a filial da Alcoa Alumínio S/A em SaltoSP já não produzia mais o carbeto de silício e o óxido de alumínio, que passou a ser produzido pela Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda, que comprara a Alcoa Alumínio S/A; II – a verificação do processo produtivo foi feito na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda., com acompanhamento de representantes da Alcoa Alumínio S/A; e III – já se passaram quase seis anos daquela fiscalização e, agora, a situação é outra, pois não há mais representantes da Alcoa Alumínio S/A na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e a ora recorrente informou que o carbeto de silício e o óxido de alumínio, atualmente, não é produzido em nenhum de seus estabelecimentos. Ao final, o responsável pela diligência solicitada por esta Câmara retornou os autos para que aqui se decidisse, diante dos fatos acima relatados, sobre a viabilidade de se produzir o laudo no estabelecimento da Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. Na sessão de 09 de outubro de 2008, novamente decidiuse converter o julgamento do recurso em diligência para que fosse produzido o laudo técnico com base no processo produtivo do estabelecimento acima referido. A diligência foi realizada com base no processo produtivo do estabelecimento da pessoa jurídica Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e o processo foi encaminado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com o relatório técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), às fls. 275 a 302, em que consta descrição da linha de produção do óxido de alumínio e do carbeto de silício e lista de partes e peças que, segundo o entendimento do INT, desempenham funções específicas e essenciais no processo produtivo, com desgastes que requerem a reposição periódica dessas partes e peças. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 4 A contribuinte manifestouse sobre a diligência, às fls. 305 a 309, para expressar sua concordância com o relatório do INT e pedir o integral provimento do seu recurso, em face do laudo técnico que atestou o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e seu julgamento está inserto nas esfera de competências regimentais da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por isso deve ser conhecido. Sobre a preliminar de nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, cumpre registrar que as diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador, por isso cabe a ele o juízo da sua necessidade ou não,conforme art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, que estabelece, ipsisi litteris: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Relativamente ao mérito, tendo em vista que o laudo técnico foi elaborado pelo INT e que não houve argüição, tampouco comprovação, de sua improcedência, com fundamento no art. 30 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, adotoo para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições dos produtos assim denominados: Bucha de poliuretano para bico micronizador; Bucha de poliuterano do micronizador; Cunha de fixação da mandíbula movel; Cunha lateral inferior/superior/direita/esquerda; Cunha para fixar grelhas; Eixo Oco de saída; Esfera de aço; Esfera de Cerâmica; Grelha para moinho Faço; Fl. 641DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA Processo nº 13876.000437/200185 Acórdão n.º 3402002.017 S3C4T2 Fl. 640 5 Hélice com tubo mecânico; Mandíbula Fixa; Mandíbula Móvel; Martelo para moinho Faço; Martelo para moinho Sabia; Placa de Impacto para Traseira do Moinho Martelo; Placa de Impacto Superior do Moinho Martelo; Placa para regulagem do Moinho Martelo; Placa de impacto tampa do Moinho Martelo; Revestimento inferior lateral para Moinho Faço; Revestimento lateral direito do Moinho Faço; Rolo para Moinho de Rolo; Segmento Anel quebrador superior moinho canário; Segmento Anel quebrador inferior moinho canário; Suporte do Martelo Moinho Faço; Camisa Cone para rebritador (móvel); Chapa preta para proteção do eletrodo; Placas perimetrais extremidade moinho a bola; Ponteiro para Rompedor Hidráulico; Revestimento para Câmara para Rebritador Cônico; Argola poliuretano para bola PE; Deck superior, intermediário e inferior; Disco de fixação dos martelos moinho sabiá; Placa superior, inferior e central do moinho canário; Placa de Desgaste Moinho Martelo Faço; Segmento abaulado para moinho bolas; Segmento plano para o moinho Rosenweig; Correia RE 3; Chapa perfurada de aço para peneira; Conjunto revestimento de alta alumina moinho bola; Revestimento da carcaça do mieronizador; Fl. 642DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA 6 Revestimento do bocal; Tampa superior; e Telas. Por fim, cumpre lembrar que a admissão desses créditos deve ser considerada para o cálculo do valor dos créditos decorrentes da aquisição de insumos utilizados na produção da mulita a ser estornado. Por essas razões, voto por rejeitar a preliminar de nulidade argüida e, no mérito, pelo provimento parcial do recurso voluntário para que sejam considerados os créditos do IPI decorrente das aquisições dos produtos relacionados no relatório técnico do INT, na apuração do saldo credor do período objeto destes autos, devendo ser homologadas as compensações declaradas até o limite do saldo credor apurado em conformidade com esta decisão. É como voto. Sílvia de Brito Oliveira Relatora Fl. 643DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/10/ 2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por SILVIA DE BRITO OLIV EIRA
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Numero do processo: 16327.900602/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
JOEL MIYAZAKI Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro.
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ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. JOEL MIYAZAKI – Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 24/09/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mercia Helena Trajano D’ Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de compensação de débito de PIS do período 10/2003 no valor de R$1.443.168,92, com crédito decorrente de alegado pagamento a maior de PIS relativo ao período de 05/2003, efetuado em 13/06/2003, no valor total de R$2.292.350,11, conforme declarado pela empresa na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 40126.18559.141103.1.3.042120 (fls.2328), transmitida em 14/11/2003. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 00 60 2/ 20 08 -8 1 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900602/200881 Resolução nº 3201000.407 S3C2T1 Fl. 135 2 Referida compensação não foi homologada pela Deinf/SP conforme Despacho Decisório de fls. 21, nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Segundo informa a Deinf/SP às fls. 38, a contribuinte foi cientificada da decisão em 20/05/2008 (fls.02), e enviou em 18/06/2008 a manifestação de inconformidade de fls. 0306, acompanhada dos documentos de fls. 0737. Em sua defesa, a contribuinte alega possuir um valor de PIS pago a maior de R$1.334.167,44, o qual teria sido utilizado na compensação em análise. Esse valor seria o resultado da soma do valor de PIS recolhido (R$2.292.350,11) e compensado (Dcomp 26385.57681.310703.1.7.04.9077, compensação de R$1.795.950,60), subtraído do valor de PIS alegado como devido para 05/2003 (R$2.754.133,27). A empresa alega que entregou em 07/12/2007 DCTF retificadora relativa ao 2º trimestre de 2003, alterando o PIS de 05/2003 para o valor de R$4.088.300,71. Após isso, em 16/06/2008 a empresa retificou novamente a DCTF do 2º trimestre de 2003, alterando o mesmo PIS relativo ao período de 05/2003 para R$2.754.133,27. Todavia, segue a manifestante, a DCTF retificadora enviada em 16/06/2008 não foi considerada nessa decisão. Pelo exposto, requer a reforma do despacho decisório, homologando se a compensação pleiteada, extinguindose o débito de PIS de 10/2003 até o montante de R$1.443.168,92, e considerando como o PIS devido para 05/2003 o valor de R$2.754.133,27. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP não acolheu a defesa ofertada, conforme Decisão DRJ/SP1 n.º 35.118, de 07/12/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, cabendo à contribuinte a comprovação da necessidade de alteração do valor originalmente declarado. Se a contribuinte não comprova a existência do erro material alegado, deve ser mantido o valor do débito declarado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÕES DESACOMPANHADAS DE PROVA. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900602/200881 Resolução nº 3201000.407 S3C2T1 Fl. 136 3 A manifestação de inconformidade deve estar instruída com todos os documentos e provas que fundamentem a defesa. Alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios não são suficientes para alterar o despacho decisório contestado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nestes autos a existência de direito creditório suficiente para validar as compensações pretendidas pela recorrente. Embora o principal fundamento da improcedência da manifestação de inconformidade tenha sido a retificação extemporânea da DCTF, o fato é de que o CARF vem relativizando esse entendimento, sempre buscando a chamada verdade material. Entretanto, para que esta busca chegue ao resultado esperado, o contribuinte deve comprovar o erro ocorrido e o seu direito creditório pleiteado, ainda mais quando a retificação da declaração ocorre após a ciência do despacho decisório. Nesse sentido, há diversos julgados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF Fl. 136DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES Processo nº 16327.900602/200881 Resolução nº 3201000.407 S3C2T1 Fl. 137 4 APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Como vemos neste processo, diferente de outros, a recorrente juntou aos autos razão contábil e cópia de sua DIPJ no seu recurso voluntário, fls. 66/70, documentos com os quais pretende comprar a origem de seu crédito, utilizado para a compensação realizada. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora informe se, com a juntada dos documentos em sede de recurso voluntário, a última DCTF retificadora enviada resta suportada, com a conseqüente comprovação do direito creditório pleiteado. No caso de não comprovação integral do crédito, informar se, com os documentos juntados, alguma parcela do crédito pleiteado, e glosado, resta confirmada. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Sala de sessões, 21 de agosto de 2013. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORA ES
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Numero do processo: 10245.000655/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Restando comprovado que o acórdão recorrido apreciou os documentos carreados aos autos como provas, incabível a ocorrência de cerceamento do direito de defesa alegado.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO ANUAL NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. RENDIMENTOS DECLARADOS.
Os rendimentos declarados pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada se restar comprovado que os respectivos valores transitaram pelas contas correntes relativas aos depósitos bancários lançados.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2201-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza, que deram provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor declarado.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Walter Reinaldo Falcão Lima - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCAO LIMA
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INOCORRÊNCIA. Restando comprovado que o acórdão recorrido apreciou os documentos carreados aos autos como provas, incabível a ocorrência de cerceamento do direito de defesa alegado. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Dessa forma não lhe cabe apreciar alegações de violação a princípios constitucionais que tenham por objetivo afastar a aplicação da lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, CUJO SOMATÓRIO ANUAL NÃO ULTRAPASSE R$ 80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física (Súmula CARF nº 61). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 06 55 /2 01 0- 49 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. RENDIMENTOS DECLARADOS. Os rendimentos declarados pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual do IRPF somente podem ser excluídos da base de cálculo do lançamento de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada se restar comprovado que os respectivos valores transitaram pelas contas correntes relativas aos depósitos bancários lançados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, exceto quando sobre a matéria existe súmula, o que não ocorreu neste caso. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathalia Mesquita Ceia e Guilherme Barranco de Souza, que deram provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor declarado. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Odmir Fernandes, Walter Reinaldo Falcão Lima e Nathália Mesquita Ceia. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 200 a 203), que reproduzo a seguir: “1. Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente ao exercício 2008, anocalendário 2007, por AFRF da DRF/BOA VISTA/RR. A ciência do lançamento ocorreu em 20/08/2010, fl.136. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Anocalendário 2007 Imposto de Renda (sujeito à multa de mora) 388.250,30 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000655/201049 Acórdão n.º 2201002.221 S2C2T1 Fl. 233 3 Multa de mora (passível de redução) 291.187,72 Juros de Mora (calculados até 30/07/2010) 89.025,79 Total do Crédito Tributário 768.463,81 2. De acordo com o Auto de Infração, fls. 120/135, o motivo da autuação foi a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. 3. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls.128/135: Intimamos o contribuinte a apresentar: 1 Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas pelo declarante, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao anocalendário 2007. Em 30/04/2010, o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 12/40). Entregou os extratos bancários de conta corrente, de aplicações financeiras e cadernetas de poupança do anocalendário 2007 (fls. 21/40). Justificou que toda sua movimentação financeira junto ao BANCO DO BRASIL S/A era referente à atividade agropecuária e que não havia feito a declaração do período conforme seus rendimentos. Contratou outro profissional da área contábil e retificou a declaração do Exercício 2008 em 29/04/2010 (fls. 14/20), após ciência do início da fiscalização. Em 25/05/2010, o contribuinte apresentou recibos de pagamentos de compra de bovinos (fls.50/68), bloco de notas fiscais de produtor rural de saída de Ivone Pereira Martins n° 0001 a 00050, sendo que apenas as notas de 0001 a 00017 eram referentes a 2007 (fls. 69/85), notas fiscais de vacinação de gado (fls. 103/104) e Livro Caixa com Termos de Abertura e Encerramento assinados pelo procurador (fls. 88/102). Foram explicitados os motivos pelos quais a documentação apresentada não seria aceita para comprovação dos depósitos: 1. Não foi feita a correlação individualizada entre cada depósito e sua respectiva origem conforme solicitado por escrito no Termo de Intimação Fiscal e explicado verbalmente ao procurador; 2. O Livro Caixa referente à atividade rural não estava acompanhado de documentação hábil e idônea comprobatória das receitas da atividade rural, pois não foram apresentadas as notas fiscais avulsas informando os compradores de gado; 3. Com relação às despesas com aquisição de gado, todos os pagamentos efetuados pelo Sr. Argílio foram feitos em dinheiro independentemente do valor; 4. As despesas de vacinação não estavam registradas no Livro Caixa; Fl. 234DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 5. Não havia registros de gastos com empregados, nem com ração nem qualquer outra despesa. Em 23/07/2010, foi apresentada resposta informando que não havia mais documentos a apresentar à fiscalização (fl. 107). O contribuinte foi intimado a correlacionar as notas fiscais entregues à fiscalização com seus respectivos depósitos bancários, mas não houve manifestação a este respeito. O contribuinte alegou que a movimentação bancária era proveniente da atividade rural exercida por ele e pela esposa. Ele, como pecuarista, comprava e vendia gado como autônomo e sua esposa, Sra. Ivone Pereira Martins, CPF 164.387.52215, devidamente cadastrada como produtora rural, não possuía conta bancária em 2007 e depositava na conta dele todas as receitas auferidas. O contribuinte comprovou através de documentos que era casado com a Sra. Ivone Pereira Martins, CPF 164.387.52215, sob o regime de comunhão universal de bens (fl. 117) e apresentou declaração de próprio punho da Sra. Ivone Pereira Martins afirmando que não possuía conta bancária em 2007 e que os valores recebidos referentes às notas fiscais de produtor rural Fazenda Agropecuária Araguaia numeradas na sequência de 001 a 00017 emitidas no anocalendário 2007 e entregues pelo Sr. Argílio a esta fiscalização transitaram pelas contas bancárias do Sr. Argílio (fl. 116). Da análise da declaração da Sra. Ivone (fls. 110/114), anexada ao processo em decorrência do regime de casamento, verificamos que a contribuinte optou pelo modelo simplificado e que os rendimentos declarados referentes ao anocalendário 2007 são apenas os recebidos da empresa de sua propriedade, I P MARTINS ME, CNPJ 04.649.976/000140. Não constam rendimentos tributáveis referentes ao resultado da atividade rural. De acordo com o parágrafo único do artigo 138 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966) e o inciso I combinado com o parágrafo I o do artigo 7 o do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, temos a espontaneidade da Sra. Ivone excluída, independentemente de intimação pelo envolvimento dela, nas infrações apuradas neste procedimento fiscal, em comunhão em decorrência do regime de casamento. Apesar de a Sra. Ivone ter declarado que as notas fiscais haviam sido depositadas na conta corrente do Sr. Argílio, o contribuinte não fez a correlação entre as notas fiscais e seus respectivos depósitos bancários, não comprovando que a origem dos recursos era a atividade rural. Os valores lançados mensalmente são os constantes do Anexo I deste Termo de Verificação Fiscal obtidos através do somatório mensal dos valores creditados no BANCO DO BRASIL S/A, agência 37834, conta corrente 143146 que não tiveram sua origem comprovada através de documentação hábil e idônea após o contribuinte ter sido regularmente intimado. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000655/201049 Acórdão n.º 2201002.221 S2C2T1 Fl. 234 5 Tendo em vista que o contribuinte movimentou em suas contas bancárias no anocalendário 2007, valores expressivos incompatíveis com os rendimentos declarados em sua Declaração de Imposto de Renda e não comprovou, quando intimado a fazêlo, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos efetuados constantes do Anexo I deste Termo de Verificação Fiscal, fls.134/135, tais depósitos foram considerados como rendimentos omitidos, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96. 4. Inconformado com a autuação o contribuinte apresentou sua impugnação em 15/09/2010, fls. 141/152, alegando o seguinte: 4.1 A ação fiscal a qual culminou na lavratura do auto de infração ora combatido teve seu início no primeiro dia do mês de abril do presente ano, ocorre que, o auto foi lavrado tão somente em 18 de agosto, por conseguinte, constatase que, entre o início da ação fiscal e a lavratura decorreram mais de 100 dias. 4.2 A jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda assentouse no sentido de que, a partir do 60° dia da investigação fiscal o contribuinte recobra a espontaneidade. 4.3 De fato, a DIRPF do exercício 2008, anocalendário 2007 foi apresentada em um primeiro momento com algumas falhas, isto, ressaltese, por conta de erros cometidos pelo contador que à época assistia o contribuinte, contudo, a declaração retificadora n° 02 (em anexo) apresentada pelo contribuinte a posteriori espelha fielmente a renda auferida no curso daquele ano, inclusive traz em seu bojo o livrocaixa do produtor rural defendente. 4.4 Neste contexto, tendo em mira o retorno da espontaneidade já ventilado anteriormente, urge o processamento desta declaração retificadora, em anexo. Neste passo, insta ressaltar que as ilustres agentes fiscais não comprovaram no curso da autuação, e sequer tiveram qualquer esforço neste sentido, que o contribuinte teve no curso do ano de 2007 qualquer acréscimo patrimonial, ainda mais um acréscimo patrimonial vultoso, que justificasse um lançamento de quase R$ 400.000,00 (Quatrocentos mil Reais) a título de IR (principal), desprezados os juros e penalidades. 4.5 Em verdade, as fiscais não cumpriram apropriadamente seu mister, pois não efetuaram nenhuma diligência ao Município de Caroebe (domicilio tributário do autuado), não foram in loco constatar sinais aparentes de riqueza, preferiram trilhar o caminho mais fácil, qual seja, a autuação desprovida de elementos concretos, embora tal caminho tenha se revelado injusto para com o contribuinte. 4.6 Inadmissibilidade do lançamento baseado exclusivamente em depósitos bancários o encargo probatório é totalmente transferido para contribuinte, com manifesta impossibilidade Fl. 236DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 dessa prova ser produzida e em afronta aos princípios constitucionais da segurança jurídica e da legalidade. 4.7 O lançamento em comento não pode ser levado a termo na forma descrita nos autos, eis que, constaram no bojo da autuação, depósitos bancários que, no ano calendário 2007, encontravamse no campo da desconsideração, visto que os valores individuais foram inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), nos termos do inciso II do § 2º do Art. 849 RIR/99 (vigente à época). 4.8 Os supostos rendimentos que serviram de base de cálculo ao lançamento são oriundos da venda de gado bovino, foram demonstrados através de registro contábil (livro caixa) e estão suportados por documentação hábil sendo que alguns desses valores estão no campo da não incidência visto serem valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), nos termos do inciso II do § 2 o do Art. 849 RIR/99. 4.9 Requer diligências fiscais e contábeis para que sejam verificadas todas as afirmativas suscitadas na presente impugnação.” A 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém – PA julgou a impugnação improcedente (fls. 199 a 211), nos termos da ementa transcrita a seguir: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei n° 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ATOS PROCESSUAIS. INTERVALO SUPERIOR A 60 DIAS. CONSEQÜÊNCIA. AQUISIÇÃO DE ESPONTANEIDADE. O transcurso de mais de 60 DIAS entre a intimação do contribuinte e a ciência do auto de infração tem como única consequência a aquisição de espontaneidade do sujeito passivo, possibilitando lhe retificar sua declaração de ajuste e recolher o crédito tributário com multa de mora ao invés de multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado do acórdão de primeira instância em 12/07/2012 (Aviso de Recebimento de fls. 216), o Interessado interpôs, em 13/08/2012, o recurso de fls. 217 a 228, alegando, em suma: a) preliminarmente, cerceamento do direito de defesa, em decorrência da não apreciação das provas constantes nos autos; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000655/201049 Acórdão n.º 2201002.221 S2C2T1 Fl. 235 7 b) é inaceitável a posição dos julgadores de primeira instância, que não aceitaram, como prova da origem dos depósitos bancários, nem mesmo as notas fiscais relativas a receitas da atividade rural, sob o argumento de não haver correlação de data e valor dos citados documentos com os depósitos bancários. Explicou que as vendas são recebidas posteriormente; c) os valores das receitas já declaradas devem ser excluídos da base de cálculo da tributação em discussão, conforme entendimento já consolidado por este Conselho; d) é inadmissível o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assevera que a transferência do ônus probatório ao contribuinte afronta os princípios constitucionais da segurança jurídica e da legalidade. Cita decisões deste Conselho, pela ilegitimidade do lançamento, e a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; e) não foram excluídos da base de cálculo do lançamento a soma dos depósitos cujo total não atinja R$ 12.000,00 (sic), nos termos do inciso II do § 2º do art. 849, do RIR/00, vigente à época; f) sejam considerados como origem dos depósitos bancários as receitas da atividade rural, representadas pelas notas fiscais carreadas aos autos, recebimentos de receitas da atividade rural de anos anteriores e os saques constantes nos extratos bancários; Diante do exposto, requer o provimento do recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima, Relator O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não procede a alegação de cerceamento de direito de defesa, por falta de apreciação das provas constantes nos autos, haja vista que essa afirmação não corresponde à realidade, conforme trechos do voto condutor do acórdão recorrido, que tratam da análise das provas apresentadas pelo Contribuinte. “23. Os recibos apresentados às fls. 171/189, supostamente representam saídas e não créditos na conta bancária do contribuinte. Portanto, não são hábeis a justificar os depósitos relacionados pela fiscalização na autuação. 24. Observandose o livrocaixa apresentado na defesa, fls. 156/170, verificase que não há coincidência entre os lançamentos de vendas de bois e os depósitos bancário argüidos Fl. 238DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 no ANEXO I, fls. 134/135. No mesmo sentido, o contribuinte não relaciona as notas fiscais que justifiquem os depósitos bancários mencionados. Sem qualquer coincidência de datas e valores, não há como considerar as provas documentais apresentadas pelo contribuinte como passíveis de comprovar a origem dos depósitos bancários questionados na autuação. (...) Não procede a alegação do contribuinte quanto aos depósitos inferiores a R$ 12.000,00, que no anocalendário não totalizam R$ 80.000,00. O art.849, §2º, inciso II, do Decreto Nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), dispõe que quando somados os depósitos abaixo de R$ 12.000,00, não ultrapassarem o limite de R$ 80.000,00, devem os mesmos ser excluídos do cômputo da infração. Tal fato não ocorreu no presente caso, conforme demonstrase na planilha abaixo, extraída dos depósitos questionados pela fiscalização às fls. 134/135.” Cumpre informar que, conforme disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. Pelo exposto, rejeito a preliminar suscitada. A omissão de rendimento ou de receita dos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, tratase de uma presunção legal, estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 abaixo transcrito que, somente pode ser elidida mediante documentação hábil e idônea, sendo que o ônus da prova é do interessado. “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 239DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10245.000655/201049 Acórdão n.º 2201002.221 S2C2T1 Fl. 236 9 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (valores alterados pela Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Para que seja considerada comprovada a origem dos recursos, é necessário que haja vinculação, de forma individualizada, entre as provas apresentadas e os depósitos para os quais foi exigida a comprovação de suas origens. Essa vinculação não se faz mediante meras alegações, mas sim com a demonstração de que os documentos carreados aos autos dizem respeito às aludidas operações bancárias. No caso em apreço, o Recorrente apresentou somente alguns documentos relativos a operações rurais, mas, em nenhum momento, efetuou a correlação necessária entre os valores relativos a tais operações com os depósitos bancários identificados pela fiscalização. Vale dizer que foi intimado por duas vezes a comprovar a origem dos recursos (Termos de Intimação Fiscal de fls. 43 a 46, e 105 e 106), e não atendeu à solicitação do Fisco. Assim, não há como excluir da base de cálculo do lançamento qualquer dos depósitos bancários lançados. Acerca da alegação de que não é cabível o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários, nos moldes previsto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por ofensa a princípios constitucionais, convém ressaltar que o reconhecimento de que tais princípios foram desrespeitados implica no pronunciamento de inconstitucionalidade do dispositivo legal que prevê a aplicação do referido dispositivo legal. E, nos termos da Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Não tem razão, também, o Recorrente, quando alega que “não foram excluídos da base de cálculo do lançamento a soma dos depósitos cujo total não atinja R$ 12.000,00”. Conforme disposto no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, transcrito neste voto, somente devem ser excluídos os depósitos de valor individual igual ou Fl. 240DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. No mesmo sentido é a Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61 “Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física.” Como demonstrado no acórdão recorrido, no presente caso isso não ocorreu, haja vista que o total de depósitos inferiores a R$ 12.000,00, no anocalendário de 2007, representou R$ 91.473,00. Acerca das decisões deste Conselho, reproduzidas no Recurso, o Interessado não comprovou que se tratam de lançamentos efetuados sob a égide da Lei nº 9.430, de 1996. Mesmo que tivesse comprovado, cumpre assinalar que, com exceção das matérias sobre as quais existe súmula, o que não ocorreu neste caso, as demais decisões administrativas não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Por fim, quanto ao argumento de que as receitas já declaradas deveriam ser excluídas da base de cálculo da tributação – R$ 15.702,00, recebidos da pessoa jurídica A.M. da Fonseca – ME (fls. 03) – o Contribuinte não comprovou que tais valores transitaram pela sua corrente, assim, não há como excluílas. Não entendo que se deve presumir que os citados rendimentos transitaram pelas contas bancárias do Contribuinte, sem que esse fato seja comprovado. Reitero que as decisões administrativas proferidas sobre essa matéria não vinculam os julgamentos deste Conselho. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Fl. 241DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 08/2013 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10494.000605/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/11/2006, 26/12/2006, 28/12/2007, 13/02/2007, 17/05/2007, 18/05/2007
IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS. AUSÊNCIA PARCIAL DE LAUDO.
A ausência de laudo técnico capaz de identificar com segurança os produtos importados impossibilita a respectiva reclassificação tarifária em detrimento da descrição dos produtos realizada pelo importador.
GUINDASTE AUTO-PROPULSOR SOBRE PNEUS.
Se o equipamento importado não pode ser utilizado como um caminhão comum após a retirada do guindaste do seu chassi, o mesmo deve ser classificado na posição NCM 8426.41.90 autopropulsores sobre pneus, e não na posição NCM 8705.10.90 veículos automóveis para usos especiais, do tipo caminhão-guindaste.
Numero da decisão: 3201-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim votou pelas conclusões. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OAB-RS 10206.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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AUSÊNCIA PARCIAL DE LAUDO. A ausência de laudo técnico capaz de identificar com segurança os produtos importados impossibilita a respectiva reclassificação tarifária em detrimento da descrição dos produtos realizada pelo importador. GUINDASTE AUTOPROPULSOR SOBRE PNEUS. Se o equipamento importado não pode ser utilizado como um caminhão comum após a retirada do guindaste do seu chassi, o mesmo deve ser classificado na posição NCM 8426.41.90 autopropulsores sobre pneus, e não na posição NCM 8705.10.90 veículos automóveis para usos especiais, do tipo caminhãoguindaste. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim votou pelas conclusões. Procedeu à sustentação oral o representante da parte, Dr. Renato Romeu Rench, OABRS 10206. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 49 4. 00 06 05 /2 00 8- 13 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Versa o presente processo sobre auto de infração lavrado, às lis. 02 a 06, em virtude da reclassificação tarifária das mercadorias importadas conforme o demonstrativo seguinte: Mais precisamente, segundo consta do auto de infração, muito embora referidas_ mercadorias—tenham—sido—declaradas pelo importador como —"guindastes autopropulsores", tendo sido classificadas nas posições NCM 8426.41.10 (Dl n.° 0611579903 O) e NCM 8426.41.90 (demais Dl), a fiscalização verificou que referidas máquinas constituem veículos automóveis para usos especiais, do tipo caminhãoguindaste, devendo, portanto, ser classificadas no código NCM 8705.10.90 da TEC. Referida classificação tarifária foi adotada pela fiscalização com base na placa fixada ao chassi dos equipamentos contendo a descrição "truck crane chassis", laudos de assistência técnica emitidos em face das mercadorias importadas por meio das DI n."'s 06/13581487, 06/15679905 e 06/15799030, Memorando DIANA/10 a. SARE n.° 2/2007, Atas de Reunião n.'s 6 e 8, exaradas pelo Comitê Técnico n.° 1 do Mercosul, em 2003, Solução de Consulta n." 153, exarada pela SRRF/9 a RF/D1ANA, Soluções de Divergência n.'s 6 e 8, exaradas pela COANA, respectivamente, em 07/07/2008 e 12/09/2008, havendo a autoridade aduaneira citado, ainda, como fonte de sua convicção, as decisões administrativas veiculadas pela Segunda Turma da DRJ/SPOII, por meio dos Acórdãos n.'s 1717.493 e 1717.494. Em conseqüência, foi lavrado o auto de infração em apreço por meio do qual está sendo exigido do contribuinte autuado o pagamento de Imposto de Importação (II), multa lançada de oficio e proporcional a 75% do imposto exigido (art. 44, inciso I, Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10494.000605/200813 Acórdão n.º 3201001.241 S3C2T1 Fl. 556 3 da Lei ri.° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n.° 11.488, de 2007), multa regulamentar em face da classificação tarifária incorreta da mercadoria, fulcrada no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001, combinado comas artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei n.° 10.833, de 2003, e, bem assim, multa do controle administrativo por falta de licença de importação, com fulcro no art. 169, inciso I, alínea "b" e § 2°, inciso I, do Decretolei n.°37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n.° 10.833, de 2003. Regularmente cientificado do auto de infração (fl. 03), em 22/10/2008, o contribuinte, em 10/01/2008, apresentou os documentos de fis. 368 a 457, e a impugnação de fls. 327 a 367, onde, em síntese: Alega que, em importações anteriores, foram emitidos laudos periciais por técnicos credenciados pela Receita Federal e que tiveram por objeto guindastes produzidos pelo mesmo fabricante, do mesmo tipo e de tonelagens iguais, o que implica dizer que tais laudos, ora juntados pela defesa, são aplicáveis à universalidade dos bens neles identificados, sendo que, todavia, em nenhum momento foram refutados ou desclassificados pela autoridade autuante, nos termos exigidos pelo art. 30 do Decreto n.° 70.235, de 1972, razão pela qual entende que referidos laudos técnicos devem ser adotados como suficientes para identificar o bem com vistas a adoção da respectiva classificação tarifária. Aduz que nos referidos laudos técnicos os peritos identificaram o bem importado como guindaste autopropulsado, razão pela qual entende estar absolutamente correta a posição tarifária adotada nas declarações de importação, com amparo na regra geral de interpretação segundo a qual a classificação deve ser feita adotandose o texto da posição que se refere expressamente a este bem. Neste rumo, cita disposições contidas na Convenção Internacional sobre Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovado pelo Poder Legislativo e promulgado pelo Decreto n.° 97.409, de 1988, ao que aduz que referida convenção, para estabelecer um sistema universal, de aplicação globalizada, impõe que os Estados membros se submetam às regras de interpretação convencionadas, pelo que entende que isto afasta a possibilidade de se cogitar da aplicação das normas relativas ao Mercosul quando da identificação do bem com o fim de adotarse a posição tarifária, eis que a convenção internacional impõe a aplicação das Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado, cuja primeira regra diz que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapitulos têm apenas valor indicativo e que, para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas regras seguintes. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Argumenta que, para que se possa classificar uma mercadoria, a providência inicial é identificar esta mercadoria, e, somente após essa identificação, é que é possível efetivamente iniciarse a classificação propriamente dita, através dos ditames e ordenamentos estabelecidos pela estrutura do Sistema Harmonizado, ao que aduz que o texto das posições aliado às correspondentes Notas de Seção e de Capitulo, e às Regras Gerais Interpretativas são os três elementos da estrutura do SH que devem ser legalmente considerados para que se adote uma das 1.221 posições da Nomenclatura. Remete à disposição contida na Primeira RGI para alegar que referida regra tem precedência de aplicação, razão pela qual extrai o entendimento segundo o qual, se a mercadoria estiver textualmente citada em uma determinada posição, é ali que deve legalmente a mercadoria ser classificada, sendo que os textos das Notas de Seção e de Capítulo podem apenas melhor definir, mas em nenhum momento podem contrariar o texto da posição, o mesmo ocorrendo relativamente às subposições, por força da determinação contida na Sexta RGI. Argumenta que as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado não fazem parte da Convenção Internacional do SH e, assim sendo, estão desprovidas do caráter de legalidade, devendo o entendimento contido em referidas notas ser tomado apenas em caráter subsidiário e orientativo, destacando, porém, que a legalidade da classificação fiscal pressupõe que as determinações da sua estrutura são para serem lidas e entendidas, ao passo que, o que nela não esteja escrito não pode ser utilizado para legalmente definir uma classificação fiscal. Para corroborar suas contrarrazões neste plano, junta ao processo opinião classificatória elaborada por Cláudio Ruy Guimarães Vaz Pinto, que intitula de professor da matéria classificação fiscal na Escola de Administração Fazendária — ESAF e que, discorre sobre a classificação fiscal aplicável aos bens que denomina de guindastes autopropulsados modelos QY 65K, QY 50K, QY 35K e QY 25K. Alega que em laudo pericial, cujo único objetivo foi a identificação do bem, consta que "o equipamento possui 4 eixos de rodas. Os dois eixos dianteiros possuem 2 rodas cada um e os traseiros possuem 4 rodas cada um. O equipamento possui dois eixos de rodas direcionáveis, que são os dianteiros". Dada essa identificação, argumenta que não há caminhão com dois eixos dianteiros direcionáveis, que tal característica é própria dos guindastes destinados ao içamento de tonelagens elevadas, e que esta informação, por constituir um aspecto técnico, deve ser obrigatoriamente adotada pela autoridade julgadora, por força das disposições contidas no precitado art. 30 do Decreto n.° 70.235, de 1972, a menos que o laudo técnico que exarou essa identificação seja justificadamente anulado. Nesta linha, alega que a escolha dos quatro primeiros dígitos do código tarifário decorre sempre da identificação do bem, que, uma vez identificado pela posição na Nomenclatura, passa a ser complementado pelas subposições de primeiro e segundo nível, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10494.000605/200813 Acórdão n.º 3201001.241 S3C2T1 Fl. 557 5 razão pela qual considera despropositada a afirmação da autoridade autuante segundo a qual "independentemente do conhecimento técnico específico que o engenheiro mecânico possui este não pode se manifestar sobre qualificação fiscal de mercadorias ou a interpretação de Notas Explicativas", eis que tais notas não podem de per si legalmente embasar a classificação tarifária. Aduz, ainda, que as Nesh são aprovadas através de instrução normativa editada pelo Secretário da Receita Federal, ato administrativo que não tem o caráter de lei e que, portanto, as Nesh são apenas um instrumento administrativo, mas para serem consideradas como regras administrativas devem ser objeto de publicação regular, o que não ocorreu no caso dos ditames do Mercosul. Alega que os Pareceres de Classificação editados pela Organização Mundial das Alfândegas (OMA), além de também terem caráter subsidiário e orientativo, não produzem efeitos legais, e são de utilização optativa pelos países signatários da Convenção do Sistema Harmonizado. Argumenta que, para identificar a posição de um bem na Nomenclatura, o Sistema Harmonizado não cogita das condições de funcionamento deste bem, não sendo possível, pois, direcionar uma identificação quanto à posição tarifária indagando se a máquina tem uma ou duas cabines, mas sim constatar o que é a máquina e para que ela foi construída. Pondera que, no caso dos autos, há um motor que, por via de tomadas de força opera a locomoção do guindaste e também a elevação da carga, ao que aduz a conclusão de que, em face desses elementos, se constata (sic) todos os argumentos quanto à adoção do critério de classificação a partir de normas de interpretação do Mercosul. Reclama que, ao encaminhar quesitos ao perito, a fiscalização não orientou suas indagações para a questão essencial concernente a que produto está sendo submetido à perícia, e que reside na identificação dos dois primeiros dígitos do código tarifário, mas sim com o propósito de classificar o bem a partir do quinto e sexto digito do referido código. Neste jaez, alega que a fiscalização contrariou o laudo, mesmo com a descrição contida em laudo complementar, e promoveu lançamento por entender que o bem importado é tecnicamente um caminhão, cuja classificação darseia no código tarifário8705.10.90, pelo que acusa o Fisco de, com isto, ter sonegado elementos de prova ao importador, passando a operar no plano da nulidade plena. Volta a discorrer sobre a classificação tarifária dos bens em comento, alegando que, até a identificação da subposição de segundo nível, a única legislação aplicável é aquela estabelecida pela própria convenção do Sistema Harmonizado, sendo que as interpretações produzidas pelo Mercosul são aplicáveis apenas Fl. 559DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 quando o enquadramento estiver sendo feito no que diz respeito aos sétimo e oitavo dígitos do código tarifário. Alega que a classificação adotada pelo importador decorre de laudo técnico relativo ao bem importado através da DI a° 06/1579902, que constitui um guindaste igual a um dos modelos em discussão, e que foi identificado pelo engenheiro laudista como guindaste autopropulsor com capacidade máxima de içamento de 65 toneladas, num raio de 3 metros. Aduz que, no referido laudo, consta a caracterização do bem importado como máquina, autopropulsada, de pneumáticos, cujo chassis e instrumentos de trabalho são essencialmente concebidos, um para o outro, de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo e que os instrumentos de trabalho são inteiramente integrados ao chassis, não podendo ser utilizado separadamente para outros fins, pois não funcionariam, razão pela qual alega que o bem importado não se constitui a partir de uma estrutura instalada em um caminhão, tratandose, isto sim, de um equipamento com as características próprias de um guindaste autopropulsado. Na mesma linha, traz aos autos o Oficio n.° 92/DEPAC, emitido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) em 18/12/2007, onde consta que o veiculo analisado por aquele instituto constitui um conjunto veicular integrado (guindaste autopropelido) e não um veículo equipado com implemento rodoviário e que, segundo o art. 96 do Código de Trânsito Brasileiro, referido veículo é classificado, quanto à espécie, como um trator de rodas. Com vistas a corroborar os fundamentos de sua argumentação, transcreve excertos de decisão prolatada por esta DRJ de Florianópolis, nos autos do PAF n.° 10494.001304/200122, de onde destaca que, mesmo tendo sido constatada a existência de duas cabines — elemento único que animou a reclassificação efetuada pela fiscalização —, os julgadores entenderam que o bem importado era um guindaste autopropulsado, visto que a própria prescrição contida nas Nesh orienta no sentido de que são excluídas da posição 8705, sugerida pelo Fisco, as máquinas autopropulsoras de rodas cujos chassis e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro, de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo. No mesmo rumo, cita ainda decisões administrativas relativas ao tema da classificação fiscal e soluções de consulta, exaradas pela Disit da SRRF/7a. RF e pela COANA, e relativas a guindastes autopropulsores e caminhãoguindaste, para destacar que, no caminhãoguindaste, referido veiculo recebeu um guindaste, por obra de montagem sobre o chassis, não se cogitando adotar a existência de duas cabines como vetor essencial de diferenciação, ao que aduz que, mesmo que os guindastes autopropulsados não tenham uma só cabine, continuam classificados como guindastes autopropulsados e não como caminhõesguindastes. Argumenta que a existência de uma cabine própria para operar a lança do guindaste decorre da evolução tecnológica, visto ser Fl. 560DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10494.000605/200813 Acórdão n.º 3201001.241 S3C2T1 Fl. 558 7 evidente que, da cabine de movimentação do veiculo é impossível acompanhar a elevação e a movimentação da lança com a carga, o que, portanto, consiste num aperfeiçoamento, não tendo o condão, todavia, de transformar um guindaste, assim estruturado, em um caminhão. Aduz que os guindastes ou gruas da posição 8426, em geral, não se deslocam carregados ou, quando muito, efetuam, neste estado, deslocamentos de pequena amplitude, os quais desempenham um papel auxiliar relativamente à função de elevação que os caracteriza, sendo essa a razão da existência dos dois eixos dianteiros. Alega que o guindaste autopropulsado, passa a ter essa qualificação a partir de seu projeto de construção, e que os caminhões são projetados originariamente para serem simplesmente veículos automóveis, sendo _transformados _em caminhõesguindastes — quando, sobre esses veículos, é instalado um guindaste, podendo até, no futuro, voltar a ser caminhões, ao passo que os guindastes autopropulsados, uma vez desmontados, não constituirão um caminhão, mas sim um amontoado de partes que constituem um guindaste autopropulsado. Quanto às penalidades aplicadas em virtude de declaração inexata e classificação fiscal errônea, reitera ser correta a descrição contida na Dl e, bem assim, a classificação tarifária adotada, que encontra arrimo na identificação realizada por peritos da própria Receita Federal, não podendo o importador, ademais disso, ser punido por eventual falha no emprego das regras de classificação se a descrição do equipamento importado contiver os elementos necessários para o seu correto enquadramento, a teor do disposto no ADN COSIT n.° 10, de 1997. Relativamente à multa aplicada em virtude de falta de licença de importação, alega que a fiscalização desconsiderou a dispensa de licenciamento realizada pelo IBAMA, no que pertine a cada um dos guindastes importados que, por sua vez, estão devidamente identificados pelo número de chassi, sendo descabida a ingerência da autoridade fiscal sobre os atos administrativos exarados por outro órgão a menos que seja feita a devida representação, acaso se entenda que houve erro. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do feito ora impugnado, sendo, por via de conseqüência, declarados indevidos o imposto e as multas lançadas. A impugnação foi julgada procedente em parte pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº0718.280, de 04/12/2009: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADOR/AS Fl. 561DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Data do fato gerador: 06/06/2007 IDENTIFICAÇÃO DOS PRODUTOS. FALTA DE LAUDO. A ausência de laudo técnico capaz de identificar com segurança o produto importado impossibilita a respectiva reclassificação tarifária em detrimento da descrição do produto realizada pelo importador. Data fato gerador: 26/12/2006, 28/12/2007, 13102/2007, 17/05/2007, 18/05/2007 EQUIPAMENTO DE ELEVAÇÃO DE CARGAS SOBRE PNEUS. CABINES DE COMANDO INDIVIDUALIZADAS. CAMINHÃOGUINDASTE. O equipamento de elevação de cargas sobre pneus que apresenta uma cabine voltada exclusivamente para a movimentação do veículo e outra voltada exclusivamente para operar o dispositivo de elevação, qual seja, sem compartilharem comandos passíveis de operar os órgãos mecânicos que movimentam o veículo, caracteriza um caminhãoguindaste cuja classificação tarifária dáse na subposição NCM 8705.10. Data fato gerador: 09/11/2006 EQUIPAMENTO DE ELEVAÇÃO DE CARGAS. CABINE DE TRABALHO MONTADA SOBRE CHASSI DE CAMINHÃO. CAMINHÃOGUINDASTE. O equipamento de elevação de cargas sobre pneus, que apresenta a cabine de trabalho montada sobre um chassi de veículo automóvel ou de caminhão, caracteriza um caminhão guindaste cuja classificação tarifária dáse na subposição NCM 8705.10. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/11/2006, 26/12/2006, 28/12/2007, 13/02/2007, 17/05/2007, 18/05/2007 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. MULTA REGULAMENTAR. NATUREZA OBJETIVA. Em caso de enquadramento tarifário incorreto por parte do importador, aplicase a multa regulamentar correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria importada, consoante determina expressa disposição legal. DESCRIÇÃO INCORRETA DA MERCADORIA. PENALIDADE TRIBUTÁRIA. MULTA POR FALTA DE LICENCIAMENTO. A descrição incorreta ou incompleta da mercadoria importada, qual seja, que não apresente as características necessárias à sua classificação fiscal, sujeita o importador à multa por declaração inexata e falta de recolhimento, acessória a eventual exigência de tributos incidentes na importação, e, ainda, à multa por falta de licenciamento. Impugnação. Procedente em Parte. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10494.000605/200813 Acórdão n.º 3201001.241 S3C2T1 Fl. 559 9 Crédito Tributário Mantido em Parte Como o valor exonerado pela decisão a quo não atingiu o limite mínimo para a interposição do recurso de ofício, nos termos da Portaria MF nº 3, de 2008, o único recurso interposto foi o da MASAL, que reitera os argumentos suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. A irresignação da MASAL tem como objeto a parte da decisão a quo que manteve o lançamento, uma vez que foi excluído do montante original apenas o crédito tributário referente ao bem importado através da DI n.° 07/07369635. A discussão travada nos autos do presente processo administrativo cingese a saber se os bens importados pela MASAL seriam classificados na posição NCM 8426.41.90 autopropulsores sobre pneus, como foi informado nas declarações de importação, ou na posição NCM 8705.10.90 veículos automóveis para usos especiais, do tipo caminhão guindaste, como imposto pela fiscalização. Nesse contexto, a questão crucial para determinar a correta classificação fiscal das mercadorias importadas pela MASAL é saber se o equipamento pode ou não ser utilizado como um caminhão comum após a retirada do guindaste do seu chassi. Contudo, na avaliação da instância a quo, a resposta do laudista sobre essa questão crucial não merecia apreço, uma vez que este teria mal interpretado o quesito. Confira se: Posteriormente, no laudo complementar de fls. 276/277, referido perito foi indagado pelo Fisco acerca de outro aspecto relevante para a identificação do equipamento em apreço e que consistia em saber se o instrumento de trabalho está inteiramente integrado a um chassi que não pode ser utilizado para outros fins. A resposta do perito, todavia, foi no seguinte sentido: “Os instrumentos de trabalho estão inteiramente integrados ao chassi não podendo ser utilizado (sic) separadamente para outros fins, pois não funcionariam.” Ora, a toda evidência e em consonância com os esclarecimentos contidos nas Nesh referentes à posição 8705, o propósito da questão encaminhada pelo Fisco consistia em saber se, uma vez destacado o instrumento de trabalho do conjunto que forma o equipamento, o chassi não poderia ser utilizado para outros fins, Fl. 563DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 e não se o instrumento de trabalho funcionaria depois de destacado, pelo que considero irrelevante, para os efeitos de identificação do produto, a resposta do perito a esse quesito. A partir da transcrição supra, percebese claramente que a instância a quo ignorou o fato de que o laudista posicionouse de forma inequívoca no sentido de que os instrumentos de trabalho estão inteiramente integrados ao chassi. Ora, verificase, pois, que o chassi do equipamento em questão não é adaptado a partir de um chassi de caminhão. Aliás, como bem ressalta a MASAL em sua peça recursal, o expediente utilizado pela instância a quo beira a um artifício para justificar a reclassificação empreendida pela fiscalização. Isso fica claro quando transcreve no voto apenas parte da resposta ao quesito complementar. Confirase o enunciado do quesito complementar em tela e a sua resposta completa: Vêse desde logo que a resposta direta é que o equipamento é um guindaste autopropulsado. Este fato fica absolutamente claro com a resposta dada ao quesito complementar (ao mesmo laudo) que segue transcrito: “4.1 Identificase A existência de um caminhão com chassi especial para acoplamento de um guindaste, possibilitando sua utilização de acordo com a sua capacidade? Ou é uma máquina autopropulsada, de pneumáticos, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos, um para o outro, em modo a formar um conjunto mecânico homogêneo (neste caso, o instrumento de trabalho não está simplesmente montado sobre um chassi de veículo, mas inteiramente integrado ao chassi que não pode ser utilizado para outros fins)? Detalhe os elementos técnicos de convicção: Resposta: É uma máquina, autopropulsada, de pneumáticos, cujo chassi e instrumentos de trabalho são essencialmente concebidos, um para o outro, de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo. Os instrumentos de trabalho são inteiramente integrados ao chassi não podendo ser utilizado separadamente para outros fins pois não funcionariam.” (Grifado) Diante da clara indicação do laudista de que o equipamento em comento é um veículo autopropulsado, pois não pode ser desmembrado do guindaste para servir como um caminhão comum, revelase correta a classificação fiscal informada pela MASAL nas adições adição 02 da DI n.° 07/12364107 e 04 da DI n.° 07/14387449, ou seja, a posição NCM 8426.41.90. Portanto, descabe qualquer consectário da classificação fiscal empreendida pela fiscalização a partir de uma análise equivocada dos laudos que embasaram tecnicamente o lançamento. Diante de todo o exposto, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 564DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10494.000605/200813 Acórdão n.º 3201001.241 S3C2T1 Fl. 560 11 Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 565DF CARF MF Impresso em 19/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/09/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000289/2010-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE DEIXA DE APRECIAR MATÉRIA DE DEFESA. ANULAÇÃO. CABIMENTO. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o v. acórdão de primeira instância analisar toda a matéria de defesa fulcral ao deslinde do processo, sob pena de ser considerado nulo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente.
Marcelo Freitas de Souza Costa- Relator.
Igor Araújo Soares - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA QUE DEIXA DE APRECIAR MATÉRIA DE DEFESA. ANULAÇÃO. CABIMENTO. Em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, bem como das disposições legais aplicáveis ao processo administrativo fiscal, deve o v. acórdão de primeira instância analisar toda a matéria de defesa fulcral ao deslinde do processo, sob pena de ser considerado nulo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa (relator), Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Igor Araújo Soares Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 02 89 /2 01 0- 06 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor de Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 217 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado por descumprimento de obrigação acessória, referente a retenção de 11% da Nota Fiscal ou Fatura, afrontando o que determina o art. 31 da Lei no 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 05 a 06, a notificada na condição de contratante, deixou de efetuar a retenção de 11% do valor bruto das Notas Fiscais em nome da empresa cedente de mãodeobra (PRODESAN PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO DE SANTOS S/A) que efetuava serviços de coleta de lixo reciclável. Inconformado com a decisão de fls. 199/204 que julgou procedente o lançamento, o contribuinte recorre a este conselho alegando em síntese: Afirma que não pode ser considerado como irrelevante o fato do contribuinte ter firmado termo de acordo e parcelamento de seus débitos, sob pena de prestigiar eventual locupletamento ilícito por parte do exator, uma vez que tal entendimento não leva em consideração a possibilidade de pagamento do tributo pelo empregador, o que seria suficiente para o custeio do sistema tributário. Alega que a norma constitucional é expressa no sentido de que a contribuição previdenciária somente incide sobre pagamentos de rendimentos decorrentes da prestação de serviço, fato que não pode ser alterado pela legislação ordinária Que a turma julgadora de primeira instância acabou por entender que o Município estaria sujeito a relação jurídico/tributária em questão, deixando de apreciar argüição de inconstitucionalidade da norma tributária, sob o fundamento de que tal controvérsia poderia ser dirimida tão somente na esfera judicial, com o que a recorrente não concorda, pois, a Administração Pública esta sujeita a inúmeros princípios, dentre os quais o principio da legalidade e da auto tutela. Advoga no sentido de que a exigência contida no artigo 31 da Lei n° 8.212/1991 viola frontalmente o quanto restou estabelecido pela norma constitucional e ampliou o campo de incidência da norma tributária; a fim de alcançar a empresa contratante de serviços executados mediante a cessão de mãodeobra. Defende que no presente caso também não se vislumbra pagamento ou crédito realizado a favor de qualquer pessoa física que tenha prestado o serviço apontado pela d. fiscalização, mas sim a satisfação de preço estabelecido, .em função da cessão, ou seja, transferência de pessoal para a realização de serviço contratado pelo ente municipal. Sustenta que o r. decisório entendeu que os documentos analisados foram bastantes para se constatar o fato gerador tributário, contudo se omitiu quanto a inexistência da solidariedade imputada para se exigir o tributo em comento. Que a mera análise de livros e documentos pela agente fiscalizadora não revelou a existência de remuneração paga por empregador (ou Pessoa a. ela equiparada) aos Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 seus empregados (ou prestadores de serviço), fato este que afasta a possibilidade de se constituir crédito tributário em desfavor do Município de Santos. Requer a reforma da decisão guerreada, com o provimento do recurso para anular ou cancelar o débito fiscal. É o relatório. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 218 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o inconformismo do município recorrente, suas alegações não merecem ser acolhidas. Os presentes autos versam sobre débitos previdenciários consubstanciados na falta de retenção da alíquota de 11% determinada pelo art. 31 da Lei 8.212/91, quando da contratação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, que assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no §.5º do art. 33 desta Lei. Inicialmente, em seu recurso, a recorrente insurgese contra a autuação alegando que o cedente da mão de obra teria aderido ao programa de parcelamento fiscal, instituído pela Lei 11.942/99, o que eximiria a responsabilidade do Município pelo crédito ora lançado. Razão não assiste ao recorrente A presente autuação, conforme acima mencionado, referese a obrigações previdenciárias de responsabilidade do contratante de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, especificamente a de fazer a retenção de 11% do valor bruto das notas fiscais do prestador de serviços mediante cessão de mão de obra. Ademais, tais alegações já foram objeto de análise no recurso do processo 15983.000284/201075 relativo às obrigações principais e julgado nesta assentada, onde a decisão final foi pelo reconhecimento da procedência da autuação O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Os presentes autos versam sobre débitos previdenciários consubstanciados na falta de retenção e recolhimento da alíquota de 11% determinada pelo art. 31 da Lei 8.212/91, quando da contratação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, que assim dispõe: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no §.5º do art. 33 desta Lei. Inicialmente, em seu recurso, a recorrente insurgese contra a autuação alegando que o cedente da mão de obra teria aderido ao programa de parcelamento fiscal, instituído pela Lei 11.942/99, o que eximiria a responsabilidade do Município pelo crédito ora lançado. Razão não assiste ao recorrente O presente lançamento, conforme acima mencionado, referese a obrigações previdenciárias de responsabilidade do contratante de serviços realizados mediante cessão de mão de obra, especificamente ao serviço de coleta seletiva, transporte, separação, acondicionamento, estocagem e comercialização de materiais recicláveis. Tais serviços, além do dispositivo acima citado, encontramse elencados no art. 219, § 2°, inciso VIII, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, que assim dispõe: "Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão de obra deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5° do art. 216. (...) § 2° Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: (...) VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos;" Em nenhum momento do processo administrativo a recorrente questiona a realização deste tipo de serviço, restringese a refutar a constitucionalidade e ilegalidade da lei ordinária que criou a forma de recolhimento de tais contribuições. Sobre este aspecto, além das razões já expostas na decisão de primeira instância, temos que vários dispositivos legais vedam a análise do julgador administrativo para se manifestar acerca do assunto. Dentre eles temos o art. 62 da Portaria MF 256/2009, a Súmula 02 do então Segundo Conselhos de Contribuintes, o art. 72 § 4º dp Regimento Interno do CARF e o art. 102, I da Constituição Federal: Portaria 256/2009 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 219 7 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Sumula nº 02 “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” Constituição Fedral “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]”Sendo assim, as alegações acerca de inconstitucionalidades e ilegalidades não serão objeto de apreciação por esta turma de julgamento. Quanto a menção acerca de solidariedade do município recorrente com o efetivo empregador, esta situação não está presente no lançamento em apreço. No caso concreto, tratase de lançamento contra o responsável tributário direto pela obrigação recolhimento e não de solidariedade por descumprimento de obrigação da contratada.. O recorrente tenta confundir os dois institutos para querer se eximir da obrigação diretamente à ele imposta. Não estão sendo cobrados débitos previdenciários da cedente de mão de obra, mas da contratante, na forma legal existente. O fato da empresa contratada ter entrado no parcelamento fiscal de débitos com a previdência social, por si só, não implica que tais valores referemse aos débitos ora lançados. Ou seja, os valores aqui exigidos não se relacionam com eventual descumprimento, por parte da "Prodesan" (prestadora de serviços à recorrente), das suas obrigações previdenciárias decorrentes do pagamento de remuneração aos respectivos empregados, mas sim dos valores que deveriam ter sido retidos e repassados à seguridade social, em decorrência da contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Sobre a alegação de que “a mera análise de livros e documentos não revela a existência de remuneração paga por empregador ....” temos que, no presente procedimento fiscal não estão sendo cobradas contribuições devidas referentes à segurados empregados, mas sim àquelas referentes à contratação de serviços executados mediante cessão de mão de obra. Ademais, foi com base na documentação fornecida pelo recorrente que tais valores foram apurados e lançados. Desta forma, correto o procedimento fiscal, bem como o lançamento efetuado em face do descumprimento da obrigação contida no art. . 31 da Lei 8.212/91. Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negarlhe provimento. Desta forma, correto o procedimento fiscal, bem como o lançamento efetuado em face do descumprimento da obrigação contida no art. 31 da Lei 8.212/91. Com relação à multa aplicada, a penalidade aplicada pela fiscalização está contida no art. 92 da Lei n° 8.212/91 e no art. 283, inciso I, alínea "g" do RPS, no valor mínimo, com a atualização feita de acordo com a atualização da Portaria MPS/MF nº 350/2009. Lei n° 8.212/91 Art. 92 A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. RPS Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; Portaria MPS/MF n° 350/09 Art. 8°A partir de 1° de janeiro de 2010: V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ Fl. 232DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 220 9 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); Ante ao exposto, Voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito Negarlhe provimento. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares – Relator Designado Em que pesem os fundamentos apontados pelo ilustre relator, ouso dele divergir no presente caso, exclusivamente. Conforme bem reproduziu o v. acórdão de primeira instância, da análise do relatório fiscal, dele verifico que o fiscal assim apontou a infração imputada ao contribuinte: Consoante o relatório de fls. 05 e 06, o presente Auto, lavrado sob n° 37.201.4321, decorre de a Prefeitura do Município de Santos ter deixado de reter onze por cento do valor bruto das notas fiscais relativas a serviços que lhe foram prestados mediante cessão de mão de obra, o que caracteriza infração ao disposto no caput do art. 31 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Acrescenta o mesmo relatório que: 1 0) tais documentos fiscais referemse a serviços de coleta de lixo reciclável, prestados pela empresa Prodesan — Progresso e Desenvolvimento de Santos S/A., e serviços de transporte de passageiros, prestados por diversas empresas contratadas para esse fim; 2°) os dados dos referidos documentos foram extraídos da escrituração contábil fornecida pelo Município (arquivos digitais — formato definido no Manual Normativo de Arquivos Digitais, versão 1.0.0.2); e 3°) não constam autos de infração lavrados contra o Município em ações fiscais anteriores, bem como não ocorreu qualquer das demais circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/199. Todavia, ao analisar os autos do presente processo, verifico que às fls. 181/188, foram juntados vários extratos de parcelamento e que no presente caso não foram analisados quando do julgamento levado a efeito em primeira instância. Ressalto que o próprio relator do presente processo, ao apontar suas razões de decidir, consignou transcrição em seu voto, de excerto do julgamento do processo principal relacionado ao presente Auto de Infração, apontando que referidos parcelamentos não se relacionavam com o presente processo, chegando a referida conclusão tendo em vista que naquele caso as informações de parcelamento foram analisadas. Todavia, neste caso, diferentemente, não houve análise da questão dos parcelamentos e tais documentos foram juntados aos autos antes de ter sido proferido o acórdão de primeira instância. Dessa forma, a teor dos precedentes desta Eg. Turma, entendo que no presente caso houve questão não analisada pelo v. acórdão de primeira instância e que casua Fl. 234DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 221 11 nulidade no presente julgamento, apesar da manifestação dos pares desta Turma em sentido contrário, acatando ao presente caso as informações acerca dos parcelamentos constantes no processo principal. Entendo, assim, que deveria tal questão ser obrigatoriamente apreciada. Neste mesmo sentido, adoto como razões de decidir, respeitado voto do Em. Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que ao relatar caso semelhante, na assentada de 09 de abril de 2008, assim ponderou nos autos do recurso voluntário n. 144.261, provido à unanimidade, confirase: “Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensada do recolhimento do depósito recursal, por tratarse de Órgão Público, conheço do recurso e passo à análise das alegações recursais. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pela contribuinte durante todo procedimento fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, há nos autos vício processual sanável, ocorrido no decorrer do processo administrativo fiscal, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal. Com efeito, ainda que a contribuinte não tenha suscitado em suas razões recursais, do exame dos elementos que instruem o processo conclui se que a fiscalização, e bem a assim a autoridade julgadora de primeira instância, cercearam o direito de defesa da recorrente, senão vejamos. Consoante se positiva da análise dos autos, após a apresentação da defesa da contribuinte, o julgador recorrido achou por bem converter o processo em diligência para que o fiscal autuante examinasse as razões e documentos colacionados aos autos naquela oportunidade, promovendo a exclusão dos valores que entendesse indevidamente lançados, conseqüentemente, retificando o crédito previdenciário originalmente constituído, conforme documento (Diligência Fiscal), às fls. 122. Em atendimento à diligência requerida pela autoridade julgadora, o ilustre AFPS autuante elaborou Informação Fiscal, às fls. 123, propondo a retificação do crédito previdenciário constituído, em virtude de erros quanto a aplicação de alíquotas na apuração de parte das contribuições ora exigidas. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, a contribuinte não foi intimada para manifestarse a respeito do resultado da diligência, ferindolhe, assim, seu sagrado direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF, in verbis: “Art. 5º. [...]. LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” Fl. 235DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 A corroborar este entendimento a Lei nº 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: “Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse.” Na mesma linha de raciocínio, para não deixar dúvidas quanto a nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: Art. 59. São nulos: [...]. II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” (grifamos). Por sua vez, a doutrina pátria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: “Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “[...]”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, § 7º, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados ou documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia, seja a requerimento da parte, seja por determinação de ofício da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução.” (NEDER, Marcos Vinícius / LÓPEZ, Maria Teresa Martinez – Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado – São Paulo: Dialética, 2002 – pág. 41). Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacífica nesse sentido, conforme faz certo o julgado dos Conselhos de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: “Normas Processuais – Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa – Nulidade. Manifestandose o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. [...] Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive.” (1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10193.294 – D.O.U. de 12/03/2001). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15983.000289/201006 Acórdão n.º 2401002.530 S2C4T1 Fl. 222 13 Na hipótese vertente, com mais razão a exigência da intimação da contribuinte para manifestação acerca do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora se faz presente a medida em que, posteriormente à apresentação da impugnação, submetido o processo ao exame do fiscal autuante, este, admitindo incorreções no lançamento, propôs retificação do crédito originalmente lançado. Imperioso ressaltar que o lançamento original sofreu modificações em face das razões e documentos ofertados pela contribuinte, impondo a este o conhecimento da parte remanescente do crédito, tendo em vista o sagrado direito a ampla defesa, o qual garante a recorrente manifestarse a respeito de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo que possa atingirlhe em seu patrimônio, ou mesmo interferir na apreciação da regularidade do feito. Observese, que ao negar a contribuinte o direito de se manifestar a respeito do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora recorrida, estaríamos, de certa forma, criando e/ou admitindo as contra razões da impugnação, figura processual que só é contemplada pela legislação previdenciária quando da interposição do recurso voluntário. Ou seja, a notificada oferece sua impugnação e o julgador de primeira instância submete ao fiscal autuante as razões ali consignadas para que ele as examine, acolhendoas ou não. Em outras palavras, efetivamente, não deixa de ser contrarazões de impugnação. Assim, tratandose, como de fato se trata, de diligência, deve a contribuinte tomar conhecimento de seu resultado para se manifestar a respeito, se assim achar por bem, sobretudo quando inexiste na legislação de regência a figura do processual das “contrarrazões de impugnação”, não podendo o julgador inovar o que a legislação não contempla, ou mesmo ampliála de maneira a acobertar novos atos processuais. Nessa esteira de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da notificada, em total afronta ao princípio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido a origem para intimar a recorrente das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 123, para que seja proferida nova decisão pela autoridade julgadora de primeira instância na boa e devida forma. Por todo o exposto, estando a Decisão de primeira instância em dissonância com os dispositivos constitucionais/legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas . Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA” Ante todo o exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E DARLHE PROVIMENTO para anular o acórdão de primeira instância, procedendose à remessa dos autos à origem para que um novo venha a ser proferido, agora, considerando as informações de parcelamentos constantes nos autos às fls. 181/188. Após que se dê vistas ao contribuinte para nova interposição de recurso voluntário. É como voto. Igor Araújo Soares – Relator Designado Fl. 238DF CARF MF Impresso em 07/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por IGOR ARAU JO SOARES, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.723252/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. LITÍGIO NÃO INSTAURADO.
É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo.
Não apresentada no prazo legal, a impugnação é intempestiva e não instaura o litígio.
Numero da decisão: 2101-002.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)_______________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
_________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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LITÍGIO NÃO INSTAURADO. É intempestiva a impugnação apresentada após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não apresentada no prazo legal, a impugnação é intempestiva e não instaura o litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 32 52 /2 00 8- 18 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Em desfavor da pessoa física em epígrafe, foi emitida Notificação de Lançamento, na qual é cobrado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) suplementar correspondente ao anocalendário de 2003. A infração apontada, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, consiste na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. O contribuinte apresentou impugnação, na qual alegou que, após recebimento da Notificação de Lançamento, verificou que a Marinha do Brasil, fonte pagadora de seus rendimentos, havialhe comunicado que os rendimentos auferidos no anocalendário 2003 seriam isentos do imposto. Todavia, após o recebimento da Notificação, entrou em contato com a Marinha do Brasil, que então lhe informou que parte desses rendimentos seria tributável. Diante disso, tentou retificar sua declaração de ajuste, mas não obteve sucesso, eis que já havia um procedimento fiscal em curso. Pede seja cancelado o débito, anulados a multa e os juros de mora e, por fim, reconhecida a isenção, vez que não omitiu rendimentos e é idoso. Ao examinar o pleito, a 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) decidiu não conhecer da impugnação, por meio do Acórdão n.º 0226.620, de 30 de abril de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 TEMPESTIVIDADE. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, dela não se toma conhecimento, ficando prejudicada a apreciação do mérito. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Inconformado, interpôs recurso voluntário, no qual repisou os argumentos da impugnação e juntou documentos. É o relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10680.723252/200818 Acórdão n.º 2101002.232 S2C1T1 Fl. 3 3 O interessado teve ciência da Notificação de Lançamento constante deste processo (nº 2004/606410036692066) no dia 18.1.2008, conforme Aviso de Recebimento dos Correios às fls. 16. Apresentou sua impugnação em 20.10.2008. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não conheceu da impugnação por intempestividade. Sobre o tema, vale ressaltar que o prazo para a apresentação da impugnação é de 30 dias contados a partir da data em que for feita a intimação da exigência. Vejamos o que estipula o Decreto n.º 70.235, de 1972, regulador do processo administrativo fiscal: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo para a apresentação da impugnação em 21.1.2008, segundafeira, primeiro dia útil seguinte ao do recebimento da Notificação, e encerrouse em 19.2.2008. O interessado, contudo, não impugnou o lançamento dentro do prazo legal, vindo manifestar sua inconformidade, neste processo, somente em 20.10.2008, muito depois de esgotado o interstício de 30 dias previsto na lei reguladora do processo administrativo fiscal. Por esse motivo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), ao analisar o pleito, acertadamente considerou sua impugnação intempestiva. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a apresentação da impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no artigo 14 do já mencionado Decreto n.º 70.235, de 1972. É na impugnação que ficam estabelecidos os limites da controvérsia e, não apresentada esta no prazo legal, o contencioso não se inicia. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Fl. 38DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 39DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/ 07/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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