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Numero do processo: 10865.905008/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 08 /2 01 2- 90 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.468. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905008/201290 Acórdão n.º 3301003.563 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.907332/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 73 32 /2 00 9- 78 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13896.907332/200978 Acórdão n.º 1402002.585 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13896.907332/200978 Acórdão n.º 1402002.585 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 13896.907332/200978 Acórdão n.º 1402002.585 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13896.907332/200978 Acórdão n.º 1402002.585 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 337DF CARF MF Processo nº 13896.907332/200978 Acórdão n.º 1402002.585 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 338DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900797/2012-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 18/01/2008
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.286
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 18/01/2008 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 18/01/2008 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 97 /2 01 2- 86 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13227.900797/201286 Acórdão n.º 3301003.286 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.592, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 18/01/2008, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13227.900797/201286 Acórdão n.º 3301003.286 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13227.900797/201286 Acórdão n.º 3301003.286 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13227.900797/201286 Acórdão n.º 3301003.286 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13227.900797/201286 Acórdão n.º 3301003.286 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 55DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.721547/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o termo de verificação fiscal contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional.
PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE.
Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário.
Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada.
Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestar-se sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora.
AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL.
São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao ano-calendário a que se referem os rendimentos.
RENDIMENTOS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Os rendimentos recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, cabendo a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto à fonte pagadora. A responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste ainda que ela não tenha retido o imposto.
Numero da decisão: 2401-004.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento, por ano-calendário, a parcela relativa ao 13º salário. Vencida a relatora e os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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ISENÇÃO. Recorrente ERNESTINA BRUGGMANN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Descabe a declaração de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, quando o termo de verificação fiscal contém a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de forma clara e objetiva os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos desencadeadores do liame obrigacional. PROVA EMPRESTADA. EXISTÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. POSSIBILIDADE. Cientificado da formalização da exigência fiscal, o sujeito passivo passa a ter direito na fase litigiosa ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do processo administrativo tributário. Inexiste óbice à utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, tampouco é necessária a identidade entre as partes no processo de origem e aquele a que se destina a prova emprestada. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. RENDIMENTOS. ISENÇÃO. LAUDO MÉDICO OFICIAL. São isentos os proventos de aposentadoria percebidos por portador de moléstia grave, contanto que comprovada a patologia mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, relativamente ao anocalendário a que se referem os rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 15 47 /2 01 3- 81 Fl. 394DF CARF MF 2 RENDIMENTOS DO DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Os rendimentos recebidos a título de décimo terceiro salário são tributados exclusivamente na fonte, cabendo a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto à fonte pagadora. A responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste ainda que ela não tenha retido o imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento, por anocalendário, a parcela relativa ao 13º salário. Vencida a relatora e os conselheiros Denny Medeiros da Silveira e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 395 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 246/272, que exige da contribuinte R$ 39.145,38 de imposto suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e juros moratórios, em razão da apuração de rendimentos recebidos de pessoa jurídica classificados indevidamente na DIRPF como isentos por moléstia grave. De acordo com o relatório fiscal, a contribuinte é aposentada por invalidez, contudo, a moléstia que a acomete não se encontra no rol das doenças graves, cujos rendimentos de aposentadoria de seus portadores são isentos do imposto de renda. A Sra. Ernestina foi aposentada por invalidez em 1960, pelo IPREV de Santa Catarina, por ser portadora de cardiopatia grave, contudo, convocada para avaliação médica regulamentar no ano de 2011, a junta médica concluiu que a avaliada apresenta unicamente as limitações funcionais inerentes a sua idade. Consta do histórico médico pericial da servidora que não foram apresentados exames que comprovassem a existência de doença cardíaca. Também consta o esclarecimento de que a avaliada foi aposentada por cardiopatia grave, mas que posteriormente restou comprovado que se tratava de patologia psiquiátrica (síndrome do pânico). A perícia médica do IPREV recomendou o cancelamento do benefício previdenciário, mas a presidência do IPREV não acolheu o parecer, mantendo o benefício em função de que não restou caracterizada a máfé da servidora quanto ao procedimento aposentatório. Foram considerados no lançamento a parcela isenta de aposentadoria dos contribuintes com 65 anos completos. Foi concedido o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, até o limite anual, em virtude da opção pela apresentação das declarações de ajuste anual do imposto de renda no modelo simplificado. Em impugnação apresentada às fls. 284/324, a contribuinte alega, em síntese, que é aposentada por invalidez tendo direito à isenção, questiona o resultado da perícia médica e o procedimento fiscal que retirou seu direito à isenção. A DRJ//RJ1, julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão 12 59.820, de fls. 330/350, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o Fl. 396DF CARF MF 4 prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. A responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e recolhimento do tributo não exclui a responsabilidade do beneficiário do rendimento, no que tange ao oferecimento desse rendimento à tributação em sua declaração de ajuste anual. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Cientificada do Acórdão em 9/10/13 (cópia de Aviso de Recebimento AR de fl. 354), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/11/13, fls. 356/375, que contém, em síntese: Preliminarmente, alega que o auto de infração é nulo por preterição do direito de defesa, que não é vedado somente às decisões e despachos, mas também a todos os atos e termos administrativos. Afirma que o auditor fiscal cometeu falhas processuais: 1ª) cerceamento do direito de defesa, falta de intimação para o contribuinte apresentar a declaração de rendimentos, erro na identificação da matéria tributável e inocorrência do fato gerador; 2ª) descumprimento do devido processo legal, ampla defesa prejudicada, prova emprestada de outra instituição, prova imprestável para motivar o lançamento fiscal. Entende que a descrição da infração está incorreta, que somente consta dos autos a exigência fiscal, a prova emprestada do processo do IPREVSC e as informações prestadas pela Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina ALESC. Nada mais foi investigado pela fiscalização. Diz que o contribuinte sequer foi intimado a apresentar as declarações que não haviam sido apresentadas porque os proventos recebidos de aposentadoria por moléstia grave, não o obrigavam a apresentála. Aduz que o procedimento fiscal foi superficial, pois as provas da suposta infração foram produzidas pelo IPREVSC, que não é competente para este mister. A decisão proferida pelo IPREVSC em 17/5/12 não poderia alcançar fatos passados e ainda sequer foi implementada, posto que suspensa por liminar judicial. Afirma que foi aposentada por invalidez sendo diagnosticada com cardiopatia grave e que continua aposentada por invalidez por moléstia grave, pois o laudo emitido em 17/11/1960 continua em vigor, pois a decisão do IPREV ainda não foi implementada. O parecer não desclassificou o laudo anterior, que continuou valendo até a data em que foi registrado pela perícia médica, no referido parecer, que a recorrente estava acometida por doenças inerentes à idade. Entende ser indiscutível a nulidade do lançamento por afronta ao CTN, art. 142. Não foi determinada a matéria tributável, pois os comprovantes da ALESC informa todos os rendimentos como decorrentes de aposentadoria por moléstia grave, porém o auditor identificou a infração como omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 396 5 recebidos de pessoa jurídica. Cita decisões do antigo conselho de contribuintes que anularam as autuações por ausência de requisitos essenciais. Conclui que se os rendimentos incluídos no auto de infração são isentos, que inocorreu o fato gerador e é nulo o lançamento. Questiona o fato da Receita Federal utilizarse de prova emprestada, pois este tipo de prova tem que ser produzido entre as mesmas partes, no caso a Fazenda Pública e o contribuinte. Diz que a jurisprudência é clara no sentido de que só se admite o empréstimo da prova, mas não as conclusões do outro órgão tributante. Cita doutrina. Acrescenta que houve erro na determinação da base de cálculo, pois a ALESC informou os proventos de forma englobada, incluindo no total indicado no comprovante anual rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte, cuja responsabilidade tributária não pode ser atribuída ao recorrente. Aduz que a perícia médica do IPREVSC limitouse a examinar a documentação e concluiu pela capacidade laborativa do recorrente e o IPREVSC pronunciou se em decisão que o recorrente estava apto para o trabalho, oficiando a Receita Federal e a ALESC, para que reintegrasse o exservidor ao seu corpo funcional. A decisão do IPREVSC foi suspensa por decisão judicial liminar, de modo que a ALESC não tomou nenhuma providência visando à reintegração do recorrente. Entende que mesmo que fosse verdade que a recorrente não tem a cardiopatia grave, o máximo que se poderia concluir é que o recorrente encontrase apto para o trabalho a partir de agosto de 2011 e não nos anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. Alega que não foram respeitados os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa e não se estabeleceu o devido processo legal, pois a incerteza da presunção adotada pela fiscalização, de que o contribuinte não fazia jus à isenção do imposto de renda, aliada ao fato de que o IPREV não indicou desde quando o servidor readquiriu a capacidade laborativa, levam à nulidade do lançamento. No mérito, diz que o laudo que motivou sua aposentadoria é válido até que seja anulado ou modificado, possuindo então, direito à isenção por moléstia grave. Diz ser inaplicável decisão não transitada em julgado, tomada em processo de revisão de aposentadoria, e que não retroage mudança de entendimento mais gravosa. Volta a dizer que a decisão do IPREVSC foi suspensa por decisão judicial liminar, de modo que a Receita não poderia ter efetuado o lançamento. Acrescenta que em favor da recorrente, a perícia do IPREVSC não disse desde quando o servidor aposentado por moléstia grave readquiriu a capacidade laborativa. Portanto, isentos os proventos recebidos até agosto de 2011, devendo o lançamento ser anulado. Diz que houve tributação indevida do 13º, havendo majoração da base de cálculo. Afirma que tal questão não foi levantada na impugnação, mas como a matéria é de ordem pública, deve ser reconhecida pelo órgão julgador. Cita doutrina. Explica que por serem isentos os rendimentos, a fonte pagadora não se preocupou em separálos mês a mês e nem excluiu a parcela correspondente ao 13º salário, a qual, se não fosse isenta, seria tributada exclusivamente na fonte, sob responsabilidade da fonte Fl. 398DF CARF MF 6 pagadora. Basta observar os informativos anuais de rendimentos nos quais se vê que a linha do 13º está em branco. Apresenta quadro demonstrativo dos proventos recebidos mensalmente e 13º salário, demonstrando que a base de cálculo utilizada pela fiscalização englobou indevidamente o 13º salário. Diz que a fiscalização não considerou o desconto padrão que o contribuinte tem direito. Cita decisões do CARF. Demonstra como deveria ter sido apurado o imposto, afirma que houve erro na apuração da base de cálculo, devendo o lançamento ser revisto. Requer a nulidade do lançamento, com base nas preliminares, o cancelamento integral do lançamento, pois os proventos são isentos e, sucessivamente, o recálculo do crédito tributário, com a exclusão do 13º salário e o desconto padrão. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 397 7 Voto Vencido Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINARES Inicialmente, cumpre observar que alguns argumentos trazidos no recurso voluntário não condizem com os elementos que constam no presente processo. Consta do recurso que a recorrente não foi intimada a apresentar as declarações que não haviam sido apresentadas porque os proventos recebidos de aposentadoria por moléstia grave, não o obrigavam a apresentála. Entretanto, a recorrente apresentou as declarações em todos os anos, conforme documentos juntados às fls. 2/44, os quais o fisco já possuía em seu banco de dados. Também consta do recurso que o auditor identificou a infração como "omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica". Contudo, conforme consta no auto de infração, relatado no início deste acórdão, o lançamento ocorreu em razão da apuração de "rendimentos recebidos de pessoa jurídica classificados indevidamente na DIRPF como isentos por moléstia grave". A recorrente afirma que o IPREVSC pronunciouse em decisão que a recorrente estava apta para o trabalho, oficiando a Receita Federal e a ALESC, para que reintegrasse o exservidor ao seu corpo funcional. Contudo, conforme acima relatado, a fiscalização informou que a perícia médica do IPREV recomendou o cancelamento do benefício previdenciário, mas a presidência do IPREV não acolheu o parecer, mantendo o benefício em função de que não restou caracterizada a máfé da servidora quanto ao procedimento aposentatório. Afirma ainda a recorrente que a decisão do IPREVSC foi suspensa por decisão judicial liminar, de modo que a ALESC não tomou nenhuma providência visando à reintegração da recorrente. Ora, se a aposentadoria foi mantida, não há que se falar em reintegração. Além disso, não foi citado o número de eventual processo judicial ou juntado aos autos cópia de qualquer medida judicial liminar. Assim, por ausência de veracidade/comprovação, tais alegações não serão consideradas. Identificação da matéria tributável e fato gerador Não há que se falar que não se identificou a matéria tributável ou que não ocorreu o fato gerador. Fl. 400DF CARF MF 8 Consta do auto de infração a descrição pormenorizada dos fatos que são imputados à contribuinte, com exposição de todos os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela ocorrência do fato gerador. Embora o procedimento fiscal tenha se originado nos fatos apurados pelo Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREVSC), ao fazer a revisão dos benefícios de aposentadoria por invalidez concedidos, o lançamento não tem por base este fato, conforme destacado no relatório do auto de infração, mas sim o fato de que os rendimentos são de aposentadoria, contudo a contribuinte não é portadora de moléstia grave prevista em lei que lhe garanta o direito à isenção tributária de que trata a Lei 7.713/88, art. 6º, inciso XIV. Conforme relatório do auto de infração, resumido no início deste acórdão, a Sra. Ernestina foi aposentada por invalidez em 1960, pelo IPREV de Santa Catarina, por ser portadora de cardiopatia grave, contudo, convocada para avaliação médica regulamentar no ano de 2011, a junta médica concluiu que a avaliada apresenta unicamente as limitações funcionais inerentes a sua idade. Consta do histórico médico pericial da servidora que não foram apresentados exames que comprovassem a existência de doença cardíaca. Também consta o esclarecimento de que a avaliada foi aposentada por cardiopatia grave, mas que posteriormente restou comprovado que se tratava de patologia psiquiátrica (síndrome do pânico). Também não há que se falar que o procedimento instaurado pelo IPREV para revisão da aposentadoria com resultado proferido em 2011 não poderia retroagir aos anos calendários anteriores. Não se trata de retroagir a exigência tributária, mas sim a necessidade de comprovação pelo sujeito passivo da existência da moléstia grave nos anoscalendário a que se referem os rendimentos percebidos, ou seja, de 2008 a 2012, ainda não atingidos pela decadência, já que a ciência do auto de infração ocorreu em 12/6/13 (AR de fl. 281). Vêse que a autoridade fiscal motivou adequadamente o ato administrativo, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido no Decreto 70.235/72, art. 10, incisos III e IV, e CTN, art. 142, o que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão. Portanto, ausentes os vícios apontados, descabidos os argumentos de nulidade do lançamento. Prova emprestada Não há óbice na utilização de prova emprestada, conforme se vê do art. 372 Código de Processo Civil, Lei 13.105/15, aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. Ao contrário do que alega a recorrente, a prova produzida não exige identidade das partes. Quanto ao procedimento fiscal, prevê a Constituição Federal, no artigo 5o: Art. 5o [...] Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 398 9 LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. (grifo nosso) Necessário esclarecer que o processo administrativo fiscal somente se instaura com a interposição da impugnação pelo contribuinte, de conformidade com o artigo 14 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal federal: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fica claro da leitura dos artigos citados que não é durante o procedimento de fiscalização (procedimento investigatório) que devem ser garantidos o contraditório e a ampla defesa, e sim no processo administrativo, que apenas se instaura com a impugnação do contribuinte ao lançamento (art. 14 do Decreto 70.235/72). É a partir desse momento que devem ser assegurados ao sujeito passivo tais direitos, como efetivamente foram, tendo sido o sujeito passivo cientificado do presente processo e da abertura do prazo para apresentar impugnação, que foi tempestivamente apresentada. É inerente à atividade fiscal apurar os fatos que podem vir a constituir o lançamento do crédito tributário. Assim, cumprindo suas atribuições, a autoridade fiscal procedeu à apuração dos fatos, e, nesse contexto, utilizou como prova emprestada o processo administrativo instaurado pelo IPREV, que considerou não comprovada a doença incapacitante ensejadora da concessão da aposentadoria por invalidez da contribuinte. No caso, o fisco utilizouse apenas dos documentos, das perícias médicas realizadas e das conclusões do processo administrativo do IPREV, objetivando averiguar o cumprimento dos requisitos para gozo da isenção do imposto sobre a renda, constatando a autoridade lançadora, ao final da auditoria fiscal, que não havia prova que a contribuinte era portadora de moléstia grave prevista em lei. Desta forma, não há que se falar em indícios ou inferências. O que concluiu a fiscalização foi que inexiste laudo médico oficial que a contribuinte era portadora de moléstia grave, oferecendolhe na fase do contencioso administrativo a oportunidade de contraporse às provas e razões da exigência fiscal. Portanto, novamente estão ausentes os vícios apontados, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa ou violação ao contraditório e ao devido processo legal, afastandose a nulidade arguida pela recorrente. MÉRITO Isenção Quanto a isenção pretendida pela recorrente, assim dispõe o CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; [...] Fl. 402DF CARF MF 10 Sobre o gozo da isenção do imposto sobre a renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, a Lei 7.713/88 determina que: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; No mesmo sentido, o Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), Decreto 3.000/99, assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); [...] XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); [...] § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 399 11 Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Sendo assim, verificase que para a fruição da isenção, exigese o preenchimento cumulativo de três requisitos: a) que o rendimento seja proveniente de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o rendimento seja recebido por portador de moléstia grave relacionada em lei; e c) que a moléstia seja comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Dos documentos juntados aos autos, restou claro que o rendimento decorre de aposentadoria. Resta então analisar se a contribuinte é, comprovadamente, portadora de moléstia grave. Dos documentos juntados aos autos e do relato da fiscalização, restou claro, conforme acima mencionado, que a Sra. Ernestina foi aposentada por invalidez em 1960, pelo IPREV de Santa Catarina, por ser portadora de cardiopatia grave, contudo, convocada para avaliação médica regulamentar no ano de 2011, a junta médica concluiu que a avaliada apresenta unicamente as limitações funcionais inerentes a sua idade. Consta do histórico médico pericial da servidora que não foram apresentados exames que comprovassem a existência de doença cardíaca. Também consta o esclarecimento de que a avaliada foi aposentada por cardiopatia grave, mas que posteriormente restou comprovado que se tratava de patologia psiquiátrica (síndrome do pânico). Mesmo que se admita, por hipótese, que a recorrente fosse portadora da enfermidade cardiopatia grave em 1960, o conjunto probatório que instrui os autos não evidencia a mesma condição de saúde para os anoscalendário de 2008 a 2012, objeto de lançamento. Pelo contrário, comprovouse que na verdade a contribuinte, mesmo em 1960, foi acometida de síndrome do pânico e quando da avaliação pericial em 2011 apresenta apenas as limitações funcionais inerentes a sua idade. Fl. 404DF CARF MF 12 Nada obstante, oportunizados o contraditório e a ampla defesa à contribuinte, no processo administrativo fiscal, não apresentou na fase de impugnação ou recursal qualquer fato ou documento novo, focando sua defesa em aspectos meramente formais da existência da moléstia grave. Ressaltese que a aposentadoria por invalidez, por si só, não dá direito à isenção do imposto de renda sobre os respectivos proventos, pois é necessária a comprovação que o beneficiário é portador de alguma das moléstias previstas na lei tributária. Acrescentese que cabe ao fisco avaliar se em determinado anocalendário os requisitos legais para fruição da isenção foram preenchidos, não ficando a Administração Tributária adstrita a decisões de outros órgãos. Sendo assim, restou demonstrado que nos anoscalendário de 2008 a 2012, não restou comprovada a condição da recorrente de portadora de moléstia grave ensejadora do direito à isenção do imposto sobre a renda, estando correto o procedimento fiscal que apurou o imposto devido. Desconto padrão Alega a recorrente que a fiscalização não considerou o desconto padrão que o contribuinte tem direito. Contudo, tal alegação está equivocada, pois, conforme relatado, foram considerados no lançamento a parcela isenta de aposentadoria dos contribuintes com 65 anos completos e foi concedido o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tributáveis, até o limite anual, em virtude da opção pela apresentação das declarações de ajuste anual do imposto de renda no modelo simplificado. Tal desconto pode ser verificado na fl. 253 do relatório do auto de infração e nos demonstrativos do lançamento de fls. 255/270. Inclusão do 13º salário na base de cálculo Inicialmente, destacase que a própria recorrente reconhece não ter apresentado os argumentos sobre o imposto incidente sobre a parcela relativa ao décimo terceiro na impugnação. O Decreto 70.235/71, assim dispõe: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. Assim, não cabe o julgamento dessa questão. Contudo, por entender devido o imposto sobre a renda incidente sobre o décimo terceiro, faço às seguintes considerações: Realmente, a fiscalização adotou como montante tributável para os rendimentos de aposentadoria provenientes da Alesc as exatas quantias constantes dos comprovantes fornecidos pela fonte pagadora, que ao serem confrontados com as fichas financeiras da recorrente, verificase que foi incluído o valor correspondente ao 13º salário. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 400 13 Sobre o rendimento do trabalho 13º salário, assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda RIR, Decreto 3.000/99: Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas: (grifo nosso) I não haverá retenção na fonte, pelo pagamento de antecipações; II será devido, sobre o valor integral, no mês de sua quitação; III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV serão admitidas as deduções previstas na Seção VI. Como se vê, o rendimento recebido a título de décimo terceiro salário está sujeito à incidência do imposto sobre a renda, cuja tributação ocorre exclusivamente na fonte. Acontece que no presente caso, a fonte pagadora não fez a retenção determinada por lei por ter se equivocado ao efetuar os pagamentos, considerando que os rendimentos eram isentos. Contudo, o fato de não ter ocorrido a retenção na fonte, não muda a natureza jurídica do rendimento que continua sujeito à incidência do imposto sobre a renda. A situação que se apresenta é que a contribuinte ora autuada recebeu tais rendimentos e tais valores acresceram seu patrimônio. Portanto, ocorreu o fato gerador da obrigação tributária de pagar o imposto sobre a renda incidente sobre os valores recebidos, à época, equivocadamente considerados como rendimentos isentos pela fonte pagadora. Assim, em que pese a determinação legal de que a tributação ocorresse exclusivamente na fonte, no presente caso isso não ocorreu, ficando a contribuinte com a obrigação de pagar o imposto de renda devido, uma vez que recebeu o valor integral dos rendimentos. No sistema de retenção na fonte, a pessoa obrigada a satisfazer a obrigação, a princípio, é a pessoa que paga o rendimento. Temse, pois, que a lei elegeu a fonte pagadora do rendimento para sujeito passivo da obrigação de reter o imposto, sendo que também a lei instituiu a obrigação de o beneficiário incluir o rendimento percebido durante o anocalendário na declaração de ajuste. Ressaltese que a pessoa física beneficiária é o titular da disponibilidade econômica, ou seja, é efetivamente o contribuinte. O fato de a fonte não efetuar a retenção, não exime os beneficiários de incluir os rendimentos recebidos em sua declaração anual. Portanto, sendo o beneficiário obrigado a oferecer os rendimentos à tributação, a responsabilidade atribuída à fonte pagadora (reter o imposto) não afasta a do legítimo sujeito passivo de cumprir a obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. Fl. 406DF CARF MF 14 O fato de a fonte pagadora não efetuar a retenção do imposto na fonte, por mero equívoco ou mesmo omissão, não significa que o beneficiário do rendimento esteja desobrigado de recolher o imposto de renda sobre tais rendimentos, pois, efetivamente, é ele o contribuinte. Quanto à contribuição sobre o décimo terceiro, a Instrução Normativa IN RFB 1.500/14, dispõe que: Art. 56. Para a determinação da base de cálculo do recolhimento mensal podese deduzir do rendimento tributável: I as parcelas previstas nos incisos I a V do caput do art. 52; e [...] Art. 52. A base de cálculo sujeita à incidência mensal do IRRF é determinada mediante a dedução das seguintes parcelas do rendimento tributável: I as importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; II a quantia, por dependente, constante da tabela mensal do Anexo VI a esta Instrução Normativa; III as contribuições para a Previdência Social da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; IV as contribuições para as entidades de previdência complementar domiciliadas no Brasil e as contribuições para os Fapi, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social, no caso de trabalhador com vínculo empregatício ou de administradores; V as contribuições para as entidades de previdência complementar de natureza pública de que trata o § 15 do art. 40 da Constituição Federal, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; e [...] Ainda de acordo com a IN RFB 1.500/14: Art. 12. Consideramse rendimentos tributados exclusivamente na fonte os não sujeitos a antecipação para fins de ajuste anual, cuja retenção e recolhimento tenham sido efetuados pela fonte pagadora. (grifo nosso) No caso em análise, caso o imposto sobre a renda incidente sobre o décimo terceiro fosse cobrado nos moldes que determina a legislação, a contribuinte não teria direito a nenhuma dedução, pois não efetuou pagamentos a título de pensão alimentícia, não possuía dependentes (conforme DIRPF), não contribuiu para a previdência oficial ou complementar. Assim, o imposto incidiria sobre o valor total do rendimento. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 401 15 Na forma que foi feito no presente auto de infração, tal rendimento foi somado aos demais rendimentos sujeitos ao ajuste anual, sendolhe concedido o desconto simplificado de 20%, reduzindo a base de cálculo do imposto sobre a renda. Logo, esta situação é mais favorável para a contribuinte, pois ela não teria direito a qualquer dedução. Acrescentese o disposto na Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Sendo assim, correto o procedimento fiscal que apurou o imposto devido, inclusive sobre os valores pagos a título de décimo terceiro. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 408DF CARF MF 16 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia a I. Relatora para divergir quanto à tributação sobre o décimo terceiro salário (13º salário). Para efeitos de tributação do imposto sobre a renda, a fiscalização utilizou os totais dos rendimentos de aposentadoria indicados nos comprovantes fornecidos pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina, deduzindo, por anocalendário, a parcela isenta de proventos de aposentadoria de declarante com 65 anos ou mais (fls. 240/244 e 252/253). Em tais comprovantes emitidos pela fonte pagadora, não há discriminação dos valores dos rendimentos de aposentadoria com separação entre proventos mensais e gratificação natalina. Por isso, a autoridade fiscal considerou os valores resultantes integralmente como rendimentos tributáveis sujeitos a ajuste anual da declaração do imposto de renda da pessoa física. Se é verdade que a impugnação não trouxe refutação direta quanto aos rendimentos relativos ao décimo terceiro salário, é certo que a pessoa física, por outro lado, alegou a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora pelo recolhimento do imposto exigido no auto de infração. Senão vejamos o que menciona a decisão de primeira instância a respeito da contestação do lançamento por meio da impugnação (fls. 338): (...) Do Dever da ALESC recolher o Tributo Supostamente Devido Afirma que não se pode imputar ao impugnante eventual equivoco cometido pela ALESC, conseqüentemente, citando os art. 43 e 121 do CTN e art. 717 e 722 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – RIR/99, entende que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto apurado no presente processo é de exclusiva responsabilidade da ALESC, ou ao menos a exigência de juros e multa. (...) Considero assim, em respeito aos princípios da verdade material e do informalismo os quais devem nortear, sempre que possível, as decisões proferidas no âmbito do processo administrativo tributário, que a matéria não foi atingida pela preclusão, podendo ser avaliado o mérito pelo julgador "ad quem". Ao confrontar os rendimentos das fichas financeiras da recorrente, relativas aos anos de 2008 a 2012, percebese que a base de cálculo tributável utilizada pela fiscalização no auto de infração, submetida à tabela progressiva anual, inclui, como afirmado no recurso voluntário, uma parcela paga a título de décimo terceiro salário (fls. 376/385). Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11516.721547/201381 Acórdão n.º 2401004.901 S2C4T1 Fl. 402 17 Quanto ao décimo terceiro salário, a parcela é tributada exclusivamente na fonte e em separado dos demais rendimentos do beneficiário, conforme dispõe o art. 638 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 638. Os rendimentos pagos a título de décimo terceiro salário (CF, art. 7º, inciso VIII) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte com base na tabela progressiva (art. 620), observadas as seguintes normas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 26, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 16): I não haverá retenção na fonte, pelo pagamento de antecipações; II será devido, sobre o valor integral, no mês de sua quitação; III a tributação ocorrerá exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário; IV serão admitidas as deduções previstas na Seção VI. Nas hipóteses legais de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. A fonte pagadora substitui o contribuinte na relação jurídica desde o momento do surgimento da obrigação tributária, persistindo a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora mesmo que tenha deixado de reter o imposto. No regime de retenção exclusiva na fonte, a falta da retenção não transfere a responsabilidade pelo recolhimento do imposto para o contribuinte, que continua desobrigado de submeter a parcela ao ajuste anual na declaração da pessoa física. É importante deixar claro que a situação analisada é diversa da ausência de retenção do imposto que tenha a natureza de antecipação. Nessa hipótese, de antecipação, a responsabilidade inicial atribuída à fonte pagadora não afasta a obrigação do contribuinte pessoa física de oferecer os rendimentos à tributação na sua declaração de ajuste. Dessa feita, cabe excluir da base de cálculo do imposto os valores referentes ao décimo terceiro salário, conforme a seguir resumido: Anocalendário Parcela do 13º salário (R$) Fls. dos autos 2008 3.274,44 376/377 2009 3.551,98 378/379 2010 3,769,82 380/381 2011 4.093,57 382/383 2012 4,564,16 384/385 Fl. 410DF CARF MF 18 Em conclusão, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo tributável os valores referentes ao décimo terceiro salário, anos calendário 2008 a 2012, conforme antes discriminado. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19991.000079/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
Ementa:
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004.
Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para conceder o crédito reconhecido no Relatório de Diligência Fiscal.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004. Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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(SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUÇÃO DE CAFÉ. EXERCÍCIO CUMULATIVO DAS ATIVIDADES DO §6º DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 10.925/2004. Para ser considerada produtora dos produtos classificados no código 09.01 da NCM e possuir o direito de se apropriar de crédito presumido de que o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, a contribuinte deve exercer cumulativamente as atividades padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para conceder o crédito reconhecido no Relatório de Diligência Fiscal. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 00 79 /2 01 0- 61 Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19991.000079/201061 Acórdão n.º 3302004.265 S3C3T2 Fl. 494 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativos do 3º trimestre de 2006, vinculado às receitas de exportação. As glosas empreendidas pela fiscalização foram relativas a aquisições de bens para revenda de pessoas jurídicas declaradas inaptas pela RFB, de acordo com os artigos 39 e 45 da IN RFB nº 1.005/2010 e de crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, em razão de não ter sido considerada produtora de café, nos termos do §6º do referido artigo. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que efetuou os pagamentos aos fornecedores declarados inaptos, que as mercadorias compuseram seu estoque, mediante notas fiscais de remessa para armazém geral e nota fiscal de retorno, que as mercadorias foram exportadas conforme notas fiscais informadas. Em relação aos fornecedores EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B. BARONI, reitera que efetuou as operações com referidos fornecedores e que eventual descumprimento de obrigações fiscais por parte dos mesmos não pode servir de fundamento à glosa das operações com a recorrente. Complementa, alegando equivocado o entendimento da fiscalização em vincular a possibilidade de crédito à existência efetiva de pagamento das contribuições pelos fornecedores. Concernente à glosa por não ter sido considerada produtora, a recorrente alegou que é produtora de acordo com o artigo 4º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), ainda que industrialize por encomenda de terceiros, por ser equipada a industrial pela legislação do IPI. A DRJ, por seu turno, proferiu o Acórdão nº 0937.098, considerando a manifestação procedente em parte, nos termos da seguinte ementa: PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório é ônus do qual deve se desincumbir. CRÉDITO DE BENS PARA REVENDA, ADQUIRIDOS DE INAPTAS E OMISSAS CONTUMAZES. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19991.000079/201061 Acórdão n.º 3302004.265 S3C3T2 Fl. 495 3 Na qualidade de terceiro interessado, há que se reconhecer tão somente o direito credit6rio dos valores de Pis/Cofins não cumulativos relativos ante os quais a contribuinte comprovou o pagamento do prep respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias, de sorte a que se visse livre da inidoneidade das respectivas notas fiscais de aquisição. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, na espécie, mister que a pessoa jurídica produza o café que revende, considerandose como produção o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Em recurso voluntário, a recorrente reiterou a efetividade das operações ocorridas com os fornecedores CERRADO EXPORT DO BRASIL LTDA e J.B.BARONI, únicos fornecedores inaptos cujas glosas de aquisições foram mantidas pela DRJ, afirmando que a declaração de inaptidão da CERRADO ocorreu apenas em 01/03/2010, mais de quatro anos após as operações e que a J.B.BARONI possui cadastro ativo e nunca foi declarada inapta, conforme tela do CNPJ juntada. Concernente ao crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, reprisou as alegações realizadas na manifestação de inconformidade. Na sessão de 29/01/2014, o julgamento foi convertido em diligência mediante a Resolução nº 3302000.383, para que a recorrente pudesse comprovar seu processo produtivo, elucidando como é realizado este processo produtivo, definindo as fases (recebimento do café/moagem/torra/etc) e todo o procedimento ao qual se submete o grão de café; quem é que faz este processo produtivo, clareando a informação do que é feito em seus próprios estabelecimentos e o que é terceirizado, apresentado, se o caso, provas deste procedimento de industrialização em seus estabelecimentos; comprovar documentalmente o procedimento de envio para industrialização por encomenda, bem como que realiza a venda de produto industrializado. Em resposta, a autoridade fiscal concluiu que a o processo produtivo previsto no §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 foi cumprido, mas por outra pessoa jurídica, a saber um armazém geral local e não pela recorrente, que apenas efetuou a encomenda da industrialização. Porém, reconheceu o direito creditório de R$ 2.515,23, decorrentes de despesas de armazenagem e fretes sobre vendas e bens do ativo imobilizado. Em manifestação, a recorrente reiterou que todas as atividades previstas no §6º do artigo 8º ad Lei nº 10.925/2004 ocorreram, ainda que parte por encomenda, o que não retira a condição de produtora da recorrente, de acordo com a legislação do IPI. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19991.000079/201061 Acórdão n.º 3302004.265 S3C3T2 Fl. 496 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Destacase, inicialmente, que, embora a fiscalização tenha abrangido os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins, do 1º ao 4º trimestres de 2006, este processo trata apenas do pedido de ressarcimento de Cofins referente ao 3º trimestre de 2006. Assim, a primeira questão do litígio que se referia à glosa de aquisições de empresas declaradas inaptas se tornou inexistente neste processo, já que as glosas que permaneceram após a decisão recorrida restringiramse aos fornecedores de café CERRADO EXPORT e JB BARONI, e se referiram a notas emitidas nos dois primeiros trimestres de 2006, conforme quadro abaixo: Mês Fornecedor Valor Data TED fevereiro/2006 CERRADO 70.000,00 23/02/2006 março/2006 CERRADO 28.500,00 28/03/2006 março/2006 CERRADO 98.000,00 24/03/2006 abril/2006 CERRADO 72.500,00 24/04/2006 maio/2006 CERRADO 45.900,00 15/05/2006 junho/2006 J B BARONI 22.145,00 29/06/2006 Destarte, a única matéria em litígio remanescente referese à possibilidade de se terceirizar parte das atividades previstas no revogado §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, mantendose o direito ao crédito presumido. A diligência requerida pela antiga composição desta turma se destinava a comprovar se houve a operação de industrialização por encomenda, fato que restou inequívoco no Parecer Fiscal de efls. 463/467, que concluiu que o café sofreu todo o processo previsto no §6º do artigo 8º em industrialização por encomenda na empresa Internacional Armazéns Gerais Ltda, devendo ser considerado insumos pela recorrente, porém, sem direito ao crédito presumido, por não exercer ela própria as atividades descritas no referido §6º. Tal situação foi confirmada pela recorrente, que, entretanto, pugna pelo reconhecimento ao direito creditório, uma vez que a exigência fiscal não tem amparo legal. A lide, como visto, se restringe à matéria de direito, especificamente a interpretação do §6º e do caput do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, abaixo transcrito com a redação vigente à época dos fatos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, Fl. 496DF CARF MF Processo nº 19991.000079/201061 Acórdão n.º 3302004.265 S3C3T2 Fl. 497 5 classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. [...] § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). O caput do artigo 8º estipula que as empresas que produzam as referidas mercadorias podem tomar o crédito presumido e seu §6º estabelece que produção é o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, atividades estas que não foram realizadas pela recorrente, mas por terceiro, mediante industrialização por encomenda. Entendo que tais créditos presumidos são benefícios fiscais, configurando exclusão do crédito tributário, que, nos termos do artigo 1111 do CTN, demanda interpretação literal. No caso, o §6º não deixa dúvidas quanto à pessoa jurídica ser produtora, no sentido de exercer cumulativamente aquelas atividades, o que não ocorreu, já que restou incontroversa a realização destas atividades por outra empresa. Neste sentido, o Acórdão nº 3301002.894, de seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. CONDIÇÕES. CEREALISTA. CAFÉ. Para ser considerada cerealista e fazer jus ao crédito presumido calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, a contribuinte deve exercer as atividades de secar (até 21/11/2005), limpar, padronizar, armazenar e comercializar café. O excerto do voto condutor do acórdão acima esclarece: 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19991.000079/201061 Acórdão n.º 3302004.265 S3C3T2 Fl. 498 6 “Para ser considerada cerealista, e fazer jus ao crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda (com as ressalvas da lei), a contribuinte (e não terceiros) deveria exercer cumulativamente as atividades de secar (até 21/11/2005), limpar, padronizar, armazenar e comercializar café. Se a contribuinte terceiriza tais serviços, e existem provas nesse sentido no auto de infração, não se pode mais considerála como cerealista. Como bem dito no acórdão recorrido, não se trata de vedar a possibilidade de terceirização. Esse é um direito que assiste ao empresário. Contudo, tratandose de benefício fiscal, é evidente que a norma pode estabelecer requisitos que devem ser cumpridos e dentre eles está o de que a contribuinte deve exercer, por si própria, e de modo cumulativo, todas as atividades anteriormente listadas. Ao terceirizar, a contribuinte simplesmente está deixando de exercer de modo cumulativo todas as atividades previstas na norma. Como conseqüência, deixa de fazer jus ao crédito presumido calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” O conceito de produção aqui em litígio não pode ser extraído da legislação do IPI, uma vez que o §6º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 expressamente o aborda. Assim, não procedem as alegações da recorrente. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 2.515,23, decorrentes de despesas de armazenagem e fretes sobre vendas e bens do ativo imobilizado, reconhecido em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.003697/2001-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1999
NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO QUE CONTÉM CONTRADIÇÃO. EMBARGOS. ACOLHIMENTO.
Reconhecido que o acórdão apresenta contradição entre os fundamentos do voto e a sua conclusão, acolhem-se os embargos que a apontam para a supressão do vício. A decisão embargada deve registrar:
Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996.
Numero da decisão: 9303-004.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu-RJ, re-ratificando o Acórdão nº 9303-00.804, de 02/02/2010 com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida para dar-se provimento parcial ao recurso a fim de que seja reconhecida a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1999 NORMAS PROCESSUAIS. DECISÃO QUE CONTÉM CONTRADIÇÃO. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Reconhecido que o acórdão apresenta contradição entre os fundamentos do voto e a sua conclusão, acolhem-se os embargos que a apontam para a supressão do vício. A decisão embargada deve registrar: Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu-RJ, re-ratificando o Acórdão nº 9303-00.804, de 02/02/2010 com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida para dar-se provimento parcial ao recurso a fim de que seja reconhecida a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício)
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DECISÃO QUE CONTÉM CONTRADIÇÃO. EMBARGOS. ACOLHIMENTO. Reconhecido que o acórdão apresenta contradição entre os fundamentos do voto e a sua conclusão, acolhemse os embargos que a apontam para a supressão do vício. A decisão embargada deve registrar: Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal em Nova IguaçuRJ, reratificando o Acórdão nº 930300.804, de 02/02/2010 com efeitos infringentes, para alterar a decisão recorrida para darse provimento parcial ao recurso a fim de que seja reconhecida a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. Júlio César Alves Ramos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 36 97 /2 00 1- 29 Fl. 1279DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício) Relatório A Delegacia da Receita Federal incumbida da execução do acórdão 9303 00.804, prolatada por esta Turma em 02 de fevereiro de 2010, opõe embargos alegando contradição entre a ementa e o voto além de obscuridade. Analisado o feito pelo conselheiro relator da decisão embargada, foi admitida a ocorrência dos vícios arguidos, nesses termos: Sr. Presidente da 3ª Turma da CSRF, Em sessão de julgamento realizada em 2 de fevereiro de 2010, a 3ª Turma da CSRF julgou o recurso especial interposto por FESO FUNDAÇÃO EDUCACIONAL SERRA DOS ÓRGÃOS, exarando o Acórdão nº 930300.804, fls. 1.251 a 1.2541, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 30/04/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF 1\1° 8/2008. Editada a Súmula vinculante do STF n° 8/2008, segundo a qual é inconstitucional o art. 45 da Lei ri° 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento da Cofins é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos termos dos art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, sendo irrelevante a antecipação do pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. A DRF/NIURJ vem agora aos autos para interpor embargos de declaração, fls. 1.269 e 1.270, acusando a decisão de conter os vícios de contradição entre a ementa, que refere improvimento do recurso especial do contribuinte, e a parte dispositiva do voto condutor do Acórdão, que dá provimento ao recurso para cancelar o lançamento. A embargante aponta ainda obscuridade quanto aos períodos alcançados pela decadência, já que o voto se refere apenas ao PA 04/1995 e, por conta disso, cancela integralmente o lançamento, quando o lançamento discutido nos autos abrange PAs de 01/1993 a 01/1999, de modo que a aplicação da Súmula STF nº 8 implicaria em decadência apenas parcial. Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10735.003697/200129 Acórdão n.º 9303004.728 CSRFT3 Fl. 3 3 Conclui, requerendo o saneamento dos vícios apontados. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, repetidos pelo art. 65 do novel Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. A propósito dos vícios apontados, Compulsando o Acórdão embargado, constato que no voto, fls. 1.254, ficou assentado que: [...] No caso em análise, verificase que o auto de infração se refere ao período de apuração 04/1995 e o sujeito passivo dele tomou ciência em 31/10/2001. Diante destes fatos, resta evidente que o direito da Fazenda constituir o credito tributário estava decaído, pois havia transcorrido cinco anos do fato gerador, conforme exige o art. 150, § 4° do CTN. [...] Todavia, no Relatório do Acórdão nº 20310.664, consta que o Auto de Infração referese a períodos de apuração de janeiro de 1993 a 31/01/1999. Confirase na fl. 1.144: RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração de fls. 197/211 em virtude de ter sido apurada falta de recolhimento da Cofins em relação aos fatos geradores de 31/01/93 a 31/01/99, no valor total de R$ 4.077.589,38, incluindo principal, multa de oficio e juros de mora, consolidado até a data da autuação. Assim, conforme oportuna e tempestivamente destacado pela Autoridade Administrativa incumbida da execução do Acórdão embargado, da aplicação da Súmula Vinculante STF nº 08/2008 não decorre a decadência de todo o lançamento. Detectado o vício de intelecção no julgado, devese lançar mão do remédio apropriado, obtendo da CSRF esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...) (SANTOS, 1998, p. 151) 2. Essa apreciação foi referendada pelo Presidente do CARF. Fl. 1281DF CARF MF 4 Vale acrescer que, por ocasião do julgamento que originou o acórdão hostilizado, afirmouse: O Recorrente requer a contagem do prazo decadencial pela regra dos cinco anos, na forma do art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN, considerando tratarse de tributo/contribuição sujeito a lançamento por homologação. Alega ainda que o acréscimo de remuneração pelo exercício do cargo de diretor da entidade educacional não era motivo para se suspender o direito A. imunidade, por descumprimento dos requisitos da legislação de regência (artigo 55, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, e artigo 14 do CTN). Por meio do despacho nº 203082, deuse seguimento ao recurso especial, exclusivamente da matéria relativa à. decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Inconformado, o Recorrente interpôs agravo do despacho de admissibilidade apenas parcial (fls. 999 a 1008), que, no entanto quedou rejeitado (fls. 1012 a 1015). Destarte, o julgamento restringiuse ao exame da decadência, tendo se tornado definitiva a decisão da turma ordinária quanto ao mérito, julgado desfavoravelmente ao sujeito passivo. É o Relatório Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Como relatado, a contradição é patente e deve ser corrigida. Consta dos autos, como asseverado por ocasião do julgamento original, que os períodos de apuração encampados pelo lançamento iniciamse no ano de 1993 e alcançam o mês de janeiro de 1999 e que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 31/10/2001. Desse modo, o reconhecimento da decadência na forma do art. 150 apenas alcança os períodos de apuração anteriores a 31/10/1996, devendo o recurso especial ser provido apenas parcialmente. Por fim, registro que, à luz da jurisprudência hoje de aplicação obrigatória por nós, a decisão deveria reconhecer a decadência na forma do art. 173, I, visto não ter ocorrido qualquer recolhimento. No entanto, não servindo os embargos para reapreciação do mérito do decisum, mas apenas para a correção do vício nele apontado, é de se manter o critério ali definido. Com essas considerações, é o meu voto pelo acolhimento dos embargos, de modo a sanear a decisão que passa a: Por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao recurso para reconhecer a decadência dos períodos de apuração ocorridos até 31/10/1996. É o voto. Fl. 1282DF CARF MF Processo nº 10735.003697/200129 Acórdão n.º 9303004.728 CSRFT3 Fl. 4 5 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 1283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.901084/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.651
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 84 /2 00 9- 92 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901084/200992 Acórdão n.º 3201002.651 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório PORTO SEGURO VEICULOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou, em síntese, que parte do pagamento declarado era indevido. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 1522.407. A DRJ fundamentou sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, em resumo, que a legislação não se encontra autorizada a alterar conceitos adotados na Constituição Federal, não sendo possível, por conseguinte, a ampliação da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e Cofins), uma vez que, no período de apuração sob comento, a base de cálculo se restringia ao faturamento, ou seja, ao resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, dada a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições promovido pela Lei 9.718/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.640, de 30/03/2017, proferido no julgamento do processo 13558.901073/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.640): O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13558.901084/200992 Acórdão n.º 3201002.651 S3C2T1 Fl. 4 3 Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10 e 11 da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, § 4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13558.901084/200992 Acórdão n.º 3201002.651 S3C2T1 Fl. 5 4 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.007189/2006-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE ATOS SIMULADOS E CONLUIO.
A consecução de atos simulados e realizados em conluio, que impediram o Fisco de determinar os verdadeiros beneficiários de pagamentos e acarretaram a supressão ilícita de tributos, evidencia sonegação, conduta dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte da obrigação tributária principal, e conluio, ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando os efeitos em questão, que justificam a qualificação da multa de ofício.
DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUIO. ART 173, I DO CTN.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 72).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
ASSUNTO: PIS E COFINS - TRIBUTAÇÃO REFLEXA
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Se o sujeito passivo não logra demonstrar que a receita omitida é de natureza não operacional, descabe falar em inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/99.
Numero da decisão: 9101-002.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, (i) quanto à qualificação da multa, acordam em dar-lhe provimento e (ii) quanto à decadência, acordam em dar-lhe provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (iii) quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (iv) quanto ao PIS/COFINS, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luís Flávio Neto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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DECADÊNCIA. JUROS SOBRE MULTA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS (LEI Nº 9.718/98) Recorrentes FAZENDA NACIONAL S. SANTOS ASSESSORIA LTDA ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 MULTA QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE ATOS SIMULADOS E CONLUIO. A consecução de atos simulados e realizados em conluio, que impediram o Fisco de determinar os verdadeiros beneficiários de pagamentos e acarretaram a supressão ilícita de tributos, evidencia sonegação, conduta dolosa tendente a impedir o conhecimento das condições pessoais do contribuinte da obrigação tributária principal, e conluio, ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando os efeitos em questão, que justificam a qualificação da multa de ofício. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO E CONLUIO. ART 173, I DO CTN. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 72). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: PIS E COFINS TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Se o sujeito passivo não logra demonstrar que a receita omitida é de natureza não operacional, descabe falar em inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/99. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 71 89 /2 00 6- 15 Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.477 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, (i) quanto à qualificação da multa, acordam em darlhe provimento e (ii) quanto à decadência, acordam em darlhe provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, (iii) quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (iv) quanto ao PIS/COFINS, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luís Flávio Neto. Relatório A FAZENDA NACIONAL e S. SANTOS ASSESSORIA LTDA ME recorrem a este Colegiado, por meio dos Recursos Especiais de efls 944958 e efls.2426 2461, respectivamente, contra o acórdão nº 10323.295, de 05 de dezembro de 2007 (efls.903 924), que acolheu a preliminar de decadência, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para desqualificar a multa de ofício e excluir parcialmente a exigência relativa ao IRRF. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: IRPJ – CSLL – PIS – COFINS – IRRF DECADÊNCIA A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei nº 8.383/91, o IRPJ e as contribuições sociais, passaram a ser tributos sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. Nesta modalidade, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.478 3 MULTA QUALIFICADA Não comprovado o evidente intuito de fraude, não prospera a aplicação da multa qualificada. A fraude se consuma no fato gerador do tributo e não em momentos posteriores, tais como a ausência de declaração, ou a declaração a menor do tributo, etc. E, esses fatos não atingem o fato gerador do tributo, que é o objeto do tipo. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM NÃO COMPROVADA. Se o sujeito passivo, após devidamente intimado, não comprovar a origem dos depósitos bancários, subsiste a correspondente presunção legal de omissão de receitas. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL EM DINHEIRO Toda integralização em dinheiro decorrente de alteração contratual que preveja o aumento de capital efetuado pelos sócios da empresa deve ser demonstrada, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, com a finalidade de comprovar a origem externa dos recursos e transferência dos mesmos para a conta da empresa. Caso contrário, é cabível a tributação dos respectivos valores como receitas omitidas. CSLL PIS/PASEP – COFINS TRIBUTAÇÃO REFLEXA Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese aos reflexos. IRPF PAGAMENTO SEM IDENTIFICAÇÃO DE BENEFICIÁRIO E RESPECTIVA CAUSA DA OPERAÇÃO É cabível a tributação exclusiva de fonte, à alíquota de 35%, para alcançar todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou quando não for comprovada a operação ou sua causa. Ao revés, tendo sido comprovada a causa do pagamento (distribuição de lucros) e identificado o seu beneficiário (o sócio), por meio de documentação hábil e idônea, não há como subsistir a exigência do imposto, que somente incidirá em relação à parte sem identificação de beneficiário e/ou causa. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS Segundo expressa determinação legal, o faturamento é a base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, e corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, a qual se entende como a totalidade das receitas auferidas. Irresignada com o acórdão supra, a Fazenda apresentou embargos de declaração (efls.929931), os quais foram acolhidos para retificar o valor excluído da base de cálculo do IRRF, e quanto ao restante, ratificar o acórdão 10323.295, conforme acórdão 1201 00.086 (efls.934938), assim ementado: Fl. 2478DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.479 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005 EMBARGOS. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. A ocorrência de obscuridade na fundamentação do voto e de erro material são questães típicas para serem resolvidas em sede de embargos de declaração, eis que não importam em alteração da decisão. Em seguida, a Fazenda aponta erro material nos cálculos da decisão de embargos (efl.943). O acórdão n.1201000.767 de efls.967971 confirmou a existência de inexatidão material e mais uma vez retificou os valores a serem excluídos da base de cálculo do IRRF, com a ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2001, 2002, 2004 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO DE CÁLCULO. Cabem embargos declaratórios quando verificado erro de cálculo contido no acórdão recorrido. O recurso especial da Fazenda, bem como o do contribuinte, foram admitidos por meio dos despachos de admissibilidade de efls. 23622368 e efls.24642468, respectivamente. Em seu recurso, interposto com fundamento no art.7º, inc. I, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n.147/2007 c/c arts.4º, 67 e 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.256/2009, a Fazenda aponta contrariedade à legislação tributária e à evidência das provas no que diz respeito às matérias de qualificação da multa de ofício e do prazo decadencial. A Procuradoria alega que, ao afastar a qualificação da multa e reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos até 06/2001, o colegiado contrariou frontalmente os arts. 44, inc. I c/c §1º da lei n. 9.430/96; 71,72 e 73 da lei n.4.502/64; além do art.173, inc. I do CTN e da parte final do art.150, §4º do CTN. E ainda contrariou as provas constantes dos autos. Nas razões de mérito, no que concerne à qualificação da multa, a Fazenda faz as seguintes alegações: a) que "restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática, e conscientemente orientada a omitir rendimentos durante mais de um anocalendário (2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). Essa prática reiterada, aliada à circunstância de ter deixado o contribuinte de declarar parcela significativa de seus rendimentos, revela evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada. Reforça tal constatação o fato de haver representação fiscal para fins penais".; Fl. 2479DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.480 5 b) que houve dissimulação da real destinação dos recursos movimentados, com a prática de sistemáticas operações de triangulação, objetivando a ocultação dos verdadeiros beneficiários dos pagamentos efetuados; c) que a contribuinte praticou atividade ilícita comprovada, com a prática de diversos atos simulados, sendo que, como resultado de sua conduta dolosa, houve a diminuição do efetivo valor da obrigação tributária, em evidente prejuízo ao erário. E que "a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática, objetivando impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal" e que "a conduta sistemática demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo"; d) que não se pode olvidar o contexto que deu origem à autuação, qual seja, "a ação fiscal decorreu de auditoria desenvolvida junto à pessoa do Sr. Walter Santos Neto, sócio das empresas MM Consultoria Ltda e S.Santos Assessoria Ltda, tendo em vista o seu envolvimento em supostas irregularidades na renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa multinacional Gtech Brasil Ltda. Através do requerimento nº245/2004 foi criada a Comissão Parlamentar de Inquérito, denominada CPI dos Bingos, para investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado. O relatório parcial sobre a renovação do contrato entre a CEF e a empresa Gtech aponta crimes e contravenções cometidos por diversas pessoas e empresas, dentre elas a empresa autuada (S. Santos Assessoria Ltda)".; e e) que não se aplica ao caso a Súmula n.14 do Primeiro Conselho de Contribuintes, pois não se trata de "simples omissão", mas sim de omissão rendimentos praticada reiteradamente, com firme escopo de reduzir o montante do imposto a ser recolhido. No que diz respeito ao tema Decadência, a Fazenda defende que uma vez demonstrado o cabimento da multa qualificada em decorrência de atitude fraudulenta e dolosa, tornase forçoso o afastamento da decadência, tendo em vista a aplicação do art.173, inc.I do CTN e o afastamento do art.150, §4º do mesmo diploma legal. Ao final, pede a Fazenda que o recurso seja conhecido e provido, para que o acórdão recorrido seja reformado para restabelecer a multa de 150%, por se ter configurado ação dolosa e para afastar a decadência, tendo em vista que o lançamento foi efetuado dentro do prazo legalmente estabelecido, nos termos do art.173, inciso I, do CTN. Houve a apresentação de contrarrazões por parte do Contribuinte (efls. 24042425), em que aduz: a) preliminarmente, ser incabível o recurso especial da Fazenda posto que lastreado em pressuposto ultrapassado na legislação, pois apenas a divergência jurisprudencial poderia ensejar o recurso em comento, já que a Fl. 2480DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.481 6 Fazenda fundamenta o seu recurso no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009, que admite recurso especial baseado em pressuposto revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. a.1) ocorre que, paralelamente ao recurso especial, a União interpôs novos embargos de declaração, os quais, conforme o RICARF, art. 65, § 5º, interrompem o prazo de interposição do recurso especial. E acrescenta: "Ora, interrompido (não suspenso) o prazo de interposição do recurso especial e tendo sido os últimos embargos declaratórios (que o interromperam) julgados em 4/12/2012, o prazo de recurso especial somente se iniciou com a intimação do acórdão de tais declaratórios (feita à União privilegiadamente)". (...) a.2) assim, o acórdão recorrido só estaria apto a ensejar recurso especial depois de decididos todos os embargos de declaração, o que só veio a ocorrer em 4/12/2012, quando só havia previsão de recurso especial em razão de divergência jurisprudencial; a.3) que não se aplica o art. 4º da Portaria MF nº 256/2009 em benefício da União, porque, no caso, tendo havido interposição de embargos de declaração por duas vezes, o acórdão se tem por proferido em 4/12/2012, depois de iniciada a vigência daquela portaria ministerial e da Lei nº 11.941/2009; a.4) que o acórdão só se completou com o julgamento dos últimos dois embargos. a.5) que se não tivesse havido embargos de declaração, a norma aplicável ao recurso especial seria a vigente quando da intimação do acórdão originário, todavia, com os acórdãos de embargos deverseia aplicar a lei recursal atual, com seu pressuposto de cabimento, que é a divergência dos arestos, e que a nova norma processual tem aplicação imediata e que após o julgamento dos embargos seria aplicável a Lei nº 11.941/09; a.6) que como o recurso especial da União não caracterizou a divergência de acórdãos de órgãos julgadores diferentes, ele não é cabível; b) ainda em matéria preliminar, que o recurso especial é intempestivo, posto que apresentado antes de julgados os últimos embargos declaratórios. Colaciona jurisprudência do STF, STJ e TJMG;e c) que matéria de fato não pode ser levada à via especial, na medida em que foi revogado o dispositivo legal que previa o recurso especial contra decisão majoritária contrária à prova dos autos e que a aferição do dolo é matéria de fato, tendo sido definitivamente tratada no acórdão recorrido; d) em relação à decadência, que ainda que aplicado o CTN, art.173, I, contandose prazo decadencial (qüinqüenal) do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito, ou seja, contandose prazo a partir de 1º/1/2001 (quanto aos tributos relativos ao ano 2000) decadência de parte do crédito tributário se teria consumado (em lº/1/2006). Fl. 2481DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.482 7 Acrescenta que não foi comprovada a ocorrência do dolo, fraude ou simulação, tendo sido afastada a multa qualificada; e) no mérito, defende a aplicação da Súmula CARF nº 14, na medida em que omissão não é fraude e o dolo ou intuito de reduzir tributo (elemento subjetivo) deve ser provado pela autoridade lançadora, o que não se teria efetivado; f) defende ainda a aplicação da Súmula CARF nº 25, a qual determina que "A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts.71,72e73 da Lei n° 4.502/64." g) que a Procuradoria cita operações de triangulação e empréstimos simulados, mas nada prova, pois não cita uma das supostas operações de triangulação, nem cita um suposto empréstimo simulado, nem cita um beneficiário que supostamente teria sido ocultado ou seria vinculado a suposto empréstimo simulado; h) que o relatório parcial da CPI citado no recurso da Fazenda não é conclusivo e apenas sugere que se faça uma investigação fiscal; i) que não há provas da consciência e de busca de enriquecimento sem causa, que não há prova de dolo direto ou eventual ou de intenção de sonegar; j) que se o fisco lançou diferenças de tributos, algo foi pago em antecipação, não se aplicando o art. 173, I, que só se aplicaria quando não comprovada a antecipação do pagamento do tributo; k) quanto à omissão de receitas, que o lançamento é baseado em presunção e não se presume intuito de fraude, que nos autos do processo n.10680.008638/200634 (MM Consultoria Ltda) decidiuse contrariamente ao Fisco (transcreveu trecho da decisão); acrescenta que os TVF são baseados em indícios e estes não fazem prova; l) quanto aos depósitos bancários, que os lançamentos atacados se baseiam, apenas, em extratos de saques, transferências e depósitos bancários; a União tributa o que supõe ser receita e renda presumidas com base em movimentação bancária, em seguida cita vários doutrinadores que defendem esse posicionamento; m) quanto à multa qualificada e à decadência, que a multa de 150% não é devida, que já caiu à metade e dolo e fraude não podem ser presumidos, que a recorrida não se utilizou de "laranjas" e que o dinheiro recebido ingressou em conta bancária própria, logo não houve intenção de ocultar, ainda que tenha faltado a contabilização de alguma parte; n) que os empréstimos feitos (sem contratação formal) entre os sócios não podem ser tratados a ferro e fogo, pois os sócios eram marido e mulher. Os sócios não tiveram malícia. Basearamse na confiança mútua e não tiveram intenção de prejudicar terceiros. Se tivessem tido malícia, teriam feito Fl. 2482DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.483 8 contratos e transações mais elaboradas. Foram ingênuos. Da atuação deles o Fisco não pode inferir dolo; o) que é leviana a acusação de envolvimento na prática de crimes de lavagem de ou ocultação de bens, direitos e valores investigados pela CPI dos Bingos, tendo em vista que esta nada provou contra a recorrida;e, p) que nos autos do processo n.10680.007195/200664 restou decidido que não sendo comprovado o evidente intuito de fraude nos termos dos arts. 71 a 73 da lei n.4.502/64, a multa deve ser reduzida ao percentual de 75%. Por fim, requer que seja negado conhecimento, seguimento ou provimento ao recurso especial da União. Quanto ao Recurso Especial do contribuinte, foi apresentado em 21/11/2014, baseado em dissenso jurisprudencial no que diz respeito aos temas: incidência de juros sobre multa e ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei nº 9.718/98. Para o tema juros sobre multa, apresenta o paradigma n.10196.593 (da 1ª Câmara do Primeiro Conselho, de 05/03/2008) cuja ementa segue reproduzida abaixo, juntamente com o voto condutor, na parte de interesse: Acórdão n.10196.593 INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. Voto condutor Assim, temse que a regra vigente no momento da constituição do crédito tributário no presente caso é a determinada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96, a qual regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997; dai retiramos nossa conclusão, pois a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, e sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagá lo. Portanto, resta clara a inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa de oficio. Em suas razões recursais, o contribuinte transcreve trechos da Lei nº 9.430/96 e do art. 161 do CTN e defende que os juros são acessórios do tributo (principal), não da multa (que também é acessório do tributo) e reitera a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que se refere ao tema ampliação da base de cálculo de PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, o recorrente apresenta o paradigma n.3803005.635 (da 3ª Turma Especial da 3ª Seção, de 27/02/2014) cuja ementa segue reproduzida abaixo, juntamente com o voto condutor, na parte de interesse: Fl. 2483DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.484 9 Acórdão n.3803005.635 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. Voto condutor O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase:(...) Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nas razões de seu recurso, o contribuinte ratifica os fundamentos do voto condutor, e acrescenta que, na pior das hipóteses, para as empresas, atividades e receitas tributadas pelo sistema nãocumulativo, a base de cálculo do PIS é o faturamento puro até 30/11/2002 (lei n.10.637, art.8º) e da COFINS é o faturamento puro até 31/1/2004 (lei n.10.833, art.10). Acrescenta que: a) o sistema nãocumulativo do PIS e da COFINS é inconstitucional, pelo menos para o período em que vigoraram as medidas provisórias que deram origem às duas leis; b) a lei n.10.637/2002 e 10.833/2003 beneficiam o recorrente (optante do lucro presumido) ao dizerem que as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado permanecem sujeitas às normas da legislação anterior; c) o Fisco não especifica o que seria faturamento e o que seria receita bruta aliás, o Fisco presume ocorrência de receita. Assim, ao menos em relação ao período Fl. 2484DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.485 10 coberto pelo inconstitucional art.3º, §1º, da lei n.9.718/98, tais contribuições não são exigíveis (não podem ser exigidas sobre a receita bruta o Fisco teria de separar o faturamento da receita bruta, que ele presume). Por fim, o contribuinte requer em seu recurso que seja cancelado o lançamento de juros sobre cada multa, que seja cancelado o lançamento de COFINS e PIS calculados sobre a receita bruta (correspondente à totalidade das receitas auferidas), bem como os respectivos acessórios (juros e multas), em razão da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições. A Fazenda apresentou contrarrazões às efls.24702473, rebatendo o tema do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS pela lei nº 9.718/98, tendo em vista a jurisprudência dos tribunais superiores. Em relação ao juros de mora sobre a multa de ofício, contraargumenta no sentido de que conforme o art.113, §1º, do CTN, a obrigação tributária principal "surge com a ocorrência do fato gerador" e "tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária", e que o art. 139 do CTN, por sua vez, estabelece que “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Está claro, portanto, que a multa de ofício (penalidade pecuniária), prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, integra o crédito tributário. Ao final, requer que seja desprovido o recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora Recurso Especial da Fazenda Nacional Preliminarmente, a contribuinte, em contrarrazões, traz vários argumentos para o não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda, motivo pelo qual fazse necessário uma análise desses. a) Intempestividade Alega a contribuinte que, em razão de o recurso ter sido apresentado anteriormente ao acórdão de embargos nº 1201000.767, proferido em 04/12/2012, ele seria intempestivo, conforme jurisprudência colacionada. Ocorre que essa tese já se encontra superada, até mesmo em razão do novo Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, que dispõe: Art.218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em lei. (...) §4º Será considerado tempestivo o ato praticado antes do início do termo inicial do prazo. Fl. 2485DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.486 11 Com efeito, esse artigo veio para corroborar a jurisprudência dominante e para evitar o formalismo exacerbado. O princípio a ser preservado será sempre o do contraditório e ampla defesa, o qual não sofreu qualquer mácula no presente processo. Sendo assim, o recurso é tempestivo. b) Que, ao tempo da interposição do RESP, não era mais possível à Fazenda Nacional um recurso por contrariedade à lei ou à evidência das provas. Também discordase dessa alegação. Para tanto, iniciase analisando o art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009, segundo o qual: “Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.” Entende a contribuinte que tal dispositivo contraria a Lei nº 11.941, de 2009. Ocorre que tal dispositivo é norma de direito intertemporal, que interpreta as disposições regimentais, dispondo que para a aplicação da lei deve ser observada a data da sessão de julgamento do acórdão. Com efeito, não se pode querer atribuir outra data, como por exemplo, a da formalização do acórdão, posto que, fosse esse o caso, o tipo de recurso a ser interposto pela Fazenda Nacional poderia variar, a depender da inércia do conselheiro relator para formalizar o seu acórdão. Assim é que por diversas vezes este colegiado já decidiu pela aplicação do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 2009, como por exemplo, por ocasião do julgamento do acórdão de minha relatoria, de nº 9101002.340, de 23 de maio de 2016. Entende ainda a contribuinte que se deve considerar a data do último acórdão, de nº 1201000.767, julgado em 4/12/2012, efls. 967/971 para fins de avaliar qual o dispositivo regimental a ser aplicado e, por conseguinte, como a essa época já estava vigente a Portaria MF nº 256, de 2009, não se poderia admitir um recurso por contrariedade à lei ou à evidência das provas. Pois bem, analisandose as peças processuais, tem: 1) acórdão nº 10323.295, de 5 de dezembro de 2007, efls. 903/924, decidiu por reconhecer a decadência nos termos do voto condutor, afastar a multa qualificada, manter a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, e excluir parcialmente a exigência do IRRF. 2) contra essa decisão a União opôs embargos de declaração (efls. 929 e ss) alegando obscuridade e omissão relativamente à parte da decisão que tratou do IRRF; 3) tais embargos foram julgados na sessão de 15 de maio de 2009, por meio do acórdão nº 12010000.086, efls. 935 e seguintes, que os acolheu para suprir a obscuridade apontada e retificar o valor excluído da base de cálculo do IRRF. Fl. 2486DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.487 12 4) contra tal decisão, a PFN opôs embargos infringentes de efl. 943, alegando um erro de cálculo no valor que foi retificado por meio do acórdão nº 120100 00.086. 5) ocorre que, na mesma data em que a Fazenda interpôs o que ela chamou de petição de erro material (embargos infringentes), ela apresentou recurso especial. Nesse sentido, colaciono a ciência, em 17/02/2011 do acórdão n.120100.086, acórdão de embargos de declaração, datado de 15/05/2009, efl.939: Tal pedido de correção de inexatidão material tinha por fundamento no art. 66 do Regimento Interno do CARF, que assim dispunha: Art.66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro de turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente.(Negritei) É oportuno observar que, ao contrário da redação atual do art. 66 do Regimento Interno que, para atender ao disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, estabeleceu que qualquer inexatidão material deveria ser corrigida por meio de um acórdão, naquele regimento, as inexatidões material podiam ser retificadas por despacho do Presidente de Turma. Acrescentese que sequer existia formalmente a figura dos “embargos inominados”, que o atual Regimento tratou. Ou seja, naquela época, faziase uma petição e corrigiase por despacho. Assim, a Procuradoria não precisava aguardar um novo acórdão para, a partir daí interpor Recurso Especial, haja vista que esse recurso poderia ser intempestivo. Logo, coerentemente com o que dispunha o Regimento vigente, o Recurso Especial foi interposto contra o acórdão nº 103.23.295, posteriormente retificado pelo acórdão nº 120100.086. Fl. 2487DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.488 13 Ora, se ambos os acórdãos foram proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, é de se aplicar o art. 4º desta, para entender cabível contra esses acórdãos o Recurso Especial ainda por contrariedade à lei ou à evidência das provas. Quanto à linha de defesa trazida pela contribuinte de que matéria de fato não é passível de apreciação no âmbito da CSRF, discordase frontalmente. Ora, com a devida vênia aos que pensam diferente, todas as vezes que precisamos subsumir casos concretos a uma norma para afirmar se ela se aplica ou não à lide, estamos avaliando os casos concretos. E são inúmeros os acórdãos da CSRF que apreciam, por exemplo, a multa qualificada, matéria essa que necessariamente precisa ser apreciada à luz dos fatos trazidos aos autos. Mas ainda para os que pensam de forma diferente, cumpre alertar que o Recurso da Fazenda não é de divergência, mas sim por contrariedade à lei ou à evidência das provas. Por conseguinte, até mesmo para se dizer se a decisão contrariou determinado dispositivo legal, é preciso conhecer os fatos subsumidos à lei. Portanto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito, o recurso da Fazenda versa sobre a multa qualificada e o reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 6/2001. Multa Qualificada Quanto a este tema, a discussão diz respeito à procedência ou não da imposição de multa de ofício qualificada em 150% à infração de omissão de receitas em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, de não comprovação de origem externa de recursos e transferência para a conta da empresa para integralização de capital, e de pagamento sem identificação de beneficiários e respectiva causa da operação. A Turma recorrida entendeu que, residindo os lançamentos basicamente em presunções legais, fato que apenas transfere o ônus da prova para o contribuinte, a prova da fraude ainda é ônus do acusador. E, não restou comprovado nos autos o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73, da lei n.4.502/64. Como relatado, alega a Fazenda que restou cristalina a atividade ilícita do autuado, através de conduta reiterada, sistemática, e conscientemente orientada a omitir rendimentos durante mais de um anocalendário (2000, 2001, 2002, 2003 e 2004), aliada à dissimulação da real destinação dos recursos movimentados, com a prática de sistemáticas operações de triangulação, objetivando a ocultação dos verdadeiros beneficiários dos pagamentos efetuados. O Termo de Verificação Fiscal elaborado pelos Auditores Fiscais (efls. 99 117) descreve o contexto da fiscalização, as operações da empresa e as auditorias e verificações realizadas, que podem ser assim sintetizadas e que merecem destaque: a) a ação fiscal foi decorrente da auditoria desenvolvida junto à pessoa física do Sr. Walter Santos Neto, sócio das empresas MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda, tendo em vista indícios de irregularidades na renovação do contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa Gtech Brasil Ltda; Fl. 2488DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.489 14 b) essa auditoria se deu no âmbito da CPI dos Bingos, para investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado; c) o relatório parcial apontou crimes e contravenções cometidos por diversas pessoas e empresas, dentre elas a empresa S. Santos Assessoria Ltda; e d) a empresa S. Santos Assessoria Ltda tem por objeto social a prestação de serviços de advocacia em geral (mas não exclusivamente), entre outros serviços de consultoria e assessoria, como os relacionados à propriedade industrial e intelectual e consultoria administrativa e negocial. As infrações versam sobre aumento de capital sem a comprovada origem e efetiva entrega de numerários, omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, e pagamentos sem a identificação do beneficiário ou causa da operação e todas as infrações foram lançadas com multa qualificada. Entretanto para a infração de omissão de receitas por suprimento de numerário, a Delegacia de Julgamento já afastou a multa qualificada, mantendo a multa de ofício de 75%. Para a infração de depósitos bancários de origem não comprovada – anos 2000 a 2004, a Fiscalização consignou que a então fiscalizada não apresentou quaisquer documentos hábeis e inidôneos que comprovassem as operações de empréstimos, não apresentou qualquer elemento que corroborasse os valores creditados em suas contas bancárias e ainda deixou de registrar em sua escrituração contábil e fiscal as operações realizadas em três contas bancárias diferentes. Registrou a Fiscalização, no tocante à multa qualificada, que “a falta de declaração e/ou a falta de inclusão dos valores que transitaram a crédito em suas contas correntes bancárias, caracteriza a intenção dolosa do contribuinte de omitir informação”. No que diz respeito à infração de IRRF – destinação da riqueza e pagamento sem identificação do beneficiário e sem causa, após levantamento dos ingressos de recursos (receita de serviços + depósitos bancários), e da análise da evolução patrimonial das empresas envolvidas (MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda) e dos sócios, entre eles Walter Santos Netto e sua esposa Sâmia Amim Santos, constatou a Fiscalização a incompatibilidade da evolução patrimonial com as vultosas receitas movimentadas, demonstradas nas planilhas constantes do TVF. Houve, em seguida, um exame da destinação dos recursos, e de acordo com a escrita fiscal, os recursos saíram das pessoas jurídicas a título de distribuição de lucros ou empréstimos para o(s) sócio(s) e, portanto, sem reflexo tributário nas pessoas físicas dos sócios por força da legislação. De acordo com a Fiscalização, as empresas fiscalizadas para justificarem a destinação dessas quantias alegaram, em síntese que: os recursos saíram da empresa "A" para o sócio da empresa "B", uma vez que o sócio da empresa "B", havia emprestado anteriormente ao sócio de "A" e este estaria pagando empréstimo através de remessa direta da empresa "A" para o sócio de "B" para evitar a incidência de CPMF. Fl. 2489DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.490 15 Ocorre que não se encontrou a esperada materialização dos recursos no patrimônio dos sócios. Recebido o numerário, sua materialização deveria se dar através de aquisição de bens móveis ou imóveis, em aplicações financeiras em renda fixa ou variável, em despesas em geral. Em qualquer hipótese, dada a grandeza dos valores, com rastro documental; De acordo com a Fiscalização: Regularmente intimados, pessoas jurídicas e físicas, não lograram êxito em demonstrar aquelas aquisições ou bens, ou aplicações financeiras e muito menos despesas, compatíveis com as saídas dos recursos alegados pela pessoa jurídica. E assim, permanece o questionamento, se esses recursos não se transformaram em bens e direitos para os sócios, para que terceiros foram? No que diz respeito à qualificação da multa, aduziram as autoridades autuantes: E em decorrência de todos os fatos descritos, ou seja, a falta de pagamento do aludido imposto, aliado às práticas tendentes a dissimular a real destinação dos recursos, constituindose na prática da simulação com sistemáticas operações de triangulação entre os empréstimos para tentar justificar as transferências de recursos, objetivando a ocultação dos verdadeiros beneficiários dos pagamentos, implica em evidente intuito de fraude, dolo ou simulação, e, por consequência, impõe o lançamento de ofício para a cobrança do imposto, com incidência de multa de ofício qualificada, prevista no artigo 957, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n.3000/99; Em suas contrarrazões, alega inicialmente as súmulas CARF nº 14 e 25. Para aplicálas, entretanto, que é preciso avaliar se a hipótese é somente de omissão de receitas e se não restou caracterizado o evidente intuito de fraude, lato sensu, do sujeito passivo. Aduz a contribuinte que o Fisco não citou quais seriam as supostas operações de triangulação, não citou qual seria o empréstimo simulado, não citou qual seria o beneficiário que supostamente teria sido ocultado ou seria vinculado a empréstimo que seria simulado. Argumenta que não há provas de que tenha atuado com dolo direto ou eventual, que não há provas da intenção de sonegar, pois todas as autuações resultaram em meras presunções legais, e que cabe a quem acusa, provar, e traz vasta doutrina e jurisprudência a respeito das provas, das presunções legais de omissão de receitas com base em depósitos bancários. Acrescenta também a contribuinte que não prestou declaração falsa, não se valeu de interpostas pessoas, e que os empréstimos feitos (sem contratação formal) entre os sócios não podem ser tratados a ferro e fogo, pois os sócios eram marido e mulher e (...) que se basearam na confiança mútua. Analisando, inicialmente, a infração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, entendo que não se pode aplicar as súmulas CARF nº 14 e 25, porque se o sujeito passivo deixa de contabilizar completamente, por três anos consecutivos (2001 a 2003), duas contas bancárias, mas que faz transitar por ela valores que não logra comprovar a origem caracterizase, sim, a sonegação, porque deixaram de levar ao conhecimento da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aliás, a autoridade fazendária só tomou conhecimento em virtude da CPI dos Bingos, que Fl. 2490DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.491 16 investigava a utilização de casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores. Assim, não se trata de mera omissão de receita. Há outras elementares como a reiteração, por exemplo, e a outra infração que foi detectada, no caso o pagamento de valores a beneficiários não identificados. Ou seja, há um contexto de mais de uma infração. Assim, o dolo se caracteriza não apenas pelas circunstâncias narradas, mas também pela prática reiterada das condutas, como na ausência de contabilização da movimentação de algumas contas do Bradesco, conforme TVF, verbis: Como já relatado neste termo, os valores relativos a cheques emitidos, transferências efetuadas, etc. das as conta n°s 1.9909 e 7.9995 do banco Bradesco S.A.,realizadas no ano de 2001, 2002 e 2003, não foram acatados como elementos probantes de qualquer operação, tendo em vista a falta de contabilização destas contas pela empresa S.Santos Assessoria Ltda. O conluio se caracteriza pelo acordo ou cumplicidade entre duas ou mais pessoas para prejudicar terceiro. No presente caso, o fato de serem marido e mulher ratifica ainda mais a ideia de conluio, tendo em vista a existência de confiança mútua. O terceiro prejudicado é o próprio Fisco, que não conseguiu identificar os verdadeiros beneficiários pelos pagamentos realizados pela autuada. Da leitura do TVF, fica evidente que os atos praticados pela autuada, em conluio com outras empresas e com seus sócios, tiveram a intenção de simular a realização de empréstimos através de operações de triangulação, e de ocultar a realização de pagamentos a terceiros não identificados. Tal ação intencional impediu o conhecimento das condições pessoais do real contribuinte, trazendo a tributação do imposto sobre a renda para o substituto tributário (IRRF), o que configura sonegação, nos termos do art.71, inc. II da lei n.4.502/64. Assim, em relação à infração de IRRF pagamento a beneficiários não identificados e pagamentos sem causa, correta também a imposição da multa em percentual qualificado de 150% pela Fiscalização em razão de se ter identificado nas operações entre empresas (MM Consultoria Ltda e S. Santos Assessoria Ltda) e sócios a prática de atos simulados, através de operações de triangulação, com o intuito de ocultar os verdadeiros beneficiários dos pagamentos e a ocorrência do fato gerador, configurando a prática de sonegação e conluio, na inteligência dos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502/64. A contribuinte se insurge aduzindo que a Fiscalização não logrou demonstrar a triangulação, os empréstimos, etc. No entanto, foi a própria autuada, na condição de fiscalizada que justificou as operações em um modelo de triangulação e por meio de empréstimos, que a Fiscalização resumiu nos seguintes termos: De acordo com a escrita fiscal, os recursos saíram das pessoas jurídicas a título de distribuição de lucros ou empréstimos para o(s) sócios(s) e, portanto, sem reflexo tributário nas pessoas físicas dos sócios por força da legislação. As empresas fiscalizadas para justificarem a destinação dessas quantias alegaram, em síntese: Fl. 2491DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.492 17 Que os recursos saíram da empresa "A" para o sócio da empresa "B", uma vez que o sócio da empresa "B", havia emprestado anteriormente ao sócio de "A" e este estaria pagando empréstimo através de remessa direta da empresa "A" para o sócio de "B" para evitar a incidência de CPMF. É importante ainda destacar que a Fiscalização já tinha considerado parcela de valores intimados e que a DRJ também exonerou tanto valores lançados a título de omissão de receitas, como de IRRF, que a então impugnante logrou comprovar. Porém por todo o exposto, a multa a ser aplicada no lançamento de oficio é a de 150%, conforme mandamento do caput, inciso I e § 1º do Artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1.996, com a nova redação, dada pela Lei n° 11.488, de 2007, que citamos, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) 1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O teor dos artigos da Lei n° 4.502, de 1.964, mencionados no texto legal acima reproduzido, á o seguinte: Art 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. (grifo nosso) Em face do exposto e da legislação acima transcrita, deve ser restabelecida a multa de ofício no patamar de 150% para as infrações de omissão de receitas com base em depósitos bancários e de IRRF sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Faço a ressalva que para a infração de omissão de receitas em razão da falta de comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos aplicados em integralização de capital, a multa já havia sido estabelecida no patamar de 75% por decisão definitiva da DRJ. Fl. 2492DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.493 18 Prazo Decadencial Restando caracterizado a existência de dolo e conluio, a justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, a contagem do prazo decadencial deverá ser efetivada nos termos do art.173, inc. I do CTN, em respeito ao que preceitua a parte final do art.150, §4º do CTN, o qual transcrevo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O contribuinte alega que houve antecipação do pagamento, tendo o Fisco lançado apenas as diferenças, e neste caso aplicarseia o art.150, §4º do CTN, ou seja, para os tributos sujeitos à sistemática do lançamento dito por homologação, o prazo seria de 05 (cinco) anos, com termo inicial na data da ocorrência do fato gerador. Entretanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação deslocase esta regência para o art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial do prazo de decadência o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Esse entendimento já está pacificado através da Súmula CARF n.72: caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, o prazo decadencial a ser aplicado é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado nos termos do art.173, inc. I do CTN. Analisando o caso concreto, a infração de omissão de receitas pela falta de comprovação da origem e efetiva entrega à empresa dos recursos aplicados em integralização de capital, no valor de R$ 12.000,00 contabilizados em 12/02/01, teve a multa qualificada exonerada pela DRJ. Para esse lançamento, como não há multa qualificada, a regra do art. 150, §4º, do CTN determina que o lançamento decaiu em 01 de maio de 2006, para o IRPJ e a CSLL (apuração trimestral) e em 01 de abril de 2006 para o PIS e a COFINS (apuração mensal). Como a ciência ocorreu em 4/7/2006, operouse a decadência para os citados tributos. Fl. 2493DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.494 19 Para as infrações de omissão de receitas com base nos depósitos bancários e de pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa aplicase a regra do art. 173, I, do CTN. Na omissão de receitas, há lançamentos de IRPJ para fatos geradores ocorridos a partir do 3º trimestre de 2000, para o qual o primeiro dia do exercício seguinte é 01/01/2001 e o último dia para o lançamento é 31/12/2005, de forma que só estão mantidas as exigências do último trimestre de 2000, e as reflexas com apuração também trimestral (CSLL). Para as exigências reflexas do último trimestre de 2000, que possuem apuração mensal (PIS e COFINS), estão mantidas apenas as com fato gerador em dezembro/2000, cujo vencimento ocorreu em janeiro. Os lançamentos de IRRF ocorreram a partir de janeiro de 2001, por conseguinte, o primeiro dia do exercício seguinte é 01/01/2002 e o último dia para o lançamento é 31/12/2006, de forma que não houve períodos decaídos em relação a este tributo. Logo, dou parcial provimento ao recurso especial da Fazenda, porque restabeleço a multa qualificada, para as seguintes infrações: omissão de receitas em razão da não comprovação da origem de depósitos bancários e; pagamentos com beneficiários não identificados ou sem causa. Mas reconheço decaído integralmente os lançamentos dos seguintes períodos de apuração: IRPJ do 3º trimestre de 2000; CSLL do 3º trimestre de 2000; PIS de 31/08/2000 e 31/09/2000 e; COFINS de 31/08/2000 e 31/09/2000; e parcialmente decaídos os lançamentos referentes ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre de 2001, e o PIS e COFINS de fevereiro/2001, com a redução de R$ 12.000,00 nas respectivas bases de cálculo. Recurso Especial do Contribuinte O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Juros sobre Multa A contribuinte questiona a incidência dos juros de mora devidos à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Apresentou paradigma nº.10196.593, datado de 05/03/2008, cuja ementa foi reproduzida no relatório. Quanto ao tema, em recente julgado proferi meu voto no sentido de afirmar a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (acórdão 9101002.349, de 14/06/2016), o qual foi ratificado pela maioria dos Conselheiros da 1ª Turma da CSRF, conforme razões a seguir. A Lei nº 9.430, de 1996, estabelece, em seu art. 61, § 3º, que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejase: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 2494DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.495 20 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.(grifo nosso) De outra banda, está estampado na Súmula CARF nº 5 que são devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento. Confirase (sublinhei): Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ora, dos arts. 113, § 1º, e 139 do CTN deflui que o crédito tributário, que decorre da obrigação principal, compreende tanto o tributo em si quanto a penalidade pecuniária, o que inclui, à toda evidência, a multa de oficio proporcional de caráter punitivo. Vale transcrever os dispositivos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Sendo assim, outra não pode ser a interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” expressa no retrotranscrito art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, senão a de que abarca a integralidade do crédito tributário, incluindo a multa de oficio proporcional punitiva, constituída por ocasião do lançamento. Resta evidente que a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora por força do disposto no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1997. Aliás, se a intenção do legislador fosse limitar a aplicação do art. 61 apenas aos débitos principais de tributos e contribuições, bastaria suprimir o termo "decorrente", como bem pontua o Conselheiro Adolfo dos Santos Medes, no voto condutor do Acórdão nº 1401 001.653: É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Fl. 2495DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.496 21 Com base no art. 161, caput, do CTN, o contribuinte insiste na tese de que "os juros devem incidir (sendo o caso), apenas sobre valor do tributo e não sobre valor de multa". Entretanto, o referido artigo estabelece a incidência de juros de mora sobre o "crédito não integralmente pago no vencimento", dispondo o seguinte: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (Grifei) Não há dúvida de que multa não é tributo, pela própria dicção do art. 3º do CTN: "Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Todavia, a coerência interna do CTN evidencia, com clareza, conforme revelam os arts. 113, § 1º, e 139, que a penalidade pecuniária é também objeto da obrigação tributária principal e assim integra o conceito de crédito, objeto da relação jurídica estabelecida entre o Fisco e o sujeito passivo, beneficiandose de todas as garantias a ele asseguradas por lei, inclusive o acréscimo de juros de mora. Adotando estas premissas, o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa também concluiu, no voto condutor do Acórdão nº 220101.630, que, se o art. 113 do CTN incorpora à obrigação principal o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, e o art. 139 do CTN estipula que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, é evidente que a penalidade pecuniária integra o conceito de crédito tributário. Em acréscimo, o Conselheiro expõe que: Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do Fl. 2496DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.497 22 pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “a imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. [...] Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. Com relação ao argumento da Recorrente de que o art. 161, caput, ao ressalvar a possibilidade de "imposição de penalidades cabíveis" evidenciaria que a referência Fl. 2497DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.498 23 a "crédito não integralmente pago no vencimento" diz respeito, apenas, ao tributo não recolhido, cumpre esclarecer que tal ressalva revela, na verdade, que o artigo em tela prestase a permitir a aplicação de multas de caráter moratório em decorrência da impontualidade no pagamento do tributo. Logo, à luz do caput do art. 161 do CTN, não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Corroborando o entendimento de que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis, em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº 1.129.990/PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Este foi, aliás, o entendimento da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, como se vê no julgamento do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688/PR, em 4/12/2012, Relator Min. Benedito Gonçalves: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido Vale destacar o seguinte trecho da decisão: Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: "... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda Fl. 2498DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.499 24 assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento."(grifo nosso) Em julgado recente, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional, conforme se verifica a partir da ementa do Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, do qual foi relator o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Por fim, conforme o antes transcrito § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a taxa aplicável ao débitos de que aqui se trata, aí incluídos, como se viu, os decorrentes da aplicação de multa de ofício, é aquela "a que se refere o § 3º do art. 5º", qual seja a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Vejase: Art. 5º (...) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Pelo exposto, é de se negar provimento, portanto, ao recurso do contribuinte no que diz respeito a este tema. Mantenho a aplicação dos juros de mora à taxa SELIC sobre a multa de ofício. Ampliação da Base de Cálculo do PIS e da COFINS pela lei n.9.718/98 A contribuinte apresenta paradigma n.3803005.635 para demonstrar a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições perpetrado pela Lei nº 9.718/98, e requer o cancelamento do lançamento dos respectivos tributos. O acórdão recorrido, proferido em 2007, deixa claro em sua ementa que a base de cálculo do PIS e da COFINS corresponderia à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Todavia, passados alguns anos, o Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a Fl. 2499DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.500 25 jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006)Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008).(grifo nosso) O art.62 do Regimento Interno do CARF veda o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de sua inconstitucionalidade, salvo nos casos em que especifica no seu §1º, entre eles, a alínea "b", quando houver decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Não obstante, vale ressaltar que a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições, não as torna completamente indevidas, mas tão somente no que concerne à base de cálculo "alargada". Sendo assim, permanece a incidência do PIS e da COFINS sobre o faturamento, tomado em sentido estrito, que se convencionou chamar de receitas operacionais, quais sejam, aquelas decorrentes do produto da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços e das receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. Tal lançamento tem por fundamento o o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, com a redação vigente ao tempo do lançamento: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ....................................................................................................... § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Ou seja, todas as vezes que se apura omissão de receitas, o legislador determina a tributação reflexa do PIS, da COFINS e da CSLL. Fazse mister trazer à baila os fundamentos para autuação do PIS e da COFINS. No Termo de Verificação Fiscal (efls.99116), constatase que o lançamento das Fl. 2500DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.501 26 contribuições decorreu de falta de comprovação da origem e efetiva entrega à empresa dos recursos aplicados em integralização de capital, bem como em razão de depósitos bancários de origem não comprovada, que por presunção legal, são considerados omissão de receita. O art.42 da lei n.9.430/96 dispôs: Depósitos Bancários Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por óbvio, que a presunção legal é de que as receitas omitidas são tributáveis. A presunção juris tantum apenas inverte o ônus da prova, e transfere ao contribuinte o dever de provar a origem dos recursos e a natureza das receitas. De acordo com o TVF, intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depoistados, não apresentou o contribuinte qualquer justificativa plausível para origem dos recursos depositados. Caberia ao contribuinte o ônus da prova de que as receitas omitidas não se coadunam no conceito de faturamento no sentido estrito, de que essas receitas fariam parte da base de cálculo "alargada". Todavia, não o fez. Dessa forma, a despeito de reconhecer a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98, voto no sentido de manter o lançamento do PIS e da COFINS, posto que o contribuinte não faz prova de que as receitas omitidas seriam receitas nãooperacionais. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendose a imposição de multa de ofício qualificada no percentual de 150% para as infrações de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada e de IRRF pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa, aplicando ao lançamento o prazo decadencial constante do art. 173, inciso I do CTN, exceto para a infração de omissão de receitas com base no suprimento de numerário, cuja regra é a do art. 150, §4º do CTN; e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, bem como o lançamento das contribuições para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2501DF CARF MF Processo nº 10680.007189/200615 Acórdão n.º 9101002.957 CSRFT1 Fl. 2.502 27 Fl. 2502DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.006827/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 68 27 /2 00 9- 71 Fl. 361DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 3402004.177 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Fl. 363DF CARF MF 4 Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10715.006827/200971 Acórdão n.º 3402004.177 S3C4T2 Fl. 4 5 Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberiav se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 365DF CARF MF 6 Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.733841/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NÃO SE APLICA APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PARA A TRANSFORMAÇÃO DE ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS EM GOZO DA IMUNIDADE EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA.
Não são todos os bens e direitos da pessoa física que se sujeitam a apuração de omissão de rendimentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto - APD, mas aqueles que, pela natureza do ato ou negócio jurídico, presume-se um esforço financeiro do contribuinte.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-005.037
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O relator votou por conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe parcial provimento alterando o lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para Ganho de Capital; o conselheiro Fabio Piovesan Bozza abriu divergência sustentando que não houve a disponibilização do patrimônio aos sócios, votando por dar provimento ao recurso voluntário, no que foi acompanhado pelos conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; O conselheiro Jorge Henrique Backes abriu nova divergência sustentando a incorreção do lançamento efetuado como Acréscimo Patrimonial a Descoberto, votando por dar provimento ao recurso diante da impossibilidade de alterar o lançamento como proposto pelo relator, no que foi acompanhado da conselheira Andrea Brose Adolfo. Diante das 3 teses apresentadas, a questão foi submetida ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, sendo excluída, na primeira votação, a tese do relator, por força do disposto no parágrafo único, do mesmo artigo; em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese da incorreção do lançamento, vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. Fez sustentação oral pelo recorrente Dr. Bruno Fajerstajn OAB/SP 206.899.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Jorge Henrique Backes - Redator designado
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NÃO SE APLICA APURAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO PARA A TRANSFORMAÇÃO DE ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS EM GOZO DA IMUNIDADE EM SOCIEDADE EMPRESÁRIA. Não são todos os bens e direitos da pessoa física que se sujeitam a apuração de omissão de rendimentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto - APD, mas aqueles que, pela natureza do ato ou negócio jurídico, presume-se um esforço financeiro do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O relator votou por conhecer do Recurso Voluntário, para dar-lhe parcial provimento alterando o lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para Ganho de Capital; o conselheiro Fabio Piovesan Bozza abriu divergência sustentando que não houve a disponibilização do patrimônio aos sócios, votando por dar provimento ao recurso voluntário, no que foi acompanhado pelos conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; O conselheiro Jorge Henrique Backes abriu nova divergência sustentando a incorreção do lançamento efetuado como Acréscimo Patrimonial a Descoberto, votando por dar provimento ao recurso diante da impossibilidade de alterar o lançamento como proposto pelo relator, no que foi acompanhado da conselheira Andrea Brose Adolfo. Diante das 3 teses apresentadas, a questão foi submetida ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, sendo excluída, na primeira votação, a tese do relator, por força do disposto no parágrafo único, do mesmo artigo; em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese da incorreção do lançamento, vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. Fez sustentação oral pelo recorrente Dr. Bruno Fajerstajn OAB/SP 206.899. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Jorge Henrique Backes - Redator designado Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
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Não são todos os bens e direitos da pessoa física que se sujeitam a apuração de omissão de rendimentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, mas aqueles que, pela natureza do ato ou negócio jurídico, presumese um esforço financeiro do contribuinte. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui juntamente com o tributo atualizado até a data do lançamento o crédito tributário e está sujeito à incidência de juros moratórios até sua extinção pelo pagamento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. O relator votou por conhecer do Recurso Voluntário, para darlhe parcial provimento alterando o lançamento de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para Ganho de Capital; o conselheiro Fabio Piovesan Bozza abriu divergência sustentando que não houve a disponibilização do patrimônio aos sócios, votando por dar provimento ao recurso voluntário, no que foi acompanhado pelos conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; O conselheiro Jorge Henrique Backes abriu nova divergência sustentando a incorreção do lançamento efetuado como Acréscimo Patrimonial a Descoberto, votando por dar provimento ao recurso diante da impossibilidade de alterar o lançamento como proposto pelo relator, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 38 41 /2 01 1- 38 Fl. 423DF CARF MF 2 que foi acompanhado da conselheira Andrea Brose Adolfo. Diante das 3 teses apresentadas, a questão foi submetida ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, sendo excluída, na primeira votação, a tese do relator, por força do disposto no parágrafo único, do mesmo artigo; em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese da incorreção do lançamento, vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. Fez sustentação oral pelo recorrente Dr. Bruno Fajerstajn OAB/SP 206.899. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Jorge Henrique Backes Redator designado Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10580.733841/201138 Acórdão n.º 2301005.037 S2C3T1 Fl. 424 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente auto de infração para constituição de crédito tributário de IRPF com multa de ofício em 75%, anocalendário 2006, lançado em virtude de suposta omissão de rendimentos apurada em acréscimo patrimonial a descoberto APD, ou seja, excesso de aplicações sobre origens não comprovadas. O lançamento foi realizado em 19/12/2011 e teve como fundamentos: a) as origens/recursos e dispêndios/aplicações considerados na apuração da variação patrimonial a descoberto estão detalhados no Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, fls. 23/26, e Anexos, às fls. 27/35; b) todos os valores relacionados no Anexo D – Aquisição de Bens e Direitos, às fls. 30, foram colhidos dos documentos apresentados pelo contribuinte e declarados em DIRPF, com exceção da aquisição de direitos relativos ao Centro Educacional Villa Lobos, no valor de R$ 17.838.990,30, decorrente da cisão ocorrida na Sociedade Baiana de Educação e Cultura ASBEC; c) a ASBEC iniciou suas atividades em 21 de março de 1996, como associação civil sem fins lucrativos, com um capital de R$ 50.000,00, sendo 50% pertencentes ao autuado e 50% pertencentes a seu cônjuge, sediada à Av. Tamburugy, 474 – Patamares, com nome de fantasia Colégio Diplomata; em 2002, passou a operar com o nome de Faculdade Jorge Amado e mudouse para a Av. Luiz Viana Filho, 6.775 – Paralela; em 02 de janeiro de 2006, a associação foi transformada em sociedade empresária com fins econômicos; em março de 2006, foi registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia, com um capital de R$ 100.000,00, sendo 50% pertencentes a cada um dos exassociados; em 01 de setembro de 2006, a sociedade empresária foi cindida, sendo 82,696 % de seu patrimônio líquido vertido para o Centro Educacional Villa Lobos Ltda, que também pertencia autuado e seu cônjuge, no percentual de 50% para cada um; d) em decorrência da referida cisão, foram transferidos para o patrimônio líquido do Centro Educacional Villa Lobos Ltda R$ 82.692,00 a título de capital social e R$ 35.677.980,59 referentes à reserva de capital proveniente dos superávits auferidos pela sociedade imune, sendo recebido no ativo um bem imóvel (matrícula imobiliária 24.117) com suas acessões e benfeitorias, local onde já funcionava o Centro Educacional, no valor de R$ 34.956.554,10, e ativos operacionais, no valor de R$ 804.122,49; Em síntese: Fl. 425DF CARF MF 4 A instituição de ensino, antes em gozo da imunidade tributária, transformou se em sociedade empresária e, posteriormente, sofreu cisão para a versão de seus ativos para outra instituição de ensino com mesmo quadro social e que já funcionava no mesmo endereço, inclusive da reserva de capital formada durante o período que estava em gozo da imunidade tributária e, portanto, impedida de distribuição de patrimônio e rendas. A fiscalização entendeu que o patrimônio cindido e transferido constituíra, na verdade, a devolução dos ativos aos sócios para posterior aquisição de direitos por integralização de capital na sociedade empresária Centro Educacional Villa Lobos. Considerado como aplicação na apuração do APD, foram realizados lançamentos tributários separados para os dois sócios proporcionalmente à participação societária que, no caso, é de 50%; no valor de R$ 17.838.990,30 para cada um, fls. 21 e 26. Por força de decisão judicial que anulou a intimação realizada pelo eCAC, o recurso voluntário foi considerado tempestivo. A peça recursal reitera as alegações em impugnação, verbis: a) o lançamento fiscal é nulo por cerceamento a seu direito de defesa, na medida em que não esclarece qual dos dois atos descritos na autuação teria efetivamente dado ensejo à suposta devolução do patrimônio ao autuado, se foi a transformação da entidade imune em sociedade empresária, ou se foi a posterior cisão parcial de seu ativo. Faltaria, também, apontar o dispositivo legal que descrevesse essa hipótese tributária; b) o impugnante é ilegítimo a figurar no pólo passivo do presente processo administrativo, em razão da inexistência de relação jurídicotributária entre este a União Federal, apta a constituir o dever jurídico de recolher o IRPF; c) no presente lançamento não foram considerados os rendimentos declarados por seu cônjuge, Sra. Viviane Brito de Lucca Silva, no montante de R$ 18.267.850,47, que detinha 50% da participação na ASBEC, sendo realizado lançamento independente em nome desta, no processo nº 10580.733842/201182. Em virtude da intima relação existente entre os processo, estes devem ser julgados concomitantemente; d) a mera transformação da ASBEC em sociedade empresária não implica a devolução do patrimônio aos seus associados, para apuração de eventual ganho de capital, por não constituir hipótese de extinção, dissolução ou liquidação de sociedade. Ressaltandose que não há na legislação norma jurídica que impeça a referida transformação, bem como, que o valor relativo ao superávit acumulado pela ASBEC foi devidamente mantido em reserva de capital, para preservar a retenção desses resultados que não foram objeto de distribuição aos seus associados; e) a cisão parcial da ASBEC, com versão de parte de seu patrimônio para o Centro Educacional Villa Lobos, representa mera substituição de participações societárias, o que não gera qualquer acréscimo patrimonial disponível para fins de incidência do IRPF; f) ainda que houvesse ocorrido a devolução do patrimônio aos sócios, a tributação do valor excedente ao entregue para a formação do referido patrimônio seria tributável exclusivamente Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10580.733841/201138 Acórdão n.º 2301005.037 S2C3T1 Fl. 425 5 na forte à alíquota de 15%, nos termos do art. 17, § 2º, alínea a, da Lei nº 9.532 de 1997, e não na pessoa física pela tabela progressiva; g) inexiste previsão legal expressa para a cobrança de juros de mora sobre multa de ofício. Indicado para pauta, o julgamento foi convertido em diligência para que se evitasse decisão conflitante com outro processo de relativo ao lançamento realizado contra o outro sócio da sociedade empresária, processo nº 10580.733842/201182 que se fundamenta nos mesmos fatos, fls. 394 e s.; contudo, em despacho o presidente desta câmara entendeu não existir prejudicialidade, fls. 414 e s. É o Relatório. Fl. 427DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o cumprimento dos pressupostos processuais, passo a examinar o recurso. O procedimento da fiscalização e formalização da autuação cumpriram todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: ... O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou todas as alegações do recorrente, com indicação precisa dos Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10580.733841/201138 Acórdão n.º 2301005.037 S2C3T1 Fl. 426 7 fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade. Portanto, em razão do exposto e nos termos de regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com relação a suposta nulidade por vício de fundamentação, verifico nos autos a transformação da ASBEC, antes entidade imunidade sem fins lucrativos, em sociedade empresária e, em seguida, a cisão do patrimônio para o Centro Educacional Vila Lobos. A fiscalização entendeu que o patrimônio cindido e transferido constituíra, na verdade, a devolução dos ativos em reserva de capital na ASBEC aos sócios para posterior aquisição de direitos por integralização de capital na sociedade empresária Centro Educacional Villa Lobos, fls. 21. Inclusive, desde a impugnação o recorrente demonstra conhecer os fatos indicados pela fiscalização: d) a mera transformação da ASBEC em sociedade empresária não implica a devolução do patrimônio aos seus associados, para apuração de eventual ganho de capital, por não constituir hipótese de extinção, dissolução ou liquidação de sociedade. Ressaltandose que não há na legislação norma jurídica que impeça a referida transformação, bem como, que o valor relativo ao superávit acumulado pela ASBEC foi devidamente mantido em reserva de capital, para preservar a retenção desses resultados que não foram objeto de distribuição aos seus associados; Dessa forma, não vislumbro vício de nulidade. No mérito Com efeito, para a imunidade conferida pelo artigo 150, inciso VI, alínea "c" da Constituição Federal, existe dispositivo legal que cria como condição, em caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, que a entidade que estava anteriormente em gozo de imunidade transfira seu patrimônio para outra entidade imune ou órgão público: Lei nº 9.532, de 1997 “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189 49, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 429DF CARF MF 8 ... § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: ... g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público;” É como se a imunidade fosse condicionada à afetação do patrimônio à mesma destinação quando da ocorrência dos eventos futuros e incertos: incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades. Não se nega a possibilidade de discussão da constitucionalidade do dispositivo legal quanto à sua conformidade com a parte final da alínea "c" do inciso VI do artigo 150, ou seja, se de fato seria um requisito criado com fundamento na norma constitucional de eficácia contida ou se o efeito retroativo imposto teria extrapolado a competência legislativa ordinária; porém, não seria esse o foro apropriado segundo o artigo 26 A do Decreto n° 70.235/72: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: ... VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; É certo que no caso somente ocorreu a cisão após a transformação da entidade imune em sociedade empresária, em 02/03/2006; porém, essa operou como uma etapa intermediária, cuja finalidade foi premeditada em transferir o patrimônio para uma sociedade empresária, com os mesmos sócios, o que ocorrera 01/09/2006, 6 meses após o registro da transformação em sociedade empresária. Em conjunto, de fato, uma entidade imune teve seu patrimônio cindido para uma sociedade empresária, o que se subsume ao dispositivo legal em exame. Quanto a conformação jurídica da transformação em sociedade empresária, com efeito, não há vedação nesse sentido e o fato por si só não constitui fato gerador. Como já apontado, a transformação operou apenas como uma etapa intermediária para a cisão. Essa sim tem efeitos tributários, como dispôs a Lei nº 9.532, de 1997. Embora todos os atos tenham sido regularmente formalizados, a fiscalização considerou que a cisão do patrimônio, antes de se considerar a sua incorporação à sociedade empresária Centro Educacional Villa Lobos, significou uma devolução desse patrimônio aos sócios. Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10580.733841/201138 Acórdão n.º 2301005.037 S2C3T1 Fl. 427 9 Acontece que a fiscalização não deu o tratamento tributário previsto na legislação para esses casos. Segundo a decisão recorrida, não se aplicaria o artigo 17, §2º, alínea "a", da Lei nº 9.532 de 1997 porque isenção não se confunde com imunidade: Foi alegado, ainda, que caso se considerasse ocorrida a devolução do patrimônio aos sócios, a tributação do valor excedente ao entregue para a formação do referido patrimônio seria tributável exclusivamente na forte à alíquota de 15%, nos termos do art. 17, § 2º, alínea a, da Lei nº 9.532 de 1997. Contudo, a referida forma de tributação se restringe a devolução do patrimônio de instituições isentas, que não se confundem com as imunes. Portanto, correta a tributação da variação patrimonial na forma prevista no art. 37 do RIR/1999. De fato, não são institutos idênticos; contudo, a imunidade é uma isenção qualificada pela sua previsão em normal constitucional e que, por conseqüência, afasta a hipótese do campo de incidência do tributo. No caso, a forma de tributação prevista no caput do artigo 17 da Lei nº 9.532 de 1997 é menos gravosa do que a submissão à tabela progressiva do IRPF. Assim, com mais razão alcançaria também a imunidade. Pelos fatos, convençome que deva ser considerada a devolução do patrimônio aos sócios logo após a cisão, mas não é o caso de apuração de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto, o que implicaria a tributação pela tabela progressiva. Primeiro, porque para essa hipótese existe previsão legal de tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 15%, nos termos do art. 17, §2º, alínea "a" da Lei nº 9.532 de 1997: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17 da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. Segundo porque a forma de tributação a que se refere o artigo 3°, §1° da Lei 7.713 exige dois requisitos: a) que o bem ou direito possa ser considerado uma propriedade da pessoa física, ainda que provisoriamente; e b) origens de recursos insuficientes para lastrear o dispêndios: Lei 7.713 de 1988: Art.3° O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos artigos 9º a 14 desta Lei. Fl. 431DF CARF MF 10 §1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Acontece que na hipótese o patrimônio fora imputado ao recorrente por uma interpretação jurídica dos fatos e não pela pura identificação da existência de um bem ocultado da fiscalização. Pareceme correta a conclusão sobre a devolução ao sócio, ora recorrente, do patrimônio antes pertencente à entidade imune, mas equivocada quanto a parte que atribui a esse fato a existência de um rendimento não declarado à fiscalização. Não houve rendimento, não houve dispêndio, não houve aquisição. Não são todos os bens e direitos da pessoa física que se sujeitam a apuração de omissão de rendimentos por acréscimo patrimonial a descoberto APD, mas aqueles que, pela natureza do ato ou negócio jurídico, exigiram dela um esforço financeiro. Como exemplo, não se sujeitam a apuração por APD embora se desconheça a origem dos recursos os bens adquiridos por herança, meação, doação e outras fatos ou atos jurídicos de natureza não onerosa. É o que aconteceu no presente caso. O patrimônio cindido e incorporado à sociedade empresária Centro Educacional Villa Lobos, embora de acordo com a forma em que ocorrera se possa considerar o aumento patrimonial do recorrente, pela natureza dos fatos jurídicos não houve dispêndio. Na verdade, houve um ganho de capital correspondente à diferença de valores do patrimônio quando da cisão e incorporação à sociedade empresária Centro Educacional Villa Lobos e quando da constituição da entidade sem fins lucrativos. Em relação aos juros moratórios sobre a multa de ofício, busca o recorrente uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 mais literal, no sentido da necessidade de que a expressão "tributos e contribuições" contivesse também a multa para que houvesse a incidência dos juros moratórios: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, o tributo é devido desde a ocorrência dos fatos geradores e, portanto, é atualizado pelos juros moratórios. Na data do lançamento, a autoridade fiscal também constitui crédito corresponde a multa de ofício. Neste caso, o preceito violado foi a ausência de espontaneidade do contribuinte. E se deve considerar que nos termos dos artigos 113 e 115, mesmo as multas decorrentes de obrigações acessórias, ou seja, as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, convertemse e são tratadas como obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. ... § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10580.733841/201138 Acórdão n.º 2301005.037 S2C3T1 Fl. 428 11 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. ... Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Tanto o tributo quanto a multa formam em seu conjunto o crédito tributário. A multa de ofício é aplicada no ato do lançamento e a partir de então não mais se torna relevante para fins de cobrança atribuirlhe tratamento diferente ao dispensado legalmente à parcela correspondente ao tributo propriamente dito. A partir da constituição, o que temos é um crédito tributário composto por duas partes: tributo atualizado até a data do lançamento e multa. A partir daí, a correção decorre de sua natureza financeira, não justificando o "congelamento" de quaisquer valores no natural decurso do tempo. A jurisprudência das turmas da CSRF deste CARF também vem sendo consolidada pela incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, conforme Acórdão 9101001.863 da primeira turma e Acórdão 9303002.400 da terceira turma. Por tudo, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para que seja reduzido o valor lançado na forma do artigo 17, §2º, alínea "a" da Lei nº 9.532 de 1997. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 433DF CARF MF 12 Voto Vencedor Concordamos com o entendimento do relator de que não se trata de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, e sim de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, a alíquota de 15%. Assim, não se aplica apuração de acréscimo patrimonial a descoberto para a transformação de entidade sem fins lucrativos em gozo da imunidade em sociedade empresária. A fundamentação legal é requisito essencial do Auto de Infração, nos termos do artigo 10, IV, e artigo 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, cuja inexistência acarreta, inclusive, a nulidade do lançamento. A mudança seria necessária e implicaria em retificação da fundamentação legal, o que só poderia ser feito em novo lançamento e não em simples convalidação do ato anterior. O artigo 149 do CTN deixa claro que a revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, que não é o caso. Observese, também, que o lançamento ocorreu em 19/12/2011, e a transformação da entidade imune em sociedade empresária, e a cisão ocorreram em 02/03/2006, e em 01/09/2006. Para ambas as datas já teria transcorrido o período decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, estabelecido no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Diante do exposto, voto pelo provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. Jorge Henrique Backes Fl. 434DF CARF MF
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