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Numero do processo: 10670.002157/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO.
A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitando-se a alegação não comprovada.
Numero da decisão: 2402-006.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmetne)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 INOVAÇÃO DE QUESTÕES NO ÂMBITO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fático-jurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO. A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitando-se a alegação não comprovada.
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IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos artigos 16, inciso III e 17, ambos do Decreto n. 70.235/72, e, ainda, não se tratando de uma questão de ordem pública, deve o contribuinte em impugnação desenvolver todos os fundamentos fáticojurídicos essenciais ao conhecimento da lide administrativa, sob pena de preclusão da matéria, impondo seu não conhecimento. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ALEGAÇÃO. A legislação que rege o processo administrativo fiscal exige que impugnação seja instruída com os documentos em que se fundamentar, rejeitandose a alegação não comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 21 57 /2 00 9- 87 Fl. 5392DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmetne) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 5393DF CARF MF Processo nº 10670.002157/200987 Acórdão n.º 2402006.272 S2C4T2 Fl. 5.392 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, de fls. 5369/5375, voltado contra Acórdão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendo, in totum, o crédito tributário exigido no DEBCAD 37.228.4744. Está assim lançado o relatório da r. decisão em testilha: "Conforme Relatório Fiscal (fls. 181/185), tratase de crédito no valor R$ 4.464.365,19 (quatro milhões, quatrocentos e sessenta e quatro mil, trezentos e sessenta e cinco ,i reais e dezenove centavos) relativo a contribuições sociais previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre remunerações a servidores, subsídios e diárias a prefeito e viceprefeito, remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, e sobre o valor de aquisição de produtos rurais de pessoas fisicas. Notificado da autuação em 18/11/2009, o município autuado apresentou impugnação em 18/12/2009, alegando, em resumo, nulidade da autuação: por ausência de descrição do fato e da fundamentação legal que originou o valor lançado; bem como inexistência de qualquer irregularidade, tendo em vista que o Município impugnante procedeu ao respectivo desconto da contribuição devida incidente sobre a remuneração de seus servidores, subsídios e diárias do prefeito e videprefeito, atendendo a legislação em vigor. Ao final requer acolhimento da impugnação e improcedência do auto de infração." Em seu recurso, a procuradoria da municipalidade apresenta matéria nova, a saber, a responsabilidade pessoal do exchefe do poder executivo, Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato teria se iniciado em janeiro de 2005. No apelo aponta que a gestão do exprefeito foi feita de modo totalmente improbo, não podendo o município arcar com tais obrigações. Desse modo, e com arrimo no art. 137, incs. I e II do Código Tributário Nacional, aponta no sentido de que há a necessidade de confirmação da responsabilidade do exdirigente da prefeitura. Afia, às fls. 5373: "Em análise ao disposto, numa interpretação literal dos enunciados, fica a ponderação de que o agente é excluído da responsabilidade pessoal, somente e só, quando em exercício regular da administração. Ora, impróprio e até mesmo imoral seria admitir que um atuante de governo, ao agir de modo negligente, quando sabia estar agindo; uma vez que não pode arguir o contrário, pois os atos são dirimidos por lei, estaria atuando em exercício regular!" Fl. 5394DF CARF MF 4 Assim, requer a declaração de responsabilidade do Sr. João Ferreira Lima para responder pelo pagamento do crédito ora perseguido. No mérito, alega que foram feitos os devidos descontos do presente lançamento, sobre a remuneração de servidores, subsídios e diárias a prefeito e viceprefeito, remunerações a contribuintes individuais (onde se inclui transportadores autônomos e valor de aquisição de produtos rurais de pessoas físicas). Requer, portanto, que sejam acolhidos os argumentos apresentados para que seja declarada a improcedência da ação fiscal e seja cancelado o débito reclamado. É o relatório. Fl. 5395DF CARF MF Processo nº 10670.002157/200987 Acórdão n.º 2402006.272 S2C4T2 Fl. 5.393 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. Quando da análise de admissibilidade do Recurso Voluntário verificamos estarem presentes os pressupostos os intrínsecos (legitimidade, cabimento, interesse e inexistência de fato impeditivo ou extintivo), entretanto, quantos aos elementos extrínsecos restam atendidos apenas parcialmente, eis que, apesar da regularidade formal, verificamos a articulação de novas razões preliminares, erigidas apenas em sede recursal, portanto, em momento onde a preclusão já havia se operado. Assim, antes de adentrar nas questões intrínsecas da lide será necessário delimitar seu âmbito de conhecimento, uma vez que, conforme se demonstrará a seguir, parte dos fundamentos erigidos pelo Recorrente só foram desenvolvidos em âmbito recursal. Ao proceder à uma comparação entre a peça impugnatória e a peça recursal é possível concluir que o recorrente inova em suas fundamentos preliminares. Na impugnação verificamos que o Recorrente apresenta como preliminar a "Nulidade do Auto de Infração alegando em essência que na "ao contrário do que afirmado, o Município de Januária procedeu ao devido desconto dessas remunerações, exatamente, na conformidade do que determina a legislação em vigor, N;k0 havendo que se atribuir penalidade de multa, tendo em vista a adoção de devido e correto procedimento para o devido desconto".(fls. 124) A peça Recursal por seu turno apresenta como preliminar a "Responsabilidade pessoal do exchefe do executivo" alegando que "ante a narrativa dos fatos e em vista ao período de apuração das supostas infrações, resta notório que a data consta de negligências remanescentes à outra gestão administrativa, no qual tinha por seu chefe do executivo o Sr. João Ferreira Lima, uma vez que seu mandato iniciou em janeiro de 2005." (fls. 148) Como tais fundamentos não têm natureza jurídica afeta a ordem pública [não sujeitas a preclusão e passíveis de cognição oficiosa por esta instância julgadora ordinária] e não decorrem de pontos trazidos pela Decisão objurgada, não há razão para o seu conhecimento. Os Recursos, regra geral, devolvem ao órgão ad quem o conhecimento daquilo que tenha sido expressamente impugnado no órgão a quo dado o seu efeito tantum devolutum quantum appellatumm, estando o conhecimento de seus termos, salvo pelas matérias de ordem publica ou alegadas em decorrência direta da própria decisão, limitados aquilo que expressamente constou da impugnação. Fl. 5396DF CARF MF 6 Tal entendimento, no âmbito do PAF, tem assento normativo no que prevê o art. 161, inciso III do Decreto nº 70.235/71 que impõem ao contribuinte o ônus de, em sua impugnação, trazer todos os fundamentos relevantes para o julgamento da lide administrativa. Logo, não tendo sido aventada tal matéria em sede de impugnação e não se tratando de questão de ordem pública ou decorrência lógica das articulações da própria decisão recorrida, restaria precluso tal direito sendo vedado seu conhecimento por este colegiado, sob pena de haver a inoportuna supressão de instância conforme se extrai do Art. 172 do mesmo Decreto sobredito. Ante ao exposto, voto por não conhecer das preliminares erigidas de modo inovador por ocasião do Recurso, entretanto, o mérito deve ser conhecido. 2. No Mérito. Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte patronal, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GIILRAT, incidentes sobre as remunerações dos servidores, os subsídios, as diárias do prefeito e do viceprefeito, além de remuneração de contribuintes individuais, transportadores autônomos e o valor da aquisição de produtos rurais de pessoas físicas. A Recorrente se limita a fazer referência aos argumentos da impugnação sem articular as razões recursais propriamente ditas e naquilo que esboçou o fez de modo extremamente superficial e genérico, assim como já o fora na impugnação. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) 2 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Fl. 5397DF CARF MF Processo nº 10670.002157/200987 Acórdão n.º 2402006.272 S2C4T2 Fl. 5.394 7 Não há questões de direito a desafiar aquilo que foi posto por ordem do Acórdão recorrido e, nas questões de fato apresenta alegação genérica de que procedeu aos descontos das contribuições de seus trabalhadores de acordo com a legislação. Com relação as provas do alegado nada foi juntado de modo a ilidir a presunção formada pelo lançamento. O lançamento, por outro lado, segue bem instruído e demonstra solidez que lhe confere legitimidade aos olhos deste relator. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso. Dada a manutenção dos mesmos argumentos apresentados na impugnação, com os quais concordamos integralmente, adotaremos parcialmente as razões do julgado recorrido como parte dos fundamentos deste julgado: O Relatório Fiscal de fls. 181/185 descreve de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições sociais previdenciárias patronais lançadas nestes autos, que incidiram, em síntese, sobre remunerações a servidores segurados empregados, subsídios e diárias a prefeito e viceprefeito, remunerações a contribuintes individuais, inclusive transportadores autônomos, bem como sobre o valor de aquisição de produtos rurais de pessoas físicas. Os mencionados pagamentos são fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias nos termos da legislação minuciosamente descrita nos autos no anexo "Fundamentos Legais do Débito" (fls. 38/40) e no já citado Relatório Fiscal de fls. 181/185. Quanto ao argumento inexistência da irregularidade apontada pela fiscalização, o sujeito passivo não trouxe aos autos documentos capazes fazer prova de sua alegação. Isto posto e considerando que, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, o argumento da defendente não pode ser acolhido. Conclusão Por todo o exposto voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.904438/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.394
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.904438/200945 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.394 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 21 de junho de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS Recorrente COMPANHIA PARAENSE DE EMPREENDIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem aprecie a DCTF retificadora com relação ao crédito pleiteado, juntamente com as provas disponibilizadas pela recorrente ou requerendo outras que entender pertinentes, e verifique a certeza e liquidez do crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/BHE, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP a compensação de débito de COFINS do período de apuração 05/2004 com crédito de PIS por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 07/2003, arrecadado em 15/08/2003. Do Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .9 04 43 8/ 20 09 -4 5 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10665.904438/200945 Resolução nº 3401001.394 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF de Divinópolis em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito de PIS da competência 07/2003. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeita com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade justificando o ocorrido da seguinte forma: (a) que houve equívoco no preenchimento das DCTFs e DACON relativas ao período de apuração 31/07/2003; (b) que fez opção pelo sistema Não Cumulativo para recolhimento do PIS/PASEP, previsto na Lei 10.637/2002, porém, a contribuição apurada na forma do art. 1º foi recolhida sem a dedução do crédito resultante da aplicação do previsto no art. 3º da mesma Lei, resultando em recolhimento a maior, passível de recuperação assim demonstrado: Mês Val. Apurado Val. Crédito Val. Devido Val. Recolhido Val.a Recuperar Art.1° Art.3° R$ R$ R$ Jul R$ 547,97 R$ 551,44 (R$ 3,47) R$ 795,47 R$ 798,94 (c) "Como já são decorridos mais 5 (cinco) anos da ocorrência deste fato, tentamos a retificação das DCTFs e dos DACON para que passassem a espelhar a realidade dos créditos a nosso favor de modo a dar lastro ao PERDCOMP, mas não conseguimos. Em visita à Delegacia em Divinópolis em 25 de junho corrente foinos orientado que somente via apelação à esta instância , haveria condição de restaurar a realidade do lançamento equivocado à nosso desfavor". (d) lamentado a falha apontada e considerando o crédito totalmente legal, líquido e certo, apela para o reconhecimento de seu direito e deferimento de seu pleito. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 4ª Turma da DRJ/BHE, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Ausência de provas da existência do crédito. Na ausência de outras provas, o Dacon não pode ser considerado instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e apresenta outras provas da existência do direito creditório, cópia do Livro Diário devidamente registrado no órgão competente (Junta Comercial do Estado de MG), com lançamento das despesas que deram origem aos créditos, promovendo seu detalhamento com suporte na legislação de regência. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10665.904438/200945 Resolução nº 3401001.394 S3C4T1 Fl. 4 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que aqui se discute prendese a questão de provas quanto à existência do crédito pleiteado, passível de compensação. A decisão recorrida limitase a firmar "que a mera apresentação do Dacon, com indicação de débito em valor inferior ao confessado em DCTF, não basta para justificar a reforma da decisão de não homologação da compensação declarada; fazse mister a prova inequívoca de que houve erro de fato no preenchimento da DCTF, isto é, de que o valor correto do débito é aquele constante do Dacon". Na manifestação de inconformidade a recorrente justificou o ocorrido, pelo fato de ter havido a mudança na sistemática de apuração da contribuição, passando do sistema cumulativo para o não cumulativo, deixando a contribuinte de compensar os créditos que teria direito conforme previsto na Lei nº 10.637/2002, art. 3º. A título de prova juntou aos autos, com o recurso, cópia do Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, indicando as páginas onde foram registras as operações que lhe conferem créditos passíveis de dedução do débito calculado nos termos do art. 1º da Lei 10.637/2002. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Nessa linha de entendimento podemos citar o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, além do Parecer Cosit nº 02/2015 dando orientação sobre o tema: "As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10665.904438/200945 Resolução nº 3401001.394 S3C4T1 Fl. 5 4 em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário". Como antes dito, a liquidez e certeza do crédito tributário não se encerra com a simples DCTF retificadora, há outros indicativos a serem seguidos, sendo, por exemplo, os livros contábeis, fiscais e declarações da contribuinte (DACON e DIPJ), que de acordo com as razões recursais foram parâmetros utilizados para atestar o erro de declaração cometido. Nesse sentido, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à Recorrente uma melhor análise pela unidade de origem quanto ao crédito pleiteado. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Merece aqui ser reproduzido, por oportuno, parte com destaque dos fundamentos do acórdão nº 9303005.095, de 16/05/2017, proferido em Recurso Especial pela 3ª Turma da CSRF: A análise da compensação operada pelo contribuinte da qual resulta o despacho decisório, bem poderia conformarse ao mesmo modelo do procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, caso fosse precedido de Termo de Verificação Fiscal, em procedimento manual, em que ficassem evidenciados os erros em que incorrera o contribuinte e a forma e providências necessárias que deveria suprir para elidir a apuração fiscal. É evidente que o despacho decisório eletrônico não cumpre esse desiderato, sendo sintética a formatação da decisão e o teor da sua intimação para a apresentação de defesa, não fornece ao contribuinte todos os elementos de que deve o interessado valerse, e exigíveis pela Administração, para subsidiála. Somente na decisão de primeira instância é que o julgador levanta a exigência das provas, por vezes apenas de forma genérica, diferentemente do que se deu no acórdão ora recorrido, que especificou ser este respaldo a escrita contábil/fiscal. Desse modo, o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado com parcimônia para este modelo de rito processual administrativo, sobretudo quando o conteúdo da sua letra “c” permite o enquadramento desta situação, quando sobreleva o risco de cerceamento da ampla defesa do contribuinte, quando irrelevase o princípio da verdade material, que informa o PAF, e o da moralidade, que rege os atos da Administração, a impedir a exigência de tributo já quitado ou não repetir o indébito. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10665.904438/200945 Resolução nº 3401001.394 S3C4T1 Fl. 6 5 Ante o exposto, resolvem os membros do Colegiado em converter o julgamento em diligência para a repartição de origem de modo que seja informado e providenciado o seguinte: Confirmar se os valores dos débitos de PIS referente à Julho/2003, correspondem aos efetivos devidos nesta competência conforme os livros e documentos contábeis carreados aos autos; Confrontar os débitos de PIS confirmados no item 1 com os pagamentos efetuados em DARF na competência Julho/2003; Após o confronto do item 2, identificar a efetiva existência de créditos pleiteados na PER/DCOMP nº 08832.44700.230507.1.7.047304. Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Por fim, dêse ciência do relatório a recorrente concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse. Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722542/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
RECONHECIMENTO DA RECEITA. ESFORÇO PARA SUA OBTENÇÃO. TRANSFERÊNCIA DOS BENS OU SERVIÇOS. ANUÊNCIA DOS CLIENTES. REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO.
A receita deve ser reconhecida, nas transações com terceiros, quando o esforço para sua obtenção já tiver sido desenvolvido, com a transferência dos bens ou a prestação dos serviços, mediante anuência dos clientes e realização de pagamento ou compromisso firme de efetivá-lo.
PROVISÃO PARA CUSTOS DE RESGATES FUTUROS. ADMISSÃO DE DEDUTIBILIDADE APENAS QUANDO EXPRESSAMENTE AUTORIZADA PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Assumida a obrigação quanto ao futuro resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, com a exigência de recursos financeiros para tal fim, e a possibilidade de se estimar o valor desses gastos futuros com suficiente segurança, cabe constituir-se provisão para custos dos gastos futuros, com base em fundamentação estatística, levando-se em consideração os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage), entretanto não dedutível por não se encontrar dentre as expressamente autorizadas pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
Numero da decisão: 1201-002.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli (relator) e Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (conselheiro convocado em substituição a Luis Fabiano Alves Penteado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa), Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 RECONHECIMENTO DA RECEITA. ESFORÇO PARA SUA OBTENÇÃO. TRANSFERÊNCIA DOS BENS OU SERVIÇOS. ANUÊNCIA DOS CLIENTES. REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. A receita deve ser reconhecida, nas transações com terceiros, quando o esforço para sua obtenção já tiver sido desenvolvido, com a transferência dos bens ou a prestação dos serviços, mediante anuência dos clientes e realização de pagamento ou compromisso firme de efetivá-lo. PROVISÃO PARA CUSTOS DE RESGATES FUTUROS. ADMISSÃO DE DEDUTIBILIDADE APENAS QUANDO EXPRESSAMENTE AUTORIZADA PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Assumida a obrigação quanto ao futuro resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, com a exigência de recursos financeiros para tal fim, e a possibilidade de se estimar o valor desses gastos futuros com suficiente segurança, cabe constituir-se provisão para custos dos gastos futuros, com base em fundamentação estatística, levando-se em consideração os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage), entretanto não dedutível por não se encontrar dentre as expressamente autorizadas pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso) decorrente dos mesmos elementos e fatos.
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ESFORÇO PARA SUA OBTENÇÃO. TRANSFERÊNCIA DOS BENS OU SERVIÇOS. ANUÊNCIA DOS CLIENTES. REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. A receita deve ser reconhecida, nas transações com terceiros, quando o esforço para sua obtenção já tiver sido desenvolvido, com a transferência dos bens ou a prestação dos serviços, mediante anuência dos clientes e realização de pagamento ou compromisso firme de efetiválo. PROVISÃO PARA CUSTOS DE RESGATES FUTUROS. ADMISSÃO DE DEDUTIBILIDADE APENAS QUANDO EXPRESSAMENTE AUTORIZADA PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Assumida a obrigação quanto ao futuro resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, com a exigência de recursos financeiros para tal fim, e a possibilidade de se estimar o valor desses gastos futuros com suficiente segurança, cabe constituirse provisão para custos dos gastos futuros, com base em fundamentação estatística, levandose em consideração os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage), entretanto não dedutível por não se encontrar dentre as expressamente autorizadas pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto ao IRPJ deve ser aplicado à tributação reflexa (CSLL no caso) decorrente dos mesmos elementos e fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 25 42 /2 01 6- 22 Fl. 1069DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli (relator) e Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa e Leonam Rocha de Medeiros (conselheiro convocado em substituição a Luis Fabiano Alves Penteado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em Exercício (assinado digitalmente) LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI Relator (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa), Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 674/690) que exigem IRPJ e CSLL, sob a acusação de que houve inobservância do regime de escrituração com postergação no reconhecimento de receitas oriundas da "comercialização" de pontos de fidelidade, receitas estas consideradas auferidas no anocalendário de 2011. Mais precisamente, a autuação fiscal foi assim motivada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 657/672): [...] 22 Em breve síntese, por meio das parcerias firmadas, o contribuinte obrigavase a vender pontos Multiplus aos seus parceiros em nome do cliente destes por determinado valor. Após o pagamento dos pontos Multiplus e a entrega destes ao seu cliente, não restava ao parceiro qualquer vinculação ou obrigação com o próprio cliente ou com o contribuinte. A Multiplus passava a ser a única e exclusiva responsável pela definição das regras para Resgate de Pontos, bem como por quaisquer questionamentos ou reclamações, isentando a parceira de responsabilidades Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 3 3 quanto ao futuro provável negócio entre o integrante do programa Multiplus e a Multiplus SA. 23 No caso da TLA, seus clientes, já no momento da obtenção dos pontos TAM Fidelidade, tinham esses pontos automaticamente convertidos em pontos Multiplus, conversão pela qual a TLA pagava preço fixo por ponto. Posteriormente, a pedido do cliente, que agora era seu, a Multiplus efetuava a compra da passagem desejada junto à TLA (indexada a preço em reais por ponto superior ao que havia recebido da própria TLA, quando ela lhe adquiriu os pontos Multiplus para entregar aos compradores de seus bilhetes aéreos). 24 Os contratos firmados entre TLA e os Parceiros (depois assumidos pela Multiplus) de nenhuma forma tinham por objeto a compra e venda de mercadorias ou serviços. O objeto desses contratos era permitir a "conversão" de pontos de programas de fidelidade próprios em pontos Multiplus, "conversão" esta que os contratos estabelecem fundarse no pagamento pela Parceira de determinado preço em reais pelos pontos Multiplus. O negócio entre as partes (parceiros e Multiplus) estava concluído. 25 Após a entrega a seu cliente dos pontos Multiplus comprados, não restava a esse parceiro vinculação ou obrigação (além de o orientar, claro) com o próprio cliente ou com o epigrafado. 26Tal assertiva estava explicitada nos próprios contratos apresentados: • "(ii) a PARCEIRA não tem qualquer responsabilidade, direta. Indireta, subsidiária ou solidária para as reclamações de Beneficiários relacionadas ao Multiplus Fidelidade ou ao programa TAM Fidelidade" (7.4 contrato Itaucard/Hipercard); • "A solicitação de Resgate de Pontos deverá ser realizada pelo Beneficiário, pelos canais de atendimento disponibilizados pela MULTIPLUS, obrigandose a PARCEIRA a orientar o Beneficiário neste sentido, sempre e quando esta informação lhe for solicitada. A MÚLTIPLUS será a única e exclusiva responsável pela definição das regras para Resgate de Pontos, bem como por quaisquer questionamentos ou reclamações decorrentes desta atividade, isentando a PARCEIRA de qualquer responsabilidade, perante os Beneficiários, com relação ao Resgate de Pontos" (Anexo A 2.1/2.2 do mesmo contrato);. Fl. 1071DF CARF MF 4 27 De forma igualmente clara colocam: "O Resgate de Pontos se realizará pela troca dos Pontos acumulados pelos Beneficiários no Multiplus Fidelidade em contratação de serviços e/ou aquisição de produtos oferecidos pelos Parceiros Multiplus Fidelidade". 28 Isto é, a venda de pontos não se confunde com futuras prováveis contratação de serviços e/ou aquisição de produtos. Na verdade, ela sequer está a elas condicionada ou diretamente vinculada. O cliente solicitou pontos Multiplus (obrigações contra Multiplus), o parceiro os comprou e os entregou a ele. O que ele fará ou não fará com esses pontos, e se conseguirá fazêlo ou não, não toca ao Parceiro. 29 O negócio jurídico entre Multiplus e o Parceiro resolvese com o pagamento do preço pelo parceiro e a entrega dos pontos a ele. Esse negócio possui sim relação com a obrigação da Multiplus de honrar um provável futuro resgate desses pontos (assim como uma loja pode assumir obrigação de reparar um possível futuro mal funcionamento de aparelho (garantia) e deve reconhecer essa despesa estimada já na venda do bem), mas o objeto do contrato entre Parceiro e Multiplus não é, de forma alguma, a entrega de bem ou a prestação de serviço. 30 Enfim, partindo do exame dos contratos de que se originam os valores a serem contabilizados, o recebimento de Multiplus decorrente do negócio jurídico com o Parceiro não se configuraria como Adiantamento (receita diferida) da quitação de obrigação a surgir de um distinto provável futuro negócio jurídico ("contratação de serviços e/ou aquisição de produtos") que ela poderá realizar com um integrante de seu Programa de benefícios. De forma mais direta: para receber da Parceira a prestação pecuniária que lhe cabe por contrato, a obrigação do epigrafado não é realizar entrega de bem ou prestação de serviço (E essa entrega ou prestação contratualmente não toca de nenhuma forma ao parceiro). Para a Multiplus, a entrega de bem e/ou a prestação de serviço tratase apenas de provável futura despesa relacionada ao objeto contratual que entregou à Parceira (pontos Multiplus). IIIc Contabilização realizada pela Multiplus 31 A Multiplus, segundo o seu Relatório Anual, contabiliza as receitas auferidas com a venda de pontos da seguinte forma: • "Venda de Pontos A Multiplus vende seus pontos para parceiros no momento em que o cliente os acumula ou, então, quando os Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 4 5 participantes os convertem em pontos Multiplus. Com isso, é registrada a entrada de caixa. Em um primeiro momento, porém, a rede não reconhece a receita em seu resultado, ficando tal valor computado em receita diferida, no passivo. Quando os pontos são resgatados em produtos ou serviços nos parceiros de resgate ou de coalizão, a Multiplus reconhece tanto o custo do resgate quanto a receita pela venda dos pontos." (grifo nosso). IIId Formas de Contabilização de Programas de Fidelidade 32 No artigo "Impacto da Adoção da IFRIC 13 na Contabilização de Programas de Passageiros Frequentes", da Revista Eletrônica de Ciência Administrativa (RECADM), são resumidas as três formas de contabilização dos programas de fidelidade: "Ao implementar o programa de milhagem, a empresa aérea se compromete com obrigações futuras, pois fornece benefícios aos clientes cadastrados, entretanto a precificação desses passivos é de difícil mensuração. Tan et al (2000) acrescentam que o alcance dos benefícios publicitários em decorrência dessa política é parcialmente dependente da viabilidade das companhias em lidar com o tráfego extra gerado pelos programas sem afetar passageiros que pagaram por seus bilhetes. É difícil determinar se o aumento das receitas decorrentes da fidelidade de clientes e da aparente vantagem competitiva compensa as obrigações futuras correspondentes, já que não se pode determinar o curso das receitas sem a influência do programa. Ainda segundo Tan et al (2000), as obrigações futuras são tratadas por três métodos diferentes: o de obrigações contingentes; o do custo incremental; e o das receitas diferidas. O método das obrigações contingentes trata obrigações de passageiros frequentes como passivos que são incertos até a realização de um evento futuro (o resgate ou vencimento do prêmio da milhagem). Tal abordagem, segundo Tan et al (2000) se mostra inadequada, já que o programa de passageiros frequentes foi desenvolvido para estimular o tráfego, assim sendo, há certo nível de certeza de que uma proporção dos pontos emitidos será resgatada. No método do custo incremental, conforme Morrell (2007), existe o reconhecimento das obrigações futuras de se transportar os passageiros que alcançam a pontuação mínima requerida pelo programa. Aumentamse na demonstração do resultado, assim, as despesas com um custo incremental de se transportar o passageiro premiado em uma data futura, sendo que sua contrapartida é ^^reconhecida como um passivo. Deste modo, quando o cliente utiliza seu benefício, o custo incremental de seu transporte é deduzido das despesas e o passivo correspondente é liquidado. Nessa metodologia o Fl. 1073DF CARF MF 6 lucro operacional da empresa não é afetado pelo programa de fidelidade. Inversamente, o método das receitas diferidas vincula o adiamento do reconhecimento das receitas geradas pela venda de bilhetes que acarretaram pontos no programa de milhagem até que o prêmio seja utilizado (Ernst&Young, 2009)." (grifos e negritos nossos). 33No próprio artigo, mais adiante, relata: "Há de se salientar que nesse assunto devem ser diferenciados dois tipos de componentes: o de viagem e o de comercialização. Ernst&Young & Fipecafi (2010) exemplificam uma companhia aérea que vende milhas para uma administradora de cartões de crédito, neste caso, está vendendo tanto o componente de viagem que será resgatado pelos clientes de outra entidade , quanto o de comercialização. Assim, a companhia aérea deve estimar quanto da contraprestação deve ser atribuído a esses componentes tendo em vista que o de comercialização provavelmente não exija diferimento. [...] A priori há uma mudança de paradigma que exigirá dos contadores uma maior percepção da realidade da empresa, pois a mensuração pelo custo incremental era relativamente simples, enquanto que a mensuração a valor justo devese levar em consideração fatores que possuem maior subjetividade. Todavia, observouse que as duas empresas reconheceram em 2009 que a adoção do IFRIC 13 terá um impacto significativo nas demonstrações financeiras, pois a contabilização dos programas de fidelidade de clientes utilizará a mensuração a valor justo, desqualificando, portanto, a utilização do custo incremental, como vinha sendo realizado." (grifos e negrito nosso). 34 Como sabido, a contabilização é livre, desde que não se dê "em desacordo com as normas e padrões de contabilidade geralmente aceitos ou que possam levar a um resultado diferente do legítimo" (PN 347/1970). A adoção do método das receitas diferidas, entretanto, provoca tal efeito. 35 Ocorrida antes do advento das novas normas contábeis, a contabilização do Programa Fidelidade pela TAM SA na forma acima (custo incremental) teve por fundamento a Resolução CFC 750/1993, bem como, no que toca as provisões, a Resolução CFC 1066/2005. Como sabido, para fins tributários a identificação das receitas e custos do contribuinte deveria, desde sua criação e ainda hoje, darseá com base nessas mesmas regras. 36 Em suma, para fins tributários a identificação das receitas e despesas da empresa deveria se dar à luz da Resolução CFC 750/93, que assim prevê em seu art.9°: Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 5 7 "Art. 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1° O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2 ° O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3° As receitas consideramse realizadas: I nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; § 4° Consideramse incorridas as despesas: quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo." 37 Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, no Manual FIPECAFI/USP (em edição anterior à Nova Lei das S/A), comentam especificamente a respeito dessa definição de despesa trazida pelo art.9° da Resolução CFC 750/93: "As despesas, na maioria das vezes, representam consumpção de ativos, que tanto podem ter sido pagos em períodos passados, no próprio período, ou ainda virem a ser pagos no futuro. De outra parte, não é necessário que o desaparecimento do ativo seja integral, pois muitas vezes a consumpção é somente parcial, como no caso das depreciações ou nas perdas de parte do valor de um componente patrimonial do ativo, por aplicação do Princípio da Prudência à prática, de que nenhum ativo pode permanecer avaliado por valor superior ao de sua recuperação por alienação ou utilização nas operações em caráter corrente. Mas a despesa também pode decorrer do surgimento de uma exigibilidade sem a concomitante geração de um bem ou de um direito. como acontece, por exemplo, nos juros moratórios e nas multas de qualquer natureza. Entre as despesas do tipo em referência localizamse também as que se contrapõem a determinada receita, como é o caso dos custos diretos com vendas, nos quais se incluem comissões, impostos e taxas e até royalties. A aplicação correta da competência exige mesmo que se provisionem, com base em fundamentação estatística, certas despesas por ocorrer, mas indiscutivelmente ligadas à venda em análise, como as despesas futuras com garantias assumidas em relação a produtos." Fl. 1075DF CARF MF 8 38 Quanto ao art.9°, §4°, III, cabe destacar a lição do Manual FIPECAFI, que sobre esse inciso III coloca que "entre as despesas do tipo em referência localizamse também as que se contrapõem a determinada receita, como é o caso dos custos diretos com vendas, nos quais se incluem comissões, impostos e taxas e até royalties". 39 O Manual ainda adiciona, sobre esse inciso III: "A aplicação correta da competência exige mesmo que se provisionem, com base em fundamentação estatística, certas despesas por ocorrer, mas indiscutivelmente ligadas à venda em análise, como as despesas futuras com garantias assumidas em relação a produtos". 40 Portanto, face as disposições da Resolução CFC 750/93, tanto o pagamento recebido pela TAM SA na venda de pontos do Programa Fidelidade TAM para parceiro como o pagamento recebido com a venda de pontos que se dá em concomitância com a venda de bilhete aéreo caracterizamse como receitas (art.9°, §3°, I) a serem reconhecidas simultaneamente à despesa (art.9°, § 4°, III) estimada de resgate desses pontos. 41 A venda dos pontos do Programa de Fidelidade pela TAM SA, seja a parceiros, seja aos compradores de bilhetes aéreos, era indiscutivelmente ligada a despesas por ocorrer (o possível resgate dos pontos na forma de bens ou de serviço de transporte). Assim, a empresa provisionava, com base em cálculos estatísticos, os quais descreve em detalhe na DFP2006, o custo do possível resgate dos pontos vendidos: "A referida provisão foi calculada considerandose: • A quantidade de pontos já conquistados, convertida em trechos convite; • A quantidade de pontos expirados, não convertidos em bilhetes; • A quantidade de trechos convite voados por outras companhias aéreas; • E em decorrência dos atuais níveis médios de ocupação de nossos vôos o custo incremental, ou seja,os custos adicionais por passageiro transportado, representado por combustível, serviço de bordo, seguro e cartão de embarque." 42 A venda de pontos Multiplus pelo epigrafado, tanto a seus parceiros como à TLA, em nada se diferencia das vendas de pontos por TAM SA acima referidas. 43 Alterarseia apenas o cálculo estatístico do custo do resgate dos pontos vendidos. A parcela desse custo, que era fundada no custo incremental, ou seja, nas estimativas de Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 6 9 "custos adicionais por passageiro transportado, representado por combustível, serviço de bordo, seguro e cartão de embarque", possivelmente passaria a ser fundada em cálculo estatístico sobre o resgate de passagens nos diferentes patamares de preços em milhas fixados no contrato entre a empresa e TLA (cada faixa apresenta diferente preço de aquisição para a Multiplus, em reais por milha), bem como em cálculos estatísticos sobre a história de "resgates"(compras) de outros serviços e de bens pelos integrantes do plano, e sobre os custos desses bens/serviços. As demais variáveis certamente terão natureza semelhante, em especial o porcentual de pontos efetivamente utilizados para compras 44 No que toca a Provisões, evocadas pelo Manual FIPECAFI na análise do art.9°, §4°, III, da Resolução CFC 750/93, é oportuno destacar as disposições da Resolução CFC 1066/2005: "19.7.6. PROVISÕES 19.7.6.1. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a) a entidade tem uma obrigação legal ou nãoformalizada presente como conseqüência de um evento passado; b) provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. 19.7.6.2. Se qualquer uma dessas condições não for atendida, a provisão não deve ser reconhecida. É importante notar, por outro lado, a diferença existente entre provisões e outros passivos e contingências passivas, conforme os itens 19.7.3.1, 19.7.3.2. e 19.7.4.1 e os exemplos no Anexo II a esta Norma, notadamente aqueles incluídos no item 4. (...) 19.7.10. ESTIMATIVA CONFIÁVEL DA OBRIGAÇÃO 19.7.10.1. O uso de estimativas é parte essencial da preparação das Demonstrações Contábeis e não prejudica sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso das provisões, que, por sua natureza, são mais incertas do que a maior parte dos outros itens do balanço. De maneira geral, _a entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação e, dessa forma, fazer uma estimativa que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento de uma provisão. 19.7.10.2. Em casos extremamente raros, em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita, existe um passivo que não pode ser reconhecido. Esse passivo é divulgado como contingência passiva (item19.7.18.3). (...) 19.7.18.3. A menos que seja remota a possibilidade de ocorrer qualquer desembolso, a entidade deve divulgar, para cada tipo de contingência passiva relevante na data do balanço, breve descrição da natureza da contingência passiva e, quando praticável: Fl. 1077DF CARF MF 10 a)estimativa do efeito financeiro, mensurada de acordo com os itens 19.7.13.1.1 a 19.7.13.5.1; b)indicação das incertezas relacionadas ao montante ou ao tempo de qualquer desembolso; e c)possibilidade de qualquer reembolso." (grifos e negritos nossos). 45Também cabe destacar as lições do Manual FIPECAF sobre as provisões: "Provisões são reduções de ativo ou acréscimos de exigibilidade que reduzem o Patrimônio Líquido, e cujos valores não são ainda totalmente definidos. Representam, assim, expectativas de perdas de ativos ou estimativas de valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos geradores contábeis já ocorridos; isto é, dizem respeito a perdas economicamente incorridas (como a depreciação, a perda de valor de investimentos, o provável nãorecebimento de créditos, a estimativa de nãorecuperação de valores aplicados nos estoques etc.) ou a prováveis valores a desembolsar originados de fatos já acontecidos (como o risco por garantias oferecidas em produtos já vendidos, estimativas de valores a pagar a título de décimoterceiro salário, férias e indenizações relativas a tempo de serviço já transcorrido, probabilidade de ônus futuro em função de problemas fiscais já ocorridos, imposto de renda estimado a pagar no próximo exercício ou a longo prazo, em função de lucros já contabilizados, etc). O Regime de Competência e a necessidade de confrontação entre as receitas e as despesas necessárias à obtenção dessas mesmas receitas representam a maior origem da necessidade de se criarem Provisões. Portanto, a quase totalidade das Provisões originase de uma despesa; excepcionalmente, pode ocorrer de se originar de outra conta do Patrimônio Líquido que não o Resultado, como é o caso de Ajustes de Exercícios Anteriores, debitados a Lucros ou Prejuízos Acumulados, ou ainda no caso dos dividendos. Estes também representam uma Provisão, enquanto na forma de proposição à assembléia. À medida que essas perdas de ativos ou obrigações tornamse totalmente definidas, devem deixar de ser consideradas Provisões. Assim, a Provisão para o Imposto de Renda transformase em Imposto a Pagar, os Dividendos Propostos passam a ser Dividendos a Pagar etc." (grifos e negritos nossos). 46 O item 19.7.6.1 da Resolução CFC 1066/05 não poderia ser mais claro ao definir os requisitos para o reconhecimento de provisão: "a) a entidade tem uma obrigação legal ou nãoformalizada presente como conseqüência de um evento passado; b) é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança." Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 7 11 47 Isto é, não bastasse a clareza do Manual FIPECAFI, em comentário ao art. 9° da Resolução 750/93, ao frisar que "a aplicação correta da competência exige mesmo que se provisionem, com base em fundamentação estatística, certas despesas por ocorrer, mas indiscutivelmente ligadas à venda em análise", a obrigação da TAM S/A (TLA) (assim como hoje da Multiplus S/A) de honrar o provável resgate dos pontos vendidos corresponde sem retoque aos 3 requisitos para o reconhecimento de provisão, trazidos pela Resolução CFC 1066/05. 48 Essa Resolução, no mesmo item 19, ainda frisa que "o uso de estimativas é parte essencial da preparação das Demonstrações Contábeis e não prejudica sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso das provisões, que, por sua natureza, são mais incertas do que a maior parte dos outros itens do balanço. De maneira geral, a entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação e. dessa forma, fazer uma estimativa que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento de uma provisão". 49 E ainda destaca que, "em casos extremamente raros, em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita, existe um passivo que não pode ser reconhecido. Esse passivo é divulgado como contingência passiva". 50 Como se via nas demonstrações de TAM SA a partir de 2006, a previsão das despesas com o provável resgate de pontos vendidos não se trata de caso "em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita", muito pelo contrário. 51 Enfim, conforme já relatado, a identificação das receitas e custos do contribuinte deve, para fins tributários, ter por fundamento a Resolução CFC 750/1993, bem como, no que toca as provisões, a Resolução CFC 1066/2005. V AUTUAÇÃO 52 A Lei 11.638/2007, ao trazer alterações à Lei 6404/76, com o objetivo de estabelecer a convergência das práticas contábeis brasileiras com as práticas internacionais, introduziu o parágrafo 7° em seu art.177, de forma a garantir a neutralidade tributária das modificações que trouxe: "Art. 177. (...) Fl. 1079DF CARF MF 12 § 7o Os lançamentos de ajuste efetuados exclusivamente para harmonização de normas contábeis, nos termos do § 2o deste artigo, e as demonstrações e apurações com eles elaboradas não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições nem ter quaisquer outros efeitos tributários." 53 Posteriormente, a Lei 11.941/09, conversão da MP 449/08, instituiu o RTT e revogou o art.177, §7°, da Lei das S/A. Em seus arts.15 e 16, assim prevê: "Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei no 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. § 1o O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. (...) IV na hipótese de início de atividades no anocalendário de 2009, a opção deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica 2010. § 3o Observado o prazo estabelecido no § 1o deste artigo, o RTT será obrigatório a partir do anocalendário de 2010. inclusive para a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Art. 16. As alterações introduzidas pela Lei n° 11.638. de 28 de dezembro de 2007. e pelos arts. 37 e 38 desta Lei que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários. os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput deste artigo às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem a alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade. 54 Com essa fundamentação legal, a IN RFB 949/09 assim coloca em seus arts.2s e 12: Art. 2° As alterações introduzidas pela Lei n° 11.638, de 28 de dezembro de 2007 , e pelos arts. 37 e 38 da Lei n° 11.941, de 2009 , que modifiquem o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na escrituração Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 8 13 contábil, para apuração do lucro líquido do exercício definido no art. 191 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Parágrafo único. Aplicase o disposto no caput às normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base na competência regulamentar conferida pelo § 3° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 1976, e pelos demais órgãos reguladores que visem alinhar a legislação específica com os padrões internacionais de contabilidade. (...) "Art. 12. As pessoas jurídicas sujeitas ao RTT deverão apurar a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de acordo com a legislação de regência de cada contribuição, com utilização dos métodos e critérios contábeis a que se referem os arts. 2° a 6°, independentemente da forma de contabilização determinada pelas alterações da legislação societária decorrentes da Lei n° 11.638, de 2007, da Lei 11.941, de 2009, e da regulamentação. 55 Em face das disposições dos arts.15, §3S, e 16 da Lei 11941/09, e da IN RFB 949/09, para fins tributários o reconhecimento de receitas e despesas do contribuinte deveria se dar à luz da Resolução CFC 750/1993, e provisões deveriam ter sido reconhecidas conforme a Resolução CFC 1066/2005. 56 Como corolário, as receitas diferidas serão consideradas, para efeitos tributários, no momento do pagamento pelo (s) parceiro (s) dos pontos Multiplus adquiridos. Estas receitas foram abatidas dos valores já oferecidos à tributação no anocalendário de 2011 e estão abaixo espelhadas: [...] 57 A base de cálculo acima, no total de R$ 626.848.971,14, foi postergada para a tributação nos anos calendários de 2012 e 2013. Como decorrência disto, foi realizado o cálculo do montante postergado, utilizandose da regra prevista no artigo 273 do RIR/99 e seus incisos e §§, e de acordo com planilha de cálculo apresentada pelo próprio epigrafado (item 17 deste Termo), que está abaixo detalhado: [...] 58 O cálculo acima foi realizado de acordo com as informações prestadas pela própria empresa, que foram apostas ao presente processo administrativo. Finalizando, os valores acima descritos serão objeto de constituição do Fl. 1081DF CARF MF 14 crédito tributário de IRPJ e de CSLL (tributação reflexa) por meio de Auto de Infração, do qual este Termo faz parte. Cientificada dos Autos de Infração, a contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 699/723). De início, descreve detalhadamente as atividades que desempenha, a fim de evitar divergência de informações ou mesmo a compreensão equivocada de seu negócio. Nesse sentido informa a empresa que "disponibiliza aos seus parceiros um sistema de pontos, os quais funcionam como um fator de referência de valor comum a toda rede, aos quais são convertidos os pontos acumulados pelos clientes das empresas parceiras, quando da aquisição de seus produtos e/ou serviços, ou em virtude dos respectivos programas de fidelização por elas realizados. Tais pontos ('Pontos Multiplus') podem ser posteriormente resgatados, pelos beneficiários, em produtos e/ou serviços disponibilizados na Rede Multiplus." Quando "a empresa parceira informa à impugnante o montante de pontos acumulados por seus clientes, a impugnante recebe seu valor correlato, em espécie, e disponibiliza à parceira, o equivalente em 'Pontos Multiplus'. Posteriormente, quando do resgate dos pontos acumulados no programa, aquele dinheiro é usado na aquisição do benefício escolhido pelo cliente". Nesses termos, "a impugnante assume a obrigação de seu parceiro, juntamente com um valor, em dinheiro, que lhe é entregue, pelo mesmo parceiro, para que ela liquide essa obrigação no futuro. Essa figura é descrita no Código Civil como assunção de dívida (art. 299) ". Com relação à contabilização, aduz que quando há a disponibilização dos 'Pontos Multiplus' ao parceiro, "a contrapartida dos recursos ingressados é registrada como receita diferida no passivo, visto que ela só será apropriada ao resultado quando realizada, ou seja, no resgate dos pontos pelo beneficiário. Assim, por ocasião do resgate de pontos pelo beneficiário, a impugnante registra a receita auferida e o custo correspondente a esta transação, em suas contas de resultado ". Isso decorre do modelo de negócio adotado pela empresa: no momento em que recebe os valores correspondentes aos pontos disponibilizados aos parceiros não existe receita auferida, visto que ela só se concretizará quando o beneficiário resgatar seus pontos, havendo, pois, mera expectativa de que ela irá ocorrer no futuro". Quando do resgate dos pontos, a interessada tem a obrigação de adquirir, entre as empresas parceiras, o produto e/ou serviço escolhido pelo beneficiário. Sua receita consistirá, então, na diferença entre o valor recebido, pelo parceiro, pelos "Pontos Multiplus a ele disponibilizados para entrega a seus clientes, e o custo de aquisição do benefício escolhido pelo participante, sendo a diferença entre estas duas grandezas o aumento patrimonial real. Desse modo, entende a empresa que "os "Pontos Multiplus" nada mais são do que uma unidade de medida, utilizada pela impugnante para contabilizar e mensurar o acúmulo e o resgate dos benefícios oferecidos pela rede, de forma interligada, entre todos os parceiros e participantes" Com mais detalhes, a impugnante descreve o seguinte: Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 9 15 · "... quando um cliente adquire um produto e/ou serviço de uma empresa integrada à 'Rede Multiplus', esta comunica a transação à impugnante, que converte o valor do produto e/ou serviço adquirido, ou os pontos atinentes ao programa de fidelização individual do parceiro, num valor equivalente em 'Pontos Multiplus', disponibilizandoos aos beneficiários. · "Nesse momento, a impugnante recebe do parceiro o valor da transação, registrando a entrada de caixa, mas sem reconhecêlo como receita em suas contas de resultado. Até porque, como se verá adiante, de receita ainda não se trata, posto que a impugnante apenas assumiu o passivo de sua parceira, razão pela qual tal valor é, nesse primeiro momento, registrado em conta de passivo, a título de obrigação a pagar". · "Apenas quando os pontos são resgatados em produtos ou serviços é que a impugnante reconhece o custo do resgate e a receita por ela auferida na operação, na mais estrita conformidade com o regime de competência, o qual, como é cediço, é obrigatório tanto para a contabilização das atividades das companhias, por força do art. 177 da Lei n. 6404, de 15.12.1976, como para as empresas submetidas ao regime de apuração do IRPJpelo lucro real (Decretolei n. 1598, de 26.12.1977) ". A defesa registra, ainda, "que a impugnante pode não apurar qualquer acréscimo patrimonial em razão de seu modelo de negócio. Isso porque, por vezes, é possível que o beneficiário escolha um produto/serviço para resgate cujo valor é superior aos montantes recebidos pela impugnante de seus parceiros. E o caso, por exemplo, do resgate dos pontos convertidos em passagens aéreas internacionais, comercializadas em moeda estrangeira e, portanto sujeitas a oscilações de câmbio ". Nesse sentido afirma que a premissa fiscal é equivocada ao considerar que a atividade da impugnante implica a suposta existência de dois negócios jurídicos distintos: (i) a venda de pontos para as empresas parceiras; e (ii) uma eventual compra e venda de mercadorias e serviços aos beneficiários participantes da 'Rede Multiplus'" . Em nenhum momento os contratos de parceria comercial e "... o estatuto social da impugnante, fazem qualquer referência a uma 'venda de pontos'. Os 'Pontos Multiplus', como já apontado, funcionam apenas como uma medida de valor estabelecida para mensurar o valor das remunerações devidas entre as partes (para a impugnante em relação ao acúmulo de pontos e para as parceiras no resgate destes), e também quanto ao valor dos benefícios a que tenham direito os participantes do Programa Mesmo supondose a existência de "venda de pontos" aos parceiros, "... porque a 'tradição' da 'coisa vendida' é feita a pessoa diversa do adquirente? E, ainda, admitindose que o 'comprador' contratasse com o 'alienante' a entrega, a terceiro, da coisa Fl. 1083DF CARF MF 16 comprada, visando o cumprimento de uma sua obrigação anterior, sempre faltaria um requisito essencial ao instituto jurídico da compra e venda: a transferência de domínio ". Nesse sentido, o Código Civil, em seu art. 481, dispõe o seguinte: "pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro". Assim, "... é da essência da compra e venda criar uma obrigação de transferência da propriedade da coisa ou direito vendido. Sem esse efeito translatício da propriedade, de compra e venda não se trata. E, aliás, uma das características que permitem distinguir o negócio jurídico da compra e venda de outros institutos jurídicos, como a locação, por exemplo" . Já o art. 1.228 da mesma norma "... estipula que o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha'. Este artigo 1228 define os chamados 'poderes inerentes à propriedade', na dicção do art. 1204 do diploma civil". Desse modo, pergunta a contribuinte: "... como pode haver contrato de compra e venda sem a transferência do domínio e o pleno uso das faculdades que a lei garante ao proprietário?". E responde em seguida que "... não há contrato de compra e venda, pois os requisitos estabelecidos pela legislação civil para a configuração de tal instituto não se apresentam integralmente no modelo de negócio da impugnante" . Esclarece também que: a utilização da expressão "venda de pontos" na demonstração financeira "tem caráter meramente didático, com vistas a facilitar o entendimento das informações transmitidas aos interessados em suas demonstrações financeiras, notadamente por ser uma empresa de capital aberto" . o critério de reconhecimento de receitas utilizado pela interessada "está rigorosamente de acordo com o regime de competência que, de acordo com o art. 177 c/c art. 187, parágrafo 1°, alínea 'a' da Lei n. 6404/76, estabelece que as receitas devem ser reconhecidas quando auferidas (quando o direito ao seu recebimento estiver definitivamente adquirido) e os custos e despesas devem ser lançados na contabilidade quando incorridos (quando a obrigação de pagamento estiver definitivamente constituída) " e também conforme o Parecer Normativo CST n° 58, de 01/09/1977. a sistemática operacional torna muito claro que a receita da empresa só se configura diante da "... diferença entre o valor recebido da parceira correspondente aos pontos acumulados e convertidos em 'Pontos Multiplus', e o custo da aquisição do benefício, no momento do resgate, tendo como aumento de patrimônio apenas a diferença entre os valores de receita e custo. Até então, por força de sua obrigação contratual de adquirir o benefício a que tem direito os participantes, é inquestionável que a Impugnante ainda não tem disponibilidade jurídica sobre os valores recebidos, exatamente porque ainda pende uma obrigação sua, a qual será quitada consumindo parte daqueles valores "; e que "são igualmente improcedentes eventuais remissões ao RTT e à necessidade de se observar a neutralidade fiscal durante o período a que se referem estes autos. Conforme demonstrado à saciedade, não se aplica à atividade da impugnante qualquer nova prática contábil introduzida pela Lei n. 11638/07. Como também não foi pelo uso de qualquer nova prática contábil que tenha havido diferimento da tributação dos resultados apurados pela impugnante no desempenho de suas atividades, no exercício de 2011. Estes, na verdade, estão em consonância com a natureza jurídica de suas atividades e com as normas fiscais vigentes ". Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 10 17 Ademais, a empresa contesta também "... eventuais arguições no sentido de que a impugnante deveria provisionar os custos de resgates futuros, com base em fundamentação estatística, considerando os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage) ", pois, a necessidade de "... provisionamento decorre essencialmente da existência de um ingresso efetivo no patrimônio da empresa, o qual não comporta um respectivo custo/despesa se esse ingresso, ou receita, ainda não estiver acrescido em caráter definitivo ao patrimônio do contribuinte. Assim, seguindo os preceitos contábeis, no momento do ingresso de uma receita, provisionamse os respectivos valores atinentes aos custos/despesas nos contornos do regime de competência ". Finalmente, registra ainda a contribuinte: (i) a existência de erro na base de cálculo; (ii) a ocorrência de nulidade em face do descabimento da imputação de multa e juros de mora; e (iii) a inaplicabilidade de juros de mora sobre multa de ofício Em Sessão de 17/04/2017, a DRJ julgou a impugnação improcedente por meio do Acórdão de fls. 806/857, assim ementado: CONVERGÊNCIA DA CONTABILIDADE BRASILEIRA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE. INEXISTÊNCIA DE EFEITOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. Os ajustes contábeis efetuados em decorrência do processo de convergência da Contabilidade Brasileira às normas internacionais de contabilidade não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições e nem ter quaisquer outros efeitos tributários, razão pela qual é obrigatória a utilização, para fins tributários, dos métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007; por conseguinte, é indevido o diferimento da tributação da receita recebida das empresas parceiras, na comercialização de direitos de resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, para o momento do resgate dos pontos acumulados com base nas orientação do CPC 30. RECONHECIMENTO DA RECEITA. ESFORÇO PARA SUA OBTENÇÃO. TRANSFERÊNCIA DOS BENS OU SERVIÇOS. ANUÊNCIA DOS CLIENTES. REALIZAÇÃO DE PAGAMENTO. A receita deve ser reconhecida, nas transações com terceiros, quando o esforço para sua obtenção já tiver sido desenvolvido, com a transferência dos bens ou a prestação dos serviços, mediante anuência dos clientes e realização de pagamento ou compromisso firme de efetiválo. RECEITAS E DESPESAS. OBRIGATORIEDADE DE RECONHECIMENTO SIMULTÂNEO QUANDO SE CORRELACIONAREM. RECONHECIMENTO DOS CUSTOS E DESPESAS INCORRIDOS APÓS A TRANSFERÊNCIA DO BEM OU SERVIÇO, DESDE QUE SEJAM CONHECIDOS OU RAZOAVELMENTE ESTIMÁVEIS. Considerando que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre Fl. 1085DF CARF MF 18 simultaneamente quando se correlacionarem, é indispensável que para reconhecimento da receita seja possível também reconhecer todos os custos dos produtos/mercadorias ou serviços transferidos e outras despesas diretamente a eles associáveis, inclusive os custos e despesas a serem incorridos após a transferência do bem ou serviço ao cliente, desde que o seu valor seja conhecido ou razoavelmente estimável já no ato da transferência. PROVISÃO PARA CUSTOS DE RESGATES FUTUROS. ADMISSÃO APENAS DAS PROVISÕES COM DEDUTIBILIDADE EXPRESSAMENTE AUTORIZADA PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Considerando que a contribuinte assumiu a obrigação de honrar o futuro resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, sendo certo que recursos financeiros serão exigidos para tal fim e tendo em vista ser possível estimar o valor desses gastos futuros com suficiente segurança, caberia a ela constituir uma provisão para custos dos gastos futuros, com base em fundamentação estatística, levando em consideração os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage); contudo, como a provisão para custos de resgates futuros não se encontra dentre as expressamente autorizadas pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999, não há se admitir a sua dedutibilidade na apuração do resultado tributável. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DE RECEITAS. JUROS E MULTA DE MORA. CABIMENTO. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receitas, que implique a postergação do pagamento do imposto, enseja a cobrança de multa e de juros de mora. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Havendo a postergação de tributos, os pagamentos postecipados devem ser imputados proporcionalmente às parcelas que compõem o crédito tributário (principal, juros e multa), sendo exigível eventual saldo devedor resultante. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo, no lançamento questionado, a incidência de juros sobre a multa de ofício, não se conhece do recurso quanto à matéria por falta de competência. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Ressalvando a hipótese do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que versa sobre a edição de súmula vinculante na esfera administrativa, inexiste norma legal que atribua às decisões administrativas, no âmbito do processo administrativo fiscal a eficácia normativa prevista no CTN, Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 11 19 dessa forma, elas têm eficácia restrita aos casos para os quais foram proferidas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Intimada da decisão de piso em 1/05/2017 (fls. 867), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/05/2017 (fls. 869/900). Reitera as alegações de defesa, questiona determinados pontos do Acórdão da DRJ e pede integral cancelamento dos Autos de Infração, na linha de determinado precedente jurisprudencial do CARF que indica. A PGFN apresentou ContraRazões (fls. 910/945). Sustenta que: restou evidenciado que a MULTIPLUS emite e envia às Parceiras a fatura, recebendo os pagamentos devidos por elas pelos pontos acumulados pelos beneficiários no mês. Nesse momento, portanto, houve a realização da receita, com a emissão da respectiva fatura e o posterior ingresso de recursos ao caixa da interessada, proveniente, no dizer da própria interessada, da disponibilização à parceira o equivalente em ‘Pontos MULTIPLUS’. Isto ocorre sem a existência de reservas ou condições futuras para esse recebimento, havendo emissão, inclusive, da respectiva fatura, caracterizando a conclusão dessa operação. As condições, portanto, para o reconhecimento da receita obtida das Parceiras se fazem presentes desde já, ou seja, com a “comercialização de direitos de resgate de prêmios”, razão pela qual está correto o lançamento; a Recorrente nada trouxe que fosse capaz de afastar a necessidade de constituição de provisão dada a inegável natureza de receita dos recebimentos; como já destacado diversas vezes ao longo deste processo, os lançamentos contábeis efetuados com base nas orientações contidas no CPC 30 não poderiam afetar o resultado tributável da contribuinte no anocalendário de 2011, haja vista ela estar obrigada a utilizar, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. As leis 11.638/2007 (redação dada ao § 7º do art. 177 da LSA) e 11.941/2009 (arts. 15 e 16), pois, determinaram que para os fatos geradores em questão (2011), não seriam aplicáveis os ajustes decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis; a aparente duplicidade de receitas que teria gerado erro da base de cálculo adotada foi esclarecida pela DRJ, cujas constatações não foram sequer combatidas no recurso voluntário; e não há qualquer vício na metodologia de apuração e aplicação dos acréscimos legais, tendo o procedimento fiscal obedecido os comandos legais. Os autos, então, foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF 20 Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço e passo a apreciálo. Em síntese, a controvérsia instaurada diz respeito ao momento em que devem ser reconhecidas as receitas provenientes dos "pontos Multiplus" para fins de IRPJ e CSLL. No entender da Recorrente a receita dessa operação deve ser oferecida à tributação por ocasião do resgate dos pontos pelos beneficiários ou pela perda do direito de utilização dos pontos por decurso de prazo. A fiscalização, porém, sustenta que houve postergação indevida dessa receita, por considerar que a receita deve ser reconhecida no momento da "venda" dos pontos à empresa parceira, independentemente do registro do passivo correspondente à aquisição dos bens e serviços que deverão ser entregues aos clientes que resgatarem os pontos Multiplus. Dessa forma, percebese claramente que o cerne da discussão consiste em definir o aspecto temporal da realização da renda das receitas obtidas pelo gerenciamento de pontos: (i) na data de recebimento dos valores pelas empresas parceiras; ou (ii) na data do exercício do direito ao resgate pelo beneficiário dos programas de pontuação, podendo esta, eventualmente, ocorrer com o decurso do prazo de resgate previsto nos regulamentos. Para tanto, não se pode perder de vista que, com base no que dispõe o artigo 43 do Código Tributário Nacional1, resta incontroverso que o ordenamento jurídico vigente adotou o conceito de “renda” enquanto rendaacréscimo. Nesses termos, renda constitui resultado líquido positivo, isto é, acréscimo patrimonial2. Isso significa dizer que a base de cálculo possível, para efeitos de renda (ou lucro), deve corresponder à diferença entre os rendimentos percebidos dentro de um período definido pela lei e os dispêndios considerados necessários3. Esse resultado, se positivo, constitui aumento patrimonial passível da exação fiscal. Sem acréscimo no patrimônio do contribuinte não há que se falar em incidência de tributos que oneram a renda, na linha do que já decidiu o STF4, verbis: 1 “Artigo 43 O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção”. 2 Sobre as teorias desenvolvidas em torno do conceito de renda tributável, vide doutrina de POLIZELLI, Victor Borges. “O princípio da realização da renda. Reconhecimento de receitas e despesas para fins de IRPJ”. São Paulo: Quartier Latin. 2012. 3 Dispêndios necessários, no sentido ora empregado, são aqueles que a lei admite como passíveis de abatimento para fins de apuração da renda. 4 STF. 1ªTurma. RE 89.971. Relator Min. Cunha Peixoto, DJU 20/10/1978 (RTJ 96/783). Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 12 21 “Na verdade, por mais variado que seja o conceito de renda, todos os economistas, financistas e juristas se unem em um ponto: renda é sempre um ganho ou acréscimo do patrimônio. O Ministro Oswaldo Trigueiro, no RE 71.758, deu ao art. 43 do Código Tributário Nacional sua verdadeira exegese: “Quaisquer que sejam as nuanças doutrinárias sobre o conceito de renda, pareceme acima de toda dúvida razoável que, legalmente, a renda pressupõe ganho, lucro, receita, crédito, acréscimo patrimonial, ou, como diz o preceito transcrito, aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica. Concordo em que a lei pode, casuisticamente, dizer o que é ou não é renda tributável. [...]” Os componentes da renda (rendimentos tributáveis e gastos dedutíveis) podem ser obtidos pelos mais variados meios (capital, trabalho e proventos de qualquer natureza) e são influenciáveis por diversos fatores e modelos de negócio. Acréscimo patrimonial, pois, constitui uma realidade econômica dinâmica, afinal seus elementos formadores podem partir das mais variadas condutas, tanto reguladas (tipificadas) quanto não reguladas (não tipificadas) pelo Direito. Apenas por ocasião de cada período de apuração determinado pela lei, é que o contribuinte passa a se sujeitar a obrigação de, após reunir todos os seus elementos patrimoniais, positivos e negativos, apurar a renda e o lucro tributáveis. Não basta a existência de uma riqueza. É necessária, ainda, como condição necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador de tributos sobre a renda ou lucro, que haja disponibilidade econômica ou jurídica desta riqueza pelo sujeito passivo. Disponibilidade econômica significa a efetiva percepção do rendimento, podendo ser em dinheiro, benefícios, vantagens ou qualquer outro meio que proporcione proveito imediato. Já disponibilidade jurídica significa o direito incondicional, atual e efetivo de aferir a renda. Falase em disponibilidade jurídica sobre a renda quando o sujeito passivo adquire o direito incondicional de perceber a renda e de sobre ela dispor livremente, embora não a tenha recebido5. Nesse contexto, podese dizer que a referência as duas formas de disponibilidades no CTN possui relação com os métodos contábeis (regimes de competência ou caixa) 6 admissíveis para fins de verificação das receitas e despesas componentes da renda e do lucro. A legislação ordinária determina, como regra geral, a sujeição das pessoas físicas ao regime de caixa (cf. art. 2º, da Lei nº 7.713/1988), o que implica no reconhecimento 5 Cf. ÁVILA, Humberto. “Construção do conceito constitucional de renda”. São Paulo: Malheiros. 2011, p. 35. 6 Nesse sentido a disponibilidade jurídica equivaleria a renda adquirida, mas ainda não percebida (accrual basis regime), enquanto a disponibilidade econômica equivaleria a renda efetivamente percebida (cash basis regime). Fl. 1089DF CARF MF 22 dos rendimentos tributáveis e despesas dedutíveis em face do efetivo recebimento e pagamento, respectivamente. As pessoas jurídicas, também como regra geral aplicável a Recorrente , estão sujeitas à apuração da renda com base no regime de competência e pelo lucro real, entendido como o lucro líquido (ou contábil) ajustado pelas adições (dispêndios indedutíveis), exclusões (ganhos não tributáveis) e compensações (cf. artigo art. 6º do DecretoLei nº 1.598/1977). De qualquer forma, a renda precisa estar plena e ter sido adquirida de forma incondicional para que possa falar em acréscimo de patrimônio. A disponibilidade pressupõe que a renda ou lucro ensejem acréscimo patrimonial efetivo, e não apenas escritural ou em potencial. Assim, quando se trata de tributo incidente sobre acréscimo patrimonial, a renda ou lucro, que acarretam esse efeito, precisam estar realizados. A realização impede a tributação de renda em estado de mera potencialidade. Não basta ter expectativa de direito sobre a renda. Deve haver a disposição da mesma, identificada pela ausência de obstáculos ou obrigações jurídicas atreladas. Realizar a renda, portanto, é aumentar o patrimônio com ânimo definitivo7. De acordo com os ensinamentos de Victor Polizelli8, "identificandose na renda o elemento indicador da capacidade contributiva por excelência, tornase imperativo apurar a renda realizada, de modo a impedir que a tributação atinja eventos econômicos incompletos ou incertos, e também evita que a tributação comprometa o patrimônio". No âmbito jurisprudencial, chama atenção a decisão proferida no Recurso Especial 320.455RJ9, que recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA VARIAÇÕES CAMBIAIS CONSIDERADAS COMO RENDA ANTES DO PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO MOMENTO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. O Imposto de Renda só incide sobre os ganhos decorrentes de variações cambiais quando realizado o pagamento das obrigações financeiras relativas àquelas variações, porque é a partir daí que serão incluídos na receita e na apuração do lucro real obtido. 7 Reforça esse argumento as disposições previstas nos artigos 116, II e 117, I, ambos do CTN: "Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: [...] II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. [...] Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento". 8 "O princípio da realização da renda". São Paulo: Quartier Latin. 2001. P. 351. 9 STJ. Primeira Turma. DJ de 20/08/2001. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 13 23 Destacase do julgado a declaração afirmativa acerca da impossibilidade da tributação de ganhos não definitivos, mas escriturados, enquanto não representarem disponibilidade econômica ou jurídica da renda. Nas palavras do voto condutor: Do mesmo modo, há de se entender que "o fato gerador do imposto de renda é o acréscimo patrimonial mais a respectiva disponibilidade jurídica ou econômica (CTN, art. 43)". REsp. 181.912/PR, Rel. Min. ARI PARGENDLER, D.J. 03.11.98. [...] Partindo de tais pressupostos, sem a necessidade de maiores digressões, de ordem doutrinária, afigurame escorreita a decisão ora objurgada, porquanto é certo que a disponibilidade econômica ou jurídica da renda só ocorre quando houver real acréscimo patrimonial, não cabendo a tributação sobre mera expectativa de ganho futuro e em potencial. Nesse aspecto, a razão está com a recorrida, quando invoca, em suas contrarazões, opiniões doutrinárias e precedentes jurisprudenciais em favor da tese defendida, acabando por concluir, in expressis: "Assim, temse que, o efetivo acréscimo patrimonial, disponibilizado para o contribuinte, não pode ser verificado pelos registros contábeis, mas somente pelo ganho determinado no momento em que a Recorrida cumprir a obrigação financeira, pois é somente nesse momento que ela se beneficia (ou não) com a quantidade de reais necessária para a liquidação da obrigação em moeda estrangeira. Antes disso, os registros contábeis significam, tão somente, mera expectativa de ganho, que não constitui hipótese de incidência do imposto de renda. [...] não há como se falar que meros registros contábeis, que representam tão somente expectativas de resultado positivo (já que não se sabe se quando a obrigação for cumprida, a variação será positiva ou negativa) constituam um acréscimo patrimonial, e que este, por força do regime de competência, esteja disponibilizado para o contribuinte no momento em que registrado; ao contrário, é certo que o contribuinte não dispõe desse ganho, uma vez que ainda não implementado o termo em que deveria cumprir sua obrigação financeira." Nessa linha de raciocínio, e considerando o regime de competência aplicável a Recorrente, mister verificar o instante da disponibilidade jurídica da renda proveniente do negócio praticado com os pontos Multiplus. Para tanto, é preciso enfrentar a seguinte questão: Quando ocorre a realização da receita dessa operação? E para responder a questão é imprescindível bem compreender o negócio praticado. Fl. 1091DF CARF MF 24 Conforme restou demonstrado (e comprovado), a Recorrente celebra contratos de parcerias comerciais com determinadas empresas (clientes), cujo objeto é o desenvolvimento e gerenciamento dos programas de relacionamento e/ou incentivo à fidelidade comercial, criados por essas empresas por meio de sua adesão à "Rede Multiplus", cuja minuta do contrato encontrase acostada aos autos. Esses contratos estão inseridos no contexto do que o mercado denomina de marketing de incentivo, prática cada vez mais usual para estreitar a relação de consumo de determinadas marcas e bandeiras. Nesses termos, referidos contratos de parceria comercial têm por objeto e objetivo a administração de uma rede de coalização de programas de fidelização da qual os consumidores participantes (beneficiários) têm o direito de adquirir produtos ou serviços oferecidos pelos parceiros que integram a chamada Rede Multiplus. A partir da exploração de plataforma tecnológica criada para atender pontualmente as campanhas dos interessados (parceiros), a Recorrente oferece e gerencia todas as etapas através de uma unidade de referência (Pontos Multiplus), espécie de moeda de troca. Operacionalmente: (i) o cliente adquire produtos ou serviços de uma empresa participante da "Rede Multiplus"; (ii) ao assim proceder, a Recorrente transfere uma determinada quantidade de pontos em benefício deste consumidor (que passa a deter pontos), recebendo do parceiro patrocinador, como contrapartida, recursos (caixa) calculados com base na cotação de cada ponto fixada previamente entre as partes; (iii) uma vez creditados os pontos, o cliente beneficiário passa a deter o direito de efetuar o resgate dos pontos dentro de um período determinado (normalmente de dois anos) mediante sua troca por produtos ou serviços, cabendo a Recorrente pagar e disponibilizar o "prêmio" escolhido nas bases comerciais firmadas por ela com seus parceiros. Do ponto de vista contratual, o participante adere ao Programa Multiplus, o que lhe dá direito de acumular créditos de pontos quando da compra de produtos de empresas parceiras. Esses pontos podem ser resgatados (trocados) pelos mais variados itens oferecidos (passagens aéreas, produtos eletrônicos, hotéis etc), mas de acordo com o respectivo "preço em pontos". Para tanto, a Recorrente e as empresas conveniadas celebram contratos que estipulam obrigações recíprocas. Assim, compete a empresa parceira oferecer seus produtos e serviços passíveis de troca por pontos Multiplus (5.000 pontos uma geladeira; 10.000 pontos um celular e assim por diante); e a Recorrente compete efetuar a compra do prêmio selecionado quando o titular dos pontos exercer seu direito de troca e o conseqüente repasse do valor devido à empresa parceira fornecedora. O valor pago ou "adiantado" pela empresa parceira à Recorrente é contabilizado em conta de ativo (caixa). Em contrapartida, a empresa reconhece o "passivo" consistente na obrigação da futura liquidação financeira atrelada ao resgate dos pontos como receita diferida, computandoa no lucro real apenas por ocasião da utilização dos pontos (que ocorre com o resgate ou a "prescrição" dos pontos). É justamente esse diferimento que foi combatido pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, por entender que a receita deveria ter sido reconhecida fiscalmente por ocasião do "adiantamento" ou transferência dos recursos dos parceiros para a Recorrente, afinal a empresa, na verdade, não prestaria serviços de intermediação ou assemelhado, mas sim teria praticado dois negócios jurídicos autônomos: (i) "venda de pontos" Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 14 25 às empresas conveniadas em um primeiro momento; e (ii) posterior "revenda" de mercadorias ou serviços. Adotando essa premissa, a fiscalização conclui que houve, no ano calendário autuado (2011), "venda de pontos" que já deveria ter sido oferecida à tributação em razão do recebimento dos valores a eles atrelados. E, mais ainda, na tentativa de sustentar sua tese, o TVF busca sustentar que a Recorrente jamais poderia ter postergado tal receita com base nas regras previstas no CPC 30, por estar obrigada a empresa a se valer dos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. Discordo, entretanto, do enquadramento como "venda de pontos" conferido pela fiscalização ao negócio praticado. A meu ver os elementos dos autos, notadamente o objeto social, descrição das atividades, informações publicadas na CVM e contratos celebrados infirmam a natureza mercantil apontada. A atividade exercida pela Recorrente, na verdade, consiste na manutenção e operacionalização de plataforma tecnológica que permite que empresas parceiras (redes varejistas, postos de gasolina, companhias aéreas etc.) ofereçam benefícios adicionais aos seus clientes, na figura dos pontos Multiplus, para que eles utilizem desta mesma plataforma para vender mais produtos (o que ocorre com o resgate ou troca dos pontos). Como bem notou o Conselheiro Luiz Fabiano Alves Penteado, relator do voto vencedor de caso análogo10, do qual participei e que esta C. Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário da contribuinte: A viabilização desta operação demanda a utilização de uma unidade de medida que seja utilizada como referência para os participantes da operação. Os pontos Multiplus representam tal unidade de medida. Assim, a atividade da Recorrente não pode ser resumida à venda de pontos, pois, tais pontos são mero instrumento utilizado para viabilizar o objetivo final que é o oferecimento aos clientes de benefícios que são representados por pontos que podem ser convertidos em bens e serviços. O objetivo não é vender pontos, mas sim fidelizar o cliente e criar um ambiente adicional para oferecimento de produtos. Quando a Recorrente recebe o caixa das empresas parceiras, há uma assunção de obrigação representada pela futura utilização dos Pontos Multiplus pelos clientes que obrigará a Recorrente a fazer um desembolso de caixa para o pagamento de bens e serviços. Em outras palavras, a Recorrente recebeu determinado caixa de seu parceiros, converteu tal caixa numa uma certa quantidade de pontos e creditou tais pontos aos clientes. Tais pontos serão utilizados no futuro para a compra de bens e serviços. 10 Acórdão n. 1201002.120. Sessão de 12 de abril de 2018. Fl. 1093DF CARF MF 26 Fica claro aqui que nesta etapa da operação , a Recorrente não possui disponibilidade jurídica sobre os valores recebidos, pois, tais valores serão utilizados para satisfazer as "trocas" solicitadas pelos clientes. Não restam dúvidas de que os Pontos Multiplus representam uma unidade de medida utilizada pela Recorrente para contabilizar e mensurar o acúmulo e o resgate dos prêmios oferecidos pela rede, de forma interligada entre a contribuinte, empresas parceiras e participantes, naquilo que se pode chamar de operação triangulada legítima entre partes independentes. Quando um cliente adquire um produto ou serviço de uma empresa integrada à rede Multiplus, esta comunica a transação à Recorrente, que converte o valor do prêmio em pontos atinentes ao programa de fidelização individual, disponibilizandoos aos participantes. Neste momento, a Recorrente, por assumir, em lugar da empresa parceira, o valor da futura transação, corretamente registra a entrada de caixa no passivo, sem reconhecêla no resultado, afinal não houve a realização da renda. Nessa etapa da operação ocorre verdadeira assunção de dívida, em conformidade com o que dispõe o artigo 299 do Código Civil: Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. A empresa vendedora do bem/serviço, parceiro, é quem origina toda a operação, ao prometer aos seus clientes o registro de pontos em razão de compras de seus produtos. A Recorrente recebe o valor para gerenciar e liquidar essa pontuação, assumindo a obrigação de entregar o prêmio. As transferências efetuadas pelos parceiros a Recorrente não correspondem a venda de pontos, como quer fazer crer a decisão de piso e a fiscalização, mas dizem respeito a desembolsos efetuados antes de se verificarem todos os pressupostos materiais que os tornam realizados, pois que, invariavelmente, estão vinculados a obrigação cujo adimplemento está condicionado à troca dos pontos. Derivados dos referidos contratos, tais adiantamentos, embora efetuados num determinado exercício, na verdade destinamse ao custeio de contraprestações assumidas pela Recorrente frente aos parceiros e participantes, a serem por ela realizadas ao longo dos próximos dois anos da concessão dos pontos. A disponibilidade dos pontos gera desembolsos que têm como contrapartida o ônus da Recorrente de assegurar aos participantes, no futuro, o direito de troca. Esse negócio, portanto, está diretamente vinculado a despesas cujas contraprestações serão por ela assumidas. O numerário inicialmente recebido pela Recorrente não se incorpora de imediato no seu patrimônio, pois atrelado à obrigação intima relacionada a este recebimento e Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 15 27 que somente será liquidada quando o participante utilizar seus pontos nas troca por bens ou serviços, momento no qual a Recorrente saberá ao certo quanto terá sido seu custo. Elucidativa, nesse ponto, a seguinte observação que constou do voto proferido no precedente desta Câmara acima citado: Cabe ressaltar que na documentação acostada aos autos é possível perceber que o passivo registrado nos livros da Recorrente tem como base um controle individual que identifica nome, CPF e quantidade de pontos referente a cada um dos clientes participantes. Até o momento em que a Recorrente honra sua obrigação e paga os bens que foram trocados pelos clientes, a Recorrente mantém um passivo com milhões de pessoas, passivo este correspondente ao direito adquirido pelo cliente na relação de consumo com as empresas parceiras e que fora transferido à Recorrente, junto com o caixa correspondente. Nesta situação, não há que se falar em acréscimo patrimonial. Assim, apenas após vencidas tais etapas, o resultado por fim obtido pela Recorrente poderá ser definitivamente incorporado ao seu patrimônio. Neste momento nasce a renda que deve ser reconhecida pela Recorrente. Nesse sentido, forçoso concluir que apenas quando os pontos são resgatados em produtos ou serviços, ou quando o participante deixa de resgatálos no tempo previsto, é que a renda da Recorrente é realizada. É neste momento, portanto, que a receita da atividade deve ser oferecida à tributação, na linha do procedimento adotado pelo contribuinte. Toda a argumentação invocada pela Fazenda Nacional acerca do CPC 30, RTT e critérios contábeis anteriores a 31/12/2007 a meu ver devem ser interpretadas à luz do artigo 43 do CTN, o qual, repitase, impõe como condição necessária e suficiente para ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL a disponibilidade ou realização da renda, o que somente ocorre quando da liquidação dos pontos. Com razão a Recorrente, portanto, quando afirma que: A compreensão desta sistemática toma muito claro que a diferença entre o valor recebido da parceira correspondente aos pontos acumulados e convertidos em "Pontos Multiplus" e o custo da aquisição do benefício, no momento do resgate, corresponde ao aumento de patrimônio sujeito à incidência do IRPJ e da CSL. Até então, por força de sua obrigação contratual de adquirir o benefício a que tem direito os participantes, é inquestionável que a Recorrente ainda não tem disponibilidade jurídica sobre os valores recebidos, exatamente porque ainda pende uma obrigação sua, a qual será quitada consumindo parte daqueles valores. Fl. 1095DF CARF MF 28 Isto é assim porque nem toda entrada ou ingresso no patrimônio da pessoa jurídica é receita. Só é receita a entrada ou ingresso que se integra definitivamente ao patrimônio da pessoa, isto é, sem qualquer reserva, condição ou compromisso no passivo, acrescendoo como elemento novo e positivo, pelo que passa a pertencer à entidade com sentido de permanência. O critério de reconhecimento de receitas adotado pela recorrente, portanto, está rigorosamente de acordo com o regime de competência que, de acordo com o art. 177 c/c art. 187, parágrafo 1o, alínea "a" da Lei n. 6404/76, estabelece que as receitas devem ser reconhecidas quando auferidas (quando o direito ao seu recebimento estiver definitivamente adquirido) e os custos e despesas devem ser lançados na contabilidade quando incorridos (quando a obrigação de pagamento estiver definitivamente constituída). Nessa linha de raciocínio, entendo que o tratamento contábil conferido pela Recorrente respeita o princípio da competência e está em perfeita consonância com o critério contábil de emparelhamento de receitas e despesas. Nesses termos, considerase realizada a receita apenas quando for possível mensurar com confiabilidade as obrigações a ela atreladas. O recebimento por parte da Recorrente dos pontos, ainda que provoque um efeito de caixa, implica no reconhecimento de um componente dedutível somente por ocasião do resgate dos pontos. Seguindo a própria lógica da sistemática de apuração do lucro real, o adiantamento pago pela disponibilidade dos pontos pelo parceiro constitui receita tributável somente no momento do confronto desta receita com o respectivo custo. É o que decorre do princípio contábil do “emparelhamento das receitas e despesas” (matching), de observância obrigatória aos sujeitos ao regime de competência. Não sendo possível confrontar o adiantamento com o dispêndio a ele atrelado, afinal ainda pendente o cumprimento de condição, também não deve haver imediato reconhecimento em conta de resultado. Ora, o ingresso de caixa que tem como contrapartida um passivo não representa renda. E é justamente por isso que a realização da renda ou, se preferir, a aferição do lucro da operação em questão, em face do princípio da competência e das normas de incidência do IRPJ e CSLL, somente ocorre no momento da extinção ou redução da obrigação de pagar os pontos registrada no passivo. Correto, portanto, o tratamento contábil e fiscal empregado pela Recorrente, devendo ser cancelados os Autos de Infração de IRPJ e CSLL. Conclusão Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 16 29 Pelo exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1097DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Redator designado. Peço vênia para discordar do nobre relator com relação aos termos do seu voto, no que tange ao critério de reconhecimento de receitas, para fins da tributação pelo IRPJ e pela CSLL. O modelo de negócio foi bem demonstrado pela recorrente. Ela disponibiliza aos seus parceiros um sistema de pontos, que funcionam como um fator de referência de valor comum a toda rede, aos quais são convertidos os pontos acumulados pelos clientes ‘beneficiários’ das parceiras, quando da aquisição de produtos e/ou serviços, ou em virtude dos respectivos programas de fidelização por eles realizados. Esses pontos podem ser posteriormente resgatados, pelos beneficiários, em produtos e/ou serviços disponibilizados na ‘Rede Multiplus’, sujeitandose, entretanto, a um sistema de prescrição. Quando a parceira informa o montante de pontos acumulados por seus clientes 'beneficiários', a recorrente recebe seu valor correlato, em dinheiro, disponibilizando, em contrapartida, à parceira, o equivalente em ‘Pontos Multiplus’. Posteriormente, quando do resgate dos pontos acumulados no programa, o dinheiro é usado na aquisição do benefício escolhido pelo beneficiário, quando então tem ciência do custo da operação. Como muito bem sintetizou o nobre relator em seu voto: Em síntese, a controvérsia instaurada diz respeito ao momento em que devem ser reconhecidas as receitas provenientes dos "pontos Multiplus" para fins de IRPJ e CSLL. No entender da Recorrente a receita dessa operação deve ser oferecida à tributação por ocasião do resgate dos pontos pelos beneficiários ou pela perda do direito de utilização dos pontos por decurso de prazo. A fiscalização, porém, sustenta que houve postergação indevida dessa receita, por considerar que a receita deve ser reconhecida no momento da "venda" dos pontos à empresa parceira, independentemente do registro do passivo correspondente à aquisição dos bens e serviços que deverão ser entregues aos clientes que resgatarem os pontos Multiplus. Dessa forma, percebese claramente que o cerne da discussão consiste em definir o aspecto temporal da realização da renda das receitas obtidas pelo gerenciamento de pontos: (i) na data de recebimento dos valores pelas empresas parceiras; ou (ii) na data do exercício do direito ao resgate pelo beneficiário dos programas de pontuação, podendo esta, eventualmente, ocorrer com o decurso do prazo de resgate previsto nos regulamentos. Ainda, em seu voto, assim se pronunciou o relator, explicitando com mais detalhes a operacionalização do negócio, assim como indicando o entendimento da fiscalização para fins da autuação: Nessa linha de raciocínio, e considerando o regime de competência aplicável a Recorrente, mister verificar o instante da disponibilidade jurídica da renda proveniente do negócio praticado com os pontos Multiplus. Para tanto, é preciso enfrentar a seguinte questão: Quando ocorre a realização da receita dessa operação? Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 17 31 E para responder a questão é imprescindível bem compreender o negócio praticado. Conforme restou demonstrado (e comprovado), a Recorrente celebra contratos de parcerias comerciais com determinadas empresas (clientes), cujo objeto é o desenvolvimento e gerenciamento dos programas de relacionamento e/ou incentivo à fidelidade comercial, criados por essas empresas por meio de sua adesão à "Rede Multiplus", cuja minuta do contrato encontrase acostada aos autos. Esses contratos estão inseridos no contexto do que o mercado denomina de marketing de incentivo, prática cada vez mais usual para estreitar a relação de consumo de determinadas marcas e bandeiras. Nesses termos, referidos contratos de parceria comercial têm por objeto e objetivo a administração de uma rede de coalização de programas de fidelização da qual os consumidores participantes (beneficiários) têm o direito de adquirir produtos ou serviços oferecidos pelos parceiros que integram a chamada Rede Multiplus. A partir da exploração de plataforma tecnológica criada para atender pontualmente as campanhas dos interessados (parceiros), a Recorrente oferece e gerencia todas as etapas através de uma unidade de referência (Pontos Multiplus), espécie de moeda de troca. Operacionalmente: (i) o cliente adquire produtos ou serviços de uma empresa participante da "Rede Multiplus"; (ii) ao assim proceder, a Recorrente transfere uma determinada quantidade de pontos em benefício deste consumidor (que passa a deter pontos), recebendo do parceiro patrocinador, como contrapartida, recursos (caixa) calculados com base na cotação de cada ponto fixada previamente entre as partes; (iii) uma vez creditados os pontos, o cliente beneficiário passa a deter o direito de efetuar o resgate dos pontos dentro de um período determinado (normalmente de dois anos) mediante sua troca por produtos ou serviços, cabendo a Recorrente pagar e disponibilizar o "prêmio" escolhido nas bases comerciais firmadas por ela com seus parceiros. Do ponto de vista contratual, o participante adere ao Programa Multiplus, o que lhe dá direito de acumular créditos de pontos quando da compra de produtos de empresas parceiras. Esses pontos podem ser resgatados (trocados) pelos mais variados itens oferecidos (passagens aéreas, produtos eletrônicos, hotéis etc), mas de acordo com o respectivo "preço em pontos". Para tanto, a Recorrente e as empresas conveniadas celebram contratos que estipulam obrigações recíprocas. Assim, compete a empresa parceira oferecer seus produtos e serviços passíveis de troca por pontos Multiplus (5.000 pontos uma geladeira; 10.000 pontos um celular e assim por diante); e a Recorrente compete efetuar a compra do prêmio selecionado quando o titular dos pontos exercer seu direito de troca e o conseqüente repasse do valor devido à empresa parceira fornecedora. O valor pago ou "adiantado" pela empresa parceira à Recorrente é contabilizado em conta de ativo (caixa). Em contrapartida, a empresa reconhece o "passivo" consistente na obrigação da futura liquidação financeira atrelada ao resgate dos pontos como receita diferida, computandoa no lucro real apenas por ocasião da utilização dos pontos (que ocorre com o resgate ou a "prescrição" dos pontos). Fl. 1099DF CARF MF 32 É justamente esse diferimento que foi combatido pela autoridade fiscal responsável pelo lançamento, por entender que a receita deveria ter sido reconhecida fiscalmente por ocasião do "adiantamento" ou transferência dos recursos dos parceiros para a Recorrente, afinal a empresa, na verdade, não prestaria serviços de intermediação ou assemelhado, mas sim teria praticado dois negócios jurídicos autônomos: (i) "venda de pontos" às empresas conveniadas em um primeiro momento; e (ii) posterior "revenda" de mercadorias ou serviços. Adotando essa premissa, a fiscalização conclui que houve, no ano calendário autuado (2011), "venda de pontos" que já deveria ter sido oferecida à tributação em razão do recebimento dos valores a eles atrelados. E, mais ainda, na tentativa de sustentar sua tese, o TVF busca sustentar que a Recorrente jamais poderia ter postergado tal receita com base nas regras previstas no CPC 30, por estar obrigada a empresa a se valer dos critérios contábeis vigentes em 31/12/2007. A discordância do relator em relação à premissa da fiscalização foi também demonstrada, conforme trecho do voto em que é afirmado: Discordo, entretanto, do enquadramento como "venda de pontos" conferido pela fiscalização ao negócio praticado Seguindo nessa linha de raciocínio, o relator traz o embasamento que entendeu correto para dar provimento ao recurso voluntário. Nesse sentido, forçoso concluir que apenas quando os pontos são resgatados em produtos ou serviços, ou quando o participante deixa de resgatálos no tempo previsto, é que a renda da Recorrente é realizada. É neste momento, portanto, que a receita da atividade deve ser oferecida à tributação, na linha do procedimento adotado pelo contribuinte. Toda a argumentação invocada pela Fazenda Nacional acerca do CPC 30, RTT e critérios contábeis anteriores a 31/12/2007 a meu ver devem ser interpretadas à luz do artigo 43 do CTN, o qual, repitase, impõe como condição necessária e suficiente para ocorrência do fato gerador do IRPJ e CSLL a disponibilidade ou realização da renda, o que somente ocorre quando da liquidação dos pontos. Contudo, com todas as vênias, não se pode concordar com esse entendimento. Pelo contrário, no voto condutor da decisão de piso que considerou improcedente a impugnação protocolada pela autuada, a questão foi enfrentada e as conclusões do relator dessa decisão de piso estão em completo alinho com o entendimento dos componentes desta turma recursal que votaram no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, pelo que tais conclusões são adotadas como razões de decidir neste voto: Métodos e critérios contábeis vigentes em 31/12/ 2007 124. Em sua impugnação, a interessada arguiu que os contratos de parceria comercial, por ela firmados, visam à criação de uma rede de coalização dos programas de fidelização das empresas parceiras; quando a empresa parceira informa o montante dos pontos acumulados por seus clientes, a impugnante recebe o valor correlato, em espécie, e disponibiliza à parceira o equivalente em “Pontos Multiplus”; posteriormente, quando do resgate dos pontos acumulados no programa, o valor anteriormente recebido da parceira é utilizado na aquisição dos benefícios escolhidos pelos clientes da parceiras. 125. Argumentou que no momento em que a impugnante disponibiliza os “Pontos Multiplus” à parceira, a contrapartida dos recursos ingressados é registrada como receita diferida no passivo em face de somente ser reconhecida como receita quando ocorrer o resgate dos pontos; ainda não é possível para a impugnante, nesse Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 18 33 primeiro momento, determinar qual será o valor desta receita, nem quando ela irá ocorrer, uma vez que esta definição só se dará no momento em que o beneficiário resgatar seus pontos acumulados, sendo registrada como receita apenas a diferença entre o valor recebido pelos “Pontos Multiplus” disponibilizados e o custo de aquisição do benefício escolhido pelo participante (“spread”); também constituiu receita o chamado “breakage”, que são os valores recebidos quando da disponibilização dos “Pontos Multiplus” ao parceiro, mas que não são resgatados pelos beneficiários dentro do seu prazo de validade de dois anos. 126. Acrescentou que nem toda entrada ou ingresso de recursos no patrimônio da pessoa jurídica é receita, pois só pode ser assim definida a entrada ou ingresso que se integra definitivamente ao patrimônio da pessoa, isto é, sem qualquer reserva, condição ou compromisso no passivo, conforme conceituação dada pelo Pronunciamento Técnico CPC 30 (R1) – Receitas, sendo que sequer existe acréscimo patrimonial (no caso de haver pendência de uma obrigação sobre os ingressos no patrimônio); uma vez adquirido o direito sobre as receitas, elas passam a integrar o patrimônio da pessoa, o qual é formado pelo complexo de relações jurídicas dotadas de valor econômico, constituindo uma universalidade de direitos, nos termos do artigo 90 do Código Civil; até o momento em que se dá o resgate, com a consequente aquisição do benefício devido ao participante, não há receita a ser oferecida à tributação; apenas quando aqueles valores ingressam no seu patrimônio definitivamente é que nasce para Impugnante o direito ao saldo resultante da diferença entre o valor recebido e o valor do benefício adquirido. 127. Antes de mais nada, cabe reiterar que os métodos e critérios contábeis introduzidos em decorrência do processo de convergência às normas internacionais de contabilidade não têm qualquer efeito para fins tributários, conforme já analisado no tópico anterior do presente voto, razão pela qual a interessada devia, obrigatoriamente, ter aplicado as normas contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. 128. Nesse sentido, o artigo 187 da Lei nº 6.404, de 1976, ao disciplinar a forma de elaboração da demonstração do resultado do exercício, já determinava em seu § 1º que devem ser computados as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda, e os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais; (Redação dada pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 1101DF CARF MF 34 V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados; VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º. Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. (...) (grifouse) 129. Considerando que os Princípios de Contabilidade são verdadeiras normas gerais delimitadoras da aplicação da Ciência Contábil, cabe, para solução da matéria em análise, também trazer aos autos os enunciados do “Princípio da Realização da Receita” e do Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e Com os Períodos Contábeis”: O Princípio da Realização da Receita “A receita é considerada realizada e, portanto, passível de registro pela Contabilidade, quando produtos ou serviços produzidos ou prestados pela Entidade são transferidos para outra Entidade ou pessoa física com a anuência destas e mediante pagamento ou compromisso de pagamento especificado perante a Entidade produtora ...” O Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis “Toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada; os consumos ou sacrifícios de ativos (atuais ou futuros), realizados em determinado período e que não puderam ser associados à receita do período nem às dos períodos futuros, deverão ser descarregados como despesa do período em que ocorrerem...” (grifouse) 130. Acerca do Princípio da Realização da Receita, consta na Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade, elaborada pelo Instituto Brasileiro de ContadoresIBRACON e aprovada e referendada pela Comissão de Valores MobiliáriosCVM, por meio da Deliberação CVM nº 29, de 5 de fevereiro de 1986, que o ponto normal de reconhecimento e registro da receitas nos livros da empresa é aquele em que os produtos ou serviços são transferidos ao cliente, conforme transcrito abaixo: “Portanto, considerase que o Princípio da Realização da Receita escolhe, como ponto normal de reconhecimento e registro da receita nos livros da empresa, aquele em que Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 19 35 produtos ou serviços são transferidos ao cliente. Esse ponto é praticamente coincidente, muitas vezes, com o momento da venda. A Contabilidade assim o faz porque: a) a transferência do bem ou serviço normalmente se concretiza quando todo, ou praticamente todo, o esforço para obter a receita já foi desenvolvido; b) nesse ponto, configurase com mais objetividade e exatidão o valor de mercado (de transação) para a transferência; c) nesse ponto já se reconhecem todos os custos de produção de produtos ou serviço transferido e outras despesas ou deduções da receita diretamente associáveis ao produto ou serviços, tais como: comissões sobre vendas, despesas com consertos ou reformas parciais decorrentes de garantias concedidas etc. Os desembolsos com tais despesas podem ocorrer e até ocorrem, após as transferências, mas o montante é conhecido ou razoavelmente estimável já no ato da transferência. É importante notar que muito dificilmente será possível observar as três condições acima em pontos outros que não o da transferência efetiva do produto ou serviço. De qualquer forma, é a satisfação dessas três condições que deverá determinar quando uma receita pode ser reconhecida nos livros da entidade, e não os interesses outros de natureza fiscal ou, o que é pior, a mudança do critério conforme o interesse de cada configuração. (...) (...)” (grifouse) 131. Com relação ao Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas e com os Períodos Contábeis, consta da Estrutura Conceitual Básica de Contabilidade que as despesas incorridas (consumidas) no período, a serem confrontadas com as receitas reconhecidas (ganhas), também alcançam o sacrifício de ativos no futuro (ativo que pode nem existir à época do confronto): “É importante notar que a base do confronto não está relacionada ao montante dos recursos efetivamente recebido em dinheiro ou pago, no período, mas às receitas reconhecidas (ganhas), nas bases já mencionadas, e às despesas incorridas (consumidas) no período. Assim, podemos consumir ativos pagos no mesmo período ou adquiridos em períodos anteriores. Pode ocorrer o caso de sacrifícios de ativos, no esforço de propiciar receita, cujos desembolsos efetivos somente irão ocorrer em outro exercício, ou de se incorrer em despesas a serem desembolsadas posteriormente (sacrifício de ativo no futuro, ativo esse que pode nem existir hoje). (...) Observações: Fl. 1103DF CARF MF 36 É importante esclarecer que os princípios da realização da receita e de confrontação das despesas são, em conjunto, também conhecidos por Regime de Competência”. (grifouse) 132. Em 29/12/1993, o Conselho Federal de Contabilidade aprovou a Resolução CFC nº 750/93, cujo artigo 9º, ao tratar do Princípio da Competência, na redação anterior às alterações introduzidas pela Resolução CFC nº 1.282/2010, dispunha que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, sendo referidas receitas consideradas realizadas, nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetivá lo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à Entidade, quer pela fruição de serviços por esta prestados: O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º. As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º. O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º. O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3º. As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. § 4º. Consideramse incorridas as despesas: I – quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; II – pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III – pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo. (grifouse) Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 20 37 133. Por conseguinte, a receita deve ser reconhecida, nas transações com terceiros, quando o esforço para sua obtenção já tiver sido desenvolvido, com a transferência dos produtos/mercadorias ou a prestação dos serviços, mediante anuência dos clientes e realização de pagamento ou compromisso firme de efetivá lo. 134. Considerando que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, é indispensável que para o reconhecimento da receita seja possível também reconhecer todos os custos dos produtos/mercadorias ou serviços transferidos e outras despesas diretamente a eles associáveis, inclusive os custos e despesas a serem incorridos após a transferência do bem ou serviço ao cliente, desde que o seu valor seja conhecido ou razoavelmente estimável já no ato da transferência. 135. No caso dos autos, a Multiplus, ao comercializar direitos de resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes, conforme previsto no artigo 3º do seu Estatuto Social (fl. 003), envia às Parceiras a fatura para cobrança do valor correspondente aos Pontos Multiplus a serem creditados aos participantes (clientes das Parceiras). Tal acúmulo de pontos ocorre quando os participantes contratam serviços e/ou adquirem produtos oferecidos pelas Parceiras, ou quando se associam a programas e/ou promoções de incentivo à fidelidade comercial promovidos pelas Parceiras e, posteriormente, convertem tais benefícios em Pontos Multiplus. 136. Como exemplo do que foi verificado nos autos, colacionei a tela da loja virtual da empresa parceira Ponto Frio, na qual mostra que é possível ao participante receber 2.145 “Pontos Multiplus” na compra de um smartphone: 137. Em outras palavras e salvo alguma outra interpretação, entendo que a contribuinte vende “Pontos Multiplus” às empresas parceiras (e também diretamente aos participantes, conforme se verá mais adiante), sendo que as empresas parceiras repassam aos participantes uma certa quantidade de “Pontos Multiplus” quando, por exemplo, da aquisição de seus produtos. 138. Com tais informações, montei o seguinte quadro: Fl. 1105DF CARF MF 38 139. Em consequência, a Multiplus assumiu a obrigação de honrar o futuro resgate dos Pontos Multiplus, mas tal fato é insuficiente para autorizar o diferimento da tributação da receita correspondente para o momento do resgate dos pontos acumulados. 140. A interessada fez jus a essa receita no momento do recebimento dos valores pagos pelas empresas parceiras, independente do fato de os participantes do Programa Multiplus resgatarem ou não os prêmios a que têm direito. Para a Multiplus pouco importa se e quando os participantes vão resgatar os Pontos Multiplus, pois a transação comercial realizada entre ela e suas Parceiras já estava toda concluída com a disponibilização dos Pontos Multiplus. A obrigação pertinente à entrega dos prêmios por ocasião do resgate dos pontos acumulados constitui negócio jurídico distinto, pois apenas os participantes do Programa Multiplus figuram na condição de credores. 141. Logo, como da operação de disponibilização dos Pontos Multiplus não remanesceu qualquer obrigação da Multiplus perante suas parceiras, os valores por estas pagos já pertencem de forma definitiva à interessada no momento do seu recebimento. 142. No sentido oposto, a contribuinte, a meu ver, atua como provedora da plataforma, a qual as empresas parceiras e os participantes utilizam para operacionalizar a acumulação e o resgate de pontos, conforme o quadro abaixo: 143. Vejase que os participantes, ao resgatarem seus “Pontos Multiplus” na aquisição de produtos das empresas parceiras, entregam determinada quantidade de “Pontos Multiplus” à contribuinte. Esta, por sua vez, repassa determinada quantia em dinheiro (previamente acordada nos contratos de parceria) às empresas parceiras, as quais encaminham o produdo adquirido pelos participantes. 144. A contribuinte não vende nem fornece produtos aos participantes. Isso fica a cargo das empresas participantes, conforme consta no Regulamento da Rede Multiplus (https://promo.pontosmultiplus.com.br/regulamento/regulamento_e_termo_multiplu s.pdf), do qual destaco o seguinte: Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 21 39 145. Isso comprova de maneira cabal que a interessada comercializa pontos e que sua responsabilidade se restringe a honrar esses pontos vendidos no momento do resgate de produtos/serviços por parte dos participantes. 146. Com relação à alegação de que tais operações seriam transferência do domínio, os artigos 481 e 482 do Código Civil estabelecem que, pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de cerca coisa, e outro lhe pagar certo preço em dinheiro, sendo a compra e venda considerada obrigatória e perfeita quando as partes acordarem no objeto e no preço: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. (grifouse) 147. Por conseguinte, tais requisitos foram todos atendidos quando a interessada transferiu o domínio de certa coisa (no caso um bem imaterial), o direito de resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização, a ser repassado pelas Parceiras a seus clientes, e, em contrapartida, recebeu o preço em dinheiro estabelecido nos contratos de parceria comercial celebrados com as empresas parceiras. 148. Também não trata o presente caso de faturamento antecipado, assim entendido a venda para a qual o vendedor ainda não dispõe da mercadoria a ser entregue, pois a Multiplus fez jus à prestação pecuniária que lhe cabe por contrato, de forma definitiva, quando transmitiu o direito de resgate de prêmios. 149. Com relação à alegação de que a impugnante e as empresas parceiras firmaram um contrato de assunção de dívida, cumpre destacar que não há nos contratos de parceria comercial qualquer menção ou referência ao instituto da assunção de dívida de que trata o artigo 299 do Código Civil, in verbis: Art. 299. É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor, ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o credor o ignorava. Fl. 1107DF CARF MF 40 Parágrafo único. Qualquer das partes pode assinar prazo ao credor para que consinta na assunção da dívida, interpretando se o seu silêncio como recusa. (Grifouse) 150. De igual forma, não há nos contratos de parceria comercial qualquer disposição expressa acerca do consentimento do credor (participantes dos programas de fidelidade) para transferência da obrigação do devedor originário (empresas parceiras) ao terceiro (a interessada), conforme exigido pelo caput do referido artigo 299. 151. Cumpre, por fim, contestar a alegação veemente da impugnante de que não ocorre a venda de pontos, porquanto consta de suas demonstrações financeiras (fls. 386 a 441) e de seu relatório anual (fls. 442 a 514), ambos do anocalendário de 2011, as seguintes informações: folha 397 folha 401 folha 409 folha 438 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 22 41 folha 454 folha 470 folha 487 Fl. 1109DF CARF MF 42 folha 490 152. Vejase que em todos os trechos colacionados, os quais são meramente exemplificativos (não exaustivos, pois há muitas outras citações similares em todo o processo), é utilizada a expressão “venda de pontos”. 153. Reiterese que, embora não utilize tal expressão, consta do artigo 3º do Estatuto Social da Multiplus (fl. 003) que ela tem por objeto, dentre outras atividades, a comercialização de direitos de resgate de prêmios no âmbito do programa de fidelização de clientes. Ora, esses direitos de resgate nada mais são que os “Pontos Multiplus”. 154. A argumentação de que a contribuinte utiliza a referida expressão (venda de pontos) em tais relatórios apenas para um melhor entendimento do público ao qual é direcionado não faz sentido, pois, nesse caso, estaria se aceitando a situação de que a empresa não demonstra nos referidos relatórios a sua real atividade. 155. Além disso, em harmonia com tudo que foi exposto nos autos de infração, para um melhor esclarecimento e tendo como suporte o princípio da verdade material, buscouse mais informações sobre o assunto no sítio de internet da empresa (www.pontosmultiplus.com.br), acessado em 12/04/2017. 156. Tal pesquisa mostrou que a contribuinte, efetivamente, comercializa (compra e vende) pontos. 157. Mais especificamente, no endereço https://www.pontosmultiplus.com.br/regulamento/regulamento_sem_promoc ao_facilidades.pdf , temos o documento denominado “Regulamento para Compra, Renovação e Transferência de Pontos”, no qual a contribuinte estabelece regras para a aquisição, renovação e transferência (entre participantes) de “Pontos Multiplus” e que destaco o seguinte: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 23 43 158. A venda de “Pontos Multiplus” está clara no referido sítio: 159. Ademais, a interessada oferece aos participantes a possibilidade de fazer parte do “Clube Multiplus”, cujas regras estão no seguinte endereço eletrônico https://promo.multiplusfidelidade.com.br/clubemultiplus/regulamento/clubemultiplu s.pdf. 160. Ao aderir à referida promoção, o participante se compromete a pagar uma mensalidade em troca de crédito de determinada quantidade de “Pontos Multiplus” em sua conta junto à contribuinte, conforme abaixo: Fl. 1111DF CARF MF 44 161. Ao fazer parte do referido clube, o participante pode adquirir desde 500 pontos por R$ 26,90 até 5.000 pontos por R$ 162,90. 162. Assim, exatamente como expôs os autos do processo, não resta a menor dúvida que a contribuinte vende “Pontos Multiplus” não só às empresas parceiras, como também diretamente aos participantes. 163. Dessa forma, concluise que as condições referidas pelo Princípio da Realização da Receita para seu reconhecimento foram todas atendidas, pois o esforço para obtenção da receita já foi desenvolvido com a disponibilização dos Pontos Multiplus para as empresas parceiras, com a anuência destas e mediante pagamento. 164. Quanto ao custo de aquisição dos prêmios a serem entregues aos participantes, é certo que, de acordo com o Princípio da Competência, as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem. No mesmo sentido, o Princípio do Confronto das Despesas com as Receitas determina que toda despesa diretamente delineável com as receitas reconhecidas em determinado período, com as mesmas deverá ser confrontada. 165. Logo, caberia à interessada contabilizar os custos dos prêmios a serem entregues no resgate dos pontos acumulados mediante provisão constituída com base na Resolução CFC nº 1.066/2005. Provisão para custos de resgates futuros 166. Em conformidade com os Princípios da Competência e do Confronto das Despesas com as Receitas, a receita deve ser confrontada com todos os custos dos produtos ou serviços transferidos aos clientes e outras despesas diretamente a eles associáveis, inclusive os possivelmente ocorridos após a transferência, desde que o seu valor seja conhecido ou razoavelmente estimável. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 24 45 167. Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, no Manual FIPECAFI/USP (em edição anterior à Nova Lei das S/A), ao analisar as disposições do artigo 9º da Resolução CFC nº 750/93, lecionam que as despesas, na maioria das vezes, representam consumpção de ativos, que tanto podem ter sido pagos em períodos passados, do próprio período, ou ainda virem a ser pagos no futuro, sendo que a aplicação correta da competência exige que se provisionem, com base em fundamentação estatística, certas despesas por ocorrer, mas indiscutivelmente ligadas à venda em análise, como as despesas futuras com garantias assumidas em relação a produtos: “As despesas, na maioria das vezes, representam consumpção de ativos, que tanto podem ter sido pagos em períodos passados, no próprio período, ou ainda virem a ser pagos no futuro. De outra parte, não é necessário que o desaparecimento do ativo seja integral, pois muitas vezes a consumpção é somente parcial, como no caso das depreciações ou nas perdas de parte do valor de um componente patrimonial do ativo, por aplicação do Princípio da Prudência à prática, de que nenhum ativo pode permanecer avaliado por valor superior ao de sua recuperação por alienação ou utilização nas operações em caráter corrente. Mas a despesa também pode decorrer do surgimento de uma exigibilidade sem a concomitante geração de um bem ou de um direito, como acontece, por exemplo, nos juros moratórios e nas multas de qualquer natureza. Entre as despesas do tipo em referência localizamse também as que se contrapõem a determinada receita, como é o caso dos custos diretos com vendas, nos quais se incluem comissões, impostos e taxas e até royalties. A aplicação correta da competência exige mesmo que se provisionem, com base em fundamentação estatística, certas despesas por ocorrer, mas indiscutivelmente ligadas à venda em análise, como as despesas futuras com garantias assumidas em relação a produtos”. (grifouse) 168. As provisões foram tratadas pela NBC T 19.7 – Provisões, Passivos, Contingências Passivas e Contingências Ativa, aprovada pela Resolução CFC nº 1.066/2005, que, em seus itens 19.7.6. – Provisões e 19.7.10. – Estimativa Confiável da Obrigação, disciplinou os requisitos para seu reconhecimento e esclareceu que o uso de estimativas é parte essencial da preparação das Demonstrações Contábeis e não prejudica sua confiabilidade: 19.7.6. – PROVISÕES 19.7.6.1. Uma provisão deve ser reconhecida quando: a) a entidade tem uma obrigação legal ou nãoformalizada presente como consequência de um evento passado: b) é provável que recursos sejam exigidos para liquidar a obrigação; e c) o montante da obrigação possa ser estimado com suficiente segurança. (...) Fl. 1113DF CARF MF 46 19.7.10. ESTIMATIVA CONFIÁVEL DA OBRIGAÇÃO 19.7.10.1. O uso de estimativas é parte essencial da preparação das Demonstrações Contábeis e não prejudica sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso das provisões, que, por sua natureza, são mais incertas do que a maior parte dos outros itens do balanço. De maneira geral, a entidade é capaz de determinar os possíveis desfechos que envolvem uma obrigação e, dessa forma, fazer uma estimativa que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento de uma provisão. (...) (Grifouse) 169. Logo, considerando que a interessada assumiu a obrigação de honrar o futuro resgate dos Pontos Multiplus, sendo certo que recursos financeiros serão exigidos para tal fim e tendo em vista ser possível estimar o valor desses gastos futuros com suficiente segurança, caberia a ela constituir uma provisão para custos dos gastos futuros, com base em fundamentação estatística, considerando os prêmios com maior probabilidade de resgate e a expectativa de pontos não resgatados (breakage). 170. Na constituição dessa provisão deve ser levado em consideração que já foi fixado nos contratos de parceria comercial o valor a ser pago por cada empresa parceira à Multiplus em decorrência da disponibilização dos Pontos Multiplus, assim como o valor a ser pago pela Multiplus a cada empresa parceira no resgate dos pontos acumulados, sendo a diferença entre esses valores o lucro da interessada (spread). 171. Os valores recebidos pela Multiplus na disponibilização dos Pontos Multiplus já são conhecidos por ocasião do seu recebimento, mas os gastos futuros com o resgate dos pontos acumulados constituem valores ainda não totalmente definidos, pois representam expectativas de perdas de ativos ou estimativas de valores a desembolsar no futuro. 172. Como a interessada negociou com cada empresa parceira diferentes valores de resgate dos pontos acumulados e o participante do Programa Multiplus tem a liberdade de resgatar seus pontos acumulados com qualquer das empresas parceiras integrantes da Rede Multiplus, não se sabe com exatidão qual será o valor do desembolso futuro. 173. Por exemplo, a Multiplus celebrou com a TAM Linhas Aéreas S/A, em 10/12/2009, um Contrato Operacional (fl. 582 – arquivo não paginável), cuja cláusula oitava estabelece que a TAM pagará à Multiplus o valor de R$ 17,00 a cada 1.000 pontos que adquirir, enquanto a Multiplus pagará à TAM os valores fixados em tabela com 19 faixas de remuneração, entre R$ 52,00 e R$ 1.300,00, de acordo com o número de pontos resgatados na aquisição de bilhete de passagemprêmio para vôo operado pela TAM: (...) Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 10314.722542/201622 Acórdão n.º 1201002.302 S1C2T1 Fl. 25 47 174. No caso do Contrato de Aliança e Parceria Comercial firmado em 16/12/2009 com a Fidelidade Viagens e Turismo Ltda. (fl. 582 – arquivo não paginável) – considerando que sua cláusula 2.2 dispõe que a partir de 01/01/2010 toda e qualquer referência a direito e/ou obrigação da TAM deve ser entendido e atribuído à Multiplus –, verificase que foi estabelecido que a parceira pagará à interessada a quantia de R$ 40,00 para cada 1.000 pontos disponibilizados, enquanto a interessada pagará à parceira o valor de R$ 22,20 para cada 1.000 resgatados, com desconto de 15%, conforme previsto no item 4 do Anexo A do contrato de parceria: 175. Remuneração esta alterada em 01/09/2011 (retirado o desconto de 15%), conforme abaixo: Fl. 1115DF CARF MF 48 176. Dessa forma, tendo em vista que a rede de coalizão dos programas de fidelização das empresas parceiras permite que os clientes destas possam resgatar os pontos acumulados com qualquer uma das centenas de empresas integrantes da Rede Multiplus, além da provável ocorrência de pontos não resgatados (breakage), o valor dos gastos com aquisição dos prêmios deve ser estimado e provisionado com base em fundamentação estatística. 177. Contudo, considerando que uma provisão é utilizada para registrar uma provável despesa futura e somente são admitidas as provisões com dedutibilidade expressamente autorizada pelos artigos 335 a 338 do RIR de 1999, como a provisão para custos de resgates futuros não se enquadra nos referidos dispositivos não há como se considerar o valor dessa provisão na apuração do resultado tributável do anocalendário de 2011. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 1116DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720958/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 58 /2 01 1- 39 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 42DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.317, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 44DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 46DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 47DF CARF MF Processo nº 16327.720958/201139 Acórdão n.º 3201003.990 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.947036/2012-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2007
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2).
A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.285
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. EXCLUSÃO DE ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. ABORDAGEM CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. MATÉRIA SUMULADA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). A compensação de créditos tributários só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. No caso, o crédito pleiteado depende de declaração de inconstitucionalidade, o que é vedado no âmbito do processo administrativo federal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 70 36 /2 01 2- 96 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 87 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 52/68) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 45/48), proferida em sessão de 09 de outubro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 0367.811, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 02/12) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 03/07/2012 (efl. 34), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 24487.77239.250208.1.3.043379, transmitido em 25/02/2008, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 88 3 Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp n.º 24487.77239.250208.1.3.043379, transmitida eletronicamente em 31/03/2007, com base em suposto crédito de Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 20/04/2007 6106 R$ 8.313,95 20/04/2007 A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 8.313,95. Em 03/07/2012 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de Simples, período de apuração 20/04/2007, em face da indevida inclusão do ICMS em sua base de cálculo. Aduz que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para efeitos fiscais, uma vez que o contribuinte é mero arrecadador e intermediário de uma receita que não lhe pertence, mas sim ao fisco estadual. Cita, em apoio a esse entendimento, Recurso Extraordinário do Supremo Tribunal Federal n.º 240.785357950, em destaque voto do Ilustre Ministro Marco Aurélio, que se manifestou sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins: “se alguém fatura ICMS é o Estado, não o vendedor da mercadoria.” Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/03/2007 6106 R$ 8.313,95 20/04/2007 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 89 4 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3540968691 R$ 8.313,95 DB: cód 6106 PA 31/03/2007 R$ 8.313,95 Valor Total R$ 8.313,95 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: As ME e as EPP inscritas no Simples Federal não poderão gozar de nenhum outro benefício ou tratamento fiscal diferenciado ou mais favorecido, além daqueles expressamente previstos na legislação específica, inclusive em relação a substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução da base de cálculo, isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O art. 5.º da Lei n.º 9.317/96 estabelece que a apuração do montante mensalmente devido será determinado mediante a aplicação de percentual sobre a receita bruta mensal auferida pela pessoa jurídica, conforme transcrição a seguir. Art. 5.º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais (...). Ainda, nos termos do § 2.º do art. 2.º da Lei n.º 9.317, de 1996, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Portanto, se a previsão legal determinou que o percentual seria aplicado sobre a receita bruta mensal, não cabe a interpretação de que a incidência se daria sobre a receita líquida, considerando a exclusão dos impostos incidentes sobre a receita bruta, tais como: ICMS, PIS, Cofins e ISS. (...) Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 90 5 Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 04/03/2016, sextafeira, efls. 49/50, e protocolo em 05/04/2016, efl. 51), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 91 6 Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, haja vista que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da utilização integral do valor recolhido, de modo a não restar saldo residual para restituição, demais disto não havendo causa de indébito, vale dizer, o DARF foi alocado em efetivo recolhimento de crédito tributário devido. De mais a mais, não vejo reparos a serem aplicados na decisão de primeira instância. No recurso voluntário o contribuinte defende o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, de modo que, por decorrência desta premissa, passaria a haver saldo relativo ao recolhimento (recolhimento a maior), porém não vejo como dar provimento ao pleito vindicado. Primeiro, com os elementos que constam dos autos, inexiste qualquer materialidade probatória para que se possa dar certeza e liquidez em eventuais hipotéticos créditos que pudessem ser apurados a partir da eventual exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, visto que inexiste apuração ou elementos documentais que possibilitassem comprovar o respectivo levantamento. E mais, não caberia ao julgador, em segunda instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não poderia ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e fundamentação, a fim de demonstrar o fato jurídico a ser provado. É ônus primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Segundo, a matéria concernente à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS vem sendo debatida judicialmente há muitos anos, defendendo os contribuintes que a receita decorrente do ICMS não configura faturamento e, portanto, sobre ela não poderia incidir o PIS/COFINS. O debate tem cunho constitucional, pois depende da declaração de inconstitucionalidade de lei e, neste caso, o Colegiado não pode adentrar na temática, sendo assunto sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF n.º 2 que reza: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Aliás, recentemente, em sessão de 15/03/2017, sob a sistemática de julgamento de recursos extraordinários repetitivos, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou a problemática, mas ainda não definitivamente, face à Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no qual consta pedido de fixação de modulação de efeitos, conforme pode ser analisado nas pesquisas públicas acerca do Recurso Extraordinário RE n.º 540.706/PR, tendo sido fixada a tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS”. Por conseguinte, como a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs recurso de Embargos de Declaração, requerendo, inclusive, modulação de efeitos da Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 92 7 decisão proferida pelo Colegiado Constitucional, sobrestouse o curso do trânsito em julgado da decisão, não se podendo falar em decisão definitiva. Nesse contexto, a decisão proferida pelo STF, em que pese ter adotado tese favorável aos contribuintes, ainda não se reveste do atributo da definitividade, haja vista a pendência de julgamento do recurso supramencionado. Logo, ressalvando posicionamento pessoal deste relator acerca da desnecessidade de trânsito em julgado para percepção dos efeitos vinculante da decisão proferida em sede de julgamento de recurso extraordinário repetitivo pelo STF, nos termos do artigo 927, inciso III, do Novo Código de Processo Civil, entendo aplicável, no presente caso, a Súmula n.º 2 do CARF. Observo, igualmente, o disposto no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, com redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009, que enuncia o mesmo entendimento da impossibilidade de conhecer questão constitucional ao dispor que: “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Por fim, cumpre destacar que a Receita Federal do Brasil expediu a Solução de Consulta DISIT/SRRF06 n.º 6.012, de 31 de março de 2017, na qual dispôs o seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para a COFINS devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para a COFINS incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 93 8 art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: BASE DE CÁLCULO. CUMULATIVIDADE. ICMS. EXCLUSÃO. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE DECISÃO DEFINITIVA DE MÉRITO. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto (em virtude de operações ou prestações próprias) compõe o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 19, II, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, sobre matéria objeto de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, vincula a Administração tributária, sendo vedado à Secretaria da Receita Federal do Brasil a constituição dos respectivos créditos tributários. Entretanto, inexiste ato declaratório que trate sobre a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep incidente nas operações internas. A matéria, atualmente objeto de Ação Declaratória de Constitucionalidade, encontrase aguardando decisão definitiva de mérito, que seja vinculante para a Administração Pública. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 137, DE 16 DE FEVEREIRO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar n.º 87/1996, art. 13; Lei n.º 5.172/1966, art. 111; Lei n.º 8.981/1995, art. 31; Lei n.º 9.718/1998, arts. 2.º e 3.º; Lei n.º 10.522/2002, art. 19; DecretoLei n.º 406/1968, art. 2.º; Parecer Normativo CST n.º 77/1986, e Convênio ICM n.º 66/1988, art. 2.º. Com efeito, não há que se admitir matéria que pretenda discutir constitucionalidade e limites constitucionais para definição de base de cálculo de tributo ou para definição dos limites semânticos de conceitos adotados pelo constituinte na instituição de tributos, como é o caso da discussão envolvendo a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, para fins de constituição de créditos contra a Administração Tributária passíveis de compensação, caso contrário, estaria sendo declarada uma inconstitucionalidade incidenter tantum da norma infraconstitucional que deu suporte à atividade arrecadatória, o que é vedado no Regimento Interno do CARF (art. 62, Anexo II, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 2015), havendo que se respeitar, demais disto, o enunciado da Súmula CARF n.º 2, acima mencionado. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.947036/201296 Acórdão n.º 1002000.285 S1C0T2 Fl. 94 9 devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer quaisquer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003237/2010-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-006.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.096, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.096, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 37 /2 01 0- 19 Fl. 806DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.096, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de auto de infração, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, referente às competências fevereiro de 2006, julho de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, no montante de R$ 654.514,55 (seiscentos e cinquenta e quatro mil, quinhentos e quatorze reais e cinquenta e cinco centavos), valor consolidado em 21 de outubro de 2010. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, às fls. 341/366, restando, porém, julgado improcedente pela DRJ. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 541 e ss. Às fls. 664/681, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento, apenas, no que se refere à distribuição de valores superiores aqueles devidos no acordo de Participação nos Lucros e Resultados dos gestores e aqueles apurados com critérios de cálculo distintos do que foi acordado. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 29/02/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. LIVRE ESTABELECIMENTO DE CONDIÇÕES. EXIGÊNCIA LEGAL RESTRITA A CLAREZA E OBJETIVIDADE DAS REGRAS. A Lei n° 10.101/2000 não exige a conjugação da lucratividade com outro incentivo mais específico daquela empresa, daquele departamento, daquela categoria ou daquele empregado. Compete aos empregadores, trabalhadores e sindicatos estabelecerem as regras que melhor atendam aos seus anseios, desde que sejam “claras e objetivas”. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 11020.003237/201019 Acórdão n.º 9202006.959 CSRFT2 Fl. 10 3 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, às fls. 694/700, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.096, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 786/793, DEU PARCIAL PROVIMENTO, no sentido para que a retroatividade benigna fosse aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Às fls. 795/799, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 804/803 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de auto de infração, relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, referente às competências fevereiro de 2006, julho de 2006, janeiro de 2007, fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, no montante de R$ 654.514,55 (seiscentos e cinquenta e Fl. 808DF CARF MF 4 quatro mil, quinhentos e quatorze reais e cinquenta e cinco centavos), valor consolidado em 21 de outubro de 2010. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.096, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720591/2007-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI.
Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata.
COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO.
De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3002-000.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 EMULSÃO ASFÁLTICA. INCIDÊNCIA DE IPI. Produto sujeito à alíquota do IPI classificado na TIPI, aplicação imediata. COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO CERTO. De acordo com art. 170 do Código Tributário Nacional, somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 05 91 /2 00 7- 00 Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo de pedido de Declaração de Compensação de IPI com débitos de IRPJ conforme relatório da 3ª Turma da DRJ/JFA (fls. 201/205) exarado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre a Declaração de Compensação — DCOMP Eletrônica n° 32744.61427.130804.1.3.013190 (fls. 04/49), baixada para tratamento manual no presente processo, transmitida em 13/08/2004, cujo débito compensado monta R$ 20922,85, tendo por lastro crédito decorrente de Ressarcimento de saldo credor de IPI acumulado ao final do trimestre 3°/2003, apurado pela filial n° 036204, localizada no município de BetimMG, com lastro no art. 11 da Lei n° 9.779/99. Do procedimento de fiscalização instaurado por intermédio do MPF fl. 61 resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 147/153, que concluiu pelo indeferimento do direito creditório sob a seguinte motivação, em síntese: =>em visita A unidade operacional da Petrobrás Distribuidora SA denominada FASBET — Fábrica de Emulsões Asfálticas de Betim constatouse que o estabelecimento industrializa emulsões asfálticas classificadas na TIPI aprovada pelos Decretos 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002, na posição 2715.00.00, com alíquota de 5% (conforme declarou a empresa As fls. 66/67); => até dezembro/2006 a empresa dava saída aos produtos que industrializava — emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00 na TIPI — sem destaque do IPI, sob o argumento de se tratar de produto derivado de petróleo, sujeito A. imunidade, com amparo na Solução de Consulta favorável obtida pela Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Asfaltos (da qual é associada) por meio do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 1993 (fls. 75/77), que expressamente reconheceu tratarse de produto imune, baseado no Parecer Técnico exarado pelo DNC (fls. 73/74); => dai decorreu o acumulo de créditos que originou diversos pedidos de ressarcimento/compensação; => ocorre que o produto industrializado pelo estabelecimento detentor do crédito, a emulsão asfáltica, posição 27.15.00.00, apresenta alíquota de 5% na TIPI, denotando, assim, não se tratar de produto imune e nem derivado de petróleo nos termos do art. 18, inciso IV, §3°, do RIPI/2002; => assim, ao se proceder a reconstituição da escrita fiscal fazendo incidir o IPI à alíquota de 5% na saída e considerando se os créditos escriturados no RAIPI verificouse a apuração de saldo devedor ao final de todos os trimestres, desde outubro/2001 até junho/2004 (conforme demonstrativos de fls. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 4 3 115/141 e 142/145), razão por que não existe direito ao ressarcimento/compensação nos moldes previstos nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430/96, tendo, sido, inclusive, os saldos devedores apurados não alcançados pela decadência objeto de lançamento mediante auto de infração; => acerca da conclusão do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 854, de 28/07/1993, é de se lembrar que quando o mesmo foi exarado não havia qualquer regulamentação acerca da EC n° 03/1993 e, ainda, que o mesmo só tem validade até a publicação de ato ou norma que adote outro entendimento sobre a matéria consultada (aplicação da imunidade à emulsão asfáltica), que, como visto, apresentase atualmente, na TIPI aprovada pelo Decreto n° 4.542/2002 com alíquota de 5%, indicando não se tratar de produto abrangido pela imunidade atribuída aos derivados de petróleo; => propôsse, assim, o indeferimento do pedido de ressarcimento. 0 auto de infração a que se refere o TVF foi formalizado por meio do processo administrativo n° 10976.000214/200878 — cujo extrato encontrase anexado As flS. 191/194do presente processo — que se encontra enviado A PFN desde 30/12/2008. Na seqüência foi proferido o Despacho Decisório de fls. 154/156, que, mencionando a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito e destacando excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade a que se refere o art. 153, §3 0 da CF, mas, sim, de produto tributado alíquota de 5% na TIPI, concluiu pelo indeferimento do direito creditório e pela não homologação da compensação declarada. Ciente do despacho decisório em 19/01/2009 (fls. 160/161) manifestou a interessada a sua inconformidade em 13/02/2009 (fls. 162/172), alegando, em apertada síntese: i) a nulidade do despacho decisório por falta de motivação; ii) eventual equivoco na tributação de emulsão não reflete inadequação na tomada de crédito de IPI pelas entradas de MP, PI e ME, assim, procede o creditamento realizado, conforme já reconhecido tantas vezes pela SRF, a exemplo do DOC. 07; iii) requer a produção de prova documental suplementar e diligência fiscal no estabelecimento tendente a determinar a adequação dos créditos tomados, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação declarada. Ocorre que, não obstante o Despacho Decisório mencionasse o Termo de Verificação Fiscal — o que nos leva a inferir ter sido o mesmo adotado como fundamento para o indeferimento do pleito — não se verificou dos autos ter sido remetida sua cópia à pleiteante (que também não se valeu da faculdade de vista dos autos durante o prazo de impugnação), o que motivou o retorno do processo A. DRF de origem, em diligência (fls. 195/196), a fim de que fosse remetida cópia do Termo de Verificação Fiscal e reaberto prazo para apresentação de razões adicionais de Fl. 468DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 5 4 defesa, de modo a se assegurar o pleno exercício do contraditório e ampla defesa. Cumprida a diligência (fls. 197/198) e oportunizada a se manifestar a interessada não se pronunciou." O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 162/172), alegando, em resumo, que deveria ser anulado o r. Despachos Decisório DRF/CON nº 58 (fls. 154/156) de 13/01/2009 por conter vício a decisão proferida pela DRF, informando que os créditos referemse à aquisição de matériasprimas, materiais de embalagem e produtos intermediários, apontando o equívoco na tributação da emulsão asfáltica e, por fim, devendo reconhecer a totalidade do crédito compensado com base no art. 21, § 3º e 6º da Instrução Normativa SRF nº 900/08. Analisado os argumentos do contribuinte pela 3ª Turma da DRJ/JFA na manifestação de inconformidade (fls. 162/172) que julgou improcedente, por entender que o contribuinte deixou de destacar o IPI (até dezembro/2006, passando a fazêlo somente a partir de janeiro/2007) nas vendas de emulsões asfálticas, produto classificado sob o código 2715.0000, sujeito à alíquota de 5% na TIPI, sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 SALDO DEVEDOR. RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL.CONVALIDAÇÃO. À apresentação de defesa dissociada da motivação do indeferimento do direito creditório implica convalidação da reconstituição da escrita fiscal que apurou saldos devedores após o registro dos débitos decorrentes das saídas de emulsão asfáltica, não havendo se falar em direito creditório a ser reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PROVA DOCUMENTAL/DILIGÊNCIA. Indeferemse os pedidos de apresentação de prova documental suplementar em momento posterior à impugnação e de diligência quando a autoridade julgadora os entende desnecessários e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 COMPENSAÇÃO. A permissão para a compensação de débitos tributários se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez constatada a inexistência do saldo credor passível de Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 6 5 ressarcimento indicado pela interessada para compensar os débitos objeto da(s) DCOMP(s) em análise, cabe a não homologação da(s) compensação (ões) sob exame. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 211/217) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) a suposta incidência de IPI nas saídas das emulsões asfálticas, em . face da .sua respectiva imunidade constitucional e ausência de TIPI especifica para seu efetivo enquadramento.; b) o efeito suspensivo e, por fim, c) a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator É oportuno esclarecer que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "RECURSO ADMINISTRATIVO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE" em atenção ao princípio da fungibilidade, recebo e processo como Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Alega o contribuinte a nulidade do despacho decisório por falta de motivação, o que não se pode prosperar, pois como bem descrito no acórdão proferido pela DRJ "além de mencionar a conclusão do Termo de Verificação Fiscal pelo Indeferimento do pleito, destacou excerto do citado Termo que esclarece não se tratar a emulsão asfáltica de produto abrangido pela imunidade, mas sim de produto tributado à alíquota de 5% na TIPI", claramente demonstrado as razões de fato e de direito que fundamentaram o indeferimento, ademais pode se perceber que seguiuse todos trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento, afastando também qualquer narrativa de cerceamento de defesa. Dessa forma, rejeito a preliminar apresentada pelo contribuinte. Mérito Ventiladas as considerações, passo a analisar o cerne da lide, qual seja, se a emulsão asfáltica, supostamente abrangida pela imunidade, darseia direito a crédito ou se é produto tributado à alíquota de 5% classificada na TIPI. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 7 6 Por oportuno, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 147/153) é esclarecedor para demonstrar que "se o produto está sujeito à alíquota do IPI na TIPI (aprovada pelos Decretos nºs 3.777/01, 4.070/2001 e 4.542, de 26/12/2002), ela deve ser aplicada, salvo disposição em contrário. Concluindo, as emulsões asfálticas, classificadas na TIPI na posição 27.15.00.00, não estão incluídas na imunidade prevista no artigo 155, §3° da CF, e devem ser tributadas pelo IPI à aliquota de 5%.". Sendo assim, "incorretas as atitudes tomadas pelo contribuinte no sentido de não promover o recolhimento do IPI nas operações que têm por objeto os produtos em apreço". Cabe aqui, observar que na reconstituição da escrita fiscal, foi apurado saldo devedor de IPI em todos os trimestres, não tendo assim, o contribuinte, direito a restituição/compensação nos moldes previstos nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. Ademais, a compensação tributária é regulada pelo art. 170 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública" (grifo nosso). Ainda que se assim não fosse, prevalecendo a tese preconizada pelo contribuinte que a emulsão asfáltica "cuja imunidade constitucional é decorrente do mesmo ser integralmente derivado de petróleo, conforme art. 155 §39 da CF/88", entendo que não assiste razão o contribuinte em sua tese. É o que se infere nos termos do art. 11, da Lei nº 9.779/99, instituidora do regime de creditamento em discussão, é expresso em garantir o benefício somente quanto à produção de mercadorias isentas e sujeitas à alíquota zero, não se estendendo às mercadorias imunes ou não tributadas, nos seguintes termos: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." A imunidade tributária se diferencia das figuras exonerativas da isenção e da alíquota zero principalmente pelo fato de que, nessas situações, os entes políticos têm competência para instituir o tributo, mas que, por razões extrafiscais, decidem exonerar determinados setores ou produtos por meio de normas infraconstitucionais, cuja tributação encontravase constitucionalmente autorizada. Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, vem reconhecendo a vedação do aproveitamento de créditos de sobre insumos utilizados na industrialização de produtos imunes ao IPI. (Acórdão nº 9303006.516 e Acórdão nº 9303004.581). No tocante ao efeito suspensivo requerido pelo contribuinte a fim de garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ressalta não ser necessário qualquer Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10768.720591/200700 Acórdão n.º 3002000.258 S3C0T2 Fl. 8 7 provimento por parte do relator, uma vez que tal suspensão já está garantida na forma do art. 151, III do CTN, "in verbis": "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 472DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720818/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS, RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULA CARF.
A retenção de imposto de renda da fonte não desobriga o contribuinte de levar o rendimento ao ajuste anual.
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Devem ser excluídos de tributação os valores isentos e não tributáveis que tenham integrado, indevidamente, a base de cálculo do tributo lançado.
Numero da decisão: 2201-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores relativos às seguintes rubricas: Aviso Prévio Indenizado, Indenização por idade 26 dias, Multa do art. 477, FGTS, Multa s/ FGTS, Férias Proporcionais Indenizadas 8/12 avos, Terço Constitucional e Juros de Mora.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS, RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULA CARF. A retenção de imposto de renda da fonte não desobriga o contribuinte de levar o rendimento ao ajuste anual. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Devem ser excluídos de tributação os valores isentos e não tributáveis que tenham integrado, indevidamente, a base de cálculo do tributo lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores relativos às seguintes rubricas: Aviso Prévio Indenizado, Indenização por idade 26 dias, Multa do art. 477, FGTS, Multa s/ FGTS, Férias Proporcionais Indenizadas 8/12 avos, Terço Constitucional e Juros de Mora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS, RETENÇÃO NA FONTE. SÚMULA CARF. A retenção de imposto de renda da fonte não desobriga o contribuinte de levar o rendimento ao ajuste anual. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Devem ser excluídos de tributação os valores isentos e não tributáveis que tenham integrado, indevidamente, a base de cálculo do tributo lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores relativos às seguintes rubricas: Aviso Prévio Indenizado, Indenização por idade 26 dias, Multa do art. 477, FGTS, Multa s/ FGTS, Férias Proporcionais Indenizadas 8/12 avos, Terço Constitucional e Juros de Mora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 08 18 /2 01 3- 01 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 297 2 Relatório O presente processo trata da Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física do exercício de 2009, fl. 08 a 12, pela qual a Autoridade Fiscal constituiu crédito tributário consolidado em 28/03/2013, no valor total de R$ 30.664,20. Regularmente intimado, o contribuinte prestou os esclarecimentos requeridos pela fiscalização, cuja análise resultou na constatação de omissão de rendimentos trituráveis oferecidos ao Ajuste Anual no valor de R$ 65.622,52, relativo a valores recebidos em ação judicial trabalhista (fl. 10). Cientificado do lançamento em 18 de março de 2013, fl. 33, inconformado, o contribuinte formalizou a impugnação de fls. 02 a 06 onde apresentou suas razões para demonstrar que o lançamento fiscal deveria ser considerado insubsistente. No julgamento de 1ª Instância, fl. 37/41, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE julgou improcedente a impugnação, por ter concluído que os documentos apresentados pelo contribuinte em fl. 25 e 26 não teriam sido emitidos pelo Poder Público, apresentandose sem timbre do tribunal correspondente, ou assinatura com identificação do servidor responsável pelos cálculos, do que resultou a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2008 ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS MANTIDA. Tratandose de fato inserido no campo de incidência do imposto, cabe ao contribuinte instruir sua peça impugnatória com elementos de prova capazes de demonstrar a exclusão do crédito tributário. Não comprovada a isenção pleiteada, deve ser mantida a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. Ciente do Acórdão da DRJ em 11 de fevereiro de 2014, fl. 45, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 47 a 52, no qual reiterou os argumentos já expressos em sede de impugnação e juntou cópias autenticadas das peças judiciais anteriormente apresentadas. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de julgamento, por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário entendendo que houve erro material na apuração do montante devido, por não ter sido observada a correta interpretação da legislação expressa no julgamento do Resp 783.724/RS, segundo a qual, nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, embora a incidência do tributo ocorra na data do recebimento, esta deve considerar os meses a que se referirem cada parcela, tudo nos termos da Ementa abaixo: IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 298 3 O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Cientificada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial de fl. 250/261, no qual defendeu que não haveria irregularidade no lançamento que justificasse o cancelamento do lançamento e que se mostrava adequada a mera realização das retificações cabíveis para casos dessa natureza. No despacho de admissibilidade de Recurso Especial de fl. 263 a 266, concluiuse pelo seguimento da demanda com a sua submissão, após ciência do contribuinte, à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em fl. 271 a 275, o contribuinte apresenta suas contrarrazões. O Acórdão 9202005.641, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em de 26 de julho de 2017, fl. 281 a 290, pelo voto de qualidade, deu provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, cujas conclusões constam sintetizadas no último parágrafo do voto vencedor proferido pelo Redator designado, Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, abaixo transcrito: Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Superada a questão que levou ao cancelamento da exigência pela Câmara baixa, limitase o presente a avaliar as alegadas isenções tratadas em sede recursal. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 299 4 Em fl. 73, é possível identificar a composição dos valores recebidos pelo autuado em razão da lide judicial trabalhista: Rubrica Valor BC IRRF Saldo de Salário 376,64 376,64 Aviso Prévio Indenizado 1.883,20 13º Salário proporcional 5/12 avos 784,67 784,67 Férias proporcionais Indenizadas 8/12 avos 1.255,47 Terço Constitucional 418,49 Indenização por idade 26 dias 1.632,11 Multa art. 477 1.883,20 Total 8.233,77 1.161,31 FGTS 11,20% das verbas acima 711,26 Total 8.945,03 1.161,31 Valor pago fls. 111 1.287,43 Total 10.232,46 1.161,31 Valor atualizado para 08/2002 11.939,26 1.355,01 Diferença de FGTS durante período laboral 25.030,71 Juros de Mora (49%) a partir de 07/98 até 08/2002 18.115,28 663,96 Total 55.085,25 2.018,97 () INSS 71,22 () IRRF 60,92 Valor Líquido do Reclamente em 01/08/2002 54.953,12 Tais valores foram, posteriormente, recalculados, chegandose a um valor liquido atualizado de R$ 90.231,44 (fl. 199), o qual foi objeto do alvará de fl. 207, sobre o qual foram descontados INSS devido pelo autuado de R$ 81,81 e IRRF de R$ 99,99. No momento da liberação, houve nova atualização, fl. 219, que elevou a quantia recebida pelo recorrente para R$ 93.746,46, com IRRF de 104,93. De tal montante, o contribuinte declarou ter pago, a título de honorários, a quantia de R$ 28.123,93, fl. 21, do que resultou na constatação de omissão de rendimentos no valor de R$ 65.622,52 (93.746,46 28.123,93). O recorrente insurgese contra as conclusões da autoridade autuante por considerar que o saldo de salário e o 13º salário já sofreram incidência de imposto na fonte; em relação às demais rubricas, alega que são isentas por previsão legal expressa que cita; já em relação exclusivamente aos juros de mora, entende que é indevida a tributação, por possuírem natureza indenizatória bem assim em razão de entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.227.133/RS, julgado sob o rito do Art. 543C do Código de Processo Civil. Quanto ao saldo de salário e ao 13º salário proporcional, não há razão nos argumentos da defesa, já que o fato do rendimento ter sido submetido a retenção na fonte não desobriga o contribuinte de incluílo em sua declaração, sendo este um tema sobre o qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 300 5 Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Assim, não há reparos a serem feitos no lançamento devendose manter omissão equivalente a tais valores. Aviso Prévio Indenizado, Indenização por idade 26 dias, Multa do art. 477, FGTS, e Multa s/ FGTS As rubricas em tela estão expressamente contempladas pela isenção de que trata o art. 6º, inciso V da Lei 7.713/88, que assim dispõe: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas:(...) V a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; Assim, assiste razão à defesa, devendose afastar a tributação sobre os tais valores. Férias Proporcionais Indenizadas 8/12 avos e Terço Constitucional As rubricas em tela foram analisadas pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos REsp nº 1111223/SP, já transitado em julgado sob rito do art. 543C do CPC, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo, cujas conclusões estão devidamente claras nos termos da ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEMISSÃO SEM JUSTA CAUSA. VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE FÉRIAS PROPORCIONAIS E RESPECTIVO TERÇO CONSTITUCIONAL. RECURSO SUBMETIDO AO PROCEDIMENTO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO STJ 08/08. 1. Os valores recebidos a título de férias proporcionais e respectivo terço constitucional são indenizações isentas do pagamento do Imposto de Renda. Precedentes: REsp 896.720/SP, Rel. Min. Castro Meira, DJU de 01.03.07; REsp 1.010.509/SP, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 28.04.08; AgRg no REsp 1057542/PE, Rel. Min. Francisco Falcão, DJe de 01.09.08; Pet 6.243/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de 13.10.08; AgRg nos EREsp 916.304/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, DJU de 08.10.07. 2. Recurso representativo de controvérsia, submetido ao procedimento do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 301 6 3. Recurso especial provido. Assim, assiste razão à defesa, devendose afastar a tributação sobre as tais valores. Dos Juros de Mora Objetivando demonstrar a não incidência da tributação sobre os juros, o contribuinte busca amparo no REsp 1.227.133/RS, também julgado pelo Superior Tribunal de Justiça sob o rito do art. 543C do CPC: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NAO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Interpretando o alcance do julgado, a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestou o seguinte entendimento: REsp 1.227.133/RS com os esclarecimentos do REsp 1.089.720/RS (tema nº 470 de recursos repetitivos) Resumo: Em regra, incide IRPF sobre os juros de mora. Excepcionalmente, o tributo será afastado quando: i) os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas, independentemente da natureza destas (se remuneratórias ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (Art. 6º, V, da Lei nº 7.713/88);. Grifouse (Fonte: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensadecontestar erecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportariapgfnno 5022016#1.22) Assim, tendo em vista que os valores recebidos a este título são decorrentes de recebimento em atraso de verbas trabalhistas, há que se afastar a tributação sobre os mesmos. Conclusão: Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram presente, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para excluir da base de cálculo do tributo lançado os valores equivalentes relativos às seguintes rubricas: Aviso Prévio Indenizado, Indenização por idade 26 dias, Multa do art. 477, FGTS, Multa s/ FGTS, Férias Proporcionais Indenizadas 8/12 avos, Terço Constitucional e Juros de Mora. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13819.720818/201301 Acórdão n.º 2201004.658 S2C2T1 Fl. 302 7 Devendose aplicar, quanto à omissão remanescente, as conclusões expressas no Acórdão 9202005.641, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em de 26 de julho de 2017, fl. 281 a 290. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 302DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.914237/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.291
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 37 /2 01 2- 89 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914237/201289 Acórdão n.º 3401004.291 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.396, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914237/201289 Acórdão n.º 3401004.291 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914237/201289 Acórdão n.º 3401004.291 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914237/201289 Acórdão n.º 3401004.291 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.015802/2009-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA DA CONDUTA OMISSIVA. MAGNITUDE DA RECEITA OMITIDA. PROVA DO DOLO.
A omissão do registro contábil de depósitos bancários levada a efeito pelo sujeito passivo por trinta e seis meses do período compreendido entre os anos-calendário de 2004 e 2006 (recorrência), em montantes significativos, quando comparada a receita omitida com a receita declarada (relevância), não autoriza a tese de que tal omissão seja fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente.
Numero da decisão: 9101-003.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. RECORRÊNCIA DA CONDUTA OMISSIVA. MAGNITUDE DA RECEITA OMITIDA. PROVA DO DOLO. A omissão do registro contábil de depósitos bancários levada a efeito pelo sujeito passivo por trinta e seis meses do período compreendido entre os anoscalendário de 2004 e 2006 (recorrência), em montantes significativos, quando comparada a receita omitida com a receita declarada (relevância), não autoriza a tese de que tal omissão seja fruto de mero erro ou negligência contábil. Nessas circunstâncias, provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o dolo do agente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 58 02 /2 00 9- 41 Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 973 2 (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência em face do acórdão nº 1301001.088, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não obstante o fato de que o Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle administrativo, não há de se falar em nulidade, fundada em sua ausência, de lançamentos tributários decorrentes de infração apurada em relação ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, previsto no citado instrumento, eis que nessa situação a norma regulamentar dispõe, de forma expressa, que os referidos tributos ou contribuições tidos como decorrentes são considerados incluídos no procedimento, independentemente de menção expressa. SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. Na requisição de dados acerca da movimentação financeira do contribuinte, efetivada com fiel observância das disposições da Lei Complementar nº 105, de 2001, e do Decreto nº 3.724, também de 2001, descabe falar em violação ou “quebra” de sigilo bancário, pois, no caso, há mera transferência do dever de sigilo, relativamente às informações transmitidas. No caso vertente, contudo, a discussão revelase despicienda, eis que os extratos bancários que serviram de suporte para os lançamentos tributários foram apresentados pela própria contribuinte no curso da ação fiscal. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ILIQUIDEZ. INOCORRÊNCIA. Não merece reparo o lançamento tributário que, com fiel observância da lei, adota, para fins de cômputo da receita omitida, o regime de apuração utilizado pelo contribuinte fiscalizado na determinação do resultado fiscal. Inexistente hipótese autorizadora, descabe falar em arbitramento do lucro. No mais, restando infundadas as exclusões pretendidas e a forma de tributação requerida para as exações decorrentes, há de se manter as exigências nos termos em que foram formalizadas. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 973DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 974 3 Inexistindo nos autos elementos de convicção que possam servir de suporte para a exasperação da multa aplicada, há de se reduzir o percentual correspondente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Ausentes elementos capazes de confirmar, de forma inafastável, a conduta dolosa na prática da infração, os tributos submetidos ao denominado lançamento por homologação regemse, no que diz respeito à decadência, pela regra estampada no parágrafo 4º do art. 150 do CTN . Assim, expirado o prazo ali previsto sem que a Administração Tributária tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. TAXA SELIC. Nos termos da legislação de regência, procede a incidência de juros de mora com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Em consonância com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. No crédito tributário estão compreendidos o valor do tributo e o valor da multa." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, afastouse a multa qualificada em razão da falta de comprovação de que os créditos bancários que emprestaram suporte fático ao lançamento de ofício decorreram de vendas não contabilizadas, assim obstando a adequação da conduta a qualquer das hipóteses dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Ciência da PGFN no dia 20/05/2013, à efl. 766. Recurso Especial interposto na mesma data, à efl. 769. Nessa oportunidade, suscitouse divergência interpretativa em relação aos acórdãos nº 10516542 e 10196668 ofertados como paradigma. No mérito, assinalouse o seguinte: a) restou cristalina a atividade ilícita do autuado, observada a partir de conduta reiterada, sistemática e conscientemente orientada a omitir rendimentos em mais de um anocalendário, além de ter deixado de declarar parcela significativa de seus rendimentos; b) o fiscalizado reiteradamente deixou de contabilizar depósitos bancários sem a comprovação da origem e, instado a justificar seu comportamento, apresentou alegações ao vento, desacompanhadas de qualquer elemento que a corroborasse; c) dessa forma, agiu deliberadamente para modificar característica essencial dos fatos geradores do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, qual seja, a magnitude da renda e da receita auferidas, reduzindo o montante dos tributos devidos; e) o contribuinte sequer alega erro ou divergência interpretativa, limitandose a argumentar que os valores seriam transitórios, sem apresentar provas consistentes que pudessem justificar a razão pela qual agiu assim; f) a infração referida ocorreu ao longo de três anoscalendário, o que afasta a tese de mero erro; g) tampouco se aplica a Súmula nº 14, já que não se trata de "simples omissão de rendimentos", mas de omissão praticada reiteradamente, com o firme propósito de reduzir o montante de imposto a recolher. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 975 4 Ante o exposto, requereuse o conhecimento do presente Recurso Especial, provendoo, ao fim, reformandose o acórdão recorrido para o restabelecimento da multa de 150%. Ciência do sujeito passivo no dia 14/08/2015, à efl. 847. Contrarrazões apresentadas no dia 27/08/2015, conforme efl. 884. Nessa oportunidade, a recorrido aduziu que o apelo fazendário não pode ser conhecido, porquanto os acórdãos ofertados como paradigmas contrariam as Súmulas Carf nº 14 e 25, tendo em conta que a Fiscalização não comprovou o dolo. Nessa linha, aludiu ao fato de que tais acórdão não mencionam a prática de fraude, o que impede sejam usados como paradigmas. No mérito, expôs tese defensiva fundada na falta de comprovação do dolo para a perfeita adequação típica aos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964, pois se trata de uma infração presumida, ainda que o fato concreto reflita ação reiterada. Por derradeiro, assinalou que a ausência de justificação da multa deverá acarretar a pronúncia de decadência do lançamento, com base no artigo 150, § 4º, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. Todavia, a recorrida destaca que o apelo fazendário não pode ser conhecido por conflitar com as Súmulas Carf nº 14 e 25. Com efeito, a acusação se baseou na presunção de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, na forma do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Justamente em razão de se derivar de uma presunção legal, a recorrida sustenta que não pode prevalecer a alegação de conduta dolosa, a refletir óbice instransponível à superação das Súmulas Carf nº 14 e 25. Por isso, a suplantação dos referidos enunciados, que está no cerne da discussão sobre o conhecimento do presente recurso, mantém uma relação de prejudicialidade com a questão de mérito, no bojo da qual almejase debater sobre a adequação da conduta que restou configurada como omissão de receita aos tipos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964. Digase a tal propósito que citadas Súmulas abrem a porta para a necessária averiguação da existência do dolo exigível, para fins de aplicação da multa qualificada, ao prescreverem que a sanção em foco não é de todo incompatível com a acusação de omissão de receitas escorada em presunção legal, desde que esteja comprovado o dolo. Reparese, pois, nos anteditos enunciados jurisprudenciais: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." "Súmula CARF nº 25 (VINCULANTE): A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64." Consoante o descrito em Termo de Verificação Fiscal às efls. 74/75, o fiscalizado deixou de contabilizar depósitos bancários efetuados na agência 03166 do Banco Bradesco, conta corrente nº 96.1116, no curso de todos os meses dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, além de não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem desses Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 976 5 depósitos, que se mostram relevantes, em termos de montante, comparativamente à receita anual de revenda declarada em DIPJ, para o triênio acima referido: Assim expostos os fatos, constatase que os rendimentos considerados sonegados à tributação, em conformidade com o apurado pela Fiscalização, correspondem aos seguintes percentuais, em relação às receitas de revenda declaradas, no período compreendido no lançamento de ofício: 62,96% para 2004, 114,95% para 2005 e 21,10% para 2006. De fato, são inegáveis a conduta reiterada e a grande magnitude da infração, à luz do percentual da receita omitida em relação à receita de revenda: o total dos depósitos não contabilizados nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 (R$ 8.716.805,35) equivale a 58,67% do total da receita de revenda lançada nas DIPJ, para o mesmo lapso temporal (R$ 14.857.754,68) Nessas circunstâncias, intentase descortinar se tal descrição fática tem suporte probatório suficiente para sustentar a acusação de prática de sonegação ou fraude, aptas a atrair a incidência da multa qualificada. Convém enfatizar, antes de tudo, que vigora o sistema de persuasão racional, no ordenamento jurídico atual. Nesse sistema, com frequência se questiona se as provas disponíveis, valoradas racionalmente, são suficientes para lastrear uma determinada proposição sobre fatos. Esse patamar de suficiência pode ser fixado de diversos modos, a exemplo daquele que funda a acusação "para além de qualquer dúvida razoável." O que se pode chamar de valoração se refere ao grau de apoio que os elementos de prova acostados proporcionam para os fatos da causa. Tratandose de uma valoração que se assume como livre e, ao mesmo tempo, racional, o julgador põese avaliar, no primeiro momento, as relações de corroboração ou de confirmação entre as evidências carreadas aos autos e as afirmações sobre os fatos do caso que é o objeto do processo, escorandose, para tanto, nos conhecimentos científicos e nas generalizações empíricas comumente aceitas (máximas da experiência). Vale anotar que o grau de corroboração se expressa como indução probabilística, que não chega a demonstrar a verdade de uma hipótese, mas que pode confirmá la como resultado de uma explicação razoável, sem negar a possibilidade de outras hipóteses factuais. Por isso, costumase dizer que os juízos sobre fatos em um processo se dão em condições de incerteza, que é própria do raciocínio indutivo, em geral, mesmo para o campo das hipóteses científicas ou históricas. A valoração consiste na individualização das provas que corroboram as proposições sobre os fatos do caso e na identificação dos fatores que incidem, com maior ou menor força probatória, como a credibilidade do elemento de prova, seu caráter de prova direta ou indireta, a validade do fundamento empírico das generalizações em que se baseiam as inferências probatórias, e outros. Sabendose que, diante da forma indutiva do raciocínio probatório, as provas, como já dito, podem não demonstrar a verdade das proposições fáticas que são objeto do Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 977 6 processo, mas apenas corroborálas, em maior ou menor medida, impõese, num segundo momento, estabelecer se o grau de corroboração que essas provas aportam às proposições fáticas é suficiente para considerálas provadas. No sistema de livre valoração, a questão do grau de convicção necessário para se admitir a ocorrência de um fato suscita discussões sobre o que se pode considerar suficientemente provado. Ou seja, o termo "suficiente" traduz que o convencimento ao qual se deve chegar não é absoluto, pois, embora se saiba que não se pode descartar por completo que as coisas tenham acontecido de outro modo, também não se desconhece que não é possível reconstruir todos os detalhes dos fatos que se passaram. Por isso, não se pode pretender que o aparato probatório tenha a aptidão de fornecer a "certeza absoluta" acerca dos fatos investigados. Isso porque do raciocínio indutivo empreendido pelo julgador podem ser obtidas, quando muito, respostas prováveis, jamais conclusões absolutamente certas, tanto em razão das limitações de acesso a uma verdade totalmente cognoscível quanto em função das limitações do sujeito que quer conhecêla. Já que não se pode contar sempre com provas diretas, o direito propicia as provas indiretas, as quais, associadas umas às outras ou mesmo isoladas, podem levar ao fato que se quer provar. As provas indiciárias conduzem a fatos secundários por meio de inferências baseadas em conhecimentos anteriores à investigação, informações já sabidas de antemão. A passagem de fatos secundários, irrelevantes ao Direito, para o fato principal se dá por força das máximas da experiência, regras que obedecem à estrutura "se A, normalmente B". O vocábulo "normalmente" implica reconhecer que "nem sempre" as coisas se passam do modo suposto, isto é, há exceções. Para os fins deste voto, são agrupadas entre as máximas da experiência as ideias correntes que advêm do senso comum e aquelas que são oriundas das descobertas das ciências, já incorporadas ao patrimônio antropológico e cultural. Contudo, como já assinalado, as máximas suportam exceções, motivo por que se requer certa prudência para seu emprego, cabendo verificar se é o caso de incidência regular da regra ou se a situação deve ser ressalvada para fora da regularidade habitual. Claro que há generalizações mais ou menos prováveis, a depender da base empírica que lhe dá suporte e de sua regularidade: quanto maior a regularidade, num espectro mais amplo de casos, maior também a probabilidade. Ultrapassada a valoração racional dos elementos de prova coligidos, ingressa se na fase decisória, propriamente dita. Agora, o julgador está apto para decidir sobre dado litígio, já inteirado das especificidades fáticas do caso, podendo chegar às conclusões cabíveis por meio da avaliação das provas. Até então pôde anotar quais enunciados fáticos trazidos pelas partes guardam maior ou menor probabilidade de correspondência com a realidade, discernindoos daqueles que resultavam do intento de lhe persuadir sem o suporte fático pertinente. Assim, aplicando operações indutivas, assomalhe a hipótese mais provável. O resultado da valoração da prova que se obtenha nada significa, por si só, a respeito da decisão a ser tomada. Para tal mister, requerse a intermediação de algum standard de prova com aptidão bastante para fixar o grau de probabilidade necessário para se considerar provada uma hipótese, concedendolhe, ao cabo, os efeitos jurídicos previstos nos ordenamento jurídico. Tratandose de litígios no âmbito do direito penal, não se pode admitir decisão que não tenha afastado todas as dúvidas razoáveis. Desse modo, chegado o momento da decisão, o julgador deverá aplicar o standard de acordo com o qual o acusado deve ser absolvido, enquanto existirem dúvidas razoáveis sobre a ilicitude de sua conduta. Essa mesma linha de exigência "para além de qualquer dúvida razoável" pode e deve ser estendida à Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 978 7 comprovação do dolo, no que toca à qualificação da sanção, em processo administrativo fiscal, como garantia do fiscalizado. Essa Turma tem adotado os critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e da reiteração/recorrência (repetição ao longo do tempo) para se chegar ao convencimento da intenção de agir "para além de qualquer dúvida razoável", como explica o Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no acórdão nº 9101003.477: "Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão)." No caso concreto, os depósitos bancários não contabilizados presumemse decorrentes de receitas mensalmente sonegadas à tributação ao longo de um período de trinta e seis meses, revelando um comportamento habitual, cristalizado. Sem dúvida, essa prática reiterada denota desvalor ao Erário e desapreço à solidariedade social. Não se desconhece que erros acontecem, no cumprimento da legislação tributária, mas é irretorquível que se avulta, nesse cenário, a probabilidade de que tenha havido premeditação, no ato de omitir ao Fisco um montante que ultrapassa a metade do total das receitas de revenda declaradas no triênio considerado, na medida em que se constatam a reiteração e a relevância dos depósitos não contabilizados. Como realçou a Fiscalização, restou comprovada a conduta deliberada de modificar as características essenciais do fato gerador do IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, deixando de oferecer à incidência desses tributos, e de forma renovada, montantes significativos de receitas auferidas no curso dos anocalendário de 2004 a 2006, reduzindo os valores a recolher, tudo de tal modo a se subsumir ao tipo legal do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, estipulada pelo artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. Como se pode ver, a planilha elaborada pelo agente fiscal fornece informações com aptidão suficiente a superar as Súmulas CARF nº 14 e 25, pois os dados coligidos da movimentação financeira visàvis as receitas declaradas evidenciam relevância e reiteração consistentes com o dolo de praticar a conduta típica do artigo 72 da Lei nº 4.502/1964. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10830.015802/200941 Acórdão n.º 9101003.671 CSRFT1 Fl. 979 8 Em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para lhe dar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 979DF CARF MF
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