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Numero do processo: 10932.000303/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/06/2007
EMBARGOS INOMINADOS. DÉBITO JÁ PARCELADO POR OCASIÃO DA PROLAÇÃO DA DECISÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NULIDADE DO JULGAMENTO.
Havendo o contribuinte formalizado adesão a parcelamento do débito anteriormente à interposição do recurso voluntário, implicando em desistência desse recurso, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF, cabe o acolhimento dos embargos inominados, com efeitos modificativos, para fins de não conhecer do recurso voluntário.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, dando-lhe efeitos modificativos, no sentido de não conhecer do recurso voluntário.
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/06/2007 EMBARGOS INOMINADOS. DÉBITO JÁ PARCELADO POR OCASIÃO DA PROLAÇÃO DA DECISÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NULIDADE DO JULGAMENTO. Havendo o contribuinte formalizado adesão a parcelamento do débito anteriormente à interposição do recurso voluntário, implicando em desistência desse recurso, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF, cabe o acolhimento dos embargos inominados, com efeitos modificativos, para fins de não conhecer do recurso voluntário. Embargos Acolhidos.
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DÉBITO JÁ PARCELADO POR OCASIÃO DA PROLAÇÃO DA DECISÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. NULIDADE DO JULGAMENTO. Havendo o contribuinte formalizado adesão a parcelamento do débito anteriormente à interposição do recurso voluntário, implicando em desistência desse recurso, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF, cabe o acolhimento dos embargos inominados, com efeitos modificativos, para fins de não conhecer do recurso voluntário. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 03 /2 00 7- 40 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, dandolhe efeitos modificativos, no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Kleber Ferreira de Araújo, Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402005.373 S2C4T2 Fl. 749 3 Relatório Tratase de alegação de erro manifesto que ensejou, por parte do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, o acolhimento de informações juntadas pela unidade de origem como sendo embargos inominados, consoante narrado no respectivo Despacho de Admissibilidade (fls. 239/240), a seguir transcrito no essencial: Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, adoto o Termo de Análise e Solicitação de Juntada/CARF como Embargos Inominados, fls. eprocesso 233/233 considerando o evidente lapso manifesto no Açórdão 2402004.443, fls. eprocesso nº 196/211, tendo em vista necessária revisão da decisão proferida. Primeiramente, deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados do art. 66 do RICARF, não existe prazo para correção de erro manifesto. No presente caso, a identificação do lapso manifesto fica evidenciada, na medida em que foi trazido aos autos informação sobre pedido de parcelamento, com a inclusão do processo em questão, sem que tal fato tenha sido anteriormente indicado pelo contribuinte (por meio de expresso pedido de desistência) ou mesmo pelo Fisco. Caso houvesse a informação sobre a existência do referido pedido de desistência ou inclusão dos débitos em parcelamento, carreada aos autos por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro. Isto posto, o acórdão merece ser revisto, para que o seja novamente levado ao colegiado o recurso voluntário, porém, levandose em consideração a existência de pedido de parcelamento formalizado em data anterior ao julgamento do acórdão 2402004.443 É o relatório. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os embargos são tempestivos, consoante já explicado no dantes referido Despacho, e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Pode ser constatado da leitura dos autos que se trata da autuação fiscal DEBCAD 37.103.9525 lavrada em 28/6/2007 pelo descumprimento da obrigação acessória (fls. 1/15), consistente em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos no período de 01/02/2000 a 31/01/2007. Após impugnado, o lançamento foi mantido em parte pela instância de primeiro grau (fls. 149/154). De sua parte, o aresto vergastado (fls. 196/211) considerou procedente em parte o recurso voluntário interposto contra a decisão a quo, consubstanciando seu entendimento na seguinte ementa de acórdão, j. 6/11/2014: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No caso de autuação pelo descumprimento de obrigação acessória, a constituição do crédito é de ofício e a regra aplicável é a contida no artigo 173, I. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10932.000303/200740 Acórdão n.º 2402005.373 S2C4T2 Fl. 750 5 O acórdão em questão consignou que "os fatos geradores considerados omitidos da GFIP foram após a fiscalização reconhecidos e confessados para fins de parcelamento especial", porém não verificou que também a infração veiculada neste processo já havia sido objeto de parcelamento especial. Com efeito, os extratos dos sistemas de cobrança do Dataprev INSS, SICOB, atestam que o DEBCAD 37.103.9525 foi parcelado em 18/6/2011 no âmbito da Lei nº 11.941/09, se encontrando na situação "LIQUIDADO" desde 30/7/2015, por apropriação de valor pago pelo contribuinte no respectivo débito (fls. 227/232). Assentiu o contribuinte, então, com os termos de constituição do débito, pois conforme disposto no art. 12 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, o pedido de parcelamento constitui confissão de dívida. Oportuno trazer à baila o regramento dos §§ 2º de 3º do art. 78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF, Portaria MF nº 343), aplicável à espécie: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (...) (grifei) Com efeito, perdeu o contribuinte o poder processual de contestar o teor do lançamento e/ou da decisão recorrida, tendo em vista o princípio da vedação ao comportamento contraditório (nemo potest venire contra pactum proprium). Operouse, em outras palavras, a preclusão lógica, não prosperando a pretensão formulada no recurso voluntário interposto, face à contrariedade desta ante o posterior parcelamento do débito, o qual se encontra no presente, inclusive, liquidado. Nessa esteira, ainda que tenha sido prolatada decisão dando parcial provimento ao recurso, por ocasião daquele julgamento o débito ento já se encontrava parcelado, como comprovado nos autos, o que, por si só, importa na desistência do recurso nos termos dos §§ 1º a 3º do RICARF. Sendo assim voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS, conferindolhes efeitos modificativos, para fins declarar nulo o Acórdão nº Fl. 246DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 2402004.443, e passando a votar pelo não conhecimento do recurso voluntário, tendo em vista o parcelamento anterior do débito. Ronnie Soares Anderson. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 36600.000021/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DADA A FALTA DE APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO.
Incorre em omissão o acórdão de recurso voluntário que deixa de apreciar as razões formuladas por responsável solidário pelo débito, nos termos da redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 vigente até janeiro de 1999.
RECOLHIMENTOS SIMPLES FEDERAL. APROVEITAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DO SEGURADO.
Apenas os recolhimentos do Simples Federal correspondentes à contribuição previdenciária patronal podem ser aproveitados em lançamento de contribuições previdenciárias, visto que aquele regime não englobava as contribuições pertinentes à parte dos segurados empregados, que deviam ser recolhidas em separado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DADA A FALTA DE APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Incorre em omissão o acórdão de recurso voluntário que deixa de apreciar as razões formuladas por responsável solidário pelo débito, nos termos da redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 vigente até janeiro de 1999. RECOLHIMENTOS SIMPLES FEDERAL. APROVEITAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DO SEGURADO. Apenas os recolhimentos do Simples Federal correspondentes à contribuição previdenciária patronal podem ser aproveitados em lançamento de contribuições previdenciárias, visto que aquele regime não englobava as contribuições pertinentes à parte dos segurados empregados, que deviam ser recolhidas em separado. Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo, Presidente Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Embargante DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DO PARANÁ E OUTROS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO DADA A FALTA DE APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. Incorre em omissão o acórdão de recurso voluntário que deixa de apreciar as razões formuladas por responsável solidário pelo débito, nos termos da redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91 vigente até janeiro de 1999. RECOLHIMENTOS SIMPLES FEDERAL. APROVEITAMENTO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL E DO SEGURADO. Apenas os recolhimentos do Simples Federal correspondentes à contribuição previdenciária patronal podem ser aproveitados em lançamento de contribuições previdenciárias, visto que aquele regime não englobava as contribuições pertinentes à parte dos segurados empregados, que deviam ser recolhidas em separado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 60 0. 00 00 21 /2 00 7- 98 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Kleber Ferreira de Araújo, Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 36600.000021/200798 Acórdão n.º 2402005.378 S2C4T2 Fl. 749 3 Relatório Tratase de alegação de omissão no Acórdão nº 2402003.436, proferido por esta Turma, que negou conhecimento ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício. O processo veicula Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – lavrada sob o n° 35.729.0488, consolidado em 01/02/2005, com a finalidade de constituir crédito relativo às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao SAT/GILRAT, e a contribuição dos segurados empregados, decorrente de responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações para com a seguridade social na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 33/37, o contribuinte – Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná – é tomador de serviços, contratante de empreiteira – Construtora I.C. Guedes Ltda – a qual, por sua vez, subcontratou a empresa Décio Pacheco e Cia. Ltda. para realização de serviços específicos. O fato gerador das contribuições apuradas foi a mão de obra contida nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela empreiteira (Construtora I.C. Guedes Ltda) e, para fins de cálculo da autuação, foram examinados documentos como contrato de empreitada, relatórios contábeis, relatório de notas fiscais de prestação de serviço contabilizadas e guias de recolhimento das prestadoras de serviços. À fl. 49, foi informado nos autos que a NFLD em análise foi lavrada em substituição à NFLD n° 35.513.8115, julgada nula, conforme acórdão n° 2119/2004, da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Cientificadas as empresas envolvidas, somente a Construtora I.C. Guedes Ltda apresentou impugnação às fls. 57/67, a qual foi considerada improcedente pela Decisão Notificação de fls. 103/115. Desse julgado, recorreu a Construtora I.C. Guedes Ltda (fls. 130/137), o que acarretou a reforma daquela DecisãoNotificação (fls. 175/181), retificando o valor dos débitos. Intimados da decisão, a Construtora I.C. Guedes Ltda. apresentou novo recurso (fls. 193/196), alegando que, se à época dos fatos geradores a subempreitada Décio Pacheco recolhera as contribuições como se estivesse enquadrada no SIMPLES NACIONAL, não pode a recorrente ser responsabilizada por eventuais equívocos de recolhimento. Ao final, requer o desconto dos valores já recolhidos em alíquota diversa do valor total do débito. Ainda, após questionamentos quanto à possibilidade de intimação da empresa Décio Pacheco (em razão de liminar que impossibilitava o prosseguimento do processo administrativo em face da empresa), foi essa intimada em 13/12/2006 da decisão proferida e, em 16/1/2007, protocolou recurso intempestivo requerendo a dedução do total do débito dos valores já efetivamente pagos pela empresa a título de contribuições. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 De sua parte, a Secretaria da Receita Previdenciária – SRP apresentou contrarrazões aos recursos interpostos, conforme fls. 373/377. Face aos recursos, foi proferida pelo 2° Conselho de Contribuintes (fls. 387/396) a Resolução n° 20500.033, convertendo o julgamento do recurso em diligência, para verificar se o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Paraná – DER/PR fora devidamente intimado da lavratura da NFLD, o que ocasionou a realização de sua intimação; porém o DER/PR interpôs recurso intempestivo. Em 12/3/2013 esta Turma, como já mencionado, prolatou o acórdão cuja ementa transcrevese a seguir: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal.Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso voluntário não conhecido. RECURSO DE OFÍCIO. Ante a reforma de decisão para dar parcial procedência à notificação e declarar o direito ao abatimento das contribuições a cargo da empresa na competência de 01/1999, o Auditor Fiscal decidiu por recorrer de ofício, nos termos do art. 25, § 2º, da Portaria do MPS nº 520/2005. Sendo verificada a necessidade de retificação do débito para excluir as contribuições a cargo do empregador na mencionada competência, negase provimento ao recurso de ofício. Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido. Cientificada a Construtora I.C. Guedes Ltda em 29/7/2013 desse aresto, interpôs tempestivamente embargos de declaração em 1º/8/2013 para sanar omissão no acórdão, dado o fato de que ele não examinou o recurso voluntário de lavra da embargante, limitandose a negar provimento ao recurso de ofício, e a não conhecer, por intempestividade, os recursos voluntários vertidos pelo Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Paraná – DER/PR e pela Décio Pacheco Ltda. Admitidos os embargos para fins de dirimir a omissão constatada nos termos da Informação de fls. 523/524, vieram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 36600.000021/200798 Acórdão n.º 2402005.378 S2C4T2 Fl. 750 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Como visto, restou omisso o acórdão vergastado por não ter enfrentado o recurso voluntário interposto pela embargante em 6/12/2005. Nesse recurso (fls. 193/199 fls. 96/99 do processo em papel), a empreiteira Construtora I.C. Guedes Ltda, na qualidade de responsável solidária pelo crédito lançado nos termos da redação então vigente do art. 31 da Lei nº 8.212/91, afirma que a subcontratada Décio Pacheco e Cia Ltda. fez os recolhimentos conforme determinava a Lei nº 9.317/96 (Lei do Simples Federal) à época dos fatos, pois somente em 1º/1/2001 se viu excluída daquele regime. Entende que por se tratar de microempresa, aquela efetivou o recolhimento correto, à alíquota de 3%, consoante regravam os arts. 3º, § 1º, alínea 'f' e art. 5º da Lei nº 9.317/96. Defende, ao final, que não pode ser prejudicada por eventual enquadramento errôneo da Décio Pacheco e Cia Ltda., devendo ser efetuado o abatimento das contribuições já pagas sob aquele regime. Sem razão a embargante. De fato, a Décio Pacheco e Cia Ltda estava regularmente inscrita no Simples desde 1º/1/1997 (fl. 97), sendo que sua exclusão desse sistema operou efeitos apenas a partir de 1º/1/2001. No período atinente aos fatos geradores objeto do lançamento contestado, o percentual pago a título de Simples, substituía, dentre outros tributos, a contribuição para a seguridade social a cargo da pessoa jurídica, ou seja, a contribuição patronal (art. 3º, § 1º, alínea 'f' da Lei nº 9.317/96). Assim, tais contribuições não poderiam ser cobradas, motivo pelo qual foram devidamente excluídas da apuração do crédito tributário na NFLD n° 35.729.0488, com os ajustes preconizados pelas DecisõesNotificação de fls. 103/115 e 175/181, e respectivos "Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR". Diversamente, as contribuições atinentes à parte dos segurados empregados deviam ser recolhidas em guias apropriadas e segundo as regras aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, por não estarem abarcadas naquele regime favorecido de recolhimento de tributos. Para comprovar que as contribuições relativas aos segurados empregados tinham sido recolhidas, no que tange aos serviços correspondentes à NFLD em questão, necessário era que a prestadora de serviços juntasse aos autos de elementos de prova nesse sentido, tal como folhas de pagamento discriminadas pelo tomador e recolhimentos dos valores Fl. 534DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 em guias distintas, em conformidade com as prescrições do § 4º art. 31 da Lei nº 8.212/91, segundo a redação então prevalente. Não havendo evidências nesse sentido, deve ser mantida a exigência fiscal tal como decorrente das decisões administrativas, a qual, reiterese, já considerou as contribuições previdenciárias recolhidas sob o regime do Simples na apuração do montante devido. Sendo assim voto no sentido de acolher os embargos de declaração, para, no mérito, negarlhes provimento. Ronnie Soares Anderson. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/07/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 30/07/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 16682.721414/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 41 4/ 20 13 -1 5 Fl. 4961DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: Trata o processo de auto de infração, fls. 2416/2423, para cobrança do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, relativo ao anocalendário de 2009, no valor de R$ 29.778.467,33, com multa de ofício e juros de mora, incidente sobre remessa de valores ao exterior. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 2380/2415, consta: durante a ação fiscal, constataram fatos que configuram descumprimento à legislação que rege o IRRF e a CIDE, incidentes sobre as remessas efetuadas a empresas estrangeiras, haja vista o não cabimento da aplicação da alíquota zero do IRRF, prevista no artigo 2º da IN SRF 252/2002 (artigo 1º da Lei nº 8.481/97). a autuada firmou os seguintes contratos de afretamento de embarcação, que motivaram as remessas: (1) Contrato de Afretamento – Unidade de Perfuração Offshore Sovereign Explorer, firmado em 30/11/2007, com a empresa Transocean UK Limited (TUKL), situada na Escócia, Reino Unido e (2) Contrato de Afretamento – Unidade de Perfuração Offshore Stena Drillmax, firmado em 07/08/2009, com a empresa Stena Drillmax I (Hungary) KTF, com escritório registrado na Hungria, e endereço posta em Luxemburgo. a esses dois contratos estavam vinculados os contratos de prestação de serviços de perfuração, sondagem, exploração de poços de petróleo e serviços correlatos, firmados nas mesmas datas com: (1) Transocean Brasil LTDA, CNPJ. 40.278.681/000179, situada no município de Macaé, Rio de Janeiro, Brasil e (2) Stena Services Brazil LTDA, CNPJ. 03.713.668/000174, situada no município do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. restou acordado que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização das unidades de perfuração denominadas “Sovereign Explorer” e “Stena Drillmax”, fornecidas pelo próprio grupo econômico prestado dos ditos serviços, respectivamente, Transocean e Stena. a maior parte do preço pago em decorrência dos contratos é atribuído ao afretamento (78% para Transocean UK Limited e 95% para Stena Drillmax I), e destinada ao exterior sem retenção do IRRF e sem incidência da CIDE, enquanto a menor parte é atribuída à prestação de serviços. da análise dos contratos, e informações de domínio público coletadas nos sites dos referidos grupos econômicos, concluise que se tratam de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e um de serviços, tendo como contratante a Fl. 4962DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 4 3 fiscalizada, e como contratadas, as empresas do mesmo grupo econômico, detentor do know how da prestação de serviços, que atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. a realidade dos fatos demonstra que inexiste um afretamento autônomo, o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem é apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados; tratase de prestação de serviços de que faz parte o fornecimento da unidade de perfuração. a análise minuciosa das cláusulas contratuais, bem como demais documentos acerca dos recursos humanos utilizados, boletins de mensais de medição e dos atestados diários de perfuração, ratifica a conclusão de que a bipartição dos contratos é meramente formal; no desempenho dos contratos o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados. não restam dúvidas que as atividades eram desempenhadas indistintamente tanto por profissionais vinculados às empresas estrangeiras quanto às empresas nacionais, todas do mesmo grupo econômico, prestando os mesmos serviços de forma unida, harmônica e dependente umas das outras, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, evidenciando que não existem duas atividades autônomas – afretamento e serviços – como fazem parecer os contratos. na realidade ambos os contratos são remunerados pelas mesmas operações que no caos se referem exclusivamente às operações de perfuração de poços de petróleo, portanto, inerentes ao objeto constante do contrato de prestação de serviço, o que evidencia que as atividades contratadas de fato se resumem a apenas prestação de serviços. os pagamentos efetuados em favor das empresas estrangeiras correspondem à remuneração de serviços prestados, sujeitos à incidência do IRRF e CIDE, pois a natureza destes pagamentos, requisito essencial a ser observado para a aplicação da alíquota zero, não é definida apenas pelas cláusulas contratuais de um contrato isolado, mas pela realidade prática produzidas no desempenho dos contratos vinculados e interdependentes. com base no Requerimento de Concessão do Regime de Admissão Temporária, no qual consta os valores de mercado dos bens afretados, é possível verificar que o montante pago pelo afretamento da unidade seria mais do que suficiente para a compra ou construção da mesma, o que demonstra inviabilidade do negócio pactuado caso fosse tão somente um afretamento. a desproporção dos valores vem a demonstrar que esses expressivos montantes despendidos a título de afretamento só se justificam economicamente caso o que estivesse sendo contratado e remunerado fossem efetivamente os serviços de perfuração de poço prestados pelos grupos econômicos através da utilização das referidas unidade de perfuração, haja vista a especificidade e complexidade desse tipo de serviço aliadas ao knowhow e a experiência do grupo contratado. Fl. 4963DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 5 4 quanto à legislação, não é possível ser aplicada a Lei nº 9.432/97, que regula as atividades de apoio marítimo e portuário, e estabelece que o afretamento de embarcação depende de autorização da ANTAQ. as unidades de perfuração não são as embarcações tratadas na Lei nº 9.432/97, pois as primeiras possuem o fim específico de prestação de serviços de pesquisa, perfuração, exploração de petróleo, e não atividades de apoio marítimo e portuário, tanto que a ANTAQ, em processo de autorização da unidade “Sovereign Explorer”, respondeu não ser sua atribuição autorizar “o afretamento deste tipo de embarcação”. a aplicação da alíquota zero, prevista no artigo 1º da Lei nº 9.481/97 requer que os pagamentos sejam decorrentes de fretes, afretamentos, aluguéis e arrendamentos, e, no caso de afretamento de embarcações, que tenham sido aprovadas pela autoridade competente. no presente caso, restou comprovado que as remessas correspondiam de fato à remuneração por serviços prestados, e assim como a necessária aprovação pela ANTAQ também não ocorreu. sendo incabível a possibilidade de atribuir às remessas a simples afretamento, uma vez que a verdadeira causa desses pagamentos era a prestação de serviços à fiscalizada, em que o fornecimento da unidade de perfuração e sondagem era apenas parte instrumental, integrante e indissociável dos serviços contratados, concluise pelo lançamento de ofício para exigência de IRRF e CIDE que deixaram de ser espontaneamente recolhidos. BASES DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS APLICÁVEIS AO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Considerando a legislação tributária em vigor, os valores das remessas efetuadas pela autuada aos dois beneficiários no exterior no decorrer do anocalendário de 2009, se sujeitam ao IRRF à alíquota de 15% e a CIDE à alíquota de 10%, haja vista se tratarem de pagamentos relativos à prestação de serviços técnicos. Para determinação do IRRF, foi observado o disposto no artigo 725 do RIR/99, e no artigo 20 da IN SRF nº 15/2001. [...] BASE LEGAL para lançamento do IRRF artigos 682, inciso I, 685, inciso II, alínea “a” e 708 do RIR/99 combinado com o artigo 3º da MP nº 2.15970, de 24/08/2001. [...] A ciência foi pessoal, e ocorreu em 02/01/2014. Inconformada, a autuada apresentou impugnação em 03/02/2014, fls. 2485/2568, com as seguintes alegações: alega a tempestividade da impugnação. Das preliminares – Nulidade Fl. 4964DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 6 5 preliminar de nulidade, já que não foi estabelecido qual vício levou a ser desconsiderados e requalificados os contratos de afretamento e de prestação de serviços, o que acarreta falta de fundamentação do lançamento, e prejuízo ao direito de defesa. ainda em preliminar, a autoridade fiscal fez constar fundamentação subsidiária – inaplicabilidade da alíquota zero do IRRF prevista no artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97, em razão da natureza da embarcação afretada – o que demonstra incerteza acerca das razões que justificariam o auto de infração, fulminando sua validade. Do mérito Validade dos negócios jurídicos. Subsistência dos contratos de afretamento em todos seus efeitos – Coligação de Contratos os contratos de afretamento e prestação de serviços são válidos, cabendo ao auditor fiscal demonstrar a existência de vício que maculasse a recepção destes negócios jurídicos pelo ordenamento legal, especialmente os artigos 104 e 107 da Lei nº 10.406/2002 Código Civil. nos termos do artigo 110 do CTN, a autoridade fiscal deveria ter sujeitado as remessas ao exterior a título de afretamento de embarcação ao tratamento que a lei tributária prevê – artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97. como não foi contestada a validade dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, ou as manifestações de vontade neles expressadas, a autoridade fiscal não poderia ter ignorado o tratamento tributário próprio previsto pela legislação tributária. são inconsistentes dos indícios apontados pela autoridade fiscal para concluir pela existência de um único contrato de prestação de serviços firmado com pessoa jurídica estrangeira. a coligação entre empresas encontra amparo legal, o que não lhes desautoriza firmarem negócios jurídicos distintos e independentes entre si. a mera coligação entre pessoas jurídicas não seria suficiente para desconsiderar e requalificar diferentes negócios jurídicos, ensejando a confusão entre empresas estrangeiras e nacionais para justificar o lançamento. a coligação de negócios jurídicos já foi estudada pela doutrina civilista, a qual ensina que não é ilegal ou irregular, e sequer resulta na perda da individualidade. assim, a união com dependência recíproca voluntária, verificada pela autoridade fiscal a partir da análise dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, não poderia resultar no entendimento de que são contratos mistos de prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração. os contratos têm execução simultânea para fins de habilitação e concessão dos benefícios do REPETRO, nos termos da IN SRF nº 844/2008, alterada pela IN SRF nº 941/2009. Fl. 4965DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 7 6 contesta a afirmação da autoridade fiscal de que os valores pagos nos contratos de afretamento seriam superiores aos valores de mercado da unidades afretadas, o que reforçaria o entendimento de que os contratos seriam de prestação de serviços de perfuração de poços prestados pelos grupos econômicos. não há na legislação tributária qualquer método de avaliação e questionamento de preços pactuados entre pessoas jurídicas não vinculadas, sendo que este indício se funda somente no que a autoridade fiscal entenderia como o preço correto para um afretamento de embarcações. inúmeras locações de bens móveis por períodos tão extensos podem alcançar o valor de aquisição, o que não altera a natureza do contrato de locação de bens, e sequer autorizam à autoridade fiscal desconsiderar e requalificar os contratos de afretamento e de prestação de serviços. outro indício que contesta é quanto à atribuição dos encargos de manutenção e reparo das embarcações às empresas estrangeiras. é típico dos contratos de afretamento de embarcações que os custos de manutenção da embarcação sejam arcados pelo seu proprietário, sendo embutido no preço contratado, o que inclui também as análises e procedimentos necessários para que a embarcação possa estar apta a atender sua finalidade principal: a perfuração de poços de petróleo. o STJ já decidiu que presença de serviços de assistência técnica conexos à locação de um bem móvel não altera a natureza daquele contrato, não incidindo o ISS sobre os valores. quanto à diferença dos valores dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, afirma que a autoridade fiscal não tem parâmetro ou knowhow para comparar e refutar os preços, sendo de conhecimento comum que as embarcações da espécie sonda de perfuração offshore possuem valor colossal. é impossível desconsiderar os contratos de afretamento e de prestação de serviços com base na simulação e ou no abuso de formas. não restou comprovado qualquer descumprimento das obrigações contratualmente previstas, o que afasta a simulação. não ocorreu abuso de formas, já que a verificação de prestação de serviços conexos ao afretamento de embarcações não leva a um tratamento tributário distinto daquele do afretamento a casco nu, devendo ainda ser aplicada a alíquota zero do IRRF, prevista no artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97, sem haver qualquer exigência sob a rubrica da CIDE. ademais, a regulamentação do artigo 116, § único do CTN não foi convertida em Lei, não sendo auto aplicável, o que torna impossível a desconsideração dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Fl. 4966DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 8 7 Reconhecimento da estrutura contratual adotada pela Receita Federal do Brasil – Regime Aduaneiro Especial do REPETRO a Receita Federal conhece a estrutura contratual adotada – contratação segregada e simultânea do afretamento de embarcações da espécie sonda de perfuração offshore e dos seus serviços conexos até estimulandoa ao regulamentar o REPETRO, com as IN SRF nº 844/2008, alterada pela IN SRF nº 941/2009. se o ordenamento jurídico vigente à época dos supostos fatos geradores contemplava normas jurídicas que disciplinavam e estimulavam a adoção da estrutura contratual, penalizar esta contribuinte por fazer uso desta é um contra senso que não deve ser admitido. os contratos já foram objeto de análise pela Receita Federal do Brasil quando da habilitação no REPETRO, sendo reconhecido a natureza dos negócios jurídicos como efetivos contratos de afretamento de embarcações e prestações de serviços, pois, do contrário, não seriam concedidas as devidas habilitações. o entendimento da autoridade fiscal vai de encontro ao resultado das avaliações anteriores, pois entende que os contratos de afretamento e de prestação de serviços seriam um único contrato de prestação de serviços de perfuração com fornecimento da unidade de perfuração, o qual teria sido acordado com aquelas empresas estrangeiras. essa divergência de posturas fere o princípio que consagra a boafé objetiva, de modo a impedir que autoridades administrativas venham a proferir decisões contraditórias, que fulminem a segurança jurídica. a impossibilidade de agir de forma contrária ao posicionamento adotado anteriormente está previsto no artigo 146 do CTN, citando ementa de Acórdão do CARF neste sentido. Da diferença entre o afretamento da sonda de perfuração e a prestação de serviços a distinção dos afretamentos de embarcações contratados para uma prestação de serviços é evidente, atraindo para si tratamento tributário distinto. os contratos de afretamento foram firmados pela modalidade de afretamento a casco nu, prevista no artigo 2º, inciso I da Lei nº 9.432/97, que comporta somente a locação das embarcações em si, não compreendendo outras atividades humanas auxiliares, o que se resume na obrigação da dar. a locação de bem móvel não pode ser entendida como um serviço, conclusão ratificada pela Súmula Vinculante nº 31 do STF. quanto ao afretamento a casco nu, o STJ aplica o mesmo entendimento do STF, não havendo incidência do ISS. ao firmar os contratos de afretamento de embarcações da espécie sonda de perfuração offshore a casco nu, a impugnante obteve esses bens, livres e desembaraçados, cabendo ao seu pessoal e demais Fl. 4967DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 9 8 prestadoras de serviços, executar as atividades própria da exploração e produção de campos de petróleo. entre esses prestadores de serviços encontrase aquele qualificado a operar a sonda de perfuração, cujo corpo técnico fica sob a gestão da equipe da impugnante, pois detém o knowhow e direito de explorar e produzir os campos de petróleo. foi opção da impugnante o afretamento das embarcações da espécie sonda de perfuração offshore, assim como as prestações de serviços foram contratados por várias pessoas jurídicas, cujo resultado final permite que a impugnante possa conduzir a exploração e produção de petróleo e gás natural. os contratos de afretamento e de prestação de serviços diferenciamse pelo seu objeto – afretamento X prestação de serviços; obrigação de dar X obrigação de fazer, e também pelas empresas contratadas. os contratos de afretamento a casco nu pactuados pela impugnante não comportam a prestação de serviços, o que afasta qualquer entendimento de que as remessas feita ao exterior poderiam sofrer exigência sob a rubrica da CIDE. Contrato de prestação de serviços com empresas nacionais – Retenção do IRRF à alíquota de 1,5% a autoridade fiscal desconsiderou e requalificou os contratos firmados, afirmando que estes consistiriam em um único contrato de prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração, e ainda sugeriu que teriam sido celebrados unicamente com as empresas estrangeiras. no entanto, da leitura do TVF não se depreende nenhuma razão para que se entenda que esses hipotéticos contratos de prestação de serviços com fornecimento de unidade de perfuração tenham sido firmados com as empresas estrangeiras, e não com as empresas brasileiras, detentoras do knowhow de uma gama de serviços conexos ao afretamento das embarcações, de forma que não se poderá ignorálas ou descredencialas, sem qualquer justificativa. caso um contrato de prestação de serviços de perfuração com fornecimento de unidade de perfuração tivesse de ser firmado unicamente com algum dos grupos da empresa – estrangeiras ou nacionais , deverseia entendêlos como estabelecidos com as empresas nacionais, as quais firmaram contratos cuja natureza é de prestação de serviços, fato que geraria um tratamento tributário distinto daquele que aplicou o autoridade fiscal, que maximizou a tributação com cobrança da CIDE e IRRF. ao entender as remessas ao exterior como contraprestações de serviços prestados por empresas nacionais, somente seria possível exigir a retenção do “IRRF” à alíquota de 1,5 % (um e meio por cento), prevista no artigo 647, caput, do Decreto nº 3.000/99 (‘RIR”). Fl. 4968DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 10 9 Aplicabilidade do artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97 às remessas ao exterior – a natureza da sonda de perfuração como tipo de embarcação a Stena Drillmax é uma embarcação da espécie sonda de perfuração offshore raríssima, locomovendose de per si, apresentandose visualmente como embarcação, ao passo que a Sovereign Explorer, embora também seja uma espécie de sonda de perfuração offshore, não é dotada de tais qualidades, assemelhandose ao que se denomina plataforma. o artigo 1º da Lei nº 9.481/97 determina que as receitas de afretamento de embarcações estariam sujeitas à alíquota zero do IRRF, desde que tenham sido aprovadas por autoridades competentes, sem estabelecer qualquer ressalva quanto a que espécie de embarcação este dispositivo seria aplicado. a Lei nº 9.537/97, que regulamenta o tráfego aquaviário, conceitua embarcação como “qualquer construção, inclusive as plataformas flutuantes e, quando rebocadas, as fixas, sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprio ou não”, conforme consta no seu artigo 2º, inciso V. logo, as unidades Stena Drillmax e Sovereign Explorer enquadramse no conceito de embarcação, restando claro que a Lei nº 9.537/91 não restringe o conceito de embarcação àquelas construções marítimas voltadas para o transporte de pessoas ou cargas. o artigo 2º, inciso XIV da Lei nº 9.537/97, define plataforma como “instalação ou estrutura, fixa ou flutuante, destinada às atividades direta ou indiretamente relacionadas com a pesquisa, exploração e explotação dos recursos oriundos do leito das águas interiores e seu subsolo ou do mar, inclusive da plataforma continental e seu subsolo”, deixando claro que se incluem dentro do conceito de embarcação outras estruturas que não estão voltadas essencialmente para o transporte de pessoas ou cargas. traz ementa de Acórdão do TRF da 2º RF e do CARF ratificando este entendimento. a falta de autorização da ANTAQ também não é empecilho à aplicação do artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.481/97, pois esta Autarquia regulamenta e supervisiona a prestação de serviços de transporte, que não é o caso das unidades em questão. a autoridade competente seria a Capitania dos Portos, restando preenchido este requisito, já que as embarcações estão devidamente inscritas. Aplicação da Convenção BRASILHUNGRIA às remessas feita em favor da STENA DRILLMAX I (HUNGARY) KTF a autoridade fiscal deixou de se pronunciar quanto à aplicação da Convenção para Evitar a Dupla tributação firmada entre Brasil e Hungria, promulgada pelo Decreto Executivo nº 53/91, sobretudo no Fl. 4969DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 11 10 que diz respeito aos efeitos do artigo 2º quanto à exigência da CIDE, inobservando o previsto no artigo 98 do CTN. a partir da Convenção BrasilHungria, não haveria que se falar na exigência do IRRF, fosse ou não embarcação da espécie sonda de perfuração offshore contratada junto à Stena Drillmax I (Hungary) KTF considerada uma embarcação para fins de aplicação da alíquota zero prevista no artigo 1º, inciso I da Lei nº 9.841/97. o artigo 8º da Convenção BrasilHungria prevê que a tributação sobre lucros provenientes da exploração de embarcações deverá ser feita pelo Estado onde estiver localizada a direção efetiva da empresa que auferilos, neste caso concreto, na Hungria, o que impede a cobrança do IRRF pelo Brasil; este entendimento é reforçado pelos artigos 9º e 10º da Convenção, ainda que existisse prestação de serviços prestado por pessoal mantido no outro Estado contratante. ainda que não se aplicasse o artigo 8º, caberia aplicação do artigo 7º, que determina que os rendimentos da empresa estrangeira só poderiam ser tributados no pais de residência da beneficiária, ou seja, na Hungria, ainda mais considerando tratarse de afretamento a casco nu, onde apenas há a obrigação de disponibilizar o bem. o STJ vem utilizando o artigo 98 do CTN para fazer prevalecer os tratados internacionais quando colocados em confronto com a legislação interna, motivo pelo qual deve ser cancelado o lançamento seja em função do artigo 8º ou do 7º da Convenção BrasilHungria. Impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre valores exigidos a título de multa de ofício contesta a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 determina a incidência dos juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício. a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se posicionou neste sentido. Em sessão realizada em agosto de 2014, a 5a Turma da DRJ/RJ1 julgou a impugnação procedente, conforme decisão assim ementada: PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMA E CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS Para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos. Dos fatos apontados nos autos, restou comprovado tratarse de um único contrato de prestação de serviços, embora formalmente Fl. 4970DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 12 11 sejam firmados dois acordos, um de afretamento e outro de prestação de serviços. CONTRATO DE AFRETAMENTO DE PLATAFORMA – RETENÇÃO DO IRRF ALÍQUOTA ZERO IMPOSSIBILIDADE. Para fins de usufruir a aplicação da alíquota zero na determinação do imposto de renda retido na fonte, é necessário que a finalidade seja o transporte de cargas e pessoas. Embora as plataformas se locomovam na água, a atividade para a qual foram concebidas é a pesquisa, exploração e prospecção de petróleo. RENÚNCIA FISCAL INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA Embora a Lei 9.481/97, Lei nº 9.532/97 e o art. 691, I do RIR/99, não tenham, de forma expressa, restringido o tipo de atividade explorada pela embarcação afretada, seja ela destinada ao transporte de passageiros/carga, à exploração de petróleo ou outras atividades marítimas, devese levar em conta que não é possível ampliar o sentido da norma, dando interpretação ampla ao termo embarcação, já que o artigo 111 do CTN dispõe: "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre a outorga de isenções”. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO INAPLICABILIDADE PARA PAGAMENTOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS As remessas decorrentes de contratos de prestação de assistência técnica e de serviços técnicos sem transferência de tecnologia sujeitam se à tributação de acordo com o art.685, inciso II, alínea “a”, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem como que nas Convenções para Eliminar a Dupla Tributação da Renda das quais o Brasil é signatário, esses rendimentos classificamse no artigo Rendimentos não Expressamente Mencionados. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO – BASE LEGAL CABIMENTO A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi intimada da decisão em 19 de agosto de 2014 (fl. 4589) e interpôs recurso voluntário em 15 de setembro de 2014 (fl. 4592 e seguintes), reiterando o que alegou na impugnação, acrescentando, ainda, que: a) em sede de preliminar, é possível aferir que as D. Autoridades Julgadoras da 5a Turma da “DRJ/RJ1” proferiram uma decisão contraditória. Ipso facto, na medida em que essas afirmaram que os contratos de afretamento e de prestação de serviços não foram desconsiderados ou requalificados, Fl. 4971DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 13 12 e, ao mesmo tempo, mantiveram a exigência do “IRRF” em face da RECORRENTE, há, na decisão de primeira instância, uma formulação ilógica, que leva à nulidade do Acórdão nº 1267.480; b) Argumenta que o artigo 111 do CTN não fixa uma técnica exegética para os casos previstos em seus incisos, tampouco equipara a interpretação literal à interpretação restritiva (que são coisas distintas). É dizer, não há autorização para a D. Autoridade Fiscal restringir o campo de aplicação de legislação que beneficie os contribuintes, sobretudo quando sua única fundamentação é o aumento da arrecadação, como está ocorrendo no presente caso; c) ainda, o presente caso trata de uma norma que prevê aplicação de alíquota zero, e não de norma isentiva, de suspensão ou exclusão do crédito tributário e, muito menos, da dispensa de cumprimento de obrigação acessória. Assim, não há que se cogitar, sequer, do uso da interpretação literal, pois a alíquota zero não se enquadraria em nenhum dos incisos do artigo 111 do CTN. A Procuradoria apresentou contrarrazões, alegando, em síntese, que: Da preliminar de nulidade. Indicação de fatos que ensejaram o lançamento a) o Termo de Verificação Fiscal deixou bastante claro que o que se fez foi tributar a operação real e não aparente, conforme apurado no procedimento fiscal. O CTN (art. 142) em momento algum exige a imputação de algum vício de natureza civil ao ato tributado pela Autoridade Fiscal. O que se exige é demonstrar que nos fatos apurados ocorreu fato gerador de tributo, conforme o caso; b) a imputação de vícios de validade de uma perspectiva civil não é pertinente à análise da Fiscalização. O que importa demonstrar são as razões para a ineficácia de tais declarações de vontade perante o Fisco; c) a recorrente demonstra ter plena compreensão dos fatos contra si imputados. Tanto é assim que teve a possibilidade de desenvolver ampla razões de defesa. Não se pode falar em nulidade ou cerceamento de defesa; Da preliminar de nulidade por uso de “fundamentação subsidiária” d) não há relação de exclusão entre os argumentos. A expressão “por lado...por outro” é formada por conectores com valor de adição ou enumeração (paralelismo sintático). Não existe em fenômenos de paralelismo sintático a relação de subsidiariedade, mas sim de equivalência ou adição. Tal conclusão, se reforça pelo uso do advérbio “também” no TVF; Fl. 4972DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 14 13 e) enquanto o primeiro argumento diz respeito à incidência da CIDE e do IRRF, o segundo diz respeito ao afastamento de alíquota zero do IRRF, não se confundindo a não incidência e a alíquota zero; f) na autuação, dizse que se deve incidir a CIDE e o IRRF em virtude da unidade dos contratos, com mais razão deve incidir o IRRF porque não se trata de hipótese de alíquota zero; Da preliminar de nulidade por suposta contradição interna g) considerando que não se pode confundir a validade e a eficácia do negócio jurídico, tornase claro que não existe contradição no v. acórdão recorrido ao afirmar que não se declarou nulidade dos negócios jurídicos firmados pela Recorrente. O que ocorreu foi a consideração de sua ineficácia perante o Fisco; h) não interessa nem compete ao Fisco declarar a nulidade ou efetivamente desconstituir negócios jurídicos entre partes privadas. O que se faz é analisar os fatos objetivamente ocorridos e aplicarlhes os devidos efeitos tributários (artigo 118 do CTN); Mérito. Unidade dos contratos de afretamento e prestação de serviços. Montagem jurídica. Planejamento fiscal. i) a recorrente busca desqualificar o trabalho fiscal na medida em que tenta “tipificar” o atípico; j) os contratos de afretamento deixam claro que cabe a elas (fretadoras) a operação do maquinário. Além de não se tratar de forma evidente de discussão pertinente a contrato de afretamento (como defende a Recorrente) também demonstra que a empresa estrangeira está assumindo responsabilidades próprias da empresa nacional, qual seja, a prestação de serviços de prospecção de petróleo. Inclusive, no contrato de prestação de serviços com a TRANSOCEAN BRASIL, não consta cláusula sobre a responsabilidade na própria prestação. Tal clausula se encontra tão somente no contrato de afretamento, pelo qual é responsável a empresa estrangeira; k) o contrato de afretamento da TRANSOCEAN UK (parágrafo 901) prevê que a mesma é responsável por danos anormais na prestação de serviços de prospecção; l) a remuneração do contrato de afretamento é proporcional e condicionada à produtividade da sonda, não ao tempo em que a mesma permanecerá à disposição da Recorrente. Daí dizerse que sequer de aluguel propriamente dito se trataria, ou sequer de frete, mas sim remuneração por serviços de prospecção prestados por terceiro; m) em momento algum duas empresas independentes firmariam contratos com terceiros responsabilizandose uma pela atividade da outra, de todas essas formas; Fl. 4973DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 15 14 n) inclusive, a Fiscalização apurou que os profissionais ocupantes de cargos chave no processo de prospecção de petróleo eram ocupados por empregados das empresas estrangeiras e não das nacionais prestadoras de serviços. Vêse, portanto, evidente confusão entre empregador prestadores de serviços dos grupos econômicos; o) os contratos de afretamento e de serviços preveem o mesmo prazo de vigência e duração, cedendo inclusive às mesmas hipóteses de suspensão e extinção; p) da redação literal dos dispositivos da IN RFB nº844/08 (já com a redação da IN 941/09) não há como sustentar o argumento da recorrente que a execução simultânea dos contratos se deve às suas exigências. A exigência de execução simultânea diz respeito a serviços e cessão de bens contratados ambos com a mesma pessoa jurídica, a saber, a prestadora de serviços. A IN regulamentadora do REPETRO em momento algum diz respeito à contratação separada de duas pessoas jurídicas; q) os sítios eletrônicos dos grupos TRANSOCEAN e STENA deixam claro e evidente que a atividade das empresas não é de formar algum afretamento de embarcações, mas sim a prestação de serviços de prospecção de petróleo; r) ainda há a questão das operações invertidas e deslocamento da base tributável para o exterior. O valor dispendido para o “afretamento” dos naviossonda era quase o mesmo e até superior, no caso da STENA, ao valor dos bens para aquisição. Tratase, à evidência, de uma operação inversa e de bipartição dos contratos apenas para finalidade de permitir o descolamento da base tributável no contexto do planejamento fiscal; Mérito. Da suposta alteração do critério jurídico do lançamento s) a recorrente faz interpretação deliberadamente equivocada dos termos do artigo 146 do CTN. O que é vedado é a alteração dos critérios jurídicos referentes a um lançamento já efetuado; t) outra coisa a destacar é que não houve revisão de critério jurídico, mas sim nova análise de fatos apurados posteriormente à qualificação no REPETRO (não alegados durante a qualificação do REPETRO); u) No caso concreto, o que foi apresentado no processo de admissão temporária foram os contratos de afretamento, mas nunca os de prestação de serviços. Jamais se chegaria a essa conclusão em mero procedimento de admissão temporária, seja porque a Recorrente apresentou apenas um contrato – o de “afretamento” – ou porque, de outro lado, no referido procedimento não cabe dilação probatória por parte da Fiscalização; v) Por outro lado, o fato de terem sido internalizados em regime de admissão temporária do REPETRO não importa concluir que a Receita concordou com o argumento de que seriam bens referentes a afretamento; Fl. 4974DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 16 15 Da aplicação da Convenção BrasilHungria w) a própria Convenção limita o conceito de “tráfego internacional”, excetuando dele a exploração dentro do território de um único Estado. Conforme se viu, a sonda STENNA DRILLMAX foi contratada para procedimentos de prospecção de petróleo na “Área Autorizada” (fl. 1.415), a saber, a área do bloco BMC33 localizada na Bacia de Campos, no Brasil. Ou seja, não havendo transposição de limites nacionais, não se configura o “tráfego internacional”, o que autorizaria a aplicação da norma isentiva do artigo VIII suscitada pelo contribuinte; x) por outro lado, também não é aplicável a isenção do artigo VIII, pois sequer pode falar de contrato de afretamento; y) a Convenção BrasilHungria não trata a remessa em razão da prestação de serviços técnicos e de assistência técnica como “lucros das empresas” a justificar a aplicação do artigo VII da Convenção. Da combinação do parágrafo 6 do Protocolo Anexo com o Artigo XII, parágrafo 3, da Convenção, notase que é equiparado o pagamento por serviços técnicos destinado à Hungria com o pagamento de royalties, ou seja, é autorizada a tributação entre 25% e 15% (Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 15 de junho de 2014 da RFB); Da alíquota de 1,5%. Prestação de serviços por empresa nacional. z) é incontroverso nos presentes autos que houve remessas ao exterior pelo pagamento de serviços prestados pelas empresas estrangeiras; aa) o art. 647 do RIR/99, suscitado pela contribuinte, diz respeito a pagamentos feitos a pessoas jurídicas nacionais, como é evidente. No caso de pagamentos feitos a pessoa jurídica residente no exterior, aplica se o art. 685, inciso I, do RIR/99, o qual prevê alíquota de 15%; Da alíquota zero. Inexistência de afretamento. Plataforma. bb) a contratação em exame não tem natureza de afretamento. Em primeiro lugar, o conceito de “afretamento” tem base legal nos incisos I a III do art. 2º da Lei nº 9.432/97 (o objeto da modalidade contratual “afretamento” é a “embarcação”). O direito positivo, por sua vez, traz conceito legal que distingue a “embarcação” da “plataforma” no artigo 2º da Lei nº 9.527/97 (embora se coloque plataformas como espécie de embarcações, tal classificação é condicionada à finalidade de transportar pessoas). Assim, a plataforma somente pode ser considerada como embarcação na hipótese em que tenha a finalidade de transporte; cc) o Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias aloca as embarcações nos itens 89.01 a 89.04 e 89.06 e as chamadas estruturas flutuantes nas posições 89.05 e 89.07. Segundo as Notas Explicativas do Sistema, as plataformas de perfuração ou de exploração, Fl. 4975DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 17 16 flutuantes ou submersíveis são alocadas no item 89.05, de modo que não consistem em embarcações; Da incidência de juros sobre multa de ofício. dd) a tese da impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício já se encontra superada pela jurisprudência do CARF e do STJ no sentido de admitir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício; ee) em análise do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 juntamente com o CTN concluise que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento engloba tanto o tributo quanto a multa; ff) o artigo 113, §1o do CTN preceitua que a obrigação principal tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade e conforme leciona Luciano Amaro, o critério utilizado pelo CTN para distinguir obrigação acessória de obrigação principal é o conteúdo pecuniário. Nesse passo, resta evidente que a multa tem natureza de obrigação principal, visto que incontestável o seu conteúdo pecuniário. Dessa forma, por ser a multa, indubitavelmente obrigação principal, não se pode chegar a outra conclusão se não a de que o crédito tributário engloba tributo e a multa. Às fls. 4852 e seguintes, a recorrente juntou parecer do professor Heleno Taveira Tôrres. É importante relator, por fim, que em manifestação protocolada em 19/04/2013 (fls. 138/142), o sujeito passivo registrou que: [...] o contribuinte possui duas ações judiciais para eximirse do pagamento do IRRF e da CIDE, todavia, ressalta que ainda não possui decisão judicial que lhe permita não efetuar tais recolhimentos. [...] Abaixo a relação: a) Número: 004623014.2012.4.02.5101 Objeto: Tratase do Mandado de Segurança que objetiva seja determinado ao Impetrado que se abstenha de exigir o IRRF sobre os valores remetidos ao exterior, oriundos de contratos de prestação de serviços firmados com empresas residentes em países que possuem Convenção com o Brasil para evitar a dupla tributação, bem como não impeça a compensação dos valores pagos a mais a esse título nos 5 anos que antecedem a ação. Fase judicial: Proferida sentença que denegou a segurança e foi interposto Recurso dos Embargos de Declaração. [...] É o relatório. Fl. 4976DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 18 17 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Da conversão do julgamento em diligência À fl. 4670 de seu recurso, o sujeito passivo defende a tese de que a Convenção BrasilHungria impediria a incidência do IRRF, mesmo que fosse adotada a tese da fiscalização, de que os pagamentos seriam atinentes à prestação de serviços, e não ao afretamento. Vejase: Não obstante essa abordagem acerca do artigo 8º da “Convenção Brasil Hungria”, a qual obstaculiza a incidência e retenção na fonte do “IRRF”, é possível verificar, ainda, que essa tributação restaria inviabilizada até mesmo se fosse adotada a construção feita pela D. Autoridade Fiscal, no sentido de que se estaria a tributar uma prestação de serviços com fornecimento da unidade de perfuração. Destarte, a recorrente concluiu que: Dessa forma, a conclusão a que se tem sobre as remessas feitas à empresa residente na Hungria, a partir da aplicação dos artigos da “Convenção BrasilHungria”, é a seguinte: caso se entenda que os rendimentos foram pagos a titulo da exploração de uma atividade conexa ao afretamento de embarcações da espécie sonda de perfuração offshore, aplicarseia seu artigo 8º; caso se entenda que se trata, efetivamente, de um afretamento a casco nu, e ainda que não se considere essas embarcações para fins de aplicação da alíquota zero já tratada ao longo deste Recurso Voluntário, aplicarseia o artigo 7º da mencionada Convenção. (vide fl. 4675) Ocorre que o sujeito passivo relatou ter impetrado mandado de segurança justamente para obstaculizar a incidência do IRRF "sobre os valores remetidos ao exterior, oriundos de contratos de prestação de serviços firmados com empresas residentes em países que possuem Convenção com o Brasil para evitar a dupla tributação" (vide fl. 140). Todavia, a recorrente não juntou as peças da ação judicial nestes autos, impedindo que se possa mensurar, com segurança, a identidade entre os objetos submetidos à análise das instâncias administrativa e judicial. Também não se pode afirmar se existem outros objetos em discussão na esfera judicial, ausente as peças necessárias para tanto. É sabido que o órgão de julgamento administrativo somente pode apreciar a matéria distinta daquela constante do processo judicial. É necessária, portanto, a conversão do julgamento em diligência, para que a recorrente traga aos autos as principais peças do mandado de segurança, em especial a sua petição inicial, a sentença, as eventuais peças recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau recursal. Fl. 4977DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 16682.721414/201315 Resolução nº 2402000.571 S2C4T2 Fl. 19 18 Tal providência tem como objetivo evitar a sobreposição de instâncias, em consonância com o enunciado constante do verbete sumular nº 1, deste Conselho. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vejase, a propósito, que a própria DRJ conheceu de matéria que, possivelmente, não deveria ter conhecido, mais especificamente aquela atinente às Convenções para evitar a dupla tributação (vide fls. 4579/4581). 2 Conclusão Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de determinar que sejam tomadas as providências necessárias para que a recorrente traga aos autos as peças do mandado de segurança sob o nº 0046230 14.2012.4.02.5101, em especial a sua petição inicial, a sentença, as eventuais peças recursais, bem como as decisões possivelmente proferidas em grau recursal., informando, ainda, se propôs qualquer outra ação cuja objeto possa coincidir com o objeto deste processo administrativo. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 4978DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 2 0/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.721832/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas com dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 18 32 /2 01 2- 50 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas com dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13116.721832/201250 Acórdão n.º 2402005.453 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 33/39), lavrada em 18 de Junho de 2012, que apurou saldo de imposto de renda a pagar no valor de R$ 4.250,11, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF (DIRPF), exercício 2010, anocalendário 2009. De acordo a descrição dos fatos e enquadramento legal, foram apuradas as seguintes infrações: 1. Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 6.921,60, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 7.204,42, por falta de comprovação; 3. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 406,67, por falta de comprovação; 4. Dedução Indevida com Despesas de Instrução no valor de R$ 7.400,00, por falta de comprovação; Cientificado do lançamento em 03 de Julho de 2012, fl. 40, o interessado apresentou os documentos de fls. 12/17, solicitando o cancelamento da exigência. Ato contínuo, no despacho decisório de fls. 49/50, foram analisados, no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem os documentos apresentados pelo Impugnante e reduziu o imposto suplementar para R$ 1.395,71, conforme quadro abaixo: 1. Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 3.460,80, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 255,93, por falta de comprovação; 3. Dedução Indevida com Despesas de Instrução no valor de R$ 7.400,00, por falta de comprovação; Cientificado da decisão em 23 de Março de 2015, fl. 53, o contribuinte não apresentou manifestação de inconformidade. Em sessão realizada em 25 de fevereiro de 2016, a DRJ/RJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÕES DE DEPENDENTES INSTRUÇÃO E DESPESAS MÉDICAS Somente poderão ser deduzidas para fins de apuração da base de cálculo do imposto as deduções de despesas com dependentes, de instrução e despesas Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 4 médicas relativas aos gastos do contribuinte e/ou de seus dependentes, cuja dependência tenha ficado comprovada, bem como os respectivos gastos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Desta forma, no âmbito da DRJ/RJ, tendo em vista os documentos apresentados pelo recorrente, restou reduziu o imposto suplementar para R$ 833,21, conforme descrição abaixo: 1. Dedução Indevida de Dependente no valor de R$ 3.460,80, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 255,93, por falta de comprovação; 3. Dedução Indevida com Despesas de Instrução no valor de R$ 4.900,00, por falta de comprovação; A recorrente foi intimada da decisão e interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO Processo nº 13116.721832/201250 Acórdão n.º 2402005.453 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Dedução Indevida de Dependentes Em relação a dedução de dependentes, reproduzimos, a seguir, o art. 77 do RIR/99: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I – o cônjuge, (...) V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; Tendo em vista que o contribuinte não apresentou, em um primeiro momento, qualquer comprovação da relação de dependência com Rosemary Araújo de Paiva Lopes e Ana Liz Lopes Billegas, a DRJ/RJ manteve a glosa no valor de R$ 3.460,80, por falta de comprovação. No entanto, em sede de recurso voluntário, o contribuinte trouxe à baila a comprovação da relação de dependência com Rosemary Araújo de Paiva Lopes, na qualidade de cônjuge, mediante apresentação da certidão de casamento (fl. 89). Desta forma, devese considerar legítima a dedução da despesa incorrida por Rosemary Araújo de Paiva Lopes, conforme parágrafo 3º, artigo 8º do RIR/99. Em relação a Ana Liz Lopes Billegas, o contribuinte reconhece que, apesar de ser sua dependente de fato, por ser sua neta e morar em sua residência, para fins de comprovação legal de dependência perante a legislação tributária prescinde de guarda judicial, a qual não a possuindo, reconhece, portanto, a dedução indevida. Não foram apresentados argumentos de defesa pelo contribuinte em relação a glosa de despesas médicas e de instrução. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO 6 Tendo em vista todo o acima, julgo o recurso voluntário provido em parte, para que seja restabelecida a dedução referente as despesas incorridas por dependente em relação a Rosemary Araújo de Paiva Lopes, mantendose as demais por falta de comprovação e/ou previsão legal.) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 14/10 /2016 por BIANCA FELICIA ROTHSCHILD, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAU JO
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Numero do processo: 10073.721265/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS, ODONTOLÓGICAS E COM PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inteligência da Lei 9.250/1995, art. 8°, inciso II, alínea a e § 2º, incisos II e III e do Decreto nº 3.000/1999, art. 73, caput e §§ 1º e 2º.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar-lhe provimento parcial no sentido de afastar a glosa das despesas odontológicas constantes do recibo de fl. 8, no valor de R$ 4.350,00 (quatro mil trezentos e cinqüenta reais).
(Assinado Digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, dentistas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inteligência da Lei 9.250/1995, art. 8°, inciso II, alínea “a” e § 2º, incisos II e III e do Decreto nº 3.000/1999, art. 73, caput e §§ 1º e 2º. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 12 65 /2 01 5- 30 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para darlhe provimento parcial no sentido de afastar a glosa das despesas odontológicas constantes do recibo de fl. 8, no valor de R$ 4.350,00 (quatro mil trezentos e cinqüenta reais). (Assinado Digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10073.721265/201530 Acórdão n.º 2402005.429 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPO, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o valor do imposto suplementar de R$ 4.783,64 (quatro mil, setecentos e oitenta e três reais e sessenta e quatro centavos) para R$ 3.655, 86 (três mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais e oitenta e seis centavos). O lançamento deuse em razão de glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, no valor de R$ 18.322,11 (dezoito mil, trezentos e vinte e dois reais e onze centavos). A contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/18, alegando ter entregue a documentação solicitada com a finalidade de dirimir as dúvidas suscitadas pela Fiscalização. Conforme afirma, referida documentação não teria sido considerada para a comprovação das despesas médicas, bem assim para o recálculo do imposto devido. A DRJ/SPO julgou a impugnação procedente em parte (Acórdão de Impugnação de fls. 40/47), reconhecendo como válidos os recibos de fls. 10,13, 14, 16 e 18, no valor de R$ 4.391,96 (quatro mil, trezentos e noventa e um reais) havendo a contribuinte interposto recurso voluntário em 1/4/2016 (fls. 52/53), por meio do qual requer que o lançamento do crédito seja cancelado. Há ainda no acórdão da DRJ/SPO análise sobre suposto pedido de isenção por moléstia grave, que não foi reconhecida por não se ter comprovado que os rendimentos recebidos pela Recorrente decorrerem de aposentadoria ou reforma. Por ocasião do Recurso Voluntário a Recorrente apresentou declaração da profissional responsável pela emissão do recibo de fl. 8, referente aos destinatários do tratamento odontológico no valor de R$ 4.350,00 (quatro mil trezentos e cinquenta reais), requerendo o cancelamento do lançamento. Não há menção a pedido de isenção no Recurso apresentado. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. A definição da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas IRPF, bem assim a possibilidade de dedução de despesas relativa à prestação de serviços médicos, odontológicos e de despesas com planos de saúde têm como base o inciso I, a alínea “a” do inciso II e os incisos I a III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (Grifamos) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10073.721265/201530 Acórdão n.º 2402005.429 S2C4T2 Fl. 4 5 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, para que seja lícita a dedução de despesas médicas ou odontológicas da base de cálculo do imposto essas têm de dizer respeito a pagamentos especificados, comprovados e efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes legais. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. De se ressaltar que, na situação fática, somente podem ser consideradas as despesas havidas com a própria Recorrente e com ÁLVARO LUIZ BEZERRA BRAGA, único dependente legal que consta de Declaração de Ajuste Anual – DAA. Em face dos dispositivos legais sob comento, a DRJ/SPO resolveu por restabelecer as deduções glosadas em relação às despesas comprovadas por meio dos documentos de fls. 10, 13, 14, 16 e 18 por se tratarem de despesas devidamente comprovadas por documentação hábil e relacionadas a tratamentos feitos pela contribuinte e pelo seu dependente legal. Com relação aos demais documentos/despesas, a DRJ decidiu por manter a glosa pelas razões indicadas no quadro abaixo: CPF/CNPJ/NIT Beneficiário do Pagamento DOC Fl. Destinatário dos serviços Valor R$ Justificativa para a Manutenção da Glosa 079.155.26758 Débora Da Cunha Casagrande 8 Não há indicação 4.350,00 Não há no recibo a indicação do beneficiário dos serviços. 761.217.39720 Jorge Estáquio Jacob Vidigal 9 Alan Luiz Braga 200,00 O beneficiário do serviço não foi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 CPF/CNPJ/NIT Beneficiário do Pagamento DOC Fl. Destinatário dos serviços Valor R$ Justificativa para a Manutenção da Glosa 29.069.598/000157 Cardiologistas e Pneumatologistas Associados Ltda 11 Arthemio Bezerra 100,00 27.001.049/002835 Labs Cardiolab 12 Alan Luiz Braga 520,00 35.917.970/000130 Unimed 15 Alisson Lincoln Bezerra Braga 1.095,15 35.917.970/000130 Unimed 17 Alan Luiz Braga Filho 1.461,72 informado como dependente na Declaração de Ajuste Anual. 35.917.970/000130 Unimed Não há 6.203,28 Despesa não comprovada mediante apresentação de documento. Total 13.930,15 No que diz respeito aos documentos de fls. 9, 11, 12, 15 e 17 e da despesa não comprovada mediante apresentação de documentos referente a pagamentos à Unimed de Volta Redonda, no valor de R$ 6.203,28 (seis mil, duzentos e três reais e vinte e oito centavos), não há qualquer reparo a se fazer na decisão consignada no Acórdão 1670.963 15ª Turma da DRJ/SPO. Tratamse de deduções relativas a despesas não comprovadas ou a pagamentos efetuados em virtude de despesas cujos destinatários dos serviços não se confundem com a Contribuinte ou com seu dependente legal relacionado na DAA, ou seja, de deduções de despesas feitas ao arrepio da alínea “a” do inciso II e do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995. Relativamente ao recibo de fl. 8, abaixo reproduzido, faz necessário tecer algumas considerações. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10073.721265/201530 Acórdão n.º 2402005.429 S2C4T2 Fl. 5 7 De conformidade com o Acórdão 1670.963 15ª Turma da DRJ/SPO, a documentação apresentada pelo contribuinte para o fim de dedução da base de cálculo do IRPF deve trazer informações que permitam a perfeita identificação: 1) do responsável pelo pagamento efetuado, pois sem essa informação não há como se vincular a dedução ao possível interessado; 2) do valor do pagamento; 3) da data da emissão do documento (dia, mês e ano); 4) do tipo de serviço realizado; 5) do beneficiário do serviço; 6) do emitente do documento: nome, endereço, CPF/CNPJ e, no caso de pessoa física, o registro de habilitação profissional no Conselho Regional de Classe. (Grifei) Com base nessas assertivas, e em razão de o recibo de fl. 8 não indicar o destinatário dos serviços nele registrados, a DRJ/SPO manteve a glosa da dedução efetuada pela Fiscalização. A despeito das constatações feitas pela DRJ/SPO, por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou declaração (fl. 53) com a discriminação das despesas constantes do referido recibo nos seguintes termos: Paciente Márcia Aparecida Bezerra Braga Serviço Executado Valor (R$) Aparelho Ortodôntico fixo auto ligado – R$ 1.500,00 6 parcelas de tratamento ortodôntico (cada parcela R$ 295,00) 1.770,00 Total 3.270,00 Paciente Álvaro Luís Bezerra Braga Serviço Executado Valor (R$) Restauração elemento 36 180,00 Contenção Móvel 180,00 Profilaxia 180,00 Clareamento 540,00 Total 1.080,00 Total Geral 4.350,00 Não obstante a declaração da profissional responsável pela emissão do recibo ter sido apresentada por ocasião do Recurso Voluntário, há que reconhecer que referido documento destinase a contrapor razões trazidas por ocasião da análise da impugnação. Assim fazse necessária sua apreciação, consoante previsão contida na alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: [...] c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Com base na declaração referida acima, é possível inferir que o recibo de fl. 8 referese à despesas relativas a tratamento odontológico cujos destinatários foram a Recorrente e seu representante legal. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a glosa das despesas odontológicas constantes do recibo de fl. 8, no valor de R$ 4.350,00 (quatro mil trezentos e cinquenta reais). (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
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Numero do processo: 10730.722234/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REGULARIDADE DO LANÇAMENTO.
Constatado por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF que o contribuinte deixou de prestar na Declaração de Ajuste Anual - DAA informações relativas a rendimentos do trabalho, auferidos no decorrer do ano calendário e sendo essas informações corroboradas por provas trazidas aos autos pelo próprio contribuinte, fica caracterizada omissão de rendimentos, restando atestada a regularidade do crédito tributário lançado.
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTE E DE EXISTÊNCIA DE ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial no sentido de restabelecer a dedução no valor de R$ 49.309,00 (quarenta e nove mil trezentos e nove reais), conforme informado na DAA.
(Assinado Digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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REGULARIDADE DO LANÇAMENTO. Constatado por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF que o contribuinte deixou de prestar na Declaração de Ajuste Anual DAA informações relativas a rendimentos do trabalho, auferidos no decorrer do ano calendário e sendo essas informações corroboradas por provas trazidas aos autos pelo próprio contribuinte, fica caracterizada omissão de rendimentos, restando atestada a regularidade do crédito tributário lançado. DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTE E DE EXISTÊNCIA DE ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com pensão alimentícia requer, além da efetiva comprovação do pagamento, a prova de que o ônus tenha sido suportado pelo contribuinte por força de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 22 34 /2 01 5- 13 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial no sentido de restabelecer a dedução no valor de R$ 49.309,00 (quarenta e nove mil trezentos e nove reais), conforme informado na DAA. (Assinado Digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10730.722234/201513 Acórdão n.º 2402005.458 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativa ao ano calendário 2012 / exercício 2013, apurando imposto suplementar R$ 8.552,29 (oito mil, quinhentos e cinquenta e dois reais e vinte e nove centavos). O crédito foi constituído em razão da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 3.420,00 (três mil quatrocentos e vinte reais) e de glosa de despesas deduzidas a título de Pensão Alimentícia Judicial, no valor de R$ 49.309,00 (quarenta e nove mil e trezentos e nove reais), por falta de comprovação ou de previsão legal para sua dedução. Na apuração do tributo devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 149,77 (cento e quarenta e nove reais e setenta e sete centavos). O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/3, cujas alegações se reproduz do Acórdão 1056.176 da 8ª Turma da DRJ/POA: 1) Teria sido intimado, previamente à Notificação de Lançamento, para apresentar vários documentos comprobatórios, e alega ter atendido à intimação. 2) Em maio/2015, teria constatado uma pendência de um valor não declarado de R$ 3.420,00, com IRRF de R$ 149,77. Teria solicitado recibo da fonte pagadora e buscado a Procuradoria da Receita Federal do Brasil (RFB) com o propósito de regularizar sua situação. (...) 3) Em junho/2015, teria sido notificado pela RFB, de que não foram contempladas as deduções relativas à Pensão Judicial, por conta de exigência de Carta de Sentença. Anexa, na impugnação, cópia da Carta de Sentença (fl. 10) e da Sentença Judicial (fls. 11/13). O contribuinte requer que seja acolhida sua impugnação para cancelar o débito fiscal reclamado, e que o valor da restituição de seu imposto de renda lhe seja depositado. A DRJ/POA julgou a impugnação improcedente (Acórdão de Impugnação de fls. 31/34), por entender que o contribuinte não comprovou a inexistência de omissão de rendimentos do trabalho e não demonstrou, mediante documentos hábeis, a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou em face de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Por ocasião do recurso voluntário o Recorrente apresenta: Fl. 99DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 a) Comprovante de transferência bancária da Fundação Parque Tecnológico de Itaipu (fl. 42), no valor de R$2.791,43 (dois mil setecentos e noventa e um reais e quarenta e três centavos), datada do 08/10/2012. Informa em relação ao comprovante que: Nada consta acerca de deduções; O recibo foi encaminhado pelo Parque Tecnológico de Itaipu e recebido pelo Contribuinte; sempre concordou que o valor do contrato foi de R$3.420,00 (três mil quatrocentos e vinte reais); entende que tenha havido dedução na Fonte de impostos pertinentes; Como tratase de recibo de pessoa jurídica, entendeu que estariam contempladas as deduções de direito; Não houve intenção de dolo. Pelo contrário, sempre concordou que houve esse pagamento e, quando solicitado, providenciou o recibo da fonte pagadora; b) Documentos relativos a direito de dedução de pensão alimentícia judicial: Sentença de Conciliação do Divórcio (43/45); Registro de Divórcio Consensual (fl. 46); Registro de Averbação do Divórcio (fl. 47); c) Comprovantes bancários de pagamento de pensão: Extrato de sua conta bancária com registros de transferências de valores mensais variados a Gisselly Mazetti Gil, no ano de 2012 (fls. 48/65); d) Comprovantes de recebimento de pensão: Extratos bancários da conta de Gisselly Mazetti Gil com registro de recebimento de valores mensais e variados da conta corrente do Recorrente (fls. 66/89); e) Declaração de Gisselly Mazetti Gil, informando ter recebido do Recorrente pensão no valor deduzido da Declaração de Ajuste Anual – DAA de 2012 (fl. 90); f) Declaração de Gisselly Mazetti Gil, informando que a forma de pagamento da pensão (depósito em conta corrente) teria sido uma opção dela, manifestada em juízo (fl. 91). Por fim, requer o Recorrente que seu recurso seja deferido e demanda prioridade para sua restituição em face do Estatuto do Idoso. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10730.722234/201513 Acórdão n.º 2402005.458 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Omissão de Rendimentos Nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o rendimento bruto da pessoa física será integrado pelo produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, pelos alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda pelos proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. O art. 9º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, por seu turno, impõe ao contribuinte a obrigatoriedade de apresentação de DAA, a qual, para a correta definição da base de cálculo do IRPF e para a determinação do saldo do imposto a pagar ou a restituir, deve conter todos os rendimentos auferidos ao longo do ano calendário. Sem olvidar dos demais fundamentos legais invocados para o lançamento decorrente da omissão de rendimentos, o fato é que informações constantes do banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, extraídas da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF da Fundação Parque Ecológico Itaipu – Brasil, CNPJ 07.769.688/000118, dão conta que o contribuinte recebeu R$ 3.420,00 (três mil quatrocentos e vinte reais) da citada empresa, com Imposto de Renda Retido na Fonte de R$ 149,77 (cento e quarenta e nove reais e setenta e sete centavos). Convém mencionar que a DIRF é considerada documento idôneo para o fim de comprovar os valores dos rendimentos tributáveis e do Imposto Retido na Fonte e goza de presunção de veracidade, ainda mais quando não há indícios de equívocos com relação às informações prestadas. Além disso, o comprovante apresentado na impugnação, que atesta a ocorrência de transferência de numerários da Fundação Parque Ecológico Itaipu para a conta bancária do Recorrente, somente corrobora as conclusões da Fiscalização de que o sujeito passivo deixou de informar em sua DAA parte dos rendimentos decorrentes do trabalho o que caracteriza, sem qualquer sobra de dúvidas, omissão de rendimentos. Por essas razões, constatado por meio da DIRF que o contribuinte deixou de prestar ao órgão fiscalizador informações relativas a rendimentos do trabalho auferidos no decorrer do ano calendário e sendo essas informações corroboradas por provas trazidas aos autos pelo próprio contribuinte, fica caracterizada omissão de rendimentos, restando atestada a regularidade do lançamento do crédito tributário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 Glosa de Despesas com Pensão Alimentícia No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõe: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 10730.722234/201513 Acórdão n.º 2402005.458 S2C4T2 Fl. 5 7 § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do RIR, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, as deduções de despesas a título de pensão alimentícia na DAA devem obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentados; e ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Por entender que os requisitos previstos na Lei nº 9.250/95 para a dedução da pensão alimentícia não foram observados, a DRJ/POA resolveu por considerar a impugnação improcedente e por manter do crédito tributário exigido. O Recorrente, por sua vez, alega fazer jus à dedução e para tanto apresenta Sentença de Conciliação do Divórcio (43/45), Registro de Divórcio Consensual (fl. 46) e Registro de Averbação do Divórcio (fl. 47). Informa ter celebrado acordo judicial de divórcio consensual com Gisselly Mazetti Gil, ficando estabelecida pensão alimentícia mensal, com pagamento por meio de depósito na conta corrente. Apresenta i) extratos de sua conta bancária com registros de transferências de inúmeros valores mensais variados para sua exesposa, no ano de 2012; ii) extratos da conta da exesposa com os créditos dos valores por ele transferidos; e iii) declarações de Gisselly Mazetti Gil, informando ter recebido a pensão no valor deduzido da DAA e que a forma de pagamento, por meio de transferência bancária, teria sido opção dela, manifestada em juízo, por ocasião do divórcio. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Da análise dos documentos apresentados, verificase que na sentença de divórcio consensual, homologada pela 6ª Vara de Família da Comarca do Rio de Janeiro (fls. 45/47), há previsão de que o Recorrente deverá pagar, a título de pensão alimentícia, o equivalente a 720% (setecentos e vinte por cento) salários mínimos mensais, a partir de julho de 2006, que deverão ser depositados na conta corrente da beneficiária. Considerandose que embora os pagamentos relativos ao ano de 2012 não tenham sido feitos no dia 5 (cinco) de cada mês e em uma única parcela, conforme previsto na sentença de divórcio, o fato é que os extratos bancários de fls. 48/65 e 66/89 comprovam que efetivamente foram realizadas transferências bancárias, no valor anual de R$ 51.992,00 (cinquenta e um mil, novecentos e noventa e dois reais), da conta corrente do contribuinte para a de Gisselly Mazetti Gil. E mais, há declaração da beneficiária (fl. 90) atestando ter recebido, naquele ano, a título de pensão alimentícia, R$ 49.309,00 (quarenta e nove mil trezentos e nove reais). Desse modo, considerandose que em 2012 o salário mínimo correspondia a R$ 622,00 (seiscentos e vinte e dois reais), concluise que o valor mensal da pensão (720% X R$ 622,00) era de R$ 4.478,40 (quatro mil, quatrocentos e setenta e oito e reais e quarenta centavos), o que corresponde à cifra anual de R$ 53.740,80 (cinquenta três mil, setecentos e quarenta reais e oitenta centavos). Assim, entendo que se deva restabelecer a dedução da pensão alimentícia, no valor de R$ 49.309,00 (quarenta e nove mil trezentos e nove reais), conforme informado na DAA. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e, no mérito, dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado Digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 25 /08/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 26/08/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
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Numero do processo: 11634.720272/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REQUISIÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ANDRE LUIZ VARGAS ILARIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 34 .7 20 27 2/ 20 15 -8 4 Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Temse em pauta recurso voluntário do sujeito passivo contra o acórdão de DRJ que julgou procedente em parte a sua impugnação. Inicialmente, transcrevemos parte do relatório da decisão recorrida (fls. 1310/1333), por bem representar os fatos ocorridos até então: Em nome do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/24, com ciência pessoal do sujeito passivo em 17/08/2015(fls. 1.262/1.263), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, anoscalendário 2010 a 2014, sendo apurados os seguintes valores: Imposto1.596.924,78 Multa de Ofício (passível de redução)2.358.794,07 Juros de Mora (calculados até 08/2015)272.735,97 Total do crédito tributário apurado4.228.454,82 Motivou o lançamento de ofício a constatação de omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica em 2014 no valor de R$ 230.123,45, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício de 2010 a 2014 no valor de R$ 5.804.559,26, e omissão de ganhos de capital na alienação de bens imóveis em 2014 no valor de R$ 265.002,77, conforme detalhado a seguir. As autoridades lançadoras, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 26/75, informam que o contribuinte exercia cargo eletivo de Deputado Federal durante o período sob ação fiscal e, em 10/12/2014, a Câmara dos Deputados cassou seu mandato por quebra de decoro parlamentar. Mencionam que o interessado esteve custodiado, em virtude de investigação denominada "Operação Lava Jato", na sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba/PR desde 10/04/2015, onde foram efetuadas intimações e tentativas de intimações. Informam também que, até a data da lavratura da autuação, 13/08/2015, o contribuinte não havia entregue a Declaração de Ajuste Anual DAA relativa ao anocalendário 2014. Relata a Fiscalização que o contribuinte figurou como sócio da empresa Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda (CNPJ n° 10.874.328/220190) juntamente com seu irmão Leon Denis Vargas Ilario que, por usa vez, também era sócio da empresa LSI Solução em Serviços Empresariais Ltda (CNPJ n° 14.262.618/000134) ao lado de outro irmão do interessado, Milton Vargas Ilário. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 4 3 Concluem os AuditoresFiscais, após diligências e intimações efetuadas, além da análise de documentação obtida pela Polícia Federal, detalhadas no Termo de Verificação Fiscal, que as citadas empresas foram constituídas para dar aparência de legalidade a recebimentos de origem e natureza desconhecidas, pois não houve efetiva prestação de serviços por parte delas, em que pese a emissão de notas fiscais e o pagamento de tributo por parte das pessoas jurídicas. Afirmam as autoridades lançadoras que ficou evidente que as empresas eram de fachada, sem capacidade operacional ou quadro de funcionários qualificados para o desenvolvimento das atividades pretendidas, sendo sua finalidade o benefício de tributação mais favorecida (distribuição de lucros isentos aos sócios) e dar legalidade a recursos recebidos em seu nome, que tinham como destinatário final o contribuinte, que não teria como comprovar sua origem. Desta forma, a Fiscalização concluiu que as receitas recebidas pelas empresas Limiar e LSI, principalmente com a intermediação da empresa Borghi Lowe Propaganda e Marketing Ltda, relativas aos supostos serviços prestados, foram na realidade recebidas diretamente pelo contribuinte, devendo a tributação ser realizada na pessoa física como omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo empregatício nos anoscalendário 2010 a 2014, no valor total de R$ 4.304.559,26. Também foi lançado como omissão de rendimentos o valor de R$ 1.500.000,00, apurado como entregue ao contribuinte em espécie no anocalendário 2014, tendo sido o dinheiro movimentado por diversas pessoas jurídicas do grupo do doleiro Alberto Youssef e pela empresa IT7 Sistemas Ltda, apenas para ocultar o real destinatário dos recursos, a saber o contribuinte autuado, conforme concluíram os AuditoresFiscais após análise de depoimentos e documentos apreendidos na Operação Lava Jato. Esclarece a Fiscalização que os valores levantados, considerados como obtidos pelo autuado à margem de tributação, foram extraídos de planilhas apreendidas na residência do contribuinte pela Polícia Federal em 10/04/2015 e que tais valores foram confrontados, por amostragem, com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) entregues pelas empresas remetentes dos valores em questão nos respectivos anoscalendário, com as notas fiscais apresentadas pela empresa Limiar, e com as respostas dos diligenciados. Prossegue a Fiscalização relatando que, como o contribuinte não apresentou a DAA do anocalendário 2014 (exercício 2015), os rendimentos do trabalho recebidos da Câmara dos Deputados foram lançados de ofício como omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica, conforme Dirf, no valor total de R$ 259.812,81, com dedução de previdência oficial de R$ 29.689,36 e imposto retido de R$ 54.243,54. O Termo de Verificação Fiscal também relata que foram lançados de ofício os impostos decorrentes de ganhos de capital apurados em alienações efetuadas no anocalendário 2014 pelo contribuinte e sua dependente, Eidilaira Soares Gomes, de residência em Londrina/PR e Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 5 4 sítio em Ibiporã/PR, com ganho de capital nos valores de R$ 110.027,82 e R$ 154.974,95, respectivamente. No tocante à penalidade, as autoridades lançadoras relatam que, diante da cristalina presença do elemento subjetivo do dolo, não restando dúvidas quanto à intenção do contribuinte em omitir rendimentos, empregando subterfúgios para ocultar a origem dos mesmos, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos, foi aplicada à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício a multa de ofício qualificada de 150%. Acrescentam os AuditoresFiscais que o contribuinte não apenas omitiu à tributação fatos imponíveis caracterizados pelos rendimentos tributáveis percebidos, como empregou artifícios destinados a evitar o conhecimento da matéria tributável pela Administração Tributária, valendose, dentre outras, da prática de movimentar recursos financeiros por meio de interposta pessoa constituída para este único fim (empresas de fachada). Prosseguem informando que tais constatações trazem à tona a existência de indícios, em tese, da prática de crime contra a ordem tributária, capitulado no artigo 1° da Lei n° 8.137/90, implicando na formalização de representação fiscal para fins penais constante do processo administrativo fiscal n° 11634.720.273/201529, que não será objeto do presente julgamento. Informam, por fim, que também foi formalizado processo de arrolamento de bens da pessoa física, protocolizado sob o número 11634.720274/201573. O autuado apresentou impugnação em 16/09/2015 (fls. 1.273/1.298), julgada procedente em parte, para excluir do lançamento o imposto de R$ 16.504,16, calculado sobre o ganho de capital apurado de R$ 110.027,82 (fls. 85/87) na venda do imóvel do Jardim Santa Mônica, em Londrina. Na decisão da DRJ, assentouse a seguinte ementa: DECADÊNCIA. IRPF. FATO GERADOR COMPLEXIVO E ANUAL. O fato gerador do IRPF é complexivo e anual, se completando em 31 de dezembro de cada anocalendário. PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anoscalendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 6 5 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades públicas para efeito de lançamento tributário, desde que estas guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. CONDENAÇÃO PENAL. REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA. A sentença penal não repercute na exigência tributária, que tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica. PAGAMENTO. IMPUTAÇÃO. A pessoa física, em seu nome, não pode pleitear os impostos apurados, lançados e recolhidos, mesmo que indevidamente, pela pessoa jurídica, sendo que a única entidade competente para pleitear a restituição ou compensação deste indébito é a própria pessoa jurídica, na forma da legislação e por meio de seus representantes. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, a fim de se eximir do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, não podendo a autoridade administrativa furtar se à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. GANHO DE CAPITAL. CONTRIBUINTE. O contribuinte do imposto sobre o ganho de capital é a pessoa física que auferir ganhos na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. GANHO DE CAPITAL. ESCRITURA DE COMPRA E VENDA. FATO GERADOR. A alienação configura hipótese de incidência tributária do IRPF sobre ganho de capital, sendo irrelevante o fato de não haver registro no cartório de imóveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. Cientificado da decisão em 11/04/2016 (f. 1335), o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 1342/1372), em 11/05/2016, repetindo, em síntese, os argumentos veiculados na impugnação, em especial: 1. nulidade da intimação acerca do acórdão; Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 7 6 2. nulidade do acórdão recorrido por ausência de apreciação específica de pontos suscitados na peça impugnatória, com preterição ao direito de defesa; 3. nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa em razão o indeferimento do pedido de produção de provas; 4. decadência parcial do crédito relativo ao exercício 2010, por força do art. 150, §4o do CTN; 5. nulidade do mandado de procedimento fiscal; 6. insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas e ausência de intimação acerca de atos que resultaram em sanção e ônus ao impugnante: não houve a identificação do recorrente como sujeito passivo de obrigações tributárias das empresas Limiar e LSI; 7. inexistência de provas hábeis suficientes a comprovar a suposta omissão de rendimentos (prova exclusivamente testemunhal; as auditoras afastaram as declarações em sentido contrário ao que pretendiam demonstrar; as informações obtidas da operação lava jato sem indicação do inquérito policial ou ação penal); 8. nulidade do auto de infração por deficiência na descrição dos fatos, comprovação e enquadramento legal: o auto de infração não relaciona os fatos às hipóteses legais; 9. inexistência de identificação válida do sujeito passivo: não houve lavratura do termo de sujeição passiva e desconsideração da personalidade jurídica; 10. inexistência de comprovação de acréscimo patrimonial; 11. incorreta apuração da matéria tributável: exigência sobre o valor total das receitas das pessoas jurídicas, sem dedução de despesas escrituradas e tributos recolhidos, o que resulta em obrigação tributária dúplice e confiscatória. A fiscalização deveria têlo tributado como PJ, nos termos do art. 129 da Lei no 11.196/2005; 12. não incidência de tributo como forma de sanção de ato ilícito: não havendo se falar em disponibilidade para fins de ocorrência do fato gerador, deve ser o processo suspenso até o trânsito em julgado das ações penais propostas em face do recorrente; 13. omissão de rendimentos do trabalho: a DAA 2015 deveria ter sido entregue até 30/04/2015, data em que o impugnante já estava preso (desde 10/04/2015), sendo impossível exigirlhe o cumprimento da obrigação acessória; 14. infração ganho de capital: o CC dispõe que a aquisição somente se dá com o registro em cartório de registro de imóveis, não podendo ser considerada a alienação do Sítio Santa Maria somente com o contrato de compra e venda. Há também seqüestro judicial posterior, o qual atesta que a alienação não se perfectibilizou; 15. juros e multas aplicadas: demonstradas a nulidade e inexistência das infrações, devem ser anuladas todas as multas e juros delas decorrentes. Não restou demonstrado qualquer intuito de fraude, pelo que deve ser anulada a multa qualificada. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 8 7 16. Requer que seja reconhecida a nulidade da intimação, a nulidade do acórdão DRJ ou , sucessivamente, a reforma integral do acórdão DRJ. Requer, ainda, a suspensão dos autos até o trânsito em julgado das ações penais, reitera os pedidos de diligências constantes da impugnação e requer que seja diligenciado junto ao complexo médico penal a fim de aferir as condições de acesso às informações pelo recorrente.insuficiência de motivo para o lançamento de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas: não houve a identificação do recorrente como sujeito passivo de obrigações tributárias das empresas Limiar e LSI; 17. inexistência de comprovação de acréscimo patrimonial. Requer que seja reconhecida a nulidade da intimação, a nulidade do acórdão DRJ ou, sucessivamente, a reforma integral do acórdão DRJ. Requer, ainda, a suspensão dos autos até o trânsito em julgado das ações penais, reitera os pedidos de diligências constantes da impugnação e requer que seja diligenciado junto ao complexo médico penal a fim de aferir as condições de acesso às informações pelo recorrente. É o relatório. Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 9 8 VOTO Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso, apresentado no trintídio assinalado pelo art. 33 do Decreto no 70.235/72, é tempestivo. Presentes os demais requisitos, deve ser conhecido. Em sua peça recursal, o contribuinte alega, dentre outros pontos, a inexistência de prova do acréscimo patrimonial, relativo à omissão dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas sem vínculo. No termo de verificação fiscal, a auditoria aponta, como uma das infrações, a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, sem vínculo, por intermédio de operações simuladas pelas seguintes empresas: Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda (CNPJ n° 10.874.328/220190); LSI Solução em Serviços Empresariais Ltda (CNPJ n° 14.262.618/000134) e IT7 Sistemas LTDA, CNPJ 03.585.905/000169. Relata a Fiscalização que o contribuinte figurou como sócio da empresa Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação Ltda (CNPJ n° 10.874.328/220190). No entanto, não mencionou a relação do Autuado com a empresa LSI que lhe proporcionasse a disponibilidade econômica dos valores que transitaram pelas contas da empresa. No tocante aos valores recebidos em espécie do sr. Alberto Youssef, que transitaram pelas empresas IT7, ARBOR e AJPP, a auditoria menciona (f. 49) que, de acordo com o despacho/decisão proferido em 02/04/2015 e assinado pelo juiz Sérgio Moro, no inquérito 500.803366.2015404.7000, está sendo apurada a entrega de R$2.399.511,60, em espécie, de Alberto Youssef para o contribuinte. Entretanto, não consta do feito cópias dos mencionado despacho/decisão. Conclusão Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, a fim de determinar que a Fiscalização de origem: I. Aponte a relação do Autuado com a empresa LSI e demonstre o acréscimo patrimonial/disponibilidade econômica ou jurídica de renda para o Autuado decorrente das receitas recebidas por esta empresa; II. Junte aos autos o despacho/decisão proferido em 02/04/2015 e assinado pelo juiz Sérgio Moro, no inquérito 500.803366.2015404.7000, onde está sendo apurada a entrega de R$2.399.511,60, em espécie, de Alberto Youssef para o contribuinte, referido no termo de verificação fiscal (f. 49), bem como outras decisões relativas à matéria já proferidas naquele inquérito; III. Aponte a relação do Autuado com as empresas IT7, ARBOR e AJPP, ou outras evidências que demonstrem o acréscimo patrimonial/disponibilidade econômica ou Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11634.720272/201584 Resolução nº 2402000.576 S2C4T2 Fl. 10 9 jurídica de rendas para o Autuado decorrente das receitas recebidas por intermédio da empresa IT7, além do depoimento do sr. Alberto Youssef. Após a realização da diligência, o sujeito passivo deve ser cientificado do seu conteúdo, abrindolhe prazo para se pronunciar acerca dos novos elementos trazidos aos autos. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13819.722222/2015-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS. PLANO DE
SAÚDE FIRMADO COM EMPRESA.
As despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são apenas aquelas suportadas pelo próprio contribuinte, sendo que, em caso de plano de saúde firmado por pessoa jurídica a qual o contribuinte é vinculado, este só poderá se beneficiar com a dedução se demonstrar que efetivamente pagou a despesa ou a reembolsou à empresa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e pelo voto de qualidade, dar-lhe parcial provimento, para acatar a dedução de despesas médicas nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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REQUISITOS. PLANO DE SAÚDE FIRMADO COM EMPRESA. As despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são apenas aquelas suportadas pelo próprio contribuinte, sendo que, em caso de plano de saúde firmado por pessoa jurídica a qual o contribuinte é vinculado, este só poderá se beneficiar com a dedução se demonstrar que efetivamente pagou a despesa ou a reembolsou à empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 22 22 /2 01 5- 07 Fl. 94DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e pelo voto de qualidade, darlhe parcial provimento, para acatar a dedução de despesas médicas nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam integral provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13819.722222/201507 Acórdão n.º 2402005.516 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 06, emitida em 15 de junho de 2015, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2011, onde foi considerada indevida a dedução de R$ 20.123,86, a título de despesas médicas, por falta de comprovação. Cientificado do lançamento em 19 de Junho de 2015 (fl. 11), o recorrente apresentou, em 13 de Julho de 2015, a impugnação de fls. 02 e 03, alegando, em suma, que questiona apenas o valor de R$ 12.292,12 e que tal valor se refere à despesas do próprio declarante, apresentando documentação comprobatória de suas alegações. O crédito tributário relativo à parte não impugnada foi transferido conforme consta à fl. 42. Em sessão realizada em 03 de Dezembro de 2015, a DRJ/SP julgou a impugnação procedente em parte, pelos motivos expostos, em síntese, abaixo: O Recorrente apresentou cópias, às fls. 17, 19, 21, 23, 25, 27, 29, 31, 33, 35 e 38, dos avisos de lançamento do banco HSBC, em nome do seu nome, onde se verifica o pagamento, por meio de sua conta corrente, dos boletos referentes ao anocalendário em questão, à exceção daquele referente ao mês de novembro. Mediante analise dos documentos a própria DRJ/SP considerou que tais documentos são capazes de comprovar que o recorrente foi o responsável financeiro pelo pagamentos que se pretende deduzir. Desta forma, permitiu a dedução das parcelas a seguir: a) 6 parcelas de R$ 945,15 (referentes ao plano de saúde de janeiro a junho); b) 5 parcelas de R$ 1.046,47 (referentes ao plano de saúde de julho a outubro e do mês de dezembro), totalizando a importância de R$ 10.903,25. Com relação à glosa de R$ 205,00 referente ao valor declarado como pago à Casa da Esperança de Santo André, apesar do recorrente questionar apenas a quantia de R$ 58,00, o fato é que não consta dos autos qualquer documento comprobatório da referida despesa. Fl. 96DF CARF MF 4 Sendo assim, firmou a decisão julgando impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2011 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS. PLANO DE SAÚDE FIRMADO COM EMPRESA. As despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são apenas aquelas suportadas pelo próprio contribuinte, sendo que, em caso de plano de saúde firmado por pessoa jurídica a qual o contribuinte é vinculado, este só poderá se beneficiar com a dedução se demonstrar que efetivamente pagou a despesa ou a reembolsou à empresa. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Cabe ao contribuinte a comprovação das despesas que resultam em dedução da base de cálculo do imposto de renda em sua declaração de ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi intimada da decisão e interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, que: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13819.722222/201507 Acórdão n.º 2402005.516 S2C4T2 Fl. 4 5 Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Da inclusão do IOF nas Despesas Médicas deduzidas Alega o recorrente que houve um engano quando da computação do valor das despesas a serem consideradas dedutíveis, tendo em vista que não foi considerado em seu montante o valor pago a título de IOF incluído na mensalidade do plano de saúde. Alega que para cada parcela deduzida deve ser inserido o valor do respectivo IOF cobrado: Desta forma, defende a dedução das parcelas a seguir: a) 6 parcelas de R$ 945,15 + 22,49 (IOF ) (referentes ao plano de saúde de janeiro a junho); b) 6 parcelas de R$ 1.046,47 + 24,97 (IOF) (referentes ao plano de saúde de julho a outubro e do mês de dezembro), totalizando a importância de R$ 12.234,42. De fato, conforme demonstra a relação dos segurados ativos do plano SulAmerica, os prêmios descritos não consideram o IOF pago. Tendo em vista que o IOF compõe o valor pago pelo segurado do plano de saúde, entendo que deva ser entendido como parte da mensalidade e, sendo assim, considerado como parte da parcela dedutível. Ademais, tendo em vista que o recorrente apresenta, ainda, prova documental relativa ao plano de saúde pago no mês de novembro, entendo que tal mensalidade deva ser incluída nas parcelas consideradas dedutíveis para fins de imposto de renda. Tendo em vista todo o acima, julgo procedente o recurso voluntário, para que seja restabelecida a glosa referente as deduções médicas do plano de saúde da SulAmérica nos meses de janeiro a junho, no valor mensal de R$ R$ 967,64 e nos meses de julho a dezembro, no valor mensal de R$ 1.071,38, totalizando a importância de R$ 12.234,42. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13819.722222/201507 Acórdão n.º 2402005.516 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal os seguintes dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) (grifei) No caso em comento, conforme narrado, a DRJ/SPO acatou a dedução de despesas médicas pertinentes ao plano de saúde, à exceção do mês de novembro de 2011, glosando também os valores associados à cobrança de IOF nos pagamentos efetuados. Não dissinto, frente ao voto da D. Relatora, da aceitação da dedução correspondente ao mês de novembro, no montante de R$ 1.046,47, visto constar provas no processo do correspondente pagamento. Contudo, não vejo base legal para a admissão dos valores destacados como IOF, pois as deduções permitidas no inciso I do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 estão adstritas, expressamente, aos pagamentos de "despesas da mesma natureza", ou seja, gastos com a prestação de serviços médicos. Fl. 100DF CARF MF 8 Aliás, vale registrar que o contribuinte paga o IOF no pagamento do prêmio ou mensalidade do seguro contratado, no caso, seguro saúde, sendo o recolhimento responsabilidade da pessoa jurídica seguradora (art. 20 do Decreto nº 6.306/07). De todo modo, tratase de tributo que tem como sujeito passivo o beneficiário segurado (art. 19 do Decreto nº 6.306/07), não se tratando de valor pago à seguradora em decorrência da prestação de serviços médicos. Nesse sentido, devem ser reconhecidas, em acréscimo ao valor de R$ 10.903,25 já admitido pela instância de origem, tão somente as despesas médicas com plano de saúde relativas ao mês de novembro de 2011, R$ 1.046, 47, totalizando, assim, R$ 11.949,72 de deduções a esse título. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13054.720999/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INDEDUTIBILIDADE.
Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inteligência da Lei 9.250/1995, art. 8°, inciso II, alínea a e § 2º, incisos II e III e do Decreto nº 3.000/1999, art. 73, caput e §§ 1º e 2º.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INDEDUTIBILIDADE. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, efetuados pelo contribuinte, e relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Inteligência da Lei 9.250/1995, art. 8°, inciso II, alínea “a” e § 2º, incisos II e III e do Decreto nº 3.000/1999, art. 73, caput e §§ 1º e 2º. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 4. 72 09 99 /2 01 5- 18 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13054.720999/201518 Acórdão n.º 2402005.527 S2C4T2 Fl. 57 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BHE, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), ), relativa ao ano calendário 2013 / exercício 2014, apurando imposto suplementar R$ 1.055,62 (um mil e cinquenta e cinco reais e sessenta e dois centavos). O lançamento deuse em razão de glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução, no valor de R$ 3.838,62 (três mil, oitocentos e trinta e oito reais e sessenta e dois centavos). Consoante consta da Notificação de Lançamento, com relação às despesas que a contribuinte diz ter arcado com a UNIMED Porto Alegre, que "Não foi apresentado comprovante do plano de saúde com os valores discriminados por beneficiário conforme requisitado pelo Termo de Intimação Fiscal". As demais despesas glosadas não foram comprovadas. A contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação de fls. 17/18, alegando, em síntese, que as deduções relativas à UNIMED Porto Alegre, bem como as demais despesas glosadas, referemse a despesas médicas próprias. Apresentou recibo de despesa havida com profissional de saúde (fl. 25), R$ 153,00; e com relação à UNIMED Porto Alegre, relações de faturamento (fls. 20/22) as quais discriminam valores referentes a 2013 (janeiro R$ 388,69, setembro R$ 426,80 e dezembro 426,80), além de fatura no valor de R$ 4.361,16, correspondente ao total pago pela Associação de Literatura e Beneficiência no mês de dezembro (fls. 23/24). A DRJ/BHE julgou a impugnação parcialmente procedente (Acórdão de Impugnação de fls. 33/36), restabelecendo as deduções abaixo discriminadas: 10/01/2013 R$388,69 10/09/2013 R$426,80 UNIMED Porto Alegre 10/12/2013 R$426,80 Total R$1.242,29 Também foi restabelecida a dedução de R$ 153,00 relativa aos serviços prestados pela Clinica de Radiologia Odontológica LTDA. Por ocasião do recurso voluntário a Recorrente detevese a apresentação de relações de faturamento da UNIMED Porto Alegre, relativas aos meses de janeiro a maio de 2014 (fls. 46/50); e documento emitido pela Associação de Literatura e Beneficiência (fl.45), que informa pagamentos que teriam sido feitos a título de mensalidade de plano de saúde nos meses de janeiro a maio de 2014. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. A definição da base de cálculo do IRPF, bem assim a possibilidade de dedução de despesas relativa à prestação de serviços médicos, odontológicos e de fisioterapia têm como base o inciso I, a alínea “a” do inciso II e os incisos I a III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] (Grifamos) O caput e os §§ 1º e 2º do art. 73 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, nos termos dos §§ 3º a 5º do DecretoLei nº 5.844, de 1943, estabelecem a necessidade de comprovação das despesas deduzidas da base de cálculo do IRPF e a possibilidade de glosa de deduções indevidas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 13054.720999/201518 Acórdão n.º 2402005.527 S2C4T2 Fl. 58 5 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). De acordo com as disposições normativas reproduzidas acima, para que seja lícita a dedução de despesas médicas e odontológicas da base de cálculo do imposto de renda essas têm de dizer respeito a pagamentos especificados, comprovados e efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes legais. Ainda de acordo com os normativos cotejados, a autoridade administrativa pode, a seu juízo, exigir a comprovação ou justificação das despesas objeto de dedução com o fim de verificar sua efetiva ocorrência e o atendimento dos requisitos prescritos em lei e, caso o pagamento dessas despesas não restem comprovados ou verifiquemse ausentes outras condições legalmente estabelecidas, as deduções serão glosadas por meio do lançamento respectivo. Em face dos dispositivos legais sob comento, a DRJ/BHE restabeleceu a glosa de todas as despesas comprovadas pela contribuinte com base em documentos hábeis e idôneos para tal. Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente trouxe outros comprovantes de despesas, porém, relacionados ao anocalendário 2014, ou seja, esses documentos não são aptos a fazer prova em relação às despesas objeto da presente lide, eis que essa trata de fatos relacionados ao anocalendário 2013. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
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Numero do processo: 10920.007511/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação.
DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA.
Os valores vertidos pela empresa para custeio do plano de previdência fechada somente não sofrem a tributação previdenciária quando disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática do art. 543-B do CPC, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício, para negar-lhe provimento e, em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em conhecê-lo em parte, para na parte conhecida afastar a preliminar relativa à exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias, por afastar o pedido de exclusão das pessoas listadas na relação de representantes legais, por reconhecer a decadência até a competência 11/2002 e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir o levantamento CTM, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que também excluíam o levantamento relativo ao PLR de dirigentes .
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo
Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. DISPONIBILIZAÇÃO DE PLANO EDUCACIONAL E ODONTOLÓGICO APENAS A EMPREGADOS COM DETERMINADO TEMPO DE VÍNCULO COM A EMPRESA. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional e odontológico apenas por empregados com determinado tempo de permanência na empresa, pela legislação vigente à época dos fatos geradores, feria a regra de isenção que exige que o benefício seja estendido a todo o quadro funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 75 11 /2 00 7- 17 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO EXTENSÃO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA. Os valores vertidos pela empresa para custeio do plano de previdência fechada somente não sofrem a tributação previdenciária quando disponibilizados a todos os seus empregados e dirigentes. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decisão plenária do STF, adotada na sistemática do art. 543B do CPC, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 754 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício, para negarlhe provimento e, em relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, em conhecêlo em parte, para na parte conhecida afastar a preliminar relativa à exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias, por afastar o pedido de exclusão das pessoas listadas na relação de representantes legais, por reconhecer a decadência até a competência 11/2002 e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir o levantamento CTM, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que também excluíam o levantamento relativo ao PLR de dirigentes . (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Junior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 755DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 37.112.2147, lavrada contra a WEG INDÚSTRIAS S/A, antiga razão social da RF REFLORESTADORA S/A, para exigência da contribuição dos segurados e das contribuições patronais destinadas a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho – GILRAT, e para outras entidades ou fundos (INCRA e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, agrupadas nos seguintes levantamentos: a) levantamentos AB1 e AB2: remunerações pagas aos segurados empregados a título de ABONO, ocorridos em 02/1997, 02/1999, 05/1999, 07/1999, 05/2000 e 07/2000, informados em Folha de Pagamento, os quais foram estipulados em Convenções Coletivas de Trabalho (CCT); b) levantamento PLE: remunerações pagas aos segurados empregados sob o titulo de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, ocorridas em 03/1997, 08/1997 e 03/1998, sem que houvesse formalização de um acordo, previsto nas MP 794/1994, 1397/1996 e reedições posteriores; c) levantamentos PL1 e PL2: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) sob o titulo de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, ocorridas em 03/1997, 08/1997, 03/1998, 03/2003, 08/2003, 03/2004, 08/2004, 03/2005 e 08/2005; d) levantamentos AE1, AE2 e CTN: remunerações pagas aos segurados empregados sob os títulos de AUXÍLIO ESCOLAR e CURSOS TÉCNICOS, na forma de reembolso parcial de matrículas e mensalidades de cursos técnicos, graduação, pósgraduação, idiomas e outros, no período de 01/1997 a 12/2005, não disponibilizados a todos os empregados e dirigentes da empresa; e) levantamentos PC1 e PC2: valores mensais destinados à entidade fechada de previdência privada "WEG Seguridade Social WSS", a cargo da patrocinadora, no período de 01/1997 a 12/2005, não disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa; f) levantamento AOD: encargos mensais com assistência odontológica prestada aos seus segurados, através da contratação de Plano Coletivo Empresarial mantido pela Odonto Jaraguá Ltda, no período de 05/1999 a 12/2005, não disponibilizada a todos os empregados e dirigentes da empresa; g) levantamento PPA: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência privada aberta (BRADESCO PREVIDÊNCIA e PREVER/UNIBANCO AIG), lançadas na contabilidade na conta "Previdência Privada Administradores n°. 522020115", ocorridas em 03/2000,08/2000 e 03/2001, sendo que tais planos podem ser resgatados a qualquer tempo; h) levantamento PLP: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência Fl. 756DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 755 5 privada aberta, porém, lançadas na contabilidade na conta de provisão do Passivo "Participações no Resultado n°. 217510100", em 03/2001 e 03/2002; i) levantamento PPR: remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (dirigentes) na forma de contratação, em nome destes, de planos de previdência privada aberta, porém, lançadas na contabilidade na mesma conta de despesas com a previdência fechada da WSS (embora com esta não se confunda), em 08/2001, 12/2001, 08/2002, 11/2003, 12/2003,06/2004 a 12/2004 e 07/2005; j) levantamento CTM: valor bruto da prestação de serviços de cooperados associados à cooperativa de trabalho, constantes em notas fiscais ou faturas emitidos pela UNIMED do Estado de Santa Catarina e UN1MED Joinville. Foram arroladas como devedoras solidárias, em razão da existência de grupo econômico, as empresas WEG S/A (CNPJ 84.429.695/000111); WEG Participações e Serviços S/A (CNPJ 83.489.963/000128); WEG Equipamentos Elétricos S/A (CNPJ 07.175.725/000160) e WEG Exportadora S/A (CNPJ 04.719.045/000171). Afirma o fisco que a empresa WEG S/A detém o controle acionário da notificada e das empresas WEG Equipamentos Elétricos S/A e WEG Exportadora S/A. Já a empresa WEG Participações e Serviços S/A é controladora da WEG S/A. Desta forma, foi configurada a responsabilidade solidária das empresas do grupo, as quais foram cientificadas do lançamento. A notificada, regularmente cientificada do lançamento, em 12/12/2007, apresentou, em conjunto com as demais empresas solidárias, o instrumento de impugnação (fls. 301/328), juntando cópias de documentos (fls. 329/466), no qual, em síntese, alegaram: a) não se enquadrando as empresa e pessoas físicas tidas como devedoras solidárias nas hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN, devem as mesmas ser excluídas do polo passivo da NFLD; b) deve ser declarada a decadência do crédito para as competências anteriores a 12/2002; c) alínea "p" do § 9°. do art. 28 da Lei n°. 8.212/1991, que fundamentou a incidência de contribuições sobre os valores relativos ao plano de previdência privada somente podem ser aplicados a fatos geradores ocorridos a partir de março de 1998; d) os abonos salariais foram pagos em cumprimento a Convenções Coletivas de Trabalho, não podendo ser alcançadas pela incidência de contribuições, haja vista que a norma coletiva é de cumprimento obrigatório; e) não podia suspender o pagamento da PLR, a qual era disponibilizada desde 1991, tendo o acordo com os seus empregados sido firmado em 1997, além de que sobre tal verba não há o que se falar em tributação para a Seguridade Social; f) com base na Lei n.º 6.404/1976 e face à disposição expressa no seu Estatuto Social, a empresa, através das deliberações do seu Conselho de Administração, calculou e efetuou o pagamento da participação dos Administradores nos lucros.Assim, não há razão para sua tributação; Fl. 757DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 g) as verbas com educação eram disponibilizadas a todos os trabalhadores que preenchessem determinados requisitos, além de que as mesmas não se prestaram a retribuir o trabalho; h) os valores vertidos ao plano de previdência complementar não são suscetíveis de tributação, posto que pago segundo critério da impessoalidade, além de que não é verba salarial. Houve erro na composição da base de cálculo para esses fatos geradores, haja vista que não poderia incidir sobre os valores destinados aos empregados com mais de um ano de empresa, para os quais não havia restrição ao fornecimento do benefício. h) a verba assistência odontológica não pode sofrer a exação, posto que não possui natureza salarial; i) o fato de efetuar uma contribuição complementar para os planos de previdência privada de seus administradores não empregados não descaracteriza esta verba como isenta da incidência de contribuições sociais; j) por outro lado a lei não exige que se façam depósitos de forma mensais e iguais, nada impede, portanto, que os aportes sejam efetuados de forma semestral ou anual, ou mesmo com outra periodicidade. É natural, então, que sendo depósitos semestrais ou anuais, os valores dos aportes também serão substancialmente maiores; k) a incidência de contribuições sobre as faturas pagas a cooperativa de trabalho afronta á Constituição, no inciso I do art. 195. A defesa foi aditada, fls. 470/473, constando a alegação de que a Autoridade Fiscal, indevidamente, efetuou o lançamento também sobre valores contabilizados (contas 412080220, 412085220, 512080220 e 512085220) relativos a despesas com a participação de seus empregados em seminários, simpósios, cursos técnicos de operação de máquinas, etc. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC) determinou a realização de diligência fiscal, fls. 487/488, para que o fisco se manifestasse sobre a alegação de inclusão na apuração de pagamentos relativos a treinamento de funcionários. Na informação fiscal prestada às fls. 492/493, a Autoridade Fiscal fez a discriminação em planilhas das despesas com educação, determinando a exclusão de parte dos valores lançados. A notificada se manifestou sobre os termos da diligência fiscal, fls. 520/521, concordando com as exclusões efetuadas e ratificando os termos da defesa. A DRJ exarou o acórdão de fls. 604/626, dando provimento parcial à defesa para afastar da apuração os valores que o fisco, em sede de diligência fiscal, sugeriu como indevidos. As demais alegações da defesa foram rejeitadas. Desta decisão houve recurso de ofício. Cientificado da decisão em 10/06/2008, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 30/06/2008, fls. 630/661, no qual repetiu as alegações apresentadas na defesa e na manifestação sobre a diligência fiscal. Ao final, requer a exclusão das solidárias do polo passivo da NFLD, a declaração de decadência parcial e, no mérito, o reconhecimento da improcedência do lançamento. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 756 7 À fl. 686 há requerimento do sujeito passivo desistindo do recurso na parcela relativa ao levantamento PPR para o período de 11/2003 a 12/2005. Foi atravessada pela empresa petição de fls. 729/730, dando notícia de decisões de turma ordinária e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF que afastam a incidência de contribuições sobre valores vertidos a plano de previdência complementar disponibilizado apenas para os empregados e dirigentes que tinham remuneração superior ao teto do saláriodecontribuição do RGPS. Outros precedentes do CARF foram apresentados pela recorrente, fls. 749/751, desta feita para demonstrar que não foram consideradas desconformidades com a norma isentiva o estabelecimento de tempo mínimo na empresa para os segurados usufruírem dos benefícios de auxílio educacional e previdência privada. É o relatório. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso de ofício atinge o limite de alçada fixado por ato do Ministro da Fazenda, merecendo conhecimento. O recurso voluntário merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Todavia, não há de ser conhecida a matéria que o sujeito passivo desistiu da discussão e efetuou o recolhimento das contribuições correspondentes (levantamento PPR). Recurso de Ofício O fato que levou o fisco a sugerir a exclusão de parcelas na informação prestada às fls. 492/493 foi a inclusão na base de cálculo despesas de custeio de cursos de aprimoramento profissional, cujo comparecimento dos empregados se deu no interesse da empresa. Observase assim que a exclusão pela DRJ foi procedente, haja vista serem desembolsos para o trabalho, não apresentando caráter remuneratório. Neste sentido, devo negar provimento ao recurso necessário. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ....................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 760DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 757 9 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Na situação sob enfoque, verifico que, embora não haja relatórios discriminando as guias de recolhimento apresentadas ou o abatimento de créditos do contribuinte no Discriminativo Sintético do Débito, os autos levamme a concluir que havia guias de recolhimento para o período, uma vez que o lançamento diz respeito a verbas não consideradas pela empresa como base de cálculo de contribuições, sendo que as verbas registradas em folhas de pagamento e declaradas na GFIP não foram objeto de lançamentos, como se pode ver do item 10 do Relatório Fiscal da NFLD . Há de se concluir assim que havia guias de recolhimento para o período. Assim, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 150, § 4.º, do CTN, para a contagem do prazo de decadência para os processos de exigência da obrigação principal, mesmo verificando que o sujeito passivo não reconheceu a incidência de contribuições sobre as bases de cálculo apuradas. Esse entendimento encontrase alinhado com a jurisprudência sumulada no âmbito do CARF, como se vê: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que devam ser excluídas pela caducidade as competências até 11/2002, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 12/12/2007. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Remanescem do lançamento os levantamentos PL2 (participação nos lucros e resultados para contribuintes individuais), AE2 e CTN (reembolso despesas com educação), PC2 (previdência complementar fechada) , AOD (assistência odontológica); PPR (previdência privada para diretores) e CTM (cooperativa de trabalho médico). A exclusão da responsabilidade solidária das pessoas físicas A preliminar relativa impossibilidade se arrolar os diretores da recorrente como devedores solidários não deve ser acolhida. É preciso que se tenha em conta que a relação de representantes legais da empresa, que constitui anexo da NFLD, é uma formalidade prevista nas normas de fiscalização que tem cunho meramente informativo, não causando qualquer ônus, na fase administrativa, para as pessoas elencados. Somente após o trânsito administrativo da lide tributária é que o órgão responsável pela inscrição em Dívida Ativa verificará a ocorrência dos pressupostos legais para imputação da responsabilidade tributárias aos representantes da pessoa jurídica. Assim, nessa fase processual não há o que se falar em responsabilidade solidária dos gestores da empresa. Esse entendimento inclusive já se encontra sumulado no âmbito do CARF, como se pode ver: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." A exclusão da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas Alegase no recurso conjunto das codevedoras, que a responsabilidade solidária pelo crédito tributário das empresas mencionadas no relato fiscal deve ser afastada uma vez que não se configuraram as hipóteses dos artigos 134 e 135 do CTN. Não hei de concordar com essa tese. Verificase dos autos que WEG Participações e Serviços S.A controla a WEG S/A que, por sua vez, detém o controle acionário da notificada, bem como das empresas WEG Equipamentos Elétricos S.A e WEG Exportadora S.A. A existência de grupo econômico na espécie é inquestionável, tanto que no recurso não se contesta essa evidência. Nesse sentido, diante do que dispõe o art. 30, IX, da Lei n.º 8.212/1991, há sim a responsabilidade solidária das referidas empresas, como se pode ver do invocado dispositivo: Art. 30. ... IX. as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Pois bem a solidariedade presente no caso sob apreciação decorre da lei e tem por fundamento a previsão do art. 124 do CTN, que ao tratar da responsabilidade tributária, assim estabelece: Fl. 762DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 758 11 Art. 124. São solidariamente obrigadas: II. as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Portanto, deve ser mantido o laço de solidariedade estabelecido na presente NFLD. O abono salarial e participação nos lucros a empregados As contribuições sobre essas rubricas foram afastadas pela decadência, portanto, as alegações relativas às mesmas perderam o objeto. Também não vou me pronunciar, pelas mesmas razões, sobre o inconformismo quanto à aplicação retroativa da legislação que instituiu o requisito de extensão a todos os empregados dos planos de previdência privada para que não incidissem contribuições sobre os pagamentos efetuados pelo empregador a esse título, uma vez que a modificação legislativa data do ano de 1997, portanto a suposta ausência de fundamento legal para incidência referese a contribuições alcançadas pela decadência. Dos reembolsos de despesas com educação A razão do fisco haver tributado tais verbas, como se infere do item 4.5.3 e 4.5.4 do relatório fiscal da NFLD n.º 37.112.2147, fl. 75, é a não disponibilização a todos os empregados e dirigentes da empresa, uma vez que eram excluídos os empregados com menos de 12 meses vínculo. A empresa alega que, além da verba não possuir natureza salarial, o fato da empresa estabelecer requisitos impessoais para a sua fruição não lhe retira o requisito de disponibilização a todos os empregados e dirigentes. Inicialmente, vejamos a legislação que trata da matéria, na redação vigente no período de ocorrência dos fatos geradores: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...]§ 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] Fl. 763DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do artigo 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.” Percebese das normas acima para que o valor pago a título de Plano Educacional/Bolsa de Estudos não seja incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá preencher os seguintes requisitos: 1) vinculação à atividade da empresa; 2) não substituição de parcela salarial; e 3) extensão a todos os funcionários. É de se observar que ao se deparar com o caso concreto, o intérprete há de se ater aos requisitos acima, verificando se os mesmos foram observados na disponibilização do benefício pelo sujeito passivo aos seus trabalhadores. É que se tratando norma isentiva, a sua interpretação deve ser nos estritos termos fixados pela norma, não se admitindo o alargameto das balizas normativas. É isso que prevê o art. 111, II, do CTN: “Art. 111. Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Extraise dos autos que o fisco, com esteio em documentos exibidos pela empresa, conclui que as verbas destinadas à educação não estavam disponíveis a todos os trabalhadores a serviço da empresa, posto que era estabelecida uma barreira temporal, doze meses de permanência no emprego. Mesmo reconhecendo que não é despropositada a tese da empresa de que o requisito temporal, embora existente, poderia ser suprido por todos os empregados, não posso, na interpretação da norma legal, afastarme dos seus preceitos objetivos. Ao me deparar com a cláusula que estipula um mínimo de permanência na empresa para a percepção do benefício educacional, sou forçado a dar razão ao órgão recorrido, uma vez que a não extensão a todos os empregados e dirigentes, retira da espécie um dos requisitos erigidos pelo legislador como essencial para que a mesma não viesse a sofrer a tributação. Posso concluir que havendo o impedimento para segurados com menos de 12 meses na empresa, a verba não era extensível a totalidade dos trabalhadores, sendo cabível a tributação sobre a mesma. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 759 13 Quanto à jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo à extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Por outro lado, as divergências de entendimento entre as turmas do CARF devem ser solucionadas mediante remédio próprio que é o recurso especial à CSRF. O plano de previdência complementar de entidade fechada Alega a recorrente que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores vertidos ao plano de benefícios da Entidade Fechada de Previdência Complementar — WEG Seguridade Social, bem como defende a regularidade deste; que está disponível a todos os que preenchem determinados critérios impessoais; que a contribuição da patrocinadora não representa retribuição pelo trabalho prestado, tampouco, o pagamento é feito a uma pessoa física; e que o lançamento, se cabível a exigência, deveria incidir somente na proporção dos colaboradores excluídos do plano, ou seja, que mantiveram vinculo empregatício com duração inferior a um ano. A DRJ conclui pela tributação da verba, pela mesma razão do item precedente, qual seja a exigência de um ano de efetiva prestação de serviço à empresa para participação no plano de previdência. Eis as palavras lançadas no relatório: 4.6.4. A restrição quanto ao período para participar do plano encontrase formalizada no Manual de Administração de Pessoal Gestores, bem como no Regulamento da WSS, documentos da época, nos seguintes termos: Regulamento Básico da Weg Seguridade Social: "Art. 5°. Todos os empregados com mais de 01 (um) ano de vínculo de emprego com as Patrocinadoras, adquirem a condição de Participante do INSTITUTO". Manual de Administração de Pessoal – Gestores: 7.1.2.1 QUEM PODE PARTICIPAR Qualquer colaborador com mais de 1 ano de trabalho nas empresas WEG pode inscrever se como participante da WSS.". (...) 4.6.6. A legislação previdenciária, no art. 28, § 9°, alínea "p", da Lei no 8.212/91, dispõe sobre a nãoincidência de contribuições previdenciárias sobre valores destinados a financiar programas de previdência complementar de seus segurados, sendo requisito que o programa seja disponibilizado a todos os empregados e dirigentes da empresa, o que não ocorreu. (...) Apresentemos agora a norma que trata do tema: Art. 28 (...) Fl. 765DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (...) Percebese do dispositivo reproduzido pela DRJ que recairemos na mesma questão discutida no tópico em que foi tratada a concessão de plano educacional, ou seja, ao impor o requisito de 12 meses de trabalho na empresa para que seus empregados e dirigentes ingressassem no plano de previdência, a empresa deixou de cumprir o requisito legal da norma de isenção, qual seja a extensão do benefício a todos os segurados. Não poderia, sob pena de abandonar a coerência no julgamento de acolher a tese da empresa de que a barreira temporal não afastaria o aludido requisito. Quanto à impossibilidade de tributação em razão da verba não se subsumir ao conceito de remuneração, peço licença para transcrever voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira, o qual utilizo como fundamento para a minha conclusão: Para iniciarmos a análise da procedência ou não do lançamento, importante identificar quais as contribuições apuradas pelo lançamento. Assim, foram apuradas contribuições sobre os valores pagos s pessoas físicas, enquanto empregados. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)grifo nosso. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração Fl. 766DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 760 15 dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar, não representam alguma espécie de ganho. Pelo contrário, estão inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." (Processo n.º 12259.000008/200716. Acórdão 240101.912, 2.ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, 28/07/2011). Quanto o pedido para que fossem excluídos do levantamento os segurados com mais de um ano de empresa, embora tentadora, essa tese não resiste a uma leitura mais cuidadosa da norma isentiva. É que se o fisco fosse tributar o benefício apenas dos trabalhadores com menos de um ano de empresa, a base de cálculo do tributo seria nula, uma vez que esses empregados e dirigentes não faziam parte do plano de previdência fechada, em razão da barreira temporal. Nesses casos, ou o plano cumpre os requisitos legais para afastar a tributação, ou todos os pagamentos efetuados para o seu custeio devem sofrer a incidência de contribuições. Também não se deve acatar a exclusão das parcelas que não estivessem vinculadas especificamente ao custeio dos benefícios programados. Na verdade, não sendo o benefício disponibilizado de acordo com a regra de isenção, a totalidade dos pagamentos, independentemente da destinação que o plano lhes dê, é assumida pela empresa em benefício dos empregados e dirigentes e, se não alcançados pela norma isentiva, são considerados saláriodecontribuição. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 A assistência odontológica A razão para a tributação desse verba foi a mesmíssima que ocasionou a exigência sobre o plano educacional e a previdência privada, tanto que no recurso as empresas alegam: 136. Como se trata da mesma fundamentação (não disponibilização para todos os empregados, face carência de tempo de empresa) utilizada em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, e como forma de economia, a Impugnante valese dos mesmos argumentos utilizados em relação ao auxilio escolar e cursos técnicos, os quais são tidos como integralmente aqui transcritos. Por esse motivo, furtarmeei de repetir os argumentos lançados acima, apenas salientando que a norma aplicável é a alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Participação nos lucros ou resultados para diretores Andou bem o fisco quando incluiu na base de cálculo do lançamento as quantias repassadas aos administradores não empregados a título de participação nos lucros. Tenho me manifestado reiteradas vezes aqui neste colegiado que a exclusão da participação nos lucros recebida por diretores não empregados da base de cálculo das contribuições sociais não encontra amparo constitucional, tampouco legal. Para mim, a tributação para a Seguridade Social alcança os pagamentos de PLR aos administradores (diretores não empregados), enquadrados no Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de contribuintes individuais. Vale ressaltar que essa discussão em nosso Tribunal Administrativo encontra decisões nos dois sentidos. Uns entendem que a exclusão dessa parcela do saláriode contribuição tem guarida no que dispõe a Lei das S/A (Lei n.º 6.404/76). Há os que, de modo diverso, afirmam que a única lei a regular essa matéria seria a Lei n.º 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais. Filiamonos a segunda corrente. De fato, a própria Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado do STF acima mencionado (RE n.° 596.441/RS), onde o Pretório Excelso firma o entendimento de que somente após a edição da MP n.° 794/1994 é que excluise a PLR do saláriodecontribuição. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP n.º 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 também se refera à Lei n.º 6.404/1976. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10920.007511/200717 Acórdão n.º 2402005.463 S2C4T2 Fl. 761 17 De se concluir que a Lei n.º 8.212/1991 ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. A Lei da PLR em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, por outro lado, em seu art. 2.º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Eis o texto: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Vêse, assim, que a lei da PLR não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visam ao segurado empregado. Outra evidência que vem reforçar essa tese é que o art. 7. da Constituição Federal é, fora de dúvida, dirigido aos trabalhadores que se vinculam ao empregador por vínculo de emprego. Ao lado do da participação nos lucros estão os direitos tais como: seguro desemprego, FGTS, férias, horas extraordinárias, aviso prévio, etc. Por esse motivo uma interpretação sistemática do texto constitucional leva à conclusão de que o inciso XI daquele dispositivo não alcança os administradores não empregados, mas apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. Assim, devem ser tributadas os pagamentos a diretores não empregados a título de PLR, posto que a não há previsão normativa para sua exclusão da base de cálculo das contribuições. Inconstitucionalidade da contribuição lançada com base no inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 Conforme requereu a contribuinte, devemos reconhecer impossibilidade de se tributar os valores relativos às faturas emitidas pela cooperativa que prestou serviços à autuada. É que em sessão plenária realizada em 23/04/2014, o STF, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, o qual fundamentou o lançamento. Portanto, considerando que os únicos fatos geradores apontados no AI dizem respeito aos serviços prestados pela cooperativa de trabalho médico, representada pelo levantamento CTM. Conclusão Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso de ofício e por conhecer em parte do recurso voluntário, para na parte conhecida afastar a preliminar relativa à Fl. 769DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 exclusão das pessoas jurídicas arroladas como solidárias, por afastar o pedido de exclusão das pessoas listadas na relação de representantes legais, por reconhecer a decadência até a competência 11/2002 e, no mérito, por lhe dar provimento parcial para excluir o levantamento CTM. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 29/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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