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Numero do processo: 16327.001289/2005-54
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
A inexistência de dissídio jurisprudencial, caracterizada pela ausência de similitude fática e pela indicação de dispositivos legais distintos, que conferem aos tributos regimes também diferentes, impede o conhecimento e processamento do recurso especial interposto.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC.
Numero da decisão: 9101-003.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A inexistência de dissídio jurisprudencial, caracterizada pela ausência de similitude fática e pela indicação de dispositivos legais distintos, que conferem aos tributos regimes também diferentes, impede o conhecimento e processamento do recurso especial interposto. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC.
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. A inexistência de dissídio jurisprudencial, caracterizada pela ausência de similitude fática e pela indicação de dispositivos legais distintos, que conferem aos tributos regimes também diferentes, impede o conhecimento e processamento do recurso especial interposto. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 89 /2 00 5- 54 Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda Nacional contra o acórdão nº 101 96.858, de 13 de agosto de 2008, em que a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para, por unanimidade de votos, cancelar as exigências a título de PIS e de COFINS e admitir a compensação dos prejuízos fiscais remanescentes, apurados nos anoscalendário de 1989 a 1998, sem a limitação de 30% e, por maioria de votos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa por lançamento de ofício. A matéria em discussão nos autos diz respeito a infrações no âmbito do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, decorrentes das seguintes irregularidades: IRPJ 1. ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL 1.1 Adição de provisão para devedores duvidosos em valor inferior, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 271/272. 1.2 Excesso de despesas com previdência privada glosa de valor superior aos 20% permitidos, consoante demonstração constante do Teimo de Verificação Fiscal às fls. 269/271. 2. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Exclusão indevida do créditoprêmio de exportação na apuração do lucro real, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. PIS (fls. 249/252): Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 4 3 1 FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Omissão de receitas relativa aos valores do créditoprêmio exportação que o contribuinte deixou de oferecer à. tributação, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. COFINS (fl. 253/256): 1 FALTA/INSUFICIÊNCIA DA COFINS Omissão de receitas relativas aos valores do créditoprêmio exportação que o contribuinte deixou de oferecer a tributação, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. CSLL (fls. 239/241 e 257/263): 1. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Referente a adição de provisão para devedores duvidosos em valor inferior, conforme está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal às fls. 271/272). 2. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LIQUIDO Relativa à exclusão indevida do créditoprêmio exportação e de excesso de despesas com previdência privada (despesas indedutíveis), da base de cálculo da CSLL, consoante demonstração constante do Termo de Verificação Fiscal às fls. 266/269. Com a ciência das autuações, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 284, cujo principal argumento foi de que os créditosprêmio de IPI não são receitas de exportação e, portanto, não se sujeitam à tributação, além do fato de que a empresa possuía projetos aprovados desde 1998 no âmbito de incentivos fiscais do BEFIEX. A 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve, na íntegra, os lançamentos efetuados. Com a ciência da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 486 e seguintes), no qual, em síntese, alegou: que a fiscalização não contestou, em momento algum, a validade do Programa BEFIEX, isto é, não há qualquer discussão nos autos acerca do cumprimento das metas estabelecidas nos termos de compromissos referentes ao programa firmado pela recorrente; tampouco houve contestação quanto à existência de direito a isenção do IRPJ e da CSL no âmbito do referido programa; também não foi objeto de questionamento a validade do créditoprêmio de IPI, nem quanto à existência desse direito, muito menos quanto à forma de aproveitamento do benefício fiscal; Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 5 4 destarte, todas as questões acima mencionadas são incontroversas e não podem ser objeto de discussão nos presentes autos, sob pena de inovação do feito, vedada pela legislação em vigor e pela jurisprudência; o único argumento utilizado pela fiscalização, no que diz respeito às exigências do IRPJ e da CSL, é que os créditos em questão não estariam abrangidos pela isenção concedida no âmbito do Programa BEFIEX; com relação à contribuição para o Pis e a Cofins, o Sr. AFRF considerou que os ingressos decorrentes do créditoprêmio de IPI seriam receitas novas para a recorrente, razão pela qual seriam tributáveis por tais contribuições; no que tange ao IRPJ e à CSL foi demonstrado que os valores aproveitados a título do créditoprêmio, embora contabilizados como receita operacional, poderiam ser excluídos da base de cálculo de tais tributos, haja vista que compunham o resultado decorrente das exportações, o qual é isento de tributação, nos termos da legislação que rege os benefícios fiscais relativos ao Programas BEFIEX; no que se refere a contribuição para o Pis e a Cofins, a recorrente evidenciou tratarse de transferências patrimoniais que não se confundem com receitas e que por isso não devem ser tributadas pelas referidas contribuições; finalmente, a recorrente requereu que, na hipótese de manutenção das glosas, total ou parcialmente, fosse reconhecida a compensação dos prejuízos fiscais e bases negativas da CSL. E com relação a parte desses resultados negativos, requereu a compensação sem a "trava" dos trinta por cento, haja vista que uma parcela dos prejuízos em questão foi apurada no âmbito do Programa BEFIEX. Ao apreciar o recurso voluntário, a Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento parcial para cancelar as exigências a título de PIS e de COFINS e admitir a compensação dos prejuízos fiscais remanescentes, apurados nos anos calendário de 1989 a 1998, sem a limitação de 30%, além de, por maioria de votos, afastar a aplicação dos juros de mora sobre a multa por lançamento de oficio, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2000 a 2002 Ementa: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Deficiências no enquadramento legal não inquinam de nulidade o auto de infração se a descrição dos fatos for de modo a permitir o perfeito conhecimento da acusação. CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. PROGRAMAS BEFIEX. Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 6 5 Para os projetos aprovados a partir de 01/01/88, não obstante o valor do crédito prêmio represente receita de exportação, não há previsão legal para sua exclusão do lucro líquido, devendo ser computado para fins de lucro da exploração relativo à atividade incentivada, para fins de tributação por alíquota reduzida (se aprovados ou apreciados pelo CDI entre 01/01/88 e 19/05/88), ou são tributados alíquota normal (programas apreciados após 20/05/88). RECEITAS OPERACIONAIS. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO. Os valores das receitas operacionais, ainda que decorrentes de estímulo à exportação, integram o lucro líquido do período em que ocorre sua disponibilidade econômica ou jurídica, e só podem ser excluídos, para fins de tributação, se houver previsão expressa na legislação ou determinação judicial nesse sentido. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E DE BASES NEGATIVAS DE CSLL. EMPRESAS TITULARES DE PROGRAMAS BEFIEX. Os prejuízos apurados na vigência do programa podem ser compensados no prazo de seis anos, desde sua apuração, sem limitação de 30%. Após esse prazo, considerando que, pela legislação em vigor, os prejuízos se tornaram imprescritíveis, o saldo não compensado pode ser utilizado para compensações, porém observando o limite de 30%. Para as bases de cálculo negativas de CSLL não há previsão na legislação para afastar o limite. PIS E COFINS. CRÉDITO PREMIO DE IPI. PROGRAMAS BEFIEX. Não obstante representar receita de exportação, o crédito prêmio tem a natureza de recuperação de custos, não estando compreendido no conceito de faturamento. Por conseguinte, sua inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS está amparada no alargamento do conceito de faturamento trazido pelo § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98, e não pode subsistir em face da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, desse dispositivo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, nos termos do art. 61 da Lei n.° 9.430/96, e sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Inaplicável a incidência da taxa Selic e dos juros do art. 161 do CTN sobre a multa de ofício. Ainda, é vedado ao órgão administrativo julgador inovar o lançamento efetuado. Com a ciência da decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial (fls. 733), em que questionou dois pontos da decisão: a) possibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre receitas decorrentes de créditoprêmio de exportação; Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 7 6 b) incidência de juros sobre multa de ofício. O recurso especial fazendário foi analisado pelo despacho de fls. 788, que lhe deu integral seguimento. Por seu turno, ao tomar ciência da decisão, o contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 801), sob os argumentos de que a decisão teria inovado os fundamentos do lançamento e se omitido em relação às informações passadas pela embargante durante os procedimentos de fiscalização. Ato contínuo, o contribuinte também apresentou contrarrazões (fls. 814) ao recurso especial da Fazenda Nacional, em que questiona o conhecimento do apelo, posto que o fundamento da autuação já teria sido declarado inconstitucional pelo STF, ante o alargamento indevido das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo legislador ordinário. Quanto ao mérito, o contribuinte discorre sobre os elementos do conceito de receita para concluir que o créditoprêmio de IPI é uma subvenção econômica, destinada aos produtoresexportadores de mercadorias nacionais e que consiste em um crédito financeiro calculado com base no valor da exportação, como forma de ressarcimento dos tributos incidentes nas etapas produtivas anteriores à venda para o exterior. Nesse contexto, defende que os valores ingressados no patrimônio a título de créditoprêmio não possuem natureza jurídica de receitas, pois decorrem da lei que instituiu o beneficio, de sorte que não é a exportação que enseja o seu pagamento, mas sim o dispositivo legal que previu tal incentivo. Por fim, o contribuinte, ainda em contrarrazões, pugna pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Os embargos de declaração do contribuinte foram inicialmente aceitos, conforme despacho de fls. 850. Posteriormente, sobreveio outro despacho (fls. 853), que os rejeitou. Ao perceber o erro in procedendo, o Presidente da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, mediante decisão de fls. 859, entendeu que o segundo despacho não poderia prevalecer, porque contraditório ao anterior, que não foi expressamente revogado, razão pela qual o superveniente foi declarado nulo, de ofício, com o encaminhamento dos autos para apreciação dos embargos do contribuinte. Em 02 de março de 2016, os embargos foram julgados pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara, que proferiu o acórdão n. 1302001.800 e decidiu, por unanimidade de votos, rejeitálos. O contribuinte interpôs novos embargos de declaração (fls. 1.006), sob os argumentos de superveniência de questão de ordem pública e de erros de fato na decisão. Os embargos foram analisados pelo despacho de fls. 1.072, que os rejeitou. Na sequência, o contribuinte apresentou recurso especial (fls. 1.091), em que indicou a existência de diversos dissídios jurisprudenciais em relação às matérias discutidas no processo e mantidas pelo acórdão do CARF. Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 8 7 O recurso foi analisado pelo despacho de fls. 1.390, que não o conheceu. Inconformado, o contribuinte apresentou agravo, reiterando os termos do recurso especial e pugnando pelo seu seguimento integral. O agravo foi apreciado pela Presidência do CARF (fls. 1.463), que decidiu confirmar a negativa de seguimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Inicialmente, convém ressaltar que só se encontra sob julgamento o recurso especial fazendário, posto que, conforme relatado, ao recurso especial do contribuinte foi negado seguimento, em caráter definitivo, nos termos da decisão proferida em sede de agravo pela presidência do CARF. O recurso especial da Fazenda Nacional, por sua vez, foi admitido, conforme despacho de fls. 788, e o contribuinte, em contrarrazões, defendeu que este não deve ser conhecido, por não atender aos preceitos regimentais. Passo, então, a análise de seus pressupostos. Como se sabe, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. A Fazenda Nacional, em seu recurso, questiona, como relatado, dois pontos de divergência: a) possibilidade de incidência de PIS e COFINS sobre receitas decorrentes de créditoprêmio de exportação; Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 9 8 b) incidência de juros sobre multa de ofício. A primeira matéria recorrida foi sintetizada pela recorrente nos seguintes termos (destaques no original): DO FUNDAMENTO DE VALIDADE DA INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE A RECEITA DECORRENTE DO CRÉDITOPRÊMIO DO IPI O r. acórdão ora recorrido entendeu que a receita advinda do crédito incentivado de IPI, enquanto receita operacional, não deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da COFINS, haja vista que o alargamento concedido pela Lei n° 9.718/1998 fora declarado inconstitucional pelo STF em sede de controle difuso. Inferese, assim, que o julgado soluciona a questão cotejando o conceito de receita à atividade do contribuinte. Considera que receita é aquilo que decorre somente da venda de bens ou de bens e serviços. Em razão disso, afasta a possibilidade de se entender o montante ressarcido/compensado a titulo de crédito incentivado de IPI como receita. Tal posicionamento, apesar de respaldado em antiga jurisprudência do STF, não se conforma à definição atual de receita propalada pela doutrina moderna. É importante ter em mente que o conceito de receita vem sendo reformulado dia após dia, e não se pode negar que a tendência é ampliar sua interpretação. (...) Ora, parece que a intenção da doutrina moderna vem sendo a de entender a palavra receita como aquele ingresso que represente um plus jurídico em favor do contribuinte, esteja ou não sua origem relacionada A atividade fim da empresa, ou ainda, seja ou não decorrente de esforço do contribuinte. Não é de modo algum impróprio, desta feita, considerar um crédito concedido legalmente em favor de empresas que realizem determinadas atividades empresariais como receita, principalmente se ele decorre de forma direta de sua atividade principal. É exatamente isso que ocorre com o crédito incentivado de IPI. São créditos oriundos de incentivo para empresas que realizam específica atividade, no caso, a de exportação. Neste ponto, cumpre asseverar que o próprio STF ainda não fechou de modo definitivo o conceito de receita para fins de incidência do PIS e da COFINS, tanto assim que em voto da lavra do Ministro Cezar Peluzo, a Corte (2a Turma), precisamente por ocasião do julgamento de Embargos de declaração no RE 444.6014/RJ, decidiu que o conceito de receita bruta para fins de incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 10 9 serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais. Nesse ponto, o apelo fazendário indicou o Acórdão nº 20179.962, que trata de crédito presumido de IPI, assim ementado: Processo n: 11065.003858/200420 Recurso n: 130.414 Acórdão n: 20179.962 Recorrente: INDÚSTRIA DE PELES MINUANO LTDA. Recorrida: DRJ em Porto Alegre RS PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a titulo de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. Em contrapartida, o contribuinte aduz que o recurso não merece ser conhecido quanto a este ponto, visto que o caso dos autos difere daquele analisado no paradigma. Com efeito, a própria Fazenda Nacional reconhece que as figuras analisadas nos dois processos são distintas e possuem matrizes jurídicas diversas, pois o acórdão paradigma trata do crédito presumido de IPI, estabelecido pela Lei nº 9.363/96, enquanto que o acórdão recorrido cuida do créditoprêmio de IPI, criado pelo DecretoLei nº 491/69, décadas antes daquela primeira figura. Contudo, a Recorrente aduz que ambos se enquadram no conceito de "crédito tributário incentivado" e seriam espécies de subvenções econômicofinanceiras, nos termos do art. 12, § 3°, da Lei nº 4.320/64, bem como receitas operacionais na forma do art. 44, IV, da Lei n° 4.506/64 e do art. 392 do RIR/99. Entendo que não assiste razão à Recorrente, pois resta evidente que os acórdãos versam sobre normas tributárias distintas, em confronto com o que preconiza o art. 67, § 1º, do RICARF. Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 11 10 O créditoprêmio de IPI, instituído a partir dos arts. 1o e 5o do DecretoLei nº 491/69, época em que sequer existiam as contribuições para o PIS e a COFINS, tem a seguinte característica: Art. 1º As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão, a título estimulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. (...) Art. 5º É assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados. Por outro lado, o crédito presumido estabelecido pela Lei nº 9.363/96 foi especificamente desenhado para as referidas contribuições, como se pode depreender do art. 1o do referido diploma legal: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Além da evidente distinção nas matrizes jurídicas, a situação fática dos dois processos também não guarda qualquer semelhança. No acórdão paradigma o caso versava sobre compensação de débito de contribuição social com créditos de PIS nãocumulativo decorrentes de operações de exportação. Já no caso dos autos cuidase, como visto, de autuação fiscal na qual PIS e COFINS seriam reflexos das autuações a título de IRPJ e CSLL, com fundamento no fato de que o contribuinte, ao receber créditosprêmio de IPI decorrentes de adesão ao BEFIEX, não os ofereceu à tributação, circunstância que levou a autoridade fiscal aos lançamentos ora questionados, por entender que a partir da edição da Lei nº 9.718/98 essas contribuições passaram a incidir sobre toda e qualquer receita, independentemente da denominação ou classificação contábil. Vejase que, no ponto, temse por irrelevante a circunstância de que as duas decisões teriam considerado, para fins de classificação, tais incentivos como receitas, até porque não se pode desconsiderar que no paradigma analisouse a incidência do PIS no regime de não cumulatividade, enquanto que no presente caso tratase da possibilidade de incidência Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 12 11 de PIS e COFINS sob o regime cumulativo, o que também denota a presença de matrizes jurídicas completamente distintas. Diante disso, resta evidente que não foi demonstrada a divergência jurisprudencial necessária para o processamento do recurso especial, não devendo ser conhecido o apelo fazendário nessa matéria. No que tange ao segundo ponto de debate, aduz a Fazenda Nacional que o acórdão recorrido discrepa da jurisprudência deste CARF em relação à possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, com a indicação de dois paradigmas, acórdãos n° 910100.539 e CSRF/0400.651, cujas ementas, na parte que nos interessa, foram assim redigidas, respectivamente: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à Selic. e JUROS DE MORA. MULTA DE OFICIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Diante disso, constatase que a Recorrente logrou êxito em demonstrar a divergência jurisprudencial, posto que os paradigmas aceitaram a incidência dos juros de mora, calculados de acordo com a taxa SELIC, enquanto que o recorrido afastou tal possibilidade, tudo com base nos mesmos dispositivos legais. Portanto, quanto a este segundo ponto, reconheço a similitude e o dissídio interpretativo indicados pela Fazenda Nacional e voto por conhecer do recurso especial apresentado. Quanto ao mérito, a questão que remanesce é amplamente conhecida e debatida no âmbito deste CARF e diz respeito à possibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício, que foi afastada pelo acórdão recorrido. Nesse caso, a exigência deve ser restabelecida, haja vista que a matéria encontrase atualmente pacificada no âmbito deste E. Conselho, a partir da recente edição da Súmula CARF nº 108, que dispõe: Súmula CARF nº 108 Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 16327.001289/200554 Acórdão n.º 9101003.877 CSRFT1 Fl. 13 12 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso fazendário, apenas quanto à incidência dos juros de mora calculados pela taxa SELIC sobre a multa de ofício e, na parte conhecida, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1507DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720263/2016-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL (RET). COMPROVAÇÃO.
Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, refere-se a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, deve ser cancelada a exigência.
Numero da decisão: 1201-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL (RET). COMPROVAÇÃO. Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro líquido ajustado, base de cálculo da CSLL, referese a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, deve ser cancelada a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 63 /2 01 6- 32 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 3 2 1. Tratase de processo administrativo decorrente de auto de infração lavrado para a cobrança de CSLL, referente ao anocalendário de 2012, no montante de R$ 5.801.236,55, com o acréscimo de juros de mora e multa de ofício de 75%. 2. Em síntese, a infração apontada pela fiscalização consiste na suposta exclusão indevida a título de receitas do Regime Especial de Tributação (RET). A DIPJ do anocalendário de 2012 demonstra que a contribuinte ofereceu à tributação o montante de R$ 63.963.929,61 pelo RET e as exclusões remontam R$ 94.710.405,40 (DIPJ Retificadora não transmitida). A autoridade fiscalizadora conclui, então, que somente as receitas correspondentes ao RET confessadas em DCTF (R$ 63.963.929,61) poderiam ser excluídas para fins de apuração do lucro real. 3. Valendose dos números apresentados pela contribuinte, com exceção das exclusões relativas ao RET, a autoridade lançadora apurou a base de cálculo relativa ao período de 2012 no importe de R$ 30.803.075,47, sobre o qual aplicou as alíquotas da CSLL. Do valor apurado, subtraiu as importâncias pagas a título de CSLL por estimativa, no importe de R$ 2.925,71. Desta forma, formalizou o crédito tributário no valor de R$ 5.801.236,55, composto pela exigência da CSLL no valor de R$ 2.769.351,04, multa no importe de R$ 2.077.013,28 e juros de R$ 954.872,23. 4. Em análise das declarações apresentadas pela contribuinte (DIPJ e DCTF), a fiscalização detectou as seguintes inconsistências, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 379/389): “O contribuinte, apurou o seu lucro na sistemática do Lucro Real Anual, e nada informou na DIPJ sobre valores de IRPJ por Estimativa. Da mesma forma, nenhum valor de estimativa foi confessado em DCTF como também nada foi recolhido em DARF em nenhum código de IRPJ. No entanto, na mesma DIPJ, na Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – ajuste anual, o contribuinte informou na Linha 22. Imposto de Renda a Pagar o valor de R$ R$ 6.246.717,87. Analisamos a DCTF entregue pelo contribuinte bem como os recolhimentos do grupo Imposto de Renda Pessoa Jurídica e nada foi encontrado. Esta análise se encontra na planilha anexa “Diferenças Encontradas IRPJ e CSLL J J Rodrigues” INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES (...) O contribuinte preencheu uma DIPJ retificadora a qual submete à fiscalização, onde apresenta os saldos devidos e pagos de IRPJ e CSLL através dos comprovantes de pagamento nos códigos 2484 CSLL e 2362 IRPJ, sendo estes impostos pagos na forma de estimativa conforme apuração anexa. Como atendimento à intimação, o contribuinte apresentou nos anexos 8, 9 e 10, as planilhas de cálculo e comprovantes de pagamento do imposto unificado pelo RET – Patrimônio de Fl. 505DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 4 3 Afetação referente aos três empreendimentos, comprovando assim os recolhimentos do código 4095 referente aos três empreendimentos. Constatamos que os recolhimentos efetuados no código 4095, referentes aos três empreendimentos perfizeram o montante de R$ 3.837.835,77 em 2012. Quanto às correções pretendidas por ele na DIPJ “retificadora” não transmitida, fizemos uma planilha comparativa entre a DIPJ original (objeto da revisão) e a pretendida retificadora, transcrita abaixo: Analisando as correções pretendidas pelo contribuinte, a L03 da retificadora é maior que a original, favorável ao fisco. Nada a observar quanto às adições, visto que tanto a L06 quanto à L33 são maiores que a DIPJ original. No entanto, a exclusão da L67 – Receitas tributadas pelo RET no valor de 94 milhões devem ser comparadas com as receitas constantes dos Anexos 8, 9 e 10 do atendimento ao Termo Nº 1. Nesses anexos referentes aos empreendimentos realizados pelo contribuinte em 2012, constam as receitas tributadas pelo RET mês a mês em cada empreendimento e o valor de RET a ser recolhido também em todo o período de 2012. Consultando a DCTF do contribuinte constatamos que somente os valores de RET correspondentes às receitas abaixo foram confessados. Somente as receitas que efetivamente foram tributadas pelo RET poderão ser excluídas. (...) Serão reconhecidas pela fiscalização somente o valor da exclusão de R$ 63.963.929,61. A L87 também não será considerada, pois veio desacompanhada de qualquer comprovação. O Lucro Real então será: Fl. 506DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 5 4 (...) Notese que o contribuinte apresentou comprovante de um recolhimento de Contribuição Social por Estimativa realizado que será́ considerado. A Contribuição Social a Pagar da Declaração de Ajuste será́: (…) Em vista das irregularidades apontadas neste termo, fica o contribuinte, desde já, intimado a efetuar as correções devidas na parte B do LALUR e demais registros contábeis”. 5. Cumpre ressaltar que, o procedimento fiscal se desdobrou em dois processos administrativos fiscais relativos ao anocalendário de 2012: (i) Processos nº 19515.720263/201632, referente a exigência de CSLL e (ii) Processo nº 19515.720262/201698, referente a exigência de IRPJ. 6. Devidamente intimada (AR de 03/05/2016, fl. 402), a Contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 407/433), na qual trouxe as seguintes razões de Fl. 507DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 6 5 defesa: (i) no Regime Especial de Tributação as receitas são tributadas no regime de caixa e, por sua vez, na contabilidade devem ser reconhecidas no regime de competência; (ii) toda a sua receita operacional está submetida ao RET; e (iii) o erro cometido pela contribuinte no preenchimento de declaração não é suficiente para a lavratura de auto de infração que distorce a natureza de suas receitas. Por fim, requer seja realizada perícia para confirmar que todas as receitas excluídas na DIPJ retificadora dizem respeito efetivamente ao RET e, por consequência, declarada a invalidade do lançamento. 7. Em sessão de 22 de março de 2017 a 3ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1464.795 (fls. 481/495), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES NA APURAÇÃO DO LUCRO LIQUIDO AJUSTADO. RECEITAS SUJEITAS AO REGIME TRIBUTÁRIO ESPECIAL RET (Lei 10.631/2004). COMPROVAÇÃO. Comprovado que a exclusão de valores na apuração do lucro liquido ajustado, base de calculo da CSLL, referese a receitas submetidas ao RET da Lei 10.631/2004, cancelase a exigência. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado”. 8. Diante da documentação acostada aos autos, a DRJ exonerou o crédito exigido ao concluir que (i) a contribuinte fez prova de que quase a totalidade de suas receitas estavam submetidas ao RET em 2012 e (ii) ainda que a totalidade não esteja absolutamente comprovada, o correto seria tributar eventuais diferenças no RET e não no regime do lucro real. 9. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 11/04/2017, fl. 499) a Contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. 10. Diante da exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo em limite superior ao fixado na Portaria MF nº 63 de 2017, foi interposto Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 11. Para analisar a admissibilidade do recurso de ofício devese considerar o teor do artigo 1º, da Portaria MF nº 63/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 508DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 7 6 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. 12. No caso em tela, o valor exonerado (R$ 2.769.351,04) supera o limite estabelecido pela norma em referência de 2,5 milhões. Portanto, concluo que o recurso de ofício é cabível, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. Premissas Técnicas sobre o Regime Especial de Tributação 13. Por considerar imprescindíveis para o desenrolar do presente julgamento, trago ponderações acerca do Regime Especial de Tributação (RET), previsto na Lei nº 10.931/04, regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 934/2009, posteriormente revogada pela vigente Instrução Normativa RFB nº 1.435/2013. 14. O RET é um regime aplicável às incorporações imobiliárias, em caráter opcional e irretratável, conforme artigo 1º da Lei nº 10.931/2004, verbis: Art. 1º Fica instituído o regime especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias, em caráter opcional e irretratável enquanto perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis que compõem a incorporação. (grifos nossos) 15. A Lei nº 10.931/2004 estabelece uma série de contrapartidas para as incorporadoras que optem pelo benefício fiscal do RET como (i) a impossibilidade de sujeitar créditos deste regime especial a parcelamento fiscal; (ii) elaboração de escrituração contábil individualizada para cada incorporação; e (iii) a criação de patrimônio de afetação. 16. Nesse regime especial é permitido ao Contribuinte Incorporador optar pela incidência de tributação definitiva sobre a receita mensal recebida relativamente a cada patrimônio afetado. Em 2012, período objeto do presente processo, a redação do artigo 4º, da Lei nº 10.931/04, previa uma alíquota unificada de 6% correspondente ao pagamento mensal de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, verbis: “Art. 4º Para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação, a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a 6% (seis por cento) da receita mensal recebida, o qual corresponderá ao pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; II Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; III Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; e Fl. 509DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 8 7 IV Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS. § 1º Para fins do disposto no caput, considerase receita mensal a totalidade das receitas auferidas pela incorporadora na venda das unidades imobiliárias que compõem a incorporação, bem como as receitas financeiras e variações monetárias decorrentes desta operação. § 2º O pagamento dos tributos e contribuições na forma do disposto no caput deste artigo será considerado definitivo, não gerando, em qualquer hipótese, direito à restituição ou à compensação com o que for apurado pela incorporadora. § 3º As receitas, custos e despesas próprios da incorporação sujeita a tributação na forma deste artigo não deverão ser computados na apuração das bases de cálculo dos tributos e contribuições de que trata o caput deste artigo devidos pela incorporadora em virtude de suas outras atividades empresariais, inclusive incorporações não afetadas. (...) § 5º A opção pelo regime especial de tributação obriga o contribuinte a fazer o recolhimento dos tributos, na forma do caput deste artigo, a partir do mês da opção”. (grifos nossos). 17. A partir da leitura dos dispositivos acima transcritos, fica evidente que tanto a escolha do sistema de tributação quanto a tributação em si das receitas pela sistemática do RET são definitivas e irretratáveis, enquanto perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis que compõem a incorporação. No mais, é possível concluir que o RET segue o regime de reconhecimento de receitas efetivamente recebidas (regime de caixa). 18. Os valores correspondentes as receitas mensais (caput do artigo 4º da Lei nº 10.931/04) não devem ser considerados em eventuais ajustes para efeito de apuração no regime regular de tributação, seja pelo lucro real ou presumido. II. Das Circunstâncias Fáticas 19. No presente caso, a opção da contribuinte pelo RET é matéria incontroversa, vez que o foco da autuação é a suposta exclusão indevida de receitas tributadas por esse regime. 20. Não é demais ressaltar que, conforme descrito nos itens 13 a 18, a opção pelo Regime de Tributação Especial é uma faculdade da Contribuinte que se torna definitiva enquanto perdurarem os direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis. Logo, a escolha da Contribuinte pelo RET vincula as receitas dos empreendimentos imobiliários à tributação de acordo com o artigo 4º, da Lei nº 10.931/04, com a redação vigente no ano de 2012 dada pela Lei nº 12.024/09. 21. Partindo deste entendimento, resta apurar se o montante de R$ 94.710.405,40 está submetido ao RET ou não. Em consonância com a r. decisão de piso, verifico que a Contribuinte foi capaz de comprovar que suas atividades operacionais estão relacionadas com as incorporações imobiliárias (único objeto social da Sociedade de Propósito Fl. 510DF CARF MF Processo nº 19515.720263/201632 Acórdão n.º 1201002.674 S1C2T1 Fl. 9 8 Específico) e que quase a totalidade de suas receitas relativas ao anocalendário de 2012 está submetida ao Regime Especial de Tributação, conforme trecho do voto condutor da r. decisão da DRJ: “Na DIPJ original a contribuinte havia registrado R$ 102.907.553,97 de receitas na linha 07 da Ficha 06A (fl. 7 e seguintes). Tratase exatamente do valor constante no Balancete da empresa, apresentado à Fiscalização durante a auditoria (fl. 316). Vejamos o facsímile:” 22. Segundo a Contribuinte, a diferença entre valores lançados na DCTF (R$ 63.963.929,61) e os valores submetidos ao RET (R$ 94.710.405,40) existe porque o reconhecimento das receitas para fins de recolhimento seguiu o regime de caixa enquanto as receitas que constam nos registros contábeis seguiram o regime de competência. 23. E, ainda que a composição do valor excluído pela contribuinte, qual seja a diferença entre receitas efetivamente realizadas e as reconhecidas, mas pendentes de recebimento, apresente alguma inconsistência/diferença (a contribuinte fez prova de quase a totalidade das receitas, mas não da totalidade), esta só poderia ser tributada no RET e não no regime do lucro real, nos termos do artigo 4º da Lei nº 10.931/04 (itens 13 a 18 – a opção pelo RET é definitiva). 24. Em vista das razões fáticas e jurídicas aqui apresentadas, considero que deve ser cancelada integralmente a exigência em questão. Conclusão 25. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO DE OFÍCIO interposto e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 511DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.900210/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005
CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
Numero da decisão: 3301-005.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2005 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159-70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.159-70/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13819.900202/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não decorre de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado por meio de Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 02 10 /2 00 9- 73 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito para ser utilizado na compensação em questão. Com isso, decidiu pela não homologação da referida Declaração de Compensação. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva alegando, em suma, que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 12065.695. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que discorre sobre sua atividade, o contrato de exploração de patente e uso de marca que firmou com empresa estrangeira, as remessas de royalties, o direito ao crédito de CIDE, sob o amparo da MP n° 2.15970/01, e a correção do procedimento adotado utilização do crédito da CIDE para liquidação de débitos vincendos, via PER/DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.136, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13819.900202/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.136): Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 4 3 "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto como razão de decidir o voto condutor do Acórdão DRJ n° 1265.687, de 22/05/14, da lavra do i.julgador Bernardo Moraes Fiuza Pequeno: "(. . .) Verificase que o interessado fundamenta sua defesa no art. 4º da MP Nº 2.15970/2001, deste modo, transcrevo o referido dispositivo legal por ser de suma importância para a solução da lide (grifos de minha autoria). 'Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo. § 2o O Comitê Gestor definido no art. 5º da Lei nº 10.168, de 2000, será composto por representantes do Governo Federal, do setor industrial e do segmento acadêmicocientífico.' Percebese na leitura deste artigo, que a MP nº 2.15970/2001 concedeu crédito ao contribuinte nos casos de remessas ao exterior a título de róialties, o qual é calculado com base na contribuição devida. No entanto, o interessado informou na Declaração de Compensação crédito oriundo de pagamento indevido, ou seja, o crédito previsto na MP nº 2.15970/2001 não tem relação com o Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.900210/200973 Acórdão n.º 3301005.143 S3C3T1 Fl. 5 4 crédito de pagamento indevido, haja vista que o pagamento só é indevido se a CIDE não é devida. Por outro lado, o crédito da MP nº 2.15970/2001 só é gerado com base na CIDE que é devida. Portanto, percebese que a defesa sustenta um crédito distinto daquele informado na Declaração de Compensação. Ademais, ainda que o interessado obtivesse êxito em comprovar o suposto crédito previsto na MP nº 2.15970, este não poderia ser utilizado através de Declaração de Compensação, mas tão somente por meio de dedução da CIDE de períodos subseqüentes, em conformidade com o art. 4º, § 1º, inciso II, que diz (grifos meus): 'II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.' Portanto, diante de todo exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendose integralmente o Despacho Decisório, a fim de não homologar a Declaração de Compensação." Com base no acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.722234/2011-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL.
Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5( da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09.
Numero da decisão: 3401-005.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOS-LEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL. Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5( da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2007 a 30/09/2008 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. REPRESENTAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. DECRETOSLEIS 2.445/88 E 2.449/88. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DAS DCOMP. SUPERVENIENTE PEDIDO EXPRESSO DE DESISTÊNCIA DO PROCESSO POR ADESÃO AO REFIS. LEI 11.941/09 E PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 11/09. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL E IRREVOGÁVEL. Optando pelo parcelamento da Lei 11.941/09 e fazendo pedido expresso de desistência do processo, incidem os efeitos da confissão (irrevogabilidade e irretratabilidade) que aludem os artigos 5° da Lei 11.941/09 e 13 da Portaria PGFN/RFB 11/09. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 22 34 /2 01 1- 25 Fl. 6175DF CARF MF 2 convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Adotase o relatório do acórdão 1145.955 2ª Turma da DRJ/REC de piso (efls. 6.082 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: 1. Tratase de Auto de Infração do IPI, abrangendo nove períodos de apuração, de 31/03/2007 a 30/09/2008, lavrado pela DRF/Contagem. Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos, contida no detalhado Termo de Verificação Fiscal (fls. 014 a 039), em apertada síntese, diz que o Auto de Infração é decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas para o mercado interno de produtos industrializados importados pelo estabelecimento, equiparado a industrial, por força do inciso I do art. 9º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos geradores: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); 3. Do encontro dos créditos com os débitos, resultaram saldos devedores em apenas quatro períodos de apuração. Nos demais períodos, não houve falta de recolhimento, mas, da mesma forma, foi aplicada a multa por falta de lançamento, desta feita com cobertura de créditos, também prevista no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Grifo do Relator. 4. Foram ainda consideradas no lançamento as saídas para outros estabelecimentos da mesma empresa, pois não constava nas Notas Fiscais que se deu com suspensão do imposto. 5. A autuada foi intimada pessoalmente da exigência em 07/06/2011 e, irresignada, apresentou Impugnação, em 07/07/2011 (fls. 6.011 a 6.037) – considerada tempestiva pela SACAT/DRF/Contagem, conforme Despacho às fls. 6.063. Fl. 6176DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.176 3 5.1. No tocante à falta de lançamento, ataca dois aspectos: 1) A ilegalidade (frente aos arts. 46, I, c/c 51, I, do CTN) e, em decorrência, a inconstitucionalidade da sua equiparação a industrial, já que o art. 146, III, “a” da nossa Carta Magna diz que cabe à lei complementar a “definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes”. Entende, assim, que só é contribuinte no desembaraço aduaneiro, pois, neste caso, está claramente estabelecida a ocorrência do fato gerador no art. 46, I, do CTN, e, como não realiza nenhuma operação de industrialização, não poderia ser tributado na saída para o mercado interno (procura estribar sua defesa na jurisprudência dos TRF e do STJ); 2) Mesmo que admitida a incidência nas saídas para o mercado interno, não se poderia tributálas quando são para estabelecimentos da mesma empresa, pois se dá com suspensão, conforme art. 42, X, do RIPI/2002 (vigente à época dos fatos geradores), que seria um direito do contribuinte, independentemente do fato de ele citar ou não esta excepcionalidade na Nota Fiscal de Saída. 5.2. Quanto às multas de ofício aplicadas, diz que houve cerceamento do direito de defesa, pois o autuante enquadra duas multas distintas (por falta de lançamento – resultando falta de recolhimento ou não, pois havia cobertura de créditos), no mesmo dispositivo legal (art. 80 da Lei nº 4.502/64 e alterações), não podendo ele saber a qual das hipóteses elas se subsumem. Também alega que não é possível exigir duas sanções sobre a mesma suposta ilicitude e que as duas multas previstas seriam autoexcludentes. 5.3. Em seguida, suscita o efeito confiscatório da multa de ofício, que ofenderia o princípio esculpido no art. 150, IV, da Constituição Federal. 5.4. Ao final, requer que (in verbis): “ Diante todo o exposto ... seja julgado totalmente improcedente o lançamento tributário, tendo em vista que a operação de saída de mercadorias pela Impugnante de seu estabelecimento, sem que haja, conforme resta incontroverso nos autos, procedimento de industrialização, não é fato gerador de IPI; Sucessivamente ... seja anulado o Auto de Infração, por flagrante violação ao art. 10, IV do Decreto 70.235/72, uma vez que inexiste a devida capitulação legal para dar suporte à aplicação de duas multas distintas; Caso os pedidos anteriores não sejam acatados, esperase que o Auto de Infração seja parcialmente anulado e as multas aplicadas sejam afastadas; Fl. 6177DF CARF MF 4 Superados os pedidos acima, nos termos do art. 80 da Lei n. 4.502/64 ... ocorra a aplicação de uma só sanção tributária e não de duas, tendo em vista a falta de previsão legal para tanto. Por conseguinte, na hipótese de ser mantida (s) uma ou duas multas ... o percentual de 75% seja afastado ou parcialmente, sob pena de efeito confiscatório.” (Negritos do Relator). Diante de tais fatos a DRJ/REC julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento de forma integral. Irresignada, a contribuinte, mediante intimação perfectibilizada em 10 de junho de 2014 (efl. 6.096), interpôs recurso voluntário (em 27 de junho de 2014 efl. 6.105), no qual argumenta, em síntese: A não incidência do IPI na saída de produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, diante da inexistência de fato gerador; Sucessivamente, pleiteia a ilegitimidade da exigência do IPI e consectários sobre operações de remessa de bens para outros estabelecimentos da recorrente – suspensão da exigência; Sucessivamente, a exclusão dos valores lançados a título de multa; A nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal; Pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos Inicialmente, denotase, conforme relatado, que o presente recurso atende os requisitos do art. 5º, do Decreto nº 70.235/72, de modo que conheço dele. O primeiro argumento da Recorrente é a impossibilidade de incidência do IPI na saída de produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, diante da inexistência de fato gerador. Advoga que as decisões utilizadas pela DRJ/REC não haviam transitado em julgado e que a 1ª Seção do c. STJ, quando do julgamento do EREsp nº 139302/SC , anexado efl. 6.147. Conforme demonstra o informativo nº 0574 do STJ, a discussão em voga foi objeto de recurso repetitivo. Extraise do referido informativo: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE IPI SOBRE A SAÍDA DE PRODUTO DE ESTABELECIMENTO IMPORTADOR. RECURSO REPETITIVO (ART. 543C DO CPC E RES. N. 8/2008STJ). TEMA 912. Fl. 6178DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.177 5 Os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. Efetivamente, o fato de o nomen juris do tributo ser "Imposto sobre Produtos Industrializados" não significa que seu fato gerador esteja necessariamente atrelado a uma imediata operação de industrialização. O fato de o tributo incidir sobre o produto industrializado significa somente que é necessário e relevante que essa operação de industrialização, em algum momento, tenha ocorrido pois a circulação que se tributa é de um produto industrializado , mas não que a industrialização tenha que ocorrer simultaneamente a cada vez que se realize uma hipótese de incidência do tributo (fato gerador). A toda evidência, quando se está a falar da importação de produtos, a primeira incidência do IPI encontra guarida no art. 46, I, do CTN, que assim define o fato gerador: "Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira". Vejase que, para essa hipótese de incidência, não há a necessidade de operação de industrialização imediatamente associada ao desembaraço aduaneiro. Essa mesma lógica subsiste quando se tributa "o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os fornece a estabelecimento industrial ou equiparado a industrial" (art. 51, III, do CTN), ou "o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados" (art. 51, IV, do CTN), pois, nesses dois casos, também não há atividade de industrialização desenvolvida pelos contribuintes. Não foge a esta linha a segunda incidência do tributo sobre o importador, no momento em que promove a saída do produto do seu estabelecimento a título de revenda ("Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: [...] II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51"; "Art. 51. [...] Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante"). No CTN, não foi repetida a regra contida no art. 2º, II, da Lei n. 4.502/1964 que limitou o critério temporal "saída" apenas para os produtos de produção nacional. Sendo assim, a lei permitiu que também os produtos de procedência estrangeira estejam sujeitos novamente ao fato gerador do imposto quando da saída do estabelecimento produtor ou equiparado. Observese que essa autorização é perfeitamente compatível com o art. 4º, I, da Lei n. 4.502/1964, que equipara os importadores a estabelecimento produtor, isso porque o próprio art. 51, II, do CTN admitiu a equiparação. Outrossim, legislação mais recente estabeleceu a referida equiparação entre estabelecimento industrial e estabelecimentos atacadistas ou varejistas que adquirem produtos de procedência estrangeira (art. 79 da MP n. 2.158 35/2001 e art. 13 da Lei n. 11.281/2006). Dessa forma, seja pela combinação dos arts. 46, II, e 51, parágrafo único, do CTN, seja pela combinação dos arts. 51, II, do CTN, 4º, I, da Lei n. 4.502/1964, 79 da MP n. 2.15835/2001 e 13 da Lei n. 11.281/2006 nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade , os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Também se observe que essa incidência do IPI não se caracteriza como bis in idem, dupla tributação ou bitributação. Isto porque a Lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai Fl. 6179DF CARF MF 6 sobre o preço de compra no qual embutida a margem de lucro da empresa estrangeira, e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, no qual já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Ademais, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. Do mesmo modo quanto à tão falada questão da bitributação entre o IPI e o ICMS na revenda interna do produto importado. Nesse ponto, esclareço que a Lei Kandir (LC n. 87/1996) admite hipóteses expressas de bitributação entre o IPI e o ICMS. O art. 13, § 2º, estabelece que o valor do IPI não integra a base de cálculo do ICMS toda a vez que a operação configurar fato gerador de ambos os impostos, ou seja, a lei permite a bitributação, mas minora seus efeitos ao retirar o IPI da base de cálculo do ICMS. Essa regra é uma mera reprodução do disposto no art. 155, § 2º, XI, da CF, que parte do pressuposto justamente da possibilidade de se bitributar pelo IPI e pelo ICMS. Tal não transforma, de modo algum, o IPI em ICMS, ou cria o chamado "ICMS federal", dadas as competências tributárias distintas das exações. Quanto ao GATT, registrese que a cláusula de obrigação de tratamento nacional tem aplicação somente na primeira operação (a de importação). A segunda operação já é interna. Há dois fatos geradores. Desse modo, a igualdade ao tratamento nacional resta preservada para a primeira operação. Precedentes citados: REsp 1.386.686SC, Segunda Turma, DJe 24/10/2013; e REsp 1.385.952SC, Segunda Turma, DJe 11/9/2013. EREsp 1.403.532SC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para o acórdão Min. Mauro Campbell Marques, Corte Especial, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015. (Grifase). Diante da decisão do E. STJ proferida em recurso repetitivo nada há de se acrescentar, e se denota que o entendimento adotado pela DRJ/REC deve ser mantido, motivo qual não merece guarida o argumento da recorrente. O segundo argumento da Recorrente se refere à ilegitimidade da exigência do IPI e consectários sobre operações de remessa de bens para outros estabelecimentos da Recorrente. Alegou que o entendimento disposto no acórdão recorrido não deve prevalecer, “pois o decreto prevê a suspensão no caso em exame de forma incondicionada, não sendo lícito à fiscalização estabelecer um requisito adicional para o seu gozo (a saber, a informação em nota fiscal da intenção de se valer da suspensão)”. Bom, conforme inciso X do art. 42 e inciso III do art. 341, do RIPI /2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos, estabelecem que: Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: [...] X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; Fl. 6180DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.178 7 Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: [...] III "Saído com Suspensão do IPI", nos casos de suspensão do tributo, declarado, do mesmo modo, o dispositivo legal ou regulamentar concessivo; Diante da legislação exposta, denotase que o produto “poderá” sair com suspensão, ou seja, uma faculdade/opção, cabendo ao contribuinte a adesão. Para tanto, deve o contribuinte informar na nota fiscal a informação “Saído com Suspensão do IPI”, conforme determina o art. 341, III, do RIPI/2002. No caso em exame, a Recorrente não adicionou esta informação nas notas fiscais, implicando renúncia ao direito de suspensão. Até porque tal informação é requisito essencial – uma condicionante para que haja a suspensão do IPI. A recorrente não adicionou a informação “Saído com Suspensão do IPI”, o que demonstra sua não opção pela suspensão, logo, deveria ter recolhido o IPI devido, o que não fez, motivo pelo qual sobreveio o lançamento tributário em questão. O terceiro argumento da Recorrente diz respeito à exclusão dos valores lançados a título de multa. Vejase: Extraise da decisão do acórdão recorrido: 13. Quanto às multas, as infrações à legislação tributária pela falta de recolhimento de exações internas detectadas em procedimento fiscal são penalizadas com a multa de ofício, sendo a proporcionalidade básica, em relação ao tributo, de 75 %. 13.1. Ocorre que, no caso do IPI, imposto escritural, há créditos e débitos apurados em um mesmo período, o que pode não implicar falta de recolhimento, ainda que haja uma infração, quando os créditos superam os débitos, após devidamente reconstituída a escrita fiscal. 13.2 Mas a infração, ainda que coberta por créditos, não pode deixar de sofrer sanção, daí a razão de haver duas multas previstas em um mesmo artigo: uma quando os débitos superam os créditos (multa por falta de recolhimento) e outra quando os créditos ainda superam os débitos (multa com cobertura de créditos). E não são cumulativas, mas alternativas. Vejamos novamente o dispositivo legal em questão (art. 80 da Lei nº 4.502/64): (Grifo do Relator). Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de Fl. 6181DF CARF MF 8 ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 13.3 E isto está bem explicitado no Auto de Infração, pelo que não há razão para o contribuinte insurgirse contra esta exigência, por cerceamento do direito de defesa. 13.4. Não há “sobreposição” de multas, como quer dizer a impugnante. O valor das infrações apuradas (fls. 005) é de R$ 29.498,92 + R$ 1.058,97 + R$ 1.851,40 + R$ 521,15 + R$ 27.037,32 + R$ 133.077,67 + R$ 113.219,79 + R$ 27.362,43 + R$ 16.119,31 + R$ 39.326,06 = R$ 389.072,92. 13.5. Se somarmos a multa por falta de recolhimento (R$ 141.871,03) com a multa pelo imposto não lançado com cobertura de crédito (R$ 149.161,37), chegaremos a R$ 291.804,77, que representam exatamente 75 % do valor das infrações (R$ 389.072,92), pelo que não procede a alegação de duplicidade na aplicação das sanções. Conforme exposto, a DRJ/REC analisou este ponto, e proferiu decisão motivada, a qual se ratifica como razões de decidir no presente voto. Por fim, a Recorrente sustenta a nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal, “isto porque, apesar de o auto de infração ter imposto à ora Recorrente duas penalidades de natureza distintas (multa proporcional e multa exigida isoladamente), foi indicado um único dispositivo como enquadramento legal da penalidade (art. 80 da Lei nº 4.502/64), sem a exposição no auto de infração da penalidade à qual ele se aplica (multa proporcional ou multa exigida isoladamente) e das razões que fundamental a sua aplicação”. Extraise do auto de infração (efl. 06): Percebese no que tange aos fatos geradores entre 01/03/2007 e 31/05/2007, foi enquadrado no art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação dada pela medida provisória 351/07 e no que tocante aos fatos geradores ocorridos entre 01/06/2007 e 30/09/2008, no art. 80 da Lei 4.502/64 com a redação dada pela Lei 11.488/07. Cabe expor que ambas as multas (multa proporcional e multa exigida isoladamente) se originam do art. 80 da Lei 4.502/64. Uma quando os débitos superam os créditos (multa por falta de recolhimento) e outra quando os créditos ainda superam os débitos (multa com cobertura de créditos). Ademais, as duas redações dadas ao art. 80 da Lei 4.502/64, citadas no auto de infração demonstram que as multas (multa proporcional e multa exigida isoladamente) são alternativas, ou uma ou outra, ou seja, não são cumulativas. Vejase: Art.13. O art. 80 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art.80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do Fl. 6182DF CARF MF Processo nº 13603.722234/201125 Acórdão n.º 3401005.346 S3C4T1 Fl. 6.179 9 valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (MP 351/07). Grifo do Relator. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Deste modo, temse que ambas as multas possuem amparo no art. 80 da Lei 4.502/64; logo, não há se falar em nulidade do auto de infração por erro no enquadramento legal. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 6183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13837.720416/2013-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente AMARILIS VIRGINIA BUENO SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 72 04 16 /2 01 3- 80 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 51 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 11/15), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$7.802,08 para saldo de imposto a pagar de R$14.279,70. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas no valor de R$23.555,00, consignando (fls.12/13): Impugnação Cientificada à contribuinte em 16/5/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 3/6/2013, à fl. 2/16 dos autos. A defesa apresentada foi assim sintetizada na decisão recorrida: Estaria trazendo provas de que tem direito às deduções pleiteadas, e afirma que os tributos não podem ter efeito confiscatório. Contesta a exigência do Fisco no sentido de que apresente provas do efetivo pagamento das despesas, uma vez que os recibos são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas. Transcreve trechos de doutrina e jurisprudência para apoiar seus argumentos. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente em decisão assim ementada (fls. 24/29): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 52 3 Exercício: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 14/10/2016, sextafeira (fl. 45), a contribuinte, em 16/11/2016 (fl. 32), apresentou recurso voluntário, às fls. 32/43, no qual alega, em apertado resumo, que: a fiscalização só poderia exigir a comprovação do efetivo pagamento se demonstrasse a inidoneidade dos recibos apresentados. a legislação de regência disporia que a prova das despesas médicas se daria mediante apresentação dos recibos, não podendo o Fisco exigir a prova da forma que entender conveniente. inexistiria dispositivo legal que respaldasse a exigência de apresentação de documentos bancários, de nexo causal entre saques e pagamentos, de cheques. a jurisprudência do CARF iria no sentido de acatar os recibos como provas suficientes para comprovar as deduções declaradas. deveria se prestigiar a boafé do contribuinte, que teria apresentado a documentação necessária a comprovar suas despesas. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 53 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 54 5 Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, a contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida, quanto à prestação dos serviços. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 55 6 seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento a recorrente não está sendo acusada de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13837.720416/201380 Acórdão n.º 2002000.377 S2C0T2 Fl. 56 7 (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, ainda que intimada a apresentar comprovação do efetivo pagamento das despesas, a recorrente não se desincumbiu do seu ônus, limitandose a apresentar os recibos, como consigna a autuação. Assim, na ausência da comprovação exigida, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.000665/2007-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. DISTRITO FEDERAL. CONFAZ. ATIVO PERMANENTE.
A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30.
Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Distrito Federal em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30.
O investimento em ativo permanente não consta do art. 30, da Lei nº 12.973/2014, sendo improcedente o lançamento fundado em tal exigência.
Numero da decisão: 9101-003.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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LEI COMPLEMENTAR 160, de 2017. LEI 12.973/2014, ART. 30, §4º E §5º. PUBLICAÇÃO, REGISTRO E DEPÓSITO DE BENEFÍCIO. DISTRITO FEDERAL. CONFAZ. ATIVO PERMANENTE. A Lei Complementar nº 160, de 2017, inseriu o §5º no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, determinando que seria aplicável aos processos pendentes. Ademais, esta Lei inseriu o §4º, no artigo 30, da Lei nº 12.973/2014, para impedir a exigência de outros requisitos ou condições, além daqueles estabelecidos pelo próprio artigo 30. Com a publicação, registro e depósito do incentivo do Distrito Federal em discussão nos autos, perante o CONFAZ, não são exigíveis outros requisitos para o reconhecimento da subvenção para investimento, além dos enumerados pelo artigo 30. O investimento em ativo permanente não consta do art. 30, da Lei nº 12.973/2014, sendo improcedente o lançamento fundado em tal exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 06 65 /2 00 7- 19 Fl. 943DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de auto de infração de IRPJ e CSLL quanto a diversos trimestres nos anos de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006, com imposição de multa de 75%, sendo efetuada a “glosa de despesas não incorridas, advindas de benefícios fiscais concedidos pelo Governo do Distrito Federal, conforme Termos de Acordo de Regime Especial” (fls. 110, volume 1). Extraise do Temo de Verificação Fiscal (fls. 147): Foram apresentados os Termos de Acordo de Regime Especial nº 63/2000 (fls. 33) e nº 25/2002 (fls. 39), firmados entre o Governo do Distrito Federal e as filiais 000760 e 000840, com fulcro na Lei 1.254/96 e Decreto nº 20.322/99. (...) Em correspondência datada de 23 de março de 2007 (fls. 46) o contribuinte confirma e detalha que: o Termo de Acordo autoriza as unidades da empresa, estabelecidas em Guará e Taguatinaga, a utilizar o tratamento tributário definido no artigo 37, II, da Lei 1.254, de 08/11/1996, com a redação dada pela Lei nº 2.381, de 20/05/1999, e sua regulamentação; O Decreto 25.372 de dispõe sobre este tratamento tributário para o segmento atacadista/distribuidor autorizando o atacadista a abater percentuais sobre o montante das operações de saídas de mercadoria. Daí concluise que o contribuinte trata os abatimentos advindos dos Regimes Especiais firmados com o Governo do Distrito Federal como “subvenções para investimento”, ao contabilizá los como reserva de capital. A distinção entre subvenções para investimento e subvenções para custeio (estas, ao contrário das primeiras, computadas na determinação do lucro operacional conforme disposto no artigo 392 do Decreto 3.000/99) foi exaustivamente estudada pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 944 3 Receita Federal, cujas conclusões encontramse no Parecer Normativo CST n° 112, de 1978 (DOU de 11.01.1979) (...) Do exposto, percebese que as subvenções para investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo Poder Público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente, na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. Vale frisar que, nos termos do próprio Parecer, a simples aplicação dos recursos em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimentos. Subentende se, por fim, que não havendo expressa vinculação entre o recurso e a aplicação, o beneficiário poderá aplicalo da maneira que mais lhe convier, constituindo, assim, uma subvenção para custeio ou operação. Ressaltase que os atos reguladores dos Termos de Acordo de Regime Especial n° 063/2000 e 025/2002, firmados entre o contribuinte fiscalizado e o Governo do Distrito Federal não garantem, necessariamente, a aplicação integral da quantia subvencionada em investimentos. Tampouco tem o registro contábil da subvenção como reserva de capital o condão de determinar que o montante tenha esse destino. (...) O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (fls. 541, volume 3) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário; 2001 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO As subvenções para investimento oriundas de isenção ou redução de impostos, para receberem tal qualificação e deixarem assim de ser computadas na determinação do lucro real e na base de cálculo da contribuição social sobre o lucro lÍquido, devem ser concedidas pelo Poder Público já com a finalidade específica de sua necessária e integral aplicação em investimentos concernentes na implantação ou expansão de empreendimentos econômicos da empresa beneficiária. Se a lei, o ato normativo administrativo ou o acordo firmado entre o Poder concedente e a contribuinte não estabelece essa exigência, os recursos oriundos de isenção ou redução de impostos não podem ser qualificados como subvenção para investimento, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. Lançamento Procedente Fl. 945DF CARF MF 4 O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 552, volume 3), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção negou provimento (acórdão 120200.045, fls 573, pdf 38). O acórdão tem a ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. As subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte foi intimado em 24/11/2009, terçafeira (fls. 588), apresentando embargos de declaração em 30/09/2009, segundafeira (fls. 589). O Presidente de Turma não admitiu os Embargos de declaração (fls. 802). Nesse contexto, o contribuinte foi intimado em 19/07/2016 (fls. 807), interpondo recurso especial em 03/08/2016 (fls. 809). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito de subvenção para investimento, constando como acórdãos paradigmas os de nº 9101002.329 e 9101001.798 O recurso foi admitido, conforme decisão do Presidente de Câmara: Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que "a concessão de incentivos à implantação de indústrias consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Ceará, dentre eles a realização de operações de mútuo em condições favorecidas, notadamente quando presentes: i) a intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em transferir capital para a iniciativa privada; e ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos em seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. As subvenções para investimentos devem ser registradas diretamente em conta de reserva de capital, não transitando pela conta de resultados." O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que "as subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu". Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 945 5 plenamente configurada a divergência jurisprudencial pelo Sujeito Passivo. (...) Com fundamento nos artigos 18, inciso III, 67 e 68, do Anexo, II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU TOTAL SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pelo Sujeito Passivo, admitindo a rediscussão da matéria em relação a subvenção de investimento. A Procuradoria apresentou contrarrazões, pleiteando seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, sem que tenha questionado o conhecimento (fls. 908). O contribuinte apresentou petição, em 23/08/2018, na qual alega fato superveniente: publicação da Lei Complementar nº 160/2017. Apresentou comprovante de certificado de registro e depósito emitido pelo CONFAZ, além de informar a publicação da Portaria distrital nº 71/2018 (fls. 924). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte O recurso especial do contribuinte é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara quanto à matéria subvenção para investimento. A Procuradoria não questionou o conhecimento do recurso especial em suas contrarrazões. Nesse contexto, adoto as razões da Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial na matéria referida. Mérito: O recurso especial do contribuinte trata dos incentivo fiscal (Distrito Federal) como subvenção para investimento. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital Fl. 947DF CARF MF 6 social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício distrital, regulado pelas normas estaduais acima referidas (Lei distrital 1.254/1996, Lei distrital 2.381/1999, Decretos distritais 20.322/1999 e 25.372). Ocorre que foi aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 946 7 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5 º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Fl. 949DF CARF MF 8 Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às Fl. 950DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 947 9 operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro fiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro fiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; Fl. 951DF CARF MF 10 II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja Fl. 952DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 948 11 feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Em consulta ao sítio do CONFAZ (https://www.confaz.fazenda.gov.br/legislacao/certificadoregistrodepositocvicms190171/distrito federal/2018/sei_mf0895926certificadoderegistroedeposito2118.pdf), constatei Certificado de Registro de Depósito – SE / CONFAZ 21/2018, do qual se extrai: O Secretário Executivo do CONFAZ, no uso de suas atribuições prevista no art. 5º, incisos I, II, e XIV do Regimento do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ, aprovado pelo Convênio ICMS 133/97, de 02 de janeiro de 1998; bem como no inciso II do art. 3º da Portaria nº 525, de 7 de dezembro de 2017, que aprovou o regimento interno da Secretaria Executiva do CONFAZ, para os fins do disposto na Lei Complementar nº 160, de 07 de agosto de 2017, e nos termos do §3º da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, de 15 de dezembro de 2017, torna público e CERTIFICA o seguinte: Que o DISTRITO FEDERAL, representado pelo seu Secretário de Fazenda Wilson José de Paula, efetuou o depósito nesta Secretaria Executiva do CONFAZ, nos termos do inciso II da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, das PLANILHAS DOS ATOS NORMATIVOS E DOS ATOS CONCESSIVOS DOS BENEFÍCIOS FISCAIS E DA CORRESPONDENTE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA, cuja relação dos atos normativos foi publicada no Diário Oficial do Distrito Federal, por meio da Portaria nº 71, de 15 de março de 2018, alterada pela Portaria n° 76, de 27 de março de 2018, publicadas nos dias 16 e 29 de março de 2018, respectivamente. O depósito foi efetuado no dia 29 de junho de 2018por meio do Ofício SEIGDF nº 948/2018 SEF/GAB acompanhado de mídia física (pen drive) na forma do Despacho nº 39/18, de 12 de março de 2018. O Distrito Federal declarou que a documentação incluída pela Secretaria Executiva do CONFAZ no processo específico no Sistema Eletrônico de Informações SEI nº 12004.101313/2018 61, possui o mesmo teor da documentação depositada nesta Secretaria Executiva, por meio do Ofício SEIGDF nº 948/2018 SEF/GAB acompanhado de mídia física (pen drive). Fl. 953DF CARF MF 12 O depósito efetuado foi registrado sob nº 21/2018. (grifo nosso) Ademais, verifico a publicação no sítio da Fazenda do Distrito Federal da Portaria 71, referida pelo documento do CONFAZ acima citado. (http://www.fazenda.df.gov.br/aplicacoes/legislacao/legislacao/TelaSaidaDocumento.cfm?txtNumero= 71&txtAno=2018&txtTipo=7&txtParte=.) Esta Portaria 71 foi alterada pela Portaria nº 76/2018 – também mencionada na certidão do CONFAZ – e pela Portaria 146/2018, não mencionada na certidão do CONFAZ. De toda forma, a citada Portaria nº 71 dá publicidade à relação de atos normativos de que trata o inciso I da cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17. Dentre estes atos normativos, destacase o seguinte do Anexo II à citada Portaria 71, com redação conferida pela Portaria 71: ATOS NORMATIVOS NÃO VIGENTES EM 8 DE AGOSTO DE 2017 Unidade Federada: Distrito Federal Item Atos Número Ementa ou Assunto Dispositivo Específico Data de Publicação no DODF Termo Inicial Termo Final Obser vações 1 Lei 1.254/1996 Regime Especial de Apuração que faculta ao contribuint e a opção pelo abatimento a título de montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores. Art. 37, inciso II (redação dada pela Lei nº 2.381/1999) 21/05/1999 21/05/1999 03/03/20 08 (revogação : art. 1º da Lei nº 4.100/2008 ) O fato, portanto, atesta o cumprimento dos requisitos tratados pelos artigos 2º e 3º, da Lei Complementar nº 160 e, assim, a aplicabilidade do artigo 10, da mesma Lei Complementar ao caso dos autos. Afinal, os Termo de Acordo questionados pela fiscalização (fls. 35) tratam exatamente de incentivo estadual fundado no artigo 37, II, da Lei distrital nº 1.254. Lembro que a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 15, XII, §2º, verbis: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do Fl. 954DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 949 13 art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar. Nesse contexto, cumpridos os requisitos tratados pelo artigo 3º referido expressamente ao final do artigo 10 há que se observar apenas os requisitos tratados pelo artigo 30, da Lei nº 12.973/2014: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Fl. 955DF CARF MF 14 § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário, fundamentalmente, por aplicar o Parecer COSIT 112, de 1978, interpretando necessário o investimento em ativo permanente (fls. pdf 43, volume 3) Primeiramente, fazse necessário conceituar subvenção para investimento. Assim, transcrevo o Parecer Normativo CST nº 112, de 1978 (...) Como vemos o ilustre autor entende que as subvenções para investimento servem para acréscimos ao ativo permanente. Este entendimetno se coaduna com parecer CST citado. Assim, concluo que as Subvenções para invesimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenão devre estar prévia e expressamente determinarda pelo Poder Público que o concedeu. (...) Assim, concluo que as Subvenções para Investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo poder público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Publico que o concedeu. (...) No caso em questão, a suposta subvenção para investimento consistia que na operação interna era destacado na nota fiscal de saída o ICMS na alíquota de 17% a qual é escriturada no livro Registro de Saídas. Ao se apurar o ICMS para pagamento era considerado o ICMS de 3,5%, e não 17%. A contribuinte reconheceu a despesa de ICMS em conta de resultado (ICMS sobre vendas) em contrapartida à conta ICMS a pagar (passivo). Os abatimentos de ICMS foram debitados da conta do passivo de ICMS e creditados em conta do Patrimônio líquido chamada Créditos tributários. A fiscalização entendeu que os valores levados a crédito da conta Créditos Tributários não configurariam Subvenções para investimento, mas sim, um simples estorno de despesa de ICMS contabilizada na venda da mercadoria. Como já concluído anteriormente as subvenções para investimento teriam que ter sua destinação vinculada à aplicação em investimentos. Assim, o poder público deveria condicionar a subvenção à finalidade de implementação ou expansão e integralmente. Assim, não entendo o benefício auferido como subvenção para investimento, pois não há nos Fl. 956DF CARF MF Processo nº 10675.000665/200719 Acórdão n.º 9101003.841 CSRFT1 Fl. 950 15 autos nenhum dispositivo que determine que os recursos obtidos sejam necessariamente e integralmente aplicados em investimentos de implementação ou expansão dos empreendimentos. As contrapartidas exigidas pelo Governo do Distrito Federal não se coadunam com investimentos de implementação ou expansão. Este também foi o apontamento do lançamento tributário, extraindose do Termo de Verificação Fiscal que o acompanha: A distinção entre subvenções para investimento e subvenções para custeio (estas, ao contrário das primeiras, computadas na determinação do lucro operacional conforme disposto no artigo 392 do Decreto 3.000/99) foi exaustivamente estudada pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, cujas conclusões encontramse no Parecer Normativo CST n° 112, de 1978 (DOU de 11.01.1979) (...) Do exposto, percebese que as subvenções para investimento são aquelas em que seu beneficiário recebe as vantagens financeiras entregues pelo Poder Público, com o intuito específico de aquisição de bens e direitos que comporão ou incrementarão seu ativo permanente, na finalidade de expandir suas atividades econômicas, ou seja, a destinação dos recursos decorrentes da subvenção deve estar prévia e expressamente determinada pelo Poder Público que o concedeu. A exigência de investimento em ativo permanente, entretanto, não consta do art. 30, razão pela qual dou provimento ao recurso especial do contribuinte, aplicando o regramento da Lei Complementar nº 160. Conclusão: Pelas razões expostas, conheço do recurso especial, dandolhe provimento. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 957DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000462/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.717
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que, em relação aos períodos de apuração 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005, a unidade preparadora indique, nos autos, as planilhas que informam o valor das respectivas bases de cálculo.
(assinado digitalemte)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalemte)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que, em relação aos períodos de apuração 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005, a unidade preparadora indique, nos autos, as planilhas que informam o valor das respectivas bases de cálculo. (assinado digitalemte) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalemte) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto.
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(assinado digitalemte) João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalemte) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de embargos de declaração (efls 600/603) em face do Acórdão nº 230101.815, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (fls. 331 e ss), julgado na sessão plenária de 9 de fevereiro de 2011, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005 IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .0 00 46 2/ 20 07 -3 0 Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 3 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. SALÁRIOUTILIDADE. VEÍCULO FORNECIDO PELA EMPRESA. NECESSIDADE DE PROVAR A DISPENSABILIDADE PARA O TRABALHO. CONFISSÃO DA EMPRESA EM SUA CONTABILIDADE. Veículo fornecido pela empresa ao empregado ou ao contribuinte individual, quando dispensáveis para a realização do trabalho, têm natureza de salário utilidade, compõem a remuneração e estão no campo da incidência da contribuição previdenciária, seja a incidente sobre a remuneração dos empregados ou aquela incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Se a empresa já adiciona ao LALUR parte das despesas com veículos, temos a confissão de que parte das despesas são dispensáveis, o que autoriza a inclusão dessa parte na base de cálculo da contribuição previdenciária DIÁRIAS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DA RELAÇÃO DE EMPREGADOS. O valor das diárias até 50% da remuneração é isento de contribuição previdenciária em todos os casos, conforme interpretação harmonizada da alínea “h” do §9º do art. 28 com o §8º do art. 28 da Lei 8.212/91. Não prevalece o lançamento não instruído com a individualização exata de cada empregado e sua respectiva remuneração, de modo a permitir a verificação do limite legal. CONTRIBUIÇÃO AO SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE como mero adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAC, SESI/SENAI e SEST/SENAT, deve ser recolhida por todas as empresas que são contribuintes destas. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 4 3 administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Sustenta o embargante que o Acórdão guerreado teria incorrido em omissão nos seguintes termos: 15. O levantamento BIC compreende as competências de 07/2002, 08/2002 e de 10/2002 a 12/2005, enquanto nas folhas 101/164, indicadas no acórdão n.º 230101.815/2012 do CARF, só é possível individualizar as bases de cálculo das competências de 10/2002 a 03/2003, 12/2003 a 11/2004 e 01/2005, com a ressalva de que as bases de cálculo indicada para as competências de 01/2004, 10/2004 e 01/2005 são maiores do que aquelas utilizadas pela Fiscalização no lançamento de ofício. Logo, podemos concluir que o acórdão foi omisso ao especificar as bases de cálculo que deverão ser utilizadas nas competências de 07/2002, 08/2002, 04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. 16. Diante de todo o exposto, propondo que sejam opostos embargos declaratórios em face do acórdão n.º 2301 01.815/2012 a fim de que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais esclareça quais as bases de cálculo deverão ser consideradas para o cálculo das contribuições devidas no levantamento BIC nas seguintes competências: 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. Os embargos foram admitidos nos seguintes termos: Da omissão Resta configurada a omissão apontada; decorrentemente, a Turma deve se manifestar acerca do que apontado pelo embargante, esclarecendo as bases de cálculo devidas e sanando a omissão apresentada. Assim, os embargos devem ser admitidos. È o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator Os Embargos são tempestivos por isso deles conheço. De fato entendo ter ocorrido uma omissão/contradição no acórdão embargado, passível de saneamento do por este colegiado. É que quando do julgamento, ao entender pela exclusão parcial em relação ao levantamento BIC, os julgadores utilizaram como base de cálculo nas planilhas de fls. 101/164 (efls.148/211) a coluna denominada "Base" quando o correto seria a coluna denominada "Fração". Isto porque a parcela denominada "Base" é composta dos valores considerados indedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda acrescidos de 35% relativos ao IRRF. Por isso a DRFB encontrou valores acima dos lançados pela fiscalização. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16095.000462/200730 Resolução nº 2301000.717 S2C3T1 Fl. 5 4 Contudo, compulsando os autos não conseguimos identificar de onde a autoridade fiscal encontrou os valores relativos ao lançamento nas competências 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005. Ante ao exposto voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que, em relação aos períodos de apuração 07/2002, 08/2002,04/2003 a 11/2003, 01/2004 e 11/04 a 12/2005, a unidade preparadora indique, nos autos, as planilhas que informam o valor das respectivas bases de cálculo. assinado digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 695DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722683/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008,2009
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008,2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008,2009 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 26 83 /2 01 3- 17 Fl. 795DF CARF MF Processo nº 10380.722683/201317 Acórdão n.º 1402003.494 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 10380.722683/201317 Acórdão n.º 1402003.494 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.726528/2015-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (Relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA -DESPESA MÉDICA - DOCUMENTAÇÃO HÁBIL As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (Relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (Relator) e Virgílio Cansino Gil, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 65 28 /2 01 5- 26 Fl. 76DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.891,83, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 19 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificada do lançamento em 22/06/2015 (fl. 20), a contribuinte apresentou, em 20/07/2015, por sua procuradora, a impugnação de fl. 2, na qual alegou que o valor glosado é referente a despesas médicas da própria declarante. Juntou os documentos comprobatórios de fls. 10 a 19. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJO que, por maioria, em 17/10/2017, no acórdão 1292.406, às efls. 46 a 50, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 55 a 64, no qual alega, em resumo, que deveria prevalecer o teor do voto vencido prolatado pelo auditor fiscal Bernardo Schmidt (DRJ), nos seguintes termos: Entendo, ao contrário da autoridade revisora, que os recibos juntados às fls. 42/43 contêm as informações necessárias para serem acatados: identificação da contribuinte, os valores recebidos e as respectivas data e a identificação do profissional, inclusive seu CPF e CRO. Quanto à ausência do endereço, em que pese o disposto no inciso III do art. 2o, acima transcrito, a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB se manifestou, na Solução de Consulta Interna nº 07/2015, no sentido de que a autoridade administrativa pode suprir, de oficio, a ausência do endereço Fl. 77DF CARF MF Processo nº 18470.726528/201526 Acórdão n.º 2002000.361 S2C0T2 Fl. 75 3 do prestador do serviço, por meio de consulta aos sistemas informatizados da Secretária da Receita Federal do Brasil. Além disso, também de acordo com a CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB, conforme Solução de Consulta Interna nº 23/2014, na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico ter sido emitido em nome do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal foram constatados razoáveis indícios de irregularidades. Pelo exposto, considerando os valores consubstanciados nos recibos de fls. 42/43, que totalizam R$ 10.414,99, e os recibos antes acatados pela autoridade revisora, que totalizam R$ 7.703,32, restabeleço a dedução no valor de R$ 18.118,31 a título de despesas médicas. Dessa forma, mantémse a glosa de despesa médica de R$ 6.942,89 (...) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 05/12/2017, efls. 51, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 02/01/2017, efls. 55, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como consta no relatório, o contribuinte solicita que o voto vencido do Relator, auditor da DRJ, prevaleça. No mencionado voto, há manutenção da glosa de despesa médica no valor de R$ 6.942,89. Como a recorrente não se insurge quanto ao ponto, não há impugnação em relação a glosa, atraindo o disposto no artigo 14 do Decreto nº 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Logo, verificando o voto vencedor prolatado pela DRJ, subsiste a glosa das despesas médicas havidas com o profissional Paulo Eduardo Capel Cardoso, como se vê: Fl. 78DF CARF MF 4 Em relação ao Voto do ilustre Relator, não há concordância com o acatamento dos recibos, juntados às fls. 42/43, referentes ao prestador Paulo Eduardo Capel Cardoso. Em análise dos documentos citados, observase que estes foram assinados pelo cirurgiãodentista, Paulo Eduardo Capel Cardoso, e que foram indicados o CPF e registro no CRO do profissional. No entanto, não foram apostos o endereço dele e o beneficiário dos serviços prestados, faltas que poderiam ser supridas de ofício pela autoridade lançadora, e nem a descrição dos serviços prestados, essencial para o acatamento da despesa. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18470.726528/201526 Acórdão n.º 2002000.361 S2C0T2 Fl. 76 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) Fl. 80DF CARF MF 6 É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18470.726528/201526 Acórdão n.º 2002000.361 S2C0T2 Fl. 77 7 Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Fl. 82DF CARF MF 8 Feitas estas considerações, como a contribuinte limitase a recorrer pleiteando a manutenção da ratio decidendi do voto vencido, prolatado pelo auditor fiscal Bernardo Schmidt (DRJ), conheço do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento, afastando as glosas das despesas médicas comprovadas às efls. 42 e 43. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto ao acolhimento dos recibos de efls. 42/43 para fins de comprovação de despesas médicas, uma vez que os mesmos não possuem a descrição dos serviços prestados pelo profissional Paulo Eduardo Capel Cardoso. Nesse sentido, adoto as razões de decidir do acórdão de primeira instância, conforme trecho do voto vencedor a seguir reproduzido (efls. 50): Em análise dos documentos citados, observase que estes foram assinados pelo cirurgiãodentista, Paulo Eduardo Capel Cardoso, e que foram indicados o CPF e registro no CRO do profissional. No entanto, não foram apostos o endereço dele e o beneficiário dos serviços prestados, faltas que poderiam ser supridas de ofício pela autoridade lançadora, e nem a descrição dos serviços prestados, essencial para o acatamento da despesa. As despesas dedutíveis são aquelas relativas a tratamento odontológico prestado ao contribuinte e seus dependentes, na forma do art. 8o. , inciso II, alínea“a”, e § 2o, inciso II, da Lei 8.212/91, reproduzido no Voto do Relator. Ocorre que sem a descrição dos serviços, não é possível identificar a que título foram pagos os valores ao profissional, impedindo o acatamento dessas despesas por falta de elemento essencial, qual seja, a prova de ter sido, de fato, tratamento odontológico. Em vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 18470.726528/201526 Acórdão n.º 2002000.361 S2C0T2 Fl. 78 9 (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009700/2008-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 24/06/2008
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE.
Aplica-se a retroatividade benigna quando a legislação deixa de definir o ato como infração.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO E OBRIGATORIEDADE.
A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Numero da decisão: 3002-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 24/06/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Aplica-se a retroatividade benigna quando a legislação deixa de definir o ato como infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO E OBRIGATORIEDADE. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. INFRAÇÃO ADUANEIRA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente BDP SOUTH AMERICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/06/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Aplicase a retroatividade benigna quando a legislação deixa de definir o ato como infração. INFRAÇÃO ADUANEIRA. AUSÊNCIA DE DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO E OBRIGATORIEDADE. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. INFRAÇÃO ADUANEIRA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 97 00 /2 00 8- 13 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11128.009700/200813 Acórdão n.º 3002000.518 S3C0T2 Fl. 99 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a aplicação de multa ao agente de carga pela não prestação de informação sobre carga importada, no prazo estabelecido pela Receita Federal (fls. 2 a 31). De acordo com o auto de infração e seus anexos, a autuada deveria ter informado no Siscomex Carga os dados relativos ao conhecimento de carga agregado até a data da atracação do navio, que se deu em 05.06.2008. Aplicouse a regra de transição, já que a prestação de informação no prazo mínimo de 48 horas, anterior à atracação, somente seria aplicável a partir de 2009. A informação foi prestada previamente à atracação, mas alterada em 24.06.2008 para retificar o valor do frete (fl. 18), o que configuraria prestação de informação fora do prazo, com base no disposto no § 1º do art. 45 da Instrução Normativa RFB nº 800/2007 e no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3/2008, que relaciona as hipóteses de exclusão de punibilidade. Por esse motivo, foi aplicada a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/1966, ipsis litteris: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ........................................................................................................ IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ........................................................................................................ e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (grifado) A autuada apresentou impugnação (fls. 36 a 39), na qual alegou que prestou em tempo hábil as informações relativas ao conhecimento agregado, às 18:15 do dia 04.06.2008, como consta da tela de sistema juntada aos autos, e que o conhecimento Master citado no auto de infração não corresponde ao conhecimento agregado sobre o qual se discute, motivos pelos quais requer a anulação do auto de infração. A Delegacia de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1679.292 (fls. 69 a 73), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista que os atos normativos emitidos pela Receita Federal, analisados em conjunto, definem que a retificação de CE constituise informação prestada fora do prazo e que o erro na informação do número do manifesto em apenas uma das folhas não afetou a compreensão dos fatos, pois todas as demais informações estavam corretas, como o número do CE, nome do navio e data de atracação. O acórdão foi assim ementado: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11128.009700/200813 Acórdão n.º 3002000.518 S3C0T2 Fl. 100 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 04/06/2008 MULTA POR RETIFICAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE INFORMAÇÃO ACERCA DE CARGA. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. Nos termos do disposto pela Instrução Normativa RFB nº 800/2007 e Ato Declaratório Executivo Corep nº 03/2008, constitui obrigação da agência marítima prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca da carga transportada na forma, prazo e condições estabelecidos, sob pena de incorrer em infração prevista pelo artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decretolei nº 37/1966, com a redação pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. A multa é aplicada para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento eletrônico ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 04.09.2017, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl. 78, e protocolizou o recurso voluntário em 03.10.2017, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 80. Em seu recurso voluntário (fls. 82 a 92), a recorrente alega que o art. 45 da IN RFB nº 800/2007 foi revogado em 2014, devendo tal alteração ser aplicada em atenção à retroatividade benigna; que, ao promover essa revogação, a própria Receita Federal reconheceu que não havia infração no caso de retificação após o prazo, entendimento esse externado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 2/2016; que até 01.04.2009 a parte da referida Instrução Normativa relativa às penalidades não tinha vigência; que não se causou embaraço ou prejuízo à fiscalização aduaneira, devendo ser aplicado o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Retroatividade Benigna Quanto ao pleito para que seja aplicada a retroatividade benigna no caso em tela, em virtude da revogação do art. 45 da IN RFB nº 800/2007 e da manifestação da Receita Federal externada por meio da Solução de Consulta Cosit nº 2/2016, me pronuncio favoravelmente a seu atendimento. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11128.009700/200813 Acórdão n.º 3002000.518 S3C0T2 Fl. 101 4 De fato, em 2014 a Receita Federal promoveu uma alteração substancial na referida instrução normativa, alteração essa que, na parte que nos toca, consistiu em revogar integralmente o capítulo de penalidades, que se estendia do art. 45 até o 48, dentre os quais se encontrava o dispositivo que fundamentou a lavratura da multa, § 1º do art. 45, que se transcreve a seguir: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. ........................................................................................................ (grifado) Este capítulo de penalidades compunhase de uma combinação de transcrição de textos legais, ipsis litteris, com disciplinamentos complementares concebidos pela Receita Federal para a execução do disposto em lei. Assim, com a sua revogação, o texto que dava o mesmo tratamento à retificação de informação que aquele dado à prestação de informação fora do prazo, motivação para a lavratura do auto, deixou de existir, pois tinha sua origem na própria Instrução Normativa. Apenas por este ato de revogação, já está presente a condição para que se faça a legislação atual retroagir à época dos fatos, com base no art. 106 do Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ................................................................................ II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; ........................................................................... Posteriormente, a fim de uniformizar o entendimento a ser adotado pelos servidores quanto aos fatos pretéritos à revogação, foi editada a Solução de Consulta Interna Cosit nº 2/2016, por meio da qual emitiuse a interpretação de que as alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da multa. Em que pese uma solução de consulta interna da Cosit não ter o peso de determinar a decisão neste Colegiado, ela expressa a mudança de interpretação sobre a matéria, em favor do contribuinte, e, por tudo isso, acolho o pedido da recorrente. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11128.009700/200813 Acórdão n.º 3002000.518 S3C0T2 Fl. 102 5 Quanto aos demais argumentos apresentados no Recurso Voluntário, nenhum teria o condão de exonerar a multa. O argumento relativo à vigência dos prazos iniciarse em 2009 não procede, pois o fato ocorreu em 2008, quando já vigia a obrigação de prestar a informação, desde que antes da atracação. O que passou a viger a partir de 2009 foi o prazo mínimo de 48 horas antes da atracação para prestar as informações requeridas. No que toca à alegação de que nenhum dano foi causado ao controle aduaneiro, temos que a infração em matéria aduaneira tem caráter objetivo, bastando que o fato concreto subsumase ao tipo legal para que seja aplicada a penalidade, não sendo relevante a intenção de cometer o ato infracional ou a extensão das consequências que dele decorrem, pois assim determina o art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, in verbis: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifado) Ademais, e este aspecto é igualmente importante, a autoridade administrativa encontrase estritamente vinculada à lei, entendida em sentido amplo. Então, uma vez constatada a ocorrência de ato que se entenda infracional, deve ser aplicada multa. Esse é o entendimento que se retira do art. 142 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (grifado) Por fim, no tocando à denúncia espontânea, esta matéria foi recentemente sumulada pelo Carf, o que implica a adoção obrigatória do entendimento professado pelo Conselho nos seguintes termos: Súmula Carf nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11128.009700/200813 Acórdão n.º 3002000.518 S3C0T2 Fl. 103 6 inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (grifado) Por essa razão, não existe a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea no contencioso administrativo, não podendo ser acolhida esta alegação. Com essas considerações, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e determinar o cancelamento da exigência fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 103DF CARF MF
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