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Numero do processo: 13888.002746/2003-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CABIMENTO.
Existência de contradição entre a fundamentação do acórdão e decisão proferida configura vício que deve ser sanado com a prolação de novo acórdão pelo Colegiado nos termos do art.. 65 do RICARF.
IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN.
Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerando-se o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para, sanando a contradição apontada pela relatora, manter inalterado o resultado do julgamento, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 EMBARGOS DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Existência de contradição entre a fundamentação do acórdão e decisão proferida configura vício que deve ser sanado com a prolação de novo acórdão pelo Colegiado nos termos do art.. 65 do RICARF. IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerando-se o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador.
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DECADÊNCIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado OMIR JOSÉ LOURENÇO ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 EMBARGOS DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Existência de contradição entre a fundamentação do acórdão e decisão proferida configura vício que deve ser sanado com a prolação de novo acórdão pelo Colegiado nos termos do art.. 65 do RICARF. IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para, sanando a contradição apontada pela relatora, manter inalterado o resultado do julgamento, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 27 46 /2 00 3- 12 Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13888.002746/200312 Acórdão n.º 9202005.178 CSRFT2 Fl. 794 2 Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o acórdão de nº 9202003.976, que por unanimidade dos votos negou provimento ao recurso especial interposto pelo Procurador. Referido acórdão, entendendo ter havido pagamento parcial do tributo, manteve a aplicação do art. 150, §4º do CTN para declarar a decadência de todo o lançamento. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 1998 IRPF. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. ART. 150, §4º DO CTN. Havendo nos autos existência de pagamento ainda que parcial do imposto devido no período, deve ser mantida a aplicação do art. 150, §4º do CTN considerandose o termo inicial do prazo decadencial para o lançamento a data da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado Segundo a Embargante a decisão foi omissa em relação ao fato de que o valor considerado como pago foi, na mesma Declaração de Ajuste Anual, lançado como valor restituído ao contribuinte. Segundo a Embargada tratase de informação relevante pois caracteriza que na prática não ocorreu a antecipação de pagamento do imposto. No despacho de fls. 771/772 foi esclarecido que o Colegiado não se manifestou sobre o tema pois este não fez parte das alegações do recurso especial interposto e assim estaríamos diante de matéria inovadora, portanto preclusa. Foi esclarecido também que embora não haja omissão no julgado, analisando o teor do acórdão embargado é possível notar que este é contraditório na medida em que apesar de concluir pela existência de pagamento parcial levando a manutenção da decadência nos termos do art. 150, §4º do CNT por mais de uma vez mencionou não haver nos autos provas desse pagamento. Desta forma os embargos foram recebidos para sanar a contradição existente. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13888.002746/200312 Acórdão n.º 9202005.178 CSRFT2 Fl. 795 3 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme se depreende do relatório do acórdão recorrido o objeto da lide é a discussão acerca da existência de comprovação de pagamento antecipado do imposto, ainda que parcial, requisito necessário para atração da regra decadencial prevista no art. 150, §4º da CTN. Em sede de Recurso Especial a União se limitou a justificar sua divergência em razão de não haver nos autos prova do pagamento do imposto devido pelo Contribuinte e fez juntar paradigmas que corroboram sua tese. Ocorre que este Colegiado, compulsando os autos observou que a Declaração de Ajuste Anual de fls. 175 e o Demonstrativo de Apuração juntado às fls. 194 traz informação de que para o mesmo período de apuração foi realizado o pagamento, por meio de Carnê Leão, do total de R$ 270,00 (duzentos e setenta reais). Quanto ao fato gerador do imposto em questão a Súmula CARF nº 38, assim dispõem: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Considerando que o fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física é complexivo, findandose em 31 de dezembro de cada ano, tem decido este Colegiado que devem ser considerados como pagamento apto a atrair o art. 150, §4º do CTN qualquer valor antecipado que esteja relacionado ao fato gerador do imposto de renda. Assim, considerando o presente lançamento que envolve fato gerador sujeito ao ajuste anual, qualquer valor pago por meio de retenção na fonte, carnêleão, imposto complementar ou recolhimento do saldo de imposto apurado no mesmo período atraem a regra decadencial do art. 150. O fato de ter ocorrido, em momento posterior ao encerramento do período de apuração, a restituição de parte ou do total do tributo eventualmente pago, em nada afeta a regra decadencial aplicável, pois o pagamento existiu e seus efeitos jurídicos foram produzidos, permitindo ao Fisco ter conhecimento da existência do respectivo fato gerador. Ressaltamos que, em decisão vinculante, o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do RESP 973.733/SC firmou entendimento de que a homologação do art. 150, §4º do CTN referese ao pagamento antecipado realizado pelo contribuinte, nas palavras do Ministro Luiz Fux: "Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13888.002746/200312 Acórdão n.º 9202005.178 CSRFT2 Fl. 796 4 poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito". Diante do exposto dou provimento aos embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a contradição presente no acórdão e confirmar o entendimento externado de que há nos autos provas da ocorrência de pagamento parcial do tributo, condição necessária à aplicação da decadência nos termos do art. 150, §4º do CTN. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 796DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.100254/2002-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic.
Numero da decisão: 9303-004.890
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 10 02 54 /2 00 2- 89 Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20218.968, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: · Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão dos valores de energia elétrica e combustíveis no cálculo do crédito presumido; · Por maioria de votos, em dar provimento para incluir o valor dos insumos aplicados na fabricação de produtos NT no cálculo do crédito presumido; · Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. O Colegiado da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, então, consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01 1 101 1997 a 31/12/1997 RESSARCIMENTO CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL PELO IPI. A norma do art. 1º da Lei nº 9.363/96, instituidora do crédito presumido do IPI, reportase ao conceito de produção e não de produto ou estabelecimento industrial. O conceito de produção é o contido no art. 3 2 do RIPI/82. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. IMPOSSIBILIDADE. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado. Recurso provido em parte. ” Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 5 4 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acordão 20218.968 que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer em favor do contribuinte o direito a gozo de crédito presumido de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na fabricação de produtos não tributados – NT pelo IPI. Alega, em síntese, que o sujeito passivo, de acordo com o art. 3º da Lei 4.502/64, não pode ser considerado estabelecimento produtor porque esta condição legal é apenas para os produtos sujeitos ao pagamento do imposto (IPI), que o art. 13 da Lei 9.493/1997, excluiu expressamente do campo de incidência do IPI. Em Despacho à fl. 892, o Recurso Especial de Divergência foi admitido. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo que trouxe, entre outros, que: · O crédito presumido de IPI instituído teve a finalidade única e exclusiva de desonerar as exportações das contribuições cumulativas PIS & COFINS, não se condicionando o benefício à condição de produtora e contribuinte do IPI, como consta o recurso especial aviado pela Fazenda Nacional; · A Lei 9.363/96 ao instituir o crédito presumido para ressarcimento das contribuições relativas ao PIS e à COFINS se referiu tão somente a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais; · É inegável que o sujeito passivo é empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, caracterizando a sua produção como industrialização, como apurado no trabalho de verificação fiscal que antecedeu ao julgamento; · É fácil apreender que o fato da mercadoria exportada pelo sujeito passivo estar classificada na TIPI como NT não a impede do exercício do direito em questão, porque a intenção da lei não foi beneficiar somente os produtos tributados pela legislação do IPI, mas toda e qualquer mercadoria produzida no país destinada ao exterior. Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 6 5 Por fim, o sujeito passivo, requer que, caso o Recurso Especial da Fazenda Nacional seja conhecido, se negue provimento para confirmar o dispositivo do acórdão recorrido – que deu provimento parcial ao recurso voluntário para autorizar o crédito presumido da Lei 9.363/96 para produtos exportados classificados na TIPI como NT. Insatisfeito também com o acórdão 20218.968, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial para reforma em parte do r. acórdão no que tange à negativa da correção do ressarcimento pela taxa Selic. Em Despacho às fls. 1040 a 1042, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, pugnando para que seja negado seguimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. É o relatório. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora. Depreendendose da análise dos recursos interpostos, tenho que, comprovadas as divergências entre os arestos indicados: · Há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que: ü O acórdão recorrido traz o entendimento pelo reconhecimento de se aproveitar créditopresumido de IPI decorrentes de insumos aplicados em produtos NT exportados. ü Enquanto os acórdãos indicados como paradigmas reconheceu que a produção e exportação de produtos NT não dão direito ao crédito presumido do IPI por estarem fora da incidência desse imposto. · Há que se conhecer do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, pois o acórdão recorrido entendeu que não incide atualização pela taxa Selic sobre valores oriundos de ressarcimento de tributos, enquanto que no acórdão paradigma decidiuse que incide atualização pela Selic sobre valores oriundos de ressarcimento de tributos. Contrarrazões apresentadas pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional devem ser consideradas, eis que tempestivas. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer, primeiramente, sobre a discussão acerca da possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado). A priori, importante trazer que se trata de exportação de minério de ferro e outros minérios e seus concentrados de classificação fiscal 2601.11.00 – NT – decorrentes de Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 8 7 processo industrial/de beneficiamento. O minério de ferro é encontrado na natureza na forma de rochas, misturado a outros elementos. E, por meio de diversos processos industriais com tecnologia de ponta, o minério é beneficiado para, posteriormente, ser vendido/exportado. Proveitoso trazer que a própria autoridade fazendária em trabalho realizado no setor de mineração Processo no. 10.680.021.822/9915, cuja titularidade pertencia a Ferteco Mineração S/A, incorporada ao sujeito passivo considerou que a obtenção do produto à exportação decorre de processo industrial. A Câmara Superior do Eg. Conselho de Contribuintes ao analisar questão idêntica concluiu que, verbis: " Os produtos fabricados pela Recorrida são minério de ferro tipo sínter feed (2601.11.00) e pelotas aglomeradas de minério de ferro ( 2601.12.00), classificados na TIPI com N/T porém, materializados em processo de industrialização, satisfazendo assim as exigências do art. 1°. da Lei no. 9363/96." (Acórdão no.CSRF/0201.396)[grifos nossos].” Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial/de beneficiamento, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 9 8 Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados/beneficiados. Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo produtivo ou seja, a industrialização/beneficiamento desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a titulo de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam/beneficiam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, nota se que não condiciona tal fruição para produtos tributados pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. Para a fabricação desse produto NT, resta claro que o sujeito passivo com a disposição de várias matérias primas (minérios) obtém com a industrialização/beneficiamento o produto a ser exportado. Em vista do exposto, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. Passo, então, a analisar a matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo – qual seja, sobre a possibilidade de incidência da Taxa Selic nos pedidos de ressarcimento. Tal previsão consta do §4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 10 9 junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual de um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 11 10 E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito a recorrente. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Caso contrário, representaria enriquecimento ilícito do fisco. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/2009 37, pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADO S À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/P asep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compras de matériaprima, utilizada destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetár ia e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 12 11 Em vista do exposto, admito o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Não obstante,ainda da análise dos autos, entendo que houve mora da autoridade fazendária em analisar a veracidade do crédito objeto de pedido de ressarcimento. O que resta ainda observar aos que aplicam dessa forma – pela observância do decidido o STJ no REsp 1.150.188 – SP: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIAS PRIMAS ISENTOS – INCIDÊNCIA – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. 2. É qüinqüenal a prescrição da ação que pretende reconhecer o direito ao creditamento escritural do IPI. 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (REsp 1.150.188 SP, Rel. Ministro ELIANA CALMON, julgado em 20/04/2010)” Considerando todo o exposto, voto por conhecer os Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte: · Negandolhe provimento ao Recurso da Fazenda Nacional; · Dandolhe provimento ao Recurso do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, peço licença para discordar de suas conclusões a respeito das matérias postas em julgamento. Crédito Presumido de IPI Produtos NT Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 14 13 Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 15 14 incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/2002 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 16 15 Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 17 16 Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação a esta matéria. Taxa Selic no ressarcimento No voto vencido da ilustre relatora ela entende que há permissivo legal para admitir a aplicação da Taxa Selic com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, in verbis: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Ocorre que esse dispositivo legal prevê a incidência da aplicação da Taxa Selic nas compensações decorrentes de restituições de pagamentos a maior ou indevido e não nas hipóteses de ressarcimento de IPI. Isso tornase cristalino da leitura do próprio art. 66 da Lei nº 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) (...) Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 18 17 Portanto, a legislação citada não serve de amparo jurídico para a aplicação da Taxa Selic nos ressarcimentos decorrentes de crédito presumido de IPI, pois não se tratam de valores pagos a maior ou indevido. Como vimos tratase de um benefício fiscal previsto em lei. Da mesma forma as jurisprudências da CSRF citadas pela relatora não são aplicáveis ao presente caso, pois decorrem de reconhecimento da incidência da taxa Selic nas situações em que houve oposição indevida do fisco para o aproveitamento do crédito. Mesma observação em relação à jurisprudência citada do STJ, na qual se destaca que, em regra, não é admissível a correção monetária de créditos escriturais do IPI, a não ser nos casos de resistência ilegítima oposta pelo Fisco. Aliás, acaso existisse no presente processo a suposta oposição ilegítima do fisco, teríamos que aplicar o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, abaixo transcrito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10768.100254/200289 Acórdão n.º 9303004.890 CSRFT3 Fl. 19 18 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Da leitura do referido julgado, podese concluir que de fato não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI, sendo certo que o crédito presumido do IPI é um crédito escritural. Porém, abrese uma exceção da incidência da correção monetária nas hipóteses em que há comprovada oposição ilegítima do Fisco no pagamento devido do ressarcimento. O CARF e também esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Situação não existente no presente processo. No presente processo, houve o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido do IPI desde o início, tendo em vista que a empresa requerente não tem direito em face da exportação de produtos notados na TIPI como NT (NÃO TRIBUTADOS). Ora, não tendo crédito a ser ressarcido inexistem valores a serem aplicados juros moratórios. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1067DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.002766/2004-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. PAGAMENTO. SIMPLES. RECURSO ESPECIAL. CPC/1973, ART. 543-C. RICARF, ART. 62, §2º.
Tendo a contribuinte efetuado o pagamento na sistemática do Simples Federal, que abrange o IRPJ e a CSLL, o prazo decadencial para exigência destes tributos é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN.
Reprodução do acórdão do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
Numero da decisão: 9101-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. PAGAMENTO. SIMPLES. RECURSO ESPECIAL. CPC/1973, ART. 543C. RICARF, ART. 62, §2º. Tendo a contribuinte efetuado o pagamento na sistemática do Simples Federal, que abrange o IRPJ e a CSLL, o prazo decadencial para exigência destes tributos é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN. Reprodução do acórdão do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 27 66 /2 00 4- 00 Fl. 653DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ e CSLL (i) pela prestação de serviços profissionais legalmente regulamentados, não submetidos ao DecretoLei nº 2.397/1987 relativamente aos 4 trimestres dos anos de 1999 a 2003, com arbitramento do lucro "tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real", além do lançamento destes tributos (ii) sobre receitas financeiras em aplicação de renda fixa quanto aos anos de 1999 a 2002 (fls. 261/292 volume 2). Ao crédito tributário relacionado às duas infrações foi imposta multa de ofício no percentual de 75%. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto manteve o lançamento, conforme acórdão ementado da forma seguinte (499/505): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO DE RECOLHIMENTOS A TÍTULO DE SIMPLES. Incabível a redução dos tributos lançados de oficio pela utilização de valores pagos a titulo de Simples, porque em se tratando de recolhimentos indevidos, em virtude da exclusão do regime, eles só poderão ser considerados por meio de compensação com o crédito tributário lançado e após aval da autoridade local da Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento do tributo apurada em procedimento de oficio implica na cominação da penalidade prevista na legislação tributária. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10835.002766/200400 Acórdão n.º 9101002.723 CSRFT1 Fl. 654 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixe de atender os requisitos legais. Lançamento procedente. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 521/560 volume 3), ao qual foi dado parcial provimento pela 1ª Câmara da 1ª Câmara deste Conselho (fls. 570/578), para reconhecer a decadência do crédito tributário relativo aos dois primeiros trimestres de 1999, em relação ao IRPJ e CSLL: DECADÊNCIA O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. PRELIMINAR DE NULIDADE — Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou corn preterição do direito de defesa. ARBITRAMENTO o arbitramento de receitas tem fundamento quando a documentação do contribuinte restar imprestável para a apuração da base de cálculo do tributo. Destaco trecho do voto do Conselheiro Relator, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no acórdão recorrido: Conforme disposto no parágrafo quarto do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. (...) Ressaltese que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e pagar o mesmo, sem qualquer participação do sujeito ativo, que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados Fl. 655DF CARF MF 4 pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer informação serlhe prestada, e independentemente do pagamento realizado pelo contribuinte. O contribuinte não deve aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. Com relação ao termo inicial da obrigação principal, observese que, na hipótese de arbitramento, o período de apuração é trimestral, de modo que a cada trimestre será apurada a tributação definitiva do período, devendo ser esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese do artigo 150, § 4" do CTN. Conforme apurado pela fiscalização, no período em questão, embora excluída do SIMPLES, a contribuinte efetuou recolhimento dos tributos como base naquele regime de tributação. Não obstante, em que pese o entendimento de que o art. 150, § 4" do CTN somente se aplicaria quando houver antecipação do imposto devido, esclareçase que a obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Ocorrido o fato gerador do tributo, nasce a obrigação tributária, não dependendo, a constituição do crédito tributário, via lançamento, da manifestação posterior do contribuinte ou de outro responsável tributário. Ou seja: o crédito tributário é constituído, pelo lançamento, em razão e a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, resultante da atividade do contribuinte, e não da antecipação ou não do pagamento. Se o tributo foi apurado e pago, será homologado o lançamento. Se não foi nem apurado nem pago, será igualmente realizado o lançamento, considerando as características do fato gerador, ocorrido em razão da atividade do contribuinte. Dessa feita, condicionar o inicio da contagem do prazo decadencial à antecipação do pagamento devido pelo contribuinte seria admitir a interferência deste no nascimento da obrigação decorrente da lei, em contrariedade com a própria natureza do instituto da decadência, que se trata de prazo que não se sujeita à interrupção ou suspensão. Assim, tendo em vista que o auto de infração somente foi lavrado em 29/09/2004, entendo que, à época, já teria ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao 1º e 2° trimestres do anocalendário 1999, conforme disposto no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional. Em 29/03/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada quanto ao acórdão (fls. 579), apresentando recurso especial na mesma data (fls. 582/591). Neste recurso, sustenta divergência na interpretação da lei federal a respeito do prazo decadencial na hipótese de ausência de pagamento de tributo, indicando como paradigma o acórdão nº 910100460, no qual consta: "Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN." Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10835.002766/200400 Acórdão n.º 9101002.723 CSRFT1 Fl. 655 5 O recurso especial foi admitido, conforme razões a seguir reproduzidas (fls. 597/599): Verificase que para efeito de contagem de prazo decadencial, enquanto o acórdão recorrido, aplica o art. 150, § 4° do CTN, mesmo na hipótese de inexistência de pagamento antecipado, o acórdão paradigma esposa o entendimento de que nessa situação deve ser aplicado o art. 173, I, do CTN. Consta no voto condutor do acórdão recorrido de que embora excluída do Simples, no período em questão, o sujeito passivo recolheu tributos com base nesse regime de tributação, mas não consta qualquer juizo de valor, de que esses recolhimentos caracterizariam ou não a antecipação de pagamento. Assim, entendo estar demonstrada a divergência apontada (...) De acordo. No uso da competência conferida no §1º, do art. 68, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional. A contribuinte foi intimada em 11/10/2012, quintafeira (fls. 615/630), apresentando contrarrazões em 29/10/2012 (segundafeira), no qual alega: (i) que não deveria ser conhecido o recurso especial, pois a Procuradoria não teria apresentado quadro comparativo demonstrativo da similitude fática entre acórdão paradigma e acórdão recorrido; (ii) independentemente de pagamento, a regra aplicável é a do artigo 150, §4º, do CTN, indicando voto do Ministro Luiz Fux nesse sentido. Pleitea, assim, seja negado seguimento ao recurso, ou, sucessivamente, sejalhe negado provimento. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo à análise da divergência na interpretação da lei tributária, para juízo sobre o seu conhecimento. A comprovação do dissídio jurisprudencial se faz a com a demonstração da similitude fática entre as situações julgadas e a distinta interpretação da legislação tributária. A Procuradoria alega divergência na interpretação da lei federal a respeito do prazo decadencial na hipótese de ausência de pagamento de tributo, indicando como paradigma o acórdão nº 910100460 (processo nº 10880.032666/9854). Este paradigma tem o seguinte quadro fático: Fl. 657DF CARF MF 6 Defende a recorrente a tese de que, em não havendo pagamento antecipado, descabe a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, vez que não há pagamento a ser homologado, corrente esta com a qual concordo, pois vislumbro que em não havendo pagamento, não há o que a Administração Tributária homologar, motivo por que a regra da contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose, por conseguinte, a contagem do prazo decadencial, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do que já vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça — STJ (trecho do voto vencedor) No caso em comento, o lançamento diz respeito a fatos geradores ocorridos no período de setembro a dezembro de 1993, havendo sido lançados o IRPJ e a CSLL (fls. 2/14), e a ciência ocorreu em 16/12/1998. Na DIRPJ do anocalendário correspondente, fls. 19/27, consta que para esses quatro meses não foi apurado imposto ou contribuição a pagar. Logo, tal como alega a Fazenda Nacional, entendo que a contagem do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento se iniciou em 10 de janeiro de 1994, porque o lançamento em relação ao período de setembro a novembro, poderia ter ocorrido ainda em 1993, já que a apuração era mensal. E, em se iniciando nesta data, o termo ad quem para tal prazo ocorreria em 1° de janeiro de 1999. Por conseguinte, descabe falar em decadência do direito do Fisco para efetuar o presente lançamento. No acórdão recorrido, constou que houve pagamento de tributos com base no Regime Simplificado, verbis: Conforme apurado pela fiscalização, no período em questão, embora excluída do SIMPLES, a contribuinte efetuou recolhimento dos tributos como base naquele regime de tributação. Não obstante, em que pese o entendimento de que o art. 150, § 4º do CTN somente se aplicaria quando houver antecipação do imposto devido, esclareçase que a obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Em que pese o acórdão paradigma tenha analisado situação em que não houve pagamento, enquanto o acórdão recorrido consignou a existência de pagamentos, esta Turma da CSRF há que enfrentar se os pagamentos efetuados à luz do Regime Simplificado consideramse pagamentos para fins de cômputo do prazo decadencial, na forma do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional e da jurisprudência do STJ que será mencionada em razões que seguem deste voto. Enquanto a Procuradoria sustenta em suas razões recursais que não haveria pagamento, o acórdão recorrido expressamente menciona a existência de pagamentos na sistemática do Simples. No entanto, há que se ponderar que o mesmo voto considera que "condicionar o inicio da contagem do prazo decadencial à antecipação do pagamento devido pelo contribuinte seria admitir a interferência deste no nascimento da obrigação decorrente da Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10835.002766/200400 Acórdão n.º 9101002.723 CSRFT1 Fl. 656 7 lei, em contrariedade com a própria natureza do instituto da decadência, que se trata de prazo que não se sujeita à interrupção ou suspensão." Esta menção serve para justificar a importância de conhecimento de recursos como o presente que a despeito de reconhecerem algum pagamento, enfrentaram a questão jurídica da decadência de forma distinta daquela atualmente pacificada pela aplicação do repetitivo do STJ. O conhecimento do recurso especial impõese tanto pela necessária definição jurídica do que seja pagamento (para fins de aplicação do 150, §4º, do CTN), como também para o enfrentamento dos demais argumentos da decisão recorrida. Diante disso, conheço do recurso especial, para enfrentamento da definição jurídica do que seja pagamento, visando aplicar o artigo 150, §4º ou 173, do Código Tributário Nacional e julgamento repetitivo do STJ. Passo à análise de seu mérito. Como referido anteriormente, o recurso especial aponta divergência quanto à contagem do prazo decadencial. O acórdão recorrido aplicou o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, mencionando a existência de pagamento na sistemática do Simples, como também a irrelevância deste pagamento, bastando a declaração da obrigação tributária pelo contribuinte para início do cômputo do prazo decadencial: Ressaltese que, nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, ocorrido o fato gerador, já nasce para o sujeito passivo a obrigação de apurar e pagar o mesmo, sem qualquer participação do sujeito ativo, que, de outra parte, já tem o direito de investigar a regularidade dos procedimentos adotados pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer informação serlhe prestada, e independentemente do pagamento realizado pelo contribuinte. O contribuinte não deve aguardar o pronunciamento da administração para saber da existência, ou não, da obrigação tributária, pois esta já está delimitada e prefixada na lei, que impõe ao sujeito passivo o dever do recolhimento do imposto em questão. Com relação ao termo inicial da obrigação principal, observese que, na hipótese de arbitramento, o período de apuração é trimestral, de modo que a cada trimestre será apurada a tributação definitiva do período, devendo ser esse o termo inicial para contagem do prazo decadencial, na hipótese do artigo 150, § 4" do CTN. Conforme apurado pela fiscalização, no período em questão, embora excluída do SIMPLES, a contribuinte efetuou recolhimento dos tributos como base naquele regime de tributação. Não obstante, em que pese o entendimento de que o art. 150, § 4º do CTN somente se aplicaria quando houver antecipação do imposto devido, esclareçase que a obrigação tributária decorre diretamente da lei. Conforme indicado no caput do art. 150 do CTN, o que se homologa é a própria atividade do contribuinte, independentemente de qualquer ato, informação ou pagamento realizado por este. Fl. 659DF CARF MF 8 Ocorrido o fato gerador do tributo, nasce a obrigação tributária, não dependendo, a constituição do crédito tributário, via lançamento, da manifestação posterior do contribuinte ou de outro responsável tributário. Ou seja: o crédito tributário é constituído, pelo lançamento, em razão e a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, resultante da atividade do contribuinte, e não da antecipação ou não do pagamento. Se o tributo foi apurado e pago, será homologado o lançamento. Se não foi nem apurado nem pago, será igualmente realizado o lançamento, considerando as características do fato gerador, ocorrido em razão da atividade do contribuinte. Dessa feita, condicionar o inicio da contagem do prazo decadencial à antecipação do pagamento devido pelo contribuinte seria admitir a interferência deste no nascimento da obrigação decorrente da lei, em contrariedade com a própria natureza do instituto da decadência, que se trata de prazo que não se sujeita à interrupção ou suspensão. Assim, tendo em vista que o auto de infração somente foi lavrado em 29/09/2004, entendo que, à época, já teria ocorrido a decadência do direito de constituição do crédito tributário relativo ao 10 e 2° trimestres do anocalendário 1999, conforme disposto no art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional. A questão que se coloca é a interpretação dos artigos 150, §4º e 173, alinhandose ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10835.002766/200400 Acórdão n.º 9101002.723 CSRFT1 Fl. 657 9 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) Em julgamentos posteriores, o Superior Tribunal de Justiça tem entendido que mesmo o pagamento parcial do tributo enseja a aplicação do artigo 150, §4º: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DE ICMS, NOS MESES DE JANEIRO A MARÇO E JULHO A NOVEMBRO DE 2000, DESTACADOS EM NOTAS FISCAIS DECLARADAS POSTERIORMENTE INIDÔNEAS, PELO FISCO. NOTIFICAÇÃO DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO, EM DEZEMBRO DE 2005. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE CONSIGNA QUE HOUVE O RECOLHIMENTO DO TRIBUTO, AINDA QUE PARCIAL, E Fl. 661DF CARF MF 10 QUE NÃO SE VERIFICARAM, NO CASO CONCRETO, AS HIPÓTESES DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM INÍCIO A CONTAR DO FATO GERADOR. ART. 150, § 4º, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. PRETENSÃO RECURSAL INADMISSÍVEL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. I. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 766.050/PR (Rel. Ministro LUIZ FUX, DJU de 25/02/2008), deixou assentado que a decadência, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento. No referido julgamento, restou decidido que "a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tenha sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do § 4º do artigo 150 do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador". II. Nos presentes autos, consta, do acórdão recorrido, que o Fisco constatou o aproveitamento de créditos de ICMS, nos meses de janeiro a março e julho a novembro de 2000, destacados em notas fiscais posteriormente declaradas inidôneas, e notificou o sujeito passivo da lavratura do auto de infração, em dezembro de 2005. III. Tendo o Tribunal de origem, soberano no exame de matéria fática, consignado, no acórdão recorrido, que ocorreu a decadência, na espécie, porque houve o pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, bem como porque não se verificaram, no caso concreto, as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, previstos na exceção mencionada no art. 150, § 4º, do CTN, para se chegar a conclusão diversa como pretende o recorrente farseia necessário o reexame do conjunto fático probatório dos autos, o que é vedado a esta Corte, em sede de Recurso Especial, por força da Súmula 7/STJ. IV. Agravo Regimental improvido. (AgRg no ARESp 58954, Segunda Turma, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 11/12/2014) A respeito do assunto, são precisas as considerações de Estevão Horvath, tratando do lançamento por homologação: “Deveras, nesse tipo de lançamento, em que o próprio sujeito passivo quem pratica a quase totalidade das atividades concernentes à apuração do débito tributário e antecipa o que entende devido, incumbe ao Fisco verificar a correção desse atuar e apor o seu de acordo. No momento em que isso acontece, está constituído o crédito tributário e lançado (no dizer do legislador) o tributo. Ora, se o lançamento em casos que tais se consuma com este aval da autoridade administrativa (art. 142 do CTN), expressa ou tacitamente, não há crédito tributário, visto que este já se acha constituído”. (A Decadência no Lançamento por Homologação, RDT 71). Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10835.002766/200400 Acórdão n.º 9101002.723 CSRFT1 Fl. 658 11 Com efeito, tendo o contribuinte declarado o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido que entendia devidos isto é, pela Sistemática do Simples Federal , e tendo pago estes tributos, o prazo decadencial contase na forma do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Até porque os pagamentos efetuados na sistemática do Simples Federal abrangem recolhimentos do IRPJ e CSLL, como explicita o artigo 3º, §1º, alíneas a e c, da Lei nº 9.317/1996, que regulava tal sistemática em 1.999: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; (...) c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Em sentido similar, decidiu esta 1ª Turma da CSRF, à ocasião julgando a aplicação do artigo 150, §4º quando efetuado pagamento de estimativas e IRFonte na hipótese de incorporação de pessoa jurídica: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN Tendo o contribuinte declarado o IRPJ à ocasião da incorporação, com o pagamento das estimativas e IRFonte, o prazo decadencial para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN. LANÇAMENTO. NOTIFICAÇÃO. A notificação do contribuinte quanto ao lançamento é essencial para a completude e eficácia deste ato, nos termos do artigo 149, do CTN. O mero início de fiscalização não impede a consumação da decadência do direito ao crédito tributário. (Acórdão 9101002.245, processo nº 19515.003986/200782, decisão unânime, sessão de 1º de março de 2016) Por tais razões, conheço e nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 663DF CARF MF 12 Fl. 664DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910991/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.936
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza/CE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição ao Programa de Integração Social (“PIS”) com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Consta no referido Despacho Decisório o seguinte motivo para indeferimento do Pedido: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 99 1/ 20 11 -1 4 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13896.910991/201114 Resolução nº 3402000.936 S3C4T2 Fl. 112 2 Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... De acordo com a Defesa, as operações que destinem mercadorias à Zona Franca de Manaus – ZFM se equiparam, para todos os efeitos fiscais, a uma exportação para o exterior, conforme disposto no art. 4º da Decretolei nº 288/1967. O disposto no referido artigo foi recepcionado pelo art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, que garante a manutenção do referido benefício por prazo determinado. No entanto, o § 2º, inciso I, do art. 14 da Medida Provisória nº 1.858/1999, posteriormente reeditada pela Medida Provisória nº 2.037/2000, excluiu da isenção das receitas de exportação das Contribuições PIS/COFINS, as vendas efetuadas a Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.348, em 07/12/2000, por unanimidade, concedeu a liminar pleiteada, para “suspender a eficácia do artigo 51 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de Novembro de 2000, relativamente ao inciso I do § 2º do artigo 14 quanto à expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ ”. Assim, tendo em vista a suspensão da eficácia do disposto no art. 14, § 2º, inciso I, quanto às Empresas instaladas na Zona Franca de Manaus, entende o Manifestante que restou assegurada a isenção das Contribuições PIS/COFINS sobre a receita de vendas efetuadas à Empresa estabelecida na citada região. Com efeito, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, deve ser reconhecido o direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos pelo Manifestante. Sobreveio então o Acórdão 0831.133, da 3ª Turma da FOR/CE, negando provimento à manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 Ementa: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Mantémse o Despacho Decisório de não homologação da compensação, quando a Defesa não comprova a certeza e liquidez do crédito pretendido. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, bem como apresentando notas fiscais por amostragem que dizem respeito às vendas à Zona Franca de Manaus, o que, no seu entender, suprimiria o problema da falta de prova Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13896.910991/201114 Resolução nº 3402000.936 S3C4T2 Fl. 113 3 É o relatório Voto Conselheiro Antônio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.905, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 13896.910963/201199, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.905: "Como se depreende do relato acima, o pedido de restituição da Recorrente fundase na alegação de ter tributado indevidamente a Contribuição ao PIS sobre receitas de vendas de produtos à estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, sendo que tais receitas seriam isentas pela legislação federal, uma vez que foram equiparadas às exportações (artigo 4º do Decreto lei nº 288/1967). Tal direito ao indébito, em tese, foi reconhecido pelo julgamento da DRJ, que somente não conferiu o direito em concreto por falta de provas a certeza e liquidez do crédito pretendido. Para suprir tal falta, a Recorrente trouxe em seu recurso voluntário cópias de notas fiscais de vendas, do período em questão, de bens para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Tais provas, apesar de induzirem à conclusão do direito ao crédito, não lhe confere certeza e liquidez, de modo que não foi completamente suprido o ônus da prova da Recorrente, nos moldes do artigo 373 do Código de Processo Civil, uma vez que se trata de pedido de restituição de indébito, de sua iniciativa. Assim é que tem decidido esse Colegiado, conforme se depreende do conteúdo do Acórdão 3402002.881. 1 Pelos os motivos acima expostos, justifico a necessidade de conversão do presente processo em diligência, como requer o artigo 18 caput do Decreto 70.235/72 (PAF), para o arremate do convencimento deste Colegiado sobre os fatos em discussão. Para tanto, devem ser tomadas as seguintes providências pela Repartição Fiscal de origem: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração 1 Nas palavras do Conselheiro Relator do caso, Antonio Carlos Atulim: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade." Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13896.910991/201114 Resolução nº 3402000.936 S3C4T2 Fl. 114 4 do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante registrar que os documentos apresentados pelo contribuinte no paradigma são os mesmos que instruem o presente processo, de tal sorte que os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso daquele também se justificam neste. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, determino a conversão do autos em diligência para que a Repartição Fiscal de origem adote as seguintes providências: i) analisar os documentos adequados para a verificação do crédito, quais sejam: o Demonstrativo de Apuração da Contribuição ao PIS/COFINS, cópias das folhas dos livros fiscais (Registro de Saídas e de Apuração do ICMS ou do IPI) e contábeis (Razão) do respectivo período de apuração do crédito pleiteado, notas fiscais, entre outros; ii) elaborar relatório conclusivo a respeito do crédito pleiteado; iii) dar ciência do Relatório à Recorrente, abrindolhe prazo regulamentar para manifestação; e iv) devolver o processo para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Fl. 101DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.900030/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.003
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.900030/201268 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.003 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 03 0/ 20 12 -6 8 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10480.900030/201268 Resolução nº 3401001.003 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.027. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10480.900030/201268 Resolução nº 3401001.003 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10480.900030/201268 Resolução nº 3401001.003 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 235DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914966/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.889
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 49 66 /2 00 9- 66 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.914966/200966 Acórdão n.º 3402003.889 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de PIS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de PIS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.914966/200966 Acórdão n.º 3402003.889 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.914966/200966 Acórdão n.º 3402003.889 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722195/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 82 1 81 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.722195/201163 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.648 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF Recorrente MARIO EDUARDO MONTOYA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. CONDIÇÕES CUMULATIVAS. DATA DE INÍCIO. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 21 95 /2 01 1- 63 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10825.722195/201163 Acórdão n.º 2202003.648 S2C2T2 Fl. 83 2 Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado por ocasião da Resolução nº 2202000.671, desta Turma Ordinária, complementandoo ao final (fl. 66): Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2009, ano calendário de 2008, onde foi exigido o montante de R$ 3.020,18 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na "descrição dos fatos" (fl. 13), narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatou a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.728,10. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou primeiro uma SRL (solicitação de retificação de lançamento – fl. 19), que foi indeferida, e, posteriormente, Impugnação, onde alega ser portador de moléstia grave definida em lei e por isso beneficiário de isenção tributária, e que o problema residiria na questão da não apresentação de Laudo Oficial pericial, não apresentado em tempo à Receita Federal em razão de “burocracia”. Entretanto, naquela ocasião estava juntando tal documento. Ao julgar a manifestação da contribuinte, a DRJ São Paulo I/SP disse que o documento trazido aos autos relacionado à condição de ser portador de moléstia grave era o laudo médico pericial de fl. 04, que, ao informar como a doença se designa, não informava nominalmente nenhuma daquelas que constam no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 1988. O CID informado no Laudo (I 25) é relativo a “doença isquêmica do coração” e a lista constante da lei é exaustiva. Cientificado dessa decisão em 30/08/2012 (AR na folha 30), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/09/2012 (protocolo na folha 33) onde, em suma, repisa as mesmas alegações da Impugnação e acrescenta que sua moléstia é “cardiopatia grave”, que submeteuse a diversas perícias médicas, que o perito do INSS reconheceu sua condição e o direito à isenção do imposto de renda. Fala da CID 10, que engloba “as doenças isquêmicas do coração” e que a Receita Federal, ao invés de restituirlhe os valores “retidos indevidamente”, estavalhe cobrando “o mesmo tributo” com multa de ofício. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10825.722195/201163 Acórdão n.º 2202003.648 S2C2T2 Fl. 84 3 REQUER que seja reconhecida a procedência de seu recurso e o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos de aposentadoria, restituindose os valores pagos indevidamente a título do imposto. Ao analisar a questão, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência em vista de faltarem alguns documentos necessários nos autos, como a DIRPF/2009 revista de ofício e as DIRF que serviram de parâmetro para o lançamento. Cumprida a diligência, com os documentos de folhas 71 a 74, retornaram os autos para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva ou reforma. Vejamos: Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10825.722195/201163 Acórdão n.º 2202003.648 S2C2T2 Fl. 85 4 pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. A isenção, entretanto, passa a ser reconhecida a partir da existência cumulativa desses dois requisitos. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. A lei processual estabelece regras que deverão presidir as relações entre os intervenientes na discussão tributária. A atuação dos órgãos administrativos de julgamento pressupõe a existência de interesses opostos, expressos de forma dialética....Na lição de Calamandrei, “o processo se desenvolve como uma luta de ações e reações, de ataques e defesas, na qual cada um dos sujeitos provoca, com a própria atividade, o movimento dos outros sujeitos, e espera,depois, deles um novo impulso....” (NEDER, Marcos Vinícius e LOPEZ, Maria Teresa Martinez. Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Não se discute que o contribuinte seja aposentado por tempo de serviço, haja vista a carta de concessão de benefício (fl. 40), desde 1995, como informou em seu recurso. Tanto o despacho SAORT/DRF/BAURU/SP quanto o Acórdão DRJ/SP 1 (fl. 23) fundamentaram suas negativas na questão do laudo médico pericial e do enquadramento da patologia como moléstia grave definida em lei. Só existem duas fontes de renda identificadas, o INSS (fl. 71) e a Fundação SISTEL de Seguridade Social (fl. 72). Observando a Notificação de Lançamento e a DIRPF/2009 (fls. 13 e 74, respectivamente) a divergência que deu ensejo ao lançamento reside apenas em relação aos rendimentos provenientes da Fundação SISTEL de Seguridade Social, que foram declarados em R$ 16.024,79 mas, conforme a DIRF, teriam sido de R$ 29.762,89. Assim, entendo que a lide está limitada a esses rendimentos, ou seja, por aquilo que foi alterado na declaração do contribuinte, pela Autoridade Fiscal, uma vez que no que diz respeito aos rendimentos provenientes do INSS, foram declarados exatamente no mesmo valor que informados pela fonte pagadora (fls. 13, 71 e 74). Portanto, a solução do litígio a ser proposta limitarseá à fonte pagadora SISTEL, não se estendendo aos rendimentos provenientes do INSS, no ano em questão. Na folha 47, consta Laudo Médico Pericial emitido pela Previdência Social, assinado por perito médico do INSS, atestando que o contribuinte "é portador de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei 7713 de 22/12/88..." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10825.722195/201163 Acórdão n.º 2202003.648 S2C2T2 Fl. 86 5 Quanto à observação da DRJ de que o CID10 informado no laudo seria I25, relativa a "doença isquêmica crônica do coração" não se enquadrando na literalidade do dispositivo da lei isentiva, para que não se alegue que as isenções interpretamse literalmente e que a lei acima transcrita fala em "cardiopatia grave" e não em "doenças isquêmicas do coração", apesar do perito médico do INSS já ter dado parecer favorável ao enquadramento da cardiopatia aqui em comento com o disposto no artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, verifiquei também que o Conselho Federal de Medicina, no PROCESSOCONSULTA CFM N° 7.783/2001 PC/CFM/Nº 01/2002, esclareceu que "cardiopatia grave" é tema "complexo e de difícil conceituação", sendo que se inserem em tal conceito diversas doenças do coração, que limitam, progressivamente, a capacidade física, funcional e profissional, a partir de diversos sintomas. Mencionou que “a importância da expressão cardiopatia grave, na área médica, resultou de sua utilização na área jurídica, com implicações em múltiplos campos do Direito, particularmente o Trabalhista, o Previdenciário e o Tributário”. E concluiu que compete à junta médica, com base no exame físico e na análise de exames complementares, recusar ou homologar o entendimento do que seria "cardiopatia grave". (disponível em: http://www.portalmedico.org.br/pareceres/cfm/2002/1_2002.htm) Como a data da doença está fixada no Laudo, a partir de 11/06/2008, importante destacar que o artigo 39, § 5º do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, estatui que: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.(destaquei) Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10825.722195/201163 Acórdão n.º 2202003.648 S2C2T2 Fl. 87 6 Portanto, estão isentos em decorrência de moléstia grave, os rendimentos recebidos pelo contribuinte a partir de junho de 2008, já que a apuração do imposto, no caso, se faz em bases mensais, como estabelece a Lei nº 7713/1988, art. 2º. CONCLUSÃO Bem, entendo que o perito do INSS expressamente enquadrou a doença do paciente como "cardiopatia grave" para fins de isenção do imposto de renda, a partir de junho de 2008, ratificando o que está nos laudos de folhas 45/46, atendendo o requisito do "laudo médico oficial". Delimitada a lide aos rendimentos recebidos da fonte Fundação SISTEL de Seguridade Social, já que foi o único objeto do lançamento, VOTO por dar provimento ao recurso para reconhecer como isentos os rendimentos dessa fonte, a partir do mês de junho de 2008, o que resulta, na prática, em cancelar a Notificação de Lançamento em debate, observando a DIRF de folha 72. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11762.720037/2012-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/10/2010
CESSÃO DE NOME NA IMPORTAÇÃO. MULTA.
Para fins de aplicação da multa tipificada no caput do art. 33 da Lei 11.488/2007 (cessão de nome, mediante a disponibilização de documentos próprios para a realização de operações de comércio exterior de terceiros visando acobertar o seu real beneficiário), seria imprescindível a demonstração por parte da fiscalização do cometimento da infração, o que não ocorreu nos presentes autos. A multa aplicada, portanto, deverá ser exonerada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Valcir Gassen.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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MULTA. Para fins de aplicação da multa tipificada no caput do art. 33 da Lei 11.488/2007 (cessão de nome, mediante a disponibilização de documentos próprios para a realização de operações de comércio exterior de terceiros visando acobertar o seu real beneficiário), seria imprescindível a demonstração por parte da fiscalização do cometimento da infração, o que não ocorreu nos presentes autos. A multa aplicada, portanto, deverá ser exonerada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Valcir Gassen. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 37 /2 01 2- 02 Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 608 2 Câmara Simões, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 585 a 595) interposto pelo Contribuinte, contra a decisão consubstanciada no Acórdão n° 1655.709 (fls. 572 a 578), de 26 de fevereiro de 2014, proferido pela 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I – DRJ/SP1 – que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do acórdão ora recorrido: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 04/04/2012, no valor de R$ 11.922,81, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa prevista pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007, pelo fato de o autuado haver cedido o seu nome com o objetivo de acobertar o real beneficiário em operação de comércio exterior. Relata a Fiscalização que a Impugnante registrou em nome próprio, no dia 19/10/2010, a Declaração de Importação nº 10/18483898, visando a importação de um veículo da marca Porche, modelo Cayenne, no valor CIF declarado de R$ 119.228,11, sendo tal desembaraçado em 20/10/2010. Entretanto, tal veículo fora repassado diretamente no mercado interno por pessoa jurídica diversa da do importador, consoante contrato de compra e venda celebrado anteriormente, no dia 28/07/2010, entre a empresa Euro Imported Cars (vendedor) e o Sr. Hélio Tuchler (comprador). Cientificada do auto de infração, a Impugnante apresentou a impugnação (fls. 474/479), tempestivamente, instaurando, desse modo, a fase litigiosa do processo, alegando, em suma: 1. No dia 19/08/2010 registrou a Licença de Importação nº 10/21846516 visando importar o veículo em questão que, uma vez deferida, indicava as condições da negociação apontando que o pagamento seria antecipado. 2. A Impugnante, com recursos próprios, liquidou de forma antecipada, mais exatamente no dia 21/07/2010, o câmbio. 3. Uma vez emitida a invoice nº 20.248 (substitutiva da 20.239), vinculada ao contrato de câmbio nº 10/106847, o veículo, posteriormente, foi embarcado para o Brasil, sendo, então registrada a DI no 10/18483898. 4. Após efetuado o desembaraço do veículo, em 20/10/2010, este foi levado para o pátio da Impugnante, sendo registrada a entrada em seu estoque por intermédio da DANFE no 308, ficando aquele à mostra até a venda, que ocorreu no dia 09/11/2010, segundo DANFE nº 319. 5. Que no curso de uma investigação promovida pela Polícia Federal e pela Receita Federal contra a pessoa jurídica Euro Imports, vizinha a seu estabelecimento comercial, foi interceptada uma conversa entre o representante da empresa Euro e o Sr. Hélio Tuchler, cujo teor consistia na tratativa de compra e venda de um veículo idêntico àquele importado pela Impugnante. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 609 3 6. Entretanto, apesar de tal interceptação telefônica sequer mencionar o nome da Impugnante, esta foi tragada para o centro de uma irregularidade que jamais cometera, participara, chancelara ou tivera conhecimento, acarretando conseqüências, dentre as quais, a apreensão do veículo e a aplicação da multa ora impugnada, com a alegação de que a autuada teria cedido seu nome para acobertar a empresa Euro Imports – então a beneficiária da operação de importação do veículo. 7. esclarece que a “‘a venda realizada ao Sr. Hélio Tuchler ocorreu em razão de “repasse” de um cliente que a Euro Imported não teve condição de atender, praxe extremamente usual em qualquer ramo de atividade comercial.”’. (Sublinhamos) 8. Contudo, o entendimento esposado pela Fiscalização não deve prevalecer, uma vez que há prova material inconteste de que a compra do veículo efetuada pela Impugnante deuse em momento anterior ao do contrato de compra e venda entre a empresa Euro e o Sr. Hélio, firmado em 28/07/2010, consoante podese constatar por intermédio do extrato bancário da conta corrente n° 90010498, agência 1395, Banco Santander, anexado por ocasião da impugnação, de sua titularidade, comprovando que a liquidação do câmbio ocorrera no dia 21/07/2010. Requer, por derradeiro, uma vez recebida a presente impugnação, por ocasião do julgamento seja ela considerada procedente, exonerandose, por conseqüência, o crédito tributário impugnado. É de se ressalvar que em sessão realizada no dia 31 de outubro de 2013, o julgamento deste processo foi convertido em diligência nos termos da Resolução n° 16000.377. (fls. 505/506) Considerando a negativa do acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário (fls. 585 a 595), em 28 de abril de 2014, alegando a desvinculação entre a importação e o contrato firmado entre terceiros, requerendo assim a improcedência do lançamento tributário ocorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1655.709, é tempestivo e atende os requisitos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar a decisão da 23ª Turma da DRJ/SP1 que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte ao Auto de Infração, conforme se verifica na ementa do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/10/2010 CESSÃO DE NOME NA IMPORTAÇÃO. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 610 4 A pessoa jurídica que ceder o seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios para a realização de operações de comércio exterior de terceiros visando acobertar o real beneficiário dessas, estará sujeita à multa tipificada no caput do art. 33 da Lei 11.488/2007 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O que se discute no presente processo é a aplicação da pena de multa de 10% prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 imposta pela Fiscalização em razão de, no entendimento desta, o Contribuinte ter cedido seu nome para acobertar real importador ou proprietário do citado veículo, ou seja a prática de interposição fraudulenta. O art. 33 da Lei n° 11.488/2007 assim dispõe: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Cito trecho da Resolução da DRJ/SP1 que converteu o julgamento em diligência para elucidar o que alega o Contribuinte em sua impugnação (fls. 505 e 506): Cientificada do auto de infração, a Impugnante apresentou a impugnação (fls. 474/479), tempestivamente, instaurando, desse modo, a fase litigiosa do processo, alegando, em suma que: (i) a venda realizada ao Sr. Hélio Tuchler ocorreu em razão de “repasse” de um cliente que a empresa Euro Imported não teve condição de atender, praxe extremamente usual em qualquer ramo de atividade comercial; (ii) o entendimento esposado pela Fiscalização exposto no relatório fiscal não deve prevalecer, uma vez que há prova material inconteste de que a compra do veículo efetuada pela Impugnante deuse em momento anterior ao do contrato de compra e venda efetuado entre a empresa Euro e o Sr. Hélio, firmado em 28/07/2010, consoante se pode constatar por intermédio do extrato bancário da conta corrente n° 90010498, agência 1395, Banco Santander, anexado por ocasião da impugnação (fl. 487), de sua titularidade, comprovando que a liquidação do câmbio ocorrera no dia 21/07/2010, desvinculandoa, dessa forma, ao contrato firmado entre o Sr. HÉLIO TUCHLER e a empresa EURO. (fl. 478) Diante disso, necessário se faz que este processo retorne à unidade de origem para que esta se pronuncie acerca da alegação da Impugnante a respeito da comprovação da origem dos recursos utilizados na importação em questão, levando em conta o extrato bancário então anexado por ocasião da apresentação da impugnação. Assim houve a conversão do julgamento em diligência para que o processo retornasse à unidade de origem e houvesse o pronunciamento a respeito da comprovação da origem dos recursos utilizados na importação ora discutida. O Serviço de Fiscalização Aduaneira – EAD 2 , da Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro – IRF/RJO se manifestou por intermédio do documento de folhas 508 a 517 a respeito da diligência e concluiu, em resumo, o que se segue (fls. 514 e 515): (...) Fl. 627DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 611 5 Que tipo de empresa fica sabendo pela sua vizinha quando ocorreu e para quem foi vendida sua própria mercadoria? Que tipo de empresa deixa que sua concorrente receba primeiro o pagamento pela venda de sua mercadoria, para somente depois emitir a NF em seu próprio nome, acobertando as negociações da outra? Uma que queira ocultála. EURO recebeu antecipadamente, pelo menos, desde 03/11/2010, o valor do veículo registrado no estoque de SKY, mas SKY só veria os depósitos ocorrerem a partir de 08/11/2010 em diante: a) após os adiantamentos de julho, em 03/11/2010, EURO recebeu 162 mil reais de HÉLIO TUCHLER, que assim encerrou sua dívida com ela; b) somente a partir de 08/11/2010, ou seja, quase uma semana depois que EURO recebeu o último depósito de HÉLIO TUCHLER pelo veículo importado em nome de SKY, é que esta começou a receber, seguindose os pagamentos ao longo de novembro, mediante diversos depósitos pulverizados e sempre efetuados em dinheiro. (...) É gentileza demais, o que SKY fez a EURO, sua vizinha. Nem parece o capitalismo. Que o Julgador pondere também sobre a prática inédita de um lojista franquear seu próprio estoque a seu concorrente para que este aufira ganhos antes dele. Agora, vejamos como soa eufemística a afirmação de SKY (fls. 343): a venda ocorreu “em razão de 'repasse' de um cliente” de EURO. Na verdade, o que ocorreu foi a fluida e não escriturada transferência do estoque de SKY para EURO – o que está longe de ser uma prática extremamente usual nas atividades comerciais, mas se acomoda precisamente no esquema de ocultação. Recordase, inclusive, a aposição do adesivo de EURO no carro (€, fls. 106/107). Tecnicamente, se SKY repassou, com transparência, seu estoque a EURO, para que esta, honestamente, atendesse um compromisso com um cliente, o certo então seria SKY emitir, no momento em que se aventou o repasse do veículo, nota fiscal em nome de EURO – simplesmente uma nota fiscal de SAÍDA. Por que não o fez? Então, EURO poderia emitir sua nota fiscal de venda para HÉLIO TUCHLER, sem nenhum problema ou susto. Isto sim seria compatível com as práticas usuais – e legítimas das atividades comerciais. Por que não foi feito? Por que o comércio é dinâmico demais para isso? Não. Isto não foi feito, porque se pretendeu ocultar EURO nos documentos fiscais. Por sua vez o Contribuinte se manifesta a respeito da conversão em diligência e argumenta, primeiramente, que não houve o devido cumprimento da diligência solicitada, uma vez que a Autoridade Fiscal realizou de fato uma análise da Impugnação sustentando o lançamento ocorrido. E em seguida alega que (fls. 528): (...) 12. Conforme narrado na peça de IMPUGNAÇÃO, o veículo foi desembaraçado no dia 20/10/2010, então sendo exposto a venda no pátio da SKY e DISPONIBILIZADO AO TODO O PÚBLICO INTERESSADO, POR INTERMÉDIO DO SITE DA WEBMOTORS (ANEXO A). 13. O veículo possui uma placa fictícia PCS2222, ficou sendo anunciado, A TODO O PÚBLICO INTERESSADO, entre os dias 21/10/2010 até o dia 08/11/2010. NO Fl. 628DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 612 6 dia seguinte, 09/11/2010, quando emitida foi a DANFE nº 319 em favor do Sr. Helio Tuchler, o anuncio deixou de ser veiculado ao público (doc. b). 14. Tal documento, emitido pela WEBMOTORS, somente foi obtido em 06/07/2013, haja vista que quando da lavratura do auto de infração, o site não mais disponibilizava os anúncios com mais de um ano. 15. A SKY, desde então, diligenciou junto àquela empresa para conseguir referido documento, que é se soma às provas anteriores, e afasta, de forma definitiva, a hipotética cessão de nome. 16. Ninguém adquire um veículo para encomendante prédeterminado e oferece para o público geral. Desta forma os autos do processo chegam à analise da DRJ/SP1 que, por unanimidade de votos, julga a impugnação improcedente. Cito trecho da decisão para melhor compreensão das razões do voto (fls. 577 e 578): É de se ressaltar que o Sr. Hélio Tuchler comprovou os fatos declarados, inclusive os pagamentos efetuadas à empresa Euro, por intermédio de cópias de documentos e extratos bancários anexados em fls. 311/339, como diligentemente constatou a Fiscalização, restando, pois, evidenciado que: (i) o automóvel importado pela Impugnante foi objeto de compromisso de compra e venda firmada entre um terceiro que não a autuada – a empresa Euro (vendedor) – e o Sr. Hélio Tuchler (comprador); (ii) o comprador comprovou que os pagamentos referentes ao objeto do contrato foram efetuados à vendedora (empresa Euro); (iii) não há qualquer comprovação do repasse desses pagamentos recebidos pela empresa Euro à Impugnante, tendo em vista a alegação de repasse do cliente; (iv) em que pese tal fato, o DANFE nº 000319, relacionado à venda do automóvel, no valor de R$ 320.000,00, foi emitido pela Impugnante. Dessa forma, os argumentos então esposados pela autuada em sua impugnação hão de ser aqui refutados, uma vez que derivados de entendimento diverso daquele que fundamentou a lavratura do auto de infração, pois: (i) a não apresentação do extrato bancário comprovando a liquidação do câmbio, em momento anterior à contratação no mercado interno do veículo importado, não constituiu o motivo que determinou a lavratura do auto de infração; (ii) esta não se deu pelo fato de a Impugnante não comprovar a sua capacidade financeira para arcar com a importação em questão, uma vez que em momento algum a Fiscalização efetuou qualquer afirmação neste sentido, nem fez qualquer exigência a respeito; (iii) a multa então aplicada considera como infração a conduta de a pessoa jurídica ceder o nome com a intenção de acobertar o beneficiário de operações de comércio exterior. Em 28 de abril de 2014 o Contribuinte ingressa com Recurso Voluntário (fls. 585 a 595) alegando que liquidou o câmbio relativo à compra do veículo em 21 de julho de 2010, com recursos próprios sem qualquer adiantamento do cliente, que foi feito o desembaraço sem problemas e comprova a entrada e saída do veículo de seu estoque conforme DANFE nº 308 e DANFE nº 319. Argumenta ainda o Contribuinte: Desta feita, adotando a própria razão de decidir da fiscalização, temse que a PROVA de que a liquidação ocorreu ANTES do contrato firmado entre o Sr. Hélio Tuchler e a empresa Euro (28/07/2010) e que os recursos são provenientes da conta corrente da própria RECORRENTE, desvinculase a importação da SKY do contrato. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 613 7 Observase no decorrer do processo que a alegação do Contribuinte de que todo este litígio se baseia no fato de a empresa SKY ter auxiliado a empresa EURO no desenrolar de uma transação não encontra respaldo nas provas trazidas aos autos. O Contribuinte aduz ter disponibilizado à empresa EURO um veículo de sua frota para que esta fizesse a venda a um terceiro interessado, mas não demonstra de forma clara o repasse dos valores referentes a esta transação de compra e venda. Traz apenas comprovação de pagamentos pulverizados no tempo, mais especificamente vinte e oito depósitos em dinheiro, sem comprovação do depositante, que totalizam um valor aproximado do veículo negociado. Helio Tuchler, o comprador do veículo, negociou por todo tempo com a empresa EURO e para esta mesma empresa pagou os valores devidos, nunca tendo visto a participação da empresa SKY na negociação, nem mesmo no momento da tradição do bem. Data a vênia a alegação do Contribuinte, não há como compreender o fato de a empresa EURO, após recebidos os valores de Hélio Tuchler, não repassar imediatamente os valores à SKY, já que como alega era a real proprietária do veículo, isto demonstra, a meu ver, a tentativa de ocultação do real comprador do bem, que de fato era a empresa EURO. Neste sentido cito trecho do Acórdão ora recorrido(fls. 572 a 578) para que sirva de elucidação dos fatos: Consoante resposta à Intimaca̧õ no 31/2012 (fl. 299), o Sr. Hélio Tuchler esclareceu que o automóvel importado pela Impugnante fora adquirido segundo contrato firmado com empresa diversa, mais especificamente, a Euro Imported Car, no valor de R$ 325.000,00, sendo os pagamentos efetuados nos dias 27/07/2010, 29/07/2010 e 03/11/2010, à empresa Euro, na forma informada em fls. 308/ 309. Continuando, afirma que por ocasião da retirada do automóvel na empresa Euro, não obteve a nota fiscal referente à compra sendo, no entanto, informado de que tal seria emitida em momento posterior (fl. 309); entretanto, mais tarde, após o automóvel ter sido apreendido pela Fiscalização, retornou à empresa vendedora – a Euro – percebendo, no entanto, que não tinha mais ninguém para dar explicação. De outro lado, procurando pela empresa Sky – a importadora e Impugnante – localizada ao lado de onde anteriormente estava estabelecida a empresa Euro, aquela, por intermédio do seu proprietário, o Sr. Guy Monteiro de Barros, ofereceulhe – na verdade emitiu – o DARFE no 000319, relacionado à venda do automóvel, no valor de R$ 320.000,00 (valor pago pelo veículo à empresa Euro). (fls. 309/310) Com isso percebese que os argumentos apresentados pelo Contribuinte não coincidem com as provas trazidas nos autos do processo. A alegação de que o veículo negociado entre a empresa EURO e Hélio Tuchler era idêntico àquele que o Contribuinte possuía em sua frota não pode ser levada como mera coincidência, principalmente pelo fato de não haver comprovação de que houve o repasse dos valores da transação ao Contribuinte. O que se depreende dos autos do processo é que houve de fato a ocultação do real comprador do bem, o Contribuinte cedeu seu nome para que a empresa EURO realizasse a transação do veículo importado sem que esta aparecesse nos documentos sujeitos a fiscalização. Salientase que o presente litígio se insere no contexto da operação Black Ops, em que a Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal, realizou investigação contra fraudes na importação de veículos. E é nesse contexto que a empresa EURO negociou o Fl. 630DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 614 8 veículo e o Contribuinte figurou na Declaração de Importação, ocultando a operação de importação realizada, de fato, pela empresa EURO. Observase que não houve, como alegado pelo Contribuinte, um mero repasse de clientes entre empresas “solidárias” uma com a outra, houve sim um repasse de mercadoria que visava ocultar o intermédio da empresa EURO na transação. Desta forma, em observância a legislação vigente e a análise dos autos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo a decisão do Acórdão ora recorrido. Valcir Gassen Relator Voto Vencedor Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto do Relator, ouso discordar das conclusões ali indicadas, consoante fundamentos a seguir explanados. Consoante narrado em seu relatório, trata a presente demanda de exigência de multa em razão da suposta cessão de nome na importação, mediante a disponibilização de documentos próprios para a realização de operações de comércio exterior por terceiro, visando acobertar o real beneficiário dessas, tipificada no caput do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, in verbis: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00. Acontece que, para fins de aplicação da referida penalidade, seria imprescindível que tivesse restado demonstrado pela fiscalização o cometimento da infração apontada. Ou seja, que a Recorrente teria, de fato, cedido seu nome em favor da Euro, no intuito de acobertála. No caso do auto de infração aqui analisado, contudo, com base na análise dos fundamentos apresentados tanto pela fiscalização quanto pelo contribuinte, bem como da documentação acostada aos autos, concluise que o cometimento da infração não restou demonstrado. Ao contrário, comprovou o contribuinte nestes autos que o câmbio relativo à compra do veículo se deu em 21 de julho de 2010, ou seja, anteriormente à venda do veículo realizada pela Euro ao Sr. Hélio, ocorrida em 28 de julho de 2010. Nesse contexto, não há como se concluir que a Sky, no momento em que adquiriu o veículo em questão, estava fazendoo em benefício da Euro, uma vez que esta, neste momento, sequer tinha efetuado a venda do veículo ao Sr. Hélio. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 11762.720037/201202 Acórdão n.º 3301003.070 S3C3T1 Fl. 615 9 De outro norte, não consta dos autos qualquer indicação de que a Sky não teria recursos próprios para que pudesse ter realizado a importação em questão, de fato, em nome próprio e em benefício próprio. Inclusive, destaquese que o veículo fora desembaraçado sem problemas, havendo o devido registro da entrada e saída do veículo na empresa Sky, conforme comprovam os DANFE nº 308 e DANFE nº 319. Ademais, o fato de a Recorrente ter anunciado o imóvel adquirido pela mesma em sítio eletrônico é outro elemento que abala a conclusão a que chegou a fiscalização ao lavrar o auto de infração em tela. Caso tivesse realizando a importação com destino certo (Sr. Hélio), como indicou a fiscalização, decerto que não teria interesse de anunciar o veículo em sítio eletrônico, disponibilizandoo também a eventuais terceiros interessados. Nesse contexto, entendo que a fiscalização não logrou demonstrar o cometimento da infração em tela, havendo vários elementos nos autos que, em conjunto, levam justamente ao entendimento contrário, de que a importação fora realizada regularmente pela Sky, em seu próprio benefício. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de afastar a imposição da multa constante do auto de infração. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Conselheira Fl. 632DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.722449/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE
Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão.
CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.
O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado.
SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
RESULTADO DE AUTUAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. IMPROCEDÊNCIA PERANTE JUSTIÇA DO TRABALHO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS MESMAS PROVAS. NÃO VINCULAÇÃO DO RESULTADO.
A existência de ações judiciais para desconstituir autuação do Ministério do trabalho seja procedentes ou improcedentes, servem como subsídidio para a identificação da existência de desvirtuamento, mas não como elemento capaz de desnaturar o fato gerador, quando o conjunto probatório é suficiente para formação do vínculo de emprego para efeitos previdenciários.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS RECOLHIDA POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE.
As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração.
Numero da decisão: 9202-004.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para permitir a imputação dos valores das contribuições previdenciárias dos segurados recolhidas pelas pessoas jurídicas relativas às operações reclassificadas como relação de emprego, aos valores lançados no auto de infração. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. RESULTADO DE AUTUAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. IMPROCEDÊNCIA PERANTE JUSTIÇA DO TRABALHO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS MESMAS PROVAS. NÃO VINCULAÇÃO DO RESULTADO. A existência de ações judiciais para desconstituir autuação do Ministério do trabalho seja procedentes ou improcedentes, servem como subsídidio para a identificação da existência de desvirtuamento, mas não como elemento capaz de desnaturar o fato gerador, quando o conjunto probatório é suficiente para formação do vínculo de emprego para efeitos previdenciários. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS RECOLHIDA POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1979; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.722449/201054 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202004.641 – 2ª Turma Sessão de 23 de novembro de 2016 Matéria CSP CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO SEGURADO EMPREGADO PEJOTIZAÇÃO Recorrente INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO GERENCIAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. FALTA DE JUNTADA PELO FISCO DE PROVA. APRESENTAÇÃO DOS ELEMENTOS PROBATÓRIOS POR AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não deve ser aceita como causa de nulidade a alegação de que o fisco descreveu em seu relato apenas por amostragem as situações que seriam suficientes à conclusão de ocorrência dos fatos geradores, principalmente quando deixa claro a autoridade fiscal que os contratos apresentavam um padrão. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 24 49 /2 01 0- 54 Fl. 2749DF CARF MF 2 RESULTADO DE AUTUAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO. IMPROCEDÊNCIA PERANTE JUSTIÇA DO TRABALHO. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DAS MESMAS PROVAS. NÃO VINCULAÇÃO DO RESULTADO. A existência de ações judiciais para desconstituir autuação do Ministério do trabalho seja procedentes ou improcedentes, servem como subsídidio para a identificação da existência de desvirtuamento, mas não como elemento capaz de desnaturar o fato gerador, quando o conjunto probatório é suficiente para formação do vínculo de emprego para efeitos previdenciários. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DOS SEGURADOS RECOLHIDA POR PESSOA JURÍDICA. APROVEITAMENTO. CARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO. POSSIBILIDADE. As contribuições previdenciárias paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para permitir a imputação dos valores das contribuições previdenciárias dos segurados recolhidas pelas pessoas jurídicas relativas às operações reclassificadas como relação de emprego, aos valores lançados no auto de infração. Vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento integral. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD nº 37.283.3390, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, que não foram inclusos nas folhas de pagamento, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 13/28. De acordo com o relatório da Fiscalização, a exigência fiscal consubstancia se em contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre remunerações efetuadas a pessoas físicas, pagas na forma de notas fiscais de prestação de serviços emitidas por pessoa jurídica, estando presentes entre a Autuada e os trabalhadores todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, nos termos do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, quais sejam, a pessoalidade, a natureza não eventual, a subordinação e a onerosidade. De acordo com a auditoria fiscal ficou constatado que a empresa de consultoria empresarial Instituto de Desenvolvimento Gerencial S/A IDG realizou sistemática irregular de contratação de centenas de empregados profissionais da área de consultoria , realizandoas através de acordos de parceria celebrados com estes profissionais na figura de empresários sócios de centenas de pessoas jurídicas PJ. Ainda conforme consta do relatório fiscal a contratação de empregados de forma irregular, nessa empresa, foi inicialmente constatada e levantada pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, representando à Receita Federal do Brasil que promovendo ação fiscal específica promoveu a lavratura do lançamento fiscal ora sob análise, carreando informação e documentos que entendeu pertinentes a autuação. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado o lançamento procedente, fls. 1997/2010. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, fls. 2017, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 2367/2404, o Colegiado, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento quanto à desconsideração da prestação de serviços através de interpostas pessoas jurídicas; vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela nulidade do lançamento, por descumprimento do artigo 142 do Código Tributário Nacional, já que as provas, quanto aos fatos geradores, foram trazidas aos autos por amostragem; e ainda, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, mantendo a multa como aplicada, considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91; vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/96). Portanto, em sessão plenária de 09/09/2014, negouse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2302003.343, assim ementado: Fl. 2751DF CARF MF 4 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/1207/2007 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA PRIVATIVA DO AUDITOR FISCAL. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias previstas na Lei nº 8.212/91, a fiscalização lavrará de ofício notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Recurso Voluntário Negado.” Devidamente cientificado da decisão proferida em 04/11/2014, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 19/11/2014, Recurso Especial. Em seu recurso requer seja Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 4 5 reconhecida a nulidade do auto de infração que deu origem ao presente recurso e a consequente extinção do crédito tributário correspondente, nos termos do art. 156, IX do CTN. Ainda, requer a reforma do acórdão recorrido para compensar os tributos já recolhidos com as contribuições previdenciárias exigidas e para que seja determinada a aplicação retroativa da lei mais benéfica na imputação da multa de mora, no caso do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação a seis matérias, tendo sido dado seguimento a cinco matérias, a saber: a) art. 12, I da Lei nº 8.212/91 e dos requisitos para a configuração do segurado empregado (existência de processos trabalhista no bojo do qual foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício entre as mesmas partes do presente caso); b) art. 142 do CTN (suficiência e ônus da prova, bem como a necessidade de inequívoca demonstração do fato gerador; c) art. 129 da Lei nº 11.196/05 (impossibilidade de desconsideração das pessoas jurídicas prestadoras de serviços intelectuais; d) subsidiariamente: arts. 31 e 22, I da Lei nº 8.212/91 e do equívoco na composição de base de cálculo da cobrança (necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais e consequente abatimento ds contribuições sociais pagas pelas pessoas jurídicas desconsideradas; e) subsidiariamente: art. 106, II do CTN e a nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (retroatividade das leis benéficas ao contribuinte em caso de imposição de penalidade). Portanto, ao Recurso Especial foi dado parcial seguimento, conforme Despacho s/n da Terceira Câmara, de 28/08/2015, fls. 2660. A recorrente traz como alegações, em relação a cada um dos cinco itens listados acima, que: Item (a): art. 12, I da Lei nº 8.212/91 e dos requisitos para a configuração do seguradoempregado (existência de processos trabalhista no bojo do qual foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício entre as mesmas partes do presente caso · a juntada aos autos dos fatos supervenientes relativos ao deslinde do processo trabalhista deveria ter sido considerada pela turma julgadora, pois é a justiça especializada para a constatação do vínculo empregatício, além do que é questionável a alegação do acórdão recorrido de ser possível ter seguradoempregado para fins tributários (inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91) distinto do empregado definido pela CLT a justificar a irrelevância da definição da justiça do trabalho. · a caracterização de segurados como empregados requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da CLT, bem como do art. 12, inciso I da Lei nº 8.212/91 e que, de igual modo, o lançamento por arbitramento é medida extrema e é preciso que o relatório fiscal justifique a motivação, a adoção e o alcance do procedimento, sendo que a falta de entrega de determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o arbitramento. Item (b): art. 142 do CTN (suficiência e ônus da prova, bem como a necessidade de inequívoca demonstração do fato gerador; · a decisão recorrida deixou claro terse embasado nas amostragens para manter os lançamentos tributários, desconsiderando as provas Fl. 2753DF CARF MF 6 juntadas aos autos e considerando a amostragem fiscal como comprovação suficiente, havendo, portanto, violação ao art. 142 do CTN, na medida em que o fisco se desincumbiu do ônus de provar o fato gerador da contribuição previdenciária, como a não eventualidade da prestação de serviços pelo segurado empregado; inclusive, os votos vencidos do acórdão recorrido deram provimento para anular o lançamento fiscal nesse ponto. · a caracterização de segurados como empregados requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da CLT, bem como do art. 12, inciso I da Lei nº 8.212/91, e, de igual modo, o lançamento por arbitramento é medida extrema sendo preciso que o relatório fiscal justifique a motivação, a adoção e o alcance do procedimento, sendo que a falta de determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o arbitramento. · o acórdão recorrido também mencionou a possibilidade do lançamento fiscal se basear em exemplos e presunções, legitimando a ausência de comprovação cabal da ocorrência do fato gerador, mantendo o lançamento com base em amostragens, exemplos e presunções, dificultando a ampla defesa e contraditório através da demonstração individualizada de cada um dos elementos que mostram inexistir o fato gerador das contribuições, e que, por essas razões, o processo trabalhista foi julgado procedente para anular as autuações trabalhistas. · a jurisprudência do CARF mostrase uníssona em não admitir a lavratura dos autos de infração genéricos, que desincumbem a fiscalização do dever de apurar o fato gerador (CTN, art. 142) e demonstra o entendimento que deve nortear o julgamento do presente caso: deve haver o atendimento absoluto ao art. 142 do CTN nos lançamentos tributários, sendo inválidos aqueles que não comprovam de forma clara e precisa todos os elementos que ensejaram o tributo exigido. Item (c): art. 129 da Lei nº 11.196/05 (impossibilidade de desconsideração das pessoas jurídicas prestadoras de serviços intelectuais · em se tratando de sociedades prestadoras de serviços intelectuais contratados pela Recorrente (serviços de consultoria na área de gestão empresarial), a desconsideração das PJs deve subsunção ao art. 129 da Lei nº 11.196/2005 e ao art. 50 do Código Civil, não obstante, o acórdão recorrido entendeu que o art. 129 não é aplicável ao caso, entendendo que não houve ofensa ao artigo citado, uma vez que no caso não houve desconsideração da pessoa jurídica, mas somente a consideração do seu sócio como segurado empregado. · esse argumento tratase de mero jogo de palavras, pois, na medida em que o Fisco impede ou afasta os efeitos jurídicos da existência da pessoa jurídica, de fato, desconsidera sim a pessoa jurídica da sociedade de advogados. · as empresas legalmente constituídas para a prestação de serviços intelectuais não podem ser descaracterizadas pela fiscalização ao argumento de que o serviço prestado pelos profissionais aos seus Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 5 7 contratantes seria regido pelas normas da CLT, com todos os reflexos trabalhistas e tributários daí decorrentes, ou seja, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados, sujeitase, tão somente, à legislação aplicável às PJs e não às pessoas físicas. Item (d): subsidiariamente: arts. 31 e 22, I da Lei nº 8.212/91 e do equívoco na composição de base de cálculo da cobrança (necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais e consequente abatimento das contribuições sociais pagas pelas pessoas jurídicas desconsideradas; · a fiscalização deveria ter apurado o montante de contribuições (previdenciárias e sociais) recolhido pelas PJs desconsideradas e abatido das exigências feitas no lançamento fiscal, contudo exigiu as contribuições previdenciárias em duplicidade, uma vez que desconsiderou os recolhimentos efetuados pelas PJs, entendendo não ser possível a dedução da base de cálculo ou compensados com os valores a recolher. Item (e): subsidiariamente: art. 106, II do CTN e a nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (retroatividade das leis benéficas ao contribuinte em caso de imposição de penalidade). · caso não seja acolhido o pedido de anulação dos lançamentos, a multa moratória deverá ser reduzida em razão da aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferida pela Lei nº 11.941/2009, com fundamento no CTN que dispõe no seu art. 106, II, “c”, a retroatividade da Lei que comine pena mais branda ao contribuinte. · o acórdão recorrente, ao manter a multa aplicada tal como lançada no auto de infração, considerando as disposições do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, divergiu de vários acórdãos que decidiram pela aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferida pela Lei nº 11.941/2009 (MP 449/2008), limitandose a multa ao percentual de 20%. É o relatório. Fl. 2755DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, efls. 2660. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Primeiramente, entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários na empresa notificada, que encontravase, na verdade na condição de empregadora. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, que no § 2.º do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas pagas aos empregados é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.º 11.457/2007: “Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 6 9 Assim, de pronto, afasto qualquer alegação de incompetência da autoridade fiscal para caracterização de vínculo, e que essa competência seria adstrita ao poder Judiciário. Passo agora a identificar os pontos trazidos pelo contribuinte em seu recurso especial aos quais deuse seguimento ao recurso. Item (a): art. 12, I da Lei nº 8.212/91 e dos requisitos para a configuração do seguradoempregado (existência de processos trabalhista no bojo do qual foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício entre as mesmas partes do presente caso. Conforme descrito acima, entendo encontrarse dentro da competência da autoridade fiscal a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, desde que devidamente demonstrado por meio dos elementos identificados durante a fiscalização que esclarecem como se dava efetivamente a contratação dos serviços. Notese que um dos princípios norteadores do direito quanto a formação de vínculo de emprego é o da "primazia da realidade", ou seja, atribuise maior relevância a realizados dos fatos, ou como no caso concreto, como se dava a prestação de serviço do que os contratos formalmente apresentados. Contudo, ao contrário do argumentado, a improcedência de reclamatórias trabalhistas não afasta o vínculo configurado para efeito previdenciários, tendo em vista a autonomia da autoridade fiscal, prevista na legislação. Da leitura do dispositivo normativo descrito acima, não se identifica o condicionamento da formação dos vínculos de emprego à existência de reclamatórias trabalhistas procedentes,. No presente caso, a utilização indevida de contratação de pessoas jurídicas foi também suscitada pela autoridade fiscal do ministério do trabalho, que inclusive comunicou a situação à Receita Federal, ensejando o presente lançamento, conforme identificamos no relatório, fls. 37 e seguintes, sejamos: Conforme fartamente detalhado no Relatório do Auto de Infração n.° 019031581 anexo, a fiscalização do trabalho detectou a contratação fraudulenta pela empresa fiscalizada de consultores/instrutores, profissionais cuja função está intimamente ligada à sua atividadefim. A fraude se dava pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores de maneira a mascarar a relação de emprego com a adoção de contratos civis de parceria. Todavia, mantinhamse todos os pressupostos fáticojuridicos do vinculo empregatício, com trabalho executado de maneira não eventual por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. A partir de 2008, o INDG passou a concentrar os pagamentos das PJ na empresa União Consultoria Ltda., constituída unicamente para agregar os antigos PJ individuais, que migraram para um único empreendimento. Foi visto que tais procedimentos fraudulentos foram arquitetados com amplo conhecimento dos fundadores do Instituto, senhores JOSE MARTINS DE GODOY e VICENTE FALCONI CAMPOS, os quais, pelo que se pôde apurar, valeramse do apoio do advogado e contador da empresa, Senhor WILLIAN GIOVANI BARROS. [...] Fl. 2757DF CARF MF 10 Assim, concluiu a fiscalização que todas as manobras engendradas foram destinadas exclusivamente à burla da legislação trabalhista e consequente evasão fiscal, valendose de atos simulados com o intuito de mascarar a relação empregatícia existente entre o INDG e seus consultores. E tal se justificava tendo em vista o montante envolvido. Os valores de remuneração pagos aos consultores foram colhidos por meio da análise da documentação contábil da empresa, em especial, Razão e Diário, sendo que tais valores embasaram o levantamento de débito do FGTS e Contribuição Social incidentes sobre os salários pagos extrafolha por intermédio das PJ. Dessa forma, a existência de ações judiciais para desconstituir autuação do Ministério do trabalho seja procedentes ou improcedentes servem como subsídidio para a identificação da existência de desvirtuamento, mas não como elemento capaz de desnaturar o fato gerador, quando o conjunto probatório é suficiente para formação do vínculo de emprego para efeitos previdenciários. Podemos observar que a decisão colacionada aos autos pelo recorrente diz respeito ao julgamento do auto de infração elaborado pelo Ministério do Trabalho, com a indicação da irregularidade da contratação das pessoas jurídicas, tendo àquele órgão, aduzido as razões que entendeu suficientes para formação do vínculo. Foi nesse processo que houve manifestação do tribunal, que digase, não adentrou ao mérito da contratação individual das pessoas físicas. Vale observar que a denúncia do Ministério do Trabalho junto à fiscalização da previdência, apenas ensejou o início da procedimento fiscal, contudo os elementos probatórios colacionados aos autos não são necessariamente os mesmos. Pelo contrário, fez a fiscalização procedimento próprio, com a intimação para apresentação de todos os documentos que entendeu necessários a apreciação de existência ou não de contratação irregular. Dessa forma, o julgamento ora sob análise possui elementos de provas e discussão autônoma. Não se está aqui desobedecendo decisão judicial, posto que o tribunal que analisou a autuação do ministério do trabalho não teve acesso aos elementos e informações contidas no presente processo. Da mesma forma, a improcedência de autuação da Receita Federal do Brasil, não vincularia a autuação do Ministério do Trabalho. Notese, ainda, que não foram apresentadas reclamatórias trabalhistas improcedentes em relação a cada um dos empregados, mas apenas ação da empresa para desconstituir autuação do ministério, razão pela qual não existiu por parte do tribunal do trabalho apreciação do mérito em relação a cada trabalho, mas apenas a decisão que os elementos constantes naquele auto de infração do Ministério do Trabalho carecia dos elementos necessários a convicção do referido tribunal. Item (b): art. 142 do CTN (suficiência e ônus da prova, bem como a necessidade de inequívoca demonstração do fato gerador; Quanto ao questionamento acerca da demonstração do fato gerador, vejamos os termos d relatório fiscal, que analisa documentos capazes de esclarecer as condições em que se dava a verdadeira contração: Filtrados os lançamentos contábeis mensais, foram ainda apurados para confronto, os lançamentos declarados pela Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 7 11 empresa INDG à Secretaria da Receita Federal através da Declaração de Imposto de Renda Fonte DIRF. 5.4 Confirmados e apurados todos os pagamentos, a empresa foi então intimada a apresentar os contratos de prestação de serviços que originaram tais pagamentos durante o período de 01/2006 a 12/2007. 5.5 Analisados os contratos de prestação de serviços, foi constatado que os contratos denominados "acordos de parceiras" têm, todos eles, o mesmo conteúdo, o mesmo padrão, foram celebrados em datas aproximadas, têm o mesmo prazo de validade de dois anos e regularmente foram prorrogados. 5.6 O objeto dos acordos de parceria entre a INDG e as PJ, estabelece o desenvolvimento e difusão de métodos e técnicas de gerenciamento voltados à obtenção de resultados nas organizações, atuando as PJ na condição de terceirizada, mediante termos aditivos para cada um dos trabalhos a serem desenvolvidos. 5.7 Através dos termos aditivos aos acordos de parceria (termos que determinam os trabalhos a serem desenvolvidos), fica evidenciado que, os contratados como parceiros, na verdade, eram os profissionais, pessoas físicas, na figura de um ou mais de um dos sócios das pessoas jurídicas, que, em caráter não eventual, executavam pessoalmente os trabalhos contratados, visando atender as atividades normais da empresa, relacionadas diretamente com os fins do seu empreendimento econômico. 5.8 A partir destes indicativos de substituição da folha de pagamento por notas fiscais de serviços, a auditoria fiscal realizou pesquisas aos sistemas internos da RFB, obtendose dados das PJ chamadas de "parceiras" ou "subcontratadas". 5.9 Paralelamente, a fiscalização desenvolveu na empresa, os trabalhos de análise dos documentos e elementos relacionados no item 4 deste relatório. 5.10 Considerado o grande volume de lançamentos contábeis, acordos de parceria, aditivos aos acordos, notas fiscais, registro de empregados, informações obtidas dos sistemas da RFB e outros elementos analisados, foram elaborados em amostragens os anexos de I a XVIII que integram este relatório fiscal com o objetivo de consolidar as informações que sustentam a formação da convicção de que a empresa INDG deixou de recolher contribuições previdenciárias e deixou de cumprir com as obrigações acessórias atinentes ao fato gerador, quando implementou um modelo irregular de contratação de segurados empregados. 6 Identificação e características das Pessoas Jurídicas PJ: 6.1 Para identificar e demonstrar as características das pessoas jurídicas PJ que foram intermediárias na relação de trabalho Fl. 2759DF CARF MF 12 entre a INDG e os empregados contratados de forma irregular, foram elaborados os anexos a seguir, a título de amostragens e exemplos: Anexo II Pessoas Jurídicas (PJ) 2006 e 2007 Selecionadas na Auditoria Anexo III Ex Empregados que se tornaram PJ Anexo IV Contratos Sociais das PJ Amostragem Anexo V Atividades das PJ Amostragem Anexo VI Empregados das PJ Amostragem Anexo VII Endereços das PJ Amostragem Anexo VIII Contador das PJ = Contador da INDG Amostragem Anexo IX 2006 Totais Notas Fiscais Emitidas pelas PJ para INDG = Faturamento das PJ Amostragem 2006 Anexo IX 2007 Totais Notas Fiscais Emitidas pelas PJ para INDG = Faturamento das PJ Amostragem 2007 Anexo X Notas Fiscais emitidas pelas PJ para INDG Amostragem 6.2 A Anexo II apresenta as PJ selecionadas pela auditoria para 2006 e 2007 para análise de suas características e contratos realizados com a INDG (contratos denominados Acordos de Parceria). 6.2.1 Tais PJ possuem em comum, características que deixam claro que foram criadas ou adaptadas mediante alterações contratuais para atenderem ao modelo de contratação de empregados implementado pela INDG. 6.2.2 Dentre estas características apontase em geral que: 6.2.2.1 As PJ foram originárias de exempregados da INDG e/ou profissionais da área de consultoria empresarial, formando sociedades com pessoas que detêm participações mínimas no capital social e não participam da gestão da sociedade (Anexos III e IV). 6.2.2.2 Através dos Anexos III e IV podese perceber também, que nem todas as pessoas jurídicas foram constituídas a partir de profissionais dos cargos de Consultores. Profissionais voltados à área de consultoria empresarial, mas que, ainda figuravam nas Fichas de Registro de Empregados como Assistentes ou Instrutores Juniores, também se tornaram pessoas jurídicas logo em seguida ao desligamento do quadro de funcionários da INDG. 6.2.2.3 O código de atividades no cadastro nacional de pessoas jurídicas das PJ é o mesmo código da INDG 70.204/00 Atividade de Consultoria em Gestão Empresarial, exceto Consultoria Técnica Específica (Anexo V). Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 8 13 6.2.2.4 Estas PJ não mantinham empregados da área de consultoria empresarial, evidenciandose que, quem de fato prestava os serviços contratados pela INDG era um ou mais de um dos seus sócios (Anexo VI). 6.2.2.5 As PJ possuem os mesmos endereços, a mesma assistência contábil que atende também a INDG, não possuem empregados em atividades fim ou meio e demonstram assim, que não possuem independência ou estrutura profissional própria (Anexos VI, VII e VIII). 6.2.2.6 O Anexo IX demonstra que não existe diferença entre os totais de notas fiscais emitidas pelas PJ contra a INDG e os faturamentos anuais das mesmas, permitindo concluir que as PJ não prestavam serviços a outros contratantes e que foram criadas exclusivamente para atender ao modelo de contratação implementado pela INDG. 6.2.2.7 As notas fiscais emitidas pelas PJ fazem referência a "Serviços de Consultoria Prestados na Área de Gestão Empresarial", independentemente se os objetivos sociais constantes de seus contratos sociais preverem a prática de outras atividades (Anexo X). 7.1 Para demonstrar o sistema de contratação de empregados da INDG durante o período, foram elaborados como exemplo por amostragens os anexos a seguir: Anexo X Notas Fiscais emitidas pelas PJ para INDG Amostragem Anexo XI Acordos de Parceria e Termos Aditivos de Prorrogações de Prazos Amostragem Anexo XII Termas Aditivos aos Acordos de Parceria Trabalhos a serem executados PJ Amostragem Anexo XIII Autorizações de Débitos Pagamentos das PJ Amostragem Anexo XIV Lançamentos Contábeis Pagamentos das Notas Fiscais Amostragem 7.1.1 As PJ eram constituídas ou adaptadas mediante alterações contratuais e logo em seguida já eram firmados os acordos de parceria com a INDG (Anexo XI). 7.1.2 Os acordos de parceria não determinam todas as atividades a serem "desenvolvidas pelas PJ", nem mesmo quando e onde, uma vez que, estas atividades contínuas dentro do contexto empreendedor da INDG, variam de cliente para cliente e seguem etapas de projetos desenvolvidos e a desenvolver de acordo com supervisão e aprovação da INDG. 7.1.3 Assim, estabeleceuse na cláusula primeira item 1.3 comum a todos os acordos que, as atividades seriam determinadas mediante aditivos. Daí surgem aditivos seqüenciais e contínuos, determinando as tarefas e prorrogando os prazo de duração dos acordos de parceria (Anexo XI e XII). 7.1.4 Os pagamentos efetuados às PJ conforme foi estabelecido na cláusula sexta item 6.1 de todos os acordos, foram efetuados com regularidade no 5 o dia útil de cada mês (dia de pagamento dos demais empregados da autuada), Fl. 2761DF CARF MF 14 mediante autorizações de débitos emitidas pela INDG creditados em geral em contas do Banco do Brasil S/A (Anexo XIII). 7.1.5 Dentro deste modelo em contrapartida, as PJ emitem notas fiscais que comprovam os pagamentos efetuados pela contratante e sustentam sua contabilização em custo dos serviços prestados sem incidir sobre tais notas fiscais qualquer contribuição previdencíária (Anexo X e XIV). 8.1.1.1 Criadas ou adaptadas as PJ, estas "empresas" recém estabelecidas no mercado de consultoria, sem comprovar Knowhow, sem possuir estrutura profissional e sem empregados, estabelecem contratos (acordos de parceria) com a INDG, para atuarem na ponta de suas atividades fins e na ponta de toda sua estrutura operacional, representandoa diante aos seus clientes. Evidentemente que, esta representação profissional se faz, como consultores do quadro funcional ou Equipe da INDG, e não como empresas de consultoria recém criadas e sem estrutura própria. 8.1.1.2 É dispensável a existência da PJ na execução dos trabalhos determinados nos aditivos que complementam os acordos de parceria. Necessário é na verdade que, exista alguém específico, preparado e com capacidade técnica adequada para cumprimento daquela demanda. Daí a pessoalidade. Quem detém o conhecimento e quem realiza as tarefas designadas é a pessoa física e não a pessoa jurídica. [...] 8.1.4.4 Na forma das cláusulas segunda e terceira, não compete às PJ gerenciar e gerir seu próprio negócio, nem mesmo administrar os custos de seus serviços. Ao estabelecerem os acordos com a INDG, os prestadores de serviços não participam do risco do empreendimento que é exclusivo da contratante. A eles cabe executar. A relação entre o contratante e os contratados é, portanto, idêntica à relação entre patrão e empregados. Senão vejamos: Cláusula Segunda de todos os acordos de parceria: "Das obrigações da Terceirizada realizar consultorias e treinamentos voltados para o objeto contratual, de acordo com o aditivo, planejar, organizar todas as atividades inerentes ao alcance do objeto acordado". De acordo com a Clausula Segunda, portanto, cabe aos "terceirizados", executar. com as necessidades do mercado e efetuar os pagamentos das atividades que venham a ser aprovadas conforme termo aditivo". De acordo com a Cláusula Terceira, portanto, cabe à INDG, dar condições de trabalho e correr o risco do empreendimento Cláusula Terceira de todos os acordos de parceria: "Das obrigações da IDG captar propostas, transferir o Know how necessário para a realização dos serviços, fornecer o apoio administrativo necessário incluindo passagens aéreas, Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 9 15 hospedagem, material didático, propostas, enfim, providenciar toda a logística para a realização das atividades terceirizadas. Desenvolver novos produtos compatíveis Anexo XI Acordos de Parceria e Prorrogações dos Prazos de Duração Amostragem Página 11 de 16 Com as necessidades do mercado e efetuar os pagamentos das atividades que venham a ser aprovadas conforme termo aditivo". De acordo com a Cláusula Terceira, portanto, cabe à INDG, dar condições de trabalho e correr o risco do empreendimento. 8.1.4.5 Ainda na cláusula terceira, podese perceber a subordinação e o controle nesta relação compatível a empregador e empregados (o primeiro determina e o segundo cumpre) a exemplo: "as passagens aéreas ou rodoviárias serão fornecidas previamente pela IDG, serão reembolsadas apenas as despesas compatíveis com a viagem, são consideradas absolutamente incompatíveis: bebidas alcoólicas, cigarros, telefonemas, brindes e outros similares". 8.1.4.6 A exemplo também da subordinação é o que prevê o subitem 3.3.1. de todos os acordos, quando acordam "os deslocamentos necessários para ministracão de conferências, monitoria e/ou prestação de serviços de treinamento no trabalho serão reembolsados mediante a apresentação do relatório de viagem, em até 48 (quarenta e oito^ horas após o retorno para a sede", (grifei). 8.1.4.6.1 Existe na relação, tratamento próprio do investimento e da assistência do empregador para com seus empregados, subordinandoos a: ministracão de conferências, monitoria, e treinamento no trabalho. 8.1.4.6.2 Percebese ainda, que a sede de todos os prestadores de serviços é a sede da INDG, onde todos são obrigados a retornar e apresentar relatórios de viagens em até 48 (quarenta e oito) horas. [...] 9 Da identificação dos prestadores de serviços caracterizados empregados: Anexo XVII 2006 Segurados Caracterizados Empregados 2006 Anexo XVII 2007 Segurados Caracterizados Empregados 2007 9.1 A identificação dos segurados caracterizados empregados foi efetuada através das fichas de registro de empregados (ex empregados que se tornaram pessoas jurídicas),acordos de parceria, termos aditivos, contratos sociais das PJ e lançamentos contábeis de reembolsos de despesas de viagens pagas diretamente às pessoas físicas. Estas identificações foram ainda objeto de confronto e confirmação com dados extraídos dos sistemas da Receita Federal do Brasil. Fl. 2763DF CARF MF 16 10 Dos Salários de Contribuição Anexo XVIII 2006 Salários de Contribuição 2006 Anexo XVIII 2007 Salários de Contribuição 2007 10.1 Identificados os empregados, as remunerações pagas a estes segurados a qualquer título durante o mês, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, integram o saláriodecontribuição da empresa, de acordo com o art. 28, inciso I da Lei 8.212/91, com redação alterada pela MP n° 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei n° 9.528, de 10/12/97. Quanto ao aspecto da amostragem, entendo que pode sim valerse o auditor dessa técnica, desde que comprovada uma uniformidade nas práticas adotadas pela empresa. Na situação sob enfoque, a autoridade lançadora se valeu de dados coletados mediante investigação, efetuada nas dependências da empresa fiscalizada durante o procedimento fiscal e em pesquisas no banco de dados da RFB, além de constatações de outras órgãos cuja competência assemelhase a da Receita Federal. Foram averiguados contratos de prestação de serviço, notas fiscais, folhas de pagamento, declarações prestadas à Administração Tributária, registros contábeis, dentre outros. Percebese, assim, que o fisco não se utilizou de meras presunções, mas foi buscar para seu convencimento em farto conjunto probatório, o que nos leva a crer que houve cautela na apreciação dos elementos que lhe foram aparecendo no decorrer da ação fiscal. A técnica da amostragem para fundamentar as conclusões quanto à ocorrência dos fatos geradores não nos parece dezarrazoada. Na análise deste ponto do recurso, não se pode perder de vista que todos os contratos em que se focou a auditoria tinham as mesmas características. Dessa forma, entendo que encontravase suficientemente descritos os fatos geradores, permitindo ao recorrente o direito ao contraditório e a ampla defesa. Item (c): art. 129 da Lei nº 11.196/05 (impossibilidade de desconsideração das pessoas jurídicas prestadoras de serviços intelectuais. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo por força do disposto na lei 11.196/05, entendo que razão não assiste ao recorrente. A suposta incompatibilidade entre o § 2.º do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.º 11.196/2005 pode ser resolvida mediante interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 10 17 Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Vejamos trecho do relatório fiscal: Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Um argumento que nos parece muito válido para chancelar a caracterização de segurado empregado nesses casos diz respeito às considerações lançadas para vetar o parágrafo único do mencionado artigo, que fora assim redigido: Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para a necessidade de se preservar a competência da fiscalização para lançar os tributos correspondentes sempre que verificada a existência de trabalho prestado mediante relação de emprego travestido de avenca entre empresas. Eis os termos lançados nas razões do veto do parágrafo único do art. 129 da Lei n. 11.196/2005: “Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade.” (grifamos) A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho corrobora o entendimento de que o artigo 129 da Lei 11.196/2005 não teve o condão de legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, ficando a salvo a relação de emprego. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1. VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO(LEI Nº 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE Fl. 2765DF CARF MF 18 EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em conseqüência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fático jurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2º, caput, e 3º, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 63935.2010.5.02.0083, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/06/2013, 3ª Turma, Data de Publicação: 21/06/2013)(grifamos) Há um outro precedente também do TST que não poderíamos deixar de citar, posto que vem bem nessa linha de entendimento de que a norma do art. 129 da Lei 11.196/05 não autoriza a prestação de serviços com as típicas características da relação de emprego por meio da interposição de pessoas jurídicas. Vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1) NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 2) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. MULTA. 3) VERBAS RESCISÓRIAS. 4) RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. TRABALHO EMPREGATÍCIO DISSIMULADO EM PESSOA JURÍDICA. FENÔMENO DA Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 11 19 PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7º, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1º, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1º, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5º, XXIII) e da busca do bem estar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3º, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho 16 humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7º, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2º e 3º da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária nº 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3ª Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Assim, mesmo após a edição da Lei n.º 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.º do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma citada não pode ser utilizada como Fl. 2767DF CARF MF 20 escudo para proteger situações de clara afronta aos princípios dos Direitos Previdenciário e Trabalhista.__ Item (d): subsidiariamente: arts. 31 e 22, I da Lei nº 8.212/91 e do equívoco na composição de base de cálculo da cobrança (necessidade de exclusão dos valores de tributos retidos nas notas fiscais e conseqüente abatimento das contribuições sociais pagas pelas pessoas jurídicas desconsideradas; Quanto a argumentação de que a autoridade fiscal desconsiderou os recolhimentos efetuados pelas PJs, entendendo não ser possível a dedução da base de cálculo ou compensados com os valores a recolher entendo que a argumentação do recorrente procede em parte. Conforme descrito anteriormente não houve desconsideração das pessoas jurídicas, mas formação de vínculo de emprego, utilizando como base de cálculo o valor efetivamente recebidos. Neste caso, nos parece inaplicável, inicialmente, qualquer dedução, pois os tributos pagos referemse as obrigações legais de competência da PJ. Ao contratar irregularmente empregados com o arcabouço de PJ, a autuada assume o ônus de ter os valores pagos para pessoas jurídicas, utilizados como salário de contribuição, posto que é o pagamento constante da contabilidade da autuada como efetivamente pago. Conforme descrito no acórdão recorrido pelo ilustre DR. Arlindo Costa e Silva: "A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. " Contudo, entendo que não existe lógica cobrar duas vezes em relação aos mesmos segurados, até porque o recolhimento da contribuição patronal em dobro, não lhe beneficiaria. Dessa forma, a contribuição previdenciárias patronal paga pelas pessoas jurídicas em relação aos seus sócios, cujas contratações foram reclassificadas como relação de emprego, deverão ser deduzidas aos valores lançados no presente auto de infração. Item (e): subsidiariamente: art. 106, II do CTN e a nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (retroatividade das leis benéficas ao contribuinte em caso de imposição de penalidade). Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ter seu percentual limitado a nova redação do art. 35 da lei 8212/91, entendo que razão não lhe assiste. A multa aplicada pela autoridade fiscal, qual seja a redação anterior do art. 35, encontrase em perfeita consonância com a melhor interpretação dos dispositivos da lei 8212/91 e com o art. 106 do CTN. Conforme extraímos dos autos, aplicouse, para cada competência, a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN, qual seja 24% nos casos de Lançamento de ofício. Ainda, no que tange ao cálculo da multa, para entender a natureza das multas aplicadas e por conseguinte como deve ser interpretada a norma, passemos a algumas considerações, tendo em vista que a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP, introduzindo dois novos dispositivos legais, senão vejamos: Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 12 21 Até a edição da MP 449, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD/AIOP (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 2769DF CARF MF 22 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP lavrados em relação a fatos geradores anteriores a publicação da lei, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD(AIOP) + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente após a publicação da MP e lei, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, Tratase de AIOP/NFLD onde foi aplicada a multa de 24% (texto original do art. 35%). Embora não tenhamos identificado a lavratura de AIOA, isso não altera o valor aplicado, pois o limite máximo permanece em 75%, já que prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, ou seja, 24% . No caso, se existisse autuação pela ausência de informação em GFIP, a multa aplicada ocorreria (pela tese da fiscalização) nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo, ou seja, o somatório do AIOP e do AIOA seriam de 75%. Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 13 23 Para efeitos da apuração da situação mais favorável, no meu entender a fiscalização deveria observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: (1) Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou (2) Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Como não consta a informação de lavratura de AIOA, sem dúvida, considerando tratarse de lançamento de ofício, a multa aplicada pela fiscalização obedece os preceitos do art. 106 do CTN. Assim, entendo que a multa aplicada pelo auditor encontrase em perfeita consonância com os normativos vigentes, bem como refletem de forma mais adequada a natureza da multa aplicada, não havendo qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido quanto a essa parte. CONCLUSÃO Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Especial do sujeito passivo, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para permitir a imputação dos valores das contribuições previdenciárias patronais dos segurados recolhidas pelas pessoas jurídicas relativas às operações reclassificadas como relação de emprego, aos valores lançados no auto de infração É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 2771DF CARF MF 24 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Em que pese o excelente voto da relatora ouso discordar de seus fundamentos e em consequência disso do encaminhamento adotado em seu dispositivo final. Embora eu adote uma postura firme de valorização da via administrativa, respeito de forma categórica a coisa julgada material das decisões proferidas pelo Poder Judiciário, e no caso em tela, mantido o voto nos termos da relatora estaria se desrespeitando posicionamento do Poder Judiciário acerca da temática aqui discutida, bem como infringindo assim a segurança jurídica do ordenamento, colocando todo sistema em risco. Observese que no caso em tela o auto de infração em discussão não nasceu de uma fiscalização normal iniciada por ato de um auditor fiscal no exercício de seu mister, mas sim da denúncia recebida pelo Ministério do Trabalho, que diante dos indícios de desrespeito a legislação trabalhista e possíveis reflexos previdenciários apontados oficiou a Receita Federal para que desse início a fiscalização dos mesmos. Importante frisar que os fatos a serem averiguados eram de origem trabalhista que caso estivessem em desacordo com a lei gerariam de modo reflexo descumprimentos as normas previdenciárias. Contudo, após realizada a fiscalização a Empresa judicializou a questão e através de uma anulatória, restou vencedora logrando êxito em comprovar que não houve ofensa a legislação trabalhista, uma vez que não restou comprovado vínculo trabalhista por falta do elemento de subordinação entre as partes. Pois bem, este é o ponto central da discussão destes autos. Primeiramente, cumpre ressaltar que não havendo a comprovação da subordinação, e tendo sido esta analisada pela justiça competente, ou seja, aquela especializada no vínculo trabalhista, não há que se falar no reconhecimento de vínculo de trabalho pela Receita Federal, vez que esgotada a discussão sobre o fato que levaria a reflexos nas contribuições previdenciárias pretensamente devidas. Em segundo, as decisões do Poder Judiciário após transitadas em julgado se revestem do instituto da “coisa julgada material” passando seu conteúdo a um status de imutabilidade. Dentre outros motivos, podemos indicar o principal como a Segurança Jurídica das partes e do ordenamento Jurídico como um todo, extremamente necessário num estado Democrático de Direito. Observo que, não ignoro o fato de que este poder da coisa julgada material não é definitivo e via de regra faz lei apenas entre as partes. Por exemplo, uma sentença de reclamatória trabalhista de reconhecimento de vínculo trabalhista pode ser reanalisada pela justiça federal previdenciária, pois gera efeitos na via previdenciária que implicam no pagamento de benefícios pelo INSS, o qual na esfera trabalhista não figurou como parte da demanda. Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 10680.722449/201054 Acórdão n.º 9202004.641 CSRFT2 Fl. 14 25 Contudo, somente um juiz federal pode mitigar a coisa julgada operada pela decisão de outro juiz federal, no caso em tela trabalhista. O exemplo referido serve como parâmetro para lembrar que não cabe a este Conselho Administrativo mitigar decisões do poder judiciário que possuam força de coisa julgada material. É inadmissível para a segurança jurídica que o mesmo fato seja considerado de diferentes formas para o Estado ao mesmo tempo, ou seja, que para a Justiça do Trabalho não haja vínculo de emprego entre a contribuinte e seus especialistas e para a Receita Federal, com a finalidade de cobrar contribuição previdenciária haja vínculo de emprego, mesmo tendo a Justiça do trabalho apontado a falta de comprovação do elemento subordinação. O mesmo fato não pode ser considerado de forma distinta quando aplicado sobre a ele a mesma lei. Para cobrar contribuição previdenciária é necessário que seja reconhecida a relação de emprego entre as partes, e no entanto, o órgão competente para fazêlo disse que esta não restou configurada. Friso aqui, principalmente por que o argumento foi levantado em sede de sustentação oral pela Fazenda Nacional, que vínculo de emprego é um instituto de direito do trabalho e não pode ser analisado e sopesado de modo diferente na seara trabalhista e tributária, pois sua norma de regência está na CLT. Logo, vínculo de emprego deve ser vínculo de emprego sob as mesmas circunstancias seja para o direito do trabalho seja para o tributário. Fato é que, em havendo sua comprovação aí sim, gera efeitos reflexos tributários que estão previstos na legislação previdenciária/tributária. Observo que as provas e documentos que fundamentaram os autos de infração tributário e trabalhista eram idênticos, assim não há que se falar em novas provas que possibilitem ao Tribunal Administrativo conclusões baseadas em provas que não se encontram albergadas pela coisa julgada material. Admitir que o instituto do vínculo de emprego seja tomado com dois contextos diferentes, um pela Justiça do Trabalho e outro pela Receita Federal, seria dar ao fisco um poder Supremo não contemplado em nossa legislação. Nem pretendido pela nossa Constituição Federal. Sendo assim, vínculo de emprego prescinde da comprovação de vários elementos, sendo o principal a subordinação não verificada no caso dos autos. Ainda que estes argumentos fossem ultrapassados pelo colegiado, outros pontos ainda apontam para a ilegalidade do auto de infração em comento. A equivocada desconsideração das pessoas jurídicas dos especialistas. Mais uma vez o princípio da legalidade restou descumprido pela própria Administração Pública que na ânsia de lançar a infração o fez de modo duvidoso. Aplicando o instituto chamado de deslocamento da pessoa Jurídica, não foram adotados os procedimentos legais que permitem sua aplicação e analisando o caso pormenorizadamente observase que não há nos autos nada que permita isso e que um processo a parte deve ser realizado. A desconsideração da pessoa Jurídica, ou o deslocamento de sua personalidade jurídica, não pode ser banalizado a gosto do Estado. Sob pena de se estabelecer Fl. 2773DF CARF MF 26 um Estado de exceção cujo ordenamento Jurídico não é capaz de garantir segurança jurídica aos seus cidadãos. Não menos importante, também devo citar um sério erro na base de cálculo do imposto pretendido pela Receita Federal, ferindo assim o art. 142 do CTN, pois caso fosse mesmo desconsiderada as pessoas jurídicas dos especialistas que prestavam serviço a Contribuinte, não foi computado (abatido) em nenhum momento os valores pagos a título de imposto por elas, o qual deveria ser aproveitado em favor da contribuinte, havendo assim evidente indício de enriquecimento ilícito da Administração, que estaria cobrando o mesmo imposto duas vezes de formas diferentes. Diante destes argumentos, seja pelo desrespeito a coisa julgada material proferida pela Justiça do Trabalho, seja pelo equivocado deslocamento da pessoa jurídica, ou ainda pelo erro na base de cálculo sobre o qual se funda o lançamento, voto por conhecer do Recurso do Contribuinte e no mérito darlhe provimento. È como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 2774DF CARF MF
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Numero do processo: 18108.002391/2007-49
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 23 91 /2 00 7- 49 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 223DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 225DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 227DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 18108.002391/200749 Acórdão n.º 9202005.010 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 229DF CARF MF
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