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Numero do processo: 10680.014187/2001-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001
PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional.
BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF.
Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3402-005.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001 PRAZO PRESCRICIONAL PARA COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido
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SUSPENSÃO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por instauração de processo administrativo fiscal através da interposição de Manifestação de Incoformidade, nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, atinge a contagem do prazo prescricional para cobrança dos crédito tributário informado em declaração de compensação. Incidência do artigo 151, inciso III e artigo 174 do Código Tributário Nacional. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718 DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO. DECISÃO PLENÁRIA DEFINITIVA DO STF. Através do julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235/MG o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998. Incidência do artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997. Decisões definitivas de mérito, proferidas em repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 41 87 /2 00 1- 60 Fl. 682DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, o processo retorne à unidade de origem para apurar o quantum e eventual direito creditório do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Recorrente apresentou em 03/12/2001 o Pedido de Restituição sob o nº 10680.014187/200160, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS (Código da Receita 2172) no período de apuração de 28/02/1999 a 30/06/2001, anexando Documentos de Arrecadação de Receitas Fiscais (DARF) às fls. 12 a 22, no valor total de R$ 1.262.268,73 (Hum milhão, duzentos e sessenta e dois mil, duzentos e sessenta e oito reais e setenta e três centavos). Em manifestação de fls. 05 a 11, datada de 14 de Novembro de 2001, invoca o Princípio da Isonomia Tributária, esclarecendo que o pedido decorre de discordância pelo tratamento diferenciado na determinação da base de cálculo da COFINS, permitindolhes determinadas deduções e exclusões da Receita Bruta, as quais levam a concluir que na verdade, para tais entidades passouse a ter como base de cálculo o LUCRO BRUTO, diferente da maioria dos demais contribuintes, cuja Base de Cálculo da COFINS é a Receita Bruta. Igualmente argumenta que não incide multa de mora, uma vez que os débitos seriam levados à compensação antes de respectivos vencimentos, incidindo o instituto da denúncia espontânea previsto pelo artigo 138 do Código Tributário Nacional. As guias de recolhimentos realizados a título de COFINS (Código da receita: 2172) foram anexados às fls. 12 a 22. Em resumo, os pedidos iniciais são os seguintes: Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 683 3 i) restituição dos valores recolhidos a maior no que respeita ao diferencial da base de cálculo entre o LUCRO BRUTO e o FATURAMENTO BRUTO, tendo como termo "a quo" a competência 02/99; ii) compensação com débitos futuros, nos termos do artigo 74 da Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97, considerando planilha de fls. 4. O PERD/COMP Nº 07260.91444.30120§.1.3.042014 foi apresentado às fls. 441499 para compensação com débitos de COFINS dos períodos de apuração referente s a junho de 2002 a janeiro de 2003 e maio de 2003 a setembro de 2005, bem como débitos de PIS dos períodos de apuração julho de 2002 a setembro de 2005, considerando as seguintes informações: Às fls. 500502 a Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG proferiu despacho decisório nº 1362/2008, negando a homologação do pedido de compensação com a seguinte Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de Apuração: 28/02/1999 a 30/06/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO DETERMINAÇÃO Somente a lei pode estabelecer a base de cálculo de tributos e contribuições. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS Não se encontra abrangida pela competência da autoridade administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das lei. Fundamentação Legal: Art. 97 do Código Tributário Nacional, art. 102 “a” da Constituição Federal e art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Compensação não Homologada Foi fundamentado em despacho decisório que: A base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS é o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta da pessoa jurídica, a partir de fevereiro de 1999, com a Lei n° 9.718/1998, art. 3°, §l°, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo Fl. 684DF CARF MF 4 irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Para fins de determinação da base de cálculo da COFINS, excluise da receita bruta apenas o que está previsto na lei. Neste sentido, devese observar o disposto no parágrafo 6° do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993: “§ 6° Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativas a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou 0 correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, g. " (grifei) No que atine ao mencionado tratamento isonômico, há de ser esclarecido que a Receita Federal do Brasil, como órgão da Administração Direta da União, não é competente para decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal, cabendolhe, mediante ação administrativa, aplicar a lei tributária. O foro competente para apreciar argüição de descumprimento de preceito constitucional é o Supremo Tribunal Federal, consoante dispõe o art. 102, parágrafo único da Constituição Federal. A Carta Magna em seu art. 2° estabelece o princípio da separação e independência dos Poderes, sendo, portanto, interditado ao Executivo avocar matéria de competência privativa do Poder Judiciário como é a de decidir acerca da inconstitucionalidade de norma legal. Requer a contribuinte, diante do princípio constitucional constante do art. 150, II, da CF, a isonomia de tratamento que é dada às instituições financeiras, para que sejam incluídas as exclusões e deduções, de modo que a base de cálculo da referida contribuição seja o lucro bruto. Nesse aspecto, tratandose de empresa que explora o comércio atacadista e varejista de acessórios, suprimentos e equipamentos de informática em geral, importação e exportação de mercadorias da linha comercial, além da prestação de serviços de desenvolvimento, manutenção, suporte e treinamento em sistemas e programas de processamento de dados, bem como a instalação de tais equipamentos e sistema e a locação de equipamentos de informática, não se enquadrando a contribuinte entre as instituições financeiras a que se refere o §l° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, correspondelhe a base de cálculo da referida contribuição tal como disposta nos art. 2° e 3° da Lei 9.718/1998. Às fls. 512518 foi interposta Reclamação em data de 05/09/2008, requerendo a homologação da compensação e extinção do crédito tributário em razão dos seguintes argumentos de defesa: * Prescrição dos períodos de julho de 2002 a agosto de 2003: Aplicase o artigo 174 do Código Tributário Nacional, com extinção do crédito tributário, nos termos do Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 684 5 artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional; * Aplicação da Lei nº 9.718/1998: A inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998 foi declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, aplicandose a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. Às fls 522529 foi proferido o Acórdão nº 0219.832 pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, julgando improcedente a manifestação de inconformidade por unanimidade, nos termos do voto do Relator, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2001 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. O controle de constitucionalidade da legislação é de competência exclusiva do Poder Judiciário. A extensão administrativa dos efeitos jurídicos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no exercício do controle difuso condicionase às hipóteses estabelecidas no Decreto n° 2.346, de 1997. AVISO DE COBRANÇA. De acordo com a legislação de regência, às Delegacias de Julgamento não compete apreciação das manifestações de inconformidade apresentadas contra os Avisos de Cobrança, mas apenas àquelas dirigidas contra o indeferimento, pelas Delegacias, Alfândegas e Inspetorias da SRF, dos pedidos de restituição e compensação. Solicitação Indeferida. Às fls. 660665 foi interposto Recurso Voluntário pugnando pela total reforma da decisão recorrida, o que se fez nos exatos termos apresentados em peça de Reclamação. Às fls. 676 e 679 foi proferido despacho esclarecendo a incompetência, respectivamente, da 1ª Turma Especial e 1ª Turma Extraordinária, ambas desta 3ª Seção, em razão do limite de alçada quanto ao valor do crédito tributário. Em razão da renúncia de mandato da anterior Conselheira, o processo foi distribuído para julgamento por esta 2ª Turma da 4ª Câmara, sob minha relatoria. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF 6 Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Cabe observar que não é possível averiguar neste processo a data exata da intimação da Recorrente sobre o Acórdão proferido pela DRJ de Belo Horizonte/MG, como se observa da intimação anexada às fls 648657 deste processo eletrônico. No entanto, considerando a data de 24/11/2008 constante na formalização de fls. 648 e postagem de fls. 657, bem como a postagem em data de 22/12/2008 (fls. 658659) e, por aplicação do artigo 23, inciso II e § 2º, inciso II do Decreto nº 70.235/1972, resta averiguada a tempestividade do Recurso Voluntário. Com isso, atendidos os pressupostos legais de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido por este Colegiado. Preliminar Com relação à preliminar, a 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte/MG acompanhou o voto do Eminente Relator, que invocou a incidência do artigo. 23, inciso I da Portaria MF n° 259/ 2001, cumulado com artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, artigo 174 da Portaria MF n° 95/2007 e artigo 160 do Regimento Interno da RFB, concluindo que os atos preparatórios de cobrança não comportam manifestação de inconformidade e não formaliza lançamento passível de instaurar o contencioso administrativo fiscal, uma vez ausentes os pressupostos dos artigos 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72. Neste caso, entende o Julgador da DRJ pela competência para apreciar recursos contra ato de nãohomologação, o que não alcança providências ulteriores à sua liquidação, concernentes à cobrança ou suspensão do débito compensado. A Recorrente pugnou em peça recursal pela declaração de competência da DRJ de Belo Horizonte/MG para julgamento da defesa, uma vez que a Reclamação foi interposta contra decisão que não homologou o pedido de compensação, com intimação para cobrança dos débitos informados em PERD/COMP, resultando no atendimento aos pressupostos para apreciação. Com relação à preliminar suscitada em defesa, deixo de apreciar o argumento sobre nulidade da decisão recorrida, o que faço em razão dos fundamentos que serão abordados no mérito. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 685 7 Mérito Prescrição A Recorrente invoca igualmente a aplicação do artigo 174 do Código Tributário Nacional, pugnando pela extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso V do mesmo Diploma Legal, uma vez que o pedido de compensação junto a Receita não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Na análise sobre a incidência do instituto da prescrição deve ser aplicada a previsão do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002, insurgindo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e, por sua vez, a suspensão do prazo prescricional para cobrança do débito informado em declaração de compensação, nos termos previstos pelo artigo 151, inciso III, cumulado com artigo 174, ambos do Código Tributário Nacional. Por este motivo, voto no sentido de afastar a prescrição invocada em Recurso Voluntário. Aplicação da Lei nº 9.718/1998. A Recorrente igualmente fundamentou pela inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, declarada pelo Supremo Tribunal Federal através do julgamento do REAgR nº 356280/PR, argumentando que deve ser aplicada a regra do parágrafo único do artigo 4º da Lei nº 2.346/97. A 1ª Turma da DRJ de Belo Horizonte negou a homologação do Pedido de Compensação por concluir pela ausência de repercussão geral da decisão do Supremo Tribunal Federal, finalizando a decisão recorrida com a seguinte informação: Conseqüentemente, o acolhimento de sua pretensão resta condicionado a que as mencionadas decisões do STF venham a ter seus efeitos estendidos para os contribuintes que não são partes nas ações em que foram proferidas. Essa ampliação ou extensão depende de atos do Senado Federal ou do Presidente da República, ou ainda de ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, conforme artigos retro transcritos. No entanto, tais atos não existem e, assim, não existe base legal que permita o reconhecimento administrativo do direito creditório pleiteado. (sem destaque no original) Ocorre que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º a Lei nº 9.718/1998 através do julgamento do RE nº 585.235 (TEMA 110), conforme Ementa abaixo descrita: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Fl. 688DF CARF MF 8 Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008) Importa observar que o julgamento proferido pelo STF em repercussão geral ocorreu em data de 10/09/2008, com publicação do Acórdão em 28/11/2008 e trânsito em julgado em 12/12/2008, sendo que o julgamento da Reclamação pela 1ª Turma da DRJ/BHE ocorreu em 10/11/2008. Ao que pese a proximidade de tais datas, no momento em que foi proferida a decisão a quo já havia a decisão do STF por atribuir repercussão geral ao RE nº 585235. Deveria a autoridade julgadora a quo aplicar o artigo 4º, parágrafo único do Decreto nº 2.346/1997, afastando o § 1º, do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 e, por sua vez, reconhecer o direito ao crédito informado em Declaração de Compensação ou, no mínimo, suspender o julgamento até trânsito em julgado e confirmação da repercussão geral que naquele momento já estava decidida. Por sua vez, este Tribunal Administrativo reconhece a aplicação do Tema 110 do STF. Neste caso, incide o artigo 62, § 2 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou do s arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Neste sentido, colacionase precedente da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial nº 137.866 (PAF: 13808.005507/2001 03): Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1996 a 31/08/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/01/1999 a 31/01/1999, 01/06/1999 a 30/06/1999, 01/08/1999 a 31/08/1999, 01/05/2000 a 31/08/2000, 01/01/2001 a 28/02/2001 Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. DECISÃO DEFINITIVA DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal, através do seu órgão plenário, já se posicionou de forma definitiva quanto à inconstitucionalidade do disposto no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, com a reafirmação da sua jurisprudência, no julgamento do RE nº Fl. 689DF CARF MF Processo nº 10680.014187/200160 Acórdão n.º 3402005.712 S3C4T2 Fl. 686 9 582.235/MG, reconhecido como de repercussão geral, tendo se deliberado, ainda, neste caso, pela edição de súmula vinculante. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 4º DO DECRETO Nº 2.346/1997 E DO ARTIGO 62 DO RICARF. Nos termos do parágrafo único do artigo 4º do Decreto nº 2.346/1997, na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Recurso Especial do Procurador Negado (Acórdão nº 9303002.859 – 3ª Turma) Por sua vez, importante observar que a Contribuinte instruiu o pedido com as DARF’s correspondentes, procuração, declaração sobre o objeto do pedido, cartão CNPJ, documentos de identificação dos sócios proprietários, contrato social e alterações, Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados do Exercício referentes ao período de 31/12/1992 a 31/12/2000, Balancete em 30/06/2001, bem como DIPJ Exercícios 2000 e 2001, como pode ser constatado às fls. 12 a 206 do processo eletrônico. Outrossim, em nenhum momento foi colocado em dúvida a prova material (recolhimentos efetuados) trazida aos autos com relação aos pagamentos indicados como recolhidos a maior, tampouco sobre a comprovação dos valores demonstrados em planilha de fls 4. Portanto, diante da comprovação nos autos do recolhimento realizado sobre a base de cálculo apurada com fulcro em dispositivo de lei declarado inconstitucional, deve ser aplicada a decisão judicial, resultando em necessário retorno à Unidade de Origem para análise e apuração de tais créditos. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e julgo PARCIALMENTE PROVIDO para que, afastado o fundamento da decisão recorrida quanto à inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, o processo retorne à Unidade de Origem para apurar o quantum e eventual direito creditório da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 690DF CARF MF 10 Fl. 691DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13558.001065/2005-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-007.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 10 65 /2 00 5- 31 Fl. 212DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2802000.470 proferido pela Segunda Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 22 de setembro de 2010, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 148: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 IRPF. DECADÊNCIA. O imposto de renda da pessoa física é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro. Ultrapassado esse lapso temporal sem a expedição de lançamento de ofício, opera se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4º e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso provido Da mencionada decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 171 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 198 e seguintes, para rediscutir a decisão recorrida no tocante à Decadência. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) sujeitos ao regime de tributação na declaração de ajuste anual, o lançamento sobre rendimentos auferidos em 1999 somente poderia ser efetuado de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Iniciandose o lustro no primeiro dia do exercício seguinte, em janeiro de 2001, o seu termo ocorreu em 31/12/2005, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98); b) O STJ, em recurso especial representativo de controvérsia (REsp 973.733/SC) assentou que o prazo decadencial, na hipótese de não recolhimento prévio de tributos, é o do artigo 173, I, do CTN; c) deve ser reformado o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, a controvérsia dos autos reside na definição do termo inicial da contagem do prazo de decadência: se seria de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, ou de acordo com o art. 173, I, do mesmo diploma legal. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do antigo CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543¬C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta¬se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Fl. 214DF CARF MF 4 Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege¬se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando¬se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida¬se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu¬se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam¬se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543¬C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do art. 150, § 4º, CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para constituir o crédito tributário é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código tributário Nacional. No caso ora analisado, não houve pagamento antecipado do imposto de renda, motivo pelo qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a aplicação do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Considerando o disposto em sede de repetitivo, observase que assiste razão a Procuradoria da Fazenda Nacional, pois ausente a antecipação do pagamento, não se vislumbra a atração da norma contida no art. 150, §4º, do Código Tributário. Portanto, sobre rendimentos auferidos em 1999, somente poderia ser efetuado o lançamento de ofício no ano seguinte, em 2000, após a entrega da declaração. Assim o termo inicial da decadência ocorreu em no primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, em janeiro de 2001, e o seu termo final ocorreu em 1/01/2006, restando tempestivo o lançamento notificado ao contribuinte em 27/12/2005 (fls. 98). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13558.001065/200531 Acórdão n.º 9202007.374 CSRFT2 Fl. 4 5 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial e, no mérito, dar lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13857.720500/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009
MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE.
Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3302-005.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10830.725904/2013-55, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Recorrente MASTER COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE COSMETICOS E SANEANTES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2009 MULTA POR ATRASO DA DACON. INCONSTITUCIONALIDADE. ABUSIVIDADE. PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE. Conforme a Súmula CARF 02 o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 72 05 00 /2 01 3- 65 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Processo Administrativo por meio do qual discutese a incidência de multa por atraso na entrega da DACON, prevista no art. 7º, da lei nº 10.426/2002, com redação dada pela Lei n. 11.051 de 2004. No caso concreto não há qualquer controvérsia acerca da ocorrência, no mundo fenomênico, do fato jurídico consistente no atraso da referida DACON. A Recorrente insurgese tão somente em relação ao montante exigido que, segundo ela seria excessivo e, por tal motivo violaria o postulado normativo da razoabilidade e da proporcionalidade, infringindo a norma constitucional que veda o confisco. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 14051.957. A Recorrente insurgiuse por meio de Recurso Voluntário no qual reitera os argumentos contidos na sua impugnação, merecendo destaque a razoabilidade, proporcionalidade, vedação ao confisco, trazendo relevantes julgados e doutrinas que embasam o seus argumentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.906, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.725904/201355, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.906): "O Recurso Voluntário é tempestivo e revestese dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A Recorrente reconhece que descumpriu a legislação que estabelece o prazo para entrega da DACON de que trata o Auto de Infração, limitandose a discutir a razoabilidade, proporcionalidade e confiscatoriedade da norma que estabelece a multa que lhe foi aplicada. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13857.720500/201365 Acórdão n.º 3302005.914 S3C3T2 Fl. 4 3 Os argumentos trazido pela Recorrente remontam à discussão suscitada por Daniel Webster durante o julgamento do caso McCulloch v. Maryland, perante a Suprema Corte NorteAmericana no já distante ano de 1819, e que foi a razão de decidir de ninguém menos que o seu Presidente John Marshall, que praticamente duzentos anos atrás afirmou que o poder de tributar envolve o poder de destruir e que até hoje ecoa no Supremo Tribunal Brasileiro, como bem ilustram interessantes julgados trazidos pela própria Recorrente. Contudo, por força da Súmula CARF n. 02, este Colegiado não é o foro específico para a discussão acerca de eventual inconstitucionalidade de legislação em vigor, merecendo destaque o fato de que a referida Súmula é de observância obrigatória, o que veda a análise da matéria no âmbito do CARF. Por tal motivo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 13163.720028/2017-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL.
É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ.
INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO.
A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
Numero da decisão: 2001-000.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. DESNECESSÁRIA A APRESENTAÇÃO DE LAUDO MÉDICO OFICIAL. É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova, para efeito de comprovação das moléstias enumeradas na Lei 7.713/1988, art. 6º, inc. XIV, conforme Súmula 598 do STJ. INTERPRETAÇÃO LITERAL CASOS DE ISENÇÃO. ART. 111, II DO CTN. APLICAÇÃO. A interpretação literal que dispõe o art. 111, inciso II do CTN, visa impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, mas para saber se o caso em questão é o caso previsto em lei se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e do exame da prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 3. 72 00 28 /2 01 7- 01 Fl. 103DF CARF MF 2 Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "O contribuinte alega ser portador de moléstía grave que o isentaria do imposto de renda, todavia, não apresenta o indispensável laudo pericial em conformidade com a exigência legal e, assim, a isenção pleiteada não pode ser reconhecida." O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ PORTO ALEGRE. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 69/78. Em síntese, alega ser portador de moléstias graves (distrofia muscular, cardiopatia, usuário de marcapasso e AIDS). Informa que recebe proventos de pensão, decorrentes da morte de sua mãe. Junta ao recurso, Relatório Médico, receituários, declaração de profissional da área médica. É o relatório.. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13163.720028/201701 Acórdão n.º 2001000.317 S2C0T1 Fl. 3 3 (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Fl. 105DF CARF MF 4 Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Assim, em observância ao comando normativo retrocitado, (art. 30 da Lei nº 9250/95), não há como acatar, para fins de reconhecimento de isenção de IRPF, o “Relatório Médico” de f. 81. Referido relatório e outros documentos médicos, poderiam ser considerados, inclusive para anotação da data do início da doença, quando submetido à avaliação por perícia médica realizado por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, para emissão de laudo médico pela junta médica oficial. Importante frisar que o próprio Relatório Médico que o contribuinte apresenta destaca a necessidade de emissão de Laudo Pericial. Isso se constata pelo aviso expresso ao final: "As informações relacionadas estão sujeitas à ratificação pelo grupo médico pericial credenciado da entidade solicitante." Convém ainda mencionar a regra inserta no artigo 111, do CTN, que determina que as normas que veiculam outorga de isenção devem ser interpretadas literalmente. Portanto, não há como reconhecer o direito à isenção pleiteado pelo recorrente, haja vista que não foi feita prova nos termos exigidos pela legislação. Desta forma, adotando a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu o reconhecimento da isenção, há de se concluir pela correção do procedimento fiscal. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13163.720028/201701 Acórdão n.º 2001000.317 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Vencedor Discordo do relator quanto sobre a caracterização da doença grave. Tratase de divergência principalmente quanto à necessidade de apresentação de laudo oficial. O contribuinte apresentou outros elementos de prova indicando possuir doença grave. Entendemos que a fundamentação baseada somente na falta de apresentação, ou problemas formais no documento, no laudo médico, não afastam por si a caracterização da doença grave quando há outros meios de prova indicando a doença. Trazemos entendimento do STJ com o qual concordamos, ministro Napoleão Nunes Maia Filho, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ, relator do caso, AREsp 81.149: “Ainda que conste como preceito legal, a perícia médica oficial não pode ser tida como indispensável ou como o único meio de prova habilitado, sendo necessário ponderarse a razoabilidade de tal exigência legal no caso concreto” E mais recente, mais no ponto do caso em questão e já sendo matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, que é o órgão do Poder Judiciário do Brasil que assegura a uniformidade à interpretação da legislação federal., trazemos a Súmula 598, que assim dispôs: É desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para o reconhecimento judicial da isenção do Imposto de Renda, desde que o magistrado entenda suficientemente demonstrada a doença grave por outros meios de prova. STJ. 1ª Seção. Aprovada em 08/10/2017. Sobre a interpretação literal do texto legal, em cumprimento ao art 111 do CTN, inciso II, que trata de isenção, questão trazida amiúde quando se fala de isenção tributária, trazemos o pensamento do tributarista Carlos da Rocha Guimarães, com o qual concordamos plenamente: O art. 111 "não quer realmente negar que se adote, na interpretação das leis concessivas de isenção, o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma, mas simplesmente impedir que se estenda a exoneração fiscal a casos semelhantes, alargando, além do seu exato limite, o que diz a letra da lei, sem, no entanto, deixar de incluir, na interpretação do texto legal, todos os casos que a sua significação indica como nele incluídos, sem o que a própria letra da lei também estaria ferida, e a exoneração, assim truncada, ficaria sem sentido." Explicase, em relação ao caso: não se poderia estender a isenção de doença grave para pessoas em casos semelhantes, pessoas com doenças não consideradas graves, pessoas idosas, pessoas desempregadas, pessoas presas, etc. Aqui, sim, não se pode estender porque se interpreta literalmente, a isenção é só para doença grave. Fl. 107DF CARF MF 6 No entanto, para a caracterização da doença grave prevista em lei, para o exame da prova sobre a doença, se utiliza o processo normal de apuração compreensiva do sentido da norma e processo normal do exame da prova. No exame da documentação entendemos estar caracterizada a doença grave. Os rendimentos recebidos por portador de doença grave são isentos, conforme Lei 7.713/1988, art. 6º. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722632/2014-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA.
Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais.
VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação em dinheiro e de forma habitual.
AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pós-graduação.
ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA.
A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC.
Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo.
Numero da decisão: 2402-006.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais. VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio-alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pós-graduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea t, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pós-graduação. ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR). AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO DE NEGOCIAÇÃO. SINDICATOS COM BASE TERRITORIAL LIMITADA AO ESTATUTO. DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. Para fins de averiguar a negociação entre a empresa e seus empregados, prevista no artigo 2º. da Lei n. 10.101/2000, a representatividade do sindicato está restrita a sua base territorial definida no estatuto e com aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e o Acordo Coletivo de Trabalho que instituiu Plano de PLR não se aplica a empregados de categorias e localidades não abrangidas pelos limites de representação das respectivas entidades sindicais. VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. PRÊMIO EVENTUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios, bonificação e prêmios, que foram concedidos de forma habitual. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM PECÚNIA. REFEIÇÃO. INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio alimentação em dinheiro e de forma habitual. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos relativos à educação superior (graduação e pósgraduação) se enquadram na hipótese de não incidência prevista na alínea “t”, § 9º, artigo 28, da lei 8.212/91 visto que a Lei 9394/96, que estabelece as diretrizes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 26 32 /2 01 4- 20 Fl. 12754DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.755 2 bases da educação nacional, no artigo 39, estabelece que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. ALÍQUOTA GILRAT/FAP. HIPÓTESE LEGAL. CONTRIBUINTE AUTUADO. INFORMAÇÕES DO FAP DA EMPRESA CONTRATANTE DE MÃO DE OBRA. A alíquota da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) é determinada de acordo com a atividade preponderante do contribuinte autuado e seu o respectivo grau de risco, observando os dados e informações do Fato Acidentário de Prevenção (FAP) da empresa empregadora de mão de obra e não se leva em consideração elementos informativos da empresa sucessora. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE LEGAL. ENUNCIADO DE SÚMULA CARF 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Após a data de vencimento do crédito tributário, a aplicação de juros sobre multa de ofício é aplicável na medida que faz parte do crédito apurado. O art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN) autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito tributário a que se refere o caput do artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes às bolsas de estudo. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator), Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior que deram provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Luis Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente). Fl. 12755DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.756 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário, apresentado às fls. 12.614 usque 12.639, voltado contra Acórdão de fls. 12.549 a 12.593, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário conforme lançado. Por bem delinear a causa até a interposição do apelo, forçoso transcrever o relatório da decisão objurgada, que tem o seguinte estilo: Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT/FAP), previstas nos incisos I e II do artigo 22 da Lei 8.212/1991, e às contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (Terceiros), incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, relativas às competências 01/2010 a 12/2010. O lançamento é composto das seguintes contribuições sociais e Debcad’s: 1. AIOP N° 51.062.1147 (fls. 11730/11916), referente às contribuições destinadas à Previdência Social, correspondentes a cota patronal previdenciária (alíquota de 20%), incluindo aos riscos de acidentes do trabalho (RAT/GILRAT/FAP, alíquota de 3%), no valor de R$ 23.311.362,12 (vinte e três milhões, trezentos e onze mil, trezentos e sessenta e dois reais e doze centavos), consolidado em 18/09/2014; 2. AIOP N° 51.062.1155 (fls. 11917/12099), relativas à contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos (alíquota de 5,8%) sobre remuneração pagas aos segurados empregados, no valor de R$ 5.376.664,22 (cinco milhões, trezentos e setenta e seis mil, seiscentos e sessenta e quatro reais e vinte e dois centavos), consolidado em 18/09/2014; 3. AIOA N° 51.062.1163 (fls. 12100/12101), referese à multa por não contabilizar em títulos próprios (Código de Fundamento Legal 34), no valor de R$ 18.128,43 (dezoito mil, cento e vinte e oito reais e quarenta e três centavos), consolidado em 18/09/2014. I DO RELATÓRIO FISCAL O Relatório Fiscal (fls. 104/123) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são pagamentos a segurados empregados não declarados em GFIP, referentes a contribuição previdenciária a cargo da empresa (patronal), destinadas ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e a Outras Fl. 12756DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.757 4 Entidades e Fundos/Terceiros (Salário Educação/FNDE, SENAC, SESC, INCRA e SEBRAE). Informa que a empresa Casa Bahia Comercial Ltda (autuada) sofreu uma Cisão Parcial que gerou a empresa NOVA CASA BAHIA S/A (NCB), sendo que esta nova empresa englobou parte dos empregados da empresa cindida e aqueles empregados que, por questões de ordem operacional, não puderam formalizar seu vínculo trabalhista com a nova empresa (NCB), imediatamente após a Cisão Parcial permaneceram empregados da cindida até que fosse possível transferir o registro desses empregados. Portanto, a remuneração dos empregados objeto deste auto referese aqueles que permaneceram sendo remunerados pela empresa cindida Casa Bahia Comercial Ltda (autuada), declarados em GFIP e em DIRF, após a Cisão Parcial. Conforme Relatório Fiscal, a base de cálculo decorre das seguintes remunerações pagas ao segurados empregados: Participação nos lucros ou resultados (PLR): após análise dos acordos e convenções coletivas que embasam os pagamentos de PLR, constatouse que, considerando as bases territoriais dos sindicatos, algumas unidades da empresa autuada não apresentaram quaisquer instrumentos de negociação coletiva. Com isso, os valores pagos a título de PLR, oriundo exclusivamente das unidades que não possuíam acordos ou convenção coletiva, foram considerados em desacordo com a Lei, não se enquadrando no disposto no art. 28, § 9°, alínea ‘j’, da Lei 8.212/1991, e, portanto, integraram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal afirmase que: “consideradas as bases territoriais dos sindicatos, as demais unidades para as quais não foram apresentados quaisquer instrumentos de negociação coletiva foram consideradas em desacordo com a Lei”; Vantagens adicionais, benefícios e bonificações não declaradas em GFIP: referese a valores retirados da conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, cujo histórico indica "PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS", que não foram declarados em GFIP e não constam da folha de pagamento; Pagamento de Refeição: constitui os pagamentos em dinheiro para despesas com alimentação, sendo que os valores foram pagos a título de refeição nas rubricas: 177 Refeição e 179 Refeição Paga. O Relatório Fiscal registra que a empresa foi reintimada, por meio do TIF n°5, a esclarecer os fatos relacionados ao pagamento a título de refeição, sendo que ela manifestou da seguinte maneira da seguinte: “Conforme informado em 14/04 pagamento estabelecido em Convenção Coletiva de Trabalho que determina o pagamento em espécie o qual não integram ao salário ou quaisquer bases legais conforme abaixo. Segue anexa a Convenção na íntegra. Apenas para colaboradores da região do Distrito Federal e entorno ocorria este pagamento”; Fl. 12757DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.758 5 Bolsa de Estudos: TREINAMENTO, valores pagos a título de BOLSA DE ESTUDO: concessão de valores a título de reembolso 50%, apesar de questionada, a empresa não apresentou resposta conclusiva a respeito dos pagamentos. Diante dos fatos, os valores pagos a título de bolsa de estudo foram considerados como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a Terceiros, tendo em vista que se tratam de cursos de nível superior de graduação, pósgraduação e MBA. Foram excluídos os cursos que estão de acordo com a alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991. Os valores foram apurados por meio dos seguintes levantamentos: B1 BOLSA DE ESTUDO Valores pagos aos empregados a título de bolsa de estudo, período lançado de 01/2010 a 09/2010; E1 EXTRA Vantagens adicionais, benefícios e bonificação pagos aos empregados e contabilizados na conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, período lançado de 01/2010 a 09/2010; P1 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Pagamentos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei, período lançado de 01/2010 a 12/2010; e R1 REFEIÇÃO Valores pagos aos empregados através das rubricas 177 Refeição e 179 Refeição paga, período lançado de 01/2010 a 12/2010. Por fim, a empresa foi autuada por deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma, discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições. Da Multa Aplicada. Quanto à aplicação da multa constante deste Auto de Infração, esclarecese que foi aplicada a multa de ofício de acordo com o art. 35A da Lei 8.212/1991, incluído pela Lei 11.941/2009, que determina, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação do disposto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Dessa maneira, em razão da conduta da empresa, foi aplicada a multa de ofício de 75% prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/1996, exceto para o levantamento “B1 BOLSA DE ESTUDO”. Com relação ao levantamento “B1 BOLSA DE ESTUDO”, foi aplicada a multa de ofício agravada de 50%, prevista no inciso II do § 2° do art. 44 da Lei 9.430/1996 pois a empresa não atendeu, no prazo marcado, a solicitação de informações listadas no TIF n° 5. Para isso, o Relatório Fiscal informou que: “Tendo em vista que a empresa não cumpriu o prazo do TIF n° 5, conforme item 56, não demonstrou as regras de acesso, apesar de informada, através do TIF n° 5, de que havia apresentado Fl. 12758DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.759 6 regulamento de empresa diversa, deixou de relacionar os lançamentos contábeis aos beneficiários, identificando as respectivas unidades, CNPJ, não apresentou documentos que comprovem a matrícula, e deixou de classificar os cursos conforme a Lei 9.394/1996, foi agravada a multa aplicada ao levantamento B1 BOLSA DE ESTUDO, e todos os valores lançados na matriz” (item 66 do Relatório Fiscal, fls. 116/117). Da Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP). Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), pela ocorrência, em tese, do delito de sonegação fiscal de contribuição previdenciária, capitulado no art. 337A, inciso I, do Código Penal Brasileiro (com a redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000), constituída no processo administrativo n° 10805.722633/201474, que foi apensada ao presente processo administrativo fiscal e cumprirá o rito processual previsto nos §§ 2° e 3° do art. 4° da Portaria RFB n° 2.439/2010, DOU de 22/12/2010. Da Ciência do Lançamento Fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo autuado deuse em 24/09/2014, por meio de sua Caixa Postal eletrônica (fls. 12102/12103). II DA IMPUGNAÇÃO Em 23/10/2014, foi apresentada a impugnação (fls. 12112/12154) em nome da Via Varejo S.A (CNPJ 33.041.260/065290), na qualidade de sucessora por incorporação da empresa Nova Casa Bahia S.A (NCB), esta por sua vez sucessora de Casa Bahia Comercial Ltda (autuada). A Impugnação deduz, em síntese, as seguintes as questões. Preliminarmente: Da Legitimidade Passiva da Impugnante. Afirma que a empresa autuada foi submetida à operação de cisão parcial em 9 de novembro de 2010, oportunidade em que parcela do acervo cindido, foi destinada à empresa Nova Casa Bahia S/A (Doc. 04), sendo certo que em tal operação restou alinhavado que todos os empregados que antes prestavam serviços à Casa Bahia Comercial Ltda. passariam a ser empregados pela nova empresa constituída, a Nova Casa Bahia S/A. Nesse passo, argumenta que, em 2 de janeiro de 2013, a empresa Nova Casa Bahia S.A. foi incorporada pela empresa Via Varejo S.A. (Doc. 05), e conclui que esta possui atualmente legitimidade para apresentar a presente Impugnação, porquanto sucessora da primeira em todos seus direitos e obrigações, notadamente tributários, nos termos em que preceitua o artigo 227, caput, da Lei 6.404/1976 c/c artigo 132 do Código Tributário Nacional. Da Nulidade das Autuações: Inexistência de Adequada Descrição dos Fatos Imponíveis. Da Violação aos Princípios da Ampla Defesa e Contraditório. Fl. 12759DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.760 7 Diz que os Autos de Infração ora atacados devem ser cancelados, uma vez que estão eivados de vício formal, sendo flagrante a sua nulidade. Para isso, afirma que, da simples leitura do Relatório Fiscal que embasa as autuações, verificase a ausência de fundamentação clara e inequívoca dos lançamentos fiscais, tendo em vista a Autoridade Administrativa não logrou êxito em demonstrar adequadamente as razões que dão sustentáculo às infrações supostamente identificadas. Afirma que a descrição circunstanciada do ato infracional ou do fato concreto é imprescindível para justificar a exigência do tributo. E, dessa forma, a inobservância de tal exigência possui o condão de viciar, de forma insanável, o respectivo procedimento administrativo, acarretando a nulidade do lançamento por vício formal. Para embasar o entendimento de nulidade dos Autos de Infração, cita os dispositivos do artigo 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235/1972. Nesse passo, alega que os Autos de Infração foram constituídos à revelia de uma fundamentação clara e precisa. Essa situação prejudica sobremodo o devido processo legal administrativo, porquanto a generalidade existente impossibilita a ampla produção de provas, em face do alargamento semântico atribuído à conjuntura da incidência e o desconhecimento do imputado. Entende que o Auditor Fiscal não lançou contribuições sobre a totalidade da PLR paga ou creditada pela Impugnante, mas apenas sobre parte, como se afere do item 33 do Relatório Fiscal. Sem embargo, o Auditor Fiscal omitiu a descrição ou arrolamento das PLR autuadas, limitandose a inventariar as PLR’s não autuadas. Essa estratégia de autuação, além de desequilibrar o contraditório e prejudicar a ampla defesa da Impugnante, impediu a confirmação do lançamento, ou seja, a ratificação de que as bases utilizadas para apuração do devido são aderentes às PLRs autuadas. Ao invés de arrolar as PLRs não autuadas, o Auditor Fiscal deveria ter descrito as que foram objeto do lançamento, de modo a permitir não somente o exercício da ampla defesa e do contraditório, mas, também, a validação do quantum lançado, o que por si só já é suficiente para infirmar o lançamento. Avança e afirma que as formalidades não foram negligenciadas apenas no lançamento das contribuições sobre a PLR. O Auditor Fiscal omitiu os fundamentos do lançamento das gratificações nãoajustadas (Das Vantagens Adicionais, Benefícios e Bonificação não Declaradas em GFIP). O lançamento se sustentou, apenas, no argumento de que essas importâncias não foram incluídas em folha de pagamento, tampouco informados em GFIP. Fl. 12760DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.761 8 Reafirma que o ato administrativo cerceia as franquias constitucionais e legais do contraditório e da ampla defesa asseguradas à Impugnante, pois sem conhecer a imputação, não dispõe de meios para promover a contestação. E, com isso, a ausência desses dados impossibilita a verificação da incidência das contribuições sociais, impedindo, por via convexa, a produção de provas eficazes à demonstração da imunidade, da não incidência ou da isenção. Do Mérito: Da Isenção da PLR: Cumprimento dos Requisitos da alínea “J” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991 c/c Lei 10.101/2000. Sustenta que a Lei 10.101/2000 não exige que a PLR seja negociada com todos os sindicatos que representavam os empregados da Impugnante, mas apenas com algum que representava a categoria profissional. Com isso, a Impugnante, observado o enunciado legal, negociou PLR com a categoria profissional dos comerciários e dos rodoviários, que compreendem todos os seus empregados. Assim, a PLR paga ou creditada aos empregados dos estabelecimentos identificados no item 33 do Relatório Fiscal (ANEXO PG PLR RESUMO DA FOLHA DE PAGAMENTO), diferentemente do apontado pelo Auditor Fiscal, não estavam desprovidas de lastro, haja vista que se amparavam nos instrumentos firmados com os representantes das respectivas categorias profissionais, definidas no âmbito do art. 511 da CLT. Afirma que a categoria profissional não é definida por meio do aspecto territorial. A homogeneidade não decorre do local onde a atividade econômica é praticada, mas da solidariedade de interesses econômicos dos que empreendem atividades idênticas, semelhantes ou conexas, nos termos do art. 511, caput, e §§ 1o, 2o e 4o, da CLT. Conclui que a inexistência de instrumento de PLR para cada estabelecimento da Impugnante não poderia justificar a incidência de contribuições sobre as participações pagas ou creditadas aos empregados desses estabelecimentos, porque: (i) a Lei 10.101/00 não exige que a PLR seja contratada individualmente com cada sindicato, mas com a categoria profissional; e (ii) a existência de PLRs específicas para cada estabelecimento seria inadequada ao modelo constitucional. Da Isenção da PLR: Aplicabilidade do Item 7 da alínea “E” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. Sustenta que a Fiscalização, após descaracterizar a isenção prevista na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n. 8.212/91, identificou que a Impugnante pagou ou creditou a PLR apenas na competência 12/2010. Com isso, não houve a reiteração, repetição ou frequência no pagamento ou crédito da PLR e ocasionou uma classificação do valor pago ou creditado como remuneração pontual, única e infrequente. Fl. 12761DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.762 9 Dessa maneira delineada para a apuração da PLR, a Impugnante entende que os valores pagos ou creditados aos empregados são essencialmente eventuais. Essa característica decorre da ausência de periodicidade e/ou da ausência da expectativa. Quanto à periodicidade, a PLR era paga, no máximo, duas vezes por ano. A PLR não era, outrossim, expectada pelos empregados, ante a eventualidade e ausência de redundância (periodicidade),tampouco previamente conhecida pelos empregados. Conclui que os Autos de Infração devem, necessariamente, ser anulados, porque a natureza eventual da PLR descaracteriza a tributação pela influência direta do item 07 da alínea “e” do artigo 28 da Lei 8.212/91, que isenta de contribuição previdenciária todo o ganho, remuneratório ou não, pago ou creditado sem periodicidade e/ou sem expectativa. Da Imunidade sobre a PLR. Sustenta que a PLR é imune de contribuição previdenciária independentemente de satisfazer os requisitos da Lei 10.101/2000. Assim, a desoneração dessa rubrica seria estabelecida pela regra contida no inciso IX do art. 7o da Constituição Federal, que blinda a PLR de qualquer tributação previdenciária. Diante de todo o exposto, é possível afirmar que: (i) o inciso IX do art. 7o da Constituição Federal é regra de imunidade, que impede o legislador de onerar com contribuições previdenciárias a PLR; (ii) a eficácia plena do inciso IX do art. 7o da Constituição Federal não depende de lei ordinária ou complementar; e (iii) a desoneração da PLR não depende da satisfação dos requisitos da Lei 8.212/91, tampouco da Lei 10.101/2000 ou da CLT, mas simplesmente da imunidade enunciada pelo inciso IX do art. 7o da Constituição Federal. Com isso, entende que a aplicabilidade imediata e plena do inciso IX do art. 7o da Constituição Federal justifica a anulação dos autos de infração, que, inconstitucionalmente, oneram importância expressamente imunizada pela Constituição Federal. Não Incidência sobre a PLR. Alega que ainda que a PLR fosse considerada espécie de remuneração, o que admitimos apenas para argumentação, não haveria tributação previdenciária, porque a incidência pressupõe que a importância paga ou creditada seja caracterizada como remuneração e também retribua o trabalho prestado pelo empregado. Entende que a PLR não objetiva retribuir o trabalho, mas socializar os lucros ou resultados da empresa, permitindo a integração entre o capital e o trabalho como incentivo à produtividade. A PLR, portanto, não é paga ou creditada em contraprestação ao trabalho, mas, exclusivamente, quando a Fl. 12762DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.763 10 empresa atinge determinado resultado ou lucro. A PLR, ademais, independe do trabalho, porque o resultado ou lucro da empresa pode ser atingido por outros fatores senão o trabalho de seus empregados. Para isso, afirma que o inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91 não pormenoriza as parcelas remuneratórias passíveis de tributação, agindo na generalização. Salário, gorjeta, ganhos sob a forma de utilidades, bem como outras espécies de remuneração compreendem o predicado da incidência. O único pressuposto à tipificação é que a parcela remuneratória destinese a "retribuir o trabalho". Assim, importâncias pagas ou creditadas a pessoas físicas, não obstante habituais, que não venham a caracterizar se como remuneração ou não se destinem a retribuir o trabalho não integram o complemento da hipótese, não ensejando, portanto, a incidência tributária. Reafirma que os valores pagos ou creditados pela Impugnante com a PLR não se amoldam ao conceito legal de remuneração, tampouco objetivam retribuir o trabalho prestado pelos empregados elegíveis. Diz que a PLR, diferentemente do concluído pelo trabalho fiscal, não pode ser onerada simplesmente porque não integra a hipótese de incidência da contribuição previdenciária. A exclusão se justifica: i) na descaracterização da PLR como remuneração; ii) na descaracterização da finalidade de retribuir o trabalho prestado. Registra que a impossibilidade de caracterizar a PLR como remuneração, além de legal, é constitucional. Ao constitucionalizar a PLR, o inciso IX do art. 7o da CF expressamente a desvinculou da remuneração, tratandoa como fenômeno jurídico específico e descaracterizandoa como fato gerador e basedecálculo da contribuição previdenciária, independentemente da existência de isenção. Esse enunciado foi reiterado no art. 3o da Lei 10.101/2000, que peremptoriamente desvinculou a PLR da remuneração ou tratou esse ganho como forma de substituição ou complementação daquela retribuição. Da Isenção das Gratificações não Ajustadas (Vantagens Adicionais, Benefícios e Bonificação não Declaradas em GFIP). Sustenta que os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação estariam enquadrados na regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, já que tais valores foram concedidos de forma eventual e não se pode negar eficácia à isenção retromencionada. Para isso, afirma que a simples análise do ANEXO PAGAMENTO EXTRA A FUNCIONÁRIO do Relatório Fiscal denota a natureza não ajustada e infrequente dos pagamentos ou créditos. A instabilidade é inexorável, inexistindo modelo linear e constante de pagamento. O valor pago ou a periodicidade do pagamento são inconstantes, caracterizando a eventualidade. Fl. 12763DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.764 11 Por exemplo, no estabelecimento ...0001, enquanto em 01/2010, a Impugnante pagou R$ 98.740,90; em 07/2010 pagou R$ 795.409,70, ou seja, uma variação de quase oito vezes. Nos demais estabelecimento não houve pagamentos; essas características denotam a eventualidade, justificando a incidência da isenção do item 7 da alínea “e” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91. Da Isenção do Vale Refeição. Sustenta que, diante da omissão do Relatório Fiscal, é inscrita no PAT (Doc. 08 e 09), e que operou o pagamento do Vale Refeição em dinheiro em apenas alguns estabelecimentos, em razão da imposição do acordo coletivo. Diz que a jurisprudência do STJ, após a decisão do STF, passou a desonerar da incidência das contribuições previdenciárias os Vales Transportes pagos em dinheiro, não obstante a literalidade da legislação condicionar a isenção ao pagamento ou crédito in natura. Com isso, solicita a aplicação desse entendimento para os vales refeição pagos aos seus trabalhadores em dinheiro. Afirma que, diante dos entendimentos do STF, do STJ e da Administração Pública de que a forma de pagamento, se em dinheiro ou in natura, não interessa à isenção previdenciária, não existe opção senão a nulidade absoluta do lançamento, que impôs contribuições previdenciárias simplesmente porque ela pagou ou creditou alguns Vales Refeições em dinheiro. Da Isenção da Bolsa de Estudos: Aplicabilidade da alínea “T” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, com redação da Lei 9.711/98. Argumenta que os cursos de graduação e pósgraduação se classificam como cursos de capacitação e qualificação profissionais, porque, além de prepararem os alunos para as atividades acadêmicas, os preparam para as carreiras profissionais. Essa conclusão se confirma nos incisos II e III do art. 43 da Lei 9.394/96. Alega que, diferentemente do identificado pelo Auditor Fiscal no item 60 do Relatório Fiscal, os cursos superiores, independentemente do seu conteúdo, caracterizamse como cursos de qualificação e capacitação profissionais, sendo que as bolsas de estudos conferidas para esses cursos, atendidos os outros requisitos da alínea “t” do § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, não integram a base de cálculo das contribuições lançadas. Da Não Incidência Sobre Bolsa De Estudos: Ausência De Natureza Jurídica Remuneratória. Entende que o art. 22 da Lei 8.212/91 limita a incidência de contribuições previdenciárias às remunerações pagas ou creditadas aos segurados obrigatórios do RGPS. Fl. 12764DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.765 12 Portanto, a incidência pressupõe, necessariamente, o pagamento ou crédito de remuneração, e a indenização não gera a incidência, porque o art. 22 não inclui essa importância na base de cálculo da contribuição previdenciária. Assim, a caracterização da bolsa de estudo como indenização e a consequente desoneração previdenciária não se limita às bolsas concedidas para a educação básica ou tecnológica, atingindo, outrossim, as bolsas para a educação superior, graduação e pósgraduação. Da Impossibilidade de Aplicação do FAP ao Caso Concreto. Da Ofensa a Resolução CNPS 1.316/2010. Afirma que as fontes de dados utilizadas para a apuração dos elementos que compõem o cálculo do Fator Acidentário de Prevenção (FAP) se baseiam nos registros de Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), nos benefícios acidentários concedidos, seja em razão de nexo causal ou técnico com o trabalho – após abril de 2007 –, nos dados populacionais empregatícios registrados pelas empresas no Cadastro Nacional de Informações Social (CNIS) e na expectativa de sobrevida construída pelo IBGE. Diz que a Resolução 1.316/2010, no item 2.5., determina que para as empresas constituídas após janeiro de 2007, o FAP será calculado no ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. Diante disso, entende que, considerando que a empresa Nova Casa Bahia teve origem apenas no ano de 2010, tornase impossível, por ausência de suporte legal e fático, estabelecer a aplicação do FAP no próprio ano de sua constituição, período ora fiscalizado, nos termos das Resolução que disciplina esse índice. Argumenta que não há que se falar na aplicação do índice do FAP no ano de 2010, objeto da fiscalização que culminou na lavratura dos autos de infração ora impugnados motivo pelo cancelamento da aplicação do percentual constante nos autos de infração ora impugnados e consequente redução automática das exigências. E como a empresa Nova Casa Bahia foi regularmente constituída em novembro de 2010, o FAP atribuído ao período fiscalizado deverá ser equivalente ao patamar de =1,0000 até o ano de 2013, quando será divulgada a sua performance em relação aos índices de frequência, gravidade e custo, os quais permitirão, se vigente idêntico modelo de apuração do coeficiente, o cálculo do FAP a ser aplicado a partir da competência de janeiro de 2014. Da Não Aplicação de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício. Sustenta que a expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições" não contempla a multa de ofício, pois se assim não fosse, não haveria necessidade alguma para a existência do § único do art. 43 da Lei 9.430/96. Fl. 12765DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.766 13 Portanto, ao interpretar a legislação ordinária verificase que aquela autoriza expressamente a incidência de juros de mora somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada. Afirma que – ao analisar conjuntamente os artigos 161, 139 e 113, todos do CTN – esses dispositivos não autorizam a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo. E ressalta, ainda, que caso a multa de ofício estivesse incluída na expressão "crédito" sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do art. 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido artigo de que o crédito deve ser exigido "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Logo, a conclusão inafastável é a de que o Código Tributário Nacional não autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Alega que, subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o Auto de Infração com base no direito arguido na presente Impugnação, o que se admite apenas para argumentar, devem estes Julgadores, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Dos Pedidos. Requer sejam declarados totalmente insubsistentes os Autos de Infração decorrentes dos lançamentos citados no Relatório Fiscal, inclusive os consectários legais incidentes sobre os valores lançados. Subsidiariamente, caso não seja integralmente cancelado o lançamento, requer, ao menos, seja cancelada a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. III DA DECISÃO DA DRJ: Não Conhecer da Impugnação. Em 14/05/2015, esta 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSB (Acórdão 03 67.397, fls. 12335/12339) decidiu pelo não conhecimento da Impugnação, em razão da empresa autuada (Casa Bahia Comercial LTDA) não apresentar procuração específica para representála nos autos. E, no conteúdo da decisão, informa que a procuração acostada as folhas 12206 a 12207 foi outorgada pela Via Varejo S.A., empresa esta que não figura no polo passivo da autuação. A decisão concluiu que o sujeito passivo não comprovou a legitimidade do signatário da Impugnação apresentada, para o fim de representálo neste processo, apesar de regularmente intimado para tanto, e, com isso, declarou a sua revelia. IV DA DECISÃO DO CARF: Conhecer da Impugnação. Após interposição de recurso da decisão da DRJ/BSB que não conheceu da Impugnação, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deu provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do Acórdão n°. 0367.397 da 5a Turma Fl. 12766DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.767 14 da DRJ/BSB (fls. 12335/12339), por ofensa do art. 59, II, do Decreto 70.235/72, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que a peça impugnatória seja conhecida e seja proferido novo acórdão, instaurandose o contencioso administrativo no presente processo. A decisão do CARF registra que a empresa VIA VAREJO S.A. é sucessora da NOVA CASA BAHIA S.A. que, por sua vez, foi sucessora da CASA BAHIA COMERCIAL LTDA., razão pela qual em 23/10/2014 a VIA VAREJO S.A. apresentou a sua peça de impugnação, em nome próprio, no presente processo administrativo fiscal, por ser sucessora da empresa originariamente autuada (CASA BAHIA COMERCIAL LTDA). O entendimento do CARF foi manifestado na ementa nos seguintes termos: IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE. SUCESSOR. LEGITIMIDADE. Comprovada a cisão parcial da empresa autuada e a cessão de seus ativos e passivos a nova sociedade, a qual, posteriormente, é incorporada, legitimada a sucessora a apresentar impugnação e demais atos do processo administrativo, na condição de contribuinte. (Acórdão 2401004.611 da 4a Câmara / 1a Turma Ordinária / 2a Seção, fls. 12515/12225). Em seu apelo, primeiramente demonstra as hipóteses de incidência das contribuições previdenciárias, fiando que, além daquilo que posto na alínea "a", do inc. I, do art. 195, da CF, haveria ampliação de hipóteses para sua incidência, qual seja o §11, do artigo 201 da Lei Maior, onde se inseriu os ganhos habituais cedidos aos empregados. Assim, restaria definido que as contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social devidas pela empresa incidiriam sobre o total da remuneração paga em retribuição ao trabalho e sob os ganhos habituais concedidos sob a forma de utilidades, conforme artigo 22, inc. I da Lei nº 8.212/91. Desse modo, a realização de pagamentos desprovidos de natureza remuneratória ou a concessão de utilidades de forma não habitual, não permitiriam a cobrança das ditas contribuições, por ausência de previsão legal. Quanto a participação nos lucros ou resultados, aponta que, diferentemente do que posto no Relatório Fiscal e no Acórdão Recorrido, a Lei nº10.101/00 não exigiria que cada uma das unidades da empresa, em suas diversas localidades celebre acordo específico de PLR, sendo suficiente, conforme artigo 2º, inc. I, apenas a participação de um sindicado de cada categoria de empregados, o que não estaria atrelado ao fator territorial, mas sim à similitude das atividades laborais. Assim, por ter distribuição da PLR uniforme para todas as suas unidades de negócio que possuem a mesma categoria, a ilegalidade apontada pelo Relatório Fiscal e pela d. DRJ seria descabida, uma vez que haveria critério único para incentivar os empregados a incrementar a sua produtividade. Colaciona jurisprudência deste e. Conselho em defesa de sua tese. Fl. 12767DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.768 15 Quanto às vantagens, aponta que o Relatório tem a seguinte motivação (fls. 12.632): “Vantagens adicionais, benefícios e bonificações não declaradas em GFIP: referese a valores retirados da conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL, cujo histórico indica "PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS", que não foram declarados em GFIP e não constam da folha de pagamento;” E o acórdão teria se fundamentado em: “VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO. HABITUAL. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Por gerar um ganho a título de gratificação ajustada, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação, que foram concedidos de forma habitual.” Assim, aponta que os fundamentos da autuação fiscal relacionados ao pagamentos das "vantagens" teriam sido substancialmente modificados pela DRJ, posto que enquanto o auditor fiscal entendeu que o simples fato do pagamento ser escriturado como "despesa de pessoal" denotaria se tratar de parcela de natureza remuneratória, conquanto a DRJ, com o intuito de salvar o lançamento, teria concluído que as vantagens pagas pela Recorrente tratarseiam de gratificação ajustadas e seriam concedidas de forma habitual. Desse modo, teria a Delegacia inovado o critério jurídico da autuação, iria de encontro direto com o que determinado pelos artigos 146 e 149 do Código Tributário Nacional, devendo ser refutados os novos argumentos apresentados pela DRJ na tentativa de salvaguardar o lançamento fiscal, o que demonstraria reconhecimento da procedência do argumento apresentado pela Recorrente em sua Impugnação, no sentido de que o lançamento fiscal é nulo, uma vez que não traria consigo qualquer evidência de que o pagamento das vantagens possuiria natureza remuneratória. No mesmo sentido, aponta que não haveria qualquer evidência que permita afirmar que os pagamentos realizados pela Recorrente seriam decorrentes de prévio pacto ou que eram realizados de forma habitual. Ao contrário, teria sido demonstrado que, dada a incerteza e ausência de prévio pacto relativo ao pagamento da denominada vantagem, restaria preenchida a hipótese do art. 28, §9º, alínea "e", item 7 (ganho eventual). Além disso, se amoldaria ao disposto na alínea "z" do mesmo artigo, razão pela qual, por qualquer ângulo, sobressairia a conclusão de que a decisão guerreada não deveria prosperar. Quanto ao subtópico "alimentação", narra que diferentemente do que alegado pela DRJ, não existiria Lei, em sentido estrito, tratando da vedação do pagamento do benefício de alimentação em pecúnia. In casu, aponta que a concessão do benefício em dinheiro não decorreria de liberalidade da Recorrente, mas sim de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. Além disso, indigita que, da análise do auditor fiscal, não sobreveria qualquer alegação de que a finalidade do benefício seria distinta daquela originariamente declarada. E, Fl. 12768DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.769 16 por tratarse de benefício desprovido de natureza remuneratória, não faria sentido a incidência das contribuições sociais previdenciárias. Para calcar seu argumento, utilizase do raciocínio do Supremo Tribunal Federal, exposto no RE nº 478.410/SP, no sentido de que: "A discordância se baseia, inicialmente, no fato de que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a constitucionalidade da vedação de concessão dos valores transporte em dinheiro (RE nº 478.410SP), concluiu que a forma de concessão do benefício não altera a sua finalidade. No presente caso, o raciocínio é exatamente o mesmo, com a diferença de que não há lei, em sentido estrito, tratando da vedação do pagamento do benefício de alimentação em pecúnia." Em seguida, quanto às bolsas de estudo, assenta que, na época dos fatos, a Lei dispunha de duas espécies de benefício educacional: a primeira voltada à educação básica", nos termos do artigo 21, da Lei 9.394, e a segunda voltada a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Assim, estabelece que semelhança entre elas era a de que dependiam do cumprimento de dois requisitos para não se sujeitarem à tributação previdenciária: (i) não ser tratar de benefício utilizado em substituição de parcela salarial e (ii) serem extensíveis a todos os empregados e dirigentes da empresa, sendo que não haveria qualquer restrição prevista na legislação quanto à modalidade do curso voltado à capacitação ou qualificação profissionais. Colaciona jurisprudência deste e. Tribunal. Para além, pontua que os cursos de graduação e pósgraduação estariam enquadrados na Lei de Diretrizes Básicas da Educação, conforme entendimento esposado por este e. Conselho no Acórdão nº 2403002.734. Propugna pela reforma integral da decisão nesse ponto. Posteriormente, quando referese ao cálculo do FAP e dos juros sobre a multa, reitera os argumentos aduzidos em sua impugnação, no sentido de que FAP somente poderia ser aplicado a empresas com dois ou mais anos de atividade (que não seria caso da empresa autuada) e, em relação à aplicação de juros sobre a multa, a Recorrente entende que tal medida careceria de fundamentação legal. Desse modo, requer seja dado integral provimento ao recurso para reformar totalmente o acórdão vergastado e, via de consequência, seja extinto o crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Fl. 12769DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.770 17 1. ADMISSIBILIDADE. O Acórdão nº 0367.397 5ª Turma da DRJ/BSB [Fls. 12.335/12.339], foi reformado pelo Acórdão 2401004.611 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária [Fls. 12.515/12.525] que reconheceu a legitimidade do sucessor para apresentação da impugnação original, gerando a emissão de novo Acórdão da DRJ de nº 03076.502 5ª Turma da DRJ/BSB [Fls. 12.549/12.593], em face do qual o presente Recurso Voluntário. Vencidas tais questões, concluímos que o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade, merecendo conhecimento. 2. – DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS / PLR. 2.1. ABRANGÊNCIA GEOGRÁFICA DA PLR. A Recorrente possui estabelecimentos em todo o Brasil e seu quadro funcional é composto por profissionais integrantes de diversas categorias. A mesma instituiu planos de participação nos lucros ou resultados sob a sistemática de negociação prevista no inciso II do Art. 2º da Lei 10.101/00. Com tal objetivo firmou Acordos Coletivos de Trabalho com as seguintes entidades sindicais: • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Santo André. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Ribeirão Preto SP. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis, Pontal, Ribeirão Preto, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e região. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Campo Limpo Paulista, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Várzea Paulista e Vinhedo. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o S.T.E.T.R.C.E. Passageiros de Duque de Caxias – RJ. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Duque de Caxias e Magé. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba (São José dos Pinhais). Conforme Cadastro Nacional de Entidades Fl. 12770DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.771 18 Sindicais a base territorial é: Almirante Tamandaré, Araucária, Balsa Nova, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Colombo, Contenda, Curitiba, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Paraná com a filial 475, CNPJ 59.291.534/0631 69. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Rodoviários e Anexos do ABC com a filial 500, CNPJ 59.291.534/067741. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Santo André. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Ribeirão Preto SP. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Altinópolis, Barrinha, Batatais, Brodowski, Cajuru, Cravinhos, Dumont, Guatapará, Jardinópolis, Pontal, Ribeirão Preto, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio da Alegria, São Simão, Serra Azul, Serrana e Sertãozinho. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Jundiaí e região. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Campo Limpo Paulista, Itatiba, Itupeva, Jundiaí, Louveira, Várzea Paulista e Vinhedo. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o S.T.E.T.R.C.E. Passageiros de Duque de Caxias – RJ. Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Duque de Caxias e Magé. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Empregados no Comércio de Curitiba (São José dos Pinhais). Conforme Cadastro Nacional de Entidades Sindicais a base territorial é: Almirante Tamandaré, Araucária, Balsa Nova, Bocaiúva do Sul, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Colombo, Contenda, Curitiba, Mandirituba, Piraquara, Quatro Barras, Rio Branco do Sul e São José dos Pinhais. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Paraná com a filial 475, CNPJ 59.291.534/0631 69. • Acordo de Participação nos Lucros ou Resultados celebrado com o Sindicato dos Rodoviários e Anexos do ABC com a filial 500, CNPJ 59.291.534/067741. Fl. 12771DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.772 19 A fiscalização entendeu que os empregados lotados em estabelecimentos situados fora da área de ação dos sindicatos mencionados, não poderiam receber a participação nos lucros e resultados por ausência de negociação prévia junto ao respectivo sindicato da categoria. Os pagamentos realizados sob tal titulo integraram a base de calculo dos créditos [levantamento P1 Participação Lucros Resultados] constituídos através Autos de Infração n° 51.062.1147 (parte patronal) e 51.062.1155 (Outras Entidades). A Recorrente não nega este fato, apenas afirma que "a Lei nº 10.101/00 não exige que cada uma das unidades da empresa, em suas diversas localidades, celebre um acordo específico de PLR. A norma é clara ao estabelecer como regra um sindicato de cada uma das CATEGORIAS de empregados". Quanto a efetividade dos direitos sociais, dentro de limites legais, é preciso aplicar métodos hermenêuticos que privilegiem essência em detrimento da forma, evitando resultados interpretativos que inviabilizem o exercício de tais direitos. Quando tratamos de PLR existem muitos entendimentos pautados em um formalismo exacerbado, mas a garantia do direito de negociar os termos dos planos de participação nos lucros e resultados, de modo livre e igualitário, não integra o rol dos elementos formais, está na essência da norma. Entendemos que não é possível garantir negociação livre sem a participação das respectivas entidades sindicais de representação dos trabalhadores em cada uma das localidades em que o plano vigorará. Entender de modo diverso daria margem a negociações de conveniência, pois, para uma empresa com operação em grande parte do território nacional bastaria escolher os sindicatos com propostas e condições mais vantajosas, burlando a finalidade da Lei nº 10.101/00 ao determinar a participação dos sindicatos das respectivas categorias. A alegação da Recorrente de que o Acordo firmado se deu por categoria profissional e deveria abranger a totalidade dos estabelecimentos é equivocada, pois, o enquadramento sindical é determinado pela atividade preponderante da empresa [arts. 570 e 581, § 2º da CLT], a não ser no caso de categoria profissional diferenciada e dos empregados regidos por lei especial [art. 511, § 3º da CLT]. E ainda que, em razão da preponderância, se pudesse admitir a extensão dos efeitos do referido acordo a todos os empregados de modo indistinto, a base territorial dos sindicatos representantes das categorias profissionais e econômica deve ser considerada, não podendo ser flexibilizada. Os efeitos da representação estão limitados a base territorial sendo vinculativos em razão do local de trabalho dos empregados, sendo isto uma decorrência dos princípios da territorialidade e da unicidade sindical1. De modo simétrico ao que dispõe a Constituição Federal e o Art. 516 da CLT2, a Lei nº 10.101/00, determina que a negociação seja realizada junto ao sindicato da 1 Art. 8º, inc. II da Constituição da República 2 Art. 516 Não será reconhecido mais de um Sindicato representativo da mesma categoria econômica ou profissional, ou profissão liberal, em uma dada base territorial. Fl. 12772DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.773 20 respectiva categoria3 o que, ao contrário do que sustenta a recorrente, se define também pela base territorial da entidade. Ante a tal realidade, somente poderiam ser considerandos válidos os pagamentos realizados a titulo de PLR para empregados vinculados a estabelecimentos localizados nas regiões de abrangência territorial da representação sindical. As negociações coletivas de trabalho se dão por representação exercida nos limites do reconhecimento sindical atribuído a entidade, não sendo possível vincular aos efeitos de tal negociação, sejam positivos ou negativos, empregados que não integram a categoria econômica da entidade sindical ou que esteja fora de seu âmbito territorial de ação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. 2.2. ISENÇÃO APLICABILIDADE DO ITEM 7 DA ALÍNEA E DO §9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. Com o não acolhimento da tese recursal e confirmação da desqualificação dos pagamentos realizados sob a titulação de PLR, ainda assim, alega a recorrente, tais pagamentos não seriam tributáveis. Sustenta tratarse de pagamento eventual e vinculado a critérios de desempenho, estando desvinculados do salário, portanto, seriam passiveis de classificação como prêmios. O lançamento tomou por base o pagamento de PLR realizado em dezembro de 2010, portanto um único pagamento. Embora ausente a adequada representação sindical, fato que impossibilitou o reconhecer tais pagamentos como Participação nos Lucros e Resultados, é inegável que os pagamentos não foram realizados com habitualidade e não indicam uma contraprestação diretamente relacionada ao trabalho dos empregados, mas um prêmio pelo alcance de metas. Os prêmios, conforme conceitua o §4º do mesmo dispositivo, são liberalidade concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades laborais.4 3 Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. 4 Memso antes da Reforma Trabalhista, a CLT já não incluia os prêmios como salário, os tratava como liberalidade. Vemos o paragrafo 22 do mesmo Artigo: § 22. Consideramse prêmios as liberalidades concedidas pelo empregador, até duas vezes ao ano, em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro, a empregado, grupo de empregados ou terceiros vinculados à sua atividade econômica em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades. (Incluído pela Medida Provisória nº 808, de 2017) (Vigência encerrada) Fl. 12773DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.774 21 O que se considera desempenho superior integra o âmbito das subjetividades e escolhas do administrador dos negócios e não foi objeto de questionamento por parte da autoridade fiscal, portanto, ausente o elemento essencial para considerar os prêmios como tributáveis, habitualidade, nos termos do item 7, da alínea a, §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/915 tais pagamentos estariam excluídos do conceito de saláriodecontribuição. Por tudo que foi exposto e ante a verdade dos fatos, voto por dar provimento ao recurso neste ponto. 2.3. DAS VANTAGENS ADICIONAIS, BENEFÍCIOS E BONIFICAÇÃO NÃO DECLARADAS EM GFIP. Como asseverado pela Recorrente, o relatório da autuação fiscal, no que concerne as "vantagens" indica como motivação para a tributação dos pagamentos o seguinte: E essa é toda a fundamentação adotada pela autoridade fiscal para realizar o lançamento. [Fls. 112/113]. O Acórdão recorrido, para viabilizar a manutenção do lançamento, seguiu em outro sentido. Vejamos: 5 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 12774DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.775 22 Ainda que seja possível articular argumentos no sentido de que tais pagamentos foram realizados com habitualidade e de modo retributivo, caberia a fiscalização indicar e provar tal fato. O lançamento trata como gerador apenas o fato da Recorrente ter deixado de declarar tais pagamentos em GFIP as "despesas com pessoal", sem promover nenhuma analise mais contundente quanto a natureza de tais despesas, razões de pagamento, composição entre outras. Não cabe ao julgador ajustas, aprimorar ou inovar nas razões do lançamento. Por mais que seja possível aduzir tais conclusões partindo de documentos contidos nos autos, o elemento delineador do lançamento quanto a identificação do fato é o REFISC e o julgador deve se por dentro desses limites, por mais inadequados que sejam. A mesma regra é aplicável às impugnações e recursos do contribuinte, ainda que seja possível aduzir razões não articuladas pelo contribuinte para exoneração do lançamento, os limites da lide estão postos e não cabe ao julgador inovar. A decisão recorrida fere a imparcialidade ao inovar com claro intuito de aprimorar ato defeituoso, o que foge a finalidade essencial do processo administrativo fiscal como meio de resguardar a legalidade, retirando do ordenamento jurídico atos defeituosos e incompletos. Fl. 12775DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.776 23 Por sua vez, o lançamento, se analisando em seus termos originais, não se apresenta adequado a conclusão quanto a tributabilidade, o mero registro contábil como despesa de pessoal e ausência de declaração em GFIP não conformam o fato gerador da contribuição lançada, carecendo o lançamento de motivação adequada. Tomando todos esses fatos, ante a inovação na decisão recorrida e inadequação dos motivos que determinaram o lançamento voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 2.4. DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE REFEIÇÃO. No presente caso são fatos inquestionáveis que a Recorrente, com base em regramento contido em Instrumento Coletivo de Trabalho, pagou em dinheiro valor destinado ao custeio de alimentação dos funcionários. Não constam informações sobre inscrição no PAT. Embora existam indícios claros quanto a destinação e esteja comprovada a obrigatoriedade do custeio de alimentação dos empregados, existem formas estabelecida em lei para que tal obrigação seja executada sem que integre a remuneração e o pagamento em pecúnia não é uma destas formas. As cortes superiores já firmaram entendimento quanto a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados à titulo de custeio de benefícios de alimentação quando pagos em pecúnia, assim como esta própria turma, em diversas composições, se mostrou alinhada a tal entendimento. A Lei 8.212/91 alínea, C, §9º do Art. 28 é clara ao excluir a exigibilidade do crédito tributário incidente sobre a parcela "in natura" recebida pelos empregados de pessoas jurídicas que efetuem tais pagamentos com observância dos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, o que, considerando as obrigações em analise, não é o caso da Recorrente6. E ainda que os argumentos da Recorrente sejam marcados por certo senso de justiça, a lei é clara quanto aquilo que está abarcado pela norma de isenção referida e, tratando se de isenção, deve ser interpretada de modo literal, nos termos determinados pelo Art. 111, II do CTN7. Não havendo controvérsias de caráter fático, estando os pagamentos inadequados ao que dispõe a lei temos razões que impedem o acolhimento da pretensão recursal neste ponto. 2.5. DAS BOLSAS DE ESTUDO. 6 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; 7 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção; Fl. 12776DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.777 24 Os termos do REFISC e do Acórdão recorrido estão alinhados quanto as razões para qualificar as bolsas de ensino como remuneração integrante da base de calculo das contribuições lançadas. Segundo seus termos a legislação aplicável indicaria que apenas os cursos vinculados às diretrizes básicas de educação (Lei nº 9.394/96) estariam abrangidos pela isenção de contribuições previdenciárias. Vejamos: “Bolsa de Estudos: TREINAMENTO, valores pagos a título de BOLSA DE ESTUDO: concessão de valores a título de reembolso 50%, apesar de questionada, a empresa não apresentou resposta conclusiva a respeito dos pagamentos. Diante dos fatos, os valores pagos a título de bolsa de estudo foram considerados como integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a Terceiros, tendo em vista que se tratam de cursos de nível superior de graduação, pósgraduação e MBA. Foram excluídos os cursos que estão de acordo com a alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/1991.” (relatório fiscal) “AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. EDUCAÇÃO SUPERIOR. GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO. INCIDÊNCIA. A inobservância das condições na concessão de auxílioeducação, conforme previsto na legislação específica vigente à época, atribui a esta verba o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Na época da ocorrência do fato gerador, o valor pago a título de graduação e pósgraduação estava submetido à incidência de contribuição previdenciária.” (DRJ) A Lei 9.528/97 dispõe sobre a matéria ao determinar não integrar o salário de contribuição "o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo" [ alinea t, §9º do Art. 28 da Lei 8.212/91.8 Como se pode perceber a hipótese de exclusão de tais bolsas da base de remuneração dos empregados se divide em educação básica e profissionalizante em conformidade com o que dispõe a Lei nº 9.394/96. No presente caso temos bolsas pagas para custeio de cursos de graduação e pósgraduação dos empregados da recorrente. A própria Lei nº 9.394/96 em seu artigo 39 estabeleceu que a educação profissional integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e inclui graduação e pósgraduação. 9 8 Art. 28, §9º, t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: 9 Art. 39. A educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da educação nacional, integrase aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência e da tecnologia. (Redação dada pela Lei nº 11.741, de 2008) Fl. 12777DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.778 25 Não é possível manter o entendimento fiscal e a decisão recorrida neste ponto, razão pela qual votamos por dar provimento ao recurso. 2.6. DO CÁLCULO DO FAP. Neste ponto a Recorrente fez referência aos termos da impugnação. Não havendo questões novas e por concordar com os termos do decisório neste ponto, votamos por negar provimento ao recurso adotando os termos do julgado recorrido como fundamento do presente voto. A Impugnante alega que, como a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB) teve origem apenas no ano de 2010, seria impossível por ausência de suporte legal e fático, estabelecer a aplicação do FAP no próprio ano de sua constituição, período ora fiscalizado, já que o item 2.5 da Resolução 1.316/2010 dispõe que, para as empresas constituídas após janeiro de 2007, o FAP será calculado no ano seguinte ao que completar dois anos de constituição. Em que pese os argumentos da defesa, não há previsão legal para acatar essa tese, tendo em vista que os trabalhadores foram contratados e prestaram serviços diretamente para a empresa autuada (Casa Bahia Comercial Ltda) e não para a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB). Isso porque, após a Cisão Parcial da empresa Casa Bahia Comercial Ltda (autuada) ocorrida em novembro de 2010 (Protocolo firmando entre as empresas envolvidas), a empresa Nova Casa Bahia S/A (NCB) somente absorveu parte dos empregados da empresa cindida (autuada) e aqueles empregados que, por questões de ordem operacional, não puderam formalizar seu vínculo trabalhista com a nova empresa (NCB), imediatamente após a Cisão Parcial permaneceram empregados da empresa autuada até que fosse possível transferir o registro desses empregados. Além disso, a remuneração dos empregados objeto do lançamento referese aqueles que permaneceram sendo pagos diretamente pela empresa cindida § 1o Os cursos de educação profissional e tecnológica poderão ser organizados por eixos tecnológicos, possibilitando a construção de diferentes itinerários formativos, observadas as normas do respectivo sistema e nível de ensino. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 2o A educação profissional e tecnológica abrangerá os seguintes cursos: (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) I – de formação inicial e continuada ou qualificação profissional; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) II – de educação profissional técnica de nível médio; (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) III – de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação. (Incluído pela Lei nº 11.741, de 2008) § 3o Os cursos de educação profissional tecnológica de graduação e pósgraduação organizarseão, no que concerne a objetivos, características e duração, de acordo com as diretrizes curriculares nacionais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Educação. Fl. 12778DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.779 26 (Casa Bahia Comercial Ltda, autuada), conforme informações declaradas em GFIP e em DIRF, após a Cisão Parcial. Tais informações não foram invalidadas pela defesa que apenas busca alterar a aplicação da alíquota GILRAT/FAP com base em argumentos de constituição de empresa nova, após a Cisão Parcial da autuada, que não encontram respaldo na legislação vigente, pois não é possível a aplicação de analogia nessa situação em que há disposição expressa na legislação tributária (artigo 108 do CTN). Ressaltase que a legislação é clara ao estipular que a contribuição destinada ao GILRAT/FAP será calculada com base no grau de risco da atividade do contribuinte autuado, cujo enquadramento será feito de acordo com a sua atividade econômica preponderante, levandose em consideração a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE prevista no Anexo V do RPS, conforme artigo 72, §1º, inciso I, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. Instrução Normativa RFB n° 971/2009 Art.72. (...) § 1º A contribuição prevista no inciso II do caput será calculada com base no grau de risco da atividade, observadas as seguintes regras: I o enquadramento nos correspondentes graus de risco é de responsabilidade da empresa, e deve ser feito mensalmente, de acordo com a sua atividade econômica preponderante, conforme a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, elaborada com base na CNAE, prevista no Anexo V do RPS, que foi reproduzida no Anexo I desta Instrução Normativa, obedecendo às seguintes disposições: (...) Por sua vez, a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT está prevista na Lei 8.212/1991, artigo 22, inciso II, e Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, artigo 202. Lei 8.212/1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:(...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; Fl. 12779DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.780 27 b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. [...]§ 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. ........................................................................................ Regulamento da Previdência Social (RPS): Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º É de responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo à Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social revêlo a qualquer tempo. Essas determinações foram devidamente observadas pela auditoria fiscal, em obediência ao disposto no Código Tributário Nacional (CTN), artigo 142, parágrafo único, segundo o qual: “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. 2.7. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tal temática é recorrente neste colegiado que tem entendimento sedimentando no sentido reconhecer a legalidade da incidência de juros sobre multa de oficio. Fl. 12780DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.781 28 O presente caso não apresenta nenhuma peculiaridade que destoe do que fora paradigma para formação da Súmula CARFnº 108, razão pela qual votaremos por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, lastreando nosso entendimento na referida súmula, que passamos a transcrever: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Voto Vencedor Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, dele divirjo nas matérias relacionadas à i) isenção aplicabilidade do item 7 da alínea "e" do § 9°. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991; e ii) vantagens adicionais, benefícios e bonificação não declaradas em GFIP. Com relação à isenção prevista no art. 28, alínea “e”, § 9º, da Lei 8.212/1991, resta comprovado nos autos que o pagamento do valor total da PLR restringiase apenas aos segurados empregados que trabalhassem durante o período de 01/01/2010 a 31/12/2010, respeitando a proporcionalidade de 1/12 (um doze avos ) por mês trabalhado, conforme cópia do Acordo Coletivo (efls. 135/149). Outrossim, os valores eram pagos de acordo com os fatores de ordem pessoal de cada trabalhador no exercício de determinada atividade laboral (metas estabelecidas para cada setor) e o aceite da proposta de contratação sinalizava o pagamento dos valores intitulados de PLR, que passavam a integrar o patrimônio dos beneficiários. Concluise, assim, que os valores eram pagos em decorrência do contrato de trabalho, vez que a concessão da suposta PLR estava vinculada à atividade laboral a ser desempenhada pelo obreiro na empresa, portanto, distinto de um contrato de natureza civil que não se vincula à atividade laboral. Da mesma forma, também não prospera a alegação da Recorrente de que os pagamentos de PLR sem instrumento de negociação seria uma verba concedida de forma eventual e, por isso, estaria livre da incidência previdenciária em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, tendo em vista que tal premissa não se amolda à melhor interpretação da legislação, uma vez que a verba em apreço referese a pagamento do período de atividade de 01/01/2010 a 31/12/2010, estando ausente qualquer traço de liberalidade na sua concessão. Quanto às vantagens adicionais, benefícios e bonificação não declaradas em GFIP, não há de se concordar com o argumento de inovação na decisão recorrida e inadequação dos motivos que determinaram o lançamento, conforme entende o i. Relator. Fl. 12781DF CARF MF Processo nº 10805.722632/201420 Acórdão n.º 2402006.659 S2C4T2 Fl. 12.782 29 Nesse contexto, entendo por demais esclarecedoras e suficientes as conclusões da decisão da instância de piso, verbis: Impugnante tenta descaracterizar a natureza salarial dos valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação, alegando que são pagos sem habitualidade (ganhos eventuais) e, com isso, estariam acobertados pela regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. Isso porque, contrário ao ganho eventual, a habitualidade (não eventualidade) não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo e de forma linear (sempre o mesmo valor), mas pela garantia do recebimento a cada implemento de uma condição imposta ao trabalhador. E, no caso dos autos, os valores foram pagos somente aos funcionários da empresa autuada em decorrência da prestação de serviços e da própria política de sua concessão, já que os valores receberam a denominação de “vantagens adicionais, benefícios e bonificação” e a própria empresa autuada informou que tais valores eram pagos aos funcionários da região do Distrito Federal de acordo com o previsto na Convenção Coletiva, conforme TIF n° 05. Tanto ficou configurada a habitualidade que, durante as competências 01/2010 a 09/2010, a Impugnante registrou o pagamento dos valores na sua escrita contábil como despesas com pessoal (conta 3609002 OUTRAS DESPESAS COM PESSOAL), e indicava como histórico o pagamento a funcionários na modalidade “extra” (“PAGO A FUNCIONÁRIOS EXTRAS”). Portanto, a habitualidade e a retributividade restam caracterizadas em decorrência da própria política de concessão, do período de permanência (período de 01/01/2010 a 30/09/2010) e da maneira como foi registrada em sua escrita contábil, materializandose na disponibilidade dos valores no patrimônio dos beneficiários, conforme planilhas do Anexo PAGAMENTO EXTRA A FUNCIONÁRIO (fls. 9165/9283), e, por consectário lógico, gerando um ganho a título de gratificação ajustada por meio da Convenção Coletiva de Trabalho que corresponde a uma típica cláusula de contrato de trabalho. Dessa maneira, os valores pagos a título de vantagens adicionais, benefícios e bonificação configuram rendimentos recebidos em razão da prestação de serviços à Impugnante, já que se enquadram na moldura jurídica do inciso I do art. 28 da Lei 8.212/1991 e não, na regra isentiva do item 7 da alínea “e” do § 9° do art. 28 dessa mesma Lei. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário (efls. 12614/12639), para excluir do lançamento os valores referentes às verbas a título de bolsas de estudo. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 12782DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721450/2016-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório 1. Por bem representar o caso em tela, emprego como meu parte do relatório do acórdão nº 1463.819, veiculado pela DRJ de Ribeirão Preto (fls. 684/698), o que passo a fazer nos seguintes termos: Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), ambas sujeitas ao regime não cumulativo, referentes às competências de janeiro e fevereiro de 2011. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 45 0/ 20 16 -7 0 Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.480 2 Os lançamentos decorreram da falta de recolhimento das contribuições devidas sobre o faturamento mensal pelos fatos de: i) o interessado ter deixado de incluir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes de subvenções concedidas por Estados da União, correspondentes à redução ou à concessão de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS); ii) o autuante ter reduzido a zero os saldos dos créditos das contribuições apurados pelo interessado, para as competências de abril e junho de 2010, remanescentes ao final de dezembro de 2010; e, iii) de o autuante ter glosado parte dos créditos aproveitados (descontados) pelo interessado no período objeto dos lançamentos em discussão, conforme Relatório Fiscal às fls. 199/236. Intimado dos lançamentos, o interessado impugnouos (fls. 245/302), alegando, em síntese (...) (grifos nosso). 2. Diante da aludida autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 245/301, a qual foi julgada improcedente pelo mencionado acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 DIFERENÇAS APURADAS. LANÇAMENTO, DECADÊNCIA. PRAZO. CONTAGEM. A contagem do prazo quinquenal da decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário sujeito a lançamento por homologação, quando não há antecipação de pagamentos, é feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 BASE DE CÁLCULO. COMPOSIÇÃO. A base de cálculo da contribuição sujeita ao regime não cumulativo é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, excluídas as receitas expressamente previstas em lei. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DE SUBVENÇÕES. EXCLUSÃO. Somente as receitas de subvenções comprovadamente aplicadas em investimentos imobilizados podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins com incidência não cumulativa. SALDOS CREDORES. PERÍODOS ANTERIORES. DESCONSIDERAÇÃO. Correta a desconsideração dos saldos credores de períodos anteriores, na apuração da diferença da contribuição lançada e exigida, pelo fato Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.481 3 de tais saldos terem sido objetos de processos próprios nos quais foram analisadas a certeza e liquidez dos valores aproveitados (descontados). DESPESAS. FRETES DEVOLUÇÕES, TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTOS. GLOSAS DE CRÉDITOS. Correta a glosa dos créditos sobre despesas com fretes de devoluções, transferências de produtos em elaboração, acabados, insumos entre os estabelecimentos do interessado por não se enquadrarem no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2011, 28/02/2011 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões de mérito do PIS à Cofins. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Uma vez intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 707/768, oportunidade em que repisou os fundamentos invocados em sua impugnação. 4. Em razão da resolução nº 3201001.290 (fls. 777/783) o Presidente da 3a Seção deste Tribunal Administrativo, por intermedio do despacho de fls. 787/788, determinou que o presente processo fosse distribuído por dependência ao processo n. 13971. 24090/201587, sob minha relatoria. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro I. Da admissibilidade do Recurso 6. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. II. O contexto fático da presente demanda 7. Conforme se observa dos autos, a presente exigência fiscal pautase em três fundamentos distintos, sendo um deles o seguinte: · redução a zero dos saldos das contribuições nãocumulativas, ao final do período de apuração 12/2009, conforme Relatório Fiscal que integra o processo n° 13971.723730/201451 (itens 85 a 88). Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.482 4 8. Em outros termos, o contribuinte alega que o saldo credor existente até dezembro de 2009 seria suficiente para saldar integralmente o débito aqui lançado. Ocorre que, aludido crédito foi objeto de glosa, a qual é discutida no âmbito do processo administrativo 13971.723730/201451, cujo extrato processual obtido por este Relator junto ao comprot encontrase abaixo indicado: 9. Da análise de tal movimentação processual é possível constar que, aparentemente, o contribuinte interpôs impugnação administrativa, cujo desfecho é de impossível conclusão apenas com base na movimentações processuais alhures indicadas. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.483 5 10. Não obstante, alega ainda o contribuinte que a manutenção ou não do débito exigido nos autos n. 13971.723730/201451 depende ainda da glosa de saldo credores debatidos nos autos 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, os quais estão pendentes de julgamento definitivo neste Tribunal Administrativo: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.484 6 11. Diante deste quadro e para a existência de uma segura conclusão do presente julgamento, mister se faz converter em diligência o presente julgamento para que sejam tomadas as seguintes providências pela unidade preparadora (i) informar a atual andamento processual dos autos n. 13971.723730/201451, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; (ii) informar a atual andamento processual dos autos n. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105, juntando aos autos cópias das eventuais peças defensivas (impugnação e recursos), bem como das correlatas decisões administrativas; Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13971.721450/201670 Resolução nº 3402001.598 S3C4T2 Fl. 2.485 7 (iii) demonstrar, analiticamente, a eventual relação existente entre os autos n. 13971.723730/201451 e aqueles autuados sob os ns. 13971.908784/201141 e 13971.908783/201105. bem como a relação do primeiro processo administrativo aqui citado com o caso em julgamento; e, por fim (iv) tomadas tais providências, deverá a unidade preparadora intimar o contribuinte para que, tendo interesse, manifestese em 30 dias a respeito, exatamente como prevê o art. 35, parágrafo único do Decreto n. 7.574/2011. 12. É a resolução. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723813/2016-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 2002-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Recorrente ALBERTINA PASCOTINI WEBER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Tendo sido afastada a decadência do direito de pleitear a restituição, os autos devem retornar à DRJ, para que aquele colegiado se pronuncie acerca do pedido da contribuinte, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte, vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 13 /2 01 6- 11 Fl. 156DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso da contribuinte em face do Acórdão nº 1675.154 da DRJ/SPO (fls.142/146), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte contra o Despacho Decisório Seort/DRF/POA nº 544, de 2016 (fls.121/126). A recorrente busca a restituição dos valores de R$4.731,10 e de R$3.223,54 que teriam sido pagos a maior nos anoscalendário 2008 e 2009. O despacho decisório indeferiu o pleito uma vez que não foi utilizado o programa PERD/DCOMP, na forma da IN RFB nº1.300, de 2012, salientando que a contribuinte solicitou a restituição à DRJ, fora do limite do contencioso. Acrescenta, para fins de argumentação, que não haveria base legal para o reconhecimento do direito creditório, uma vez que inexistiriam provas de que a contribuinte arcou com o ônus dos valores adicionais do IRRF que pretende compensar, nem que os valores tenham incidido sobre parcelas recebidas nos anos de 2008 e 2009, conforme simulações de declarações retificadoras juntadas. Cientificada dessa decisão em 24/6/2016, a Contribuinte apresentou, em 7/7/2016, a manifestação de inconformidade de fls.126/137, apresentando os argumentos a seguir sintetizados: não teria conseguido apresentar o pedido de restituição do programa por decorrer mais de cinco anos do pagamento do crédito, tendo sido orientada a solicitar a restituição por meio do formulário. em relação ao item 4 da decisão, não adentraria ao mérito para não aumentar a discussão sobre tal matéria, já tratada nos acórdãos DRJ os 1671.374 e 1671.375. em relação ao item 5 da decisão, teria pago complemento do IR após os ajustes das declarações acima dos valores devidos, sendo que o valor do IRRF já supriam o IR devido com restituições. a decisão impugnada estaria discutindo além dos limites dos acórdãos proferidos em fase anterior. No acórdão já mencionado, a DRJ/SPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, sem reconhecimento do direito creditório pleiteado, apontando que os pedidos de restituição foram protocolizados em 12/5/2016, com a utilização do formulário em papel, quando já extinto o direito da contribuinte, nos termos dos artigos 165, inciso I, c/c 168, inciso I, do CTN. Cientificada da decisão em 26/12/2016 (fl.148), a recorrente formalizou seu recurso em 5/1/2017 (fl.150), alegando, em síntese (fls.150/151): a decisão recorrida teria apontado a existência de prazo para os contribuintes pleitearem restituição como forma de não lhe devolver os valores a que faz jus. a decisão não teria atentado para a suspensão do prazo em virtude de estar com recursos junto à RFB em andamento. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 11080.723813/201611 Acórdão n.º 2002000.480 S2C0T2 Fl. 157 3 os valores pleiteados estariam associados aos processos 11080.7239992/201262 e 11080.723990/201273, em que foram proferidos os acórdãos nos 1671.374 e 1671.375, exonerando os créditos tributários referentes aos exercícios 2009 e 2010. o prazo ficaria suspenso em virtude da existência desses recursos junto à RFB, onde estão sendo discutidos ao valores. após reproduzir trecho de decisão acerca do Parecer Normativo Cosit nº 11, sobre prazo prescricional de compensação administrativa de crédito tributário decorrente de decisão judicial transitada em julgado, requer o acolhimento do seu recurso por medida de justiça tributária. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O pleito da recorrente recai sobre parte dos recolhimentos efetuados para quitar os valores de imposto a pagar apurados por ela nas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios 2009 e 2010. A decisão recorrida aponta que o pedido estaria decadente por decurso do prazo, uma vez que os recolhimentos foram efetuados em 29/4/2009 e 29/4/2010 e, nos termos do artigo 168 do CTN, a recorrente teria até 29/4/2014 e 29/4/2015, respectivamente, para solicitar a restituição. Como foi protocolado em 12/5/2016, o pedido estaria decadente. Com a maxima venia, entendo que merece reparo a decisão recorrida. Como relatado, os recolhimentos estão atrelados às DIRPF dos exercícios 2009 e 2010. De acordo com a legislação aplicável, para pleitear a restituição de recolhimentos de cotas do IRPF, a contribuinte deveria, primeiro, retificar suas Declarações de Ajuste correspondentes e, posteriormente, peticionar a restituição dos pagamentos efetuados a maior nas declarações originais entregues, mediante PER/DCOMP. Ocorre que essas declarações foram objeto de autuação, as quais foram impugnadas pela recorrente nos autos dos processos os 11080.723990/201273 e 11080.7239992/201262. Dessa forma, a recorrente estava impedida de retificar essas declarações. Fl. 158DF CARF MF 4 Nas autuações mencionadas (fls.13/17 e 28/31), verificase que foi imputada à contribuinte omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, tendo sido compensados os valores de IRRF correspondentes (fls. 16 e 29). Constatase das defesas apresentadas naqueles autos (fls.19 e 35/36), que a recorrente discordou da inclusão dos rendimentos, mas entendeu fazer jus aos valores do IRRF indicados na autuação. A restituição pleiteada decorreria da inclusão do IRRF, que ela defende ter direito. Seguem os trechos das impugnações: Processo 11080.7239992/201262 Processo 11080.723990/201273 Não obstante, nos acórdãos exarados (fls.9/11 e 21/25), esses pedidos da contribuinte, acerca da compensação do IRRF, não foram analisados. As decisões deram provimento, para cancelar integralmente a autuação, ou seja, cancelar a inclusão tanto dos rendimentos quanto dos IRRF correspondentes, consignando: Processo 11080.7239992/201262 Processo 11080.723990/201273 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11080.723813/201611 Acórdão n.º 2002000.480 S2C0T2 Fl. 158 5 Vejase que esses pedidos constaram das impugnações, protocoladas em 2012, e, portanto, dentro do prazo legal para tal. Não obstante, entendeu o colegiado de primeira instância que não caberia a apreciação de tal pleito, ainda que intrinsecamente relacionado ao lançamento, já que decorria do direito da contribuinte em compensar ou não o IRRF incluído na autuação. A esse respeito, o Despacho Decisório exarado, após indeferir o pleito em função da forma inapropriada (formulário em papel), registrou (fls.121/122): 4. Por fim, apenas para fins de argumentação, cabe ressaltar que, quanto ao mérito, também não haveria base legal para o reconhecimento do direito creditório. Com o intuito de fazer aflorar seu direito à restituição, a contribuinte juntou declarações retificadoras nas quais aumentou o valor do IRRF. Ocorre que, quanto à compensação do IRRF, o Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, em seu artigo 87, IV, estabelece que, do imposto apurado na declaração de ajuste anual, poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo. Nessa toada, entendo que a recorrente apresentou tempestivamente seus pedidos de restituição, cabendo sua apreciação. Em sendo assim, em observância ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, os autos devem retornar à DRJ, para que se pronuncie acerca da restituição pleiteada. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para determinar o retorno dos autos à DRJ, para que se pronuncie acerca do direito creditório pleiteado pela contribuinte. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 160DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.001025/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-007.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. SELIC. Recorrente MATABOI ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas e cooperativas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É devida a correção monetária pela taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI objeto de pedido de ressarcimento/restituição, consoante Resp nº 1.035.847/RS, de aplicação obrigatória por este Conselho, pois submetido à sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 10 25 /2 00 2- 11 Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 3 2 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 210200.152. Na parte de interesse ao presente julgamento o colegiado a quo não reconheceu o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas, nem o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento. O recurso especial foi admitido, consoante despacho do presidente da Câmara competente, com relação às seguintes insurgências da Contribuinte: a interpretação de que as aquisições de insumos de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei n.º 9.363/96; e a interpretação de que não incide correção monetária ou juros Selic sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de IPI decorrentes de incentivos fiscais. A Fazenda Nacional, devidamente intimada, não apresentou contrarrazões ao recurso especial da Contribuinte. É o Relatório. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.411, de 19/09/2018, proferido no julgamento do processo 13886.001231/200234, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.411): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, a controvérsia posta no recurso especial da Contribuinte cingese às seguintes matérias: (i) requer a inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas na base de cálculo do crédito presumido de IPI; e (ii) postula a aplicação da taxa Selic aos pedidos de ressarcimento. 1. Da inclusão de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI A possibilidade de inclusão das aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS, como pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido de IPI, foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp n.º 993.164/MG, pela sistemática dos recursos repetitivos. O acórdão recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 6 5 sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 7 6 Por força do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. 2. Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre o crédito presumido de IPI a ser ressarcido. Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 8 7 O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício. Portanto, deverá haver a incidência da correção monetária pela taxa Selic sobre o montante a ser ressarcido, conforme entendimento já consolidado neste Colegiado. No caso dos autos, houve a oposição estatal ilegítima a obstar o aproveitamento do crédito presumido de IPI: o direito creditório da Contribuinte foi indeferido, nos termos do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP (fls. 87 a 88), direito de crédito indeferido também nas demais decisões da DRJ (fls. 108 a 117) e do CARF, consoante acórdão de recurso voluntário (fls. 138 a 150). Portanto, dúvidas não há quanto à possibilidade de incidência da correção monetária sobre o valor a ser ressarcido, no caso tão somente quanto às aquisições de pessoas físicas, deferida no presente recurso especial. Nesse sentido, é o entendimento já consolidado desta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no Acórdão n.º 9303007.012, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas." (...)1 "Em que pese os argumentos do voto da Ilustre Conselheira Relatora, discordo diametralmente de seu entendimento. O Recurso foi apresentado tempestivamente e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles tomo conhecimento, passo a decidir. A matéria divergente posta a julgamento nesta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI a ressarcir, bem como o termo inicial de incidência. Com efeito, na forma reiterada da jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou do termo inicial para a incidência da taxa Selic, por ser entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio do presente processo. Contudo, a íntegra do voto encontrase no acórdão do processo paradigma (9303007.411). Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 9 8 a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontrase pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerandose a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplicase a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que éincabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 10 9 ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 11 10 configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou presumido (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 12 11 Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado pela lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito2, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário)3 No primeiro cenário (civil law, statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. 2 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 3 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10675.001025/200211 Acórdão n.º 9303007.413 CSRFT3 Fl. 13 12 Dispositivo Ex positis, em razão da resistência ilegítima configurada, dou provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do Contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reconhecer o direito à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas, bem como determinar a incidência da taxa SELIC sobre referido montante a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) do protocolo do pedido de ressarcimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 773DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001498/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002
TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA.
Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN.
OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO.
O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 2201-004.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003.
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Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, o direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, o crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 14 98 /2 00 7- 21 Fl. 126DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 90/123, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), de fls. 74/87, a qual julgou procedente o lançamento por meio do qual está sendo exigida multa isolada, no valor de R$ 3.425.726,43, acrescida dos encargos moratórios até a data do efetivo pagamento, devido à falta de retenção e recolhimento do IRRF, para fatos geradores ocorridos de 29/05/2002 a 31/10/2002, conforme item 2 do Termo de Constatação. Ante a clareza do Relatório constante da decisão proferida pela DRJ, transcrevo: No item 2 do Termo de Constatação Fiscal de fls. 25/29, parte integrante do Auto de Infração, os Fiscais Autuantes informam, em síntese, que a falta de retenção dos valores do quadro Apuração do IRF sobre Pagamentos de Juros em Mútuos com Sociedades Congêneres (fl. 20) contraria o disposto no art. 5° da Lei n° 9.779/1999 e o art. 18, § 2°, da IN SRF n° 25/2001, sujeitando o contribuinte à aplicação da multa de 75% sobre o valor do tributo não retido, conforme previsto no art. 9°, § único, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002 c/c o art.. 14, inciso I, da Lei 11° 11.488, de 15 de junho de 2006. ' Da Impugnação Recebida a cientificação do lançamento, apresentou, em 14/11/2007, por meio de seus procuradores (procuração de fls. 56/63), a Impugnação de fls. 36/54, com anexos de fls. 55/63, na qual alega, em síntese: Da Preliminar de Decadência de Parte do Crédito Tributário que o Auto. de Infração exige da Impugnante multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF supostamente incidente sobre os juros por ela pagos, no período de maio a outubro de 2002, decorrentes de mútuos com empresas ligadas; que, conforme demonstrará, a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF referente ao período de 29/05/2002 a 14/10/2002 não seria mais exigível da Impugnante, porquanto teria sido extinto o respectivo direito pela decadência; que, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, não é possível, em qualquer hipótese, a exigência de multa isolada relativa a tributo Fl. 127DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 127 3 lançado por homologação se já tiver transcorrido o prazo de cinco anos contado a partir da ocorrência dos fatos geradores; que, assim sendo, a fiscalização, em 23/10/2007, já tinha decaído do direito de exigir multa isolada de 75% por não ter a Impugnante retido e recolhido o IRRF sobre os juros por ela pagos, decorrentes de mútuos com empresas a ela ligadas, no período de 29/05/2002 a 14/10/2002, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, conforme determina o art. 150, § 4°, do CTN; Da Não Tributação, pelo IRRF, de Juros Decorrentes de Mútuos Entre Empresas Ligadas no AnoCalendário de 2002 que o Fisco entendeu que os juros pagos pela Impugnante, no anocalendário de 2002, em decorrência de mútuos com empresas a ela ligadas, estariam sujeitos à incidência do IRRF, em razão da suposta revogação da regra que dispensava tal retenção (art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995) pelo art. 5° da Lei n° 9.779/1999; que esse equívoco do Fisco se demonstra pelo fato de que a IN SRF n° 07/1999, por ele invocada é igualmente equivocada quando i. numa interpretação do alcance do caput do supratranscrito art. 5° da Lei n° 9.779/1999 entendeu que tal dispositivo teria revogado o art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995 e, portanto, que os rendimentos de mútuos contratados entre pessoas jurídicas ligadas estariam sujeitos, a partir de 01/01/1999, à incidência do IRRF à mesma alíquota a que se submetem as aplicações financeiras de renda fixa; que a referida IN SRF n° 07/1999 veio a ser renovada pela IN SRF n° 25, de 06/03/2001, mas esse entendimento equivocado foi nele mantido no § 2° do seu art. 18; que esse entendimento está equivocado, uma vez que o art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995 apenas foi revogado pela art. 94, inciso III, da Lei n° 10.833/2003, com efeitos a partir de 01/01/2004, e não pelo art. 5° da Lei n° 9.779/ 1999, e interpretar de forma diversa seria tomar letra morta o referido art. 94, o que contraria o princípio da Hermenêutica segundo o qual a lei não traz palavras inúteis ou expressões supérfluas; que este é o entendimento da jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme as duas ementas trazidas à colação; que, assim, é descabida a exigência da multa isolada de 75%, porquanto a Impugnante não estava obrigada a reter e recolher IRF sobre os juros decorrentes de mútuos por ela pagos, no ano calendário de 2002, a empresa ligadas; Do Descabimento de Cobrança de Multa Isolada de Oficio por Descumprimento de Obrigação Principal Fl. 128DF CARF MF 4 que em decorrência da falta de retenção e recolhimento do IRRF sobre os juros decorrentes de mútuos pagos pela Impugnante, no anocalendário de 2002, a empresas a ela ligadas, o Auto de Infração dela exige multa isolada de oficio de 75% dos valores não recolhidos, nos tennos do art. 9° e seu parágrafo único da Lei n° 10.426, de 24/04/2002; que tal imposição de multa, de forma isolada, viola o CTN, especificamente o art. 97, V, combinado com o art. 113; que, de acordo com o § 1° do art. 113 do CTN, as obrigações tributárias de dar são apenas de duas espécies: a) de pagar tributos (e respectivos acessórios, correspondentes aos juros e à multa) ou b) de pagar, isoladamente, penalidade pecuniária (multa) decorrente do descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer); que, assim, apenas a multa decorrente do, descumprimento de obrigação acessória seria autônoma em relação à obrigação de pagar tributo; que, dessa forma, a cobrança de multa de oficio isolada somente seria possível na hipótese de descumprimento de obrigação acessória, mas não pelo descumprimento de obrigação principal (pagar o tributo); que, nesse sentido, trouxe à colação três Acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes e um da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que a não retenção do IRRF nada tem a ver com descumprimento de obrigação acessória, já que o recolhimento do IRRF não retido supriria a infração correspondente à não retenção do imposto; assim é que, a não retenção do IRRF quando também não se verificasse o recolhimento do imposto pela fonte pagadora, ou, supletivamente, o oferecimento do rendimento à tributação do IR pelo respectivo beneficiário configuraria descumprimento de obrigação principal, por apenas ter por objeto o pagamento do tributo e que, portanto, é inaplicável o art. 9° da Lei n° 10.426/2002, por impor a aplicação de multa isolada em afronta ao disposto nos arts. 97, V, e 113 do CTN. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 74/75): Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 TERMO DE INÍCIO PARA CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DO LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO IsOLADA DE 75% SOBRE O VALOR DE IRRF NÃO RETIDO E RECOLHIDO PELA FONTE PAGADORA. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 128 5 Não havendo retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora, O direito de a Fazenda constituir, por meio de lançamento de oficio, O crédito tributário relativo à aplicação de multa isolada pelo descumprimento dessa obrigação acessória, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de ofício poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Assunto: OBRIGAÇÖES ACESSÓRIAS Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS RENDIMENTO. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA FONTE. MULTA ISOLADA. Estão sujeitos à incidência do imposto os rendimentos relativos a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive quando a operação for realizada entre empresas ligadas. A fonte pagadora, obrigada a reter e recolher o tributo, fica sujeita a multa isolada quando deixar de cumprir a obrigação acessória de efetuar a retenção e o recolhimento, bem como quando efetuar o recolhimento após o prazo fixado. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 29/05/2002 a 31/10/2002 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade de leis ou a legalidade de atos do Poder Executivo, gozando tais atos de presunção de legitimidade. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário O Recorrente, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 89, em 08/04/2008 e apresentou o recurso voluntário de fls. 90/123. Em sede de Recurso Voluntário, praticamente repetiu os argumentos em sede de impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 130DF CARF MF 6 O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Da Preliminar de Decadência de Parte do Crédito Tributário O Recorrente alega que o direito do fisco lançar a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF que seriam devidos pelo pagamento de juros pagos no período de maio a outubro de 2002, decorrentes de mútuos com empresas coligadas. De acordo com sua argumentação, a multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF referente ao período de 29/05/2002 a 14/10/2002 não seria mais exigível da Recorrente, porquanto teria sido extinto o respectivo direito pela decadência. Ainda, conforme sustenta, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN, já teria transcorrido o prazo de cinco anos contado a partir do fato gerador, de modo que a multa isolada teria sido alcançado pela decadência. No caso, a fiscalização, em 23/10/2007, já tinha decaído do direito de exigir multa isolada de 75% por não ter a Recorrente retido e recolhido o IRRF sobre os juros por ela pagos, decorrentes de mútuos com empresas a ela ligadas, no período de 29/05/2002 a 14/10/2002, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados dos respectivos fatos geradores, conforme determina o art. 150, § 4°, do CTN. Por outro lado, o dies a quo para contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada iniciase do primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Sendo assim, não prospera a preliminar de decadência alegada pelo Recorrente. Da Não Tributação, pelo IRRF, de Juros Decorrentes de Mútuos Entre Empresas Ligadas no AnoCalendário de 2002 Em outro ponto de seu recurso o Recorrente alegou que o Fisco entendeu que os juros pagos no anocalendário de 2002, em decorrência de mútuos com empresas a ela ligadas, estariam sujeitos à incidência do IRRF, em razão da suposta revogação da regra que dispensava tal retenção (art. 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995) pelo art. 5° da Lei n° 9.779/1999. Conforme constou na decisão de piso, seria aplicável a IN SRF n° 07/1999: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 129 7 Fl. 132DF CARF MF 8 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 130 9 21. Portanto, o julgador de 1” instância administrativa deve acatar as determinações estabelecidas nos atos normativos Fl. 134DF CARF MF 10 expedidos pela autoridade administrativa competente. As alegações de inconstitucionalidade de lei ou de ilegalidade de ato normativo devem ser formuladas perante o Poder Judiciário porque falece competência à autoridade administrativa para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade da legislação. As leis e atos normativos regularmente incorporados ao mundo jurídico gozam de presunção de constitucionalidade e legalidade, restando à autoridade administrativa cumprir e velar pelo fiel cumprimento da legislação em vigor, a que está vinculada. Por outro lado, temos que na época, ainda estava em vigor o disposto no artigo 77, inciso II, da Lei n° 8.981/1995: Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos ou ganhos líquidos: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) II nas operações de mútuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuária for instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; (Revogado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Portanto, os rendimentos de mútuos contratados entre pessoas jurídicas ligadas não estariam sujeitos ao IRRF. A revogação só ocorreu com o advento do disposto no artigo 94, III da Lei nº 10.833, de 30.06.2003. A matéria em discussão trazida nos presentes autos, já foi apreciada pela 1ª Seção do Egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do EREsp nº 1.050.430/DF, ocorrido em 13.03.2013: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OPERAÇÃO DE MÚTUO ENTRE CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. ART. 77, II, DA LEI 8.981/95. DISPOSITIVO REVOGADO TÃO SOMENTE PELO ART. 94, III, DA LEI 10.833/03. EMBARGOS REJEITADOS. 1. "A incompatibilidade implícita entre duas expressões de direito não se presume; na dúvida, se considera uma norma conciliável com a outra" (Carlos Maximiliano. Hermenêutica e Aplicação do Direito. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 291). 2. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981/95, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º da Lei 9.779/99, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei 10.833/03. 3. Embargos de divergência rejeitados. (EREsp 1050430/DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/03/2013, DJe 15/04/2013) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 18471.001498/200721 Acórdão n.º 2201004.772 S2C2T1 Fl. 131 11 Cumpre ressaltar que a 1ª Seção tem competência para uniformizar a jurisprudência consolidada das 1ª e 2ª Turmas daquele Tribunal. Há que se ressaltar que após a ocorrência do trânsito em julgado do mencionado EREsp 1.050.430/DF, foram proferidas outras decisões no mesmo sentido, a título de exemplo: REsp nº 1.536.453MA (DJe de 24.08.2015); REsp nº 1.676.543ES (DJe 10.10.2017); REsp nº 1.758.172SP (DJe de 24.08.2018). Merece destaque o fato de que este entendimento foi acolhido pela 2ª Turma da CSRF, conforme se verifica da ementa do Acórdão nº 9202005.144, de 21.01.2017, de relatoria da Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO: (...) OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Neste sentido, acompanho a jurisprudência deste Egrégio CARF e do Superior Tribunal de Justiça STJ, para cancelar o crédito tributário discutido nos presentes autos. Conclusão Em razão do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 13746.001481/2007-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
Numero da decisão: 1001-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação.
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Recorrente ACB METALURGICA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA NO SIMPLES. ENTREGA DA DIPJ NO PRAZO DEVIDO A NÃO RECEPÇÃO PELO RECEITANET DE DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA (DSPJ). REENQUADRAMENTO NO SIMPLES COM EFEITOS RETROATIVOS. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DSPJ PARA FICAR DE ACORDO COM A OPÇÃO. NÃO CABIMENTO. Em vista de sua exclusão do SIMPLES, a contribuinte apresentou DIPJ antes do término do prazo, já que o sistema bloqueava o envio da declaração simplificada. Após a sua reinclusão com efeitos retroativos, a DSPJ foi entregue para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção. Assim não deve prevalecer a multa por atraso na entrega da DSPJ, pois a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 6. 00 14 81 /2 00 7- 83 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 47 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1220.366, de 13/08/2008 (efls. 23/24), objetivando a reforma do referido julgado. Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado auto de infração (efl. 8), mediante o qual é exigido crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada relativa ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 596,86. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação argumentando que foi excluída do simples em 2000 e que conforme solicitado, mediante o processo 13746.000627/200340 (despacho à efl. 7, em 07/10/2006), teve o direito de permanecer no Simples restabelecido de forma retroativa. Alega que, assim, teria que apresentar nova Declaração pelo modelo simplificado, mas como apresentou Declaração tempestiva pelo Lucro Presumido, por ter sido excluída do Simples, requer o cancelamento da multa. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento, cujos excertos do voto condutor do acórdão recorrido transcrevese, verbis: As razões da interessada se resumem a afirmar que apresentou sua Declaração tempestivamente em 30/06/2006 e que a autuação se fundou na entrega de Declaração, do mesmo exercício, apresentada posteriormente, em 19/03/2007, após o prazo final de entrega, que expirou em 31/05/2006. Assim, a seu ver, descaberia a aplicação da multa por atraso na entrega, uma vez que a Declaração que a ensejou seria tão somente uma Declaração retificadora de original apresentada tempestivamente. Ocorre que, segundo o art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 166, de 23 de dezembro de 1999, não é admitida retificadora com alteração no regime de tributação, salvo nos casos determinados pela legislação para fins de adoção do lucro arbitrado. No presente caso, a Declaração apresentada tempestivamente pela interessada teve como regime de tributação o lucro presumido, enquanto a declaração apresentada extemporaneamente, que ensejou a autuação, teve como forma de tributação SIMPLES. Destarte, não há como considerar a mesma como retificadora daquela apresentada tempestivamente, mas sim, Declaração original que, apresentada após o prazo, corretamente ensejou o lançamento da multa por atraso objeto do presente processo. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 48 3 Face ao exposto, julgo procedente o lançamento efetuado, e, por conseguinte, devida a multa por atraso na entrega da Declaração Simplificada SIMPLES relativa ao exercício de 2006, anocalendário 2005, no valor de R$ 569,86. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. Cabe a exigência da multa por atraso na entrega de Declaração apresentada extemporaneamente que, por força do art. 5° da IN SRF n° 166/1999, não possa ser admitida como retificadora de Declaração entregue tempestivamente. Lançamento Procedente. Ciente da decisão de primeira instância em 16/09/2008, conforme Aviso de Recebimento à efl. 30, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/09/2008 (efls. 31/32), conforme carimbo aposto à efl. 31. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, e acrescenta que durante o período de espera do pedido "a empresa ficou recolhendo todos os encargos como simples federal" e que o sistema do Simples não aceitava a declaração pelo regime simplificado por ter sido excluída. Temse que nos termos do art. 16 da Lei 9.317/96, as microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cumpre ressaltar que, no caso de eventual instauração de litígio administrativo, não há no Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, norma que contemple a atribuição de efeito suspensivo ao recurso, bem como o art. 151, III, do CTN não se aplica à exclusão do SIMPLES, já que trata de suspensão da exigibilidade do crédito tributário e não da suspensão do ato declaratório de exclusão do SIMPLES. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13746.001481/200783 Acórdão n.º 1001000.908 S1C0T1 Fl. 49 4 Assim, eventuais pedidos de dispensa do cumprimento das obrigações acessórias e principal não encontrariam azo na legislação pertinente. Outrossim, é também de conhecimento que se a empresa não constasse do cadastro CNPJ como enquadrada no SIMPLES, o sistema automaticamente bloqueava o envio da declaração simplificada (DSPJ) pelo RECEITANET. Isto posto, a recorrente teria que apresentar a DIPJ no prazo estipulado e assim o fez pela forma do Lucro Presumido, agindo de acordo com a legislação e, digase, que apesar de ter se insurgido contra a sua exclusão do Simples, agiu com prudência e de acordo com o art. 32 da Lei Complementar apresentando a declaração. Ocorre que mediante despacho do SECAT, de 09/10/2006 (efl. 7), a contribuinte foi reincluída retroativamente no Simples, em relação ao anocalendário 2000, tendo em vista que regularizou as pendências dentro do prazo regulamentar. Assim, após a ciência do deferimento do pedido, para que a declaração ficasse de acordo com a forma de tributação, a contribuinte apresentou a DSPJ. Assim, dadas as circunstâncias do caso, entendo que a Contribuinte adotou todas as providências possíveis e exigíveis pela legislação e, em vista de sua reinclusão retroativa no Simples, apresentou a DSPJ para que a mesma ficasse de acordo com a sua opção, devendo a Administração tributária efetuar de ofício o cancelamento da DIPJ do exercício 2006. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar a multa pelo atraso na entrega da DSPJ do exercício 2006, anocalendário de 2005. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
