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Numero do processo: 10880.653308/2016-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL.
A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento.
SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR E ÁLCOOL.
O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de cana-de-açúcar e álcool.
NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA.
Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não-cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.
Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Numero da decisão: 3201-004.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I - Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("big-bag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD - Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II - Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMO Recorrente RAIZEN ENERGIA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de canadeaçúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADEAÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. SERVIÇO DE TRATAMENTO DE RESÍDUOS. PRODUÇÃO DE CANA DEAÇÚCAR E ÁLCOOL. O tratamento de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita e da etapa industrial de produção de canadeaçúcar e álcool. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 08 /2 01 6- 13 Fl. 612DF CARF MF 2 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CAPATAZIA. Os serviços de capatazia e estivas geram créditos de PIS, no regime não cumulativo, como serviços de logística, respeitados os demais requisitos da Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade. A conselheira Tatiana Josefovicz Belisario acompanhou o relator, no ponto, pelas conclusões e ficou de apresentar declaração de voto. E, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (1) embalagens de transporte ("bigbag"); (2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (5) itens diversos não identificados na EFD Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; b) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, II Por maioria de votos, reverter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza (relator) e Leonardo Correia Lima Macedo que, no ponto, negavam provimento ao Recurso Voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 3 3 Marcelo Giovani Vieira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de créditos oriundos do PIS, apurado no 4º trimestre de 2012. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente Processo Administrativo Fiscal da análise do crédito demonstrado no PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito nº 38609.21993.180413.1.1.081276 referente a PIS/PASEP Não Cumulativo Exportação, 4º Trimestre de 2012, transmitido em 18/04/2013. Cabe observar que tal PER/DCOMP com Demonstrativo de Crédito possui Declarações de Compensação (DCOMP) a ele vinculadas. Anteriormente a essa ação em curso, foi realizada neste interessado a ação fiscal comandada pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal TDPF n° 0816500.2015.01044, concluída em 04/11/2016 pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto de Toledo da DRF/Jundiaí, com emissão de Autos de Infração lançando contribuições devidas de PIS e COFINS não cumulativos, gerando o Processo Administrativo Fiscal nº 19311.720238/201645, impugnado pelo interessado e já julgado por esta 16ª Turma de Julgamento na qual foi proferido o Acórdão nº 1293.315 em 30 de outubro de 2017 por esta Turma de Julgamento. Naquele processo, em procedimento de fiscalização, a DRF/Jundiaí não aceitou, na apuração da empresa, a tomada de crédito sobre diversos gastos que entende não serem passíveis de creditamento. O entendimento da DRF/Jundiaí resultou em glosas nos créditos, que resultaram menores que os calculados e informados pela empresa em seus DACON e EFD Contribuições. Então, ainda naquele procedimento de fiscalização executado pela DRF/Jundiaí, os créditos reapurados de ofício após as glosas sofridas foram rateados conforme as suas formas passíveis de utilização. As parcelas desses créditos passíveis de serem utilizados somente para deduções das contribuições, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno” e os “Créditos Presumidos da Agroindústria” foram utilizados para a dedução do valor das Contribuições Apuradas pelo interessado, resultando, para maioria dos meses, em Fl. 614DF CARF MF 4 Contribuições a Pagar lançadas em Autos de Infração de PIS e COFINS com multa e juros. Já as parcelas desses mesmos créditos, reapurados de ofício pela DRF/Jundiaí, que são passíveis de ressarcimento/compensação, ou seja, os “Créditos Vinculados à Receita de Exportação” e os “Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, tiveram apenas os seus valores indicados para serem utilizados em procedimentos específicos de análise de PER/DCOMP por parte da DRF/Bauru. Está informado no item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal dos Autos de Infração da DRF/Jundiaí, sob o TDPF n° 0816500.2015.01044 : "10.1 Os Pedidos de Ressarcimento do PIS e da Cofins e as Declarações de Compensação (PER/Dcomp) apresentados pelo contribuinte, relativos aos períodos fiscalizados, serão analisados em procedimento específico, a ser realizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru SP. " Neste presente processo é tratado o procedimento específico de análise do pedido de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/PASEP vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno do 2º Trimestre de 2013. No procedimento deste presente processo, e nos demais procedimentos conexos, a DRF/Bauru subtraiu do pedido de ressarcimento/compensação do interessado, os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí. Os valores de glosa determinados pela DRF/Jundiaí são os valores das “Glosas de Créditos Vinculados à Receita Não Tributada no Mercado Interno”, detalhadas mensalmente em linhas da planilha denominada “Demonstrativo Anexo ao Termo de Verifical Fiscal” às fls 906 a 925 do processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645, originado a partir da sua já citada ação fiscal comandada pelo TDPF n° 0816500.2015.01044. Assim, para esse período e tipo de crédito, do Valor de Crédito Pedido pelo interessado de R$ 894.706,30, a DRF/Bauru subtraiu o valor de glosa determinado pela DRF/Jundiaí no valor de R$ 587.456,11 e chegou ao Valor de Crédito Cofirmado no valor de R$ 307.250,19. O interessado se insurge através de Manifestação de Inconformidade, tempestiva, na qual pede o julgamento em conjunto desta Manifestação de Inconformidade com outras defesas apresentadas em Processos Administrativos conexos, oriundos do mesmo “TDPF” nº 0816500.2015.01044, manejado pela Fiscalização da DRF/Jundiaí, eis que conexos, uma vez que possuem idênticos: (i) quadro fático e discussão de direito (similitude de objetos creditórios / conceito de insumos para crédito de “PIS” e “COFINS” / depreciação de ativo imobilizado), e (ii) pedido e causa de pedir, apenas diferenciandose com relação aos trimestres dos anoscalendário de 2012 e 2013 e alternando as referidas Contribuições Sociais. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 4 5 (omissis) Dessa forma, com base nos artigos 55, parágrafos 1º e 3º, 56 e 58, do Código de Processo Civil, e supedâneo no artigo 15, do mesmo Código e com o objetivo de evitar decisões conflitantes, bem como facilitar o trâmite processual e organização do julgamento desta “DRJ”, requer o processamento e julgamento da presente Manifestação de Inconformidade com as defesas dos demais Processos Administrativos acima indicados. O interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também apresenta síntese dos fatos. Reafirma que o presente processo que trata da negativa de reconhecimento integral do direito creditório que pleiteia decorre do resultado da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. E que o próprio Termo de Verificação Fiscal – “TVF” do Despacho Decisório deste período, emitido pela DRF/Bauru, adota os termos e os montantes deferidos e indeferidos indicados no Termo de Verificação Fiscal da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí. Entretanto, o interessado, em sua Manifestação de Inconformidade, também alega que haveria diversas diferenças técnicas entre o procedimento de lançamento e constituição do crédito tributário por meio de Auto de Infração, como executado pela DRF/Jundiaí, e os procedimentos de cobrança de valores devidos decorrente das não homologações de Pedidos de Ressarcimento/Compensação, executados pela DRF/Bauru. E, mais adiante, em sua Manifestação de Inconformidade, o interessado repete as alegações de preliminar e de mérito que trouxe aos autos da já citada ação fiscal realizada pela DRF/Jundiaí, sob o processo administrativo fiscal nº 19311.720238/201645 e requer a homologação integral do direito creditório originalmente pleiteado. A 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJO n.º 1293.779, de 22/11//2017 (fls. 416 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 JULGAMENTO EM CONJUNTO Devem ser julgados em conjunto processos conexos que possuem idênticos quadro fático e discussão de direito, e pedido e causa de pedir. APURAÇÃO DE CRÉDITO NÃO CUMULATIVO. GLOSAS. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Fl. 616DF CARF MF 6 Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 433 e ss., por meio do qual repete, basicamente, os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou vários pedidos de ressarcimento e, após analisálos, a unidade de origem promoveu lançamento do PIS/Cofins devidos nos períodos de apuração de 01/2012 a 12/2013 (processo administrativo nº 19311.720238/201645, ora também examinado), em face da escrituração de créditos indevidamente descontados na apuração. Deferido em parte o crédito e interposta manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua parcialmente procedente, daí a interposição do recurso voluntário. Em síntese, a Recorrente, grosso modo, repete, no recurso voluntário, os mesmos argumentos já declinados na sua primeira peça de defesa. E pede o julgamento conjunto do presente processo com outros de seu interesse em que se debatem as mesmas matérias. É o que se fará nesta assentada. Preliminarmente, a Recorrente sustenta a nulidade do Despacho Decisório, ao argumento de carência de motivação e de que não haveria a necessária individualização das glosas de créditos. Não é o que se vê dos autos. No próprio Despacho Decisório, consta a orientação de que maiores informações sobre a análise dos créditos poderiam ser obtidas no sítio eletrônico da RFB: Para informações complementares da análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Base Legal: Lei nº 10.637, de 2002, Lei nº 10.865, de 2004, art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 43 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 5 7 Não fosse o bastante, como a própria Recorrente já indica, no bojo da mesma ação fiscal foram analisados vários outros processos de mesma natureza e efetuado um lançamento de PIS/Cofins integrado por Termo de Verificação Fiscal onde a mesma análise também foi depurada. Cabe ressaltar, ademais, que a eventual correção do Despacho Decisório (e também do lançamento) pelos órgãos que compõem o Contencioso Administrativa, mediante a reversão de créditos glosados pela fiscalização, não macula a decisão (ou mesmo o lançamento), senão que o conforma à legislação aplicável, considerada a jurisprudência administrativa e judicial. Rejeitada a preliminar de nulidade, passamos a reproduzir, pelos motivos já declinados, o nosso voto proferido no processo administrativo nº 19311.720238/201645, adotandoo, também aqui, como razão de decidir: Rejeitada a preliminar de nulidade, vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para Fl. 618DF CARF MF 8 determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. No caso específico, a fiscalização aplicou o conceito mais restritivo ao conceito de insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB. E aí glosou os seguintes créditos (consoante Termo de Verificação Fiscal): a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; h) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido de máquinas, equipamentos, instalações, benfeitorias e edifícios, conforme registros contábeis nas contas 1030202002 – Máquinas e Equipamentos – Depreciação Acumulada, 1030214002 – Instalações – Depreciação Acumulada, 1030206002 – Benfeitorias – Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 6 9 Depreciação Acumulada, 1030205002 – Edifícios – Depreciação Acumulada, e 3040699007 – Depreciações – Custo Corrigido, o que contraria a vedação expressa contida no artigo 2º, § 1º da IN SRF nº 457, de 2004; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag); j) Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria; k) Desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes; l) Desconto de crédito presumido sobre valor superior ao PIS e à Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar. Consideradas as razões que fundamentaram a impugnação, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de dirimir algumas dúvidas. Foram elas: I. Quanto ao item “H” – “NULIDADE PARCIAL– INEXISTÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS” (fls. 981 a 988), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores. Apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. II. Quanto ao item “I” – “DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO” (fls. 1041 a 1047), considerando as alegações e documentos trazidos pela IMPUGNANTE, apresentar planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado sobre os bens citados no referido item “I”, em desacordo com a legislação de regência. Também apresentar a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “I”. III. Por fim, dar ciência do resultado da diligência acima solicitada ao interessado, para que esse, se assim desejar, se manifeste sobre esta documentação no prazo de trinta dias, retornando, então, os autos a esta DRJ/RJO para julgamento. E no Relatório de Diligência Fiscal, a autoridade que a realizou prestou as seguintes informações: Quanto ao item I, esclarece a fiscalização que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins Fl. 620DF CARF MF 10 sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. No entanto, essas mesmas informações mostram que parte dos bens que serviram de base de cálculo do PIS e da Cofins e que foram classificados como máquinas e equipamentos, na verdade tratamse de outros veículos ou seus componentes, tais como tratores, dollys, transbordos, carregadeiras, carrocerias, reboques e semireboques. Sendo assim, não podem compor a base de cálculo dos créditos sobre depreciação, por falta de previsão legal. Quanto ao item II, segue anexo demonstrativo com planilha do recálculo das diferenças do PIS e da Cofins devidas, consideradas as exclusões das glosas sobre a reavaliação de ativos e levando em conta a memória de cálculo da depreciação apresentada pelo contribuinte às fls. 1453/1481 destes autos. A DRJ, então, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos termos seguintes: Manter integralmente as glosas relacionadas ao conceito de insumo nos itens “A” a “G” do Termo de Verificação Fiscal. Afastar a glosa relacionada à reavaliação de ativos no item “H” do Termo de Verificação Fiscal. Manter parcialmente a glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (desconsiderados os valores inovados na diligência). Afastar integralmente todas as glosas efetuadas em relação aos créditos presumidos apurados pelo contribuinte nos itens “J” a “L” do Termo de Verificação Fiscal. Manter o critério adotado de não considerar o saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo. O recurso de ofício, esclareçamos melhor, teve por fundamentos as seguintes matérias, que totalizaram a exoneração de crédito em limite superior ao de alçada: a) a reversão de créditos do PIS/Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, uma vez que as informações apresentadas na impugnação, e confirmadas na diligência, comprovam que não ocorreu a reavaliação do valor dos ativos; b) a manutenção parcial da glosa relacionada aos encargos de depreciação do ativo imobilizado no item “I” do Termo de Verificação Fiscal, de acordo com os novos valores de glosa apresentados após a diligência (foram desconsiderados os valores inovados na diligência, uma vez que a DRJ Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 7 11 acertadamente entendeu que tal procedimento equivaleria a alterar o lançamento originário); c) a reversão da glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial"; d) a reversão da glosa sobre crédito presumido oriundo de receita de vendas de açúcar não destinado à alimentação humana, mas à fabricação de bebidas e refrigerantes; e) a reversão sobre o desconto de crédito presumido superior ao PIS/Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar. Os motivos da exoneração de parte do crédito foram muito bem enfrentados no acórdão recorrido, razão pela qual passamos a adotálos, também aqui, como fundamento desta decisão, mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua transcrição, importante consideração, que, como se verá, nos levarão a adotar, no ponto a ser suscitado, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto, apenas quanto às matérias que levaram à exoneração de parte do crédito lançado, para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): DAS GLOSAS SOBRE REAVALIAÇÃO DOS ATIVOS Ítem “H” do Termo de Verificação Fiscal: Sobre essa glosa que a AUTORIDADE FISCAL chamou no Termo de Verificação Fiscal de “Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre o custo corrigido”, não haviam informações suficientes para afirmar que os valores glosados eram créditos apurados e descontados pela IMPUGNANTE sobre encargos de depreciação calculados sobre a reavaliação de seus ativos. A IMPUGNANTE contestou que não reavaliou seus ativos. Então, esta 16ª Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem apresentasse planilhas ou memórias de cálculo acompanhados de documentos que demonstrassem que a IMPUGNANTE tenha reavaliado seus ativos e que tenha tomado crédito em relação a tais valores e apresentar também a relação desses lançamentos com totalização, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa em relação a esse item “H”. A unidade de origem lavrou Termo de Intimação Fiscal (fls. 1371 a 1374), contra a IMPUGNANTE, que atendeu e apresentou os documentos solicitados. Então, a unidade de origem, a DRF/JundiaíSP, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1482 a 1484), conclui e esclarece que, muito embora os registros feitos pelo contribuinte de créditos do PIS e da Cofins sobre os valores escriturados na conta contábil 3040699007 com denominação “Depreciações Custo Corrigido”, as novas informações apresentadas na impugnação Fl. 622DF CARF MF 12 comprovam que, de fato, não ocorreu reavaliação do valor dos ativos. Por esse motivo voto por afastar a glosa em relação a este item. (...) DAS GLOSAS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO Ítem “I” do Termo de Verificação Fiscal: Cabe analisar as glosas sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado nos valores recalculados após a diligência. A unidade de origem, glosou créditos sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag) por entender não que não estão listados nas hipóteses que a legislação permite o creditamento do PIS e da Cofins. A IMPUGNANTE contestou. Afirma que foram realizadas glosas sobre depreciação de ativos imobilizados que sequer se creditou. Como os documentos anexados aos autos não deixaram claro que essas glosas foram efetuadas apenas sobre os creditos de PIS e COFINS efetivamente apurados pela IMPUGNANTE sobre a depreciação dos seus ativos, foi determinado em resolução à unidade de origem, que essa apresentasse planilhas ou memórias de cálculo, acompanhados de documentos que demonstrem que a IMPUGNANTE tenha se creditado sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado em desacordo com a legislação de regência e também apresentasse a totalização dos valores desses lançamentos, mês a mês, de modo a ficar apurado o cálculo da glosa. De modo a atender o que lhe fora exigido por meio de Resolução desta 16ª Turma de Julgamento, a DRF/Jundiaí intimou a IMPUGNANTE a apresentar demonstrativo das bases de cálculo dos descontos de créditos do PIS e Cofins sobre o Imobilizado Então, tendo a IMPUGNANTE atendido a intimação, a AUTORIDADE FISCAL da unidade de origem substituiu a base de glosas anteriormente efetuadas pelo demonstrativo apresentado pela IMPUGNANTE na intimação fiscal. Nesse demonstrativo em forma de planilha (fl.1485), foram glosados os créditos de depreciação tomado em relação aos ítens listados como: veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag. A IMPUGNANTE afirma que em relação aos bens sobre os quais de fato tomou crédito relativos a sua depreciação, todos são essenciais ao desenvolvimento do seu processo produtivo diante da já demonstrada relevância da etapa agrícola no referido ciclo agroindustrial, e tendo em vista a disposição contida nos artigos 3º, parágrafo 1º, inciso III de ambas as Leis 10.637/02 e 10.833/03, imperativo o cancelamento dessas glosas . Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 8 13 Art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) ... § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; A discriminação dos bens para os quais foram apurados encargos de depreciação, constante do Auto de Infração – veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containers bigbag, embora todos utilizados em algum processo da IMPUGNANTE, não são utilizados no processo industrial de fabricação de açúcar e álcool. Assim, por infringência ao dispositivo legal acima transcrito, corretas as glosas efetuadas. (...) DAS GLOSAS SOBRE CRÉDITOS PRESUMIDOS ORIUNDOS DE AQUISIÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR DE PESSOA JURÍDICA ͞”NÃO AGROINDUSTRIAL” Item “J” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme relatado, AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, ítm “J” (fl.903) glosou o “Desconto de crédito presumido sobre aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica não agroindústria”, pois segundo seu entendimento, não poderiam ter sido apurados créditos de pessoas jurídicas não agroindustriais. Foram elaboradas pela AUTORIDADE FISCAL as planilhas, “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx”, anexadas ao presente processo na forma de arquivos não pagináveis vinculados aos documentos nominados de “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas de créd. presumido 2012” e “Termo de Anexação de Arquivo Não Paginável Plan de cálculo das glosas créd. presumido 2013” (fls. 932 a 933). Fl. 624DF CARF MF 14 Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL apurou os totais mensais de PIS e Cofins apurados sobre os valores de compra de cana de açúcar da IMPUGNANTE, cujos fornecedores têm pelo menos um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial. Esses totais mensais foram levados para os “Detalhamentos das diferenças de PIS e COFINS devidas apuradas pela fiscalização” no ‘Demonstrativo anexo ao Termo de Verificação Fiscal” (fls. 906 a 925), cujos valores servem de base para os lançamentos no Auto de Infração. Da forma como essa glosa foi sucintamente descrita no Termo de Verificação Fiscal e da forma como foi apurado o cálculo dessa glosa nas planilhas “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2012.xlsx” e “Raizen glosas crédito presumido pj não agroindústria 2013.xlsx” bastou a presença de um CNAE não relacionado à atividade agroindustrial em um fornecedor de cana de açúcar para a AUTORIDADE FISCAL automaticamente considerar tal fornecedor “pessoa jurídica não agroindústria” e conseqüentemente glosar os créditos referentes às aquisições de cana de açúcar de fornecedores em tal situação. A IMPUGNANTE destaca que nada impede que as pessoas jurídicas que tenham as mais diversas atividades principais, exerçam, em caráter secundário, a atividade venda de canade açúcar caracterizandose como comercial agropecuária (ou agroindústria), permitindose tal creditamento. Conforme a Lei nº 10.925/2004, base legal citada pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e ..., destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos noinciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: ... III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... Cumpre ressaltar que em nenhum momento a AUTORIDADE FISCAL buscou afastar o direito ao crédito em razão de que tais operações não teriam sido relacionadas com a venda de canadeaçúcar, mas, sim, pelo simples fato de terem sido firmadas com pessoas jurídicas que não seriam agroindústrias. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 9 15 Além de inexistente a restrição apontada pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, cabe verificar o método que adotou para tal glosa. Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canadeaçúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DA GLOSA SOBRE CRÉDITO PRESUMIDO ORIUNDO DE RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR NÃO DESTINADO À ALIMENTAÇÃO HUMANA, MAS À FABRICAÇÃO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES Item “K” do Termo de Verificação Fiscal. Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, pode ser descontado crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado diretamente à alimentação humana e é glosado, conforme descrito no item “k)” desse termo, o desconto de crédito presumido sobre o PIS e a Cofins apurados sobre a Receita de Vendas de Açucar não destinado à alimentação humana, mas sim à fabricação de bebidas e refrigerantes. O crédito presumido condicionado a venda de açúcar é calculado sobre a aquisição dos insumos, como a cana de açúcar, destinados a sua produção. No Termo de Verificação Fiscal, é citada pela AUTORIDADE FISCAL, a Lei 10.925/2004, que em seu artigo 8º, passou a permitir apuração desse crédito em relação a aquisição de insumos de pessoa física, cooperado pessoa física e de pessoas jurídicas exercendo algumas condições. A possibilidade de desconto desses créditos está de forma mais clara no artigo 5º da IN 660/2006, também citado pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal: Fl. 626DF CARF MF 16 Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Nas “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2012” e “Plan de cálc glosas cred. Presumido 2013” arquivos não pagináveis correspondentes aos seu respectivos Termos de Anexação de Arquivo Não Paginável, anexados às folhas 934 a 935 desse processo, são apresentadas as planilhas “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2012.xlsx” e “Raizen vendas açucar para ind bebidas 2013.xlsx”. Nessas planilhas, a AUTORIDADE FISCAL, ao invés de calcular crédito presumido sobre o valor da cana de açúcar utilizada como insumos na fabricação de açúcar destinado à alimentação humana ou animal, calculou crédito sobre o valor de venda do açúcar a produtores de bebidas destinadas ao consumo humano. Mas não é sobre a venda de açúcar que esse crédito é calculado, na verdade, essa operação de venda apenas condiciona a tomada do crédito sobre a operação anterior de aquisição da cana. Também foram efetuadas glosas sobre os períodos entre agosto de 2013 e dezembro de 2013, hiato no qual a IMPUGNANTE sequer registrou créditos referentes a esse crédito presumido. Conforme os já mencionados artigo 8º da Lei 10.925/2004 e artigo 5º da IN 660/2006, esse crédito presumido é decorrente das compras de cana de açúcar para a produção de açúcar destinado à alimentação humana ou animal. Da forma como foi sucintamente descrita a glosa desse crédito no Termo de Verificação Fiscal, ainda que fosse calculada corretamente sobre as compras e não sobre as vendas, como de fato aconteceu, o açúcar vendido para as indústrias de bebidas e refrigerantes é destinado à alimentação humana. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. (...) DO DESCONTO DE CRÉDITO PRESUMIDO SUPERIOR AO PIS E À COFINS APURADOS SOBRE A RECEITA DE VENDAS DE AÇÚCAR Ítem “L” do Termo de Verificação Fiscal: Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, o aproveitamento do crédito presumido sobre as compras de cana de açúcar para a produção de açúcar está limitado ao PIS e à Cofins apurados sobre as Receitas de Vendas de Açucar destinado à alimentação humana. Nesse item “L”, a AUTORIDADE FISCAL glosou a diferença entre o que ela entendeu ser os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar menos o que ele entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 10 17 IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar a partir das informações prestadas nos Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu ser a contribuição (Pis ou Cofins) apurada pela IMPUGNANTE sobre sua receita de venda de açúcar não foi especificamente contestada pela IMPUGNANTE. As somas mensais dessa contribuição sobre a receita de venda de açúcar com as somas mensais das contribuições sobre as demais receitas (como da receita de venda de álcool, de etanol, de melaço, etc.) estão de acordo com os totais mensais das contribuições apuradas conforme fichas 15B e 25B do Dacon. O que a AUTORIDADE FISCAL entendeu serem os créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar foram os valores da linha 29 da Ficha 06A (Pis) e 16A (Cofins) do Dacon. Essa linha corresponde ao somatório dos créditos presumidos de atividades agroindustriais, incluídos os calculados sobre os insumos de origem animal, origem vegetal e os ajustes positivos e negativos de créditos. Pelas informações prestadas nos Dacons e pelos cálculos no Termo de Verificação Fiscal, a AUTORIDADE FISCAL entende como créditos presumidos apurados pela IMPUGNANTE na aquisição de cana de açúcar para a produção de açúcar os créditos presumidos calculados sobre os insumos de origem vegetal e os ajustes positivos de créditos. Entretanto, para a IMPUGNANTE os ajustes positivos de créditos correspondem aos créditos apurados sobre a venda de etanol no mercado interno, conforme expressa disposição contida no artigo 1º, da Lei n° 12.859/13, conversão da Medida Provisória n° 613/13. E, de fato, a IMPUGNANTE, coerentemente com sua impugnação, passou a apurar os créditos apurados sobre a venda de etanol e demonstrálos em seus Dacon somente a partir da publicação da referida medida provisória, em junho de 2013. No Termo de Verificação Fiscal, para fundamentar a glosa sobre o desconto de crédito presumido superior ao Pis e à Cofins apurados sobre a receita de vendas de açúcar, além de descrever os principais dispositivos legais em seu início, a AUTORIDADE FISCAL cita especificamente o trecho da ementa da Solução de Consulta nº 24, de 21 de janeiro de 2010, expedida pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9ª Região Fiscal, in verbis: (...) O crédito presumido antes mencionado somente pode ser utilizado para desconto dos valores devidos a título de Cofins resultantes da comercialização das mercadorias produzidas com os produtos in natura adquiridos, não podendo ser objeto de compensação com outros tributos ou de ressarcimento. A construção dessa Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, foi feita a partir dos seguintes dispositivos legais: Lei nº 10.637/2002, art. 3o , Lei nº 10.833/2002, art. 3o; Lei nº 10.925/2004, art. 8o, caput, e §§ 1o e 4o; IN SRF nº 660/2006, Fl. 628DF CARF MF 18 art. 2o, I e IV, e § 1o; art. 3o, I, §§ 1o e 2o; art. 5o, I, “d”; e art. 6o, I. Quanto à utilização do crédito presumido pelas agroindústrias (item 16, fl.12, dessa SC), o caput do art. 8o da Lei nº 10.925, de 2004, citado tanto pela AUTORIDADE FISCAL em seu Termo de Verificação Fiscal, quanto pela citada Solução de Consulta referida acima, é claro em definir a utilização permitida para o crédito em questão: “deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração”. Tal imposição significa que do valor devido a título de PIS/Pasep e de Cofins, pela comercialização das mercadorias industrializadas com os produtos in natura adquiridos, a agroindústria poderá descontar o crédito presumido apurado. E a IN SRF nº 660, de 2004, citada no Termo de Verificação Fiscal, deixa o assunto bem evidenciado: Art.8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. [...]§3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. §4º O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. Assim, de acordo com a Lei nº 10.925/04 e com a IN 660/04, o crédito presumido da agroindústria não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, pode apenas ser utilizado para dedução de cada contribuição. E caso não possa ser aproveitado para dedução de cada contribuição no período, seu saldo deve ser controlado segregadamente, até ser totalmente utilizado nos períodos seguintes. A AUTORIDADE FISCAL, diferentemente do disposto na Lei nº 10.925/04 na IN 660/04 e na Solução de Consulta nº 24/2010 da Disit da 9ª RF, para cada mês em que esse crédito presumido foi apurado em valor maior do que a contribuição apurada sobre a receita de venda de açúcar glosou a diferença a maior do valor do crédito. Esse crédito, apurado sobre a aquisição de cana de açúcar, não pode ser utilizado para compensação ou ressarcimento, mas pode ser utilizado para dedução da contribuição devida apurada em relação às mercadorias produzidas, não apenas sobre a contribuição devida sobre a receita de venda da mercadoria “açúcar”. E sobrando saldo, esse não deve ser glosado, esse saldo deve ser controlado e utilizado nos períodos seguintes. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 11 19 Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Recentemente, nesta mesma Turma, assim também se decidiu: CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANADE AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. (Acórdão nº 3201004.161, de 28/08/2018) As matérias cuja apreciação remanesce no recurso voluntário são as seguintes: a) Desconto de créditos sobre embalagens de transporte (“big bag”); b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; e) Desconto de créditos sobre serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, cabendo neste caso ser ressaltado que a legislação prevê o creditamento das contribuições apenas somente sobre os dispêndios com armazenagem e fretes sobre vendas; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, Fl. 630DF CARF MF 20 parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais, aeronaves e containeres utilizados em transporte de açúcar (tipo bigbag). E, finalmente, como se demonstrará ao final, também discordamos das glosas de despesas com o tratamento de água, resíduos e análises laboratoriais. Conforme já expusemos noutros votos, os bens e serviços utilizados na fase agrícola, assim como a depreciação de tais bens, não ensejam, a nosso juízo, o creditamento de PIS/Cofins. É que, segundo o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente geram o direito ao crédito, no regime não cumulativo, os bens e serviços utilizados como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vejam: Art. 3oDo valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3odo art. 1odesta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1oe 1oA do art. 2odesta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata oart. 2oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 daTipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 12 21 Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços;(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.(Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Notese que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Se se pretendesse abarcar todos as despesas realizadas para a obtenção da receita, não veríamos o elenco de hipóteses que vemos na norma. Ademais, consoante deixou cristalino o legislador na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, um dos principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. 1 Admitir que, no cálculo dos créditos, se incluam os dispêndios na aquisição daqueles bens ou serviços só remotamente empregados na produção do produto final ou no serviço prestado – os chamados "insumos dos insumos" – é não apenas permitir o que o legislador pretendeu desestimular, mas é também legislar. 1 Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 2003: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Fl. 632DF CARF MF 22 Afinal, os diplomas legais aqui referidos delimitaram os insumos àqueles bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, é dizer, aqueles insumos efetivamente empregados no produto final do processo de industrialização ou no serviço prestado ao tomador, não aqueles bens ou serviços consumidos, pela próprio contribuinte, em etapas anteriores, aqueles, enfim, só remotamente empregados. No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da canadeaçúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. É como vem entendendo a 3ª Turma da CSRF. Exemplificativamente: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. INSUMO DE INSUMO. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com serviços de transporte de funcionários, combustíveis e lubrificantes para o maquinário agrícola e aquisições de adesivos, corretivos, cupinicidas, fertilizantes, herbicidas e inseticidas utilizados nas lavouras de canadeaçúcar. (Redator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.541, de 16/08/2017) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma2, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. No caso aqui julgado, referemse aos seguintes itens (consoante alíneas acima): 2 PROCESSO PRODUTIVO. PRODUÇÃO DE AÇÚCAR E ÁLCOOL. ETAPA AGRÍCOLA. CUSTOS. CRÉDITO. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados no cultivo da cana de açúcar guardam estreita relação de pertinência, emprego e essencialidade com o processo produtivo das variadas formas e composição do álcool e do açúcar e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. (Rel. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Acórdão nº 3201003.411, 02/02/2018) Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 13 23 b) Desconto de créditos sobre serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); c) Desconto de créditos sobre materiais diversos aplicados na lavoura de cana; d) Desconto de créditos sobre serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; f) Desconto de créditos sobre itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); g) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; i) Desconto de crédito sobre encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e containeres utilizados em transporte de açúcar (embora conste da alínea "i", na redação anteriormente transcrita, retiramos as aeronaves, porque, conforme ela própria assevera e consta de um dos demonstrativos que integram o acórdão recorrido, a Recorrente sobre elas nada se creditou). Há de se registrar, para melhor esclarecimento do que se trata, algumas observações a respeito dos itens relacionados na mesma alínea "i". Segundo a Recorrente, a) os veículos são aqueles utilizados na fase agrícola, como tratores e colheitadeiras, ônibus para transporte, dollys etc. (conta contábil 1030203002); b) os móveis e utensílios são materiais e equipamentos utilizados no processo produtivo da cana, bem como no seu acondicionamento, processamento e pesagens, tais como estufa, centrífuga, balança etc. (conta contábil 1030204002); c) as licenças e softwares são ativos tecnológicos aplicados no maquinário aplicados na lavoura (conta contábil 1030210002); d) as embarcações são utilizadas no transporte da cana entre a lavoura e a unidade produtora (conta contábil 1030212002). Tais informações, acompanhadas de registros fotográficos no recurso voluntário, em nenhum momento foram antes contraditadas pela fiscalização, quer por ocasião do lançamento, quer na diligência. Concordamos, todavia, com a glosa do crédito em relação aos serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária, pois, com efeito, a legislação não prevê o creditamento das contribuições sobre os serviços de capatazia (alínea "e", supra). Comunga do mesmo entendimento a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF: PIS. SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVAS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 634DF CARF MF 24 Os serviços de capatazia e estivas por não serem utilizados no processo produtivo, não geram créditos de PIS no regime não cumulativo, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão nº 9303004.383, de 08/11/2016) Prosseguindo, agora sobre os crédito tomados em relação às embalagens de transporte ("bigbag"), como é de todos conhecido, temos entendido — e recentemente também assim fizemos noutro processo envolvendo a mesma empresa — que se deve considerálas insumo, no regime não cumulativo de PIS/Cofins, pois destinadas à proteção ou ao acondicionamento do produto final no seu transporte. Conforme Acórdão nº 3201 004.164, de 28/08/2018: NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. Finalmente, cumpre registrar que os créditos tomados em relação aos gastos com o tratamento de água, de resíduos e com análises laboratoriais não foram expressamente citados no texto que encerra o Termo de Verificação Fiscal, mas consta das planilhas a ele e ao acórdão recorrido anexadas. Contudo, mesmo que os considerássemos não originalmente apreciados, se é entendimento dos demais conselheiros que compõem esta Turma que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de canadeaçúcar podem ser considerados na apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há razão para afastar a possibilidade de craditamento quanto os gastos com o tratamento de água (fase agrícola e industrial) e de resíduos (fase industrial) e análises laboratoriais (fase agrícola e industrial). Aliás, é cediço, constitui importante requisito para a produção de açúcar e álcool o tratamento de seus resíduos industriais e o seu constante monitoramento. E, por último, quanto ao não reconhecimento dos saldos de créditos de períodos anteriores, cumpre observar que, com efeito, conforme destacado na decisão recorrida, a consequência é o não aproveitamento dos mesmos saldos para a dedução de valores devidos em períodos subsequentes. Todavia, tais saldos ficam subordinados ao que aqui decidido, já que o entendimento será replicado nos processos a este conexos. O pedido de realização de nova diligência (ou de perícia) afigurase absolutamente desnecessário em face de tudo o que expusemos aqui e das informações já carreadas aos autos (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 14 25 Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. E DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter todas as glosas de créditos decorrentes dos gastos sobre os seguintes itens: (i.1) embalagens de transporte (“bigbag”); (i.2) serviços de mecanização agrícola (preparação do solo, plantio, cultivo, adubação, pulverização de inseticidas e colheita mecanizada da cana de açúcar); (i.3) materiais diversos aplicados na lavoura de cana; (i.4) serviços de transporte da cana colhida nas lavouras do contribuinte até a usina de açúcar e álcool; Fl. 636DF CARF MF 26 (i.5) itens diversos não identificados na EFD – Contribuições como insumos (rolamentos, arruelas, parafusos, válvulas, correntes, pinos, acoplamentos, buchas, mancais, chapas, perfis, cantoneiras, tubos e barras de aço); (i.6) Desconto de créditos sobre serviços, peças de manutenção, pneus, óleo diesel, graxas e lubrificantes para tratores, colhedoras de cana, ônibus e caminhões; (i.7) encargos de depreciação calculados sobre veículos automotores, móveis e utensílios, licenças e softwares, equipamentos de informática, embarcações fluviais e contêineres utilizados em transporte de açúcar; (i.8) gastos com o tratamento de água, de resíduos e análises laboratoriais; (ii) manter a decisão da DRJ quanto à não consideração do saldo de crédito de períodos anteriores para o cálculo dos valores lançados no auto de infração de que trata este processo, e, finalmente, (iii) manter todas as glosas de créditos sobre os serviços de estufagem de containeres, transbordos e elevação portuária. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10880.653308/201613 Acórdão n.º 3201004.211 S3C2T1 Fl. 15 27 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado O presidente incumbiume de redigir o acórdão na parte pertinente aos gastos de capatazia e estiva. Os gastos com logística, na operação de aquisição de insumos, geram direito a crédito por comporem o conceito contábil de custo de aquisição de mercadoria3. Os gastos logísticos para movimentação de insumos, internamente ou entre estabelecimentos da mesma empresa, inseremse no contexto de produção do bem, porque inerentes e relevantes ao respectivo processo produtivo. Desse modo, devem gerar direito de crédito, na esteira do Resp 1.221.170/PR, que tramitou sob o regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), e que vincula o Carf (art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno). No caso dos gastos logísticos na venda, entendo que estão abrangidos pela expressão “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, conforme consta no inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Entendo que são termos cuja semântica abrange a movimentação das cargas na operação de venda. Assim, tais dispêndios logísticos estão inseridos no direito de crédito, respeitados os demais requisitos da Lei, como, por exemplo, que o serviço seja feito por pessoas jurídicas tributadas pelo Pis e Cofins. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira, Redator Designado. 3 11. O custo de aquisição dos estoques compreende o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis perante o fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. (Redação dada pela Resolução CFC nº. 1.273/10) Fl. 638DF CARF MF 28 Declaração de Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário. A presente declaração de voto tem por objetivo externar o posicionamento pelo qual acompanhei o Relator "pelas conclusões" relativamente à preliminar de nulidade suscitada pelo contribuinte. Em seu Recurso Voluntário o contribuinte demonstra que a Fiscalização, ao efetuar a lavratura do Auto de Infração, deixou de individualizar as glosas realizadas, deixando, inclusive, de lavrar Termo de Verificação Fiscal próprio, fazendo simples remissão a TVFs de períodos de apuração diversos. Além disso, deixou de indicar a espécie dos créditos glosados (crédito de insumos ou créditos presumidos). Ao assim proceder, a Fiscalização imputou à Recorrente excessivo ônus de defesa que, ainda que cumprido adequadamente pelo contribuinte, não afasta o excesso fiscal, passível de reconhecimento de nulidade do procedimento. Não obstante ao exposto, há que se considerar que, na hipótese dos autos, o mérito da demanda foi resolvido de modo favorável ao contribuinte, incorrendose em hipótese típica de aplicação do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Desse modo, externo meu posicionamento não pela improcedência da preliminar de mérito, mas, sim, pela possibilidade de sua superação, no presente julgamento, nos exatos termos do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 639DF CARF MF
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Numero do processo: 13869.000023/2001-45
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. COMBUSTÍVEIS. ENERGIA ELÉTRICA. LUBRIFICANTES. IMPOSSIBILIDADE.
Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Parecer Normativo CST nº 65/79).
CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL.
A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência.
Numero da decisão: 9303-007.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para admitir a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores decorrentes da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento (créditos nas aquisições de pessoas físicas), vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. COMBUSTÍVEIS. ENERGIA ELÉTRICA. LUBRIFICANTES. IMPOSSIBILIDADE. Só geram direito ao crédito presumido os materiais intermediários que sejam consumidos no processo produtivo mediante contato físico direto com o produto em fabricação e que não sejam passíveis de ativação obrigatória (Parecer Normativo CST nº 65/79). CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 23 /2 00 1- 45 Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 3 2 Não existe previsão legal para incidência da taxa Selic nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da correção monetária com base na taxa Selic só é possível em face das decisões do STJ na sistemática dos recursos repetitivos, quando existentes atos administrativos que glosaram parcialmente ou integralmente os créditos, cujo entendimento neles consubstanciados foram revertidos nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao aproveitamento de referidos créditos. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. A aplicação da taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, nos casos de oposição ilegítima do Fisco, incide somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido. Antes deste prazo não existe permissivo legal e nem jurisprudencial, com efeito vinculante, para sua incidência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para admitir a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores decorrentes da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento (créditos nas aquisições de pessoas físicas), vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de recursos especiais de divergência apresentados pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte em face do Acórdão nº 20218.474, de 22/11/2007, efl. 362 e seg., o qual possui a seguinte ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N2 9.363/96. AQUISIÇÃO DE NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. PESSOAS FÍSICAS. Os arts. 1 2 e 22 da Lei nº 9.363/96 determinam que a base de cálculo do créditopresumido do IPI, relativo ao ressarcimento do PIS e da Cofins, é o valor total das aquisições que sofreram a Incidência das contribuições. A forma de cálculo prevista na lei estabelece uma ficção legal somente para a aliquota a ser aplicada sobre a base de cálculo. 0 ressarcimento é das contribuições para o PIS e a Cofins, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de insumos destinados ao processo produtivo. Dai a base de cálculo ser constituída unicamente das aquisições tributadas pelas referidas contribuições. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Tratandose de custo a que se submete a matériaprima, deve o mesmo integrar o valor das aquisições incentivadas. INSUMOS QUE GERAM DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO. Apenas a aquisição de insumos classificados corno MP, PI e ME, que se consomem ou desgastam no processo produtivo, por ação direta exercida pelo produto ou sobre ele, conforme definido no PN CST nº 65/79, geram direito ao crédito presumido. Não se incluem neste conceito combustíveis, óleo lubrificante, energia elétrica, bens destinados ao ativo imobilizado, material de uso e consumo, serviços de transporte e de comunicação. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. O § 42 do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 determina a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo. Sao institutos jurídicos que produzem os mesmos efeitos, mas tem naturezas jurídicas distintas. A restituição e a compensação tern origem em indébitos tributários e o ressarcimento originase em norma concessiva de beneficio fiscal criado para prover o contribuinte de tributo devidamente pago e extinto. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 5 4 Recurso provido em parte. Cumpre esclarecer que o crédito presumido de IPI de que trata o presente processo é relativo ao 4º trimestre/2000 e referese ao art. 1º da Lei nº 9.363/96. A autoridade fiscal de origem deferiu parcialmente o direito, tendo sido negado quanto aos créditos decorrentes das aquisições de pessoas físicas, quanto à industrialização por encomenda e alguns itens que não se encaixavam no conceito de insumos nos termos da legislação. A DRJ indeferiu integralmente a sua manifestação de inconformidade, inclusive quanto ao pleito de correção do crédito pela taxa Selic. O recurso especial da Fazenda Nacional, efl. 380 e seg., foi por contrariedade à Lei, previsto no antigo Regimento Interno, e insurgese contra a concessão de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda. O recurso da Fazenda Nacional foi admitido por meio do Despacho de Admissibilidade, efl. 392. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, efl. 399 e seg., nas quais pede o improvimento do recurso. O contribuinte também apresentou o recurso especial de divergência, efls. 403 e seg., pedindo 1) o reconhecimento do crédito presumido de IPI nas aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas; 2) o reconhecimento do crédito presumido de IPI em relação à aquisição de produtos intermediários; e 3) a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde a data do protocolo do pedido. Por meio do Despacho de Admissibilidade, efl. 750 e seg., e o Despacho de Reexame, efls 755/756, o recurso especial do contribuinte teve seguimento parcial em relação aos seguintes itens: 1) crédito presumido de IPI nas aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas; 2) crédito presumido de IPI em relação à aquisição de produtos intermediários, mas tão somente quanto aos itens energia elétrica, combustíveis e lubrificantes; e 3) a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde a data do protocolo do pedido. A Fazenda Nacional apresentu contrarrazões ao recurso especial do contribuinte, efl. 758 e seg., nas quais pede o seu improvimento. É o relatório. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Os recursos especiais apresentados atendem aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Concordo com os dois despachos de admissibilidade e ressalto que em contrarrazões não foram apresentados questionamentos quanto ao conhecimento dos recursos. Recurso Especial da Fazenda Nacional A matéria devolvida ao colegiado no recurso especial da Fazenda Nacional é referente à possibilidade de aproveitamento do crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, quanto às despesas efetuadas com industrialização por encomenda. Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que no regime da Lei nº 9.363/96 tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 7 6 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia e de concessão de incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 8 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: Fl. 784DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 9 8 I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Portanto, por esta leitura, a apropriação de crédito presumido de IPI, na industrialização por encomenda, somente passou a ser possível a partir da vigência da Lei nº 10.276/2001 e caso o contribuinte tenha efetuado a opção pelo cálculo naquele termo alternativo. No presente processo essa opção não era possível, pois tratamse de créditos referentes ao 4º trimestre de 2000, quando não vigente referida lei. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso Especial do contribuinte 1) Crédito presumido nas aquisições de Pessoas Físicas No caso são insumos adquiridos de pessoas físicas, em cuja operação de compra não houve a incidência do PIS e da Cofins. Segundo meu entendimento, de fato, o valor das matériasprimas adquiridas diretamente de pessoas físicas e cooperativas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, pois não sendo eles contribuintes do PIS e da Cofins, não haveria o que ressarcir. Ocorre que esta matéria já está pacificada pelo STJ no julgamento do REsp nº 993.164, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC, recursos repetitivos, fato que nos vincula por força do § 2º do art. 62 do anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Referido julgado possui a seguinte ementa: Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 10 9 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Fl. 786DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 11 10 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância doslimites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 12 11 não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Inclusive, o julgamento do STJ, acima citado, foi precedente para edição da Súmula STJ nº 494, na qual a sua redação não deixa margem a qualquer dúvida: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Portanto sobre estas aquisições, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI. 2) Crédito presumido de IPI sobre energia elétrica, combustíveis e lubrificantes Em seu recurso especial o contribuinte defende a inclusão desses itens justificando que se encaixam no conceito de insumos por serem produtos intermediários utilizados no processo produtivo. Afirma que a legislação que concedeu o crédito presumido não fez qualquer restrição no sentido de que esses insumos integrem ou sejam consumidos em contato direto com o produto em fabricação. Portanto, vê se que o contribuinte reconhece expressamente que esses itens não são consumidos em contato direto com o processo de fabricação. E de fato não são. Veja onde são consumidos estes itens, retirado da efl. 425 de seu recurso especial: (...) COMBUSTÍVEL Combustível utilizado em movimentações mercantis internas e externas, utilizado nos veículos dos compradores e fiscais de frutas; ÓLEO COMBUSTÍVEL Combustível para geração de vapor, utilizado nos geradores de vapor; ÓLEO LUBRIFICANTE Lubrificação de equipamentos industriais; ENERGIA ELÉTRICA Geração de vapor, utilizado na linha de produção. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) Pois bem, a discussão é relativa a esses itens. De plano o primeiro item "COMBUSTÍVEL" nem aplicado indiretamente no processo produtivo pode ser considerado. Quanto aos demais itens, embora consumidos diretamente na indústria, ao contrário do que diz o contribuinte, não existe previsão legal para o seu aproveitamento. De plano, vale lembrar que estamos tratando de um benefício fiscal e as mesmas observações antes efetuadas, na análise do recurso especial da Fazenda, são válidas aqui também. Interpretação literal da legislação nos termos do art. 111 do CTN. Vejamos o que dispõe a Lei nº 9363/96: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. A própria Lei estabelece que devemos buscar o conceito de produtos intermediários na Legislação do IPI. Veja o que dispõe o art. 147 do Regulamento do IPI Decreto nº 2.637/vigente na época (esta redação nunca mudou e está em todos os regulamentos do IPI): Art. 147. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 14 13 consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Para a legislação do IPI o conceito de insumos é restrito, sendo que o Parecer Normativo CST nº 65/79, até hoje vigente e de ampla aplicação pela doutrina e jurisprudência, sobretudo do CARF, assim dispôs sobre esta aplicação: 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final, (matériasprimas e produtos intermediários, “strictosensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente (Sem o destaque no original). Portanto dos itens analisados, pelas suas características já expostas, nenhum integra o produto final e nem é consumido em contato direto com o produto em fabricação. Além disso, em relação aos combustíveis e energia elétrica, é aplicável a Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante do exposto nego provimento ao recurso especial do contribuinte em relação a esta matéria. Taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Fl. 790DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 15 14 Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 791DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 16 15 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 792DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 17 16 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: Fl. 793DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 18 17 TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, Fl. 794DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 19 18 independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que Fl. 795DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 20 19 não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, reconheço a incidênca da correção em relação aos créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas que foi a única matéria em que o contribuinte reverteu nas instâncias de julgamento. Correção esta a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento de alguns tributaristas, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 13869.000023/200145 Acórdão n.º 9303007.533 CSRFT3 Fl. 21 20 O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Portanto em relação à incidência da taxa Selic, dou provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo que o seu termo inicial dáse a partir de 360 dias da data do protocolo do pedido, somente sobre os créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Voto ainda por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte para admitir a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI dos valores decorrentes da aquisição de insumos junto a pessoas físicas e estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento (créditos nas aquisições de pessoas físicas). (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 797DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000466/2007-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 1001-000.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de pedido de restituição (efl. 02), protocolado em 23 de abril de 2007, de saldo negativo de IRPJ do período de apuração 01/01/2001 a 31/12/2001, no valor de R$ 36.470,49. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 04 66 /2 00 7- 13 Fl. 129DF CARF MF 2 O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efls. 19/22), que “o direito do Contribuinte pleitear a restituição/compensação do saldo negativo do IRPJ, apurado no encerramento do anocalendário de 2001, iniciouse em 01/01/2002 e encerrouse em 01/01/2007. Como a restituição/compensação foi apresentada em 23/04/2007, nessa data já estava extinto o direito de o Contribuinte efetuar a referida restituição/compensação”. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alegou que “tendo a DIPJ do anocalendário 2001 sido entregue em 28/06/02, a prescrição e o direito a pleitear a restituição/compensação iniciou em 29/06/02, encerrando em 30/06/2007. Como o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 23/04/07, não há que se falar em prescrição do crédito.” A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0729.819 3ª Turma da DRJ/FNS, efls. 57/61). A decisão de primeira instância entendeu que segundo Ato Declaratório SRF nº 003, de 07 de janeiro de 2000, foi autorizada a restituição ou compensação já a partir do mês de janeiro do ano subsequente ao que se referir o saldo negativo. Deste modo, em relação ao anocalendário de 2001, o eventual saldo negativo de IRPJ apurado pela Contribuinte poderia ser objeto de restituição ou compensação já a partir do mês de janeiro de 2002, justificandose então o critério de contagem do prazo de cinco anos para compensação, constante do Despacho Decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/10/2012 (efl. 64) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 07/11/2012 (efl. 66), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Segundo Ato Declaratório SRF nº 003, de 07 de janeiro de 2000, foi autorizada a restituição ou compensação já a partir do mês de janeiro do ano subsequente ao que se referir o saldo negativo. Desta forma, em relação ao anocalendário de 2001, o eventual saldo negativo de IRPJ apurado pela Contribuinte poderia ser objeto de restituição ou compensação já a partir do mês de janeiro de 2002. O prazo para pleitear a restituição consta no CTN com a seguinte redação: Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Desta forma encontravase prescrito qualquer direito de restituição a partir de 01/01/2007. Como o presente pedido de restituição (efl. 02) foi protocolado em 23 de abril de 2007 devese confirmar a decisão de piso. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13984.000466/200713 Acórdão n.º 1001000.958 S1C0T1 Fl. 130 3 Observo que não se aplica ao caso a Súmula CARF nº 91 que prescreve que ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900532/2008-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN.
A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 3002-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiar-se da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 DÉBITOS QUITADOS POR DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DOS BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. No caso de pagamento a destempo, mas anterior ao início de qualquer procedimento administrativo ou de fiscalização relacionado com a infração, é possível beneficiarse da denúncia espontânea se efetuado o pagamento integral do tributo devido e dos juros de mora, nos termos do art. 138 do CTN. A quitação do débito por compensação e pagamento não atende às condições previstas para fins de aplicação da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (relatora) e Alan Tavora Nem, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Larissa Nunes Girard. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 05 32 /2 00 8- 54 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 137 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 96 dos autos: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB Pelotas relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, na qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. Na manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada, alega a interessada que efetuou o recolhimento em atraso de valor devido a título de Cofins com acréscimo de multa moratória, antes de qualquer notificação por parte do Fisco. Entende que a multa não seria devida, uma vez que o pagamento equivaleria a uma denúncia espontânea. Pleiteia que seja reconhecido o efeito suspensivo ao crédito tributário declarado na DCOMP apresentada, tendo em vista a apresentação da presente manifestação de inconformidade. Por meio da sua manifestação de inconformidade (fl. 21 e seguintes), o contribuinte alegou ter pago R$ 11.675,70 em razão dos débitos tributários constituídos, e que, deste valor, a quantia de R$ 1.073,83 correspondia à multa de mora. Afirmou ser indevida a multa, visto que o pagamento fora realizado por meio de denúncia espontânea. Por isso, apresentou pedido de compensação do valor da multa, que teria sido pago indevidamente. Juntou os seguintes documentos: (i) recibo de entrega da DCTF (fl. 51); (ii) despacho decisório (fl. 52); (iii) PERDCOMP (fls. 53/65); (iv) DARF (fl. 67); iii) documentos de constituição da empresa (fls. 69/83). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, à unanimidade de votos, por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: DENÚNCIA ESPONTÂNEA DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF PAGAMENTO A DESTEMPO IMPROCEDËNCIA Pacífico o entendimento tanto no âmbito do Poder Judiciário como na esfera administrativa de que não constitui denúncia espontânea o pagamento de valores declarados em DCTF, sendo devida multa de mora pelo pagamento em atraso. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE TEMPESTIVA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS EM DCOMP A apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a não homologação de Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 138 3 compensação suspende a exigibilidade dos débitos declarados na DCOMP. Solicitação indeferida. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 95/97) consignou que valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea, pois tais débitos já eram de conhecimento do Fisco. Assim, entendeu inexistir direito creditório passível de compensação. O acórdão consignou, ainda, que a apresentação de manifestação de inconformidade suspende o crédito tributário, e que a DCOMP constitui confissão de dívida, dispensando a lavratura de auto de infração. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/09/08 (vide AR à fl. 103 dos autos, no qual, embora tenha sido aposta como data da ciência o dia 16/09/06, verifica se que houve claro erro, visto que a correspondência fora enviada no ano de 2008). E, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/10/08, Recurso Voluntário (fl. 105 e seguintes). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra o acórdão, alegando que o entendimento nele consignado estaria em dissonância o entendimento deste Conselho sobre o assunto. Afirmou que a inclusão do valor da multa ofendeu o artigo 138 do CTN. Arguiu não ter realizado o pagamento de modo parcelado, mas ter quitado integralmente seu valor, impossibilitando aplicação de multa sancionatória, a qual não poderia incidir nos casos de denúncia espontânea. Por fim, pediu a reforma da decisão para que seja declarada indevida a multa paga e, consequentemente, deferida a compensação pretendida. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões – Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Como se denota do exposto acima, a controvérsia posta na presente demanda gira em torno da configuração ou não da denúncia espontânea no caso vertente. Em sua manifestação de inconformidade, defendeu o contribuinte que "o fato da interessada ter efetuado o pagamento livremente, independentemente de qualquer notificação fiscal, equivale à denúncia espontânea, e, como tal, não cabe a incidência de multa". Ao analisar o caso, a DRJ entendeu que não assistia razão ao contribuinte, com fulcro no seguinte fundamento: "Pacífico é o entendimento, tanto no contencioso administrativo como no Poder Judiciário, de que valores declarados em DCTF e recolhidos em Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 139 4 atraso não configuram denúncia espontânea, uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco". Verificase, contudo, que apesar de ter afirmado que a denúncia espontânea não poderia ser considerada nos casos de recolhimentos em atraso, não trouxe em sua decisão qualquer elemento fático que levasse à compreensão de que esta era a hipótese dos autos. Em seu Recurso Voluntário, então, o contribuinte volta a defender a configuração da denúncia espontânea no seu caso concreto. Feitas essas considerações iniciais, passo à análise do caso. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Sobre o assunto, assim se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em decisão submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, de observância obrigatória por parte deste Conselho por força do disposto no art. 62, §2º, do Anexo II, do RICARF: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 140 5 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 141 6 Ou seja, para que se possa verificar a configuração ou não da denúncia espontânea no caso concreto sob análise, apresentase imprescindível saber a data em que a DCTF foi transmitida pelo contribuinte e a data em que o pagamento foi efetuado. Caso o pagamento tenha se dado anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal e ao envio da DCTF, ou concomitante a esta, resta configurada a denúncia espontânea. De outro norte, caso o pagamento tenha sido realizado após o envio da DCTF ou do início de qualquer procedimento de fiscalização, não há que se falar em denúncia espontânea. Nesse sentido, tem se pronunciado este Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora. Para tanto, nos termos do REsp nº 1.149.022 (STJ), de observância obrigatória pelo CARF conforme o art. 62, §2º, do Anexo II ao seu RICARF, é necessário que o tributo devido seja pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros. (Acórdão nº 1201002.230, de 11/06/2018). No caso dos presentes autos, verificase que o crédito alegado pelo contribuinte decorre do pagamento de multa que entende indevida, realizado em 15/08/2001 (vide DARF à fl. 67 dos autos), o qual indicava expressamente como valor do principal o importe de R$ 10.496,90, conforme declarado em DCTF (vide fl. 91 dos autos), e como valor da multa o montante de R$ 1.073,83. Verificase, ainda, que a DCTF fora transmitida neste mesmo dia 15/08/2001 (vide recibo de entrega à fl. 51 dos autos). Ou seja, embora o recolhimento tenha sido realizado com atraso em relação à data do seu vencimento originário (período de apuração de 30/06/2001, vencimento em 13/07/2001 e pagamento realizado em 15/08/2001), foi efetuado na mesma data em que o contribuinte, espontaneamente, declarou o valor como devido em DCTF. Nesse contexto, temse que o pagamento foi realizado concomitantemente à entrega da DCTF. Configurada, portanto, a denúncia espontânea, nos moldes do RESP 1149022/SP. A DRJ, em que pese ter adotado em sua decisão fundamento no sentido de que "valores declarados em DCTF e recolhidos em atraso não configuram denúncia espontânea", não esclareceu porque estava considerando que o recolhimento realizado in casu teria sido realizado em atraso, não tendo mencionado as datas consideradas na sua análise. De outro norte, verificase que o fundamento apresentado no sentido de que a denúncia espontânea não estaria configurada "uma vez que tais débitos já eram de conhecimento do Fisco" não se coaduna com o caso concreto aqui analisado, em que o pagamento se deu na mesma data da transmissão da declaração. Da mesma forma, a decisão Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 142 7 colacionada no julgado (AgRg no EREsp 804785/PR) tampouco se aplica ao presente caso, visto que trata de caso em que a DCTF havia sido transmitida previamente ao pagamento. Por fim, não é demais destacar que, ainda que parte do débito da competência em questão tenha sido quitada por meio de compensação, tal fato não afasta a configuração da denúncia espontânea. Sobre este tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da 1ª Seção de Julgamento, em recente decisão proferida em 07/08/2018 no Acórdão nº 9101003.689, assim se manifestou: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. A regular compensação realizada pelo contribuinte é meio hábil para a caracterização de denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, cuja eficácia normativa não se restringe ao adimplemento em dinheiro do débito tributário. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida deverá ser reformada, para fins de se reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, face à configuração da denúncia espontânea. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, para fins reconhecer o direito creditório relacionado ao pagamento indevido da multa no importe de R$ 1.073,83 (DARF de fl. 67 dos autos), determinandose que seja homologada a compensação apresentada até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard – Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação à possibilidade de aplicação da denúncia espontânea no caso presente. Ao contrário do que afirma a recorrente, por meio da DCTF juntada aos autos pela DRJ para fundamentar sua decisão denegatória (fl. 91), vemos que o Darf pago em atraso abrangia apenas uma parte dos débitos de Cofins do mês em questão. Consta da declaração que, no período de apuração de junho/2001, foi apurado débito de Cofins no total de R$ 17.015,96, quitados R$ 10.496,90 por meio de pagamento com Darf e R$ 6.519,06 por meio de compensação. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 143 8 Dessa forma, temos que parte da quitação dos débitos se deu por meio de compensação, o que não configura o atendimento às condições previstas no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) para a aplicação da denúncia espontânea. Se não, vejamos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifado) Há de se ter em mente que o CTN foi preciso ao elencar quais modalidades de extinção do crédito tributário, dentre as diversas previstas em seu art. 156, estão aptas a serem consideradas para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea: pagamento ou depósito administrativo. Somente. De fato, para ser mais precisa, o mero depósito não extingue o crédito, mas sim a sua conversão em renda, donde é possível concluir que apenas as situações em que o montante em dinheiro está disponível para a Administração Tributária foram consideradas como suficientes para a aplicação do Instituto. Corroborando esse entendimento, observese que nem a consignação judicial do pagamento, situação em que a Fazenda não detém a tutela do depósito, consta do artigo que trata da denúncia espontânea, devendo ser consideradas como modalidades igualmente inaptas a compensação, a remissão, etc. Cabe frisar que não estamos diante de lacuna legal que nos permita nos socorrermos da analogia ou de interpretação extensiva, motivo pelo qual considero que não se encontra na competência de um julgador incluir outras formas de extinção para além daquelas que a lei instituiu. Assim, entendo que ao procedimento saneador adotado pelo contribuinte não cabe a aplicação de denúncia espontânea, pois ele se utilizou de compensação e de pagamento. A jurisprudência que vincula este Colegiado, transcrita no voto vencido, estabelece claramente que é necessário o pagamento integral. Uma vez que a compensação de parte dos débitos se deu em atraso e os valores já estavam declarados em DCTF, está correto o acréscimo da multa de mora, não podendo esse valor ser utilizado como crédito para outras compensações. De se ressaltar que o entendimento que se adota tem prevalecido nos julgamentos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a ver os seguintes decisos: Acórdão nº 9303006.011 conselheiro Rodrigo Possas ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2007 a 31032/2007 MULTA DE MORA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA EM ATRASO, MAS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO, POIS AFASTADA Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11040.900532/200854 Acórdão n.º 3002000.366 S3C0T2 Fl. 144 9 SOMENTE EM CASO DE PAGAMENTO DE VALOR NÃO PREVIAMENTE CONFESSADO. A compensação é forma distinta da extinção do crédito tributário pelo pagamento, cuja não homologação somente pode atingir a parcela que deixou de ser paga (art. 150, § 6º, do CTN), enquanto, na primeira, a extinção se dá sob condição resolutória de homologação do valor compensado. Como o instituto da denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a jurisprudência vinculante do STJ demandam o pagamento, stricto sensu – ainda anterior ou concomitantemente à confissão da dívida (condição imposta somente por força de decisão judicial) , cabe a cobrança da multa de mora sobre o valor compensado em atraso. (grifado) Acórdão nº 9303006.010 conselheiro Demes Brito ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. BENEFÍCIOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Por se tratar de matéria sumulada (Súmula nº 208/TRF), no presente caso, a Contribuinte deveria ter recolhido em pecúnia os valores guerreados, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, a jurisprudência do STJ está pacificada no sentido de que os valores devem ser recolhidos integralmente, caso contrário, será exigido o valor integral do crédito tributário acrescido de juros e multas punitivas. Precedentes STJ. (grifado) Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 144DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.904415/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA.
No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida.
Numero da decisão: 1302-003.134
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10640.904413/2009-20, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E PJ 2000 APÓS DESPACHO DECISÓRIO Recorrente IRMÃOS ORNELLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. MICRO EMPRESA. ALÍQUOTA DE 3%. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE PJ 2000 SIMPLES APÓS DESPACHO DECISÓRIO. CRÉDITO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DE DCOMP DEVIDA. No ano calendário 1999, as micro empresas deveriam recolher o SIMPLES à alíquota de 3%. A devida comprovação do pagamento com base na alíquota de 4% caracteriza pagamento indevido ou a maior, o que assegura à contribuinte o direito à compensação (DCOMP) ou à restituição (PER), ainda que a retificação da Declaração Anual Simplificada (PJ 2000) tenha ocorrido após despacho decisório eletrônico. Homologação da DCOMP devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10640.904413/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 44 15 /2 00 9- 19 Fl. 36DF CARF MF Processo nº 10640.904415/200919 Acórdão n.º 1302003.134 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face de Acórdão da 2a. Turma da DRJ de Juiz de Fora (MG) que, por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente, empresa varejista de produtos alimentícios e outros, alega que pagou SIMPLES à alíquota de 4% (que correspondia ao percentual acumulado, relativo a 1998), quando deveria pagar 3%, devidos em 1999, em conformidade com as disposições do art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época. Para evidenciar esse pagamento indevido ou a maior e para compensálo, enviou a DCOMP e na sequência retificou a Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica (DSPJ) originalmente transmitida. Anexou Recibo de Entrega da PJ 2000 Simples normal, retificadora e Darfs. A DRJ manteve o despacho decisório eletrônico e declarou não homologada a DCOMP. Entendeu que a recorrente não demonstrou que haveria pagamento indevido ou a maior. Desconsiderou a declaração simplificada retificadora de 2004. Não examinou a alegação da recorrente de que a alíquota correta do SIMPLES para 1999 seria de 3% e não de 4%. Não analisou os DARFs por meio dos quais a recorrente pretende demonstrar tal pagamento a maior. Concluiu que o valor contido na declaração simplificada da PJ corresponde ao valor pago e devido, pois considerou somente a PJ 2000 Simples original. Assim, concluiu que não haveria crédito disponível. Intimou a recorrente a pagar o principal, multa e juros. Diante do acórdão de manifestação de inconformidade, a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reforçando que, ao analisar e confrontar com a Declaração Simplificada PJ, ano calendário 1999, a fiscalização deveria ter considerado os débitos declarados na segunda declaração retificadora PJ Simplificada entregue em 11/04/2004 (cancelada no sistema da Secretaria da Receita Federal do Brasil) e não a primeira, entregue cerca de nove minutos antes, na mesma data. É o breve relatório. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10640.904415/200919 Acórdão n.º 1302003.134 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.132, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10640.904413/2009 20, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.132): "Conheço do recurso voluntário, à vista da interposição tempestiva e do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A recorrente atua no comércio varejista de gêneros alimentícios, perfumaria, papelaria, armarinho, louças e legumes (cláus. III, contrato social, fl. 3). Sustenta que dispunha do crédito pleiteado, pois ao detectar o erro, entregou PJ 2000 Simples retificadora em 11/04/2004, sob n° de controle 10.02.38.90.27. Embora a DCOMP tenha sido entregue antes da PJ retificadora, defende que a IN 210/2002 seria omissa quanto à retificação de declarações. Com esse entendimento, afirma que não poderia concordar com o não reconhecimento do crédito. Alega que a fiscalização deveria ter considerado a declaração retificadora, ainda que realizada posteriormente à avaliação de seu pedido (despacho decisório eletrônico). Ressalta que, a IN SRF nº 210/2002, vigente à época, não mencionava como condição para o deferimento que a retificação fosse em data anterior à entrega da DCOMP. Com base em tais fatos e fundamentos, a recorrente, em 10/12/2003, utilizouse da DCOMP n° 36194.68673.101203.1.3.047949 para compensar débito com os supostos créditos de pagamento a maior de SIMPLES (alíquota de 4%, em vez de 3%). Observase, portanto, que independentemente de ter havido a retificação da DSPJ somente após a transmissão da DCOMP, não se verificou se, de fato, houve ou não pagamento a maior ou indevido pela recorrente. Para essa análise, é necessário verificar se procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES para o ano calendário 1999 seria realmente de 3% e não de 4%. No link idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/.../capitulov Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10640.904415/200919 Acórdão n.º 1302003.134 S1C3T2 Fl. 5 4 simples2008.pdf, a Receita Federal do Brasil (RFB) orienta que, Para a determinação do percentual a ser utilizado pelas Micro Empresas (ME), é necessário identificar, primeiramente, a faixa de receita bruta acumulada em que se encontra a ME, com o auxílio da Tabela S1, abaixo transcrita. Nesse caso, a pessoa jurídica deverá verificar o total da receita bruta acumulada, dentro do ano calendário, até o próprio mês em que está fazendo a apuração. Já o valor devido mensalmente, a ser recolhido pela ME, será o resultante da aplicação sobre a receita bruta mensal auferida da alíquota correspondente. Tabela S1: Percentuais aplicáveis às ME (regra geral) Receita Bruta Acumulada (em R$) Alíquotas Até 60.000,00 3% De 60.000,01a 90.000,00 4% De 90.000,01 a 120.000,00 5% De 120.000,01 a 240.000,00 5,4% O Estatuto da Microempresa de 1999 Lei nº 9.841, de 5 de outubro de 1999, estabeleceu que (art. 2º), para os efeitos desta Lei, ressalvado o disposto no art. 3º, considerase: I microempresa, a pessoa jurídica e a firma mercantil individual que tiver receita bruta anual igual ou inferior a R$ 244.000,00 (duzentos e quarenta e quatro mil reais); (Vide Decreto nº 5.028, de 31.3.2004). Conforme Declaração Anual Simplificada (PJ 2000 SIMPLES), fl. 14, a razão social da recorrente é: Irmãos Ornellas Ltda. ME; natureza jurídica: sociedade por cotas de responsabilidade limitada empresa privada. Os valores declarados pela recorrente em 1999 são a seguir reproduzidos, demonstrando que realmente se enquadrava como Micro Empresa: Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10640.904415/200919 Acórdão n.º 1302003.134 S1C3T2 Fl. 6 5 Verificase, portanto, que procede a alegação da recorrente de que a alíquota do SIMPLES (cód. rec. 61060) que deveria pagar em 1999 era de 3% (art. 5º da Lei nº 9.317/96, vigente à época ) e não de 4%. Os dois DARFs anexados ao processo indicam pagamento à alíquota de 4%. Demonstrado, dessa forma, que houve pagamento a maior ou indevido, fazendo jus à compensação pleiteada. No caso, portanto, entendo que o fato de Declaração PJ 2000 Simples ter sido retificada após a utilização do valor pago a maior não pode retirar o direito creditório da recorrente, em cumprimento ao princípio da verdade material, pois comprovados a certeza, liquidez e disponibilidade do crédito utilizado na DCOMP em questão. Assim, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o crédito pleiteado e homologar a compensação pleiteada até o limite do direito creditório reconhecido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001191/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 01/04/2004
PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS.
Per/dcomp apresentado sem direito creditório, não outorga ao contribuinte o direito de compensação. Além de o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no exterior não se confundir com o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no país, a retificação do valor, código de tributo e data do recolhimento do crédito compensado não é passível de retificação de ofício, nem tampouco de retificação pela contribuinte, após despacho de não homologação das compensações declaradas.
Numero da decisão: 2201-004.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 01/04/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS. Per/dcomp apresentado sem direito creditório, não outorga ao contribuinte o direito de compensação. Além de o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no exterior não se confundir com o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no país, a retificação do valor, código de tributo e data do recolhimento do crédito compensado não é passível de retificação de ofício, nem tampouco de retificação pela contribuinte, após despacho de não homologação das compensações declaradas.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS. Per/dcomp apresentado sem direito creditório, não outorga ao contribuinte o direito de compensação. Além de o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no exterior não se confundir com o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no país, a retificação do valor, código de tributo e data do recolhimento do crédito compensado não é passível de retificação de ofício, nem tampouco de retificação pela contribuinte, após despacho de não homologação das compensações declaradas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama,, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 11 91 /2 00 9- 21 Fl. 295DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 172/181 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 153/158, a qual indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada, mediante o qual a DEINF SÃO PAULO não homologou as compensações declaradas nos PER/DCOMP nº 27607.44512.151204.1.3.047489 e 25680.38806.111105.1.3.049527, com crédito de pagamento a maior de IRRF relativo a juros sobre o capital próprio pagos a residentes e domiciliados no exterior, código 9453 e residentes e domiciliados no Brasil, código 5706. Dado o didatismo da decisão recorrida, adoto seu relatório. A autoridade recorrida relata que o débito correspondente seria superior ao pagamento efetuado, de R$ 900.000,00 e que a pretendida associação do crédito a diferença supostamente existente no recolhimento de outro tributo, o IRRF incidente sobre pagamentos a título de remuneração do capital próprio a residentes e domiciliados no Brasil, código 5706, não poderia ser acolhida, por serem distintos os tributos e suas respectivas normas aplicáveis. Da Manifestação de inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão em 25/11/2009, AR fl. 72, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 28/12/2009, a fls. 73/81, alegando em síntese: · A manifestação de inconformidade é tempestiva; · A requerente argumenta que a soma dos recolhimentos efetuados sob código 5706 – IRF sobre juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no país (R$ 2.100.00,00) e código 9453 – IRF sobre juros sobre Capital Próprio pagos a residentes no exterior (R$ 900.00,00), equivalente a R$ 3.000.000,00, excederia em R$ 90.131,13 a soma do IRF devido sob tais rubricas, de R$ 2.909.868,87; · Verificando que a requerente havia recolhido a maior o montante de R$ 121.367,99 no DARF de R$ 2.100.000,00 (código 5706), e a menor o montante de R$ 31.326,07 no DARF de R$ 900.000,00 (código 9453), a requerente procedeu à compensação automática, no montante de R$ 31.236,07, para o IRF devido no código 9453; · Essa compensação automática gerou um crédito de R$ 90.131,13, o qual fora utilizado nos PER/DCOMP analisados; · A requerente incorreu em erro material ao deixar de explicitar corretamente o crédito a que faz jus, tanto na DCTF atinente ao 2º trimestre de 2004, bem como nos PD analisados, sem, contudo, alterar a substância do ato jurídico realizado, no caso, a compensação de IRRFJuros sobre capital próprio – residentes no exterior. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 16327.001191/200921 Acórdão n.º 2201004.816 S2C2T1 Fl. 296 3 · Requer seja retificado de ofício a DCTF referente ao 2º trimestre/2004 e os anexos PER/DCOMP, para neles fazer constar o valor correto pago do débito de IRF, no DARF de R$ 2.100.000,00 (código 5706), devido no montante de R$ 1.978.632,01, evidenciado o crédito de recolhimento a maior no montante da diferença, de R$ 90.131,13; · requer seja reconsiderado o r. despacho decisório ou recebida a presente manifestação de inconformidade para o fim de homologar as compensações efetuadas declaradas. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fl. 153): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 01/04/2004 PER/DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. IRF SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO PAGOS. Além de o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no exterior não se confundir com o IRF incidente sobre Juros sobre Capital Próprio pagos a domiciliados no país, a retificação do valor, código de tributo e data do recolhimento do crédito compensado não é passível de retificação de ofício, nem tampouco de retificação pela contribuinte, após despacho de não homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 172/181, praticamente repetindo os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Fl. 297DF CARF MF 4 Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. Alega o Recorrente que deliberou fazer pagamento de juros sobre capital próprio para seus acionistas. A Recorrente levou em consideração que o pagamento de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) teria sido feito a maior, esclarece que este recolhimento foi feito, levandose em consideração levantamento por estimativa, pois, segundo alega, o valor que deveria ter sido pago era o de R$ 809.868,87 (oitocentos e nove mil, oitocentos e sessenta e oito reais e oitenta e sete centavos), conforme se verifica dos autos, fl. 24. Verificada esta situação, a Recorrente compensou, mediante 2 (dois) pedidos de compensação diferentes Per/DComp(s) nº 27607.44512.151204.1.3.047489 e 25680.38806.111105.1.3.049527. No Perdcomp nº 27607.44512.151204.1.3.047489 foi feito o pedido de compensação original de R$ 82.990,96 (oitenta e dois mil, novecentos e noventa reais e noventa e seis centavos) No Perdcomp nº 25680.38806.111105.1.3.049527 foi feito o pedido de compensação original de R$ 7.140,17 (sete mil, cento e quarenta reais e dezessete centavos). Intimado a informar a origem do crédito (fl. 14), apresentou resposta nos seguintes termos (fl. 20): Na fundamentação do despacho decisório constante às fls. 65 a 68, extraímos o seguinte trecho: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.001191/200921 Acórdão n.º 2201004.816 S2C2T1 Fl. 297 5 Ou seja, o contribuinte tentou compensar valores por meio dos 2 (dois) pedidos de compensação diferentes Per/DComp(s) nº 27607.44512.151204.1.3.047489 e 25680.38806.111105.1.3.049527, sob um suposto crédito, que não existia. Em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente, além de não contestar a alegação de que o crédito não decorreria mais da diferença entre os R$ 900.000,00 (novecentos mil reais) e os R$ 809.868,87 (oitocentos e nove mil, oitocentos e sessenta e oito reais e oitenta e sete centavos), que deveriam ter sido considerados e passou a alegar que o direito creditório agora teria origem da seguinte conta: Destino Devido Efetivamente – IRRF (R$) DARF recolhido (R$) Exterior 931.236,07 900.000,00 Brasil 1.978.632,01 2.100.000,00 Total 2.909.868,08 3.000.000,00 E que o crédito a que teria direito não seria mais o de R$ 90.131,13 (noventa mil, cento e trinta e um reais e treze centavos) e sim de R$ 90.131,92 (noventa mil, cento e trinta e um reais e noventa e dois centavos), decorrente da seguinte compensação de ofício realizada por sua conta e risco, conforme planilha acima. Entretanto, sustentou que o valor a que tinha direito é o de R$ 90.131,13 (noventa mil, cento e trinta e um reais e treze centavos). Merece destaque as explicações constantes do voto que fundamentação a decisão recorrida. Fl. 299DF CARF MF 6 Diante deste cenário, está correta a decisão sob o argumento de que o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP não poderia ser admitido, eis que a retificação da origem do crédito teria a mesma natureza de uma declaração de compensação de débitos não homologados, o que seria vedado pelo artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. Nos termos do disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, acima transcrito, verificase a Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.001191/200921 Acórdão n.º 2201004.816 S2C2T1 Fl. 298 7 impossibilidade de se compensar os valores que já foram objeto de compensação não homologada. Conclusão Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 301DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.955029/2010-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2002
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.
Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.
REMISSÃO DE DÉBITOS
Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2002 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
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INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 50 29 /2 01 0- 04 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.955029/201004 Acórdão n.º 3302005.950 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma vez que o pagamento indicado foi encontrado, encontrandose, todavia, totalmente alocado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Sinteticamente, sustenta a inconstitucionalidade da COFINS recolhida em razão de no período estar em vigor a Súmula STJ n. 276 e entender que a exigência da contribuição sobre sociedades uniprofissionais seria indevida até 17 de setembro de 2008, quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando do julgamento da ADI 4071. Sobreveio então o julgamento da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16038.298. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio do qual suscitou os argumentos já submetidos à DRJ, enfatizando a inconstitucionalidade da exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.955029/201004 Acórdão n.º 3302005.950 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.932, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.903059/201116, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.932): "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito. Não tendo sido arguidas preliminares, é de se passar à análise do mérito. O cerne da controvérsia é deveras interessante, não é de competência deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada para a devida contextualização da matéria em discussão: Tratase da à possibilidade ou não de uma lei formalmente complementar, contudo materialmente ordinária, ser revogada por uma lei ordinária. Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades uniprofissionais, isentadas da COFINS pela Lei Complementar n. 70/91, mas que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96. Na tentativa de pacificar a matéria, no dia 14.05.2003 o STJ editou a Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado". Contudo, no julgamento do RE 377.457/PR e RE 381.964/MG o STF admitiu a constitucionalidade da revogação da Lei Complementar (materialmente ordinária) pela Lei Ordinária e a Súmula STJ 276, o que na prática chancelou a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96. Em que pese o fato da enorme insegurança jurídica promovida pela alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor. Em relação à exigência da COFINS sobre as sociedades uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços profissionais em período anterior à publicação da Lei 9.430/96, sendo irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda, conforme prevê a Súmula 276 do STJ, como se aduz do Acórdão n. 9303 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.955029/201004 Acórdão n.º 3302005.950 S3C3T2 Fl. 5 4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/0063, de relatoria da Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012. Contudo, os valores tratados nos presentes autos dizem respeito a período posterior, no qual encontrase em vigor legislação que determina a tributação das sociedades uniprofissionais pela COFINS, cuja constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso. Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da revogação pelo STF, por ter natureza declaratória, possui efeitos ex tunc, ou seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante. Estando a atividade da Recorrente na região de incidência de norma fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao crédito tributário pretendido pela Recorrente. Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada. Pelos motivos já expostos é de se negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.903292/2015-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 32 92 /2 01 5- 93 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente ao IRPJ, incorrido no anocalendário de 2014, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.006798/98-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.865
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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Numero do processo: 16682.720407/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009, 2010
DESCONSIDERAÇÃO DA BIPARTIÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROVAS
Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária.
Numero da decisão: 3301-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, que negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). Apresentou declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente).
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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AUSÊNCIA DE PROVAS Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, que negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). Apresentou declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 07 /2 01 4- 79 Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.648 2 Relatório Adoto trechos do relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo auto de infração de: IRRF, R$ 38.564.186,13; MULTA DE OFÍCIO R$ 28.923.139,61; e JUROS DE MORA R$ 14.278.034,64; perfazendo um total de R$ 81.765.360,38. Nos seguintes termos: '0001 RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE ROYALTIES E PAGAMENTOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE RESIDENTES OU DOMICIUADOS NO EXTERIOR A fiscalizada BP ENERGY (antiga DEVON ENERGY) celebrou dOis contratos com o Grupo TRANSOCEAN a fim de promover a perfuração de poços de petróleo no litoral brasileiro. UM contrato de afretamento a casco nu do navio sonde DEEPWATER DISCOVERY com a empresa estrangeira TRANSOCEAN UK e um outro contrato de serviços com a TRANSOCEAN BRASIL. O serviço de perfuração global de poços foi bipartido em dois contratos. O contrato de ~mento foi pago através de remessas efetuadas pela fiscalizada ao exterior sem a retenção de IRRF; CIDE; PIS Importação e COFINSImportaçao. No decorrer dos trabalhos de fiscalização e auditoria, através da análise dos contratos firmados e, tombem, da analise dos documentos coletados ao longo doe trabalhos, constatamos que na verdade não acorreu um simples afretamento autônomo do navio a .CesQ0 nu. Em verdade, os serviços de perfuração de poços de petróleo prestados pelas duas empresas do grupo TRANSOCEAN, conforme explicado exaustivamente no Termo de Verificação Fiscal, não envolvem um afretamento autônomo mas, sim, a prestação de serviços unos e Indivisíveis corno um lodo. As remessas efetuadas a título de afretamentos foram consideradas como serviços prestados por empresa estrangeira e, tais serviços sofrem incidência dos tributos acima citados, Desta forma, através do presente, constituímos os lançamentos abaixo. O Termo do Verificação Fiscal acima citado é parte integrante do presente auto de infração. (. . .) V DA AUDITORIA No decorrer do procedimento de fiscalização efetuado junto ao contribuinte, constataramse os fatos descritos neste Termo que configuram descumprimento à legislação que rege a Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE incidentes sobre remessas efetuadas a empresas estrangeiras, haja vista a impossibilidade da aplicação da alíquota zero do IRRF em relação às remessas efetuadas pela fiscalizada a título de "afretamento de embarcação". Taís remessas foram classificadas como decorrentes de "afretamento de embarcação", em relação às quais não houve recolhimento do IRRF em virtude da Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.649 3 aplicação indevida, pela fiscalizada, da alíquota zero prevista no art. 20 da IN SR5 252/2002 (art. 1° da Lei 8.481/97). Tratase do Contrato de Afretamento do Navio Sonda DEEPWATER DISCOVERY, firmado aos 02 de fevereiro de 2006, com a empresa TRANSOCEAN UK LIMITED (TUK), situada na Escócia. Reino Unido. Ainda, conforme verificado, a esse contrato estava vinculado o contrato de prestação de serviços de perfuração, sondagem, exploração de poços de petróleo e serviços correlatos, firmados nas mesmas datas com a TRANSOCEAN BRASIL LTDA, CNPJ 40.278.681/000179, situada na cidade de Macaé, Rio de Janeiro, Brasil. Ambos os contratos foram firmados aos 02 de fevereiro de 2006. Posteriormente, estes contratos sofreram alterações através de Termos de Aditamento que ocorreram nas mesmas datas. O primeiro aditamento dos dois contratos ocorreu aos 30/01/2008 e o segundo aditamento ocorreu aos 10/09/2008. Os contratos apresentados foram devidamente juntados aos autos do respectivo Processo Administrativo Fiscal. Nos citados instrumentos contratuais constam acordadas contratações em que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização da unidade de perfuração (navio sonda) denominada DEEPWATER DISCOVERY. Os trabalhos foram fornecidos em um todo pelo grupo econômico TRANSOCEAN. O afretamento do navio sonda ficou a cargo da TRANSOCEAN UK e os ditos serviços de perfuração ficaram a cargo da TRANSOCEAN BRASIL. A consequência tributária direta é que, a maior parte do preço pago pela fiscalizada em decorrência de tais contratos (aproximadamente 90% do total das contratações) foi atribuída ao chamado "afretamento da unidade", sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da COE. Por outro lado, a menor parte foi atribuída à prestação de serviços, paga no Brasil, e sujeita à tributação na fonte pela TRANSOCEAN BRASIL (10% das contratações). Estes percentuais foram verificados através da análise das cláusulas constantes dos contratos e de seus aditamentos. Posteriormente, com os aditamentos dos contratos, o total dos valores contratados foi alterado para a relação de 78% a ser pago a título de afretamento e 22% a ser pago a titulo de serviços de perfuração.Isso será bem detalhado mais à frente. Da análise mais detida das cláusulas contratuais e dos documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, o que se verifica é que, em verdade, tratamse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado, como contratante a fiscalizada e, de outro, como contratadas, duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do KnowHow da prestação de serviços de pesquisa e exploração de petróleo e gás. Estas empresas do mesmo grupo atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. A empresa prestadora de serviços TRANSOCEAN BRASIL LTDA, CNPJ 40.278.681/000179, conforme consta de seu contrato social, bem como de sua DIPJ relativa ao anocalendáho de 2009, pertencia à época, e ainda pertence, às empresas SEDCO FOREX INTERNATIONAL 1NC (99,99% de participação) e TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES (0,01% de participação), ambas do grupo TRANSOCEAN, sendo a primeira resultado da fusão ocorrida em 1999 entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC e SEDCO FOREX, quando então passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX INC. Conforme informações de domínio Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.650 4 publico, obtidas no seu site na intemet, ao mesmo grupo TRANSOCEAN também pertence a TRANSOCEAN UK LIMITEI); com a qual foi firmado o contrato de afretamento. Relatórios Anuais e informações de domínio público coletados nos sites dos referidos grupos econômico na internet (www.deepwater.com), é possível constatar os respectivos organogramas, estruturas legais, atividades e endereços. Tais informações foram anexadas ao respectivo Processo Administrativo Fiscal. No contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a repartição formal em dois contratos, a realidade dos fatos demonstra que inexiste um afretamento autônomo, desvinculado do fornecimento dos serviços de perfuração e sondagem. Tratamse na verdade de operações em que, afretamento e serviços, são indissociáveis para que os servidos contratados de forma global sejam alcançados. A legislação referente ao assunto indica: IV DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF NO AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES O art 691 do Regulamento do Imposto de Renda R1R/99, Decreto 3.000, de 26 de março de 2000, apontado pela fiscalizada como aquele que teria lhe garantido a aplicação da alíquota zero, e o consequente não recolhimento do IRRF sobre os valores das remessas efetuadas, por sua vez, deve sua redação ao art. 1° da Lei 9.481/97: "Art 10 A etiqueta cio imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10,12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos do embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitas por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes., bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) A seu turno, o art. 80 da Lei 9.779/99, conversão de Medida Provisória 1.788/98, impôs a seguinte ressalva a aplicação do disposto no art. 10 da Lei 9,481/97: Art. 8° Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 11 da lei no 9.481, de 1997. os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiado seja residente ou domiciliado em pais que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por conto, a que se refere o art. 24 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento.* Em sua impugnação, a interessada alega: (...) Assim é que no desenvolvimento de suas atividades no Pais, a impugnante firmou com a empresa Transocean UK Ltd, ("TUK") contrato de afretamento de embarcação (doe. também já juntado aos autos pelo autuante) e, em paralelo, firmou com a Transocean Brasil Ltda. ("TBL"), contrato de prestação de serviços de perfuração de petróleo e gás (doc. já juntado aos autos pelo autuante). Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.651 5 Conformo estipulado no Contrato de Prestação de Servisos celebrado entre a impugnante e a TBI., esta foi designada pelo impugnante {doc. 03.) para promover a importação da embarcação afretada da TUK. bem como das partes, peças, ferramentas e equipamentos destinadas à sua manutenção. reparo e operação no Pais. A possibilidade de importação não apenas da embarcação afretada de empresa estrangeira pela impugnante, bem como das partes, peças e equipamentos necessários ao perfeito funcionamento e à manutenção das referidas unidades decorre, insistase, de expressa previsão da legislação do REPETRO (Decreto n° 4.543/2002, c/e IN RFB n° 844/08, em vigor à época da assinatura do Contrato de Prestação de Serviços, e ora substituída pela IN RFB 1.415/13), que autoriza a empresa prestadora dos serviços designada in casu, a TBL , a habilitarse ao REPETRO para que, amparada por Atos Declaratórios Executivos ADEs, possa "promover a importação dos bens a serem utilizados" quando a afretadora não for sediada na País": Dessa maneira, nos termos da regulamentação do REPETRO, a TB1, foi designada pela impugnante, para promover a importação da embarcação, suas partes e peças. Diante das avenças acima referidas referidas, o autuante entendeu que esta estrutura teria como único e exclusivo propósito "mascarar uma única contratação" (fls. 3 do TVF). Já à guisa de encerramento de sua acusação, o autuante salienta que: "Fica claro que ambas as empresas aluam de forma Conjunto a fitn de prestar um único e harmônica serviço entre elas e, ao promover a partição dos contratos, cria uma manobro que visa à redução dos tributos devidos," (fls. 19 do TVF)," Com base na premissa de que a Impugnante teria agido com abuso de forma ou de direito, ao artificialmente segregar o afretamento dos serviços de perfuração de poços de petróleo e gás, é que está sendo exigido da Impugnante alegado crédito tributário do Imposto de Renda Retido na Fonte ("1RRP"), Contribuição Intervenção no Domínio Econômico ("CIDE") e as contribuições ao PIS e à COF1NS referente aos anoscalendário de 2009 e 2010. Mas não é só! De acordo com os trechos do TVF acima, o autuante sugere que a forma com que a Impugnante divide a remuneração entre o afretamento celebrado com a, empresa estrangeira (90% do total das contratações) e a prestação de serviços de perfuração pela empresa domiciliada no País (10% do total das contratações), teria como único objetivo a remessa de parcela substancial dos valores para o exterior "sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da CIDE". Em relação a esta outra grave acusação de alegado desequilíbrio contratual por ter a Impugnante alegadamente criado artificialmente os percentuais de 90% 10%, a Impugnante destaca, desde já, que de acordo com o aditivo contratual acostado aos autos do processo administrativo instaurado pelo autuante, os percentuais de remuneração praticados durante todo o período fiscalizado foram de 78% para o afretamento e 22% para a remuneração dos serviços de perfuração, não Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.652 6 demonstrando assim. nenhuma suposta disparidade capaz de indiciar qualquer intenção da Impugnante em prejudicar o erário. Ademais, é valido mencionar o quão equivocado e superficial foi o lançamento fiscal realizado pelo autuante, pois, se pauta em percentuais (90 10%)._que nem sequer vigiam à época dos fatos autuados, tal como, contraditoriamente. ele próprio reconhece. No entanto, em que pese os infundados percentuais equivocadamente destacados pelo autuante nas contratações realizadas com a TUK e a TBL, é válido, desde logo destacar, que ainda que vigorassem os hipotéticos percentuais fixados na acusação fiscal o que comprovadamente não é o caso o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de se pronunciar exatamente acerca desta divisão, concluindo, com máximo acerto e segurança por sua plena validade: Ademais, antecipese que a correlação de 78% e 22% entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração se dá, por óbvio, em decorrência da disparidade entre o valor agregado existente em cada tipo de contrato. Expliquese. Para a realização das atividades de perfuração em águas marítimas profundas, a Impugnante contrata através de afretamento, a disponibilizarão de um bem equipado com tecnologia de ponta para desempenhar tais atividades sobre lâmina d'água que muitas vezes ultrapassa os 2.000 metros de profundidade. Em virtude da alta concentração de tecnologia nestas embarcações de perfuração, não raro o custo nominal desses equipamentos ultrapassa a cifra de USD 1.000.000.000,00 (um bilhão de dólares norteamericanos), equivalentes a aproximadamente 2,2 bilhões de Reais! No caso do afretamento da embarcação Deepwater Discovery, o valor aduaneiro registrado quando do momento de sua importação temporária foi de USD 600.000.000,00, aproximadamente R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de Reais), conforme Declaração de Importação anexa (doc. 04). Com efeito. tendo o proprietário da embarcação no exterior investido tamanha monta na construção deste tipo de embarcação, decerto que os valores de remuneração pelo afretamento da embarcação devem ser eQuivalentes, de modo a compensar, ao longo da vida útil da embarcação, o vultuoso investimento inicial realizado, bem como todo o risco e o desgaste a 1311C são expostas essas embarcações nas atividades de perfuração que invariavelmente são desempenhadas em condições climáticas que aceleram sua depreciação. Por outro lado, para a prestação dos serviços de perfuração a bordo da embarcação, temse como fator determinante para a fixação do percentual do preço a ser praticado, a comparação entre a mais valia do trabalho ali desempenhado e o valor do bem (embarcação) afretado. É válido ainda destacar que nessas prestações de serviços, parcela expressiva dos insumos utilizados na atividade de perfuração pela TBL (v.g. lama de perfuração, combustíveis, partes e peças, alimentação, etc) são fornecidos e custeados pelas próprias Concessionárias, restando como valor agregado a este tipo de contrato (serviço de perfuração), em essência, o fornecimento da mãodeobra técnica adequada para o desenvolvimento da atividade. Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.653 7 Por óbvio, comparandose a mais valia presente nos Contratos de Serviço de perfuração com o valor da embarcação afretada, decerto mie em termos percentuais, a remuneração entre os contratos não poderá jamais ser equânime, tal com supere o autuante. Para melhor ilustrar a correlação entre o valor agregado em cada uma das avenças firmadas pela Impugnante com a remuneração estipulada nos respectivos contratos, a lmpugnante utiliza como exemplo a contratação de um automóvel com motorista. Decerto, em se tratando de veículo de luxo, com valor acima dos USD 1.000.000,00 (um milhão de dólares norteamericanos), o valor da locação do veículo que objetiva remunerar o seu proprietário pelos riscos e o desgastes pela disponibilização do bem no mercado certamente será muito maior do que a remuneração do motorista contratado para conduzilo, representando, assim, a remuneração pela disponibilização do automóvel um percentual muito maior do que o custo pela remuneração do motorista. Por outro lado, caso o veiculo alugado fosse um veiculo popular, com valer perto dos RS 30.000,00, a diferença percentual entre o valor da remuneração do condutor e do aluguel do veículo não seria tão evidente. No entanto, ressaltose que no caso em tela tratase de bem afretado cujo valor aduaneiro monta a aproximadamente RS 1.00,000.00,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de Reais), e que em outros casos pode ultrapassar R$ 2.000,000.000,00 (dois bilhões de ReaiS). Dessa maneira, tento em vista o vultuoso valor do bem dado em armamento,. a correlação de 78% e 22% existente entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração encontrase em patamares mais do que razoáveis e adequados, era que pese o entendimento diverso do autuante (. . .) Contudo, tal como se demonstrará nesta defesa, sem razão o autuante, pois, os negócios Jurídicos praticados pela Impugnante são plenamente válidos e regulares, não lhes sendo possível qualquer imputação de serem simulados ou dissimulados, tal como já reconhecido pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em situação bastante semelhante à presente. (. . .) Preliminarmente: Os Erros de Premissa e a Superficialidade do Levantamento Fiscal Conforme se demonstrará, a acusação fiscal empreendida pelo autuante encontrase eivada do insanável vício de nulidade (. . .) Feita essa indispensável ressalva, assumindo por hipótese que desde logo V.Sas. já não decretarão a manifesta improcedência da autuação em apreço, já que lavrada com base em mera retórica de que teria havido abuso de forma, de direito ou simulação por parte da Impugnante, esta passa a demonstrar Inexistir simulação na espécie. Realmente, a presunção de dissimulação levada a cabo pelo autuante não só não possui qualquer nexo com a realidade fática, como, ainda, desrespeita os direitos à ampla defesa e ao devido processo legal. Como é sabido, o lançamento fiscal tem como um de seus princípios essenciais o da verdade material, segundo o qual é dever da Administração Pública investigar, com base na realidade dos fatos, a existência dos elementos constitutivos Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.654 8 da obrigação tributária. O citado princípio, lembrese, é corolário da própria necessidade de garantia da estrita legalidade da tributação. Dito de outro modo, considerando que o tributo somente é devido se o fato da vida real identificarse perfeitamente com alguma das hipóteses previstas em lei, legítimo concluirse que somente será legal a cobrança desse tributo se aquele fato da vida real houver efetivamente ocorrido. Para tanto, recai sobre a Administração o severo e inafastável ônus de buscar e comprovar através de provas inequívocas colhidas no processo físcalizatório, os fatos da vida real constitutivos da obrigação tributária (p.e. fato gerador, base de cálculo, contribuintes), sob pena de não conseguindo comprovar qualquer um desses elementos, afastar, de pronto, os efeitos tributários atinente ao fato investigado, tal como ocorre na espécie. (. . .) Portanto, se a legalidade da tributação depende da verificação da verdade material acerca dos elementos da obrigação tributária, imperativo concluir que cabe à Administração Pública buscar essa verdade à exaustão. E mais, cabe à ela comprovar inequivocamente a constatação desta verdade de forma a pennitir a constituição do crédito tributário com base em fatos. Nunca poderá do que se olvida o autuante a autoridade fiscal lavrar autos de infração com base em meras alegações, conforme bem reconhece a jurisprudência dos Tribunais Judiciais pátrios, conforme ilustra a ementa abaixo: "PROCESSO FISCAL NÃO PODE SER INSTAURADO COM BASE EM MERA ARGUMENTAÇÃO. Segurança concedida". (AMS 65.941AM, TFR, Rel. Min. JARBAS NOBRE, Resenha Tributária, seção 1.2., 1973, pág. 48 grifamos e destacamos) Nesse particular, digase que o autuante não trouxe qualquer prova que demonstrasse ter a Impugnante realizado contratações simuladas ou dissimuladas. Ao contrário, toda a sua acusação é feita com base em repetitiva retórica, o que decerto não se coaduna com os comandos que lhe regem e subordinam a prática, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional." (. . .) No presente caso, o ato administrativo consubstanciado no auto de infração ora Impugnado, carece de validade por ausência do motivo de fato e de motivo legal. Como se verifica do relato do autuante, a autuação foi lavrada sob a alegação de ter a Impugnante supostamente engendrado uma triangulação artificiosa Mil o propósito exclusivo de reduzir a carga tributária nas avenças que celebrou: "O Importante disso tudo é que a fiscalizada tem plena ciência da vinculação entre as suas contratadas e de sua atuação em conjunto para desempenhar os contratos, eis que a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário." (TVF, pag. 18 grifos do original) Contudo, tal como se demonstrará nesta defesa, a avença firmada pela Impugnante com a TUK. o Afretamento de Embarcação é, em realidade, negócio jurídico Contrato distinto daquele firmado entre a impugnante e a TEL, que tem Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.655 9 como escopo a prestação de serviços de sondagens, perfurações, avaliações, completação e workover. (. . .) Em que pese existirem duas relações jurídicas distintas, com obrigações autônomas e inconfundíveis, o autuante desconsiderou a estanqueidade jurídica dos referidos Contratos, entendendo que o afretamento seria mera atividademeio para se atingir a atividadefim que seria a prestação de serviços de perfuração., "Examinada a estrutura dos contratos, verificase que a bipartição destes em afretamento e serviços é meramente formal. A verdade material que se impõe, no desempenho dos contratos, é:de que não há afretamento puro e simples o fornecimento das unidades é parte integrante e indissociável dos serviços contratados," (TVF pag. 21) Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, percebese que o autuante tentou se utilizar de autorização concedida em hipóteses restritíssimas e excepcionalíssimas , digase pela legislado de regência para desconsiderar os atos e negócios jurídicos legal e validamente praticados pela impugnante, embasando uma suposta falta de recolhimento de tributos. Segundo o autuante, embora cobertos per contratos firmados com a TBI, e a TUK, "na verdade, existe como objetivo único a prestação de .serviços de perfuração que ocorrem, na prática, sob o comando e controle do 'armador',"(fis. 13 do TVF) como visto, o autuante se ampara na presunção do que, embora previstos em atos jurídicos próprios, celebrados entre a impugnante e á fretadora da embarcação no exterior e entre a impugnante e a prestadora de serviço localizada no Brasil, tais contratações seriam unas e indivisíveis: "Na ,prática, resta claro que as empresas do grupo TRANSCOCEAN prestavam serviços de/brama única e unida, trabalhavam em conjunto par atingir o objetivo do grupo econômico, qual seja, a prestação de serviços de perfuração de poços." (TVI:. pag. 26) Na dissimulação, ou simulação relativa como também conceitua a doutrina, é preciso que se verifique e que se comprove a clara intenção dolosa do agente em ocultar através de um ato ou negócio jurídico criado exclusivamente para mascarar a "ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária", o que decerto não ocorre na espécie. Utilizando o conceito da "dissimulação" ou simulação relativa ao caso concreto, verificase claramente que a existência de contrato de afretamento com a empresa estrangeira em paralelo ao contrato de serviço de perfuração com empresa brasileira, nem de longe tinha como objetivo 'mascarar" ou encobrir a realidade dos fatos, pois: • insistase, de fato a lmpugnante necessitava de uma embarcação que inexistia no Brasil, daí a necessidade da contratação da empresa estrangeira TUK proprietária da embarcação afretada pela Impugnante. Além do que, para se enquadrar nas normas de regência do REPETRO, seria mandatório que o proprietário da embarcação estivesse no exterior, ex vi do artigo 14 da Instrução Normativa n° 844/08; • não é menos fato que a Impugnante precisava de técnicos que lhe prestassem serviços de perfuração de poços de petróleo e gás no Pais, dai a contratação da TBL. Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.656 10 Como a TBL não possui em seus ativos embarcação, não podia assumir junto à Impugnante a obrigação de afretar embarcação que não tem; e • a sinergia intragrupo é qualidade de extrema relevância para a correta e perfeita consecução das atividades demandadas pela Impugnante, pois, como se sabe, cada embarcação é adaptada para as condições específicas de um determinado campo ou jazida. Portanto, se a embarcação afretada pela Impugnante era pertencente ao grupo Transocean, ninguém melhor do que a própria Transocean ainda que por outra empresa do grupo fosse eleita para a realização dos serviços de perfuração, pois, decerto, bem conhece os equipamentos e tecnologias existentes a bordo das embarcações do Grupo. Claro está, dessa forma, que a Impugnante não aparentou conferir ou transmitir e de fato não conferiu e nem transmitiu direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiu ou transmitiu. Os documentos acostados aos autos bem refletem a mais pura realidade dos fatos econômicos e dos atos jurídicos praticados, o que significa afirmar que o que neles foi escrito representou a efetiva vontade das panes e de fato ocorreu. Os documentos produzidos pela Impugnante ou pelas demais empresas relacionadas na autuação não contêm declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. Referidos documentos, mormente, os Contratos de Serviço e de Afretamento foram todos apresentados pela Impugnante e pela TBL quando da habilitação desta última ao Repetro e quando da importação da embarcação, e submetidos a exame das próprias autoridades, aduaneiras, as quais não fizeram qualquer crítica ou objeção aos termos e condições neles estabelecidos. O que neles foi declarado, repitase, é verdadeiro e ocorreu, não havendo nem mesmo alegação das autoridades fiscais a esse respeito, o que dirá prova em sentido contrário. Do acima exposto, verificase que a (dis)simulação, equivocadamente e implicitamente sugerida mas não provada pelo autuante, como motivadora da desconsideração dos Contratos firmados, não restou comprovada. Somente com a comprovação dos elementos de dolo ou fraude com o objetivo de dissimular/fraudar a ocorrência do fato gerador do tributo é que poderia o autuante desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados pela Impugnante. Não havendo, portanto, o preenchimento e a comprovação de nenhuma destas hipótese pela conduta da Impugnante, não poderia o autuante ter desconsiderado os atos e negócios jurídicos validamente praticados, para, com base em ilações, autuar a Impugnante para a ilegal exigência de tributo. Caso, de fato, houvesse qualquer intuito dissimulado nos atos e negócios jurídicos praticados pela Impugnante, com o objetivo de fraudar o fisco, deveria não por faculdade conferida ao autuante, mas por obrigação legal a ele imposta ter sido aplicada a multa agravada de 150%, o que não ocorreu justamente por não haver elementos que permitissem ao autuante sustentar eventual abuso de forma ou fraude cometidos pela Impugnante. Contudo, paradoxalmente, em que pese ter o autuante insinuado a existência de simulação/fraude nos atos c negócios jurídicos praticados pela Impugnante ao ponto de desconsiderálos, apenas aplicou a multa regulamentar de 75%. Ora Ilmo. Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.657 11 Julgadores, se não houve fraude, não houve simulação, porque o pressuposto desta é obviamente aquela. Afastada a fraude, há que afastara simulação Assim, sem razão o autuante ao pretender impor com bases argumentativas que haveria um artificioso desequilíbrio econômico entre o Contrato de Serviço e o Contrato de Afretamento. Como já se pontuou nesta defesa, a correlação de 78% e 22% entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração se dá, por óbvio, em decorrência da disparidade entre o valor agregado existente em cada tipo de contrato. Por todas as razões acima, está certa a Impugnante que o auto de infração ora impugnado é nulo de pleno direito por patente falta de motivação e base legal para fundamentar as conclusões do autuante. Os Recursos Humanos Utilizados De acordo com o autuante, "Resta claro que os serviços de maior responsabilidade técnica e decisória, tanto de náutica quanto de perfuração, são praticados por estrangeiros que são pagos pelo grupo estrangeiro que deveria receber, apenas, valores inerentes ao afretamento do navio." (fis. 24 do TVF) Trata se de mais uma assertiva desprovida de fundamento e fruto da superficialidade do levantamento fiscal ora combatido. Com efeito, assumiu o autuante Que referidos estrangeiros seriam "pagos" pela TUK, empresa esta contratada pela Impugnante para exclusivamente fornecer a embarcação em afretamento. Ocorre que, ao contrário da pressa do autuante em chegar a ilações desconexas da realidade fática, o que se sucede é bem diferente do que tenta impor: "Os documentos apresentados pela prestadora de serviços nacional não deixam dúvidas de que as atividades de prospecção são desempenhadas de forma esmagadora por profissionais vinculados à empresa estrangeira do grupo econômico que não são por ela contratados." (TvF, pag. 26) Contudo, o fato de a TBL se utilizar de mãodeobra estrangeira em seus serviços não implica em dizer que a TUK contratada pela Impugnante apenas para o afretamento estaria recebendo receitas distintas do afretamento para o qual foi contratada. Olvidouse o autuante de verificar e de compreender que a TBL, para atender às obrigações assumidas junto à ímpupante, firmou contrato de fornecimento de serviços técnicos com outras empresas estrangeiras no caso. a Global Santa Fé Offshore e a Transocean International Resources Ltd , tal como ilustra o anexo Contrato (doc. 05). Note que é prática universal da indústria de petróleo e gás que os conglomerados econômicos tenham um centro de excelência localizado em uma ou em algumas jurisdições para que referidos experts sejam engajados na medida da necessidade nas múltiplas demandas do conglomerado ao redor do globo terrestre. E outra não é a situação do Grupo Transocean. Por ter atuação no segmento da indústria de óleo e gás em variados países e diante da especificidade técnicas dos serviços de perfuração de petróleo e gás, o Grupo Transocean concentra muitos dos seus técnicosrotadores ("routables") em perfuração, em uma ou outra empresa do Fl. 3657DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.658 12 Grupo, e estas empresas a exemplo da Global SantaFé Offshore e a Transocean International Resource8 Ltd é que cedem (via contrato de prestação de serviços) seu corpo técnico para ser engajado pelas diversas empresas do Grupo que atuam pelo mundo, incluindo a TBL no Brasil. Portanto, embora referidos estrangeiros não sejam funcionários da TBL como de fato não o são quem os contrata é a própria TBL para que dediquem seu expertise na consecução do contrato de perfuração firmado entre a TBL e a Impugnante, ou seja, se houve importação de serviços, essa se deu pela TBL e não pela Impugnante. Novamente válido esclarecer que até mesmo para fins de obtenção de visto de trabalho desses técnicos estrangeiros no País, uma das condições para sua obtenção é que tenham sido contratados seja através de contrato de emprego ou por contrato de prestação de serviços por empresa brasileira. In casu, foi justamente o que ocorreu. A Impugnante que se dedica à exploração e produção de petróleo e gás precisava de técnicos em perfuração, contratou a TBL que, por sua vez, utilizandose da sinergia com outras empresas do Grupo a que pertence, trouxe para a prestação de serviços de perfuração à Impugnante técnicos estrangeiros amparados em contrato de serviço firmado entre a TBL e as empregadoras estrangeiras desses técnicos. Sendo certo, digase novamente, que referidas empregadoras estrangeiras não se confundem com a empresa estrangeira responsável pelo afretamento da embarcação. Ou seja, o fato de a TBL ter se utilizado dos referidos estrangeiros em sua prestação de serviço de perfuração de poços de petróleo e gás à Impugnante ratifica que referida empresa apenas e tãosomente estava envolvida com a prestação de serviços à Impugnante. Essa relevante estrutura contratual passou desapercebida pelo autuante, o que somente reitera a superficialidade da acusação fiscal que originou a autuação ora impugnada. É o que se pede seja desde logo reconhecido por V.Sas." A DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0131.499, de 26/02/15, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: CONTRATO DE AFRETAMENTO DE NAVIOSONDA. NATUREZA DA OPERAÇÃO. Constatado que os pagamentos à empresa domiciliada no exterior, decorrentes de contrato de afretamento de naviosonda, cuidava na verdade de operação de afretamento da embarcação cumulada com prestação de serviços, e não sendo possível estratificar os valores correspondentes a essas atividades, mister a classificação dos Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.659 13 pagamentos dessa operação como decorrentes de prestação de serviços técnicos. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. IRRF. REAJUSTE. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que destaca: que, após a protocolização da impugnação, foi editada "a Lei n° 13.043/14 que, em seu artigo 106, veio a afastar/esclarecer qualquer dúvida que pudesse haver sobre a legalidade de repartição entre as receitas de afretamento de embarcação estrangeira e as receitas dos serviços de exploração/prospecção de óleo e gás"; e a decisão da DRJ, no processo administrativo n° 16682.720406/201424, que cancelou o Auto de Infração do IRRF, por ausência de prova de simulação dos contratos; E assim resume suas alegações (fls. 3.372 e 3.373): "O Breve resumo do Concluído até Aqui Fl. 3659DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.660 14 Diante de todo o acima exposto, espera e confia a Recorrente que V.Sas. julgarão totalmente procedente o presente recurso reconhecendo a integral improcedência da autuação, pelo fato: • de haver graves e insuperáveis nulidades na autuação, pois, como se demonstrou, além de o ordenamento jurídico pátrio não permitir a lavratura de autos de infração com base na retórica de ter havido abuso de direito, o autuante pretendeu ainda desconsiderar atos jurídicos validamente celebrados pela Recorrente, sem, contudo, comprovar a existência de simulação ou dissimulação pela Recorrente, se utilizando de premissas equivocadas e que não se sustentam; • de haver manifesta mudança da acusação originalmente imposta pelo autuante pela decisão recorrida, pois enquanto o autuante diz que os contratos de serviço e afretamento seriam uma realidade indivisível, a decisão ora recorrida reconhece a validade da estrutura bipartida, contudo, inova na acusação, ao sustentar, sem qualquer fundamentação, que no contrato de afretamento a caso nu firmado pela ora Recorrente haveria parcela de serviço que não poderia ser cindida do afretamento em si; o que decerto não prospera, pois, insistase, estáse diante de contrato de afretamento a casco nu (mera obrigação de dar). • de ser plenamente possível aos contribuintes planejarem suas atividades negociais desde que observadas as balizas legais; • de inexistir sobreposição e nem muito menos confusão nas avenças firmadas pela Recorrente para a prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo e gás e para o afretamento de embarcação; • de que, ainda que haja interligação entre os contratos de afretamento e de serviço, nada de errado há nisso, tal como bem conceitua a doutrina civilista sobre os contratos coligados; • de que o contrato de afretamento firmado pela Recorrente atende a todos os requisitos previstos na legislação de regência; • de não haver a possibilidade de se enquadrar o contrato de afretamento a casco nu corno se serviço fosse, pois, já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça e o próprio E. Supremo Tribunal Federal que a atividade que predomina no afretamento não é um fazer, mas sim um dar (o bem em afretamento); e • de, ainda que se entendesse que o afretamento seria parte integrante do contrato de serviço, não se pode tributar as atividadesmeio. Em petição protocolizada após a apresentação do recurso voluntário, a recorrente noticiou a decisão favorável proferida pelo CARF (Acórdão n° 3201003.150, de 23/10/17) que, por unanimidade de votos, cancelou o lançamento de PIS e a COFINS Importação. A PGFN apresentou contrarazões, em que defende os argumentos utilizados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração. É o relatório. Voto Fl. 3660DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.661 15 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Nos anos de 2009 e 2010, a recorrente figurava como contratante de afretamento do naviosonda Deepwater Discovery e de serviços de perfuração de poços de petróleo. As contratadas, respectivamente, Transocean UK (Reino Unido) e Transocean do Brasil Ltda. (Brasil), pertenciam ao mesmo grupo econômico. As remessas para o exterior para pagamento do afretamento eram realizadas com o benefício da redução a zero da alíquota do IRRF (inciso I do art. 1° da Lei n° 9.481/97) e não se encontravam no campo de incidência da CIDE, PIS Importação e COFINS Importação, pois, em princípio, não se tratava de importação de serviço. Contudo, após auditoria dos contratos e documentação e registros contábeis correspondentes, a fiscalização concluiu que, na verdade, não havia duas contratações, porém uma única, de prestação de serviços de perfuração. Por conseguinte, lançou de ofício IRRF, CIDE, PIS Importação e COFINS Importação sobre as remessas a título de afretamento, distribuídas entre o presente (CIDE) e outros dois processos administrativos, a saber: a) IRRF processo administrativo n° 16682.720406/201424: a DRJ em Belém (PA), por maioria de votos, julgou a impugnação procedente. Aguardase o encaminhamento para o CARF, para julgamento do recurso de ofício. b) PIS e COFINS processo administrativo n° 16682.720408/201413: a DRJ em Belém (PA) julgou procedente a impugnação e o CARF negou provimento ao recurso de ofício (Acórdão 3201003.15, de 26/09/17). Irresignada, a PGFN interpôs embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados, por unanimidade, nos termos do Acórdão n° 3201003.507, de 20/03/18. Passo ao exame do recurso voluntário. PRELIMINARES "A PRIMEIRA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA A INOVAÇÃO DA DECISÃO NA ACUSAÇÃO ORIGINARIAMENTE IMPOSTA PELO AUTUANTE" Reproduzo trecho do recurso voluntário: (. . .)" Como visto acima, para a lavratura do auto de infração ora combatido, o autuante entendeu que a estrutura bipartida utilizada pela Recorrente teria como único e exclusivo propósito 'mascarar uma única contratação' (fls. 3 do Termo de Verificação Fiscal "TVF"). Para tanto, insinua que: 'No contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a repartição formal em dois contratos, a realidade dos fatos demonstra que inexiste um Fl. 3661DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.662 16 afretamento autônomo desvinculado do fornecimento dos serviços de perfuração e sondagem. Tratamse na verdade de operações em que, afretamento e serviços, são indissociáveis para que os serviços contratados de forma global sejam alcançados.' (fls. 9 do TVF) E conclui salientando em sua grave e não provada acusação que: 'Fica claro que ambas as empresas atuam de forma conjunta a fim de prestar um único e harmônico serviço entre elas e, ao promover a partição dos contratos, criar uma manobra que visa à redução dos tributos devidos.' (fls. 19 do TVF) Da leitura dos extratos acima, percebese que o autuante baseia toda a sua argumentação em um único fundamento: que a bipartição dos contratos de afretamento e de serviços teria sido propositalmente engendrada pela Recorrente para encobrir uma única atividade, qual seja, a prestação de serviços pela empresa estrangeira através do uso da embarcação afretada. Neste sentido, enquanto o autuante considerou que haveria confusão entre as obrigações objeto do contrato de serviços de perfuração com o contrato de afretamento para legitimar a presunção de existência de uma única avença (serviços com afretamento) e, por conseguinte, a ilegalidade da repartição das receitas, a decisão recorrida reconhece a plena validade da bipartição dos contratos e neste aspecto andou bem a Turma julgadora. No entanto, na tentativa de fundamentar a manutenção da autuação, a decisão recorrida destaca que 'não sendo possível distinguir nos autos a receita da empregada exclusivamente no afretamento da embarcação, entendese não ser possível afastar a exação da CIDE propalada pelo art. 2° da Lei n° 10.168/00, com a redação dada pela Lei n" 10.332/01'. (fis. 3.259/3.260 grifamos) E continua alegando que: 'Ideal seria se se pudesse distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço), e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo a isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE, onde fosse o caso. Porém, não vislumbra tal possibilidade. Repisese, não há nos autos elementos que permitam dar os perfeitos contornos a receita de fato correspondente a cada atividade.' (fls. 3.259/3.260 grifamos)' Em outras palavras a decisão recorrida afastou o principal argumento da acusação fiscal de invalidade e artificialidade da estrutura bipartida de contratação, para inovar a acusação, entendendo que não haveria no contrato de afretamento a previsão entre o que seria parcela de serviço e o que seria do afretamento nas remessas efetuadas; olvidandose, contudo, de atentar para o relevante fato que in casu, o afretamento contratado era a casco nu, modalidade esta que não compreende qualquer parcela de serviço atrelada ao afretamento! Srs., esse sofisma acaba por inovar a acusação original, alterando o critério jurídico adotado pelo autuante para a lavratura da autuação, o que como se verá, é vedado pela legislação. (. . .)" Não vejo alteração do critério jurídico. Fl. 3662DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.663 17 A fiscalização depreendeu da leitura dos contratos e documentação correlata que teria sido promovida uma bipartição de um único serviço em dois contratos, com o propósito de atribuir ao de afretamento um valor maior do que o devido, com vistas a aproveitar da redução a zero do IRRF sobre as respectivas remessas, bem como pelo fato de estarem fora do campo de incidência da CIDE e do PIS/COFINS Importação. E a decisão recorrida, não obstante reconhecer a possibilidade de coexistirem contratos de afretamento e de prestação de serviços de perfuração, notadamente após a publicação da Lei n° 13.043/14, manifestou, expressamente, sua concordância com a fiscalização. Dos autos, concluiu que houvera uma "confusão" entre as atividades, de tal forma que não se poderia mais falar em contratos separados e, por conseguinte, em pagamentos com naturezas jurídicas e tratamentos fiscais distintos, como segue (fl. 3.260 e 3.261): "(. . .) Do exposto, muito embora as alterações promovidas pela Lei nº 13.043/2014 não tenham aplicação aos fatos geradores do lançamento, elas demonstram a factibilidade da bipartição do contrato. A questão que se revela óbice para a pretensão da recorrente é a falta de configuração exclusiva da receita de afretamento. No caso concreto, como demonstrado exaustivamente pela autoridade lançadora no relatório de fiscalização, em especial às folhas 29482967, houve uma verdadeira confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração. De sorte que não possível distinguir a efetiva divisão de cada contrato no contexto da operação de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Assim, embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração. (. . .)" (g.n.) Isto posto, nego provimento aos argumentos. "A SEGUNDA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA AUSÊNCIA DE REUNIÃO DOS PROCESSOS CONEXOS E DECISÃO CONTRÁRIA AO JULGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRRF" Neste tópico, aponta duas supostas causas de nulidade da decisão recorrida: i) ausência de reunião de processos reflexos; e ii) de que foi de encontro à decisão proferida pela mesma DRJ, em sede do processo n° 16682.720406/201424 (IRRF). E fundamenta seu posicionamento no inciso IV do art. 2° e caput do art. 47 do Anexo II da Portaria MF n° 343/15 (Regimento Interno do CARF RICARF), em decisões do CARF, em que restou consignada a impossibilidade de haver decisões divergentes em processos contendo lançamentos reflexos de PIS, COFINS, CSL e IRPJ (Acórdão n° 1802 001.320 e 1402001.886) e, no mesmo sentido, em uma decisão judicial (TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 9742 MG 94.01.097429). Fl. 3663DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.664 18 Também neste caso, não lhe assiste razão. A reunião de processos vinculados, para julgamento em conjunto, atende ao princípio da economia processual. Contudo, tratase de uma faculdade e não obrigação, como se depreende da leitura do §1° do art. 9° do Decreto n° 70.235/72: "§1° Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" (g.n.) Na mesma linha, encontrase o RICARF: "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (. . .) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão." (g.n.) Ademais, de acordo com os artigos 2° e 47 do Anexo II do RICARF, processos que tratam de IRRF, PIS e COFINS devem ser julgados em conjunto e pela 1° Seção de Julgamentos, quando reflexos do IRPJ, o que não é o caso. E processos que versem sobre CIDE têm de ser julgados por esta Seção de Julgamentos: "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (. . .) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (. . .) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (. . .) VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); (. . .) Fl. 3664DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.665 19 Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46." Portanto, o fato de não terem sido reunidos, tanto na primeira quanto na segunda instâncias administrativas, não dá causa à nulidade da decisão recorrida. A segunda alegação a DRJ proferiu decisões diferentes para o presente e para o processo de IRRF também não a socorre. Não há dispositivo legal que confira efeito vinculante às decisões administrativas de primeira ou segunda instâncias. Isto posto, rejeito os argumentos. "A TERCEIRA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO E CONSTATAÇÃO DA SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS DE AFRETAMENTO E DE SERVIÇOS PRESTADOS A BORDO DA EMBARCAÇÃO, TENDO EM VISTA O RECONHECIMENTO EXPRESSO DA VALIDADE E ESTANQUEIDADE DOS CONTRATOS NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DO FORMALISMO MODERADO" Reitera que a decisão recorrida admitiu a coexistência entre os contratos, tendo confirmado a autuação pelo simples fato de que não havia como "(. . .) distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço) e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE onde fosse o caso." Diante disto, não deveria ter ratificado o procedimento fiscal, porém baixado o processo em diligência, pois havia elementos nos autos para realizar a dita segregação de receitas. E, uma vez que os fatos não foram devidamente investigados, conclui que "(. . .) tanto o auto de infração combatido, quanto a decisão recorrida estão calcados em premissas fáticas não provadas e, pior, contrárias às provas constantes dos presentes autos, (. . .) não atendem aos princípios da motivação, da legalidade e da verdade material que regem os atos da Administração Pública, razão pela qual, com a devida vênia, se impõe o reconhecimento da manifesta nulidade da decisão recorrida." Em tópico anterior, já manifesteime no sentido de que tenho outra interpretação da decisão da DRJ. Não obstante reconhecer a possibilidade de coexistirem contratos de afretamento e de prestação de serviços de perfuração, notadamente após a publicação da Lei n° 13.043/14, no caso em discussão, concordou com a fiscalização quanto `a "(. . .) confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração (. . .)" e à conclusão de que, na verdade, "(. . .) embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração." Fl. 3665DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.666 20 Portanto, uma vez que, com base nos autos, ratificou o posicionamento do agente fiscal de que tratavase de uma só operação (serviço de perfuração de poços de petróleo), não havia justificativa para requerer investigações complementares. Portanto, não se verifica preterição do direito de defesa ou qualquer ofensa aos princípios da motivação, legalidade ou verdade material que pudessem macular o auto de infração ou a decisão recorrida, pelo que nego provimento aos argumentos. "A PRESUNÇÃO UTILIZADA PELA DECISÃO RECORRIDA PARA A MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO" Aduz que a decisão recorrida teria ratificado a autuação com base na presunção de que no contrato de afretamento haveria obrigações cumuladas de afretamento e prestação de serviços. E tal presunção, além de não ter amparo legal, contraria os documentos que se encontram nos autos: "(. . .) Contudo, como se verá mais adiante, há disposição expressa no contrato de afretamento (Cláusula 2.01 "a") indicando que 'O armador (TUK) não operará o Naviosonda, ou terá qualquer responsabilidade por sua operação.' Além do mais, referida Cláusula do contrato de afretamento ainda dispõe que: 'Durante Prazo do Contrato, o Afretador terá o uso pleno e exclusivo do Naviosonda que será operado por uma Contratada para a Prestação de Serviços de Perfuração de acordo com um Contrato de Prestação de Serviços de Perfuração. (Cláusula 2.01 "a" do Contrato de Fretamento grifamos) 'O Armador será responsável pelo fornecimento oportuno de todas as questões mencionadas na Presente Cláusula 2, inclusive o Naviosonda e os Equipamentos Associados.' (Cláusula 2.01 "d" do Contrato de Fretamento grifamos)" Mais uma vez equivocase a recorrente. Nem a autuação e tampouco a decisão recorrida basearamse em presunções, porém na vasta documentação carreada aos autos e que as levaram a concluir que fora desenvolvido apenas um negócio, o de prestação de serviço de perfuração, com utilização de naviosonda. Assim, nego provimento aos argumentos. MÉRITO Autuação Sumario os motivos que levaram a fiscalização a considerar que, na verdade, havia uma única operação (perfuração) e não duas (afretamento e perfuração) e lavrar três autos de infração (Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 2.939 a 2.980): Fl. 3666DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.667 21 a) Desproporcionalidade dos valores dos contratos de afretamento e de serviços de perfuração: os contratos foram firmados em fevereiro de 2006; até janeiro de 2008, data do primeiro aditamento, correspondiam a 90% e 10%, respectivamente, do montante total contratado; e após os primeiro e segundo aditamentos (10/09/08), isto é, ao longo do período autuado (anos de 2009 e 2010), passaram a 78% e 28% do valor total pago. b) Em diligência na prestadora de serviços, verificou que a receita atribuída ao contrato de serviços não era suficiente para fazer frente ao custo dos serviços prestados. A matriz estrangeira fazia aportes de capital (empréstimos, reembolso de despesas etc.) para cobrir os gastos. Este relator destaca que não há nos autos demonstrativos, conciliados com documentos e/ou registros contábeis, para evidenciar tal afirmação. c) A Transocean Brasil Ltda. pertence ao mesmo grupo econômico da Transocean UK, que afretava o naviosonda à recorrente. d) Da análise conjunta dos contratos identificou: similitude entre as "razões contratuais"; as cláusulas de início, vigência, rescisão e término são idênticas; e a rescisão do contrato de serviços implica na rescisão do contrato de afretamento; e) Apesar de o contrato de afretamento prever que o naviosonda ficaria totalmente à disposição da recorrente, por diversas vezes foi afretado para outras empresas e o serviço suspenso. Ademais, também previu que o prestador de serviços de perfuração teria de ser aprovado pelo armador. f) Apesar de o contrato de afretamento dispor o contrário, da leitura da cláusula 2.08 ("retomada de controle do poço depois do blowout ou abertura de crateras), verificase que o controle e operação do navio cabiam ao armador, que, conforme citado anteriormente, pertencia ao mesmo grupo econômico do prestador do serviço. g) A remuneração do afretamento era calculada com base na produtividade demonstrada pelo serviço de perfuração. Assim, se, por algum motivo de ordem operacional, houvesse suspensão ou redução temporária das atividades de perfuração, haveria equivalente suspensão ou redução da remuneração pelo afretamento. h) Ambos os contratos foram aditados nos mesmos termos e datas. i) No segundo aditamento ao contrato, a Transocean UK nomeou a Transocean Brasil responsável pelas importação, exportação e desembaraço aduaneiro do navio. j) Os profissionais pertencentes aos mais altos escalões de operação do navio e de perfuração eram contratados pela Transocean do Brasil de empresas estrangeiras pertencentes ao grupo Transocean. Argumentos de defesa Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.668 22 A recorrente assim defende os procedimentos adotados: a) O §9° do art. 17 c/c §8° do art. 5° da IN RFB n° 844/08 (REPETRO), em vigor no período autuado) condicionavam a concessão do regime de admissão temporária à separação, em contratos distintos, das atividades de afretamento e perfuração. "Art. 5° O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1" Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (. . .) § 8° Na hipótese prevista no §9° do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1° poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (. . .) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF n°285, de 2003. (. . .) §9° Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, .firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1 e (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010)" (g.n.) b) São razoáveis com os praticados no mercado de óleo e gás os percentuais de 78% e 22%, haja vista que a disparidade entre os valores agregados em cada um dos contratos. Em contratos de perfuração, as concessionárias (ex: Petrobras) são as responsáveis pelo fornecimento de parcela expressiva dos insumos, cabendo à prestadora dos serviços (Transocean Brasil) o fornecimento da mãodeobra técnica. c) Os percentuais de 78% e 22% estão de acordo com o inciso II do §2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97, com a redação dada pela Lei n° 13.043/14. Fl. 3668DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.669 23 d) Da leitura dos contratos, resta claro que o propósito de cada uma foi bem delimitado, não havendo confusão entre seus objetos. e) No contrato de afretamento, há disposição expressa (cláusula 2.01 "a") de que o armador não operará e tampouco terá responsabilidade sobre a operação do navio. f) É usual que embarcação desta natureza seja remunerada com base em seu uso efetivo. g) A forma de remuneração dos contratos não é defesa em lei e, portanto, válida para todos os fins de direito (artigos 104 e 107 do Código Civil). Não cabe, portanto, a afirmação de que a similaridade entre as formas de remuneração constituiria evidência de que tratase de apenas um tipo de atividade. h) A dependência entre os contratos também não é vedada em lei. i) As naturezas dos contratos de prestação de serviços e de afretamento estão previstas, respectivamente, no Código Civil e no inciso I do art. 2° da Lei n° 9.432/97 ("Lei do Transporte Aquaviário"). Assim sendo, à luz dos artigos 109 e 110 do CTN, não poderia o Fisco desprezálas, para fins exclusivamente arrecadatórios. j) Colacionou decisões do STJ, em que decidiu que afretamento a casco nu comporta uma obrigação de dar e, portanto, não se confunde com prestação de serviços (RESP 1.054.144, de 09/12/09, e 792.444, de 26/09/07) e que não há que se tributar pelo ISS atividadesmeio, o que reforçaria a tese de que, ainda que houvesse algum serviço envolvido com o afretamento, o mesmo não receberia tratamento como tal, para fins fiscais. k) A contratação de estrangeiros para a prestação de serviços de perfuração ocorreu, porque não havia mãodeobra disponível no País com a devida especialização. E a importação dos serviços foi realizada pela Transocean do Brasil e não pela recorrente. l) A bipartição dos contratos foi reconhecida pelo Fisco, por meio da Solução de Consulta COSIT n° 225/14, em que dispõe que as remessas das contraprestações de afretamento de naviosonda goza da redução a zero da alíquota do IRRF e, em seus itens 15 e 16, assim dispõe: "15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação." (g.n.) Também foi reconhecida pelo CARF, nos Acórdãos n° 1402001.439 e 1101 001.092). Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.670 24 m) Não há provas nos autos de que houve simulação, para dissimular a realidade fática que, ao ver da fiscalização, seria a de execução de somente um tipo de atividade. E tampouco para desconsiderar a personalidade jurídica da Transocean do Brasil, o que, à luz do art. 50 do Código Civil, somente é possível, mediante a comprovação de que houve abuso ou desvio de finalidade. Neste sentido, colacionou decisões do STJ (RESP 744.107/SP, de 12/08/08, e 876.974/SP, de 27/08/07). Análise da autuação e alegações de defesa Assiste razão à recorrente. A fiscalização lançou CIDE sobre pagamentos titulados de afretamento, por entender que, na verdade, eram contraprestações de serviços de perfuração, que teriam sido contratados e prestados com a aplicação de mãodeobra técnica e utilização de naviosonda. Que teria havido uma "bipartição artificial" da operação em dois contratos, com o intuito de reduzir a carga tributária sobre afretamento, incide apenas IRRF e `a alíquota zero, enquanto que sobre importação de serviços de perfuração incidem IRRF de 15%, CIDE de 10%, PIS Importação de 1,65% e COFINS Importação de 7,65%. Ora, tendo assim procedido, a fiscalização, de fato, promoveu a desconsideração, para fins fiscais, do negócio jurídico "afretamento". Não obstante, não dirigiu, expressa e diretamente, uma acusação de que os contratos de afretamento e de serviços de perfuração foram fraudados. Que seriam atos simulados, cujo intuito fora o de dissimular a verdade, isto é, de que havia uma único acordo comercial (prestação de serviços de perfuração) e não dois (afretamento e serviços de perfuração). Tanto assim que não capitulou o lançamento no inciso II do § 1° do art 167 do Código Civil ("simulação") c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/64 ("fraude"), porém apenas no Lei n° 10.168/00, que é matriz legal da CIDE. Contudo, evidências da real infração apontada pela fiscalização encontramse ao longo do Termo de Verificação Fiscal, tais como nos seguintes trechos: i) Fl. 2.941: ii) Fl. 2.947: Fl. 3670DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.671 25 (. . .) iii) Fl. 2.967: A meu ver, não se pode confirmar o lançamento de ofício, construído, como vimos, a partir da desconsideração, para fins fiscais, do contrato de afretamento, sem que haja provas. As alegações do autuante (vide tópico "Autuações", letras "a" a "j", acima apresentado), quando muito, podem ser tidas como indícios, apropriados para robustecer ou corporificar provas diretas, documentais. Todavia, jamais para fundamentar tão grave acusação. O único elemento que considero realmente "comprometedor" é o mencionado na fl. 2 do TVF (fl. 2.940), que incluí na lista dos fatos que motivaram a autuação, acima apresentada: Contudo, não foi devidamente, comprovado. O agente fiscal não elaborou demonstrativos, conciliados com documentos e/ou registros contábeis, para evidenciar tal afirmação. Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.672 26 Se o auditor tivesse comprovado que os custos dos serviços de perfuração prestados aqui no Brasil eram suportados pela empresa estrangeira (Transocean UK, afretadora) e a remuneração correspondente insuficiente para cobrilos e ainda gerar lucros para a prestadora de serviços localizada no País, terseia não apenas um negócio jurídico sem substância econômica, porém uma atividade empresarial inexistente de fato. Restaria caracterizado que a real prestadora de serviços era a Transocean UK, aquela que fornecia a mãodeobra e arcava com os custos e auferia as receitas correspondentes. E tal circunstância induvidosamente autorizaria a desconsideração, para fins fiscais, do contrato de afretamento e a incidência do IRRF, PIS/COFINS Importação e CIDE sobre ao menos parte da receita de afretamento. Contudo, o disposto na fl. 2 do TVF (fl. 2.940), acima reproduzido, não passa de uma acusação não fundamentada e que, portanto, não merece a atenção desta turma. E o relator do Acórdão DRJ n° 0131.499, cujo voto foi vencido, manifestou idêntica compreensão da autuação e concluiu pela procedência da impugnação, por ausência de provas. Com efeito, chamo a atenção para um fato inusitado: a mesma turma da DRJ, em relação ao mesmo procedimento fiscal, proferiu duas decisões opostas à acima citada, isto é, cancelaram o auto de infração, por maioria de votos, nos processos n° 16682.720406/2014 24, sobre IRRF, e n° 16682.720408/201413, PIS/COFINS Importação. O recurso de ofício referente ao PA de IRRF ainda não foi julgado no CARF. Porém, o de PIS/COFINS sim. E, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de ofício (Acórdão n° 3201003.150, de 26/09/17), com voto condutor da lavra do i. Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. E destaco a declaração de voto do i. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que acompanhou o relator, porém pelas conclusões, pois o motivo maior que o levou a dar provimento ao recurso voluntário foi justamente o de que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que houvera a titulada "bipartição artificial" da operação de prestação de serviço de perfuração. Por fim, faço breves comentários sobre dois temas presentes tanto no referido Acórdão sobre PIS/COFINS Importação quanto na petição (fls. 3.600 a 3.605) juntada pela recorrente, após a protocolização do recurso voluntário: a legitimidade ou não da conclusão de contratos, umbilicalmente interligados, de afretamento e de prestação de serviço de perfuração; e as implicações da nova redação do art. 1° da Lei n° 9.481/97, dada pelas Leis n° 13.043/14 e 13.586/17. A fiscalização não alegou que a "bipartição" era ilegal, porém julgoua "artificial", em razão dos elementos citados no tópico titulado "Autuação", anteriormente apresentado. Assim, reputo que restou incontroverso que é lícito o modelo de contratação adotado e, por isto, que o tema não requer apreciação por esta turma. Quanto ao segundo tema, transcrevo a redação atual do art. 1° da Lei n° 9.481/97 e o art. 3° da Lei n° 13.586/17: "Lei n° 9.481/97 Fl. 3672DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.673 27 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (. . .) § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (. . .) § 6o A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (. . .) Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.674 28 § 10. O disposto nos §§ 2o e 9o deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997, vedada, inclusive, a aplicação retroativa do § 2o deste artigo em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014. (. . .) § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004.”" (g.n.) "Lei n° 13.586/17 Art. 3o Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos §§ 2º e 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício." Com base no art. 3° da Lei n° 13.586/17, a recorrente alega que os limites previstos no inciso II do § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 tem efeitos retroativos e, por conseguinte, confirmariam a adequação da relação percentual praticada: 78% / 22%. Neste ponto, divirjo da recorrente. Indubitavelmente, os limites impostos pelo § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 têm um caráter intertemporal e expressam aquilo que o legislador concluiu ser razoável que se pratique pelas empresas do setor. Entretanto, não se pode depreender que a inobservância dos limites implicaria na desconsideração, para fins fiscais, do negócio jurídico afretamento e sua conversão em de prestação de serviços de perfuração, com correspondente cobrança da CIDE e PIS/COFINS Importação. Ou, a contrario sensu, que o atendimento aos limites validaria as estruturas dos contratos, da forma (no caso em tela, 78% / 22%) em que forem concluídos. Em outras palavras, entendo que aquele dispositivo legal não tem o condão de validar ou, por outro lado, tornar nulas obrigações contratuais regularmente contratadas, não defesas em lei. Fl. 3674DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.675 29 O § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 estipula limites máximos de participação do afretamento no total contratado, porém, exclusivamente, para fins de fruição do benefício da redução a zero da alíquota do IRRF. Tanto é assim que o § 6° do citado art. 1° da Lei n° 9.481/97 dispõe que a consequência da identificação de excedente é tão somente a incidência do IRRF, à alíquota de 15% ou 25%, sobre o respectivo montante. E o § 12 dispõe que citados percentuais não acarretam alteração da natureza do contrato de afretamento para fins de CIDE, PIS/PASEPImportação e COFINSImportação. E, para fins de comprovação do direito ao incentivo fiscal da alíquota zero de IRRF, de forma alguma é suficiente a simples demonstração da adoção dos percentuais do § 2°. O contribuinte há de provar que o contrato tem substância econômica, é verdadeiro. Assim, com base no acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, em razão da inexistência de provas de que, na verdade, teria havido a contratação e execução de apenas uma operação, de prestação de serviço de perfuração de petróleo, "artificialmente bipartida em dois contratos" de afretamento e de serviços com o intuito de reduzir a carga tributária. Para robustecer o posicionamento exposto nos parágrafos anteriores, colaciono os voto condutor e declaração de voto do Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação), os quais adoto como demais razões de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99. Antes de reproduzilos, contudo, destaco que o voto condutor, não obstante mencionar serem frágeis os elementos reunidos pela fiscalização para concluir pela "bipartição artificial dos contratos", funda sua conclusão muito mais nos seguintes aspectos: licitude do modelo de contratação; reconhecimento, por parte do legislador, da adequação dos percentuais de 78% / 22%, por meio das alterações introduzidas pela Lei n° 13.043/14 no art. 1° da Lei n° 9.481/97; no contexto da operação em questão, o afretamento é atividademeio e não pode receber o mesmo tratamento tributário da atividadefim serviço de perfuração; e a bipartição de contratos de afretamento e perfuração já foi admitida pelo Fisco, por meio da IN RFB n° 844/08 e Solução COSIT n° 255/14. Ainda sobre o Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação), cumpre mencionar que foi objeto de embargos de declaração interpostos pela PGFN, os quais, todavia, foram rejeitados. Passo, então, à reprodução do voto condutor e da declaração de voto relativos ao Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação): "(. . .) Em que pese os exemplares argumentos expendidos pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo como correta a decisão recorrida proferida em 1ªinstância, portanto, não lhe assistindo razão. Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.676 30 A questão em debate envolve uma interpretação sistemática, que no escólio de Carlos Maximiliano está assim conceituada: 'A verdade inteira resulta do contexto, e não de uma parte truncada, quiçá defeituosa, mal redigida; examinese a norma na íntegra e, mais ainda: o Direito todo, referente ao assunto. Além de comparar o dispositivo com outros afins, que formam o mesmo instituto jurídico, e com os referentes a institutos análogos; força é, também, afinal por tudo em relação com os princípios gerais, o conjunto do sistema em vigor.' (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 20 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 106). A Lei 13043/2014 em seu art. 106 alterou a redação do art. 1° da Lei n°.481, de 1997, a qual passou a ter o seguinte texto: 'Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) ; (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014)' O texto legal, equacionou a matéria em debate. A própria decisão recorrida consigna: 'Não se ignora, por certo, que o lapso temporal contemplado pela pretensão fazendária antecede à nova redação do art. 1o da Lei n. 9.481, de 1997. Contudo, temse por insustentáveis os lançamentos fiscais, quando em vigor os mencionados dispositivos. Isto porque, tal pretensão fundase em construção teórica que ultrapassa a intertemporalidade, tomando por evidência do propósito evasivo arquitetura contratual posteriormente chancelada pelo legislador.' Fl. 3676DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.677 31 Declaração de voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto no processo n° 16682.721312/201391 está assim consignada: 'Assim, é plenamente possível, o que se reforça com base na atual redação do §§ 2º e 7º do art. 1º da Lei nº 9.481, diante das alterações da Lei nº 13.043 de 13.11.2014, a bipartição de contratos. Esclareço que não se está aplicando retroativamente a legislação, mas tão somente demonstrando que a bipartição de contratos se trata de uma operação natural e não artificial, estando atualmente inclusive prevista em lei. Portanto, é possível a execução simultânea do contrato de afretamento (ou aluguel de embarcações marítimas) e contrato de prestação de serviços, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural.' No mesmo processo a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio assim expôs em sua declaração de voto: 'O artigo acima transcrito é um reflexo das previsões contidas no artigo 146 e 106 do CTN. Isso porque o artigo 146 veda, expressamente, a revisão de lançamento que tenha por fundamento a modificação dos critérios jurídicos. Tal alteração só poderá ser utilizada em lançamentos futuros. O artigo 106, por outro lado, prevê que a lei tributária aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definir o fato como infração ou quando lhe aplica penalidade menos severa, bastando, para tanto, que ele não tenha sido definitivamente julgado.' A interpretação da norma não pode levar a um desvio como posto em sede de razões recursais. Nunca é demais lembrar que o legislador e o intérprete do Direito devem conciliar esforços para fazer com que o sistema jurídico seja um todo consistente e coerente, com estruturação que lhe confira lógica hermenêutica. Tércio Sampaio Ferraz Jr. leciona (sobre o processo interpretativo) “... a concepção do ordenamento jurídico como sendo um sistema dotado de unidade e consistência nada mais é que um pressuposto ideológico que a dogmática do Direito assume”. (Cf. Tércio Sampaio Ferraz Jr., Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo, Atlas, 2003, p. 206.). Isso faz com que surjam três critérios básicos para compor a interpretação do exegeta: coerência, consenso e justiça (mesmo autor e obra, p. 286). As normas, para Eros Roberto Grau (in Ensaio e discurso sobre a intepretação e a aplicação do Direito, São Paulo, Malheiros, 2002, p. 74), devem ser harmônicas dentro de um sistema jurídico, sem haver qualquer tipo de contradição entre estas, a fim de que não seja deturpada a noção de consistência do sistema. Portanto, nada mais correto que trazer a harmonia para todas as searas do Direito através da conciliação desses três critérios. O Conselheiro Domingos de Sá Filho em voto proferido no processo n° 16682.721545/201394, assim se pronunciou: 'No caso tratado, o legislador ordinário ao alterar a redação do parágrafo segundo da Lei nº 9.481/97, cuidou da execução simultânea de contrato de afretamento/aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviços vinculados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, ao inserir regra definindo o norte do comportamento dos contribuintes (...)' E prossegue o Conselheiro: Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.678 32 'Observado os parâmetros traçados pela norma legal, e, ausente acusação de desacerto com as normas de direito privado, assente é os pactos, pois em momento algum se alegam conduta contrária as regras do direito privado. Com razão a recorrente no tocante a legalidade das modalidades de contratos, pois a legislação autoriza o Ministro da Fazenda elevar ou reduzir os percentuais de aceitação dos contratos de prestação de serviço e afretamento ou locação de embarcações marítimas, sendo assim, a pratica de contratação de afretamento de embarcações marítimas e prestação de serviço, mesmo com empresa do mesmo grupo, tornou clara e evidenciou que o exercício da execução simultânea desses pactos encontramse na órbita legal permitida.' Considerando a legislação aplicável ao caso, a questão em apreço foi esclarecida de modo que empresas com atuação na indústria da prospecção e exploração de petróleo e gás natural passaram a se subsumir expressamente no conceito de “embarcação” para fins da alíquota zero do imposto de renda na fonte as embarcações destinadas à prospecção e exploração de petróleo e gás natural. A própria recorrida possui decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em seu favor, conforme segue: 'ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, no caso de receitas de afretamentos de, dentre outros, embarcações marítimas, aprovados pelas autoridades competentes. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, que transporte pessoas ou cargas. Artigo 2º., da Lei 9.537/97 EMBARCAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Compete ao beneficiado comprovar que o contrato de afretamento incidiu sobre embarcação para fazer jus ao correlato benefício fiscal." (Processo 16682.721181/201181; Acórdão 2402005.676 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 09 de fevereiro de 2017; Voto vencedor proferido pelo Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho)' O art. 2° da Lei 9432/1997 traz as definições de afretamento em suas três modalidades, assim: 'Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: Fl. 3678DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.679 33 I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens;' A exigência tributária merece, também, ser cancelada pelo fato de o afretamento ser apenas meio para a consecução dos serviços técnicos especializados, os quais foram devidamente tributados. A decisão recorrida não deixa margem de dúvidas sobre tal aspecto ao consignar que: 'No período alcançado pela presente auditoria, o afretamento equivaleria a 78%, enquanto os serviços restariam contemplados com 22% dos recursos envolvidos.' Portanto, percebese que os percentuais praticados pela recorrida em relação ao afretamento e a prestação de serviços respeitaram os limites estatuídos na Lei 13043/2014. Neste contexto, como argumentado pela recorrida em sua impugnação, temse que o afretamento não se constitui um serviço, mas sim atividade necessária para que o serviço técnico seja efetivamente prestado. Por ser uma atividade meio, resta configurado que o afretamento está insuscetível de servir como fato gerador tributário. O afretamento como atividademeio teve o seu custo incorporado ao preço da atividadefim, mas devidamente segregado. Todas as etapas, atividades ou tarefas intermediárias destinadas ao adimplemento do objeto final do contrato, desde que não se transformem em outras atividadesfim independentes, são atividadesmeio e, portanto, não tributáveis. Aqui, entendo que cabe uma comparação com o que o Poder Judiciário tem entendido sobre a impossibilidade de se tributar atividademeio. A esse respeito (impossibilidade de se tributar atividademeio) assim se posiciona o Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. ISS. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. ATIVIDADEMEIO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que, independente da cobrança pela prestação de serviço, "não incide ISS sobre serviços prestados que caracterizam atividademeio para atingir atividadesfim, no caso a exploração de telecomunicações" (REsp 883254/MG, Rel. Min. Fl. 3679DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.680 34 José Delgado, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 28.2.2008 p. 74). Precedentes. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que o teor da Súmula 83/STJ aplicase, também, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido.' (AgRg no AREsp 445.726/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/2014, DJe 24/02/2014) 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ICMS. SERVIÇOS CONEXOS (SUPLEMENTARES) AO DE COMUNICAÇÃO (TELEFONIA MÓVEL): TROCA DE TITULARIDADE DE APARELHO CELULAR; CONTA DETALHADA; TROCA DE APARELHO; TROCA DE NÚMERO; MUDANÇA DE ENDEREÇO DE COBRANÇA DE CONTA TELEFÔNICA; TROCA DE ÁREA DE REGISTRO; TROCA DE PLANO DE SERVIÇO; BLOQUEIO DDD E DDI; HABILITAÇÃO; RELIGAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS. 1. A incidência do ICMS, no que se refere à prestação dos serviços de comunicação, deve ser extraída da Constituição Federal e da LC 87/96, incidindo o tributo sobre os serviços de comunicação prestados de forma onerosa, através de qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza (art. 2º, III, da LC 87/96). 2. A prestação de serviços conexos ao de comunicação por meio da telefonia móvel (que são preparatórios, acessórios ou intermediários da comunicação) não se confunde com a prestação da atividade fim "processo de transmissão (emissão ou recepção) de informações de qualquer natureza", esta sim, passível de incidência pelo ICMS. Desse modo, a despeito de alguns deles serem essenciais à efetiva prestação do serviço de comunicação e admitirem a cobrança de tarifa pela prestadora do serviço (concessionária de serviço público), por assumirem o caráter de atividade meio, não constituem, efetivamente, serviços de comunicação, razão pela qual não é possível a incidência do ICMS. 3. Não merece reparo a decisão que admitiu o ingresso de terceiro no feito, pois o art. 543C, § 4º, do CPC autoriza que o Ministro Relator, considerando a relevância da matéria tratada em recurso especial representativo da controvérsia, admita a manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na questão jurídica central. 4. Agravo regimental de fls. 871/874 não provido. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ.' (REsp 1176753/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/11/2012, DJe 19/12/2012) Fl. 3680DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.681 35 Ademais, o Superior Tribunal de Justiça tem consolidada jurisprudência no sentido de que o afretamento não constitui serviço, conforme precedente a seguir transcrito: 'TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO A CASCO NU. NÃO INCIDÊNCIA.PRECEDENTES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ANÁLISE DE CONTRATO E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não incide ISS sobre contrato de afretamento a casco nu, por caracterizar mera locação de embarcação. 2. Na hipótese em que o acórdão recorrido concluiu, com base na análise das cláusulas contratuais, que não há serviços prestados em conjunto com o contrato de afretamento em apreço, a pretensão é inviável, por exigir a interpretação de cláusulas contratuais ou a incursão no universo fáticoprobatório. Óbices das Súmulas nº 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1512344/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 26/05/2015) 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA. 1. Nos termos do art. 2º da Lei 9.432/97, afretamento a casco nu é o "contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação". Afretamento por tempo é o "contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado" e afretamento por viagem é o "contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens". 2. No que se refere à primeira espécie — afretamento a caso nu —, na qual se cede apenas o uso da embarcação, a Segunda Turma/STJ, ao apreciar o REsp 792.444/RJ (Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 26.9.2007), entendeu que "para efeitos tributários, os navios devem ser considerados como bens móveis, sob pena de desvirtuaremse institutos de Direito Privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN". E levando em consideração a orientação do STF no sentido de que é inconstitucional a incidência do ISS sobre a locação de bens móveis (RE 116.121/SP, Tribunal Pleno, Rel. Min. Octavio Gallotti, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, DJ de 25.5.2001), concluiu no sentido de que é ilegítima a incidência do ISS em relação ao afretamento a casco nu. De fato, no contrato em comento, há mera locação da embarcação sem prestação de serviço, o que não constitui fato gerador do ISS. Fl. 3681DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.682 36 3. No que tange às demais espécies, consignouse no precedente citado que: "Os contratos de afretamento por tempo ou por viagem são complexos porque, além da locação da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços, dentre os quais se inclui a cessão de mãodeobra", de modo que "não podem ser desmembrados para efeitos fiscais (Precedentes desta Corte) e não são passíveis de tributação pelo ISS porquanto a específica atividade de afretamento não consta da lista anexa ao DL 406/68". Assim, podese afirmar que em tais espécies contratuais (afretamento por tempo e afretamento por viagem) há um misto de locação de bem móvel e prestação de serviço. Contudo, como bem observado no precedente citado, a jurisprudência desta Corte — em hipóteses em que se discutia a incidência do ISS sobre os contratos de franquia, no período anterior à vigência da LC 116/2003 — firmouse no sentido de que não é possível o desmembramento de contratos complexos para efeitos fiscais (REsp 222.246/MG, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 4.9.2000; REsp 189.225/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 4.9.2001). 4. Por tais razões, mostrase ilegítima a incidência do ISS sobre o contrato de afretamento de embarcação, em relação às três espécies examinadas. 5. Recurso especial provido. (REsp 1054144/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2009, DJe 09/12/2009) E mesmo que se admitisse que ocorreu alguma prestação de serviço, a tributação somente poderia ocorrer sobre a parcela que efetivamente fosse categorizada como tal. Aqui, merece atenção o contido na Súmula Vinculante 31 do Supremo Tribunal Federal, que, em relação ao ISS, impede a tributação da parcela que não configure serviço, como no caso da locação de bens móveis. Vejamos: 'Súmula Vinculante 31. É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis.' Assim, entende a Suprema Corte: 'TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS ASSOCIADA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE GUINDASTE E APRESENTAÇÃO DO RESPECTIVO OPERADOR. INCIDÊNCIA DO ISS SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. SÚMULA VINCULANTE 31. AGRAVO REGIMENTAL. 1. A Súmula Vinculante 31 não exonera a prestação de serviços concomitante à locação de bens móveis do pagamento do ISS. 2. Se houver ao mesmo tempo locação de bem móvel e prestação de serviços, o ISS incide sobre o segundo fato, sem atingir o primeiro. 3. O que a agravante poderia ter discutido, mas não o Fl. 3682DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.683 37 fez, é a necessidade de adequação da base de cálculo do tributo para refletir o vulto econômico da prestação de serviço, sem a inclusão dos valores relacionados à locação. Agravo regimental ao qual se nega provimento." (ARE 656709 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/02/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe048 DIVULG 07032012 PUBLIC 08032012 RDDT n. 201, 2012, p. 203206)' Da decisão recorrida merecem destaque os seguintes excertos: 'A pedra de toque dos trabalhos levados a cabo pela autoridade fiscal repousa sobre a desproporção entre os montantes de recursos canalizados pela fiscalizada, na qualidade de concessionária dedicada à exploração e à produção de petróleo e gás offshore no Brasil, ao afretamento do naviosonda Deepwater Discovery e à prestação de serviços correlacionados, através de bipartição contratual que permitiu a remessa do montante relativo ao primeiro dos referidos contratos ao exterior, vendose desobrigada, por conseguinte, entre outros, da incidência a título de Pis/Pasep e de Cofins sobre a importação em relação à maior parte do valor global contratado. No período alcançado pela presente auditoria, o afretamento equivaleria a 78%, enquanto os serviços restariam contemplados com 22% dos recursos envolvidos. Antes do segundo aditamento contratual ocorrido em 10 de setembro de 2008, ressalva a autoridade fiscal, os percentuais eram respectivamente de noventa e dez. E é sob tal premissa – a da inusualidade da configuração contratual eleita pela fiscalizada – que passa o autuante a reunir demais indícios com vistas a robustecer conclusão no sentido de que almeja a contribuinte, sobretudo, escapar à tributação.' O legislador, contudo, parece entender de forma diversa, ao que, diante da divergência instaurada, tratou, por meio da Lei n. 13.043, de 13 de novembro de 2014, de conferir nova redação ao art. 1° da Lei n. 9.481, de 1997: 'Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...)§ 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.684 38 I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) ; (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 3o Para cálculo dos percentuais previstos no § 2o, o contrato celebrado em moeda estrangeira deverá ser convertido para Real à taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data da apresentação da proposta pelo fornecedor, que é parte integrante do contrato. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 4o Em caso de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos contratos, as novas condições deverão ser consideradas para fins de verificação do enquadramento do contrato de afretamento nos limites previstos no § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 5o Para fins de verificação do enquadramento das remessas de afretamento nos limites previstos no § 2o, deverá ser desconsiderado o efeito da variação cambial. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 6o A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no § 2o sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 7o Para efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) DF CARF MF Fl. 3378 20 § 8o O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014)' O censurado modelo de contratação bipartida, ensejador de um sem número de controvérsias na seara tributária, encontra agora detalhado amparo normativo. A execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, fez questão de expressar o Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.685 39 legislador, pode se dar entre pessoas jurídicas vinculadas entre si. Mas não é só. Podem canalizar percentuais que chegam a 85% do total em favor do afretamento. Destarte, inferências a exemplo da coincidência entre as datas em que firmados os contratos, similitudes redacionais, etc, restaram significativamente empalidecidas, frente ao inegável desejo de chancelar o modelo que parece ser a praxis contratual dominante no segmento em causa. A própria Instrução Normativa RFB n. 844, de 2008, já dava pistas da factibilidade da aludida prática, conforme art. 5o, §8o, in verbis: § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) Não se ignora, por certo, que o lapso temporal contemplado pela pretensão fazendária antecede à nova redação do art. 1o da Lei n. 9.481, de 1997. Contudo, temse por insustentáveis os lançamentos fiscais quando em vigor os mencionados dispositivos. Isto porque tal pretensão fundase em construção teórica que ultrapassa a intertemporalidade, tomando por evidência do propósito evasivo arquitetura contratual posteriormente chancelada pelo legislador. Acerca da múltipla participação de estrangeiros na prestação dos serviços contratados junto à Transocean Brasil Ltda, de se sublinhar, inicialmente, que parece incontroverso procedem dos quadros da Transocean International Resources Ltd. e a Global Santa Fé Offshore, e não da Transocean UK Limited, proprietária do Deepwater Discovery. Ademais, o fenômeno da subcontratação, recorrendose, inclusive, a profissionais de diversas nacionalidades, pareceme justificável, ainda mais no âmbito de segmento notoriamente especializado como o investigado, qual seja, o da exploração e produção de petróleo e gás. Já a importação do naviosonda pela Transocean Brasil Ltda, causadora de espécie à autoridade fiscal, parece ter restado autorizada por meio do art. 5o, §4o, da Instrução Normativa n. 844, de 2008: §4o Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) Não obstante, mesmo se admitido que os recursos destinados à Transocean UK Limited acabaram por remunerar serviços executados no Brasil pela Transocean Brasil Ltda, não se vê como aderir aos lançamentos fiscais levados a efeito. É que o afretamento ocorreu. Origem ou não do integral montante remetido ao exterior, não se pode ignorar referemse os pagamentos, ao menos parcialmente, ao obrigado pelo contrato de afretamento. Mais, tal parcela há de ser significativa, pois igualmente não se tem por razoável a presença de dúvida no sentido de que o afretamento do Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.686 40 naviosonda Deepwater Discovery, avaliado na casa de bilhão de reais, faz jus a tanto. Ou seja, certo que pretende o autuante, em verdade, submeter à tributação não apenas a parcela supostamente relativa à prestação de serviços no país, mas também a vinculada ao afretamento. Sem um mínimo de critério com vistas à segregação de tais quantias, não resiste a exigência fiscal ao mandamento da verdade material, guia da atividade administrativa que alça especial importância na seara fiscal. Diferentemente seria se fosse o olhar lançado para os recursos que eventualmente (re)ingressam no Brasil com destino às prestadoras de serviço em questão, acrescentese, porquanto razoável presumir – no marco, sublinhese, da confecção de pretensão fazendária neste sentido – que correspondam tais montantes exatamente à prestação dos referidos serviços. De rigor também reconhecer que, diferentemente do sugerido pela autoridade fiscal, a Antaq, por intermédio do Ofício n. 00066/2010 – SNM (fl. 2.705), não coloca em dúvida a condição de embarcação de bem a exemplo do naviosonda Deepwater Discovery, mas revela não ser atribuição da consultada autorizar, nos seus dizeres, o afretamento deste tipo de embarcação, dispensandose, portanto, a emissão de Certificado de Autorização de Afretamento (CAA). No máximo, reforça a agência reguladora, ao revés, o status de embarcação. A Norma da Autoridade Marítima para Operação de Embarcações Estrangeiras em Águas Jurisdicionais Brasileiras Norman04/ DPC termina por esclarecer, como bem argumenta a impugnante: '0121 INSCRIÇÃO TEMPORÁRIA (IT) É um ato administrativo da Autoridade Marítima que visa o controle de embarcação de bandeira estrangeira autorizada a operar em AJB. A IT é formalizada por meio da emissão do Atestado de Inscrição Temporária (AIT), emitido pelas Capitanias dos Portos e suas Delegacias (CP/DL), documento sem o qual a embarcação não poderá operar em AJB. 0218 PROSPECÇÃO, PERFURAÇÃO, PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO DE PETRÓLEO (PLATAFORMAS, NAVIOS SONDA, FPSO e FSO) a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação da Portaria de concessão da ANP para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural para blocos publicada no Diário Oficial da União (DOU);' Destarte, compete às Capitanias dos Portos e suas Delegacias autorizar a inscrição temporária, ato administrativo que serve ao controle de embarcação de bandeira estrangeira autorizada a operar em águas jurisdicionais brasileiras, entre as quais, na ambitude da prospecção, perfuração, produção e armazenamento de petróleo, plataformas e navios sonda." Ainda, a Solução de Consulta COSIT 225/2014: '15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.687 41 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação.' Novamente, merece ser destacado excerto do voto proferido pelo Conselheiro Domingos de Sá Filho proferido no processo n° 16682.721545/201394: 'Em novembro de 2014, foi editada a Lei nº 13.043, contrariando a tese de bipartição artificial de contratos sustentada até então pela fiscalização, o legislador federal reafirma a legalidade de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, quando relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás, matéria tratada no §2º, do art. 1º, in verbis: "§2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoa jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a:" Como se vê, a forma de contratação é coesa com a novel disposição legal, o contrato de afretamento ou locação é autônomo, os parâmetros fixados pelo legislador confirmam o fato de que a contratação de afretamento ou locação de embarcações marítimas e prestação de serviço são reconhecidas pela legislação, distorce dessa realidade o entendimento do fisco ao assegurar que o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Não há dúvida tratar de modalidade de contratação a assegurar o bom desempenho das unidades contratadas como asseverado pela Petrobrás. Portanto a execução simultânea desses contratos, afretamento e prestação de serviço de embarcações marítimas, longe de tratar de manipulação e artificialidade como quer crer o fisco.' Adicionalmente, é de se consignar o contido na Medida Provisória n° 795/17: 'Art. 3º Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos § 2º e § 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício.' Da exposição de motivos da referida Medida Provisória temse: '4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei n º 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2 º do art. 1 º da Lei n º 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.688 42 (...) 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2 º e 9 º não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei n º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/ PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e as condições do contrato de afretamento ou aluguel.' Para bem da verdade, se é válido o resgate da interpretação teleológica das normas e igualmente do sentido de validade das mesmas, vêse que no caso em apreço a tese da recorrida está em sintonia com uma tributação equilibrada, principalmente na matéria aqui versada, em que se está diante de relevante segmento da indústria, em função do elevado grau de importância que representa na sociedade. Assim adotandose a interpretação sistemática que o caso merece, não pode prosperar a interpretação dada pela Receita Federal, razão pela qual nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão proferida em 1ª instância. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Entendo que a utilização de embarcação naviosonda não se constitui mero meio de realização da atividadefim, a prestação de serviço atinentes à prospecção e exploração de jazidas de petróleo. Ha situações em que o conjunto probatório demonstra que não há afretamento, mas sim que a embarcação é parte integrante e essencial na disponibilização de equipamentos e pessoal técnico especializado na realização do serviço. Para estes casos não há que dizer dissociáveis o contrato de afretamento com o de serviço. Conquanto a fiscalização apontou indícios que poderiam efetivamente comprovar o vínculo indissociável entre a embarcação e o serviço prestado não restou caracterizada a bipartição artificial do contrato de afretamento e de execução dos serviços de prospecção e exploração marítimos, situação que não prescindiria a demonstração da efetiva transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento. E mais, não se pode desconsiderar os altos valores envolvidos na utilização de naviosonda (operação e manutenção, como simples exemplo) e lançálos como exclusivos ao contrato da prestação de serviços. A fiscalização teria o dever de demonstrar as parcelas pertinentes a um e outro contrato que acusou serem indissociáveis. A legislação tributária tem legitimada a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.689 43 expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas. Podese mencionar as Instruções Normativas RFB n°s 844/2008, 941/2009 e 1.070/2010; a Solução de Consulta Cosit nº 225/2014; as Leis nºs. 9.481/1997 e 13.043/2014 e; a recente MP nº 795/2017. A Receita Federal expressamente admite que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços possa providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tenham execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009: 'Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009)' Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844/2008 pela IN RFB nº 1070/ 2010 permite a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.690 44 'Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010)' Uma vez autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não há razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Certamente que os dispositivos legais permitem a coexistência de afretamento e prestação de serviço no modelo de negócio de empresas interdependentes; todavia, não se pode inferir que o texto legal admite a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços. As novas disposições ao art. 1º da Lei nº 9.481/1997 introduzidas pela MP nº 795/2017 pouco alteraram o conteúdo prescrito acerca do afretamento e da prestação de serviços quando executados simultaneamente e, novamente, não é possível afirmar que não trouxe permissão à bipartição artificial desses contratos. Em verdade, o que essencialmente deveria restar demonstrado seria a existência de elementos que evidenciassem eventual planejamento fiscal abusivo (a bipartição artificial dos contratos) para considerar inexistente o contrato de afretamento e considerar os valores envolvidos unicamente pertinente ao contrato de efetiva prestação de serviços de prospecção e exploração marítimas. No meu entender, inexistiu na autuação fiscal tal comprovação Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.691 45 Assim, há de prevalecer a natureza de afretamento à embarcação utilizada nas atividades de prospecção e exploração de petróleo e aplicar a legislação que trata de forma distinta o objeto de ambos contratos. Paulo Roberto Duarte Moreira Conselheiro' CONCLUSÃO Dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Declaração de Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira No julgamento do presente processo acompanhei o Relator pelas conclusões, votando por dar provimento ao recurso voluntário. No intuito de esclarecer as razões do meu voto, apresento esta declaração com os fundamentos por mim adotados para dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. Em que pese o voto irretocável do Relator, que de forma bem fundamentada enfrentou as preliminares e o mérito da lide, peço vênia para apresentar o meu entendimento, por considerar que somente uma matéria referente ao mérito do lançamento foi submetida a segunda instância administrativa. Vejamos. A turma a quo, conforme consta do voto condutor do acórdão, decidiu que pela inexistência de irregularidade na separação dos contratos de afretamento e prestação de serviços. A motivação daquele colegiado para negar provimento à impugnação do contribuinte, partiu da premissa apontada pela autoridade fiscal da impossibilidade de identificar os pagamentos referentes ao afretamento e a prestação de serviços, impedindo a exata separação dos contratos e assim, manteve a posição da autoridade lançadora de considerar ´para toda a operação um único contrato de prestação de serviços. A posição da decisão de piso pode ser confirmada no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão. Do exposto, muito embora as alterações promovidas pela Lei nº 13.043/2014 não tenham aplicação aos fatos geradores do lançamento, elas demonstram a factibilidade da bipartição do contrato. A questão que se revela óbice para a pretensão da recorrente é a falta de configuração exclusiva da receita de afretamento. Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.692 46 No caso concreto, como demonstrado exaustivamente pela autoridade lançadora no relatório de fiscalização, em especial às folhas 29482967, houve uma verdadeira confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração. De sorte que não possível distinguir a efetiva divisão de cada contrato no contexto da operação de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Assim, embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração. Ideal seria se pudesse distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço), e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo a isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE, onde fosse o caso. Porém, não vislumbra tal possibilidade. Repisese, não há nos autos elementos que permitam dar os perfeitos contornos a receita de fato correspondente a cada atividade. Desta feita, não sendo possível distinguir nos autos a receita da empregada exclusivamente no afretamento da embarcação, entendese não ser possível afastar a exação da CIDE propalada pelo art. 2º da Lei nº 10.168/00, com a redação dada pela Lei nº 10.332/01.(grifo nosso) A decisão recorrida considerou no presente caso a factibilidade, ou seja a possibilidade da existência de duas operações, uma de afretamento e outra de prestação de serviços. A motivação para a manutenção do lançamento foi a "falta de configuração exclusiva da receita de afretamento". Ao meu sentir, a decisão demonstra que a discordância entre os pontos defendidos pela Recorrente e a autuação fiscal somente foi mantido pela DRJ sob o argumento da dificuldade em separar os pagamentos de cada um dos contratos. Destarte entendo, que somente esta matéria foi submetida ao crivo da segunda instância e portanto, em que pese as diversas discussões sobre a possibilidade de dois contratos a sustentar as operações da Recorrente, tal matéria foi decidida pela DRJ, que afirmou pela factibilidade do afretamento e da prestação de serviços. Portanto, a matéria não deve ser objeto determinante para a decisão deste colegiado. Pois, conforme detalhado, a motivação para manutenção do lançamento foi a ausência de separação dos pagamentos entre os dois contratos. Partindo desta premissa, o meu voto foi no sentido de analisar as alegações apresentadas no Recurso Voluntário sobre a forma de pagamentos para cada um dos contratos e ainda se existe a possiblidade de separar os valores referentes aos pagamentos de afretamento e prestação de serviços. No recurso voluntário, a Recorrente descreve as clausulas dos contratos e os pontos onde estariam as definições sobre as formas de remuneração para o afretamento e a prestação de serviços, alem destas informações, apresentou comprovantes de transferências que delimitam tais pagamentos, conforme apresentado no trecho abaixo, extraído do recurso voluntário. Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.693 47 Para corroborar ainda mais a comprovação acerca da perfeita segregação dos valores pagos a título de afretamento e de serviços com base nas disposições contidas nas próprias avenças, a Recorrente acosta, para fins meramente ilustrativos, cópia dos contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil (doc. 01) que acobertaram as remessas efetuadas à fretadora estrangeira (TUK) para o pagamento do afretamento em tela; as notas fiscais de serviço emitidas pela empresa brasileira TBL (doc. 02); e cópia dos registros contábeis da Recorrente que identificam e contabilizam os respectivos valores pagos a cada empresa (doc. 03) que juntos, comprovam a perfeita segregação das diferentes receitas pegas pela Recorrente. Os esclarecimentos apresentados pela Recorrente, permitem a identificação dos pagamentos de cada um dos contratos, não podendo prosperar o argumento da impossibilidade total da separação dos valores alocados a cada contrato. Assim, entendo, que solucionada a separação e identificação dos pagamentos para cada um dos contratos, resta reformar a decisão de piso neste matéria e ainda, considerando que tal ponto foi a motivação para negar provimento a impugnação, não resta outro caminho que não seja dar provimento ao recurso voluntário para afastar o lançamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3693DF CARF MF
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