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Numero do processo: 14485.001537/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES E INEXATIDÕES INEXISTENTES.
Nega-se provimento aos embargos cuja omissão ou inexatidão não foram comprovadas.
Numero da decisão: 2202-004.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para negar-lhes provimento.
Assinado digitalmente
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
Assinado digitalmente.
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES E INEXATIDÕES INEXISTENTES. Nega-se provimento aos embargos cuja omissão ou inexatidão não foram comprovadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para negar-lhes provimento. Assinado digitalmente Ronnie Soares Anderson - Presidente. Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 404 1 403 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.001537/200781 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202004.720 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO SANTANDER DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÕES E INEXATIDÕES INEXISTENTES. Negase provimento aos embargos cuja omissão ou inexatidão não foram comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para negarlhes provimento. Assinado digitalmente Ronnie Soares Anderson Presidente. Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 15 37 /2 00 7- 81 Fl. 2007DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão de Embargos nº 2202004.128, de 12/09/2017 (fls. 1.983/87), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 01/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ERROS MATERIAIS E OMISSÃO. Cabíveis embargos de declaração quando o acórdão contém erros materiais ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." (Súmula CARF nº 5) ABONO ÚNICO De acordo com o Parecer PGFN nº 2114/2011 "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária". A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.442, de 14/06/2016: a) também excluir do lançamento a competência 01/2005 e os juros de mora sobre os valores objeto de depósito judicial no montante integral; b) reconhecer que a competência 10/2005 foi objeto de medida judicial com depósito. Os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN em 10/10/2017 (despacho de encaminhamento de fl. 1.988). De acordo com o disposto no art. 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação da Portaria MF nº 39, de 2016, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorreu em 10/11/2017. Em 13/11/2017, tempestivamente, foram opostos os Embargos de Declaração de fls. 1.989 a 1.992 (despacho de Encaminhamento de fls. 1.993). A embargante aponta que o acórdão embargado foi obscuro ao determinar a exclusão dos juros de mora da competência 10/2005, da qual já haviam sido excluídos os acréscimos legais pela DRJ. Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.720 S2C2T2 Fl. 405 3 Quanto às demais competências, a embargante alega omissão, uma vez que, ao determinar a exclusão dos juros, o colegiado não levou em conta que os depósitos foram efetuados após o vencimento dos tributos discutidos, além do que há no relatório fiscal a informação de que os depósitos não atingiram o valor das contribuições lançadas. Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise da omissão apontada no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora A Recorrente alega obscuridade da decisão que excluiu a incidência de juros sobre os depósito relativo à competência 10/2005, uma vez que tais valores já teriam sido expurgados do lançamento. Para demonstrar essa afirmação cita o seguinte da decisão da DRJ 35.3. Ação Declaratória n.º 2005.34.00032600: contribuinte efetuou depósito judicial de parte da contribuição previdenciária incidente sobre o Abono Único (pago no mês 10/2005), no valor de R$ 1.857.420,00, em 03/11/2005 (fls. 572), data do vencimento da referida contribuição, pelo que não há incidência de juros ou multa de mora. (destacamos) Todavia, o fato da decisão da DRJ ter reconhecido em sua fundamentação de que não deveria haver juros ou multa não significa que os juros não foram lançados ou mesmo que ele tenham sido cancelados na decisão. Com efeito, o próprio relatório da decisão da DRJ atesta que foram lançados juros para a competência 10/2005, conforme se constata pela seguinte passagem: 1.1) O crédito tributário abrange as contribuições devidas nas competências 01/1999, 11/2001, 01/2002, 09/2002, 10/2003, 07/2004, 01/2005 e 10/2005, no valor principal de R$ 7.924.255,05, acrescidos de juros e multa, que totalizam o valor de R$ 14.225.696,89 (quatorze milhões, duzentos e vinte e cinco mil, seiscentos e noventa e seis reais e oitenta e nove centavos) consolidado em 11/12/2006, do qual foi dado ciência ao Sujeito Passivo em 12/12/2006, conforme Folha de Rosto da NFLD (fls. 1) (grifos nossos e no original) Por outro lado, a parte dispositiva da decisão deixa claro que a incidência de juros não foi excluída na decisão: CONCLUSÃO 38. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito encontrase revestido (sic) das formalidade legais, estando de Fl. 2009DF CARF MF 4 acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. 38.1. Foram apresentados todos os relatórios que, de acordo com as orientações normativas vigentes, são necessários e suficientes para apresentar ao sujeito passivo as informações pertinentes à origem das contribuições previdenciárias lançadas. 38.2.2 Às contribuições previdenciárias incluídas na presente Notificação aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Nesses termos, os valores referentes à competência 01/1999 foram alcançadas (sic) pela decadência e devem ser excluídos do presente crédito previdenciário, nos termos do DADR (FLS. 613/614) 38.3. A Impugnação, apresentada tempestivamente, não merece prosperar visto que não apresentou alegações ou documentos capazes de macular a autuação em apreço, nos termos deste Voto. 38.4. A existência de depósitos judiciais garantindo parte dos valores incluídos neste lançamento deverá ser observada e considerada no momento oportuno (sem incidência de multa de mora), nos termos deste Voto e da planilha de fls. 612 Verificase, assim, que a decisão embora tenha reconhecido, em sua fundamentação, que não deveria haver incidência de juros de mora na competência 10/2005 não reproduziu essa conclusão na sua parte dispositiva o que justifica o pedido formulado pelo contribuinte nos primeiros embargos. Em relação a alegação de que seriam devidos os juros em razão da extemporaneidade dos depósitos, novamente, sem razão a Embargante. Isso porque, conforme se verifica pela planilha constante às fls. 1432, embora os depósitos tenham sido feito quando cassada as liminares e antecipação de tutela e, portanto, após o vencimento, foram incluídos os juros de mora incidentes até a data do depósito. Por fim, em relação à insuficiência de depósitos, verificase a que o CARF determinou, por meio da Resolução nº 2301000.408, que fosse trazido aos autos elementos que pudessem indicar o desfecho final das ações, conforme se verifica pelo voto do então Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes: 2. Esta discrepância do depósito judicial, a meu ver, ocorreu em razão de as ações propostas pelo contribuinte recorrente terem se dando antes da emissão do lançamento fiscal inicial, em 2006, como facilmente se averigua a seguir na relação ação judicial versus lançamento fiscal inicial, de 11 de dezembro de 2006: Processo 2002.61.00.0221490 – Ano 2002, Mandado de Segurança impetrado em 19/08/2005, teve depósito judicial. Situação atual: Decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte reconhecendo a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de abono único previsto em convenção coletiva. Nos autos consta Certidão expedida pelo Tribunal Regional Federal da Terceira Região, de 19.11.07, em que consta a distribuição destes autos por Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 14485.001537/200781 Acórdão n.º 2202004.720 S2C2T2 Fl. 406 5 dependência/prevenção, restando conclusos até a mencionada data. Processo 2003.34.00.0364934 – Ano 2003, Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária com pedido de antecipação de tutela proposta em 23/10/2003. Está m fase de Execução. . Nos autos consta Certidão expedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de 28.11.07, em que consta a distribuição destes autos por dependência/prevenção, restando conclusos até a mencionada data. Processo 2005.34.000325600 – Ano 2005, Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária com pedido de antecipação de tutela proposta em03/11/2005. Pedido improcedente. Localização atual: Tribunal Regional Federal da Primeira Região – TRF1, conforme Certidão em 29.11.07. 3. Não há nos autos processo judicial questionando o recolhimento tributário sobre abono único pago nas competências 07/2004 e 01/2005. 4. Dadas as informações, vejo a necessidade de conversão do presente julgamento em diligência a fim de que o fisco traga certidão dos mencionados tribunais sobre a situação atual dos processos e cópia da decisão que tenha reconhecido ou negado os pedidos constantes nas peças iniciais. Em relação ao processo 2002.61.00.0221490 o próprio despacho reconhece o seu trânsito em julgado com decisão favorável ao contribuinte. Após a pedido de diligência foi juntada aos autos (fls. 1921/1922) a certidão relativa ao Processo nº 2003.34.00.036934 na qual atestase a existência de decisão favorável ao contribuinte e o seu respectivo trânsito em julgado. Por fim, em consulta ao site do TRF da 1º Região verificase o Processo 2005.34.000325600 também teve decisão favorável ao contribuinte a qual transitou em julgado em 05/09/2014 o que torna sem sentido qualquer discussão sobre a divergência entre os valores lançados e depositados. Em face do exposto, nego provimento aos embargos. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 2011DF CARF MF 6 Fl. 2012DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13886.000143/00-64
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/1999
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO À REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL RECONHECIDO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DRJ.
Uma vez superada a premissa adotada pela DRJ de que o Recorrente se encontrava excluído do SIMPLES NACIONAL, conforme acórdão que reconheceu o direito do contribuinte à reinclusão, os autos deverão retornar à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário, em observância ao disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, evitando assim supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3002-000.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins determinar o retorno dos autos à DRJ, para que esta, em decorrência da decisão final proferida no Acórdão nº 303-35.789, que reconheceu o direito do Recorrente à reinclusão no SIMPLES, analise a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/1999 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO À REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL RECONHECIDO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DRJ. Uma vez superada a premissa adotada pela DRJ de que o Recorrente se encontrava excluído do SIMPLES NACIONAL, conforme acórdão que reconheceu o direito do contribuinte à reinclusão, os autos deverão retornar à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário, em observância ao disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão.
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. DIREITO À REINCLUSÃO NO SIMPLES NACIONAL RECONHECIDO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELA DRJ. Uma vez superada a premissa adotada pela DRJ de que o Recorrente se encontrava excluído do SIMPLES NACIONAL, conforme acórdão que reconheceu o direito do contribuinte à reinclusão, os autos deverão retornar à DRJ para análise da certeza e liquidez do crédito tributário, em observância ao disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, evitando assim supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para fins determinar o retorno dos autos à DRJ, para que esta, em decorrência da decisão final proferida no Acórdão nº 30335.789, que reconheceu o direito do Recorrente à reinclusão no SIMPLES, analise a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 01 43 /0 0- 64 Fl. 598DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 482/483 dos autos: A contribuinte acima qualificada ingressou com pedido de restituição cumulado com pedido de compensação dos valores recolhidos a título de PIS e Cofíns referentes ao período de apuração de fevereiro e março de 1999 com débitos relativos ao Simples (código 6106) dos mesmos períodos. Esclareceu a interessada que em 01/02/1999 solicitou a sua exclusão do Simples e, em 10/05/1999, solicitou a sua reinclusão no referido sistema com data retroativa à data da exclusão, ou seja 01/02/1999, conforme pedido de fl. 13, tendo sido homologada a sua reinclusão conforme documento de fl. 12, datado em 11/06/1999. Assim, segundo a requerente, estando a empresa reincluída no Simples desde 01/02/1999, teria havido recolhimento indevido de tributos nos meses de março e abril de 1999 feitos nos códigos 2172, 8109 e 6106. A fl. 27 consta o despacho do Chefe da Sasit/DRF/Limeira informando que a empresa foi excluída do Simples em 01/02/1999 (doe. de fl. 24) e que não foi encontrado nenhum processo do contribuinte solicitando sua reinclusão no Simples e, no final, propôs que o contribuinte fosse intimado a apresentar documento que comprovasse a alegação de que o seu pedido de reinclusão fora homologado. Ao ser intimada, a empresa apresentou em 01/06/2001 os esclarecimentos de fl. 34, acompanhados dos documentos de fls. 30/33, informando ter optado pelo Simples em 04/03/1997 através do Termo de Opção e em 03/03/1999 solicitou, via Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (fl. 31), a sua exclusão a partir de 01/02/1999 e, em 10/05/1999, solicitou, via requerimento, a sua reinclusão no sistema retroativamente a 01/02/1999, tendo seu pedido sido homologado, conforme pesquisa realizada no sistema Sivex em 11/06/1999 (doe. de fls. 12 e 33). No final , requereu baixa do enquadramento a partir daquela data (01/06/2001), alegando não ter recebido qualquer comunicado da Receita Federal. A Delegacia da Receita Federal em Limeira, por meio do despacho decisório de fls. 41/45, indeferiu o pedido formulado pela interessada ao argumento de que não houve pagamento indevido, uma vez que a contribuinte encontrase excluída do Simples desde 01/02/1999 e acrescentou que quanto ao pedido de reinclusão retroativa no Simples, cuja cópia se vê à fl. 13, fazse necessário esclarecer que, ao contrário do que diz o contribuinte, o seu pedido não foi homologado, ou seja, o contribuinte, desde 01 de fevereiro de 1999 encontra se excluído do Simples. Não está comprovada também a ocorrência de erro de fato no pedido de exclusão do Simples, motivo pelo qual não cabe à autoridade administrativa proceder a inclusão retroativa no Simples. Cientificada do despacho decisório em 07/08/2001, a empresa, inconformada, ingressou em 06/09/2001 com a impugnação de fl. 50/51, instruída com os documentos de fls. 52/56, alegando, em síntese, não ter recebido resposta de seu pedido de reinclusão no Simples e questionou a validade do documento de fl. 12 e 33 (pesquisa no Sivex) que demonstraria, segundo o seu Fl. 599DF CARF MF Processo nº 13886.000143/0064 Acórdão n.º 3002000.216 S3C0T2 Fl. 599 3 entendimento, que a opção foi homologada. No final solicitou reexame da questão à vista das alegações e documentos apresentados. Por meio de Resolução (fls. 60/62), os autos foram encaminhados ao órgão de origem (DRF/Limeira) para apreciar o pedido formulado pela interessada à fl. 32 (reinclusão ao Simples retroativamente à data da exclusão), bem assim para esclarecer quanto a indicação na pesquisa de fl. 33 : Situação da opção HOMOLOGADA. Em atendimento, o Chefe da Sacat/DRF/Limeira, por meio do despacho de fls. 67/ 75, decidiu manter a efetivação da exclusão do Simples, bem assim o despacho decisório exarado pela DRF/Limeira (fls. 41 a 45), após esclarecer que o documento de fl. 12 cuida do acolhimento da opção pelo Simples feita em 04/03/1997, tendo a empresa sido excluída do Simples, a pedido, a partir de 01/02/1999, permanecendo até hoje (16/08/2002). Cientificado do referido despacho, a contribuinte solicitou que fosse analisado o documento denominado Sivex, juntado às fls. 12 e 32, que teria levado à empresa ao entendimento de que seu pedido de reinclusão no Simples havia sido aceito, tanto que entrou com o presente pedido de compensação, razão de considerar injusta a intimação para proceder ao recolhimento dos tributos no período de 01/02/1999 a 31/05/2001 e retificar as declarações. Por último, informou que a partir de 01/06/2001 passou a recolher os tributos pelo lucro real, acatando a decisão da SRF (fl. 80). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir os pedidos formulados pela contribuinte de restituição e compensação de valores recolhidos a título de Pis e Cofins, conforme decisão que restou assim ementada: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/1999 Ementa: RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO. A restituição de imposto está condicionada à comprovação, por parte do sujeito passivo, de ter havido pagamento indevido ou maior que o devido. Solicitação Indeferida A referida decisão centrouse no fato de que, no período de fevereiro a março de 1999, a empresa encontravase excluída do SIMPLES NACIONAL e, portanto, não estava sujeita ao recolhimento dos tributos e contribuições nesta sistemática. Logo, entendeu que não estaria provado o recolhimento indevido, pelo que não haveria como se acolher a pretensão da interessada. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 26/02/2003 (vide AR à fl. 488 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 25/03/2003, Recurso Voluntário (fls. 489/490), através do qual requereu: (i) o recebimento do recurso voluntário; ii) a procedência do recurso para reformar o acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito ao crédito de COFINS requerido no pedido de ressarcimento. O processo, então, foi encaminhado a este Conselho Administrativo Fiscal, para fins de julgamento do Recurso Voluntário interposto. Por meio da Resolução nº 20100.462 (fls. 495/497) a antiga Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes declinou da competência de julgamento da questão prejudicial ao Terceiro Conselho de Contribuintes, por ter entendido que a questão Fl. 600DF CARF MF 4 relativa à reinclusão do contribuinte no SIMPLES era da competência daquele Conselho, por versar sobre a aplicação da Lei nº 9.317/1997. A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por seu turno, por meio da Resolução nº 30301.312 (fls. 502/507), reconheceu a sua competência para o julgamento da matéria e converteu o julgamento em diligência, a fim de que fosse apurada com mais clareza a atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte. O processo, então, retornou da origem com a informação fiscal de fls. 552, na qual a autoridade administrativa informou que a empresa se dedica à atividade de prestação de serviços de jardinagem. Ato contínuo, o Recurso foi julgado, à época, pelo terceiro conselho de contribuintes (vide decisão às fls. 553/556 dos autos), o qual entendeu por dar provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão do SIMPLES NACIONAL, determinando que os autos fossem restituídos ao Segundo Conselho de Contribuinte, para julgar o restante. A ementa e acórdão desta decisão consignaram o seguinte: Assunto : Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/1999 Comércio de Plantas Ornamentais, ainda que associado ao serviço de jardinagem prestado por empregados da pessoa jurídica não caracteriza locação de mãodeobra e, conseqüentemente, não incide no impedimento fixado pela legislação que disciplina o regime. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à exclusão do Simples e restituir os autos ao Segundo Conselho de Contribuintes para julgar o restante, nos termos do voto do relator. (Grifos apostos). Ou seja, restou reconhecido o direito da Recorrente à reinclusão no SIMPLES NACIONAL quanto ao exercício de 1999, período sobre o qual recai a controvérsia em julgamento. A Fazenda Nacional, então, apresentou embargos de declaração, os quais foram rejeitados em 19 de junho de 2009, por meio do despacho de fls. 567/571. A Procuradoria da Fazenda Nacional tomou ciência desse despacho no dia 09 de dezembro de 2011 (vide fl. 572), contudo, deixou de recorrer. O processo, então, retornou à repartição fiscal de origem para que o contribuinte tomasse ciência do Acórdão nº 30335.789 (fl. 576). Após proceder à regular notificação do contribuinte, ocorrida em 31/10/2014 (fls. 583), a autoridade administrativa devolveu o processo ao CARF para cumprimento tanto da Resolução nº 20100.462 (fls. 495/497), que havia declinado da competência de julgamento da questão prejudicial ao Terceiro Conselho de Contribuintes e solicitado o retorno do processo ao Segundo Conselho para prosseguimento (fls. 585), quanto do Acórdão nº 30335.789, por meio do qual foi julgada a questão prejudicial e determinada a restituição dos autos ao Segundo Conselho de Contribuintes, para que procedesse ao julgamento do restante. Sendo assim, os autos retornaram à Terceira Seção de Julgamento deste Conselho, para que fosse julgado o restante do Recurso Voluntário interposto, no que tange ao pedido de restituição cumulado com pedido de compensação dos valores recolhidos a título de PIS e Cofíns referentes ao período de apuração de fevereiro e março de 1999. Fl. 601DF CARF MF Processo nº 13886.000143/0064 Acórdão n.º 3002000.216 S3C0T2 Fl. 600 5 Tal situação foi reconhecida expressamente por meio do despacho de fls. 587, transcrito a seguir: Tratase de pedido de restituição do PIS e Cofins vinculado a compensação (fls. 01/02), cuja restituição vinculase a exclusão do SIMPLES, questão que já foi decidida, nos termos do Acórdão 30335.789 de 12/11/2008. Resta, agora, apreciar o recurso voluntário no que diz respeito aos pedidos de restituição do PIS/Cofins e de compensação. Nesse mesmo sentido, manifestouse o despacho de saneamento de fls. 594/596 dos autos. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 489/490), por meio do qual se insurgiu contra o posicionamento da primeira instância de indeferir o pedido de restituição e compensação de valores recolhidos a maior a título de PIS e COFINS nos meses de fevereiro e março de 1999, e compensação de parte deles com débitos relativos ao SIMPLES NACIONAL, por considerar ter direito ao enquadramento no sistema neste período. Sua argumentação cingese à controvérsia quanto à ocorrência da homologação de seu pedido de reinclusão no sistema, realizado em 10/05/1999, retroativo à data de exclusão, em 01/02/1999. Afirma que constatou a homologação de seu pedido de reinclusão através de consulta realizada no terminal da ARF de Americana/SP, em 11/06/1999, ao funcionário de nome “Célio” (vide fl. 424), mas que não obteve resposta ao pedido formulado. Foi, então, surpreendido por informação repassada pelo INSS, no ano de 2000, de que não constava como optante pelo SIMPLES NACIONAL. Argumenta que, por falta de orientação das autoridades administrativas, e não por culpa dele, contribuinte, deixaram de ser praticados atos administrativos que comprometeram o pedido de reinclusão no referido sistema. Pede análise dos fatos e documentos à luz dessa explicação, para obter anulação do acórdão recorrido e acolhimento de seus argumentos. A decisão recorrida rejeitou os pedidos de restituição e compensação do contribuinte por entender que o documento de fl. 424 referese ao acolhimento da opção pelo SIMPLES NACIONAL, realizada pelo contribuinte, em 04/03/1997, e não ao pedido de reinclusão feito em 10/05/1999. Ou seja, a referida decisão centrouse no fato de que, no período de fevereiro a março de 1999, a empresa encontravase excluída do SIMPLES NACIONAL e, portanto, não estava sujeita ao recolhimento dos tributos e contribuições nesta sistemática. Logo, entendeu que não estaria provado o recolhimento indevido, pelo que não haveria como se acolher a pretensão da interessada. Fl. 602DF CARF MF 6 Ocorre que, como verificado pelos despachos de encaminhamento (fl. 587) e saneador (fls. 594/596), e como se vê da decisão de fls. 553/556, a controvérsia sobre a reinclusão no SIMPLES NACIONAL restou decidida em definitivo pela antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, no sentido de dar provimento ao recurso neste ponto, reconhecendo sua reinclusão no SIMPLES NACIONAL no exercício de 1999. Assim, definida esta questão, resta apenas decidir acerca dos pedidos de restituição e compensação de valores de PIS e COFINS. Para que se possa analisar tais pedidos, portanto, há de se verificar se o crédito alegado pelo contribuinte se reveste dos requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Sobre o assunto, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, conforme passagem a seguir transcrita: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (art. 170, do CTN).” (STJ, 1ª T., AgRg no Resp 862.572/CE, Rel. Ministro LUIZ FUX, mai/08). Verificase, contudo, que a análise da certeza e liquidez do crédito tributário em comento não chegou a ser analisada pela DRJ, em razão da equivocada premissa adotada naquela decisão de que o contribuinte não teria direito à reinclusão no SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, apresentase imperativo o retorno dos autos à DRJ, para que esta analise a certeza e liquidez do crédito tributário em testilha, com fulcro no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Até porque, entendo que não seria possível à presente instância de julgamento, após superada a referida premissa através do Acórdão nº 30335.789, julgar o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância. Sobre a necessidade de retorno dos autos à DRJ, já se manifestou este Conselho Administrativo Fiscal em decisões proferidas em casos análogos, a exemplo da transcrita a seguir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2005 a 31/07/2005 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 13886.000143/0064 Acórdão n.º 3002000.216 S3C0T2 Fl. 601 7 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. (Acórdão nº 3402004.383, de 30/08/2017) Com fulcro nos fundamentos acima expostos, considerando que a certeza e liquidez do crédito tributário em comento não chegou a ser analisada pela instância anterior, entendo que os autos deverão ser devolvidos à DRJ, para que providencie tal análise. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins determinar o retorno dos autos à DRJ, para que esta, em decorrência da decisão final proferida no Acórdão nº 30335.789, que reconheceu o direito do Recorrente à reinclusão no SIMPLES NACIONAL, analise a certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 604DF CARF MF
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Numero do processo: 10845.002087/2005-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA.
As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados, estão impedidas de optar pelo Simples, por vedação expressa na Lei criadora da sistemática simplificada.
Numero da decisão: 1001-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ATIVIDADE VEDADA. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados, estão impedidas de optar pelo Simples, por vedação expressa na Lei criadora da sistemática simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 20 87 /2 00 5- 94 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de Ato Declaratório DRF/STS n.° 80, de 12 de setembro de 2005. (e fl. 40), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, ou seja, de que a contribuinte exerceria atividade econômica não permitida de profissionais assemelhados a consultores, corretores e estatístico, por força do artigo 9°, inciso XIII, alínea f da Lei 9.317/96.". Abaixo a descrição do litígio, relatada na decisão recorrida (efl. 34): Trata o presente processo, formalizado em 04/07/2005 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, de exclusão da contribuinte do Simples. 2. Informese que empresa foi incluída na sistemática simplificada na data de 01/01/1997 (fl. 34). 3. Observase que o processo teve origem na análise da Solicitação da Revisão da Exclusão do Simples n° 0810600/0172, na qual constatouse o exercício de atividade econômica vedada ao regime simplificado (fl. 1). 4. Juntouse aos autos cópia da Intimação n° 023/2005, de 01/02/2005, expedida por ocasião da instrução documental da supracitada SRS, na qual a interessada foi intimada a apresentar (fl. 8): 4.1. Descrição detalhada, por escrito, de todos os serviços prestados pela empresa. 4.2. Comprovante de alteração do CNAE, que deve ser alterado caso esteja incompatível com as atividades da empresa. 5. Acostouse ao processo os esclarecimentos às fls. 9 e 10, e documentos fiscais às fls. 11 a 33. 6. A DRF/Santos exarou o despacho às fls. 36 a 38, em 01/09/2005, com o registro de que as declarações prestadas pela contribuinte e as Notas Fiscais juntadas aos autos consignam que a empresa: 6.1. Presta informações para tomada de decisões por cliente . Estas informações são cruzamento de tabelas com dados diversos e destinados a fins diversos, que extrapolam a gestão da empresa. 6.2. Trabalha com dados meteorológicos, químicos e de natureza ambiental ,que são entregues a clientes na área acadêmica, que os utilizam em suas atividades. 6.3. Oferece orientação técnica para fins diversos, principalmente em questões ligadas à saúde, meio ambiente, com aplicações diversas pelos compradores desses serviços técnicos, que os utilizam de inúmeras formas, desde a elaboração de orientação para saúde até o desenvolvimento de conteúdos doutrinário/religiosos. 6.4. Presta atendimento complementar, com atividades subsidiárias e intermediação junto a terceiros que possibilite ao Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10845.002087/200594 Acórdão n.º 1001000.743 S1C0T1 Fl. 101 3 cliente, que compra os serviços da empresa, realizar a contento sua missão. 6.5. Oferece dados de natureza diversa para a confecção do programa que se constitui de parte musical, parte comentários analíticos de jogos de futebol, indicações diversas, elaboradas pelos profissionais da rádio na forma final de apresentação e execução. 6.6. Realiza pesquisas sócioeconômicas de campo, tanto com objetivos econométricos como para serviços de marketing. 6.7. Efetua estudos na área de saúde feminina e ginecológica para subsídios técnicos, que são empregados na realização de roteiro educacional. 7. Concluiu que a empresa oferece diversos tipos de orientações e subsídios a diversas empresas em suas atividades, sendo em parte através de informações estatísticas; além disso, pratica agenciamento. 8. Acrescentouse que tais atividades são impeditivas ao regime simplificado, tendo em vista o disposto no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996, no qual consta vedação expressa para a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. 9. Em prosseguimento, a DRF/Santos emitiu o Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 80, em 12/09/2005, para excluir a contribuinte da sistemática simplificada com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002, ein razão de a atividade desempenhada pela recorrente ser assemelhada à prestação de sen/iços de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados (fl. 39). 10. A exclusão foi fundamentada nos artigos 9°, inciso XIII, 15, § 3°, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996; artigo 24, parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003. 11. Cientificada do retrocitado despacho e do ADE em 03/11/2005 (fl. 45), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 29/11/2005, com a seguinte alegação (fls. 46 e 47): "Ao tomar conhecimento da analise efetuada da documentação e registros existentes em minhas notas fiscais, cumpreme corrigir o que segue, em busca da correta interpretação das atividades de minha empresa. Não realizamos agenciamentos de quaisquer espécies. Não e da nossa atividade. Em 1998 intermediamos contato entre um cliente eventual e a TV Tribuna para colocação de um filme no ar. Foi nossa única incursão neste Fl. 102DF CARF MF 4 segmento. Nunca mais realizamos esta natureza de atividade. Nossos trabalhos não são estatísticos, uma vez que toda informação que trabalhamos não decorre de processo numérico, algoritmos ou logaritmos para informações ou projeções, dados passados de projeção, avaliação e entendimento, analise dos dados. Trabalhamos com tabelas numéricas onde registros fisico químicos encontrados em analises laboratoriais, realizadas em espectrofotômetros de absorção, são inclusos de forma cientifica em um sistema, Os resultados desses procedimentos e objeto de avaliação química e não estatística. A avaliação não e comparada, gerado gráfico, extraídos logaritmos ou curvas de projeção e representação. Não e trabalho estatístico. Não há em nossas atividades a obrigatoriedade de quaisquer registros profissionais, haja vista os dados processados serem entregues a Universidade Católica de Santos, ao seu Instituto de Pesquisas Cientificas, onde pessoas gabaritadas, registradas em seus respectivos conselhos dão a continuidade dos trabalhos. Para ilustrar e estabelecer analogia que permite entender este processo, seria como a exigibilidade do CREA para o pintor de paredes. Somos, ainda estabelecida a analogia, excelentes pintores de parede. Mas não somos os engenheiros nem arquitetos. Junto ao Santos Futebol Clube não realizamos também trabalhos estatísticos. Nem ao menos de produção jornalística, publicitária. Não realizamos agenciamento de publicidade, conquista de contas ou patrocínios. Somente damos apoio aos trabalhos de um setor ligado a diretoria do clube. Este apoio e em coleção de textos recortados e catalogados em ordem, retirada de dados da Internet, impressos e entregues. Busca de publicações que possam dar no futebol santista, o do Santos Futebol Clube, leituras pertinentes e adequadas. Não há sequer necessidade de formação escolar sofisticada este trabalho, ainda mais de profissão reconhecida, ligada a conselhos, ordens. Quanto a assemelhados. Nosso trabalho assemelhase ao de auxiliares. Assim, conforme o artigo XIII da Lei 9317/96 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físicoquímico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10845.002087/200594 Acórdão n.º 1001000.743 S1C0T1 Fl. 102 5 professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida Nada do acima exposto sequer esbarra em nossa atuação. 1 ) Não fazemos corretagem de nada 2) Não somos representantes de nenhum produto 3) Nada temos a ver com espetáculos, atuação de atores ou quaisquer atividades artísticas, como bem demonstram os descritivos de nossas notas fiscais e ate' mesmo as atividades das empresas para as quais são destinados os nossos esforços 4) Nao realizamos estatísticas e nada assemelhado 5) Não administramos, programamos, analisamos sistemas 6) Nao há atividade jornalística na empresa 7) Não há atividade publicitária na empresa 8) Nao lecionamos e nem mantemos atividades educativas 9) Não há nada assemelhado a quaisquer dessas atividades indicadas Sendo assim, com a devida vênia pela replica, acreditando terem os senhores a missão de tornar justa a contribuição, mesmo havendo compensação pelos nossos sempre em dia pagamentos de impostos, pecolhe as reconsiderações no despacho e que nos mantenham no REGIME DO SIMPLES, pois esta e nossa verdadeira e única condição, sendo qualquer outra que nos venha a classificar injusta e inadequada. Dou de 14/12/98, pág. 4/5 Altera dispositivos das Leis n°s 8.212 e 8.213, ambas de 24 de julho de 1991, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e dá outras' providências Art. 3°Os dispositivos a seguir indicados da Lei n°9.317, de 5 de dezembro de 1996, passam a vigorar com as seguintes alterações: § 4° Para fins do disposto neste artigo, os convênios de adesão ao SIMPLES poderão considerar como empresas de pequeno porte tãosomente aquelas cuja receita bruta, no anocalendário, seja superior a R$ 120. 000. 00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais).“ (NR) Fl. 104DF CARF MF 6 A publicação acima demonstra inclusive, que pelos parâmetros de faturamento, não somos excluídos do SIMPLES. ” A decisão de primeira instância (efls. 68/78) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Inicialmente o voto condutor desta decisão argumenta que por ser o Simples Federal um regime de normas que concedem isenções tributárias e dispensam o cumprimento de obrigações tributárias acessórias, os dispositivos legais a ele pertinentes devem ser interpretados literalmente, à luz do art. 111 do Código Tributário Nacional. A seguir o voto condutor da decisão recorrida dá as razões pelas quais as atividades de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados estariam comprovadas nos documentos fiscais do contribuinte e nas próprias declarações do então recorrente. Desta forma, seriam impeditivas da adesão do contribuinte ao Simples por força do disposto no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 05/12/1996. E rebate as demais razões da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 25/08/2008 (efl. 84) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 19/09/2008 (efl. 85), em que cita algumas das notas fiscais anexadas aos autos, seguidas de argumentações em que tenta negar o conteúdo descrito nos documentos fiscais. A respeito afirma que "foram cometidos em quase todas notas fiscais o engano de se colocar o nome de relatórios e assuntos a que se referiam, como nosso trabalho". Anexa declarações referentes a dois clientes, no sentido também de tentar negar o conteúdo descrito nos documentos fiscais (somente teria sido prestado serviço de digitação); e também aduz: 1) A Com Arte Telem e Comunicação Ltda, quando foi inscrita no programa do SIMPLES, em dez/1996, pelo contador Sr. Sebastião de Sá e o advogado, que o orientou na elaboração do Contrato Social, teve como objetivo ser uma empresa prestadora de serviços administrativos, na área onde havia maior necessidade fim da década de 90, que era pegar as informações administrativas e técnicas rotineiras e digitalizálas em programa de computador, numa época em que as pessoas estavam pouco familiarizadas com esse novo processo. 2) Informações que precisassem ser atualizadas num novo formato de armazenagem, eram processadas com essa nova tecnologia. Foi quando o termo "Banco de Dados" apareceu como natureza do trabalho no CNAE, mas na verdade, por certa dificuldade do Sr. contabilista em enquadrar o tipo de serviço, não foi apropriada a atividade da empresa. O equívoco começou nesta ocasião, com a classificação inadequada da atividade exercida pela empresa: digitação, processamento de dados, editoração eletrônica, mala direta, gravação de áudio e transcrição de textos para impressão gráfica, encadernação e serviços pertinentes. 3) Nunca poderíamos ou quisermos ter a pretensão de elaborar ou criar textos técnicos, de arte ou científico, apenas sermos o instrumento pra manipulálos, armazenálos numa "nova linguagem" , com o surgimento do computador pessoal e a internet. O fato de terem sido escritas em diversas notas fiscais a palavra assessoria, foi por equívoco e falta de orientação do contador, era uma forma simplista de descrever o serviço realizado, induzindo por absoluta ignorância da legislação a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10845.002087/200594 Acórdão n.º 1001000.743 S1C0T1 Fl. 103 7 interpretação contrária aos fatos que realmente ocorriam no trabalho, que era de natureza administrativa. ' 4) No Recurso anterior a este, a palavra NÃO foi omitida no texto escrito pelo contador, o que resultou numa afirmação contrária ao que era argumentado por ele. Colocando as mesmas palavras que estavam escritas na natureza da operação e ao assunto a que se referia, que já não correspondiam a verdadeira natureza do serviço prestado. Na hora de assinar, em confiança, não percebi, provocando com isso mais desentendimento. Nas 23 notas fiscais juntadas nos autos, emitidas no período de 1997 a 2004, no campo natureza da operação verificadas pelo Sr. fiscal e que hora descrevemos com a devida correção . (...) Por falta de uma boa orientação sobre a legislação tributária assunto até então por nós desconhecido, foram cometidos em quase todas notas fiscais o engano de se colocar o nome de relatórios e assuntos a que se referiam, como nosso trabalho. Muitas vezes até por solicitação dos nossos clientes, para facilitar seu controle ( referência sobre o trabalho realizado). Tornouse um hábito, que só então agora, nos dermos conta dessa falha, que causou dúvidas sobre a natureza na nossa atividade. Tantos e tantos assuntos diferentes um do outro, mostram como o nosso trabalho era apenas o de manuseio destas informações e não de nenhuma produção intelectual. Seguem anexas a este recurso, cartas com declarações de alguns clientes, que servem de esclarecimento ao nosso trabalho. Cartas de clientes mais antigos não estão anexas pois não foi possível contatálos. Quero aproveitar a oportunidade para comunicar que não pudemos migrar para o SIMPLES NACIONAL, por estarmos com esta pendência deste recurso, para esclarecermos nossa atividade, deixamos de trabalhar e a empresa está inativa desde setembro de 2007. Agradeço vossa compreensão e peço desculpas pelos desentendimentos causados. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Quanto ao mérito, o artigo 9°, inciso XIII, e art. 13, II, "a" da Lei n.° 9.317/96, prescrevem sobre o impedimento da opção e à obrigatoriedade da exclusão quando constatado que houve opção indevida: Fl. 106DF CARF MF 8 “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (..) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida" (Destaquei)". (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II Obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; Já os efeitos da exclusão foram fixados a partir de 1° de janeiro de 2002 conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9°; Ressaltese que para a exclusão do Simples Federal basta a confirmação (artigo 9°, inciso XIII) de que o contribuinte "preste serviços" vedados. As provas carreadas aos autos neste sentido foram as notas fiscais (efls. 12/34) e declaração do contribuinte (efls. 10/11) em que se constata a descrição do exercício de atividades, entre outras, de corretor, consultor e estatístico. Nas notas fiscais por diversas vezes o contribuinte atesta exercer a atividade de assessoramento (efls. 24, 27 e 28). Constatase que as próprias declarações do contribuinte reforçam o entendimento do exercício das atividades vedadas, quando descreve, por exemplo, que praticou a "quantificação e qualificação de dados" fornecidos pelo cliente Santos Futebol Clube (efl. 11), condizente com a atividade de estatístico. A mesma atividade está descrita na nota fiscal do serviço prestado para a Sociedade Visconde de São Leopoldo (e fl. 25 e 31). Já na nota fiscal de serviço prestado para A Tribuna de Comunicação literalmente atesta que o serviço foi de "agenciamento publicitário" (efl. 19). Diante da comprovação mencionada neste voto e nos autos não basta a Recorrente (ou a seus clientes, que aqui se fizeram representar apenas por amostragem) apenas afirmar o oposto do contido nos documentos fiscais. O DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, reproduzido no art. 923 do RIR 99, prescreve que somente a escrituração corroborada por documentos hábeis, segundo Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10845.002087/200594 Acórdão n.º 1001000.743 S1C0T1 Fl. 104 9 sua natureza, fazem prova a favor do contribuinte. E a única prova hábil a comprovar as prestações dos serviços foram as próprias notas fiscais: Art. 9º (...) § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Desta forma, confirmamos o já atestado pela decisão de primeira instância de que há farta comprovação de que houve o exercício das atividades vedadas e de que o exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas provenientes destas atividades no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ou a manutenção na sistemática simplificada, uma vez que não há previsão legal para o pagamento de tributos e contribuições de forma mista: parte pelo sistema tradicional e parte pelo Simples. Assim dispôs propriamente a decisão de primeira instância: 16. Nas 23 Notas Fiscais juntadas aos autos, emitidas no período de 1997 a 2004, verificase, no campo “Natureza da Operação”, tratarse de prestação de serviços de telemarketing (fl. ll), jornalismo (fl. 12), roteiro de tv (fl. 13), agenciamento publicitário (fl. 18), roteiro Avon (fl. 19), assessoria e implantação de banco de dados (assessoria e utilização de programas para implantação de banco de dados toxicológico fl. 23), processamento de dados (fl. 24), assessoria em código do consumidor (fl. 25), assessoria em marketing (fls. 26 e 32), assessoria em jornalismo (fl. 27), apoio ao programa radiofônico Almanaque 810 (fl. 28), apoio mercadológico (tl. 29), informações e pesquisa (l“ fase pesquisa e dados avaliação municipal Cubatão fl. 31) e tabulação e processamento de pesquisas (fl. 33). 17. Assim, correto o despacho da DRF ao concluir que a empresa oferece diversos tipos de orientações e subsídios a diversas empresas em suas atividades, sendo em parte através de informações estatísticas; além disso, pratica agenciamento. 18. Igualmente pertinente a análise de que tais atividades são impeditivas ao regime simplificado, tendo em vista o disposto no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/1996, no qual consta vedação expressa para a pessoa jurídica que presta serviços profissionais de corretor, consultor, estatístico ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. 19. Assim, no que se relaciona ao ADE em comento e ao despacho da DRF, ambos contam com todos os elementos esclarecedores quanto à atividade da empresa e os fundamentos legais respectivos; não há, portanto, o que acrescentar nesta instância de julgamento. 20. Alega a requerente que não realiza agenciamentos de quaisquer espécies e que em 1998 intermediou contato entre um cliente eventual e a TV Tribuna para colocação de um filme no Fl. 108DF CARF MF 10 ar, concluindo ter sido essa sua única incursão neste Intimação n° 023/2005, declarou, ainda, que presta atendimento complementar, com atividades subsidiárias com a intermediação junto a terceiros que possibilite ao cliente, que compra seus serviços, realizar a contento sua missão. 21. Realmente, constatase à fl. 18, na Nota Fiscal n° 083, a prestação de serviços de agenciamento publicitário. 22. Entretanto, esclareçase que o exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas provenientes desta atividade no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ou a manutenção na sistemática simplificada, uma vez que não há previsão legal para o pagamento de tributos e contribuições de forma mista, parte pelo sistema tradicional e parte pelo Simples. 23. Assinalese, ainda, que a declaração de que nunca mais realizou atividade com esta natureza deveria estar amparada por documentos fiscais que abarcassem um período completo de faturamento, na seqüência correta, para que realmente restasse comprovada sua assertiva. Pelos números de registro dos documentos fiscais acostados aos autos, depreendese que foram emitidas Notas Fiscais em número consideravelmente superior aos 23 documentos presentes nos autos. 24. Pugna a defendente que seus trabalhos não são estatísticos, uma vez que toda informação com que trabalha não decorre de processo numérico, algoritmos ou logaritmos para informações ou projeções, dados passados de projeção, avaliação e entendimento, analise dos dados. Acrescenta que trabalha com tabelas numéricas onde registros físicoquímicos encontrados em analises laboratoriais, realizadas em espectrofotômetros de absorção, são inclusos de forma científica em um sistema e os resultados desses procedimentos são objeto de avaliação quimica e não estatística. 25. Em que pese os argumentos da recorrente, leitura atenta de seus esclarecimentos, em resposta a Intimação n° 023/2005, aponta em sentido contrário. 26. Vejase que a contribuinte declara que atende o Santos Futebol Clube na realização de dados que possibilitem aos funcionários da entidade a realização de trabalhos técnicos na contratação de patrocínios, acrescentado que não se trata de atividade ligada à veiculação de marcas em uniformes, painéis, mas sim a quantificação e qualificação dos dados pertinentes. 27. Ora, a quantificação e qualificação de dados é atividade intrínseca à estatística. Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10845.002087/200594 Acórdão n.º 1001000.743 S1C0T1 Fl. 105 11 (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.721484/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009, 2010
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores escriturados e os valores "zerados" informados em DIPJ Retificadora, notadamente quando o contraditório restou assegurado.
SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade, tais como o de violação aos princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e isonomia resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64.
Numero da decisão: 1201-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator) e Gisele Barra Bossa, que davam parcial provimento, para reconhecer a decadência dos meses de janeiro a junho de 2009, e afastar a qualificação da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009, 2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores escriturados e os valores "zerados" informados em DIPJ Retificadora, notadamente quando o contraditório restou assegurado. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade, tais como o de violação aos princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e isonomia resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator) e Gisele Barra Bossa, que davam parcial provimento, para reconhecer a decadência dos meses de janeiro a junho de 2009, e afastar a qualificação da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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DECADÊNCIA. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009, 2010 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores escriturados e os valores "zerados" informados em DIPJ Retificadora, notadamente quando o contraditório restou assegurado. SIMPLES. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E OS DECLARADOS. CARACTERIZAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados e os valores declarados ao fisco federal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos que deixaram de ser recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 14 84 /2 01 4- 91 Fl. 1479DF CARF MF 2 A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade, tais como o de violação aos princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e isonomia resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS NÃO ESCRITURADAS. PROVA DIRETA. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli (Relator) e Gisele Barra Bossa, que davam parcial provimento, para reconhecer a decadência dos meses de janeiro a junho de 2009, e afastar a qualificação da multa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 1.193/1.338) que exigem os tributos na sistemática do Simples Nacional, referentes aos anos calendário de 2009 e 2010, em razão da apuração de omissão de receitas. Relata o Termo de Verificação Fiscal (1.178/1.192) que a ação fiscal foi instaurada a partir da constatação de que o contribuinte havia retificado, em 18/10/2011, todas suas declarações do Simples Nacional apresentadas para os anoscalendário de 2007 a 2010, praticamente zerando todos os débitos anteriormente declarados, conforme demonstrado no Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.480 3 quadro abaixo, mas mantendo as informações econômicas e fiscais constantes das declarações originais. Do cotejo entre as informações dos livros contábeis, livros fiscais e das declarações apresentadas (originais e retificadoras), a fiscalização comprovou que na contabilidade havia sido corretamente registrada a sua receita, valores constantes das DASNs originais. Já nas DASNs retificadoras, entretanto, a empresa deixou de informar a totalidade da receita escriturada à tributação após a aludida retificação, o que a levou a constituir os tributos que deixaram de ser pagos com juros e multa qualificada de 150%. Os autos de infração foram encaminhados por meio postal e a empresa apresentou impugnação tempestiva (Fls. 1.363/1.369). Alega, em síntese, que: (i) houve cerceamento de defesa; (ii) a multa deve ser reduzida; (iii) que houve violação aos princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade, supremacia do interesse primário (da coletividade), eficiência e isonomia tributária. Em Sessão de 21 de Janeiro de 2015, a 6ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente por meio de Acórdão (fls. 1.417/1.455) que restou assim ementado: ALEGAÇÕES DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de ilegalidade e de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional ou de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. MULTA QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% quando a conduta dolosa do interessado restou plenamente evidenciada pela prática de ocultar da Receita Federal a receita bruta por ele auferida, procurando conscientemente impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de tributo. PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. O contribuinte foi intimado da decisão em 05/03/2015 (fls. 1.425) e interpôs recurso voluntário no dia 27/03/2015 (fls. 1.446/1.455). Reitera as alegações de defesa, acrescentando que houve decadência. Fl. 1481DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Decadência A decadência constitui matéria de ordem pública, não sujeita à preclusão, razão pela qual passo a apreciála1. Em relação aos tributos na sistemática do Simples Nacional, convém destacar que são tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, uma vez que foi atribuída ao sujeito passivo a obrigação de antecipar o pagamento do tributo sem que haja o prévio exame pelas autoridades administrativas, conforme dispõe o artigo 150, caput, do CTN, in verbis: “Artigo 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a própria lei confere ao contribuinte a competência de efetuar o lançamento, lançamento este que, no prazo de cinco anos, deve ser submetido à homologação pela autoridade administrativa competente, sob pena de sua validade tácita. Decorridos, então, 5 (cinco) anos sem que a autoridade administrativa tenha homologado expressamente a atividade do contribuinte, ou tenha efetuado o lançamento de ofício, considerase definitivamente homologado o lançamento e extinto o crédito na forma do inciso VII do artigo 156 do CTN2. Muito se discutiu sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação: se aplicável o artigo 150, §4º, do CTN3 1 Tal entendimento, aliás, é corroborado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementa do seguinte julgado: “IRPJ CSLL E COFINS DECADÊNCIA Exercício: 2000 PRECLUSÃO.DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, não se pode arguir preclusão para apreciação de um dos seus pressupostos. DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento. Aplicação do artigo 62A do Regimento Interno do CARF.” (Acórdão nº 9101001.542. DOU 26/08/2014). 2 "Artigo 156 Extinguem o crédito tributário: [...] VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º". 3 "§ 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação". Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.481 5 cinco anos a contar do fato gerador ; ou o artigo 173, I, do CTN4 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A matéria foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543 do CPC, quando do julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC (DJ e 18/09/2009), cuja decisão restou assim ementada: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos 4 "Artigo 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" Fl. 1483DF CARF MF 6 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como se nota, o Poder Judiciário, representado pelo STJ, consolidou o entendimento de que o termo inicial para contagem de decadência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação – caso do IRPJ e Reflexos – depende de dois fatores: (i) existência ou não de pagamento antecipado e (ii) constatação ou não de fraude, dolo ou simulação. Nessa conformidade, a regra que prevalece, e que vincula o presente Julgador à luz do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, é a de que aplicase o artigo 150, §4º (5 anos a contar do fato gerador), no caso de existir pagamento antecipado pelo contribuinte e desde que ele não tenha cometido fraude, dolo ou simulação. Caso contrário (ou seja, na hipótese de inexistir pagamento antecipado OU restando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação), aplicável o artigo 173, I, do CTN. No caso concreto, tendo em vista que, conforme será visto no detalhe mais adiante, não há dolo, fraude ou simulação, e que a cobrança diz respeito à diferença de tributos (houve recolhimento a menor), aplicável o artigo 150, §4º. Assim, considerando que a ciência do lançamento ocorreu por via postal em 31/07/2014 (AR de fls. 1.342), entendo que as cobranças relativas às competências de janeiro a junho de 2009 foram atingidas pela decadência, considerando que os fatos geradores mensais envolvem os anos calendário de 2009 e 2010. Cerceamento de defesa Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.482 7 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos formais e essenciais, como determina a legislação de regência e o artigo 142 do CTN. A fiscalização, ao constatar que o contribuinte omitiu receita auferidas, escriturada e declarada originariamente, mas reduzidas substancialmente em DIPJ Retificadora, corretamente exigiu os tributos sobre a receita não oferecida à tributação. A motivação e a fundamentação do ato administrativo é clara, explícita e congruente, permitindo a perfeita compreensão da lide e exercício do contraditório. Rejeito, portanto, a preliminar de cerceamento de defesa. Omissão de receitas Como bem observou a DRJ, "o sujeito passivo não se reporta, em sua impugnação, ao lançamento do valor principal e não justifica a entrega das DASNs retificadoras. O interessado demonstra somente a sua contrariedade em relação à alíquota da multa aplicada, bem como a adequação do lançamento a preceitos constitucionais". De fato, o conjunto probatório acostado aos autos, somado a descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, demonstram que a Recorrente omitiu as receitas apuradas pela fiscalização, não apresentando o contribuinte nenhum questionamento pontual tendente a justificar essa omissão. Não obstante, uma vez verificada falta ou insuficiência de recolhimento em decorrência de omissão de receita comprovada, é cabível o lançamento de ofício da diferença dos tributos não recolhidos na sistemática do Simples, com alíquotas ajustadas, quando aplicável. Procedente, portanto, a infração de omissão de receitas imputada. Fl. 1485DF CARF MF 8 Inconstitucionalidade Quanto aos argumentos contrários ao lançamento e relacionados à violação de princípios constitucionais, tais como do não confisco, razoabilidade, eficiência, legalidade e isonomia, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, matéria esta cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Carece ao presente Julgador, portanto, competência para enfrentar o mérito dos argumentos de cunho constitucional invocados. Da multa qualificada A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada pelo auditor fiscal responsável: Em decorrência da sonegação perpetrada, sobre os valores devidos incide multa de ofício de 150% (cento e cinquenta pontos percentuais), conforme previsto no art. 44, inciso I, combinado com o § 1º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 c/c com o art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e o art. 15 e art. 16, inciso II da Resolução CGSN nº 30/2008. Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente ter apresentado DIPJ Retificadora "praticamente zeradas", ou melhor, com indicação de receitas significativamente inferiores as que de fato foram percebidas e declaradas em um primeiro momento. Pois bem. De acordo com o artigo 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, fundamento da qualificadora: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Verificase, assim, que, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, a multa de ofício é a ordinária, de 75%. Caso, porém, a conduta do contribuinte seja passível de enquadramento nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964, a multa em questão deve ser qualificada para 150%. Nesse caso concreto, a qualificação da multa foi enquadrada no artigo 71, I, in verbis: Fl. 1486DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.483 9 Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Ora, para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa, tanto no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito) quanto no aspecto subjetivo (vontade consciente de lesar o fisco). Essas situações normalmente são identificadas pelo uso de meios inidôneos para acobertar fatos que dão origem ao crédito tributário, ou pela imposição de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Na prática correspondem aos ditos atos simulados ou fraudulentos, que notoriamente levam à sonegação, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela (“Caixa 2”), conta bancária não declarada, interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos etc. São essas situações que repercutem na esfera criminal aquelas previstas nos artigos art. 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que notoriamente conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. Os ensinamentos da Conselheira Lívia De Carli Germano (relatora designada para redigir o voto vencedor no Acórdão CSRF nº 9101002.189, em Sessão de 21 de janeiro de 2016), são esclarecedores: “Como ensina Brandão Machado, na noção de dolo se insere a idéia de contrariedade ao direito, ou seja, da prática de um ilícito (“Um caso de elusão de imposto de renda”. In: Direito Tributário Atual, vol. 9, São Paulo: Resenha Tributária, 1989, p. 2209). [...] É que para que se possa falar em dolo, para além da intenção (elemento subjetivo), é necessário que o que se pretende seja ilícito (elemento objetivo), ou seja, é preciso que tal intenção seja direcionada à prática de ato ou omissão contrários ao direito. Nesse passo, não basta a intenção de reduzir a tributação. É necessário, sim, que o contribuinte, ao buscar tal resultado, adote conduta que afronte norma que proíba ou obrigue, ou seja, contrarie uma norma imperativa, praticando assim um ato típico. É neste sentido que os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 trazem as condutas típicas da sonegação, fraude e conluio, todas elas supondo a inequívoca constatação de dolo, elemento essencial do tipo. Fl. 1487DF CARF MF 10 No caso em questão, entretanto, não se verifica norma imperativa que tenha sido contrariada. Também em outro julgado da CSRF, a multa qualificada foi afastada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejase a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Com efeito, o ilícito tributário pode compreender apenas um ou dois elementos: (i) elemento objetivo, que corresponde propriamente ao ilícito tributário (não pagamento, pagamento a menor ou postergação de pagamento de tributo); e (ii) elemento subjetivo, identificado pelo conhecimento prévio de utilização de atos ou negócios ilícitos para reduzir ou não pagar tributos, isto é, dolo específico de dificultar o conhecimento dos fatos. Todo lançamento parte de um ilícito tributário (elemento objetivo). Contudo, somente o ilícito praticado em evidente intenção de fraudar o fisco apresentará o dolo (elemento subjetivo), elemento que dá azo à qualificação da multa. Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário com a intenção em praticálo (dolo), conforme dispõem as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita, por si só, não é causa de multa qualificada. Nesse ponto, discordo que o não pagamento de tributos apurados e escriturados pelo contribuinte, mas não informados corretamente nas suas declarações entregues ao fisco, constitui prova de dolo, fraude ou sonegação. Faltalhe, a toda evidência, a comprovação do elemento subjetivo inerente à qualificação da multa, qual seja, a intenção das partes de esconder ou impedir o respectivo fato gerador. Nessa situação particular não há nenhum registro ou indício de utilização de qualquer tipo de medida fraudulenta por parte das Recorrentes. Pelo contrário, os valores Fl. 1488DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.484 11 considerados receitas omitidas foram lançados nos livros contábeis e fiscais da própria empresa, livros estes que foram entregues por ela ao fisco em atendimento à fiscalização. A bem da verdade, a medida implementada pela contribuinte de reduzir drasticamente os valores devedores informados em DIPJ foi o fato que chamou a atenção e atraiu a fiscalização, e não um procedimento para elidir o procedimento fiscalizatório. Ainda que a contribuinte tenha realizado uma conduta imoral de não pagar tributos apurados e de não informálos corretamente em DIPJ, tal medida não é fruto de conduta fraudulenta, sonegação ou conluio. Não há dúvidas de que o contribuinte, ao não recolher os tributos e não declarálos corretamente, cometeu um ilícito tributário, mas daí a afirmar que resta caracterizada fraude ou simulação, entendo existir uma enorme distância. A conduta da Recorrente, não custa repetir, possui tipificação própria no inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Notase, assim, que o não pagamento de tributos ou a apresentação de declaração inexata ensejam a aplicação de multa de 75% por disposição legal expressa. Assim também já decidiu o CARF, conforme atesta a ementa abaixo: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IMPOSTO NÃO CONSIGNADO SEGUNDO A INDICAÇÃO DOS REGISTROS FISCAIS INFORMAÇÃO INSUFICIENTE Cabível o lançamento de ofício com a respectiva multa ao percentual de 75%, quando a Fiscalização verifica que o sujeito passivo apresenta Declaração de Rendimentos sem a consignação das receitas por ele apuradas nos seus registros contábeis. (Acórdão 10321.676 . Data da decisão: 09/07/2004). Nesse sentido, afasto a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para 75%. Da multa de ofício de 75% Tendo em vista que a fiscalização apurou diferença de tributos pagos a menor, exigiu também a correspondente multa de ofício, no percentual de 150%, ora reduzido para 75%, como determina a lei. A multa de ofício de 75% possui previsão legal e foi aplicada corretamente pela autoridade fiscal autuante. Fl. 1489DF CARF MF 12 Quanto a seu caráter confiscatório e desproporcional, matéria de cunho constitucional, cumpre lembrar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Em nosso sistema jurídico as leis gozam da presunção de constitucionalidade, sendo impróprio acusar de confiscatória ou desproporcional a sanção em exame, matéria esta cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Dessa forma, não há como acolher o pedido da contribuinte para reduzir a multa de ofício, devendo esta ser cobrada no patamar legal de 75%. Conclusão Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO para (ii) afastar as cobranças relativas às competências de janeiro a junho de 2009 em razão da decadência; e (ii) afastar a multa qualificada. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Voto Vencedor Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Redator designado. O Ilustre Relator entendeu por afastar a aplicação da multa qualificada e, consequentemente, pela decadência dos valores lançados em relação aos fatos geradores compreendidos no período de janeiro a junho de 2009. Com a devida vênia, ouso discordar do Relator. A recorrente em seu recurso voluntário de fls. 1.446/1.455 sequer se defende da qualificação da multa, apenas pede que seja reduzida o valor da multa por ser "uma pessoa de boa fé". No entanto, consta do "Termo de Verificação e Encerramento Parcial de Ação Fiscal" que o contribuinte não declarou no aplicativo próprio (PGDASN), para os anos calendário de 2009 e 2010, a totalidade da receita bruta auferida (caracterizada pela diferença entre as bases de cálculo escrituradas em sua contabilidade e os valores declarados em DASN). Com tal prática, tentou impedir o conhecimento por parte do Fisco da ocorrência de fato gerador de tributo, restando evidenciada a conduta dolosa. Quanto à qualificação da multa transcrevo parte do voto condutor da decisão de primeira instância, in verbis: (...) Diante do tratamento diferenciado a que estão sujeitas as empresas tributadas pelo regime simplificado Simples Nacional, e tendo em vista as reduções de valores declarados nas DASNs Fl. 1490DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.485 13 dos anoscalendário de 2009 e 2010, efetuadas pelo contribuinte sem os respectivos pagamentos, tem o fisco o dever de verificar se estas alterações condizem com a realidade fática apresentada. E estas alterações constituíram motivo suficiente para uma análise mais acurada dos fatos ocorridos, uma vez que a receita original declarada em 2009 era de R$ 1.558.541,44 e na DASN retificadora o valor passa para R$ 0,01. Para 2010, a DASN original apresentava uma receita bruta de R$ 2.330.235,76, e a retificadora uma receita de R$ 150,00. As demais informações econômicas e fiscais constantes das declarações originais foram mantidas nas retificadoras. O sujeito passivo não se reporta, em sua impugnação, ao lançamento do valor principal e não justifica a entrega das DASNs retificadoras. O interessado demonstra somente a sua contrariedade em relação à alíquota da multa aplicada. Primeiramente, cumpre esclarecer que a multa de ofício qualificada de 150%, aplicada no auto de infração, é devida em face de os elementos comprobatórios trazidos aos autos pela autoridade fiscal serem suficientes para demonstrar a atitude dolosa do contribuinte. A multa qualificada é regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Portanto, o percentual de 150% deve ser aplicado apenas nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos, in verbis: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1491DF CARF MF 14 Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72.” Para que seja efetuada a qualificação da multa de ofício, a autoridade fiscal deve comprovar que o sujeito passivo efetiva e dolosamente cometeu a conduta de sonegação e/ou fraude, o que pode ser feito por meio de provas diretas em relação à conduta, ou mesmo por um grupo de provas, ainda que indiretas, mas cujo conjunto probatório leve à convicção de que realmente aconteceu a conduta voluntária e consciente por parte do sujeito passivo. No caso dos autos, a conduta dolosa do interessado restou plenamente evidenciada pela prática de ocultar da Receita Federal a totalidade da receita bruta por ele auferida nos anos calendário de 2009 e 2010, procurando conscientemente impedir o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência de fato gerador de tributo, fato que determina a qualificação da multa de ofício. Dessa forma, o procedimento adotado pela autoridade lançadora foi correto, com estrita observância das normas legais que regem a matéria em questão, razão pela qual não é possível acatar o pedido do sujeito passivo no tocante a revisão do referido cálculo, devendo ser mantida a multa de ofício qualificada.. Assim, com base no exposto, deve ser mantida a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1° do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, por restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. No que diz respeito à decadência, cumpre observar que, em se tratando de conduta dolosa, se aplica o prazo decadencial do artigo 173, I, do CTN e não o § 4º do artigo 150 do CTN, a seguir transcritos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1492DF CARF MF Processo nº 10930.721484/201491 Acórdão n.º 1201002.329 S1C2T1 Fl. 1.486 15 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (Grifamos). No caso concreto, a Fazenda Pública poderia constituir o crédito tributário até cinco anos contados de 01/01/2010 (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seja, até 31/12/2014. Como a ciência do Auto de Infração deuse em 31/07/2014, entendo que não está extinto o crédito tributário, por força da decadência, na forma do artigo 173, inciso I do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 1493DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000564/2010-48
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009, 2010
SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
O §6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007 determina prazo limite de 180 dias para pedido de inclusão no Simples Nacional para estabelecimentos em início de atividade
Numero da decisão: 1003-000.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. O §6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007 determina prazo limite de 180 dias para pedido de inclusão no Simples Nacional para estabelecimentos em início de atividade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 05 64 /2 01 0- 48 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13984.000564/201048 Acórdão n.º 1003000.005 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 07 28.474 da 4ª Turma da DRJ/FNS que manteve o indeferimento do pedido de inclusão retroativa ao Simples Nacional, em razão de perda de prazo. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte afirma que o prazo de 180 (cento e oitenta) dias foi ultrapassado devido ao Departamento de Vigilância Sanitária de Lages não ter concedido a inscrição em tempo, tendo levado 188 (cento e oitenta e oito) dias para liberar o respectivo alvará.. A Recorrente anexa a declaração do órgão, no qual esse declara que não foi possível a liberação do alvará sanitário no prazo previsto por insuficiência de pessoal e excesso de trabalho. O acórdão recorrido considerou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que os atrasos na concessão da inscrição municipal, em que pese representarem um contratempo à contribuinte por contingências do respectivo órgão, não permite que seja desconsiderado o prazo previsto no §6º do artigo 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007. Inconformada com o acórdão, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os mesmos fundamentos da manifestação de inconformidade, destacando que a sociedade empresário cumpriu todos os trâmites burocráticos determinados pela legislação. Que iniciou seu processo de requerimento de alvará em 06/10/2009. Destaca que a ultima licença foi concluída em 12/04/2010. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. O acórdão recorrido destacou que a Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, revogou a Lei nº 9.317/96 (Simples Federal), e instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, assim dispondo em seu artigo 16, caput Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário Na época da solicitação do pedido de inclusão no Simples, vigorava a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, que, em seu art. 7º, estabelecia o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13984.000564/201048 Acórdão n.º 1003000.005 S1C0T3 Fl. 4 3 § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da, opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21 § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional. § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. Segundo se depreende do artigo acima transcrito, a opção pelo Simples Nacional deverá ser realizada até o último dia do mês de janeiro, contudo, para empresas em início de atividade, para não ser aplicada essa limitação temporal, a legislação determina que elas terão 30 (trinta) dias, contados do último deferimento para realizar sua inscrição, a qual terá efeitos a partir do cadastro no CNPJ , desde que observado o prazo de 180 (cento e oitenta) dias da data da abertura. Entendo ser esses os limites temporais para empresa no início da atividade. O prazo de 180 (cento e oitenta) concedidos é o prazo máximo para o pedido de inclusão no Simples Nacional, desde que respeitados os prazos do § 3º, inciso I. Ou seja, a legislação não prevê aumento do prazo, mas apenas a redução dele. No presente caso, o contribuinte, conforme documentos acostados ao processo, obteve a inscrição federal em 06/10/2009, contudo o último pedido de licença municipal foi concluído apenas no dia 12/04/2010, após ultrapassado o prazo limite de que trata o § 6º, art. 7º, da Resolução CGSN nº 004/2007. Em que pese a alegação de que a empresa cumpriu com seus prazos e a demora ocorreu devido à morosidade do município em liberar a licença, a legislação a qual as autoridades administrativas estão vinculadas não prevê exceções e, por conseguinte, deve ser respeitada, haja vista o dever de estar vinculado à legalidade estrita, conforme art. 41, inciso IV, do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Dessa forma, a autoridade administrativa não poderá expressar juízo de valor em relação aos fatos ocorridos, mas sim deverá pautar sua decisão de forma vinculada à legalidade estrita, obedecendo à determinação legal e não podendo efetuar interpretação diferente daquela determinada pela legislação. Essa é a posição de julgamentos anteriores realizados pelo CARF, conforme acórdãos abaixo: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13984.000564/201048 Acórdão n.º 1003000.005 S1C0T3 Fl. 5 4 Acórdão: 1001000.411 Número do Processo: 10855.002768/200967 Data de Publicação: 23/04/2018 Relator(a): EDUARDO MORGADO RODRIGUES Ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO. É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Acórdão: 1001000.259 Número do Processo: 10640.001434/200819 Data de Publicação: 27/02/2018 Relator(a): EDUARDO MORGADO RODRIGUES Ementa: Assunto: Simples Nacional Período de apuração: 19/12/2007 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA. SIMPLES NACIONAL O prazo para efetuar opção pelo SN era de 10 dias contados do último deferimento de inscrição estadual ou municipal, respeitado o prazo de 180 dias da data de abertura constante do CNPJ. Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Em razão do decurso de prazo de 180 dias após a inscrição no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, deve ser mantido o acórdão da DRJ, mantendose, por conseguinte, o indeferimento retroativo da opção pelo Simples Nacional. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15165.001321/2007-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 08/07/2002 a 16/03/2005
ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS.
Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam-se no código 2005.70.00 da NCM.
Numero da decisão: 9303-006.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente VALE FÉRTIL INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/07/2002 a 16/03/2005 ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam se no código 2005.70.00 da NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 13 21 /2 00 7- 09 Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VALE FÉRTIL INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LTDA. (fls. 3.888 a 3.923), com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 353/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 310202.102 (fls. 3.768 a 3.789) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de novembro de 2013, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo do PIS/Pasep Importação e da Cofins Importação o valor do ICMS e das próprias contribuições. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/07/2002 a 16/03/2005 ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificamse no código 2005.70.00 da NCM. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. APLICABILIDADE. As hipóteses excludentes da multa de ofício, previstas no Ato Declaratório Interpretativo SRF no 13, de 2002, não contemplam a situação de classificação tarifária errônea, que define a infração por declaração inexata, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS DE MORA. TRIBUTOS DEVIDOS E NÃO RECOLHIDOS NO PRAZO LEGAL. TAXA SELIC. CABIMENTO. É devida a cobrança dos juros moratórios, calculados com base na taxa Selic, a partir do mês seguinte a data do registro da Declaração de Importação (DI), que corresponde ao dia de vencimentos dos impostos devidos na operação de importação. Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 4 3 CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. CABIMENTO. A classificação fiscal incorreta do produto na NCM materializa a hipótese da infração sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Com a declaração de inconstitucionalidade do texto do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865, de 2004, que previa acréscimo à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e CofinsImportação do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, tais valores deixam de compor o valor aduaneiro das mercadorias importadas, para fins de cobrança das referidas contribuições. 2. Adoção dos fundamentos da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, processado pelo regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento de Interno deste Conselho, aprovado pela Port. MF nº 256, de 22 de junho de 2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/07/2002 a 16/03/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. CUMPRIMENTOS DOS REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, o auto de infração lavrado em conformidade como os requisitos formais, fixados no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e materiais, determinados no art. 142 do CTN. PIS/COFINS IMPORTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL INSTITUIDORA. CONHECIMENTO DA MATÉRIA PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Os embargos de declaração interpostos pelo Sujeito Passivo (fls. 3.841 a 3.845), por obscuridade no acórdão embargado, foram rejeitados nos termos do despacho s/nº, de 03/06/2015 (fls. 3.868 a 3.872). Fl. 3941DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 5 4 Nessa oportunidade, insurgese a Contribuinte por meio de recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à classificação fiscal de azeitonas importadas, se na posição NCM 0711.20.10, adotada pela Recorrente na importação, ou na posição NCM 2005.70.00, classificação atribuída pela Fiscalização e mantida no acórdão recorrido. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 301 26.989, de 13/05/92, da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, e 30126.908, de 25/03/92, da 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Nas suas razões recursais, sustenta, em síntese, que: (a) a Recorrente importou azeitonas verdes com classificação NCM 0711.20.10 posição em que se classificam as azeitonas impróprias para o consumo humano no estado em que se encontram. A Fiscalização, por sua vez, classificouas na posição 2005.70.00, como já estando prontas ao consumo; (b) consoante disposto no acórdão recorrido, pela descrição do texto da posição 2005 não seria possível classificar ali as azeitonas, já que inclui produtos preparados e os conservados. No entanto, a dúvida decorreria do fato de que tanto na posição 0711 quanto na posição 2005 seriam enquadráveis azeitonas conservadas, diferindo a posição pelo tipo de conservação encontrada no produto. (c) entende a Recorrente que a nota da posição 0711 traz a definição da questão, pois menciona estarem classificadas na mesma as azeitonas em conservação transitória e impróprias para alimentação no estado em que se encontram. Essa a condição das azeitonas importadas pela Contribuinte, conforme apontado em laudo produzido pela Receita Federal, reclamando, assim, a posição 0711; (d) a ocorrência da fermentação lática para retirada do amargor não pode ser utilizada como critério legítimo definidor da classificação fiscal para distinção entre as posições 0711 e 2005, pois ela ocorre em ambos os procedimentos; (e) defende que deve ser dada interpretação racional à nota explicativa da posição 0711, sendo classificáveis no capítulo 20 tão somente os produtos imediatamente consumíveis, nesse caso, envolve a possibilidade de o consumidor adquirir o produto e comer, como quando as azeitonas são importadas em vidros, potes ou saches, quando, mesmo em salmoura, são classificadas na posição 2005; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial com o reconhecimento da correta classificação fiscal das azeitonas importadas na posição 0711.20.10. Foi admitido o recurso especial, nos termos do despacho s/nº de 16/03/2016 (fls. 3.926 a 3.927) proferido pelo Ilustre Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em exercício à época. Fl. 3942DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 6 5 A Fazenda Nacional foi cientificada da interposição do recurso especial da Contribuinte e do despacho de admissibilidade sem, no entanto, ter apresentado contgrarrazões (fl. 3.929). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte VALE FÉRTIL INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIAS LTDA. atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito No mérito, cingese a controvérsia à correta classificação fiscal na NCM da mercadoria importada pela Recorrente consistente em azeitonas verdes e pretas. Os produtos encontramse descritos nas declarações de importação DI como "azeitonas verdes com caroço. Acondicionadas em tambores de aproximadamente 175 quilos líquidos cada um, em salmoura". Defende a Contribuinte ser correto o enquadramento dos produtos importados na posição NCM 0711.20.10, pois é conservado apenas transitoriamente para fins de transporte e armazenagem, sendo impróprio para o imediato consumo humano. Por sua vez, a Fiscalização entende como adequada a NCM 2005.70.00 por considerar as azeitonas importadas como próprias para consumo. Os textos das posições são os seguintes: 07.11 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR Fl. 3943DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 7 6 TRANSITORIAMENTE A SUA CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. 20.05 OUTROS PRODUTOS HORTÍCOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06. O Laudo Técnico Oficial (fls. 575 a 578) e o Laudo de Procedimento (fls. 592 a 594) dividem o processo de produção da "azeitona de mesa", nas seguintes etapas, o que é incontroverso nos presentes autos: a) a primeira etapa (tratamento com alcális) consiste em submeter o fruto (a oliva) a tratamento em soda cáustica (lixívia), para equilibrar o PH e diminuir o seu amargor natural; b) a segunda etapa (imersão em salmoura) consiste na fermentação láctica com uso de salmoura (“salmouramãe”); por cerca de três meses (azeitona verde), para estabilização da fermentação e obtenção da quantidade de ácido lático adequada; c) a terceira etapa consiste na lavagem, com água em abundância, para retirada da “salmouramãe” e das sujidades; d) a quarta etapa que consiste na seleção e classificação das azeitonas aptas ao consumo e retirada dos frutos estragados ou defeituosos; e e) a quinta etapa (acondicionamento) consiste na colocação do produto em potes ou outro tipo de embalagem, por processo mecânico, contendo nova salmoura e conservantes. Conforme alegado pela Recorrente e demonstrado nos autos do processo por meio de Laudo técnico, as azeitonas são importadas após a primeira e a segunda etapas do processo produtivo descrito acima, com o intuito de conserválas transitoriamente, sendo, no entanto, impróprias para o consumo imediato, leiase para alimentação nesse estado, pois ainda apresentam "sujidades, leveduras e não há garantias quanto a sanidade do mesmo, pois foi fermentado por meses e contém salmoura mãe" (Laudo Técnico fl. 1053). A transitoriedade da conservação para importação vem confirmada, ainda, pelo fato de que a salmoura das barricas nas quais as azeitonas verdes são importadas deve ser descartada, dando lugar a uma nova salmoura que será preparada e colocada nas embalagens destinadas à venda. Os textos das posições NCM 07.11 e 20.05 apresentam diferenças importantes e, em cotejo com as características do processo de importação das azeitonas, verificamse dois Fl. 3944DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 8 7 aspectos marcantes: o primeiro deles referese ao fato de no código NCM 07.11 estarem contemplados tão somente os produtos hortícolas conservados transitoriamente, mas que são impróprios para alimentação naquele estado; enquanto que no código NCM 20.05 são abarcados os outros produtos hortícolas preparados ou conservados. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) das respectivas posições têm o condão de aproximar ainda mais o intérprete da inarredável conclusão de serem os produtos importados pela Contribuinte classificáveis na posição NCM 07.11. Vejase: 07.11 Produtos hortícolas conservados transitoriamente (por exemplo, com gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias destinadas a assegurar transitoriamente a sua conservação), mas impróprios para alimentação nesse estado. Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinamse geralmente a servirem como matériasprimas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentamse geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificamse no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). 20.05 Outros produtos hortícolas preparados ou conservados, exceto em vinagre ou em ácido acético, não congelados, com exceção dos produtos da posição 20.06. O alcance da expressão “produto hortícola” na presente posição está limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos (com exceção dos produtos hortícolas preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético da posição 20.01, dos produtos hortícolas congelados da posição 20.04 e Fl. 3945DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 9 8 dos produtos hortícolas conservado em açúcar da posição 20.06) classificamse aqui quando tenham sido preparados ou conservados por processos não previstos nos Capítulos 7 ou 11. O modo de acondicionamento não influi na classificação destes produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes hermeticamente fechados. Todos estes produtos, inteiros, em pedaços ou esmagados, podem ser conservados ao natural (em água, por exemplo) ou ainda preparados com molho de tomate ou outros ingredientes, para consumo imediato. Podem também apresentarse homogeneizados ou misturados entre si (macedônias). Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citarse: 1) As azeitonas preparadas para CONSUMO por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada, classificamse na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). (grifouse) Com fulcro nas Notas Explicativas, temse a conclusão de que as azeitonas importadas pela Contribuinte devem ser classificadas na posição NCM 07.11, pois não estão aptas ao consumo imediato após a etapa da fermentação láctica, que consiste na segunda etapa do processo de industrialização, mas sim e tão somente após o descarte da salmouramãe, lavagem das azeitonas em razão das impurezas, preparação com nova salmoura e acondicionamento para comercialização e consumo no mercado interno. Além disso, o processo de embalagem para comercialização no mercado interno tem por escopo atender às exigências sanitárias e de segurança alimentar da ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a qual, nos termos da Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, tem competência para normatizar os temas alimentos e medicamentos. Esse o entendimento externado na Solução de Divergência COANA nº 8/2001, que para determinar a classificação fiscal das mercadorias em questão considerou o posicionamento adotado pela ANVISA quanto aos produtos (se medicamentos ou alimentos). Por lealdade processual, informase que o ato administrativo foi posteriormente revogado pela IN RFB nº 1.464/2014, art. 36, sem, contudo, afetar a sua condição de validade à época da ocorrência dos fatos geradores do presente processo. Assim, as azeitonas verdes importadas pela Contribuinte devem ser classificadas na NCM 07.11.20.10 pois transitoriamente conservadas em salmoura e impróprias para o consumo imediato. Fl. 3946DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 10 9 Diante do exposto, deve ser dado provimento ao recurso especial do Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Em que pesem as ponderadas considerações de lavra da i. Relatora do processo, ouso divergir da solução proposta, pelas razões que a seguir declino. A questão fulcral da lide envolve a qualificação das azeitonas como estando em condições próprias para consumo ou não. Quanto a isso, releva, desde logo, esclarecer que essa decisão não pode ser tomada à luz do senso comum, das impressões pessoais, das condições negociais da mercadoria ou mesmo dos critérios e medidas de prevenção fitossanitárias determinadas pelos órgãos de controle. Em se tratando de classificação fiscal de mercadorias, atividade afeta à Secretaria da Receita Federal, terão sempre precedência as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os textos das posições da Nomenclatura Comum do Mercosul e as Notas Explicativas ao Sistema Harmonizado NESH. Com base em suas orientações normativas é que passo ao exame do caso concreto. Como já sobejamente esclarecido, a controvérsia recai sobre a escolha da NCM 0711.20.10 ou da NCM 2005.70.00 para classificação fiscal das azeitonas importadas pelo contribuinte. A seguir o texto até o nível de subposição. 07.11 Produtos hortícolas conservados transitoriamente (por exemplo, com gás sulfuroso ou água salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias destinadas a assegurar transitoriamente a sua conservação), mas impróprios para alimentação nesse estado. Fl. 3947DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 11 10 0711.20 Azeitonas 0711.40 Pepinos e pepininhos (cornichons) 0711.5 Cogumelos e trufas: 0711.51 Cogumelos do gênero Agaricus 0711.59 Outros 0711.90 Outros produtos hortícolas; misturas de produtos hortícolas (...) 20.05 Outros produtos hortícolas preparados ou conservados, exceto em vinagre ou em ácido acético, não congelados, com exceção dos produtos da posição 20.06. 2005.10 Produtos hortícolas homogeneizados 2005.20 Batatas 2005.40 Ervilhas (Pisum sativum) 2005.5 Feijões (Vigna spp., Phaseolus spp.): 2005.51 Feijões em grãos 2005.59 Outros 2005.60 Aspargos 2005.70 Azeitonas 2005.80 Milho doce (Zea mays var. saccharata) 2005.9 Outros produtos hortícolas e misturas de produtos hortícolas: 2005.91 Brotos (Rebentos*) de bambu 2005.99 Outros Como não é difícil perceber, a priori, qualquer dos dois códigos contempla, em igual nível de especificidade, as mercadorias de que ora se trata. Em resposta aos quesitos apresentados pela Fiscalização, a perícia técnica esclarece (Laudo Técnico de efls. 575 a 578) o tipo de tratamento a que foram submetidas as azeitonas no estado em que se apresentavam no momento da importação, nos seguintes termos. A mercadoria tratase de azeitona submetida ao adoçamento pelo uso de alcalis (desamerização), um processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio Fl. 3948DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 12 11 (soda cáustica) à salmoura, conforme relata a supervisora de controle de qualidade do importador, química Gisele N. Marcondes (relatório em anexo). Apôs o adoçamento, as azeitonas são imersas em salmoura permitindo assim a fermentação láctica como continuidade do processo apresentado em fluxograma. Os frutos devem ser mantidos em água salgada até serem submetidos à algum processo de pasteurização, visando atingir esterilidade comercial. Como a própria relatora do processo esclareceu linhas acima, sobressai incontroverso dos autos que a mercadoria importada já foi tratada em soda cáustica e fermentada. Me permito reproduzir suas próprias anotações. O Laudo Técnico Oficial (fls. 575 a 578) e o Laudo de Procedimento (fls. 592 a 594) dividem o processo de produção da "azeitona de mesa", nas seguintes etapas, o que é incontroverso nos presentes autos: a) a primeira etapa (tratamento com alcális) consiste em submeter o fruto (a oliva) a tratamento em soda cáustica (lixívia), para equilibrar o PH e diminuir o seu amargor natural; b) a segunda etapa (imersão em salmoura) consiste na fermentação láctica com uso de salmoura (“salmouramãe”); por cerca de três meses (azeitona verde), para estabilização da fermentação e obtenção da quantidade de ácido lático adequada; c) a terceira etapa consiste na lavagem, com água em abundância, para retirada da “salmouramãe” e das sujidades; d) a quarta etapa que consiste na seleção e classificação das azeitonas aptas ao consumo e retirada dos frutos estragados ou defeituosos; e e) a quinta etapa (acondicionamento) consiste na colação do produto em potes ou outro tipo de embalagem, por processo mecânico, contendo nova salmoura e conservantes. Fl. 3949DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 13 12 Conforme alegado pela Recorrente e demonstrado nos autos do processo por meio de Laudo técnico, as azeitonas são importadas após a primeira e a segunda etapas do processo produtivo descrito acima (...) Pois bem, a despeito de que, com base nessas mesmas premissas, a conclusão a que minha nobre Colega tenha chegado é de que o produto, nessas condições, não está apto ao consumo e, por isso, deve ser classificar na Posição 0711, como pretende o contribuinte, peço licença para dizer que uma leitura mais atenta das Notas Explicativas conduz em sentido contrário, se não vejamos. Nas Considerações Gerais do Capítulo 7 são fixados os limites que devem ser observados para o enquadramento das mercadorias em qualquer das posições daquele Capítulo (todos grifos acrescidos). CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo compreende os produtos hortícolas de qualquer espécie, incluindo os vegetais mencionados na Nota 2 do presente Capítulo, frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água ou a vapor), ou ainda provisoriamente conservados ou dessecados (incluindo os desidratados, evaporados ou liofilizados). Deve notarse que alguns destes vegetais, secos, triturados ou pulverizados, se empregam às vezes como tempero mas não deixam, por isso, de se classificar na posição 07.12. (...) Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições deste Capítulo classificamse no Capítulo 11 ou na Seção IV. É o que sucede, por exemplo, com as farinhas, sêmolas e pós, de legumes de vagem secos e com as farinhas, sêmolas, pós, flocos, grânulos e pellets, de batata (Capítulo 11), e com os produtos hortícolas preparados ou conservados por quaisquer processos não previstos neste Capítulo (Capítulo 20). (...) Fl. 3950DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 14 13 Os produtos hortícolas deste Capítulo, mesmo que apresentados em embalagens hermeticamente fechadas (cebola em pó, em latas) permanecem aqui classificados. Na maioria dos casos, todavia, os produtos contidos nestas embalagens encontramse incluídos no Capítulo 20 por terem sido preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no presente Capítulo. O Capítulo 7, portanto, destinase aos produtos frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água ou a vapor), ou ainda provisoriamente conservados ou dessecados e, principalmente, que não tenham sido preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos nele previstos. Por sua vez, as Notas Explicativas da Posição 0711 especificam os processos de preparação e conservação admitidos e faz uma importante ressalva. Todavia, classificamse no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). (grifos acrescidos) Ora, como já dito, fato reconhecido pela própria Relatora do processo, é inequívoco que as azeitonas na condição em que foram importadas receberam tratamento em soda cáustica e fermentação láctica. Desta forma, não há nenhuma possibilidade de que sejam enquadradas no na NCM 0711, mas sim no Capítulo 20, como determinam as NESH. Noutro giro, também vale a pena reproduzir excerto extraído do Laudo de Procedimento carreado aos autos, efolhas 592 a 594. O documento, de autoria da própria empresa, deixa claro que a fermentação é um processo destinado a tornar a azeitona apta ao consumo e que é sempre realizado no país de exportação. Observese. A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no pais de origem das azeitonas pois os frutos precisam ser processados assim que colhidos. Antes da fermentação propriamente dita, fazse inicialmente uma queima das Fl. 3951DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 15 14 azeitonas, a qual é feita em solução diluída de soda. Após esta queima, as azeitonas são lavadas e iniciase o processo fermentativo com bactérias lácticas. Tendo por base tais esclarecimentos, pareceme claro que, no caso em apreço, o termo apto ao consumo precisa ser corretamente interpretado e empregado, levando se em conta as especificações contidas nas regras de classificação de mercadorias e não em outras fontes de regulamentação. De fato, o laudo de pericial de efolhas 575 a 578 referese insistentemente às condições determinadas pelo Código de Prática de Higiene para Alimentos Codex. Observese. Para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, concluise que as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam, em razão do acondicionamento não ser hermético e ainda por não atenderem as disposições do CODEX (Codigo de practicas de higiene para alimentos pato acidas,(...) e da ANV1SA Resolução RDC nº 352 (...) Contudo, como se viu, as regras aplicáveis à classificação fiscal de mercadorias, não fazem menção à necessidade de acondicionamento hermético ou mesmo às disposições do CODEX ou da ANVISA. Quanto a isso, também releva esclarecer que o entendimento externado na Solução de Divergência COANA nº 8/2001, além de revogado, tratou especificamente de medicamentos/alimentos, matéria estranha aos autos. No mais, as Notas Explicativas do Capítulo 24 confirmam o que até aqui se disse. O alcance da expressão “produto hortícola” na presente posição está limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos (com exceção dos produtos hortícolas preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético da posição 20.01, dos produtos hortícolas congelados da posição 20.04 e dos produtos hortícolas conservado em açúcar da posição 20.06) classificamse aqui quando tenham sido Fl. 3952DF CARF MF Processo nº 15165.001321/200709 Acórdão n.º 9303006.855 CSRFT3 Fl. 16 15 preparados ou conservados por processos não previstos nos Capítulos 7 ou 11. (grifos acrescidos) O modo de acondicionamento não influi na classificação destes produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes hermeticamente fechados. (grifos acrescidos) Por todo exposto, com base nos demais fundamentos expendidos pelo i. Relator da decisão recorrida, que também adoto como se meus fossem, considero correto o enquadramento das mercadorias na NCM 2005.70.00. Assim, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 3953DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.001799/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2003
BASE DE CALCULO DA CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
LUCRO REAL.
O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, deve integrar os resultados contábil e fiscal das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real.
Numero da decisão: 1301-000.572
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2003 BASE DE CALCULO DA CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LUCRO REAL. O Crédito Presumido de IPI, instituído pelo art. 1º da Lei nº 9.363/1996, por representar recuperação de custos, deve integrar os resultados contábil e fiscal das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Valmir Sandri e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório Fl. 70DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 65 2 MACCAFERRI DO BRASIL LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Jundiaí/SP. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Trata o presente processo de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 19 de junho de 2006, por meio do qual a interessada solicita a restituição de valores recolhidos da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL, no montante de R$ 88.200,00, relativo ao anocalendário de 2002. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pedido, nos termos do Despacho Decisório de fls. 18/20, que se transcreve, parcialmente: “RELATÓRIO Através do presente o interessado, identificado às fls. 08 a 16, formalizou Pedidos de Restituição em 19/06/2006, às fls. 01, por meio dos quais solicita restituição de valores recolhidos a título de Imposto de Renda pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, dos anoscalendário (AC) 2001 a 2004, nos seguintes valores nominais (ver fls. 02): AC IRPJ (R$) CSLL (R$) 2001 198.654,28 71.515,53 2002 244.999,99 88.200,00 2003 367.542,76 132.315,47 2004 42.343,67 15.243,72 Estes valores seriam referentes à incidência das alíquotas do IRPJ e da CSLL sobre o crédito presumido do IPI como ressarcimento relativo às contribuições para o PIS/PASEP a COFINS. Às fls. 02 a 07 juntou planilhas com as quais pretende demonstrar o valor do pretenso crédito. É o relatório. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A Lei n° 9.363, de 1996, ou alternativamente a Lei n° 10.276, de 2001, trata do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS): Art. 1° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, Fl. 71DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 66 3 de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo Único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior. do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. É necessário, neste ponto, determinar a natureza jurídica do crédito presumido do IPI. As operações de exportação são comumente protegidas de incidência tributária, em especial, das contribuições sobre o faturamento. Entretanto, o valor do produto a ser exportado encontrase, em geral, afetado pela tributação incidente nas etapas anteriores de sua produção e circulação. Sendo impraticável a desoneração da produção desde suas etapas iniciais, a legislação outorga formas de o exportador obter um crédito como ressarcimento dos valores relativos às contribuições PIS e COFINS que se encontram embutidas no custo do produto, como é o caso do crédito presumido do IPI. O crédito presumido do IPI não significa devolução de pagamento indevido, já que nada foi recolhido pelo exportador, e nem mesmo pelos seus antecessores, de forma indevida. Na realidade, tratase de um estímulo financeiro. Esta forma de renúncia fiscal caracteriza uma subvenção para custeio. Quanto à apuração do IRPJ, as subvenções para custeio são classificadas pela legislação do imposto de renda como "outros resultados operacionais", estando, portanto, sujeitas à tributação do IRPJ. O tratamento dispensado às subvenções para custeio encontrase disciplinado pelo art. 392, 1 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999), na Subseção V, Seção IV (Outros Resultados Operacionais), Parte 2 de seu Livro 2: Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 67 4 Tendo o crédito presumido do IPI sido corretamente oferecido à tributação, concluise que não há nenhum valor a ser restituído ao interessado. Isso posto, proponho o indeferimento dos Pedidos formalizados. (...) DECISÃO À vista da informação supra, e no uso das atribuições do art. 243 da Portaria MF n° 95/2007 e da Portaria DRF/Jundiaí n° 81 de 22/05/2007, e com fundamento no art. 47 da IN SRF 600/2005, indefiro os Pedidos formalizados.” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 23, em 31 de julho de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 29 de agosto de 2007, fls. 24/31, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que, ao contabilizar os valores relativos ao crédito presumido do IPI, acrescentou tais montantes à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 3.2. No entanto, tais importâncias não podem ser incluídas na base de cálculo, sob pena de afronta aos artigos 277, 279 e 280 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). 3.3. Continua, afirmando que com a edição da Lei n.º 9.363, de 1996, com o intuito de incentivar as exportações, foi instituído um benefício tributário às empresas exportadoras, traduzindose no aproveitamento de créditos apurados sobre o montante das vendas externas, como forma de ressarcimento dos tributos pagos internamente. 3.4. Tal benefício tem a natureza jurídica de crédito concedido pelo governo, de recursos públicos transferidos aos contribuintes, não se sujeitando à incidência de tributos, em especial do IRPJ e CSLL. Tal natureza teria sido reconhecida pelas autoridades fiscais, conforme jurisprudência que elenca. 3.5. Argumenta que o crédito presumido do IPI tem natureza idêntica ao do créditoprêmio, qual seja: a de crédito concedido pelo governo, de recursos públicos transferidos ao contribuinte. 3.6. Menciona jurisprudência do Superior Tribunal de JustiçaSTJ, que confirmaria a impossibilidade de inclusão dos valores relativos ao crédito presumido do IPI na composição do lucro, em vista de sua natureza de subsídio governamental. 3.7. Conclui, pleiteando que seja atendido o Pedido de Restituição formalizado. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CampinasSP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, mediante o Acórdão nº 0521.847, de 08/05/2008 (fls. 49/52), indeferiu a solicitação, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 68 5 RESTITUIÇÃO. CSLL. EXCLUSÕES. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Na apuração do lucro real e do lucro líquido ajustado somente são permitidas as exclusões expressamente previstas em legislação própria. O registro na escrituração contábil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real, ou do lucro líquido ajustado, no caso da CSLL. Ciente da decisão de primeira instância em 23/06/2008, conforme documento de fl. 54, e com ela inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário em 22/07/2008 (registro de recepção à fl. 55, razões de recurso às fls. 55/62), mediante o qual reitera, com as mesmas palavras, os argumentos anteriormente trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Gira a lide em torno do direito creditório decorrente da incidência (equivocada, no entender da interessada) da CSLL sobre os créditos presumidos de IPI. Tais créditos, que teriam sido erroneamente incluídos na base de cálculo da contribuição, conduzem a direitos creditórios que totalizam R$ 88.200,00 no anocalendário 2002. Conforme se pode depreender do relatório que antecede a este voto, a discussão, em última análise, é em torno da natureza do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/1996, como ressarcimento do PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos a serem utilizados no processo produtivo de produtos a serem exportados. No bojo da discussão se encontra também a incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre esses valores. A discussão sobre a natureza desses créditos não é nova, e tem gerado manifestações e decisões não uniformes. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, filiome à corrente que entende que se trata da recuperação de custos anteriormente incorridos, ainda que por presunção legal. Para minha convicção é decisiva a disposição expressa da lei que instituiu o benefício, no sentido de que o crédito constitui ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos. Não se poderia cogitar de ressarcimento se não estivesse o custo dos insumos onerado pelas contribuições. Eis o art. 1º da Lei nº 9.363/1996 (grifos não constam do original): Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 69 6 Art 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sabre Produtos como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo (grifei) Firmado este ponto, é de se verificar, a seguir, de que forma a recuperação de custos influencia o resultado tributável das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, pelo IRPJ e na forma equivalente, no que toca à CSLL. O raciocínio contábil leva ao entendimento de que a regra é a da incidência tributária. Senão vejamos: No momento da aquisição dos insumos, no valor pago pelo adquirente se encontram embutidos, ainda que por presunção da lei, as contribuições pagas nas etapas anteriores da cadeia produtiva. O valor da aquisição, assim majorado, é levado inicialmente a débito de estoques e posteriormente transferido para a conta de resultado representativa dos custos. Desta forma, o resultado contábil apurado é reduzido. Se esse resultado contábil é o ponto de partida para o resultado tributável (lucro real), então este também é reduzido. Em caso contrário (lucro presumido ou arbitrado, baseado somente nas receitas), o resultado tributável não sofre alteração. Em um segundo momento (geralmente, em outro período de apuração), ao obter, amparado na lei, o ressarcimento de parte do custo dos insumos, não é mais possível fazer o ajuste nos custos, anteriormente levados à apuração de um resultado já encerrado. O crédito correspondente é feito, então, em conta de resultado e, aqui, pouco importa sua natureza, desde que o resultado contábil restará majorado. Não tenho dúvidas de que, em se tratando de contribuinte tributado com base no lucro real, o resultado tributável será também majorado, de forma a equilibrar a redução no período anterior. Se, por outro lado, a tributação for feita com base no lucro presumido ou arbitrado, impõese a adição à base de cálculo, ressalvadas as situações excepcionadas pelo art. 53 da Lei nº 9.430/1996, ou seja, as situações que não conduziram, no período anterior, à redução do resultado tributável. No caso concreto, a restituição pleiteada pelo contribuinte corresponde ao anocalendário 2002, no qual sua tributação foi feita com base no lucro real, conforme se verifica nos documentos de fls. 04 e segs. A majoração dos resultados contábil e fiscal, mediante a inclusão dos custos recuperados, equilibra a redução dos mesmos resultados em períodos anteriores, quando os custos estiveram onerados pelas contribuições agora ressarcidas. Diante do claro comando do art. 392, II, do RIR/99, não se há de reconhecer, destarte, qualquer direito creditório passível de restituição. Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I — as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais; Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13839.001799/200644 Acórdão n.º 130100.572 S1C3T1 Fl. 70 7 II – as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis. A jurisprudência administrativa também assim tem decidido: IRPJ — RECUPERAÇÃO DE CUSTOS — CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS —Se a empresa pleiteou o benefício fiscal é porque não há dúvidas de que o custo dos insumos está onerado por aquelas exações. Se parte ou todo esse custo (PIS/COFINS) foi recuperado, via crédito presumido do IPI, devese providenciar o estorno dos seus efeitos no lucro e, por conseqüência, no resultado tributável pelo imposto de renda. O estorno dáse pela contabilização da "receita". Por tratarse de crédito junto ao poder público, a "receita" poderá ser reconhecida no momento da compensação ou do ressarcimento em espécie. (Proc. 10835.000777/0005, Ac. 10706.276, de 23/05/2001, Relator Cons. Luiz Martins Valero) IRPJ CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI — REGISTRO CONTÁBIL APURAÇÃO DO LUCRO REAL — O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou ainda em receita operacional, porém, inadmissível a sua exclusão na apuração do lucro real. (Proc. 10835.001642/200156, Ac. 101.94.342, de 03/09/2003, Relator Cons. Paulo Roberto Cortez) Finalmente, observo que ainda que fosse o caso de abraçar a tese de que o crédito prêmio presumido de IPI se trata de subvenção fiscal, dissociada do ressarcimento das contribuições que oneraram os custos, a decisão seria a mesma, neste caso, em face da determinação expressa do art. 392, I, do RIR/99. Em conclusão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13005.902301/2015-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%.
O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior.
Numero da decisão: 1201-002.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 12%. NECESSIDADE DE ATENDIMENTO INTEGRAL DAS NORMAS DA ANVISA. AUSÊNCIA DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. A ausência do alvará de Vigilância Sanitária pressupõe que o contribuinte não atende integralmente as normas da ANVISA, descumprindo requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 12%. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal, vigente à época do fato gerador do tributo, não sendo possível acolher alvará emitido em exercício posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 23 01 /2 01 5- 66 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo gerado para tratamento manual, a partir de Representação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil na qual relata que fora apresentada pelo Contribuinte pedido indevido de restituição de CSLL. Como conseqüência, foi emitido Despacho Decisório com o seguinte teor: 20. Logo, o pedido de restituição há que ser indeferido por inexistência de pagamento indevido de CSLL para o 1º trimestre/2012, eis que o contribuinte não se sujeita ao percentual favorecido incidente sobre a receita bruta de 12% para apuração da base de cálculo da CSLL por não atender as normas da Anvisa em vista de não apresentar alvará sanitário vigente no período de apuração em seu nome e endereço cadastral. [...] 22. No uso da competência delegada pelo artigo 2°, inciso IV, da Portaria DRF/SCS nº 17, de 10 de abril de 2014, e da competência atribuída pelos artigos 241, inciso I, 302, inciso VI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 203, de 14 de maio de 2012, na forma da fundamentação, DECIDO: (I) NÃO RECONHECER o direito creditório do contribuinte frente à Fazenda Pública da União a título de pagamento indevido de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL relativo ao 1º trimestre de 2012, para INDEFERIR o pedido eletrônico de restituição 17426.55453.030915.1.2.040626. O contribuinte foi cientificado do referido despacho decisório e apresentou manifestação de inconformidade, contrapondose contra o Despacho Decisório DRF/SCS/Saort com base nos fundamentos a seguir sintetizados. A Manifestante é uma sociedade de responsabilidade limitada, segundo se vê no seu Contrato Social (doc. 01), estabelecida junto ao Hospital Santa Cruz, com o objetivo social de prestação de “serviços de análises clínicas”. Isto é, a Manifestante nasceu para prestar serviços de análises clínicas junto ao órgão hospitalar. Desde a sua constituição está em exercício regular de sua atividade e está adequada às regras da vigilância sanitária. Desta forma, entende ter havido grave equívoco por parte da Autoridade Fiscalizadora, e pede a desconstituição do Despacho Decisório da DRF/SCS/Saort. Do Enquadramento da Manifestante como atividade de prestação de serviço hospitalar. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 4 3 Alega a manifestante que a própria Receita Federal em seu Despacho Decisório reconheceu o seu enquadramento exerce atividade de prestação de serviço hospitalar. Quanto ao requisito de enquadramento da atividade exercida não carece de maiores digressões em vista da literal disposição legislativa. Quanto ao requisito de estar constituída sob a forma de sociedade empresária, analisandose o contrato social e alterações, vêse que o contribuinte consta como sociedade empresária desde a sua constituição. Assim, resta claro que atende os preceitos normativos para exercer atividade de prestação de serviço hospitalar, reconhecida pela própria Receita Federal em sua análise. Da Regularidade da Manifestante. Preocupada com a situação, mesmo que tenha cumprido com a solicitação da Receita Federal de apresentar seu Contrato Social e a sua Regularidade de funcionamento, a Manifestante procurou a Prefeitura local e requereu a expedição do Alvará de Saúde, que atestasse não só sua regularidade no atendimento às normas de saúde, mas também a aptidão para exercer sua atividade. Em virtude de o alvará ter sido expedido após o término do prazo do requerimento da Receita Federal, não foi possível anexálo naquele momento. Entende que foi equivocado o posicionamento da fiscalização. A Lei Federal nº 9.249/95, em seu art. 20 estabelece que a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral, sob o regime do Lucro Presumido, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). Contudo, o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" (redação alterada pela Lei 11.727/08), previu uma exceção ao percentual de 32% exatamente para os serviços hospitalares, caso da Manifestante, em que a base da CSLL será de 12%, desde que seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. Vejase, a parte final da redação da alínea ‘a’, estabelece como requisito para que os contribuintes sejam tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta desde que atendam às normas da Vigilância Sanitária. O dispositivo é claro, não estabelece como critério, que para os contribuintes terem o direito ao beneficio de serem tributados pela CSLL sobre a base de 12% da receita bruta, somente com a apresentação do “alvará de saúde”, mas sim que atendam às suas normas. E nesse sentido, assim que requerido pela Receita Federal, a Manifestante imediatamente apresentou sua regularidade de funcionamento. Aliás, nesse aspecto não foi apontada nenhuma irregularidade por parte da Receita Federal. Se a Manifestante não estivesse cumprindo com as normas de saúde, não lhe seria expedido o alvará de regularidade de funcionamento. Ainda, para dirimir qualquer dúvida de que efetivamente estava regular perante a vigilância sanitária, foilhe expedido o Alvará de Saúde atestando o cumprimento das normas por parte da Manifestante desde sua constituição. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 5 4 Ademais, seria impossível à Manifestante não atender as normas de saúde previstas na Legislação, isso porque, realiza suas atividades junto ao Hospital Santa Cruz, local periodicamente analisado, seja por meio de órgão federal, estadual ou municipal. Portanto, não é legítimo, por parte da Fiscalização, não reconhecer que a Manifestante atende às normas de saúde, uma vez que está em exercício regular de sua atividade, fato esse atestado por meio da Secretaria da Saúde, através da expedição do Alvará de saúde. Nesse sentido, os nossos Tribunais em diversos julgados, rechaçam as exigências da Fiscalização que vão além do preceituado pelo Legislador Ordinário. O que importa é que o serviço prestado seja de natureza hospitalar, pois foi apenas essa a circunstância imposta pela Lei. Foi esse o entendimento do STJ no REsp nº 1.116.399, julgado pelo rito do Recurso Repetitivo, ao julgar a aplicação da alíquota de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido aos contribuintes prestadores de Serviços Hospitalares, oportunidade na qual consignou que os regulamentos emanados da Receita Federal não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei para a obtenção do benefício. Decisão da DRJ A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 CSLL. SERVIÇOS HOSPITALARES. ALÍQUOTA DE 12%. LUCRO PRESUMIDO. NECESSIDADE DE ALVARÁ DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA. 1. Para utilizaação da alíquota no percentual de 12%, para apuração da base de cálculo sobre o lucro presumido da CSLL, é necessário que a empresa que presta serviços hospitalares seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa. 2. Como atendimento às normas da Anvisa deve ser entendido, dentre outros requisitos, que os serviços sejam prestados em ambientes desenvolvidos de acordo com a Resolução de Diretoria Colegiada Anvisa nº 50, de 2002, cuja comprovação deve ser feita mediante alvará expedido pelo órgão de vigilância sanitária competente." Recurso Voluntário Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual ratifica seu termos de defesa apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.174, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.720774/2016 28, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou o direito creditório do contribuinte decorrente de pagamento indevido de IRPJ Lucro Presumido Código de Receita 2089, relativo a trimestres de apuração dos anoscalendário de 2011, 2012, 2013 e 2014. O presente processo referese à análise de direito creditório com origem em pagamento indevido de CSLL, relativo ao 1º trimestre/2012. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.174): "Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos legais, assim, merece ser apreciado. Mérito Em apertada síntese, o tema aqui tratado referese à possibilidade do Alvará da Vigilância Sanitária ou sua ausência definir a alíquota do IRPJ do Lucro Presumido a ser utilizada pelo contribuinte que presta serviços hospitalares, se de 8% ou 32%. A DRJ decidiu no sentido de que a ausência do citado alvará pressupõe que o contribuinte não atende as normas da ANVISA o que é um requisito previsto na Lei n. 9.249/95 para gozo da alíquota reduzida de 8%. O entendimento da DRJ me parece razoável. Contudo, seus efeitos devem ser avaliados. Conforme mencionado no relatório, no julgamento do Resp. nº 1.081.441, a 2ª Turma do STJ definiu o que são “serviços hospitalares” para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, "A" DA LEI Nº 9.249/95. RADIOLOGIA, ULTRASSONOGRAFIA E DIAGNÓSTICO DE IMAGENS. INCLUSÃO NO Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 7 6 CONCEITO DE SERVIÇO HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95 explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art. 6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Devese entender como "serviços hospitalares" aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, tratase de entidade que presta serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico por imagens dentro do Hospital Geral pertencente à Associação de Caridade Santa Casa do Rio Grande, que não possui esses serviços e, portanto, os terceiriza à recorrente. Não se está diante de simples consulta médica, mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de "serviços hospitalares, já que demanda maquinário específico, geralmente adquirido por hospitais ou clínicas de grande porte. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente hospitalar desempenhada pela recorrente especificamente a prestação de serviços de radiologia, ultrassonografia e diagnóstico de imagens excluídas as simples consultas e atividades de cunho administrativo. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 8 7 8. Recurso especial provido em parte. Em apertada síntese, decidiram os ministros do STJ que os serviços hospitalares são aqueles relacionados ás atividades desenvolvidas pelos hospitais e que tenham por finalidade a promoção da saúde da população. Posteriormente, a RFB publicou a IN n.1.234/12 que assim define os serviços hospitalares: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles prestados por estabelecimentos assistenciais de saúde que dispõem de estrutura material e de pessoal destinados a atender à internação de pacientes humanos, garantir atendimento básico de diagnóstico e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência permanente prestada por médicos, que possuam serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente humano, durante 24 (vinte e quatro) horas, com disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviços de cirurgia e parto, bem como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos.” Mais adiante, já no ano de 2015, foi publicada a Instrução Normativa n. 1.540/15 que assim dispõe: “Art. 30. Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde que desenvolvem as atividades previstas nas atribuições 1 a 4 da Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Anvisa” (NR) A Resolução RDC n. 50 da Anvisa, dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Na mencionada resolução é possível perceber que o item 3 trata do Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes da Parte II Programação FísicoFuncional dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde da Resolução RDC nº 50/12. O atendimento à tais normas da Anvisa somente pode ser comprovado através da apresentação do alvará da vigilância sanitária estadual ou municipal. No caso em tela, além de evidenciar a ora Recorrente que, de fato, presta serviços hospitalares, trouxe também documento que julgo de extrema importância e que já fora analisado pela DRJ que é o Alvará de Saúde emitido pela Secretaria Municipal Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 9 8 de Santa Cruz do Sul que comprova a regularidade de sua situação e por consequência o atendimento às normas da Anvisa: Contudo, a DRJ entendeu que não poderia acolher tal documento como elemento de prova, dado que foi emitido em 04/02/2016, posteriormente ao fato gerador em análise, ao passo que a Lei Estadual RS n° 6.503/1972 estabelece no §1º do art. 43 que o alvará a que se refere este artigo só terá validade durante o ano civil de sua concessão. É neste ponto que entendo que a Contribuinte perde seu argumento. Isso porque, ainda que defenda que do ponto de vista de essência já vinha prestando serviços hospitalares e que não o podia fazer se não estivesse regularizada, temos que do ponto de vista formal, a interpretação conjunta das normas acima mencionadas nos leva à conclusão de que a evidência de cumprimento das normas da Anvisa somente poderia ser feita por meio do respectivo alvará de vigilância sanitária e que o alvará apresentado é datado de 2016, produzindo efeitos, portanto, somente para este ano segundo a mencionada lei estadual. Aliás, o próprio alvará acima apresentado traz a previsão expressa de validade de 01 ano (válido até 03/02/17). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13005.902301/201566 Acórdão n.º 1201002.185 S1C2T1 Fl. 10 9 Assim, entendo que para os anosbase não cobertos pelo alvará apresentado pelo Contribuinte, ora Recorrente, não há que se falar em alíquota presumida de 8% uma vez que não foram preenchidos os requisitos legais e formais para gozo de tal benefício, especificamente, o atendimento às normas da Anvisa cuja evidência restou falha em razão da ausência de alvará de vigilância sanitária para os anos ora em discussão. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto!" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.721134/2016-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 02/10/2014 a 31/12/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.
A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito.
IRRF. OPERAÇÕES DE DAY TRADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN RFB nº 1022/2010 o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente.
Para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ.
Numero da decisão: 1401-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 02/10/2014 a 31/12/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito. IRRF. OPERAÇÕES DE DAY TRADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN RFB nº 1022/2010 o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente. Para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ.
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INDEFERIMENTO EM RAZÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS NO PERÍODO. IMPOSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação de estimativas não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito. IRRF. OPERAÇÕES DE DAY TRADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN RFB nº 1022/2010 o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente. Para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 11 34 /2 01 6- 22 Fl. 508DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte em virtude do saldo negativo de IRPJ/CSLL decorrente de estimativa objeto de Declaração de Compensação não Homologada. A Manifestação de Inconformidade – (MI) apresentada pelo contribuinte, visa combater o Despacho Decisório de fl. 94 “que não reconheceu a totalidade do crédito indicado no PER/DCOMP nº 01042.71756.151015.1.2.028020, transmitido com o objetivo de solicitar a restituição do montante de R$ 22.760.521,54, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no período de 02/10/2014 a 31/12/2014”. O PER/DCOMP “foi analisado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo que emitiu o Despacho Decisório em comento, pelo qual foi confirmado o saldo negativo de IRPJ disponível para restituição no montante de R$ 892.420,98”. Ao compulsar dos autos, percebese que “foram glosadas as retenções incidentes sobre prestação de serviços (no valor de R$ 8.407,07) e sobre operações de daytrade (no valor de R$ 57.104,80) por falta de oferecimento dos rendimentos correspondentes à tributação”. Estimativas Compensadas: Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16692.721134/201622 Acórdão n.º 1401002.658 S1C4T1 Fl. 509 3 Ciente da autuação em 19/12/2016 (fls. 99), o interessado apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE em 18/01/2017 (fls. 102/156), na qual alegou: 1. DA GLOSA INDEVIDA DO IRRF: Aduz que “de acordo com o despacho decisório emitido, dos R$ 2.023.952,26 declarados como IRRF, apenas foi deferido o montante de R$ 1.620.851,90. Ocorre, no entanto, que a glosa sobre o montante de R$ 403.100,36 é manifestamente indevida. Consoante já informado durante procedimento fiscalizatório e passível de confirmação da análise dos presentes autos, durante o anocalendário de 2014 a Recorrente incorporou a empresa Kowalski Alimentos S.A (CNPJ 76.537.240/0001 91). 2. Nesse sentido, no mês de outubro/2014, foi procedida à entrega da DIPJ referente ao ato de incorporação, considerando, tão somente, os períodos anteriores ao referido ato, qual seja janout/2014 e, posteriormente, a Recorrente entregou a DIPJ alusiva ao período remanescente, aí já considerando a empresa incorporada (período de outdez/2014). 3. Em prosseguimento, pela mesma razão da incorporação ocorrida, que justifica a existência de 2º PER’s do anocalendário de 2014: um referente ao período janout (05660.61674.161214.1.2.027870), e outro referente ao período outdez (01042.71756.151015.1.2.02 8020), ora discutida. 4. Assim sendo, toda e qualquer análise creditória que se refira ao ano calendário de 2014 deverá ser feita considerando referida situação e com observância das DIPJ’s e PER’s do período, ou seja, deverá ser feita uma análise conjunta para que a conclusão seja satisfativa. 5. Nesse diapasão, da consulta da DIPJ (Doc. 04) referente ao ato de incorporação, também não se nota, de toda sua Ficha 57, qualquer informação no sentido de que a Recorrente já tenha requerido o IRRF em questão. Portanto, a retenção informada é legítima e perfeitamente passível de apropriação pela Recorrente. 6. DA IMPOSSIBILIDADE DE GLOSA DO SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR ESTIMATIVAS PENDENTES DE DECISÃO Fl. 510DF CARF MF 4 FINAL: Diz que “parte das estimativas antecipadas de IRPJ que foram objeto de declarações de compensação e que compuseram a formação do saldo negativo apurado pela Recorrente em 2014 ainda aguarda análise e julgamento definitivo por esta Receita Federal do Brasil. Assim, a impossibilidade do indeferimento do presente pedido de restituição decorre de litispendência com os processos administrativos dos créditos utilizados para compensação das estimativas antecipadas, nos quais (i) aguardase análise definitiva da RFB acerca do crédito pleiteado Assim, é certo que, até o momento, não havendo análise conclusiva sobre o PER apresentado, por certo que não se deve considerar como não confirmada a compensação decorrente do citado crédito, de modo que não podem ser utilizadas como meio a diminuir o saldo negativo. Ainda que se ventile a hipótese de que, futuramente, o crédito disposto na citada PER não venha a ser confirmado, a Recorrente ainda poderá se valer da apresentação de Manifestação de Inconformidade e demais procedimentos no âmbito do contencioso de forma a ver alcançado seu direito, de forma que, por certo, até que se tenha conclusão definitiva sobre a análise de tais créditos, as compensações que dele decorram não devem ser consideradas não confirmadas e/ou não homologadas”. 7. Afirma que “o direito creditório da Recorrente não se limita aos valores de retenção somente do período outdez/2014, mas, sim, de todo o anocalendário. Portanto, a retenção informada no valor de R$ 4.842,24 é legítima e perfeitamente passível de apropriação pela Recorrente. 8. Diz que “analisando somente o período entre outdez/2014, o valor retido na fonte seria mesmo a quantia de R$ 60,21. Entretanto, quando da apresentação do PER, a Recorrente pleiteou o ressarcimento da quantia referente a todo anocalendário de 2014 (incluído aí o montante de R$ 60,21)”. E que, não restam duvidas de que o direito creditório da Recorrente não se limita aos valores de retenção somente do período outdez/2014, mas, sim, de todo o ano calendário. Portanto, a retenção informada no valor de R$ 101,19 é legítima e perfeitamente passível de apropriação pela Recorrente. Portanto, é de rigor que o despacho decisório ora discutido deve ser reformado para reconhecer à Recorrente o direito ao ressarcimento integral do crédito citado na Linha 5, no importe de R$ 101,19”. 9. Afirma que “aliás, conforme acima aduzido, mesmo que se mantenha a glosa do crédito utilizado na compensação das estimativas indicadas, após julgamento e diligência fiscal, tal valor compensado por DCOMP será cobrado no respectivo Processo Administrativo ou, ainda, em futura execução fiscal. É certo que, até o momento, no que se refere às compensações não homologadas, ainda não foram analisadas em sua integralidade pela autoridade competente, de modo que não podem ser utilizadas como meio a diminuir o saldo negativo. Repisase ainda o fato de que tal posicionamento foi adotado pela CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal, através da Solução de Consulta Interna (Cosit) nº 18: Dessa forma, a análise do presente pedido de restituição fica prejudicada, tendo em Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16692.721134/201622 Acórdão n.º 1401002.658 S1C4T1 Fl. 510 5 vista os argumentos acima, razão pela qual a equipe de fiscalização, ao invés de indeferir de plano o pedido feito pela Recorrente, deveria aguardar, ao menos, o desfecho de todos os PER’s apresentados”. 10. DA GLOSA REFERENTE AOS RENDIMENTOS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO: Alega que “com relação ao CÓD. 8468 – Retenção confirmada em DIRF: R$ 57.104,80, a Recorrente postula pela juntada posterior da documentação comprobatória do oferecimento dos rendimentos à tributação para que, daí então, se comprove o equívoco cometido pelo despacho decisório também neste quesito. Por oportuno, a Recorrente, pela presente, junta cópia do seu Livro Razão do anocalendário de 2014 (Doc. 16) o qual, conforme se verifica, é possível comprovar que os rendimentos oferecidos à tributação no período superam o valor do respectivo Informe de Rendimentos (Doc. 17), razão pela qual, a despeito da Recorrente postular pela posterior juntada dos documentos, dessa singela análise de constata a tributação dos rendimentos. E que considerando que a retenção na fonte foi confirmada pela Autoridade Fiscal, assim como o fato da Recorrente não ter se valido do referido crédito em períodos anteriores, por certo que seu direito creditório deve ser deferido na integralidade”. 11. Requereu “o recebimento e provimento da presente Manifestação de Inconformidade, com vistas à reforma do despacho decisório, levando ao reconhecimento integral o saldo negativo de IRPJ do exercício de 2014 (outubro a dezembro de 2014), no montante total de R$ 23.488.952,46, devidamente atualizado até a data do efetivo aproveitamento”. 12. Subsidiariamente, “caso não se compreenda pelo todo até então alegado no sentido de se reformar o r. despacho decisório expedido, sejam os presentes autos baixados em diligência para confirmação das informações, inclusive nas que se referem aos rendimentos cuja tributação foram questionadas, oportunidade em que a Recorrente apresentará eventuais informações necessárias, sem prejuízo das já discorridas e dos documentos que serão oportunizados”. O Acórdão ora Recorrido (1679.352 5ª Turma da DRJ/SPO) recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 02/10/2014 a 31/12/2014. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF Reconhecese o direito de utilização do credito relativo ao IRRF incidente sobre rendimentos oferecidos à tributação em apuração anual e comprovado por informes de Fl. 512DF CARF MF 6 rendimentos ou constante dos sistemas de informação da Administração Tributária. O IRRF incidente em operações de daytrade não compõe as parcelas de formação do saldo negativo de IRPJ. ESTIMATIVA COMPENSADA. O saldo negativo de IRPJ/CSLL decorrente de estimativa objeto de Declaração de Compensação não homologada, não goza dos atributos de liquidez e certeza, e, por conseguinte não pode ser admitido na formação do saldo negativo passível de restituição. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “afastouse de plano a confirmação da utilização do IRRF correspondente ao cód. 5557 por insuficiência da receita financeira variável oferecida à tributação na ficha 6(seis) e no item da DIPJ PA 01/01/2014 a 01/10/2014, bem como do IRRF correspondente ao cód. 8468 por não integrar o rol das retenções passiveis de compensação na DIPJ. No que diz respeito ao IRRF cód. 1708, 8045, 3426 e 6800, verificase que de fato o IRRF reclamado não foi compensado no P.A 01/01/2014 a 01/10/2014, observase ainda, que os rendimentos oferecidos à tributação são compatíveis com o crédito compensado”. E que “o entendimento da PGFN deixa claro que a exigência do imposto ou contribuição devido por estimativa, objeto de compensação não homologada, esta restrita à parcela utilizada na extinção do IRPJ e/ou CSLL devido no final do ano calendário. Em outras palavras a parcela que compõe o saldo negativo consolidado no encerramento do período de apuração não goza dos atributos de liquidez e certeza. O entendimento de que crédito oriundo de saldo negativo formado por estimativas compensadas pode ser validado para fins de Declaração de Compensação, decorre do fato de que a sua não homologação implica na possibilidade de que o valor do débito que permaneceu em aberto seja exigido em dobro, a saber: (i) no PER/DCOMP em que o débito do IRPJ/CSLL devido por estimativa foi compensado; e, (ii) na exigência da compensação não homologada no PER/DCOMP vinculado ao saldo negativo pertinente à estimativa não confirmada”. (...) “O mesmo tratamento não pode ser dispensado ao pedido de restituição do saldo negativo em comento, visto que, neste caso o crédito decorrente da estimativa compensada não recebe o tratamento de tributo devido, dito de outra forma, não goza dos atributos de liquidez e certeza. Destarte, não é possível disponibilizar para fins de restituição o crédito decorrente de antecipações (estimativa) do IRPJ/CSLL objeto de DCOMP pendente de análise (processamento eletrônico) e/ ou decisão administrativa”. Assim, para o período de apuração 02/10/2014 a 31/12/2014, o saldo negativo do IRPJ ficou confirmado, da seguinte forma: Concluiuse pela procedência em parte da Manifestação de Inconformidade apresentada para “confirmar o saldo negativo de IRPJ do período de apuração 02/10/2014 a Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16692.721134/201622 Acórdão n.º 1401002.658 S1C4T1 Fl. 511 7 31/10/2014, no valor de R$ 1.232.882,47, reconhecendo a disponibilidade da diferença de crédito de R$ 340.461,49 para fins de restituição”. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 18/09/2017 (fls. 407/421), alegando seguintes as razões: 1. DO PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO: Diz que “a Recorrente efetuou pagamentos do IRPJ/CSLL por estimativa, mediante declarações de compensação. No entanto, o despacho decisório indeferiu parte da restituição requerida com o argumento de que certas DCOMPs ainda se encontram pendentes de análise pela Receita Federal”. 2. “Esse é um dos motivos pelo qual se atribui à compensação realizada a condição resolutória (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96), que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado, é imediata, não podendo ser objeto de alegação por parte do Fisco de falta de pagamento ou ausência de liquidez e certeza, enquanto não homologada a DComp”. 3. Afirma que “o artigo 17 da Lei nº 10.833/2003 assevera que “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.””. E que, a DCTF é meio hábil para a constituição do crédito tributário, conforme reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça”. 4. Diz que “O texto é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como aliás, não poderia deixar de ser, em face do texto do artigo 156, II do CTN. Dessa forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o fisco poder desconsiderala no futuro”. (...) Isso ocorre porque, “nos termos do § 2º, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, a compensação se equipara ao pagamento, sob condição resolutória de ulterior homologação, ou seja, a quitação é imediata e o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, contados da entrega da declaração, para manifestarse sobre a compensação”. 5. E que, “uma vez quitadas às estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação”. Fl. 514DF CARF MF 8 6. Quanto ao IRRF das operações de Day Trade aduz que "De acordo com o Acórdão (pág. 15), o código de receita 8468 não integra o rol de retenções passíveis de compensação na DIPJ e deveria ser objeto de pedido de restituição apartado do saldo negativo, nos termos no §9º do artigo 54 da IN 1022/2010. Entretanto, essa regra é válida apenas para pessoa física ou jurídica isenta e optante pelo Simples, conforme descrito no § 12 do artigo 54 da IN 1022/2010." 7. Por fim, aduz que “em caso de não homologação da compensação declarada caberá ao contribuinte a apresentação de manifestação de inconformidade perante a Delegacia de Julgamento da Receita Federal, permanecendo o crédito tributário suspenso até o trânsito em julgado do processo administrativo, pelo que no seu final a confirmação ou não da decisão, pelo CARF, implicará em: (i) Procedência do recurso do contribuinte, com a confirmação do seu direito creditório; ou (ii) Improcedência do recurso do contribuinte, que assim terá que quitar o crédito tributário, com todos os acréscimos dos encargos pertinentes”. 8. Requereu o julgamento procedente do presente recurso, para reconhecer na sua totalidade o direito creditório da Recorrente. Às fls. 447/448 dos autos PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE – “Oposição à compensação de ofício”. Tendo em vista a suspensão de exigibilidade, requereu o ressarcimento integral do valor reconhecido no processo administrativo em comento. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Inicialmente cumpre asseverar que, quanto à glosa parcial relativa ao IRRF mantida pela DRJ, o Recorrente apenas se insurge quanto à relativa ao IRRF de código 8468 (operações de Day Trade). Restando definitiva a decisão quanto às demais glosas. Quanto a este ponto, cumpre reiterar o alegado pelo Recorrente: "De acordo com o Acórdão (pág. 15), o código de receita 8468 não integra o rol de retenções passíveis de compensação na DIPJ e deveria ser objeto de pedido de restituição apartado do saldo negativo, nos termos no §9º do artigo 54 da IN 1022/2010. Entretanto, essa regra é válida Fl. 515DF CARF MF Processo nº 16692.721134/201622 Acórdão n.º 1401002.658 S1C4T1 Fl. 512 9 apenas para pessoa física ou jurídica isenta e optante pelo Simples, conforme descrito no § 12 do artigo 54 da IN 1022/2010." Entendo assistir razão ao Recorrente, senão vejamos o tratamento tributário dispensado ao IRRF incidente sobre os ganhos em operações em bolsa e Day Trade nos termos do art. 54 da IN RFB nº 1022/2010 (vigente à época), que assim dispõe: Art. 54. Os rendimentos auferidos em operações de daytrade realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 1% (um por cento). (...) § 7º O imposto sobre a renda retido na forma deste artigo deverá ser recolhido ao Tesouro Nacional até o 3º(terceiro) dia útil subsequente ao decêndio da data da retenção, utilizandose o código de receita 8468. § 8º O valor do imposto retido na fonte sobre operações de day trade poderá ser: I deduzido do imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados no mês; II compensado com o imposto incidente sobre ganhos líquidos apurados nos meses subsequentes, se, após a dedução de que trata o inciso I, houver saldo de imposto retido. § 9º Se, ao término de cada anocalendário, houver saldo de imposto retido na fonte a compensar, fica facultado à pessoa física ou às pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 12, solicitar restituição nos termos previstos na legislação de regência. Ocorre que a DRJ ao analisar a questão se limitou a interpretar o referido art. 54 sem levar em consideração o que dispõe o § 12º que assim dispõe: § 12. Sem prejuízo do disposto no § 8º, o imposto sobre a renda retido na fonte em operações de daytrade será: I deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data de extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II definitivo, no caso de pessoa física e de pessoa jurídica isenta ou optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). Fl. 516DF CARF MF 10 Assim é que, ao delimitar a possibilidade de pedido de restituição do pagamento de IRRF nas operações de Day Trade a IN o fez para pessoas físicas ou pessoas jurídicas indicadas no inc. II do § 12 (isenta ou optante do SIMPLES), que não é o caso da Recorrente. Por sua vez, para as demais pessoas jurídicas optantes do lucro real, presumido ou arbitrado, o IRRF incidente nas operações de Day Trade podem ser deduzidos do devido em cada período de apuração. Em outras palavras, o referido imposto integra a apuração e, portanto, também pode integrar o saldo negativo do IRPJ. Desta feita, dou provimento ao recurso do contribuinte para considerar na apuração do saldo negativo de IRPJ os valores relativos ao IRRF no Código 8468. No mais, o cerne da discussão está no indeferimento do pedido de restituição de saldo negativo pleiteado pelo Recorrente, o qual, na sua apuração, levou em consideração a quitação do pagamento das estimativas por meio de compensações com outros créditos. Tendo em vista que parte das compensações não foram homologadas ou ainda não apreciadas, a DRJ manteve o entendimento de que não deveria ter sido reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. Da análise dos autos entendo assistir razão ao Recorrente. Em relação às estimativas compensadas em outros processos, estas deverão ser consideradas no limite dos valores que tiveram a compensação requerida vez que, estando os débitos controlados no processo, conforme pudemos comprovar, mesmo que a compensação ao final não seja integralmente homologada, a empresa será cobrada e executada do saldo de débitos não compensados. Indeferir a restituição do saldo negativo apurado com levando em consideração as referidas compensações e, ao mesmo tempo, exigir do contribuinte nos referidos processos de cobrança as estimativas não pagas (em razão do indeferimento da compensação), tem como conseqüência exigir do contribuinte o mesmo crédito duas vezes. E caso sobrevenha decisão definitiva desfavorável ao contribuinte, ainda assim o débito de estimativa será objeto de cobrança em procedimento específico e poderá ser normalmente executado, não impedindo sua inclusão para efeitos de saldo negativo. A negativa do cômputo das estimativas no saldo negativo apurado no ano causaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois ao mesmo tempo em que o fisco exige o seu pagamento nos autos dos processos de compensação, também ora impede a sua utilização. Este entendimento decorre do fato de a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte constituir em confissão de débitos, na forma das normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, mesmo não homologada a compensação do débito da estimativa que compôs o crédito do processo, aquele débito será objeto de cobrança administrativa e/ou judicial. Por esta razão, impedir a utilização da estimativa em processo subsequente enquanto é mantida a cobrança do débito não compensado no processo anterior implicaria em prejuízo duplo ao contribuinte. Primeiro porque seria obrigado a pagar a estimativa não compensada integralmente. Segundo porque veria este valor não compensado ser excluído da composição do crédito. Assim, para evitar prejuízos ao contribuinte, haja vista que a ação de cobrança da Fazenda Nacional quanto à estimativa não compensada é perfeitamente legal, há de se admitir Fl. 517DF CARF MF Processo nº 16692.721134/201622 Acórdão n.º 1401002.658 S1C4T1 Fl. 513 11 a utilização dos débitos de estimativa compensados em Declaração de Compensação, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, posto que o pressuposto é que os débitos deverão ser cobrados posteriormente, de modo a evitar prejuízos ao particular e encerrar a análise dos processos de compensação posteriores que, de outra forma, permaneceriam pendentes até a conclusão de todos os procedimentos de cobrança. Desta forma, sendo obrigatoriamente pagos os débitos naquele processo, as estimativas nele controladas devem ser consideradas para fins de composição dos créditos neste processo. Os demais valores de retenção na fonte e de pagamentos foram obtidos diretamente do já aceito pela decisão da Delegacia de Origem. Outrossim, também entendo que é isso o que determina a interpretação do (§ 2º do art. 74, Lei nº 9.430/96, em que, seguindo o que dispõe do CTN, atribui à compensação os efeitos de extinção do crédito sob condição resolutória, o que nada mais é, do que a extinção imediata do crédito tributário confessado e compensado, até que haja a sua homologação expressa ou tácita, isto é, a compensação realizada, a quitação do valor confessado. Caso a compensação não seja homologada, total ou parcialmente, caberá ao Fisco o direito de execução imediata do valor devidamente confessado. Se assim não fosse, em casos como o da Recorrente, em que estimativas foram compensadas, a apuração de eventual saldo negativo sempre restaria prejudicada, até que o pedido de compensação fosse efetivamente analisado. Certamente não foi essa a intenção do legislador ao estabelecer o procedimento para realização de compensação de débitos tributários federais, visando dar agilidade mas, ao mesmo tempo, garantindo ao Fisco a segurança de que caso a compensação não fosse homologada restaria assegurado o seu direito à cobrança. Outrossim, como demonstrado no relatório, através de tabela extraída do Acórdão Recorrido, todos os pedidos de compensação ainda não confirmados encontramse devidamente controlados pelos seus respectivos processos administrativos. Além da decisão já citada do nobre colega desta TO, o CARF, aliás, vem se posicionando sobre a necessidade de inclusão de estimativa compensada, ainda que esta não tenha sido homologada, no cálculo do saldo negativo, justamente para evitar a dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Vejase, a título exemplificativo, as ementas dos julgados abaixo: “COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro Fl. 518DF CARF MF 12 débito com a mesma origem”. (Acórdão 1201001.054 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Relator Luis Fabiano Alves Penteado, Sessão de 30/07/2014). “DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DÉBITOS COM CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES. DUPLA COBRANÇA. A compensação regularmente declarada extingue o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive a composição do saldo negativo. Glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário. Mesmo que haja decisão administrativa não homologando a compensação de um débito de estimativa essa parcela deverá ser considerada para fins de composição do saldo negativo”. (Acórdão nº 1803002.353 – 3ª Turma Especial, Relator Arthur Jose Andre Neto, Sessão de 23/09/2014). Em julgado mais recente, a CSRF adotou semelhante posição, conforme atesta o julgado abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). (Acórdão n. 9101002.489. Dj 06/12/2016). Assim, face ao exposto, voto pelo provimento do Recurso Voluntário para que as estimativas compensadas e os valores relativos ao IRRF no Código 8468 sejam considerados na apuração do saldo negativo de IRPJ a restituir. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 519DF CARF MF
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Numero do processo: 37280.002110/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO - DEPÓSITO JUDICIAL NO PRAZO DE 30 DIAS ATENDENDO DECISÃO JUDICIAL
A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar ou a tutela antecipada interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição, conforme artigo 56, § 2 da Lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 9202-006.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado). (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 0. 00 21 10 /2 00 6- 11 Fl. 1325DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão nº 20601.594, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 06/11/2008, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA SAT AÇÃO JUDICIAL DECADÊNCIA. A existência de ação judicial proposta pela recorrente não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo, quando o recurso tratar de matéria diversa à submetida à ação judicial. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculante aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Contextualizando: Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 37280.002110/200611 Acórdão n.º 9202006.940 CSRFT2 Fl. 1.324 3 Fl. 1327DF CARF MF 4 Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 37280.002110/200611 Acórdão n.º 9202006.940 CSRFT2 Fl. 1.325 5 Fl. 1329DF CARF MF 6 Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 37280.002110/200611 Acórdão n.º 9202006.940 CSRFT2 Fl. 1.326 7 Fl. 1331DF CARF MF 8 O contribuinte afirma que o acórdão recorrido manteve a multa de mora, não obstante haver expressa menção no AI de que o lançamento estava com a exigibilidade suspensa em razão de depósito judicial anteriormente efetuado. Destaca o seguinte trecho do julgado em comento: “A recorrente alega, ainda, que não cabe a cobrança de multa, já que o débito em discussão está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, IV, do CTN, e transcreve o art. 63 da Lei 9.430/96 para reforçar suas alegações. Contudo, o que está sendo lançado na presente NFLD é a multa de mora, e não a de ofício, como entendeu de forma equivocada a recorrente. A notificada confunde multa, penalidade, com contribuição previdenciária. O fiscal não impôs uma multa e sim notificou o valor que a recorrente deve à previdência. E o valor notificado foi acrescido de juros e multa moratória, tendo em vista o não recolhimento da contribuição no prazo legal. Tal procedimento encontra amparo nos artigos 34 e 35 da Lei 8.212/91. Já a multa de ofício possui caráter punitivo e se refere ao descumprimento de uma obrigação acessória, o que não ocorreu no presente caso, em que foi aplicada a multa de caráter moratória pelo descumprimento da obrigação principal. E, conforme determinação contida nos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/91, os juros e a multa compõem o crédito regularmente constituído, não podendo ser relevados já que a referida Lei determina que tais encargos possuem caráter irrelevável. Portanto, por determinação legal e sendo o lançamento um ato administrativo vinculado, não poderia o agente notificante excluir do crédito constituído por meio da NFLD os valores relativos à multa, como quer a recorrente.” Paradigmas: “(...) MEDIDA LIMINAR. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. A Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 37280.002110/200611 Acórdão n.º 9202006.940 CSRFT2 Fl. 1.327 9 interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição (Lei 9.430/96, art. 63, § 2°) Recurso Voluntário Provido em Parte” (AC 230100.044) “MULTA DE MORA. TUTELA ANTECIPADA. Para os efeitos da legislação tributária, a medida liminar e a tutela antecipada são instrumentos hábeis e idôneos para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como para afastar a aplicação da multa de mora desde a concessão da referida medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996.” (AC 180100.351). Assim o Recurso foi admitido. Cientificada a Fazenda Nacional declarou que não tem interesse em contrarrazoar. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O cerne da discussão objeto da presente controvérsia cingese à conclusão se havia ou não suspensão da exigibilidade dos créditos tributário no momento da autuação. Ocorre que, nos termos do art. 63 da Lei 9.430/96, não caberia a exigência de multa de ofício em hipóteses de lançamento para prevenir decadência. Fl. 1333DF CARF MF 10 Diante do exposto conheço do Recurso interposto pelo Contribuinte para no mérito DARLHE PROVIMENTO. É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 37280.002110/200611 Acórdão n.º 9202006.940 CSRFT2 Fl. 1.328 11 Fl. 1335DF CARF MF
score : 1.0
