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Numero do processo: 10120.904644/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
A compensação tributária deve obedecer estritamente os termos legais, pois a declaração de compensação tem o caráter de extinguir o tributo devido (compensado), na data de sua apresentação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o crédito alegado deve ser indicado de modo preciso e ser devidamente comprovado para que a compensação possa ser homologada.
Numero da decisão: 1302-001.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade Alberto Pinto Souza Junior .
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Restituição. Compensação. Admissibilidade. A compensação tributária deve obedecer estritamente os termos legais, pois a declaração de compensação tem o caráter de extinguir o tributo devido (compensado), na data de sua apresentação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o crédito alegado deve ser indicado de modo preciso e ser devidamente comprovado para que a compensação possa ser homologada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 78 1 77 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.904644/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.365 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2014 Matéria DCOMP Recorrente EVOLUTI TECNOLOGIA E SERVICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. A compensação tributária deve obedecer estritamente os termos legais, pois a declaração de compensação tem o caráter de extinguir o tributo devido (compensado), na data de sua apresentação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o crédito alegado deve ser indicado de modo preciso e ser devidamente comprovado para que a compensação possa ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade Alberto Pinto Souza Junior . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 46 44 /2 00 9- 11 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada tem por objeto a compensação de débito do sujeito passivo, com base em suposto direito creditório oriundo de ‘pagamento indevido ou a maior’ de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 283.310,03, do período de apuração 31/05/2005, com data de arrecadação em 30/06/2005. Transmitida em 15/03/2006, a DCOMP recebeu o Despacho Decisório de ‘não homologação’, emitido em 20/04/2009, em razão da utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 31/05/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto” e pede revisão do despacho decisório. A 4ª Turma da DRJ/BSB pelo acórdão nº 0345.537, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. É inadmissível a utilização de pagamentos a título de estimativa mensal para fins de compensação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, a Interessada apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. ‐ os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. ‐ verificou‐se com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. ‐ onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.904644/200911 Acórdão n.º 1302001.365 S1C3T2 Fl. 79 3 ‐ pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Em 06/11/2012 esta 2ª Turma da 3ª Câmara, através da resolução nº 1302 000209, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, converteu o julgamento em diligência para que os autos retornassem à jurisdição da Contribuinte e se confirmassem, com provas documentais, a existência ou não do crédito pleiteado. Tendo retornado os autos sem a que a Contribuinte tivesse sido cientificada da diligência solicitada, foi proferida nova resolução convertendo o julgamento em diligência (1302000268) em 09/10/2013, determinando que fosse sanado o equívoco. Intimada a Contribuinte da decisão da diligência, sem que tivesse se pronunciado, conforme despacho de encaminhamento de fls., o processo retornou para julgamento. Destacase da diligência DRF/GOI/SEORT de 09/05/2013 o seguinte: “Foram realizadas consultas aos sistemas da RFB verificandose que: a) As estimativas apuradas pelo CONTRIBUINTE foram declaradas e liquidadas. Ver Extrato Completo do Contribuinte Pessoa Jurídica (fl. 104). Neste extrato podemos verificar que os valores pagos são exatamente os valores apurados de estimativa. Observar que Valor Disponível dos pagamentos é R$ 0,00 (zero reais). Os valores dos débitos foram originados de DCTF; b) Os valores de estimativa apurados na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa são exatamente os valores declarados em DCTF, extrato mencionado no item “a”, para os períodos de apuração 01/2005 a 06/2005; c) Para os períodos 07/2005 a 12/2005 a Ficha 11 apurou valor negativo, porém foram declarados em DCTF e liquidados débitos de período de apuração 07/2005 a 09/2005; d) Na DIPJ, Ficha 11, e na DCTF não foram declarados valores de IRPJ estimativa a pagar e não há recolhimento para os períodos de apuração 10/2005 a 12/2005; e) Na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral foi informado o total recolhido por estimativa, R$ 1.177.956,62, inclusive as referentes aos períodos de apuração 07/2005 a 09/2005, para apurar IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL cujo IMPOSTO DE RENDA A PAGAR na DIPJ é R$ 912.052,11 (saldo negativo); f) Não consta apresentação de PER/DCOMP tipo de crédito SALDO NEGATIVO DE IRPJ, período de apuração 2005. Ver relação de PER/DCOMP que foram apresentadas pelo interessado para este tipo de crédito . Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.904644/200911 Acórdão n.º 1302001.365 S1C3T2 Fl. 80 5 Obs.: Em anexo planilha com os dados das estimativas declaradas na DCTF e na DIPJ. Conclusão a) Quanto aos pagamentos referentes aos PA 01/2005 a 06/2005 não existem pagamentos indevidos ou a maior. Foram declarados débitos de estimativa na DIPJ e DCTF e os pagamentos são no exato valor dos débitos. Foram utilizados composição SALDO NEGATIVO DE IRPJ apurado no ano calendário 2005, exercício 2006. Ver Ficha 12A; b) Quanto aos pagamentos referentes aos PA 07/2005 a 09/2005 podemos concluir que não são indevidos porque foram declarados em DCTF, embora não declarados na DIPJ, e utilizados na composição SALDO NEGATIVO DE IRPJ apurado no ano calendário 2005, exercício 2006. Ver Ficha 12A; c) Foi apurado um valor de R$ 912.052,11 de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior de recolhimento de estimativa; d) O pagamento objeto do PER/DCOMP 22897.68741.150306.1.3.04 1413 foi utilizado para liquidar débito de estimativa declarado e foi utilizado na apuração do saldo negativo de IRPJ – Ficha 12A da DIPJ. Diante do exposto, tendo sido efetuada a diligência que concluiu pela não homologação pretendida por inexistência de direito creditório e não tendo se pronunciado a Contribuinte, apesar de intimada, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10283.001632/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 29/09/1995, 17/11/1995, 08/02/1996
NORMAS PROCESSUAIS. DIREITOS ANTIDUMPING. COMPETÊNCIA DA SRF.
Por expressa disposição legal - art. 7º, § 1º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995 - é da SRF a competência para exigir direitos antidumping não recolhidos espontaneamente pelo importador, o que se dará mediante a lavratura de auto de infração pela autoridade competente, in casu, o auditor fiscal da Receita Federal.
Numero da decisão: 9303-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Nanci Gama e Maria Teresa Martinez López e, por unanimidade, em lhe dar provimento para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para exame do mérito. Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. O Presidente foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente da Segunda Seção de Julgamento em substituição ao Presidente do CARF, ausente justificadamente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Maria Teresa Martinez López
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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DIREITOS ANTIDUMPING. COMPETÊNCIA DA SRF. Por expressa disposição legal art. 7º, § 1º da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995 é da SRF a competência para exigir direitos antidumping não recolhidos espontaneamente pelo importador, o que se dará mediante a lavratura de auto de infração pela autoridade competente, in casu, o auditor fiscal da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em conhecer do recurso, vencidos os Conselheiros Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Nanci Gama e Maria Teresa Martinez López e, por unanimidade, em lhe dar provimento para afastar a nulidade e determinar o retorno dos autos à Câmara recorrida para exame do mérito. Ausentes, justificadamente, o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. O Presidente foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente da Segunda Seção de Julgamento em substituição ao Presidente do CARF, ausente justificadamente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 16 32 /2 00 1- 12 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Maria Teresa Martinez López Relatório Em exame recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, em 22 de junho de 2008, com base nos arts. 7º, I e 15 do Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais baixado pela Portaria MF nº 147/2007. O recurso se insurge contra a decisão proferida pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, acórdão nº 302-39.285, da lavra do ex- Conselheiro Luis Antonio Flora, redator designado. Nela, o colegiado considerou nula a exigência de direitos antidumping porque materializada via auto de infração. Segundo o redator designado: Antes de enfrentar a preliminar argüida pelo ilustre representante da recorrente, em sede de sustentação oral, no sentido de que dada a ausência dos bens importados, não haveria possibilidade de se confrontar ou afirmar que eles estariam enquadrados na Portaria MICT/MF3/95, entendo que outra questão merece precedêla, dado que guarda relação com a legalidade da autuação. O auto de infração em análise exige da recorrente direitos antidumping. Portanto eu questiono, primeiro, se o auto de infração e o Decreto 70.235/72 são os instrumentos legais para tal exigência. Destarte, cabe a este relator, de oficio, esclarecer que a verba lançada no auto de infração não tem natureza tributária. Ademais, não existe no direito positivo brasileiro nenhum dispositivo que faça menção ou institua o "Imposto de Importação Adicional". Com efeito, o fundamento da autuação é a Portaria MICT/MF3/95, que estabeleceu direito antidumping nas importações originárias da China, sobre os produtos que menciona (ventiladores). Citada Portaria decorre dos termos da Lei 9.019/95, que dispõe sobre a aplicação dos direitos previstos no Acordo "Antidumping". Diz o art. 1º desta Lei que "Os direitos antidumping... serão aplicados mediante a cobrança de importância, em moeda corrente do País, que corresponderá a percentual da margem de dumping... apurados em processo administrativo... suficientes para sanar dano ou ameaça de dano à indústria doméstica". Complementado citado art. 1°, o seu parágrafo único esclarece que "Os direitos antidumping...serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importação dos produtos afetados. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10283.001632/200112 Acórdão n.º 9303002.190 CSRFT3 Fl. 9 3 Portanto, verificase, assim, que quando da constatação da existência de "dumping" em regular investigação, o que se cobra é um "direito" e não um "tributo". Esse direito é exigido para sanar dano ou ameaça de dano. Assim, ele tem caráter indenizatório. Se for visto como tributo ele contraria aquela disposição constante do art. 3º do CTN que diz que "Tributo é toda prestação pecuniária... que não constitua sanção de ato ilícito." Assim, o caminho tomado pela fiscalização (PAF) para a cobrança da obrigação legal não é o adequado, visto que a mencionada Lei 9.019/95 estabelece procedimentos próprios para a cobrança do direito antidumping em caso de inadimplemento do importador. Tal circunstância invalida integralmente o Auto de Infração que inaugura este procedimento, pois ele é o instrumento legal para a determinação e exigência dos créditos "tributários" da União. Tanto isso é verdade que o Poder Executivo, através da Medida Provisória 75/02, que foi rejeitada pelo Congresso Nacional em 19/12/2002, pretendendo sanar essa lacuna jurídica, dispunha em seu art. 23, o seguinte: Art. 23. Os direitos antidumping e os direitos compensatórios de que trata a Lei nº 9.019 de 30 de março de 1995 são devidos na data do registro da declaração de importação. § 1º Os débitos decorrentes da aplicação desses direitos, não pagos na data prevista, serão acrescidos da multa e dos juros de mora a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430 de 1996. § 2º No caso de lançamento de oficio, será aplicada sobre o valor devido a multa prevista no inciso 1 do art. 44 da Lei n1 9.430, de 1996, acrescida de juros de mora. § 3º A multa a que se refere o § 2º será exigida isoladamente quando o direito antidumping ou o direito compensatório houver sido pago após o registro da declaração de importação, sem os acréscimos moratórios. § 4 Em relação à exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios, aplicamse, no que couber, as disposições do Decreto n º 70235. de 1972. § 5º Nos casos de retroatividade de aplicação de direitos antidumping ou compensatórios, provisórios ou definitivos, nos termos da legislação específica, o responsável ou contribuinte s será intimado pela Secretaria da Receita Federal para realizar o pagamento devido, no prazo de trinta dias, sem acréscimos moratórios. § 6º O nãopagamento no prazo referido no § 5º acarretará a imposição dos juros moratórios e da multa a que se refere o § 2º. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 Diante da rejeição, posteriormente, a mesma matéria, ainda, para preencher a lacuna acima referida, foi inserida na Medida Provisória 135, de 30/10/2003, que foi convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, nos termos seguintes: (...) Concluise, portanto, que o próprio legislador verificou a falta de regulamentação para a apuração e cobrança, em via administrativa, dos direitos em questão. Dessa maneira, considerando que na data da autuação não existia autorização legal para a autoridade autuante lançar direitos antidumping em sede de auto de infração e pelo rito do Decreto 70.235/72, não há como prosperar a autuação, sendo esta, portanto, insubsistente. É como voto. Sala das Sessões, em 19 de maio de 2005 LUIS ANTONIO FLORA — Relator Designado Essa decisão fora objeto de embargos declaratórios por parte da Fazenda Nacional em que apontava que o próprio art. 7º da Lei 9.019 (mencionado pelo relator designado) já continha, desde sua edição, mais do que por ele transcrito. Foram as palavras da procuradora, então embargante: (...) E isso porque a legislação que cuida dos direitos antidumping, legislação esta citada como fundamento de decidir do v. acórdão, é expressa ao prever, desde a sua edição que: "Art. 7º O cumprimento das obrigações resultantes da aplicação dos direitos antidumping e dos direitos compensatórios, sejam definitivos 'ou provisórios, será condição para a introdução no comércio do Pais de produtos objeto de dumping ou subsidio. § 1° Será competente para a cobrança dos direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua restituição, a SRF do Ministério da Fazenda." (grifamos) Registro que a Lei foi publicada em março de 1995, ao passo que as importações ocorreram a partir de setembro daquele ano e o lançamento se consumou em 2001. O colegiado rejeitou, por unanimidade, os embargos ao concluir ausente qualquer omissão, obscuridade ou contradição no acórdão original que o pudesse embasar. No acórdão então proferido, a Conselheira Mércia Helena Trajano d’Amorim, relatora, consignou: A oposição dos Embargos é decorrente de ter sido acolhida a preliminar de nulidade por insubsistência do Auto de Infração, por maioria de votos, conforme fl. 147, quando o relator do voto vencedor conclui que o próprio legislador verificou a falta de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10283.001632/200112 Acórdão n.º 9303002.190 CSRFT3 Fl. 10 5 regulamentação para apuração e cobrança, em via administrativa, dos direitos em questão. Não obstante, os argumentos da PFN, sobre o art. 7° da Lei n° 9.019/95 que já existia previsão legal para que os Direitos Antidumping e Direitos Compensatórios viessem a ser cobrados pela SRF e que as alterações da Lei n° 10.833/03 vieram a disciplinar a maneira precisa que a exigência de oficio dos Direitos Antidumping e Direitos Compensatórios e acréscimos legais fossem lavrados em Auto de Infração por Auditor Fiscal da SRF, observado o disposto no PAF (Decreto n° 70.235/72), que possuem cunho eminentemente processual, razão pela qual devem ser aplicadas imediatamente a todos os processos em curso. Ressalto, mais uma vez que no meu voto vencido, à fl. 149, dos autos, já havia me pronunciado a respeito e comungo do mesmo raciocínio da PFN, que transcrevo abaixo: (...) Rejeitados os embargos, formalizou a PFN o presente recurso especial no qual, inicialmente, aduz que a tese do julgado implicaria a aceitação da existência de direito sem ação, hipótese há muito rejeitada pela doutrina. Em tópico posterior, fundamenta o i. procurador especificamente na Lei 9.019/95: (...) III° O PROCESSO DESCRITO NA LEI N o 9.019/95: A Lei sob comento regulamenta dois tipos de situação: ( 5) a) — a fixação dos direitos antidumping; b) — a cobrança desses direitos impagos pelo Contribuinte. • No caso de inadimplemento dos direitos aduaneiros, o que a Lei prevê é que, verificado o impagamento, que o débito seja enviado à Procuradoria da Fazenda para inscrição em dívida ativa, pois a importação acarreta a correlata confissão do débito referente às verbas antidumping. No caso presente, como se tratava de fiscalização, realizada pelo Sr. Auditor Fiscal na documentação da empresa, a sistemática só poderia ser a cobrança de ofício, com lançamento de ofício, abrindose prazo para defesa processual. ______________________ 5 • LEI N o 9019/95 Art. 5º Compete à Secretaria de Comércio Exterior (Secas), do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo, mediante processo administrativo, apurar a margem de dumping ou montante de subsídio, a existência de dano ou ameaça de dano, e a relação causa( • entre esses. Art. 6º Compete aos Ministros da Fazenda e da Indústria, do Comércio e do Turismo, mediante portaria conjunta, fixar os direitos provisórios ou definitivos, bem como decidir • sobre a suspensão da exigibilidade dos direitos provisórios, a que se refere o art. 3° desta lei. Parágrafo único. O ato de imposição de direitos antidumping ou compensatórios, provisórios • ou definitivos, devera indicar o prazo de vigência, o produto atingido, o valor da obrigação, o pais de origem ou de exportação, o nome do exportador e as razões pelas quais a decisão foi tomada. Art. 7º (...) § 1º Será competente para a cobrança dos direitos antidumping e compensatórios, Fl. 278DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 provisórios ou definitivos, quando se tratar de valor em dinheiro, bem como, se for o caso, para sua • restituição, a SRF do Ministério da Fazenda. § 2 º Verificado inadimplemento da obrigação, a • SFIF encaminhará a documentação pertinente à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional • para inscrição do débito em Dívida Ativa da União e respectiva cobrança. Art. 12. O processo administrativo a que se referem os arts. 1°c 5° atenderá, no que couber, ao disposto na Resolução,,' 1.227 de 14 de maio de 1987 com as alterações da Resolução n° 1.582, de 17 de fevereiro de 1989, ambas da extinta Comissão de Política Aduaneira (OPA) . Conclusão: Verificase que a tese embasadora do v. Acórdão não encontra subsistência na doutrina há muitos anos, evocando surpresas que possa novamente ser ressuscitada para consolidar a impunidade de empresa que assim poderá locupletarse de vantagem econômica não concedida às demais do ramo em que atua. A conclusão é que o lançamento veio a ser perfeitamente legal, até ao exagero, pois a Lei sob comento diz que, nos casos como este, bastará a remessa da documentação comprobatória do impagamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa. • PEDIDO Em decorrência do que veio a ser exposto, a Fazenda Nacional solicita a reforma do v. Acórdão, restabelecendose a prevalência do lançamento quanto às questões objeto de controvérsia neste recurso, inclusive multa e juros de mora O recurso foi admitido pela Presidente da Câmara recorrida nos seguintes termos: Em relação à contrariedade à lei tributária o recurso merece acolhimento, haja vista que a decisão foi prolatada por maioria de votos. É o Relatório. . Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O Relatório foi mais extenso do que de praxe, e conteve mais citações do que o normal, para que eu pudesse deixar clara minha concordância com a admissibilidade do recurso especial fazendário. Isso se mostra necessário na medida em que o n. procurador autor da peça recursal busca se valer de antigo posicionamento da Câmara Superior em que se concluiu ser desnecessária, no especial fundado na contrariedade à lei ou à evidência da prova, sequer menção à legislação que se pretende ter sido contrariada. Em outras palavras, bastaria que a decisão fosse nãounânime para que o recurso fosse admitido, como fica, aliás, claro no despacho de admissibilidade. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 10283.001632/200112 Acórdão n.º 9303002.190 CSRFT3 Fl. 11 7 Já deixei registrado em votos anteriores que não partilho esse entendimento. Com efeito, o art. 7º, I do antigo Regimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais baixado pela Portaria MF 147/2007 impõe duas condições àquele recurso: 1) que a decisão tenha sido nãounânime; 2) que tenha contrariado a lei ou a evidência da prova. Portanto, ainda que a verificação dessa contrariedade seja a matéria a ser dirimida no exame do mérito do recurso, é certo que ao menos a referência a ela há de nele constar para que possa ser admitido. Em outras palavras, a nãounanimidade é condição necessária, não suficiente. Nesse sentido, tivesse o n. procurador se limitado a concatenar a contrariedade à doutrina ou, em sua expressão, a “senectude” da tese albergada pela decisão que ele pretende combater – que constitui o primeiro dos dois tópicos dedicados às razões do recurso – outro resultado não caberia para o seu recurso senão a nãoadmissibilidade. Neste caso concreto, porém, diferentemente de outros assinados pelo mesmo procurador, acrescentou ele um tópico final em que ao menos se refere à lei que se imputa ter sido contrariada – a Lei nº 9.019/95 – transcrevendo, em nota de rodapé, os artigos que considerou relevantes, ainda que não tenha dito expressamente qual deles teria sido contrariado. Com efeito, a tese defendida no recurso parece ser a de que não há nulidade porque o rito previsto na lei seria o imediato encaminhamento do débito à PFN para inscrição em dívida. Nesses termos, presente no recurso, ainda que apenas em nota de rodapé, a legislação em tese contrariada, sou pela admissibilidade do especial apresentado. E, uma vez admitido, não há como não lhe dar provimento. É que a autorização legal que a decisão afirma ausente é expressa, como já apontado nos embargos interpostos. Embora tenham eles sido rejeitados – e a meu sentir, corretamente –, a matéria do recurso especial ali toda está: como pode ser nulo o auto por “falta de previsão legal para que seja lavrado por auditor e seguir o rito do PAF” se a lei é expressa em atribuir à SRF a competência para cobrar os direitos antidumping? Dado que a “cobrança” há de estar formalizada em algum documento, a ser encaminhado à PFN como dito no parágrafo 1º do art. 1º da Lei e que, na SRF, somente auditores fiscais têm competência legal para a prática de tal ato, pareceme que só se pode concluir que a atribuição de competência à SRF implica que, na ausência de confissão por parte do importador, o direito somente pode ser exigido se formalizado em auto de infração lavrado por auditor fiscal. Mesmo assim pensando, não deixo de reconhecer que ela não era expressa quando do lançamento efetuado. Mas nisso não vejo causa de nulidade do auto em si, pois, ao contrário de cercear o direito de defesa do contribuinte, só fez alargálo. E a prova mais cabal disso é que, passados mais de dezesseis anos das importações efetuadas e mais de dez da lavratura do auto, o direito que poderia ter sido imediatamente encaminhado para execução ainda está sendo discutido administrativamente por conta dos recursos ofertados pela empresa. E em conseqüência deles uma parcela do que era originalmente exigido já foi afastada mesmo em primeira instância. De todo modo, eventual inaplicabilidade do PAF deveria ter, em meu entendimento, a conseqüência de anular a decisão da DRJ e não o auto de infração em si, diante da expressa previsão de competência à SRF. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 8 Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda, de modo a afastar a nulidade acatada pela decisão recorrida. Em conseqüência, devem os autos retornar à Câmara para julgamento do mérito do recurso voluntário, lá não enfrentado. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904544/2012-47
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904544/201247 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.894 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 44 /2 01 2- 47 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904544/201247 Acórdão n.º 3803004.894 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904544/201247 Acórdão n.º 3803004.894 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904544/201247 Acórdão n.º 3803004.894 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 13839.912963/2009-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 96 3/ 20 09 -9 3 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 244 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A Declaração de Compensação apresentada pela contribuinte não foi homologada, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Como razão da não homologação, a decisão aponta a integral utilização do pagamento indicado como origem do direito de crédito em outros débitos confessados pela contribuinte. Notificada do teor do despacho, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: deve ser decretada a nulidade do Despacho Decisório por faltarem ao mesmo os elementos mínimos para a apresentação de defesa; argumenta que o seu crédito advém de valores não tributados a titulo de PIS e COFINS, conforme Solução de Consulta nº 90/05: reconhece que cometeu um equívoco na apuração da contribuição e no preenchimento da DCTF correspondente ao citado período; argumenta que o DARF foi recolhido indevidamente pois nada devia a título de Cofins Importação , uma vez que as operações realizadas não são tributadas por esta contribuição; reconhecendo o erro retificou a DCTF do período, desse modo entende que o seu direito deve ser reconhecido, uma vez que não pode ser prejudicado por preencher incorretamente uma declaração de obrigação acessória; que o equívoco do contribuinte no preenchimento da DCTF não deve ser ignorado diante dos documentos comprobatórios que ora anexa ; requer finalmente a homologação da compensação , o afastamento da cobrança exigida por meio do despacho decisório e se caso assim não seja entendido a nulidade do despacho por ausência dos requisitos legais. A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/07/2005 a 28/07/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o despacho decisório nas hipóteses previstas no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. COMPENSAÇÃO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 245 3 Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação, justificando a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 246 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento indevido ou a maior, período de apuração de 26/07/2005, no valor histórico de R$ 61.468,71, devido ao equívoco na inclusão na base de cálculo de PISImportação de valores remetidos ao exterior a título de royalties.. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de diversos débitos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a PISImportação, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Apesar do contribuinte informar ter retificado a DCTF posteriormente, a analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 247 5 Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 903/2008, vigente à época, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 248 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório No mérito, vejamos o alegado: A recorrente justificou a origem do crédito (retificação da declaração), bem como seu direito em compensálo com outros débitos, tendo em vista o equívoco ao incluir na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS Importação os valores de royalties. As Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS incidentes sobre a importação de bens e serviços foram instituídas pela Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. O artigo 1º desta lei estabelece as hipóteses de incidência das contribuições. Observese que os serviços são os prestados no Brasil ou com resultados aqui verificados, por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior Art. 1º. Ficam instituídas a Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEPImportação e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, com base nos arts. 149, § 2º, inciso II, e 195, inciso IV, da Constituição Federal, observado o disposto no seu art. 195, § 6º. § 1º Os serviços a que se refere o caput deste artigo são os provenientes do exterior prestados por pessoa física ou pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, nas seguintes hipóteses: I executados no País; ou II executados no exterior, cujo resultado se verifique no País. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 249 7 (...) (grifouse) Art. 3o O fato gerador será: (...) I o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado.” (...) Art. 4o Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador(...) IV na data do pagamento, do crédito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores na hipótese de que trata o inciso II do caput do art. 3o desta Lei. (...) Art. 5o São contribuintes: II a pessoa física ou jurídica contratante de serviços de residente ou domiciliado no exterior; e III o beneficiário do serviço, na hipótese em que o contratante também seja residente ou domiciliado no exterior. Art. 7o A base de cálculo será:(...) II o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido para o exterior, antes da retenção do imposto de renda, acrescido do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza ISS e do valor das próprias contribuições, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei.(...) Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas de: I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS Importação.(...) Art. 13. As contribuições de que trata o art. 1o desta Lei serão pagas(...) II na data do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa, na hipótese do inciso II do caput do art. 3o desta Lei;”(...) Assim, as remessas financeiras para o exterior efetuadas a título de remuneração decorrente da importação de serviços executados no país, ou cujo resultado se verifique no país, de prestador de serviço residente ou domiciliado no exterior são fatos geradores do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços. O fato gerador do PIS Importação de Serviços e da COFINS – Importação de Serviços se dá na data da efetiva remessa dos valores para o exterior, ou seja, é um fato gerador diário. O contribuinte é o contratante do serviço de residente ou domiciliado no exterior. A base de cálculo é o valor remetido, antes da retenção de Imposto de Renda, acrescido do ISS e das próprias contribuições. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 250 8 No âmbito da Receita Federal, e sem adentrar no mérito por hora, foi exarada a Solução de Divergência nº 11, de 2011, da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que pacificou o entendimento de que não há incidência das referidas contribuições sobre o valor pago a título de royalties, se o contrato discriminar os valores dos royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins EMENTA: Royalties. Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá penas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição. DISPOSITIVOS LEGAIS: caput e § 1o do art. 1o e inciso II do art. 3o da Lei Nº 10.865, de 30 de abril de 2004. FERNANDO MOMBELLI CoordenadorGeral (Data da Decisão: 28.04.2011, publicado no DOU de 17.05.2011) Pois bem, em que pese se conclua que os royalties não têm natureza jurídica de serviço, o mesmo não se pode afirmar de seus serviços correlatos previstos contratualmente, caso existam. Nesse caso, haverá a necessidade de separar os valores contratuais relativos a royalties dos valores relativos aqueles serviços. Sobre estes últimos, por corresponderem a importação de serviços, incide a Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINS Importação. Caso não haja a discriminação dos valores correspondentes ocorre a incidência das referidas contribuições sobre o valor global. Para embasar o seu direito a recorrente apresentou os seguintes documentos: · cópia da tradução para o idioma nacional de contrato firmado com a empresa Continental Teves AG & Co. oHG, o qual teria como objeto "uma licença não exclusiva e intransferível para fabricar Dispositivos Licenciados no Território de Fabricação Licenciado e uma licença não exclusiva e intransferível para vender Dispositivos Licenciados como (a) OEM, (b) OES e (c) AM no Território de Vendas Licenciado. A concessão precedente inclui uma licença para usar as Informações Técnicas e as Patentes Licenciadas". · Aditivo do Contrato; · Certificado de Averbação no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial); · DARF's referentes ao pagamento indevido ; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.912963/200993 Resolução nº 3801000.724 S3TE01 Fl. 251 9 · Contratos de Câmbio e Comprovante de transferências dos valores a título de royalties ao exterior ; · Demonstrativo dos valores pagos indevidamente. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se verificar a incidência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior e eventuais pagamentos indevidos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) Em relação aos valores remetidos ao exterior que teriam dado ensejo ao direito creditório pleiteado, intime a recorrente a apresentar cópia dos contratos firmados com a empresa beneficiária das remessas (Continental Teves AG & Co. oHG), devendo ser apresentada a tradução juramentada para o idioma nacional, caso estejam em língua estrangeira; cópia das faturas comerciais (invoices) ou documentação suplementar que embasaram as remessas e cópias digitalizadas dos registros, no livro Razão, referentes às remessas relacionadas a pagamento de royalties; b) apure a legitimidade do crédito pleiteado decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição para o PIS/PASEPImportação e a COFINSImportação sobre as importâncias remetidas ao exterior conforme as operações apontadas, com base nos documentos acostados aos autos, na escrituração fiscal e contábil e demais documentos que julgar necessários; c) cientifique a interessada quanto ao resultado da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de 30(trinta) dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10425.000999/98-73
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1997, 1998
DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO PARA INGRESSO NO REFIS - DECISÃO DA DRJ PROFERIDA POSTERIORMENTE - DESCABIMENTO.
Restando comprovado que o contribuinte desistiu formalmente da
impugnação interposta e que, sem conhecimento dessa circunstância, a DRJ veio posteriormente a proferir decisão no processo, é de ser dado provimento ao recurso de oficio para restabelecer o lançamento aos valores originais e declarar a inexistência de litígio a ser apreciado em qualquer instância administrativa.
Numero da decisão: 1301-000.032
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Waldir Veiga Rocha
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I 4.evng MINISTÉRIO DA FAZENDA.wy CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • — 4 .2.'1' PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10425.000999/98-73 Recurso n° 166.172 De Oficio Acórdão n° 1301-00.032 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2009 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente 4' TURMA/DRJ- RECIFE/PE Interessado MERCADINHO FARIAS LTDA. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1997, 1998 DESISTÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO PARA INGRESSO NO REFIS - DECISÃO DA DRJ PROFERIDA POSTERIORMENTE - DESCABIMENTO. Restando comprovado que o contribuinte desistiu formalmente da impugnação interposta e que, sem conhecimento dessa circunstância, a DRJ veio posteriormente a proferir decisão no processo, é de ser dado provimento ao recurso de oficio para restabelecer o lançamento aos valores originais e declarar a inexistência de litígio a ser apreciado em qualquer instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente "ulgado. S 'VISA ES •residente WAr151~A ROCHA Relator 15 MAI 21309 7 • Processo n°10425.000999/98-73 SI-C3T1 • Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Marcos Rodrigues de Mello, Leonardo Henrique M. de Oliveira , Waldir Veiga Rocha, Alexandre Antônio Allcmin Teixeira e José Clóvis Alves. Ausente, momentaneamente, o conselheiro José Carlos Passuell°,— . 2 • Processo n° 10425.000999198-73 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 3 Relatório MERCADINHO FARIAS LTDA., já qualificada nestes autos, foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$ 12.651.408,36, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 01. Trata o presente processo de autos de infração para exigência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) por fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997. As infrações apuradas pelo Fisco, que levaram aos lançamentos, se encontram descritas no Relatório de Trabalho Fiscal às fls. 95/98. Ciente das exigências e com elas inconformada, a interessada impugnou parcialmente os lançamentos em 18/01/1999, conforme se constata no documento de fls. 101/104. Em 23/07/1999 a DRJ Recife determinou a realização de diligência que entendeu necessária à instrução do processo e à formação de juizo sobre a matéria litigiosa (fls. 296/300). A diligência foi cumprida e concluída com o relatório de fls. 315/317, de 23/05/2000, do qual a interessada foi cientificada. Em 30/0612000 o contribuinte formalizou desistência da impugnação apresentada no presente processo (fl. 415), tendo em vista sua adesão ao Programa de Recuperação Fiscal - REFIS, de que trata a Lei n°9.964/2000 (documentos às fls. 410/411). Os créditos tributários lançados de oficio foram, então, incluídos no REFIS, mas a autoridade preparadora deixou de remeter ao órgão julgador de primeira instância a petição de renúncia ao contencioso administrativo, para inclusão nos autos deste processo e devida apreciação. Sem conhecimento da desistência da impugnação, a DRJ Recife, em 04/08/2000, considerando a documentação acostada aos autos ainda insuficiente para o convencimento do julgador, determinou a realização de nova diligência (fls. 329/331) a qual, tal como na oportunidade anterior, foi cumprida e concluída em 28/12/2000 com o relatório de fl. 343, sendo acostados aos autos (anexos) cópias dos documentos fornecidos pelo sujeito passivo. Por ocasião da realização e conclusão da diligência a interessada silenciou sobre a anterior desistência do litígio, limitando-se a atender às intimações do Fisco (fl. 335). Na seqüência, a DRJ em Recife/PE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte juntamente com o resultado das duas diligências empreendidas e, repito, ainda sem conhecimento da desistência da impugnação, considerou procedente em parte o lançamento por via da Decisão DRJ/RCE n°975, de 08/05/2001 (fls. 379/391), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997 Ementa: Omissão de Receitas - Valores não Informados nos Livros Contábeis e Fiscais Constatada em procedimento de oficio a completa dissociação entre os valores escriturados e os efetivamente ocorridos, a título de receitas e custos, devem estes -ser considerados e não apenas as receitas, para efeito de apuração do lucro real. 3 , • Processo n°10425.000999/98-73 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 4 Tributação Reflexa - CSSL Sendo, no lançamento de oficio, idêntica a matéria tributável pelo IRPJ e demais tributos, a estes aplica-se o mesmo entendimento a ela dado no Auto de Infração de IRPJ. Como a exoneração de crédito tributário superou o limite de alçada (R$ 500.000,00), a Autoridade Julgadora recorreu de oficio a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei n°9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF n°333/1997. Ao tomar conhecimento da decisão proferida pela DRJ Recife, o contribuinte apresentou requerimento à DRF Campina Grande/PB (fls. 400/401), em 29/06/2001, solicitando a inclusão no REFIS dos valores mantidos em primeira instância, em substituição aos montantes originalmente lançados e que já haviam sido anteriormente incluídos no referido Programa. Em face da complexa situação processual, a DRF Campina Grande/PB encaminhou o processo à DRJ Recife (vide despacho à fl. 465), para que se manifestasse acerca do requerimento do contribuinte. Em despacho sucinto (fl. 466), o titular da DRJ Recife limitou-se a informar que "a Decisão proferida no presente processo, por essa DRJ/Recife, foi de conformidade com os documentos acostados aos autos", e devolveu o processo à DRF Campina Grande./PB. Mediante o Despacho Decisório n° 87/2001, de 08/11/2001 (fls. 468/471), a DRF Campina Grande/PB indeferiu o pedido do contribuinte, mantendo no REFIS os valores integrais dos créditos tributários de IRPJ e CSLL lançados. Cientificado e irresignado, o contribuinte apresentou novos pleitos (fls. 483/484, datado de 06/11/2006 e fls. 490/492, com carimbo de protocolo de 24/09/2007), nos mesmos moldes daquele anteriormente formulado, solicitando também a reconsideração do Despacho Decisório n°87/2001. Assim, foi proferido novo Despacho Decisório (fls. 495/497), datado de 25/02/2008, mediante o qual o titular da DRF Campina Grande tornou insubsistente o Despacho Decisório n° 87/2001. Por relevantes, transcrevo os excertos abaixo (os grifos são do original): A manutenção da decisão de primeira instância pela DRJ/RCE/PE sinaliza no sentido da ineficácia da desistência da impugnação anteriormente formulada, prevalecendo, por conseguinte, a exoneração parcial dos créditos tributários lançados de oficio. Por outro lado, o recurso de oficio interposto pela DRNRCE/PE no corpo da decisão prolatada impõe a remessa do contencioso administrativo para o Colendo Conselho de Contribuintes, não transitando em julgado enquanto não devidamente apreciado pelo órgão Julgador de segunda instância [...] Deste modo, vislumbra-se na espécie a necessidade de se apreciar, à luz dos princípios norteadores do processo administrativo fiscal, em particular o principio da verdade material, a incompatibilidade instaurada entre a prévia, mas não tempestivamente comunicado, desistência da impugnaç- a posterior decisão da 4 • . Processo n°10425.000999/98-73 SI-C3T1 Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 5 DRURCE/PE. Decerto, a aludida incompatibilidade somente pode ser apreciada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, por força da competência estabelecida para a apreciação do recurso de oficio interposto. Finalmente, às fls. 500/507, encontro petição dirigida ao Sr. Presidente desta Câmara, aqui recepcionada em 14/08/2008, na qual a interessada traz arrazoado acerca de seu entendimento sobre a possibilidade de rediscussão de valores objeto de parcelamento no REFIS, posto que a obrigação tributária decorre de lei, e não do termo de confissão de divida. Também colaciona jurisprudência administrativa e judicial que entende amparar sua tese. Conclui com o pedido de desprovimento do recurso de oficio e de retificação dos valores constantes do REFIS, com exclusão daqueles objeto do lançamento original e inclusão dos valores mantidos pela decisão de primeira instância. É o Relatóri Processo n° 10425.000999198-73 SI-C3T1 Acórdão n." 1301-00.032 Fl. 6 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de oficio, deve-se ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1° da Portaria MF n° 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1° O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de oficio sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de oficio permanece cabível, e dele conheço. Ao apreciar recurso de oficio, a atuação deste Conselho não é como segunda instância administrativa, mas como etapa complementar da primeira instância, a validar ou não a decisão anterior, conferindo-lhe a eficácia de que carece originalmente. A propósito, trago à colação a preciosa lição de Neder e López l (grifos não constam do original): [...] Na verdade, embora o dispositivo legal tenha utilizado a expressão "recurso de oficio", essa remessa obrigatória para reexame da decisão pelo Conselho não é propriamente um recurso, mas, condição de eficácia da decisão de primeira instância. São vários os argumentos que diferenciam essa remessa de um recurso em sentido estrito, pois a autoridade julgadora não está legitimada para recorrer de decisão na esfera administrativa, tampouco tem interesse de impugnar a decisão que ele mesmo proferiu. Além disto, não necessita de motivação nem oferece ao contribuinte a oportunidade de contraditório. O recurso de oficio não é decorrente do princípio do duplo grau de jurisdição administrativa, o qual é garantia do particular, sendo que somente haverá essa remessa obrigatória quando prevista em lei. No Direito brasileiro, esse instituto foi criado para conferir maior segurança ao Erário nas decisões administrativas que exoneram o contribuinte de pagar o crédito tributário acima de um certo valor [...]. O Conselho de Contribuintes, nesta hipótese, não atua na condição de segunda instância de cognição, mas como co-participe do_julgamento em primeira instância que necessita de confirmação para ter eficácia. A decisão da DRJ é uma decisão interlocutória que não tem natureza de sentença, eis que não tem eficácia até ser proferida a decisão do Conselho e, em nenhuma circunstância, põe termo ao processo, um dos efeitos próprios da sentença (art. 161, § 2°, do CPC). Este recurso ' NEDER, Marcos Vinicius e LÓPEZ, Maria Terna Martinez. Processo A trativo Fiscal Federal Comentado, r Edição, São Paulo: Dialética, 2004, págs. 336/338. 6 Processo n° 10425.000999/98-73 SI-C3TI Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 7• funciona como reexame do julgamento da autoridade de primeiro grau por uma autoridade administrativa que lhe é superior. Reformada a decisão de primeira instância, abre-se ao contribuinte a possibilidade de interposição de recurso voluntário para exercer seu direito de defesa que será apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF em segunda instância. Ressalte-se que, enquanto não reexaminada pelo Conselho de Contribuintes, a decisão de primeira instância não produz efeitos, isto é, não transita em julgado. Desse modo, não é tecnicamente correta a decisão do Conselho que anula aquela de primeira instância por ocasião do julgamento de recurso de oficio. Ora, a anulação incide sobre o ato decisório impedindo que ele produza efeitos. Ocorre que a decisão submetida a recurso de oficio só tem eficácia depois de confirmada pela instância revisora, ou seja, até esse momento, ela ainda está em seu processo de formação. A decisão da DRJ é o primeiro momento de um ato complexo. O ato proferido pela turma da Delegacia de Julgamento apenas quando aprovado se transformará em decisão apta a produzir efeitos. Se, por acaso, esse primeiro ato padece de vício de ilegalidade, ele não deve ser anulado ou reformado, e sim ajustado pelo Conselho de Contribuintes. A decisão substitui o ato anterior e é passível de recurso à instância revisora que, neste caso, é a CSRF. Se, por outro lado, a DRJ acolher questão preliminar de cerceamento do direito de defesa, e o Conselho, provocado de oficio, entender que tal questão é improcedente, não deve anular a decisão recorrida, mas prover o recurso de oficio determinando a devolução do processo à DRJ para prosseguimento do julgamento em relação a outras questões alegadas pela defesa. Não há neste procedimento qualquer ofensa ao princípio do duplo grau de jurisdição. O recurso de oficio previsto no processo administrativo fiscal em tudo se assemelha a remessa ex officio prevista no artigo 475 do CPC no caso de sentença proferida contra União. Sobre a natureza jurídica dessa remessa de oficio, oportuno citar parte da decisão em Recurso Especial n° 29.800-7-DF, da lavra do Ministro Humberto Gomes de Barros, verbis: "A decisão contrária ao estado: a) julga o mérito e leva o apelido, mas não é sentença, porque não põe fim ao processo; b) não se confunde com decisão, pois não preclui: c) afasta-se destes dois atos do juiz por ser ineficaz. Enquanto os dois outros requisitam a atuação de atos da parte, para que tenham suspeitos seus efeitos, o ato de que trata o art. 475 é absolutamente ineficaz. O dispositivo nele contido apenas ganha eficácia depois de confirmado pelo Tribunal. Diante de tantas particularidades, o intérprete é levado a constatar que o ato do juiz — ao pronunciar contra a prestação do Estado — constitui o primeiro momento de um ato judicial complexo. O aperfeiçoamento deste ato complexo requer manifestação de dois órgãos: o juiz singular e o Tribunal. O juiz nessa hipótese, apresenta ao Tribunal um projeto de sentença. Aprovado, o esboço transforma-se em sentença, eficaz e apta a gerar coisa fulgida Em antpartida quando moera o pvjet o‘ a atle não estará nfornwrloseniença Estará ajustando a proposta ao que lhe parece deva ser a sentença correta. Percebido esse fenômeno, é de se concluir que na remessa ex officio não existe qualquer recurso." No caso concreto, constata-se pelo exame dos autos que o contribuinte foi autuado, impugnou tempestivamente o lançamento e, antes fosse proferida decisão em primeira instância, desistiu da impugnação tdC" 7 • Processo n° 10425.000999/98-73 SI-C3TI . Acórdão n.° 1301-00.032 Fl. 8 Tal desistência teve por finalidade a adesão ao Programa de Recuperação Fiscal — REFIS, instituído pela Lei n° 9.964/2000, sendo que, pelo que se depreende dos autos, sua adesão foi aceita e corretamente processada. No entanto, o ato de desistência não foi juntado ao presente processo, e a Delegacia de Julgamento, sem saber dessa decisiva circunstância, prosseguiu no julgamento do feito, proferindo a decisão ora sob análise. Entendo que, ao desistir o contribuinte da impugnação, extinguiu-se o litígio. Nessa situação, configurou-se fato impeditivo da continuidade do julgamento nos termos da legislação que rege o processo administrativo fiscal. Os efeitos decorrentes da interposição da impugnação cessaram, e não há lide a ser decidida em qualquer das instâncias. Não há, pois, como validar a decisão trazida a este colegiado, carente de objeto e proferida sem o conhecimento pleno dos fatos. De acordo com a doutrina anteriormente exposta, a decisão de primeira instância é, no caso, ato complexo, que se encontra ainda em elaboração. Assim, é este o momento de ajustar a decisão interlocutória, carente de eficácia, trazida a este colegiado, no sentido de restabelecer os lançamentos a seus valores originais. Relevante, ainda, a decisão prolatada pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça nos autos do REsp n° 508.037 — SP (2003/0026985-0), em 07/06/2005 2. Naquela oportunidade, ficou assentado que os efeitos da petição de desistência de recurso, protocolizada anteriormente ao julgamento, se dão ainda que o recurso não tenha sido tempestivamente acostado aos autos. O acórdão foi ementado como segue: AGRAVO DE INSTRUMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO ANTES DO JULGAMENTO. PETIÇÃO JUNTADA A DESTEMPO. HOMOLOGAÇÃO. - Se o recorrente protocolizou regularmente a petição de desistência do recurso, a qual só foi acostada aos autos, por falha da secretaria, após o julgamento, não deve a pane sofrer as conseqüências da deficiência a que não deu causa (EDcl no REsp n.18.336-0/SP). Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso de oficio para restabelecer os lançamentos aos seus valores originais e declarar a inexistência de litígio a ser apreciado, quer pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, quer por este Conselho, em face da desistência da impugnação pelo sujeito passivo, antes mesmo do julgamento em primeira instância. Sala das Sessões, em 12 de março de 2009 ita WALDIR VEIO ROCHAOCHA 2 DJ 29/08/2005. 8 Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1 _0022000.PDF Page 1 _0022100.PDF Page 1 _0022200.PDF Page 1 _0022300.PDF Page 1
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Numero do processo: 13116.000995/2004-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1201-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .0 00 99 5/ 20 04 -9 5 Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Simples e seus reflexos, relativo ao anocalendário de 2000, e de insuficiência de recolhimento referente a valores declarados em Declaração Anual Simplificada (PJ/2000). Conforme consta no demonstrativo, o crédito tributário foi apurado nos seguintes valores abaixo descritos: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples R$ 94.242,52 b) Programa de Integração Social Simples R$ 94.242,52 c) Contribuição Social Simples R$ 151.462,48 d) Contribuição p/ Financ. S. Social Simples R$ 302.925,06 e) Contribuição p/ Seguridade Social Simples R$ 627.860,78 O Contribuinte foi intimado, em 23 de junho de 2003, a apresentar os livros fiscais, cópias de declarações de rendimentos e extratos bancários de suas operações, bem como outros documentos relativos à atividade da empresa. Em 22 de agosto de 2003 o Contribuinte entregou parte dos documentos solicitados, acrescida de esclarecimentos. Em 17 de outubro de 2003, após a análise da documentação, a autoridade fiscal solicitou, por meio de novo Termo de Intimação, a comprovação da origem bancária das operações relacionadas em planilha específica, bem assim a escrituração de tais operações nos livros contábeis. Em 02 de dezembro de 2003 o Contribuinte entregou planilhas parciais, com a identificação das operações, e informou à autoridade fiscal que ainda aguardava o restante dos documentos, que seriam enviados pelo Banco do Brasil. Apresentou, ainda, contratos de agenciamento de mercadorias e algumas notas fiscais de emissão de terceiros. Em 22 de janeiro de 2004 o Contribuinte foi reintimado a apresentar os livros, documentos e comprovantes originais ou em cópias autênticas. Em 02 de março de 2004 o Contribuinte apresentou novas planilhas, contratos de agenciamento e cópias de notas fiscais emitidas por produtores rurais. Em 26 de maio de 2004 a autoridade fiscal intimou terceiros a apresentar declaração por escrito, confirmando ou não a validade dos contratos de agenciamentos firmados com o contribuinte. Segundo consta dos autos, todos os intimados confirmaram a veracidade dos contratos, mediante declaração escrita, assinada e com firma reconhecida. Em 25 de junho de 2004 o Contribuinte foi intimado a apresentar relatório detalhado, notas fiscais e informações acerca das operações realizadas com os terceiros supracitados. A intimação foi atendida em 21 de julho de 2004. Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 4 3 A autoridade fiscal lavrou Auto de Infração, em 16 de agosto de 2004, com base nas diferenças apuradas durante os procedimentos e os valores declarados pelo Contribuinte, na sistemática do Simples. Do termo de verificação fiscal podemos extrair as seguintes conclusões, que serviram de referência para a autuação: 1. O contribuinte esclareceu que desenvolve atividade de corretor na comercialização de grãos (milho, soja, feijão) in natura, intermediando os produtores rurais da região junto aos compradores e percebendo, a título de remuneração, comissão sobre o valor da operação; 2. Os registros constantes no Livro de Apuração de ICMS e do ISS do período solicitado (ano 2000), não estão compatíveis com a movimentação bancária apresentada no mesmo período; 3. No Livro Caixa do período de 2000 não está registrada a movimentação bancária de acordo com os extratos bancários do mesmo período; 4. No ato da contratação do serviço é formalizado um contrato de agenciamento entre as partes envolvidas (produtor e comprador), e que às vezes acontece do contrato não conter assinaturas das partes em virtude de ser firmado por telefone; 5. As Notas Fiscais são emitidas pelo produtor rural diretamente para o destinatário da mercadoria (comprador); 6. O comprador efetua remessa do dinheiro por meio da conta corrente do corretor para que este último providencie o pagamento da mercadoria ao vendedor; 7. Todos os contratos de agenciamento apresentados pelo contribuinte sem a assinatura das partes contratantes foram desconsiderados pela fiscalização, ficando sem validade para comprovar a origem das operações bancárias as Notas Fiscais envolvidas nas referidas transações; (grifamos) 8. Em 02/12/2003, o contribuinte apresentou alguns esclarecimentos juntamente com parte da documentação solicitada. Todos os contratos de agenciamento e notas fiscais apresentados nesta data foram desconsiderados pela fiscalização em razão dos contratos não conterem assinaturas das partes envolvidas na operação e as notas fiscais pelo fato de não apresentarem o fiscalizado como parte envolvida na transação; (grifamos) 9. Em 02/03/2004, o contribuinte apresenta novos esclarecimentos e novos documentos como cópias de notas fiscais autenticadas, contratos de agenciamentos e relatórios detalhados das operações. Da análise dos documentos apresentados foram desconsiderados todos os documentos (Notas Fiscais) desamparados de contratos de agenciamento ou com contratos de agenciamento sem assinaturas dos envolvidos; (grifamos) 10. Há diversas notas fiscais emitidas por produtores/vendedores sem o respectivo contrato de agenciamento com o fiscalizado. Como estas Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 5 4 notas fiscais não trazem nenhuma referência ao intermediário (Heleno Felipe Pereira) as mesmas foram desconsideradas; 11. O contribuinte foi intimado a apresentar relatório detalhando para cada Nota Fiscal, a data e os valores depositados bem como os desbloqueios dos respectivos valores em sua conta corrente; 12. O contribuinte em resposta à intimação anterior apresenta relação dos depósitos/desbloqueios vinculados às notas fiscais emitidas e amparadas por contratos de agenciamento considerados pela fiscalização. Por fim, a autoridade fiscal anexa ao Termo de Verificação planilhas mensais, em que faz detalhada análise da movimentação bancária do Contribuinte e aponta os lançamentos objeto da autuação. Foi realizado o arrolamento dos bens, nos termos da legislação vigente, bem como proposta a exclusão do Contribuinte do Simples. Devidamente intimada, a Recorrente apresentou impugnação em 22 de setembro de 2004, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. O autuado é intermediário em corretagem de grãos, recebendo uma pequena e usual comissão pelos negócios que agencia; 2. Os valores que transitaram pela conta bancária autuada são importâncias pertencentes a terceiros, que são os compradores e vendedores, sobre os quais o autuado foi intermediário nas operações. E, assim, para facilidade de alguns desses negócios, os valores foram depositados na citada conta para a intermediação da operação, ou seja, pagar os vendedores; 3. A planilha com identificação por remetente/comprador dos recursos financeiros enviados para a conta bancária do autuado, de forma individual (por remetente), identificando e correlacionandose também com eles, com o vendedor/produtor rural e a respectiva nota fiscal de venda que lastreou o negócio da qual o autuado foi intermediário, é prova robusta no sentido de demonstrar que os recursos são de terceiros, bem como que tais importâncias se direcionaram ao pagamento de operações de compra e venda de cereais, realizadas diretamente entre o produtor/vendedor e o comprador; 4. Por serem recursos de terceiros incidiria, na espécie, o parágrafo 5º, do art. 42 da Lei 9.430/96. 5. É ilegítimo o lançamento fiscal com base exclusiva na movimentação bancária (Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos) 6. O auditor fiscal desconsiderou alguns negócios, por meras formalidades, tais como a falta de contrato ou ainda a falta de assinaturas nos contratos; 7. O Direito Tributário e o respectivo fato gerador tributário não se operam em formalidades, mas sobre o fato real e fático; 8. O autuado prestou todas as informações solicitadas; Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 6 5 9. Toda a tributação para o imposto de renda deve observar o que dispõe o art. 43 do CTN; 10. O auditor fiscal utilizouse de informações da CPMF para iniciar a fiscalização e a Lei n° 9.311, de 24/10/96, em seu art. 11, § 3°, proíbe taxativamente a utilização de dados da CPMF para constituição de outros tributos; 11. O lançamento não demonstra insuficiência de recolhimentos; 12. Os juros cobrados, com base na taxa SELIC, são exorbitantes, ilegais e inconstitucionais e a multa de oficio de 75% é inaplicável por representar um confisco (valor extravagante em relação ao valor do tributo). Em sessão realizada no dia 08 de abril de 2006, a 4ª Turma da DRJ em Brasília, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento para determinar que se prossiga na cobrança do crédito tributário principal constituído nos autos de infração, referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica Simples e seus reflexos, com a incidência de multa de lançamento de ofício de 75% e dos juros de mora. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: Ementa: Assunto: Omissão de Receita Receita não Escriturada/Declarada Depósitos Bancários não Comprovados Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Multa de Oficio de 75% Não compete à autoridade fiscal, nem ao julgador, determinar outro percentual de multa, visto que está definido na lei, não comportando atividade discricionária. Juros de Mora Aplicabilidade da Taxa Selic Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem os juros de mora equivalentes à taxa Selic para títulos federais. Lançamento Procedente Posteriormente, o contribuinte foi intimado da decisão da Delegacia de Julgamento em 30 de maio de 2006 e, em 28 de junho de 2006, representado por seu advogado, interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. O lançamento fiscal não obedeceu às regras do ordenamento jurídico fiscal, o que é causa de sua nulidade plena; 2. Na condição de corretor apenas intermediava a operação. O negócio final era realizado entre o Produtor Rural e o Comprador, sendo que aquele emitia Nota Fiscal da Venda de seus produtos Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 7 6 diretamente ao comprador destinatário da mercadoria, quase sempre uma pessoa jurídica atacadista; 3. O Comprador efetuava remessa de dinheiro através da conta corrente do Recorrente, para que ele então providenciasse o pagamento da mercadoria adquirida a quantos fornecedores houvesse; 4. Durante todo o curso da fiscalização, o Recorrente forneceu os esclarecimentos solicitados, através de demonstrativos, planilhas e documentos; 5. O auditor fiscal aceitou parcialmente a justificativa do Recorrente sobre a sua forma de trabalho, considerou alguns negócios e desconsiderou outros, por meras formalidades, tais como a falta de contrato ou ainda a falta de assinaturas nos contratos; 6. O Fisco tem o dever de provar que aquelas operações não representam a realidade; 7. Por serem recursos de terceiros incidiria, na espécie, o §5º, do art. 42 da Lei 9.430/96, na redação do art. 58, da Lei 10.637, de 30/12/2002, que exige procedimentos adicionais do auditor fiscal, para infirmar o seu lançamento fiscal; 8. O lançamento não pode ser sustentado pelo argumento do auditor fiscal, de que se tributou as operações pela ausência de contrato assinado para comprovar a intermediação. 9. A ilegitimidade da autuação fiscal está consagrada na Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, o que causa a nulidade completa do lançamento; 10. Os valores autuados não correspondem à comissão do Recorrente, mas ao valor total das operações realizadas entre o produto rural e o comprador, que são estranhas ao Recorrente; 11. O depósito bancário, por si só, não caracteriza renda, cabendo ao auditor fiscal aprofundar as averiguações no sentido de identificar claramente o fato gerador tributário; 12. O auditor fiscal utilizouse de duas tipicidades: a omissão de renda e o arbitramento de depósitos bancários, sem qualquer outro elemento que conferisse validade ao fato gerador; 13. A tributação por omissão de rendimentos exige dos auditores para a validade do lançamento a identificação da renda omitida. A tributação sobre arbitramento de depósito bancário exige o "nexo causal" do rendimento omitido, com o acréscimo patrimonial, ou com o sinal exterior de riquezas; 14. Não foi comprovado que o Recorrente adquiriu mercadoria e que as tenha revendido sem emissão de notas fiscais. Não se apurou a existência de estoque ou saldo credor de caixa; 15. O Recorrente não teve acréscimo patrimonial no ano de 2000 a justificar outra renda, a não ser aquela que declarou; Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 8 7 16. A pessoa jurídica é meramente ficcional para o direito fiscal, pois no direito civil e comercial, a firma individual se confunde com a pessoa física do seu titular; 17. Não ficou demonstrado nos autos acréscimo patrimonial; 18. O auditor fiscal utilizouse de informações da CPMF para iniciar a fiscalização; 19. A Lei n° 9.311, de 24/10/96, que criou a CPMF, em seu art. 11, § 3°, proíbe taxativamente a utilização de dados da CPMF para constituição de outros tributos; 20. O lançamento achase agravado por um exorbitante valor, a título de juros, calculados pela taxa da SELIC, que supera em determinados períodos a 2,5% ao mês, o que contraria o art. 192 da Constituição Federal, ao superar os juros legais de 1% ao mês, e também do previsto no art. 161 do CTN; 21. O Superior Tribunal de Justiça manifestou entendimento contrário a aplicação da SELIC, por entender ilegal a sua incidência em créditos fiscais; 22. Os tributos são regidos pelo princípio da legalidade estrita, devendo tanto as obrigações principais quanto acessórias estar disciplinadas em lei. A taxa da SELIC é fixada por Resolução Administrativa e Portarias, através do COPOM e do BACEN, e de forma que variável segundo a orientação da política monetária; 23. Os juros imputados nos cálculos do lançamento fiscal, ainda que autorizados em legislação ordinária, não tem amparo no Direito; 24. A multa de ofício de 75% é uma espécie de penalização que fere preceitos constitucionais e transformase em confisco, vez que, representa o valor extravagante em relação ao valor do tributo, merecendo a sua nulidade. 25. Requer a anulação total do procedimento fiscal e do crédito tributário lançado. Apresentou planilhas como prova de que os recursos financeiros que transitaram em sua conta bancária são pertencentes a terceiros. Colaciona, ainda, algumas decisões do CARF. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13116.000995/200495 Resolução nº 1201000.114 S1C2T1 Fl. 9 8 O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar diversos livros e documentos, entre os quais os livros contábeis da empresa e os extratos de depósito bancário, conforme já demonstrado no relatório. De posse de tais informações e ante a incapacidade do contribuinte em comprovar satisfatoriamente a origem dos valores depositados em conta corrente de sua titularidade, a autoridade fiscal analisou os elementos e detectou que muitos lançamentos não foram escriturados, o que ensejou a presente autuação do IRPJ e reflexos, na sistemática do Simples. A autoridade fiscal afirma, ainda, que desconsiderou diversos documentos apresentados pelo contribuinte, quer por ausência dos contratos de intermediação com terceiros, quer pela falta de assinatura das partes em vários dos instrumentos, conforme destacamos no relatório. A leitura dos autos e da peça de acusação fiscal, cotejada com os argumentos trazidos pelo Recorrente, me levam a refletir sobre o montante total passível de tributação, tendo em vista a atividade de intermediação exercida pelo Contribuinte. Assim, em homenagem ao princípio da verdade material, que deve nortear os julgamentos administrativos, entendo ser razoável o argumento de que o valor das comissões percebido pelo Recorrente corresponda apenas a uma parcela das operações realizadas, assim como considero que a este cabe a prova de tais montantes. Em razão disso, voto por Converter o Julgamento em Diligência para que: a) O Contribuinte apresente planilha detalhada com a correlação entre os ingressos, notas fiscais e remessas dos valores aos interessados, bem como indique, individualmente, o montante das comissões auferidas em cada operação, com esteio em documentação apta a provar tais demonstrativos; b) Após a elaboração das planilhas e apresentação dos documentos acima mencionados determino que a autoridade fiscal apresente relatório conclusivo acerca das informações prestadas. Adotadas tais providências, os autos deverão retornar ao CARF para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 2202DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10735.722457/2011-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
ITR. VTN. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR.
Constatado de forma inequívoca o erro no preenchimento da DITR, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequá-lo aos elementos fáticos.
Numero da decisão: 2201-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 28/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado) e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
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VTN. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DITR. Constatado de forma inequívoca o erro no preenchimento da DITR, deve a autoridade administrativa rever o lançamento para adequálo aos elementos fáticos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 28/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 24 57 /2 01 1- 07 Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 convocado) e Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2007, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 06/09), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 85.594.659,16, relativo ao imóvel rural denominado “Granja Adelina”, cadastrado na RFB sob o nº 4.094.7378, com área declarada de 44.300,0 ha, localizado no Município de Nova Iguaçu/RJ. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00 R$ 196.597.641,00 (R$ 4.437,87/ha), com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, conforme demonstrado à fl. 08. Cientificada do lançamento em 27/10/2011, a contribuinte ingressou em 24/11/2011 com Impugnação de fls. 01/08 do Processo nº 10735.100017/201196 (Apensado), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: alega que, ao entregar a DITR, não observou que a área do imóvel deveria ser apresentada em hectares e que informou em metros quadrados, conforme consta da Escritura de Compra e Venda e Certidão do Registro Imobiliário, o que acarretou uma área 10.000 vezes maior do que a real; salienta que a área do imóvel informada erroneamente de 44.300,0 ha é de dimensão maior do que o Município vizinho e praticamente a mesma área do Município de Nova Iguaçu e apresenta quadro com as dimensões de Municípios; salienta que é notório e compreensível o erro material que gerou a Notificação combatida, cujo valor é impugnado e que desde já requer seja revisto e adequado à realidade; informa que promoveu a retificação das DITR de 2009 e 2010, com a área em hectares, e que apresentou a DITR 2011 já com a área correta; esclarece que toda a região passou a ser objeto de tributação do IPTU e que o imóvel, também, está cadastrado pela Fazenda Municipal, o que se comprova pelos documentos anexos, e que a questão da concomitante incidência do ITR e do IPTU será objeto de procedimento específico; apresenta lista dos documentos anexados incluindo registro aerofotogramétrico da área de 44.300 metros quadrados e croqui equivalente e a planta da área; protesta por produzir prova pericial para comprovar a dimensão da área, as suas expensas, indicando perito e quesitos, no caso de perdurar alguma dúvida quanto ao espaço físico do imóvel, não obstante toda documentação acostada aos autos; Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.722457/201107 Acórdão n.º 2201002.355 S2C2T1 Fl. 3 3 face ao exposto e documentos anexados requer seja provida a impugnação com a conseqüente retificação das informações prestadas, passando a dimensão da área do imóvel a ser de 4,4 ha e não de 44.300,0 ha, o que decorreu de erro material, acrescentando que na área em questão inexistem atividades de exploração agropecuária ou de extração de qualquer espécie; requer, ainda e após o acatamento das razões apresentadas, sejam expedidas as competentes guias para recolhimento de tributo remanescente se, ainda, houver; por fim, provida a impugnação e sendo quitado eventual saldo remanescente e compatível com a área de 4,4 ha, requer seja extinto este processo, com o seu arquivamento. Em 30.08.2012, conforme Termo de Juntada de fls. 85, foram juntados aos autos os documentos de fls. 21 a 84. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DA REVISÃO DO LANÇAMENTO ERRO DE FATO O lançamento deverá ser revisto, de ofício, quando caracterizada a ocorrência de erro de fato na área total do imóvel, informada na declaração anual do ITR, do exercício de 2007. DO VTN ARBITRADO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase matéria não impugnada o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado para o ITR/2007, por não ter sido contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte Diante do valor exonerado os autos foram encaminhados a este Conselho Administrativo por força do recurso necessário, na forma do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Portaria MF nº 03, de 2008. Não foi apresentado Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso de ofício atende os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ao analisar a impugnação apresentada pela recorrente, juntamente com as provas constantes dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância, assim concluiu: Da Área Total do Imóvel Da análise das alegações e da documentação apresentadas, por não ter sido contestado o VTN/ha arbitrado (R$4.437,87), verificase que a lide no presente processo cingese à área total do imóvel informada na DITR/2007. A contribuinte alega que a área total correta da propriedade (4,4 ha), constante do CAFIR da RFB (fls. 86), foi informada erroneamente na DITR/2007 como 44.300,0 ha, porque foi declarada a área em metros quadrados, sem a devida conversão para hectares (1,0 ha = 10.000,0 m²). Em princípio, a aceitação da pretendida área total de 4,4 ha estaria prejudicada pela modalidade de lançamento do ITR/2007, autolançamento, e por ter sido apresentada somente após o início do procedimento de ofício. Entretanto, quando arguida pelo contribuinte na fase de impugnação, a hipótese de erro de fato deve ser analisada, observandose aspectos de ordem legal. Caso fosse negada essa oportunidade ao contribuinte, estaria sendo ignorado um dos princípios fundamentais do Sistema Tributário Nacional, qual seja, o da estrita legalidade e, como decorrência, o da verdade material. Porém, na hipótese levantada, o lançamento regularmente impugnado somente poderá ser alterado, nos termos do art. 145, inciso I, do CTN, em caso de evidente erro de fato, devidamente comprovado através de provas documentais hábeis e idôneas. No presente caso, a contribuinte anexou aos autos, para comprovar a área total pretendida, cópia da Certidão do Registro Imobiliário, às fls 33 do Processo nº 10735.100017/201196 (Apensado), na qual consta que área total do imóvel é de 44.300,0 metros quadrados, que equivale a 4,4 ha. Consta, ainda, a cópia da Escritura de Compra e Venda na qual está expresso que o imóvel em questão possui a área total de 44.300,0 metros quadrados, às fls.30 do referido Processo apensado. Registrese que, para os exercícios de 2009 e 2010, as DITR, respectivamente, às fls. 39/43 e 44/48 do Processo apensado, já foram retificadas e que a DITR 2011, às fls. 49/54, já foi apresentada com a área total de 4,4 ha, nos termos ora pretendidos pela impugnante para os exercícios de 2007 e 2006, cujo Processo, também, está sendo julgado nesta Sessão. Assim, tendo em vista os elementos de prova constantes dos autos, cabe ser retificada a área total do imóvel informada erroneamente na DITR/2007, de 44.300,0 ha para 4,4 ha e, em consequência da alteração da área total originariamente declarada, ajustar o VTN arbitrado, de R$196.597.641,00 (44.300,0 ha x R$4.437,87/ha) para R$19.526,63 (4,4 ha x R$4.437,87/ha). Fl. 21DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.722457/201107 Acórdão n.º 2201002.355 S2C2T1 Fl. 4 5 (...) Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgada procedente a impugnação interposta pela Contribuinte, contestando o lançamento consubstanciado na Notificação nº 07103/00028/2011 de fls. 06/09, para retificar a área total informada na DITR/2007, de 44.300,0 ha para 4,4 ha, mantendose o VTN/ha arbitrado (R$4.437,87/ha), e demais alterações decorrentes, com a redução do imposto suplementar apurado de R$39.319.518,20 para R$185,26, conforme demonstrado, a ser acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros de mora, na forma da legislação vigente. Do exposto, verificase que não há qualquer reparo a fazer no entendimento do Colegiado a quo, já que a contribuinte incorreu em erro de fato, pois a área do imóvel é de 44.300,0 metros quadrados, equivalente a 4,4 ha, contudo, no momento do preenchimento da DITR/2007, informou a área de 44.300,0 ha. Com efeito, a Certidão do Registro Imobiliário, à fl. 33 do Processo nº 10735.100017/201196 (Apensado), comprova que de fato a área do imóvel é 4,4 ha. Assim, verificando que a decisão recorrida está fundamenta em elementos de prova, todos eles constantes dos autos, e estando seus argumentos em perfeita sintonia com a legislação de regência, nego provimento ao Recurso de Oficio. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Fl. 22DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10735.722457/201107 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.355. Brasília/DF, 20 de março de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 23DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 35601.000217/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões fáticas apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2402-003.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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EMPRESAS EM GERAL Recorrentes ELEKTRO ELETRICIDADE E SERVIÇOS S/A E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO À GARANTIA DA AMPLA DEFESA. FALTA DE ANÁLISE DE ARGUMENTOS. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. EVITAR SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. A ausência, em parte, de verificação, análise e apreciação dos argumentos apresentados na primeira instância pelo sujeito passivo caracteriza supressão de instância, fato cerceador do amplo direito à defesa e ao contraditório, motivo de nulidade. Esse entendimento encontra amparo no Decreto 70.235/1972 que, ao tratar das nulidades no inciso II do art. 59, deixa claro que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Importa cerceamento ao direito de defesa o não enfrentamento pela autoridade de primeira instância das questões fáticas apresentadas em sede de impugnação, bem como em sede de recurso a matéria fática não exposta inicialmente na peça de impugnação (fato novo e superveniente), desde que haja motivo relevante exposto nos autos. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 60 1. 00 02 17 /2 00 7- 18 Fl. 28416DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 28417DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais/faturas de prestação de serviços realizados mediante cessão de mão de obra ou empreitada de mão de obra, contendo parcelas retidas e parcelas não retidas pela empresa, para as competências 02/1999 a 12/2005. O Relatório Fiscal informa que os valores apurados decorrem da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, e teve como base essencial a análise das disposições contratuais, e subsidiariamente a planilha elaborada pela empresa, onde estão listados os contratos celebrados com terceiros, a descrição dos serviços prestados e o período de vigência. Consta ainda do relatório que a documentação solicitada foi entregue de forma deficiente, e que a escrituração contábil formal apresentada não registra, de forma discriminada, em contas individualizadas, todos os fatos geradores das contribuições sociais, distinguindo os prestadores de serviços, tipo de serviço prestado, número das notas fiscais ou faturas, data de emissão, valor da retenção e valor total do serviço contratado. Informou ainda que foi solicitada a apresentação de parte das notas fiscais de serviços e das GFIP’s dos prestadores de serviços, e com relação aos contratos foi feita seleção dos serviços que requeriam análise mais detalhada. Esclareceu ainda a fiscalização o seguinte: “(...) a contabilização da empresa possui estruturas totalmente distintas, antes e depois de setembro/ 1999, o exame da regularidade da retenção, por imposição dessas estruturas, foi executado e, também, será demonstrado de duas formas. Contudo, o trabalho consistiu, basicamente, em apurar, primeiramente, os serviços sujeitos à retenção, em seguida, o total do serviço contratado nesta situação e, depois, a base de contribuição para incidência de 11%. Eventuais diferenças entre o valor apurado nesse procedimento e o efetivamente recolhido, compõem o presente crédito previdenciário”. A seguir a fiscalização tece várias considerações a respeito de como foram apuradas essas diferenças, observando que os lançamentos contábeis do livro Razão Geral, apesar de terem sido usados de forma subsidiária na análise da retenção, não ofereciam indicativos da natureza dos serviços contratados, nem identificavam os prestadores de serviço, e que esses dados foram fornecidos por meio de sistema auxiliar da contabilidade, denominado Sistema de Materiais, o qual igualmente era deficiente. Informou também que os lançamentos do Diário foram considerados inadequados para os procedimentos da auditoria, pois além de não disporem dos dados essenciais, o volume de lançamento é elevado, sendo sua utilização então muito restrita. Informa ainda que os registros contábeis nos arquivos apresentados da Contabilidade Geral e Contabilidade de Custos não trazem sequer os nomes das contas, os quais foram verificados nos Balancetes de Verificação, pois o Plano de Contas apresentado também não os especifica. Fl. 28418DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 E segue esclarecendo em seu Relatório: “(...) Não há referência à natureza do serviço contratado, nem à empresa prestadora de serviços. (...) Resumindo, os arquivos do Razão apresentados não oferecem indicativos da natureza dos serviços contratados, nem identificam os prestadores de serviços, elementos indispensáveis ao exame da regularidade da retenção”. E continua: “(...) Visando sanear as deficiências do Razão, particularmente quanto à identificação das prestadoras de serviços e quanto à natureza desses serviços, a Empresa forneceu dados, relativamente ao período de setembro/1999 a dezembro/2005, também em meio magnético, provenientes de sistema auxiliar da contabilidade, denominado Sistema de Materiais. Contudo, as informações ainda estão longe das ideais”. “Os dados apresentados constituem um detalhamento dos lançamentos do Razão. Foram selecionadas as contas abaixo e, a partir dessa seleção, a Empresa detalhou os lançamentos, agora especificando o código do fornecedor, nome do fornecedor e um breve histórico. Somente em alguns registros há referência ao número da nota fiscal. A investigação da regularidade da retenção foi. então. iniciada a partir dos dados apresentados nessa forma”. Enfim, conclui: “(...) Na impossibilidade de confrontar o recolhimento correspondente a cada nota fiscal ou fatura, optouse por totalizar os serviços sujeitos à retenção, em cada competência, por empresa prestadora de serviço. As contribuições retidas também foram agrupadas por competência e por prestador de serviço, para permitir comparar a base apurada com a contribuição retida”. Registrou também a fiscalização que foram detectadas contribuições retidas das prestadoras cujo recolhimento à Previdência não restou comprovado, e que sendo assim foi objeto de lançamento de crédito e de representação à autoridade competente. O Relatório informa que se buscou distinguir a natureza do serviço prestado seja nos dados disponíveis nos arquivos fornecidos, em listagens que discriminam serviços contratados, contratos de serviços celebrados com terceiros, notas fiscais e faturas de serviços ou solicitações de esclarecimento. Esclarece a fiscalização: “(...) Há que se registrar que, caso o mesmo prestador de serviços execute, simultaneamente, isto é, na mesma competência, serviços que se sujeitam à retenção e serviços, aos quais ela não se aplica, estes últimos, não se encontram computados no presente levantamento. Buscouse, de todas as formas, distinguir a natureza do serviço prestado, seja nos dados disponíveis nos arquivos fornecidos (campos histórico, referência e “texto cabeçalho doc.”), seja em listagens que discriminam serviços contratados, em contratos de serviços celebrados com terceiros, em notas fiscais e faturas de serviços ou em solicitações de esclarecimentos”. Esclarece ainda o Relatório Fiscal que contribuições não retidas em virtude de prestadoras de serviço que se encontravam amparadas por liminar não foram consideradas no lançamento. Outra situação verificada foi a falta de retenção dos prestadores optantes pelo Simples após setembro de 2002, quando voltou a ser exigida. Assim, a retenção nesse caso integra o crédito a partir de 09/2002, bem como no período de 01/2000 a 08/2002 quando não comprovada a opção pelo Simples. Informa ainda que por não ter procedido à retenção, a justificativa mais comum da empresa versou sobre ser a obra executada sob empreitada total, e por isso não estar sujeita à retenção. Nas considerações sobre as competências, esclareceu a Fiscalização que elas foram obtidas a partir das datas dos documentos, conforme registros contábeis, em virtude de não dispor da data de emissão da nota fiscal ou fatura de serviço, o que acabou influindo nos trabalhos realizados, podendo acarretar equívocos na modalidade do crédito previdenciário visto que até 01/1999 aplicase sobre a mão de obra contida nos serviços contratados o instituto da responsabilidade solidária. Quanto ao percentual aplicado sobre o valor do serviço para fins de incidência da contribuição de 11%, ele está descrito no anexo “Demonstrativo – Retenções Fl. 28419DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 4 5 Lançadas”, tendose preservado os critérios de redução de base de contribuição utilizados pela empresa. Com relação aos demonstrativos “Quadro Resumo – Medral Engenharia Ltda” e “Quadro Resumo Parceria Serv. Temp. e Parceria Rec. Hum & Serv. Ltda”, eles constituem subdetalhamento do “Demonstrativo Retenções Lançadas”, pois as diferenças apuradas nesses foram transferidas para o primeiro”. As empresas Parceria emitiram notas fiscais de reembolsos de vale transporte, vale refeição, vale alimentação, seguro de vida, assistência médica, despesas admissionais, despesas de cursos e despesas com telegramas, não efetuaram destaque de retenção sobre esses reembolsos, e a Elektro não recolheu a correspondente contribuição. Os custos com alimentação e vale transporte, discriminados nas notas são passíveis de redução da base de cálculo, e desta forma, a diferença apurada descrita no demonstrativo representa a contribuição social incidente sobre as demais parcelas, e seus valores foram transferidos para o anexo “Demonstrativo Retenções Lançadas Período de 09/1999 a 12/2005”. Enfim, o Relatório Fiscal descreve os demais lançamentos e autuações efetuados durante a ação fiscal, os elementos examinados na auditoria e outras informações pertinentes, esclarecendo sobre a existência da solidariedade das demais empresas pertencentes ao Grupo Econômico relacionado à empresa Elektro. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/12/2006 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 82/25705), alegando, em síntese, que: 1. parcelas dos créditos compreendidos entre 02/1999 e 12/2001 encontramse extintos pela decadência, conforme o art. 150, § 4° e 156, V do CTN; 2. a fiscalização não investigou a fundo toda a documentação disponibilizada pela empresa (contratos, notas fiscais, GPS) como determina o art. 142 do CTN, analisando superficialmente os controles auxiliares de contabilidade, os quais não se prestam à identificação plena do objeto e da natureza jurídica das contratações; 3. grande parte dos serviços contratados não envolve cessão de mão de obra, o que desobriga a impugnante da retenção. Outra parte dos serviços contratados não enseja a aplicação da regra de retenção, como: serviços expressamente excluídos desta obrigatoriedade, empreitada realizada nas dependências da contratada, elaboração de projetos de construção civil e ensaios geotécnicos, serviços realizados por empreitada global, serviços contratados de empresas do Simples, serviços contratados de empresas que possuíam liminares desobrigando da retenção; 4. a sistemática dos cálculos utilizada para aferição da regularidade dos valores retidos contém inconsistências, e distorceu as bases de cálculo identificadas pela fiscalização em comparação com as utilizadas pela Fl. 28420DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 impugnante. Por esse motivo a fiscalização identificou divergências inexistentes em razão de erros em relação à correta identificação das competências, em relação ao agrupamento de diversos serviços para apuração de uma única base de cálculo, erros em razão de reduções não observadas em razão de retenções já realizadas em relação aos serviços subcontratados pelos fornecedores da impugnante, e indevida inclusão de despesas de vale alimentação, seguro de vida, assistência médica, despesas admissionais, despesas de cursos e despesas com telegramas na base de cálculo da retenção da contribuição previdenciária; 5. enfim demonstrou que não pode prevalecer a utilização da taxa Selic. Posteriormente, foi realizada diligência fiscal para averiguar as matérias fáticas registradas na impugnação inicial. Após isso, também foram apresentadas outras peças de impugnações requerendo a improcedência da NFLD, com o cancelamento do débito e arquivamento do processo administrativo, que seja reconhecida a decadência do crédito de 01/1999 a 11/2004. E, na remota hipótese de se atribuir algum valor à NFLD impugnada, requer subsidiariamente a redução do montante exigido, considerandose os valores indevidamente lançados quanto à composição da base de cálculo das contribuições retidas. Foram ainda juntados ao processo, às fls. 25539 a 25709 os seguintes contratos de prestação de serviços da empresa Medral Engenharia Ltda.: 4600001511, 4600001510, 4600002525, 4600000547, 4600000546 e 4600000545. Na quarta impugnação do sujeito passivo, requer enfim seja reconhecida a extinção dos respectivos valores cobrados na NFLD, determinandose a sua exclusão do lançamento, não havendo que se falar em ausência de pagamento ao INSS de retenções realizadas pela impugnante. Solicita ainda que seja expedido ofício aos autos do Inquérito Policial n° 0436/104, para que esse seja imediatamente encerrado, em razão da comprovada inexistência de apropriação indébita, e que seja julgado improcedente o lançamento, determinandose o arquivamento do respectivo processo administrativo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0530.740 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 27329/27399, Volume 94) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ela excluiu os seguintes valores: (i) em decorrência da decadência, os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, a teor da regra prevista no 4o do art. 150 do CTN; e (ii) reconhecidos pelo Fisco na realização da diligência, tais como: até a competência 08/2002, os valores oriundos de algumas empresas do sistema de arrecadação SIMPLES; os valores oriundos do Contrato 4600003191 (fls. 693/724). A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 28421DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, ressalvase que não compete à instância administrativa manifestarse à respeito de matéria penal, mesmo que a representação fiscal para fins penais (RFFP) esteja embasada na suposta retenção de contribuição previdenciária, eis que, no âmbito administrativo, o julgador só possui competência para análise do crédito tributário, distinto dos aspectos normativos da esfera penal. Nesse mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) consagrou o mesmo entendimento na Súmula CARF n° 28 (DOU de 22/12/2009, seção 1, p. 70 a p. 72), in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”. DA PRELIMINAR: Quanto às preliminares, há questão que merece ser analisada. Da análise inicial dos autos, verificase questão prejudicial ao julgamento do recurso encaminhado, face à ocorrência de cerceamento da garantia da ampla defesa e da supressão de instância, vícios esses que devem ser sanados. Após a apresentação das peças de impugnação, a DRJ em Campinas/SP, por meio do Acórdão 0530.740 (fls. 27329/27399, Volume 94), proferiu decisão sem o enfrentamento de todas as matérias fáticas postuladas pela empresa. Verificase que a decisão de primeira instância (Acórdão 0530.740 da DRJ em Campinas/SP) não abordou, de forma suficiente, essencialmente as seguintes matérias fáticas, devidamente inseridas nas peças de impugnação: Primeiro, com relação à retenção referente à nota fiscal no 11.598, emitida pela empresa Brasanitas Empresa Brás. de Saneamento e Com. Ltda, a Recorrente afirma que, equivocadamente, em algumas notas fiscais, fez constar a retenção, mas na realidade tal fato não ocorreu, e como elementos informativos juntou aos autos os seguintes documentos (petição protocolizada em 17/08/2010): nota fiscal de número 11.598, de 02/05/2005 (fls. 5027); extratos bancários; contratos de prestação de serviços; comprovantes de recolhimentos e termos de quitação. O Relatório Fiscal Complementar sinaliza que “(...) 21.5. A nota fiscal n° 11598, de 02/05/2005 (fls. 5027) possui destaque de R$1.254,20 para a seguridade social e o relatório juntado a defesa (fls. 5025), justamente com o intuito de mostrar que não há débito, sugere o contrário, que apenas R$1.134,25 foi recolhida”. Fl. 28422DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Por sua vez, na análise dessa questão a decisão de primeira instância afirma que “(...) Quanto à competência 07/2005, a planilha em que a impugnante se baseia para demonstrar suas alegações não espelha a realidade, como destacou a fiscalização com relação à nota fiscal n° 11598 (fl. 5027), e como já visto anteriormente em várias outras empresas para as quais ela foi efetuada. Portanto, não há que se concordar quanto a ter havido erro da fiscalização nos valores lançados em 07/2005, uma vez que só pela planilha e documentos juntados não se pode concluir que houve equívoco”. Acrescentase a isso que a Recorrente solicitou auditoria externa à empresa Price, e esta sinalizou que “(...) Diante do quadro comparativo das retenções, foi possível concluir que q Elektro realizou pagamento a “Brasanitas” com a retenção parcial da contribuição previdenciária correspondente. Em que pese aludido fato, constatase que a Electro realizou o pagamento ao fornecedor descontando (retendo) apenas o valor de INSS efetivamente recolhido de R$ 1.134,25” (doc. 4). Com isso, entendese que a decisão de primeira instância não abordou de forma suficiente a matéria fática postulada nas peças de impugnação, eis que ela deverá verificar qual o valor que foi efetivamente retido pela empresa, buscando o embasamento dentro dos fatos contábeis escriturados, apresentados pelo Fisco e pela Recorrente, e não fundamentar a sua decisão exclusivamente nos fatos apresentados pela fiscalização em Relatório Fiscal Complementar. Aqui, pareceme que deveria haver o retorno do processo para a fiscalização verificar qual foi o valor efetivamente retido pela empresa, observandose todos os fatos contábeis apresentados pela Recorrente, dentre eles os documentos acostados ao processo. Segundo, no que tange aos contratos de prestação de serviços, a Recorrente afirma que há contratos de empreitada global e Turnkey (total) não sujeitos à retenção de 11% a título de contribuição previdenciária, exemplificando os contratos celebrados com as empresas ABB Ltda, WEG Indústria S/A Transformadores, Sota Consultoria e Projetos S/C Ltda. A decisão de primeira instância apenas analisou os contratos dados como exemplo pela Recorrente para embasar a sua decisão e, com isso, deixou de analisar se os demais contratos de prestação de serviços teriam sido executados por meio de empreitada global ou não, nos seguintes termos: “[...] b Contratos de Empreitada Global e Turnkey A argumentação de que a fiscalização não indicou a razão porque os diversos contratos descritos na impugnação diziam respeito a serviços prestados sob empreitada global não procede. No Relatório Fiscal inicial, a fiscalização mencionou que não foram comprovadas as alegações de que as obras efetuadas foram sob o regime de empreitada global. E nas suas impugnações (primeira e segunda), igualmente, não houve a comprovação desta alegação, pois de acordo com o art. 413, XXVIII, “a”, da IN 03/2005, para haver a empreitada global há que se implementar o requisito de o serviço ser prestado por empresa construtora, “pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no CREA, na forma do art. 59 da Lei n° 5.194, de 1966”, nos termos do inciso XX do mesmo artigo da IN 03/2005. Conforme já visto, as empresas contratadas não cumpriam essa condição, ou se cumprem, como esclarecido pela fiscalização, “a habilitação referese apenas a realização de serviços Fl. 28423DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 6 9 específicos, como os de instalações hidráulicas, elétricas e similares”, ou seja, não possuem como objeto social “indústria de construção civil”, como determina a Instrução Normativa. Assim, os exemplos citados das empresas ABB Ltda. (6291), contratos n°' 4600002060, 4600002915 e 4600002399; WEG Indústria S/A Transformadores (3502), contratos n° 4600002683 e 4600001311, Sota Consultoria e Projetos S/C Ltda. (5160), contratos n° 4600002547, 4600001944 e 4600003146, citados pela impugnante não se enquadram na hipótese de exclusão de retenção. E quanto aos valores relacionados à empresa e Consid Construções Prefabricadas Ltda. (4569), contrato n° 4600000378, os lançamentos serão excluídos do débito, em razão de se encontrarem decadentes. Quanto a se argumentar que não existe legislação que determine a exigência pela impugnante da inscrição no CREA das empresas por ela contratadas, de fato não existe, o que há é a exigência de ser feita a retenção de 11% dos serviços prestados por essas empresas, caso elas não cumpram os requisitos normativos que a desobrigam dessa retenção. Assim, para haver o enquadramento dos serviços prestados como empreitada global, há que ser comprovado que a empresa prestadora, dentre outros requisitos, é inscrita no CREA, possuindo como objeto social indústria de construção civil. Por outro lado, como a emissão da fatura/nota fiscal é feita pela prestadora, e a obrigação do destaque da retenção é dela, prestadora, a própria nota fiscal emitida deve estar de acordo com a legislação, pois logicamente a prestadora também se submete ao cumprimento das normas tributárias existentes. Assim, à empresa tomadora cabe apenas a confirmação com a prestadora sobre o implemento dessas exigências para eximirse da retenção legal.” [...] (decisão de primeira instância, fls. 126/127) Nesse particular, dentro das competências remanescentes de 12/2001 a 12/2005 (após declaração de decadência), entendese que deverá ser feita uma análise de todos os contratos de prestação de serviços, objeto do presente lançamento, estabelecendo se cada empresa contrata assumia ou não a responsabilidade direta e total pelo empreendimento, e sinalizando ainda quais as empresa que não teriam sido constituídas sobre a forma de pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria da construção civil, com registro no CREA, assim como deverá delinear quais as empresas da construção civil contratadas não possuem registros no CREA. Terceiro, com relação às empresas do sistema de arrecadação SIMPLES, a Recorrente argumenta que não lhe compete a verificação de regular enquadramento no Simples de cada empresa que contrata, pois esse é um trabalho do Fisco. E, para isso, a Recorrente afirma que acostou aos autos diversos documentos que comprovam o enquadramento das empresas contratadas no SIMPLES. No seu Relatório Fiscal inicial, o Fisco afirma que “(...) Outra situação também verificada, foi a falta de retenção dos prestadores, optantes pelo Sistema Simplificado Fl. 28424DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de Tributação (Simples), após setembro de 2002, quando voltou a ser exigida. Da mesma forma, a retenção nesse caso, integra 0 crédito e integra também, em relação ao período de janeiro/2000 a agosto/2002, quando não comprovada a opção pelo Simples”. No Relatório Fiscal Complementar, o Fisco sinaliza que, para as empresas optantes do SIMPLES, somente as competências 01/2000 a 08/2002 não seriam sujeitas à retenção e, com isso, não haveria a necessidade de averiguar o período posterior a 08/2002, nos seguintes termos: “[...] 15. A empresa impugnante apresentou extrato comprovando opção pelo sistema Simples em fins de 2002, 2003 e até 2004, de alguns prestadores. Porém, apenas no período de janeiro de 2000 a agosto de 2002, os serviços dessas contratadas não estavam sujeitos à retenção. Desta forma, a partir de setembro de 2002, inclusive, tais serviços ao se enquadrarem no rol legal de incidência, ficam sujeitas, sim, à aplicação do instituto da retenção. As empresas H J Comércio e Serviços Ltda, Temaq Eng. Com. e Representações Ltda, Mantec Manut. Elét. de Americana Ltda e Thiago Augusto Alves, por exemplos, fizeram opção pelo sistema simplificado de tributação, sim, mas em data posterior, ou seja, 01/01/2003, 01/01/2004, 11/09/2002 e 11/02/2003, como constam dos próprios extratos, que juntou à defesa. Deste modo, não há qualquer repercussão no lançamento em pauta. Também foram juntados documentos comprobatórios dessa opção, de empresas que sequer foram objeto de lançamento no aludido período e, por isso mesmo, não ensejam qualquer reformulação [...]”. (Relatório Fiscal Complementar, fls. 25411 – Volume 85) (g.n.) Por sua, a decisão de primeira instância somente analisou os contratos dados como exemplo pela Recorrente para embasar a sua decisão e, com isso, deixou de analisar se os demais contratos de prestação de serviços teriam sido executados por meio de empresas enquadradas no SIMPLES, nos seguintes termos: “[...] Ora, a regra legal é de que haja a retenção de 11% sobre a fatura quando os serviços prestados se enquadrem na situação por ela descrita. Assim, havendo a cessão de mãodeobra ou empreitada na prestação dos serviços, sempre terá que ser feita a retenção dos 11%, a qual, conforme o § 5° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 acima transcrito, presumese feita. Portanto, o interesse de saber se a empresa é optante pelo Simples ou não durante o período de exceção legal (período de 01/2000 a 08/2002) seria da própria impugnante, para que não efetuasse a retenção e o recolhimento. Para isso bastava entrar em contato com a sua prestadora para obter essa informação, o que não seria tão difícil, uma vez que inclusive em vários de seus contratos existe a previsão de retenção dos 11%, como por exemplo, nos seguintes contratos: Temaq Eng. Com. Repres. Ltda contrato fl. 1459, Rossmann & Razzano Ltda. contrato fl. 3348, Ralm Serviços Técnico Coml. Ltda contrato fl. 3115, e Elcma Com. e Eletrificação Ltda. contrato fl. 5599. Entretanto, a fiscalização, durante a diligência solicitada, verificou a real situação das empresas apontadas na impugnação, e em seu Relatório Fiscal Complementar concluiu o seguinte: [...]”. (decisão de primeira instância, fls. 96) Fl. 28425DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 7 11 ......................................................................................................... “[...] c Empresas enquadradas no Simples Com relação às empresas enquadradas no Simples, a fiscalização seguiu as normas legais, de acordo com o período de competência dos fatos geradores. Período de 01/2000 a 08/2002 Desta forma, até a competência 08/2002, os lançamentos em que se constatou que se referiram a empresas de fato incluídas no regime do Simples, após pesquisas efetuadas, estão sendo excluídos do lançamento, como já informado anteriormente. Período posterior a 08/2002 No período posterior a 08/2002 a retenção dos 11% das notas fiscais em relação às empresas optantes pelo Simples está embasada nas Instruções Normativas reproduzidas acima, não cabendo neste foro discussão sobre a normatização que dispõe sobre o assunto, tendo em vista a atividade vinculada da fiscalização. Comprovação de contratação de empresas optantes do Simples O reconhecimento pela fiscalização da situação de determinadas empresas como incluídas no Simples, com a sua consequente exclusão até a competência 08/2002, significou simplesmente que houve o cumprimento dos princípios da ampla defesa, da verdade material e da legalidade, com o acatamento das provas apresentadas, e exclusão dos valores os quais comprovadamente referiamse a empresas optantes do Simples no período em que não havia incidência de contribuição, como determinavam as normas de regência. Assim, corroborado o acerto do procedimento fiscal.” [...](decisão de primeira instância, fls. 127) Assim, a decisão de primeira instância não realizou uma análise de todas as empresas contratadas para a prestação de serviços, objeto do presente lançamento, que estariam ou não enquadradas no sistema de arrecadação SIMPLES. Entendese que deverá ser feita uma análise de todas as empresas inseridas nos contratados de prestação de serviços, imputandose quais delas estavam devidamente enquadradas no SIMPLES, dentro das competências remanescentes de 12/2001 a 12/2005 (após declaração de decadência). Nessa seara de quem deverá produzir os elementos informativos, entendese que compete ao Fisco demonstrar quais as empresas estariam devidamente enquadradas no SIMPLES, já que se trata de um fato constitutivo do lançamento fiscal. Ademais, o Fisco encontrase em melhores condições de produzir a prova essencial ao deslinde do litígio ora instaurado, consubstanciado na teoria dinâmica de distribuição do ônus da prova, pois as informações das empresas optantes do SIMPLES estão inseridas em seus dados informatizados. Fl. 28426DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual foi apontado no Relatório Fiscal e seus anexos que existiam empresas prestadoras de serviços optantes pelo Sistema Simplificado de Tributação (SIMPLES), e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Logo, ainda que o sujeito passivo não tenha previamente acauteladose a respeito das informações das empresas contratadas optantes do SIMPLES, essas informações ficam registradas nos sistemas informatizados do Fisco, e, posteriormente, quando eventualmente deflagrada alguma ação fiscal ou quando a atuação administrativa possa produzir efeitos sobre a constituição do crédito tributário, estará então o Fisco habilitado a buscar as informações necessárias ao deslinde da controvérsia ora instaurada. Quarto, em decorrência dos documentos acostados aos autos (fls. 82/25705), constatase que é impossível uma análise por este Conselho (CARF) visando apurar se há ou não uma indevida inclusão de valores não sujeitos à composição da base de cálculo das contribuições retidas, já que isso é matéria que, em procedimento de diligência, deverá ser realizada pela auditoria fiscal e, posteriormente, deverá ser submetida a um novo julgamento pela primeira instância. Após tais providências, este Conselho poderá se manifestar a respeito dessas matérias: (i) erros em relação às competências; (ii) erros em relação ao agrupamento de diversos serviços para a apuração de uma única base de cálculo da retenção; (iii) erros na correta apuração da base de cálculo para retenção; (iv) não observância, não observância do abatimento das retenções já realizadas em relação aos serviços subcontratados pelos fornecedores da Recorrente; (v) indevidas inclusão de despesas indenizatórias (vale alimentação, seguro de vida, assistência médica, despesas de cursos). Para averiguar se a base de cálculo está correta e não estar em desconformidade com itens (i) a (v) retromencionados, entendese que o processo deverá retornar ao setor de fiscalização, que, após a confrontação dos documentos acostados aos autos com a escrituração contábil da empresa, deverá emitir um parecer conclusivo. Constatarse ainda que as diligências realizadas anteriormente, na fase de análise da decisão de primeira instância, restringiuse a reportar as questões evidenciadas no Relatório Fiscal original, então deverá ser feita uma nova diligência fiscal para cotejar todas alegações fáticas da Recorrente, acompanhadas de documentos acostados aos autos, com a escrituração contábil da empresa. Após isso, deverá ser emitido o parecer conclusivo. A título de exemplo a Recorrente afirma na peça recursal o seguinte: “[...] C. 1. Erros em Relação às Competências 237. 237. Notase, da própria descrição contida no relatório fiscal, que a D. Fiscalização, ao argumento de não ter localizado as datas de emissão das notas fiscais de prestação de serviços envolvida em diversas competências da autuação, optou pela Fl. 28427DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 8 13 consideração de datas contidas nos controles internos da Recorrente que não se prestam para esta finalidade para aferir em qual competência teria sido emitida a Nota Fiscal e identificar a correção da respectiva retenção. (...) 244. Contudo, a r. decisão recorrida pretendeu justificar o método utilizado pelo Fisco no suposto descumprimento de obrigação acessória pela Recorrente, a qual não teria registrado devidamente em sua contabilidade os serviços contratados, razão pela qual foi lavrado Auto de Infração n° 35.957.8055. 245. Ora, independentemente da lavratura desse auto de infração por suposto descumprimento de obrigação acessória, com o que a Recorrente também não concorda, era dever do Fisco analisar todas as notas fiscais a sua disposição em obediência ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo, o que, como visto, não ocorreu. 246. Portanto, o viciado e injustificável “método” utilizado pelo Fisco culminou no lançamento de diferenças inexistentes, pois se houvesse o cuidado de localizar as notas fiscais e confrontálas com as retenções realizadas certamente teria identificado que os recolhimentos realizados pela Recorrente foram corretos. 247. A título de exemplo de situações que ocorreram ao longo de todo o trabalho fiscal, a Recorrente pede vênia para demonstrar abaixo o seguinte equívoco cometido na ação fiscal: (...) 249. Ocorre que ao analisar as Notas Fiscais envolvidas neste período, e que, repitase, encontravamse à disposição da D. Fiscalização durante todo o tempo, a Recorrente identificou a incorreção dos valores apurados pelo INSS. A planilha a seguir bem demonstra os vícios no trabalho fiscal: (...) 260. Percebe se também desta ilustração que a Nota Fiscal n° 22 foi emitida no mês de competência Dezembro/2001 e não em Novembro/2001, o que demonstra que a sua consideração em data equivocada levou à apuração de diferença inexistente. 261. Relativamente à empresa Aratec Araguaia Tecnologia Ltda., com intuito de facilitar a visualização da ocorrência destes vícios ao longo do trabalho fiscal, a Recorrente anexou à defesa toda a documentação comprobatória deste fato (doc. 12). 262. Entretanto, da mesma forma, a D. Fiscalização, em sua “manifestação” (fls. 18), imputou tais vícios do lançamento à própria Recorrente”. Da mesma forma, a r. decisão recorrida assim entendeu: “Como se vê, houve um acerto posterior na data nesta nota fiscal, o que pode ter causado a diferença nas datas em questão. E como não foi encontrada a nota fiscal original nos documentos juntados, bem como não já processo qualquer confirmação por Fl. 28428DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 órgão oficial quanto a esta alteração, não se pode ratificar que houve erro por parte da fiscalização”. (...) C. 2. Erros em Relação ao Agrupamento de Diversos Serviços Para Apuração de uma Única Base de Cálculo da Retenção 276. A Recorrente demonstrou alguns exemplos colhidos do trabalho fiscal e que denotam a completa ilegitimidade dos valores apurados. 277. Inicialmente, a Recorrente ilustrou a situação acima indicada com exemplo colhido do levantamento realizado em relação à empresa Medral Engenharia Ltda: (...) 278. Do exemplo acima é possível identificar que, relativamente ao mês de competência Dezembro/2005, a D. Fiscalização apurou uma suposta diferença no recolhimento da contribuição no valor de R$ 37.342,72 (trinta e sete mil, trezentos e quarenta e dois reais e setenta e dois centavos). 279. Para chegar a esse número, a D. Fiscalização somou todas as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Medral Engenharia Ltda. contra a Recorrente nesta competência e apurou o valor da contribuição devida por retenção, considerando a redução da base de cálculo em 50%, por se tratar de serviços de engenharia com fornecimento de materiais destacados no corpo dos documentos fiscais. 280. Ocorre que, ao assim proceder, a D. Fiscalização cometeu equívoco, pois não considerou que determinados serviços prestados em favor da Recorrente neste mês não ensejam a retenção da contribuição previdenciária. 281. Por exemplo, se a Fiscalização tivesse analisado as Notas Fiscais n°s 6943 e 6945, que se referen1 ao Contrato de Prestação de Serviços n° 4600002829, teria identificado que o serviços em comento reforma de transformadores no estabelecimento da contratada não enseja a retenção da contribuição previdenciária, a teor do que determina o artigo 176, VI da IN 3/2005, como, inclusive, já foi demonstrado acima. 282. Ademais, da análise das Notas Fiscais n°s 4069 e 4072, vinculadas aos Contratos n°s 4600003029 e 4600003028, verificase que os serviços prestados projeto de instalação de redes de distribuição igualmente desobrigam a Recorrente da retenção previdenciária, nos termos do artigo 170, II, da IN 3/2005, conforme já explicado em tópico anterior. 283. Percebese, desta ilustração, que a D. Fiscalização, ao longo da ação fiscal, com o intuito de “facilitar” seu trabalho de apuração das bases de cálculo das retenções, acabou por não se atentar aos objetos dos contratos celebrados entre a Recorrente e seus fornecedores, o que implicou na incorreção dos levantamentos realizados na presente NFLD. 284. Portanto, cabe rechaçar os fundamentos da r. decisão recorrida, ao afirmar que o Fisco teria considerado e excluído Fl. 28429DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 9 15 da base das retenções os serviços que não se sujeitavam à retenção, pois houve o indevido agrupamento das bases de cálculo. 285. Com relação ao fundamento de que a planilha apresentada pela Recorrente não seria hábil a demonstrar os erros apontados, mais uma vez a Recorrente reitera que apresentou todos os documentos necessários para a comprovação de todos os dados constantes na planilha, tais como notas fiscais, GPS's, extratos, etc. [...]” Apenas a título de realce – por evidenciar que os supostos vícios apontados pela Recorrente na base de cálculo da contribuição previdenciária merecem uma análise pormenorizada pelo Fisco, que deverá verificar se os valores lançados da retenção de 11% sobre a nota fiscal/fatura estão em conformidade com a escrituração contábil da empresa –, é bem de ver que, caso tal análise fosse realizada, neste momento, por este Conselho (CARF), isso ensejaria a teratológica situação de propiciar, por via transversa, efetivamente um típico procedimento de auditoria fiscal, o que é de atribuição exclusiva do Fisco. Isso porque a instância recursal não pode substituir o trabalho do Fisco de averiguação entre os valores lançados na base de cálculo e os valores registrados na escrituração contábil. FUNDAMENTO JURÍDICO DA DECISÃO: Considerando a garantia da ampla defesa e da supressão de instância, entendese que a decisão de primeira instância deverá examinar e analisar as alegações fáticas postas nas peças de impugnação, bem como na peça recursal, eis que essa decisão não analisou, de forma suficiente, todos os pontos abordados pela peça de impugnação, e resumiuse em uma decisão pautada no aspecto jurídico, não abordando toda a matéria fática acima mencionada (primeiro a quarto). Com a finalidade de afastar qualquer dúvida acerca do fato gerador apurado no presente processo, já que a Recorrente alega que os fatos apontados pelo Fisco não guardam correspondências com a documentação existente na empresa, retromencionados, bem como outros fatos – tais como erros em relação às competências, erros em relação ao agrupamento de diversos serviços para a apuração de uma única base de cálculo da retenção, erros na correta apuração da base de cálculo para retenção, não observância, não observância do abatimento das retenções já realizadas em relação aos serviços subcontratados pelos fornecedores da Recorrente, indevidas inclusão de despesas indenizatórias (vale alimentação, seguro de vida, assistência médica, despesas de cursos), dentre outros registrados na peça recursal –, deverá a autoridade de primeira instância de julgamento rebater os pontos apresentados na peça de impugnação, bem como a matéria fática de cada contratado de prestação de serviços executados por meio de cessão ou empreitada de mão de obra, visando demonstrar que o Fisco cumpriu, ou não, a legislação de regência na época de ocorrência do fato gerador. Ou caso os autos não possuam os elementos suficientes, entendese eficaz a baixa do processo em diligência para manifestação do Fisco quanto aos argumentos apresentados na peça recursal ou na peça de impugnação, dandose uma chance para que a Recorrente emende a peça inicial (peça de impugnação) e especifique os elementos probatórios que demonstram as suas alegações. Dentro desse contexto da decisão de primeira instância, cumpre esclarecer que tal decisão deve ser pautada dentro princípio da motivação. Esta motivação exige da Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os pressupostos fáticos e Fl. 28430DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 jurídicos, assim como a correlação lógica entre os fatos expostos nos autos e o ato praticado, demonstrando a compatibilidade da conduta com a lei. Enfim, exige um raciocínio lógico entre o motivo, o resultado da decisão e a lei. Assim, não é razoável o exame de várias matérias fáticas na fase recursal, se a Recorrente já tinha manifestado sobre as matérias fáticas nas peças de impugnação, isso permitirá que tais matérias fáticas sejam analisadas pela primeira instância, evitandose violação à garantia da supressão de instância e do cerceamento ao direito da ampla defesa. Esse entendimento acima está em consonância com o art. 50 da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato. Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) Diante disso, entendese que a decisão de primeira instância não está devidamente motivada, eis que lhe faltou examinar as questões fáticas retromencionadas (primeiro a quarto) e sinalizadas na peça de impugnação. Nesse particular não há outra solução a ser dada ao presente processo, anulandose a decisão de primeira instância em decorrência da constatação do cerceamento a garantia da ampla defesa e da supressão de instância evidenciada nos autos. A Recorrente possui o direito de verificação e análise de todos seus argumentos na primeira instância. Não procedendo dessa forma, ocorrerá a supressão de instância do direito de defesa da Recorrente, motivo de nulidade, ainda que se trata de matéria fática exposta somente na peça recursal, desde que seja de forma excepcional e justificada na peça de impugnação, que é o caso dos autos. Da forma como foi prolatada a decisão de primeira instância, o direito do sujeito passivo ao contraditório não foi conferido de forma ampla. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: “A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifesta se mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações”. Ressaltese, também, que há determinação legal para que se verifique o direito dos cidadãos, nos termos do art. 2o da Lei 9.784/1999 e do art. 5o, inciso LV, da Constituição Federal/1988. Lei 9.784/1999: Art. 2o. A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, Fl. 28431DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35601.000217/200718 Acórdão n.º 2402003.976 S2C4T2 Fl. 10 17 proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público;(...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; ......................................................................................................... Constituição Federal/1988: Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (g.n.) Assim, é dever da Administração Pública garantir o direito dos cidadãos contribuintes, especialmente àqueles que se configuram como direitos e deveres individuais e coletivos, previstos na Constituição Federal/1988 como cláusula pétrea. Sobre nulidade, a legislação determina motivos e atos a serem praticados em caso de decretação de nulidade. Decreto 70.235/1972: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 28432DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. (g.n.) Portanto, por ser autoridade julgadora competente para a decretação da nulidade, por estar claro que ocorreu preterição ao direito de defesa da Recorrente, decido pela nulidade da decisão de primeira instância. Em respeito ao § 2º do art. 59 do Decreto 70.235/1972, ressalto que a Receita Federal do Brasil deve cientificar o sujeito passivo dessa decisão, emitir nova decisão, dar ciência de todas as diligências e de seus respectivos resultados (pronunciamentos da fiscalização e do órgão julgador), reabrir prazos e tomar as devidas providências para a continuação do contencioso. Desse modo, para que se possa julgar a procedência ou não do lançamento fiscal, bem como a análise do recurso voluntário interposto, é necessário que seja efetuado o saneamento dos vícios apontados. CONCLUSÃO: Voto no sentido de ANULAR a decisão de primeira instância, para que seja proferida uma nova decisão consubstanciada em motivação fática e jurídica, presentes nos autos, bem como seja oferecido ao sujeito passivo um novo prazo para manifestação. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 28433DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10280.721704/2010-54
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE. CONLUIO.
A configuração de conluio atrai a responsabilidade do contribuinte, beneficiado pela infração cometida, mesmo em relação a ato praticado por terceiro.
Numero da decisão: 1803-002.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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RESPONSABILIDADE. CONLUIO. A configuração de conluio atrai a responsabilidade do contribuinte, beneficiado pela infração cometida, mesmo em relação a ato praticado por terceiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Sergio Luiz Presta e Neudson Cavalcante Albuquerque. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 17 04 /2 01 0- 54 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório BOM SUCESSO COMERCIO E SERVICOS LTDA ME, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belém (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de auto de infração para exigir multa regulamentar aplicada em razão de ter sido considerada não declarada a DCOMP nº 42665.20667.170308.1.3. 04.4930, que extinguiu débitos da empresa autuada. Destacase o fato de a referida DCOMP ter sido apresentada por terceiro, a saber, pela empresa Serasse Comércio e Serviços de Assessoria Empresarial Ltda, CNPJ nº 05.084.926/000126. Para tanto, esta declarou ter incorporado a empresa autuada. Conforme relatado pela autoridade lançadora (fls. 44), não existiria o crédito apontado na DCOMP nem teria acontecido a incorporação lá informada. Segundo esse mesmo relato, teria havido uma tentativa de redução de tributos de forma fraudulenta, conforme se verificaria no "Termo de Depoimento" de fl. 4, em que José Waldemir Apolinário Filho, na condição de administrador e procurador da empresa autuada, declarou que efetuou pagamento em valor equivalente a aproximadamente 50% dos débitos a um senhor de nome Valri, que lhe ofereceu a oportunidade de compensar créditos de uma determinada empresa (não sabe qual) com débitos da Bom Sucesso, alegando ser uma operação legal. Destarte, a multa exigida foi qualificada (150%). O autuado apresentou, em 29/10/2010, a impugnação de fls. 92/106, que foi considerada tempestiva. Nessa sua peça de defesa, o contribuinte, em resumo, alegou que: i) a empresa que deu causa à falsa declaração à RFB foi a Serasse Comércio e Serviços de Assessoria Empresarial Ltda, e não a empresa impugnante; ii) o trabalho fiscal foi feito de forma sorrateira, à sua revelia e ao arrepio da legislação vigente, de forma unilateral, ilegal e inquisitória, sem que o autuado fosse chamado para prestar qualquer esclarecimento a respeito do resultado de tais apurações, violando, assim, o seu direito de defesa; iii) que houve um injustificável equívoco da autoridade fiscal, que simplesmente se valeu de dados elementares fornecidos pela empresa Serasse Comércio e Serviços de Assessoria Empresarial Ltda, relativo à PER/DCOMP supracitada, a qual envolve o impugnante de maneira totalmente injusta e indevida, para configurar o cometimento de uma infração tributária, sem que antes se aprofundasse na investigação de tais documentos; iv) que os valores efetivamente declarados pela SERASSE encontramse devidamente pagos e quitados, conforme fazem prova os comprovantes de pagamento juntados; v) que o impugnante não participou, coadunou ou deu causa às operações irregulares apontadas; Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.721704/201054 Acórdão n.º 1803002.073 S1TE03 Fl. 170 3 A DRJ Belém (PA), por meio do acórdão nº 0124.297, de 27 de fevereiro de 2012 (fls. 139), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2007 EMENTA SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo da obrigação principal dizse contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Ciente da decisão em 27/03/2012, conforme ciência pessoal (fl. 154), o autuado apresentou recurso voluntário em 23/04/2012 (fls. 155/162), em que afirma que a decisão de primeira instância não apreciou as preliminares de nulidade apontadas na impugnação, o que levaria à anulação daquela. Ademais, reitera os argumentos apresentados na inicial. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa, uma vez que a decisão recorrida apreciou todos os argumentos apresentados na inicial, inclusive os argumentos preliminares, embora de forma sucinta, como se constata no parágrafo 10 daquela peça (fl. 147). No que tange ao procedimento fiscal, não há reparos a fazer. Não há evidências nos autos de violação de qualquer dispositivo legal concernente a essa fase pré processual. Nem mesmo o recorrente aponta o dispositivo legal alegadamente violado. Com o advento do auto de infração, o recorrente teve acesso a todas as informações necessárias a sua defesa, não havendo que se falar em cerceamento. O principal argumento de defesa consiste na negativa de autoria. De fato, o documento que materializou a infração, a declaração de compensação nº 42665.20667. 170308.1.3.04.4930, foi transmitida por terceiro. Contudo, tal fato não é suficiente para afastar a responsabilidade do autuado. É indubitável o interesse o autuado na extinção dos créditos tributários em tela, uma vez que ele é o sujeito passivo das relações tributárias correspondentes, nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; A empresa que transmitiu a DCOMP, autodenominada como de “assessoria empresarial”, foi contratada por preposto da empresa recorrente para que fossem extintos os créditos tributários em tela, segundo se apreende da declaração de José Waldemir Apolinário Filho, na condição de administrador e procurador da empresa autuada, conforme registrado no termo de depoimento de fl. 4: 15) O senhor tem conhecimento de que foi emitida declaração de compensação em que constam débitos de sua responsabilidade, compensados com créditos da Empresa SERASSE, sob o fundamento de uma alegada operação de sucessão? R: Não. Declara que o sr. Valri lhe ofereceu a oportunidade de compensar créditos de uma determinada empresa (não sabe qual) com débitos da Bom sucesso, alegando ser uma operação legal. Diz ter pago aproximadamente 50% do valor compensado. Conheceu o Sr. César tempos depois, quando foi por ele procurado informando que o sr. Valri não lhe repassou a totalidade da quantia combinada. 16) Em caso negativo: como o senhor explica o fato de que a sua Declaração de rendimentos SIMPLES contempla débitos que estão na Declaração de Compensação n° 426652067703081. 3.044930. R: Entregou ao Sr. Valri os débitos que queria ver compensados. Não sabendo a maneira como foi feita a compensação de desses valores. Tais fatos demonstram um conluio, em que uma parte deseja extinguir seus créditos tributários pela metade do valor devido e a outra é remunerada pelo exercício de um direito que não possui, seja porque o indébito não existe, seja porque não houve a alegada incorporação de empresas. Assim, fica clara a responsabilidade do contribuinte pela tentativa de extinção irregular de seus créditos tributários, que não ocorreu apenas pela ação diligente do Fisco. Nesse contexto, a posterior extinção dos créditos tributários por meio de pagamento não possui o condão de extinguir a punibilidade do autuado. Uma vez que já estava constatada a infração, o pagamento realizado não configura a espontaneidade prevista no artigo 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10280.721704/201054 Acórdão n.º 1803002.073 S1TE03 Fl. 171 5 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 23/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10925.905083/2012-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 83 /2 01 2- 07 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905083/201207 Acórdão n.º 3801002.865 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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