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Numero do processo: 11176.000272/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-007.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1492; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11176.000272/200707 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202007.018 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ALGODOEIRA AURORA LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 72 /2 00 7- 07 Fl. 456DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.102, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/10/2006, por ter o Contribuinte, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 13, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes a pagamentos de contribuintes individuais, nas competências 01/01/1999 a 31/07/2006 , tendo resultado na aplicação de multa de R$ 598.162,41. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, às fls. 183/199, tendo a 5ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 335/343, julgado o lançamento procedente em parte. A decisão acatou a retificação proposta pela autoridade fiscal alterando a multa para R$ 126.170,53. Embora tenha admitido que houve correção das falhas em relação a aquisição de produção rural de pessoa física, o órgão julgador não admitiu a relevação parcial nesse aspecto. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 346/359. Às fls. 365/381, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202007.018 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. Havendo provas do saneamento das faltas, ainda que parcial, as respectivas multas devem ser ser relevadas. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, às fls. 397/408, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.102, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 435/442, DEU PARCIAL PROVIMENTO, no sentido para que a retroatividade benigna fosse aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Às fls. 444/448, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 453/454 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/10/2006, por ter o Contribuinte, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 13, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes a pagamentos de contribuintes individuais, nas competências 01/01/1999 a 31/07/2006, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 598.162,41. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202007.018 CSRFT2 Fl. 11 5 Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000146/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A não apreciação das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio apresentadas em Impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
Numero da decisão: 3201-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2010 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A não apreciação das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio apresentadas em Impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A não apreciação das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio apresentadas em Impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 01 46 /2 01 0- 24 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 165 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor total de R$ 609.389,01 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora), em decorrência da falta de confissão em DCTF e pagamento de débito apurado na DIPJ/2007, referentes aos períodos de apuração de fevereiro e março de 2006. 2. Cientificada em 12.01.2012 (AR fl. 65), a interessada apresentou, tempestivamente, em 11.02.2010, impugnação na qual apresenta, em síntese, as seguintes alegações: a) Desiste de contestar o lançamento referente ao mês de março, no valor original de R$ 20.877,80, anexando o DARF do pagamento do mesmo (fl. 105); b) Preliminarmente, alega cerceamento de direito de defesa em virtude da autoridade fiscal haver fundamentado o lançamento na Instrução Normativa SRF nº 786, de 2007, que ainda não estava em vigor, implicando na falta de fundamentação do procedimento fiscal; c) No mérito, informa que o débito em questão, que deixou de ser informado na DCTF por equívoco, “foi extinto pelo via da compensação com crédito de IPI 2002, através do competente e hábil PER/DCOMP realizado tempestivamente à época do vencimento do débito”; d) “Desta forma, o Impugnante tendo emitido todos os documentos fiscais relativos às suas operações, registrados os mesmos nos competentes Livros (Registro Saídos e Apuração do IPI) e procedido à compensação do saldo devedor apurado, nada resta mais a fazer em termos de lançamento do tributo.”; e) “Ora, se o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência do autoridade resto patente que houve o regularização da obrigação acessória pela empresa, ora Impugnante, razão pelo qual não há que se falar em lançamento de ofício pelo autor do procedimento. Com este ato, o lançamento restou feito em duplicidade, pelo emissão dos documentos fiscais e apuração no Livro Registro de Apuração do IPI e pelo Auto de Infração.”; f) “De se esclarecer que, mesmo que a Autoridade Fiscal não tivesse intimado a Impugnante a retificar o DCTF também não poderia realizar o lançamento, porque o Débito do IPI estava extinto pela compensação realizada no vencimento do débito e pelos meios legais e apropriados que é a PER/DCOMP”; g) Ao final requer a homologação da compensação que extinguiu o débito e a procedência de seus argumentos. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 166 3 A impugnação não foi conhecida pela decisão de 1ª instância, proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, conforma Acórdão 0126.621, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 IMPUGNAÇÃO A impugnação tempestivamente apresentada deverá trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sem o que não poderá ser conhecida. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, em razão de a IN 736/07 adotada pela fiscalização não estar vigente à época dos fatos; (ii) o Decreto 70.235/72, em seus arts. 10, inc. IV e 11 dispõe que o auto de infração e a notificação de lançamento devem conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (iii) o Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inc. II dispõe que são nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa; (iv) o débito referente à 28/02/2006 foi informado na DIPJ 2006/2007 de acordo com a apuração registrada no Livro de Apuração do IPI e, contudo, por um erro de fato não foi informado na DCTF; (v) tal débito foi extinto pela via da compensação com crédito de IPI 2002, por meio da PER/DCOMP transmitida à época do vencimento do débito; (vi) emitiu todos os documentos fiscais relativos às suas operações, registrandoos nos competentes Livros (Registro de Saídas e Apuração do IPI) e procedeu à compensação do saldo devedor apurado, não tendo nada mais a fazer em termos de lençamento do tributo;DCTF (vii) realizou a retificação da DCTF conforme intimação do Sr. Auditor Fiscal, para regularização de cumprimento de obrigação acessória e não principal; (viii) se o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência da autoridade, resta patente que houve a regularização da obrigação acessória pela recorrente, razão pela qual não há que se falar em lançamento de ofício; (ix) se o Auditor não deveria lançar o débito mas somente intimar a empresa para realizar a retificação da obrigação acessória (DCTF), uma vez que o tributo já estava Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 167 4 lançado e compensado tempestivamente antes de qualquer procedimento de fiscalização (tornando, conseguintemente, extinto o crédito tributário), resta demonstrada a falha na ação fiscal, pelo que o Auto de infração não pode prosperar; (x) que a compensação realizada através do PER/DCOMP (processo nº 13839.001596/200224) restou tacitamente homologada e o crédito tributário consequentemente extinto; (xi) se houvesse qualquer irregularidade na compensação ou no próprio crédito objeto desta, caberia ao Fisco glosar a compensação no prazo de 5 anos contados da data de sua realização, a qual se deu em 15/06/2006, o que não ocorreu; e (xii) na hipótese de manutenção do lançamento, seja reconhecido o crédito do contribuinte, o qual foi objeto da PER/DCOMP nº 31280.51867.150306.1.3.019970. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Assiste parcial razão à empresa recorrente. A Recorrente por ocasião de sua Impugnação apresentou razões que podem influenciar no correto deslinde da questão. Tais matérias não foram apreciadas pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, a qual limitouse em não conhecer da Impugnação. Alegou em Impugnação a Recorrente: (i) o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência da autoridade e resta patente que houve a regularização da obrigação acessória pela empresa, razão pela qual não há que se falar em lançamento de ofício pelo autor do procedimento. Com este ato, o lançamento restou feito em duplicidade, pela emissão dos documentos fiscais e apuração no Livro Registro de Apuração do IPI e pelo Auto de Infração; (ii) mesmo que a Autoridade Fiscal não tivesse intimado a Impugnante a retificar a DCTF. também não poderia realizar o lançamento, porque o Débito do IPI estava extinto pela compensação realizada, no vencimento do débito e pelos meios legais e apropriados que é a PER/DCOMP; e (iii) em termos operacionais e pragmáticos o Receita Federal, através de seu Serviço Competente, deveria simplesmente ter homologado a compensação realizada via PER/DCOMP, haja vista ser o crédito legal, válido e/ou autêntico. Assim procedendo, não haveria necessidade de lançamento de ofício, já que todos os documentos fiscais foram emitidos e regularmente lançados nos livros da escrituração fiscal Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 168 5 Assim, entendo que incorreu em erro a decisão recorrida, ao não ter apreciado tais argumentos, razão pela qual deve ser reformada. Diante das razões expendidas, entendo, ao contrário do que restou consignado na decisão recorrida, que não há que se falar em ausência de Impugnação em relação ao mérito da questão. Sobre a necessidade de se anular decisão de 1ª instância que não conhece da Impugnação, deixando de apreciar alegações proferidas pelo contribuinte, colaciono decisão proferida pelo CARF: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1989, 1990 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. ERRO MATERIAL.INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. Uma vez constatado erro material no fundamento do acórdão da DRJ que entendeu pelo não conhecimento da Impugnação apresentada pelo contribuinte (inexistência de concomitância no caso concreto), deverá ser reconhecida a sua nulidade, determinandose o retorno dos autos àquela instância de julgamento, para que esta aprecie os fundamentos constantes da referida peça de defesa. Recurso Voluntário Provido em parte." (Processo nº 10835.002054/9279; Acórdão nº 3301003.854; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 27/02/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na Impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.973280/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 28 0/ 20 12 -1 2 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/07/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 64.527,49. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 24/05/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.815, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/10/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000476/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.124
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 76 /2 00 9- 19 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.220, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 868DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660307/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 07 /2 01 2- 00 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13312.000614/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES
O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE
Não tendo sido devidamente demonstrada a necessidade da prova pericial, cabe ao julgador, conforme disposto no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, a faculdade da determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN.
O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" Devidamente demonstrado que o responsável, apesar de não constar nos quadros societários da empresa era o sócio de fato, deve também recair sobre esse o ônus da dívida tributária.
Numero da decisão: 1401-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para tão somente reduzir a multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ASSIS DE SOUSA FRUTICULTURA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE Não tendo sido devidamente demonstrada a necessidade da prova pericial, cabe ao julgador, conforme disposto no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, a faculdade da determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 06 14 /2 00 9- 66 Fl. 953DF CARF MF 2 O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" Devidamente demonstrado que o responsável, apesar de não constar nos quadros societários da empresa era o sócio de fato, deve também recair sobre esse o ônus da dívida tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para tão somente reduzir a multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os seguintes autos de infração, todos referentes a tributos incluídos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES Federal: 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Simples, fls. 580/596, no valor total de R$ 261.349,35, incluindo encargos legais; 2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Simples, fls. 597/605, no valor total de R$ 261.349,35, incluindo encargos legais; 3. Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL Simples, fls. 606/614, no valor total de R$ 411.067,27, incluindo encargos legais; Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 954 3 4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples, fls. 615/623, no valor total de R$ 822.134,76, incluindo encargos legais; 5. Contribuição para a Seguridade Social INSS Simples,fls. 627/635,no valor total de R$ 1.720.090,78, incluindo encargos legais. As infrações apurados pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 582/584, foram os seguintes. 01 Omissão de Receitas – Receitas não Escrituradas Omissão de Receitas apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, referente a receitas não escrituradas. Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, e 18 todos da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98 e art. 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/ 99). 02 Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Escriturados/Origem não Comprovada Omissão de Receitas apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, referente a depósitos bancários não escriturados. Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, e 18 todos da Lei nº 9.317/96; Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98 e art. 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/99). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, tendo em vista a não entrega, pelo contribuinte, dos elementos solicitados nos diversos termos de intimação, foi lavrado o Auto de Infração, referente ao anocalendário de 2005, utilizando como Rendimentos Apurados os valores extraídos das fontes discriminadas nos quadros demonstrativos abaixo: Fl. 955DF CARF MF 4 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 955 5 Fontes: Coluna 1 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela Fabrica 1 da empresa Iracema, doc. de fls. 26 às fls. 54. Coluna 2 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela Fabrica 2 da empresa Iracema, doc. de fls. 55 às fls. 157. Coluna 3 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela empresa Resibras, doc. de fls. 524 às fls. 530. Coluna 4: Notas Fiscais emitidas pela empresa Usibras e entregues pelo contribuinte, doc. de fls. 258 às fls 268. Coluna 5 : Omissão de receitas não escrituradas, resultado do somatório das colunas 1, 2, 3, e 4. Coluna 6 : Valores extraídos dos extratos bancários os quais estão discriminados na planilha de fls. 510 às fls. 516, encaminhadas ao contribuinte através do Termo de Intimação de fls. 509. Coluna 7: Diferenças positiva Apuradas, resultado dos valores da coluna Total Geral Depósitos/Créditos, deduzidos dos valores constantes das Colunas Total Geral Notas Fiscais, os quais estamos considerando como omissão de receita, cuja origem dos Fl. 957DF CARF MF 6 recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea. Observações: 1(*) Detalhamentos do somatório das notas fiscais emitidas e entregues pela RESIBRAS . 2 (**) Detalhamentos do somatório das notas fiscais emitidas pela USIBRAS e entregues pelo contribuinte. 3 O somatório, mês a mês, das notas fiscais de entrada emitidas pela empresa IRACEMA encontra na planilha de fls. 554 às fls. 555. 4 A Declaração Simplificada da Pessoa JurídicaSIMPLES, referente ao ano calendário de 2005, PJSI 2006SIMPLES, encontrase das fls. 444 a fls. 461. Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 646/648, em nome de João Ângelo Jovino. Inconformados com as autuações acima descritas, tanto a empresa autuada quanto o Sr. João Ângelo Jovino, cientificados em 07/08/2009, fls. 643 e 649, respectivamente, apresentaram impugnações, nos seguintes termos. Impugnação apresentada pela autuada, fls. 773/777: 2. Da Nulidade do lançamento Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 956 7 A Impugnante é empresa que se dedica a atividade rural de produção de castanha de caju. Não omitiu receitas à tributação. Ao contrário, todos os seus tributos foram regularmente apurados e declarados ao fisco, através da modalidade do lucro presumido, conforme os documentos acostados em momento de fiscalização. O lançamento aqui atacado desconsiderou essa realidade, limitandose o fiscal a exigir a prova do registro de algumas notas fiscais e da origem dos depósitos bancários. O valor da receita declarada pela Impugnante inclui todas as suas vendas, inclusive aquelas referidas nas notas fiscais indicadas no auto de infração. Os depósitos bancários, por sua vez, têm como origem essas mesmas vendas. Tudo isso foi informado e demonstrado ao fiscal. A lei não autoriza o procedimento adotado nesta ação fiscal, baseada em uma esdrúxula presunção, sem qualquer apoio na realidade. Notese, ainda, que o agente fiscal considerou os depósitos bancários justificados pela receita que decorreria das notas fiscais quando o valor de tais notas era maior que os depósitos, mas deixou de considerar essa diferença de valor a maior, que deveria ficar acumulada para o mês seguinte. Na verdade, a Impugnante opera com dificuldade no interior de um dos estados mais pobres do País. Precisa utilizar dinheiro em espécie. Por isso, boa parte desses depósitos decorre dos mesmos valores antes sacados que apenas voltaram a ser depositados em banco. Além disso, se fosse o caso de se desconsiderar os valores dos tributos regularmente apurados e declarados pela Impugnante — que não é — a cobrança em causa deveria ter por base o lucro presumido. Se não pudesse ser utilizado o lucro presumido, seria o caso do arbitramento do lucro. Não é possível é a aplicação da modalidade de tributação pelo SIMPLES. De fato, a Impugnante não fez a opção pelo SIMPLES. Mesmo se existisse tal opção — que não existe — teria a Impugnante perdido o direito a essa modalidade de tributação, por três razões: (1) não pagou os valores relativos ao SIMPLES; (2) está sofrendo a imputação de uma irregularidade que seria a omissão de receitas; e (3) o valor de R$ 9.385.295,58, que foi o considerado como receita omitida, é bem superior ao limite anual exigido por lei para a tributação pelo SIMPLES. Nada justifica a aplicação da sistemática do SIMPLES ao caso de que se cuida, pelo que resta demonstrada a completa insubsistência da presente ação fiscal. Da indevida multa de 225% Vale ressaltar, ainda, que os fiscais autuantes — incansáveis —aplicaram contra a Impugnante a descabida multa agravada de 225%. No Termo de Verificação Fiscal, todavia, há apenas a alegativa vazia de que a fraude estaria devidamente comprovada e que o contribuinte não teria atendido intimações fiscais. Fl. 959DF CARF MF 8 O fiscal autuante não comprovou o evidente intuito de fraude, o que é indispensável para a elevação da multa para 150%. E não o fez porque a Impugnante não cometeu fraude alguma. A Impugnante muito menos deixou de atender às solicitações feitas pelo agente fiscal. Ao contrário, o recebeu com toda atenção em seu estabelecimento e respondeu por escrito a todas as suas solicitações. Sem razão, também, o agravamento da multa para 225%. Tudo não passa de um grave equívoco cometido pelo agente fiscal, que agiu com precipitação e açodamento. Para que se faça tal aumento da multa, é necessário que o agente fiscal explicite com clareza e objetividade os motivos que o levaram a tal conclusão, assim apresente as provas do chamado evidente intuito de fraude. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dos pedidos Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos e perícias, o que é desde logo requerido. Face ao exposto, pede que se acolha as razões de defesa, para julgar Improcedente toda ação fiscal de que se cuida, inclusive da multa de 225%, determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo. Impugnação apresentada pelo Sr. João Ângelo Jovino, fls. 838/843: Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O art. 124, inciso I, do Código Tribunal Nacional, todavia, não se aplica ao caso porque o ora impugnante não tem interesse comum com a pessoa jurídica autuada. Conforme ensina o jurista Hugo de Brito Machado "o interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico”. Os fatos apresentados pelos fiscais, contudo, em nenhum momento, demonstram a existência de interesse jurídico comum entre a pessoa jurídica ASSIS DE SOUSA FRUTICULTURA e o ora impugnante. Não foi demonstrado exatamente porque não existe. Na verdade, o que aconteceu, e é muito comum em toda a sociedade, foi tão somente uma colaboração de filho para pai. Diante do inicio da fiscalização, o impugnante a pedido de seu pai se propôs a acompanhar os trabalhos. Com isso, passou a receber os agentes fiscais, assim como assinar os termos de fiscalização. Apenas isso. Vale ressaltar que o impugnante não faz parte dos quadros da empresa, nem possui sequer procuração para representála perante o fisco, para gerir as atividades comerciais ou mesmo para tomar qualquer decisão de gerência. O Impugnante possui tão somente procuração para movimentar a conta bancária existente no Banco do Brasil S/A. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 957 9 A simples condição de filho não é suficiente para ensejar a qualificação de responsabilidade solidária. Caso contrário, todos os filhos de pessoas que compõe sociedades empresárias ou de empresários seriam obrigatoriamente responsáveis solidários. Isso seria absurdo. Ainda assim, mesmo que o impugnante tivesse essa responsabilidade solidária, jamais poderia ser responsabilizado pelas multas decorrentes de atos que teriam sido praticados pela empresa. A responsabilidade pela infração é pessoal do infrator e não se estende a terceiros. Por fim, pede pela oportunidade de utilizar todo e qualquer meio de prova em direito admitido na defesa do seu direito, tais como anexar documentos, realizara perícia e a ouvida de testemunhas. Como não existe fundamento para a imputação de responsabilidade solidária ao aqui impugnante, pede e espera seja desconsiderado e tornado sem efeito o termo de sujeição passiva solidária aqui impugnando. Em 22 de dezembro de 2009, foi solicitado pela defesa a juntada aos autos do Ato Declaratório Executivo DRFB/SOB n.° 10, de 25 de novembro de 2009 que exclui a Autuada do SIMPLES, a partir do período de janeiro de 2006, pelo fato de não preencher os requisitos necessários, no ano de 2005. Na oportunidade, afirma que a própria Secretaria da Receita Federal já teria se manifestado no sentido de que a Autuada não poderia estar incluída no SIMPLES, exatamente porque no ano de 2005 — mesmo período da autuação de que se cuida — não detinha os requisitos necessários de adesão. Diante disso, a Autuada insiste na total improcedência do presente lançamento fiscal, uma vez que teria considerado, equivocadamente, para efeitos de arbitramento, sujeita ao cálculo dos tributos pelo regime do SIMPLES. Quando do julgamento dos recursos da empresa e do solidário, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Fl. 961DF CARF MF 10 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO: Tomase como não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 SOLIDARIEDADE. SÓCIO DE FATO Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, são solidariamente obrigadas, revestindose, no caso do inciso I do dispositivo legal, da condição de contribuinte; assim, uma vez constatado que pessoa não integrante do quadro societário é sócio de fato da pessoa jurídica, recai sobre ele a condição de devedor solidário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2005 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. No caso de apuração de excesso de receita bruta, os efeitos da exclusão do Simples Federal darseão a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Interpostos recursos pela Contribuinte e pelo solidário nos seguintes termos: Do Recurso da Contribuinte Alega em síntese: Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 958 11 Erro de lançamento pois não deveria ter sido feito na sistemática do SIMPLES. Que a exclusão do simples deveria ter ocorrido no mês subsequente aos referidos fatos. Que a sujeição passiva solidária de João Ângelo Jovino deveria fazer a empresa ser excluída do SIMPLES. Que a opção de tributação da recorrente foi pelo presumido. Que a diferença das Notas Fiscais (a menor) para o valor dos depósitos (a maior) deveria ser considerada, devendo a receita omitida ser reduzida em R$980.000,00. Que a multa, apesar de ter sido reduzida pela DRJ de 225% para 112,5%, não se justificaria mesmo assim. Do Recurso do Solidário Aduz o solidário que houve cerceamento de defesa pois foi indeferida a produção de provas, que não há qualquer relação pessoal e direta com o inadimplemento da obrigação tributária, devendo, portanto ser afasta a solidariedade. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade do recurso dele conheço. A infração apurada pelo Fisco foi omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, regularmente intimada, não logrou comprovar (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), no ano calendário de 2005. Desconhecidas as receitas, em face da não apresentação, no curso da fiscalização, de escrituração contábil completa ou de Livro Caixa, nos termos exigidos para os optantes pelo SIMPLES, foram requisitadas as informações às suas clientes (Companhia Brasileira de ResinasRESIBRAS e Iracema Industria e Comércio de Castanha de Caju) informações sobre as transações com a empresa fiscalizada. Foi emitida solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) para os Bancos Bradesco S/A e do Brasil S/A. Novamente foi lavrado termo de intimação à Contribuinte para que justificasse as movimentações financeiras nas contas correntes de sua titularidade. Foi aplicada ainda, multa de 225%, reduzida posteriormente para 112,5%, por falta de atendimento às intimações. Ciente desses fatos, passamos a análise dos Recursos: Fl. 963DF CARF MF 12 Do Recurso da Recorrente Quanto ao alegado erro de lançamento, não resta qualquer razão à recorrente. O que ocorreu no caso dos autos é que a empresa era desde sempre, optante pelo SIMPLES. Nesse sentido, encontrase juntado aos autos o comprovante de que a recorrente entregou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, relativa ao ano calendário de 2005, às fls. 455/472. Assim, não há o que se discutir sobre a tributação pelo lucro presumido e o não enquadramento da recorrente ao SIMPLES. Por outro lado, argumenta a recorrente que deveria ter sido excluída do SIMPLES, se a ele tivesse optado, no mês seguinte aos fatos alegados. Contudo, novamente olvida a recorrente que a sua exclusão do SIMPLES deuse posteriormente à lavratura do auto de infração e que o motivo de sua exclusão é ter ultrapassado no ano de 2005, o limite de receita dos optantes pelo SIMPLES. O Ato Declaratório de Exclusão juntado aos autos pela recorrente, somente comprova que agiu corretamente a fiscalização não tendo qualquer sentido as suas alegações. De acordo com o Despacho Decisório da DRF/Sobral, referido ato declaratório foi motivado pela constatação de que no decorrer do ano calendário de 2005 a receita bruta da empresa foi de R$ 9.385.295,58 (nove milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e oito centavos), excedendo ao limite estabelecido para opção no SIMPLES (R$ 2.400.000,00). Portanto, o lançamento das omissões de receitas apuradas durante o ano calendário de 2005 deveria ter sido realizado na forma de tributação adotada naquele ano pela empresa, no caso o Simples Federal. Nesse sentido, desarrazoados os argumentos da defesa nesse aspecto devendo ser mantida a tributação da empresa pelo regime por ela escolhido no ano, que é o SIMPLES federal. Argumenta ainda a recorrente, que deveriam ter sido considerados os valores das notas fiscais para a base de cálculo das receitas omitidas e não os depósitos bancários, o que diminuiria a base de cálculo da autuação em R$980.000,00. Entretanto, cumpre ressaltar que a fiscalização utilizouse para a presunção de receita omitidas, do art. 42 da Lei 9.430/96: Lei n. 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 959 13 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário,não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art: 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997). O dispositivo acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas/rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Dessa forma, cabe ao contribuinte que pretender refutar a presunção da omissão de receitas estabelecida contra ele, provar, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores são provenientes de valores não tributáveis. É função do fisco comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, intimar o contribuinte a justificar a origem desse crédito e examinar a correspondente declaração de informações econômicofiscais, com vistas à verificação da ocorrência da omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A contribuinte foi regularmente intimada a apresentar as justificativas quanto aos depósitos/créditos, devidamente individualizados, entretanto não logrando fazêlo. Assim, não merece qualquer reparo a autuação nesse aspecto. Com relação à aplicação da multa aplicada a DRJ reduziua à razão de 112,5%, contudo, não parece assistir razão ao voto da maioria. Na própria decisão, existe declaração de voto, com a qual coaduno e transcrevo abaixo para reduzir o percentual da multa à razão de 75%: Com a devida vênia, apresentase em seguida discordância com relação ao voto do ilustre relator, exclusivamente quanto à manutenção do agravamento da multa de ofício. Fl. 965DF CARF MF 14 A discordância reside no fato de não restar comprovada nos autos a motivação indicada pela fiscalização para o referido agravamento. No Termo de Verificação Fiscal, observase às fls. 639, que o fundamento para agravar a penalidade foi descrito da seguinte forma: O percentual de 150% foi agravado para 225%, de acordo com o § 2° do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, pelo fato de o contribuinte não ter atendido a diversas intimações para apresentação do Livro Caixa. [o grifo não consta do original]. A autoridade fazendária também registrou no mencionado Termo de Verificação Fiscal (fls. 636/641), as seguintes informações sobre o comportamento adotado pela autuada diante das intimações recebidas no curso da ação fiscal: 3 Em 18/09/2008 foi postado na agência dos Correios de Sobral, com Aviso de Recebimento (AR), o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal. A ciência do termo ocorreu em 18/09/2008, conforme depreendese do AR, doc. de fls. 05. Através do Termo de Início do Procedimento Fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, os Livros contábeis e Fiscais, bem como os Extratos Bancários de sua contacorrente e Informação sobre transferência de recursos para/do exterior. [...] 8 Em 16/10/2008 o contribuinte através do arrazoado, doc. de fls. 158, entregou os seguintes documentos: i) Extratos bancários do Banco do Brasil, agência 2273X, conta corrente 5.0083, doc. de fls. 159 às fls. 255. ii) Cópias de duas Transferências Eletrônicas Disponíveis – TED SIR "C", doc. de fls. 256 às fls. 257. iii) Onze cópias das Notas Fiscais, da Usina Brasileira de Óleos e Castanhas Ltda Usibras, cujo remetente é João Ângelo Jovino CPF23.116.617368 doc. de fls. 258 às fls. 268. iv) Cento e sessenta e uma Notas Fiscais da Resibras doc. de fls. 269 às fls. 431. Vale ressaltar que entra as notas fiscais entregues pelo contribuinte doc. de fls. 269 às fls. 431 há várias notas fiscais referentes anocalendário de 2004. v) Os outros documentos entregues estão às fls. 432 às fls. 461. [...] 10 Em 12/02/2009 foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, doc. de fls. 470, através do qual REINTIMAMOS o contribuinte a apresentar Livros Contábeis e Fiscais, bem como o Contrato/Estatuto Social e suas alterações. 11 Em 09/03/2009 foi entregue o arrazoado, doc. de fls. 471, através do qual o contribuinte declara que: "... De acordo com o Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 960 15 solicitado, já foram entregues Extratos da Conta Corrente Bancária em nome da Empresa em comento, Cópia das Notas Fiscais de venda de Castanha de Caju, Recibos da Declaração de ITR, das propriedades em nome do Titular, Copia da Declaração de Firma Individual, com registro na Junta Comercial do Ceará, documentos estes que tenho e que posso apresentar. [o grifo não consta do original] [...] 14 Em 24/03/2009 foi lavrado o Termo de Intimação, doc. de fls. 509 às fls. 516, através do qual INTIMAMOS o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente, conforme relação anexa. A ciência do termo ocorreu em 30/03/2009, conforme depreendese do AR, doc. de fls. 517. 15 Em 16/04/2009 foi entregue o arrazoado, doc. de fls. 518 às fls. 519, através do qual o contribuinte, dentre outras informações, declara que: "... De acordo com o solicitado, já foram entregues Estratos da Conta Corrente Bancária em nome da Empresa em comento, Cópia das Notas Fiscais de venda de Castanha de Caju, Recibos da Declaração de ITR, das propriedades em nome do Titular, Cópia da Declaração de Firma Individual, com registro na Junta Comercial do Ceará, documentos estes que tenho e que posso apresentar." [...] Vale ressaltar que o contribuinte foi informado através do Termo de Intimação,lavrado em 24/03/2009, que: "A não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará lançamento de oficio, a título de omissão de receita ou rendimento, nos termos do artigo 849, do Regulamento do imposto de Renda RIR/ 99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem." 1ª intimação: ciência em 18.9.2008, resposta em 16.10.2008; 2ª intimação: ciência em 12.2.2010, resposta em 9.3.2009; 3ª intimação: ciência em 30.3.2009, resposta em 16.4.2009), o contribuinte atendeu a todas as intimações recebidas, explicando que havia apresentado os documentos que tenho e que posso apresentar. Na resposta apresentada em 9.3.2009 (fls. 471, renumerada no eprocesso para fls. 488), a autuada foi explícita ao afirmar que não escriturava o livro caixa, como se vê no trecho a seguir copiado daquele documento: Salientase, nesse sentido, estar formulando o presente requerimento para justificar que como trabalho exclusivamente com produtos primários não tive o cuidado de preencher livro caixa, nem tão pouco, registros de entradas e saídas de produtos, desde que todo o nosso produto, tratase, na maioria de produção própria, vendido diretamente para indústria que emite Notas Fl. 967DF CARF MF 16 Fiscais de todo o produto entregue na mesma e como tal recolhido seus devidos impostos, como prova o calhamaço de Notas Fiscais entregue a esta Culta Auditoria. Assim, apesar de não ter apresentado o livro caixa, a recorrente cientificou à autoridade fazendária que estava impedida de fazê lo,posto que não o havia escriturado. Concluise, portanto, que não ficou comprovado nos autos o motivo referenciado pela fiscalização para agravar a penalidade. Outrossim, podese dizer que não foi criado obstáculo proposital suficiente para justificar a exasperação da penalidade, considerando que as intimações formuladas pelo fisco foram atendidas, sem se configurar atraso significativo na entrega dos documentos possuídos pela fiscalizada. Há de se ressaltar ainda que a deficiência das respostas não trouxe prejuízo à ação fiscal, nem exigiu maior aprofundamento nas investigações. Pelo contrário, o crédito tributário foi lançado exatamente por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o que por si só enseja a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Nessas circunstâncias, o mero atraso – sem maior repercussão – no atendimento às intimações feitas pelo fisco também não justificaria o agravamento da penalidade. Em situações análogas, as Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm decidido pela impossibilidade de agravar a multa de ofício, como se pode ver nas ementas dos julgados seguintes: DRJ – Salvador ACÓRDÃO Nº 1520147 de 29 de Julho de 2009 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA AGRAVADA. Incabível a imposição de multa agravada no percentual de 112,5% quando os documentos disponibilizados pelo contribuinte permitiram à fiscalização apurar o montante devido e as diferenças exigidas de ofício. DRJ – Campinas ACÓRDÃO Nº 0532754 de 22 de Fevereiro de 2011 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: [...] Multa Agravada. Embaraço. Não Cabimento. A despeito das reiteradas omissões verificadas no atendimento às intimações fiscais, nas poucas oportunidades nas quais a contribuinte se propôs a atender ao Fisco os documentos apresentados revelaramse, justamente, como os elementos fundamentais para a apuração da omissão de receita, não se Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 961 17 vislumbrando, portanto, embaraço à fiscalização a justificar o agravamento da penalidade. [...] Esse entendimento também está corroborado por decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que se vê nas decisões transcritas a seguir: Acórdão 2102000.886 Sessão de 24.9.2010 [...]OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. [...] ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA AGRAVADA.O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. [...] Acórdão 130100.270 Sessão de 29.1.2010 MULTA AGRAVADA FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. [...] Acórdão 10196803 Sessão de 25.6.2008 DESATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAL DE MULTA EX OFFICIO. O agravamento dos percentuais de multa ex officio por desatendimento à intimação para prestar informações, de que trata o § 2º do art. 44 da Lei 9.430/96, pressupõe a caracterização da recusa ou do descaso da fiscalizada em relação às intimações da autoridade fiscal. Descabido o agravamento no caso de falta de apresentação de documentos que a fiscalizada não dispunha. [...] Nessa linha de raciocínio, entendese que deve ser afastado o agravamento da penalidade, prevalecendo a multa de ofício no patamar básico de 75%, de acordo com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que o contribuinte atendeu a todas as intimações e que a deficiência das respostas não impediu o prosseguimento da fiscalização, a qual foi concluída com base nas informações colhidas no curso da auditoria. Fl. 969DF CARF MF 18 É incontestável que a fiscalização recebeu e analisou todos os documentos e informações solicitados à Recorrente. Os documentos que não foram entregues à fiscalização, conforme confessado pela própria contribuinte, não existiam. Nesse sentido, não houve qualquer prejuízo à atividade fiscalizatória. A aplicação da multa de ofício agravada decorre da expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por não atendimento pelo sujeito passivo à intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou documentos. Ou seja, nos casos de intimação do contribuinte e este, de forma desidiosa não preste os esclarecimentos ou não traga os documentos solicitados, de forma à prejudicar o andamento da fiscalização e a atividade da Autoridade Administrativa, é facultado à autoridade fiscalizadora a aplicação da multa agravada. Contudo, não foi isso que ocorreu no caso em apreço. Não é demais lembrar que a multa agravada é medida extremada que deve ser aplicada com cautela, somente quando o contribuinte causar embaraços ou dificuldades à Fiscalização. Nesse sentido, voto pela redução da multa à razão de 75%. Do recurso do solidário Alega o solidário que lhe foi negada a produção de prova e que não teve qualquer vinculação com os fatos geradores dos tributos inadimplidos. Com relação à prova requerida, não trouxe aos autos o recorrente, qual prova pretendia produzir, tampouco o que restaria comprovado. Assim, não tendo qualquer fundamentação lógica seu pedido, não cabe qualquer cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova. Com relação à solidariedade do recorrente, cumpre ressaltar que esse caso se difere da maioria dos demais casos com relação à solidariedade prevista no art. 124, I do CTN. Isso porque não se está a frente de uma fraude onde o sócio pretende se esconder atrás de uma interposta pessoa qualquer para que seu patrimônio não seja atingido. Estamos aqui vislumbrado uma situação em que o real proprietário da empresa, apesar de presente naquele local, conforme exposto pelo próprio fiscal, não parecia gerir seus negócios, isso porque o solidário aqui indicado, seu filho era quem tomava a frente das decisões. Isso foi constatado in loco e não logrou êxito o solidário em demonstrar que seu pai, de acordo com o fiscal, um senhor de aparente 80 anos, ainda geria a empresa. A solidariedade da interposta pessoa é quase um ato natural e corriqueiro que acontece em quase todas as famílias quando da idade avançada dos pais, quem tomava conta era seu filho, que além de ter procuração para a movimentação das contas, era quem dava ordens, segundo o fiscal. Pois bem, quanto ao artigo 124, I, tratase de solidariedade que pode atingir seja o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) seja o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 962 19 Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. O que restou demonstrado nos autos foi que a sociedade era gerida/administrada pelo solidário é que se houve qualquer sonegação/omissão de receitas, esse era o responsável, pois estava a frente dos negócios da recorrida. Ou seja, apesar de não contar o Sr. João Ângelo Jovino nos quadros societários da empresa de seu pai, esse se apresentava como se o acionista fosse da recorrida. Para bem dizer, apesar de não ser o solidário o acionista de direito, esse o era de fato. Sendo certo que o art. 124, I propicia a responsabilidade de solidária daqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, não há como negar a solidariedade do sujeito passivo, pois apesar de não constar o solidário como sócio da empresa, era esse que se apresentava como se acionista da recorrente fosse, devendo recair sobre ele também o ônus da dívida tributária. Conclusão Pelo acima exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para reduzir a multa aplicada para 75%, mantenho em todo a autuação quanto ao crédito tributário aplicando se para as exigências reflexas o que foi decidido em relação a matriz, bem como a manutenção da solidariedade do Sr. João Ângelo Jovino pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 971DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720075/2007-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 75 /2 00 7- 73 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.123, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005731/2002-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).
Numero da decisão: 1301-001.134
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias).
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Voluntário apresentado após o transcurso do prazo assinalado no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (30 dias). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestividade, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 57 31 /2 00 2- 09 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Verificase pela análise do presente processo administrativo que a Recorrente formalizou em 17/12/2002 e 12/05/2003, duas DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, pretendendo liquidar débitos de PIS e COFINS, mediante aproveitamento de aludidos saldos negativos de IRPJ, no valor total de R$ 132.817,57, e de CSLL, no valor total de R$ 110.680,22, referentes aos anoscalendário de 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001 (fls. 01/02 e 13/14). Depreendese ainda, que o procedimento do contribuinte foi submetido a exame do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Vitória — ES, que manifestou suas conclusões no Parecer SEORT n° 1822, de 01/12/2004, encartado às folhas 85 e 86, sendo oportuna sua transcrição, verbis: (...) INSTRUÇÃO A empresa acima qualificada solicita restituição de saldos negativos do IRPJ, no valor de R$ 132.817,57, e da CSLL, no valor de R$ 110.680,22, perfazendo o total de R$ 243.497,79, referentes aos anoscalendário de 1997 a 2001, conforme pedido de fl. 02 e demonstrativos de fls. 15 a 18. O contribuinte solicita também compensação, conforme pedidos de fls. 01 e 13, com os débitos do PIS (códigos 8109 e 6192) e da COFINS (código 2172). ANÁLISE Preliminarmente cabe analisar as alegações do contribuinte, com base nos documentos apresentados, na legislação em vigor e nos Sistemas da SRF. A empresa, atualmente, encontrase na situação de Ativa Não Regular, de acordo com pesquisa no Sistema CNPJ (fl. 23). Analisando as declarações de rendimentos referentes aos anos calendário de 1997 a 2001, observase que em 1997 (fls. 25/verso e 32), 1999 (fls. 50 e 54) e 2001 (fls. 72 e 75) o saldo de IRPJ e CSLL a pagar foi de R$ 0,00, ou seja, não houve saldo negativo. Portanto, analisaremos as declarações referentes aos anoscalendário de 1998 (fls. 38 e 42) e 2001 (fls. 59 e 62), tendo em vista que nestes períodos ocorreram saldos negativos do IRPJ (1998 e 2000) e da CSLL (2000). No anocalendário de 1998, o contribuinte declarou na Ficha 13— Cálculo do IR Sobre o Lucro Real (fl. 38) o valor de R$ 7.567,36 de IRRF por órgão público, gerando um saldo negativo do IR a pagar no mesmo valor; e na Ficha 30 — Cálculo da CSLL Sobre o Lucro Liquido (fl. 42), o contribuinte declarou os valores de R$ 0,00 de CSLL retida na fonte por órgão público e de CSLL a pagar. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 3 3 No anocalendário de 2000, o contribuinte declarou na Ficha 12A — Cálculo do IR Sobre o Lucro Real (fl. 59) os valores de R$ 125.733,85 de IRRF e R$ 111.637,57 de IRRF por órgão público, gerando um saldo negativo do IR a pagar no valor de R$ 237.371,42; e na Ficha 17— Cálculo da CSLL Sobre o Lucro Liquido (fl. 62), o contribuinte declarou o valor de R$ 93.030,39 de CSLL retida na fonte por órgão público, gerando um saldo negativo de CSLL apagar no mesmo valor. Tendo em vista que os saldos negativos declarados nos anos calendário de 1998 e 2000 foram apurados a partir de IR e CSLL retidos na fonte, efetuamos pesquisa nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 43 e 63) e constatamos que foram retidos os valores de R$ 30.584,75 (1998) e R$ 48.372,45 (2000) através do código 6147— Produtos — Retenção Em Pagamento Por órgão Público. O artigo 64 (caput) da Lei n° 9.430, de 27/12/9619, dispõe que: [Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. De acordo com a Instrução Normativa SRF/STN/SFC n° 04, de 18/08/97, a retenção será efetuada mediante a aplicação, sobre o valor que tiver sendo pago, do percentual constante na coluna 06 da tabela de fl. 79, que corresponde à soma das alíquotas do imposto de renda e das contribuições. Portanto, a parcela do IRRF corresponde aos valores de R$ 6.273,79 (1998) e R$ 9.922,55 (2000), e da CSLL retida na fonte os valores de R$ 5.228,16 (1998) e de R$ 8.268,79 (2000), conforme planilha de fl. 80. Do exposto, concluímos que o contribuinte teria o direito à restituição do seguinte valor, que geraria saldo negativo de IR e CSLL, referente aos anoscalendário de 1998 e 2000. (....) Os débitos constantes nos pedidos de fls. 01 e 13 estão cadastrados no PROFISC (fls. 76 a 78). Diante do exposto acima, proponho a restituição do valor de R$ 29.693,92 que corresponderia ao saldo negativo do IR e da CSLL referente aos anoscalendário de 1998 e 2000. (...) Temse, portanto, que os fundamentos do referido parecer foram acolhidos pela Delegada da Receita Federal em Vitória — ES, que proferiu, então, despacho decisório, em 23/12/2004, deferindo parcialmente o pleito do contribuinte (fl. 87). Com o fim de notificarse a Recorrente acerca do conteúdo da referida decisão, foi encaminhada a pertinente cópia pelos Correios, tendo a correspondência em Fl. 695DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 4 questão sido devolvida, em 12/01/2005, com a informação de que o destinatário "mudouse" (fls. 84). Frustrada a ciência por via postal, o órgão preparador procedeu à intimação do contribuinte por edital, afixado na repartição fazendária em 03/03/2005 (fls. 89) e não tendo havido qualquer manifestação de inconformidade, por parte da Interessada, a unidade de origem deu início à cobrança dos débitos não compensados, encaminhando nova intimação ao contribuinte, por via postal (fls. 150). Desta vez, ao contrário do que sucedera anteriormente, a correspondência foi recebida sem nenhum problema, no domicílio tributário da empresa, em 11/10/2007 (AR, à fl. 151). Inconformada com a decisão que lhe foi desfavorável, a Interessada protocolizou, em 13/11/2007, Manifestação de Inconformidade (fls. 166/178 e docs. fls. 179/196), alegando em síntese que muito embora o Despacho Decisório tenha sido proferido em 23/12/2004, somente tomou conhecimento em 11/10/2007. Seguiu arrazoando que a cobrança de qualquer saldo devedor, nesta fase do processo, é ilegítima porquanto os débitos encontramse com sua exigibilidade suspensa (art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003), aduzindo que ao realizar procedimento interno de auditoria, observou que o IRPJ e a CSLL retidos na fonte, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem — DNER (fls. 204/218), não foram contabilizados nas épocas devidas (cfr. Razão das contas "IRRF s/ Obras a Compensar" e "Contribuição Social Retida a Recuperar", fls. 220/225). Afirmou ainda, que uma vez que o erro só foi percebido no anocalendário de 2000, os valores retidos na fonte pelo DNER em 1997, 1998 e 1999 foram consolidados e atualizados até 31/12/2000, passando a compor os saldos credores de IRPJ e de CSLL informados na DIPJ/2001, afirmando que o direito à utilização dos saldos credores apurados nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999 já foi reconhecido, inclusive, pelo Comitê Gestor do Programa de Recuperação Fiscal — REFIS, conforme decisão encaminhada através da Intimação CG/SER n° 358P, de 05/10/2007 (doc. fls. 227/232), razão pela qual não haveria falar na imposição de qualquer multa. A 4ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 248 a 256, indeferiu a solicitação da contribuinte, fundamentando de início, para os fins de admitirse a Manifestação de Inconformidade como tempestiva, que a utilização da intimação por edital, no caso concreto, teria sido precipitada, reconhecendo que a Recorrente só veio a tomar ciência da decisão que lhe foi desfavorável em 11/10/2007 (fl. 151). Superada a questão da tempestividade, seguiu a decisão recorrida dando conta do mérito envolvido no alegado direito creditório, assentando para tanto que a controvérsia circunscrevese aos valores de imposto de renda e de contribuição social sobre o lucro líquido retidos na fonte pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER, nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. Relembrouse que a recorrente afirma que os referidos valores não foram contabilizados nas épocas oportunas, mas que, tão logo o engano foi detectado, no ano de 2000, procedeu aos lançamentos contábeis de regularização e, como consequência, os valores retidos na fonte foram consolidados e devidamente atualizados até 31/12/2000, vindo, afinal, a compor os saldos credores de IRPJ e CSLL informados na DIPJ/2001. Diante deste cenário, assentou a decisão recorrida que as pessoas jurídicas beneficiárias de pagamentos efetuados por autarquias federais — caso do extinto DNER —, em Fl. 696DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 4 5 razão de fornecimento de bens ou de prestação de serviços, têm direito a compensar as importâncias retidas na fonte, a título de imposto de renda e contribuições sociais, com os valores devidos em relação ao imposto ou à contribuição de mesma espécie (art. 64, caput, e §§ 3° e 4°, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996), registrandose que no caso específico das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual, a legislação autoriza deduzir, do IRPJ e da CSLL devidos ao fim do anocalendário, os valores retidos na fonte, a título de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, quando vinculados a receitas computadas na determinação do resultado do período (art. 2°, § 4°, inciso III, c/c art. 28 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996). Concluiuse assim, que ao contribuinte não é dado escolher o período em que deseja compensar os valores retidos na fonte. A compensação só poderá ser feita no período em que as receitas correspondentes tenham sido oferecidas à tributação, de acordo com o regime de competência imposto pela legislação comercial e fiscal (art. 7°, caput e § 4°, e art. 67, inciso XI, do Decretolei n° 1.598, de 26/12/1977; art. 187, § 1°, alínea "a", da Lei n° 6.404, de 15/12/1976), porquanto, no entender da decisão recorrida, se as receitas decorrentes dos serviços prestados ao DNER foram tributadas nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999, a compensação dos correspondentes valores retidos na fonte, a título de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro, só poderia ter sido feita naqueles períodos de apuração, e nunca no anocalendário de 2000. A Recorrente foi cientificada do julgamento da DRJ/RJOII(RJ) em 01 de fevereiro de 2010, conforme "AR" de fl. 262 e interpôs Recurso Voluntário, às fls. 273/279, em 09 de março de 2010, reiterando os argumentos e pugnando por provimento. É o relatório. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Sem embargo às considerações da Recorrente, ao menos quanto ao mérito destas, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido, porquanto apresentado intempestivamente. Com efeito, assim entabula o artigo 33 do Decreto 70.235/72, in verbis: Artigo 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) (meus os grifos e as supressões) Tal prazo, como cediço, contase nos termos do artigo 5º do já referido Decreto, que assim versa: Artigo 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Observese que a recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 01 de fevereiro de 2010 (segundafeira), conforme aviso de recebimento de folha 262, ocorrendo que o protocolo do Recurso Voluntário fora efetivado apenas em 09 de março de 2010 (terçafeira), conforme consta da primeira página de se recurso (fl. 273) e da Certidão de folha 281, daí porque, forçoso é considerálo intempestivo, eis que ultrapassada a data limite de sua interposição. Frente ao exposto, não conheço do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 05 de março de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR Processo nº 11543.005731/200209 Acórdão n.º 1301001.134 S1C3T1 Fl. 5 7 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 11/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por EDWAL CASONI D E PAULA FERNANDES JUNIOR
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Numero do processo: 10073.720691/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. ATIVIDADES ACESSÓRIAS. INEXISTÊNCIA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO AOS DIRETORES. APLICAÇÃO DO SUPERÀVIT EM GRATUIDADE.
O desenvolvimento de atividade acessórias e paralelas ao objetivo social da entidade que tenham por finalidade a obtenção de recursos financeiros para aplicação posterior em gratuidade não pode por si só e desacompanhada de evidências de que tais recursos foram distribuídos aos diretores, não podem servir de fundamento para suspensão da imunidade.
Numero da decisão: 1201-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, no que restou vencido o relator. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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ATIVIDADES ACESSÓRIAS. INEXISTÊNCIA DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO AOS DIRETORES. APLICAÇÃO DO SUPERÀVIT EM GRATUIDADE. O desenvolvimento de atividade acessórias e paralelas ao objetivo social da entidade que tenham por finalidade a obtenção de recursos financeiros para aplicação posterior em gratuidade não pode por si só e desacompanhada de evidências de que tais recursos foram distribuídos aos diretores, não podem servir de fundamento para suspensão da imunidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, no que restou vencido o relator. Designado o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 06 91 /2 01 2- 11 Fl. 13323DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Recebidos os embargos tempestivos de fls. 13.304/13.308, nos termos do inciso I, do art. 64, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e alterações, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que a FAZENDA NACIONAL alega OMISSÃO no Acórdão nº 1201001.536, de 24/01/2017, proferido por esta 1ªTO/2ªCam/1ªSeção do CARF, conforme trecho dos Embargos que abaixo transcrevo: “A interposição dos presentes embargos justificase em razão da caracterização de omissão no presente julgado, no que tange ao pronunciamento desta e. Turma acerca da imputação feita pela autoridade fiscal de que o contribuinte teria descumprido a disposição prevista no § 4º do art. 150 da Constituição Federal e no § 2º do art. 14, do CTN. O dispositivo constitucional, que sequer foi mencionado pelo i. relator em seu voto, estabelece que: (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. No mesmo sentido, o CTN traz também a previsão de que a vedação à instituição de tributo sobre o patrimônio, a renda e serviços se estende apenas àqueles serviços relacionados com os objetivos institucionais da entidade. Vejase: (...) § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Com efeito, o Termo de Verificação do presente lançamento disse, textualmente, que o contribuinte em questão “descumpriu os requisitos estabelecidos no inciso I e § 2º, do art. 14, do CTN, concomitantemente com a alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97” (fl. 5, do TVF). Fl. 13324DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 3 3 Nesse ponto, vale fazer um adendo para mencionar que o acórdão ora embargado, mais especificamente em sua fl. 14, afirma que a “Notificação Fiscal está fundamentada no descumprimento, pelo interessado, dos requisitos previstos no disposto no inciso I do art. 14 do CTN e na alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, (...)”. Observese, pois, que o r. voto olvidouse de mencionar o descumprimento também do § 2º do art. 14, do CTN, afirmando, apenas, que a notificação estaria pautada no inciso I do referido artigo. Tal informação, data máxima vênia, encontrase equivocada. As imputações que culminaram com a suspensão da imunidade tributária da contribuinte foram as seguintes: 1 – pagamento de remuneração variável a título de bônus aos funcionários ocupantes de cargos gerenciais (art. 14, inciso I, do CTN, c/c a alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97); e 2 – execução de serviços não diretamente relacionados com os objetivos institucionais da entidade (art. 14, § 2º, do CTN). Dentro do item 2 acima, a fiscalização aponta que o contribuinte exerceu as seguintes atividades, que estão em desacordo com os seus objetivos institucionais: serviços de hospedagem; e serviços de venda de mercadorias em bar e restaurantes. Acrescentese que a fiscalização também imputa outras condutas irregulares do contribuinte e que estão relacionadas à suspensão da isenção das contribuições sociais, a exemplo do descumprimento do art. 55, inciso IV, da Lei 8.212/91, na medida em que presta serviços à CSN com custos reduzidos, o que acaba por conferir uma vantagem ou benefício à sua instituidora. Pois bem. Analisando o voto condutor do julgado observase claramente que o mesmo tratou de todas essas imputações como fundadas em dois dispositivos legais, que falam exatamente a mesma coisa: o inciso I do art. 14 do CTN c/c a alínea “a”, do § 2º, do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, que tratam da impossibilidade de remunerar seus dirigentes. Observese o teor da ementa do julgado: (...) No que tange à imputação de obter receitas substanciais de atividades não previstas em seu estatuto, em clara violação ao § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN, o colegiado nada falou. Diante da referida omissão, questionamentos essenciais à suspensão da imunidade tributária não foram respondidos, como p. ex.: Fl. 13325DF CARF MF 4 a) O colegiado entende que as receitas decorrentes da prestação dos serviços de hospedagem e de venda de mercadorias em bar e restaurantes estão relacionadas à finalidade essencial da entidade? b) Tais receitas devem ser abrangidas pela imunidade tributária do art. 150, inciso IV, alínea c, da CF? c) A percepção de tais receitas acarreta uma violação do § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN? d) A exigência de que os serviços prestados pela fundação estejam relacionados com as finalidades essenciais da entidade é um requisito legal para o reconhecimento da imunidade tributária? (...) Desta feita, a omissão apontada necessita ser sanada para que a Fazenda Nacional identifique, com retidão, os fundamentos a serem combatidos em eventual recurso.” O Acórdão ora embargado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, julgando improcedente o Ato Declaratório nº 12, de 26 de junho de 2012, mantendo a imunidade tributária da Fundação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Os requisitos de admissibilidade dos presentes embargos já foram analisados através do competente despacho de admissibilidade. Sendo assim, passo à análise dos argumentos dos presente embargos. Sustenta a Embargante que a decisão embargada ocupouse apenas da questão relativa à acusação fiscal de remuneração aos dirigentes (com fundamento legal no art. 14, inciso I, do CTN, e na alínea “a”, do § 2º, do art. 12, da Lei 9.532/97). Entretanto, aduz a embargante, que a notificação fiscal que deu azo à edição do ato declaratório que suspendeu a imunidade tributária da entidade foi expedida também com base no auferimento de receitas, ditas “substanciais”, oriundas da prestação de serviços de hotelaria, bar e restaurante, consideradas pela fiscalização como estranhas aos seus objetivos institucionais. Tal alegada infração atrairia, no entender do fisco e da embargante, a aplicação do § 2º do art. 14 do CTN. Nesse sentido, segundo a embargante, mencionado julgado incorreu em omissão, pois tratase de ponto relevante para o deslinde do feito, acerca do qual o colegiado não poderia deixar de se pronunciar. Entendo que cabe razão à embargante quando alega que a Turma não analisou se as receitas advindas dos serviços de hotelaria, bar e restaurante estão diretamente relacionadas com os objetivos institucionais da entidade e se isto afastaria a imunidade tributária com fulcro no § 2º do art. 14 do CTN. Fl. 13326DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 4 5 Assim, necessária a integração do voto vencedor, acrescentandolhe os seguintes termos: O gozo da imunidade previsto no art. 150, inciso VI, "c" da CF/88, está condicionado aos atendimentos dos requisitos estabelecidos em lei. Os artigos 9º e 14 do CTN disciplinam os requisitos para o gozo da imunidade pelas fundações sem fins lucrativos. Com efeito, dispõe o art. 14, parágrafo 2º do CTN: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: [...] § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. [...] Portanto, os serviços imunes são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos institucionais da fundação, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. No caso concreto, a recorrente alega que toda a receita gerada com o Hotel Escola é aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da recorrente. Porém, não é o que se vislumbra no presente caso. O acórdão recorrido bem aponta o auferimento de receitas substanciais com serviços de hospedagem (R$ 2.678.546,94) e bar e restaurante (R$ 2.112.824,43) Aponta também que, quanto a alegação de que toda receita gerada com o Hotel Escola seria aplicada, em sua integralidade na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação, a mesma carece de comprovação. Vale trazer à transcrição excertos do voto condutor do acórdão recorrido que bem descrevem a situação, verbis: 1) Prestação de serviços de hotelaria Afirma que o Hotel Escola é um projeto de assistência social, por meio do qual a Fundação CSN desenvolve "atividades de interesse social nas áreas de educação, e da assistência social", utilizando o Hotel Escola para, de modo 100% gratuito, formar, anualmente, turmas de jovens carentes, capacitandoos para o mercado de trabalho no setor hoteleiro, ou seja, a Fundação utiliza as atividades desenvolvidas pelo hotel como uma ferramenta para a materialização do objeto social da entidade. Entende que o próprio nome da unidade já deixa bastante evidente a sua finalidade, de não ser simplesmente um Hotel, Fl. 13327DF CARF MF 6 mas sim um Hotel Escola, ou seja, um projeto de assistência social que tem por objetivo a inclusão de jovens carentes, em situação de risco social e vulnerabilidade, no mercado de trabalho, por meio da capacitação teórica e prática, e treinamento desses jovens que têm a oportunidade de realizar toda a parte prática do curso em um hotel escola. Vale ainda informar que o projeto Hotel Escola forma, anualmente, cerca de 160 (cento e sessenta) jovens, que em sua grande maioria encontram colocação no mercado de trabalho. Frisa que toda a receita gerada com o Hotel Escola é aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação. Defende que não se pode dizer que a Fundação se encontra em condições de equivalência a empresas que atuam no mesmo ramo. De início, devese indagar se o desempenho de atividade hoteleira está em consonância com a finalidade estatutária do interessado. Segundo a fiscalização, através de consulta no sistema CNPJ verificouse que o interessado possui uma filial (19.690.999/000923), cujo nome fantasia é HOTEL ESCOLA BELA VISTA, com CNAE 5510801 (Hotéis). Basta analisar os objetivos sociais do interessado, antes discriminados, para se constatar que os serviços de hotelaria não se encontram elencados no rol das atividades para as quais a entidade foi criada. Além disso, o Balancete do interessado, especificamente a conta sintética PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (3311) e sua subconta analítica SERVIÇOS DE HOSPEDAGEM (33111010), revela que o total movimentado da 2a (R$ 2.678.546,94) representou 26,72% do total movimentado da 1a (R$ 10.023.939,76). Ou seja, uma receita substancial está sendo auferida com uma atividade não prevista no Estatuto. Mais parece que o objetivo do interessado seria a prestação de serviços de hotelaria com fins lucrativos, nos moldes de outras empresas do ramo, do que a prestação de serviços assistenciais e educacionais que alega efetuar. Quanto à alegação que toda a receita gerada com o Hotel Escola seria aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação, a mesma carece de comprovação. Portanto, está comprovado que o interessado não desempenhou atividade em consonância com a sua finalidade estatutária. Sendo assim, descumpriu requisito para gozo da imunidade, previsto no art. 14, § 2º, do CTN. 2) Prestação de serviços de bar e restaurante O interessado alega que o ordenamento jurídico brasileiro não proíbe o exercício de atividades comerciais e industriais por entidades sem fins lucrativos, sejam fundações ou associações. Fl. 13328DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 5 7 Apenas impõe duas condições à realização de atividade econômica por entidades sem fins lucrativos, a saber: (i) deve ser desempenhada em consonância com as finalidades estatutárias da entidade; e (ii) o resultado financeiro da atividade deverá ser integralmente aplicado na manutenção e no desenvolvimento dos objetivos sociais da entidade. O mesmo raciocínio desenvolvido no item anterior vale para este. Devese indagar se o desempenho de atividade de bar e restaurante está em consonância com a finalidade estatutária do interessado. No Balancete foi detectado que o interessado mantém como conta analítica escriturada com a denominação BAR E RESTAURANTE (33122001), subconta da conta Sintética VENDA DE MERCADORIAS (3312), cujo valor total movimentado (R$ 2.112.824,43) representou 24,14% do valor total movimentado da conta sintética (R$ 8.751.982,05). Não há como negar a existência de uma receita substancial não vinculada a nenhuma atividade prevista no Estatuto, já este prevê, tão somente, realização de atividade de interesse social de assistência alimentar, o que, data vênia, é bem diferente de exploração de bar e restaurante. Portanto, está comprovado que o interessado não desempenhou atividade em consonância com a sua finalidade estatutária. Sendo assim, descumpriu requisito para gozo da imunidade, previsto no art. 14, § 2º, do CTN. (Grifamos). Percebese, claramente, a utilização da entidade, beneficiária da imunidade constitucional, para a geração de ganhos em empresas voltadas à finalidade lucrativa, em detrimento de seus objetivos institucionais . Entendo, outrossim, que o ônus da prova de que toda a receita gerada com hotel, bares e restaurantes seria aplicada, em sua integralidade, na manutenção e desenvolvimento das atividades da Fundação é do sujeito passivo beneficiário da imunidade e não da fiscalização. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos, com efeitos infringentes, de forma a NEGAR provimento ao recurso voluntário, devendo ser mantida a suspensão da imunidade tributária nos termos do § 2º do art. 14 do CTN. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 13329DF CARF MF 8 Voto Vencedor Não obstante o brilhantismo do voto do Conselheiro Relator, ouso discordar. Com relação à suposta omissão do acórdão embargado, destaco aqui trecho do respectivo voto: A imputação fiscal, que ensejou a publicação do Ato Declaratório combatido, baseiase na Notificação Fiscal que aponta, para o anocalendário de 2007, as seguintes irregularidades: 1) Prestação de serviços de hotelaria; 2) Prestação de serviços de bar e restaurante; 3) Pagamento de Bônus a dirigentes; 4) Prestação de serviços à COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL – CSN, sua instituidora; 5) A Fundação CSN apresentou valores incorretos para o cômputo da base de cálculo de aplicação de percentual em gratuidade; 6) A Fundação CSN desenvolve atividades na área da saúde através do Centro de Saúde Oral CSO, prestando atendimento odontológico direcionado aos funcionários da CSN e de empresas coligadas; 7) A Fundação CSN mantém uma farmácia comunitária que tem como objetivo principal a venda de medicamentos a funcionários da CSN e de empresas coligadas; 8) A Fundação CSN administra clube de funcionários da CSN. Vemos aqui que o acórdão embargado menciona de forma expressa (itens 1, 2 e 4 acima) os componentes da autuação fiscal supostamente omitidas e que se referem à execução de serviços não diretamente relacionados com os objetivos institucionais da entidade (art. 14, § 2º, do CTN) e prestação de serviços à CSN, sua instituidora, com custos reduzidos o que viola o art. 55, inciso IV da Lei 8.212/91. Contudo, a embargante aduz que o presente colegiado não respondeu às seguintes questões: a) O colegiado entende que as receitas decorrentes da prestação dos serviços de hospedagem e de venda de mercadorias em bar e restaurantes estão relacionadas à finalidade essencial da entidade? b) Tais receitas devem ser abrangidas pela imunidade tributária do art. 150, inciso IV, alínea c, da CF? c) A percepção de tais receitas acarreta uma violação do § 4º do art. 150 da CF e do § 2º do art. 14 do CTN? Fl. 13330DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 6 9 d) A exigência de que os serviços prestados pela fundação estejam relacionados com as finalidades essenciais da entidade é um requisito legal para o reconhecimento da imunidade tributária? Pois bem, os dispositivos legais mencionados pela Embargante são os seguintes: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: (...) § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Ora, o ponto aqui é definir se a prestação de serviços de hotelaria, bar e restaurante, no caso em tela, implicam em infração aos dispositivos acima mencionados. Vejam, sem prejuízo do sagrado Princípio da Legalidade que sempre deve servir de espinha dorsal dos legisladores, julgadores e quaisquer operadores do direito, devemos no presente caso lançar mão também de uma análise pragmática do processo de manutenção de uma entidade sem fins lucrativos cuja finalidade seja prestar assistência social ou educacional. Em primeiro lugar, vemos que o Estado no seu sentido lato sensu procura apoiar tais entidades através da imunidade ou isenção tributária de modo a reduzir a onerosidade das atividades desenvolvidas por tais entidades e tornálas mais eficientes em sua finalidade. Contudo, para o devido exercício de suas atividades sociais ou educacionais a entidade necessita de recursos financeiros que podem vir através de doações que podem ser aquelas iniciais que servirão para a constituição da entidade ou posteriores que serão usadas na manutenção das atividades. Contudo, o instituto da doação por sua própria natureza é facultativa às partes, ou seja, ninguém é obrigado a efetuar doações seja para quem for, pois, se o envio de recursos financeiros, bens ou qualquer tipo de ativo for mandatório, doação não é. Fl. 13331DF CARF MF 10 Pois, bem, sendo facultativa, a doação é também incerta para as entidades, vez que dependem da tão subjetiva boa vontade dos doadores. Alíás, não somente boa vontade, mas mesmo capacidade, possibilidade dos doadores fazerem doações. Contudo, a prestação de assistência social ou educacional não pode conviver com este grau de incerteza. Não é crível imaginar que os assistidos fiquem à mercê do fluxo positivo de doações para continuidade da assistência oferecida. Assim, a atividade assistencial moderna além de praticar a máxima " Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentálo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentálo toda a vida.", junto aos seus assistidos, também a faz para si própria, ou seja, para a manutenção de sua existência e atividade. Quero dizer com isso que a atividade assistencial deve ser autossustentável no sentido de manterse por si própria sem dependência excessiva de doações. Seguindo este racional , a busca pela própria sustentabilidade através de atividade que geram receita deve ser incentivada e não penalizada pelo Estado. A entidade assistencial não tem finalidade lucrativa mas deve sempre buscar superávit para sobreviver e manter suas atividades. Considerando que as despesas são certas, a incerteza de receitas traz um cenário de provável déficit. O desenvolvimento de atividades que geram receitas ajudam de forma nuclear a manutenção das entidades em sua finalidade que é a gratuidade. Para que abusos e desvios sejam evitados, no sentido de beneficiar determinada entidade com imunidades e isenções tributárias que ao final apenas representam lucro de uma pessoa ou conjunto de pessoas, é necessário verificarse se a receita gerada por tais atividades é integralmente aplicada nas atividades sociais da entidade e não é distribuídas aos seus diretores. Logicamente, não é crível exigirse que toda receita obtida seja imediatamente aplicada em gratuidade. Desta forma também não haveria perpetuidade. Contudo, o que se deve observar é a saída de recurso financeiro tem por destino suas atividades sociais. No caso em tela, não há qualquer acusação de distribuição de lucro aos diretores. O que se alega é que o simples exercício da atividade de restaurante, bar e hotelaria seria suficiente para colocar em xeque o benefício da isenção. Certamente, não concordo com tal posicionamento do Sr. Auditor Fiscal. As atividades desenvolvidas, a forma como é desenvolvida e mesmo as pessoas envolvidas na tomada e na prestação dos serviços em questão demonstram de forma clara que se trata de um mecanismo que serve para gerar receita para aplicação em gratuidade e esta situação, certamente, não é aquela que o § 2°do art. 14 do CTN busca identificar. Assim, entendo que a análise efetuada pelo acórdão ora embargado que concluiu pela inexistência de remuneração indevida dos diretores da autuada em conjunto com a inexistência de provas nos autos que a receita gerada pelas atividades de bar, restaurante e hotelaria tem destino diverso da gratuidade prestada pela autuada, me leva à conclusão de que não merece qualquer reparo infringente o acórdão embargado. Fl. 13332DF CARF MF Processo nº 10073.720691/201211 Acórdão n.º 1201002.143 S1C2T1 Fl. 7 11 Conclusão Diante dos exposto, REJEITO os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. É como voto! Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 13333DF CARF MF 12 Fl. 13334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721063/2016-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2013, 2014, 2015
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A atividade da Administração Tributária está inteiramente vinculada às normas legais e regulamentares, nos termos do art. 116, III, da Lei nº 8.112/1990.
PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.
Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa em face de conduta dolosa, consubstanciada na simulação fraudulenta, com o intuito de sonegar tributos, ao se inserir interpostas pessoas no quadro societário da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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FUNRURAL Recorrente BOI VERDE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2013, 2014, 2015 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A atividade da Administração Tributária está inteiramente vinculada às normas legais e regulamentares, nos termos do art. 116, III, da Lei nº 8.112/1990. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. APLICÁVEL À RELAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Também se aplica à relação previdenciária o princípio da primazia da realidade, que preconiza que a verdade dos fatos impera sobre a aparência formal. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS DE FATO. INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo sócio de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa em face de conduta dolosa, consubstanciada na simulação fraudulenta, com o intuito de sonegar tributos, ao se inserir interpostas pessoas no quadro societário da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 10 63 /2 01 6- 28 Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.730 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários dos responsáveis solidários. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Cuidase de Recursos Voluntários de fls. 7551/7575, de fls. 7578/7614 e de fls. 7643/7678, interpostos, respectivamente, pelos responsáveis solidários Jaime Valler, Dory Grando e Agostinho Scatalão Neto, contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS de fls. 7220/7265, que julgou improcedente as impugnações apresentadas pela BOI VERDE ALIMENTOS LTDA e pelos sujeito passivos solidários JAIME VALLER, AGOSTINHO SCATALÃO e DORY GRANDO, mantendo o lançamento de fls. 2/14 (FUNRURAL e SAT) e de fls. 16/24 (SENAR), lavrados em 01/08/2016, relativo as competências de 01/2013 a 05/2015. Assim, foram lavrados dois autos de infração conforme relatório fiscal de fls.26/45 (ambos objetos do presente processo), quais sejam: 1) Auto de fls. 02/14, relativo às contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, na alíquota de 2,0%, bem como a alíquota RAT de 0,1%, ambas incidentes sobre a comercialização da sua produção, cujo recolhimento está a cargo da RECORRENTE na condição de adquirente, em virtude da subrogação prevista no art. 30, IV da Lei n° 8.212/91 (FUNRURAL) e SAT, no valor original total de R$ 14.229.920,14, já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75% (exceto na competência de 05/2015, cuja multa foi qualificada em 150%); e 2) Auto de fls. 16/24, relativo à contribuição ao SENAR, na alíquota de 0,2%, conforme art. 6º da Lei nº 9.528/97, incidente sobre os mesmos fatos geradores objeto do auto de infração supramencionado, no valor de R$ 1.355.230,07, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa de ofício no percentual de 75% (exceto na competência de 05/2015, cuja multa foi qualificada em 150%). Relatório Fiscal acostado às fls. 26/45. Fl. 7730DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.731 3 Em razão da excelência do resumo relatório fiscal (fls. 7220/7265) elaborado pela DRJ, adotase tal trecho para compor parte do presente relatório: Conforme o Relatório Fiscal dos Autos de Infração, foram constituídos de oficio os presentes créditos previdenciários, em decorrência das seguintes constatações e procedimentos adotados no decorrer da ação fiscal: Origem da auditoria fiscal: • O sujeito passivo sob ação fiscal desenvolve atividades de abate de bovinos, indústria e comércio atacadista de carne bovina e subprodutos de origem animal. • Este Relatório de Auditoria Fiscal contempla os fatos geradores de contribuições social previdenciária rural, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, devida por subrrogação da pessoa jurídica na qualidade de adquirente, não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Descrição geral dos trabalhos: • Dando início aos trabalhos e após análise das informações disponibilizadas pelo dossiê integrado do sujeito passivo, nos dirigimos à sede matriz da empresa para entregarmos o TIPF Termo de início de Procedimento Fiscal. • Chegando ao local nos deparamos com a empresa Naturafrig Alimentos Ltda, CNPJ: 18.626.084/000139, fomos atendidos pelo gestor administrativo Sr. Rafael Matsuzaki da Silva, que nos informou desconhecer o paradeiro da empresa Boi Verde Alimentos. Ainda nos reportou que antes da empresa Naturafrig já havia funcionado no local, após a saída da Boi Verde Alimentos, as empresas Frigonova e Navi Carnes. Disse ainda que a planta (estrutura física do frigorífico), pertence ao Sr. Fabrizio Capuci bem como o dono e responsável pela empresa agora instalada é o Sr. Alberto Sérgio Capuci, não tendo nenhuma ligação com os antigos sócios da Boi Verde Alimentos LTDA. • Dando sequência, para intimar o sujeito passivo do TIPF, realizamos diligências no estabelecimento Filial, situado na rodovia BR 163, Km 393, zona rural de Campo Grande MS, que também se revelaram infrutíferas, pois, o estabelecimento estava fechado sem nenhuma atividade, possivelmente, já há algum tempo, conforme demonstram as fotos do "Anexo 03 Fotos Filial". • No local encontramos o Sr. Rosalvo Neto Medeiros Santos, domiciliado a BR 163, Km 393, Chácara da Mansões, Campo Grande, MS, CEP 79079055, telefone (67) 991654488, vila anexa ao frigorífico, que nos informou ter trabalhado no estabelecimento quando em funcionamento e que a referida empresa se encontra com suas atividades paralisadas desde o mês de novembro de 2015, deixando, inclusive, quando os donos Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.732 4 e/ou sócios desapareceram, de honrar seus compromissos com os empregados e fornecedores. Disse que a estrutura física é de propriedade do Sr. Artur José Vieira Junior, CPF 586.563.919 68, residente a rua São Paulo n° 395, bairro São Francisco, Campo Grande, MS, CEP: 79010 050, telefone n° (67) 99213 1404. Perguntado sobre quem eram os donos e comandavam a empresa, informou que seriam os senhores Agostinho Scatalão Neto, Dory Grando e Jayme Valler. Que os mesmos, inclusive, firmaram contrato de arrendamento das instalações com o Sr. Artur. Indagado se conhecia a senhora Gilmara Eloisa Cavalcante, disse que tinha sido funcionária e segundo soube foi transformada em sócia, mas que pouco aparecia na empresa e quando o fazia não interferia no andamento dos trabalhos. Outro fato que nos chamou a atenção foi o comentário que fez a respeito da entrega das correspondências, pois, as mesmas, após o fechamento do frigorífico, passaram a ser encaminhadas para um escritório montado nas dependências do jornal O Estado do MS, empresa de propriedade do Sr. Jaime Vallcr, onde o funcionário de nome Jair Benites Rodrigues, gerente financeiro do frigorífico Boi Verde, atendia como o responsável por esta empresa. Informou ainda, que esse escritório foi fechado pouco tempo depois devido à repetidas visitas de oficiais de justiça ocasionadas por inúmeras ações trabalhistas movidas contra a empresa. • As mesmas informações foram confirmadas por outro ex funcionário, que trabalhou no frigorífico de nome Osvaldo Nonato de Souza, CPF 569.293.15168, domiciliado a BR 163, Km 393, Chácara da Mansões, Campo Grande, MS, CEP 79079 055, também morador da vila anexa ao frigorífico, acrescentando que quando foi fechado o estabelecimento, o Sr. Jaime Valler, levou todas as máquinas para uma de suas empresas gerando urna demanda judicial contra ele por parte do Sr. Artur, dono das instalações. Disse que a sócia d. Gilmara era cunhada do Sr. Agostinho Scatalão e não tinha poderes na estrutura de comando da empresa. • Estando a empresa em local incerto e não sabido, tentamos verificar o paradeiro dos sócios de direito. Primeiramente nos dirigimos à residência do Sr. Bráulio Aguero, onde confirmamos o seu falecimento em 22/04/2005, conforme certidão de óbito apresentada por sua esposa Sra. Rosália Rodrigues Aguero, CPF 250.280.06172, conforme demostra o "Anexo 04 Certidão de Óbito". Nos informou ainda que seu marido associouse de boafé para ajudar seus amigos Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando e que a morte dele acarretou para ela dificuldades financeiras, aborrecimentos e problemas com diversos órgãos públicos. • Em seguida nos dirigimos ao endereço da sócia Gilmara Eloisa Cavalcante à rua Nestor Frederico Pache n° 124, onde também não obtivemos êxito, pois no local, encontramos residindo o Dr. Juiz de Direito Márcio Alexandre Wust e sua esposa Sra. Débora Crisostimo, que nos informaram residirem no imóvel desde o ano de 2012. Colhemos na oportunidade o Termo de Depoimento n° Fl. 7732DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.733 5 01 com todas as informações necessárias ao trabalho (ANEXO 05). Posteriormente tentamos obter na administradora do imóvel, imobiliária Castro imóveis, alguma informação do paradeiro da antiga inquilina, entretanto, fomos informados pelo Sr. Eduardo Francisco Castro Filho, CPF 030.674.02146, funcionário da empresa, que esta era a primeira locação que faziam para o proprietário do imóvel Sr. Gustavo de Paula Fioretti Garcia, CPF 247.658.00822 e não tinham nenhuma informação da inquilina anterior. • Tendo em vista que tanto os sócios de direito quanto a empresa, não foram localizados e encontramse em lugar incerto e não sabido, dificultando os trabalhos de Auditoria Fiscal, lavramos o Termo de Diligência e Constatação n° 01 (ANEXO 12), requisitamos a Baixa de Oficio do CNPJ do Frigorífico Boi Verde Alimentos Ltda e passamos a fazer a cientificação dos atos necessários por edital. • O Sr. Artur José Vieira Junior, citado anteriormente como dono das instalações frigoríficas da filial da Boi Verde Alimentos, CPF 586.563.91968, atendendo nossa solicitação, compareceu a RFB e prestou algumas informações relevantes ao trabalho ora desenvolvido. • Disse na ocasião desconhecer o paradeiro dos "sócios de direito" e que as instalações frigoríficas foram alugadas para a empresa Boi Verde Alimentos Ltda, mas apesar dos contratos levarem a assinatura dos "sócios de direito", todas os acordos de negociações foram feitos com os senhores Agostinho Scatalão Neto e Jaime Valler que aparecem como fiadores, com renúncia dos benefícios de ordem (ANEXOS 06 e 07). Após o contrato assinado e com o passar do tempo, a empresa começou a solicitar adiamento para o pagamento do aluguel, tendo como interlocutor em nome do frigorífico, o Sr. Dory Grando. Essa situação de inadimplência culminou na abertura dos processos no TJ/MS n° 0124282 252008.8.12.0001. e n° 0829698 54.2013.8.12.0001. Informou que quando a empresa abandonou as instalações, o Sr. Jaime Valler levou o maquinário do frigorífico que eram de sua propriedade para uma das empresas dele na cidade de Campo Grande/MS. Disse ainda que posteriormente, tomou conhecimento que o Sr. Dori Grando já respondia por outros processos, em outras comarcas, referentes às áreas de frigoríficos e comércio de gado, fato esse comprovado por notas na imprensa (Anexo 08). Disse ainda que ficou sabendo, estar o Sr. Dori passando seus bens para sua filha Fabiana Casavechia Grando Fontana, CPF 007.667.189 56. Verificando os processos mencionados encontramos no processo TJ/MS n° 0829698 54.2013.8.12.0001, páginas 85 e 86 da sentença judicial, partes de prova oral colhida, que comprovam a declaração do Sr. Artur sobre o envolvimento do Sr. Jaime Valler quando do contrato do aluguel do imóvel. • As informações colhidas vieram ratificar e complementar todo o trabalho efetuado pela Auditoria Fiscal anterior, período 01/2009 a 12/2012, efetuada pelo Auditor Fiscal da Receita Fl. 7733DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.734 6 Federal do Brasil Sr. Leonildo Libério Alves da Silva, que culminou no processo n° 10140721964/ 201458, cujo Relatório Fiscal (Anexo 13), de forma clara e cristalina, demonstrou que a empresa Boi Verde Alimentos LTDA, usava de interpostas pessoas para encobrir os verdadeiros proprietários e responsáveis com a intenção de burlar o fisco e proteger seus patrimônios pessoais. • Das conclusões, observações e fatos constatados pelo o Auditor Lconildo em seu Relatório Fiscal [fls. 346/366], destacamos alguns trechos, logo abaixo, por entendermos relevantes na compreensão do "modus operandi" da empresa e na identificação dos responsáveis de fato, pois influenciaram diretamente no período agora auditado. (Em anexo) [trechos citados às fls. 33/38]. • Dessa forma, diante dos fatos constatados na Auditoria Fiscal anterior e verificados na fiscalização atual, não resta a menor dúvida de que os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando são as pessoas que de fato proveem sustentação administrativa e financeira ao sujeito passivo. As pessoas que constam como titulares de direito no contratosocial cumprem apenas uma função figurativa, subterfúgio empregado com o desígnio de ocultar e preservar o patrimônio daqueles que, de fato, gerenciam e mantêm administrativa e financeiramente o empreendimento, malogrando assim a correta identificação dos responsáveis pelos créditos tributários e o direcionamento das ações de cobrança em favor da Fazenda Pública. • Ante o exposto, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando também estão sendo incluídos no polo passivo da obrigação tributária constituída pelos Autos de Infração ora lavrados no processo comprot n° 10140.721063/ 201628. Infrações cometidas: • a) A empresa adquiriu produção rural de pessoa fisica no valor de R$ 7.623.954,20, conforme demonstramos no "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito", no período de 01/2013 a 05/2015, porém, não declarou na GFIP a contribuição rural subrrogada, conforme verificação de suas GFIP's no sistema (Anexos 09, 10 E 11). • b) Investigações na Conta Corrente e no Extrato de Débito da empresa revelaram inexistência de Guia de Pagamento da Previdência Social GPS quitadas no código de receita 2607 (Comercialização da Produção Rural) no período auditado, referente a contribuição previdenciária rural. • c) Não foram encontrados e/ou apresentados processos ou decisões judiciais julgando inexigível a contribuição prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991. Fl. 7734DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.735 7 • Concluídas as análises e levantadas as irregularidades, encerramos a fase de apuração dos créditos reputados como devidos e lavramos, em conformidade com a legislação vigente, os devidos Autos de Infração. Auto de Infração: Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador. • Contribuição Previdenciária Lançada: Trata o presente Auto de Infração, de contribuições devidas a Seguridade Social, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, e devida pelo sujeito passivo, por subrrogação, na qualidade de adquirente, referente a cota patronal 2,0%, bem como àquelas o previstas nos art. 57 e 58 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT 0,1%, não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. As Bases de Cálculo foram obtidas com base nas notas fiscais eletrônicas de entrada geradas no SPEDNFe Sistema Público de Escrituração Digital, constantes dos bancos de dados informatizados da Receita Federal do Brasil (Anexo 01 Dados Das Notas Fiscais Eletrônicas De Entrada), e estão demonstradas no "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito". • Deduções: Como as contribuições lançadas no presente levantamento referemse a fatos geradores não declarados em GFIP, não foi apropriado nenhum tipo de dedução. • Aplicação de Multa Qualificada: Como restou caracterizado e demonstrado pelo conjunto de documentos probatórios e evidências expostas desde a Auditoria Fiscal anterior e ao longo deste relatório fiscal, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar, as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de suprimir o recolhimento das referidas contribuições, pois o comportamento intencional de causar dano à Fazenda Pública é manifesto. Segundo Bernardo Ribeiro de Moraes, em "Compêndio de Direito Tributário", a fraude fiscal, que pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de subtrairse no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Ficou evidenciado que o sujeito passivo e os devedores solidários lançaram mão de diversos artifícios visando omitir, impedir, dissimular e dificultar a identificação dos seus verdadeiros controladores, a apuração correta dos créditos tributários e a satisfação destes créditos nas execuções promovidas pela Fazenda Pública. Auto de Infração: Contribuição Previdenciária para outras Entidades e Fundos. Fl. 7735DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.736 8 • Contribuição Previdenciária Lançada: Trata o presente Auto de Infração, de contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas e fiscalizadas pela Receita Federal do Brasil, incidentes sobre o valor da receita bruta da comercialização da produção rural pessoa física e segurado especial, e devida pelo sujeito passivo, por subrrogação, na qualidade de adquirente, referente a rubrica Terceiros (SENAR 0,2%), não recolhidas em épocas próprias e não declaradas em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. • As Bases de Cálculo foram obtidas com base nas notas fiscais eletrônicas de entrada geradas no SPEDNfc (Sistema Público de Escrituração Digital), constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil e estão demonstradas no "Anexo 01 Dados Das Notas Fiscais Eletrônicas De Entrada". Para melhor compreensão do crédito apurado e valores lançados, elaboramos ainda "Anexo 02 Subrrogação_Discriminativo Auxiliar Do Débito". • Deduções: Como as contribuições lançadas no presente levantamento referemse a fatos geradores não declarados em GFIP, não foi apropriado nenhum tipo de dedução. • Alíquotas, Juros e Multas Aplicadas: Os valores das alíquotas, multas e dos juros estão demonstrados nos juros relatórios apropriados do Auto de Infração. • Aplicação de Multa Qualificada: Como restou caracterizado e demonstrado pelo conjuntode documentos probatórios e evidências expostas desde a Auditoria Fiscal anterior e ao longo deste relatório fiscal, houve evidente intuito do contribuinte em sonegar, as contribuições ora lançadas e em fraudar a Administração Tributária Federal com o fito específico de suprimir o recolhimento das referidas contribuições, pois o comportamento intencional de causar dano à Fazenda Pública é manifesto. Segundo Bernardo Ribeiro de Moraes, em "Compêndio de Direito Tributário", a fraude fiscal, que pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de subtrairse no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Ficou evidenciado que o sujeito passivo e os devedores solidários lançaram mão de diversos artifícios visando omitir, impedir, dissimular e dificultar a identificação dos seus verdadeiros controladores, a apuração correta dos créditos tributários e a satisfação destes créditos nas execuções promovidas pela Fazenda Pública. • O sujeito passivo não declarou os fatos geradores em GFIP e por este motivo, fica configurado, em tese, o crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária. Desta forma, será encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente para as providências cabíveis. Ressaltese que caso o presente crédito tributário seja integralmente extinto pelo julgamento administrativo ou pagamento, os autos da representação serão arquivados nos termos da Portaria RFB n° 665/2008. Fl. 7736DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.737 9 • São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, conforme inciso I, artigo 124, Código Tributário Nacional. Da Impugnação Em face dos autos de infração, foram apresentadas as impugnações compiladas na tabela abaixo: Ante a clareza e precisão didática do resumo das Impugnações elaborada pela Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO BOI VERDE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 05.413.780/000115. • Não há elementos para que se considere hipótese de responsabilidade solidária no caso dos autos, sendo que não há interesse comum entre as pessoas tidas como devedores solidários e o Impugnante. • A análise das condições existentes na legislação, com a interpretação doutrinária e jurisprudencial a respeito do assunto certamente serão suficientes para que se possa concluir pelo desacerto praticado pelo agente fiscal. • Tece argumentos jurídicos contrários aos procedimentos adotados pela fiscalização para a caracterização da responsabilidade solidária e menciona jurisprudências. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. (...) • Busca demonstrar que não há interesse comum entre a empresa Boi Verde Alimentos e as pessoas consideradas responsáveis solidários. • As provas apresentadas pela fiscalização são desconexas, isoladas e aleatórias. • Não se pode considerar a viabilidade econômicofinanceira de uma empresa somente por seu faturamento. Isso seria temerário, um erro primário. Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.738 10 • O proprietário do imóvel locado pelo Impugnante retrata exemplo típico desta situação, porquanto foi sócio de várias empresas que se estabeleceram no local e simplesmente encerraram suas atividades de forma irregular. • Com relação ao Sr. Dory Grando, pelo fato de ter sido sócio de duas empresas anteriormente que infelizmente tiveram problemas financeiros, acabou por comprometer todo o seu patrimônio, necessitando buscar fonte de renda onde efetivamente tem conhecimento, que é no ramo da comercialização de carnes. O fato de ter sido empresário mal sucedido, necessitando de emprego, não pode ser considerado como crime ou fraude, como sustentado pelo agente fiscal. • Com relação ao Sr. Jaime Valler menor razão assiste para as suposições levantadas pelo agente fiscal para tentar responsabilizálo. O fato de ser empresário de destaque na cidade, por primeiro, não lhe pode trazer qualquer traço de responsabilização tributária. • A empresa da qual é sócio o Sr. Jaime Valler, e que possui relação jurídica com o sujeito passivo atual, conforme demonstra seu contrato social. • Com relação às transferências mencionadas pelo agente fiscal nos Autos de Infração, no valor de R$ 24.209.118,78, a despeito de o número inicialmente impressionar, é possível constatar, pelos documentos ora juntados, que há origem para toda a negociação. • Em relação as notas fiscais anexadas, a empresa Qually Peles possui contrato de fornecimento de couro com a empresa Curtume Panorama Ltda. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerce suas atividades. Por isso, e somente por isso, não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a tividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • Não se pode acatar o posicionamento do agente fiscal de que pelo fato de ter o Sr. Jaime Valler prestado depoimento na ação de despejo movida pelo Sr. Artur teria demonstrado conhecimento minucioso do contrato e das atividades do sujeito passivo e que haveria interesse comum com o Impugnante na exploração da atividade. • Enfim, relata inúmeras passagens e situações específicas das vidas pessoais e empresariais dos sujeitos passivos solidários com o intuído de demonstrar que não participam das atividades da empresa fiscalizada por não possuírem interesses em comum. • Que os Autos de Infração não trazem prova do interesse comum dos Srs. Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jaime Valler na gestão do negócio. Fl. 7738DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.739 11 • Não há um único documento assinado por referidas pessoas na qualidade de representantes do Boi Verde Alimentos Ltda em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • O agente fiscal não reuniu qualquer documento para demonstrar que as pessoas tidas como responsáveis solidários pelo débito participam da administração da empresa? • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente suspeitas e tendenciosas as informações obtidas pelo Agente Fiscal e descritas no relatório fiscal, posto que em nada contribuem no contexto probatório, estando eivadas de irregularidades e suspeições. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos, como reconhecido pelo próprio agente fiscal, foram informais, e não ocorreram sob o pálio da ampla defesa e do contraditório, por isso não podem ser considerados • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização solidária são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN), de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADIN n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.740 12 sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O sujeito passivo requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, ns. 10140721.751/2016 98 e 1014 0721.0 63/201628, notadamente no que diz respeito às alegações de fraude, que levaram a responsabilização de terceiros, tendo em vista a ausência dos elementos para tanto, nos termos da fundamentação esposada. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei n. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no princípio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Fl. 7740DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.741 13 IMPUGNAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO JAIME VALLER – CPF 144.416.40900. A contribuição para o SENAR, prevista no Art. 2° da Lei 8.540/92, ofende o Art. 62 do ADCT, tese a ser sacramentada, com repercussão geral, pelo C. STF, no julgamento do Recurso Extraordinário 816.830; c) não se pode falar na multa de 150%, já que não se subsumiriam, estes fatos apontados nestes Autos de Infrações, mesmo que verdadeiros, aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; o STF, consignou no Recurso Extraordinário 833.106, que multa punitiva, superior a 100% do valor do tributo, tem natureza confiscatória. • A base legal à incidência da contribuição ao SENAR sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção do segurado obrigatório da Previdência Social equiparado a trabalhador autônomo", encontrase no Art. 2° da Lei 8.540/92. • Afronta o Art. 2 º da Lei 8.540/92, o Art. 62 do ADCT (já que a lei fixa, ao SENAR, fonte de custeio diversa a que a legislação havia fixado ao SENAI e SENAC (ao SENAR se acrescenta, como fonte de costeio, uma contribuição compulsória sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, enquanto que ao SENAI e SENAC, a fonte de custeio é apenas uma contribuição sobre folha de pagamento). • O SENAR tem distinta fonte de custeio que o SENAI e SENAC (que apenas tem, como contribuição compulsório, a instituída sobre folha de pagamento), o que causa uma diferenciação entre estes três institutos (SENAR, SENAI e SENAC). Também nesta situação o C. STF já reconheceu, nos Autos de Recurso Extraordinário n° 816.830, a Repercussão Geral. • Não dever ser considerado responsável solidário porque não é sócioinvestidor ou sócioadministrador da empresa autuada, e jamais teve interesse, comum com a Autuada, na situação que constituísse o fato gerador da obrigação principal retratada neste Auto de Infração. O STF, no Recurso Extraordinário 363.852MG, reconheceu a inconstitucionalidade da Contribuição do Empregador Rural Pessoa Física (Art. 25 da Lei 8.212/91), e no Recurso Extraordinário 718.874, reconheceu a Repercussão Geral à análise da constitucionalidade do Art. 25 da Lei 8.212/91 (portanto, não exigível, por inconstitucional, este Auto de Infração); • Incabível a aplicação da multa de 150%, pois não se subsumiriam os fatos apontados nestes Autos de Infrações, mesmo que verdadeiros, aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; o STF, consignou no Recurso Extraordinário 833.106, que multa punitiva, superior a 100% do valor do tributo, tem natureza confiscatória; • É inconstitucional o Art. 25 da Lei 8.212/91, e faz citações de jurisprudências. Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.742 14 • A aplicação da multa qualificada de 150% não depende da "vontade" do fiscal. Depende de se indicar a subsunção dos fatos apurados na fiscalização, com o previsto nos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. • Não se caracteriza sonegação do Art. 71, I da Lei 4.502/64, porque o fato gerador destes tributos foram apresentados ao fisco, tanto que a empresa emitia Notas Fiscais Eletrônicas de entrada do gado para abate (item 4.5.3 do Relatório Fiscal). Assim, foram pelas Notas Fiscais emitidas pelo Sujeito Passivo, que teve acesso, a Autoridade fazendária, ao fato gerador da obrigação tributária, sua natureza e circunstância. • Não se caracteriza a sonegação do Art. 71, II da Lei 4.502/64, porque, mesmo que a empresa tenha sócios ocultos (o que se admite pela eventualidade), o fato de ela ser uma sociedade em comum, o que se admite pela eventualidade, isto não impede tenha, esta empresa, capacidade tributária passiva (Art. 126, III). De toda sorte, o que este dispositivo qualifica como sonegação é a ação ou omissão tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade fazendária das condições pessoais do CONTRIBUINTE. Excelência, neste caso, a empresa não era "contribuinte" do tributo (Art. 121, I do CTN), mas sim responsável tributária por seu recolhimento (Art. 121, II do CTN c/c Art. 30, IV da Lei 8.212/91). Ora, se a lei não aumenta a multa para a sonegação de condição pessoal do responsável tributário, mas apenas do contribuinte, não poderia, o fiscal, aplicar esta qualificação (mesmo que se admita, pela eventualidade, que houvessem sócios ocultos na empresa). • Jamais: impediu a ocorrência do fato gerador. A empresa jamais deixou de adquirir gado para abate (e informou isto ao fisco via Nota Fiscal Eletrônica de Entrada); excluiu as características essenciais deste fato gerador. A empresa adquiriu gado para abate, e informou isto ao fisco; modificou as características essenciais deste fato gerador. A empresa nunca disse que não estaria adquirido gado para abate. • Não se caracteriza o conluio, porque não presente fraude ou sonegação. • Há falta de Prova de que Jaime seja Sócio Administrador ou Sócioinvestidor no Frigorífico Boi Verde. • Jaime não era sócioAdministrador e não era sócio investidor/capitalista do Frigorífico. • A fiança em contrato de locação, não se traduz em "contribuição para o capital social de uma empresa", vez que esta fiança não é um serviço ou um bem. A fiança é uma singela "garantia", específica para aquele negócio jurídico (arrendamento). • O fato de o Impugnante ter patrimônio pode até significar que isto o legitimava para ser fiador no contrato de locação. Mas, entretanto, não há qualquer prova de que este patrimônio, do Fl. 7742DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.743 15 Impugnante, foi utilizado para integralizar capital social (e, evidentemente, que por se tratar de uma sociedade em comum (o que se admite pela Eventualidade), não se esta a falar de "capital social" registrado em contrato social, mas sim de capital social enquanto medida de contribuição econômica de um sócio para a atividade empresarial). • A singela análise estática da situação patrimonial do Impugnante (ou seja, a constatação de que ele tem patrimônio), não pode implicar na conclusão de que ele é sócio investidor da empresa, vez que, à caracterização da sociedade, seria mister, a análise da dinâmica deste patrimônio, ou seja, se ele foi, de alguma maneira, vertido mesmo que sem registro em contrato social, já que, aqui, se estaria partindo do pressuposto de que terseia em face de uma sociedade em comum, ao capital social desta empresa. • O fato de o Impugnante ter "fornecido" gado para o abate no Frigorífico Boi Verde, não pode, evidentemente, traduzirse em integralização de capital social, vez que houve, por parte do frigorífico, a correspondente contraprestação ao Impugnante, que, por determinação do Sr. Jaime, quitou, estes pagamentos, em contas correntes de titularidade de do Impugnante e de seus filhos (Rafael Valler e Fávio Valler). Este gado foi fornecido, mas, por ele, houve pagamento por parte do Frigorífico Boi Verde (como bem se sabe, na integralização de capital social mediante conferência de bens, a entrega, destes bens, tratase de um pagamento, e, se, pela entrega do bem, houve a contraprestação por parte do recebedor do bem, não há, por óbvio, um pagamento, ao revés, houve uma prestação pelo Impugnante, e, uma contraprestação por parte da empresa (se há contraprestação por parte da sociedade, não houve, certamente, conferencia de bens para fins de integralização de capital social). • Com efeito, este couro e subproduto, adquirido pela Qually Peles (empresa do Sr. Jaime), era repassado, imediatamente, ao Curtume Panorama (CNPJ 03.189.063/000126), que, ato contínuo, diretamente quitava o Frigorífico Boi Verde. • Notase, portanto, que este quantum não ficava sem ser quitado; ao revés, era quitado por um terceiro interessado, que, compensavase, por este pagamento, em relação à Qually Peles, por eventual crédito que pudesse a ela ser devida pela aquisição do couro e subproduto que antes, a Qually Peles, adquiriu do Frigorífico Boi Verde. • Ora, se houve a quitação pelo produto (desencaixe, do Impugnante, para com o Frigorífico Boi Verde, mesmo que a "transação financeira", tenha sido feita por uma terceira empresa (Curtume Panorama)), não houve, por óbvio, desconto pelo couro e subproduto adquiridos (do Frigorífico Boi Verde), que poderseia ser entendido como lucro distribuído disfarçadamente. Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.744 16 • Não há qualquer prova de que o Impugnante seja sócio administrador ou sócioinvestidor do Frigorífico Boi Verde, porque: a) do Gado para abate, vendido do Impugnante, ao Frigorífico Boi Verde, houve tanto pagamento direto nas contas correntes do Sr. Jaime, quanto nas contascorrentes de seus filhos (Rafael Valler e Flávio Vallér); b) o couro e subproduto, adquirido pela Qually Peles (empresa do Sr. Jaime Valler), do Frigorífico Boi Verde, foi quitado, a esta empresa, tanto pela Qually Peles quanto pelo Cortume Panorama, que era a empresa para a qual a Qually Peles revendia estas mercadorias. • As declarações de Rosalvo Neto Medeiros Santos, Osvaldo Nonato de Souza, Rosália Rodrigues Aguero, Aíthur José Vieira Jr, sem a possibilidade de reperguntas pelo Impugnante ou de contraditalas, não provam, em absoluto, que o Impugnante seja sócio do frigorífico, destarte a "prova" da declaração, mas não a "prova" de que o declarado seja verdadeiro. Neste sentido o Art. 408 do CPC é claríssimo. O processo 082969854.2013.8.12.0001, tratase de Ação renovatória de locação em que Impugnante sequer é parte. • O processo 012428225.2008.8.12.0001 prova que o Impugnante foi processado enquanto fiador de um contrato de locação, e não como "dono" do frigorífico. Aliás, na parte transcrita no relatório fala que "no início" o Sr. Jaime teria interesse em participar do empreendimento, mas que, evidentemente, não foi sócio da empresa, e abandonou esta posição de sócio (de fato e de direito, para ser exclusivamente um fiador no contrato de locação. • Não há possibilidade de Responsabilidade Solidária do Sócio Investidor pela obrigação tributária da sociedade em comum (irregular). • O Art. 134, VII do CTN não pode embasar esta responsabilização solidária porque: a) este dispositivo é de responsabilidade subsidiária (exige a impossibilidade de receber do devedor, tanto que o caput do Art. 134 estabelece que " Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte ..." ) ; b) tem que restar demonstrada a liquidação de sociedade de pessoas. Nenhum destes requisitos é sequer ventilado nos Autos de Infrações; • O Art. 990 do CC/2002, não trata de responsabilidade solidaria, mas sim subsidiaria, já que faz remição ao Art. 1.024 deste mesmo codex (Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade.... Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais). • Não há responsabilização solidária, mas sim uma responsabilização subsidiária, que se transmuda em solidária posteriormente a execução. E, neste caso, enquanto não houver Fl. 7744DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.745 17 execução, não se admite se falar em responsabilização solidária (enquanto não implementada a condição legal (... execução dos bens sociais...), carece de eficácia qualquer responsabilização solidária). • Quanto ao segundo motivo do Art. 124, à responsabilização solidária (as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal), e que foi o invocado pela fiscalização, este, também inaplicase, ao caso. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: a) conheça da Impugnação, suspendendo a exigibilidade do tributo: b) em relação a este Auto de Infração: hl) declare a inconstitucionalidade do Art. 25 da Lei 8.212/91, por ofensa ao Art. 195, §40 da Constituição Federal, já que este dispositivo criou, via Lei Ordinária, quando o correto, se fosse o caso, era a Lei Complementar, fonte de custeio, à seguridade social, diversa das previstas no caput do Art. 195 da CF/88; b.1) declare a inconstitucionalidade do Art. 2° da Lei 8.540/92, por ofensa ao Art. 62 do ADCT, já que este dispositivo criou, como fonte de custeio ao SENAR, fonte que não havia sido prevista na, na legislação, para o SENAI e SENAC; b.2) com esta declaração de inconstitucionalidade, declare como não exigível a obrigação acessória prevista no Art. 30, IV da Lei 8.212/91; b.3) declare a nulidade do Auto de Infração, por ausência de base legal válida à exigência deste tributo; b.4) pela eventualidade, em não sendo declarada a nulidade deste Auto de Infração, que se declare: b.4.i) a nulidade da aumento da multa (multa qualificada de 150%), já que os fatos indicados, pelo fisco, como suficientes ao alimento da pena, não subsumem aos Art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, e, de conseguinte, ao Art. 44, §1° da Lei 9.430/96; b.4.ii) ainda, pela eventualidade, a limitação da multa punitiva aplicada neste Auto de Infração, a 100% do valor do tributo devido, sob pena de a mesma ser tida por confiscatória; c) ainda pelo Princípio da Eventualidade, caso seja considerado válido o Auto de Infração, que: Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.746 18 c.1) se declare que o Impugnante não é sócio administrador ou sócio investidor do Frigorifico Boi Verde Ltda, e, por esta razão, não pode ser responsável pelos créditos indicados no Auto de infração; c.2) pela eventualidade, se declare que o Impugnante não é sócio administrador do Frigorífico Boi Vemde Ltda; c.3) pela Eventualidade, caso se considere que o Impugnante é sócioinvestidor deste Frigorífico, que se declare que ele não é responsável solidário pelos valores indicados no Auto de Infração, porquanto, a eventual caracterização de sócio, não atrai, à espécie, o Art. 124, I do CTN, sendo esta a medida que mais se coaduna com a Lei e a Justiça. Pretendese provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial a produção de prova documental, testemunha e pericial, rogandose, desde já seja utilizada, como prova empresta nestes autos, o Processo Administrativo sob n° 10140.721964/201458 (referente aos Autos de Infrações 51.062.8168, 51.062.817 6 e 51.062.8184). IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO AGOSTINHO SCATALÃO CPF 04 8.625.14 898. “A linha de raciocínio empregada pelo agente fiscal, (após uma análise minimamente aprofundada) mostrase absolutamente frágil e até mesmo temerária, e esteiase na conclusão de que como os sócios de direito não possuem patrimônio compatível com o empreendimento, seriam os Srs. Agostinho Scatalão (Impugnante), Dory Grando e Jayme Valler seus verdadeiros sócios (de fato), porquanto estes seriam detentores de patrimônio. Sustenta a tese de responsabilização do Impugnante no fato de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos teriam histórico de serem empregados de outros frigoríficos, bem como de que não teriam patrimônio compatível com a atividade desenvolvida pela empresa. • Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Há um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • As declarações de imposto de renda ora apresentadas fazem prova (que certamente seriam acessíveis ao agente fiscal, mas que estranhamente não foram mencionadas na sua linha de Fl. 7746DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.747 19 raciocínio) de que o Impugnante se trata de produtor rural com muito mais tempo de experiência no ramo do que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda. • A prova apresentada pelo Impugnante dá conta de que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio. • Antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP (Companhia Energética de São Paulo) quando da construção da Usina Jupiá (conforme crédito declarado nos impostos de renda dos anos de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014). Com os recursos provenientes desta compra e venda o Impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades rurais. • Este elemento (compra e venda de uma propriedade para a CESP), estranhamente desconsiderado pelo agente fiscal, que foi tão diligente na busca de tantos outros elementos para sustentar a irregularidade da gestão da empresa Boi Verde, é de fundamental importância, porque remonta à origem do patrimônio do Impugnante. • De modo que é possível afirmar que o vistoso patrimônio mencionado pelo agente fiscal foi adquirido pelo Impugnante antes mesmo de começar a trabalhar para o Boi Verde Alimentos Ltda. • Uma das atividades econômicas desenvolvidas pelo Impugnante é a compra de bovinos para engorda e posterior abate, ou seja, além de trabalhar para o Boi Verde Alimentos, continua a explorar a atividade pecuária. Adquire bezerros ou garrotes e os deixa para engorda, normalmente em pastos arrendados para posteriormente abatêlos no momento adequado. • Junta várias notas fiscais, do período em que trabalhou para o Boi Verde Alimentos Ltda., demonstrando que adquire animais para engorda. Conforme se denota das notas fiscais juntadas com a defesa, é possível verificar que eram adquiridos animais com pouca idade para engorda e depois abate no sujeito passivo, não se antevendo qualquer ilegalidade nesta conduta. • Na empresa Boi Verde Alimentos Ltda. o Impugnante trabalha na compra e venda de gado com os pecuaristas. De outro lado, como o Impugnante também é pecuarista, atuando na compra e venda de animais para engorda (atividade diversa da empresa Boi Verde Alimentos Ltda.) acaba sendo interessante trabalhar na empresa pelo fato de que possui contato constante com pecuaristas e, nestas condições, toma conhecimento de rebanhos que podem ser adquiridos para posterior abate. • Por força desta atividade o Impugnante realiza receita com a atividade e por isso tem condições de manter seus gastos e Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.748 20 propriedades, situação que passa distantemente da conclusão alcançada pelo agente fiscal de que seria interesse comum (jurídico) na exploração da atividade. • A boa fé do Impugnante resta demonstrada por sua postura, que muito além de negar genericamente os fatos, apresenta argumentos consistentes, acompanhados de robusta prova, o que permite concluir que não pode ser enquadrado como devedor solidário. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Como em tão ampla e extensa fiscalização não foi possível encontrar nenhum documento comprovando, de forma inequívoca, que seria o Impugnante responsável pela administração da empresa, ou então seu sócio de fato? • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. • Absolutamente tendenciosas as informações prestadas pelos ex funcionários acima mencionados, haja vista os danos por eles sofridos em razão das condutas adotadas pelo sujeito passivo, tendo inclusive Reclamações Trabalhistas ajuizadas em desfavor da empresa, tendo os declarantes como autores da demanda. • O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O Impugnante foi fiador do contrato, porquanto foi exigência do proprietário do imóvel para que o negócio (locação) fosse firmado e como trabalhava na empresa, foi garantidor do contrato. Não há qualquer ilegalidade nesta conduta, sendo que mesmo em casos em que o locatário possui patrimônio, ainda assim nessa modalidade de contrato é comum haver fiança de terceiro. • Os elementos considerados pelo agente fiscal para a responsabilização do Impugnante são absolutamente frágeis, insuficientes para comprovar o interesse comum (art. 124, I, do CTN) , de modo que deve ser julgado improcedente o Auto de Infração. Fl. 7748DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.749 21 • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo . • Não basta ao agente administrativo simplesmente alegar, porque acredita que assim seja, que o Impugnante é sócio da empresa, sem qualquer tipo de prova. • Os depoimentos utilizados no Auto de Infração, como também mencionado acima, não podem ser levados a sério, porquanto colhidos em respeito ao contraditório e, ainda, de pessoas que estavam simplesmente afirmando fatos por ouvir dizer. • Mesmo que se pretenda responsabilizar o Impugnante pelo disposto no art. 135, II do CTN, ainda assim é de se concluir que não houve provas suficientes de ilícito praticado, muito menos de dolo em sua conduta, o que implica, da mesma forma, no cancelamento do Auto de Infração. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.750 22 • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. IMPUGNAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DORY GRANDO CPF 305.095.64968. Da narrativa contida no Relatório Fiscal verificase que o agente fiscal coordenou sua atuação e linha de raciocínio para demonstrar: a) que os sócios constantes do contrato social não têm capacidade de sêlo, seja pela ausência de histórico de atuação administrativa em empreendimentos do mesmo segmento, seja pelo patrimônio incompatível com o negócio; b) que as pessoas de Dory Grando, Agostinho Scatalão e Jayme Valler estão em conluio e são os verdadeiros administradores da empresa, notadamente porque são respectivamente produtores rurais e empresários conhecidos em seus segmentos econômicos. • A solidariedade, por se tratar de extensão da responsabilidade, deve ser vista como exceção e somente aplicada nos casos em que a evidência e o interesse comum entre os supostos sujeitos passivos da exação tributária. Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.751 23 • O interesse comum não pode ser presumido, deve ser provado pela autoridade fiscal, com robustas evidências de que se trata de pessoas envolvidas na mesma atividade. • Não estão presentes sequer indícios a sustentar a fantasiosa tese que alicerça os Autos de Infração ora impugnados. Para que se possa concluir por qualquer responsabilidade do Impugnante com relação ao débito cobrado, necessário que se tenha por suficiente a prova produzida pelo Agente Fiscal para demonstrar o interesse comum na exploração da atividade do Boi Verde Alimentos Ltda. (art. 124, I, CTN). • Sustentouse nos Autos de Infração que os elementos para a responsabilização do Impugnante decorrem de uma conjugação de fatores que permitem a conclusão de que os sócios constantes do contrato social da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. não seriam os reais detentores de seu capital social, notadamente porque seriam pessoas sem expressão econômica, sem histórico na atividade na qualidade de empresários e, por fim, que possuiriam patrimônio absolutamente incompatível com o porte da empresa. Por primeiro é de se reconhecer até mesmo um certo preconceito na manifestação realizada pelo agente fiscal, porquanto não acredita na possibilidade do sucesso econômico e financeiro de pessoas que não tenham condições financeiras, ou mesmo estudo. • O início da responsabilização pretendida pelo agente fiscal decorre do fato de ser o Impugnante conhecido pecuarista e empresário no estado de Mato Grosso do Sul. Realmente o Impugnante é pessoa trabalhadora, desde tenra idade se dedicando ao trabalho para sair da origem humilde e conseguir melhores condições de vida para sua família, sendo que, ao contrário do que consignado pelo agente fiscal, ainda não se tem notícia de que esse tipo de postura é algum demérito. • Foi sócio da empresa Frigoara Frigorífico Arapongas Importação e Exportação de Carnes Ltda. Após encerrar as atividades no local, tendo transferido a sociedade a terceiros que continuaram na empresa, o Impugnante mudase para o Mato Grosso do Sul e como fruto do trabalho até então desenvolvido, tornase sócio da empresa Friporã – Frigorífico Bataiporã Ltda., situado na cidade de Bataiporã, tudo conforme documentação anexa. • Ocorre que a atividade infelizmente não foi exitosa, tendo o Impugnante de encerrar as atividades da unidade frigorífica, ficando vários débitos não pagos. Importante mencionar que o insucesso da atividade empresária não pode ser confundido com má fé ou ilícito, como quer fazer crer o agente fiscal. O Impugnante acabou ao longo dos anos perdendo seu patrimônio para dívidas decorrentes da atividade do Friporã e, por isso, não teve alternativa senão buscar fontes de renda onde seria possível. A dívida que recai sobre o Impugnante, de mais Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.752 24 de R$ 1.000.000,00 referente a multa ambiental aplicada à pessoa jurídica mas que lhe foi estendida. • Diante deste cenário por certo que o Impugnante se viu impossibilitado de continuar a exercer a atividade de empresário, sendo acometido de stress pelos problemas enfrentados. • Nada mais natural, portanto, que diante de situações como essas, seus familiares passem a auxiliar nos negócios, sendo por isso criada a pessoa jurídica Casagran, o que não se pode chamar de blindagem patrimonial, até porque mesmo os efeitos que pretende alcançar o agente fiscal eram inexistentes na época de sua constituição (1.997). • É leviana a tentativa do agente fiscal de chamar a atenção para o patrimônio das empresas constituídas pelo Impugnante. • O Impugnante constituiu todo o seu patrimônio antes de prestar serviços no sujeito passivo, e nada mais adquiriu após, justamente por força das dificuldades financeiras enfrentadas com o insucesso das atividades anteriores. • É realmente sócio do sujeito passivo, que fatura, como mencionado no auto de infração, centenas de milhões de reais por ano, como se poderia explicar que todo o seu patrimônio teria sido adquirido somente antes do início dos trabalhos no sujeito passivo? • Por ter sido sócio de dois frigoríficos anteriormente, possui conhecimentos importantes no mercado da carne processada (destino final da produção da planta frigorífica) e por isso é peça importante na atuação da empresa. Somente por isso, foi contratado para trabalhar no sujeito passivo. • A situação financeira do Impugnante, absolutamente diversa daquela noticiada no Auto de Infração, acabou por tornar necessário o aceite ao convite. • O Sr. Artur é o proprietário do imóvel onde o sujeito passivo exerceu suas atividades, por isso não possui conhecimento do modo pelo qual é explorada a atividade, porquanto não mantém qualquer tipo de convívio no local. • O Sr. Artur tinha interesse em prejudicar o sujeito passivo e essa é uma das formas pelas quais poderia fazêlo, porquanto poderia se deparar com imaginações férteis, prontas a criar uma ficção a respeito do assunto, como de fato ocorreu no caso do presente Auto de Infração. • O Impugnante trabalha na empresa no setor de comercialização de produtos, devido ao conhecimento que possui com vários pecuaristas. • O Auto de Infração não traz prova do interesse comum do Impugnante na gestão do negócio. Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.753 25 • Não há um único documento assinado pelo Impugnante na qualidade de representante do Boi Verde Alimentos Ltda. em toda a documentação apresentada pelo agente fiscal. • Os depoimento colhidos pelo Agente Fiscal em nada corroboram com a comprovação de que o Impugnante seria sócio de fato do sujeito passivo, tampouco que era o responsável pela administração da empresa. • Os depoimentos dos exfuncionários da Boi Verde Alimentos Ltda. não devem ser considerados no contexto probatório do presente caso. O interesse comum deve ser provado de forma cabal pela autoridade fiscal, porquanto a responsabilização fiscal é exceção e não pode ser considerada como regra, sujeita à caracterização por simples ilações do agente no sentido de encontrar a qualquer custo um responsável pelo pagamento do tributo. • O fato de o Impugnante ter possuído, algum dia, patrimônio, não pode ser considerado de forma isolada para fins de ampliação da responsabilidade tributária. E como demonstrado pela documentação acostada aos autos, atualmente não mais possui patrimônio, todo consumido pelas dividas deixadas pelas empresas anteriores, que não lhe podem ser atribuídas pessoalmente . • Esqueceuse de mencionar o agente fiscal que naqueles autos o Sr. Arthur prestou depoimento na qualidade de informante do juízo, tendo em vista o nítido interesse que possuía na causa, não podendo ser tido como prova inequívoca, ou mesmo elemento complementar, para concluir pela presença do interesse comum. • A fragilidade da linha empregada pelo agente fiscal se demonstra quando se aceita a sua linha de raciocínio, ou seja, de imaginar que os sócios do Boi Verde Alimentos Ltda. deveriam ter sido ouvidos e como não foram é porque não teriam conhecimento dos fatos, justamente porque seriam sócios de fachada. • Como reconhecido pelo próprio agente fiscal, não houve, por parte de nenhuma das demais testemunhas ouvidas no processo, qualquer menção ao fato de que o Impugnante seria sócio da empresa. Havendo várias testemunhas, é realmente estranho que nenhuma delas tenha mencionado fato de tamanha relevância para o deslinde da causa, apenas o proprietário do imóvel, interessado, portanto, e ainda assim o agente fiscal tenha lhe atribuído o peso de uma confissão. • Fosse o agente fiscal tão diligente na coleta de provas quanto foi em sua imaginação para criar a tese da responsabilidade solidária, poderia ter buscado alguma prova de que o Impugnante investiu dinheiro na empresa, integralizou capital de alguma forma, representa a pessoa jurídica, enfim, atos que Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.754 26 efetivamente poderiam fazer pressupor pela administração da sociedade e não somente levianas ilações. • E realmente não podem ser levadas a sério as alegações do agente fiscal a respeito dos depoimentos informais prestados à fiscalização de terceiros reconhecendo que seria o Impugnante o responsável pela administração da empresa. • Não se pode acreditar que um servidor público, ciente de suas responsabilidades, possa responsabilizar uma pessoa física por uma dívida de R$ 15.000.000,00 aproximadamente simplesmente porque pessoas compareceram à fiscalização e informaram (porque não depuseram) que, por ouvir dizer, seria o Impugnante o sócio da empresa. • Não há que se falar em interesse comum do Impugnante com a atividade do sujeito passivo. • Somente porque entende que os sócios do contrato social não têm condições de sêlo, bem como de que é necessário responsabilizar alguém pelo débito, buscou estender a responsabilidade ao Impugnante. • A quem se atribui a qualidade de administrador, de gestor de uma empresa do porte do sujeito passivo deve pelo menos demonstrar, de forma concreta, atos praticados neste sentido por aquele que se pretende responsabilizar. • Devido à flagrante inconstitucionalidade da exação, seja pelo fato de que não poderia a Lei Ordinária criar tributo, seja ainda porque sobre as pessoas jurídicas já incide a contribuição sobre o faturamento bruto (PIS/COFINS), o STF julgou procedente a ADIN 1103, para reconhecer a impossibilidade de incidência da contribuição. • A despeito do reconhecimento da inconstitucionalidade da cobrança para a pessoa jurídica, já reconhecida pelo STF quando do julgamento da ADin n. 1103, o legislador incorreu em outra ilegalidade, desrespeitando o entendimento da Corte Suprema, trazendo o FUNRURAL novamente para as pessoas jurídicas, através da Lei n. 10.256/2001, incluindo o art. 22A na Lei n. 8.212/9118. • Na tentativa de perpetuar a ilegalidade, houve a promulgação da Lei n. 10.256/2001, que voltou a fazer incidir a contribuição sobre a pessoa jurídica, neste caso fazendo inserir na Lei n. 8.212/91 o art. 22A, que não é menos inconstitucional do que o art. 25 da Lei n. 8.212/91, alterado pela Lei n. 8.870/94. • Houve aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançadas, totalmente equivocada, pois a lei esclarece que o percentual será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, e 30 de novembro de 1964. Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.755 27 • Não há qualquer prova de que o Impugnante tenha praticado alguma das qualificativas descritas na lei. • Os documentos ora carreados atestam que o Impugnante não praticou nenhuma conduta que possa se concluir por sonegação, fraude ou conluio. • Não há nenhuma prova colacionada aos autos que seja irrefutável e que ateste a veracidade da teoria mirabolante aplicada pelo agente fiscal no intuito de receber os tributos que entende devido. • Ainda que haja aplicação da multa, o valor constante nos Autos de Infração é totalmente irregular e desproporcional, de feição confiscatória, devendo ser reduzida a proporções razoáveis. PEDIDO O Sujeito passivo solidário requer: Diante do exposto, requer seja recebida a presente impugnação para ao final declarar a nulidade dos Autos de Infração invectivados, uma vez que restou demonstrado que o Impugnante não é agente solidário de Boi Verde Alimentos, não incorrendo assim em nenhuma infração. Não sendo a nulidade do auto de Infração reconhecida, o que não se espera, requer seja declarado totalmente improcedente o Auto de Infração, visto que o Impugnante não possui interesse comum nas atividades do Boi Verde Alimentos, não sendo devedor solidário. Outrossim, requer a improcedência do Auto de Infração, para que se possa reconhecer a ilegalidade da cobrança do FUNRURAL, previsto no art. 25 da Lei n. 8.212/91 sobre a comercialização dos produtos decorrentes de suas atividades, tendo em vista a impossibilidade de instituição de tributos por Lei Ordinária, caso da Lei PI. 8.212/91, dada a afronta ao art. 146, III da CF/88. Caso assim não se entenda, requer seja julgada procedente a impugnação para reduzir a multa aplicada ao Impugnante, com base no principio da proporcionalidade e em respeito ao art. 150, inc. IV da CF/88, sobre o valor do imposto eventualmente devido. Protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), às fls. 7220/7265, dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.756 28 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2013, 2015 DO LANÇAMENTO E SUA NULIDADE. Somente constando os requisitos legais expostos no art.42 do CTN e inexistindo ação feita por pessoa incompetente ou impedindo de alguma forma o direito de defesa. DA CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária somente sendo o poder judiciário competente para julgar a ilegalidade da norma ou não. DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É proibida a extensão dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO DO INTERESSE DE TERCEIRO NOS FATOS QUE GERARAM A EXIGÊNCIA FISCAL. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS. INTERESSE COMUM. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Foi comprovado nos autos que terceiros conduziam negócios para a empresa, quando quem detinha essa responsabilidade obrigacional era os responsáveis de empresa em questão onde os terceiros não possuíam capacidade econômica para garantir as obrigações da pessoa jurídica, onde é preciso manter a sujeição passiva solidária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR OU SEGURADO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE DA PRODUÇÃO RURAL. A produção rural é obrigada a cumprir obrigações previstas no art. 25 da Lei 8.212/91, onde seja qual for suas operações independentemente de as operações de venda, é obrigada a efetuar a retenção dos valores previdenciários. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. PRECLUSÃO PROBATÓRIA. A prova documental será apresentada na impugnação, com preclusão do direito de fazêlo em outro momento processual, a Fl. 7756DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.757 29 menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Crédito Tributário Mantido” Acerca das preliminares levantadas, assim entende a DRJ: Sobre a nulidade do lançamento elencada, decide citando o art. 59, o qual estipula que são nulos os lançamentos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não ocorreu no presente caso. Quanto a inconstitucionalidade, decide a delegacia que o órgão em questão não é competente para tratar de tal matéria, pois somente o poder judiciário é o titular desta competência. Por sua vez, no tocante a jurisprudência judicial e administrativa apresentada, entende que não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatada, devendo seu conteúdo decisório ser aplicado apenas as partes envolvidas naqueles litígios. No Mérito decide que: Deve ser mantida a responsabilidade solidária para com os três sujeitos passivos. A autoridade julgadora afirmou que o caso em questão já foi analisado nos autos da PAF nº 10140.721964/201458, e tanto naquela oportunidade quanto nos presentes autos os RECORRENTES não juntaram provas capazes de afastar os levantamentos realizados pela autoridade fiscal. Quanto aos demais argumentos, quais sejam, aplicação da multa qualificada, da contribuição rural ao Senar e da contribuição ao FUNRURAL, entendeu o julgador que todas as condutas foram respaldadas pelo princípio da estrita legalidade, e que ante a previsão legal, não cabe à autoridade fiscal fazer nenhum juízo de conveniência e oportunidade. Portanto, plenamente válidos. Dos Recursos Voluntários Em princípio destacase que apenas os responsáveis solidários apresentaram Recurso Voluntário, de forma que, para a pessoa jurídica, a decisão da DRJ transitou em julgado. Desta forma, foram apresentados os seguintes recursos voluntários: (i) Jaime Valler: devidamente intimado em 17/4/2017 (fls. 7542), apresentou o recurso voluntário de fls 7551/7575 em 3/5/2017; (ii) Dory Grando: mesmo não intimado (correspondência retornou ao remetente – fl. 7546) em 19/4/2017, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7578/7614 em 16/05/2017; e (iii) Agostinho Scatalão Neto: devidamente intimado em 2/5/2017 (fl. 7548), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 7643/7678 em 16/5/2017. Fl. 7757DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.758 30 Em suas razões de recurso, os RECORRENTES reiteraram o alegado em suas Impugnações. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos legais, razões por que deles conheço. MÉRITO Da Responsabilidade solidária Destaco adiante os principais pontos que culminaram para a atribuição da responsabilidade solidária no presente caso. No presente caso, a autoridade lançadora, após diversas tentativas infrutíferas de localizar a empresa devedora, diligenciou perante os locais onde funcionavam a empresa e a filial, assim como no endereço dos seus sócios de direito, todas tentativas sem sucesso. Nas visitas, coletou informações de exfuncionários da Boi Verde, assim como do proprietário das instalações onde funcionavam a filia da empresa (Sr. Artur José Vieira Júnior). Na ocasião, um dos exfuncionários (Sr. Rosalvo Neto) informou que as correspondências da Boi Verde, “após o fechamento do frigorífico, passaram a ser encaminhadas para um escritório montado nas dependências do jornal O Estado do MS, empresa de propriedade do Sr. Jaime Valler”, o qual foi fechado “devido à repetidas visitas de oficiais de justiça ocasionadas por inúmeras ações trabalhistas movidas contra a empresa”. Estas mesmas informações foram confirmadas por outro exfuncionário (Sr. Osvaldo Nonato), o qual ainda afirmou que, após o fechamento do frigorífico, o Sr. Jaime Valler “levou todas as máquinas para uma de suas empresas gerando uma demanda judicial contra ele por parte do Sr. Artur dono das instalações”, e que a sócia de direito (Sra. Gilmara) era cunhada do Sr. Agostinho Scatalão e não tinha poderes na estrutura de comando da empresa. O proprietário das instalações onde funcionavam a filia da Boi Verde (Sr. Artur José Vieira Júnior) informou à autoridade fiscal que todos os acordos de negociações do aluguel do imóvel do Sr. Artur foram feitos com os senhores Agostinho Scatalão Neto e Jaime Valler, que aparecem como fiadores com renúncia dos benefícios de ordem (fls. 216/223). Informou também as negociações para solucionar o inadimplemento do aluguel eram tratadas pelo Sr. Dory Grando e que “quando a empresa abandonou as instalações, o Sr. Jaime Valler levou o maquinário do frigorífico que eram de sua propriedade para uma das empresas dele na cidade de Campo Grande/MS”. Fl. 7758DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.759 31 Através análise dos autos de um dos processos judiciais movidos por decorrência da inadimplência do aluguel (processo nº 082969854.2013.8.12.0000), a autoridade fiscal constatou depoimento prestado em juízo, durante audiência de instrução, pelo Sr. Artur no sentido de que “antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; (...)”. Tais constatações ratificam trabalho anterior de fiscalização na mesma empresa Boi Verde, que culminou no PAF nº 10140.721964/201458 (Relatório Fiscal às fls. 346/366). Segundo a fiscalização, naquela oportunidade a autoridade responsável pelo lançamento “demonstrou que a empresa Boi Verde Alimentos LTDA, usava de interpostas pessoas para encobrir os verdadeiros proprietários e responsáveis com a intenção de burlar o fisco e proteger seus patrimônios pessoais”. Assim, destacou diversos trecho do Relatório Fiscal do PAF de 2014 para demonstrar o “modus operandi” da empresa e identificar os responsáveis de fato (fls. 33/38), dentre os quais destaco os seguintes: “Item 2.16. O sujeito passivo, com o suporte técnico do contador João Lemos Sandi, limitase a apresentar à fiscalização escassos documentos, deficientes e insuficientes para o alcance de uma auditoria fiscal abrangente e minuciosa. Segundo declaração firmada pela sócia Gilmara Eloiza Cavalcante em 08/03/2012 e apresentada à fiscalização pelo contador João Lemos Sandi, anexo 04, a empresa Boi Verde Alimentos não possui Livro Diário e Razão nos anos calendários 2008, 2009 e 2010, embora esteja legalmente obrigada a têlos. Ou seja, segundo sua "proprietária" a empresa não mantém escrituração contábil regular. Ora, não é factível que um empreendimento que faturou R$ 50.238.213,22, em 2008, R$ 87.504.380,43 em 2009 e R$ 92.499.898,22 em 2010, seja administrado sem o suporte de uma escrita contábil, de relatórios contábeis, de controles contábeis. (...)” “Item 2.17. Temse assim uma empresa sem patrimônio, com sócios desprovidos de capacidade econômica e gerencial, que não cumpre de forma contumaz suas obrigações tributárias e que reiteradamente causa embaraços à fiscalização. Estes fatos esboçam procedimentos que visam mascarar, artificiosamente ocultar e dissimular os negócios de terceiros, pois mantém os seus verdadeiros controladores no anonimato, preservando os seus patrimônios pessoais. Os sócios formais aparentam assumir um papel de comando, de direção, mas factualmente não possuem qualquer autoridade e responsabilidade. Este conjunto de indícios evidencia que os sócios que compõem formalmente a pessoa jurídica são interpostas pessoas, condição esta que modifica dolosamente as características dos fatos geradores dos tributos decorrentes de suas atividades econômicas, vez que se apresentam ficticiamente no polo passivo da obrigação tributária, ocultando terceiros responsáveis efetivamente pela ocorrência dos fatos geradores de tributos.” "Item 3.4. Muito embora o sujeito passivo Boi Verde seja uma empresa desprovida de qualquer patrimônio, cujos sócios são manifestamente interpostas pessoas, os senhores Jaime Valler e Agostinho Scatalão não titubearam em empenhar seu patrimônio Fl. 7759DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.760 32 obrigandose como devedores principais e renunciando ao benefício de ordem. Evidente está o interesse de ambos no êxito do empreendimento empresarial, pois sem o suporte financeiro destes o frigorífico jamais iniciaria suas atividades naquelas instalações." "Item 3.8. É notório e revelador o desinteresse das partes em ouvir os “sócios proprietários” da Boi Verde Alimentos Ltda. Ouviuse até mesmo o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas, estranhamento, não se ouviu os "proprietários" da empresa frigorífica, a princípio os maiores interessados no deslinde da causa. Entrementes, não há ao longo do moroso e custoso processo judicial qualquer manifestação ou declaração pessoal dos supostos sócios proprietários ou de seus herdeiros, pois na data da oitiva das testemunhas, 30/11/2011, Bráulio Aguero já havia falecido. Tais circunstâncias corroboram o afirmado pelo Sr. Artur José Vieira Junior de que as negociações referentes ao arrendamento foram realizadas com os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão e José Aparecido Tomazelli. A participação da dupla Gilmara Eloíza Cavalcante e Bráulio Aguero resumiuse às formalidades de apor suas assinaturas no contrato." " Item 3.12. Muito embora o Sr. Agostinho Scatalão seja uma pessoa de posses e pecuarista fornecedor de gado para o sujeito passivo, com situação patrimonial amplamente superior a dos “sócios proprietários” do frigorífico Boi Verde, o mesmo figura formalmente como empregado deste frigorífico. Observase assim uma inversão da ordem natural dos fatos, pois os que comandam efetivamente e proveem sustentação financeira ao empreendimento empresarial apresentamse formalmente como empregados e aqueles de minguado patrimônio e desprovidos de capacidade gerencial, reles subordinados, colocamse formalmente à frente da pessoa jurídica. A situação fática diverge frontalmente daquela retratada no contrato social, revelando que houve simulação na constituição do sujeito passivo." " Item 3.13. Conforme declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, Agostinho Scatalão Neto iniciou seu suposto vínculo empregatício com o sujeito passivo em 01/10/2005. Destaquese que este é o único vínculo empregatício mantido em toda a vida laboral do Sr. Agostinho Scatalão Neto. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Agostinho informa como ocupação principal o código 120, correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". Consta ainda como "empregada" do frigorífico a esposa do Sr. Agostinho, a Sra. Iara Joelma Cavalcante, CPF 206.426.62835, que igualmente declara como ocupação principal o código correspondente a "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". No ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários Fl. 7760DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.761 33 recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo." " Item 3.24. Não obstante o Sr. Dory Grando ser detentor de vistoso patrimônio e se apresentar como pecuarista e empresário, o mesmo consta nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP como empregado do sujeito passivo Boi Verde Alimentos Ltda. Conforme informado na GFIP, o suposto vínculo empregatício iniciouse em 01/10/2005, mesma data do início do igualmente suposto vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto. " " Item 3.25. Em suas Declarações de Ajuste Anual do IRPF Dory informa a natureza da ocupação como “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. A esposa do Sr. Dory Grando, Sra. Marlene Casavechia Grando, CPF 624.799.20925, também consta como "empregada" do frigorífico Boi Verde. No entanto, igualmente declara como natureza de sua ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou EmpregadorTitular” e como ocupação principal “Produtor na Exploração Agropecuária”. No ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos do frigorífico Boi Verde no total R$ 162.582,87." " Item 3.26. Há também aqui uma inversão de papéis. De um lado pessoas desprovidas de patrimônio e capacidade financeira apresentamse formalmente como proprietários de uma indústria frigorífica que fatura dezenas de milhões, sem quaisquer bens e carregada de dívidas tributárias. Do outro lado, uma pessoa com extenso patrimônio conhecido, pecuarista e fornecedor do próprio frigorífico, apresentase formalmente como empregado deste." Ora, todos os fatos acima apontados e verificados pela fiscalização convergem para o entendimento de que quem comandava e forneciam sustentação administrativa e financeira para a Boi Verde eram, de fato, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando. Note que desde a celebração do contrato de locação, referidas pessoas foram quem se apresentaram à frente do negócio, conforme destacou o proprietário do imóvel locado onde funcionou a filial da Boi Verde. Tanto que os mesmos Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatalão Neto figuraram como fiadores no contrato, renunciando ao benefício de ordem, revelando o nítido interesse comum no negócio, tendo em vista que a empresa Boi Verde era desprovida de patrimônio e os seus sócios de direito possuíam poucos recursos, o que colocava os fiadores como a principal fonte de segurança do contrato de arrendamento, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus já que eram os principais pagadores pois renunciaram o benefício de ordem. Tal situação revela o interesse comum dessas pessoas físicas com a empresa Boi Verde, o que ficou demonstrado também pela iniciativa e empenho nas articulações da locação. Fl. 7761DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.762 34 Conforme o Contrato Social e alterações da empresa Boi Verde (fls. 291/313) esta foi constituída em 27/11/2002 e tinha como sócios os Srs. Bráulio Aguero e Ceríaco Morales Rodrigues. Este último foi substituído até que figurou como sócia, em 20/11/2003, a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Mediante análise das informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS (fls. 315/321), que o Sr. Bráulio Aguero, a despeito de figurar no contrato social como sóciogerente da empresa Boi Verde, figurou como seu empregado de 01/08/2001 a 31/01/2003 (na matriz) e de 16/05/2006 a 07/07/2006 (na filial), e que a Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante também era empregada da Boi Verde no período de 01/06/2003 a 1/11/2003, com salário de R$ 500,00, alguns dias antes de figurar no quadro social da empresa (alteração contratual de 20/11/2003). Ademais, ainda segundo o CNIS, o sócio original (Sr. Ceríaco Morales Rodrigues) trabalhava como motorista de carro de passeio (CBO 7823) e a pessoa que o substituiu na sociedade da empresa antes da Sra. Gilmara (Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero) também era empregado da Boi Verde desde 01/10/2007. Destaco também que o Sr. Agostinho Scatalão Neto (fiador do contrato de locação) e o Sr. Dory Grando constam em GFIP como funcionários da Boi Verde, sendo evidente que a situação patrimonial de ambos era bastante superior ao dos sócios de direto, os quais não possuíam patrimônio que respaldasse a abertura do negócio. Este foi o único vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto em toda sua vida. Outra constatação que chama muita atenção é o fato de as esposas dos Srs. Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando constarem também como empregadas da Boi Verde. Em suas respectivas Declarações de Ajuste Anual do IRPF, o Sr. Agostinho e sua esposa informam como ocupação principal “Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços”. Por sua vez, o Sr. Dory Grando e sua esposa declaram como natureza da ocupação “Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador Titular” e a ocupação principal como “Produtor na Exploração Agropecuária”. Ademais, os salários declarados pelos casais representam uma pequena parte de seus rendimentos, o que revela que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade da situação de empregado. Não seria crível uma pessoa continuar como empregado sendo que os frutos colhidos em razão de tal relação representam apenas 6% de todo o rendimento auferido no ano. Ademais, segundo relato de terceiros, os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando se apresentavam para o mercado como proprietários da Boi Verde. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao incluir os Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando como responsáveis solidários desta autuação, com fulcro no princípio da primazia da realidade dos fatos sobre as formas dos atos, pois estas pessoas possuem nítido interesse comum nos negócios da Boi Verde. Conforme exposto, os autos de infração que compõem o presente processo administrativo foram formalizados com base nos mesmos fatos e documentos em que se formalizaram os autos de infração que compõem o PAF nº 10140.721964/201458, processo com o mesmo objeto e referente às competências de 01/2009 a 12/2012. Acontece que esse outro processo já foi objeto de julgamento pela segunda turma desta 2ª câmara, no acórdão CARF nº 2202003.740, de 03/04/2017. Fl. 7762DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.763 35 De outro lado, analisando o referido acórdão, constatase que as defesas apresentadas pela Contribuinte são as mesmas. Inclusive, também os acórdãos recorridos têm as mesmas conclusões. Por essa razão, adoto os fundamentos ali esposados em sua integralidade para compor parte do presente voto: MÉRITO Responsabilidade solidária De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 51/71, os Senhores JAIME VALER, AGOSTINHO SCATALÃO NETO e DORY GRANDO são sujeitos passivos solidários do débito em questão, nos termos do art. 124, I, do CTN (Termo de Sujeição Passiva de fls. 06/07), por terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, posto que foram considerados sócios de fato da empresa frigorífica BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., enquanto os sócios formais são pessoas interpostas. Os fatos que conduziriam a tal conclusão e o inconformismo dos recorrentes são analisados na sequência. Sócios formais pessoas interpostas Conforme o Relatório Fiscal (fls. 51/71), a empresa BOI VERDE ALIMENTOS LTDA., foi constituída em 27/11/2002, com o capital social de R$ 100.000,00 e tendo no quadro societário o Sr. Bráulio Aguero e o Sr. Ceríaco Morales Rodrigues, sendo este último substituído pelo Sr. Luiz Carlos Rodrigues Aguero (filho do Sr. Bráulio Aguero) em 29/01/2003, que também foi substituído, em 20/11/2003, pela Sra. Gilmara Eloiza Cavalcante. Com fulcro nas informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) (anexos), a fiscalização constatou que essas pessoas tiveram vários vínculos empregatícios em frigoríficos e matadouros e observa, por exemplo, que: embora conste no contrato social que o Sr. Báulio exercerá a gerência da empresa, este manteve vínculo empregatício com a Boi Verde de 16/05/2006 a 07/07/2006; que o Sr. Ceríaco exerceu funções de motorista; que o Sr. Luiz Carlos desde 02/05/2010 é empregado da Boi Verde; que a Sra. Gilmara trabalhava como auxiliar de escritório na Boi verde, com o salário mensal de R$ 500,00 e dezenove dias após a rescisão de seu contrato de trabalho passou a exercer o cargo de diretora administrativa da sociedade "com todos os poderes para executar os atos de administração e decidir sobre todos os negócios e questões de interesse da sociedade". O auditor também transcreve trecho de decisão, publicada em 29/10/2003, relativa ao processo judicial nº 001005006.2003.4.03.6000, movido pela Boi Verde Alimentos Ltda. contra o INSS, na qual foi consignado que o local de residência dos sócios dessa empresa seria "incompatível, em tese, com a magnitude da atividade que exploram". Fl. 7763DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.764 36 Menciona que na ficha de "Bens e Direitos" das Declarações de Ajuste Anual, a Sra. Gilmara declara apenas as cotas da empresa Boi Verde, no valor de R$ 50.000,00; e o Sr. Bráulio, uma casa em bairro periférico de Campo Grande/MS, um veículo 2003, e as cotas da Boi Verde, totalizando R$ 78.000,00. Salienta que não há registro de recebimentos de lucros dessa empresa. A fiscalização não conseguiu localizar a sócia Gilmara Eloiza. Nas diligências realizadas no estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS, a fiscalização sempre foi atendida por Jair Benites Rodrigues, funcionário do "financeiro". Segundo este, a sócia Gilmara estaria viajando. Em diligências realizadas pela fiscalização, em junho de 2012, nos endereços residenciais dos sócios da Boi Verde, constatouse se tratar de moradias modestas, conforme fotografias colacionadas no Relatório Fiscal, e soubese, pelos pessoas que lá residem, que o Sr. Bráulio faleceu há sete anos e que a Sra. Gilmara estaria viajando sem previsão de retorno ou que teria se mudado, informações essas corroboradas por certidões do Poder Judiciário, colacionadas no Relatório Fiscal e trazidas às fls. 104/109. Em diligência no endereço do estabelecimento matriz da empresa da empresa Boi Verde, localizado na Rod. MS 080 S/N Km 71, no município de Rochedo/MS, a autoridade fiscal verificou que as instalações frigoríficas estavam sendo operadas por outra empresa (Navi Carnes Ind. e Com. Ltda) desde 2007 e o responsável pelo RH desconhecia a existência da Boi Verde. Ou seja, o estabelecimento matriz da empresa não foi localizado no endereço cadastral informado à RFB, embora o seu faturamento em 2011 tenha sido de R$ 126.785.000,91 e em 2012 de R$ 150.781.803,71. As atividades operacionais são desenvolvidas unicamente em um estabelecimento filial localizado na Rod. BR 163 Km 393, Zona Rural de Campo GrandeMS. A fiscalização informa que as dívidas tributárias acumuladas pelo sujeito passivo junto ao Fisco Federal são bastante elevadas, tendo sido lançados em anos anteriores créditos tributários no montante de R$ 60.529.920,97. Assevera, porém, que a expectativa de satisfazer estes créditos em favor da Fazenda Pública é praticamente nula, pois a pessoa jurídica e seus "proprietários" formais não possuem qualquer patrimônio exequível. Por meio do contador João Lemos Sandi foram apresentados escassos documentos e declaração da sócia formal de que não há escrituração de 2008, 2009 e 2010 (fls. 111), embora estivesse obrigada a têlas. A fiscalização ressalta que é prática regularmente adotada pelo sujeito passivo furtar o alcance dos objetivos inerentes à auditoria fiscal. Fl. 7764DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.765 37 Assim, se está diante de uma situação em que a empresa não tem patrimônio; não faz a escrituração contábil; os sócios são desprovidos de capacidade gerencial e econômica, e sequer são localizados pelo fisco ou pela Justiça Federal; há contumaz descumprimento das obrigações tributárias acessórias e principais; causasse embaraços à fiscalização, como a manutenção cadastral da matriz em endereço em que não está fisicamente localizada, a inacessibilidade aos sócios formais, a escassa apresentação de documentos. Há, portanto, que se concordar com a autoridade fiscal de que as pessoas que compõem o quadro societário formal não os sócios reais e que ocorreu simulação fraudulenta na constituição da empresa Boi Verde Alimentos Ltda., com o intuito de ocultar os verdadeiros sócios e de suprimir o recolhimento de tributos. Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Jaime Valler Tendo sido vencida na questão do conhecimento de ofício quanto à sujeição passiva solidária do SR. JAIME VALLER, passo a analisar essa matéria também no que lhe diz respeito. Ao se analisar os elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendesse comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Como noticia o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o frigorífico Boi Verde iniciou suas atividades em uma unidade industrial de propriedade do SR. JAIME VALLER localizada na cidade de Rochedo/MS; que posteriormente estas instalações foram vendidas para o Sr. José Clarindo Capuci, onde passou a operar uma unidade do frigorífico Navi Carnes; que, por conseguinte, o SR. JAIME VALLER negociou o arrendamento da planta frigorífica de sua propriedade (do Sr. Artur) localizada na Rod. BR 163, km 393 – C. Grande/São Paulo; que desde então passou a operar nestas instalações o frigorífico Boi Verde; e que os subprodutos e o couro produzidos pelo Boi Verde são destinados ao SR. JAIME VALLER. A cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. fls. 112/118), estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores JAIME VALLER e Agostinho Scatalão Neto. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca desse contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o Sr. JAIME VALLER e esposa, e o Sr. Agostinho Scatalão e esposa, tendo sido Fl. 7765DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.766 38 arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Nessa lide, no depoimento em juízo, do Sr. Artur José Vieira, pai do locador (fls. 120/121), consta: "... que antes da assinatura do contrato a conversa era de que o locatário seria Jaime Valler; que antes de assinar o contrato o declarante e Jaime foram até a justiça do trabalho para fazer o levantamento dos débitos trabalhistas; que esse fato inclusive saiu no jornal de Jaime; que quando foi assinar o contrato apareceu a Boi Verde, Tomazelli e Agostinho Scatalão; ...". E o depoimento do SR. JAIME VALLER nessa contenda também demonstrou seu minucioso conhecimento das tratativas do arrendamento e das instalações do frigorífico, conforme os seguintes trechos (fls. 122/123): (...) o Ministério da Agricultura só suspendeu o SIF após o início dos trabalhos da Boi Verde (...); (...) recebeu ligação de "Artur pai", certa vez, se queixando dos descontos [no valor do aluguel pago]; (...) que as partes fizeram acordo de reservar o mínimo de R$ 30.000,00 de aluguel; (...) que os descontos efetuados no aluguel eram decorrentes de dívidas trabalhistas, bloqueios judiciais e reformas; (...);que foi feita reforma na parte da lagoa, ambiental, sala de matança, escritório, asfalto interno, reformaram as câmaras e motores; que houve melhoria na parte elétrica; que o frigorífico tinha capacidade para abater 100 cabeças e hoje tem capacidade para 400; (...) que no início do contrato foi feito um acordo com relação às dívidas trabalhistas; (...) que participou apenas da reunião com o desembargador João de Deus para a negociação destas dívidas; (...). A atitude de ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A iniciativa e empenho nas articulações da locação, assim como o conhecimento de detalhes de questões relacionadas ao empreendimento, reforçam a constatação de que interessado está à frente dos negócios da empresa Boi Verde Alimentos Ltda. O Relatório Fiscal também dá conta que o SR. JAIME VALLER possui vasto patrimônio, é pecuarista e fornecedor de gado para abate na empresa frigorífica Boi Verde; empresário de destaque na cidade, sócio de várias empresas, entre elas a Qually Peles Ltda., cliente da autuada. E verificou ainda que a transações comerciais entre as empresas Boi Verde Alimentos Ltda. e Qually Peles Ltda. não são compatíveis com a movimentação de recursos entre elas, pois o valor das vendas de peles feitas pela autuada à Qually Peles nos anos de 2009 a 2012, somaram mais de R$ 24.000.000,00, e a movimentação financeira entre as Fl. 7766DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.767 39 empresas nesse período ficou muito aquém desse montante (aproximadamente R$ 300.000,00) (quadro às fls. 60). Enfim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) Portanto, necessário manter o recorrente no pólo passivo solidário desta autuação. Responsabilidade solidária sócio de fato Sr. Agostinho Scatalão Neto Em sede de recurso (fls. 2316/2350), Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; Fl. 7767DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.768 40 que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. No entanto, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou o Relatório Fiscal (fls. 51/71), o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o Sr. AGOSTINHO SCATALÃO NETO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Dory Grando, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). O conteúdo desse depoimento se confirma diante da cláusula segunda do Instrumento de ReRatificação e Aditamento de 02/02/2004, do referido Contrato de Locação de Bens Móveis e Imóveis (anexo 5 fls. 112/118), que estabelece, como garantia do cumprimento das obrigações, que o locatário oferece como fiadores e principais pagadores, que renunciam ao benefício de ordem, os senhores Jaime Valler e AGOSTINHO SCATALÃO NETO. A concordância em ser fiador de uma empresa desprovida de patrimônio e constituída por sócios formais com poucos recursos, sujeitandose à possibilidade real de arcar com o ônus do contrato de arrendamento, como principal pagador e sem benefício de ordem, revela o interesse comum do recorrente com a empresa autuada. A autoridade fiscal diz que na contenda judicial acerca do contrato de arrendamento (processo 012866546.2008.8.12.000111 ª Vara Cível de Campo Grande), constam como partes o sujeito passivo, o SR. Jaime Valler e esposa, e o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO e esposa, tendo sido arroladas diversas testemunhas, inclusive o funcionário do setor financeiro do frigorífico, o Sr. Jair Benites Rodrigues, mas não foram arrolados os "sócios proprietários" (Sr. Bráulio e Sra. Gilmara) da empresa Boi Verde. Tais circunstâncias também corroboram as informações prestadas pelo arrendador, Sr. Artur, sobre os verdadeiros sócios gerentes da empresa. O fato de o Sr. Artur José Vieira Júnior estar em litígio com o recorrente em ação de despejo, não desqualifica a prestação de informações ao fisco e o depoimento de seu pai à Justiça, como se aventou no recurso, pois o locador em questão não depende do reconhecimento da condição de sócio dos fiadores para obter sucesso na lide judicial. O Relatório fiscal também dá conta que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO possui patrimônio considerável, tendo obtido receita bruta de comercialização de bovinos no ano de 2013, no Fl. 7768DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.769 41 valor de R$ 1.013.686,82, para a Boi Verde (conforme Declaração de Ajuste Anual do IRPF2014). Traz tabela quantificando as vendas de gado para abate que fez à Boi Verde de 2009 a 2012. E, apesar de ter situação amplamente superior a dos "sócios proprietários", figura formalmente como empregado do frigorífico desde 01/10/2005, sendo esse seu único vínculo laboral. Sua esposa, Sra. Iara Joelma Cavalcante, também consta como empregada do frigorífico; e ambos informam na declaração de imposto de renda o código de ocupação principal 120, que corresponde à "Dirigente, presidente, e diretor de empresa industrial, comercial ou prestadora de serviços". A fiscalização mostra, ainda, que no ano de 2013 o casal declarou receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 2.047.373,64, rendimentos de aplicações financeiras de R$ 104.564,38 e "salários" de R$ 166.009,43. Ou seja, os salários recebidos do frigorífico Boi Verde equivalem a tão somente 6% das rendas declaradas, revelando, assim, que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Agostinho à frente dos negócios do sujeito passivo. Dessa forma, por um lado, deparase com uma empresa frigorífica que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). Por outro lado, constatase a presença no empreendimento de pecuarista com patrimônio considerável; que se coloca como fiador de empresa sem patrimônio e constituída com sócios aparentes, em contrato de locação para funcionamento do frigorífico, como um dos principais pagadores e sem benefício de ordem, evidenciando o interesse comum no empreendimento; reconhecido informalmente pelo locador como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no processo judicial acerca desse contrato); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, com receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vinculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Fl. 7769DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.770 42 Logo, em face do princípio da primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, diferentemente do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Cumpre registrar também que não procede o argumento de que a autoridade julgadora de primeira instância teria entendido que o recorrente foi considerado sócio por força do patrimônio adquirido na empresa Boi Verde. Como se verifica no trecho do voto condutor do acórdão da DRJ, a seguir reproduzido, ficou claro que a relatora entendeu que uns dos elementos considerados pelo fisco para identificar o recorrente como sócio de fato foi seu patrimônio adquirido antes de trabalhar na Boi Verde: O impugnante alega que não pode ser considerado como administrador da empresa simplesmente pelo fato de que possui patrimônio, pois antes mesmo de ingressar na empresa Boi Verde Alimentos Ltda, o impugnante possuía uma área de terras na cidade de Bataguassu, tendo sido posteriormente objeto de desapropriação para CESP, e com os recursos provenientes desta compra e venda o impugnante foi, aos poucos, adquirindo gado e outras propriedades. Ora, mas nem precisaria de o impugnante comprovar que já possuía patrimônio antes de ingressar na empresa Boi Verde, pois foi exatamente isso que a fiscalização quis demonstrar, que o impugnante era detentor de um vasto patrimônio antes de ser empregado da Boi Verde. E não foi simplesmente pelo fato de já possuir patrimônio que o impugnante foi considerado como administrador da empresa, e sim por todas as constatações feitas pelo fiscal, Fl. 7770DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.771 43 narradas no Relatório e comprovadas com os documentos juntados aos autos. Portanto, não procede o entendimento do impugnante no sentido de que “em se demonstrando que o patrimônio do Impugnante foi adquirido com bens anteriores inclusive ao ingresso na atividade, é de se ter por completamente desmontada a frágil linha de raciocínio defendida no Auto de Infração”, pois, como visto, a fiscalização nunca quis demonstrar que os bens do impugnante foi adquirido após seu ingresso na Boi Verde. O que a autoridade lançadora demonstrou foi a inversão da ordem dos fatos, pois os sócios aparentes do frigorífico são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, e o impugnante, que figura como um simples empregado da Boi Verde, é pessoa possuidora de considerável patrimônio e um dos fornecedores de gado para o frigorífico. Observase que o próprio frigorífico, que fatura milhões, é desprovido de patrimônio, e seus sócios contratuais, mesmo após a integralização da sociedade, continuaram sem patrimônio, e sem receber nenhum rendimento do frigorífico, o que reforça a convicção da existência de simulação na composição societária da empresa fiscalizada. (...) (Grifos nossos) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse Fl. 7771DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.772 44 comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Fl. 7772DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.773 45 Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo. Responsabilidade solidária Sr. Dory Grando Em sede de recurso (fls. 2316/2350), SR. DORY GRANDO se insurge contra a decisão da DRJ que manteve sua condição de responsável solidário, dizendo, em síntese, que as provas são frágeis; que se utilizou de presunções; que não ficou demonstrado o interesse comum; que não há documentos que provem sua atividade de gestão na empresa; que houve contradições na decisão; que não se analisou os documentos apresentados. Porém, da análise dos elementos trazidos aos autos pela auditoria fiscal, entendese comprovados a condição de sócio de Fl. 7773DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.774 46 fato e o interesse comum do recorrente em relação à empresa autuada. Conforme apontou a autoridade fiscal, o proprietário das instalações frigoríficas que são arrendadas para a Boi Verde Alimentos Ltda., Sr. Artur José Vieira Júnior, em atendimento à intimação fiscal apresentou o contrato de arrendamento e prestou depoimento informal de que, entre outras informações, o SR. DORY GRANDO é um dos sócios gerentes da empresa, juntamente com o Sr. Agostinho Scatalão Neto, e que nunca viu o Sr. Bráulio Aguero e a Sra. Gilmara Eloíza Cavalcante (sócios formais). A fiscalização também expõe que lhe foi informado pelo Sr. Luiz Marcelo Nantes Pereira (sócio administrador da empresa Namper Representações Comerciais Ltda., que segundo apurado pelo fisco, realizou abate de bovinos nas instalações do sujeito passivo) de "que sabe que os proprietários do frigorífico Boi Verde são Agostinho Scatalão e Dory Grando"; e pelo Sr. Jair Domingos Smaniotto (sócioadministrador da JD Smaniotto e Cia Ltda., cliente do sujeito passivo) de que "sabe por ouvir dizer que Dory Grando é proprietário do frigorífico Boi Verde." Como apurou a auditoria fiscal, o SR. DORY GRANDO participa ou participou de diversas empresas (Agropastoril Tucano Ltda. e Agropastoril Maringá, desde 1994; Friporã Frigorífico Bataiporã Ltda., de 1996 a 1997; Agropecuária Casagran Administração e Participação S/S Ltda. e Curtume Bata Ltda, desde 1999), cujos contratos sociais revelam que foram utilizados na integralização do capital social bens de expressivos valores, como fazendas, apartamentos, terrenos, rebanho bovino, veículos, o que denota o uso da chamada "blindagem patrimonial", estratégia de transferir a totalidade dos bens da pessoa física para uma pessoa jurídica, protegendo o patrimônio pessoal de credores. Também foi constatado pelo fisco que, nos autos da apelação criminal nº 000214352.2010.8.12.0017, interposta pelo Sr. Dory Grando contra sentença que o condenou por atos praticados à frente dos frigoríficos Friporã e Pontual, constou na decisão judicial que: "O apelante figurava como um dos sócios do Frigorífico Friporã e, nos termos da Alteração de Contrato Social de fls. 609611, em 1997 teria retiradose da sociedade. Todavia, embora não constasse no contrato social como sócio à época dos fatos, o conjunto probatório não deixa dúvidas que ele continuou na administração da empresa, atuando efetivamente". Tal situação denota que a mesma estratégia utilizada pelo SR. DORY GRANDO no frigorífico Friporã, de colocar interpostas pessoas no quadro societário e se manter no controle a efetiva administração da empresa, também foi usada para administrar a empresa Boi Verde Alimentos Ltda, com a diferença, que nesta última, mostrase formalmente como empregado do sujeito passivo, como pontuou a fiscalização. Fl. 7774DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.775 47 O Relatório Fiscal traz notícia veiculada na Internet que destaca o SR. DORY GRANDO como um grande investidor em pregão de bovinos e também indica em planilha que, de 2009 a 2012, vendeu mais de 4.500 cabeças de gado para a Boi Verde. Menciona ainda que as Declarações de Ajuste Anual do IRPF apresentadas mostram que a cada ano o SR. DORY GRANDO promove alteração em seu endereço, estratégia que visa claramente dificultar a sua localização. Apesar de ser pecuarista, empresário e detentor de patrimônio, consta na GFIP da Boi Verde como "empregado" desde 01/10/2005 (mesma data de início de vínculo empregatício do Sr. Agostinho Scatalão Neto). Sua esposa, Sra. Marlene Casavechia Grando, também consta como "empregada" da Boi Verde. O casal informa na Declaração de Ajuste Anual a natureza da ocupação como "Proprietário/Empresa ou Firma Individual ou Empregador/Titular" e como ocupação principal "Produtor na Exploração Agropecuária", tendo declarado no ano de 2013 receitas oriundas da atividade rural no montante de R$ 1.304.912,72 e "salários" recebidos da Boi Verde no total de R$ 162.582,87, o que evidencia que os vínculos empregatícios e os salários recebidos têm apenas a mera intenção de conferir uma aparência de normalidade à atuação do Sr. Dory Grando à frente dos negócios do sujeito passivo. Portanto, no contexto apresentado, se está diante de empresa frigorífica, que movimentou valores vultosos no período fiscalizado, mas que não faz a escrituração contábil, que não possui patrimônio, deve milhões ao fisco e tem em seu quadro societário pessoas sem patrimônio compatível com o empreendimento, que tinham empregos modestos, sem histórico de atividades de gestão e que não são encontradas pela fiscalização nem pelos oficiais de justiça (uma delas já falecida). E nesse empreendimento há a presença de pecuarista com patrimônio considerável, reconhecido informalmente pelo locador das instalações como um dos sócios gerentes da empresa (o que também é corroborado pela ausência de arrolamento dos sócios formais como testemunhas no processo judicial acerca desse contrato); que é informalmente percebido, no âmbito negocial, como dono da empresa; sócio de outras empresas, e que tem em seu histórico a ocorrência de interposição de pessoas na gestão formal enquanto exercia a gestão de fato (frigorífico Friporã); que vende consideráveis quantias de bovinos ao frigorífico enquanto se configura formalmente como empregado deste, sendo as receitas de salário ínfimas em relação à receita da atividade rural, o que revela que o vínculo de emprego e o salário se prestam a conferir uma aparência de normalidade à atuação do recorrente à frente dos negócios do sujeito passivo. Assim, constatase pelos fatos apontados que o recorrente é uma das pessoas que está à frente dos negócios da empresa, como sócio de fato do empreendimento. Logo, em face do princípio da Fl. 7775DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.776 48 primazia da realidade, também aplicado à relação previdenciária e segundo o qual a verdade dos fatos prevalece sobre a forma, correto o procedimento da fiscalização que, ao identificar situações fáticas reveladoras dos reais sócios do empreendimento, trouxeos para o pólo passivo solidário deste lançamento. Cabe citar, ainda, que a autoridade julgadora de primeira instância, ao contrário do que alegam os recorrentes, apreciou os documentos trazidos nas impugnações, mas esses não refutaram a imputação da responsabilidade solidária, conforme trecho do acórdão recorrido que se reproduz a seguir: (...) Os impugnantes trouxeram documentação provando o que o próprio agente lançador já havia afirmado, que eles eram detentores de patrimônio compatível com o porte da Boi Verde quando da formação da sociedade empresarial. Entretanto, não trouxeram, aos autos, qualquer prova que evidencie que não tinham interesse econômico ou financeiro no empreendimento empresarial. (...) Ressaltase que o art. 124 do CTN, em seu inciso I, permite classificar como responsável solidário pelo crédito tributário aquele que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. E essa condição pode ser imputada aos sócios de fato, que não figuram formalmente no quadro social da pessoa jurídica, pois esses não desfrutam da proteção que a lei confere ao patrimônio pessoal daqueles que regularmente compõem uma sociedade. Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: Nesse sentido, citase, a título exemplificativo, os seguintes acórdãos proferidos no âmbito do CARF: GESTÃO DE EMPRESAS POR INTERPOSTAS PESSOAS. INTERESSE COMUM.RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente com o contribuinte a pessoa física, que sendo titular de fato, exerce a gestão empresarial mediante a interposição de sócios fictícios, posto que possui interesse comum na situação que configura o fato gerador de contribuições sociais. (...) (Acórdão nº 2401002.823, de 22/01/2016) (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse Fl. 7776DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.777 49 comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. (...) (Acórdão n.º 1802001.401, de 04/10/2012) No que diz respeito à manifestação extemporânea, juntada em 02/08/2016, às fls. 2502/2504, na qual o interessado anexa sentença da Justiça do Trabalho (fls. 2505/2523), proferida em 09/07/2016, que diz comprovar que o SR. AGOSTINHO SCATALÃO NETO não é sócio da empresa, essa manifestação, por trazer fato superveniente, pode ser conhecida em face do art. 16, § 4º, alínea "b", do Decreto nº 70.235/72. A referida sentença (fls. 2505/2523) foi proferida nos autos do processo RTOrd002400348.2016.5.24.0007, com trâmite na 7ª Vara do Trabalho de Campo Grande, movido pelo Sr. José Euzébio de Mendonça contra a Boi Verde Alimentos Ltda, Sr. Gilmara Eloiza Cavalcante, Sr. Agostinho Scatalão Neto e Sr. Dory Grando. A decisão afastou a responsabilidade destes dois últimos, nos seguintes termos: 03 DEFINIÇÃO DE RESPONSABILIDADE DOS RÉUS LEGITIMIDADE DELES A inicial narra emprego entre autor e o 1° réu que, como incontroverso, finalizou suas atividades (o que, de per si, motiva inclusão de sócios), apontando ainda responsabilidade para os demais, Gilmara sócia efetiva/incontroversa e os demais, supostos sócios/donos de fato. A narrativa basta para legitimar todos fazendo questão de mérito a responsabilidade de cada qual. Agostinho e Dory fizeram prova, inclusive por registros em CTPS (detentores de presunção de veracidade CLT, art. 40) que foram empregados do 1° réu sem que o autor tenha feito provas que afastassem essa condição. Detalhando: a) O próprio reclamante, depondo, já não disse serem eles "donos" passando a ventilar que seriam arrendatários, aqui em divergência com o testemunho que produziu elemento que fragiliza ambos quanto ao ponto; b) Os dizeres de que todos falariam serem eles donos, data venia, genéricos e sem outros elementos, nada provam, até porque entrar ou não por acesso diferenciado não é fator determinando; a prova oral, bem o demonstrou, por exemplo, ao reconhecer distinção entre refeitórios dos administrativos para com os demais, mas que atendia, segundo a testemunha do autor "os meninos", empregados do escritório; c) A existência de ação trabalhista deles em face dos réus, aliás, ainda que com advogados diversos e grupo de empregados restrito (que o autor inquina de "estranho"), só faz corroborar que donos eles não são. Fl. 7777DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.778 50 Por conta de tudo isso, desde já ABSOLVEMSE integralmente Agostinho e Dory. Os demais réus respondem para com as obrigações reconhecidas nesta decisão, o primeiro (Boi Verde), diretamente, Gilmara, sócia, subsidiariamente para com ele (CPC/2015, art. 795, 91°), o que se justifica pelo próprio término das atividades daquele. Esse desfecho, claro do já contido nos autos, deixa evidente a desnecessidade da prova testemunhal que foi indeferida em audiência. No entanto, as decisões judiciais, com exceção daquelas proferidas na sistemática de recursos repetitivos e com repercussão geral, não fazem coisa julgada em relação à Administração Fazendária quando esta não integra a lide, como se depreende do art. 506, do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15, a seguir: Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros. Dessa forma, a referida sentença da Justiça do Trabalho, embora possa ser utilizada para formar a convicção das autoridades fiscais e julgadoras, não se impõe ao fisco para determinação dos sujeitos passivos na relação tributária. Ademais, para afastar a responsabilidade do recorrente pelos encargos trabalhistas da Boi Verde Alimentos Ltda., a mencionada sentença não apreciou o mesmo conjunto probatório trazido pela fiscalização nestes autos, como se vê no trecho acima descrito. Além disso, a situação, que agora nos dá conhecimento o interessado, de que entrou em litígio trabalhista com empregado da Boi Verde, que o considera responsável pela empresa, vai exatamente ao encontro dos fatos apontados pela autoridade fiscal que levou à responsabilização passiva do recorrente em relação ao débito lançado. Por fim, diante do exposto, devese manter o recorrente como sujeito passivo solidário dos débitos lançados neste processo. Destacase que todos os documentos utilizados para embasar o voto supracitado e comprovar as alegações fáticas estão presentes nestes autos. Em análise ao relatório fiscal (fl. 33) o próprio auditor ressalta que as informações colhidas na fiscalização vieram para ratificar e complementar o trabalho efetuado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal Sr. Leonildo Libério Alves da Silva que culminou no processo administrativo nº 10140721.964/201458. Portanto, ressalta a validade dos argumentos acima colacionados. Dentre os documentos apresentados, merecem destaque: (i) o contrato de aluguel de fls. 330/336, o qual consta os Srs. Jaime Valler e Agostinho Scatação Neto como fiadores que renunciaram ao benefício de ordem; (ii) os depoimentos em processos judiciais de fls 337/341; (iii) o contrato social e alteração da Boi Verde (fls. 290/313) em conjunto com os Fl. 7778DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.779 51 relatórioa de vínculos empregatícios do CNIS (fls. 315/321); e (iv) a declaração da Sra. Gilmara de que a empresa autuada não possui livros contábeis (fl. 329). Concluise, portanto, como legitima a inclusão dos recorrentes como responsáveis solidários. Das Alegações Acerca do Lançamento da Contribuição para o FUNRURAL Conforme exposto, o presente lançamento versa sobre a contribuição ao FUNRURAL e ao SENAR incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos do empregador rural pessoa física, prevista nos incisos I e II do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e no art. 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação da Lei nº 10.256/2001. O argumento central da defesa da RECORRENTE é no sentido de que, quando do julgamento do RE 363.852/MG, o STF teria declarado a inconstitucionalidade das contribuições do produtor rural pessoa física empregador incidentes sobre a comercialização de sua produção rural. No entanto, mediante referido julgamento, o STF declarou, por unanimidade, a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que previa o recolhimento da contribuição acima referida, pois esta lei foi anterior à Emenda Constitucional 20/1998 (responsável por alterar a base de cálculo para fins de incidência da referida contribuição). É que antes da EC 20/1998, as contribuições sociais do empregador somente poderiam incidir sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro. Com o advento da referida emenda, surgiu a possibilidade de utilizar a receita como base de cálculo das contribuições sociais do empregador. Válido transcrever trechos do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio quando do julgamento do RE 363852/MG: "(...) Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com Fl. 7779DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.780 52 empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. "(...)não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar." "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural " de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25 , incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência." Após a EC 20/98, foi editada a Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao caput do art. 25 da Lei nº 8.212/91. Ou seja, a referida Lei nº 10.256/2001 foi editada quando já estava em vigor a nova redação do art. 195, I, da Constituição, dada pela EC 20/98, que passou a prever nova fonte de custeio da seguridade social, qual seja, a receita dos empregadores. Sendo assim, é evidente que o RE 363852/MG dispõe somente acerca do art. 25 da Lei nº 8.212/91 com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 (atualizada até a Lei nº 9.528/97), ao passo que o presente lançamento se refere a fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010, posteriores, portanto, à Lei nº 10.256/2001, que deu nova redação ao art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91. Tanto é que, quando da apreciação de embargos de declaração opostos no RE 596177/RS, o STF reconheceu que não houve o exame da matéria sob o enfoque da exigência do tributo com fundamento na Lei nº 10.256/2001: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. FUNDAMENTO NÃO ADMITIDO NO DESLINDE DA CAUSA DEVE SER EXCLUÍDO DA EMENTA DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DA ANÁLISE DE MATÉRIA QUE NÃO FOI ADEQUADAMENTE ALEGADA NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO NEM TEVE SUA REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. INEXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO EM DECISÃO QUE CITA EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL CONSIDERADO INCONSTITUCIONAL. I – Por não ter servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, excluise da ementa a seguinte assertiva: “Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador”(fl. 260). Fl. 7780DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.781 53 II – A constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida. III – Inexiste obscuridade, contradição ou omissão em decisão que indica expressamente os dispositivos considerados inconstitucionais. IV – Embargos parcialmente acolhidos, sem alteração do resultado. Sendo assim, a decisão proferida pelo STF no RE 363.852/MG não é aplicável ao presente caso, que é totalmente englobado pela Lei nº 10.256/2001. Para evitar confusão do contribuinte, importante destacar que, caso o presente lançamento se referisse a fatos anteriores à Lei nº 10.256/2001, é evidente que o RE 363.852/MG seria aplicável ao caso. No entanto, os fatos geradores ocorridos em 2009 e 2010 já estavam totalmente acobertados pela Lei nº 10.256/2001, o que afasta o caso concreto do alcance da decisão proferida no RE 363.852/MG. Ademais, cumpre esclarecer que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral do art. 25, I e II, nem do art. 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que estes dispositivos tratam tanto do produtor rural pessoa física empregador quanto do segurado especial, ao passo que o RE 363.852/MG abrangeu apenas o primeiro, na medida que a Constituição (antes da EC 20/98) já previa forma de contribuição sobre resultado da comercialização da produção de determinados produtores rurais que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes (art. 195, § 8º). Este produtor rural delimitado no art. 195, § 8º, da Constituição é exatamente aquele previsto no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91, e que, portanto, encontrase sujeito à contribuição prevista no art. 25 da mesma Lei. Ou seja, na decisão proferida quando do julgamento do RE 363.852, o STF reconheceu a inconstitucionalidade apenas das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador, no período anterior à Lei 10.256/2001 e, consequentemente, também afastou a subrogação para estas contribuições, pois não haveria lógica em se manter a subrogação do tributo reconhecidamente inconstitucional. Portanto, evidente que não houve a declaração de inconstitucionalidade integral dos arts. 25, I e II, e 30, IV, ambos da Lei 8.212/91, uma vez que tais dispositivos eram (e ainda são) fundamentos para a subrogação da a empresa adquirente nas obrigações dos segurados especiais (referido no art. 12, VII, da Lei nº 8.212/91) pelo recolhimento da contribuição sobre resultado da comercialização da produção. Apenas a título de esclarecimento, pondero que este tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivo declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, nos termos do art. 62, I, do RICARF. No entanto, é preciso fazer sempre uma distinção dos dispositivos tidos por inconstitucionais e aqueles que serviram de fundamentação para o lançamento. Digo isso porque, no presente caso, a RECORRENTE afirma obstinadamente que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da regra que determina a subrogação insculpida ano art. 30, IV, da Lei n 8.212/91. No entanto, conforme já exposto com detalhes acima, o julgamento do RE 363.852 não socorre o pleito da RECORRENTE, haja vista que tal decisão diz respeito à inconstitucionalidade do “artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei Fl. 7781DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.782 54 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97”, ao passo que o lançamento deste processo foi realizado com fundamento no art. 25 da Lei nº 8.212/91 com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Por fim, necessário trazer nos autos a informação de que o STF realizou o julgamento de mérito do RE 718.874, que tinha por objeto tema com repercussão geral acerca da constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001. Em 30/03/2017, o Plenário do STF decidiu o seguinte: “O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 669 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e a ele deu provimento, vencidos os Ministros Edson Fachin (Relator), Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento ao recurso. Em seguida, por maioria, acompanhando proposta da Ministra Cármen Lúcia (Presidente), o Tribunal fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção", vencido o Ministro Marco Aurélio, que não se pronunciou quanto à tese. Redator para o acórdão o Ministro Alexandre de Moraes” Neste sentido, por meio da recente apreciação pela Corte Suprema do RE 718.874, restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Ademais, importante esclarecer à RECORRENTE que, não tendo sido declarada a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal que fundamentou o presente lançamento, não se pode cogitar a ilegalidade/inconstitucionalidade deste, haja vista que corretamente enquadrado nas normas em vigor. Sendo assim, não se pode cogitar seja afastada a aplicação dessas normas, pois gozam de presunção de constitucionalidade. O STF não confirmou que as alterações promovidas pela Lei nº 10.256/2001 continuam contrarias ao texto constitucional, pois, conforme acima exposto, essa questão foi objeto de recente apreciação pela Corte Suprema (RE 718.874), quando restou decidido ser constitucional a contribuição social do empregador rural pessoa física instituída pela Lei nº 10.256/2001. Portanto, com relação às inconstitucionalidades apontadas pela RECORRENTE, esta é matéria estranha a competência deste órgão julgador administrativo, conforme Súmula nº 02 do CARF, a conferir: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Neste sentido, entendo que não devem prosperar as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos que tratam das contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física empregador e da subrogação em relação às suas contribuições, haja vista que: (i) Fl. 7782DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.783 55 o presente lançamento é posterior à Lei nº 10.256/2001 (que não foi objeto de análise pelo STF no RE 363.852/MG); e (ii) não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Da multa qualificada (150%) Quanto ao argumento de que os percentuais das multas fixadas no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, acarretando aplicação de multa qualificada de 150%, incidente sobre as contribuições ora lançada não podem ser aplicadas por possuírem efeitos confiscatórios, entendo que não merecem prosperar. Cabe exclusivamente ao Poder Judiciário deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional. Porém, tal possibilidade não se estende aos órgãos de jurisdição administrativa. Neste sentido temse a Súmula nº 02 do CARF. “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Sobre a alegação de que não ocorreram os casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64 para a qualificação da multa, é necessário esclarecer que todas as razões apresentadas no tópico do presente voto acerca da demonstração da responsabilidade solidária dos Srs. Jaime Valler, Agostinho Scatalão Neto e Dory Grando são a motivação da qualificação da multa, haja vista que os atos por eles praticados, na tentativa de ocultar as pessoas que realmente estavam à frente do negócio, assim como a operacionalização das atividades em si, visaram impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, assim como das condições pessoais de contribuinte, incorrendo em nítida sonegação. Ademais, referidas pessoas físicas agiram em conluiu, pois ficou comprovado o interesse comum no negócio da Boi Verde e a prática de atos de ocultação a fim de se protegerem das responsabilidades fiscais da empresa: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 7783DF CARF MF Processo nº 10140.721063/201628 Acórdão n.º 2201004.573 S2C2T1 Fl. 7.784 56 Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Neste sentido, considerando que a legislação se encontra plenamente vigente e que de fato foram constatadas as qualificantes necessárias para o agravamento da multa, perfeitamente aplicável o percentual de 150%. Da multa de ofício. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários para manter o lançamento do crédito tributário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 7784DF CARF MF
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