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Numero do processo: 15504.003922/2010-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba.
ALEGAÇÃO SEM PROVA
Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO.
Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
Numero da decisão: 2403-002.396
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 01 e 02/2005, com base na regra do artigo 150, § 4º, do CTN e pela exclusão da tributação incidente sobre o vale transporte.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. ALEGAÇÃO SEM PROVA Alegação desacompanhada das respectivas provas não se presta como motivo para revisão do lançamento fiscal. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. Incide tributação sobre o valor relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, quando não previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e quando não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 39 22 /2 01 0- 55 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência das competências 01 e 02/2005, com base na regra do artigo 150, § 4º, do CTN e pela exclusão da tributação incidente sobre o vale transporte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Croscrato e Jhonata Ribeiro Da Silva. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0232.285 da 6ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72, não há como prosperar a argüição de nulidade. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As alegações desprovidas de provas não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal. VALE TRANSPORTE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS Os pagamentos efetuados a título de valetransporte, em desconformidade com a legislação de regência, integram o salário de contribuição. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo somente não integrará o salário de contribuição se for previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e se estiver disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a Superintendência de Limpeza Urbana de Belo Horizonte, no montante de R$131.171,47 (cento e trinta e um mil cento e setenta e um reais e quarenta e sete centavos), consolidado em 22/03/10, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 11/22, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre os seguintes fatos geradores de contribuições previdenciárias: • valores pagos a segurados empregados vinculados ao Regime Geral da Previdência Social — RGPS, lançados em Folha de Pagamento, a titulo de Abono, sob os códigos: 1022 Abono, 1130 — Abono p/ Nível Superior, 1430 — Abono em Atraso e 1731 —Abono Retroativo, no período de 01/2005 a 12/2005, Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 não considerados pela SLU como parcela de incidência de contribuição previdenciária; • valores pagos em espécie a segurados empregados vinculados ao RGPS, a titulo de "Vale Transporte", lançados em Folha de Pagamento sob o código 1700 — Vale Transporte — Espécie, no período de 01/2005 a 12/2005, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição previdenciária; • valores pagos a titulo de beneficio concedido de Seguro de Vida aos seus segurados empregados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS; no período de 01/2005 a 12/2005, não considerados pela empresa como parcela de incidência de contribuição previdenciária. O relatório fiscal informa, ainda, que a Superintendência de Limpeza Urbana SLU é uma autarquia municipal com personalidade jurídica de direito público, criada pela Lei Municipal n° 2.220 de 27/08/1973, modificada pela Lei n° 6.290, de 23/12/1992, com redação dada pela Lei n° 9.011, de 01/01/2005, que tem por finalidade a exploração, em todo o Município de Belo Horizonte, dos serviços de varredura, coleta, depósito, tratamento e transformação do lixo e da venda de seus produtos e subprodutos. O Auto de Infração foi recebido pela autuada em 25/03/2010 (fls. 01). A autarquia, representada por seu superintendente Sr. Luiz Gustavo Fortini Martins Teixeira, apresentou impugnação, em 26/04/2010, consoante documentos de fls. 211/257 onde contesta o procedimento fiscal sob os seguintes argumentos relatados em síntese. Inicialmente faz um breve relato dos fatos. Nulidade do Auto de Infração Em sede preliminar, argui a nulidade do auto de infração em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura contra a impugnante, por inocorrência de qualquer ilicitude, muito menos a irrogada na peça acusatória. Valores pagos a título de abono No mérito, não contesta a incidência de contribuição previdenciária sobre as valores pagos a título de abono. Apenas esclarece que o abono pago a partir de 2005 teve origem no Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 4 5 Ofício Gab SMARH n° 324/2005, sem que houvesse qualquer orientação relativa à incidência ou não de desconto previdenciário ou Imposto de Renda, o que não ocorreu naquela oportunidade. No entanto, com a publicação da Lei Municipal n° 9.154 de 12/01/2006, que instituiu o Abono, retroagindo o seu pagamento a junho/2005 e estabelecendo o desconto previdenciário e imposto de renda sobre o mesmo, a autuada, em atendimento ao disposto no referido diploma legal, procedeu o desconto do INSS e/ou IR sobre o abono pago referente ao período de junho/2005 a dezembro/2005. A Receita Federal, quando da sua fiscalização na autarquia, não detectou o desconto previdenciário efetuado, pelo simples fato de ter sido contemplado no arquivo magnético solicitado à época, o ano base de 2005, sendo que o acerto previdenciário se deu em janeiro/2006. Conclui que não pode prosperar neste item a autuação, posto que não existe pendência alguma com relação ao recolhimento da contribuição previdenciária e do imposto de renda relativa ao período mencionado, sobre o abono pago. Valores pagos a título de valetransporte No que diz respeito ao vale transporte pago em pecúnia, alega que a situação vivenciada à época não permitia à Administração agir de forma diferente. A impossibilidade de fornecimento ou compra de vales em tempo hábil, a inviabilidade operacional imposta pelo programa vigente e, ainda, a dificuldade de se prever a rotina de trabalho das áreas operacionais da Autarquia, fizeram com que esta optasse pelo pagamento destes vales no próprio contracheque do servidor. Esclarece que a restrição em relação à programação e o sistema de bilhetagem eletrônica implantado em Belo Horizonte (Bhbus) não permitem um acúmulo de crédito de vales superior a 30 dias de utilização no mês, sendo que os servidores alunos do Projeto de Alfabetização de Adultos, tinham uma demanda necessária de deslocamento que ultrapassava o limite previsto e que, por conseqüência, recebiam o pagamento de vales complementares em espécie, no mês subseqüente, de acordo com a efetiva utilização. Com a implantação plena do cartão magnético do usuário no âmbito da Autarquia, deixouse definitivamente de pagar vale transporte em pecúnia. Diz que, entretanto, a autuação feita pela Receita quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia, não encontra guarida em nossos tribunais, conforme decisão do TRT/SP que transcreve. Ainda, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 478410, interposto pelo Unibanco, também decidiu pela não integração do referido pagamento à base de incidência das contribuições previdenciárias. Valores pagos a título de Seguro de Vida em Grupo Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Com relação ao Seguro de Vida em Grupo, diz que, conforme legislação pátria aplicável ao caso, as contribuições previdenciárias afetam as parcelas que possuem natureza salarial, sejam contribuições diretas (hora trabalhada, p.ex.), sejam as indiretas (como as bonificações). Neste cerne , transcreve o artigo 22, inciso I, da Lei 8.212/91 e o artigo 28, § 9o , alínea "p" da mesma lei, para concluir que no tocante aos seguros de vida pagos em grupo e disponibilizado a todos os funcionários, de forma geral não há de ser considerado como espécie de benefício aos empregados por parte do empregador, vez que aqueles não terão nenhum benefício direto ou indireto. Conclui que há o benefício estendido a todos, em uma espécie de garantia familiar, conjunta. Salienta que caso se tratasse de seguro individual, não existiria dúvidas acerca da incidência da contribuição, posto que aí sim, haveria um benefício específico a um empregado. Para reforçar sua argumentação, transcreve decisões do STJ e parte do acórdão da Egrégia I a turma do Tribunal Regional Federal da 4a Região, na Apelação Cível n° 1999.71.00.031184 4/RS. Finalmente requer que seja acolhida a impugnação e, uma vez demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, seja cancelado o débito fiscal reclamado. Inconformada com a decisão, em 05/07/2012, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Decadência. · Nulidade. Inexistência de justa causa. · Mérito: ratifica os argumentos da impugnação e solicita reanálise. · Multa. É o relatório Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. A recorrente entende que o lançamento é nulo por inexistência de justa causa. Essa questão será tratada quando da análise do mérito. DECADÊNCIA. A questão da decadência qüinqüenal está pacificada. O Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF registra a verificação de guias de recolhimento. Também o Relatório Fiscal evidencia que o lançamento referese a complementos do que já foi recolhido. Nesse caso, entendo pela aplicação da regrado artigo 150, § 4º, do CTN. O lançamento abrange as competências 1 a 13/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 25/03/2010. Entendo decadentes as competências 1 e 2/2005. ABONOS O lançamento da rubrica “AB – ABONO SALARIAL” abrange as competências 5 a 12/2005. A recorrente não contesta a tributação dos abonos, alega apenas que não existe pendência alguma com relação ao desconto e recolhimento da referida contribuição por ter efetuado o acerto em janeiro/2006. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente não trouxe ao processo guias de recolhimento que fizessem prova do que alegou. Entendo a alegação da recorrente desprovida de prova e não a acato. VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA A fiscalização lançou a parcela do vale transporte paga em pecúnia. O lançamento estava conforme o ordenamento legal. Todavia, a Advocacia Geral da União, seguindo orientação ditada na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 478.410/SP, que considerou inconstitucional a tributação previdenciária incidente sobre vale transporte pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória, editou a Súmula 60. SÚMULA Nº 60, DE 8 DE DEZEMBRO DE 2011 "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Portanto, deve ser afastada do cálculo da multa a parcela referente ao vale transporte. SEGURO DE VIDA A tese apresentada pela recorrente á a da não incidência da tributação sobre o seguro de vida. As contribuições para a seguridade social tem sua base imponível definida na Constituição da República de 1988, prevendo esta, para a empresa, a contribuição incidente sobre folha de salários e também sobre os demais rendimentos do trabalho. Artigo 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 6 9 Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; A especificação do que deve ser tributado e o que não deve está no artigo 28 da Lei 8.212/91. A regra geral é a tributação da totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o;(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). As exceções são exclusivamente as previstas no § 9º do mesmo artigo 28. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos daLei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata oart. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias:(Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143e144 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9ºda Lei nº7.238, de 29 de outubro de 1984;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma doart. 470 da CLT;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 7 11 h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos daLei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata oart. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, osarts. 9ºe468 da CLT;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 t) o valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)15 t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto noart. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais;(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no§ 8º do art. 477 da CLT.(Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, o conceito de saláriodecontribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048/99 estabelece duas condições para que o valor pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo não integre o saláriodecontribuição: (a) seja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e (b) disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Art.214. Entendese por saláriodecontribuição: ... §9ºNão integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: XXVo valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto n" 3.265, de 1999) O Relatório Fiscal fundamentou o lançamento pelo fato de o seguro não estar previsto no acordo ou convenção coletiva. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.003922/201055 Acórdão n.º 2403002.396 S2C4T3 Fl. 8 13 5.3.6 O referido benefício não está previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho. 5.3.7 Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa, a título de "Seguro de Vida'", face à ausência de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9o , inciso XXV do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Entendo procedente o lançamento. MULTA Este processo não contém multa, razão pela qual, o assunto não cabe ser discutido aqui. CONCLUSÃO Voto pela procedência parcial do recurso, reconhecendo a decadência das competências 1 e 2/2005, com base na regra do artigo 150, §4º, do CTN e pela exclusão da tributação incidente sobre o vale transporte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19740.720142/2008-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2001
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1803-002.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 36358.48918.141103.1.7.038049 em 14.11.2003, 38162.20294.190204.1.3.030809 em 19.02.2004, 20320.04776.290404.1.3.039009 em 29.04.2004, 12444.61323.220604.1.3.034332 em 22.06.2004, 28130.49410.300804.1.3.037703 em 30.08.2004, e 28325.22980.290104.1.7.03 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 42 /2 00 8- 17 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 175 2 1969 em 29.01.2004, fls. 0335, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$49.212,82 referente ao ano calendário de 2000, apurado pelo lucro real trimestral, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 4751, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: 05. A DCOMP Retificadora n° 28325.22980.290104.1.7.031969 (fls. 15/18), indica como objeto de retificação a DCOMP Original n° 05171.32843.311003.1.3.031000 (fls. 15), porém, na análise de sua admissibilidade, devese observar a DCOMP retificadora n° 36358.48918.141103.1.7.038049 (fls. 09/14), aceita pelo SIEF (fls. 02), que já havia retificado a DCOMP original em questão. 06. Dessa forma, decidiuse pela não admissibilidade da DCOMP Retificadora n° 28325.22980.290104.1.7.031969 (fls. 15/18), visto que a mesma promovia a troca do débito a ser compensado (PA e valor, ver quadro abaixo), caracterizando a inclusão de novo débito, vedada conforme disposto na IN SRF n° 360, de 24 de setembro de 2003, em seus artigos 6º, 7º e 8º [...]. É importante registrar que não cabe considerarse a hipótese de "inexatidão material", pois o Contribuinte manteve as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF originais (fls. 41), tendo declarado os débitos descritos no quadro acima na forma em que estão (fls.42/43), inclusive mantendo os vínculos às duas DCOMP Retificadoras, uma para cada débito, corroborando para a conclusão de se tratarem de débitos distintos. 07. Verificouse, para as DCOMP relacionadas no quadro a frente, que o Contribuinte informou o exercício da apuração anual referente ao saldo negativo pleiteado como sendo 2004 (fls. 20, 24, 28, 32). Entretanto, o próprio Contribuinte indicou nessas DCOMP o seguinte: A "DCOMP Inicial" como a de n° 05171.32843.311003.1.3.031000 (*) (fls. 20, 24, 28, 32), a qual indica o crédito como referente a "saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL", apuração anual no exercício 2001, no valor de R$49.212,82 (fls. 04). Além disso, verificouse que na DIPJ do exercício de 2004 (fls. 44/45) não foi apurado saldo negativo, pelo contrário, há saldo a pagar. Assim, presumirseá para essas DCOMP que o exercício a ser analisado é o de 2001, e as mesmas serão mantidas como objeto de análise neste processo. [...] Análise do Crédito Pleiteado 09. Contatouse que o Contribuinte adotou para o anocalendário 2000 a forma de apuração trimestral (fls. 35), e de acordo com essa opção entregou sua DIPJ/2001 (exercício 2001, anocalendário 2000), apurando CSLL a pagar em todos os trimestres desse ano (fls.37/40). Portanto, não cabe o pleito de crédito baseado em "saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL" apurado anualmente no exercício 2001, anocalendário 2000 (fls. 04), posto que não houve tal apuração que levasse a esse resultado. 10. Face ao exposto, proponho: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 176 3 a) O NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado pelo Contribuinte, referente a "saldo negativo de CSLL", exercício 2001, apurado anualmente no anocalendário 2000. b) NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas pelo Contribuinte, COBRANDO os débitos relativos a essas compensações não homologadas (vide item 08). c) COBRAR O DÉBITO: [CSLL (2469) do período de apuração de dezembro de 2003 no valor de R$12.134,07]. Cientificada em 13.11.2008, fl. 65, da Comunicação nº 168/2008 referente ao “Parecer Deinf/RJO/Diort n° 078/2008, de 11/11/2008, fls. 46/48, e o respectivo Despacho Decisório, de 11/11/2008, fls. 49/50,” a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 12.12.2008, fls. 7274, apresentando os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que: 1. Objetiva a presente manifestação de inconformidade haver a reformada v. decisão que indeferiu o pedido de compensação manifestado pela suplicante através do processo. 2. A compensação teve por origem o valor correspondente ao saldo do tributo pago a maior em razão de ter o anobase de 2000 apurado saldo negativo nas demonstrações financeiras. 3. Este fato não é objeto de contestação, e de toda a forma, se comprova pelo Lalur que se junta como anexo e assim, a decisão recorrida de nenhum modo contesta esta afirmativa. 4. O tributo reclamado é apurado através de lançamento por declaração e assim, o valor correspondente ao que foi recolhido a maior se torna disponível para a compensação a partir da data em que esta foi oferecida. Por conseguinte, não havendo contestação no prazo de 5 anos, o valor correspondente ao crédito setor na definitivo e não há como negar a sua existência. 5. Mas não é só. O crédito foi gerado ao término do anobase de 2000 e manifestado na declaração de rendimentos apresentada em abril/2001 e o pedido de compensação foi objeto de uma declaração protocolada subseqüentemente e, entre a data do pedido e do presente lançamento decorre um prazo maior que 5 anos. 6. Por conseguinte, quer se tome em conta o crédito original, quer se leve em consideração a data do pedido de compensação, é indiscutível que, por decadência, é impossível promover a revisão dos valores declarados ou reverá compensação que está automaticamente homologada. 7. Não importa que o pedido de compensação tenha sido objeto de retificação: em qualquer caso se toma em consideração a data em que o crédito inicial foi referido, pois a revisão apenas alterou os débitos que são atingidos pela extinção da obrigação tributária e não os créditos. Assim, pelos motivos expostos, não há nenhum valor que possa ser agora demandado e a compensação deve ser homologada. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 177 4 8. A estas circunstâncias de caráter geral, cabe analisar outras vinculadas especialmente à suplicante. Como indica a própria razão social, a sociedade encontravase à época do lançamento em regime de liquidação extrajudicial. 9. Assim sendo, na forma do art. 18 da Lei nº 6.024, lhe é facultado recolher quaisquer diferenças de ordem tributária de que eventualmente seja devedora sem encargos de juros e multa, e correção monetária específica. O artigo citado diz que a decretação da liquidação extrajudicial produz de imediato os seguintes efeitos: "d) Não fluência de juros mesmo que estipulados contra a massa enquanto não integralmente pago o passivo. f) Não reclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas." 10. Assim, qualquer que fosse o resultado da demanda, sempre o eventual tributo devido só poderia ser exigido pelo seu valor original corrigido exclusivamente pela TR excluídas as parcelas de juros e correção monetária. Por todos estes motivos, está certa a suplicante que melhor examinada a questão, a presente será conhecida e provida para se validar a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.031, de 02.03.2011, fls. 99103: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.05.2011, fl. 107, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 27.05.2011, fls. 110112, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: 1. O presente recurso objetiva a reforma da v.decisão [...] que indeferiu o pedido de compensação manifestado pela suplicante sob o fundamento de que não haveria comprovação do crédito. 2. A matéria de fato é incontroversa. A suplicante recolheu a titulo de antecipações a contribuição social no anobase de 2000. Terminado o exercício verificouse prejuízo e, por conseqüência, há que se restituir ou compensar o que foi pago a maior indevidamente. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 178 5 3. Diz a decisão recorrida [...], que não existe prova de que o anobase de 2000 encerrouse com prejuízo e assim, não se pode validar a recuperação do crédito, até porque a declaração de rendimentos teria apresentado resultado positivo. 4. A afirmativa não pode prevalecer. Em anexo está a cópia da DIPJ do ano em causa onde se demonstra a existência do prejuízo, e do recolhimento das quantias pagas por estimativa. Junto está também cópia do Lalur no qual se comprovada mesma forma a existência da perda. 5. A decisão recorrida não se opõe ao fato de que comprovado o recolhimento indevido, conseqüente de que as estimativas foram pagas no curso do anobase e o resultado final foi negativo, devese validar a restituição. 6. Dois outros argumentos existem ainda em favor do conhecimento e provimento do apelo, a saber: a) Entre a data da declaração compensação original e a do lançamento ora contestado (13/11/08) existe um prazo superior a cinco anos, o que significa que o crédito se consolidou definitivamente não sendo possível a sua revisão por ato administrativo superveniente, pois como concorda a decisão recorrida [...], o prazo para homologação da declaração de compensação é de cinco anos contados da data em que foi apresentada. O fato de haver retificação em 14/11/03 é irrelevante, porque a retificação não altera os dados essenciais do crédito. Mesmo que o argumento tivesse fundamento e o pedido de retificação suspendesse o prazo de decadência, haveria de se reconhecer que esta regra só se aplicaria sobre os créditos excedentes do pedido original, que no caso, como se demonstrou não existiram. (O crédito original foi de R$49.212,82 e o crédito utilizado na compensação foi de apenas R$28.574,48). b) A sociedade encontrase em liquidação que à época do lançamento era extrajudicial. Assim, aplicase ao caso o disposto no art. 18 da Lei 6.024 sendo indispensável exclui da condenação as parcelas relativas a juros, multa e correção monetária. 7. Por todos estes motivos está certa a suplicante de que, melhor examinada a questão, o presente recurso será conhecido e provido para se dar pela improcedência do auto, compensações realizadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 179 6 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente diz que se encontra sob a égide art. 18 da Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974 e que não deve incidir juros de mora, tampouco aplicada a multa de mora sobre os débitos informados nos Per/DComp. A Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, determina: Art . 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: a) suspensão das ações e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos ao acervo da entidade liquidanda, não podendo ser intentadas quaisquer outras, enquanto durar a liquidação; b) vencimento antecipado das obrigações da liquidanda; c) não atendimento das cláusulas penais dos contratos unilaterais vencidos em virtude da decretação da liquidação extrajudicial; d) não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; e) interrupção da prescrição relativa a obrigações de responsabilidade da instituição; f) não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas. No Regimento Interno da RFB, aprovada pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, prevê: Art. 228. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras Deinf, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuandose os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de controle e auditoria dos serviços prestados por agente arrecadador e ainda, em relação aos contribuintes definidos por ato do Secretário da Receita Federal do Brasil, desenvolver as atividades de tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e atendimento ao contribuinte, tecnologia e segurança da informação, programação e logística e gestão de pessoas, e, especificamente: [...] V desenvolver as atividades relativas à cobrança, recolhimento de créditos tributários, parcelamento de débitos, retificação e correção de documentos de arrecadação; VI executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 180 7 reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; VII proceder à revisão de ofício de lançamentos e de declarações apresentadas pelo sujeito passivo, e ao cancelamento ou reativação de declarações a pedido do sujeito passivo; VIII controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários; À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que jurisdiciona a Recorrente cabe a aplicação do art. 18 da Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974, que trata da “ não fluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo”, bem como da “não reclamação de correção monetária de quaisquer divisas passivas, nem de penas pecuniárias por infração de leis penais ou administrativas.” Por essa razão, o CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da aplicação dos juros de mora sobre os débitos espontaneamente informados pela Recorrente nos Per/DComp, fls. fls. 0335. Ademais, sobre a incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic e da multa de mora, temse que em relação à valoração dos créditos e dos débitos na data da entrega da declaração de compensação, no exercício de sua competência de regulamentar da matéria, o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, ou seja, de juros de mora a taxa Selic e aplicação da multa moratória, na forma da legislação de regência. Os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos: (a) de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta1. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20092 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3; (b) da aplicação da multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo até o dia em que ocorrer o seu pagamento, sendo que o percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento 4. 1 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional e Súmula CARF nº 4 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 4 Fundamentação legal: art. 61 e § 14 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 181 8 Por conseguinte, os débitos ficam sujeitos a incidência de juros equivalentes à taxa Selic e a aplicação da multa de mora a partir da data do vencimento na forma da legislação de regência. Em relação à natureza jurídica, os Per/DComp5, fls. 0335 e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) 6 são modos de constituição do crédito tributário, de acordo com a decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.20097 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Os débitos confessados nos Per/DComp fls. 0335, e nas DCTF, fl. 42, são considerados regularmente constituídos para todos os efeitos legais. Por essa razão não há que se falar em necessidade de constituição do crédito tributário de ofício, nos termos do art. 142, art. 150 e art. 173 do Código Tributário Nacional. Ademais, a legislação não prevê prazo peremptório para verificação da liquidez de certeza do direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que os Per/DComp devem ser deferidos. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 8. A Per/DComp é modo de constituição do crédito tributário e de confissão de dívida, bem como instrumento hábil e suficiente para inscrição em Dívida Ativa da União dispensando, para isso, o lançamento de ofício91011. Este é o entendimento constante na 5 Fundamentação legal: art. 74 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 17 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 083, de 12 de julho de 1999 e Instrução Normativa SRF nº 018, de 23 de fevereiro de 2000, art. 5º da Decreto Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. 7 Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?i=1&b=ACOR&livre=(('RESP'.clas.)+e+@num='1101728')+ ou+('RESP'+adj+'1101728'.suce.)>. Acesso em 13 out. 2014. 8 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 9 Fundamentação Legal: DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984 e Portaria do MF nº 118, de 28 de junho de 1984. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 182 9 decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP 12, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.04.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF13. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais14. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. 10 BRASIL. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 40201967. Conselheiro Relator: Henrique Pinheiro Torres, Segunda Turma, Brasília, DF, 4 de julho de 2005. Disponível em: <http://www.lexml.gov.br/urn/urn:lex:br:camara.superior.recursos.fiscais;turma.1:acordao:200507 04;40201967> Acesso em: 09 mar. 2012. 11 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255 de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, A Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 12 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1101728/SP. Ministro Relator:Teori Albino Lawascki, Primeira Seção, Brasília, DF, 11 de março de 2009. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/jsp/revista/abreDocumento.jsp?componente=ITA&sequencial=864597&num_reg istro=200802440246&data=20090323&formato=PDF>. Acesso em: 06 mar.2012. 13 Fundamentação legal: art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 183 10 O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial15. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento da CSLL pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões legais em 31 de dezembro de cada ano. A CSLL deve a ser paga será determinada mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de 8% (oito por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de abril de 1999, de 12% (doze por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de janeiro de 2000 e de 9% (nove por cento) para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 2000 para as pessoas jurídicas em geral. Especificamente para as instituições financeiras a alíquota é de 12% (doze por cento) para os fatos geradores ocorridos até o mês de abril de 2008 e de 15% (quinze por cento) para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de maio de 2008 16. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinada sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza17. A pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). 15 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 16 Fundamentação legal: art. 2º e art. 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28, art. 29 e art. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Medidas Provisórias nºs 1.85910, de 1999 e 1.99112, de 1999, bem como Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 e Incisos I a VII, IX e X do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001. 17 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 184 11 O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza18. Além disso, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 84 o “pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no Despacho Decisório, fls. 4751, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 05. A DCOMP Retificadora n° 28325.22980.290104.1.7.031969 (fls. 15/18), indica como objeto de retificação a DCOMP Original n° 05171.32843.311003.1.3.031000 (fls. 15), porém, na análise de sua admissibilidade, devese observar a DCOMP retificadora n° 36358.48918.141103.1.7.038049 (fls. 09/14), aceita pelo SIEF (fls. 02), que já havia retificado a DCOMP original em questão. 06. Dessa forma, decidiuse pela não admissibilidade da DCOMP Retificadora n° 28325.22980.290104.1.7.031969 (fls. 15/18), visto que a mesma promovia a troca do débito a ser compensado (PA e valor, ver quadro abaixo), caracterizando a inclusão de novo débito, vedada conforme disposto na IN SRF n° 360, de 24 de setembro de 2003, em seus artigos 6º, 7º e 8º. [...] É importante registrar que não cabe considerarse a hipótese de "inexatidão material", pois o Contribuinte manteve as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF originais (fls. 41), tendo declarado os débitos descritos no quadro acima na forma em que estão (fls. 42/43) inclusive mantendo os vínculos às duas DCOMP Retificadoras, uma para cada débito, corroborando para a conclusão de se tratarem de débitos distintos. 07. Verificouse, para as DCOMP relacionadas no quadro a frente, que o Contribuinte informou o exercício da apuração anual referente ao saldo negativo pleiteado como sendo 2004 (fls. 20, 24, 28, 32). Entretanto, o próprio Contribuinte indicou nessas DCOMP o seguinte: A "DCOMP Inicial" como a de n° 05171.32843.311003.1.3.031000 (*) (fls. 20, 24, 28, 32), a qual indica o crédito como referente a "saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL", apuração anual no exercício 2001, no valor de R$49.212,82 (fls. 04). Além disso, verificouse que na DIPJ do exercício de 2004 (fls.44/45) não foi apurado saldo negativo, pelo contrário, há saldo a pagar. Assim, presumirseá para essas DCOMP que o exercício a ser analisado é o de 2001, e as mesmas serão mantidas como objeto de análise neste processo. [...] 18 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 185 12 Análise do Crédito Pleiteado 09. Contatouse que o Contribuinte adotou para o anocalendário 2000 a forma de apuração trimestral (fls. 35), e de acordo com essa opção entregou sua DIPJ/2001 (exercício 2001, anocalendário 2000), apurando CSLL a pagar em todos os trimestres desse ano (fls. 37/40). Portanto, não cabe o pleito de crédito baseado em "saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL" apurado anualmente no exercício 2001, anocalendário 2000 (fls. 04), posto que não houve tal apuração que levasse a esse resultado. [...] Em conformidade com o Parecer Deinf/RJO/Diort n° 078/2008 (fls. 46/48), que aprovo e passa a fazer parte integrante deste Despacho Decisório; considerando tudo mais que do processo consta e, no uso da competência que me confere o artigo 243, inciso II, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 95, de 30 de abril de 2007, Decido Não Homologar as compensações declaradas por Banco Interunion S/A Em Liquidação Extrajudicial, CNPJ n° 33.861.907/000102, e Determino a Cobrança: 1. Dos débitos cujas compensações não foram homologadas (Quadro 01); 2. Do débito relacionado na retificação rejeitada (Quadro 02), conforme descrito no item 06 do parecer referido acima. Quadro 01 – Compensações Não Homologadas DCOMP Nº Fls. Data de Entrega* Receita Período de Apuração Venc. Débito a Cobrar 36358.48918.141103.1.7.038049** 09/14 31out03 CSLL (2469) set03 31/10/2003 24.883,32 38162.20294.190204.1.3.030809 19/22 19fev04 CSLL (2469) jan04 28/02/2004 8.120,74 20320.04776.290404.1.3.039009 23/26 29abr04 CSLL (2469) mar04 30/04/2004 4.686,03 12444.61323.220604.1.3.034332 27/30 22jun04 CSLL (2469) abr04 31/05/2004 9.753,41 28130.49410.300804.1.3.037703 31/34 30ago04 CSLL (2469) jul04 31/08/2004 2.203,74 * Corresponde à data da entrega da DCOMP original. ** Retificadora da DCOMP n° 05171.32843.311003.1.3.031000. Quadro 02 – Cobrança Imediata DCOMP Nº Fls. Data de Entrega Receita Período de Apuração Venc. Débito a Cobrar 28325.22980.290104.1.7.031969 15/18 29jan04 CSLL (2469) dez03 30/01/2004 12.134,07 Desta decisão, naquilo que se refere às compensações não homologadas (Quadro 01), cabe manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua ciência, conforme disposto no art. 74, § 9º , da Lei n° 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 10.833/03), e art. 48 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 186 13 O débito descrito no Quadro 02 é objeto de cobrança imediata. Ressaltase que não cabe apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão relativa a esse débito, admitindose, nesse caso, recurso com pedido de reconsideração, no prazo de 10 (dez) dias, nos termos dos art. 56 ao 64 da Lei nº 9784, de 29 de janeiro de 1999. Encaminhese o presente processo ao Grupo de Execução e Controle da Divisão de Orientação e Análise Tributária desta Deinf/RJO para ciência ao interessado da presente Decisão, e demais providências. Reiterese que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 2000, apresentada em 29.06.2001, pelo lucro real trimestral, não foi retificada, e em todos os períodos foram apuradas CSLL a pagar, fls. 3741. Em sua defesa, a Recorrente apresenta tãosomente o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) arguindo que não foi objeto de contestação pela autoridade preparadora, o que comprovaria, portanto, o direito creditório que alega possuir. Esse documento, entretanto, por si só, não tem o condão de comprovar a existência do saldo negativo de Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$49.212,82 referente ao anocalendário de 2000. Ressaltese que para tanto a Recorrente deve instruir os autos com um conjunto probatório robusto, tais como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Cabe esclarecer ainda que o Per/DComp original n° 05171.32843.311003.1.3.031000, foi retificado pelo Per/DComp nº 36358.48918.141103.1.7.038049 em 14.11.2003, data que é considerada como termo inicial da contagem prazo de 5 (cinco) anos para homologação tácita prevista no § 5° no art. 74, da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 199619. Assim a Administração Pública poderia analisar o Per/DComp até 14.11.2008 e como a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 13.11.2008, fl. 65, não há que se falar em homologação tácita das compensações então declaradas. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 19 Fundamentação legal: § 2º do art. 44 e art. 91 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19740.720142/200817 Acórdão n.º 1803002.453 S1TE03 Fl. 187 14 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 03/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002150/2008-85
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora ou o comprovante do efetivo recolhimento..
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 1.323,22, nos termos do voto da Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Adriano Keith Yjichi Haga,José Valdemir da Silva, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flávio Araújo Rodrigues Torres.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora ou o comprovante do efetivo recolhimento.. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 1.323,22, nos termos do voto da Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Adriano Keith Yjichi Haga,José Valdemir da Silva, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flávio Araújo Rodrigues Torres. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 21 50 /2 00 8- 85 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10840.002150/200885 Acórdão n.º 2801003.952 S2TE01 Fl. 127 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/SP2 Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 20/24, que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2003, no montante de R$ 6.868,85, sendo R$ 836,60, a título de imposto de renda pessoa física suplementar (sujeito à multa de ofício); R$ 627,45, de multa de ofício; R$ 482,21, de juros de mora, calculados até 30/05/2008; R$ 2.771,11, de imposto de renda pessoa física (sujeito à multa de mora); R$554,22, de multa de mora; R$ 1.597,26, de juros de mora, calculados até 30/05/2008. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 21/07), o procedimento resultou na apuração das seguintes infrações: 1. Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 3.042,18, recebidos da fonte pagadora Justiça Federal de Primeiro Grau em Minas Gerais, CNPJ nº 05.452.786/000100. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 413,60. 2. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Glosa dos valores de R$ 1.281,84, R$ 1.272,15, R$ 41,38 e R$ 589,34, acrescido de correção monetária e demais encargos (cf. DAR anexo).”; 2. no exercício de sua atividade profissional, em especial desenvolvida na área fiscal e perante à Justiça Federal, com o êxito da ação judicial por ela patrocinada, recebe ao final honorários advocatícios sucumbenciais, através de RPV (requisição de pequeno valor) ou Alvará Judicial, os quais são geralmente devidos pela União Federal e INSS, sendo disponibilizados pela Caixa Econômica Federal (Central em Brasília); 3. o valor informado como recebido da TEK Artefatos de Couro Ltda (R$ 3.681,54), com IRRF de R$ 589,34, decorreu da ação judicial nº 1999.03.99.1012270, sendo devido pela União Federal e pago pela agência da CEF – PAB (na Justiça Federal de Ribeirão Preto/SP), conforme comprova a inclusa cópia do Alvará de Levantamento nº 377/2002; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10840.002150/200885 Acórdão n.º 2801003.952 S2TE01 Fl. 128 3 4. o valor informado como recebido de Fleming Hospital Maternidade Ltda (R$ 6.199,70), com IRRF de R$ 1.281,84, decorreu da ação judicial nº 2003.03.00.0038889 e era devido pelo INSS, tendo sido adotado o mesmo procedimento, conforme cópia do Alvará de Levantamento nº 177/2003; 5. o valor informado como recebido de Lacerda Chaves Comércio de Roupas (R$ 1.333,88), com IRRF de R$ 41,38, decorreu da ação judicial nº 19991.61.02.0052142 e era devido pelo INSS, tendo sido adotado o mesmo procedimento (valor pago pela CEF em 10/09/2003, cf. doc. anexo); 6. o valor informado como recebido do Bazar Santa Isabel Ltda (R$3.684,77), com IRRF de R$ 1.272,15, era devido pelo INSS, tendo sido adotado o mesmo procedimento, conforme cópia do Alvará de Levantamento nº 601/02; 7. “necessário observar, que o valor do alvará é de R$ 8.238,64, o valor declarado por esta signatária é de apenas R$ 3.684,77. isto ocorre, porque, parte do valor é pertencente à empresa autora BAZAR SANTA IZABEL LTDA (repetição do indébito da contribuição incidente sobre o PROLABORE) e parte corresponde a honorários e sucumbência e reembolso das custas processuais.”; 8. estas informações ao Fisco Federal, contudo, o mesmo glosou estes valores sob a alegação de falta de comprovação da retenção na fonte; 9. na declaração de imposto de renda, ao invés de constar a fonte pagadora CEF (quem efetuou o pagamento da verba de sucumbência devida pelo INSS e União Federal), foi informado incidentes sobre rendimentos declarados como recebidos, respectivamente, das fontes pagadoras Fleming Hospital e Maternidade Ltda, CNPJ nº 48.171.815/000134, Bazar Santa Isabel Ltda – ME, CNPJ nº 59.377.234/000103, Lacerda Chaves Comércio de Roupas Ltda – EPP, CNPJ nº 48.171.815/000134 e TEK Artefatos de Couro Ltda – EPP, CNPJ nº 52.122.965/000104. Valores glosados por falta de comprovação da retenção na fonte. Embora alegue que se trata de retenção na fonte de honorários de sucumbência, a contribuinte não apresentou cópias dos DARFs recolhidos do Imposto de Renda na Fonte. O único DARF apresentado foi recolhido no CPF da própria contribuinte e no código da receita 8045. Assim, este DARF não comprova a retenção na fonte porque não foi recolhido no CNPJ da fonte pagadora. Cientificada da autuação em 09/05/2008 (fls. 87), a interessada apresentou, em 09/06/2008, a impugnação de fls. 02/07, trazendo as seguintes alegações: 1. “assiste razão o Fisco no que tange a glosa do imposto incidente sobre o valor de R$ 3.042,18 e respectivo IRRF de R 413,60, visto que tratase de valor recebido por esta causídica e Fl. 128DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10840.002150/200885 Acórdão n.º 2801003.952 S2TE01 Fl. 129 4 que inadvertidamente não foi informado seu sua declaração, razão pela qual, apresentase nesta oportunidade o comprovante d recolhimento do imposto complementar devido a tal mister equivocadamente as empresas que figuraram no pólo ativo da demandas judiciais patrocinadas por ela, situação que será corrigida, após a resposta das notificações encaminhadas à Caixa Econômica Federal, quando então serão apresentados os documentos (DARFs), que comprovam o IRRF, com alteração do código de retenção (REDARF) e do nome da fonte pagadora; 10. já notificou a Caixa Econômica Federal para que sejam apresentados os comprovantes de pagamento do imposto de renda retido na fonte, mas até o momento ainda não foi atendida, razão pela qual roga que seja determinada a suspensão do presente feito até que sejam cumpridas as notificações, momento em que serão apresentados todos os documentos ora citados, necessários ao cancelamento dos lançamentos fiscais ora objetados; 11. protesta ainda pelo direito de juntada aos autos de demais documentos, bem como, de impugnação complementar após a resposta das instituições financeiras. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 87/94, extraídos dos sistemas de informação da RFB. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.95/102numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Comprovada parte da retenção do imposto de renda na fonte, cabe restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 31.01.2012(fl.105numeração digital), o contribuinte apresentou recurso em 24.02.2012(fls.107/111numeração digital). Em sua defesa sustenta os argumentos da impugnação. É o Relatório Voto Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10840.002150/200885 Acórdão n.º 2801003.952 S2TE01 Fl. 130 5 Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de imposto de renda na fonte, cujo recolhimento não foram confirmados pela fonte pagadora. A Recorrente alega que se trata de honorários de sucumbência os Alvarás de Levantamento de honorários de (fls.33/35/40), destacam o imposto renda fonte das fontes pagadoras. Verificase dos autos que a autoridade fiscal intimou a Interessada para apresentar os DARF de recolhimentos do imposto de renda retido na fonte, referente as fontes pagadoras, não o fez, sob a alegação que a Caixa Econômica Federal retentora do imposto não forneceu os comprovantes. Diante disso a Fiscalização glosou o imposto de renda retido na fonte por falta de comprovante da retenção na fonte das seguintes fontes pagadoras: Fleming Hospital e Maternidade Ltda no valor de R$ 1.281,84, Lacerda Chaves Comércio de Roupas no valor de R$ 41,38 e Bazar Santa Isabel Ltda no valor de R$ 1.272,15. Na fase recursal a Interessada apresentou os DARFs(fls.114/118) referentes as fontes pagadoras Fleming Hospital e Maternidade Ltda no valor de R$ 1.281,84 e Lacerda Chaves Comércio de Roupas no valor de R$ 41,38.. Fleming Hospital e Maternidade Ltda Fl.114 – recolhimento 16.07.2003 1.281,84 Lacerda Chaves Comércio de Roupas Fl.118 – recolhimento 18.09.2003 41,38 Registrese que a DRJ restabeleceu o imposto renda retido na fonte da fonte pagadora TEK Artefatos de Couro no importe de R$ 589,34, que incidiu sobre o rendimento de R$ 3.681,54 Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 1.323,22(empresas:Fleming Hospital e Maternidade Ltda no valor de R$ 1.281,84 e Lacerda Chaves Comercio de Roupas no valor de R$ 41,38). Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10840.002150/200885 Acórdão n.º 2801003.952 S2TE01 Fl. 131 6 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 15504.005325/2010-65
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/04/2010
ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL DO CONTRIBUINTE. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. INTIMAÇÃO DOS CAUSÍDICOS CONSTITUÍDOS NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. POR DETERMINAÇÃO LEGAL A INTIMAÇÃO E NA PESSOA DO CONTRIBUINTE EM SEU DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magladi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 19/04/2010 ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL DO CONTRIBUINTE. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. INTIMAÇÃO DOS CAUSÍDICOS CONSTITUÍDOS NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. POR DETERMINAÇÃO LEGAL A INTIMAÇÃO E NA PESSOA DO CONTRIBUINTE EM SEU DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/04/2010 ILEGALIDADE E EXCESSO NO LANÇAMENTO E JULGAMENTO A QUO. INEXISTÊNCIA. FASES QUE SE DESENVOLVERAM EM RESPEITO E OBSERVÂNCIA AS NORMAS LEGAIS E PROCEDIMENTAIS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL X ACESSÓRIA. INDEPENDÊNCIA ENTRES AMBAS. POSSIBILIDADE DE EXISTÊNCIA DE UMA SEM A EXISTÊNCIA DA OUTRA, INCLUSIVE, DA EXISTÊNCIA, EXCLUSIVA, DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO LEGAL E JURISPRUDENCIAL. CUMPRIMENTO E EXECUÇÃO DE DEVER INSTRUMENTAL. OBRIGAÇÃO LEGAL DO CONTRIBUINTE. CONTRIBUINTE REINCIDENTE. INTIMAÇÃO DOS CAUSÍDICOS CONSTITUÍDOS NOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. POR DETERMINAÇÃO LEGAL A INTIMAÇÃO E NA PESSOA DO CONTRIBUINTE EM SEU DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO, SALVO EXCEÇÕES LEGAIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. –Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 53 25 /2 01 0- 65 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 207 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magladi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 208 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração – AI DEBCAD 37.275.8479, CFL.59, que objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que se consistiu em deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 30, inciso I, alínea "a", e/ou dos segurados contribuintes individuais, conforme o disposto na Lei n. 10.666, de 08.05.03, art. 4., "caput" e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 216, inciso I, alínea "a", conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – AI, fls. 04 a 06, com período de apuração de 01/2006 a 12/2006, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 10 e 11. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/04/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 133 a 137, recebida, em 24/05/2010, estando acompanhada dos documentos, de fls. 138 a 152. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 157 e 165. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0250.992 6ª Turma da DRJ/BHE, em 07/11/2013, fls. 168 a 176. A impugnação foi considerada improcedente. A autoridade julgadora de primeiro grau, via contato telefônico solicitou ao órgão local DRF – origem que devolvesse os autos àquela instância, fls. 177. O órgão julgador a quo emitiu novo Acórdão 0251.356 6ª Turma da DRJ/BHE, em 21/11/2013, fls. 178 a 187, sob a alegação de correção de inexatidão material. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 02/01/2014, por intermédio do AR, de fls. 192; 194 e 196. Irresignada a empresa apresentou o recurso voluntário petição de interposição com razões recursais, as fls. 198 a 203, recebido, em 15/01/2014, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Preliminar. · que o processo administrativo é nulo por violação ao contraditório e ampla defesa, pois a decisão recorrida indeferiu a produção de prova requerida, com base em decreto de 1972, desconsiderando a garantia constitucional, valendose o fisco de provas produzidas de forma Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 209 4 unilateral para decidir, negando o direito da parte de produzir as provas que entender cabível, requerendo a recorrente a nulidade dos pontos desfavoráveis a ela, desconhecendo a autoridade administrativa os documentos juntados pela recorrente na impugnação em relação aos estagiários; · que instaurado o processo administrativo e constituídos procuradores têm eles o direito de receberem cópias de todos os andamentos do processo e especialmente das decisões, sobe pena de ofensa ao contraditório e aos preceitos da lei 8.906/94; Mérito. · que a autuação é improcedente, pois não houve qualquer irregularidade na arrecadação mediante desconto da remuneração dos empregados e contribuintes individuais, agindo a empresa de forma correta na arrecadação das contribuições como demonstrado nas defesas dos autos de infração 37.230.1240 e 37.230.1258; · que inexistindo o principal inexiste o acessório, pois estas visam garantir o cumprimento daquelas, sendo que todas foram cumpridas de uma forma ou de outra, só subsistindo a obrigação acessória para fazer valer a principal, a qual foi cumprida integralmente, o que não justifica a aplicação da multa, ainda, que tivesse ocorrido irregularidade formal; · que a autuação e a decisão de primeiro grau operaram em ilegalidade/excesso, pois a empresa se conduziu com boafé durante o processo administrativo, sendo que eventuais equívocos formais, não podem ensejar autuações, pois inexistindo o principal inexiste o acessório, não podendo haver violação de sua regra, havendo estrita observância da obrigação principal; · que a decisão recorrida aplicou várias multas sobre o mesmo fato gerador de forma cumulativa, em violação à legalidade, incorrendo em bis in idem, sendo assim todas as autuações e multas aplicadas em razão de descumprimento de obrigação acessória ligada a principal, são nulas ou improcedentes, pois na hipótese de descumprimento da obrigação principal somente uma infração poderia existir, não sendo possível a aplicação de multa em série por uma única infração; · Por fim pede e requer: a) preliminarmente – decretação da nulidade do processo nos itens que lhe são desfavoráveis; b) mérito – reforma do acórdão de primeiro grau, bem como a improcedência da autuação, com a baixa e arquivamento dos autos; c) endereçamento das intimações diretamente ao escritório dos patronos, no endereço declinado, sob pena de nulidade do procedimento administrativo. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 204. Os autos subiram ao CARF, fls. 204. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 210 5 Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 03, fls. 205. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 211 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. O processo administrativo fiscal PAF tal qual o processo judicial se desenvolve dentro do que se determina devido processo legal e no caso do PAF o devido processo legal está estabelecido pelo Decreto 70.235/72, que apesar de formalmente ter o nome de decreto, do ponto de vista material é uma lei, consoante decidiu o E. Tribunal Federal de Recursos, observese a transcrição. DECRETO N.° 70.235/1972 STATUS LEGAL O Tribunal Federal de Recursos, através da AMS 106.747DF, estabeleceu que o Decreto n.° 70.235/1972 tem status de Lei. O voto proferido pelo eminente Ministro limar Galvão, no referido julgamento, resume a posição adotada por aquela Corte: "Cabe, aqui, portanto, a reprodução dos argumentos que foram por mim expendidos na AMS 106.307 DF, onde a questão da competência do Presidente da República para editar normas de processo foi assim enfocada: "O Decreto lei n.° 822, de 05/09/69, editado pelos Ministros Militares, com base nos Atos Institucionais n.os 5 e 12, delegou, em seu artigo 2.° (fl. 12), ao Poder Executivo, competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Achavase o País sob o império de duas ordens jurídicas: uma constitucional e outra institucional. Ambas co exístíam, cada qual operando em seu setor próprio. Entre os poderes atribuídos ao Presidente da República pelo Ato Institucional n.° 5, de 13/12/68, encontravase o de legislar em todas as suas matérias, decretado que fosse o recesso parlamentar (art. 2.°, § 1.°), medida que se concretizou com o Ato Complementar n.° 38, de 13/12/68. No exercício dessas atribuições legislativas, editaram os Ministros Militares, 05/09/69 (quando investidos temporariamente da função de Presidente da República, por força do Ato Institucional n.° 12, de 31/08/69), o Decretolei n.° 822 que, em seu art. 2.°, delegou ao Poder Executivo a competência para regular o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários federais. Em 17 de outubro de 1969, as mesmas autoridades promulgaram a Emenda Constitucional n.° 01, que entrou em vigor no dia 30 do mesmo mês. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 212 7 Em seu art. 181, III, a aludida emenda aprovou e excluiu de apreciação judicial, entre outros atos, os de natureza legislativa expedidos com base nos atos institucionais e complementares indicados no item 1. Vale dizer que, conquanto haja a nova Constituição vedado a delegação de atribuições (artigo 6.°, parágrafo único) e reservado á lei federal toda a matéria de Direito Processual e de Direito Financeiro (art. 18, § 1.°), permaneceu, como se viu, com plena vigência o Decreto lei n.° 822, de 1969. Invocando a delegação contida neste diploma legal, baixou o Presidente da República, em 06/03/72, o Decreto n.° 70.235, (...)" Assim sendo, o contraditório e ampla defesa garantias constitucionais devem ser manejadas dentro do procedimento processual estabelecido na lei de regência, lei está que determina e estipula no artigo 16, seus incisos, parágrafos e alíneas a forma, momento e maneiras de produção da prova pelo contribuinte impugnante, ocorrendo preclusão do direito de fazêlo, salvo as exceções previstas no próprio texto da norma. De mais a mais a prova é voltada ao julgador como meio de promover o seu livre convencimento motivado e se esse entende que nos autos as provas estão suficientemente produzidas a permitir o seu julgamento, não há motivos para novas dilações probatórias. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. DESNECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA. JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. LIVRE CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. ACERVO DOCUMENTAL SUFICIENTE. NÃOOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME DE PROVA. SÚMULA Nº 07/STJ. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PARCELAMENTO DO DÉBITO, OU SUA INCIDÊNCIA. UTILIZAÇÃO EM PERÍODOS DIVERSOS DE OUTROS ÍNDICES. PRECEDENTES. 1. Decisão a quo clara e nítida, sem omissões, contradições ou ausência de motivação. O nãoacatamento das teses do recurso não implica cerceamento de defesa. Ao juiz cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgála conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com seu livre convencimento, usando fatos, provas, jurisprudência, aspectos atinentes ao tema e legislação que entender aplicáveis ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há vício para suprir. Não há ofensa ao art. 535, II, do CPC quando a matéria é devidamente abordada no aresto a quo. 2. Quanto à necessidade da produção de provas, o juiz tem o poderdever de julgar a lide antecipadamente, desprezando a realização de audiência para a produção de provas ao constatar que o acervo documental é suficiente para nortear e instruir seu entendimento. É do seu livre convencimento o deferimento de pedido para a produção de quaisquer provas que entender pertinentes ao julgamento da lide. 3. Nos termos da reiterada Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 213 8 jurisprudência do STJ, “a tutela jurisdicional deve ser prestada de modo a conter todos os elementos que possibilitem a compreensão da controvérsia, bem como as razões determinantes de decisão, como limites ao livre convencimento do juiz, que deve formálo com base em qualquer dos meios de prova admitidos em direito material, hipótese em que não há que se falar cerceamento de defesa pelo julgamento antecipado da lide” e que “o magistrado tem o poderdever de julgar antecipadamente a lide, desprezando a realização de audiência para a produção de prova testemunhal, ao constatar que o acervo documental acostado aos autos possui suficiente força probante para nortear e instruir seu entendimento” (REsp nº 102303/PE, Rel. Min. Vicente Leal, DJ de 17/05/99) 4. Precedentes: MS nº 7834/DF, Rel. Min. Félix Fischer; REsp nº 330209/SP, Rel. Min. Ari Pargendler; REsp nº 66632/SP, Rel. Min. Vicente Leal, AgReg no AG nº 111249/GO, Rel. Min. Sálvio De Figueiredo Teixeira; REsp nº 39361/RS, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca. Inexistência de cerceamento de defesa em face do indeferimento de prova pleiteada. 5. Demonstrado, de modo evidente, que a procedência do pedido está rigorosamente vinculada ao exame das provas depositadas nos autos. Na via Especial não há campo para revisar entendimento de 2º grau assentado em prova. A função de tal recurso é, apenas, unificar a aplicação do direito federal, nos termos da Súmula nº 07/STJ. 6. O instituto da denúncia espontânea exige que nenhum lançamento tenha sido feito, isto é, que a infração não tenha sido identificada pelo fisco nem se encontre registrada nos livros fiscais e/ou contábeis do contribuinte. A denúncia espontânea não foi prevista para que favoreça o atraso do pagamento do tributo. Ela existe como incentivo ao contribuinte para denunciar situações de ocorrência de fatos geradores que foram omitidas, como é o caso de aquisição de mercadorias sem nota fiscal, de venda com preço registrado aquém do real, etc. 7. A jurisprudência da egrégia Primeira Seção, por meio de inúmeras decisões proferidas, dentre as quais o REsp nº 284189/SP (Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003), uniformizou entendimento no sentido de que, nos casos em que há parcelamento do débito tributário, ou a sua quitação total, mas com atraso, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e esta só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito. O parcelamento, pois, não é pagamento, e a este não substitui, mesmo porque não há a presunção de que, pagas algumas parcelas, as demais igualmente serão adimplidas, nos termos do art. 158, I, do CTN. 8. A existência de parcelamento do crédito tributário, ou a sua quitação total, mas com atraso, não convive com a denúncia espontânea. Sem repercussão para a apreciação dessa tese o fato de o parcelamento ou o pagamento total e atrasado do débito, ter ocorrido em data anterior à vigência da LC nº 104/2001, que introduziu, no CTN, o art. 155A. Prevalência da jurisprudência assumida pela 1ª Seção. Não influência da LC nº 104/2001. 9. O pagamento da multa, conforme decidiu a 1ª Seção desta Corte, é independente da Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 214 9 ocorrência do parcelamento. O que se vem entendendo é que incide a multa pelo simples pagamento atrasado, quer à vista quer tenha ocorrido o parcelamento. 10. Adotase, a partir de 1o/01/1996, o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, pelo que os juros devem ser calculados, após tal data, de acordo com a referida lei, que inclui, para a sua aferição, a correção monetária do período em que ela foi apurada. A aplicação dos juros, in casu, afasta a cumulação de qualquer índice de correção monetária a partir de sua incidência. Este fator de atualização de moeda já se encontra considerado nos cálculos fixadores da referida Taxa. Sem base legal a pretensão do Fisco de só ser seguido tal sistema de aplicação dos juros quando o contribuinte requerer administrativamente a compensação. Impossível ao intérprete acrescer ao texto legal condição nela inexistente. 11. A referida Taxa é aplicada em períodos diversos dos demais índices de correção monetária, como IPC/INPC e UFIR. Juros pela Taxa SELIC só a partir da sua instituição da Lei nº 9.250/95, ou seja, 01/01/1996. Entretanto, frisese que não é ela cumulada com nenhum outro índice de correção monetária. Precedentes desta Corte. 12. Agravo regimental nãoprovido. (AGA 200702011344, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/04/2008) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC – INDEFERIMENTO DE PERÍCIA CONTÁBIL PARA AFERIÇÃO DOS CONSECTÁRIOS LEGAIS – POSSIBILIDADE – AÇÃO CONSIGNATÓRIA – PARCELAMENTO DO TRIBUTO – INVIABILIDADE – PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – PARCELAMENTO DO DÉBITO – ART. 138 DO CTN – INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA – RESOLUÇÃO 31/00 DO CONFAZ – INVIABILIDADE DE EXAME. 1. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. 2. Considerando a convicção formada pela Corte de origem, no sentido de que a importância devida pela recorrente resta definitivamente comprovada através das CDAs relativas a ICMS informado pelo contribuinte e acréscimos decorrentes do inadimplemento constantes do próprio título, a pretendida dilação probatória revelase absolutamente desnecessária, competindo ao julgador, nessas hipóteses, indeferir a diligência (CPC, art. 130, c/c o art. 420, parágrafo único, inciso II). 3. Firmouse na Primeira Seção o entendimento segundo o qual a simples confissão de dívida, seguida de pedido de parcelamento, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional. 4. A recorrente não indicou qual o dispositivo da Lei Complementar n. 24/75 foi violado, para sustentar sua irresignação pela alínea "a" do permissivo constitucional. Incidência da Súmula 284/STF. 5. No que concerne à suposta violação da Resolução n. 31/00 do CONFAZ, é inviável o trânsito do recurso especial, por não inserir o ato normativo da espécie no conceito de "lei federal", na forma preconizada pelo art. 105, III, alínea "a", da Constituição Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 215 10 Federal. Recurso especial conhecido em parte e improvido.(RESP 200800730992, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 02/06/2008) (todos esses destaques são meus). Cabe, ainda, dizer que o pedido de perícia não atende ao que determinado pelo artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, por todos esses motivos o indeferimento da prova se faz adequado e possível. A legislação que cuida do processo administrativo fiscal não traz a hipótese de cientificação do causídicos constituídos para promoverem o processo administrativo fiscal, muito pelo contrário a norma de regência traz expressa determinação de cientificação do contribuinte em seu domicílio tributário. Assim sendo, também, indefiro o pedido de intimação em nome dos causídicos e nos endereços destes, uma vez que o artigo 127, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 23, do Decreto 70.235/72 não trazem tal hipótese e estabelecem as formas de comunicações ao sujeito passivo, o judiciário não pensa diferente, veja ementa de um arresto. TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ART. 23 DO DECRETO N.º 70.235/72 INTIMAÇÃO POSTAL PESSOA JURÍDICA ENDEREÇO ELEITO PELO CONTRIBUINTE. 1. O impetrante, ora apelado, impetrou o presente mandamus pugnando pela invalidade do ato de intimação da decisão proferida em primeiro grau no processo administrativo, sustentando que a intimação foi realizada em lugar diverso do apontado em sua impugnação e recebida por pessoa estranha aos quadros da empresa. O MM. Juízo a quo, acolhendo os fundamentos aduzidos na inicial, julgou procedente o pedido formulado, declarando a nulidade do processo administrativo fiscal, desde a intimação do impetrante do julgamento da impugnação, decisum contra o qual agora se insurge a União. 2. O contribuinte foi intimado, por via postal, em seu domicílio fiscal. Em que pese sustentar ter declinado outro endereço para receber as intimações, quando da apresentação de sua impugnação, e que o recebimento foi atestado por pessoa que não detinha poderes para tanto, não existe qualquer ressalva normativa no sentido de que a intimação deve ser feita na pessoa do advogado, na hipótese de haver procuradores constituídos pelo contribuinte, nem que o próprio destinatário ou pessoa por ele autorizada firme o documento. 3. A tese inicial da necessidade de intimação da empresa através de seus advogados implicaria em aplicar a mesma disciplina que rege o ato de citação judicial ao ato de mera intimação de decisão em processo administrativo. A intimação de atos de comunicação em processo administrativo não se reveste das mesmas exigências previstas em lei para efetivação da citação judicial, não estando o fisco obrigado a intimála na pessoa do advogado. 4. No mais, se a intimação foi encaminhada ao destino correto, se pessoa que não deveria recebêla o fez, ou ainda, se o fez e não repassou o importante documento às mãos dos seus efetivos destinatários, tais falhas jamais podem ser imputadas à autoridade notificante, mas ao Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 216 11 próprio contribuinte, na administração do seu pessoal. 5. Remessa necessária e apelação interposta pela União providas. (AMS 200251100065655, Desembargador Federal RICARLOS ALMAGRO VITORIANO CUNHA, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::16/12/2011 Página::202/203.) (o grifo é meu). Com os esclarecimentos acima afasto as preliminares suscitadas. Mérito. O agente fiscal lançador consignou no seu Relatório Fiscal da Infração, de fls. 04, item 1, o que abaixo se transcreve. 1 A empresa EMCCAMP RESIDENCIAL S/A, CNPJ 19.403.252/000190, deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e que se encontram relacionados no Anexo I, nas competências janeiro/2006 a dezembro/2006. As irregularidades verificadas estão listadas nos documentos citado pelo agente lançador acostado, as fls. 103 a 122, o que não deixa dúvidas quanto a prática da infração. Não é consentâneo com a realidade e com o direito a alegação de que as obrigações acessórias deveres instrumentais – só existem para garantir a existência do cumprimento da obrigação principal, cada qual obrigação tem seu campo de aplicação e independência. As questões relativas a acessoriedade não tem no âmbito tributário a relação com que se apresenta na seara cível. O Supremo Tribunal Federal – STF no RE 250.844 – SP posicionouse a esse respeito em voto vista do Ministro Luiz Fux, que acabou acompanhado pelo relator Ministro Marco Aurélio Melo, do qual transcrevo o trecho abaixo. Vêse, assim, que o cumprimento da obrigação tributária acessória nada tem a ver com a existência, concomitante, de certa e determinada obrigação principal, ambas devidas pelo mesmo sujeito. O cumprimento de obrigações acessórias possui relevância externa e independente da relação articulada a partir do dever de pagar certo tributo. Projetase sobre outras relações jurídicotributárias, travadas ou não entre os mesmos sujeitos em torno de exações também idênticas ou não. Em verdade, toda controvérsia sobre a matéria decorre do emprego, pela legislação, de um mesmo rótulo (principal/acessória) para designar realidades distintas nos campos civil e tributário. Daí por que a terminologia “acessória”, vista em abstrato, é equívoca. Melhor seria que as mesmas fossem indicadas, pelo menos no campo justributário, por expressão mais precisa e infensa a ambiguidades, tal como “deveres instrumentais”. Sem embargo, o nomen iuris Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 217 12 empregado pelo legislador não tem o condão de alterarlhes a essência, a qual, esta sim, deve informar o regime jurídico aplicável à hipótese. Aliás, o artigo 175, parágrafo único, da Lei 5.172/66 é claro em asseverar que a obrigação acessória existe sem que exista a principal. Equivocase a recorrente não há excesso da autuação ou do julgamento a quo, o agente lançador apenas cumpriu o seu dever legal, quando ao constatar o desatendimento da determinação legal por parte do contribuinte agiu como manda a lei e aplicou a sanção prevista e determinada em lei, por outro lado a DRJ nada mais fez do que promover a análise e julgamento da impugnação dando a solução que entendeu aplicável ao caso. Inexiste nos presentes autos a aplicação de multa sobre um mesmo fato gerador e a verificação é muito simples, o artigo 115, da Lei 5.172/66 define esse instituto jurídico no tocante a obrigação acessória e no procedimento fiscal que culminou com a presente autuação ficou constatado que a empresa fiscalizada ora recorrente infringiu uma série de normas, ficando sujeita a aplicação de uma pena/sanção e razão do descumprimento de cada obrigação legal, uma vez que não cumpridas diversas obrigações ocorrem diversas violações à lei, o que enseja a aplicação de sanção para cada violação. Consta do relatório fiscal do presente auto que a empresa fiscalizada sofreu a lavratura de onze autos de infração no procedimento fiscal levado a cabo no contribuinte, sendo três decorrentes do descumprimento de obrigação principal e oito decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais, esse mesmo relatório informa que a empresa, não é primária, ou seja, já foi autuada em fiscalizações anteriores por descumprimento de obrigações acessórias, artigo 290, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, o que infirma a alegação de cumprimento fiel das obrigações trabalhistas e previdenciárias. Transcrevo abaixo a lista de infrações que o fiscal lançador detectou no curso do procedimento fiscal que culminou com essa autuação, bem como as demais que foram objeto de autuação, e, ainda, a demonstração de ocorreu de reincidência. LISTA DE INFRAÇÕES: DEBCAD ASSUNTO LEVANTAMENTO 37.230.1240 Contribuições da Empresa e SAT, (20%+3%) AD, AM, AL, Cl, ES, GA, MB, SV 37.230.1258 Contribuições dos Segurados Cl, AL, CS 37.230.1266 Contribuições de Terceiros: SESI, SENAI, SEBRAE, FNDE e Incra 5,8%; SEST/SENAT 2,5% AM, AL, ES, GA, MB, SV, SS, TR 37.230.1274 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 68 Apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 37.275.8460 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 69 Apresentar a empresa GFIP com informações inexatas, Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 218 13 incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos qeradores de contribuições previdenciárias. 37.275.8479 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. 37.275.8487 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 30 Deixar de incluir verbas salariais na folha de pagamentos 37.275.8495 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 56 Deixar a empresa de inscrever segurados empregados a seu serviço. 37.275.8509 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. 37.275.8517 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 91 Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inc. IV, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação. 37.275.8525 Descumprimento de Obrigação Acessória CFL 35 Deixar a empresa de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX DEMONSTRAÇÃO DA REINCIDÊNCIA. 7 A empresa não é primária, por ter incorrido no agravante da reincidência, previsto no art. 290, inciso V, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Dec. 3.048/99. Isto porque existem Autos de Infração lavrados em procedimento fiscal anterior e que tiveram decisão condenatória administrativa irrecorrível em 19/01/2007, com extinção pelo pagamento da multa com redução, conforme resume o quadro abaixo: NR. DEBCAD DATA DECISÃO MOTIVO AUTUAÇÃO 37.031.3216 19/01/2007 CFL 30Deixar de incluir verbas salariais na folha de paqamentos 37.031.3232 19/01/2007 CFL 34Deixar de contabilizar em títulos próprios fatos qeradores de contribuições previdenciárias 37.031.3240 19/01/2007 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 219 14 CFL 68Omitir fatos geradores de contrib.previdenciárias de GFIP 37.031.3259 19/01/2007 CFL 69Apresentar GFIP com erro nos dados não relacionados a contribuições previdenciárias obs: todos os destaques são do original. Desta forma, não há bis in idem, o que ocorre é a violação, concomitante, a vários dispositivos legais, sendo que cada um deles impõe deveres instrumentais distintos, o que implica na imposição de várias multas distintas, em um único procedimento fiscal, veja o que diz o TRF2. TRIBUTÁRIO. DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. COBRANÇA DEVIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 71 DO CP. 1. Na hipótese dos autos, onde se discute a legitimidade da multa aplicada em auto de infração, lavrado em 2002, pelo descumprimento de obrigações acessórias (artigo 113, § 3º,do CTN), relativo a entrega de Declarações de CPMF, período compreendido de 05/98 a 11/00, não se aplica o disposto no artigo 56, § 2º, do Decreto nº. 7.574/2011, e sim, o Decreto nº. 70.235/72. 2. Somente a partir da data em que o contribuinte é notificado do resultado do recurso ou da sua revisão e após o término da cobrança amigável (arts. 42, II e 43, ambos do PAF), é que tem início a contagem do prazo prescricional, razão pela qual não há que se falar em ocorrência do prazo de prescrição in casu, já que a notificação da decisão em definitivo somente se deu em 08/04/2008 (in, STJ, AgRg nos EDcl no RRsp 125654/Rj, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, DJe 16/05/2011). 3. Havendo norma expressa na legislação tributária para aplicação da penalidade pela permanência da infração, não pode o julgador lançar mão do recurso da analogia, que pressupõe a ausência de norma, para adotar a causa geral de aumento dos crimes continuados (art. 71 do Código Penal). 4. A aplicação de multa no valor de R$ 1.679.730,55 não fere os princípios da vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Primeiro, porque o autor não é o sujeito da obrigação principal (CPMF), e sim seus correntistas, atuando a instituição bancária como mero responsável tributário, de modo que o descumprimento da obrigação acessória não guarda relação direta com a obrigação principal, por se tratarem de relações jurídicas com titulares distintos. Em segundo lugar, o valor total lançado decorre da soma de multas aplicadas a infrações diversas: a maior delas, no valor no valor de R$ 85.802,76, em razão do tempo de permanência de 45 meses, ao passo que a menor, no valor de R$ 75.000,00, teve por base conduta omissiva pelo prazo de 15 meses. O montante alcançado, além de resultar do somatório de infrações, se deveu a demora do próprio autor em prestar as informações devidas. 5. Remessa necessária e apelação da UNIÃO/FN providas. Prejudicada apelação do Banco Máxima S/A. (APELRE 200851010080670, Desembargador Federal Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 220 15 JOSE FERREIRA NEVES NETO, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::31/05/2013.) (também é meu esse realce). De mais a mais o normal e esperado é que todos ajam com boafé e no campo tributário isso não pode ser justificativa para que o fisco deixa de aplicar a lei como esta lhe determina e ordena, pois no campo infracional aplicase o artigo 136, da Lei 5.172/66, outro não é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ sobre a matéria, observese a transcrição. EMEN: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). JUROS E MULTA. INCIDÊNCIA. 1. As verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real (11,98%) têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda. Precedentes. 2. Segundo o art. 136 do CTN, "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". 3. Se o imposto de renda deixou de ser retido na fonte no momento próprio, sobre o tributo incidem juros de mora e multa, independentemente da boafé do agente, ainda que a ausência de retenção tenha sido imputada à instituição pagadora. 4. A ausência de retenção na fonte não retira a responsabilidade do contribuinte que recebeu o rendimento de submeter a renda à incidência do imposto, arcando, obviamente, com os consectários legais decorrentes do inadimplemento. Precedentes da Segunda Turma. 5. Recurso especial provido. EMEN:(RESP 201201625858, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:15/02/2013 ..DTPB:.) (o destaque é meu). O contribuinte tem o dever legal de cumprir as obrigações principais e as acessórias o cumprimento de uma, não dispensa o cumprimento da outra e viceversa. Assim com esses esclarecimentos afasto todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento em razão da insubsistência das alegações recursais. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15504.005325/201065 Acórdão n.º 2803003.764 S2TE03 Fl. 221 16 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11080.912711/2012-44
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 15 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1802-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, José de Oliveira Ferraz Correa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Henrique Heiji Erbano. Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 12 71 1/ 20 12 -4 4 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 80 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 48/50 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Brasília (efls. 40/44) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 21/06/2010, utilizando o programa gerador PER/DCOMP, a contribuinte transmitiu pela internet o PER Pedido de Restituição nº 13064.19633.210610.1.2.046190 (e fls. 35/37), demandando: direito créditório contra o fisco (valor original): R$ 3.548,50 (valor original): que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2009, código de receita 2089, data de arrecadação 30/09/2009, valor original do recolhimento – DARF R$ 145.922,99 (3ª quota). Em 05/12/2012, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 31, pela DRF/Porto Alegre, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Valor do crédito pleiteado no PER/DCOMP: 3.548,50 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para restituição. (...) Diante da inexistência do crédito, indefiro o pedido de restituição. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). (...) Ciente dessa decisão em 17/12/2012 – Aviso de Recebimento – AR (efl. 38), a contribuinte, em 21/12/2012, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/07, cujas razões, em resumo, são as seguintes: que o direito creditório pleiteado nos autos relativo ao IRPJ seria líquido e certo, pois teria decorrido de pagamento indevido ou maior; Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 81 3 que, na apuração do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, teria apurado débito a pagar o valor de R$ 419.848,13 para pagamento em 3 (três) quotas iguais de R$ 139.949,38; que, entretanto, antes disso, teria confessado na DCTF débito do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009 o valor de R$ 430.493,64, e que teria, inclusive, efetuado pagamento desse valor em 3 (três) quotas de R$ 143.497,88; que, diante disso, alega estaria configurado o erro de fato, quanto ao valor do débito do IRPJ confessado a maior na DCTF, e que, também, teria implicado pagamento indevido ou a maior; que, nos presentes autos, o crédito pleiteado do IRPJ diz respeito apenas ao pagamento indevido ou maior do IRPJ do 2º trimestre/2009, quanto à 3ª quota, ou seja, o valor de R$ 3.548,50 (valor original). que, ademais, em 20/12/2012 (data posterior à ciência do despacho decisório que denegara o direito creditório pleiteado), apresentou DCTF retificadora, reduzindo o débito informado na DCTF primitiva, no sentido de justificar o crédito pleiteado (efls. 08/30). A 4ª Turma da DRJ/Brasília, enfrentanto oo mérito das questões suscitadas pela contribuinte, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a denegação do crédito pleiteado conforme Acórdão, de 17/10/2013 (efls. 40/44), cuja ementa transcrevo a seguir, in verbis: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 82 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 25/10/2013 por AR (efl. 46), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário de efls.48/50, em 14/11/2013, juntando ainda documentos de efls. 51/53 e 56/71, reiterando as razões já suscitadas na manifestação de inconformidade na instância a quo, porém acrescentou: que discorda da decisão recorrida, no que concerne à não apresentação de documentos hábeis e idôneos que pudessem comprovar o IRPJ devido no PA 2º trimestre/2009 e o pagamento a maior ou indevido; que no anocalendário 2009 os resultados foram submetidos à tributação pelo lucro presumido trimestral, pelo regime de caixa; que a base de cálculo do IRPJ (lucro presumido) foi apurada a partir dos valores efetivamente recebidos no período, mais as receitas financeiras, informações constante da DACON; que durante o anocalendário 2009 prestou informações, mensalmente, à RFB, acerca da apuração das contribuições sociais na DACON; que, ademais, no anocalendário 2009, a contribuinte foi intimada pela RFB e passou a ter condição de Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado, sendo que entregou ao fisco, entre outros, toda a sua escrituração contábil em meio magnético (Portaria RFB nº 11.211/2007, revogada pela Portaria RFB nº 2.356/2010) – efl. 53; que, dessa forma, os documentos hábeis e idôneos não só foram registrados pela empresa em seus livros societários, mas também sempre estiveram à disposição da RFB; que, outrossim, juntou ao Recurso Voluntário cópia dos livros Diário nºs 39, 40, 41 e 42 da Matriz; nº 08 da filial de Caxias do Sul; nº 04 da filial de Brasília; nº 02 da filial de Florianópolis e nº 10 da filial de Parobé, todos do anocalendário 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais; que pelos registros existentes na DACON, além dos dados informados através do Acompanhamento Econômico –Tributário Diferenciado e nos livros Diário e Razão, fica claro ou evidente que os valores recebidos pela empresa mensalmente serviram de base de cálculo para apuração do IRPJ devido; que, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, ou seja, provimento integral ao recurso. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 83 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser apreciado, conhecido. Logo, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam do pedido de restituição do pagamento indevido ou a maior do IRPJ do PA 2º (segundo) trimestre/2009, relativo à 3ª (terceira) quota. Direito creditório pleiteado do IRPJ, relativo a suposto pagamento a maior de R$ 3.548,50 (valor original) atinente à 3ª (terceira) quota do PA 2º (segundo) trimestre/2009. A recorrente alega que na DCTF primitiva, por equívoco ou erro de fato, confessou e recolheu valor a maior o IRPJ do PA 2º (segundo) trimestre/2009 em relação ao valor do débito a pagar, apurado e informado na DIPJ; porém, tal argumento não restou acatado na instância a quo, pois a contribuinte deixara de produzir prova do alegado erro de fato. Nesta instância recursal, a recorrente, então, busca a reforma da decisão a quo que não reconheceu o crédito pleiteado, insistindo na alegação da ocorrência de erro de fato. A DCTF retificadora, que reduziu o débito informado/confessado na DCTF primititiva, é posterior à data de ciência do despacho decisório. Vale dizer, a DCTF retificadara, para ser aceita, é necessário comprovar, primeiro, o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva (CTN, art. 147, § 1º). A divergência de apuração, quanto ao valor do IRPJ a pagar entre a DCTF primitiva e a DIPJ, não se resolve pela mera apresentação de DCTF retificadora. Tornase necessário a contribuinte comprovar o alegado erro de fato de preenchimento da DCTF primitiva, mediante apresentação/juntada aos autos de cópia da escrituração contábil (livro Caixa, Razão, Diário) do anocalendário 2009. Compulsando os autos, observase a existência falhas na instrução do processo e que não permitem a formação da convicção julgador quanto ao mérito da lide, ou seja, não possibilitam a aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois: a) sequer consta dos autos cópia da DIPJ do anocalendário 2009; b) sequer consta dos autos cópia da DCTF primitiva atinente ao PA 2º trimestre/2009; c) sequer consta cópia dos DARF de pagamento das três quotas do IRPJ do 2º trimestre/2009. Ou seja, não há prova de pagamento integral do débito do IRPJ confessado na DCTF primitiva, quanto ao PA 2º (segundo) trimestre/2009;. d) falta confirmação de que houve recolhimento/pagamento das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre do anocalendário 2009;. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 84 6 e) além disso, a recorrente informou nas razões do recurso que juntara aos autos cópia de sua escrituração contábil do anocalendário 2009, juntamente com a peça recursal; porém, essa prova foi retirada dos autos, conforme consta narrado no documento Adendo à defesa, apresentado em 28/11/2013 de efls. 56 e 71, in verbis: ADENDO À INTIMAÇÃO DRF/POA7SEORT/COMPENSAÇÃO 2372/2013 DCSNET Comunicações Ltda, empresa com sede em Porto Alegre RS, (...) vem, respeitosamente, à presença de V.Sa. por seu procurador apresentar adendo à defesa protocolada em 14 de Novembro de 2013 sob número 10101004, referente aos processos 11080.912686/201207, 11080.912688/201298, 11080.912690/201267, 11080.912707/2012 86, 11080.912709/201275, 11080.912711/201244 e 11080.912729/201246. 1 Retiramse dos processos os Livros Diários n° 39, 40, 41 e 42 da Matriz, n° 8 da filial de Caxias do Sul, n° 4 da filial de Brasília, n° 2 da filial de Florianópolis e n° 1 0 da filial de Parobé, todos do ano de 2009, devidamente registrados nas respectivas Juntas Comerciais. 2 Anexase ao processo os arquivos validados pela SVA no código 4ca91fe8c2f18799e54eac8dc2e15f43 em 27/11. 3 A troca dos Livros Diários pelo arquivo em meio magnético foi solicitação da funcionária Giovana Pedrini Martins ATRFB SIAPECAD 1213794, conforme Portaria MF 527 de 09/11/2010. 4 Ressaltamos, todavia, que os Livros Diários encontramse a disposição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, estando arquivados na sede da empresa, podendo ser anexados ao presente processo a qualquer tempo. (...) Assim, diversamente do informado pela recorrente, não consta dos autos (e processo) o arquivo magnético ou digitalização da escrituração contábil da recorrente, quanto ao anocalendário 2009. Como visto, há necessidade de saneamento do processo. Para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório e atento ao princípio da verdade material, propugno pela realização de instrução complementar, ou seja, baixar os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Porto Alegre a fim de que a fiscalização: a) intime a contribuinte para, à luz da escrituração contábil, comprovar o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF primitiva do PA objeto dos autos (eventual divergência dos dados dessa DCTF e a DIPJ 2010, anocalendário 2009), no sentido de justificar a DCTF retificadora apresentada, transmitida em 20/12/2012 (efls. 08/20) e o pleito de restituição do alegado pagamento a maior; b) intime a contribuinte a comprovar pagamentos/recolhimentos das três quotas do IRPJ do 2º (segundo) trimestre/2009, quanto ao débito confessado na DCTF primitiva; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11080.912711/201244 Resolução nº 1802000.587 S1TE02 Fl. 85 7 c) junte cópia da DIPJ 2010, anocalendário 2009; d) junte cópia da DCTF primitiva do PA 2º trimestre/2009; e) confirme os pagamentos/recolhimentos. f) elabore, ao final do procedimento de diligência, relatório circuntanciado, pormenorizado, dos resultados da diligência em relação ao direito creditório pleiteado nos presentes autos (se o crédito demandado existe, ou não, e se está ou disponível para restituição); g) intime a contribuinte do relatório de diligência (resultado da diligência), abrindo prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência para manisfestação nos autos, caso queira. Decorrido o prazo com ou sem manifestação da contribuinte, retornem os autos ao CARF para julgamento da lide. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 15/01/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935248/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBCURIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DA QUESTÃO DE FUNDO. NÃO CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Não cabe a oposição de embargos para fins de reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento.
Embargos Rejeitados.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.975
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela embargante o Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.857.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBCURIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DA QUESTÃO DE FUNDO. NÃO CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Não cabe a oposição de embargos para fins de reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. Embargos Rejeitados. Crédito Tributário Mantido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBCURIDADE. PRETENSÃO DE REEXAME DA QUESTÃO DE FUNDO. NÃO CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis apenas quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Não cabe a oposição de embargos para fins de reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. Embargos Rejeitados. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela embargante o Dr. Thales Saldanha Falek, OAB/DF 35.857. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 52 48 /2 00 9- 11 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos por CGTEE COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA., com fundamento no art. 65 e ss., Anexo 2, do Regimento Interno, em face do Acórdão nº 3802001.941 (fls. 548 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. APLICABILIDADE. RECEITA. CONTRATOS DE FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. IGPM. PREÇO PREDETERMINADO. EFICÁCIA TEMPORAL. O art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, nos termos do art. 15, V, e do art. 93, I, somente é aplicável ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004. O parágrafo único do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 aplicase apenas à Cofins. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido. O Embargante alega ocorrência de contradição no acórdão, à medida que a aplicação do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003 ao PIS/Pasep seria decorrência expressa do art. 15, V, do mesmo diploma legal. Pleiteia o acolhimento das razões apresentadas, com o conseqüente provimento dos embargos e saneamento do vício apontado. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão da Presidente da Turma (fls. 580 e ss.), na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o breve relato. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator A ciência do acórdão ocorreu em 31/10/2013 (fls. 557), tendo a oposição dos embargos ocorrido em 05/11/2013 (fls. 559). Tratase, assim, de embargos declaratórios opostos tempestivamente e que atendem aos demais pressupostos para o seu cabimento. Os embargos, entretanto, não podem ser acolhidos. Com efeito, nos termos do art. 65, Anexo II, do Regimento Interno, os embargos declaratórios são cabíveis “quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omisso ponto sobre o qual devia a pronunciarse a turma”. No presente caso, não há qualquer contradição no acórdão embargado. Este reconheceu que, nos termos do art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de energia elétrica estariam sujeitas ao regime cumulativo. Essa regra aplicase ao PIS/Pasep a partir de 01 de fevereiro de 2004, conforme previsto nos arts. 15 e 93, I, da Lei nº 10.833/2003: Art. 93 . Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1º a 15 e 25, a partir de 1º de fevereiro de 2004; Assim, considerando que, na data do período de apuração, o art. 10, XI, “b”, da Lei nº 10.833/2003, ainda não era aplicável ao PIS/Pasep, a Turma decidiu negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11080.935248/200911 Acórdão n.º 3802003.975 S3TE02 Fl. 584 3 Não há, como se vê, qualquer contradição na interpretação adotada pelo julgado. É inviável, portanto, o acolhimento dos embargos declaratórios, à medida que estes não se prestam ao reexame das questões de fundo ou para manifestar inconformismo com o resultado do julgamento. Votase, assim, pela rejeição dos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900353/2006-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.900353/200695 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.578 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente FUNDAÇÃO DE PESQUISA E ASSESSORAMENTO DE INDUSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 53 /2 00 6- 95 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900353/200695 Acórdão n.º 3801004.578 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 16561.000120/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação.
APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL-20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE.
O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil.
DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização.
DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização.
CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL.
O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL.
Exonerando-se parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonera-se parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1402-001.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a utilização do método PRL-20 para os itens de códigos 129277, 214570, 214625 e 214631, e considerar a repercussão desse resultado no cálculo da compensação indevida de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL no ano-calendário de 2003. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determiná-lo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL-20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerando-se parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonera-se parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a utilização do método PRL-20 para os itens de códigos 129277, 214570, 214625 e 214631, e considerar a repercussão desse resultado no cálculo da compensação indevida de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL no ano-calendário de 2003. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
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APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. APLICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. REACONDICIONAMENTO/FRACIONAMENTO. POSSIBILIDADE. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos produtos no Brasil. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 20 /2 00 7- 76 Fl. 8558DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.536 2 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a utilização do método PRL20 para os itens de códigos 129277, 214570, 214625 e 214631, e considerar a repercussão desse resultado no cálculo da compensação indevida de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2003. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento o Conselheiro Rogério Aparecido Gil. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Rogério Aparecido Gil, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 8559DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.537 3 Relatório Dow Agrociences Industrial Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DA JUNTADA DE PROCESSOS Em razão da dependência do processo no 16561.000126/200743 em relação aos elementos de prova constantes deste processo (no 16561.000120/200776), o referido processo foi juntado por anexação a este (fls. 7682, 7750 e 7751). DA AUTUAÇÃOTERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL DE FLS. 2055 A 2083 Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2055 a 2083, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, relativa a operações sujeitas a preços de transferência, efetuadas durante o anocalendário de 2002, constatouse o seguinte: 1 DA RESPONSABILIDADE POR INCORPORAÇÃO O objeto desta fiscalização corresponde às operações da empresa Dow Agrosciences Industrial Ltda, CNPJ n o. 61.416.1291000170, no anocalendário 2002. A partir de 0110712004, a empresa Sementes Dow Agrosciences Ltda (CNPJ n° 47.180.6251000146) incorporou a Dow Agrosciences Industrial Ltda (CNPJ n° 61.416.1291000170), a qual era titular da totalidade do capital social daquela. Na mesma ocasião, conforme a 43a Alteração Contratual da Sementes Dow Agrosciences Ltda (fls. 145 a 153), a incorporadora alterou sua denominação social, passando a utilizar a mesma da incorporada: Dow Agrosciences Industrial Ltda. Em razão de todo o exposto, e nos termos do artigo 132, caput, do CTN, o lançamento é formalizado em face da incorporadora, titular do CNPJ no 47.180.6251000146. 2 DAS INFORMAÇOES DECLARADAS NA DIPJ/2003 Na DIPJ/2003 original (n o 1096779), a fiscalizada declarou importações de vinculadas no montante de R$ 399.796.669,25 e ajuste ao Lucro Real no total de R$ 78.081.164,29 (fls. 12 e 14). Posteriormente, ao apresentar DIPJ/2003 retificadora (no 1203196), de 0710512004, a fiscalizada reduziu o ajuste declarado para R$ 26.708.942,02 (fl. 34), sem, todavia, discriminar quais os itens importados de vinculadas, em razão da ausência das fichas 31 a 34. Quando questionada, informou que houve erro no preenchimento da declaração e apresentou planilha em Excel — "Item 4_Anexo Fl. 8560DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.538 4 2_Final(1)" (fls. 532 a 535), discriminando quais os itens ajustados, dentro do montante de R$ 26.708.942,02. 3 DA METODOLOGIA ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO Inicialmente, a fiscalizada foi intimada a apresentar os arquivos magnéticos em layout específico, onde dispôs os dados da empresa que serviram de base para o cálculo, pela fiscalização, dos preçosparâmetro e dos preços praticados. A fiscalizada foi também intimada a apresentar as memórias de cálculo e documentos de suporte dos preçosparâmetro apurados para fins do ajuste declarado na DIPJ/2003. Os dados constantes do arquivo eletrônico "Saídas DAS2002 revisado —parte 2.xls", o qual subsidiou os trabalhos da fiscalização, referentes a cada um dos itens importados (e de seus respectivos produtos finais, conforme o caso) que foram objeto de ajuste pela fiscalização pelo método PRL (Preço de Revenda Menos Lucro), encontramse discriminados, por item, nas planilhas "MEMÓRIA DE CALCULO DA APURAÇÃO DO PREÇO PARÃMETRO" (fls. 1727 a 2030). 4 DA AMOSTRAGEM DOS ITENS IMPORTADOS DE VINCULADAS Os itens importados de vinculadas analisados pela fiscalização foram selecionados por amostragem, incluindo os mais relevantes e englobando mais de 80% do volume de importações de vinculadas no anocalendário de 2002. 5 DOS PREÇOS PRATICADOS Os preços praticados foram calculados pela fiscalização com base nas importações extraídas dos sistemas da SRF, após serem ratificados e retificados pela fiscalizada, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização. Na apuração do preço praticado pelo método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), a fiscalização utilizou o Custo CIF (que inclui o valor do frete e do seguro suportado pelo importador) + Imposto de Importação. Na apuração do preço praticado pelo método PIC (Preços Independentes Comparados) utilizouse o Custo FOB. As Declarações de Importação DI referentes a cada um dos itens importados de vinculadas, baseadas nas informações atestadas pela fiscalizada, encontramse individualizadas, por item, nas planilhas "MEMÓRIA DE CÁLCULO DA APURAÇÃO DO PREÇO PRATICADO" (fls. 1696 a 1726). Os preços praticados apurados pela fiscalização constam do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS DOS ITENS IMPORTADOS DE VINCULADAS CONSUMIDOS NO ANO CALENDÁRIO 2002" (2 planilhas anexas). 6 DOS PREÇOSPARÂMETRO 6.1 Da utilização indevida do método PRL com margem de 20% A legislação restringiu a utilização do método PRL20% apenas às revendas diretas sem qualquer agregação de valor, consoante o disposto no § 9°, do artigo 12, IN SRF nº 243/2002. Nos casos de importação de "semiacabados", em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, como feito pela fiscalizada em relação aos itens TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277), Fl. 8561DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.539 5 NORTRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570), VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) e CYPERCHEM250BR DRMLST200L BRA (código 214631), a legislação é clara ao vedar o uso do método PRL margem de 20%, como se extrai do referido § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. A partir dos dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls", apresentado em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (fls. 295 a 298), verificouse que tais itens não foram revendidos diretamente, mas importados em embalagens grandes e vendidos em embalagens menores, através de outros códigos, conforme demonstrativo abaixo: Código Descrição Código Descrição 00129277 TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 00130780 TRACER BTLHPE4X1 L BRA NAF85 00214570 NORTRIN250CE DRMLST200L BRA 00214856 NORTRIN250CE BTLCOX12X1L BRA 00214625 VALON384CE DRMLST200L BRA 00214853 VALON384CE BTLCOX12X1 L BRA 00214631 CYPERCHEM250BR DRMLST200L BRA 00214851 CYPERCHEM250BR BTLCOX12X1 L BRA O processo de industrialização é definido no artigo 40 do Decreto no 2.637/98 (RIPI). Ademais, em que pese a declaração da fiscalizada de que "é o mesmo produto porém em embalagens diferentes" (fls. 1033 a 1036), verificouse que houve agregação de valor ao custo final dos itens, de acordo com a planilha "Custo — médio" (fls. 417 a 424), apresentada em resposta ao Termo de Intimação nº 2. Diante disso, em relação aos itens TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277), NORTRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570), VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) e CYPERCHEM250BR DRMLST2001_ BRA (código 214631), o método de apuração do preço parâmetro utilizado pela fiscalizada — PRL20% — não pode ser aceito, haja vista que tais itens não tiveram saída (revenda) direta, mas foram vendidos apenas após integrarem o processo de produção de outros itens, tendo havido agregação de valor. Nesse sentido a orientação emitida pela CoordenaçãoGeral de Tributação — COSIT da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta nº 5, de 01/09/2006, no sentido de que "A pessoa jurídica, sujeita aos controles de preços de transferência, que importa bens de vinculadas e procede, previamente à sua comercialização no País, à aposição da marca, bem assim ao acondicionamento e rotulagem, voltados ao atendimento de determinações legais brasileiras, deve, acaso opte por calcular o preço parâmetro com base no método Preço de Revenda menos Lucro (PRL), utilizar a metodologia atinente à margem de sessenta por cento, uma vez que as atividades por ela empreendidas representam agregação de valor aos bens". Da mesma forma entendeu a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), ao prolatar o acórdão nº 0318.512, de 15/09/2006, no processo nº 16327.000622/200516, da mesma Dow Agrosciences Industrial Ltda (CNPJ nº 61.416.129/000170), em que manteve o lançamento efetuado em relação a situação idêntica verificada no anocalendário 2000. Sendo assim, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo dos preçosparâmetro dos itens acima referidos. 6.2 Da insuficiência e imprestabilidade dos documentos apresentados Fl. 8562DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.540 6 O artigo 40 da IN SRF n° 243/2002, dispõe que: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado, II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa." 6.2.1 Método PIC (Preços Independentes Comparados) A partir da relação das invoices apresentadas pela fiscalizada em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, a fiscalização intimoua a comprovar documentalmente os cálculos dos respectivos preçosparâmetro. A fiscalizada apresentou apenas parte dos documentos solicitados. Reintimada a apresentar os documentos faltantes (fis.10371041), em relação a algumas invoices oriundas da PBB Polisur S.A. — vinculada da fiscalizada — esta limitouse a apresentar cópia simples de registros contábeis de vendas da PBB Polisur S.A. que não substituem as invoices solicitadas (fis.11521165). Os documentos apresentados não contêm todos os dados necessários, especialmente quanto ao produto vendido e ao comprador, essenciais à efetiva comparação das importações dos itens sob análise, nos termos da legislação referida. Nesses casos, a amostragem restou prejudicada, não sendo possível formar convicção quanto ao preço parâmetro apurado pela fiscalizada pelo método PIC (Preços Independentes Comparados), em relação aos itens: PE HDPE 7997 BGXX25 KG (código 114483), PE HDPE 35057E BGXX25 KG (código 128368), PE DOWLEX NG208513 BG5525 (código 154786), PE DOWLEX NG33486 BG5525 (código 155253), PE HDPE 90052E BG5525 KG (código 170864). Para os itens com revenda direta, caso dos itens: PE HDPE 7997 BGXX25 KG (código 114483), PE DOWLEX NG208513 BG5525 (código 154786), PE DOWLEX NG334813 BG5525 (código 155253) e PE HDPE 90052E BG5525 KG (código 170864), a fiscalização utilizou o método PRL com margem de 20% na apuração dos respectivos preçosparãmetro. Em relação ao item PE HDPE 35057E BGXX25 KG (código 128368), a fiscalização utilizou o método PRL, ponderando as margens de 20% e 60% de acordo com as quantidades consumidas, já que a quantidade importada do item foi parte inserida no processo produtivo e parte revendida diretamente. 6.2.2 Método CPL (Custo de Producão mais Lucro) Após análise dos dados e da documentação apresentada, em relação a cada um dos itens importados verificados, a fiscalização concluiu conforme se segue. Fl. 8563DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.541 7 • Item Importado: DE535 DRMSTL250KG EC1 (código 15522) Considerandose que, conforme memória de cálculo apresentada para o preço parâmetro do item DE535 DRMSTL250KG EC1, as principais matériasprimas representavam 94% do custo total de produção do mesmo, pretendeuse, inicialmente, a comprovação das aquisições dessas matériasprimas, bem como das suas respectivas quantidades utilizadas na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada, todavia, não possibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, pois, além de terem sido apresentadas invoices referentes às aquisições de apenas uma das matériasprimas (TRIFLUORO BLKBLK1 LB EN), representando apenas 65,20% do custo informado das matériasprimas, a declaração do fabricante não corrobora as informações sobre as matériasprimas consumidas na fabricação do item importado constantes da planilhabase apresentada. Não sendo possível verificar a correlação entre as quantidades das principais matériasprimas adquiridas e a quantidade do item produzido, a qual era determinante no cálculo do preçoparâmetro, nem sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, a fiscalização não pôde formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item DE535 DRMSTL250KG EC1 (código 15522), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. • Item Importado: FLU METSULAM98 BLKCDB800LB ML1 EX (código 66437) Considerandose que, conforme planilha de cálculo da fiscalizada para o preço parâmetro do item FLUMETSULAM98 BLKCDB800LB ML1 EX, as principais matériasprimas representavam 88,62% do custo total de produção do item, pretendeuse, inicialmente, a comprovação das aquisições dessas matérias primas, bem como das suas respectivas quantidades utilizadas na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Embora intimada a discriminar, especificando os respectivos custos, quais seriam as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que compunham o custo de produção, bem como a apresentar as aquisições das matérias primas utilizadas na produção do item importado, a fiscalizada não demonstrou a correlação entre os itens adquiridos através das invoices apresentadas e o item produzido, não fornecendo qualquer elemento das ordens de produção do item no exterior que permitissem analisar o custo da produção daquele item de acordo com as aquisições de matériasprimas apresentadas. Tendo sido apresentadas apenas invoices referentes às aquisições de matérias primas para a produção do GMID 66437 (FLUMETSULAM98 BLKCDB800LB ML1EX), não foi possível verificar a correlação entre a quantidade de matériaprima adquirida e a quantidade do item produzido (importado pela fiscalizada). Fl. 8564DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.542 8 Ademais, as invoices apresentadas com data até maio de 2002 totalizam apenas US$ 491.200,31, o que, de forma alguma, justificaria o custo informado de matériasprimas utilizadas na produção do item importado, ocorrida no mês de maio de 2002, no montante de US$ 1.698.055,30. De toda sorte, a concentração das matériasprimas utilizadas na produção do item importado não pôde ser cotejada com a quantidade produzida do mesmo, visto que as invoices apresentadas não coincidiam com as matériasprimas informadas na planilhabase. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada não possibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, uma vez que não foi possível sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, não sendo possível formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item FLUMETSULAM98 BLKCDB800LB ML1 EX, (código 66437), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xis" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. • Item Importado: TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1 (código 139781) Considerandose que, conforme planilha de cálculo da fiscalizada para o preço parâmetro do item TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1, as principais matériasprimas representavam 75,85% do custo total de produção do item, pretendeuse, inicialmente, a comprovação das aquisições dessas matériasprimas, bem como das suas respectivas quantidades utilizadas na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Diante da falta de apresentação dos documentos comprobatórios daquelas aquisições pela fiscalizada, embora intimada e reintimada a apresentar as aquisições das matériasprimas utilizadas na produção do item importado, não foi possível verificar a correlação entre a quantidade de matériaprima adquirida e a quantidade do item produzido. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada não possibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, uma vez que não foi possível sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, não sendo possível formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1 (código 139781), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. • Item Importado: PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA (código 182736) Considerandose que, conforme planilha de cálculo da fiscalizada para o preço parâmetro do item PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA, a matériaprima representava 99,09% do custo total de produção do item, pretendeuse, inicialmente, Fl. 8565DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.543 9 a comprovação das aquisições dessa matériaprima, bem como da sua respectiva quantidade utilizada na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Embora intimada discriminar, especificando os respectivos custos, quais seriam as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que compunham o custo de produção, bem como a apresentar as aquisições das matérias primas utilizadas na produção do item importado, a fiscalizada não demonstrou a correlação entre os itens adquiridos através das invoices apresentadas e o item produzido, não fornecendo qualquer elemento das ordens de produção do item no exterior que permitissem analisar o custo da produção daquele item de acordo com as aquisições de matériasprimas apresentadas. Nesse caso, a concentração das matériasprimas utilizadas na produção do item importado não pôde ser cotejada com a quantidade produzida do mesmo, visto que os itens adquiridos através das invoices apresentadas não coincidiam com as matériasprimas informadas na planilhabase. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada não possibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, uma vez que não foi possível sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, não sendo possível formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA (código 182736), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. • Item Importado: SPIDER840GRDA DRFBR300X12 (código 182738) Considerandose que, conforme planilha de cálculo da fiscalizada para o preço parâmetro do item SPIDER840GRDA DRFBR300X(2, a matériaprima representava 97,95% do custo total de produção do item, pretendeuse a comprovação das aquisições dessa matériaprima, bem como da sua respectiva quantidade utilizada na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Tendo sido apresentadas apenas invoices referentes às aquisições de matérias primas para a produção do GMID 120636 (DICLOSULAM84WDG DRMSTL120KG MU), não foi possível verificar a correlação entre a quantidade de matériaprima adquirida e a quantidade do item produzido (importado pela fiscalizada). Embora intimada discriminar, especificando os respectivos custos, quais seriam as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem que compunham o custo de produção, bem como a apresentar as aquisições das matériasprimas utilizadas na produção do item importado, a fiscalizada não demonstrou a correlação entre os itens adquiridos através das invoices apresentadas e o item produzido, não fornecendo qualquer elemento das ordens de produção do item no exterior que permitissem analisar o custo da produção daquele item de acordo com as aquisições de matériasprimas apresentadas. Fl. 8566DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.544 10 De toda sorte, as invoices apresentadas com data até maio de 2002 totalizam apenas US$ 873.160,53, o que, de forma alguma, justificaria o custo informado de matériasprimas utilizadas na produção do item importado, ocorrida nos meses de abril e maio de 2002, o qual totalizava US$ 8.372.616,50. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada impossibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, uma vez que não foi possível sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, não sendo possível formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item SPIDER840GRDA DRFBR300x12 (código 182738), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. • Item Importado: GLYPHOSATE62%TK INTBLKI KG (código 192405) Considerandose que, conforme planilha de cálculo da fiscalizada para o preçoparâmetro do item GLYPHOSATE62%TK INTBLKI KG (código 192405), as matériasprimas representavam 88,24% do custo total de produção do item, pretendeuse, inicialmente, a comprovação das aquisições dessas matériasprimas, bem como de suas respectivas quantidades utilizadas na produção do referido item, de modo a cotejar tais informações com a quantidade produzida, para verificar a consistência do custo apresentado. Diante da falta de apresentação dos documentos comprobatórios daquelas aquisições pela fiscalizada, embora intimada e reintimada a apresentar as aquisições das matériasprimas utilizadas na produção do item importado, não foi possível verificar a correlação entre a quantidade de matériaprima adquirida e a quantidade do item produzido. As únicas invoices apresentadas referemse a aquisições da MONSANTO COMPANY pela Dow Agrosciences LLC (sede nos EUA), no montante de US$ 582.700,80, realizadas em dezembro de 2002 (fl. 869), o que, de forma alguma, justificaria o custo informado de matériasprimas utilizadas na produção do item importado, pela Dow AgroSciences Southern Africa (PTY) LTD, e que teria ocorrido apenas nos meses de junho, julho e setembro de 2002. Os dados e documentação fornecidos pela fiscalizada impossibilitaram à fiscalização a auditoria do custo de produção do item importado, uma vez que não foi possível sequer identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior, não sendo possível formar convicção quanto ao preço calculado pelo método CPL. Em razão disso, e considerando que o item GLYPHOSATE62%TK INTBLK1KG (código 192405), importado de vinculada, foi inserido no processo produtivo, conforme os dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls" apresentado pela fiscalizada, a fiscalização utilizou o método PRL60% no cálculo do preçoparâmetro desse item. 6.3 Dos métodos de apuração do preçoparâmetro utilizados pela fiscalização 6.3.1 Método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 20% Fl. 8567DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.545 11 O preçoparâmetro dos itens importados de vinculadas e revendidos diretamente foi obtido seguindo a metodologia determinada no artigo 12 da IN SRF no 24312002. A fiscalização elaborou o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — PRL 20%" (anexo), no qual estão totalizados os dados das revendas, com base no arquivo eletrônico apresentado pela fiscalizada ("Saídas DAS2002 revisado —parte2.xls"), utilizados na apuração do preçoparâmetro de cada um dos itens importados de vinculadas e revendidos diretamente, que foram objeto de ajuste. 6.3.2 Método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 60% O preçoparâmetro dos itens importados utilizados na produção, de acordo com os elementos referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xis" apresentado pela fiscalizada, foi apurado seguindo a metodologia do §11 do artigo 12 da IN SRF n° 243/2002. A média de participação do item importado (insumo) no produto intermediário ou final, apurada de acordo com as ordens de produção e evidenciada no "DEMONSTRATIVO DA PARTICIPAÇÃO DO ITEM IMPORTADO DE VINCULADAS NOS PRODUTOS FINAIS MÉTODO PRL 60%" (3 planilhas anexas), foi obtida através da fórmula: Total requisitado do insumo / Total fabricado do produto intermediário ou final A partir dessa concentração do item importado no produto final, apurouse a participação do insumo importado no custo do produto final, considerandose como custo médio do item importado o preço praticado no ano e como custo médio do produto final o valor constante da planilha "Custo médio" apresentada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (fls. 417 a 424). Os preçosparâmetro médios ponderados apurados pela fiscalização para fins de ajuste constam do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — PRL 60%" (3 planilhas anexas). 6.3.3 Método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) com margem de 20%60% Em relação aos itens importados cujas quantidades adquiridas foram parte consumida no processo produtivo e parte revendida diretamente, a fiscalização utilizou o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), ponderando as margens de 60% e 20% de acordo com as quantidades consumidas na produção ou na revenda, respectivamente. A média de participação do item importado, utilizado como insumo, no produto intermediário ou final, apurada de acordo com as ordens de produção da fiscalizada, encontrase evidenciada no "DEMONSTRATIVO DA PARTICIPAÇÃO DO ITEM IMPORTADO DE VINCULADAS NOS PRODUTOS FINAIS MÉTODO PRL 20%60%" (2 planilhas anexas). Os preçosparâmetro médios ponderados apurados pela fiscalização para fins de ajuste, de acordo com as metodologias descritas nos itens 6.3.2 e 6.3.3 acima, considerando as margens de 20% e 60%, respectivamente, constam do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — PRL 20%60%" (2 planilhas anexas). 7 DAS QUANTIDADES AJUSTADAS Fl. 8568DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.546 12 7.1 Do ajuste dos estoques Iniciais de Importações de vinculadas realizados no ano Em razão das diferenças apuradas entre o preço praticado e o preçoparâmetro de alguns itens importados de vinculadas, a fiscalização, inicialmente, ajustou os estoques de importações de vinculadas remanescentes do ano anterior, não ajustados pela fiscalizada, conforme se infere das quantidades ajustadas informadas na planilha "Item 4 Anexo 2_Final(1)" (fls. 532 a 535), e que foram realizados no ano ora fiscalizado. No caso de insumos importados de vinculadas utilizados na produção de outros itens, considerouse como estoque inicial a soma da quantidade do item importado propriamente dito mais a quantidade proporcional do mesmo dentro do estoque inicial dos seus respectivos produtos finais, conforme "DEMONSTRATIVO DA PARTICIPAÇÃO DO ITEM IMPORTADO DE VINCULADAS NOS PRODUTOS FINAIS MÉTODO PRL 20%60%" (2 planilhas anexas) e "DEMONSTRATIVO DA PARTICIPAÇÃO DO ITEM IMPORTADO DE VINCULADAS NOS PRODUTOS FINAIS MÉTODO PRL 60%" (3 planilhas anexas), elaborados de acordo com os dados apresentados pela fiscalizada (arquivo eletrônico "InsumoProduto.xis"). A apuração dos ajustes dos estoques iniciais pela fiscalização consta do "DEMONSTRATIVO DO AJUSTE DO ESTOQUE INICIAL" (3 planilhas anexas). 7.2 Do ajuste das importações de vinculadas realizadas no ano Na apuração das quantidades importadas de vinculadas ajustadas pelos métodos PRL20% e PIC, a quantidade realizada no ano foi diminuída da quantidade ajustada do estoque inicial, conforme descrito no item anterior. Na apuração das quantidades importadas de vinculadas ajustadas pelos métodos PRL60% e 20%60%, foram consideradas as quantidades referentes à participação do item importado nos produtos finais em estoque inicial, assim como as quantidades referentes a essa participação em estoque final, conforme descrito no item anterior. As quantidades assim apuradas ainda foram confrontadas com as quantidades referentes à participação do insumo importado nós produtos finais vendidos, de acordo com os dados apresentados pela fiscalizada. A apuração dos ajustes das importações pela fiscalização consta dos "DEMONSTRATIVOS DO AJUSTE DAS IMPORTAÇÕES DO ANO DE 2002" (2 planilhas anexas). 8 DO RESUMO DOS ITENS AJUSTADOS E DO AJUSTE TOTAL A apuração detalhada do ajuste final do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL efetuada pela fiscalização, considerandose os ajustes declarados pela fiscalizada na DIPJ/2003, consta do "DEMONSTRATIVO DO AJUSTE DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL" (fis. 2053 e 2054). Em resumo, foram ajustados os seguintes valores: Método de Ajuste Total (R$) PRL20% Ajuste do estoque inicial 6.008.746,86 PRL20% 7.150.319,33 PRL60% Ajuste do estoque inicial 25.579.748,02 PRL60% 112.922.334,30 PRL20%60% Ajuste do estoque inicial 3.585.086,61 PRL20%60% 5.901.602,48 PIC Ajuste do estoque inicial 193.344,04 Fl. 8569DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.547 13 PIC 27.483,06 Ajuste _total apurado 161.368.664,70 Ajuste declarado na DIPJ12003 ()14.608.090,51 AJUSTE FINAL 146:760.574,19 DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2002: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ): Auto de Infração: fls. 2084 a 2087; fundamento legal: artigo 241 do RIR/99; e artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Crédito Tributário (em reais): Imposto 25.683.100,47 Multa proporcional (75%) 19.262.325,35 Juros de mora cálculo até 28/09/2007 19.175.002,81 TOTAL 64.120.428,63 Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL): Auto de Infração: fls. 2088 a 2091; fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 6º da MP nº 1.858/99 e reedições. Crédito Tributário (em reais): Contribuição 9.245.916,16 Multa proporcional (75%) 6.934.437,11 Juros de mora cálculo até 28/09/2007 6.903.000,99 TOTAL 23.083.354,26 Crédito Tributário Total (em reais), consolidado até 28/09/2007: IRPJ 64.120.428,63 CSLL 23.083.354,26 TOTAL 87.203.782,89 Obs. Houve compensação (limite de 30%) de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) de períodos anteriores. DA AUTUAÇÃO TERMOS DE FLS.7903/7905 e 7911/7913 Conforme Termos de Verificação Fiscal de fls. 7903/7905 e 7911/7913 (originariamente, processo no 16561.000126/200743), observase o seguinte, com relação ao anocalendário de 2003: DA AUTUAÇÃO O presente lançamento é conseqüência da autuação efetivada pela fiscalização em relação aos preços de transferência apurados nas operações de importação realizadas pela fiscalizada no anocalendário de 2002 (conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 2055 a 2083). Do lucro real e da base de cálculo da CSLL apurados em 2002 Fl. 8570DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.548 14 Após a apuração de infrações operacionais no montante de R$ 146.760.574,19, no anocalendário de 2002, o resultado do exercício (lucro real) foi ajustado para R$ 160.864.922,97, tendo sido recalculado o limite de 30%, para R$ 48.259.476,89, e a base de cálculo da CSLL foi ajustada para R$ 160.865.643,28, tendo sido recalculado o limite de 30%, para R$ 48.247.692,98. O saldo de prejuízos fiscais, no montante de R$ 44.028.172,26 (R$ 48.259.476,89 — R$ 4.231.304,63) e o saldo da base de cálculo negativa da CSLL foram utilizados para reduzir as infrações apuradas pela fiscalização no ano calendário de 2002. Da compensação indevida de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL em 2003 Diante da referida autuação e redução do saldo de prejuízos fiscais e do saldo de base de cálculo negativa da CSLL verificouse a compensação de indevida, em 2003, de prejuízos fiscais (no montante de R$ 35.294.168,97, conforme demonstrativo de fl. 7905) e de base de cálculo negativa da CSLL (no montante de R$ 35.398.724,44, conforme demonstrativo de fl. 7913). Os cálculos estão a seguir sintetizados (valores em reais): IRPJ CSLL Saldo inicial deprejuízos/base negativa 71.356.031,84 81.153.613,40 compensação na DIPJ/2003 (ac. 2002) ()4.231.304,63 ()4.219.520,73 compensação no Auto de Infração ()44.028.172,26 ()44.028.172,26 = saldo em 2003 23.096.554,95 32.905.920,41 compensação na DIPJ/2004 (ac. 2003 ()58.390.723,92 ()68.304.644,86 = excesso de compensação a ser: glosado 35.294.168,97 35.398.724,45 DOS LANÇAMENTOS Em face do exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 2003: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ): Auto de Infração: fls. 7906 a 7909; fundamento legal: artigos 247, 250, inciso III, 251, § único, 509 e 510 do RIR/99. Crédito Tributário (em reais) Imposto 8.799.542,24 Multa proporcional (75%) 6.599.656,67 Juros de mora cálculo até 30/11/2007 4.925.103,79 TOTAL 20.324.302,70 Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL): Auto de Infração: fls. 7914 a 7917; fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 58 da Lei nº 8.981/95; artigo 16 da Lei n° 9.065/95; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. Crédito Tributário (em reais) Contribuição 3.185.885,19 Multa proporcional (75%) 2.389.413,89 Juros de mora cálculo até 30/11/2007 1.783.139,94 TOTAL 7.358.439,02 Fl. 8571DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.549 15 Crédito Tributário Total.(em reais), Consolidado até 30/11/2007 IRPJ 20.324.302,70 CSLL 7.358.439,02 TOTAL 27.682.741,72 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 30/10/2007 (fls. 2086 e 2090) e 05/12/2007 (fis. 7908 e 7916), a sucessora da contribuinte, a incorporadora Dow Agrosciences Industrial Ltda (CNPJ no 47.180.625/000146), por meio de seus advogados, regularmente constituídos (fl. 2175 e 7983), apresentou as impugnações de fls. 2108 a 2162 (em 29/11/2007) e fls. 7931 a 7981 (em 21/12/2007), alegando, em síntese, o seguinte: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A impugnante, durante todo o processo de auditoria fiscal, esteve à disposição da fiscalização para prestar esclarecimentos. Entretanto, a Auditora Fiscal preferiu retirar todos os documentos solicitados da sede da empresa e analisálos em seu local de trabalho, sem apoio da impugnante, o que certamente dificultou o processo de fiscalização. O que restará demonstrado nos próximos tópicos é que a falta de conhecimento do processo produtivo, dos critérios de custeio, de contabilização e dos produtos da contribuinte levou a um resultado distorcido da realidade. E não é só. Devido à complexidade da matéria objeto do e dos valores envolvidos, para que a impugnante pudesse se defender de forma plena, seria necessário que conhecesse todos os detalhes envolvidos no processo, sendo demasiadamente curto o prazo de 30 dias previsto na legislação para exercitar o seu direito de defesa. Ocorre que desde a data em que recebeu o Auto de Infração a impugnante procurou obter cópias do processo, entretanto, a Auditora Fiscal demorou a enviar o Auto de Infração para a DERAT (a ciência se deu em 30/10/2007 e o processo foi enviado no dia 06/11/2007), onde a impugnante teria acesso aos autos e o processo foi disponibilizado à impugnante apenas no dia 28/11/2007, ou seja, um dia antes do prazo fatal para apresentar sua defesa (doc. 02), caracterizando o cerceamento ao direito de defesa da impugnante. Tendo am vista o acima exposto, resta claro que o Auto de Infração em questão deve ser anulado de plano, por afronta direta ao princípio constitucional da ampla defesa. DA IRREGULARIDADE DA DESCARACTERIZAÇÃO DO MÉTODO ADOTADO PELA CONTRIBUINTE A Auditora Fiscal, a pretexto de que a documentação não era adequada para comprovar os métodos eleitos pela contribuinte (PRL20%, PIC e CPL), descaracterizouos e automaticamente aplicou o método PRL60%, baseandose no artigo 40 da IN SRF n° 243/2002. Fl. 8572DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.550 16 No entanto, essa descaracterização não pode prevalecer, porque desatende os preceitos da Lei n° 9.430196, em especial o § 4° do artigo 18. A Auditora Fiscal agiu equivocadamente no sentido de simplesmente julgar pela imprestabilidade dos documentos apresentados pela impugnante e aplicar incontinenti o método PRL60%, que é mais gravoso para a contribuinte, sem qualquer fundamentação legal. Ademais, não se encontra no Termo de Verificação Fiscal qualquer menção ou cálculo feito pela Auditora Fiscal no sentido de demonstrar que outros métodos seriam mais gravosos ou que não se aplicariam ao presente caso, procedimento esse contrário ao que dispõe o citado § 4º do artigo 18 da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, já se manifestou o Conselho de Contribuintes (fl. 2115). Diante do exposto, ficam evidenciadas as impropriedades cometidas na lavratura do Auto de Infração, especificamente no que concerne à descaracterização dos métodos utilizados pela impugnante, para, sem qualquer fundamento legal, adotar outro método mais gravoso à contribuinte, o que impõe o julgamento pela total improcedência da autuação. DA UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL20% De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o método PRL20% somente deveria ser utilizado quando não houvesse agregação de valor no Brasil ao custo dos bens ou serviços importados, configurando, assim, simples revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados, nos termos do § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. Como, segundo a fiscalização, a operação praticada pela contribuinte seria de importação de produtos semiacabados, na qual supostamente haveria agregação de valor no Brasil, restaria vedada a utilização do método PRL20%, devendo ser aplicado, em sua opinião, o método PRL60% em relação a 4 produtos: TRACER, NORTRIN, VALON e CYPERCHEM. Ocorre que a Auditora Fiscal interpretou incorretamente as operações da contribuinte, pois esta não importou produtos semiacabados. Foram importados produtos perfeitamente acabados e definidos, que não se confundem com matéria prima, material intermediário ou qualquer insumo destinado à produção de outros produtos. Quanto a esse aspecto, a matéria é de fato, e não puramente de direito, motivo pelo qual desde já protestase pelo deferimento de perícia, para comprovar que o processo utilizado restringese meramente à substituição ou fracionamento de embalagens, que em nada se assemelha com produção, conforme quesitos apresentados ao final da presente impugnação. Os produtos NORTRILN, VALON e CYPERCHEM não são submetidos a qualquer processo de produção, exceto a colocação de embalagem, enquadrada no conceito de acondicionamento/reacondicionamento, operações que não se caracterizam como produção de mercadorias, para efeito da matéria discutida no presente feito. Os produtos são recebidos em tambores de 200 litros (doc. 03) e reembalados em frascos de 1 litro (doc. 03), a fim de atender às exigências do mercado nacional. Inexiste, assim, a produção de produto novo. A única mudança que se verifica é no código do lotes, para atender as necessidades Internas de controle e à legislação específica reguladora de sua atividade. Fl. 8573DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.551 17 O produto TRACER é importado em caixa grande, contendo 4 caixas menores, com 4 litros do produto cada uma. O que ocorre é a comercialização do produto através dessas 4 caixas menores (4X1 litro). Ou seja, os 4 casos objeto da autuação caracterizamse como revenda, já que os itens importados não são utilizados no processo produtivo. Nesse ponto, vale ressaltar a orientação emitida pela Secretaria da Receita Federal aos contribuintes, por meio do denominado "Perguntas e Respostas" (atualmente, no 41), mesmo depois da edição da Lei n° 9.95912000 e da IN SRF nº 243/2002, no sentido de que "o acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito" (doc. 04). Em relação ao processo nº 16327.000622/200516, que a Auditora Fiscal pretende utilizar como exemplo, a contribuinte apresentou robustos argumentos de fato e de direito ao Conselho de Contribuintes, que certamente reformará in totum a correspondente autuação. O referido processo encontrase aguardando julgamento no Primeiro Conselho de Contribuintes, estando, portanto, com a exigibilidade suspensa (doc. 05). DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO MÉTODO PRL60% Com relação ao método PRL60%, a regra matriz determina a sua aplicação especificamente "na hipótese de bens importados aplicados à produção". O processo a que se destinam os bens importados referese à produção, que é bem diferente de outros institutos que o Regulamento do IPI (RIPI) considera como industrialização. No caso, entende a impugnante que produção somente pode refletir 2 dos institutos que o RIPI inclui no conceito de industrialização: a transformação e a montagem. Em ambos os casos ocorre a introdução de um novo bem, perfeitamente individualizado, no mundo fenomênico. No caso da contribuinte o processo utilizado não atende os requisitos acima, ou seja, não é transformação nem montagem. Também não se trata de beneficiamento, eis que a operação se limita à mera substituição ou fracionamento de embalagem em um bem que já fora produzido. Não se pode incluir a adição de embalagem no conceito de produção eleito pelas Leis n°s 9.430196 e 9.95912000. O conceito de produção, nos termos da referida lei, é bem diferente do conceito de industrialização considerado para efeito do RIPI, pois, se assim não fosse, o legislador teria empregado o termo industrialização ao invés de produção. Além disso, as embalagens têm procedência nacional e não podem, portanto, estar consideradas no conceito da lei dos preços de transferência, destinada a regular apenas, em relação aos autos, os produtos importados para serem aplicados à produção. Dessa forma, não há que se falar em aplicação do método PRL60% ao presente caso, eis que não se trata de importação para emprego na produção, mas tãosomente importação para revenda. DO MÉTODO PIC Fl. 8574DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.552 18 Em relação ao método PIC, a Auditora Fiscal concluiu que não foi possível formar convicção quanto ao preçoparâmetro apurado pela contribuinte em relação aos produtos PE HDPE 7997 BGXX25 KG (código 114483), PE HDPE 35057L BGXX25 KG (código 128368), PE DOWLEX NG208513 BG5525 (código 154786), PE DOWLEX NG334813 BG5525 (código 155253) e PE HDPE 90052L BG5525 KG (código 170864), pois nesses casos a amostragem realizada supostamente restou prejudicada, uma vez que (vide fl. 8 do Termo de Verificação Fiscal): a) a fiscalizada apresentou apenas parte dos documentos solicitados; b) reintimada a apresentar os documentos faltantes, limitouse a apresentar cópia simples dos registros contábeis de vendas da PBB Polisur S.A., que não substituem as invoices (notas fiscais) solicitadas; e c) os documentos apresentados não contêm todos os dados necessários, especialmente quanto ao produto vendido e ao comprador, essenciais à efetiva comparação das importações dos itens sob análise. Não tem razão a Auditora Fiscal, porque a impugnante foi intimada a apresentar 142 invoices (notas fiscais) e apenas 8 não foram localizadas (a impugnante relaciona 7, às fls. 2127 e 2128), em relação a 5 produtos distintos, que foram objeto de autuação. Mesmo sem apresentar essas invoices, a amostragem não restou prejudicada. A falta de apresentação de pequena parte das invoices solicitadas não acarreta alterações representativas no cálculo da média ponderada e, por conseqüência, no preçoparâmetro dos produtos objeto da autuação, conforme tabelas de fls. 2128 e 2129. Por outro lado, caso todos os documentos solicitados pela fiscalização tivessem sido apresentados, mesmo assim o resultado da amostragem apresentaria diferenças em relação ao preçoparâmetro, conforme tabelas de fl. 2129. Ademais, caso a Auditora Fiscal não estivesse satisfeita com o resultado da amostragem, poderia, a qualquer tempo, enquanto durou a fiscalização, ter solicitado outras invoices, com o fim de verificar se o preço dos bens importados divergia dos preços praticados no mercado argentino. Nada disso foi feito, para prejuízo da contribuinte. Seguem anexas algumas invoices de cada produto autuado (doc. 11), a título exemplificativo, apenas para demonstrar que existem diversas outras invoices à disposição da fiscalização, que poderiam ser utilizadas como comparação. E não há que se falar, como descreveu a Auditora Fiscal, que não constam nas invoices os dados relativos ao produto vendido e ao comprador. Basta uma análise dos documentos anexos para verificar que não procede tal alegação. Além disso, em relação ao ajuste efetuado pela fiscalização, foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo o cálculo e não apenas para as importações do período. Por todo o exposto, resta claro que, em relação aos produtos supracitados, não existe motivo que justifique a aplicação de outro método que não seja o PIC. Fl. 8575DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.553 19 Vale ressaltar que a Auditora Fiscal aplicou o método PRL60% ao polietileno importado pela filial de Londrina, que é estabelecimento exclusivamente comercial, onde recebe o produto pronto da Argentina, estoca e revende, não havendo inclusive estrutura de produção no referido estabelecimento, conforme demonstrado em anexo. DO MÉTODO CPL A impugnante aborda os 6 itens importados cujo preçoparâmetro utilizado baseouse no método CPL. Às fls. 2131 a 2133, apresenta breve explicação de como estruturou os documentos juntados em relação ao CPL (docs. 12, 13, 14 e 15). • Item Importado: DE535 DRMSTL250KG EC1 (códiqo 15522) Concluiu a Auditora Fiscal que a impugnante não apresentou os documentos de aquisição das matériasprimas de códigos 00004548, 00004549, 00004620 e 00004625. Asseverou, ainda, que a fiscalizada não comprovou o custo de aquisição da principal matériaprima do item importado, de código 0012009. Para realizar a verificação fiscal, a Auditora Fiscal solicitou da impugnante uma planilha relacionando todos os produtos importados para os quais havia adotado o método CPL e suas respectivas matériasprimas. Essa intimação foi devidamente atendida e na planilha apresentada estão relacionadas todas as matériasprimas supracitadas. A Auditora Fiscal não questionou em nenhum momento se o produto de código 0012009 é adquirido de terceiros ou se é produzido pela própria contribuinte, mas especificamente no próprio estabelecimento exportador. E é exatamente isso o que ocorre. Referido produto/matériaprima não é adquirido de terceiros e, portanto, não existe nota fiscal ou invoice que comprove sua aquisição. É evidente que referida matériaprima deve ser comprovada por meio de documentos que atestem o seu custo de produção, custo esse plenamente demonstrado na planilha entregue à Auditora Fiscal. Destaquese que a impugnante não entregou os documentos que comprovam as aquisições das matériasprimas base para a fabricação do produto de código 0012009 simplesmente porque não houve solicitação nesse sentido. Uma vez constatada qual a matériaprima para se produzir o item importado, logo foram solicitados os documentos comprobatórios de sua aquisição, esquecendo se a Auditora Fiscal de questionar se a mesma havia sido adquirida de terceiros ou produzida pelo próprio exportador. É cediço que nesses casos devese percorrer todo o ciclo produtivo até se chegar aos insumos adquiridos de terceiros para então se comprovar o respectivo custo de aquisição, o que não foi feito pela Auditora Fiscal. Notese quadro elucidativo à fl. 2138, doc. 16 e cópia das invoices que suportam o custo de aquisição das matériasprimas utilizadas na fabricação do produto de código 0012009 (códigos 00004548, 00004549, 00004620, 00004625 e 009369). Caso tivesse havido a devida comunicação na forma de argumentação e contraargumentação, todo o trabalho e custos de lavratura do Auto de Infração e de sua impugnação poderia ter sido evitado. Fl. 8576DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.554 20 Agora resta claro que a falta de conhecimento do processo produtivo e dos produtos da contribuinte é que levou a um resultado distorcido de auditoria (jamais a falta de documento ou omissão da impugnante). • Item Importado: FLU METSULAM98 BLKCDB800LB MIL EX (código 66437) Em relação a este item, podese afirmar que os equívocos foram praticamente os mesmos do produto já examinado, onde a Auditora Fiscal afirma que a impugnante não conseguiu comprovar: (1) o consumo do próprio produto dentro do centro produtivo; (2) a correlação entre as invoices apresentadas relativamente à matériasprimas e o produto importado; e (3) o custo de US$ 1.698.055,30, pois as invoices totalizam apenas US$ 491.200,31. Quanto ao consumo do próprio produto dentro do centro produtivo, cumpre esclarecer se tratar de pequena quantidade de produto que havia sido vendida a terceiros no exterior, pela própria companhia exportadora, e depois devolvida por estar imprópria para utilização no processo de produção do cliente. No caso, a Dow Agrosciences no exterior reprocessou o material devolvido, motivo pelo qual não há nota fiscal e aquisição. O alegado pode ser comprovado pelas Ordens de Produção 01030738 e 01032361. Vale ressaltar a imaterialidade do valor e quantidade desse item frente ao total ora discutido. A correlação entre as matériasprimas e sua respectiva comprovação decorre do fato de que sua principal matériaprima ser um produto produzido pela própria companhia exportadora, de código 11983. Esse produto, para ser produzido, requer outras matériasprimas, inclusive o produto de código 13075, produto produzido pela própria companhia exportadora e outras matériasprimas adquiridas de terceiros, cujos comprovantes de aquisição foram apresentados para a Auditora Fiscal. A citada correlação com o item importado é demonstrada à fl. 2142 e comprovada no doc. 16. Todas as notas fiscais relativas às matériasprimas adquiridas de terceiros estão em poder da impugnante e são apresentadas em anexo (doc. 14), no intuito de comprovar o custo de aquisição (códigos 9427, 9429, 27001, 49716, 13210, 49716 e 43740). Em relação à afirmação da Auditora Fiscal, de que houve produção somente no mês de maio de 2002, a mesma está incorreta, pois na verdade a produção ocorreu nos meses de maio, junho e dezembro de 2002, conforme planilha anexa (doc. 13). Assim, não deve ser considerada a imitação imposta pela Auditora Fiscal, pois houve produção também em junho e dezembro de 2002. Quanto ao questionamento especificamente da produção do mês de maio de 2002, Auditora Fiscal tem razão, em parte. Realmente a fiscalizada involuntariamente se equivocou durante a auditoria ao esquecer de mencionar que algumas matériasprimas foram produzidas em 2001 e consumidas em 2002. Referido equívoco devese à sazonalidade desse produto, cuja produção em maio requer que parte das matériasprimas sejam produzidas no ano anterior. Assim, devem ser consideradas as matériasprimas no ano de 2002, conforme indicado no doc. 13. Fl. 8577DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.555 21 • Item Importado: TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1 (código 139781) Em relação a este item, guardadas as devidas proporções, podese afirmar que, novamente, o caso é idêntico ao primeiro item examinado (código 15522). Assim, a impugnante anexa à presente todas as invoices que comprovam a aquisição de todas as matériasprimas questionadas (docs. 13 e 14), vez que esses documentos não foram solicitados durante a auditoria fiscal devido aos equívocos anteriormente mencionados. A impugnante apresenta à fl. 2145 um diagrama representativo do ciclo de produção do item importado, composto de diversas fases, desde o início até a obtenção do item final, importado pela contribuinte. As mais significantes matériasprimas do item importado são os produtos de códigos 152667 e 125703, os quais, por serem produzidos pela própria companhia exportadora, não devem possuir notas fiscais de aquisição. Entretanto, esses produtos são fabricados com a utilização de outras matériasprimas (códigos 149137, 149193, 149216, 151984; e 151965, 151979, 151991, 152053, 152054), não fabricadas pela exportadora, para as quais a impugnante tem todas as notas fiscais que comprovam o custo de aquisição, conforme doc. 16. A impugnante junta à presente impugnação a planilha de cálculo correta e cópia das invoices relativas à aquisições de matériasprimas , conforme especificado no doc. 13. Finalmente, quanto à afirmativa da Auditora Fiscal de que o produto de código 152667 não possui documentação de suporte, vale esclarecer que tratase de interpretação equivocada, pois essa informação da impugnante constou de uma planilha onde foi anotado que o referido produto foi produzido pela própria companhia exportadora, não existindo, portanto, documentos que suportariam a sua aquisição de terceiros. Não obstante, as notas que comprovam o consumo as matériasprimas utilizadas na fabricação do produto de código 152667 estão relacionadas no doc. 13. • Item Importado: PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA (código 182736) A Auditora Fiscal glosou o custo de produção desse produto alegando que as invoices apresentadas não correspondem a aquisições da matériaprima definida na memória de cálculo. Nesse ponto, a Auditora Fiscal tem razão, em parte. Realmente a fiscalizada involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha de custos a matériaprima (raw material) relativa apenas ao ano de 2002. Referido equívoco devese à sazonalidade desse produto. Tal produto é comercializado geralmente no primeiro semestre de cada ano, porém suas matériasprimas necessitam ser produzidas alguns meses antes, alcançando, inclusive, o ano anterior. Assim, a planilha apresentada pela impugnante foi preenchida incorretamente, porque foram consideradas as matériasprimas adquiridas no segundo semestre de 2002, enquanto o correto seria considerar as matériasprimas adquiridas em 2001. Também deveriam ser considerados os custos fixos incorridos, apurados por meio de rateio. Destaquese as informações das ordens de produção foram devidamente entregues à Auditora Fiscal, na planilha denominada "PACTO (document request)". Fl. 8578DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.556 22 A impugnante junta à presente a planilha de cálculos/custos correta, e cópia das invoices relativas às aquisições de matériasprimas no ano de 2001, juntamente com as adquiridas em 2002, no intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado (US$ 2.474.226,17), devendose considerar todas as fases do ciclo de produção, compreendendo matériasprimas, custos fixos e mão deobra, devidamente indicados no doc. 13. A correlação entre o item e o consumo das respectivas matériasprimas é demonstrada às fls. 2148 e 2149, e pode ser comprovada no doc. 16. Destaquese que o ciclo produtivo vai até o Bloco "F" do diagrama (fl. 2149), que representa a primeira fase, na qual são encontradas as notas fiscais de aquisição de terceiros (doc. 13), que comprovam o custo inicial de todo o ciclo de produção. Todo esse processo não foi considerado pela Auditora Fiscal, obrigando a impugnante a praticamente reconstituir toda a auditoria no exíguo prazo de 30 dias para defesa, o que impõe invalidar todo o Auto de Infração. • Item Importado: SPIDER840GRDA DRFBR300X12 (códiqo 182738) A Auditora Fiscal glosou o custo de produção desse produto alegando que as invoices apresentadas com data até maio de 2002 totalizam apenas US$ 873.160,53, o que não seria suficiente para comprovar o custo total informado pela impugnante (US$ 8.372.616,50). Nesse ponto, a Auditora Fiscal tem razão, em parte. Realmente a fiscalizada involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha de custos a matériaprima (raw material) relativa apenas ao ano de 2002. Referido equívoco devese à sazonalidade desse produto. Tal produto é comercializado geralmente no primeiro semestre de cada ano, porém suas matériasprimas necessitam ser produzidas alguns meses antes, alcançando, inclusive, o ano anterior. Assim, a planilha apresentada pela impugnante foi preenchida incorretamente, porque foram consideradas as matériasprimas adquiridas no segundo semestre de 2002, enquanto o correto seria considerar as matériasprimas adquiridas em 2001. Também deveriam ser considerados os custos fixos incorridos, apurados por meio de rateio. Destaque se as informações das ordens de produção foram devidamente entregues à Auditora Fiscal, nas planilhas denominadas "SPIDER840grda (document request)" e "SPIDER840grda (new document request)". A impugnante junta à presente a planilha de cálculos/custos correta, e cópia das invoices relativas às aquisições de matériasprimas no ano de 2001, juntamente com as adquiridas em 2002, no intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado (US$ 8.372.616,50). Conforme já esclarecido, o produto importado utiliza matériasprimas fabricadas pela própria companhia exportadora, sendo o ciclo produtivo composto por 8 fases, conforme diagrama de fls. 2153 e 2154. Para obter informações completas que permitissem uma correta avaliação de custos, a Auditora Fiscal deveria te solicitado a comprovação das matériasprimas adquiridas de terceiros inerentes a todas as fases do ciclo de produção, o que não foi feito. Destaquese que o ciclo produtivo (conforme diagrama de fls. 2153 e 2154) vai até o Bloco "G" do diagrama (fl. 2154), que representa a primeira fase, na qual são encontradas as notas fiscais de aquisição de terceiros (doc. 13), que comprovam o custo inicial de todo o ciclo de produção. Fl. 8579DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.557 23 Todo esse processo não foi considerado pela Auditora Fiscal, o que fulmina o Auto de Infração de inquestionável nulidade. • Item Importado: GLYPHOSATE62%TK INTBLKIKG (código 192405) A Auditora Fiscal tem razão, em parte. Realmente a fiscalizada involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha de custos a matériaprima (raw material) relativa ao mês de dezembro de 2002 para justificar a produção dos meses de junho, julho e setembro do mesmo ano. Referido equívoco devese à sazonalidade desse produto. Tal produto é fabricado em grande parte no segundo semestre de cada ano, mas a sua principal matériaprima (de código 196802) é regularmente adquirida nos últimos meses de cada ano. Assim, a planilha apresentada pela impugnante foi preenchida incorretamente, porque foram consideradas as matériasprimas adquiridas no mês de dezembro de 2002, enquanto o correto seria considerar as matériasprimas adquiridas em dezembro 2001. A impugnante junta à presente a planilha de cálculos/custos correta, e cópia das invoices relativas às aquisições de matériasprimas de outubro e dezembro de 2001, no intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo das matérias primas relativas ao item importado, ou seja, US$ 1.301.871,77 (doc. 13). Conforme aclarado na planilha anexa (doc. 13), no ano de 2001 a matéria prima denominada GLYPHOSATETECH BAGPPR800KG BRA, atualmente identificada pelo código GMID 196802, possuía outro código, ou seja, GMID 139835, com a seguinte descrição GLYPHOSATETECH BAGPPR800KGMC1. Todavia, conforme se pode notar na especificação descrita às fls. 2156 e 2157, as descrições e demais características dos produtos são as mesmas. A única diferença nas descrições corresponde às 3 últimas letras, ou seja, a de 2001 indicado MC1 e a atual indicando BRA, esta última para refletir um requerimento de natureza comercial consubstanciado na alteração do contrato global de compra com a fornecedora Monsanto. Por fim, a composição das matériasprimas do item importado é demonstrada no quadro de fl. 2157, para as quais são apresentados os correspondentes documentos comprobatórios (doc. 16). Conclusão Diante do exposto, considerando todos os equívocos cometidos, certamente devido ao grande volume de documentos e à falta de conhecimento dos produtos, dos processo de trabalho e dos procedimentos da contribuinte, esta protesta pela aceitação das robustas provas ora colacionadas. Uma vez admitidos os documentos anexos (cf. índice às fls. 2160 a 2162), bem como as considerações, é forçoso reconhecer que todos os custos relacionados ao item sob análise (CPL) estão devidamente comprovados, o que mais uma vez demonstra insubsistência do Auto de Infração. DA PERÍCIA Por fim, exclusivamente quanto ao item relativo às operações de acondicionamento/reacondicionamento que não configuram processo de produção, caso os documentos e informações apresentados não sejam suficientes para comprovar o alegado, requer a impugnante o deferimento de perícia (indicação de assistente técnico e apresentação de quesitos à fl. 2158). Fl. 8580DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.558 24 DO PEDIDO Diante do exposto, requer, em sede de preliminar, que sejam declarados nulos de pleno direito os Autos de Infração, ou, caso assim não se entenda, que sejam julgados insubsistentes. Ressalta, ainda, que provará o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a juntada de novos documentos, além da requerida prova pericial. DA CONVERSÃO DO.JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Considerando que a contribuinte trouxe aos autos alegações e documentos que ainda não haviam sido apreciados pela fiscalização, o presente processo foi encaminhado à DEAIN/SÃO PAULO (fls. 8073 a 8080), para que a Auditora Fiscal autuante: Com relação à desqualificação do método PIC, se manifestasse acerca das seguintes alegações: a amostragem não restou prejudicada pela falta de apresentação de pequena parte das invoices solicitadas; não procede a afirmação da Auditora Fiscal de que não constam nas invoices os dados relativos ao produto vendido e ao comprador; a Auditora Fiscal aplicou o método PRL60% ao polietileno importado e simplesmente revendido pela filial de Londrina, que é estabelecimento exclusivamente comercial, sem estrutura de produção. Com relação à desqualificação do método CPL, se manifestasse acerca das alegações sintetizadas às fis. 8073 a 8079, observando os quadros de fls. 2138, 2142, 2145, 214812149, 2153/2154 e 2157 e os documentos anexos (docs. 12, 13, 14 e 15). Refizesse, se fosse o caso, o cálculo da matéria tributável. DO TERMO DE DILIGÊNCIA Em face da solicitação desta Delegacia de Julgamento, a Auditora Fiscal autuante elaborou o Termo de Diligência de fls. 8081 a 8105, expondo, em síntese, o seguinte: DA DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC Intimada a apresentar as memórias de cálculo dos preçosparâmetro adotados, nos termos do artigo 40, inciso II, da IN SRF no 243/2002, a contribuinte apresentou extensa relação de invoices, oriundas de um mesmo fornecedor (PBB Polisur S.A.) para demonstrar a apuração do preçoparâmetro adotado em relação a determinados itens importados de vinculadas no anocalendário 2002 (fls. 4781520). Ao ser intimada a apresentar parte das invoices selecionadas para verificação física, a contribuinte, num primeiro momento, atendeu apenas parcialmente. Intimada novamente em relação às invoices faltantes, limitouse a apresentar documentação contábil, oriunda do exterior, da qual não constava qualquer indicação sobre o produto vendido e seu respectivo comprador. De fato, como bem observado pelo distinto julgador, e ao contrário do alegado pela impugnante, a Fl. 8581DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.559 25 fiscalização referiuse apenas à documentação contábil apresentada, e não às demais invoices, ao relatar que os documentos apresentados em substituição às invoices sequer traziam indicação do cliente e do produto vendido pela PBB Polisur S.A. A legislação sobre preços de transferência, ao dispor sobre o método PIC, não indica o volume de operações necessárias para a comprovação do preçoparâmetro. A partir do momento em que são elencadas diversas invoices para a comprovação do preçoparâmetro adotado, e a contribuinte, intimada e reintimada, não apresenta parte delas, a apuração do preçoparâmetro com base na relação de invoices perde a confiabilidade para fins de formação da convicção do Auditor Fiscal. A contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente aquilo que alegava e, em razão disso, a fiscalização desconsiderou o preçoparâmetro apurado pelo método PIC. Já no tocante aos cálculos efetuados para fins de apuração do preçoparâmetro dos itens cujo método PIC restou inaplicável, a fiscalização atentou para a distinção entre revenda direta do item importado e venda após o manuseio e agregação de valor, observando estritamente o disposto na legislação de regência. Em relação aos itens de código 114483, 154786, 155253 e 170864, cujas quantidades importadas foram revendidas diretamente, a fiscalização utilizou o método PRL com margem de 20%. Em relação ao item 128368, cujas quantidades importadas foram em parte revendidas diretamente, pela filial de Londrina, e em parte transformadas em outros produtos antes da venda final, conforme se extraiu do arquivo "InsumoProduto.xls", apresentado pela contribuinte, a fiscalização efetuou os cálculos dos preços líquidos de venda de forma distinta, ponderando, ao final, as quantidades vendidas direta ou indiretamente. Elaborado com base nos arquivos eletrônicos apresentados pela contribuinte, o "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — MÉTODO PRL 20%60%" do item PE HDPE 35057E BGXX25 KG, código 128368, discrimina as vendas dos produtos derivados do item importado e as vendas diretas do mesmo item — exatamente aquelas realizadas pela filial de Londrina (CNPJ no 61.416.129/000331, conforme consta dos sistemas eletrônicos da SRF). A última linha do referido demonstrativo aponta as vendas líquidas diretas da filial de Londrina, apuradas de acordo com a sistemática do método PRL com margem de 20%, conforme definido no artigo 12, § 8º, da IN SRF nº 243/2002. A fiscalização, assim, vem demonstrar a improcedência da alegação da impugnante quanto à utilização indevida do método PRL com margem de 60% para o polietileno importado e simplesmente revendido pela filial de Londrina já que, neste caso, foi utilizado o método PRL com margem de 20%. DA DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL Inicialmente, cumpre referir que quando a contribuinte opta pelo método CPL para apuração do preçoparâmetro para fins de ajuste de preços de transferência na base de cálculo do IRPJ e CSLL, deve ter plena noção de que, ao ser fiscalizada, será submetida a uma fiscalização de custos em relação aos dados das empresas fornecedoras no exterior. E, para isso, conforme dispõe a legislação, tem que estar munida de toda a documentação que dê suporte aos números, o que, historicamente, tem se mostrado uma exceção, uma vez que, ao longo de dez anos de atuação da DEAIN, em raríssimos casos o método CPL foi aceito pela fiscalização, apesar de inúmeras tentativas por parte dos contribuintes, dado à falta de elementos de sustentação dos números que pudessem formar a convicção do Auditor Fiscal de que os mesmos seriam confiáveis. Fl. 8582DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.560 26 Cabe à contribuinte comprovar a coerência e solidez dos dados referentes aos custos de produção apresentados. Durante o procedimento fiscal em análise, a contribuinte foi intimada detalhadamente através de sete termos de intimação, além de emails trocados com o pessoal da área técnica. A fiscalização foi categórica e minuciosa nas intimações e seguiu estritamente o que está disposto na legislação no que tange aos elementos comprobatórios. As conclusões da fiscalização que ensejaram a autuação ora impugnada decorreram dos dados apresentados pela contribuinte, após ter sido intimada para comprovar o método escolhido. Intimada a "discriminar quais as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, com seus respectivos custos, que compuseram os custos apresentados pelo método CPL" (item 5.2 do TI nº 4), a contribuinte limitouse a apresentar demonstrativos dos custos de produção, com abertura das colunas correspondentes. Nas planilhas apresentadas como abertura dos custos de matériasprimas, intermediários e embalagens não foram discriminadas quais as matériasprimas (“raw materiais") e quais os produtos intermediários (“intermediate inputs”), tendo sido todos os itens informados apenas como matériasprimas ("raw materiais") ou materiais de embalagem (“packing materiais”). Diante disso, a fiscalização solicitou os documentos comprobatórios das aquisições dos itens informados como matérias primas, basicamente, em razão de sua relevância no custo de produção total (item 3 do Termo de Intimação no 5). Na mesma oportunidade, foi a contribuinte intimada a esclarecer quais as quantidades de matérias primas utilizadas na produção dos itens importados (item 5 do TI nº 5). Ao ser intimada a "discriminar" as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, com seus respectivos custos, caberia à contribuinte apresentar à fiscalização todas as fases de produção do item, como pretendeu fazer apenas na impugnação ao Auto de Infração. No momento da impugnação, a impugnante apresentou novos dados e custos de produção diferentes dos apresentados anteriormente. Ao alegar equívoco na composição dos custos de produção dos itens em questão, os quais incluiriam matériasprimas adquiridas em 2001, já semi processadas, a contribuinte simplesmente altera os dados e valores correspondentes aos respectivos custos anteriormente apresentados. Ou seja, o custo não seria mais aquele apresentado à fiscalização, sobre o qual efetivouse a auditoria em questão, mas seria outro custo, com novos elementos, incluindo fases produtivas de períodos anteriores (2001). Ademais, ao alegar a existência de produtos intermediários produzidos no mesmo fabricante do produto final, em período anterior (2001), a impugnante sequer aponta quais as quantidades de intermediários produzidas em 2001 no total, quais as quantidades utilizadas na produção em 2001, quais as existentes em estoques dos produtos intermediários utilizados na produção em 2002 e, principalmente, deixa de evidenciar quais as quantidades e respectivos custos de cada uma das matérias primas e produtos intermediários efetivamente utilizados na produção em 2002. Impossível, assim, correlacionar a parte do custo representada pelas aquisições de matériasprimas e embalagens com o custo de produção que se pretende comprovar. Fl. 8583DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.561 27 Notese que o Termo de Verificação Fiscal apontou a falha básica, comum a todos os itens para a desconsideração do método CPL, como a impossibilidade de se verificar a correlação entre as quantidades das matériasprimas adquiridas e a quantidade do item produzido, considerandose os respectivos custos unitários e totais, de modo a permitir a aferição, ao menos aproximada, do custo real de produção no exterior. Os elementos trazidos aos autos na fase de impugnação não suprem a falha descrita no referido termo, o qual subsidiou o lançamento impugnado, não tendo a impugnante logrado êxito em demonstrar e comprovar as quantidades e custos envolvidos no processo produtivo dos itens em análise. Além da questão principal referente à correlação entre custo e quantidade, acima descrita, a convicção da fiscalização sobre a idoneidade dos dados apresentados nesta fase restou prejudicada também em razão de diversos pontos de inconsistência verificados nos dados e documentos apresentados em relação a cada um dos itens importados cuja opção pelo método CPL foi desconsiderada, conforme se segue. I Item DE535 — código 15522 A impugnante alega que não entregou documentos que comprovassem as aquisições das matériasprimas base do produto intermediário de código 0012009 "simplesmente porque não houve solicitação nesse sentido". Tal afirmação não procede. Através do item 3 do Termo de Intimação n° 5 (fls. 1038/1041), a fiscalização solicitou exatamente as notas fiscais ou invoices de aquisição das matérias primas dos códigos 00004548, 00004549, 00004620, 00004625, apesar da omissão da contribuinte de que estas estariam incluídas na produção de um item intermediário (0012009), pois as respectivas aquisições haviam sido indicadas na planilha "DE535_base.xls", entregue anteriormente. Na impugnação, a impugnante limitase a juntar aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 37.610.585,01 (doc. 13, fls. 3039/3042), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item DE 535 no ano de 2002. Ademais, ao cotejar as quantidades adquiridas e as quantidades consumidas no processo, em relação a uma parte das matériasprimas informadas na planilha "DE535_base.xls", entregue durante a fiscalização, foram verificadas inconsistências entre o custo declarado na referida planilha e o que foi apresentado como custo de aquisição na relação de invoices juntada na fase de impugnação, como exemplificado à fl. 8094. Tais observações referentes ao custo unitário de um dos materiais mais relevantes na produção do item 15522 reforçam a falta de coordenação entre os elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. II — FLUMETSULAM 98— código 66437 A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção do item 66437 em 2001, Fl. 8584DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.562 28 já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar que “involuntariamente se equivocou durante a auditoria ao se esquecer de mencionar que algumas matériasprimas foram produzidas em 2001 e consumidas em maio de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item, para fins de comprovação do método CPL. O custo de produção do item sob análise também sofreu alteração entre o período da fiscalização e o momento da impugnação, conforme quadro de fl. 8095. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem, contudo, apresentar quais as quantidades consumidas e os seus respectivos custos. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 4.281.710,05 (doc. 13, fls. 308113082), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 66437. Ademais, verificouse, de acordo com a referida planilha, que o custo de aquisição do item 9427, utilizado na produção do intermediário 11983, no montante de US$ 728.575,41, corresponde a aquisições efetuadas apenas em outubro e novembro de 2002. Considerandose que houve produção do item principal (66437) nos meses de maio, junho e dezembro de 2002, ou o item intermediário 11983 foi produzido sem a integração da referida matériaprima (improvável) ou a relação de invoices apresentada traz falhas e não subsidia os custos de produção apresentados. Ainda de acordo com a mesma relação, houve aquisições de terceiros do item 13075 — embora tenha sido informado como item produzido pela própria fabricante do produto principal —, ocorridas apenas a partir de junho de 2002. Tais observações referentes às aquisições servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. III TEBUTHIURON95% código 139781 A impugnante alega, de forma idêntica ao item 15522, que não entregou documentos que comprovassem as aquisições das matériasprimas base do produto intermediário porque não teria havido solicitação nesse sentido. Tal afirmação não procede. Através do item 3 do Termo de Intimação nº 5 (fls. 1038/1041), a fiscalização solicitou exatamente as notas fiscais ou invoices de aquisição das matérias primas dos códigos 151965, 151979, 151991, 152053, além de 152667, apesar da omissão da contribuinte, à época, sobre a produção deste último como item intermediário, pois as respectivas aquisições haviam sido indicadas na planilha "Tebuthiuron95_base.xls", entregue anteriormente. O custo de produção do item sob análise também sofreu alteração entre o período da fiscalização e o momento da impugnação, conforme demonstrado à fl. 8097. Fl. 8585DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.563 29 Na impugnação, a impugnante limitase a discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.661.486,31 (doc. 13, fls. 3074/3078), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 139781. A falta de coordenação entre os elementos apresentados pode ser atestada pela simples comparação entre as planilhas de fl. 2365, onde o custo total dos materiais consumidos na produção do item 139781 foi discriminado e a de fl. 3273, onde foram resumidos os custos de aquisição apresentados para aqueles materiais. Verificouse que a contribuinte deixou de apontar as notas fiscais de aquisição da totalidade dos custos informados em relação a diversos materiais, enquanto apresentava custos maiores para outros, conforme o quadroresumo de fl. 8098. Tais observações referentes às aquisições servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. IV GLYPHOSATE — código 192405 A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001 do item 192405 em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar que "involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha custos relativos a matériaprima (raw material) relativa ao mês de dezembro de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas com seus custos, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 4.523.432,07 (doc. 13, fls. 307113072), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 192405. A fragilidade dos dados apresentados ainda pode ser sumariamente constatada pela diferença verificada entre o custo unitário de aquisição do item 196802/130835 informado no demonstrativo do custo de produção e o novo custo unitário apresentado na impugnação (o qual decorreria de aquisições em 2001). Tais observações referentes ao custo unitário do material mais relevante na produção do item 192405 servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. V PACTO — código 182736 Fl. 8586DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.564 30 A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar na impugnação que "involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha custos relativos a matériaprima (raw material) relativa apenas ao ano de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL Reafirma o intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado, no montante de US$ 2.474.226,17 (anterior), mas apresenta, na própria impugnação, planilha em que o custo de materiais totaliza US$ 1.520.747,91. Como se verifica no quadro de fl. 8101, a composição do custo de produção do item sob análise também sofreu alteração entre o período da fiscalização e o momento da impugnação. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.447.233,83 (doc. 13, fls. 304613052), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 182736. Tais observações servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. VI SPIDER — códiqo 182738 A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar que "involuntariamente se equivocou durante a auditoria ao se esquecer de mencionar que algumas matériasprimas foram produzidas em 2001 e consumidas em maio de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL. Reafirma o intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado, no montante de US$ 8.372.616,50 (anterior), mas apresenta, na própria impugnação, planilha em que o custo de materiais do item totaliza US$ 6.246.336,81. Fl. 8587DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.565 31 Como se verifica no quadro de fl. 8103, a composição do custo de produção do item sob análise sofreu alteração entre o período da fiscalização e o momento da impugnação. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.447.233,83 (doc. 13, fls. 304613052), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 182738. Tais observações servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. Conclusão No intuito de impor sua pretensão de utilização do método CPL para os itens impugnados, a impugnante, alegando equívocos, apresenta novos elementos e dados divergentes dos apresentados durante a fiscalização, ensejando uma nova auditoria. Apesar de intimada durante o período de fiscalização e cientificada das razões da autuação no Termo de Verificação Fiscal, em nenhum momento, nem na impugnação, a contribuinte apresenta documentos que comprovem satisfatoriamente as quantidades consumidas de matériasprimas e produtos intermediários e seus respectivos custos, as quantidades de produtos intermediários em estoques no início do período fiscalizado e outros elementos que permitissem a aferição, ainda que aproximada, dos custos de produção registrados nas respectivas declarações de renda no país de origem. E mesmo o que foi apresentado na fase de impugnação contém inconsistências. Verificase, pois, que mesmo na fase contenciosa, após toda a explanação contida no Termo de Verificação Fiscal e nos termos de intimação anteriores, a contribuinte não logrou comprovar o custo de produção dos itens sob análise que justificasse a utilização do método CPL na apuração do preço parâmetro para fins de ajuste a título de preços de transferência. Diante de todo o exposto, conclui a fiscalização que o método CPL não pode ser aceito no presente caso, em relação aos itens importados de vinculadas no ano calendário 2002 objeto de impugnação. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar acerca do resultado da diligência, a contribuinte o faz às fls. 8109 a 8120, alegando, em síntese, o seguinte: Na impugnação foram levantadas 2 preliminares de nulidade. A primeira decorre da falta de interação com a empresa, que prejudicou o trabalho da fiscalização. Esta se limitou a emitir termos de intimação, com reduzidos prazos, de 5 ou 10 dias, para que a impugnante apresentasse milhares de documentos e planilhas demonstrando toda a escrituração contábil. Em resumo, o que se alega em preliminar é que os documentos existem e estão registrados nas contabilidades de todas as empresas Dow no mundo e a Fl. 8588DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.566 32 impossibilidade física de compilação de tudo isso em prazos reduzidos não pode ser motivo para impedir a utilização dos métodos previstos em lei. A interação com a fiscalização foi apenas no sentido de responder às intimações nos prazos exíguos, anexando milhares de dados em papel e em mídia digital. Não houve qualquer pedido de esclarecimento sobre métodos, processos de trabalho, critérios, sistemas, etc. Em resposta à diligência solicitada pela DRJ, a manifestação fiscal limitase a demonstrar que os dados das planilhas apresentadas à fiscalização estão diferentes daqueles apresentados na impugnação, deixando claro que o volume de documentos acostados à impugnação não foram analisados. Ocorre que durante o procedimento de fiscalização, a impugnante teve que apresentar planilhas no formato solicitado pela fiscalização dentro de curto espaço de tempo, sendo que no prazo para impugnação tentou revisar dados eventualmente equivocados e demonstrar um pouco de seus processos de trabalho, procedimentos, políticas, critérios, etc. A impugnação esclarece e demonstra que aspectos importantes deixaram de ser considerados durante a fiscalização, como, por exemplo, o critério interno denominado "depiramidação", pelo qual evidenciase que determinado produto pode ter matériasprimas geradas em diversas fases do ciclo produtivo, sendo que a aquisição propriamente dita ocorre uma única vez no início desses ciclo, decorrendo daí diversas transformações, até ser aplicada ao produto submetido às regras dos preços de transferência. Nesse sentido, aproveita a impugnante para reiterar seu pedido de nulidade do Auto de Infração. Caso assim não se entenda, que seja deferido o pedido de perícia formulado na impugnação, com o objetivo de que seja realizada uma análise detalhada de todos os documentos e informações, sob pena de, ao contrário, perdurarem infindáveis discussões superficiais que em nada contribuem para a formação da convicção dos julgadores. Registrese que não se pode aceitar a afirmação sobre o CPL constante da página 7 do Termo de Diligência (fl. 8087) no sentido de que "historicamente, tem se mostrado uma exceção, uma vez que, ao longo de dez anos de atuação da DEA/N, em raríssimos casos o método CPL foi aceito pela Fiscalização, apesar de inúmeras tentativas por parte dos contribuintes, dado à falta de elementos de sustentação dos números que pudessem formar a convicção do auditor de que os mesmos seriam confiáveis". Há que se convir que essa afirmação não é aceitável, uma vez que deixa clara uma prédisposição para não aceitar o CPL, o que é fácil fazer, bastando exigir, como é o caso, todos os documentos produzidos no país e no exterior, de forma que, se faltar qualquer documento, mesmo que não essencial para a prova da verdade material, deixase de aceitar o CPL. Se o volume de transações é pequeno, não há grandes dificuldades em apresentar todos esses documentos, mas para grandes volumes de transações a tarefa tornase por demais penosa e até inviável. Daí se verifica que as técnicas de auditoria recomendam a técnica da amostragem, onde, havendo alguns documentos capazes de comprovar a operação, tornase desnecessário obter todos os documentos para certificar a mesma informação. A Lei nº 9.430/96, ao prever o método CPL, o fez como garantia do contribuinte, que deveria contar com a compreensão e orientação do próprio Fisco, no sentido de se escolher os documentos que melhor comprovam a totalidade das transações. Em nenhum momento a referida lei menciona a necessidade de apresentação de todos os documentos indiscriminadamente. Fl. 8589DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.567 33 Os argumentos acima guardam relação com a segunda preliminar de nulidade constante da impugnação, pois a lei assegura ao contribuinte, havendo mais de um método aplicável, o direito de ver aplicado em seu caso o método mais favorável, ou seja, aquele do qual resulta o maior valor dedutível. De observar que a lei não distingue o destinatário dessa norma, devendo seguila não só o contribuinte, mas também a própria fiscalização. No entanto, a fiscalização descaracterizou os métodos aplicados pela impugnante, sem demonstrar que o método escolhido era mais favorável (e certamente o PRL60% não é). Da manifestação da fiscalização sobre a descaracterização do método PIC Em relação à descaracterização do método PIC, a manifestação da fiscalização repete as alegações que foram apresentadas no Auto de Infração, reafirmando a falta de invoices e que as intimações foram atendidas parcialmente, além de abordar questão de direito sobre os requisitos regulamentares do PIC. A própria autoridade fiscal, durante a ação fiscal, estava ciente do grande volume de informações e documentos, razão pela qual intimou a impugnante a apresentar parte das invoices, reconhecendo que a análise física da totalidade dos documentos seria humanamente quase que impossível. Se a fiscalização admite em suas próprias intimações que utilizará o exame por amostragem, não seria justo exigir um esforço desnecessário do contribuinte. Ao requerer parte dos documentos para verificação física, a fiscalização não pode agora descaracterizar o método eleito pelo contribuinte sob o argumento de que este não apresentou a totalidade de tais documentos. Importante ressaltar que a amostragem pode conter falhas involuntárias, as quais necessitam ser examinadas pela fiscalização, no sentido de aceitar aquelas que não causam impacto significativo no resultado final da análise. Essa análise é que a impugnante alega não ter sido realizada durante a fiscalização, o que teria levado a reconhecer que os eventuais equívocos involuntários em nada prejudicaram o resultado dos trabalhos. Na página 3 do Termo de Diligência (fl. 8083) é abordada questão de direito quanto ao conceito e à aplicação do termo "agregação de valor". Nesse aspecto, a impugnante reitera o seu entendimento manifestado na impugnação (página 12, item IV B). Ao final, em relação ao PIC, resta reafirmar que a filial Londrina não possuía qualquer estrutura industrial para performar qualquer agregação de valor aos produtos. Da manifestação da fiscalização sobre a descaracterização do método CPL São feitas críticas de amplitude geral à impugnante durante o procedimento de fiscalização, relacionadas novamente com a suposta apresentação parcial de documentos. A impugnante justamente tem tentado ressaltar as falhas involuntárias que inevitavelmente ocorreram, com o devido respeito, em razão da forma pela qual a fiscalização foi efetivada. Reiterase que o grande volume de transações e documentos e os curtos prazos para resposta contribuíram para o surgimento de tais falhas. Vejam, por exemplo, que na resposta ao Termo de Intimação nº 4, item 12, a impugnante anexou 50 notas fiscais e esclareceu que deixou de apresentar o restante porque haviam sido disponibilizados para outra fiscalização. A impugnante está Fl. 8590DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.568 34 sendo acusada de não apresentar a totalidade dos documentos, mas não se considera que tal omissão ocorreu por causa de outra fiscalização, na qual os mesmos documentos haviam sido requisitados. Todas as informações estão nas diversas planilhas, CDs, cópias, etc., de forma extremamente detalhada, conforme os registros contábeis. O que a impugnante não teve tempo nem oportunidade de fazer foi demonstrativos resumidos, com explicação sintética dos dados, a fim de proporcionar uma forma fácil de visualizar as informações. Como a fiscalização não solicitou esse trabalho, nem concedeu prazo suficiente para tanto, o mesmo não foi realizado. Daí decorreram os equívocos na análise dos dados. Já na impugnação tentouse melhor ordenar as informações e documentos, dentro dos 30 dias disponíveis para defesa. No item IVD da aludida defesa, página 23, apresentase uma explicação sobre os anexos (docs. 12 a 15), no intuito de facilitar a análise, devendose atentar para o fato de que nem assim a tarefa é fácil, pois os resumos citam planilhas detalhadas por meio das quais é possível encontrar os comprovantes. Quanto ao fato de a impugnação trazer dados diferentes daqueles apresentados anteriormente, esse é um direito garantido ao contribuinte, daí decorre exatamente a razão de existir a figura do processo administrativo tributário. Ademais, eventuais alterações ocorreram por motivos alheios à vontade da impugnante, essencialmente relacionados aos curtos prazos para resposta, ao grande volume de dados e transações, e à falta de interação com a autoridade fiscal. Feitas essas considerações sobre o CPL, passase a seguir a comentar aspectos relacionados aos produtos que foram objeto de autuação. À página 13 da manifestação fiscal (1 — Item DE535 — Código 15522) encontrase, logo no segundo parágrafo, a comprovação de tudo o que se tem dito até o momento. A impugnante alega que não foram solicitados os documentos relativos ao produto intermediário de código 0012009 e a fiscalização alega que a impugnante omitiu sua existência. Conforme exaustivamente demonstrado e justificado nas linhas anteriores, nem a fiscalização nem a contribuinte atentaram para esse aspecto durante a ação fiscal, tendo a contribuinte revisado os dados para apresentálos nesta fase contenciosa. As linhas seguintes da manifestação fiscal referemse às alterações de dados na impugnação, com relação às informações anteriormente apresentadas. Ocorre que o julgamento deve considerar os dados apresentados na impugnação. É o que desde já se reitera e requer. Nessa linha de raciocínio, os dados apresentados na manifestação fiscal, demonstrando alterações de valores, não têm utilidade prática. De notar que algumas das mencionadas diferenças são de centavos de dólar. Essas conclusões valem também para os demais produtos, tendo em vista que a abordagem da manifestação fiscal também foi semelhante. Por fim, ressaltese que a própria fiscalização, em sua conclusão (página 24), reconhece a necessidade de uma nova auditoria, ao afirmar que "No intuito de impor sua pretensão de utilização do método CPL para os itens impugnados, a impugnante, alegando equívocos, apresenta novos elementos e dados divergentes dos apresentados durante a fiscalização, ensejando uma nova auditoria". Fl. 8591DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.569 35 Diante do exposto, reitera a impugnante os argumentos e o pedido apresentados em sua impugnação, no sentido de que o Auto de Infração seja declarado nulo ou, assim não se entendendo, que seja julgado totalmente insubsistente.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 21.427 (fls. 8.3938.444) de 19/05/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente em perte o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Sendo os documentos apresentados pela contribuinte insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço de transferência, a fiscalização poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos previstos na legislação. PERICIA. INDEFERIMENTO. Sendo prescindível, indeferese a perícia solicitada. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PRL20%. AGREGAÇÃO DE VALOR. O método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL) mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento não pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, agregação de valor ao custo dos bens, não configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO PIC. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método PIC (Preços Independentes Comparados), correta a sua desqualificação pela fiscalização. DESQUALIFICAÇÃO DO MÉTODO CPL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não logrou a contribuinte êxito em comprovar materialmente cálculos de ajustes segundo o método CPL (Custo de Produção mais Lucro), correta a sua desqualificação pela fiscalização. CÁLCULO DO PREÇO PRATICADO. ESTOQUE INICIAL. O preço praticado (média ponderada) deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas no ano, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Desconsiderandose, dessa forma, a segregação efetuada pela fiscalização em "ajuste do estoque inicial" e "ajuste das importações do ano" recalculase o ajuste total e exonerase parcialmente a exigência. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS. EXONERAÇÃO PARCIAL. Exonerandose parcialmente a tributação a título de preços de transferência, exonerase parcialmente a exigência a título de compensação indevida de prejuízos. Fl. 8592DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.570 36 CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente.” Por ter a exoneração do crédito lançado excedido o limite de alçada, a DRJ recorreu de ofício de sua decisão. Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 03/08/2009 (A.R. de fl. 8.446) a interessada interpôs recurso voluntário em 02/09/2009 (fls. 8.4538.489) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 8593DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.571 37 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Resumo da lide A contribuinte foi autuada por insuficiência de ajustes relativos a preços de transferência no anocalendário de 2002 (43 produtos). Como conseqüência dessa autuação, foi também autuada por compensação indevida de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário de 2003. Com relação a 15 produtos, os métodos PRL20%, PIC e CPL, foram desqualificados pela fiscalização. O método PRL20% para os produtos considerados semi acabados (importados em embalagens grandes e vendidos em embalagens menores), e os métodos PIC e CPL, por insuficiência ou imprestabilidade dos documentos apresentados. Os ajustes originais segundo os métodos PRL20% (4 produtos, para os quais houve a desqualificação do método) e CPL (houve a desqualificação do método para todos os 6 produtos) foram recalculados pelo método PRL60% e os segundo o método PIC (5 produtos, para os quais houve a desqualificação do método), pelos métodos PRL20% (4 produtos) ou PRL 20%60% (1 produto), conforme se observa da análise das planilhas de fls. 532 a 535 (ajustes da contribuinte) e fls. 2.053 e 2.054 (ajustes da fiscalização). O método PRL20% foi desqualificado pois não se tratava de revendas diretas, tendo havido agregação de valor aos itens importados. O método PIC foi desqualificado pois a fiscalizada teria apresentado apenas parte dos documentos solicitados. Em relação a algumas invoices oriundas da PBB Polisur S.A. — vinculada da fiscalizada — esta apresentara cópia simples de registros contábeis de vendas da PBB Polisur S.A., que não substituem as invoices solicitadas e não contêm todos os dados necessários, especialmente quanto ao produto vendido e ao comprador. O método CPL foi desqualificado pois a fiscalização não pôde formar convicção quanto ao preço calculado por esse método, por não ser possível verificar a correlação entre as quantidades das principais matériasprimas adquiridas e a quantidade do item produzido, nem identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior. Em sua defesa, a impugnante alega nulidade dos Autos de Infração por cerceamento do direito de defesa e contesta a desqualificação dos métodos PRL20%, PIC e CPL (total de 15 produtos). Especificamente com relação aos demais produtos (total de 28), para os quais foi mantido o método adotado pela contribuinte, a impugnante não se manifesta (mas como Fl. 8594DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.572 38 alega nulidade dos Autos de Infração, não se pode falar em constituição definitiva do crédito tributário. Passo à análise do caso. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Da preliminar de nulidade dos lançamentos por cerceamento do direito de defesa Não vislumbro sucesso na preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, tenho o entendimento de que o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso presente, os Autos de Infração foram lavrados por pessoa competente, e, como já mencionado, a hipótese do inciso II, quanto ao cerceamento de defesa, não se aplica a autos de infração mas apenas a despachos e decisões. Ademais, ainda que se entendesse que o cerceamento do direito de defesa ensejasse a nulidade dos autos de infração, impenderia analisálo à luz do caso concreto, ou seja, se os atos e fatos ocorridos efetivamente prejudicariam o direito à ampla defesa da contribuinte. Com efeito, a interessada teve, dentro dos prazos normativos, a oportunidade de opor argumentos aos da autuação, quer seja por ocasião de sua impugnação, quer seja quando se pronunciou quanto ao relatório de diligência. O que se constata é que em ambas as peças a interessada traz argumentos de mérito que demonstram não haver sido prejudicada por qualquer ato da Administração. Rejeito, pois, a preliminar suscitada quanto à nulidade dos Autos de Infração. Fl. 8595DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.573 39 Da preliminar de nulidade do lançamento por escolha dos métodos pelo Fisco Alega a Recorrente que a DRJ, ao interpretar o § 2º do artigo 4º da IN SRF nº 243/2002, e concluir que o mandamento nele veiculado não constitui uma imposição à fiscalização, interpretou de forma incorreta a norma jurídica, uma vez que totalmente dissociada da Lei 9.430/96, cujo § 4º do artigo 18 assim dispõe: "...na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado". Com efeito, entendo descabida a argumentação da Recorrente quanto a esse ponto. Vejase o comando legal citado. Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos de que tratam os arts. 8º a 13, exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. [...] § 2º Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado, devendo o método adotado pela empresa ser aplicado, consistentemente, por bem, serviço ou direito, durante todo o período de apuração. [...] (grifei) Com efeito, entendo que o escopo do artigo 4º é dirigido tãosomente a pessoa jurídica importadora. É nesse sentido que o comando trata do preçoparâmetro “a ser” utilizado nas importações de empresa vinculada. Ou seja, o momento procedimental o qual a norma pretende balizar é aquele anterior à importação dos bens, serviços ou direitos. Não há, naquele momento, procedimento de fiscalização ao qual estaria submetida a empresa, uma vez que os fatos relacionados à importação ainda estavam em desenvolvimento. Nessa esteira, é clara a orientação no caput do citado artigo 4o de que a opção por um dos métodos de apuração do preçoparâmetro é prerrogativa da pessoa jurídica importadora. Noutro giro, a situação que se analisa nos autos decorre de procedimento de fiscalização das ações já levadas a termo pela interessada, cuja orientação consta do artigo 40, § único, daquela IN SRF nº 243/2002, in verbis: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado; Fl. 8596DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.574 40 II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). Assim, caso proceda à desqualificação dos cálculos efetuados pela contribuinte (o que se analisará mais a frente neste voto), tem a fiscalização a opção de determinar o preçoparâmetro, aplicando um dos métodos referidos na IN SRF nº 243/2002. Destaquese, nessa linha, que a opção menos gravosa escolhida pela Autuada, na hipótese do parágrafo único do art. 40 da IN SRF nº 243/2002, já havia sido descartada pela fiscalização. Assim, não se sustenta o argumento da Recorrente quanto às alegadas impropriedades cometidas na lavratura do auto de infração, no que concerne à descaracterização dos métodos utilizados e adoção de outro mais gravoso. Rejeito, pois, a preliminar suscitada quanto à nulidade dos Autos de Infração. Da preliminar de nulidade do lançamento pela emprego do método PRL 60% com a utilização da IN SRF nº 243/2002 para o anocalendário de 2002 Alega a Recorrente que as disposições da IN SRF nº 243/2002 incluiriam a instituição do método PRL 60% e que somente poderiam ser aplicadas a partir do ano calendário de 2003. Argumenta que o período de abrangência do auto de infração é o ano calendário de 2002, e que a própria CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, por meio da Solução de Consulta Cosit nº 2, de 23/01/2008, já se manifestara no sentido de que as disposições da IN SRF nº 243/2002, “que inclui a instituição do método PRL 60% sem respaldo em Lei”, devem ser aplicadas apenas em relação às importações realizadas a partir do anocalendário de 2003, sendo facultativa a sua utilização para os anoscalendário anteriores. Com efeito, entendo descabido o argumento da Recorrente. Isso porque o método PRL 60% tem como supedâneo legal o artigo 18 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada, vigente à época dos fatos geradores, pela Lei nº 9.959/2000), conforme consta da fundamentação legal do auto de infração. Vejase o teor do citado artigo: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: Fl. 8597DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.575 41 [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: [...] d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) [...] Vêse, portanto, que a instituição do método PRL 60% não se deu, como alegado pela Recorrente, com a IN SRF nº 243/2002, que, por sua vez, é meramente interpretativa e procedimental, quanto à aplicação dos métodos de obtenção do preço parâmetro. Tanto é assim que a citada Solução de Consulta Cosit nº 2, de 23/01/2008, ao esclarecer que, na determinação do preço parâmetro pelo método PRL 60%, com a vigência da IN SRF nº 243/2002, “devese deduzir o valor agregado, ao bem produzido no país, na apuração da margem de lucro de 60%,...”, nada mais fez do que repisar aquilo que artigo 18 da Lei nº 9.430/96, em seu inciso II, letra d1, já preconizava. Rejeito, pois, a preliminar suscitada quanto à nulidade dos Autos de Infração. Da desqualificação do método PRL20% Os produtos discriminados na tabela abaixo tiveram o método PRL20% desqualificado pela fiscalização sob o argumento de que tais produtos sofreram processo de industrialização, já que não foram revendidos diretamente, mas importados em embalagens grandes e vendidos em embalagens menores, com agregação de valor ao custo final de cada item. Item importado Novo método TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277) PRL60% NORTRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570) PRL60% VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) PRL60% CYPERCHEM250BR DRMLST200L BRA (código 214631) PRL60% Vejase excerto do Termo de Verificação Fiscal (TVF) quanto a esse item, fls. 2.058/2.060: “Nos casos de importação de "semiacabados", em que há agregação de valor no Brasil ao custo dos bens e serviços importados, como feito pela fiscalizada em relação aos itens TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277), NORTRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570), VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) e CYPERCHEM250BR DRMLST200L BRA Fl. 8598DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.576 42 (código 214631), a legislação é clara ao vedar o uso do método PRL margem de 20%, como se extrai do referido § 9º do artigo 12 da IN SRF nº 243/2002. A partir dos dados referentes às ordens de produção, constantes do arquivo eletrônico "InsumoProduto.xls", apresentado em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (fls. 295 a 298), verificouse que tais itens não foram revendidos diretamente, mas importados em embalagens grandes e vendidos em embalagens menores, através de outros códigos, conforme demonstrativo abaixo: Código Descrição Código Descrição 00129277 TRACER BTLHPE4X4X1 BRA NAF85 L 00130780 TRACER BTLHPE4X1 BRA NAF85 L 00214570 NORTRIN250CE DRMLST200L BRA 00214856 NORTRIN250CE BTLCOX12X1 BRA L 00214625 VALON384CE DRMLST200 BRA L 00214853 VALON384CE BTLCOX12X1 BRA L 00214631 CYPERCHEM250BR DRMLST200 BRA L 00214851 CYPERCHEM250BR BTLCOX12X1 BRA L O processo de industrialização é definido no artigo 4º do Decreto no 2.637/98 (RIPI). (...) Ademais, em que pese a declaração da fiscalizada de que "é o mesmo produto porém em embalagens diferentes" (fls. 1033 a 1036), verificouse que houve agregação de valor ao custo final dos itens, de acordo com a planilha "Custo — médio" (fls. 417 a 424), apresentada em resposta ao Termo de Intimação nº 2, conforme abaixo: Cód. item Descrição Lote U. Medida Custo Fixo Custo Variável Custo Agregado Custo Apurado 130780 TRACER BTLHPE4X1 L BRA 1000 L 466,32 310.894,40 466,32 311.360,72 214851 CYPERCHEM250BR BTLCOX12X1 L BRA 1000 L 518,92 48.343,86 2.762,48 48.862,78 214853 VALON384CE BTLCOX12X1L BRA 1000 L 518,92 58.462,96 1,702,38 58.981,88 214856 NORTRIN250CE BTLCOX12X1L BRA 1000 L 518,92 37.654.22 1.684,94 38.173,14 Cód. Item Preço praticado/litro Cód. Item Custo apurado/litro 129277 301,33 130780 311,36 214631 46,36 214851 48,86 214625 57,26 214853 58,98 214570 35,73 214856 38,17 Diante disso, em relação aos itens TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277), NORTRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570), VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) e CYPERCHEM250BR DRMLST2001_ BRA (código 214631), o método de apuração do preço parâmetro utilizado pela fiscalizada — PRL20% — não pode ser aceito, haja vista que tais itens não tiveram saída (revenda) direta, mas foram vendidos apenas após integrarem o processo de produção de outros itens, tendo havido agregação de valor.” De fato, observase que em todos os supracitados itens houve agregação de valor em relação ao produto final comercializado (conforme se observa do demonstrativo de Fl. 8599DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.577 43 fls. 2.043/2.044, coluna G), não sendo, no entender da fiscalização, possível a utilização do método PRL20%, conforme explicitado no §9º do art. 12 da IN SRF no 243/2002, in verbis: "Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. (...) § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. (..)" (grifei). De forma diversa do que entendeu a fiscalização, a Recorrente argumenta que o cerne da questão em análise se trata da existência ou não de um novo produto, e não da restrição expressa na citada IN SRF nº 243/2002 à aplicação do PRL20. De fato, o que se observa da descrição no TVF acima transposto é que os produtos finais e os importados são os mesmos, tendo havido tãosomente o fracionamento para venda, conforme se comprova pelas descrições daqueles produtos nas tabelas acima reproduzidas. Ademais, nas palavras da própria Autuante: “verificouse que tais itens não foram revendidos diretamente, mas importados em embalagens grandes e vendidos em embalagens menores”. Quanto à agregação de valor nos produtos importados, verificase nos demonstrativos de fls. 2.043/2.044, coluna G, que o montante agregado é de pequena monta, variando entre 3 a 6% do custo total apurado (vide quadroresumo abaixo), o que entendo ser condizente com o processo de fragmentação do produto importado, haja vista não haver qualquer alteração ou agregação de insumos, ou qualquer outro procedimento industrial para se chegar ao produto final. Fl. 8600DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.578 44 Cód. Item Preço praticado/litro Cód. Item Custo apurado/litro Participação do insumo no produto final Percentual agregado ao insumo 129277 301,33 130780 311,36 0,97 0,03 214631 46,36 214851 48,86 0,95 0,05 214625 57,26 214853 58,98 0,97 0,03 214570 35,73 214856 38,17 0,94 0,06 Do exposto até aqui, há que se reconhecer que os produtos importados e finais são os mesmos, não havendo qualquer tipo de produção de produtos novos com os insumos importados, a menos da fragmentação de suas embalagens. Nesse sentido, tinha o entendimento, como o expresso no Acórdão nº 1402 01.012, de 12/04/2012, de que a fragmentação, na acepção o art. 4º do Decreto n° 2.637/98 (RIPI), caracterizava industrialização de um novo produto. Tal entendimento era isolado nesta Turma, que, em sentido divergente, considerava haver norma específica para o caso concreto em sentido diverso do que preconiza o citado art. 4º do Decreto n° 2.637/98. Vejase a ementa do voto vencedor naquele Acórdão nº 140201.012: PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. REACONDICIONAMENTO. MÉTODO PRL. O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento pode ser aplicado nas hipóteses em que haja, no País, simples reacondicioamento em embalagens apropriadas à revenda dos mesmos no Brasil. Estudando melhor a matéria, convencime de que a mudança da embalagem de apresentação do produto para fracionamento ou aumento da quantidade, sem qualquer alteração ou agregação de insumos, ou qualquer outro procedimento industrial, não configura, por si só, a hipótese de aplicação do método PRL 60%. De fato, resta claro da própria descrição dos fatos no TVF citado acima que a contribuinte não importou os bens para serem utilizados na condição de insumo e sim de produtos perfeitamente acabados e definidos, que não se confundem com matériaprima, material intermediário, ou qualquer insumo destinado à produção de outros produtos. À época dos fatos em análise – anocalendário de 2002, vigia o artigo 18 da lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 9.959/2000, in verbis. Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...] II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: Fl. 8601DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.579 45 a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o prelo de revenda; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no Pais, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei n°9.959, de 2000) [...] O citado art. 18 é claro ao estabelecer que o método PRL 60% somente se aplica na hipótese de bens importados aplicados à produção o que não é o caso dos autos conforme já discutido acima. Nas demais hipóteses, deve ser aplicado o método PRL 20% como, de fato, procedeu a Contribuinte. Destacase no Recurso Voluntário que o entendimento da Receita Federal também é neste sentido. Vejamos: “[...] Também não se conforma a Recorrente com a r. Decisão no ponto em que lhe nega a aplicação da resposta à consulta nr. 842 de 2002, da própria Secretaria da Receita Federal, por meio do documento denominado "Perguntas e Respostas" publicado no site www.receita.fazendagov.br . Vejamos: Pergunta: 842 Segundo previsão do § 1 o do art. 4o da IN SRF no 243, de 2002, o PRL com margem de lucro de 20% (vinte por cento) não pode ser utilizado quando o produto importado houver sido adquirido para emprego na producão de outro bem. É possível a utilização do PRL nas hipóteses de acondicionamento ou reacondicionamento de produto importado? Resposta: Sim. O acondicionamento ou reacondicionamento não implica a produção de outro bem, serviço ou direito . (destaque da transcrição) Ora Nobres Julgadores. A pergunta e a resposta são de cristalina clareza, no sentido de que o acondicionamento/reacondicionamento não implicam a produção de outro bem! [...]” Fl. 8602DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.580 46 Reputo, portanto, correto o procedimento da contribuinte ao aplicar o método PRL 20% para apuração de eventuais ajustes, em face da legislação de preços de transferência, quanto aos produtos TRACER BTLHPE4X4X1 L BRA NAF85 (código 129277), NOR TRIN250CE DRMLST200L BRA (código 214570), VALON384CE DRMLST200L BRA (código 214625) e CYPERCHEM250BR DRMLST200L BRA (código 214631). Restam prejudicadas as análises quanto à perícia solicitada para comprovar que o processo utilizado se restringiu a mera substituição ou fracionamento de embalagens e quanto à alegação de que as disposições da IN SRF nº 243/2002 incluiriam a instituição do método PRL 60% e que somente poderiam ser aplicadas a partir do anocalendário de 2003. Da desqualificação do método dos Preços Independentes Comparados PIC Os produtos a seguir discriminados tiveram o método PIC desqualificado: Item importado Novo método PE HDPE 7997 BGXX25 KG (código 114483) PRL20% PE HDPE 350571— BGXX25 KG (código 128368) PRL20%60% PE DOWLEX NG208513 BG5525 (código 154786) PRL20% PE DOWLEX NG3348B BG5525 (código 155253) PRL20% PE HDPE 900521— BG5525 KG (código 170864) PRL20% No entendimento da fiscalização, o método PIC foi desqualificado porque a Contribuinte teria apresentado apenas parte dos documentos solicitados, não sendo possível formar convicção quanto ao preço parâmetro apurado pela Empresa, em relação aos itens supracitados. Em sua defesa, a Recorrente alega que: a amostragem não restou prejudicada pela falta de apresentação de pequena parte das invoices solicitadas; não teve a oportunidade de se justificar antes de receber os autos de infração e que o prazo para apresentar justificativas em sua impugnação foi exíguo tendo em vista ter passado 28 dias (dos 30 dias de prazo legal após a ciência dos autos de infração) sem ter acesso ao processo. é errado o entendimento de que na filial Londrina parte das quantidades importadas teriam sido "revendidas diretamente ... e em parte transformadas em outros produtos antes da venda final...". Alega que aquele estabelecimento é meramente comercial e que juntou aos autos um relatório obtido dos arquivos magnéticos do Sintegra, mensalmente enviado para a Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná, onde se confirma que todo o faturamento da unidade correspondia a revenda, e não a venda de produção própria. A Auditora Fiscal erroneamente aplicou o método PRL 60% ao polietileno importado (item de código 128368) e simplesmente revendido pela filial de Londrina, que é estabelecimento exclusivamente comercial, sem estrutura de produção. Passo à análise. Quanto à desqualificação do método PIC, entendo conforme a decisão recorrida. Os motivos para tanto estão expressos no Termo de Verificação Fiscal, às fls. Fl. 8603DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.581 47 2.061/2.063, e são suficientemente detalhados pela Auditora Fiscal no Termo de Diligência, às fls. 8.081/8.087. Dispõe o artigo 40, § único, da IN SRF nº 243/2002, que: "Art. 40. A empresa submetida a procedimentos de fiscalização deverá fornecer aos AuditoresFiscais da Receita Federal (AFRF), encarregados da verificação: I a indicação do método por ela adotado, II a documentação por ela utilizada como suporte para determinação do preço praticado e as respectivas memórias de cálculo para apuração do preço parâmetro e, inclusive, para as dispensas de comprovação, de que tratam os arts. 35 e 36. Parágrafo único. Não sendo indicado o método, nem apresentados os documentos a que se refere o inciso II, ou, se apresentados, forem insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço, os AFRF encarregados da verificação poderão determinálo com base em outros documentos de que dispuserem, aplicando um dos métodos referidos nesta Instrução Normativa" (grifei). A Empresa foi intimada a apresentar as memórias de cálculo dos preços parâmetro adotados, nos termos do artigo 40, inciso II, da IN SRF nº 243/2002, tendo apresentado a relação de invoices de fls. 478/520, quase todas emitidas por uma mesma empresa, a PBB Polisur S.A. Ao ser intimada a apresentar parte das invoices selecionadas para verificação física, a Interessada, num primeiro momento, atendeu apenas parcialmente. Reintimada em relação às invoices faltantes, apresentou, com relação à empresa PBB Polisur S.A., apenas documentação contábil oriunda do exterior, da qual não constava qualquer indicação sobre o produto vendido e seu respectivo comprador (fls. 1.053/1.165). A partir do momento em que a Empresa elenca diversas invoices para a comprovação do preçoparâmetro adotado, e, intimada e reintimada, não apresenta parte delas, a apuração do preçoparâmetro com base na relação de invoices perde a confiabilidade para fins de formação da convicção do Auditor Fiscal. Destaquese que as invoices relativas à empresa PBB Polisur S.A. representavam mais de 95% da relação apresentada às fls. 478/520. Assim, considero que a Recorrente não logrou êxito em comprovar materialmente aquilo que alegava e, em razão disso, a fiscalização, corretamente, desconsiderou o preçoparâmetro apurado pelo método PIC. Igual sorte reputo ao argumento da Recorrente de que não teve a oportunidade de se justificar antes de receber os autos de infração e que o prazo para apresentar justificativas em sua impugnação foi exíguo tendo em vista ter passado 28 dias (dos 30 dias de prazo legal após a ciência dos autos de infração) sem ter acesso ao processo. Fl. 8604DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.582 48 Com efeito, conforme já discutido na preliminar de nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, a Interessada teve, dentro dos prazos normativos, a oportunidade de opor argumentos aos da autuação, quer seja por ocasião das diversas intimações, que por ocasião de sua impugnação, quer seja quando se pronunciou quanto ao relatório de diligência. O que se constata é que, em resposta nessas duas últimas (impugnação e resposta à diligência) a Interessada traz argumentos de mérito que demonstram não haver sido prejudicada por qualquer ato da Administração. Em relação ao item de código 128368, cujas quantidades importadas foram em parte revendidas diretamente, pela filial de Londrina, e em parte transformadas em outros produtos antes da venda final, a fiscalização efetuou os cálculos dos preços líquidos de venda de forma distinta, ponderando, ao final, as quantidades vendidas direta ou indiretamente. O "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO PREÇO PARÂMETRO — MÉTODO PRL 20%60%" do item de código 128368 (fl. 2.046) discrimina as vendas dos produtos derivados do item importado e as vendas diretas do mesmo item — exatamente aquelas realizadas pela filial de Londrina (CNPJ nº 61.416.129/000331). A última linha do referido demonstrativo aponta as vendas líquidas diretas da filial de Londrina, apuradas de acordo com a sistemática do método PRL com margem de 20%, conforme definido no artigo 12, § 8º, da IN SRF n° 243/2002 (conforme demonstrado à fl. 8.086). As demais linhas do referido demonstrativo correspondem aos valores apurados pela sistemática do PRL com margem de 60%. Assim, considero descabida a alegação da Recorrente quanto à utilização indevida do método PRL com margem de 60% para o polietileno importado e revendido pela filial de Londrina já que, neste caso, foi utilizado tãosomente o método PRL com margem de 20%. Não há na autuação utilização do método PRL com margem de 60% para o item de código 128368 que foi revendido pela filial de Londrina pelo fato de que aquele é, na realidade, um estabelecimento comercial e não industrial. Quanto a esse item, não vejo máculas no lançamento efetuado. Da desqualificação do método CPL Os produtos a seguir discriminados tiveram o método CPL desqualificado: Item importado Novo método DE535 DRMSTL250KG EC1 (código 15522) PRL60% FLUMETSULAM98 BLKCDB800LB ML1 EX (código 66437) PRL60% TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1 (código 139781) PRL60% PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA (código 182736) PRL60% SPIDER840GRDA DRFBR300X12 (código 182738) PRL60% GLYPHOSATE62%TK INTBLKI KG (código 192405) PRL60% O método CPL foi desqualificado porque a fiscalização não pôde formar convicção quanto ao preço calculado por esse método, por não ser possível verificar a correlação entre as quantidades das principais matériasprimas adquiridas e a quantidade do item produzido, nem identificar quais as espécies e quantidades de matériasprimas necessárias para fabricar uma unidade daquele item no exterior. Fl. 8605DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.583 49 Em sua defesa, a então Impugnante trouxe aos autos diversas alegações e documentos o que levou a DRJ a baixar os autos em diligência à DEAIN/SÃO PAULO, para que a Autuante se manifestasse acerca dos documentos apresentados. Em resposta, a Autuante elaborou o Termo de Diligência de fls. 8.081/8.105, analisando os documentos trazidos aos autos pela Interessada. Transcrevo os fundamentos da Autuante, sintetizados na decisão recorrida. . Item Importado: DE535 DRMSTL250KG EC1 (código 15522) Na impugnação, a impugnante limitase a juntar aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 37.610.585,01 (doc. 13, fls. 3039/3042), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item DE 535 no ano de 2002. Ademais, ao cotejar as quantidades adquiridas e as quantidades consumidas no processo, em relação a uma parte das matériasprimas informadas na planilha "DE535_base.xls", entregue durante a fiscalização, foram verificadas inconsistências entre o custo declarado na referida planilha e o que foi apresentado como custo de aquisição na relação de invoices juntada na fase de impugnação, como exemplificado à fl. 8094. Tais observações referentes ao custo unitário de um dos materiais mais relevantes na produção do item 15522 reforçam a falta de coordenação entre os elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. . Item Importado: FLUMETSULAM98 BLKCDB800LB ML1EX (código 66437) A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção do item 66437 em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar que "involuntariamente se equivocou durante a auditoria ao se esquecer de mencionar que algumas matériasprimas foram produzidas em 2001 e consumidas em maio de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item, para fins de comprovação do método CPL. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem sem, contudo, apresentar quais as quantidades consumidas e os seus respectivos custos. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 4.281.710,05 (doc. 13, fls. 3081/3082), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 66437. Ademais, verificouse, de acordo com a referida planilha, que o custo de aquisição do item 9427, utilizado na produção do intermediário 11983, no montante de US$ 728.575,41, corresponde a aquisições efetuadas apenas em outubro e Fl. 8606DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.584 50 novembro de 2002. Considerandose que houve produção do item principal (66437) nos meses de maio, junho e dezembro de 2002, ou o item intermediário 11983 foi produzido sem a integração da referida matériaprima (improvável) ou a relação de invoices apresentada traz falhas e não subsidia os custos de produção apresentados. Ainda de acordo com a mesma relação, houve aquisições de terceiros do item 13075 — embora tenha sido informado como item produzido pela própria fabricante do produto principal —, ocorridas apenas a partir de junho de 2002. Tais observações referentes às aquisições servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. . Item Importado: TEBUTHIURON95% BAGPPR500KG SL1 (código 139781) Na impugnação, a impugnante limitase a discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.661.486,31 (doc. 13, fls. 3074/3078), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 139781. A falta de coordenação entre os elementos apresentados pode ser atestada pela simples comparação entre as planilhas de fl. 2365, onde o custo total dos materiais consumidos na produção do item 139781 foi discriminado e a de fl. 3273, onde foram resumidos os custos de aquisição apresentados para aqueles materiais. Verificouse que a contribuinte deixou de apontar as notas fiscais de aquisição da totalidade dos custos informados em relação a diversos materiais, enquanto apresentava custos maiores para outros, conforme o quadroresumo de fl. 8098. Tais observações referentes às aquisições servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. . Item Importado: PACTO DRMFBR900X11.9GRPVA (código 182736) A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar na impugnação que "involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha custos relativos a matériaprima (raw material) relativa apenas ao ano de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL. Reafirma o intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado, no montante de US$ 2.474.226,17 (anterior), mas apresenta, na própria impugnação, planilha em que o custo de materiais totaliza US$ 1.520.747,91. Fl. 8607DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.585 51 Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários, e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as ',quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.447.233,83 (doc. 13, fls. 3046/3052), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 182736. Tais observações servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. . Item Importado: SPIDER840GRDA DRFBR300X12 (código 182738) A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade" referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Ao declarar que "involuntariamente se equivocou durante a auditoria ao se esquecer de 'mencionar que algumas matériasprimas foram produzidas em 2001 e consumidas em maio de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL. Reafirma o intuito de comprovar a procedência da totalidade do custo relativo ao item importado, no montante de US$ 8.372.616,50 (anterior), mas apresenta, na própria impugnação, planilha em que o custo de materiais do item totaliza US$ 6.246.336,81. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem com seus custos mensais, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 7.447.233,83 (doc. 13, fls. 3046/3052), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 182738. Tais observações servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. . Item Importado: GLYPHOSATE62%TK INTBLK1 KG (código 192405) A impugnante alega ter utilizado matériasprimas adquiridas em 2001 para a produção do item em 2002. Não esclarece sobre a produção em 2001 do item 192405 em 2001, já que parte dos materiais intermediários produzidos em 2001, em que pese a "sazonalidade” referida, provavelmente foi utilizada no próprio ano, nem sobre as quantidades de materiais intermediários existentes em estoques ao final de 2001, os quais teriam sido consumidos na produção do item em 2002. Fl. 8608DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.586 52 Ao declarar que "involuntariamente se equivocou ao indicar na planilha custos relativos a matériaprima (raw material) relativa ao mês de dezembro de 2002”, a impugnante demonstra a fragilidade dos dados constantes do demonstrativo de apuração do custo de produção do item e dos elementos apresentados para fins de comprovação do método CPL. Na impugnação, a impugnante limitase discriminar as matériasprimas com seus custos, sem, contudo, apresentar as quantidades consumidas. Junta aos autos uma relação das notas fiscais de aquisição das matériasprimas envolvidas na produção do item, incluindo as fases intermediárias, totalizando US$ 4.523.432,07 (doc. 13, fls. 3071/3072), sem discriminar e sem possibilitar a verificação de quanto efetivamente fazia parte do custo de produção do item 192405. A fragilidade dos dados apresentados ainda pode ser sumariamente constatada pela diferença verificada entre o custo unitário de aquisição do item 196802/130835 informado no demonstrativo do custo de produção e o novo custo unitário apresentado na impugnação (o qual decorreria de aquisições em 2001). Tais observações referentes ao custo unitário do material mais relevante na produção do item 192405 servem para evidenciar a falta de coordenação entre os elementos apresentados pela impugnante desde o início do procedimento fiscal e contribuem para inviabilizar a convicção positiva da fiscalização quanto ao custo de produção apresentado. Como bem observa a Autuante, a falha básica, comum a todos os itens, para a desconsideração do método CPL, foi a impossibilidade de se verificar a correlação entre as quantidades das matériasprimas adquiridas e a quantidade do item produzido, considerandose os respectivos custos unitários e totais, de modo a permitir a aferição, ao menos aproximada, do custo real de produção no exterior. Além disso, a convicção sobre a idoneidade dos dados apresentados restou prejudicada também em razão de diversos pontos de inconsistência verificados nos dados e documentos apresentados em relação a cada um dos itens importados cuja opção foi pelo método CPL. Assim, não procede a alegação da Recorrente de que o volume de documentos acostados à defesa não foi analisado. Os documentos foram, sim, analisados, demonstrandose claramente a sua insuficiência e imprestabilidade para subsidiar os cálculos da contribuinte segundo o método CPL. Alias, a própria Empresa confessa que não juntou aos autos documentos suficientes, ao afirmar a impossibilidade física da compilação de documentos registrados nas contabilidades de todas as empresas Dow no mundo. Com relação à resposta ao Termo de Intimação nº 4, no sentido de que anexou 50 notas fiscais e que deixou de apresentar o restante porque haviam sido disponibilizados para outra fiscalização, cumpre observar que a Defendente não esclarece de que fiscalização se trata, nem comprova a impossibilidade de apresentar os documentos solicitados. Com relação à afirmação da Autuante (fl. 8.087) no sentido de que "historicamente, tem se mostrado uma exceção, uma vez que, ao longo de dez anos de atuação da DEAIN, em raríssimos casos o método CPL foi aceito pela Fiscalização, apesar de inúmeras tentativas por parte dos contribuintes, dado à falta de elementos de sustentação dos números que pudessem formar a convicção do auditor de que os mesmos seriam confiáveis", Fl. 8609DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.587 53 cumpre observar que, ao contrário do que entende a defesa, não se trata de uma prédisposição para não aceitar o CPL, mas uma simples constatação de que os contribuintes, ao adotarem o método CPL, não se preocupam em embasar os cálculos nos documentos exigidos por lei. No caso concreto, em momento algum a defesa apresenta documentos que comprovem satisfatoriamente as quantidades consumidas de matériasprimas e de produtos intermediários e seus respectivos custos, as quantidades de produtos intermediários em estoques no início do período fiscalizado e outros elementos que permitissem a aferição, ainda que aproximada, dos custos de produção registrados nas respectivas declarações de renda no país de origem. Destaquese que cabe à contribuinte comprovar a coerência e solidez dos dados referentes aos custos de produção apresentados. Não logrando fazêlo, correta a desconsideração dos preçosparâmetro apurados pela Empresa segundo o método CPL. Entendo por correto o lançamento nesse ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade dos lançamentos e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para restabelecer a utilização do método PRL 20% para os itens de códigos 129277, 214570, 214625 e 214631, bem como considerar a repercussão desse resultado no cálculo da compensação indevida de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário de 2003. DO RECURSO DE OFÍCIO A decisão recorrida acertadamente considerou indevido o procedimento da fiscalização que utilizara o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período. O correto, como bem observado na decisão a quo, seria a utilização do preço praticado médio em todo o cálculo (ou seja, durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto a que se referirem os custos, despesas ou encargos, a teor da Lei n º 9.430/96, art. 18, § 1 º) e não apenas para as importações do período. Vejase excerto da decisão recorrida quanto a esse ponto: (...) Assiste razão à impugnante ao afirmar que no ajuste efetuado pela fiscalização (anocalendário de 2002) foi utilizado o preço praticado do ano anterior para apurar o ajuste do estoque inicial separadamente das importações do período, sendo que o correto seria utilizar o preço praticado médio em todo o cálculo e não apenas para as importações do período. O preço praticado relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002 deve ser utilizado para o cálculo dos ajustes relativos a todas as unidades consumidas em 2002, independentemente de haverem sido importadas nesse ano ou em anos anteriores. Dessa forma, há que se desconsiderar a segregação efetuada pela fiscalização — em "ajuste do estoque inicial" e "ajuste das importações do ano" e se adotar, como preço praticado, o valor calculado pela fiscalização relativo às importações efetuadas no anocalendário de 2002, como quantidade sujeita a ajuste, o total Fl. 8610DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16561.000120/200776 Acórdão n.º 1402001.808 S1C4T2 Fl. 8.588 54 consumido no ano de 2002 e como preçoparâmetro os valores calculados pela fiscalização. Apesar de a impugnante trazer esse argumento apenas com relação aos itens importados de códigos 114483, 128368, 154786, 155253 e 170864 (objeto de desqualificação do método PIC), esse equívoco da fiscalização ocorreu com relação ao todos os itens objeto de ajuste, e será considerado nesta decisão. (...) Com efeito, a Lei n º 9.430/96, em seu art. 18, §1º, vigente à época dos fatos analisados assim previa: Art. 18 ... [...] § 1º As médias aritméticas dos preços de que tratam os incisos I e II e o custo médio de produção de que trata o inciso III serão calculados considerando os preços praticados e os custos incorridos durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto de renda a que se referirem os custos, despesas ou encargos. [...] (grifei) Dessa forma, entendo por correta a decisão recorrida que considerou a utilização do preço praticado médio em todo o cálculo (ou seja, durante todo o período de apuração da base de cálculo do imposto a que se referirem os custos, despesas ou encargos, a teor da Lei n º 9.430/96, art. 18, § 1 º) e não apenas para as importações do período. Pelo exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 8611DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 18471.002447/2004-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000
VEÍCULOS USADOS
Por expressa disposição legal, a partir do fato gerador ocorrido em 30 de novembro de 1998, a base de cálculo da COFINS, nas operações de venda de veículos usados, será determinada pela diferença entre o valor de alienação e o valor de aquisição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado.
EDITADO EM: 23/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES - Redator designado. EDITADO EM: 23/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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DE VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2000 VEÍCULOS USADOS Por expressa disposição legal, a partir do fato gerador ocorrido em 30 de novembro de 1998, a base de cálculo da COFINS, nas operações de venda de veículos usados, será determinada pela diferença entre o valor de alienação e o valor de aquisição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado. EDITADO EM: 23/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 47 /2 00 4- 74 Fl. 339DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.002447/200474 Acórdão n.º 3101001.028 S3C1T1 Fl. 107 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 307 a 309): Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 91 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins no período de 03/98 e 02/99 a 02/2003, exigindoselhe contribuição de R$214.902,87, multa de oficio de R$ 161.177,03 e juros de mora de R$148.648,38, perfazendo o total de R$524.728,28. No Termo de Constatação de Irregularidades Fiscais — fls.90, o AFRFB autuante esclarece que a empresa tem como objeto social o ramo de veículos novos e usados, venda de peças e acessórios, bem como serviços de reparos mecânicos e funilaria e, após análise contábil dos documentos e livros fiscais e comerciais, foi constatada a falta/insuficiência da COFINS, com base no confronto entre as informações dos Sistemas/SRFSINAL e DCTF, com os dados fornecidos pelo contribuinte relativos as bases de calculo da contribuição, sendo efetuado o lançamento de oficio. 0 enquadramento legal encontrase a fls. 94. Cientificada em 23/12/2004, a interessada apresentou em 21/01/2005 a impugnação de fls. 106/116, na qual alegou: 1. Inicialmente, ressalvese que a impugnante somente foi intimada da autuação em 10 de janeiro de 2004, ocasião em que a sra. Adélia Cardoso Dias, procuradora da impugnante, compareceu ao órgão competente da SRF no Rio de Janeiro, munida de procuração também datada de 10 de janeiro de 2004, que foi retida pelo sr. Fiscal e deve ter sido juntada aos presentes autos administrativos; 2. Entretanto, naquela ocasião — 10/01/2005, o autuante exigiu que a procuradora da impugnante firmasse a intimação, lançando, contra a vontade da procuradora, a data retroativa de 23/12/2004, sendo que esta assinou a ciência do contribuinte com tal data retroativa, provavelmente por receio de desagradar a autoridade que se encontrava, naquele momento, em posição de poder; 3. De qualquer forma, a impugnante apresenta a presente defesa na corrente data (menos de 10 dias úteis contados do inicio de seu prazo, se considerada a intimação em 10/01/2005), reduzindo amplamente o tempo que teria para preparar a presente impugnação, apenas para que não se venha a alegar que a mesma é intempestiva; 4. Em relação ao valor exigido a titulo de Cofins do fato gerador ocorrido em 31/03/1998, o prazo para constituição do crédito tributário Fl. 340DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.002447/200474 Acórdão n.º 3101001.028 S3C1T1 Fl. 108 3 através de lançamento via auto de infração se esgotou em 31/12/2003, muito antes, portanto, da efetiva constituição do crédito tributário; 5. Da mesma forma, em relação aos valores exigidos a titulo de Cofins do exercício de 1999, a saber fatos geradores ocorridos entre 28/02/1999 e 31/12/1999, o prazo para constituição do crédito tributário se esgotou em 31/12/2004; 6. Fica evidente a manobra do autuante, visando evitar o reconhecimento da decadência no tocante a Cofins do ano 1999, forçando indevidamente a procuradoria da impugnante a assinar ciência do auto de infração, com data aposta incorretamente (como se houvera se dado ainda no ano de 2004, o que não corresponde com a realidade dos fatos) e anterior A. efetiva ciência (que se deu já no ano de 2005); 7. Quanto ao mérito, no tocante ao período de 1998, maior preocupação não deve ser dada ao mesmo, já que o valor da autuação é inferior a R$ 1,00 (um real), porém em relação aos fatos geradores de 28/02/1999 a 31/12/2000, frisese que a autuação ora combatida decorre de erro de apuração por parte da autoridade fiscal que, de forma equivocada, considerou como "diferença de cálculos", valores que tanto a própria Lei (art. 5° da Lei n° 9.716/98) quanto A. própria Administração (Instrução Normativa n° 152 de 16 de dezembro de 1998) expressamente entendem que não devam compor a base de calculo da Contribuição em comento; 8. Com efeito, conforme se verifica após análise de toda a documentação contábil,a impugnante somente trabalhava com a revenda de carros usados e, portanto, se aplicar o disposto na referida INSRF n° 152/1998, em especial o disposto em seu artigo 2º; 9. Ocorre que o autuante, ao apurar a base de cálculo do tributo, considerou tão somente os valores lançados nas notas fiscais de venda e escriturados no livro de saída, deixando, contudo, de abater da base de cálculo, o custo de aquisição, exigindo a contribuição exatamente sobre a diferença entre (a) o que foi lançado pela impugnante (base de cálculo apurada descontandose, do valor das vendas o valor das notas fiscais de entrada), e (b) o que o sr. Fiscal entende, de forma equivocada, correto (base de cálculo apurada pelo simples somatório do valor das vendas, sem abater o valor das notas fiscais de entrada); 10. Em outras palavras, a autoridade fiscal está exigindo a Cofins sobre o equivalente ao custo de aquisição de todos os veículos usados, nos exercícios em questão; 11. Portanto, resta demonstrado que a presente autuação, no que se refere aos exercícios de 1999 e 2000, decorre de equivoco do sr. Fiscal autuante, que não observou norma infralegal fulcrada em Lei Federal; 12. Já em relação aos períodos de 2002 e 2003, também deve ser julgado improcedente, pois nesse período a empresa já deixara de Fl. 341DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.002447/200474 Acórdão n.º 3101001.028 S3C1T1 Fl. 109 4 operar no mercado de revenda de veículos, ficando seu faturamento limitado ao valor recebido a titulo de locação do imóvel de sua sede; 13. Além disso, desde 01/01/2002, a impugnante ingressou no SIMPLES e passando a recolher os DARF's na forma determinada por aquele sistema; 14. Ocorre que o autuante, talvez por não haver atentado para a opção da impugnante pelo SIMPLES a partir de 01/01/2002, autuou a mesma como se esta ainda fosse obrigada a recolher a COFINS nos moldes das empresas nãooptantes pelo SIMPLES, o que, a toda evidência, está equivocado; 15. Diante de todo o exposto, requer o acolhimento da presente impugnação, com o cancelamento do Auto de Infração, seja pelo acolhimento das preliminares e/ou pela aceitação dos argumentos de mérito, com a devida baixa da autuação, protestando, sob pena de cerceamento de defesa da impugnante, por todos os meios de prova, inclusive prova documental suplementar e diligência e perícia fiscal nos livros e registros da impugnante e documentação fiscal pertinente (notas fiscais e outros), se necessário, para verificação da idoneidade dos documentos ora apresentados e legitimação dos lançamentos contábeis e fiscais deles decorrentes, além da apresentação de planilhas e documentação complementar, para fim de corroboração de todo o alegado. Junto com a impugnação, a interessada apresentou Procuração e documentos de identidade, Declaração das sras. Adélia Cardoso Dias e Dalvimar Barros dos Santos, de que a empresa foi intimada em 10 de janeiro de 2005, mas colocando a data retroativa de 23 de dezembro de 2004 por imposição do atuante, relação de Notas Fiscais de Entradas e Saídas do anocalendário 1999, cópia da consulta de "Situação Optantes pelo Simples" e DARF's Simples. Inicialmente, o julgamento do processo foi convertido em diligência (fls.139/140), sendo elaborado pela fiscalização o respectivo relatório onde constam as exclusões do custo dos veículos usados, com ciência a interessada em 07/07/2008 (fls. 141/146). A DRJ competente julgou procedente em parte o lançamento para excluir os PA's 03/1998, 02/1999 a 11/1999 e 01/2002 a 02/2003; manter parcialmente o PA 12/1999, no valor de R$ 1.134,00 e acréscimos legais; e manter integralmente os demais períodos. Inconformado, o contribuinte recorreu a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes – redator ad hoc Fl. 342DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 18471.002447/200474 Acórdão n.º 3101001.028 S3C1T1 Fl. 110 5 Por intermédio do Despacho de fls. 338, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101001.028, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pelo relatora original e pelos demais integrantes do colegiado. Conforme consta do relatório do Acórdão anexo ao Auto de infração, o presente feito versa sobre a constituição de crédito tributário dos períodos de 12/1999 e 01/2000 a 12/2000 relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, acrescido de multa de oficio e juros de mora. A Autoridade Fiscal apurou valores referentes à COFINS lançados a menor em relação a base de cálculo apurada pela auditoria, objeto do crédito constituído através do auto impugnado, capitulando a suposta infração conforme o disposto no artigo 5° da Lei 9.716, de 1998, e os artigos 2° e 50 da IN SRF n° 152, de 1998. O órgão julgador a quo considerou o correspondente lançamento procedente em relação a parte do período de apuração de 12/1999 e ao todo correspondente ao período de apuração do ano de 2000, ficando mantida a exigência sobre os respectivos valores. Em relação aos períodos de 03/1998, 02/1999 a 11/1999 e 01/2002 a 02/2003 o lançamento foi considerado improcedente, ficando cancelada a respectiva exigência. A recorrente alega que alguns pagamentos não foram considerados pela fiscalização na apuração do demonstrativo de débitos, sem, no entanto, apresentar documentação probante de suas alegações. Pela ausência de comprovação das alegações por parte da recorrente, a decisão recorrida não merece reparos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. E essas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator ad hoc Fl. 343DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000042/2003-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
INCENTIVO FISCAL. FINOR. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. REQUISITOS.
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. - Súmula CARF nº 37.
Hipótese em que o contribuinte demonstrou o recolhimento do IRPJ do exercício de 2000 por meio de compensações, e apresentou, na sessão de julgamento, certidões que comprovam a regularidade fiscal de débitos relativos a créditos tributários federais, à Dívida Ativa da União, e ao FGTS.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1102-001.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Evande Carvalho Araujo- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 INCENTIVO FISCAL. FINOR. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC. REQUISITOS. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. - Súmula CARF nº 37. Hipótese em que o contribuinte demonstrou o recolhimento do IRPJ do exercício de 2000 por meio de compensações, e apresentou, na sessão de julgamento, certidões que comprovam a regularidade fiscal de débitos relativos a créditos tributários federais, à Dívida Ativa da União, e ao FGTS. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVO FISCAL. FINOR. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. REQUISITOS. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Súmula CARF nº 37. Hipótese em que o contribuinte demonstrou o recolhimento do IRPJ do exercício de 2000 por meio de compensações, e apresentou, na sessão de julgamento, certidões que comprovam a regularidade fiscal de débitos relativos a créditos tributários federais, à Dívida Ativa da União, e ao FGTS. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 00 42 /2 00 3- 43 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 488 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, e Antonio Carlos Guidoni Filho Relatório PERC O contribuinte acima identificado apresentou o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl. 2), referente à declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do exercício de 2000, anocalendário de 1999, que foi indeferido pelo despacho decisório de fls. 214 e 215. O relatório do acórdão de primeira instância assim descreveu os motivos do indeferimento (fl. 454): 3. Inicialmente, verificada a regularidade fiscal da Interessada, constatouse a existência de irregularidades impeditivas ao deferimento do PERC: Recolhimento incompleto do IRPJ/2000; Débitos inscritos na Dívida Ativa da União; Débitos em cobrança no SIEF. 4. Pela “Intimação nº 1174/2005” de fl. 82, recebida pela Interessada em 12/07/2005 (fl. 82, verso), o Contribuinte foi intimado a solucionar as pendências acima indicadas. 5. Decorrido o prazo estipulado na intimação, o Contribuinte apresentou documentação de fls. 83 a 197, que, segundo a Autoridade de jurisdição, não atendeu plenamente a solução das pendências. Feita nova pesquisa fiscal (fls. 198 a 206), constatouse a existência das mesmas pendências citadas. 6. Assim, de acordo com o art. 60 da Lei nº 9.069/95, que impõe a comprovação pelo contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais para que seja concedido ou reconhecido qualquer incentivo ou benefício fiscal, o PERC foi indeferido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado dessa decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 221 a 225), acompanhada dos documentos de fls. 226 a 450, acatada como tempestiva. Socorrome, mais uma vez, do relatório do acórdão de primeira instância na parte em que descreve os termos desse recurso (fls. 454 a 456): 8. A Interessada disse que os débitos que ensejaram o indeferimento do seu pleito estão pendentes de apreciação ou com a sua exigibilidade suspensa. 9. Sobre o processo nº 10680.003681/9903, diz que a sua exigibilidade está suspensa por força de depósito judicial dos valores discutidos nos autos do mandado Fl. 490DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 489 3 de segurança nº 93.002077695. O processo 10680.003682/9968 possui exigência idêntica ao acima, portanto, também está com a sua exigibilidade suspensa. 10. Quanto ao processo nº 10680.003679/9953, foi efetuado depósito judicial nos autos do mandado de segurança nº 96.00074569, portanto, o crédito tributário está com a sua exigibilidade suspensa. 11. O processo nº 10680.002995/200346 está com a sua exigibilidade suspensa por força dos depósitos judiciais efetuados nos autos do mandado de segurança nº 96.00074569. 12. Parte do crédito do processo nº 10680.002994/200300 foi pago em 26/02/99 (PIS) e a respectiva guia de recolhimento foi enviada à DRF/BH. A outra parte do crédito desse processo, referente à CSLL, está suspensa, em decorrência da liminar concedida nos autos do mandado de segurança 96.00094446, que permitiu o depósito referente ao período de junho a dezembro de 1996. 13. Disse ainda que há “dois processos, cujos débitos se encontram inscritos em dívida ativa da União, visando o afastamento do instituto da decadência”. Ressaltou que não lhe foram enviadas nem intimação e nem cobrança desses débitos. Disse que eles, na realidade, decorrem de “erro no preenchimento de DCTF, que já foram esclarecidas à Receita Federal (doc. 04):”. Sobre o processo nº 10680.501114/2004 56, informa que foi protocolada petição na PFN, em Minas Gerais, com os esclarecimentos devidos. Sobre o processo de número 10880.506442/200573, a Manifestante disse que foi protocolada petição na DERAT/SP, com os esclarecimentos pertinentes. 14. Entende que todos os débitos acima mencionados estão sendo analisados pelas autoridades competentes e, até que haja a manifestação delas, devese considerar a suspensão de suas exigibilidades. 15. Sobre os débitos do SIEF, defendeu que “foram devidamente esclarecidos e não devem obstar a liberação do incentivo (doc. 05).” 16. Em relação às pendências junto ao FGTS, anexou certidão emitida por esse órgão, que atesta a sua regularidade (doc. 06). 17. Ao final, pelos motivos expostos, pleiteou o deferimento de seu pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) indeferiu a solicitação, em acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 452 a 460): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 INCENTIVO FISCAL. FINOR. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. REQUISITOS. A situação de irregularidade fiscal do contribuinte apurada pela Autoridade Administrativa perante a SRF, PGFN, FGTS, ou no CADIN impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 490 4 Solicitação Indeferida Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes: a) a verificação da regularidade fiscal do contribuinte é obrigatória antes da concessão de qualquer benefício fiscal, e deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que lhe confere ou reconhece o benefício. Assim, deve ser verificado se o motivo da negativa da Autoridade Administrativa, ou seja, a existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União, débitos em cobrança no SIEF, e recolhimento incompleto do IRPJ/2000, era ou não procedente no momento da decisão; b) as pendências na Dívida Ativa da União persistiam no momento do despacho decisório, e falece competência legal à Secretaria da Receita Federal para se manifestar sobre débitos já inscritos na DAU; c) as reclamações (“Pedidos de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa”) efetuadas pelo recorrente sobre os débitos inscritos na Dívida Ativa, feitos em Minas Gerais e em São Paulo (processos 10680.501114/200456 e 10880.506442/200573), não são causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário; d) o débito de IOF, código de receita 7893, de R$ 31,37, período de apuração 01/02/2001, e os débitos do IRPJ, código de receita 2319, nos valores de R$ 13.264,72 e R$ 57.094,98, período de apuração 01/2001, não foram relacionados com quaisquer documentos comprobatórios da quitação desses débitos ou da suspensão de suas exigibilidades. RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 30/8/2007 (fl. 466), o contribuinte apresentou, em 27/9/2007, o recurso de fls. 467 a 470, onde afirma que: a) o art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, condiciona a concessão de incentivo fiscal à comprovação de quitação de tributos e contribuições sociais, porém não traz nenhum indicativo do momento em que essa quitação deve ser comprovada; b) o Conselho de Contribuintes já decidiu que descabe o indeferimento do PERC quando a alegada irregularidade fiscal não é contemporânea, mas posterior à opção pelo benefício fiscal, e que, identificandose débitos nos sistemas de controle da SRF, a fiscalização deverá intimar o interessado para o cumprimento de tal requisito; c) não é possível admitir que o direito ao incentivo fiscal, apurado na declaração do anobase de 1999, esteja vinculado a pendências apontadas pelos sistemas da SRF e PGFN, as quais podem apresentar distorções na situação real do cadastro de contribuintes, podendo oscilar com freqüência. Se o julgador tivesse analisado este processo na fase de situação cadastral regular teria deferido o incentivo, no entanto, poucos dias depois, em face de mudança da situação cadastral para irregular, indeferiuo; d) inúmeras vezes, embora tenha pago o tributo (por DARF, por compensação demonstrada à Receita Federal) ou tenha obtido suspensão de exigibilidade (em Fl. 492DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 491 5 decisão liminar, por depósito judicial), em razão de falhas no cadastro do sistema do Fisco, vê se impedido de obter certidões negativas ou recebe cobranças desses supostos débitos, por isso, é obrigado a requerer a baixa do debito inexistente ao próprio órgão administrativo ou buscar tutela judicial para tanto (o que, digase, acarreta custo, desgaste etc.). Ao final, requer a reforma da decisao proferida. Este processo foi a mim distribuído numerado digitalmente até a fl. 486. Esclareçase que todas as indicações de folhas neste voto dizem respeito à numeração digital do eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator Tratase análise de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC (fl. 2), referente à aplicação de parte do IRPJ apurado no Fundo de Investimentos do Nordeste FINOR, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do exercício de 2000, anocalendário de 1999 (fl. 22), indeferido em função da constatação de irregularidades impeditivas. O art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, que regula a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, condicionaa à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. Transcrevo o dispositivo: Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. A correta interpretação desse dispositivo foi dada pela Súmula CARF nº 37, abaixo transcrita. Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A esse verbete, foi dado efeito vinculante em relação à administração tributária federal pela Portaria MF nº 383, de 12 de julho de 2010. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 492 6 Dessa forma, a verificação da regularidade na quitação dos tributos e contribuições federais deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, no caso o ano de 1999, sendo lícito que o contribuinte faça prova do seu direito em qualquer momento do processo administrativo. Tais critérios são absolutamente diversos daqueles adotados pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida, que verificaram a regularidade fiscal até o momento da decisão administrativa (em 2005), e entenderam que a prova somente poderia se dar até aquela data. As irregularidades apontadas foram: a) recolhimento incompleto do IRPJ/2000; b) débitos inscritos na Dívida Ativa da União; e c) débitos em cobrança no SIEF. Quanto ao item “a”, na tabela de fl. 48, a autoridade fiscal apontou faltar o recolhimento de R$ 127.502,94 (fl. 48). O contribuinte, por sua vez, diz que compensou a diferença com o pagamento a maior de março de 1999 (fls. 89 e 114 a 118). A decisão recorrida não se manifestou sobre a procedência desses argumentos. Contudo, a própria tabela que indica a irregularidade de recolhimento (fl. 48) aponta a existência de pagamentos a maior nos meses março e maio de 1999, que não foram aproveitados nos meses seguintes. Em análise dos documentos apresentados, o Colegiado entendeu comprovado o recolhimento integral do IRPJ/2000 e afastada a irregularidade do item “a”. Para as irregularidades dos itens “b” e “c”, foram apresentadas, na sessão de julgamento, (a) Certidão Negativa/Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União, e (b) Certificado de Regularidade do FGTS, dentro do prazo de validade, e que tiveram suas autenticidades confirmadas nos sistemas informatizados da Receita Federal e da Caixa Econômica Federal pelos membros da Turma Julgadora. Como a Súmula CARF nº 37 permite a comprovação da regularidade fiscal em qualquer momento do processo administrativo, entendo que também foram superadas as irregularidades dos itens “b” e “c”. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME Processo nº 10680.000042/200343 Acórdão n.º 1102001.249 S1C1T2 Fl. 493 7 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/ 12/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMA NN THOME
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